Racialeyes Vol 1 - Portugese

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contribuidores

MiA YAMASHiRO CO-Fundador

LaurA Li co-fundador

Ela é uma TCK (Third Culture Kid) descendente de metade Japonesa e Okinawa que nasceu em Londres, cresceu em Tóquio, frequentou escola na Califórnia e mora em nyc.

Ela é uma Chinêsa-americana de primeira geração, sua família imigrou para os Estados Unidos nos anos 80 durante a revolução cultural. ela mora em washington d.C.

EDUARDO moscardi adão DPP Junior Stephanie Weisfeld tradução/transcrição tradução/transcrição tradução/transcrição


Nós gostaríamos de dedicar esse livro a todas as pessoas incríveis que compartilharam suas histórias conosco. Vocês foram imprescindíveis para tornar esse sonho uma realidade, nós não temos palavras para descrever o quanto apreciamos trabalhar e conhecer vocês. ObrigadO!


Trabalhar com línguas diferentes tem trazido desafios e também momentos de iluminação e realização. Assim como todas obras traduzidas, tentamos nos manter fiéls ao que foi dito pelos nossos entrevistados. Alguns participantes não tem o Português como lingua nativa ou nem ao mesmo como lingua primária em seu cotidiano e embora tenhamos editado em busca de clareza e conteúdo, fizemos o possível para não mudar o sentimento ou expressão das palavras de nossos participantes. O mesmo é valido para o Racialeyes, Mia e eu somos alunas de português e esse projeto reflete o nivel atual do nosso aprendizado. Muito obrigado a todos que nos ajudaram a realizar esse projeto.



Introdução Porque você decidiu se envolver neste projeto? M: Racialeyes é um projeto que inicialmente surgiu da frustração e raiva. Sendo uma mulher asiática constantemente

tenho que lidar com objetificação, exotificação e micro-agressões, dessa forma raça se tornou algo importante na minha identidade. Não quer dizer que eu tenho um complexo de inferioridade, mas eu estou muito sensibilizada e investida em raça e racismo. Estou constantemente procurando maneiras de aprender mais sobre preconceitos racistas e como devemos combatê-los. Por exemplo, durante o meu intercambio no Equador eu realizei uma pesquisa sobre como o racismo afeta o sistema de educação, especificamente a educação pré-escolar, em Quito. Quando decidi aplicar para a bolsa Fulbright, eu escolhi o Brasil e especificamente Curitiba porque eu queria explorar outro aspeto da raça/ etnicidade através das diferenças e semelhanças entre as experiências dos descendentes asiáticos nos EUA e o Brasil. Acredito que Racialeyes faz isso e muito mais, e estou muito feliz por ter encontrado uma ótima parceira com quem podemos realizar este projeto.

L: Nos EUA (onde moro) estou muito envolvida em Asian-Pacific Islander e esperava fazer isso em Curitiba por ter

uma grande população asiática, mas não encontrei exatamente o que eu tinha procurado. Conceitos da raça e racismo são muito diferentes no Brasil (comparado com os EUA), tão diferente que eu estava andando em descrença maior parte do tempo. Enquanto nos EUA eu enfrento o que eu considero formas de racismo muita agressivas, no Brasil ele se manisfesta de maneira diferente, onde o racismo “não existe” a menos que você seja negro. Então quando as pessoas puxar os olhos para mim, me chamam de “japa”, falam comigo sobre comida japonesa (porque realmente toda comida asiática é intercambiável), e também estranhamente me chamam “chocolate” nas ruas eu sinto três coisas: 1 - muita raiva 2 - impotente, porque como uma mulher estrangeira eu não quero chamar a atenção 3 - invisível porque as pessoas dizem que o racismo não nos afeta Assim, em vez de ter uma briga com um bruto na rua, eu coloquei nossas energias neste projeto.

Para você, o que significa de ser Americana-Asiática? Ou Americana-Japonesa ou Americana-chinesa? E isso como é semelhante ou diferente a comparação aos seus entrevistantes? M: Para mim, ser Americana-Asiática significa uma mistura de culturas. Isso significa que você tem dimensões

múltiplas e algumas vezes conflitantes da sua identidade. Isso significa que às vezes você tem que sacrificar e deixar as coisas do passado para seguir para frente ao futuro. Isso significa que você não se encaixa dentro de um molde do que uma “Americana” parece. Significa estar 100% confortável com a sua identidade dupla ou luta para ser algo que você nunca será. É difícil às vezes sendo Americana-Asiática nos EUA branca, mas também é maravilhoso ao mesmo tempo ser conectado a uma cultura rica e bonita. Eu acho que é diferente para os entrevistados por causa da história única do Brasil da mistura inter-racial. Ao contrário dos EUA onde a segregação terminou apenas um pouco mais que 50 anos atrás, o Brasil comemorou a miscigenação da raça, etnia e cultura. Considerando que os EUA temos fortes distinções entre asiático-americanos, afro-americanos, latino-americanos etc., no Brasil a maior parte das pessoas se identificam apenas como brasileiro. É




um contraste interessante porque através das discussões com alunos, colegas e amigos no Brasil, parece haver uma imagem estereotipada do que é um “americano”; branco, louro, obeso e rico, que é talvez por isso que há um senso de urgência para hifenizar a identidade americana, para diferenciar-se do estereótipo. Por outro lado, ser “brasileira” implica uma mistura, que poderia explicar por que não tem tanto esse desejo ou necessidade pensar sobre as diferentes partes do seu patrimônio/identidade racial, porque você é brasileiro como qualquer outro brasileiro.

L: Embora eu tecnicamente seja americana-chinêsa, eu me identifico mais fortemente como

americana-Ásiática Pacífica, que é tanto uma identidade racial e política. Isso significa que eu sinto um senso de solidariedade com minha comunidade API, me educando e também os outros sobre nossas questões e valores. Nos EUA eu nem sempre senti orgulho da minha herança e a cultura da minha família. Nos EUA espera-se que imigrantes assimilem ao status quo cultural de normativa - branca - e renunciar a quaisquer outros laços culturais, a fim de ser verdadeiramente “Americano”. É por isso que comida chinesa não é considerada comida americana, nem a Vietnamita, ou Bengali, porque comida asiática é exótica, cheira muito forte e é estrangeira, assim como as pessoas que a fazem. No começo eu pensei que o Brasil poderia ser diferente por causa da sua história de mistura inter-racial. Muita gente aqui me disse que o Brasil tem mente aberta sobre raça, já que “todo mundo é um pouco de tudo.” Mas, me parece que a diferença e alteridade são ainda mais pronunciado aqui das outras maneiras. E enquanto alguns podem ter boas intenções, e são apenas “brincadeiras” para mim parecem ser micro-agressões. Parece haver muitas sobreposições em relação da maneira que minorias são tratadas aqui no Brasil e nos EUA, o que talvez seja diferente é que nossos entrevistados geralmente se identificam como brasileiro(a), e não com um “hífen” como fazemos nos EUA.

O que você observou durante as entrevistas? Como as pessoas reagiram quando você pediu para elas participarem desse projeto? M: É engraçado porque acredito que eles nunca foram convidados a participar de um projecto como este. Durante as

primeiras entrevistas rapidamente percebemos que a maioria dos entrevistados nunca tinham pensado muito sobre suas identidades étnicas. Foi uma surpresa para mim inicialmente porque eu estava tão acostumada aos EUA onde raça, identidade, discriminação e histórias familiares são temas diariamente discutidas e sobre que a maioria das pessoas têm opiniões fortes. No entanto, durante das entrevistas você poderia vê-los abrir um pouco mais, começar a acessar as memórias relevantes e fazendo comentários muito perceptivos. Eu acho que isso é uma grande oportunidade para eles começarem a pensar criticamente sobre estas questões. Estou muito animada para que eles vejam o produto final , eu acho que vai ser muito legal para eles refletirem sobre como suas opiniões e ideias podem ter mudado antes e depois as entrevistas.

L: Eu acho que a maioria das pessoas estavam bastante tímidas e nervosas para falar com a gente! Como Mia disse,

muitos poucos deles tinham pensado sobre suas identidades interseccionalmente e nos EUA é um tema constantemente discutido. O que se torna ainda mais interessante é que muitas pessoas se referem ao Brasil e brasilidade como a norma, enquanto ser asiático foi considerado como “outro”. Embora o mesmo poderia ser dito sobre os EUA, onde ser americano geralmente significa branco, louro e de olhos azuis. Muitas pessoas mencionaram que tinham experienciado bullying por ser diferente, que eles são chamados Japa para distingue eles dos outros brasileiros que podem ter o mesmo nome que eles. Durante as entrevistas, alguns dos participantes hesitam e dizem que nunca pararam para pensar sobre essas perguntas antes e que esse é um ótimo projeto por sugerir esses pensamentos.


entrev primeira GeraçÃo

larissa Yowlin Liu................................................................7 Amarela/Asiática Curitiba 19 Felix Yowtang Liu..................................................................9 Amarelo/Asiático Curitiba 22 Jimmy John Pisanis................................................................11 IndonÉsio BogoR 28 Katsuyuki Kajiwara...............................................................13 Japonês Curitiba 61

