1.4. Uma Fundação Vaticana ligada a realidades locais diversas
2. Fundamento Espiritual
2.1. Espiritualidade do Coração de Jesus
2.2. Práticas Espirituais Fundamentais
3. O Movimento Eucarístico Juvenil (MEJ)
3.1. Fonte Espiritual
3.2. Uma Pedagogia com Três Pilares
4. Recursos para a Missão
4.1. Orientações Gerais
4.2. Glossário de termos
PARTE II: ESTRUTURA ORGANIZACIONAL
1. Estrutura Internacional
1.1. Órgãos de Governo e Administração
1.1.1. Conselho de Administração
1.1.2. Diretor Internacional
1.1.3. Auditor
1.2. Escritório Internacional
1.2.1. Equipa de Direção Executiva
1.2.2. Coordenação Administrativa
1.2.3. Coordenação da Comunicação
1.2.4. Coordenação Financeira
1.3. Comités de Apoio
1.3.1. Conselho Internacional
1.3.2. Coordenador Continental
1.3.3. Comité de Formação
1.3.4. Comité de Juventude
1.3.5. Comité Financeiro
2. Estruturas Nacionais
2.1. Liderança Nacional
2.1.1. Diretor Nacional
2.1.2. Assessor Nacional
2.1.3. Equipa Nacional
2.1.4. Orientações Jurídicas e Administrativas
2.2. Liderança Diocesana
2.2.1. Assessores Diocesanos
2.2.2. Coordenador Local
2.3. Liderança Comunitária
2.3.1. Coordenador de um Centro MEJ
2.3.2. Grupos Paroquiais do Apostolado da Oração e outras Associações de Oração
2.3.3. Santuários, Paróquias e Outras Realidades
3. Outras Orientações Gerais
3.1. Proteção da Propriedade Intelectual
3.2. Protocolo para Atividades Internacionais
3.3. Responsabilidades de Salvaguarda
3.4. Angariação de Fundos e Prestação de Contas
3.5. Protocolo de Adesão à RMOP
PARTE III: MODOS DE PARTICIPAÇÃO
1. Formas de Participação Aberta na RMOP
1.1. Abertos a Qualquer Pessoa
1.2. Adesão Geral de Grupos
1.3. Carismas e Apoio à Rede de Oração
2. Formas de Pertença na RMOP
2.1. Nível Pessoal
2.2. Nível Comunitário
3. Outros Esclarecimentos sobre a Participação Comunitária
PARTE IV: SALVAGUARDA E PROTEÇÃO
1. Base Metodológica
1.1. Um Padrão Comum Global
1.2. Um Guia para Adaptações Locais
1.3. Obrigatório para Todos os Responsáveis da RMOP
2. Estrutura do Manual
2.1. Enquadramento Preventivo
2.2. Enquadramento Procedimental
2.3. Enquadramento Formativo
ANEXO
História e Processo de Recriação
INTRODUÇÃO
O Regulamento Geral da Rede Mundial de Oração do Papa é um novo instrumento ao serviço da nossa missão, ainda que não seja algo novo na longa tradição desta rede apostólica de oração.
O seu objetivo é ajudar-nos a compreender melhor esta obra apostólica pontifícia no contexto atual e a alinhar as nossas ações, tanto a nível global como a nível nacional, onde exerce um verdadeiro serviço eclesial, com os Estatutos que a regem.
O âmbito deste Regulamento é universal. Isto significa que abrange todos os que participam nesta rede, embora se dirija de modo particular àqueles que têm a responsabilidade de animar e coordenar este apostolado (Escritório Internacional, Diretores Nacionais, Superiores Maiores da Companhia de Jesus, Presidentes das Conferências Episcopais, Coordenadores Nacionais, animadores locais, etc.), nos diversos níveis.
Não pretende abarcar toda a realidade da Rede, que é rica e diversa. Esperamos, no entanto, que ofereça orientações claras que nos ajudem a caminhar juntos. Foi aprovado pelo Conselho Administrativo da Fundação Vaticana e pelo Padre Geral da Companhia de Jesus, conforme exigem os Estatutos.
Tratando-se de uma primeira versão, posterior à aprovação dos Estatutos definitivos em julho de 2024, este Regulamento Geral terá validade por dois anos. Em 2028, será revisto e ajustado conforme necessário.
Cristóbal Fones, SJ Diretor Internacional Rede Mundial de Oração do Papa
Cidade do Vaticano, 19 de março de 2026, Solenidade de São José
PARTE I IDENTIDADE E MISSÃO
PARTE I IDENTIDADE E MISSÃO
1. Identidade da Obra
1.1. Uma Missão de Compaixão
A missão da Rede Mundial de Oração do Papa (doravante RMOP) é mobilizar os cristãos, através da oração, do serviço e da formação espiritual, para responder aos desafios da humanidade e da missão da Igreja, tal como são expressos nas intenções de oração do Papa. Esta missão pode, assim, ser sintetizada em três pontos fundamentais:
Compaixão pelo Mundo: responder aos desafios da humanidade e à missão da Igreja através da oração e do serviço, inspirados pelas intenções mensais do Papa.
Disponibilidade Apostólica: ajudar as pessoas a tornarem-se interiormente disponíveis para servir na missão de Cristo, promovendo uma relação pessoal com Jesus, como seus amigos e apóstolos, enraizada na espiritualidade do Sagrado Coração.
Formação para a Missão: guiar os participantes, especialmente os jovens, num caminho espiritual que os capacite a viver como discípulos missionários na vida quotidiana.
1.2. Uma Obra Apostólica Pontifícia
A RMOP é uma «Obra Pontifícia ao serviço eclesial da Santa Sé que o Sumo Pontífice confia ao cuidado da Companhia de Jesus. Tem uma função de coordenação e animação a nível mundial, aí onde países e dioceses assumem a oração como forma de apostolado e, em particular, acolhem as intenções mensais de Oração propostas pelo Santo Padre à Igreja, como tema ou conteúdo da oração pessoal, ou de grupo, colaborando deste
modo com a missão da Igreja para se colocar ao serviço dos desafios da humanidade».1
A RMOP está aberta a todos os católicos que desejem reavivar, renovar e viver o caráter missionário que brota do seu batismo. O seu fundamento é a espiritualidade do Coração de Jesus, explicitada no documento de Recreação do Apostolado da Oração intitulado “Um Caminho com Jesus em Disponibilidade Apostólica” (Roma, 3 de dezembro de 2014), que oferece ao discípulo de Jesus um forma de identificar o seu sentir e atuar com o Coração de Cristo, numa missão de compaixão pelo mundo.2
A direção da RMOP coordena e anima diversos grupos, centros e pessoas em muitos países que colaboram na missão evangelizadora da Igreja através da oração e do serviço, numa missão de compaixão pelo mundo. O Movimento Eucarístico Juvenil (doravante MEJ) é a proposta da RMOP dirigida aos jovens.3
Assim, a RMOP, como veremos mais adiante, é composta por uma diversidade de grupos paroquiais e comunitários espalhados pelo mundo. Alguns destes grupos provêm de núcleos já existentes do Apostolado da Oração e de outras associações, permitindo diversas formas de participação.
1.3. Uma Rede Mundial de Oração do Papa
Esta rede de oração designa-se “do Papa” porque é uma obra apostólica pontifícia de oração, estabelecida como tal pelo Papa Francisco no ano de 2018. No entanto, ela só existe onde as pessoas decidem participar na sua missão. Não é um movimento eclesial nem uma associação particular, mas uma rede de oração
1 Cf. Estatutos, art 2
2 Cf. Ibid
3 O artigo 15º dos Estatutos declara que o Regulamento Geral de la RMOP também se aplica ao MEJ como parte integrante da mesma Rede de Oração.
diretamente ligada ao Santo Padre, o que explica a sua relação com ele.
O dever desta rede de oração é rezar pelo mundo, guiada pelas intenções mensais do Papa, fruto do seu discernimento e da sua oração. Os desafios que ele reconhece no mundo e na missão da Igreja são confiados à oração da Igreja universal, para o sustentar no seu ministério. Por sua vez, ele ajuda-nos a concentrar-nos como comunidade mundial em oração, exercendo assim a nossa vocação sacerdotal batismal.
1.4. Uma Fundação Vaticana ligada a realidades locais diversas
Esta Obra Pontifícia, confiada à Companhia de Jesus, possui a sua própria estrutura jurídica a nível global com sede na Cidade do Vaticano. Pelo Rescriptum ex Audientia SS.mi de 17 de novembro de 2020, o Papa Francisco instituiu também a “Rede Mundial de Oração do Papa” como Fundação Vaticana, organizada a partir do seu Secretariado Internacional.4
A nível nacional, porém, cada secretariado possui a sua própria estrutura jurídica, quer seja no quadro legal da Companhia de Jesus, quer seja como entidade jurídica civil com um orgão de governo ajustado às leis civis e canónicas do respetivo país e diocese.
