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PROJETO REFAZENDA Apostila de Capacitação Técnica e Operacional para Viveiros de Mudas de Espécies Nativas da Mata Atlântica e PRADs

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Realização Agência Ambiental Pick-upau Financiamento Fundo Nacional do Meio Ambiente – FNMA Ministério do Meio Ambiente – MMA Apoio Terra Indígena Guarani Mbya Tenonde Porã Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade de São Paulo CIENTEC/USP

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SUMÁRIO

Parte 1: Conteúdo Genérico - Introdução à Mata Atlântica - Noções básicas de solos - Climatologia: noções básicas do clima - Hidrografia do Brasil - Mananciais - Coleta Seletiva - Empreendedorismo em negócios sustentáveis

09 11 14 16 20 22 23

Parte 2: Conteúdo Técnico - Escolha das embalagens - Escolha do substrato - Compostagem para utilização em substrato - Colheita ou aquisição de sementes (matrizes) - Beneficiamento, armazenagem e teste de germinação - Dormência de sementes (quebra) - Preparo das embalagens - Semeadura, repicagem e desbaste - Adubação e irrigação - Controle fitossanitário, rustificação e expedição - Poda da copa - Poda das raízes - Monda - Moveção ou dança - Raleio (sacos plásticos) e alternagem (tubetes) - Seleção - Biodiversidade e manejo e pragas - Indicadores de qualidade da muda

29 31 33 40 44 48 49 51 53 56 57 57 58 59 60 60 62 65

Parte 3: Plano de Recuperação de Áreas Degradadas - PRAD - Área degradada e degradação ambiental - Recuperação, reabilitação e restauração ambiental - Plano de Recuperação de Áreas Degradadas - PRAD - Como fazer um reflorestamento

70 72 73 74

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Parte 4: Anexos - Resolução SMA nº 068 de 19 de setembro de 2008

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- Resolução SMA nº 021 de 21 de novembro de 2001

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- Espécies nativas da mata atlântica do Estado de São Paulo

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- Glossário - Bibliografia

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- Créditos

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Introdução à Mata Atlântica Originalmente a Mata Atlântica ocupava 15% território brasileiro, se estendendo de forma contínua por cerca de 1.400.000 km², era considerada a segunda maior floresta do Brasil. Percorria toda a costa atlântica com largura variável, desde o Rio Grande do Norte até o Rio Grande do Sul, se desenvolvendo na Região sudeste em direção ao interior e atravessando as fronteiras com o Paraguai e a Argentina.

A Mata Atlântica é uma das florestas mais ameaçadas do planeta.

Porém, atualmente apenas 7% do seu tamanho original ainda estão intacto, isso se deve a ocupação e a exploração desordenada dos seus recursos naturais, que vem desde a época da colonização com a retirada do pau-brasil. Essa espécie que é endêmica da região sofre até hoje com a sua exploração e corre grande risco de extinção assim como o bioma Mata Atlântica.

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A História do país se iniciou nesse bioma e hoje vivem cerca de 120 milhões de pessoas. Além disso, a maior parte do pólo industrial, químico, petroleiro, portuário e turístico do Brasil estão em seus domínios. Por causa da sua exuberância, os primeiros europeus e naturalistas que chegaram aqui ficaram fascinados, mas ao mesmo tempo temiam o que poderiam encontrar pela frente ao adentrar a mata. A definição da Mata Atlântica é de acordo com o Art. 3º do Decreto Lei 750/93 “considera-se Mata Atlântica as formações florestais e ecossistemas associados inseridos no domínio Mata Atlântica, com as respectivas delimitações estabelecidas pelo Mapa de Vegetação do Brasil, IBGE 1988: Floresta Ombrófila Densa Atlântica, Floresta Ombrófila Mista, Floresta Ombrófila Aberta, Floresta Estacional Semidecidual, Floresta Estacional Decidual, manguezais, restingas, campos de altitude, brejos interioranos e encraves Florestais do Nordeste.” Antes da sua exploração, todos esses ecossistemas se interligavam formando um contínuo, que hoje se apresentam em pequenos fragmentos florestais espalhados pelo território brasileiro. É na Serra do Mar entre o sul do Rio de Janeiro e norte do Paraná que se encontram os maiores fragmentos e no nordeste os menores (OLIVEIRA et al, 2009). As temperaturas nesse bioma são sempre elevadas, sendo classificadas como equatorial ao norte e temperado sempre úmido ao sul. As regiões de serra possuem alto índice pluviométrico, por causa das barreiras de contenção para os ventos que vem do mar. Possui alta biodiversidade (uma das maiores do planeta), com altos índices de endemismo e diversas espécies em extinção. Seu solo é pobre e seu relevo é bastante acidentado. (OLIVEIRA et al, 2009) Um dos maiores destaque desse bioma são as árvores que podem chegar a 40 metros de altura e 4 metros de diâmetro, como o Jequitibá-rosa. Algumas outras espécies também se destacam como o Pinheiro-do-paraná, o Cedro, as Figueiras, os Ipês e o Pau-brasil. Além disso, a Mata Atlântica ainda possui as chamadas matas de altitude como a Serra do Mar com 1.100 metros e a Itatiaia com 1.600 metros, geralmente a neblina nesses locais é constante.

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O que também impressiona é a riqueza faunística que ela possui, porém a maior parte dos animais endêmicos da Mata Atlântica corre sério risco de extinção. Como é o caso da Onça-pintada, Micos-leões, Lontra, Arara-azulpequena, Tatu-canastra, entre outros. A atual situação da Mata Atlântica é grave, estudos mostram que por causa do seu alto grau de fragmentação ela pode desaparecer de vez, fato que traria prejuízos imensuráveis tanto para fauna e flora como para a população que sobrevive em seus domínios, pois é ela que regula o clima, a temperatura, o regime das chuvas, protege nascentes de rios e encostas de morros e gera fertilidade do solo. Devido a tudo isso é necessário uma mobilização tanto do poder público quanto da população em prol da sua recuperação e conservação. No intuito de regulamentar sua proteção e seu uso sustentável, foi criada a lei nº 11.428 de 22 de dezembro de 2006 que dispõe sobre a utilização e proteção da vegetação nativa do Bioma Mata Atlântica.

Noções básicas de solo O solo é um meio complexo e heterogêneo, produto de alteração do remanejamento e da organização do material original (rocha, sedimento ou outro solo), sob a ação da vida, da atmosfera e das trocas de energia que aí se manifestam, e constituído por quantidades variáveis de minerais, matéria orgânica, água da zona não saturada e saturada, ar e organismos vivos, incluindo plantas, bactérias, fungos, protozoários, invertebrados e outros animais.

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Funções do solo • sustentação da vida e do "habitat" para pessoas, animais, plantas e outros organismos; • manutenção do ciclo da água e dos nutrientes; • proteção da água subterrânea; • manutenção do patrimônio histórico, natural e cultural; • conservação das reservas minerais e de matérias primas; • produção de alimentos; e • meio para manutenção da atividade sócio-econômica. Propriedades O solo é constituído por três fases: sólida, líquida e gasosa. A fase sólida é constituída pelo material parental (rocha) local ou transportado e material orgânico, originário da decomposição vegetal e animal. A fase líquida, a água ou a solução do solo (elementos orgânicos e inorgânicos em solução), e a fase gasosa, de composição variável, de acordo com os gases produzidos e consumidos pelas raízes das plantas e dos animais (CO² e O²).

Na produção de mudas e nos PRADs é muito importante conhecer o solo.

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As propriedades físicas, químicas e biológicas do solo são determinadas pelo processo geológico de sua formação, origem dos minerais, e sua evolução de acordo com o clima e o relevo do local, além dos organismos vivos que o habitam. Dependendo da espécie mineralógica que deu origem e dos mecanismos de intemperismo e transporte, o solo apresenta diferentes conteúdos das frações: areias, siltes ou argilas. O tamanho relativo dos grãos do solo é chamado de textura e sua medida de granulometria (escala granulométrica), para classificação da textura dos solos. Os horizontes dos solos, ou seja, camadas que se diferenciam entre si são formados a partir da modificação do material original, por meio dos processos de intemperismo, apresentando diferentes colorações de acordo com o grau de hidratação do ferro, dos teores de cálcio e óxido de silício, além do teor de matéria orgânica nas camadas superficiais. O perfil do solo é então, o conjunto dos horizontes e/ou camadas que abrangem, verticalmente, desde a superfície até o material originário. Os solos apresentam grande variedade ao longo de uma mesma região e entre diferentes regiões. Os solos tropicais são mais profundos e mais quentes que os solos de clima temperado. Possuem mais alumínio que sílica e apresentam uma capacidade de troca catiônica - CTC- menor que os solos formados em clima temperado. A decomposição da matéria orgânica é mais rápida e as plantas absorvem mais água em comparação aos solos de clima temperado. Como há maior lixiviação de cátions em solos ácidos, arenosos, com baixo teor de matéria orgânica e baixa CTC, há maior possibilidade de uma substância atingir a água subterrânea. A vegetação que cresce nesses solos tem capacidade de absorver poluentes e muitas vezes produzir safras aparentemente normais, mas que podem apresentar riscos ao consumo humano e de outros animais. O tipo de material constituinte e sua granulometria influem nas propriedades do solo e nos mecanismos de atenuação e transporte de poluentes.

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As propriedades físicas do solo (textura, estrutura, densidade, porosidade, permeabilidade, fluxo de água, ar e calor) são responsáveis pelos mecanismos de atenuação física de poluentes, como filtração e lixiviação, possibilitando ainda condições para que os processos de atenuação química e biológica possam ocorrer. O movimento da água nos solos se dá em um meio poroso heterogêneo, onde o tamanho, a forma e as conexões entre os vazios do solo e a viscosidade do fluído determinam a velocidade de passagem. Assim, o transporte e mobilidade de poluentes no solo dependem também da forma e tamanho das partículas que compõem um dado solo, assim como do seu grau de compactação.

Climatologia: noções básicas do clima O Brasil é um país de dimensões continentais, sendo atravessado na região norte pela Linha do Equador e ao sul pelo Trópico de Capricórnio, situado quase que totalmente na zona de latitudes baixas, chamada de zona intertropical, local onde prevalece clima quente e úmido com temperaturas médias de 20°C e alta luminosidade (insolação) (MENDONÇA, 2007). A diversidade nas formas do relevo, a altitude, a dinâmica das correntes e massas de ar possibilitam a formação de uma considerável variedade de tipos de clima, fato que influencia diretamente na formação de um rico e diversificado mosaico de paisagens naturais (MENDONÇA, 2007).

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Os tipos de clima do Brasil Podemos verificar no Brasil desde climas superúmidos quentes, como ocorre na região Amazônica, até climas semi-áridos muito fortes, como é o caso do sertão nordestino. Arthur Strahler, estudioso do assunto criou uma classificação climática baseando-se na origem, natureza e movimentação das correntes marítimas.

Muita neblina: Um dia típico na região de Mata Atlântica.

Sendo assim a classificação dos tipos de clima do Brasil fica da seguinte forma:  Clima Subtropical: possui como característica principal verões quentes e úmidos e invernos frios e secos. A temperatura gira em torno de 14° a 25°C e a chuva é intensa nos meses de novembro a março com índice pluviométrico anual de cerca de 2000 mm. Esse clima é típico da região sul dos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

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 Clima Semi-árido: as temperaturas são altas o ano todo, média de 26°C, possui baixa umidade já que a chuva é escassa e irregular. Clima típico do sertão nordestino.  Clima Equatorial: a principal característica é a grande quantidade de chuva, o índice pluviométrico é de 1700 a 3000 mm anuais. A temperatura é alta praticamente o ano todo, em torno de 24°C a 26°C. Típico da região Norte.  Clima Tropical: Alto índice pluviométrico e de umidade, cerca de 1.500mm por ano. A temperatura média é de 25°C, abrange toda a porção central do país. Possui estações bem definidas, com verões chuvosos e inverno seco.  Clima Tropical de altitude: Possui verão chuvoso e no inverno sofre influência de massas de ar frias vindas pelo Oceano Atlântico, podendo até gear em alguns locais. A temperatura gira em torno de 30°C a 36°C no verão e 6°C a 20°C no inverno, ocorrendo no Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, norte do Paraná e extremo sul do Mato Grosso do Sul.

Hidrografia do Brasil A rede hidrográfica brasileira é constituída por rios navegados em corrente livre e por hidrovias geradas pela canalização de trechos de rios, além de extensos lagos isolados, criados pela construção de barragens para fins exclusivos de geração hidrelétrica.

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Alguns dos rios da Amazônia e do Centro-Oeste foram melhorados pela dragagem de seus baixios, mas a maioria dos rios navegáveis destas regiões é natural. Nas regiões Sudeste e Sul, vários rios foram canalizados, o que permitiu o aumento da capacidade de tráfego dessas hidrovias e da confiabilidade do transporte fluvial. A rede hidrográfica brasileira tem elevadas condições de umidade na maior parte do território nacional, sendo considerada como a mais densa do planeta.

Rio Taquari, Mato Grosso do Sul, região centro-oeste do Brasil.

Algumas características da hidrografia do Brasil  

Rica em rios, mas pobre em lagos. O regime de alimentação dos rios brasileiros é pluvial, não se registrando a ocorrência de regimes nival ou glacial, sendo apenas o Rio Amazonas um dependente do derretimento da neve da Cordilheira dos Andes, mas a sua alimentação provém basicamente de chuvas. O período das cheias dos rios brasileiros é no verão, com algumas exceções no litoral do nordeste. Grande parte desses rios é perene; apenas alguns que nascem no sertão nordestino são intermitentes.

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O destino dos rios brasileiros é exorréico, ou seja, deságua no mar. Devido ás elevadas altitudes na porção ocidental da América do Sul, os rios brasileiros vão todos desaguar no Oceano Atlântico. Mesmo os que correm para oeste fazem a curva ou deságuam em outro rio que irá em direção ao oceano. Na produção de energia elétrica, o uso dos rios é muito intenso. Aproximadamente cerca de 90% da eletricidade brasileira provém dos rios. Seu potencial hidráulico vem de quedas d’água e corredeiras, dificultando a navegabilidade desses mesmos rios. Na construção da maioria das usinas hidrelétricas, não foi levado em conta a possibilidade futura de navegação, dificultando o transporte hidroviário.

Bacias Hidrográficas É a área ocupada por um rio principal e todos os seus tributários, cujos limites constituem as vertentes, que por sua vez limitam outras bacias. No Brasil, a predominância do clima úmido propicia uma rede hidrográfica numerosa e formada por rios com grande volume de água. As bacias hidrográficas brasileiras são formadas a partir de três grandes divisores:   

Planalto Brasileiro Planalto das Guianas Cordilheira dos Andes

Ressaltam-se oito grandes bacias hidrográficas existentes no território brasileiro; a do Rio Amazonas, do Rio Tocantins, do Atlântico Sul, trechos Norte e Nordeste, do Rio São Francisco, as do Atlântico Sul, trecho leste, a do Rio Paraná, a do Rio Paraguai e as do Atlântico Sul, trecho Sudeste.

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Bacias Hidrográficas Brasileiras

Bacia Hidrográfica

População

Área 3

2

(10 Km )

Vazão

% Em 1996

3

%

(m /s)

Disponibilidade Hídrica (Km3/ano)

Amazonas

3900

45,8

6.687.893

4,3

133.380

4.206,27

Tocantins

757

8,9

3.503.365

2,2

11.800

372,12

Atlântico Norte

76

0,9

406.324

0,3

3.660

115,42

953

11,2

30.846.744

19,6

5.390

169,98

São Francisco

634

7,4

11.734.966

7,5

2.850

89,98

Atlântico Leste 1

242

2,8

11.681.868

7,4

680

21,44

Atlântico Leste 2

303

3,6

24.198.545

15,4

3.670

115,74

Paraguai

368

4,3

1.820.569

1,2

1.290

40,68

Paraná

877

10,3

49.294.540

31,8

11.000

346,90

Uruguai

178

2,1

3.837.972

2,4

4.150

130,87

Atlântico Sudeste

224

2,6

12.427.377

7,9

4.300

135,60

Brasil

8512

100 157.070.163 100 182.170

Atlântico Nordeste

5.744,91

Fonte: Superintendência de Estudos e Informações Hidrológicas – ANEEL; População – IBGE, 1998

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Mananciais: O que é um manancial Os mananciais representam as águas subterrâneas, fluentes, emergentes ou em depósito, efetiva ou potencialmente utilizáveis para o abastecimento público (BARROS, 1995). Desse modo, rios, córregos, reservatórios etc. que sejam responsáveis pelo abastecimento de água da população fazem parte dos mananciais. Os mesmos são protegidos por lei e seu uso para o abastecimento público é tido como prioritário, acima de qualquer outro interesse. As Áreas de Proteção aos Mananciais podem ser definidas como toda a extensão territorial que se encontra ao redor dos mananciais, normalmente a bacia hidrográfica, potencialmente disponível para o abastecimento de água da população (BARROS, 1995).

