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DISTRIBUIÇÃO GRATUITA Junho-Julho/2012 | Nº: 00

O MASCOTE DA COPA Você já sabe que bicho vai ser? ENTREVISTA: Sérgio Barroso

“A CASA ESTÁ EM ORDEM”

Será mesmo que BH estará pronta para a Copa? HISTÓRIA DAS COPAS

A PRIMEIRA COPA: URUGUAI, 1930 MINAS “CONVOCA” PARREIRA PARA 2014 De técnico de futebol a consultor ESPECIAL

RECONSTRUINDO A LIBERDADE

Detentos, mas de cabeça erguida

MULHERES, BOLA E COPA DO MUNDO... ESSA QUÍMICA DÁ CERTO? CIDADE

“BOOM” NA REDE HOTELEIRA EM BELO HORIZONTE? Verdade ou mera especulação ESPORTE

NA CIDADE DAS MONTANHAS, UM ESPORTE DE MONTANHAS Afinal, a cidade é feita de trilhas...


EDITORIAL Aos poucos a Copa das Confederações em 2013 e a Copa do Mundo em 2014 vão tomando conta dos noticiários esportivos e da cabeça dos brasileiros. As obras estão a todo vapor em todo País. Em Belo Horizonte elas estão por toda parte mudando o visual da cidade. Aqui já está previsto a realização 3 jogos da Copa das Confederações e 6 da Copa do Mundo, sendo que nossa Seleção poderá jogar duas vezes no Mineirão. Mas não são apenas as obras que movimentam nossa Cidade. Vários setores já se mobilizam para se adequar ao evento e, a população acompanha tudo de perto. A “Revista BH14” também vai acompanhar e mostrar tudinho: as obras do Complexo do Mineirão, de infraestrutura e mobilidade urbana, das comunicações, da rede hoteleira, na área de cultura, do lazer e ver como anda o espírito de belorizontino com tantas transformações. Serão ouvidas as autoridades, os Órgãos diretamente envolvidos com os projetos, torcedores, comerciantes e pessoas comuns. A linguagem editorial será acessível aos que falam “futebolês” e a todos que, por alguma razão, se interessam por esse evento de grandeza global. A publicação será bimestral no ano de 2012 e mensal a partir de janeiro de 2013, com uma tiragem inicial de 10 mil exemplares. A distribuição será gratuita, em aeroportos, restaurantes, hotéis, locadoras de veículos, táxi especial, feiras e eventos, etc. Junto com essa edição “zero-zero”, será lançado também o site “revistabh14.com”, onde você poderá ver a íntegra das matérias publicadas, fotos e vídeos, além de um canal de interatividade. Espero que gostem do nosso produto. Marcelo Devanir

EXPEDIENTE Editor Responsável: Marcelo Devanir (Reg. 04227-MG JP) Projeto Gráfico e Editoração: Ronaldo Borba | borba.ronaldo@r7.com Reportagens: Renata Marinho e Marcelo Devanir | redação@revistabh14.com Colaboradores: Almir Roberto, José Orlando Júnior (J.O.) Fotografia: Ricardo Aluotto | rtaluotto@hotmail.com Capa: Bárbara Magalhães; Maquiagem: Edson Magalhães; Produtor de Moda: Luiz Otávio Brandão Redes Sociais: Sérgio Senoux (revistabh14.com) Comercial e Marketing: Marcelo Devanir e Ronaldo Borba | comercial@revistabh14.com Consultor: Delvan Abreu Edição e Distribuição: 7Montañas - Esportes, Marketing e Comunicação Tiragem: 10 mil exemplares Impressão: Artes Gráficas Formato

O MASCOTE DA COPA Por Renata Marinho

Você já sabe qual é o mascote da Copa do Mundo de 2014 que será realizada no Brasil? O animal escolhido foi o Tolypeutes Tricnctus. Não conhece? Vou te dar uma dica: é um mamífero coberto por uma carapaça resistente e quando acuado, enrola-se fortemente no formato de uma bola. E agora, já sabe quem será o símbolo da próxima Copa? Acertou quem apostou no Tatu-Bola. O animal que está em extinção, concorria com outros símbolos, como a Onça Pintada, a Arara, o Jacaré e o Saci Pererê. A ideia de fazer o Tatu-Bola mascote oficial da Copa de 2014 foi da Associação Caatinga, ONG cearense que se dedica à preservação ambiental. A ONG fez uma campanha nas redes sociais durante o mês de fevereiro apresentando no dia 29 do mesmo mês, um Dossiê a representantes do Ministério do Esporte. O Tatu-Bola ganhou a simpatia imediata da FIFA. Nada mais propício para uma Copa realizada no país do que um animal que se transforma em bola e só existe no Brasil. A ideia é colocar o animal em destaque para evitar sua extinção. Espécie 100% brasileira é natural da caatinga e do cerrado. Os que restam podem ser encontrados no norte de Minas Gerais, nos estados do Nordeste e em algumas regiões do Centro-Oeste.

O Tatu-Bola deve ser anunciado oficialmente como mascote da Copa em setembro. Antes de o Comitê Organizador Local (COL) divulgar a escolha, a FIFA ainda precisar registrar o desenho com a marca em uma empresa na Europa. Curiosidades sobre o mascote O Tatu-Bola é o menor tatu brasileiro mede até 50 centímetros e é o mais ameaçado. Isso porque, como não cava bem como os outros tatus, é mais fácil de ser caçado na região de seca, onde há pouca comida. Ele se alimenta de formigas, escorpiões, frutas e ovos. Para salvar essa espécie, os cientistas estão propondo estudos para criação em cativeiro e principalmente programas de educação ambiental para a população da área onde ainda sobrevive esse tatu. Tolypeutes Tricnctus, o nosso “Tatu-Bola”.

Divulgação: sxc.hu


ENTREVISTA

Sérgio Barroso

“A CASA ESTÁ EM ORDEM” Por Renata Marinho

Quando o assunto é Copa do Mundo no Brasil muitas perguntas e dúvidas surgem na cabeça dos brasileiros, o que é natural, já que o país deixa a desejar em vários aspectos. Um dos pontos mais questionados é a falta de infraestrutura do país para receber um evento mundial desse porte. Pensando nisso, a Revista BH14 conversou com o Secretário de Estado Extraordinário da Copa do Mundo - SECOPA, em Minas Gerais, Sergio Barroso. Na entrevista o Secretário fala sobre as obras que estão sendo realizadas na Capital mineira, como o Estado está se preparando para a Copa, reforma do Mineirão e ampliação do aeroporto de Confins. Afinal, estamos preparados? BH14: A Secretaria de Estado Extraordinária para a Copa do Mundo – Secopa – foi criada em janeiro de 2011. Quais são suas principais funções e objetivos? Sérgio Barroso: A Secopa tem várias funções, mas acho que a maior e mais importante é a certeza da entrega de um evento esportivo da maior importância que é a Copa do Mundo. É entregar para os mineiros construções perenes e deixar um grande legado para a população. O mundial acontece num período muito curto, então devemos pensar mais no que a Copa vai deixar para os mineiros do que necessariamente no tempo da competição em si. BH14: Além de fazer a interface entre o Governo do Estado e Prefeitura estão entre as responsabilidades da SECOPA o acompanhando das obras de mobilidade, do Mineirão, Mineirinho e Independência. Como é essa relação entre Secretaria, Prefeitura e Estado? SB: É a chamada transversalidade, porque na verdade hoje não se faz nada principalmente grandes obras sozinho, só um grupo de pessoas, ou uma área do governo. Então é uma somatória de todos os goverRevista BH14 - Junho-Julho/2012