A Fundação Vaticana, cuja missão é animar e coordenar a obra a nível mundial, não tem capacidade jurídica nem competência para supervisionar as atividades administrativas dos secretariados nacionais. Este ponto é essencial para compreender a relação entre o Secretariado Internacional e os secretariados nacionais no que diz respeito à administração de recursos.
4 Conforme declarado no artigo 1º dos Estatutos: “A sua sede legal encontra-se no Estado da Cidade do Vaticano, na Vía delPellegrino. Goza depersonalidade jurídica canónica pública e depersonalidade jurídica civilvaticana e estáinscrita no Registo dePessoasJurídicasdoEstadodaCidadedoVaticano”.
Nos países onde esta rede de grupos e pessoas se desenvolve no seio de dioceses, paróquias e centros cristãos não diretamente ligados às obras apostólicas da Companhia de Jesus, o serviço eclesial pontifício continua sob a responsabilidade do Superior Maior da Companhia de Jesus, em colaboração com a Conferência Episcopal.
Um diretor nacional é nomeado pelo Diretor Internacional para animar e coordenar a rede localmente e acompanhar os responsáveis nacionais no exercício do seu serviço pastoral, em conformidade com as orientações do Vaticano e da diocese.
A identidade, natureza e missão da Rede Mundial de Oração do Papa foram apresentadas pela primeira vez no documento “Um Caminho com Jesus em Disponibilidade Apostólica”, aprovado pelo Papa Francisco em 2014. Este documento foi fruto de um processo de reflexão e discernimento levado a cabo por várias equipas do Apostolado da Oração em todo o mundo, com o objetivo de iniciar a recriação desta obra. Dada a sua importância, este texto é muito mais do que uma referência histórica: continua a ser um guia fundamental para a nossa missão.5
Ao longo da década seguinte, a identidade, natureza e missão desta obra foram sendo clarificadas e aprofundadas, como se pode constatar em diversos documentos oficiais e nos Estatutos promulgados em 2018 e 2020, aprovados adexperimentum. Aqui retomaremos o que os Estatutos mais recentes, aprovados pelo Santo Padre a 1 de julho de 2024, declaram sobre estes temas (identidade, natureza e missão), complementando-os com contributos de outros documentos oficiais.
5 Para aceder ao documento completo, visitar: popesprayerva/pt-pt/recursos. Para uma visão mais ampla do processo de recriação, consultar o anexo no final deste Regulamento.
2. Fundamento Espiritual
2.1. Espiritualidade do Coração de Jesus
O Caminho do Coração
A espiritualidade do Sagrado Coração de Jesus constitui o fundamento da RMOP. Neste quadro, O Caminho do Coração (doravante CC) oferece o programa central de formação da RMOP, propondo um percurso espiritual que integra as dimensões essenciais da nossa missão.6
O CC vive a devoção ao Sagrado Coração de Jesus a partir de uma perspetiva apostólica, inspirando-se na rica tradição espiritual do Apostolado da Oração à luz dos Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola. Este caminho espiritual procura conduzir o nosso coração ao Coração de Jesus, alinhando assim a nossa vida com a Sua missão de compaixão pelo mundo. Quanto mais próximos estamos do Seu Coração, menos indiferentes nos tornamos às necessidades que nos rodeiam.
Estruturado como um processo espiritual, o CC convida os participantes a alinhar os seus pensamentos, a sua vontade e os seus projetos com os de Jesus. Assim, os batizados acolhem e servem o Reino de Deus, movidos pela compaixão e inspirados pelo exemplo do Filho de Deus. Os participantes percorrem um itinerário de nove etapas, correspondentes às nove primeiras sextas-feiras do mês, tradição herdada da devoção ao Sagrado Coração. Este processo de nove meses simboliza também um “nascimento” espiritual, aproximando os participantes do Coração de Jesus e abrindo-os à vida do Espírito, preparando-os para a missão da Igreja.
6 Cf Estatutos, art 4-5
A Eucaristia
No centro da Espiritualidade do Coração de Jesus encontra-se a Eucaristia, onde Jesus Se entrega a nós. A participação na Eucaristia conduz-nos à experiência interior do Coração de Jesus e prepara-nos para viver de modo eucarístico, isto é, viver com Ele e segundo o Seu estilo, ao serviço da Sua missão de compaixão.
Oração de Oferecimento Diário
O CC surge da dinâmica da Oração de Oferecimento Diário:
Pai de bondade, eu seique estás comigo. Aqui estou neste dia. Coloca mais uma vez o meu coração junto ao Coração do teu Filho Jesus, que se entrega por mim e que vem a mim na Eucaristia. Que o teu Espírito Santo me faça seu amigo e apóstolo, disponívelpara asuamissãodecompaixão. Coloconas tuas mãos as minhas alegrias e esperanças, os meus trabalhos e sofrimentos, tudo o que sou e tenho, em comunhão com meus irmãos e irmãs desta rede mundial de oração. Com Maria, ofereço-Te o meu diapela missão daIgreja epelas intenções de oraçãodoPapaedomeuBispoparaestemês. Amém
Consagração ao Sagrado Coração
A Aliança Pessoal ou Consagração ao Coração de Jesus, no seio da RMOP, é entendida como um compromisso de maior disponibilidade apostólica. A relação pessoal com Jesus Cristo e a proximidade ao Seu Coração ajudam-nos a perceber e discernir as Suas alegrias e sofrimentos pelo mundo, despertando em nós o desejo de servir a Sua missão de compaixão.
2.2. Práticas Espirituais Fundamentais
Oração com a Escritura e Releitura Espiritual
Como caminho de encontro quotidiano com o Senhor, a Igreja valorizou sempre duas práticas fundamentais que estão no coração do CC: a oração à luz da Palavra de Deus e a releitura espiritual ou Exame. Escutar Jesus e permanecer na Sua Palavra é essencial para estabelecer uma amizade com Ele, permitindo-nos perceber os desafios da humanidade e da missão da Igreja a partir do Seu olhar. Este caminho ajuda-nos a alinhar o nosso coração com o Coração de Cristo, reconhecendo a Sua presença na nossa vida através da meditação e da prática diária do Exame. A compaixão, a piedade e a misericórdia, refletidas na vida de Jesus, inspiram-nos a agir em favor dos outros, seguindo o Seu exemplo e tornando-nos discípulos missionários dedicados à Sua missão de compaixão pelo mundo.
Três Momentos do Dia
Esta experiência desenvolve-se na oração em três momentos do dia: a) De manhã: escutando a Sua Palavra e pedindo ao Pai disponibilidade para a missão do Seu Filho, oferecendo-se a si mesmo com palavras pessoais ou com uma oração de oferecimento escrita; b) De tarde: permanecendo atento à presença do Senhor enquanto se caminha, descansa ou trabalha, renovando o compromisso de trabalhar com Ele e estar vigilante; c) De noite: refletindo sobre o dia que passou, pedindo ao Espírito Santo a graça de reconhecer a presença de Jesus e de agradecer. Considerar a disponibilidade pessoal para com a Sua missão, reconhecendo os obstáculos, implorando a Sua misericórdia para a transformação interior e pedindo ajuda para viver unido a Ele no dia seguinte.
Participação Comunitária
Embora seja possível participar na RMOP de forma individual, a participação em grupos de partilha de fé e de vida é fortemente encorajada. Estes grupos podem ser comunidades permanentes e regulares ou de encontros mais ocasionais, permitindo que as pessoas se liguem a outros que vivem a espiritualidade do Coração de Jesus. A participação assume diversas formas, adaptadas aos contextos eclesiais e culturais específicos, garantindo que todos possam envolver-se de modo significativo. Esta abordagem comunitária não só enriquece os percursos pessoais de fé, como também promove um sentido de comunidade e de missão partilhada, alinhando os nossos corações com o Coração de Jesus.
Devoção a Maria e aos Patronos da RMOP
A RMOP promove o amor e a devoção a Maria, modelo de disponibilidade apostólica, cujo coração está totalmente habitado por Jesus e pela Sua missão. A Virgem Maria esteve sempre presente na tradição do Apostolado da Oração que herdamos. A RMOP (incluindo os Grupos Paroquiais do Apostolado da Oração e o MEJ) tem dois santos patronos internacionais oficiais, embora possam existir outros a nível local: São Francisco Xavier e Santa Teresa do Menino Jesus.
3. O Movimento Eucarístico Juvenil (MEJ)
O MEJ é a proposta juvenil da RMOP. Trata-se de uma iniciativa global para crianças e jovens, presente em mais de 50 países, que procura formá-los como amigos e apóstolos de Cristo através da oração, da vivência da Eucaristia e da promoção do serviço.
O MEJ, anteriormente denominado Cruzada Eucarística, está enraizado na tradição do Apostolado da Oração e na espiritualidade do Sagrado Coração. Hoje, como parte integrante da RMOP, oferece um caminho formativo que ajuda os jovens a
crescer na sua relação com Jesus e a descobrir a sua vocação para viver como verdadeiros apóstolos da oração, inspirados pela Eucaristia.