Segunda GeraçÃo

Marina Aemi Sesarino...........................................................17 Nipo-brisileira Curitiba 22 Thais Wu Teng......................................................................15 Brasileira com ascendência chinEsa São PaulO 23 Alexandre Chien....................................................................19 Brasileiro com ascendência taiwanês Teresina/Foz de Iguaçu 24


vistas terça GeraçÃo

Igor Minami SuyamA..............................................................21 Amarelo/Japoånês Assis Chateaubriand 20 Maria Victoria Ribeiro RUY...................................................23 Amarela Curitiba 20 Rafael Prochmann................................................................25 Brasileiro Curitiba 25 Marilia Aiko Kubota..............................................................27 Brasileira com ascendência japonEsa Paranaguá 51

quarta GeraçÃo

Carolina Midori Ioshii...........................................................29 Japonesa-brasileira Curitiba 19 Kadu Kenjiro Tomita Da Silva.....................................,..........31 Nipo-brasileiro Curitiba 21 Bruna Marinho Isume............................................................33 Brasileira com ascendência japonesa


Larissa Yowlin Liu Amarela/AsiÁtica Curitiba 19 Poderia descrever os raízes da sua família que tem descendência asiática? Larissa: [Nossos pais] se conheciam em Taiwan porque os nossos avós trabalhavam juntos e aí o nosso avô paterno veio de Taiwan pro Brasil e conheceu o Brasil, e então comunicou pro meu avô materno sobre o Brasil. Então as duas famílias vieram praticamente juntas pro Brasil... Quando a minha mãe veio tinha 11 e o meu pai tinha 15 anos, e eles vieram direto pra Curitiba e moravam juntos porque eram famílias conhecidas. Então os nossos pais trabalhavam juntos com os meus avós numa panificadora. Que importância têm as suas experiências socioculturais em suas vidas? Larissa: A gente sente muita diferença em relação ao relacionamento entre nós, crianças, com os nossos pais. Nós temos mais amizade, nós conversamos mais, nós temos mais amor envolvido do que famílias que têm pais muito chineses, que só mandam as crianças irem pra escola, voltar pra estudar, ir pra escola, voltar e estudar. A gente consegue conversar sobre ideias, trocar ideias, saber o que cada um sente, conversar sobre os sentimentos, uma coisa diferente do que famílias muito tradicionais chinesas. Eu acho que isso é uma das diferenças entre sentimentos, é uma coisa que eu acho boa em relação à cultura brasileira. E cultura chinesa, eu acho que a nossa mentalidade sobre nosso futuro, sobre a nossa educação, é muito importante. Então a parte chinesa de educação, sobre nosso futuro, e a brasileira mais sobre sentimentos, mais sobre relacionamentos, que juntando faz a nossa cultura ser um pouco mais diferente. Ser uma cultura “brasileira-chinesa”.


FeLix Yowtang Liu Amarelo/AsiÁtico Curitiba 22 Quais tipos de racismo vocês enfrentam ou acham que asiáticos brasileiros enfrentam? Felix: Eu e a Lari, por exemplo, a gente cresceu entre brasileiros mas com a diferença estampada na cara. Pelo menos eu quando era pequeno, as crianças falavam “olha, você é diferente, claramente você é diferente”. Então, a princípio, a minha primeira inserção enquanto criança não aconteceu. Era chinês pra eles. É complicado de falar se a gente é chinês ou brasileiro, não sei, as duas coisas. É muito mais fácil você definir o que é um chinês do que o que é um brasileiro. O brasileiro não tem uma identidade tão bem definida, uma história tão bem definida, uma cultura tão bem definida quanto os chineses. Então a gente pode ser considerado alguma coisa entre um chinês e um brasileiro. Não completamente um e não completamente outro. Aqui em Curitiba a comunidade chinesa é muito pequena, então a gente cresceu a vida, vem sendo entre brasileiros, né? Não tinha muitos chineses perto da gente enquanto a gente ia crescendo, então muito de cultura chinesa mesmo a gente foi perdendo. Agora, o estilo de vida que eu e a minha irmã adotamos é muito diferente da maior parte dos brasileiros. Os valores são diferentes, o modo de tratar os nossos pais, a vivência familiar é muito diferente deles. Então saber um pouco da onde que veio a nossa família, e saber de onde que vêm esses valores e essas histórias é muito importante pra gente. Ultimamente os meus colegas têm feito piada de pastelaria comigo… pastel de “flango”. Só que a gente sabe que é na camaradagem. Eles são meus amigos, eles podem fazer isso. Acho que a única vez em que o racismo foi meio forte mesmo foi quando me falaram pra “voltar pra minha terra”, porque eu tava “roubando o emprego” deles, porque eu “não tinha o que estar fazendo aqui” e, tipo, foi só verbal -- ainda bem. Ainda bem que a pessoa não partiu pra agressão e, aparentemente, tem algum ódio, ainda muito pequeno – mas crescente – contra chineses no Brasil. Só que, ainda é uma coisa muito pequena. A gente fica de olho, pra ver se isso não fica uma coisa pior, mas, hoje em dia, o pessoal ainda aceita muito a gente. O racismo não é tão forte. Inclusive, um dia desses, a gente encontrou um cartaz, colado num poste, falando sobre chineses, que nós somos comunistas, que nós nascemos já advogados, juízes, médicos e tal, somos ricos, estamos roubando emprego dos brasileiros e que a gente devia voltar pra nossa terra, esse tipo de coisa. Mas como é muito pontual e muito pouco, então a gente deixa passar.


Quais tipos de racismo vocês enfrentam ou acham que asiáticos brasileiros enfrentam? Larissa: Eu acho que a única... um estereótipo que eles têm da gente é que a gente é muito inteligente, a gente é muito esperto, muito dedicado. Eu não sei se isso seria um preconceito ou alguma coisa, mas é uma visão deles da gente, não é uma visão muito negativa. É uma visão de pessoas esforçadas que talvez eles queiram ser como a gente, porque talvez eles não sejam assim, então eu nunca senti uma coisa muito negativa como [o que acontece] com negros ou com índios, é uma coisa mais... parece que eles meio que têm orgulho da gente, e não uma coisa negativa. Muitas vezes meus amigos falam “mas como assim, Larissa, você não fez a tarefa? Você é asiática, você é chinesa”, mas eu fico “por que só porque eu sou chinesa eu deveria ter feito?”. Eu acho isso um estereótipo, não sei se seria um preconceito, um racismo, mas tem essa visão da gente.

E vocês acham que meninos e meninas asiáticas têm diferentes experiências por causa do seu gênero? Larissa: Eu acho que menino tem... eles sofrem um pouquinho mais, porque muitos meninos querem ser melhores do que outros ou coisa assim, e quando vem um asiático menino, eles querem ser melhores do que esse menino. Muitas vezes asiáticos meninos não jogam futebol, não são bons no físico, então eles sofrem mais do que a gente. Felix: Agora, por exemplo, acontece o contrário também, de as meninas sofrerem mais que os meninos dentro da família, por exemplo. Porque pela cultura chinesa, os filhos são mais valorizados que as filhas, eles recebem mais atenção, mais cuidado, e os pais em geral sentem mais orgulho dos filhos do que das filhas. Então eu tenho algumas amigas, por exemplo, que são chinesas e elas ficam reclamando dos irmãos, que “eles são largados e tal, meus pais não fazem nada e eles só ficam exigindo de mim e tal”. Então a experiência pra elas é diferente de pra eles nesse quesito. Eu nunca tinha pensado em coisa... Larissa: E em casa a gente também não tem essa coisa de “meu irmão é melhor do que eu” ou “eu sou melhor do que ele”, meus pais não diferenciam muito a gente. Em casa, seus pais falaram chinês com vocês? Larissa: Quando a gente era pequeno, nos móveis tinham palavras em chinês pra gente aprender a falar chinês, mas quando a gente foi crescendo, e como eles também falam português, o português virou a língua que a gente fala em casa. É muito mais fácil porque a gente convive com brasileiros, e pra comunicar fica muito mais fácil falar português do que chinês, porque a gente também não pratica em casa, não pratica em outros lugares, então é mais fácil falar português... Felix: Agora, o mesmo vale pra eles: quando eles vão brigar com a gente é mais fácil eles brigarem em chinês, daí como a gente não entende metade, a gente consegue se dar bem depois. (Risos.) Larissa: Com a minha mãe é mais fácil em compreender porque ela é tradutora. É muito mais fácil a gente falar com a nossa mãe do que com o nosso pai, que não fala tão bem português. Com ele é mais fácil ele falar chinês e a gente responder português do que os dois falarem português ou os dois falarem chinês. Felix: Ainda é um barreira difícil de romper, né? Tem... acontece em casa que o nosso pai não aprendeu o português tão bem quanto a nossa mãe, então a gente consegue conversar de assuntos mais elaborados com a nossa mãe do que com o nosso pai. Ele acaba se sentindo “de fora” por causa disso – mas por uma impossibilidade de comunicação, não é porque a gente não goste dele.