nos e da sociedade como um todo. E essa transversalidade é realmente muito complexa, porque você tem a responsabilidade para executar, você tem data de vencimento, você tem que realizar tudo isso dentro de um prazo estabelecido. E obviamente só é possível realizar tudo isso com cooperação, são pessoas diferentes, cabeças diferentes, mas com o mesmo objetivo que é realizar uma grande

“Porque na verdade hoje não se faz nada, principalmente grandes obras sozinho, só um grupo de pessoas, ou uma área do governo” Copa do Mundo. Nós, Estado e Prefeitura temos feito um grande esforço, trabalhado fortemente juntos, adotando também essa transversalidade com outras secretarias, abrangendo as mais diversas áreas. Temos trans-

porte, saúde, turismo, meio ambiente, cultura, segurança, todas essas secretarias participando desse evento de uma forma cooperativa e cada uma fazendo sua parte. A Secopa supervisiona grande parte, mesmo porque foi criada para isso, por isso que é muito importante e, eu vou tornar a repetir a questão do alinhamento de pensamentos que é estarmos todos trabalhando para um objetivo comum. BH14: Minas Gerais é a terceira economia do Brasil, sendo que o setor de serviços responde por 58% do PIB do Estado. Como os empresários estão se preparando para a Copa? SB: Minas Gerais é a terceira economia da Brasil muito próxima de se tornar a segunda. Isso porque a segunda tem uma indústria do petróleo muito forte, mas se você pensar numa economia mista como um todo, Minas é de longe a segunda maior economia do país. A Copa do Mundo é apenas um evento localizado que é realizado num curto espaço de tempo. Estamos fazendo uma série de investimentos importantes pensando muito mais no pós Copa, no que vai deixar de legado para nossa população, mais do que o evento em si. É 05


Sérgio Barroso

Se o turista é explorado ele não volta mais e ainda faz a propaganda negativa do estabelecimento um evento de 30 dias, um oba oba, na verdade eles vêm deixam o lixo e vão embora. Por isso o empresariado está cada vez mais aderindo à Copa, porque estão percebendo que os investimentos se tornarão legado de produtividade, rentabilidade, pós Copa do Mundo. Não vai haver no próximo século uma indústria maior que a do turismo, e nós temos uma tendência para o turismo no Brasil que é um país de dimensões continentais, mais de oito mil quilômetros de costa de praia. Em Minas não temos praia, mas temos as cidades históricas e recebemos aproximadamente cinco milhões de turistas apenas. Então temos um longo caminho a percorrer que é construir uma boa infraestrutura e preparar pessoas para esse setor, com isso vamos estar preparados para ser um Estado com grande sucesso no que diz respeito ao turismo. BH14: Muito se comenta em relação à infraestrutura de Belo Horizonte, a cidade

está preparada para ser sede da Copa? SB: Minas Gerais está se preparando para esse grande evento, trabalhamos módulos de maior interesse. A questão de Confins: o aeroporto está sendo expandido, melhorado e vamos ter uma capacidade adequada para a Copa. Melhoria do terminal 1, construção do terminal 3, expansão do pátio de aeronaves, pista de pouso, tudo estará pronto para a Copa. A questão da mobilidade urbana: o metrô não estará pronto para o mundial, mas em compensação os BRTs terão a capacidade de fazer um transporte massivo de mais de 700 mil pessoas reduzindo substancialmente o número de ônibus na região central da cidade e, já estará sendo parcialmente utilizado a partir de 2013 ficando totalmente pronto até a Copa do Mundo. Muita obra está sendo feita num período muito curto, então em relação à mobilidade urbana também estaremos prontos para a Copa. Em relação a hotelaria, realmente tivemos um período sem grandes investimentos, mas isso tem mudado substancialmente nos últimos meses em particular. Temos um grande número de hotéis que estão em construção, vamos ter em Belo Horizonte uma disponibilidade de 50 mil leitos para o mundial, número que é maior que qualquer necessidade do evento. A questão dos estádios Mineirão e Independência, além dos outros que irão dar suporte às equipes visitantes, tudo dentro do prazo e conforme o esperado. Os campos de

Podemos dar a FIFA toda a tranquilidade de que vamos estar 100% prontos para a Copa das Confederações e pra Copa do Mundo treinamento da capital, a Cidade do Galo a Toca da Raposa, estão entre os melhores centros de treinamentos do Brasil. Vieram recentemente aqui os alemães, ingleses e italianos e eles ficaram impressionados com as estruturas dos Centros que têm estruturas internacionais. BH14: Um visitante geralmente não fica apenas na cidade sede da Copa. Como as cidades do interior estão se preparando para receber o turista no período do mundial? SB: Com o apoio do Estado as cidades do interior já estão se preparando, são as chamadas rotas de turistas. Nós vamos desenvolver a questão da sinalização, grande parte dos turistas utilizam carros e, se as estradas estão bem sinalizadas eles chegam fácil ao destino e mais rápido. Estamos investindo na sinalização das rotas turísticas no Estado, que incluem as cidades históricas, parques, florestas e grutas de Minas Gerais. A beleza

GOVERNO FEDERAL E FIFA MOSTRAM ATRASOS NAS OBRAS EM BELO HORIZONTE Mesmo com a garantia dada pelo Secretário, Sérgio Barroso, da SECOPA, de que Belo Horizonte estará com a casa pronta para as competições de 2013 e 2014, o Governo Federal divulgou dados (na semana de 22 a 26/05) mostrando que as obras para a Copa do Mundo em Belo Horizonte estão com apenas 34% de execução e nenhuma pronta. Segundo o Governo Federal a pior situação é do aeroporto de Confins, pois a construção do Terminal 3 de passageiros, as reformas da pista de pouso e do sistema de pátios ainda estão em fase de projeto. A reforma e ampliação do Terminal de Passageiros atual e mudanças do sistema viário estão com 4,8% das obras concluídas. Mas o Ministro da Secretaria de Aviação 06

