revista Carne #202

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PASTO ALENTEJANO A REFERÊNCIA. O BORREGO POR EXCELÊNCIA

EFICIÊNCIA NA SALA DE ABATE E NA DESMANCHA / CARNE CULTIVADA. E SE ESTIVERMOS ABRIR A CAIXA DE PANDORA / NOVA GERAÇÃO DE TERMOSELADORAS / ALIMENTAR 9 MIL MILHÕES DE PESSOAS. O DESAFIO MAIS: CARNE Nº202
EDIÇÃO JULHO/AGOSTO
SOUSEL WWW.PASTOALENTEJANO.PT
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2023 . OS PROFISSIONAIS NÃO DISPENSAM

A sustentabilidade e a nossa responsabilidade

Em certos quadrantes do setor das carnes, até com alguma responsabilidade, tenta-se tapar os olhos com a peneira e o que me irrita nisto tudo é a pseudo defesa do ambiente, a hipocrisia que somos mais sustentáveis que os outros, e que os outros é que têm de melhorar.

Ouvimos a todo o momento – e vamos ouvir cada vez mais – a palavra sustentabilidade. Está presente em todo o lado, no ambiente corporativo, nas capas de revistas, na manchetes dos jornais, na publicidade da televisão, nas discussões académicas e até na roda de amigos. Muita exposição mas pouca ação.

Meus amigos, somos poluidores – como tudo o que existe – e temos de partir dessa premissa para corresponder às nossas necessidades, cada vez maiores, de encontrar soluções para minimizar os danos ambientais. Temos que assumir as nossas responsabilidades.

A nossa noção de "sustentabilidade" deve ser entendida como incluindo todos os bens e serviços fornecidos por um setor: proteção do meio ambiente e do clima, mas também benefícios para a biodiversidade, bem-estar animal, padrão de vida dos produtores, industriais, comerciantes e consumidores e viabilidade econômica de todos os setores produtivos, saúde do consumidor e segurança alimentar.

Não podemos ser a criança que tem a boca suja de chocolate e nega ter comido. Já não temos idade para isso. Além disso, é impossível não poluir, o nosso objetivo é minimizar os danos e cumprir os objetivos de sustentabilidade.

O setor agropecuário e, sobretudo, os setores herbívoros, frequentemente “réus” de impactos ambientais e climáticos, desempenham, no entanto, um papel essencial na realização de um sistema sustentável: manutenção de

pastagens permanentes (1/3 das superfícies agrícolas da UE, ou seja, 66 mil milhões de hectare), verdadeiros sumidouros de carbono (570 kg de carbono por cada hectare de prados) e biodiversidade (3,5 toneladas de fauna presentes no solo de cada hectare de erva), manutenção do dinamismo dos espaços rurais dos territórios, assegurando um fornecimento de produtos seguros, com reconhecidas qualidades nutricionais e altamente favoráveis à satisfação das necessidades de vários nutrientes essenciais numa alimentação equilibrada.

Para além da sua riqueza em proteínas e

aminoácidos essenciais, a carne vermelha é, de facto, um dos principais vetores de várias vitaminas e minerais com boa biodisponibilidade (ferro, zinco, vitamina B12, etc.). Assim como as restantes carnes.

O setor tem argumentos de sobra, mas não pode enfrentar a questão apontando o dedo só aos outros. Nos anos 70 e 80 do século passado quando começaram aparecer os hipermercados, a estratégia dos quadrantes com responsabilidade foi difamar as grandes superfícies e vê-se no que deu.

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Por M. Oliveira
“...O QUE ME IRRITA NISTO TUDO É A PSEUDO DEFESA DO AMBIENTE, A HIPOCRISIA QUE SOMOS MAIS SUSTENTÁVEIS QUE OS OUTROS, E QUE OS OUTROS É QUE TÊM QUE MELHORAR.”

SUMÁRIO

Edição Julho/ nº 202

EDITORIAL

A sustentabilidade e a nossa responsabilidade

CURSO QUALIDADE DA CARNE DE BOVINO

Professor Humberto Rocha

PASTO ALENTEJANO

A referência. O borrego por excelência

INCARLOPSA

Eficiência na integração na Sala de Abate e Desmancha com o CSB Factory ERP

CARNE “CULTIVADA”

E estivermos abrir mais uma caixa de Pandora?

MULTIVAC

A nova geração de Termoseladoras: potentes, confiáveis, flexíveis e equipadas para o futuro.

ALIMENTAÇÃO

Alimentar 9 mil milhões de pessoas é o grande desafio

FEIRA DE GARVÃO

A sabedoria e o convívio do mundo rural

60 34 38

FICHA TÉCNICA

PROPRIEDADE

Azitania Global Expedition S.L.

C.I.F. b8662786

Calle Génova 15 Piso 3 Derecha 28014 Madrid

Revista Bimestral

ASSINATURA, ARTIGOS E PUBLICIDADE

E. revistacarneportugal@gmail.com

Versão em português

Isenta de registo a ERC ao abrigo do Decreto-Lei 8/99 de 9/06 artº12 nº1 A

REDAÇÃO

Diretor: M. Oliveira

Chefe de Redação: Glória Oliveira

Gestão de conteúdos: Luís Almeida e Aberto Pascual

DESIGN GRÁFICO E PAGINAÇÃO

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VERSÃO IMPRESSA E DIGITAL

REVISTA CARNE É ASSOCIADO DE Maitre - Open Plataform for journalists and Researchers e SPJ Society of Professional Journalists

ASSINATURA DA REVISTA CARNE (EDIÇÃO IMPRESSA)

6 edições (portes de correio incluídos): 80,00 Euros

12 edições (portes de correio incluídos): 160,00 Euros

Pedidos de subscrição a: revistacarnaportugal@gmail.com

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Professor Humberto Rocha

8 e 9 setembro de 2023

Médico veterinário e consultor na área técnica e comercial no setor da carne

Professor no Instituto de Ciências da Saúde

Egas Moniz - Medicina Veterinária

Passou por grupos empresariais como Sonae, S. Merryn Meat UK, Pasto Real, Campicarn, Ribacarne, Breeders and Packers of Urugay, entre outros

PROGRAMA

O Curso Qualidade da Carne em Bovinos tem um equilíbrio entre a componente teórica e a sua aplicabilidade na prática das decisões a tomar. Não será uma experiência somente de ouvir, mas um momento de partilha, de criatividade e de consenso sobre soluções resultantes do conhecimento de todos.

Potenciamos melhor o que fazer e porquê.

LOCAL DO CURSO

Salão de eventos Caçabrava

R. Dr. Carlos Nunes Ferreira 80, 2305-101 Asseiceira (Tomar)

INFORMAÇÕES

Preço 420,00 Euros + IVA

Email farmin@farmin-trainings.net

Tel (+351) 914 793 351

Tomar, Portugal

> 8 de setembro de 2023

09:00-09:30 Receção

09:30-10:30 O que é a carne?

10:30-11:30 A evolução do músculo até à carne - “O tempo da carne”.

11:30-11:45 Coffee-Break

11:45-13:00 Cor, tenrura, suculência e sabor - Atributos da carne

13:00-14:30 Almoço

14:30-15:30 Interpretação da cadeia de valor da produção da carne e perspetivas sobre o mercado

15:30-15:45 Coffee-Break

15:45-7:00 Marcas de carne, sucessos e insucessos

> 9 de setembro de 2023

09:00-10:30 Avaliação da qualidade da carne (idade, categoria, raça, efeitos cronológicos,...)

10:30-11:00

Coffee-Break

11:00-12:30 As variantes que dão origem a diferentes experiências gastronómicas

12:30-13:30 Almoço - Degustação

SESSÃO PRÁTICA

anatomia da carcaça, desmancha, corte e aproveitamento de cada peça – Cortes modernos e tradicionais e nomenclatura (Portuguesa e inglesa), por Engº Mauro Soares e Técnico Vítor Gonçalves.

13:30-18:30

Degustação dos diversos cortes obtidos na sessão anterior, confecionados de forma não-convencional, por Eng Mauro Soares

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O CURSO
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A Referência. O borrego por excelência

Todo o Alentejo do mundo. Paisagens caiadas de beleza natural a perder de vista. Searas onduladas pelo vento, restolho doirado, o montado, a charneca a florir, os olivais. A alma das terras alentejanas onde a natureza e o homem deram as mãos para criar um ecossistema único. Na vila de Sousel que se afirma “Capital do Borrego”, anualmente, recebe a concorrida Semana Gastronómica do Borrego que visa promover e valorizar este produto endógeno, proporcionando a todos os visitantes uma experiência gastronómica singular.

Neste contexto, a Família Serralheiro garante que este património gastronómico, cultural, social e económico, extravase continentes, ao colocar carne de borrego nacional no prato de milhares e milhares de consumidores, em todo o mundo.

Tudo começou, naturalmente, há mais de 100 anos num pequeno talho em Sousel. Uma história de família, um percurso - inacabado - de três gerações que levou, em 1986, à constituição da empresa “Pasto Alentejano” que se orgulha de ser pioneira em Portugal,

na industria de ovinos. Dirigida pelos irmãos José e Augusto Serralheiro, a Pasto Alentejano, Lda é uma referência nacional com o borrego por excelência. Fomos saber porquê.

Somos recebidos na sala de reuniões pelos CEOs da Pasto Alentejano S.A. Lda., os irmãos José e Augusto Serralheiro e por Filipe (filho de José) e Tiago (filho de Augusto). Nas paredes a arte contemporânea insinua a modernidade da empresa, por outro lado, distingue-se as fotos a preto-e-branco

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José Serralheiro CEO da Pasto Alentejano

- amplificadoras de emoções - de Etelvina e Vicente Serralheiro, fundadores do negócio da família. Uma homenagem constante mas também um elo de ligação entre o passado, o presente e o futuro. Neste caso, As palavras de Winston Churchill são válidas para tudo: “Uma nação (leia-se: empresa/família) que se esquece do seu passado não tem futuro”.

“ACOMPANHAMOS OS

PRODUTORES,

CONSUMO

Tradicionalmente, a carne de borrego faz parte da gastronomia festiva. No Natal ou na Páscoa protagoniza um dos papéis principais

da cozinha tradicional portuguesa. No entanto, nos últimos anos o paradigma de consumo e de comunicação alterou-se substancialmente. O objetivo principal é situar o consumo no patamar das necessidades do consumidor final. Proporcionar ao consumidor final a sensação do poder de decisão.

Ainda hoje, é recorrente o consumidor final ser obrigado a comprar carcaça inteira de borrego, meia-carcaça, ou um quarto com a imposição de um pedaço de pescoço, mas isto é uma estratégia que está a mudar...para melhor.

