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Ano XIII - nº 50

www.artestudiorevista.com.br

arquitetura & estilo de vida AO QUE VAI CHEGAR Reforma em um apartamento foi motivada pela gravidez

ESPAÇO DE SOBRA

Arquitetura e ambientação em uma casa com mais de 20 cômodos

INTEGRAÇÃO JÁ

A racionalização dos espaços em uma casa em condomínio fechado

VIVA ARTIGAS!

O centenário do arquiteto gerou exposição, filme e livro

DE CASA NOVA

Projeto de arquitetura dá a imobiliária uma nova e requintada sede

+ A história da Biblioteca Pública do Estado da Paraíba, Frei Otto e a sustentabilidade e o espelho através dos tempos


M A D R E P É R O L A

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Ano XIII

SUMÁRIO

Edição 50

DICAS & IDEIAS 72 MATERIAIS Piscinas de areia trazem a praia para dentro de casa

CONHEÇA 20 LIVRO A vida e a obra de José Vilanova Artigas

26 GRANDES ARQUITETOS Frei Otto e o pioneirismo na sustentabilidade

30 A HISTÓRIA DE O espelho, desde a antiga Pérsia

74 ACERVO Uma biblioteca pública mantém vivo um prédio neoclássico

26 ARTIGOS VISÃO PANORÂMICA 12

Amélia Panet lembra os fotográfos ‘lambe-lambes’

URBANISMO 14 Rossana Honorato debate a identidade da paisagem VIDA PROFISSIONAL 16 Fred Rocha fala das verdades sobre empreendedorismo VÃO LIVRE 18 Silton Henrique defende o desenho à mão livre PONTO FINAL 82 As encruzilhadas da vida por Tom Coelho

ENTREVISTA ENTREVISTA 22 Marcelo Scharra nos convida a repensar e criar novas alternativas às empresas

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76 ARQUITETURA E MODA Novidades dos desfiles na decoração de ambientes

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34 PROJETOS COBERTURA 34 Projeto de Bethania Tejo repaginou ambientes em apartamento PARA RECEBER O BEBÊ 40 A gravidez dos moradores motivou reforma em apartamento de Belo Horizonte assinado por Virginia Reis e Bruna Figueiredo

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ESTRATÉGIA DE MARKETING 44 Projetos de arquitetura em franquias elevam experiência de consumo por meio de sua identidade visual apresentado por Denise e Aline Bernacki MUITO ESPAÇO 48 Projeto de arquitetura e paisagismo de Silvana Freitas para uma casa com mais de 20 cômodos e iluminação de Márcia Barreiros RACIONALIZANDO ESPAÇOS 56 Acessibilidade e sustentabilidade em espaços integrados e funcionais em projeto de Teresa e Rafaella Queiroga

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NOSSA CAPA 62 O convidativo novo lar de uma imobiliária assinada pelos arquitetos Franscisco Cabral, Patrícia Gouvêa e Flávio Lucena

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Nossa capa: Projeto: Francisco Cabral, Patrícia Gouvêa e Flávio Lucena Foto: Vilmar Costa


arquitetura & estilo de vida ANO XIII - Edição 50

EXPEDIENTE Diretora/ Editora geral - Márcia Barreiros Editor responsável - Renato Félix, DRT/PB 1317 Redatores - Alex Lacerda, Débora Cristina,

Lidiane Gonçalves, Renato Félix, Neide Donato

Diretora comercial - Márcia Barreiros Projeto gráfico - George Diniz Arte e diagramação - Welington Costa Fotógrafos desta edição - Diego Carneiro / Vilmar Costa / MB Impressão - Gráfica JB

QUEM SOMOS AE é uma publicação trimestral, com foco em arquitetura, decoração, design, arte e estilo de vida, com tiragem de 8 mil exemplares de distribuição gratuita e dirigida. A reprodução de seus artigos, fotografias e ilustrações requer autorização prévia e só poderá ser feita citando a sua fonte de origem. As colaborações e artigos publicados e fotos de divulgação são de responsabilidade exclusiva de seus autores, não comprometendo a revista, nem seus editores.

ONDE NOS ENCONTRAR Contato : +55 (83) 3021.8308

/ 99857.1617

c o n t a t o @ a r t e s t u d i o r ev i s t a . c o m . b r d i r e t o r i a @ a r t e s t u d i o r ev i s t a . c o m . b r R. Tertuliano de Brito, 348 - Bairro dos Estados, João Pessoa / PB , CEP 58.030-044 revistaae @revARTESTUDIO Artestudio Marcia Barreiros

www. artestudiorevista. com. br As matérias da versão impressa podem ser lidas, também, no nosso site: www.artestudiorevista.com.br com acesso a mais textos, mais fotos e alguns desenhos de projetos 12


EDITORIAL

UM CENTENÁRIO Em junho o arquiteto paranaense João Batista Vilanova Artigas teria completado 100 anos. E em janeiro sua morte completou 30 anos. E este é um ano em que seu nome foi lembrado e celebrado das mais diferentes maneiras. Principalmente uma exposição no Itaú Cultural em São Paulo e um documentário sobre sua vida (Vilanova Artigas – O Arquiteto e a Luz, dirigido por Pedro Gorski e Laura Artigas, que é neta do arquiteto). Além de um nome importantíssimo da arquitetura nacional, Vilanova Artigas foi principalmente identificado com a Escola Paulista e deixou obras marcantes na capital de São Paulo. É o caso do estádio do Morumbi, o prédio da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (a FAU, na USP) e o Edifício Louveira. Ele também tinha um envolvimento grande com a política: teve associação com o Partido Comunista e, por isso, passou por um período de exílio no Uruguai a partir de 1969, durante a ditadura militar brasileira. A ocupação do Itaú Cultural ficou em cartaz de junho a agosto e introduziu o grande público na obra do arquiteto. O filme estreou na mesma data em salas pelo Brasil e ainda está circulando. Mas a AE aborda outro produto dedicado este ano ao arquiteto histórico: o livro João Batista Vilanova Artigas, de Miguel Antônio Buzzar, é assunto da nossa edição. O autor nos fala da importância de Vilanova Artigas e comenta sua obra. Há mais nesta quinquagésima edição da AE: uma matéria sobre as novas piscinas de areia, a história do espelho, uma visita à Biblioteca Pública do Estado, em João Pessoa. E, claro, os projetos do ganhador do prêmio Pritzker 2015 Frei Otto e os nossos arquitetos convidados, com destaque a imobiliária Hofmann que foi o projeto vencedor do concurso da nossa capa na categoria arquitetura comercial. Boa leitura!

MÁRCIA BARREIROS editora geral e diretora executiva

Colaboradores desta edição:

ARTESTUDIO

RENATO FÉLIX editor de jornalismo

AMÉLIA PANET arquiteta

WELLINGTON COSTA prod. e diagramador

ROSSANA HONORATO arquiteta

DIEGO CARNEIRO fotográfo

GERMANA GONÇALVES designer interiores

DÉBORA CRISTINA jornalista

NEIDE DONATO jornalista

ALEX LACERDA jornalista

LIDIANE GONÇALVES jornalista 13


VISÃO PANORÂMICA

Fotos: Divulgação

LAMBE-LAMBES: OS FOTÓGRAFOS AMBULANTES

N

esses tempos de ‘selfies’ e de todas as facilidades para o registro e a propagação de imagens, alguns não imaginam o quanto foi revolucionário o advento da fotografia, que aliou magia, ciência, tecnologia e arte no ato de congelar o tempo e o espaço. Tampouco é devidamente valorizada na cultura brasileira a figura do fotógrafo ambulante, conhecido no Brasil como ‘lambe-lambe’. De acordo com a pesquisa etnográfica de Abílio Afonso da Águeda os fotógrafos ambulantes surgiram na segunda metade do século XIX após a descoberta de um processo fotográfico que reduziu sensivelmente os custos da fotografia, o ferrótipo. No Brasil, no entanto, os fotógrafos ambulantes tornaram-se frequentes na cena urbana no início do século XX, fazendo a cobertura de feiras, festas e eventos. Não existe consenso quanto ao termo

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‘lambe-lambe’ para identificar tais profissionais, várias suposições são registradas nas pesquisas sobre o assunto. Sua origem vai desde o hábito desenvolvido pelos fotógrafos ao lamber a placa de vidro para identificar o lado da emulsão, ou pelo motivo de que a saliva acelerava o processo de revelação e fixação devido aos compostos químicos. Ainda, tal alcunha pode ter a sua origem das lambidas nos negativos para identificar o lado emulsionado, para dar brilho às fotografias ou fechar os envelopes que serviam de proteção para as fotos. Na Paraíba, segundo as pesquisas de Bertrand Lira registradas em seu livro ‘Fotografia na Paraíba: um Inventário dos Fotógrafos Através do Retrato (18501950)’ e no documentário dirigido por Elisa Cabral com co-direção de Lira ‘Álbuns de Memória: Fotografia na Paraíba’, os fotógrafos ‘lambe-lambes’ tornam-se personagens urbanos por volta de 1940, instalando-se nas ruas, passeios e praças públicas retratando famílias, casais, crianças e pessoas em seus momentos de lazer. Apesar da sua progressiva extinção, os fotógrafos ‘Lambe-Lambes’ ainda estão presentes na memória da maioria dos pessoenses e em alguns recantos da cidade a exemplo da Praça Aristides Lobo. Com suas máquinas ‘caixa de madeira’ apoiadas por um tripé eles marcavam ponto registrando as mudanças urbanas e sociais da nossa cidade. Na face frontal da caixa, um pequeno trilho por onde corria um fole com uma lente objetiva na ponta e uma cordinha amarrada, o disparador. Do lado oposto, uma capa preta, por onde o fotógrafo se metia para focar a cena. Na parte superior da caixa um pequeno rasgo para a entrada da luz solar e um filtro vermelho. Dentro da caixa, um verdadeiro laboratório, pequenas ‘banheiras’ de revelação e fixação, chassis escamoteável, depósitos de papel e de filmes e, assim, em alguns minutos e num passe de mágica, tínhamos à mão o registro daquele momento, nem que fosse uma foto 3x4 para um simples documento. Para Águeda (2008) o fotógrafo ‘lambe-lambe’ foi um agente responsável pela democratização e popularização do retrato fotográfico entre as classes menos privilegiadas de nossa sociedade e, durante quase um século, seguiu registrando a vida cotidiana nos espaços públicos das cidades. Alguns desses fotógrafos trabalharam por décadas como o Sr. Everaldo Rodrigues citado na reportagem de Naira Di Lorenzo, com ponto na Praça Aristides Lobo.

