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preço para estudante

vestibular o começo da preparação

longe de casa

O DESAFIO DE ESTUDAR FORA

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APRENDER PODE SER DIVERTIDO

ano 02 nº 4 – fev/mar 2010 – portalfera.com.br

R$ 2,00


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Revista Fera!

R$ 2,00 PREÇO PARA ESTUDANTE

ANO 02 Nº 4 – FEV/MAR 2010 – PORTALFERA.COM.BR

Diretoria Executiva – Ira Oliveira e Sandra Paiva Editor de Artes – Ira Oliveira Ira.diagrama@gmail.com Diretora Comercial – Sandra Paiva sandra.revistafera@gmail.com Repórter – Mateus Lima mateus.revistafera@gmail.com Diagramação – Ira Oliveira Revisão de texto – Dolores Orange Tratamento de Imagem – Jair Teixeira Claudio Coutinho Colaboradores – Fotos: Fabíolia Melo. Textos: Alana Lima e Carlos Lins. Colunas: Dolores Orange, Luciano Gouveia e Silvana Marpoara. Artigos: Wilson Barreto e Janguiê Diniz. Para anunciar – Rede3 Mídia 81 3031.0968 Sandra Paiva l 81 9291.4325 e-mail: revistafera@gmail.com 12.000 – Exemplares Publicada pela Rede3 Mídia Rua Estevão Oliveira, 75 - Santo Amaro - Recife/PE - CEP 52050-160 Os textos publicados na Revista Fera! não expressam necessariamente a nossa opinião.

VESTIBULAR O COMEÇO DA PREPARAÇÃO

LONGE DE CASA

O DESAFIO DE ESTUDAR FORA

PAINTBALL

APRENDER PODE SER DIVERTIDO

Capa: design de Ira Oliveira

Primeiro, é com muito orgulho e satisfação que digo: a Revista Fera! não para de crescer. Agora, com a página na internet – o Portal Fera! –, o Twitter e o Orkut criados, especialmente, em prol de um maior contato entre nós e todos os interessados no nosso conteúdo, podemos estar mais próximos e saber a opinião do público sobre o que produzimos. Numa era em que o computador já faz parte do cotidiano da maioria das pessoas, é preciso inovar. Queremos participar da vida dos jovens, aconselhando, passando informações importantes, educação e, é claro, diversão. Queremos, acima de tudo, ver você evoluindo junto conosco. Nesta edição da revista, que, por sua vez, já está se tornando uma velha conhecida, vamos falar da expansão do mercado cinematográfico e da grande visibilidade que ele está tendo em Pernambuco. Também abordamos um tema delicado e preocupante para estudantes e até para aqueles já formados: o desafio de conseguir a primeira oportunidade de estágio ou emprego. Outro assunto presente na pauta trata sobre o grande número de alunos que opta por instituições de ensino superior que ficam fora das cidades onde moram. Quais motivos os levam a essa decisão? Ah, não nos esquecemos de mostrar jovens que estão conseguindo obter sucesso na profissão e nem de dar dicas de como começar a se preparar para o vestibular de forma correta. Falando em vestibular, que confusão foi, e ainda está sendo o Enem. O que aconteceu? Foi falta de planejamento? Bom, a única certeza que temos é: os candidatos não mereciam ter passado por tudo isso. A credibilidade do Exame foi por água abaixo, e muitos até preferiram não comparecer aos locais de prova. Será que o Brasil tem, de fato, condições para realizar um processo único de avaliação? Anulação de questão, gabarito errado divulgado e, para completar, a confirmação de entrada nas faculdades de todo o país foi dificultada, devido a falhas técnicas no Sistema de Seleção Unificada. É verdade, o problema foi logo resolvido, mas nada justifica. Em 2009, algumas universidades abriram mão de utilizar o Enem e elaboraram os testes por conta própria. Ainda não está clara a forma de ingresso dos estudantes nas instituições de ensino superior em 2011, mas, dessa vez, esperamos menos tumulto e, principalmente, que os candidatos sejam respeitados e possam permanecer tranquilos antes, durante e depois do vestibular. Boa leitura! Mateus Lima.

índice

04 – preparação

Foi dada a largada. É hora de pensar nas melhores formar de estudar

08 – jovens imigrantes Para ingressar em uma boa universidade, vale até ficar distante da família

12 – escolas do governo Mais de dois mil alunos são beneficiados com a construção de unidades educacionais no Estado

14 – paintball

Através desse esporte que já virou mania, é possível tirar várias lições de como se comportar nos estudos, no trabalho e na vida

18 – AUDIOVISUAL

O mercado do cinema está se expandindo em Pernambuco, e quem deseja entrar nesse mundo já pode ver as portas se abrindo

24 – primeiro emprego

Conheça as maiores dificuldades enfrentadas antes de conseguir ingressar na vida profissional e veja como superá-las

27 – fasc visita suape

Estudantes e professores da Faculdade Santa Catarina-FASC fazem uma visita ao Porto de Suape

29 – indicações

Confira as dicas de livros e filmes

33 – diversão

Semana Santa é destaque

artigos proCURA-SE UM ESPECIALISTA 26 Responsabilidade Social das Ies 28

colunas marketing 30 sétima arte 31 rodapé 34


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Revista Fera! - fev/mar - portalfera.com.br

Mateus Lima

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s aulas começaram e muitos estudantes já pensam nas provas do vestibular que vão acontecer no final de 2010. Se para alguns ainda é cedo para se preocupar com isso, para outros, o ano parece ser curto demais para revisar tantos assuntos. Uma coisa é certa: esse é um período de instabilidade. É preciso lidar com a ansiedade, a pressão exercida por todos à sua volta e, principalmente, com as dúvidas em relação ao próprio potencial, que sempre insistem em aparecer. “Será que eu sou capaz?” ou “estou me esforçando o suficiente?” são indagações comuns entre os futuros candidatos às vagas nas principais instituições de ensino superior do Estado. Realmente, não é fácil. Mas então, como não ficar tão nervoso e tentar manter hábitos saudáveis de aprendizado no decor-

Bárbara Buril, primeira colocada no Vestibular 2010 da UFPE

rer de 2010? A coordenadora do 3º ano do Colégio GGE, Beatriz Ferreira, afirma que cada aluno deve estabelecer uma rotina de acordo com o seu limite. Ela também ressalta a importância de se completar o ensino médio com qualidade: “Na verdade, quem deixa para aprender em cima da hora, acaba não se saindo tão bem. O vestibular precisa ser encarado


desde o 1º ano do ensino médio, para que o estudante tenha a chance de ir se familiarizando com a nova realidade”. A coordenadora diz que é essencial traçar um objetivo, e lembra: “A dedicação é a base de um bom desempenho”. A psicóloga Manuella Carrazzoni, do Serviço de Orientação Educacional e Psicológica (SOEP) do GGE, concorda com Beatriz e faz questão de alertar: “Cuidado com os exageros”. Afinal de contas, como perceber quando alguém se excede nos estudos? Segundo Manuella, muitos costumam trocar o dia pela noite, se afastar das pessoas e até se alimentar de maneira incorreta. Ela enfatiza: “Com certeza, isso acaba prejudicando o rendimento e causando mais angústia”. Por isso, é fundamental proporcionar a si mesmo alguns instantes de descanso. Se distrair, fugir do estresse e ir aos lugares em que se sente à vontade, de preferência acompanhado dos familiares ou dos amigos, são atividades imprescindíveis, em especial,

Taciane Borges é aluna do pré-vestibular do Colégio Motivo


fotos: mateus lima

Manuella Carrazzoni (à esquerda) e Beatriz Ferreira, do GGE, ajudam os estudantes na preparação para o vestibular

para aqueles que estão em fase de preparação para o vestibular. Irene Castro, 16, está no 3º ano do ensino médio no Colégio GGE e pretende passar em Medicina. Ela jura saber dividir o tempo entre os livros e a diversão. “Separo bem as coisas. Estou ciente de que tudo vai ser mais difícil e serei bastante aplicada, mas não quero abrir mão do meu lazer.” Quando perguntada sobre o que, na opinião dela, poderia atrapalhar ou tirar a concentração durante a preparação, Irene confessa: “Se eu estivesse namorando, sairia um pouco do foco. Só vou procurar pensar nisso depois que tudo terminar. Caso contrário, acho que vou acabar me prejudicando, e não é isso o que eu quero”. No caso de Taciane Borges, 17, não é diferente. A garota cursa o pré-vestibular do Colégio Motivo e tem o intuito de se graduar em Administração, em uma das instituições públicas de ensino superior de Pernambuco. Ela espera dar o seu máximo, sem deixar de reservar tempo para as coisas que gosta de fazer. “Desde já, sinto o peso da responsabilidade. Necessito de momentos de tranquilidade, não Irene Castro,16, pretende cursar Medicina


Dicas para se dar bem esquecendo, é claro, do compromisso que tenho pela frente, que é o vestibular”, conclui. Já Bárbara Buril, 18, é a pessoa ideal para revelar o que pode ajudar a obter um resultado positivo. Após tirar 8,8 na nota definitiva e ser a primeira colocada no Vestibular 2010 da Universidade Federal de Pernambuco-UFPE, a ex-aluna da Escola do Recife se classificou para o curso de Jornalismo. Em seu dia a dia, ela evitava acumular o conteúdo das disciplinas, e conta: “Eu procurava me atualizar. Além disso, recomendo o cursinho de matérias isoladas, seja ele qual for, pois ajuda muito a organizar melhor o que vai ser estudado. É um ótimo complemento e só tem a acrescentar, fazendo com que não nos esqueçamos de nada do que foi dito pelos professores na escola ou revisado em casa”. Bárbara dá o último aviso. “A participação dos pais é super importante. Os jovens necessitam de apoio e não devem enxergar a aprovação como obrigação. Se os integrantes da família estiverem incentivando sem, ao mesmo tempo, sufocar, é melhor. Em minha casa, por exemplo, eu sabia que todos pensavam que eu conseguiria, mas ninguém chegava ao ponto de me cobrar nada, me deixando mais calma e confiante. Eu sabia que ali eu não estava sozinha e a sensação era reconfortante.” A forma de assimilação dos assuntos presentes nos livros, apostilas e cadernos depende apenas de você mesmo, do seu ritmo e do modo como suas tarefas e horários serão administrados. Porém, lembre-se: não há outro caminho, a não ser o dos estudos. Então, mãos à obra, e que venha o vestibular. F!

