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Philos PORTUGUÊS CATALÀ ESPAÑOL FRANÇAIS ITALIANO ROMÂNĂ

REVISTA DE LITERATURA DA UNIÃO LATINA #1 · REVISTA DE LITERATURA DE LA UNIÓN LATINA #1 · RIVISTA DE LETTERATURA DELL’UNIONE LATINA #1

JOSÉ HENRIQUE ZAMAI RODRIGO MENEZES GABRIEL DE MELO CARDOSO MARINA MOHALLEM EDSON SOUZA GUSTAVO SOUZA HIATUS TALITA SOUZA CELSO ASSOLIN MARTINS SERGIO ALMEIDA KARINNY GONÇALVES LENICE MELO CARMINO DA SILVA NÉLIO GEMUSSE LEONARDO PRUDÊNCIO OSÓRIO FILHO RITA DE KASIA ANDRADE AMARAL ODENIR FERRO DAVID JUNIOR LÉO BR JESSYCA SANTIAGO MARCOS EVANGELISTA ALBANO BRACHT BENEDITO TEIXEIRA FILHO PAULO EMÍLIO AZEVÊDO FRANCIS DIEGO AMARAL IAGO PASSOS HELENA BARBAGELATA LAILA DE MAURO MIRIAM KRENCZYNSKI REGINA GOUVEIA EDUARDO ALEIXO PAULO ENRIQUE FREITAS CRUZ HOZANA BIDART MARIA EUNICE DE LACERDA MANDU HOLANDA LUCAS DANTAS FILIPI RASSI CAIO LOBO LUCRECIA WELTER SOUZA PEREIRA BHARROS DE OLIVEIRA LARISSA VAHIA ROGÉRIO PEREIRA HELGA IVONÍ VIEZZER PRISCILA PANZA RENAN REIS ARIADNA SAMPAIO JOEL FERREIRO RONALDO QUEIROZ VICTÓRIA MONTEIRO MOZART OLIVEIRA JOÃO AZEVEDO ÁNGEL GUINDA AURILENE SAMPAIO PEDRO FERREIRA MARISA NEVES FERNANDA FRAGA ADÉLIA STEDILE DE MATOS DANIELA BALESTRERO FABIO STRINATI MICHELA ZANARELLA

NEOLATINA


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REVISTA DE LITERATURA DA UNIÃO LATINA #1 · REVISTA DE LITERATURA DE LA UNIÓN LATINA #1 · RIVISTA DE LETTERATURA DELL’UNIONE LATINA #1

JOSÉ HENRIQUE ZAMAI RODRIGO MENEZES GABRIEL DE MELO CARDOSO MARINA MOHALLEM EDSON SOUZA GUSTAVO SOUZA HIATUS TALITA SOUZA CELSO ASSOLIN MARTINS SERGIO ALMEIDA KARINNY GONÇALVES LENICE MELO CARMINO DA SILVA NÉLIO GEMUSSE LEONARDO PRUDÊNCIO OSÓRIO FILHO RITA DE KASIA ANDRADE AMARAL ODENIR FERRO DAVID JUNIOR LÉO BR JESSYCA SANTIAGO MARCOS EVANGELISTA ALBANO BRACHT BENEDITO TEIXEIRA FILHO PAULO EMÍLIO AZEVÊDO FRANCIS DIEGO AMARAL IAGO PASSOS HELENA BARBAGELATA LAILA DE MAURO MIRIAM KRENCZYNSKI REGINA GOUVEIA EDUARDO ALEIXO PAULO ENRIQUE FREITAS CRUZ HOZANA BIDART MARIA EUNICE DE LACERDA MANDU HOLANDA LUCAS DANTAS FILIPI RASSI CAIO LOBO LUCRECIA WELTER SOUZA PEREIRA BHARROS DE OLIVEIRA LARISSA VAHIA ROGÉRIO PEREIRA HELGA IVONÍ VIEZZER PRISCILA PANZA RENAN REIS ARIADNA SAMPAIO JOEL FERREIRO RONALDO QUEIROZ VICTÓRIA MONTEIRO MOZART OLIVEIRA JOÃO AZEVEDO ÁNGEL GUINDA AURILENE SAMPAIO PEDRO FERREIRA MARISA NEVES FERNANDA FRAGA ADÉLIA STEDILE DE MATOS DANIELA BALESTRERO FABIO STRINATI MICHELA ZANARELLA


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EXPEDIENTE

REVISTA DE LITERATURA DA UNIÃO LATINA REVISTA DE LITERATURA DE LA UNIÓN LATINA RIVISTA DE LETTERATURA DELL’UNIONE LATINA

Souza Pereira

EDITOR CHEFE | EDITOR EN JEFE

Sylvia de Montarroyos

COMITÊ EDITORIAL | COMITÉ EDITORIAL

Lucrecia Welter

REVISÃO DE TEXTOS | SUPERVISIÓN DE TEXTOS

Maus Hábitos

DESENHO E DIAGRAMAÇÃO | DISEGÑO Y DIAGRAMACIÓN

SOBRE A OBRA DESTA EDIÇÃO | SOBRE LA OBRA DE ESTA EDICIÓN

Publicado originalmente em 2017 com o título Philos, Revista de literatura da União latina. Os textos desta edição são copyright © de seus respectivos autores. As opiniões expressas e o conteúdo dos textos são de exclusiva responsabilidade de seus autores. Todos os esforços foram realizados para a obtenção das autorizações dos autores das citações ou fotografias reproduzidas nesta revista. Entretanto, não foi possível obter informações que levassem a encontrar alguns titulares. Mas os direitos lhes foram reservados. Philos, Revista de Literatura da União Latina é registrada sob o número SNIIC AG-20883 no Sistema Nacional de Informações e Indicadores Culturais com Certificado de Reserva outorgado pelo Instituto Nacional de Direitos do Autor sob o registro: 102015-032213473700-121. ISSN em trâmite. Revista Philos © 2017 Todos os direitos reservados. | Publicado originalmente en 2017 con el título Philos, Revista de literatura de la Unión latina. Los textos de esta edición son copyright © de sus respectivos autores. Todos los esfuerzos fueron hechos para la obtención de las autorizaciones de los autores de las citaciones o fotografías reproducidas en esta revista. Sin embargo, no fue posible obtener informaciones que llevaran a encontrar algunos titulares. Pero los derechos les fueron reservados. Philos, Revista de Literatura de la Unión Latina es registrada bajo el número SNIIC AG-20883 en el Sistema Nacional de Informaciones e Indicadores Culturales con Certificado de Reserva otorgado por el Instituto Nacional de Derechos del Autor bajo el registro: 10-2015-032213773700-121. ISSN en trámite. Revista Philos © 2017 Todos los derechos reservados.

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Philos de de Literatura da União Latina Latina | Revista de Literatura de la Uniónde Latina | Rivista de Letteratura dell’Unione Latina Philos,Revista Revista Literatura da União | Revista de Literatura la Unión Latina.


anhã de primavera em Olinda. Apresento um projeto editorial na Festa Literária Internacional de

Pernambuco (Fliporto). Apesar da suposta multiplicidade temática que pretendia expor, o projeto não havia sido criado a mil mãos, eram unicamente os meus anseios de ser múltiplo, máximo, mas nunca comum. Pouco depois, numa tarde de verão em Camaragibe, com a ajuda de alguns amigos e alguns telefonemas para uma grande amiga em Lisboa, a Revista Philos toma forma e lança uma primeira edição com trabalhos de autores ibero-americanos, até então, desconhecidos do grande público. Hoje, um ano depois de iniciado o projeto, o mesmo e inquietante desejo de transformar a sociedade através das artes, mas com uma diferença: a aceitação deste projeto por leitores e colaboradores de todo o mundo. Esse mesmo anseio, que se desdobra em tantos outros, levou-nos ao reconhecimento de algumas instituições culturais e nos permitiu a nomeação de Revista Literária da União Latina, como parte de uma organização de escritores, artistas, críticos e acadêmicos de diversos países que faziam parte da extinta União Latina (Unilat), mas que continuam trabalhando em prol de uma latinidade plural. Com muita alegria, leituras críticas, correspondências, críticas e trabalho em conjunto, lançamos o nosso caderno especial de aniversário. Há aqui uma empatia involuntária entre textos e ilustrações; ambos tendem a falar da solidão, dos ciclos da vida, de gêneros, sofrimentos, da idiossincrasia, da literatura como refúgio: fenômeno constante do indivíduo. Dar a esta revista um sentido que a caracterize ou defina sua identidade dependerá de quem a ler.

M

añana de primavera en Olinda. Presento un proyecto editorial en la Fiesta literaria Internacional de

Pernambuco (Fliporto). A pesar de la supuesta multiplicidad temática que pretendía exponer, el proyecto no había sido creado a la mil manos, eran únicamente mis anhelos de ser múltiple, máximo, pero nunca común. Poco después, en una tarde de verano en Camaragibe, con la ayuda de algunos amigos y algunas llamadas para una gran amiga en Lisboa, la Revista Philos toma forma y lanza una primera edición con trabajos de autores ibero-americanos, hasta entonces, desconocidos del grande público. Hoy, un año tras iniziado el proyecto, el mismo e inquietante deseo de transformar la sociedad a través de los artes, pero con una dife rencia: la aceptación de este proyecto por lectores y colaboradores de todo el mundo. Eso mismo anhelo, que se desplega en tantos otros, nos llevó al reconocimiento de algunas instituciones culturales y nos permitió el nombramiento de Revista literaria de la Unión latina, como parte de una organización de escritores, artistas, críticos y académicos de diversos países que formaban parte de la extinta Unión Latina (Unilat), pero que continúan trabajando a favor de una latinidade plural. Con mucha alegría, lecturas críticas, correspondencias, críticas y trabajo en conjunto, lanzamos nuestro cuaderno especial de aniversario. Hay una empatía involuntaria entre textos e ilustraciones; ambos tienden a destacar la soledad, lo ciclos de la vida, los géneros, sufrimientos, la idiossincrasia, la literatura como refugio: fenómenos constantes en el individuo. Dependerá de quien lea esta revista dar un sentido que la caracterice o la defina identidade.

