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Dor de Alma “Ah, esta alma que não arde. Não envolve, porque ama, a esperança, ainda que vã, o esquecimento que vive entre o or valho da tarde. E o or valho da manhã.” Fernando Pessoa Por Olívia Santos
P
assava das quatro da madrugada quando
a
dor
chegava
de
mansinho. Não havia viva alma nas ruas. A cidade, qual dormitório de almas, estava silenciosa. Tudo estava envolto
numa
espécie
de
névoa
branca, revestida de uma estranha luz, de uma estranha paz, desde os
pequenos
charcos
da
última
chuva na calçada até às agulhas dos arranha-céus
perdidos
na
bruma,
entre pressentimentos de estrelas moribundas. Eram muitos a partilhar 38 | REVISTA PROGREDIR | MAIO 2019