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Fernando Queiroga, Presidente da C.M. Boticas, sobre a XIX Feira Gastronómica do Porco

“A aposta na qualidade e na genuinidade dos produtos é o que nos distingue”

Dezembro 2016 | Edição Nº100

Este suplemento comercial faz parte integrante do Jornal de Notícias e do Diário de Notícias de 28 de dezembro de 2016 e não pode ser vendido separadamente


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Boticas – Feira Gastronómica do Porco

Tema de Capa

“A aposta na qualidade e na genuinidade dos produtos é o que nos distingue” De 13 a 15 de janeiro de 2017, o Pavilhão Multiusos de Boticas acolherá a XIX Feira Gastronómica do Porco, certame que deverá trazer ao concelho 70 mil visitantes e gerar um volume de negócios na ordem dos 450 mil euros, resultantes da venda de aproximadamente 40 toneladas de fumeiro. Em entrevista, evento ímpar no plano gastronómico nacional, o autarca local, Fernando Queiroga, convida os leitores a uma experiência única que combina gastronomia, entretenimento e… o melhor que Trás-osMontes tem para oferecer.

Fernando Queiroga, Presidente da CM Boticas

A Feira Gastronómica do Porco abre o ciclo de eventos ligados ao fumeiro. Que expectativas tem para a mesma? A Feira Gastronómica do Porco é já um evento de referência na região, que conseguiu consolidar-se ao longo das suas edições e que tem garantido um número de visitantes cada vez maior, que em 2017 estimamos possam chegar aos 70 mil. É um evento sobretudo de promoção e divulgação dos nossos produtos tradicionais, que tem também presente a vertente económica. Calculamos que este certame gerará um volume de negócios diretos na or-

dem dos 450 mil euros, resultantes da venda de aproximadamente 40 toneladas de fumeiro, o que é já bastante significativo e representa um importante complemento económico para os nossos agricultores. Paralelamente, nestes dias o grande número de pessoas que nos visitam permite que haja um grande acréscimo ao nível da hotelaria e restauração no concelho, já que os restaurantes ficam bem compostos, o que nos permite dizer que o volume económico gerado à volta da Feira Gastronómica do Porco vai muito para além daquilo que é comercializado na Feira. Ao mesmo tempo, a Feira Gastronómica do Porco funciona também como uma “montra” dos nossos produtos, abrindo portas para que os nossos agricultores possam rentabilizar economicamente o seu trabalho com vendas ao longo de todo o ano e não apenas durante os dias da Feira. Há algum destaque especial nesta feira, em relação às anteriores? Este certame não se resume apenas à venda de fumeiro. É muito mais do que isso, já que tem um enfoque muito virado para a vertente gastronómica, o que é conseguido com a presença dos restaurantes, as “Tasquinhas”, como gostamos de lhes chamar, presentes dentro do recinto e que servem refeições durante os três dias do certame, sendo possível degustar “in loco” os pratos da gastronomia tradicional que giram em

torno da carne de porco e dos enchidos, como o cozido à barrosã, o arroz de costelinhas de vinho e alho, as assaduras, entre outros. A conjugação destes factores permite que o visitante possa degustar os nossos produtos tradicionais e que depois possa adquirir alguns deles para levar para casa, tendo ainda ao seu dispor stands de artesanato e de outros produtos de consumo alimentar, como o pão, o folar, o mel, etc. De ano para ano procuramos imprimir uma nova imagem actual à Feira, sobretudo através da utilização de novos stands e de uma disposição alternativa dos mesmos, inovando um pouco relativamente às edições anteriores. São pequenos aspectos que contribuem para um espaço permanentemente “renovado” e mais atractivo e que dão ainda mais destaque aos produtos, que são os verdadeiros “reis” desta Feira. A animação que complementa o programa da feira, quer através das atuações dos nossos grupos folclóricos e etnográficos, quer da realização das “afamadas” Chegas de Bois, é também garantia da diversidade de oferta neste certame, que promete entretenimento para todos e certeza de que uma visita a Boticas nestes dias valerá bem a pena. Como sente os produtores de fumeiro da região? Tem havido um aumento ao nível dos participantes? A aposta na qualidade e na genuinidade dos produtos é o que nos distingue. Quem nos visita sabe perfeitamente que só vai encontrar o que de melhor temos para oferecer, com todas as garantias de qualidade. O processo de acompanhamento por parte dos nossos serviços médico-veterinários de todas as fases de produção do fumeiro mantém-se, sendo garantia de que tudo é produzido dentro das mais rigorosas normas de higiene e qualidade. Ao mesmo tempo, a entrada de produtos no recinto da Feira tem de passar pelo controlo de qualidade, que garante que só o fumeiro e os derivados do porco que obedecem a todas as normas exigíveis é que podem ser vendidos no certame, dando garantias da sua qualidade. Os produtores de fumeiro têm acompanhado esta evolução e partilham das nossas ideias e exigências ao nível da produ-


Tema de Capa

Boticas – Feira Gastronómica do Porco

ção e da qualidade dos produtos. Ao mesmo tempo, reconhecem que a Feira Gastronómica do Porco é um local de venda privilegiado dos seus produtos, já que garante não só uma excelente oportunidade de negócio, mas também a promoção e a notoriedade dos nossos produtos. Felizmente o número de produtores de fumeiro com instalações licenciadas no nosso concelho tem vindo a aumentar, o que é a garantia da continuidade na produção destes produtos de qualidade excepcional e, ao mesmo tempo, a razão para que este certame se mantenha e perdure no tempo. Como vê, hoje, o sector primário do concelho e o que representa o mesmo para o concelho? O sector primário é muito representativo no Concelho de Boticas e continua a ser o que representa a maior ocupação da nossa população. Nos últimos anos tem conhecido um grande impulso, com muita gente a regressar à terra e muitos jovens a desenvolverem projectos agrícolas e a estabelecerem-se como jovens agricultores. São projectos ligados, sobretudo, à pecuária, nomeadamente à produção de gado bovino e suíno. A Feira do Porco tem funcionado em boa medida como um estímulo a que haja cada vez mais pessoas a dedicarem-se à criação de porcos e, consequentemente, à produção de fumeiro pelos métodos tradicionais, já que vêem futuro nesta activida-

de e boas oportunidades de comercializarem os seus produtos, sendo, por isso, uma atividade bastante atractiva. Têm surgido vários pedidos para instalação de cozinhas de vendas diretas, o que nos faz acreditar que a continuidade da tradição, associada à inegável qualidade dos produtos, está assegurada, dando ainda mais sentido à realização desta Feira, bem como de outras similares. Os nossos agricultores têm capacidade e conhecimento para produzir em qualidade, mas necessitam de mecanismos que lhes garantam a venda do seu produto, o que este género de certames faz na perfeição. Que outros incentivos têm sido preconizados para a promoção dos produtos regionais? A Feira Gastronómica do Porco é o evento por excelência que realizamos no Concelho de Boticas para divulgação e promoção dos nossos produtos. A par deste evento, apostamos também na realização dos Fins-de-Semana Gastronómicos, bem como na presença em Feiras e eventos relacionados com o turismo, tanto em Portugal como no estrangeiro, para podermos levar mais longe o nome da nossa terra e dos nossos produtos, criando oportunidades de negócio aos nossos produtores. Em paralelo, apoiamos também os agricultores locais com um conjunto vasto de incentivos, que passam pela redução ou isen-

ção de taxas para licenciamento de edifícios para a sua atividade, elaboração e acompanhamento de projectos a submeter a financiamento de fundos comunitários, atribuição de apoios à sanidade animal (vacinação do gado), etc. Este conjunto de apoios/incentivos representam mais valias para os nossos agricultores/produtores que lhes permitem reduzir os custos de produção e, assim, tornarem-se mais competitivos. A qualidade dos nossos produtos é a nossa maior preocupação, procurando que a mesma se mantenha sempre em patamares muito elevados, pois a qualidade é a garan-

tia do sucesso e há sempre mercado para os produtos de qualidade. Que mensagem gostaria de deixar às pessoas que pretendem visitar a XIX Feira Gastronómica do Porco? Em primeiro lugar, gostaria de lhes dizer que essa visita valerá bem a pena, pois temos muito para mostrar e para oferecer. Durante esse fim-de-semana (de 13 a 15 de janeiro) o visitante terá reunido num espaço reduzido um pouco do melhor que o Concelho tem para oferecer e estou certo que deixará toda a gente com vontade de regressar a Boticas para poder conhecer melhor a nossa terra.


Centro de Estudos de Teatro da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa

Ensino Superior & Investigação

Conhecimento sobre teatro partilhado através de bases de dados Ter qualquer informação sobre o teatro em Portugal, a partir de um clique, gratuitamente, através da internet. Isso é proporcionado pelo Centro de Estudos de Teatro da Faculdade de Letras de Lisboa. Este Centro de Estudos produz conhecimento sobre teatro a partir da pesquisa e da recolha de documentos. Fomos conhecer este centro de investigação e de partilha de conhecimento ciceroneados pela sua diretora, a Professora Doutora Maria João Almeida e pela Professora Doutora Maria João Brilhante.

Qual o objetivo da formação do CET-Centro de Estudos de Teatro? O Centro existe desde 1994. Foi criado pelo professor e encenador Osório Mateus, docente nesta casa (FLUL) e encenador profissional. Foi sensível à necessidade, nos anos noventa, de tornar mais institucional o ensino do teatro em Portugal. Existia a Escola Superior de Teatro e Cinema, o anteriormente denomimado Conservatório onde se ensinava teatro mas, ao contrário do que acontecia no mundo anglo-saxónico, não havia a tradição de estudar o teatro na universidade. Foi ideia do Professor Osório Mateus criar uma pós-graduação para desenvolver estudos sobretudo no âmbito da história, teoria e crítica do teatro. Três fundamentos que ele concebeu para o estudo desta arte de palco. Juntou à sua volta assistentes como eu, a Professora Doutora Maria João Almeida e outros professores, com formação em estudos anglísticos, clássicos, franceses e outros. Muitos estudantes aderiram a essa pós-graduação pioneira em Portugal. A Faculdade não tinha ambição de formar atores ou profissio-

nais de teatro,mas sim de preparar investigadores e de formar pessoas que gostavam de teatro e queriam saber mais sobre a sua história. O CET pretendia estudar apenas o teatro português? Não apenas o português, mas o teatro em Portugal. A pretensão do Professor Osório Mateus, e que nos partilhávamos, era a de estudar a História do Teatro ao longo das varias épocas em Portugal, com todas as influências de outras culturas e práticas teatrais. Muitos intervenientes do teatro internacional e da ópera passaram, através dos tempos, por Portugal. Havia ainda um objeto de estudo urgente de que, por incrível que pareça, se sabia pouco: Gil Vicente. É denominado o pai do teatro português e no entanto não existiam edições críticas e fiáveis da sua obra, não havia um estudo profundo e sistemático do seu teatro. Iniciou-se um estudo pioneiro na forma de pensar a edição de teatro, passando-se a usar não apenas o papel masformas eletrónicas. Através da Comissão dos Descobrimentos editou-se a obra de Gil Vicente em CD-ROM que agora está disponível na internet, a partir do site do CET. Mas muitos outros textos dos séculos XVI e XVII estão agora disponíveis. Como se da início a criação de bases de dados? Osório Mateus faleceu e nós, que com ele trabalhávamos, continuámos o projeto sempre na linha de estudar a História do Teatro e de problematizar a teoria e crítica do teatro. Gra-

tuitamente colocámos em linha uma série de bases de dados criadas pelos investigadores do Centro de Estudos do Teatro. Cada uma das bases tem um foco e todas em conjunto desenham um mapa da história do teatro em Portugal. Por exemplo, querendo obter informação sobre a cantora do século XVIII Luísa Todi, pode encontrar documentação dessa época onde ela é mencionada. Vai-lhe aparecer tudo quanto existe sobre Luísa Todi. Se pesquisar sobre o Teatro do Bairro Alto, clica nessa expressão e vai ter acesso a toda a documentação conhecida sobre aquela antiga sala de espetáculos. Pela CETbase pode-se saber o que foi representado a semana passada. Foi tudo trabalho feito a partir do zero. Existia, isso sim, trabalho de investigação pessoal feito por pessoas como Duarte Ivo Cruz ou Luiz Francisco Rebello entre outros estudiosos do teatro ou da literatura. O Centro veio preencher a lacuna que existia no que toca a um avanço rápido e de uma forma sistemática nos estudos sobre a memória do teatro. A CETbase é uma base de dados em plataforma informática para constituir fonte documental de investigadores, jornalistas, críticos, artistas, todos aqueles que precisem de informações sobre o teatro em Portugal. A gestão de conhecimentos através das bases de dados proporciona efetivo intercâmbio com os diversos agentes teatrais? Sim. Recebemos dados que eles nos enviam e tratamo-los para que a comunidade artística,

e não só, os possa utilizar. Através do trabalho dos nossos mestrandos e doutorandos temos uma forte ligação com as companhias. Neste momento é o caso do Teatro Nacional D. Maria II e do Teatro Nacional de S. João, para quem estamos a elaborar uma série de biografias, e também do Teatro Meridional, cujo arquivo está a ser organizado sob a nossa supervisão científica. Queremos estar perto das companhias de teatro. A Fundação Calouste Gulbenkian facultou-nos informações sobre financiamentos de espetáculos teatrais quando estudámos o seu Arquivo. São informações preciosas sobre as companhias teatrais. Aliás, a Professora Maria Helena Serôdio produziu um livro com os resultados da aplicação na CETbase das informações fornecidas pela Fundação desde os seus primórdios. Quais são as grandes dificuldades encaradas pelo Centro de Estudos de Teatro? O Centro sofreu com os cortes feitos durante os últimos quatro anos no financiamento aos estudos de humanidades. Mesmo assim desenvolvemos trabalho. Para isso contribuiu o interesse na pesquisa por parte de jovens investigadores na área da teorização do teatro e no âmbito das perspetivas económicas e sociais das artes performativas. Recebemos apoio da FCT - Fundação para a Ciência e Tecnologia, que no quadro já mencionado, tem vindo a ser reduzido. Temos um historial de parcos apoios. Começámos com um subsídio, na altura da criação do CET de cinquenta contos, francamente pouco. A situação continua e tem que ver com o desinvestimento nas humanidades e mais ainda no estudo das artes. As nossas iniciativas vão depender dos apoios a angariar. Partimos de um muito pequeno orçamento de 7.500 euros por ano que a FCT complementou com um fundo de reestruturação no valor de 16.450 euros (para 2016 e 2017). Nesse sentido, temos pela frente um panorama difícil mas não são estes orçamentos modestos que desmobilizam os investigadores. Eles têm vontade de alcançar os seus objetivos.


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CMAF-CIO

Uma aposta na investigação em matemática com pontes para o mundo real

Luís Rodrigues, Coordenador do CMAF-CIO

des europeias e americanas. Possuímos uma longa história de intercâmbio científico, de trabalho conjunto, com cientistas das nossas áreas, que continua a dar frutos. Também recebemos estudantes para a realização de projetos de investigação, particularmente estudantes de pós-doutoramento. Os concursos que realizamos para atribuição de bolsas de pós-doutoramento permitem-nos atrair candidatos com mérito, nacionais ou estrangeiros. De resto, vários jovens investigadores têm-se candidatado a trabalhar connosco através de concursos internacionais promovidos pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia. E não é raro que alguns se disponham a realizar estágios no nosso centro, financiados por fundos próprios: temos casos de estudantes e investigadores vindos de Espanha, Itália, Alemanha, Áustria, Bélgica, Brasil, Chile, China e Irão.

pura, desde os fundamentos, designadamente a Lógica Matemática, até às aplicações ao mundo real. Cobrimos um espectro de áreas cuja presença de algum modo singulariza a nossa unidade de investigação. Ao mesmo tempo, levamos muito a sério o nosso papel no apoio ao ensino, sobretudo a nível de pós-graduação, através da intervenção na formação de estudantes de 2º e 3º ciclos, da realização de seminários avançados e da orientação científica de jovens investigadores. De resto, não deixamos de procurar atrair estudantes para a investigação desde a fase de licenciatura, oferecendo bolsas de iniciação científica sempre que oportuno. Para lá de tudo isto, há membros do Centro com larga experiência na divulgação e comunicação da Matemática e continuaremos a desenvolver um programa nesse âmbito. MA – A pesquisa que se realiza no CMAF-CIO complementa o ensino universitário, proporcionando um aperfeiçoamento formativo dos alunos, estudiosos ou cientistas. É também de fun-

Qual é o principal objeto de estudo e o impacto social e académico da investigação desenvolvida no seu grupo de pesquisa? MA – No caso do grupo onde estou integrada (“Biomatemática e Estatística”) trata-se de pesquisa interdisciplinar e multidisciplinar. Desenvolvemos modelos matemáticos aplicados a doenças infeciosas, parametrizados com dados reais epidemiológicos. A nossa investigação é feita utilizando várias ferramentas da teoria dos sistemas dinâmicos e da estatística, para compreender melhor a propagação de doenças em populações, e análise das possíveis estratégias de controlo a serem utilizadas em diferentes cenários epidemiológicos. Os nossos resultados são disponibilizados às autoridades de Saúde Pública e podem ser utilizados nas decisões para a prevenção e controlo de doenças infeciosas. PC – Eu trabalho em otimização de processos industriais. Basicamente, desenvolvo modelos matemáticos para otimizar a produção em fábricas. Como exemplo, somos procurados por empresas com consumo de eletricidade

Entrevista a representantes e investigadores do Centro de Matemática, Aplicações Fundamentais e Investigação Operacional (CMAF-CIO): Luís Sanchez Rodrigues (Coordenador do Centro), Nicolas Van Goethem, Pedro Castro e Maíra Aguiar.

