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PROVISTRESS

Plano alimentar Nยบ Dias

Peso(kg)

0-7

12-16

PROVILAMB 2 รGUA 45

22-25

PROVILAMB 3

PROVILAMB 23 FORRAGEM

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30-35


SOBREVIVER EM TEMPOS DE CRISE P

artindo do pressuposto de que as empresas com fins lucrativos, por mais bem classificadas face ao interesse público, terão no futuro que contar apenas consigo próprias para a sua sobrevivência, sem quaisquer apoios, o editorial da presente edição sugere um parecer, em nossa intenção construtivo, sobre a situação das que se encontram em vias de insolvência ou podem para lá caminhar. Na nossa vida profissional, por vezes encalhamos com determinados entraves que complicam, atrasam e acabam por prejudicar o nosso negócio, quando no fundo muitas vezes se trata de problemas de lana caprina, de resolução fácil, se os encararmos com a cabeça fria onde o bom senso torna o que é difícil facilitado —, em vez de passarmos a vida a queixar-nos, o que leva à acumulação de cargas negativas e com elas a um stress que nos tira a alegria de viver e a força necessária para encontrar medidas acertadas para poder continuar. E porque não, pensarmos na forma de trabalho do vizinho que, começando do nada, com o mesmo número de cabeças tem uma empresa sem dívidas e consegue sobreviver apesar da crise?

Hoje em dia, em explorações como as que se destinam à produção de carne e/ou leite, tão sujeitas à imprevisibilidade do clima e de outros fatores externos não controláveis, não nos podemos dar ao luxo de falhar naquilo que depende só de nós. Como princípio básico que deve reger toda e qualquer gestão da criação de gado, o mesmo deve seguir no sentido do essencial para a obtenção de um custo de produção sustentado em termos quantitativos e qualitativos. Para tanto, devemos tentar que a prática da gestão da exploração seja apoiada em todo o suporte científico e técnico de que nos pudermos socorrer; e que, efetivamente, esse suporte seja posto em prática (cumprimento de planos de vacinação, programas alimentares, adubações das culturas, etc.).

A correta atuação no que respeita a todos os passos inerentes à criação dos animais, desde o plano alimentar, sanitário até à sua comercialização e distribuição, deve respeitar prioritariamente o investimento em termos de custo/benefí-

cio, onde muitas vezes os ganhos residem na eliminação de desperdícios. As despesas devem ser atentamente estimadas com a aquisição correta da maquinaria e equipamentos com a melhor relação do custo hora/utilização/benefício comparativamente com o trabalho pago a terceiros, com os ordenados de empregados fixos face aos sazonais e vice-versa, e assim sucessiva e constantemente no que respeita a todos os gastos obrigatórios da exploração. No tocante à comercialização, fazemos um enfoque especial, na medida em que o “golo” de todas as empresas tem por mira o lucro; o qual, como toda a gente avisada sabe mas nunca é demais recordar, só resulta quando o montante das despesas, subtraído ao montante das vendas, é igual a um número positivo que seja compensatório.

E, por fim, comungando com a sábia regra “um negócio só é bom quando é interessante para as duas partes”, expressamos a nossa surpresa e contestação por não haver uma lei que proíba que a carne e o leite estejam ao abrigo do dumping, quando já é vedado a todos os demais comerciantes vender produtos abaixo dos custos de produção ou de revenda.

A menção do parágrafo anterior, que infelizmente traduz o que já está a acontecer a criadores de gado, para além do prejuízo causado envolve também consigo um universo de credores prejudicados, bancos, empresas fornecedoras, trabalhadores, de entre outros, que no fundo acaba por fazer parte e agravar a crise que atravessamos. Depois do que vimos e admirámos, pela TV, sobre o patriotismo demonstrado durante o recente campeonato da Europa, onde um batalhão de portugueses, que consome carne e leite, se deslocou à Polónia é à Ucrânia, de avião, de carro e até de bicicleta, com dinheiro próprio ou empenhados, para o pagamento de hotéis com preços fabulosos, esperamos que, com um igual amor à Pátria e por muito menos dinheiro, vá passar a registar-se uma procura preferencial, em todos os estabelecimentos, de alimentos produzidos em Portugal.x N.G.

Ruminantes • Julho | Agosto | Setembro • 2012

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ÍNDICE

FICHA TÉCNICA

ACTUALIDADES

EQUIPAMENTOS

Pedido reforço dos apoios ao setor lácteo.................6 A cetose poderá custar 27.600 euros/ano por cada 100 vacas..................................................6 França alcança a maior produção de leite dos últimos 24 anos .................................................6 Produtores do Reino Unido esperam aumentar a sua produção de leite............................................6 A alimentação da população em 2050 .......................7 Alltech lança programa para recém licenciados.........8 Produtores não aprovam substituição de raças.........8 Vitamina D contra a mastite das vacas .....................8 Concurso Nacional da Raça Bovina Limousine .........8

BEM-ESTAR ANIMAL A peeira - fonte de fraco rendimento e de muito sofrimento............................................48

CONHEÇA A LEI: Servidão de água: o ato de pedir “emprestado” ao vizinho do lado .................................................64

ECONOMIA OBSERVATÓRIO Breves comentários e previsões sobre o mercado de matérias-primas: Colheita recorde de milho no horizonte...........................................................34 Perspectiva do mercado leiteiro: Crescimento recorde na produção mundial em 2011.............................36

ENTREVISTAS

Transição da ordenha convencional para automática - Factores críticos de sucesso............58 Harvest Lab - Um laboratório à disposição do agricultor................................................................62

EDIÇÃO Nº6

JULHO | AGOSTO | SETEMBRO 2012

DIRECTORA

FEIRAS

Francisca Gusmão

Calendário de feiras .................................................66

| fg@revista-ruminantes.com

COLABORARAM NESTA EDIÇÃO

PRODUÇÃO Será o arraçoamento único o caminho certo? .........12 Optigen - A solução alternativa para baixar custos na alimentação ......................................................16 A dieta de bovinos de leite mediante a fase do seu ciclo produtivo ...........................................20 Raças de carne - Que raça escolher para melhorar o meu efectivo?.....................................................22 Valorização da silagem de milho..............................26 Micotoxinas e sua influência na incidência de doenças metabólicas em ruminantes....................28 Optimizar custos de produção..................................32 Produção nacional de carne de bovino: Novas Oportunidades e Desafios.....................................38 Engorda de borregos - Programa alimentar sem palha..............................................................40 Enfocar na qualidade do pasto economiza dinheiro ...............................................42 Stress do calor..........................................................46 Veterinário em campo: Biosegurança e controlo reprodutivo - Vale a pena na actual conjuntura do negócio do leite? ............52 Maneio neonatal - Saúde do vitelo (parte 1)............54 Preparar o Unifeed (TMR) - Que ingredientes adicionar primeiro?................................................56

Produção de leite na Herdade da Fonte Insonsa ....10 Como rentabilizar a exploração de leite...................14

Ana Vieira; André Preto; António Cannas; Carlos Flecha; Daniel Oliveira; David Catita; Diogo Camarate; George Stilwell; IACA; Inês Ajuda; Ivo Carregosa; Jerónimo Pinto; João Salvador; Joos van Acht; José Manuel Torrado; Luís Marques; Luís Queirós; Luís Veiga; Manuel Ortigão; Noelia Silva-del-Rio; Odino Almeida; Paulo Costa e Sousa; Pedro Castelo; Radka Borutova; Roland Winter; Samantha Cassi; Sofia Ramada.

AGRADECIMENTOS Dário Guerreiro; Leandro Pires; Pedro Vigoroux.

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DESIGN E PRE-IMPRESSÃO Ana Botelho, Patrícia Pereira

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ASSINATURAS João Correia

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IMPRESSÃO

RUMINARTE EQUIPAMENTOS

Rum nantes

A arte no campo .......................................................67

Novidades de equipamentos..............................44, 60

Peres - SocTip E.N. nº10 - Km 108,3 - Porto Alto 2135-114 Samora Correia

ESCRITÓRIOS

R. Nelson Pereira Neves, Nº1, Lj.1 e 2 - 2670-338 Loures Tel. 219 830 130 | Fax. 219 833 359

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PROPRIEDADE / EDITOR

Nugon, Lda. / Nuno Gusmão Contribuinte nº: 502 885 203 Sede: Rua São João de Deus, Nº21 2670-371 Loures Tiragem: 8.000 exemplares Periodicidade: Trimestral Registo nº: 126038 Depósito legal nº: 325298/11

• O editor não assume a responsabilidade por conceitos emitidos em artigos assinados, textos publicitários e anúncios publicitários, sendo os mesmos da total responsabilidade dos seus autores e das empresas que autorizam a sua publicação. •Reprodução proibida sem autorização da NUGON, LDA

• Alguns autores nesta edição já adoptaram o novo acordo ortográfico. Site: www.revista-ruminantes.com www.facebook.com/RevistaRuminantes


ACTUALIDADES

MUNDO

Pedido reforço dos apoios ao setor lácteo Na reunião do Conselho de Ministros da Agricultura, realizada em Junho passado, no Luxemburgo, as delegações da Polónia e da Lituânia reiteraram a sua petição para que a Comissão Europeia tome medidas para ajudar o setor lácteo. A Polónia já havia levantado esta questão na reunião do Conselho de Abril, insistindo que os preços da manteiga, do leite em pó desnatado e do leite na origem não pararam de descer desde o início do ano. O ministro espanhol da Agricultura, Miguel Arias Cañete, apoiou estas petições de aumento das me-

didas de apoio, bem como de manutenção do regime de quotas leiteiras. De acordo com Arias Cañete verifica-se uma descida de preços muito importante, que não pode ser qualificada como sazonal, havendo elementos estruturais que requerem, da parte da Comissão, que sejam de imediato colocadas em marcha as ajudas e reimplementadas as restituições à exportação, para além da consolidação de outras medidas de mercado que incentivem o crescimento dos preços. Para além de Espanha, outros países apoiaram as propostas da Polónia e da Lituânia, a saber: Bél-

gica, Hungria, Letónia, Eslovénia, Portugal, Grécia e Bulgária. A Comissão Europeia insistiu que conhece perfeitamente a situação em que se encontra o setor lácteo, já que faz o seu acompanhamento continuado. Tem previsto voltar a este tema na reunião do Conselho de Julho e declarou estar na disposição de ativar as medidas apropriadas, para além das medidas de armazenamento privado já em aplicação, quando considere necessário. x

A cetose poderá custar 27.600 euros/ano por cada 100 vacas Os produtores de gado bovino poderão estar a perder até 27.600 euros/ano por cada 100 vacas de leite devido à elevada presença de cetose, de acordo com as declarações de Dick Esslemont, especialista em doenças metabólicas, no recente Congreso Mundial de Buiatria

decorrido em Lisboa. Dick Esslemont afirmou que os custos diretos e indiretos das cetoses geram um custo acrescido de 0,034 euros por litro de leite produzido. Os custos diretos incluem o aumento da mãode-obra veterinária e pecuária, um maior uso

de medicamentos, o desaproveitamento do leite e a quebra de produção. Uma correta gestão e administração pode reduzir a incidência de cetose, e um tratamento apropriado pode reduzi-la, concluiu Esslemont. x

França alcança a maior produção de leite dos últimos 24 anos Na campanha 2011/12, as entregas acumuladas de leite em França superaram os 24.000 milhões de litros de leite, ou seja, mais 4% que na campanha anterior. O volume de entregas é o mais alto desde 1988. Não obstante, as entregas de leite vão manter-se 3% abaixo da quota, estabelecida em 25,5 milhões de ton. Observou-se que a diferença entre entregas e quotas diminuiu, embora tivesse vindo a aumentar desde 2008/09. No conjunto da UE, as entregas de leite na campanha 2011/12 deverão ultrapassar em cerca de 2% as da campanha precedente. Estima-se que 6 estadosmembros, entre os quais a Alemanha, Holanda e Irlanda ultrapassem a sua quota.

A revista La France Agricole publicou no mês passado uma notícia acerca desta situação que referia, segundo a organização agrária daquele país, Coordination Rurale, o crescimento de 4% na recolha de leite em França pressagia uma “nova crise do leite”, pelo que a referida organização reclama “medidas urgentes de regulação da produção, à escala europeia”. Segundo a mesma fonte de informação, um comunicado da Organisation des Producteurs de Lait referiu que “Ao desejar produzir mais e mais para satisfazer mercados não rentáveis ou para tentar contrariar as importações de leite dos nossos vizinhos europeus, é inevitável verificar que a fileira leiteira está cada vez mais desestabilizada. Recolher um pouco mais de leite,

mas pagar a totalidade dos 24 mil milhões de litros muito mais barato aos produtores pode ser um novo negócio bastante rentável para algumas empresas, mas fatal para numerosos produtores. A regulação dos volumes é uma necessidade e passa pelo reagrupamento dos produtores, de forma totalmente independente dos transformadores. E isso só pode ser feito se realizado a uma escala europeia e através da criação de uma agência de regulação”. ‘’É urgente reduzir a produção leiteira. Se a França e a Europa pretendem efetivamente uma nova crise no setor [...], é fundamental que os nossos responsáveis políticos entendam de imediato os sinais de alarme e ativem as medidas de urgência visando a regulação da produção à escala europeia”. x

Produtores do Reino Unido esperam aumentar a sua produção de leite

Cada ano que passa reduz-se o numero de produtores de leite, não só em Espanha mas também no resto da UE. Contudo, os que ficam têm mais confiança no setor, pelo menos é assim no Reino Unido. O inquérito que anualmente é realizado pelo Conselho Lácteo do Reino Unido demonstrou que em 2012, cerca de 36% dos produtores tem previsto aumentar a sua produção nos próximos 2 anos, em comparação com apenas 31% que pensava

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fazê-lo em 2011. Além disso o questionário deste ano mostra que o aumento previsto da produção é o maior registado na história do inquérito, que se faz desde 2004. Por outro lado, caiu a percentagem de produtores que têm previsto abandonar o setor. Enquanto que em 2011 pensavam fazê-lo cerca de 13% dos produtores, em 2012 só cerca de 7%. Estes dados equivaleriam a que em 2011, e durante os dois anos seguintes 2,2 produtores

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deixaria o setor por dia, enquanto que em 2012 seria só 1,2 produtores/dia os que abandonariam o setor. Na obstante, há que ter em conta, que em 2012 menos de um terço dos produtores tem o leite com única fonte de rendimento. A grande maioria dos inquiridos sentem-se muito confiantes ou extremamente confiantes com o futuro do setor. Um 38% dos inquiridos esperam investir na sua exploração, no mínimo 60.000 euros nos próximos 5 anos. x


MUNDO

ACTUALIDADES

A alimentação da população em 2050 28° Simpósio Internacional de Saúde e Nutrição Animal Alltech A cidade de Lexington, em Kentucky, EUA recebeu, em maio passado, o 28 ° Simpósio Internacional de Saúde e Nutrição Animal da Alltech. Cerca de 3 mil pessoas de mais de 90 países estiveram presentes no evento que contou com 13 sessões. Na abertura do evento, Pearse Lyons, presidente e fundador da Alltech, entregou a Medalha de Excelência ao ex-governador de Kentucky e fundador do restaurante KFC, Mr. John Y. Brown Junior. A Alltech oferece esta medalha em reconhecimento às pessoas que se destacaram na área da pesquisa ou da agroindústria. Num segundo momento, Karl Dawson, Diretor Global de Pesquisa e do Centro de Nutrigenómica da Alltech, comentou o investimento da empresa de 3 mil milhões de dólares para sequenciar o genoma humano. Os efeitos da nutrição animal no gene humano também foram comentados. Durante o simpósio ocorreu também a entrega do troféu aos vencedores do Prémio Alltech Jovem Cientista, conhecido pelo seu nome em inglês “Alltech Young Scientist”.

O encerramento oficial deste encontro contou, ainda com as palestras de Ronan Power, Diretor do Centro de Nutrigenómica e Nutrição Animal Aplicada da Alltech, que abordou o combate as doenças desde as células; de Mark Lyons, vicepresidente da Alltech, sobre o mercado chinês, segundo ele, um dos países repleto de oportunidades e que seguramente será a maior economia do mundo; e de Catherine Keogh, vice-presidente de marketing da Alltech, que discursou sobre como a empresa está construindo uma grande marca no agronegócio e a influência das redes sociais, que podem trabalhar em prol da agricultura. Um dos principais temas abordados no congresso foi a alimentação da população. Estimase que até 2050 nove mil milhões de pessoas habitem o planeta, o que será um desafio para toda a cadeia alimentar. Quatro representantes de influência na indústria discutiram o tema: Tom Arnold, CEO, Concern da Irlanda; Sean Rickard, palestrante senior em economia, Cranfield Universidade, do Reino Unido; Dr. Marcus Vinicius Pratini de Moraes, ex-ministro da agricultura do

Brasil; e Tom Dorr, CEO do Conselho de Grãos em Washington DC, EUA. Neste debate a água foi abordada e destacada como um recurso limitado que afeta diretamente a produção agrícola e agropecuária. Outro assunto em destaque foi a relevância do controle sanitário, assim como a intervenção da Organização Internacional de Comércio (OIC) em filtrar e aprovar as regulamentações locais, ao que se refere as barreiras comerciais, com determinados produtos em situações de contaminação, como por exemplo a vaca louca. Patrini destacou a importância da redução do protecionismo para a liberdade da agricultura. “A redução do nível regulatório na área de meio ambiente é necessária para que a agricultura se desenvolva ao ponto de ser possível alimentar 9 mil milhõess de pessoas no futuro” disse. Já Sean Rickard reforçou que o futuro da alimentação está nas mãos dos grandes produtores de grãos e que os pequenos e médios terão que criar cooperativas e se unir para poder competir num futuro próximo. x

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ACTUALIDADES

MUNDO

Alltech lança programa para recém licenciados A Alltech anunciou uma nova iniciativa educacional para recém-licenciados. O Alltech Graduate Development Program, recentemente anunciado por Pearse Lyons, fundador e presidente da empresa, oferece 20 oportunidades para estudantes de graduação e pós-graduação. Consiste em 12 meses de experiência profissional num dos escritórios da empresa, pelo

mundo, onde os participantes irão aprender como o agronegócio internacional funciona, acumulando experiências em gestão que certamente enriquecerão as suas carreiras futuras. As oportunidades abrangem várias áreas da empresa, incluindo aquacultura, algas, ciências agrárias, marketing, financeira, operação, regulamentar, tecnologia de fermentação e 'life sciences', o novo campo de pesquisa e desen-

Produtores não aprovam substituição de raças

Ao contrário do que defendem os investigadores da Universidade dos Açores, os produtores de leite da Região não acreditam que seja benéfica a introdução de novas raças de bovinos. Com o desaparecimento do sistema de quotas leiteiras em 2015, a comunidade científica sugere a substituição da raça Holstein por vacas que produzam menos leite mas de melhor qualidade. O presidente da Federação Agrícola dos Açores,

Jorge Rita, diz que a introdução de novas raças deve ser ponderada e analisada de forma transversal, não acreditando na necessidade dessa introdução para aumentar a qualidade do leite. O dirigente agrícola afirma que qualquer redução na produção leiteira teria impactos negativos no setor e que a introdução de vacas Jersey (animais que produzem um leite mais rico em proteína) na Região não tem tido sucesso por variadas razões, desta-

Vitamina D contra a mastite das vacas

Investigadores do Serviço de Investigação Agrária dos EUA descobriram que a vitamina D poderia oferecer um tratamento alternativo ao uso de antibióticos para combater a mastite. Em estudo está a capacidade que uma forma natural da vitamina D (a feromona designada 25-hidroxivitamina D) tem de alterar a resposta do sistema imunitário da vaca, face ao agente patogénico Streptococcus uberis que pode causar a mastite. Os resultados das investigações indicam que são necessários níveis precisos da vitamina D na corrente sanguínea para prevenir afeções

tais como o raquitismo ou o enfraquecimentos dos ossos. São necessários níveis mais elevados da vitamina para ter um correto funcionamento do sistema imunitário. A feromona 25-hidroxivitamina D está presente no sangue, mas não existe muita vitamina desta no leite. No estudo, as vacas receberam a vitamina D por injeção, diretamente no quarto afetado da glândula mamária. Seguidamente, os cientistas recolheram dados sobre o consumo de ração pelas vacas, o número de bactérias no leite, a produção de leite, os níveis da vitamina no sangue e a temperatura corporal de todas as vacas. Observaram uma redução sig-

Concurso Nacional da Raça Bovina Limousine

Como acontece anualmente, terá lugar nos próximos dias 20 a 22 de Julho, em S. Teotónio, Odemira, o Concurso Nacional da Raça Bovina Limousine. Este evento, o mais importante da raça a nível nacional, é realizado na FACECO, e contará com a presença de mais de uma centena de animais dos melhores criadores a nível nacional. No primeiro dia, 20 de Julho, sexta-feira, será realizado o julgamento das fêmeas, seguindo-se no dia 21, sábado, o julgamento dos machos, culminando este evento com os campeonatos gerais, no

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volvimento da Alltech. O programa executivo de 12 meses começa no centro de biociências da Empresa em Dunboyne, na Irlanda e tem continuação num dos 128 escritórios espalhados por todo o mundo. Para mais informações sobre o programa por favor visite: http://www.alltech.com/about/careers/alltech-graduate-program x

cando o facto de a combinação de volumes produzidos e quantitativos de matéria útil obtidos ser muito mais favorável no caso da raça Holstein. Jorge Rita recordou ainda que alterações profundas na fileira do leite na região teriam um forte impacto nos produtores e seus rendimentos, mas também junto da indústria que se preparou e investiu visando transformar os atuais volumes de leite produzidos na região. x

nificativa nas contagens de bactérias e menos sintomas clínicos de infeção grave nas vacas tratadas com a vitamina D, comparativamente com as vacas que não receberam qualquer tratamento. Na fase recente da infeção, enquanto que a vitamina D reduziu os números de bactérias, também favoreceu a produção mais elevada de leite. Estes resultados sugerem que a vitamina D poderá ajudar a reduzir o uso de antibióticos para tratar a mastite. Para além disto, a vitamina D tem o potencial de reduzir outras enfermidades virais ou bacterianas, tais como infeções do trato respiratório. x

dia 22 de Julho, domingo. O Júri do Concurso Nacional Limousine virá expressamente de França para julgar os animais a concurso, estando geralmente presentes comitivas de França, Espanha e da região autónoma dos Açores, onde a raça tem crescido continuamente, à semelhança do que acontece no continente. A proximidade deste evento da Costa Alentejana, e as suas belezas naturais acrescenta ainda mais um motivo de interesse para visitar o Concurso e a região. x


ENTREVISTA

Produção de leite na Herdade da Fonte Insonsa Com o desaparecimento da cultura do tabaco, os agricultores da Beira Baixa — região onde estava localizada cerca de 60% da plantação a nível nacional — tiveram que procurar alternativas. Outrora produtor de tabaco, José Manuel Torrado, proprietário da Herdade da Fonte Insonsa, gere agora o seu negócio de produção de leite de cabra e ovelha e faz queijo de cabra em queijaria própria.

