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AEROVISÃO Nº 239 Jan/Fev/Mar - 2014

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SGT JOHNSON / Agência Força Aérea

T-27 Tucano com pintura comemorativa: há 30 anos, o avião é utilizado na formação de pilotos na Academia da Força Aérea, em Pirassununga (SP). Os instrutores são aviadores da FAB já com experiência em Esquadrões operacionais

A

farda é a mesma e a continência à Bandeira do Brasil também é prestada, mas basta uma rápida conversa para perceber que alguns Cadetes da Academia da Força Aérea estão ali não apenas longe da casa dos pais, mas também de seus países. Somente em 2014, há vagas para dez alunos estrangeiros dividirem aeronaves, salas de aula, alojamentos, desafios e superações da formação militar com seus colegas brasileiros. De 1975 até 2013, um total de 102 estrangeiros foram formados pela instituição da Força Aérea Brasileira. São militares como Roberto Del Cid Gallardo, da República da Guatemala, país da América Central. Em 2013, após quatro anos, ele concluiu o Curso de Formação de Oficial Aviador na AFA. “A nossa responsabilidade é muito grande e tem muita gente nos olhando: se eu falhar, não verão o Cadete Del Cid, mas sim o meu país”, diz. Ele foi o primeiro militar da Guatemala a ingressar na AFA e conseguia visitar seus parentes somente nas

férias de fim de ano. A rotina do cadete estrangeiro é a mesma do brasileiro, vestindo a mesma farda e passando pelas mesmas instruções e avaliações, tendo que passar pelas dificuldades inerentes à adaptação cultural, que vão desde a aprendizagem do idioma aos hábitos alimentares. Del Cid conta que, mesmo depois de quatro anos no Brasil, ele não se acostumou inteiramente à alimentação. Na Guatemala, por exemplo, o seu café da manhã típico incluía bacon, ovos, creme de leite e feijão. Para tentar minimizar impactos culturais deste tipo, antes de seguirem para a AFA, os Cadetes estrangeiros passam três meses na Universidade da Força Aérea (UNIFA), no Rio de Janeiro. Ali eles realizam um curso de adaptação à língua e à cultura brasileira. Essa preparação geralmente acontece a partir do mês de setembro, para que no ano seguinte os estrangeiros já possam iniciar o ano juntamente com seus colegas brasileiros. Cada um é escolhido de acordo com os critérios do seu próprio país, mas ao

ingressarem na AFA todos passam a ser submetidos aos mesmos testes exigidos para os brasileiros: médico, avaliação de condicionamento físico, avaliação psicológica, teste de conhecimento da língua portuguesa e teste de aptidão a pilotagem militar, todas de caráter eliminatório. “Os países dão extrema importância aos cursos oferecidos pela FAB e buscam enviar alunos sempre que são oferecidas vagas”, explica o Coronel Marco Aurélio Clarim Pereira, Chefe da Seção de Acordos e Intercâmbios Internacionais do Estado Maior da Aeronáutica (EMAER), que defende que este é um reflexo da boa conceituação que a Força Aérea Brasileira possui no exterior. Para o Coronel, oferecer vagas aos países amigos é uma maneira de manter e estreitar os laços de amizade e cooperação. “É uma atitude positiva que gera confiança mútua entre os países que se relacionam”. Já o Comandante do Corpo de Cadetes da Aeronáutica, Coronel Cláudio Evangelista Cardoso, diz que assegurar a busca pelo ensino no Brasil é a confirAerovisão Jan/Fev/Mar/2014

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