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O céu como guia num passeio por cenários de Fortaleza. Looks arrojados e muito glamour. Inspiração para a Mulher Meia Sola

[Sumário]

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Moda

10 Entrevista As revelações bem-humoradas da cantora multimídia Karine Alexandrino

31 Gastronomia A cozinha regional do Ceará apresentada em versões universais: criatividade aliada ao prazer de comer

41 Saúde e Bem-Estar Descubra a Reflexologia Podal, os pontos do pé que se comunicam com os órgãos internos

46 Turismo Dicas de pousadas isoladas e exclusivas pra se esconder, em Jeri e no Amazonas, perto de Manaus

50 Crônica Para a Cinderela dos anos 80, o sapato é peça essencial, como mostra a crônica inédita da escritora cearense Tércia Montenegro

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Meia Sola 20 Anos

Há 20 anos, a ousadia de Tane Albuquerque falou mais alto. No lugar da tranqüilidade dos negócios em família, ela investiu no sonho de um projeto seu e com a Meia Sola inaugurou um segmento novo na cidade. Uma loja que vende e respira moda voltada para o público feminino num mercado que só conhecia as grandes sapatarias. Hoje, comemora 20 anos de sucesso ao lado dos filhos, Maira e André, que ajudaram a consolidar a marca.

Lojas Maison Shopping Bambuy, Praça Portugal, 65 — Fortaleza/CE — 85 3433.7600 Mix Shopping Iguatemi, Av. Washington Soares, 85 lj. 243 —Fortaleza/CE — 85 3452.3400 Casual Shopping Aldeota Expansão, Av. Dom Luís, 500, lj. 143 — Fortaleza/CE — 85 3433.7622 Cariri Rua do Cruzeiro, 89 — Juazeiro do Norte/CE — 88 3511.4662 www.meiasola.com.br Redação e Edição Mariana Toniatti Redação Juliana Girão Fotos Lia de Paula Capa Simples Comunicação Jornalista Responsável Mariana Toniatti CE-01708JP Conceito e Comercialização LS Estratégia

Omni Editora Associados Ltda. Diretor Editorial Luís-Sérgio Santos Diretor Isabela Martin Arte GiseleSoares e Vladimir Pezzole Redação Rua Joaquim Sá, 746 CEP 60.130-050 Dionísio Torres, Fortaleza, Ceará Fone: (85) 3247.6101 e-mail: df@fortalnet.com.br n Impressão Halley www.omnieditora.com.br

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[ Editorial ]

A

mizade significa algo mais do que gostar. Significa compreender o que a pessoa amiga deseja, do que ela precisa e do que não precisa. Exige um alto nível de franqueza, daqueles em que uma amiga abre mão de algo pelo simples prazer de ser transparente, franca, honesta. Cumplicidade exige estar à vontade com o outro. Amizade é eleger as amigas como as que primeiro devem saber o que está acontecendo, quais as novidades. É querer dividir o que gostamos, ter liberdade para dar palpites, torcer pelo sucesso da outra, alegrar-se com sua felicidade. É ter uma necessidade urgente e contínua de partilhar as boas descobertas (e as ruins também). Amizade verdadeira atravessa o tempo, cresce, amadurece. Algumas, muito especiais, geram frutos. A nossa, da Meia Sola com cada uma de nossas amigas, é um caso desses. Esta revista é fruto de uma amizade de 20 anos. Imprimimos nessas páginas informações, dicas, idéias, tendências e, claro, como sempre, muita moda, com todo carinho pra você. Um presente diferente que revela como trabalhamos nosso cotidiano, que valores e idéias nos interessam e como vislumbramos nosso futuro, o que de bom está por vir. Tem um pouco de tudo. Um resgate da história dos 20 anos da Meia Sola e um papo com a artista multimídia e amiga especial, Karine Alexandrino, que estrelou nossa Campanha Inverno 2005 e já ganhou fama no universo nacional. Na matéria de gastronomia, a tendência de reinventar receitas tradicionais, transformando o popular em sofisticado. Precisando fugir? Dicas de lugares exclusivos onde você pode se esconder nas próximas férias. E espaço privilegiado para a moda. Nossa coleção de verão e tendências da estação. Tudo de forma leve, bem-humorada e antenada, como deve ser uma boa conversa entre amigas de verdade. Boa leitura!

Tane Albuquerque

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[ Estilo Meia Sola ] Para Ver O Poderoso Chefão, dirigido pelo então desconhecido Francis Ford Coppola, foi um marco na história do cinema. Arrecadou mais de U$ 100 milhões, isso em 1972, lançou o ator Robert de Niro, até ali um ator de teatro do qual pouca gente ouvira falar, e foi indicado em 11 categorias no Oscar daquele ano. Levou três estatuetas — Melhor Filme, Melhor Ator para Marlon Brando, numa de suas

performances mais marcantes, e Melhor Roteiro Adaptado. Em 2002, quando a saga da família Corleone completou 30 anos, a produtora Paramount lançou uma caixa especial: além dos três episódios, todos dirigidos por Coppola, a edição traz um DVD com quase quatro horas de extras. O material inclui cenas que não foram ao ar, o processo criativo do diretor, trechos de testes e ensaios, making-off do primeiro filme, a árvore genealógica dos Corleone e até mesmo os discursos nas festas do Oscar. >> Serviço Box O Poderoso Chefão, Paramount, 2002. Preço Sugerido: R$ 99,90.

Para Ouvir A onda da lounge music, que para além da vertente eletrônica engloba todo tipo de música ambiente, daquelas feitas pra relaxar, descobriu na bossa nova a batida perfeita para compor um som tranqüilo, mas com personalidade. A idéia rendeu muitos CDs, entre eles o What a Difference, do Eldissa, destaque por apostar numa mistura inusitada: sucessos da disco music em versões minimalistas. Lançado originalmente na França, o álbum foi concebido pelo violonista brasileiro Écio Parreira e o produtor Adrien Zerbini.

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A dupla fez os novos arranjos e pôs um anúncio nos classificados de um jornal londrino, recrutando vozes femininas. Das 120 candidatas, três foram escolhidas: L’amour, Marci e Chloé. O timbre suave das intérpretes, meio sussurado, e a melodia cadenciada, marcas registradas da bossa nova, transformam 15 hits da disco music em canções boas de ouvir para desacelerar da pressa do mundo. Destaque para a primeira faixa, Stayin’ Alive, dos Bee Gees. >> Serviço What a Difference, do Eldissa. Gravadora MCD, 2006. Preço sugerido: R$ 28,00.

Para LER

Gabriel García Márquez “inventou” o realismo fantástico. Umaliteraturamágica,quebrinca com as palavras, cria novos significados para elas e conta históriasquecombinamfantasia e verdade com poesia e fluidez. Cem Anos de Solidão (1967) é sua obra-prima, mas um outro romance, O Amor nos Tempos do Cólera, lançado em 1985, é também leitura obrigatória. O livro conta a saga de Florentino Ariza, apaixonado por Fermina Daza, que prefere casar-se com Juvenal Urbino. Uma história simples, como costuma ser a matéria-prima trabalhada por Gabriel, e hipnotizante, porque ele sempre descobre, na vida comum, aventuras líricas e comoventes. Durante 51 anos, Florentinose prepara para consumar seu amor. Ele sabe que o sentimento é para sempre. Enquanto narra a espera de Florentino, o autor conta a história de amor do casal Fermina e Juvenal, que vivem juntos 50 anos. Impossível não terminar a leitura com um suspiro. >>ServiçoOAmornosTempos do Cólera, de Gabriel García Márquez. Ed. Record, 2001. Preço sugerido: R$ 45,50.


[ Pegadas ]

No século XVII, o estilo trabalhado do barroco português produziu esse modelo de festa coberto com renda de prata.

As sandálias com um único pino para o dedo grande do pé fazem parte da história do Oriente. Esse exemplar, da Índia, é do século XIX. Feito de madeira, é revestido com prata. A religião hindu proibia o uso de pele de vaca.