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PARTILHAMOS IDEIAS E APERCEBEMO-NOS QUE A PRODUÇÃO AGRADECE E CONSIDERA OS NOSSOS INPUTS“ - FILIPE SERRALHEIRO
Augusto Serralheiro CEO da Pasto Alentejano

DIÁLOGO COM TIAGO SERRALHEIRO, DIRETOR OPERACIONAL

A Pasto Alentejano desempenha um papel pioneiro e fundamental para que o borrego deixe de ser um produto sazonal e seja acessível ao consumidor, em qualquer altura do ano. Como?

Aliamos a produção à industria e estamos focados em trabalhar o produto da melhor maneira. Desmanchar cada vez mais, preparar o produto a pensar no consumidor final, só oferecemos ao cliente aquilo que quer. O nosso cliente fica satisfeito porque só mete nas vitrinas aquilo que quer e, ao mesmo tempo, presta um serviço de qualidade ao consumidor.

O cliente se quiser só costeletas, oferecemos só costeletas.. O animal não é só costeletas mas temos essa possibilidade de fornecer o que o cliente quiser. É uma mais valia, para nós, para o cliente e para o consumidor final.

Qual foi a reação inicial do cliente?

De inicio, há cerca de ano e meio, quando começamos com esta estratégia houve algumas reticências, por parte de alguns clientes: vocês conseguem fornecer mais do que quartos? A nossa resposta foi peremptória: digam o que querem, nós fornecemos.

O nosso objetivo é que se consuma cada vez mais borrego em Portugal e, cada vez mais, estamos convictos do sucesso da nossa estratégia. O consumidor final tem a liberdade de chegar ao linear e escolher o que lhe interessa e a quantidade que pretende. Um casal jovem não vai comprar meia-carcaça, e, se não compra não consome carne de borrego.

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Filipe e Tiago Serralheiro a 3ª geração da Pasto Alentejano
: : 16 : : : : PASTO ALENTEJANO : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : :

"COM 200 TRABALHADORES, A PASTO ALENTEJANO, FATUROU EM 2022 MAIS DE 56 MILHÕES DE EUROS."

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Já oferecem o chamado Garreto (chambão), embalado em cuvete. Vão surgir novos produtos?

Estamos a desenvolver uma gama com alcatra fatiada, picanha, lombos, lombinhos. Produtos mais personalizados que vão seguramente ao encontro das reais necessidades do consumidor final. Não faz sentido comer carne de borrego só no Natal ou na Páscoa, quando a carne de borrego é um produto saudável e um bom exemplo de versatilidade quer no modo de confecção, quer na facilidade de preparação.

Falaste dos jovens casais. A carne de borrego é apelativa para os jovens?

Penso que sim. O nosso objetivo é combater a sazonalidade com cortes desenvolvidos a pensar nos novos consumidores, nos jovens para um cozinha fácil e saudável. Para o pessoal que não tem 3 horas para cozinhar uma refeição. Nem quer!

Claro que queremos que o borrego se consuma no Natal e na Páscoa, queremos manter esse rico património gastronómico e cultural mas, queremos alargar o consumo

CONTINUAR A INVESTIR NO SETOR” - AUGUSTO SERRALHEIRO

a todo o ano com a oferta de novos cortes e produtos de borrego. Se formos a ver, na gastronomia da alta cozinha, o borrego está sempre presente. Na cozinha gourmet, na cozinha de fusão, experimental, nos melhores restaurantes da Europa o borrego está sempre presente, e com cortes diferentes.

A estratégia de ir ao encontro das necessidades pontuais dos consumidores e dos clientes é impactante para o consumo da carne de borrego mas, ao mesmo tempo, exige uma dinâmica de escoamento das partes, digamos, menos nobres...

Temos possibilidade escoar todo o nossos produto através da exportação que é muito significativa para a nossa casa. Se, em Portugal, só vendêssemos carcaças e metades era muito limitativo e a industria veio nos trazer essa possibilidade de nos proporcionar

uma mais valia e, ao mesmo tempo, competir com o borrego de importação.

Quem são os vossos clientes?

Em Portugal, tentamos chegar a todos os sítios. É política da nossa casa encarar o mercado no seu todo. Por isso, estamos na grandes superfícies, na distribuição grossista, no retalho, porque pensamos que o mercado deve ser o mais abrangente possível.

EXPORTAÇÃO

Mais de 50% da sua produção é para exportação. Com uma presença muito forte em toda a Europa, a empresa de Sousel já conquistou mercados no Médio Oriente (Isreal), Ásia Oriental (Japão) e Norte d'África.

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“A NOSSA MISSÃO É DAR CONDIÇÕES À PRODUÇÃO PARA

De que forma são feitas as vossas exportações?

Temos duas linhas paralelas: uma, com animais vivos, a outra, com produto final da nossa industria, carne de borrego, refrigerado ou congelado, quer seja em carcaça, cortes específicos ou miudezas.

Quais são os principais destinos dos animais vivos?

Maioritariamente para Israel. Há muita procura de outros países mas nós temos uma forte parceria com Israel.

A exportação de animais vivos tem criado alguma polémica...

A exportação de animais vivos foi sem dúvida um dos marcos mais importantes da pecuária nacional dos últimos anos. Criou ânimo, veio dar condições à produção, trouxe procura, foi e continua a ser muito importante.

As condições para os navios carregarem em Portugal são das mais exigentes de toda a Europa. As condições em que animais são transportados para Israel são muito boas.

Acompanham

o transporte?

Fazemos questão de estar presentes. Estamos sempre presentes na altura do carregamento, já fizemos alguma viagens de acompanhamento e já estivemos presentes várias vezes na descarga. Acompanhamos o processo todo porque queremos garantir a segurança, o bem-estar animal, a sua estabilidade e qualidade, não só com base dos relatórios que recebemos, mas também naquilo que observamos. E temos essa perfeita plenitude.

Neste momento, os navios que fazem o transporte de animais são autênticas engordas em movimento. Têm todas as condições e são inspecionados e auditados pelas autoridades veterinárias portuguesas. Fazem um excelente trabalho durante os 6 dias de viagem para Israel.

Israel é um mercado muito importante para a Pasto Alentejano. Para além do gado

vivo existem expectativas de exportação de carne para aquele país?

Neste momento, já inciamos a exportação de carne para Israel que era um objetivo que já perseguíamos há mais de três anos.Estivemonos a preparar para atingir este objetivo que só foi possível quando a unidade industrial de

abate ficou 100% na nossa posse. Fizemos um investimento muito grande na industria, tudo com capitais próprios, sem qualquer apoio ou financiamento, tudo com a capacidade da empresa e todo este investimento – que já vai em 4 milhões de euros – fez com que se tornasse realidade exportar carne Kosher* para Israel.

* A alimentação Kosher, também conhecida por Kosher, é a alimentação que segue as regras descritas no Torá - Os 5 primeiros livros do Livro Sagrado da religião judaica – e que é adotada pela comunidade judaica ainda hoje. A palavra traduzida para português significa “adequado” ou “bom”, ou seja, tudo aquilo que é adequado para o consumo dos judeus. As regras foram criadas em busca de uma alimentação o mais pura e que nutra o corpo e a alma. Carnes, derivados de leite e vegetais estão incluídos nesta dieta mas, para ser considerado Kosher , o alimento precisa de respeitar uma série de regras rígidas durante a produção, abate – no caso das carnes - e preparação, além de ser fiscalizado por um órgão especializado da comunidade judaica.

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Foi essencial as alterações no matadouro, até porque a vossa anterior sociedade incluía o abate de suínos...

Inicialmente, a Unidade industrial de abate era do Estado. Depois criamos um sociedade com dois parceiros da área do suíno e adquirimos o matadouro. Por fim, acabamos por adquirir as participações desses parceiros e transformar a unidade numa industria de abate e desmancha 100% de ovino.

A unidade industrial conta com uma linha de abate e duas de desmancha. O nosso objetivo é criar uma industria altamente profissionalizada no setor ovino e com isso abranger todos os canais de consumo. Entregar a melhor qualidade possível. Estamos muito bem preparados para mercados exigentes como Israel e muitos outros. Estamos 100% focados no alto profissionalismo. é uma responsabilidade muito grande porque somos um referência no setor.

Na vossa perspetiva, a exportação de carne para Israel pode abrir novos mercados?

O mercado existe e nós temos que ir à procura dele, temos de dar condições à produção e dar

condições aos clientes para que tudo o que idealizamos seja viável. Respondendo à sua pergunta, prevemos que depois de abrirmos a porta de Israel muitos outros mercadosKosher – se abrirão, como por exemplo os EUA e o Canadá que são mercados extremamente exigentes em termos de certificações e de condições mas é esse o nosso desafio e a nossa visão que queremos concretizar.

A exportação de carne para Israel é na base das carcaças?

Israel leva apenas os dianteiros dos animais, mas a partir daí, cortes frescos ou congelados, é o cliente que escolhe. Estamos preparados para tudo.

PRODUÇÃO

A produção da Pasto Alentejano abrange mais de 5000 criadores que representam quase 400.000 borregos, por ano. Os animais, depois do desmame, estão entre 30 a 60 dias na explorações da Pasto Alentejano, para o acabamento.

DIÁLOGO COM FILIPE SERRALHEIRO

Quantos animais têm em média nas vossa propriedade?

Nesta propriedade temos entre 60.000 a 70.000 animais. Este escritório onde nos encontramos está relacionado diretamente com as compras. Temos produtores que nos entregam 100 borregos, outros 10, outros 1000. O tratamento é o mesmo.

O que significa o mesmo tratamento?

O nosso processo é muito vertical, não há diferenciação ao produtor. Temos a consciência que o produtor que entrega 10 borregos nos está a entregar tudo o que tem, assim como o produtor que entrega 100 borregos nos está a entregar tudo o que tem. A dedicação é igual, o sentimento é igual, o tratamento tem que ser o mesmo.

E qual é o critério de avaliação?

Tivemos de instaurar uma metodologia de compra por peso, é sem dúvida a forma mais justa e estável. Temos uma tabela que

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enviamos aos produtores todas as sextasfeiras. Uma tabela com parâmetros de variáveis definidos: se são machos ou fêmeas e a variação do preço por kg. Desta forma os criadores conseguem programar as suas vendas da maneira que seja mais rentável para a sua exploração.

O nosso trabalho é com base em animais de qualidade, bem conformados e bem tratados. Para nós – e para os criadores – o maneio à nascença é muito importante

Existe, portanto, um nível de exigência....

Temos de ter consciência até onde podemos exigir. Oferecemos sempre as condições máximas que o mercado permite, estamos ao lado dos produtores, acompanhamos a produção no que diz respeito à alimentação, bem-estar animal, profilaxia, período do desmame, todo um apoio técnico que garante que ambas as partes retirem o máximo proveito dos animais, oferecendo um produto de qualidade.