E pra vocês quais são as diferenças entre racismo e estereótipos sobre cultura? Felix: Então, a linha é muito tênue. Veja que, por exemplo, no Brasil, que tem histórico de ser um país escravocrata, a visão de um negro ser escravo era um estereótipo, e no entanto isso caía muito facilmente em racismo, que são ideias pré concebidas a respeito de uma raça, né, de alguém. Quando que esse estereótipo vira racismo é difícil de falar. Talvez a ideia resida em: esterótipo eu vou saber que é uma tendência geral daquela cultura ser desse jeito, e o racismo assumir que toda a cultura é daquele jeito. Racismo ser uma versão mais generalizadora e mais radical do estereótipo. Quando eu era menor, eu achava que era preconceito mas não é racismo, que é eles confundirem japoneses com chineses com coreanos e etc. Eu ficava muito irritado quando me confundiam e falavam que eu era japonês, porque no Brasil é muito mais comum ter japoneses do que chineses, então eles chamavam de “japa”, e eu me irritava muito com isso. Mas eu comecei a perceber que nem mesmo os chineses e japoneses sabem diferenciar, então eu parei de ligar pra isso. Conte-nos uma situação onde você sentiu orgulho da sua descendência asiática. Larissa: Quando eu tava na segunda série – oito anos de idade – na minha escola, convidaram a minha mãe pra falar sobre a cultura chinesa, sobre como se escreve em chinês, como ler em chinês, quais são os tipos de comida que a gente come e tudo mais. Isso me deixou bem... bem contente com a minha cultura porque os meus amiguinhos conheceram uma nova cultura e não tiveram um estereótipo ruim sobre a minha cultura, eles quiseram saber mais sobre isso. Foi bem legal. Eu sinto mais que as pessoas que chegam perto de mim é porque eles gostam da minha personalidade e não do meu estereótipo, eu acho que as pessoas são minhas amigas porque elas gostam das minhas ideias, pensamentos, ideais, e não porque eu sou chinesa. Mas eu sei que tem muitos meninos ou meninas que gostam de asiático porque acham que a gente gosta de música K-Pop ou que a gente gosta de anime e coisas assim, mas no meu convívio isso não acontece muito. Conte-nos três características de seus olhos. Larissa: Os meus olhos são castanhos, não são pretos. Eu tenho dobrinha (Felix: Eu não tenho). O Felix não tem dobrinha e os meus olhos não têm o côncavo, eles são mais “retinhos”. Felix: Vai lá então: meus olhos são amendoados, são castanhos, eles não têm a dobrinha que ela tem. E como você se sente quando pessoas puxam os olhos ou descrevem olhos asiáticos como “puxados”? Larissa: Nada. Você sente alguma coisa? Felix: Olha, é mais uma coisa que eu lembro do que eu sinto. Toda vez que alguém fala que o olho asiático é puxado eu lembro que essa diferença tá na minha cara, eu não consigo me livrar dela. E, por muito tempo eu não gostava disso, era um motivo que me excluía. As crianças olhavam e falavam “olha, você é diferente”. Então, pra mim era só diferente. Eu era isolado por causa disso. O pessoal não convivia comigo. Só que eu comecei a perceber que essa diferença era o que me caracterizava, me fazia único. Dentro da sociedade brasileira tem muito poucos chineses que estão na mesma situação que eu, tem muito poucas pessoas que estão na mesma situação que eu estou. Então, esses olhos amendoados, puxados, começaram a significar algo da minha personalidade, do que eu sou. Então eles me lembram que eu sou diferente do resto – dos brasileiros, pelo menos – e eu tenho que carregar isso pro resto da minha vida, pra onde quer que eu vá. E três coisas que vocês gostam deles? Larissa: Que eles me fazem especial... Não sei (risos). Que eles me caracterizam e... não sei, que são diferentes, que são... não são brasileiros, não sei se isso caracteriza. Felix: Eles falam que os olhos são a janela pra alma – é um ditado popular aqui no Brasil – e os meus olhos são um reflexo da minha alma também, né. Eu acho que os meus olhos têm um charme diferente porque não se vê olhos como os meus por aí todo dia. Eu lembro de um amigo que falou que quando eu rio eles quase fecham, eu acho que isso é uma coisa que eu gosto também, faz parte de mim...


Jimmy John Pisanis indonésio BogoR 28 Eu acho... é porque meu jeito, como eu falei, eu sou indonésio, eu não vou ser brasileiro. Só que eu tento viver como um brasileiro. Eu não vou esquecer minha cultura, a cultura indonésia está comigo, só que eu deixo a cultura da Indonésia pra viver numa cultura brasileira. Eu vou andar com duas culturas. Eu não posso usar minha cultura para viver aqui pois eles não vão aceitar. Eu tenho que levar duas culturas junto pra poder sobreviver [esse] tipo de racismo.

Quais tipos de racismo você enfrenta ou acha que Asiasitca brasileiras enfrentam? Eu não ligo se alguém faz uma brincadeira, ou eles querem mesmo mostrar que eles não gostam de nós, como estrangeiros, principalmente asiáticos. (...) Eu já passei várias vezes. Tenho alguns amigos que só brincam: “Na Indonésia há pena de morte, vocês mataram dois brasileiros, então a gente tem que matar dois indonésios aqui, pra valer”. Mas só brincadeira. Só brincadeira. Eu aceito porque eu conheço. Eu conheço você então digamos que a gente brinca, é outra coisa. Só que tem alguns que começam conversar e tal, daí falar... eles não querem falar direto. Mas só que aí eles falam: “Brasil está com crise, então tem bastante estrangeiro aqui. Estão vivendo, tão pegando nossas vagas”. Estão estamos também pegando emprego. Então “vocês estão aqui, estão diminuindo vagas pra nós de trabalho.” Só que eu falo assim: “Bom, sabia que na Indonésia também tem vários brasileiros que estão trabalhando pra sustentar suas famílias?” (...) Então se eu estou trabalhando agora, se uma empresa abriu a mão pra receber eu como funcionário, então eu sou uma pessoa boa. Eu tenho a qualidade pra trabalhar naquele lugar.

“A cultura asiática, eu acho que nunca vai sair do meu coração. Porque eu sou indonésio, eu sou asiático. Eu não vou ser brasileiro.”


“Quando alguém diz “como é lá [na indonesia]?” Eu já fico muito orgulhoso. Porque para eles perguntam, para eles querem saber como é que é lá eu já mostrei que eu sou diferente.“ Como decidiu vir pra Curitiba? No último contrato [do meu trabalho], eu conheci minha esposa, que é brasileira. Ela é chamada Eliana. Daí... é uma história muito louco, porque o contrato pra trabalhar no navio cruzeiro é oito meses. A gente se vendo assim, uns aos outros, não falam, só olhando, olhando, olhando. Só que eu tenho coragem uma semana antes de ela ir embora pro Brasil, porque ela chegou três meses antes que eu, então ela vai ter que ir embora mais rápido que eu. Então uma semana antes de ela ir embora, eu decidi falar com ela e dizer que eu gosto dela -- mas só que só sete dias antes de ela ir embora pro Brasil. Na cabeça dela... pensando que “ah, um homem que gosta de uma mulher só sete dias aproveitando antes de ir embora, tchau”. Não. A gente se conheceu em sete dias. [Foi] muito triste quando ela foi embora, mas eu mantia contato, três meses conversava com ela via telefone quando ela estava aqui no Brasil. Aí no último contrato eu fui embora pra Indonésia. Eu falei com a minha mãe: “Mãe, eu conheci uma garota do Brasil, eu decidi casar com ela.” Aí minha mãe, olhando pra mim: “Você tá louco. Você foi oito meses , deixou sua família e [como assim que] chegar aqui á Indonésia, no seu país, pra voltar pra casar com uma garota que você conheceu sete dias” Eu falei: “Não. Eu gosto dela.” Porém eu vim, eu vim pra cá [Brasil], nem ela também acreditava. Eu falei “eu vou pro Brasil”. Eu liguei pra ela: “Eu vou pro Brasil. Eu tenho meu passagem, eu tenho minha visto. Eu vou pro Brasil.” Daí ela falou: “ah, você é louco, mas se você quiser, pode vir.” Então o meu telefone… assim que eu cheguei no São Paulo, eu liguei para ela. “Eu estou aqui no São Paulo.” Ela ficou: “Sério?” “Sério, estou aqui no São Paulo.” Aí começar, né. Eu vim aqui, ficar dois meses e meio, fiquei aqui no Brasil da primeira vez (...).

Que importância tem a suas experiências socioculturais na vida de seus futuros filhos? Eu estou ensinando a cultura indonésia, só que é meio difícil porque fora ele aprendeu com a cultura brasileira. Aí chega em casa, eu tenho que adaptar. Eu não posso 100% colocar cultura indonésia porque ele não vai gostar, porque ele não é indonésio, né. (...) Eu tô ensinando, só que em casa, eu com a minha esposa, a gente conversa em inglês porque inglês não é nossa língua. Inglês ajuda bastante pra procurar emprego. Inglês ajuda bastante pra aumentar currículo. Temos que conversar em inglês, pra não ficar esquecendo, né. Eu tô tentando ensinando algumas palavras básicas, tipo “como vai”, “apacabar.” Quando eu ligava minha mãe, daí ele fala “oi, oma, apacaba.” “Oma” é “vovó”. Então umas coisas básicas que eles têm que aprender.




Katsuyuki kajiwara JaponÊs Curitiba 61 Como você aprendeu português? Todos faziam uma... família brasileira frequentando. Sempre fala pra mim em português, mas eu respondo sempre em japonês. Aí, comunicando, pouco a pouco aprende. Porque se fala em português, todo mundo entende mas se fala em japonês, algumas pessoas conseguem entender mas outras pessoas não entendem. Mas pra mim é importante, tem que transmitir [meus ensinamentos e minha mensagem]. Por isso, “nossa, tem que aprender [de] qualquer maneira, né”. Aí comecei, mas ainda não é muito bom (risos). Complicado. Têm aspectos da cultura japonesa ou da sua vida no Japão que você ensinou aos seus filhos? Quando nós fundou aquele grupo [Wakaba Taiko], só era meus filhos, seis filhos. Começou a tocar taiko, mas esse pra mim aproveitando porque diretamente ninguém escuta minhas palavras, né? Se tem algumas oportunidades, eu consigo falar mas não tem nada de relação com pessoas, tal difícil de falar, né? Por isso eu criei esse grupo pra mostrar uma cultura, mas é através [da] cultura japonesa eu queria ensinar coisa[s] maravilhosa[s].