Na década de 60, o Ocidente redescobriu a sandália de pino. Esse modelo, do celebrado designer Manolo Blahnik, é de 1992. A tira transparente de plástico valoriza o pé.

A inglesa Vivienne Westwood levou o fetiche para as ruas. Essa plataforma de 20 centímetros de altura foi desenhada em 1994. Mais uma peça irreverente da estilista punk.

A versão de Jean-Paul Gaultier para a antiga sandália dos gladiadores romanos. Criada nos anos 90.

Imagens retiradas do livro Sapatos, de Linda O’Keeffe

O salto alto desloca o centro de gravidade do corpo para a frente. Resultado: postura ereta, silhueta alongada e sensualidade. Esse modelo, de 1994, é criação da sempre bemhumorada Andréa Pfsiter.

O sapato de festa é fechado com botões cravejados de diamante. Uma jóia dos anos 20.

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[Tendências] O colar da Arezzo, com motivos marinhos, levanta qualquer visual!

Bijou com cara de jóia. Um dos modelos da Meia Sola.

Roupa de princesa. O vestido de tule de Glória Coelho para Garage pode ser usado com sandália rasteira, num visual mais despojado, ou com salto alto, em grande estilo. As mangas também permitem brincar com o look.

Estampas de pele de bicho voltam nesta estação. Nesse sapato da Arezzo, a combinação é ousada. A estampa de onça contrasta com o vermelho. Destaque também para o desenho do salto. Um arraso!

O macaquinho, ou mini-jumper, é uma das peças-chave da estação. Esse, de cambraia estampada e corte diferente, da Miss Mano, tem muita personalidade.

O espartilho em tule bordado ganha charme com a aplicação de cristais Swarosvki. Da Éxtasis.

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A carteira-fichário da Saad para Meia Sola ajuda a organizar melhor cartões, dinheiro e documentos. Dentro da bolsa ocupa pouco espaço e na mão, compõe um visual elegante numa noite de festa ou num jantar.


Três peças em uma. A camisa de babado, super romântica, vem com a underwear, um curinga que pode compor outro look. O colar de pérolas é opcional. Criação de Glória Coelho para Garage.

As listras seguem o estilo navy e a bossa da fivela dourada faz a diferença. Da Schutz para a Meia Sola.

Os shorts continuam em alta. Esse, da Cipolla, tem corte de alfaiataria e jeans sem lavagem. Fácil de combinar.

Inspirado nos bancos de trens antigos, esse modelo de ferro tem visual retrô e assinatura do designer japonês Yasu Sasamoto. Da Benedixt.

Outra peça-chave deste verão: a max bolsa. Nesse modelo da Luz da Lua, para Meia Sola, o couro dourado é desgastado, dando um ar envelhecido à peça.

>> O n d e O Lucky Bamboo vem da Indonésia, traz sorte e é um charme. Basta colocar na água. A planta vive em média, dez anos. Na Zou você encontra esse, em espiral, e outros formatos.

Encontrar

Arezzo 85 3433.7620 Benedixt 85 3261.6337 Cipolla 85 4012.1970 Éxtasis 85 3241.2000 Garage 85 3267.6288 MeiaSola853433.7600 MissMano853241.2504 Zou 85 3456.3028

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[ Entrevista ]

Diva sim e com lurex

E

la surge vestindo um tubinho preto com aplicações de pelúcia. Os óculos vintage são legítimos Yves Saint Laurent que ganhou de um estilista amigo. Os de grau têm aplicações de strass. Nos pés, um All Star de couro branco e uma meia preta com um lacinho na altura do tornozelo. Subindo pela batata da perna uma listra feita com lápis. “As mulheres usavam na época da guerra. Como não tinha matéria-prima para fazer meia-calça, alguém inventou isso”. Karine Alexandrino é assim. Nada do que ela veste, faz ou fala é de graça, só para chocar. O dadaísmo da moça é embasado. Ela prefere não beber nem encarar muitas baladas porque ficar de ressaca significa ter menos tempo para estudar e pensar. Além disso, é preciso disposição para encarar as mil e uma atividades intelectuais e artísticas que assumiu. É cantora performática, apresentadora de TV, colunista num jornal e rádio-atriz. No ano passado, foi estrela da campanha publicitária da Coleção Inverno 2005 da Meia Sola. Casada com o artista plástico Weaver Lima, mãe só de um gato, por enquanto, Karine Alexandrino está na moda e veio para ficar. Apareceu nas páginas de revistas como Vogue, Marie Claire, Bizz e Key, publicação de Érika Palomino, sempre em textos elogiosos. A menina criada em Morada Nova, interior do Ceará, que fugia do colégio na hora do recreio para participar de um programa na rádio da cidade, diz que vive para a imaginação. Karine está ganhando o país e ainda vai ganhar o mundo. Pode apostar! 10


Depois da experiência com os rapazes da Intocáveis Putz Band você foi gravar um disco seu e criou uma personagem, a Solteira Producta. Por quê? Para liberar o id do ego? Criei a personagem porque gosto muito de quadrinhos e queria associar isso ao meu trabalho e porque sou atriz também. Mas não tem a ver com id. Minha coisa sempre foi autobiográfica. A Producta faz parte de um projeto grande que inclui filme, história em quadrinhos, outras coisas. Ela não existe para eu me esconder. Não gosto de músico que per-

corra só a música, gosto de pessoas que sejam ligadas a cinema, que entendam outras linguagens. Não gosto só de música pela música, senão ia estudar canto e ficar gritando, tipo essas cantoras americanas, ou ia cantar bossa nova e a essa altura já estaria no Japão, rica (ri).

Não gosto só de música pela música, senão ia estudar canto e ficar gritando, tipo essas cantoras americanas, ou ia cantar bossa nova e a essa altura já estaria no Japão, rica.

Você soube quando que queria cantar? Decidi cedíssimo e nunca tive medo, mesmo sendo muito criticada. Diziam que ia me prejudicar, que não iria me formar. Vi que não dava para fazer faculdade de Direito e ao mesmo tempo gravar à noite num estúdio, então resolvi arriscar-me completamente. Meu pai me expulsou de casa uma época por causa disso, mas assumi e fui fazer. Achava ridículo quem era advogado e cantava, quem era médico e fazia um cedezinho depois dos 40. Queria fazer ali, imediatamente, na pressa. Aproveitar todo o tempo disponível e me jogar mesmo. Hoje todo mundo fala em se jogar, eu já nasci jogada.

E tem uma crítica ao mercado da arte nessa personagem. Você se assume como produto. É uma confissão de venda porque tudo é assim. A vida é um teatro e você vende idéias, comportamento. Tudo é imagem e é bom que se admita logo isso. É um clichê dizer que você não vive assim. Você é interesseiro, não adianta dizer que não. Tudo está em negociação, por mais valoroso que seja o interesse. Até o afeto é negociável. E como fica o seu ego quando a Vogue diz que você é A promessa. Ele está

controlado? Totalmente. Tudo é trabalho. Me sinto com mil responsabilidades. Agora tenho que estudar mais, saber meu lugar no mundo com mais intensidade, me preocupar em não envelhecer de cabeça. Ser diva ou não ser diva, ser promessa ou não, são apenas palavras. Agora tenho a chance de estar numa gravadora maior. Vou aproveitar essa chance ao máximo e fazer um trabalho maravilhoso. Quero ter longevidade artística. Quero aos 40 estar fazendo meu décimo CD, ir gravar um disco em Paris e voltar no ano seguinte, quero coisas assim. Nunca copiei ninguém, nunca quis fazer fórmula de Marisa Monte, de Maria Rita nem de nenhuma Maria. Sou uma alternativa a Marisa Monte e genéricas (ri). Como é sua relação com a moda? Sempre digo que meu corpo é um meio, um instrumento para falar coisas. A metade do ator é a maquiagem que ele usa e a roupa que ele usa. O momento de vestir a roupa, o momento de fazer a maquiagem, a forma como ele pinta os olhos, como coloca o pancake no rosto. Isso é informação. Mas não é só no trabalho que você cria figurinos, no dia-a-dia é assim também. É porque preciso do sonho o tempo todo, entendeu? É uma maneira de me divertir. Acho até terapêutico. Se fosse médica receitaria: use figurinos diferen-