O nosso objetivo é garantir um apoio técnico de proximidade, desenvolvendo em parceria com os criadores, aquilo que é o nosso conceito de qualidade e, com o tempo, apercebemo-

nos que o criador agradece todos os nossos inputs. Começam a preocupar-se mais com a produção dos animais e isso é vantajoso para todos.

Incutir a especialização com atitude proactiva e empreendedora...

Exatamente. Há 10 anos a produção era outra, não havia a preocupação que há hoje em fazer um bom trabalho. Hoje, a situação é completamente diferente e só é possível quando o produtor é valorizado e há estabilidade no mercado.

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Ao centro, os irmãos José e Augusto Serralheiro, ladeados pelos filhos, Filipe e Tiago Serralheiro, respetivamente.

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“EM PORTUGAL TENTAMOS

CHEGAR A TODOS OS CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO PORQUE

PENSAMOS QUE O MERCADO

DEVE SER O MAIS ABRANGENTE POSSÍVEL” - TIAGO SERRALHEIRO

A BOA CARNE DE BORREGO

A carne de borrego caracteriza-se pelo seu sabor aromático com suaves notas picantes que confere um sabor muito especial a muitos pratos. A sua carne é uma delicia. Vermelha suave e suculenta, é tenra e seduz pela sua variedade.

DIÁLOGO COM TIAGO SERRALHEIRO

O que é uma boa carne de borrego?

É uma carne que seja proveniente de um

animal que tenha estado o tempo suficiente com a mãe, para receber todas as vantagens do leite materno. É muito importante. E, depois precisam de ter uma alimentação cuidada, equilibrada e nutritiva. É assim que se consegue as características únicas da textura e sabor da carne de borrego. Cair no prato, descolar do osso, tenra e com um sabor sublime e único.

Em parte o que afastava a carne de borrego do consumidor era o chamado bedum...

Que já não existe, graças à alimentação e ao maneio. Tirar o bedum só já é uma questão cultural. Aliás, essa glândula só deve ser retirada quando está negra. Os animais da nossa casa não têm esse problema.

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Tiago Serralheiro, Diretor Operacional
: : 28 : : : : PASTO ALENTEJANO : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : :
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Nós desenvolvemos constantes estudos com diversos tipos de rações e formulas diferentes. Os animais são alimentados durante um período de 3 semanas a um mês e meio. Depois do abate a carne é submetida a vários testes sensoriais, a provas cegas, para avaliar o sabor, tenrura, textura e, no final, apresentam-se os relatórios e análises, mas sempre com a premissa que a matéria-prima tem de ser muito boa.

Qual é o peso ideal de carcaça?

Produzir borregos de 14/15 quilos é o ideal. No entanto, como estamos em todas as frentes de consumo, temos que oferecer o peso que o cliente quer. Se nos pedirem borregos com pesos entre os 10 e 11 quilos, o mais pequeno tem que ter 10 e o maior 11quilos.

Para isso têm que ter uma engorda muito bem montada e eficiente...

Com 60 a 70.000 animais, sempre de efetivo, conseguimos responder aos pedidos dos clientes. Na nossa casa, o cliente sabe as necessidades que tem, pede, e temos de corresponder. Afinal de contas, são os clientes que vendem os nossos produtos. Estamos conscientes que temos de trabalhar para eles.

SERRALHEIRO.

: : 30 : : : : PASTO ALENTEJANO : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : :
“A EXPORTAÇÃO É UM FATOR MUITO IMPORTANTE PARA NÓS PORQUE JÁ REPRESENTA MAIS DE 50% DA PRODUÇÃO” - JOSÉ
Filipe Serralheiro, Diretor de Produção

Composição nutricional da carne de borrego cru (100g)

Energia (kcal)

Água (g)

Proteínas (g)

Lípidos (g)

dos quais saturados (g)

Colesterol (mg)

Hidratos de Carbono (g)

Vitamina B12 (µg)

Niacina (mg)

Zinco (mg)

Fósforo (mg)

Ferro (mg)

g = grama; mg = miligrama e µg = micrograma

Por ser rica em proteínas, a carne apresenta substâncias essenciais que agem diretamente no crescimento e na reparação dos músculos, ossos e pele, além de ser uma boa de fonte de energia.

A vitamina B12 é essencial para a conversão da homocisteína, mantendo baixos os seus níveis. A homocisteína é uma molécula que pode danificar as paredes dos vasos sanguíneos e cujos elevados níveis no sangue estão associados com um maior risco de doença cardiovascular

A carne de borrego é especialmente rica em niacina. A niacina participa nos processos rela-

cionados com material genético, permitindo o crescimento e o desenvolvimento saudável.

O ferro desempenha um papel importante no transporte de oxigénio no organismo, na produção de energia e no sistema imunitário. O fósforo é um mineral importante para a saúde dos ossos e dentes e contribui para o bom funcionamento do sistema imunológico. O zinco é um mineral indispensável para a função do sistema imunitário e reprodutivo e participa no metabolismo de inúmeros componentes no organismo.

Unidade Industrial de abate/desmancha / corte e embalagem

SOBRE O GADO OVINO

Atualmente, o rebanho ovino é o mais abundante do mundo. Os ovinos foram originalmente domesticados no Médio Oriente e na Á sia há mais de 10.000 anos atrás. Os ovinos introduzidos em muitas regiões do mundo foram-se popularizando não apenas como alimento mas também através da utilização da lã para vestuário. Os romanos introduziram-nos em vários países do sul da Europa e Grã-Bretanha, onde a carne de borrego é muito popular e foi introduzido no hemisfério ocidental (americano) no inicio do século XVI, quando

os exércitos do explorador espanhol Hernán Cortez levavam com eles ovelhas, durante as suas explorações e conquistas.

Desde os tempos antigos, o cordeiro tem sido considerado como um símbolo religioso. Era comummente usado com um símbolo de sacrifício, em muitas religiões, incluindo o Judaísmo.

Em muitos países, o borrego é um prato tradicional da Páscoa em comemoração da Última Ceia, na qual o borrego foi provavelmente servido. Jesus é muitas vezes

referido como o ”Cordeiro de Deus”. A carne de borrego está presente em cozinhas de todo o mundo.

ALGUNS NÚMEROS:

Em Portugal, a carne de borrego representa 2% do consumo total de carne.

A média europeia é de 4%.

A Europa importa cerca de 20% e exporta cerca de 10%.

Portugal, consome anualmente cerca de 14.000 toneladas de carne de borrego.

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124 73,6 19,7 5 2,2 68 0 2 5 3,8 220 1,7
° ° ° °

Eficiência na integração na Sala de Abate e Desmancha com o CSB Factory ERP

O novo matadouro foi o início de uma atualização do sistema de produção da Incarlopsa. Em 2017, foi lançada a primeira fase com a automatização e digitalização do matadouro e, numa segunda fase, em 2020, a sala de desmancha foi também atualizada. Com mais de 40 anos de história, a Industrias Cárnicas Loriente Piqueras (Incarlopsa) é a empresa líder na produção e transformação de produtos de porco em Espanha. Esta empresa familiar, muito próxima, mas ao mesmo tempo muito aberta ao desenvolvimento, apostou desde o início da sua atividade na inovação tecnológica como um dos eixos fundamentais do seu modelo de negócio verticalmente

integrado, que garante a rastreabilidade total do processo de produção, bem como a máxima qualidade do produto, respeitando o desenvolvimento sustentável e o ambiente como um dos seus princípios fundamentais. A empresa pioneira na digitalização tem sabido posicionar-se nos diferentes cenários que vão ocorrendo, mas sempre com a aposta absoluta na formação e qualificação dos seus colaboradores, bem como na diversificação da atividade para novos mercados internacionais. Esta estratégia organizacional levou-a a alcançar um crescimento contínuo nos últimos anos, duplicando o seu volume de negócios.

AUTOMATIZAÇÃO E DIGITALIZAÇÃO DA GESTÃO DOS MATADOUROS

Em 2017, foi construído um novo matadouro com uma área de 68.700 m2. O objetivo do projeto era digitalizar e automatizar todos os processos da unidade, integrando os vários parceiros tecnológicos e o ERP do grupo. Começaram no processo na receção de suínos vivos na abegoaria, que é gerida

: : 34 : : : : INCARLOPSA : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : :
Sala de desmancha Incarlopsa

de forma muito eficiente através de uma visão gráfica da ocupação das boxes. Uma vez concluída a descarga, são dadas ordens para iniciar o banho dos porcos nas celas. O processo de atordoamento é iniciado através do controlo dos parâmetros de concentração de CO2, temperatura e tempos. Os dados de classificação são registados através da conexão com o equipamento de classificação e todos os dados de qualidade dos Serviços Veterinários Oficiais são registados através de ecrã touchscreen nos diferentes Pontos de Controlo das carcaças e miudezas vermelhas e brancas. Uma vez classificadas, as carcaças passam pela câmara de refrigeração e, finalmente, vão para as câmaras de estabilização.

O fluxo de dados em toda a instalação é gerido por etiquetas RFID (Radio Frequency IDentification). A associação inequívoca entre o gancho e o número de carcaça inicia-se no abate, permitindo assim controlar todo o fluxo de transporte desde o início do processo até às câmaras de estabilização. Na Sala de Quarentena são também utilizadas caixas com tags RFID. Nos pontos de identificação, o produto contido em cada caixa é identificado e associado a um tag, e a partir daqui é mantido até ao destino final. As soluções RFID garantem a rastreabilidade e a automatização da fábrica. Isto permite a redução de custos nos processos logísticos internos, uma vez que agiliza processos como a gestão de armazéns, o transporte e a formação de paletes, em conformidade com a regulamentação europeia sobre rastreabilidade e rotulagem de produtos.

“O elevado grau de integração da CSB e a sua especialização no setor da carne permitiramnos gerir as nossas fábricas de forma transparente e rentabilizar o investimento em menos tempo", afirma o Diretor Geral de Engenharia, Victorino Carabantes.

CONTROLO DO RENDIMENTO NA SALA DE DESMANCHA

A sala de desmancha é um centro de alta tecnologia para a indústria da carne. E este foi o segundo desafio: a integração da Sala de Desmancha com o sistema intralogístico existente. O primeiro passo é solicitar carcaças às câmaras de Estabilização com base no planeamento das ordens de desmancha.

Para que as carcaças sejam introduzidas e identificadas automaticamente, estas passam pelo primeiro dos 13 Pontos de Identificação e

Controlo do Sistema (ID Points). Este processo é essencial para ter controlo e rastreabilidade de cada carcaça e dos produtos obtidos através da sua identificação por meio de microchips RFID. É aplicado um primeiro corte de forma automática; a Incarlopsa é uma das primeiras empresas do mundo a dispor de um sistema de corte informatizado, mais rápido, eficaz e higiénico do que os que existiam até agora. Nas linhas de lombos, presuntos, pás e barrigas, os produtos são obtidos através de caixas RFID que se dirigem aos pontos ID para identificação, classificação e destino, de modo que a Incarlopsa tem o controlo da sala em tempo real e conseguem obter o rendimento de cada lote e ver o desvio entre o rendimento teórico e o real. Isto permite-nos otimizar o transporte e dar automaticamente uma ordem de desvio na linha.