3.1. Fonte Espiritual
O MEJ encontra o seu fundamento mais profundo na Eucaristia, fonte e cume da vida cristã. Da entrega de Cristo na Eucaristia brota o oferecimento diário de cada membro do MEJ. É na contemplação e participação na Eucaristia que os jovens aprendem o sentido da sua própria entrega na vida quotidiana. A forma particular como propomos viver a Eucaristia no MEJ segue a mesma dinâmica espiritual de toda a RMOP: O Caminho do Coração.
3.2. Uma Pedagogia com Três Pilares
Da celebração da Eucaristia brotam os três momentos fundamentais narrados no episódio dos discípulos a caminho de Emaús (Lc 24), que exprimem uma pedagogia espiritual completa e correspondem aos três pilares do MEJ: Palavra de Deus, Eucaristia e Missão.
O primeiro é a Palavra, pois o Pai revelou-Se enviando-nos Jesus, o Verbo encarnado, que é a nossa Boa Nova. Acolhemos esta Palavra rezando com o Evangelho, que não só nos aproxima mais profundamente de Jesus, como nos abre a um verdadeiro diálogo com Ele, de coração a coração. Assim, Ele ilumina a nossa vida com o Seu ensinamento e a Sua verdade.
O segundo é a Eucaristia, onde Jesus Se faz nosso alimento e vida para a vida do mundo. Ao participar neste sacramento, os membros do MEJ entram em comunhão com Jesus como verdadeiro amigo, cultivando uma intimidade profunda. Da Sua entrega aprendem o verdadeiro sentido de amar e servir os outros. Ao abrir o coração a Jesus pela participação na Eucaristia e em adoração, convidamos Cristo a habitar em nós.
O terceiro é a Missão, o envio do cristão eucarístico que se torna sacramento vivo da presença de Deus no mundo. Pela força do Espírito Santo, os membros do MEJ não se tornam apenas em amigos de Jesus, mas também Seus apóstolos na vida diária, rezando pelos outros e servindo, seguindo o Seu modo de proceder e participando na Missão de Cristo na Igreja.
Os estilos e estruturas do MEJ são diversos em todo o mundo, mas todos permanecem fiéis a estes pilares espirituais fundamentais. Mais detalhes sobre a história e os métodos do Movimento Eucarístico Juvenil podem ser encontrados no Manual Internacional.
4. Recursos para a Missão
4.1. Orientações Gerais
A missão da RMOP requer apenas corações dispostos a oferecer-se a Jesus em disponibilidade apostólica. Este compromisso ajuda a abordar e responder aos desafios da humanidade e à missão da Igreja, tal como são expressos nas intenções mensais de oração do Santo Padre.
Estas intenções de oração são publicadas anualmente, com um ano de antecedência, nas cinco línguas oficiais da Fundação Vaticana. São divulgadas no L’Osservatore Romano e no site oficial da RMOP: www.popesprayer.va A partir destas versões oficiais, podem ser traduzidas para o maior número possível de línguas, de modo a serem ampliamente conhecidas, compreendidas e partilhadas.
Cada dirigente nacional é responsável por criar os recursos necessários, como folhetos, flyers, revistas e publicações, adaptados aos seus contextos culturais e às suas capacidades, a fim de apoiar a missão daqueles que participam da RMOP.
A Fundação Vaticana, através do seu Escritório Internacional, dedica-se a animar e coordenar a Rede de Oração a nível global. Assegura o cumprimento dos Estatutos estabelecidos pelo Santo Padre, nomeia diretores nacionais e mantém uma comunicação regular com o Santo Padre e com o Superior Geral dos Jesuítas sobre assuntos relevantes da vida da Rede. Além disso, oferece orientações pastorais e espirituais a nível global para preservar o bom ser e identidade da obra e da missão, promove documentos que animam a missão global e coordena campanhas internacionais e projetos de apoio, incluindo livros, publicações impressas e digitais, bem como programas de formação.
4.2. Glossário de termos
RMOP
Rede Mundial de Oração do Papa. Obra Apostólica Pontifícia ao serviço eclesial da Santa Sé, confiada pelo Sumo Pontífice ao cuidado da Companhia de Jesus (cf. Estatutos a.2.n.1).
Recriação
Processo de recriação do Apostolado da Oração, iniciado em 2014 sob a orientação do Papa Francisco e do P. Adolfo Nicolás, com o objetivo de revitalizar e atualizar esta Obra Apostólica Pontifícia, mantendo a sua essência espiritual centrada na oração e no oferecimento diário (cf. Carta do Superior Geral da Companhia de Jesus, P. Adolfo Nicolás, SJ, 2015).
Obra Apostólica Pontifícia
Designa um projeto, iniciativa ou organização oficialmente instituída ou aprovada pelo Papa como parte da missão evangelizadora da Igreja. As suas características incluem o foco caritativo, promovendo o crescimento espiritual, a ajuda aos necessitados e a propagação da fé; o alcance global, involucrando-se com comunidades locais e abordando problemas
internacionais; e a colaboração com dioceses, paróquias e outras organizações eclesiais.
Fundação Vaticana
Organização sem fins lucrativos que opera sob a égide do Vaticano. Possui personalidade jurídica canónica pública e personalidade jurídica civil vaticana, estando inscrita no Registo das Pessoas Jurídicas do Estado da Cidade do Vaticano. Neste caso, consiste num Escritório Internacional encarregado de coordenar e animar a obra apostólica pontifícia RMOP a nível global.
Fundamento Espiritual
É a Espiritualidade do Coração de Jesus, da qual esta missão apostólica se alimenta desde as suas origens. Trata-se de uma forma concreta, no interior da tradição da Igreja, de sublinhar a relação pessoal com Jesus a partir do Seu lado aberto (o Sagrado Coração), expressão do Seu amor compassivo pela humanidade e por cada pessoa. Esta espiritualidade convida-nos a oferecer-nos diariamente por Ele, com Ele e n’Ele (cf. DilexitNos 54).
Missão de Compaixão
Formulação da dimensão apostólica da espiritualidade do Coração de Jesus. Tal como declaram os Estatutos, esta abordagem assume a oração como forma de apostolado, colaborando com a missão da Igreja para responder aos desafios da humanidade expressos nas intenções de oração do Santo Padre (cf. Estatutos a.2.n.1).
As Intenções de Oração do Papa
As intenções de oração do Papa abordam os desafios e as oportunidades que afrontam a humanidade e a missão da Igreja.
O Papa discerne anualmente estas intenções, sendo por ele confiadas à sua Rede Mundial de Oração, para que as difunda pela Igreja e pelo mundo. Estas são a bússola da nossa missão. Comprometemo-nos a torná-las conhecidas, promovê-las e incentivar a oração por elas na maior quantidade possível de lugares e corações (cf. Estatutos a.4a).
O Caminho do Coração (CC)
Itinerário de formação espiritual da RMOP. Processo espiritual estruturado pedagogicamente para alinhar os pensamentos, a vontade e os projetos pessoais com os de Jesus, ajudando-nos a abraçar e servir o Reino de Deus em disponibilidade apostólica e a colaborar, na vida quotidiana, com a missão de Jesus (cf. Estatutos a.4b.5).
Movimento Eucarístico Juvenil (MEJ)
Proposta juvenil da RMOP, que fomenta uma amizade íntima com o Senhor. Inspirado no relato dos discípulos a caminho de Emaús (Lc 24), assenta em três pilares: o Evangelho, a Eucaristia e a Missão (cf. ManualInternacionaldoMEJ).
PARTE II
ESTRUTURA ORGANIZACIONAL
1. Estrutura Internacional
1.1. Órgãos de Governo e Administração
A nível internacional, esta Obra Apostólica Pontifícia é uma Fundação Vaticana diretamente sujeita à autoridade do Sumo Pontífice, que a governa através da Secretaria de Estado.7 Enquanto obra apostólica confiada à Companhia de Jesus, é administrada, tanto a nível global como nos países onde este serviço eclesial se desenvolve, segundo o modo próprio de organização e governo da Companhia de Jesus.
