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Aquecimento global

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Mudanças climáticas: o planeta ainda tem solução?. Página 17

Povos Afrodescendentes

Diálogo com Cleide Hilda sobre o Ano Internacional dos Povos Afrodescendentes Página 36

BRASIL sustenta

Revista trimestral Ano I - Número 02 Março 2011

Sustentabilidade & Inclusão em Debate

Roberto Stuckert Filho/PR

Esquenta o debate sobre Mulheres, Poder e Desenvolvimento no Brasil Violência Doméstica

Um mal que em pleno século XXI atinge mais de um milhão de mulheres somente no Brasil. Página 20

Diálogos sobre Mulheres, poder e desenvolvimento

É possível ter igualdade entre homens e mulheres ? Ao longo desta edição o que pensam algumas autoridades sobre o assunto

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A nova geração olímpica nasce aqui para conquistar recordes de dignidade e cidadania Conheça o projeto que vai inaugurar uma nova etapa na formação de uma sociedade mais feliz e desenvolvida tendo o esporte como instrumento de educação e inclusão social. Uma iniciativa que poderá ter a sua participação efetiva dentro dos parâmetros da Lei de Incentivo ao Esporte.

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Como contribuir com o Projeto da Vila Olímpica dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Paraná A Lei nº 11.438/06 – Lei de Incentivo ao Esporte (L.I.E), regulamentada pelo Decreto nº 6.180/07, prevê a possibilidade de pessoas físicas e jurídicas destinarem uma parcela do imposto de renda devido em benefício de projetos desportivos elaborados por entidades do setor, após aprovados por uma Comissão Técnica composta por representantes governamentais e membros do setor desportivo e paradesportivo. Configura-se, pois, como uma forma alternativa de recolhimento do imposto de renda (IR), ou seja, ao invés de recolher todo o montante devido pelas vias tradicionais, os contribuintes poderão destinar um percentual deste valor (PJ = 1% e PF = 6%) “diretamente” em benefício de projetos desportivos previamente aprovados, por uma das formas prevista em Lei (patrocínio ou doação) e, em seguida, abater os valores gastos no momento do recolhimento, ou, em sendo o caso, obter sua restituição; servindo como mais uma estratégia para o desenvolvimento do esporte brasileiro.

(41) 3029-0215 3


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Vantagens em utilizar a Lei de Incentivo ao Esporte 1

Se desejar, a marca da sua empresa será exposta em todos os bens e serviços viabilizados através da Lei de Incentivo ao Esporte, juntamente com as marcas oficiais do Governo Federal (PATROCÍNIO);

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É possível viabilizar ações de MARKETING ESPORTIVO através da fruição do incentivo (patrocínio a projetos de alto rendimento);

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O apoio direto a projetos desportivos reforça o posicionamento da RESPONSABILIDADE SOCIAL da empresa;

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A não fruição do incentivo obriga ao recolhimento integral dos valores diretamente à Receita Federal;

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A CONTRAPARTIDA é ZERO, ou seja, a totalidade dos valores

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destinados é dedutível do imposto de renda (no limite de 1% do IR devido, excluído o adicional);

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O procedimento é absolutamente simples e sem burocracia (recolhe-se 99% do IR e 1% destina-se por meio de depósito em conta bancária de titularidade da entidade proponente do projeto desportivo, que emitirá RECIBO declarando os valores recebidos para fins de comprovação da fruição do incentivo);

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NÃO HÁ CUMULATIVIDADE em relação a outros incentivos (cultura, audiovisual, fundo da criança e do adolescente, PAT, PDTI, PDTA);

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Por opção da empresa sua imagem poderá ser preservada, ou seja, ficar anônima, caso não tenha interesse em explorar publicamente o retorno possível do incentivo (DOAÇÃO),

ou seja, para ações de cunho filantrópico;

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A responsabilidade pelo acompanhamento de gestão dos projetos desportivos apoiados é de responsabilidade do Governo Federal;

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O apoio a projetos desportivos abre diferentes possibilidades para nossa comunidade, permitindo o desenvolvimento de ações que, de outro modo, deixariam de ser realizadas.


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Diferenças das Leis de incentivo ao Esporte Nacional Lei de incentivo Fiscal ao Esporte nº 11.438/06 de 29 de Dezembro de 2006, Ministério do Esporte Ou simplesmente Lei de Incentivo ao Esporte, estabelece benefícios fiscais para pessoas físicas ou jurídicas que estimulem o desenvolvimento do esporte nacional, através do patrocínio/doação para projetos desportivos e paradesportivos. Podem contribuir para os projetos desportivos ou paradesportivos e obter os benefícios da Lei de Incentivo ao Esporte: n pessoa física – pode deduzir até 6% do imposto de renda devido. Essa dedução concorre com outros incentivos fiscais, sem, contudo, estabelecer limites específicos, o que poderá ser aplicado em sua totalidade no incentivo ao esporte. A opção é do contribuinte. n pessoa jurídica tributada com base no lucro real – pode deduzir até 1% do imposto de renda devido. n Pessoa jurídica tributada com base no lucro real – empresas enquadradas no artigo 14 da Lei nº 9.718/98. São representadas, basicamente, pelas multinacionais e conglomerados dos setores bancário, industrial, de transporte aéreo, empresas de telecomunicações, dentre outras. Compete com outros incentivos fiscais. Isso quer dizer que essa faixa de renúncia fiscal é exclusiva para o setor esportivo. No caso das pessoas jurídicas, o benefício não compete com outros incentivos fiscais. Isso quer dizer que essa

faixa de renúncia fiscal é exclusiva para o setor esportivo. São dedutíveis apenas os valores destinados a patrocínio/doação em favor de projetos desportivos e paradesportivos aprovados previa¬mente pelo Ministério do Esporte.

Estado do Paraná Lei nº 15264 de 12 de setembro de 2006 Lei que Institui o Programa Estadual de Fomento e Incentivo ao esporte Amador, Olímpico e Para-Olímpico no Paraná. Art. 3º. Às empresas, contribuintes do ICMS, situadas no Estado do Paraná que apoiarem financeiramente entidades estaduais de administração do desporto, atletas, equipes, profissionais afins e projetos esportivos, será concedido abatimento no imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transportes interestadual e intermunicipal e de comunicação – ICMS, descontado do valor a recolher, em período único ou sucessivo, no limite máximo de 2,0% do imposto a recolher, até atingir o limite do valor total do projeto esportivo.

poderão ter redução até 100% (cem por cento) do Imposto Sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana - IPTU, relativamente aos imóveis de sua propriedade, cuja utilização seja vinculada às suas atividades essenciais, a título de incentivo, desde que comprovado o investimento em esporte e no social, conforme o disposto no Código Tributário Municipal e neste regulamento.

Estado de São Paulo Decreto nº 55.636, de 26 de março de 2010 Artigo 1° - Este decreto regulamenta o artigo 16 de Lei 13.918, de 22 de dezembro de 2009, que autoriza o Poder Executivo a conceder crédito outorgado correspondente ao valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS destinado pelos respectivos contribuintes a projetos desportivos credenciados pela Secretaria Estadual de Esporte, Lazer e Turismo de São Paulo - SELT.

Município de Curitiba Decreto do Município de Curitiba/PR nº 824 de 02.09.2003 Incentivo a Projetos Esportivos. Art. 1º As entidades civis sem fins lucrativos, inclusive os clubes sociais,

Rua Conselheiro Laurindo, 809 - sala 305, Curitiba-PR-Brasil - CEP. 80060-100

Fone: 55-41-3029-0215 www.institutoiab.org.br

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BRASIL sustenta

Sustentabilidade & Inclusão em Debate

Número: 02 – Março de 2011 Publicação Trimestral do Instituto Adolpho Bauer Conselho Editorial: Adilton de Paula, Alex Bueno Netto, Marcelo Milek, Denise Rybas Dias, Donizal Lopes, Edson L. Peters, Paulo Roberto Castela, João Carlos Nogueira, João Bosco Borba, Maria Alice da Silva, Ladslau Dowbor. Presidente: Donizal Lopes. Vice-presidente: Francisco Rodrigues. Coordenador Geral e Presidente do Conselho Editorial: Adilton de Paula. Diretor Geral da Revista: Orlei Rodrigues da Silva Coordenação de Projetos: Maria Alice da Silva. Equipe de Vendas: Josemar Chaves Nizer, Orlei Rodrigues da Silva. Suporte: Iraci Sobral de Oliveira. Secretário de Produção: Gabriela Guerke Lopes. Apoio Administrativo: Gisele Carvalho Lopes e Analice Rodrigues Santana. Edição: Danubia de Souza. Reportagem: Adilton de Paula, Eli Antonelli e Danubia de Souza. Revisão ortográfica: Chirlei Diana Kohls. Editor Gráfico e ilustrador: Laércio Castro. Impressão: Posigraf. Tiragem: 10 mil exemplares impressos (200 mil exemplares virtuais). Jornalista Responsável: Danubia de Souza (MT 3631 SC). O Instituto Adolpho Bauer é uma organização não governamental, sem fins lucrativos, voltado para a promoção do desenvolvimento territorial sustentável, com inclusão social, de raça e de gênero, com sede na cidade de Curitiba (Paraná) e com perspectiva de atuação em todo território nacional.

Índice n Pensando no futuro Capacitação de funcionários da Usina Jacarezinho resolve um problema crônico na área: o desemprego do trabalhador no período da entressafra - Página 13

Profissionais de vários países participam de discussões em prol do combate a infecções sexualmente transmissíveis - Página 35

n Viva o Ano Internacional dos Povos Afrodescendentes Diálogo com Cleide Hilda sobre o ano Internacional dos Povos Afrodescendentes Página 36

n A força nutricional do açaí O alimento tem sido incorporado na merenda escolar em alguns municípios brasileiros e vem promovendo o aumento na qualidade da alimentação das crianças e jovens das escolas públicas do país - Página 40

n Tragédias anunciadas Governos e a população brasileira devem se preparar: a partir de agora as catástrofes climáticas serão mais frequentes e ainda mais intensas - Página 17

n Ponto de partida do empreendedorismo afro Anceabra dá o primeiro passo para no incentivo à cultura empreendedora da população afrobrasileira - Página 42

n Um problema de todos Números apontam que em 72,1% dos casos de violência contra a mulher, os agressores são os próprios maridos, companheiros ou excompanheiros, e que 51,3% dessas mulheres correm risco de morte. - Página 20

n Crescer sem pobreza

n Integração em benefício da população negra Município de São Francisco do Conde integra evento internacional que discutirá a situação do negro no mundo atual - Página 46

Dilma Rousseff faz uma análise dos avanços e dificuldades relacionadas a classe feminina. A presidente também apresentou seus planos e projetos para erradicar e amenizar os problemas que ainda afetam muitas mulheres brasileiras Página 22

n Contribuição íbero-americana ao debate

n Por uma política feminina

n Dicas culturais - Página 53 n Ponto final -

Saiba como é a representatividade feminina na política brasileira. E conheça ainda grandes mulheres que fazem a diferença no cenário político. - Página 28 6

n Curitiba realiza congresso sobre as DSTs

As mulheres no poder político latinoamericano Página 49

História do 8 de março - Página 55


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Entrevistas especiais:

Ponto de partida

Mulheres, desenvolvimento e poder n Ana Paula Lima Não basta a existência da Lei Maria da Penha. É preciso criar as condições para o enfrentamento e a eliminação da violência. - Página 9

n Iriny Lopes Vamos trabalhar para garantir que as políticas para as mulheres se tornem realidade para todas as brasileiras. Página 14

n Margareth Menezes Acredito que educação é a chave de quase tudo nessa vida. As crianças precisam ter essa conscientização presente desde a escola. - Página 19

n Paulo Paim A diversidade é nossa maior riqueza. Não dá para ser a oitava maior economia do mundo convivendo com diferença salarial entre homens e mulheres. - Página 24

n Ideli Salvatti Verifica-se hoje a execução de atividades, até então mais rotineiras entre as mulheres, por homens : ser eficiente ou não é reflexo de aptidão. - Página 32

n Rebecca Reichmann Tavares A violência de gênero está crescendo entre a juventude. É a principal causa de morte ou deficiência de meninas e mulheres entre 15 e 49 anos. - Página 44

Mulheres, desenvolvimento e poder

A

segunda edição da SUSTENTA BRASIL faz um verdadeiro ESQUENTA do debate de gênero no país. Após a eleição da primeira mulher para a presidência, o tema pega fogo e as mulheres percebem cada vez mais que têm direito de participar de todos os espaços da sociedade. Sendo assim, nosso tema nesta edição não poderia ser outro: Mulheres, Desenvolvimento e Poder. Num período em que o mundo mais uma vez se levanta para dizer não às ditaduras e tiranias, chegou também o momento de dar um basta à violência doméstica. Infelizmente, esse é um mal que ainda persiste, mesmo em pleno século XXI. Só para se ter ideia da dimensão do problema, a violência contra as mulheres atinge sete de cada dez famílias brasileiras. Chegou a hora de dar um basta e acabar de vez com esta injustiça e desrespeito. As mulheres representam hoje 45% do mercado de trabalho e, cada dia mais, dão prova de força, audácia, habilidade e competência. Um mundo sustentável se constrói com homens e mulheres conscientes e cidadãos. Pessoas plenas de direito, de conhecimento e de dignidade. Neste sentido, a SUSTENTA BRASIL faz desta edição sua humilde homenagem. Resgatamos o sentido histórico do 8 de março, que não é uma data meramente mercantil e comercial, mas um dia de reflexão e luta. De reflexão para pensarmos o que de fato já fizemos e o que ainda precisamos fazer em nossa sociedade.

