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Trabalho final de graduação apresentado ao Centro Universitário Moura Lacerda, para cumprimento das exigências para obtenção do título de bacharel em Arquitetura e Urbanismo, sob orientação da MA. Alexandra Marinelli.

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Catalogação na fonte elaborada pela biblioteca do Centro Universitário Moura Lacerda Bibliotecária Gina Botta Corrêa de Souza CRB 8/7006

Borghi, Rafaela. CER: Centro Especializado em Reabilitação IV em Batatais / Rafaela Borghi. – Ribeirão Preto, 2019. 247f. Monografia (Graduação) - Centro Universitário Moura Lacerda, 2019. Orientador: Profª. Alexandra Marinelli. 1. Integração. 2. Arquitetura hospitalar. 3. Sensorial. 4. Acessibilidade. 5. Humanização. 6. Pessoa com deficiência. 7. Reabilitação. I. Marinelli, Alexandra. II. Centro Universitário Moura Lacerda. III. Título.


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DEDICO

Aos meus pais, por todo o carinho, amor, dedicação, companheirismo e pelo incentivo dado principalmente nos momentos mais difíceis. A eles, dedico esta conquista com gratidão.

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AGRADEÇO


Primeiramente agradeço a Deus pela oportunidade de chegar até aqui, me iluminando com disposição e sabedoria a cada dia. Com todo meu amor, agradeço aos meus pais que estiveram comigo o tempo todo me incentivando e também me acalmando nos momentos de angústia e ansiedade. Sem vocês nada seria possível, então certamente é graças a vocês que nunca desistiram de mim e sempre acreditaram na minha capacidade, e também à minha irmã que mesmo de longe me apoiou indiretamente. Agradeço à minha tia Nilza Elaine Borghi que esteve presente me auxiliando em questões práticas do dia a dia de pessoas com deficiência. Ela, sempre acreditou no meu potencial e me ajudou para que este trabalho fosse da melhor forma possível realizado. Agradeço as Instituições Centro Especializado em Reabilitação (CER) e a Associação Batataense dos Deficientes Físicos (ABADEF) pelo tempo dedicado em diversos momentos, onde contribuíram para a recolha de dados qualitativos e quantitativos deste estudo, proporcionando visitas que me trouxeram

experiências que serão levadas por toda a minha vida profissional. Agradeço também ao meu namorado Bruno, que esteve este tempo todo me dando total apoio e ajuda para a elaboração desta etapa acadêmica. A minha amiga Anaine Morandi que sempre esteve presente junto comigo com tanta cumplicidade, obrigada por não ter desistido da nossa amizade enquanto eu estive ausente e também a todos meus amigos que me ajudaram de alguma forma. Agradeço também a minha orientadora Alexandra por ter compartilhado todo o seu conhecimento, pela enorme dedicação durante essa jornada. Por fim, agradeço a todos os meus professores que compartilharam suas experiências e conhecimentos. Assim, reconheço e agradeço o esforço de todos que de alguma forma se fizeram importantes nesta grande etapa da minha vida. Deixo a todos, novamente, meu muito obrigada!

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“Desejo ver um mundo melhor, mais fraternal, em que as pessoas não queiram descobrir os defeitos das outras, mas, sim, que tenham prazer de ajudar o outro. ” (OSCAR NIEMEYER)

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RESUMO O presente Trabalho Final de Graduação do curso de Arquitetura e Urbanismo aborda o tema voltado à Arquitetura Hospitalar, onde será apresentado um projeto arquitetônico na cidade de Batatais/SP. Trata-se de um centro Especializado em Reabilitação (CER IV), que trará bem-estar aos pacientes, atendendo às necessidades de pessoas com deficiência, com espaços sensoriais acessíveis e integrados interna e externamente através de cores e elementos que fazem essa relação, e tudo com a proposta de humanização através do aconchego e utilização de grandes espaços diversificados para pacientes, acompanhantes e funcionários. A parte externa será um fator importante na concepção visual do entorno, tendo nela diversas questões sensoriais e de relação com a cidade, como a praça sensorial, que será acessível à toda população aos finais de semana e horários que o CER não estiver em funcionamento. Com base nisso, o projeto visa atender tanto a demanda do Centro Especializado em Reabilitação, quanto da cidade com esses espaços públicos.

Palavras-chaves: Integração – Arquitetura Hospitalar – Sensorial – Acessibilidade – Humanização – Pessoa com deficiência – Reabilitação.


ABSTRACT This final paper talks about hospital architecture, showing a project for a rehabilitation specialized health center in the city of Batatais/São Paulo – Brazil. The center has a human purpose, offering welfare to each patient, attending the needs of deficient people with accessible, sensory and integrated spaces inside and outside using colors and other elements to ensure coziness in big and special places for patients, companions and local workers. The outside project has an important visual concept, once it has many sensorial remarks that are related to the city, as the sensorial square, which is going to be opened to all local population during the weekends and also when the health center is closed. This project intent is to attend the health center people demand and also provide appropriate public places to the whole population of Batatais.

Key words: Integration – Hospital Architecture – Sensory – Accessibility – Humanization – Deficient people – Rehabilitation.

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LISTA DE ILUSTRAÇÕES Ilustração 01: Cadeira de rodas de pedra – Século VI.........................................................31 Ilustração 02: Cadeira de rodas de madeira – 1655............................................................32 Ilustração 03: Cadeira reclinável, pés ajustáveis “em busca de conforto” – Século XV III................................................................................................................................................32 Ilustração 04: Cadeira de madeira, assento de palha com apoio ajustáveis – Século XIX, XX................................................................................................................................................32 Ilustração 05: Primeira cadeira dobrável – 1932....................................................................33 Ilustração 06: Braille desenvolvido por Louis Braille ..............................................................33 Ilustração 07: Língua de sinais apresentada por Pablo Bonet.............................................34 Ilustrações 08 e 09: Recepção - CER ....................................................................................42 Ilustrações 10 e 11: Sala de tratamento em grupo infantil – CER.......................................42 Ilustrações 12 e 13 – Sala de tratamento em grupo para adulto – CER............................43 Ilustrações 14 e 15: Banheiros em reforma – CER..................................................................44 Ilustrações 16 e 17: Sala terapia ocupacional - CER ...........................................................45 Ilustrações 18 e 19: Sala fisioterapia – CER..............................................................................45 Ilustrações 20, 21, 22 e 23: Fachada e exterior ABADEF........................................................47 Ilustrações 24 e 25: Sala de recepção – ABADEF..................................................................48 Ilustrações 26, 27, 28 e 29: Sala de fisioterapia – ABADEF.......................................................49 Ilustração 30: Sala de fonoaudiologia – ABADEF...................................................................50 Ilustração 31: Vista da edificação para o espaço de equoterapia – ABADEF...................50 Ilustração 32: Espaço de equoterapia – ABADEF..................................................................50 Ilustração 33: Circulação externa – ABADEF............................................................................50 Ilustração 34: Circulação interna – ABADEF..........................................................................51 Ilustração 35: Jardim sensorial com elementos táteis no piso e plantas com aromas..............................................................................................................................................55 Ilustração 36: Sala de integração sensorial............................................................................55 Ilustrações 37 e 38: Espaço projetado com cores na área externa...................................56 Ilustração 39: Sala multissensorial destinada à visão........................................................57 Ilustração 40: Estímulo sensorial com plantas.........................................................................58 Ilustração 41: Estímulo sensorial com texturas nos pés..........................................................61 Ilustração 42: Estímulo sensorial em painéis para mãos........................................................61 Ilustração 43: Estímulo sensorial para mãos............................................................................61 Ilustração 44: Escada-piano em Hangzshou – China............................................................63 Ilustração 45: Estímulo sensorial para audição......................................................................63 Ilustrações 46 e 47: Estímulo sensorial para audição.............................................................63


Ilustração 48 :Estímulo sensorial dos sabores..........................................................................65 Ilustração 49: Exemplo de humanização no ambiente de cura.........................................69 Ilustração 50: Exemplo de exagero na humanização..........................................................69 Ilustrações 51, 52, 53 e 54: Leituras projetuais escolhidas...................................................73 Ilustração 55: Localização Rede Sarah – Lago Norte.........................................................74 Ilustração 56: Implantação Rede Sarah – Lago Norte.........................................................75 Ilustração 57: Programa Rede Sarah – Lago Norte.............................................................76 Ilustração 58: Setorização primeira estrutura – Lago Norte................................................77 Ilustração 59: Primeira estrutura – Lago Norte......................................................................78 Ilustração 60: Ginásio de esportes aquáticos – Lago Norte ..............................................78 Ilustração 61: Setorização segunda estrutura – Lago Norte...............................................79 Ilustração 62: Entrada principal segunda estrutura– Lago Norte........................................79 Ilustração 63: Setorização terceira estrutura – Lago Norte.................................................80 Ilustração 64: Terceira estrutura – Lago Norte......................................................................80 Ilustração 65: Área playground – Lago Norte......................................................................81 Ilustração 66: Corte esquemático do sistema de ventilação e iluminação – Lago Norte..................................................................................................................................................82 Ilustração 67: Corte esquemático do sistema de ventilação no centro de apoio à paralisia cerebral – Lago Norte.....................................................................................................82 Ilustrações 68 e 69: Imagens de diversos ambientes ligados ao conforto – Lago Norte..................................................................................................................................................83 Ilustração 70: Jardim integrado ao hall principal – Lago Norte.........................................83 Ilustração 71: Cobertura em Sheds do Ginásio – Lago Norte............................................83 Ilustrações 72 e 73: Materiais em diversas estruturas – Lago Norte....................................84 Ilustração 74: Estrutura do Ginásio, vigamento duplo, apoiado em pilares metálicos de seção circular – Lago Norte......................................................................................................85 Ilustração 75: Sistema construtivo: montagem dos Sheds – Lago Norte...........................85 Ilustração 76: Painéis Athos Bulcão – Lago Norte.................................................................86 Ilustrações 77 e 78: Utilização de vegetação e cores – Lago Norte.................................86 Ilustração 79: Localização Hospital do Rocio.......................................................................88 Ilustração 80: Implantação Hospital do Rocio......................................................................89 Ilustrações 81 e 82: Áreas externas - Hospital do Rocio......................................................89 Ilustração 83: Térreo - Hospital do Rocio.............................................................................90 Ilustrações 84 e 85: Ambiente internos pavimento térreo - Hospital do Rocio................90 Ilustração 86: Primeiro pavimento - Hospital do Rocio.......................................................91

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Ilustrações 87 e 88: Ambientes internos primeiro pavimento - Hospital do Rocio..........91 Ilustração 89: Segundo pavimento - Hospital do Rocio.......................................................92 Ilustrações 90 e 91: Ambiente internos segundo pavimento - Hospital do Rocio..........92 Ilustração 92: Setorização térreo - Hospital do Rocio........................................................93 Ilustração 93: Setorização primeiro pavimento - Hospital do Rocio................................94 Ilustração 94: Setorização segundo pavimento - Hospital do Rocio................................94 Ilustração 95: Paisagismo externo - Hospital do Rocio.......................................................96 Ilustração 96: Área recepção - Hospital do Rocio...............................................................96 Ilustração 97: Iluminação natural - Hospital do Rocio..........................................................97 Ilustração 98: Utilização de brises - Hospital do Rocio ........................................................97 Ilustração 99: Aberturas naturais - Hospital do Rocio .........................................................97 Ilustração 100: Paisagismo - Hospital do Rocio ......................................................................97 Ilustração 101: Materialidade externa - Hospital do Rocio ..............................................98 Ilustração 102: Interno - Hospital do Rocio ..........................................................................99 Ilustração 103: Materialidade interna - Hospital do Rocio ..............................................99 Ilustrações 104 e 105: Ambiente internos integrados - Hospital do Rocio........................100 Ilustração 106: Integração de ambientes - Hospital do Rocio ...................................101 Ilustração 107:

Relação externo e interno - Hospital do Rocio ....................................101

Ilustração 108: Localização Nemours Children Hospital...................................................102 Ilustração 109: Fachada colorida - Nemours Children Hospital...............................103 Ilustração 110: Implantação - Hospital Infantil Nemours....................................................104 Ilustração 111: Volumetria e fachada do Hospital Infantil Nemours.................................105 Ilustração 112: Térreo - Hospital Infantil Nemours.................................................................106 Ilustração 113: Primeiro pavimento - Hospital Infantil Nemours...........................................107 Ilustração 114: Segundo pavimento - Hospital Infantil Nemours........................................107 Ilustração 115: Setorização térreo - Hospital Infantil Nemours.............................................108 Ilustração 116: Espaço público – área de elevadores ........................................................108 Ilustração 117: Setorização primeiro pavimento - Hospital Infantil Nemours....................109 Ilustração 118: Setorização segundo pavimento - Hospital Infantil Nemours...................109 Ilustrações 119 e 120: Jardins externos - Hospital Infantil Nemours.....................................111 Ilustrações 121 e 122: Materialidade externa - Hospital Infantil Nemours.........................112 Ilustrações 123 e 124: Presença de natureza - Hospital Infantil Nemours..........................113 Ilustrações 125 e 126 – Painéis em LED na entrada principal - Hospital Infantil Nemours............................................................................................................................................113 Ilustração 127: Diversidade de cores na fachada - Hospital Infantil Nemours.................114 Ilustrações 128, 129 e 130: Ambiente humanizados - Hospital Infantil Nemours.................115


Ilustração 131: Localização - One Kids Place....................................................................116 Ilustração 132: Implantação - One Kids Place.....................................................................117 Ilustração 133: Programa - One Kids Place...........................................................................118 Ilustração 134: Pátio - One Kids Place....................................................................................118 Ilustração 135: Setorização - One Kids Place.......................................................................119 Ilustração 136: Acesso as salas de reabilitação - One Kids Place........................................119 Ilustração 137: Utilização de brises - One Kids Place...........................................................120 Ilustração 138: Corte esquemático - One Kids Place..........................................................120 Ilustração 139: Materialidade externa - One Kids Place......................................................121 Ilustrações 140, 141, 142 e 143: Materialidade interna - One Kids Place..........................121 Ilustrações 144 e 145: Composições interna - One Kids Place...........................................122 Ilustração 146: Entrada de iluminação natural - One Kids Place.......................................122 Ilustração 147: Recepção humanizada - One Kids Place..................................................123 Ilustração 148: Início da cidade – Imagem feita por volta de 1839...................................131 Ilustração 149: Estação Mogiana – 1887...............................................................................131 Ilustração 150: Igreja Matriz por volta de 1898......................................................................131 Ilustração 151:

Cortes Infraestrutura de iluminação.........................................................149

Ilustração 152:

Organograma............................................................................................159

Ilustrações 153 à 158 : Estudos solares em cortes............................................................167 Ilustração 159:

Fachada projeto......................................................................................168

Ilustração 160: Topografia antes/depois.........................................................................170 Ilustração 161: Diagrama setorizado por níveis..........................................................172 Ilustrações 162, 163 e 164: Diagamas setorizado por níveis .............................................173 Ilustração

165:

Revestimento

metálico.........................................................................174

Ilustração

166:

Estrutura.....................................................................................................175

Ilustração 167: Detalhe materialidade..........................................................................176 Ilustração 168: Praça sensorial.........................................................................................177 Ilustração 169: Diagrama privado/público...................................................................178

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LISTA DE TABELAS Tabela 01: Programa de Necessidades............................................................................152 Tabela 02: Atendimentos semanais/diários/hora..............................................................157 Tabela 03: Planejamento de recursos humanos...............................................................158 Tabela 04: Diretrizes ...............................................................................................................163 Tabela 05: Estudo solar...........................................................................................................165

LISTA DE MAPAS Mapa 01: Localização de Batatais no estado de São Paulo.........................................128 Mapa 02: Região Metropolitana de Ribeirão Preto..........................................................129 Mapa 03: Evolução urbana de Batatais............................................................................130 Mapa 04: Área de intervenção...........................................................................................132 Mapa 05: Macrozoneamento................................................................................................133 Mapa 06: Uso e Ocupação do Solo...................................................................................134 Mapa 07: Gabarito.................................................................................................................135 Mapa 08: Hierarquia Funcional............................................................................................136 Mapa 09: Hierarquia Física....................................................................................................136 Mapa 10: Mobilidade urbana...............................................................................................137 Mapa 11: Equipamentos de saúde......................................................................................138 Mapa 12: Equipamentos urbanos.....................................................................................140 Mapa 13: Mobiliário urbano...............................................................................................142 Mapa 14: Vegetação..........................................................................................................143 Mapa 15: Condicionantes físicas.......................................................................................144 Mapa 16: Cortes topográficos...........................................................................................145 Mapa 17: Indicação fotografias pelo lote...................................................................146 Mapa 18: Infraestrutura de iluminação

....................................................................148

Mapa 19: Estudo solar em planta...................................................................................164 Mapa 20: Esquema de estradas......................................................................................171


LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 01: Programa de Necessidades............................................................................156

LISTA DE SIGLAS HC

Hospital das Clínicas

IBGE

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

OMS

Organização Mundial da Saúde

APAE

Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais

IS

Integração Sensorial

CER

Centro Especializado em Reabilitação

SUS

Sistema Único de Saúde

ABADEF

Associação Batataense dos Deficientes Físicos

FEBEM

Fundação Estadual para o Bem Estar do Menor

MCD

Dimensão Metacognitiva

DF

Distrito Federal

RMRP

Região Metropolitana de Ribeirão Preto

SAMU

Serviço de Atendimento Móvel de Urgência

UPA

Unidade de Pronto Atendimento

CAPS

Centro de Atenção Psicossocial

ETEC

Escola Técnica Estadual

SESI

Serviço Social da Indústria

CAIC

Professor Gilberto Dalla Vecchia

ADE

A depender dos equipamentos utilizados.

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1.0 INTRODUÇÃO

O presente trabalho tem como objetivo desenvolver um projeto arquitetônico de um Centro Especializado em Reabilitação – CER IV em conjunto com elementos sensoriais, que promovam atendimento a fim de melhorar a qualidade de vida das pessoas com deficiência na cidade de Batatais, onde foi identificado um grande déficit de vagas. A inspiração na escolha do tema desenvolveu-se a partir do contato com o garoto Thales Eduardo Rosa Júnior de apenas 10 anos, um ex-vizinho que por anos minha família e eu acompanhamos sua realidade e dificuldade, e hoje compreendo que se trata da falta de um


local para tratamento adequado, visto ele ser portador de múltiplas deficiências.

oferecendo ambientes preparados para atendê-los.

Em levantamento efetuado em novembro de 2018 foi apontado a existência de apenas três associações no município que trabalham com a reabilitação física de pessoas com deficiência visual, física, auditiva e intelectual, e que aproximadamente 796 pessoas aguardam uma vaga para iniciar seu tratamento, sendo que estes não iniciaram nenhum tratamento ainda por conta da enorme fila de espera. De acordo com relatos de funcionários dessas três entidades, essa fila poderia ser maior, porém a população que tem maior grau de urgência ou disponibilidade de locomoção busca tratamento na cidade de Ribeirão Preto, em clinicas particulares ou no Hospital das Clínicas (HC).

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população estimada em 2016 na cidade de Batatais era de 61.040 habitantes. De acordo com o último senso de 2010, 15.254 possuíam algum tipo de deficiência. Ainda no Censo, a população idosa era de 7.810 pessoas, que correspondem a 13,8% da população municipal e registrando 3,1% de crescimento em relação ao Censo 2000 (considerando que há idosos que se caracterizam também como pessoas com alguma deficiência).

Não existe um local em Batatais específico para a integração sensorial, que oferece tratamento utilizando métodos dos sistemas olfativo, visual, táctil e auditivo, e possui apenas um com piscinas especializadas para a readequação física, dentro do Centro Universitário Claretiano, não sendo este capaz de atender sozinho a demanda da cidade. Em decorrência do levantamento desse problema que atinge um enorme número de pessoas na sociedade batataense, é proposto nesse trabalho a ampliação do atendimento através da implantação de um novo local para realizar atividades de integração e estimulação para essas pessoas, promovendo e contribuindo para a sua qualidade de vida, eliminando assim as barreiras físicas e de comunicação,

A proposta consiste em desenvolver ambientes multifuncionais, que poderão ser aproveitados para mais de uma atividade e onde serão trabalhados os estímulos sensorias através dos sistemas olfativo, visual, táctil e auditivo, num ambiente humanizado para os pacientes e acompanhantes, além de proporcionar atividades de estimulação em ambientes internos e externos, em contato com a natureza e com elementos necessários para sua reabilitação que também ofereça serviços para a reabilitação física de pessoas com deficiências congênitas e adquiridas ao longo da vida, utilizando piscinas terapêuticas, fisioterapias, equoterapias e serviço social. O procedimento metodológico que será utilizado consiste em uma pesquisa teórica que compreenderá a reunião de informações através de livros, sites e pesquisas científicas, visitas e entrevistas nas entidades que já oferecem o atendimento, além de leituras projetuais ligados ao tema e levantamento fotográfico.