1.1.1. Conselho de Administração
Esta Fundação Vaticana dispõe de um Conselho de Administração composto por cinco membros. É presidido pelo Diretor Internacional, nomeado pelo Santo Padre, e composto por um representante da Secretaria de Estado e por três outros membros nomeados pelo Secretário de Estado, sob proposta do Superior Geral da Companhia de Jesus.8 A sua missão é garantir que a missão, visão, espiritualidade e espírito eclesial da RMOP estejam em consonância com as orientações do Santo Padre e da Igreja Católica. Este conselho define as orientações gerais, supervisiona a gestão da Fundação, delibera sobre o orçamento anual e o balanço final, e propõe eventuais modificações aos Estatutos. Aprova igualmente o plano anual de trabalho e o plano estratégico do Diretor Internacional.9
7 Cf. Estatutos, art. 7.
8 Estatutos, art 8
9 Estatutos, art 10
1.1.2. Diretor Internacional
O Diretor Internacional da RMOP é responsável pela gestão dos assuntos ordinários da Fundação, prestando contas anualmente ao Conselho de Administração e informando-o sobre os projetos internacionais desenvolvidos com os Comités de Apoio. Nomeia os Diretores Nacionais para a coordenação e animação da Rede, após consulta ao Superior Geral da Companhia de Jesus e com a aprovação da respetiva Conferência Episcopal. Pode igualmente nomear Coordenadores Nacionais a tempo parcial, informando a Conferência Episcopal. O Diretor Internacional informa regularmente o Superior Geral sobre as atividades da RMOP e organiza encontros continentais com Diretores e Coordenadores Nacionais.10
1.1.3. Auditor
Um único Auditor é nomeado pela Secretaria para a Economia do Vaticano por um mandato de cinco anos, com possibilidade de renovação. Compete-lhe supervisionar o cumprimento da lei, dos Estatutos e de outras disposições relativas à Fundação, bem como a correta gestão contabilística e a correspondência entre contas e demonstrações financeiras.11 O Auditor, não tendo direito de votar, pode participar nas reuniões do Conselho de Administração, especialmente quando são tratados assuntos financeiros.
1.2. Secretariado Internacional
1.2.1. Equipa de Direção Executiva
Para apoiar o Diretor Internacional na sua missão, existem dois Vice Diretores, propostos pelo Superior Geral da Companhia de Jesus e nomeados pela Secretária de Estado por um mandato de
10 Estatutos, art. 11.
11 Estatutos, art. 13.
cinco anos, com possibilidade de renovação. Estes Vice Diretores podem participar no Conselho de Administração, mas sem direito a voto.12 Os três constituem conjuntamente a Equipa de Direção Executiva.
As diversas equipas do Secretariado Internacional não se situam acima dos secretariados nacionais e respetivas equipas; existem para apoiar a função da Fundação Vaticana de coordenação e animação a missão global. Este fim é realizado em colaboração com a Santa Sé (Santo Padre, Secretaria de Estado, Secretaria para a Economia e diversos Dicastérios e entidades vaticanas), bem como com as Conferências Episcopais e o Governo da Companhia de Jesus.
1.2.2. Coordenação Administrativa
O Secretariado Internacional, com sede jurídica no Vaticano, assegura a gestão quotidiana da organização a nível global, sob a responsabilidade do Diretor Internacional, com o apoio de uma assistente de direção, uma secretária e outros assistentes internacionais. Estas funções abrangem, entre outras, nomeações, implementação de projetos e apoio aos escritórios nacionais.
1.2.3. Coordenação da Comunicação
O Departamento de Comunicação gere a comunicação interna e externa da organização, a sua presença nas redes sociais e noutras plataformas de difusão. Apoia igualmente projetos internacionais de comunicação digital em consonância com a missão, recorrendo às competências de ‘community managers’, gestores digitais, designers, equipas técnicas e especialistas em websites.
12 Estatutos, art 12
1.2.4. Coordenação Financeira
A contabilidade e a administração financeira da Fundação Vaticana são asseguradas por um departamento específico que supervisiona os assuntos financeiros e coordena iniciativas de angariação de fundos, tanto para projetos internacionais em curso como para eventos específicos, tais como peregrinações, reuniões de formação, congressos e viagens da equipa de direção para acompanhamento das comunidades locais.
1.3. Comités de Apoio
Com o objetivo de apoiar, oferecer uma perspetiva universal e acompanhar a missão pastoral deste serviço eclesial, existem diversos grupos de apoio com representantes de vários países que integram a coordenação internacional desta Obra Apostólica Pontifícia.
1.3.1. Conselho Internacional
O Conselho Internacional é composto por seis Coordenadores Continentais, nomeados pelos Presidentes das Conferências dos Superiores Maiores da Companhia de Jesus, para apoiar a missão da Equipa de Direção Executiva. Esta estrutura sublinha claramente que se trata de uma obra confiada à Companhia de Jesus. O Coordenador Continental pode ser jesuíta, sacerdote diocesano, religioso/a ou leigo/a, com experiência nos Exercícios Espirituais e familiaridade com a identidade e missão da Companhia de Jesus e das suas obras apostólicas. Sempre que possível, a sua principal missão deverá ser a de Diretor Nacional da Rede de Oração num país. O Conselho Internacional reúne-se regularmente em formato digital e uma vez por ano de forma presencial.
1.3.2. Coordenador Continental
Uma vez que os Coordenadores Continentais são nomeados pelos Presidentes das Conferências dos Superiores Maiores da Companhia de Jesus, devem estar integrados na organização de cada Conferência. É essencial que o Coordenador preste apoio pastoral aos Diretores Nacionais, especialmente aos recém-nomeados, mantendo um contacto regular e promovendo a colaboração entre países. Isto inclui: promoção de redes, iniciativas comuns e trabalho em equipa. Para isso, é importante constituir uma Equipa Continental com outros diretores, coordenadores e assistentes, preparando e acompanhando as decisões tomadas nos encontros continentais digitais mensais e presenciais bienais.
1.3.3. Comité de Formação
O Comité de Formação apoia esta área da Equipa de Direção Executiva e os Coordenadores Continentais, ajudando-os a rever e validar os materiais internacionais de formação. O seu papel é reforçar, a nível global, áreas-chave como a formação espiritual, liderança, identidade e missão, bem como políticas e protocolos de salvaguarda.
1.3.4. Comité de Juventude
O Comité de Juventude apoia esta dimensão específica da RMOP, com particular atenção ao MEJ nos seus diversos contextos. Responde também às necessidades específicas de formação e acompanhamento dos jovens nas diferentes regiões e oferece orientações para a organização internacional do MEJ.
1.3.5. Comité Financeiro
O Comité Financeiro ajuda a avaliar a estrutura económica da organização, a projetar as necessidades financeiras da Fundação Vaticana e a assegurar o apoio adequado ao Escritório
Internacional e aos seus projetos pastorais ao serviço da missão global.
2. Estruturas Nacionais
Em cada país ou região, segundo a jurisdição da Conferência Episcopal, a RMOP é confiada a um Diretor Nacional, nomeado pelo Diretor Internacional por um mandato renovável de três anos, após consulta à Companhia de Jesus e com a aprovação da respetiva Conferência Episcopal.13
Quando a missão principal da pessoa nomeada não é a RMOP e não existe uma estrutura de escritório local, pode ser nomeado um Coordenador Nacional, que servirá de ponto de referência para a Conferência Episcopal e reportará ao Diretor Internacional.14
Em situações ainda mais limitadas ou transitórias, é designada uma Pessoa de Contacto no país para manter a comunicação e assegurar o fluxo de informação. Em algumas situações, dependendo do contexto, pode ser desejável a existência de um Coordenador Regional (normalmente correspondente a Províncias Jesuítas que abrangem vários países) para animar e coordenar mais de perto as realidades nacionais segundo critérios comuns.
2.1. Liderança Nacional
As realidades locais são muito diversas na sua estrutura, história e contexto. Em muitos países existe uma liderança unificada da RMOP; noutros, há uma tradição mais forte de direção específica para a proposta juvenil, o MEJ. Em alguns países coexistem Diretores Nacionais da RMOP e do MEJ.
13 Estatutos, art. 11d.
14 Estatutos, art. 11e.
2.1.1. Diretor Nacional
Cada Diretor Nacional da RMOP/MEJ é nomeado pelo Diretor Internacional para esta obra apostólica pontifícia, enviado em missão local pelo seu Provincial jesuíta (se for jesuíta) e aprovado pelo Presidente da Conferência Episcopal. Os Diretores Nacionais podem ser sacerdotes ou irmãos jesuítas, sacerdotes diocesanos, religiosos/as ou leigos/as.
O Diretor Nacional da RMOP/MEJ é o principal interlocutor com o Secretariado Internacional e com a Conferência Episcopal Nacional, assegurando a articulação entre a dimensão global e local da missão. Compete-lhe contactar a Conferência Episcopal para se apresentar, dar a conhecer as intenções de oração do Papa e apresentar a missão da RMOP. Deve colaborar com os secretariados da Conferência Episcopal, em consonância com as intenções mensais de oração e com as celebrações próprias da espiritualidade do Coração de Jesus, como a Solenidade do Sagrado Coração, o Corpo de Deus e as festas dos santos padroeiros da RMOP/MEJ.
Entre as suas responsabilidades contam-se: apresentar um relatório anual ao Diretor Internacional e ao Superior Maior Jesuíta/Presidente da Conferência dos Superiores Maiores; manter contacto com o Coordenador Continental; conhecer e participar nas estruturas civis e financeiras; participar nas reuniões virtuais mensais com os outros Diretores Nacionais a nível continental; e estar presente nos encontros continentais presenciais bienais.