Represa Billings: Área de manancial na cidade São Paulo.

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Os mananciais têm a fundamental função de abastecer as populações com água potável, de forma sustentável (Barros, 1995). A parcela de água existente no planeta mais facilmente utilizável para consumo é muito pequena. Por esse motivo, a preservação dos recursos hídricos é essencial para a garantia da qualidade da água consumida pelas populações. Os mananciais disponíveis podem ser divididos em três grandes grupos: a) Manancial superficial: constituído pelos cursos d’água (córregos, rios, lagos, represas etc.) e, como o nome indica, tem o espelho na superfície do terreno. b) Manancial subterrâneo: é aquele cuja água vem do subsolo, podendo aflorar à superfície (nascentes, minas etc.), ou ser elevado à superfície através de obras de captação (poços rasos, poços profundos, galerias de infiltração). As reservas de água subterrânea provêm de dois tipos de lençol d’água ou aqüífero: - Lençol Freático: é aquele em que a água se encontra livre, com sua superfície sob a ação da pressão atmosférica. Em um poço perfurado nesse tipo de aqüífero, a água no seu interior terá o nível coincidente com o nível do lençol. A alimentação do lençol freático ocorre geralmente ao longo do próprio lençol. - Lençol confinado: é aquele em que a água se encontra confinado por camadas impermeáveis e sujeita a uma pressão maior que a pressão atmosférica. Em um poço profundo, que atinge esse lençol, a água subirá acima do nível do lençol. c) Água de chuvas: a água de chuva pode ser utilizada como manancial abastecedor, sendo armazenada em cacimbas. As cacimbas são reservatórios, que acumulam a água da chuva captada na superfície dos telhados dos prédios e casas, ou a que escoa pelo terreno.

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Coleta Seletiva Coleta Seletiva é o processo de separação e recolhimento do lixo descartado tanto por empresas como por pessoas, conforme sua constituição: orgânico, reciclável e rejeito. Sendo assim, o lixo que poderá ser reciclado é separado do lixo orgânico, que será descartado em aterros sanitários ou utilizado como adubo. Para que a coleta seletiva seja eficiente, é necessário que o material seja separado e acondicionado corretamente, para que não apareça algum cheiro desagradável, animais ou qualquer contaminação. Portanto, vasilhas de vidro, lata ou plástico devem ser enxaguadas após o uso, os papeis devem estar secos e as latas de lixo devem sempre estar bem fechadas. Pilhas e baterias são descartadas separadamente, em locais especiais para esse tipo de lixo, pois se descartadas de qualquer maneira e em qualquer lugar podem poluir o meio ambiente.

A coleta seletiva presente durante evento da Pick-upau em São Paulo.

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Outro tipo de lixo que também pode causar problemas à saúde pública e ao ambiente é o lixo hospitalar, pois geralmente estão infectados com vírus e bactérias. Este recebe tratamento específico, diferente do tratamento de todos os outros tipos de lixo, sendo incinerados em locais específicos para esta finalidade. Por fim, pode-se dizer que a coleta seletiva contribui diretamente para a redução da poluição causada pelo descarte inadequado de lixo no ambiente, gera economia de recursos naturais, como a água e proporciona a obtenção de lucros por conta da comercialização dos produtos reciclados.

Empreendedorismo em Negócios Sustentáveis Sustentabilidade: o que é isso? Já existe um razoável consenso de que o desenvolvimento sustentável é essencial à sobrevivência dos negócios e do próprio planeta (ROCHA, 2005). Mas, afinal, o que é sustentabilidade? Aí, justamente, começam as divergências. Oficialmente, a acepção mais aceita é dada pela Comissão Mundial para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, formada pelas Nações Unidas nos anos 80 e da qual faz parte também o brasileiro Paulo Nogueira Neto. Mais conhecida como Comissão Brundtland (numa referência à sua coordenadora, a ex-primeira ministra Gro Harlem Brundtland), ela define desenvolvimento sustentável como “aquele que atende às necessidades das presentes gerações sem comprometer a capacidade de as futuras gerações atenderem às suas próprias necessidades”.

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Em outras palavras, a sustentabilidade envolve um esforço para manter constante a riqueza global – sendo que o conceito de riqueza inclui tanto os ativos financeiros quanto os recursos naturais e a qualidade de vida da população. Numa outra definição bastante recorrente, a sustentabilidade está apoiada sobre um tripé formado pelos fatores sociais, ambientais e econômicos. O respeito pelo meio ambiente, a eficiência econômica e a equidade social são os três critérios que tem de ser tratados simultaneamente em qualquer projeto de desenvolvimento. Em termos práticos, pode-se descrever como sustentável uma empresa ou negócio com perspectivas concretas de prosseguir sua atividade por muito tempo, cujos riscos sejam minimizados e cuja relação com a sociedade seja amistosa. Para tanto, é possível identificar uma série de indicadores:  Mantém uma perspectiva de rentabilidade econômica no médio-longo prazo.  Opera dentro da lei, sem passivos que possam gerar prejuízos   

 

inesperados. Minimiza sua dependência de recursos esgotáveis ou sujeitos a escassez. Desenvolve produtos ou serviços que contribuem para o que é percebido pela sociedade como um benefício social ou ambiental. Estabelece uma relação de respeito e minimiza o conflito com seus funcionários, fornecedores, clientes, acionistas e outros stakeholders – ou seja, os diversos atores que tem interesses diretos ou indiretos no empreendimento. Cultiva a eficiência no uso dos recursos renováveis e não-renováveis – com investimentos em tecnologia avançada e soluções de longo prazo – assim como se preocupa com os impactos de seus bens e serviços ao longo de todo o seu ciclo de vida. Reduz os resíduos e recicla os materiais que descarta. Tem transparência na gestão independentemente de possuir capital aberto, promovendo assim a confiança de acionistas, investidores, fornecedores, clientes etc.

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 Evita o uso de formas de propaganda maliciosa que induzam o público a confundir a verdadeira atuação da empresa com ações beneficentes que não influenciam sua atuação.  Relaciona-se com demandas de ordem global (o aquecimento do planeta ou o surgimento de consumidores engajados em outros continentes) e local (a comunidade que sua atuação afeta), simultaneamente. Planejamento O plano de negócio O plano de negócio é uma ferramenta gerencial de análise da viabilidade de um negócio. O bom plano de negócio levanta alternativas e obstáculos ao empreendimento, aumentando consideravelmente as chances de seu sucesso. Trata-se de um instrumento de autoconhecimento do empreendedor e um cartão de visita a ser apresentado para potenciais investidores ou parceiros comerciais, o que permite ao seu negócio ganhar credibilidade.

Comercialização institucional de mudas nativas da Mata Atlântica do Projeto Refazenda.

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Plano de custo de produção Nas últimas décadas, as relações entre produção e consumo têm se alterado substancialmente. O avanço tecnológico em várias áreas (comunicações, informática etc.) tem propiciado às empresas enorme agilidade para responder cada vez mais rápido as exigências do mercado. O consumidor está mais informado, dispõe de inúmeras alternativas para comparar preços, verificar qualidade, observar as variações existentes para um produto e decidir sobre o que deve comprar. Diante dessa mudança radical no ambiente de negócios, as empresas que quiserem sobreviver no mercado deverão filtrar quais as informações sobre custos são necessárias para poder tomar decisões rápidas e corretas. Hoje em dia, a decisão de produzir algo, simplesmente porque se deseja e sabe como fazer, tem grande probabilidade de não dar certo – basta observar as estatísticas oficiais sobre a proporção de empresas que fecham logo no primeiro ano de funcionamento. Em função disso, a elaboração minuciosa de um custo de produção poderá num primeiro momento evitar perdas futuras e, posteriormente, ser peça fundamental para a boa gestão dos negócios da empresa. De forma simples, são ilustradas três situações hipotéticas para se ter idéia clara da importância do custo de produção: Situação 1: Uma pessoa deseja montar um viveiro. Antes de fazê-lo ela resolve levantar os custos de produção e descobre que o total de seus custos variáveis estimados (ou despesas diretas), representado pelos dispêndios em dinheiro, em mão-de-obra, sementes, fertilizantes, defensivos, combustível, reparos e outros é superior ao preço da muda existente no mercado. Conclusão: a produção de mudas não é sustentável economicamente nem no curto prazo, não sendo recomendável a sua entrada no mercado.

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Situação 2: Realiza-se uma análise preliminar de custos e constata-se que é viável montar o viveiro, até mesmo considerando o longo prazo, ou seja, incluindo os custos fixos. A empresa é montada e no decorrer do tempo, por exemplo, notase que o preço das mudas diminuiu e, consequentemente, a receita total do viveiro. Nesse momento é importante acompanhar o que está acontecendo com o custo de produção, pois a empresa pode estar fadada a fechar as portas se não quiser operar com prejuízo. Situação 3: Imagine um viveiro com vários tipos de mudas sendo produzidas. Como na situação anterior, o preço das mudas diminui. No entanto, esta empresa tem um sistema de informação sobre custos muito eficiente e percebendo a situação de perigo iminente, o viveirista resolve analisar melhor os seus custos e descobre o seguinte: muitos de seus custos eram rateados indiscriminadamente permitindo que alguns tipos de mudas fossem fortemente subsidiadas por outros tipos, conduzindo a ineficiência na determinação do preço de mercado para suas mudas. Nesse momento, o viveirista resolve fazer um rateio diferenciado, o que conduz a preços muito diferentes entre as mudas. Isto altera sua posição no mercado, parando de produzir aquelas mudas que lhe davam prejuízo e intensificando as que lhe davam maior retorno. Nesse caso, a análise dos custos de produção, ou melhor, a gestão estratégica de custos pode lhe garantir as condições para continuar atuando no mercado com lucro. Portanto, a elaboração de custos de produção é importante tanto antes de se iniciar um negócio como no decorrer deste.

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Escolha das embalagens Desde o início da produção de mudas florestais em larga escala, vários tipo de embalagens foram adotados. “Torrão paulista” é considerado a embalagem mais antiga usada na produção de mudas para reflorestamento no Brasil. Esse tipo de recipiente feito com solo argiloso prensado dificultava as operações, tanto no processo de produção das mudas quanto na implantação no campo. Após o torrão paulista surgiram embalagens como taquara ou bambu, laminados e papel jornal entre outros. A partir de 1996, a Lei 5.106, de 02 de Setembro, de Incentivos Fiscais para reflorestamentos, possibilitou a expansão da área florestal. Houve grande aumento na demanda por mudas e foi necessário desenvolver recipientes mais práticos. Surgiram então, as embalagens do tipo “saco plástico”, que representam um avanço para época. São do inicio dos anos 1980 as embalagens do tipo tubetes (tubos de polietileno, em geral de cor preta) atualmente disponível em grande variedade de tamanhos e formatos. Hoje, sacos plásticos e tubetes são as embalagens adotadas nos viveiros de espécies nativas. Os sacos plásticos mais utilizados são os de 450 ml e 1000 ml e os tubetes são os de 50 ml (somente para espécies pioneiras), 120 ml (para as espécies pioneiras e não pioneiras) e de 280 ml (para espécies pioneiras, não pioneiras e climáticas). Na escolha da embalagem (tipo e tamanho) é importante considerar o custo de aquisição, a altura da muda a ser comercializada, o tamanho da semente, a área do viveiro e o manejo a ser adotado. Nos casos em que o investimento inicial é limitante, deve-se optar por embalagens de menor custo (saco plástico). Porém o correto é contabilizar os custos resultantes das embalagens, ou seja, analisar os rendimentos das operações com as diferentes embalagens à necessidade de mão de obra, a ergonomia (conforto físico) dos trabalhadores, o espaço adicional para produzir

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a mesma quantidade de mudas e tubetes, o maior uso da terra e do substrato e a impossibilidade de reuso da embalagem. O tamanho final da muda também condiciona o tamanho da embalagem. Quando se trata de muda para a recuperação florestal, a altura adequada gira em torno de 30 cm. Se forem necessárias mudas de maior porte, a embalagem deve apresentar dimensões maiores. Para garantir a qualidade da muda deve haver equilíbrio entre a altura da parte aérea e o comprimento do sistema radicular (raiz), de modo a evitar futuros tombamentos da parte aérea ou enovelamento das raízes.

Indígenas utilizam embalagens plásticas na primeira fase do Refazenda.

Quando as mudas se destinarem ao plantio em solos mais secos, é importante utilizar embalagem que permita o maior desenvolvimento do sistema radicular. Da mesma forma quando se destinarem à recuperação de áreas onde predominam ventos fortes, também é importante produzi-las com uma raiz mais profunda para maior estabilidade. A embalagem deverá ser tanto maior e mais resistente quanto maior a permanência da muda no viveiro. Isso depende de fatores como características

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genéticas da espécie, que determinam menor velocidade de crescimento da espécie de manejo adotado (principalmente da adubação), tamanho desejado da muda e outros como o atraso na retirada de mudas. Convém ressaltar que o bom planejamento e a definição prévia do destino das mudas contribuem para evitar que permaneçam no viveiro além do tempo necessário. Caso contrario, as mudas poderão apresentar desenvolvimento muito lento quando plantadas, acarretando problemas e aumento nos custos do projeto de recuperação florestal.

Escolha do substrato A principal função do substrato é sustentar a muda e fornecer-lhe água e nutriente para seu adequado desenvolvimento. A escolha do substrato esta diretamente relacionada à embalagem e ambos determinam o manejo de irrigação e adubação a ser adotado no viveiro. Como o substrato pode ser preparado a partir de diferentes combinações de diferentes substâncias, é essencial o conhecimento de suas características físicas e químicas para determinar o regime de irrigação de adubação. O mais comum é misturar terra de subsolo com matéria orgânica (esterco, casca de arroz, composto) e minerais (vermiculita, fertilizantes). Mas é importante salientar que cada situação requer uma avaliação e não a simples adoção de receitas. Cabe ao técnico conhecer os fatores que estão envolvidos e saber manejá-los nas condições especificas de cada viveiro, até porque o mesmo substrato pode apresentar resultados diferentes em mudas da mesma espécie produzidas em embalagens diferentes.

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Característica do substrato ideal: Favorece a sustentação da planta, o bom desenvolvimento radicular e garante resistência mecânica ao torrão formado (rigidez e agregação).  Tem porosidade adequada (macro e microporos).  Apresenta uniformidade entre e dentro dos lotes.  Favorece a retenção de água e a aeração.  É sadio livre de sementes de plantas indesejáveis, patógenos e substancias tóxica.  Permite estocagem, mantendo as características físico-químicas do material.  É ou está disponível ao longo do ano.  É leve e visualmente agradável.  Não tem mau odor nem causa rejeição ao tato.  É economicamente viável. Dependendo da região onde se encontra o viveiro, há predominância de materiais como: bagacilho de cana, torta de filtro, cama de frango, entre outros. A utilização de esterco de curral requer cuidado especial porque pode conter semente de ervas daninhas e patógenos.

Calcário e NPK 4-14-8 são misturados à terra utilizada na produção florestal.

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A desinfecção com brometo de metila, cuja utilização é tecnicamente desestimulada, elimina patógenos e organismos benéficos, deixando o substrato estéril e mais vulnerável à infestação desenfreada por organismos indesejados. Deve ser adotada a desinfestacão por calor, que pode ser feita com água fervente (10 litros por m2 de canteiro), por vapor d’água, com ou sem pressão, e por solarização, que é mais utilizada em regiões quentes e de maior insolação (GRIGOLETTI et al, 2001). Os componentes orgânicos do substrato também podem ser utilizados pelo processo de compostagem.

Compostagem Cada material apresenta características que os tornam diferentes quanto à fertilidade, retenção de água e fertilizantes. Por esse motivo é necessário misturar componentes diferentes para resultar um substrato adequado. Recomenda-se que os componentes do substrato tenham densidade e tamanho de partículas parecidas para não haver segregação. O substrato usado em tubetes deve ter porosidade acima de 70%. Como esse tipo de embalagem possui tamanho reduzido, é preciso garantir espaço para o desenvolvimento da raiz. Atualmente, a maioria dos substratos comerciais é feita de cascas de árvores decompostas (50% a 70%) e vermiculita expandida (50% a 30%). Essa combinação lhes confere ótima porosidade, pois a vermiculita melhora a drenagem e aumenta a macroporosidade do substrato. Como a vermiculita é relativamente cara e muitas vezes difícil obtenção para pequenos viveiristas, pode substituí-las por material com características físicas semelhantes, por exemplo, casca de arroz.