M

attina di primavera a Olinda. Presento un progetto editoriale nella Festa letteraria Internazionale di

Pernambuco (Fliporto). Nonostante la supposta molteplicità tematica che voleva di esporre, il progetto non era stato creato alle mille mani, erano unicamente i miei aneliti di essere multiplo, massimo, ma mai comune. Poco dopo, in un pomeriggio di estivo a Camaragibe, con l'aiuto di alcuni amici ed alcune chiamate ad una gran amica a Lisbona, la Rivista Philos prende forma e lancia una prima edizione con lavori di autori ibericoamericani, fino ad allora, sconosciuti dal grande pubblico. Oggi, un anno dopo aver iniziato il progetto, lo stesso ed inquietante desiderio di trasformare la società attraverso le arti, ma con una differenza: l'accettazione di questo progetto da parte di lettori e collaboratori di tutto il mondo. Quello stesso anelito che si moltiplica in tanti altri, ci portò al riconosci mento di alcune istituzioni culturali e ci permise la nomina di Rivista letteraria dell'Unione latina, come parte di un'organizzazione di scrittori, artisti, critichi ed accademici di diversi paesi che facevano parte dell'estinta Unione Latina (Unilat), ma che continuano a lavorare a beneficio di una latinità dalle molteplici sfacettature plurale. Con molta allegria, letture critiche, corrispondenza, critiche e lavoro di gruppo, lanciamo il nostro quaderno speciale di anniversario. C'è un'empatia involontaria tra testi ed illustrazioni; ambedue tendono a parlare di la solitudine, cicli della vita, generi, sofferenze, idiossincrasia, della letteratura come rifugio: fenomeno costante nell'individuo. Dipenderà di chi legge questa rivista dane un senso che la caratterizzi o ne definisca l’identità.

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EDITORIAL EDITORIALE

M


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REVISTA DE LITERATURA DA UNIÃO LATINA · REVISTA DE LITERATURA DE LA UNIÓN LATINA · RIVISTA DE LETTERATURA DELL’UNIONE LATINA

ÍNDICE | INDICE

POEMAS | POESIA | EXPERIMENTAL | POESÍA POESIE | EXPERIMENTALES | SPERIMENTALE

8. Sentimento da noite, por José Henrique Zamai 9. Necrópsia dos sentidos, por Rodrigo Menezes 10. Busca, por Gabriel de Melo Cardoso 11. Enseada, por Marina Mohallem 12. Antigo Testamento, por Edson Amaro de Souza 13. Amigo sóbrio, por Gustavo Souza 14. Este rio, por Hiatus 15. Ele, por Talita Souza 16. Fim, por Celson Assolin Martins 17. O andarilho, por Sergio Almeida 18. Sacerdotisa cênica, por Karinny Gonçalves 19. Maresia, por Lenice Melo 20. Andante, por Carmino da Silva 21. Amanhã, por Nélio Gemusse 22. Breviário do mar, por Leonardo Prudêncio 24. Soneto de afã, por Osório Filho 25. A humanidade, por Rita de Kasia Andrade Amaral 26. A rua do mar, por Odenir Ferro 27. Soneto lapidado, por David Edson Camargo Junior 28. Morte VI, por Léo Br 29. Impressões de uma janela, por Jessyca Santiago 30. O sacrifício das flores, por Marcos Evangelista 31. Musa, por Albano Bracht 32. O vento, por Benedito Teixeira Filho 33. Poema opaco, por Paulo Emílio Azevêdo 34. Lógica, por Francis Diego Amaral 35. Aceso observa, por Iago Passos 36. Páralo, por Helena Barbagelata 37. Dádiva do verão, por Laila de Mauro 38. Mulheres desbravadoras, por Miriam Krenczynski 40. Numa esquina do tempo, por Regina Gouveia 41. Um soneto inacabado, por Eduardo Aleixo 42. O amor tem gênero, por Paulo Enrique Freitas Cruz 43. O que diabos a baiana tanto tem?, por Hozana Bidart 45. Encontro, por Maria Eunice Silva de Lacerda 47. Gramática arcaica, por Mandu Holanda

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ÍNDICE | INDICE

POEMAS | POESIA | EXPERIMENTAL | POESÍA POESIE | EXPERIMENTALES | SPERIMENTALE

48. Mamãe, por Lucas Dantas 49. Poesia voo, por Filipe Rassi 50. A musa silenciosa, por Caio Lobo 52. Fruto proibido, por Lucrecia Welter 53. Tisanas, por Souza Pereira 54. Fora engolida, por Bharros de Oliveira 55. Ausência, por Larissa Vahia 56. Memórias, por Rogério Pereira57. Você sabe, por Helga Ivoní Viezzer 58. A vida, por Priscila Panza 59. A sombra, por Renan Reis 60. Bucólico, por Ariadna Sampaio 61. Escritos póstumos, por Joel Ferreiro 62. A voz do vento, por Ronaldo Queiroz 65. Elo, por Victória Monteiro 66. Espelhos, por Mozart Oliveira 67. Eu sei por que tigres enjaulados gritam, por João Azevedo 68. La diferencia, por Ángel Guinda 69. O ser tão do Sertão, por Aurilene Sampaio 70. Oceano noturno, por Pedro Ferreira 71. Santa Fé, por Marisa Neves 72. Teus passos, por Fernanda Fraga 73. Flor tapera, por Adélia Stedile de Matos 77. Ricordo, da Daniela Balestrero 78. Depressione mia, da Fabio Strinati 79. Avrò cura di noi, da Michela Zanarella

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MOSTRA DE POESIA LUSÓFONA

POEMAS

Dossiê de Literatura Neolatina

SENTIMENTO DA NOITE José Henrique Zamai por

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O dia, derretido na aurora, resfria-se na noite Escurece, e as pessoas bocejam Permaneço silente, como se sobre mim se abatesse um estranho siso. Certa aversão à lua e às estrelas À imensidão do Universo que se tornava clara, no céu do passado. Sentimento de pequenez? Ou de solidão? O relógio, o tempo, como rios, corriam em um único sentido: não voltavam. A noite avançava velha e, como do nada, era uma criança recém-nascida. Na madrugada, sento-me à janela de meu quarto e observo as luzes da cidade. Poucas casas no campo de visão. Nada se altera por um longo período. E a luz de uma janela próxima se acende. Solidão? Não mais. Eis ali outra alma insone! Companheiro, como tem sido a vida? José Henrique Zamai (Divinolândia, São Paulo, Brasil, 1991). Advogado e escritor. 1

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MOSTRA DE POESIA LUSÓFONA

POEMAS

Dossiê de Literatura Neolatina

NECRÓPSIA DOS SENTIDOS Rodrigo Menezes por

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Onde amei: uma caveira em lugar dos lábios que desejei: uma carcaça a pele que toquei, febril — cera maciça os sonhos secretos que sonhei: fumaça sobre os versos que escrevi: poeira as palavras que sangrei: mofadas as páginas que chorei: amarelas e secas as dores tantas que poetizei: anestesiadas eis aqui o mais cruel feito do Tempo: — artesão imponente das encruzilhadas — demolir os afetos que pensamos tão grandes assassinar o sentidos...transformá-los em nada.

Rodrigo Menezes 1

(Brasília, 1989). É escritor e poeta, graduando em psicologia.

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POEMAS

Dossiê de Literatura Neolatina

BUSCA por

Gabriel de Melo Cardoso1

Confesso que nunca fui de observar a lua me olhando, mas de uns tempos para cá tenho observado Vejo nela as mãos dadas dos retirantes Saem ora do pé, ora do ombro, ora até da orelha! Ontem desejei com toda minha força que parassem de se dirigir ao centro Aquele que acolhe todos com tanto afinco, tanta ternura, tão doce rapadura. Me disseram que dor é sina E que tudo na vida acaba em ''or'' Por isso a esperança é menina Fita verde nos cabelos,voz branca em anúncio de paz. Mas...E os retirantes? Dor, amor, estupor, fome. Por que carregam essa menina? Quão sórdida aspirina, apenas mais uma morte severina. Vagante em amargura seca escorre entre pórticos e aldravas e, C(entro), dentro enfim, e sento Observo a lua sussurrar algo sobre retirantes Coloco a mão no peito, e em repentina agudez A menina morreu de sede. Espaço imerso revelado, rochoso, rachado. Procura-se semente que alimente o retirante centro Ao centro retirante, cura-se.

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Gabriel de Melo Cardoso 1

(Balneário Camboriú, 1997). Escritor, filósofo, tanatólogo e poeta.


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POEMAS

Dossiê de Literatura Neolatina

ENSEADA por

Marina Mohallem1

Não sou aquele trem que anda nos trilhos Eu sou aquela água que vai e volta e vaga Não sou aquela estrada já definida, Eu sou a poeira que na chuva se apaga Tudo que se precisa é a precisão da liberdade é desviar, é viver e é também não ter idade Somos incompletos na medida do infinito Eu sou uma enseada rodeada de um mar silencioso.

Marina de Lima Mohallem 1

(Minas Gerais, 1994). Graduanda do curso de Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Alfenas, bolsista do PETbiologia. Poetisa e administradora da página ‘’PoeMA’’, livro virtual de poemas.

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POEMAS

Dossiê de Literatura Neolatina

ANTIGO TESTAMENTO

por

Edson Souza1

Ah, se Deus conhecesse o que criou, O beijo de mulher a quem amasse, Nunca mais o desejo condenasse, Nem impuro seria quem copulou! Alguma vez Javé acaso amou Querendo fosse eterno o que é fugace? Acaso não veria com melhor face Os pecados que só Ele decretou? Se um filho, pois gerasses, Adonai, Outra lei nos darias mais docemente, Pois esta o doce amor sujando vai. Javé, que se derreta com ardente Amor o peito Teu por esta gente: Desiste de ser Deus para ser pai!

Edson Amaro de Souza (Rio 1

de Janeiro, 1980). Professor de Língua Portuguesa, tradutor do romance “Valperga”, de Mary Shelley pela editora Buriti, e da tragédia “O Rei Saul”, de Vittorio Alfieri, disponível em formato e-book na Amazon.

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POEMAS

Dossiê de Literatura Neolatina

AMIGO SÓBRIO por

Gustavo Souza1

No poço dos vermes famintos, nós velejamos em uma embarcação veneziana. Nas águas calmas do inferno, transbordo na solidão – o velho amigo sóbrio da vida – e corvos negros, - voando em ciclo – e nós observando o fulgor das quimeras As estrelas sem brilho, - impuras da negritude maldita da vida infernal – a embarcação se movia ao vento e ao medo dos braços; assim foi a noite sem fim – em um inferno sem volta – em ciclo – acompanhado...

