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HSH – prevenção combinada e gestão do risco Maria Amelia de S.M. Veras Departamento de Saúde Coletiva da FCMSCSP


Esta apresentação • Definições • Cenário

• Abordagens possíveis • Contexto global e local

• Agência e autonomia • Contexto e estrutura importam • Considerações finais


Cenรกrio

Joint United Nations Programme on HIV/AIDS (UNAIDS). Fast-track: ending the AIDS epidemic by 2030. 2014.


Cenรกrio

Joint United Nations Programme on HIV/AIDS (UNAIDS). Fast-track: ending the AIDS epidemic by 2030. 2014.


Prevenção Combinada - Definição • "O uso estratégico, simultâneo, de diferentes classes de atividades de prevenção (biomédica, comportamental, social / estrutural) que operam em múltiplos níveis (individual, nas relações, na comunidade, na sociedade), para responder às necessidades específicas de públicos específicos e modos de transmissão do HIV e fazer uso eficiente de recursos através de priorização, parceria e engajamento das comunidades afetadas “. UNAIDS (2010)

UNAIDS Prevention Reference Group definition. From UNAIDS Taxonomy of HIV Prevention Activities. Discussion draft for UNAIDS HIV Prevention Reference Group meeting. 2009 March 2–4;


Prevenção Combinada – Abordagens possíveis • Pacotes com intervenções biomédicas, comportamentais e estruturais, baseadas em evidências, devem ser montados para serem adequados, aceitáveis, e entregues para populações, com altos níveis de cobertura e aderência. • Estes pacotes de prevenção devem compreender os fatores de risco a que são expostos indivíduos, casais, e a comunidade, incluindo práticas sexuais ou o compartilhamento de agulhas, tendo em conta o contexto epidemiológico Kurth, et al. Curr HIV/AIDS Rep. 2011


Prevenção Combinada – características A prevenção combinada será mais eficiente na medida em que consiga reduzir a infectividade das pessoas portadoras do HIV e prevenir a infecção nas pessoas não infectadas Kurth, et al. Curr HIV/AIDS Rep. 2011


Prevenção Combinada – prevenir a infecção

Intervenções biomédicas: uso de medicamentos ou outras tecnologias como é o caso da profilaxia antirretroviral pré e pós-exposição (PrEP e PEP) ao HIV


Prevenção Combinada – reduzir a infectividade de pessoas infectadas • Testar e tratar • Ligar aos serviços de saúde • TcP: Manter CV indetectável

• Reduzir práticas sexuais desprotegidas – uso do preservativo • Tratamento de outras DST • Redução de danos para pessoas que usam drogas


Prevenção Combinada – prevenir a infecção • Intervenções comportamentais: conhecimento, atitudes e práticas efetivas na redução da exposição sexual, prevenção e tratamento de outras DST. • Comunicação efetiva, redução da compensação de risco, manutenção da adesão e oportunidades de ensino-aprendizado vinculadas às demais intervenções em saúde . 4


Behavioral Intervention

Harm reduction for PWIDs Oral PrEP

Post Exposure prophylaxis (PEP)

HIV STRUCTURAL PREVENTION HIV PREVENTION

Treatment as Mobile prevention Technologies (TasP)

STI Treatment

Male Condoms HIV VCT Coates T, Lancet 2000 Sweat M, Lancet 2011

Positive Lifestyles


Em síntese... • Dispomos de tecnologia e conhecimento sobre o que deve ser feito. • O que falta? Qual é o desafio? • Definir o que, onde, como, para quem e por quem


Contexto da epidemia entre HSH – mundo 2014 O impacto da estigmatização de homens que fazem sexo com homens (HSH), particularmente jovens, ficou claro nos resultados de uma pesquisa telefônica mundial entre HSH. Glenn-Milo Santos (Universidade da Califórnia, San Francisco, San Francisco, EUA) . Atitudes sociais negativas para com a homossexualidade percebida como o maior preditor de autorrelato de falta de serviços de prevenção do HIV, entre jovens HSH. Pesquisas no Malawi e na Índia encontraram medo generalizado entre HSH de revelar sua sexualidade e o efeito negativo associado sobre o seu bem-estar e aumento das taxas de transmissão do HIV. AIDS2014_Summary_Report_Dec2014.pdf


Contexto da epidemia entre HSH – Brasil 2014 Taxas elevadas de prevalência do HIV em HSH jovens, indicando infecções recentes (conscritos, RDS e Sampa Centro); Tendência de aumento das práticas sexuais desprotegidas (PCAP-BR 2013 e PCAP-SP 2014)


Contexto da epidemia entre HSH – Brasil 2013


Contexto da epidemia entre HSH – São Paulo 2009 Figura 5 - Tendência dos casos de aids em adultos do sexo masculino segundo categoria de exposição, estado de São Paulo, 2005 a 2009* HSH**

Hetero

UDI***

Linear (HSH**)

Linear (Hetero)

Linear (UDI***)