Civil da Presidência da República, Wagner Bittencourt diz não ter dúvidas de que Confins estará pronto no prazo. Quando o assunto é a mobilidade urbana os números são melhores: O BRT Antônio Carlos/Pedro I já tem 35% do cronograma cumprido; a expansão da Central de Controle de Trânsito, 71%; a ligação da Via do Minério com Avenida Tereza Cristina, 9%; o BRT da Avenida Cristiano Machado, 14% e a cobertura do Arrudas na altura do bairro Carlos Prates, 52%. Para Aguinaldo Ribeiro, Ministro das Cidades, “pendências ambientais, com o Ministério Público e o atraso na elaboração de projetos, formam gargalos que dificultam o andamento Revista BH14 - Junho-Julho/2012


Esse é o maior legado, o cultural através da capacitação dos mineiros que estarão disponíveis para o mercado pós-mundial natural existe, agora temos que fazer com que o turista se sinta confortável, seguro nesses locais. Quando o turista chegar à cidade já será orientado, receberá informações. Grande parte já chega com pacotes fechados que incluem conhecer a cidade. Estamos num processo de contratação de profissionais de renome para que eles façam à divulgação do estado em outros países. O mineiro é muito receptivo. Então temos que trabalhar para que o turista se sinta bem e volte. Temos também outros circuitos como o da Praça da Liberdade, o de Inhotim (que não existe mundo afora), o da Savassi, entre outros. Vamos ter o Projeto Cidade Conectada, que disponibilizará acesso à internet nos principais pontos pelo sistema wi-fi. Temos que ter consciência de tratar bem o turista seja ele de outras cidades, estados ou países. A melhor maneira de desenvolver o turismo é o boca a boca, quem vem e gosta, in-

dica. Se o turista é explorado ele não volta mais e ainda faz a propaganda negativa do estabelecimento. Então é preciso entender que não é a Copa do Mundo que vai dar ao comércio sustentabilidade a médio e longo prazo. O que vai dar sustentabilidade a empresa é exatamente a maneira com que ele trata o turista em termos de educação e, todo turista sabe, independente do idioma, se ele é bem tratado ou não. BH14: Em sua opinião, qual é o maior legado que a Copa do Mundo deixará para Minas Gerais? SB: Para mim temos vários legados que são importantes como infraestrutura e turismo. Mas, o principal será a capacitação de pessoas. Serão capacitados para a Copa mineiros que ocuparão as mais diversas áreas e funções. E Minas Gerais vai precisar muito disso. Esse realmente é um legado sólido. As pessoas aprendem, desenvolvem e depois da Copa vão estar preparados para o mercado de trabalho que vai precisar desse tipo de profissional. Esse é o maior legado, o cultural através da capacitação dos mineiros que estarão disponíveis para o mercado pós-mundial. É uma oportunidade de aprender e colocar em prática.

das obras”. Ele assegura, no entanto, que num curto período, esses obstáculos estarão superados. As obras do Mineirão, que movimentam R$ 965 milhões de reais, é que estão em estado mais avançado em Belo Horizonte. Apesar da diferença entre os números apresentados pelo Governo do Estado através da SECOPA, (58%) e do Ministério dos Esportes, (55%), os percentuais estão dentro da meta estabelecida pelo Governo Federal. Ainda que os dados mostrem lentidão nos três níveis do Poder Executivo, os Ministros Aguinaldo Ribeiro, das Cidades, Aldo Rebelo, dos Esportes e Wagner Bittencourt, da Secretaria de Aviação Civil da Presidência da República, disseram que as obras estão caminhando como planejado e não concordam com as críticas de parte da imprensa Revista BH14 - Junho-Julho/2012

BH14: A FIFA tem dado declarações polêmicas cobrando mais agilidade e ação dos brasileiros. O senhor concorda com as cobranças? SB: A cobrança deles não é válida para Minas Gerais. O dia que o presidente da FIFA ou os diretores vierem a Minas vão mudar de opinião pelo menos em relação ao nosso Estado. Aqui nós temos um planejamento estratégico forte, temos as obras em dia, e vamos poder dar a eles toda a tranquilidade de que vamos estar 100% prontos para a Copa das Confederações e pra Copa do Mundo. Aqui nós respeitamos contratos, cobramos a participação efetiva deles e quando nos visitarem, porque essa visita ainda não aconteceu, pois eles sabem que está tudo certo, verão isso, aqui não tem problema pra resolver. Eles não estão vindo a Belo Horizonte porque eles não têm preocupação com a gente. Está tudo em dia, tudo em ordem.

e da FIFA. Eles garantem que tudo estará pronto a tempo dos jogos. A Secretaria de Estado Extraordinária da Copa do Mundo (Secopa-MG) afirma que o novo Mineirão estará pronto até o final deste ano. De acordo com a Secopa-MG, a empresa Minas Arena, responsável pela obra e posteriormente pela operação do Estádio, vem mantendo o cronograma em dia e por isso a segurança na entrega da reforma até o final deste ano. A Secopa ainda destaca que em momento algum foi notificada ou recebeu qualquer indicativo ou um simples comentário da FIFA ou de seus consultores de que havia preocupação sobre o andamento da obra do Estádio de Minas Gerais. 07


História Das Copas Você sabe tudo sobre Copa do Mundo? Quantas já foram realizadas e em quais países? Quais jogadores foram destaques? A partir desta edição, a Revista BH14 irá contar a história de cada mundial, em ordem cronológica, até chegar à Copa que será realizada no Brasil em 2014.

A PRIMEIRA COPA:

URUGUAI, 1930

Mundial no Uruguai - 1930 • Campeão: Uruguai • Vice: Argentina • 3º lugar: EUA • 4º lugar: Iugoslávia • Artilheiro: Guillermo Stabile (ARG) com 8 gols • Seleções: 13 • Abertura: 13 de julho de 1930 • Encerramento: 30 de Julho 1930 • Jogos: 18 • Gols: 70 (média de 3,9 por jogo) • Público: 434.500 (média de 24.138 por jogo)

Por Renata Marinho

A competição foi criada pelo francês Jules Rimet (que deu nome ao Primeiro Troféu da Competição), em 1928, após ter assumido o comando da instituição mais importante do futebol mundial: a FIFA - Federation International Football Association. Até agora foram realizadas 19 Copas do Mundo, em 16 países, de 4 continentes diferentes. O país escolhido para receber a primeira Copa do Mundo em 1930 foi o bicampeão olímpico Uruguai, que celebraria também o centenário de sua independência. Na primeira Copa não existiu mascote nem logomarca oficial. Em 1930 o Brasil e os principais países da Europa simplesmente ignoraram o evento, até então sem grande repercussão. A seleção do Brasil, sem grandes craques, foi derrotada pela Iugoslávia logo na estreia e sequer chegou à segunda fase do campeonato. Naquele momento embora o futebol já tivesse alcançado certa notoriedade, os brasileiros estavam

mais preocupados com os últimos acontecimentos na política nacional e internacional. O Craque da primeira Copa foi o argentino, Guillermo Stábile. Aos 25 anos, o baixinho de 1m68, foi à sensação do evento. O jogador que não era titular da seleção argentina, marcou oito gols nos quatro jogos que disputou, três deles na vitória de 6x3 diante do México, dois contra o Chile, outros dois nas semifinais diante dos norte-americanos e ainda um na final, na derrota para o Uruguai por 4x2. Curiosidades sobre a Copa de 1930

