Mãos de Escultura & Uma visionária na ilha (de Moçambique) | Perve Galeria

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& TERESA ROZA D’OLIVEIRA

com participação especial de | with the special participation of SAMUEL MUANKONGUE

& UMA VISIONÁRIA NA ILHA (de Moçambique) 14 MARÇO
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MARCH
5 MAY
Curadoria | Curatorship Carlos Cabral Nunes
MAIO 2023 14
2023
Reinata Sadimba Teresa Roza d’Oliveira

A exposição “ Mãos de Escultura e uma visionária na ilha (de Moçambique)”, patente entre 14 de março e 5 de maio de 2023 na Perve Galeria e Casa da Liberdade - Mário Cesariny, em Alfama, coloca em diálogo a obra de Teresa Roza d’Oliveira (1945-2019) e Reinata Sadimba (n. 1945), duas importantes mestres moçambicanas. Com curadoria de Carlos Cabral Nunes, e participação especial do escultor Samuel Muankongue (n. 1974, Moçambique), a exposição assume-se como um momento fundamental para a compreensão da arte moderna e contemporânea da lusofonia.

Teresa Roza d’Oliveira, artista lusodescendente que viria a falecer em Portugal em 2019, nasceu na ilha de Moçambique em 1945. Foi casada com o poeta Lourenço de Carvalho, pai dos seus dois filhos, de quem se separou no final da década de 1970. Importante ativista pela independência do seu país e pelo fim da ditadura, fez parte de uma geração de artistas moçambicanos onde pontuavam Alberto Chissano, Malangatana Ngwenya, Ernesto Shikhani e, mais tarde, Reinata Sadimba. Instalada em Portugal desde 1977, regressou a Moçambique em 1990, onde permaneceu durante cerca de um ano. De regresso a Portugal, viveu até 2019 na companhia da sua companheira Maria Emília Moraes.

O seu espólio foi integrado na Perve Galeria em janeiro de 2022, e em novembro desse mesmo ano a sua obra esteve em destaque no leilão dedicado à arte moderna e contemporânea africana promovido pela Piasa, uma das mais conceituadas leiloeiras francesas, ilustrando a capa da secção dedicada aos artistas de língua portuguesa.

The exhibition “Hands of Sculpture & a visionary on the island (of Mozambique)”, on show between the 14th of March and the 5th of May 2023 at Perve Galeria and Freedom’s House - Mário Cesariny, in Lisbon, puts the work of Teresa Roza d’Oliveira (1945-2019) and Reinata Sadimba (b. 1945), two important Mozambican masters, in dialogue. Curated by Carlos Cabral Nunes, and with the special participation of the sculptor Samuel Muankongue (b. 1974, Mozambique), the exhibition is a key moment for the understanding of modern and contemporary art in Lusophony.

Teresa Roza d’Oliveira, Luso-descendant artist who would die in Portugal in 2019, was born on the island of Mozambique in 1945. She was married to the poet Lourenço de Carvalho, father of her two children, and from whom she separated in the late 1970s. An important activist for the independence of her country and for the end of the dictatorship, she was part of a generation of Mozambican artists which included Alberto Chissano, Malangatana Ngwenya, Ernesto Shikhani and, later, Reinata Sadimba. Settled in Portugal since 1977, she returned to Mozambique in 1990, where she stayed for about a year. On her return to Portugal, she lived until 2019 in the company of her partner Maria Emília Moraes.

Her estate was integrated in Perve Galeria in January 2022, and in November of that same year her work was highlighted in the auction dedicated to modern and contemporary African art promoted by Piasa, one of the most prestigious French auction houses, illustrating the cover of the section dedicated to Portuguese-speaking artists.