Procure ter boas noites de sono, para não ficar sem energia durante o dia. Antes de dormir, evite ingerir alimentos e substâncias estimulantes, como chocolate, pó de guaraná, cafeína e refrigerantes à base de cola. Se alimente da maneira correta, pois a fome atrapalha na hora de se concentrar nos estudos. Pratique esportes e se exercite. Isso faz com que você tenha mais disposição, além de ajudar a aliviar as tensões do dia a dia. Reserve um dia da semana apenas para descansar e se divertir. Quando for estudar fora da escola ou do cursinho de matérias isoladas, escolha lugares calmos, arejados e bem iluminados. Tente estipular horários fixos para iniciar e finalizar os estudos. Procure estar atento aos fatos mais importantes do ano, sempre buscando se atualizar. FONTES: www.universia.com.br www.mundovestibular.com.br


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Camila Saraiva veio de Timbaúba, fez o terceiro ano na capital e passou em primeiro lugar no Vestibular 2008 da UPE


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Alana Lima – especial para a Revista Fera!

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mercado de trabalho tem exigido, cada vez mais, profissionais capacitados e especializados. Pensando no sucesso profissional, diversos jovens encaram o desafio de deixar seus lares em busca de melhor qualificação. Alunos saem do interior do Estado e vêm estudar no Recife. Uma decisão que carrega dificuldades: pouca experiência de vida e nada de renda própria. As formas de se manter na cidade são diversas, dependendo, principalmente, das condições financeiras de cada um. Podem trabalhar, receber ajuda dos pais ou bolsas de auxílio ao estudante; dividir apartamentos, morar sozinhos, em repúblicas, em casas de estudantes ou na de parentes. Camilla Saraiva, 19, atualmente cursando o terceiro período de Medicina na UFPE, mudou-se para o Recife em 2008. Apesar de ser recifense, cresceu em Timbaúba, na Zona da Mata de Pernambuco – onde concluiu o ensino médio -.Em 2007, quando fez o vestibular pela primeira vez, não foi aprovada e sentiu necessidade de vir para a capital: “Aqui a preparação é mais intensa, mais focada. Lá também há cursinho, mas era uma turma bem heterogênea, tinha gente de muitas áreas diferentes. Ajudou muito para construir, mas não foi o suficiente”. A solução encontrada pela família da jovem foi que ela ficasse hospedada na casa de parentes: “Meu pai tinha medo de me deixar morando sozinha ou com amigos. Ele achava que eu não iria me adaptar direito,

imaginava até que se eu adoecesse, não ia ter ninguém mais velho por perto, para me levar ao hospital ou coisas assim. E também tem a questão do apoio que a família me dava estando comigo”. No fim de 2008, Camilla foi aprovada em Medicina na UFPE e na UPE e, mais uma vez, a família teve que se adequar: “No final do ano teve a minha aprovação e, junto a ela, uma mudança radical: decidiram que meu irmão vinha estudar aqui também. Então minha mãe veio morar conosco e meu pai nos visita toda semana. Meu irmão ainda está no segundo ano, mas ele queria ter uma preparação melhor. Sempre foi muito bem no colégio e sabia que aqui iria ter um terreno fértil para poder cultivar o estudo. Meus pais deram total apoio, mas dá uma sensação de responsabilidade em pensar que eles estão mudando tanto por mim, por nós”. Estudantes aprovados na Universidade Federal de Pernambuco que não moram na região metropolitana do Recife, não têm a sorte de ter familiares nas proximidades e que possuem vulnerabilidade sócioeconômica podem tentar uma vaga na Casa do Estudante Universitário (CEU) da UFPE. Atualmente, são atendidos 192 homens – que moram dentro do campus da Universidade - e 80 mulheres – que residem fora do campus, em um terreno atrás da reitoria. Segundo Cláudia S. de Andrade Lima, coordenadora de Departamento de Assuntos Estudantis (DAE), o número de vagas para mulheres está sendo ampliado devido à demanda e será construída uma casa mista. Existem regras para a permanência

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No começo, é muito difícil se acostumar a viver longe da família. Mas, geralmente, o sacrifício é compensado no final

na CEU, e uma delas diz respeito ao desenvolvimento acadêmico, de acordo com a coordenadora do DAE: “As pessoas têm uma ideia, muitas vezes falsa, de que as notas dos alunos que vivem na Casa do Estudante são baixas, porque eles não têm condições de acompanhar o ritmo estabelecido. Mas muito pelo contrário! A média geral da casa feminina é acima de 9 e a da casa masculina é em torno de 8.5, muito alta em relação à média geral da Universidade”. Além da moradia gratuita, todos os universitários que possuem na família renda per capita abaixo de 2 salários mínimos, sejam residentes da Casa do Estudante ou não, podem se inscrever para concorrer a uma bolsa de manutenção acadêmica de cerca de R$ 300,00 mensais, que acompanha o aluno do começo ao final do curso. Em troca, é preciso desenvolver 12 horas semanais dentro da Universidade. Para Cláudia S. de Andrade Lima, o perfil dos moradores das Casas dos Estudantes é de pessoas comprometidas: “A maior parte das pessoas que vem pra cá tem um compromisso com eles mesmos, com as famílias. Existem problemas? Claro que sim. Tem alguém que não se dá bem? Como em todo lugar. Mas a maioria vem realmente para estudar, para ter a sua profissão, voltar para casa, contribuir”. Solange Santos, 26, estudante do curso de Ciências Ambientais, é moradora da CEU desde agosto de 2009. Natural da cidade de Salgueiro, dividiu apartamento em Recife por seis anos. Os problemas de convivência surgiram e a única solução era a Casa do Estudante: se conseguisse a vaga, continuava no Recife. Caso contrário,

teria que voltar para Salgueiro. Conseguiu. Solange está alojada em um quarto com mais quatro colegas e explica como funciona a casa: “Há a bolsa de quase R$ 300,00. Então a gente compra comida e cada uma se encarrega da sua refeição. Tem fogão, microondas, além de geladeira no quarto e na cozinha. Há salas de estudo individuais e em grupo, lavanderia, sala de tevê e de informática. Tem funcionário que faz a limpeza dos banheiros, da casa e dos corredores. No quarto, uma moradora faz a faxina a cada semana. Cada uma tem a chave do seu quarto e pode voltar a qualquer hora. Meninos só podem ficar


fotos: fabíola melo

curiosidades A fila de estudantes do sexo feminino para a Casa está aumentando mais do que a de estudantes do sexo masculino. Solange Santos é natural de Salgueiro e mora na CEU

até as 23 h e o residente tem obrigação de passar em 50% das cadeiras que cursa em cada período”. Para a estudante, um ponto positivo é que todos têm direitos iguais. Mas ela faz um alerta: “Como em todo lugar, têm pessoas boas e ruins. A dica é não se estressar com qualquer coisa, não ligar para tudo o que falam, focar nos estudos, ficar meio reservada e falar com todo mundo, mas sem grandes amizades”. As dificuldades de se manter sozinho em uma cidade grande são diversas. O Governo tenta reverter a situação criando mais cursos no interior do Estado, mas a demanda para o Recife ainda é enorme. A qualificação se torna cada vez mais necessária no mercado profissional e, sem empenho, dedicação e força de vontade não se consegue nada. A recompensa vem. Mais cedo ou mais tarde, ela vem. F! Serviço DAE: Departamento de Assuntos Estudantis Reitoria da UFPE. Av. Prof. Moraes Rego, 1235 Cidade Universitária. Telefone: (81) 2126.7010 . www.ufpe.br/proacad CEU: Casa da Estudante Universitária Atrás da Reitoria da UFPE. Rua Governador Lopo Garro, Engenho do Meio

Caso haja disponibilidade de vagas, o aluno de pósgraduação stricto sensu poderá participar do processo seletivo para moradia na Casa. O processo seletivo inclui entrevistas, análise dos documentos, visitas domiciliares e trabalhos em grupo. Existe uma diretoria na Casa formada por universitários e que é renovada anualmente. A Casa funciona normalmente durante o ano todo, mesmo nas férias. Outra opção de moradia são as chamadas Repúblicas Estudantis e a divisão de apartamento entre várias pessoas. Nas proximidades das universidades, é comum haver várias Repúblicas, sedo algumas mistas e outras com moradores de apenas um sexo. Para quem pretende dividir apartamento e não conhece ninguém, nos murais das universidades costuma haver anúncios de interessados ou de vagas em apartamentos já alugados. Mas antes de preparar a mudança, busque informações do seu futuro companheiro de lar. FONTES: www.universia.com.br www.mundovestibular.com.br


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Ana Paula Costa – Assessoria de Comunicação da Secretaria de Educação do Governo

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anhar essa escola foi como receber um copo de água no deserto.” A declaração é do jovem David dos Santos Júnior, 16 anos, estudante do 1º ano da Escola Técnica Aderico Alves de Vasconcelos, em Goiana. A implantação das sete unidades técnicas no Estado trouxe um novo rumo à vida, não só de David, mas a dos 2.240 mil alunos que iniciaram os estudos no mês de fevereiro. O Governo do Estado entregou aos pernambucanos as novas escolas e com elas, a esperança de que esses jovens se qualifiquem para serem inseridos no mundo do trabalho. As primeiras unidades entregues foram as Escolas Maria Eduarda Ramos de Barros, em Carpina, e Miguel Arraes de Alencar, em Timbaúba. A inauguração, ocorrida no mês de fevereiro, marcou o início do ano letivo das sete novas unidades e contou com a presença do governador do Estado, Eduardo Campos, e do secretário de Educação, Danilo Cabral. Em Carpina, a emoção tomou conta dos que prestigiaram o evento. É que o nome da unidade foi uma homenagem a estudante de nove anos morta em 2008, vítima de uma bala perdida. Na ocasião, o chefe do executivo, Eduardo Campos, disse que a escola é um símbolo de esperança. “É uma homenagem a uma criança que na sua bela vida vai trazer alegria para a escola. Só o amor pode vencer a morte”, discursou. Já no município de Timbaúba, na escola batizada de Miguel Arraes de Alencar, o governador e o secretário foram recepcionados pela estudante Bruna Cabral, da Escola de Referência em Ensino Médio Professora Benedita de Moraes Guerra, localizada em Macaparana. Bruna saiu de seu município para conhecer a escola técnica e conversar com o governador. “Quero agradecer pelo apoio dado pelo senhor à Educação”, disse ela. “Se em outra época tivessem existido outros políticos com a determinação do governador Eduardo Campos, Pernambuco e o Brasil seriam bem melhores”, res-