CONTROLO E GESTÃO DE ARMAZÉNS AUTOMÁTICOS

Câmara de carcaças: a gestão das câmaras de estabilização é feita através do WMS (Warehouse Management Software) da CSBSystem, que nos permite organizar as linhas de cada câmara com base numa combinação de parâmetros de classificação e outros como o peso, o sexo ou outros parâmetros subjetivos de modo a otimizá-las e colocar cada carcaça na sua linha correta. Para os produtos a granel, um dos destinos possíveis é um armazém de caixas automático com quatro transelevadores e uma capacidade de 4.400 caixas geridas pelo WMS da CSB-System. Isto permite-nos, para além de diferentes estratégias de enchimento e esvaziamento, ter um controlo total da câmara, conhecendo a

todo o momento o conteúdo de cada caixa em cada localização e não tratando o armazém como uma "caixa negra".

Outro destino pode ser a expedição com um buffer FIFO de 14 linhas, onde as paletes são formadas automaticamente à saída através de baixadores.

RESUMO DA SOLUÇÃO

Gestão de Abate, Desmancha, Rastreabilidade, Compras, Armazém, Gestão da qualidade, EDI, CIM-ebs, WMS, Sistema de fluxo de materiais.

PRINCIPAIS BENEFÍCIOS PARA O CLIENTE

CSB FACTORY ERP assume todas as funções essenciais da fábrica.

Integração a 100% do hardware intralogístico atual da fábrica de carnes.

Um parceiro tecnológico para todos os processos com experiência adquirida em vários projetos nacionais e internacionais. Controlo transparente do desempenho da desmancha em tempo real.

Informação em tempo real e rastreabilidade sem falhas graças ao MFC (Material Flow Control) do transporte de caixas e ao controlo dos armazéns automáticos, bem como à aplicação da tecnologia RFID.

Contacte-nos

CSB-System

tlm: 925 259 833

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TODA A FÁBRICA GERIDA COM TECNOLOGIA RFID Sala de desmancha Incarlopsa

E se estivermos a abrir a caixa de Pandora?

Na Grécia Antiga, Zeus deu a Pandora, como presente de casamento, uma caixa mas avisou-a para nunca a abrir, pois seria melhor deixá-la intocável. O desejo de a abrir superou qualquer precaução: coisas horríveis voaram para fora, incluindo ganância, inveja, ódio, dor, doença, fome, pobreza, guerra e morte. Hoje em dia, a caixa de Pandora continua a ser aberta, não por pessoas distraídas, mas por indivíduos da ciência, da política e da economia.

Na Europa, o mercado da carne cultivada seduz muitas startups, há milhões e milhões de euros envolvidos no campo do cultivo de células em busca do El Dorado que será criar carne sem criar animais, nem pastos. Mas será mesmo assim? E se estivermos abrir uma nova caixa de Pandora?

A carne cultivada promete revolucionar todo o sistema alimentar. Por isso, falamos, por email, com Ivo Rzegotta, Senior Communications Manager no Good Food Institute Europe, sediado na Alemanha, sobre os desafios e oportunidades em todo este processo de transformação.

Pode nos dar uma visão como é que este segmento se está a desenvolver?

Na Europa, o mercado de proteínas alternativas está a crescer. Cada vez há mais pessoas que não querem consumir carne convencional. O espectro de produtos de proteína alternativa variam desde substitutos de carne completamente à base de plantas, a produtos híbridos e carne cultivada.

Ao redor do mundo já existem, pelo menos, cerca de 1500 startups que pesquisam sobre carne cultivada. Além disso, também existem inúmeras empresas B2B (“business to business”, um termo de vendas que representa negócios realizados por empresas para outras empresas) que avançam com desenvolvimentos neste campo.

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Acém redondo de vitelão Mertolengo criado no campo. Carne “cultivada” em laboratório

TODO O SISTEMA ALIMENTAR.

Na sua opinião a carne cultivada vai chegar ao consumidor a curto prazo?

Atualmente, o mercado de proteínas alternativas é formado inteiramente por proteínas vegetais e levará algum tempo até que a carne cultivada e os produtos à base de fermentação sejam lançados no mercado.

E os consumidores estão abertos a produtos cultivados?

Bom, os produtos híbridos representam apenas um nicho de mercado. No entanto pesquisas com a população indica que os consumidores estão abertos a produtos cultivados.

A carne cultivada ainda não foi aprovada como alimento na Europa. Na sua opinião quais são os principais obstáculos?

Nos últimos meses, houve um grande progresso no lançamento de carne cultivada no mercado. Os primeiros produtos foram aprovados nos EUA e também estão em andamento em outros mercados.

O mercado europeu depende basicamente de duas coisas: custos de produção e capacidade de produção. E isso exige não só grandes investimentos privados como públicos na pesquisa e construção de infraestruturas.

E sobre segurança alimentar?

Estará sempre dependente dos regulamentos de Novos Alimentos da UE, que um rastreio, um estudo total e uma revisão profunda e especializada completa de segurança alimentar antes dos produtos serem vendidos ao publico. No entanto, esse processo, é extremamente burocrático e leva muito mais tempo do que em outras partes do mundo.

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Ivo Rzegotta / crédito: IFFA
“A CARNE CULTIVADA PROMETE REVOLUCIONAR

A fermentação é um técnica que usa microorganismos e produz um produto com sabor a carne. O que tem a dizer sobre esta técnica?

Fascinante! A técnica da fermentação ainda está no inicio mas tem um grande potencial dentro do setor das proteínas alternativas. Em todo o mundo são cerca 140 empresas que estão a desenvolver esta técnica.

Por exemplo, a Alemanha é muito forte nesta área, com o terceiro maior número de startups depois dos EUA e de Israel. O ecossistema alemão está no caminho certo para se tornar um potencia global neste segmento emergente.

Os desafios no campo da fermentação são basicamente os mesmos do cultivo de células...

Sim. As tecnologias que estão por trás funcionam e as empresas já mostraram que podem ser usadas para produzir produtos saborosos e sustentáveis. No entanto, para reduzir os custos de produção ao nível das contrapartidas animais e produzir quantidades significativas, devem ser feitos esforços conjuntos pelos investidores privados e decisores políticos.

A CARNE ARTIFICIAL CHEGARÁ ÀS PRATELEIRAS DE SUPERMERCADO MAS, COLOCA MAIS PROBLEMAS DO QUE SOLUÇÕES, ESPECIALMENTE, EM TERMOS DE SAÚDE. FACTOS.

A carne “cultivada” ou carne in vitro parece cultivar uma grande oportunidade de negócio. Esta carne cultivada também chamada de carne limpa pelos seus proponentes, é um produto produzido em laboratório através de técnicas de bioengenharia.

Em 2013, Mark Post, professor da Universidade de Maastricht, apresentou o primeiro hambúrguer de carne cultivada. Desde então, a utopia do consumo de carne sem produção animal, decorrente da “agricultura digital”, ganhou muitos adeptos entre os defensores dos animais, mas principalmente na indústria.

A partir daí, grandes nomes da industria e grande investidores patrocinaram muitas startups com o propósito de colocar no mercado, a partir de 2020/2022, carne cultivada de bovino, aves, peixe a um preço acessível.

Sistema sustentável: manutenção de pastagens permanentes (1/3 das superfícies agrícolas da UE, ou seja, 66 mil milhões de hectares), verdadeiros sumidouros de carbono (570 kg de carbono por cada hectare de prados) e biodiversidade (3,5 toneladas de fauna presentes no solo de cada hectare de erva), manutenção do dinamismo dos espaços rurais.

Em 2020, as autoridades de saúde de Singapura autorizaram o consumo de nuggets feitos com carne cultivada de frango produzida em laboratório pela startup californiana “Eat Just”.

A pergunta que se coloca; carne artificial, utopia ou verdadeira revolução alimentar?

Segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO),a produção convencional de carne é responsável por uma parcela considerável das emissões de gases de efeito estufa(18%), uso da terra (30%), além da água (8%). Além disso, a organização estima que o consumo de carne deve duplicar em 2050. E nesse caso, a produção de carne estará já próximo dos limites. Como resolver este problema?

Para Mark Post “o gado bovino é muito ineficaz. A sua taxa de bio conversão é estimada em 15%, ou seja, para produzir 15 gramas de carne é necessários 100 gramas de proteína vegetal. A única forma de produzir carne de forma sustentável seria aumentar esse índice”, referiu.

Já foram consideradas várias abordagens como a produção de “carne” à base de plantas ou insetos. Mas essa alternativas não atraem os consumidores, porque nem sequer conseguem imitar minimamente o sabor e a textura da verdadeira carne. A carne in vitro poderia resolver este problema?

O que é carne “cultivada”?

Concretamente, tudo começa no isolamento do músculo de um animal adulto, através de uma biopsia de um pequeno número de células musculares satélites, cuja função é participar no processo de regeneração muscular. Nesta fase, ainda não são células musculares, são chamadas de células-tronco (células não diferenciadas com o potencial de se multiplicarem em quantidades de células) e, sob a influencia de certos fatores hormonais, de se diferenciarem em células musculares.

Cultivadas em bioreatores, ambientes esterilizados, contendo líquidos nutritivos. As células satélites são estimuladas por fatores de crescimento, que induzem a sua intensa proliferação. São então transformadas em células musculares, antes de serem montados mecanicamente em tecido muscular consumível, portanto, um pedaço de carne artificial...

A promessa da carne “cultivada”

Segundo o site neerlandês Mosa Meat, fundada por Mark Post, a produção de carne cultivada só traria vantagens. Reduziria drasticamente o impacto ambiental da produção de carne, bem como o risco de doenças infecciosas transmitidas de animais para humanos. Além disso, o sabor da carne “cultivada” seria próximo ao da carne convencional.

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Um custo ambiental reavaliado por alto

Para além das promessas das startups, a produção em larga escala de carne “cultivada” levanta alguns temores sobre o seu real impacto ambiental.

É certo que a primeira comparação científica feita em 2011 entre carne convencional e carne “cultivada” foi muito lisonjeira para esta ultima. Em comparação com a carne convencional, reduziria os gases efeito estufa em 78 a 96% e exigiria 7 a 45% de energia e 82 a 96% a redução de água.

