— TEMA DE CAPA
Pedimos aqui uma reflexão ao leitor sobre a utilização de equipamentos que estão projectados e certificados para ser utilizados como sistemas de retenção e que são utilizados como sistemas antiquedas. Quais serão os efeitos no corpo humano caso haja uma queda? Sempre que a análise de riscos nos conduza à implementação de soluções Antiqueda e para que consigamos seleccionar o melhor sistema, existem alguns conceitos (que nem sempre se encontram claros) e que importam agora detalhar: Em termos genéricos poderemos classificar os sistemas antiquedas em dois grandes grupos: — Permanentes (Exemplos: guarda corpos/varandins, linhas de Vida, etc.): — Temporários [Exemplos: linhas de vida temporárias, andaimes, plataformas móveis/elevatórias, escadas (unicamente em situações excepcionais!), técnicas de acesso e de posicionamento por meio de cordas, etc.]. Todas as soluções estão relacionadas com um Factor de Queda que não é mais do que a “medição” da localização da ancoragem relativamente à localização da plataforma de trabalho da pessoa, como o esquematicamente ilustrado na fig. 3. Para qualquer solução que seja pensada ou estudada, temos que ter em conta o Espaço de Queda Livre. Trata-se de um somatório de várias variáveis como o comprimento do elemento de ligação, do sistema de absorção de energia, da altura da ancoragem dorsal aos pés do utilizador e ainda de um factor de segurança, como o esquematicamente ilustrado na fig. 4.
O Efeito Pêndulo é outro dos factores a ter em linha de conta e que é uma relação directa entre o comprimento que existe preconizado (para determinada solução) do seu elemento de ligação à ancoragem e o Espaço de Queda Livre disponível naquele local (fig. 5). Ou quais as barreiras físicas que existem no decorrer da queda numa relação directa com o elemento de ligação e localização da ancoragem (fig. 6). Ouve-se por aí que uma corrente é tão forte quanto o seu elo mais fraco. E esta é uma verdade incontornável também na protecção contra quedas. Será sempre necessário garantir que a Estrutura que irá receber a solução seleccionada a pode efectivamente receber, ou seja, que a mesma tem a resistência necessária para acolher a solução, que suporte o peso do(s) utilizador(es) e a(s) força(s) geradas pela sua(s) queda(s). Para isso há que respeitar requisitos preconizados a nível normativo – EN795:2012, EN353-1:2014 e EN3532:2002 e indicações do fabricante. As Questões Técnicas inerentes a cada equipamento e/ou sistema (questões estas salvaguardadas pelos fabricantes e que variam de equipamento para equipamento) deverão ser sempre observadas e tidas em conta, nomeadamente: — Forma de instalação (especialmente importante no caso de instalações que não requerem certificação de instalação por parte de pessoa competente); — Comprimentos vs Distâncias de Queda do Sistema; — Número de Utilizadores do Sistema; — Peso limite dos utilizadores (e do material que transportam); — Subsistemas de Ligação permitidos; — Limitações do Sistema.
Os Planos de Resgate e Salvamento não sendo um ponto que está directamente relacionado com a selecção de soluções Antiqueda faz parte integrante da solução. É um dos pontos que verificamos mais vezes ser descurado na preconização neste tipo de soluções. A diferença entre pensar esta solução em conjunto com a Solução Antiqueda pode ser a de salvar uma vida que não foi perdida na queda propriamente dita. Após uma queda o trabalhador pode permanecer suspenso pelo seu arnês, mas esta suspensão poderá causar-lhe inconsciência e dependendo do tempo de suspensão e de inconsciência (em que está imobilizado) e a sua própria circulação sanguínea, poderá surgir o Síndrome ortostático e conduzir este trabalhador para a morte. Este tipo de fatalidade, embora não comum, é muitas vezes referido como trauma da suspensão. Formação. Muito já se escreveu e falou sobre esta questão, mas continuamos a verificar que a formação e o treino são críticos para um bom desempenho de qualquer solução antiqueda e que muitas vezes a selecção de uma solução antiqueda (e a sua complexidade) deve ter em conta quem a vai utilizar. Não podemos pedir eficácia se não houver formação sobre as soluções nem tão pouco pedir eficiência sem que haja um treino regular que suporte este pedido. Por último e não de menor importância temos que abordar a Manutenção das soluções. De acordo com a norma NP EN 365:2017 (e com a directiva 89/686/CE), os fabricantes de equipamentos que se insiram dentro da classe de risco III (Riscos Mortais) além dos requisitos mínimos construtivos aos quais estão obrigados e pelos quais são auditados por uma entidade externa,
LOCALIZAÇÃO DA ANCORAGEM FACTOR 0
FACTOR 1
FACTOR 2
Comprimento do elemento de ligação.
Comprimento do obsorvedor de energia.
Altura da ancoragem dorsal aos pés do utilizador.
Factor de segurança.
Fig. 3 L ocalização da ancoragem relativamente à localização da plataforma de trabalho.
32.
proteger JULHO | SETEMBRO 2018
Fig. 4 Espaço de queda livre.