saltou a aluna entusiasmada com a escola e com a presença do governador e equipe. As sete escolas técnicas estaduais oferecem cursos profissionalizantes em diversas áreas, respeitando a vocação de cada região. Além das unidades localizadas nas cidades de Carpina e Timbaúba, os municípios de Surubim, Goiana, Sertânia, Limoeiro e Jaboatão dos Guararapes também foram contemplados com a ação. Cada escola iniciou o ano letivo oferecendo ensino técnico a 320 alunos, sendo 160 matriculados na modalidade de ensino médio integrado ao profissionalizante e a outra metade cursando o ensino técnico subsequente. Na primeira opção, o aluno estuda em horário integral e, em três anos, conclui o ensino médio e o técnico profissionalizante. Já a modalidade subsequente é direcionada para jovens e adultos que tenham concluído o ensino médio e desejam uma certificação profissional. Nesse caso, o curso é oferecido no turno da noite e tem duração de um ano e meio. A escola Maria Eduarda Ramos de Barros, em Carpina, oferece cursos nas áreas de Comércio e Rede de Computadores. Já a unidade de Timbaúba é responsável pelas certificações nos segmentos de Informática (Eixo de Informação e Comunicação) e Administração (Eixo de Gestão de Negócios). As demais escolas vão formar os estudantes nas áreas de Rede de Computadores e Hospedagem (Goiana), Informática e Enfermagem (Limoeiro), Vestuário e Comércio (Surubim), Agropecuária e Informática (Sertânia) e Logística e Rede de Computadores (Jaboatão dos Guararapes). De acordo com o secretário de Educação Danilo Cabral, só este ano estão sendo oferecidas 2.240 novas vagas. “Em 2007, quando assumimos a gestão, existiam apenas 1,7 mil vagas em seis unidades. Hoje são 13 escolas técnicas estaduais e 10 mil vagas para os pernambucanos”, disse o secretário, lembrando que essas novas unidades fazem parte de uma promessa do governador Eduardo Campos feita aos pernambucanos, ainda em período de campanha eleitoral. “Cumprimos mais esse compromisso com os pernambuca-


Alyne Pinheiro

Alunos da escola técnica de Carpina

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Investimentos - A Secretaria de Educação investiu R$ 29 milhões na implantação das escolas. A unidade de Jaboatão dos Guararapes foi reformada e as outras seis escolas começaram a ser construídas no ano passado, com investimento médio de R$ 3.9 milhões por escola e de R$ 405 mil por quadra. As novas unidades técnicas obedecem a um padrão definido pela Secretaria, com 5.200 metros quadrados de área construída, com 12 salas, seis laboratórios (informática, línguas, química, física, biologia e matemática) e mais dois laboratórios especiais (definidos de acordo com a vocação produtiva da região), auditório, biblioteca, quadra poliesportiva (com vestiário), refeitório, cantina e área de convivência. Ao todo, a SE mantém 13 escolas técnicas estaduais. As seis que já funcionavam tiveram o ano letivo iniciado em 1º de março. São elas: ETEPAM e Soares Dutra, em Recife, Justulino Ferreira Gomes, em Bom Jardim, Agrícola Luiz Dias Lins, em Escada, Agrícola do Pajeú, em Serra Talhada e Agrícola de Palmares, no município de mesmo nome. Ainda este ano, outras cinco unidades técnicas serão implantadas em Pernambuco pelo Governo Federal. Essas escolas já começaram a ser construídas nas cidades de Ouricuri, Salgueiro, Caruaru, Garanhuns e Afogados da Ingazeira. F!

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nos e estamos levando para todas as regiões conhecimento e novas oportunidades”, concluiu.

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oração acelerado, adrenalina à flor da pele e muita concentração. Não, eu não estou me referindo a um dia de prova do vestibular. Na verdade, estou falando de um esporte que, visivelmente, vem ganhando espaço: o paintball. A prática surgiu nos anos 70, quando alguns fazendeiros australianos e americanos utilizavam pequenas bolas de tinta colorida para identificar os gados de diferentes rebanhos ou os animais que já estavam prontos para o abate. Nos anos 80, a modalidade começou a tomar os moldes que tem hoje. Na época, madeireiros americanos marcavam as árvores que seriam derrubadas com as mesmas bolinhas de tinta colorida usadas por fazendeiros na década anterior. Após o expediente, eles aproveitavam para elaborar jogos de estratégia e criavam armas pouco sofisticadas, que ficaram conhecidas como marcadores. Só mais tarde, os milita-


ra e outros itens que servem de abrigo na hora de se proteger dos tiros e de pensar na estratégia para despistar os oponentes. Mesmo com a grande aceitação em relação à atividade, algumas pessoas ainda têm certos receios que dizem respeito à segurança nessa prática. Afinal de contas, há algum risco? Segundo Deivid Alexsander, instrutor chefe da empresa especializada em ações radicais, a 90 Graus Adventure, o perigo só ocorre quando não há o monitoramento de profissionais habilitados nos locais onde acontecem os jogos. Para ele, “é de extrema importância a presença de alguém mais experiente, guiando e coordenando os integrantes de cada grupo no decorrer das partidas”. Isso, sem contar com o fato de ser obrigatório o uso de equipamentos de segurança para proteger as partes vitais do corpo e evitar acidentes. Entre os acessórios tidos como essenciais durante as competições estão a máscara, cobrindo o rosto e principalmente os olhos, já que as bolinhas disparadas pelos

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res resolveram introduzir a ideia aos seus treinamentos, transformando a brincadeira em coisa séria. Hoje em dia, embora grande parte dos jogadores esteja na América do Norte e na Europa, são muitos os brasileiros adeptos ao paintball, que já é, oficialmente, considerado um “X-Game”, ou seja, um esporte radical. A tendência é que o número de praticantes, que gira em torno de 15 milhões de pessoas em todo o mundo, aumente ainda mais com o tempo, inclusive em Pernambuco. Existem dois estilos considerados principais no paintball: a modalidade recreativa, com foco principal no entretenimento, e a de competição, levada mais a sério pelos seus participantes. Uma das várias vertentes conhecidas do jogo é a “Capture the Flag”, ou em português, “Captura da Bandeira”. Duas equipes devem ser formadas, cada uma tendo posse de sua bandeira. O time que conseguir retirar o objeto do território inimigo ou eliminar todos os integrantes do grupo adversário primeiro é considerado vencedor. Porém, o modo mais difundido do esporte é, sem dúvida, o “Scenery Game”, que envolve diferentes cenários, sendo eles naturais ou artificiais. A intenção é simular uma situação real de combate, e tanto as missões, como as regras, são traçadas pelos próprios “combatentes”, tornando a diversão muito mais emocionante. No caso dos campos montados pelo homem, são aproveitados carcaças de carros, tonéis de metal, pneus empilhados, caixas de madei-

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A tensão toma conta de todos que participam do paintball. A qualquer momento você pode ser pego de surpresa


equipamentos Arma ou marcador: usa-se durante os jogos de paintball, para atirar nos integrantes do time adversário. Existem diferentes modelos, porém, todos funcionam através do sistema de ar comprimido. Porto interno Suape Carregador: serve de como porta-munição, sendo FOTOS: SIMONE MEDEIROS ASCOM SUAPE

fotos: fabíola melo

capaz de armazenar uma quantidade de até 200 bolas. Bolas: ficam dentro dos carregadores e são disparadas pelos marcadores. Feitas de gelatina, contêm também tinta biodegradável não tóxica e lavável, pesando, cada uma, cerca de quatro gramas.

Acessórios de segurança: Máscara.

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Colete de proteção. Luvas.

marcadores, em contato direto com o globo ocular, podem vir a causar lesões, o colete de proteção, abrangendo toda a extensão do tórax e as luvas, dando mais segurança na hora de manusear as pistolas. Deivid também ressalta as vantagens que essa prática pode trazer aos jovens, em especial, aos que convivem com as árduas tarefas de trabalhar, estudar e atender as incontáveis exigências do mercado: “aprender a atuar em conjunto, aprimorar o senso de liderança, saber a hora de ser mais cauteloso, elaborar táticas para alcançar objetivos maiores e, é claro, manter um bom preparo físico, são características

O instrutor Deivid Alexsander, da 90 Graus Adventure

que podem ser desenvolvidas através do paintball”. A prova disso é que uma grande quantidade de empresas vem procurando os serviços prestados por organizadores de eventos radicais, com o intuito de ajudar os seus funcionários a saírem um pouco do estresse do dia a dia e incentivando a descoberta de novos potenciais, vistos como fundamentais no processo de produção. Para quem nunca teve a oportunidade de se sentir em um verdadeiro campo de guerra, aí vai a dica: experimente o paintball. Coloque para fora o seu lado guerreiro e dê a si mesmo a chance de revelar habilidades escondidas dentro de você, que só necessitam de um empurrãozinho para serem descobertas. Foi o que eu fiz como integrante da equipe da Revista Fera!, a convite da Faculdade IBGM e sua turma de “guerrilheiros”. Com toda certeza, valeu a pena! F! Serviço 90 Graus Adventure – Rua Firmino de Barros, 183 G, Cordeiro, Recife-PE. Contato: Fax - (81) 3227-3275 Celular – (81) 8623-5760 www.90graus.com – contato@90graus.com Contato: Deivid Alexsander.


Uma equipe entra na mata e se posiciona para a emboscada. O outro grupo só parte para o confronto dez minutos depois

dicas de segurança

Presuma sempre que a arma está carregada e cheque se a munição foi colocada de forma correta. Mantenha a arma descarregada antes de entrar no local em que

NUNCA olhe dentro do cano do marcador, mesmo que esteja com a máscara de proteção. Caso precise fazê-lo e o cano não possa ser removido, atire em uma área segura, até se certificar de que não há mais gás no cilindro conectado à arma. NUNCA retire a máscara durante a partida. Informe o instrutor sobre qualquer problema de saúde, alergia ou outros fatores que possam lhe comprometer durante o jogo.

Futebol

10,5%

Porto interno Basquete

8,6%

Vôlei

5,7%

Esqui

3,44%

Natação

1,3%

Golfe

1,13%

Tênis

1,09%

Boliche

0,5%

Paintball

0,31%

de Suape

FONTES: www.paintball.com.br www.mercenarios.com.br

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Não aponte a arma para lugares em que não pretende atirar, principalmente durante o período que antecede o começo do jogo.

será realizada a competição.

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Presuma sempre que os dispositivos de segurança dos marcadores não estão ativados. Assim você evita os disparos não intencionais.

2 - Percentuais de acidentes e lesões (por grupos de mil jogadores).

FOTOS: SIMONE MEDEIROS ASCOM SUAPE

Dicas de segurança para quem vai praticar o paintball pela primeira vez.


