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UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ DEPARTAMENTO DE ARQUITETURA E URBANISMO TRABALHO FINAL DE GRADUAÇÃO

CREI Porangabussu Centro de Referência para Educação Infantil

por

RENAN BRAGA CAVALCANTE sob orientação da

PROFª. DRª. SOLANGE MARIA DE OLIVEIRA SCHRAMM


Dados Internacionais de Catalogação na Publicação Universidade Federal do Ceará Biblioteca Universitária Gerada automaticamente pelo módulo Catalog, mediante os dados fornecidos pelo(a) autor(a)

C364c

Cavalcante, Renan Braga. CREI Porangabussu : Centro de Referência para Educação Infantil / Renan Braga Cavalcante. – 2017. 85 f. : il. color.

Trabalho de Conclusão de Curso (graduação) – Universidade Federal do Ceará, Centro de Tecnologia, Curso de Arquitetura e Urbanismo, Fortaleza, 2017. Orientação: Profa. Dra. Solange Maria de Oliveira Schramm.

1. Centro de ensino. 2. Educação Infantil. 3. Ensino Infantil. I. Título. CDD 720


RENAN BRAGA CAVALCANTE

BANCA EXAMINADORA

Profª. Drª. Solange Maria de Oliveira Schramm (orientadora) Universidade Federal do Ceará

Profª. Drª. Zilsa Maria Pinto Santiago Universidade Federal do Ceará

Arquiteto Ricardo Braga Cavalcante CAU-CE A15749-0

08 de Fevereiro de 2017


AGRADECIMENTOS

A minha parte indivisível, com quem sempre estarei junto e sempre estarão junto a mim: minha família. Aos meus pais, Luiz e Izabel, pelo eterno carinho, amor e afeto que deles recebi, pelas lições de vida que até hoje me passam e que recebo feliz, pelos valores que sempre fizeram questão de me passar e pelo esforço para garantir minha educação mesmo nos momentos mais difíceis. Ao meu irmão Allan, pelos momentos divertidos que temos, pelo apoio ao entrar na faculdade e pela parceria que sei que posso contar mesmo estando distantes um do outro. À Carla, com seu companheirismo durante os dolorosos momentos de dúvida e trabalho árduo, com a disponibilidade para me ajudar e com a organização que se provaram tão importantes para mim. A todos os meus amigos: Carla, Ryan, Maurício, Arthur, Caio, Gabi, Welves, Renata, Jivago, Duana entre tantas outras pessoas especiais com quem tenho a oportunidade de compartilhar meus melhores e piores momentos, sempre prontos para me acolher, formando uma verdadeira matilha. À Solange, minha orientadora, pelo apoio nos momentos difíceis, sempre procurando me acalmar com descontração e pelo modo como me fez rever a arquitetura de maneira simples, porém com um significado profundo. Aos meus professores, por me introduzirem a este novo mundo de possibilidades, aonde a partir de agora irei me aventurar. A todos os profissionais com que tive a valiosa oportunidade de trabalhar e estar sempre aprendendo novos conhecimentos. A todos os colegas de faculdade que entraram comigo e que conheci durante estes últimos anos, amigos que espero poder levar para sempre em minha vida. A todos que me encorajaram e torceram para que eu chegasse até aqui. Muito obrigado.


SUMÁRIO

11     Apresentação 001 002 15     Sobre o processo de educar 29     Referências 003 projetuais 45     Diagnóstico 004 da Região 005 57     Partido Arquitetônico

81     Considerações Finais 82     Bibliografia 84     Fonte das figuras


“Educar é crescer. E crescer é viver. Educação é, assim, vida no sentido mais autêntico da palavra.” Anísio Teixeira (1900 - 1971) | Educador


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APRESENTAÇÃO

1. DEFINIÇÃO DO TEMA A educação sempre esteve presente na história do ser humano e é através dela que se transmitem os conhecimentos que possibilitam a formação de caráter e o desenvolvimento de cidadãos mais responsáveis na sociedade. Portanto, pode-se dizer que a tarefa de educar é um tópico que, apesar de sempre estar em constante modificação e evolução, sempre será atual e pertinente.

Dados presentes no Relatório de Desenvolvimento 2012, divulgado pelo Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento).

Atualmente, existe uma alta taxa de evasão nas escolas brasileiras. Pelo menos um aluno a cada quatro abandona a escola antes de terminar o último ano de estudos. Por conta disso, o Brasil possui alarmantes 24,3% de evasão escolar, sendo a terceira maior entre os 100 países com maior IDH. Este dado revela como o modelo vigente de educação está atrasado e precisa ser repensado de maneira a incentivar as crianças a estudar. A escolha do tema parte de certa inquietação pessoal a respeito de como a educação é retratada no cenário local. A grande maioria das instituições de ensino ainda se prende a um modelo de ensino antiquado, onde as escolas cumprem estritamente seu papel funcional não possuindo em seu sistema de ensino, de maneira geral, uma metodologia pedagógica que busque as potencialidades dos estudantes, o que acaba por torná-las em ambientes predominantemente impessoais e conceitualmente ultrapassados. Como observação direta dessa questão, nota-se que a arquitetura está indissociavelmente relacionada ao ambiente de ensino. O centro de educação traz consigo a carga simbólica do local de aprender, onde novos conhecimentos e experiências serão aprendidos e vivenciados, logo o projeto do edifício deve atuar como vetor de firmamento dessa simbologia.


Partindo dessa análise, o tema do presente trabalho será projetar um centro de educação infantil de excelência para crianças de 02 a 06 anos que se adeque ao modo de como as ciências envolvidas na esfera da educação vem se desenvolvendo ao longo dos anos, promovendo espaços que sejam adequados às necessidades de cada faixa etária, sem deixar de serem lúdicos, instigantes e sensorialmente ricos, possibilitando o desenvolvimento pleno das pequenas mentes. Somado ao centro de educação infantil, também será implantado um núcleo especializado em atender os profissionais da educação, permitindo que o espaço não seja apenas uma escola, mas um polo que atraia pedagogos, psicólogos infantis dentre outras profissões diretamente ligadas à educação de crianças para se utilizarem do espaço fornecido e assim desenvolver mais conhecimento a respeito desta etapa tão importante para o desenvolvimento dos seres humanos: a educação. A Universidade Federal do Ceará possui um equipamento com um conceito similar ao projeto do centro de educação proposto, porém atualmente se restringe apenas ao funcionamento da escola, sem contar com espaços destinados ao aprimoramento técnico. A proposta do projeto então é justamente oferecer tais ambientes de modo a enriquecer não apenas o conhecimento infantil, mas também o dos profissionais.

2. JUSTIFICATIVA Os processos de ensinar e aprender, e a pedagogia de maneira geral, passaram por diversas remodulações ao longo da história, estando sempre em contínua evolução. Sendo assim, a abordagem e os efeitos que a arquitetura tem sobre os ambientes de ensino também precisam estar sempre evoluindo. Partindo deste princípio, procuro propor em meu projeto um olhar sobre como a arquitetura interfere e interage perante os novos conceitos pedagógicos, proporcionando assim um equipamento espacialmente rico a fim de garantir, desde a base, a formação de indivíduos mais conscientes e, consequentemente, definir um padrão mais contemporâneo para os novos projetos de instituições de ensino público.

3. OBJETIVOS O trabalho tem como objetivo geral projetar um centro de educação modelo para uma abordagem contemporânea do ensino, visando fazer isso através da ressignificação dos valores espaciais do centro de educação, trazendo um ambiente lúdico e que seja espacialmente rico para o desenvolvimento das crianças através de fatores como: »» Possibilitar uma abordagem mais atual da educação sem as limitações e conceitos impostos pelo ensino tradicional ainda vigente. Fazendo assim com que a criança tenha plena capacidade de se desenvolver intelectual e socialmente. »» Criar um equipamento urbano que atue como agente modelador da região, atraindo outros serviços públicos que qualifiquem a área. »» Proporcionar um espaço que integre o centro de educação à região onde está inserida, respeitando a escala urbana e proporcionando espaços que sejam de uso aberto à sociedade.

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»» Desenvolver um projeto que seja sustentável: Adaptado ao clima, ventos e demais condicionantes ambientais do local onde está inserido, evitando assim o consumo desnecessário de recursos e energia. »» Desenvolver um ambiente que atenda não só às necessidades dos estudantes, mas também dos professores, pedagogos e demais profissionais envolvidos, com espaços para estudos, realização de cursos e pesquisas no campo da educação.