A exploração tem 220 hectares, dos quais cerca de 100 ha são de prados permanentes, a maioria de regadio. Ocupa 18 ha com triticale e 6 ha com cevada. O efectivo da exploração é composto por um rebanho de 850 ovelhas de leite cruzadas e um rebanho de cabras, de 350 Murcianas puras. O leite de ovelha produzido na exploração é para venda e o leite de cabra para produção de queijo – marca Queijo da Fonte.

Quais as opções que considera na altura de instalar um prado para pequenos ruminantes de leite? Na escolha das variedades a utilizar, contamos com o aconselhamento técnico da empresa que nos fornece as sementes com base na sua experiência nesta região. Utilizamos sempre uma mistura de gramíneas e trevos com o melhor equilíbrio nutricional, maximizando a produção de nutrientes. Ao arraçoamento obtido são “adicionados” os nutrientes que faltam no prado para a produção de leite desejada.

Utiliza prados anuais ou permanentes? A maioria são prados permanentes de regadio e sequeiro. Alguns hectares (poucos) estão com anuais, Speedmix, mas basicamente porque dá jeito ao maneio da exploração. Por exemplo, este ano, devido à seca, estamos a fazer 20 hectares de sorgo para fenar, como fonte de fibra e, claro, na busca de encher os palheiros que estão vazios.

Que análises de solos faz? As análises ao solo estão a cargo da empresa fornecedora de sementes; em função do resultado das análises, são-nos sugeridas as correcções a fazer. As análises mais frequentes para a implantação de um prado são o pH, o azoto, o fósforo e potássio, embora o pH seja o factor a que damos mais ênfase. Como faz o acompanhamento técnico das culturas? Maioritariamente é feito pelos técnicos das empresas privadas que são nossos fornecedores, neste caso, os dos fertilizantes. Por regra fazemos um acordo de compra de produtos e serviços. Os nossos fornecedores são nossos “parceiros”, e sempre que solicitado, aparecem. Se quero ter a certeza se devo fazer alguma correcção ao solo, se devo fazer um corte, se o maneio do prado está a ser o adequado ou se vejo alguma coisa de anormal, recorro ao seu aconselhamento.

Como faz a optimização da alimentação do rebanho, ou seja quem calcula o ‘gap’ de nutrientes em falta e como procede para supri-lo? O seguimento da alimentação é feito actualmente pelo médico veterinário José Caiado, com uma visita mensal e pelo engenheiro zootécnico João Mateus. São eles que fazem o balanço entre aquilo que temos na propriedade e o que temos que comprar, com o objectivo de maximizar a utilização daquilo que produzimos e reduzir a quantidade de “nutrientes” que compramos fora. Por exemplo, para facilitar o maneio, o eng.º João Mateus criou um concentrado único na sala de ordenha para as ovelhas e cabras. José Manuel Torrado, proprietário da Herdade da Fonte Insonsa

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ENTREVISTA

O facto de fabricar queijo condiciona a escolha das pastagens e forragens que utiliza? Sim, as forragens são escolhidas para se conseguir uma alimentação variada, natural e saudável, que confiram características de paladar e sabor único ao Queijo da Fonte. A pastagem verde fornece ácidos gordos polinsaturados na alimentação dos animais, o que permite a produção de um leite e de um queijo mais saudáveis.

“Existem ameaças muito sérias à produção de leite e queijo dos pequenos ruminantes, como o uso de leite em pó no fabrico de queijo, o leite fresco importado de Espanha a baixo preço, para além de continuarmos com grandes dificuldades de mão-de-obra para as ordenhas.” No que diz respeito ás forragens, qual a importância, do ponto de vista económico, da exploração estar implantada numa zona de regadio? Estando numa zona de regadio e tendo pastagem todo o ano, temos uma alimentação mais uniforme, regular, constante, evitando assim a compra de forragens fora da exploração, que poderiam não obedecer aos critérios exigentes que temos para a nossa própria produção de forragens. Tanto na composição como no timing do corte. Ou seja, mais que uma questão económica, é uma questão da qualidade do produto final. Qual a vantagem e desvantagem de fazer leite no Verão? No Verão existe menos leite no mercado, e isso, ainda que possa não representar vender o leite mais caro, garante, a quem o possa produzir, o escoamento garantido para o resto do ano. No meu caso, o custo acrescido de produção nesta altura é compensatório, uma vez que as parições mais bem sucedidas são precisamente as de Junho/Julho, altura do ano em que o índice de mortalidade nas crias é muito baixo por não existirem diarreias. Para além disto, no Verão consigo mais €1/kg peso vivo na venda dos borregos e cabritos do que em Fevereiro/Março em que o preço ronda €2,5/kg. Ou seja, os custos extra de produzir no Verão são compensados pelo aumento de produtividade e pelo preço de venda dos produtos.

A silagem é uma opção na sua exploração? Porquê? Não temos usado silagem até agora, mas estamos equipados para o fazer. O maneio alimentar que estamos a usar dá-nos confiança e qualidade no produto final, e como temos grande quantidade de prados, com possibilidade de pastoreio todo ano, até agora não se colocou a questão de fazer e utilizar silagem.

Em que medida é que o actual negócio constitui uma alternativa rentável à cultura do tabaco que fazia anteriormente nesta exploração? O tabaco foi efectivamente uma cultura que trouxe à nossa região riqueza, inovação e mesmo qualidade de vida para as populações residentes na envolvência às áreas de cultivo. Com o previsível fim desta cultura, concentrámos os nossos esforços no efectivo pecuário que entretanto tínhamos adquirido e, para aumentar a rentabilidade da exploração, fizemos a queijaria. De qualquer forma, a rentabilidade do nosso negócio quebrou significativamente quando comparada com a cultura do tabaco. Em parte talvez pela subida dos fertilizantes, dos combustíveis… Que decisões de gestão/maneio na exploração pensa tomar ou tomou, na situação actual em que o preço do leite é relativamente baixo para os actuais custos de alimentação? Construímos uma queijaria que já labora à 3 anos, para aumentar o valor acrescentado pelo menos no leite produzido que conseguimos transformar. Por outro lado, tentamos produzir forragens com a máxima qualidade para baixar/optimizar os consumos/custos de concentrado. De resto, e como política da casa, estamos sempre a tentar melhorar os índices produtivos dos rebanhos. Qual a sua opinião em relação ao futuro da produção de leite e queijo dos pequenos ruminantes? Existem ameaças muito sérias a este sector, como o uso de leite em pó no fabrico de queijo, o leite fresco importado de Espanha a baixo preço, para além de continuarmos com grandes dificuldades de mão-de-obra para as ordenhas. Somos obrigados a formar estrangeiros cujos conhecimentos nesta área são nulos. Temos também a dificultar-nos o negócio os elevados preços dos combustíveis e fertilizantes. x

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PRODUÇÃO

ALIMENTAÇÃO

Será o arraçoamento único o caminho certo? Luís Veiga, Engº Zootécnico, REAGRO SA

Pedro Castelo, Engº Agrónomo, REAGRO SA

veigaluis@reagro.pt

O sector do leite atravessa um período de alguma incerteza em relação a muitos aspectos relacionados com a produção e o mercado. É neste contexto de dúvidas para os produtores de leite, que se torna fundamental pensar na forma de produzir procurando reduzir os custos de uma forma racional sem comprometer os níveis de produção. Nessa óptica várias alterações podem ser equacionadas. Iremos neste artigo apenas relacionar o sistema de arraçoamento único com outro em que se utilizam dois lotes diferentes (alta produção e baixa produção) mais adequados às necessidades nutricionais dos animais para a fase em que se encontram.

As vacas actualmente possuem grande potencial produtivo e, no nosso entender, o caminho futuro deverá ser maximizar as produções e longevidade dos animais. Obviamente que isto deverá ser feito de forma coerente e sustentada. Para além disto, o facto de se privilegiarem arraçoamentos únicos (isto é, o mesmo lote para todos os animais) não permite às vacas em início de lactação exprimirem todo o seu potencial comprometendo de forma irreversível a sua produção anual. Por outro lado, com este sistema as vacas em final de lactação ingerem um arraçoamento com um nível energético, proteico, mineral e vitamínico superior às suas necessidades, representando um elevado desperdício económico.

Trabalhar com dois lotes (alta e baixa produção) é mais difícil, quer do ponto de vista técnico quer do ponto de vista prático. Apresentamos dois sistemas de produção distintos, um em que se utiliza apenas um arraçoamento – Lote Único – comparado com outro sistema em que são utilizados dois arraçoamentos distintos (Alta e Baixa Produção). Neste último caso, o lote de alta produção é formulado para vacas em início de lactação com produções médias diárias superiores a 35 litros e/ou dias de lactação inferiores a 120 dias. No entanto, é possível permanecer neste lote com mais de 180 dias de lactação desde que produzam mais de 35 litros. Enquanto o Lote

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pedro.castelo@reagro.pt

Tabela 1 Custo p/ Animal/ Dia= 4,85 € Matéria-Prima Silagem de Milho PB8 AMD30 Feno Azevém PB8 Silagem Azevém PB11 Farinha VL Única Total Custo p/ Animal/ Dia= 5,78 € Matéria-Prima Silagem de Milho PB8 AMD30 Feno Azevém PB8 Silagem Azevém PB11 Farinha VL Altas Total Custo p/ Animal/ Dia= 4,28 € Matéria-Prima Silagem de Milho PB8 AMD30 Feno Azevém PB8 Silagem Azevém PB11 Farinha VL Altas Total

LOTE ÚNICO

(108 €/ton MB)

Preço (€/ton)

Quantidade Distribuida Kg MB MS

MS

(229 €/ton MS)

Caracteristicas Nutricionais (/Kg MS) UFL

PDIN PDIE PDIA g g g

Ca g

P g

50

27,00

8,72 31,00 0,90 52,00 66,00 18,00 2,20 1,80

110

3,00

2,70 90,00 0,62 55,00 70,00 24,00 3,90 2,20

35

5,60

1,97 35,00 0,85 74,00 68,00 20,00 4,60 2,60

330

9,00

44,60

7,96 88,44 1,09 196,93 170,63 120,11 14,48 7,23

21,35 47,05 0,93 109,39 106,36 62,81 7,30 3,98

LOTE ALTA PRODUÇÃO

(250 €/ton MS)

(122€/ton MB)

Quantidade Preço Distribuida Kg (€/ton) MB MS

MS

Caracteristicas Nutricionais (/Kg MS) UFL

PDIN g

PDIE g

PDIA g

Ca g

P g

50

28,00

8,68 31,00 0,90 52,00 66,00 18,00 2,20 1,80

110

3,20

2,88 90,00 0,62 55,00 70,00 24,00 3,90 2,20

35

5,00

1,75 35,00 0,85 74,00 68,00 20,00 4,60 2,60

11,00

9,69 88,12 1,16 204,05 179,59 126,20 15,49 7,32

350

47,20 23,00 48,74 0,97 118,12 114,52 64,50 8,20 4,24

LOTE BAIXA PRODUÇÃO

(102 €/ton MB)

Quantidade Preço Distribuida Kg (€/ton) MB MS

(219 €/ton MS)

MS

Caracteristicas Nutricionais (/Kg MS) UFL

PDIN g

PDIE g

PDIA g

Ca g

P g

50

26,00

8,06 31,00 0,90 52,00 66,00 18,00 2,20 1,80

100

3,30

2,96 90,00 0,62 55,00 70,00 24,00 3,90 2,20

35

5,00

1,75 35,00 0,85 74,00 68,00 20,00 4,60 2,60

7,50

6,65 88,61 1,07 196,84 168,89 120,17 14,84 7,26

326

41,80 19,42 46,47 0,91 103,99 101,99 54,05 7,00 3,80


ALIMENTAÇÃO

de Baixa Produção é indicado para vacas com produções inferiores a 35 litros e numa fase mais adiantada na lactação.

De acordo com os nossos parâmetros nutricionais, os arraçoamentos descritos anteriormente (tabela 1) foram formulados utilizando silagens e feno de azevém comuns em Portugal. Para o alimento concentrado considerámos valores de mercado para as matérias-primas com custos de fabrico teóricos.

No que ao balanço proteico diz respeito (tabela 2), verificamos que no Lote Único as vacas em início de lactação estão em carência, resultando numa penalização das performances leiteiras, enquanto no final de lactação ingerem em excesso. Ainda em relação à proteína digestível por dia (PDD – quantidade total aportada por dia de proteínas degradáveis a nível ruminal), no início de lactação o valor deve-se situar entre 2,2 e 2,5 Kg/dia. Como podemos observar na tabela 2, no sistema Lote Único as vacas no arranque de lactação estão em défice, resultando numa potencial diminuição quer da matéria azotada degradável, quer da síntese microbiana. Relativamente à energia, como sabemos, no início de lactação a capacidade de ingestão das vacas é reduzida e insuficiente para satisfazerem as suas necessidades, por isso, quanto menor for o nível energético da ração maior será esse défice. Para além disto, em caso de hipoglicémia uma parte dos ácidos aminados presentes no sangue podem ser mobilizados via fígado Tabela 2

Balanço Azotado PL por PDIN PL por PDIE

Arraçoamento

Litros

39,11

37,78

Custo Concentrado

118,12

103,99

PDIA

g/Kg MS

57,66

64,5

54,05

DT

% MS

60,78

62,72

% PDIE

1,82

1,8

1,85

Proteina Digestível p/ dia

Kg/dia

6,78 2,02

UFL

Amido + Açucar

Glucidos Rápidos GTD

Matéria Gorda Bruta

6,8

2,31

6,73 1,8

€/animal

4,85

€/1000 L

Custo Total/1000 L

5,78

4,28

150,47

136,93

157,3

Custo Concentrado/1000 L €/1000 L

92,92

91,95

90,66

Margem Bruta/1000 L

169,53

183,07

162,7

€/animal

2,97

€/animal

Margem bruta

3,86

5,42

€/1000 L

2,45

7,69

4,39

Gráfico 1 - Curvas de produção Lote Único vs 2 lotes 50,0 45,0 40,0

Tabela 3

PL por UFL

14,8

61,81

% PDIE

Balanço Energético

16,5

101,99

%

LYSDI/PDIE

METDI/PDIE

15,6

114,52

Arraçoamento

Unidade Lote Único Alta Produção Baixa Produção

Unidade Litros

35,0 30,0

Litros

Proteina Bruta

Análise Económica Custo Total

33,53

109,39 106,36

*- PLpotencial = PLMáxima Potencial X [ 1,047 – (0,69 X e -0,9 X Semana lactação) – (0,0127 X Semana lactação) – (0,5 X e -0,12 X ( 45 – Semana gestação))]

34,37

g/Kg MS g/Kg MS

Para finalizar, a análise económica (tabela 4) torna-se imprescindível para se poder comparar as diferenças entre estes dois sistemas de produção. Além das vantagens técnicas de um lote adequado para cada fase, podemos observar que a margem por 1000 litros produzidos é significativamente superior no início de lactação, altura em que as vacas libertam uma maior margem. O gráfico 1 compara duas curvas de lactação utilizando a equação* do INRA (instituto superior de pesquisa agronómica, França) para produção potencial de multíparas referentes aos níveis máximos de produção permitidos com os arraçoamentos descritos na tabela 1. Assim, considerando o leite pago a 0,32 €/litro, o valor de produção com o sistema Lote Único é de 2412 € por lactação enquanto utilizando dois lotes alimentares o valor é de 3129 €. x

50,11

48,31

PDIN PDIE

para a síntese de glucose (neoglucogénese a partir de ácidos aminados). Este fenómeno pode conduzir a uma diminuição da síntese de proteínas ao nível do úbere e por consequência a uma diminuição do TP (teor proteico) no leite. Assim, com o lote de alta produção é possível reduzir esse défice através de um arraçoamento mais energético (tabela 3). Para além destas limitações, a perda de condição corporal em arranque de lactação tem uma correlação directa com a fertilidade, ou seja, quanto menor for a perda de peso maior será a taxa de sucesso da inseminação, sendo este um aspecto muito importante.

Tabela 4

Unidade Lote Único Alta Produção Baixa Produção Litros

PRODUÇÃO

Arraçoamento

Lote Único Alta Produção Baixa Produção 32,34

42,15

27,42

% MS

27,72

29

25

% MS

51,33

UFL/Kg MS % MS % MS

0,93

0,97

0,91

14,29

14,19

13,43

2,84

3,16

3,13

51,67

50,97

25,0 20,0 15,0 10,0 5,0 0,0

1

2 Row 2

3

4 Row 8

5

6

7

Meses de lactação

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8

9

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ENTREVISTA

Como rentabilizar a exploração de leite Num cenário em que se perspectiva a descida do preço do leite ao longo do ano e a continuação do preço elevado dos alimentos (concentrados e forragens), que medidas de gestão recomenda ou está a implementar na sua exploração?

Luís Marques - Consultor em vacas de leite

“Em tempos difíceis, há que tomar as decisões certas na produção de leite”

Com a escalada dos preços das matérias primas para o fabrico de rações e com o preço pago à produção de leite a baixar, o produtor confronta-se com uma situação complicada a nível económico. O que tenho verificado, na prática, é uma tendência do produtor para administrar menos quantidade de concentrado às vacas, quantidade essa insuficiente para cobrir as necessidades nutricionais. Esta atitude não é seguramente a opção mais correcta. A genética actualmente existente nas explorações é bastante apurada, podemos mesmo orgulhar-nos porque estamos no pelotão da frente em relação a este assunto. Porém, este apuramento genético tem a sua parte negativa, ou seja, os animais deixaram de ser tão resistentes quando submetidos a condições menos favoráveis. Vejamos, a maior parte dos problemas existentes nas vacas verificam-se após o parto até ao pico da lactação (mais ou menos 60 dias após o parto), e ocorrem por vários motivos, sendo um deles o balanço energético negativo devido à baixa capacidade de ingestão por um lado e às grandes exigências nutricionais por outro. Se administrarmos menos nutrientes, as performances de produção vão seguramente agravar-se e os picos de lactação vão seguramente ficar abaixo dos estábulos com planos alimentares bem elaborados. Animais mal alimentados têm também uma maior incidência de problemas na fertilidade e saúde animal em geral. Estas situações acarretam um agravamento financeiro da exploração.

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Assim, o que proponho nestas situações não é diminuir a ração, mas sim: - eliminar animais que estão no estábulo e que não aportam rentabilidade, como sejam vacas com mamites crónicas, animais que se arrastam com problemas de fertilidade há bastante tempo, animais que já passaram a sua idade produtiva e nos quais se verifica um declínio na sua performance. Concluindo, no estábulo a selecção tem de ser mais apertada, os animais devem ser muito bem alimentados consoante as suas necessidades e, seguramente, ao potencializarmos a produção o retorno económico é superior. - encontrar todos os meses o custo de produção de um litro de leite em termos alimentares, retirando daí conclusões. - no que se refere às forragens, estudar a possibilidade de incorporar novas culturas na exploração. A silagem de milho continua a ser a rainha das forragens, seguida da silagem de erva. Existem cada vez mais produtores a iniciarem a produção de luzerna, pelo seu interesse essencialmente como fonte de proteína. Já a beterraba forrageira, que é produzida em muitos países e que se adapta muito bem nos nossos terrenos, é uma excelente fonte de açucares (energia), interessante para incorporar nos planos alimentares das vacas, e pouco vista em Portugal. Comente estes assuntos com os seus técnicos assistentes e adapte as melhores soluções à sua exploração.


ENTREVISTA

Jos van Acht Produtor de leite, com uma vacaria com um total de 620 vacas

“O mais importante é fazer as forragens na nossa exploração ou próximo”.

Parece-me claro que um dos pontos importantes para fazer face a períodos difíceis será melhorar o efectivo, eliminando os animais com menos potencial genético e os animais com problemas. Nós estamos muito longe da situação óptima, estamos no Interior, onde as temperaturas são muito altas, e não estamos a controlar todos os factores, como seja o bem-estar animal. Isso resulta num refugo obrigatório de 28%, devido a vacas com problemas de fertilidade, patas, úberes. Num futuro próximo, esperamos conseguir aumentar o efectivo em 200 vacas e, como não queremos comprar mais animais no exterior, como fizemos até ao final de 2009, estamos a inseminar as novilhas com sémen sexado e a aproveitar todas as vacas que fiquem prenhas e que não apresentem problemas. De qualquer forma, no futuro e como, aliás, já começa a acontecer, vamos tentar não aumentar a taxa de refugo, mas torná-lo parcialmente voluntário, ao vender as vacas de menor potencial leiteiro. Para além disto, continuamos a utilizar a mesma quantidade de concentrados por vaca e dia e estamos a tentar, cada vez mais, melhorar a qualidade e quantidade de forragem. Em termos de despesa/custo do litro de leite, algumas coisas são importantes e podem ser feitas, como seja comprar matérias primas para misturar na exploração, eliminando alguns custos de transporte e fabrico. Mas o mais importante é, como nos encontramos numa zona de regadio (Caia-Elvas), conseguirmos fazer as forragens na nossa

2º Dia do Azevém

No passado dia 24 Abril realizou-se o 2º dia do Azevém, organizado pela empresa Barenbrug, empresa produtora e comercializadora de sementes, e pela Forte, Lda., distribuidora em Portugal de tractores e equipamentos das marcas Fendt, Kverneland e McHale. Esta demostração decorreu na Herdade do Casão, em Montemor-o-Novo.

Do programa fez parte a apresentação da empresa Barenbrug pelo Export Manager, Martin Dekker, que referiu que a produção de sementes de forragens da empresa tem lugar em diferentes países, em que 85% das terras de produção estão na Europa e América do Norte e que é for-

exploração ou nas proximidades, em terras alugadas, conseguindo pôr as silagens no silo de forma mais barata do que uma vacaria que necessite de ir buscá-las a grandes distâncias.

Outras coisas que ajudam, e que estamos a tentar fazer, são: usar as melhores variedades de sementes para produzir a maior quantidade e a melhor qualidade de forragens possível, ou utilizar os melhores inoculantes de silagem do mercado para aumentar a digestibilidade das silagens e assim obter um melhor aproveitamento em termos de energia e proteína por parte das vacas, pois quanto mais nutrientes conseguirmos fornecer às vacas a partir das nossas forragens, menores serão os custos com matérias primas compradas ao exterior. x

necedor de campos de futebol do Europeu da Polónia /Ucrânia. Martin Dekker, apresentou, para além do produto estrela – Barspecta II, o novo azevém mistura Prota Plus, mistura de gramíneas e leguminosas especialmente desenvolvida para Portugal, e que graças à presença do trevo faz elevar o nível proteico da forragem, factor muito importante, pois o preço actual das matérias primas proteicas está a níveis muito altos. A empresa Probimor, Lda através de Marta Guerreiro, apresentou as Medidas de Apoio à Instalação de Pastagens Biodiversas, no âmbito do projecto Terraprima e as Medidas de Combate e Mitigação da Seca 2012.

Já no campo, assistiu-se a uma demonstração, explicada pelo responsável da Forte - João Lopes, das máquinas presentes, nas operações de corte e enfardamento do azevém. x

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PRODUÇÃO

ALIMENTAÇÃO

Optigen A solução alternativa para baixar custos na alimentação Serviços Técnicos Alltech

A produção animal vive à escala global, um enorme desafio à sua rentabilidade motivada pela forte subida dos preços das matérias-primas utilizadas na alimentação. Com os conhecimentos de que se dispõe hoje, não se vislumbra a possibilidade do regresso dos preços aos níveis médios históricos do passado. Os preços das matérias-primas energéticas e especialmente das fontes proteicas como a “soja” continuam a manter uma tendência de forte subida. O bagaço de soja (44% PB) ultrapassa, neste momento, a marca psicológica dos 400 euros/tonelada. Este facto tem também impacto direto nas alternativas proteicas à soja, caso da colza, girassol, destilados de cereais, que seguem a mesma tendência.