E de luta, porque ainda precisamos vencer muita violência e opressão. Você também vai conferir novidades e polêmicas sobre o desenvolvimento sustentável e a inclusão social. Apontamos algumas das tantas contribuições que fazem deste mundo um lugar melhor para todos. E ainda tem um presente especial para você leitor: em diversas páginas da revista você vai encontrar entrevistas de autoridades e personalidades. Preparamos um Caderno de Diálogo, no qual essas pessoas de diferentes áreas expressam suas opiniões e ideias, além de projetos de ações para combater as violências e promover efetivamente a igualdade de gênero. A base de tudo nós já sabemos: “Ninguém nasce amando, ninguém nasce odiando ninguém. Em sociedade aprendemos a amar e aprendemos a odiar. Portanto, se as pessoas aprendem a odiar, podem também aprender a Amar” (Nelson Mandela). Precisamos, e cedo, ensinar em nossas casas, famílias, escolas, empresas e organizações sociais cada dia mais a respeitar e amar verdadeiramente as mulheres. ESQUENTA o debate e você não pode ficar de fora. A partir deste momento a SUSTENTA abre suas portas para você participar e opinar. Escreva para nós, entre em contato, envie suas opiniões, critique, discorde, mas não se omita. Ajude-nos a ESQUENTAR ainda mais o debate. Adilton de Paula Conselho Editorial

Nosso site - www.revistasustentabrasil.com.br E-mail do editor - redacao1@revistasustentabrasil.com.br Twitter - @revistaIAB 7


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PLAN DE FORMACION 2011 Actividad (CURSO)Curso: Estrategias y modelos de participación ciudadana Solicitar Inscripción DestinatariosEste curso de tres meses tiene por objetivo la capacitación de autoridades electas, directores municipales, concejales, ediles y demás funcionarios municipales interesados en formarse o mejorar sus conocimientos y experiencia en tematicas de participación y empoderamiento de la sociedad civil ObjetivosEste curso busca brindar herramientas que faciliten el acercamiento de los gobiernos locales y las administraciones públicas con la ciudadanía en pos de la generación de renovadas modalidades de gestión y el fortalecimiento de la gobernabilidad democrática. Precio - 680 Euros BecaBecas parciales del 30% del valor del curso. Nº de Plazas - 30 Fechas de Celebración - Desde : 09/05/2011 hasta: 31/07/2011 Fecha Finalización Inscripción - 10/04/2011 Horas Aprovechamiento - 90 Carácter - Internacional Avance Programa - El programa se desarrollará a través de 4 cursos, más un trabajo final. A lo largo de estos módulos se abordarán los siguientes temas: a)Participaicón Ciudadana; b) Presupuesto Participativo; c) Planificación Estratégica y participativa; d) Empoderamiento. Aula - Virtual Lugar - Campus Virtual Materia - PARTICIPACIÓN

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mulheres, desenvolvimento e poder mulheres, desenvolvimento e poder

Entrevista/Ana Paula Lima

“Não basta a existência da Lei Maria da Penha. É preciso criar as condições para o enfrentamento e a eliminação da violência.” Deputada estadual de Santa Catarina. Foi a primeira mulher a assumir a presidência do Legislativo no Estado. Está em seu segundo mandato e, atualmente, preside a Comissão de Direitos e Garantias Fundamentais de Amparo à Família e à Mulher. SB -Em sua opinião, além da eleição de uma mulher para Presidente do Brasil, houve, de fato, avanços das relações de gênero em benefício das mulheres na última década? ANA PAULA LIMA - A análise sobre os avanços das relações de gênero exige uma reflexão mais aprofundada sobre as condições históricas que influenciaram a composição da sociedade patriarcal e sua lenta ruptura rumo a uma sociedade pautada na igualdade entre homens e mulheres. Situada nesta trajetória histórica das mulheres, pensando nas enormes lutas feministas e nos movimentos de mulheres por igualdade, equidade, laicidade, universalidade, justiça social, participação cidadã, podemos afirmar que houve mudanças culturais e políticas que possibilitaram 9


mulheres, desenvolvimento e poder mulheres, desenvolvimento e poder

um maior protagonismo das mulheres. Partindo dessa premissa histórica de lutas, podemos afirmar que houve avanços em quase todas as áreas humanas, mas ainda temos muito a conquistar. Se pegarmos o Censo da Educação Superior, por exemplo, vamos visualizar que as mulheres são maioria nas universidades, em número de alunos e de concluintes, e ocupam espaços semelhantes aos homens na produção científica. Porém, ainda não estão em igualdade no topo das carreiras acadêmicas. No mundo do trabalho, já somos a metade da força. No entanto, as diferenças salariais entre homens e mulheres revelam a persistência do preconceito e da discriminação contra as mulheres. Apesar da escolaridade das mulheres ser superior, seu salário representa 71,2% do rendimento dos homens. Tivemos significativos avanços no Código Pena, como a retirada do seu texto a figura da “mulher honesta” - virgens ou casadas e o crime de adultério. Outra importante modificação do Código foi o fim do perdão para os crimes contra os costumes, como o estupro e o assédio sexual. Avançamos na legislação no combate à violência doméstica, no tráfico de mulheres, no trabalho doméstico, nos direitos trabalhistas, mas milhares de mulheres e meninas ainda são assassinadas ou violentadas no interior de suas casas e trabalhadoras ainda vivem situações vexatórias e de exploração. Progredimos nos acordos internacionais, no espaço institucional, nas áreas do conhecimento, nas relações sociais e políticas. Estamos em todos os lugares. A ciência já provou que as capacidades são iguais. Nas últimas décadas, o reflexo destas lutas está mais visível. As mulheres vêm conquistando mais políticas públicas para que possam estar no mundo do trabalho com mais qualidade, por exemplo: mais creches, escolas, restaurantes populares, lavanderias coletivas. Na saúde, os avanços foram e estão sendo significativos: combate a doenças sexualmente transmissíveis, métodos conceptivos, ampliação da licença maternidade, maior acompanhamento no perí10

odo gestacional, redução da mortalidade materna-infantil. Mas precisamos avançar na representação política, nas instituições religiosas, nos espaços de poder. Para isso, o processo exige a intensa participação das mulheres. SB - O que é preciso fazer para que as mulheres consigam condições de igualdade de direitos em nossa sociedade? ANA PAULA LIMA - Intensificar a participação das mulheres é uma ação efetiva a se estimular e garantir. Uma sociedade de homens e mulheres não é efetiva apenas com a presença de um. É preciso a participação de ambos, com seu conhecimento, criatividade, experiência, percepção, sensibilidade. Agora, é preciso garantir condições de participação. Quando o Estado promove políticas públicas que contribuem com a vida das mulheres para que elas possam estar amparadas na sua condição feminina, sua participação se faz mais efetiva. Por exemplo, mais e melhores creches, restaurantes populares, políticas de saúde, entre outras. Outra ação é ampliar a participação das mulheres na política. No parlamento, nas associações comunitárias, nos cargos de decisão. Criar nos governos secretarias especiais, estimulando o protagonismo das mulheres, principalmente as mais empobrecidas e excluídas. Intensificar políticas de comunicação, fortalecendo as mulheres com informações importantes sobre saúde, trabalho, educação, direitos sociais e da mulher, aumento de equipamentos públicos para garantir acesso a atendimentos básicos. Não basta a existência da Lei Maria da Penha. É preciso criar as condições para o enfrentamento e a eliminação da violência. Precisamos de abrigos protetores para mulheres e seus filhos em risco, de varas especiais, de centros de atendimento, de delegacias especializadas, de capacitação profissional, ações voltadas ao homem agressor. É preciso a ação concreta de combate ao preconceito e discriminação, promovendo campanhas educativas e de conscientização. Criação de espaços de debates: fóruns, conferências, seminários que possam trazer temas im-

portantes sobre igualdade entre homens e mulheres. Promover políticas de capacitação e formação. Criar e fortalecer redes de proteção social. Precisamos de mudança na lei eleitoral, nas relações do trabalho doméstico, que deve ser de responsabilidade de homens e mulheres, oportunizando maior participação das mulheres nas organizações sociais. Precisamos ampliar o leque de participação, de garantias sociais, de informação, de produção científica em torno dos avanços e das dificuldades, oportunizando análises sobre as condições efetivas de vida da população. Com a ampliação da participação política para garantir avanços legais e de estruturas podemos, gradativamente, continuar a construir uma sociedade plural e igualitária. Hoje o Brasil vive um momento especialíssimo não só pela presença feminina na Presidência da República, mas pelos instrumentos adotados pelo governo brasileiro no processo de construção de uma sociedade igualitária; criação do Ministério de Políticas para as Mulheres; aumento da presença feminina nos cargos de decisão e de poder; criação de programas nacionais de combate à violência doméstica, de capacitação, de estímulo às universidades, às empresas; ampliação dos direitos sociais, criação de espaços de diálogo como conferências, congressos, acordos internacionais. O Brasil está seguindo as metas do milênio adotadas pela ONU, com avanços reconhecidos mundialmente. SB - O Brasil está crescendo, se desenvolvendo e tornando-se uma grande potência mundial. É possível alcançar esta meta sem que haja efetivamente a igualdade de gênero? ANA PAULA LIMA - Não. A participação da mulher é parte essencial no processo de desenvolvimento de uma nação. Mesmo porque ela já está em todas as áreas do conhecimento humano. Hoje a mulher não se limita aos afazeres domésticos. Ela está na aeronáutica, na marinha, no exército, nas universidades, na engenharia, na medicina, na educação, na política,


mulheres, desenvolvimento e poder mulheres, desenvolvimento e poder

nas empresas, na produção científica, na mecânica, no trânsito, nos trabalhos sociais, na economia. Enfim, sua presença efetiva já é uma realidade. Tem demonstrado potencialidades inovadoras, oportunizado avanços sociais, econômicos, ambientais, científicos. A divisão sexual do trabalho está gradativamente sendo rompida pela efetiva participação das mulheres. No processo da divisão: à mulher o cuidado da casa e a procriação e aos homens o público e o provimento, o conceito da desigualdade ficou estabelecido de forma concreta e duradoura. No entanto, a própria organização do mundo do trabalho necessitou da mulher para a produção da mais valia, principalmente, nos períodos de guerra. Mas a própria mulher nunca se conformou com esta condição. Buscou escrever sua história. Lutou por direitos sociais, denunciou a guerra, a doença, o descaso, a omissão. Mulheres ousadas e criativas se rebelaram, pois elas sempre fizeram parte ativa em todos os momentos da humanidade, porém sempre no ocultismo do mundo patriarcal. Nesse processo, as conquistas colocam a mulher como parte integrante do desenvolvimento possível de uma nação. O governo brasileiro já reconheceu isto. Tem implementado políticas públicas significativas e eficazes para as mulheres. Até mesmo no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) há medidas de garantias da participação das mulheres. Percentuais são garantidos em todas as ações do PAC. Da mecânica ao asfalto, reduzindo a exploração sexual nas regiões de poucas oportunidades para as mulheres. Lugar de mulheres e homens é em todo lugar. Portanto, esta máxima já defendida e gradativamente aplicada está inserida no desenvolvimento sustentável da nação brasileira. Disto as mulheres não devem abrir mão. Porém, sabemos que na ocupação do espaço público – não só o da casa – é ainda vivido com muito sofrimento, sacrifício, exclusão e opressão. Violência na cidade e no campo, salários menores, tripla jornada de trabalho,

pouca representação na política, exploração sexual, violência doméstica, disputa desigual, dificuldades de oportunidades e de participação são marcas que ainda imperam no mundo da desigualdade entre homens e mulheres. O processo de enfrentamento a esta situação é constante. Mas só tem sido superado com a participação feminina. SB - Você conhece e pode citar ações bem sucedidas em benefício das mulheres e da promoção da igualdade de gênero? Como as pessoas podem ter acesso a estes projetos? ANA PAULA LIMA - Destaco as ações do Ministério de Políticas para as Mulheres - Governo Federal. O site é www.spmulheres.gov.br. Lá encontramos todas as ações realizadas a partir de 2003 no governo federal, desde a instituição da Política e do Plano Nacional de Políticas para as Mulheres, produção literária, programas de equidade, de combate à violência doméstica, pactos nacionais, até ações para aumentar a participação das mulheres na política. São ações nacionais pactuadas entre os governos federal, estaduais e municipais. SB - Quais ações podem e precisam ser desenvolvidas para que crianças e adolescentes já cresçam combatendo a violência contra as mulheres e promovendo a igualdade de gênero? ANA PAULA LIMA - Acredito muito na educação. Nesse sentido, tenho estimu-

lado, na condição de parlamentar, a participação da Política Educacional neste processo. Incluir no currículo escolar o conteúdo sobre violência contra a mulher e sobre a desigualdade de gênero. Primeiro, desvelar fenômenos da violência, como por exemplo da violência doméstica, que acontece no interior da família, da casa, do espaço onde deveríamos ter mais segurança, paz e afetividade e que se revela a maior e mais nociva. Este é um fenômeno construído nas relações e no conceito da desigualdade entre homens e mulheres, no poder de um sobre o outro, no conceito de que sendo homem tudo pode. Por outro lado, na subalternidade e opressão vivida historicamente pela mulher. Além da cultura histórica de desigualdade e opressão, há o fato da escolha: nesta relação está o sonho projetado de felicidade, de segurança, de proteção, de cuidado. Digo isto porque não basta incluir a matéria no currículo escolar. É preciso se aprofundar nas subjetividades que, muitas vezes, impedem o rompimento com o ciclo da violência. Hoje já temos a lei nacional que inclui no currículo este tema, muitos municípios já adotaram. Lembrando que o espaço da escola é de vivências. Também vamos encontrar nossos jovens e crianças que vêm para a escola após viver violência, que vivem e não compreendem o porquê da situação que estão vivendo. Então, é preciso dialogar com os alunos para projetar novas práticas. Além da educação formal, temos a informal, aquela que podemos encontrar nas ações de fortalecimento das mulheres. Ter mais políticas de proteção, de acolhida, de informação voltadas às mulheres e aos homens, na perspectiva da mudança cultural. Muitas vezes, há a permanência no ciclo de violência por não encontrar equipamentos e políticas públicas de proteção. Como ficar sem renda para garantir o sustento dos filhos se não houver políticas públicas de garantia de renda? É complexo e necessário incluir este tema nas ações governamentais e da sociedade em geral, desmistificando preconceito e mudando culturas n 11


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Cursos IAB

Pensando no futuro Capacitação de funcionários da Usina Jacarezinho resolve um problema crônico na área: a qualificação da mão de obra e o desemprego do trabalhador no período da entressafra

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ais de 100 funcionários da Usina Jacarezinho participaram da capacitação. O curso foi articulado pelo Instituto Adolpho Bauer e incentivado pelo Governo Federal através do programa Bolsa Qualificação, do Ministério do Trabalho. O evento teve o objetivo de amenizar um problema crônico na área no período de entressafra. “Tradicionalmente, as usinas de álcool demitem os funcionários no período de entressafra, que começa em dezembro e dura cerca de dois meses, para depois recontratálos. Isso é péssimo tanto para os funcionários, que ficam desempregados até serem chamados novamente, como para a empresa, que gasta dinheiro e tempo com as demissões e depois nas recontratações”, explica Josemar Chaves Nizer, representante comercial do Instituto Adolpho Bauer. Nizer explica ainda que, como previsto no programa Bolsa Qualificação, os dois meses de desligamento dos funcionários são pagos pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), ligado ao Ministério do Trabalho. “Como rege a lei, o FAT dá o respaldo de salário aos empregados das usinas durante este período. Dessa forma, cada funcionário recebe o equivalente a 1,8 salário mínimo durante os meses de entressafra. Os profissionais que ganham mais do que 1,8 salários recebem a diferença da própria

empresa. É muito lucrativo para a empresa, que não passa por burocracias ligadas a recursos humanos (demissão e recontratação) e ainda conta com um funcionário melhor e mais especializado depois da entressafra”, salienta. Além de palestras sobre ética, cidadania, relações humanas e saúde, o curso de 120 horas, que cobre o tempo ocioso

dos trabalhadores durante os dois meses, abordou duas áreas de qualificação: mecânico agrícola e torno/solda. “O setor sucroalcooleiro está passando por uma transformação, que é a automação do campo. Por isso, as indústrias, como é o caso aqui, vão precisar de profissionais especializados em trabalhar com esse novo maquinário”, finaliza Nizer n

Consultoria na área de transformação de plástico A Consulte foi criada com o objetivo de atender as indústrias de transformação de plástico e as que fazem uso destes processos, nas áreas de treinamento, desenvolvimento de produto, engenharia de processo e projetos industriais Engenheiro Antonio Mário V. de Oliveira Rua Nunes Machado, 472, Cj 1106 - CEP: 60250-000 - Curitiba/PR - Fone: (41) 3079-5453 - (41) 9995-0460 www.consulteprojetos.com.br | antonio@consulteprojetos.com.br

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mulheres, desenvolvimento e poder mulheres, desenvolvimento e poder

Entrevista/Iriny Lopes

“Vamos trabalhar para garantir que as políticas para as mulheres se tornem realidade para todas as brasileiras.”