Na vossa opinião, qual é a importância do CMAF-CIO para o mundo académico e para a sociedade nacional? LR – O Centro de Matemática, Aplicações Fundamentais e Investigação Operacional (CMAF-CIO) é uma unidade de investigação inserida na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. O centro está atualmente organizado em sete grupos de pesquisa e é reconhecido internacionalmente pela qualidade da investigação que produz, tanto na área da matemática pura, como na da matemática aplicada. O atual centro é resultado da fusão dos antigos Centro de Matemática e Aplicações Fundamentais e Centro de Investigação Operacional, ocorrida no mais recente processo de avaliação de unidades promovido pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, que nos financia. Com a fusão, reuniu-se o que de melhor havia das duas equipas anteriores, para a criação de um centro com valências aumentadas. A nossa investigação vai desde a matemática

damental importância para o desenvolvimento local, regional e nacional, uma vez que os resultados gerados são difundidos não só dentro da Universidade, mas em conferências internacionais, proporcionando ao país um reconhecimento na área da pesquisa científica. A realidade presente coloca inúmeros problemas, e a investigação tem um papel decisivo na procura de soluções. Infelizmente nem sempre os projetos mais ambiciosos se podem realizar, e a formação de novos cientistas depara ainda com muitos obstáculos. Como é que o CMAF-CIO se posiciona a nível internacional? Podem afirmar que são uma referência para a investigação? LR – Podemos dizer que os nossos grupos de investigação têm produção reconhecida internacionalmente, o que é testemunhado em particular pelo grande número de publicações, colaborações e visitantes. Realizamos investigação com grupos de muitas universida-


CMAF-CIO Nicolas Van Goethem

intensivo, para diminuir custos de operação. Do modelo resulta o reajustamento das tarefas de produção industriais para horários em que a eletricidade é mais barata. Note-se que vários empresários se queixam dos elevados preços de energia praticados em Portugal. O grupo de Investigação Operacional, onde me insiro, estuda também aplicações em outras áreas, como Logística/Transportes e Saúde, para mencionar dois tópicos que têm tido algum relevo recentemente. Vivemos numa era em que as empresas pretendem recorrer ao elevado volume de dados coligidos ao longo da sua atividade diária, nas várias unidades de negócio, para utilizá-los da melhor forma, tanto a nível das redes de abastecimento, como dos comportamentos do consumidor, ou das rotas de transporte dos produtos. Nesse sentido, temos parcerias com algumas multinacionais que, graças aos modelos matemáticos, experimentam melhorias no seu desempenho. NVG – Já o grupo onde trabalho (“Equações com Derivadas Parciais Não Lineares e Aplicações”) realiza investigação matemática em modelos provenientes das ciências e da engenharia, os quais dão origem não só a problemas muito interessantes pelo seu conteúdo matemático intrínseco, como pelo seu potencial de aplicabilidade. No caso concreto do meu trabalho, ocupo-me de aplicações à mecânica. É a solução de uma dada equação que nos diz onde uma peça de material elástico se vai tornar mais fraca, ou onde uma fenda vai surgir e propagar-se na peça. Estudamos um dado modelo, confrontamos os resultados obti-

Maira Aguiar

dos com os de uma experiência real e, assim, validamos ou não esse mesmo modelo. Grande parte dos fenómenos observáveis pode ser gerida pela matemática. As modernas tecnologias fornecem exemplos impressionantes do papel que a investigação matemática tem na inovação. Para construir algo, é preciso conhecer as equações que envolvem os materiais. Este é um dos aspetos do trabalho que levamos a cabo com os nossos colaboradores e alunos. Há algum projeto a decorrer que possam mencionar? MA – O grupo “Biomatemática e Estatística” fez parte de muitos projetos de pesquisa, nacionais e internacionais, sendo que temos dois projetos europeus financiados pelo FP7. Estamos a participar ativamente, desde janeiro de 2012, no projeto Europeu DENFREE, no qual lideramos o Work-package “Descriptive and predictive models for dengue fever”. Este projeto faz parte de três grandes projetos financiados pela União Europeia para investigação do dengue e, juntos, são a maior atividade atualmente financiada em pesquisa sobre essa doença, em todo o mundo. Esperamos poder participar em outras iniciativas internacionais e nacionais, e trabalhamos para que as novas propostas de pesquisa possam ser financiadas, em breve. PC – No grupo de Investigação Operacional está neste momento em execução o projeto “ RORNET-Modelação de Problemas de Roteamento e Escalonamento”, que tem como objetivo abordar, modelar e resolver, de um modo integrado, problemas de roteamento e de escalonamento.

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Pedro Castro

Como analisam o desenvolvimento do Centro e dos vossos respetivos grupos de investigação, nos próximos 10 anos? LR – 10 anos é tempo bastante para que possa haver alterações importantes e até certo ponto imprevisíveis. No fim desse período a unidade terá certamente uma composição diferente e pode ter até uma estrutura diferente, mas gostaria de a imaginar, ou aquilo que for a sua continuação no tempo, com uma presença marcante no âmbito da investigação matemática que se faz no país, e a manter e ampliar o impacto da nossa produção a nível internacional. É importante para isso que a equipa procure assegurar a sua renovação, e que sejam aproveitadas as oportunidades para participar, com outras unidades, em iniciativas que conduzam a avanços marcantes na teoria ou nas aplicações. Deverão ser exploradas, em particular, as possibilidades de integrar jovens investigadores com projetos de qualidade, enquadrados na futura contratação de doutorados. MA – O Centro tem um historial importante em matéria de produção científica, publicada em revistas de qualidade, livros e proceedings de conferências, e de organização de eventos científicos internacionais, em diversas áreas, com grande prestígio e impacto. O nosso grupo tem dado uma contribuição significativa nesse campo. Pela natureza do nosso trabalho, os membros do grupo participam ativa e frequentemente em conferências e workshops internacionais: por exemplo, contamos mais de 100 apresentações científicas, como palestras e apresentações de pósteres, nos últimos cinco anos. Todos os grupos do Centro pos-

suem uma larga experiência de organização de encontros científicos, alguns dos quais constituem séries de conferências prestigiadas. No caso do nosso grupo, organizámos e celebrámos, durante os últimos sete anos, um Workshop anual (DSABNS – Dynamical Systems Applied to Biology and Sciences) que tem contado com a participação de cientistas de mais de 20 países. Desde 2009, realizamos mais de 10 sessões especiais e mini-simpósios de Biomatemática, no âmbito de conferências internacionais de matemática aplicada. A divulgação dos nossos resultados é vasta, através de seminários internacionais regulares. Pretendemos prosseguir e ampliar este programa e por isso a minha previsão é muito otimista para o futuro próximo. Antecipo um aumento considerável da produtividade científica, com publicações de trabalhos científicos em revistas de renome e grande impacto, networking, colaborações e disseminação dos nossos resultados. PC – Prevejo uma ligação ainda maior com as empresas, no que toca à informática, na realização de software validado que seja utilizado no quotidiano, por exemplo. Acrescento que o grupo de Investigação Operacional tem tido, e irá manter, um papel determinante na realização da série de eventos Winter School on Network Optimization, que já vai na 5ª realização. NVG – Sobretudo, espero também que o enquadramento da investigação científica em Portugal esteja menos sujeito a flutuações e entre num período de razoável estabilidade, para que a nossa produção científica seja cada vez mais competitiva a nível internacional.


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Departamento de Engenharia Mecânica da FEUP

A Faculdade de Engenharia e o INEGI são procurados por investidores e investigadores internacionais “A nível laboratorial existe uma grande sinergia entre o Departamento de Engenharia Mecânica e o INEGI, porque este possui meios laboratoriais a nível internacional, uns são meios de investigação, mas outros são quase meios de produção industrial.” Afirma Jorge Humberto Seabra, Diretor do Departamento de Engenharia Mecânica da UP. Como caracteriza o departamento de Engenharia Mecânica? O Departamento de Engenharia Mecânica da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, está obviamente integrado na Faculdade e na Universidade. E em termos de ensino universitário é responsável pelo mestrado integrado em Engenharia Mecânica e também pela componente tecnológica do mestrado integrado de Engenharia e Gestão Industrial. Sendo que esses mestrados tiveram origem no Departamento em Engenharia Mecânica há muitos anos. Entretanto, a FEUP entendeu que seria benéfico criar um departamento para a Engenharia e Gestão Industrial, sendo que desde há uma década, aproximadamente, esse mestrado integrado é realizado em parceria entre os dois departamentos. O que é na realidade um Engenheiro Mecânico? E o que é que um profissional desta área pode fazer? Eu digo que o engenheiro mecânico “faz tudo aquilo que os outros não fazem”. Na realidade este profissional está presente em tudo o que são processos de fabrico envolvendo todo o tipo de materiais: metálicos, não metálicos, compósitos, cerâmicos. Cultivamos a investigação e o ensino dos processos de fabrico. Temos também uma área no departamento que é a conceção de máquinas e equipamentos que abrange a conceção mecânica, automatização, robótica, equipamentos industriais. Estamos, igualmente, presentes no setor da energia, mecânica de fluídos, transferência de calor, instalações industriais, novas tecnologias energéticas (solar, fotovoltaica, eólica …). Também investigamos e ensinamos na área da matemática, em temas como a simulação de processos tecnológicos, entre muitos outros. Tem uma abrangência imensa.    

Jorge Humberto Seabra Diretor do Departamento de Engenharia Mecânica da FEUP e Alcibíades Paulo Guedes, Presidente do Conselho de Administração do INEGI.

O Departamento de Engenharia Mecânica tem uma participação em outros mestrados integrados relacionados com outras áreas. Pode esclarecer qual a vossa participação interdisciplinar? O Departamento de Engenharia Mecânica é neste momento o departamento que tem a seu cargo mais alunos, rondando os 1350 estudantes: cerca de 900 são do mestrado integrado Engenharia Mecânica, 200 da Engenharia de Gestão Industrial e depois temos participações em outros mestrados integrados, como por exemplo; Engenharia do Ambiente, Engenharia Informática, onde temos a cargo unidades curriculares da área de Matemática e Física e também unidades curriculares no âmbito da Engenharia Mecânica: Energias Renováveis, Desenho de Construção Mecânica, Tecnologia Mecânica, entre outras. Neste momento somos o departamento que está mais envolvido em mestrados integrados. Uma vez que este ano lectivo as Engenharias obtiveram a nível nacional as medias mais altas ultrapassando a Medicina. Sente uma responsabilidade acrescida? Na verdade, a FEUP está orgulhosa de que tantos jovens que terminam o ensino secundário bem preparados e com óptimas médias escolham a Faculdade de Engenharia para a sua formação superior e certamente para o exercício da sua futura profissão. Não sei se a FEUP deverá dar demasiada importância a essas médias, já que se compararmos a média com que os alunos entram na Faculdade de Engenharia com a que saem, há por vezes uma discrepância significativa.

Neste momento quem sai com uma formação em Engenharia quase que “o emprego o escolhe” e não o contrário. Isso é uma relação algo volátil. Aquilo que nós pensamos que pode ser o futuro daqui a dez anos, pode não se concretizar. Após um período de alguma dificuldade económica do país em geral, em que os jovens tinham alguma dificuldade em se empregar, a sensação que temos é que nestes últimos doze a dezoito meses a procura de engenheiros está em forte crescimento. Há um investimento de empresas estrangeiras nas suas unidades em Portugal, o surgimento de novas empresas de capital estrangeiro, o alargamento de serviços e o aumento de produção de empresas implementadas no mercado nacional. Isso faz com que, cresça a oferta de trabalho para os profissionais na área das engenharias. Por outro lado, a exigência dos cursos de engenharias das faculdades e universidades portuguesas é reconhecido no mercado internacional. E hoje temos empresas estrangeiras que vêm recrutar a Portugal técnicos especializados para os seus quadros, com uma procura direta junto da nossa instituição. Acaba de terminar uma Feira de Emprego organizada pela FEUP e pela sua Associação de Estudantes, onde estiveram representadas um número significativo de empresas, metade delas seriam empresas internacionais. Na minha opinião é o mercado que dita as regras. Por outro lado tem crescido o número de alunos estrangeiros escolhem a FEUP para a sua formação, pela exigência e qualidade do ensino no âmbito do programa Erasmus.

Quais os projectos planeados para um futuro próximo, no âmbito deste departamento e em parceria com o INEGI (Instituto de Ciência e Inovação da Engenharia Mecânica e Industrial)? O Departamento de Engenharia Mecânica tem uma interligação muito forte com o INEGI. Aliás o INEGI nasceu há 30 anos atrás, em 1986, foi uma criação do departamento. Temos, agora, posicionamentos mais claros e uma organização mais eficaz. O Departamento de Engenharia Mecânica preocupa-se fundamentalmente com o ensino, o INEGI foca-se na inovação para as empresas, e depois, entre os dois temos aqui uma zona comum que é relacionada com a investigação científica e o desenvolvimento tecnológico mais sofisticado. E esta ligação, mas também esta especialização, tem-nos ajudado a torna-nos mais fortes, inovadores e competitivos. Esta compartimentação não é estanque, uma vez que há aqui professores universitários que colaboram diretamente com as empresas. Ao nível do departamento agora temos vindo a desenvolver algumas acções muito vocacionadas para a melhoria das condições do ensino. Estamos neste momento em curso com uma campanha alargada para aumentar o ensino laboratorial em seis unidades curriculares, com um investimento em equipamento que rondará os 100 mil euros e teremos que contratar cerca de 24 monitores para realizar o trabalho laboratorial. É sem dúvida o maior projecto nesta área desenvolvido neste departamento. E será uma aposta para manter no futuro. Outro projeto em que o departamento está empenhado é na renovação do seu corpo docente, já que temos uma idade média elevada dos docentes: nos próximos 3 a 5 anos vamos perder vários professores de topo. Estamos a tentar renovar o nosso quadro com docentes mais jovens. O terceiro projecto do departamento, para o qual beneficiamos da colaboração do INEGI é tentar aumentar o número de estudantes de doutoramento e estamos a elaborar um programa de bolsas de doutoramento financiadas pela FEUP e pelo Departamento com a colaboração do INEGI que também coopera quer do ponto de vista financeiro quer disponibilizando meios de investigação laboratoriais. Neste momento estes são os principais projectos.


Departamento de Engenharia Mecânica da FEUP

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Instituto de Novas tecnologias destinado a actividade de investigação e inovação de base tecnológica para a indústria Nasceu em 1986 no seio dos atuais Departamento de Engenharia Mecânica e Departamento de Engenharia de Gestão Industrial, da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. Com a figura jurídica de Associação Privada Sem Fins Lucrativos, estatuto de utilidade pública e sem financiamento do orçamento de estado.     As sinergias entre o Departamento de Engenharia Mecânica e o INEGI são amplas e em conjunto ensinam, investigam e transferem tecnologia. Uma não vive sem a outra, são complementares na materialização do lado académico, na prática do teórico, na inovação da experimentação, e na comercialização da criação. Quase poderíamos dizer que do engenho nasce a concretização do sonho. É um circuito eficaz com olhos no futuro próximo, que faz o seu caminho centrado no conceito da melhor solução para o que era um problema. Das salas de aula para o laboratório, da prototipagem para o cliente. Esta é a

sinergia de quem sonha junto. “ O INEGI nasceu como filho de Departamento de Engenharia Mecânica e Gestão Industrial com a intenção de tentar melhorar a ligação do Departamento à indústria. Na altura, fazer isso dentro do Departamento era complicado, então o INEGI avançou como um instrumento independente que poderia fazer essa função.” Explica Alcibíades Paulo Guedes, Presidente do Conselho de Administração do INEGI. Como se desenvolveu o INEGI? Alcibíades Paulo Guedes - No princípio, os associados fundadores foram a Universidade do Porto, a Associação dos Industriais Metalúrgicos, Metalomecânicos e afins a Associação Portuguesa de Gestão e Engenharia Industrial e a Associação dos Antigos Alunos de Engenharia Mecânica da FEUP. Este arranque deu-se em 1986. Mais tarde, nos anos 90, e com os investimentos dos vários programas PEDIP, de apoio ao sector da indústria, o INEGI teve um grande crescimento e reforçou a sua componente mais tecnológica. Os laboratórios e a sua construção deveram-se aos programas de apoio à indústria que o INEGI também conseguiu usufruir. Assim compramos as primeiras instalações, montamos os primeiros laboratórios, criamos uma base tecnológica de referência.

A partir dessa data, começamos a ter laboratórios e infraestruturas mais actualizadas e evoluídas do que as do Departamento de Engenharia Mecânica e fomos, ao longo dos anos, complementando-nos de forma a não repetir os mesmos investimentos. Nessa altura, nos anos 90, o INEGI começou a ter como associados empresas privadas e outras instituições que entraram com um fundo associativo, tendo-se mantido este processo de angariação de Associados empresariais ao longo dos anos. Conseguimos assim trazer empresas para a nossa instituição, que com a sua entrada no fundo associativo nos ajudaram a continuar o investimento e a crescer ao longo do tempo. Hoje, a maioria do capital do fundo associativo do INEGI é detido pelas empresas privadas, apesar da posição de relevo que a Universidade do Porto mantém. As empresas fazem parte do dia a dia do INEGI, estão em maioria no Conselho de Administração, no Conselho Fiscal e na Mesa da AG. Penso que este exemplo será único no país. Como é que processa o contato entre o produto e as empresas? A empresas procuram vos para um aperfeiçoamento de um equipamento novo ou o produto é proposto às indústrias? APG – Temos os dois modelos, a que podemos chamar de “Push” e de “Pull”. Temos os casos em que indústria nos coloca um ou vários desafios, e outros, em que são as nossas unidades de investigação que propõem soluções, tenologias ou conceitos às empresas. Quando as empresas vêm ter connosco para desenvolvermos em conjunto um equipamento, produto ou processo, baseado uma nova solução tecnológica, é um desafio específico, uma mudança de material, de processo de fabrico, de molde, de conceito de energia, etc. Há uma interação direta com as empresas; as nossas equipas vão à empresa testar e vice-versa, fazemos reuniões conjuntas, discutimos os desafios que eles têm e fazemos propostas de trabalho em conjunto com os quadros das empresas parceiras. Muitas vezes somos coinventores das patentes, mas não donos delas, porque a empresa que comercializa o produto, pro-

cesso ou tecnologia é o tomador da patente. Para o INEGI não é muito relevante ser o dono de patente, mas sim ser o parceiro da empresa no desafio da sua concretização. Hoje, mais de 50% do nosso volume de negócios são faturas diretas à indústria. O nosso volume de negócio é de 8 milhões de euros, temos 180 colaboradores, existe uma estrutura própria montada. E ainda temos a colaboração dos professores universitários que são afiliados no INEGI e na nossa Unidade de Investigação. JHS – Esta maior independência do INEGI face ao departamento foi ditada pelo mercado. As empresas começaram-nos a colocar desafios cada vez mais exigentes em que a única maneira de sermos capazes de responder, passava pela utilização dos meios e da estrutura profissional do INEGI. Nunca poderia ser a Faculdade, por isso, é absolutamente necessário que o INEGI tenha este corpo de colaboradores.   APG – O grau de exigência dos desafios que as empresas nos colocam exige um elevado grau de integração, temos que ter meios próprios, equipas, laboratórios, capacidades de prototipagem e fabrico de pré-series. Não temos que ser só capazes de responder a uma nova máquina, um novo material, mas muitas vezes a uma solução completa, que não requer só competências da mecânica e da engenharia industrial, mas também exige competências da química ou da electrónica. Por isso, temos de possuir uma infraestrutura técnica e humana organizada, capaz de dar a resposta eficaz ao que a indústria espera de nós e em tempo útil. A partir daí a empresa não é só cliente, mas essencialmente um parceiro. Quando, por exemplo, temos um produto novo poderemos ser nós a pedir à empresa para o testar, e aí, torna-se parceira de investigação. Muitas empresas estão connosco há vinte ou trinta anos, evoluímos juntos e fomos sendo capazes de responder aos diferentes desafios ao longo do tempo. Felizmente, não estamos cingidos a Portugal, trabalhamos hoje com empresas Europeias e dos EUA, como por exemplo a Airbus, a NASA, a HPS ou a ESA, no aeroespacial, ou ainda várias empresas de energias renováveis.