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Reinata Sadimba, considerada a mais importante artista africana viva da sua geração, nasceu em 1945 na pequena aldeia de Nemo, no planalto de Mueda, na província de Cabo Delgado. Com um percurso bastante singular, cedo assumiu uma voz ativa na defesa do seu povo, os Maconde, integrando o movimento de libertação surgido na sequência do hediondo “Massacre de Mueda” (16 de junho de 1960), perpetrado pelo regime ditatorial português. Após a independência de Moçambique, em 1975, tendo perdido seis dos seus sete filhos e sido abandonada pelo marido, Reinata Sadimba, respondendo a um chamamento interior, dedicou-se à escultura figurativa em terracota, algo que à época estava vedado à mulher, naquilo que eram as regras do seu grupo étnico, que permitia à mulher apenas a realização de objetos utilitários em cerâmica.

Reinata Sadimba está, desde 15 de janeiro, a realizar uma residência artística com a Perve Galeria, a preparar esculturas que serão integradas nesta mostra, onde se expõe um conjunto alargado de trabalhos elaborados desde os finais da década de 1970 até ao presente.

“Mãos de Escultura & uma visionária na ilha (de Moçambique)”, que ficará patente até 5 de maio, assume assim um caráter antológico sobre a obra das duas mestres moçambicanas,

Reinata Sadimba, considered the most important living African artist of her generation, was born in 1945 in the small village of Nemo, on the plateau of Mueda, in Cabo Delgado province. With a particularly unique path, she soon assumed an active voice in defence of her people, the Maconde, being part of the liberation movement that emerged after the heinous “Mueda Massacre” (June 16th 1960), perpetrated by the then Portuguese dictatorial regime. After the independence of Mozambique, in 1975, having lost six of her seven children and having been abandoned by her husband, Reinata Sadimba, responding to an inner calling, dedicated herself to the figurative sculpture in terracotta, something that at the time was forbidden to women, according to the rules of her ethnic group (which allowed to women only the making of utilitarian objects in ceramics, reserving to man the role of creating figurative Maconde statuary, usually in “black wood”).

The first artworks made by Reinata Sadimba date from the late 1970s, one of which will be on display, as well as a wide range of works elaborated from that time until the present day. In fact, Reinata Sadimba is, since the 15th of January, on an artistic residence with Perve Galeria, precisely to prepare sculptures that will be integrated in this exhibition.

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que têm em comum uma linguagem de assumido caráter fantástico e surrealizante, reconfigurado por uma experiência pessoal e uma imaginação fértil, abordando os temas da identidade social e individual – particularmente das mulheres.

Dá-se assim destaque a duas mulheres que se emanciparam dos constrangimentos societais para viverem em liberdade, uma liberdade nascida da luta e da resistência, a liberdade no ser e no fazer.

A exposição contará ainda com a presença do escultor Samuel Muankongue, único filho sobrevivente de Reinata Sadimba, que, tendo desde cedo acompanhado o percurso artístico da mãe, aprendendo com ela as técnicas de manipulação do barro, tem vindo a trilhar um caminho de linguagem muito própria.

Paralelamente à exposição na Perve Galeria e na Casa da Liberdade – Mário Cesariny, estará patente no 27ARTe, espaço de arte contemporânea ao ar livre, aberto 24h por dia, 7 dias por semana, uma exposição na qual artistas nacionais e internacionais, como Claude Yersin, Ivo Bassanti, Ivan Villalobos e Javier Félix, prestam homenagem a Reinata Sadimba.

“Hands of Sculpture & a visionary on the island (of Mozambique)” thus assumes an anthological character on the work of the two Mozambican masters, who have in common a language with an assumed fantastic and surreal character, reconfigured by a personal experience and a fertile imagination, approaching, in a traditional and modern manner, the themes of social and individual identity – particularly of women. This highlights two women who emancipated themselves from societal constraints to live in freedom, a freedom born of struggle and resistance, freedom in being and doing.

The exhibition will also count with the presence of the sculptor Samuel Muankongue, Reinata Sadimba’s only surviving son, who, having followed his mother’s artistic path from an early age, learning from her the techniques of clay manipulation, has been treading a path of his own language.

Parallel to the exhibition at Perve Galeria and Freedom’s House – Mário Cesariny, an exhibition in which national and international artists, such as Claude Yersin, Ivo Bassanti, Ivan Villalobos, and Javier Félix, pay homage to Reinata Sadimba, will be on display at 27ARTe, an open-air contemporary art space open 24/7.