No Brasil, ainda que tardiamente, alguns órgãos gestores começam a valorizar esse ofício e seus profissionais a exemplo do Rio de Janeiro, que por meio do Decreto Municipal no 25678/2005 reconheceu o ofício dos ‘lambe-lambes’ como um patrimônio cultural imaterial. Em São Paulo, encontrase em exposição no MIS, Museu da Imagem e do Som, a exposição ‘Lambe-Lambe – Os Fotógrafos de Rua na São Paulo dos Anos 70’, que resgata uma das primeiras coleções de seu Acervo. A exposição tem a curadoria e pesquisa de Isabella Lenzi e assistência de Juliana Caffé, e foi composta por cerca de 80 ampliações fotográficas e 80 cromos coloridos. A exposição ainda oferece ao visitante o acesso aos depoimentos de fotógrafos sobre seus trabalhos à época. Tais ações reconhecem e valorizam esse personagem e o seu ‘savoir faire’ como essenciais à história da sociedade e às transformações urbanas.

Amélia Panet

Arquiteta e urbanista Mestre em arquitetura e urbanismo Doutora em arquitetura e urbanismo pela UFRN Professora do curso de arquitetura e urbanismo pela UFPB

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URBANISMO

Foto Aérea Centro João Pessoa - Cedida IBAMA - MarcoVidal

O PROJETO URBANÍSTICO

E A IDENTIDADE DA PAISAGEM CULTURAL

O

piniões e análises científicas têm frequentemente comungado uma visão crítica sobre a qualidade da paisagem urbana brasileira: a falta de correspondência das políticas públicas às expectativas da população por boas práticas em intervenções na cidade. Sobretudo aquelas que promovem alterações na configuração de espaços abertos de permanência e de circulação e livre acesso. Ainda que esta temática não envolva amplamente o espectro das políticas públicas de necessidade básica, nela reside o fundamento das críticas às cidades contemporâneas, à essência dos problemas que desafiam a viabilidade urbana. E principalmente àquele que alicerça a multiplicação da desigualdade social e contraria o direito à cidade e à plena cidadania. As intervenções urbanas de interesse público decorrem, ou deveriam, de ações governamentais de um mandato municipal delegado por maioria do voto direto da população após um debate sobre propostas concorrentes ao longo de um processo eleitoral, com vistas, com vistas, à promoção do desenvolvimento socioeconômico e cultural local. O votado melhor programa administrativo tem especial rebatimento no território urbano e suas proposições deveriam continuamente ser submetidas ao debate público se o governo municipal garantisse a constitucionalidade da participação popular desde a destinação das rubricas orçamentárias do Plano Plurianual, cuja aprovação o Executivo divide com o Legislativo em prol das metas de interesse público. Ocorre que a debilidade - ou seria o êxito? - flagrante de parte significativa das intervenções urbanísticas advém da falência do planejamento municipal e de orçamentos públicos, cujos agentes de poder decisório chegam

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inclusive a nominá-los de “peças de ficção”. Nisto, a sociedade tem podido confortar-se com a lealdade relativa a atividades da gestão pública. Por princípio legal, o PPA se alicerça nas determinações da Lei Orgânica Municipal, a sua Constituição, e nos instrumentos reguladores que guiam as intervenções municipais, tais como as leis complementares que constituem um plano diretor de desenvolvimento municipal, códigos urbanísticos de ocupação e uso do solo e de transporte e trânsito, aliando à rotina administrativa o aprendizado (dada a falta estrutural de experiência democrática no país) em implantações vivenciadas de gestões participativas. É impossível que não se reconheça que processos decisórios participativos, que suplantam as instâncias representativas, não têm os mesmos ritos e o mesmo cronograma físico de governos ortodoxos. A participação popular no processo de gestão implica um redimensionamento essencial do tempo na administração pública que prescreve uma outra gestão de prazos. Uma perspectiva certamente na contramão da celeridade do pragmatismo do mercado; contudo altamente impactante para o benefício das administrações municipais, cujo objetivo programático, não fossem somente governos signatários de estratégias partidárias, se asseguraria por uma política municipal democrática, planejada continuamente e legitimamente vigiada socialmente. Entretanto a descontinuidade cultural de políticas públicas nos mandatos governamentais no Brasil inviabiliza visões administrativas holísticas, sustentáveis a médio e a longo prazos, inovadora quanto aos prazos da ‘praticação’ democrática que uma gestão participativa por seus estágios requisita e com dividendos lícitos para a municipalidade, seus gestores e servidores, incluindo remunerações altamente satisfatórias.


À parte essa tentativa de contextualização que se pretendia um preâmbulo, o que se tem visto nas iniciativas e decisões urbanísticas governamentais é o imediatismo programático, sobretudo em operações urbanas de grande porte e de altíssimos investimentos financeiros, que repercute em impactos de vizinhança daninhos para o cotidiano citadino e que podem macular drasticamente marcos, símbolos, identidades culturais, ambientais e/ou urbanísticas, de reconhecimento popular e de pertença social. Profissões e mais profissões têm conseguido assegurar socialmente as fronteiras de suas habilitações com aparente tranquilidade para seus prestadores de serviços e clientes; é uma breve impressão. No urbanismo, entrementes, essa asseguração é permeada de uma complexidade intrínseca à diversidade dos consumidores potenciais. O usufruto de seus benefícios é indireto mediante a condição simultânea, e essencial, de habitantes que os constitui inexoravelmente usuários das áreas urbanizadas e de equipamentos instalados nos espaços públicos abertos da cidade. O reconhecimento dessa complexidade estrutural intrínseca a uma boa prática na formulação de propostas de intervenção urbana somente pode ser considerada responsiva em se adotando metodologias de participação para a garantia do direito constitucional à cidade. Em não sendo assim, e sem nem mesmo a aplicação de recursos de sondagem da expectativa social, projetos urbanísticos se fazem duramente insensíveis e certamente ferinos sobre a identidade da paisagem urbana, enaltecida como lugar de referência para parcelas consideráveis de habitantes. E assim como têm sido desprezadas as tentativas de implantação de recursos e instrumentos de gestão municipal participativa, também têm sido preterida a realização de concursos de projetos urbanísticos como um instrumento intrínseco à lei de licitações públicas; uma prática administrativa que se tem expandido internacionalmente em defesa da qualidade das intervenções na paisagem urbana e do bom investimento financeiro. E, com esse cenário de corrosão da noção de coisa pública, procedimentos que também subutilizam quadros humanos próprios, técnicos municipais especializados e aptos à tarefa do desenho urbano. A academia em sua tarefa de formar futuros profissionais de arquitetura e de urbanismo tem procurado ser então um lugar de exercício da profissão do urbanista. A adoção de problemáticas urbanas localizadas em sítios concretos visa simular realidades obedientes a regras e a ritos institucionais e segue conformando aplicações metodológicas para a concepção de projetos urbanísticos participativos, através do envolvimento de segmentos sociais diretamente envolvidos desde o início da ideia de intervenção até a reflexão sobre as proposições espaciais

em que resultam. O que tem por objetivo uma experiência disciplinar oportuniza também aos urbanistas professores a condução de um repertório de objetos de projetação mediado por simulações representativas de relações instituídas no mercado de trabalho. Os temas que constituem os objetos de trabalho correspondem naturalmente às ementas disciplinares e a uma graduação progressiva da complexidade da intervenção. Em detrimento deste encadeamento sucessivo, a opção didática por metodologias participativas na elaboração dos projetos pode ser capaz de influenciar mudanças de mentalidades nas próximas gerações de profissionais, senão na multiplicação de visões de mundo estruturantes de uma cultura democratizante porvir sobre o rebatimento territorial do direito à cidade. Uma perspectiva fragilizada no presente mediante a carência do predomínio de visões urbanas socialistas. Com relação a grandes operações urbanas de reordenamento territorial, de impacto sobre o meio ambiente, sobre a paisagem e sobre o orçamento público, se tem propugnado pela aplicação experimental de instrumentos de sondagem popular, constituindo meras amostragens potenciais, da elaboração à tabulação e à interpretação dos dados, que fornecem os parâmetros para as decisões arquitetônicas. Essas simulações se somam aos procedimentos relatados com a tentativa de contribuir para a formação de perfis profissionais reflexivos sobre a função social da arquitetura da cidade e sensíveis à complexidade do quadro de carências da vida urbana, e à grandeza real da expectativa social por serviços profissionais de arquitetos e urbanistas. Com a clareza dos limites de propostas acadêmicas pretensamente socializantes da arquitetura da cidade, a intenção tem sido provocar futuros profissionais à inquietude de pensar a realidade de entorno do campus universitário e dessa provocação esperar fluir visões de mundo que revisem estigmas relacionados ao sentido da arquitetura da cidade e do edifício, algumas vezes replicados inconscientemente na própria prática profissional. Com a escassez de oportunidades de exercício do urbanismo e a fragilidade do empenho da categoria profissional na conquista da ordem de concursos públicos para as obras municipais, tal como se assevera há tanto tempo para construção civil, a eleição de temas urbanos pungentes alimenta a engrenagem criativa de alunos e de professores do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFPB visando a aptidão profissional consciente, e conscientizadora, da função social da arquitetura o um desencadeamento de repercussões responsivas à essência da intervenção democrática sobre a fisionomia da cidade que reafirme identidades paisagísticas e realce significados e significações para a memória coletiva.

Rossana Honorato

Arquiteta e urbanista Professora de Arquitetura e Urbanismo da UFPB doutoranda do IPPUR-UFRJ.

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VIDA PROFISSIONAL

EMPREENDEDORISMO:

DA FICÇÃO À DURA

REALIDADE

E

ra uma vez um garoto que, apesar de nunca ter trabalhado, tinha ideias geniais e uma vontade muito grande de colocá-las em prática. Jones não imaginava que, para abrir seu próprio negócio, ele precisaria viver uma aventura cheia de desafios e lutar contra um impiedoso vilão: o Governo. Como todo principiante, ele compartilha sua ideia com amigos e familiares e é estimulado a dar vida a esse projeto. Essa ideia parece uma “doença