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2.0 DEFICIÊNCIAS


2.1 O QUE É DEFICIÊNCIA? De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) a deficiência é a incapacidade física ou mental de um indivíduo que contém limitações ao realizar atividades, contudo isso se torna algo complexo, pois cada indivíduo entende de uma maneira e não sabe separar a pessoa que tem limitações da que contém necessidades especiais. Segundo o Decreto nº. 3298 (1999, art. 3º) a pessoa portadora de deficiência é: “Aquela que apresenta em caráter permanente perdas ou anormalidades de sua estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica que gerem incapacidade para o desempenho de atividade, dentro do padrão considerado normal para o ser humano”.

Na Lei nº 3 (2008) é relatado que a deficiência é uma limitação de alterações funcionais que podem conter caráter permanente ou não, derivando assim à pessoa com deficiência a encontrar no seu dia a dia diversas dificuldades como mobilidade, aprendizagem, relacionamentos e participação social. Deficiência: perda ou anormalidade de estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica, temporária ou permanente. Incluem-se nessas a ocorrência de uma anomalia, defeito ou perda de um membro, órgão, tecido ou qualquer outra estrutura do corpo, inclusive das funções mentais. Representa a exteriorização de um estado patológico, refletindo

um distúrbio orgânico, uma perturbação no órgão. (AMIRALIAN et al apud BOTELHO (S/D p. 2).

Ainda assim, em muitos outros conceitos, encontra-se que o termo se relaciona com funções fisiológicas, psicológicas, sensoriais e anatômicas. Muitas pessoas já nascem com algum tipo de deficiência, mas em muitos casos elas são decorrentes de acidentes e/ou adquiridos ao longo da vida, pois qualquer ser humano está sujeito a adquirir algum tipo de deficiência. Usar ou não usar termos técnicos corretamente não é uma mera questão semântica ou sem importância, se desejamos falar ou escrever construtivamente, numa perspectiva inclusiva, sobre qualquer assunto de cunho humano. E a terminologia correta é especialmente importante quando abordamos assuntos tradicionalmente eivados de preconceitos, estigmas e estereótipos, como é o caso das deficiências que aproximadamente 10% da população possuem. (Sassaki apud BOTELHO (S/D p.2):

Segundo o site Significados (2017) a deficiência também representa em termos médicos a expressão do estado patológico, ou seja, ausência ou insuficiência no funcionamento de um órgão ou membro.

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2.2 PORTADOR DE NECESSIDADES ESPECIAIS, DEFICIENTE OU PESSOA COM DEFICIÊNCIA? Em muitos casos, preocupadas em ser politicamente corretas ao tratar-se com uma pessoa com deficiência, muitas pessoas promovem uma exclusão social involuntária por não utilizar a terminologia adequada. Não se rotula a pessoa pela sua característica física, visual, auditiva ou intelectual, mas reforça-se o indivíduo acima de suas restrições. A construção de uma verdadeira sociedade inclusiva passa também pelo cuidado com a linguagem. Na linguagem se expressa, voluntária ou involuntariamente, o respeito ou a discriminação em relação às pessoas com deficiência. Por isso, vamos sempre nos lembrar que a pessoa com deficiência antes de ter deficiência é, acima de tudo e simplesmente: pessoa. (SILVA, S/D).

Essa terminologia realça que a pessoa se encontra à frente de sua deficiência, no entanto, é um termo que não a esconde, representando a realidade e colocando em alta que a diferença e as necessidades da pessoa com deficiência não são anormais. Ribas (2003, p. 10) certifica que a Organização das Nações Unidas revalidou em 9 de dexembro de 1975, a Declaração dos Direitos das Pessoas Deficientes, que diz em seu artigo l: O termo ‘pessoas deficientes’ referese a qualquer pessoas incapaz de assegurar por si mesma, total ou parcialmente, as necessidades de uma vida individual normal, em decorrência de uma deficiência congenita, ou não, em suas capacidades físicas ou mentais.

Na atualidade, como já citado, qualquer pessoa está sujeita a ter necessidades especiais, contudo esse termo já não aparece tanto em vigor. Segundo Bortama, et al. (2016, p.14) o termo “portador” não deve ser empregado, pois ele implica algo que se “porta”, ou seja, que é possível se livrar a qualquer momento e em qualquer lugar: A deficiência faz parte da pessoa e, na maioria das vezes, trata-se de algo permanente e que, portanto, não pode ser destituída da pessoa. Além disso, referir-se a esse público como “portador de deficiência”, evidencia que a deficiência passa a ser a principal característica da pessoa, em detrimento de sua condição humana. Enfim, a inclusão social das pessoas com deficiência também perpassa pela linguagem, pois nela se expressa o respeito ou a discriminação em relação a elas. Dessa forma, ao utilizar a terminologia “pessoa com deficiência”, evidencia-se que mais do que uma deficiência, trata-se de uma pessoa.


2.3 ORIGEM E EVOLUÇÃO Segundo o site Ampid (Associação Nacional dos Membros do Ministério Público de Defesa dos Direitos dos Idosos e Pessoas com Deficiência) (2015), os primeiros relatos de existência de pessoas com deficiências, há cerca de dez mil anos, indicam que a expectativa de vida na época era muito baixa, frente a todas as dificuldades que existiam, como por exemplo a falta de acessibilidade, exclusão e a maneira como as pessoas se comportavam em relação à essas diferenças. Pesquisas históricas comprovam que as pessoas com deficiências eram um fardo para todo o meio em que convivia, uma vez que tudo era complicado e os demais precisavam contribuir para caça e abrigo. Dizem ainda que crianças que nasciam com algum tipo de deficiência notável fisicamente, eram automaticamente excluídas por todos. No Egito Antigo, essas pessoas

começaram a se inserirem na sociedade, e um dos primeiros casos de inclusão de algum tipo de deficiência foi o nanismo. Segundo o site HypesCience (S/D) o nanismo é uma pessoa que nasce com uma doença genética, causada por má formação do esqueleto e que consequentemente determina uma baixa estatura. Boa parte da sociedade preocupados em ajudar essas pessoas as colocavam para trabalharem em diversas funções em suas residências, para que assim pudessem se sentir mais acolhidas, porém nem imaginavam que boa parte dos afazeres destinados a eles poderia ser considerado hoje como uma exclusão involuntária. Mesmo assim, ainda existia aqueles que não aceitavam a convivência com deficientes e acreditavam que tudo isso era algo predestinado a ser um castigo de Deus. A primeira cadeira de rodas foi feita de pedra escavada em um sarcófago na China, reproduzida no século VI.

Ilustração 01: Cadeira de rodas de pedra – Século VI Fonte: http://www.ampid.org.br/ampid/Artigos/ PD_Historia.php

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Em seguida, Stephen Farfler (paraplégico) reproduziu uma cadeira que era possível locomover-se. O projeto foi baseado em duas rodas na parte traseira e uma na parte dianteira, com a coloca-

ção de manivelas giratórias para a mobilidade do objeto. Toda sua estrutura foi feita de madeira e projetado em 1655 na Alemanha.

Ilustração 02: Cadeira de rodas de madeira - 1655 Fonte: http://www.ampid.org.br/ampid/ Artigos/PD_Historia.php Ilustração 03: Cadeira reclinável, pés ajustáveis “em busca de conforto” – Século XVIII Fonte: http://www.ampid.org.br/ampid/Artigos/ PD_Historia.php

Após isso, os projetos para cadeiras de rodas foram ganhando inovações para garantir a qualidade e conforto para aqueles que necessitavam. Surgiu em 1932 o modelo que é usado até nos dias de hoje, sendo considerada a primeira cadeira dobrável e, contudo, adaptando anos seguinte para torná-la motorizada.

Ilustração 04: Cadeira de madeira, assento de palha com apoio ajustáveis – Século XIX, XX Fonte: http://www.ampid.org.br/ampid/Artigos/ PD_Historia.php


O Sistema Braille é um sistema de leitura e escrita tátil que consta de seis pontos em relevo, dispostos em duas colunas de três pontos. A diferente disposição desses seis pontos permite a formação de 63 combinações ou símbolos braille. As dez primeiras letras do alfabeto, por exemplo, são formadas pelas diversas combinações possíveis dos quatro pontos superiores. O sistema Braille é empregado por extenso, isto é, escrevendo-se a palavra, letra por letra, ou de forma abreviada, adotando-se códigos especiais de abreviaturas para cada língua ou grupo lingüístico. Atualmente, novos recursos para a produção do Braille têm sido empregados, de acordo com os avanços tecnológicos, podendo utilizar os recursos dos computadores. (MENEZES, 2001)

Ilustração 05: Primeira cadeira dobrável – 1932 Fonte: http://www.ampid.org.br/ampid/Artigos/ PD_Historia.php

Em 1819 foi desenvolvido por Charles Barbier um código que deveria ser usado em mensagens que fossem transmitidas durante a noite nas batalhas. Este então foi apresentado ao Instituto Nacional dos Jovens Cegos de Paris, onde Louis Braille assistia. Barbier não aceitou que seu método fosse modificado para outras funções, então Braille alterou totalmente o código, desenvolvendo um sistema de escrita padrão para pessoas cegas utilizado até hoje, o braille. Por se tratar de uma inovação que mudaria a vida de milhares de cegos, rapidamente foi levada à diversos países. Hoje no Brasil é comemorado no dia 08 de abril o Dia Nacional do Sistema Braille. Ilustração 06: Braille desenvolvido por Louis Braille Fonte: http://www.ampid.org.br/ampid/Artigos/ PD_Historia.php

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Na Idade Moderna não apenas foram acontecendo diversas inovações para portadores de deficiência física, mas

outras revoluções na ciência como um todo, como por exemplo a criação do Método de Comunicação para Pessoas Surdas:

Ilustração 07: Língua de sinais apresentada por Pablo Bonet Fonte: http://www.ampid.org.br/ampid/Artigos/ PD_Historia.php Gerolamo Cardomo (1501 a 1576), médico e matemático inventou um código para ensinar pessoas surdas a ler e escrever, influenciando o monge beneditino Pedro Ponce de Leon (1520-1584) a desenvolver um método de educação para pessoa com deficiência auditiva, por meio de sinais. Esses métodos contrariaram o pensamento da sociedade da época que não acreditava que pessoas surdas pudessem ser educadas. (GUGEL, 2015).

Também neste período, já no século XIX, a convivência com os portadores de deficiências começa a ser aceita. A partir disso iniciam-se as pesquisas mais aprofundadas sobre cada tipo de deficiência e formas de reabilitação para pessoas que haviam sofrido algum tipo de ferimento que ocorreu na perda de um membro, como por exemplo os soldados que iam para a guerra e não podiam servir novamente. Foi constituída então a lei de obrigação à reabilitação e readaptação no trabalho em 1884 pelo Otto Von Bismark. No Brasil criou-se o Instituto dos Meninos Cegos, executado por Benjamin Constant na data de 12 de setembro

de 1854. Logo em seguida fundou-se o Instituto de Surdos Mudos que atendia pessoas de todo o país, sendo essas na maioria abandonadas. No século XX todos os equipamentos que haviam sido criados, como bengalas, cadeira de rodas, institutos para deficientes, entre outros, tiveram um enorme avanço tecnológico e muito importante para as pessoas com deficiência. Isso fez com que a sociedade passasse a entender as dificuldades dessas pessoas e começassem a tratá-las e atendê-las. Na Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948), no artigo 25, há menção expressa à pessoa com deficiência, designada de “inválida” 1. Toda pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bemestar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência fora de seu controle. 2. A maternidade e a infância têm direito a cuidados e assistência


especiais. Todas as crianças nascidas dentro ou fora do matrimônio, gozarão da mesma proteção social.

A partir daí todos os países começam a buscar alternativas para melhorar de todas as formas possíveis a integração das pessoas com deficiência, onde temos algumas destas mundialmente famosas. Um exemplo muito citado na história da arquitetura é o Aleijadinho (Antônio Francisco Lisboa), famoso escultor, entalhador e arquiteto do Brasil. Já na fase adulta, desenvolveu uma doença degenerativa que limitou os movimentos dos pés e das mãos. Outras figuras importantes que também devem ser citados foram: Galileu Galilei (cegueira nos últimos anos de sua vida), Luís de Camões (perda de visão em um dos olhos), Beethoven (perda da audição) e o famoso físico teórico Stephen Hawking (doença neurológica chamada Esclerose Amiotrófica Lateral). Essas pessoas, mesmo com suas deficiências, foram de extrema importância para a história da humanidade.

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2.4 TIPOS DE DEFICIÊNCIAS Discorreremos acerca das deficiências conhecidas individualmente. Porém, mesmo sendo apresentada abaixo em breve síntese, a deficiência mental não será contemplada no trabalho, pois já existe uma unidade que oferece esse tipo de atendimento próximo ao local estudado, na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE).

2.4.1 DEFICIÊNCIA VISUAL Segundo o site Significados (2017) a deficiência visual é caracterizada como o comprometimento total ou parcial da capacidade visual de um ou ambos os olhos, que não consegue ser corrigida ou melhorada com o uso de lentes ou de tratamento clínico ou cirúrgico. Essa deficiência é causada de forma congênita, sendo algo hereditário ou má formação, ou ainda de forma adquirida, através de acidentes ocorrendo a perda do total ou parcial da visão. A comunicação com outras pessoas e o aprendizado se dá através do método Braille.

2.4.2 DEFICIÊNCIA AUDITIVA De acordo com o site significados, a deficiência auditiva é a perda parcial ou total da habilidade de detectar sons, esse sintoma pode acontecer através de lesões ocorridas ao longo da vida ou simplesmente no nascimento por má formação do aparelho auditivo humano. Existem vários tipos de deficiências auditivas e em alguns casos são reversíveis através de cirurgias, porém outros só são tratáveis através de aparelhos auditivos.


2.4.3 DEFICIÊNCIA MENTAL É um conjunto de problemas que lesiona o entendimento de uma pessoa, sem causar danos as demais funções do cérebro. É importante ressaltar que todas as pessoas com esse tipo de deficiência necessitam de tratamentos especiais e acompanhamento médico para buscar amenizar o problema. Essa deficiência é caracterizada pelo déficit da inteligência e as manifestações acontecem antes dos dezoito anos com limitações de duas ou mais áreas de habilidades adaptativas.

2.4.5 DEFICIÊNCIA MÚLTIPLA Ocorrência de duas ou mais deficiências ao mesmo tempo que dificulta a autossuficiência. Essas deficiências atrasam o desenvolvimento da criança, de comunicação e integração social. Um exemplo muito comum que pode ser citado são pessoas com deficiência mental e física.

2.4.4 DEFICIÊNCIA FÍSICA Refere-se a transformação completa ou parcial de um ou mais elementos do corpo humano, resultando em comprometimentos da função física apresentado sobre diversas formas de deficiência. É considerada uma complicação que também pode afetar a falta de movimento em diferentes graus. Suas causas podem surgir de uma má formação congênita, lesões neurológicas, acidentes dos mais variados tipos, além do desgaste natural do corpo humano no decorrer dos anos.

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3.1 CENTRO ESPECIALIZADO EM REABILITAÇÃO -CER O Centro Especializado em Reabilitação (CER) tem como seu principal objetivo reabilitar o desempenho humano, prestando auxílio a pessoas com deficiência em diversos programas de reabilitação de forma auditiva, física, intelectual e visual, em prol de melhorar a capacidade funcional e dando a ela uma nova perspectiva, aumentando assim sua qualidade de vida. Ele é considerado uma unidade de reabilitação para diagnósticos de alta complexidade, onde o paciente é encaminhado após passar por profissionais como médicos, fisioterapeutas e outros, sendo esta a última instância que o paciente irá buscar para um tratamento direcionado, uma vez que o atendimento só é iniciado em pacientes que estejam agendados, previamente triados e com indicação de especialista.

3.0 UNIDADES DE REABILITAÇÃO EM BATATAIS

Segundo o site do Ministério da Saúde o CER, por se tratar de uma entidade filantrópica, uma vez que que não cobra nenhum valor ou taxa dos seus pacientes, tem sua receita oriunda dos tratamentos oferecidos atrelados ao Sistema Único de Saúde (SUS), que é um dos maiores sistemas de saúde pública do mundo e através dele são prestados os mais diversos atendimentos e tratamentos por órgãos e instituições que deverão manter as mesmas ideologias do sistema, seguindo um padrão de normas extensivo a nível nacional.


Segundo o Centro de Reabilitação do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo o sistema único de saúde contém três subdivisões: baixa (unidades básicas de saúde), média (hospitais secundários e ambulatórios de especialidades) e alta complexidade (hospitais terciários). Na cidade de Batatais o CER está vinculado à Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), que foi credenciada em janeiro de 2015 pelo Ministério da Saúde mediante ao plano Viver sem Limites como um Centro Especializado em Reabilitação – CER III, disponibilizando apenas três tipos de tratamento: intelectual, físico e auditivo. Essa unidade oferece atualmente 550 vagas, já preenchidas, e existem aproximadamente 800 pessoas em fila de espera, de acordo com informações colhidas através de entrevistas com funcionários desta unidade do CER e de outras instituições do município que oferece tratamento correlato, sendo a Associação Batataense dos Deficientes Físicos (ABADEF) e a APAE. Esse estabelecimento conta com médicos ortopedistas e traumatologistas, enfermeiros, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais, musicoterapeutas, pedagogos e nutricionistas. Foi aplicado um questionário em visita neste local dia 13 de março de 2019 para colaboradores da instituição e acompanhantes de pacientes onde foram indagados sobre pontos relacionados ao atendimento oferecido,

fila de espera, equipamentos utilizados, tipos de tratamentos, frequência, duração diária e outros. Através deste questionário, funcionários relataram que o local precisa de melhorias em infraestrutura e equipamentos. Analisando as respostas obtidas e impressões durante a visita foi constatado que na sala de espera os responsáveis pelos pacientes ficam em uma situação de extremo incômodo, porque além de cadeiras desconfortáveis, ficam de trinta minutos à uma hora e meia aguardando o término do tratamento de pacientes que foram acompanhar. Relataram ainda que a instituição não oferece nenhum tipo de atividade enquanto aguardam o final do atendimento, onde este tempo poderia ser melhor aproveitado se disponibilizassem cursos ou atividades em grupo, como costura, leitura e outros. Abaixo comentados questionário.

seguem mais itens pelos envolvidos no

No questionário aplicado aos funcionários do CER, o colaborador Wiliam Oliveira, assistente social, relatou: “a maioria dos usuários que são elegíveis para receber atendimentos na instituição entram em fila de espera. Então sim, eu conheço pessoas que sofrem pela falta de vagas, e daria uma estimativa de 80 casos. Lembrando que eles serão atendidos, porém terão que aguardar”. Já a colaboradora Patrícia, coordenadora da área da saúde, relatou: “na instituição existe uma grande procura pelo tratamento para deficientes visuais, porém esse atendimento não é oferecido”.

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Ilustrações 08 e 09 – Recepção – CER Fonte: BORGHI, Rafaela – 2019

Ilustrações 10 e 11 – Sala de tratamento em grupo infantil - CER Fonte: BORGHI, Rafaela – 2019


A recepção conta com um pequeno espaço onde são disponibilizados aproximadamente 23 acentos e algumas cadeiras de rodas. Segundo os usuários, o local não é muito apropriado pois, além de ser totalmente desconfortável e terem que ficar por no mínimo quarenta minutos lá, o ambiente fica no meio do edifício, tendo em alguns casos o constrangimento de escutarem algumas consultas que estão acontecendo ao lado, sem o mínimo de privacidade. No dia da visita foram entregues relatórios para os responsáveis onde foi perguntado “qual atividade você gostaria de fazer enquanto aguarda o tratamento do paciente? ” e a maioria relatou atividades como leitura, yoga e outras. Alguns atendimentos voltados para crianças frequentemente são realizados em grupo. Segundo relatos de profissionais atuantes no CER, como por exemplo, assistentes sociais e terapeutas ocupacionais, as crianças tendem a se desenvolverem melhor quando estão em conjunto com outras crianças.

Ilustrações 12 e 13 – Sala de tratamento em grupo para adulto - CER Fonte: BORGHI, Rafaela – 2019

Este tratamento também é aplicado em adultos, uma vez que este tipo de escolha depende muito do paciente e, em muitos casos, a instituição recebe paciente autista, então mesmo em salas destinadas a grupos esses pacientes tendem a se isolarem naturalmente. A assistente social relata que algumas salas, como esta da figura 12 e 13, são totalmente neutras e claras para que pacientes com esse perfil não fiquem desconfortáveis.

