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Outubro - 2013
SAÚDE
Tabagismo: a luta diária contra o vício
O
percentual de brasileiros fumantes alcançou, nos últimos seis anos, o menor índice: 12%. De acordo com pesquisa do Ministério da Saúde, divulgada em setembro, o número era de 15% em 2006. Na Força Aérea Brasileira, ações como a “Semana de Prevenção ao Uso de Drogas”, realizada pelo Núcleo de Serviço Social de Brasília (NUSESO-BR), colaboram para a redução dessa estatística. O projeto tem como principal objetivo difundir conhecimentos sobre uso de drogas e suas consequências. “Nasci de novo e hoje me sinto uma pessoa extremamente saudável”, afirma o Tenente-Coronel Flávio de Freitas Tristão, hoje na reserva, que há oito anos parou de fumar. Indisposição física, dores no peito e oscilações de humor foram os motivos que o levaram a abandonar o fumo. Durante três anos, ele tentou diversas formas para deixar o vício, desde o uso de adesivos e chicletes de nicotina até mesmo tratamento à laser.
“Vivenciei tristes fatos dentro de minha própria família em relação a essa poderosa droga que é o cigarro até deixar definitivamente de fumar. Foi extremamente difícil”, conta. Considerado uma doença crônica, o tabagismo não é um problema simples de ser superado, como explica a Capitão Adriana Santos do Nascimento Neves Cravo, médica pneumol o g i sta d o Hospital de Força Aérea d e B ra s í l i a (HFAB). “Sem tratamento é quase impossível a pessoa parar de fumar. Ela tenta e até fica sem, mas não consegue manter”. Isso porque a nicotina, principal componente do cigarro, atua no sistema nervoso central e causa dependência, havendo necessidade de ser tratada
com medicamentos. A capitão revela que 50% dos pacientes em tratamento têm recaída durante o processo, mas julga a reincidência como normal. Para vencer o
tabagismo, o fumante deve seguir uma orientação importante: “Eu não recomendo ninguém tentar parar de fumar sozinho, procure um
médico. As pessoas sofrem muito para deixar o vício de fumar e são várias as técnicas e abordagens para ajudar o paciente”, aconselha. Além das causas fisiológicas, fatores psicossociais também dificultam o abandono do cigarro. A Tenente Psicóloga Franciele Schopf Paiva do NUSESO-BR aponta alguns aspectos como as propriedades psicoativas do fumo, que proporcionam a diminuição da ansiedade e a sensação de bem-estar. “O tabaco ocupa um papel facilitador para lidar com angústias, estresse e situações sociais difíceis”, esclarece. Ela também comenta o fato de o vício de fumar ser tão comum entre os jovens. “Quando jovens, as pessoas buscam modelos de identificação e encontram no cigarro uma forma de autoafirmação, independência e desinibição”.
Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) revelam que o uso do tabaco continua sendo líder global entre as causas de mortes evitáveis. Estudos comprovam que fumar provoca uma série de doenças cardiovasculares e respiratórias, risco de aneurismas arteriais e úlcera do aparelho digestivo. Além disso, pode levar a impotência sexual nos homens e complicações na gravidez para mulheres. E, também, perda dentária, que é quatro vezes maior comparada com não fumantes. Na economia, o consumo do fumo gera uma perda mundial de 200 bilhões de dólares por ano. O tabagismo sobrecarrega o sistema de saúde com tratamento das doenças causadas pelo fumo, aposentadorias e mortes precoces de pessoas em idade produtiva. Há um menor rendimento no trabalho, mais gastos com seguros, limpeza, manutenção de equipamentos e reposição de mobiliários. O uso do tabaco reduz a qualidade de vida do fumante e de sua família.