4. METODOLOGIA A metodologia adotada para trabalhar no objetivo principal do trabalho, se divide em quatro fases de pesquisa. Primeiramente, foi estabelecido o questionamento a respeito da maioria dos centros de ensino na cidade, observando como elas tendem a trabalhar sua metodologia de ensino e verificando se o sistema de ensino proposto por cada instituição se encaixa nos moldes que foram propostos durante a concepção inicial do projeto apresentado. Logo após foram buscadas referências bibliográficas que suportassem o conceito inicial proposto no projeto, procurando embasar e justificar o motivo da escolha de se trabalhar com um centro de educação com uma proposta pedagógica que ofereça um espaço diferente do que atualmente é oferecido para os alunos. Em seguida, já com o embasamento teórico necessário para continuar o trabalho, foi realizada uma pesquisa de campo para mapear o mercado em questão. A pesquisa de campo teve como objetivo mapear a existência de centros de ensino que obedecem a um modelo parecido ao que fora proposto na concepção inicial, além de verificar como elas operam, onde ficam localizadas e como é sua estrutura espacial. Nessa etapa foram visitadas as escolas Vila, Waldorf Micael, EMEIF Mattos Dourado, EMEIF Escola Maria de Lurdes Ribeiro Jereissati, EEEP Jaime Alencar de Oliveira além do Instituto de Desenvolvimento da Criança, na UFC. Durante as visitas, foram avaliados os espaços oferecidos em cada instituição, além de fazer entrevistas com os diretores responsáveis em cada centro de educação e dos estudantes para obter dados que pudessem ser importantes durante o projeto. Das respostas obtidas, a mais interessante era quando os alunos dos centros de ensino públicos eram questionados sobre o que faltava em seus centros. Mesmo com a falta de quadras esportivas, piscinas, salas de informática entre outros equipamentos, a maioria das crianças apontavam em primeiro lugar a falta de salas de aulas maiores, já que em seus centros nem mesmo a sala de aula possui um espaço generoso. Como resultado, durante as entrevistas com os estudantes e diretores ficou comprovado que existe uma carência em relação à quantidade de instituições escolares com propostas pedagógicas semelhantes ao projeto proposto, além de constatar o apelo dos próprios estudantes pedindo por espaços melhores. Logo, chegou-se à conclusão de que existe necessidade para construir não apenas centros de ensino com um modelo pedagógico mais contemporâneo como também espaços de ensino público de qualidade, possibilitando definitivamente o prosseguimento do trabalho.

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SOBRE O PROCESSO DE EDUCAR

1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS Quando se fala em educação, automaticamente os atos de ensinar e aprender são associados a um determinado lugar devidamente estabelecido para tal fim. Contudo, a tarefa de educar está presente na história da humanidade muito antes mesmo da primeira escola ter sido construída. Através da oralidade e sem espaços determinados, os seres humanos mais primitivos já haviam estabelecido o conceito de transmitir ensinamentos para seus descendentes, pois cada indivíduo tinha seu papel na comunidade em que estava inserido. [Fig. 1] Segundo Kowaltowski, o ato de educar, portanto, tinha como principal função formar indivíduos capazes de se relacionar com seu determinado grupo social através da transmissão de valores culturais. Na medida em que as sociedades cresciam, a educação acabava por se tornar a ferramenta que consolidava a segregação da sociedade em castas, onde, de forma propositalmente controlada, apenas a minoria mais rica poderia ter o luxo de ser educada. [Fig. 2] Este fenômeno não era isolado, e pode ser observado em várias civilizações distintas como, por exemplo, no Egito Antigo, nas primeiras grandes civilizações do Oriente Médio entre outras. “A divisão em classes sociais com interesses próprios consagrou a educação como um dos meios mais eficazes para consolidar, ao longo das gerações a divisão interna da sociedade. As castas sacerdotais e de servos surgidas nas primeiras grandes civilizações do Oriente Médio baseavamse no monopólio consciente da educação especializada. Os conhecimentos acumulados socialmente transmitiam-se dessa maneira a apenas uma pequena minoria de iniciados que se perpetuavam no poder. Os antigos egípcios, as civilizações mesopotâmicas e muitas outras culturas adotaram esse sistema educacional.” (KOWALTOWSKI, 2011, pgs.13-14]


[Fig. 1] Pintura pre-histórica de pastores e gado, na Argélia - Jean-Dominique Lajoux.

Contudo, apesar da acessibilidade restrita aos nobres e ricos que muitas vezes a educação teve ao longo do tempo e das civilizações, houveram grandes avanços técnicos no modo como ela foi sendo desenvolvida. É na antiguidade clássica, por exemplo, que começa a surgir a base da educação ocidental e é na Grécia que surgem então as primeiras noções de pedagogia. A escola como espaço físico surge durante a chamada Idade Média e é, portanto, o momento onde a educação passa a ser ministrada por professores em salas de aula dentro de um mosteiro. [Fig. 3, 4]

[Fig. 2] Escriba sentado (c.2500 a.C.). Os escribas tinham papel importante na antiga sociedade egípcia, além de pertencerem a uma casta mais nobre.

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Durante o período medieval, a educação na Europa estava fortemente conectada com a religião católica, fazendo com que o ensino fosse adaptado ao pragmatismo da religião vigente. É através dessa forma de ensino que surgem as divisões de educação, originando o ensino superior, ministrado nas universidades e que somente a camada mais nobre tinha acesso.


[Fig. 3] Um grupo de discípulos estuda uma lição com seu mestre, que lê (repare nos olhos de todos: tanto os do professor quanto os dos estudantes fixam atentamente os livros abertos). Iluminura do século XIII (Bibliothèque SainteGeneviève, Paris, MS 2200, folio 58]. [Fig. 4] Detalhe de um sarcófago da primeira metade do século II (Paris, Louvre). Um menino declama um dever de Retórica diante de seu pai (não do mestre Ver VEYNE, Paul. “O Império Romano”. In: VEYNE, Paul (org.). História da Vida Privada I. Do Império Romano ao Ano Mil. São Paulo: Companhia das Letras, 1990, p. 33.

Após o século XV, período que hoje conhecemos como Renascimento, o ensino volta a adquirir um caráter mais humanista inspirado nos ideais clássicos da Grécia e Roma antigas, em detrimento da visão teocentrista advinda da Idade Média. O caráter autoritário até então predominante da Igreja deixa espaço para o desenvolvimento do pensamento crítico e com isso, a valorização do estudo das ciências e dos fenômenos físicos naturais. Por volta do século XVIII, durante a Revolução Industrial, com o advento da industrialização, da urbanização e da exigência dos proletariados, se estabelece uma nova demanda por escolas públicas, para que as classes operárias tivessem a mesma oportunidade de ensino que todo o resto da população. [Fig. 5]

[Fig. 5] Sala de aula na Inglaterra, fins do séc. XVIII.

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Já no século XIX se estabelece os grandes sistemas nacionais de educação nos países europeus e americanos e também novas teorias pedagógicas que influenciaram o modo como a educação é hoje. “No mundo atual, a educação é considerada não só um indicador de nível de desenvolvimento dos diferentes países, como também um índice do grau de civilização de diferentes povos” (MONTES, 2012, pg. 15] Diversas foram as transformações que a educação sofreu com o passar do tempo. Avaliando os pontos que foram tocados, pode-se dizer que, apesar de a educação ser considerada uma ferramenta de luxo para as camadas mais ricas de diferentes sociedades durante muito tempo, avanços importantes estão sempre sendo feitos nos campos de ensinar e aprender, possibilitando o desenvolvimento das potencialidades humanas e da sociedade como um todo.

2. EDUCAÇÃO NO BRASIL AO LONGO DOS ANOS 2.1. As origens da educação no Brasil O primeiro contato com a educação do modo que conhecemos hoje no Brasil se deu através da chegada das missões religiosas que chegaram pela primeira vez no ano de 1549, no período inicial da colonização do país. [Fig. 6] Como destaque principal destes missionários, haviam os Jesuítas, que tinham a tarefa de ajudar na catequização e na pacificação dos habitantes nativos. Por conta disso, as primeiras atividades que eles ensinavam aos índios eram ensinar a ler a escrever para que, posteriormente, fosse possível aplicar os ensinamentos católicos e iniciar a doutrinação religiosa. [Fig. 7] No mesmo ano de 1549, portanto, o jesuíta Manuel da Nóbrega funda o Colégio dos Meninos de Jesus em Salvador, considerada a primeira escola do Brasil. [Fig. 8] Os edifícios possuíam uma arquitetura completamente caracterizada pelos padrões europeus e tinham como principais objetivos preparar novos jesuítas para continuar o processo de catequese dos nativos. Posteriormente, com a expansão das missões jesuíticas, as instituições de ensino dos integrantes da Companhia de Jesus passaram e educar os filhos dos mandatários coloniais com o objetivo de prepará-los para frequentar

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[Fig. 6] Há 460 anos, em 25 de janeiro de 1554, foi realizada, diante da construção feita de taipa de pilão erguida no Pátio do Colégio, a missa pela fundação da cidade de São Paulo do Piratininga.


as universidades europeias. Através do Ratio Estudiorum, os jesuítas foram os responsáveis pelos primeiros moldes do currículo de ensino no Brasil, dividindo a educação em disciplinas diferentes, carregando um caráter sistemático e pragmático, com muitas semelhanças ao que se encontra atualmente.

[Fig. 7] Jesuítas catequizando os Índios.

[Fig. 8] Vista do Terreiro de Jesus, com a antiga Igreja do Colégio dos Jesuítas - atual Catedral Basílica - ao fundo. O alpendre na entrada do colégio não existe mais e as armas do Império foram mudadas para sobre a porta, enquanto novas árvores tinham sido plantadas.

[Fig. 9] Faculdade de Medicina da Bahia iniciada em 1832– a primeira faculdade brasileira.