1

Gustavo Souza

(Piranhas, Alagoas, 1992). Poeta e crítico licenciado em História pela Universidade Federal de Alagoas. Menção honrosa na categoria de novos poetas do Concurso Sarau Brasil da Editora Vivara (2015).

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POEMAS

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ESTE RIO por

Hiatus1

Este rio É minha alma, Corroída pelo tempo, Meu choro, Meu lamento Este rio, Que ora chora, Cuja dor se ignora, É o rio de nossa história De toda nossa memória Sustento da lavadeira, Alimento do pescador, Doce inspiração, Inspiração do sonhador Neste rio, Jogo lixo, Pois é frio meu coração, Transformo a vida Em morte, Destruição Este rio, É meu começo, Início, meio e fim Deságua suas águas Neste mar que há em mim Este rio É meu destino Rio que viu o menino Crescer E virar as costas Meu companheiro de brincadeira Parte de mim que morre. Meu rio. Minha alma.

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Hiatus,

pseudônimo de Robinson Silva Alves (Coaraci, Amazonas, 1976). Escritor e poeta multipremiado em festivais como o da UFF, UNIVAP e CLIP.


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POEMAS

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ELE por

Talita Souza1

Ele possui o dom de me acalmar Me traz paz E sinto como se fosse capaz de qualquer coisa Ele faz com que eu sinta vontade de sair por aí Pegar o primeiro ônibus E ir para perto dele Ele não é de palavras difíceis Nem de muita fala Mas o pouco que diz Me toca a alma Ele não sabe Mas eu o amo Ele não percebe Mas é especial Ele não acredita Mas é lindo Ele deveria saber Que é único Que é o único Que me acalma o coração Que é o único Que me arranca sorrisos fáceis E me faz acreditar no amor Ele deveria saber Ele deveria perceber Ele deveria acreditar Mas ele prefere fechar os olhos E não enxergar

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1Talita

Souza (Passos, Minas Gerais, 1998). Aspirante a escritora e estudante de Tecnologia da Informação.


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POEMAS

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FIM por

Celso Assolin Martins1

Fim do começo, Presente pretérito: Começo do fim. O ardil do tempo Evoca o ponto De tensão No qual Passado, presente E futuro Têm, Num átimo, A mesma face. Curiosamente, Esse ponto é um espelho No qual A vida enxerga A morte.

Celso Assolin Martins (Mococa, Brasil, 1960). Escritor. 1

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POEMAS

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O ANDARILHO por

Sergio Almeida1

Sou um brinquedo, um objeto nas mãos da matemática, os passos inúteis seguindo na escuridão. escolho ruas ao acaso: um andarilho sem esperança vagando perdido, sem identificação. sem mapas, sem bússolas, sem oriente, sem horizonte ou farol, sem utopia buscando a próxima estação. de incerteza e encanto construo uma prece, um mantra contido na palavra direção.

Sergio Almeida, Jardim (Rio de Janeiro, 1990). Poeta, músico, videomaker e possui cinco livros publicados. 1

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POEMAS

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SACERDOTISA CÊNICA Karinny Gonçalves por

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Sorriso de porcelana, de vidro e de cerâmica. Olhos de ressaca, de gelo e de fogo. Palavras de engano, de mentira e de gozo. Eis esta quimera que me deparei! De seus lábios inverdades saem Em seu rosto uma máscara se encontra Todos os dias um papel contracenado Quão grande é o repertório de encenações! O que faz no fechar das cortinas, doce quimera? Tens uma máscara também para si mesma? O que tu verdadeiramente és? Ó filha, da dissimulação! E quando sentires um sedutor perfume E se sentires atraído por uma bela imagem Cuidado, querido amigo! É a quimera oriental! Belladonna furtiva, Dissimular-se de rosa é sua maior diversão! Quando percebestes já serás vítima O veneno correrá em suas veias E tu, pobre alma, estarás sem nenhuma salvação!

1Karinny

Gonçalves (Tsunade, 1997). Contista e poetisa vencedora do Prêmio Flor do Ipê em 2015.

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POEMAS

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MARESIA por

Lenice Melo1

Amar… traz um mar dentro de si Explicação simplória para estar assim invadida de ti Porque por vezes afogo-me de saudade e anoiteço E quando enfim mergulho em tuas ondas amanheço

1Lenice

C. de Melo Lima, Le Melo (Osasco, 1967). Educadora e poetisa, publicação independente em 2015 do livro Janelas Entreabertas… de luz e paixão, participação na Antologia Poética Poetize 2016.

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POEMAS

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ANDANTE por

Carmino da Silva1

vá a quem sou não à casca que reveste minha alma nem à película que engana sentidos vá ao sabor à textura do coração há peitos pulsando espíritos há também olhos brilhando janelas há minha vida à tua 1Carmino

da

Silva (Pernambuco, 1983). Começou a escrever poesia aos 19 anos, tendo efetivamente participação em fanzines literários do Recife em meados da década de 2000.

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MOSTRA DE POESIA MOÇAMBICANA

POEMAS

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AMANHÃ por

Nélio Gemusse1

Amanhã vai nascer o sol Amanhã vai nascer o sol forte Aquele que aquece E te põe forte. Amanhã vou a escola Vou dedicar-me aos estudos E fazer amizades novas Depois vou jogar futebol com alguns miúdos. Amanhã farei de tudo para não me aborrecer Para estar alegre com o mundo Para ver mais uma vez o sol nascer. Amanhã é dia de eu visitar os meus familiares Amanhã é dia de tu me amares Amanhã é dia de brincarmos novamente É dia de tu e eu rezarmos para toda gente. É dia de refrescar a minha mente Amanhã é o dia mais feliz da minha vida.

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1Nélio

Gemusse (Moçambique, 1993). Escreve poesias desde os seus 15 anos de idade, traz nas suas linhas poemas de intervenção social e de reflexão. Cursando ciências policiais, lançou em 2015 a sua obra de estreia, intitulada Valério pela Chiado editora.


MOSTRA DE POESIA LUSÓFONA Dossiê de Literatura Neolatina

BREVIÁRIO DO MAR por

Leonardo Prudêncio1

o meu eco se perdeu no vazio mar após o urrar das ondas aqui estou: em silêncio solitário e imóvel daqui da areia observo a nuvem a passar e a água a se perder no mar ainda fico em silêncio resoluto eu: observo o nada vagar por entre meus dedos adeus terra adeus mar adeus vida mansa longe do céu mas próximo do chão somos todos partículas de pó e solidão mas mesmo ao longe a solidão das estrelas ainda me comove

1.

2.

3. procurei teu amor em cores luzes e alfazemas enlaçado estou e preso fui em tua teia o meu coração, cheio de clichê e dor, ainda pulsa sem ti

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EXPERIM.


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EXPERIM.

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água que vai e vem no rebolar dos verdes mares bravios o mar se perdeu no tempo por onde anda minha Iracema? aqui me vou: longe de ti busco um pouco de mim

4.

5. há um mar visível e suspenso sobre nossas cabeças: céu atento e silencioso fico a me debruçar dos sons do vento em água doce me despeço e me aparto do mar ainda estou sóbrio desde a despedida até hoje.

1Leonardo

Prudêncio (São Paulo, 1990). É poeta do livro Baladas para violão de cinco cordas, publicado em 2014. Atualmente reside em Goiânia.

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POEMAS

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SONETO DE AFÃ por

Osório Filho1

Por anos, desnudei um mundo ingrato perdido, transitei por entre as ruas e quando ao fio quedava derrotado, o acaso fez cruzar minhas mãos às tuas Ao bel-prazer de um sol outrora ausente que aqueceu tremente mãos tão frias, nos debruçamos num gesto envolvente revelando do amor sua alegoria, E na tez do ocaso, recordamos que em sonhos, nosso afã vinha traçado na forma desenhada de um abraço. E a paz reinou em nosso firmamento delineada na forma dos passos eternizando assim possíveis laços.

1Osório

Filho (Rio de Janeiro, 1982). Poeta e professor.

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POEMAS

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A HUMANIDADE por

Rita de Kasia Andrade Amaral1

O homem sem historia percorre nas horas a realidade falida da origem perdida, agora tema de ironia. O homem sem cultura vê no acoite da fúria o rosto da amargura da civilidade anunciada, Viva a nossa Pátria! O homem marcado, de tracos e aços, responde a vida com suor inundado de sonhos e despedidas. O homem sem passado esconde na contradição a raiz da identidade plantada na tradição. Lembrança de ser homem! E tu Mulher que entre burcas e véus gritas pelos teus presos nas fardas de quem não renasceu? Em meio a sua voz, de dor e ansiedade, geme pelo simples toque da terra da liberdade. Oh sonho fugaz, capaz de criar refém, dela exigiu a fuga retribuindo-lhe puro desdem. Ela segue, entre véus e arames preces e vexames, em busca da piedade vestida de palanque!

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1Rita

de Kasia Andrade Amaral (Rio de Janeiro, 1990). Doutoranda no PPGHCS-COC. Mestre em História Social pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2014). Especialista em Preservação e Gestão do Patrimônio Cultural das Ciências e da Saúde pela Fiocruz (2016). Pesquisa temas como saúde, escravidão e identidade africana. É autora da obra Leve Mente Humana, pela editora Multifoco (2016).


MOSTRA DE POESIA LUSÓFONA

POEMAS

Dossiê de Literatura Neolatina

A RUA DO MAR por

Odenir Ferro1

A rua da ladeira que desce de encontro ao mar E a rua defronte do braço de mar cortando A extensão da enseada - aonde fica aquele Vilarejo pesqueiro envolto pelas maresias Constantes dos ares salgados, nebulosos, Cinzas - ou, às vezes pesponteados pelos Raios do sol opaco e ameno das manhas. Os homens pescadores saem de madrugada Enfrentando as ondas brávias do alto-mar, e Voltam com os barcos pesqueiros carregados Com muitas espécies de peixes: - uns grandes, Outros pequenos. As vezes, grandes quantidades Pescadas de um cardume só: - de sardinhas ou atum. Quando encostam os barcos pesqueiros na praia, Logo chegam muitas gaivotas que vem navegando Em voos, desde alturas dos tons mais azuis do céu. Elas chegam e vão logo brigando entre si - a procura Dos restos de peixes que foram deixados na praia. Deserta praia - que agora, - espera o cair Da tarde esperando anoitecer; entretanto, Na rua do mar, os pescadores descansam Acolhidos nas suas casas: - A espera dum Novo amanhã - e tudo de novo recomeçar.

