CB SILVA LOPES / Agência Força Aérea
treinamento para poucos O militar que atinge o grau máximo na progressão operacional do Esquadrão recebe o título de “Pastor”. O auge da progressão é atingido somente após a conclusão de sete cursos obrigatórios. O primeiro é o de paraquedista básico, que pode ser realizado na FAB ou no Exército. Depois, o de salto livre militar. “Para ter utilidade no PARA-SAR, o militar precisa fazer o curso de busca e resgate. Ser paraquedista não basta”, explica o Chefe de Operações da unidade, Capitão Wanderson Menezes dos Santos. Por isso, é fundamental o curso SAR. São 89 dias em ambientes de água, montanha e selva aprendendo técnicas de socorro pré-hospitalar, acesso a aeronaves e busca, tudo em locais inóspitos e de difícil acesso. Eles também aprendem a realizar rapel, macguire (quando o resgateiro e a vítima ficam presos na corda do lado de fora do helicóptero), hello casting (método de abandonar a aeronave na água) e fast rope (descida rápida do helicóptero usando corda). Os Pastores também fazem curso de mestre de salto precursor e mestre de
salto livre. No primeiro, o militar é qualificado para o lançamento aeroterrestre a bordo de aeronave. No segundo, é capacitado a planejar, coordenar e comandar lançamentos de paraquedistas em saltos operacionais. Além disso, se especializam em mergulho autônomo. Em um mês, o resgateiro aprende a realizar busca subaquática, salvamento, orientação noturna no mar e reflutuação de aeronaves submersas. A formação para o resgate culmina nas técnicas de C-SAR, ou Combat-SAR. Neste caso, além das dificuldades normais de um resgate, o cenário é de conflito: um piloto abatido atrás das linhas inimigas, por exemplo, precisa ser resgatado antes de ser encontrado pelo inimigo. É quando o PARA-SAR deixa de ser somente uma unidade de salvamento para se tornar um grupo de operações especiais. É para atuar em situações complexas assim que os militares seguem para o curso de Paracomandos. Nessa fase, menos da metade dos candidatos consegue concluir a formação, que dura três meses. Além de exigir resistência física
e psicológica, o curso inclui situações táticas avançadas, como a infiltração em território hostil. Somente depois de concluir todas essas etapas, o militar conquista a qualificação de paraquedistas operacional especializado em operações especiais. Em 50 anos, apenas 183 homens completaram este ciclo de treinamento e conquistaram o título de Pastor. O título é uma referência ao cão da raça pastor alemão. De acordo com a tradição, espera-se que o detentor deste nome seja amigo, leal, vigilante e, se necessário, agressivo. “O PARA-SAR é de extrema importância para a Força Aérea Brasileira, assim como para toda a aviação no Brasil. Faz parte de um contexto de busca e salvamento. Além disso, é uma tropa especializada em operações especiais que participou de eventos de grande vulto no Brasil, como a Copa das Confederações e a Rio +20. E ainda vem por aí a Copa 2014 e as Olimpíadas de 2016”, afirma o Comandante da Segunda Força Aérea (II FAE), Brigadeiro-do-Ar Carlos José Rodrigues de Alencastro.
Em 2010, o grupo foi transferido para a Base Aérea de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, que também é casa do Esquadrão Pelicano, que realiza missões de busca e salvamento com seus aviões SC-105 e helicópteros H-1H. Mas o PARA-SAR é “cliente” de aeronaves como os C-130 Hércules, H-60 Blackhawk e H-34 Super Puma
Aerovisão Jan/Fev/Mar/2014
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