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Reinata Sadimba

Sem título | Untitled Cerâmica e grafite | Ceramic and graphite, 38 x 25 x 19 cm, 2023. ref.: R208

Nascida em 1945 na aldeia de Nemu, Moçambique, Reinata Sadimba é considerada uma das mulheres artistas mais importantes de todo o continente africano. Filha de agricultores, recebeu a educação tradicional Makonde que incluía a confeção de objetos utilitários em barro. Embora os Makonde atribuam um papel preponderante na sociedade às mulheres, em Moçambique (e também na Tanzânia), a escultura é ainda uma tarefa apenas ocupada por homens. Esta é provavelmente a principal razão pela qual poucos levaram Reinata Sadimba em boa consideração no início da sua carreira.

Contudo, em 1975, Reinata iniciou uma profunda transformação da sua cerâmica, tornando-se rapidamente conhecida pelas suas formas fantásticas e estranhas, refletindo o universo matrilinear Makonde. Desafiando as tradições, Reinata abraçou a escultura, afirmando-se no panorama artístico nacional e internacional, ganhando vários prémios e distinções.

O seu trabalho tem sido exposto na Perve Galeria desde a sua primeira exposição “Olhos do Mundo”, em novembro de 2000, participando ao longo de mais de 2 décadas, em dezenas de exposições realizadas na Perve Galeria, na Casa da Liberdade - Mário Cesariny e na galeria aPGn2. A sua primeira exposição antológica individual em Portugal teve a curadoria de Carlos Cabral Nunes e foi intitulada “Makono la Mashinamo” (Mãos de barro) e exibiu mais de uma centena de esculturas realizadas em diversos países. Em 2023, a artista iniciou uma residência artística na Perve Galeria, em conjunto com o seu filho Samuel Martins Muankongue. Para além de Portugal, as obras de arte de Reinata Sadimba foram expostas em Angola, Bélgica, Brasil, Cabo-Verde, Dinamarca, Espanha, França, Itália, Inglaterra, Moçambique, Quénia, Senegal, Suíça, Tanzânia e Turquia, a artista está também representada em várias instituições, como o Museu Nacional de Moçambique ou o Museu de Etnologia de Lisboa, e em numerosas coleções privadas em todo o mundo, tais como a coleção de Arte Moderna da Culturgest, a coleção Sarenco e a colecção Lusofonias da Perve Galeria, entre outras. Em 2023, 3 obras da artista foram integradas na colecção do Museu Nacional Britânico de Arte Moderna, Tate Modern, provenientes do falecido colecionador Robert Loder.

Born in 1945 in the village of Nemu, Mozambique, Reinata Sadimba is considered one of the most important female artists on the African continent. Daughter of farmers, she received traditional Makonde education, which included the creation of utilitarian objects from clay. Although the Makonde assign a predominant role in society to women, in Mozambique (and also in Tanzania), sculpting is still a task only occupied by men. This is probably the main reason why few people took Reinata Sadimba into account at the beginning of her career.

However, in 1975, Reinata began a profound transformation of her ceramics, quickly becoming known for her fantastic and strange forms, reflecting the Makonde matrilineal universe. Defying traditions, Reinata embraced sculpture, asserting herself in the national and international art scene, winning several awards and distinctions.

Reinata Sadimba’s artwork has been displayed at Perve Galeria since her first exhibition “Eyes of the World” in November 2000, participating in over 2 decades in dozens of exhibitions held at Perve Galeria, Freedom House - Mário Cesariny and aPGn2 gallery. Her first retrospective solo exhibition in Portugal was curated by Carlos Cabral Nunes and was titled “Makono la Mashinamo” (Hands of clay) and displayed over a hundred sculptures created in various countries. In 2023, the artist started an artistic residence at Perve Galeria, together with her son, Samuel Martins Muankongue. In addition to Portugal, Reinata Sadimba's artworks have been displayed in Angola, Belgium, Brazil, Cape Verde, Denmark, England, France, Italy, Kenya, Mozambique, Senegal, Spain, Switzerland, Tanzania, and Turkey. The artist is also represented in various institutions, such as the National Museum of Mozambique, or the Ethnology Museum of Lisbon, and in numerous private collections around the world, such as the Modern Art collection of Culturgest, the Sarenco collection and the Lusophonies collection of Perve Galeria, among others. In 2023, 3 artworks by the artist were integrated into the collection of the British National Museum of Modern Art, Tate Modern, from the late collector Robert Loder.