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1Odenir

Ferro (São Paulo, 1990). Escritor, poeta e Embaixador Universal da Paz.


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SONETO LAPIDADO por

David Edson Camargo Junior1

Se a eternidade te invade o peito, Deixa! Que não nos há maior doçura, Nem melhor sanidade, nem loucura, Nem causa que traga melhor efeito! Sentir-se pequeno e grande aventura De quem vê grandeza em cada imperfeito, Despreza o perfeito de tao suspeito E aceita a marca de cada rasura. Ah, que vida e essa que não nos cura!? Que acontece em nos a nosso despeito E nos põe na tenaz linha de um triz!? E doido, mas de real ternura O tal viver, que feito e então desfeito Sangra, fere e completa a cicatriz...

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1David

Edson de Camargo Junior (Votorantim, 1989). Professor e escritor.


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MORTE VI por

Léo Br1

Nós apenas pensamos as formas da morte numa evolução de ideias fundamentais drenando, como uma melodia uma temperança nada imaginária de um contexto mais amplo apenas mais um passo no nosso espírito de síntese

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1Léo

BR (Brasília, 1990). Poeta e cineclubista.


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IMPRESSÕES DE UMA Jessyca Santiago JANELA por

1

Minha janela permanece a mesma Mas as cores do céu mudaram E o cheiro da terra canta novas estações, Folhas verdes tornam se amarelas Anunciando o caminho onde as árvores repousam, Os ninhos renovam os pássaros Contam os anos… Tantas manhãs passaram! Veio o sol Veio o vento A chuva veio E depois o céu límpido Por onde as aves voaram. Tantas tardes passaram! Dormiu o sol Dormiu o vento A lua despontou E depois as estrelas Iluminando os becos esguios das ruas. Vieram auroras, tempestades, ventanias, Aves de todas as cores voaram por esse céu, Veio a estação do frio e das flores, do calor e das folhas, Tantas cores coloriram esse chão! Você não veio.

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1Jessyca

Santiago (Pernambuco, 1988). Bacharel em Letras pela UERJ, mora em Shangrila Belford Roxo e trabalha como professora em Nova Iguaçu.


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O SACRIFÍCIO DAS FLORES Marcos Evangelista por

1

Foi lá no jardim querido, de orquídeas, rosas, jasmins e outras tantas Contemplando quão belas flores Onde imperavam a paz, a quietude; e o dia parecia eterno Distante do corre-corre da vida E dessa mesma forma, a quilômetros, afastado da ganância, do ódio, do sofrer, do amor desprovido Costumava recostar-me no banco e simplesmente olhar Acompanhar a simples e complicada arte do Criador Foi nessa observação que concluí o óbvio Que também as flores lindas, perfumadas, sejam elas, de beleza comum ou incomum, exóticas Quase que todas, sacrificam-se antes do tempo Percebi num menino arrebanhando verbenas para uma mãe aflita Sua esperança? Libertá-la da dor de uma tristeza incontida Uma senhorinha pesarosa, preferindo aos jasmins que as brancas rosas, e, dessa forma, embelezar um corpo frio sem a beleza da vida, jazendo exposto num ataúde Pouco tempo lhe falta para a multidão conduzi-lo ao seu destino derradeiro. Um jovem esperançoso, de coração partido Ansioso em reatar o laço que o unia àquela que fora sua amada, preferia às margaridas as vermelhas rosas Essas expressariam um “eu te amo” colorido, naturalmente perfumado, na esperança de reparar seu coração condoído, gravemente amargurado São nesses momentos, como em tantos outros que compõem a história humana, que as flores se sacrificam Sacrificam-se para apaziguar o aflito vitimado por uma tristeza incontida Sacrificam-se para, em vã tentativa, “embelezar” o cenário funesto de um corpo sem vida Sacrificam-se, verbalizando, exprimindo amor, do que vai a busca daquela de antes, alma gêmea de muitas juras trocadas As flores também se sacrificam para o bem de todos nós mortais O Criador ilustrando nas pétalas multicoloridas de um ramalhete exalando perfume A pretensão sublime há muito promulgada De, como, no sacrifício das flores, a natureza vai bem representar a expressão maior do amor de Deus, como exemplo, em reparar as chagas de todas as almas perdidas, desamparadas.

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Marcos Evangelista (Camaragibe, Pernambuco, Brasil). Poeta. 1


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MUSA por

Albano Bracht1

Eu não sei que segredo tem o seu semblante, Que me atrai e que me prende, tal qual a medusa. Não consigo viver, sequer por um instante, Sem que me lembre dela, meu ser se recusa. A uma estrela nas trevas, ela é semelhante. Traz-me maravilhado, sua aura difusa. É minha inspiração, coração palpitante, A mulher que escolhi, sublime e terna musa. Criatura invulgar, essência feminina, Imagem de mulher e jeito de menina, Entre joias, precioso e rútilo diamante, É como gota d’água, pura e cristalina, Dona de um meigo olhar, que acalenta e ilumina. Nunca a descreverei, por mais que escreva ou cante.

Albano Bracht (Rio Grande do Sul, 1946). Integrante do Clube da Poesia e fundador da cadeira nº 23 da Academia de Letras de Toledo (PR). 1

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O VENTO por

Benedito Teixeira Filho1

O vento sussurra ao vento que modifica tua alma inflamada pelo nada que te perturba, o nada que ficou para trás, que fugiu para bem longe, e que se escondeu em algum lugar que eu nunca soube encontrar. Tu és uma pessoa invisível, Que vive às forças de uma saudade inexistente, É você o Vinícius invisível, Melancólico, poético, sensível, Que se esconde atrás das folhas de papel. Outra vez tentas, te desligar do mundo, Queres apagar um passado que não podes controlar e tirar da mente. O vento sussurra e te traz as lembranças inconscientemente, Lembranças que, para viver, tens que morrer eternamente.

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Benedito Teixeira Pires Filho (Itapipoca, Ceará, 1992). Acadêmico de Enfermagem da Universidade Estadual Vale do Acaraú. 1


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POEMA OPACO por

Paulo Emílio Azevêdo1

Percebo no tempo (que vem antes do aplauso) que o mito se evapora. Planície, tato no teto, ausência de chão? Pode ser que sim, mas também pode ser que, talvez, não. Fugazes saltos nos altos. Ferozes autos de solidão. Multa para quem estacionar no colo do outro. Prisão para quem demorar no abraço. Pena de morte para quem disser que ama. Altitude, vazio, expressão do ator, diria o poeta: – “suspenso”! O palco repleto de ecos. Opaco, ó palco, tão pleno de mim! Máscara, mas cara a cara com o espelho. Ato insensato de ficar na ponta dos pés. Não é pássaro, mas voa. Não é anjo, mas flutua. Não é Deus, mas nos faz envergar diante do que se desconhece. É feito de gente, a outra metade era mito. Mas isso, já havia dito no prólogo. O movimento tem música, mas o corpo onde está?

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Paulo Emílio Azevêdo (Rio de Janeiro, 1975). Professor, Doutor pela PUC-Rio em Ciências Sociais, escritor, poeta e coreógrafo. Recebeu diversos prêmios, entre eles “Rumos Educação, Cultura e Arte” (2008/10) pelo Instituto Itaú Cultural e “Nada sobre nós sem nós” (201112) no âmbito da Escola Brasil/Ministéri o da Cultura para publicação do livro Notas sobre outros corpos possíveis (2014). Seu mais recente livro, O amor não nasce em muros (2016), tem prefácio assinado pelo editor chefe da Philos. 1


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LÓGICA por

Francis Diego Amaral1

Lá se vai mais um ano Sobrevivendo entre o sagrado E o profano Dialogando com o racional E o insano Me envolvendo com quem não gosto, Com quem amo Eu Só me arrependo do que não fiz, Do que só foi mais um entre outros planos Por isso, Pretendo só me apegar ao tempo Quando tiver 80 anos.

Francis Diego Amaral (São Paulo, 1990). Publicitário e escritor. 1

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ACESO OBSERVA por

Iago Passos1

brilho da brasa também te assiste em chama o soco devolve ao corpo a mesma força que dá arruma a casa que a casa te arruma planta na terra um alecrim que a terra planta um alecrim em ti o sopro que te atravessa é irmão do teu vento de dentro

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Iago Passos (Minas Gerais, 1996). Graduando em letras pela UFMG. Desenvolve pesquisas e experimentos acerca das relações entre poesia, artes gráficas e performance desde 2013. Em artes gráficas, produziu e publicou três livros artesanais e independentes: Mínimo (2013), Luzes em trânsito (2014) e Xirê (2015). 1


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PÁRALO por

Helena Barbagelata1

Os cais sonham com a partida, todas as horas numerando e dinumerando, o dobrar e desdobrar das velas, encharcando as ladeiras com os restos cinéreos e estancos de marés de gente forânea, (desfloram os ilhéus virgens, pausando a morte com o suor rugado dos nossos campos, em vícios, numerários e dívidas imperdoáveis. Onde estão os filhos de Posídon, os navios perderam os ascendentes, a fuscina enferrujada, já não nomeia o seu largo herdo e os rostos amados das mulheres; Alguém dizia, os mares doem, numa alantíase de azuis impossíveis, o mediterrâneo dói, em cercados de alfazemas a amparar os golpes, doí-me o meu país sempre que viajo; Os cais amodorram ao entardecer, com o sangue clandestino dos homens nas proas fugidas, com o hálito da noite roubado à boca dos jasmins, e os sarcófagos silenciosos das águas tracejamos as coleções maiores e menores de estrelas, aquelas que movendo estereógrafos e astrolábios, nunca sonhara Hiparco.

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Helena Barbagelata (Lisboa, Portugal, 1991). É licenciada em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela Universidade Nova de Lisboa e Pós-graduada em Línguas, Literaturas e Culturas. Desenvolveu estudos de investigação em Língua, Pensamento e Cultura Helénica na Universidade Nacional e Capodistriana de Atenas. É curadora de Literatura lusófona e de artes visuais da Philos. 1


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DÁDIVAS DO VERÃO por

Laila de Mauro1

Luminoso E ardente O verão seduz Esparrama Por toda parte Poderosos raios de sol A nos bronzear E encantar! Espicha os dias Quentes Oferece longas E preguiçosas Tardes douradas Até vislumbrar a lua A nos iluminar E abençoar!