LUZ,

ual audiovis e d o p m s O ca er apena s e d u o x dei vai dinha e m o m a m u oe formand se trans Vários jovens e. realidad ecializando na esp ma estão se s começa o t n e l a t cala área e rande es g m e r i surg

CÂMERA, AÇÃO!

“- O sistema é mau, mas minha turma é legal”.

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Alana Lima – especial para a Revista Fera!

A

té pouco tempo, foi realmente assim. Sem a possibilidade de uma formação superior, as pessoas ligadas ao audiovisual em Pernambuco se formaram na escola da vida, com muita vontade, prática e pouco pudor. Marcelo Pedroso foi um desses: “é uma formação mesmo empírica que está ligada tanto a um estudo teórico pessoal, quanto ao desenvolvimento de uma prática assim: ‘ah, aprovei um projeto, vou fazer um filme’. Junta uma galera, vamos nessa, a gente aprende fazendo e vendo filme”. Hoje, como um dos quatro sócios da produtora de cinema e vídeo Símio, Marcelo conta que os primeiros passos para a dedicação profissional exclusiva ao audiovisual foram dados na universidade, mesmo tendo se formado em Jornalismo em 2003: “na época da faculdade, a gente já tinha começado a ter uma produtora que era formada por estudantes. No começo éramos nove ou dez pessoas de cursos variados: Jornalismo, Design, Artes Plásticas e Publicidade. Eu já tinha


fabíola melo

Com Maurício Nunes, professor do curso de Cinema de Animação da Faculdade AESO, o início da história foi um pouco parecido. Veio de Maceió para o Recife a fim de estudar Publicidade, mas acabou se formando em Design e fazendo amigos: “em paralelo ao curso da universidade, tive contato com algumas pessoas que já desenhavam, então apareceram alguns trabalhos ligados à animação. Conheci um pessoal que trabalhou num longa-metragem da história da cidade de Igarassu e eles montaram a multimídia Quadro a Quadro. Eram cinco sócios e vários amigos em volta. Mais ou menos umas dez, doze pessoas, e eu era uma delas”. Luiz Joaquim, professor de Cinema Brasileiro na pós-graduação da Universidade Católica de Pernambuco, curador do cinema da Fundação Joaquim Nabuco e crítico de cinema do jornal Folha de Pernambuco, conta que os seus conhecimentos também foram adquiridos de maneira particular: “eu me joguei nessa história de estudar Jornalismo e virar um repórter de cultura, trabalhar e correr atrás de cinema. Na verdade, eu queria ser fotojornalista. Na universidade, descobri que eu gostava também de escrever e que as pessoas gostavam do que eu escrevia sobre cinema. Uma coisa levou à outra. Sempre admirei o cinema e na adolescência eu lia muito. Quando comecei a trabalhar em jornal, ainda reforcei isso de me

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um interesse por cinema, mas não levava muito a sério”. Trabalhou de três a quatro anos em jornal, até o momento em que teve que escolher entre o Jornalismo e o Cinema. Foi justo na época em que finalizava o seu primeiro longa-metragem e não é preciso dizer qual foi a escolha. O curso de Cinema não existia, mas a paixão não é uma qualidade exclusiva da formação acadêmica: “uma coisa que eu acho que foi muito importante para a gente foi o cineclube, que acabava preenchendo essa lacuna de não ter um curso de Cinema. Era um espaço semanal de reunião de pessoas para assistir filmes e debatê-los. Isso sedimentou um entendimento, um olhar voltado para o cinema, porque a gente assistia aos filmes de forma crítica. A partir da reflexão, a gente buscava textos que sugerissem novas leituras sobre os filmes, que situassem aquelas obras dentro de uma escola ou de um período histórico, instigando uma apreciação estética e política. Era uma sensação muito intuitiva, de correr atrás de textos com métodos pouco acadêmicos, porque você acaba encontrando alguns autores com os quais tem alguma identificação, começa a ler e vai criando um conhecimento, um saber que não é sistematizado dentro de um programa pré-definido, mas que no fim das contas, não é menos valioso. É um olhar desenvolvido a partir de referências que você busca”.

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Luiz Joaquim é professor de Cinema Brasileiro e curador da Fundaj


aprimorar, sempre lendo bastante. O exercício de atuar como jornalista cultural também foi me enriquecendo do ponto de vista de conhecer as pessoas que trabalham com cinema aqui no Recife. Me fez entender como se dá o processo todo”.

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“- E hoje em dia, vamos fazer um filme?” Os tempos aparentam ser outros. As especializações surgiram em Pernambuco: Cinema Digital (Faculdade Mauricio de Nassau), Cinema de Animação (AESO), Cinema (UFPE) e pós-graduação em Estudos Cinematográficos (Unicap). Por que isso aconteceu? Qual a importância? Quais serão os reflexos? Marcelo Pedroso acredita que o surgimento desses cursos tem uma ligação direta com o sucesso de gerações anteriores do cinema pernambucano, com cineastas como Marcelo Gomes, Lírio Ferreira, Paulo Caldas, Cláudio Assis, entre muitos outros. “A minha geração menos, mas a geração de Gomes, que já começou, colocou as cartas na mesa e disse a que vinha. Então, acabou criando essa demanda, esse interesse, e você começa a ver que é possível fazer cinema aqui. Antes não tinha aparato, não tinha um mercado, não tinha nada, e agora começa a ficar mais consolidado”. Luiz Joaquim crê que “a exposição do cinema pernambucano de 1994 a 2004, na mídia local e na mídia do sul, é bastante estimulante para o jovem que gosta de cinema e que está acompanhando o mercado. Pra mim, o fato de surgirem cursos de cinema é uma consequência direta do sucesso do setor em Pernambuco”. Silvana Marpoara, professora do curso de Cinema Digital da Faculdade Mauricio de Nassau e ligada a diversos projetos audiovisuais, comenta o perfil dos novos profissionais: “o que se pode observar é que eles se apresentam mais jovens (por volta de 20 anos) e sem profundo conhecimento de todo o processo da cadeia produtiva do audiovisual - o que o difere do profissional mais antigo -. Essa nova geração, mesmo com todo acesso à tecnologia e informação, parece ter maior preocupação em produzir filmes com temática particular, sem buscar referências, resultando assim em

AnimAÇÃO! Em 2007, a animação pernambucana “Até o sol raiar” ganhou o prêmio do Animamundo, o maior festival de animação brasileiro e um dos mais conceituados do mundo.

A Disney possui uma Faculdade própria onde forma os seus animadores. A animação, por ser uma mídia que se comunica muito bem com as crianças, pode ser vista como uma importante ferramenta de mudança social, cultural e educacional. A animação “UP – Altas aventuras” ganhou os prêmios de melhor trilha sonora, melhor longa de animação e foi indicado à categoria de melhor filme. A única animação que havia concorrido nessa categoria havia sido “A bela e a fera”. .


fabíola melo

grandecer a prática: “na sociedade da imagem absolutamente generalizada, você precisa ter um momento para parar e refletir sobre essa produção de imagens, para orientar o que você vai produzir. É muito importante a aventura de realização a partir da sensibilidade, do que você acredita.Mas é fundamental que ela esteja amparada numa reflexão, num olhar atento sobre o que está sendo feito, porque senão você acaba banalizando um processo que já está sendo construído há muito tempo. O debate, o amadurecimento em torno do estado da imagem e das linguagens que se criam precisa estar embasado nas análises que acontecem na universidade, nos cineclubes ou em casa enquanto se assisti a um filme”. Além da formação especializada, as novas tecnologias só tendem a facilitar a realização e divulgação de trabalhos audiovisuais. A tendência e a expectativa é que surjam, cada vez mais, bons trabalhos. Marcelo Pedroso já consegue observar mudanças: “tenho estagiários na Símio que estudam cinema. Fico observando o pessoal que está no primeiro período e já vê uma filmografia que eu só fui descobrir muito tempo depois. Eu acho incrível que eles já estejam debruçados sobre obras muito complexas, já estejam sob o acompanhamento de pessoas que têm experiência e aprofundamento na área. Acho que isso vai reverberar muito no modo de se fazer cinema. Tem esse facilitador que é a formação sistematizada e tem outra coisa que eu acho incrível: a internet. Podemos conseguir filmes de Taiwan, da Nova Guiné e qualquer cinematografia. É um meio de consolidar o conhecimento, criar um

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um novo cinema, também sem grandes inovações. Segundo boa parte dos professores dos atuais cursos de cinema, é preciso estimular um aprofundamento desse jovem com leituras e observação de filmes, afinal, quem faz cinema ‘precisa’ ver cinema e não só querer fazer. Por isso o papel dos cursos acadêmicos se faz tão importante, já que direciona o aluno a buscar novos conhecimentos”. A crítica e a multiplicação das formas de produção são grandes ganhos do estudo sistemático, confirma Maurício Nunes: “eu também gosto muito de história e hoje, dando aulas, tenho uma grande oportunidade de estudar a história da animação, uma coisa que, quando você só trabalha, acaba não tendo crítica e nem, muito menos, conhecendo o que existiu antes. Agora posso estudar de verdade. Uma formação que seja autodidata é importante, lógico, mas ela perde pela pouca crítica que desenvolve. Ela só é prática, porque conhece pouco de história e pouco de teoria. Mas eu sei que ainda se precisa muito dessa consciência. Eu não digo nem enquanto classe, mas enquanto função mesmo: quais são as possibilidades de você trabalhar da melhor maneira possível? E eu acho que um curso superior vem pra isso, pra te dizer o que aconteceu, quais são os caminhos mais viáveis, como você pode errar menos e deixar a tua experiência um pouco mais direcionada, não tão perdida nem tão aleatória. Um curso superior é para criar essa crítica, então você não vem só pra fazer, você vai ter que saber o que você está fazendo e o porquê”. Para Marcelo Pedroso, a teoria só tende a en-

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O professor de Cinema de Animação Maurício Nunes


A professora de Cinema Digital e produtora cultural Silvana Marpoara

olhar crítico sobre cinema, ampliar o repertório e possibilitar a abertura para novas linguagens”.