sepm.gov.br

54 anos, Ministra da Secretaria Especial das Mulheres, no governo da presidente eleita, Dilma Rousseff. Foi reeleita em 2010 para o seu terceiro mandato na Câmara dos Deputados. Em seu trabalho como parlamentar presidiu várias CPIs de destaque, como a das Escutas Telefônicas Clandestinas, na qual pediu o indiciamento do banqueiro Daniel Dantas. SB - Em sua opinião, além da eleição de uma mulher para Presidente do Brasil, houve, de fato, avanços das relações de gênero em benefício das mulheres na última década? IRINY - Podemos dizer que a situação da mulher brasileira melhorou muito. Nesses últimos anos, as mulheres conquistaram uma vida com mais cidadania, dignidade, inclusão, autonomia e menos violência. Avançamos muito, mas estamos bem longe do ideal. O governo Dilma tem como eixo central a erradicação da miséria, que atinge a maioria das mulheres, sobretudo negras. Esse é o nosso horizonte de trabalho na Secretaria de Políticas para Mulheres (SPM) para este ano, além de avançar no combate à violência contra a mulher. 14


mulheres, desenvolvimento e poder mulheres, desenvolvimento e poder

Os avanços vieram, principalmente, a partir da criação da Secretaria de Políticas para as Mulheres em 2003. A existência de um organismo governamental nacional para estruturar e propor políticas públicas para as mulheres no Brasil foi essencial para a organização das demandas e a aplicação de medidas que têm sido trabalhadas para reverter uma série de injustiças sociais. A realização de conferências pelo país aglutinou as propostas, que culminaram na elaboração dos dois Planos Nacionais de Políticas para as Mulheres e o conteúdo desses planos vêm sendo colocados em prática. Com o Plano Nacional de Políticas para as Mulheres I e II, as mulheres passaram a contar com um instrumento que permite, de forma sistemática, avançar tanto na formulação quanto na implementação de políticas públicas. No total, são 394 ações divididas em 11 eixos estratégicos, que contemplam temas como trabalho, violência, educação, saúde, meio ambiente, acesso à terra e participação política. Dentre os avanços, temos a Política Nacional de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, construída com o apoio de estados e municípios. Possui ações destinadas à prevenção, assistência e garantia dos direitos das mulheres em diferentes campos. Essa política deu um grande salto com a aprovação da Lei Maria da Penha (11.340/06), em agosto de 2006, e com o lançamento do Pacto Nacional pelo Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, em agosto de 2007, durante a abertura da II CNPM (Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres). A Lei Maria da Penha talvez seja a maior vitória nesses últimos anos, resultado da luta da SPM e do movimento feminista para tentar dar fim a um dos maiores problemas aos direitos humanos das mulheres no país: a violência doméstica. Também é importante destacar outras políticas/ações do governo federal, que certamente alicerçarão mais avanços, como o Programa Pró-equidade de Gênero, uma ação afirmativa voltada para a promoção da igualdade de oportunida-

líticas para as mulheres se tornem realidade para todas as brasileiras. SB - O Brasil está crescendo, se desenvolvendo e tornando-se uma grande potência mundial. É possível alcançar esta meta sem que haja efetivamente a promoção da igualdade de gênero? IRINY - Infelizmente não. A igualdade de gênero é fundamental para o desenvolvimento de uma nação. Ela deve ser encarada como um meio para promover o crescimento e o emprego e não como um custo ou restrição. Não é um assunto feminino, mas de toda a sociedade. Nesse sentido, a igualdade de gênero também é condição essencial para superar a pobreza. As mulheres empoderadas são cruciais em cada aspecto do desenvolvimento social e econômico. des entre homens e mulheres no mundo do trabalho, que está na sua segunda edição; o incentivo à formalização do trabalho doméstico, por meio da Lei 11.324/06; a ampliação de crédito para trabalhadoras rurais; a Política Nacional de Direitos Sexuais e Reprodutivos; a formulação e implementação do Plano de Ações Integradas para o Enfrentamento da Feminização da AIDS; entre outros. SB - O que é preciso fazer para que as mulheres consigam condições de igualdade de direitos e oportunidades em nossa sociedade? IRINY - Apesar das conquistas, ainda temos muito no que avançar. É preciso romper barreiras e preconceitos, eliminar a violência contra a mulher, diminuir as desigualdades de gênero, ampliar o acesso à saúde e à justiça e gerar condições para que as mulheres ocupem mais espaços de poder e de decisão. A conquista do poder e da possibilidade de tomada de decisões é fundamental para a correção das assimetrias de gênero. Significa a oportunidade de serem valorizadas e incorporadas em áreas nas quais são historicamente discriminadas. Vamos trabalhar para garantir que as po-

SB - Quais ações podem e precisam ser desenvolvidas para que crianças e adolescentes já cresçam combatendo a violência contra as mulheres e promovendo a igualdade de gênero? IRINY - Garantir que meninos e meninas, homens e mulheres, tenham o mesmo acesso à educação de qualidade e recebam tratamento igualitário, com respeito à diversidade, é a diretriz básica do capítulo II “Educação inclusiva, nãosexista, não-racista, não-homofóbica e não-lesbofóbica”, do II Plano Nacional de Políticas para as Mulheres, da SPM. A atuação da SPM contribui para que as políticas e ações desenvolvidas pelo Ministério da Educação incorporem o objetivo de combater a discriminação de gênero e todas as demais formas de preconceito - geracional, étnico-racial, por orientação sexual, pessoas com deficiência, entre outras. Um desses instrumentos é o Programa Gênero e Diversidade na Escola, que já formou mais de 30 mil profissionais e cuja meta é capacitar mais 30 mil neste ano. Sua proposta é fornecer elementos para transformar práticas de ensino, desconstruir preconceitos e romper o ciclo de sua reprodução pela escola n 15


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O futuro do seu filho é muito importante para nós também Escola de Futebol de Inclusão Social do Instituto Adolpho Bauer. Traga seu filho para fazer parte deste time Empresário apoie e patrocine esta idéia.

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Praticar esporte é praticar cidadania


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Meio ambiente

Tragédias anunciadas Governos e a população brasileira devem se preparar: a partir de agora as catástrofes climáticas serão mais frequentes e ainda mais intensas

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esmoronamentos, alagamentos, cidades devastadas, economia debilitada e, o que é pior, muitas vidas perdidas. O Brasil nunca sofreu tantas catástrofes climáticas como nos últimos anos. A rapidez e a intensidade desses eventos nos fazem refletir: afinal, o que está acontecendo com o nosso país? Para os especialistas a resposta é simples: são as consequências do aquecimento global. Segundo o geólogo Juarez Aumond, professor da Universidade Regional de Blumenau/SC, cidade que foi fortemente devastada com as chuvas e desmoronamentos no ano de 2008, a situação ainda tende a piorar. “Só para se ter ideia das consequências do aquecimento, quando o nível do mar sobe um centímetro na vertical, ele pode avançar quilômetros na horizontal. Isso significa que, em alguns anos, muitas cidades litorâneas do Brasil podem ficar inundadas”, explica o professor.

Quem pensa que essa é uma realidade distante, engana-se. O próprio Estado de Santa Catarina serviu como exemplo. No ano passado, a maré alta e a ressaca provocaram um rastro de destruição nas praias de Florianópolis. O mar agitado prejudicou o abastecimento de água e deixou várias famílias desabrigadas. “O efeito estufa veio para ficar. Isso não sou eu que estou dizendo, mas sim, as pesquisas mundiais. A situação é mais

grave do que imaginávamos. Mesmo que parássemos agora a emissão de gases que provocam o aquecimento, de acordo com os estudos, só sentiríamos o efeito daqui a 100 anos”, alerta Aumond. O biólogo e mestre em ecologia, Lauro Bacca, confirma esta previsão. “Estamos na verdade colhendo o que foi semeado durante décadas de descaso. O resultado está aí: o efeito estufa realmente veio para ficar e disso não temos dúvida”. 17


www.revistasustentabrasil.com.br Eli Antonelli

Para os especialistas, outro erro que pode gerar ainda mais catástrofes é a votação do novo Código Florestal Brasileiro sem a discussão com técnicos e ambientalistas.

Cratera se abre no asfalto em Almirante Tamandaré no Paraná

Histórico da destruição Crescimento desordenado, má conscientização da população e, principalmente, falta de vontade política são os maiores fatores que geraram as tragédias Segundo os especialistas, após a Revolução Industrial começou uma verdadeira onda de destruição. O crescimento desordenado e desenfreado gerou a emissão de gases à atmosfera, provocando o efeito estufa. “Antigamente, por exemplo, nós conseguíamos perceber a chegada de cada estação: verão, outono, inverno e primavera. Hoje, já não conseguimos mais identificá-las. Temos muitas vezes um clima de inverno dentro do próprio verão. Ou seja, já modificamos a tal ponto a temperatura da terra, que não é possível prever as estações”, explica o geólogo Juarez Aumond. Para o mestre em ecologia Lauro Bacca, a própria cultura civilizatória contribui para aumentar ainda mais a degradação ambiental. “As pessoas estão tão acostumadas, por exemplo, a utilizar o ar-condicionado, que mesmo em dias mais amenos ligam o equipamento. Isso gera um gasto de energia à toa e prejudica o meio ambiente”, salienta. A preservação dos recursos naturais ainda é o principal desafio. As florestas, que ajudam a regular o clima e armazenam gás carbônico (CO2), diminuindo o efeito estufa, estão, literalmente, desaparecendo do planeta. “É lamentável, mas a humanidade já destruiu 90% das florestas do mundo. Apenas 9% podem ser consideradas intactas. Mesmo diante de tantos alertas, a destruição continua.

Praticamente nada está sendo feito”, denuncia Bacca. Para o promotor do Meio Ambiente de Santa Catarina, Luciano Trierweiller, os crimes ambientais são praticados por falta de fiscalização. “A Polícia Ambiental e a Fatma há mais de oito anos não têm um aumento no seu efetivo. Pelo contrário, a cada ano diminui. Falta também estrutura nestes órgãos de fiscalização. Para avançar, precisamos do aumento de policiais ambientais e de servidores. Tudo isso só depende de vontade política”, diz. Outro problema é a falta de estrutura dos municípios brasileiros. “Muitas cidades não possuem nem Secretaria de Meio Ambiente. Tudo fica sob a responsabilidade dos órgãos ambientais municipais que são totalmente vinculados aos interesses dos prefeitos. Leis municipais, que poderiam ser mais protetoras, contrariam o Código Florestal Brasileiro e autorizam a degradação ambiental em áreas de preservação. Enquanto nossos governantes não pensarem em meio ambiente como prioridade, tudo vai ficar como está”, lamenta o promotor. “É preciso realmente ter vontade política. Eu tive acesso, recentemente, a um laudo do Ministério do Meio Ambiente que mostrou que 70% das edificações destruídas na tragédia em Nova Friburgo/RJ estavam em Áreas de Preservação Permanente. Tem mais: 95% das mortes foram em ocupações irregulares. Isso mostra que a política é uma das grandes responsáveis por situações como esta”, complementa Lauro Bacca.

Nossa próxima edição da Revista Sustenta Brasil tem como tema“Meio Ambiente’. Mande sua opinião e sugestões de pautas pra gente, através do e-mail: redacao1@revistasustentabrasil.com.br 18

“O Código Florestal Brasileiro precisar ser aperfeiçoado, mas não com projetos que visam degradar ainda mais o meio ambiente. O Ministério Público e os ambientalistas precisam ser ouvidos”. Luciano Trierweiller – promotor do Meio Ambiente

“Precisamos suspender qualquer pressa nesta votação. É o momento de ouvirmos especialistas e técnicos para realmente discutir prevenção”. Lauro Bacca – biólogo e mestre em ecologia Divulgação - Furb

“Infelizmente, os governos não estão ouvindo as pessoas que lidam com as tragédias”. Juarez Aumond – geólogo


mulheres, desenvolvimento e poder mulheres, desenvolvimento e poder

Entrevista/Margareth Menezes

“Acredito que educação é a chave de quase tudo nessa vida. As crianças precisam ter essa conscientização presente desde a escola.” Itamar Crispim

Cantora, produtora, empresária, diretora teatral e ainda compositora. Margareth já foi reconhecida recebendo prêmios importantes, como troféus Dodô e Osmar e ainda foi indicada para o Grammy Latino. Já fez mais de 20 turnês mundiais, levando a beleza da arte brasileira. SB - Quais os avanços das relações de gênero em benefício das mulheres na última década? MARGARETH - Acredito que podemos perceber isso em todas as áreas, especialmente no que tange a vida profissional, por exemplo. Percebo que a mulher vem sendo tratada com mais igualdade e melhores oportunidades. Isso é ainda mais visível se compararmos à vida de nossas avós, mães, filhas/sobrinhas. SB - O que é preciso fazer para que as mulheres consigam condições de igualdade de direitos e oportunidades em nossa sociedade? MARGARETH - As mulheres não podem se resignar. Precisamos continuar tendo coragem e garra para lutar. SB - O Brasil está crescendo, se de-

senvolvendo e tornando-se uma grande potência mundial. É possível alcançar esta meta sem que haja efetivamente a igualdade de gênero? MARGARETH - Dificilmente. Quase todos os países que são efetivamente grandes potências mundiais têm as questões de gênero muito bem resolvidas. SB - Você conhece e pode citar ações bem sucedidas em benefício das mulheres e da promoção da igualdade de gênero? MARGARETH - Fiz um show no ano passado em Salvador, na Concha Acústica, que foi pela não-violência contra a mulher. Foi lindo! Foi um show gratuito, aberto ao público, no qual Tonho Matéria, uma banda de samba local e eu nos apresentamos com esse contexto de luta pela não-violência contra a mu-

lher. Na época convidei Xanddy (Harmonia do Samba), que fez participação no meu show. Foi ótimo, recebemos bastante gente e as pessoas estavam envolvidas nesse propósito. Chamamos atenção para a causa e transmitimos a mensagem. Acredito que foi uma ação vitoriosa, promovida pela Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM), em parceria com a Secretaria de Promoção da Igualdade do Estado da Bahia (Sepromi). SB - Quais ações podem e precisam ser desenvolvidas para que crianças e adolescentes já cresçam combatendo a violência contra as mulheres e promovendo a igualdade de gênero? MARGARETH - Acredito que educação é a chave de quase tudo nessa vida. As crianças precisam ter essa conscientização presente desde a escola n 19


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Violência contra a mulher

Um problema de todos Números apontam que em 72,1% dos casos de violência contra a mulher, os agressores são os próprios maridos, companheiros ou ex-companheiros, e que 51,3% dessas mulheres correm risco de morte.

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dia 25 de dezembro de 2008 vai ficar para sempre na memória de Alessandra Negreiro*. Foi exatamente nessa data em que começaram as agressões em casa. Segundo ela, qualquer desentendimento era motivo para o marido espancá-la. “Na época minha filha tinha dois anos de idade. E, eu lembro que uma vez ele me bateu tanto que eu peguei minha filha e me tranquei no banheiro. E nós duas ficamos o dia todo ali, trancadas, sem comer, sem tomar água, pois tínhamos medo de sair”. Alessandra faz parte de uma estatística alarmante no Brasil. Segundo dados da Secretaria Especial de Políticas Públicas para as Mulheres, somente nos últimos 12 meses um milhão e trezentas mil mulheres acima de 15 anos foram agredidas. Pesquisa realizada pela Fundação Perseu Abramo em parceria com o SESC, revela que a cada dois minutos, cinco mulheres são agredidas violentamente no Brasil. E a situação já foi ainda pior: há 10 anos eram oito mulheres espancadas neste mesmo intervalo. O medo de denunciar e a dependência financeira ao marido, ainda são os principais empecilhos considerados pelas mulheres. “Eu não trabalhava, era apenas uma dona de casa. Então eu não podia simplesmente largar meu marido. Como eu ia sustentar minha filha? Como eu ia pagar aluguel? Fui obrigada a aguentar tudo aquilo”, explica Alessandra. O marido de Alessandra era dependente químico e justamente quando estava sob o efeito de drogas as agressões

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eram mais constantes. Segundo o assistente social de Blumenau/SC, Ricardo Bortoli, as drogas ajudam a desencadear a violência, mas não são elas as responsáveis pelas agressões. “O marido chega bêbado em casa, por exemplo, e bate na mulher. O álcool o ajudou a tomar aquela atitude, mas a violência já estava neste homem. E os motivos podem ser os mais diversos, desde ciúmes, por exemplo, ou até mesmo uma violência que o próprio agressor tenha sofrido na infância e que agora repete na fase adulta”, explica. A dona de casa só teve coragem de denunciar o agressor quando conheceu

os profissionais da Secretaria de Assistência Social de Blumenau/SC. Após fazer Boletim de Ocorrência, ela foi encaminhada ao abrigo Casa Elisa, destinado às mulheres vítimas de violência. Os próprios profissionais da prefeitura conseguiram a encaminhar para um emprego. “Hoje sou auxiliar de serviços gerais. Cuido da minha filha e consigo pagar certinho meu aluguel. Até já comprei um colchão e agora estou cuidando de mim, arrumando meus dentes”, diz Alessandra com orgulho.