O árbitro brasileiro Gilberto Almeida Rêgo finalizou a partida entre Argentina e França quando ainda restavam 6 minutos para o término do tempo regulamentar. Irritada com a atitude, pois os argentinos venciam por 1 a 0, uma multidão de uruguaios invadiu o gramado. Após a polícia retirar os torcedores, o brasileiro reiniciou

o jogo, que terminou com a vitória argentina. Mesmo sem a existência do cartão vermelho à época, De Las Casas foi o 1º jogador a ser expulso de uma partida em Mundiais. O fato, único na Copa de 30, ocorreu na vitória da Romênia sobre o Peru por 3 a 1, quando o zagueiro peruano empurrou o árbitro chileno Alberto Warken. O chileno Carlos Vidal foi o primeiro jogador a perder um pênalti em um Mundial. Ele desperdiçou a cobrança aos 35min do primeiro tempo. Apesar disso, o Chile venceu a França por 1 a 0, com gol do atacante Guillermo Subiabre na segunda etapa da partida. A rivalidade entre uruguaios e argentinos não ficou restrita à disputa do título. Momentos antes da decisão, os jogadores dos dois países discutiram sobre qual bola deveria ser usada na final. Fontes: “copadomundo.uol.com.br” e “www.portal2014.org.br”


MINAS “CONVOCA” PARREIRA PARA 2014 Foto: Renato Cobucci

Carlos Alberto Parreira, ex-técnico da Seleção Brasileira de Futebol, que já participou de nove Copas do Mundo sendo que em três delas foi o protagonista na escolha do local de treinamento da equipe do Brasil, será consultor para a Copa de 2014 em Minas Gerais. Parreira também já treinou seleções da Arábia Saudita, Emirados Árabes, Kuwait e África do Sul e tem o mérito de ter classificado seleções de cinco países para a Copa do Mundo. Atualmente, 19 cidades mineiras são candidatas a CTS (Centros de Treinamento de Seleções) junto ao Comitê Local da FIFA (COL): Araxá, Caxambú, Caeté, Divinópolis, Extrema, Formiga, Governador Valadares, Ipatinga, Juiz de Fora, Lagoa Santa, Matias Barbosa, Montes Claros, Patos de Minas, Poços de Caldas, Sacramento, Sete Lagoas, Uberaba, Uberlândia e Varginha. Entretanto, cabe às seleções a escolha do local de treinamento. “Meu trabalho será o de seduzir essas seleções para que elas venham. A forma e o visual têm que ser perfeitos nessa sedução, uma vez que são apenas 32 seleções para um universo enorme de cidades na disputa”, disse o ex-técnico.

“(...) a hospitalidade e o clima que favorece muito o ano inteiro podem ser fatores determinantes para ajudar nesse nosso trabalho para buscar seleções para Minas” CARLOS ALBERTO PARREIRA Revista BH14 - Junho-Julho/2012

Carlos Alberto Parreira destacou ainda a posição geográfica de Minas Gerais como um dos aspectos favoráveis na disputa. “Belo Horizonte está no epicentro da região Sudeste, à uma hora de qualquer uma das cidades da área. Em 1994, nos Estados Unidos, eu me deslocava com a Seleção Brasileira de avião, porque onde ficamos concentrados era um local que nos atendia em tudo. Em 2006 ficamos em Frankfurt, mas nos deslocávamos com facilidade à concentração ideal para nossa permanência. Além disso, a hospitalidade e o clima que favorece muito o ano inteiro podem ser fatores determinantes para ajudar nesse nosso trabalho para buscar seleções para Minas”, explicou. Parreira ainda destacou que seu trabalho será de uma consultoria técnica: “Farei visitas a equipes no exterior, irei à Eurocopa, haverá contato pessoal com treinadores mais próximos, farei ligações telefônicas, enfim, sei onde estão as fontes para apresentar a estrutura que está sendo

montada em Minas”. O contrato com o Governo de Minas tem duração até a Copa de 2014. O primeiro desafio será realizar um diagnóstico das 19 cidades para identificar aspectos com necessidade de melhoria. Será elaborado um material técnico do grupo de cidades para mostrar às Confederações o potencial de cada município. Outra ação, serão as visitas às federações e confederações para mostrar o que está disponível em Minas. O secretário Sérgio Barroso afirmou que para mostrar o potencial de Minas em receber Seleções para a Copa de 2014, não é necessário apenas ter infraestrutura e vontade. É preciso também que se tenham profissionais com experiência e credibilidade: “...O Parreira é um deles. Ele conhece nosso Estado, os Clubes mineiros, nossos Estádios, enfim, tem todas as credenciais para realizar uma boa parceria com o Governo de Minas”.

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ESPECIAL

Há quem diga que as penitenciárias são escolas para formar marginais, pessoas que ficam com tempo ocioso e aproveitam para se aperfeiçoarem no crime. Mas aqui em Minas parece que isso está começando a mudar.

Francisco das Chagas Queiróz - Operário na obra do Mineirão .

RECONSTRUINDO A LIBERDADE

Por Marcelo Devanir

A Segurança Pública é sem dúvida um dos temas mais discutidos no País. Todos os dias abrimos os jornais, revistas, ouvimos nas rádios, vemos nos noticiários da televisão, cenas de crimes que chocam a todos, delegacias e penitenciárias com excesso de lotação, cheias de pessoas condenadas cumprindo penas, sem a mínima condição de sobrevivência. Há quem diga que as penitenciárias são na verdade, escolas para formar marginais que, com todo o tempo ocioso, sem nada para fazer, aproveitam para trocar informações e ideias, se aperfeiçoando na arte do crime. Mas aqui em Minas Gerais parece que isso está começando a mudar. Quem passa pela obra de reconstrução do Mineirão não imagina que lá estão vinte e cinco presos, em regime de semiliberdade, trabalhando, ganhando seu dinheiro e obtendo vantagens na diminuição de pena. E o principal; “se preparando para quando deixarem a Penitenciária e tiverem que encarar os desafios na nova vida”. 10

Fomos até lá para conferir como funciona o Projeto do Governo do Estado através da Seds-Secretaria de Estado de Defesa Social, em parceria com a Nova Arena BH, empresa responsável pela reconstrução do Mineirão. Conversamos com um dos detentos, Francisco Das Chagas Queiróz, que será nosso espelho para a matéria. Francisco ou “Chiquinho” como é conhecido, foi condenado a 59 anos e 8 meses de prisão (pena unificada em 30 anos), por assaltos a bancos e, já cumpriu 17 anos e 6 meses devendo obter a liberdade total daqui a 1 ano. Francisco lembra que no tempo em que está preso já presenciou várias rebeliões, mas que isso está mudando: “Hoje a filosofia dentro do presídio está mudada, não existe mais rebelião. O que causa rebelião no presidio é você não fazer nada. A pessoa vai ficando estressada dentro de uma cela e isso não conserta ninguém, o que conserta é trabalhar”.