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Já os sacos plásticos têm maior volume e permitem o uso de substrato com menor porosidade como o solo. O uso de solo é muito comum para esse tipo de embalagem. Contudo, o emprego contínuo do solo como forma única de substrato causa degradação ambiental. Deve-se conhecer o local da extração para minimizar a contaminação por organismos indesejáveis (nematóides, ervas daninhas, doenças bacterianas, fungos e outros) que podem contaminar o viveiro e as áreas de plantio. O solo adequado para uso na produção não deve ser demasiadamente argiloso, o que o tornaria muito compactado na embalagem, nem muito arenoso, o que dificultaria a formação do torrão. O solo não deve ainda ser da superfície, devido ao elevado número de sementes e plantas indesejáveis que contém. Mas para tornar o conjunto mais leve e com maior porosidade, pode-se também usar uma mistura de solo e matéria orgânica. Areia grossa, o substrato mais recomendado e usado para alfobre (sementeira), facilita o arranquio da planta sem danos ao sistema radicular, apresenta ótima drenagem e é quimicamente inerte. Porém, podem ser usados outros materiais como solo arenoso, substratos comerciais ou formulados no próprio viveiro. Composto Orgânico O que é composto orgânico? O composto orgânico é um produto homogêneo, obtido por meio de processo biológico, pelo qual resíduos formados por matéria orgânica são convertidos em outro material, mais estável, em razão da atuação de microrganismos já presentes no próprio resíduo ou introduzidos por meio de agentes inoculadores. Após o processamento, essa matéria orgânica transforma-se em composto orgânico, um tipo de adubo muito apreciado. Embora a maior parte da compostagem seja feita com restos de animais ou vegetais, o lixo constitui outra possibilidade. Nesse caso, o processo de compostagem trabalhará, pois com a chamada fração molhada do lixo, ou seja,

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com os seus componentes orgânicos. Estes incluem restos de comida, talos, cascas, pó de café, folhas, poda de jardim etc., materiais provenientes das residências. A compostagem constitui uma forma bastante eficiente de devolver matéria orgânica para o mundo natural. Há séculos ou mesmo milênios, a adubação orgânica é praticada em todo o mundo, baseando-se na restituição de restos das culturas de esterco animal ou humano ao solo. Nos grandes centros urbanos, esse trabalho é executado por usinas de compostagem que, no entanto reciclam muito pouco e, alem disso, não produzem composto de boa qualidade.

Ativista do Pick-upau verifica qualidade de material orgânico.

Isso decorre da própria irracionalidade com a qual o sistema atualmente existe e opera. Vejamos como o sistema trabalha: - Lixo doméstico: de cada residência resulta uma profusa mistura de lixo de vários recintos: cozinha, banheiro, escritório e quintal, materiais muito diversificados quanto à sua natureza e composição.

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- Essa mistura de resíduos é ensacada pelos cidadãos e posteriormente, depositada em determinados pontos da calçada. - Em seguida um caminhão, que nas médias e grandes cidades possui um compactador, amassa e mistura todos os ingredientes de milhares de sacos de lixo, transportando a massa de resíduos para uma usina de compostagem. - Na usina, esses ingredientes são novamente separados. - Como a mistura de resíduos diferentes foi intensa, muito material se perde e, numa grande usina, em média, de cada cem toneladas de lixo que entram, saem 50 toneladas de rejeito. - Alem disso, substâncias perigosas provenientes de pilhas, tubos de lâmpadas fluorescentes, frascos de remédios, latas de veneno, sprays de todos os tipos, recipientes com resíduos de produtos de limpeza etc. (previamente esmagados pelos compactadores) podem estar no composto orgânico, comprometendo sua qualidade. A solução óbvia para o problema é uma só: coletar separadamente os materiais, reaproveitando uma fração muito maior de rejeitos e minimizando o trabalho nas usinas, inclusive as que operam com o sistema atual. Resumidamente, se houvesse coleta seletiva de matéria orgânica, o aproveitamento do material seria muito maior. Fazendo o composto orgânico A matéria orgânica há muitos milênios foi descoberta como fator primordial para manter a fertilidade do solo. Vários povos indígenas da América, quando plantavam milho, colocavam um peixe no fundo da cova, como oferenda aos deuses. Desse modo, faziam uma adubação orgânica com matéria-prima de fácil decomposição. Materiais de uma residência que podem se transformar em adubo Para iniciar um processo de compostagem, precisamos de alguns “ingredientes básicos”, tais como: casca de ovos, de frutas e vegetais, pó de café, restos de comida e resíduos provenientes de jardinagem.

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Devemos excluir os óleos, carnes e os resíduos de queijo, pois podem atrair animais (ratos, baratas, vermes etc.). Pensando no material a ser compostado a partir de algumas categorias comuns a muitas residências, pode-se ressalvar: - Lixo doméstico: quase todo lixo orgânico de cozinha, com exceção dos óleos e da gordura animal, é um excelente material de compostagem. - Cinzas: cinzas de madeira, provenientes de lareira ou de fogão a lenha, são um ingrediente de grande valor para compostagem, pois são uma importante fonte de potássio. - Aparas de grama: a reutilização de aparas de grama pode ser feita simplesmente deixando-as no gramado ou adicionando à pilha do composto. - Podas de arbustos: embora normalmente volumosos, esses tecidos podem ser picados ou retalhados, para obter-se um volume de fragmentos de granulação e clivagens diferenciados. Agregue-o ao composto em formação. Ressalve-se que a presença de material volumoso de origem orgânica contribui para aeração do composto, atuando como ingrediente necessário para uma evolução mais veloz e eficiente da compostagem. - Folhas: são um pouco lentas na decomposição. Picadas, porém se decompõem numa velocidade quatro vezes mais rápida. - Ervas daninha: uma vez expostas a altas temperaturas comumente atingidas nas pilhas de composto, a maioria das sementes de ervas daninhas não consegue sobreviver e, assim aproveita-se de matéria orgânica desse material. Técnicas de compostagem Existem diversos métodos de compostagem que podem ser usados para a preparação do composto orgânico, diferenciados basicamente pela utilização

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ou não do ar, ou seja, temos os processos aeróbios (nos quais oxigênio está disponível) e os anaeróbios (nos quais o oxigênio esta ausente). Produzindo o composto Normalmente é aberta uma vala no solo, proporcional ao espaço disponível, por exemplo: 3 m de comprimento X 1,5 m de largura X 1 m de profundidade. Tal vala pode ter suas laterais revestidas com tijolos ou não. O importante é que o fundo fique em contato direto com o solo, para atrair minhocas e microrganismos como fungos e bactérias, fundamentais ao desenvolvimento do composto. Após a definição da vala, inicia-se seu preenchimento com o material a ser compostado: restos vegetais (carga principal) e restos animais. Não havendo restos animais (esterco de galinha, vaca etc.), pode-se adquirir um saquinho de composto para vaso de plantas, terra escura de jardim ou sobras de frango, peixes e suas vísceras, batidas em liquidificador com um pouco de água. Esse material é importante, pois constitui o inoculo, isto é, o material que contém os microrganismos que darão início à fermentação de matéria orgânica. Na falta de inoculo, podemos separar uma parte do material do qual a compostagem está em fase avançada de fermentação numa caixa e ir acrescentando aos poucos, na medida em que vai preenchendo a caixa principal. O monte de composto deve ser revirado a cada trinta dias. Caso o material seja seco, acrescente água. Controle de compostagem Durante a compostagem, ocorre redução do volume de até um terço e a cor passa a acinzentada e sem brilho para escura e brilhante, quando úmida. O controle do processo é uma peça fundamental para obter-se um bom composto orgânico.

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Para avaliar o material, pode-se fazer alguns testes, dentre eles o teste da vara de madeira e o teste da mão. O teste da vara de madeira: O teste é realizado com a introdução de uma vara de madeira no material compostado profundamente. Ao retirarmos a vara poderemos constatar as opções abaixo descritas: A vara apresenta-se fria e molhada: não esta ocorrendo fermentação, talvez por excesso de água. Apresenta-se levemente morna e seca: a pilha precisa de mais água. Apresenta-se quente, úmida e parda: condições adequadas. Quando o composto apresentar-se livre de barro preto, com cheiro de mofo, estará pronto para se usado. O teste da mão: Adote os seguintes procedimentos: Toma-se pequena amostra bem umedecida. Molda-se com as pontas dos dedos. Esfrega-se contra as palmas das mãos. O composto curado apresenta-se com aspecto de graxa preta. Aplicando o composto orgânico: O composto poderá ser usado em vasos e hortas, nas seguintes proporções: Vasos ornamentais: 50% de terra mais 50% de composto orgânico. Hortas: vinte litros de composto por metro quadrado, incorporados à terra.

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Colheita ou aquisição de semente A semente talvez seja hoje o insumo que impõe maior restrição à formação de mudas de espécies florestais nativas. Ainda são poucos os fornecedores idôneos e, pequena a variedade de espécies disponíveis, se comparada à diversidade das florestas paulistas. Além disso, as sementes de muitas espécies apresentam baixa longevidade, mesmo quando armazenadas em ambientes adequados, o que contribui para a limitada disponibilidade de sementes no mercado. A qualidade da semente é determinada por fatores genéticos, fisiológicos e físicos. Para a recuperação florestal com espécies nativas, uma semente de qualidade é aquela que apresenta grande variabilidade genética. Sob o aspecto fisiológico, uma semente de qualidade tem máxima maturidade fisiológica. Quanto ao aspecto físico, sementes de qualidade são aquelas com alto grau de pureza. Quando se trata da produção de mudas de espécies florestais nativas deve-se considerar que a variabilidade entre indivíduos da mesma espécie é muito grande, bem maior se comparada às espécies comerciais que já foram selecionadas buscando ressaltar determinadas características desejáveis. Como a finalidade usual do plantio de essências nativas não é a produção de madeira, as características relacionadas ao ritmo de crescimento, porte, forma, do tronco, forma da copa, ramificação, vigor, densidade da madeira etc, não são critérios de seleção. Em contrapartida, árvores que produzem mais flores, frutos e sementes do que outras da mesma espécie devem ser selecionadas para a produção de sementes destinadas à recuperação florestal. A coleta de uma determinada espécie nunca deverá ser feita exclusivamente numa árvore matriz, de um único local. A coleta das sementes deve respeitar a distância entre as árvores da mesma espécie pelo menos (300 m), a fim de se reduzirem os riscos de endogamia entre as matrizes e garantir maior variabilidade genética da espécie (KAGEYAMA, 1981).

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O número de matrizes depende do grupo ecológico ao qual a espécie pertence. De pioneiras que normalmente ocorre em clareiras, recomenda-se colher semente em 3-4 clareiras (populações) com a escolha ao acaso de 3-4 matrizes por clareira. De espécies secundárias sugere-se selecionar 1-2 populações e escolher de 10-20 árvores ao acaso em cada população.

Sementes de Capixingui pouco antes da semeadura no viveiro do Refazenda.

As espécies arbóreas nativas frequentemente apresentam maior variabilidade dentro de um fragmento do que entre eles, portanto é melhor coletar mais indivíduos em um menor numero de fragmentos. A exceção é para espécies que ocorrem naturalmente agrupadas, a exemplo do Guarantã. Qualquer que seja o número de matrizes, em nenhuma hipótese a coleta deve exceder 50% das sementes e frutos produzidos por uma árvore a fim de garantir a reprodução daquele indivíduo e recursos para a fauna silvestre. Vale salientar ainda que a coleta de uma espécie determinada deve ser realizada na mesma bacia hidrográfica onde serão implantadas as mudas, para evitar impedimentos morfológicos na produção de sementes pelas árvores de futuras florestas, devido à deriva genética pelo isolamento das espécies.

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As equipes responsáveis pela coleta de sementes devem estar capacitadas em fenologia (estudo do ciclo vegetativo, das épocas em florescimento e frutificação) e conhecer a forma como cada espécie é polinizada e como dispersa suas sementes após a maturação dos frutos (por gravidade, água, vento, insetos aves, morcegos ou outros animais). A amplitude do fluxo gênico depende do polinizador e dispersor. Enquanto pequenos insetos transportam pólen de 10 a 3000 metros, morcegos transportam pólen de 300 a 18000 metros, inclusive de um fragmento para outro. Além disso, devem ser tomados todos os cuidados relacionados à colheita. Tanto os que dizem respeito ao equipamento de proteção individual, como os que se relacionam à proteção do ambiente, já que a maioria das colheitas é feita em ambiente natural (fragmentos de florestas nativas). Com exceção de pesquisa científica, também não se deve realizar colheitas em Unidades de Conservação Integral (Estações Ecológicas Silvestres) por restrição legal criada pela Lei Federal 9.985, de 18 de julho de 2000, que institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC). Devem ser realizados acompanhamentos periódicos das árvores marcadas como fornecedoras de sementes para definir a data da colheita, a qual coincidirá com o período em que a maior parte dos frutos estará madura. A sazonalidade na obtenção das sementes advém da época de frutificação de cada espécie, do fato de a produção de sementes de cada árvore (matriz) ser diferente de ano para ano e da longevidade natural das espécies florestais nativas que varia significativamente entre elas. Os métodos de colheita de sementes variam segundo as características de cada espécie, com equipes e equipamentos específicos para a operação. Coleta no chão: é a apanha de frutos que caem naturalmente, próximos às plantas que os originou. Recomenda-se para frutos e sementes grandes, pesados, indeiscentes (que não se abrem quando maduros) e que não se dispersam pelo vento. No uso dessa técnica é importante coletar os frutos logo após terem caído.

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Para facilitar o trabalho, a queda dos frutos pode ser mais rápida agitando-se o tronco ou os galhos sobre a lona, plástico ou outro material, o que garante maior pureza às sementes coletadas.

Sementes coletadas na TI Tenonde Porã são preparadas para beneficiamento.

Colheita em árvores tombadas: deve ser usada apenas no aproveitamento dos frutos e sementes de arvores caídas ou cujo corte tenha sido autorizado pelo órgão ambiental. Sob nenhuma hipótese é permitido o abate de árvores de espécies nativas para colheita de sementes. Todo corte de árvores está sujeito a normas federais, estaduais e municipais. Colheita em árvores em pé: consiste em colher frutos ou sementes diretamente da copa das árvores. Em árvores de pequeno porte podem ser usados podador com cabo comprido, tesouras ou ganchos presos em hastes (de metal, madeira ou bambu). Outra forma de colheita de sementes, especialmente em árvores mais altas, é a escalada com técnicas de alpinismo, blocante ao tronco (cintos amarrados ao corpo do coletor e ao tronco da árvore), também conhecida por “bicicleta”, com escadas (de madeira ou alumínio) ou esporas (não indicadas para palmeiras ou árvores com casca fina). Esse método exige maior habilidade do coletor, equipamentos de

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proteção individual, e cuidados para não danificar a árvore. Por segurança recomenda se aos coletores: o Uso de capacete, botas e luvas. o o o o o

Não transportar ferramentas durante a escalada da árvore. Revisar sempre os equipamentos antes do uso. Não escalar árvores em dia de chuva ou vento forte. Levar equipamentos de primeiro socorros. Ter cuidado com galhos quebradiços, e não escalar árvores com rachaduras e apodrecimento. o Nunca coletar sementes sem ter pelo menos um ajudante. Em qualquer método de coleta das sementes adotado é necessário identificar embalagens (mesmo provisórias), anotando a espécie, numero de matrizes, data, nome do coletor e local de coleta. Na impossibilidade de coletar sementes em quantidades e variedades suficientes, pode-se comprá-las ou permutá-las com outros viveiros. Na aquisição das sementes devem ser procurados fornecedores idôneos, que garantam a qualidade do produto. Para tanto, testes de germinação podem ser balizadores do negócio. A rede de sementes Rio-São Paulo divulga no site www.sementesriosaopaulo.sp.gov.br a disponibilidade de sementes comercializadas pelos seus parceiros. Beneficiamento, armazenagem e testes de germinação Após a colheita as sementes são beneficiadas para limpeza e soltura dos frutos e eliminação das impurezas. Os frutos secos deiscentes (que abrem quando maduros) são secados à sombra ou sol, o que depende da espécie. Se houver duvida, é preferível secagem à sombra. Frutos carnosos são colocados em água cerca de 12 horas, para amolecer a polpa. Depois de marcados em peneiras sob água corrente são colocados em tanque d’água onde as sementes se separam por flutuação. Geralmente as sementes boas afundam e as vazias flutuam com os restos de polpa. As sementes separadas são então secadas ao sol e ao vento ou em estufas com temperaturas entre 30ºC e 40ºC. O ideal é a realização imediata do teste de germinação e semeadura, o que, no entanto, nem sempre é possível. Nesses casos as sementes devem ser armazenadas em locais que conservem sua viabilidade.

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Bióloga do Pick-upau na câmara fria do Instituto Florestal de SP.

