Acima de tudo temos que ter a noção que todos os trabalhadores têm o direito de voltar a casa ao fim de um dia de trabalho do mesmo modo que saíram e isso contribui fortemente para o sucesso da organização. Neste artigo, damos como exemplo de boas práticas uma obra emblemática que está a ser realizada na Argélia, a Sede do Gulf Bank. Trata-se um edifício com 110 m de altura, em que a estrutura exterior que envolve o edifício, denominada de Exosqueleto, exigiu a elaboração de um procedimento de montagem detalhado dada a complexidade do trabalho em altura a executar. Nesta obra em particular, foi desenvolvido um procedimento específico de montagem que detalha todas as atividades a desenvolver para a montagem da estrutura do exosqueleto, pormenorizando o processo construtivo a seguir, desde os meios materiais até aos meios humanos. Os equipamentos selecionados para a execução dos trabalhos foram andaimes fixos, linhas de vida, grua torre e monta-cargas. A montagem do exoesqueleto iniciou-se na cobertura com a pré-montagem das estruturas em forma de X constituídas por perfis de aço carbono e alumínio, com altura aproximada de 4 metros e 2,60 metros de largura. Para a movimentação destas estruturas recorreu-se à grua-torre para verticalizar as peças e colocar as mesmas nos locais definitivos de montagem. Para a execução dos trabalhos de montagem foram alocados sete trabalhadores (um chefe de equipa e seis serralheiros). O chefe de equipa é responsável por coordenar toda a atividade. Os serralheiros responsáveis pela execução da montagem; foram sujeitos a uma escolha criteriosa e a formação específica dada a complexidade da montagem associada à altura do próprio edifício. A complexidade da montagem do exoesqueleto exigiu um planeamento rigoroso e exaustivo, quer pela altura a que os trabalhos se desenvolveram quer pela extensão dos trabalhos de montagem. O planeamento dos trabalhos, especialmente quando envolvem trabalhos em altura, deve ser feito sempre deste modo, quer os trabalhos em altura sejam realizados a 110 metros de altura, quer sejam realizados a 2 metros. Temos que assegurar, para além de capacitarmos os nossos recursos humanos com capacidades de serralheiros, soldadores, montadores, temos que os capacitar para a execução de trabalhos em altura e investir constantemente nessa capacitação, a fim de garantirmos o sucesso dos projetos. V
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— TRABALHOS EM ALTURA: TRABALHE SEGURO, NÃO SE ARREPENDA! TEXTO Jorge Lozano CEO da Jorge Lozano
Num setor de actividade que envolve profissionais qualificados, muito se tem evoluído nos últimos anos, quer em termos das novas necessidades do mercado, quer também pela crescente evolução das inerentes soluções disponibilizadas pelos fabricantes europeus, em grande parte devido às dificuldades e riscos envolvidos. Apesar de, actualmente, todos nós sentirmos este efeito, o certo é que ainda existe muito por fazer em prol da criação de uma cultura nacional de segurança nesta área e que implica a adopção de conhecimentos e de atitudes direccionadas para uma correcta utilização dos equipamentos e de uma adequada formação individual para uma prestação de serviços segura e devidamente qualificada, baseada sobretudo na desejada competência e no almejado Acidente Zero! Nesse sentido, é necessário divulgar alguns considerandos a respeito dos Trabalhos em Altura de forma práctica e objectiva, necessária para um bom desempenho, sem incidentes ou acidentes. Assim, é importante começar por referir que não existem Trabalhos em Altura Seguros sem que tenhamos obviamente e em consideração o cumprimento do seguinte: 1. Avaliação de riscos ajustada e efectuada no terreno; 2. Selecção criteriosa e hierárquica de equipamentos normalizados; 3. Inspecção anual válida e certificada de Equipamentos; 4. Formação e certificação adequada de técnicos, em função da sua actividade; 5. Planificação de operações de resgate e salvamento. proteger JULHO | SETEMBRO 2018
1. T RABALHOS EM ALTURA: TRABALHOS DE RISCO PORQUE… A GRAVIDADE NÃO DORME! Vamos agora focar-nos na Avaliação de Riscos, a qual consideramos o 1.º e o mais importante dos cinco princípios listados, visto que é através do mesmo que tudo irá ser definido e que influenciará directamente a observância e o cumprimento dos restantes princípios (equipamentos, inspecção, formação e plano de resgate). Ora, tal como já aqui mencionámos, uma adequada Avaliação de Riscos somente poderá ser realizada por profissionais qualificados e se nos deslocarmos ao local onde os trabalhos se irão efectivamente realizar, pois necessitamos de conhecer no terreno, as verdadeiras condições envolventes e que se prendem, nomeadamente, com os seguintes factores: 1. Caracterização e descrição do trabalho; 2. Altura real de trabalho; 3. Duração estimada e cronograma; 4. Programa e fases de trabalho; 5. Identificação das soluções adequadas a instalar/certificar; 6. N.º de técnicos envolvidos e tipo de formação necessária; 7. Selecção criteriosa de equipamentos de protecção a utilizar; 8. Estado e inspecção válida dos respectivos Equipamentos; 9. Máquinas e ferramentas a utilizar; 10. Plano de emergência e de resgate a adoptar; 11. Avaliação das condições locais e de eventuais limitações; 12. Elaboração do plano de avaliação de riscos e envolvimento dos técnicos. 27.