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Sem título | Untitled Cerâmica e grafite | Ceramic and graphite, 33,5 x 16,5 x 19,5 cm, 2022. ref.: R192 Sem título | Untitled Cerâmica | Ceramic, 33 x 16,5 x 17,5 cm, 2022. ref.: R203
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Sem título | Untitled Cerâmica | Ceramic, 25,5 x 33,5 x 19 cm, 2022. ref.: R195 Sem título | Untitled Cerâmica e grafite | Ceramic and graphite, 38 x 26 x 15 cm, 2006. ref.: R097 Sem título | Untitled Cerâmica e grafite | Ceramic and graphite, 23 x 19 x 31 cm, 2017. ref.: R110
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Sem título | Untitled Cerâmica e grafite | Ceramic and graphite, 35 x 19 x 21 cm, c. 2000. ref.: R050 Sem título | Untitled Cerâmica | Ceramic, 33 x 20 x 38 cm, 2006. ref.: R094
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Barbeiro | Barber Cerâmica e grafite | Ceramic and graphite, 24,7 x 13,5 x 20 cm, c. 1980. ref.: R147
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Sem título | Untitled Cerâmica | Ceramic, 33,5 x 18 x 12 cm, 2006. ref.: R193 Sem título | Untitled Cerâmica e grafite | Ceramic and graphite, 53 x 25 x 25 cm, 2006. ref.: R054
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Sem título | Untitled Cerâmica e grafite | Ceramic and graphite, 23 x 32 x 22 cm, 2006/2023. ref.: R103 Sem título | Untitled Cerâmica e grafite | Ceramic and graphite, 30 x 27 x 30 cm, 2017. ref.: R125

Teresa Roza d’Oliveira

Sem título | Untitled Técnica mista sobre papel | Mixed media on paper, 24 x 24 cm, n.d. ref.: TRO291

Teresa Roza d’Oliveira nasceu na ilha de Moçambique em 1945. Foi casada com o poeta Lourenço de Carvalho, pai dos seus dois filhos, dos quais se separou no final da década de 1970. Instalada em Portugal desde 1977, regressou a Moçambique em 1990, onde permaneceu durante cerca de um ano. De regresso a Portugal, viveu até 2019, na companhia da sua companheira Maria Emília Moraes.

Estudou pintura no Núcleo de Arte, litografia e gravura na Sociedade Cooperativa Portuguesa de Gravadores. A artista teve como mestres Frederico Ayres, João Ayres e Bertina Lopes e trabalhou lado a lado com José Júlio, Malangatana, Ayres, Maluda e Freire.

Teresa Roza d’Oliveira participou em múltiplas exposições individuais e coletivas, em vários países, nomeadamente Moçambique, Angola, Portugal e Espanha. A sua obra está representada em vários museus em Maputo, Joanesburgo, Pretória e Durban, tais como o Museu Pretoria e o Museu da Cidade de Durban, na África do Sul; Museu Nacional de Arte e a Casa Museu Chissano em Moçambique.

Como artista, desempenhou um papel importante na luta pelos direitos de género e, particularmente, pelos direitos das mulheres. As suas obras de arte estão ainda presentes em várias coleções, em Moçambique: Banco Nacional Ultramarino, Banco de Crédito de Moçambique, Banco Pinto & Sotto Mayor, Banco de Moçambique, Banco de Fomento Exterior, Universidade Eduardo Mondlane, Linhas Aéreas de Moçambique, Petromoc; Angola: Petróleos de Angola, Associação de Artistas Angolanos, colecionadores privados; África do Sul: Royal College of Arts; e Portugal: coleção de arte de Natália Correia (Açores), Cimpor, Petrogal, Portugal Telecom, Privanza.