Você pode falar que importância têm suas experiencias socioculturais em sua vida? (...) Muitos países apareceu aqui no Brasil, imigrantes de muitos países, por isso cada um [tem] um pensamento diferente, mas no Japão [todos são] quase a mesma raça, mesma maneira tá vivendo, por isso quase mesmo pensamento têm. [O que] eu penso, ele também [pensa], o mesmo pensamento tem. Por isso consigo entender, “ah, ele quer fazer assim”, eu também. Pode ajudar porque ele quer. Entende isso? Mas aqui tem diferente [jeitos de fazer as coisas]. Eu penso, mas as outras pessoas não pensam essas coisas. Por isso... lá no Japão desde [quando o filho é muito] pequenininho [seus pais] sempre ensinam: não dá incômodo pra pessoas, por isso sempre [estão] educando sobre isso, né? Não pode fazer mal pra pessoas, não pode bagunçar pra pessoas... pessoa muito incômoda. Não pode fazer assim. Desde pequenininho faz isso. Aí naturalmente, né? Sempre pensa pra outra[s] pessoas -- “O que [vo]cê quer?”, “eu quero ajudar”. Sempre pensa esse pensamento. Porque japoneses tem esse pensamento.

Quais tipos de racismo você enfrenta ou acha que asiático brasileiros enfrentam? Eu acredito que esse tem que tirar, né? Esse tipo de pensamento. Porque tem que respeitar todas essas pessoas, mas infelizmente algumas pessoas faz coisa ruim, coisa mal. Mas esse não sabe, por isso faz isso. Esse não é relação com racismo. Qualquer pessoa, pessoa boa, pessoa muito ruim, existe em qualquer país. Mas esse não é significado [de] racismo.

“Pra mim é uma missão. Eu tenho um sonho, para melhorar o país. Deus me mandou para chegar aqui.”






THais wu teng brasileira com ascendencia chinesa curitiba 23 Que importância tem a suas experiências socioculturais em sua vida? Eu conheço meus pais e entendo melhor que eles não gostam muito de falar, mas já alguém que vem de fora não entende muito, como se fosse uma barreira porque agora os chineses são mais reservados, mais fechados, então para conhecer nossa cultura, da minha família tem que ter mais convivência conosco porque a China é mais reservada, mais fechado. Eu acho que é muito cultural. Um dia, se eu tiver filhos, eu acredito que eu posso melhorar nossa família. Quero ensinar meus filhos a serem

mais abertos, com um pouco de mistura com brasileiro. Que também nossa família não faz muitos convites a pessoas para entrarem em nossas casas, não gostam dessa mistura e pra nossos filhos seria bom para mostrar que não tem essa diferença entre japonês, chinês, e brasileiro. A minha família ainda tem esse preconceito, não gosta que seus filhos andem ou conversem com brasileiros. Então, quando eu tiver filhos, vou ensinar eles a não ter esse preconceito.


Quais tipos de racismo você enfrenta ou acha que Asiasitcas brasileiras enfrentam? Agora não muito, mas na infância já tinha descriminação das crianças. Na época que estudava eles gostavam de fazer bullying com orientais, fazer piadinhas, essas coisas que as crianças fazem. Mas hoje que a gente conhece mais orientais, a gente não se incomoda mais, mas a primeira vez era um choque. Esse choque é bullying… puxar os olhos e fazer piadinha no começo me incomodava. E em grupo quando outras pessoas confundam voce por um outra pessoa ou as pessoas dizeram que voces todos sao familiares, voce se sente insultada também? Não, antes sim, mas depois que você conhece mais os orientais… depois não. Porque antes de conhecer japoneses, eu não tinha amigos japoneses. Então você tinha mais um certo preconceito e também... eles também, eles tinham preconceito com os chineses. Depois que eles se tornam amigos a gente vê que não, não tem muita diferença. A gente só é cada…países diferentes, a gente está no Brasil. Então hoje a gente não vê como insulto, a gente só pega e dá risada. Mas porque voce acha que pessoas fazem isso? Acho que é cultural aqui… eu acho que é muito cultural de ver um oriental - parece que nunca viu - e daí tirar sarro, daí o outro, acho que é da família, aprende, daí também acha graça e… é cultural mesmo. Mas pra um oriental assim, que nunca aconteceu isso, e vem aqui, acha que é um insulto, mas depois que você vê que é cultural, você nem dá bola não. Você que isso é um tipo de racismo? Eu acho que é um tipo de racismo. É a mesma coisa que fazer piada com...macaco com negro. É a mesma coisa, você generalizar todo oriental, por exemplo, que come carne de cachorro. É a mesma piada. Pra mim é. Eu acho que os orientais tinham que se unir contra isso porque oriental aqui é minoria, né. E se compartilhar isso as pessoas não...acho que não dariam muita bola porque eles vão dizer que “oriental é branco”, então não vão ver como preconceito, mas eu acho que isso é novo, né. Então acho que fazer essa piadinha de olho puxado, que generaliza que a gente come carne de cachorro, eles acham que isso não está ofendendo, é piadinha e tudo que é piadinha não é ofensa, mas na verdade é. Você queria compartilhar isso de algum jeito? Eu acho que os orientais tinham que se unir contra isso porque oriental aqui é minoria, né. E se compartilhar isso as pessoas não... acho que não dariam muita bola porque eles vão dizer que “oriental é branco”, então não vão ver como preconceito, mas eu acho que isso é novo, né. Então acho que fazer essa piadinha de olho puxado, que generaliza que a gente come carne de cachorro, eles acham que isso não está ofendendo, é piadinha e tudo que é piadinha não é ofensa, mas na verdade é. E quando alguém faz isso a você, qual é a sua reação? Se fizer... Eu ficava quieta porque você é minoria, então imagina só você enfrentando sozinho, você também não tem como se defender então normalmente o pessoal fica quieto mesmo, ou você tira sarro junto, é um dos dois.

“Já ouvi falar uma vez que a gente nao sofre racismo porque a gente é de cor branco. Acho que a gente sofre racismo mas não pela pele mas pelos olhos. É diferente o racismo que a gente sofre.”


“Eu gosto de meus olhos serem um pouco puxados assim, eu gosto da cor deles tambem.” Aqui no Brasil, a imagem dos japoneses e descendentes de japoneses é generalizada. O estereótipo é: japoneses (e descendentes) são inteligentes, comportados, esforçados, estudam muito e etc. Quando algum deles, aqui no Brasil, não fala japonês, conhece pouco a cultura, é preguiçoso, não estuda ou tira notas ruins, os amigos falam (apenas de brincadeira) que ele é um “japonês do Paraguai” ou “japa do Paraguai”. Às vezes o próprio japonês/descendente fala isso de si mesmo. Mas na brincadeira. Eu tenho amigos assim que não estudam tanto, daí falam assim: “você não é asiático de verdade, só tem cara, você não tem sangue de asiático” ou é “asiático do Paraguai”. Tem muito estereótipo. (...) Aqui no Brasil eles fazem bastante brincadeira com o Paraguai porque tem os produtos deles que são mais baratos, daí eles copiam... Então pro brasileiro, Paraguai é falsificação, então quando falam “um asiático do Paraguai” seria asiático “falsificado”. Mas eu sempre vejo isso acontecer entre amigos, só como piadinha. Não para ofender.

MARINA AEMI SESARINO

Poderia-nos contar uma vez quando você enfrentou racismo? Uma coisa que eu faço sempre é levar um bento* pra faculdade, aquele almoço embrulhadinho assim. Aí a minha mãe faz pra mim sempre, daí eu levo e almoço todos dias, sabe? Aí fica até marcado, meus amigos brincam comigo assim e falam que eu sou bem japonesa só por causa do almoço, que diz[em] que parece personagem de anime. Como voce se sente sobre esses comentarios? Quem fala são pessoas próximas, amigas mesmo, então eu acho legal assim, às vezes acho engraçado porque pra mim é normal, mas pra eles não é normal, isso é engraçado. Às vezes eles chamam de “japa” só mas para mim é normal assim, até meus amigos [me] chamam de “japa”, então não vejo como uma coisa ruim. Eu também chamo às vezes minhas amigas japonesas de “japa” só para brincar com elas. Tô acostumada já. Eu acho bem comum assim, sabe? Eu acho que as pessoas não falam por mal. Já me chamaram de “china” também. Pra mim não faz diferença, eu levo mais na brincadeira mesmo. Eu tinha um professor de biologia no ensino médio que tava sempre se queixando que ele...acho que ele passou no vestibular e, se não me engano, acho que era pra ele ter passado em primeiro, mas ele passou em segundo e aí foi um asiático que passou em primeiro e ele sempre falava disso, sabe? Ele não esqueceu, daí ele falava brincando que um asiático ia roubar a vaga dos outros no vestibular. Isso é uma coisa que tem bastante no cursinho, os professores fazem bastante brincadeira. Eles falam, por exemplo, [por]que no vestibular as pessoas estudam muito, muito, muito e aí às vezes eles falam: “enquanto você tá dormindo, tem um asiático estudando (risos). Enquanto você tá comendo, tem um asiático estudando. Um asiático vai roubar sua vaga”. Eu escutei bastante disso no cursinho. (...) -- Pra mim é um elogio… Não sei, é bom assim… passar essas coisas, essa imagem de esforço, de dedicação, sabe? Me faz ter orgulho das minhas raízes.