Mulher tombada, A PERFORMANCE Você está numa exposição, caminhando pelos corredores, absorto, longe do mundo real. De repente ela chega e tomba. Literalmente. Se joga e fica ali, estatelada. É Karine Alexandrino em mais uma performance da Mulher Tombada. Uma espécie de campanha em favor de seu tombamento como patrimônio imaterial. A performance tem a ver com vertigem, queda. “Fico ali deitadinha só para dar um tempo para o inimigo. Estou lutando para ser patrimônio imaterial”. Ela já perdeu as contas de quantas vezes

tombou em público. Até no canal a cabo da Globosat, o Multishow, ela tombou. A última vez foi na exposição do Rumos Itaú, no Museu de Arte Contemporânea, em São Paulo. “A melhor coisa da mulher tombada é que posso participar de grandes exposições sem ser convidada. O Rumos Itaú faz um mapeamento no Brasil todo, seleciona as pessoas e tal, mas nem precisa me mapear porque no dia da exposição vou lá, tombo, faço a foto e coloco na internet. Para mim, faço parte do Rumos Itaú. A mulher tombada é metida”, ri. n

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Solteira Producta

Karine Alexandrino em anúncio da coleção Inverno 2005 Meia Sola

tes todos os dias, experimente pensar diferente, ser pessoas diferentes.

mesmo. São objetos de arte. É beleza, instinto, sedução.

E de onde vêm suas roupas? Você tem um olhar bom para garimpar coisas diferentes? Tem o meu olhar e o olhar dos artistas para mim porque recebo muita coisa de presente e compro muita coisa também. Tem um acervo que faço desde 1993. Minha casa é tipo um museu, guardo essas peças com todo cuidado São obras de arte e complemento do que faço.

A campanha publicitária da Meia Sola que você estrelou falava da mulher moderna e romântica, você é assim? Romântica eu sou muito e como sou uma pessoa atemporal, desajustada do meu tempo, acabo sendo moderna.

E loja? Alguma preferida? Sapato é na Meia Sola. Juro! São os mais legais. Não é porque estou falando para a revista não! (rindo) Quando fiz a campanha, fiz questão de trocar metade do meu cachê em sapatos. Sou louca por sapato! Tenho uns 200 e acho pouquíssimo, queria ter mais. É fetiche

E as mulheres, estão independentes mesmo? A mulher está sobrecarregada. Tem que ser linda, trabalhar, tem que ser inteligentíssima, magra, boa mãe e pagar a conta também. A mulher teve uma liberdade de expressão não tão grande, porque acho que continua um machismo enorme, e está pagando uma conta imensa. Não sei se é tão bom. Eu, há muito tempo, não sou homem nem mulher, sou indivíduo antes de mais nada. n

Valentina Warhol Valentina faz referência à personagem dos quadrinhos eróticos do italiano Guido Crepax, a fotógrafa bem resolvida criada em 1965. Warhol é homenagem ao criador da arte pop, Andy Warhol. Assim nasceu Valentina Warhol, mais uma invenção de Karine Alexandrino. A persona que ela encarna na coluna publicada toda quinta-feira no caderno Buchicho do jornal cearense O Povo.

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Com a câmera em punho, Valentina percorre eventos, registrando gente interessante, ou elege temas, mostrando quem é quem no pensamento e na arte contemporânea. Além das fotos, dá dicas preciosas de quadrinhos, música, arte e cinema. Do turbilhão de informações que capta, a colunista antenada seleciona pequenas pérolas para os leitores. n

Depois de 3 anos encarnando uma cantora de cabaré na Intocáveis Putz Band, Karine Alexandrino resolveu seguir carreira solo em 2002. Conseguiu um incentivo da Secretaria de Cultura do Estado —“acabei gastando o dobro do que ganhei, mas ajudou em alguma coisa” —, e deu início à trilogia da Solteira Producta, sua personagem no palco. Os discos temáticos têm seu estilo inconfundível. A voz aveludada, os rompantes, as letras irônicas e inteligentes quase declamadas. Os arranjos combinam o antigo e o novo com harmonia e originalidade. Na mesma música, Karine pode usar batidas eletrônicas e um órgão retrô. O CD de estréia, Solteira Producta, veio em 2002. Dois anos depois Karine lançou Querem Acabar Comigo, Roberto. “No primeiro CD, ela (a Solteira Producta) falou tudo o que gostava. Buscou a infância, a Jovem Guarda, coisas que ouvia. Depois veio o lado do amor em Querem Acabar Comigo, Roberto”, explica. Em 2007, a trilogia chega ao fim. O último álbum da série sai pela gravadora Trama e é produzido por Fernando Catatau, do Cidadão Instigado, e Cassim, produtor de gente de peso como Los Hermanos, Caetano Veloso e Maria Bethânia. n Para quem não conhece a música da Solteira Producta, acesse: >> http://www.tramavirtual.com. br/karine_alexandrino


[Moda]

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Além do Céu

O céu da cidade do sol, imensidão azul. O céu de nuvens, brincadeira de criança. O céu de estrelas, para sonhar. O céu crepúsculo, inspiração. Aqui, ele é a principal atração no passeio pela paisagem cotidiana de Fortaleza. A beleza da Catedral e do prédio do início do século XIX, no Centro; a Praia de Iracema, antigo reduto da boemia; e o Centro Cultural Dragão do Mar, com sua arquitetura futurista. No ensaio, sandálias, bolsas e acessórios Meia Sola.

Sandália Schutz, carteira Cosmopolita, cinto Luz da Lua e brincos Meia Sola. Vestido Glória Coelho e lingerie Éxtasis.


Sandália Saad, cinto e bolsas Luz da Lua, pulseiras e brincos Meia Sola. Bodysuit Éxtasis, blusa Maria Bonita Extra e manga Luís XV Glória Coelho.


Bolsa e sand谩lia Saad, cinto Luz da Lua, pulseira e brincos Meia Sola. Blusa Gl贸ria Coelho e short Fause Haten.


Carteira de phyton Dania Reiter, sandรกlia Schutz e brincos Meia Sola. Vestido Glรณria Coelho.

Bolsa e sandรกlia Saad, cinto Schutz e brincos Meia Sola. Regata, bolero e saia Miss Mano.


Bolsas e sandรกlia Saad, cinto Luz da Lua e brincos Meia Sola. Vestido e blusa Maria Bonita Extra.


Sandália Luiza Barcelos, bolsa Saad, cinto Luz da Lua, brincos e anéis Meia Sola. Vestido Garage.

Sandália Schutz, relógio e bolsa Saad, pulseiras Arezzo e brincos Meia Sola. Jumper Cipolla e regata Maria Bonita Extra.


Bolsa e sand谩lia Arezzo. Bodysuit Maria Bonita Extra e xale Gl贸ria Coelho.


Sandália, bolsa e brincos Arezzo. Top André Lima e calça Cipolla.

Onde Encontrar >>

Fotos Nicolas Gondim Estilo Marcos Marla Beleza Eduardo Ferreira Modelos Bárbara Lins Daniella Gondim Natália de Miranda

Arezzo 85 3433.7620 Cipolla 85 4012.1970 Éxtasis 85 3241.2000 Garage (André Lima, Fause Haten, Glória Coelho e Maria Bonita Extra) 85 3267.6288 Meia Sola (Cosmopolita, Saad, Schutz, Luz da Lua, Luiza Barcelos e Dania Reiter) 85 3433.7600 Miss Mano 85 3241.2504


[ Meia Sola 20 Anos ]

20 anos de sucesso Ela já tinha uma carreira sólida quando resolveu alçar vôo solo. Há 20 anos, Tane Albuquerque inaugurou a primeira loja Meia Sola. Os filhos, Maira e André, voaram junto desde o início, cada um a seu modo. Hoje, os três cuidam de 10 lojas.