Revista BH14 - Junho-Julho/2012


BH14: Como você vê esse Projeto que dá oportunidade de trabalho para o preso? CHIQUINHO: Depois de tanto tempo no Sistema sinto que esse foi o maior Projeto que o Governo já teve em Minas. Hoje saio do presidio e vejo 500 pessoas indo trabalhar. BH14: Como os Juízes vêm os presos que trabalham? CHIQUINHO: Quando o preso está trabalhando, o Juiz já olha com bons olhos, se está estudando, olha melhor ainda. O nível de recuperação está aumentando. Eu falo isso porque estou lá, convivendo com isso todo dia. Se você recupera 75% de sentenciados, diminui o risco da marginalidade nas ruas. Eu falo porque vivo no meio. O mal cresce por falta de trabalho, de oportunidade. BH14: Como é o comportamento do preso que trabalha, na Penitenciária? CHIQUINHO: A pessoa quando chega do trabalho está cansada só quer saber de tomar um banho e dormir. No meu setor são 332 pessoas. Todas saem pela manhã para trabalhar e voltam entre 7 e 8 horas da noite. Eu chego mais tarde porque ao sair do Mineirão ainda vou para a Faculdade, estou cursando o 3º período superior de Enfermagem. Como eu são mais nove que estudam a noite, fora da Penitenciária. Chegamos por volta das 11 e meia da noite. Levantamos as 4 e meia porque as 5 o ônibus passa recolhendo todos para encaminhar para o trabalho. BH14: Você acredita no processo de ressocialização do preso ao sair da Penitenciária? CHIQUINHO: Eu acredito que os presos que hoje estão no Projeto só conseguiram essa oportunidade porque ainda são presos. A dificuldade que se encontra para conseguir emprego quando se deixa a prisão é muito grande, ainda existe muito preconceito. Para os que estão no Projeto isso não acontecerá porque a maioria deles já sairá com emprego garantido nas próprias empresas onde hoje estão trabalhando, já estará encaminhado. BH14: Como é trabalhar com os outros presos aqui no Mineirão? Revista BH14 - Junho-Julho/2012

CHIQUINHO: Quando cheguei aqui eu disse para o meu gerente: “vim pra cá para fazer a diferença, não para ser só mais um, vim pra cá para ficar depois que a obra terminar” (quem vai dirigir o Mineirão é a nossa empresa). Ele me respondeu: ”pois eu preciso de gente como você”. Aí eu conquistei o direito de coordenar os outros presos, e é o que faço, conversando, explicando o que eles podem ganhar com o trabalho, como isso vai ajuda-los quando deixarem a Penitenciária e forem viver suas vidas. BH14: Como sua família vê essa sua atitude de querer trabalhar enquanto preso? CHIQUINHO: Sou casado e tenho 3 filhos. Considero minha família muito centrada. Eu não encontro palavras para falar da família, o quanto me apoiam e ficam satisfeitos de me virem estudando e trabalhando. Eles sabem que hoje tenho uma filosofia de vida diferente e que crime é uma coisa do passado, bem passado mesmo. BH14: Você se arrepende dos assaltos a bancos que fez? CHIQUINHO: Eu não quero colocar a culpa em ninguém, mas foram as companhias que me levaram a isso. É você que escolhe. Se você anda em más companhias está sujeito às consequências. Se você anda em boas companhias você não vai parar na prisão. A polícia não vai atrás de quem é decente, está dentro de casa com a família, ela só vai atrás de quem está praticando coisas ilegais. Eu poderia falar: “ah, eu assaltei banco, roubei de quem está extorquindo o povo”, mas isso é problema deles, podem fazer pra lá, vão justificar é com Deus, não é comigo. Antes eu achava que roubando banco eu não estava roubando de ninguém, mas estava sim. BH14: Com essa experiência de vida, qual o conselho que você dá aos outros presos? CHIQUINHO: Eu falo pra eles que erro não tem diferença, pequeno ou grande, todo ele é igual. BH14: Você é feliz? CHIQUINHO: Rapaz, eu já era feliz, hoje trabalhando aqui sou mais feliz, não é apenas palavra, sou muito feliz aqui.


Reinaldo, operário nas obras do Mineirão: “...Aqui aprendi a dar valor à vida, tenho pessoas que confiam em mim e não quero decepcioná-las”.

Maria Cristina Andrade Aires é Coordenadora Social do Consórcio Nova Arena BH, responsável pela reconstrução do Mineirão. Ela se diz recompensada profissionalmente e pessoalmente com o trabalho que está sendo feito. Os presos são selecionados por uma Comissão Técnica de Classificação (CTC) com base em um bom comportamento, perfil para aquele tipo de trabalho e condições de saúde e segurança adequadas. A partir dai são entregues à Maria Cristina que faz o encaminhamento e acompanhamento na obra. Para ela o Projeto em parceria com o Governo de Minas e a Penitenciária tem sido muito positivo, já que forma novos profissionais num setor carente de mão de obra específica e os prepara para viver uma vida normal. Informações passadas pela Secretaria de Defesa Social-SEDS mostram que atualmente, cerca de 12 mil presos trabalham enquanto cumprem pena em todo o Estado de Minas Gerais. Os detentos trabalham nas 12

mais diversas atividades, como produção de bolas, sacolas ecológicas, equipamentos eletrônicos, cortinas, uniformes, roupas, entre outros. Esse projeto se estende também a outras obras com participação do governo. Diversas prefeituras têm parceria com a Seds para trabalho dos presos. Nesses casos, os detentos participam de obras locais, como reforma de escolas e hospitais, limpeza urbana, capina de lotes vagos, etc. Desde maio do ano passado, os presos de Minas Gerais que trabalham, enquanto cumprem penas, recebem o salário por meio de cartões magnéticos do Banco do Brasil, que podem ser usados para sacar dinheiro ou realizar pagamentos a débito. Minas Gerais é o primeiro Estado a oferecer esse benefício aos presos. Atualmente, cerca de 1.500 presos já utilizam o cartão de banco, o que reduz o fluxo de dinheiro dentro das unidades prisionais e permite que pessoas que não tinham sequer documentação deixem de

ser excluídas do sistema bancário e passem a ter a possibilidade de planejamento e controle financeiro, exercendo sua cidadania. Antes do cartão, o pagamento pelo trabalho era creditado em uma única conta por unidade prisional e um agente penitenciário ou servidor ficava responsável pelo repasse aos detentos, mediante assinatura de comprovante. Agora, o salário é depositado em uma conta-benefício, e o próprio detento, ou alguma pessoa a quem ele concedeu procuração, pode sacá-lo em qualquer agência ou caixa eletrônico. Os detentos que trabalham no Mineirão são remunerados tendo como base o salário mínimo. O valor do pagamento é distribuído em três partes: 50% pago ao preso no mês seguinte à realização do trabalho, 25% destinado a pecúlio, que é levantado quando o detento se desliga do sistema prisional, e outros 25% utilizados para ressarcimento do Estado.