Reabilitação Urbana

Réplica Gold

Réplica Gold: experiência e eficácia no mercado imobiliário A Réplica Gold representa uma mais-valia inquestionável para as empresas que no sector imobiliário pretendam desenvolver uma promoção imobiliária de pequena, média ou grande dimensão, com o objectivo de o colocarem no mercado. Na sequência disso, o outro lado do negócio, - os compradores, - são-lhe facultadas oportunidades, facilitando a concretização dos negócios em ambiente de confiança e eficiência.

Esta empresa sedeada no Porto, com várias lojas abertas ao público, está também presente em Moçambique, posiciona-se como marca com mérito, distinção que lhe advém da implementação de metodologias e procedimentos inovadores que a tornam mais eficaz e objectiva no mercado imobiliário, facultando claramente benefícios para os diversos agentes. País Positivo conversou com os responsáveis, Bruna Carvalho, Alexandre Carvalho e Nuno Almeida, para saber mais sobre a Réplica Gold e conhecer uma empresa que tem demonstrado uma sensibilidade e conhecimento do mercado imobiliário que lhe permite antecipadamente identificar as suas tendências. Como se poderá fazer uma panorâmica da Réplica Gold? A Réplica Gold é uma marca com trinta anos,

www.replicagold.pt Porto - Baixa / Boavista / Foz do Douro / Matosinhos / Moçambique

Bruna Carvalho (Réplica Private) Nuno Ameida (RéplicaGold Boavista) e Alexandre Carvalho (RéplicaGold Matosinhos)

com uma imagem consolidada no mercado, detendo reconhecimento notório. A experiencia, now-how, e conhecimento do mercado permite a estruturação de negócios donde resulta para a Réplica a componente da comercialização dos imóveis, em condições de vantagem para os compradores, designadamente nos preços, verificando-se maior rapidez das vendas com benefício para todas as partes, vendedores e compradores. Obviamente, são requisitos essenciais para a implementação deste plano comercial, a credibilidade de todos os agentes que o incorporam, como é o caso da nossa marca. Isto porque, qualquer imóvel tem um propósito para quem o adquire e, em todos, há uma associação de maior ou menor relevância ao investimento seguro, seja no rendimento ou na mais-valia futura, estes e outros factores, constituem razões de decisão para o comprador e, neste contexto, é para a Réplica imperativo que as expectativas dos compradores se venham a verificar, ou seja, que façam um excelente negócio.

de logo, são quem inicia o primeiro contacto com o cliente, desenvolvendo as acções comerciais sequentes. Em nosso entender, o comercial de vendas no imobiliário deverá ser, verdadeiramente, um consultor. Ele cede ao cliente o seu tempo e o seu conhecimento. Nestas duas variáveis, entenda-se, a primeira deve ser bem gerida e a segunda refere-se ao conhecimento transversal, técnico, jurídico e dos imóveis que representa. O cliente que nos procura em busca de uma solução, pretende encontrar um comercial que esteja preparado, seja empenhado, eficiente, objectivo e informado, com as capacidades necessárias para lhe apresentar as melhores soluções, e ainda o possa aconselhar a tomar a melhor decisão em função do seu perfil. Aos comerciais da Réplica, é-lhes ministrado na sua formação profissional as metodologias para o atendimento aos clientes, considerando as premissas referidas, as quais, ao serem executadas garantirão a total satisfação dos clientes, e este é o principal objectivo da Réplica.

Pode-se aferir que os recursos humanos têm um papel importante para a Réplica Gold? Sim, tem um papel muitíssimo importante; des-

Como faz a Réplica Gold para ser uma mais-valia para os promotores? A Réplica Gold é uma empresa de mediação imobiliária de serviços completos, com impu-

tes que são inexistentes na maioria das empresas de mediação imobiliária tradicionais. A viabilização de um projecto imobiliário em parceria com a Réplica proporciona ao promotor imobiliário maior conforto, segurança e melhores resultados. Na realidade, a Réplica tem na retaguarda estruturas especializadas na elaboração de um plano comercial ajustado aos objectivos do promotor imobiliário considerando o contexto do mercado. Na sua linha comercial estão garantidas as capacidades para cumprir esses objectivos, nomeadamente as metas - volume e prazo das vendas e receitas previstas. Com a parceria, a Réplica, o sucesso comercial de qualquer projecto ganha maiores garantias, sendo efectivamente reduzidos os riscos do promotor. A Réplica Gold opera também relacionada com a reabilitação. Pode dar-nos algumas impressões sobre o assunto? A reabilitação continua muito dinâmica, com elevada procura, seja na vertente do imóvel para reabilitar, ou do imóvel já recuperado, registando-se, ainda, uma oferta escassa em especial quanto aos imóveis já reabilitados, e esta é a realidade. Como consequência, os valores de venda, num e noutro caso, tem vindo progressivamente a aumentar, tendência que tudo indica se manterá nos próximos tempos. No mercado da procura regista-se, também, um elevado incremento estrangeiro, que se apresenta como uma segunda garantia para a continuidade da dinâmica que se verifica neste sector do mercado. Estamos a assistir a relevantes mudanças no mercado imobiliário. Como se posiciona a Réplica Gold neste momento? A Réplica posiciona-se, e pretende reforçar-se garantindo o estatuto de referencia no mercado imobiliário.


Saint-Gobain Weber Portugal

Weber: soluções para construção e renovação Quem intervém na construção ou na renovação de edificados conta com a Weber, uma empresa com consolidado histórico de conhecimento e know-how e que procura sempre incorporar inovações para as suas soluções. Líder no mercado português de argamassas industriais, a Weber alcançou uma empatia com o mercado que lhe vem do bem-estar que proporciona, da durabilidade das suas soluções. Para conhecer melhor a empresa, fomos a Aveiro, a uma das suas duas fábricas portuguesas e sede da empresa, conversar com o Engº. Vasco Pereira, Diretor de Marketing da Saint-Gobain Weber Portugal.

Pode-nos traçar em linhas gerais o historial da Weber? A Weber nasceu em França, desenvolveu-se no pós II Guerra com a reconstrução e expandiu-se para o exterior nos anos 80. Está em Portugal desde 1990. Nos anos 90 o Grupo Weber foi incorporado no Grupo Saint-Gobain, que fez 350 anos em 2015. O Grupo Saint-Gobain é um grande grupo multinacional que projeta, fabrica e distribui materiais e soluções que são ingredientes chave para o bem estar de cada um de

Vasco Pereira, Diretor de Marketing da Saint-Gobain Weber Portugal

nós e no futuro de todos. Tem transversais preocupações com o ambiente e a segurança, tanto nas nossas condições de trabalho, como na utilização dos nossos materiais. Estando presente em 57 Países a Weber alia o profundo conhecimento local com a vasta experiência Internacional, visando sempre a máxima satisfação dos clientes. Por isso a Weber é líder de mercado em Portugal e na maioria dos países europeus. Como define as atividades da Weber? As nossas atividades têm quatro grupos: a Colagem e Betumação de Cerâmica, em que somos lideres de mercado em Portugal, o Revestimento e Renovação de Fachadas, incluindo Sistemas ETICS para a melhoria do desempenho térmico das fachadas em que somos também líderes, as Argamassas Técnicas, incluem soluções para impermeabilização, reparação do betão, fixação com vários materiais, e um quarto grupo que propõe soluções para tratamento e regularização de pavimentos, ficando à vista ou revestidos com outro tipo de revestimentos como linóleos, madeiras, cortiças, pinturas. Tratamos da preparação dos suportes dos pavimentos para estes poderem levar revestimentos finais. Cada uma destas atividades é gerida por gestores de produto dedicados. O que distingue as soluções da Weber? A abordagem, a proximidade com os utilizado-

res. Procuramos encontrar soluções que ajudem quem as utiliza, quem as aplica. Temos dois tipos de cliente: os distribuidores de materiais de construção, aos quais queremos facilitar o seu trabalho e fazer crescer o negócio. E quem aplica, e queremos que se sinta confortável com os nossos materiais. Modo geral, levamos as nossas soluções ao mercado através da rede de revendedores de materiais de construção. Há também o nosso compromisso com as questões ambientais, presente ao incorporarmos nos produtos soluções com o melhor contributo para a sustentabilidade na construção e que possam contribuir para a eficiência energética dos edifícios. Como funcionam essas parcerias? Encaramos o mercado, não por uma abordagem de produtos, mas mais pelo binómio problema-solução. A nossa principal ferramenta de comunicação é o Guia Weber, que publicamos todos os anos e distribuímos gratuitamente. Temos uma equipa com cerca de trinta pessoas que procuram no terreno fazer aconselhamento com as soluções adequadas. Deparamos com variadas questões, nomeadamente na área da reabilitação, sendo as infiltrações de água as mais colocadas. O Grupo Weber está espalhado por todo o mundo e tem uma lógica de atividade específica em cada país. Cerca de cento e cinquenta pessoas trabalham na Weber em Portugal. Pelo menos 90% dos produtos que comercializamos foram idealizados, desenvolvidos e são produzidos em Portugal. Somos, com duas unidades de produção, o maior fabricante de argamassas em Portugal, e estamos focados para a solução das necessidades do mercado português da construção, sobre as quais refletimos permanentemente. É certo concluir serem os serviços importantes para a Weber? As nossas argamassas incorporaram tecnolo-

Reabilitação Urbana

gia de topo mas a proximidade com o mercado vem cada vez mais da capacidade da Weber em dispor de serviços que valorizem os nossos produtos. Procuramos também que os serviços que prestamos possam ser um suporte que ajudem os parceiros da Weber a fazer melhor o seu negócio. Entre outros, o procuramos que o serviço pós-venda seja uma das mais-valias da nossa marca para o mercado da construção. Queremos que o esforço e o investimento que fazemos revertam em vantagens e tranquilidade para quem utiliza os nossos materiais. Temos como lema “we care”, que traduzimos como “importamo-nos”, com acepção em três aspetos: o nosso cuidado no das pessoas, o utilizador final, a nossa preocupação e responsabilidade com a das soluções e uma forte empatia, traduzida nas boas relações com os nossos parceiros. Como se alcança o processo de inovação na Weber em Portugal? A nossa sede está em Aveiro por duas razões: a proximidade com clusters na área dos fabricantes de cerâmica, pois à nossa volta está um conjunto de fabricantes de revestimentos e materiais cerâmicos. E a proximidade da Universidade de Aveiro (UA),com quem estabelecemos parcerias importantes. Boa parte dos nossos técnicos vieram da UA, um viveiro de conhecimento e know-how. Temos projetos de desenvolvimento e inovação com a UA, bem como outras Universidades no país. Baseamo-nos não só no nosso conhecimento intrínseco, mas também em conhecimento que advém dos centros de investigação e desenvolvimento internacionais do Grupo. Bebemos a inovação de muitas fontes e procedemos a uma síntese para o mercado português. Como avalia Semana da Reabilitação Urbana, iniciativa em que a Weber tem participado? Temos uma visão positiva do impacto da Semana da Reabilitação Urbana, de que somos parceiros há alguns anos, considerando aprofundar essa parceria. É uma iniciativa importante, formando uma identidade e um conceito positivo à volta do que é a reabilitação das construções, atividade onde estamos presentes com as soluções Weber, nomeadamente nas intervenções em construções antigas/históricas com a nossa gama de argamassas weber.cal.

Gama .cal Reabilitar a memória Reabilitação de paredes antigas

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Protecção Civil

Ministério da Administração Interna

“As autarquias podem esperar mais competências, responsabilidades e meios” Em entrevista ao PP, o Secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes, desvenda as grandes linhas de orientação do Programa de Governo para o setor da proteção civil, entre as quais se destaca a descentralização de competências para os municípios e as freguesias e o fortalecimento dos serviços municipais e das unidades locais de proteção civil, a valorização da componente preventiva, com a inerente modernização dos sistemas de alerta e aviso das populações e a melhoria da resposta operacional.

Quais as principais orientações estratégicas para o setor da proteção civil? As principais orientações para o setor encontravam-se inscritas no Programa de Governo. Em síntese temos três grandes linhas de orientação: a consolidação do patamar local do sistema, com a descentralização de competências para os municípios e as freguesias e o fortalecimento dos serviços municipais e das unidades locais de proteção civil; a melhoria da eficiência do sistema, valorizando a componente preventiva, a minimização dos riscos, a modernização dos sistemas de alerta e aviso das populações e a construção de comunidades mais resilientes e mais preparadas para fazer face às emergências; a melhoria da resposta operacional, destacando-se o investimento em infraestruturas e equipa-

relançamento do programa de criação de Equipas de Intervenção Permanente (equipas de bombeiros profissionais financiadas pelo Estado e pelos municípios).

Jorge Gomes, Secretário de Estado da Administração Interna mentos dos agentes de proteção civil, a modernização tecnológica e aposta na conciliação dos incentivos ao voluntariado com a dignificação dos profissionais do setor. Tem falado numa estratégia de proteção civil preventiva. Em que consiste essa estratégia? Trata-se de um documento estratégico que pretendemos aprovar em Conselho de Ministros no início de 2017 e implementar no horizonte da legislatura. Esta estratégia constitui um instrumento de planeamento que estabelece os objetivos estratégicos e operacionais, bem como áreas de atuação específicas. Destacaria os principais objetivos: fortalecer a governança na gestão dos riscos; melhorar o conhecimento sobre os riscos e definir estratégias para a redução dos mesmos; melhorar a preparação face à ocorrência do risco e educar e sensibilizar os cidadãos neste âmbito. E o que podem as autarquias esperar da descentralização no âmbito da proteção civil? As autarquias podem esperar mais competências, responsabilidades e mais meios. Para além do reforço dos serviços municipais a que fiz referência, queremos melhorar substancialmente a coordenação operacional à escala municipal e promover uma

gestão eficiente dos recursos dos agentes de proteção civil existentes no território. As competências das freguesias serão igualmente reforçadas, na minimização dos riscos e na prevenção, mas também na sensibilização da população, para além do contributo no apoio à gestão das ocorrências. Será dado corpo às Unidades Locais de Proteção Civil. Queremos constituir equipas locais dinamizadas pelos municípios e freguesias. De que forma tem o Governo apoiado as associações humanitárias de bombeiros? Assumimos a importância fulcral das Associações Humanitárias e dos Corpos de Bombeiros Voluntários no sistema de Proteção Civil. Este ano, reforçámos as transferências financeiras em dois milhões de euros. Relançámos o programa de investimentos em infraestruturas e equipamentos, com recurso a fundos comunitários. O processo foi profundamente revisto para permitir uma maior elegibilidade por parte das associações humanitárias, nomeadamente na aquisição de viaturas operacionais e na execução de obras de construção e de ampliação dos quartéis. Destacaria ainda a isenção do pagamento do imposto sobre veículos na aquisição de veículos operacionais e de transporte de doentes e o

Sabendo que em várias regiões do país é comum haver um decréscimo de voluntariado nos corpos de bombeiros, que intervenções pretende o Governo realizar incentivar o voluntariado? O incentivo ao voluntariado é essencial, sobretudo pela importância estrutural das corporações de bombeiros voluntários em Portugal. Há reconhecidamente dificuldade em consolidar corpos ativos de bombeiros em regiões onde o despovoamento e o envelhecimento demográfico são significativos. Implementámos diversas medidas de apoio, nomeadamente: isenção do pagamento de taxas moderadoras no Serviço Nacional de Saúde; redução da taxa de IRS nas compensações pagas aos bombeiros pelo trabalho voluntário (a partir de 2017); reforço financeiro do Fundo de Proteção Social do Bombeiro para assegurar a vigilância médica da saúde dos bombeiros – interrompida em 2015 – e a correção do elevado défice existente. Estamos também a trabalhar na criação do Cartão Social do Bombeiro (que incluirá incentivos da administração central e da administração local, e levar a cabo durante a legislatura). O que pretende o Governo fazer para incentivar o agrupamento dos corpos de bombeiros? O agrupamento dos corpos de bombeiros deve ser encarado numa lógica de rede, tendo em vista uma gestão mais eficiente e racional dos recursos e na perspetiva da melhoria dos resultados operacionais, em benefício dos cidadãos. As salas de comunicações e de despacho poderão ser otimizadas e os equipamentos disponíveis serão certamente rentabilizados, diminuindo-se os custos com aquisições. As iniciativas de agrupamento de corpos de bombeiros serão incentivadas, em termos de financiamento e equipamento. A regulamentação desta matéria está a ser trabalhada, respeitando sempre a vontade das Associações Humanitárias.


Ministério da Administração Interna Entende que deve também existir um reforço da profissionalização? A profissionalização do setor tem crescido de forma significativa e em vários campos, desde os serviços municipais de proteção civil, passando pelos corpos de bombeiros profissionais, pelos sapadores florestais, pela Força Especial de Bombeiros da Autoridade Nacional de Proteção Civil e pelo Grupo de Intervenção, Proteção e Socorro da GNR. A profissionalização é essencial e deve ser integrada de forma harmoniosa com o voluntariado. O número de bombeiros profissionais que desempenham funções nas Associações Humanitárias de Bombeiros é já muito significativo (cerca de oito mil) e tem tendência a crescer através da criação de mais Equipas de Intervenção Permanente e de outras equipas financiadas exclusivamente pelos municípios ou através das receitas próprias das associações. Em paralelo, estamos a trabalhar na revisão do estatuto dos bombeiros profissionais, nomeadamente em matérias como as carreiras, a formação, a avaliação e o posicionamento remuneratório. É essencial dignificar o estatuto dos bombeiros profissionais. Quais as metas que se pretendem atingir com os fundos comunitários até 2020? Os Fundos disponíveis neste ciclo destinam-se a apoiar a prossecução das estratégias definidas no Plano Nacional de Defesa da Floresta Contra Incêndios, nomeadamente o aumento da resiliência do território aos incêndios florestais, a redução das incidências dos incêndios e a melhoria da eficácia do ataque aos incêndios. Estamos a dar continuidade aos investimentos alavancados pelo QREN em que, pela primeira vez, o setor beneficiou de financiamento comunitário. Ao mesmo tempo estamos a trabalhar noutras componentes do sistema, tais como a prevenção e redução de riscos e a modernização dos sistemas de alerta, de que é exemplo a videovigilância dos espaços florestais. Quais as principais áreas de aplicação dos fundos comunitários? No domínio de intervenção para a redução de incêndios florestais as principais áreas de aplicação são a aquisição de equipamento de proteção individual, a aquisição de veículos operacionais de proteção e socorro, intervenções na rede de infraestruturas para reforço da operacionalidade (onde se inserem os comandos distritais de operações de socorro, as bases de apoio logístico e os quartéis de bombeiros) e o reforço da instalação de redes de defesa da floresta (faixas de gestão de combustível).