O processo de ensino jesuítico se estendeu até a metade do século XVIII, quando em 1759 a corte portuguesa deu início ao processo de expulsão dos jesuítas do território brasileiro. A partir do início do século XIX, após a Companhia de Jesus deixar o Brasil, novas políticas educacionais foram sendo adotadas após as reformas políticas pombalinas. Estas novas políticas educacionais se baseavam principalmente em garantir a formação da população da elite brasileira. “Ao invés de procurar montar um sistema nacional de ensino, integrado em todos os graus e modalidades, as autoridades preocuparam-se mais em criar instituições culturais e científicas, de ensino técnico e os primeiros cursos superiores.” (PILETTI, 2003, pg.41] Portanto, ao invés de priorizar uma educação de base para a população, através de um sistema nacional de ensino, a maior preocupação se dava na criação dos primeiros cursos superiores, que visavam atender às classes mais ricas da sociedade. Pode-se dizer então que, desde os primeiros contatos com o ensino no Brasil, a educação primária e de base nunca foi o principal foco da formação da população no país. O maior objetivo era a preparação para o ensino superior, onde de lá sairiam médicos, advogados e engenheiros, porém não necessariamente cidadãos. [Fig. 9]

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2.2. Escolas-parque: uma ideia de vanguarda Foi durante a Revolução de 30, período de ascensão de Getúlio Vargas à presidência do Brasil, que se teve espaço para a discussão da ideia de uma educação pública que servisse como um elemento que pudesse remodelar a sociedade brasileira para que ela se tornasse mais democrática. Em 1932 foi lançado o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, um documento que defendia uma universalização da escola pública, sem vinculo com religião e gratuita. [Fig. 10]

[Fig. 10] O Manifesto dos pioneiros da educação foi publicado e assinado em março de 1932 por 26 intelectuais liderados por Fernando de Azevedo, Lourenço Filho e Anísio Teixeira, sob o título “A reconstrução educacional no Brasil: manifesto dos pioneiros da educação nova”.

Dentre os intelectuais que assinaram o documento, estava Anísio Teixeira, um dos mais importantes estudiosos da educação brasileira, cujas ideias ainda refletem no modo como a educação é regida até hoje no Brasil. Durante o final da década de 20, Anísio Teixeira viajou aos Estados Unidos algumas vezes para ter contato com novas perspectivas e filosofias de ensino. Em suas visitas, ele teve contato com o moderno sistema de ensino aplicado na época no país, o chamado sistema “Platoon”, desenvolvido pelo pedagogo John Dewey. O sistema Platoon se baseava na ideia de uma educação que fosse integral, onde ocorria com a progressiva reconstrução da experiência do aluno diante do mundo que o cerca. Anísio Teixeira, influenciado pelos pensamentos de Dewey, propunha que a escola não deveria então ser apenas um ambiente que dita o que o aluno deve aprender, deveria ser um local onde o estudante seja educado para ser um cidadão livre e consciente. Deveria também se basear num princípio de confiabilidade para com o estudante, fazendo com que o seu interesse guie seu aprendizado e tornando o professor em um orientador ao invés de impositor. “Primeiramente, foram executados os prédios chamado de “nuclear”, preparado para atender somente às exigências das classes fundamentais. Depois vieram os de tipo “platoon” propriamente ditos, em três modelos diferentes, equipados, todos, com suas salas especiais.” (Hélio Duarte, 2009, pg. 103] Durante o ano de 1947, após Anísio regressar à Salvador, sua cidade-natal, o educador assumiu o cargo de secretário de educação do Estado da Bahia, onde elaborou o Plano Estadual de Educação Escolar para poder combater a má qualidade do ensino público que assolava o seu estado. É nesse momento que inicialmente ficou estabelecido o conceito de escola parque. As chamadas escolas-parque faziam parte de um conceito maior que Anísio Teixeira havia proposta. Já munido com as referências que havia absorvido durante suas experiências no exterior, o educador cria o sistema “Escolas Classe Escola Parque”, que como objetivo oferecer

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[Fig. 11] Escola-parque ou Centro Educacional Carneiro Ribeiro.

[Fig. 12] Croquis das escolas-classe (1948], em São Paulo, de Hélio Duarte.

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aos estudantes uma educação integral e plena, ofertando ao aluno não apenas conteúdos de sala de aula, mas também outras atividades extracurriculares como educação artística, atividades físicas, manuais entre outras. [Fig. 11, 12] “A escola-parque tem os princípios da arquitetura moderna e o conceito da escola como ponto de convívio da comunidade. As propostas vislumbram a produção de uma arquitetura socialmente mais progressista, para maximizar os recursos disponíveis. Os terrenos devem ser mais bem aproveitados e para baratear o atendimento às demandas sociais devem ser aplicados os princípios da racionalização da construção. Os projetos devem ser pensados como unidades urbanas mais completas, que oferecem moradias, equipamentos e serviços variados, alterando assim as relações entre espaço público e privado.” (KOWALTOWSKI, 2011, pg. 89] O sistema composto por “escolas-classe” e “escolas-parque” funcionava da seguinte maneira: Seriam distribuídas quatro escolas-classe, para mil alunos cada, construídas nos arredores de uma escola-parque, que abrigaria quatro mil alunos. Portanto, o conceito era de que a escola seria um ambiente de ensino integral, onde as escolas periféricas seriam responsáveis pelas atividades curriculares, enquanto a central ofereceria atividades complementares à formação dos alunos.

2.3. O reflexo contemporâneo dos ideais modernos Pode-se dizer que as décadas de 30, 40, 50 e começo de 60 foram responsáveis por um período importante e intelectualmente rico para o desenvolvimento da educação no Brasil, onde muitos intelectuais importantes como Hélio Duarte, Darcy Ribeiro e o próprio Anísio Teixeira foram responsáveis por mudanças importantes no panorama do ensino brasileiro como a criação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, por exemplo, em 1961. Em 1964, com o início da ditadura militar no país e sua duração até meados dos anos 80, não houveram evoluções significativas no ensino brasileiro. Porém, com o período final e eventual término do período de ditadura militar nos Brasil, o programa das escolas-parque serviu de inspiração para Darcy Ribeiro criar o CIEP (Centro Integrado de Educação Pública) no Rio de Janeiro. [Fig. 13] Os projetos foram desenvolvidos por Oscar Niemeyer e possuía um programa com muitas semelhanças com as próprias escolas anteriormente propostas por Anísio Teixeira, baseando-se em sistema de ensino integral com várias atividades extracurriculares, além de fornecer refeições completas aos estudantes e também visando aproximar comunidade e escola, instalando as escolas em bairros periféricos próximos a morros e favelas no Rio de Janeiro.

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[Fig. 13] CIEP Nelson Rodrigues, em Nova Iguaçu.


No início da década de 90, outra iniciativa que nunca chegou a acontecer, mas que tinha um nome de peso envolvido nos projeto eram os CIACs (Centro Integral de Apoio a Criança), que tinham como arquiteto João Filgueiras de Lima, o Lelé. Antes da iniciativa desses centros integrados, Lelé já havia trabalhado construindo centenas de escolas, muitas delas em parceria de seu amigo, e na época vice-governador do Estado do Rio de Janeiro, Darcy Ribeiro. Porém os CIACs foram sua mais ousada proposta, com muito mais elementos estruturais que seus projetos anteriores. Esses centros foram inspirados pela iniciativa dos CIEPs, e traziam em seu projeto a adaptação ao clima local, racionalidade estrutural e produção rápida, características que podem ser consideradas como assinatura de Lelé. Porém, com o afastamento do até então atual presidente Collor, o projeto foi descontinuado e poucas escolas chegaram a ser construídas. A partir dos anos 2000, os arquitetos Alexandre Delijaicov, André Takiya e Wanderley Ariza projetaram os CEUs (Centros Educacionais Unificados) em São Paulo. Sua tipologia estrutural era bastante influenciada pelos projetos dos CIEPs e também buscavam inspiração na escola-parque proposta por Anísio Teixeira na década de 50, tornando a escola um ponto de conexão com a comunidade. [Fig. 14, 15]

[Fig. 14] Centro Educacional Unificado Professora Elizabeth Gaspar Tunala – CEU Butantã, em São Paulo.

[Fig. 15] Centro Educacional Unificado Três Pontes.

Os ideais de Anísio Teixeira foram importantes para o desenvolvimento da educação no Brasil e seu reflexo nas instituições de ensino. Ainda hoje estão muito presentes nos projetos escolares, e abrem portas para a criação de escolas cada vez mais espacialmente e ludicamente ricas. Portanto, os arquitetos, ao exercerem sua profissão, devem primar pela qualidade da arquitetura e refletir sobre o resultado de seu trabalho no modo como os estudantes vão se apropriar do espaço. A escola deve ser feita para o estudante, e não o estudante deve ser feito para a escola.

3. UM OLHAR SOBRE PEDAGOGIAS ALTERNATIVAS Quando se fala no termo ‘pedagogias alternativas’ engana-se quem pensa que a expressão fala necessariamente sobre questões contemporâneas do ensino. Educação é um tema atemporal e que ocorre em diversas esferas de convivência do ser humano, permanecendo sempre atual. Não deveria ser estranho pensar que outras pessoas já viessem estudando o tema há muito tempo. Muitos pensamentos psicopedagógicos que influenciam o ensino até hoje surgiram há mais de

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um século, através de estudiosos como Maria Montessori, Jean Piaget, John Dewey, Rudolf Steiner e Loris Malaguzzi, entre outros. Todos os estudiosos citados contribuíram ativamente para os avanços das teorias de ensino. Porém, dentre eles, os que mais incluíram a arquitetura e o espaço escolar como agentes determinantes no desenvolvimento das crianças foram Maria Montessori, Rudolf Steiner e Loris Malaguzzi. Maria Montessori, em sua concepção de ensino, levanta a ideia da escala infantil: trabalhar o espaço na escala da criança, no sentido de sugerir um ambiente preparado para o desenvolvimento infantil no qual os elementos de mobiliário, o chão, as texturas e os demais elementos do espaço infantil, estejam numa dimensão onde a criança possa ser guiada à autonomia e ao conhecimento. [Fig. 16, 17, 18] 16

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[Fig. 16] Escola Montessori do arquiteto Herman Hertzberger em Delft, Holanda. [Fig. 17] Maria Montessori. [Fig. 18] International Montessori Foundation.