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A Lei Maria da Penha e a questão cultural Romper o ciclo de violência dentro das famílias ainda é o principal desafio. A Lei Maria da Penha, sancionada pelo presidente Lula, em 2006, veio para coibir as agressões no âmbito doméstico e familiar. No entanto, ainda é preciso avançar muito para erradicarmos a violência. Conversamos com a delegada de Polícia Civil, de Jaraguá do Sul/SC, Fedra Luciana Konnel, que ministra palestras sobre a Lei Maria da Penha por todo o Estado de Santa Catarina. Ela aborda o tema também com uma visão particular, já que foi vítima de violência no seu primeiro casamento. Hoje, além de delegada, Fedra é advogada e presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher.

casos para os pobres, pois em algumas situações o agressor rico paga fiança e já é liberado no dia seguinte. Se houver reincidência, o juiz irá decretar ou não a prisão preventiva deste homem. Mesmo assim, a Lei Maria da Penha é um grande

SB - A pergunta que não quer calar: a Lei Maria da Penha realmente funciona? FEDRA - A Lei funciona, mas não como deveria. O problema não é tanto a legislação, mas sim uma questão cultural. Muitas mulheres desistem da denúncia e aceitam novamente o agressor, ou seja, continuam o ciclo de violência. Já aconteceram casos em que nós prendemos o agressor e a própria mulher dele pagou fiança no dia seguinte.

avanço, só precisamos nos adequar para alguns casos. SB - Em que ainda precisamos avançar? FEDRA – Acho que a questão cultural é a mais importante. As mulheres não podem encarar a violência como algo normal. Eu sei que é difícil. Aliás, só quem sofreu violência sabe. No meu caso, foi o meu primeiro casamento e demorei muito tempo para denunciar o meu marido agressor. Depois que fiz a denúncia, também demorei muito tempo para recuperar minha auto-estima. Mas hoje eu sei o quanto a minha denúncia foi importante. Então eu acho que a questão cultural precisa de mais atenção, pois a violência não pode ser tida como normal dentro de casa.

Fedra Luciana Konnel: “demorei muito para recuperar minha auto-estima

SB - As pesquisas revelam que nos últimos 12 meses um milhão e trezentas mil mulheres foram violentadas. O que está acontecendo? Os casos de violência estão aumentando ou as mulheres estão denunciando mais? FEDRA – Com certeza as mulheres estão denunciando mais. Hoje elas são mais independentes e não querem mais ser submissas ou terem de agüentar situações de violência. A Lei Maria da Penha também está estimulando essas mulheres a não suportarem mais estes tipos de situações. SB - Há relatos de mulheres que fizeram boletim de ocorrência contra seus agressores, fizeram ainda o exame de corpo de delito e, no entanto, seus agressores não foram presos. O que acontece nestes casos? FEDRA – Bom, infelizmente a Lei só funciona nestes 21


www.revistasustentabrasil.com.br Roberto Stuckert Filho/PR

Mulher no poder

Dilma Rousseff faz seu primeiro pronunciamento à nação durante solenidade no Congresso Nacional

Crescer sem pobreza Dilma Rousseff faz uma análise dos avanços e dificuldades relacionadas a classe feminina. A presidente também apresentou seus planos e projetos para erradicar e amenizar os problemas que ainda afetam muitas mulheres brasileiras.

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eu objetivo fundamental, como Presidenta da República, é a erradicação da pobreza extrema. No Brasil, a pobreza tem cara: ela é muito feminina, está ligada às mulheres. Quanto mais pobre a família, maior 22

a chance de que ela seja chefiada por uma mulher. Estou convencida de que uma política bem-sucedida de eliminação da miséria deve ser focada na mulher e na criança. Programas como o Minha Casa Minha Vida, o PRONAF Mulher ou o Bolsa Família – que acaba de ser reajustado em até 45,5% e que terá impacto proporcional à quantidade de filhos da família beneficiada – são eficientes porque privilegiam as mulheres. No Dia Internacional da Mulher, quero ressaltar que a eliminação da discriminação de gênero e a valorização das mulheres e das meninas são estratégias indispensáveis para alcançarmos êxito em nossa luta contra a pobreza. Com base em iniciativas como a Lei Maria da Penha, temos al-

cançado progresso no combate à violência contra as mulheres, mas ainda há muito por fazer. Temos intensificando e ampliando as medidas adotadas no governo passado. O Brasil que queremos, e que vamos ter, é um país sem violência. É um país com água, com luz, com saneamento, com educação de qualidade e emprego digno para todos. É um país rico, em que as mulheres e os homens têm as mesmas oportunidades e privilégios, contribuindo juntos para o desenvolvimento e criando seus filhos com dignidade e orgulho. Dilma Rousseff é Presidenta da República Federativa do Brasil


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O que você pensa sobre a promoção da igualdade de gênero no Brasil? Revista

BRASIL Rio+20 sustenta

PRÓXIMA EDIÇÃO

pode ajudar a salvar o Planeta?

Acesse nossos canais de comunicação www.revistasustentabrasil.com.br Twitter: @revistaIAB redacao1@revistasustentabrasil.com.br

Tratar de um tema tão amplo e complexo como a questão do combate a violência contra as mulheres e a promoção da igualdade de gênero, não é tarefa para uma edição ou para uma só revista. Na verdade este é um debate histórico e recorrente e porque não dizer permanente. Talvez devêssemos fazê-lo de forma diária, cotidiana, em todos os nossos espaços sociais, públicos e privados, até que conseguíssemos extirpar definitivamente a violência de nossas vidas e ambientes. A revista Sustenta Brasil, não é a primeira e nem a única revista a tratar do assunto, e de forma alguma tem a pretensão de “esgotá-lo”. Nosso papel aqui é somente de mediador e provocador do debate. A pergunta está aberta e não quer mais calar: o

que podemos ou devemos fazer para combater a violência contra as mulheres e promover efetivamente a igualdade e equidade de gênero? Seja nosso parceiro e ajude a construir a revista Sustenta Brasil número 3. Nossa próxima edição também terá como tema o Meio Ambiente e o Aquecimento Global. Vamos discutir ainda o encontro RIO + 20. Para isto contamos com sua participação e contribuição: Sugira nomes, envie artigos, apontes empresas ou personalidades a serem procuradas e entrevistadas e principalmente participe da nossa enquete e diálogo: n O planeta ainda tem solução? n O que podemos ou devemos fazer para salvá-lo? n O que você diria se fosse participar da Rio + 20?

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mulheres, desenvolvimento e poder mulheres, desenvolvimento e poder

Entrevista/Paulo Paim

“A diversidade é nossa maior riqueza. Não dá para ser a oitava maior economia do mundo convivendo com diferença salarial entre homens e mulheres.”

Agência Senado

Por 16 anos consecutivos foi apontado pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP) como um dos 100 parlamentares mais influentes do Poder Legislativo. Foi deputado federal de 1987 a 2002. Desde 2003 atua como senador pelo Partido dos Trabalhadores do Rio Grande do Sul. SB - Em sua opinião, além da eleição de uma mulher para Presidente do Brasil, houve, de fato, avanços das relações de gênero em benefício das mulheres na última década? Como e onde podemos perceber isto? PAULO - A eleição da primeira mulher para a Presidência da República é algo extremamente expressivo para o país e para as futuras gerações. Além de representar o projeto de continuidade do governo Lula, a Presidenta Dilma representa um simbolismo incalculável de toda uma geração que lutou contra a ditadura e das milhares de mulheres, mães, tias, irmãs 24


mulheres, desenvolvimento e poder mulheres, desenvolvimento e poder

e avós que embalam o sono das crianças e são o alicerce das famílias. O comprometimento da Presidenta Dilma com a pauta das mulheres, na minha avaliação, é o grande diferencial, porque, afinal, não basta ser mulher, a consciência e responsabilidade com o tema é essencial. Tenho certeza que quando houver igualdade de direitos e oportunidades entre homens e mulheres, entre os discriminados, nós conquistaremos a verdadeira democracia. Olhando para a história, lembro de uma mulher que esteve à frente do nosso país, chamada Princesa Isabel. Ela consolidou a luta abolicionista e assinou a Lei Áurea após mais de 300 anos de escravidão. Em relação aos avanços, sou otimista, creio que ocorreram conquistas, como o Projeto que garante a licença maternidade de 120 dias para as mulheres, do qual fui relator. Vejo isso como avanço porque eu, quando criança, era conduzido, no colo, pelos meus irmãos, por quilômetros, até conseguir ser amamentado pela minha mãe, através da cerca da fábrica, em seu intervalo. Essa é uma história que me emociona, mas que me ajuda a seguir adiante. Sabemos que muitas mulheres, ao longo dos anos, já subiram diversos degraus e hoje se encontram em patamares iguais ou mais altos do que alguns homens nas mais diversas áreas. Porém, a participação da mulher no mercado de trabalho ainda está aquém do que poderia ser. Além disso, são frequentes e comuns os casos em que mulheres ocupam cargos e funções semelhantes aos dos homens, mas, mesmo assim, recebem salários mais baixos. Foi por essa disparidade que, no início do mês, a ONU reivindicou, à comunidade internacional, ações concretas para derrubar as barreiras e erradicar as condutas que atrapalham o progresso rumo à igualdade de gênero e impedem o pleno desenvolvimento dos direitos da mulher. Por isso, também, é importante aprovarmos a ratificação no Brasil, da Convenção 156 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), referente

à relação de igualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho. É preciso reconhecer que deve ser dada às mulheres a chance de exercerem sua plena capacidade e cidadania. SB - O que é preciso fazer para que as mulheres consigam condições de igualdade de direitos e oportunidades em nossa sociedade? PAULO – A igualdade entre homens e mulheres é um caminho a ser percorrido. A primeira e maior batalha é cultural. O machismo e o sexismo ainda estão muito presentes na sociedade e para acabar com isso o Estado deve ser atuante e, para tanto, a criação de Secretaria de mulheres, nas esferas municipais, estaduais e federal é essencial,

pois ela irá monitorar e formular políticas para as mulheres. Outro exemplo que considero interessante é a estratégia adotada pelo movimento de mulheres ao integrar cada vez mais homens, para defender as suas bandeiras. Como a campanha “homens pelo fim da violência contra a mulher”. Afinal, este é um problema de todos. SB - O Brasil está crescendo, se desenvolvendo e tornando-se uma grande potência mundial. É possível alcançar esta meta sem que haja efetivamente a promoção da igualdade de gênero? PAULO – A diversidade é nossa maior riqueza. Não dá para ser a oitava maior economia do mundo convivendo com diferença salarial entre homens e 25


mulheres, desenvolvimento e poder mulheres, desenvolvimento e poder

mulheres, ou com um Parlamento com menos de 20% de mulheres, ou ainda com a morte de mulheres no parto por falta de assistência de saúde. Também não podemos conviver com a violência física e psíquica contra a mulher e com a disparidade dos indicadores sociais de gênero. Por exemplo, dados recentes da União Interparlamentar (IPU, da sigla em inglês), órgão vinculado à Organização das Nações Unidas (ONU), mostraram que havia somente 18,2% de mulheres legisladoras no mundo no ano de 2008. Um relatório da ONU apontou que, no atual ritmo, a igualdade de participação entre os gêneros só será concretizada em 100 anos. A Conferência Mundial sobre a Mulher realizada pela ONU estabeleceu, em 1995, um mínimo de 30% como meta de participação feminina no Legislativo. Os governantes têm adotado cotas por sexo nas candidaturas dos partidos, mas, ainda assim, a meta está longe de ser alcançada. O relatório da IPU de 2008 sobre a participação feminina nas Casas Legislativas de 189 países do mundo mostrou o Brasil, com 8,7% de deputadas, em 105º no ranking mundial. Nas eleições municipais do mesmo ano, as mulheres foram quase 52% do eleitorado e somente 21,2% das candidaturas, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). SB - Você conhece e pode citar ações bem sucedidas em benefício das mulheres e da promoção da igualdade de gênero? Como as pessoas podem ter acesso a estes projetos? PAULO – A Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, que reuniu mais de 120 mil mulheres de todo o país e, em consequência dessa mobilização, publicou, no final de 2004, o Plano Nacional de Políticas para as Mulheres, é uma dessas ações. O Governo Lula, através da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, promoveu um ciclo de políticas públicas em prol da igualdade de gênero. Um dos destaques, em minha opinião, foi o Selo Pró Equidade de Gênero, que 26

Agência Senado

é concedido às empresas que se engajam em ações que visam à igualdade entre homens e mulheres no trabalho, no acesso, na remuneração, na ascensão e na permanência no emprego. Outra experiência, que também considero interessante, é o programa de qualificação de mulheres para a construção civil, chamado “mulheres construindo autonomia”, que pode ser conferido no link www.mulheremconstrucao.com.br. Na minha cidade, em Canoas, no Rio Grande do Sul, centenas de mulheres já se formaram e estão no mercado de trabalho com uma boa remuneração, principalmente em virtude da escassez de mão de obra e pela habilidade e perfeição no trabalho desempenhado por elas. Para ter acesso a estes programas, recomendo o acesso ao site www.sepm.gov.br, bem como de entidade ligadas a igualdade de gênero.

SB - Quais ações podem e precisam ser desenvolvidas para que crianças e adolescentes já cresçam combatendo a violência contra as mulheres e promovendo a igualdade de gênero? PAULO – Tenho um projeto chamado Cultura de Paz nas Escolas, que visa à integração entre professores, pais, alunos e a sociedade civil. Além de abordamos a temática em sala de aula, para acabarmos com o ciclo vicioso do preconceito, é importante o diálogo e a parceria entre estes grupos. O exemplo da eleição da primeira mulher presidente do Brasil, assim como mulheres em todos os setores sociais, com igualdade salarial, também é importante. Nós vivemos em uma sociedade em que os exemplos são muito importantes, principalmente para as crianças n


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Saúde

Por uma política feminina Elas dominam quase todos os espaços. Cuidam dos filhos, do lar, estudam e trabalham. Nas universidades já são maioria.