Cabe-lhe ainda conhecer e apoiar a realidade da RMOP a nível nacional; promover e inculturar as intenções do Papa e os projetos internacionais; oferecer oportunidades de retiros e formação segundo O Caminho do Coração. Deve trabalhar para constituir e coordenar uma Equipa Nacional estável sempre que possível; animar grupos do Apostolado da Oração, do MEJ e outras comunidades da Rede. Deverá ainda oferecer formação
para formadores e criar materiais locais (boletins, revistas, vídeos, etc.) para fortalecer a missão.
Quando existe um Diretor Nacional da RMOP, pode ser nomeado por este um Coordenador Nacional do MEJ ou dos grupos do Apostolado da Oração. Contudo, em casos específicos, o Diretor Internacional pode nomear diretamente um Diretor Nacional do MEJ com ligação direta ao Escritório Internacional.
2.1.2.
Assessor Nacional
Quando a liderança nacional da RMOP/MEJ não é confiada a um sacerdote jesuíta, é nomeado um Assessor Nacional jesuíta pelo Superior Maior jesuíta local ou pelo Presidente da Conferência dos Superiores Maiores da Companhia de Jesus, de acordo com o Diretor Internacional. Esta figura garante a presença explícita da Companhia de Jesus, a quem esta obra foi confiada, no apoio pastoral à missão nacional da RMOP. O Assessor integra a Equipa Nacional e oferece assessoramento contínuo e cuidado pastoral à missão do Diretor Nacional.
2.1.3. Equipa Nacional
Cada Diretor Nacional é responsável por constituir uma Equipa Nacional para apoiar as diversas realidades desta obra apostólica a nível local. Fundada na oração e no discernimento, a equipa trabalha para realizar a missão da RMOP/MEJ abordando necessidades específicas. Reúne-se regularmente para fortalecer grupos e participantes, ao nível nacional, através de materiais de oração, adaptação de recursos internacionais, eventos, experiências espirituais (como retiros do Caminho do Coração) e ferramentas metodológicas. Gere igualmente comunicação, redes sociais, salvaguarda, angariação de fundos e tarefas administrativas.
2.1.4. Orientações Jurídicas e Administrativas
Os secretariados nacionais dispõem das suas próprias estruturas civis e financeiras, independentes do Escritório Internacional. Jurídica e civilmente são autónomos. A nível pastoral e espiritual, recebem apoio do Secretariado Internacional, que coordena e impulsiona a missão.
O Secretariado Internacional da RMOP não possui capacidade jurídica nem competência para supervisionar a atividade administrativa dos secretariados nacionais, quer relativamente aos bens já existentes, quer aos que venham a ser adquiridos.15 Esta capacidade jurídica pertence a cada secretariado segundo a legislação do respetivo país e sob a tutela das autoridades canónicas locais.
Os Diretores Nacionais estão sujeitos ao ordenamento jurídico do país para o qual foram nomeados em tudo o que diz respeito à administração e alienação de bens, bem como à responsabilidade legal correspondente. Isto tendo em consideração a forma jurídica que a Obra Pontifícia assume nesse país, seja como pessoa jurídica (associação, fundação, etc) ou na ausência de personalidade jurídica. Os ditos bens devem estar completamente separados das contas pessoais dos Diretores Nacionais.
A prestação de contas das atividades administrativas dos escritórios nacionais, como orçamentos e contas finais, não está sujeita ao escrutínio do Conselho da Fundação Vaticana nem integra o orçamento da Fundação. Contudo, por razões de controlo financeiro e transparência, o responsável nacional deve apresentar anualmente as contas ao Superior Maior Jesuíta correspondente ou a quem este delegar para tal propósito.
15 Cf Estatutos, art 14
2.2. Liderança Diocesana
2.2.1 Assessores Diocesanos
Historicamente, os bispos nomeavam um diretor diocesano para o Apostolado da Oração, geralmente um sacerdote, enquanto os leigos eram designados pelas organizações nacionais do Apostolado da Oração ou do MEJ como presidentes diocesanos ou regionais, com funções adicionais como vice presidentes. Em países com grande quantidade de membros e raízes históricas, esta estrutura pode manter-se válida se servir eficazmente a missão local.
Desde 2018, os Estatutos da RMOP permitem ao Ordinário diocesano nomear, em consulta e coordenação com o Diretor Nacional, um responsável diocesano que pode ser sacerdote, religioso/a ou leigo/a.16 A sua função é a de animar e coordenar a rede de oração a nível diocesano, proporcionando acompanhamento espiritual e orientação aos responsáveis locais da missão, assegurando a promoção e a direção eficaz da obra apostólica.
Os Assessores Diocesanos devem reunir-se com o Diretor Nacional pelo menos uma vez por ano para reforçar o apoio mútuo, a coordenação de planos e atividades pastorais.
2.2.2. Coordenador Local
Quando não existe uma organização diocesana da RMOP, pode ser necessário nomear Coordenadores Locais a nível diocesano, designados pelo Escritório Nacional. Estes coordenadores podem servir a missão global da RMOP ou especificamente a estrutura do MEJ. São responsáveis pela implementação da missão e pela gestão administrativa na região ou cidade. As suas funções
16 Para favorecer uma sintonia maior com a missão renovada, pede-se que os bispos nomeiem esta pessoa como Assessor Diocesano em vez de Diretor Diocesano.
devem estar claramente definidas em articulação com a Equipa Nacional. É essencial que os coordenadores locais sejam nomeados com a aprovação do bispo e trabalhem em articulação com a missão diocesana.
2.3. Liderança Comunitária
2.3.1. Coordenador de um Centro MEJ
Diversos grupos, equipas ou comunidades do Movimento Eucarístico Juvenil (MEJ) numa mesma unidade pastoral (paróquia, escola, etc.) são acompanhados por um adulto responsável que exerce a função de Coordenador de Centro. Esta pessoa, com experiência no acompanhamento de comunidades quer seja leigo ou membro de um grupo religioso , acompanha, anima e motiva os responsáveis das equipas, ligando o Centro às atividades nacionais ou regionais do MEJ, à comunidade local e à diocese. Promove também um ambiente saudável e seguro, ao aderir às diretrizes de salvaguarda e assegurando-se de que os responsáveis de equipa compreendam bem estas políticas. Também deve informar o Diretor Nacional sobre a sua implementação (cf. Manual Internacional do MEJ).
2.3.2. Grupos Paroquiais do Apostolado da Oração e outras Associações de Oração
Se os grupos paroquiais do Apostolado da Oração dispuserem de uma estrutura associativa ativa reconhecida pelo Escritório Nacional e aprovada pelas autoridades canónicas locais, podem continuar a seguir as suas próprias orientações e estrutura, desde que sirvam a missão da RMOP. Do mesmo modo, diversas comunidades e grupos de oração em paróquias, escolas, capelas ou movimentos eclesiais que participam da RMOP, podem manter o seu carisma e organização próprios, desde que respeitem as orientações da diocese a que pertencem.
2.3.3. Santuários, Paróquias e Outras Realidades
Algumas entidades eclesiais mais amplas, como santuários, paróquias, movimentos eclesiais, congregações religiosas e institutos de vida consagrada, aderem formalmente à RMOP, assumindo a sua missão de rezar e mobilizar-se para responder aos desafios da humanidade e da missão da Igreja expressos nas intenções de oração. Cada uma destas entidades segue as suas próprias orientações e direção, enquanto mantêm uma relação contínua com as iniciativas do Escritório Nacional e com as propostas da Equipa Internacional da Fundação Vaticana.
3. Outras Orientações Gerais
3.1. Proteção da Propriedade Intelectual
Os Diretores Nacionais podem imprimir e vender os livros d’O Caminho do Coração e outros materiais internacionais para apoiar a missão nacional, garantindo sempre o acesso digital gratuito às versões disponíveis. A impressão pode ser feita pelo próprio escritório nacional, retendo os rendimentos, ou através de uma editora, que não poderá adquirir a propriedade dos conteúdos ou do design. Os contratos com editoriais devem conceder apenas direitos limitados no tempo ou no número de exemplares, não podendo prever exclusividade indefinida ou perpétua. Os acordos aplicam-se apenas ao território nacional, salvo autorização dos diretores de outros países. Todos os contratos requerem a aprovação prévia do escritório internacional antes da sua assinatura.
3.2. Protocolo para Atividades Internacionais
Os Diretores Nacionais são responsáveis por organizar delegações para eventos internacionais, garantindo que estas viagens priorizem o crescimento espiritual e a missão. A viagem deve incluir passagens de ida e volta, alojamento, refeições, cobertura médica e seguro de viagem, com os fundos geridos
através de contas oficiais de instituições reconhecidas. As atividades adicionais fora dos programas oficiais são da responsabilidade dos escritórios nacionais, e um plano de viagem detalhado deve ser enviado ao escritório internacional e ao Coordenador Continental pelo menos 45 dias antes da partida. É proibido o uso pessoal de fundos, e o uso de uma agência de viagens é obrigatório caso não exista uma entidade legal disponível. O incumprimento destas diretrizes pode resultar em responsabilidade legal pessoal, enquanto o escritório internacional permanece disponível para prestar apoio.