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escritório é simples, funcional, nada de luxo. O som ambiente é o canto de passarinhos. “Toca muito isso aqui. Barulhinho de água, vento, sons da natureza. Pra relaxar”, diz Tane Albuquerque, com a voz suave. À frente da Meia Sola há 20 anos, ela administra 120 funcionários e dez lojas, entre elas seis franquias da marca Arezzo. Desde sempre os filhos Maira e André estiveram a seu lado. “Pra gente, gestão familiar é solução”, ri Maira. É fácil notar a sintonia entre os três.“Ninguém aqui briga. A gente só discorda”, diz André. Sobre isso e outros assuntos, os três falaram por mais de uma hora, resgatando as histórias de 20 anos de Meia Sola, uma linha do tempo em que a trajetória de um se confunde com a do outro, antecipando o que o sucesso da administração em família faz questão de exibir: a maturidade da gestão vem junto com o crescimento pessoal. Dos três.

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blicidade e relacionamento com clientes e fornecedores, mas não temos uma definição rígida de cargos”, resumeTane. Cada um toma a frente de uma área, mas transita e interfere nas outras. “No fim todo mundo faz um pouco de tudo. Como passamos por todas as áreas da empresa, temos noção do todo”, explica André. A flexibilidade hierárquica e a sintonia dos três funcionam muito bem. “Existe um respeito mútuo muito grande. O mais importante é isso: respeitar o outro e ter a mente aberta para assimilar novas idéias”, pondera Maira.

Primeira loja Meia Sola, inaugurada em 86, na rua Barbosa de Freitas, em Fortaleza

O início Tane Albuquerque tinha 40 anos e O pai deu força e a filha Maira, ainda trabalhavacomafamíliaquandoresolveu adolescente, embarcou com a mãe nas abrir seu próprio negócio.“Era maravilho- primeiras viagens de compras para a so trabalhar com os pais e o irmão, mas loja, o que faz ainda hoje. A participação não era uma criação minha. Não era fruto de André, o caçula, também começou da minha idéia, da minha vontade”. Do cedo. “Ele, quando criança, ia para a desejo de começar do zero Meia Sola cortar papel e pinum empreendimento seu, tar”, conta Tane. Com o O desafio nasceu a Meia Sola, em tempo, passou a receber era oferecer 1986. “Sempre gostei pequenastarefaseantes de mexer com o belo, de entrar na faculdade um atendimento com moda, por isso de Administração já tique o mercado mudei para um ramo nha voz de decisão na local ainda não completamente difeempresa. “Como minha rente do que conhecia”. mãe, também me criei no conhecia. O feminismo já tinha meio do comércio. Foi naemancipado a mulher, mas turalmente acontecendo. Não na Fortaleza da década de 80, era raro teve essa de a partir de hoje você está ver uma empresária.“Cresci vendo minha assumindo esse cargo. Fluiu”. mãe trabalhar quando poucas mulheres A naturalidade da gestão familiar é tinham uma profissão. Minha mãe, inclu- tanta que não há cargos oficiais delimisive, me incentivou a trabalhar. Então, tados. “Maira cuida do setor de compra pra mim, novidade mesmo era o seg- e financeiro, eu fico com a parte admimento de moda. Uma loja direcionada nistrativa e o André com a parte de puao público feminino, lançando moda, era totalmente novo. O que existia eram as grandes sapatarias”, lembra Tane. O desafio era oferecer um atendimento que o mercado local ainda não conhecia. Ao invés de vendedoras, consultoras de moda, sempre atualizadas. A loja como lugar de informação, antecipando tendências. Nas prateleiras, produtos exclusivos. Maira, Tane e André no escritório da Meia Sola

Gestão A gestão familiar ganha reforços com consultorias e treinamentos permanentes com a equipe. “É contínuo porque acreditamos que o maior patrimônio de uma empresa é o capital humano”, diz Tane. “Faz parte da nossa missão ter uma equipe feliz”, confirma André. Com 20 anos de estrada, a empresa alcançou um nívelelevadodetreinamento.“Nãopodemos mais ficar no básico. Temos uma rotatividade pequena de pessoal e, mesmo com colaboradores novos, os programas de treinamento são mais avançados”. Em agosto, por exemplo, a Meia Sola reuniu sua equipe para pensar o planejamento estratégico dos próximos cinco anos. Outra preocupação na contratação de consultorias especializadas é o treinamento específico para a equipe de vendas. Os resultados são evidentes. “Não é à toa que muitas clientes vêm só para tomar um café e marcam encontros com as amigas na Meia Sola”, conta Tane.“Vêm porque sentem uma energia boa, são bem recebidas”, afirma André. A gentileza está nos mínimos detalhes. “Ganhar um obrigado quando você fez uma compra enorme acontece em todo lugar, mas ser bem atendido mesmo não comprando, é estar um passo à frente do que normalmente se vê no mercado”, completa André. As consultoras também estudam muito para ter domínio do que vendem: moda. Parte do treinamento de excelência no atendimento centra foco no conhecimento

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Lojas

dos produtos e das tendências. “Mais do que vender sapatos e acessórios, a Meia Sola lança e vende moda e comportamento”. frisa Maira. “Mais do que Para cada nova coleção, a vender sapatos equipe de vene acessórios, a das passa por Meia Sola lança uma imersão e vende moda”. nas tendências e inspirações por Maira trás do estilo impresso naquela temporada. “Elas adoram esses treinamentos!”, ri Tane. “Todas têm que entender de onde vem aquela tendência, onde foram pesquisadas as cores, o salto, a estrutura da sandália, o tamanho das bolsas, tudo”, diz Maira.“Isso é muito importante. Às vezes colocamos na loja uma coisa completamente diferente, exótica, e o embasamento das consultoras é fundamental”, explica André. A credibilidade da marca também ajuda um bocado na ousadia de comercializar o novo. “Lançamos uma cor que ainda não está nos editoriais de moda, mas o consumidor vê na Meia Sola e sabe que aquilo vai acontecer”, diz Tane. Quando ela ou Maira circulam pelas lojas, viram consultoras de moda. As duas são referências para as clientes. “Adoro ajudar a combinar peças e cores!”, diz Maira.“Mas são palpites, sugestões, nunca imposições”, ressalta. “Você fala em referência, mas pra mim é muito mais um bom dia com um sorriso que passa uma energia boa”, diz Tane.“A elegância está muito naquilo que você faz com naturalidade, sem grandes esforços. A postura é que faz uma pessoa elegante. Respeitar o outro é muito elegante”, diz Maira. A mãe concorda.

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Hoje, 20 anos após ter aberto a primeira Meia Sola, Tane, Maira e André administram dez lojas, oito delas em Fortaleza, duas em Juazeiro do Norte, sul do Estado do Ceará, e 120 funcionários. Dos dez endereços, 6 são franquias da Arezzo, uma parceria antiga. “Em 1986, quando abrimos, já vendíamos os produtos Arezzo. Quando a marca resolveu abrir uma franquia em Fortaleza, automaticamente fomos escolhidos para representá-la”, diz Tane. Ao contrário do que pode parecer à primeira vista, não há concorrência entre as duas marcas, Meia Meia Sola Maison, na Praça Portugal Sola e Arezzo. “Uma complementa a outra”, diz Com pé direito alto, lustre de cristal, um Tane. “A cliente que usa Arezzo tam- enorme sofá branco e produtos sofisticabém usa Meia Sola”, confirma André. dos, a loja fica na Praça Portugal, pedaço Em 1998, a primeira loja aberta fora nobre da cidade que ainda conserva rua de Fortaleza, em Juazeiro do Norte, decalçamentoeárvoresfrondosas.“Você

Meia Sola Casual, no Shopping Aldeota

foi da Arezzo. A experiência deu certo e em 2006, a Meia Sola também fixou endereço na cidade. Em Fortaleza, cada uma das três lojas da Meia Sola segue um conceito. A Meia Sola Maison, primeira da marca, tem clima de sala de estar.