Este Governo mantém a intenção de adquirir aviões pesados anfíbios para o combate aos incêndios florestais? Importa em primeiro lugar avaliar essa possibilidade nas atuais circunstâncias. Seria necessário adquirir três aeronaves para permitir a operacionalidade permanente de duas delas no período crítico dos incêndios. Os encargos de manutenção e de operação anuais seriam muito superiores ao custo atual de aluguer das mesmas aeronaves. Sejamos também claros no seguinte: a aquisição dos aviões esgotaria a dotação disponível de fundos comunitários para o setor da proteção civil, impedindo a atuação nas áreas estratégicas já enunciadas. Acresce ainda o facto de ter sido descontinuada pelo fabricante a produção da aeronave que havia intenção de adquirir. Assim, nas atuais circunstâncias e nos moldes que estavam previstos, esse investimento está afastado. Que principais mudanças introduziram na aplicação das verbas do POSEUR no setor da proteção civil? As principais mudanças introduzidas foram, por um lado, a reafectação das verbas destinadas à aquisição dos aviões permitindo o reforço da operacionalidade do sistema de proteção civil. Por outro lado, procedeu-se a uma profunda revisão dos critérios, em função das características do território e dos índices de risco. No concurso lançado em 2015, com os anteriores critérios, foram submetidas 63 candidaturas a quartéis e apenas três aprovadas. No âmbito do concurso que lançámos em 2016 estima-se a aprovação de dezenas de candidaturas, tendo ascendido a cerca de 30 milhões de euros o financiamento solicitado. Que medidas se encontram em preparação para melhorar a prevenção e combate aos incêndios florestais? Como é sabido, no seguimento de um Verão particularmente difícil no que respeita aos incêndios florestais, o Governo realizou no passado dia 27 de outubro um Conselho de Ministros dedicado à reforma da floresta. As medidas abrangem questões que vão do ordenamento florestal, à componente cadastral, à vigilância e fiscalização dos espaços florestais e agrícolas e, também, à área do combate. Gostaria de destacar as responsabilidades conferidas aos municípios e às freguesias para a constituição de equipas dedicadas à vigilância dos espaços florestais, deteção e primeira intervenção no combate aos incêndios e proteção dos aglomerados rurais. Está igualmente previsto o reforço da participação operacional das Forças Armadas.

Protecção Civil

“A palavra de ordem é PREVENÇÃO!” No ano em que comemora 25 anos de existência, a ANBP - Associação Nacional de Bombeiros Profissionais abre as portas à equipa do País Positivo para fazer uma análise da carreira dos bombeiros profissionais num país que todos os anos é assolado pelos incêndios florestais que consomem grande parte da mancha verde nacional.

Portugal presta homenagem aos bombeiros pelo trabalho realizado principalmente na época dos incêndios florestais. Este reconhecimento também chega por parte do governo? O país reconhece o valor dos bombeiros e do seu desempenho e os sucessivos governos não tem deixado de manifestar o seu apoio através da economia nacional que investe muito neste setor, nomeadamente nas viaturas, em equipamentos e maquinaria profissional que custam milhares de euros e na formação dos bombeiros em geral, quer nos profissionais, quer nos voluntários. O problema que se coloca é quanto à disponibilidade dos voluntários para receber essa formação da forma mais adequada e dentro dos timings esperados, porque não se pode exigir a mesma disponibilidade que é esperada de um bombeiro profissional. Não nos podemos alhear de que o

tempo disponibilizado pelos voluntários surge após a sua atividade profissional, eles dão o seu tempo livre para ajudar o próximo e não podemos exigir que façam uma formação dentro de um certo período de tempo e horário. Os voluntários têm um papel importante na ação dos bombeiros profissionais? Os bombeiros voluntários são sempre necessários, eles são uma força que complementa as ações do bombeiro profissional, isto sem nunca desassociar a questão do conhecimento, da formação e da disponibilidade. Não podemos ter como referência para o socorro uma instituição exclusivamente voluntária, isso é uma verdadeira utopia. Todas as Associações Humanitárias de Bombeiros têm, em média, 30 a 40 bombeiros profissionais que são os primeiros a atuar em caso de emergência e são a referência para a equipa que vai para o terreno. Se pensarmos mais além, em terrorismo, em quedas de aviões ou na libertação de gases químicos conseguimos assimilar melhor e valorizar ainda mais o trabalho dos bombeiros profissionais. A ANBP reuniu recentemente com a Senhora Ministra da Administração Interna e com o Senhor Secretário de Estado da Administração Interna. Quais foram os pontos abordados? Pedimos à Senhora Ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa e ao Senhor Secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes, que clarificassem formalmente a situação dos bombeiros profissionais. Se analisarmos a existência de bombeiros profissionais esta estende-se a todos os setores, muito para além dos incêndios florestais. Existem bom-


Protecção Civil

Associação Nacional de Bombeiros Profissionais uma continuidade em termos pedagógicos, de organização para o socorro e de recursos humanos. Sei que não podemos ver atendidas todas as nossas pretensões de uma só vez, mas temos de começar pela entrada de novos elementos, continuar a celebrar os contratos coletivos de trabalho para os bombeiros profissionais das Associações Humanitárias e potenciar a criação, junto com o governo, das bases da reorganização do setor dos bombeiros e proteção civil. Os bombeiros portugueses estão bem formados e equipados? A população pode continuar a confiar nos bombeiros? Os bombeiros portugueses estão, de uma maneira geral, equiparados aos seus congéneres europeus exceto no acompanhamento e na evolução na carreira profissional. O ritmo da evolução e apoio em países europeus como França, Espanha ou Inglaterra é muito mais célere do que o que encontramos em Portugal. Uma forma de

Fernando Curto, Presidente da ANBP - Associação Nacional de Bombeiros Profissionais. beiros sapadores nas maiores cidades do país, bombeiros municipais em todas as capitais de distrito (algumas têm duas corporações), bombeiros profissionais nas Associações Humanitárias e os da Força Especial de Bombeiros. O que pretendemos é que o bombeiro profissional em Portugal tenha uma referência como a PSP – Polícia de Segurança Pública ou a GNR – Guarda Nacional Republicana de forma a permitir uma uniformidade de procedimentos, de hierarquia e de estrutura. Acredito que com esta reestruturação passaria a ser possível que todos os cidadãos recebessem uma resposta igual quer estejam em Chaves ou em Vila Real de Santo António. O desequilíbrio de resposta entre regiões é muito acentuado? Ainda há muito desequilíbrio nas respostas aos pedidos de auxílio, não há uniformização de equipamentos, veículos e de formação para a classe dos bombeiros profissionais. Por isso é que pedimos à Senhora Ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, celeridade neste processo. Ficou a promessa de que esta alteração irá ser finalizada durante o primeiro trimestre de 2017, ou seja, vai ser regulamentada toda a legisla-

ção que diz respeito ao setor dos bombeiros profissionais sapadores e municipais. No que diz respeito aos bombeiros das Associações Humanitárias estamos a celebrar contratos coletivos de trabalho. Este ato que está a ser muito bem recebido quer pelo voluntariado, quer pelas Associações Humanitárias. Para além disto estamos a criar um estatuto remuneratório e uma carreira para a Força Especial de Bombeiros. O que pretendemos com estas alterações é criar um novo paradigma para a proteção civil, quer em termos legislativos, quer em termos de resposta. Acredita que se deu início a um ciclo de renovação da classe dos bombeiros e deste setor? Acredito que estão a ser dados os primeiros passos para que haja uma reestruturação deste setor. É necessário salvaguardar o voluntariado existente, criar condições para atrair novos elementos para as corporações e garantir uma intervenção permanente e profissionalizada. A ANBP tem sido muito pragmática no que diz respeito à formação, esta tem de ser realizada atempadamente e de forma programada, senão seríamos ultrapassados pela inovação. Defendemos a existência de

nos atualizarmos era através da centralização e uniformização da formação prestada aos bombeiros (a formação dos profissionais deveria estar entregue à Escola do Regimento de Bombeiros de Lisboa e a formação dos voluntários à Escola Nacional de Bombeiros) e promover o intercâmbio entre estas instituições. Qual é, na sua opinião, a solução para diminuir o número de incêndios florestais? A palavra de ordem é a prevenção! As entidades competentes deveriam redimensionar o financiamento do combate aos incêndios e canalizá-lo para a prevenção. Situações como as de 2003, 2005 e deste ano, em que a área ardida atinge números recordes não se podem repetir. Partilho da opinião de que os partidos deveriam fazer um pacto para criar uma estrutura nacional de proteção civil. Esta estrutura deveria ser composta pelas escolas e associações existentes de forma a uniformizar procedimentos e regras do normal funcionamento dos bombeiros.


Câmara Municipal da Batalha

Proteção Civil no expoente máximo!

A Câmara Municipal da Batalha e a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da cidade têm uma parceria estratégica que têm vindo a cimentar ao longo dos anos. “Reforçamos não só os meios de combate a incêndio, mas também os equipamentos para acudir a população residente e os cerca de 600 mil visitantes que recebemos anualmente.”

Paulo Batista dos Santos, Presidente da C. M. da Batalha

A parceria entre o município e a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários foi reforçada através de apoios diretos... O apoio ronda os 120 mil euros por ano mas não se esgota aí! Passa por ajudar a colmatar as necessidades pontuais que a Associação vai tendo e sempre que elas existem o município responde com prontidão porque consideramos que a proteção civil e acapacidade de resposta dos nossos bombeiros – seja num período de incêndios florestais,de maior solicitação de assistência por parte dos munícipes ou de apoio ao turismo – eles têm tido uma intervenção bastante ativa.

Protecção Civil

“Fazer bem sem olhar a quem!”

Jorge Novo, Comandante dos Bombeiros Voluntários da Batalha

Fundada há 38 anos, a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Batalha é uma corporação recente que cumpre o seu dever de ajudar a população “Sem olhar a quem” como referido no lema da associação.

O exemplo de boas práticas ultrapassou o apoio monetário. Pode falar-nos do projeto que está a replicado noutros concellhos do país? Queria significar que nos orgulhamos muito de ter no concelho da Batalha alguns projetos pioneiros dentro da temática da prevenção, sendo os bombeiros um pilar fundamental. A lei portuguesa, através do decreto de lei 124/2006 significa que todos os cidadãos têm de realizar a limpeza das matas em volta das habitações. Elaborámos com os GIPS – Grupo de Intervenção Permanentee os bombeiros um programa pioneiro que hoje está a ser desenvolvido em vários distritos do país denominado “Um projeto-piloto privilegiado”. Este projeto visa, no período de maior incidência de fogos florestais, que o GIPS esteja no terreno a ajudar a Câmara Municipal a fiscalizar e a sensibilizar as pessoas para a necessidade de limpar os terrenos em volta das suas habitações e já constatámos que as ocorrências diminuíram.

Jorge Novo, recentemente eleito comandante dos Bombeiros Voluntários da Batalha apresenta a corporação que vai liderar no triénio 2016-2019.

A prevenção é uma palavra-chave para ajudar na diminuição destas ocorrências? Consideramos que é mais urgente prevenir do que ter capacidade de resposta. Quando a prevenção não é suficiente torna-se necessário dotar os bombeiros com equipamentos de proteção individual e de combate adequados.

A cooperação com as entidades de proteção civil é a expectável? Temos uma cooperação e parceria com as entidade de proteção civil que considero exemplar. A Câmara Municipal da Batalha coopera com a nossa Associação anualmente atribuindo-nos financiamento no valor total de 120 mil euros, como ocorreu este ano e quando necessitamos de comprar mais equipamento individual ou renovar as viaturas existentes.

O trabalho dos bombeiros esgota-se no combate a incêndios e auxílio à população? O trabalho da Associação vai para além disso. Eles têm um papel fundamental na segurança dos turistas que todos os anos visitam a Batalha. Para além disso desempenham um papel importante na formação para os atores na área da educação, quer no domínio da saúde e dos auxiliares dos grupos de risco (idosos e crianças).

De que forma identifica esta corporação? A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Batalha tem como dever salvaguardar e socorrer as pessoas e bens no concelho de Batalha, bem como dos milhares de turistas que todos os anos visitam a Batalha. Somos uma corporação jovem, fundada em 1978, que se dedica à prevenção e combate de incêndios rurais; ao socorro às populações em caso de incêndios, inundações e em todo o tipo acidentes, socorro e transporte de sinistrados e doentes, incluindo a urgência pré-hospitalar; bem como das demais atividade de proteção civil.

Esse valor foi distribuído de que forma? Metade do valor foi canalizado para as despesas de funcionamento do quartel, 30 mil euros para as despesas de investimento e os restantes 30 mil euros foram para apoiar o funcionamento da Equipa de Intervenção Permanente (EIP). Recentemente, a C. M. da Batalha comparticipou a compra de uma nova Viatura de Comunicações e Operações Táticas (VCOT) que responde às exigências atuais de intervenção. Para o próximo ano queremos comprar uma nova viatura de transporte de doentes e adquirir uma bomba de extração de água. A aposta na formação é uma das componentes da corporação? Sem dúvida. Apostamos muito na formação do nosso corpo de bombeiros. Este quartel foi renovado há 4 anos e as salas de formação foram equipadas com material mais atual. Também disponibilizamos formação à população e aos agentes que trabalham com grupos de risco.


Protecção Civil

Liga dos Bombeiros Portugueses

Vida por Vida

Após seis anos de liderança da LBP

Fundada em 1930, a LBP - Liga dos Bombeiros Portugueses é a Confederação das Associações e Corpos de Bombeiros de qualquer natureza. A LBP tem procurado, através dos meios ao seu alcance, obter benefícios de diversa ordem de forma a dignificar a ação dos bombeiros portugueses.

que avaliação faz da Liga desde que tomou posso até à data atual? Nestes anos de existência da Liga dos Bombeiros Portugueses passaram, por esta casa, pessoas de bem e com ideais que ajudaram a melhorar o desempenho dos soldados da paz. Quando tomei posse entendi, a par com a equipa que me acompanha, que havia muitas mais ações e decisões que poderíamos tomar em prol dos nossos associados. A evolução positiva que temos vindo a constatar resulta do trabalho desenvolvido por esta direção, da exigência de servir e de

Comandante Jaime Marta Soares

forma mais adequada uma sociedade civil que muitas vezes está distraída das pessoas que estão sempre ao seu lado, que são os bombeiros. Existem muitos Bombeiros em Portugal? Qual é o panorama atual? Os bombeiros portugueses são os principais agentes de proteção civil e assentam em estruturas associativas como sustentáculo do voluntariado. Existem cerca de 30 mil voluntários no quadro ativo, 7.500 dirigentes associativos e outros 30 mil na reserva e quadro de honra. Estas pessoas são responsáveis por 98% da atividade de socorro em Portugal. No que diz respeito à presença no teatro de operações, por exemplo, dos incêndios florestais, que correspondem simplesmente a 7% da nossa atividade; em todos os teatrtos das operações, em equipamentos, viaturas e recursos humanos, a presença dos bombeiros portuguesees é de 96%, bem como 95% da actividade do INEM é realizada pelos bombeiros. A LBP está apoiada exclusivamente no financiamento dos sócios e da tutela? A Liga é uma estrutura altamente exigente e responsável que prima por disponibilizar os melhores recursos aos bombeiros portugueses. A diminuição de apoios e de patrocinadores não tem ajudado o nosso trabalho. Recebemos alguns apoios mas estes

não são suficientes para fazer face às despesas e todas as Associações Humanitárias padecem do mesmo mal. As responsabilidades da LBP dizem respeito a tudo o que concerne aos bombeiros? Exatamente! A LBP tem responsabilidades acrescidas em tudo o que diz respeito aos bombeiros nacionais e, por lei, devemos ser ouvidos em todas as matérias que digam respeito aos bombeiros portugueses. Somos um órgão eleito em congresso nacional onde estão representados todos os bombeiros portugueses. Desde que lidera a LBP houve alguma situação que o marcasse? Logo que tomámos posse, em 2012, tivemos de enfrentar um problema grave, que foram os incêndios florestais. Deparámo-nos com um parque de viaturas ultrapassado e quase obsoleto, com estruturas físicas muito complexas, com equipamentos de proteção individual desadequados. Fala-se muito do desgaste dos bombeiros a nível físico e de saúde. A LBP tomou alguma medida neste sentido? A saúde dos bombeiros portugueses também foi alvo da nossa preocupação. Começámos por reivindicar a vigilância médica periódica. Nesse sentido, os bombeiros vão passar a fazer um exame completo de forma a detetar algum problema de saúde o mais precocemente possível.

É unânime que o número de voluntários tem vindo a diminuir. A LBP apresentou alguma proposta para inverter esse processo? Faz parte do nosso programa eleitoral a criação do Cartão Social do Bombeiro. Esta é uma das medidas que tomámos para encorajar o voluntariado, de forma a que as pessoas continuem a disponibilizar o seu tempo para ajudar o próximo. Temos encetado conversações com o governo e as autarquias de forma a tornar este cartão uma realidade o mais brevemente possível. Nesta perspetiva, temos vindo a reforçar o Fundo Social do Bombeiro. A par, pretendemos divulgar a sua existência junto da população para que as tomem consciência da existência do mesmo e, assim, possam ajudar os bombeiros, reforçando essas verbas. Em que consiste o Fundo Social do Bombeiro? O Fundo Social do Bombeiro tem a função de reforçar as verbas de apoio aos soldados da paz em todas as áreas de apoio social. Vamos reformular este estatuto de forma a que o bombeiro seja apoiado na dimensão do que merece. São mulheres e homens que fardam soldados da paz, que afirmam os seus valores de vida por vida, que arriscam a própria vida na defesa de outros e não pedem nada em troca. São voluntários por opção e profissionais na acção.