3.3. Responsabilidades de Salvaguarda
Uma secção específica deste Regulamento Geral aborda a Política de Salvaguarda e Proteção de menores e adultos vulneráveis, que deve ser cumprida em todos os países onde esta obra pontifícia de serviço eclesial está presente e reconhecida. É responsabilidade do Diretor Nacional conhecer estas diretrizes e adaptá-las ao contexto local, de acordo com os protocolos e diretrizes específicos da Conferência Episcopal e da Companhia de Jesus.
3.4.
Angariação de Fundos e Prestação de Contas
É essencial destacar a importância de desenvolver esforços locais de angariação de fundos, assegurando a transparência e a prestação de contas nos assuntos financeiros. Como mencionado anteriormente, a RMOP e o MEJ têm capacidade civil para gerir bens temporais de acordo com as políticas legais locais, sendo a administração destes bens responsabilidade dos Diretores Nacionais e Diocesanos nos seus respetivos níveis. As contas financeiras devem ser reportadas anualmente: tanto o Diretor Nacional ao Superior Maior Jesuíta/Presidente da Conferência de Superiores Maiores, como os Diretores ou Assessores Diocesanos ao Diretor Nacional. A alienação de bens, a contração de dívidas e os atos administrativos devem seguir as normas da Companhia de Jesus, exigindo aprovações baseadas nos limites de
autorização estabelecidos pelo Superior Provincial ou pelo Superior Geral. Em caso de dissolução, a propriedade dos bens é transferida para o nível superior seguinte (diocesano, nacional ou internacional), sendo que os bens do MEJ são transferidos para a RMOP e, finalmente, os bens da RMOP para a Santa Sé.
3.5. Protocolo de Adesão à RMOP
Para se unirem formalmente à RMOP, convidam-se as paróquias, santuários ou comunidades a comprometerem-se a rezar pelas intenções mensais do Papa, abordando os desafios da humanidade e a missão da Igreja. Este compromisso, centrado na espiritualidade do Coração de Jesus e no Caminho do Coração, implica dedicar as primeiras sextas-feiras de cada mês à oração através de diversos meios, como celebrações eucarísticas, adoração eucarística ou reuniões diversas, sejam elas presenciais ou online. Recomenda-se a redação de uma carta de adesão dirigida ao Diretor Nacional, expressando o desejo de unidade e compromisso com esta missão. Idealmente, esta união é formalizada através de uma cerimónia litúrgica, como uma celebração eucarística na paróquia ou santuário. Para orientações sobre este protocolo, as comunidades devem contactar o Diretor Nacional da RMOP.
PARTE III MODOS DE PARTICIPAÇÃO
PARTE III
MODOS DE PARTICIPAÇÃO
Todas as pessoas podem participar na Rede Mundial de Oração do Papa (RMOP).
O Processo de Recriação revitalizou a compreensão das intuições originais, das práticas e inspirações fundantes deste serviço eclesial, atualizando-as e aprofundando-as dentro de um novo paradigma mais condizente com os tempos em que vivemos. Esta renovação não elimina nem nega a tradição nem o carisma inspirador; pelo contrário, aprofunda-o, ampliando o alcance da sua missão e serviço.
Desde os inícios do Apostolado da Oração, estabeleceu-se que os membros desta iniciativa missionária pertencem a diversos grupos eclesiais. Portanto, não somos simplesmente mais uma associação, mas uma rede universal (ou “Liga Santa dos Corações Cristãos unidos ao Coração de Jesus”, Ramière, 1861) ligada através de uma missão comum e enraizada na espiritualidade partilhada do Coração de Jesus.
Para maior clareza, a RMOP oferece dois modos de participação: uma forma “aberta” e uma forma de “pertença”, ambas inspiradas na Eucaristia como modelo de oferenda e disponibilidade para viver ao estilo de Jesus. Estes modos são uma reinterpretação atualizada dos três graus de participação dos Estatutos do Apostolado da Oração de 1896, que estiveram vigentes em vários países.
1. Formas de Participação Aberta na RMOP
1.1. Aberta a Qualquer Pessoa
O modo de participação aberta, acessível a toda a pessoa batizada, bem como a qualquer pessoa de boa vontade, consiste em rezar pelas intenções de oração do Papa, particularmente na
primeira sexta-feira de cada mês, designada como a 'Jornada Mensal de Oração pela Intenção do Papa', embora não se limite apenas a este dia.
1.2. Adesão Geral de Grupos
Paróquias, santuários, comunidades cristãs e outros grupos também podem expressar o seu compromisso com a Rede Mundial de Oração do Papa, reunindo-se especificamente para rezar pelas intenções do Papa e dedicando as primeiras sextas-feiras de cada mês a este propósito.
São incentivados a informar o Secretariado Nacional sobre o seu compromisso, a fim de garantir uma integração real e consciente na Rede de Oração, bem como a subscreverem-se para receber notícias e materiais atualizados relacionados com esta missão. Se for considerado adequado e benéfico para a missão, pode ser implementado um processo de adesão e celebração mais visível17 .
1.3. Carismas e Apoio à Rede de Oração
Muitas congregações religiosas, tanto ativas como contemplativas, institutos apostólicos ou movimentos eclesiais apoiam ativamente a Rede de Oração. Algumas, inclusivamente, sustentam o Movimento Eucarístico Juvenil (MEJ) ou promovem Grupos Paroquiais do Apostolado da Oração (ou Liga do Sagrado Coração de Jesus) como parte do seu próprio carisma.
2. Formas de Pertença na RMOP
O modo de pertença representa um compromisso mais profundo, seja a nível pessoal ou comunitário, com a espiritualidade do Coração de Jesus tal como é vivida na RMOP e expressa no itinerário do Caminho do Coração. Este compromisso formaliza-se através do estabelecimento de um vínculo oficial
17 Cf. Regulamento Geral II, 3.5.
com a equipa nacional da RMOP e pode, inclusive, assumir a forma de uma consagração pessoal.
2.1. Nível Pessoal
A nível pessoal, este compromisso implica rezar a oração de oferecimento diário pelas intenções do Papa (e do bispo, quando possível) e integrar três momentos de oração na vida quotidiana18 . Uma forma de viver estes momentos é: (a) de manhã, com a Escritura e o oferecimento pessoal diário; (b) à tarde, para recalibrar o coração e renovar o compromisso para o resto do dia; (c) e ao final do dia, com uma releitura ou exame espiritual pessoal, reconhecendo a nossa disponibilidade para a missão que o Senhor nos confia.
Este ritmo diário de oração fortalece a amizade íntima com o Senhor e ajuda as pessoas a encontrarem a sua maneira pessoal de colaborar com a missão da Igreja, à luz dos desafios expressos nas intenções de oração do Papa. Esta oração e disponibilidade apostólica estão sempre unidas a Maria, nosso modelo de discípula (At 1,14) e missionária (Lc 1,39).
Para aqueles que se sentem chamados a viver numa união mais estreita com o Coração de Jesus e desejam formalizar a sua dedicação, compromisso e serviço pessoal, o seu Secretariado Nacional pode propor uma Consagração ao Coração de Jesus ou uma “Aliança com Jesus”. Esta consagração torna-os verdadeiros “apóstolos da oração”, comprometidos a servir nas suas comunidades, paróquias, escolas e outros espaços como membros da RMOP.
2.2. Nível Comunitário
A nível grupal ou comunitário, o modo de pertença pode exprimir-se através de uma das seguintes três opções:
18 Cf. Regulamento Geral I, 2.2.
a) Grupos Paroquiais do Apostolado da Oração: Estes grupos, nascidos da nossa tradição espiritual, estão presentes em paróquias e instituições religiosas. Têm sido essenciais para a missão da RMOP na oração de intercessão pelas intenções do Papa e na promoção da espiritualidade do Coração de Jesus. Estes grupos são uma parte visível e vital desta missão, preservando fielmente o tesouro espiritual que o Senhor nos confiou. Em muitos países, possuem uma estrutura diocesana e, em alguns casos, diretrizes ou regulamentos internos que os ajudam a organizar-se e a manterem-se fiéis à missão de compaixão da RMOP, aprofundando simultaneamente a sua fonte espiritual através do Caminho do Coração.
b) Centros do Movimento Eucarístico Juvenil (MEJ): A proposta juvenil da Rede de Oração do Papa tem a sua própria organização e pedagogia adaptada a crianças e jovens. O MEJ é um movimento internacional de formação cristã que lhes permite participar nesta dinâmica de oração e serviço enquanto aprendem a viver ao estilo de Jesus. A sua missão, organização e itinerário pedagógico estão descritos em documentos oficiais, como o Manual Internacional do MEJ, e inspiram-se na mesma espiritualidade da RMOP.
c) Outras Comunidades da RMOP: De forma semelhante, diversas comunidades eclesiais — cada uma preservando o seu próprio carisma e história única, quer associadas a uma paróquia, a uma congregação religiosa, a uma escola ou a outras instituições optam por participar como membros ativos da RMOP em contacto direto com o seu Secretariado Nacional. Vivem a espiritualidade do Coração de Jesus através do itinerário espiritual do Caminho do Coração. Estas comunidades caracterizam-se por uma vida partilhada de oração e um espírito de disponibilidade, reunindo-se regularmente para orar e servir em resposta às necessidades da sua realidade local. Assim, contribuem para a missão da Igreja ao abordarem os desafios da humanidade e as necessidades da Igreja, tal como expressos nas intenções de oração do Papa.
