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Revista 2017

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Aqueles que pensam que haverá democracia neste país, podem pensá-lo em outro mundo. Issaias Afeworki, ditador da Eritreia

que não são obrigados a escrever o que o governo ou as mídias em que atuam preferem. Para Nousiainen, a imprensa em seu país trabalha a serviço da informação e, acima de tudo, da verdade. Além disso, há um conjunto de leis que assegura o cumprimento desse princípio. Um dos elementos fundamentais é o Conselho para Meios de Comunicação Social da Finlândia, cuja direção é conduzida pelo sindicato local e por um conjunto de editores das mídias. Devido a esses fatores, a imprensa local é considerada uma das melhores para trabalhar, de tal modo que até a lei sobre a Abertura das Atividades do Governo, vigente no país, é algo inexistente em países com posições inferiores no ranking. Em contrapartida, a Eritreia, um país não muito conhecido, também chamado de “Coréia do Norte da África”, vive exatamente o oposto. O país chegou a ser considerado o maior cárcere de jornalistas no mundo. 62

Motivos não faltam, basta mencionar como o governo frequentemente cria pretextos para prender profissionais inocentes. O ditador Issaias Afeworki chegou a afirmar: “aqueles que pensam que haverá democracia neste país, podem pensá-lo em outro mundo”. No país localizado no norte da África, não existem veículos privados de imprensa, o que facilita o governo em sua análise do que pode ou não ser publicado, utilizando as detenções arbitrárias para aterrorizar os profissionais do jornalismo. Por esses motivos, a Eritreia lidera essa terrível colocação há alguns anos. Observando esses dois extremos, percebe-se que no Brasil não há uma rigidez tão radical quanto na Eritreia, entretanto, também não há uma liberdade estável e segura como a finlandesa. Nos últimos anos, devido a escândalos políticos e manifestações fortemente reprimidas, o Brasil chegou à 104ª posição, em 2016, com quatro mortes registradas, demonstrando que ainda tem muito a melhorar se quiser

progredir em sua posição no ranking mundial. Com mais esforço para combater a impunidade, é certo que o país pode tentar se espelhar no estilo da Finlândia e aumentar ainda mais a distância para a Eritreia. Foto: Giovanna Lima


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