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Os banheiros destinados aos pacientes e acompanhantes está em reforma. Alguns dias antes da visita a instituição colocou barras de sustentação para pessoas com deficiência, adaptando o lavatório e outras partes do banheiro. Isso mostra que durante muito tempo este local não estava apropriado para receber certos pacientes, podendo oferecer a eles dificuldades ao usá-lo. Tanto na sala de terapia ocupacional quanto de fisioterapia os equipamentos disponibilizados foram restaurados há pouco tempo e estão em perfeito estado, porém alguns profissionais relataram que os equipamentos que são mais caros e sofisticados não são adquiridos em decorrência da falta de verba. Em relação a estas informações coletadas e analisadas no local notase que, mesmo oferecendo um bom atendimento aos usuários, conta com uma grande falta de infraestrutura, uma vez que o local não possui um acesso adequado, como piso tátil ou barras nos corredores de acessos, fazendo com que a pessoa com deficiência sempre precise da ajuda de um funcionário. Existe um espaço dentro do prédio da APAE que a direção planeja implantar elementos que tratam a integração sensorial. A coordenadora de saúde da entidade expôs que pretende utilizar painéis verticais e horizontais para disponibilizar superfícies táteis, várias plantas e árvores frutíferas para o olfato e, essa segunda, também para o paladar, além de outros elementos que ainda estavam em estudo. Essa estrutura estará disponível apenas para os alunos da APAE do município após a conclusão da obra.

Ilustrações 14 e 15 – Banheiros em reforma - CER Fonte: BORGHI, Rafaela – 2019


Ilustrações 16 e 17 – Sala terapia ocupacional - CER Fonte: BORGHI, Rafaela – 2019

Ilustrações 18 e 19 – Sala fisioterapia - CER Fonte: BORGHI, Rafaela – 2019

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3.2 ASSOCIAÇÃO BATATAENSE DOS DEFICIENTES FÍSICOS - ABADEF

Em outubro do ano de 2018, foi feita uma visita à instituição com o intuito de recolher informações sobre o local, atendimentos, problemas e também retirar fotografias. A visita foi coordenada pela assistente social Sonia Garbellini, que nos acompanhou o tempo todo, além de sanar diversas dúvidas durante a visita.

A Associação Batataense dos Deficientes Físicos – ABADEF fundou-se em 23 de abril de 1989 pela iniciativa de pessoas que identificaram a necessidade de um local para a população que tinha deficiência física. Inicialmente o local era mantido por doações de associados e da população Batataense. Posteriormente foi reconhecida como Utilidade Pública Municipal, Estadual e Federal, conseguindo assim convênios para repasses públicos. Sua localização atualmente é em um prédio na antiga Fundação Estadual para o Bem Estar do Menor – FEBEM (área um pouco distante do centro) cedido pela Prefeitura em 2008, onde pelo fato deste não ser planejado para receber pessoas com deficiências, profissionais e pacientes enfrentam dificuldades diárias.

O prédio atual era utilizado como Fundação Casa (FEBEM) e por conta disso foi construído em uma das extremidades da cidade, bastante fora do fluxo habitual dos munícipes. Com o tempo, a Fundação foi desativada e o prédio cedido à ABADEF pela prefeitura, o que atendeu inicialmente as necessidades da associação, mas até hoje, por sua localização, gera certo desconforto de locomoção aos pacientes. Porém, como este prédio é o único disponível dentre os que atendem à demanda de espaço e instalações da associação, por hora ela permanecerá nele. A rua de acesso ao edifício é bastante desregular, tanto a calçada com mato alto, quanto o asfalto que já se encontra bastante deteriorado e esburacado, causando problemas principalmente para os deficientes visuais que sempre dependerão de alguém para transitar pelo local. A instituição disponibiliza atualmente um sistema de transporte adaptado para buscar os pacientes que não possuem meios de locomoção e/ou condições de chegar até lá.

Foram feitas algumas reformas desde a inauguração até o ano de 2019, porém em conversa com a assistente social Sonia Stoppa Garbellini, o local precisa ser maior, além de adaptações como pisos táteis, rampas, barras, e até mesmo mais salas para futuros atendimentos. Hoje a ABADEF atende 370 pessoas mensalmente nos serviços de terapia ocupacional, fisioterapia, equoterapia, psicologia, fonoaudiologia e serviço social. O público alvo da instituição são pessoas com mobilidade reduzia e/ou deficiência física.


Ilustrações 20, 21,22 e 23 – Fachada e exterior ABADEF Fonte: BORGHI, Rafaela – 2019

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Ilustrações 24 e 25 – Sala de recepção - ABADEF Fonte: BORGHI, Rafaela – 2019

Neste ambiente, tanto em fotos quanto em coleta de informações com pacientes e funcionários do local, pude perceber que permanece o mesmo problema da instituição citada acima, o CER, pois todos os tratamentos demoram no mínimo quarenta minutos para serem realizados, então os responsáveis também ficam desconfortáveis e sem ter nenhuma atividade para desenvolver, tendo que aguardar ociosamente todo o decorrer do atendimento. A maioria dos responsáveis que estavam presentes neste dia utilizavam seu automóvel, então foi perguntado se não compensaria retornar após o término e, de forma unânime, eles responderam que pela distância não compensava.

A sala de fisioterapia é uma das mais usadas e que mais recebe verbas para investimentos. Ali todos os aparelhos são alocados e onde o serviço de desenvolvimento de capacidades adaptativas para a vida diária se desenvolve. O local, mesmo com todos os equipamentos existentes, precisa de maiores investimentos para a aquisição de novos aparelhos e manutenção nos que estão em uso.


Ilustrações 26, 27, 28 e 29 – Sala de fisioterapia - ABADEF Fonte: BORGHI, Rafaela – 2019

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Ilustração 30 – Sala de fonoaudiologia - ABADEF Fonte: BORGHI, Rafaela – 2019

Ilustrações 31 – Vista da edificação para o espaço de equoterapia ABADEF Fonte: BORGHI, Rafaela – 2019

Ilustrações 32 – Espaço de equoterapia - ABADEF Fonte: BORGHI, Rafaela – 2019

Ilustração 33 – Circulação externa ABADEF Fonte: BORGHI, Rafaela – 2019


pacientes utilizam este tipo de tratamento. Tanto na circulação interna quanto na externa o acesso é realizado por rampas, mas elas não recebem manutenção há algum tempo, tendo rachaduras e/ou buracos que podem causar acidentes. Nos corredores internos não há presença de pisos táteis e nem de barras de sustentação para facilitar o acesso dos usuários.

Ilustração 34 – Circulação interna ABADEF Fonte: BORGHI, Rafaela – 2019

Os atendimentos de fonoaudiologia, psicologia e terapia ocupacional acontecem em pequenas salas como esta da figura acima, não trazendo ao paciente o mínimo de conforto término e comodidade. Alguns desses tratamentos, como por exemplo a terapia ocupacional, vez ou outra precisam ser feitos em grupo, através de atividades auto criativas. O espaço para o tratamento de equoterapia é localizado ao lado da instituição. Este tratamento, segundo a assistente social, vem contribuindo na reabilitação de pessoas com deficiência física e mobilidade reduzida. O procedimento traz melhoras como criatividade, autocontrole, postura, atenção, entre outros. A maioria dos

Nota-se a partir destas informações a necessidade do município em disponibilizar uma quantidade muito maior de vagas para este tipo de tratamento, pois a fila de espera não tem histórico de declínio, ou ainda expectativa de ampliação da estrutura atual das Associações em funcionamento. Em face, uma nova unidade CER-IV seria a melhor alternativa para oferecer não só uma grade de vagas que supra o déficit atual, mas também um ambiente humanizado que proporcione as condições mais adequadas para os tratamentos oferecidos. Na ABADEF, assim como na APAE, não existe ainda um espaço que ofereça elementos para a integração sensorial e, se existir, baseado nos relatos dos gestores dessas entidades, serão utilizados apenas para atender os próprios pacientes. Apesar desse tipo de tratamento ser de grande importância, podemos notar que não recebem a atenção devida desses locais.

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4.0 INTEGRAÇÃO SENSORIAL

A abordagem detalhada desse tema se deu pela importância que ele terá na implantação do novo projeto arquitetônico. Levando em consideração não ser um assunto popularmente conhecido trataremos das suas origens, especificações e aplicações.

4.1 HISTÓRIA E TEORIA A integração sensorial é uma habilidade que cada indivíduo tem de interpretar sensações, organizá-las e responder de forma apta o ambiente que está. O cérebro capta informações que se transformam em respostas diretas ao sistema nervoso, onde estímulos são relacionados a diversos canais do corpo. Este método tem como objetivo melhorar a qualidade de estímulos de cada pessoa, dando a ela um resultado capaz de desempenhar seu processo na hora de um aprendizado. Esse tipo de tratamento é usado em qualquer pessoa que possua algum diagnóstico de distúrbio neurológico, diferentemente de quando foi lançado, quando era aplicado apenas em crianças que tinham alguma disfunção e/ou um déficit de atenção, aprendizagem e hiperatividade. Os estímulos que o método traz são inicialmente feitos de maneira gradual, passando por procedimentos que vão adquirindo certa dificuldade para que o “paciente” aperfeiçoe seus conhecimentos e comportamentos, resultando em aprendizagens novas e organizadas. Cada paciente receberá um tipo diferente de tratamento, sendo voltado diretamente para o tipo de abordagem que ele precisa, vinculado com suas necessidades.


“A aprendizagem é uma função do cérebro que requer processamento exitoso de informações sensoriais, a fim de contribuir para o desenvolvimento das habilidades essenciais necessárias para a atenção, compreensão e organização das múltiplas entradas sensoriais.” (Ayres,2005)

O tratamento em si é direcionado para que o “sujeito” tenha independência, autonomia e qualidade de vida. Este procedimento foi originalmente feito pela A. Jean Ayres PhD em terapia ocupacional e psicologia educacional a mais de 30 anos, iniciando na década de 1960, onde desenvolveu testes e apresentou uma abordagem para o reconhecimento de problemas com integração sensorial (IS).

A Integração Sensorial é uma área de especialidade da Terapia Ocupacional que se baseia em mais de 40 anos de pesquisa e desenvolvimento da teoria. O termo “integração sensorial” refere-se a: • A forma como o cérebro organiza as sensações para o envolvimento na ocupação; • Uma teoria baseada na neurociência que fornece a perspectiva para avaliar as dimensões sensoriais do comportamento humano; • Um modelo para a compreender a forma com que a sensação afeta o desenvolvimento; • Avaliações incluindo testes padronizados, observação sistemática, e entrevistas com pai ou professor que identificam padrões de disfunções de integração sensórias; • Estratégias de intervenção que melhoram o processamento de informações, a práxis, e o engajamento na vida diária dos indivíduos. (CARVALHO, 2015).

O sistema sensorial é composto pelos sentidos de visão (olhos), paladar

(língua), tato (pele), audição (ouvido) e olfato (nariz) que fazem a comunicação do nosso corpo com o exterior. A seguir será apresentado exemplos de utilização para tratamentos sensoriais.

Ilustração 35 – Jardim sensorial com elementos táteis no piso e plantas com aromas Fonte: http://flores.culturamix.com/jardim/o-que-e-um-jardim-sensorial

Ilustração 36 – Sala de integração sensorial Fonte: https://www.yelp.com/biz_photos/barrett-family-wellness-center-northborough?select=XNDApq6JV5ICCPxJ345HEg

Segundo Juliana Duarte Neves (2017, pág. 53) é importante considerar que ao projetar alguma coisa a percepção dos sentidos depende de determinada distância em relação aquilo que está sendo percebido.

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4.2 SISTEMA SENSORIAL VISÃO

Ilustrações 37 e 38 – Espaço projetado com cores na área externa Fonte: https://www.snoezelen.zensenses.org/pt/ jardim-sensorial/#experiencias-zensenses


O sistema visual é formado pelos olhos e nervos, que funcionam através de dados recebidos pelo encéfalo, além disso os olhos possuem células fotorreceptoras que captam estímulos luminosos. Essas células se encontram na retina, localizadas dentro o olho e são conhecidas como bastonetes e cones. Os bastonetes estão presentes quando o local apresenta baixa luminosidade, fazendo com que este possua uma ausência de cores. Já os cones proporcionam uma percepção de cores, visto que são encontrados em um ambiente com muita luz.

Ilustração 39 – Sala multissensorial destinada à visão Fonte: http://www.sensori.com.br/Ambiente/index/ YW1iaWVudGUtc2FsYXM=

Tudo o que vemos está relacionado diretamente com o que sentimos diante daquele local, pois quando projetado, o ambiente está proporcionando ao usuário uma atenção maior do que os outros sentidos. Um exemplo diretamente ligado com este sistema sensorial é a presença de cores, luz e sombra nos ambientes. Outro exemplo a ser citado de projetos é dado pela empresa Sensori, onde projetam salas multissensoriais com projeção de luzes e cores. Estas salas podem trazer benefícios como a redução da ansiedade e concentração, favorecendo a dinâmica terapêutica dos portadores de deficiência visual. A visão também é responsável por trazer curiosidade nas pessoas, ou seja, se estamos em algum local que tem algo diferente, nos aproximamos para ver do que se trata. Isso é realizado nos tratamentos, buscando sempre utilizarem de coisas que chamem a atenção.

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4.3 SISTEMA SENSORIAL OLFATO

Ilustração 40 – Estímulo sensorial com plantas Fonte: http://flores.culturamix.com/jardim/como-fazer-um-jardim-sensorial-dentro-de-casa


O sistema olfativo (nariz) é composto por diversos nervos que servem para discernir os mais diversos odores, além do sabor dos alimentos que estão dentro da boca, pois sentimos o sabor dos alimentos não apenas em tocá-los ao paladar, mas sim em conjunto com esses nervos olfativos. Esses dois sentidos caminham juntos na identificação alimentar. Enquanto um alimento é mastigado ele libera moléculas que são reconhecidas pelo olfato, isso é constante na vida dos seres humanos, porém sem que estes percebam o fenômeno. Quando estWamos gripados ou com algum sintoma de outras doenças que deixem o nariz entupido, essa percepção de sabores fica prejudicada. O olfato por ser detectado por qualquer intensidade de cheiro, sendo percebido um odor de cada vez, e também é considerado um sentido involuntário, onde em qualquer lugar ou atividade que está sendo feita, se estiver algum cheiro próximo, ele será reconhecido. Segundo Neves (2017, pág. 50) o olfato é um sistema básico e primitivo dos seres vivos que está presente nos dias de hoje em grande utilidade. O cheiro influência nas características de cada lugar, fazendo com que sejam identificados e lembrados através dele. No meio projetado o olfato é muito importante, pois ele é o sentido que possui a maior ligação com a memória. Então se projetarmos um local que ao caminhar é sentido um aroma específico, sempre que

sentir esse cheiro novamente a pessoa lembrará do local visitado. Isso está inteiramente ligado com a humanização porque muitos ambientes já estão trabalhando com o sistema sensorial. O olfato é imediato e inconsciente, portanto não precisa ser interpretado. Segundo Diane Ackerman 1990: Um cheiro pode ser poderosamente nostálgico, pois incita poderosas imagens e emoções antes de termos tempo de editá-las... temos tendência a descrever como os cheiros nos fazem sentir. Um cheiro nos parece ‘nojento’, ‘intoxicante’, ‘enjoativo’, ‘agradável’, ‘prazeroso’, ‘faz o coração bater mais rápido’, ‘hipnotizante’ ou ‘revoltante’.

Se no mesmo local estiverem presentes vários cheiros diferentes, a predominância será do mais intenso, porém essa sensação irá durar alguns segundos apenas e logo depois desaparecerá. Ao projetar um local sensorial olfativo esse sistema é estimulado pelo perfume e aroma das plantas, colocando flores comestíveis e ervas aromáticas. Alguns exemplos de plantas que podem ser usadas são: tomilho, hortelã, camomila, erva-doce, orégano, alecrim, funcho e manjericão. Já no exemplo das flores são: jasmins que tem aroma de limão, gardênias, as trepadeiras com perfume de tutti-frutti, as orquídeas sherry baby que remetem ao cheiro de chocolate, o capim-limão e a lavanda.

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4.4 SISTEMA SENSORIAL TATO O sistema táctil (pele) é o único sentido que não tem um local específico a ser encontrado, ele está presente em toda a região externa do corpo humano através da pele. Ela é responsável por diversas sensações através do toque, tornando este o sentido mais íntimo. Ao tocar em algo é preciso eliminar a distância que se tem em relação a este objeto, diferentemente do olfato que a uma certa distância já é possível percebêlo. Este sistema, mesmo presente em todo o corpo humano, é encontrado com maior intensidade nos lábios, mãos e pés. O arquiteto Juhani Pallasmaa diz que há uma enorme conexão entre o homem e os materiais que são utilizados na arquitetura, pois em muitos casos os seres humanos buscam experiências que possam ser tocadas. Uma das experiências citada por ele consiste em ficar descalço em uma rocha, podendo sentir suas temperaturas e sensações ali presente. Ao tocar um objeto, o sistema táctil nos informa sua textura, sendo ela áspera ou lisa, dura ou mole, além da temperatura, que pode ser quente ou fria, e o seu tamanho. Ele também serve de alerta para que não ficamos próximos a algo que traga risco, como por exemplo um local com temperatura muito elevada, e antes de nos aproximarmos a pele irá sentir o calor que está vindo deste local. Também é muito importante ressaltar

que o tato está presente inclusive nos momentos de dor, porque em contato com a pele podemos sentir se algum local do nosso corpo está dolorido. Através dos pés e mãos, os seres humanos podem tocar objetos em diversos lugares para descobrir o tipo de textura que este tem. Existem muitos projetos de jardins onde são apresentadas texturas como grama, areias, pedras, cascalhos, madeira e outros elementos que contenha alguma textura perceptiva. Isso contribui no aprendizado de crianças e adultos que perderam seus sentidos. O toque também está presente no sistema braile, e através dele o deficiente visual consegue se comunicar com a escrita. Essa leitura é feita através de uma leve pressão com a ponta dos dedos.


Ilustração 41 - Estímulo sensorial com texturas nos pés Fonte: https://www.etectupa.com.br/noticias/ informativo/escola-recebe-participantes-do-projeto-da-unimed-para-conhecer-o-jardim-sensorial/fechar/

Ilustração 42 - Estímulo sensorial em painéis para mãos Fonte: https://www.snoezelen.zensenses. org/pt/jardim-sensorial/#experiencias-zensenses

Ilustração 43 - Estímulo sensorial para mãos Fonte: http://www.sp.senac.br/jsp/default. jsp?tab=00002&newsID=a24140.htm&subTab=00000&testeira=367&uf=&local=&l=&template=&unit=

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4.5 SISTEMA SENSORIAL AUDIÇÃO O sistema auditivo (ouvido) é o responsável pela nossa capacidade de ouvir e nos direcionar através de sons, além de criar uma conexão entre as pessoas e ambiente. O espaço onde vivemos é silencioso por natureza e o que ouvimos são elementos que estão presentes na terra como sons, músicas, barulhos e até mesmo o sopro do vento. Mesmo ouvindo a maioria dos sons emitidos nas proximidades, nem sempre todos nos chamam a atenção. Na maioria dos casos o som mais grave é aquele que o corpo responde diretamente e os sons mais agudos, ou de alguma forma mais baixos, podem passar despercebidos pelos humanos. O funcionamento do som está presente desde o útero materno a partir da décima sexta semana de gestação, aproximadamente, fazendo com o que feto escute tudo o que está acontecendo ao seu redor. O som pode nos proporcionar momentos de segurança, como por exemplo deitar no peito de alguém e escutar seu coração, ou até nos dar uma sensação de medo, como o barulho do trovão. Esses ruídos podem se tornar irritantes dependendo da intensidade que ele aparece, e isso pode estar relacionado com aquele ambiente, pois se o local de alguma forma é estressante o indivíduo não irá fazer proveito dele, buscando não permanecer ali por muito tempo. Em locais destinados à saúde o barulho pode ser um problema. Muitos pacientes podem

ficar agitados se ouvirem algum barulho forte ou de forma repentina, fazendo com que fique perturbado e sem interação nenhuma com o local. Algumas pesquisas com especialistas apontam que os seres humanos preferem lugares calmos e que tenham pouco barulho. Quando um ambiente é projetado o meio auditivo exige um certo cuidado, tendo uma ligação direta com o conforto acústico, ou seja, alguns sons não podem ultrapassar de um local para o outro. Um exemplo seria uma clínica, onde sua recepção seja um local agradável e que as pessoas se sintam confortáveis. Porém em uma sala próxima tenha um paciente que esteja nervoso com o tratamento e comece a gritar, fazendo com que este som seja projetado até a sala de espera. Esta sala deixará de ser percebida como confortável e se tornará extremamente desconfortável. O deficiente visual tem sua audição extremamente aflorada, tornando este o seu sentido mais aguçado. Um exemplo citado por Neves (2017 pág. 85) é que quando estamos em um ambiente escuro os sons parecem estar mais altos, e isso acontece porque a visão deixa de ser considerada e a audição se torna mais significativa. Ao projetar um espaço que tenha relação direta com o sistema auditivo, deve-se considerar que ali terão ecos, passos, som ambiente e até mesmo o silêncio absoluto. Se este ambiente estiver de alguma forma estimulando o usuário a se sentir acolhido através do som, sua conexão com o meio projetado tornarse-á grande. Neves faz uma citação à escadapiano do projeto The Fun Theory, localizada


numa saída de metro em Hangzshou na China, que tem como objetivo mudar para melhor o comportamento das pessoas ou do ambiente para algo completamente diferente. O projeto baseia-se em degraus com receptores sensíveis que emitem sons quando pisados, então quando os pedestres passam pelo local, ao subir e descer, cada degrau emite um som diferente. Isso fez com o que cada usuário tivesse uma visão diferente do lugar, passando de uma simples escada para uma experiência única. O fundador do projeto explica que dois terços das pessoas que passavam pelo local optavam por subir a escada-piano ao invés de utilizar a escada rolante ao lado.