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“- Sem essa de que: ‘Estou sozinho’”. Paixões à parte, quem pretende se dedicar a uma atividade profissional pelo resto da vida se preocupa, em algum momento, se conseguirá gerar renda suficiente para se manter. É aí que entra o temido mercado. Como será que está o mercado em Pernambuco? Haverá espaço para esses novos profissionais? Marcelo Pedroso afirma que há muito espaço em Pernambuco e aponta um indício: antes, a maioria dos cineastas se mudava para o Rio de Janeiro ou São Paulo para poderem desenvolver seus projetos. Hoje, muitas pessoas ligadas ao cinema continuam morando no Recife e conseguem ser bem-sucedidas. A Política Pública de Editais do Governo de Pernambuco destina 6 milhões de reais ao audiovisual e isso gera um mercado. “Se você injeta na economia 6 milhões por ano para desenvolvimento de filmes, há toda uma ca-

deia de profissionais que está inserida nesse contexto: o diretor, o produtor, o diretor de fotografia, os assistentes, o iluminador, o diretor de arte, os atores, o roteirista, preparação de elenco, enfim é uma gama enorme de profissionais que estão associados a cada uma dessas produções. O som, por exemplo. Poucos em PE trabalham com som. Você às vezes conta nos dedos . Há uma demanda muito grande por pessoas que trabalham com diversas vertentes do cinema. Na criação de cinema autoral, então, há esse aporte dos vários editais. Além disso, o fortalecimento da economia do país reverbera em outras áreas. A Publicidade talvez não tenha crescido tanto, mas a demanda por vídeos institucionais e por coberturas de eventos é crescene. Para quem está se formando, existe uma série de possibilidades de entrar no mercado de trabalho de forma muito forte.” Luiz Joaquim considera o mercado de cinema no Brasil muito sofrido, justamente por essa quase que total dependência dos recursos públicos: “o mercado brasileiro está muito dependente desse sistema. Eu acho que é frágil porque, por exemplo, alguém tem um projeto muito bom e não consegue aprovar em nenhum concurso Então essa produtora vai ficar com esse projeto até conseguir. A não ser que ela resolva fazer por conta própria e é bastante complicado”. Para os que se interessam por animação, Maurício Nunes fala sobre uma boa opção: o porto digital. “Nós temos aqui uma coisa positiva, que é o porto digital. Grande parte dos animadores daqui está fazendo joguinhos para celular e internet. O porto já é um bom mercado para isso e ainda precisa de muita gente. Há os projetos culturais, financiados tanto pela Prefeitura e pelo Estado, quanto pelo Ministério da Cultura. A gente tem como uma realidade os três fatores: o porto digital, os projetos culturais e a publicidade”.

“- E ter beleza e fantasia.” Então, fica a dica: existe mercado, espaço e necessidade de bons profissionais. Marcelo Pedroso definiu a formação de uma maneira bastante cinematográfica: tentacular. Ela acontece nas universidades, nos cineclubes, nas oficinas, no mercado e em casa. Luiz Joaquim diz que é preciso correr atrás, inovar e ser disciplinado,


fotos: fabíola melo

Serviço Símio: Rua Joseph Tourton, 268 – Tamarineira. Telefone: (81) 3267 3110. www.simiofilmes.com AESO – Barros Melo: Av. Transamazônica, 405, Jardim Brasil II, Olinda. Telefone: (81) 2128-9797. www. barrosmelo.edu.br Unicap: Rua do Príncipe, 526. Boa Vista. Telefone: (81) 2119-4000. http://www.unicap.br/ Faculdade Maurício de Nassau: Rua Guilherme Pinto, 114 - Graças | Rua Fernandes Vieira, 110 - Boa Vista. Telefone: (81) 3413-4611. http://www. mauriciodenassau.edu.br/ Fundação Joaquim Nabuco: Av. Dezessete de Agosto, 2187, Casa Forte | Rua Henrique Dias, 609, Derby. Telefone: (81) 3073-6720 http://www.fundaj.gov.br

porque, senão, você vai ter informações sobre tudo e, na realidade, não saber sobre nada com profundidade. Silvana Marpoara aconselha que é preciso entender o papel do profissional no contexto social: “para ser médico, não basta apenas não ter medo de sangue; para ser engenheiro, não basta apenas saber fazer cálculos e, para ser um cineasta, não basta apenas gostar de assistir filmes”. Maurício Nunes considera como característica essencial do bom profissional a inquietação visual. “Tem que olhar bem. Quando a gente gosta de olhar, a gente também gosta de poder reproduzir. Pode ser um desenho em código, em filmagem, em recorte ou como você achar mais adequado.” Conselhos mais clichês e verdadeiros não podem haver: saber o que quer, estudar, trabalhar e se empenhar para que as coisas deem certo. Uma boa história para contar todo mundo tem, mas é preciso saber colocá-la dentro da linguagem cinematográfica. F!

Cineclube Revezes Local: Universidade Católica de Pernambuco http://www.cinerevezes.blogspot.com/ Cineclube Dissenso Local: Fundação Joaquim Nabuco Todos os sábados às 14h http://dissenso.wordpress. com/cineclube/

As frases destacadas em vermelho foram retiradas da música de Legião Urbana “Vamos fazer um filme”

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O jornalista e cineasta Marcelo Pedroso

Cineclube Califórnia Local: Instituto Cervantes A partir de abril, todas as terças.

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Dicas de Cineclubes


il pre é fác m e s de m e N ma vaga e u r i u g e od cons até mesm ue u o o i g á est etor em q o, é s o n o g iss empre ar. Para nto u t a ja e s ate se de r sempre e a t s e o s i d c pre nselhos s o c s o r i e e segu experient s i a m s a pesso tunid

ade

o carreira nal profissio

Carlos Lins – especial para a Revista Fera!

I

ngressar no mercado de trabalho, seja através de um emprego ou de um estágio, é um marco na vida do estudante. Entretanto, o número de vagas oferecidas a eles são reduzidas e isso levanta as primeiras dúvidas sobre a escolha profissional. “Eu tenho potencial para conseguir um emprego?”, “Vou produzir o suficiente pra ser bem sucedido?”, “Vou ganhar bem?”, “Minha área tem um bom mercado?”, “O que devo ter para me destacar e ser contratado?”. Grande parte dos jovens entra na faculdade sem saber se realmente aquele é o seu lugar, e acabam desistindo do curso aos poucos, pois veem que aquela profissão não se adéqua às suas características. Alguns pais fazem imposições às escolhas dos filhos, alegando que a profissão escolhida não será boa o suficiente para fotos: mateus lima

opor

da io iníc

eles. Enfim, as incertezas sobre o caminho que será percorrido aparecem, às vezes, de forma tão intensa que fazem com que um estudante abandone, até, um sonho de infância. O tempo em que um curso superior era suficiente para fazer alguém engrenar no campo profissional ficou para trás. Hoje, é comum vermos pessoas com graduações e pós-graduações concorrendo a vagas muito inferiores aos seus graus de estudo. A Analista de Seleção e Contratação do CIEE (Centro de Integração Empresa Escola de Pernambuco), Fernanda Meirinhos, tem uma tese para essa concorrência: “Isso se deve a demanda de estudantes à procura por vagas de estágio, que é maior que as oportunidades ofertadas. Além disso, abrem-se cada vez mais novas instituições de ensino superior”. O CIEE oferece vagas tanto para cursos superiores, quanto para cursos técnicos. Do total de vagas disponibilizadas, 80% são para estágios de nível superior e 20%, para nível técnico. As vagas do curso de Administração representam 36% das vagas de nível superior, seguido de Ciências Contábeis, 7%, e Pedagogia, 6%. As vagas do curso Técnico em Administração representam 71% das vagas de nível técnico, seguido de Edificações, 7%. Muitos jovens afirmam que, na hora da entrevista para conseguir um estágio, ficam nervosos. Muitas vezes, este nervosismo é um fator crucial para fazê-los perderem a vaga. “O candidato tem que controlar sua ansiedade, não deve ficar acuado durante a entrevista. Tem que entender que não está ali apenas para responder as perguntas, ele, na verdade, pode até se posicionar sobre determinado ponto de vista,” esclarece Meirinhos. Os estudantes que estão certos sobre sua área de atuação (humanas, exatas, saúde), mas ainda estão indecisos quanto ao curso que escolherá, devem obFernanda Meirinhos, analista do CIEE


fique ligado Como se comportar nas entrevistas de emprego ou estágio: Antes de ir à entrevista, procure conhecer a instituição que está disponibilizando O empregador vai gosPortoa vaga. interno tar de saber que você se interessou de Suapeem pesquisar sobre a empresa na qual poderá trabalhar ou estagiar. FOTOS: SIMONE MEDEIROS ASCOM SUAPE

Não use roupas chamativas ou desconfortáveis. No caso das mulheres, a maquiagem deve ser leve e discreta, sem exageros. Não esqueça: a boa aparência também é uma arma a seu favor. Falar e escrever de forma errada são pontos negativos no processo de seleção. Evite as gírias.

A maioria dos empregadores sabe que, no candidato, estará presente algum grau de nervosismo, medo ou ansiedade. Mas é muito importante ter controle emocional e saber superar as dificuldades. Mostre que mesmo sob pressão pode manter a calma e vença a timidez. Ouça com atenção as orientações e indagações do selecionador. Caso não compreenda o que está sendo falado, não há problema em pedir que ele repita. Mas não abuse. Durante a entrevista, tente dar maior ênfase às habilidades que você já sabe que tem e as que acredita que poderá desenvolver com facilidade.

além do mais, geralmente se exige no mínimo seis meses de experiência.” Para ela, a conclusão do curso não é o suficiente para ter sucesso em sua profissão. “Esse foi o primeiro passo que eu dei, meu próximo objetivo é conseguir um emprego, passar em um concurso público na minha área, passar na prova de mestrado no fim do ano para, após concluí-lo, começar a dar aulas”, complementa Pryscilla. A pouca idade deve ser vista, na verdade, como uma arma a favor, e não como um empecilho. O dinamismo, a disponibilidade e o anseio de aprender são características comuns nos profissionais que estão dando o pontapé inicial na carreira. Esses fatores são extremamente importantes no processo de crescimento de uma empresa, seja ela já renomada ou ainda pouco conhecida, por isso o profissional jovem é indispensável. Boa vontade nunca é demais, e isso os iniciantes têm de sobra. F!