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[Fig. 19] Escola antroposófica de Marecollege. [Fig. 20] Goetheanum, sede mundial do antroposofismo de Steiner. Dornach, Suíça. [Fig. 21] Rudolf Steiner.

O método Montessori prega ainda que os elementos que compõem o espaço infantil não devem vir em grande quantidade, devendo procurar um número que seja suficiente para suprir o processo de aprendizagem das crianças. Além disso, a simplicidade deve prevalecer no desenho do mobiliário, o espaço deve possuir facilidade para manutenção e limpeza e também buscar flexibilidade para a realização simultânea de atividades diferentes, uma vez que cada criança possui suas necessidades próprias. A pedagogia Waldorf, por sua vez, foi desenvolvida com base nos estudos do filósofo e educador Rudolf Steiner, que por sua vez tratava a educação com um certo teor filosófico, onde afirmava que a educação é baseada na busca da essência do ser humano através das manifestações artísticas e culturais, além da exploração da criatividade e de procurar respeitar os ciclos da vida. [Fig. 19, 20, 21] Steiner não apenas desenvolveu seu método de ensino apenas no campo pedagógico, uma vez que na pedagogia Waldorf, o ambiente de ensino influencia na aprendizagem do indivíduo. Chamada de arquitetura antroposófica, a arquitetura que é utilizada nas escolas Waldorf possui um caráter orgânico em suas formas, além de buscar materiais que reforcem essa organicidade, como madeira ou outros elementos naturais, além de adaptar o edifício ao máximo aos condicionantes naturais da região onde está inserido.

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Por fim, Loris Malaguzzi, responsável pelo desenvolvimento da pedagogia da região de Reggio Emilia na Itália, tem sido de grande importância para a integração das famílias estrangeiras no país, pois a metodologia se baseia no acolhimento de diferentes culturas, religiões e etnias já que o foco se baseia no princípio de que todos os seres humanos são diferentes e que cada pessoa é protagonista do seu próprio desenvolvimento. Na arquitetura isso se reflete na busca de um ambiente educativo e lúdico, fazendo com que o espaço seja considerado um terceiro agente no aprendizado do aluno. [Fig. 22, 23, 24] A real discussão que fica é questionar a razão pela qual até hoje no Brasil as escolas tendem a seguir a mesma estrutura curricular rígida e pragmática e que tem sua raiz nos primórdios da educação feita ainda no período de colonização do país, onde o ambiente de ensino reage de maneira agressiva à criança, em espaços que mais intimidam do que convidam para serem usufruídos. A exposição destes pensamentos não deve ser entendida como exemplificação do que é certo ou errado quando se trata de pedagogia. Todas as teorias mostradas possuem potencialidades ao mesmo tempo em que, em algum momento, ficaram (ou ficarão) datadas. Porém vale ressaltar que, independentemente dos ideais de ensino utilizados, a arquitetura é uma condição fundamental para se atingir a qualidade de aprendizagem das crianças. 22

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[Fig. 22] Loris Malaguzzi. [Fig. 23] Comparison of Reggio Emilia, Waldorf (Steiner) and Montessori Preschool Classrooms. [Fig. 24] Creek, K. Coconut Creek Preschool

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REFERÊNCIAS PROJETUAIS

Neste capítulo estão reunidos projetos que contribuíram e inspiraram a concepção de alguns elementos arquitetônicos bem como na definição da estrutura do projeto do centro de educação proposto.

Referências internacionais: Berçário e Jardim de Infância Hanazono / HIBI NO SEKKEI + Youji no Shiro Escola Minami Yamashiro / Richard Rogers Escolas Montessori e Apollo / Herman Hertzberger

Referências nacionais: Ginásio de Esportes do Colégio São Luís / Urdi Arquitetura Primeiro Lugar do Concurso de Centro de Ensino Infantil – Riacho Fundo II / Christian A. de Almeida Nobre Edifício Corujas / FGMF Arquitetos

Referências regionais: Clínica Escola da Faculdade Vale do Salgado / Lins Arquitetos


BERÇÁRIO E JARDIM DE INFÂNCIA HANAZONO Arquitetos: HIBI NO SEKKEI e Youji no Shiro Local: Okinawa, Japão Ano do projeto: 2015 Área total: 1107,00m² O jardim de infância Hanazono [Fig. 25], projeto pelo escritório Hibi no Sekkei em associação com Youji no Shiro e fica localizado na região de Miyakojima, em Okinawa, no sul do Japão. Por conta do clima quente subtropical de Okinawa, este jardim de infância foi projetado pensando no conforto térmico das crianças, deixando os espaços criarem sombras internamente e facilitando a ventilação cruzada [Fig. 26], a fim de amenizar o calor gerado pela umidade e pelas altas temperaturas da região. O espaço localizado no pavimento térreo da edificação foi pensado no uso comum das crianças, abrigando um atelier e um estúdio para exercitar a criatividade das crianças, além de comportar também o refeitório [Fig. 27], que serve como local para a educação alimentar. O pavimento superior, mais privado, é reservado para as salas de aprendizagem, juntamente com os banheiros e solários. Por se tratarem de espaços abertos, os ambientes localizados no térreo -playground, estúdio, atelier e refeitório- foram projetados de maneira a ficarem dispostos em um grande espaço por onde o vento passa ao se abrirem as janelas. O jardim de infância ainda se utiliza de uma grande fachada de cobogós [Fig. 28], que filtram a incidência da luz solar, ao mesmo que cria diversas janelas de diferentes alturas, incluindo janelas feitas no tamanho das crianças [Fig. 29]. Esta inteligente disposição também cria um dinamismo na fachada, quebrando a monotonia.

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[Fig. 26] Espaço interno do jardim de infância Hanazono, gerando sombras e facilitando a ventilação.

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[Fig. 25] Vista do playground do jardim de infância Hanazono.

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[Fig. 27] Refeitório do jardim de infância Hanazono com abertura para o exterior. [Fig. 28] Detalhe dos cobogós da fachada principal. [Fig. 29] Composição dos cobogós da fachada principal formando a composição de janelas.

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ESCOLA MINAMI YAMASHIRO Arquiteto: Richard Rogers & Associados Local: Quioto, Japão Ano do projeto: 1995-2003 Área total: 10.200,00m² Projetada pelo renomado arquiteto Richard Rogers, esta escola foi encomendada pela prefeitura de Minami Yamashiro, pequeno distrito de Quioto, no Japão com o intuito de revitalizar e reunir a comunidade local criando não apenas uma escola, mas também um centro comunitário que oferecesse aulas não apenas para as crianças, mas também aulas noturnas para a população adulta da comunidade [Fig. 30]. O complexo escolar é organizado em uma malha estrutural de concreto de aproximadamente 8m por 8m, rigorosamente marcado pela estrutura, onde o centro é um grande salão comum que fica entre entre os espaços de brincar ao ar livre e dois níveis de salas de sala de aula flexíveis. O edifício também se utiliza de cores para demarcar atividades distintas, definindo assim áreas e funções diferentes ocorrendo dentro da escola [Fig. 31]. Além das salas de aula, o edifício também oferece espaços específicos para a arte, ciências e aulas de música no pavimento inferior, além de corredores generosos e dos espaços ao ar livre, que contam com piscina, quadra e playground [Fig. 32, 33]. Os ambientes da escola são definidos pela aplicação da estrutura, visto que os espaços obedecem a implementação da malha estrutural. Somada a esta característica, também é possível observar que a demarcação feita pela estrutura possibilita a utilização de um telhado metálico modulado que traz iluminação zenital para o interior do edifício [Fig. 34, 35].

30

31

34 35

[Fig. 31] As diferentes cores do edifício separam as atividades realizadas. [Fig. 32] Vista aérea dos espaços externos da escola Minami yamashiro.

32

33

[Fig. 30] Escola Minami Yamashiro.

[Fig. 33] Espaço externo da escola Minami yamashiro. [Fig. 34] Estrutura determinando os espaços da escola Minami yamashiro. [Fig. 35] Construção da estrutura da escola evidenciando o telhado metálico.

34


ESCOLAS APOLLO E MONTESSORI Arquiteto: Herman Hertzberger Local: Amsterdam e Delft (respectivamente), Holanda Ano do projeto: 1980-1983 / 1960-1966 (respectivamente) A escolha de mais de uma obra realizada pelo arquiteto Herman Hertzberger se deve muito mais pelo fato dos ensinamentos que ele deixou com os projetos de suas escolas do que propriamente aspectos construtivos ou de conforto térmico dos edifícios [Fig. 36, 37]. Em suas escolas, Hertzberger procurou trabalhar os espaços de modo que as crianças pudessem se aproveitar ao máximo de locais onde, supostamente, elas deveriam se apropriar. Como exemplo, um pilar nos projetos escolares do arquiteto não serve apenas para seu uso formal de sustentação de um edifício, mas também serve como local para sentar e conversar [Fig. 38]. É com essa apropriação informal dos espaços que o arquiteto busca projetar suas escolas, buscando gerar uma identificação do usuário com o edifício, utilizando-o da forma que melhor lhe convém. Com isso, o espaço não corre o risco de ficar ocioso, evitando o surgimento de áreas mortas no projeto. “O espaço habitável entre as coisas representa um deslocamento da atenção do âmbito oficial para o informal, onde se conduz a vida cotidiana, isto é, entre os significados estabelecidos da função explícita.” (HERTZBERGER, 1991, pg. 188] Portanto, a grande lição a ser aproveitada que Hertzberger deixou foi a utilização de espaços que possam ser polivalentes, onde a criança possa ser estimulada, criando identificação e proximidade com o local.