Marina AEMI SESARINO NIPO BRasileira Curitiba 22

Qual significa tem as experiências socioculturais na vida da sua mãe? Muitas coisas minha mãe já está perdendo, como falar japonês e às vezes algumas coisas que eu pergunto para ela. Por exemplo, como que é no Japão ou como que acontece, mas ela não sabe dizer, ou ela esqueceu, ou ela não aprendeu. Porém, ela sabe como preparar comida japonesa e ela faz bastante essa com temperos, isso ela não esqueceu. Eu acho que na geração da minha mãe era um pouco mais rigoroso. Ela e os irmãos não podiam casar com brasileiros. O irmão dela namorava uma brasileira e o meu vô não gostava disso, ele não queria, mas no fim acabou aceitando. A minha mãe também se casou o meu pai, que é descendente de europeu[s], é brasileiro, enfim, nada de descendência japonesa. Daí já tava tudo mais calmo nessa época e pra mim acho que vai ser mais calmo ainda, os meus pais não se importam se eu casar com um japonês ou não. (...) Eu acho que na nossa geração já tá melhorando. Acho que na geração deles acho que isso seria discriminação contra a mulher brasileira mesmo. Pode ser porque eles querem muito preservar a tradição e talvez eles achem que misturar pode atrapalhar. Já ouvi falar, não sei se seria isso mesmo, mas já me falaram que talvez fosse o fato de [que] a mulher japonesa naquela época ficava mais em casa cuidando da família e a mulher brasileira já estava saindo mais, indo pro mercado de trabalho, não ficava só em casa, só limpando a casa, fazendo comida e cuidando dos filhos.


Eu acho que as experiências que eu tive no Taiwan, tendo metade da minha família sendo brasileira e outra metade sendo taiwanesa, que são culturas totalmente diferentes, me deu uma visão de mundo um pouco mais abrangente. Eu consigo entender os dois lados, mesmo nós temos costumes muito diferentes, você tem que respeitar o costume dos outros porque não tem por que dizer que uma coisa é certa ou errada, depende muito de onde você tá. Acho que consigo ter essa facilidade em aceitar coisas diferentes em minha vida.

Como você sentiu quando chegou em Taiwan para conhecer sua família lá? Quando eu cheguei lá no Taiwan, as pessoas no geral não vinham falar chinês comigo, eles falavam inglês direto. Talvez eu não me pareça tanto como taiwanês, quanto como as pessoas de lá. Ninguém achava que era taiwanês lá, eles achavam que eu era americano. Não achava ruim, não. É tranquilo, [mas] gostaria de poder surpreender um pouco mais, se soubesse falar melhor a língua. Apesar de ter estudado por muitos anos, como eu vim para fazer minha faculdade aqui em Curitiba, deixei de estudar chinês e acabei perdendo um pouco. Então quando eu fui pra lá já não tava muito bem em chinês. Então eu acabava, por mim mesmo, falando em inglês de vez em quando por não ter um domínio completo da língua. Não era um problema com eles não, era mais comigo, eu acho. Existia um choque de cultura, mas eles me receberam muito bem. Não teve de nenhuma forma um preconceito por eu ser de outro país ou não saber falar a língua.

ALExandre chien brasileiro com ascendência taiwanês teresina/foz de iguaçu 24


Como sua mãe se sente sobre crescendo vocês em duas culturas diferentes? Mãe é mãe, né? De qualquer jeito. Acho que não ia importar pra uma mãe a descendência do seu filho, ela vai amar igual… mas ela sempre deixou muito claro que ela tem muito orgulho da gente [eu e meu irmão]... não importando o que a gente faz. Então apesar de ela não gostar de algumas coisas na cultura asiática, que é muito decorrência dessas brigas que ela teve com meu pai, com a gente de forma alguma desincentivou a gente a aprender a cultura asiática. Então ela sempre incentivou que a gente falasse chinês, que a gente participasse dos eventos culturais da igreja chinesa, entendesse os festivais, entendesse das comidas. De forma alguma ela desincentivou a gente assim. Ela sempre incentivou, na verdade, a gente a conhecer mais a cultura do meu pai. Então ela é totalmente aberta em relação a isso. Qual significa tem as experiências socioculturais na vida de seu pai? Meu pai foi ter que... se adaptar totalmente pro Brasil. Ele veio já adulto pra cá, então ele já era totalmente formado lá em Taiwan e veio pro Brasil sem saber falar nada, então ele teve que se adaptar totalmente pra cá. Teve várias dificuldades, eu acho. Foi bem complicada essa fase que ele esteve aqui, tanto que depois de muitos anos ele até teve muitas brigas com minha mãe por causa dessa diferença de cultura... e acabaram se separando ao final das contas agora. Então eu acho que é muito complicado essa... mesmo que… vamos dizer, você gosta muito de outra pessoa, a questão cultural ainda é muito forte [nas relações inter-raciais]. Poderia-nos contar uma vez quando você enfrentou racismo? Quando eu vim pra Curitiba, eu senti que o pessoal é um pouco mais preconceituoso aqui em Curitiba, do que lá em Foz, onde eu morava, porque aqui, querendo ou não, tem um contato menor com essas pessoas do que em Foz do Iguaçu. Foz do Iguaçu é muito muito terra de imigrante, aqui nem tanto. Então putz, “chinês é todo mundo pasteleiro, fica fazendo pastel”, “chinês é sujo”, “chinês come comida estranha que a gente não come, eles comem cachorro” e são coisas que não têm sentido nenhum. Existe acho que um preconceito ainda m uito grande com os asiáticos aqui, pelo menos aqui em Curitiba. Eu sei que depende muito do local que você tá e das pessoas [com] que você se relaciona, mas no geral dá pra sentir assim que existem essas pré concepções de que “o que vem da China é ruim, eletrônico barato não presta”. Enfim, acho que tem muito ainda a melhorar em relação a isso no Brasil. Eu não senti tanto [racismo] porque como eu sou muito misturado já e sou muito mais brasileiro do que asiático, pra mim não tem tanto problema, eu levo na brincadeira assim. Mas acho que muitas pessoas que até vieram, não nascerem aqui e vieram pra cá, acho que podem ser bem pesadas essas brincadeiras que o pessoal faz. Por outro lado, tem também o preconceito de que os asiáticos são muito inteligentes. Por um lado tem o preconceito ruim e por outro lado também tem esse preconceito que nós absorvemos muito fácil, principalmente a parte de exatas. De qualquer jeito, preconceito na forma geral é ruim, né? Teve uma vez quando eu era bem pequeno, eu e meu irmão, a gente tava indo pra nossa aula de chinês, lá no Paraguai ainda quando a gente morava no Foz de Iguaçu, a gente tinha aula de chinês em Ciudad del Leste, lá no Paraguai. E lá tem muito taiwanês, muito chinês. E os chineses que foram pra lá, eles se deram muito bem nos negócios, então a maioria dos taiwaneses acabaram gerando uma riqueza muito grande ali na fronteira por causa dos negócios de lojas que eles abriram lá, com importação e exportação de coisas. Só que eu acho que existiu talvez a mesma coisa que acontece aqui em Curitiba: os paraguaios, muitos deles lá, se sentiram invadidos por todas essas pessoas que foram pra lá e fizeram dinheiro em cima do país que não é deles, muita gente foi pra lá e fez dinheiro lá no país que não é deles. Daí eu acho que criou um certo sentimento assim até de ódio. Então um dia quando eu e meu irmão [es]tava[mos] indo pra aula de chinês, crianças de rua -- a gente era criança também -- começaram a xingar a gente do nada e jogar pedras... [n]a gente andando na rua e indo pra aula. Foi uma sensação muito ruim de você não se sentir querido em um lugar, então as pessoas não querem você ali. Foi uma situação ficou marcada. Quando vem alguém de fora, você quer proteger suas coisas de outras pessoas.






igor minami suyama amarelo/japonês Assis Chateaubriand 20 “Todo dia eu sinto orgulho pelo fato de ser japonês, não que eu ache que seja melhor ou coisa assim, mas faz parte de quem eu sou e da origem de onde eu vim.” O que são as experiencias socioculturais na sua vida? Acho que vem mais no comportamento, sabe? Japoneses tendem a ser um pouco mais recatados, serem um pouco mais distantes, socialmente falando eles não são tão abertos igual os brasileiros em geral, isso acho que é uma coisa bem comum... ou também, às vezes, coisas como no dia-a-dia falar okaeri e a própria comida também. Acho que esses seriam os elementos mais fortes. Por que você identifica como amarelo? É que eu me identifico como brasileiro amarelo, não sei, que seria tipo: minha nacionalidade é brasileira, mas em relação à etnia eu seria amarelo e eu não me identifico como japonês porque japonês seria muito específico em relação à etnia. Por exemplo: um pessoa que é sul-africana, em relação à etnia, não se identificaria como sul-africano, seria como negro. Então, da mesma forma, acho que em relação à etnia eu me considero amarelo.


Quais tipos de racismo você enfrenta ou acha que asiáticas brasileiras enfrentam? Acho que o mais comum é as pessoas começarem a falar em japonês com você, coisas aleatória, tipo elas te veem na rua e ficam gritando “Jackie Chan” ou coisas assim, mas de maneira geral não existe um preconceito tão negativo assim em cima de asiáticos. As pessoas falam [que] “ah, japoneses estudam bastante”, coisas assim, mas preconceitos negativos são raras as vezes. Já me confundiram com chinês e coreano. Como você se sente sobre isso? Eu rio bastante mas não me incomoda, me incomodava quando era uma criança, eu achava que as pessoas deveriam saber ou coisas assim mas atualmente acho que não incomoda.Quando era criança eu era realmente… “eu sou japonês, por que as pessoas não percebem isso?” mas agora eu percebo que não é obrigação das pessoas saberem se eu sou japonês... então embora o olho puxado seja traço da minha etnia eu não acho que é obrigação dos outros saber diferenciar um japonês de um coreano ou chinês. Então acho que eu sou... [eu] relevo mais agora, é mais “ah, você parece chinês” mas eu realmente não me importo, é só [dizer] “ah, na verdade sou japonês”. Tá tudo certo. Eu acho que seria muito idealista pedir que todo mundo soubesse diferenciar [as pessoas asiáticas], porque chineses, japoneses e coreanos têm um ancestral comum, assim como todos os seres humanos, e se você se perder em detalhes como esses [raça e etnia] talvez... não é o que realmente é importa, eu acho. Por exemplo: se uma pessoa tem olho puxado ou não, no final das contas o que mais importa é a pessoa que tá na sua frente mesmo, não é a etnia dela. Embora as pessoas devam respeitar as etnias [das pessoas], não acho que seja o fator fundamental que deva diferenciar elas.