Mas os estudos mais recentes, efetuados por entidades científicas e independentes sugerem que o impacto ambiental pode ser maior a longo prazo do que o da pecuária. Ao contrário dos trabalhos anteriores, estes tiveram em conta, por um lado, o papel essencial na realização de um sistema sustentável: manutenção de pastagens permanentes (1/3 das superfícies agrícolas da UE, ou seja, 66 mil milhões de hectare), verdadeiros sumidouros de carbono (570 kg de carbono por cada hectare de prados) e biodiversidade (3,5 toneladas de fauna presentes no solo de cada hectare de erva), manutenção do dinamismo dos espaços rurais dos territórios, assegurando um fornecimento de produtos seguros, com reconhecidas qualidades nutricionais e altamente favoráveis à satisfação das necessidades de

vários nutrientes essenciais numa alimentação equilibrada.

Por outro lado, tiveram em conta não só a natureza dos gases emitidos, mas também o custo energético das infraestruturas necessárias ao “cultivo”.

Os animais possuem um sistema imunológico que os protege contra infecções, principalmente bacterianas. No entanto, este não é o caso das culturas de células, que apresentam sérios problemas. De facto, num ambiente rico em nutrientes, as bactérias multiplicam-se muito mais rapidamente do que as células animais. Se quisermos evitar a obtenção de um bife de bactérias, é essencial que as culturas sejam realizadas em condições de alta esterilidade, a fim de evitar contaminação.

Na indústria farmacêutica, as culturas de células são realizadas em "salas limpas" altamente controladas e esterilizadas. A esterilidade é geralmente garantida pelo uso de material plástico descartável. Isso reduz consideravelmente o risco de contaminação, mas multiplica a poluição por plásticos, cujo nível nos ecossistemas já é alarmante. É certo que alguns dos equipamentos de cultura, feitos de aço inoxidável, podem ser esterilizados por vapor e detergentes. Mas esta operação também tem um custo ambiental.

Embora poucos estudos se tenham dedicado ao impacto ambiental da indústria farmacêutica, os dados disponíveis sugerem que suas emissões de carbono são 55% maiores do que as da indústria automóvel.

Além disso, o gado fornece muitos subprodutos e participa na reciclagem de grandes quantidades de resíduos vegetais que não são comestíveis pelos humanos e produz fertilizantes. Além disso, as pastagens permitem o sequestro de carbono, como em nenhuma outra industria. Portanto, o custo ambiental de longo prazo da transição da carne convencional para a carne “cultivada” seria extremamente complexa de avaliar.

Hormonas anabolizantes e substâncias químicas, desreguladores endócrinos: riscos significativos

Nos animais, o volume muscular aumenta lentamente e as células satélites musculares multiplicam-se muito pouco. Para obter em poucas semanas in vitro o que o animal leva vários anos para produzir, a proliferação de células satélites musculares devem ser continuadamente estimuladas por fatores de crescimento, incluindo esteroides sexuais anabolizantes.

Estes esteroides estão presentes em animais e humanos, assim como na carne convencional. Estimulam a sínteses de proteínas nas células, levando ao aumento da massa muscular. Podem ser apresentados pela industria como “fatores de crescimento”. No entanto, a super exposição a esses esteroides tem efeitos destruidores bem identificados. Na UE ,o uso de esteroides de crescimento na agropecuária é proibido desde 1981, pela Diretiva 81/602. Esta proibição foi confirmada em 2003 pela Diretiva 2003/74 e validada pelo European Food Safety Authority (EFSA), em 2007.

A pergunta é: dado que a carne cultivada não passa sem esteroides de crescimento, qual será a concentração desses esteroides na dita carne “cultivada”?

Além disso, um numero crescente de estudos evoca a toxicidade dos produtos plásticos de uso corrente. Os desreguladores endócrinos, compostos, capazes de interferir e desregular o sistema hormonal, podem ser transferidos através das embalagens de plástico. Sem surpresa, o mesmo fenómeno foi documentado durante culturas de células realizadas em recipientes de plástico para fertilização in vitro, mesmo antes da embalagem final.

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“OS ANIMAIS POSSUEM UM SISTEMA IMUNOLÓGICO QUE OS PROTEGE CONTRA INFECÇÕES, PRINCIPALMENTE BACTERIANAS.”
Para evitar a contaminação e controlar as condições de cultivo, a carne artificial é produzida em bioreatores semelhantes aos utilizados pela industria farmacêutica.

A nova geração de Termoseladoras: potentes, confiáveis, flexíveis e equipadas para o futuro

MULTIVAC amplia continuamente a sua gama de produtos TX-Line.

Todos os modelos da série TX caracterizamse por uma estrutura robusta da máquina e controlo inteligente. O resultado desta combinação, é máxima potência, fiabilidade e flexibilidade, que convertem as novas termoseladoras em soluções pioneiras no mercado.

A atual gama de produtos é composta por três modelos da série TX 7 e pelos três modelos da série TX 8. Os modelos TX 7 são fornecidos com

moldes de 700, 800 e 900 mm de comprimento. A série TX 8 possui moldes com comprimento superior a 1000 mm. A MULTIVAC oferece em todas as termoseladoras da nova geração as opções de mono via bem como de duas vias.

MÁXIMO RENDIMENTO

A potência da série TX é o resultado da perfeita combinação entre mecânica robusta e precisa, controlo inteligente e de um amplo sistema de sensores. O controlo de multisensores determina, entre outras o fluxo

(Flow Manager) controla os potentes servoacionamentos e pode sobrepor movimentos consecutivos de forma precisa e segurança para o processo. O controlo de multisensores determina, entre outras coisas, os tempos de comutação dos diferentes circuitos de controlo e compensa-os, especificamente, por meio de arranques antecipados. O Flow Manager (Gestão de Fluxos) controla, os potentes servo-acionamentos e pode sobrepor movimentos consecutivos de forma precisa e segura para o processo. Isto garante um rendimento máximo e uma estabilidade

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elevadíssima em cada ciclo de produção. Além disso, as termoseladoras foram projetadas para economizar o máximo de espaço possível e, assim, garantir o maior aproveitamento da superfície de produção.

FIABILIDADE CONSTANTE

A estabilidade dos processos da série TX advém da sintonia ideal entre cada um dos processos, tais como a carga de embalagens, selagem ou descarga de embalagens que consequentemente gera um processo dinâmico que não prejudica o produto e garante um fluxo uniforme. Por sua vez, os inovadores moldes-X (X-tools) garantem uma alta qualidade da embalagem. Estes moldes distribuem uniformemente a pressão de selagem em cada cuvete para obter um resultado de embalagem único e seguro.

O novo conceito garante fácil acesso por parte do operador. A tecnologia RFID permite a troca de molde de forma fluida e garante a rápida disponibilidade dos modelos TX. O sistema de controlo verifica se os diversos componentes de cada um formatos estão montados corretamente, e se o artigo foi corretamente selecionado. Isto aumenta consideravelmente a segurança na troca e a disponibilidade da máquina para clientes que precisam da máxima flexibilidade de formatos.

Além disso, com o seu novo interface de utilizador HMI 3, o controlo multitáctil contribuem para que o utilizador possa disfrutar de uma excelente facilidade de utilização. Animações, pré ajustes e uma página de acesso rápido de visão geral (Dashboard) foram projetados para facilitar o trabalho do utilizador.

MÁXIMA FLEXIBILIDADE

A estrutura modular nas novas termoseladoras também permite maior disponibilidade das máquinas. Assim, mudanças de formatos típicos e frequentes podem ser realizadas em menos de 5 minutos. Os sistemas de estantes e pré-aquecimentos correspondentes, permitem pré-aquecer o molde à temperatura ideal de operação, de modo a que, logo após a sua substituição, as máquinas fiquem prontas para a produção do próximo produto. Uma vez que o molde permite fazer todas as funções relevantes, o utilizador pode alternar rapidamente entre os diferentes tipos de embalamento e entre as diferentes aplicações. Isto permite, inclusivamente, mudar de uma embalagem de atmosfera modificada para uma embalagem MultiFreshTM (skin), em muito pouco tempo.

EQUIPADAS PARA O FUTURO

As termoseladoras estão perfeitamente preparadas para enfrentar os desafios do futuro pela sua modularidade, mas não só. O sistema de sensores, a tecnologia servo-acionamento, os moldes inteligentes e a integração opcional na nuvem (cloud) MULTIVAC abrem uma série de novas possibilidades. A MULTIVAC disponibiliza serviços de informação inteligentes que contribuem para aumentar consideravelmente a eficiência e a disponibilidade da máquina. Entre os serviços inteligentes incluem-se a manutenção preditiva “Predictive Maintenance”, análise da eficácia geral do equipamento “OEE análisis” e análise de eventos da máquina “Machine Event Analyzer”.

Se as termoseladoras estiveram integradas no MULTIVAC Pack Pilot, torna-se mais fácil definir os parâmetros da máquina e contribuir para excelentes resultados de produção de embalagem desde o início.

Os clientes MULTIVAC podem decidir sobre os diferentes pacotes de serviços inteligentes opcionais que desejam, desde o inicio, ou fazê-lo posteriormente. As formas-X podem ser usados com qualquer um desses pacotes de serviços inteligentes. Estes serviços estão permanentemente acessíveis através de Smart Phones, Tablets, Computadores.

Desde o início de abril de 2022 que a empresa “Myronivsky Hliboproduct” (MHP) a maior empresa agroindustrial da Ucrânia, produz em alto rendimento, na sua fábrica dos Países Baixos, com uma linha de última geração da MULTIVAC. O coração da linha é a termoseladora automática TX 730.

Os primeiros peitos de frango demoraram menos de seis meses para começarem a ser embalados nas cuvetes de plástico negro, que a MHP utiliza. “Um bom desempenho de toda a equipa do projeto, principalmente num contexto de continuas dificuldades com a pandemia, a guerra, o Brexit e a gripe das aves”, sublinha Folkert Thasing, Diretor-Geral da MHP.

Foi em outubro de 2021, que este decidiu investir numa termoseladora automática de alto desempenho, para que o processo produtivo pudesse ser elevado a outro patamar. Após minuciosa pesquisa do mercado, e de discussões detalhadas com a Multivac, a escolha foi feita muito rapidamente em favor da inovadora TX 730. “A máquina é um verdadeiro cavalo de batalha, foi projetada para o futuro e adapta-se facilmente a todos os requisitos dos nossos clientes” referiu Hans Schalkwijk, Account Manager para a zona.

A termoseladora cobre um amplo espectro de aplicações de embalagem de alimentos: frutas, vegetais, carnes, transformados, peixes, aves, lacticínios e até refeições précozinhadas de todos os tipos. A perfeita interação do controlo de máquinas de última geração, deve-se ao seu completo sistema de sensores, e a um design altamente robusto, que garantem o máximo desempenho, segurança e fiabilidade, e também uma excelente qualidade de embalagem. Quando utilizada em atmosfera modificada, como acontece na MHP de Veenendaal, a máquina impressiona pelo desempenho de 18 ciclos por minuto. No caso das embalagens sem atmosfera modificada, o rendimento aumenta para 25 ciclos por minuto.