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servar as oportunidades que são dadas. Para Jéferson Andrade, 23, estudante do 5º período de Odontologia, a área escolhida por ele não oferece muita oportunidade. “Na minha área, as vagas oferecidas para estagiar são escassas, já sabia disso, porém meu sonho de abrir um consultório odontológico ainda está vivo”, afirmou um empolgado Jéferson. Uma boa forma de saber sobre o estágio em sua área é consultando os professores acadêmicos de seu curso. Para o Jornalista e Professor Washington Gurgel, o estágio é de suma importância ao estudante. “O estágio é uma extensão prática do que se aprende na faculdade e de fundamental importância para a formação profissional do estudante. Com o estágio, se enfrenta os obstáculos do dia a dia, conhecendo as ferramentas da profissão”, ressalta Gurgel. Alguns universitários afirmam que não sabem o que fazer para conseguir a tão sonhada vaga. Gurgel afirma que, entre outras coisas, é necessário ter força de vontade. “Hoje, o estágio é tão disputado quanto um emprego e, por isso, é preciso que o candidato não desista na primeira dificuldade. Em tudo na vida há dificuldade e temos que superá-las. Preparar-se é algo também fundamental, já que o mercado está cada vez mais exigente. Além disso, o aluno deve buscar o que se chama Network, ou seja, uma rede de amigos que estejam no mercado e que possam ajudá-lo na missão de conseguir um estágio. É o famoso ‘Quem Indica’”, brinca o jornalista. De acordo com dados divulgados pelo Ministério do Trabalho em 2009, quase metade dos desempregados no Brasil está na faixa etária entre 16 e 24 anos, ou seja, são jovens. Para a já formada em Nutrição, Pryscilla Azevedo, 22, esses dados causam certa preocupação. “O número de vagas na minha área não é grande e,

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Para Pryscilla Azevedo, apenas ter o diploma não basta

Tratar os selecionadores como amigos íntimos pode ser uma inadequação. A formalidade só pode ser deixada de lado quando os próprios entrevistadores consentirem. A boa educação é sempre bem-vinda.


artigo

SXC

Wilson José Macedo Barreto. Engenheiro, professor de Acústica Arquitetônica da Faculdade de Ciências Humanas - ESUDA. Blog: quimera-wilsonmar.blogspot.com

procura-se um especialista

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J

á se foi a época em que o simples trabalhar com afinco e honestidade era o suficiente para se obter, depois de alguns anos, a independência financeira tão almejada por qualquer um. Muitas fortunas de hoje assim foram construídas. O Grupo João Santos e tantos outros nasceram do trabalho de pessoas simples que amavam o que faziam. Depois, veio a época em que a promoção social dependia da graduação em um curso superior somada a muito trabalho (como não poderia deixar de ser). A própria continuidade ou manutenção das fortunas muito dependeu disso. Temos, como exemplo, o Grupo Votorantim, cuja maior ascensão deveu-se ao estudioso e bem preparado, intelectualmente, Antônio Ermírio de Moraes. Como também, a queda do império de F. Pessoa de Queiroz, que feneceu por falta de continuidade por pessoas preparadas. Hoje, a formatura em um curso superior não é o bastante para se galgar uma posição de destaque na sociedade. É preciso saber decidir. As tomadas de decisões não dependem simplesmente das informações ortodoxas, aprendidas nos bancos escolares, em um dado curso superior, mas, sobretudo, repousam no vivenciar o diverso e as doutrinas dos saberes atuais. As ciências sociais, as formaturas específicas e a consciência da prática sustentável são os fatores que vão nortear o desenvolvimento social nesta década e nas futuras. As novas profissões surgirão e o sujeito da epopeia do progresso terá que apresentar esse perfil múltiplo, que exige uma formação com a interdisciplinaridade necessária para a absorção da evolução científica. Aprender a debruçar-se no conhecimento e extrair dele todo o arsenal de informações que aponta para o que está por vir e antecipa o homem à comunhão dos acontecimentos que surgirão no futuro. O

pensar profundo sobre os comportamentos sociais da atualidade e a esquematização das possibilidades do surgimento do novo prestarão grande ajuda ao ser que deseja desenvolver uma atitude criadora. A especialização convergente cedeu lugar ao ecletismo. A visão do mundo multifacetado exige um preparo diferente daquele que ainda insistem em ensinar nas escolas de graduação. Não falamos aqui no caleidoscópio dos ensinamentos, que passa em nossa frente como uma revisão, proporcionado pelas “modernas escolas” que visam diplomar a baixo custo. Falamos, sim, da diversidade da informação com suas doutrinas que permitem a consciência dos conceitos e que podem levar o aprendiz a várias saídas nas encruzilhadas científicas. Vislumbrar o futuro e saber como o presente pode chegar lá é, hoje, o grande segredo do saber. O trem está passando, e quem for passageiro cuide em entrar logo para não ficar sem assento. As escolhas de hoje irão, com certeza, ajudá-lo ou persegui-lo por todo o futuro caminhar. Não adianta querer mudar as tendências do mercado, são elas que ditam o que fazer à própria sociedade, que, talvez, pouco entenda que ela mesma foi a causa do acontecer de hoje. A sorte ou a estrela já não acontece com tanta facilidade. É melhor ter o pé no chão e seguir as ordens do dia. É necessário buscar, no conhecimento diversificado, que inclui os saberes técnicos, sociais e ecológicos; o desenvolvimento intelectual necessário, nos dias de hoje, para alcançar a independência mental e financeira. Só a visão do mundo pluralista, que hoje se impõe, levará o homem a perseguir o aprender consciente, sem os engodos que levaram muitos cidadãos a manter seus diplomas escondidos no baú das facilidades que não garantiam a sustentabilidade. F!


cortesia

espe

cial

oveu aos m o r p C A FAS rsitários uma ve seus uni to de Suape, or ida ao P inal de 2009. of ainda n s projetos sobre io Hoje, vár imento do local olv o desenv do colocados em en já estão s Faculdade a prática n

alunos da FASC áreas do saber,coordenadores e supervisores dos cursos, além da presença do Diretor Geral da FASC Professor Alexandre Barros que vem estimulando diversas visitas técnicas nos pólos estruturadores do Estado de Pernambuco, visando a interação entre as turmas, além das discussões vivenciadas nas práticas acadêmicas e o intercâmbio com instituições públicas e privadas, elevando assim, grau de motivação do corpo discente com as perspectivas de empregabilidade e novos negócios, como também incentivar aos professores aprofundarem nas pesquisas científicas,projetos empresarias,ambientais e sociais junto com o alunado. A visita contou com a presença dos professores Francisco Valério Alves Filho e Juvenal Valério Alves, superintendentes de SUAPE que nos acompanharam e intermediaram nesta visita. Na parte da tarde visitamos e participamos de uma palestra campal proferida pelo Professor e Historiador Valter Portela no Engenho Massangana , que fica dentro da área do complexo de SUAPE em Ipojuca, onde viveu Joaquim Nabuco. A partir do conhecimento e visita ao complexo, como porto internacional concentrador de cargas para toda a América Latina, e demais continentes, vários trabalhos e projetos estão sendo desenvolvidos por estudantes e professores da FASC com o objetivo de participarem do crescimento e desenvolvimento da região, com propostas inovadoras e permanentes. F!

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s Alunos dos Cursos de Administração, Ciências Contábeis e Pedagogia da FACULDADE SANTA CATARINA-FASC visitaram em 21/11/2009 o Complexo Industrial e Portuário de SUAPE, que fica localizado entre os municípios pernambucanos de Ipojuca e Cabo de Santo Agostinho. O complexo é o mais completo pólo para oportunidades de negócios do Brasil, tais como: Operações Portuárias, Estaleiro e Indústria Naval, Transporte e Logística, Indústria do Petróleo e Petroquímica, Alimentos – Trigo, Milho, Soja e Açúcar, Têxtil e Embalagem, Minérios, Montadoras de Automóveis, Termelétricas e Siderúrgicas e outras. SUAPE é considerado o melhor porto público do Brasil, os investimentos em infraestrutura de SUAPE ultrapassam a marca de R$1,2 bilhão. Os Alunos da FASC tiveram oportunidade de conhecer as áreas do complexo e algumas empresas já instaladas e em implantações, tais como: Moinho de Trigo da Bunge, Estaleiro Atlântico Sul, Refinaria Abreu e Lima, Pólos Petroquímicos e Têxteis, Resina Termoplástica PET e outras. Depois da visita ao Complexo, os alunos tiveram uma palestra com o Dr. Inaldo Sampaio, diretor de Infraestrutura e Gestão Fundiária, no auditório do SESC no Cabo de Santo Agostinho como a presença dos alunos, professores das disciplinas de Empreendedorismo, Comércio Exterior, Administração da Produção e Serviços, Logística, Economia, Contábeis, Educação e outras

27

O

vão a suape


artigo

SXC

Janguiê Diniz – Presidente do Grupo Universitário Maurício de Nassau. janguie@mauricionassau.com.br

Responsabilidade Social das Instituições de Ensino Superior

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istoricamente as instituições de ensino superior são espaços para discussões de modelos mais justos de sociedade. Atualmente, essas instituições estão cada vez mais envolvidas na construção de novos paradigmas. Sua atuação e função social não ficam mais restritas à sala de aula. Estão ganhando as ruas em projetos e ações que transformam realidades e apontam novas opções de futuro, com o aval e a participação, muitas vezes voluntária, dos alunos. O conceito que está por trás dessa transformação é o de responsabilidade social – as chamadas “ações conscientes”, que respeitam as necessidades do meio-ambiente e da comunidade. Ao tratar a questão da responsabilidade social das IES, muitas vezes os gestores universitários acabam confundindo-a com as atividades meramente de cunho comunitário, as chamadas ações comunitárias ou formas de intervenção social. Essas ações também constituem ações de responsabilidade social. Entretanto, a responsabilidade social das IES transcende as ações meramente intervencionistas na comunidade. A missão primacial das IES consiste na transmissão de conhecimento para formar e capacitar os recursos humanos necessários para o desenvolvimento do país. Falar da responsabilidade social das IES significa falar do compromisso permanente que elas têm de cumprir sua missão: garantir boa qualidade no ensino proposto para os cidadãos que contratam os serviços educacionais por elas oferecidos. Com efeito, a principal forma de responsabilidade social das IES constitui o oferecimento de educação de qualidade. As ações que intervêm na comunidade são formas secundárias de responsabilidade social das IES, e somente possuem sentido se direcionadas para atingir a missão principal: transmitir conhecimento de qualidade para formar e capacitar os recursos humanos, as cabeças pensantes, os humanos necessários para o desenvolvimento do país. Além do ensino de qualidade, a responsabilidade so-

cial das IES “consiste na transparência e na ética nas suas relações, no respeito à diversidade, nas boas condições de trabalho, no respeito às normas democraticamente estabelecidas. A IES socialmente responsável é aquela que assume um novo papel social diante das crescentes demandas sociais, ouvindo todos aqueles que são responsáveis por sua existência, manutenção e continuidade: o estado credenciador e fiscalizador de suas ações, seus alunos, as famílias, seus docentes e funcionários e as comunidades direta ou indiretamente abrangidas pela sua práxis pedagógica e que, no seu projeto político pedagógico, adotem “estratégias pedagógicas que valorizem, durante a formação de seus alunos, atributos tais como autonomia, participação, solidariedade, empreendedorismo, responsabilidade com a vida comunitária, sensibilidade a demandas e necessidades de grupos específicos, capacidade de criação e adaptação a novas situações, desenvolvimento de habilidades de autoaprendizagem, utilização ética de tecnologias e possibilidade de colaboração na melhoria da qualidade de vida global da comunidade, na busca da construção de uma sociedade sustentável, na qual a cidadania é um pressuposto básico”, (Melasso, 2005). O tema responsabilidade social das IES é tão importante que já se transformou em política de Estado. Na Lei do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES) - Lei 10.861/2004, a responsabilidade social atua como um dos princípios e, também, como uma das dimensões. Por fim, registre-se que “a grande responsabilidade social das IES, mais do que simplesmente formar profissionais para o mercado, realizar projetos de extensão ou gerar novos conhecimentos, está centrada em colaborar na formação de pessoas que tenham consciência do seu papel no contexto social e utilizem o seu potencial criativo na transformação da realidade em que estão inseridos, na busca do bem comum”. F!


indicações

“Casa-Grande & Senzala”, “Sobrados e Mucambos” e “Ordem e Progresso” “Eu não poderia indicar apenas um livro, e sim uma trilogia do grande escritor Gilberto Freyre. A primeira obra, Casa-Grande & Senzala, retrata as origens da sociedade brasileira vista através do cotidiano de uma casa senhorial. A segunda, chamada Sobrados e Mucambos, fala da mudança ocorrida no Brasil, quando os escravos foram libertados, e, em contrapartida, não tinham meios para sobreviver. A terceira e última (Ordem e Progresso), discorre sobre a transição do regime monárquico para o republicano que aconteceu no país.”