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contagiosa” e toma conta do garoto. Ele não fala em outra coisa, não pensa em outra coisa. Só tem olhos para seu projeto e não para de imaginar em como será feliz quando ele se tornar realidade. Até mesmo a namorada não aguenta mais ouvi-lo falar sobre a tal aventura e de suas expectativas. Em meio a todo entusiasmo e preparativos, surge o primeiro desafio: criar um bom nome. Uma tarefa difícil, principalmente quando o negócio precisa ter presença na internet – todo nome bacana que ele


pensa em criar já existe e, quando não existe, alguém já registrou. Nome escolhido, agora é preciso um logotipo. Será mesmo? Ainda não tem pesquisa de mercado, não estudou o consumidor, a concorrência e nem a viabilidade do negócio. Mesmo assim, ele vai em frente com seu projeto. “É uma ideia inovadora, não tem como dar errado”, pensa Jones. Pois é assim mesmo que a maioria começa um negócio! Apenas no sentimento, na raça, na esperança de que tudo vai dar certo. E é aí que a verdadeira aventura começa! O empreendedor vai entrar em uma floresta escura e sem fim, mas com promessa de um pote de ouro no final. Até então, é dia e os passarinhos cantam. O logotipo ficou lindo, o texto de missão, visão e valores é mágico – como manda o figurino – e o plano de negócios de quatro páginas está pronto. O sentimento de confiança continua: tem algo falando que esta é a oportunidade da sua vida, um oceano azul. Mas, de repente, começa a anoitecer. Pediram um tal de ‘fiador’ para o aluguel de uma sala, além de um comprovante de renda. Mas que renda? Ainda não tem um negócio, muito menos renda! E o preço do aluguel abocanhou a poupança de Jones. Se ele não começar a vender logo, além de escurecer, vai começar uma terrível chuva. O jovem empreendedor começa a ficar assuntado, afinal, a linda e encantadora floresta começa a revelar um lado obscuro, frio e burocrático. Após a noite mal dormida, em que as primeiras preocupações vieram à tona, amanhece um lindo dia de sol. Chegou a hora de comprar os móveis e equipamentos para mobiliar a loja. Este é um momento mágico, seria quase “o grande final de um filme”, no qual Jones beija a mocinha. Mas é aí que o tiro sai pela culatra e deixa nosso herói desacordado por dias, quase em coma. Ele gasta mais do que deve. Compra decoração, uma mesa mais bonita, um computador mais potente, um quadro para parede onde tinha um horizonte azul pintado... Depois do baque, levanta atordoado e se dá conta de que as compras estão parceladas no cartão

e a data de vencimento da fatura ainda está longe. Os móveis chegam, a internet é instalada, que dia mágico! Fica arrumando sua casa na floresta até altas horas e, depois, reúne os amigos em volta da fogueira para comemorar! “Amanhã tudo começa e minha vida vai mudar! Fiz o que precisava fazer”, pensa o empreendedor Jones. Na manhã seguinte, nosso aventureiro acorda animado e vai à luta. Mas logo cedo descobre que precisaria ter um eterno aliado: o contador (embora ele só traga péssimas notícias). Lá se foi mais dinheiro para um tal contrato social e para os primeiros impostos... Como se trata de um negócio novo e pequeno, Jones contrata dois funcionários. Em seguida, recebe da contabilidade mais impostos para pagar. As contas se acumulam antes mesmo de realizar sua primeira venda. Já ansioso com a situação, Jones senta-se em sua mesa e pensa que ainda não chegaram as contas de água, luz, IPTU e por aí vai... Quando registra sua primeira grande venda, felicidade total? Não! Percebe que deve pagar mais impostos, emitir uma nota fiscal pelo que vendeu. Isso, sem contar o valor que já havia pago por todos os produtos que estavam em sua loja. A chuva nesse momento é acompanhada de raios e trovões e está quase ininterrupta. Já desesperado, o empreendedor Jones lamenta: “Eu não tinha pensado em todos esses valores quando coloquei preço no meu produto. Como vai ser agora? Meu lucro, onde vai ficar? Como repassar esses valores para os meus clientes? Mas vou assim mesmo! Já cheguei até aqui, vamos em frente!”. Deste dia em diante, raramente fez sol na floresta. Infelizmente esse “conto” é mais comum do que se imagina. Empreender no Brasil transforma os empreendedores em aventureiros. Mas de uma coisa eu tenho a certeza: todos são heróis! E os que permanecem no mercado são, ainda, mais, pois enfrentam os desafios e os monstros da floresta diariamente, sem exceção.

Fred Rocha

Fred Rocha estudou Economia e Publicidade. Atualmente é diretor da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm-MG). Foi comerciante, sacoleiro de roupas e ambulante, antes de atuar no e-commerce e como palestrante e consultor. Já colocou ‘no ar’ mais de 200 lojas online, desde 1999. Foi fundador de uma agência de propaganda focada em Varejo, em Minas Gerais, e é criador do Portal de notícias Varejo1 (www.varejo1.com.br).

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Croqui D5 - Ed. Paralia - Ernani Henrique

VÃO LIVRE

O 3D DO MAL

Maquete Eletrônica - Ed. Paralia - Projeto: Ernani Henrique e Antônio Cláudio

E A FALSA

ARQUITETURA

D

e Vitrúvio (século I a.C.), Dédalo (mitologia grega), Leonardo da Vinci (séc. XV) a Antônio Cláudio Massa e Ernani Henrique Jr., a representação gráfica de projeto foi elaborada com algo parecido com lápis e papiro ou outro composto de celulose. A ideia carece desde sempre de uma comunicação visual para ser entendida pelos demais agentes do processo produtivo. O desenho, durante quase toda nossa história foi produzido pelas mãos dos artistas de todas as áreas. Estudantes de anatomia do século XVIII usaram da expressão em suas pesquisas e estratégias para o entendimento de vísceras e artérias. As guerras usaram mapas cartográficos e o desenho orquestrou a metodologia da invasão e conquista. Não imagino o esboço e o croqui deixarem de existir pelo simples fato de que afora os filmes de ficção científica, a exposição de uma ideia acorrerá no plano da cognição humana representada através da linguagem do esboço produzido à mão livre, mesmo que em mesas digitalizadoras. 20

Obra - Ed. Paralia - Projeto: Ernani Henrique e Antônio Cláudio


Atentando ao viés da arquitetura, datam de pouco mais de 30 anos os primeiros registros (PCs pessoais) do uso de computadores para auxílio de ferramenta de desenho arquitetônico. O AutoCad da Autodesk Inc. foi lançado no final de 1982 para em seguida virem as modelagens em 3D como o 3D Studio e 3D Studio Max. Nessas três décadas, softwares cada vez mais realistas e sistêmicos foram introduzidos ao fazer arquitetônico. O tempo de produção de projeto tem sido encurtado a limites que nos trás o questionamento se algo não foi esquecido do processo, num contrassenso à facilidade da informação, sobretudo do comportamento de projeto na leitura das necessidades, recursos empregados e capital disponível. As escolas de arquitetura tem refletido essa transição da prancheta para a tela de computador e sua internacionalização tem colocado limites (não de estilos) às atitudes de projeto e à facilidade de comandos, aja vista, dentre outras, a dificuldade de se trabalhar a curva e sua interferência no processo de tempo de confecção e compatibilidade. Dando um salto na digestão das vantagens das ferramentas tecnológicas e mirando o lado obscuro e disfarçado, é questionável como o domínio dos softwares por não arquitetos tem influenciado o resultado da Arquitetura e como este mesmo domínio tem transformado técnicos (ou não) do uso dessas ferramentas em profissionais da prática não capacitados nas Faculdades de Arquitetura. Esse livre manuseio tem levado ao paradoxo do que é o indivíduo conhecedor das técnicas de projeto, materiais construtivos e conhecedor do conceito arquitetônico, ao superficial resultado de uma maquete eletrônica cheias de luz e efeitos cênicos que obscurecem projetos não conformes ao objetivo e necessidades do usuário. Em uma sociedade de resultados rápidos e maquiadora do conhecimento multidisciplinar sobram “aventureiros intelectuais” do realismo, problemas básicos de detalhamento e ineficiência da busca da arquitetura sustentável e legal. Peças publicitárias ilustram uma arquitetura virtual sem autor específico vendendo uma imagem que em sua maioria não traduz a complexidade de requisitos técnicos. Hoje mais que nunca pessoas com facilidade de aprendizado nestes programas específicos da arquitetura e engenharia têm conflitado o saber científico e profissional de outros legalmente capacitados de, numa sociedade rodeada de leis, serem os reais detentores do direito. O exercício ilegal da arquitetura usa e abusa dessas ferramentas com o principal intuito de mostrar a sociedade que

a arquitetura nada mais é do que o manuseio de um mouse e uma boa resolução de impressão. O terreno para o exercício ilegal da profissão de Arquiteto e Urbanista é recheado de ilusionismo e camuflagem do entendimento, pois é sabido a quase sempre dificuldade do cliente ou usuário no entendimento tridimensional e a superficialidade do aparente enche os olhos e engana a totalidade das muitas etapas que norteiam um bom projeto de arquitetura. Nesse mercado capitalista é fácil a absorção e demanda dos mal feitores, pois os mesmos usam do expediente da mais valia às avessas harmonizado com a prática das Lojas de 1,99 onde o lucro advém do acúmulo de venda. Na selva de pedra não é incomum a previsível insatisfação na comparação entre o que se vê no papel fotográfico e o que jaz construído e a interpretação do erro resvalará sempre nos profissionais que se dedicam à coerência e responsabilidade técnica. O 3D do mal, enfim, é àquele que corrobora com a lógica do neoliberalismo e se instala na inocência ou não do cliente, contribuindo para o descontentamento urbano e individual da macro e micro ARQUITETURA ao mesmo tempo em que nos trás à reflexão sobre o que deve ser referência de qualidade e o que seja um produto descartável. Institut de France Manoscritto Leonardo da vinci

Silton Henrique

Arquiteto e urbanista

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LIVRO

ARQUITETURA CENTENÁRIA

Livro traça a história e a obra de João Batista Vilanova Artigas, que faria 100 anos este ano

Texto: Alex Lacerda | Fotos: Divulgação

E

m seu livro João Batista Vilanova Artigas, Miguel Antônio Buzzar traça um quadro teórico e conceitual das referências e questões que nutriram a produção de um dos maiores destaques da arquitetura nacional, Artigas. Ele teria completado 100 anos em junho e também é tema de exposição e documentário este ano. A obra fez uma análise da produção de Artigas, nome que está associado ao movimento arquitetônico conhecido como Escola Paulista. Esse conceito fica explícito não apenas no subtítulo do livro, “Elementos para a compreensão de um caminho da arquitetura brasileira”, mas no decorrer dos textos da obra. Em cada análise, cada destaque da obra contida no livro, o que inclui fotos, plantas e projetos, é possível perceber a influência do arquiteto, responsável por obras como o Estádio do Morumbi e a Casa Elza Berquó, ambas em São Paulo. Editado em uma parceria entre o Senac e a Editora Unesp, a obra procura apresentar um panorama detalhado do modernismo no Brasil, ao passo que também destaca e correlaciona esse painel com os rumos da produção de Artigas. De acordo com Buzzar, a obra de Artigas surge como uma forma de cisão, pois buscava um modo de execução arquitetônica que pretendia, nas palavras do autor “disputar, problematizar” a produção hegemônica. O autor cita o arquiteto em vários momentos no livro. “A concepção do livro parte do pressuposto que a historiografia da arquitetura moderna brasileira é muito centrada nos escritos e depoimentos dos próprios arquitetos. Passados vários anos e mesmos décadas desses textos, faz-se necessária uma análise que busque um distanciamento crítico em relação a essa historiografia e procure estabelecer critérios próprios de análise”, ressalta. Partindo desse pressuposto, Buzzar avalia diversos elementos da história da arquitetura brasileira, como a relação da questão nacional com as artes plásticas e a arquitetura moderna brasileira, a partir da introdução do modernismo com a “semana de arte moderna de 1922”. E também a relação da

intelectualidade com o estado varguista e o papel desta na construção da cultura nacional, como parte da construção do estado-nação brasileiro, além da manutenção dessa relação transformada em compromisso ético com as políticas e governos desenvolvimentistas do final da década 1950 e início dos anos 1960 . No livro, o autor enfatiza que “foi preponderante o sentido perseguido mais do que a forma como a obra foi construída, pois o legado de Artigas articulase a noção do intelectual que busca comprovar suas ideias através de sua atividade (profissional e política) e esse procedimento, aliado a linguagem das obras arquitetônicas, marcaram gerações de arquitetos”. Em outras palavras, o livro aponta que, mais do que a obra em si, o legado de Artigas está no conjunto de suas inquietações políticas e a influência que estas tiveram em sua obra e na arquitetura nacional.