se sente em casa”, repara Tane. Com infra-estrutura, decoração caprichada e jeito de casa de amiga, a Maison acaba atraindo clientes que demoram mais, marcam encontro com as amigas, tomam um café e batem papo com as colaboradoras. “A idéia é essa


A fala e os gestos são suaves. “A delicadeza é a maiorvirtudedamamãe”, confirma Maira.Tanenão tem problema em assumir sua idade, 61 anos. A paixão pela vida, pelo que faz e pela família, conserva sua beleza e disposição. A malhação ajuda, mas o que Tanee faz diferença é o amor pelo trabalho e o tempo livre para o lazer. “Sempre consegui ter tempo pra tudo. Pra mim, é super importante passar o fim de semana com a família, viajar. Até hoje temos nosso almoço juntos, mas é na quinta. No domingo todo mundo está livre pra fazer o que quiser!”. Na mesa, a família fica completa com o marido, Francisco, o filho mais velho, Cláudio, e as cinco netas. Meia Sola Mix, no Shopping Iguatemi

mesmo”, diz Tane. O segundo endereço, a Meia Sola Casual, fica a menos de dois quarteirões da Maison, no Shopping Aldeota. Voltada para pessoas mais despojadas, a loja tem alguns produtos exclusivos e muitas opções no número 39. “A moçada hoje calça 39 e na Casual boa parte das clientes é bem jovem”, explica Maira, responsável pela seleção dos produtos de cada loja. “A própria equipe é mais nova e a música um pouco mais alta.

Meia Sola Cariri, em Juazeiro do Norte

São detalhes que às vezes o cliente nem percebe, mas que nos bastidores dão esse toque mais casual”, diz. A terceira loja, Meia Sola Mix, fica no Shopping Iguatemi, o maior da cidade. “Justamente por estar num lugar tão movimentado, com um público tão eclético, a Mix tem uma combinação do que se vê nas outras duas lojas”, diz André. A última loja, inaugurada em 2006 em Juazeiro do Norte, é a “filhota”, diz Maira. n

Ele é o “bendito temporão” da família e com 26 anos cuida da imagem da Meia Sola. “O André é muito inovador e arrojado”, diz Maira.Perfeccionistaqueé, se atualiza constantemente. “Sou partidário de que se é pra fazer é pra fazer bem feito. É meu estilo”. A Andrée dupla graduação, em Administração e Direito, e o MBA em curso, comprovam a vontade de aprender. Mas não se engane, mesmo com muitas atividades, André, assim como a mãe e a irmã, sabe equilibrar trabalho e lazer. Ela tem o mesmo sorriso largo da mãe e é precoce. Com 15 anos já trabalhava na Meia Sola. Casou entrando na faculdade de Administração e teve a primeira filha no ano seguinte. Assumindo cedo tantas responsabilidades, aprendeu a conciliar o papel de Maira mãe, mulher e empresária.“O mais importante na vida é não fazer tempestade em copo d’água, a gente tem que aprender a conciliar as coisas e dar a elas o peso que realmente têm”, diz. “A Maira sempre foi muito determinada, sempre soube o que queria e trabalhou pra conseguir”, elogia André. n

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Mulher meia sola A Mulher Meia Sola está nas campanhas da marca. Conquistou a liberdade, é independente, mas não perdeu a feminilidade. Combinando moda e comportamento, a LS Estratégia ajuda a dar forma à idéia da Mulher Meia Sola há 8 anos. Neste artigo, Luiz Santos, sócio majoritário da agência, fala um pouco dessa construção.

Campanha do Dia Internacional da Mulher 2003. Parte da renda foi revertida para uma entidade de apoio à mulher

Por Luiz Santos

C LINHA DO TEMPO

omo conversar com mulheres que, não importando o estado civil, tenham uma visão e uma rotina de luta por independência e afirmação, sem cair no lugar comum das frases feitas extraídas de livros de auto-ajuda?

1986

Janeiro Primeira Loja

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Como mobilizar mulheres bem sucedidas financeira, profissional e culturalmente, sem parecer chatice intelectualóide, daquelas que tiram a feminilidade? Como emocionar mulheres ocupadas, cheias de desafios e cotidiano in-

1986

Outubro LojanoShoppingAldeota

tenso, que mesmo assim sabem a importância de conquistar o prazer sem culpa e vivem intensamente esta e outras vitórias? Como influenciar e incentivar mulheres cujo desejo maior é ser como todas essas outras, mas ainda estão tolhidas, não se libertaram dos paradigmas herdados de uma cultura que não cabe mais no século XXI? Esse tem sido o desafio e a vitória da Meia Sola e da LS Estratégia há 8 anos. Incentivar o feminismo e a feminilidade sem discursos panfletários. Homenagear a beleza e a força da mulher independente sem cair em clichês. Vender muito mais que sandálias, sapatos, bolsas e acessórios. Vender idéias, conceitos, estilo de vida. Se não soa artificial nas campanhas que fazemos juntos é porque o posicionamento da Meia Sola tem muito a ver com as três cabeças da marca: Tane, Maira e André. Hoje, conseguimos vender o produto sem mostrá-lo se for essa a opção e quando se atinge esse status, de ícone, o nível das discussões sobre posicionamento, imagem e percepção transfor-

1989

Inauguração da 1ª Arezzo

1992

Meia Sola Iguatemi, hoje Mix


Esse tem sido o desafio: incentivar o feminismo e a feminilidade sem discursos panfletários. ma o trabalho em si numa verdadeira reflexão sobre o comportamento humano. Não como numa sala de aula da faculdade de sociologia. De forma sutil, percebida ou analisada pelo ângulo da foto, pela pose da modelo, pela roupa, pelo cabelo, pelo conceito. Não é um slogan, não é uma foto. É um conjunto de imagens e palavras que, de um jeito ou de outro, em um ou outro momento, emitem sinais selecionados para representar, na decodificação de suas consumidoras, um universo amigo, companheiro, antenado com os anseios e as expectativas do que supomos ser os anseios e expectativas da mulher Meia Sola. Ao longo do tempo foram desenvolvidas campanhas com as mais variadas abordagens: do puro elogio à beleza e ao prazer de se sentir bem, ao completo engajamento em ações de responsabilidade social junto a mulheres vítimas de violência doméstica; do estímulo à elevação da auto-estima ao apoio a mães carentes; do aplauso à independência, à exaltação da feminilidade. Tudo sempre busca emocionar, mobilizar, sensibilizar. É como se a cada trabalho tivésse-

1994

Peça para a Coleção Verão 2005 e Campanha do Dia das Mães 2002

mos a oportunidade de conhecer um pouco mais o que quer, sonha, espera e a realiza a mulher Meia Sola. Um trabalho daqueles bons de fazer, tanto pelas características do produto como pelas pessoas envolvidas. É tudo de bom para fornecedores, amigos, parceiros e, claro, consumidoras. n

1996

1999

2002

Reprodução do jornal Tribuna do Ceará

Meia Sola Praça Portugal, hoje Maison

Tane - 1ª Mulher eleita Lojista do Ano no Brasil

Meia Sola Casual

Campanha 15 anos

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[ Gastronomia ]

SABEDORIA POPULAR Já se foi o tempo em que apenas carnes ditas nobres e ingredientes elaborados entravam na composição do cardápio de um bom restaurante. Hoje, a gastronomia brinca com receitas populares e inventa versões mais sofisticadas para comidas que até então não entravam no salão.