3. Outros Esclarecimentos sobre a Participação Comunitária
A equipa nacional da RMOP em cada país fornecerá recursos para integrar e fomentar a participação, incluindo convites para encontros; leitura partilhada e oração com o Caminho do Coração; participação nas atividades das Primeiras Sextas-feiras; celebrações do Corpo de Deus e da Solenidade do Sagrado Coração; e esforços para integrar as intenções de oração do Papa na vida quotidiana.
Aspetos-chave para todos os grupos que se adiram à RMOP (incluindo os grupos paroquiais existentes do Apostolado da Oração):
a) Adoção Voluntária: Convida-se os grupos a adotarem as diretrizes propostas, mas tal não é obrigatório, garantindo-se flexibilidade e respeito pela sua autonomia.
b) Ligação com a Rede: As diretrizes foram concebidas para ajudar os grupos a manterem-se ligados à Rede de Oração, tanto a nível nacional como global, participando em atividades em diversos níveis (diocesano, regional, nacional e internacional).
c) Respeito pela Tradição: Encoraja-se todos os grupos a abraçarem o dinamismo renovado da RMOP, ao mesmo tempo que honram a sua própria história e sensibilidade.
d) Apoio das Equipas Nacionais: A equipa nacional orientará e apoiará os grupos neste processo de integração, adaptando as propostas ao seu contexto específico e preservando a sua identidade particular.
PARTE IV SALVAGUARDA E PROTEÇÃO
PARTE IV
SALVAGUARDA E PROTEÇÃO
1. Base Metodológica
1.1. Um Padrão Comum Global
O Movimento Eucarístico Juvenil (MEJ) reconhece a salvaguarda de menores e adultos vulneráveis como uma prioridade global. O nosso manual oficial integral, “Política para a Salvaguarda e a Proteção de Menores e Adultos Vulneráveis” (PSPMVA, na sigla em inglês), foi desenvolvido em resposta ao convite do Papa para “oferecer propostas e iniciativas para melhorar as normas e procedimentos destinados a proteger as crianças e adultos vulneráveis” (Cf. 2015, Tutela Minorum). Este documento estabelece padrões mínimos e diretrizes de boas práticas para diretores, equipas e voluntários em todo o mundo, consolidando um padrão unificado de proteção e cuidado para crianças e jovens (até aos 18 anos) e adultos vulneráveis (maiores de 18 anos).
1.2. Um Guia para Adaptações Locais
A política contida neste manual, disponível nos cinco idiomas oficiais da RMOP, tanto em formato impresso como digital, deve ser adaptada aos contextos locais e servir de inspiração para documentos locais, os quais devem ser amplamente difundidos através de diversos meios, como folhetos e plataformas digitais. A sua implementação deve ser realizada conforme as leis nacionais de cada país e os protocolos das Províncias Jesuítas e/ou dioceses onde a RMOP opera.
1.3. Obrigatório para Todos os Responsáveis da RMOP
Todos os Diretores Nacionais da RMOP e os membros das Equipas Nacionais estão obrigados a assinar um formulário de cumprimento e conhecimento da PSPMVA a nível local, seguindo
os procedimentos do escritório nacional, e a aderir às recomendações nela contidas. Além disso, todo o pessoal do Movimento Eucarístico Juvenil (Diretores Nacionais da RMOP, Coordenadores Nacionais do MEJ, Coordenadores de Centros, membros do pessoal, líderes de equipa e voluntários, bem como parceiros, contratantes e consultores) deve estar familiarizado com as três secções deste protocolo e segui-las.
Os visitantes ocasionais dos grupos do MEJ não estão obrigados a assinar formalmente o manual, mas qualquer interação entre eles e os menores ou adultos vulneráveis deve ser supervisionada constantemente.
Da mesma forma, é crucial consciencializar os menores, pais, tutores legais e todas as pessoas envolvidas nas atividades educativas e pastorais.
2. Estrutura do Manual
A PSPMVA está estruturada em três secções complementares:
● Uma visão preventiva centrada na prevenção do abuso;
● Uma visão procedimental que detalha estratégias para abordar preocupações e denúncias;
● Uma visão formativa que proporciona capacitação para promover as melhores práticas.
● Concebido como referência para todos os grupos do Movimento Eucarístico Juvenil, o manual tem como objetivo fomentar uma cultura de cuidado e proteção.
2.1. Enquadramento Preventivo
A primeira secção deste manual centra-se na difusão de conceitos-chave relacionados com todas as formas de abuso, estabelecendo uma base para prevenir e reconhecer comportamentos abusivos, ao mesmo tempo que promove uma cultura de proteção e cuidado. Compreender as definições, identificar as dinâmicas de poder e distinguir entre práticas
funcionais e prejudiciais nas relações são aspetos essenciais para prevenir o abuso e proteger os menores e adultos vulneráveis em risco.
Esta secção oferece recursos fundamentais para a salvaguarda, incluindo definições de abuso (físico, sexual, psicológico); ações preventivas adaptadas a diferentes níveis de risco; boas práticas para garantir a transparência e evitar comportamentos prejudiciais; diretrizes para a criação de um Mapa de Riscos para os grupos do MEJ e os escritórios nacionais; normas para o uso de imagens e tecnologias de comunicação; e um código de conduta para a seleção, formação e contratação do pessoal do MEJ.
2.2.
Enquadramento Procedimental
Esta secção detalha o procedimento a seguir caso ocorra um caso de abuso dentro do ambiente do MEJ, enfatizando a necessidade de considerar tanto a Secção Legal como o Direito Canónico, além das leis específicas vigentes em cada país. Fornece uma descrição detalhada dos passos a seguir, desde a seleção de uma Pessoa de Contacto Designada até às diretrizes para gerir casos denunciados. No caso do Secretariado Internacional, esta pessoa pode ser contactada através do e-mail help@popesprayer.va e da nossa secção dedicada na página web.
Neste sentido, a secção inclui a Secção Legal, a Secção de Direito Canónico e a Secção Procedimental, dedicando especial atenção ao papel da Pessoa de Contacto Designada, incluindo a sua seleção, características e responsabilidades, além das diretrizes para a gestão de casos denunciados e o tratamento de casos de abuso que envolvam o clero.
2.3. Enquadramento Formativo
A secção formativa baseia-se na secção preventiva e aprofunda os conceitos fundamentais sobre o abuso, tais como as definições de abuso físico, psicológico e sexual. Também aborda fatores de risco e proteção, e fornece uma lista detalhada de sinais evidentes que podem indicar abuso.
Além disso, esta secção oferece orientação prática para organizar workshops destinados a capacitar o pessoal do Movimento Eucarístico Juvenil.
Em concreto, inclui:
● Definições, sinais e exemplos de diversos tipos de abuso, como abuso físico, psicológico e sexual, exploração sexual e negligência;
● Explicações sobre fatores de risco e proteção, incluindo os níveis individual, familiar e social;
● Identificação de sinais e fatores relacionados com o abuso, juntamente com mitos e o seu esclarecimento;
● Workshops práticos, que abrangem a seleção de facilitadores, planeamento e temas das formações.
ANEXO
1. As Origens do Apostolado da Oração
O Apostolado da Oração (AO) tem as suas raízes na intuição do P. François-Xavier Gautrelet, SJ (1807-1886), a 3 de dezembro de 1844, em Vals-près-le-Puy (França). Perante jovens jesuítas em formação, apaixonados pelas missões distantes mas necessitados de se concentrarem nos seus estudos, propôs um novo caminho: serem missionários através da oração e do oferecimento da vida quotidiana. Esta intuição espiritual, formalizada em 1849 em Toulouse, rapidamente ecoou entre os leigos desejosos de participar no impulso missionário da época.
O P. Henri Ramière, SJ (1821-1884), sucessor de Gautrelet, aprofundou esta intuição ao enraizá-la explicitamente na espiritualidade do Coração de Jesus. Em 1861, lançou a revista “O Mensageiro do Coração de Jesus”, que contribuiu para a expansão global da obra. Um ponto de viragem decisivo ocorreu em 1879, quando o Papa Leão XIII começou a confiar mensalmente intenções de oração ao AO, criando assim uma rede mundial de oração ao serviço da missão da Igreja. O P. Ramière é considerado o fundador do AO tal como o conhecemos hoje.