36 38 41

[Fig. 36] Vista aérea das escolas Apollo.

37 39

[Fig. 37] Vista aérea da escola Montessori em Delft. 40

42

[Fig. 38] Exemplo de apropriação informal de espaços por parte das crianças. [Fig. 39] Exemplo de apropriação informal de espaços por parte das crianças. [Fig. 40] Exemplo de apropriação informal de espaços por parte das crianças. [Fig. 41] Interior de uma das escolas Apollo. [Fig. 42] Interior de uma das escolas Apollo.

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PRIMEIRO LUGAR DO CONCURSO DE CENTRO DE ENSINO INFANTIL – RIACHO FUNDO II Arquitetos: Christian A. de Almeida Nobre, Cínthia Duclerc Verçosa Nobre, Ingrid Schmidt Ori, Marlon Rubio Longo Local: Distrito Federal, Brasil Ano do projeto: 2016 (Ainda não construído) Este projeto foi o vencedor do concurso nacional para o Centro de Ensino Infantil a ser construído no Riacho Fundo II, no Distrito Federal. O concurso foi promovido e organizado pela CODHABDF e teve a participação de outras 84 equipes. Distribuídos em uma malha ortogonal de estrutura metálica de 6m x 6m, os espaços do centro de ensino procuram atender desde crianças que estão no berçário até crianças de 6 anos de idade. A proposta cria uma série de espaços livres distribuídos nas áreas comuns, criando uma escala interessante para os diversos “subgrupos” de crianças e outros ocupantes. Ao mesmo tempo em que se cria um espaço mais tradicional de claustro, voltado para dentro do prédio em si, o projeto também consegue criar um contato com o espaço público da rua, através de aberturas, tanto no pavimento térreo quanto no superior, e entradas que permeiam o projeto [Fig. 44]. Estas mesmas aberturas conferem uma volumetria dinâmica ao edifício, criando um jogo de cheios e vazios que, além de permitir a entrada da luz solar no prédio e a ventilação necessária, também conferem visuais interessantes para o público externo.

38

43

[Fig. 43] Perspectiva eletrônica do projeto vencedor do concurso Riacho Fundo II.

44

[Fig. 44] Perspectiva eletrônica do projeto vencedor do concurso Riacho Fundo II mostrando o pátio aberto.

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[Fig. 45] Perspectiva eletrônica do projeto vencedor do concurso Riacho Fundo II mostrando o interior de uma sala de aprendizagem.


EDIFÍCIO CORUJAS Arquitetos: FGMF Arquitetos Local: São Paulo-SP, Brasil Área construída: 6880,00m² Ano do projeto: 2014 O edifício Corujas é um complexo de escritórios de alto padrão e se caracteriza principalmente pelo diferencial que oferece com sua escala horizontal, ao invés da clássica tipologia vertical que torres comerciais e de escritórios costumam oferecer. A estrutura utilizada na concepção do edifício é mista, onde a parte aparente é feita em concreto pré-moldado, enquanto que internamente se utiliza estrutura metálica. Como parte do revestimento, é possível observar a utilização da madeira, trazendo uma certa característica de aconchego a uma tipologia de edificação que tende a ser muito impessoal. Ao invés da tipologia torre com vidros espelhados, muito explorada para este tipo de empreendimento, neste edifício o vidro é utilizado com mais parcimônia, de forma a aproveitar a iluminação natural nos escritórios e evitar grandes acúmulos de calor desnecessário. A proteção contra a incidência solar é feita por brises de telha metálica perfurada que não barram completamente a radiação, mas amenizam as condições para o controle térmico do edifício e a redução do consumo de energia. Outro aspecto importante adotado pelo projeto é seu paisagismo e suas áreas externas. Por conta da horizontalidade existente no edifício, cria-se uma série de espaços abertos que uma torre de escritórios comum não ofereceria, criando terraços e jardins. Fica bastante claro a relação que o edifício procura ter com suas áreas externas, através da existência de varandas e jardins em vários níveis. Com estes espaços, o prédio fica muito mais agradável ao convívio dos usuários, proporcionando espaços de socialização e indo além dos ambientes fechados [Fig. 49].

46 48

47 49

[Fig. 46] Entrada da recepção do edifício Corujas. [Fig. 47] Passarela evidenciando a estrutura metálica e a madeira como revestimento. [Fig. 48] Brises protegendo parte das fachadas. [Fig. 49] Pátio interno no edifício Corujas.

40


GINÁSIO DE ESPORTES DO COLÉGIO SÃO LUÍS Arquitetos: Urdi Arquitetura Local: São Paulo-SP, Brasil Área construída: 9062,00m² Ano do projeto: 2015 O complexo do ginásio de esportes do Colégio São Luís em São Paulo-SP foi projetado visando à ampliação do setor esportivo do centro de educação, que demandava maior espaço para as atividades esportivas dos alunos de modo que não atrapalhasse o resto das atividades cotidianas da escola e do entorno. O grande destaque deste projeto é revelado no modo como o conforto ambiental e acústico é tratado no edifício. O objetivo era ampliar a quantidade de quadras, fornecendo mais uma quadra poliesportiva, além de um campo no terraço do prédio com mais duas quadras. Mesmo com uma grande quantidade de quadras, o projeto visa o conforto acústico, recebendo uma infraestrutura com isolamento acústico calibrado. Esta característica foi pensada não apenas para os esportes, mas também para a realização de atividades institucionais e culturais da escola. Dessa forma, o espaço foi pensado para incentivar o convívio, onde as quadras e arquibancadas não servem apenas para atender ao setor esportivo, mas também para gerar pontos de encontro [Fig. 51]. Sem esquecer também do conforto térmico, o desenho das fachadas foi pensado de modo que haja renovação do ar constante, devido às aberturas permanentes, além de contar com vidros que controlam parcialmente a radiação solar que incide no edifício [Fig. 52, 53].

50

52

51

53

[Fig. 50] Vista aérea do ginásio de esportes do Colégio São Luís. [Fig. 51] Arquibancada externa do ginásio. [Fig. 52] Detalhe da estrutura dos brises utilizados no projeto. [Fig. 53] Vista externa do ginásio evidenciando a utilização do vidro.

42


CLÍNICA ESCOLA DA FACULDADE VALE DO SALGADO Arquitetos: Lins Arquitetos Local: Icó, Ceará, Brasil Ano do projeto: 2016 Este projeto é de autoria do escritório Lins Arquitetos Associados e foi desenvolvido para o tratamento das fachadas de um edifício anexo da Faculdade Vale do Salgado e a sua clínica-escola de Fisioterapia e Psicologia. Inaugurada em agosto de 2016, na cidade de Icó, no Ceará, a clínica-escola fica situada no centro da cidade, onde funcionava a antiga Delegacia de Polícia. A proposta do edifício foi pensada de modo a atender cerca de quatro mil pessoas por ano, gratuitamente, nas mais diversas áreas da saúde. Além de realizar atendimentos à comunidade local, o espaço proposto no projeto também foi desenvolvido de modo a proporcionar uma ampliação dos projetos de pesquisa e extensão da faculdade Vale do Salgado. O grande destaque do projeto se dá por conta da inteligente utilização de cobogós, que formam uma composição dinâmica nas fachadas, quebrando a monotonia. O projeto se aproveita de materiais simples para criar uma composição interessante, com cores fortes além de criar cheios e vazios com o próprio cobogó, ao propositalmente deixar espaços vazados. [Fig. 58] Também é possível notar com facilidade que a utilização dos cobogós tem um propósito claro. Ao mesmo tempo em que o projeto brinca com estes elementos, eles também servem para filtrar a incidência de sol excessiva e permitir a passagem do vento para dentro do edifício, tornando-se ideal para o clima árido do estado do Ceará.

55 54

56

[Fig. 54] Clínica escola em processo de conclusão de obra. [Fig. 55] Imagem da obra do edifício. [Fig. 56] Pátio interno da clínica escola. [Fig. 57] Montagem das peças de cobogó.

57

44

58

[Fig. 58] Fachada evidenciando o desenho criado com os cobogós.


004

DIAGNÓSTICO DA REGIÃO

1. O BAIRRO O local escolhido para a implantação do centro de educação está inserido no bairro Rodolfo Teófilo, que faz parte da Secretaria Executiva Regional III (SER III) de Fortaleza. Para justificar a escolha do bairro onde o projeto será implantado, foram determinados parâmetros que possibilitariam uma qualidade do espaço e do entorno. Também foram feitas pesquisas sobre infraestrutura, possibilidades visuais, indicadores socioeconômicos, parâmetros urbanísticos, visita de campo. Para realizar as pesquisas e definir os parâmetros, foram levantados e analisados dados baseados no censo do IBGE de 2010, da LUOS de Fortaleza de 2006, do Plano Diretor Participativo de Fortaleza de 2009 além de fontes institucionais da prefeitura de Fortaleza.

