SGT JOHNSON / Agência Força Aérea
SGT JOHNSON / Agência Força Aérea
À direita, Doc Santos, um herói de inúmeros resgates. Acima, a face “guerreira” do PARA-SAR: se antes bastava ser paraquedista, agora eles precisam saber combater até na água
enchentes de Pernambuco e Alagoas. No ano seguinte, trabalhou no resgate de militares que estavam no C-130 Hércules da FAB que se chocou com a Pedra do Elefante em Niterói (RJ). No acidente do voo Gol 1907 (2006) passou 22 dos 45 dias no meio da mata. “Eu havia retirado o corpo de um menino. Alguns dias depois, quando eu consegui ligar e falar com minha esposa, ela comentou que no voo havia um menino. Pela descrição, lembrei que eu havia retirado o corpo dele. O menino tinha exatamente a idade do meu filho. Naquele momento eu fiz a relação com minha família. Por um momento, eu parei”, afirma. Para atuar em situações como estas, os militares recebem treinamento especializado, com técnicas de aperfeiçoamento cada vez mais avançadas. Mas nem sempre foi assim. “O PARA-SAR não nasceu pronto”, afirma o Tenente-Coronel Rubens Marques dos Santos, um dos pioneiros do EAS. De acordo com o militar, que por ser médico ficou conhecido como “Doc Santos”, a ideia
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Jan/Fev/Mar/2014
Aerovisão
inicial era ter uma equipe médica para dar apoio ao socorro e ao resgate. O médico e paraquedista foi protagonista de dois episódios ocorridos na década de 60 que entraram para a história do grupo. Num deles, foi chamado ao aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, e embarcado numa aeronave Albatroz para atender ao acionamento para localizar um navio mercante grego. O comandante, idoso, estaria muito mal desde que deixara Buenos Aires. Após algumas horas de busca, o navio foi localizado. E agora, o que fazer? “Vou lá ver...”, conta. Ele saltou de paraquedas no mar e subiu no navio para socorrer o comandante. O episódio, que parece lenda, retrata bem a coragem dos integrantes do grupo, característica fundamental que permanece até hoje.
Entre 1960 e 1963, o grupamento era reunido às pressas para realizar, de improviso, algumas missões. Desde as primeiras missões, onde foi preciso o salto de paraquedistas para o atendimento a vitimas de acidentes aeronáuticos em áreas inóspitas, houve a necessidade de criação de uma unidade especializada. A partir daí o PARA-SAR se consolidou e hoje é referência nas missões de busca e salvamento. Cientes das condições e das situações que vão encontrar no caso de acidente, os homens do PARA-SAR reconhecem a necessidade do treinamento rigoroso. “Na hora da operação, eu preciso ter certeza que meu colega não vai recuar”, avalia o Tenente Edward Wilson Sadler Guedes.