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Laila de Mauro (Serra dos Aimorés, 1953). Professora aposentada da Secretaria de Estado da Educação do DF. Mestre em Educação, nos últimos anos tem atuado no Ensino Superior. 1


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MULHERES DESBRAVADORAS por

Miriam Krenczynski1

Com seus Joões, apearam as Marias, Crendo na promessa de futuro radiante, Quiçá um afável oásis? Quiçá a alforria? Diferente da terra natal, ora distante. Com júbilo e propósitos, toda a família, Carregou o que pôde no caminhão. Avante! A roça, a casa, em busca de novos dias, Venderam, trocaram, para seguir adiante. As preciosas mulheres chegaram à Vila, Com simplicidade em seu trajar rural. Com tantos afazeres e modestas lides, Sentiram, noite e dia, a carga desigual. Antes mesmo do despertar da prole, Lavada, no braço, toda roupa no varal. Sotaque italiano na saudosa melodia, Lançada ao vento, em salva matinal. Preconceitos, trabalho, um pesado fardo, Compunham o novo cenário das pioneiras. Desde a vassoura, a enxada, o machado, E lenha lascada para o fogão, à sua maneira. Nos intervalos do afã, a alegria da colheita, O chimarrão, a pipoca, em tardes fagueiras. Sentavam-se as vizinhas trocando receitas Abaixo das árvores, à sombra de amoreiras. Delegavam à sorte os riscos da gravidez, Longe do olhar de suas mães e das avós. Os filhos vieram à luz, todas as vezes, Pelas mãos de parteiras, de pouca voz.

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As desbravadoras herdaram a ordem De atender ao homem, sem lamentos. Na saúde, na doença, por todas as horas, Segui-lo com os filhos, era o pensamento. Foram acalentados os tantos moradores, Pelo feito grandioso do exército feminino. Aplausos às mulheres, mães desbravadoras, Protagonistas da história contada no ensino. Com justa imortalidade e leal reverência, Deixaram fortes marcas de audácia e refino. Constando em ricos anais, cada veterana, Consentiu dos legados, o mais genuíno. Àqueles que ficaram no berço amado, No peito, feito dor, o último abraço. Deixaram para sempre o coração marcado Pelas raízes, pela história de tantos passos.

1Miriam

Krenczynski (Toledo, 1951). Membro do Clube da Poesia e fundadora da cadeira 14 da Academia de Letras de Toledo.

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NUMA ESQUINA DO TEMPO por

Regina Gouveia1

Luxuriosas, as estrelas crepitam no céu negro. Voluptuosos, os ramos das árvores afagam a escuridão. Quais garças, miríades de sonhos esvoaçam ledos. Titubeante, o amor deambula por entre apaixonados. Helena ama Demétrio, que ama Hérnia, que ama Lisandro. Errante, a paixão… Titânia ama um ser com cabeça de animal. Duendes e fadas volteiam por entre a bruma esquiva. Gorjeia a poesia. No ar, o róseo perfume da madressilva. A noite estremece. De flautas e oboés, refulgem os trinados. Amores reencontrados… Flutuam acordes da marcha nupcial. Cúmplice, a magia… Florescem os sonhos na noite de verão. Numa esquina do tempo, Shakespeare, Mendelson e Chagall. Subtil, a aurora desliza noite adentro. Vénus regressa. Ao amanhecer, esvai-se a fantasia. Balbuciante, o dia… rumoreja o bosque, despertando lento.

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1Regina

Gouveia (São Paulo, Brasil, 1945). Nacionalidade portuguesa, professora aposentada, escritora com vários livros publicados e prémios obtidos em concursos.


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UM SONETO INACABADO por

Eduardo Aleixo1

Se a cortejei, não foi senão porque amiúde Ela tratava a mim tal qual a quem se ama Ou então conheço o assunto apenas pela rama E tomo por amor mera solicitude Pois sim, andei às voltas com uma dama Tão bela como pura, embora rude Procurei esquecê-la o quanto pude Sem imitar nenhum verso de fama Pois sim, sempre que dou com os murros n’água Reúno, de contínuo, a minha mágoa E, pondo-a no papel, não raro, apago-a.

1Eduardo

Aleixo Monteiro (Recife, 1987). Escritor pernambucano.

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O AMOR TEM GÊNERO por

Paulo Enrique Freitas Cruz1

Um olhar furtivo nos corredores da escola E a pergunta sem resposta “e agora?” Olhar inocente e ao mesmo tempo com culpa Que não vai embora, que não se desculpa. O tempo passou e nós crescemos, O tempo das coisas nós não demos. Aqueles olhares se misturaram Às mãos e pernas que se embaralharam. Até que um dia meu pai descobriu E nosso encontro jamais se repetiu. Você devia ter nascido mulher… O que fazemos agora? E agora, José?

1Paulo

Enrique Freitas Cruz (Minas Gerais, 1990). É escritor e advogado.

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O QUE DIABOS A BAIANA TANTO TEM? por

Hozana Bidart1

O que diabos a baiana tanto tem que todo mundo quer cantar? É rabo de saia, pois é e tem um gosto de mar… Lava meu perfume importado com seu suor a me banhar tira do meu baticum esse fado ao me tirar pra sambar pôs no meu pescoço umas guias e esse tal de patuá me explicou dessas suas magias falou de cada um orixá depois, das noites de euforia essa bastou me mostrar e a seriedade da Bahia pra além de qualquer mar. A baiana enfeitiça, verdade e eu, que nem sinto saudade das negas do além-mar quero plantar nessa terra umas crianças que berram pra minha alma acordar. Agora fala do mundo de frescura que fez minha alma desamar não ouse não chamar de cultura essa baiana que tanto faz rebolar é tanta raça e brandura que a nega perde a cintura de tanto se deslocar enquanto seu moço do lado bate um pandeiro inspirado o bicho só falta falar! 43

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Ela me chama estrangeiro e brilha os olhos pro mundo de lá mal sabe a baiana da festa que eles nem sonham existir, suas plantas e ervas são ouro sem contar que nunca me derramou um choro baiana só sabe sorrir.

Hozana Bidart (Rio de Janeiro, 1997). Encontra na poesia uma forma de desconstrução: da LGBTfobia, do machismo, do racismo, de preconceitos sociais e culturais e, acima de tudo, luta pela sua ideologia de que a poesia nasceu para ser acessível a todos, como uma espécie de voz e alento, sem perder uma delicadeza poética única. 1

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ENCONTRO por

Maria Eunice Silva de Lacerda1

Neste mundo de meu Deus Há muito a apreciar Uma das coisas mais lindas Debaixo do sol ou luar É o mar beijando a areia E a areia beijando o mar Ao longe se avistam ondas Que vem com pressa banhar A alva areia da praia Em galope, à beira mar Chegando, beija a areia E a areia beija o mar No céu azul, as gaivotas Planam a testemunhar Acham tão lindo o encontro Da areia e água do mar O mar beijando a areia E a areia beijando o mar O vento sopra suave Também quer manifestar A grande contemplação Do encontro terra e mar O mar beijando a areia E a areia beijando o mar E o céu tão infinito Tinge de anil o mar Fica tudo tão bonito Mistura de céu com mar Mas o mar só beija a areia E a areia só beija o mar

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E o sol tão majestoso Dá vida, brilho e calor Torna-se grande cupido Dos mistérios desse amor O mar beijando a areia E a areia beijando o mar

Maria Eunice Silva de Lacerda (Ceará, 1956). Poetisa e escritora cearense, membro do clube de poesia da cidade de Toledo, no Paraná. Artista multipremiada, atuou na área de educação com classes de magistério por cerca de 25 anos. Tem como lema a frase: Participar é preciso. Vencer, se possível. 1

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GRAMÁTICA ARCAICA Mandu Holanda por

1

Ah! Arcaica gramática! Se deixe seduzir pela lânguida língua da minha gente. Se deixe renovar como as folhas da Caatinga às primeiras chuvas do inverno. Se permita à pluralidade miscigenada desse povo combinada a sua imaginação inusitada que em um átimo verbaliza sentimentos complexos com a facilidade de quem tira água da cacimba. Ah, gramática arcaica! Não abandone seus filhos gerados nessa relação incestuosa. Não seja rigorosa com suas crias concebidas no chão e paridas no suor da lida. Saiba que elas vingam, se criam mesmo abortadas. Bendita poligamia linguística que tanto permite irrestrita e irrepreensível formação oral que tudo pode num molde flexível, sensível e generoso como a criativa fala do meu povo.

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Mandu Holanda (Ceará, 1968). Pedagogo por formação, Oficial de Justiça por profissão, Músico por diversão e Boêmio por vocação. Casado com Lene, pai de Yorrana, Gabriel e Ariadna e avô de Maria Clara. 1


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MAMÃE por

Lucas Dantas1

Mamãe, conte-me uma história! - Mamãe, o que lerás para mim? - Lerei sobre os encantos dos jardins. - Mamãe, o que podes me contar? - Aventuras do fundo do mar - Mamãe, conte-me mais uma história! - Contar-lhe-ei sobre a lendária Tróia. - Mamãe, quero ouvir mais. - Era uma vez um reino com três generais... - Hora de dormir! - Mamãe, por favor, fique aqui! - Conte-me mais uma história! -Era uma vez um gigante Que vivia num castelo Tão grande... Beijo na face - Boa noite, meu anjo!

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Lucas de Carvalho Dantas (Sergipe, 1994). Poeta, contista e músico. Natural da cidade Frei Paulo. É autor do livro de poesias “Gotas de Inspiração”. Cursa Física licenciatura na Universidade Federal de Sergipe. 1


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POESIA VOO por

Filipe Rassi1

O ambiente era frio e escuro, mas havia um murmúrio… voa borboleta porquanto é bom voar com asas tão, tão murchas mas eu sei o que é planar; no tempo, na lógica do vento, no espaço heterogêneo de uma mente a poetar. foge borboleta, foge. foge da loucura que te agarra no olhar e goza dos poderes que te dão tuas belas asas e vai-te aleatória sem prender-te num lugar. pula borboleta brinca borboleta mostra-me a beleza que é poder sobrevoar a Terra, o espírito, a flor, o ser, o ar. a alma tem vontade de tamanha liberdade a alma pede formas de poder extravasar e só pode conter-se no esforçado versejar só se achando inteira no espaço de criar poesia... poesia a voar

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Filipe Rassi (Minas Gerais, 1989). Poeta e vocalista de banda de rock. 1


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A MUSA SILENCIOSA por

Caio Lobo1

A palavra quer me expandir Saltando em fuga desenfreada. Tento domá-la no papel, Desliza-me pelas palmas, Muda o passo, Muda vontade. A palavra não é minha, E me escapa em rajadas, Cria de sinopses Não provocadas. Fruto de conexões Que me dão concretude. E automática, tirânica: Quando avança e ataca, Rendo-me fácil. Não sou dono. Sou escravo. A palavra é ritmo que desconheço, Invisível. Coerente a lógica estranha. Não entendo de música, E escrevo sinfonias. Quando ela é, não sou. Quando não sou, já nasceu, Já morreu Milhões de vezes. Efêmera, brilhante e compulsiva. Em seu compasso a vida é leve. Aceito, calado, seu descaso. Não me leva em conta, Seu anseio egoísta É tornar-se verbo Criador de universos, Sua magia me transpassa.