Como você se indentifica, racialmente? Então, até alguns anos atrás, quando eu tinha que responder, eu costumava colocar branca e agora costumo colocar amarela, mas ainda é sempre confuso na hora de responder, eu nunca tenho muita certeza. E porque você se sente essa confusão? Eu não sei, porque eu achava que para você se identificar amarelo você tinha que ser 100% chinês ou japonês, ou coreano ou o que fosse, e eu sou metade. Então eu sempre ficava “ah, eu acho que eu sou branca então”. Na verdade, foi depois de entrar na faculdade, que a gente pensa mais nessas coisas eu acho, que uma vez eu acho que eu vi uma reportagem sobre isso ou coisas assim em que eles falavam que você devia responder como você acha que a sociedade te vê e eu acho que boa parte das pessoas me veem como amarela antes de me ver como branca -- apesar de ter gente que não acredita que eu sou oriental também, então eu não sei. Algumas pessoas, automaticamente, elas já me identificam como “japinha”, como japonesa, porque aqui a gente tem bem mais japonês do que chinês. Então tem gente que me identifica na hora, tipo quando “ah, você é aquela japinha que faz aquele curso lá” ou coisas assim. E algumas pessoas não. Na verdade, até quando eu falo que eu tenho família chinesa não acreditam. Então algumas pessoas sim e outras não, mas eu não sei até onde isso afeta o que as pessoas pensam, acho que não muito, na verdade.

Maria victoria riberiro ruy amarela curitiba 20

Quais tipos de racismo você enfrenta ou acha que asiáticas brasileiras enfrentam? Talvez um pouco na questão dos padrões de beleza, porque a gente vive sob um padrão de beleza que é ocidental. Então acho que nesse sentido, afeta um pouco a gente, principalmente mulheres, porque nossos traços não batem com o padrão ocidental, nem sempre. Então acho que esse é o pior que eu já senti de racismo. Mas de novo, não acho que seja algo que fez, por exemplo, da minha vida radicalmente diferente do que se eu fosse branca. Isso é uma coisa que eu fui me dar conta nesses últimos anos, porque acho que quando você é assim na sua pré adolescência, que é quando você começa a ligar pra sua aparência, e eu acho que hoje é praticamente impossível uma menina passar pela pré adolescência, sem se sentir feia, insegura, etc., eu, como acho que todas as meninas, também tinha coisas na minha aparência que me desagradavam. E aí mais tarde, como eu disse, nos últimos anos assim, com um senso crítico apurado, eu fui reparar que os traços que me desagradam do meu rosto, são justamente os que eu herdei do meu pai, que são os que toda a família do meu pai tem em comum, que é olho pequeno, o formato do rosto, que é o que mais me incomoda ainda, muito menos do que na minha pré adolescência. Mas hoje eu percebo como o padrão de beleza tem esse recorte racial eu senti ele de certa forma. Olho de pessoas brancas ou de outras raças é só olho, e o nosso olho é olho puxado, eu acho que é para mostrar que sai de um padrão, [que] pode ser de beleza mesmo. Porque o padrão é ter um olho não puxado, então como a gente tem um olho diferente, ele tem que ser olho puxado.


É uma questão histórica. O Brasil, como vários outros países, nossa estrutura social, ela é racial. Você vê que a pobreza no Brasil é negra. Por exemplo: quando eu ouço colegas que são negros e negras relatando o racismo que eles sofrem, eu vejo que o que eu passo eu nem sei se eu posso chamar de racismo.

“Sempre tivesse a vontade ter olhos maiores. Mas acho que eu estou aprendendo gostar um pouco mais deles.” A gente, tem muita gente no Brasil que acredita é o senso comum, dizer que no Brasil é miscigenação, assimilação das culturas é uma coisa muito bonita, é uma coisa que vem do espirito do brasileiro de dar boas vindas às pessoas. E não é bem assim. Você vê que muitas vezes é resultado de processos até violentos, de políticas públicas, assimilação forçada e tal. Então [eu] realmente acho que tem essa necessidade de se assimilar. Com certeza, porque são pessoas que... os costumes ainda são bem diferentes, então o jeito de falar, o jeito de se comportar é bastante diferente. Normalmente são pessoas que estão numa situação econômica muito mais vulnerável. Aqui em Curitiba você já deve ter reparado que chineses são conhecidos por ser donos de pastelaria, por ser donos de pequenas lojas, que normalmente são trabalhos um pouco subalternos. E o idioma, né? Eu acho que quando você não consegue, você não fala português, principalmente se você fala chinês, que é visto ainda como imigrante subalterno, Com certeza você sofre mais racismo, sem dúvida. Tanto se é algo de piada, coisas desse tipo. Conta-nos três caracteristicas de seus olhos. E três coisas que você gostam de eles. Três coisas que eu gosto nos [meus] olhos? Não sei colocar assim, numerar três coisas, mas eu gosto dos meus olhos... não sei explicar. Mas eu gosto deles, eu diria. Não mudaria se eu tivesse como mudar, por exemplo. (...) Eu acho que nos últimos tempos, eu me sinto mais confortável em relação a eles. Nunca me agradou muito eles serem pequenos, eu sempre tive essa vontade ter olhos maiores, mas acho que eu estou aprendendo gostar um pouco mais deles.


Quando você tem uma descendência, você traz uma herança e isso acompanha você pro resto da vida, querendo ou não. Eu acho que é importante, as tradições, porque elas são a base da nossa vida. Aquilo que a gente tem em casa desde o começo, aquilo que os nossos pais ensinam pra gente e aquilo que já vem de longe, que os nossos avós ensinaram pros nossos pais, que ensinaram pra gente. Tradições de respeito, o caráter, a dignidade. Isso pra mim é bastante importante. Algo que eu aprendi com os meus pais, e que aprendi com a minha família, e acho que parte disso veio da cultura mesmo.

Rafael prochmann brasileiro curitiba 25 Poderia descrever os raizes da sua familia que tem descendência asiática? Meu pai, ele nasceu no Mato Grosso do Sul, que é um estado bem longe e é um estado que não é muito populoso e em algumas cidades têm muitos japoneses, mas só em algumas cidades, nas outras não é comum. Então o meu pai, quando ele viajava pelo estado, as pessoas achavam que ele era um alienígena, porque nunca tinham visto asiáticos na vida, nunca tinham visto japoneses. Então era engraçado a reação das pessoas e a reação dele porque ele achava normal ser asiático, achava normal ter essa mistura, andar na rua e ver negros, brancos, asiáticos, mestiços, daí quando ele ia pra um lugar que era muito no interior as pessoas não conheciam ou não… não que não conheciam [no sentido de] que nunca souberam que existia, mas nunca tinham visto, não tinham contato. O meu avô veio do Japão em 1940 e pouco, e ele se casou com uma argentina de descendência acho que espanhola, daí o meu pai sempre teve contato com a cultura japonesa e me passou um pouco disso. Às vezes, quando eu tinha contato com eles [a família paternal], com o meu avô principalmente, o meu vô sempre passava as coisas pra mim, um pouco da cultura, desde coisas básicas como comida, como comer com os pauzinhos desde criança, até algumas questões de respeito, educação que eu acho normal porque eu sou de uma família japonesa, mas às vezes pessoas acham diferente, acham melhor às vezes porque acham que japoneses são mais educados, tem mais respeito, não sei, mas pra mim é normal. Que importância tem a suas experiências socioculturais em sua vida? Como eu não pareço ser japonês, no começo, quando eu tô com outras pessoas que são bem japonesas ou bem asiáticas, as pessoas acham que eu não sou asiático. Então [as pessoas] conversam com eles achando que eles são asiáticos e conversam comigo achando que eu sou só brasileiro, normal. Mas quando as pessoas descobrem que eu sou japonês, que eu sou mestiço, aí todo tipo de comentários, todo tipo brincadeira que se faz pra um asiático, fazem para mim -- mesmo que não pareça japonês, mas todo tipo de brincadeira, todo tipo de brincadeira, todo tipo de apelido, todo tipo de comentário, todo tipo de pergunta, as dúvidas que fazem pra um asiático que tem mesmo cara, eles fazem pra mim.


A ideia que as pessoas têm dos asiáticos ainda é muito estereotipada, as perguntas que fazem às vezes são muitos bobas. Perguntam se eu tenho talher em casa, ou se eu só como com pauzinhos. Perguntam se eu como comida brasileira, comida “normal” ou se eu só como comida japonesa em casa.É estranho, parece que as pessoas não conhecem outras culturas às vezes.O Brasil, ele é um país bastante complicado, porque ele parece ser um país muito simples, muito fácil de entender, mas na verdade por dentro ele tem muitas complexidades. Existe muito preconceito no Brasil, de tudo que é tipo, mas normalmente os preconceitos não são tão explícitos, não é algo tão nítido, as pessoas não demonstram. O Brasil, apesar de ser um país que a maioria do mundo entende como latino -- e daí já imagina pessoas no Rio de Janeiro, na praia, dançando -- ele é um pais que tem muita gente conservadora, extremamente conservadora, e como tem muita imigração europeia, então existe ainda um pensamento que brancos são melhores, ou de que ocidentais são melhores. E o Brasil é um país ocidental, a base [em] que o Brasil foi feito é a cultura ocidental, é a cultura europeia.

