» Kill Bill Acho que é impossível falar de anti-heroína sem mencionar A Noiva. Nesse grande sucesso de Quentin Tarantino, Uma Thurman encarna uma integrante de gangue, extremamente habilidosa e bem treinada por Pai Mei, mestre das artes marciais e o famoso Bill (David Carradine). Na tentativa de largar o ramo e seguir outra vida, a Noiva tenta se casar às escondidas mas é espancada e quase morta, ficando em coma por anos. Quando acorda, sua sede de vingança toma conta e seu objetivo fica bem claro: matar Bill. Kill Bill é uma produção bem fundamental principalmente por ser um grande clássico consagrado do cinema em que a mulher assume o papel do assassino. O interessante é que os litros e litros de sangue derramados não são absolutamente sem propósito ou somente em nome da ação – o filme também traz à tona questões como estupro, por exemplo: há a clássica cena em que A Noiva está desacordada no hospital e um enfermeiro basicamente vende para outro homem 20 minutos no quarto com a personagem de Thurman, inconsciente. É uma cena indigesta, frívola e absolutamente banal – o enfermeiro dita regras sobre a conduta do homem durante o abuso como se estivesse o instruindo sobre qualquer atividade comum. Felizmente, estamos falando de Beatrix – o desfecho da cena é de descolar as costas do sofá e mostra que de sexo frágil ela não tem nada. Bom, é importante lembrar também que o roteiro de Kill Bill é uma colaboração entre Tarantino e Uma Thurman, o que pode ser uma justificativa bem plausível para que a figura da mulher tenha tanta força, em todos os sentidos, dentro da narrativa.