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Caio Lobo (Recife, 1979). Colunista da Philos, é formado em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco e Mestre em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília. Leitor compulsivo e romancista. Lançou recentemente o seu livro Trôpegos Visionários pela editora Kazuá. 1


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Ela cumpre sua função. Ponto. Quando me arvoro no direito De me crer poeta, Torna-se riso, Frases irônicas, Altas gargalhadas. Suspende a pena sobre o papel, E eu, antes arrogante, Agora suplico, demente, Inclino-me e agradeço, Rogando novamente O dom de sua graça.

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Caio Lobo (Recife, 1979). Colunista da Philos, é formado em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco e Mestre em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília. Leitor compulsivo e romancista. Lançou recentemente o seu livro Trôpegos Visionários pela editora Kazuá. 1


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FRUTO PROIBIDO por

Lucrecia Welter1

Deslizo pelos campos férteis Na colheita do fruto maduro Sentindo, na pele, a oscilação caprichosa do clima. Misterioso momento da canção instrumental... Mente aberta, figuras atraentes, convidativas, Em dedicação artística, No redobrado cuidado Com as cores da sedução. Tua postura de guerreiro treinado Protegido pelo escudo sagrado Desfaz-se do elmo do saber E entra em batalha no campo alheio Que, com graça, incendeio E me embaraço E me refaço E me arte faço No compasso do pecado original. Como hóspede clandestina, Na alcova messalina, Eu me acomodo em nosso ninho Que acolheu, com carinho, O encontro de nossas histórias. Esquecendo a avernia do dia, Degustamos o pernoite da noite... Tempo justo de maturação De outros frutos proibidos…

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Lucrecia Welter (Paraná, 1953). Escritora multipremiada e presidente da Academia de Letras de Toledo, Paraná. É Revisora de textos da Revista Philos e Curadora de Literatura lusófona da mesma Revista. Tem diversos livros lançados e publicações em coletâneas poéticas. 1


LITERATURA BRASILEIRA

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Rotas da lusofonia

TISANAS por

1Souza

Souza Pereira1

Mantive guardada em mim a tua voz tímida, para que eu recordasse o som dos teus suspiros em todas as músicas que me levassem para mais perto do mar, como sinfonia. Mas, quando acabarem todas as notas, onde habitarão as cores que guardo em mim e que me são saudades tuas? ***

Te procurei nas pequenas coisas indestrutíveis, nas sementes dispersas ao vento, nas pétalas que se desprendem das flores e caem ao chão, nas almas naufragadas dos barcos ao mar, nas noites em que admiro o céu, nos sopros de ar que afetam o meu coração, nas pequenas ruas negras dentro em ti, e me perdi no espaço escuro que separa as estrelas dos teus olhos.

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Pereira (Recife, 1994). Biomédico e Mestre em Genética pela Universidade Federal de Pernambuco. Editor da Revista Philos e fundador da casa editorial Camará Cartonera e da Maus Hábitos Incubadora de Intervenção Cultural Subversiva. Autor das obras A tarde dos elefantes e outros contos (2014), Polissemia (2015), Olhos de Onda (2016) e Tisanas (2017). Artista visual colaborador do Espacio Cultural Violeta Parra (Chile), do Colóquio Escrever nas Margens (Portugal) e do Festival de Artes Walk&Talk (Açores). Colabora com diversas revistas literárias latinas na Itália, México, Portugal e Espanha.


LITERATURA BRASILEIRA

POEMAS

Rotas da lusofonia

FORA ENGOLIDA por

Bharros de Oliveira1

fora engolida a lentidão do beijo avesso para as palavras das margens fora engolida a retenção do olho aceso para as costas dos mares encobertos

Bharros de Oliveira (São Paulo, 1988). Poeta. 1

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LITERATURA BRASILEIRA

POEMAS

Rotas da lusofonia

AUSÊNCIA por

Larissa Vahia1

Saudade é um choro hiperbólico que suplica permanência com um coração aquecido de lembranças inflamáveis, combustão de impetuosas angústias insistentes em coabitarem o corpo progressivamente em chamas 1Larissa

Vahia (Rio de Janeiro, 1996). Poetisa e estudante de medicina veterinária.

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LITERATURA BRASILEIRA

POEMAS

Rotas da lusofonia

MEMÓRIAS por

Rogério Pereira1

Para que a vida siga Guardo as dores e os sons No algodão que colhi lá atrás Para que a vida siga Cuido melhor das horas O relógio acorda Meus tormentos que começam agora Antes que as delícias Sofram todas as manhãs A vida segue e sigo Ao longo dos afãs amigos Os vinhos também são flores Rogério Pereira (São Paulo, 1984). Professor de arte, romancista e poeta, vencedor do Concurso Literário de Mogi das Cruzes de 2015. 1

Guardo no instante esquecido E não abro todas as janelas Algumas são esperas Para que as memórias Voem até o nunca mais.

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MOSTRA DE POESIA LUSÓFONA

POEMAS

Dossiê de Literatura Neolatina

VOCÊ SABE por

Helga Ivoní Viezzer1

Quantos traços frescos, Quantos detalhes soltos na retina, Quantos pincéis gastos, Quanto enlevo, quanta moldura! Quanta cor, quanto impulso, Quanta mistura na partida! Você sabe… quanto artista às escondidas! E, em meio às tintas, o florir da poesia. Você sabe, entre outras tantas, O passo a passo da composição Bisnagas abertas, gestos leves… Como ver apenas a inspiração? Você sabe: não deixar em branco, Obras em exposição…

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Helga Ivoní Viezzer (Santa Catarina, 1952). Membro do Clube da Poesia de Toledo (PR), acadêmica fundadora da cadeira 08 da Academia de Letras de Toledo (ALT), Paraná. 1


MOSTRA DE POESIA LUSÓFONA

POEMAS

Dossiê de Literatura Neolatina

A VIDA por

Priscila Panza1

Padre Antônio, a minha vida… – O que há com a sua vida? Querem acabar com ela. Quem quer acabar com a sua donzela? O destino. Ó, Bartolomeu! O que foi, Padre? Ensinei-lhe e não aprendeu! Vamos repassar… Para começar, O destino é seu e Pode ser seu amigo ou inimigo. Quero que seja meu amigo, Padre, Para não interferir na minha donzela. – Então, faça coisas boas e não se esqueça, Sempre com cautela! Cautela? Sim, com cautela. Pois pode virar seu inimigo, Entendestes meu filho? Sim, Padre. Agora, não fiques acolhido com o que lhe digo. Por quê? Há coisas que acontecem na vida que não têm explicação, A culpa não é sua, nem do destino. E de quem seria? Até hoje, não se sabe não.

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Priscila Panza (São Paulo, 1992). Adora ler e escrever desde criança. Não é escritora profissional. Atualmente cursa Serviço Social na Universidade Paulista (UNIP). 1


MOSTRA DE POESIA LUSÓFONA

POEMAS

Dossiê de Literatura Neolatina

A SOMBRA por

Renan Reis1

Haverá alguma sombra Que toque a flor nauseabunda Do corpo estirado na viela? E a sombra descerá mansa Sem alarde? Acariciará o Corpo frágil da flor sobre A carne estendida e fria, Já surda aos gritos pardos? A sombra será como Consolo da amamentação Na madrugada, ao choro De fome, ou de medo? Quando a sombra partir, Descabida e indomável, Ante o dia, o café, a rotina, O corpo já será foto e enfeite? A flor será de plástico? E a sombra será de gente?

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Renan Reis (Mongaguá, 1989). Poeta, formado em Análise e Desenvolviment o de Sistemas. 1


MOSTRA DE POESIA LUSÓFONA

POEMAS

Dossiê de Literatura Neolatina

BUCÓLICO por

Ariadna Sampaio1

Sinto teu cheiro doce A invadir minhas narinas De uma forma tão gostosa Que chego a sentir o teu gosto Descendo goela abaixo, Revirando meu estomago de felicidade. O simples toque na minha pele Faz-me lembrar da falta que me fizeste. Mas me conforto, pois agora estás aqui, Tão perto, tão junto. Oh verde do sertão! O que seria de mim Sem teu cheiro doce de mato novo? Sem teu gosto suave de terra, Agora verde e molhada? Sem tuas relvas Que me cercam e me prendem a ti? Vem e não vai! Porque sou teu, meu sertão, que é tão meu…

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Ariadna Sampaio Camurça (Itapipoca, 1999). Violoncelista, cantora e amante de música nascida em uma família de poetas. Filha dos artistas Aurilene Sampaio e Mandu Holanda e irmã do poeta e filósofo Gabriel Holanda. 1


MOSTRA DE POESIA LUSÓFONA

POEMAS

Dossiê de Literatura Neolatina

ESCRITOS PÓSTUMOS

por

Joel Ferreiro1

Tenho por mim que os melhores escritos são os incompletos aqueles que deixam sensação de devir o angustiante silêncio de palavras roucas que se calam no desenrolar da narrativa despigmentam-se da folha tingida e deixam na boca seca a sede pelo pote vazio suspiros que se rompem e desencadeiam pelas paredes rachadas de um quarto diminuto as mãos calejadas trepidantes procuram entre as folhas finais um consolo que se não tem.