Ilustração 45 – Estímulo sensorial para audição Fonte:https://www.snoezelen.zensenses.org/pt/ jardim-sensorial/#experiencias-zensenses

Ilustração 44 – Escada-piano em Hangzshou - China Fonte:http://msarquitetura.blogspot.com/2012/04/ escada-de-metro-decorada-como-piano.html

Ao ar livre podem ser projetados objetos que emitam sons quando tocados, ou até mesmo a presença de água, que além de estimular o sistema auditivo também estimula o táctil. O som da água segundo terapeutas ocupacionais ajuda ao usuário a se sentir mais calmo, causando uma sensação de paz naquele local.

Ilustrações 46 e 47 – Estímulo sensorial para audição Fonte:https://www.snoezelen.zensenses.org/pt/ jardim-sensorial/#experiencias-zensenses

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4.6 SISTEMA SENSORIAL PALADAR


É através do sistema de gustação (língua) que são reconhecidos os sabores. A língua possui papilas gustativas que são responsáveis por receber os sabores dos alimentos e comunicá-los ao cérebro. As sensações do paladar podem ser: doce salgado, amargo e azedo. As papilas que captam o sabor doce estão alocadas na parte central da ponta da língua. Na sequência, temos as papilas que identificam o sabor ácido/azedo, localizadas no contorno lateral da língua. Junto a estas, porém localizadas ligeiramente voltadas ao centro, estão as papilas responsáveis pela identificação do sabor salgado. Por fim, temos as papilas que captam o sabor amargo localizadas bem ao fundo da língua. Os sabores na verdade são odores e gostos percebidos por essas papilas, além de texturas, ardência e temperatura, que ajudam na hora de influenciar essas sensações palatais. No projeto, o sistema de gustação pode conter sabores através de frutas e ervas, sendo algumas delas alecrim, pitanga, manjericão, laranjeira, romã, hortelã, etc. Como já falado este sistema está diretamente ligado com o olfato, pois a maioria dos seres humanos só experimentam o gosto de certos alimentos em função do cheiro que este está sendo transmitido.

Ilustração 48 – Estímulo sensorial dos sabores Fonte:https://sabormaluco.blogspot. com/2011/12/seis-sabores-paladar-lingua-alimentos.html

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5.0 HUMANIZAÇÃO NA SAÚDE Humanizar é tornar as condições mais adequadas para as pessoas, lugares ou qualquer coisa. Está totalmente relacionado com o seu espaço envolvente, ou seja, percepções que o usuário tem num ambiente, sendo assim muito importante a escolha de cada elemento que o cenário compõe para que se torne confortável fisicamente e psicologicamente, além de seguro. Este processo de humanização está ligado com a capacidade do homem de interagir com o seu redor, para isso o local precisa de recursos que irão ajudar nesta tarefa em conjunto com a comunicação. A humanização dos espaços envolve muitos aspectos, e aproximase muito da área do design de interiores. Ressalta-se o uso da cor, de revestimentos e texturas, objetos de decoração e mobiliário, iluminação, contato com o exterior e, ainda, o uso de vegetação onde possível. (VASCONSELOS apud BOING, 2003, p.72)

A humanização se dá através de ambientes com diversos elementos num espaço que interagem com a percepção única de cada usuário que ali está, sendo esses elementos funcionais e fazendo com que a arquitetura contribua para um ambiente acolhedor, agradável e familiar, causando assim a sensação de que aquele local remete ao seu lar e que você é bem-vindo ali. Humanizar é resgatar a importância dos aspectos emocionais, indissociáveis dos aspectos físicos na intervenção em saúde. Humanizar é adotar uma prática em que profissionais e usuários consideram o conjunto dos aspectos físicos, subjetivos e sociais que compõem o atendimento à saúde. Humanizar refere-se, à possibilidade

de assumir uma postura ética de respeito ao outro, de acolhimento e de reconhecimento dos limites. Humanizar é fortalecer este comportamento ético de articular o cuidado técnico-científico, com o inconsolável, o diferente e singular. Humanizar é repensar as práticas das instituições de saúde, buscando opções de diferentes formas de atendimento e de trabalho, que preservem este posicionamento ético no contato pessoal. (VASCONSELOS apud Mezzomo (2002, p. 14-15).

Os elementos do ambiente humanizado influenciam no bem-estar e provocam estímulos sensoriais que resultam no tipo de comportamento e atitude que cada pessoa tem. Um exemplo muito usado é a utilização da natureza, sendo que ela pode estar dentro ou fora do mesmo espaço do paciente. Segundo pesquisas de Cavalcanti (2016) a presença de gramas, arvores, água e flores tem o poder de acalmar os pacientes, proporcionando uma trégua mental, fazendo com que o pensamento se direcione para outro lugar ou recordação, e que o paciente esqueça que está ali para algum tratamento e/ou não está se sentindo bem. A humanização na saúde é aplicada pela criação de melhores condições para pacientes e profissionais da área, aprimorando o relacionamento interpessoal dos envolvidos dentro desse ambiente, além da busca por um atendimento mais qualificado e apropriado. Na arquitetura hospitalar podemos citar como referência no Brasil o arquiteto João Figueiras Lima, mais conhecido como Lelé. Ele desenvolve projetos junto à rede de hospitais Sarah Kubitschek, com o intuito de integrar as


práticas junto ao ambiente físico. Segundo ele, a beleza não pode ser excluída mesmo o edifício sendo projetado com extremo rigor, obedecendo normas e leis. [...] Ninguém se cura somente da dor física, tem de curar a dor espiritual também. Acho que os centros de saúde que temos feito provam ser possível existir um hospital mais humano, sem abrir mão da funcionalidade. Passamos a pensar a funcionalidade como uma palavra mais abrangente: é funcional criar ambientes em que o paciente esteja à vontade, que possibilitem sua cura psíquica. Porque a beleza pode não alimentar a barriga, mas alimenta o espírito. ” (LIMA, 2004)

O arquiteto ainda busca soluções através de espaços coletivos. Um exemplo citado por pessoas que acompanham seu trabalho é a utilização de jardins com obras de arte, onde contribuem no processo de cura do paciente. Essa rede de hospitais conta com soluções arquitetônicas para melhorar as condições em relação ao conforto térmico, com a utilização de iluminação e ventilação naturais, sheds e brises. No objeto de intervenção a humanização será muito importante para os tratamentos oferecidos, exemplos que podem ser citados de soluções que serão oferecidas a estes pacientes são: a utilização de variações de aromas para que esse esteja presente e percebido por um longo espaço de tempo e, para uma melhor organização do espaço, esses aromas podem ser separados em relação à diferentes ambientes, onde cada um tenha seu aroma próprio, sendo eles distintos ou apenas variando sua intensidade. Outro exemplo que também deve ser utilizado é a presença de cores, elas contribuem na sensação de bem-

estar e cura do paciente. Também devese utilizar áreas verdes, ventilação e iluminação natural, que contribuem no combate a infecção hospitalar e causam uma sensação agradável.

Ilustração 49 – Exemplo de humanização no ambiente de cura Fonte: https://www.pinterest.de/ pin/744149538400596479/?lp=true

A utilização de móveis e materiais articulados é essencial para que, independente o espaço onde estão inseridos, eles fiquem flexíveis e adaptáveis a qualquer alternativa de tratamento. A humanização precisa ser muito bem projetada para que não haja poluição visual, evitando o desconforto do paciente naquele local, como representado na imagem a seguir.

Ilustração 50 – Exemplo de exagero na humanização Fonte: https://m.epochtimes.com.br/tradicional-espaco-diagnosticos-ganha-design-humanizado/

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Hospital de reabilitaçao Sarah Kubitschek Lago Norte, Brasília

Nemours Children Hospital Orlando, Flórida


Hospital do Rócio Campo Largo, Paraná

One Kids Place Children’s Treatment Center Ontório, Canadá

6.0 LEITURAS PROJETUAIS

As leituras projetuais são de total importância para o projeto arquitetônico que será proposto pois, além de serem diferentes devido suas necessidades, também abrangem um contexto de diferentes formas, normas e visões que podem ser trabalhadas em relação à um ambiente de saúde, como exemplo a utilização de materialidades, humanização, integrações e outro elementos. Os projetos nacionais são: Hospital de Reabilitação Sarah Kubitschek, do Lago Norte, em Brasília e o Hospital do Rocio, localizado em Campo Largo, Paraná. Esses projetos visam principalmente o aspecto da humanização, onde abordam uma melhor compreensão do espaço e também contribui no processo de cura dos pacientes. Os projetos internacionais escolhidos foram: Nemours Children Hospital, localizado em Orlando, na Flórida e o One Kids Place Children’s Treatment Center, de Ontário, no Canadá. Esses dois projetos têm como partido a integração de ambientes em relação aos tratamentos oferecidos, fator esse muito importante no projeto arquitetônico proposto.

Ilustrações 51, 52, 53 e 54 - Leituras projetuais escolhidas Fontes: Localizadas a seguir nas referências

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6.1 HOSPITAL DE REABILITAÇÃO SARAH KUBITSCHEK - LAGO NORTE, BRASÍLIA O Centro Internacional de Neurociências e Reabilitação Sarah Lago Norte, está localizado na cidade de Brasília, capital brasileira. Foi projetado e coordenado pelo arquiteto João Figueiras Lima (Lelé) às margens do lago Paranoá, tendo como uso institucional uma área total de 80.000m², sendo 24.000m² de área construída. O projeto iniciou-se em 1995 e foi concluído em dezembro de 2003, com a finalidade de desenvolver terapias de reabilitação física e psicológica ao ar livre e atuam em uma etapa mais avançada

Ilustração 55 – Localização Rede Sarah – Lago Norte Fonte: Google Maps Edição: Elaborado pela autora

do paciente em reabilitação. Localizado em um terreno bem acentuado, o projeto conta com uma arquitetura horizontal com diversas atividades esportivas, viabilizando a integração de espaços externos e internos, facilitando assim a circulação em grandes espaços. O empreendimento também recebe estudantes de graduação em pedagogia e psicologia para realizarem estágios supervisionados, vinculado com o programa de Dimensão Metacognitiva (MCD).


6.1.1 IMPLANTAÇÃO

Ilustração 56 – Implantação Rede Sarah – Lago Norte Fonte: http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/13.153/4865 Edição: Elaborado pela autora

O projeto conta com três grandes edificações térreas que são interligadas por grandes áreas verdes e rampas suaves. Devido ao desnível do terreno os pacientes e usuários do local tem uma vista privilegiada do lago Paranoá e também das outras edificações, em diferentes pontos do complexo. Isso está ligado ao processo de humanização dos ambientes, presente em suas áreas externa e interna. A primeira estrutura é

considerada como principal, tendo em sua extensão o ginásio e internações. Na segunda estrutura é encontrado o centro de apoio à paralisia cerebral. Já na última e mais alta estrutura ficam as residências médicas, pesquisas e também o auditório.

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6.1.2 PROGRAMA

Ilustração 57 – Programa Rede Sarah – Lago Norte Fonte: http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/13.153/4865 Edição: Elaborado pela autora

São oferecidos pelo programa: laboratório e oficina mecânica para desenvolver equipamentos, laboratório de movimento, ambulatório para avaliação de pacientes em tratamento, ginásio para fisioterapia, esportes náuticos e hidroterapia, laboratório em movimento, internação com 180 leitos para instalações destinadas à semi-internação, instalações para sessenta acompanhantes, auditório para trezentos lugares, centro de estudos com biblioteca, centro de readaptação e desenvolvimento de habilidades com oficinas, residência para vinte professores visitantes, serviços gerais com cozinha, lavanderia, farmácia, refeitório, central

de materiais, almoxarifados e limpeza e também o anfiteatro ao ar livre para trezentas pessoas.


6.1.3 SETORIZAÇÃO A localização de cada ambiente interno define-se a partir das relações das atividades realizadas, tendo como

principal elemento a facilidade dos fluxos dos usuários.

Ilustração 58 – Setorização primeira estrutura – Lago Norte Fonte: http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/13.153/4865 Edição: Elaborado pela autora

O primeiro bloco, sendo este o principal, é composto por áreas destinadas a setores de reabilitação, localizadas no ginásio de esportes, sendo elas: hidroterapia comporta por três piscinas de águas aquecidas, uma delas em formato circular onde são feitas terapias de equilíbrio, a fisioterapia de adultos com salões separados por estruturas flexíveis que movem de acordo com a necessidade, e também quadra

Pode-se considerar o local então como semi-privado, ou seja, um local que não pode ser adentrado por qualquer pessoa, sendo esse acesso exclusivo aos pacientes acompanhados por responsáveis pelo local. Os acessos a essa estrutura se dão pelos caminhos do jardim que chegam até ela, contendo várias entradas, para que assim o paciente/usuário não tenha que atravessar de um lado para o outro. A circulação dentro desta estrutura é

de esportes. Além disso o edifício conta com um suporte de área administrativa e serviços. Na parte externa, encontrase exercícios náuticos junto ao lago que também fazem parte das terapias.

feita através de corredores extensos que ligam todas as salas importante de uma extremidade à outra.

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Ilustração 59 – Primeira estrutura – Lago Norte Fonte: http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/13.153/4865

Ilustração 60 – Ginásio de esportes aquáticos – Lago Norte Fonte: Google imagens


Ilustração 61 – Setorização segunda estrutura – Lago Norte Fonte: http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/ projetos/13.153/4865 Edição: Elaborado pela autora

A segunda estrutura é composta pelo centro de apoio a paralisia cerebral voltada para a reabilitação infantil, composto por um prédio circular com 52 metros de diâmetro. Essa estrutura também serve como escola para crianças especiais. O espaço é todo destinado a elas, tendo como atividades terapias coletivas, jogos e piscina. O playground fica próximo a esta estrutura e é utilizado como lazer e também voltando à fisioterapia. Existem dois acessos ligados à esta estrutura: um deles é direcionado à área da recepção, onde a maioria dos acompanhantes aguardam e, o outro, é direcionado à área central com piscina.

Ilustração 62 – Entrada principal segunda estrutura – Lago Norte Fonte: https://bibfauusp.wordpress. com/2010/07/14/exposicao-a-arquitetura-de-lele-fabrica-e-invencao/

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Ilustração 63 – Setorização terceira estrutura – Lago Norte Fonte: http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/13.153/4865 Edição: Elaborado pela autora

Ilustração 64 – Terceira estrutura – Lago Norte Fonte: http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/13.153/4865


A terceira e última estrutura fica localizada no ponto mais alto do terreno. Lá é encontrado a residência médica com 21 apartamentos destinados a eles, além de salas de aula, auditório para trezentas pessoas e também uma biblioteca. Os acessos à essa última estrutura são pelos dois lados dela. Alguns deles são destinados diretamente ao foyer e ao auditório, já os outros, ligados aos apartamentos. Há uma presença de ambientes ajardinados nas áreas externas, projetados pela Alda Rabello, que fazem uma composição com todas as estruturas já citadas.

Ilustração 65 – Área playground – Lago Norte Fonte: http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/13.153/4865

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6.1.4 CONFORTO TÉRMICO Como partido, o desenvolvimento do projeto está totalmente relacionado com elementos construtivos voltados ao conforto ambiental e térmico. As coberturas em formas de Sheds é suficiente para a troca de ar devido à altura do pé direito. As curvas aerodinâmicas que

agradável. O uso de ar condicionado foi substituído pelas ventilações cruzadas em consequência destas aberturas de sheds, além disso eles são basculantes, podendo controlar a incidência solar e a ventilação. Na figura a seguir, podemos notar a presença de espaços abertos

compõe parte do edifício favorecem a saída de ar, sendo jogando de dentro para fora, deixando o ambiente

que contribuem para essa iluminação e ventilação natural.

Ilustração 66 – Corte esquemático do sistema de ventilação e iluminação – Lago Norte Fonte: http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/13.153/4865

Ilustração 67 – Corte esquemático do sistema de ventilação no centro de apoio à paralisia cerebral – Lago Norte Fonte: http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/13.153/4865


Ilustrações 68 e 69 – Imagens de diversos ambientes ligados ao conforto – Lago Norte Fonte: http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/13.153/4865

Ilustração 70 – Jardim integrado ao hall principal – Lago Norte Fonte: http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/ projetos/13.153/4865

Ilustração 71 – Cobertura em Sheds do Ginásio – Lago Norte Fonte: http://livros01.livrosgratis.com.br/cp131237. pdf “Gostaria de trabalhar como um designer, mas estou muito aquém disso. Do ponto de vista conceitual, meu trabalho seria isso: juntar partes. A indústria, de modo geral, assume a recorrência, a repetição para se aprimorar. Mas se eu tivesse repetido o shed de Salvador em Fortaleza não teria aprimorado nada. Através das pesquisas que fiz e da sua justa aplicação, hoje tenho uma consciência maior sobre como funciona o shed. O princípio de cobertura em shed é recorrente, mas a desenho da cobertura não é o mesmo. Tem sempre uma novidade, algum aperfeiçoamento. ” (LIMA, 2007)

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6.1.5 ESTRUTURA E MATERIALIDADE A estrutura é na grande maioria feita de componentes pré-fabricados (aço e argamassa armada), tendo como principais elementos vigas e pilares metálicos, feitos por chapas de aço SAC 50, que tem grande resistência. Ela também vence vãos de até 13 metros, apoiados por estes pilares de seção circular, onde esse tipo de vigamento é denominado como duplo e recebe a carga de treliças metálicas. As águas pluviais são captadas por calhas metálicas no interior do vigamento. Além disso, os forros também são metálicos, revestidos com geotêxtil para o isolamento. As imagens a seguir apresentam essa construção.

A materialidade dos edifícios se dá com a presença de vidros, aço e metais. Esses elementos ajudam cada construção a criar sua identidade, proporcionando soluções inteligentes que aproveita o máximo do espaço em que está inserida. A utilização dos vidros é feita para a entrada da iluminação natural, os sheds para ventilação, e o aço e metais voltados à parte estrutural.

Ilustrações 72 e 73 – Materiais em diversas estruturas – Lago Norte Fonte: http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/13.153/4865


Ilustração 74 - Estrutura do Ginásio, vigamento duplo, apoiado em pilares metálicos de seção circular – Lago Norte Fonte: Livro João Figueira Lima, Lelé, pág. 213

Ilustração 75 - Sistema construtivo: montagem dos Sheds – Lago Norte Fonte: Livro João Figueira Lima, Lelé, pág. 213

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6.1.6 HUMANIZAÇÃO

Ilustração 76 - Painéis Athos Bulcão – Lago Norte Fonte: Livro João Figueira Lima, Lelé, pág. 213

Ilustrações 77 e 78 – Utilização de vegetação e cores – Lago Norte Fonte: http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/ projetos/13.153/4865


O arquiteto busca interligar esses elementos citados acima em conjunto com a humanização dos espaços, garantindo ao usuário um conforto de qualidade e contribuindo para o melhoramento de sua reabilitação. Espaços agradáveis ajudam no processo de cura do paciente, como ventilação natural, espaços verdes, uso de iluminação e entre outros. Um exemplo muito importante que está presente neste projeto é a utilização dos painéis de Athos Bulcão que, além de delimitarem os ambientes, também cria espaços agradáveis. Além disso, em toda a extensão das construções, é encontrado o uso de jardins internos e externos, tendo sempre integração com exterior e interior. A utilização de cores também está presente, ajudando a reforçar a informação visual. Para isso foi pensado em uma harmonia das mesmas, evitando assim o cansaço.

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6.2 HOSPITAL DO RÓCIO CAMPO LARGO, PARANÁ

Ilustração 79– Localização Hospital do Rocio Fonte: Google Maps Edição: Elaborado pela autora

O Hospital do Rocio está localizado na cidade de Campo Largo, região metropolitana de Curitiba. Foi projetado pelo escritório Manoel Coelho Arquitetura & Design e construído pela Engerama Engenharia e Empreendimento no ano de 2014. O hospital é conhecido pela imponência que tem e, seu conceito se baseia em organizar as áreas de acordo com a função que ela oferece. Ele é considerado o maior da América Latina em relação à números de leitos, tendo capacidade para realizar 4.000

atendimentos mensais, e é destinado aos usuários do Sistema Único de Saúde – SUS. A edificação do Rócio possui 53.000 metros quadrados.