O espólio da artista foi integrado na coleção da Perve Galeria em janeiro de 2022. No mesmo ano, a sua obra é apresentada em destaque, pela Perve Galeria, na VIP Lounge da feira de arte contemporânea africana AKAA – Also Known As Africa, em Paris, a par com a obra cerâmica de Reinata Sadimba.

Teresa Roza d’Oliveira was born on the island of Mozambique in 1945. She was married to the poet Lourenço de Carvalho, father of her two children, from whom she separated in the late 1970’s. Settled in Portugal since 1977, she returned to Mozambique in 1990, where she stayed for about a year. Back in Portugal, she lived until 2019, in the company of her partner Maria Emília Moraes. She studied painting at the Nucleo of Art, lithography and engraving at the Portuguese Engravers Cooperative Society. The artist had as masters Frederico Ayres, João Ayres and Bertina Lopes and worked side by side with José Júlio, Malangatana, Ayres, Maluda and Freire.

Teresa Roza d’Oliveira has participated in multiple individual and collective exhibitions, in several countries, namely Mozambique, Angola, Portugal and Spain. Her artwork is represented in several museums in Maputo, Johannesburg, Pretoria and Durban, such as the Pretoria Museum and Durban City Museum, in South Africa; National Art Museum and the Chissano Museum House in Mozambique.

As an artist, played an important role in the fight for gender rights and particularly women’s rights. Her artworks are still present in several collections, in Mozambique: Banco Nacional Ultramarino, Banco de Credito de Moçambique, Banco Pinto & Sotto Mayor, Banco de Moçambique, Banco de Fomento Exterior, Eduardo Mondlane University, Linhas Aéreas de Moçambique, Petromoc; Angola: Petróleos de Angola, Association of Angolan Artists, private collectors; South Africa: Royal College of Arts; and Portugal: Natália Correia’s art collection (Azores), Cimpor, Petrogal, Portugal Telecom, Privanza.

The artist’s estate was integrated into the Perve Galeria collection in January 2022. In the same year, her artwork is presented by Perve Galeria in the VIP Lounge of the contemporary African art fair AKAA – Also Known As Africa, in Paris, together with the artwork of Reinata Sadimba.

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A janela de casa | The house window Óleo sobre tela | Oil on canvas, 50 x 70 cm, 1997. ref.: TRO040 CRNZES, Largartos, Algoz | CRNZES, Largartos, Algoz Óleo sobre tela | Oil on canvas, 71,5 x 58,5 cm, 1992. ref.: TRO052
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Carta para Torga | Letter to Torga Óleo sobre tela | Oil on canvas, 79 x 59 cm, 1992. ref.: TRO053 Conversa | Conversation Óleo sobre tela | Oil on canvas, 61,5 x 46 cm, 2009. ref.: TRO001
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Sem título | Untitled Acrílico sobre papel | Acrylic on paper, 64 x 50 cm, 2003. ref.: TRO066 Sem título | Untitled Acrílico sobre papel | Acrylic on paper, 63,5 x 48 cm, n.d. ref.: TRO059
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Sem título | Untitled Aguarela sobre papel | Watercolour on paper, circa 1970. ref.: TRO193 Sem título | Untitled Aguarela sobre papel | Watercolour on paper, circa 1970. ref.: TRO197
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Teresa Roza d’Oliveira, Sem título | Untitled Óleo sobre tela | Oil on canvas, 70 x 50 cm, 2012. ref.: TRO027
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Mar VII | Sea VII Óleo sobre tela | Oil on canvas, 50 x 60 cm, 1997. ref.: TRO088 Sem título | Untitled Óleo sobre tela | Oil on canvas, 110 x 60 cm, 2012. ref.: TRO029
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Mulher, peixe, serpente, pássaro e barco | Woman, fish, snake, bird and boat Óleo sobre tela | Oil on canvas, 100 x 82 cm, 1994. ref.: TRO123 Sem título | Untitled Óleo sobre tela | Oil on canvas, 73 x 92 cm, 2005. ref.: TRO047
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Sem título | Untitled Óleo sobre tela | Oil on canvas, 70 x 50 cm, 2000. ref.: TRO074 Sem título | Untitled Óleo sobre tela | Oil on canvas, 93 x 74 cm, 2009. ref.: TRO048