N

o cardápio do restaurante Alimenta, comandado por Fernando Barroso, apontado como melhor chef nas três últimas edições da revista Veja – O Melhor da Cidade,“la trip de bœuf”é uma das opções de entrada. O nome em francês é uma brincadeira. Uma forma mais rebuscada de apresentar a dobradinha, uma das mais tradicionais receitas da culinária cearense.“Gosto de combinar o regional com a contemporaneidade da cozinha internacional”, diz Fernando. No caso da dobradinha, um triplo cozimento tira o cheiro forte das vísceras brancas e quebra 40% da gordura. O resultado é uma entrada leve. “Respeitando a característica dos produtos, faço ajustes para equilibrar o prato. A carne de sol, por exemplo, incorpora sal, perde a umidade e se fortalece. Ao invés de servi-la com a mandioca, nosso produto nativo, mais energético, uso a mandioquinha, a batata baroa, típica dos Andes, que é adocicada e ameniza a força do prato”, explica. Outras opções no cardápio estabelecem essa fusão entre a rusticidade do regional e a leveza da cozinha contemporânea. A carne de sol também é ingrediente principal do vol-au-vent, uma massa folheada suíça. A receita leva queijo coalho light, que tem menos gordura.

Buchada é um dos pratos do menu degustativo do Alimenta: sabor exótico.

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O arroz de galinha d’angola usa o arroz tamaki, o mesmo dos sushis. O capote é cozido lentamente na água até que a carne se desprenda do osso. O buquê garni,comtomilho,sálvia,salsãoemanjericão, dá um aroma especial ao prato. Não faz muito tempo que Fernando começou a experimentar a partir da gastronomia local.“Há um ano e meio me dei conta de que não tinha nada da nossa cozinha no cardápio. Resolvi pesquisar e encontrei uma realidade cruel. Não temos mais que sete ou oito livros sobre isso”, conta. “Você pensa em dois ou três bons restaurantes que servem nossos pratos típicos, mas a comida de um povo tem que estar a cada cem metros”. Para ele, o mercado vai tratar de mudar isso. “A gastronomia é um espelho direto da cultura de um povo. Um pólo turístico como Fortaleza tem que ter uma cara gastronômica”. Outros chefs da cidade têm essa visão. No mais tradicional restauranteitalianodeFortaleza,oPulcinella, eleito oito vezes seguidas o melhor na categoria pela revistaVeja — O Melhor da Cidade, um dos pratos mais pedidos é o

Ossobuco, a popular mão de vaca, é uma das atrações dominicais do Alimenta

“pappardelle com ragú di ossobuco”. Traduzindo, uma massa de tiras largas com molho a base de mão-de-vaca, como o ossobuco é popularmente chamado na capital cearense. O corte não é dos mais nobres — o ossobuco é o músculo da perna e da canela do boi cortado com osso e tutano —, o que não quer dizer, absolutamente, que não seja muito saboroso. AdilsonVieira, 38, chef do Pulcinella, tem um truque para tor-

naropratomaisleve.Esfriandooossobuco, a gordura vira uma espécie de gelatina e fica fácil retirá-la.“Para ser uma receita mais delicada, tiro também o osso e o tutano se dissolve no cozimento. Desfiamos a carne e só então ela volta para o molho”, explica. Na Itália, o ossobuco é de vitelo, o bezerro novo, mas Adilson preferiu adotar o ossobuco brasileiro, do boi adulto. “A textura e a cor do ossobuco de vitelo são completamente diferentes. O daqui cozi-


Serviço

A dobradinha é cozida três vezes para diminuir em 40% a quantidade de gordura do prato

nhamos mais de uma hora em fogo baixo, o de lá fica pronto em vinte minutos”. No cardápio de Adilson, o ravióli de carne de sol com molho pomodoro e muzzarela de búfala e o pargo cozido no forno com 3 quilos de sal grosso também são inspirações vindas da cozinha regional. “Os próprios clientes acabam me dando idéias. O ravióli surgiu depois que um freguês perguntou se não tinha nada com carne de sol. Eu acatei a fantasia dele. Não é fácil. Experimento muito antes de colocar no cardápio”, diz. Se Adilson conta com a abertura dos clientes, Faustino, 49, chef do Cantinho do Faustino, outro restaurante premiado da capital cuja especialidade é justamente reinventar receitas populares, enfrentou as dificuldades do pioneirismo. “Há 15 anos os cardápios eram todos iguais: parmegiana, medalhão e peixe à delícia”. Ele ajudou a mudar isso. Suas invenções atraem uma legião de clientes fiéis. Entre suas criações, sorvete de azeitona, rapadura e manjericão, lagosta com mocororó - “um destilado do caju

azedo que as lavadeiras do interior cearense tomam enquanto batem roupa na beira do rio” —, explica, e “rusty” de macaxeira, como é chamada a mandioca no Ceará, uma variação da receita suíça, feita com batatas. A última novidade no cardápio de Faustino é o capão da mulher parida, uma receitadatradiçãooral,passadadegeração emgeraçãonointeriordoEstado.“Quando a mulher fica grávida, o sujeito capa o pinto, faz ele engolir o testículo, corta a crista e passa cinza para cicatrizar. Lá pro oitavo mês de gestação tem que socar milho cozido no bicho até ele ficar cheio mesmo”, explica Faustino. O processo lembra um pouco o preparo do “foie gras”, o patê de fígado de ganso, iguaria francesa. Nesse caso, o ganso é obrigado a comer muito mais do que é capaz de agüentar, o que provoca o inchaço do fígado. O método, questionado pelos protetores dos animais, faz com que o órgão chegue a pesar 15 vezes mais do que o normal. Orgulhoso de preservar e divulgar um pedaço do patrimônio ima-

>> Alimenta. Avenida Dom Luís, 1112, Fortaleza, CE. Aberto de terça a sábado de 18h à meia noite e no domingo, a partir de meio dia, para o almoço. Nesse dia, o menu de degustação traz uma seqüência de pratos com base na cozinha cearense a R$ 22,00. >> Cantinho do Faustino. Rua Delmiro Gouveia, 1520, Fortaleza, CE. Aberto de terça a sexta de meio dia às 15h e de 18h à meia noite. No sábado funciona direto de meio dia à meia noite e no domingo de meio dia às 16h. >> Pulcinella. Rua Oswaldo Cruz, 640, Fortaleza, CE. Aberto de segunda a quinta de meio dia às 15h e de 18h à 1h. De sexta a domingo funciona direto de meio dia às 2h. terial do Ceará, Faustino vem aperfeiçoando a técnica de castração em seu sítio. “Sou mais agricultor que chef”, brinca o cearense de Reriutaba. Para comprovar o que diz, Faustino encerra o papo com uma visita a sua horta orgânica, outro orgulho. Verduras e ervas perfumadas crescem vistosas sob seus cuidados nos canteiros que tomam conta do terraço do restaurante. n

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[ Saúde e Bem-Estar ]

SEUS PÉS O MAPA DO TESOURO Massagear certos pontos dos pés pode garantir alívio e bem-estar de acordo com uma antiga técnica chinesa de cura, a Reflexologia. O segredo? O pé é como um mapa, onde cada ponto corresponde a algum órgão, glândula ou estrutura do corpo humano. Pressionando o dedão, por exemplo, pode-se aliviar uma dor de cabeça.

D

izem que os olhos são o espelhodaalma.Parafraseando o ditado, é possível afirmar que são os pés o espelho do corpo. Pelo menos é o que acredita a Reflexologia Podal, uma técnica de massagem terapêutica de origem chinesa. Segundo o massoterapeuta Bruno Richardson, especialista na área com

formação no Centro Técnico Med Tec, em São Paulo, o pé é como um mapa onde cada “ponto reflexo” corresponde a algum órgão, glândula ou estrutura do corpo humano. “O corpo humano é dividido em 10 meridianos ou canais de energia. É como se houvesse uma linha vertical ligando um ponto do pé até o órgão. É lá por onde passam as energias”,

esclarece o massoterapeuta. Ele explica que o estímulo através da pressão de três a cinco minutos em cada um desses pontos permite a liberação de bloqueios no fluxo de energia na zona respectiva e a recuperação gradativa do bem-estar, ativando o mecanismo de cura que existe no interior de cada ser humano. “Os pés são chamados pelos

