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EM FOCO CURSO DE AVALIAÇÃO DE RISCOS DE INCÊNDIO DA APSEI TEXTO Mário Macedo Formador APSEI
A avaliação de riscos em geral, e a avaliação do risco de incêndio em particular, não são um fim em si mesmo. Com efeito, qualquer processo de avaliação de riscos serve essencialmente como ferramenta de apoio à tomada de decisões. Em termos gerais, qualquer que seja a metodologia adotada, o processo de avaliação riscos inclui a identificação das fontes de risco (os perigos), a análise dos riscos (caracterização dos níveis de risco a partir da probabilidade de ocorrência de um dano para os recetores considerados e da magnitude desse mesmo dano) e da decisão do que fazer com cada um dos riscos analisados com base 20.
em critérios de tolerância e apreciações de diversa ordem, como sejam análises de custo e de benefício. É com base neste processo que o curso de Avaliação do Risco de Incêndio se insere e que integra o plano de formação da APSEI. O curso começa com a apresentação de alguns conceitos básicos como sejam os conceitos de perigo, situação perigosa, recetor, risco, análise de risco e avaliação de risco, apresentando-se vários exemplos de cada um dos conceitos de modo a consolidar a sua apreensão. Em seguida é apresentado o “método tradicional” de avaliação de risco, sendo referidas algumas das metodologias mais frequentes para as diversas fases e discutidas as vantagens e os inconvenientes deste processo, sendo que, na generalidade, todas as metodologias têm a vantagem de lidar com qualquer tipo de recetor e risco (saúde e segurança de pessoas, património, ambiente, imagem e reputação, etc.) e requerem uma equipa multidisciplinar, de dimensão variável em função do detalhe de informação pretendida, o que se traduz, em regra, por um período de tempo mais ou menos prolongado e o empenho de recursos, sobretudo humanos, por esse período de tempo, o que nem sempre é fácil de conseguir na generalidade das organizações. A partir destes conceitos é apresentado um conjunto de metodologias “simplificadas”, nomeadamente aquelas que se enquadram no grupo dos índices de risco. Os índices de risco permitem lidar de forma rápida e simples com alguns tipos de risco muito bem definidos, como seja o risco de incêndio
em edifícios. Estas técnicas assentam no pressuposto de que os principais fatores que contribuem para o risco a avaliar (incêndio, por exemplo) são previamente definidos pelos autores do processo e que os utilizadores deverão avaliar se os mesmos se encontram, ou não, presentes no cenário a estudar e, em caso afirmativo, de que forma se manifestam, atribuindo ponderações de acordo com um critério previamente definido. O Método de Gretener de avaliação do risco de incêndio em edifícios, que serve de metodologia de base ao curso de Avaliação de Risco de Incêndio do plano de formação da APSEI, insere-se neste grupo de técnicas e é detalhadamente explicado e praticado ao longo das 12 horas de duração do curso. O Método de Gretener baseia-se na utilização de fórmulas matemáticas simples, integradas com utilização de tabelas de dados. Baseia-se na análise do processo do incêndio, determinando os fatores que propagam o desenvolvimento do incêndio. O curso tem uma componente teórica, em que o formador apresenta os diversos fatores que, na perspetiva do autor do método (Engenheiro Suíço Max Gretener em 1965) contribuem para o risco de incêndio. Estes fatores agrupam-se em três categorias: — Os fatores de perigo, isto é, os perigos que quando presentes agravam o risco de incêndio numa dimensão correspondente ao modo ou dimensão com que se manifestam; — As medidas de segurança, isto é, o conjunto de medidas de prevenção ou de proteção que mitigam o risco de incêndio, atenuando os efeitos dos fatores de perigo;
proteger JULHO | SETEMBRO 2018
— O perigo de ativação cujo valor corresponde, em termos simples, à probabilidade de ocorrência de uma ignição. Olhando com atenção para estes grupos de fatores pode verificar-se que os fatores de perigo e as medidas de segurança, no seu conjunto, correspondem à dimensão “magnitude das consequências” da equação básica do risco enquanto o perigo de ativação corresponde, como já referido, à componente probabilidade. Fica assim completa a equação básica do risco em que este é representado pelo produto entre a probabilidade de ocorrência de um evento perigoso (neste caso o incêndio) e a magnitude das suas consequências. Isto é, de uma forma simples e expedita, o método permite determinar a dimensão do risco de incêndio de um edifício, ou de um compartimento de incêndio em particular. Para que a avaliação do risco seja completada, há que comparar o risco determinado com um limiar de tolerância. Tal é feito determinando o risco de incêndio aceitável para o objeto em análise. O risco de incêndio aceitável é obtido a partir de um valor previamente definido, afetado por um fator de ponderação que tem a ver com o número de pessoas potencialmente afetadas, a sua capacidade de reconhecimento da situação perigosa e respetiva capacidade de reação e do local, em altura, em relação ao plano de referência, em que se encontram. Uma vez determinado o risco admissível, o mesmo pode ser comparado com o risco efetivo anteriormente determinado. Se o risco efetivo for superior ao risco admissível, estamos