[Mapa 1] Localização do bairro no município

Bairro Rodolfo Teófilo 0

2,5

5

10km


2. CONTEXTO DO BAIRRO E A LAGOA DO PORANGABUSSU Anteriormente conhecido como Porangabussu, o bairro teve seu nome modificado para Rodolfo Teófilo em 1966 em uma homenagem ao sanitarista e escritor baiano Rodolfo Marcos Teófilo e está compreendido dentro da Regional III. Uma característica importante do bairro se revela pela quantidade de equipamentos inseridos dentro de seus limites, estão alguns equipamentos importantes na área da saúde, como o Hospital Universitário Walter Cândido da UFC (HUWC-UFC) bem como o campus de saúde da UFC, o HEMOCE e o Instituto do Câncer. Devido aos equipamentos presentes no bairro, o fluxo de pessoas não-residentes é muito grande. Dentre elas estudantes, médicos e cidadãos que frequentam os serviços de saúde e acadêmicos circulam pela região dando vida ao bairro durante o período do dia. Em contraste, no período da noite, após o período de atendimento dos hospitais e centros de saúde, o bairro se caracteriza pela tranquilidade, sem muito movimento e com um caráter praticamente residencial. Segundo relatos dos próprios moradores obtidos pelo jornal Diário do Nordeste há alguns anos, apesar de haver certos problemas com o consumo de drogas, o bairro é considerado tranquilo, sem muitos casos de violência. A lagoa do Porangabussu é o grande destaque paisagístico do bairro Rodolfo Teófilo apesar de ainda sofrer com a falta de manutenção, uma vez que lixo é jogado dentro do local. Ainda assim, a falta de cuidados com a lagoa não impede que pessoas de outras partes da cidade se apropriem do espaço. Todos os dias é possível observar muitos cidadãos que se deslocam para o bairro com a finalidade de fazer caminhadas entre outras atividades na orla da lagoa, evidenciando o potencial urbanístico e ambiental que a lagoa oferece.

[Fig. 59] Vista da lagoa. Ao fundo: Campus de Medicina da UFC. [Fig. 60] Vista da lagoa. [Fig. 61] Vista da lagoa. [Fig. 62] Vista da lagoa.

48


59

60

62

61


3. INFRAESTRUTURA DA REGIÃO

Av .J

oã o

Pe s

so a

a Feitos a t i v o Av. J

é os

s to s a

B

.J v A

[Mapa 2] Sistema Viário

0

100

Linha Sul do Metrofor

Vias Coletoras

Vias Arteriais

Pontos de ônibus

200

400m


0

100

200

[Mapa 3] Sistema Cicloviário Ciclovias Existentes

Estação Bicicletar existente

Ponto proposto para estação Bicicletar

Propostas de ciclovias a serem implementadas

Biclicletário existente

Ponto proposto para bicicletário

400m


0

[Mapa 4] Plano cicloviário Equipamentos Institucionais Importantes

Vazios Urbanos

Instituições de Ensino Municipais

Campus de saúde da UFC

100

200

400m


4. INDICADORES SOCIOECONÔMICOS Segundo o Censo do IBGE de 2010, o bairro Rodolfo Teófilo possui 19.114 habitantes, correspondendo a aproximadamente 0,8% da população de Fortaleza, com a maior parte da população sendo mulheres com 10.539 pessoas e com os homens correspondendo aos 8.575 restantes. Ainda segundo o censo de 2010, com relação à faixa etária o bairro, a maior parte da população está no chamado grupo da População Economicamente Ativa (PEA) que compreende as pessoas que estão entre os 15 e 64 anos, correspondendo a 72.2% dos habitantes. O bairro também possui uma população de jovens superior a de idosos, com as crianças entre 0 e 14 anos correspondendo a cerca de 17.5%, enquanto os idosos representam os outros 10.3% restantes. Analisando em uma escala maior, os bairros que estão inseridos dentro da SER III com a maior taxa de população jovem, abaixo dos 15 anos, que possa ser atendida pelo projeto proposto são o Pici, Quintino Cunha e Bonsucesso. Segundo um estudo de distribuição de renda per capita realizado em 2012 pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (IPECE), a renda média da população do bairro é de R$ 818.26 por pessoa, ocupando a colocação de 40º lugar dentre 60 bairros de Fortaleza na questão da renda, sendo caracterizado como um dos 20 bairros mais pobres da cidade.

0 a 4 anos 0 a 14 anos 15 a 64 anos Acima de 65 anos

Jovens Idosos

0

1000

2000

3000

4000

[Fig. 63] Gráfico populacional do bairro Rodolfo Teófilo.

53


5. DIRETRIZES URBANÍSTICAS Para a definição dos parâmetros urbanísticos a serem adotados, foram consultados a Lei de Uso e Ocupação do Solo (LUOS) do Município de Fortaleza de 2006, onde o projeto se encaixa na categoria de edifícios de serviços, no subgrupo “educação – SE, e o Plano Diretor Participativo de Fortaleza (2009]. Segundo o Plano Diretor Participativo de Fortaleza, o bairro Rodolfo Teófilo está inserido em uma Zona de Ocupação Preferencial 1 (ZOP 1], que se caracteriza pelos seguintes artigos: Art. 79- A Zona de Ocupação Preferencial 1 (ZOP 1] caracteriza-se pela disponibilidade de infraestrutura e serviços urbanos e pela presença de imóveis não utilizados e subutilizados; destinando-se à intensificação e dinamização do uso e ocupação do solo. Art. 80- São objetivos da Zona de Ocupação Preferencial 1 (ZOP 1]: I - possibilitar a intensificação do uso e ocupação do solo e a ampliação dos níveis de adensamento construtivo, condicionadas à disponibilidade de infraestrutura e serviços e à sustentabilidade urbanística e ambiental; II- implementar instrumentos de indução do uso e ocupação do solo, para o cumprimento da função social da propriedade; III- incentivar a valorização, a preservação, a recuperação e a conservação dos imóveis e dos elementos característicos da paisagem e do patrimônio histórico, cultural, artístico ou arqueológico, turístico e paisagístico; IV- prever a ampliação da disponibilidade e recuperação de equipamentos e espaços públicos; V - prever a elaboração e a implementação de planos específicos, visando à dinamização socioeconômica de áreas históricas e áreas que concentram atividades de comércio e serviços; VI- promover a integração e a regularização urbanística e fundiária dos núcleos habitacionais de interesse social existentes; VII - promover programas e projetos de habitação de interesse social e mercado popular.

Parâmetros Urbanísticos

54

Índice de aproveitamento básico: 3,0

Taxa de ocupação de subsolo: 60%

Índice de aproveitamento máximo: 3,0

Altura máxima da edificação: 72m

Índice de aproveitamento mínimo: 0,25

Área mínima de lote: 125m²

Taxa de permeabilidade: 30%

Testada mínima de lote: 5m

Taxa de ocupação: 60%

Profundidade mínima do lote: 25m


6. LOCALIZAÇÃO DO TERRENO O terreno escolhido para o desenvolvimento do projeto do centro de educação está localizado acima da porção noroeste da lagoa do Porangabussu, entre as ruas Francisca Clotilde e Frei Marcelino ao lado da Guarda Municipal, e atualmente encontra-se sem uso apesar de estar cercado por muros. Uma pequena parte do terreno é utilizada como estacionamento para carros além de contar com um campo de futebol. Sua dimensão é de, aproximadamente, 150 metros de largura por 101 metros de profundidade, correspondendo a cerca de um hectare e meio.

Terreno de intervenção

0

2,5

5

10km

[Mapa 5] Localização do terreno no bairro

55


A escolha do terreno foi feita fundamentalmente a partir da influência de alguns aspectos importantes: O primeiro se baseia nos condicionantes climáticos e ambientais que a lagoa proporciona, uma vez que devido à proximidade do espelho d’água, gera-se um microclima mais ameno para os frequentadores do centro de educação, além de tirar partido das visuais interessantes que a lagoa proporciona. Outro fator importante é a proximidade com os campi de ensino da Universidade Federal do Ceará. Como a proposta do projeto é ser, além de um centro de educação para crianças, ser também um centro de estudos especializados para pedagogia e outras esferas de ensino que trabalhem em conjunto com a educação infantil, a proximidade com os diversos campi da UFC serve como atrativo para os estudantes de pedagogia e outras ciências se utilizarem do espaço para encontrar estágios, realizar conferências e estudar. Por fim, as proximidades da área de intervenção são tranquilas, com edificações com gabarito baixo, predominando casas e alguns equipamentos como igrejas e mercados, além de edifícios residenciais multifamiliares [Fig. 65]. Essa predominância garante uma região sem muita poluição visual e sonora, facilitando a realização de atividades voltadas ao estudo e assim tornando o terreno em uma localização bastante propícia para a implantação de um centro de educação.

[Fig. 64] Vista aérea do terreno.

56


005

PARTIDO ARQUITETÔNICO

1. MEMORIAL DESCRITIVO Praça Pensando em tirar vantagem da lagoa como marco visual, o projeto da praça conta com um tablado de madeira que segue a extensão do terreno e atravessa a rua, onde acaba se tornando um pequeno píer para proveito dos usuários.

Traffic calming é o termo em inglês adotado para explicar o conjunto de medidas adotadas em um planejamento urbano e de tráfego de veículos que consiste na utilização de diversos dispositivos que permitem a redução da velocidade de veículos motorizados e garantir maior segurança no trajeto de pedestres.

Existe um ponto de ônibus localizado bem em frente ao terreno na Rua Francisca Clotilde que não possui estação, apenas o poste indicativo de parada. Este ponto de ônibus poderá ser revitalizado junto com a proposta do centro de aprendizagem, contando com uma estação com assentos para os usuários do sistema de transporte coletivo, além de instalar uma faixa de pedestres segundos os princípios de traffic calming , garantindo maior segurança para pedestres. Já no trecho da Rua Frei Marcelino que passa pelo terreno, será instalada uma ciclovia com a possibilidade futura de expansão, além de também obedecer aos princípios do traffic calming para garantir a segurança dos pedestres ao mesmo tempo em que dá uma nova dinâmica para a via, que possui pouco movimento.