PROTEÍNA SOLÚVEL

A proteína solúvel é a fração proteica que é mais rapidamente solubilizada no líquido ruminal, logo mais rapidamente disponível para ser usada pelas bactérias ruminais, especialmente as que digerem a fibra das forragens. Ela é fundamental para uma boa eficiência ruminal. Muitas vezes a alimentação de vacas leiteiras e novilhos tem um nível de proteína solúvel inferior ao que seria necessário, pois existem poucas matérias-primas disponíveis no mercado (caso do corn gluten feed) para cumprir com este requisito nutricional. Segundo estudos realizados pela universidade da Pensilvânia (gráfico abaixo), a quantidade de amónia no rúmen oscila ao longo do dia, comprovando que é essencial assegurar uma concentração superior a 12 mg/dL para maximizar a performance das bactérias celulolíticas (Swabb et al. 2005). Abaixo do nível acima indicado, o azoto, elemento essencial para o metabolismo, é um fator limitante e consequentemente a atividade bacteriana no rúmen diminui. Conseguir cumprir o requerimento em proteína solúvel fica muitas vezes dependente da utilização de ureia, produto que nas quantidades necessárias pode comportar riscos e que muitas vezes os produtores pecuários não gostam de ver fornecido na alimentação dos seus animais.

Face a este desafio, alternativas à utilização de fontes proteicas vegetais continuam a ser equacionadas no sentido de controlar os custos da alimentação, mas igualmente a formular dietas mais equilibradas nas diferentes frações proteicas e na relação forragem/concentrado da sua matéria-seca (MS), assegurando assim uma melhor eficiência alimentar e uma melhoria do retorno económico para o produtor.

20

sem libertação controlada de ureia com a libertação controlada de ureia

18 16

16

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14 12

Concentração de requisitos de amoníaco necessária para as bactérias do rúmen Concentração de amónia na ausência de libertação controlada ureia

0

2

4

6

9

alimentação a.m.

0

flexão

2

flexão

4

flexão

6

12

Tempo após a ingestão

15

flexão

A deficiência de amoníaco, na ausência de libertação controlada ureia

flexão

8

flexão

10

alimentação a.m.

É evidente que em ruminantes é fundamental trabalhar na melhoria da eficiência ruminal, pois a complexidade da microbiologia do rúmen oferece ainda um elevado potencial de melhoramento. Na realidade, no sentido de melhorar a digestão em ruminantes, é essencial um enfoque no aumento da população microbiana que representa em si a fonte de proteína que irá ser utilizada pelo animal na produção e manutenção dos requerimentos fisiológicos e produtivos do animal. O objetivo fundamental é identificar estratégias nutricionais que possam maximizar a sincronização das frações de proteína e energia de uma forma a disponibilizar os nutrientes ideais para o aumento da produção de proteína microbiana no rúmen com impacto na digestibilidade da dieta.

Amoníaco no rúmen mg / dl

EFICIÊNCIA RUMINAL

22

24


PRODUÇÃO

ALIMENTAÇÃO

FONTE DE NPN DE LIBERTAÇÃO LENTA – OPTIGEN:

VANTAGENS

Face a este problema e com o objetivo de maximizar a capacidade fermentativa das bactérias ruminais, a Universidade de Cornell, EUA, desenvolveu uma tecnologia inovadora que permitiu otimizar a quantidade de proteína solúvel constante no rúmen através do uso de uma fonte de azoto não proteico de libertação lenta, com aplicação tanto em animais de leite, como de carne. A tecnologia utilizada de microencapsulação e a densimetria específica permitem um ritmo de degradação muito idêntico àquele que observa na digestão ruminal do bagaço de soja (Fig.1). Este facto permite ao nutricionista, mediante reformulação da dieta, uma menor utilização de fontes vegetais ricas em proteína solúvel como a “soja” proporcionando uma fonte de azoto constante indispensável à população bacteriana, melhorar a sincronização da fração proteica com as fontes de energia da dieta e evitar picos elevados de amoníaco no rúmen e valores elevados de ureia no sangue que são prejudiciais à saúde e fertilidade.

Vacas Leiteiras

Novilhos de Engorda

Diminuição do uso da “soja” nas dietas. Um kilo de Optigen corresponde em termos proteicos a cerca de 6 kilos de bagaço de soja 44%;

Melhoria da síntese proteica microbiana;

Aumento da digestibilidade dos alimentos fonte de fibra como é o caso das forragens;

Menor quantidade de proteína necessária para produzir um kilo de carne;

Maximização da ingestão das forragens com menor uso de concentrados;

Redução de 1% no teor de proteína bruta das fórmulas destinadas ao fabrico de alimentos compostos para novilhos em crescimento e engorda;

Aumento da síntese de proteína microbiana, logo menor necessidade de fontes proteicas bypass em vacas de alta produção;

Menor consumo de alimento;

Diversos estudos científicos realizados em diferentes países permitem observar um aumento de produção de 1,2 litros de leite por dia;

Melhoria geral dos parâmetros produtivos confirmada por um melhor Ganho Médio diário e Índice de Conversão alimentar.

A melhoria da digestibilidade da dieta (confirmado pela observação física das fezes) melhora a eficiência alimentar e disponibiliza mais energia, cujos efeitos benéficos têm sido observados em vacas no pico de lactação através de uma melhoria da condição corporal.

APLICAÇÃO PRÁTICA

Os resultados e benefícios para o produtor têm sido observados tanto em Portugal como em Espanha, onde numerosos centros de engorda de novilhos têm comprovado não apenas os melhores resultados zootécnicos como também menos problemas associados a timpanismo e fezes melhor digeridas que resultam de uma função ruminal mais estável e saudável. Tais resultados são observados tanto em novilhos alimentados com o uso de carros Unifeed como nos que são alimentados a ração e palha. Em vacas leiteiras, o Optigen não apenas liberta o espaço necessário para o uso de mais silagem de milho (acima dos 30 kilos como hoje pretendem muitos produtores) e/ou outras forragens necessárias à diminuição dos custos da alimentação, como fornece a proteína solúvel indispensável ao bom aproveitamento ruminal da silagem expresso em maior produção de leite. Em novilhos de engorda, o Optigen igualmente liberta espaço para uso de mais forragens como assegura condições para a melhor digestão fibrolítica da palha. O seu uso eficiente em novilhos ficou mais uma vez recentemente demonstrado por um estudo controlado realizado em Itália, que permitiu obter um ganho extra de 40 euros por animal.

CONCLUSÃO

No atual contexto económico e face ao aumento do preço das matérias primas, nomeadamente das fontes proteicas como o bagaço de soja que contribuem para o agravamento dos preços das dietas em Portugal, o Optigen representa uma alternativa segura fornecendo aos animais uma fonte de nitrogénio solúvel necessário ao rendimento e eficiência das dietas utilizadas tanto em vacas como em novilhos sem os riscos associados à utilização de ureia. Pelas razões técnicas e económicas acima expostas, é uma solução adequada para o produtor, respondendo aos desafios económicos colocados à manutenção da rentabilidade e viabilidade da Pecuária Nacional. x

(Bibliografia disponível por solicitação)

Figura 1 Curva de libertação do Azoto: Optigen, bagaço de soja e Ureia 120

% nitrogênio libertado

100 80 60 40

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Bagaço de soja Ureia

20 0

18

Optigen II

0

10

20 Tempo (horas)

30

40


Pioneer® disponibiliza aos agricultores portugueses produtos e serviços que lhes possibilitam tirar o maior rendimento possível das suas explorações agrícolas. Ao disponibilizar sementes que são o resultado de um esforço constante na área da investigação e desenvolvimento, adaptados às diversas particularidades das regiões agrícolas, comprovando os resultados no terreno, contribui para a rentabilização das culturas. Pioneer®. A segurança do seu sucesso.

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PRODUÇÃO

ALIMENTAÇÃO

A dieta de bovinos de leite mediante a fase do seu ciclo produtivo A formulação de dietas para bovinos de leite baseada na fase do ciclo produtivo é um conceito que foi introduzido no início da década de 80, e que está centrado nas modificações da dieta baseadas na relação entre as alterações da produção de leite, capacidade de ingestão e peso metabólico, ao longo do ciclo de lactação da vaca. Foi sem dúvida um passo evolutivo, e possível, à medida que a dimensão das explorações foi aumentando e a possibilidade de dividir em grupos os animais, mediante a fase do ciclo produtivo, foi também sendo maior.

Nos últimos anos, o conhecimento das alterações fisiológicas que ocorrem desde o pré-parto até ao fim da lactação tem sido bastante aprofundado, e alguns artigos de elevado interesse, nomeadamente de Investigadores da Universidade de Michigan (Michigan State University), acerca da Teoria de Oxidação Hepática (TOH), têm revelado alguns indicadores interessantes acerca das modificações necessárias na dieta, ao longo do ciclo produtivo. Temos focado, nos últimos artigos, os factores determinantes na digestibilidade do amido, e de que forma podemos avaliar a taxa de digestão dos mesmos a nível ruminal. No seguimento dos mesmos, tentaremos agora debater que tipo de “amidos”, mais “rápidos” ou “lentos”, serão necessários em cada uma das fases mais importantes da lactação da vaca.

INGESTÃO

Geralmente, pensamos na capacidade de ingestão como uma função do peso metabólico, produção de leite requerida, condições climatológicas, frequência de alimentação, tamanho da partícula, tempos de retenção ruminal, e velocidade de fermentação do amido e da fibra.

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Recentemente, novas aproximações ao tema, como a Teoria da Oxidação Hepática (TOH), têm revelado e trazido à discussão vários factores que necessitam de ser considerados para maximizar a ingestão em bovinos de leite. A TOH sugere que a oxidação dos ácidos gordos, propionato, lactato e aminoácidos, no fígado, é um factor muito importante e condicionante da capacidade de ingestão. Os sinais fisiológicos que controlam a ingestão alteram-se, desde o período de transição no parto, até ao período final da lactação. Parece que durante a fase de transição o controle da ingestão é altamente influenciado pela oxidação hepática dos ácidos gordos não esterificados (NEFA), pela distensão ruminal durante o pico de lactação, e pela produção de propionato nos animais em fase final de lactação (Allen e Bradford, 2009a). Estes factores poderão contribuir para formular dietas que optimizem ainda mais a ingestão de alimento.

TRANSIÇÃO PARA INÍCIO DE LACTAÇÃO Os níveis elevados de Ácidos Gordos não esterificados (NEFA), provenientes da mobilização de gordura corporal, deprimem a ingestão durante o período de transição. Por esse facto, uma forma de maximizar a ingestão passa por controlar a mobilização de reservas corporais, durante o período de transição e início de lactação. A concentração de insulina plasmática e a sensibilidade dos tecidos à mesma diminui várias semanas pré-parto, o que contribui para o aumento da mobilização de gordura corporal. Apesar da baixa capacidade de ingestão, este facto ajuda a vaca em transição a manter constante a concentração de glucose plasmática. A concentração de insulina plasmática e a sensibilidade dos tecidos à mesma mantém-se baixa durante o início da lactação, elevando os níveis de NEFA. O período de tempo em que os NEFA se mantêm elevados depende do animal e da taxa de mobilização


ALIMENTAÇÃO

de gordura e de remoção da mesma pelo fígado e glândula mamária. A utilização dos NEFA pela glândula mamária é importante para diminuir os níveis dos mesmos. No entanto, a elevada oxidação dos NEFA no fígado reduz a ingestão de alimento, aumenta o potencial para fígado gordo e aumenta a exportação de corpos cetónicos, quando a capacidade oxidativa do fígado não é total (Alan e Bradford, 2009a). A ingestão de alimento limitada pelos níveis elevados de NEFA atrasa o aumento da concentração plasmática de glucose, resultando em produção de leite reduzida, devido à produção limitada de lactose. Por esse facto, é desejável aumentar a concentração de glucose no início de lactação, porque estimula a produção de insulina no pâncreas. A decisão de limitar a fermentescibilidade do amido pode aumentar a ingestão de Matéria Seca no início de lactação. O propionato, principal produto da digestão do amido, é absorvido a taxas elevadas e rapidamente transportado para o fígado para produzir glucose. Se o propionato for absorvido mais rapidamente do que é utilizado para produzir glucose, será oxidado, produzindo ATP e emitindo um sinal de saciedade ao cérebro. Tipicamente este facto não é um problema em vacas em início de lactação, devido ao facto do fígado, nesta fase, aumentar significativamente de dimensão. No entanto, o propionato também estimula a oxidação da Acetil CoA, que tipicamente se apresenta em quantidades elevadas nesta fase, devido à oxidação parcial dos NEFA, e isso pode resultar também num aumento da produção de ATP, emitindo a mesma mensagem de saciedade ao cérebro (Allen e Bradford, 2009a). A necessidade de propionato para produzir glucose, estimular a insulina, reduzir a mobilização das reservas corporais e aumentar a ingestão terá de ser balanceada com o seu potencial de emitir sinais de saciedade ao cérebro devido à produção de ATP, explicado acima. Alterar então a fermentescibilidade do amido nesta fase parece ser uma estratégia mais desejável do que substituir amido por fonte de fibra digestível.

Nesta fase então, por fim, o nutricionista poderá considerar estas opções, segundo Allen e Bradford, 2009a: - Não deverá ser administrada na dieta fontes de gordura suplementar, visto que a limitação de ingestão pelos altos níveis de NEFA é já uma realidade; - Manipular a dimensão da partícula do grão ou utilizar farinha de milho em detrimento de pastone, de forma a limitar a digestão do amido a nível ruminal, passando este a ser digerido no intestino, com a consequente produção directa de glucose; - Utilizar outros precursores da glucose com menor efeito estimulante da Acetil CoA, como o glicerol ou frutose.

PICO DE LACTAÇÃO

À medida que as vacas se aproximam do pico de lactação, a concentração plasmática mais elevada de glucose estimula a produção de insulina, reduzindo a lipólise e as concentrações de NEFA e Acetil CoA. A redução desta e a maior necessidade de produção de glucose reduz a oxidação hepática e os sinais de saciedade para o cérebro.´

Nesta fase a Oxidação Hepática não é um factor determinante na ingestão. O foco agora deverá estar na qualidade da Fibra Neu-

PRODUÇÃO

tro Detergente (NDF) das forragens, nomeadamente na concentração, digestibilidade e fragilidade, de forma a formularmos dietas com tempos de retenção baixos e elevada fermentescibilidade da fibra. Durante esta fase, a formulação da dieta deverá:

- Se possível, diminuir a concentração de silagem de erva em detrimento de silagem de leguminosas, que têm tempos de retenção mais baixos; - Maximizar a utilização de silagem de milho, cuja fibra é digerida rapidamente no rúmen; - Utilizar fontes de amido altamente fermentescível, no sentido de maximizar a ingestão de energia e promover a produção de proteína microbiana; - Limitar a ingestão de gorduras insaturadas, que pode reduzir a motilidade ruminal.

FIM DE LACTAÇÃO

À medida que as necessidades de energia diminuem após o pico de lactação, o impacto da distensão ruminal é menor, e a ingestão é novamente regulada pela Oxidação Hepática. As vacas, no fim de lactação, são mais sensíveis à insulina, derivam mais energia para adipose, requerem menos glucose e são mais susceptíveis à depressão de gordura no leite. As dietas administradas nesta fase deverão: - Manter a condição corporal próxima do 3; - Conter forragens com maior tempo de retenção; - Conter fontes de amido menos fermentescível; - Conter fontes de fibra não forrageira para ajudar a diluir a concentração de amido; - Limitar as gorduras insaturadas em animais já susceptíveis à depressão de gordura no leite.

CONCLUSÃO

A ingestão é influenciada por diversos factores, como ambientais, fisiológicos e ligados à dieta administrada. Temos agora uma ideia mais clara de como podemos ajustar a dieta à fase fisiológica da vaca de leite, podendo dessa forma optimizar a produção de leite a um custo o mais baixo possível. Referências: Allen, M.S., e B.J. Bradford, 2009a. Strategies to optimize feed intake in lactating cows. WDCS Advances in Dairy Technology. 21:161-172.

Conte com a Pioneer. Nós estamos sempre por perto.

luis.queiros@pioneer.com

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PRODUÇÃO

GENÉTICA

Raças de carne Que raça escolher para melhorar o meu efectivo? Em bovinos de carne, os cruzamentos são frequentemente utilizados com o objectivo de aumentar a produtividade, concentrando num único indivíduo características economicamente interessantes presentes em duas ou mais raças distintas, por meio da complementaridade.

O cruzamento entre mães de raças autóctones e pais exóticos, muito frequente em Portugal, permite dispor, com o mínimo de investimento, de filhos adaptados às condições difíceis de regime extensivo com velocida-

des de crescimento superiores, melhores índices de conversão, etc., que as verificadas na raça autóctone. Claro que cabe ao produtor definir em que quer melhorar o seu efectivo, seja no rendimento da carcaça, na facilidade dos partos, na adaptação da carcaça às exigências do mercado, etc. Nesta “mesa redonda” apresentamos os argumentos de três produtores de linhas puras, para a escolha duma destas três raças, Angus/Charolês/Limousine, como raça melhoradora de um efectivo. Ou seja, aquilo que um produtor poderá esperar quando cruzar o seu efectivo com uma destas três raças.

Roland Winter, produtor da raça Aberdeen-Angus

“Tudo começou em 1992, quando vim para Portugal com os cavalos Quarto de Milha. Dois anos depois, comprei as primeiras vacas de outras raças apenas com o intuito de treinar os cavalos. Em 1998, importei as primeiras Aberdeen Angus, já conhecia a raça desde 1975 que na Suíça é a nº1. A partir daí, o efectivo começou a crescer com várias importações de Inglaterra, Irlanda e Dinamarca, até chegar ao que tenho hoje, mais ou menos 90 vacas divididas em 3 rebanhos, um deles de 17 Vermelhas. Para além disso, tenho investido para melhorar a genética do meu rebanho usando a técnica de inseminação artificial e construí um subcentro de sémen para disponibilizar sémen de Angus de excelentes linhas ao mercado nacional.” A raça que eu escolheria para melhorar um efectivo bovino seria, sem dúvida, a raça Aberdeen Angus. Apesar de estar agora a dar os seus primeiros passos em Portugal, hoje tem o maior efectivo mundial em bovinos de carne, sendo a raça preferida para a selecção e criação de gado nos principais países produtores (ex: EUA, Argentina ou Austrália), porque a sua adaptabilidade aos mais variados climas e condições de maneio é extraordinária. Considero que a raça Aberdeen-Angus é “multifuncional”, por que as suas características raciais respondem às várias necessidades dos produtores. A sua facilidade no parto (peso médio de 35kg) faz-se com que seja a eleita no cruzamento industrial em raças de carne e leiteiras. No caso particular das raças exóticas exploradas em Portugal, o facto da Angus ser precoce trás vantagem no cruzamento para se au-

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mentar o vigor híbrido para a produção O seu temperamento dócil e a dominância mocha facilitam o maneio e a segurança na exploração o que se traduz numa maior eficiência reprodutiva. Na linha materna, a raça também evidência as suas vantagens, pois sendo uma raça precoce significa estar sexualmente activa muito cedo, o que permite colocar as novilhas à cobrição com 15 meses para virem a parir com 2 anos. Sendo assim, a manutenção de boa condição corporal após o parto resulta num mais rápido retorno ao cio e à cobrição (i.e. antes dos 83 dias) conseguindo-se facilmente obter um vitelo a cada 365 dias. Aliada à excelente capacidade aleitante, é fácil perceber que durante a vida útil produtiva existe uma optimização do número de animais por vaca. Faço o desmame por volta do 6/7meses com pesos médios que rondam os 280kg. O facto de ser uma raça precoce também indica uma eficiente conversão de forragem em peso e um


GENÉTICA

acabamento mais rápido, pois inicia a deposição de gordura de cobertura e intramuscular (marmoreado) mais cedo. Assim, faz mais sentido falar em rendimento por área de produção (kg/ha) do que por animal (kg de carcaça). A padronização conferida pelas características da qualidade da carcaça e da carne, faz com seja a raça mais conhecida no mundo e onde o nome ANGUS reflecte qualidade da carne. A qualidade da carne, é porventura a característica que a torna mais conhecida e lhe vale o rótulo da “melhor carne do mundo” e por isso tem impulsionado a criação de regimes de

PRODUÇÃO

certificação com base no genótipo Angus. Isto significa colocar ao dispor da produção, da comercialização e do consumidor uma carne diferenciada onde a qualidade sensorial está em primeiro lugar. Sendo assim, o retorno das mais-valias ao seleccionador e ao produtor de carne são maiores. Este facto já se verifica em Portugal, onde a procura de reprodutores não pára de aumentar e onde o cruzado já está a valer pelo menos 4,20€/kg de carcaça. À parte das virtudes raciais, o espaço e os mercados a conquistar dão-me cada vez mais segurança na escolha que fiz - a raça Aberdeen-Angus.

David Catita, produtor de Limousine

A escolha de uma raça melhoradora para um efectivo bovino deve ser consciente e baseada em dados concretos, uma vez que, como tudo na agricultura, os processos de transformação são lentos, assim como a recuperação de eventuais opções de mudança que não tenham resultado como esperado. Os aspectos fulcrais para o sucesso de um efectivo pecuário são claros. Em primeiro lugar, os animais devem ser de fácil adaptação e boa rusticidade, para possibilitar a demonstração das suas qualidades. Neste contexto, a raça Limousine ocupa uma posição cimeira, adaptando-se facilmente a todas as regiões de Portugal, de norte a sul e do litoral ao interior. É actualmente a raça pura com maior número de touros puros em produção no panorama nacional, com mais animais que todas as outras somadas, ficando claro a sua enorme adaptação às condições nacionais. Em segundo lugar, e considerando a necessidade de redução de perdas e de custos com os recursos humanos afectos às explorações, importa garantir que as vacas não apresentem dificuldades no momento do parto, fase esta que concentra mais de 70% das mortes de uma exploração. A facilidade de partos da raça Limousine é enorme, sendo uma das suas maiores qualidades e que transmite à descendência, com animais entre 35 kg e 45 kg à nascença e com reprodutores seleccionados há décadas pela grande dimensão da bacia, aspecto fulcral para a facilidade de partos. Em terceiro lugar, importa garantir que a raça seleccionada apresente rapidez de crescimento aliada ao rendimento de carcaça, onde a raça Limousine apresenta valores de excelência, com pesos médios ao desmame acima dos 280 kg e com rendimentos de carcaça acima dos 62%, devido ao osso fino e à elevada proporção de carne de qualidade na carcaça, com reduzido desperdício. A raça Limousine é ainda uma raça melhoradora com elevada fertilidade, com boas qualidades mater-

nais de cuidados com as crias e elevada produção leiteira, sendo estes aspectos importantes numa fase de aperfeiçoamento produtivo de um efectivo. A minha exploração — Fonte Corcho — localizase em Serpa, sendo constituída essencialmente por montado de azinho e olival. A dureza do solo, a necessidade de reduzir problemas e a opção por ter os partos concentrados no Outono fez-me escolher a raça Limousine, e actualmente todo o investimento realizado tem sido muito compensador. A minha experiência com outras raças resultou em problemas de parto, no caso de raças mais ossudas, e em vacas muito frias, com baixa fertilidade e com necessidades energéticas de arrefecimento muito elevadas, nas raças originárias de climas frios. Com a raça Limousine os problemas de parto são praticamente inexistentes, abaixo de 4%, e os GMD rondam os 1200 gramas/dia. Em termos de índices de conversão, os valores variam entre os 4 e os 5 kg MS/kg PV, e os animais atingem valores de peso vivo

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PRODUÇÃO

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GENÉTICA

acima dos 650 kg com cerca de 14 meses. O escoamento dos animais tem sido fácil, uma vez que se trata de animais muito procurados e valoriza-

dos, com um dos valores mais elevados do mercado de engorda, em virtude das suas elevadas performances de crescimento.”