Escola Nacional de Bombeiros

Protecção Civil

Escola Nacional de Bombeiros na vanguarda da formação mundial Em entrevista, José Ferreira, o da instituição que há mais de duas décadas se dedica à promoção do “saber para salvar”, desvenda uma estratégia que tem resultado no desenvolvimento de novos cursos, em parceria com institutos politécnicos e entidades internacionais, e na renovação de conteúdos multimédia, em que destacamos a plataforma de e-learning. Ao nível das infraestruturas, a construção do pioneiro campo de treinos em Sintra, que integra um dos melhores centros de simulação e realidade virtual a nível internacional para bombeiros tem-se afirmado como um pólo de atracção mundial…

Onde começam e acabam as competências de formação e instrução da Escola Nacional de Bombeiros? Erradamente, servimo-nos do mesmo termo para conceitos diferentes… Uma coisa é formação, outra é instrução. Formação representa saber, instrução implica saber fazer, ou seja, praticar. O fomento do cabe à Escola, ao passo que o saber fazer se adquire no seio dos quartéis. Instrução significa executar e repetir. Por outro lado, a formação de um bombeiro depende das responsabilidades que lhes são atribuídas e a mesma encerra dois patamares distintos: por um lado, o que designo como a formação para a agulheta, ou seja, a execução ao nível da manobra. E aqui, estamos a falar de bombeiros, desde que entram na carreira

Ao centro, José Ferreira durante um exercício de simulação IGNIS até ao dia em que podem começar a chefiar uma equipa, sendo bombeiros de primeira classe. Da primeira classe para cima não estamos a falar de manobra nem de agulheta, mas antes na tomada de decisão. Saltamos do plano da manobra para o nível táctico e estratégico. Como tal, a formação para a manobra e a instrução de bombeiros são vertentes externas à ENB. A esse nível, a Escola disponibiliza formadores, define e prepara os materiais pedagógicos e as cargas curriculares mas tudo isso é executado fora, sendo que essa responsabilidade se situa ao nível do quartel. Quando saltamos para um domínio em que pretendemos treinar homens no sentido da tomada de decisões, gestão de operações, definição de tácticas e formulação de estratégias, aí sim, estamos num nível de formação ministrada no seio da ENB. E essa formação tanto poderá ser ministrada em Sintra, como em São João da Madeira ou na Lousã, onde é ministrada cerca de 16 por cento da formação. Os restantes 84 por cento recebem o apoio de formação da Escola mas todo o trabalho é desenvolvido dentro dos quartéis, através de homens que são formados pela Escola, que conta, neste momento, com, cerca de 1400 formadores externos. De que forma assegura a Escola Nacional de Bombeiros o necessário acompanhamento dos seus formado-

res face à inovação técnica e tecnológica? Desde que a actual direcção tomou posse, houve uma preocupação evidente quanto ao estreitamento de relações entre a nossa Escola e as suas congéneres europeias. No seio dessa estratégia, nos últimos três anos, tivemos formadores a frequentar o Fire Service College e outros como o ECASC e ENSOSP. Comigo, a ENB reingressou à Associação Europeia das Escolas de Bombeiros, a EFSCA, cujo comité de direcção integro. Esta associação, que integra 40 escolas de bombeiros de 34 países, realiza uma conferência anual, sendo que em 2017 a mesma decorrerá em Berlim, subordinada à utilização das novas tecnologias na formação de bombeiros voluntários, em que Portugal fará uma apresentação e, em 2018, a conferência realizar-se-á em Portugal. Portanto, houve aqui uma tentativa de que os formadores internos da ENB tivessem contacto com as melhores academias. Em paralelo, a ENB foi reconhecida pela entidade com maior crédito em termos mundiais, sendo filiada na NFPA dos EUA, assim como pelo IFE, do Reino Unido e, com base em todo este trabalho, tentámos trazer para Portugal o conhecimento do que melhor se vai fazendo pelo mundo. Simultaneamente, temos desenvolvido uma estratégia que visa encon-

trar parceiros europeus para a concretização de determinados projectos. Estamos a chegar ao final do primeiro ano do projecto IGNIS, desenvolvido nas nossas instalações ao longo da última semana e que congrega Portugal, França, Inglaterra e Itália com recurso à tecnologia de simuladores de realidade virtual, em que conseguimos fazer o treino de determinadas circunstâncias muito difíceis e dispendiosas de realizar em situações reais. Com este simulador, pretendemos desenvolver uma ferramenta que simula um grande incêndio florestal, em que possamos envolver cerca de 400 homens, e em que vamos treinar o comando, a gestão, a tomada de decisões, a articulação e o combate a um incêndio destas dimensões. Falamos, uma vez mais, no plano estratégico e táctico, que nos permitirá igualmente, quando actuamos em cooperação solidária através da activação do “Os alunos que passam no Centro de Simulação são, basicamente, avaliados em três vertentes: Desde logo, vão encontrar um cenário que desconhece – pode ser um incêndio florestal, como um acidente numa auto-estrada envolvendo n viaturas, uma perseguição na via pública de que resultam feridos, um descarrilamento ferroviário, entre outros… Temos 68 cenários! Primeiro, pretendemos constatar qual a capacidade de análise do aluno face à situação com que se deparará; Depois de ler o problema, começa a tomar decisões e vai interagindo com os formadores, que lhe vão facultando ferramentas para o efeito… A estratégia é habitualmente conduzida no sentido de convencer o formando de que a situação está resolvida mas, no momento em que entra nessa zona de conforto, introduzimos elementos adicionais de confusão, obrigando-o a reformular a estratégia e a reafectar os meios porque um factor imponderável voltou a complicar a situação… Essencialmente, passa por esse treino quem tem que tomar decisões: chefes, elementos quadro de comando e oficiais de bombeiros. Basicamente, quem tem a responsabilidade de comandar uma operação de socorro”.


Protecção Civil

Escola Nacional de Bombeiros

mecanismo europeu de protecção civil, podermos interagir com os nossos parceiros no âmbito deste projecto, elegendo ainda como objectivo a definição de um glossário comum que sirva qualquer bombeiro de diferentes nacionalidades. Outra vantagem resultante deste projecto, para além do equipamento com que as escolas ficam dotadas, prende-se com o financiamento do mesmo num formato portátil. Deste modo, poderemos realizar este exercício em qualquer território do país, estendendo a formação aos técnicos da ENB e, assim, descentralizar e treinar. Trata-se de um projecto a dois anos cujo primeiro exercício se realizou em Portugal, com a simulação de um incêndio que durou três dias, congregando equipas de 12 distritos, simulando um cenário real através de uma ferramenta que, com custos significativamente diminuídos, con-

seguimos treinar procedimentos que em cenário real se tornariam impossíveis de treinar ao nível da tomada de decisão. Isto treina-se hoje no nosso Centro de Simulação. Vamos usar os equipamentos portáteis numa formação para quadros de comando da Região autónoma da Madeira em Dezembro. As dificuldades por que os bombeiros portugueses têm passado podem considerar-se crónicas, sendo constantes as carências evidenciadas pelas demais corporações… No que concerne à disponibilidade para a formação, sabendo que temos um significativo corpo de voluntários, estaremos no patamar do desejável ou do possível? É sempre a possível… Mas esse é um aspecto em que devemos ter sempre orgulho relativamente à prática portuguesa.

Há pouco dizia que iremos fazer uma apresentação na conferência de Berlim 2017… Muita gente pensa que só Portugal tem bombeiros voluntários… Todos os países da Europa os têm, França com 190 mil, Alemanha com 200 mil, Áustria com 70 mil… E o problema da formação dos voluntários na Europa é exactamente igual ao português, prendendo-se com a disponibilidade de tempo concentrando-se nas noites e aos fins-de-semana. Ora, este é um problema que toda a Europa sente e em que Portugal vai neste momento à frente. E é nesse factor que se centrará a nossa apresentação. Habitualmente, quando pensamos em formação, incidimos na carga presencial, algo que temos vindo a procurar obviar através do sistema b-learning. Ou seja, num período prévio à formação presencial oferecemos atempadamente acesso on-line a um con-

Universidade de Coimbra Visitar a Universidade de Coimbra é um desafio para a descoberta de uma Universidade que ultrapassa largamente as fronteiras do território nacional, e que se abre ao mundo com um prestígio único construído ao longo de 726 anos. É a Universidade em língua portuguesa mais reconhecida além-fronteiras. Serviu de modelo a inúmeras universidades no espaço Lusófono e simboliza a cultura e a língua portuguesas, que tanta influência têm tido no mundo. É uma Universidade global, moderna e virada para o futuro, que se estende a Coimbra-cidade, que lhe dá guarda e que vive ao ritmo do seu pulsar, estabelecendo uma simbiose que não passa despercebida ao olhar atento do turista que a visita: “Coimbra é a Oxford ou Cambridge de Portugal – uma mini Lisboa, com tudo o que é bom do Portugal urbano, sem a intensidade de uma grande metrópole” [Rick Steves, the America’s leading authority on European travel].”

Esta imensidão histórica constitui um trunfo único que deve ser divulgado, promovido e mostrado ao Mundo. Mostrar esta riqueza a quem nos visita é valorizar Coimbra, com a sua Universidade, guardiã do local onde Portugal nasceu, casa de estudantes e do Conhecimento. Os estudantes “levam-na consigo para a vida”. São embaixadores e divulgadores da vivência académica e cumprem a missão que é a essência desta academia: contribuem para a consolidação da soberania assente no conhecimento. Esta paixão intrínseca, inexplicável e inigualável retrata o sentir da Universidade de Coimbra: As lendas e superstições, as vitórias e as derrotas, as tristezas e as alegrias, as paixões e as serenatas, as farras e os chumbos, a praxe, são elementos de uma identidade única que é vivida diversamente por cada estudante e que estabelece elos indestrutíveis para a vida; “Capa negra de saudade; No momento da partida; Segredos desta cidade; Levo comigo para a vida; Sabes que o desenho do adeus é fogo; que nos queima devagar; E no lento cerrar dos olhos teus; Fica a esperança de um dia aqui voltar.” [António Vicente; Letra da balada da despedida do 5º ano jurídico 88/89] Luís Menezes, Vice-Reitor Turismo

junto de conteúdos e permitimos a realização de determinados testes e aquele curso que, inicialmente, previa 50 horas presenciais, resumir-se-á a 25 porque, quando o formando chega, já adquiriu as noções básicas. Assim, conseguimos transferir a carga horária da formação presencial dos conteúdos teóricos, para as provas práticas. A par disto, a Escola elabora um conjunto de materiais pedagógicos, que disponibiliza a todos os quartéis, bastando-lhes executar os exercícios de acordo com as fichas de manobra que disponibilizamos. Ao seguirem essas fichas de manobra, sei que o procedimento será realizado de igual forma em todo o território português. Em suma, a ENB desenvolveu este esforço atendendo às dificuldades resultantes da falta de tempo para que o acesso à formação possa ser facultado à distância.


Jacinto Marques de Oliveira, Sucrs, Lda

Empresa familiar exporta para a China “Somos a única empresa nacional que tem um laboratório de testes para experimentar os equipamentos antes de os colocar no mercado, quer as viaturas, quer as bombas de incêndio.” Afirma Jacinto Oliveira, CEO da empresa. O que fabrica a empresa Jacinto Marques de Oliveira, Sucrs, Lda? Jacinto Oliveira- A Jacinto Marques Oliveira é uma empresa familiar, nasceu em 1954 foi criada pelo meu avô, que deu o nome à empresa. E desde então, tem se dedicado a vários sectores de actividade sempre em paralelo. Mas podemos distinguir duas áreas. Desde 1954 a 1974 produção de estruturas metálicas. De 1974 a 1984 a grande actividade foi a pré fabricação para habitação. Em 1985 partimos com a produção em serie de veículos de combate a incêndio e socorro, de qualquer modo nunca deixamos de fabricar os outros produtos. Neste momento, a parte de fabrico de veículos de incêndios corresponde a 90 por cento da actividade, e a os restantes 10 % o fabrico de estruturas metálicas e pré –fabricação. Existem duas unidades; a 1ª unidade que é no centro de Esmoriz, e esta segunda, maior, que tem sete anos, na zona industrial. Atualmente, a política da Jacinto tem sido adaptar-se sempre aos mercados, e por isso a pré fabricação foi necessária entre 1974 e 1984 por causa dos retornados que voltavam das ex colónias. A partir de 1984 esse negócio começou a decair e tivemos que nos adaptar. Tínhamos conhecimentos de veículos de combate a incêndios, a família esteve sempre ligada aos bombeiros desde do meu avô que foi o fundador da Associação de Esmoriz, o meu pai, o meu tio e eu. Por isso, possuíamos muito conhecimento de veículo de combate a incêndios. Fomos melhorando, fomos arranjando mercado e em 2005 começamos a exportar cerca de 5% da nossa produção. O primeiro concurso internacional que ganhámos foi em Espanha, agora estamos em quase todo o mundo. Em 2016 vai atingir 80% da produção para exportação, o que nos dá garantias, no momento, em que infelizmente, o

mercado nacional está muito parado. Procurámos outros mercados e com bastante sucesso, há mercados especiais como o francês. Os franceses compram equipamentos de qualidade e é um mercado muito exigente. Ganhar esse mercado foi para a nossa empresa uma grande bandeira, porque depois é mais fácil entrar noutros mercados com mais vigor. Hoje, partiram para a China três veículos especiais, e é sem dúvida um mercado que tem bastantes perspectivas para futuras vendas. No mercado estrangeiro de pais para país há outras exigências? JO - Exactamente. Nós fazemos o produto em função do mercado. Elaboramos um estudo de mercado, tipo de características que eles exigem e produzimos conforme o estipulado. De qualquer forma, o que nos tem sido bastante favorável é o nosso conhecimento do produto e capacidade de resposta a essa exigência. E conseguimos um produto final muito bom. Estão sempre em busca de novos equipamentos? JO- Sim, o mercado nesta área de combate a incêndios e socorro é muito aberto, não há fonteiras, o que se faz hoje em Portugal, podemos fazer para a Alemanha, Itália, China, na América do Sul, é conhecido. As feiras são abertas, todos os produtos estão expostos, conhecem todos os produtos e concorrentes e vamos adaptando. Vamos a concursos internacionais onde estão as grandes empresas do sector e não temos qualquer dificuldade em concorrer com eles. Normalmente os equipamentos são portugueses? JO -Nós somos fabricantes de super estruturas. Compramos aos fabricantes chassis, como por exemplo, Mercedes, MAN, Renault vem só o chassi e cabine e a nossa empresa faz toda a estrutura para colocar sob esse chassi. Tudo é produzido por nós desde do projecto, a execução até a construção dessas estruturas, depois compramos equipamentos ou alguns nós fabricamos. Tem laboratório para testar equipamentos produzidos? JO- Somos a única empresa nacional que tem um laboratório de testes para experimentar

os equipamentos antes de os colocar no mercado, quer as viaturas, quer as bombas de incêndio. Temos esse laboratório que foi um investimento elevado que tivemos que fazer, para conseguirmos a certificação dos nossos equipamentos. Tivemos que criar condições para que qualquer laboratório independente venha á empresa e faça os testes aos nossos equipamentos e viaturas, porque há mercados que não aceitam equipamentos sem serem testados e certificados. Há dois tipos de certificação: certificação da empresa, como a ISO 9001; 14001; 18001, de qualidade, ambiente e higiene e segurança. E depois, temos um laboratório a certificar os nossos produtos, que por acaso, é português. É a LTA (Laboratório de Tecnologia Automóvel), que está credenciada para testar os equipamentos segundo as normas europeias.

Protecção Civil

Todos os veículos podem ser diferentes? Não. Há trinta anos atrás tínhamos muitos carros incêndio e eram todos diferentes. Hoje, a Autoridade Nacional da Protecção Civil criou uma tipificação para os veículos, dependendo da sua função. E nós como fabricantes temos que cumprir essas normas. Estão tipificados os florestais, os urbanos, os de desencarceramento, e com isso, temos que verificar as normas e propor ao cliente os carros de acordo com essas regras. Tudo que sejam veículos de combate a incêndios e socorro, nas várias áreas, a empresa planeia, fabrica e produz. A única área que não fazemos, são equipamentos para serviços de saúde. - E as feiras que mais-valias trazem? JO- Eu acho que vencemos uma barreira, de sermos portugueses. Mostramos que também sabemos fazer com qualidade. Nas feiras além de dar a conhecer o nosso produto, ano após ano vamos melhorando a tecnologia e os equipamentos, e os clientes ficam com outra imagem de Portugal, diferente da que tinham. Os nossos clientes em 2005 não compraram nada, em 2007 já adquiriram algum equipamento. Atualmente somos os seus fornecedores exclusivos. Isto quer dizer tudo.


Protecção Civil

Associação Portuguesa dos Bombeiros Voluntários

“Lutamos pela união dos Bombeiros Voluntários” razoável, mas a permanência nas fileiras é cada vez menor porque, para além do corte nos benefícios é necessário ter tempo para os piquetes e para as formações, mas depois também existe a vida familiar e as pessoas estão cada vez menos disponíveis para o voluntariado.