TECNOLOGIA TX

O inovador “TX Flow Manager” controla os servo-acionamentos de alto desempenho e também garante que as sequencias de tempo de todo o processo de embalamento, desde a alimentação até á descarga das embalagens, sejam perfeitamente sincronizadas entre si. Isto permite um fluxo uniforme do produto no processo de embalamento, com a maior qualidade.

As ferramentas “X-Tools” são uma garantia adicional do alto nível de flexibilidade e disponibilidade da máquina, bem como da constante qualidade da embalagem. Graças aos sensores integrados, todos os componentes do formato, garras de transporte, partes superior e inferior do molde são reconhecidos automaticamente. O conjunto de dados armazenados na ferramenta é transferido para a Termoseladora TX, evitando assim possíveis erros de operação e minimizando a perda de tempo.

Cada ferramenta “X-Tools contém todas as funções necessárias para o processo de embalagem específico. Assim, o operador pode alternar entre diferentes tamanhos de cuvetes e aplicações de forma rápida e segura. Isso torna a mudança particularmente fiável, e também a necessária troca de produto, filme e ferramentas, muito rápida. Leva menos de cinco minutos no total, para realizar uma alteração de formato.

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“TUDO FUNCIONA MELHOR COM TECNOLOGIA DE EMBALAMENTO DE ÚLTIMA GERAÇÃO”

“PITSTOP*” – GANHA O MAIS RÁPIDO

A produção na Myronivsky Hliboproduct em Veenendaal é efectuada em dois turnos e, na medida do possível, sem interrupções ou atrasos. Desta forma as mudanças de filme são particularmente críticas.

Folkert Thasing responde: “Juntamente com o seu alto desempenho, a facilidade de uso da Termoseladora TX é, na nossa opinião, uma grande vantagem e ouvimos isso constantemente das nossas equipas do departamento de produção. Tal como na Fórmula 1, com a TX criamos um verdadeiro espírito de competição. Neste sentido, chamamos às mudanças de filmes Pitstop*. As nossas equipas assumem como um desafio conseguir trocar de filme o mais rapidamente possível, e superar todas as paragens de máquinas no menor tempo possível.”

HIGIENE MANUTENÇÃO

Por último, mas não menos importante, a Termoseladora TX também tem uma pontuação alta pela facilidade de limpeza e manutenção. O cavalo de batalha, construído pela MULTIVAC Hygienic DesignTM está perfeitamente desenhado para os mais exigentes requisitos de manutenção e higiene da indústria alimentar.

Graças às portas de acesso amplas e proteções de segurança, todo o processo de embalamento é visível e facilmente acessível para trabalho de limpeza e manutenção. Um design limpo e o uso de materiais de alta qualidade também contribuem para uma higienização rápida e confiável.

A empresa Myronivsky Hliboproduct (MHP), com sede na pequena cidade de Myronivka, no distrito de Kiev, é a maior empresa agroindustrial da Ucrânia, com o foco principal na produção de aves em escala industrial. Algumas das suas marcas internacionais mais conhecidas incluem "Nasha Ryaba", "Qualiko", "Ukrainian Chicken", "Assilah", "Sultanah" e "Chateau Galicia". A sua produção está distribuída por vários centros de produção da Europa e Médio Oriente.

Na MHP, a atmosfera da embalagem é substituída por uma mistura gasosa de dióxido de carbono, nitrogénio e oxigénio, que está perfeitamente adaptada á delicada carne fresca, de modo que tanto a forma, a cor e a

frescura dos peitos de frango sejam preservados. Quando a cadeia de frio não é interrompida, o prazo de validade dos produtos aumenta agora mais alguns dias.

As embalagens de várias alturas, com pesos compreendidos entre 2,5 e 5 Kg destinam-se a grossitas e food-service. As embalagens são particularmente rígidas e seladas com uma película superior transparente, que permite uma excelente visibilidade dos produtos.

PROCESSO DE PRODUÇÃO PRECISO!

A enorme sala de produção é dominada pela Termoseladora Multivac TX 730 e um sofisticado sistema de transporte. Os peitos de frango são transportados inicialmente por um tapete inclinado para elevação e um sistema de alimentação. Posteriormente são colocados pelos operadores em dois tapetes de transporte que levam à área de carga da termoseladora. Neste ponto, uma inspeção visual feita pela equipa permite que qualquer gordura ou pedaço de osso seja removida de cada um dos peitos de frango. Segue-se a verificação automática dos produtos pelos sistemas de inspeção apropriados: os produtos bons passam para o processo de embalamento subsequente, enquanto os produtos rejeitados são imediatamente expulsos para serem processados manualmente.

Atualmente, os operadores carregam manualmente os peitos de frango nas cuvetes de PP.

“Devido à consistência e à forma dos produtos, este processo de carregamento até agora não pôde ser automatizado. As peças devem ser colocadas com muita precisão e bem próximas umas das outras nas cuvetes”, explica Folkert Thasing. O filme superior transparente é então colocado sobre as cuvetes carregadas, na estação de selagem da Termoseladora TX, e é então selado com enorme pressão uniformemente distribuída, durante a qual um corte interno é efetuado pela unidade de corte integrada. Os passos seguintes são compostos por um detector de metais, integrado na linha, e uma etiquetadora que coloca com precisão uma etiqueta impressa na parte de cima da embalagem. Finalmente, os tapetes de descarga encaminham as cuvetes para o processo de embalagem secundário.

INTERAÇÃO PERFEITA

Folkert Thasing está visivelmente satisfeito porque desde o início a TX 730 correspondeu perfeitamente aos requisitos em termos de fiabilidade, eficiência e continuidade, e abriu uma nova era para a MHP. “A linha foi instalada e concluída em menos de um mês. Graças ao alto nível de automação e, em particular, a esta última geração de máquinas digitais, temos imensos benefícios disponíveis agora e no futuro. Estou muito satisfeito.”

* A Pitstop é a paragem que os carros fazem nas boxes da Formula 1, para reabastecer e trocar pneus. As equipas tentam fazê-lo da forma mais rápida possível.

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Hans Schalkwijk destaca o ponto: “Como fornecedor de soluções completas com experiência em materiais e aplicações altamente desenvolvidas, nós, na MULTIVAC preocupamo-nos com a interação perfeita entre os materiais de embalagem, a atmosfera da embalagem, a máquina, o produto e adaptamos sistematicamente as nossas máquinas, a sua tecnologia e materiais de embalagem, para garantir que os melhores resultados sejam sempre alcançados.”

Outra vantagem: graças ao conceito operacional intuitivo, toda a linha pode ser controlada de forma fácil e confiável. O controlo da máquina multitáctil (Multi touch) com a sua interface de utilizador intuitiva, pode ser configurada individualmente para o utilizador em particular.

O operador utiliza um cartão com chip RFID pessoal e com login de acesso, sem qualquer contacto com o sistema. As páginas de acesso rápido e visão geral (painel) também fornecem assistência específica ao operador. E com o seu display de 18,5 polegadas, o terminal de controlo oferece todas as informações num piscar de olhos.

PARTICULAR, A ESTA ÚLTIMA GERAÇÃO DE MÁQUINAS DIGITAIS, TEMOS

IMENSOS

BENEFÍCIOS DISPONÍVEIS AGORA E NO FUTURO.

ESTOU MUITO SATISFEITO.”

Para proporcionar um processo ainda mais rápido e fácil, ao configurar novos produtos, cuvetes e filmes, a Termoseladora TX pode ser ligada opcionalmente online com o MULTIVAC Pack Pilot, que, com base na informação de produto a embalar, ajusta automaticamente os parâmetros da máquina. Isso possibilita um início de produção muito rápido, mesmo com novas embalagens ou novas aplicações de produtos. O melhor desempenho é alcançado se a máquina tiver acesso online ao MULTIVAC Smart Services.

“As pessoas são sempre o centro das nossas atenções”, enfatiza Folkert Thasing. É por isso que a MHP Países Baixos e o Grupo Jan Zandbergen decidiram apoiar os refugiados de guerra da Ucrânia que vêm para a Holanda.

“Ajudamos a encontrar trabalho e também oferecemos empregos nas nossas próprias empresas. Uma clássica situação win-win.” (Tradução livre: todos ficam a ganhar).

Há muitos anos que ambas as empresas desfrutam desta parceria muito bem-sucedida. A Jan Zandbergen é fornecedora de ingredientes, produtos semi-preparados, produtos cárnicos e substitutos de carne. A sede da empresa também está localizada em Veenendaal, o coração do "Dutch Food Valley". Uma região onde empresas, instituições e laboratórios de pesquisa colaboram intensamente e criaram uma forte rede de trabalho, com o objetivo de promover o desenvolvimento do setor alimentar. A MHP com as suas instalações de produção de última geração também faz parte dessa rede.

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“A LINHA FOI INSTALADA E CONCLUÍDA EM MENOS DE UM MÊS. GRAÇAS AO ALTO NÍVEL DE AUTOMAÇÃO E, EM

Alimentar 9 mil milhões de pessoas é o grande desafio

O mundo atingiu o número de 8 mil milhões de pessoas e o crescimento da população mundial não vai ficar por aqui. A distribuição é desigual, com mais de metade da população a viver na Ásia, no entanto, há quem defenda que as emissões de gases com efeito estufa têm a ver com os rendimentos e não com a distribuição da população.

A relação entre a atividade humana e as alterações climáticas está provada há muito tempo. O impacto ambiental do crescimento populacional vai depender de quantos somos: as estimativas variam desde um pico populacional de aproximadamente de 9 mil

milhões até 2050, até mais de 12 mil milhões por volta de 2100.

Raya Muttarak, investigadora que que estuda a dinâmica populacional humana é desta opinião e afirma que “ Os primeiros 10% em termos de riqueza líquida são na realidade responsáveis por cerca de 50% das emissões de C02 e representam apenas 770 milhões de pessoas em todo o mundo.”

São apenas números, previsões, mas previsíveis. Tudo vai depender dos comportamentos – se vão agravar ou abrandar o aquecimento global – com alguns países a terem mais responsabilidade que outros. A investigadora da universidade de Bolonha, com

mestrado e doutoramento na Universidade de Oxford diz ainda que a humanidade precisa de melhorar, no que diz respeito à igualdade de acesso a recursos. Os países menos desenvolvidos não só carecem de recursos como são também os mais afetados pelas alterações climáticas. Têm menor capacidade financeira para fazer face às consequências. O Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas prevê que cerca de 20% da população mundial seja deslocada até 2050. E estas migrações forçadas em grande escala poderão comprometer fortemente os esforços de desenvolvimento, mesmo que seja respeitado o limite estabelecido pelo Acordo

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de Paris; abaixo de 2 graus Celsius (ºC) na temperatura média global. Os cientistas deixam um sério aviso: os cenários extremos a nível de temperatura não devem ser excluídos. Infelizmente, as perspetivas não são boas. Recentemente, o Secretário-Geral das Nações Unidas mostrou-se frustrado porque “o mundo está a perder a luta contra as alterações climáticas e a condenar países a uma sentença de morte. Estou profundamente frustrado com o factos dos líderes mundiais não encararem esta situação como uma emergência de vida ou de morte. Estamos perante a luta das nossas vidas e infelizmente estamos a perdêla”, afirmou António Guterres, à LUSA.