O autor – Miguel Antônio Buzzar é mestre e doutor em estruturas ambientais urbanas pela FAU-USP e livre docente pela Escola de Engenharia de São Carlos, da Universidade de São Paulo (EESC USP). Leciona na USP desde 1989, atualmente, no Instituto de Arquitetura e Urbanismo de São Carlos e é pesquisador de arquitetura e urbanismo contemporâneos e também de programas e políticas públicas de habitação de interesse social.

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João Batista Vilanova Artigas De Miguel Antônio Buzzar


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MARCELO SCHARRA

ENTREVISTA

A CRISE ECONÔMICA DO PAÍS E SEUS IMPACTOS NAS EMPRESAS Especialista em Gestão nos diz que é possível gerir as crises com responsabilidade e estratégia, minimizando perdas e ampliando oportunidades

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specialista em gestão fala sobre como atuar na crise Marcelo Scharra é consultor de gestão da Inside Business Design (www.insidebd.com). É formado em Administração de Empresas pela PUC-SP, com especialização em Finanças pelo Insper. A Inside é uma consultoria que identifica, propõe metas e ajuda a solucionar problemas estratégicos, apresentando resultados efetivos de curto prazo. É, ainda, palestrante e colaborador do centro de empreendedorismo do Insper

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AE: A economia tem se mostrado frágil em 2015, por isso as empresas e empreendedores precisam estar mais atentos. Quais são os pontos que merecem mais atenção nesse momento? MARCELO SCHARRA: O Primeiro ponto que nunca deve sair de vista é o fluxo de caixa da empresa. Digo nunca pois em geral os empreendedores se sentem mais motivados ou demandados pelas questões de vendas e entrega de seus produtos ou serviços, o que os limita ou desfoca das questões ligadas ao caixa. O segundo ponto, e ter os dados internos organizados e a partir deles, estudar quais podem ser modificados partindo de três questões básicas: • A - Quais custos/despesas tenho certeza que já

posso cortar?

• B - Quais custos/despesas tenho dúvida, mas

acredito que consigo reduzir ou cortar?

• C - Quais custos/despesas tenho certeza que não

consigo cortar?

Neste exercício é importante que você consiga alocar e acreditar que a maior parte dos seus custos e despesas estejam nos itens A e B. Ressalto aqui uma despesa comum – Aluguel – que de imediato muitos colocariam no item C, acredite os padrões mudaram, o mercado está ruim e muitos proprietários estão flexibilizando. Afinal o mercado não está ruim apenas para você. Quando falamos de despesas e custos é importante ressaltar que existe a outra ponta: as receitas. Faça o mesmo exercício acima com as suas linhas de receita. Neste ponto é possível que o viés de seu olhar sobre o seu negócio não permita enxergar o universo de possibilidades que pode explorar. Para isso, contrate uma consultoria especializada para te ajudar neste tema. Caso o cenário não permita mais contratações, mesmo que em caráter de investimento, busque reunir 2 ou 3 amigos em que você confia e que de preferência não seja do seu segmento de atuação para poder lhe ajudar em explorar este universo que você está inserido.

AE:O que pode prejudicar ainda mais os resultados em um momento de crise como esse? MS: Não se preparar, não economizar e nem rever suas estratégias, mesmo que conclua que não há nada a ser feito [o que acredito ser impossível], podem ser as atitudes certas para chegar ao lugar errado. AE:Quais atitudes podem ajudar a superar o momento de crise? MS: • Criatividade - para repensar e criar novas alternativas de receita • Coragem - para mudam seus hábitos e a rotina de sua empresa • Energia - para executar as duas anteriores e • Compreensão – compreender o cenário e estar emocionalmente estável, será importante para vencer a crise, pois qualquer que seja o caminho sempre é melhor estar em paz durante qualquer processo de mudança. AE: Qual é a previsão de melhora do mercado? MS: A previsão da retomada do mercado está prevista para o segundo semestre de 2016, caso não haja movimentações políticas e econômicas ainda mais graves que estas que estão apresentadas. Na minha visão, dentre as questões existentes, apenas se ocorrer o processo de impeachment, pouco provável, da presidente é que podemos ter uma piora nesse cenário.

AE: O que é preciso fazer para ‘sobreviver’ a esse período de instabilidade econômica? MS: A característica fundamental que é necessário neste cenário é capacidade de se reinventar, veja que se você continuar fazendo o que sempre fez, com a mudança de cenário, pode não dar o mesmo resultado. Em geral a tendência é um resultado pior. Neste caso não se aplica o ditado de “em time que está ganhando não se mexe”, pois as regras do jogo mudarão, portanto tente prever ao máximo as mudanças e desenhar uma estratégia para elas. Não existe caminho [estratégia] correta, mas certamente um caminho desenhado e planejado, neste momento de incertezas, por mais paradoxal que possa parecer é a melhor alternativa. 25


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GRANDES ARQUITETOS

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SUSTENTABILIDADE COMO OBJETIVO Tentando usar o mínimo de material e energia, Frei Otto ajudou a revolucionar a arquitetura

Texto: Renato Félix | Fotos: Divulgação

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pesar do nome, Frei Otto não é um frei. Frei é seu nome mesmo: Frei Paul Otto, arquiteto e engenheiro alemão cuja carreira foi honrada com um Pritzker em 2015. Ele, no entanto, não viveu para receber em mãos o prêmio mais importante da arquitetura internacional: faleceu em março, um dia antes da entrega do prêmio, que já havia sido anunciada. Há 60 anos, ele fez história com sua pesquisa de estruturas tensionadas, um estudo que influencia

arquitetos pelo mundo até hoje. Uma das suas obras mais memoráveis nesse aspecto foi a cobertura do Estádio Olímpico de Munique, construído para os Jogos Olímpicos que a cidade alemã sediou em 1972 (e que continua lá até hoje). Nascido na cidade de Siegmar, em 1925, filho de um escultor, mas cresceu em Berlim, tendo como um de seus passatempos a construção de modelos de aviões. Chegou a lutar na II Guerra como piloto da Luftwaffe, a força aérea nazista, no final do conflito. Foi

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Olympia Park, Munich, Germany

capturado, enviado a um campo francês de prisioneiros e, lá, ajudou a construir abrigos temporários. Já tinha estudado arquitetura em Berlim antes disso e, depois da guerra, estudou também nos Estados Unidos, tomando contato com alguns arquitetos importantes dos anos 1940 e 1950, como Frank Lloyd Wright. Seu primeiro projeto no pós-guerra foi um conjunto habitacional – hoje, um prédio histórico tombado. De volta à Alemanha Ocidental, Otto abriu seu próprio escritório em 1952. Foi quando passou a desenvolver as estruturas leves, chegando a fundar o Instituto para Estruturas Leves da Universidade de Sttutgart, em 1964, que foi dirigido por ele até sua aposentadoria. Aposentadoria como professor, porque ele se manteve ativo como arquiteto e engenheiro. Em 2000, por exemplo, trabalho com Shigeru Ban na estrutura de cobertura para o pavilhão japonês na Expo 2000: uma estrutura feita inteiramente de papel. Anos antes, para a exposição de Montreal de 1967, ele foi o responsável pelo pavilhão da Alemanha Ocidental.

Um de seus projetos mais curiosos são os guarda-chuvas para a turnê da banda Pink Floyd em 1977, copas que se erguiam no palco para proteger a banda da pirotecnia do cenário. São de Frei Otto, também, o aviário do zoológico de Munique, e o Palácio Tuwaiq, na Arábia Saudita. Tão importante quanto seus trabalhos de maior visibilidade, é o conceito de sustentabilidade aplicado por Otto muito antes de o termo virar moda. O espírito disso está presente no que disse quando foi comunicado da homenagem do Pritzker: “Nunca fiz nada para ganhar esse prêmio. Ganhar prêmios não é o objetivo da minha vida. Eu tento ajudar as pessoas pobres, mas o que eu devo dizer aqui é que estou muito feliz”.

Arquiteto: Frei Otto + imagens no site: www.artestudiorevista.com.br

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REPRESENTANTE OFICIAL

Sobrepores SIMPLE e OUTSIDE, balizadores ZERO, coluna ALFAIA embutidos LD 83. Hotel Courtyard by Marriott Recife. Projeto arquitetônico e design de interiores Metro Arquitetura, fotografia Victor Muzzi.

Av. Geraldo Costa 601, Manaíra – João Pessoa (83) 3226 2622 www.lightdesign.com.br 31


A HISTÓRIA DE

OLHANDO PARA

NÓS MESMOS Antigamente o homem usava a água como espelho; hoje, ele está da astronomia às academias Texto: Alex Lacerda | Fotos: Divulgação

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s espelhos são um dos elementos indispensáveis no nosso cotidiano e uma das poucas unanimidades na arquitetura, se adequando ao uso em cômodos de todos os tamanhos, estilos e ambientes. Mas nem sempre foi assim. Por sua dificuldade de fabricação, o espelho só se tornou uma peça do nosso dia-a-dia muito recentemente. Durante muito tempo, foi considerado um artigo de luxo e encontrado apenas em palácios. O espelho surgiu da necessidade de autoavaliação do ser humano. A imagem refletida na água era a única forma de nos observarmos, mas, pouco mais de 3 mil anos antes de Cristo, o primeiro objeto construído especificamente para esse fim foi criado na região em que hoje encontramos o Irã. Os povos daquela época começaram a polir pedras com areia, possibilitando a reflexão da imagem projetada, mesmo que de forma bastante desfocada.

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A superfície do espelho era talhada e polida com pedras de moagem grossa e fina, areia, argila e água, num processo que durava cerca de oito horas, utilizando uma esfera de obsidiana. Já os espelhos antigos egípcios eram fabricados de bronze polido e placas de cobre. A qualidade no reflexo só foi melhorada por volta do século XIII, em Veneza, com o desenvolvimento de uma técnica que se unia placas de metal a grandes camadas de vidro.

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No final da Idade Média, a técnica da fabricação de espelho foi aprimorada. Passou a ser utilizado o mercúrio, aplicado em um papel fino, montado em papel alumínio polido e coberto com outra folha de papel liso. Em cima da camada do papel, era adicionada uma placa de vidro, que recebia uma leve compressão. Todo esse processo durava até 20 horas, com o tempo adicional de duas semanas para secagem. Este, entre outros fatores, tornava o espelho um elemento seleto, que denotava luxo e poder. Nesse período, a fabricação de um espelho simples chegava a custar o mesmo que um navio de guerra. Com a revolução industrial e o desenvolvimento do espelho de prata, os custos foram reduzidos drasticamente e o uso dos espelhos se massificou. Hoje encontramos os espelhos em praticamente todas as construções. Elemento básico e essencial em uma decoração elegante, o espelho se integra a todos os tipos de decoração, tanto funcionando como uso pessoal, quanto como amplificador de espaço, ou dando ideia de movimento. Popularizado após a Revolução Industrial, hoje, o espelho é usado pela Física, a Medicina, a Astronomia, a indústria automobilística. Também não pode faltar em um quarto e é um companheiro fiel nas bolsas femininas. E, ainda no papel de reflexo das águas que tinha na lenda de Narciso, é bastante comum em academias de ginástica, closets e camarins dos palcos da vida.