Rui Silva, Presidente da APBV

Fundada há 10 anos, a Associação Portuguesa dos Bombeiros Voluntários pauta por “congregar e representar os Bombeiros Voluntários de Portugal sem esquecer os seus dirigentes” afirma Rui Silva, Presidente da APBV em entrevista ao País Positivo. A APBV representa os bombeiros voluntários a nível nacional. Acredita que todos os interessados têm noção dessa realidade? Temos cerca de 30 mil bombeiros voluntários nacionais (que estão no quadro ativo) e podemos afirmar que prevemos atingir brevemente, cerca de 13 000 associados (incluindo todas as categorias de sócios), o que já é um número significativo em comparação com os dez anos da nossa existência. Reconheço que temos de apostar na divulgação da APBV e gostaríamos de contar com o apoio da estrutura associativa para nos facilitar esse trabalho, mas como somos equiparados, por algumas

instituições, a um sindicato dos bombeiros esse trabalho não tem sido facilitado. Desempenhamos um trabalho de acompanhamento, aconselhamento, de informação, as pessoas estão muito mal informadas dos seus deveres e direitos enquanto Bombeiros Voluntários. Quais são os requisitos necessários para os bombeiros voluntários se tornarem sócios da APBV? Desde 2012 que a APBV não exige o pagamento de jóia ou de uma contribuição mensal. Consideramos que os bombeiros já dão tanto que eram uma sobrecarga que não fazia sentido, por isso abolimos o pagamento de quotas. Para se associarem basta entrar em contacto connosco através da nossa página oficial, das redes sociais, e-mail ou telemóvel. Todos os diretores são voluntários e vivemos do que os mecenas nos oferecem, normalmente pedimos para nos oferecerem equipamentos no valor da verba que pretendiam atribuir e dos apoios atribuídos por grupos como a BOSCH, SIEMENS, Natura, etc.. Os associados recorrem à APBV em que altura? De que forma podem fazer chegar as suas pretensões? Os bombeiros recorrem à associação nas alturas mais problemáticas da sua vida

profissional, como quando sofrem um acidente ou necessitam de ajuda jurídica. Mas também recorrem à APBV para formação especializada e receberem equipamentos de proteção individual. Temos feito um trabalho exemplar nesse campo, podendo dar como exemplo a distribuição de centenas de equipamentos de proteção respiratória, que fez a diferença no combate aos incêndios florestais este ano. Todos os bombeiros voluntários, associados ou não, devem usar a página web www.apbv.pt e as redes sociais, fazendo-nos chegar as suas pretensões/ opiniões contando, da nossa parte, com discrição, confidencialidade e empenhamento na resolução das questões apresentadas. Partilha da opinião de que o número de voluntários está a aumentar? Não, de todo. É verdade que muitas pessoas fazem essa afirmação mas, na realidade, o número é cada vez menor. Foram retirados muitos direitos aos bombeiros e os deveres estão sempre a aumentar. Aponto como exemplo a isenção das taxas moderadoras que foi retirada e só este ano é que voltou a ser aplicada e a contagem do tempo de bombeiro para efeito de reforma que ainda não foi recuperada. O número de adesões continua

Dos temas que tem agenda quais são os que destaca? Há assuntos que, para nós, são prioritários. A corrupção e os lóbis são dois temas que têm de acabar dentro da classe dos bombeiros. Somos da opinião de que a gestão da Escola Nacional dos Bombeiros tem de ser mudada, o Estatuto Social do Bombeiro tem de ser atualizado pelo Estado e não substituído por pequenos apoios das autarquias. A questão dos pagamentos às ECIN vai ter de ser alterada passando a ser efetuada por transferência bancária diretamente para o bombeiro; os seguros contratados para os Bombeiros têm de passar a corresponder ao salário que ele aufere e não ao salário mínimo nacional como acontece atualmente, entre outras. Este mandato está quase a terminar. Vai manter-se na liderança da APBV e quais os principais objetivos do próximo mandato? Continuarei disponível e estou convencido que a nova direção, independentemente de eu fazer parte ou não, vai apresentar um programa no qual reforçaremos o papel de parceiros das demais entidades que representam as Associações Humanitárias e os bombeiros, a LBP e a ANBP para, em conjunto, resolvermos as questões de fundo dos Bombeiros. Pretendemos que a APBV continue a afirmar a sua posição e intervenha, à semelhança do que tem vindo a acontecer, em eventos nacionais e em fóruns internacionais. Temos um papel muito ativo e cada vez mais incisivo nas grandes questões e, por isso, queremos que a tutela nos ouça no Conselho Nacional de Bombeiros e Comissão Nacional de Proteção Civil, onde ainda não temos representação. Queremos ter uma estrutura mais adaptada à realidade do território e que a tutela passe a apoiar diretamente a APBV.


Cirurgia da

obesidade. Av. Boavista, 117, 6ยบ, Sala 607 4050-115 Porto โ€ข Telf.: 226 104 394


País Positivo

Fundação João Bento Raimundo

Festa de Natal da Fundação João Bento Raimundo aquece a cidade da Guarda! O grande Auditório do Teatro Municipal da Guarda foi o local escolhido para a celebração natalícia da Fundação João Bento Raimundo. No dia 10 de dezembro, o grande Auditório do Teatro Municipal da Guarda recebeu a Festa de Natal de uma das mais prestigiadas entidades guardenses, a Fundação João Bento Raimundo. Guarda, cidade alta, pautada pelo frio característico desta época invernosa, aqueceu com a alegria, energia e felicidade evidenciada por todos os que assistiam a tão belo espetáculo. O Grande Auditório do Teatro Municipal da Guarda, com capacidade para 626 pessoas, tornou-se pequeno para receber todos os que quiseram participar nesta celebração natalícia, uma vez que as famílias dos utentes da Fundação João Bento Raimundo responderam com uma adesão em massa a este evento. O espetáculo teve início com a atuação dos bebés e das crianças da sala dos dois anos com a música “Comboio Mágico” enchendo de orgulho os pais que estavam a assistir na plateia. Seguiu-se a atuação intergeracional dos utentes da Residência Sénior, do CAO – Centro de Atividades Ocupacionais e da Creche com a interpretação “Doce Sabor da Vida”. Neste ato é evidenciada a amizade, a emoção e o convívio entre pessoas diferentes e de idades díspares; momento onde se evidencia que as pessoas diferentes podem conviver com qualquer outra pessoa independentemente da sua idade, formação, cor ou raça, tal como acontece no dia-a-dia da Fundação João Bento Raimundo.

A presença dos membros do Conselho de Curadores; do Presidente da Câmara Municipal da Guarda, Dr. Álvaro Amaro, do Bispo Diocesano D. Manuel Felício e do cónego António Carlos, dos colaboradores, voluntários, funcioná-

rios e das famílias dos utentes foi alvo de agradecimento no início do discurso de boas-vindas da Presidente do Conselho de Administração da Fundação Bento Raimundo, Dr.ª Marília Raimundo: “...quero destacar, em nome dos elementos que compõem o Conselho de Curadores, a colaboração que tem sido dada a esta Fundação pela Escola Profissional que é hoje uma realidade bem presente e ajuda muitos alunos a encontrar um percurso profissional, mas também o contributo e o trabalho desenvolvido pelo voluntário João Bento Raimundo. Agradeço a todos os que compartilham connosco esta Festa de Natal que é muito simples, uma festa de amadores, que foi construída do nada com amor, carinho e o entusiasmo próprio das nossas gentes. O primeiro número apresentado (“Comboio Mágico”) teve o aproveitamento do barco utilizado na festa do ano passado e atrevemo-nos a apresentar, como novidade “Doce Sabor da Vida”, uma representação intergeracional que representa aquilo que somos no dia-a-dia: uma família! O convívio entre os bebés, crianças, as pessoas deficientes (que eu gosto mais de chamar diferentes), avós, pais e mães faz parte da vida saudável desta instituição.”

O desenvolvimento de uma aplicação informática para utentes e respetivas famílias é, como afirma a Presidente do C.A., “a novidade pedagógica apresentada no início deste ano letivo. É um programa informático, através do qual os Encarregados de Educação podem saber, diariamente, tudo o que se está a passar com o seu filho através de um simples clique na aplicação, na comodidade do lar ou quando estão no local de trabalho; da mesma forma recebem todas as informações que a Fundação lhe pretende fazer chegar. Esta é a forma mais clara

e direta que temos para demonstrar qual é a política da Fundação que consiste em chegar mais rapidamente às famílias que, naturalmente, querem saber como está e como decorreu o dia do seu bebé, da sua criança, mãe ou pai e dar-lhes acesso a esta informação tão preciosa. A implementação deste sistema vem comprovar que somos uma entidade aberta e que promove o diálogo entre as famílias e os utentes da Fundação João Bento Raimundo. Pessoalmente considero um avanço tecnológico que mais nenhuma instituição guardense pode orgulhar-se de ter implementado!” O voluntariado e a equipa têm lugar de apreço com “uma palavra de incentivo e de orgulho aos colaboradores que, a título gratuito, têm demonstrado a sua boa vontade ao longo de todos estes anos, mesmo quando a vida não corre como o esperado; aos diretores de serviço, aos educadores, aos auxiliares e a todos os que trabalham na Fundação eu deixo um grande abraço de admiração por terem conseguido, ao longo de tão pouco tempo, trazer a este palco uma festa desta dimensão e qualidade tornando-a, se me permitirem, num ex-líbris da Guarda. Os nossos idosos merecem uma palavra de carinho muito especial. É a primeira vez que eles colaboram na festa de Natal da instituição e o facto de pessoas com mais de 80 anos ainda manterem o espírito e demonstrarem a vontade de o fazer é, sem dúvida, louvável.” O trabalho da Fundação João Bento Raimundo não fica confinado ao interior da instituição “quando iniciamos um processo de parceria com outras entidades este é aceite de imediato, como refletido no projeto de prolongamento da Loja Social que hoje é uma realidade graças à parceria concretizada com a ULS - Unidade Local de Saúde da Guarda.” Este projeto começou dentro da Fundação, “mas está aberto a todos os cidadãos, daí termos tido a necessidade de expandir o raio de atuação.” A Loja Social recolhe agasalhos, roupas de bebé, criança, homem, senhora, cobertores, mantas, peças de mobiliário e brinquedos. Todas as ofertas serão cuidadosamente preparadas para ofertar posteriormente a quem mais precisa e “quando já não necessitar devolva-nos que voltamos a doar.” Reitera Marília Raimundo. Os agradecimentos estendem-se ao trabalho desenvolvido pela “diretora da loja social que tem feito um trabalho magnífico, ela é a alma da Loja Social da Fundação e que, com toda a certeza, também o vai ser neste novo projeto. Ao Sr. Bispo da Diocese da Guarda D. Manuel Felício e ao Sr. Cónego António Carlos pelo modo como acolheram a Fundação e pelo apoio que nos têm prestado que, por sua vez, nos ajuda a apoiar as pessoas mais carenciadas da região. Mas as novidades não se ficam pelos avanços tecnológicos, a Fundação João Bento Raimundo, “vai ter uma residência para acolher os alunos carenciados que estudam na Ensiguarda. Este complexo ficará localizado na mesma rua num terreno cedido pela Câmara Municipal da Guarda.” Termina deixando “um abraço sentido e desejo que para o ano ainda possam ser mais felizes do que este ano; que o ano de 2017 traga todas as benesses que merecemos e que Deus nos ajude tal como eu espero que a Fundação João Bento Raimundo prospere!”


Fundação João Bento Raimundo

País Positivo

As canções em inglês, danças sevilhanas e o ballet, as dramatizações com entrada privilegiada no mundo imaginário das histórias infantis preencheram a tarde e os corações das pequenas vedetas e de uma assistência atenta e participativa que culminou com a representação do presépio humano seguido da entrada do pai natal com as tão desejadas prendas.

A primeira parte termina com a entrega de prémios da Ensiguarda – Escola Profissional da Guarda. A cooperação entre a Fundação João Bento Raimundo e a Caixa Geral de Depósitos prevê a atribuição de um prémio monetário no valor de 500€ exaltando a excelência escolar. O prémio João Bento Raimundo, entregue pelo próprio, que sublima um percurso de especial interesse com a atribuição de um diploma e prémio monetário no valor de 1.000€.

De seguida o Professor João Bento Raimundo, Presidente do Conselho de Curadores da Fundação diretor geral da Ensiguarda – Escola Profissional da Guarda exaltou a importância da atribuição dos prémios a “alunos que encontraram na Ensiguarda um rumo para a sua vida profissional. Como já é habitual entregamos os prémios na festa de Natal da Fundação, para a qual convidamos os alunos e famílias a participarem nestas celebrações.” Recentemente “recebemos a visita do Sr. Ministro da Educação, Professor Doutor Tiago Brandão Rodrigues, por ocasião da celebração do décimo aniversário da escola,” que aproveitou a ocasião para “evidenciar o mérito do nosso método de ensino, bem como das taxas de sucesso e empregabilidade.” Ainda este ano “recebemos a Medalha de Mérito entregue pelo Sr. Presidente da Câmara Municipal da Guarda, Dr. Álvaro Amaro,” que tem como intuito homenagear um conjunto de personalidades e entidades, cujo trabalho e dedicação têm sido determinantes para elevar e prestigiar o nome da cidade da Guarda. Para o Presidente da Câmara Municipal da Guarda, Dr. Álvaro Amaro, “esta é uma instituição de referência na cidade e diria mesmo nacional. Está em constante movimento e a projetar formas de ajudar o próximo e a Câmara Municipal, como entidade de porta aberta que somos, recebemos com muito agrado estas iniciativas. Esta festa é um exemplo do culminar de um trabalho desenvolvido em prol das famílias, dos utentes e da cidade da Guarda.” O Bispo da Diocese da Guarda D. Manuel Felício reforça que o Natal é uma época com um simbolismo muito vivo que promove as relações humanas daqueles que vivem em sociedade, partindo de uma fonte que é o próprio presépio de Belém e o menino Jesus que veio ensinar ao mundo os caminhos da cooperação, da amizade, do relacionamento cristão e entendimento. Estou muito grato à Fundação João Bento Raimundo pela iniciativa desta Festa de Natal, por trazer a este palco a realidade que é feita dentro das portas desta instituição. Muitas pessoas não imaginam a caridade, a amizade e o carinho que é dado pelas pessoas que trabalham nesta instituição. Um grande bem-haja à direção!” António Carlos, Cónego da cidade da Guarda assume que a “Fundação João Bento Raimundo é uma referência nacional, mas também pode ser apresentada como uma referência para instituições a nível internacional dentro da sua natureza e atividades de apoio ao próximo.

Loja Social “Dar para Ajudar” A mesma causa, o mesmo lema, agora também no Parque da Saúde A partir desta quadra natalícia, a Loja Social “Dar para Ajudar”, da Fundação João Bento Raimundo, tem um novo posto de recolha e apoio no Parque da Saúde. Por cedência temporária da Unidade Local de Saúde da Guarda, as antigas instalações da estação de correios do Sanatório (junto à Rádio Altitude) vão ter assim um uso social, vocacionado para o apoio a famílias carenciadas. Nos últimos anos a Loja Social da Fundação João Bento Raimundo tem vindo a assistir, de forma regular, mais de duas centenas de pessoas. Nesta época natalícia, em que a comunidade se sente convocada pelos valores da solidariedade, maior deve ser a responsabilidade no sentido de alargar a área de abrangência e de estabelecer novas e válidas parcerias. Foi esse também o entendimento da Unidade Local de Saúde da Guarda, que não só prontamente aceitou o repto da Fundação – cedendo temporariamente um espaço devoluto – como ainda se disponibilizou a colaborar ativamente nas ações de recolha de bens. Neste esforço redobrado chegaremos certamente a mais agregados, para que lhes possamos proporcionar um melhor Natal. E ampliamos o apelo à colaboração e à partilha. O que para umas famílias pode ser supérfluo, para outras fará a maior diferença. Dr.ª Marília Raimundo, Presidente do C. A. da Fundação em declarações ao País Positivo


Valorização de Resíduos

Secretária Regional da Energia, Ambiente e Turismo dos Açores

“A gestão dos resíduos constitui um dos eixos fundamentais da nossa estratégia de desenvolvimento sustentável” A Secretaria Regional da Agricultura e Ambiente, através da Direção Regional do Ambiente, promoveu, entre os dias 19 e 27 de novembro de 2016, a realização da 7.ª Semana dos Resíduos dos Açores, inserida, pelo segundo ano consecutivo, na 8.ª Semana Europeia da Prevenção de Resíduos. A iniciativa subordinou-se ao objetivo de envolver, em todas as ilhas, ações organizadas voluntariamente por entidades públicas e privadas.

As ações integradas nesta iniciativa pretendem, essencialmente, sensibilizar e informar sobre a correta gestão dos resíduos ao nível de ilha e dar a conhecer os seus destinos adequados, alertando para a prevenção, com vista à minimização da sua produção diária. Em entrevista ao PP, Marta Guerreiro, Secretária Regional da Energia, Ambiente e Turismo do Governo dos Açores, desvenda os principais desígnios atingidos a partir deste evento e os eixos em que assentam as políticas implementadas no âmbito da prevenção e gestão de resíduos nos Açores. A Secretaria Regional foi, mais uma vez, a entidade coordenadora para o território dos Açores da Semana Europeia de Prevenção dos Resíduos (EWWR), realizada entre os dias 19 e 27 de novembro de 2016. Quais as ilações tiradas desta iniciativa? A Semana dos Resíduos dos Açores passou a ter, nos últimos anos, um calendário coincidente com o da Semana Europeia de Prevenção dos Resíduos (EWWR) e o facto da Direção Regional do Ambiente ser hoje a entidade coordenadora da Semana Europeia para o território do arquipélago confere uma maior

a sua correta gestão e prevenção da sua produção.