6.2.1 IMPLANTAÇÃO

Ilustração 80 – Implantação Hospital do Rocio Fonte: Google Maps Edição: Elaborado pela autora

Ilustrações 81 e 82 – Áreas externas - Hospital do Rocio Fonte: https://www.archdaily.com/874790/rocios-hospital-manoel-coelho-arquitetura-e-design/

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6.2.2 PROGRAMA No andar térreo existem dois centros de imagem e diagnóstico para realizar exames, um centro cirúrgico com aproximadamente trinta salas, UTI neonatal, pediátrica e outras com atendimentos gerais que contam com uma área de

1.000m², com 70 incubadoras e 30 leitos, além de farmácia, departamento de serviços estéreis, unidade de emergência e espaços destinados à recepção.

Andar térreo

Ilustração 83 – Térreo - Hospital do Rocio Fonte: https://www.archdaily.com/874790/rocios-hospital-manoel-coelho-arquitetura-e-design/ Edição: Elaborado pela autora

Ilustrações 84 e 85 – Ambiente internos pavimento térreo - Hospital do Rocio Fonte: https://www.archdaily.com/874790/rocios-hospital-manoel-coelho-arquitetura-e-design/


No primeiro pavimento fica um auditório para 350 pessoas que é usado para congressos médicos e também outros eventos, também algumas suítes que ao todo somam 1.100 leitos, sendo 100 para observação, 700 para internação e 300 para UTI, que servem de apartamentos

para as pessoas que irão pernoitar, um laboratório e uma variedade de enfermarias que ao todo podem receber mais de 30 mil consultas por mês. Este programa contém lajes jardins espalhadas por toda a extensão da construção. Primeiro pavimento

Ilustração 86 – Primeiro pavimento - Hospital do Rocio Fonte: https://www.archdaily.com/874790/rocios-hospital-manoel-coelho-arquitetura-e-design/ Edição: Elaborado pela autora

Ilustrações 87 e 88 – Ambiente internos pavimento térreo - Hospital do Rocio Fonte: https://www.archdaily.com/874790/rocios-hospital-manoel-coelho-arquitetura-e-design/

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No segundo pavimento tem a predominância de enfermarias, distribuídas em diversas áreas. Há

também um espaço acadêmico, áreas administrativas, um auditório maior que do primeiro pavimento e um lactário.

Ilustração 89 – Segundo pavimento - Hospital do Rocio Fonte: https://www.archdaily.com/874790/rocios-hospital-manoel-coelho-arquitetura-e-design/ Edição: Elaborado pela autora

Ilustrações 90 e 91 – Ambiente internos segundo pavimento - Hospital do Rocio Fonte: https://www.archdaily.com/874790/rocios-hospital-manoel-coelho-arquitetura-e-design/


6.2.3 SETORIZAÇÃO

Ilustração 92 – Setorização térreo - Hospital do Rocio Fonte: https://www.archdaily.com/874790/rocios-hospital-manoel-coelho-arquitetura-e-design/ Edição: Elaborado pela autora

Os acessos destinados ao prédio podem ser separados em três entradas, sendo elas: geral, atendimento e tratamento ambulatorial. A geral é a seta azul da esquerda da planta, destinada à informações, consultas e serviços diversos. O atendimento é voltado para serviços de áreas específicas do hospital, como farmácia por exemplo. Por fim tem a entrada ambulatorial, onde se dá o acesso das ambulâncias ao edifício e de pessoas

que estão buscando atendimento, acompanhando ou visitando pacientes. No pavimento térreo são disponibilizados serviços divididos entre público e privado, sendo o privado destinado aos atendimentos e o público à circulação de pessoas, foyer e salas de espera. A circulação vertical se estende por toda a área da construção, tendo acesso a todos os andares da edificação.

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Ilustração 93 – Setorização primeiro pavimento - Hospital do Rocio Fonte: https://www.archdaily.com/874790/rocios-hospital-manoel-coelho-arquitetura-e-design/ Edição: Elaborado pela autora

Ilustração 94 – Setorização segundo pavimento - Hospital do Rocio Fonte: https://www.archdaily.com/874790/rocios-hospital-manoel-coelho-arquitetura-e-design/ Edição: Elaborado pela autora


O primeiro pavimento tem aproximadamente metade do espaço voltado para áreas públicas, sendo nelas as grandes lajes jardins. A circulação concentra-se nos corredores que dão acesso diretamente aos setores que fazem a distribuição do espaço em diferentes pavimentos. O hospital separa esses setores em: principal, ambulatorial e serviço.

O segundo pavimento é praticamente todo voltado a áreas privadas, para atendimentos e área administrativa. O único local além do foyer que se considera público é o auditório, que recebe público de acordo com o evento que está acontecendo.

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6.2.4 CONFORTO TÉRMICO A concepção principal do conforto se baseia em buscar uma exploração e otimização da luz natural, obtendo uma conexão entre ambientes externo e interno. Um exemplo é a vista para o bosque ao lado do edifício, que contém araucárias e pinheiros típicos do estado.

incidência de luz, garantindo um conforto térmico aos usuários. Há também áreas externas vinculadas ao edifício que ajudam na comodidade e conforto dos usuários.

A iluminação é feita através de grandes lajes jardins em diversas áreas, que melhoram o conforto térmico e ajuda na economia de energia elétrica. Para garantir melhor eficácia ambiental foi projetado um reaproveitamento de águas pluviais e aquecimento solar. Foram também utilizados brises metálicos que ajudam controlar a

Ilustração 95 – Paisagismo externo - Hospital do Rocio Fonte: https://www.archdaily.com/874790/rocios-hospital-manoel-coelho-arquitetura-e-design/

Ilustração 96 – Área recepção - Hospital do Rocio Fonte: https://www.archdaily.com/874790/rocios-hospital-manoel-coelho-arquitetura-e-design/


Ilustração 97 – Iluminação natural- Hospital do Rocio Fonte: https://www.archdaily.com/874790/rocios-hospital-manoel-coelho-arquitetura-e-design/

Ilustração 98– Utilização de brises - Hospital do Rocio Fonte: https://www.archdaily.com/874790/rocios-hospital-manoel-coelho-arquitetura-e-design/

Ilustração 99 – Abertura naturais - Hospital do Rocio Fonte: https://www.archdaily.com/874790/rocios-hospital-manoel-coelho-arquitetura-e-design/

Ilustração 100 - Paisagismo - Hospital do Rocio Fonte: https://www.archdaily.com/874790/rocios-hospital-manoel-coelho-arquitetura-e-design/

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6.2.5 ESTRUTURA E MATERIALIDADE A materialidade da fachada é composta por alumínio que, segundo a empresa responsável pela construção, garante fácil e duradoura manutenção, além de promover um aspecto moderno. Também existem grandes painéis de vidro que harmonizam junto com o alumínio, trazendo uma construção moderna e imponente. Na parte interna foi projetado um sistema que retrata cores diversas em áreas diferentes do hospital, tendo como princípios direcionar os usuários e quebrar um ambiente insípido.

Ilustração 101 – Materialidade externa - Hospital do Rocio Fonte: https://www.archdaily.com/874790/rocios-hospital-manoel-coelho-arquitetura-e-design/


Ilustração 102 – Interno - Hospital do Rocio Fonte: https://www.archdaily.com/874790/rocios-hospital-manoel-coelho-arquitetura-e-design/

Ilustração 103 – Materialidade interna - Hospital do Rocio Fonte: https://www.archdaily.com/874790/rocios-hospital-manoel-coelho-arquitetura-e-design/

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6.2.6 HUMANIZAÇÃO A humanização dos espaços é bastante perceptível neste projeto, com diversos espaços jardins internos totalizando mais de 5.000m², além dos espaços externos de paisagismo e vegetação, como o bosque e o parque da lagoa, que ficam bem próximos da edificação. As áreas internas paisagísticas são destinadas aos acompanhantes, pacientes e funcionários do local, onde esses conseguem desfrutar de um lugar aconchegante, amplo e confortável.

O vidro utilizado foi um fator primordial para essa conexão acontecer, pois além de contribuir no conforto, ele também ajuda na conexão do usuário. Foram utilizados também elementos de cores, que contribuem para a valorização do ambiente, tornando-o mais agradável.

Ilustrações 104 e 105 – Ambiente internos integrados - Hospital do Rocio Fonte: https://www.archdaily.com/874790/rocios-hospital-manoel-coelho-arquitetura-e-design/


Ilustração 106 – Integração de ambientes Hospital do Rocio Fonte: https://www.archdaily.com/874790/rocioshospital-manoel-coelho-arquitetura-e-design/

Ilustração 107 – Relação externo e interno Hospital do Rocio Fonte: https://www.archdaily.com/874790/rocioshospital-manoel-coelho-arquitetura-e-design/

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6.3 NEMOURS CHILDREN HOSPITAL ORLANDO, FLÓRIDA O Nemours Children Hospital está localizado na cidade de Orlando, estado da Flórida, nos Estados Unidos.

Fundação Nemours. Além disso, o conceito se baseia em proporcionar um ambiente de cura, tranquilizando,

Foi projetado pelo arquiteto Stanley Beaman & Sears, onde sua construção teve início em 2009 e foi inaugurado em 2012, usufruindo de uma área projetada de 192.000m² e criando junto a ele o único sistema de saúde com dois hospitais pediátricos autônomos, denominado

encorajando, divertindo e inspirando crianças com doenças terminais, crônicas ou diagnósticos complexos da infância à idade adulta, por todo o decorrer desse tratamento.

Ilustração 108 – Localização Nemours Children Hospital Fonte: Goole maps Edição: Elaborado pela autora

Ilustração 109 – Fachada colorida Hospital Infantil Nemours Fonte: https://www.arch2o.com/nemours-childrens-hospital-stanley-beaman-sears/


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6.3.1 IMPLANTAÇÃO O projeto sai totalmente do clichê, contendo espaços paisagísticos e frescos, interior minuciosamente planejado, que diante de toda a arquitetura moderna se

torna um espaço cheio de vida e tem um papel muito importante no processo de cura das crianças.

Ilustração 110 – Implantação - Hospital Infantil Nemours Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/01-163632/ hospital-infantil-nemours-slash-stanley-beaman-and-sears


Ilustração 111 – Volumetria e fachada do Hospital Infantil Nemours Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/01-163632/ hospital-infantil-nemours-slash-stanley-beaman-and-sears

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6.3.2 PROGRAMA

Ilustração 112 – Térreo - Hospital Infantil Nemours Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/01-163632/hospital-infantil-nemours-slash-stanley-beaman-and-sears. Edição: Elaborado pela autora

No pavimento térreo encontramos programas como área de recreação para crianças, biblioteca, centro de aprendizagem e dados, recepção, auditório, entre outros listados na figura acima. Este pavimento tem fácil acesso aos jardins externos com amplas áreas onde o trânsito é livre, então a ligação dentro/fora do edifício se torna conectada. Além disso, as áreas contêm texturas e mobiliários únicos e lúdicos para que a criança se sintam mais acolhidas. O primeiro pavimento é composto pela área restrita do hospital, tendo em seu programa salas de cirurgia, pré e pós-operatório, ambulatório, salas de recuperação, entra outros. O espaço é

totalmente

humanizado,

sempre

buscando um ambiente aconchegante para as crianças em atendimento. O segundo pavimento é destinado à área de internação com 95 quartos, salas de infusão, ambulatório com um total de 76 salas de exame, salas de espera, jardins para os pacientes e familiares, entre outros. O projeto é destinado exclusivamente aos usuários, pois os quartos foram projetados para que até dois adultos acompanhantes possam ficar bem acomodados, tornando-se um local permanente para ambos. Todos os pavimentos contêm amplas salas de espera, tendo entretenimentos de diversas formas e também acesso a espaços exteriores para lazer e descanso.


Ilustração 113 – Primeiro pavimento - Hospital Infantil Nemours Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/01-163632/hospital-infantil-nemours-slash-stanley-beaman-and-sears Edição: Elaborado pela autora

Ilustração 114 – Segundo pavimento - Hospital Infantil Nemours Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/01-163632/hospital-infantil-nemours-slash-stanley-beaman-and-sears Edição: Autoria própria

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6.3.3 SETORIZAÇÃO

Ilustração 115 – Setorização térreo - Hospital Infantil Nemours Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/01-163632/hospital-infantil-nemours-slash-stanley-beaman-and-sears - Edição: Elaborado pela autora

O uso público é voltado para as áreas de administração e ou tratamentos diversos. As áreas molhadas destinam-se a sanitários e cozinha. Os acessos a este pavimento se dão por diversos pontos: pela entrada principal em frente à recepção, pelas entradas de emergência e também entradas que levam diretamente a serviços específicos, como a administração. A circulação vertical de todo o edifício é feita através de escadas e elevadores, tendo diferenças entre os destinados ao público e aos funcionários, localizado em diversos lugares de sua extensão. Figura 116

Ilustração 116 – Espaço público – área de elevadores Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/01-163632/ hospital-infantil-nemours-slash-stanley-beaman


Ilustração 117 – Setorização primeiro pavimento - Hospital Infantil Nemours Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/01-163632/hospital-infantil-nemours-slash-stanley-beaman-and-sears - Edição: Elaborado pela autora

O primeiro pavimento, como já citado, é voltado para áreas privadas, com uma ampla área cirúrgica. Os espaços destinados ao público são mais perto de áreas externas do complexo, tendo jardins elevados para seu descanso e contemplação.

Ilustração 118 – Setorização segundo pavimento - Hospital Infantil Nemours Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/01-163632/hospital-infantil-nemours-slash-stanley-beaman-and-sears - Edição: Elaborado pela autora

No segundo pavimento o espaço público é reduzido, mas ainda abrange uma parte externa com jardins. Neste pavimento as áreas privadas são voltadas para internações de um prazo maior, por isso ele se localiza na parte mais alta.

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6.3.4 CONFORTO TÉRMICO Os ambientes do Hospital Infantil Nemours são totalmente preparados e voltados para crianças, compostos por jardins iluminados que emitem sons e mudam de cor, permitindo que elas esqueçam que estão ali para um tratamento, se tranquilizem e brinquem. Painéis solares (brises) bloqueiam a luz direta, mas deixam alguma luz natural entrar nos ambientes internos. Os espaços externos foram projetados para serem sombreados e causarem maior conforto para os pacientes devido ao clima subtropical, onde o sol é intenso e a umidade é alta. O conceito principal da parte paisagística é que ela esteja presente em toda a extensão do edifício, ligando assim os ambientes internos ao ar livre, tornando-os visualmente melhores e mais funcionais, saindo totalmente do clichê hospitalar. Este projeto tem como objetivo proporcionar a melhor qualidade de vida para seus pacientes e, para isso, conta com terraços ajardinados interligados aos pavimentos para recreação, que foram plantados logo no início da obra para que o paisagismo estivesse em fase madura na sua inauguração, remetendonos à ideia de um edifício que integra sustentabilidade e tecnologia de diversas maneiras.


Ilustrações 119 e 120 – Jardins externos - Hospital Infantil Nemours Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/01-163632/ hospital-infantil-nemours-slash-stanley-beaman-and-sears

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6.3.5 ESTRUTURA E MATERIALIDADE Os materiais utilizados foram painéis de metal, vidros translúcidos e coloridos, e um conjunto de sistemas pré-moldados, resultando em uma combinação de acabamentos de “alto desempenho” trazendo uma estética moderna e ao mesmo tempo simples. Nos ambientes interiores os diferentes materiais também resultam em uma estética simples, contracenando em conjunto com as diversidades de mobiliários coloridos e diversas ilustrações gráficas que garantem uma comodidade maior no espaço.

Na entrada principal, há uma parede que foram estampados elementos da natureza com o intuito de criar um ambiente relaxante e acolhedor. Figuras 123 e 124. A utilização de iluminação artificial interna também é bem presente. Esses exemplos nas figuras 125 e 126 mostram a iluminação em led contribuindo para o interesse e interação da criança.

Ilustrações 121 e 122 – Materialidade externa Hospital Infantil Nemours Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/01-163632/ hospital-infantil-nemours-slash-stanley-beaman-and-sears


Ilustrações 123 e 124 – Presença de natureza Hospital Infantil Nemours Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/01-163632/ hospital-infantil-nemours-slash-stanley-beaman-and-sears

Ilustrações 125 e 126 – Painéis em LED na entrada principal - Hospital Infantil Nemours Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/01-163632/ hospital-infantil-nemours-slash-stanley-beaman-and-sears

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A iluminação colorida que se vê durante o período noturno, com diversas tonalidades, é definida pela criança que está internada em cada quarto, onde cada uma podem escolher a cor que mais lhe agrada e através de uma luminária a cor é projetada em todo o ambiente, fazendo com que ela se sinta acolhida, confortável, sem qualquer menção a um hospital ou enfermidade, além de criar uma bela dinâmica na fachada. Essa diversidade de cores faz assimilação com um cubo de rubik.

Ilustração 127 – Diversidade de cores na fachada Hospital Infantil Nemours Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/01-163632/ hospital-infantil-nemours-slash-stanley-beaman-and-sears


6.3.6 HUMANIZAÇÃO O principal conceito desse projeto se baseia na humanização dos espaços, garantindo o conforto dos usuários e acelerando o processo de cura. Nele foram utilizados elementos projetuais estratégicos, como iluminação natural e artificial, contato com o paisagismo, ligação entre espaços internos e externos e utilização de cores. Tudo isso faz com que cada ambiente traga um certo relaxamento e comodidade aos pacientes e familiares que aguardam o atendimento. Todos os mobiliários utilizados trazem uma forma lúdica ao espaço, além de entretenimento para todas as idades.

Ilustrações 128, 129 e 130 – Ambiente humanizados - Hospital Intantil Nemours Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/01-163632/ hospital-infantil-nemours-slash-stanley-beaman-and-sears

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6.4 ONE KIDS PLACE CHILDREN’S TREATMENT CENTER, CANADÁ O One Kids Place Children’s Treatment Centro está localizado na cidade de Ontário, Canadá. Foi projetado pelo arquiteto Paul Mitchell, sua construção contém uma área total de 3.836m² e foi inaugurado em 21 de setembro de 2009. Elaborado com o intuito de não ter fins lucrativos, tornou-se referência entre locais de saúde por apresentar um atendimento completo, oferecendo conforto

através de ambientes humanizados. O local é totalmente direcionado a atender crianças e jovens até 19 anos e também recebe residentes de diversas universidades. Este hospital atua ainda com outros serviços como trabalho social, práticas médicas especializadas, fisioterapia, terapia recreativa e terapias da fala.

Ilustração 131 – Localização - One Kids Place Fonte: Goole maps Edição: Elaborado pela autora


6.4.1 IMPLANTAÇÃO

O projeto acontece na junção de sete blocos em um único pavimento no andar térreo, trazendo aos pacientes e usuários uma independência de circulação.

Ilustração 132 – Implantação - One Kids Place Fonte: https://www.archdaily.com/82958/one-kids-place-mitchell-architects

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6.4.2 PROGRAMA O projeto conta com ambientes horizontais de forma integrada, facilitando o fluxo de paciente e funcionários. O pátio no centro da construção permite que a luz natural seja distribuída pelo interior, tendo

Ilustração 133 – Programa - One Kids Place Fonte: https://www.archdaily.com/82958/one-kids-place-mitchell-architects Edição: Elaborado pela autora

Ilustração 134 – Pátio - One Kids Place Fonte: https://www.archdaily.com/82958/one-kids-place-mitchell-architects

uma conexão do externo com o interno. Além disso, o pátio recebe outras funções como local de relaxamento, terapias e celebrações.


6.4.3 SETORIZAÇÃO Como mostrado na figura 133, a construção baseia-se parcialmente em áreas privadas destinadas a tratamentos. As áreas públicas ficam voltadas à parte externa, onde estão as áreas

paisagísticas e também de recepção. Os acessos diferenciam-se de públicos e “funcionários” e as áreas de circulação são totalmente acessíveis.

Ilustração 135 – Setorização - One Kids Place Fonte: https://www.archdaily.com/82958/one-kids-place-mitchell-architects Edição: Elaborado pela autora

Ilustração 136 – Acesso as salas de reabilitação One Kids Place Fonte: https://www.archdaily.com/82958/one-kids-place-mitchell-architects

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6.4.4 CONFORTO TÉRMICO A utilização de brises aplicados nas fachadas da construção resultou no controle da temperatura dos ambientes, servindo de barreira física sem impedir que a iluminação natural entrasse ao

Os pavimentos com vãos altos têm a finalidade de receber um proveito maior de iluminação natural. A forma da construção foi projetada pensando na posição que esses teriam em relação à

ambiente.

captação de luz solar.