Você acha que as pessoas perdem sua cultura por causa de uma opressão para assimilar a cultura maioria? Eu não acho que é bom. Eu acho que, um pouco, é natural. Por exemplo: o meu avô, que veio de Japão, ele veio com muita cultura japonesa, com muito tradição, a forma de agir, a língua, naturalmente isso vai se perdendo. Eu sei que tem, às vezes, a comunidade nikkei do Brasil [que] faz algumas estimativas, algumas pesquisas e é muito nítido que a língua japonesa tá se perdendo entre os descendentes. O meu avô falava japonês, o meu pai não fala mas ele entende, e eu não falo nem entendo -- só algumas palavras. O meu filho provavelmente não vai falar e não entender, a não ser que eu coloque ele em uma escola que ensine. Então eu acho que um pouco é natural que acabe [se] perdendo um pouco das tradições. Por exemplo: vocês. Você [Mia] é japonesa e você [Laura] é chinesa mas vocês são americanas. Com certeza vocês, em casa ou mesmo na rua, nos colégios, na vida, na sociedade, não agem da mesma forma que seus avós agiam antes ou não agem da mesma forma que um japonês no Japão age ou um chinês na China age. Vocês são americanas, agem de uma forma americana, apesar de serem asiáticas. E aqui é a mesma coisa. Apesar de eu ser asiático, de ter as minhas tradições, eu ajo de uma forma brasileira. Conte-nos três caracteristicas de seus olhos. E três coisas que você gosta deles. Meu olho não é muito puxado como de um asiático que não é mestiço, mas eu lembro que quando eu era criança, a minha mãe -- [que] é alemã, tem olho azul -- e eu perguntei pra ela“por que que o meu é diferente?”. Daí ela [respondeu] “porque você é japonês, porque seu pai é japonês, você é mestiço”. Eu queria que ele fosse um pouco mais puxado, eu queria que ele fosse mais parecido com o de asiático. Todos os meus amigos e parentes que são asiáticos, eles querem ter um olho mais aberto, querem fazer dobra no olho, e eu acho tão bonito quando não tem dobra, eu acho que é mais… não sei, eu acho mais bonito. Eu queria que o meu olho fosse mais puxado.


Quais tipos de racismo você enfrenta ou acha que Asiasitcas brasileiras enfrentam?

É um pouco difícil falar sobre isso porque no Brasil o racismo não é um tema que se possa falar muito, existe um racismo no Brasil muito velado. (...) Vou contar um exemplo: quando eu era criança, eu ouvia algumas histórias. Eram piadas que as crianças falavam, certamente elas aprendiam com os adultos, mas eu tava lá numa escola em Paranaguá, então era muito comum eu estar num grupo e daí virem pra mim e cantarem uma música, uma música não, falarem uma quadrinha de versos que era assim: “japonês de cara chata come queijo com barata”. Então isso vinham e falavam pra mim. Isso era pra ser engraçado. Eles vinham, falavam pra mim e achavam muito engraçado e riam. E, quando eu era criança, não sabia nada e também ria junto porque, como a pessoa tava rindo, eu achava que era engraçado também. Não sabia que na verdade era uma espécie de bullying, e na verdade é um racismo também. E só mais tarde daí eu fui descobrir isso, essa coisa que na verdade é bastante comum na cultura brasileira, existe aquela história do brasileiro cordial, brasileiro muito simpático, mas na verdade existe isso. Principalmente, por exemplo, se a gente for pensar nos clubes Nikkei do Brasil. Para que que servem esses clubes? Na verdade é uma forma de os descendentes japoneses se agregarem, se reunirem num grupo para se fortalecerem, porque os japoneses, os descendentes, eram muito diferentes dos outros imigrantes -- que eram europeus. Acho que tem essa coisa do Brasil, de que você tem que ficar no seu grupo. Se você tá no seu grupo, tudo bem. Agora, se você não tá no seu grupo, se você tenta ir pro outro grupo, eu acho que na verdade existe uma certa resistência... porque as pessoas veem que você é diferente, então vão criando uma resistência. A não ser, por exemplo: se você é um japonês no Brasil, [se] você é um turista, os brasileiros respeitam muito. se você é um chinês, [se] você é um turista, ou você é um estudante, um intercambista, daí eles te respeitam porque você é um estrangeiro. Mas se você é um descendente, você é diferente porque você é um brasileiro descendente mas é diferente, você não é um europeu, não é descendente de europeus, então isso causa um estranhamento, uma diferença muito grande. Tanto que, às vezes, os descendentes japoneses são comparados também aos negros. Então existe esse racismo, essa comparação, essa diferença de não ser descendente de europeus.

mariilia aiko kubota brasileira com ascendência japonEsa paranaguá 51

Eu só fui me interessar por aprender a língua japonesa quando fiz 40 anos. Daí eu comecei a estudar e também a buscar mais conhecimento sobre a minha identidade japonesa, porque eu me achava, me sentia bastante brasileira até então. Só a partir daí eu tive mais contato, aqui em Curitiba, por causa dos contatos profissionais. Eu passei a ser jornalista, assessora de imprensa do Clube Nikkei de Curitiba e daí eu tive bastante contato com as pessoas do Nikkei. Então eu tive aí mais curiosidade de aprender a língua e também de buscar saber mais sobre a identidade.


O POETA

A PALAVRA BEBIA a palavra bebia, sonhava e chorava mas diziam, a cidadela ao rededor a cidadela ao rededor, crescendo, ogra de lama e vísceras exigia potes de ouro, dança nesse ritmo com aquela voz. ninguém lembra dançamos sobre túmulos soterrados por fortalezas da cidadela.

para o poeta antissocial, demente, existe a poesia: rua onde se estende sua voz confusa. para os não poetas existem edificios: vida é construção. o poeta só tem como meta destruir-se. destituir a linguagem dominante demitir a vida de todos os dias que pede amor amor em faixas douradas e sorrisos contagiantes. para o poeta existe a poesia: não entrará no círculo dos eleitos mancha mal-estar insuportável e a posibilidade de rachar todo o edfício.


QUOTE GOES HEReE





Que importância tem a suas experiências socioculturais em sua vida? na vida de seus pais? Os meus pais nunca tiveram muito interesse de ir para o Japão e essas coisas, aprender mais sobre a cultura. Mas já eu e o meu irmão mais velho -- ele também fez intercâmbio pro Japão -- a gente gosta bastante da cultura, de assistir desenho, de ver novela assim. Acho que meio que a gente voltou [a estar] em contato com a cultura mais do que meus pais. Por que você acha que você tem mais interesse que seus pais? Acho que a gente busca mais. Por exemplo: meus pais não sabem falar japonês, já eu e meu irmão, a gente teve vontade de aprender, daí nesse meio também a gente acaba tendo mais contato com essas pessoas. Conta-nos três caracteristicas de seus olhos. E três coisas que você gostam de eles. Eles são puxados. Eu tenho uma dobrinha mas ela não aparece tanto assim -- depende do jeito que eu sorrio, não sei -- e eles são mais escuros. [Eu gosto do] formato, talvez. Eu gosto porque minha mãe não tem muitos cílios, eu não tenho muito mas eu tenho mais do que ela e eu gosto disso... e eu gosto de olho escuro também.


Carolina Midori IIOSHI JaponEsa brasileira curitiba 19 Como você sentia quando estava estudando no Japão? Quando tava no Japão, eu sentia a parte brasileira de mim bem mais forte, no sentido de que lá eles são bem certos e sempre chegam no horário e tem bastante coisa da cultura brasileira que ainda mantive comigo e que meio conflitavam com as coisas de lá. Por exemplo: na escola eu era bem mais aberta e lá eles são bem formais com os professores e eu não conseguia muito isso, e nisso eu me sentia mais brasileira assim, mas da aparência ninguém julgava. O meu sotaque não era muito bom eu acho, mas mesmo assim os japoneses não são muito de pegar no pé. Eles são bastante inclusivos, eles te fazem [se] sentir bem. (...) Aí quando eu volto pro Brasil, parece que eu me sinto mais japonesa. (...) Eu sinto que não sou nem totalmente brasileira e nem totalmente japonesa. Aí quando eu tô no Japão eu percebo mais as coisas que me fazem brasileira e quando eu tô aqui percebo mais coisas que me fazem ser japonesa. Eu quero muito voltar pro Japão, mas acho que não moraria lá pelo resto da vida, é mais pra visitar mesmo. Quando eu tiver filhos eu também vou demostrar o que me interesse da cultura e talvez eles peguem esse gosto, mas eu também não quero forçar nada. Conte nos uma situação quando você sentiu orgullo de sua descendência asiática? Descendentes japoneses geralmente têm um nome em japonês. No meio do nome, eu sou Midori, daí quando você vai explicar que seu nome tem significado e como escreve, eu acho que isso é legal.