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egundo pesquisa da ONU, em 2007, as mulheres equivalem a 51% do total de matrículas. Mas, por outro lado, as estatísticas apontam um dado desanimador e, ao mesmo tempo, alarmante. No cenário político brasileiro, a representatividade feminina ainda é baixa. Dos 381.667 parlamentares eleitos, apenas 81.426 são mulheres, ou seja, 21,33%. Para a deputada federal Manuela D’Ávila, do PC do B do Estado do Rio Grande do Sul, essa situação é fruto de anos de conservadorismo político e exclusão. “Toda mudança leva um tempo para ser efetivada. A política apenas reflete o que a sociedade vive: mulheres com salários mais baixos, com mercado de trabalho reduzido, com jornada dupla ou tripla, entre outros tantos exemplos de desigualdade que vivenciamos todos os dias”, diz. Para diminuir essa desigualdade, a senadora Gleici Hofmann, do PT do Paraná, defende que o sistema brasileiro no congresso deve ser igual ao argentino. Segundo a parlamentar, é preciso criar cotas para garantir igual número de homens e mulheres no congresso. “Precisamos de ações positivas como as cotas de candidaturas, recursos para campanhas, formação política específica para as mulheres. Defendo, aliás, que precisaríamos de um número de cargos legislativos reservados às mulheres, como no congresso argentino”, complementa. A deputada estadual Leci Brandão também defende esse sistema de cotas. Para ela, a vitória de uma mulher à Presidência da República ajudou a conscientizar as pessoas sobre a importância feminina na política, porém, ainda é preciso avançar muito. “Só assim, com cotas por um determinado período, a mulher conseguiria vencer o preconceito que ainda há nessas posições”, destaca.

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A cara da nova política brasileira Nosso primeiro contato com a deputada federal Manuela D’Ávila (PC do B) foi através do Twitter, a rede virtual em que as pessoas compartilham suas rotinas e ideias, com mensagens rápidas de até 140 caracteres. E pasmem, em poucas horas, a própria parlamentar entrou em contato conosco. Assim é a rotina de Manuela. Durante a correria do dia a dia, a deputada faz a prestação de contas do seu mandato e interage com os eleitores através das redes sociais. “Elas representam o contato direto com os cidadãos, permitem-me ouvi-los, saber das suas necessidades, dos problemas. Possibilitam, também, prestar contas do meu trabalho porque transparência é uma marca que carrego sempre comigo”, salienta. O trabalho diferenciado rendeu a jovem o Prêmio Congresso em Foco, em 2009. Milhares de internautas, de todo

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o Brasil, a elegeram como a melhor representante da população no Congresso durante o ano. Manuela também fez história ao ser a deputada mais votada do Brasil e do Rio Grande do Sul, nas eleições de 2006, com 271.939 votos. Suas ideias e lutas em defesa dos interesses dos jovens abriram espaço para a discussão sobre a tão necessária renovação no cenário político brasileiro. “Acredito que esse espaço vem aumentando porque o povo sente uma necessidade de mudança e vê isso em muitos jovens. Há alguns anos seria impossível termos políticos jovens atuantes e respeitados na Câmara, por exemplo. Hoje temos jovens que fazem política de qualidade em todo país. Nossa busca agora é por mais espaço”, complementa. A rotina da deputada gaúcha é dividida hoje entre duas cidades: Porto Alegre e Brasília. E, mesmo com a agenda lotada de compromissos, ela também tenta pre-

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servar a vida pessoal. “São quase 13 anos de militância e aprendi que é preciso dividir o tempo de forma equilibrada. Eu me esforço muito para não abandonar minha vida pessoal porque nos tornamos inferiores quando abrimos mão das coisas que

A música e a defesa das minorias Depois de quase três décadas de dedicação ao cenário musical, uma das mais importantes intérpretes de samba da música popular brasileira resolveu atuar também na política. A cantora e compositora Leci Brandão (PC do B) foi eleita em 2010 deputada estadual pelo Estado de São Paulo. Filha de família humilde e criada na Vila Isabel, no Rio de Janeiro, Leci marcou a história ao ser a primeira mulher a fazer parte da ala de compositores da Escola de Samba Mangueira. E, assim como na música, quer fazer a diferença no parlamento. Entre suas bandeiras estão as lutas Divulgação

nos são caras, como família, relacionamentos, amigos. O que me faz ter vontade de fazer política é a crença de que o ser humano pode viver melhor e isso passa, necessariamente, por este equilíbrio ao qual me refiro”, finaliza. Divulgação

pelo combate ao racismo e à igualdade de gênero na sociedade brasileira. “É preciso colocar mais representantes da população feminina no congresso. Temos mais mulheres se candidatando, mas nem sempre os partidos dão o apoio necessário na campanha. Vemos muito filhas de empresários se elegendo, pois têm recursos. Isso é bem visível em São Paulo, por exemplo, onde existem muitas mulheres humildes, representantes de movimentos sociais, que não têm a mesma oportunidade”, salienta. De acordo com a deputada, somente o investimento pesado em educação pode mudar este cenário na política brasileira. “A base de tudo é a escola pública forte, com professores respeitados. Só assim poderemos formar cidadãos com conscientização política”, afirma. As ideias e lutas de Leci, hoje defendidas na assembleia, sempre foram expostas nas músicas. Segunda ela, o fato gerou preconceito e polêmica. “Cheguei a ficar cinco anos sem gravar. Isso porque as gravadoras não aceitavam que eu falasse sobre determinados temas sociais”, relembra. 29


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A representatividade da mulher Eleita a primeira senadora para representar o Paraná no Senado Federal, a luta de Gleici Hoffmann tem sido constante em prol da classe feminina. Em 2010, a parlamentar recebeu 3.196.468 votos, tornando-se a mais votada do Estado. Para que, assim como ela, hajam mais mulheres participando do cenário político, a parlamentar defende a criação de cotas de candidaturas para garantir igual participação de homens e mulheres na política. Para ela, ainda é preciso muitos avanços nesta área. “Para fazer com que o mundo da mulher e o da política convirjam, não será um processo fácil e rápido. De votar, a ser votada, há uma imensa distância. As dificuldades para termos candidatas ainda são grandes”, lamenta. A carreira da atual senadora sempre foi voltada para a gestão pública e a vida política. Gleici já foi secretária de Estado no Mato Grosso do Sul e secretária de Gestão Pública em Londrina. E m 2002,

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integrou a equipe de transição de governo do presidente Lula, ao lado da então ministra Dilma Rousseff. Ainda neste mesmo ano, foi indicada ao cargo de diretora financeira da Itaipu Binacional, onde aprimorou seus conhecimentos em gestão pública. Hoje, ela faz uma análise do que ainda precisamos avançar no Brasil. “Apesar das grandes conquistas bra-

sileiras nos últimos oito anos, novos desafios se impõem ao Governo Dilma. Estamos na rota certa para nos tornarmos uma nação desenvolvida, mas ainda há obstáculos a vencer. Acompanhar e enfrentar a delicada situação cambial e promover ajustes fiscais nas contas federais, sobretudo após as medidas expansionistas de combate à crise, são alguns destes desafios”, diz. n


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mulheres, desenvolvimento e poder mulheres, desenvolvimento e poder

Entrevista/Ideli Salvatti

“Verifica-se hoje a execução de atividades, até então mais rotineiras entre as mulheres, por homens : ser eficiente ou não é reflexo de aptidão.” Primeira mulher eleita ao Senado pelo Estado de Santa Catarina, Ideli foi convidada pela presidente Dilma Rousseff para assumir o Ministério da Pesca. SB - Em sua opinião, além da eleição de uma mulher para Presidente do Brasil, houve, de fato, avanços das relações de gênero e onde podemos perceber isto? IDELI - Podemos entender que as portas estão abertas para as mulheres, como nunca estiveram em outros momentos. Porém, para quem não tinha sequer o direito ao voto, que só ocorreu na década de 60, no Brasil, a mulher ainda tem muito espaço a ser ocupado. Não se discute a questão de gênero versus competência. Este nunca foi meu pensamento. O que entendo é que a mulher alcançar o escalão de presidenta do Brasil, com a eleição de Dilma, só torna mais comum esta prática e costume. Estamos em processo de educação de costumes no Brasil, no quesito mulher x postos de trabalho. SB - O que é preciso fazer para que as mulheres consigam condições de igualdade de direitos e oportunidades em nossa sociedade? IDELI - Existem posicionamentos de 32


mulheres, desenvolvimento e poder mulheres, desenvolvimento e poder

costumes. O homem nunca foi questionado se poderia ou não ocupar uma cadeira de chefe de estado, ou mesmo estar à frente de um ministério! É comum a figura masculina nesses postos. Nunca foram diferenciando. Porém, também é questão de costume e olhar. Atualmente, verificar atividades até em tão mais costumeiras entre as mulheres serem hoje executadas com eficiência ou não por uma pessoa do gênero masculino. Aptidão não deve ser objeto de discussão. O que mais me deixa com boas expectativas é a abertura para a diversidade e, como consequência, que haja uma abertura de mercado para ambos os sexos, respeitando as aptidões de cada ser humano, independente de gênero. SB - O Brasil está crescendo, se desenvolvendo e tornando-se uma grande potência mundial. É possível alcançar esta meta sem que haja efetivamente a promoção da igualdade de gênero? IDELI - Tenho um olhar diferente. Já somos quase 10% de mulheres e aguardo o momento desta educação continuada atingir o ponto em que não

será mais necessário estabelecer cotas, apenas respeitar a diversidade e observar o profissional, em qualquer área na qual ele venha a atuar. SB - Quais ações podem e precisam ser desenvolvidas para que crianças e adolescentes já cresçam combatendo a violência contra as mulheres e promovendo a igualdade de gênero? IDELI - Como cidadã brasileira, acima de tudo, é preciso tratar com respei-

to todas as diferenças: não há aquele que é melhor ou pior. Existem habilidades. E sabemos hoje da existência de vários tipos de habilidades. É questão de costume e olhar e por isso, a importância da atuação junto aos jovens e às crianças. Observe: há menos questionamentos sobre a situação inversa. Verifica-se hoje a execução de atividades, até então mais rotineiras entre as mulheres, por homens: ser eficiente ou não é reflexo de aptidão n

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Combata as doenças e acidentes de trabalho em sua empresa ou espaço de trabalho, publique conosco e distribua esta cartilha em S E T EN D I C A os o HO L d A n e B t A a seu sindicato Comb NÇAS do TR OE D s a e ou empresa logos

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Saúde

Curitiba realiza congresso sobre as DSTs Profissionais de vários países participam de discussões em prol do combate a infecções sexualmente transmissíveis

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e 18 a 21 de maio ocorrem em Curitiba o VII Congresso da Sociedade Brasileira de DST e o Congresso Brasileiro de AIDS. Nesta edição, buscando fortalecer a participação de países da América Latina, a União Internacional contra as Infecções de Transmissão Sexual - IUSTI, entidade mundialmente conhecida na luta contra as infecções, realiza conjuntamente o I Congresso da Associação Latino-Americana e Caribenha contra a DST. O tema central do encontro é “O impacto da DST na mulher”. O professor e chefe do Departamento de Tocoginecologia da Universidade Federal do Paraná UFPR e presidente do congresso, Newton Sérgio de Carvalho, explica que a mulher tem um impacto maior nessas infecções. “Podemos destacar a questão da gonorréia, que a mulher pode ficar estéril, e da sífilis, que, em caso de gravidez, a infecção pode afetar seriamente a criança”, afirma. A tipologia DST ainda foi um detalhe destacado. “Clinicamente chamamos de ITS (Infecção Transmissão Sexual), uma vez que em muitos casos não se configura ainda uma doença e sim uma infecção. Como o próprio HIV, há o vírus e não a manifestação, em alguns casos, específica da doença. Porém, ainda utilizamos popularmente esse termo DST tanto é que está em destaque no nome do Congresso”, explica. O presidente destaca ainda que o evento tem como proposta sugerir algumas ações na luta contra as DSTs de forma a tornar toda a discussão uma experiência de aprendizado, promovendo discussões de rotinas e de diagnósticos. Outro item é integrar a pesquisa científica com as

áreas clínicas de forma direta. Além de reforçar ações de saúde pública propondo ações para rastreamento e tratamento das infecções e, por fim, fomentar ideias e incentivar novos pesquisadores. São 18 convidados internacionais de países como Inglaterra, Cuba, África do Sul, Argentina, EUA, entre outros. Torna-se uma excelente oportunidade para a troca

e de conhecimento científico e estimula à pesquisa durante as mesas de debates. Outro ponto de referência são as chamadas vulnerabilidades sociais. Durante o evento serão debatidas questões que envolvem as populações mais próximas dos riscos, como regiões de fronteiras, quilombos e presídios, formulando propostas para trabalhar soluções no combate às infecções para essas comunidades. O congresso é destinado ao público em geral, mas tem foco em profissionais da área, como ginecologista, dermatologista, urologista, médicos de família, prefeituras e Governo do Estado. Outra proposta do evento é trabalhar as informações também para o público adolescente. Para isso, será realizado, no dia anterior ao evento (17 de maio), um fórum no Colégio Estadual do Paraná, onde profissionais abordarão os riscos da DSTs com os jovens. Essa atividade é uma parceria com a Unesco. Até 31 de março é possível inscrever trabalhos científicos sobre o tema para apresentação no Congresso. Os participantes concorrem a uma premiação. O objetivo é estimular os pesquisadores sobre o tema “Doenças sexualmente transmissíveis”. O trabalho poderá ser divulgado no Jornal Brasileiro de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST – JBDST). O vencedor ganhará um diploma de melhor trabalho completo a ser apresentado nos Congressos DST VIII Aids, IV ALAC DST IUSTI I, outorgado pela Sociedade Brasileira de Doenças Sexualmente Transmissíveis – SBDST, e receberá a quantia de R$ 2,5 mil. Para mais informações acesse www. dstaids2011.com.br 35


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Movimento negro

Viva o Ano Internacional dos Povos Afordescendentes Os problemas prioritários são diversos, mas penso que o imediato é conseguir tirar de fato a população negra da miserabilidade

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leide Hilda integra a força dos movimentos sociais negros do Brasil e fala dos avanços e expectativas da luta contra a discriminação. Atualmente é formada em História pela PUC-MG e é a presidente da Fundação Centro de Referência da Cultura Negra - FCRCN filiada ao Conen – Coletivo das Entidades Negras. Há 28 anos, milita na questão racial e de gênero no Brasil. “São 30 anos de muita luta e afirmação, que só nós negras e negros sa-

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bemos o quanto é difícil sobreviver nesta sociedade racista e discriminatória. Sei que ainda precisamos lutar, brigar e nos impor para que nos respeitem e tratem como pessoas dignas de direitos, deveres e cidadania plena. Mas sei que cada dia que lutamos, mudamos esta realidade perversa imposta aos negros e negras. A luta pela transformação social e racial é uma batalha cotidiana e este é meu compromisso com minha ancestralidade e povo negro”.

Biografia Nascida em Belo Horizonte – Minas Gerais, em 1962, ingressou no Movimento Estudantil (UBES) no final dos anos 1970 e começou a fazer parte da Luta dos Movimentos Populares. Aos 17 anos foi Secretária da Associação Comunitária Esperança e já se efetivava como liderança comunitária na cidade. Participou do Movimento da Teologia da Libertação, de 1980 a 1986. Em 1986 já participava do Movimento Negro, responsável pela criação do Coletivo de Mulheres Negras, atualmente Nzinga Coletivo de Mulheres Negras de BH. Ajudou também no processo de criação do Fórum Estadual Zumbi dos Palmares e, em seguida, foi eleita para compor a Executiva Nacional da Coordenação das Entidades Negras – Conen. Foi eleita pela Conen em 2001 a ser uma das delegadas pelo Brasil à III Conferência Mundial contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e as Formas Conexas de Intolerância, em Durban, na África do Sul. Em 2005 foi convidada pela ministra Matilde Ribeiro para ser a consultora geral da Primeira Conferência Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, contratada pela Unesco em Brasília. Em 1999 participou do processo e da discussão da criação de uma Fundação Centro de Referência da Cultura Negra – FCRCN e foi eleita no primeiro mandato como secretária da Fundação. Em 2001 foi eleita para Presidente da FCRCN e, hoje, está no seu segundo mandato como presidente. Foi eleita em 2008 como representante da Conen Titular para compor o Conselho Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial – CNPIR – Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial – Seppir.


