— INFORMAÇÃO TÉCNICA
Hotelaria — qual a importância dos sistemas integrados? TEXTO Carlos Dias Diretor-geral, Nauta
QUEM DENTRO DO HOTEL CONHECE AS MEDIDAS DE SEGURANÇA? Imagine uma manhã normal de um hotel de cidade, em que entre as 7h e as 10h circulam milhares de desconhecidos pelas áreas do pequeno-almoço e check-out, enquanto outras centenas de novos visitantes entram e cruzam-se nos acessos às salas e auditórios para conferências. Nas zonas internas, dezenas de colaboradores, sendo alguns deles estagiários, cruzam-se com fornecedores de bens e serviços. É fácil de perceber que é um enorme desafio conceber um sistema integrado de segurança neste tipo de espaço tão complexo. É necessário assegurar a segurança 24/7, de forma flexível, passando pela segurança laboral, roubo, perda de cartões de acesso aos quartos, emergência médica, caminhos de evacuação suficientes e livres, mesmo para os intervenientes que não passaram por ações de formação – pois são apenas visitantes ocasionais. Perante uma enorme percentagem de visitantes e demais stakeholders que não sabem como reagir a uma situação de emergência, uma das soluções é o uso de sistemas altamente avançados, para reduzir os riscos associados. Esta redução passa pela prevenção dos acidentes, associando a captura de imagens vídeo com analítica que sinaliza bloqueamento de áreas livres por objectos indesejados. Falamos de analítica simples que fornece dados para ações preventivas, para cumprir os regulamentos de segurança e higiene no trabalho, como evitar o estacionamento em locais proibidos ao mesmo tempo que detecta e sinaliza entradas indesejadas, objectos abandonados/retirados e a análise de entradas/saídas (contagens automáticas), com alertas imediatos e objectivos. 48.
Ao mesmo tempo, as câmaras colocadas na recepção, quando detectam que as filas para o check-in ou check-out estão demasiado longas, emitem um alerta automático para reforçar a equipa da recepção, em tempo real e antes que existam descontentamentos. Mas mesmo utilizando os sistemas mais potentes, se estiverem dispersos, autónomos e sem interagir entre eles, não existe o total aproveitamento de todo o seu potencial e não se atinge o patamar almejado: salvar vidas e valores. QUAL A PERCENTAGEM DE PESSOAS QUE DENTRO DE UM EDIFÍCIO PÚBLICO SABE REAGIR A UMA EMERGÊNCIA? O staff da hotelaria tem formação para agir em caso de emergência, mas em situações de época alta é frequente a contratação de trabalho temporário e estagiários, a quem essa formação não foi administrada, colocando em risco não só os próprios como os clientes. Mas estes são uma pequena parte dos que interagem com o hotel, pois os hóspedes e visitantes das conferências são a grande maioria e os perigos são potenciados pelo desconhecimento do local e dos procedimentos a adoptar em caso de emergência. Esse desconhecimento origina pânico e desordem, quando o que se procura é exactamente o contrário. Existem diversos estudos que exploram o mecanismo neuro-cognitivo subjacente aos efeitos IOR (Inhibition of Return) entre especialistas em gestão de emergência e “noviços” – onde ficam demonstrados os efeitos do treino na capacidade de resposta em caso de emergência, como o estudo científico publicado em 22 Maio de 2017 na proteger JULHO | SETEMBRO 2018
Fig. 1 – Fonte: Bosch Security.
“Frontiers in Behavioral Neuroscience”, de Rong Cao, Lu Wu e Shuzhen Wang. CIÊNCIA VS. CIÊNCIA Todos os hotéis possuem um Sistema Automático de Deteção de Incêndio (SADI) que, em caso de deteção, emitem um sinal sonoro, eventualmente sinal sonoro + sinal luminoso e, em raríssimos casos, informações na língua local. Em casos ainda mais raros, existe uma evacuação previamente estudada e com faseamento conforme a EN54 — os sistemas EVAC. A evacuação geralmente é ordenada por sinalética colocada junto ao tecto e que, em caso de existência de fumos, está parcialmente oculta pelo mesmo.