João Salvador, produtor de Charolês

A Quinta dos Gamos, situada em pleno coração do Ribatejo, foi fundada em 1985, no lugar de Foros de Almada, no concelho de Benavente. Dispõe de uma área de 50 hectares de regadio, com prados de pastagens permanentes semeados criteriosamente, com vista a alimentar as vacas e todo o gado bovino que nela pastam de forma eficaz, sabido que uma boa alimentação, um bom maneio e uma genética adequada, a par de outros factores, contribuem de forma decisiva para produzir animais de qualidade. A produção da casa assenta, essencialmente, na cria de bovinos das raças Charolesa e Alentejana e ainda no cruzamento industrial das duas raças, tirando assim partido das potencialidades de ambas. A Charolesa é a número um em produção de carne, e um criador de vacas é essencialmente um produtor de carne. Na herdade temos uma vacada alentejana pura, aquela que eu considero ser a melhor raça autóctone, e uma vacada charolesa pura, que é aquela que em termos mundiais será a melhor produtora de carne. Comparando o crescimento destes animais puros, posso afirmar que os Charoleses têm um crescimento diário superior em 40% à raça alentejana. O ganho médio diário do Charolês chega a ser durante largos períodos superior a 2 kg por dia, e com 12 meses de vida chega aos 650 kg pv. O futuro da carne passa por produzir qualidade, e esta depende de vários factores, entre eles da genética. É muito importante saber escolher o reprodutor adequado à exploração para onde vai “trabalhar” e ter uma alimentação adequada. Sem uma boa alimentação, não se tira proveito da genética. O rendimento de carcaça é sempre superior aos 60%, chegando nalguns casos perto dos 70%. A experiência diz-me que ao fim de um ano de vida, com a mesma alimentação e maneio, um charolês pesa sempre mais 10 a 15% do que a Limousine. “Por vezes, diz-se que as vacas cruzadas com charolês parem mal! Todos os animais parem bem e mal. O charolês, por norma, dá animais pesados apesar de haver linhas que dão animais mais leves, e as nossas raças autóctones são normalmente pequenas e nem sempre bem alimentadas, não tendo capacidade, nem

bacia nem ventre para gerar um bezerro que à nascença possa pesar mais de 40 Kg. Por isso, têm algumas dificuldades. Mas se estivermos atentos aos partos e virmos que alguma vaca está para parir e com dificuldades, devemos puxá-la à manga e ajudar no parto. Nada que não se passe com as mulheres, todas elas são ajudadas. A verdade é que, quando as mulheres deixaram de parir debaixo das árvores ou em casa, a mortalidade baixou. Porque não aplicar os nossos conhecimentos aos animais? De qualquer forma, o grande problema é o desajustamento do perfil da vaca ao charolês. A maioria dos produtores, quando quer comprar charolês, opta pelo melhor, o maior; quando aquilo que deveria ser feito com qualquer raça seria comprar um reprodutor que se ajustasse ao perfil das vacas do comprador. Eu tenho vacas alentejanas cruzadas com charolês e não tenho problemas de parto. A razão deve-se a ter metido um touro com características mais esqueléticas do que musculosas que fazem bezerros com 35/40 kg à nascença. O sucesso dum reprodutor é também a adaptabilidade à região para onde vai; comprando em Portugal, a adaptação é sempre mais rápida, de qualquer forma é muito importante criar condições de tranquilidade e bem estar para que ele se adapte rapidamente. x

Contactos das Associações: • www.charoles.com.pt • www.limousineportugal.com • www.aberdeen-angus.pt

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PRODUÇÃO

ALIMENTAÇÃO

Valorização da Silagem de Milho Departamento Técnico Comercial Timac Agro \ Vitas Portugal O objetivo da conservação de forragens é preservar ao máximo as qualidades das forragens verdes no momento da colheita, assegurando um alimento apetente e com elevado valor nutritivo. A ensilagem de forragens verdes permite obter bons resultados, desde que se cumpram determinadas regras na colheita e na realização do silo.

A silagem consiste na conservação de uma forragem com alto conteúdo em humidade, mediante acidificação do meio, produzida por fermentação láctica. Pretende-se então incentivar a fermentação láctica para que, o mais rapidamente possível, se produza ácido láctico com o objetivo de baixar o pH para níveis onde a atividade bacteriana cesse, de modo a atingir a estabilidade do silo. Durante o processo de ensilagem, verificam-se vários tipos de perdas, que põem em causa a qualidade nutricional do produto final, a silagem. Como consequência, o seu valor alimentar diminui, refletindo-se isso na performance dos animais. Verifica-se que as fermentações indesejáveis são responsáveis por uma grande parte das perdas na silagem. Sabendo que as fermentações lácticas são aquelas que nos interessam aumentar no processo de ensilagem, pois contribuem para uma rápida estabilização do silo, com valores de pH que impedem o desenvolvimento dos microrganismos indesejáveis, será de todo o interesse acelerar o seu início.

Assim, podemos dizer que os objetivos para obtermos uma silagem de qualidade são, por um lado, atingir rapidamente o pH de estabilidade e por outro, termos o maior número possível de bactérias lácticas. Aumentar o nº de bactérias lácticas por tonelada de forragem verde, permite: • Acelerar o início da fermentação láctica • Menor consumo dos nutrientes da forragem verde • Redução das perdas do valor nutritivo da silagem • Maior estabilidade e duração da silagem • Melhor qualidade da silagem

Um inoculante biológico favorece um rápido aumento do número de bactérias lácticas por tonelada de

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erva verde, acelerando o processo fermentativo, conseguindo-se por isso uma diminuição mais rápida do pH e uma maior formação de ácido láctico. Devido à redução das fermentações indesejáveis nas fases iniciais do processo de ensilagem, favorece-se a conservação das qualidades nutritivas da forragem verde. Com um menor consumo dos nutrientes da forragem verde obtemos, assim, uma silagem de melhor qualidade alimentar. Para atingir este objetivo a Vitas Portugal, através dos diversos departamentos de investigação do Grupo Roullier, desenvolveu um inoculante biológico, o SIL APRILIS PRO.

O SIL APRILIS PRO foi desenvolvido através de uma seleção meticulosa de fermentos lácticos, propiónicos e enzimáticos provenientes de pesquisa biotecnológica aplicada de estirpes isoladas da flora natural da silagem e que foram selecionadas devido à sua performance acidificante e capacidade de adaptação. Devido às suas características, SIL APRILIS PRO: • Permite maior preservação do valor nutritivo da silagem; • Reduz as perdas de matéria seca; • Evita o desenvolvimento de bactérias indesejáveis; • Reduz o desenvolvimento de fungos; • Aumenta a estabilidade do silo após a abertura A Vitas Portugal continua a defender uma busca permanente de novas e mais adequadas soluções para os nossos clientes. Para mais informações e esclarecimentos, não hesite em contactar o técnico Vitas mais próximo de si.


PRODUÇÃO

ALIMENTAÇÃO

Micotoxinas e sua influência na incidência de doenças metabólicas em ruminantes Radka Borutova, Gestora de Produto, BIOMIN Holding GmbH

radka.borutova@biomin.net

Detectar quando as micotoxinas estão a prejudicar a saúde e as performances é extremamente difícil. Algumas micotoxinas, como a Zearalenona, afectam principalmente a reprodução e são relativamente fáceis de identificar.

Elevados níveis de micotoxinas podem causar intoxicações agudas e alterações dramáticas na produção de leite e saúde animal... Infelizmente a situação mais comum e mais difícil de identificar acontece quando o alimento contem baixas doses de micotoxinas e os efeitos para a saúde são sub-clínicos. A presença de micotoxinas na ração está muitas vezes relacionada com o aumento de doenças metabólicas como cetoses, retenção placentária, torção do abomaso, mastites, metrites, manqueira, aumento das células somáticas e diminuição da produção leiteira. As micotoxicoses diminuem o rendimento devido à baixa de produção de leite e sua qualidade e aumentando os custos em terapias inadequadas.

As micotoxinas podem ser o agente primário de problemas agudos de saúde ou produção em vacas, mas usualmente são um factor que contribuem para problemas crónicos incluindo maior incidência de doenças, redução da performance reprodutiva. A sua acção é exercida através de quatro mecanismos primários: (1) redução do consumo ou recusa, (2) redução na absorção dos nutrientes e desequilíbrio metabólico; (3) alterações do sistema endócrino e exócrino; e (4) supressão imunitária. O reconhecimento do impacto das micotoxinas, na produção animal tem sido limitado pela dificuldade de diagnóstico. Os sintomas são muitas vezes inespecíficos e os seus efeitos progressivos tornam o diagnóstico difícil ou impossível devido à complexidade e diversidade de sintomas.

MASTITES, METRITES

Mastite é a inflamação da glândula mamária por definição. As mastites ocorrem como resposta primária a uma infecção bacteriana intramamária, mas que poderá ser também devida a fungos, algas ou Mycoplasma. Os traumas físicos, térmicos ou químicos predispõem a glândula mamária à infecção. A ocorrência da mamite depende da interacção do agente com factores ambientais (Zhao and Lacasse, 2007). Metrite é a inflamação das camadas musculares do útero e do en-

dométrio. Os factores de risco para o aparecimento de metrite pós parto são: retenção placentária, distócia, aborto, prolapso uterino, febre do leite, má higiene no parto, Cetosis etc. (Palmer, 2003). Resultados de uma exploração com 3200 vacas, 3000 novilhas e 400 vitelos mostram que o decréscimo médio em mastites e metrites após o uso de Mycofix® Plus (15 – 30 g/vaca/dia) foi de 0.3 % e -32.5 %, respectivamente (Figura 1 e 2). A contaminação de TMR era 800 ppb de deoxynivalenol e 38 ppb de zearalenona.

Figura 1 – Incidência do total de mastites durante 158 dias.

Figura 2 – Incidência do total de mastites durante 151 dias.

O campo verde representa a presença de Mycofix®Plus na ração y = -0,2459x + 10027 R² = 0,6723 y = -0,2459x + 10027 R² = 0,6723

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02.04.2011

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19.03.2011

Incidência de mastites no total

09.03.2011

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19.02.2011

Durante o uso de Mycofix®Plus

12.02.2011

09.02.2011

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08.01.2011

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Linear (Incidência de mastites no total)

0

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Antes do uso do Mycofix®Plus

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16.04.2011

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02.04.2011

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19.03.2011

12.03.2011

09.03.2011

26.02.2011

Incidência de mastites no total

y = -0,2183x + 8897,6 R² = 0,3883

50

Durante o uso de Mycofix®Plus

19.02.2011

12.02.2011

09.02.2011

29.01.2011

22.01.2011

15.01.2011

08.01.2011

01.01.2011

Antes do uso do Mycofix®Plus

60

01.01.2011

70 60 50 40 30 20 10 0

O campo verde representa a presença de Mycofix®Plus na ração

Linear (Incidência de mastites no total)


ALIMENTAÇÃO

CÉLULAS SOMÁTICAS (SCC)

A contagem de células somáticas em amostras do tanque do leite são um bom indicador da saúde do úbere. As células somáticas no leite são principalmente glóbulos brancos produzidos pela vaca para destruir as bactérias causadoras de mamite que entram no úbere e para reparar tecido lesado. Estas células estão sempre presentes no leite mas quando existe invasão do úbere por microorganismos ou se a mama é lesionada, o número de SCC aumenta. As lesões tecidulares e o aumento das SCC resultantes de mamites podem bloquear os ductos galactóforos da mama, resultando em baixa produção de leite quando as células produtoras de leite, situadas acima da lesão, são destruídas. Uma estimativa das perdas, derivada de contagem de SCC é apresentada na Tabela 1. Segundo esta, manadas com contagens acima de 500.000 SCC podem conduzir entre 8 a 20 % de quebras de produção devido à presença de Tabela 1 – Perdas estimadasde leite relacionadas com contagens de élulas somáticas Contagem SCC 100,000 200,000 300,000 400,000 500,000 600,000 700,000 800,000 900,000 1.000,000 Stiles and Rodenburg, 1996

Perdas Produção Leite (%) 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18

LAMINITES

Outro aspecto a tomar em conta é a alta incidência de laminites nas vacarias com alimentos contaminados por micotoxinas. Laminites só por si causam graves prejuízos económicos, devido à baixa produção de leite, disturbios reprodutivos, aumento de refugos e de custos com tratamentos. Num estudo conduzido em 2010 por Pirestani e Toghyani ficou provado que o aumento dos níveis de aflatoxina (de 13.01 a 110.63 ppb) no arraçoamento, era responsável pelo aumento da Aflatoxina M1 em amostras de leite. Também se verificou que estes níveis causaram problemas reprodutivos por retenção placentária. A prevalência das laminites foi significativamente afectada pelo nível de aflatoxina (P ≤ 0.05) no leite. Concluiu-se que existia uma forte relação entre os níveis de aflatoxinas e laminites e retenção placentária.

Existiu uma relação significativa entre aflatoxinas e laminites (Tabela 2). Isto pode ter sido devido à aflatoxina e o seu efeito na LAMINA do casco, ao solo de má qualidade, deficiências nutricionais e mau maneio. Em comparações entre animais normais e

CONCLUSÃO

É bem conhecido que todas as micotoxinas suprimem o sistema imunitário e impedem o normal funcionamento do rúmen, mesmo a níveis que não causem sintomas metabólicos ou fisiológicos, É importante saber que as micotoxinas diminuem o consumo

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mamites sub-clínicas (www.omafra.gov). O máximo permitido por lei de SCC, nos Estados Unidos, são 750.000/ml. Este limite é alto comparativamente a outros limites internacionais. A Nova Zelândia e a Austrália, têm como a Europa, limites de 400.000/ml e o Canadá de 500.000/ml. Noutro teste avaliámos o uso de Mycofix® Plus numa vacaria com ocorrência de múltiplas micotoxinas. As SCC, antes da utilização de Mycofix® Plus, eram muito elevadas, reflectindo os elevados problemas de mastite nas vacas. A adição de 25 g/vaca/dia de Mycofix® Plus ao alimento diminuíram os efeitos negativos da contaminação por 1025 ppb B-trichothecenes (nivalenol, deoxynivalenol, 15 acetyl-deoxynivalenol) e 120 ppb zearalenona. A inclusão de Mycofix® Plus no alimento, reduziu as SCC significativamente (Figura 3). Figura 3 - Contagem de células somáticas no leite a granel (o período de controle antes de Mycofix®Plus) 600 500 400

Durante o uso de Mycofix®Plus

300 200 100 0

06.02.2006 21.02.2006 08.03.2006 23.03.2006 07.04.2006 22.04.2006 05.05.2006 22.05.2006 05.06.2006 21.06.2006 05.07.2006 21.07.2006 05.08.2006 20.08.2006 04.09.2006 19.09.2006 04.10.2006 19.10.2006 03.11.2006 18.11.2006 03.12.2006 18.12.2006 02.01.2007 17.01.2007 01.02.2007 15.02.2007 03.03.2007 18.03.2007 02.04.2007 17.04.2007

PRODUÇÃO

Tabela 2 – Correlação entre aflatoxina e laminite em vacarias Aflatoxina Exploração A (13.01 ppb Afla) Exploração B (110.63 ppb Afla)

Correlações

M1 0.022 0.432*

B1 0.112 0.425

B2 n.d. 0.323

* Significativo a partir ≤ 0.05; n.d. = não detectado

G1 -0.011 0.389

G2 -0.011 n.d.

Total -0.112 0.425

com laminites verificou-se, nestes últimos, um ligeiro aumento no intervalo entre parto e a primeira inseminação. Esta diferença pode estar relacionada com a dor causada pela laminite devido a micotoxinas que, por causa da redução do consumo, conduz a menor ingestão de energia, desequilíbrio hormonal e nutricional (Ozsoy‘s et al., 2005; Sood and Nanda, 2006). Korosteleva et al. (2009) observaram que 500 ppb de deoxynivalenol pode reduzir a actividade fagocitária e neutrofila, e consequentemente determinar sintomas sérios, quando mastites e laminite estão presentes. Laminite é o mais predominante sintoma de intoxicação por Alkaloides de Ergot alem de baixo ganho de peso e agaláxia. (Whitlow, 1993).

de alimento o que conduz à diminuição de produção de leite, uma alimentação adequada e equilibrada, em conjunto com um programa de controlo de micotoxinas, são a chave para a óptima performance na produção animal.


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E tudo se reduz a leite

Tecadi, Lda. Rua Cidade de Santarém, Zona Industrial, Várzea 2005-002 Santarém Tel.: (351) 243 329 050 E-Mail: info@tecadi.pt • www.tecadi.pt


PRODUÇÃO

ALIMENTAÇÃO

Optimizar custos de produção A Tecadi propõe aos produtores de leite ”reduzir os efeitos da crise, optimizando os custos de produção” Manuel Ortigão , Eng.º Zootécnico, Tecadi Técnico - Comercial Zona Norte e Açores

manuel.ortigao@tecadi.pt

Nos passados dias 18 e 19 de Abril, a Tecadi organizou em Vairão (Vila do Conde) e Bunheiro (Murtosa), respectivamente, 2 colóquios subordinados ao tema ”Reduzir os efeitos da crise, optimizando os custos de produção” e que serviram para as apresentações do LUTRELL (um produto BASF) e do COMBI CLA, contendo ambos ómega 6, destinados a melhorar a fertilidade das vacas leiteiras bem como a sua produção.

Estes colóquios contaram com a presença de 25 pessoas cada um, entre produtores de leite, nutricionistas e médicos veterinários. Por parte da Tecadi estiveram presentes os Eng.ºs Luís Ferraz, Paula Ventura e Manuel Ortigão e a Dra. Mafalda Ferraz.

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O Eng.º Luís Ferraz, sócio-gerente da Tecadi deu as boas-vindas e fez uma breve apresentação da empresa, destacando que nos seus 15 anos de vida a Tecadi tem vindo a crescer de forma regular e sustentada, quer no mercado nacional, quer na exportação. Referiu que a Tecadi representa em Portugal empresas de referência mundial nas áreas da Química Fina e Nutrição Animal, como a BASF, LALLEMAND, HAMLET PROTEIN, etc. além de desenvolver diversas marcas próprias. A Tecadi possui a certificação ISO 9001-2008 reconhecida pela APCER. O Eng.º Jorge Gallardo da BASF fez uma apresentação breve da Companhia líder mundial da indústria química, que emprega cerca de 110.000 pessoas em 370 locais de produção e que facturou em 2011 mais de 73 mil milhões de euros. Na sua apresentação destacou a

Ruminantes • Julho | Agosto | Setembro • 2012

BASF Nutrition & Health com a qual a Tecadi colabora.

Seguidamente a Engª Silvia Schmid (BASF) fez a apresentação do LUTRELL, seus resultados técnicos e experiências. Apresentou o princípio activo do produto, o ácido linoleico conjugado (CLA) protegido da degradação no rúmen e seu modo de actuação. Mostrou a importância de um produto destinado ao periparto das vacas que contrarie o balanço energético negativo deste período da vida dos animais. Mostrou que dessa forma se consegue ajudar o metabolismo, reduzindo a gordura hepática e melhorando a disponibilidade de glucose no pósparto. As vacas alimentadas com Lutrell apresentam melhor condição corporal, menor incidência de cetoses e outros problemas metabólicos e melhor fertilidade, consubstanciada numa menor taxa de não retorno, num encurtamento do


ALIMENTAÇÃO

intervalo entre partos e num menor refugo de vacas por problemas de fertilidade. A produção de leite é significativamente aumentada, havendo a registar também uma ligeira redução do teor butiroso do leite. São reduzidos os custos com medicamentos. Apresentou resultados de Centros de Investigação e de ensaios de campo. O Eng.º Manuel Ortigão, técnico-comercial da Tecadi na zona Norte e Açores, apresentou alguns dos resultados preliminares de um ano de ensaios com LUTRELL em Portugal.

PRODUÇÃO

com a redução dos dias open, tendo sido atribuído um valor de 3€ por cada dia open a menos. Em 3 das explorações a empresa compradora do leite não valoriza o teor butiroso; no entanto, para efeitos de avaliação económica do ensaio, considerámos como se houvesse penalização pela ligeira redução da gordura. O retorno médio ponderado do investimento nessas explorações foi de 6:1 considerando a penalização pela quebra do teor butiroso; de 7:1 não havendo essa penalização (Quadro 1).

Num trabalho científico ainda não publicado (U.A.) foi realçado o facto de serem mais elevados os níveis de progesterona no sangue das vacas alimentadas com Lutrell comparativamente ao controlo. Em diversos ensaios de campo, alguns dos quais em explorações com robot de ordenha, foram recolhidos os dados dos referidos robots bem como dos contrastes leiteiros, dos relatórios do nutricionista, do médico veterinário assistente e do programa Bovinfor. Houve a preocupação de fazer a avaliação económica dos resultados obtidos com a produção de leite e

Quadro 1. Uso prático de Combi CLA e Lutrell

Resumo dos resultados de 5 explorações em Portugal (2011 -2012), num total de 385 vacas em lactação (média ponderada dos valores obtidos). Produção (L)

Diferença na Gordura (%) (*)

Diferença na Proteína (%) (**)

Redução do intervalo entre partos (3€/dia open) Refugo por infertilidade (***)

Despesa c/ Lutrell e ou Combi CLA

Benefício Líquido (com penalização da gordura)

+ 3,18 L - 0,11 n.s.

-16 dias open (101 dias)

Retorno do Investimento

(incluindo teor butiroso)

Retorno do Investimento

(não incluindo teor butiroso)

Benefício Líquido (sem penalização da gordura)

Total p/ mês

Total p/ ano

p/ vaca ano

- 1166€

- 13992€

- 36€

+ 11760€ n.s.

+ 1540€ - 1773€

+ 141120€ n.s.

+ 18480€ - 21276€

+ 367€ n.s.

+ 48€ - 55€

+ 10361€

+ 124332€

+ 323€

+ 11527€

+ 138324€

+ 359€

ROI ROI

(*) Em 3 das explorações o comprador do leite não valoriza o teor butiroso, mas aqui calculamos como se houvesse penalização. (**) n.s. - Diferenças não significativas. (***) Valor ainda não calculado mas que consideramos que corresponde a uma redução do refugo de 30 a 50% com Lutrell.