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SB - Qual sua expectativa com a denificação da ONU que 2011 é o ano da afrodescendência? Por tratar-se de uma determinação mundial, quais ações ocorrerão na maioria dos países? Acredita que isso possa realmente significar uma mudança real nos problemas mais urgentes da população negra brasileira? CLEIDE - O ano internacional declarado pela ONU para aos Afrodescendentes coloca o racismo no mundo no centro das discussões políticas. Provoca a sociedade e governo a debater o tema, que não é isolado das discussões como de crescimento econômico, desenvolvimento sustentável, distribuição de renda, inclusão social e qualquer outro tema que faça parte das pautas governamentais. Mas penso que isto só acontecerá se houver pressão dos movimentos para que não seja mais uma proposta sem resposta, na qual o racismo precisa ser o centro destas discussões e possa garantir a erradicação do racismo à discriminação e suas consequências no mundo. A III Conferência de Durban e a Declaração do Plano de Durban são instrumentos fundamentais que devem ser observados e discutidos como peça orientadora para o Ano Afrodescendentes. A internacionalização e unidade desta luta neste contexto facilitam a discussão e podem garantir que o combate ao racismo e à discriminação não seja apenas pauta dos movimentos e adeptos da causa, mas das grandes frentes políticas nacionais e internacionais, públicas e/ou privadas, com investimento econômico e social. Só assim poderei acreditar que esta declaração consiga de fato alcançar seus objetivos.

do Coletivo de Entidades Negras? Quais estratégias de atuação para 2011? CLEIDE - Os grandes desafios da FCRCN, que integra o Conen no ano de 2011, dizem respeito à consolidação das políticas programadas para o enfrentamento do racismo e suas consequências em BH e no Brasil. Participação nos Conselhos Nacional, Estadual e Municipal de Promoção da Igualdade Racial. Nosso planejamento em primeiro lugar propõe consolidar a FCRCN como uma entidade de referência em elabora-

ção e execução de projetos de políticas públicas. Para isto estamos organizando um curso de Formação Política e fortalecimento institucional para as entidades negras de nosso estado com recorte de gênero, pelo entendimento de que é preciso alçar voos maiores para a inclusão socioeconômica da população negra e, em especial, as mulheres negras que ainda se encontram no pé da pirâmide social e econômica. Embora sejam projetos pontuais, ao longo do tempo se tornam impactantes em nossa sociedade.

SB - E quais seriam esses problemas prioritários hoje do negro no Brasil? CLEIDE - Os problemas prioritários são diversos, mas penso que o imediato é conseguir tirar de fato a população negra da miserabilidade, investir na qualificação educacional e profissional do contingente negro, tirá-lo da miséria secular, investir nos planos de negócios que inclua a população negra como parte consumidora e distribuir renda com equidade de gênero e raça e fazer de fato com que a educação seja um forte instrumento de inclusão da população negra. SB - Quais as atividades previstas 37


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“Não é tempo de parar, nossas conquistas estão no início”. Outro ponto fundamental será o investimento na formação profissional de jovens para sua inserção no mercado de trabalho. O que nos anima são as agendas futuras de acontecimentos como a Copa 2014, oportunidade ímpar para que seja vista com possibilidades econômicas para o povo negro. Neste sentido, estamos elaborando projetos que priorizam a língua estrangeira (inglês) e também investiremos na formação profissional destes jovens. O ponto dificultado será o de conseguir apoio financeiro para realização dos projetos, mas estamos nos preparando para procurar parceiros e financiadores. SB - Quais, na sua opinião, foram os maiores avanços para a população negra nos últimos anos? CLEIDE - Acredito que o Movimento Negro Brasileiro nesta última década conseguiu grandes avanços. A questão do racismo ganhou maior visibilidade na sociedade brasileira e consolidou sua luta internacional. Foi reafirmado durante a realização da Conferência Mundial Contra o Racismo Discriminação, Xenofobia e Intolerância Correlata, realizada em Durban em agosto de 2001, que ao seu final declara e reconhece que a escravidão e o tráfico transatlântico de escravos foram tragédias terríveis na história da humanidade e ressalta a necessidade de implantação de políticas e ações afirmativas que promovam e minimizem as desigualdades raciais. A Conferência possibilitou o diálogo entre governo e sociedade e deu visibilidade ao mundo que o Brasil é um país racista e por si só precisa promover a igualdade racial. Para além da Conferência de Duran, no campo institucional os movimentos negros e partidários da esquerda conseguiram, através de sua organização, em 21 de março de 2003 na primeira gestão do Presidente Lula, criar a Seppir que teria como missão estabelecer iniciativas contra a desigualdades raciais no país, promover a igualdade destes grupos étnicos, através de Políticas de Promoção da Igualdade Racial. Sem dúvida, as grandes conquistas estabelecidas percorreram um caminho 38

“A questão do racismo ganhou maior visibilidade na sociedade brasileira e consolidou sua luta internacional.” que tirou a população negra do anonimato, provocou o debate sobre as cotas raciais, as comunidades tradicionais e quilombolas e as religiões de matriz africana. Na Educação emplacou a Lei 10.639 que estabelece a obrigatoriedade no ensino fundamental e médio da História e Cultura Afro-brasileira nos currículos escolares e, mesmo não sendo o melhor texto, garantiu também votação da Lei que institui o Estatuto da Igualdade Racial, destinado a garantir à população negra a efetivação da igualdade de oportunidades, a defesa dos direitos étnicos individuais, coletivos e difusos e o combate à discriminação e às demais formas de intolerância étnica. Instrumento este que pode ser considerado um marco institucional das Políticas de Promoção da Igualdade Racial no Brasil. Sem dúvida, esta década marcará a luta pela promoção de igualdade racial no Brasil no campo institucional. SB - Apesar de haver algumas conquistas não se deve parar de buscar uma igualdade em nosso país. Qual papel da sociedade nesta luta? Por exemplo, na implantação da 10.639/2003, você tem acompanhado sua aplicação?

CLEIDE - Você começa a pergunta afirmando “apesar de algumas conquistas” e depois continua não se deve parar. Exatamente isto: não é tempo de parar, nossas conquistas estão no início, só após 30 anos de muita luta e reivindicação do Movimento Negro Brasileiro é que começamos a enxergar algumas conquistas, mas estamos longe da pauta colocada nestes mais de 30 aos de movimento contemporâneo. Ainda não temos o povo negro de fato incluído na educação, o mercado de trabalho continua excludente, principalmente para as mulheres negras, nosso povo continua morrendo de doenças primárias, não temos uma classe média poderosa e comprometida com os demais. O poder continua longe de nós, ainda não temos um número satisfatório de parlamentares negros(as), as cotas ainda fazem parte da pauta de reivindicação, o Estatuto da Igualdade Racial ainda não começou a ser aplicado de fato, falta o básico nas comunidades remanescentes de quilombos, a violência continua exterminando a maioria de jovens negros(as). Embora mais de oito anos de sancionada, a Lei 10.639 tem um funcionamento tímido e a grande maioria das escolas brasileiras não a conhece ou entende que é só decorativa e folclórica. Posso falar de meu Estado que deixa a desejar e ainda não se tornou de fato obrigatória nos currículos, embora boas iniciativas de escolas onde há professores(as) comprometidos com a causa.


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Saúde

A força nutricional do açaí O alimento tem sido incorporado na merenda escolar em alguns municípios brasileiros e vem promovendo o aumento na qualidade da alimentação das crianças e jovens das escolas públicas do país

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mestre em ciências ambientais e especialista em direito ambiental, professor Giovanni Salera Júnior, esteve à frente de um projeto que implantou na merenda escolar a incorporação do açaí na Ilha de Marajó no Pará. Na opinião do professor, a escola tem um papel fundamental na sociedade. O foco do projeto trouxe o benefício do alimento às crianças e jovens, além de contribuir para o desenvolvimento da comunidade, considerando que o açaí é o principal produto extraído na região. Como o alimento é proveniente da região amazônica, onde está disponível em sua safra o ano todo, é comum o consumo constante. A Ilha de Marajó é a maior ilha fluvio-maritima do mundo, englobando 16 cidades com um total de 450 mil habitantes. O professor destaca no artigo “A produção do açaí na Ilha de Marajó” que na região existe uma variedade em termos ambientais e naturais. O açaí, segundo ele, sempre foi um dos principais produtos da economia da região. A valorização do processo de produção da fruta ocorreu no início da década de 1970. “Foi neste período que a região da Ilha de Marajó passou por intensas transformações sociais com a chegada de empresas madeireiras”, afirma. O professor relata que nos anos de 1980 a poupa do açaí ganhou destaque nos grandes centros urbanos do sul e sudeste, devido ao impulso das academias e da valorização da beleza e juventude destacada pela mídia. Outro ponto que fez com que o consumo aumentasse foi a migração das pessoas da ilha para outras regiões do Pará nesse período. Houve no decorrer dos anos uma preocupação muito grande por parte de pesquisadores, governo e comunidade com relação à exploração da extração

do açaí. “Com o fechamento das madeireiras nos anos de 2004 e 2005, houve uma corrida para o trabalho focado na extração do açaí”, relata. Neste período foram criadas entidades responsáveis pelo controle de extração, como RESEX Mapuá, RESEX Terra Grande Pracuúba, RESEX Gurupá Melgaço e Itatupã-Baquiá, que contribuíram para a valorização da produção do alimento. O professor destaca que atualmente se fortaleceu a criação de associações e cooperativas, tornando o açaí o produto nativo mais importante da Ilha de

Marajó. Ele ressalta no artigo que é importante uma preocupação e ação das entidades, da comunidade e de todos os atores que compõem a produção do açaí na busca constante de uma regularidade e qualidade na produção e de capacitação para extração do alimento. O projeto da incorporação do açaí na merenda escolar foi um sucesso e há proposta de se implantar novamente nas escolas públicas. “É visível o benefício do açaí, pois as crianças preferem esse alimento local em lugar de bolachas e sucos em pó”, comenta. 39


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Os benefícios do açaí O açaí é uma palmeira característica da região amazônica. O fruto é rico em lipídios e apresenta uma alta concentração de vitamina E, uma fonte de combate aos radicais livres. Outro ponto destacado pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Pará (Emater-PA) como benéfico para a saúde é a concentração de fibras, o que favorece o funcionamento do intestino. Além desses nutrientes, o açaí contém ainda ferro, um inibidor da anemia e importante fortalecedor muscular. O fruto apresenta um grande número de pigmentos antocianina, que são antioxidantes e beneficiam a circulação sanguínea, impedem a oxidação do colesterol e, consequemente, evitam o entupimento das veias do coração. O professor belga da Universidade Federal do Pará (UFPA), Herve Rogez, coordena pesquisas no departamento de química da instituição de ensino com foco no alimento, há alguns anos. Um dos resultados obtidos foi a elaboração da tabela nutricional do açaí. Com os dados resultantes da pesquisa, o professor e sua equipe comprovaram que o alimento é uma fonte de nutrientes ideal para esportistas e crianças na sua fase de desenvolvimento. Os nutrientes identificados foram fósforo, ferro, minerais, gordura vegetal, potássio, vitaminas, fibras e cálcio. O professor destaca à Emater que uma tigela da fruta contém o total de fibras diárias necessárias para o homem.

A jornalista Susana Lopes destaca no portal da UFPA que o açaí é uma fonte de combate à aterosclerose, doença que causa o entupimento de veias e artérias, uma das principais causas de morte no mundo. Susana destaca outra pesquisa realizada pelo professor Hervé Rogez na qual ficou comprovado que o açaí contém mais corante do que as uvas. Em depoimento ao portal da UFPA, o professor explica a importância deste corante, chamado antocianina. “Para se ter uma ideia, um litro de açaí médio (entre a consistência fina e grossa) contém 33 vezes mais antocianina que um litro de vinho tinto francês”, compara. Outra análise apresentada por Susana no portal é o estudo coordenado pelo professor da própria universidade, Eduardo Augusto Costa. Em 1999, ele iniciou um projeto de pesquisa com a população de Igarapé-Miri, que tem um alto índice de consumo do alimento. Durante períodos alternados são realizados exames clínicos, como de sangue, medição da pressão arterial, análise do histórico clínico, eletrocardiograma e mais outros de verificação, na população. Susana destaca que são 800 pessoas que compõem a pesquisa que consomem o açaí e 200 que não consomem. Como resultado já se percebe que as pessoas que consomem têm o HDL (bom colesterol) elevado e o LDL (mau colesterol) em nível normal, comprovando os benefícios do alimento na redução de risco de ateroscleróticas.

A lenda do açaí Em uma tribo indígena, há muitos e muitos anos, onde hoje é a cidade de Belém havia uma falta de alimento. O cacique, preocupado com a fome se aproximando de seus índios, resolveu decretar uma ordem de que estava proibido o nascimento de crianças. E o destino preparou uma peça para o cacique, pois sua linda filha Iaça ficou grávida. Como um líder que precisava garantir o respeito na tribo, ele não voltou atrás na decisão e mandou matar o neto. Até que um dia a menina, que chorava todas as noites, ouviu o choro de um bebê próximo a uma árvore e, na manhã seguinte, estava morta abraçada àquela árvore. O cacique pediu que tirassem as frutas daquela árvore e alimentassem toda a tribo.

O açaí em benefício dos atletas A força das maiores ondas do mar que traz beleza e encantamento para alguns, representa um desafio magnetizante para o surfista Mauricio Nogueira Conde, que desafia o mar há 37 anos participando de campeonatos estaduais e nacionais. Para o atleta, o surf é como uma bebida. “O surf para mim é igual cachaça que está na veia, como um vício, mas um vício muito bom”, comenta. Conde já foi integrante da Associação Brasileira de Longboard do Rio de Janeiro – ALBERJ, participou dos 40

campeonatos do Petrobras longbord em 2006, 2007, 2008 e 2009. Foi um dos responsáveis pela organização do Circuito Carioca de Longbord. O surfista é fisioterapeuta, possui um Studio de Pilates e tem 50 anos. A preocupação com atividades esportivas e com a saúde faz parte de sua vida cotidiana. Ele é casado, tem dois filhos e relata que toda sua família consume frequentemente o açaí. “Todos gostam muito. Eu particularmente consumo de

todas as formas, com outras frutas como banana ou morango, com granola, mel e também misturado a outros energéticos. Tenho uma vida saudável e acredito que o açaí me ajuda a manter essa vida agitada que tenho com equilíbrio”, conta. O surfista complementa que levanta às 6h todos os dias. A filha Pamela Nogueira, 22 anos, é atleta da Seleção Brasileira de Nado Sincronizado e sempre consumiu o alimento sob orientação dos benefícios passados pelo surfista.