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REFORMA

REPAGINAÇÃO CRITERIOSA Projeto de um apartamento de cobertura procurou potencializar os ambientes Texto: Débora Cristina | Fotos: Diego Carneiro

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ponto de partida da arquiteta Bethania Tejo para fazer o projeto de arquitetura de interiores dessa cobertura de padrão luxo foram o espírito cosmopolita do casal com uma filha adolescente e o desafio de personalizar e atingir novos espaços de convivência dentro da área construída de 590m². Para potencializar todos os ambientes da planta padrão e criar os novos espaços como o home theater e dois escritórios, todos os espaços dos dois pavimentos foram repaginados com muito critério, dentro de um conceito estético e funcional, e norteados por uma linguagem clássica contemporânea e de reflexão minimalista em seu detalhamento. A arquiteta explicou que os materiais frios e quentes de revestimentos foram introduzidos de

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forma equilibrada nos ambientes sociais e privativos, criando assim um elegante contraponto de texturas e sensações para manter uma grande perspectiva visual, acentuada pelas cortinas de vidro e do mezanino. O escritório de Bethania Tejo teve o desafio bem pontual de fazer o projeto de arquitetura de interiores em suas etapas de reforma física (sendo possível, assim, a personalização de todos os espaços e layouts) e detalhamento construtivo relacionado aos itens de piso, revestimentos, iluminação, além do detalhamento de bancadas, detalhamento de esquadrias internas, escada e outros envolvidos para dentro de uma depuração estética e no aperfeiçoamento de uma linguagem minimalista conseguir abraçar os mais diferentes estilos de decoração em sua fase de ambientação.


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A iluminação foi pensada de forma bem setorizada, considerando a intensidade da luz natural que invadia cada espaço. O projeto luminotécnico conseguiu através do contrastes de luz difusa e pontual criou uma atmosfera única, enobrecendo as texturas dos materiais usados nas paredes e piso, afirmando, assim, efeitos de aconchego ou de perspectiva visual particular de cada espaço. As cortinas de vidro garantem de forma natural uma luz viva reforçada pelo pé direito duplo na área do mezanino central, que teve um tratamento especial para criar uma dramatização adequada ao living que está pontuado com por uma escada de transparência significativa expressa através do vidro incolor e aço inoxidável em um desenho de projeto de detalhamento do escritório. “É importante destacar a importância da introdução deste elemento de circulação vertical de acesso ao mezanino e pavimento superior com os espaços privativos e home theater que teve um papel preponderante na partida do processo criativo do projeto de reforma física”, afirmou Bethania. Segundo ela, toda a logística conceitual do desenvolvimento de um projeto de arquitetura de interiores tem a reforma física personalizada como o grande trunfo para receber o detalhamento construtivo e a ambientação em fases posteriores. “Quando no desenvolvimento da releitura de todos os espaços em questão, juntamente com os layouts, saber usar o potencial de cada um deles para expressar a qualidade de vida e a verdadeira essência peculiar é fundamental. Todo esse processo criativo de personalizar o espaço me faz acreditar da importância da existência de um profissional de arquitetura nesta etapa inicial para o refinamento do novo redesenho e aperfeiçoamento da qualidade de um programa de necessidades ainda não atingido pela área adquirida pelo cliente”, disse a arquiteta. Bethania também contou que considera a arquitetura do edifício onde a cobertura está localizada de um refinamento estético muito grande e com uma planta baixa padrão bem elaborada e com uma flexibilidade de reconfiguração. Ela também citou uma particularidade nas plantas do local: a área de lazer com piscina fica no térreo, convivendo com os ambientes sociais de living e jantar, cozinha principal e o pavimento superior com mezanino, onde estão dispostas a área dos espaços de uso privativo e também os novos ambientes conseguidos, como o home cinema e dois home offices. Para o desenvolvimento e logística dos projetos do escritório, disse Bethania, o escritório contou com informações precisas sobre o estilo de vida da família, as necessidades de cada ambiente e a potencialidade dos espaços a serem trabalhados. Aliados a essas considerações, a arquiteta procurou criar ambientes personalizados, dentro de uma linguagem contemporânea, na busca contínua por espaço fluidos e dinâmicos, no aperfeiçoamento de sua linguagem orgânica e na corrente minimalista, que influencia como instrumento capaz de converter um

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desenho simples em algo surpreendente. Nesta lógica, a repaginação da copa/ cozinha assumiu um novo layout com ilha central e com um pano de esquadria de correr definindo o limite de sua área permitindo, quando abertas, uma integração total com a sala de jantar. Bethania destacou que o grande desafio desse projeto foi gerar toda a nova configuração espacial do apartamento com a otimização de três novos espaços para um home cinema e dois home offices dentro da área existente e assim atingir a personalização perfeita do programa de necessidades do cliente. Dentro deste contexto, “consideramos a escada como elemento principal de partida desta reconfiguração espacial e fizemos com que ela apresentasse um aspecto escultórico e ao mesmo tempo de transparência, inibindo assim o impacto de volumetria no local de extremidade do living social que escolhemos como

mais discreto e lógico de acesso ao pavimento superior com mezanino. No fim, todos os nossos objetivos foram totalmente alcançados”, finalizou.

Arquiteta : Bethania Tejo Projeto : Reforma de Cobertura Revestimentos: Portobello Shop Esquadrias: Fecimal Arte & Madeira Metais: Servinox Espelhos e vidros: Republica Vidros + imagens no site: www.artestudiorevista.com.br 40


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INTERIORES

PARA RECEBER O BEBÊ A gravidez dos moradores motivou reforma em apartamento de Belo Horizonte

Texto: Débora Cristina | Fotos: Divulgação/Mão Dupla comunicação

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rojetado pelas arquitetas Virgínia Reis, do My Decor Book, e Bruna Figueiredo, esse apartamento de 220 m² está localizado no Bairro Serra, um dos mais tradicionais de Belo Horizonte, Minas Gerais. Tudo começou com o pedido dos moradores, que estavam “grávidos”, e por isso queriam uma sala de home theater, uma sala de jantar e uma sala de estar que pudessem ficar integradas. Já que era o primeiro filho do casal, o quarto para o futuro bebê era um home office, que posteriormente poderia ser revertido em quarto de criança, e ainda uma suíte extremamente confortável e ampla. “A inspiração parte sempre dos desejos e gosto pessoal dos clientes. Nesse caso, o casal jovem e de gosto refinado, queria um mobiliário clássico, com bom design e qualidade. Os dois valorizam obras de arte e materiais como madeira, espelho e fibras naturais. A partir daí, e de um layout bem definido, fazemos o garimpo do mobiliário e complementos”, afirmou Virgínia Reis. 42

As arquitetas ainda relatam que ao chegarem ao apartamento já havia sido feita uma reforma estrutural, executada por outro profissional. Nessa reforma a varanda foi anexada à sala e um dos quartos do apartamento tinha sido anexado a suíte master. A sala mistura elementos clássicos e contemporâneos, tudo pensado em uma base bem neutra, deixando cores e formas mais rebuscadas para as telas e esculturas. A madeira usada em vários elementos como no home theater, das cadeiras e base da mesa de jantar dão o aconchego e os espelho bronze e laca a sofisticação que os moradores queriam. O quarto de bebê priorizou primeiro a funcionalidade e a circulação. O quarto além de muito pequeno tinha uma circulação complicada em “x”. Armários, porta de varanda, porta do quarto e porta do banheiro. Mesmo com essa situação restrita conseguimos colocar berço, cama de apoio, poltrona de amamentação, trocador e nicho de acrílico.


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“Trabalhamos com materiais nobres como a madeira no home theater e na mesa lateral, laca no buffet, quarto de casal, home office e quarto do neném, espelhos bronze acima do buffet e na mesa de centro e natural no hall de entrada, linho na poltronas e couro natural nas poltronas Mole e Charles Eames”, explicou Bruna Figueiredo. O quarto de criança era outro espaço bem pequeno, como antes funcionava ali um home office, aproveitamos a bancada e nichos, desenhados por nós para virar um móvel de apoio para roupas e brinquedos. A cama, encostada na parede, além de dar maior amplitude ao quarto, também trazia segurança para a criança, que ainda era bem pequena, quando teve que ceder o berço ao novo irmãozinho. Um revisteiro foi colocado ao lado da cama e cesto organizadores para os brinquedos. E também foi usado um acessório importante. “Optamos pelo uso do espelho, que além de trazer amplitude ao ambiente, também traz sofisticação. Podemos variar nas tonalidades e ainda na paginação”, contou Virgínia. “Parte da iluminação já estava pronta. Junto com a La Lampe, elaboramos um projeto aproveitando as peças existentes e acrescentando pontos fundamentais para a valorização do mobiliário, obras de arte e conforto luminotécnico. As peças embutidas em linhas retas foram escolhidas para interferir o menos possível na decoração”, explicou Bruna. A reforma feita anteriormente tinha integrado um outro quarto a suíte master, permitindo ao casal ter closets e banheiros separados. O quarto possui 23m², sem contar closets e banheiros. A prioridade, além de uma cama bem grande, era um espaço acolhedor para leitura um office, permitindo ao casal usufruir de vários momentos juntos. 44


No lavabo e cozinha, as arquitetas deram um toque especial, já que a parte estrutural já estava toda pronta. Na cozinha foi colocada uma mesa Saarinem para refeições mais rápidas e no lavabo um papel de parede mais sofisticado e um espelho com iluminação na parte posterior para dar maior aconchego e amplitude. “Esse projeto foi um grande desafio para nós. Normalmente fica um pouco mais difícil pegar um espaço que acabou de passar por uma forma, mas decidimos encarar isso. Na maioria das situações, a

reforma não está completamente de acordo com o que a gente acha que seria a melhor opção. O ideal é pegar um projeto do zero para ficar tudo de acordo. Mas tenho certeza que fizemos todo o possível para atender as necessidades do casal dono do apartamento e por isso o resultado foi tão surpreendente”, finalizou Virgínia.