6:1 7:1

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ECONOMIA

OBSERVATÓRIO Breves comentários e previsões sobre o mercado de matérias-primas Paulo Costa e Sousa Engº. Agrónomo - Director Comercial da Louis Dreyfus Commodities - Portugal Nota: Os preços e os cenários previstos para a evolução dos mercados de matériasprimas estão sujeitos a muitos imponderáveis e exprimem apenas opiniões profissionais à luz do melhor conhecimento num determinado momento. Assim, a Revista Ruminantes não garante a confirmação e/ou o cumprimento dos preços e previsões feitas sobre os preços das matérias-primas sujeitas à analise do Observatório dos Mercados, não constituindo assim ofertas de compra ou de venda.

COLHEITA RECORDE DE MILHO NO HORIZONTE Neste momento parece vislumbrar-se algum raio de esperança na próxima campanha de cereais. De cereais, não, de milho, uma vez que os cereais praganosos fortemente prejudicados pelo Inverno rigoroso não terão uma colheita muito brilhante, mesmo longe disso.

Assim sendo, a indústria europeia põe todas as suas esperanças numa só ficha, a colheita recorde de milho que se espera. Que se espera nos EUA, que se espera na Ucrânia e que se espera na UE.

O acréscimo nas áreas semeadas bem como a ressementeira de algumas superfícies de cereais praganosos com milho, fizeram com que o hemisfério Norte tivesse uma das maiores áreas semeadas de sempre. No entanto, se bem que até agora não haja nenhum motivo particular de sobressalto a história desta colheita ainda terá muitos capítulos por ler, a disponibilidade hídrica ou as temperaturas na floração são sempre causas de melhores ou piores resultados que poderão mudar todo o figurino de produção.

Em relação ao consumo, além da importância vital que a situação macroeconómica pode ter nos seus padrões, um ponto adicional poderá ser importante. Num ano em que o trigo poderá ser uma matéria prima com um preço superior ao milho, a sua substituição massiva por este deverá ocorrer. Não no caso português que já premeia o milho na sua formulação habitual, mas países como a Espanha, a Itália ou os países do Norte da Europa, que premeiam cevadas e trigos habitualmente, poderão encontrar-se com um diferencial amplo destes cereais em relação ao milho, o que fará inevitavelmente aumentar o seu consumo pondo um travão à sua queda acentuada mesmo que a produção se verifique abundante.

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Vindo isto a acontecer e comparando com o mesmo período do ano passado, tudo aponta para uns preços mais favoráveis para a indústria (e consequentemente menos elevados à produção) estando ainda por ver qual será realmente a sua produção final, qual será o diferencial para o trigo e como é que este diferencial afectará positivamente o consumo de milho, uma vez que os dados da colheita de cereais praganosos já se vislumbram com cortes em relação ao ano anterior.

No caso das proteínas, a palavra de ordem parece mesmo ser total incerteza e total volatilidade, já que vemos os preços mudar 15 euros “da manhã para a tarde”, o que pode transformar a compra num verdadeiro exercício de sorte. Em termos gerais, não parece haver nada particularmente baixista até à colheita americana de Setembro/Outubro, mas a paz tambem não é de modo algum garantida para depois.

Mais uma vez, as proteínas parecem querer encaminhar-se para um novo patamar de preços; tal como passaram do patamar de 300 euros para o patamar 400 euros, assim parecem dirigir-se em termos gerais para paragens mais altas, donde que cada baixa que apareça um pouco mais acentuada que o normal pode constituir uma boa oportunidade de compra. x


ECONOMIA »

EVOLUÇÃO DO PREÇO MÉDIO DE ALIMENTOS COMPOSTOS PARA ANIMAIS (em Euros/Tonelada) Novilhos de engorda

€/ton

€/ton

Borregos de engorda

Meses

Meses

Vacas leiteiras em produção

€/ton

€/ton

Ovelhas leiteiras em produção

Meses

Meses

EVOLUÇÃO DO PREÇO MÉDIO DE MATÉRIAS-PRIMAS (em Euros/Tonelada) €/ton

Bagaço de colza

€/ton

Cevada

»Fonte: IACA

€/ton

Bagaço de soja

€/ton

Milho

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»Fonte: IACA

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ECONOMIA

OBSERVATÓRIO Perspectiva do mercado leiteiro Fontes: IFCN, LTO, SIMA

CRESCIMENTO RECORDE NA PRODUÇÃO MUNDIAL EM 2011 Fonte: IFCN

Conjuntura

A produção mundial de leite mundial no ano de 2011 cresceu em 3,2% ou em 22,6 milhões de toneladas relativamente a 2010 (dados de produção de leite de vaca e de búfala, corrigido para 4% de gordura e 3,3% de proteína), de acordo com dados divulgados na 13ª Dairy Conference do International Farm Comparison Group (IFCN), realizada em Junho passado em Kiel, na Alemanha. Esse crescimento foi maior do que o verificado em 2010 (16,3 milhões de toneladas) e também maior do que o crescimento recorde anterior, registado em 2005/2006. Para colocar o valor de 22,6 milhões de toneladas em perspectiva, basta referir que o mesmo é superior à produção anual de leite da Nova Zelândia. Os principais factores impulsionadores desse crescimento têm sido os preços favoráveis do leite e as condições climatéricas. Para além disso, o aumento do teor de gordura do leite nos Estados Unidos teve também algum impacto. Uma redução na produção de leite foi observada na Rússia, na Ucrânia, na Bielorrússia e no Irão. Principais países que impulsionaram o crescimento

(em milhões de toneladas de leite, 2011 vs 2010) 1

Índia

5,9

2

UE-27

3,0

3

EUA

2,2

4

Nova Zelândia

2,1

5

Paquistão

1,3

6

Argentina

1,2

7

Brasil

1,2

8

China

0,7

Custos de produção e resultados económicos das explorações em 2011

Resultados preliminares das comparações do IFCN indicam que o aumento nos custos da alimentação animal em 2011 (+38,5%) levaram ao aumento do custo de produção do leite. O aumento no custo foi mais forte em sistemas de produção de leite de alto rendimento. Para além disso, um amplo número de países emergentes, como a China, a Índia e o Brasil, mostraram aumento nos custos motivados pelo aumento dos níveis dos salários. Em termos de rentabilidade das explorações leiteiras, o ano de 2011 mostrou bons resultados, à medida que na maioria dos países o preço do leite aumentou mais do que os custos.

Previsões para a produção de leite em 2012 e 2013

Na Dairy Conference do IFCN, vários investigadores previram o crescimento da produção de leite em 2012 e 2013 para os seus países. A experiência da conferência do ano passado mostrou uma qualidade muito boa de previsão. O IFCN previu um crescimento na produção de leite, em 2011, de 22,5 milhões de toneladas e este ficou muito pró-

ximo das 22,6 milhões de toneladas. A previsão do IFCN para este ano é baseada no nível de preço do leite (0,40 dólares/quilo) e considerando o actual nível de preços da alimentação animal. Assim e baseado nisso, o IFCN espera que a produção de leite cresça entre 20 e 22 milhões de toneladas, em 2012 e em 2013, respectivamente.

Preços mundiais do leite e seus impulsionadores

Em Maio de 2012, o preço mundial do leite (baseado no preço para o leite em pó desnatado e para a manteiga) caiu para um nível de 0,35 dólares/quilo. Este preço está a afectar o preço do leite ao produtor em quase todos os países do mundo e é motivado por um equilíbrio entre a oferta mundial e a procura. Isso significa que uma mudança na produção e no consumo de leite em cada região do mundo tem um impacto. O mapa-mundo abaixo mostra em que regiões se verificou um excedente ou um déficit em 2010. O actual baixo nível do preço do leite é resultado de um forte crescimento na oferta de leite em importantes regiões com excedentes, a qual foi maior do que o crescimento da procura em regiões deficitárias.

Excedente e déficit de leite, por regiões, em 2010

Excedente (milhões de toneladas) Déficit (milhões de tonedas)

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ECONOMIA

Fonte: LTO

PREÇO DO LEITE STANDARDIZADO (1) Preço do leite (€/100 Kg) ABril 2012

média últimos 12 meses (4)

Alois Muller

32.46

34.66

Nordmilch

31.20

33,57

Países

Companhia

Bélgica

Milcobel

Alemanha

Humana Milchunion eG

Dinamarca Finlândia

França

29.55

Arla Foods

Irlanda Itália Holanda

E. U. A.

35.15

39.35

43.83

Danone

31.77

34.84

Bongrain CLE (Basse Normandie) Sodiaal

30.33 30.00 31.87

34.66 34.43 34.41

Dairy Crest (Davidstow)

32.30

33.10

Glanbia

30.94

34.05

First Milk

Kerry

29.77

31.00

30.18

33.50

Granarolo (North)

41.64

41.04

Friesland Campina

30.51

36.99

DOC Kaas

Preço médio do leite - ABril Nova Zelândia

32.19

33,70

Hãmeenlinnan Osuusmeijeri

Lactalis (Pays de la Loire) Inglaterra

31.05

33.22

Fonterra

(2)

31.09 32.18 30.07

29.41

36.41 35.16 30.20

32.77

(1) Preços sem IVA, pagos ao produtor; Preço do leite de diferentes empresas leiteiras para 4,2% de MG e 3,4 de teor proteico • (2) Média aritmética (3) Ajustado para 4,2% gordura, 3,4% proteina e contagem de células somáticas 249,999/ml • (4) Inclui o pagamento suplementar mais recente Últimos preços disponíveis ao fecho desta edição: 30 de Junho de 2012

Preço médio do leite em Abril 2012 (€0.90 /100 Kg menos que em Abril de 2011)

38 36 34 32

Fonte: LTO, Junho 2012

30 28 26

Dez

Nov

Out

Set

Ago

Jul

Jun

Mai

Abr

Mar

22

Fev

24 Jan

No período de 30 meses de Novembro de 2009 a Abril de 2012, os preços no mercado mundial mantiveram-se estáveis num intervalo entre 0,40 e 0,50 dólares por quilo de leite. Nesse período, o crescimento da procura foi um pouco mais forte do que o crescimento na oferta e os volumes que faltaram foram supridos por stocks. Agora, os preços relativamente altos do leite criaram uma situação onde a oferta de leite é maior que a procura. Como resultado, o preço do leite caiu para menos de 0,40 dólares/quilo. A volatilidade do preço futuro a nível mundial dependerá bastante da constituição de stocks estratégicos e da transmissão de indicações dos preços mundiais aos produtores de leite e consumidores. Se essa transmissão for rápida, o que significa que os preços aos produtores e consumidores acompanham os preços mundiais, a volatilidade será baixa. No caso de baixos preços mundiais, os produtores de leite recebem a indicação para produzir menos. Os preços aos consumidores cairão, o que levará a um aumento no consumo de leite. Ambos ajudam a trazer a oferta e a procura a um novo equilíbrio. Se a transmissão não ocorrer ou se for lenta, a volatilidade será muito maior, uma vez que os produtores e os consumidores não recebam a indicação dos preços. Existe uma série de sinais de que a indústria láctea está a enfrentar uma baixa transmissão do preço do leite, especialmente em períodos em que os preços declinam. Nesse cenário, os preços mundiais do leite podem ser cíclicos, como é muito comum nos mercados de gado bovino e suíno. Se esse for o caso, a questão principal é quanto

durará o ciclo de uma altura para a outra. No passado, esse tempo foi de 3 a 3,5 anos até que os preços mundiais alcançassem níveis muito altos no final de 2008 e começo de 2011. Uma vez que esse é o comprimento do ciclo, a fase de elevados preços mundiais de leite deverá ocorrer em 2014.

€ /100 kg

Os preços no mercado mundial e a sua volatilidade no futuro

O preço médio calculado do leite das entregas efectuadas em Junho de 2012 é de €32.18 por 100 Kg de leite standard. Este valor representa uma descida de 2,7% comparativamente com Abril de 2011 (- €0,90). Comparado com Abril de 2011, o preço médio de Abril teve um decréscimo de € 0,9.

» Portugal

LEITE À PRODUÇÃO

Preços Médios Mensais de Janeiro a Abril 2012 Leite Adquirido a Produtores Individuais

Fonte: SIMA

meses

eur / Kg

teor médio de matéria gorda (%)

teor proteico (%)

ABR‘11 MAI’11 JUN’11 JUL’11 AGO’11 SET’11 OUT’11 NOV’11 DEZ’11 JAN’12 FEV’12 MAR’12 ABR’12

0.311 0.309 0.310 0.310 0.311 0.322 0.324 0.325 0.324 0.324 0.322 0.315 0.318

3.69 3.63 3.65 3.67 3.73 3.79 3.81 3.86 3.84 3.81 3.83 3.74 3.75

3.20 3.18 3.18 3.19 3.21 3.24 3.22 3.30 3.28 3.26 3.25 3.25 3.24

ABR‘11 MAI’11 JUN’11 JUL’11 AGO’11 SET’11 OUT’11 NOV’11 DEZ’11 JAN’12 FEV’12 MAR’12 ABR’12

0.295 0.297 0.295 0.292 0.296 0.314 0.318 0.321 0.315 0.312 0.311 0.296 0.296

3.67 3.67 3.66 3.72 3.76 3.91 3.91 3.93 3.78 3.67 3.63 3.63 3.61

3.24 3.22 3.18 3.13 3.10 3.19 3.24 3.28 3.20 3.16 3.17 3.20 3.20

Continente

AçoreS

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PRODUÇÃO

Produção nacional de carne de bovino Novas Oportunidades e Desafios A ANEB, Associação Nacional dos Engordadores de Bovinos realizou, em final de Março, uma reunião sob o tema Novas Oportunidades e Desafios para a Produção Nacional de Carne. Este evento teve lugar em Vila Franca de Xira e contou com a presença do secretário de estado, José Diogo Albuquerque. Sob a coordenação de Jerónimo Pinto, presidente da Direcção da ANEB, foram debatidos vários desafios que se colocam ao sector, nomeadamente a volatilidade das matérias primas, o REAP, a nova PAC 2014 e a Mercosul. INTERVENÇÕES Martin Pamiseux, da Oxybiotop, explicou o processo de funcionamento e as vantagens de uma gestão e valorização de efluentes pecuários baseadas em novas tecnologias.

André Preto, da MSD, abordou o tema do maneio sanitário em explorações de engorda de bovinos. Os riscos sanitários, segundo referiu, podem ter diversas proveniências: a origem dos animais (avaliar performances produtivas e sanitárias); o tipo de desmame (com 45 dias pós-desmame a percentagem do custo com tratamentos representa 9% contra os 27% de 14 dias de permanência pós-desmame); o transporte (não se relaciona os km percorridos com os tratamentos realizados, apenas com o peso; uma hora de transporte representa uma quebra de 2% do peso); as instalações (é importante ter uma relação correcta entre a dimensão do pavilhão e a carga animal); e as doenças infecciosas – pneumonias e clostrideos (a maior parte das vezes está mais do que um agente envolvido). Relativamente aos custos de uma engorda, referiu estarem ligados com os seguintes “mandamentos”: Instalações – Selecção de origens dos animais – Maneio dos animais – Aposta na prevenção (boas práticas – vacinação, desparasitação) – Privilégio da eficácia do tratamento (uso correcto dos antibióticos) – Produção com eficiência e rentabilidade.

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David Gouveia, do Gabinete de Planeamento e Políticas do MAMAOT*, apresentou uma caracterização do sector, falou da estratégia e instrumentos disponíveis, assim como da reforma da PAC. Referiu ainda que o consumo de carne de bovino tem vindo a aumentar, ainda que ligeiramente; que a produção de carne não tem acompanhado o aumento de consumo, mas baixado; e que o efectivo de vacas aleitantes tem-se mantido, ao contrário do das vacas leiteiras que tem descido. As perspectivas, a seu ver, são de aumento da produção na UE27 e no mundo em geral. Disse ainda que se prevê uma redução das exportações e uma maior competição mundial; que os preços altos da matérias primas para alimentação animal deverão manter-se. E que a comunidade europeia irá assumir-se como um ‘driver’ pelo lado da importação da maioria das matérias primas agro-alimentares, ou seja, deixará de ter o papel de “fazedor de preços no mercado mundial” e passará a ser cada vez mais um operador de preços. Este responsável referiu também que o objectivo deste governo é reduzir o défice da balança comercial, substituindo as importações por produção portuguesa. As tendências do consumo de carne de bovino apontam para uma procura cada vez mais exigente e sofisticada e para um crescimento em termos de valor e não de volume. E a

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nova realidade de um mercado global leva a que se trabalhe em ganhos de escala e de produtividade (concentração da oferta com organização de produtores e organização das fileiras em Interprofissionais), na diferenciação e no papel dos operadores (produzir para o mercado - organização sectorial). Quanto à reforma da PAC, adiantou que nada está decidido mas que haverá quase seguramente ajudas directas e medidas de mercado, estas últimas orientadas à melhoria da posição negocial da produção e da rede de segurança.

Eunice Silva, do Clube de Produtores do Continente, que existe desde 1998, disse na sua intervenção que o clube leva o melhor de Portugal ao consumidor e que tem como objectivos o crescimento, a partilha e a inovação. O Clube conta actualmente com 244 membros e 2974 produtores e é certificado. Tem também um centro de processamento de carnes e o seu mais recente desenvolvimento é o projecto IGP Açores em skinpack (www.clubedeprodutores.continente.pt ).

Na sua intervenção, Jerónimo Pinto concluiu que a associação tem a “obrigação” de defender, valorizar e promover a carne bovina nacional. E focou temas importantes como a promoção do “sabor do nosso saber”, os contactos com a distribuição e a valorização da produção nacional acrescentando


PRODUÇÃO

valor, inovando. Como salientou, “No fundo a carne tem que saber bem e fazer bem.”

José Diogo Albuquerque, Secretário de Estado da Agricultura, referiu-se à importância de Portugal ser auto-suficiente; à concentração da oferta (países fortes têm sempre

comercialização através de agrupamentos de produtores); e à cadeia alimentar (que funcione com maior repartição das margens e coerência, trabalho que está a ser realizado pelo ministério). Em relação à PAC fez saber que, por enquanto apenas existem propostas que vão ser discutidas, e que Portugal tem

propostas alternativas. Terminou dizendo que a gestão do risco – seguros agrícolas – é um assunto que está em revisão e que já se estão a fazer apólices com “fonte comunitária”. Terminou dizendo que “os agricultores são também para ajudar a nossa economia, não são só para produzir alimentos”. x

*MAMAOT - Ministério da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território

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PRODUÇÃO

ALIMENTAÇÃO

Engorda de Borregos Programa alimentar “sem palha” Carlos Flecha, Provimi Iberia - Departamento de ruminantes

cflecha@pt.provimi.com

A produção de carne de borrego tem vindo a concentrar-se, cada vez mais, em grandes explorações da especialidade, com sistemas intensivos altamente profissionalizados, preocupados em maximizar a eficácia e em minimizar os custos. Nestas explorações, o programa alimentar “sem palha”, permite diminuir o peso da mão-de-obra, a dependência de factores externos e rentabilizar as infraestruturas sem colocar em causa a segurança alimentar e os resultados zootécnicos. SISTEMAS INTENSIVOS – APONTAMENTOS Maneio - recepção dos Animais

- Separar os borregos em função do peso e sexo; - Separar animais que se encontrem doentes; - Apenas introduzir nas engordas animais saudáveis e que saibam comer; - Administrar electrólitos;

Tratamentos profiláticos

- Rações com antiparasitários; - Reforço vit E e Selénio (sistema imunitário) - Vacinação conforme programa da exploração (enterotoxémia, pasteurela, ...)

Instalações – indicações gerais

- Limpas, desinfectadas e com boa cama; - Lotes de 75 a 100 animais; - Densidade 2 animais por m2; - Volume mínimo de ar 1 a 1,5 m3 por animal; - Manjedoura 1 m por cada 20 animais; - Bebedouro 1 m por 100 borregos, 1 ponto por cada 25/30 animais, os melhores são os de nível constante; - Ventilação estática e dinâmica.

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ANÁTOMO-FISIOLOGIA DOS OVINOS ALGUNS FUNDAMENTOS

Nos ovinos adultos, só as partículas com diâmetro inferior a 2 mm podem passar através do orifício retículo-omasal. Nos borregos têm que ser inferiores a 1mm. Compartimentos gástricos 4

1 30%

3

70%

Borrego

1

2 4

1- rumen, 2 - reticulum, 3 - omasum, 4 - abomasum

7%

80%

3 2

Ovelha Adulta

São duas as vias que permitem o esvaziamento do conteúdo ruminal: - A absorção e eructação do substrato alimentar resultante da fermentação microbiana (fração não lenhificada); - A evacuação das partículas não degradadas para os compartimentos posteriores.


ALIMENTAÇÃO

A saliva é segregada durante a ingestão e a ruminação dos alimentos. Um borrego pode segregar até 5 litros/dia de saliva, o que constitui cerca de metade da capacidade de um adulto (10 l/dia). A saliva é rica em substâncias tampão ( bicarbonatos e fosfatos) e o seu pH é ligeiramente alcalino (8,2). No peso do conteúdo ruminal, a água representa cerca de 80%. É proveniente dos alimentos, da água de bebida e, principalmente, da saliva. O tempo de mastigação dos concentrados moídos é baixo, assim, a produção de saliva é menor. Em contrapartida os grãos secos dos cereais são bem mastigados pelos pequenos ruminantes . Verificamos que, nos sistemas de alimentação ad libitum de borregos, a ingestão da dieta diária processa-se em cerca de uma dezena de “comidas”.

BASES DO PROGRAMA ALIMENTAR “SEM PALHA”:

PRODUÇÃO

ENSAIOS COMPARATIVOS – RESULTADOS DE CAMPO EM EXPLORAÇÃO INDUSTRIAL Condições gerais

Número de ensaios = 3: Primavera; Verão; Inverno. Número de lotes por ensaio = 3: GR/CP (granulado+palha); GR/SP (granulado, sem palha); GI/SP (granulado+cereal integral, sem palha). Peso vivo médio de entrada no ensaio: Primavera = 17,2 kg/borrego; Verão = 19,5 kg/borrego; Inverno = 18,2 kg/borrego. Peso vivo médio de saída = 25 kg/borrego. Quadro resumo GMD CMD IC GMD CMD IC GMD CMD IC CUSTO

PRIMAVERA GR/CP 172 807 4,7 VERÃO 107 497 4,6 INVERNO 301 1160 3,9 GR/CP 1,26

GR/SP 173 728 4,1

GI/SP 181 547 3

116 494 4,2

118 515 4,3

249 960 3,8 GR/SP 1,18

264 1090 4,1 GE/SP 1,05

GMD (ganho médio diário); CMD (consumo médio diário); IC (índice de conversão)

CONCLUSÕES Administrar um alimento composto completo com uma formulação adequada ás necessidades nutricionais dos animais e uma apresentação física cuidada: - 40 a 50% de cereal integral; - 50 a 60% de concentrado sob a forma de granulado de alta qualidade. A administração de palha ou feno nos comedouros não é necessária.