Esta espiritualidade do Coração de Jesus, iluminada pelos Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loiola, caracterizada pela oração de oferecimento diário unida às intenções do Papa que expressam os desafios da Igreja e do mundo é o fundamento espiritual da nossa missão.
19 Baseado num texto do P Frederic Fornos, SJ
2. O Contributo dos Superiores Gerais da Companhia de Jesus
No final do século XX, a Companhia de Jesus promoveu uma renovação da espiritualidade do Coração de Jesus e do Apostolado da Oração. Um momento significativo ocorreu a 9 de junho de 1972, quando o P. Pedro Arrupe, SJ (1907-1991), Superior Geral, consagrou a Companhia ao Coração de Cristo.
Nas suas palavras fundamentais para compreender esta renovação, o P. Arrupe afirmou: “É vivendo intensamente o espírito dos Exercícios que o compromisso de viver e oferecer a nossa oração e trabalho em união com o Coração de Cristo surge como uma urgência apostólica inevitável, realizando assim uma existência intimamente centrada em Cristo e na Igreja. O Apostolado da Oração vivificou e continua a vivificar aperspetivasacerdotalde tantas vidas cristãs, permitindo-lhes realizar-se na oferenda eucarística de Cristo e na consagração do mundo a Deus. Este meio do Apostolado da Oração, que tanto ajudou o povo de Deus, podehoje, renovadoeadaptado, prestarumserviçonovoe alargado”.
Este impulso de renovação teve continuidade com os seguintes Superiores Gerais: o P. Peter-Hans Kolvenbach, SJ (1983-2008), o P. Adolfo Nicolás, SJ (2008-2016) e, atualmente, o P. Arturo Sosa, SJ, que mantiveram o compromisso de atualizar e aprofundar esta obra em sintonia com as necessidades da Igreja contemporânea.
3. O Papa Francisco Institui o AO como Obra Pontifícia
Já em 1986, o Papa João Paulo II confirmou a Companhia de Jesus na sua missão de difundir a devoção ao Coração de Cristo através do Apostolado da Oração, pedindo-lhes para “encontrar os meios mais adequados para a apresentar e praticar, para que o homem de hoje, com a sua própria mentalidade e sensibilidade,
descubra nela a verdadeira resposta às suas perguntas e expectativas”.
O P. Adolfo Nicolás, SJ, Superior Geral da Companhia de Jesus de 2008 a 2016, promoveu a reflexão e o aprofundamento da tradição espiritual do Apostolado da Oração para iniciar a sua recriação. Em 2014, chamou o P. Frédéric Fornos, SJ a Roma para levar a cabo este processo. Como Coordenador Europeu, este já fazia parte da equipa internacional que desenvolveu o documento detalhando os passos desta recriação. Tinha sido diretor nacional do AO em França, local onde o Apostolado da Oração nasceu há 170 anos, e, juntamente com uma equipa, começaram a renovar esta obra.
Desde o início, o Papa Francisco apoiou esta recriação, aprovando o processo em 2014 para enfatizar que a oração é o coração da missão da Igreja. Em 2016, nomeou o P. Fornos, SJ como diretor internacional, com a missão de acompanhar a transformação institucional desta obra. Em 2018, aprovou os Estatutos que estabeleceram a Rede como uma Obra Pontifícia, sublinhando o caráter universal desta missão e mobilizando os católicos através da oração e do serviço em resposta aos desafios da humanidade e à missão da Igreja (intenções de oração do Papa).
Com estes Estatutos, também se declarou que esta Obra Pontifícia inclui uma proposta juvenil, o Movimento Eucarístico Juvenil (MEJ), e estabeleceu-se que os Grupos Paroquiais do Apostolado da Oração são uma modalidade de participação nesta Rede, a par de outras formas como Comunidades da Rede de Oração, Paróquias, Santuários e diversos grupos, além da participação individual.
Em 2020, o Papa Francisco estabeleceu a Rede Mundial de Oração do Papa como uma entidade jurídica canónica e vaticana, com sede no Estado da Cidade do Vaticano, por um período de três anos adexperimentum. A 1 de julho de 2024, ano
dedicado à oração, o Santo Padre aprovou os estatutos definitivos desta Obra Pontifícia.
4. Cronologia de Outros Acontecimentos Significativos da RMOP
Na secção anterior, abordaram-se datas significativas relacionadas com a transformação institucional do Apostolado da Oração, que levaram à criação da Obra Pontifícia. De seguida, destacam-se datas importantes relacionadas com o desenvolvimento concreto da RMOP nos últimos anos, refletindo a sua modernização e adaptação aos desafios contemporâneos, mantendo-se fiel à sua missão original:
● 11 de julho de 2014: O Papa Francisco aprova o processo de recriação do Apostolado da Oração, descrito no documento “Um caminho com Jesus, em disponibilidade apostólica”. Este documento estabelece o Apostolado da Oração como a sua Rede Mundial de Oração.
● 4–10 de agosto de 2015: Centenário do Movimento Eucarístico Juvenil (MEJ), com 1400 jovens de 35 países. Um encontro internacional em Roma marca uma etapa na integração internacional do MEJ, incluindo uma audiência com o Papa Francisco na qual é apresentado o projeto Click To Pray.
● 2016: Lançamento de “O Vídeo do Papa” em janeiro e do “Click To Pray” em março, para apoiar as intenções de oração durante o Jubileu da Misericórdia e o processo de recriação da obra.
● Fevereiro de 2018: Publicação do primeiro Manual Internacional do MEJ, que apresenta pela primeira vez o fundamento espiritual comum e a pedagogia do MEJ internacional.
● Janeiro de 2019: O Papa Francisco abre o seu perfil pessoal de oração no “Click To Pray”, que se torna a sua terceira plataforma social oficial. Reconhece também oficialmente esta plataforma como uma ferramenta de oração para a Jornada Mundial da Juventude.
● 28–29 de junho de 2019: Celebração do 175.º aniversário do Apostolado da Oração e do 10.º aniversário do seu processo de recriação, com um encontro internacional em Roma e uma audiência com o Papa Francisco, com a participação de delegações de 51 países e mais de 6500 pessoas.
● Maio de 2020: Lançamento da plataforma de formação “O Caminho do Coração”, que atualiza a devoção ao Coração de Jesus para o nosso tempo. A plataforma em espanhol oferece conteúdos abundantes (86 vídeos, 86 áudios, 350 infografias, 11 livros digitais).
● 19 de outubro de 2021: Apresentação do Click To Pray 2.0 e do site de oração pelo Sínodo, em colaboração com a Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos e a União Internacional de Superioras Gerais.
● 27 de dezembro de 2023: Início do Jubileu do Sagrado Coração de Jesus, por ocasião do 350.º aniversário das aparições a Santa Margarida Maria Alacoque, cujo diretor espiritual foi São Cláudio de la Colombière, SJ. O Santuário de Paray-le-Monial une-se à Rede Mundial de Oração do Papa.
● 1 de setembro de 2024: Bettina Raed é nomeada Vice-Diretora Internacional da Rede Mundial de Oração do Papa.
● 1 de janeiro de 2025: P. Cristóbal Fones, SJ, assume o cargo de Diretor Internacional da Rede Mundial de Oração do Papa.
● 1 de julho de 2025: P. Miguel Melo, SJ, é nomeado Vice-Diretor Internacional da Rede Mundial de Oração do Papa.
Estes acontecimentos marcam a evolução progressiva da RMOP para uma organização dinâmica e moderna, alinhada com as necessidades espirituais do século XXI. A chegada de uma nova equipa de direção executiva em 2024-2025 assinala o início de uma nova etapa para esta obra pontifícia, preparada para enfrentar os desafios futuros, preservando, ao mesmo tempo, o seu legado espiritual.
A história da refundação do Apostolado da Oração é um testemunho vivo de como o Espírito do Senhor nos guiou ao longo deste processo, surpreendendo os nossos caminhos e desafiando-nos a não ser obstáculos, mas a abrir-nos plenamente à sua ação transformadora. Este caminho de recriação não foi meramente um esforço humano, mas uma resposta ao chamamento do Espírito para renovar e revitalizar a nossa missão.
O discernimento em equipa e a oração foram fundamentais.
Através deles, procurámos escutar e deixar-nos conduzir pelo Senhor, confiando que Ele nos leva até onde podemos servir melhor nesta missão de compaixão pelo mundo. Esta experiência espiritual concretizou-se no Regulamento Geral que agora apresentamos, um documento que articula com clareza a identidade, a natureza e a missão da nossa obra, bem como as suas modalidades organizativas.
Este regulamento é o fruto maduro de um caminho de conversão pessoal e institucional. Oferece-nos uma bússola para navegar na missão que nos foi confiada. Confiamos que, seguindo este caminho, continuaremos a viver fielmente a missão que nos foi encomendada pela Santa Sé, ao serviço dos desafios da humanidade e da missão da Igreja, sempre unidos pelo Coração de Jesus.
Para mais informações, visite: popesprayer.va/resources