Marta Guerreiro, Secretária Regional da Energia, Ambiente e Turismo dos Açores

abrangência e projeção à Semana dos Resíduos dos Açores. Ambas as iniciativas visam estimular diversas entidades a promoverem ações de sensibilização e informação sobre a correta gestão dos resíduos, ao nível de cada ilha, e dar a conhecer os destinos adequados para os resíduos produzidos nos Açores. Este tipo de ações permite alertar para a importância na prevenção da produção de resíduos, diminuindo os respetivos quantitativos. Este ano, foram desenvolvidas ações que, em linha com a temática da Semana Europeia, visam promover a redução de resíduos de embalagens, alertando também a população para um consumo sustentável. Ao todo, foram registadas 126 ações nos Açores, envolvendo 68 entidades, que fomentaram a consciência ambiental para a promoção de atitudes quotidianas que, cada vez mais, possam promover a prevenção da produção de resíduos. Tem-se verificado, de ano para ano, um aumento significativo das entidades envolvidas, bem como do número de ações desenvolvidas, demonstrando que a população açoriana está cada vez mais mobilizada e consciente para a temática dos resíduos, para

Foi desenvolvido o PEPGRA - Plano Estratégico de Prevenção e Gestão de Resíduos dos Açores. Em que consiste e quais os principais objetivos? Já está a ser aplicado? A gestão dos resíduos constitui um dos eixos fundamentais da estratégia de desenvolvimento sustentável que temos em curso na Região Autónoma dos Açores. O Plano Estratégico para a Prevenção e Gestão de Resíduos (PEPGRA), aprovado pelo Decreto Legislativo Regional nº 6/2016/A, de 29 de março, é o instrumento de política setorial que enquadra a gestão de resíduos para o período até 2020. O PEPGRA dá seguimento às políticas definidas e implementadas no âmbito do plano que o precedeu (PEGRA - Plano Estratégico de Gestão de Resíduos dos Açores), tenho sido atualizado com a experiência e os resultados alcançados, sem esquecer as soluções tecnológicas mais avançadas e as orientações comunitárias mais recentes. Por entendermos que as políticas de ambiente, nomeadamente no domínio dos resíduos, se devem pautar, numa primeira linha, pela prevenção e redução da produção de resíduos, foi criado um Programa Regional de Prevenção de Resíduos. Este procura enfatizar a garantia do acesso à informação e a dinamização da participação pública, fomentando o conhecimento, a educação, a formação e a qualificação dos recursos humanos. Noutra vertente, o PEPGRA visa a operacionalização de um conjunto de tecnossistemas destinados ao tratamento, valorização ou eliminação das diversas tipologias de resíduos, incluindo a solução de passivos ambientais. As infraestruturas de apoio e leis vigentes relativamente à prevenção e gestão de resíduos dos Açores são as suficientes? Na operacionalização da estratégia definida foram construídos centros de processamento de resíduos nas sete ilhas com menor população. Estes centros são constituídos, na generalidade, por um ecocentro, uma central de valorização orgânica, um centro de triagem e uma estação de transferência, sendo capazes de receber e gerir a generalidade dos resí-

duos produzidos em cada dessas ilhas. Em 2016, entrou em funcionamento a central de valorização energética de resíduos da ilha Terceira e, neste momento, decorre um processo que visa a instalação de um equipamento idêntico na ilha de São Miguel. Esta solução permite reduzir a eliminação em aterro para quantitativos insignificantes, ao mesmo tempo que produzirá energia a partir dos resíduos que não tenham outra solução de valorização, incluindo o refugo gerado nas sete ilhas com menor população. Relativamente às leis vigentes, a Região Autónoma dos Açores tem vindo a transpor diretamente as Diretivas Comunitárias no domínio dos resíduos, com a preocupação de adaptar essas diretrizes à realidade açoriana. Em 2020 existe a obrigação dos Estados-membros da EU atingirem metas de reciclagem e valorização de resíduos urbanos, fixadas em 50%. Qual será o contributo da RAA para que o país atinga estes resultados? O Governo dos Açores assumiu claramente esses objetivos ao impor, aos sistemas de gestão de resíduos da Região, metas de preparação para a reutilização e reciclagem de resíduos urbanos ainda mais ambiciosas, sendo estas de 85% para as sete ilhas com menor população e de 50% para as Ilhas de São Miguel e Terceira, garantindo assim um contributo positivo para que o nosso país cumpra com as metas. Da implementação e operacionalização das medidas previstas no plano setorial, incluindo um grande investimento na modernização dos sistemas de gestão de resíduos, resultou uma evolução muito significativa nos últimos anos, ao ponto dos Açores terem neste momento os melhores desempenhos de todo o país no que respeita à reciclagem de resíduos de embalagens. Mas, obviamente, o trabalho está longe de estar terminado e existe ainda um longo caminho a percorrer. Continuaremos a reforçar as ações de sensibilização e informação, bem como a otimização das operações de gestão. Só com um trabalho de continuidade poderemos vencer os desafios a que nos propusemos, na certeza de que, ao vivermos num território insular e disperso, temos dificuldades acrescidas na gestão dos resíduos.


Associação de Municípios da Região do Planalto Beirão

Valorização de Resíduos

A Associação de Municípios da Região do Planalto Beirão aposta na reciclagem e valorização energética dos resíduos Mário Loureiro, presidente da associação, garante que a melhoria da qualidade de vida passa por munícipes bem informados. Em que contexto e com que objectivos foi formada a Associação de Municípios da Região do Planalto Beirão? Mário Loureiro – A Associação foi formada em 1991 por um conjunto de municípios, 10 à data e 19 actualmente, com o objetivo de resolver o problema da recolha, tratamento e valorização dos resíduos sólidos urbanos produzidos na região, melhorando assim a qualidade de vida das populações e garantindo a preservação dos recursos naturais existentes. A Associação é hoje constituída por dois municípios do distrito de Coimbra e três do distrito da Guarda, pertencendo os restantes catorze ao distrito de Viseu. Através da implementação deste sistema, conseguiram-se melhorias significativas, ao nível ambiental e também económico com um saldo final francamente positivo para todos os intervenientes, particularmente para os municípios e para os seus munícipes. Qual a abrangência da vossa acção? ML – A Associação de Municípios da Região do Planalto Beirão (AMRPB) é responsável pela recolha, transporte e tratamento final adequado para todos os resíduos sólidos urbanos produzidos na nossa área de intervenção. Os resíduos recolhidos diariamente são encaminhados para o nosso centro de tratamento, onde são sujeitos a diferentes operações, que visam sobretudo a valorização, reduzindo ao mínimo a sua deposição em aterro. Estamos continuamente a procurar soluções que vão ao encontro das metas definidas pelo PERSU 2020, centradas na redução da deposição em aterro e na valorização da maior quantidade de resíduos possível. Para tal temos vindo a investir em soluções tecnológicas que permitam seguir esse caminho, tal como a Central de Valorização Orgânica e o Tratamento Mecânico. Também ao nível da recolha selectiva temos

Mário Loureiro, presidente da Associação de Municípios da Região do Planalto Beirão

vindo a investir numa maior abrangência da rede de ecopontos e até 2020 prevemos instalar mais 1500 unidades. Aquilo que eu defendo, é que temos de deixar de pensar nos resíduos como um custo e pensar como uma oportunidade de melhoria do ambiente e da qualidade de vida das populações. Para isso, temos que ter qualidade e bons equipamentos, mas também massa crítica e pessoas preparadas para fazer esse trabalho. Se investirmos na formação, teremos cidadãos informados e participativos. Se houver o cuidado das pessoas e resposta adequada por parte desta entidade, o sistema funciona e todos ganham. Felizmente a Associação tem condições para dar essa resposta e contribuir de forma decisiva. Ao longo dos anos, os resíduos que produzimos (entre 120 a 130 mil toneladas/ano), têm vindo cada vez mais a ser encaminhados para valorização e reciclagem, o que se traduz em vantagens ambientais e também económicas para os municípios e seus munícipes. Essa diminuição das toneladas dos resíduos que vão para o aterro e o aproveitamento dos resíduos deve-se a quê? ML – Deve-se sobretudo a um aumento da adesão dos cidadãos à separação dos resíduos que permite um aumento da taxa de reciclagem. Além disso, também a evolução tecnológica ao nível dos meios de tratamento, que permite valorizar alguns resíduos que anteriormente iam para aterro, contribui de forma significativa para este resultado.

E relativamente a outros resíduos como os óleos alimentares? ML – Em relação aos óleos alimentares estamos a trabalhar com os dezanove municípios e com uma entidade que faça a recolha, de modo a encontrar uma solução que permita a recolha e encaminhamento desses óleos para unidades de tratamento e valorização. Esse é um dos nossos objectivos para 2017. Além da valência de Recolha, Transformação e Tratamento dos RSU, têm tido actividades de formação, educação cívica e acções informativas no âmbito do ambiente destinado aos munícipes? ML – Para que haja resultados temos que sensibilizar as pessoas e a melhor forma de o fazer é começar pelos mais novos em âmbito escolar. As crianças e os jovens estão atentos a estas matérias e tem vontade de colaborar activamente. Felizmente, hoje, todos estamos muito bem informados, toda gente liga uma televisão ou outro meio onde são divulgadas notícias. A internet é outro veículo de informação e a sensibilização começa por aí. Mas nós temos de fazer um trabalho mais específico no nosso território. A esse nível, esta associação tem feito de uma forma profícua e desde o início da sua actividade, acções de sensibilização, motivando alunos e professores para a temática. Além de acções realizadas nas escolas, procuramos trazer os estudantes e também pessoas de outras instituições, às nossas instalações, proporcionando-lhes um contacto di-

recto com a realidade dos resíduos. As pessoas ficam assim mais esclarecidas acerca do tratamento e dos diferentes destinos de cada resíduo. Podem também perceber melhor, quais os benefícios da separação e de um tratamento adequado, quer em termos ambientais, quer em termos económicos. Por exemplo a CVO – Central de Valorização Orgânica, permite a valorização dos resíduos orgânicos e permite ainda produzir energia eléctrica, através da queima do biogás resultante deste processo. Tudo isto é importante para a sustentabilidade do sistema. È claro que para se atingir esse patamar de sustentabilidade, é essencial a sensibilização da população e neste caso os mais novos acabam por ser o elo de ligação para os mais velhos. Em termos de energia há um grande investimento já realizado? ML – Temos a nossa Central de Valorização Orgânica a funcionar. Já utilizávamos o biogás produzido no nosso aterro, mas agora, usufruímos do gás que é produzido e de elevada qualidade na nossa Central de Valorização Orgânica, um investimento de umas dezenas de milhões de euros, que está a funcionar em pleno e a produzir energia permanente que dá para o nosso aterro, para o funcionamento de toda a estrutura e para ser injectado na rede eléctrica nacional. Mais uma oportunidade que foi criada aproveitando os resíduos para ter essa alternativa e a receita correspondente. Foi aprovada recentemente uma candidatura através do POSEUR (Programa Operacional da Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos), para os dezanove municípios, que contempla equipamentos, modernização da triagem, aquisição de ecopontos e melhoramento de toda a recolha selectiva. Este investimento associado a acções de sensibilização de grande abrangência, deverá proporcionar um aumento ainda mais significativo na taxa de valorização e reciclagem, reduzindo a um mínimo a deposição em aterro, o que nos permitirá atingir as metas estabelecidas para 2020. É claro que para isto será necessário um grande envolvimento de toda a população, agindo de forma concertada a pensar na melhoria das condições de vida actuais e sobretudo no futuro das gerações vindouras.


Valorização de Resíduos

Associação de Municípios da Região do Planalto Beirão

ASSOCIAÇÃO DE MUNICÍPIOS DA REGIÃO DO

PLANALTO BEIRÃO

Dotada de uma grande beleza natural, a região do Planalto Beirão é composta por serras e vales, florestas e rios, pequenas aldeias e cidades ...

Vale da Margunda - Borralhal • 3465-013 CAMPO DE BESTEIROS • Telefone: 232870020 • Fax: 232870021 E-mail: geral@planaltobeirao.pt • www.planaltobeirao.pt


HARDLEVEL Energias Renováveis

Valorização de Resíduos

Qualidade, excelência e inovação na gestão de Óleos Alimentares Usados A HARDLEVEL é um operador de gestão de resíduos cujo core business é a gestão de Óleos Alimentares Usados (Used Cooking Oil - UCO) ao abrigo da vigente acreditação pela International Sustainability & Carbon Certification – ISCC-EU. Empresa líder em Portugal na gestão de UCO, a HARDLEVEL assenta o seu sucesso na verticalidade do modelo de negócio que se estende desde a recolha selectiva de UCO até à sua valorização como feedstock para a produção de Biocombustíveis Avançados.  Assente em plataformas logísticas, a Hardlevel opera em Portugal continental bem como nos arquipélagos da Madeira e Açores. Em entrevista, Karim Karmali, sócio gerente da HARDLEVEL, apresentanos este case study no domínio da gestão de resíduos. Qual é, concretamente, o core business da HardLevel e de que forma se posiciona a empresa no mercado? A HARDLEVEL é um operador de gestão de resíduos, nomeadamente de Óleos Alimentares Usados (OAU’s). Com o objectivo de se posicionar no sector dos feedstock para os biocombustíveis, a Hardlevel desenvolveu ao longo da última década uma série de parcerias com empresas que operam no segmento da restauração colectiva; Grupo IBERSOL, EUREST, UNISELF, Grupo TRIVALOR, são alguns exemplos de parceiros.

Operamos em Portugal Continental e Ilhas por forma a garantir a mesma qualidade de serviço a todos os nossos parceiros. Para além de recolha de OAU’s, a HARDLEVEL também possui uma equipa especializada que lhe permite oferecer outros serviços complementares tais como: Limpeza e aspiração de separadores de gordura, Limpeza e Desengorduração de filtros de Hotte bem como Limpezas de sistemas de exaustão. Os OAU’s recolhidos e adquiridos pela HARDLEVEL são submetidos a um processo de refinação física que lhe permite fornecer as fábricas de biodiesel com OAU com especificações premium, garantindo rendimentos optimizados e o cumprimento com a norma EN14214. As unidades de processamento de Óleo Alimentar Usado estão localizadas em Avanca, em Portugal, e no Porto de Roterdão, na Holanda. Entre ambas as unidades a empresa possui uma capacidade de armazenamento instantânea superior a 6.000m3 de matéria-prima. Em que medida contribui o modelo de negócio da HardLevel para a valorização dos resíduos e para a promoção da sustentabilidade ambiental? O modus operandi da HARDLEVEL neste sector assenta fundamentalmente na verticalidade do negócio. No âmbito do Consórcio estabelecido com a PRIO Biocombustíveis este modelo encerra o “ciclo”. Por um lado, a HARDLEVEL ocupa-se da angariação de matéria-prima (resíduo para o pro-

dutor) junto dos produtores de OAUs do canal HoReCa bem como através da concretização de parcerias com municípios visando a recolha de OAUs produzidos pelo sector doméstico; por outro, a Prio Biocombustíveis foca-se na produção de biodiesel mais sustentável usando como matéria-prima o OAU com especificações premium fornecido pela Hardlevel; e encerrando o ciclo, a rede de postos Prio absorve o biodiesel produzido que é então incoporado nos combustíveis fósseis e em última instância abastecido nos automóveis de cada um de nós. Em que consiste o consórcio estabelecido com a PRIO e o trabalho desenvolvido em parceria para a colocação de oleões? Desde finais de 2012 que a HARDLEVEL e PRIO estabeleceram uma parceria para a

produção de biodiesel com baixas emissões de Gases Efeito Estufa (GEE’s). Esta parceria oficializou-se há uns meses através do Consórcio estabelecido entre ambas as empresas com a imagem PRIO TOP LEVEL. O sucesso desta parceria está à vista dado que a HARDLEVEL foi, em 2015, um dos 3 maiores operadores a gestionar OAU’s na Europa e a PRIO ter sido uma das 3 maiores produtoras de biodiesel de óleos alimentares usados (UCOME), também a nível europeu. Face à recente proposta de revisão da legislação comunitária – Renewable Energy Directive (RED2) – que promove os biocombustíveis com menores emissões de Gases Efeito Estufa (GEE’s) com horizonte 2030 e, tendo presente as políticas e compromissos de anteriores e actual governo no sentido de promoverem a produção e introdução no consumo de biocombustíveis progressivamente mais sustentáveis (i.e. com menores emissões de GEE’s) a PRIO TOP LEVEL considera importante oferecer o seu contributo para a dinamização da recolha de OAU a nível nacional, mormente no que concerne ao desenvolvimento de uma rede de recolha de OAU’s para o óleos produzidos pelo cidadão comum nas suas casas. É nesta linha que a PRIO TOP LEVEL arrancou com um projecto-piloto de instalação de oleões na rede de 50 Postos de Abastecimento da PRIO , o qual será expandido aos restantes Postos de Abastecimento bem como aos demais municípios que pretendam oferecer aos seus munícipes uma rede de recolha selectiva cabal de equipamentos tecnicamente adequados e higienizados em prol de uma optimização das taxas de recolha deste resíduo.

Investimento da HardLevel em I&D e na implementação de processos de certificação.

No âmbito da verificação da sustentabilidade dos biocombustíveis, a HARDLEVEL é desde 2013 empresa acreditada pela International Sustainability & Carbon Cetification System (ISCC). Esta é uma das entidades reconhecidas pela legislação comunitária (e mais representativa) que audita e rastreia toda a cadeia de valor dos biocombustíveis, quantificando ainda a emissão de GEE’s de acordo com a metodologia de produção das matérias-primas bem como a eficiência das fábricas. No caso do nosso sector, esta entidade garante ainda que o biodiesel produzido e introduzido no consumo reduz inequivocamente a emissão de GEE’s em “x” pontos percentuais face aos combustíveis de origem fóssil. Para além desta certificação a Hardlevel é ainda certificada pela ISO9001:2009 e ISO14001:2015 o que se traduz numa garantia adicional de excelência no serviço/produto e compromisso na óptica de qualidade e ambiente para com os nossos parceiros.


Valorização de Resíduos

Renascimento – Gestão Ambiental e Reciclagem de Resíduos, Lda

Defender o ambiente, valorizar os resíduos Todos nós, cada cidadão ou cidadã, ou as empresas, produzimos diariamente resíduos que não sendo devidamente tratados irão macular o meio ambiente. Contudo evolui-se para conceitos de sustentabilidade ambiental, através de uma consciência de que defender e preservar o ambiente é preciso. A Renascimento - Gestão e Reciclagem de Resíduos, Lda, é uma empresa vocacionada para a Gestão global de resíduos de uma forma ambientalmente correta. Sendo uma referência no mercado da gestão global de resíduos, pela sua postura e forma de trabalhar, tornou-se um importante agente nos meios de quem intervém no ambiente em Portugal. Importa conhecer bem esta empresa. Por isso fomos ao encontro da Renascimento e conversamos com a sua Diretora executiva, a Drª. Elsa Nascimento. Pode-nos resumir o percurso inicial da Renascimento de forma a entendermos como esta se afirmou? A Renascimento foi constituída em 1995. Nessa altura os resíduos não eram tratados, o seu peso em termos de efeito na sustentabilidade ambiental, não era muito tido em conta. Com a criação da Renascimento, quisemos atuar ambientalmente, prestando serviços com um código de ética rigoroso, e com uma filosofia de gestão orientada para a procura das melhores soluções aos nossos clientes e parceiros. Tratando resíduos, não quisemos ser mais uma empresa de sucatas, de lixos A Renascimento, iniciou-se já com trabalhadores devidamente formados, prestando serviços com condições de segurança e higiene. Queríamos ser reconhecidos pelo nosso mérito e dedicação ambiental entre os nossos clientes, os cidadãos em geral, e as entidades governamentais. Não existia na altura legislação que definisse os requisitos para se licenciar e para trabalhar numa empresa como a Renascimento. Em 1997 surge legislação

massa e em material para a indústria de transformação da madeira, sendo a de maior qualidade para a reciclagem a de menor qualidade para biomassa. Investimento numa linha dedicada de desmantelamento e processamento de material elétrico e eletrónico. Outro grande investimento, inovador até em termos europeus, é a nossa linha referenciada como uma das melhores em termo de desmantelamento de pequenos eletrodomésticos.