Ilustração 137 – Utilização de brises - One Kids Place Fonte: https://www.archdaily.com/82958/one-kids-place-mitchell-architects

Ilustração 138 – Corte esquemático - One Kids Place Fonte: https://www.archdaily.com/82958/one-kids-place-mitchell-architects


6.4.5 MATERIALIDADE Foram utilizados materiais naturais na construção, sendo eles: tijolo de barro, cedro, ardósia, pedra calcária (soleiras polidas, alvenaria e telhas) e madeiras laminadas. Também utilizaram vidros translúcidos e coloridos.

Ilustração 139 – Materialidade externa - One Kids Place Fonte: https://www.archdaily.com/82958/one-kids-place-mitchell-architects

Ilustrações 140, 141, 142 e 143 – Materialidade interna - One Kids Place Fonte: https://www.archdaily.com/82958/one-kids-place-mitchell-architects

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Na recepção existem duas claraboias piramidais que auxiliam na captação de luz natural, além de uma delas possuir uma parede viva de seis metros de altura.

Ilustrações 144 e 145 – Composições interna One Kids Place Fonte: https://www.archdaily.com/82958/one-kids-place-mitchell-architects

Os painéis de vidros coloridos encontrados em várias fachadas fazem com que as cores reflitam em todo o

Ilustração 146 – Entrada de iluminação natural One Kids Place Fonte: https://www.archdaily.com/82958/one-kids-place-mitchell-architects

espaço interno em diversas horas do dia, causando um ambiente aconchegante, humanizado e muito empolgante.


6.4.6 HUMANIZAÇÃO

Ilustração 147 – Recepção humanizada - One Kids Place Fonte: https://www.archdaily.com/82958/one-kids-place-mitchell-architects

Como já mostrado nas imagens anteriores, os ambientes do One Kids Place são totalmente humanizados, trazendo comodidade, tranquilidade e entretenimento aos paciente e usuários daquele local. Além das cores, imagens e elementos naturais que auxiliam no processo de humanização, foi colocado na sala de espera um aquário de água salgada de três metros de comprimento que proporciona entretenimento e contato com a natureza aos acompanhantes que ali aguardam. (Figura 145)

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6.5 SÍNTESE LEITURAS Em relação aos projetos apresentados conclui-se que todos são de extrema importância e utilização no processo de implantação de um novo projeto arquitetônico na cidade de Batatais, sendo este um centro especializado em reabilitação. Visando todas as informações apresentadas o fator primordial abordado será a humanização, sendo utilizada em diversos ambientes com texturas, cores, iluminações específicas, paisagismo e proporcionando um ambiente agradável e acolhedor para os pacientes e demais usuários desse local. No que diz respeito aos locais escolhidos como referência projetual, o fator decisivo para escolha do Hospital de Reabilitação Sarah Kubitscheck Lago Norte, situado em Brasília-DF, como referência foi a humanização muito presente nos ambientes, sendo cada um deles planejados para melhorar e acelerar o processo de cura do paciente, além da notável união dos ambientes externo e interno por todo o complexo. Já o Hospital do Rocio em Campo Largo no Paraná utiliza de elementos modernos e de forte impacto, imponente, sendo observados em grande proporção por todo o edifício. O quesito que mais sobressaiu para a escolha desse projeto foi a grande área de contemplação paisagísticas ou funções específicas. Os ambientes têm relações uns com os outros e áreas de permanência possui um pé direito bastante alto, garantindo o

conforto térmico e gerando qualidade de iluminação e ventilação natural. No terceiro projeto escolhido, o Nemours Children Hospital, que fica em Orlando, na Flórida, a humanização prevalece, tendo uma grande presença de cores e materialidades que ajudam o paciente no seu tratamento e evolução. As salas internas cobertas, imagens ilustrativas e grandes áreas com mobiliário personalizado foram os pontos principais que contribuíram para a escolha deste projeto, que utiliza grandes elementos como materialidades, texturas, mobiliário, paisagismo, grande presença de cores e grande conforto térmico. Por último temos o projeto One Kids Place Children’s Treatment center, em Ontório, no Canadá, que contribuiu para um melhor entendimento de projetos de grande importância e impacto no meio que está inserido, sem precisar de verticalização. Isso se dá pela legislação da área onde ele foi construído, que não permite uma verticalização da área. Os critérios que apontaram este projeto na seleção e referência para este trabalho foram os elementos de humanização, relações externas e internas e grandes áreas de permanência que continham texturas, cores e distrações para que as crianças se sintam mais à vontade num local de tratamento.

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7.0 A CIDADE DE BATATAIS

7.1 EVOLUÇÃO HISTÓRICA Batatais é um município localizado no estado de São Paulo, situado na sub-região 4, que parte da região metropolitana de Ribeirão Preto (RMRP). Em seu entorno encontramos cidades como Brodowski, Altinópolis, Sales Oliveira, Jardinópolis e Nuporanga. Segundo dados encontrados no site da Emplasa (2018) a cidade possui uma área de 849,5 km², com densidade demográfica de 73,01 hab/km² e população de 62.024

Mapa 01 – Localização de Batatais no estado de São Paulo Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Batatais

habitantes. Além disso ela está localizada a 862 metros de altitude, com latitude de 20°53’28’’ e longitude de 47°35’06’. As principais atividades econômicas da cidade estão voltadas à agricultura, com a produção de café e cana-de-açúcar, além de indústrias metalúrgicas que manufaturam aço inox e produtoras de implementos agrícolas.


Mapa 02 – Região Metropolitana de Ribeirão Preto Fonte: https://www.emplasa.sp.gov.br/RMRP

O acesso à cidade de Batatais se dá pelas rodovias Altino Arantes (SP – 351), que interliga as cidades de Ribeirão Preto a Franca, passando por Batatais na metade do trajeto, e a Cândido Portinari (SP – 334), que interliga as cidades de Altinópolis e Sales Oliveira, também contornando a cidade na metade do trajeto. Dentre as cidades vizinhas considera-se Ribeirão Preto a mais importante, localizada a quarenta e dois quilômetros, por sua densidade populacional e forte economia, além de ter uma grande demanda no mercado de trabalho, oportunidades de estudo e ofertas de lazer. De uma forma geral a região é bem desenvolvida, tendo em seu portfólio educacional oferecido

à população universidades estaduais e diversas outras instituições de ensino superior e técnico reconhecidas em todo o país. Também uma atividade econômica bastante diversificada, contando com agricultura de grãos, usinas de cana-deaçúcar, indústrias dos mais diversos ramos e um forte setor de serviços. A RMRP conta ainda com uma ótima referência na área da saúde, com hospitais e maternidades conceituados, públicos, como no caso do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, e privados, como no caso da Unimed.

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Mapa 03 – Evolução urbana de Batatais Fonte: Base e informações cedida pela Prefeitura de Batatais Edição: Elaborado pela autora

Segundo o mapa evolução urbana de Batatais, de 1801 a 1872 Batatais continha algumas poucas casas e após nove anos ela recebeu o nome de Arraial de Batataes. Em 14 de março de 1839 foi a data que oficialmente ela recebeu o nome de Batatais e após isso a cidade foi recebendo investimentos em habitação popular e novos padrões de expansão com diversas indústrias que eram responsáveis pela geração de emprego e renda. Alguns relatos indicam que ela

possui este nome devido à plantação de batatas roxas, mas não há nenhum documento oficial que comprove essa informação.


Ilustração 148 - Início da cidade – Imagem feita por volta de 1839 Fonte: Disponível em um grupo de recordações da cidade

Ilustração 150 – Igreja Matriz por volta de 1898 Fonte: Museu histórico e pedagógico Dr. Washington Luis

Ilustração 149: Estação Mogiana – 1887 Fonte: Disponível em um grupo de recordações da cidade

Após alguns anos a cidade ganhou reconhecimento e ficou conhecida como “cidade dos mais belos jardins”, devido aos jardins presentes na praça central. Além disso, em 1994 recebeu o título de Estância Turística pelas grandes atrações culturais que proporcionava, como o acervo do pintor Cândido Portinari que está exposto até hoje na Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus da Cana Verde, ambos tombados pelo Conselho do Patrimônio do Estado de São Paulo e também construções de grande importância para a cidade como a Estação da Cultura, hoje em abandono. Também estão presentes como pontos turísticos e atrações culturais da cidade o Bosque Municipal Dr Alberto Gaspar Gomes, o Lago Municipal, o Parque Náutico Engenheiro Carlos Zamboni, a Festa do Leite, a Festa de San di Gennaro e também o Centro Cultural (antigo sesi).

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7.2 ÁREA DE ESTUDO

Mapa 04 – Área de intervenção Fonte: Google imagens Edição: Elaborado pela autora

Segundo o Plano Diretor de Ornamento Territorial (Lei Complementar nº37 de 21 de agosto de 2014), a cidade de Batatais divide-se em 13 unidades de planejamento. A área de estudo está presente entre os bairros Centro e Riachuelo. A área destinada a implantação encontra-se no bairro Riachuelo, sendo a unidade de planejamento nº4, com uma área de 2,02km² e abrangendo os loteamentos “Vila Maria” e “Vila Cruzeiro”.


Mapa 05 – Macrozoneamento Fonte: Prefeitura Municipal de Batatais/Setor de Obras

De acordo com o mapa de macrozoneamento revizado em janeiro de 2016 a área de estudo é composta por MZ1, MZ3, MZ4 e MZ5. A área de intervenção situa-se como uma Macrozona de Destinação Urbana – MZ1, segundo o Plano Diretor do Município de Batatais nº 11/2004, é destinada ao uso diversificado com adensamento básico de 300 habitantes por hectare, abrangendo as Zonas de Interesse Social: ZEIS 1 e 2.

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Mapa 06 – Uso e Ocupação do Solo Fonte: Prefeitura Municipal de Batatais/Setor de Obras Edição e fotos: Elaborado pela autora

O mapa de uso e ocupação do solo na área de estudo nos informa uma grande predominância de residências em relação às áreas industriais. Nas áreas institucionais estão presentes escolas, áreas de saúde e assistência social e também religião. O comércio é concentrado em Avenidas de grande impacto, como por exemplo a Avenida Moacir Dias de Morais. A

área de intervenção é destinada como institucional.


Mapa 07 – Gabarito Fonte: Prefeitura Municipal de Batatais/Setor de Obras Edição e fotos: Elaborado pela autora

A área estudada contém uma predominância significativa de gabarito baixo em decorrência do PL 3079/10, que fixa altura máxima da construção em 10

indústrias e comércios. O único local que contém um gabarito mais alto é o Conjunto Habitacional Dr. Jorge Nazar com quatro pavimentos, e em relação a isso afirma-

metros, sendo encontrada na grande maioria dos quarteirões construções com apenas um pavimento. As construções que se encontram marcadas com dois pavimentos são predominantemente

se que tanto o entorno desse conjunto como o restante da cidade contêm pouquíssima verticalização, oferecendo o mínimo impacto à paisagem.

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Mapa 08 – Hierarquia Funcional

Mapa 09 – Hierarquia Física

Em análise feita nos mapas de hierarquia funcional e física podemos notar que as vias locais estão destinadas a um baixo fluxo de veículos. As vias coletoras contam com um fluxo médio e sobre estas podemos exemplificar a Avenida Presidente Vargas, além de ruas que fazem a ligação de um bairro a outro, como a Rua Arthur Lopes de Oliveira. As vias principais que contem fluxos altos e constantes, próximas à área de estudo, e que fazem parte desta ligação são Av. Moacir Dias de Moraes, Av. Francisco Faggioni, Av. Júlio Cesar Saqueto da Costa e Av. Geraldo Ferraz de Menezes. A Av. Moacir Dias de Moraes passa justamente em frente a área de intervenção, sendo este um dos fatores que mais contribuiu para a escolha do local, pois além de ser umas das avenidas que detém boa capacidade de escoamento de fluxo, conecta essa área de intervenção à uma das principais entradas da cidade.

Fonte: Prefeitura Municipal de Batatais/Setor de Obras Edição: Elaborado pela autora


Mapa 10 – Mobilidade urbana Fonte: Prefeitura Municipal de Batatais/Setor de Obras Edição e fotos: Elaborado pela autora

Em relação à mobilidade na área, existem duas linhas de ônibus na cidade

meio de tranporte, que atualmente é gratuito. Também encontramos na área

que circulam o dia todo fazendo a ligação entre os bairros e o centro. A linha 20 passa em frente à área de intervenção, já a outra passa nas proximidades, onde grande parte da população utiliza este

uma ciclovia localizada na Av. Geraldo Ferraz de Menezes, bastante frequentada pelos moradores da região não apenas para tráfego, mas também para a prática de exercícios físicos.

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Mapa 11 – Equipamentos de saúde Fonte: Prefeitura Municipal de Batatais/Setor de Obras Edição e fotos: Elaborado pela autora

A área escolhida para a internvenção, pode ser considerada como uma área de saúde da cidade de Batatais pois, segundo levantamento, contém em seus arredores dez empreendimentos destinado a isso. No entorno imediato do lote exitem empreendimentos como

Como mostra o mapa acima, a rota de acesso à esta área é bastante simples. Pacientes vindos no sentido de Ribeirão Preto ou Brodowski, contornando a primeira rotatória na entrada do município e pegando a segunda saída, entrarão na Av. Moacir Dias de Moraes, onde em

o Serviço de Atendimento Móvel de Urgencia - SAMU, Unidade de Pronto Atendimento – UPA 24H, Centro de Atenção Psicossocial – CAPS e, ainda em construção, o futuro hospital do câncer.

contínua linha reta chegará na área de intervenção após 1,5 quilômetro apenas. O mesmo caminho se dá para pacientes vindos de Sales Oliveira e proximidades.


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Mapa 12 – Equipamentos urbanos Fonte: Prefeitura Municipal de Batatais/Setor de Obras Edição e fotos: Elaborado pela autora


Como levantado, podemos notar que o entorno da área possui alguns equipamentos urbanos, como as escolas Antonio de Pádua Cardoso / Escola Técnica Estadual – ETEC, destinada a ensino médio e técnico, o Serviço Social da Indústria – SESI, destinada a ensino fundamental e médio, e também o CAIC Professor Gilberto Dalla Vecchia, destinado a ensino fundamental. Além disso, existem também a Secretaria Municipal da Criança, Família e Bem estar Socal, mais conhecida como casa abrigo, que recebe crianças até dezoito anos que perderam suas famílias e ou foram abandonadas, o reservatório municipal de água e também igrejas.

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O mobiliário urbano na área estudada conta com uma presença de cinco pontos de ônibus localizados em avenidas principais e ruas que fazem a ligação entre elas, como mostra o mapa e ilustrações acima. O único ponto de táxi próximo fica em frente a Unidade de Pronto Atendimento – UPA 24H localizado Mapa 13 – Mobiliário urbano Fonte: Prefeitura Municipal de Batatais/Setor de Obras Edição e fotos: Elaborado pela autora

na mesma avenida, próximo à área de intervenção. Além disso, na região há poucos semáforos, estes que estão localizados em zonas de grande impacto para o trânsito.


A área verde no entorno da área de estudo é pedominante em praças. Os locais onde há a concentração maior de vegetação são o Bosque Municipal, tendo diversas espécies e os arredores da casa abrigo. Ao analisar a área foi notado que em toda sua extensão há uma espécie que sobressai em relação às demais: o pinheiro norfolk. Mapa 14 – Vegetação Fonte: Prefeitura Municipal de Batatais/Setor de Obras Edição e fotos: Elaborado pela autora

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7.3 ÁREA DE INTERVENÇÃO Segundo a Lei nº3079 de 08 de dezembro de 2010, o uso e ocupação do solo urbano da área de intervenção conta: - Densidade hab/há=300

- Lote mínimo = 250m²

- Taxa de ocupação = 80%

- Frente mínima=10m

- Taxa de permeabilidade = 10%

- Gabarito máximo = 10m

- Coeficiente de aproveitamento= 2

Mapa 15 – Condicionantes físicas Fonte: Prefeitura Municipal de Batatais/Setor de Obras Edição: Elaborado pela autora


A terreno estudado em conjunto com a cidade possui um clima tropical agradável com inverno seco e chove principalmente nos meses de novembro a março. A temperatura média anual é de 21ºC. Segundo o site Weather Spark, a velocidade horária média do vento e direção média em Batatais passam por

variações sazonais pequenas ao longo do ano, tendo ventos mais fortes em setembro, chegando a 14,7 quilômetros por hora e a direção predominante é Sudeste/Noroeste, segundo estudos realizados com o Atlas Eólico do Estado de São Paulo.

O terreno escolhido possui uma área total de 8.422,79m², ou seja, aproximandamente 0,84 ha, sendo extenso e contendo oito curvas de nível. Este faz divisa com a praça Dr.

Mapa 16 – Cortes topográficos Fonte: Elaborado pela autora

Ângelo Marcolini, hoje em desuso e total abandono, já na condição de matagal, sendo este propriedade da Prefeitura Municipal.

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Mapa 17 – Indicação fotografias pelo lote e entorno imediato Fonte e fotos: Elaborado pela autora

Nota-se a partir das fotos que o terreno, possue uma falta de manutenção em relação a vegetação. Na figura 5 vemos que a calçada precisa de reparos devido ao piso desgastado, onde com o tempo formaram-se buracos em toda sua extensão. A foto 9 mostra a presença de um caminho improvisado feito pelos moradores da região que corta a área de intervenção, apesar deste não ser necessário, pois as duas ruas que ligam este caminho improvisado funcionam muito bem, onde podemos então avançar com o projeto desconsiderando esse caminho improvisado.


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O terreno possui em sua extensão quatro postes de iluminação, presentes na Travessa Pardailan Iara um na Rua Carlos Garbelini. Por conta disso o local pode ser considerado bem iluminado no período noturno. O único problema que foi visto na área nesse horário é que atualmente não existe qualquer uso do terreno e a praça anexa, como já falada, está abandonada e, por isso, o local fica sem qualquer movimentação de pessoas, com aparência de inseguro. A Av. principal de ligação ao terreno contém uma largura de 31,60m e contém passeio, leito carroçável e canteiro central. Já a travessa do lado conta com uma largura de 16,50m, contendo passeio e leito carroçável.

Mapa 18 – Infraestrutura de iluminação Fonte e fotos: Elaborado pela autora


Ilustração 151 – Cortes Infraestrutura de iluminação Fonte: Elaborado pela autora

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8.0 PROGRAMA DE NECESSIDADES Para a elaboração do programa de necessidades e pré-dimensionamento das áreas foram utilizados como parâmetros a resolução RDC nº50 de 21 de fevereiro de 2002 que tem como objetivo o regulamento técnico para elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde e o Instrutivo de Reabilitação auditiva, física, intelectual e visual (CER e serviços habilitados em uma única modalidade), além do Manual de Ambiência dos Centros Especializados em Reabilitação (CER) e

das Oficinas Ortopédicas, também foi utilizado o Sistema de Apoio a Elaboração de Projetos de Investimento em Saúde SOMASUS – Volume 2 ( Internação e Apoio ao Diagnóstico e à Terapia – Reabilitação) e, por último e não menos importante, foi analisado estudos de casos. Para a classificação do programa de necessidades foram utilizadas algumas características dos espaços físicos disponibilizadas pelo SOMASUS, além de pesquisa direcionada às áreas que não continham nesse material.

Tabela 01: Programa de necessidades


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Fonte: Elaborado pela autora

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Gráfico 01: Programa de necessidades Fonte: Elaborado pela autora

Para uma melhor compreensão do programa de necessidades foi elaborado um gráfico, onde apresenta a distribuição em porcentagem de todos os setores, facilitando assim a leitura da tabela 01. O serviço externo ficou como maior porcentagem devido as áreas de estacionamentos, seguido do

atendimento juntamente com as áreas públicas. Logo depois vem o atendimento externo, o serviço interno e, por fim, a administração.


8.1 CAPACIDADE DE ATENDIMENTOS O Centro Especializado em Reabilitação – CER atual conta com um horário de funcionamento de 8h diárias, sendo de segunda a sexta-feira, das 9:00h às 17:00h. Segundo o Instrutivo de Reabilitação (este que fora disponibilizado no dia da visita pela coordenadora Patrícia) a unidade atualmente realiza 700 atendimentos semanais, contando as quatro modalidades de reabilitação. De acordo com a lista de espera apresentada no início deste trabalho, tem como estimativa aproximadamente 800 pessoas. Como nenhuma das entidades elabora um cadastro dessa lista que apresente cada pessoa e sua respectiva deficiência, os dados utilizados a seguir foram baseados na proporção dos atendimentos realizados pelo CER atual

para estipular o atendimento que a fila de espera irá demandar, acrescido de mais 20% de estimativa para anos futuros sobre a capacidade total de atendimentos atuais e fila de espera. Vale ressaltar que o total de vagas estipuladas por dia/hora não restringe ao número de usuários pois, por se tratar de um estabelecimento voltado à saúde, o paciente pode realizar mais de um tratamento por dia ou também ir duas vezes por semana.