JUSTIFICAÇÃO FISIOLÓGICA:

- O tamanho do orifício retículo-omasal do borrego permite a retenção do grão do cereal no rúmen e assim possibilita a sua ruminação e mastigação. - O pericárdio confere ao grão de cereal uma acentuada resistência à degradação ruminal, provocando a sua maceração, com o respectivo aumento de tamanho (inchado) – efeito forragem. - Os grãos inteiros são mastigados e ensalivados em pequenas quantidades (bolos alimentares pequenos) fornecendo ao rúmen o amido em pequenas quantidades. O ritmo é marcado pela mastigação do cereal (125-150 movimentos por minuto). - Cada mastigação do bolo ruminal produz saliva e desse modo, água e substâncias tampão (bicarbonato e fosfato). - Esta forma de aportar o amido ensalivado possibilita a que não existam acidoses. - Ao utilizar, nas condições do alimento já aqui referidas, o grão inteiro como substituto da forragem, podemos prescindir do uso da palha na engorda intensiva de borregos.

O sistema baseado num alimento composto completo - concentrado sob a forma de granulado + cereal integral sem administração de palha garante que: - Os resultados zootécnicos são atingidos; - A palha não é necessária, a mão-de-obra fica com mais disponibilidade para realizar outras tarefas; - O empate de capital em palha armazenada deixa de existir; - Há uma ingestão mais lenta e uma maior ruminação com redução da incidência de acidoses (perdas e mortalidades); - O custo de produção fica mais baixo e os resultados da exploração melhores.

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PRODUÇÃO

ALIMENTAÇÃO

Enfocar na qualidade do pasto economiza dinheiro

PREÇOS DOS ALIMENTOS A UM NÍVEL ELEVADO!

A elevada procura de matérias-primas dos países em desenvolvimento e um aumento da produção de biocombustíveis são apontados como as principais razões dos elevados preços dos alimentos. O mercado mundial dos produtos de base tem enfrentado uma enorme mudança nos últimos cinco anos e os preços estão estruturalmente mais elevados do que previamente. Como a produção de lacticínios ainda está muito dependente de concentrados (grãos, soja) estes desenvolvimentos levam a custos mais elevados para a produção de leite. Com a expectável volatilidade dos preços do leite a partir de 2015, isto significa que é incerta a rentabilidade estável da produção agrária.

Preços do mercado mundial (€/ton)

Barenbrug

FOCO NA QUALIDADE DA FORRAGEM

A melhor maneira de diminuir os custos do concentrado sem perder produção de leite é aumentando a qualidade da forragem. As forragens com teor de açúcar e NDF-digestibilidade maiores são mais saborosas e conduzem a uma ingestão maior de energia total e de proteínas. Existe uma grande diferença entre as explorações agrícolas no que diz respeito à quantidade de leite que é

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350

300

250

200

150

100

50 0

200

2

200

3

trigo

200

4

200

5

200

milho

6

200

7

200

8

200

9

farelo de soja

201

0

1 201

produzido a partir de forragem. Explorações agrícolas com uma qualidade forrageira muito boa são capazes de produzir 60% de todo o seu leite a partir de forragem. No entanto, se a qualidade da forragem cai, esta proporção pode diminuir para 40% ou menos. Um exemplo do impacto económico é mostrado na tabela. Numa situação em que pode ser produzido mais 5% de leite a


ALIMENTAÇÃO

PRODUÇÃO

partir de forragem, pode economizar-se 1 kg de concentrado por vaca e por dia. Com os preços actuais dos alimentos, isto diminui os custos totais de alimentação em €0,80 por 100 kg de leite. Numa exploração agrícola com 1 milhão de kg de leite, isto significa uma economia de cerca de €8.000 euros. Situação padrão (exemplo):

5% mais leite a partir de forragem:

Ração alimentícia: • Ingestão de forragem aumenta 3-4% 13 kg DM da forragem (silagem, feno, milho) • Mais energia e proteína da forragem 8,0 Kg concentrados (16% CP; € 0,22/kg) • Diminui: 1,0 Kg concentrado ↓

Custos dos concentrados: € 12.00 / 100 Kg leite

Custos dos concentrados: € 11,2 / 100 Kg leite

Menores custos da alimentação € 0,80 / 100 kg leite

Por uma produção de leite igual de 30 kg de leite (4,0% gordura/3,45% proteína)

MAIS LEITE A PARTIR DAS MELHORES VARIEDADES

O primeiro passo para obter mais leite a partir de forragem, é começar com as melhores variedades para as suas pastagens. As variedades Barenbrug não são apenas seleccionadas pelas excelentes colheitas que permitem, mas também porque são sinónimo de qualidade. Isso significa que são ricas em açúcares e que têm um elevado nível de digestibilidade e de proteína. As variedades Westerwoldicum Barspectra II e Bartigra provaram ser muito bem sucedidas no Sul da Europa. Estas variedades produzem mais folhas e têm um teor significativamente maior de matéria seca na planta. Disso resulta que proporcionam um rendimento extremamente elevado por hectare. Além disso, uma grande resistência à doença e à ferrugem da copa garantem que é muito saborosa.

Preços do mercado mundial (€/ton)

11000

10500 1000

9500

9000

Variedades padrão Westerworld

Barspectra II / Bartigra

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EQUIPAMENTOS

Novidades de equipamento A nova gama Fendt 300 Vario Principais melhoramentos introduzidos

- Todos os elementos de comando encontram-se incorporados centralmente na coluna de direcção e na consola lateral direita. Novo neste segmento de potência é também o computador de bordo, que mostra informação importante sobre as medições de superfície e de tempo. O Variostick reúne numa única alavanca, a alavanca de velocidades principal, a de grupos, os grupos sob carga e o controlo das velocidades super-lentas.

A nova gama 300 Vario da Fendt foi aumentada com um novo modelo de topo, o Vario 313 com uma potência máxima de 135 hp, e agora cobre a faixa de potência dos 95 aos 135 hp. Os novos tratores 300 Vario são alimentados por um motor Deutz de 4.04 litros, 4 cilindros com tecnologia de quatro válvulas e um sistema de injeção 1.600 bar common rail de alta pressão. A nova série Fendt 300 Vario incorpora a nova tecnologia SCR para o cumprimento com a norma de emissões Euro 3b (Tier IV interim), presente nas séries 700, 800 e 900 Vario. A transmissão é Vario ML 75, de elevada eficácia e permite o ajustamento infinitamente variável da velocidade desde 20 metros/hora até 40 km/hora, tornando esta gama adaptada a uma série de aplicações, desde as culturas especializadas, culturas em linha, operações em campo aberto até ao trabalho diário na exploração. O sistema de gestão do trator TMS é agora standard na Série 300.

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- Em combinação com o carregador frontal Fendt Cargo, disponível em vários modelos, o 300 Vario é ideal para desempenhar operações de carga em edifícios e estábulos graças também à sua grande manobrabilidade.

- A remodelação dos travões permitiu aumentar o peso total das 8 toneladas do modelo predecessor para 8,5 toneladas. Graças a um peso em vazio reduzido de 4.230 kg (309 Vario), consegue-se uma carga útil de até 4.270 kg e uma relação peso/potência de apenas 33 kg/CV (313 Vario). - No sistema hidráulico reformou-se sobretudo o elevador traseiro que apresenta agora uma força de elevação de cerca de seis toneladas (5.960 daN), mais meia tonelada do que no modelo anterior.

- Novo melhoramento no raio de viragem: a combinação de um comprimento de 4,15 m, uma bitola de 2,35 m e um ângulo de viragem de 52 graus permite obter um raio de viragem de apenas 4,2 metros e, desta forma, uma ótima manobrabilidade. x


EQUIPAMENTOS

Eficiência de refrigeração para pequenas explorações leiteiras

Independentemente do tamanho da exploração, a qualidade do leite é melhor quanto mais rápida é a sua refrigeração. A GEA Farm Technologies lançou no mercado uma nova série de tanques de refrigeração — designada PCool — específica para explorações pequenas e pontos de recolha. Com capacidades entre 320 e 1950 litros, é muito simples de utilizar e dispõe de eficiente potência frigorífica e excelentes propriedades isoladoras. Os tanques refrigeradores PCool oferecem a potência frigorífica perfeita com um mínimo consumo energético. Os evaporadores STI de aço inoxidável conseguem uma ótima transferência

térmica. Estão desenhados de forma a que o refrigerante se distribui de forma perfeita por toda a superfície. O retorno do óleo ao evaporador garante uma lubrificação adequada, alta fiabilidade e uma longa vida. Os tanques de refrigeração são isolados com espuma de poliuretano livre de CFC. Assim, os produtores também podem refrigerar e armazenar perfeitamente pequenas quantidades de leite com baixo consumo de energia. Como a temperatura entre ordenhas aumenta muito pouco, mantém-se a qualidade do leite.

O poder de refrigeração é monitorizado e controlado por um dispositivo eletrónico A4 com um ecrã digital. As unidades de refrigeração e os agitadores pré-ajustados de fábrica arrefecem o leite de forma rápida e fiável com baixo consumo de energia. Durante a primeira ordenha, atrasa-se automaticamente o início do arrefecimento. Para medir com precisão o volume de leite, todos os tanques de leite PCool são calibrados com uma sonda de nível de aço inoxidável.x

Nova tecnologia John Deere Kernelstar de processamento de maçarocas em ensiladoras automotrizes A John Deere anunciou que continuará a melhorar o seu nível de competência no sector de biomassa e alimentação para o gado através da aquisição duma inovadora tecnologia de processamento de grão/forragem para ensiladoras automotrizes. Os correspondentes direitos de propriedade intelectual foram adquiridos pela empresa CAWI, que tinha comercializado previamente esta solução sob o nome MasterCracker. O conceito KernelStar baseia-se num design patenteado de disco "chanfrado" que permite um tratamento mais intensivo do grão, em comparação com o design convencional de rolo cilíndrico ou outros designs de disco presentes no mercado. "Além de um melhoramento no processamento do grão, pode conseguir-se uma redução significativa das partículas de comprimento excessivo, assim como uma redução do consumo energético dos componentes", explicou Richard Halsall, chefe da divisão de marketing de ensiladoras automotrizes. O novo design aplica discos entrelaçados perfilados, o que aumenta a superfície e melhora assim o processamento da colheita. "A forma especial patenteada dos discos proporciona-lhes uma largura efetiva de processamento quase três vezes maior que a do processador de

grão tipo convencional com rolo standard", acrescentou Halsall. Este ano será anunciada a integração total do conceito nas ensiladoras automotrizes John Deere como uma opção instalada de fábrica; entretanto, podem adquirir-se kits que permitem adaptar as ensiladoras automotrizes. Este novo componente integra-se perfeitamente num número de soluções para ensiladoras automotrizes John Deere de ponta no sector, entre as que se contam inovadoras soluções para frentes de corte, o cilindro recortador DuraDrum e o galardoado sensor de humidade e composição HarvestLab". x

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PRODUÇÃO

ALIMENTAÇÃO

Stress do calor Jerónimo Pinto, Engenheiro Agrónomo, Eurocereal SA

jeronimo.pinto@eurocereal.pt

O calor dos dias quentes do verão provoca STRESS térmico nas vacas leiteiras, com forte impacto na sua eficácia metabólica e nos seus resultados produtivos / reprodutivos.

46.7 45.0

O animal entra em stress quando a temperatura ambiente ultrapassa o limite superior da sua zona de conforto térmico (23-25ºC), sobretudo quando a humidade relativa do ar for mais elevada.

COMO MINIMIZAR O STRESS DO CALOR ?

A vaca, sendo um animal homeotérmico, tem de manter relativamente constante a sua temperatura corporal (38ºC - 39ºC) para assegurar o seu normal metabolismo. Em situações de excesso de calor ambiental, o animal tem que ser ajudado a maximizar os seus processos de termo-regulação da temperatura corporal, para perder calor por várias vias:

por irradiação - à medida que aumenta a temperatura ambiental, diminui a diferença térmica entre o animal e o ambiente, reduzindo-se a quantidade de calor que o animal pode perder por irradiação - donde a necessidade de os animais poderem dispor de zonas frescas, sombreadas e bem ventiladas. por evaporação - a dissipação de calor por evaporação do suor é um processo relativamente pouco eficaz na vaca leiteira, pois esta dispõe de menos glândulas sudoríparas que outras espécies. Para maximizar o arrefecimento por evaporação, existem sistemas de humidificação associada a ventilação.

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Fatal

43.3 41.7 40.0 38.3 Temperatura

Quando a soma da temperatura ambiente + humidade relativa do ar supera o valor de 100, o animal entra em stress de calor, reduz a ingestão alimentar e baixa a produção leiteira e a eficácia reprodutiva, aumentando o risco de ocorrência de vários problemas metabólicos. A intensidade e a gravidade do stress do calor sobre os animais são dadas internacionalmente pelo Índice de Temperatura-Humidade (THI) - segundo o qual mesmo temperaturas de apenas 22ºC23ºC já podem ser causa de stress se a humidade relativa do ar for muito elevada (>80%). A 25ºC de temperatura ambiente e humidade relativa (HR) do ar superior a 75%, a temperatura corporal das vacas atinje 40ºC – como se os animais estivessem com febre. A 37ºC (que muitas vezes ocorrem em instalações mal ventiladas), o stress sofrido pelos animais varia entre grave (25% humidade), muito grave (50% humidade), até poder ser fatal (>80% humidade).

Influência do calor como factor de “stress” nas vacas leiteiras

Muito Grave

36.7 35.0 33.3

Stress Grave

31.7 30.0

Stress Ligeiro

28.3 26.7 25.0

Sem Stress

23.3 21.7

0

10

20

30

40

50

60

% Humidade Relativa

70

80

90

100

por respiração - há perda de calor por respiração se o ar inspirado for mais fresco que o expirado. Se a humidade do ar expirado for superior à do inspirado, é maior a perda de calor através da respiração. A redução da temperatura e da humidade ambientais aumenta a eficácia da perda de calor por esta via. consumo de água fresca - sendo fresca, a água de bebida baixa a temperatura do tracto digestivo (boca, esófago, rumen e abomaso), além de repor o equilíbrio hídrico das perdas por sudação e respiração. redução da actividade e da ingestão alimentar - dado que a actividade muscular, o metabolismo basal e a fermentação ruminal originam a produção de calor, nos períodos mais quentes a vaca “defende-se” reduzindo a sua actividade muscular e sobretudo a ingestão de alimentos mais fibrosos (cuja digestão aumenta as contracções das paredes do rúmen e o calor resultante da sua fermentação ruminal).


ALIMENTAÇÃO

É necessário formular arraçoamentos específicos para o período do verão, ajustar o maneio alimentar e evitar que os animais possam seleccionar e rejeitar os componentes mais “fibrosos” da alimentação.

Stress do Calor - Factores determinantes Ambiente

Animal

• Temperatura

• Estrutura social

• Ventilação

• Condição corporal

• Humidade • Sombra

• Produção leiteira

• Estado de saúde

Alimentação

• Nº refeições por dia • Balanço nutricional • Natureza da fibra • Qualidade das forragens • Humidade arraçoamento • Palatabilidade alimentos • ÁGUA fresca e limpa

Tendo em vista minimizar os efeitos do stress do calor em vacas leiteiras, as estratégias a adoptar durante o verão deverão incidir simultaneamente sobre: 1 - as condições ambientais 2 - o maneio alimentar 3 - a composição da alimentação

PRODUÇÃO

2 - MANEIO DA ALIMENTAÇÃO

O impacto que o stress do calor tem na produção leiteira resulta sobretudo da redução na ingestão alimentar.

Sobretudo nas épocas mais quentes, é necessário redobrar a atenção às estratégias de maneio que se sabe serem mais determinantes para maximizar a ingestão alimentar:

• reduzir a dominância social e a competição alimentar • disponibilizar alimentação fresca quando as vacas saem da ordenha • disponibilizar alimentação nos períodos mais frescos do dia (incluindo a noite) • limpar frequentemente a manjedoura dos restos acumulados • vacas primíparas e recém-paridas separadas das restantes • disponibilizar suficiente espaço de manjedoura para todas as vacas • aumentar a frequência de administrações diárias da alimentação • proceder à alimentação por grupos / fases de produção • ajustar o cálculo do arraçoamento às condições ambientais...

Chama-se especialmente a atenção dos utilizadores de sistemas de alimentação automática para a necessidade de, durante o tempo quente, redobrar o controlo da descarga dos seus silos, dada a maior possibilidade de a ração (especialmente se for farinada) ficar agarrada às paredes dos silos e poder não chegar aos animais.

1 - CONDIÇÕES AMBIENTAIS

Zonas de Sombra Vasta experiência tem demonstrado que a existência de sombra sobretudo nas áreas de alimentação e repouso minimiza significativamente a redução da ingestão alimentar / produção leiteira durante o tempo quente do verão. Ventilação Instalações bem projectadas devem dispor de sistemas de ventilação estática devidamente dimensionados para promover a necessária circulação e renovação do ar. Porém, no verão, esta ventilação estática pode ter que ser reforçada com ventilação dinâmica/forçada (ventiladores) - quase sempre sobre a manjedoura de forma a que, nas épocas quentes, a zona de alimentação seja mais fresca e confortável para incitar os animais a maior consumo. É importante realçar que o tipo de ventilador adequado para explorações leiteiras é distinto dos doutras espécies.

Refrescamento O sobreaquecimento das instalações pode ser reduzido mediante a pintura de branco ou metalização da superfície externa das coberturas, o seu isolamento térmico interno e/ou a utilização de aspersores sobre as coberturas.

A opção por sistemas de humidificação deve ser bem estudada, dada a relação temperatura - humidade. A nebulização (“humidity fog”) e a micro-aspersão (“finespray” ou “mist”) refrescam o ambiente em situações de baixa humidade relativa do ar. A aspersão (“sprinkling”) molha os animais com alta humidade relativa do ar. Quando bem seleccionados e utilizados, estes sistemas podem ser muito eficazes no refrescamento do ambiente.

3 - COMPOSIÇÃO DA ALIMENTAÇÃO

Com o aumento da temperatura ambiente aumentam as necessidades nutricionais de manutenção e, ao mesmo tempo, reduzTemperatura ºC 20 25 30 35 40

Necessidades Manutenção — +4% + 11 % + 20 % + 32 %

Ingestão Alimentar — -7% - 23 % - 40 % - 56 %

se a capacidade de ingestão alimentar, nas seguintes proporções: Assim, o arraçoamento a utilizar nas épocas mais quentes tem de ser quantitativa e qualitativamente distinto dos utilizados noutras épocas do ano.

Nos arraçoamentos de verão deve ter-se como objectivos prioritários:

1 - Aumentar a ingestão alimentar: • aumentar a frequência de administrações diárias • utilizar forragens de melhor qualidade • usar alimentos com melhor palatabilidade • balancear muito bem o arraçoamento-total 2 - Aumentar a concentração nutricional do arraçoamento: • aumentar a concentração energética • aumentar proteina “by-pass” • melhorar a qualidade e digestibilidade da fibra • incluir “buffers”, niacina, leveduras, gordura protegida, etc. • reforçar os níveis de Vitaminas A e E e de minerais especialmente Potássio (K), Sódio (Na) e Magnésio (Mg) 3 - Assegurar total disponibilidade e a máxima qualidade da água de bebida (uma vaca consome 2-4 litros de água por kg de mat.seca + 3-5 litros/ kg leite produzido). x

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BEM ESTAR ANIMAL

A peeira - fonte de fraco rendimento e de muito sofrimento George Stilwell, Inês Ajuda, Ana Vieira , AWIN – Animal Welfare Indicators Faculdade de Medicina Veterinária, Universidade Técnica de Lisboa

awinportugal@gmail.com

A peeira é uma doença infecciosa que afecta o espaço interdigital e as unhas de pequenos ruminantes, e especialmente as dos ovinos. Pode causar dor intensa, relutância ao movimento, perda de apetite e emagrecimento (>10%). Por estas razões deve ser considerada uma forte ameaça ao bem-estar animal e ao sucesso económico das explorações. CAUSAS, TIPOS, SINAIS E EVOLUÇÃO DA DOENÇA

A peeira (foot rot, em inglês) pode surgir sob diversas formas – desde a que é designada de benigna, até à forma extensa com necrose profunda dos tecidos. O agente primário, e determinante desta doença podal, é a bactéria Dichelobacter nodosus, ao qual se associa normalmente a bactéria ubiquitária Fusobacterium necrophorum, e possivelmente alguns outros microorganismos como Treponema spp.. A gravidade das lesões depende essencialmente da estirpe de D. nodosus presente, a que corresponde capacidades diversas de digerir a queratina e tecido conjuntivo sub-cutâneo.

Se bem que a doença apenas surja quando as duas bactérias referidas se associam e complementam, é também verdade que nas explorações onde não há D. nodosus não se verifica a existência de peeira. Tendo em conta que F. necrophorum se desenvolve e sobrevive bem em praticamente todo o lado, é claro que, para se entender como a peeira se transmite, se combate e se previne, é essencial ter a noção das características da bactéria D. nodosus. Talvez surpreendente para alguns é o facto desta bactéria ser muito pouco resistente no ambiente, ou seja, a manutenção da doença no rebanho passa pela presença de portadores, mesmo que sem sinais clínicos muito evidentes. A esta característica adiciona-se o facto de se tratar de uma bactéria anaeróbica estrita (apenas se desenvolve em ambientes sem oxigénio). As condições propícias à sobrevivência do agente D. nodosus são: temperaturas acima dos 10º C e uma humidade relativa alta, o que corresponde, no nosso clima, aos meses da Primavera e do Outono. Mesmo quando se estabelece o contexto perfeito, a sobrevivência da bactéria fora do animal não ultrapassa os 7-10 dias, o que significa que a erradicação através de vazio sanitário das pastagens e parques até não é muito problemática. A bactéria é também sensível à maioria dos desinfectantes e à secura sendo, por isso, relativamente fácil garantir a sua eliminação dos estábulos através da remoção das camas, lavagem com desinfectantes e manutenção do piso exposto ao ar e sol durante umas semanas. As estirpes mais benignas de D. nodosus geralmente apenas causam um “escaldão” do espaço interdigital, que se caracteriza por pele avermelhada, húmida, sem cheiro e causando pouca dor e co-

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A peeira é uma das doenças que mais ameaça o bem-estar de ovinos. A dor intensa é muitas vezes identificada pela posição dos animais (e.g. andar de “joelhos”)

Dependendo da estirpe de Dichelobacter nodosus as lesões podem ir de simples escoriações a necrose profunda dos tecidos das extremidades

xeira. As situações mais graves dependem da associação de três factores: presença de uma estirpe maligna de D. nodosus, uma ferida ou simplesmente uma punção da pele da zona interdigital e a actuação de F. necrophorum. Esta última irá facilitar a penetração e proporcionar e ambiente óptimo (sem oxigénio) para a primeira se desenvolver, multiplicar e digerir os tecidos profundos do casco.


BEM ESTAR ANIMAL

Nestes últimos casos o espaço interdigital está coberto de crostas, sob as quais se observa tecido necrosado com um cheiro pútrido, e o próprio estojo córneo (unha) poderá estar separado do tecido vivo de crescimento por material infectado e necrosado. Em situações extremas a infecção pode atingir estruturas muito fundas da extremidade podal. A peeira pode afectar uma ou mais patas e causa dor muito intensa que se manifesta por graus crescentes de coxeira, incluindo o não apoio da pata afectada, andar de “joelhos” ou mesmo a prostração.