Samuel Muankongue

Participação especial | Special participation

Sem título | Untitled Cerâmica e grafite | Ceramic and graphite, 2023. ref.: SM022

Samuel Martins Muankongue ou simplesmente Samuel, nasce a 1 de janeiro de 1974 em Mueda, Moçambique. Filho de Martins Muankongue e da emblemática Reinata Sadimba. Samuel teve uma infância nómada, uma vez que viajava constantemente para fora do país com a sua mãe, de forma a atender todo o tipo de compromissos da mesma. Com apenas seis anos de idade, Samuel vai para a Tanzânia com Reinata, onde conclui a terceira classe. No ano de 1992, regressa a Maputo, Moçambique, onde começa os seus próprios negócios. Samuel sempre teve uma paixão pelo barro, mas, é após inúmeras exposições individuais e coletivas, nacionais e internacionais, que o artista se afirma no mundo das artes plásticas e percebe que consegue ganhar sustento a partir das suas obras. Na sua estadia em Portugal, Samuel fica deslumbrado em ver outros escultores a trabalhar com o barro, inspirando e influenciando, assim, o artista a implementar novas técnicas no seu ofício, tornando-o no artista que é hoje. Em 2023 o artista iniciou uma residência artística na Perve Galeria, em conjunto com a sua mãe, a emblemática Reinata Sadimba.

Samuel Martins Muankongue or just Samuel, was born on January 1, 1974 in Mueda, Mozambique. He is the son of Martins Muankongue and the emblematic artist Reinata Sadimba. Samuel had nomadic childhood, as he constantly traveled abroad with his mother, in order to attend several of his mother’s commitments. At just six years old, Samuel goes to Tanzania with Reinata, where he completes the third grade. In 1992, he returned to Maputo, Mozambique, where he started his own business. He had always a passion for clay, but it’s after numerous individual and collective exhibitions, national and international, that he started to built his name in the world of plastic arts and realizes that he can earn a living from his works. During his stay in Portugal, Samuel was amazed to see other sculptors working with clay, inspiring and influencing this artist to implement new techniques in his craft, making him the artist he is today. In 2023 the artist started an artist residency at Perve Galeria, together with his mother, the emblematic Reinata Sadimba.

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26 Sem título | Untitled Cerâmica | Ceramic, 17 x 26 x 19,5 cm, 2022. ref.: SM012
27 Sem título | Untitled Cerâmica | Ceramic, 31 x 25,5 x 23 cm, 2022. ref.: SM009

Homenagem a Reinata Sadimba no espaço 27ARTe

O 27ARTe é um espaço de experimentação de arte contemporânea ao ar livre. Localizado em Alfama, compreendendo a primeira capacitação de um espaço devoluto neste bairro, é gerido pela Casa da Liberdade – Mário Cesariny e Perve Galeria, com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, e da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior.

Promovendo uma programação de exposições e intervenções artísticas pop-up, o 27ARTe está aberto 24 horas por dia, 7 dias por semana. Aqui é proporcionada a fruição cultural livre e espontânea nas suas mais diversas formas e manifestações, colocando a arte ao nível dos bens de primeira necessidade.