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Joel Ferreiro (Ceará, 1993). Graduando em Psicologia. Acredita que o lirismo é uma terra vasta e que seus poemas vez por outra o ferem, entretanto dão a oportunidade de algo ser plantado na fenda recémaberta. 1


MOSTRA DE POESIA LUSÓFONA

POEMAS

Dossiê de Literatura Neolatina

A VOZ DO VENTO por

Ronaldo Queiroz1

Eu desejaria muito deixar esta cidade, parda e velha Suas ruas são tortas e parecem impiedosas selvas Olho tanto para o chão, pelejo em achar uma solução! Vejo folhas secas, vejo pedras, vejo as flores na terra Pensando bem, nosso êxodo virá se virmos mais longe Tão distante quanto a revelação nos seja evidente Acima de tudo eu queria E com isso alegre eu ficaria Se, do céu, viesse o sinal que sararia minha expressão Ajeitando assim as ruínas que soterram meu coração Hoje nada é mais amargo, para mim, do que amar Eu posso sentir o cheiro e o toque dos meus medos Daninhando, maliciando as entranhas da minha mente Mas, se eu teimasse em explicar sucintamente, Diria que amar uns aos outros é o precioso início Com amor, contradições e aflições se desvanecem Um sozinho não é nada, mas dois juntos são tudo Em suma, essa é a regra áurea, o primeiro princípio… As palavras, as ideias..., com elas, até me deleito, Contudo, suas oferendas estreitas me fazem pensar Todos meus intuitos eram palavras… Palavras! Todo o meu humilde ser era ideias… Ideias! Minha alma escorre abaixo, no córrego destes dias São tantos os provérbios ocos que ousei pronunciar! Perto do sol, sequer há sombra para me acompanhar! Posso até pendurar os avisos a mim doados pela queda Ao redor, tiritando na minha cabeça, eu os sinto Como solenes e mornas rezas Em suma, só devo repetir as ordens que ‘eles’ dizem Eu suma, só devo cuspir dos lábios o que ‘eles’ pedem Então o que você me diz, criatura celestial ou infernal, De que vale tudo isso aqui afinal? Mundos e mundos de distância, realidades à parte Com o meu sonho, a minha vontade que vai morrer O corpo é lívido, fresco e de um vigor tão juvenil! Mas a razão, mãe da invenção, é tão caprichosa e vil! Para mim, o prazer chegaria algum dia desses, suspeito 62

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Renan Reis (Mongaguá, 1989). Poeta, formado em Análise e Desenvolviment o de Sistemas. 1


MOSTRA DE POESIA LUSÓFONA Dossiê de Literatura Neolatina

Consciência tenho daquilo que o destino me escreve Confissões de amor e vocações são intuições breves Mas me cativarão com a sinfonia e o som da fúria Então, aqui vou eu, apreciando o meu velho buraco Arranhando tentativas de querer, de ter, de ser… Sobra-me, porém, uma recordação, uma ironia tacanha: Como estou longe de hastear minha flâmula, No topo da montanha, Não saboreio a ambição de noivar com o sepulcro Essa ilação me soa como tolice, e isso eu repulso Mas, para aonde nos levará o tempo em sua viagem? Ficarei no mesmo braço do rio ou noutra margem? Lutas, conflitos, só me ensinam a não me surpreender O código do ser está no mesmo cárcere da minha vida Escondido num ermo de areia movediça, submissa Remoto e indiferente, fora do rumo da argúcia preferida A tantos mundos de distância, mas não hesitarei agora Eu estou na última milha da cidade, dela estarei fora Suas vielas e pavimentos não me trazem bom agrado Casas que choram pelas janelas em dias ensolarados Bares, bordéis, fábricas e seus padrões fracassados Transeuntes, cristãos ao todo, jamais têm no lar a graça São muitas as mentiras que se amasiam a esta raça Os ladrões bebem, os meninos crescem, E eu apenas aguardo… A voz do vento, assobiando no peito… Melancolia! É como uma afiada lasca de nostalgia Murmuram um credo, bajulam o sagrado verbo Outrora eram as nuvens que desfaziam a serenidade O ar de sossego tênue que com lisura eu prezei Mas não gero petulância, eu me rendo aos afagos da brisa Essa voz infinita, a chilra do vento que quer me soprar Soprar-me para onde? Jamais sei para onde! Contudo sei que é bem longe Longe, muito longe deste lugar… “E de qualquer maneira, o vento soprará… E de qualquer maneira, o testamento se cumprirá Pois este é o tempo da estação Para o nosso trabalho de restauração Para uma era de amor, justiça e paz, Para libertar a vida e o que for demais 63

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POEMAS


MOSTRA DE POESIA LUSÓFONA

POEMAS

Dossiê de Literatura Neolatina

Sim, a voz do vento chamará a todos no final Levando às mãos os machados e os martelos Achando na alma o empenho e o esmero Para desfraldar a bandeira de um mundo mais igual Não, eu não me sinto mal… Eu não me sinto mal… Eu não me sinto mal”. Ronaldo Queiroz (Itapeva, 1994). Escreve poesia desde os 17 anos, se trabalho é caracterizado pelo estilo predominantem ente intimista entre os movimentos simbolista e parnasiano. Opta por abordagens temáticas filosóficas relacionadas às emoções humanas. 1

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MOSTRA DE POESIA LUSÓFONA

POEMAS

Dossiê de Literatura Neolatina

ELO por

Victória Monteiro1

Teu amor é uma mancha escura, Incômoda à minha solidão; Istmo entre a vida e a morte, Ruído musical que me atropela E pede o que tenho de vulgar: Meu vulto, minha vulva, minha volta, Reveste de cal a tristeza, Química pacificadora, E me detém Na pontinha do anzol em que estou içada, Presa pela epiderme, desguarnecida, Diminuta E contudo amante.

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Victória Monteiro (Arujá, 1996). Um pouco de Clarice, Hilda Hilst, Ana C. e muito de mim. 1


MOSTRA DE POESIA LUSÓFONA

POEMAS

Dossiê de Literatura Neolatina

ESPELHOS por

Mozart Oliveira1

Olhei-me por horas Refletido no vidro da janela E por trás de mim Outra repetição de espelho Mas esse ser que olhei não me parecia ser eu mesmo Era um não-eu Não sei dizer Algo que eu fui E não continuei sendo Refletido em mim Reflito: A função prática do espelho É virar pedaço de vidro Que fura os pés distraídos E a mão desavisada E não refletir indivíduo Que de si mesmo não sabe nada

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Mozart Oliveira (Gravatá, 1992). Poeta pernambucano. 1


MOSTRA DE POESIA LUSÓFONA

POEMAS

Dossiê de Literatura Neolatina

EU SEI POR QUE TIGRES ENJAULADOS João Azevedo GRITAM por

1

Percebo que nem sei mais começar, Perdi o jeito, qual palavra correta dizer. Vão se passando os dias e tudo se fecha numa neblina, Sufocando-se na falta de visão e espaço para correr. Uma linha de algodão por um pouco de chão. Eu sei por que tigres enjaulados gritam. Sonhei com um lago de flores, Mas o frio e o seu corpo estavam lá, Eu tento entender o sonho, eu e você. Mas somos no fim ultraprocessados e Nem precisa alertar, estamos perdidos. Diminuindo cada vez nossa existência numa infinita reticência… Eu sei por que tigres enjaulados gritam. Nem sei que língua estou usando, Mais tarde seremos morte e pó, Uma raiz, tudo desaparecendo no infinito. Vestígios e lembranças nos mantêm ainda vivos. Terra é pouco para quem mira a existência Continente de vida é o que merecemos. Eu sei por que tigres enjaulados gritam.

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João Luiz Azevedo (São Paulo, 1988). Escritor nascido no dia 7 de setembro na cidade de Tatuí, SP. 1


MUESTRA DE POESÍA ESPAÑOLA

POESÍA

Dossier de Literatura Neolatina

LA DIFERENCIA por

Ángel Guinda1

Todo armoniza por la diferencia: el desierto de hielo, el árbol en la roca, la suave furia del mar y las estrellas. Nacemos transparentes como el aire, nos volvemos opacos como el mármol. Uno puede soportar tanto dolor como placer es capaz de recibir. Piedra, hierba, fuego, agua, luz, tiniebla, tempestad de arena: todo armoniza por la diferencia. La ciudad, mientras duermes, draga el silencio que todo lo hace nuevo. Nadie tiene otra patria que su soledad, nadie llega a nadie si no es para marcharse. Tiene el amor en sus abrazos el atroz método del amordazamiento. Cuanto nos llena del otro nos vacía. Nube, raíz, el canto de los pájaros: todo armoniza por la diferencia.

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Ángel Guinda (Saragozza, 1948). Vive a Madrid dove insegna Lingua e Letteratura in una Scuola Secondaria. La sua consistente opera poetica, esistenziale e minimalista, dagli anni ’70 a oggi è stata raccolta in riviste e libri di poesia. 1


MOSTRA DE POESIA LUSÓFONA

POEMAS

Dossiê de Literatura Neolatina

O SER TÃO DO Aurilene Sampaio SERTÃO por

1

No clarão do meio dia, à sombra do sabiá, a cabaça já vazia, enrolo o fumo na palha; Na marmita embalada, com muito apreço e cuidado, o feijão é escoteiro; a mistura é farinha; o tempero, rapadura; pois me ponho a salivar com os olhos cheios de sede de saudade da morena que, em nosso castelo de taipa, rala o milho pro mingau e aguarda o dia inteiro meu retorno pra, no quintal, na contemplação da lua, ao som da minha viola, e ao brilho dos vagalumes, admirar o espetáculo do ser tão, que é sertão.