O objetivo do armazenamento é conservar a viabilidade das sementes pelo maior período possível. São condições e técnicas destinadas a reduzir os processos naturais de deterioração das sementes mediante o uso de embalagens e controles que regulam as trocas de umidade e temperatura. As embalagens podem ser impermeáveis (alumínio ou vidro), semipermeáveis (sacos plásticos de 100 a 250 micra que restringem a passagem de água, mas permitem a troca de vapor) ou permeáveis (sacos de papel ou pano). Quando forem usadas embalagens impermeáveis, que impedem a troca de umidade com o ar, as sementes devem estar bem secas (umidade menor que 8%) antes do seu acondicionamento. Já as embalagens permeáveis não são recomendadas para acondicionar as sementes armazenadas por longo período. Os ambientes mais usados para a conservação das sementes são as câmaras frias e as câmaras secas. Tanto a redução da temperatura quanto da umidade tem finalidade de reduzir a taxa de respiração das sementes para retardar a deterioração. Em geral, as câmaras são mantidas nas seguintes condições:

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Câmara fria: temperatura de 5ºC + ou – 2ºC e umidade relativa de 85%. Câmara seca: temperatura de 21ºC e umidade relativa de 40% a 50%. Câmara fria e seca: de 5ºC a 10ºC e umidade relativa de 40% a 50%. O controle da umidade da semente é essencial: acima de 45% a 60% inicia-se o processo de germinação, até 12% e 14% ocorre do desenvolvimento de fungos, abaixo de 5% a 7% a atividade dos insetos é limitada. Em função de tolerância à desidratação, as sementes são classificadas em três grupos: ortodoxas (tolerantes a desidratação), recalcitrantes (não toleram desidratação) e intermediarias. As tolerantes, cujas sementes são normalmente pequenas, podem ser desidratadas a valores muito baixos de umidade (entre 5% e 7%), sem perder a viabilidade. Em algumas espécies a longevidade das sementes é aumentada com a redução de umidade e o armazenamento em baixas temperaturas. Uma alternativa simples é colocá-las em geladeira domestica, dentro de embalagem impermeável. Nessas condições podem ficar armazenadas por anos sem significativa perda de viabilidade. As sementes recalcitrantes morrem quando seu grau de umidade é reduzido abaixo do nível critico (15% a 50%). Sementes desse grupo, normalmente grandes, não suportam armazenamentos em temperaturas negativas e podem perder viabilidade já entre 10% e 15ºC. Assim sendo, a longevidade de sementes recalcitrantes, mesmo em condições favoráveis é curta. Espécies de comportamentos intermediários toleram desidratação até cerca de 12% de umidade. Compromete a viabilidade das sementes o armazenamento em condições de menor umidade ou em temperaturas abaixo de 15ºC. Em situação contrária podem ser armazenadas por longos períodos. O próprio viveirista pode fazer alguns testes básicos para verificar a qualidade dos seus lotes de sementes com relação à pureza, germinação, número de sementes por quilograma e sanidade (principalmente no que diz respeito a insetos). Quando um viveirista se deparar com uma situação de falha na germinação, deve pesquisar as seguintes possibilidades:

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Falha na semeadura: para não deixar nenhuma embalagem sem semear, é preciso maior atenção com sementes muito pequenas e a cor do substrato. Perda de viabilidade: sementes de baixa longevidade precisam ser semeadas logo após a coleta. Muitas vezes a falha se dá pelo uso de sementes não viáveis. Se as sementes forem armazenadas, recomendase um teste de germinação antes de usá-las. De forma geral sementes com muito amido e óleos perdem rapidamente a viabilidade. Por exemplo, araucária (pinheiro-do-paraná), seringueira, castanha-do-pará, palmeiras. Falta de água ou distribuição irregular: é preciso verificar se a irrigação é regular e bem distribuída em todas as embalagens. A fase de germinação é muito delicada, quanto à necessidade de água. E, apesar de não requerer grandes quantidades de água, a freqüência da irrigação deve ser mantida com rigor. Durante esse período mantém-se a umidade do substrato, para que a semente não sofra estresse hídrico. A partir do momento que se inicia o processo de germinação qualquer seca pode causar a morte do embrião. Excesso d’água: pode provocar o apodrecimento da semente. Manuseio da semente: o beneficiamento e o armazenamento devem estar de acordo com as necessidades fisiológicas da semente, quanto à umidade e temperatura, para não haver perda do poder germinativo. Doenças causadas por fungos: o meio adequado de germinação (umidade e temperatura altas) também é apropriado para o desenvolvimento de fungo, devendo-se tomar cuidado para evitar a sua proliferação. Não irrigar em excesso, ter boa ventilação e insolação são algumas das medidas preventivas para evitar doenças fúngicas. Dormência: antes de semear é necessário verificar se há necessidade de tratamento (escarificação, imersão em água fria ou quente etc.) para a quebra da dormência.

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Dormência de sementes A dormência é um estágio que impede a germinação. Pode ser um impedimento fisiológico (embrião imaturo), físico (tegumento mais duro ou impermeável à água ou oxigênio). A superação ou quebra da dormência é uma estratégia reprodutiva associada a plantas que regeneram naturalmente a partir do banco de sementes do solo, ou aquelas que só germinam sob condições propícias.

Bióloga do Pick-upau faz quebra de dormência de sementes. Para cada tipo de dormência existe uma forma de tratamento. A dormência mais frequente é atribuída à impermeabilidade do tegumento, como aparece, por exemplo, nas sementes de Jatobá, Olho-de-cabra, Guapuruvu. Essas são sementes muito duras, que impedem a penetração de água.

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Para quebrar a dormência, pode se fazer a escarificação da semente (lixar, ou quando em grande quantidade, misturar as sementes com areia numa betoneira) ou deixá-las de molho em água quente (70ºC a 100ºC), durante uma e até 24 horas ou mesmo em soluções ácidas, o que é menos recomendável, devido à dificuldade de se obter ácido e também pelo perigo que o trabalho representa. Na presença de inibidores, como grevílea, as sementes devem permanecer em água corrente. Em embriões imaturos (por exemplo, erva mate, capororoca) procede-se a estratificação, que consiste em colocar uma camada fina de sementes entre duas camadas (aproximadamente 0,10m cada) de areia ou vermiculita úmida.

Preparo da embalagem O uso de sacos plásticos não requer preparo anterior porque são descartados no plantio das mudas. Os tubetes podem ser reutilizados após a desinfecção. Para tanto, inicialmente devem ser levados para a retirada dos restos de substrato, mergulhados após em solução cloro cal a 1% (10 kg/1000L) e secados ao ar livre por cerca de 1 hora. As embalagens desinfetadas podem ser usadas no mesmo dia, e se necessário, a solução de desinfecção poderá ser usada por dois dias. O enchimento dos sacos plásticos com substrato é feito manualmente. Depois são transportados na posição vertical para o canteiro onde receberão as sementes ou plantas. O enchimento dos tubetes é feito manual ou mecanicamente nas seguintes etapas:

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Distribuição dos tubetes em todas as células da bandeja de forma a preenchê-la totalmente. Distribuição do substrato sobre a bandeja preenchendo totalmente os tubetes. Movimentação das bandejas para assentamento do substrato. O preenchimento manual se faz por leves batidas das bandejas no suporte. A movimentação mecânica é feita com o uso de mesas vibratórias onde são colocadas as bandejas quando recebem o substrato.

Embalagens plásticas no beneficiamento do Refazenda.

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Semeadura, repicagem e desbaste Em nenhuma espécie o percentual de germinação é total; portanto para o planejamento é importante conhecê-lo (é também chamado de valor cultural), assim como o tempo de surgimento das plantas. Essas informações vão definir primeiramente a forma de produção, por semeadura direta ou repicagem, e o número de sementes por embalagens, caso a opção seja a de semeadura direta. O processo de semeadura pelo método indireto caracteriza-se pela semeadura em um canteiro (alfobre) em caixas sob a proteção de tela de sombreamento, com repicagem posterior (transplante) das plantas para embalagem individual. Esse método é aplicado nas seguintes condições:

Indígena do Projeto Refazenda faz semeadura no viveiro.

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Quando a semente apresenta baixa germinação. Ex.: Fruta-de-tucano (Vochysia tucanorun). Quando a germinação é muito lenta e/ou irregular. Ex: Louro-pardo (Cordia trichotoma). Quando as sementes são de custo elevado ou de difícil obtenção. Ex.: Pau-brasil (Caesalpinia echinata). Quando as sementes são muito pequenas e tornam o manuseio difícil. Ex.: Embaúba (Cecropia pachystachya). Mesmo que a espécie apresente uma dessas características, é necessário que tolere o transplante que causa trauma na raiz. Nem todas as espécies toleram esse tipo de estresse. A repicagem deve ser feita na sombra ou em dia nublados, quando as mudinhas tiverem 2 a 3 pares de folha. A operação pode ser repetida diversas vezes, para que as plantas selecionadas tenham porte homogêneo e todas sejam transplantadas no mesmo dia em que são retiradas do alfobre.

Guaranis aprendem novas técnicas de repicagem no Refazenda.

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No transplante das plantas utiliza-se exemplo) para abrir um orifício dentro da planta, evitando seu enovelamento. Se as (maiores que as embalagens definitivas)

um “chuchu” (agulha de tricô, por embalagem e conduzir a raiz da raízes estiverem muito compridas é necessário podá-las antes do

transplante. O enraizamento da planta varia de 07 a 10 dias. Outro processo de formação de mudas é a semeadura direta na embalagem definitiva. A quantidade de sementes a ser colocada em cada recipiente depende do percentual de germinação da espécie. Cabe ressaltar que, na prática, trabalha-se com um percentual de erro. Supondo uma espécie com 50% de germinação, teoricamente bastaria colocar duas sementes por embalagem. O objetivo é reduzir o numero de embalagens sem plantas, o que acarreta custos com insumos e mão-de-obra nas operações de enchimento de embalagens, semeadura, irrigações. Quando mais de uma semente germina na mesma embalagem, deve-se fazer o desbaste ou raleio que consiste em deixar uma muda por recipiente (a mais desenvolvida é a que está ao centro). Qualquer que seja o método de semeadura adotado, a profundidade não deve ultrapassar quatro vezes o menor diâmetro da semente.

Adubação e irrigação A adubação garante o fornecimento dos nutrientes necessários para o desenvolvimento das plantas. Essa prática varia de acordo com o fertilizante utilizado, a forma de aplicação, a época do ano em que se realiza a adubação,

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a espécie e o seu estágio de desenvolvimento, o tamanho da embalagem e o ambiente em que as mudas se encontram (estufa ou pleno sol). As embalagens tipo saco plástico, comportam um volume maior de substrato, de armazenamento de água e de nutrientes. A adubação dessas mudas pode ser menos frequente e mais concentrada. Nos tubetes a quantidade de substrato é menor, as adubações mais frequentes e em baixas concentrações. Dependendo do tipo de irrigação, a freqüência da adubação pode ser diária, utilizando-se a técnica da fertiirrigação, que consiste em misturar o adubo na água para irrigar as mudas (fracionada em todas as irrigações ou em uma só), sem causar aumento de custo. Se a adubação for manual, convém aumentar o intervalo entre as aplicações de 07 a 10 dias, para reduzir as despesas com mão-de-obra. A permeabilidade da cobertura do viveiro também influencia a adubação, devido à possibilidade de controle de precipitação. Locais protegidos, como estufas, permitem o controle da umidade do substrato e da lixiviação dos fertilizantes pelas chuvas.

Preparação de terra para produção florestal no Projeto Refazenda.

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Da mesma forma, na produção a céu aberto é preciso considerar a época do ano. No Estado de São Paulo, a precipitação é baixa no inverno. No verão, entretanto, as precipitações intensas podem lavar o substrato reduzindo significativamente a eficiência da adubação. Por essas razões, a adubação fracionada aumenta a eficiência do fertilizante e minimiza a perda de nutrientes por lixiviação. Outro fator a ser considerado com relação à época do ano é o ritmo de crescimento das mudas. No inverno devido à menor insolação, o metabolismo das plantas é diminuído, a taxa de crescimento é pequena e menor necessidade de água e nutrientes. Nessa época, com a evapotranspiração baixa e a irrigação menos freqüente e intensa, pode-se aumentar a concentração dos nutrientes na adubação. No verão, ao contrário, com a insolação maior, a taxa de crescimento e a demanda por água e nutrientes são grandes. Sendo assim, a concentração de nutrientes na solução pode ser menor, visto que a freqüência e o volume de irrigação são elevados. A adubação também deve ser diferenciada em função da fase de desenvolvimento da muda. A fase de germinação é um período no qual não há necessidade de adubação, pois a planta retira da semente a energia que precisa para germinar e iniciar seu crescimento. A fase de crescimento da muda em viveiro é o período em que há maior demanda por nutrientes sendo o nitrogênio (N) o elemento principal. Na fase de rustificação a muda já cresceu o que sua embalagem comporta e a adubação a ser efetuada deve assegurar a manutenção de suas atividades e amadurecimento. Nesta fase elimina-se ou reduz drasticamente a adubação nitrogenada e aumenta-se a adubação com potássio (K). Além de tudo, cada espécie tem demanda diferenciada por água e nutrientes, que depende do ritmo de crescimento, de sua eficiência no consumo dos compostos etc. Porém, os estudos das espécies florestais nativas são insuficientes para a definição do manejo de cada espécie. O que pode ser feito é agrupá-las pelo ritmo de crescimento, adotando-se um manejo único para cada grupo, o que corresponde a setorizar o viveiro.

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As adubações devem ser feitas preferencialmente no final de tarde de dias secos. Após o termino, uma irrigação leve de 1-2 mm de água (exceto para o sistema de fertiirrigação) retira o excesso de sais na folha, evitando queimaduras.

Controle fitossanitário, rustificação e expedição Algumas operações ajudam o desenvolvimento sadio e regular das mudas. Na fase de crescimento é necessário espaçá-las (alternagem) para facilitar a ventilação, a insolação e até melhorar a captação de água de irrigação.

Ativista do Pick-upau faz limpeza em mudas de palmeira juçara.

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A poda da copa evita tombamento das mudas muito grandes, a poda de raízes reduz os riscos de perda das mudas por atraso de plantio e, para que isto não aconteça, sugere-se reduzir a irrigação e suprimir a adubação. O agrupamento das mudas de acordo com o seu crescimento natural também é recomendado para evitar a competição entre elas, o crescimento excessivo, o tombamento e a criação de microclima favorável ao desenvolvimento de doenças. Essas operações são as seguintes:  Poda da copa: Usa-se para corrigir diferenças na copa, reduzir o tamanho da muda ou eliminar brotos laterais que se formam eventualmente na proximidade do colo da muda. A redução do tamanho da copa pode ser necessária se houver atraso na operação de plantio, ou desequilíbrio entre a copa e a raiz, por excesso de nitrogênio, por exemplo.

Poda de copa

 Poda das raízes: na repicagem utiliza-se a poda de raízes muito grandes para evitar que se enovelem ou ultrapassem o tamanho da embalagem. Na produção de mudas em sacos plásticos não se deve permitir que as raízes das mudas ultrapassem o recipiente e penetrem no solo. Nesse caso, a poda das raízes que excedem a embalagem é indispensável.

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Poda de raiz

 Monda: é a remoção de competidores (ervas daninhas e musgos) que se estabelecem no recipiente de desenvolvimento de mudas.

Muda antes da monda

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Muda após a monda

 Moveção ou dança: mudança de muda de um local a outro, dentro do próprio canteiro (das bordas para o centro e vice-versa) ou entre canteiros. O objetivo é agrupar mudas do mesmo tamanho para facilitar a expedição e evitar desequilíbrios decorrentes de competição, sobretudo por luz. A moveção também é feita para evitar a fixação no solo de raízes que transpuserem o recipiente. Em viveiros bem conduzidos e com bom planejamento entre produção e expedição, esse procedimento não é necessário.

Moveção ou dança

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 Raleio (sacos plásticos) e alternagem (tubetes): consiste em reduzir o número de mudas por área de canteiro, à medida que a muda cresce, oferecendo menor competição de copa. O raleio ou altenagem podem ser efetuados em diferentes graus, o que depende do estágio de desenvolvimento das mudas.

Raleio ou alternagem

 Seleção: mesmo que todas as medidas necessárias para obter uma muda de boa qualidade tenham sido adotadas, é imprescindível fazer a seleção daquelas que apresentam danos, sintomas de deficiência ou incidência de pragas e doenças, além das plantas raquíticas, a fim de evitar falhas no plantio.