Arquitetas: Virgina Reis e Bruna Figueiredo Projeto: interiores + imagens no site: www.artestudiorevista.com.br 45


ARQUITETURA E INTERIORES

ARQUITETURA COMO ESTRATÉGIA DE MARKETING EM FRANQUIAS Projetos de arquitetura em franquias elevam experiência de consumo por meio de sua identidade visual Fotos: Divulgação

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padronização é uma das estratégias do sistema de franchising, que permite fortalecer a marca, facilitar a transferência de knowhow aos franqueados e aumentar o faturamento da rede. É um conceito de otimização dos processos, treinamento da equipe e identidade visual. Na arquitetura da franquia, é facilmente observada na fachada, vitrine e layout do espaço. Um projeto arquitetônico nesse tipo de estabelecimento comercial segue regras de um manual de especificações, que contém dimensões, materiais utilizados, disposição do mobiliário e do maquinário, além de todos os quesitos pertinentes à estratégia do franqueador. De acordo com as arquitetas da Bernacki Arquitetura, Aline e Denise Bernacki, o objetivo é ter uma identidade visual reconhecida em qualquer lugar de instalação da franquia, seja ela de âmbito local, nacional ou mundial. “Há um estudo de mercado que determina até mesmo a média de metragem da loja de acordo com a cidade ou localização em que será instalada. O mobiliário normalmente é modular, com peças-chave que cabem em qualquer ambiente, e há ainda um projeto piloto que pode ser adaptado para a região, utilizando materiais similares, por exemplo”, complementa Denise. Exemplo de franquia que utiliza a arquitetura como uma das estratégias de marketing é a Lavasecco, lavanderia premium com 21 lojas no Brasil. Em Curitiba, a unidade do Ecoville é considerada a loja conceito da rede, ganhando inclusive o terceiro lugar no Prêmio Design da ABF (Associação Brasileira de Franchising). O conceito da marca envolve a visibilidade da operação, ou seja, os clientes enxergam as máquinas e a lavagem. Além disso, é obedecida uma sequência lógica em circuito do maquinário, otimizando o processo. “Essa setorização no sistema de franchising também faz parte da estratégia de marketing que envolve o projeto arquitetônico. Há um padrão de localização de cada aspecto, dando funcionalidade ao espaço”, afirma a arquiteta Aline.

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Outra característica relevante na Lavasecco é o projeto luminotécnico. Birgit e Driano Marsili explicam que é um cuidado necessário para que as roupas não desbotem e para facilitar a inspeção das peças logo que chegam ao balcão. “Além dos aspectos funcionais, tivemos um cuidado especial com a decoração, para que o cliente tenha a melhor experiência de consumo possível”, acrescenta Birgit. A parede de pietrafina (mármore com iluminação interna) e um televisor de

Arquitetas: Denise e Aline Bernacki Projeto: arquitetura e interiores 48

LED de 60 polegadas, que exibe os últimos desfiles e tendências da Europa, além do imponente lustre de cristal e poltronas confortáveis para o cliente tomar um café enquanto espera, complementam o espaço. “Buscou-se por meio da arquitetura dar um toque de sofisticação a um serviço que, à primeira vista, é comum. A qualidade está em todos os detalhes, para que seja possível fidelizar o cliente e se diferenciar no mercado”.


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ARQUITETURA

AMPLITUDE PARA A FAMÍLIA Projeto de arquitetura e ambientação de uma casa em condomínio fechado valoriza os espaços Texto: Débora Cristina | Fotos: Diego Carneiro

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ma casa única, personalizada, com a cara da família que mora nela. Esse foi o projeto feito pela arquiteta Silvana Freitas e que teve a parceria da arquiteta Márcia Barreiros na ambientação e paisagismo. “Parti o desenvolvimento do projeto atendendo ao pedido dos clientes em ter uma residência ampla, com áreas de integração para uma família

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composta por um casal e suas três filhas jovens. Como trabalham muito, gostariam de ter uma casa confortável para que pudessem usufruir ao máximo do convívio familiar”, explicou Silvana, acrescentando que seguiu a inspiração no conceito neoclássico, pois tem telhados amplos e em desníveis, detalhes de revestimentos marcantes que personalizam cada volume arquitetônico.


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A casa fica em um condomínio fechado, em João Pessoa, na Paraíba. A construção chega próximo aos 600 metros quadrados com mais de 20 cômodos. No térreo foram distribuídas as áreas de convívio (salas, home theater e jogos), serviços e suíte de hóspedes, para que esses se sentissem mais à vontade, sem estar diretamente ligados à área íntima da casa como todas as demais suítes, que ficam no pavimento superior. Conta ainda com uma área de solarium com vista para o mar. Os espaços foram valorizados com uma iluminação adequada para cada ambiente, dando destaque a elementos arquitetônicos e revestimentos específicos, como as bancadas e os espelhos. Tudo isso sem esquecer a questão energética, para isso as arquitetas optaram por lâmpadas de LED em suas diversas apresentações, sem que para isso comprometessem a estética do projeto, nem também o custo. A piscina também ganhou destaque por causa de um espelho d’água, criando uma espécie de “prainha”, o que foi um pedido feito pelas filhas. Além disso, Silvana também optou por uma iluminação

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em RGB, que muda de cor de acordo com o evento ou festas proporcionadas pela família. “Dou muito valor à participação do cliente no projeto, fiz questão de escolher cada detalhe de revestimento com o seu usuário, no caso das suítes com a proprietária, os demais ambientes com cada filha individualmente e deu tudo certo”, afirmou. “Para mim um projeto sempre é especial, quando vejo a felicidade nos olhos dos clientes, quando percebo que atingi o principal objetivo, dar o verdadeiro sentido de lar. O cliente sentir prazer em voltar para casa, depois de um estressante dia de trabalho, isso já é suficiente”, explicou a arquiteta. A parceria na ambientação, com a arquiteta Márcia Barreiros, serviu para que o resultado final fosse perfeito. “Conseguimos interagir de forma muito positiva, como se já trabalhássemos juntas há muito tempo. Como gostamos muito de fazer arquitetura, não encaramos como rotina de trabalho e, sim, como momentos de puro prazer”, definiu Silvana. Um projeto que, pra ela, foi exclusivo. “Vê-lo sair do papel exatamente como planejei, e como a


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parceria com Márcia foi imediata, desenvolvermos uma ambientação e um projeto paisagístico, que só veio a complementar, para transformá-lo em único e especial”, finalizou. O gosto pessoal das meninas foi respeitado, pois o quarto é um mundo particular de cada filha. Para cada uma foi respeitada a sua cor preferida e um partido mais contemporâneo, respeitando o espírito jovem e aventureiro, próprios da idade. Para Márcia, o grande diferencial desse projeto é a leveza, pois apesar do estilo clássico solicitado, ele tem fluidez, não é pesado e permitiu algumas misturas com peças mais contemporâneas. “Esse projeto foi a minha primeira parceria com Silvana Freitas e isso de certa forma gerava uma certa ansiedade entre nós, mas o resultado final foi extremamente satisfatório. É uma grande alegria o projeto de interiores ter agradado em cheio dentro dos sonhos e expectativas do cliente. Afinal são eles que vão habitar o espaço e essa satisfação tem muita importância em nosso trabalho”, completou Márcia.

Paisagismo O paisagismo complementa todos os outros projetos e segue a mesma linha de conceituação. Um jardim mais clássico, com o máximo de simetria e com

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uma fonte e passeio com muitas flores inspirado nos jardins europeus, resultado das recentes viagens da família. Também nos foi permitido a mistura para que adaptássemos a vegetação que se adequasse bem ao nosso clima.

Arquiteta: Silvana Freitas Projeto: Arquitetura e paisagismo

Não esquecendo a privacidade das áreas de lazer da família, já que a legislação do condomínio não nos permitia nenhum outro tipo de fechamento. Assim como a arquitetura e a ambientação, o paisagismo reflete os anseios e o estilo de vida dos moradores.

Arquiteta: Márcia Barreiros Projeto: Iluminação

Revestimentos: Portobello Shop, Oca revestimentos, Bracol • Mármores e granitos: Oficina do Granito Metais: Oca Bagno • Madeiras: Fecimal Arte e Madeira • Vidros: República Vidros • Aço inox e escadas: Servinox Estofados: Acanto • Cortinas e Persianas: Ambidecor • Modulados: Florense • Marcenaria: Studio Decor Mobiliário: Sierra, Conceito, Tidelli, Saccaro • Decoração: A Sempre Viva, Bazaart • Iluminação: B&M Tapetes: Adroaldo Tapetes do Mundo • Vegetação: Flora Shopping • Tintas: Mundo das Tintas Puxadores: Central das Fechaduras • Esquadrias de PVC: Tecnofecho + imagens no site: www.artestudiorevista.com.br

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ARQUITETURA E INTERIORES

RACIONALIZANDO

ESPAÇOS Acessibilidade e sustentabilidade em espaços integrados e funcionais Texto: Débora Cristina | Fotos: Diego Carneiro

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ocalizada no condomínio fechado, na cidade de João Pessoa, a residência que possui 378m², dispostos em dois pavimentos, conta com volumetria leve e sofisticada, com linhas retas, volumes simples e tons claros que são valorizados pela iluminação, trazendo glamour e aconchego, características importantes para as arquitetas Teresa Queiroga e Rafaella Queiroga. A família, composta pelo casal e dois filhos adolescentes, desejava uma edificação com espaços amplos e integrados. Seus desejos foram realizados através de uma planta fluida e funcional, com espaços abertos para o exterior, trazendo um pouco do verde para dentro de casa, que conta com peitoris baixos e amplas esquadrias, privilegiando a ventilação cruzada e a vista para uma reserva de mata localizada na divisa do terreno, explicaram as arquitetas. Devido à declividade do terreno e exigências do regimento interno do condomínio, o projeto naturalmente se desenvolveu em dois pavimentos, mas possui vários planos no térreo. Para garantir a

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acessibilidade, as arquitetas optaram pelo uso de um elevador. “Para conseguir harmonia entre os planos sem perder a integridade dos ambientes tivemos que especificar um elevador personalizado com três paradas. As duas que seguem o mesmo alinhamento dão acesso à sala de jantar, no térreo, e ao primeiro pavimento, onde se encontra o núcleo intimo da residência. A terceira parada, com porta lateral dá acesso ao plano da cozinha, sala de estar e varanda gourmet”. Outro diferencial da casa é o alto pé direito dos ambientes que se encontram no plano inferior, além da piscina com borda infinita, deck e jardineiras no recuo posterior do terreno que contam com som ambiente e paisagismo. A edificação de linhas retas e formas minimalistas, conta com materiais nobres e interiores sofisticados com mobiliário, decoração, iluminação, acabamentos e revestimentos em perfeita harmonia, resultando em ambiente com ar de requinte.