Na exposição inaugurada a 14 de março de 2023, o espaço apresenta trabalhos cujos autores, Claude Yersin (1944, Suiça), Ivo Bassanti (1979, Portugal/Índia), Ivan Villalobos (1975, Chile) e Javier Félix (1976, Espanha/Colômbia), foram influenciados pela obra de Reinata Sadimba, mestre valorizada à escala mundial. Inclui também uma instalação sonora com obras inéditas gravadas numa recolha etnomusical em Moçambique (realizada pelo Colectivo Multimédia Perve, em 1999 e 2003, com direção e captação de Carlos Cabral Nunes e Nuno Espinho da Silva), e as primeiras esculturas em terracota realizadas em processo colaborativo por Reinata Sadimba (1945) e Samuel Muankongue (1974), dois artistas moçambicanos, mãe e filho, que realizaram pela primeira vez em conjunto obras de grandes dimensões para serem apresentadas especificamente no 27ARTe.

Homage to Reinata Sadimba at the 27ARTe space

27ARTe is an outdoor contemporary art experimentation space. Located in Alfama, comprising the first qualification of a derelict space in this neighbourhood, it is managed by Casa da Liberdade –Mário Cesariny and Perve Galeria, with the support of the Lisbon City Hall and the Santa Maria Maior Parish Council.

Promoting a programme of exhibitions and pop-up art interventions, 27ARTe is open 24 hours a day, 7 days a week. Here, free and spontaneous cultural fruition is provided in its most diverse forms and manifestations, placing art at the same level as essential goods.

The exhibition opened on the 14th of March 2023 on the space presents artworks whose authors, Claude Yersin (1944, Switzerland), Ivo Bassanti (1979, Portugal/India), Ivan Villalobos (1975, Chile) and Javier Félix (1976, Spain/Colombia), were influenced by the work of Reinata Sadimba, a master valued worldwide. It also includes a sound installation with unpublished works recorded during an ethnomusical collection in Mozambique (made by the Colectivo Multimédia Perve, in 1999 and 2003, directed and recorded by Carlos Cabral Nunes and Nuno Espinho da Silva), and the first terracotta sculptures made in a collaborative process by Reinata Sadimba (1945) and Samuel Muankongue (1974), two Mozambican artists, mother and son, who made for the first time together large-scale artworks to be specifically presented at 27ARTe.

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Claude Yersin, Mário Cesariny, le chaos et l'harmonie Découpage | Découpage , 35 x 46 cm, 2022. Ivan Villalobos, Eu e Reinata | Me and Reinata Técnica mista sobre tela cartão | Mixed media on cardbord canvas , 50 x 50 cm, 2021. ref.:
IVAN070
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Javier Félix, Grito moçambicano (Homenagem a Reinata Sadimba) | Mozambican scream (Homage to Reinata Sadimba) Acrílico sobre tela cartão | Acrylic on cardboard canvas, 46 x 55 cm, 2021. ref.: JVF130 Ivo Bassanti, Sem título 3 | Untitled 3 Técnica mista sobre tela cartão | Mixed media on cardbord canvas , 50 x 50 cm, 2021. ref.: IVO_040 Ivo Bassanti, Sem título 5 | Untitled 5 Técnica mista sobre tela cartão | Mixed media on cardbord canvas , 50 x 50 cm, 2021. ref.: IVO_042
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Imagens do espaço 27ARTe na exposição de 16 de julho de 2022 | Images of the exhibit on the 27ARTe space at July 16th, 2022

CRÉDITOS CREDITS

Conceito e curadoria

Concept and Curatorship

Carlos Cabral Nunes

Direção Executiva

Executive Direction

Nuno Espinho da Silva

Produção e Comunicação

Production and Comunication

Alexandra Sorokina

Inês Rego

Manuel Gomes

Mariana Guerra

Miguel Cavaco

Design Gráfico

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Carlos Cabral Nunes

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CT121 | Março/ March 2023

Edição/ Edition ©® Perve Global – Lda. Nenhuma parte deste catálogo pode ser reproduzida no todo ou em parte sem a autorização expressa do editor | No part of this catalogue may be reproduced in whole or in part without the express permission of the publisher.

Support
Reinata Sadimba, Sem título | Untitled. Cerâmica e grafite | Ceramic and graphite, 27 x 16 x 15,5 cm, 2023. ref.: R209
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