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Seleção de mudas afetadas

Seleção de mudas afetadas

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Biodiversidade e manejo de pragas O melhor controle de pragas e doenças ainda é o preventivo. Devem ser adotadas práticas para a redução do inóculo inicial, como escolha do local, desinfestação da área, do substrato, de embalagens e ferramentas, e de insolação, ventilação e irrigação adequadas. Todas as mudas que apresentam problemas de crescimento, mesmo não definidos, devem ser isoladas das demais para evitar transmissão de pragas e doenças. O viveirista permanecerá atento aos sintomas exteriorizados pelas mudas. Muitas vezes, problema de transplantes, falta ou excesso de água, queima de folhas por insolação ou agrotóxicos, excesso ou falta de adubação e danos mecânicos podem ser confundidos com doenças causadas por agentes bióticos. As pragas mais comuns são lagarta-rosca, formiga cortadeira, grilos, besouros, paquinhas, cochonilhas e pulgões. Contudo, com o manejo adequado do viveiro, normalmente não se verificam danos significativos. Mas se o nível de infestação for elevado, torna-se necessário o combate por catação manual, aplicação de inseticidas ou isca formicida. As doenças mais frequentes são tombamento (ou dumping-off), podridão de raízes, ferrugem e amarelecimento das folhas (clorose). O tombamento é a doença mais comum em viveiros. Acontece na fase de emergência ou nas primeiras semanas e é motivada por fungos que atacam o colo das plantas. Ocorre em qualquer época do ano e em poucos dias pode causar a morte de todas as mudas do canteiro. A infestação e a proliferação são favorecidas pela grande densidade de mudas nos canteiros, pela utilização de esterco não curtido, pelo excesso de umidade e pela compactação do substrato. O tombamento também pode disseminar-se de um canteiro para outro, por ferramentas e pela repicagem de plantas.

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Deficiência nutricional e excesso de determinado elemento químico podem prejudicar a qualidade das mudas. Para a muda não sofrer tanto o estresse de plantio, é necessário que ela seja submetida à rustificação. Essa operação se realiza antes da expedição de mudas e consiste em submetê-las a um processo de adaptação gradual das condições ambientais controladas existentes no viveiro as condições de campo onde serão plantadas.

Combate e controle de pragas é essencial na qualidade das mudas.

Durante a rustificação as mudas são colocadas em ambiente menos controlado com relação à temperatura, incidência de raios solares, umidade e fertilização. À medida que as mudas são expostas a situações de campo, possibilita-se a produção de mudas mais aclimatadas e ao mesmo tempo promove-se a seleção das mais vigorosas, antes da expedição do viveiro, o que reduz os riscos de perda devido à incompatibilidade das mudas com o ambiente definitivo. Com esse objetivo deve-se aumentar o intervalo entre as irrigações, para provocar estresse hídrico e expor as mudas a pleno sol. A adubação nitrogenada pode ser suprimida. A adubação com potássio é fundamental para as folhas e hastes se tornarem mais resistentes.

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Só após a rustificação e a seleção final, as mudas estarão prontas para a expedição. Para ao envio ao campo, em projetos de restauração, as mudas devem ter altura de 0.2m a 0.4m, dependendo do tamanho da embalagem. A expedição das mudas produzidas em tubetes geralmente é feita de uma das seguintes maneiras:  Expedição com embalagem e devolução dos tubetes. Esse procedimento protege a muda a ser expedida, mantendo sua embalagem original até o momento do plantio. No entanto, tem como desvantagem apresentar baixa taxa de devolução, aumentando o custo de produção e possivelmente o inadequado descarte das embalagens na propriedade rural, com danos ao meio ambiente.  Expedição em rocamboles plásticos. Desenvolvida pela Federação das Associações de Reposição Florestal do Estado de São Paulo (FARESP), essa técnica possibilita a expedição da muda sem a embalagem. Retiradas cuidadosamente dos tubetes, as mudas são dispostas uma ao lado da outra sobre uma tira plástica que é enrolada como um rocambole. Suas principais vantagens são assegurar a manutenção dos tubetes no viveiro, redução do volume a ser transportado e a organização das mudas no viveiro, na sequência em que serão dispostas na linha do plantio. Vale ressaltar a necessidade do plantio programado. As mudas sem os tubetes devem ser plantadas de imediato. Qualquer que seja a embalagem ou forma de expedição, o viveirista deve combinar com o comprador o arranjo e a disposição das mudas para facilitar o plantio. A organização poderá ser feita com a identificação das espécies de acordo com os grupos ecológicos aos quais pertençam, distribuindo-se em mudas nas bandejas ou rocamboles de acordo com o desenho do futuro plantio. Esse procedimento contribui para o sucesso da implantação florestal. Recomenda-se também identificar no mínimo 1% das mudas de cada espécie com etiquetas contendo as seguintes informações: nome vulgar e científico, grupo sucessional, nome, endereço e telefone do viveiro. Como

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último cuidado da expedição, é preciso atentar para que não haja remonta (empilhamento) das mudas no transporte.

Indicadores de qualidade da muda Dependendo da cultura de cada região, a qualidade das mudas é vista sob diferentes aspectos. Alguns acreditam que se relacione diretamente ao tamanho da parte aérea ou ao seu vigor. No entanto, as mudas mais bonitas e vigorosas (muito verdes, folhas tenras, sem nenhum sintoma de deficiência nutricional) não apresentam necessariamente qualidade sob ponto de vista da recuperação florestal. São visões equivocadas já que outros fatores como genético, estrutural, sanitário, fisiológico e presença de associações também devem ser considerados. Sob a perspectiva das características genéticas, a qualidade desejável de uma muda florestal para a recuperação de aéreas degradadas reside na sua alta variabilidade. Quanto mais acentuada essa característica, melhor será a muda e a qualidade da floresta que se pretende implantar. Disso decorre extrema necessidade de se obterem mudas a partir de sementes coletadas de matrizes sadias e em concordância com os requisitos específicos dessa atividade. Quanto aos aspectos estruturais, as mudas devem apresentar pelo menos 0.05m de diâmetro de colo, parte aérea bem formada com no mínimo dois pares de folhas, sem bifurcações e tortuosidades que não sejam características da espécie. O monjoleiro, por exemplo, é uma espécie que apresenta tortuosidade natural.

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A importância da pesquisa: bióloga do Pick-upau analisa amostra de muda.

Não há um padrão geral para a altura da parte aérea, mas é importante observar se existe equilíbrio entre seu tamanho e o comprimento da raiz. Muda com a parte aérea muito grande em comparação com a raiz pode sofrer tombamento no campo, sobretudo se houver predominância de vento na área do plantio. Apesar das variações existentes, recomenda-se que uma muda florestal pronta para expedição tenha de 20 cm a 40 cm de altura. Ainda com relação à estrutura, a haste deve ser firme, resistente e difícil de quebrar. Quanto maior o diâmetro do colo, maior a rigidez da haste. A raiz deve formar com o substrato um torrão firme e consistente, com raízes pivotantes, grande quantidade de raízes secundárias e em desenvolvimento (raízes brancas). A presença de raízes brancas indica que o sistema radicular continua em formação e proporcionará no campo melhores condições para absorção de água e nutrientes.

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Do ponto de vista sanitário, as mudas precisam estar livres de patógenos (nematóides, vírus e doenças) na parte aérea e nas raízes. Quanto ao fator fisiológico, as mudas devem estar adaptadas as condições que serão submetidas no campo, o que demanda mudas rustificadas com eficiência no uso de água para poder suportar o déficit hídrico, alto grau de competitividade e capacidade de suportar insolação e altas temperaturas. Por esse motivo, durante a produção é necessário executar a rustificação das mudas (última fase no viveiro). Outro fator importante é a presença de associações como micorrizas, que ocorrem em quase todas as espécies de plantas superiores. É uma associação mutualista entre fungos específicos do solo e as raízes das plantas, formando uma perfeita interação do ponto de vista morfológico e fisiológico. A presença de micorriza é indicada pela dicotomia das raízes (as pontas das raízes duplicam-se formando um Y). Esta simbiose aumenta a área de absorção das raízes, favorece a absorção de água e de nutrientes, principalmente aqueles pouco móveis no solo como o fósforo (P). Na absorção do nitrogênio (N), os benefícios das micorrizas envolvem também maior assimilação desse nutriente por meio de estímulo indireto de fixação biológica do nitrogênio (N) atmosférico pelas leguminosas formadoras de nódulo. Os efeitos não nutricionais incluem favorecimento na relação águaplanta, produção de substâncias reguladoras do crescimento, redução dos danos causados por patógenos, maior tolerância a estresses ambientais e a fatores fitotóxicos no solo já infectados por micorrizas para a produção de mudas. Para obter micorrizas para inoculação do substrato devem ser procuradas instituições de pesquisa agrícola e florestal como EMBRAPA – Microbiologia do Solo (Seropédica – RJ), e o Centro de Energia Nuclear na Agricultura (CENA) /ESALQ/USP (Piracicaba – SP), entre outras. Na mesma forma a existência de nodulações indica bactérias nitrificantes significativas no desenvolvimento das mudas. Na raiz de algumas espécies de leguminosas existe uma associação simbiótica com bactérias (por

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exemplo, Rhizobium sp.) e a raiz. Essa associação é benéfica principalmente por aumentar a absorção de nitrogênio (N) atmosférico pela planta. Algumas espécies como Sibipiruna, Acácia-negra, Bracatinga, entre outras, apresentam desenvolvimento reduzido por falta de bactérias. Nesses casos recomenda-se a inoculação no substrato (comercial ou solo) com essas bactérias.

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Área degrada e degradação ambiental A definição de área degradada e degradação ambiental variam muito de acordo com o referencial. Basicamente degradação é qualquer alteração causada pelo homem no ambiente que altere suas características físicas, químicas e biológicas, comprometendo a qualidade de vida no local. Como exemplo de degradação ambiental, podemos citar as áreas urbanas. Tais áreas sofrem um grave problema ambiental devido a maior parte dessas áreas serem desflorestadas, acumulando inúmeros problemas ambientais. Um dos principais problemas nas áreas urbanas é o uso de combustíveis fósseis nos veículos, que lançam no ar partículas poluentes e formam ácidos que resultarão na chuva ácida e em problemas respiratórios para o ser humano. Além de prejudicar os ecossistemas aquáticos, agricultura e as florestas.

Área degrada por incêndio florestal no PE das Fontes do Ipiranga.

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Outro grave problema dos centros urbanos pode ser utilizado como exemplo de degradação ambiental, o lançamento inadequado de esgotos domésticos e industriais. Essa é a principal forma de poluição das águas e pode ser observado com clareza no Rio Tietê. Porém a degradação ambiental não é observada apenas em centros urbanos, na zona rural onde se utiliza fogo como forma de preparação do solo e incêndios criminosos em áreas de florestais. Ao contrário do que se pensa, as queimadas empobrecem o solo, pois destroem rapidamente os nutrientes antes que possam ser absorvidos e além disso o solo fica exposto gerando um aumento na lixiviação e na erosão, altera o microclima da região e em escala global intensificam o efeito estufa. Para amenizar todo esse problema é necessário que em áreas desmatadas seja feito um plano de recuperação, com o intuito de se plantar novamente árvores para se restabelecer o equilíbrio do ecossistema, além de gerar uma melhor qualidade de vida a todos que estão ao seu entorno. As árvores têm não só a função paisagística, mas também protegem as lavouras contra ventos, diminuem a poluição sonora nos centros urbanos, absorvem parte dos raios solares, fornecem sombra, servem de moradia à alguns animais, fornecem alimento, ajudam na conservação do solo contra a erosão, absorvem poluentes atmosféricos e produzem oxigênio, essencial a nossa sobrevivência. Em vista de tudo que foi dito, é importantíssimo mantermos as florestas nativas e quando possível reflorestar áreas degradadas.

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Recuperação, Reabilitação e Restauração Ambiental A recuperação ambiental tem o objetivo de devolver ao ambiente as qualidades próximas do que se tinha antes da alteração, equilibrando os processos ambientais. Nesse caso costuma-se utilizar sistemas agroflorestais regenerativos, que consiste em sistemas produtivos com estrutura semelhante à vegetação original.

Projeto de Recuperação de Área Degradada em UC de SP.

A reabilitação ambiental é utilizada quando a única solução for o desenvolvimento de uma atividade alternativa adequada ao uso humano, aqui não tem como reconstituir a vegetação original. Nesse caso utilizam-se sistemas agroecológicos. Já a restauração ambiental visa reproduzir as condições originais exatas do local antes da degradação. Um exemplo do que é feito com sucesso para

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esse caso é o plantio misto de espécies nativas para a regeneração da vegetação original. Plano de Recuperação de Áreas Degradadas - PRAD A crescente preocupação em se restabelecer o equilíbrio nos ecossistemas e um aumento na demanda por projetos que visem a reconstituição ambiental, tanto no ambiente urbano, quanto no rural, fez com que se criasse o Plano de Recuperação de Áreas degradas- PRAD. Tal Plano tem como principal objetivo devolver ao ambiente seu estado natural de acordo com um plano pré-estabelecido que vise o seu equilíbrio. A recuperação deve levar em conta os aspectos ambientais, estéticos e sociais e qual será a destinação da área recuperada permitindo um novo equilíbrio ecológico.

Guaranis participam de PRAD em Unidade de Conservação de SP.

Porém nem sempre é possível a recuperação total de um ecossistema, devido ao estado de degradação que ele foi submetido. Amplamente um PRAD visa garantir segurança da saúde pública por meio da reabilitação das áreas perturbadas pelas ações antrópicas, tornando-as com condições desejáveis e necessárias à implantação de usos aceitáveis pós- degradação.

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Na prática, o PRAD é muito mais voltado para aspectos do solo e da vegetação, muito embora possam contemplar também, direta e indiretamente, a reabilitação ambiental da água, do ar, da fauna e do ser humano. Para as etapas de recuperação é necessário um pré- planejamento, onde se definem os objetivos a curto e longo prazo, as obras de engenharia necessárias, manejo dos solos, preparação do local para o plantio, seleção das espécies que serão plantadas, plantio propriamente dito e por fim monitoramento e manejo regular da área após a recuperação.

Como fazer um reflorestamento Primeiramente escolhem-se as espécies adequadas (Fig. 01) para as condições do local, levando em consideração o clima, tipo de solo, regime de ventos e de chuvas. Além disso, é necessário observar as preferências da espécie em relação ao sol e sombra, produção de frutas, ornamentação, quebra-ventos, entre outras coisas, sob o risco de, no futuro, termos de cortar uma árvore plantada em local inadequado ou não obter o efeito desejado dela. A época ideal para o plantio, no Brasil, é a época das chuvas, pois nessa época a planta sofre menos efeitos negativos do ambiente e terá mais chances de crescer. É necessário que as espécies sejam originais do próprio local, pois, além de reconstituir com mais fidelidade o ambiente original, as plantas nativas têm muito mais chances de se adaptarem ao ambiente. Deve-se também prestar atenção na relação da vegetação com a fauna, pois esta atuará como dispersora de sementes auxiliando na regeneração do local. É indicada a utilização de um grande número de espécies, com o intuito de gerar alta diversidade florística, tornando o local semelhante à floresta nativa. Além de que florestas com alta biodiversidade apresentam maior capacidade de

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recuperação, melhor ciclagem de nutrientes, maior atratividade à fauna, maior proteção do solo e maior resistência às pragas e doenças.

Fig. 1 A escolha das mudas certas. Ativista faz seleção de espécies.

Depois é necessário que se estude o perfil do solo determinando-se a tensão de água até a profundidade de 1 metro. Determina-se a profundidade em que o tempo de sedimentação fique em dois dias ou menos.

Fig. 2 O estudo do solo para a realização de um PRAD.

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Normalmente em terras virgens (desmatada recentemente), o tempo de sedimentação aumenta de 0 a 30 cm depois diminui de 30 cm a 60 cm. (Fig. 02) Uma coisa muito importante que deve ser feita é certifica-se da inexistência de formigas cortadeiras (Fig. 03), pois elas adoram as folhas suculentas das mudas, comprometendo seriamente o resultado do plantio. Após a análise das formigas é necessário que se escolha mudas sadias e de boa procedência, eliminando com uma tesoura de poda bem afiada, galhos e raízes secas evitando-se assim moléstias nas mudas.

Fig. 3 Presença de formigas cortadeiras em área de PRAD.

O próximo passo é abrir a cova, que deverá ter diâmetro e profundidade igual a 60 cm. Inicia-se com a remoção para um dos lados da cova, dos primeiros 20 cm de solo (superfície), onde se encontra a terra mais fértil (Fig. 04). Os 40 cm seguintes, cuja fertilidade é menor, deve ser posto separado (Fig. 05).

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Fig. 4 Abertura manual de berรงo.

Fig. 4 Abertura mecanizada de berรงo.

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Fig. 5 Separação da terra proveniente da abertura do berço.

Após a abertura das covas, nos tamanhos estipulados, preparam-se as mudas retirando-as do recipiente a acondiciona, para que a raiz possa se desenvolver (Fig. 06). O torrão de terra que envolve a muda deve permanecer intacto (preferencialmente). O recipiente onde a muda estava acondiciona, deve ser jogado no lixo, ou quando possível reaproveitado.

Fig. 6 Retirando a embalagem e preservando o torrão.