Revista BH14 - Junho-Julho/2012


CAPA Quem já tentou explicar para uma mulher as regras do impedimento no futebol? Tarefa nada fácil... Por isso, pedimos Maria Luíza Torres, artísta plástica, que retratasse através de seus “fuxicos” como seria uma bola de futebol nesse universo feminino... Depois, chamamos a ‘menina’ Bárbara Magalhães e o Produtor de Moda Luiz Otávio Brandão para apresentar-nos a “obra” (digo, a bola). O resultado? Elas batem um “bolão”... ou, em bom ‘futebolês”, os ‘números’ não deixam dúvidas.

MULHERES, BOLA E COPA DO MUNDO...

ESSA QUÍMICA DÁ CERTO? Por Marcelo Devanir

O número de mulheres no Brasil já supera em quase quatro milhões o total de homens. Em 2010, a proporção era de 96 homens para cada 100 mulheres. Essa tendência histórica de predominância feminina na população do Brasil acentuou-se ainda mais já que em 2000 esse número era de 96,9 homens para cada 100 mulheres. Os dados constam da Sinopse do Censo Demográfico 2010, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), depois de visitados 67,5 milhões de domicílios em cinco mil 565 municípios do País. Mas e quando o assunto é futebol, Copa do Mundo, qual o comportamento delas? Apesar das gracinhas masculinas, as mulheres gostam e entendem de futebol, prova disso é que hoje temos vários times femininos disputando campeonatos no Brasil. A melhor do mundo já por cinco vezes seguidas é a nossa Marta. Segundo pesquisa realizada quando da última Copa do Mundo, 80% das mulheres torcem por algum time e são fãs de Copa do Mundo. Das mulheres com idade entre 18 e 60 anos pesquisadas, 94% assistem a todos os jogos da seleção no mundial. Além disso, 30% acompanham as Revista BH14 - Junho-Julho/2012

partidas de outros países. O interesse pelo futebol aumenta durante o período de Copa do Mundo, de acordo com 46% delas. Estamos às vésperas de mais um Mundial e, desta vez no Brasil. Como será o comportamento “delas”: estão entusiasmadas, acompanham tudo que está sendo feito, acreditam na nossa seleção, vão assistir os jogos, irão aos estádios? Fomos às ruas de Belo Horizonte para conversar com algumas mulheres e saber o que elas estão pensando sobre essa história dos jogos da Copa do Mundo na Cidade. A Publicitária Mônica Guimarães Zica entende pouco de futebol, mas adora assistir a uma partida ou ir a um estádio. Para ela os jogos da Copa do Mundo têm outra química, cria outra expectativa, não é como os jogos dos campeonatos regionais ou até mesmo o Brasileirão: “é diferente, mexe com a gente, tem todo um clima, torcida, festa, confraternização, é muito legal”. Mônica diz que assiste a todos 13


A aposentada Wilnia de Castro Dias não entende muito de futebol, mas adora o esporte. Foi apenas três vezes a um estádio. “Quando o assunto é Copa do Mundo a coisa muda, assisto a todos os jogos do Brasil e também das outras seleções. É muito gostoso todo o clima, a festa, a vibração”. Wilnia pretende ir ao Mineirão pelo menos uma vez para assistir a um jogo do Brasil ou de outra seleção: “tinha vontade de ver as seleções da Alemanha, Itália, Holanda jogar. Eu vou ao estádio sim, pelo menos uma vez”. Com relação às obras que estão sendo realizadas em Belo Horizonte, Wilnia acredita que será muito bom para a cidade, principalmente para o turismo, embora ache que depois da Copa o movimento vai cair um pouco, mas depois se recupera. Mas o bom mesmo é saber que as mulheres estão cada vez mais ligadas na Copa de 14 em nosso País. Que a inteligência e a beleza delas estejam em todos os jogos do Mundial, mesmo que elas não entendam nada ou pouco do futebol.

Bárbara Magalhães veste: “Lu Laborne”; Bijouxs: “Andréa Bueno - Acessórios artesanais”; Calçados: “Claudia Guidorizzi”, todas localizadas no Shopping 5ª Avenida, Savassi, BH; Objeto: Bola, por “Maria Luiza Torres”; Produção de Moda: “Fragile” (L.O.B.); Maquiagem: “Edson Magalhães”; e clicks: “Ricardo Aluotto”.

Divulgação

Mônica Guimarães Zica, Publicitária, adora ir aos estádios Divulgação

Já a dona de casa Nívia de Oliveira acha que todo o País tem que se reestruturar para a Copa: “só espero que essas obras sejam bem feitas e definitivas, porque o que se vê são obras caras sendo entregues e logo depois tendo que passar por reforma”. Nívia diz gostar um pouco de futebol e entende mais ou menos do esporte e por isso não vai a estádios, mas quando o assunto é Copa do Mundo

assiste aos jogos do Brasil e gosta também de ver os das outras seleções. “Copa do Mundo contagia as pessoas e é gostoso participar daquela corrente para frente, torcendo pelos nossos jogadores”. Para ela o mundial será uma boa oportunidade para fazer com que Belo Horizonte fique mais conhecida mundialmente, mas gostaria que aqui tivesse mais atrativos e opções para o turista. Ela acredita que a hora é boa para estimular o crescimento, de se andar para frente e mostrar que o País quer crescer e melhorar de alguma forma.

Nívia de Oliveira, Dona de Casa, prestigia os jogos da Seleção. Divulgação

os jogos da Seleção Brasileira e que faz o possível para assistir os jogos das outras seleções também. Se tiver oportunidade quer estar no Mineirão para assistir a um jogo do Mundial de 2014. Mas quando o assunto é a preparação de Belo Horizonte para receber o Mundial, a Publicitária Mônica mostra certa descrença: “não sei se as obras que estão sendo feitas aqui serão suficientes para dar infraestrutura e receber tantos turistas como está sendo esperado, isso se elas ficarem prontas a tempo”.