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Um ponto forte da edificação é a iluminação que segue a tendência de peças embutidas com perfis “no frame”, e sancas invertidas utilizando lâmpadas de LED, criando várias cenas para diversas ocasiões. Na sala de jantar, a ousadia fica por conta do lustre, valorizado pelo detalhe no gesso, que se impõe sobre a mesa. Já na sala de estar, que tem pé-direito generoso de 3,30m, com móveis e tapetes especiais, se sobressai a obra de arte da artista Marlene Almeida. O lavabo faz parte da varanda gourmet, para este ambiente a intenção foi deixar acabamento

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uniforme. Nas paredes e bancada foram utilizados o mesmo porcelanato do piso e os espelhos bronze com iluminação periférica trouxeram leveza e amplitude ao ambiente A cozinha, com mobiliário clean, tem como destaque o painel verde claro que quebra a monotonia do branco, ela apresenta ainda detalhe de gesso ousado e pé-direto elevado, revelando características como a amplitude e contemporaneidade. Este espaço, que também abriga a churrasqueira está diretamente ligado com o espaço gourmet. O quarto do casal, espaço privilegiado com espaço generoso, possui layout que atende funcionalmente aos clientes com ambiente de estudo, penteadeira, cadeira de leitura, apoio para TV, closet e varanda, além de apresentar materiais, tons e iluminação que dão sensação de aconchego. Este ambiente ainda possui dois grandes rasgos para o exterior, proporcionando uma ótima vista e ventilação, eles são protegidos por cortina blackout que garantem a privacidade e controle da luminosidade. O banheiro do casal possui ambientação clean, com paredes brancas, sendo uma com revestimento brilhante, duas cubas, sanitário reservado, banheira com cromoterapia e TV para os momentos de relax.


No deck da piscina mesa, cadeiras de sol e jardins, tudo integrado à varanda gourmet, para que os momentos de lazer em família sejam completos. A sustentabilidade foi uma preocupação tanto do cliente como das arquitetas. O projeto é beneficiado com ambientes amplos e aconchegantes, onde de dia é privilegiado com ventilação e iluminação natural através de grandes esquadrias sem perder a privacidade, e durante a noite são realçados por iluminação de LED em luminárias ou sancas invertidas, criando uma atmosfera aconchegante e intimista em cada ambiente. Além de fazer uso desse tipo de lâmpadas, foi utilizado um sistema de irrigação automatizada para a jardinagem evitando o desperdício de água. “Fazer este projeto foi muito gratificante, pois tivemos liberdade para usarmos materiais de primeira linha, implantar novas tecnologias, como no caso do projeto de automação, além de valorizar a obra realçando cada detalhe da ambientação como: gesso, iluminação, mobiliários, objetos, entre outros. Tudo isso graças ao bom entrosamento entre cliente e profissionais, com uma sólida relação de confiança, que se traduz na satisfação do cliente “, finalizam.

Arquitetas: Teresa Queiroga e Rafaella Queiroga Projeto: Arquitetura e interiores Móveis Modulados: Florense • Mobilário: Saccaro e Tidelli • Iluminação: Dellas Tapete: Adroaldo tapetes do mundo • Obra de Arte: Marlene Almeida Peças de Decoração: Bazaart • Revestimentos: Oca Revestimentos Louças e metais: Ibraildo • Eletrodomésticos: Aprimore Eletro + imagens no site: www.artestudiorevista.com.br

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CAPA

DE CASA NOVA Imobiliária ganha um novo lar, mais amplo, elegante e moderno Texto: Lidiane Gonçalves | Fotos: Divulgação e Vilmar Costa

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ma edificação de aproximadamente 1.000 m² em um dos endereços mais importantes de João Pessoa agora abriga a Imobiliária Hofmann, que teve seu projeto realizado pelos arquitetos Francisco Cabral, Patrícia Gouvêa e Flávio Lucena. Um projeto moderno, ousado, sóbrio e elegante que pensou no conforto dos clientes, funcionários e abriga, inclusive, um solarium, para eventos e momentos de descontração. O arquiteto Francisco Cabral, um dos responsáveis pelo projeto do novo prédio da imobiliária, disse que o projeto surgiu quando a empresa sentiu a necessidade de mudança da antiga sede para uma estrutura mais ampla, capaz de oferecer a seus clientes e colaboradores um espaço moderno, dotado de infraestrutura. “Isso aconteceu em um momento em que o ascendente mercado da construção e demandas imobiliárias exigia tato e sensibilidade dos profissionais”, disse. O projeto foi concebido em apenas dois meses e a execução teve duração de um ano e meio. “Como se tratava de um cliente já do nosso escritório, tivemos uma certa facilidade e agilidade nesse processo de compreensão do que se pretendia e necessitava, para então apresentarmos o anteprojeto. A Hofmann Imobiliária, enquanto cliente, é uma empresa moderna, exigente e ousada. Sempre nos deixou muito à vontade para formatar todos os seus projetos a partir de nossas percepções. São preocupações mais evidentes dos clientes, que o projeto seja ousado, sóbrio, elegante e, sobretudo, viável técnico-financeiramente”, explicou.

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Francisco disse que, quando observada a fachada principal do prédio, percebe-se que ela contempla formas simples e cores sóbrias e o que mais chama atenção é a forma como o símbolo da empresa foi tratado e disposto. “A logomarca, assume um papel, digamos assim, principal e o prédio, coadjuvante, ao invés de ser o inverso. No mais, os demais elementos são dispostos muito harmoniosamente e tratados na forma mais bruta que cada material se apresenta como a pedra portuguesa preta e o aço bruto”, esclareceu. Ele lembrou que a acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos apesar de ser uma exigência legal, deve ser vista como uma prática de respeito e cordialidade de quem projeta com quem é portador de alguma necessidade especial. “Por isso, sempre entendemos que, tanto as escadas quanto as rampas deveriam ser tratadas projetualmente com muito cuidado para que se integrassem da melhor forma ao conjunto, fazendo parte do agenciamento do prédio no lote”, disse.

Fachada O arquiteto esclareceu que a intenção de cores escolhidas para a fachada obedeceu o mesmo raciocínio da escolha de todos os materiais. “Elas deveriam ser sóbrias, elegantes e ajudar a realçar o inox, material usado na confecção do logotipo da empresa e que a noite seria iluminado indiretamente”. O painel em madeira nobre, do tipo cumaru amarelo, foi escolhido para criar um elemento que “soltasse” o pavimento superior do nível do terreno. “Aquela solução foi a forma mais elegante e descontraída de imprimirmos essa ideia a proposta. Um detalhe, ainda se observarmos, a forma que a madeira foi disposta, segue um alinhamento diferente dos adotados na horizontalidade do partido arquitetônico”, explicou. O projeto paisagístico foi feito pela paisagista Patrícia Lago. “Com sua experiência e habilidade deu vida ao conjunto a partir da única exigência dos arquitetos: que na jardineira principal fossem usadas jabuticabeiras”, comentou.

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Logotipo A logo da empresa é peça de destaque na fachada. Criada em 2009 pelo mesmo arquiteto que assina o projeto do novo prédio, ela exerce função de elemento formal na fachada, conceituada em poucos elementos. “Uma espécie de joia que trouxe brilho e personalidade ao conjunto, assim o definimos”.

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Solarium No topo do prédio uma estrutura metálica abriga um ambiente contemplativo e voltado para eventos, é um espaço caracterizado como um solarium, onde a empresa se reúne de forma descontraída para comemorar as conquistas e receber clientes, colaboradores e parceiros para happy hours. “Se observarmos todo o conjunto, perceberemos que aquela estrutura metálica difere da estrutura e materiais utilizados no resto da composição, com isso quisemos separar formalmente o conjunto formado pelo térreo e primeiro pavimento, do solarium”, disse.

Mobiliário Assim como todas as ideias que permearam o projeto arquitetônico, o projeto de interiores também foi desenvolvido pelo mesmo escritório e foi uma

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consequência do partido adotado para a arquitetura do prédio. “Percebemos isso quanto sentimos a ambiência causada em cada ambiente interno, dotados de poucos móveis – alguns planejados e outros assinados por designers paraibanos e de renome nacional como Sergio Matos e o serralheiro francês Elvis Schwendimann, responsável pela execução de parte do mobiliário em aço bruto. Passar na porta da imobiliária instiga saber que surpresas lhe reserva o interior do prédio”, disse. No geral, todos os ambientes foram divididos em drywall. Porém a sala de reuniões (por se tratar de uma sala que se queria uma vitrine) e as salas dos corretores (por serem espaços menores) foram divididas em vidro para passar a sensação de leveza, flexibilidade e versatilidade. Francisco destaca dois elementos internamente. Um deles o café, localizado no mezanino que tem vista para a recepção. Estrategicamente este ambiente foi pensado a ficar em uma área de destaque para ser percebido logo que se entra na imobiliária. O principal elemento de vedação e proteção é o vidro, instalado em


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uma estrutura metálica denominada spider – sistema de fixação das chapas de vidro por garras metálicas articuladas. Ali as pessoas se reúnem para conversar, negociar e interagir informalmente. O outro elemento de destaque é o acabamento utilizado. “No piso usamos o concreto usinado, bruto e

encerado. As instalações são aparentes e os materiais sem acabamentos em sua maioria, caracterizando uma arquitetura industrial. Assim, a nova edificação é uma porta de entrada convidativa para quem procura o seu próprio lar.

Arquitetos: Francisco Cabral, Patrícia Gouvêa e Flávio Lucena Projeto: Arquitetura e interiores de imobiliária + imagens do projeto no site: www.artestudiorevista.com.br 73


MATERIAIS

À BEIRA DA PRAIA Piscinas de areia é uma novidade para quem quer ter a sensação de ir à praia sem sair de casa Texto: Lidiane Gonçalves | Fotos: Divulgação

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magine uma piscina totalmente inovadora, exclusiva, feita sob medida e com revestimento de areia, proporcionando um incrível impacto visual. Essa novidade já existe e está disponível no Brasil, para inovar os mais diversos projetos. O material usado não descasca, é anti-derrapante, não queima os pés e tem possibilidades de design infinitas. Duas empresas trouxeram esta novidade para o Brasil, a Piscinas de Arena e Pisicina de Areia Brasil, que fica em Parnamirim, no Rio Grande do Norte. A areia compactada Natursand proporciona um conforto aos pés, fazendo com que mesmo no sol quente, os pés não queimem. 74


Os projetos são mais seguros que as piscinas convencionais, pois fazem com que as pessoas entrem na piscina por uma rampa (no projeto também podem existir estacas), dando uma sensação de segurança muito forte, especialmente para idosos, crianças e pessoas com dificuldade de locomoção, pois esta rampa não escorrega. Há alta resistência no material, pois a areia ganha grande rigidez, apesar disso, é muito agradável ao toque. Além disso, a equipe técnica desenha a piscina dos sonhos do cliente. “São projetos exclusivos, assemelhados a uma praia à beira-mar ou um riacho com pedras, mas as possibilidades são infinitas, podendo atender a necessidade de residências, hotéis ou qualquer outra empresa dedicada ao mundo do entretenimento”, disse a diretora de Marketing da empresa no Brasil, Ester Garriga. Ela disse ainda que as piscinas podem ter elementos decorativos como pedra natural ou artificial, bancos tipo Jacuzzi, zona de spa, vegetação na região central ou lateral da piscina, ilhas, área de bar molhado. “Os resultados são verdadeiramente espetaculares. Cada piscina é única e exclusiva. Nossas piscinas de areia são construídas com materiais de aparência 100% natural, com base de concreto armado à prova d’água”, disse. Ester lembrou ainda que os processos de limpeza e manutenção são idênticos aos de uma piscina tradicional de alvenaria. “Mais de 300 piscinas já foram construídas na Europa, Chile, México, Argentina, Dubai, Qatar, Portugal, Romênia, Guiné... O custo benefício é ótimo para quem opta por todo o conforto e exclusividade”, disse. Muitos projetos já estão finalizados no país. Apesar da empresa estar sediada no Rio Grande do Norte, os projetos podem ser realizados em todo o país. Piscinas exclusivas já podem ser vistas no Rio Grande do Norte, Ceará e São Paulo e outros muitos projetos estão sendo finalizados também no Rio de Janeiro e Bahia. A praia é, cada vez mais, logo ali.