“Foi um dos primeiros filmes que assisti na minha vida. Apesar de já tê-lo visto várias vezes, sinto que a cada ano ele se torna mais real e fascinante. O clássico escrito por Margaret Mitchell é de 1939 e narra a história de Scarlett O’Hara, filha de um imigrante irlandês que se transformou em um rico fazendeiro no sul dos Estados Unidos durante a guerra civil americana. O final é inesperado e bastante emocionante. Não é à toa que esta é considerada uma das melhores produções de todos os tempos.” J. Michilles, graduado em História pela Universidade Católica de Pernambuco-Unicap e compositor

“A Paixão Segundo G.H.” “Sem sombra de dúvidas, é um dos livros mais lidos de Clarice Lispector. No enredo, uma mulher identificada apenas pelas iniciais G.H. demiti sua empregada e tenta limpar o próprio quarto, relatando a perda da individualidade e o início de um complexo processo de reflexão após ter matado uma barata na porta de um guarda-roupa. Depois de ler a narrativa, fica fácil entender porque Clarice é tão importante para a literatura brasileira e alvo de tantas pesquisas, dissertações e projetos de mestrado.” Carlos Benevirdes, jornalista e professor da Universidade Católica de Pernambuco – Unicap

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“E o Vento Levou” (Gone With The Wind)

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Josué Mussalém, consultor e economista


marketing

luciano gouveia Gerente Comercial da Faculdade IBGM - Instituto Brasileiro de Gestão & Marketing e-mail: lucianogov2006@hotmail.com

Diferenciais para o Mercado

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A rapidez com que ocorrem as relações comerciais nos faz pensar em algumas situações estratégicas, a fim de se preparar e agir de maneira aperfeiçoada e dirigida no atendimento ao cliente Como Identificar as várias oportunidades de encantar o consumidor moderno? Como podemos agir? Então. Ser um bom ator pode lhes trazer ótimos resultados em suas vendas. Cada detalhe do negócio é uma parcela de colaboração e causa um efeito particular sobre o cliente, que se comporta favoravelmente ou não mediante os fatos. A meta é a satisfação, que “consiste na sensação de prazer ou desapontamento resultante da comparação do desempenho (ou resultado) percebido de um produto em relação às expectativas do comprador”. O marqueteiro Philip Kotler mostra bem isso. O consumidor é atraído pelo bom emprego de atuar com sinais e técnicas que o vendedor apresenta. Ao tratar sobre o relacionamento humano, especialmente o comercial, os profissionais deste setor devem lembrar que não se trata apenas de utilizar a técnica adequada de vendas (quando a possuem!). Ela ajuda, mas não é suficiente para tocar no íntimo do consumidor e influenciá-lo no ato da compra, quão menos fidelizá-lo. Por isso as empresas especializadas em transformar profissionais diferenciados para o mercado vêm em busca de inovar cada vez mais, como é o curso de teatro, tv e artes cênicas. Segundo especialistas, essa demanda aumenta dia a dia, o conhecimento mais aprofundado a respeito das pessoas, além de traquejo adquirido pela experiência em vivenciar nas platéias junto ao publico, essa tendência vem mostrar o método que utiliza o corpo e a voz para representar personagens, transmitindo ao público idéias, sentimentos e emoções. O corpo fala, a plateia fala, nossos clientes também falam, eles tem a possibilidade de aumentar a desenvoltura pessoal como em peças teatrais, filmes e telenovelas, assim como os demais atores profissionais, ele ainda pode fazer ótimos resultados em suas vendas. Este profissional também está apto a escrever e dirigir peças teatrais, bem como produzir e montar o próprio espetáculo. Esses cursos na verdade é bem aceito como ferramenta, dentro desta ótica a percepção atual passa a exigir

dos profissionais a apresentarem uma postura e que adotem estratégia de inovação constante no intuito de atuarem como se fossem verdadeiros atores, demonstrando e empolgando seus clientes. Para os grandes gurus da administração, como exemplo Peter Drucker, Michael Porter, as empresas para sobreviver deverão lastrear suas atividades na informação, tendo em vista profissionais diferenciados. Cursos como estes (artes cênicas, teatro) entram como ferramentas atualíssimas para este milênio, passou dos trabalhadores manuais para os trabalhadores intelectuais e teatrais. O crescimento empresarial não está mais baseado nos músculos, mas sim na mente e desenvolturas profissionais (mix pessoal). É dentro desta visão que a INTELIGÊNCIA COMPETITIVA passa a ser estratégica. O curso – Esse é um curso com muitas aulas práticas. Já no primeiro período você tem de fazer uma apresentação pública. Também constam no currículo consciência corporal criação do personagem, expressão corporal, musical e vocal, improvisação e interpretação cênica para TV. A base teórica fica por conta das aulas da história do teatro brasileiro, contemporâneo e moderno, além de teoria teatral. Como trabalho de conclusão de curso, o aluno participa da montagem de um espetáculo, orientada por um professor. Usar técnicas e cursos jamais usados nos métodos tradicionais, traz vantagens significativas em resultados em todos os aspectos tanto para o lado profissionais quanto pessoal. Por esta razão a Inteligência Competitiva não é uma função e sim um processo, visando fornecer aos gestores suporte na tomada de decisão e persuasão. A inteligência competitiva constitui então uma coleta ética e o uso da informação pública disponível sobre tendências, eventos e atores fora das fronteiras da empresa. Estudos fazem considerar que os nossos clientes, fornecedores e outros parceiros possuem pretensões importantes que precisam ser consideradas, às vezes até mesmo no inconsciente. Por isso neste novo cenário, “quem vai ser o próximo a atuar” Ação! F!


sétima arte

Silvana Marpoara Jornalista, produtora cultural e profª. dos cursos de Cinema Digital e Jornalismo. Colunista de Cinema da Rádio CBN RECIFE (quintas, 15h30, 90.3) marpoara@hotmail.com

desse prêmio. Afinal, atores, diretores, produtores, roteiristas... e todos os que integram essa enorme cadeia produtiva do cinema acabam sendo revelados ou valorizados a partir de um evento como esse. Este ano, houve, inclusive, o reconhecimento, pela primeira vez, do trabalho de uma mulher à frente de uma direção (Kathryn Bigelow, por Guerra ao Terror). E não se trata apenas de uma questão de gênero, e sim de talento, que certamente terá reflexo, daqui por diante, nos jovens estudantes de cinema, entre os quais as mulheres já representam mais de 60 % dos alunos. Um dos discursos de agradecimento mais interessantes, desta edição, foi do diretor musical do filme UP – Altas Aventuras (que também levou o prêmio de melhor animação), Michael Giancchino. Ele agradeceu aos pais por não terem achado que ele era louco quando, ainda criança, disse que queria fazer cinema. E dedicou a estatueta aos meninos criativos do mundo que também querem fazer cinema. Com isso, é inevitável imaginar a quantidade de jovens que se sentiram confortados com essa declaração de um menino que deu certo em Hollywood. E talvez isso incentive o surgimento, a cada ano, de novos cursos e oficinas de cinema e o crescimento de um mercado de trabalho promissor.

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Aconteceu, na noite do último dia 7 março, a cerimônia do Oscar (a maior premiação da indústria cinematográfica) que, além do glamour de astros e estrelas e todo o frenesi em torno dos possíveis vencedores, é o ápice de um dos mais rentáveis gêneros de negócios: o mercado de entretenimento. Acredita-se que os números chegam a mais de 30 bilhões de dólares por ano (só em bilheteria), e a geração de empregos em torno do cinema aponta que esse é um mercado em plena ascensão. Nessa 82° edição, a disputa não era apenas em busca do melhor filme. Todo um questionamento entre filmes super produzidos (Avatar que custou 500 milhões de dólares) e produções bem mais modestas (Guerra ao Terror e seu orçamento de 11 milhões de dólares) reflete um novo momento da indústria quanto aos rumos para o qual esse mercado está se direcionando. Mesmo diante das novas tecnologias e de todo o apelo comercial de Avatar, um filme como Guerra ao Terror, por ter sido considerado o melhor da temporada, deve representar a recuperação da valorização da estrutura clássica do cinema enquanto documento ou expressão da sociedade. Para quem gosta ou trabalha com cinema, o Oscar é uma grande vitrine, pois, todo o direcionamento do mercado audiovisual acaba sofrendo influências diretas

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Oscar 2010 – Uma análise do mercado e dos grandes vencedores do Cinema !