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Anceabra

Ponto de partida do empreendedorismo afro Anceabra dá o primeiro passo para no incentivo à cultura empreendedora da população afrobrasileira

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om sede em Brasília, a Associação Nacional dos Coletivos de Empresários e Empreendedores Afro-brasileiros (Anceabra) vem, ao longo de 11 anos de atuação, contribuindo sistematicamente no fortalecimento do empreendedorismo da população negra brasileira. A instituição é uma organização não governamental, sem fins lucrativos, que reúne empresários e empreendedores afro-brasileiros de várias regiões, unindo objetivos para gerar renda, emprego e desenvolvimento. A Anceabra não se limita somente no aspecto econômico, está inserida ainda em ações gerais da sociedade afro-brasileira. É titular do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (Ceds) do Governo Federal e do Conselho Nacional pela Igualdade Racial (CNPIR), órgão consultivo da Secretária Especial de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR). O presidente João Bosco Borba afirma que a Instituição busca trabalhar o aspecto cultural da população negra. “Nossa sociedade de forma geral não foi criada com um pensamento empreendedor. A maioria das pessoas tem um olhar mais voltado a ser empregado, buscar um bom emprego. Mas não tem um olhar que ele possa construir algo, ser um empreendedor. A Anceabra busca desenvolver e trazer condições para que a população negra possa gerir seu negócio”, afirma. Borba explica que a associação trabalha desde a viabilização de grandes projetos a pequenos empréstimos para microempresários, num formato bem diversificado de ação.

A Anceabra saiu à frente de fortes iniciativas, considerando que em 2011 discute-se no mundo a afro-descendência, conforme estabelecido pela ONU. A partir disso, a associação já tem em pleno desenvolvimento projetos relevantes para a população negra brasileira.

A Anceabra é a representante dos Coletivos de Empresários e Empreendedores Afro-brasileiros nos seguintes Estados: Ceabra São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Distrito Federal e as comissões provisórias dos Estados de Goiás, Santa Catarina e Bahia. O eixo empreendedor da Anceabra para o desenvolvimento da comunidade afro-brasileira não a impede de intervir em questões mais gerais. Como membro participante do Conselho da Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen), introduziu o debate econômico como um modo mais efetivo de combate aos efeitos do racismo e a exclusão, que atingem, em especial, a população afro-brasileiras. 41


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Simples Nacional

Projeto Capacitação Copa do Mundo Em conjunto com o Sebrae, a Anceabra capacitará a população negra de várias regiões para receber turistas. “Hoje o que acontece é que existe intermediário nas atividades que envolvem o atendimento ao turista, o que faz com que a população não obtenha uma renda devida”, destaca Borba. Com o projeto, a população terá o treinamento necessário para desenvolver atividades culturais que possibilitem receber o turista e oferecer atividades diversas, como ações em casas de capoeira, visita a terreiros de candomblé à apreciação da culinária afro”. Borba afirma que no ano de 2010, Salvador recebeu 100 mil afroamericanos. “O perfil foi visita de família. Esse turismo traz o casal e os filhos. Esses visitantes gastaram em média U$ 1740,00 de souveniers. A ideia é preparar a população para trabalhar esse turismo para a Copa de 2014”, destaca.

Projeto Ciranda Cultural O projeto prevê a realização de uma virada cultural de repercussionistas em Salvador. Serão 24 horas de música. “O lugar do negro nos grandes eventos da capital baiana tem se limitado muito. Por exemplo, ele não está no topo da organização. Você o vê carregando as cordas no Carnaval. Estamos buscando os recursos nos EUA. A ideia é fazer um grande show, talvez até trazer artistas como Beyoncé”. Borba destaca que o foco do projeto é treinar a população negra na organização de grandes eventos, bem direcionada no mercado. 42

O Empreendedor Individual foi aprovado em 2010 e é uma forma de regularizar e incentivar atividades que não exigem burocracia e alta carga de impostos para serem realizadas, como trabalho de artesanato, costureira, pipoqueiro, entre outros. Com a implantação do Empreendedor Individual, a Anceabra se posiciona para treinar 100 mil pessoas em três anos. “O objetivo é tirar essas pessoas da informalidade, dando a elas condições de crescimento”, destaca.

Projeto África A proposta é trabalhar com três países, prioritariamente Angola, Moçambique e Senegal. Promover cursos tecnológicos e de nível superior dentro das áreas de necessidade dos países, que são agricultura, medicina, tecnologia industrial e química. “Em Angola vamos procurar concentrar as atividades numa cidade que fica há 450 km de Luanda: Namibe que tem um potencial grande”, conta.

Termo Solar Uma das grandes necessidades da África austral é a energia. A proposta é desenvolver termas solares para gerar energia para os países da África, considerando a necessidade de capacitação energética existente.

Formação Cadeia Pré-Sal Foca, em conjunto com o IAB – Instituto Adolfo Bauer e PUC-RJ, capacitar 30 mil estudantes universitários do PROUNI para a cadeia do petróleo/pré-sal. Essa atividade ocorrerá no Espírito Santo, pois a matriz da Petrobrás concentrará suas atividades nesta região.

Vilas Olímpicas Criação de 30 vilas olímpicas em todo o país com parceria com o IAB – Instituto Adolfo Bauer. “A necessidade é com trabalhar crianças e jovens, incentivando ao esporte, tirando este público das ruas e oferecendo um novo caminho às suas vidas e, quem sabe, já desenvolvendo os futuros campeões olímpicos do Brasil”, destaca Borba.

Linhas de Crédito Desenvolver e incentivar linhas de crédito facilitadas nos bancos Nordeste/ Bnds/Caixa. “Considerando que há uma crescente subida da classe D para C e esse contingente é 60% afro-brasileiro, a proposta é agregar um mecanismo que facilite e alavanque a linha de crédito dessa população”, conta.


mulheres, desenvolvimento e poder mulheres, desenvolvimento e poder

Entrevista/Rebecca Reichmann Tavares

“A violência de gênero está crescendo entre a juventude. É a principal causa de morte ou deficiência de meninas e mulheres entre 15 e 49 anos.” Doutora em educação pela Universidade Harvard e representante do Unifem Brasil e Cone Sul (Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher, parte da ONU Mulheres). SB - Em sua opinião, além da eleição de uma mulher para Presidente do Brasil, houve, de fato, avanços das relações de gênero em benefício das mulheres na última década? REBECCA - Há alguns anos, a Presidência da República passou a fazer parte do horizonte político das mulheres brasileiras. Em 2010 finalmente o Brasil elegeu a sua primeira presidenta da República. Mas ainda falta muito para a paridade de gênero. No ritmo atual, projeções estatísticas do IBGE cogitam para 140 anos, isto é, em 2150, o alcance da paridade entre mulheres e homens no Legislativo. Precisamos mudar essa tendência e agir rápido. SB - O que é preciso fazer para que as mulheres consigam condições de igualdade de direitos em nossa sociedade? REBECCA - É urgente a democratização das relações de poder. O empoderamento político e econômico das mulheres 43


mulheres, desenvolvimento e poder mulheres, desenvolvimento e poder

faz parte da agenda de trabalho de governos de todo mundo. É preciso muito mais do que o aumento e a ampliação das vozes femininas no sistema de tomada de decisão; é preciso assegurar mecanismos de responsabilização com as mulheres. A igualdade de gênero e a autonomia exigem reformas, mudanças no sistema de governança, desenvolvimento do potencial político das mulheres. Devem ser respeitadas como sujeitos políticos e valorizadas pela sua capacidade de construir e decidir os rumos políticos de um país, estado ou município. SB - O Brasil está crescendo, se desenvolvendo e tornando-se uma grande potência mundial. É possível alcançar esta meta sem que haja a igualdade de gênero? REBECCA - A América Latina registra um crescimento econômico positivo e acima da média mundial. O Brasil, em especial, é o grande impulsor da economia da região e tem as condições de crescer

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e reduzir as desigualdades sociais. Tem a oportunidade de utilizar esta riqueza com mais eficácia do que antes, visando transformar a economia e trazer mais igualdade para a sua população. Enquanto o potencial das mulheres estiver limitado, não teremos uma democracia plena. A equidade de gênero exige a transformação das estruturas de oportunidades e poder, de maneira que todas as pessoas possam desenvolver plenamente o seu potencial. A criação da ONU Mulheres - entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres - é resultado de anos de negociações entre Estados-membros da ONU pelo movimento de defesa das mulheres no mundo. Faz parte da agenda de reforma das Nações Unidas, reunindo recursos e mandatos de maior impacto. A agência é uma instância forte e dinâmica voltada para as mulheres e meninas, proporcionandolhes uma voz poderosa a âmbito global, regional e local. A subsecretária-geral de ONU Mulheres, Michelle Bachelet, está

construindo a agência com base em cinco prioridades: participação política, eliminação da violência contra as mulheres, paz e segurança, empoderamento econômico e planejamento e monitoramento de orçamentos públicos para as políticas de gênero e para as mulheres. SB - Quais ações podem e precisam ser desenvolvidas para que crianças e adolescentes já cresçam combatendo a violência contra as mulheres e promovendo a igualdade de gênero? REBECCA - A violência de gênero está crescendo entre a juventude. É a principal causa de morte ou deficiência de meninas e mulheres entre 15 e 49 anos. Na América Latina, mulheres entre 30 e 34 anos formam o grupo mais vulnerável à violência física. Esse tipo de violência já é registrado em 27% das adolescentes. O quadro nos impõe novos desafios, como o envolvimento de escolas, universidades e grupos de jovens no enfrentamento à violência contra as mulheres jovens n


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Cultura

Integração em benefício da população negra Município de São Francisco do Conde integra evento internacional que discutirá a situação do negro no mundo atual

N

os dias 17 a 19 de março ocorre a conferência preparatória do Ano Mundial do Renascimento Panafricano, que abordará a situação atual do negro no mundo contemporâneo, e do Encontro Euro e Afro-brasileiro de Paris, no município de São Francisco do Conde (BA). O Encontro Euro e Afrobrasileiro de Paris objetiva estreitar os laços políticos, comerciais e culturais entre o Brasil, a Europa e as comunidades africanas na Europa por meio de visitas, encontros e workshops. Essa iniciativa pretende provocar uma conscientização mundial sobre as contribuições africanas para o mundo no ramo das artes, ciência, cinema, literatura, política, tecnologias, entre outras. O objetivo é vencer o isolamento geográfico ou linguístico para atingir uma dimensão internacional e, ao mesmo tempo, popular. A prefeita da cidade de São Francisco do Conde, Rilza Valentim, ministrará a palestra “Discutindo o processo da inclusão da mulher negra no contexto atual das políticas inclusivas”. Na oportunidade, colocará as experiências e resultados implantados no seu município.

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A força da cidade A cidade de São Francisco do Conde faz parte do Recôncavo Baiano e tem 31.699 habitantes. Possui o maior PIB per capita do Brasil. O município concentra 95% de população negra. A arrecadação municipal tem foco nos impostos ligados à produção e refino de petróleo pela refinaria RLAM da Petrobrás. Sua construção teve uma diversidade de etnias que está presente no dia a dia da cidade. A administração portuguesa deixou como herança as palmeiras imperiais por toda a parte, em conjunto com construções coloniais majestosas, mantendo a memória da cidade. Na gastronomia estão os Tupinambás e os Caetés. São tradicionais o mingau de farinha de milho, a tapioca e o preparado do peixe assado na folha de bananeira. Outra característica é a técnica das mulheres marisqueiras na pesca, herança dos primeiros habitantes da região. A cidade é o terceiro município do Recôncavo, um berço da história do Brasil. São Francisco do Conde tem um número expressivo de igrejas, sobrados, engenhei-

ros do Brasil colonial. A beleza da arquitetura imponente é um convite para uma viagem ao século XVI. Além da arquitetura, o município guarda uma reserva da Mata Atlântica com manguezais, contribuindo para a biodiversidade. A administração é responsabilidade da primeira mulher prefeita da cidade Rilza Valentim. A prefeita é bacharel, mestre e doutora em química pela Universidade Federal da Bahia. A vida política iniciou em 1997, quando assumiu a Secretaria de Educação de São Francisco do Conde e, desde então, acumulou

Cultura

Reisado Glórias e Louvores

Além das ações na saúde, outra referência forte na região é a cultura. Entre a variedade de movimentos artísticos, há o samba chula, paparazados, ninho do amor e reisado.

Oriundo das Festas de Reis, o Reisado foi organizado pelo Sr. Durval Salles. Reedita festejo dos reis magos, de forma especifica trás como marca uma forte percussão e um figurino de rara beleza.

Lindroamor Axé

Existente há mais 100 anos foi resgatado pelo Terreiro de Dona Aurinha há quase 40 anos. Tem origem no Festejo de Cosme e Damião em setembro. É hoje uma das mais belas manifestações culturais da região, o grupo mais conhecido do município.

Capabode

Tem origem na escravidão. No período colonial da cana de açúcar, os negros fugiam, refugiavam-se nas matas e saíam para promover saques disfarçados com máscaras e roupões de tecido grosso. Traziam consigo um ácido extraído de vegetais, condicionado em cabaças para usar contra perseguidores. Hoje é a manifestação mais original de São Francisco do Conde. Saindo em grande número no Carnaval, participa também de outras atividades culturais dentro e fora do município. 46

os cargos de Secretária de Educação e de Secretária da Ação Social do município e dois mandatos como vereadora, no período de 2000 a 2008. Um dos pontos altos do município são as ações em prol da saúde da mulher. Para isso foi criado o CRESAN, um centro clínico especializado na saúde da mulher. “Temos uma preocupação grande com as ações focadas na saúde de nossa população. Uma das ações implantadas foi a vacinação de todas as meninas, entre 9 a 14 anos, contra o vírus do HPV, que causa o câncer do colo do útero”, diz a prefeita.

Paparutas

Grupo de aproximadamente 100 anos, apresenta uma bela paródia, na qual mulheres negras dançam um leve samba que parece um mantra, com comidas em agdás na cabeça. No final servem esta comida de derivados de pescados ao público presente.

Samba Chula

O Samba, expressão mais significativa da cultura popular do município, tem no Samba Chula seu principal representante. Há cerca de 45 anos se reúne de forma espontânea, trazendo originalidade e beleza. É considerado o patriarca entre os sambas do município. Mantendo até hoje sua tradição em ritmo da viola marche.


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Projeto

açaínamerendaescolar

A importância da merenda escolar no desenvolvimento do aluno Todos concordam que a escola tem um papel fundamental em nossa sociedade. É certo que a sua importância tem aumentado cada vez mais nas últimas décadas devido a ampliação das possibilidades de melhorias que o espaço escolar tem proporcionado em nossa sociedade. Nos últimos anos diversos institutos de pesquisa na área da nutrição desenvolveram estudos que comprovam que uma alimentação deficiente, que não atende o mínimo de vitaminas e nutrientes necessários, prejudicam o desenvolvimento físico e intelectual dos alunos. Os alimentos oferecidos normalmente nas cantinas escolares limitam-se a lanches rápidos - salgados, balas e doces, entre

outros - que contém altos índices de gordura e açúcar, além, é claro, dos refrigerantes. Esse tipo de alimentação pode causar diversos problemas de saúde, destacando entre eles a obesidade infantil, cujos índices vêm aumentando ano após ano. Por outro lado é possível constatar também que os lanches levados de casa, ou servido pela escola na merenda não atendem as necessidades alimentares de nossas crianças e adoldescentes. Por falta de informação sobre educação alimentar, as escolas não preparam alimentos com qualidade nutritiva, pelo contrário, fornecem aos seus alunos refeições pobre em vitaminas e proteínas, o que resulta em prejuízos na aprendizagem e na saúde desses jovens.