Tabela 02: Atendimentos semanais/diários/hora

Fonte: Elaborado pela autora

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8.2 CAPACIDADE DE FUNCIONÁRIOS Para melhor compreensão do trabalho apresentado foi estipulado uma tabela onde foi listado cada profissional capacitado, sua carga horária e a quantificação, onde essa qualificação foi embasada pela Rede de Cuidados

dessa maneira possível estipular suas cargas horárias da melhor forma. Alguns especialistas, por se tratarem de profissões que demandam um consultório privado, atendem em planos de saúde, consultórios particulares ou lecionam, foram listados

à Pessoa com Deficiência no âmbito do SUS - Instrutivo de Reabilitação auditiva, física, intelectual e visual (CER e Oficinas Ortopédicas). O documento citado faz referência da Portaria GM/MS 793 de 24 de abril de 2012 e também da Portaria GM/MS 835 de 25 de abril de 2012, sendo

com uma caga horária menor, porém com mais profissionais disponíveis e divididos no horário de funcionamento do novo CER. O resultado do estudo foi utilizado como embasamento na definição da quantidade de vagas de estacionamento para funcionários.

Tabela 03: Planejamento de recursos humanos


Fonte: Elaborado pela autora

8.3 ORGANOGRAMA

Ilustração 152: Organograma Fonte: Elaborado pela autora

159


161


9.0 PROJETO


9.1 DIRETRIZES Tabela 04: Diretrizes

Fonte: Elaborado pela autora

163


9.2 ESTUDO SOLAR

Mapa 19: Estudo solar em planta Fonte: Elaborado pela autora


A análise solar foi feita no inicio do estudo preliminar utilizando a carta solar, para obter o melhor conforto térmico dentro dos ambientes. De acordo com esse estudo verificou-se que cada fachada em cada época do ano contém

horários diferentes dessa incidência, por exemplo a fachada Norte no verão, não há incidência alguma. E na fachada Sul essa ausência solar se dá no inverno.

Tabela 05: Estudo solar

Fonte: Elaborado pela autora

165


O estudo também foi feito utilizando cortes esquemáticos, verificando assim os ângulos solares. Isso deve ser analizado em conjunto com a tabela 04 apresentada, pois juntos apresentam a informação dos horários de incidência solar e o ângulo que ela ocorre.

Em todos os desenhos a seguir foram escolhidos três horários do dia para serem analisádos (9h - 12h - 15h), facilitando assim a melhor análise, pois como já mencionado, eles variam de acordo com a época do ano.


Ilustrações 153 à 158: Estudos solares em cortes Fonte: Elaborado pela autora

167


9.3 CONCEITO E PARTIDO

Ilustração 159: Fachada projeto Fonte: Elaborado pela autora


A proposta estabelecida para conceito do projeto foi elaborada visando a humanização dos espaços dando a eles conforto acústico e térmico, proporcionando o bem-estar dos pacientes, acompanhantes e funcionários do local, além da linguagem estética, estabelecendo uma qualidade visual à paisagem local e apresentando as principais necessidades de um centro especializado em reabilitação. Conceitualmente, a localização do edifício favorece uma forte relação com o entorno, pois já existem nas proximidades outros serviços da área da saúde voltada para a população e acesso facilitado por uma das principais avenidas, que passa na lateral do projeto. Como partido utiliza-se diversas cores, sendo elas dispostas em toda a construção em seu interior e exterior, fazendo que a integração dos espaços seja enfatizada e interagindo com as pessoas de forma lúdica e sensorial. O contato do paciente com esses pontos é tão importante quanto o contato direto com a natureza, que está presente internamente e externamente no projeto. A parte sensorial do projeto não será apenas para os usuários do centro especializado em reabilitação, mas para qualquer cidadão que se interessar em usufruir desse espaço em qualquer dia e horário da semana.

169


9.4 MEMORIAL DESCRITIVO E JUSTIFICATIVO O projeto se refere à um Centro Especializado em Reabilitação localizado na cidade de Batatais/SP, em um terreno institucional na esquina da Trav. Pardailan Iara com a Av. Moacir Dias de Moraes. A escolha do terreno teve como principal fator o seu fácil acesso, localizado em frente à uma das principais avenidas, tendo assim boa visibilidade

Ilustração 160: Topografia antes/depois Fonte: Elaborado pela autora

e relação forte com o entorno, devido alguns empreendimentos já destinados à saúde estarem ao redor. No terreno há um declive de 1,0m em 1,0m que foram aproveitados para fazer acessos em diferentes níveis, como por exemplo entrada principal acesso pelo nível +0.00 (Trav. Pardailan Iara) e entrada funcionários acesso pelo nível -4.00 (Av. Moacir Dias de Moraes). Além disso, o projeto aproveitou a rua Carlos Garbelini para entrada de veículos de pacientes e visitantes. O acesso principal à edificação se dá pela Travessa Pardailan Iara. Já o de funcionários e carga e descarga/ambulância, pela avenida Moacir dias de Moraes.


Mapa 20: Esquema de entradas Fonte: Elaborado pela autora

171


Projetado em três pavimentos, o edifício é totalmente integrado por circulações, espaços de permanências e recepções, que ligam diversos setores à um átrio principal, local este onde os pacientes, acompanhantes e funcionários possam usufruir deste espaço, que terá vegetação natural para criar contato com a natureza e ajudará na ventilação interna dos espaços, que devido a sua altura total de 12 metros e a estrutura de vidro colocada em cima, apoiado com

aberturas nas laterais, a ventilação poderá ser cruzada e com efeito chaminé. Nesse mesmo local, foi projetado um sistema de captação de ventilação, trazendo a corrente de ar da parte externa e através de tubos passará para dentro do átrio, ajudando assim o espaço a não ficar abafado e quente. Em virtude deste átrio, consegue-se ter total visão dos demais níveis, gerando conforto e segurança, principalmente aos pacientes.

Nível +4.00

Nível +0.00

Nível -4.00

Ilustração 161: Diagrama setorizado por níveis Fonte: Elaborado pela autora


Nível -4.00

Nível +0.00

Nível +4.00

Ilustrações 162, 163 e 164: Diagramas setorizado por níveis Fonte: Elaborado pela autora

O nível -4.00 é acessado diretamente pela Avenida Moacir Dias de Moraes através do estacionamento e entrada de funcionários e carga e descarga\ ambulância, passando pela guarita de controle de acesso. Logo na entrada do pavimento existe grande parte dos serviços internos necessários, como copa, vestiários, dml’s, entre outros. Ainda neste pavimento encontram-se salas destinadas aos tratamentos de reabilitação, além daa área de convivência interna (átrio), que será acessada por todos. Internamente o acesso será feito através de elevadores e uma escada. No nível +0.00 o acesso principal é através da Travessa Parlaidan Iara, onde pedestres e veículos para embarque e desembarque possam usufruir de uma rua atualmente pouco movimentada para um total conforto. Outro possível acesso é pela lanchonete, que abrange as áreas externa e interna e faz ligação da lateral da recepção com a área externa. No mesmo nível encontra-se espaços principais como a recepção, lanchonete, biblioteca, terraços e uma grande área de salas de atendimento, onde estas são em grande maioria consultórios. Foram implantadas algumas salas públicas de cursos destinados aos acompanhantes, pois em estudo de caso constatou-se que essas pessoas tinham que esperar sem qualquer atividade. Ainda neste nível encontra-se a hidroterapia, porém localizada em outro edifício. No nível +4.00 ficaram as demais salas de atendimentos e a sessão de oficina ortopédica. Existem ainda algumas salas para serviços distribuindo o setor em dois pavimentos, dando aos funcionários um fácil acesso, além do setor administrativo privado e restrito.

173


A escolha por separar o atendimento em três níveis surgiu a partir da integração dos espaços, fazendo com que pacientes e acompanhantes não se sintam cativos em apenas um nível, mas que possam usufruir do espaço como um todo. O principal objetivo é trazer ambientes humanizados que ajudem na melhoria do tratamento dos pacientes, que se dará pelo uso de cores e elementos lúdicos, causando um local dinâmico. Todos os níveis tem pé direito de 3,30m livre e 0,70m de viga, resultando assim em uma altura total de 4,00m por nível. A circulação interna é totalmente integrada em todos os espaços e níveis, com corredores de 2,00m que ajudam na locomoção das pessoas com deficiência. A circulação vertical foi alocada em um ponto central que seja de fácil acesso com dois elevadores, uma escada enclausurada e também uma antecâmara.

A orientação do projeto foi desenvolida a partir dos estudos já apresentados para uma melhor qualidade e quantidade de entrada de ventilação e iluminação natural através de esquadrias de vidros que irão proporcionar o conforto dos ambientes. Esse fator é importantíssimo para a humanização dos espaços, o qual se dá também por questões naturais. Para a barragem de uma possível iluminação natural excessiva foram utilizados revestimentos metálicos Geoclad de HunterDouglas, com formato retangular e círculos vazados por toda a peça. Esse elemento será fixado posterior às esquadrias e totalmente articulado, podendo ser movimentado horizontalmente em dois planos, tendo a posibilidade de ter uma fachada totalmente fechada ou então com cheios e vazios, deixando a critério do usuário.

Ilustração 165: Revestimento metálico Fonte: Elaborado pela autora


Ilustração 166: Estrutura Fonte: Elaborado pela autora

A estrutura do prédio principal será de alvenaria convencional, sem grandes vãos a serem vencidos. As paredes externas serão de alvenaria estrutural. Para as paredes internas foi escolhido drywall, porque caso haja necessidade de aumento do número de salas ou alteração de medida, a mudança será facilmente realizada. A distância dos pilares são de 5,00m e 7,00m e vigas de 0,70m de altura. Foram ainda utilizados alguns espaços com lajes em balanço,

onde estes locais que não necessitavam de uma nova estrutura. Na área de hidroterapia os vãos precisam ser maiores devido à distância desejada para melhor visibilidade do local, então a estrutura será metálica. Os pilares terão distâncias entre 7,00m e 10,00m e vigas de 0,70m. Tanto os pilares de alvenaria quanto os metálicos serão de 0,30x0,25m.

175


A utilização do vidro na materialidade é importante pois em várias salas e espaços o paciente precisa se sentir conectado ao interior e exterior, buscando sempre o maior conforto. Ele está presente em todas as aberturas e também na cobertura do átrio central, sendo esse especial para proteção UV. Eles, além de auxiliarem no conforto térmico, ajudam também no controle da entrada de luminosidade e diminuição do calor no ambiente, com vidros temperados

O concreto aparente foi escolhido e colocado na fachada para criar contraste com o fino acabamento criado com o vidro e as chapas metálicas. Por todo o edifício foi utilizada laje impermeabilizada.

0.66

Concreto Concreto aparente aparente

2.68

2.68

0.66

e incolores. Na cobertura terão alguns pontos contendo vidros coloridos que refletirão dentro do ambiente trazendo o aspecto lúdico e sensorial.

Vidro temperado Vidro temperado incolor incolor

0.12

0.12

Trilho duploTrilho duplo

2.68

2.68

Placas metálicas Placas metálicas

Grade para circulação e Grade para circulação e manutenção Detalhe 01 manutenção Detalhe 01 Corte Corte S/ escala S/ escala

Detalhe 01 Detalhe 01 Planta Planta S/ escala S/ escala

Grade metálica Grade metálica

Ilustração 167: Detalhe materialidade Fonte: Elaborado pela autora


Na área externa foi alocada a praça sensorial, onde encontra-se grandes elementos sensoriais destinados aos cinco sentidos. Foi colocada uma cobertura com vidro temperado colorido para refletir a coloração no chão, além de flores e árvores com intervensões coloridas para visão; no tátil, texturas com paineís para as mãos e caminhos para os pés; plantas com aromas e perfumes para o olfato, como hortelã, alecrim, erva-doce, ervas aromáticas; árvores

como sinos e objetos de intervenção para o usuário utlizá-lo como desejar. Este será um local destinado a qualquer pessoa aos finais de semana, dando oportunidade a todos, sendo paciente dali ou não.

frutíferas para o paladar; por fim, para a audição teremos um local destinado a uma fonte para os paciente usufruírem do som da água. Também nesse sistema sensorial encontram-se alguns elementos

Devido à praça permanecer acessível em qualquer horário, a guarita de segurança contará com monitoramento 24hs.

No terreno ao lado existe uma praça comum que fará lgação direta com a praça sensorial através de uma rampa, facilitando o trajeto de entrada e saída da praça sensorial dos usuários que vão para o lado Norte do CER.

Ilustração 168: Praça sensorial Fonte: Elaborado pela autora

177


O projeto foi divido em três áreas, sendo elas privada, destinada ao edifício principal e acessos restritos de ambulância e carga e descarga, área pública, composta pela praça e seu entorno, além da área semipública que abrange estacionamento de funcionários que por sua vez terá que ser autorizado pela guarita e também o espaço de convivência central, que será acessado após adentrar ao entrar no edifício (privado).

Na parte interna do edifício foram utilizados alguns pontos de cores que farão ligação com a fachada (utilizando a mesma paleta de cores porém em tons mais claros). Na recepção principal foi colocado em frente a entrada da

Ilustração 169: Diagrama privado/público Fonte: Elaborado pela autora

Trav. Pardailan Iara um elemento vertical que direciona todos que entram no local diretamente para o balcão de informações. Todo o mobiliário escolhido é em tons claros, combinando com as cores que ali se encontram na decoração. Alguns móveis são em tons coloridos, porém com cores opacas e pouco contraste. Ainda na área de entrada a lanchonete foi pensada em conjunto com a recepção, utilizando o mesmo tom de cores e mobiliários. O piso de toda a construção é porcelanato retificado.


179


9.5 IMPLANTAÇÃO

181


9.6 PLANTAS BAIXAS E

G

F

E

G

F

01 02

R. Carlos Garbelini

R. Carlos Garbelini

+4.00

+4.00

+3.00

+3.00

Elevação 04

+2.00

+2.00

14 13 12 11 10 09 08 07 06 05 04 03 02 01

+1.00

1211 10 9 8

02

C

7

E

35

+1.00

02

E

sobe

1 2 3 4 5 6

-4.00

24

+0.00

25

16

10

11

36

18

-4.00

22

04

05 06 B

B

30

19 18 -2.00

16

13

15 23

10

11

28

17

09

+1.00

36

18

-4.00

29

19

11

30

10 09

09

Gerador

Gerador

31

A

31

A

A

08 07

-2.00

07 06

-4.00

05

32

05

32

04

04

03

03 02

as de

-4.00

Morae

-3.00

02

Av. Mo

01

acir Di

N

s 33

A

08

-2.00

06

-4.00

acir Di

Detalhe 01

12

12

Av. Mo

13

-3.00

21

Detalhe 01

B

14

12

20

10

17 16

27

07 08

14

-3.00

21

25

26

11

20

21

15

04

12 29

19

15

Ø1,5

Ø1,5

+1.00

28

17

22

25

20

16

27

15 23

09

23 25

+0.00

17

C

24

13

18

07 08

24

14

03

Elevação 02

05 06 B

-4.00

03

01

19 -2.00

26

+1.00

02

E

1 2 3 4 5 6

21

15

04

E sobe

35

20

15

22

04

12 11 10 9 8 7

02

C

C

22

25

14 13 12 11 10 09 08 07 06 05 04 03 02 01

+1.00

23 25

14

03

D

24

13 03

01

D

Elevação 04

D

Trav. Pardailan Iara

Trav. Pardailan Iara

D

as de

-4.00

Morae

01

N

s

34

33

-3.00 F

F

G

G

E

E

-4.00

34

Elevação 01

-4.00

Planta de situação com setores S/ escala

Planta de situação S/ escala

13

Sala fonoaudiológica grupo A:25,87m² Sala fonoaudiológica individual A:20,40m²

14

Sala de psicologia grupo A:30,24m²

27

Copa A:20,80m²

15 16

Sala de psicologia individual A:14,64m² Vestiário fem. funcionários A:24,14m² Vestiário masc. funcionários A:24,14m² DML A:6,88m²

28

Depósito de cadeiras de rodas e macas A:27,45m² Depósito de equipamentos A:27,45m²

29

Sala de emergência A:34,20m² Embarque e desembarque ambulância A:129,87m²

17 18 19 20 21 22 23 24 25

Consulta de enfermagem, triagem, biometria A:13,92m²

Sala de terapia ocupacional grupo A:39,80m² Sala de terapia ocupacional individual A:17,27m²

26

Sala de espera 01 A:19,48m²

Sala de eletroterapia A:16,32m² Sala de audiometria A:15,60m² Fraldário infaltil A:11,69m² Fraldário adulto A:8,11m² W.C feminino A:11,21m² W.C pne A:4,48m² W.C masculino A:11,21m²

30 31 32

Rouparia suja A:10,08m² Rouparia limpa A:10,08m²

E

35

+1.00

02

E

sobe

1 2 3 4 5 6

-4.00

24

25 14

Elevação 02 B

25

C

19 18 -2.00

16

17 16

27

15

07 08

23

28

5 Ø1,

Trav. Pardailan Iara

17

09 10

11

Estacionamento funcionários (descoberto) A:912,54m²

20

26 05 06

Antecamara A:4,41m²

21

15

04

W.C A:2,21m²

22

25

15

22

04

Guarita A:10,97m²

23

03 03

Área para ambulância e carga e descarga (descoberto) A:436,91m²

24

13 01

Carga e descarga A:110,11m²

Elevação 04

02

36

Sala de energia A:10,08m²

14 13 12 11 10 09 08 07 06 05 04 03 02 01

12 11 10 9 8 7

C

33 34 35

Sala de resíduos A:10,08m² Área de convivência interna A:87,26m² Área de convivência interna A:102,29m²

E

G

F

Elevação 03

03 04 05 06 07 08 09 10 11 12

Sala de fisioterapia A:144,87m²

36

18

-4.00

B

14 13 12

29

19

11

20

-3.00

21

30

10

Detalhe 01

12

09 Gerador

31

A

A

08 07 06

-4.00

05

32

04 03 02

Público Atendimento interno Serviço interno Serviço externo Circulação

-4.00

Planta baixa nível -4.00 Esc 1:300

01

33 F G

Av. M E

Elevação 01

oacir

Dias

de M

oraes

34

N

183


R. Carlos Garbelini

01 02 03 04 05 06

07 08 09 10 11 12

+4.00

Estacionamento funcionários (descoberto) A:1602,71m²

19 20 21 22 23 24

25 26 27 28 29 30

31 32 33 34 35 36

+3.00

13 14 15 16 17 18

19

25 26 27 28 29 30

31 32 33 34 35 36

S

+1.00

20 21 22 23 24

04 05 06 07 08 09 10 11 12

+1.00 Elevação 04

+1.40

38

37

01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 +0.50

39

41

40

+1.40

+0.00

+0.00

14 13 12 11 10 09 08 07 06 05 04 03 02 01

07

+0.00

09

08 12 11 10 9 8 7

11

C

E

E

24

+1.00

25

sobe

1 2 3 4

12

10

5 6

+0.00

13

34

22

35

20

14

36

17 B

28

18 19

16

Ø1,5

29

21

30

22

11

E

E

1 2 3 4 5 6

+0.00 26

13

Serviço Social da Indústria (SESI)

17

37

15

37

14 13

27

18 15

B

36 28

18 19

16

20

29

21

11

14

12 11 -3.00 10

41

+0.00

A

08

A

07

06

-4.00

05

05 04

03

03

02

acir Di

as de

-4.00

Morae

s

A

08 07

-2.00

06

04

Av. Mo

B

13

09

+0.00

-4.00

15

40

23

09

16

37

39

30 31

17

37

38

30

22

10

-2.00

-2.00

+0.00

15

+1.00

12

A

22

20 19

17 B

34

35

21

14

-3.00

41

23

27

+0.00

C

24

32 33

38

40

+1.00

25

sobe

24

12

10

16

39

30 31

23

08

Ø1,5

20

+1.00

09

C

Elevação 02

-2.00

+0.00

15

Patamar i=8,33%

12 11 10 9 8 7

C

18 15

14 13 12 11 10 09 08 07 06 05 04 03 02 01

07

S

i=8,33%

Patamar S

i=8,33%

+0.00

19

27

Serviço Social da Indústria (SESI)