“As emissões continuam a aumentar, as temperaturas não param de subir, estamos prestes a ultrapassar o limite de 1,5 graus e se nada for feito, caminhamos penosamente até aos 2,8 graus de aquecimento global, antes do ao final do século. Seria uma catástrofe de consequências devastadoras. Várias partes do nosso planeta seriam inabitáveis, particularmente, no continente africano e, para muitos, esta seria uma sentença de morte”, enfatizou.

As alterações climáticas têm impacto direto na produção de alimentos e face ao número crescente da população mundial e à redução de recursos, alimentar 9 mil milhões de pessoas em 2050 será, sem dúvida nenhuma, o grande desafio da humanidade.

Devemos prestar muita atenção à evolução da agricultura no mundo, particularmente, neste primeiro quarto de século. Especialmente, porque muitas multinacionais e fundos soberanos disputam há vários anos a compra de terras agrícolas. Até, recentemente, parte da América do Sul e alguns países do continente africano estavam principalmente preocupados com essas aquisições que forçaram a redução

da produção de alimentos a favor de culturas comerciais para a exportação. O fenómeno induz ao arrendamento ou à venda de terras agrícolas a empresas ou fundos soberanos e alastra-se a outros continentes, incluindo países da União Europeia. No inicio da primavera de 2018, soube-se que através de um jogo subtil de investimentos de capital, algumas das maiores estruturas de capital agrícola da Europa teriam passado 98% para as mãos de investidores chineses, sem que os reguladores de desenvolvimento agrícola e economia rural - que deviam regular as transações - se opusessem a essa aquisições. Aconteceu na Alemanha, França, Espanha e Portugal, entre outros.

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“A EUROPA É ASSIM LEVADA A FACILITAR A IMPORTAÇÃO DE CARNE E FRUTAS E LEGUMES DE QUE NÃO NECESSITA EM DETRIMENTO DO QUE É PRODUZIDO NO SEU SOLO...”

A TERRA FÉRTIL TORNARSE-Á UM BEM PRECIOSO NAS PRÓXIMAS DÉCADAS

A chegada de capital chinês à Europa mostra quanto a terra fértil tornar-se-á um bem precioso nas próximas décadas. O tema exige uma reflexão prospectiva de longo prazo integrando a noção de soberania alimentar dos povos, enquanto as consequências do aquecimento global tornarão as colheitas mais incertas em muitas regiões do mundo. Não é por acaso que a Rússia de Putin quer conquistar a Ucrânia, um dos maiores celeiros do mundo.

O século XX foi marcado por duas guerras mundiais, mas também, e sobretudo, por fabulosos progressos científicos e técnicos, por revoluções que se propuseram a instituir sociedades de justiça e bem-estar para todos, em muitos casos, sem grande sucesso. Mas este século muito industrial foi marcado por um consumo excessivo de matérias-primas de todo o tipo, incluindo os combustíveis fosseis, grandes emissores de gases efeito estufa, principais responsáveis pelo aquecimento global. O século XXI será marcado pela escassez de bens tão preciosos como metais, terras agrícolas e água.

Mesmo antes de levar à escassez, é urgente reduzir o consumo de matérias-primas, inclusive para garantir a nossa alimentação. No contexto atual, duplamente marcado pelo aquecimento global e pelo declínio da área de terras férteis agrícolas, alimentar 9 mil milhões de pessoas até 2050 é um grande desafio, atualmente ainda muito mal compreendido pelos decisores políticos, em quase todos os países do mundo. A questão é: que mudanças profundas estamos dispostos a introduzir na produção agrícola? No transporte e processamento destes produtos? Na distribuição final de alimentos se quisermos que cada individuo tenha o suficiente para comer?

Há acontecimentos que devem ser cuidadosamente analisados para gerir com a maior precisão possível as atividades económicas do presente século e, mais particularmente, a produção dos nossos alimentos. Os incêndios que queimam centenas e centenas de milhares de hectares de floresta em todo mundo, é o suficiente para desafiar governos e cidadãos comuns. Sejam qual fossem as origens destes incêndios gigantescos, conseguiu perdurar, alastrar, fazer milhares de vitimas mortais, entre humanos, animais e danos materiais irreversíveis, porque as condições climatéricas

cada vez mais secas do que no passado o favoreceram. Estes desastres ambientais são muito mais frequentes devido ao aquecimento global. Enquanto a floresta ardia em várias partes do globo, noutras, inundações incomuns afetam gravemente outras regiões do globo, sem esquecer as secas prolongadas que ameaçam as plantações de arroz, cana de açúcar e outros alimentos básicos em África e na Ásia. Por exemplo, as regiões da India são constantemente afetadas pelo calor e falta de água. O Supremos Tribunal da India chegou a determinar que mesmo nos períodos de férias, as escolas servissem refeições gratuitas às crianças.

AQUECIMENTO GLOBAL E INSEGURANÇA ALIMENTAR

Durante o século passado, a mecanização do trabalho agrícola em muitos países avançados e emergentes, a seleção genética, o uso massivo de fertilizantes e irrigação permitiram um aumento considerável dos rendimentos.

Em muitos países, a produtividade das terras agrícolas aumentou consideravelmente durante o século XX. Isso, não deixou de ter consequências, sendo as mais importantes o consumo excessivo de fertilizantes, produtos fitossanitários e água, que se torna perigosamente escassa, como na China ou

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“NÃO É POR ACASO QUE A RÚSSIA DE PUTIN QUER CONQUISTAR A UCRÂNIA, UM DOS MAIORES CELEIROS DO MUNDO.”

India, que têm de alimentar mais de um terço de população mundial.

A contrapartida que começa a ser visível é a degradação da qualidade natural do solo que se esgota em matéria orgânica enquanto a erosão acentua o declínio da fertilidade. Este empobrecimento global dos solos foi maquilhado pela abundância de combustíveis fosseis baratos que aumentaram consideravelmente a produtividade da agricultura.

Durante o século XXI, os ganhos de produtividade não progredirão mais nesse ritmo. Este século será cada vez mais marcado pela imperiosa necessidade de gerir a escassez. Nos oceanos, a eficiência das técnicas de pesca, constantemente aperfeiçoadas para responder à procura global sempre crescente, leva agora ao saque autorizado ou fraudulento das zonas pesqueiras. Estas remoções maciças já não permitem a renovação de recursos e podem levar rapidamente a uma dramática escassez de peixes marinhos.

Além disso, os efeitos cumulativos do aquecimento dos oceanos e a destruição das florestas, muitas vezes transformadas em áreas de cultivo industrial de peixe e mariscos, também podem desacelerar a reprodução de espécies no mar. Ao longo da costa do Chile, mais de 50% do salmão é de viveiro e milhares de toneladas de sardinha morrem todos os anos no inicio da primavera, nas águas aquecidas pelo conhecido fenómeno El Niño, que causa a proliferação de algas vermelhas tóxicas. A própria proliferação desta alga beneficia da abundância de excrementos do salmão de viveiro.

PÔR FIM À TEORIA DAS VANTAGENS COMPARATIVAS

No que respeita à produção agrícola, a globalização das trocas comerciais, tendo como pano de fundo uma redução maciça das tarifas aduaneiras na sequencias dos vários acordos no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC) – segundo a teoria das vantagens comparativas, uma teoria preconizada há mais de dois séculos pelo economista inglês de origem sefardita português, David Ricardo, que defendia - a sua - teoria das vantagens comparativas que constitui a base essencial da teoria do comércio internacional. Demonstrou que duas nações podem beneficiar mutuamente do comércio livre, mesmo que uma nação seja menos eficiente na produção de todos os tipos de bens do que o seu parceiro comercial. Teoria que continua a ser a bússola dos economistas da Comissão Europeia.

A Comissão Europeia tem acordos com o Japão, Singapura, Vietname, México, Mercosul, China, Austrália e Nova Zelândia, entre outros. No entanto, alguns defendem que a principal consequência desses acordos é acentuar o aquecimento global. A Europa é assim levada a facilitar a importação de carne e frutas e legumes de que não necessita em detrimento do que é produzido no seu solo. Isso traduzse em longos períodos de transporte para produtos perecíveis e competição exacerbada em estratégias econômicas de curto prazo.

Por exemplo, o El Niño um fenômeno atmosférico-oceânico que provoca o aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico tropical, influenciando bastante a distribuição da temperatura da superfície da água e, consequentemente, o clima de várias regiões do mundo. O fenômeno foi percebido pela primeira vez, por pescadores da costa oeste da América do Sul. Devido ao fato do El Niño ocorrer no final do ano, esses pescadores deram o nome de “El Niño” em referência ao menino Jesus, principal figura do Natal.

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“O SÉCULO XXI SERÁ MARCADO PELA ESCASSEZ DE BENS TÃO PRECIOSOS COMO ÁGUA, METAIS E TERRAS AGRÍCOLAS.”

Este fenómeno pôs em causa a segurança alimentar de vários países africanos: enquanto alguns perderam as colheitas devido à seca prolongada, outros tiveram o mesmo destino devido às inundações. Entre as regiões mais afetadas pela falta de chuva estão grande áreas do Zimbabué, Malawi, Zâmbia, África do Sul, Moçambique, Botswana, Namíbia, sul de Angola, Madagáscar, Etiópia, além de vários países da Ásia e América Central. Num número crescente de países altamente populosos, incluindo a India e a China, a perfuração de águas subterrâneas para irrigar plantações reduziu consideravelmente os recursos hídricos. O mesmo acontece para a maioria dos países ao redor do Mediterrâneo –incluindo Marrocos, um grande fornecedor de tomates, melões, pepinos, entre outros, para a Europa, mas também para alguns estados norte americanos ou mesmo para certas áreas agrícolas da Austrália, só para nos limitarmos a alguns exemplos preocupantes.

MENOS COMÉRCIO GLOBAL E MAIS PROXIMIDADE

Alimentar 8 a 9 mil milhões de pessoas nas próximas décadas deixará pouco espaço para politicas erradas. O comércio será essencial para alimentar uma parte crescente da população mundial. Mas não pode ser num frenesim de todos contra todos segundo regras primitivas, impostas pela OMC que também prevalece nas negociações bilaterais num cenário de dumping social e ambiental.