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ACERVO

LEITURA

CERCADA DE

HISTÓRIA Uma biblioteca pública mantém vivo um prédio neoclássico no centro de João Pessoa

Texto: Lidiane Gonçalves | Fotos: MB

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m prédio de 129 anos, pensado para ser a Escola Normal e que abrigou órgãos importantes da Paraíba chegou a ficar em ruínas, mas em 1998 terminou sua última restauração e hoje funciona como a Biblioteca Pública do Estado. Ele fica situado na Avenida General Osório, centro histórico de João Pessoa, e tem uma arquitetura neoclássica. A pedra fundamental do prédio foi lançada em março de 1874, pelo governador da província, que na época era o Comendador Silvino Elvídio Carneiro da Cunha, futuro Barão do Abiaí. No entanto, a obra só ficou pronta doze anos depois, em 1886. A Escola Normal foi a primeira instituição a funcionar no local e por lá ficou até 1909, quando o prédio precisou passar por reformas. O local ficou em reformas até 1911, mas, apesar de transformações internas, os dois anos de reformas não alteraram a arquitetura do prédio. De 1917 a 1939 o prédio, que também foi chamado de Palácio da Instrução, abrigou o Tribunal de Justiça da Paraíba. Para ser a sede da justiça, novas transformações internas foram necessárias. Apenas em 1939 é que iniciou suas atividades como biblioteca pública. Mas durante muitos anos o prédio ficou fechado e até em estado de ruínas. Felizmente foi restaurando e entregue de volta à população em 1998, novamente como Biblioteca

SERVIÇO A Biblioteca Estadual da Paraíba funciona de segundafeira à sexta-feira, das 8h às 17h30. O endereço é Avenida General Osório, 253, no Centro, ao lado da Funjope. E o telefone para informações é o (83) 3218.4195.

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Pública Estadual. Antes disso, o local tinha abrigado também o jornal A União e a Assembleia Legislativa. Na fachada do prédio pode-se observar a composição volumétrica neoclássica, do final do século XIX, época da construção do prédio. A fachada mostra ainda o acesso principal encimado por frontispício triangular e uma sequência uniforme de caixilhos com bandeiras em semicírculo. No interior, preservaram-se os elementos construtivos originais, como a estrutura em madeira da cobertura e o lanternim para iluminação e ventilação naturais. Em 26 de agosto de 1980 o prédio foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (Iphaep).


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ARQUITETURA E MODA

REVESTIMENTOS QUE LEMBRAM TECIDOS

SÃO TENDÊNCIA

DÉCOR Texto: Germana Gonçalves | Fotos: Divulgação

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tilizados para cobrir de maneira segura e duradoura as superfícies de ambientes residenciais, comerciais e industriais, os revestimentos em seus diversos materiais, formas, tamanhos e texturas, vem ganhando cada vez mais espaço na arquitetura e design de interiores. Além de garantir a estética de qualquer ambiente, com acabamento e aspecto visual agradável, ainda asseguram conforto, praticidade e personalidade aos projetos. Por todas essas qualidades e pela preocupação de garantir originalidade e design a todos os ambientes, inclusive os que outrora eram considerados secundários na


ambientação, como as cozinhas, áreas de serviço e banheiros, e que hoje são parte fundamental do conceito geral de um projeto de interiores, Os revestimentos ganham cada vez mais notoriedade dos consumidores, exigindo assim, materiais que tenham acabamentos, cores e texturas cheias de design e personalidade. Por isso, grandes marcas apostam em novidades que prometem cair no gosto dos amantes do Design. Antenadas nas tendências mundiais de moda e design, assuntos que como já sabemos andam sempre lado a lado, essas empresas de revestimentos resolveram apostar em estampas que lembram tecidos em suas peças, e o resultado é bárbaro. O jeans, ícone da moda criado pelo alemão Levi Strauss, para vestir garimpeiros, aparece em forma de cerâmica esmaltada inspirada nos tons de azul, em formas redondas cheias de frescor e originalidade. Seguindo a tendência Animal print, que se tornou básica na moda, mudando apenas as tendências de combinações e tamanhos de estampa, que se inspira nas belas caudas de sereia e escamas de peixe com a coleção azulejo escamas, exibindo um azul lúdico e charmoso. Há também inspiração nos clássicos da moda com as estampas de bandana, elementos utilizados pelas mulheres trabalhadoras nos anos 40, principalmente nos períodos de guerra para proteger os cabelos, que ganharam adeptos por mais de oito décadas e em sua versão clássica de algodão, está sempre em alta. Os atuais papéis de parede, também transbordam de criatividade e apostam na tendência “estampas de tecidos” e se inspira também na queridinha animal print em suas coleções, que traz combinações belíssimas de peles naturais, com padrões dinâmicos e exuberantes de pele de cobra, python, zebra e jacaré, além da madeira natural, todas presentes nos desfiles de passarelas mundiais. Outro sucesso são os papéis de parede da linha natural, inspirada no Linho, tecido considerado o mais antigo da humanidade e que até hoje está presente nas coleções das mais renomadas grifes de vestuário, além das fibras naturais, exibindo uma coleção de cores neutras, atemporais e elegantes. E assim a moda vai inspirando o design, o design vai inspirando a moda e a criatividade vai sendo explorada das mais diversas formas, enriquecendo cada vez mais os elementos que englobam um mundo tão rico em cores, formas, estampas e tendências.

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CARTA DO LEITOR

A AE quer ouvir você É com prazer que aceitamos a sua opinião, críticas, sugestões e elogios. Entre em contato conosco:

contato@artestudiorevista.com.br Os emails devem ser encaminhados, de preferência, com nome e cidade do remetente. A ARTESTUDIO reserva-se o direito de selecioná-las e resumi-las para publicação.

Belíssima edição especial, parabéns. Com conteúdo que mostra além dos trabalhos dos maravilhosos profissionais da Paraíba, ainda tem aquelas lindas fotos da nossa cidade tão linda. Silvia M. Costa João Pessoa, PB

Muito boa a edição 49 da Revista Artestudio, mas a Edição Especial superou todas as expectativas. Parabéns pelo excelente material gráfico e fotográfico. Carlos Souza João Pessoa, PB

Linda capa, maravilhoso projeto de Sandra Moura. Parabéns! Ana Melo João Pessoa, PB

Estou sentindo falta de viagem de arquiteto, vai voltar essa seção? Luiza Andrade Cabedelo, PB

Vai sim Luiza, aguarde a próxima edição. Abraço.

A AE é uma publicação trimestral, com tiragem de 8 mil exemplares de distribuição gratuita e dirigida. A reprodução de seus artigos, fotografias e ilustrações requer autorização prévia e só poderá ser feita citando a sua fonte de origem. As colaborações e artigos publicados e fotos de divulgação são de responsabilidade exclusiva de seus autores, não comprometendo a revista, nem seus editores. Contato : +55 (83) 3021.8308 / 99857.1617 R. Dep.Tertuliano de Brito, 348 -Bairro dos Estados, João Pessoa / PB , CEP 58.030-044

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PONTO FINAL

A VIDA NA ENCRUZILHADA “Não espere por uma crise para descobrir o que é importante em sua vida.” (Platão)

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nvariavelmente você passará, e mais de uma vez no decorrer de sua vida, por dilemas acerca dos caminhos a seguir em busca da tão almejada felicidade. São situações únicas nas quais escolhas precisam ser feitas, decisões devem ser tomadas e a protelação apenas alimenta e aumenta a angústia, a ansiedade, a frustração e a insatisfação. Nestas ocasiões, é comum declarar não saber o que se quer. Decerto, os primeiros questionamentos são com relação ao sentido da própria vida, levando ao entendimento de que se trata de uma “crise existencial”, na qual imperam o vazio e o caos. O fato é que este é um momento singular para grande reflexão pessoal a fim de identificar, reconhecer e enfrentar esta crise. É hora de questionar valores, encontrar novas referências, compreender transformações, acolher mudanças ou promover rupturas. Você controla seus pensamentos, amadurece suas emoções e decide sair da zona de conforto, abandonando o comodismo e o conformismo, buscando soluções para seus problemas em lugar de culpados. Por se tratar de um processo, não é algo que será resolvido em um único final de semana. Por isso, é importante ter paciência e dar tempo ao tempo. Interprete esta fase como um período de aprendizado que poderá levar você ao crescimento, à evolução e à superação. Lembre-se de formular muitas perguntas – e buscar respostas para a maioria delas. E embora as tais respostas devam vir de você mesmo, convém consultar terceiros, porém com parcimônia, pois respostas desencontradas podem mais desorientar do que ajudar. Saber o que não quer, também é um grande progresso. Assim é o estudante diante da escolha de qual carreira seguir, que embora frente a múltiplas

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possibilidades, tem ao menos a convicção de que selecionar Administração exclui Medicina, uma inclinação ao Direito enfraquece a opção por Engenharia, e vice-versa. O profissional em transição de carreira pode ter dúvidas entre pedir demissão e procurar outra empresa, tornar-se consultor, abrir um empreendimento próprio, fazer um concurso público ou mesmo tirar um período sabático para reflexão. Mas será um grande avanço saber que não pretende continuar em seu atual emprego, posto que desestimulado seja pela falta de desafios, oportunidades, reconhecimento ou clima organizacional agradável. Analogamente, um relacionamento conjugal desgastado, arrasta-se e sucumbe de tal forma que a separação não decorre porque se deseja ficar só ou buscar a companhia de outra pessoa, mas apenas porque não se deseja continuar ao lado de quem está hoje. Nossa vida, nos dias atuais, tornou-se alienante, diante de sua rapidez e senso constante de urgência. Deixamos de valorizar o que temos para projetar o que não temos, com base nas imposições da sociedade e no ideal de status. O que realmente vale a pena é aquilo que nos traz serenidade, sossego e paz de espírito. Que nos permite sorrir de forma autêntica e compartilhar da convivência das pessoas que apreciamos. Que nos possibilita recostar a cabeça no travesseiro no final do dia e dormir o sono leve, acolhedor e reconfortante de quem fez o melhor e se prepara para um novo e edificante amanhecer.

TOM COELHO

Educador, palestrante em gestão de pessoas e negócios, escritor com artigos publicados em 17 países e autor de oito livros. www.tomcoelho.com.br e www.setevidas.com.br. tomcoelho@tomcoelho.com.br.


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Revista ae 50  

Arquitetura e Estilo de Vida

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