Wilma de Castro, Aposentada, pretende ir ao Mineirão ver os jogos da Seleção.


BHELÔ Com a proximidade da Copa do Mundo de 2014, a região metropolitana de Belo Horizonte, vê um crescimento dos investimentos na Rede Hoteleira. Talvez o fato de que em Minas o PIB tenha crescido 10,9% em 2010, o que foi um recorde, não tenha passado despercebido pelos investidores.

“BOOM” NA REDE HOTELEIRA EM BELO HORIZONTE? Por Marcelo Devanir Divulgação

espaços para congressos e feiras, como o Expominas e o Minascentro, têm taxa de ocupação média de 80%, chegando, em alguns meses, a 100%. Os pontos fortes de Belo Horizonte, apontados por diversos estudos, são os atrativos culturais e gastronômicos e a localização geográfica que facilita o acesso aos principais centros do Brasil. Até o fato de a cidade não ter praia influenciaria positivamente, porque sem o mar, os participantes ficariam mais focados nos eventos.

Para cada quarto de hotel construído estima-se que sejam gerados em média quatro empregos diretos. Isso significa que, até a Copa em 2014, somente o setor hoteleiro vai gerar cerca de 60 mil empregos em Minas.

Projetos da Patrimar (esq.) e da Maio Paranasa para BH.

Segundo a SECOPA (Secretaria Especial da Copa), atualmente, são 30.194 leitos distribuídos em 314 meios de hospedagem situados a, no máximo, 100 quilômetros de Belo Horizonte. Em média a taxa de ocupação é de 80%, mas de terça à quinta-feira facilmente chega-se a 100%. Para 2014, projeta-se um total de 50 mil 919 leitos para a região da Grande BH. Estão em construção na Capital 28 hotéis e outros 17 empreendimentos estão na reta final do processo de licenciamento. Com isso, serão 45 hotéis a mais na cidade que acrescentarão 16.042 leitos. Revista BH14 - Junho-Julho/2012

A maior rede hoteleira do mundo, a americana Wyndham, vai investir cerca de R$ 800 milhões em 11 hotéis em Minas. Em abril deste ano, o grupo inaugurou um hotel em Lagoa Santa, a 42 km de Belo Horizonte, o Hotel Ramada Airport Lagoa Santa com 140 apartamentos. Entre os hotéis em obras, um tem classificação cinco estrelas; 10, quatro estrelas; 17, três estrelas e um de uma estrela. Em fase de licenciamento, há mais 6 hotéis cinco estrelas. Belo Horizonte vem se firmando como um dos principais destinos do turismo de negócios. Os principais

Essa cadeia produtiva envolve muitos setores: têxtil, moveleiro, tecnologia da informação, telefonia, jardinagem, tradução etc. e ainda há o impacto no comércio local. (fonte: copa.mg.gov.br) Um dos grupos que está investindo na construção de hotéis em Belo Horizonte é o “Maio Paranasa”, que já conta com 5 hotéis em operação na Região Metropolitana de Belo Horizonte: Mercury, Íbis Liberdade, Íbis Betim/Contagem, Íbis Savassi e o Fórmule 1. No momento estão com 6 hotéis em construção em Belo Horizonte e três no Rio de Janeiro, todos em parceria com a Rede Arcor. O investimento em Belo Horizonte está sendo de 485 milhões de reais 15


Jânio Valeriano, Diretor de Desenvolvimento do Grupo Maio Paranasa (esq.); Lucas Guerra Martins, Diretor Comercial e de Marketing da Patrimar Engenharia.

nos seis projetos e seriam feitos independentemente da Copa do Mundo. Para Jânio Valeriano, Diretor de Desenvolvimento do Grupo Maio Paranasa, parte da mídia está jogando muito para o alto ao dizer que está existindo um “BOOM” na construção de hotéis de Belo Horizonte. “Muito se fala que a rede hoteleira de Belo Horizonte seria duplicada ou triplicada e não é verdade. Se você pega todos os hotéis com chance de serem viabilizados na região centro sul, o número de quartos fica entre 3.000 e 3.500. Na região centro sul Belo Horizonte há 9.000 quartos. Se todos os projetos previstos forem viabilizados estamos falando de aumentar na região centro sul algo em torno de um terço até 2014. Se incluir todos até a linha verde, região da Pampulha, a região metropolitana como um todo tem 11.000 quartos. De acordo com nossa pesquisa e da Prefeitura e, com os projetos em andamento, se tudo acontecer serão mais 5.000 quartos. Somando-se todas as categorias e alguns que nem começaram a ser construídos e, pela lei da copa têm que estar prontos até fevereiro de 2014, não existe o “BOOM” que se fala”. Até 2014 está previsto um aumento de 30% a 40% na rede hoteleira da cidade. 16

Outro grupo mineiro que está investindo no ramo de hotelaria é a Patrimar Engenharia que atua no ramo de construções há pouco mais de 40 anos em Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Campinas. Em parceria com a rede Intercontinental está construindo um hotel, classificação quatro estrelas na região da Savassi, com 216 quartos e investimentos de 60 milhões de reais. Para o Diretor Comercial e de Marketing da Patrimar, Lucas Guerra Martins, a decisão da empresa de entrar no ramo de hotelaria se concretizou após pesquisa que mostrava que Belo Horizonte era a cidade com mais carência de hotéis entre os grandes centros do Brasil. Para ele, “com vocação para o turismo de negócios e tendo São Paulo e Rio de Janeiro com sua capacidade para eventos comerciais completamente exaurida, as grandes redes passaram a focar mais Belo Horizonte”. Lucas Guerra afirma também que a hotelaria construída há mais de dez anos, num padrão familiar terá que se adequar com a chegada das grandes redes ou corre o sério risco de fechar as portas.

Engenharia concordam: “quem aposta na ociosidade dos hotéis que estão sendo construídos após a Copa do Mundo, ainda não acordou para a realidade”, eles garantem que dados divulgados mostram o contrário: “a realização da Copa do Mundo apenas fez com que se acordasse para uma realidade que está latente. Com certeza todos esses hotéis terão ocupação mesmo depois da Copa”. De 2004 até 2011, a taxa de ocupação subiu de 30/40% para 75% nos hotéis até quatro estrelas e para 80% nos cinco estrelas. Para os representantes dos dois Grupos o grande legado a ser deixado pela Copa do Mundo no setor, será a modernização física, melhoria dos profissionais e a vinda de cadeias internacionais reconhecidas mundialmente. “A partir de agora a exigência por capacidade, qualidade e tecnologia passa a ser muito maior. Temos que ser competentes em mostrar para o Mundo nossa capacidade e os atrativos de Minas”, garantem.

