Skip to main content

AEROVISÃO Nº 239 Jan/Fev/Mar - 2014

Page 13

faz diferença nenhuma. O fato é que nós não sabemos onde o Danilo está”. Aerovisão – O 1° Grupo de Aviação de Caça recebeu a Presidential Unit Citation, um reconhecimento direto da Presidência dos Estados Unidos. O que os brasileiros fizeram de especial? John buyers - Isso tem duas coisas. Uma é que o Brasil merecia. A outra é que os Estados Unidos não querem brigar com o Brasil de jeito nenhum por nada. Nós somos grandes amigos. Os americanos são grandes amigos do Brasil. E até hoje, até hoje, os americanos falam sobre essa a atuação do Primeiro Grupo de Caça nosso, brasileiro, e eles são muito agradecidos pelo trabalho que nós fizemos. O Brasil foi uma coisa que eles nunca pensaram que iria ser. O que é que o Brasil era? O Brasil era uma porcaria. Pilotos brasileiros fizeram um sucesso, eles mostraram que os brasileiros não são uns porcarias, uns m... qualquer. Aerovisão – Como é que foi quando o senhor soube que a guerra havia acabado? John buyers - (sorriso) Sabe que eu não me lembro? Foi uma festança danada. A gente atirava com o revólver pra cima. Bum bum bum pá pá pá rá rá. Fazia barulho, fazia barulho (risos). Aerovisão – O senhor voou B-17, B-25, T-6, P-47... Que aeronaves o senhor voou na guerra? John buyers - Pilotava. Mas na guerra, só o P-47.

FOTOS / Arquivo Pessoal

Aerovisão – Mas havia também um B-25 para missões de apoio, não? O senhor teria se afeiçoado muito a esse avião... John buyers - Desert Lil’ [Havia o costume, na época, de batizar as aeronaves com apelidos. Desert Lil’ era o nome do B-25 que cumpria missões de apoio para o 1° Grupo de Aviação de Caça]. Aquele era meu avião. Ninguém voava com ele.

Aerovisão – Por que ele era bom? John buyers - Não! É porque eu não podia arrumar outro! Se um cara quebrasse o avião… Se quebrasse esse avião a gente não tinha outro. Aerovisão – Foi seu avião preferido? John buyers - Todo avião que você consegue pousar e não quebrar, é bom! (risos) O avião é ótimo! Aerovisão – O que o senhor fez depois da guerra? John buyers - Me casei e fui trabalhar na usina de açúcar do meu sogro. Aerovisão – E sentia falta da guerra? A guerra deixa saudades? John buyers - Eu tenho lembranças boas, vamos assim dizer, porque eu consegui escapar. Não fui atingido de uma forma a ser ferido, nada disso. E quando eu voltei para o Brasil eu já escrevia para uma menina, aí e eu me casei com ela. Aerovisão – Parou de voar? John buyers - Praticamente. Eu fiz muito correio aqui no Brasil. Fiz todo Brasil, tudo, tudo, tudo quanto era aeroporto por aqui. Depois plantei árvore. Plantei muita árvore. Hoje na minha idade não dá mais, mas eu olho para uma árvore e sei que plantei ela não sei quantos anos atrás. Aerovisão – E o senhor é feliz? John buyers - Sim! Felicíssimo. Porque estou vivo, tem umas mulheres maravilhosas aqui: a minha esposa e a minha filha. Eu sou um homem feliz. Há muitos anos eu fui ao Vaticano. Fui na Capela Sistina. E eles estavam ordenando oitocentas pessoas lá. E eu tinha ido só para ver. Aí eu tinha levado uma garrafa de guaraná para se tivesse sede. E eu dei essa garrafa de guaraná para o chefe deles lá e ele veio e me batizou lá na Capela Sistina. E eu sigo aquele batismo daquele dia. Não vou nem para cá nem para lá, é aquele batismo. E sou feliz. Sou feliz. Aerovisão Jan/Fev/Mar/2014

13


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
AEROVISÃO Nº 239 Jan/Fev/Mar - 2014 by Força Aérea Brasileira - Issuu