O TRATAMENTO E PREVENÇÃO DA PEEIRA

Como já se referiu, os caprinos parecem ser menos susceptíveis a esta doença quando comparado com os ovinos, e mesmo dentro desta última espécie existem raças com graus diferentes de predisposição às formas graves de peeira. Neste momento, uma das equipas do nosso projecto AWIN procura perceber o porquê desta diferença através da identificação dos genes envolvidos. A esperança será a de conseguir criar, através de selecção genética, animais com estruturas podais mais resistentes à penetração e acção das duas bactérias.

Até termos essa população mais resistente, temos de dar prioridade a outras formas de combate e profilaxia. Como se referiu a bactéria determinante é pouco resistente no ambiente e é nessa fragilidade que se deve basear os programas de erradicação da doença. Quatro factos tornam esta abordagem, aparentemente simples, numa actuação bem mais complicada:

i) os poucos conhecimentos dos produtores sobre a origem e

propagação da doença, leva-os a “saltar”, circundar ou simplesmente ignorar aspectos fundamentais do controlo da peeira; ii) animais com pouco sinais de doença mantêm e espalham a bactéria, perpetuando a infecção do ambiente e logo dos coabitantes; iii) a dificuldade em se manter pastagens e parques sob vazio durante cerca de 15 dias, ou o facto da transumância obrigar os rebanhos indemnes a passar regularmente por locais frequentados por animais infectados; iv) a relutância de alguns produtores em eliminar do rebanho certos animais que por serem incuráveis, ou portadores crónicos, nunca deveriam ser retidos.

Se se conseguir ultrapassar estes entraves é possível eliminar a doença, mas para tal é preciso empenho e alguma paciência, já que o programa demorará algum tempo a ser concluído e os resultados poderão não ser muito evidentes no início. A primeira fase do programa passa pela observação cuidadosa de todas as patas de todos os animais e a separação em grupos infectados e não-infectados. O primeiro grupo obviamente que tem de estar confinado a pastagens e parques não infectados e deverá passar por um pedilúvio (pelo menos) uma vez por semana. Os animais infectados devem ser tratados (corte de cascos, tratamento antimicrobiano local e, eventualmente, sistémico) e as suas patas devem passar pelo pedilúvio (não o mesmo do grupo não infectado) todos os dias. Pouco a pouco, os animais do grupo infectado serão transferidos para o grupo saudável, ou refugados, no caso de se verificar que os tratamentos não estão a controlar a infecção. A vigi-

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A resistência da bactéria D. nodosus aumenta em condições de calor e humidade, que podem ser proporcionadas por camas húmidas e elevada densidade nos parques.

lância tem de ser continuada e apenas poderão ser passados para o primeiro grupo aqueles animais que seguramente não são portadores assintomáticos. Este programa deverá ser orientado e acompanhado por um médico-veterinário que será aquele mais capaz de distinguir graus de infecções e promover o tratamento adequado.

A vacinação pode ser vista como uma opção, mas devido aos efeitos secundários e à fraca resposta imunitária de alguns animais, apenas deverá ser utilizada em rebanhos com uma elevadíssima prevalência de peeira e apenas até à redução desta para níveis baixos.

O momento do ano para iniciar um programa de erradicação da peeira depende de uma série de circunstâncias. Se bem que pareça ser preferível avançar no tempo seco (verão) ou frio (inverno), o que pode acontecer é ser mais difícil detectar os portadores nestas alturas. Também a fase reprodutiva e produtiva dos animais e a disponibilidade de pasto condicionam e limitam a possibilidade de dividir o rebanho nos tais grupos e de mantê-los separados sem recorrer à transumância. O tratamento dos animais afectados varia com a gravidade do caso: as infecções benignas são tratadas apenas com antimicrobiano tópico (e.g. aerossol) ou através de pedilúvios; enquanto que os casos malignos implicam o corte das unhas, limpeza e lavagem das lesões, aplicação local de antimicrobianos e, nos casos de infecções profundas, antibiótico injectável. Sendo que a dor é um componente importantíssimo desta doença, é lógico pensar que a administração de analgésicos será benéfica não só para salvaguardar o bem-estar, mas também para evitar quebras importantes de produção e perda de condição corporal. A exequibilidade e o interesse económico do combate à dor em pequenos ruminantes com coxeiras está também a ser alvo de investigação pela nossa equipa do AWIN. Finalmente, uma palavra sobre bio-segurança. Não faz sentido enveredar por um programa deste tipo se este não for acompanhado e procedido por fortes medidas de bio-segurança. Por exemplo, animais comprados devem ser bem examinados e, se possível, mantidos em quarentena durante uma a duas semanas. Será escusado dizer que esta mesma medida deve ser obrigatória em qualquer rebanho que não esteja afectado pela peeira, pois, como já se disse, apenas a ausência do D. nodosus poderá garantir a ausência da doença. x

»


PRODUÇÃO

SAÚDE ANIMAL

Biosegurança e controlo reprodutivo Vale a pena na actual conjuntura do negócio do leite? Entrevista pela Revista Ruminantes Daniel Dias de Oliveira

danieloliveiravet87@gmail.com

Daniel Dias de Oliveira tirou o mestrado integrado em Medicina Veterinária pela Escola Universitária Vasco da Gama em 2011. Exerce actividade profissional no distrito de Braga. Acha que a biossegurança numa exploração leiteira é importante nos dias que correm? As medidas de biossegurança devem-se basear no seguinte princípio: “A prevenção é melhor do que a cura". Prevenir a introdução e disseminação de agentes patogénicos nas explorações, de forma a assegurar o bem-estar dos efectivos bovinos, assim como a saúde pública, contribuindo para garantir a segurança dos produtos de origem animal. Um dos principais benefícios da implementação do plano de biossegurança é a redução dos custos resultantes das doenças e um aumento da produtividade. Como "cada caso é um caso", cada exploração agrícola deve desenvolver, em colaboração com o seu Médico Veterinário, um plano flexível e prático de biossegurança adaptado as suas exigências.

tectar a viabilidade do embrião; 3 - Determinar o sexo fetal; 4 Compreender e avaliar a dinâmica folicular; 5 - Identificar alterações uterinas e ováricas; O uso da ecografia transrectal é uma técnica mais dispendiosa e implica mais conhecimentos e experiência por parte do operador, no entanto apresenta inúmeras vantagens, tornando-se viável, aumentando a eficiência do controlo reprodutivo numa exploração de bovinos de leite. x

Aconselha a fazer controlo reprodutivo? O que se pode ganhar com isso? Na conjuntura atual, para uma exploração ser rentável tem de maximizar todos os factores que influenciam positivamente a saúde dos seus animais e, consequentemente a produção de leite. O controlo reprodutivo surge como um dos "pilares" fundamentais nas explorações de vacas leiteiras, pois permite "acompanhar" o animal desde o momento do parto até que este é confirmado como gestante, tendo como principal objetivo situar o intervalo parto-concepção à volta dos 120 dias em leite. Este facto é importante porque quanto mais tarde a vaca é inseminada ou fica gestante, maior o número de dias em lactação e menor a produção de leite/vaca/dia. Quais as mais valias de fazer diagnósticos de gestação por ecografia? Na prática bovina, a ultrassonografia tornou-se num meio de diagnóstico muito importante para avaliar o sistema reprodutivo feminino. Apresenta as seguintes vantagens: 1 - Realizar um diagnóstico de gestação mais precoce; 2 - De-

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Ecografia • ao 30º do diaembrião de gestação

• ao 55º dia de gestação


PRODUÇÃO

SAÚDE ANIMAL

Maneio Neonatal Saúde do vitelo - parte I André Pires Preto, Médico Veterinário, Serviços Técnicos MSD Saúde Animal

andre.preto@merck.com

A recria de jovens é a fonte de rejuvenescimento da exploração, quer ela seja de aptidão leiteira, quer de aptidão cárnica, sendo que muitas vezes é o “parente-pobre” da exploração, pois é vista como um “sorvedouro” de recursos e trabalho. No caso das explorações leiteiras, a importação de animais já recriados era a solução para a entrada de animais, no entanto, como a experiência ditou, também foi ponto de entrada de várias doenças produtivas como o BVD, IBR, mastites, micoplasmas, entre outras.

Esta problemática é bastante complexa e pode ser dividida por duas fases, relativamente ao maneio que pode ser feito com a mãe, e os fatores referentes ao vitelo/vitela. Neste aspeto dividimos o artigo em duas partes. O maneio de bovinos leiteiros é muito diferente do maneio dos bovinos de aptidão cárnica, sendo que neste conjunto de artigos, é assinalado em que aptidão o fator descrito é importante.

1 – Biossegurança (CL)

3 – Condição corporal (CL)

Sendo já um tema recorrente, a biossegurança pressupõe que o estatuto sanitário da exploração deve ser mantido num nível elevado, sendo que a presença de algumas patologias, como o BVD e a Neosporose, podem condicionar o aparecimento de vitelos com alterações imunitárias, ou congenitamente mais fracos.

2 – Evitar distócias (CL)

As dístócias representam a principal causa do atraso de toma de colostro em vitelos, principalmente em explorações de carne. Os fetos que estejam em sofrimento durante o parto sofrem hipoxia (redução dos níveis de oxigenação), sendo que como consequência estes animais são menos eficientes na absorção do colostro. Neste aspeto específico a escolha dos machos que possuam facilidade de partos, é um dos passos que deve ter tido em conta, além da seleção de fêmeas que possuam uma boa estrutura dos ossos da pélvis, logo capacidade de parição.

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Sigla C

L

Aptidão cárnica – Exploração normalmente em extensivo

Aptidão leiteira – Exploração intensiva

A condição corporal condiciona os dois lados da interação mãe-feto (como pode observar na imagem 1).

Na exploração de carne, a capacidade do produtor em acompanhar o estado reprodutivo é menor, devido a vários fatores: ¥ Época de cobrição – a indefinição da data de cobrição – desconhecimento da data de parto; ¥ Nutrição – no seguimento do ponto anterior, condiciona o acompanhamento nutricional adaptado ao estadio reprodutivo do animal. Baixa

Condição corporal

Efeito no neonato Efeito na vaca

Excessivo

Efeito no neonato Efeito na vaca

• Falta de peso ao nascimento

• Distócia por debilidade

• Vitelos com elevado peso ao nascimento

• Falta de vitalidade

• Baixa qualidade colostral • Vitalidade do vitelo • Baixa produção leiteira

• Distócia

• Problemas metabólicos peri-parto

Tabela descritiva das consequências que as diferentes condições corporais podem ter na interacção neonato-vaca.


SAÚDE ANIMAL

4 – Período de secagem (LC)

As vacas secas pertencem a mais um grupo dos que merecem menor atenção na exploração, pois não contribuem diretamente para a entrada de capital na exploração. Mas o período seco possui uma importância fundamental para a recuperação/preparação da glândula mamária, para a produção de colostro e posteriormente de leite. Já Newman em 1991, entre outros investigadores, verificaram a redução da duração do período seco e a quantidade de colostro produzida (que pode chegar a -2,2kg caso o período de seca passe dos 60 para os 45 dias). Além do mais, o período seco, é a altura em que é possível curar determinadas ocorrências de mastites, facto sobejamente conhecido pelos profissionais do leite (produtores e

5 – Qualidade do colostro (CL)

A qualidade colostral depende, dos pontos que foram focados anteriormente, bem como a exposição aos agentes infeciosos presentes na exploração. É do conhecimento comum, que o colostro de vacas multípara é mais rico em anticorpos que o colostro de novilhas ou vacas de 2ºparto (ver imagem 2). Aquando da utilização de uma mistura de colostro (não esquecer a temática da biossegurança, principalmente em relação à paratuberculose), podemos estar a reduzir a qualidade global do colostro. Como boa prática de maneio podemos aumentar artificialmente essa qualidade colostral, estimulando artificialmente a resposta imunitária dos animais, pelo menos em relação aos agentes mais passiveis de provocar diarreias neonatais, e cuja imunidade possa ser estimulada, nomeadamente E.coli, rotavírus e coronavírus. Mas este procedimento implica uma estimulação numa determinada janela de vacinação, que é bastante específica, pois a produção de anticorpos e migração destes para o ubere obedece a timings muito estreitos (até 15 dias antes do parto). Sendo esta janela de oportunidade bastante estreita, devem ser feitas escolhas adequadas em relação às características da vacina, e aos seus momentos de aplicação em conjunção com o maneio da época de parições, sendo que este último fator, nas explorações de leite está mais facilitado.

No entanto, convém lembrar, que a resposta imunitária também está dependente de outros fatores como a carga parasitária, principalmente em animais em ex-

alimentadas com alimento muito rico até muito tarde. O ajuste da condição corporal antes da seca (bovinos de leite), e antes dos 7 meses de gestação (bovinos de carne), deve ser avaliado e posto em prática, condicionando a lactação futura e possíveis problemas metabólicos. seus médicos veterinários), mas nas raças de carne existem referências a uma taxa de incidência de mastites de 30 a 65% (Paape et al, 2000).

O correto maneio da vaca seca: • Registo de mastites; • Tratamento de secagem; • Tempo de recuperação- principalmente no caso de explorações leiteiras; • Política de refugo de animais que tenham tido episódios anteriores de mastite. Estas são medidas que quando bem delineadas e devidamente executadas dão origem a resultados positivos, nos dois tipos de exploração, além da mudança dos animais para os parques/cercas de parição para acompanhamento cuidadoso do parto.

tensivo, implicando um maneio correto dos animais. A abordagem à exploração e a preparação do parto deve contar com quem realmente conhece a exploração e o seu maneio - o produtor, mas devendo o papel do médico veterinário ser tido em conta, não só na última fase do “problema” – o parto – mas sim na preparação de tudo o que ele implica. Estes cinco (5) passos, podem ser considerados para a avaliação e melhoramento dos procedimentos, no que concerne aos cuidados a ter ao nível da mãe. No próximo número da revista Ruminantes, contamos colocar a parte II do artigo, que descreve quais os pontos críticos ao nível do vitelo/vitela. 9 Qualidade do colostro (% de lg)

Nas vacas de leite a data de parto prevista é conhecida, sendo que ao nível do maneio, é determinante no acompanhamento nutricional, no entanto, por vezes em algumas explorações encontramos vacas que ao parto possuem uma condição corporal demasiado elevada, devido a curvas de lactação muito persistentes, logo vacas

PRODUÇÃO

Qualidade do colostro Variação com o número de partos

8 7 6 5 4 3 2 1 0

Primeiro

Segundo

Terceiro

Número do parto

Quarto ou mais

Variação da qualidade do colostro com o aumento do número de partos (Adaptado de Gonzales, 2001)

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PRODUÇÃO

ALIMENTAÇÃO

Preparar o Unifeed (TMR) Que ingredientes adicionar primeiro? Noelia Silva-del-Río, Universidade da Califórnia e Milkproduction.com Para perceber qual a ordem correcta para adicionar os ingredientes no reboque misturador, é necessário ter em consideração as propriedades fisicas dos ingredientes que afectam a mistura, tais como o tamanho, forma, densidade, capacidade de absorção de água (higroscopia), electricidade estática e aderência. HUMIDADE DOS INGREDIENTES

Ingredientes secos de partícula pequena fixar-se-ão em ingredientes com altos niveis de humidade, tais como a silagem ou o melaço. Assim, é importante misturar adequadamente os ingredientes secos antes de adicionar os húmidos. Desta forma, imagine que está a fazer um bolo em sua casa. Primeiro, irá adicionar a farinha, dado ser o ingrediente que utilizará em maior quantidade e por se tratar de um ingrediente seco. Adicionada a farinha, possivelmente adicionará açucar e finalmente levedura ou outro ingrediente seco utilizado em pequenas quantidades. Por último, serão adicionados os ingredientes ditos “pegajosos”, tal como por exemplo o óleo ou os ovos.

DENSIDADE DOS INGREDIENTES

Ingredientes mais pesados irão afundar-se, ingredientes mais leves irão flutuar. A silagem de milho é 33% mais densa que a silagem de luzerna, e o mineral misturado pode ser 2 ou 3 vezes mais denso do que matérias primas proteicas) ou a mistura de grãos. Ingredientes com baixa densidade e partículas de comprimento longo, tal como o feno, devem ser adicionados primeiro, seguidos de ingredientes com alta densidade e partículas de baixo comprimento, que se afundarão.

As diferentes propriedades físicas dos ingredientes incluídos na ração da vaca fazem com que seja muito difícil obter uma ração uniformemente misturada, especialmente usando o sem-fim de design simples da maioria dos unifeeds. Muitos produtores de leite usam alimentos provindos de fábricas de rações ou preparam eles próprios as suas misturas de forma a assegurar que os cereais, matérias primas proteicas,

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subprodutos, minerais, e premixes são misturados correctamente. É interessante verificar que, num estudo conduzido para avaliar a uniformidade da mistura de alimentos fabricados em fábricas, concluiu-se que apenas 50% das amostras tinham um coeficiente de variação (CV) aceitável de menos de 10%; no entanto, 20% das amostras tinham um CV acima dos 30%. Comparando o equipamento usado nas explorações vs o utilizado nas fábricas de ração, podemos assumir que os “concentrados” produzidos nas explorações são ainda menos uniformes que os produzidos nas fábricas. As implicações dos “concentrados” com alto CV são o facto de as vacas possivelmente não comerem a mesma proporção de ingredientes em cada porção que comem, e alguns ingredientes caros (i.e. minerais pesados) poderem não estar uniformemente distribuídos ao longo do comedouro.


ALIMENTAÇÃO

PRODUÇÃO

Misturar forragens com cereais moídos, misturas proteicas, subproductos, minerais e premixes é um desafio ainda maior. Dependendo da marca e do tipo de unifeed, o fabricante recomendará uma ordem de “ingredientes mais apetecíveis” por forma a preparar a mistura (TMR). Carros misturadores verticais permitem a incorporação de feno não processado, que deve ser adicionado como primeiro ingrediente devendo, no entanto, o tempo de mistura ser cuidadosamente controlado para assegurar que o comprimento das partículas não é excessivamente reduzido. Embora alguns modelos de unifeeds de mistura horizontal de sem-fim equipados com facas também permitam a incorporação de feno não processado, a uniformidade da mistura será melhor quando este tenha sido processado anteriormente. Caso não existam especificações do fabricante disponíveis, deverá ser considerado o seguinte protocolo:

1º. Feno longo que necessita de ser processado. 2º. No caso de não ser pretendido um processamento de forragens (feno ou silagem) subsequente, adicionar em primeiro lugar os grãos ou concentrados seguidos dos ingredientes que serão incorporados em pequenas quantidades, tais como os minerais e as vitaminas. 3º. Forragens que não necessitam de ser processados. 4º. Líquidos devem ser os últimos ingredientes.

No entanto, apenas depois de conduzir várias tentativas na produção de misturas em explorações, com diferentes sequências no adicionar dos ingredientes, podemos chegar à conclusão de qual a ordem de ingredientes mais desejável por forma a obter uma ração uniformemente misturada. Um produtor de leite colocou-me a seguinte questão: “Todo o meu feno está picado. Se adicionar o feno como primeiro ingrediente no TMR, este ficará demasiado processado. No entanto, se o adicionar como último ingrediente, flutuará e não será misturado. O que devo fazer?” Os problemas da mistura de feno descritos pelo produtor de leite podem ser resolvidos da seguinte forma:

- Diminuindo a acção cortante do misturador, retirando facas. No entanto, se o misturador for usado para preparar outras rações, talvez esta não seja uma solução prática. - Aumentando a densidade do feno, através de: 1) embebê-lo em água ou melaço, ou 2) pré-misturá-lo com ingredientes húmidos, tal como a silagem. - Preparando uma pré-mistura com todos os ingredientes TMR com excepção do feno. Adicionando assim o feno como primeiro ingrediente e depois então a prémistura. x

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EQUIPAMENTOS

Transição da ordenha convencional para automática Factores críticos de sucesso Ivo Carregosa e Odino Almeida, ALTEIROS – Equipamentos e tecnologias Lda.

Os sistemas de ordenha tradicionais estão a dar lugar a sistemas de ordenha automático, mais conhecidos como robots de ordenha. Hoje em dia, esta tecnologia adquiriu um grau de maturidade tal que o ritmo de conversão para estes sistemas aumenta muito de ano para ano um pouco por todo o mundo. A gestão de uma exploração com ordenha automática difere significativamente da gestão das explorações tradicionais: novos parâmetros a controlar, outra forma de proceder no maneio e diferentes rotinas de trabalho. O objectivo deste trabalho é divulgar alguns dados sobre a produção e qualidade do leite num estudo recente (EUA), definindo alguns factores chave do sucesso para uma boa transição entre o sistema convencional e o automatizado. Os primeiros estudos sobre sistemas de ordenha automática na Europa (AMS) mostraram um aumento da contagem de células somáticas nos tanques (BTSCC) e dificuldades para os agricultores se adaptarem à gestão das novas rotinas (Rasmussen et al., 2002).

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Desde essa altura, a tecnologia e a gestão da informação dos AMS evoluíram bastante, melhorando consideravelmente com a sua introdução plena nos EUA e em alguns países da Europa, nomeadamente Portugal (2004). O apoio à gestão da exploração melhorou de forma a assistir os produtores durante a fase de transição, da ordenha convencional para a ordenha automatizada. O estudo acerca do qual apresentamos aqui alguns resultados foi efectuado através de inquéritos na Internet a um grupo de cerca de sessenta produtores de leite que começaram a utilizar o AMS - Lely Astronaut® entre Janeiro 2008 e Janeiro de 2011. As questões foram colocadas por categorias: 1) Configuração da exploração (tamanho do rebanho / tipo de estábulo / Balanço alimentar / estabulação livre e relação de camas / tipo de cama / limpeza das camas); 2) Resultados 3 meses antes e 1 ano depois da introdução do AMS: (produção / nºordenhas / SCC / PI / DIM / Reprodução / Taxa de abate e razões / uso de BST;


EQUIPAMENTOS

3) Intensidade de apoio à gestão de exploração durante a transição para o AMS; 4) Recomendação dos utilizadores para outros que venham a começar no futuro.

No total, responderam cerca de 58% dos produtores convidados que indicaram as principais alterações no desempenho da sua exploração antes e depois do arranque do sistema automático de ordenha: a) a produção diária de leite aumentou significativamente em todas elas, tendo a média de subida entre todas as participantes no inquérito sido de 5%. Rebanhos ordenhados duas vezes por dia sem o uso de BST aumentaram a sua produção de leite em 10%. Cinco rebanhos pararam de utilizar BST durante o período de transição para o AMS. A idade e o tipo de exploração não tiveram efeitos significativos na produção de leite; b) o BTSCC e PI não foram significativamente diferentes, o que é um resultado melhor do que em estudos anteriores, que mostraram uma diminuição da qualidade do leite depois da introdução dos AMS. (Rasmussen et al., 2002); c) a melhoria do BTSCC durante a transição para o AMS está dependente do nível de SCC antes do arranque: explorações com alta SCC (>250k) antes da AMS reduziram significativamente; explorações com um nível nomal de BTSCC (<250k) antes da instalação dos robots não se alteraram significativamente (Figura 1). Figura 1: Mudança OS SCC (x1000), após AMS Startup 400 300 200 100 0

-100 -200 -300 -400

0

100

200

SCC antes da instalação

300

400

R2 = 0.3427

500

600

d) os resultados da reprodução melhoraram no primeiro ano após o arranque do AMS. A média de dias para o primeiro parto, dias para a concepção e

intervalo entre partos baixou significativamente: 4, -7 e –9 dias respectivamente (T-Test: 0,037,0,14 e 0,002 resp.). e) as taxas de refugo não se alteraram significativamente, mas explorações com taxas altas antes, melhoraram no primeiro ano após o arranque do AMS. Explorações com boas taxas de refugo antes do AMS mantiveram-se constantes (Figura 2).