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Vantagens do açaí como reforço da merenda escolar e como base de formação de Atletas Minerais Importante para o rendimento durante a atividade, física. Sódio Importante na manutenção do sódio perdido na transpiração. Potássio Importante para a transmissão nervosa, contração muscular e equilíbrio de fluidos no organismo. Magnésio Atua principalmente nos músculos e ossos, contribuindo para o metabolismo energético. Cálcio Fundamental para o fortalecimento de ossos e dentes, coagulação sangüínea e pressão arterial. Vitamina B1 Inibe a produção do ácido lático assim fazendo com que o atleta suporte maior carga de treinamento. Vitamina E Antioxidante natural protegendo o corpo dos radicais livres. Fonte: Tereza Cristina Rodrigues Silveira

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Diálogo internacional

Contribuição íberoamericana ao debate As mulheres no poder político latinoamericano Flávia Tello Sánchez

O

s processos de democratização na América Latina têm permitido cristalizar a importância do rol feminino para além da reprodução e têm conseguido que, pouco a pouco, as instâncias públicas abram passagem à sua incorporação como cidadãs de fato. Sem embargo, a cidadania plena é um sonho presente para as mulheres que, apesar dos resultados alcançados, não se consolida com garantias que assegurem a igualdade de oportunidades, que as coloque como co-protagonistas no cenário político. São numerosas e demasiado arraigadas as barreiras que obstaculizam o empoderamento das mulheres e sua participação nos espaços de poder. O histórico contrato social, que tem diferenciado os espaços de ação para homens e mulheres, tem marginalizado a estas últimas, da esfera pública. Sua larga ausência e o domínio masculino do espaço público têm determinado que as agendas políticas sejam consensuadas entre os próprios homens e construídas baixo suas próprias perspectivas de realidade. Com este panorama, dificilmente poderão as mulheres alcançar o gerenciamento perfeito de suas necessidades e demandas.Porém, apesar de a realidade latinoamericana evidenciar uma marcada inequidade a favor do patriarcado político, é certo também que as mulheres contam atualmente com instrumentos favoráveis para seu empoderamento, refletidos em uma discreta, mas constante “feminilização da política”. A leitura até o último decênio dá 48

mostras disto: as mulheres aumentaram sua participação política, passando a deter uma representação de 5% para 22% das cadeiras do Senado. Mesmo assim, a média de mulheres prefeitas em toda a região, ronda 7%, enquanto os postos nos campos legislativos municipais alcançam 23%. Não obstante, a incorporação das mulheres ao seio político, não tem garantido respostas aos interesses femininos. Poderia entender neste sentido que a capacidade de agenciamento por parte das eleitas depende em grande medida do nível de representação substantiva. Nesta análise cobra relevância

o binômio incluso x representação. Por um lado, a inclusão está determinada pelo número de mulheres que exercem o direito de eleger suas representantes e, de outro lado, pelo número de candidatas eleitas. Por outro lado, a representação está voltada para a capacidade de conformar uma massa crítica contundente ao melhoramento coletivo das representadas. Atualmente, a presença política das mulheres latinoamericanas tem alcançado os mais altos índices, porém precisamos admitir que esta maior representação é o resultado, principalmente, do estabelecimento de cotas para os


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processos eleitorais. Na América Latina, 11 países contam com cotas de gênero legais. As cotas em geral estabelecem uma porcentagem mínima e máxima de participação para ambos os sexos, porém ainda nenhum país latinoamericano tem proclamado com suas cotas a paridade, salvo Equador. O Brasil, por sua parte, estabeleceu uma cota de 30%. No entanto, as mulheres efetivamente eleitas no parlamento nacional não alcançam 10%. Na sub-representação feminina tem muita relação com os partidos políticos e a tradição que ainda se mantém por promover e facilitar a liderança masculina, relegando a participação feminina a um plano secundário, baseado em uma estratégia de “apoio moral”. As mulheres estão eticamente melhor valorizadas do que seus pares homens, o que dá certa confiança aos eleitores quando estas respaldam um projeto de governo durante as campanhas eleitorais. Não obstante, são os homens os que, maiormente, são cabeças das listas eleitorais de candidaturas (nos sistemas de listas) e as mulheres são colocadas ao final das ditas listas com o propósito de cumprir, por um lado, com as cotas legalmente impostas, e por autor, de demonstrar a abertura do espaço a ambos os sexos. Atualmente as mulheres são bemvindas às fileiras dos partidos políticos,

O Brasil, por sua parte, estabeleceu uma cota de 30%. No entanto, as mulheres efetivamente eleitas no parlamento nacional não alcançam 10%. porém não se produz por eles sua promoção para alcançar as instâncias mais altas de poder. Pelo contrário, em muitas ocasiões se propicia que as mulheres se mantenham em níveis não decisórios ou de escassa relevância. Tal relegação impede que se assuma um compromisso institucional pela equidade de gênero, que repercute nas agendas políticas, programas de governo e finalmente nas políticas públicas que afetam a população. A inacessibilidade das elites partidárias por parte das mulheres constitui o obstáculo para que estas se convertam em potenciais candidatas e logrem um cargo eleito popularmente. Hoje, se as mulheres sabem ganhar um lugar de inquestionável protagonismo na vida social e pública, também é certo que a cultura patriarcal, ainda presente, adota formas sutis de coagir as mulheres que tentam participar no âmbito político. Assim, as questionam, desqualificam e censuram, por descuidar ou abandonar suas responsabilidades

como mães e esposas. Por outro lado, as relegam a participar na sombra dos líderes homens, aplicando resistências encobertas que determinam o que corresponde fazer – culturalmente – como homens e mulheres. Neste sentido, a participação feminina se vê duramente condicionada por um discurso que reconhece a igualdade, porém que na prática a continua subordinando ao rol tradicionalmente feminino, ainda quando participam em organizações sociais de âmbito político. É importante analisar as peculiaridades dessa resignação que fazem uso milhares de mulheres que veem restringidas suas oportunidades de participar politicamente. A submissão é uma das características mais presentes entre as mulheres pobres: se por um lado o analfabetismo é a principal barreira, por outro, sua condição de dependência econômica (tanto conjugal, familiar ou estatal) as faz vulneráveis, com baixa autoestima, introvertidas, submetidas ao âmbito privado e com escassas oportunidades de socialização. De todos os modos, está claro que a principal condição para que uma mulher chegue ao poder é que esteja interessada em alcançá-lo. A carreira política não é uma imposição e sim uma vocação, pelo compromisso social e visão do desenvolvimento coletivo que deve surgir 49


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“O âmbito político segue sendo um círculo de difícil acesso para as mulheres, é ainda mais complicada a sua permanência.”

nas próprias pessoas, ou ser bem estimulado. Em muitos casos, a participação política não é um tema prioritário quando elas precisam enfrentar situações de pobreza, desemprego, carga familiar, violência doméstica, entre outras questões. Porém, é certo também que muitas destas questões são as que têm mobilizado as mulheres na busca de soluções. Essa mobilização, que se tem transladado ao plano público, é a que lhes tem permitido por sua vez “dar-se conta” de suas capacidades e atitudes como gestoras sociais do bem-estar. Em qualquer dos caos, coincide uma razão intrínseca que mobiliza as mulheres a trabalhar na política, dada por uma forte noção de serviço, mas que dê exercício de poder e que se sustenta graças à capacidade de representar melhor os interesses alheios que os próprios (Massolo, 2006). Encerra-se assim um círculo virtuoso pelo que a mulher consegue ganhar confiança em si mesma e uma vez na 50

arena política, em igualdade com os homens, começa a adquirir as atitudes necessárias para ser receptora de mandato político. Tomar a decisão de envolver-se em política não é uma questão simples para as mulheres, pois, em muitos casos, gera conflitos emocionais que terminam dissuadindo-as de participar. Em primeiro lugar, numerosas mulheres se colocam com as possibilidades reais de chegar ao poder para iniciar numa carreira política. Às vezes, a análise da relação custo-benefício (não só em termos econômicos) é crucial para que muitas decidam não trabalhar politicamente. O custo poderia entender-se pela quantidade de tempo que demanda a participação política que afeta principalmente as mulheres na dedicação pessoal a suas famílias, as responsabilidades domésticas, a seus estudos, a sua reputação. Distinto disto é o custo para os homens, que colocam a participação política como uma oportunidade

e, sem dúvida, podem se ver tomados pelo tempo, que mesmo assim restam a suas famílias, ou seus estudos. Porém, em qualquer caso não determinam sua opção política. O âmbito político segue sendo um círculo de difícil acesso para as mulheres, é ainda mais complicada a sua permanência. A paridade representativa na América Latina resulta improvável em curto prazo. As mulheres deverão conquistar ainda mais espaços na tomada de decisões, mas para isto será preciso também que homens e mulheres compartilhem responsabilidades públicas, como privadas e de âmbito familiar. Porém, o que representaria alcançar a paridade nas estruturas de poder? Por um lado, poderíamos afirmar que a maior presença feminina na tomada de decisões reconheceria ao fim sua condição cidadã no suposto do universalismo democrático, já que até agora este fundamento não todo sustentado ao estar o princípio da igualdade balanceada a favor dos homens. Por outro lado, a paridade se supõe redundante no agenciamento das demandas equilibradas de gênero, possibilitando às mulheres melhores oportunidades para seu desenvolvimento humano. Deste modo, o aporte feminino à compreensão política não só poderia contrastar as fissuras de gênero que tem afetado desfavoravelmente as mulheres, senão poderiam favorecer a compensação de responsabilidades compartilhadas entre homens e mulheres em todos os âmbitos. Mesmo assim, a incorporação da mulher ao cenário político não deveria só relacionar-se à conquista feminina, sobretudo a uma conquista social, pois sua participação contribui ao aperfeiçoamento da democracia, desde onde começa a assumir a quota de responsabilidade que lhe concerne como cidadã, aportando sua perspectiva de desenvolvimento, que não é outra que a da metade das populações. Quer dizer, a mulher não deve ser vista como uma competidora, se não que, como uma co-autora inexorável da vida pública (Carrasco, 1976). Flávia Tello Sánchez é secretária técnica de conhecimentos de rede latino-americana “por instalações de agendas de gênero” - União Íberoamericana de Municipalistas


Programa Bolsa Qualificação para o Setor Sucroalcooleiro

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O IAB - Instituto Adolpho Bauer, com o objetivo de atender a demanda de Qualificação de mão-de-obra em empresas do Setor Sucroalcooleiro, principalmente na época da entressafra, tempo em que a maioria das Usinas acaba por rescindir os contratos da maioria de seus colaboradores, está promovendo o Programa Bolsa Qualificação, que consiste na possibilidade de uso do benefício Seguro-Desemprego como Bolsa de Qualificação Profissional para trabalhadores com contrato de trabalho suspenso. Na execução do benefício SeguroDesemprego, modalidade Bolsa de Qualificação Profissional, é necessário, previamente, que exista acordo entre o empregador e representante dos empregados. Entre em contato conosco para mais informações sobre os Cursos de Qualificação Profissional do IAB

Financiado pelo FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador)

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Dicas culturais Divulgação

Filmes e livros de qualidade Divulgação

Eu sugiro às leitoras e aos leitores da Revista Sustenta Brasil que acessem o portal da juventude www.quebreociclo.com.br. Este é um site do projeto “Violência contra as Mulheres – Quebre o Ciclo” da ONU Mulheres, financiado pelo Instituto Avon, com informações sobre a Lei Maria da Penha e dicas para enfrentar a violência. É um ambiente jovem e interativo, com vídeos explicativos sobre como a agressão acontece no dia a dia. Também tem quiz, enquetes, fóruns, biblioteca, podcastings e animações. O site possui conteúdos e materiais para professores, oficineiros e facilitadores de grupos. No Guia do Educador, há sugestões de conteúdos e atividades que poderão ser utilizados em sala de aula, oficinas e grupos de reflexão. Rebecca Reichmann Tavares - representante do Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher Divulgação

Eu indico o filme Tropa de Elite 2, pelo conteúdo e pela qualidade da proposta apresentada. A produção aborda uma realidade muito dura: a da maioria das pessoas que vivem nos centros urbanos no Brasil e que sofrem com a violência. Outro filme é Filhos do Paraíso, um longametragem iraniano, de Majid Majidi, que concorreu ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 1999. É a história de dois irmãos muito pobres que, devido a um incidente cotidiano, precisam dividir um segredo e um sapato para ir à escola. Ela estuda pela manhã e ele à tarde. Livro eu indico o Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil. É um livro sobre nós, brasileiros. É muito esclarecedor e bom para quem tem interesse numa história mais coerente do nosso país. A manipulação da história é muito praticada no mundo inteiro pelos interessados em se manter no poder. Margareth Menezes - cantora

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Existem vários livros e filmes muito bons. A cultura é uma questão que penetra a nossa alma e cada um possui uma forma de sentir. No meu caso, indico um livro que faz parte da minha vida, “Mandela - uma lição de vida”, e um filme que assisti recentemente chamado “O menino do pijama listrado”. Paulo Paim - senador Divulgação

Eu indico “Mulheres Negras no Brasil”, de Schuma Schumaher. É uma viagem nas histórias das mulheres negras brasileiras, desde sua chegada ao Brasil até os dias atuais. É uma forma de construir um novo olhar sobre o passado e superar a invisibilidade das mulheres, reconhecendo as contribuições para a construção da identidade brasileira. Leci Brandão - cantora e deputada estadual


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Ponto final

História do 8 de março As mulheres tiveram várias conquistas ao longo das décadas passadas, porém o caminho para a real igualdade ainda é longo reiro de 1932 foi um marco na história da mulher brasileira. Nesta data foi instituído o dia 8 de março de 1857, ope- o voto feminino. As mulheres conquistarárias de uma fábrica de tecidos, vam, depois de muitos anos de reivindisituada na cidade norteamerica- cações e discussões, o direito de votar e na de Nova Iorque, fizeram uma grande serem eleitas para cargos no Executivo e greve. Ocuparam a fábrica e começaram Legislativo. a reivindicar melhores condições de traO ano de 2010 também entrou para balho, tais como redução na carga diária a história das mulheres brasileiras. A eleide trabalho para dez horas (as empre- ção da primeira mulher para a Presidência sas exigiam 16 horas de trabalho diário), da República do Brasil foi um grande moequiparação de salários mento para todos nós. A “O ano de 2010 com os homens (as chegada de Dilma Rousmulheres chegavam a também entrou para a seff na Presidência da receber até um terço do República aponta que história das mulheres as mulheres podem essalário de um homem, para executar o mesmo brasileiras. A eleição tar e participar de todos os espaços políticos e tipo de trabalho) e tratada primeira mulher mento digno dentro do de poder da sociedade para a Presidência da brasileira. ambiente de trabalho. A manifestação foi Ainda em 2010, ouRepública do Brasil foi tro significativo avanço: reprimida com total um grande momento uma pesquisa revelou violência. As mulheres foram trancadas dentro que dobrou o número para todos nós” da fábrica, que foi inde mulheres investidocendiada. Aproximadamente 130 tecelãs ras na Bolsa de Valores, mostrando que morreram carbonizadas, num ato total- nós avançamos inclusive nas áreas de mente desumano. maior controle econômico do país. Porém, somente no ano de 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de março passaria a ser o “Dia Internacional da Mulher”, em homenagem às mulheres que morreram na empresa em 1857. Em 1975, através de um decreto, a data foi oficializada pela ONU (Organização das Nações Unidas). Ao ser criado o 8 de março, não se pretendia apenas comemorar. Na maioria dos países, realizam-se conferências, debates e reuniões, cujo objetivo é discutir o papel da mulher na sociedade atual. O esforço é para tentar diminuir e, quem sabe um dia terminar, com o preconceito e a desvalorização da mulher. Podemos dizer que o dia 24 de feveJúlia Melo

N

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Júlia Melo é diretora financeira do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado do Paraná


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BRASIL sustenta

Sustentabilidade & Inclusão em Debate

Empresas e instituições parceiras

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Revista Sustenta Brasil ed. 2