“Eu sinto que não sou nem totalmente brasileira nem totalmente japonesa. Quando estou no Japão eu percebo mais as coisas que me fazem brasileira e quando estou aqui percebo mais coisas que me fazem ser japonesa.”


kadu kenjiro tomita da silva nipo-brasileiro curitiba 21 Quais tipos de racismo você enfrenta ou acha que Asiasitcas brasileiras enfrentam? Acho que estereótipos. Acho que pro homem existe uma ideia --que também existe fora do Brasil - [de] que o homem asiático não era tão visto como símbolo de homem, que é algo que se reflete na mídia: não existem modelos de homens que são asiáticos na mídia. E acho que pra mulheres [asiáticas] é uma objetificação muito maior do que existe pra todas as outras mulheres, que é algo complicado, que é algo que eu não sei falar tanto porque não sou eu que sofro mas é algo que eu vejo. E o que é que você viu sobre a tratamento e representação das mulheres asiáticas? Fetichização. Parece que todas as mulheres asiáticas são encaixadas no mesmo modelo e parece que na visão das pessoas elas são todas a mesma coisa, só por terem um tipo de olho ou um tipo de cor de pele.

“Porque ainda existe um processo de entendimento de não ver mais isso como algo exótico talvez, como [uma coisa que] a gente ainda tem que destruir esse exotismo que existe para as pessoas que são asiáticas brasileiras.”


O que voce gosta de seus olhos? Acho que eles são… são bipolares. Ao mesmo tempo que às vezes eu acordo e eles são meio asiáticos, às vezes eles são bem brasileiros, de certa forma. Acho que eu gosto deles porque eles causam dúvida. Acho que [as pessoas] sempre fazem essa pergunta [sobre] “o que” eu sou. Na verdade para as outras pessoas se perguntarem. De verdade no Brasil as pessoas me perguntaram [de onde eu sou por causa da minha aparência inclusive meus olhos] Acho que talvez eu goste porque eles não são a mesma coisa sempre e eu gosto disso também Voce se sente um senso de solidaridade com outros grupos porque, quando eu [me] olho no espelho, eu minorias no Brasil? Sinto mas nem por ser parte minoria, por entender que não existe… me pergunto quem eu sou, então [estão] sempre me empurrando pra auto-exploração do que talvez não existe dever pra grupos que já dominam a sociedade e significa ser nipo-brasileiro, se significa alguma talvez o papel de todos nós [grupos minorias] é entender qual é coisa [específica] e o que é essa coisa. o dever desses outros grupos, quais são as revoluções que existem como uma sociedade pra um processo de integração de todas as minorias, sejam elas minorias étnicas, minorias econômicas, minorias sexuais, minorias de qualquer tipo.

Ao mesmo tempo que às vezes a gente se engana que não existe racismo aqui porque ainda existe um cenário da miscigenação mais complexo é algo que tá presente.



KADU KENJIRO TOMITA DA SILVA


bruna marinho isume brasileira rodônia 23

“A família da minha mãe é muito expressiva, e a família japonesa do meu pai é mais quieta, mas também demonstra carinho de uma maneira diferente.”

Poderia explicar um pouco mais sobre do dinâmico da sua família? É muito diferente. Eu tenho num lado uma família, e num lado outra completamente diferente, e você tem que acabar se adequando às duas. A família da minha mãe, ela é muito expressiva, e a família japonesa é mais na dela, mais quieta, mas também demonstra carinho de uma maneira diferente. A família da minha mãe é muito de abraçar, de beijar, e a família do meu pai é muito um carinho diferente. Se eu convido, por exemplo, uma amiga pra ir na minha casa, a família da minha mãe abraça e tudo mais, e a família do meu pai já não faz isso mas também faz a janta, faz um monte de coisa pra agradar a visita, então eles demostram o carinho de um modo diferente, o afeto é diferente. Eu acho isso que eu levei pra minha vida. Eu demonstro [carinho] de maneiras diferentes com pessoas diferentes, é meio misturado. Conte nos uma situação quando você sentiu orgulho de sua descendência asiática? Eu acho que eu sempre sinto, na verdade. Isso que eu tive desde minha obachan, do meu pai, de solidariedade, de ajuda, desse carinho diferente e ver o que eles faziam por outras pessoas também. Isso sempre me fez sentir orgulho, assim, de ser [japonesa], mas também eu não nego a minha outra parte sabe? Eu tento conciliar as duas.Eu acredito que eu tenho muito crescimento pessoal nisso, eu sempre gostei muito da cultura japonesa e os ensinamentos que minha obachan me passou, que meu pai me passou e eles estão nesse meio, do Nikkei, da associação. Tem algumas particularidades que são diferentes de clubes brasileiros, por exemplo. Tanto no taiko quanto no yosakoi, eu aprendi muito [sobre] disciplina e companheirismo. Eu sempre fui de ajudar muito em tanto questões beneficentes, almoços, assim, de ajuda. Eu creio que isso me ajudou a ir pro lado social, que é o lado [em] que eu tô agora, tanto na minha profissão, que eu gosto muito, que é o lado social. Eu sempre participei muito de Nikkei. Então por mais que eu venha de uma família mais brasileira e sempre gostei de participar de eventos culturais japoneses. Então eu sempre muito ativa, tocava taiko, dançava yosakoi, fiz japonês também, e é muito diferente o jeito como você cria laços de amizade, de tudo assim, eu acho que isso influenciou muito a minha relação com o Nikkei na minha vida.


Quais tipos de racismo você enfrenta ou acha que Asiáticas brasileiras enfrentam? Eu, na escola, já sofri bullying por ser japonesa, mas foi quando eu era bem pequena, [por]que eu era a única diferente. Eu era a única japonesa na sala, então os meninos mais velhos acabavam me provocando, mas de lá pra cá nunca mais sofri. Eu acho até que os japoneses são bem valorizados aqui. No meu grupo social ninguém nunca desvalorizou a cultura, muito menos as pessoas, por conta disso... da etnia. Foi só esse episódio quando eu era menor mesmo. Qual tipo de bullying? Pode explicar um pouco mais sobre isso? Na verdade eu sempre fui identificada como “japa” então, por exemplo, meu nome é Bruna e é bem comum o nome Bruna, então sempre na sala de aula tinham outras Brunas, então eu era Bruna “japa”. Era o modo como as crianças me identificavam, como meus amigos e o meu meio identificavam. Então sim, até que eu usava esse apelido quando era adolescente, mais nova, em redes sociais por exemplo, no MSN, “Bruna japa”. Então acabava que [eu] trazia pra mim também, mas era como me identificavam. Agora meus amigos falam mas não tanto quanto antes. Geralmente eles falam “a Bruna japonesa”, é essa característica que eles diferenciam. “Ah, sabe a Bruna? Não, a Bruna japonesa”. As outras Brunas continuam sendo Brunas e eu viro a Bruna “japonesa”, a Bruna “japa”. Eu não sei se acabou acostumando, mas eu não me sinto desconfortável. Mas, realmente, isso eu nunca tinha pensado até que eu tô falando agora pra vocês que as outras Brunas sempre continuaram sendo Brunas e eu que fui a diferenciada, né? A Bruna japonesa, a Bruna “japa”, e eu nunca tinha pensado nisso. Realmente é uma coisa invisível que acaba acontecendo e a gente não percebe porque acaba sendo considerado normal. E sobre a comunidade, quais tipos de racismo as pessoas Tem esse tom, de falar errado, de fazer assim com o olho, de ser duro, de ser rígido. Esse é um senso comum bem rígido da imagem do japonês aqui. Isso acaba aparecendo na mídia, isso é reforçado o tempo todo, então às vezes aparecem piadas, e as pessoas compartilham dessas piadas, acabam rindo disso, e acabam contando, e isso acaba virando numa representação social de uma etnia por meio dessa comunicação em si. Essas brincadeiras são mais visíveis pra mim. Eu não me sinto desconfortável de chegar a brigar ou discutir com a pessoa, mas eu não gosto, não compartilho, não dou risada nem nada. Mas isso acaba acontecendo. Mas também tem uma forma de ser muito inteligente e as pessoas tiram que só por ser japonês você é muito inteligente, existem os dois lados. Todos os estereótipos têm consequências, isso acaba gerando o preconceito, não no sentido talvez pejorativo, mas no sentido literal de você gerar um pré-conceito antes de você conhecer uma pessoa por conta da etnia dela. Então às vezes você acaba tendo uma representação daquela pessoa, aquela pessoa inteligente ou aquela pessoa que fala errado, sem conhecer ela. O que as pessoas falavam de mim muitas vezes é que eu parecia ser muito séria, “você parecia dura, séria e quando conheci você, você é totalmente diferente”. Eu creio que isso é boa parte [proveniente] dos estereótipos. Conta-nos tres caracteristicas de seus olhos. E tres coisas que você gostam deles. São verdes, puxados e fortes. Expressividade, firmeza, e eu recebo muitos elogios por causa de meus olhos, então é uma coisa que eu gosto (risos). O que você acha sobre a palavra puxado usado para descrever seus olhos Puxado... eu nunca pensei a respeito, mas agora que você tá falando é como se fosse diferente. Então tem uma norma, que é o olho não puxado, mas pra você diferenciar o outro olho, ele tem que ter uma característica que os outros não têm, então ele é considerado puxado.

Outros comentários Na verdade eu achei [o projeto] muito legal porque quando vocês foram fazendo as perguntas, tem coisas que eu realmente nunca parei para pensar. Sobre isso, sobre as coisas que me falam, sobre as coisas que até eu falo pra me identificar. Tem o olho puxado, por exemplo, mas você já parou e pensar o porquê disso, por que você tá falando isso, e isso vai trazer uma coisa boa pra mim e quero agradecer vocês por essa oportunidade e apoio muito o projeto de vocês. Tá bom? Sucesso!