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Aurilene Sampaio (Itapipoca, Ceará). Formada em Letras pela Universidade Federal do Ceará, professora da rede estadual de ensino – SEDUC-CE, especialista em docência do ensino superiorSENAC, mãe, ouvinte e amiga da violoncelista Ariadna Sampaio, esposa, mulher, amante, namorada e parceira do poeta Mandu Holanda, madrasta e fã do filósofo Gabriel A. Holanda. Apaixona por linguagens e artes, nas noites de insônia lê e escreve nos dias de sono, lê, escreve, dá aula, cuida da vida, mas prefere dormir. 1


MOSTRA DE POESIA LUSÓFONA

POEMAS

Dossiê de Literatura Neolatina

OCEANO NORTUNO por

Pedro Ferreira1

Oceano noturno de vasta extensão e negrume, A ti, contemplo com terrificante fascinação! Que criaturas abissais, hediondas, habitam em teu seio? Segredos ocultados por tênue epiderme, Superfície de calma e monótona aparência. Vejo-me em ti… Em teu fúnebre silêncio… No horror que assoma aos que tentam desvendá-lo. Oceano noturno, és minha alma! Ao Mar… Na noite… Tempestade! Hora mais difícil de navegar! A quantos já devorastes, insaciável maelström de almas? Outros tantos conduzistes à Loucura… De tuas entranhas paristes Syla e Caríbides… Ao insano Ahab destes um eterno lar… Em ti, o astuto Odisseu expiou suas culpas… Oceano noturno… Lugar de solidão e melancólica beleza. Vejo-me em ti…

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Pedro Ferreira (Salvador, 1972). Poeta e contista, músico e artista plástico diletante. 1


MOSTRA DE POESIA LUSÓFONA

POEMAS

Dossiê de Literatura Neolatina

SANTA FÉ por

Marisa Neves1

Peguei estrada de santa fé a passos largos, Vazio das casas dentro de mim está Cataclisma em meu olho já se forma, Vi mamãe a preparar-me o café, E meu pai de barba feita me dizendo: -Vou ali, mas volto já! Estrada de poeira me levando, Do mesmo jeito que cheguei eu fui partindo. Não conheço mais o meu destino Meus amores tão amados me deixaram! Hoje percorro essas estradas em andrajos Para lembrar de meu passado de menino, Onde percorri essas porteiras como príncipe. Tinha amores e carinho a me acolher, E um bule de café para me aquecer.

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Marisa Neves (Rio Grande do Sul, 1990). Estudante de psicologia da Universidade Federal de Rio Grande. Autora de ‘’Todos los Dolores del mundo’’, ‘’Amado sois’’ e ‘’Prometeu não prometeu’’, trabalho de 2016 no prelo. Dedicou o segundo livro Amado sois , aos excluídos, com mais de seiscentos poemas todos inéditos e em coletâneas com outros autores, em Prometeu não prometeu lança primeiro romance estilo drama. 1


MOSTRA DE POESIA LUSÓFONA

POEMAS

Dossiê de Literatura Neolatina

TEUS PASSOS por

Fernanda Fraga1

Deixa-me ouvir estes versos Tecidos entre os regados dos pés de maracujá A vazar-se nos candelabros Nos feixes murmurantes, dos teus olhos de infinito. Por sob a maresia que perdura o teu espaço, E silencia em todo o vão, E descarrilam-me arraigados Para habitar-se no oceano e nas persianas do céu. E inevitavelmente transitam entre as conchas de tuas demoras Tuas horas vislumbrando o tempo. Uma saudade sem ter cais, Um barco sem o teu porto. Essa exatidão onde verso falta tua. Essência que desafogou os medos Fragrância a se deslizar na pele das minhas mãos Enquanto cultivo rimas para os teus dias. Ponte tecelã a desenhar, a geografia dos teus passos.

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Fernanda Fraga (Minas Gerais, 1994). É formada em Fisioterapia, pós-graduada em acupuntura pelo Instituto de pós-graduação de Uberlândia (MG). Em 2003 publicou seu primeiro livro de poemas ‘Os Olhos do Coração’, pela editora mineira Unimontes de Montes Claros, em parceria com o poeta Gilmar Pereira. Teve participações no Salão Nacional de Poesia Psiu Poético em Montes Claros nos anso de 200 a 2004. Tem publicações de poesias no blog da Revista Capitolina Cultural e na revista Philos. 1


MOSTRA DE POESIA LUSÓFONA Dossiê de Literatura Neolatina

FLOR TAPERA por

Adelia Stedile1

Pesquisando sobre flores E também sobre os odores Que elas espalham no ar Fui parar numa tapera Escondida entre eras Que vou aqui delongar. Muito antiga retratava Projeto que embalava O século que se passou Do lado de fora, a parede Inchadinha de flor, com sede Sonhos que alguém sonhou. Por dentro, nunca se viu Tal beleza e desafio Num lugar abandonado Por telhado, bambuzinho Entre amor agarradinho Begônias pra todo lado. Deixando a estrada, um caminho Ladeado por beijinhos

A se achegarem na escada No jardim, cravos vermelhos A se fazerem de espelhos Durante a temporada. Crista de galo graúda Na entrada nos saúda Inerte a testemunhar Uma florzinha miúda Morrendo a pedir ajuda Mistérios a desvendar.

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POEMAS


MOSTRA DE POESIA LUSÓFONA Dossiê de Literatura Neolatina

O alpendre bem na frente Forradinho de semente E flor de maracujá À esquerda os girassóis À direita os anzóis Com as varas de pescar. Latinhas, bem penduradas Atrás da casa, pregadas Cheias de violetinhas Guardavam histórias de dor Estufadinhas de amor Ao derredor da casinha. Cata-vento balançando Está meio despencando Apoiado à chaminé Um poço sem carretilha Cercado de maravilhas E de pendões de guiné. Quem me dera eu pudesse Mesmo que eu soubesse Desenhar aquela cena Capim dourado crescia Em todo canto se via A apaixonante verbena. Nos fundos, uma varanda A exalar cheiro de lavanda Essência que me fascina Acredite, eu sentia E às vezes até ouvia Ao longe uma voz de menina. Na sala, um altarzinho Uma vela, um Santinho Um vaso com copos de leite Bem sequinho, esturricado Um bilhetinho ao lado Toalha cheia de enfeites.

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POEMAS


MOSTRA DE POESIA LUSÓFONA Dossiê de Literatura Neolatina

Pelo corredor, se estendendo Samambaias de montão Um clima de primavera Um antúrio que espera Para florescer no verão. Com tramela empoeirada A janela escancarada A alcançar as camélias Orquídeas em troncos e galhos Procurando por atalhos A fim de chegar às bromélias. Estranha tarimba vazia Ao seu lado, uma bacia Transbordando de onze horas Na cozinha, um pilão Estendendo sua mão Dizendo alguém foi embora. Um balaústre deitado Um poleiro ainda armado Se ruindo um paiol Gerânios tão fascinantes Semeados por amantes Da aurora ao por do sol. O terreiro agasalhando Um engenho de cana mofando Debaixo de um coqueiral Musgos verdinhos cobrindo Cascas que vão caindo Logo ali, o cafezal. Flor de porunga dourando O carreirinho fechando No dorme-dorme afogado Hortênsias enfileiradas Dálias meio apagadas Um paraíso encantado.

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POEMAS


MOSTRA DE POESIA LUSÓFONA

POEMAS

Dossiê de Literatura Neolatina

Uma bigorna, um rastel Caixas de abelha com mel Ninhos de passarinhos Palmas ainda em botão Perto do pé de mamão Lírios soltando cheirinho. No carreador, um anel Fora do capitel Juras de fé e de amor Uma açucena tão bela Uma ipomeia amarela Vidas de muito valor. A pesquisa vai em frente De forma inteligente Pesquisando a ousadia Senso comum é a questão Aprofundando à exaustão Cheio de valentia. Voltando ao meu reduto Dentro de mim reluto Querendo aquilo entender Que lembranças essa casa Silencia consigo e abrasa Refutando o nosso saber. Tecnologia de ponta Nada me amedronta Nos dados que eu colhi Continuando a indagar Alguém um dia vai provar Da energia que existe ali.

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Adelia Stedile de Matos (Rio Grande do Sul, 1948). Pedagoga, foi professora efetiva da Universidade do Estado de Mato Grosso. Lançou o livro “Sobre mulheres e vidas” em 2014. Hoje aposentada, escreve sobre experiências vividas. 1


MOSTRA DI POESIA ITALIANA

POESIA

Dossier di Letteratura Neolatina

RICORDO da

Daniela Balestrero1

Campi di granoturco, una sorgente d'acqua limpida la mia mano di bambina toccava la tua col timore di farti soffrire. Delicata e lontana sofferente e coraggiosa, mi mancavi, non te l'ho detto mai. La mia mano, toccava sempre meno la tua, ero una donna ora. Come te. Ma eri sempre più delicata e sofferente, finché la tua mano scivolò via come.

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Daniela Balestrero (Torino, Itália, 1960). Membro del Comitato editoriale della Rivista Philos. Dal 2015 collabora con un giornale locale web scrivendo articoli di spettacolo e attualità. Alcuni dei suoi scritti si possono trovare anche su il Blog di Ramingo.it. 1


MOSTRA DI POESIA ITALIANA

POESIA

Dossier di Letteratura Neolatina

DEPRESSIONE MIA da

Fabio Strinati1

La salute mia è un ramo d’albero appeso al vento di dicembre tra rimpianti che la vita ormai andata brulicano e mantengono, strane sensazioni a volte, piluccano il tuo essere vinto e sconfitto, come un uomo poco attratto dalla libertà che si accendono e si spengono oltre un confine immaginario animato dai ricordi fievoli di un’infanzia in agrodolce, come l’ultima parola che senza fiato si scarica di rabbia per ferire la tua morte prematura.

Fabio Strinati (San Severino Marche, Itália, 1983). Poeta, scrittore, aforista pianista e compositore. Ha pubblicato tre libri: Pensieri nello scrigno. Nelle spighe di grano è il ritmo (2014), Un'allodola ai bordi del pozzo (2015) e Dal proprio nido alla vita (2016). 1

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MOSTRA DI POESIA ITALIANA

POESIA

Dossier di Letteratura Neolatina

AVRÒ CURA DI NOI da

Michela Zanarella1

Àvrò cura di noi di questo amore che ci è apparso come alba in fasce limpido come un mare che si apre all’immenso. Avrò cura del nostro silenzio stretto tra labbra in fermento messo in salvo agli angoli dell’anima. Proteggerò quello sguardo che ci ha unito la prima volta, scintilla che ha scosso ogni cellula come incendio azzurro. Cercherò un tempo dove mischiare le nostre vite fino a diventare unico corpo che si spinge ad eco eterna sul mondo. Avrò cura di noi fino a contare le stelle che nella notte ricalcano il nostro avvicinare destini, promesse già scritte nelle pareti del cielo.

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Michela Zanarella 1

(Cittadella, Padua, Italia, 1980). Comienza a escribir poemas en 2004 y su poesía ha sido traducida al Inglés, francés, español, rumano, árabe. Ha publicado ocho libros de poesía, ha ganados varios premios nacionales e internacionales. Ella es una periodista independiente de la prensa internacional. (Presidente A.P.S. "Le Ragunanze").


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NEOLATINA

Neolatina v.3 n°.11 (2017)  

Philos - Revista de Literatura da União Latina

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