O centro de educação No térreo está localizado um auditório, que, além de atender os usuários internos, tem capacidade de atender o público externo, possibilitando a realização de pequenos espetáculos à céu aberto para a comunidade que transita no local. Ainda no pavimento térreo, o complexo conta também com espaços multiuso que podem servir como brinquedoteca para as crianças fora do período de aula ou como espaços para cursos e palestras para a comunidade.


No pavimento superior está localizada a biblioteca que atende ao núcleo dos profissionais que utilizarão o centro de educação, contando com títulos especializados em pedagogia e outras áreas de conhecimento relacionadas ao ensino infantil, além de prever salas para a realização de treinamentos e cursos. Procurando sempre manter uma relação visual com a lagoa, o projeto possui dois mirantes: um interligado com a biblioteca, preferencialmente utilizado pelos adultos, enquanto o outro, localizado acima do auditório no bloco infantil, também procura obter visuais do espelho d’agua através de um generoso solário para as crianças. A infância é um momento muito importante no desenvolvimento do ser humano. Portanto, o projeto foi pensado de modo a suprir todas as necessidades físicas e psicológicas das crianças, contando com espaços variados que permitem atividades físicas e culturais, além de prever salas para atendimento médico, pediátrico e psicológico.

2. O PROGRAMA Para a elaboração do programa, utilizou-se como fonte primária os documentos de Parâmetros Básicos de Infraestrutura para Instituições de Educação Infantil e Parâmetros Nacionais de Qualidade para a Educação Infantil, ambos elaborados pelo Ministério da Educação (MEC) em 2006. Estes encartes foram responsáveis por fornecer o guia básico de áreas consideradas necessárias para escolas de ensino infantil. Contudo, observou-se que, apesar de explicitar os ambientes mais primordiais necessários, os encartes ainda necessitavam de áreas que atendessem às necessidades mais específicas das crianças. Consequentemente, procurou-se conversar com professores, pedagogos e psicólogos a fim de procurar ampliar o espectro de espaços que oferecessem total suporte ao desenvolvimento das crianças. Após a realização das entrevistas, os ambientes foram devidamente catalogados e o programa de necessidades, estabelecido.

60


ACESSO PÚBLICO

QNT.

ÁREA (m²) CAPAC.

Biblioteca Infantil

1

82,9

Brinquedoteca

1

82,9

Café

1

77,9

Foyer Auditório

1

77,2

Sanitários

2

11,3

Almoxarifado

1

11,2

Sala Técnica

1

11,2

Auditório

1

188,6

Palco

1

71,1

Depósito

2

10

Camarim

2

145

1

Horta

1

11,5

Sala de aprendizagem 2 anos

2

112,8

15

Sala de aprendizagem 3 anos

2

112,8

18

Sala de aprendizagem 4 anos

2

112,8

18

Salas de aprendizagem 5 anos

2

112,8

20

Sala de aprendizagem 6 anos

2

112,8

20

Sanitários Infantis

2

103,8

12

Área de banho

2

55,2

6

Sanitários Educadores

4

12,8

1

26,6 APOIO AO ENSINO INFANTIL QNT.

SERVIÇO

QNT.

Vestiário feminino

2

27,4

1

Vestiário Masculino

2

27,4

1

Vestiário PNE

1

8,04

1

Rouparia

1

18,22

Lixo

1

7,3

Descanso dos funcionários

1

ÁREA (m²) CAPAC.

56,9

16

145,26 QNT.

QNT.

Pátio ao ar livre

ÁREA (m²) CAPAC.

Copa Café

1

18,3

Refeitório Funcionários

1

56,9

32

Refeitório Infantil

1

113,45

64

Cozinha

1

54,2

Sala de Nutrição

1

21,1

Despensa

1

12,8

Sala de Culinária

1

24,4

Escovódromo

1

28,4

10

Sanitário Infantil

1

53,2

10

382,75 ADMINISTRATIVO

QNT.

Secretaria

1

53,8

Almoxarifado

1

18,5

ÁREA (m²) CAPAC.

Arquivo

1

31,5

Coordenação e Reprografia

1

109,2

Diretoria

1

17,7

Vice-Diretoria

1

17,7

Sala de reuniões

1

28,1

Sala de supervisão

1

11,5

Espera

1

6,5

Sanitários

2

108,2

ÁREA (m²) CAPAC. 476,5

1223,8

650,9

ALIMENTAÇÃO

ENSINO INFANTIL

ÁREA (m²) CAPAC.

Atividades esportivas

1

303,2

Oficina de artes

1

53,8

Sala de informática e depósito

1

82,9

Enfermaria

1

26,9

Sala de Pediatria

1

26,9

Sala de Odontologia

1

26,9

Atendimento Pedagógico

1

53,8

SOE

1

14,5

SEAA

1

14,5

Apoio à aprendizagem

1

15,1

Mediateca

1

53,8

Sala Multiuso

1

53,8

Sala de Dança

1

53,8

Sala de Música

1

53,8

Sala de Leitura

1

53,8

Sala dos professores

1

53,8

Solário

1

133,6 1074,9

NÚCLEO PEDAGÓGICO

QNT.

Sala de estudos e cursos

4

217,2

Salas de treinamento

2

108,6

Biblioteca especializada

1

260,1

Sala de bibliotecários

1

23,3

Sala de entrevistas

1

23,3

ÁREA (m²) CAPAC.

Sala de pesquisa

1

23,3

Lounge de descanso

2

113,8 769,6

Área total:

4649,91

Total de crianças atendidas:

146

10

402,7

61


3. CONCEITO O conceito inicial para a implantação do projeto foi pensado a partir dos três principais perfis de usuários que iriam se utilizar do equipamento: as crianças, a comunidade e os profissionais da área de educação. Com esta ideia em mente, procurou-se dividir o terreno entre o centro de educação e oferecer a outra parte para a construção de uma praça, garantindo um local público que valorize a lagoa do Porangabussu e traga a população para perto tanto da lagoa quanto do centro de educação, garantindo uma revitalização do bairro Rodolfo Teófilo. O complexo do centro de educação é composto por três volumes que podem funcionar de forma independente, mas que ao mesmo tempo houvesse uma conexão entre si, facilitando o deslocamento entre os blocos e mantendo uma unidade no prédio. Voltado para o leste, o bloco de aprendizagem infantil foi pensado de forma a ficar voltado para o lado da lagoa, de modo que vento resfriado pela lagoa que vem do sudeste seja recebido prioritariamente pelas crianças, além de disponibilizar as visuais que o espelho d’água pode proporcionar para o público principal que irá utilizar o centro de educação: as crianças. Por conta desta implantação, o volume infantil também possui a incidência dos raios solares do nascente ao leste, e pouca incidência dos raios solares do poente ao oeste. O bloco correspondente ao núcleo pedagógico especializado fica voltado para o oeste, e serve como proteção natural de parte da insolação do sol poente que o bloco infantil poderia receber. Interligando os dois volumes já citados, encontra-se o terceiro bloco que conta com serviços que atendem demandas não apenas das crianças e dos profissionais como também a comunidade. Ele foi pensado de forma a ficar diretamente voltado para a praça, procurando criar o diálogo entre o espaço interno do centro de educação e o espaço externo da praça.

[Fig. 65] Esquema de concepção do projeto: A imagem mostra o passo a passo da concepção do projeto, analisando os componentes ambientais e tirando partido deles.

62


Trajeto do sol Ventos dominantes Bloco Adm./Profissionalizante Circulação Horizontal Acesso público Bloco Infantil


4. VOLUMETRIA

[Fig. 66] Perspectiva ilustrada do exterior do edifício. Em destaque, o auditório aberto para a lagoa e o bloco infantil.


[Fig. 67] Perspectiva ilustrada mostrando a entrada principal do edifĂ­cio.


[Fig. 68] Perspectiva ilustrada mostrando o pรกtio interno do bloco infantil.


[Fig. 69] Perspectiva ilustrada mostrando o pรกtio ao ar livre.


5. IMPLANTAÇÃO

[Fig. 70] Perspectiva ilustrada evidenciando a praça com o píer da lagoa e o centro de referência ao fundo.

68


E ILD OT CL

F0

4

A

A

PR

OP

OS

TA

F0

3

2

RU A

FR

AN CI SC

RU

O

F0

Área do terreno do complexo: 9.425.76m² Área da praça: 4.286,77m²

A

RC

RU

RU

A

FR

EI

Área total do terreno: 15.225,00m²

MA

F0

2

EL

IN

1

PARÂMETROS URBANÍSTICOS

PR

OP

OS

TA

1

Área construída total: 9.617,80m² Taxa de Ocupação: 49% Taxa de Permeabilidade: 34% Gabarito da edificação: 13,1m

0

5

IMPLANTAÇÃO | ESCALA: 1:1000 10 20


6. PLANTAS

LEGENDA 17

1- Biblioteca aberta 2- Brinquedoteca aberta 3- Café 4- Vestiários e Rouparia 5- Cozinha e Despensa 6- Refeitório 7- Sala de Culinária e Escovódromo 8- Descanso Funcionários 9- Secretaria e Arquivo 10- Horta 11- Pátio ao ar livre 12- Auditório e afins 13- Salas de aprendizagem 14- Pátio Coberto 15- Sanitários Professores/Infantis 16- Anfiteatro aberto 17- Estacionamento Aberto: - 20 vagas 18- Capacidade subsolo: - 20 vagas - Carga e Descarga

1

4

9

6

2

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5

3

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PLANTA SUBSOLO | ESCALA: 1:500 0 5 10 20