Apesar da existência da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), ainda e sempre são as câmaras comerciais que, no início do século XXI, ditam os preços mundiais das principais commodities que são os cereais, a soja, o óleo, o açúcar , lacticínios. E bastou a safra mundial de trigo ser boa por três anos seguidos nos principais países exportadores para que os preços de mercado caíssem de 20 a 30% entre 2013 e 2016, a ponto de não cobrir mais os custos de produção à época de produção firme, respondendo apenas à procura do mercado solvente.

Na Europa, já deveríamos ter proibido a importação de produtos de outros continentes, como carne, palha de cereais, milho, laticínios, óleo de palma, frutas e vegetais não tropicais que facilmente produzimos em casa. Tratase de limitar a pegada de carbono do nosso prato diário e de não privar as populações de outros países e continentes da sua soberania alimentar. Podemos sentir vontade de comer abacaxi ou tomar café importado do Brasil.

Mas devemos evitar comprar destes países produtos que sabemos produzir, e reduzir gradualmente nossas importações de soja para alimentar o gado criado em Portugal e na Europa; mesmo que isso signifique produzir menos carne e leite, alimentos muitas vezes difíceis de exportar para países terceiros.

A IMPORTÂNCIA DA AGROECOLOGIA EM TODOS OS SÍTIOS

Em cada país, considerado individualmente, é necessário fazer coincidir a soberania alimentar otimizada com a redução da pegada de carbono do consumo alimentar de cada cidadão, sem esquecer de introduzir práticas agrícolas que conduzam à melhoria da fertilidade dos solos, a fim de ter uma produção sustentável , reduzindo os insumos químicos e o uso de combustíveis fosseis no processo produtivo. Um conjunto de praticas que, somadas de acordo com o potencial agronómico do solo, permitem fazer a natureza trabalhar de forma inteligente e produzir o máximo com menor custo e com pegada de carbono reduzida.

É um desafio enorme que não se ganha de antemão. Portugal, por exemplo, apresenta grandes trunfos para o enfrentar por causa da sua geografia, clima recursos hídricos e um Know-how em matéria de energias alternativas que poderá despoletar uma agricultura cada vez mais criativa à medida que os desenvolvimentos agrícolas finalmente romperem com a exclusividade das orientações produtivas dos últimos 50 anos. Desde há 50 anos a esta parte, semear trigo, milho, cevada ou outro sem arar, gradear e revolver a terra, tem sido um prática comprovada em algumas regiões. A proposta é exatamente inversa ao preparo convencional: manter o solo intacto e protegido por uma generosa camada orgânica que ficou da semeadura anterior para enriquecer o solo. Chegou-se à conclusão que esta prática leva a uma infinidade de vantagens. Gasta-se menos dinheiro em combustível e equipamentos agrícolas. Detritos vegetais de culturas intercalares enriquecem o solo e promovem a proliferação e o trabalho das minhocas que transformam esses detritos em matéria orgânica da qual se alimentam as plantações. Melhores rendimentos dos grãos são assim obtidos e os níveis de proteínas de trigo aumentam apesar do menor uso de fertilizantes nitrogenados. Claro que estas boas praticas agrícolas não agradam aos vendedores de grandes tratores e grandes arados, muito menos aos comerciantes

de fertilizantes, muitas vezes cooperativas agrícolas, o que não deixa de ser, no mínimo, estranho.

O CULTIVO DA ERVA PARA ALIMENTAÇÃO DOS HERBÍVOROS

Para a criação de herbívoros como bovinos, ovinos e caprinos, a otimização da produção de carne e leite com preço de custo reduzido só pode ser obtido com os animais alimentados nas pastagens. Tudo o que é necessário é pastagens com uma mistura apropriada de gramíneas e leguminosas. Captam o nitrogénio do ar e utilizam-no como fertilizante para si mesmas e para as gramíneas associadas a elas. Alimentamos vacas, ovelhas e cabras por um preço de custo muito mais baixo. Assim por cada litro de leite ou quilo de carne produzidos aumenta a qualidade do solo.

CINTURÕES VERDES AO REDOR DAS CIDADES

Antes do desenvolvimento maciço do transporte rodoviário na segunda metade do século XXI, “cinturões verdes” dedicados á horticultura comercial e à fruticultura cercavam as grandes cidades. Por exemplo, ao redor de Lisboa, quer na margem sul, quer na região saloia do oeste serviam de fornecedores de produtos hortícolas à cidade. A relocalização da produção de hortaliças e frutas volta a ser imperativa hoje em todas as cidades que possuem terras aptas para essas culturas, quer para a soberania alimentar, quer para conter o aquecimento global. Atualmente, centenas de supermercados são abastecidos todos os dias com frutas e legumes frescos por centenas e centenas de camiões, enquanto outros fazem chegar as frutas e legumes a plataformas de logística, depois de percorrerem longas viagens de milhares de quilómetros.

Por exemplo, em França a região Ile-de-France tem quase 12 milhões de habitantes. Todas as noites chegam ao seu famoso mercado de Rungis, camiões oriundos percorrendo milhares de km. No entanto, metade da região de Ile-de-France é composta por terras agrícolas cultivadas. Apenas 0,5% são dedicadas à horticultura comercial, enquanto quase 100% são cultivadas com trigo, cevada, colza, girassol, milho, beterraba. Uma quinta de cereais de 200 hectares, a vinte km a sul de Rungis, emprega apenas um trabalhador. Se a mesma quinta dedicasse 20% da sua área à produção de hortaliças frescas, criaria de vinte a trinta empregos.

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A sabedoria e o convívio do mundo rural

Uma das mais genuínas feiras agrícolas do país teve lugar, mais uma vez, no Baixo Alentejo. Falamos, naturalmente, da Feira de Garvão, “ponte de encontro do mundo rural, da sabedoria e do convívio” como defende a organização, o município de Ourique.

A menção mais antiga que se conhece sobre a Feira de Garvão, surge no livro da Misericórdia de Garvão, onde se lê uma petição ao Paço, datada de 22 de maio de 1734. No entanto, a atividade mercantil em Garvão, surge na carta foral de 1267 e em 1398 surge uma informação sobre a presença de mercadores algarvios em Garvão.

A feira de Garvão realiza-se no equinócio da primavera, o tempo de germinar novas ideias e encontrar o equilíbrio da natureza! Tradicionalmente, a população de Garvão aproveita para as limpezas, para caiar o que tem de ser caiado, para receber visitas e familiares que visitam a feira.

Um ritual do tempo dos tempos das estações agrícolas, de vender e comprar o que se produzia, para conviver, “a modes que” estar a par das novidades e beber um copito.

Havia de tudo para vender: utensílios agrícolas e de cozinha, panos grossos e finos, facas

e navalhas, potes e alguidares, produtos regionais feitos artesanalmente, onde não faltava o albardeiro, o latoeiro, o abegão, o cadeireiro, o ourives ou até o romântico vendedor da banha-da-cobra.

Vinham feirantes de todo o lado, algum com presença familiar de várias gerações e era ponto de honra respeitar o espaço tradicional de cada um, coisa que por vezes não acontecia gerando-se um pandemónio dos diabos acalmando depois de um boa discussão bem acalorada ou da intervenção do Corpo de Quadrilheiros (atual GNR).

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A ferira de gado era geralmente nos dias anteriores, uma feira farta: rebanhos, manadas assim como caprinos e toda a espécie de muares, o meio de transporte dos lavradores da região, que num acérrimo despique entre negociantes de gado e ciganos faziam da Feira de Garvão uma das mais importantes do país. Não é sem justa causa, que a região é o solar da raça autóctone Garvonesa.

VIRIATO

Dizem os antigos que a feira de Garvão é tão antiga que até Viriato, o célebre líder lusitano que lutou contra os Romanos, esteve em Garvão.

Viriato era pastor nos Montes Hermínios (a sul da Serra da Estrela) e deslocava-se com os rebanhos para as novas pastagens do sul, mas é pouco provável fazer quase 500 km para encontrar pastagens verdes. Uma lenda que provavelmente teve origem no próprio casamento do guerreiro serrano que viria a casar com a filha de Astolpas, um rico mercador lusitano de Évora, amigo dos Romanos.

FEIRA DE GARVÃO NO SÉC. XXI

Entende-se a tradição como um conjunto de sistemas simbólicos, que são passados de geração em geração e tem carácter repetitivo. No entanto, a tradição deve ser dinâmica e não estática, uma orientação para o passado e uma maneira de organizar o futuro. De uma forma sucinta a Feira de Garvão reinventa-se da tradição no contexto da modernidade.

A Feira de Garvão mantém-se fiel aos seus princípios com a modernidade que os tempos impõem. Os tratores substituíram os animais de tração, os plásticos deram um nova vida aos artefactos, artífices, com raras exceções, deram lugar aos produtos de fabrico industrial. Hoje, reina a diversão, os comes-ebebes, o frenesim de uma alegria por vezes maquilhada para superar as amarguras da vida, mas será que não foi sempre assim?

A modernidade impõe-se a cada segundo que passa... ficam as memórias de tempos proibidos de regressar.

Desta forma, a Feira de Garvão promovida pela autarquia de Ourique, pela Associação de Criadores do Porco Alentejano (ACPA) e pela União de Freguesias de Garvão e Santa Luzia, com o envolvimento da Associação dos Agricultores do Campo branco /A.A.C.B.) demonstrou, mais uma vez, uma grande dinâmica que mereceu a presença de milhares de visitantes.

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Imponente exemplar da raça Limousine Atividades equestres Raça de ovinos Suffolk

A ternura do olhar da raça rafeiro alentejano, descendente dos mastins tibetanos.

“Milhares de pessoas visitaram a nossa feira, num dos mais tradicionais e relevantes momentos de encontro e convívio do melhor mundo rural”, sublinhou Marcelo Guerreiro, presidente da Câmara de Ourique.

A Feira de Garvão inclui no seu programa, exposição agroalimentar, pecuária, workshops, sessões de esclarecimento, debate de produtores, apresentação de produtos e equipamentos, concursos de raças, técnicas de manejo, atividades equestres, demostração de tosquia, artesanato, gastronomia, música popular, cante alentejano, viola campaniça

foram alguns dos momentos que encantaram os visitantes, que recordamos em fotografias. A essência da Feira de Garvão são as pessoas e os animais. Para fechar a nossa reportagem com chave de ouro, não podíamos sair de Garvão sem degustar o excelente presun-

Bibliografia histórica: in “Garvão Herança Histórica” (2003) de Jose Pereira Malveiro

to da paleta de porco da Raça Alentejana da Montaraz “Bolota” Santana da Serra IGP, com o bom pão da região e um tintinho de Aldeias da Soromenha, uma trindade gastronómica digna dos deuses. Obrigado Garvão

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Raça bovina Garvonesa
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