2.000

y = -69x + 1880 r2 = 0,84; p= 0,023

1.800 1.600 1.400

Nº de casos

1.200

y = 12x + 1238,2 r2 = 0,08; p= 0,327

1.000 800 600 400 200

y = -74x + 619,1 R2 = 0,97; p< 0,001

0 2005

2006

2007 Ano de diagnóstico

Fonte: SINAN - Vigilância Epidemiológica - Programa Esatual DST/Aids-SP (VE-PEDST/Aids-SP) Notas: * Dados preliminares até 30/06/2011 **HSH - Homens que fazem sexo com homens ***UDI - Uso de drogas injetáveis

2008

2009


Estimativas de prevalência HIVmulheres trans

North America

South America Europe

South Asia

• 3% to 68% MTFs • 0% to 2% FTMs

Projeto Muriel: • 27.6% to 37.1 % Prevalência autoreferida: • 11.5% - 57% 23%

• 2% to 45.2%


Teste: onde tudo começa Projeto SampaCentro – SP: Fatores que dificultam que gays, outros HSH e travestis façam o teste anti-HIV

Dificuldades na testagem do HIV

N

%

Medo de saber que é positivo

663

54,6

Medo da discriminação

174

14,3

107

8,8

106

8,8

72

5,9

Medo que as pessoas pensem que quem está fazendo o teste seja HIV+ Medo de ser visto no local do teste Não achar que está em risco de ser infectado

PACP-SP: 35% testados alguma vez na vida


Desconhecimento Projeto SampaCentro – São Paulo Formas/estratégias de prevenção utilizadas Formas de prevenção

N

%

Preservativo e/ou gel lubrificante

1107

91,2

Seleciona os parceiros É fiel

262 154

21,6 12,7

Faz teste de HIV regularmente

154

12,7

Reduz o número de parceiros

147

12,1

Confia no(s) parceiro(s)

117

9,6

Opta por práticas de menor risco

98

8,1

Abstinência sexual Faz apenas sexo oral Nenhuma

55 49 27

4,5 4,0 2,3

Usa medicamentos para HIV após exposição

18

1,3

Usa medicamentos para HIV antes da exposição

16

1,3

RM Espontânea


Prevenção Combinada – de que comunidade estamos falando?

Comunidade

como

Identidade

Comunidade

como

Localidade

Comunidade

como

Solidariedade

Aggleton and Parker. American Journal of Public Health August 2015.


Prevenção Combinada – de que comunidade estamos falando? Comunidades gays locais ajudaram a estruturar as redes sexuais através das quais o vírus se move, mas, ao mesmo tempo lançaram as bases para responder positivamente à epidemia através da comunidade e mobilização política. O que às vezes é descrito como uma única comunidade gay ou trans é composta de várias sub-comunidades heterogêneas, que podem ou não podem ser ligadas entre si, quer através de identidade ou através da solidariedade. Aggleton and Parker. American Journal of Public Health August 2015.


Agência ou autonomia • Agência “Se os homens homossexuais literalmente inventaram o sexo com camisinha muito antes do vírus ser identificado, eles, depois inventaram a segurança negociada, escolha com base no status sorológico, posicionamento estratégico, e muitas outras estratégias para gerir o risco e ainda garantir que o sexo permanecesse emocionante e prazeroso.” Aggleton and Parker. American Journal of Public Health August 2015

• Autonomia? Em contexto de discriminação...


Aspectos chaves da Estratégia National de prevenção do HIV - Kenya HIV Prevention Revolution Road Map

The Lancet 2015 386, 171-218DOI: (10.1016/S0140-6736(15)60658-4)


AIDS and global health framework

The Lancet 2015 386, 171-218DOI: (10.1016/S0140-6736(15)60658-4)


Pessoas à frente • A estratégia de prevenção combinada pressupõe que não há um único método ou tecnologia que sirva para todos em todos os contextos

• Portanto, requer a possibilidade de escolha. Falamos de projetos terapêuticos singulares, de clínica ampliada, temos que falar de projetos de prevenção singulares, baseados nas necessidades individuais • Se o território é a esfera da política pública, as pessoas são a esfera dos profissionais


CONSIDERAÇÕES FINAIS • Ampliar o acesso e expandir programas de prevenção, testage, incluindo auto-testes, tratamento, cuidado e apoio; • Ampliar esforços de advocacy, conscientização, engajamento de lideranças, incluindo formuladores de políticas públicas, discussão, debates,cobertura de mídia, campanhas públicas, educação, organização de conferências, pesquisas, compartilhamento de informações (especialmente relativas à prevenção do HIV e ao tratamento) aumento do financiamento e eliminação da discriminação.


CONSIDERAÇÕES FINAIS • Aumento da colaboração e novas parcerias em todos os níveis da resposta ao HIV / aids • Novos projetos, programas e iniciativas de estudos e pesquisas no âmbito da prevenção • Inserção da população de pessoas vivendo com HIV e da sociedade civil nas decisões • Identificar e estimular comunidades de solidariedade. • O contexto não é simples, mas temos horizontes!


Suplemento da Revista Brasileira de Epidemiologia


Grata Aos componentes do grupo de pesquisa: Saúde, sexualidade e direitos humanos da população LGBT.

Aos parceiros de pesquisa, em especial ao CRTDST/AIDS E aos participantes dos nossos estudos com quem aprendemos todos os dias

maria.veras@gmail.com

Hsh prevenção combinada e gestão do risco maria amelia de s m veras  
Hsh prevenção combinada e gestão do risco maria amelia de s m veras  
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