PLANTA PAVIMENTO TÉRREO | ESCALA: 1:500 0 5 10 20


LEGENDA

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PLANTA PAVIMENTO SUPERIOR | ESCALA: 1:500 0 5 10 20

1- Sala de pesquisa 2- Sala de bibliotec[arios 3- Sala de entrevistas 4- Biblioteca especializada 5- Lounge de descanso 6- Salas de estudo e cursos 7- Salas de treinamento 8- Coordenação e Reprografia 9- Passarelas 10- Mirante 11- Salão de atividades esportivas 12- Mediateca 13- Sala e depósito de Informática 14- Salas de atendimento médico e odontológico 15- Atendimento Pedagógico 16- Salas de apoio à aprendizagem 17- Sala dos professores 18- Oficina de artes 19- Sala de Música 20- Sala de Dança 21- Sala de Leitura 22- Sala Multiuso 23- Solário


7. CORTES

CORTE AA

CORTE BB

CORTE CC

CORTE DD

ESCALA: 1:500 0 5 10

20


8. FACHADAS

0

5

10

ESCALA: 1:500

FACHADA 04

FACHADA 03

FACHADA 02

FACHADA 01

20


9. FUNCIONAMENTO DAS SALAS DE APRENDIZAGEM O mobiliário das salas de aprendizagem foi pensado a partir da dimensão dos usuários, ou seja: das crianças. O layout deve ser agradável aos olhos dos infantes, sem colocar objetos que causem estranheza ou até mesmo medo nos pequenos. As salas de aprendizagem foram pensadas de maneira a criar um grande ambiente integrado, onde exista pluralidade de usos, procurando não estigmatizar o ambiente de ensino como apenas uma sala. Com este discurso, procura-se atender aos diferentes interesses e necessidades das crianças, uma vez que nem todas possuem as mesmas características, sejam psicológicas ou fisiológicas. Ao invés da clássica tipologia das chamadas salas de aula, onde a dinâmica do ambiente é rígida, os ambientes propostos obedecem a um módulo de espaços flexíveis, com aberturas que conectam as salas entre si ou ao pátio, proporcionando relações multimodais entre as crianças. [Fig. 71]

2m

A

1m

B C D

0,5m

E F

Escola como cárcere

[Fig. 71] Desenho esquemático mostrando a dinâmica de funcionamento das salas de aprendizagem.

CRIANÇAS DE 5-6 ANOS

1,5m (A) Alcance vertical (B) Estatura média (C) Eixo de visão (D) Altura média do ombro (E) Altura do ombro (F) Sentar

Escola como ambiente de desenvolvimento lúdico


Pensando no conforto das crianças e evitando se apropriar da tipologia rígida e impessoal de salas de aula que normalmente encontra-se nas escolas, os ambientes de aprendizagem seguem uma dinâmica de integração entre si e com o ambiente externo. Através da utilização de portas pantográficas, as salas podem se tornar um grande salão, onde diversas atividades diferentes podem ser realizadas ao mesmo tempo, bem como crianças de diferentes idades podem interagir umas com as outras através das aberturas das portas pantográficas que abrem para o pátio coberto. [Fig. 72]

Mobiliário projetado possibilitando diversos arranjos distintos de layout.

Fig. 74

Portas pantográficas guardáveis para conexão entre salas e com o pátio coberto. 0

2

4

[Fig. 72] Exemplo de disposição de salas de aprendizagem e seu mobiliário. Escala 1:100 75


50

O mobiliário também foi pensado para garantir a pluralidade de atividades, uma vez que as mesas das crianças possui um formato que possibilita diversas tipologias diferentes, permitindo a criação de layouts divertidos e núcleos de atividades da maneira que for mais conveniente. [Fig. 73]

50

52

50

50

[Fig. 73] Detalhe da mesa desenhada para as crianças. Seu formato permite diferentes tipologias de layout. Sem escala.

76


[Fig. 74] Perspectiva ilustrada interna das salas de aprendizagem.


Somado aos ambientes lúdicos propostos nas salas de aprendizagem e pátio coberto e servindo como conexão ao segundo pavimento, também foi projetada uma escada com elementos inspirados na arquitetura de Herman Hertzberger [Fig. 75], possuindo uma dupla função de área de passagem e também de permanência.

.32

.16

Os degraus duplos projetados servem como bancos ou até mesmo uma pequena arquibancada para a realização de atividades cênicas que possam ocorrer na base da escada. [Fig. 76]

[Fig. 75] Exemplo de escada projetada por Hertzberger. [Fig. 76] Desenho esquemático da escada projetada para o centro de ensino. Escala 1:100.

78

0

2

4


10. SOLUÇÃO ESTRUTURAL E MATERIALIDADE Buscando obter dinamismo e uma lógica otimizada de módulos construtivos, o projeto foi pensado utilizando estrutura metálica. A construção em aço permite leveza e agilidade na construção, além do material ser 100% reciclável. Somado a esses fatores, a escolha estrutural também foi pensada de modo que seja possível, posteriormente, expandir o edifício, além de facilitar futuras reformas. Esta característica foi pensada visando o discurso de que a arquitetura possa se adaptar às futuras necessidades que a pedagogia e o ensino infantil possam adquirir. Os pilares e as vigas adotados possuem seção em perfil “I” parafusados. As lajes utilizadas são em steel deck, utilizando uma camada de concreto sobre telhas metálicas galvanizadas. Sustentando o edifício, estão bases em concreto ligadas ao solo, garantindo o nivelamento do complexo e facilitando a montagem da estrutura metálica. [Fig. 77] Para os revestimentos externos, foram adotados, pincipalmente, os usos de painéis cimentícios e cobogós. O objetivo do conjunto é certificar a qualidade dos componentes e a velocidade e controle dos processos construtivos. Internamente, as paredes serão feitas de gesso acartonado (dry wall), contribuindo para garantir o menor peso da edificação e manter a obra com procedimentos industrializados e consequentemente, facilitando o controle da execução da obra. [Fig. 78]

[Fig. 77] Desenho esquemático da estrutura. Sem escala

79


[Fig. 78] Detalhamento da estrutura em seção transversal. Escala 1:50

80


11. CONFORTO AMBIENTAL A utilização de cobogós e painéis cimentícios tem como objetivo principal garantir o conforto térmico do centro de educação. Os painéis protegem as paredes, criando uma camada que gera uma fachada ventilada, recebendo a incidência solar e evita que o sol atinja diretamente as paredes internas evitando o ganho de calor do edifício enquanto que os cobogós vazados permitem a entrada de luz solar filtrada e garante que os ventos frescos vindos diretamente da lagoa atravessem o edifício. Na coberta propôs-se a utilização de duas lâminas de telha metálica que são sustentadas por um prolongamento da estrutura em aço, evitando a forte incidência zenital do sol dentro do edifício e permitindo e exaustão do calor na parte de dentro.

SEÇÃO TRANSVERSAL

[Fig. 79] Desenho esquemático mostrando a utilidade dos cobogós para o conforto ambiental.

RAIOS SOLARES VENTILAÇÃO CRUZADA EXCEDENTE DE VENTILAÇÃO


CONSIDERAÇÕES FINAIS

O projeto aqui apresentado busca oferecer uma proposta para uma questão muito importante: a educação nos primeiros anos de vida do ser humano. Ao final de todos os processos, desde a pesquisa até o desenvolvimento do projeto arquitetônico, foi possível perceber o quão rica e complexa é a educação infantil. Na fase da infância as experiências lúdicas e sensoriais se tornam a própria aprendizagem, e é neste ponto que percebe-se que a arquitetura pode servir como um dos primeiros educadores que o ser humano pode ter no início de sua vida. Através deste pensamento, o projeto foi desenvolvido procurando sempre atender às mais importantes necessidades infantis. Todavia, ainda vale a análise de que a arquitetura, assim como a educação, é um processo que é reflexo de seu tempo. Talvez no futuro as necessidades que o ensino infantil requer mudem e, consequentemente, o programa arquitetônico precise ser reavaliado. Portanto o programa precisa ser constantemente repensado e aperfeiçoado, a fim de acompanhar as novas necessidades que o processo educativo possa passar a requerer.


BIBLIOGRAFIA

Livros

Normas e leis

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Fig. 66 a 69. Autor, editado por Renan Marinho.

Fig. 43 a 45. Concursosdeprojeto. org, e.&rarr;, V. Premiados – Centro de Ensino Infantil – Riacho Fundo II – CODHAB – DF. Disponível em: <https://concursosdeprojeto. org/2016/03/13/premiados-centrode-ensino-infantil-riacho-fundo-iicodhab-df/>. Acesso em: 4 jan. 2017. Fig. 46 a 49. Edifício Corujas / FGMF Arquitetos. Disponível em: <http:// www.archdaily.com.br/br/787289/ edificio-corujas-fgmf-arquitetos>. Acesso em: 4 jan. 2017. Fig. 50 a 53. Ginásio de Esportes do Colégio São Luís / Urdi Arquitetura. Disponível em: <http://www. archdaily.com.br/br/784739/sao-luissports-and-arts-gymnasium-urdiarquitetura>. Acesso em: 4 jan. 2017. Fig. 54 a 58. Cortesia de Lins Arquitetos Associados Fig. 59 a 62. Acervo do autor. Fig. 63. IBGE 2010, editado pelo autor.

Fig. 65. Autor.

Fig. 70 a 74. Autor. Fig. 75. Dyer, E. Interview with Herman Hertzberger. Disponível em: <https://architectureandeducation. org/2016/02/03/interview-withherman-hertzberger/>. Acesso em: 10 nov. 2016. Fig. 76 a 79. Autor



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