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É necessário checar se a profundidade está de acordo com a altura do torrão. No fundo da cova coloca-se o adubo que pode ser esterco e cinza de lenha ou farinha de osso misturado com terra fértil retirada dos primeiros 20 cm (Fig. 07).

Fig. 7 Medindo o berço para adequação da muda.

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Após esse procedimento, coloca-se a muda, de forma centralizada ao diâmetro da cova. A muda deve ficar reta e o torrão e parte das raízes devem ser colocados sobre o material adubado (Fig. 08).

Fig. 8 A colocação da muda no berço.

Fig. 9 Concluindo o plantio com a terra proveniente do berço.

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A terra que foi retirada do fundo da cova será utilizada para fixar a muda e é ideal que se pressione um pouco o chão para que a muda fique firme (Fig. 09). Deve-se tomar cuidado para colocar a parte onde ocorre contato entre raiz e caule no nível do solo da cova, pois se ela ficar fora a planta pode morrer. Para facilitar a retenção de água o terreno da cova pode ficar a uns dois centímetros do nível do solo.

Fig. 10 Colocando tutores nas mudas plantadas.

Por fim é necessário proteger as mudas. Contra ventos, por exemplo, são utilizados tutores, que consiste numa estaca reta onde o tronco da muda deve ser amarrado, tomando cuidado para não estrangular a muda (Fig. 10). Outro cuidado necessário é a colocação de uma camada de folhas secas ou palha seca ao redor da muda para favorecer a retenção de umidade. As mudas devem ser distribuídas após um criterioso estudo dos locais disponíveis, seguindo a “Metodologia de Revegetação de Matas Ciliares e de Proteção Ambiental”, descrita em publicação do Governo do Estado de São Paulo / Secretaria do Estado do Meio Ambiente / Fundação Florestal (Macedo, 1993), modificada. E então se escolhe a melhor forma para cada região e visando qual o objetivo final do projeto. Neste modelo, espécies pioneiras e não-pioneiras são alternadas em uma mesma linha (Fig. 11).

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Figura 11. Extraída de Macedo, A. C. REVEGETAÇÃO: Matas ciliares e de proteção ambiental. São Paulo: Fundação Florestal, 1993

Fig. 12 Extraída de Macedo, A. C. REVEGETAÇÃO: Matas ciliares e de proteção ambiental. São Paulo: Fundação Florestal, 1993

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Nesse modelo, as linhas de plantio alternam primárias e não primárias. A distribuição do sombreamento tende a ser mais regular, melhorando o desenvolvimento das não-pioneiras (Fig. 12). Nesse modelo é necessária a separação das pioneiras em dois subgrupos, as de copa mais densa e as de copa mais rala. É preciso diferenciar as secundárias mais e menos exigentes de luz. O plantio é pensado para que seja criado um microclima propício para todos os tipos de plantas. Se bem implementado, tende a ser melhor que os demais, porém, requer um planejamento e conhecimento das espécies bem mais elaborado (Fig. 13).

Fig. 13 - Extraída de Macedo, A. C. REVEGETAÇÃO: Matas ciliares e de proteção ambiental. São Paulo: Fundação Florestal, 1993

Para que as mudas se desenvolvam de maneira adequada é necessário atividades de manutenção com supervisão periódica da irrigação, adubação de cobertura e controle de formigas capina entre ruas e entre plantas, o coroamento, e a eventual substituição de plantas mortas. A revegetação é parte essencial do processo de recuperação de áreas degradadas, e não se restringe apenas ao plantio de árvores, mas também ao planejamento e seleção das espécies. A reabilitação de áreas degradadas

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deve observar uma série de fatores ambientais, de maneira que sejam criadas condições sejam as mais próximas possíveis das originais. Ao dar início à atividade de revegetação em áreas degradadas é importante considerar que o plantio é apenas uma das etapas necessárias ao processo de restauração. Somente com a observação periódica, manutenção e proteção da área plantada, se garantirá a continuidade do processo.

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ANEXOS Legislação Resolução SMA 21, de 21 de novembro de 2001. Fixa orientação para o reflorestamento heterogêneo de áreas degradadas e dá providências correlatas. O Secretário de Estado do Meio Ambiente, em cumprimento ao disposto nos artigos 23, VII, e 225, § 1º, I, da Constituição Federal, nos artigos 191 e 193 da Constituição do Estado, nos artigos 2º e 4º da Lei federal nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, e nos 2º, 4º e 7º da Lei estadual nº9. 509, de 20 de março de 1997, e Considerando o “Projeto de Produção de Mudas de Plantas Nativas – Espécies Arbóreas para Recomposição Vegetal, de interesse para economia estadual”, aprovado pelo Decreto nº 46.113, de 21 de setembro de 2001; Considerando a constatação feita pela Coordenadoria de Informações Técnicas, Documentação e Pesquisa Ambiental – CINP, da Pasta, quanto à baixa diversidade vegetal das áreas reflorestadas com espécies nativas, nas quais tem sido utilizadas menos de 33 espécies arbóreas, o que se agrava, ainda mais, quando se verifica que são plantadas praticamente as mesmas espécies em todo o Estado, independentemente da região, sendo 2/3 (dois terços) delas iniciais da sucessão, de ciclo de vida curto (15-20 anos), o que irá levar os reflorestamentos ao declínio em certo espaço de tempo, como vem sendo observado na prática;Considerando que a perda da diversidade biológica significa a redução de recursos genéticos úteis e disponíveis ao desenvolvimento sustentável, na forma de madeira, frutos, forragem, plantas ornamentais e produtos de interesse alimentar, industrial e farmacológico; Considerando que o Departamento Estadual de Proteção de Recursos Naturais – DEPRN, da Pasta, tem constatado que os plantios realizados podem apresentar resultados mais satisfatórios quando estabelecidos critérios técnicos para a escolha e combinação das espécies, Resolve:

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Artigo 1º - Com a finalidade de ser promovido o reflorestamento heterogêneo de áreas degradadas, especialmente nas matas ciliares, o Departamento Estadual de Proteção de Recursos Naturais – DEPRN, da Pasta, observado o rigoroso cumprimento do disposto no Decreto nº46. 113, de 21 de setembro de 2001, verificará a possibilidade, consideradas as peculiaridades locais e regionais e tanto quanto possível, do uso de espécies nativas, constantes do Anexo a esta resolução: I – nas seguintes proporções: a) 30 espécies distintas para projetos de até um hectare; b) 50 espécies distintas para projetos de até 20 hectares; c) 60 espécies distintas para projetos de até 50 hectares; d) 80 espécies distintas para projetos acima de 50 hectares; II – sendo priorizada a utilização de espécies ameaçadas de extinção, respeitando-se as regiões ou formações de ocorrência, na seguinte proporção: a) 5% (cinco por cento) das mudas, com pelo menos 5 espécies distintas, para projetos de até 1 hectare; b) 10% (dez por cento) das mudas, com pelo menos 10 espécies distintas, para projetos de até 20 hectares; c) 10% (dez por cento) das mudas, com pelo menos 12 espécies distintas, para projetos de até 50 hectares; d) 10% (dez por cento) das mudas, com pelo menos 15 espécies distintas, para projetos de até 50 hectares. § 1º - No caso de áreas degradadas localizadas em restingas, manguezais e florestas paludosas (mata de brejo): I – as espécies selecionadas para o plantio serão escolhidas entre espécies arbóreas de áreas naturais da vizinhança, atentando para as variações edáficas e topográficas locais; II – proporção de 50% (cinqüenta por cento), sempre que possível, das espécies naturais existentes na vizinhança.

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§ 2º - As mudas a ser utilizadas deverão, preferencialmente, ser produzidas com sementes procedentes da mesma região da área objeto da recuperação e nativas do bioma ou formação florestal correspondente, bem como ter pelo menos 20 cm (vinte centímetros) de altura e apresentar sistema radicular e rustificação que possibilitem a sua sobreviv��ncia pós-plantio. § 3º - Para a implantação das medidas de recuperação deverá ser utilizado o processo sucessional como estratégia básica. Artigo 2º - Na execução dos trabalhos de recuperação deverão ser considerados o preparo do solo, as estratégias e técnicas de plantio e, especialmente, a distribuição das mudas das diferentes espécies no campo, além da possibilidade de auto-recuperação dessas áreas no que se refere à possibilidade da presença ou chegada de propágulos (sementes ou indivíduos remanescentes) oriundos do banco de sementes e da “chuva” de sementes, dependendo do local da área objeto de recuperação e da vizinhança, devendo, ainda, levar em conta a presença de remanescentes florestais próximos e considerar o histórico e uso atual da área, no que se refere às práticas culturais, com alteração da drenagem do solo, retirada ou revolvimento periódico do solo, usa de herbicidas e outros. § 1º - As áreas reflorestadas deverão ser conservadas mediante o controle de formigas, realização de, no mínimo, 3 (três) capinas e/ou coroamento anuais, mantendo as entrelinhas vegetadas e baixas e, se possível, efetuar, pelo menos, duas adubações anuais com formulação normalmente utilizadas na região, ou de acordo com os resultados da análise do solo. § 2º - Nas restingas, manguezais e florestas paludosas (mata de brejo), deverá ser promovida a restauração da hidrodinâmica do solo e, no caso de áreas com retirada ou revolvimento anterior do solo, da sua estrutura. Artigo 3º - A Secretaria do Meio Ambiente, mediante programas específicos, estimulará o desenvolvimento de pesquisas para o aprimoramento do conhecimento científico das medidas estabelecidas nesta resolução, visando ampliar os conhecimentos sobre ecologia das espécies e formações e sobre tecnologia de produção de sementes e mudas, bem como estabelecer modelos alternativos para a recuperação de áreas degradadas, em conjunto com outras

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Secretarias de Estado, Universidades, instituições científicas, Poderes Públicos das demais esferas de governo e organizações não governamentais. Artigo 4º - Esta resolução entra em vigor na data de sua publicação. Publicado novamente por ter saído com incorreções no D.O. de 22/11/2001.

Espécies Nativas Listagem das espécies arbóreas, com a indicação do bioma/ecossistema de ocorrência natural no Estado de São Paulo e a classe sucessional a que pertencem. Espécies nativas da mata atlântica do Estado de São Paulo; LISTAGEM OFICIAL DE ESPÉCIES NATIVAS PRODUZIDAS EM VIVEIROS FLORESTAIS, NOS DIVERSOS BIOMAS DO ESTADO DE SÃO PAULO Listagem das espécies arbóreas, com a indicação do bioma / ecossistema de ocorrência natural no Estado de São Paulo e a classe sucessional a que pertencem. Biomas / ecossistemas: R = Vegetação de Restinga, MA = Floresta Ombrófila Densa, MM = Floresta Estacional Semidecidual, MC = Mata Ciliar, MB = Mata de brejo, C = Cerrado, FOM = Floresta Ombrófila Mista.

89


Em negrito indica a ampla ocorrência da espécie no bioma / ecossistema correspondente. Classe sucessional: P = espécie pioneira ou secundária inicial, NP = Espécie secundária tardia ou clímax.

Espécies nativas da Mata Atlântica no Estado de São Paulo.

90


FAMÍLIA / ESPÉCIE

NOME POPULAR

BIOMA / ECOSSISTEMA DE

CLASSE

OCORRÊNCIA

SUCESS.

ANACARDIACEAE Astronium graveolens

guaritá

MM / MC

NP

Lithraea molleoides

aroeira-brava

MM / MC / C

Myracrodruon urundeuva (Astronium urundeuva)

aroeira-preta

MM

Schinus terebinthifolius

aroeira-mansa

R / MA / MM / MC / MB / C

P

Tapirira guianensis

peito-de-pomba

R / MA / MM / MC / MB / C

P

Annona cacans

araticum

MM / MC / MB

P

Annona glabra

araticum-do-brejo

R / MA / MM

P

Duguetia lanceolata

pindaíva

MA / MM / MC / MB

NP

Rollinia mucosa

biribá

MA

NP

Rollinia sylvatica

cortiça-amarela

MM / MC / MB

NP

Xylopia brasiliensis

pau-de-mastro

R / MA / MM / MC

NP

Aspidosperma cylindrocarpon

peroba-poca

MM / MC / MB

NP

Aspidosperma parvifolium (Aspidosperma olivaceum)

guatambu

R / MA / MM

NP

Aspidosperma polyneuron

peroba-rosa

MM / MC / MB

NP

Aspidosperma ramiflorum

guatambu

MM / MC

NP

Aspidosperma tomentosum (Aspidosperma

guatambu-vermelho

MM

NP

leiteiro

MA / MC / C

P NP

Annonaceae

Apocynaceae

subincanum) Peschiera fuchsiaefolia

P

91


FAMÍLIA / ESPÉCIE

Rauwolfia sellowii

NOME POPULAR

BIOMA / ECOSSISTEMA DE

CLASSE

OCORRÊNCIA

SUCESS.

casca-d’anta

MM

P

erva-mate

MA / MM / MC / C / FOM

NP

Dendropanax cuneatum

maria-mole

MA / MM / MC / MB / C

NP

Didymopanax morototonii

mandioqueiro

MM / MC

NP

Sciadodendron excelsum

carobão

MM

NP

pinheiro-do-paraná

FOM

NP

Acrocomia aculeata (Acrocomia sclerocarpa)

macaúba

MM / MC

NP

Euterpe edulis

palmito-juçara

R / MA / MM / MC / MB

NP

Syagrus oleracea

gueroba

MM / MC

NP

Syagrus romanzoffiana

jerivá

R / MA / MM / MC / MB / C

P

Gochnatia polymorpha

cambará

MM / MC / MB / C / FOM

P

Vernonia polyanthes

cambará-guaçu

MM / MC

P

Cybistax antisyphilitica

ipê-verde

R/C

P

Jacaranda macrantha

caroba

R / MA / MM

P

Jacaranda micrantha

caroba-miúda

MM / MC

P

Aquifoliaceae Ilex paraguariensis Araliaceae

Araucauriaceae Araucaria angustifólia Arecaceae

Asteraceae

Bignoniaceae

92


FAMÍLIA / ESPÉCIE

NOME POPULAR

BIOMA / ECOSSISTEMA DE

CLASSE

OCORRÊNCIA

SUCESS.

Jacaranda puberula (Jacaranda semisserrata)

carobinha

R / MA / FOM

P

Tabebuia Alba

ipê-amarelo-da-serra

MA / MM

NP

Tabebuia caraíba

ipê-amarelo-do-serrado

C

NP

Tabebuia chrysotricha

ipê-amarelo-cascudo

MA / MM / MB

NP

Tabebuia heptaphylla

ipê-roxo-sete-folhas

MA

NP

Tabebuia impetiginosa

ipê-roxo-de-bola

MA / MM / C / FOM

NP

Tabebuia ochracea

ipê-amarelo-do-campo

MM / C

NP

Tabebuia roseo-alba

ipê-branco

MM

NP

Tabebuia serratifolia

ipê-amarelo

MA / MM

NP

Tabebuia umbellata

ipê-amarelo-do-brejo

R / MA / MM / MB

NP

Tabebuia vellosoi

ipê-amarelo-de-casca-lisa

MA / MM

NP

Zeyheria tuberculosa

ipê-felpudo

MM / MC

P

Chorisia speciosa

paineira

MM / MC / MB

P

Eriotheca candolleana

embiruçu-do-litoral

MA / MM / MC

P

Eriotheca gracilipes

paineira-do-campo

C

P

Eriotheca pentaphylla

sapopemba

R / MA

P

Pseudobombax grandiflorum

embiruçu-da-mata

R / MA / MM / MC / MB

P

Pseudobombax longiflorum

embiruçu-do-serrado

C

P

café-de-bugre

MA / MM / MC / C / FOM

P

Bombacaceae

Boraginaceae Cordia ecalyculata

93


FAMÍLIA / ESPÉCIE

NOME POPULAR

BIOMA / ECOSSISTEMA DE

CLASSE

OCORRÊNCIA

SUCESS.

Cordia sellowiana

chá-de-bugre

R / MA / MM / MC / C

P

Cordia superba

babosa-branca

MA / MM / MC

P

Cordia trichotoma

louro-pardo

MA / MM / MC

NP

Patagonula americana

guaiuvira

MM / MC

Protium heptaphyllum

almecega

MA / MM / MC / MB / C

NP

Protium spruceanum

almecega

MM

NP

jacaratiá

MM / MC

P

pequi

C

P

Cecropia hololeuca

embaúba-vermelha

MM

P

Cecropia pachystachya

embaúba-branca

R / MA / MM / MC / MB

P

espinheira-santa

MA / MM

NP

Calophyllum brasiliense

guanandi

R / MA / MM / MC / C

NP

Garcinia gardneriana (Rheedia gardneriana)

bacupari

R / MA / MM

NP

Kielmeyera variabilis

pau-santo

C

NP

P

Burseraceae

Caricaceae Jacaratia spinosa Jjacaratia dodecaphylla) Caryocaraceae Caryocar brasiliense Cecropiaceae

Celastraceae Maytenus ilicifolia Clusiaceae

Combretaceae

94


FAMÍLIA / ESPÉCIE

NOME POPULAR

BIOMA / ECOSSISTEMA DE

CLASSE

OCORRÊNCIA

SUCESS.