Pés saudáveis, bonitos e relaxados >>Corte as unhas curtas, mas não rentes. O corte deve ser reto e não arredondado nos cantos, para evitar que as unhas encravem. >>Esqueçaaslixasgrossas.Elasapenasagridem a pele e provocam ainda mais aspereza. Prefira lixas finas. >>Tenha à mão um hidratante específico para os pés, de preferência com uréia na composição. Hidratação é fundamental. >>Se ficar em pé ou caminhar por muito tem-

po, passe um creme com cânfora para aliviar o cansaço e deite com os pés elevados, apoiados sobre um travesseiro ou uma almofada. Existem outros produtos que ajudam no relaxamento como o extrato de arnica, óleo de tomilho e eucalipto. >>Orelaxamentodospéspodeserfeitoemcasa com ervas aromáticas. Amasse a folha de manjericão, alecrim ou hortelã e coloque na água morna. É só mergulhar os pés por 10 minutos. n

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O MAPA DOS PÉS

Pé direito chineses de alicerce. Se não forem bem tratados, se não houver uma revisão periódica neles, o prédio cai”, metaforiza. Segundo o massoterapeuta, apesar de não haver estudos científicos atestando a eficiência da reflexologia como um tratamento médico, a técnica traz benefícios sim. “Melhora todo o equilíbrio do organismo, circulação, o sistema imunológico, libera as toxinas, além de relaxar”, diz. A técnica é indicada para tratar problemas como estresse, angústia, depressão, ansiedade, dor-de-cabeça, dores musculares, acne, síndrome prémenstrual, asma, problemas digestivos e também para detectar o mau funcionamento do organismo. Caso o paciente sinta uma dor aguda ao ser tocado o ponto reflexo do rim, por exemplo, é sinal de que o órgão está com problemas. A massagem é bem simples. O terapeuta corporal ou massoterapeuta aplica com suas próprias mãos (sem a utilização de qualquer instrumento) a

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Pé esquerdo

Reflexologia com abertura dos chakras A terapeuta corporal Naedja Fontenele Ferreira é adepta da reflexologia, mas aplica o método sob um prisma diferenciado. Ela une os pontos reflexos dos pés aos chakras, considerados pela cultura indiana como portas de entrada para todo tipo de energia. Essa técnica é a chamada reflexologia com a abertura dos chakras. O método misto utiliza, além da pressão nos pontos dos pés, pedras coloridas “energizadas” que são distribuídas ao longo do corpo em cima dos sete chakras (coronário, no meio do alto

da cabeça; frontal, meio da testa; laríngeo, na garganta; cardíaco, no centro do peito; umbilical, cerca de um centímetro acima do umbigo; sacro, no baixo ventre; e básico, na base da coluna). A diferença em relação a reflexologia podal tradicional, segundo a terapeuta, é porque, quando algo não funciona bem no organismo, o paciente não sente a dor refletida no pé e sim no próprio órgão, onde é colocada a pedra correspondente ao chakra. “Mas os benefícios são os mesmos”, garante Naedja. n


massagem, pressionando pontos específicos no dorso, na planta e na lateral dos pés. A sessão dura em média 30 minutos e a indicação é que seja feita uma vez por semana. Também é possível fazer uma auto-massagem. “A pessoa pode sentar num banquinho, pôr o pé em cima da outra perna e com o mapa da reflexologia em mãos Há milênios, povos do ir apertando os pontos Antigo Egito utilizavam a de sedação”, explica. massagem nos pés com A fisioterapeuta Sano objetivo de recuperar dra Bonfim buscou traa saúde. Assim faziam tamento na reflexologia também os chineses, por conta de dores nos os índios americanos e outros povos. Com o paspés e nos calcanhares. sar do tempo, a eficácia “Eu trabalho o dia indesta prática serviu de teiro em pé e uso salto, estímulo para que vários quando comecei a fazer pesquisadores tentassem a massagem nem sabia compreender a reflexolodesse reflexo do pé nos gia sob um ponto de vista órgãos, procurei mais ocidental, ou seja, mais racional. para relaxar e aliviar o Ainda no início do cansaço”, lembra. Deséculo XX, o Dr. William pois de um tratamenFitzgerald, médico em to de duas semanas Londres, atestou que o com sessões regulares, corpo possui 10 zonas de a fisioterapeuta conta energia (meridianos) que que já sentiu melhoras. partem da coroa da cabe“Amanheço mais disça e vão até as extremidades dos dedos dos pés e posta para trabalhar e das mãos, sistematizando meu rendimento no fim dez zonas energéticas e do dia está melhor tamconsiderando, inclusive, bém”, conta. os respectivos órgãos Hoje, adepta da recontidos nestas zonas. n flexologia em sessões semanais, a fisioterapeuta elenca os benefícios que a massagem trouxe. “Além do alívio da dor, ela preveniu uma conseqüência pior, como um esporão de calcâneo. >> O n d e Minha enxaqueca aliviou basEncontrar tante e o estresse também”, diz. Bioesthétique A massagem entrou na lista de Rua Catão Mamede, 888 recomendações para os clientes Aldeota, Fortaleza, CE da fisioterapeuta.“Quando meus (85) 3261.8087 pacientes reclamam de enxaEspaço Viver Rua Silva Paulet, 1325 queca ou alguma dor muscular, Meireles, Fortaleza, CE indico a reflexologia”. n

Saiba +

Para ler

(85) 3224.3966

>> Reflexologia. Um método para melhorar a saúde, de Nicola M. Hall, Editora Pensamento >> Reflexoterapia. Usando Massagem nos Pés, de Astrid I. Goosmann Legger, Ágora Editora >> Reflexologia Energética: Massagem para os pés, de Alberto Feliciano e Píer Campadello, Editora Madras >> Reflexologia: Introdução Prática, de Denise Whichello Brown, Editora Manole


[Turismo]

EM BUSCA DE SOSSEGO Fugir das grandes cidades tem sido a opção de muita gente na hora de decidir o destino das férias. A idéia é desacelerar e entrar em contato com a natureza. Nisso o Brasil é privilegiado. Na região amazônica, na praia ou na serra, o país tem um número considerável de refúgios assim: isolados, mas com ótima infra-estrutura. Um mercado em expansão. Pousadas e hotéis exclusivos, longe do trânsito e do estresse, mas com o conforto da metrópole. Cama king-size, ar-condicionado, internet, massagens. Afastar-se da civilização não exige nenhum sacrifício e há muito tempo deixou de ser coisa de bicho-grilo. Aqui a gente te dá duas dicas. Para curtir a praia ou desbravar a Amazônia. É só escolher!

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A Vila Kalango vista da praia, interior de um dos apartamentos e lounge


Um paraíso no paraíso

A

vila fica no meio do coqueiral. A maré, que muda várias vezes durante o dia, subindo e descendo, forma desenhos geométricos na beira da praia. O mar é um espelho d’água. O vento, dizem, é o melhor do mundo para a prática de windsurf e kitesurf. As velas no horizonte estão sempre lá. Restaurantes, bares e lojinhascharmosascompletamocenário. Jericoacoara é mesmo um pedaço do paraíso e nem fica tão longe assim, são 305 quilômetros de Fortaleza., no Ceará. Hoje é mais fácil chegar. De ônibus são aproximadamente cinco horas até Jijoca. Lá é preciso pegar uma jardineira, uma espécie de bondinho 4X4. Em uma hora pela praia já se avista as casinhas. É chegar e esquecer do resto. O pôr-do-sol na duna termina com a roda de capoeira, a praia é para ficar o dia todo e os restaurantes não deixam nada a desejar. Na ponta esquerda da praia, do lado da famosa duna, de frente para o mar, fica a pousada Vila Kalango.