06

+0.00 S

21

27

+0.00

05

23

33

D

S

Patamar S

i=8,33%

+1.00

24

32

26

04

02

Elevação 04

06

+0.00 Patamar i=8,33%

D

i=8,33%

D

05

i=8,33%

i=8,33%

i=8,33%

Trav. Pardailan Iara

Trav. Pardailan Iara

04

02

S

i=8,33%

Patamar S

41

+0.00

03

S

S

Patamar S

40

01

D

i=8,33%

39

+0.50

+0.00

03

S

i=8,33%

38

37

0102 03 04 05 06 07 08 09 10

+2.00

01

S

Armazenamento de materiais para hidroterapia A:26,87m²

03

+1.00

+2.00

i=8,33%

i=8,33%

Estacionamento funcionários (descoberto) A:1602,71m²

13 14 15 16 17 18

S

S

Reservatório Mun. de água

+1.00

+2.00

+1.00

Hidroterapia A:68,53m²

+3.00

+4.00

+2.00

Praça sensorial (descoberta) A:600,00m²

Av. Mo

02

acir Di

01

-3.00

as de

-4.00

Morae

s

01

G

G

F

F

Elevação 01

Planta de situação S/ escala

E

E

N

N

-4.00

Planta de situação com setores S/ escala

11

C 10

Biblioteca A:47,51m²

17

Fraldário infaltil A:11,69m²

30 31

W.C feminino A:11,21m²

33

Sala de comando A:8,92m²

W.C pne A:4,48m²

34 35 36 37 38 39 40 41

Sala de exames gerais A:19,80m²

Terraço coberto (convívio) A:61,38m² Terraço descoberto (convívio) A:100,62m²

Sala de espera principal A:129,57m²

27

Sala de integração sensorial A:30,00m²

Recepção A:20,94m²

28

Lanchonete externa (desc.) A:141,33m² Lanchonete A:40,54m² Dep. A:2,08m² Cozinha lachonete A:14,34m²

E

E

W.C masculino A:11,21m²

Antecamara A:4,41m² Sala de atendimento para AASI A:18,00m²

Consulta de enfermagem, triagem, biometria A:13,92m²

+0.00 26

05 04 03 02 01

Elevação 02

20

35

19

27

18 -2.00

+0.00 36

17 B

28

18 19

16

+1.00

5 Ø1,

20

29

Trav. Pardailan Iara

21

Consultório Neurologia A:13,57m²

C

37

15

37

14

12 11 -3.00

40

31

10

41

23

B

13

39

30

17 16

38

30

22

Consultório Neuropsiquiatria A:13,57m²

21

14

15

Consultório Oftalmologico A:13,57m²

22

27

15

Consultório Otorrinolaringologia A:13,57m² Consultório de Nutrição A:13,57m²

23

34

+0.00

Sala de espera 02 A:22,41m²

24

32 33

13

Sala de orientação e mobilidade A:39,81m²

Sala de atelie A:35,04m²

+1.00

25

sobe

24

Sala de estudos A:15,26m² Sala de exames - tomografia A:32,75m²

19 20 21 22 23 24 25 26

Sala de espera 03 A:43,06m²

Sala para autistas A:11,97m²

32

Vest. masc. p.n.e A:7,10m²

Vestiário fem. pacientes A:18,08m²

Serviço social A:12,00m²

Fraldário adulto A:8,11m²

18

12 11 10 9 8 7

1 2 3 4 5 6

12

29

E

G

F

Elevação 03

Sala curso A:27,40m²

Vest. fem. p.n.e A:7,10m²

Vestiário masc. pacientes A:18,08m²

13 14

-3.00

-4.00

15 16

Elevação 04

i=8,33%

i=8,33%

11 12

S

+3.00

G

F

07 08 09 10

+3.00

Reservatório Mun. de água

E

E

G

F

R. Carlos Garbelini

01 02 03 04 05 06

01 02

09 +0.00

A

08

A

07

-2.00

06

-4.00

05 04 03 02

Público Atendimento interno Circulação

-4.00

Planta baixa nível +0.00 Esc 1:300

01

N F G

Av. M E

Elevação 01

oacir

Dias

de M

oraes

185


E

E

+1.00

+2.00

+4.00

01 02 03 04 05 06

01 02

07 08 09 10 11 12

+3.00

S

Reservatório Mun. de água

R. Carlos Garbelini

11 12 i=8,33%

07 08 09 10

G

F

i=8,33%

G

F

R. Carlos Garbelini

01 02 03 04 05 06

+3.00

S

Reservatório Mun. de água

Estacionamento funcionários (descoberto) A:1602,71m²

+1.00

+2.00

+4.00

19 20 21 22 23 24

13 14 15 16 17 18

25 26 27 28 29 30

S

i=8,33%

i=8,33%

Estacionamento funcionários (descoberto) A:1602,71m²

+3.00

13 14 15 16 17 18

19

25 26 27 28 29 30

31 32 33 34 35 36

20 21 22 23 24

31 32 33 34 35 36

+3.00

S

03

+1.00

+1.00 Elevação 04 +1.40

+2.00

38

37

01 02 03 04 05 06 07 08 09 10

39

40

41 +1.40

+0.00

+0.50

38

37

0102 03 04 05 06 07 08 09 10

+2.00

01

39

+0.50

40

41

+0.00 01

+0.00

06 S

+0.00 Patamar S

i=8,33%

+1.00

S

07

Patamar i=8,33%

09

08 11

C

12 11 10 9 8 7

E

E

24

+1.00

25

sobe

1 2 3 4

12

10

5 6

+0.00

14

C

28

18 19

16

Ø1,5

20

29

21

30

22

30

15

37

14 13

22 21

i=8,33%

27

+0.00

Serviço Social da Indústria (SESI)

17

37

20

35

14

19

27

18 15

-2.00

+0.00

15

36

17

B

B

28

18 19

16

20

12

+1.00

29

21

11 -3.00

30

22

16 15

37

14

38

13

11 -3.00 10

41

23

09

A

A

08

+0.00 A

07

-2.00

06

-4.00

07

-2.00

05

06

-4.00

05 04

03

03

02

acir Di

as de

-4.00

Morae

s

A

08

04

Av. Mo

B

12

40

31

09 +0.00

17

37

39

30

10

41

23

34

13

C

24

32 33

38

40

23

+1.00

25

+0.00 26

16

39

31

E

1 2 3 4 5 6

Ø1,5

+1.00

E sobe

24

12

10

Elevação 02

36

17 B

11

C

18 -2.00

+0.00

15

08 12 11 10 9 8 7

19

27 15

09

20

35

14 13 12 11 10 09 08 07 06 05 04 03 02 01

07

Patamar i=8,33%

+0.00

21

27

+0.00

06

S

i=8,33%

Patamar S

i=8,33%

22

34

13

D

05

+0.00 S

23

33

04

02

S

Patamar S

i=8,33%

+1.00

24

32

26

Serviço Social da Indústria (SESI)

14 13 12 11 10 09 08 07 06 05 04 03 02 01

S

i=8,33%

Patamar S

i=8,33%

+0.00

D

i=8,33%

i=8,33%

i=8,33%

Trav. Pardailan Iara

Trav. Pardailan Iara

D

05

+0.00

03

S

04

02

Elevação 04

03

S

D

Av. Mo

01

02

acir Di

as de

-4.00

Morae

s

01

-3.00 F

-3.00 G

F

N

G

E

-4.00

Elevação 01 E

Planta de situação S/ escala

N

-4.00

04 05 06 07 08 09 10 11 12

Praça sensorial (descoberta) A:600,00m² Hidroterapia A:68,53m² Armazenamento de materiais para hidroterapia A:26,87m²

Sala curso A:27,40m²

29

Biblioteca A:47,51m²

17

Fraldário infaltil A:11,69m²

30 31

W.C feminino A:11,21m²

33

Sala de comando A:8,92m²

W.C pne A:4,48m²

34 35 36 37 38 39 40 41 42

Sala de exames gerais A:19,80m²

19 20 21 22 23 24 25 26

Terraço coberto (convívio) A:61,38m² Terraço descoberto (convívio) A:100,62m²

Sala de espera principal A:129,57m²

27

Sala de integração sensorial A:30,00m²

Recepção A:20,94m²

28

Lanchonete externa (desc.) A:141,33m² Lanchonete A:40,54m² Dep. A:2,08m² Cozinha lachonete A:14,34m²

Sala de estudos A:15,26m² Sala de exames - tomografia A:32,75m²

Vest. masc. p.n.e A:7,10m²

Sala de espera 03 A:43,06m²

Sala para autistas A:11,97m²

32

18

Vestiário fem. pacientes A:18,08m²

Serviço social A:12,00m²

Fraldário adulto A:8,11m²

Vest. fem. p.n.e A:7,10m²

Vestiário masc. pacientes A:18,08m²

13 14

Planta de situação com setores S/ escala

15 16

W.C masculino A:11,21m²

Antecamara A:4,41m² Sala de atendimento para AASI A:18,00m²

Consulta de enfermagem, triagem, biometria A:13,92m²

Sala de atelie A:35,04m²

Sala de orientação e mobilidade A:39,81m² Sala de espera 02 A:22,41m² Consultório Otorrinolaringologia A:13,57m² Consultório de Nutrição A:13,57m² Consultório Oftalmologico A:13,57m² Consultório Neuropsiquiatria A:13,57m² Consultório Neurologia A:13,57m² Estacionamento funcionários (descoberto) A:1602,71m²

E

i=8,33%

G

F

R. Carlos Garbelini

01 02 03 04 05 06

07 08 09 10 11 12

+3.00 S

+1.00

+2.00

i=8,33%

+4.00

+3.00

13 14 15 16 17 18

25 26 27 28 29 30

S

19 20 21 22 23 24 42

31 32 33 34 35 36

Trav. Pardailan Iara

+1.00 Elevação 03

+1.40

0102 03 04 05 06 07 08 09 10

38

37

+0.50

39

40

41

+0.00 01

+2.00 03

i=8,33%

D

i=8,33%

S

+0.00

04

02

05 06

S

+0.00

+1.00 i=8,33%

S

i=8,33%

Patamar S Patamar S

+0.00

i=8,33%

07

S Patamar

i=8,33%

09

08

N

E

G

Planta baixa nível +0.00 Esc 1:300

F

Público Atendimento interno Circulação

14 13 12 11 10 09 08 07 06 05

Elevação 01

187


07 08 09 10 11 12

i=8,33%

i=8,33%

G

F

E

E

G

F

01 02 03 04 05 06

01 02

01 02 03 04 05 06

07 08 09 10 11 12

13 14 15 16 17 18

19

25 26 27 28 29 30

31 32 33 34 35 36

S

13 14 15 16 17 18

19

25 26 27 28 29 30

31 32 33 34 35 36

S

20 21 22 23 24

i=8,33%

i=8,33%

S

S

20 21 22 23 24

03

Elevação 04

39

40

41

D

39

D

S S

S

Patamar S

i=8,33%

Patamar S

i=8,33%

14 13 12 11 10 09 08 07 06 05 04 03 02 01

S Patamar

i=8,33%

12 11 10 9 8 7

E

C

E

17

sobe

01

15

1 2 3 4 5 6

16 Balcão

17

+4.00 27

02

27

19 20 21

28

12

30

31

23 Ø1,5

24 32

08

25

05 07

33

06

+4.00 12

21

19

29

18

30

24 32

08

25

05 07

33

06

17 16

31

23 09

10

22

29

23

10

11

15

13 12 11

26

+4.00

08

B

14

10

34

09 A

C

24

28

11

B

12

34

28

21 22

13

26

+4.00

27

19 20

03

04 B

14

Caixa d'água

23

18

14

13

Ø1,5

09

17

+4.00

02

17

15

16 Balcão

02

16

23

11 10

17

1 2 3 4 5 6

27

02

18

+4.00 04

01

21

29

E

sobe

22

19

S Patamar

15

24

29

i=8,33%

i=8,33%

E

C

Elevação 02

22

Patamar S Patamar S

i=8,33%

12 11 10 9 8 7

C

28

13

03

B

S

23

18

14

02 02

i=8,33%

Caixa d'água

14 13 12 11 10 09 08 07 06 05 04 03 02 01

Elevação 04

i=8,33%

Detalhe em corte 01

09 A

A

A

08

07

07

06

06

05

05

04

04

03

03

02

02

01

01

F

F G

G

Elevação 01

Planta de situação S/ escala

Sala administrativa A:64,17m² Vestiário masc. funcionários A:24,14m² DML A:6,88m² Vestiário fem. funcionários A:24,14m² W.C masculino A:11,21m² W.C pne A:4,48m² W.C feminino A:11,21m² Fraldário adulto A:11,71m² Fraldário infaltil A:12,30m²

13 14

N

E

E

N

Planta de situação com setores S/ escala

Sala almoxarifado A:46,32m² Sala de espera 04 A:28,91m²

15 16

Sala secretaria A:25,85m²

29

Sala de terapia adulto A:11,87m²

Antecamara A:4,41m²

Sala de espera 05 A:17,37m²

17

Sala de terapia em grupo adulto A:22,08m²

30 31

Sala de Ambiente de vida

prática (AVP) 32 18 A:22,42m² W.C A:3,73m² 19 33 Sala de estimulação precoce 20 34 A:17,73m² Sala de ortopedia A:15,67m² 21 Sala de tomada de moldes A:13,45m² 22 Sala de provas A:15,92m² 23 Sessão de montagem prótese 24 A:19,92m² Sessão de montagem órtese A:17,15m² 25 Sessão de gesso A:17,24m² 26 Sala de terapia grupo infantil 27 emA:16,91m²

28

14 13 12 11 10 09 08 07 06 05 04 03 02 01

12 11 10 9 8 7

E

E

17

sobe

01

15

16

1 2 3 4 5 6

Balcão

17

+4.00 27

02

02

27

19 20

02

Elevação 02

21 22

+4.00 12

28

C

24

22 21

29

19

29

18

30

31

23

10 Ø1,

24

5

09

32

08

25

05 07

33

06

17 16

23

11

B

Caixa d'água

28

13

03

04

Sessão de sapataria A:17,24m²

23

18

14

Sessão de tapeçaria e acabamentos A:17,33m²

Elevação 04

C

Sessão de manutenção e trabalho com metais A:36,30m² Sessão de termomoldagem A:17,33m²

Sala de terapia infantil A:11,87m²

E

G

F

Elevação 03

Sala diretoria A:14,25m² Sala de arquivo A: 21,00m²

04 05 06 07 08 09 10 11 12

41

40

i=8,33%

D

38

37

01 02 03 04 05 06 07 08 09 10

i=8,33%

D

38

37

0102 03 04 05 06 07 08 09 10

Sala de reunião A:28,58m²

26

+4.00

34

15

B

14 13 12 11 10 09

A

08

A

07 06 05 04 03 02

Público Atendimento interno Serviço interno Administração Circulação

01

Planta baixa nível +4.00 Esc 1:300

N F G

E

Elevação 01

189


9.7 CORTES

191


193


195


9.8 ELEVAÇÕES CER IV Centro Especializado em Reabilitação

ELEVAÇÃO 01 Esc 1:300

CER - Centro Especializado em Reabilitação IV

ELEVAÇÃO 02 Esc 1:300

CER IV

ELEVAÇÃO 03 Esc 1:300

ELEVAÇÃO 04 Esc 1:300

Jardim vertical

197


9.9 MAQUETE ELETRÔNICA


199 199


Fachada principal


201


Vista Av. Moacir Dias de Moraes

Estacionamento funcionรกrios


203


Estacionamento pĂşblico

Praça sensorial


205


Entrada secundรกria (lanchonete)

207


Recepção principal


209


Lanchonete


211


213


Átrio


215


Terraço (área de convívio)

217


219


10.0 CONCLUSÃO

Concluo este trabalho com a certeza e a realização de não apenas projetar um edifício cuja necessidade era enorme, mas também de trazer questões que precisavam ser abordadas, envolvendo todas as áreas apresentadas com o tema hospitalar. Em geral, uma forma de trazer as pessoas com deficiência para sua reintegração social. O objetivo foi elaborar um projeto com o tema arquitetura hospitalar, cujo conceito e partido é focado principalmente na humanização dos espaços, pensando também em conforto e elementos lúdicos, criando diversos ambientes onde hajam locais agradáveis. Este trabalho também abordou um tema relativamente novo que é a reabilitação sensorial de modo geral, mostrando como ela é inserida em tratamentos de reabilitação e sua grande importância para a melhora dos pacientes. Com isso, foram estudados os mais variados meios para aprimorar este novo espaço, trazendo um novo local para o CER e também se tornando uma referência na parte sensorial. A proposta do CER: Centro Especializado em Reabilitação consegue, portanto, alcançar o objetivo de um local adequado e totalmente pensado para pessoas com deficiência de maneira funcional.

221


223


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução. RDC nº 50, de 21 de fevereiro de 2002. PDF. Acesso em 19 out. 2018. ALVES, Samara Neta. A PERCEPÇÃO VISUAL COMO ELEMENTO DE CONFORTO NA ARQUITETURA HOSPITALAR. 2011. Dissertação para Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília. ARCHITETS, Mitchell. One Kids Place. 2010. Disponível em: < https://www. archdaily.com/82958/one-kids-placemitchell-architects>. Acesso em 31 março 2019.

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BIOLOGIA, Só. Órgãos dos Sentidos – Visão. Disponível em: https://www. sobiologia.com.br/conteudos/Corpo/ sentido.php>. Acesso em 17 março 2019. BORTMAN, Daniela. A INCLUSÃO DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA O papel de médicos do trabalho e outros profissionais de saúde e segurança. 2016. Disponível em: <http://www.anamt. org.br/site/upload_arquivos/arquivos_ diversos_18520161439487055475.pdf> Acesso em: 08 out. 2018.

C CAMARA, Batatais. Lei complementar 37. 2014. Disponível em: http://www.camarabatatais. sp.gov.br/legislacao-municipal/leicomplementar-37/>. Acesso em 24 março 2019. CARVALHO, Thales. Integração Sensorial de Ayres: História e Teoria. 2015. Disponível em: < http://integracaosensorial. com.br/clinicaludens/blogludens/2015/07/terapia-ocupacionalcom-base-na-integracao-sensorial/>. Acesso em 12 março 2019. CAVALCANTE, Fabiana. Você sabia que a Arquitetura pode contribuir para tornar ambientes de saúde mais acolhedores? 2016. Disponível em: http:// fabiannacavalcante.com.br/arquiteturahumanizada/>. Acesso em 10 março 2019. CORPO HUMANO, Anatomia do. Olfato – Sistema Olfativo / Anatomia Humana. Disponível em: < https://www. anatomiadocorpo.com/olfato/>. Acesso em 17 março 2019.

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BOTELHO, Marcos César. A pessoa com deficiência no ornamento jurídico brasileiro. PDF. Acesso em: 19 out. 2018.

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Flávia.

IBGE:

6,2%

da

população têm algum tipo de deficiência. 2015. Disponível em: <http://agenciabrasil. ebc.com.br/geral/noticia/2015-08/ibge62-da-populacao-tem-algum-tipo-dedeficiencia>. Acesso em: 08 set. 2018.

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QUESTIONÁRIO PACIENTE/RESPONSÁVEL Nome: _______________ Idade: ____________ local: _______________

1. Qual seu o tipo de tratamento e o que poderia ser melhorado nele? _______________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ 2. Qual tipo de tratamento você considera importante e não é oferecido? _______________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ 3. Qual é a sua frequência e quanto tempo dura sua seção diária? _______________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ 4. O seu acesso ao local de tratamento é adequado (como rampa, corrimão, piso tátil, etc)? _______________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ 5. Os equipamentos disponibilizados para o seu tratamento são adequados? _______________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________

QUESTIONÁRIO ACOMPANHANTE 1. Qual atividade você gostaria de fazer enquanto aguarda o tratamento do paciente? _______________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________


QUESTIONÁRIO FUNCIONÁRIO Nome: __________________ Idade: ____________. Local: ___________________

1. Qual o tipo de tratamento que você realiza e o que poderia ser melhorado nele? _______________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________ 2. Qual tipo de tratamento você considera importante e não é oferecido? _______________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ 3. Qual é a sua frequência e quanto tempo dura sua seção diária? _______________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ 4. Existe algum lançamento tecnológico que você considera de grande importância no tratamento que você realiza e que não foi adquirido pela Associação em que trabalha? _______________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ 5. Os equipamentos disponibilizados para o seu tratamento são adequados? _______________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ 6. Existe sobrecarga de pacientes na sua rotina? Se sim, qual a quantidade máxima de paciente que você considera didático por profissional? _______________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ 7. Você conhece pessoas com alguma deficiência que busca atendimento especializado, mas não consegue devido à falta de vagas? Se sim, quantas pessoas? _______________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________

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Profile for Rafaela Borghi

CER: CENTRO ESPECIALIZADO EM REABILITAÇÃO IV EM BATATAIS  

Trabalho final de graduação apresentado ao Centro Universitário Moura Lacerda, para cumprimento das exigências para obtenção do título de ba...

CER: CENTRO ESPECIALIZADO EM REABILITAÇÃO IV EM BATATAIS  

Trabalho final de graduação apresentado ao Centro Universitário Moura Lacerda, para cumprimento das exigências para obtenção do título de ba...

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