Figura 2: Variações das taxas de abate vs taxas de refugo antes de AMS 30 20 10 0

-10 -20

0

10

20

Taxas de reforma antes da instalação

30

R2 = 0.3427

40

f) as razões para o refugo dos animais mudaram no primeiro ano do AMS: Taxas de refugo por infertilidade e idade baixaram (-11% e -4,1% resp.) e as taxas de refugo por ordenha lenta e colocação dos tetos aumentaram (+5,3% e +9,3%). g) outros aspectos da gestão da exploração mostraram algumas alterações depois do arranque, tais como: 1) Quanto maior a densidade de vacas (vacas / estabulação livre) maior o aumento de SCC, 2) Menor relação camas / vacas mostrou um aumento de SCC, e 3) Maior densidade de vacas, maior intervalo até ao primeiro parto. h) a longevidade dos animais não é fácil de medir dado o intervalo de tempo desde a introdução dos AMS. Mas é muito provável que o efeito total sobre os resultados anteriormente apresentados contribuam para uma maior longevidade dos animais.

CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES

Os Sistemas AMS têm diversos sensores adicionais que medem um grande conjunto de dados sobre os animais, em conjunto com as diversas ferramentas e software disponíveis permitem aos produtores serem

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EQUIPAMENTOS »

proactivos em vez de reactivos, sendo assim possível resolver os problemas antes de estes surgiram. Isto é, permite actuar na prevenção de muitas situações que num sistema convencional de ordenha apenas se poderia agir de forma curativa. Bons resultados não são conseguidos apenas por máquinas mas sim associados á aplicação de boas práticas de gestão e maneio das vacas. Os produtores entrevistados deram recomendações a

futuros utilizadores de AMS, incluindo: “Mudar a gestão diária, utilize as ferramentas informativas.”, “Tenha um nutricionista experiente em AMS, porque a alimentação é um factor chave para o sucesso do sistema AMS.”, “Visite outras explorações robotizadas e aprenda com elas.”, “Prepare-se, tenha tempo para ouvir os especialistas da Lely, pois eles têm experiência” e “Prepare o rebanho para a transição: saúde, alimentação, patas e conforto animal”. x

Referências: • Rasmussen, M.D., M. Bjerring, P. Justesen and L. Jepsen 2002. Milk quality on Danish farms with automatic milking systems. J Dairy Sci. 85:2689-2878. • Ben Smink, Peter Kool e Rik van der Tol. Lely USA Inc., Pella IA, USA. Lely Industries N.V., Maassluis, the Netherlands

Novidades de equipamento DETEÇÃO DE CIOS MAIS EFICAZ

A Nedap Agri lançou no mercado um sistema de deteção de cios, que veio alargar a sua gama de produtos Lactivator: o Lactivator Real-Time. “Este sistema fornece uma informação em tempo real sobre o momento ótimo de inseminação de uma vaca”, anunciou a empresa. O raio da antena é de 50 metros. Este sistema deteta igualmente “qualquer diminuição de actividade permitindo detectar potenciais problemas de saúde nos animais”. O Lactivator Real-Time só está disponível na versão bracelete. x www.nedap-lactivator.com

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PREVISÕES PRECISAS SOBRE A INGESTÃO O software de arraçoamento Rumineo aumenta a sua precisão em relação à estimativa de ingestão e de produção de leite. Uma pesquisa realizada no primeiro semestre de 2011 em 29 explorações (sistemas milho e sistemas feno) permitiu comparar a ingestão real com a ingestão estimada pelo software. “Observou-se 200 g por vaca e por dia de diferença para as rações à base de milho e 90 gr MS para as rações à base de feno, observa a equipa ruminantes Prisma. É menos de 1% de erro!”

A previsão do Rumineo permite estimar a produção leiteira real com 0,5 l de desvio para dietas á base de silagem de milho, e com 0,6 l para dietas à base de feno. O desvio médio entre a produção leiteira real e a previsão Rumineo é de 1,7%. Ele era de 3,7% em 2001, calculado numa anterior pesquisa feita com a mesma metodologia.x www.typex.fr/actualites/prisma-un-nouveau-logiciel-rumineo


EQUIPAMENTOS

ALIMENTAÇÃO AUTOMATIZADA, FLEXÍVEL E FRESCA

O Lely Vector é a mais recente inovação da Lely no campo da ordenha automática. Este sistema de alimentação automático garante um fornecimento constante de alimentos de uma forma flexível, 24 horas por dia, 7 dias por semana. O processo é totalmente automatizado e garante a flexibilidade ideal para criadores de gado que utilizam o sistema, permitindo definir e ajustar a estratégia de alimentação para diferentes grupos de animais.

Funcionamento: Os alimentos são armazenados numa cozinha, uma área aberta sem quaisquer obstáculos, em que todos os tipos de alimentos podem ser armazenados, cada um no seu próprio local. Dependendo do tamanho deste compartimento, o alimento pode ser armazenado durante um período de até três dias, permitindo aos criadores de gado e às suas famílias desfrutarem de mais tempo livre. Uma tenaz para captura dos alimentos move-se sobre a cozinha para selecionar os alimentos e colocá-los no robot de mistura e alimentação. A tenaz de captura varre toda a área de armazenamento dos alimentos selecionados para uma alimentação específica e recolhe os alimentos a partir do ponto mais alto. Um distribuidor de concentrados monitoriza as quantidades de ração que podem ser estabelecidas e medidas com a máxima precisão. Além disso, pequenas quantidades de sais minerais e aditivos podem ser misturados com os concentrados. Um interface do usuário com ecrã tátil é usado para definir o plano alimentar e a cozinha. É também possível programar as dietas consoante os diferentes grupos de animais e exibir uma variedade de relatórios. O sensor de nível de alimentação é uma prova de força tecnológica. O robot sabe exatamente que quantidade de alimento existe na manjedoura e determina quando e onde é necessário alimento, sem ser exigida qualquer intervenção do produtor. Como existe um fornecimento contínuo de alimentos, não é necessário fazer grandes quantidades, portanto a alimentação é sempre fresca. x

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EQUIPAMENTOS

Harvest Lab Um laboratório à disposição do agricultor Diogo Camarate Campos, John Deere Ibérica, S.A.

CamarateDiogo@JohnDeere.com

A tecnologia HarvesLab da John Deere permite, pela primeira vez, a detecção exacta dos constituintes dos materiais forrageiros, tanto no momento da recolha como no silo. O pilar maestro desta tecnologia é o sensor HarvestLab que utiliza a tecnologia do Infravermelho Próximo (NIR) para medir o nível de presença de certos constituintes das plantas e pode tanto ser usado em campo, montado numa picadora de forragem, como de maneira independente, em modo estacionário, conseguindo-se os resultados em questão de segundos. Análise dos constituintes das plantas através da tecnologia de Infravermelho Próximo

A tecnologia NIR demonstrou, durante os últimos 30 anos, ser o método ideal para a avaliação da qualidade dos produtos agrícolas. De modo a cumprir com as exigências dos clientes, a John Deere desenvolveu o sensor HarvestLab em cooperação com a empresa Zeiss. Graças a esta tecnologia, é agora possível realizar análises precisas de constituintes, para além da matéria seca, tais como açúcares, amido, proteína e ADF/NDF, numa questão de segundos. Estes dados

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podem ser obtidos em tempo real durante o trabalho de recolha do material em campo, estando totalmente integrados com os sistemas de agricultura de precisão, permitindo assim criar mapas detalhados duma exploração ou mesmo duma parcela específica. Através desta informação, é possível tomar decisões agronómicas in situ, como pode ser a decisão de aplicação de diferentes doses de fertilizante numa dada parcela.


EQUIPAMENTOS

Porquê a detecção dos constituintes do material forrageiro?

Segundo questionários efectuados, nalgumas regiões, menos de 10% dos agricultores efectua análises de amostras do produto recolhido, sendo que noutras regiões, até 50% dos agricultores realiza análises uma vez por ano. Como resultado destes questionários nota-se que, mesmo para aqueles que efectuam um maior número de análises, não existe a possibilidade de adaptar diariamente a alimentação de acordo com a qualidade real do alimento.

Aplicação agronómica

A aplicação desta tecnologia persegue diferentes objectivos-chave, focados especialmente na melhoria da rentabilidade das explorações pecuárias. Alguns pontos a destacar são: • análise e detecção de valores nutritivos do alimento produzido na exploração; • determinação exacta do valor comercial da forragem através da análise constante dos constituintes (normalmente a comercialização baseia-se em dois valores: peso e percentagem de matéria-seca); • cálculo do conteúdo energético disponível no silo e da qualidade dos diferentes nutrientes; • alta frequência de medições para evitar erros nas amostras, conseguindo-se até 17 medições por segundo.

Fundamento técnico

Com base num elevado número de análises, os fotodiodos InGaAS demonstraram ser os mais precisos, sendo que detectam Comprimentos de Onda dentro da gama de Infravermelhos Próximos (entre 950 e 1530nm). A informação de cada uma das moléculas pode ser detectada pelo sensor depois de se ter armazenado o respectivo gráfico de calibração (criado a partir de centenas de análises diferentes). A energia de luz do sensor HarvestLab atravessa, é reflectida ou absorvida, sendo que em casos normais a

Comprimento de onda 5000 200

106 Nº onda 10 Micro onda

Longo IR

2500 4000

800 12500

400 25000

Médio Próximo Visível IR IR

170 60000

Ultra violeta

20 5*105

Vacum UV

penetração é inferior a 1mm. Dum modo mais claro, o sensor detecta um espectro, comparando-o com os dados armazenados nos respectivos gráficos de calibração e, no momento que detecte uma equivalência, obtém-se o valor correspondente. Fonte de Luz

De

tec

tor

Amostra Figura 2: Medição NIR

Vantagens técnicas

Alguns dos benefícios que se podem obter pela utilização desta tecnologia são: • uma análise rápida que permite medições eficazes, comparativamente com as medições em laboratório; • a adaptação a condições variáveis, graças aos tempos de análise consideravelmente reduzidos; • ter uma noção muito concreta do conteúdo recolhido, durante a colheita ou ao terminar a tarefa; • o aumento da produção láctea ou a obtenção de biogás estão directamente relacionados com a percentagem de elementos presentes na silagem, pelo que é necessário conhecer na perfeição a sua quantidade no material forrageiro; • o controlo preciso da adição de inoculante à silagem em função dos conteúdos de açúcar, para uma preparação óptima do produto da forragem picada, para fazer frente à fermentação láctea; • a possibilidade de aumentar a rentabilidade na produção de leite/carne/bioenergia; • optimização do consumo de alimentos compostos, sendo possível determinar as dosagens directamente com base na informação dos nutrientes presentes na forragem; • fácil utilização.

nm cm-1

Raio-X

Molecular

Rotação

Tons de Transições eletrônicas vibrações Vibração moleculares p - Systems Elétrons não Elétrons vinculativos de ligação

Figura 1: Base da tecnologia NIR

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CONHEÇA A LEI

Servidão de Água: O ato de pedir “emprestado” ao vizinho do lado Drª Sofia Ramada, licenciada em direito www.fladvoga.com

Sendo a água um bem limitado e de grande importância, a sua utilização coloca frequentemente uma série de questões que não passam despercebidas. Uma das mais importantes no contexto jurídico é sem dúvida a servidão de água que se caracteriza pela possibilidade de se aproveitar a água de um determinado solo ou prédio de outrem (dito serviente), na estrita me-

dida das necessidades do beneficiário (dito solo/prédio dominante), e mediante o pagamento de uma indemnização ao proprietário do prédio ou solo serviente. Na verdade, quando o proprietário de um dado solo ou prédio não tiver nem conseguir obter água suficiente para a irrigação do mesmo, pode aproveitar as águas dos prédios vizinhos, pagando o seu justo valor.

COMO OPERA LEGALMENTE ESTE APROVEITAMENTO DE ÁGUA ALHEIA?

A lei permite que a servidão de água surja por contrato, testamento, usucapião e a destinação do pai de família, podendo ainda ser imposto por decisão judicial ou administrativa. No caso da constituição por contrato, o proprietário do prédio sem irrigação negoceia directamente a obtenção de água com o proprietário do prédio por onde a irrigação irá ser exercida, podendo as partes estipular ou não um preço. Obtido o acordo, é necessário, para que a servidão seja válida, formaliza-lo por escritura pública ou por documento particular autenticado. A servidão por destinação do pai de família surge, por exemplo, quando o dono de dois prédios transmite um deles a outra pessoa que irá usufruir da água do outro. Esta operação assenta numa manifestação de vontade do vendedor, devendo verificar-se sinais visíveis e permanentes como a existência de tubos condutores de água à superfície ou subterrâneos, ou de um poço comum aos dois prédios utilizado por ambos os proprietários, desde momento anterior à transmissão da propriedade do prédio. Esses sinais devem durar durante o período de utilização de água do prédio vizinho e não levantar dúvidas quanto à sua concreta existência. Já a usucapião ocorre quando, durante um período que pode variar entre quinze ou vinte anos, alguém captou água num prédio vizinho, de forma contínua e à vista de toda a gente, sem qualquer tipo de oposição e, para esse efeito, efectuou obras visíveis e perma-

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nentes no local onde existia a fonte ou nascente. As servidões que se constituem por usucapião ou por destinação do pai de família são as que mais problemas levantam na prática, em virtude da exigência de sinais explícitos e continuados de exploração de um dado prédio para a obtenção de água. Estes sinais têm que ser perceptíveis à vista de qualquer pessoa, dos donos dos prédios envolvidos ou terceiros, que passe no local e não devem originar qualquer tipo de incertezas sobre a relação de servidão entre os prédios envolvidos. A servidão nasce por meio de testamento quando o autor do mesmo constitui sobre um determinado prédio que pertence à respectiva herança uma servidão de água a favor de prédio de terceiro ou de prédio por ele deixado a terceiro. Interessa ainda referir as servidões de aqueduto e escoamento que têm forte aplicação no domínio industrial e agrícola. Na servidão de aqueduto, permite-se a construção de uma infra-estrutura que transporte a água para o prédio “carenciado” através do prédio serviente. Esta deverá assumir a forma, natureza e direcção mais convenientes para o solo “carenciado” mas também a menos dispendiosa para o prédio serviente, devendo o dono do prédio “carenciado” indemnizar o dono do prédio serviente pelos prejuízos que a obra provoque. Ocorrendo uma infiltração ou erupção de águas ou a deterioração das obras feitas no aqueduto, o proprie-


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tário do prédio serviente tem ainda, a todo o tempo, o direito de ser indemnizado do respectivo prejuízo. Existindo uma servidão de aqueduto, a Lei permite a constituição forçada de uma servidão de escoamento

COMO TERMINA A RELAÇÃO DE SERVIDÃO?

A lei prevê as seguintes possibilidades: a) pela reunião dos dois prédios, serviente e “carenciado”, dito dominante, na mesma pessoa; b) pelo não uso da água durante vinte anos, qualquer que seja o motivo; c) pela renúncia; d) pela aquisição, por usucapião, da liberdade do prédio e ainda e) pelo decurso do prazo, se a servidão tiver sido constituída temporariamente. Salientemos os casos em que as servidões se extinguem por renúncia, por não uso durante vinte anos e por usucapião. No caso de renúncia, o dono do prédio beneficiado pela servidão, desiste da servidão de água devendo essa desistência ser feita por escritura pública ou documento particular autenticado. Em relação à extinção por não uso durante vinte anos, há que ter em atenção que este prazo tem sempre de ser respeitado. Quer se trate de uma situação de não uso por impossibilidade permanente e irremediável, como é o caso de a nascente secar ou ser dado outro destino ao edifício onde estava a fábrica a que tinha acesso o dono do prédio dominante para captar a água, ou se trate de impossibilidade temporária, por exemplo, em que a água utilizada passe a ser imprópria para consumo e em que através de um processo químico ou por eliminação da fonte de contaminação esta se pode tornar potável, decorridos os 20 anos a servidão extingue-se.

quando, através de obra para fins agrícolas ou industriais, nasçam águas em algum prédio ou para ele sejam conduzidas de outro prédio, havendo direito a indemnização do eventual prejuízo para o prédio serviente.

A extinção das servidões adquiridas por usucapião, e só a estas nos referimos, podem terminar pela aquisição da liberdade do prédio, isto é, o que se verifica quando o proprietário do prédio serviente manifesta a sua oposição ao exercício da servidão; as servidões assim adquiridas podem também ser extintas pelo tribunal, a requerimento do proprietário do prédio serviente, uma vez demonstrada a sua desnecessidade em relação ao prédio dominante. O que se entende por desnecessidade? Será toda a falta de justificação para a manutenção de um encargo para o prédio serviente, atenta a inutilidade ou escassa utilidade da existência de servidão para o prédio dominante. Esta avaliação deverá ser feita pela ponderação das circunstâncias concretas de cada caso, sendo que os elementos necessários à avaliação da desnecessidade têm de ser fornecidos por quem pretende a extinção. Como nota final deve referir-se que os proprietários de quintas muradas, quintais, jardins ou terreiros adjacentes a prédios urbanos estão isentos da servidão de água, podendo em contrapartida adquirir o prédio “carecido” pelo seu justo valor sendo que, inexistindo acordo quanto ao “justo valor”, o preço será fixado judicialmente; e, no caso de serem dois ou mais os proprietários interessados, abrir-se-á licitação entre eles, revertendo o excesso para o vendedor.

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FEIRAS

Não deixe de visitar... 19 A 22 DE JULHO

4 A 6 SETEMBRO

5 E 6 DE SETEMBRO

IX FEIRA AGRÍCOLA DO LEITE

AGROLEITE Póvoa de Varzim - Portugal

De 19 a 22 de Julho, decorrerá em S. Pedro de Rates, Póvoa de Varzim, mais uma edição da Agroleite — a IX Feira Agrícola do Leite. Esta feira, promovida e organizada pela LEICAR – Associação dos Produtores de Leite e Carne, tem edição anual e apresenta uma mostra significativa das empresas ligadas ao setor presentes nesta região, a par com concursos de animais, funcionando como um ponto de encontro para os profissionais das fileiras do leite e da carne. www.leicar.pt

11 A 14 SETEMBRO

SPACE

Le Creusot - França

O salão profissional e internacional para todos os intervenientes do mundo dos criadores de gado, terá lugar de 11 a 14 de setembro, no Parc-Expo de Rennes, França.O salão reúne uma oferta completa para todos os intervenientes no setor bovino (leite e carne), porcino, avícola, cunícola e ovino. Os setores mais representados pelos expositores em 2011 foram: Alimentação animal: 507; Equipamentos de criação animal: 369; Instalações e equipamentos: 261; Genética e inseminação artificial: 253; Manutenção, elevação, carga e transporte: 187 – Saúde animal: 134. Em 2011 marcaram presença 1300 expositores, dos quais 340 internacionais, com mais de 60 mil metros de superfície de exposição; e mais de 108 mil visitantes. Cerca de 750 animais rigorosamente selecionados estiveram expostos no Salão. www.space.fr

INNOV-AGRI

Outarville, Orléans - França

A terra já está a ser preparada para acomodar cerca de 300 expositores e os mais de 90.000 visitantes, entre agricultores, cerealistas, criadores de gado, empresários, consultores e distribuidores que visitarão esta feira ao ar livre. No total são 160 hectares dedicados a exposições, demonstrações de equipamentos e campos de ensaio de culturas.O Innov-Agri é também o local ideal para se atualizar em matérias relacionadas com o sector agrícola através de conferências. www.ia.innovagri.com

3 A 5 DE OUTUBRO

SOMMET DE L’ÉLEVAGE Clermont-Ferrand - França

De 3 a 5 de Outubro, no Centro de Exposições Grande Halle D’Auvergne, em Clermont-Ferrand, França, terá lugar a exposição Sommet de l’Elevage, que representa uma das principais feiras europeias dedicadas aos profissionais da criação de gado: Blonde d’Aquitaine (raça de carne) e Abondance (raça leiteira). Na categoria dos ovinos, as raças de Suffolk e Blanche do Maciço Central serão igualmente avaliadas em concursos nacionais. Na exposição de 2012, estarão presentes, no total, mais de 2 mil animais e quase 70 raças. São esperados para esta edição 1.300 expositores e 80 mil visitantes, incluindo 3.500 visitantes internacionais, para um evento repleto de seminários, e das mais recentes inovações tecnológicas e atividades relacionadas com a indústria. www.sommet-elevage.fr

13 A 16 DE NOVEMBRO

EUROTIER Hannover - Alemanha

A EuroTier - Exposição Internacional da DLG de Produção Animal e Técnicas de Gestão – vai ser o ponto de convergência dos profissionais da produção animal, de 13 a 16 de novembro. No Parque de Exposições de Hannover, Alemanha, a EuroTier apresentará uma vez mais as novas tendências e inovações nos setores de criação animal — bovinos, suinos, caprinos e aves, bem como em bioenergia e a aquicultura, gestão e prestação de serviços. São separados 1.900 expositores e 140 mil visitantes, naquele que é considerado como uma das feiras mais importantes dedicada à produção animal, na Europa. www.eurotier.com

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AGROGLOBAL Valada do Ribatejo - Portugal

Em Setembro próximo, nos dias 5 e 6 (entre as 9h30m e as 18h), irá realizar-se a 3ª edição da Agroglobal, a Feira do milho e das grandes culturas. Mais uma vez, na Lezíria do Tejo, em campos cultivados e preparados para o efeito, teremos a maior reunião de empresas e instituições ligadas ao agronegócio do nosso país, permitindo a todos os profissionais do setor um amplo debate sobre os produtos e soluções hoje disponíveis para todas as áreas da atividade agrícola. www.agroglobal.com.pt

25 A 28 DE OUTUBRO

FEIRA DE CREMONA

Cremona - Itália

A feira internacional de vacas de leite de Cremona celebra a sua 67ª edição este ano. A última edição reuniu 847 expositores, dos quais 17% estrangeiros, 56 convenções e seminários e mais de 75 mil visitantes. Reconhecida pela sua especialização na fileira do leite, esta grande feira continua a representar uma excelente oportunidade de encontro e de troca de informações e experiências para todos os profissionais deste sector. www.cremonafiere.it

7 A 11 DE NOVEMBRO

EIMA

A Feira de máquinas e equipamentos agrícolas de Bolonha, uma das mais importantes da Europa do setor, vai realizar-se em novembro próximo, entre os dias 7 e 11. Com uma superfície de exposição de mais de 103 mil m2 e cerca de 1.600 expositores, esta grande exposição de equipamentos, serviços e soluções, que atualmente se realiza a cada dois anos, é local de visita obrigatório para quem precisa de ficar a par das novidades em mecanização aplicada aos mais diversos setores da agricultura e da agro-pecuária, floresta e componentes. www.eima.it


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Revista-Ruminantes #6  

A revista da Agropecuária

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