Terminalia argêntea

capitão-do-cerrado

MM / MC / C

NP

Terminalia brasiliensis

cerne-amarelo

MA / MM / MC / MB

NP

Terminalia triflora

capitãozinho

MA / MM / MC / MB

NP

guaperê

R / MA / MM / C

NP

marmelinho

MM

NP

mercurinho

C

NP

Alchornea glandulosa (Alchornea iricurana)

tanheiro

R / MA / MM / MC / MB

P

Croton floribundus

capixingui

MA / MM / MC / MB / C

P

Croton urucurana

sangra-d’água

MA / MM / MC

P

Hyeronima alchorneoides

aracurana-da-serra

R / MA / MM / MB

P

Mabea brasiliensis

canudo-de-pito

R / MA

P

Mabea fistulifera

canudeiro

MM / C

P

Pera glabrata

tamanqueira

R / MA / MM / MC / MB / C

P

Sapium glandulatum

pau-de-leite

R / MA / MM / MC / MB / FOM

P

Savia dictyocarpa (Securinega guaraiuva)

guaraiúva

MA / MM / MC

NP

espeteiro

MA / MM / MC

NP

Cunoniaceae Lamanonia ternata Ebenaceae Diospyros inconstans Erythroxylaceae Erythroxylum tortuosum Euphorbiaceae

Flacourtiaceae Casearia gossypiosperma

95


FAMÍLIA / ESPÉCIE

Casearia sylvestris

NOME POPULAR

BIOMA / ECOSSISTEMA DE

CLASSE

OCORRÊNCIA

SUCESS.

guaçatonga

R / MA / MM / MC / MB / C

P

Cryptocarya aschersoniana

canela-batalha

MA / MM / MC / FOM

NP

Nectandra megapotamica

canelinha

MA / MM / MC

NP

Ocotea corymbosa

canela-do-cerrado

MA / MM / MC / MB / C

NP

Ocotea odorifera (Ocotea pretiosa)

canela-sassafrás

R / MA / MM / MC

NP

Ocotea puberula

canela-guaicá

R / MA / MM / MC / MB

NP

Ocotea pulchella

canela-preta

R / MA / MM / MC / C / FOM

NP

Persea pyrifolia

abacateiro-do-mato

R / MA / MM / MC / C / FOM

NP

Cariniana estrellensis

jequitibá-branco

R / MA / MM / MC / MB

NP

Cariniana legalis

jequitibá-vermelho

MM / MC

NP

Apuleia leiocarpa

grápia

MM / MC

NP

Bauhinia forficata

unha-de-vaca

MM / MC

P

Bauhinia holophylla

pata-de-vaca-do-cerrado

C

P

Cassia ferruginea

cássia-fístula

MA / MM / MC

P

Copaifera langsdorffii

òleo-de-copaíba

MA / MM / MC / MB / C

Dimorphandra mollis

faveiro-doce

C

P

Diptychandra aurantiaca

balsaminho

C

NP

Hymenaea courbaril

jatobá

MM / MC

NP

Lauraceae

Lecythidaceae

Leg. – Caesalpinioideae

NP

96


FAMÍLIA / ESPÉCIE

NOME POPULAR

BIOMA / ECOSSISTEMA DE

CLASSE

OCORRÊNCIA

SUCESS.

Peltophorum dubium (Peltophorum vogelianum)

canafístola

MM / MC

P

Pterogyne nitens

amendoim-do-campo

MM

P

Schizolobium parahyba

guapuruvu

R / MA / MM / MC

P

Sclerolobium denudatum

passuaré

R / MA

Senna macranthera

fedegoso

MA / MM

P

Senna multijuga

pau-cigarra

R / MA / MM / MC

P

Abarema langsdorffii (Pithecellobium langsdorffii)

raposeira-branca

MA / MM

Acacia polyphylla

espinho-de-maricá

R / MA / MM / MC

P

MA / MC

P

NP

Leg. – Mimosoideae

Albizia edwallii (Pithecellobium edwallii)

NP

Albizia hasslerii

farinha-seca

MM / MC

P

Albizia polycephala

albizia

MM / MC

P

Anadenanthera colubrina

angico-branco

MA / MM / MC

P

Anadenanthera falcata

angico-do-cerrado

MM / C

P

Anadenanthera macrocarpa

angico-vermelho

MM / MC

P

Enterolobium contortisiliquum

orelha-de-negro

MM / MC

P

Inga edulis

ingá-de-metro

R / MA / MM

P

Inga laurina (Inga fagifolia)

ingá-mirim

R / MA / MM / MC / MB

NP

Inga marginata

ingá-feijão

R / MA / MM / MC / MB

P

Inga sessilis

ingá-ferradura

R / MA / MM / C / FOM

NP

Inga uruguensis

ingá-quatro-quinas

MM / MC

P

97


FAMÍLIA / ESPÉCIE

NOME POPULAR

BIOMA / ECOSSISTEMA DE

CLASSE

OCORRÊNCIA

SUCESS.

Mimosa bimucronata (Mimosa sepiaria)

maricá

R / MA / MM / MC

P

Mimosa scabrella

bracatinga

MA / FOM

P

Parapiptadenia rigida (Anadenanthera rigida)

angico-da-mata

MM / MC

P

Piptadenia gonoacantha

pau-jacaré

R / MA / MM / MC / MB

P

Pithecellobium incuriale

chico-pires

MM / MC

P

Stryphnodendron adstringens

barbatimão

MM / C

NP

Andira anthelmia

garacuí

R / MA / MM / MC / C

NP

Bowdichia virgilioides

sucupira-preta

C

P

Centrolobium tomentosum

araribá

R / MA / MM / MC

P

Cyclolobium vecchi

louveira

MM / MC

NP

Dalbergia miscolobium

caviúna-do-cerrado

C

NP

Dalbergia variabilis

assapuva

MC

NP

Erythrina crista-galli

corticeira-do-banhado

MM / MC

P

Erythrina falcata

corticeira-da-serra

MA / MM / MC / MB / FOM

P

Erythrina speciosa

mulungu-do-litoral

R / MA

P

Erythrina verna

suinã

MM

P

Holocalyx balansae

alecrim-de-campinas

MM / MC

Lonchocarpus campestris

embirinha

MM

Leg. – Papilionoideae

NP P

98


FAMÍLIA / ESPÉCIE

NOME POPULAR

BIOMA / ECOSSISTEMA DE

CLASSE

OCORRÊNCIA

SUCESS.

Lonchocarpus guilleminianus

embira-de-sapo

R / MA / MM / MC

P

Lonchocarpus muehlbergianus

embira-de-sapo

MA / MM / MC

P

Luetzelburgia auriculata

guaiçara

MM

Machaerium aculeatum

pau-de-angú

MM / MC / MB

Machaerium acutifolium

bico-de-pato

MC / C

Machaerium nictitans

jacarandá-bico-de-pato

R / MA / MM / MC / MB

Machaerium paraguariense

cateretê

MM / MC

NP

Machaerium scleroxylon

caviúna

MA / MM / MC

NP

Machaerium stipitatum

sapuva

MA / MM / MC

P

Machaerium villosum ( Machaerium lanatum)

jacarandá-paulista

MM / MC / C

P

Myrocarpus frondosus

óleo-pardo

MA / MM / MC

NP

Myroxylon peruiferum (Myroxylon balsamum)

cabreúva-vermelha

MA / MM / MC / MB

NP

Ormosia arbórea

olho-de-cabra

R / MA / MM / MC / C

NP

Platycyamus regnelli

pau-pereira

MM / MC

Platypodium elegans

jacarandá-do-campo

MM / MC / C

NP

Poecilanthe parviflora

coração-de-negro

MM

NP

Pterocarpus rohrii

aldrago

R / MA

P

Pterodon pubescens (Pterodon emarginatus)

faveiro

MM / C

NP

Vataira macrocarpa

angelim-do-cerrado

C

NP

Zollernia glabra

mocitaíba

R

NP

NP P NP P

P

Lythraceae

99


FAMÍLIA / ESPÉCIE

NOME POPULAR

BIOMA / ECOSSISTEMA DE

CLASSE

OCORRÊNCIA

SUCESS.

Lafoensia glyptocarpa

mirindiba-rosa

MA

P

Lafoensia pacari

dedaleiro

MM / MC / MB / C

P

pinha-do-brejo

MA / MM / MC / MB

murici

C

P

Miconia candolleana

jacatirão

MA / MM / MC

P

Miconia ligustroides

jacatirão-do-brejo

MM / MC / MB / C

P

Tibouchina mutabilis

manacá-da-serra

R / MA / MM

P

Tibouchina pulchra

manacá-da-serra

R / MA

P

Cabralea canjerana

canjerana

R / MA / MM / MC / MB

Cedrela fissilis

cedro-rosa

MA / MM / MC / MB / FOM

P

Cedrela odorata

cedro-do-brejo

MA / MM / MB

P

Guarea guidonia

marinheiro

MA / MM / MC / MB

P

Chlorophora tinctoria (Maclura tinctoria)

taiúva

MM / MC / MB

P

Ficus guaranítica

figueira-branca

MM / MC / MB

P

Ficus insípida

figueira-do-brejo

R / MA / MM / MB

P

Magnoliaceae Talauma ovata

NP

Malpighiaceae Byrsonima verbascifolia Melastomataceae

Meliaceae NP

Moraceae

Myristicaceae

100


FAMÍLIA / ESPÉCIE

Virola bicuiba (Virola oleifera)

NOME POPULAR

BIOMA / ECOSSISTEMA DE

CLASSE

OCORRÊNCIA

SUCESS.

bicuíba

R / MA / MM

NP

Rapanea ferruginea

capororoca

R / MA / MM / MC / FOM

P

Rapanea guianensis

capororoca

R / MA / MM / MC / MB / C

P

Rapanea umbellata

capororoca

R / MA / MM / MC / MB / C /

P

Myrsinaceae

FOM Myrtaceae Blepharocalyx salicifolius

murta

R / MA / MM / MC / MB / C /

NP

FOM Calyptranthes clusiaefolia

araçarana

MM / MC

NP

Campomanesia guazumaefolia

sete-capotes

MM / MC / FOM

NP

Campomanesia neriiflora

guabiroba-branca

R / MA / MM / MC

NP

Campomanesia phaea

cambuçi

R / MA

NP

Campomanesia xanthocarpa

gabiroba

R / MA / MM / MC

NP

Eugenia brasiliensis

grumixama

R / MA / MM / FOM

NP

Eugenia florida

pitanga-preta

MA / MM / MC / MB

NP

Eugenia involucrata

cereja-do-rio-granda

MA / MM / MC

NP

Eugenia leitonii

araçá-piranga

MA

NP

Eugenia pyriformis

uvaia

MA / MM

NP

Eugenia speciosa

laranjinha-do-mato

R / MA / MM / MC / MB

NP

Eugenia uniflora

pitanga

MM / MC / FOM

NP

101


FAMÍLIA / ESPÉCIE

NOME POPULAR

BIOMA / ECOSSISTEMA DE

CLASSE

OCORRÊNCIA

SUCESS.

Myrcia tomentosa

goiaba-brava

MM / C / FOM

NP

Myrcianthes pungens

guabiju

MM / C

NP

Myrciaria tenella

cambuí

MM / MC

NP

Plinia rivularis

cambucá-peixoto

MM / MM

NP

Psidium cattleianum (Psidium littorale)

araçá-da-praia

R / MA / MM

Guapira noxia

guapira

MM / C

NP

Guapira opposita

flor-de-pérola

R / MA / MM / MC / MB / C /

NP

P

Nyctaginaceae

FOM Phytolaccaceae Gallesia integrifolia (Gallesia gorazema)

pau-d’alho

MM / MC

P

Phytolacca dióica

cebolão

MM

P

Seguieria langsdorffi

agulheiro

MM

P

Colubrina glandulosa (Colubrina rufa)

saguaragi

MA / MM / MC

Rhamnidium elaeocarpum

saguaragi-amarelo

MM / MC

P

pessegueiro-bravo

R / MA / MM / MC / MB / C /

P

Rhamnaceae NP

Rosaceae Prunus myrtifolia (Prunus sellowii)

FOM Rubiaceae Amaioua guianensis

marmelada

R / MA / MM / MC / C

NP

102


FAMÍLIA / ESPÉCIE

NOME POPULAR

BIOMA / ECOSSISTEMA DE

CLASSE

OCORRÊNCIA

SUCESS.

Genipa americana

genipapo

MM / MC

NP

Posoqueria acutifólia

laranja-de-macaco

MA / MM

NP

Balfourodendron riedellianum

pau-marfim

MM / MC

NP

Dictyoloma vandellianum

tingui-preto

R / MM / FOM

Esenbeckia grandiflora

guaxupita

R / MA / MM / MC / MB

NP

Esenbeckia leiocarpa

guarantã

MM

NP

Galipea jasminiflora

grumixara

MM / MC

NP

Helietta apiculata

canela-de-veado

MM / MC

P

Zanthoxylum rhoifolium

mamica-de-cadela

MA / MM / MC / C / FOM

P

Zanthoxylum riedelianum

mamica-de-porca

MA / MM / MC / MB / C

P

Allophylus edulis

chal-chal

MA / MM / MC

P

Cupania racemosa

caguantã

MA / MM / C / FOM

NP

Cupania vernalis

arco-de-peneira

MA / MM / MC / C

NP

Diatenopteryx sorbifolia

correeiro

MM / MC

Chrysophyllum gonocarpum

caxeta-amarela

MA / MM / MC

NP

Chrysophyllum ramiflorum

guacá

MA

NP

Pouteria caimito

abíu

R / MA

NP

Pouteria ramiflora

leiteiro-preto

C

NP

Rutaceae P

Sapindaceae

P

Sapotaceae

103


FAMÍLIA / ESPÉCIE

Pouteria torta

NOME POPULAR

BIOMA / ECOSSISTEMA DE

CLASSE

OCORRÊNCIA

SUCESS.

guapeva

MA / MM / C

NP

Acnistus arborescens

marianeira

R / MA / MM

P

Solanum granuloso-leprosum

gravitinga

MM / MC

P

mutambo

MM / MC

P

Heliocarpus americanus

jangada-brava

MM / MC

P

Luehea divaricata

açoita-cavalo-miúdo

MM / MC / MB / C

P

Luehea grandiflora

açoita-cavalo

MM / MC / C

P

crindeúva

R / MA / MM / MC

P

Aegiphila sellowiana

tamanqueiro

R / MA / MM / MC / MB

P

Aloysia virgata

cambará-de-lixa

MM

P

Cytharexyllum myrianthum

pau-viola

R / MA / MM / MB / C

P

Vitex montevidensis (Vitex megapotamica)

tarumã

MM / MC / MB / C

NP

Vitex polygama

tarumã

MA / MM / MC

NP

Qualea dichotoma

pau-terra-mirim

MM / MC / C

NP

Qualea grandiflora

pau-terra

C

NP

Solanaceae

Sterculiaceae Guazuma ulmifolia Tiliaceae

Ulmaceae Trema micrantha Verbenaceae

Vochysiaceae

104


FAMÍLIA / ESPÉCIE

NOME POPULAR

BIOMA / ECOSSISTEMA DE

CLASSE

OCORRÊNCIA

SUCESS.

Qualea jundiahy

pau-terra

MM / MC

NP

Vochysia bifalcata

pau-de-vinho

R / MA / MM

NP

105


GLOSSÁRIO Adubo: produto fertilizante que fornece ao solo e às plantas elementos vitais à sua sustentação, como nitrogênio, fósforo e potássio. Pode ser de matéria orgânica (pó de osso, estrume) ou químico (de rochas eruptivas, sedimentares ou salinas). Adubo verde: vegetal incorporado ao solo com a finalidade de adicionar matéria orgânica que vai se transformar, parcialmente, em húmus, bem como em nutrientes para a planta. Os adubos verdes podem consistir de ervas, gramíneas, leguminosas etc. Aeróbio (anaeróbio): aeróbios são organismos para os quais o oxigênio livre do ar é imprescindível à vida. Os anaeróbios, ao contrário, não requerem ar ou oxigênio livre para manter a vida; os que vivem tanto na ausência quanto na presença de oxigênio livre são os anaeróbios facultativos. Água potável: é aquela cuja qualidade a torna adequada ao consumo humano. Alfobre: designação do local, geralmente canteiro no chão ou até mesmo caixas, onde se realiza a semeadura para transplante das plântulas a embalagens individuais. Área de Proteção Ambiental (APA): categoria de unidade de conservação cujo objetivo é conservar a diversidade de ambientes, de espécies, de processos naturais e do patrimônio natural, visando à melhoria da qualidade de vida, através da manutenção das atividades sócio-econômicas da região. Esta proposta deve envolver, necessariamente, um trabalho de gestão integrada com participação do Poder Público e dos diversos setores da comunidade. Pública ou privada é determinada por decreto federal, estadual ou municipal, para que nela seja discriminado o uso do solo e evitada a degradação dos ecossistemas sob interferência humana.