De longe, ela chama a atenção. No jardim de 5 mil m², o verde é abundante. “Preservamos praticamente toda a vegetação do terreno”, diz a gerente operacional Dina Valéria Gomes. Entre os coqueiros e cajueiros, a estrutura da pousada, toda de madeira, com palafitas de três metrosdealturaevarandaspanorâmicas, compõe a paisagem. O diferencial começa aí, a pousada integra-se com harmonia à natureza exuberante de Jericoacoara. Aproveita a ventilação natural e utiliza materiais locais. “Isso tudo foi pensado na concepção do projeto. O tijolo é de barro, os telhados são de palha de carnaúba e a madeira usada é a moracatiara. A decoração também aproveita o artesanato local com objetos de coco, palha e gravetos. Os ambientes são rústicos, amplos e muito aconchegantes”, diz Dina. Construir uma pousada assim era o sonho de três amigos windsurfistas. Encantados com a beleza e as condições de vento de Jeri, eles compraram o ter-


reno da Vila Kalango em 1996 e abriram as portas em 99. Além do conforto e da beleza dos quartos, a Vila Kalango oferece outras mordomias. Terapias alternativas com pedras e argila e massagens de todo tipo são feitas num gazebo muito charmoso com vista para o mar. A piscina, de pastilhas vermelhas, tem um deck amplo. O lounge, com piso de areia, redes e sofás, é para relaxar. Almofadões e esteiras es-

tão estrategicamente espalhados debaixo da sombra dos cajueiros. “Oturismotemsevoltadopararegiões e países que dispõem de áreas de beleza natural e preservação do meio ambiente. Isso muda o velho conceito de que lugares distantes e sem desenvolvimento são apenas para mochileiros. Hoje, podemos contar com serviços de alta qualidade nos lugares mais ermos do mundo”, diz Dina. Deu vontade de conhecer? Acesse

>> http://www.vilakalango.com.br

Mergulho no verde

Vista panorâmica do Ariaú Amazon Towers, na bacia do Rio Negro

F

rancisco Ritta Bernardino e Jacques Costeau se conheceram no início da década de 80. Desse encontro surgiu a idéia de construir uma base para visitantes — cientistas e curiosos —, na Amazônia. Em 1986, Ritta inaugurou o Ariaú Amazon Towers. As oito torres de palafita erguem-se sobre a bacia do Rio Negro e ficam a 50 quilômetros de Manaus, no Amazonas. Para chegar, a viagem num barco típico da região, feito de madeira de lei, dura duas horas. Quem tem pressa pode optar por uma lancha, que faz o mesmo percurso em 40 minutos, ou por um helicóptero do hotel.“Não queremos ser um hotel cinco estrelas, queremos integrar nossos hóspedes a natureza. Numa épo-

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ca em que não existia o termo desenvolvimento sustentável, Ritta concebeu um hotel assim”, diz o gerente comercial, Silfran Bello. Isso não quer dizer que o hóspede do Ariaú abra mão do conforto. Nada disso. Os quartos são equipados com ar-condicionado e cama king-size. É que a graça está lá fora. Nos passeios incluídos na diária. Caminhar pela selva, avistando bando de araras, preguiças e macaco, ver de perto a vida noturna na Amazônia, conhecer o lendário boto rosa ou passar a mão num jacaré, visitar uma tribo indígena... Há muito que fazer! Preocupadoemfacilitaroacessoatoda essa beleza, o hotel tem carrinhos motorizados para idosos e pessoas portadoras

de necessidades especiais. O restaurante oferece a culinária exótica da Amazônia. Sopa de piranha, moqueca de peixe, tambaqui grelhado.“Sessenta por cento do que servimos é peixe. Queremos que o hóspede entre em contato com a nossa cultura”, diz Bello. Quer saber mais? Acesse >> http://www.ariau.tur.br/


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SOBRE REINOS E SAPATOS Por Tércia Montenegro

A

ntigamente, as princesas dos contos infantis perdiam o sapatinho de cristal, numa apressada fuga à meia-noite — e apressados eram nossos olhos que viravam as páginas. A leitura fazia esquecer que, ao contrário das princesas, tínhamos de calçar as famigeradas botas ortopédicas, para fazer a cava no pé e corrigir outros desvios. Quem viveu a infância nos anos 80 sabe bem do que falo: a obsessão por corrigir dedos, eliminar joanetes e construir arcos estáveis nos pés das crianças fazia com que as meninas desde cedo fossem jogadas ao balé, para fins totalmente anatômicos. Andar nas pontas, forçando a musculatura na areia da praia, era exercício obrigatório de domingo e, como se não bastassem as unhas encravadas que iriam nos perseguir vida afora (sempre nos pés;nãoexistemunhasencravadasnas mãos, motivo pelo qual os gritinhos no salão de beleza sempre são direcionados para baixo), como se não bastassem as palmilhas e outros apetrechos, havia as botas. Numa era que já conhecia o “show” da Xuxa, nem mesmo os coloridoscoturnosdas paquitasdisfarçavam o padrão opressor daquela moda. Eu simplesmente odiava, e queria meus sapatinhos de cristal. Muitos anos depois, posso dizer que nunca aderi ao estilo country por motivos traumáticos, mas

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atravessei a adolescência sonhando com um baile de vestidos esvoaçantes e calçados delicadíssimos, da textura de uma nuvem, com aparência de glacê.

Nunca consegui me equilibrar direito num salto alto. Quando me queixo, invejando amigas que atravessam com destreza calçadas de pedras pontudas, recebo um displicente: ‘Ah, mas você é alta, não precisa!’

[ Crônica ]

Bem no princípio dessa fase cruel em que os hormônios começam a pipocar, soube que minha família executava uma espécie de introdução da mulher na vida adulta. O ritual consistia em ensinar à jovem — justo às vésperas de seu décimo quarto aniversário — como andar de salto alto. Assisti à minha irmã mais velha equilibrando-se com dois livros em cima da cabeça (tinha de haver um certo grau de dificuldade), enquanto atravessava o corredor, usando um modelo-agulha de minha mãe. Depois, acompanhei, como platéia, mais duas primas cumprirem o mesmo ritual. Sempre havia tropeços, pés virados, mas depois de algumas tentativas a garota conseguia andar de um jeito espontâneo, sem deixar os livros caírem. Eu ansiava pela minha oportunidade, principalmente porque, depois do tal rito, a menina ganhava o seu primeiro par de saltos altos, da cor que escolhesse. Com imensa expectativa, esperei a data marcada. Foram convidadas várias tias e primas, para aplaudir o trajeto no

corredor de nossa casa; depois, haveria um bolo e a entrega do meu presente – os sapatos brancos e delicados com os quais eu tanto sonhara. Mas as fatalidades sempre ameaçam ocasiões desse tipo, e poucas semanas antes do dia eu levei uma de minhas incontáveis quedas, rompendo um ligamento no tornozelo. Resultado: gesso na perna, desfile cancelado. Quando a recuperação, com muita fisioterapia, me deixou apta para o ritual, já havia passado tanto tempo que todo mundo perdeu o gosto. Minha mãe decidiu me dar sapatos pretos, porque branco sujava demais, e me treinou de um jeito apressado, sem livros na cabeça nem platéia. Nunca consegui me equilibrar direito num salto alto. Quando me queixo, invejando amigas que atravessam com destreza calçadas de pedras pontudas, recebo um displicente: “Ah, mas você é alta, não precisa!” A história não diz se Cinderela usava saltos, nem se precisava disso por sua pouca estatura. De qualquer modo, nos tempos atuais, quando as crianças finalmente se libertaram das cavas e exercícios na areia, existem alternativas que aliam conforto a elegância. E os príncipes encantados também não perseguem mais a princesa que calça um número mínimo, em modelito de cristal. Aliás, príncipes são hoje os homens que nos descalçam e sabem que o amor começa com uma boa e relaxante massagem nos pés . . .

TérciaMontenegroéautoradoslivrosdecontosO vendedordeJudas(Fortaleza:DemócritoRocha, 2003),Linhaférrea,quevenceuoPrêmioRedescobertadaLiteraturaBrasileira,daRevistaCult,eO restodeteucorponoaquário(Fortaleza:Secult, 2005).Participoudasantologias25mulheresque estãofazendoanovaliteraturabrasileira(Riode Janeiro:Record,2004)eContoscruéis(SãoPaulo: Geração Editorial, 2006). n


Meia Sola _ 20 Anos  

Revista especial comemorativaaso 20 anos das lojas Meia Sola