Num ponto tanto Jânio Valeriano do Grupo Maio Paranasa como Lucas Guerra Martins da Patrimar Revista BH14 - Junho-Julho/2012


Esportes Em BH Diz a lenda, que há muitos e muitos anos, Deus ouviu o pedido dos mineiros, que sempre terminavam suas preces com a frase: “livrai-nos do ‘mar’, amém...” e Ele mandou a praia lá pra depois de Juiz de Fora.

NA CIDADE DAS MONTANHAS, UM ESPORTE DE MONTANHAS Divulgação Por José Orlando (J.O.)

Sem mar fomos procurar outras diversões. E nada melhor que aproveitar o “mar de montanhas” que Deus nos deu e rodar por elas de maneira ecológica, saudável (apesar dos inevitáveis tombos e arranhões), silenciosa e até contemplativa, quando se encara o Montainbike (MTB) como diversão e não competição. Um rápido giro pela região metropolitana irá mostrar que Sabará, Nova Lima, Rio Acima, Macacos, Honório Bicalho, Raposos, Moeda, Brumadinho, Lagoa Santa e Caeté (para não me alongar demais), são fontes inesgotáveis de boas trilhas, estradinhas de fazenda, cachoeiras, riachos e lagoas que vão encantar qualquer um que se disponha a enfrentar as inevitáveis subidas, cascalho e outros desafios que o MTB proporciona. Outra atração à parte são as próprias Revista BH14 - Junho-Julho/2012

cidades citadas aqui, seus bares simples, povo agradável e ótimos restaurantes escondidos de onde se pode começar e terminar os pedais, sempre com a boa comida mineira uma cervejinha (para atletas menos radicais) e a famosa resenha pós trilha, onde certamente iremos marcar o pedal da próxima semana. Pedindo desculpas aos lugares que não citarei por pura falta de espaço, aqui vão algumas recomendações de restaurantes agradáveis, de onde se pode começar e deve terminar os pedais: Recanto da Tia Lucia em Rio Acima, Brunello em Moeda, Jotapê em Pompeu, Ao Pé do Jatobá em Casa Branca. Dicas para quem quer começar O Mountainbike pode ser um esporte muito prazeroso ou muito sofrido, dependendo basicamente da relação

entre o seu condicionamento físico e do percurso que você escolha fazer. Portanto, comece de leve, pelas trilhas mais simples e com menos subidas (A trilha da Mexerica em Moeda é um bom exemplo para iniciantes). A primeira vez tente fazer com uma bike emprestada, se gostar compre uma bike mais básica e vá melhorando se você realmente gostar da coisa. Por fim, não ande sozinho, BH tem dezenas de turmas de ciclistas. Você poderá encontrálos através dos amigos, das redes sociais ou até mesmo nos pontos comuns de ‘início de pedal’, como no estacionamento do Alphaville. Luvas, capacete, mochila de hidratação e protetor solar são itens obrigatórios. Caso queira outras dicas ou também se enturmar, faça contato através do jorlan2001@hotmail.com

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COLUNA ALMIR ROBERTO

OS “DONOS” DO FUTEBOL Quando o paulista CHARLES WILLIAN MILLER (paulista?) trouxe para o Brasil em 1894 a primeira bola de futebol, este aristocrata jamais poderia imaginar o tamanho da paixão que esse esporte iria gerar no povo brasileiro.

VI FESTA TRADICIONAL ITALIANA DE BELO HORIZONTE Festividade já é considerada a maior no mundo realizada em um só dia fora da Itália.

Os espertos de plantão, e eles sempre estão de plantão, logo descobriram que o futebol era uma mina de dinheiro e trataram logo de arranjar um jeito de tirar proveito. Aqueles apaixonados por seus times, criados em parques, campos de várzea ou mesmo nas ruas do bairro, perderam seus tronos para os empreendedores que a cada dia mais tomavam conta dos times. Como verdadeiros “donos da bola” eles se transformam com o passar dos anos em pessoas com tamanho poder que ficam mais importantes que a própria entidade para qual prestam serviços, se apoderando dos direitos federativos dos jogadores, se tornando aliados dos grandes patrocinadores. Com essas parcerias firmadas em nome de seus clubes fazem os maiores absurdos com contratações milionárias. Dívidas impagáveis, salários atrasados, jogadores que com salários astronômicos se esquecem de jogar futebol e vivem apenas sob os refletores das grandes redes de TV. Como exemplo mais recente podemos citar a “renuncia” de Ricardo Teixeira que durante 23 longos anos esteve à frente do futebol brasileiro, na presidência da CBF, como se ela fosse uma propriedade particular. Não seria a hora de limpar a casa, de exigir que a fatia do bolo seja do mesmo tamanho para todos, de dar lugar aos novos, sim aos novos, pessoas com ideias renovadas para transformar o futebol realmente em um esporte para todos e não somente para alguns privilegiados, que a cada ano que passa se tornam mais ricos poderosos e distantes daqueles que realmente merecem estar perto dos seus clubes? (Almir Roberto é Radialista)

Foto: Bruno Senna

Conta a história que em 1895 foi realizado o primeiro jogo no Brasil entre os funcionários da Cia. De Gás de São Paulo e os trabalhadores da ferrovia São Paulo Railway. Clubes amadores foram se formando e depois se transformando em profissionais no Brasil.

No último dia 3 de junho foi realiza a sexta edição da Festa Tradicional Italiana de Belo Horizonte. O evento que aconteceu na Avenida Getúlio Vargas, entre ruas Tomé de Souza e professor Moraes, na Savassi, mostrou como atrações a culinária, músicas e danças típicas da Itália, atividades infantis e muito mais. Ao divulgar a cultura italiana, a ideia é reunir italianos, ítalos descendentes e brasileiros em uma grande confraternização no mês de encerramento do Ano da Itália no Brasil. Quem participou da Festa doou um quilo de alimento não perecível ou um pacote de fralda descartável que agora serão doadas a oito instituições carentes do Estado.

A festa, que contou com a presença de cerca de 80 mil pessoas, teve a participação da Cia. Fiorini de Teatro Mambembe com o espetáculo “Doroteia, a princesa tagarela”, grupo de Dança Folclórica La Sereníssima; Sergio di Napoli & Banda; Banda de Música da Aeronáutica; Transitolândia; Atividades do Corpo de Bombeiros para as crianças; Grupo de Dança Folclórica Italiana Tarantolato de Juiz de Fora; Paola Giannini & Banda; Fernando Noronha & Banda e Kélber Pontes. Quem quiser ver as fotos e vídeos da Festa pode entrar nos sites “festaitalianabh.com.br” ou “acibramg.com.br”

Revista BH14 - Junho-Julho/2012


BH14 - Edição 00  

Belo Horizonte em ação e transformação, para receber a Copa do Mundo 2014. Edição de lançamento.

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