106


Bacia hidrográfica: conjunto de terras drenadas por um rio principal e seus afluentes. A noção de bacias hidrográfica inclui naturalmente a existência de cabeceiras ou nascentes, divisores d'água, cursos d'água principais, afluentes, subafluentes etc. Em todas as bacias hidrográficas deve existir uma hierarquização na rede hídrica para que a água escoe normalmente dos pontos mais altos para os mais baixos. O conceito de bacia hidrográfica deve incluir também noção de dinamismo, por causa das modificações que ocorrem nas linhas divisórias de água sob o efeito dos agentes erosivos, alargando ou diminuindo a área da bacia. Biodiversidade: a diversidade biológica de determinada região ou ecossistema. Segundo estimativas cautelosas, existem no planeta entre 5 a 10 milhões de espécies de organismos, mas outras fontes indicam cerca de 30 milhões. Biodiversidade - representa o conjunto de espécies animais e vegetais viventes. Comunidade florística: termo empregado para designar um conjunto populacional com unidade florística de aparência relativamente uniforme, caracterizada como uma subdivisão de subformação, com área espacial conhecida. Controle biológico: Técnica que envolve o uso de inimigos naturais para diminuir a população de um organismo considerado prejudicial às culturas agrícolas. Decídua: plantas, sobretudo árvores que perdem as folhas sazonalmente. Decompositores: organismos que transformam a matéria orgânica morta em matéria inorgânica simples, passível de ser reutilizada pelo mundo vivo. Compreendem a maioria dos fungos e das bactérias. O mesmo que saprófitas. Desbaste: operação de poda ou arranquio de plantas excedentes. Dossel: parte formada pela copa das árvores que compõe o estrato superior da floresta.

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Eco desenvolvimento: visão moderna do desenvolvimento consorciado com o manejo dos ecossistemas, procurando utilizar os conhecimentos já existentes na região, no âmbito cultural, biológico, ambiental, social e político, evitando-se assim a agressão ao meio ambiente. Ecossistema: a comunidade total de organismos, junto com o ambiente físico e químico no qual vivem se denomina ecossistema, que é a unidade funcional da ecologia; Conjunto de fatores físicos, químicos e bióticos que compõem determinado ambiente, que se estende por um espaço dado de dimensões variáveis. Epífitas: plantas que crescem agarradas a outras plantas, tais como as orquídeas, musgos, liquens, bromélias etc. Espécie: compõe-se de indivíduos semelhantes em todos ou na maioria de seus caracteres estruturais e funcionais, que se reproduzem sexuada ou assexuadamente e constituem uma linhagem filogenética distinta.(2) A menor população natural considerada diferente de todas as outras para merecer um nome científico, sendo assumido ou provado que permanecerá diferente de outras, ainda que possam ocorrer eventuais intercruzamentos com espécies próximas.(3) Categoria da classificação biológica subordinada imediatamente ao gênero ou subgênero sendo, a menor população natural considerada suficientemente diferente de outras partes para merecer um nome e da qual se assume ou se prova que permanecerá diferente apesar de eventuais intercruzamentos com espécies aparentadas. Estufa: estrutura plástica, sem controle de ambiente, onde são produzidos vegetais. Fertilizante: material aplicado no solo para enriquecê-lo de substâncias químicas essenciais à vida das plantas. Os principais fertilizantes são os compostos de nitrogênio, fósforo e potássio, empregados para promover o crescimento, e a cal para ajustar a acidez e a alcalinidade do solo. Fungos: por muito tempo foram considerados plantas, mas não possuem clorofila e são incapazes de sintetizar seus alimentos, conseqüentemente, dependem de outros organismos para completar a sua nutrição e produzem esporos. Por essas características, hoje eles tem uma classificação exclusiva,

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estão no chamado Reino Fungi. Os fungos podem viver da matéria orgânica morta, ocasionando ou auxiliando a sua decomposição ou parasitar outros seres vivos, alimentando-se do protoplasma das células hospedeiras e também formar associações com outras plantas, como algas ou com raízes vegetais superiores. Húmus: fração orgânica coloidal (de natureza gelatinosa), estável, existente no solo, que resulta da decomposição de restos vegetais e animais. Lençol freático: é um lençol d'água subterrâneo que se encontra em pressão normal e que se formou em profundidade relativamente pequena. Mata ciliar: conjunto da flora existente à beira de um rio, córrego ou espelho d’água. Também conhecido como floresta ciliar. Monda: retirada de plantas daninhas. Repicagem: arranquio do alfobre e transplante para embalagens definitivas. Rustificação: quando as mudas estão prestes a sair do viveiro para o plantio, a adubação é suspensa, a freqüência das irrigações é diminuída e se elas estiverem sombreadas, o sombreamento deverá ser reduzido ou removido para adaptar as mudas ao ambiente natural. Uso sustentável: uso de um organismo, ecossistema ou de outro recurso renovável a uma taxa compatível com sua capacidade de renovação.

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BIBLIOGRAFIA ALTIERI, M. A. et al.. O papel da biodiversidade no manejo de pragas. Ribeirão Preto: Holos, 2003. ARATO, Helga D.; MARTINS, Sebastião V.; FERRARI, Silvia H. S. Produção e decomposição de serapilheira em um sistema agroflorestal implantado para recuperação de área degradada em Viçosa-MG. Revista Árvore, Viçosa, v.27, n.5, set./out. 2003 BARROS, R. T. de V. et al. Saneamento. Belo Horizonte: Escola de Engenharia da UFMG, 1995. (Manual de saneamento e proteção ambiental para os municípios, 2). COLINVAUX, P. A. Ecology 2. New York: Wiley, 1993 DASHEFSKY, H S. Dicionário de Ciência Ambiental. 3ª Ed. São Paulo: Gaia, 2003. FILHO, A. P. Dicionário enciclopédico de Ecologia. São Paulo: Editora Manole, 2000. KAHTOUNI, S. Cidade das águas. São Paulo: Rima, 2004. LIMA, H. M.; FLORES, José Cruz Do Carmo; COSTA, F. L. Plano de Recuperação de Áreas Degradadas Versus Plano de Fechamento de Mina: Um Estudo Comparativo. KAGEYAMA, P.Y. Endegomia em espécies florestais, IPEF série técnica, Vol.2, nº8, p.40, 1981

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MENDONÇA, F. et al. Climatologia: noções básicas e climas do Brasil. São Paulo: oficina de Textos, 2007. NETO, G. A.; ANGELIS, Bruno Luiz Domingos de; OLIVEIRA, Daniel Simeoni de. O uso da vegetação na recuperação de áreas urbanas degradadas. Acta Scientiarum. REBOUÇAS, A. Uso inteligente da água. São Paulo: Escrituras Editora, 2004. ROCHA, M. T. et al. Empreendedorismo em negócios sustentáveis – Plano de Negócios como ferramenta do desenvolvimento. São Paulo: Peirópolis; Brasília, DF: IEB – Instituto Internacional de Educação do Brasil, 2005. SÃO PAULO (ESTADO) Secretaria de Meio Ambiente, Fundação para a Conservação e Produção Florestal do Estado de São Paulo; Coord. Respons.: Hahn, C M ; Oliveira, C. et al.. São Paulo: SMA, 2006. SCHARF, R. Manual de Negócios Sustentáveis. São Paulo: Amigos da Terra – Amazônia Brasileira; Fundação Getúlio Vargas, Centro de Estudos em Sustentabilidade, 2004. PIOLLI, Alessandro et al. PLANETA ÁGUA – Associação de Defesa do Meio Ambiente. Teoria e Prática em Recuperação de Áreas Degradadas: Plantando a semente de um mundo melhor. Serra Negra- SP. 2004 SOUZA, V. C. Botânica Sistemática: guia ilustrado para identificação das famílias de Angiospermas da flora brasileira, baseado em APG II - Vinícius Castro Souza, Harri Lorenzi. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2005. YAMAZOE, G.; VILAS BOAS, O. Manual de pequenos viveiros florestais. São Paulo: Páginas & Letras Editora e Gráfica, 2003. Sites Portal Pick-upau – Central de Educação e Jornalismo Ambiental Projeto Outono – Folhas do Conhecimento (Pick-upau) Cetesb – Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental Sabesp – Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo

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Secretaria Estadual de Meio ambiente de São Paulo IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística Aneel – Agência Nacional de Energia Elétrica RBMA – Reserva da Biosfera da Mata Atlântica IBAMA – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais MMA – Ministério do Meio Ambiente WWF – World Wildlife Foundation Planalto – Governo do Brasil

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PROJETO REFAZENDA Apostila de Capacitação Técnica e Operacional para Viveiros de Mudas de Espécies Nativas da Mata Atlântica e PRADs

Ficha Técnica Coordenação Geral do Projeto Refazenda: Andrea Nascimento Coordenação Técnica: Dra. Heloisa Candia Hollnagel Assessoria Técnica: Eng. Agrônomo Nelson Matheus Oliveira Junior Biólogas: Gabriela Picolo e Karina Spaolonzi Coordenação Indígena: Karai Tataendy Direção-executiva da Agência Ambiental Pick-upau: J. Andrade Texto: Redação da Agência Ambiental Pick-upau (MTB: 35.491) Fotos: Arquivo da Agência Ambiental Pick-upau Revisão: Redação da Agência Ambiental Pick-upau Criação Gráfica e Editoração: Morphina Design Realização Agência Ambiental Pick-upau Financiamento Fundo Nacional do Meio Ambiente – FNMA Ministério do Meio Ambiente – MMA Apoio Terra Indígena Guarani Mbya Tenonde Porã Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade de São Paulo CIENTEC/USP

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Sobre o Projeto Refazenda

O Projeto Refazenda é uma iniciativa do Pick-upau, uma organização nãogovernamental sem fins lucrativos de caráter ambientalista, 100% brasileira, em parceria com o Fundo Especial do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e a aldeia guarani Tenonde Porã. O programa tem entre seus principais objetivos a produção de mudas nativas da mata atlântica, como forma de fomento da economia da comunidade indígena beneficiada e o aumento da oferta de produtos florestais destinados a recuperação e ampliação da cobertura vegetal de um dos biomas mais ameaçados do país, a mata atlântica. Saiba mais: www.refazenda.org.br Sobre o Pick-upau O Pick-upau é uma organização não-governamental sem fins lucrativos de caráter ambientalista 100% brasileira dedicada à preservação e a manutenção da biodiversidade do planeta. Fundada em 1999, por três ex-integrantes do Greenpeace-Brasil e originalmente criada no Cerrado brasileiro, tem sua base, próxima a uma das últimas e mais importantes reservas de mata atlântica da cidade São Paulo, a maior metrópole da América Latina. Por tratar-se de uma organização sobre Meio Ambiente, sem uma bandeira única, o Pick-upau possui e desenvolve projetos em diversas áreas ambientais. Saiba mais: www.pick-upau.org.br Sobre o FNMA O Fundo Nacional do Meio Ambiente criado há 20 anos, é hoje o principal fundo público de fomento ambiental do Brasil, constituindo-se como um importante parceiro da sociedade brasileira na busca pela melhoria da qualidade ambiental e de vida. O FNMA é uma unidade do Ministério do Meio Ambiente (MMA), criado pela lei nº 7.797 de 10 de julho de 1989, com a missão de contribuir, como agente financiador, por meio da participação social, para a implementação da Política Nacional do Meio Ambiente - PNMA. O FNMA é

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hoje referência pelo processo transparente e democrático na seleção de projetos. Seu conselho deliberativo, composto de 17 representantes de governo e da sociedade civil, garante a transparência e o controle social na execução de recursos públicos destinados a projetos socioambientais em todo o território nacional. Ao longo de sua história, foram 1.400 projetos socioambientais apoiados e recursos da ordem de R$ 230 milhões voltados às iniciativas de conservação e de uso sustentável dos recursos naturais. Saiba mais: www.mma.gov.br Sobre a Terra Indígena Tenonde Porã A aldeia Tenonde Porã está situada na região sul do município de São Paulo (cerca de 60 km do centro), Distrito de Parelheiros, com grande parte da área indígena às margens da represa Billings. A comunidade Guarani M’bya possui apenas 26 hectares, demarcados e homologados em 1987, onde vivem atualmente 170 famílias com cerca de 900 pessoas. Apesar do crescimento acelerado e desordenado da região e do contato com a sociedade do entorno, esta população vem se assegurando como um povo. Os conhecimentos milenares são passados por gerações através da oralidade dos mais velhos, seus rituais, artesanato e da valorização de sua cultura. Saiba mais: www.refazenda.org / www.darwin.org.br Sobre o CIENTEC O Parque CIENTEC é uma instituição que oferece entretenimento educativo e de qualidade para crianças, jovens a adultos. Por meio de seus diferentes passeios, demonstrações e experiências, a ciência e a tecnologia ficam muito mais próximas do visitante, que aprende enquanto se diverte e se diverte enquanto aprende. Programas educacionais orientados e um ambiente privilegiado e circundado por Mata Atlântica permitem ao Parque CIENTEC oferecer aos seus visitantes uma alternativa moderna para o aprendizado da ciência, da tecnologia e da cultura humanística em geral. O CIENTEC-USP é um órgão vinculado à Pró-Reitoria de Cultura e Extensão da Universidade de São Paulo. Saiba mais: www.parquecientec.usp.br

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Sobre o FEMA O FEMA - Fundo Especial do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável foi criado pela Lei Municipal nº 13.155, de 29 de junho de 2001, que também criou o CONFEMA - Conselho do Fundo Especial do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. Foi regulamentado pelo Decreto nº 41.713, de 25 de fevereiro de 2002 e pela Resolução nº 02/CONFEMA, de 19 de dezembro de 2002, e destina-se a dar suporte financeiro a planos, programas e projetos que visem ao uso racional e sustentável de recursos naturais, ao controle, à fiscalização, defesa e recuperação do meio ambiente e a ações de educação ambiental. Fonte: PMSP/SVMA Saiba mais: www.prefeitura.sp.gov.br Sobre os Guaranis Os Guaranis M’bya estão em várias regiões da América do Sul, existem aldeias na Argentina, Paraguai e Bolívia. No Brasil se localizam principalmente na região do litoral, do Rio Grande do Sul até o Espírito Santo e outras regiões como no Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Tocantins. São a maior etnia indígena no Brasil somando aproximadamente 35 mil pessoas. Sendo um povo bastante religioso tem na execução de tarefas cotidianas a busca da harmonia com a natureza, da força espiritual de Nhanderu e do Sol, criado por ele. Diariamente a comunidade se encontra na Opy, a Casa de Reza, para cantar, rezar e dançar e os mais velhos ensinam as crianças o conhecimento ancestral. Na aldeia, além do cacique, a principal liderança é o Xeramoi, o nome do pajé Guarani. Os Guaranis sabem da importância de todos os seres e que cada elemento da natureza tem um espírito e buscam parceiros para impedir a destruição do planeta. Sobre a APA Capivari-Monos A Área de Proteção Ambiental Capivari-Monos (APA) é um tipo de Unidade de Conservação, onde existem terras públicas e privadas, cujos objetivos são: proteger a biodiversidade, os recursos hídricos e os remanescentes da Mata Atlântica; resguardar o patrimônio arqueológico e cultural; promover a melhoria da qualidade de vida das populações; manter o caráter rural da região e evitar o avanço da ocupação urbana na área protegida. Criada em junho de 2001, a APA possui 25 mil hectares (1/6 da área de São Paulo) e está inserida na

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Reserva da Biosfera do Cinturão Verde da Cidade de São Paulo e na Reserva da Biosfera da Mata Atlântica. Sobre o Parque Estadual das Fontes do Ipiranga Também conhecido como Parque do Estado ou Parque da Água Funda, o PEFI tem sua origem no século XIX, precisamente em 12 de setembro de 1893. A partir da Lei de 17 de agosto de 1892 que autorizava o reforço do abastecimento de água em São Paulo, resultou o Decreto Estadual nº 204 de 12 de setembro de 1893 que declarou de utilidade pública os terrenos da Bacia do Ribeirão Ipiranga, pertencente à época a diversos proprietários. O parque inicialmente englobava uma área de 6.969.000 m2, cerca de 22% maior do que é hoje. Saiba mais: www.condepefi.sp.gov.br

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Agência Ambiental Pick-upau Copyright ©2011 - Pick-upau Caixa Postal: 42098 - CEP: 04082-970 - São Paulo - SP - Brasil Todos os direitos reservados.

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Projeto Refazenda