Kthryn Bigelow

Guerra ao terror Avatar

fotos: divulgação


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O cinema tem a capacidade de aliar diversas atividades como: jornalismo, publicidade, turismo, administração e tantas outras áreas de atuação. E foi um jornalista o vencedor na categoria melhor roteiro (Mark Boal, por Guerra ao Terror) e uma escritora, até então desconhecida, que levou o Oscar de melhor roteiro adaptado, Geoffrey Fletcher (Preciosa). As estatuetas de melhor direção de arte, efeitos visuais e fotografia foram dadas ao grande favorito da noite, Avatar, que só ganhou três das nove indicações. Essas categorias são responsáveis pelo recente interesse de novos profissionais do audiovisual, formando uma nova geração de artistas que se preocupam desde um detalhe do figurino e do cenário até a melhor imagem ou ângulo captados pelo filme. Mas é nas categorias de atuação que, mais uma vez, o Oscar se consagra. Afinal, do que adianta um filme bem escrito, cuidadosamente produzido e corretamente dirigido se no quesito interpretação o trabalho não é igualmente valorizado? Através disso é possível analisar a importância interdisciplinar que o cinema exerce, pois, todo bom ator traz na sua formação as bases do teatro, da música e da dança. Em 2010 será impossível discordar dessa premissa que resultou nas premiações de Sandra Bullok (melhor atriz por Um Sonho Possível), Jeff Bridges (melhor ator por Coração Louco) e ainda Mo´nique (melhor atriz coadjuvante por Preciosa) e Christoph Waltz (melhor ator coadjuvante por Bastardos Inglórios). Das 24 principais categorias do Oscar, ainda podemos citar alguns vencedores: melhor filme estrangeiro

Jeff Bridges

fotos: divulgação

Sandra Bulock

(O Segredo dos teus Olhos, excelente representante do atual cinema argentino); melhor documentário (The Cove, sobre a matança de golfinhos no Japão) e ainda melhor maquiagem (Star Trek) e melhor figurino (A Jovem rainha Vitória). O importante é saber que – enquanto indústria – o cinema vai muito bem. O mesmo podemos afirmar sobre a arte cinematográfica, que cada vez mais se expande aos filmes produzidos fora do eixo americano, como, por exemplo, as recentes produções latinas, espanholas e até de países da Ásia e do leste europeu. Quanto ao Brasil, infelizmente não temos conseguido emplacar uma produção nas recentes edições do Oscar, o que certamente, só ajudaria a expor ainda mais o cinema feito por aqui. Pois, o cinema brasileiro é internacionalmente reconhecido quando, além da excelente aceitação do público interno, participa de premiações em festivais e mostras. O atual cinema brasileiro nada mais é do que a síntese do momento de produção audiovisual pelo qual estamos passando e que só tem a desenvolver e ganhar novos adeptos. Por isso, há grande importância na formação dessa nova geração de profissionais do cinema e da qualificação desses operários da sétima arte. Afinal, mais do que entretenimento, cinema é um grande negócio e é preciso estar preparado para fazer parte dele. Se Hollywood é a grande escola, vamos aprender com eles. E se a consagração é o Oscar, que estejamos preparados para concorrer e ganhar muitos deles... Bons filmes e até a próxima edição. F!

UP - Altas aventuras


Lucas Emanuel

diversão

TEATRO

Alice no país das Maravilhas – Estreia – 02 de abril Com o orçamento estimado em US$ 250 milhões, chega aos cinemas a adaptação da obra clássica de Lewis Carroll, “Alice no país das maravilhas”. O filme conta as aventuras da jovem Alice, que cai em um mundo mágico cheio de personagens estranhos e obscuros. Com projeção em 3D, a superprodução faz uma mistura de atores e animação. O elenco conta com a atriz australiana Mia Wasikowska, que vai estar no papel principal, Johnny Depp, interpretando o Chapeleiro Maluco, Anne Hathaway como a boazinha Rainha Branca e Helena Bonham Carter, a malvada Rainha Vermelha. Infantil / Livre / 108 min.

5 Minutos Para Blackout Espetáculo de dança contemporânea que trata do homem atual, sua velocidade, seu momento instantâneo. Emoções e desejos permeiam as coreografias divididas em quadrantes que descrevem a existência humana na trajetória da vida até a morte, na perspectiva de um dia (24 horas) e sua relação com o tempo/espaço. Nos dias 14 e 15, no Teatro Barreto Júnior, respectivamente às 19h30 e 20h a primeira sessão é voltada apenas para estudantes da rede pública municipal de ensino, através de uma parceria com o projeto Educação para o Teatro. A segunda é aberta para o público em geral. Ingressos a R$ 15 e R$ 7,50. Nos dias 28 e 29 de abril ocupa o palco do Teatro de Santa Isabel, sessões às 20h, e ingressos a R$ 15 e R$ 7,50. Realização: Acupe Grupo de Dança. Informações: acupegrupodedanca@ gmail.com

Homem de Ferro 2 – Estreia – 30 de abril Robert Downey Jr. interpreta mais uma vez Tony Stark, o Homem de Ferro. Agora acompanhado do herói vivido por Don Cheadle chamado Máquina de Combate, Stark enfrentará os vilões Chicote Negro (Mickey Rourke) e a superespiã soviética Viúva Negra, encenada por Scarlet Johansson. Baseado na história em quadrinhos criada por Stan Lee, o personagem principal já não tem a sua identidade mantida em sigilo, e por isso ainda vai precisar encarar, além de seus perigosos inimigos, problemas com o governo americano. Aventura / 12 anos / 126 min. Robin Hood – Estreia – 14 de maio O lendário canastrão do folclore inglês vai ganhar mais uma personificação, dessa vez na pele do renomado ator Russel Crowe. A história contada por Ridley Scott mostrará a vida do habilidoso arqueiro, que tenta, ao mesmo tempo, conquistar seu grande amor e combater a corrupção. Diante de uma Inglaterra vulnerável a ameaças externas e devastada após vários anos em guerra, Robin e seus amigos convocam uma gangue de aventureiros mercenários para se juntar a eles, a fim de proteger o país e vencer as injustiças praticadas pela nobreza da época. Ação / 12 anos / 148 min.

Show Semana Santa de Gravatá 2010 Os baladeiros de carteirinha já podem confirmar presença na Semana Santa de Gravatá, que vai acontecer na Villa da Serra. A festa será realizada a partir das 16h nos dias 2 e 3 de abril, atraindo milhares de pessoas que desejam aproveitar o clima agradável e aconchegante da cidade, além de, é claro, curtir os seus shows preferidos. Artistas como Ivete Sangalo, Asa de Águia, Aviões do Forró e Zezé di Camargo e Luciano são apenas algumas das atrações que vão fazer a alegria dos expectadores. Sexta-feira - 02/04: Ivete Sangalo, Exaltasamba, Garota Safada e Bichinha Arrumada. Sábado - 03/04: Asa de Águia, Zezé di Camargo e Luciano, Aviões do Forró, Excesso de Bagagem e Amigos Sertanejos.

FONTE: www.fundarpe.pe.gov.br / www.fundaj.gov.pe / www.ucicinemas.com.br / www.nossadica.com / www.bacurau.com.br

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CINEMA

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Alice no país das maravilhas


rodapé

dolores orange Revisora de textos da Revista Fera! e-mail: doloresorange@gmail.com

reflexão sobre as possíveis raízes dos problemas com a escrita

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Acredite: o desenvolvimento das habilidades da escrita não exige um pedacinho do seu cérebro, apenas requer prática, leitura e alguns bons conhecimentos sobre como estruturar um texto Queridos, vamos refletir um pouco sobre o ensino da nossa língua materna. Lá na escola, vocês passaram um pouco mais de uma década dentro da sala de aula de português (alguns leitores ainda estão dentro dela) diante do quadro cheio de frases soltas ou de fichas repletas de exercícios para identificar, por exemplo, se aquela palavrinha tal é adjunto adnominal ou complemento nominal. No meio do caminho, os professores eram gentis e cediam, então, algumas fórmulas mágicas de como identificar cada “item” da oração. Com esforço, dedicação e muita paciência, vocês ficaram experts em dissecar uma frase: o sujeito, a transitividade do verbo e seus complementos, e todos os demais termos, que algumas gramáticas, injustamente, definem como parte acessória da língua. Assim, depois de tantos anos nesse exercício de dissecação, os alunos mais pacientes viraram peritos na anatomia da língua portuguesa. Mas o corpo da língua é sempre analisado friamente, sem qualquer contato com a sua forma viva, em ação. Fica a pergunta: quanto, na prática, esse conhecimento é importante? Pera aí, uma pergunta melhor: por que um aluno (perito) do último ano do colegial, por exemplo, ainda enfrenta grandes dificuldades para escrever um texto formal? Na hora de organizar as ideias no papel, o aluno sente uma tremedeira nas pernas e o suor, logo, logo, começa a escorrer da testa – o conhecimento da anatomia da língua, infelizmente, parece não ajudar muito. E, na prática, não ajuda mesmo. Grande parte das aulas de português se reduz à análise de fragmentos de texto, que mais parecem peças de um enorme quebra-cabeça que nunca é, devidamente, montado. O aluno nada em meio às frases soltas (descontextualizadas) e às nomenclaturas da gramática, sem avistar a terra firme da escrita, ou seja, sem desenvolver a sua competência para a produção de textos. E assim o aluno segue a vida escolar sem contato efetivo com textos inteiros (aqueles que são lidos – e estudados - do início

ao fim) – o que implica dois grandes problemas: a falta de incentivo à leitura e, como já foi dito, o subdesenvolvimento da competência textual e comunicativa. Além da ausência de textos na aula de português, a prática da redação ocupa muito pouco espaço dentro do currículo de ensino de língua. O aluno, então, vê-se duplamente atado: pouco lê e pouco pratica a escrita dentro da escola. Eis as razões que podem explicar um pouco a dificuldade que muitas pessoas encaram na hora em que são “exigidas” a escrever. Esses alunos de hoje serão os adultos do futuro que, possivelmente, terão problemas com a construção de textos formais, já que a experiência escolar não os impele a um caminho diferente, no qual o contato com a escrita se dê de forma intensa, crítica e produtiva. Se você se enquadra entre o grupo dos que pagam os pecados da escola que não prepara bem o aluno para o pleno desenvolvimento das habilidades da escrita, não se desespere – há sempre tempo para aprender. Na verdade, há sempre tempo para criar como hábito a leitura e a escrita. Vou jogar na mesa uma carta velha e bem conhecida de todos: a escrita é uma prática em completa associação com a leitura, uma não existe sem a outra – elas formam a única alma gêmea que acredito. Portanto, se você está interessado em ampliar sua competência para a elaboração de textos escritos, desconfie de alguns métodos (ou fórmulas) redacionais que você adquiriu na escola e os reavalie. Não sabe como analisar os seus próprios métodos? Então fique sempre atento a esta coluna e ao portal Fera!, porque eu me comprometo, ao longo do ano, a ajudá-los a amar com fervor a escrita, desde aquela introdução cabulosa até a etapa de revisão do próprio texto. Logo mais, vocês ultrapassarão o cargo de perito e, então, conhecerão uma língua muito mais viva e dinâmica do que aquela apresentada no frio e branco quadro da sala de aula. Até breve! F!



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