Elsa Nascimento, diretora executiva

que definia os requisitos mínimos para se criar uma industria, uma empresa na área da reciclagem. Isso foi fundamental, enquadrou-se nos nossos objetivos e na nossa maneira de trabalhar. Adaptamos a empresa a esses requisitos legais, que no fundo eram uma transposição das primeiras diretivas europeias. Encontramos então um terreno devidamente apropriado para podermos iniciar a construção da nossa primeira unidade. Iniciamos a construção da unidade de acordo com a legislação em vigor, obtivemos os licenciamentos por parte do Ministério do Ambiente. Penso, aliás que foi a licença número dois nesta área. O nosso trabalho e o nosso sistema de gestão contaram com todos os processos e procedimentos conformes na altura com as normas da qualidade, do ambiente e da segurança. Como entrou a Renascimento no século 21 e como enfrentou a crise que se fez sentir a partir de 2007? Em 2001, 2002, submetemos os nossos sistemas de gestão a certificação, mantendo-nos numa conduta de trabalho pautada pela qua-

lidade e segurança. Isto na altura demonstrou ao mercado que a Renascimento era uma empresa diferente. Cumprimos a rigidez das muitas exigências legais e foi valorizada a nossa certificação. Assim crescemos rapidamente mas solidamente também. Criamos os meios para nos distinguirmos. Crescemos dos quatro colaboradores para os mais de duzentos atuais. Foi o crescimento sustentado de uma empresa familiar que conquistou uma boa carteira de clientes. Mostramos valor acrescentado aos clientes e fomos crescendo. Em 2007 aparece a primeira grande crise e perdemos alguns clientes, algum volume de negócio. Reestruturamo-nos estrategicamente e ativamos a necessidade urgente em dar valor acrescentado aos resíduos. Não podíamos crescer em número de clientes porque o mercado reduziu, tivemos que dar valor ao material que tínhamos, mais de uma centena de toneladas de resíduos . Valorizamos estes materiais em vez de dar esse valor a terceiros. Investimos para fazer uma triagem mais pormenorizada e mais refletida dos materiais. Investimos em linhas de transformação de madeira em bio-

A Renascimento faz também tratamento de resíduos automóveis? Dentro da área dos metais, trabalhamos as viaturas em fim de vida. Também temos um centro de abate de viaturas em fim de vida que são descontaminadas. Descontaminar é tirar todos os componentes perigosos que as viaturas tenham. Os óleos, as baterias, os detergentes dos lava-vidros, os amortecedores. Legislação especifica veio criar os centros de abate. A Renascimento estando nessa área aderiu e tem três centros de receção de viaturas em fim de vida. Trabalhamos com algumas empresas que fazem a revenda de peças usadas. Mandamos regularmente a lista das viaturas usadas procurando saber se alguém esta interessado nessas pecas para reutilizacão. Por onde passa o futuro da Renascimento? Continuar o trabalho que já está a ser feito de uma forma intensiva há seis anos e continuar a operar nesta cadeia de valorizar os resíduos que nos chegam. Trabalhar estes processos, ajudando os nossos clientes a separar melhor, a dar mais valor aos seus materiais, e de alguma forma contribuirmos para uma menor quantidade de resíduos colocados em aterro e para uma maximização da reutilização, da reciclagem. A Renascimento tem três polos. Estamos aqui em Loures, numa unidade com cerca de 70.000 mil metros quadrados, estamos numa unidade em Santa Maria da Feira e temos outra unidade no Algarve, na Guia e ainda temos três 3 Centros Receção e Abate Viaturas em Fim de Vida . Em termos de investimento de médio e curto prazo estamos a implementar esta unidade de Loures com mais 3.000 metros quadrados e um pavilhão novo onde estamos a fazer a montagem dos equipamentos


Queen Elizabeth’s School

Instituição de Referência

Um sonho que se tornou realidade e permanece no tempo Colégio bilingue em que se promove o estreitamento dos laços culturais entre Portugal e o Reino Unido , um legado de uma defensora  da aliança luso-britânica, e da riqueza da diversidade histórico - cultural destes dois países, assim como da igualdade de  géneros.

Presidente do Conselho de Administração da Fundação Denise Lester, Dra. Maria da Conceição de Oliveira Martins

deviam aprender a ser fadas do Lar, ser boas esposas e mães. O pai de Denise opunha-se severamente a que a filha avançasse com os seus estudos, ao contrário do que acontecia com os seus outros dois irmãos rapazes. A jovem de forte personalidade   orgulhosamente quis  mostrar ao progenitor que iria, sem o seu apoio, ser capaz de custear os seus estudos universitários com o seu próprio trabalho.   Miss Margaret Denise Eileen Lester, O.B.E. (Order of the British Empire), fundadora

Foi o legado de Denise Lester que deu origem ao que é hoje a Queen Elizabeth School, um percurso de vida que se mistura com a história da realização de um sonho de criança  e  a determinação pessoal que a sua concretização implicou   : iniciativa,  coragem, empreendedorismo, resiliência, capacidade de liderança,espírito de sacríficio, autoconfiança e  o apoio de inúmeros amigos, benfeitores e dos governos português e inglês.   A história começa com uma jovem inglesa que quer prosseguir os seus estudos académicos numa instituição de ensino superior em Oxford, em meados de 1929,  numa altura em que predominava um  mundo masculino, onde as mulheres

Neste enquadramento a jovem parte para Madeira como perceptora de um casal inglês.Denise Lester foi educada num colégio interno, desde os cinco   até aos dezassete anos,  devido ao débil estado de saúde  de sua Mãe ,  que sofreu dois acidentes vasculares cerebrais . Toda a educação que recebeu nesse internato viria a  influenciar a sua maneira de ser, e também alguns princípios e ideais educativos que mais tarde preconizou para a sua escola que   criou   de raiz. “Sempre foi uma apaixonada pela história universal. Foi enquanto estudante ao realizar  um trabalho de  história  sobre os Descobrimentos que Portugal entrou no seu caminho, com esse trabalho ganhou um prémio num concurso escolar, crescendo  então a vontade de visitar Portugal e de explorar “aquele país de navegadores e descobridores”, frase de autoria de Miss Lester numa entrevista que deu em 1970 à Rádio Difusão Portuguesa.” Relata Conceição Oliveira Martins, membro  da  direção colegial da Queen Elizabeth´s School  e Presidente do Conselho de Administração da Fundação Denise Lester. Mas foi uma luta tenaz num percurso de vida atribulado, devido a uma doença do foro circulatório que   fez com que Denise Lester tivesse que ser  submetida a inúmeras operações, mas apesar das vicissitudes nunca perdeu o seu último propósito, de criar uma escola inglesa para crianças por-

tuguesas e de nacionalidade britânica residentes em Portugal. Uma vez que já existia uma escola alemã no Funchal, onde Denise Lester foi professora de Inglês,  foi nesta última que Denise Lester se inspirou para criar a Queen Elizabeth´s School . A ideia não era só fundar uma escola, mas também, ensinar o modo de estar, a história e a cultura inglesas. Denis Lester foi apoiada na criação da sua escola pelo Lord Lloyd, primeiro Diretor do British Council, e pelo Professor Doutor Armindo Monteiro, na altura embaixador de Portugal no Reino Unido. A escola começou na Rua Saraiva de Carvalho, em casa do casal Sofia e Fortunato de Abecassis, com três alunos. Depois, passaram a seis e foram sempre crescendo. Em 1940, as instalações desta escola mudaram para a Rua da Quintinha e definitivamente para o edifício onde se encontra atualmente, em 1951, com um projeto consolidado. No dia 1 de Abril de 1949, recebeu um telefonema do banco a dizer que tinha uma quantia avultada na sua conta pessoal, como dia das mentiras que era, Ms Lester pensou que seria alguém a pregar-lhe uma partida, mas no dia seguinte confirmou-se como verdadeira essa situação, que considerou como sendo “o milagre da sua vida”, porque lhe devolveu a esperança de ter um edifício construído de raiz para a sua escola. Foi o governo inglês, por intercessão da Rainha Isabel II, que tinha depositado seis mil li-


Instituição de Referência

Queen Elizabeth’s School

Exposição de Livros Infantis Britanicos na Livraria Portugal em Lisboa,1943

O Projeto Educativo da Queen Elizabeth’s School (QES) assenta no estreitamento dos laços históricos e culturais entre Portugal e o Reino Unido, mantendo o culto da Aliança mais antiga do mundo e no ensino bilingue português - inglês, nas valências de Berçário, Creche, da Educação Pré-Escolar e do Currículo Oficial Português do Primeiro Ciclo do Ensino Básico, recorrendo a uma metodologia aplicada em alguns países da União Europeia no domínio da Aprendizagem Integrada de Línguas e Conteúdos (AILC), procurando assim uma crescente internacionalização do seu currículo. Ao nível do 1 ° Ciclo, a Queen Elizabeth’s School introduziu um modelo integrado de ensino bilingue, em que os alunos passaram a ter, além da disciplina de Inglês, como segunda língua, as disciplinas de Matemática e Estudo do Meio lecionadas em português e em Inglês, respeitando respetivamente o programa do currículo nacional Português do 1 ° Ciclo do Ensino Básico e o Programa Primário Internacional da Universidade de Cambridge, uma vez que, em outubro de 2013, lhe foi atribuído o estatuto de “Cambridge Primary School” e “Cambridge International School”, além de ser Centro de Preparação de Exames da Cambridge English (2015), Centro de Exames do Trinity College London(2010) e membro do Instituto Britânico no Programa de Parceria de Exames denominado “Addvantage” (2011). O ensino do Inglês é validado internacionalmente pelos “Young Learners English Tests” da Universidade de Cambridge (1998), pelo exame de Artes Performativas “Trinity

Concerto de Natal no Mosteiro dos Jerónimos

Sala de Aula da Queen Elizabeth’s School, 1941

Stars: Young Performers in English Award” (Stage II e Stage III, 2014), pelo “Integrated Skills in English” (ISE O, ISE I e ISE II, 2010) e Graded Examinations in Spoken English (GESE VII) do Trinity College London, pelo First Certificate in English da Universidade de Cambridge (FCE, 2015), Certificate in Advanced English (CAE, 2016) e Certificate of Proficiency in English (CPE), correspondentes respetivamente aos níveis Al, A2, Bl ,B2, C1 e C2 do Quadro Europeu Comum de Referência para Línguas do Conselho da Europa (QECR). Os níveis a partir do A2 destinam-se aos antigos alunos que frequentam os Clubes de Inglês da QES. A QES, no domínio da Educação e Expressão Musical, tem uma parceria com a empresa Foco Musical, a qual é membro da Associated Board of the Royal Schools of Music (ABRSM), líder mundial na área de avaliações e de exames de Música. Os alunos da QES que frequentam as aulas de iniciação à aprendizagem de um instrumento musical, piano e guitarra clássica, têm sido submetidos a um exame de música reconhecido internacionalmente desde o ano letivo de 2014/2015. Envoltos numa cultura escolar anglo-portuguesa e num contexto de diversidade multicultural, os alunos e antigos alunos da QES têm obtido muito bons resultados nos exames internacionais que têm vindo a realizar, o que é motivo de orgulho para toda a comunidade educativa desta Escola.


Queen Elizabeth’s School bras, que na altura era muito dinheiro. O Projeto Educativo da Queen Elizabeth’s School (QES) assenta no estreitamento dos laços históricos e culturais entre Portugal e o Reino Unido, mantendo o culto da Aliança mais antiga do mundo e no ensino bilingue português - inglês, nas valências de Berçário, Creche, da Educação Pré-Escolar e do Currículo Oficial Português do Primeiro Ciclo do Ensino Básico, recorrendo a uma metodologia aplicada em alguns países da União Europeia no domínio da Aprendizagem Integrada de Línguas e Conteúdos (AILC), procurando assim uma crescente internacionalização do seu currículo. Ao nível do 1 ° Ciclo, a Queen Elizabeth’s School introduziu um modelo integrado de ensino bilingue, em que os alunos passaram a ter, além da disciplina de Inglês, como segunda língua, as disciplinas de Matemática e Estudo do Meio lecionadas em português e em Inglês, respeitando respetivamente o programa do currículo nacional Português do 1 ° Ciclo do Ensino Básico e o Programa Primário Internacional da Universidade de Cambridge, uma vez que, em outubro de 2013, lhe foi atribuído o estatuto de “Cambridge Primary School” e “Cambridge International School”, além de ser Centro de Preparação de Exames da Cambridge English (2015), Centro de Exames do Trinity College London(2010) e membro do Instituto Britânico no Programa de Parceria de Exames denominado “Addvantage” (2011). O ensino do Inglês é validado internacionalmente pelos “Young Learners English Tests” da Universidade de Cambridge (1998), pelo exame de Artes Performativas “Trinity Stars: Young Performers in English Award” (Stage II e Stage III, 2014), pelo “Integrated Skills in English” (ISE O, ISE I e ISE II, 2010) e Graded Examinations in Spoken English (GESE VII) do Trinity College London, pelo First Certificate in English da Universidade de Cambridge (FCE, 2015), Certificate in Advanced English (CAE, 2016) e Certificate of Proficiency in English (CPE), correspondentes respetivamente aos níveis Al, A2, Bl ,B2, C1 e C2 do Quadro Europeu Comum de Referência para Línguas do Conselho da Europa (QECR). Os níveis a partir do A2 destinam-se aos antigos alunos que frequentam os Clubes de Inglês da QES. A QES, no domínio da Educação e Expressão Musical, tem uma parceria com a empresa Foco Musical, a qual é membro da Associated Board of the Royal Schools of Music (ABRSM), líder mundial na área de avaliações e de exames de Música. Os alunos da QES que frequentam as aulas de iniciação à aprendizagem de um instrumento musical, piano e guitarra clássica, têm sido submetidos a um exame de música re-

conhecido internacionalmente desde o ano letivo de 2014/2015. Envoltos numa cultura escolar anglo-portuguesa e num contexto de diversidade multicultural, os alunos e antigos alunos da QES têm obtido muito bons resultados nos exames internacionais que têm vindo a rea-

lizar, o que é motivo de orgulho para toda a comunidade educativa desta Escola. Na QES é dada uma grande relevância à educação cívica, também um mérito e uma característica que a Fundadora deixou de herança para que o ensino não fosse somente aquisição de conhecimentos e competên-

Instituição de Referência

cias, mas também contemplasse uma forte vertente direcionada para uma boa formação de carácter das crianças que estudam   nesta Escola, cuja ação educativa se centra nos valores de humanismo cristão e no desenvolvimento integrado e holístico de cada aluno.


Instituição de Referência

British Council Portugal

Ensino e Cultura inglesa ao mais alto nível O British Council é a organização internacional do Reino Unido para as relações culturais e as oportunidades educativas, sediada em Portugal desde 1938. Agente facilitador da transmissão de conhecimento da cultura e língua inglesa é, da mesma forma, um pivot de comunicação com a embaixada britânica. Conhecido pelo elevado nível de qualidade de ensino do inglês em Portugal, ajuda a criar oportunidades internacionais para jovens do Reino Unido e de todos os países onde atua, enquanto promovendo a divulgação da cultura inglesa.

Retrate o papel da British Coucil em Portugal. O British Council é uma entidade britânica sem fins lucrativos, regida por decreto real. Trabalhamos com mais de 100 países em todo o mundo nas áreas das artes e cultura, língua inglesa, educação e sociedade civil. Como a agência principal do Reino Unido para Relações Culturais o nosso objetivo é construir a confiança e compreensão entre as pessoas do Reino Unido e de outros países. Chegamos a mais de 20 milhões de pessoas de forma presencial e mais de 500 milhões de pessoas por via digital, através de transmissões e publica-

fora, o que está patente no trabalho de organizações como a AICEP e o IAPMEI bem como a localização em Portugal de grandes eventos internacionais como a WebSummit. A língua inglesa continua a ser a língua franca do mundo de tecnologia e do comércio internacional. Portugal está virado para o conhecimento e ligação com o exterior e nós queremos estar envolvidos nessa dinâmica.

Emanuel Carvalho, Diretor de Educação e Cultura em Portugal

ções. O British Council é internacionalmente reconhecido como líder no ensino e aprendizagem de inglês. Ensinamos adultos, jovens e clientes empresariais. O papel do British Council torna-se cada vez mais importante oferecendo oportunidades de internacionalização ao jovem português, seja pelo acesso à língua inglesa, quer pelo consumo da cultura britânica, quer pelo ensino da língua e promoção da cultura inglesa. O trabalho do British Council estende-se junto da Embaixada, um dos pontos mais importantes de ligação entre os dois países. Significativamente, Portugal e o Reino Unido têm o tratado de aliança mais antigo a vigorar na Europa. Ficamos contentes por Portugal apreciar o nosso trabalho, que tem sido desenvolvido em função de protocolos com escolas, universidades e o mundo empresarial. A incerteza do mundo lá fora não afeta o nosso trabalho em Portugal. Queremos fazer parte dessa dinâmica portuguesa. Portugal é um país que olha cada vez mais para

As sete décadas de trabalho em Portugal deixaram raízes que ainda hoje se refletem no trabalho do British Council? Sem dúvida que sim. Passados todos estes anos continuamos muito envolvidos com a implantação do ensino bilingue no sistema de ensino português, desde a pré-primária até ao ensino secundário. No ensino superior estamos a tentar acompanhar e apoiar o trabalho das universidades portuguesas fomentando, cada vez mais, uma visão a nível internacional. Existem cerca de duzentos cursos universitários em Portugal que são ministrados em inglês, incluindo cerca de 90 mestrados e, pelo menos, 27 escolas públicas dão aulas bilingues com o apoio do Britsih Council. O nosso trabalho passa por dar apoio técnico e capacitação aos professores de norte a sul de Portugal. O nosso forte é ajudar a tornar a língua inglesa em algo prático, que se use no dia-a-dia. Podemos dizer que estamos a caminhar para um ensino bilingue em Portugal? Acho que estamos bem encaminhados nesse campo e não é só o Inglês que está envolvido. Cada vez mais vemos vontade e uma capacidade técnica por parte das entidades governamentais portuguesas, ligadas à educação, para investir mais tempo e criar mais capacidades para desenvolver o ensino de idiomas.

Desde que idade se pode começar a ensinar uma língua estrangeira? Na minha opinião quanto mais cedo as crianças começarem a ter contacto com uma (ou mais) línguas estrangeiras mais fácil vai ser a sua aprendizagem. Recentemente lançámos o “Early Years” para crianças desde os 3 aos 5 anos de idade. O curso “myClass” pode ser encarado como o adaptar do ensino da língua inglesa ao estilo de vida atual? O curso de inglês “myClass” dá ao aluno liberdade para escolher as suas aulas, organizadas em temas e em diferentes níveis.O sistema myClass, uma maneira nova e flexível de desenvolver o seu inglês, segue uma estrutura não-linear, no qual o aluno controla o seu progresso e escolhe as aulas que melhor se adequam aos seus interesses e à sua agenda, algo que se encaixa bem com a vida de quem trabalha. Desta forma conseguimos anular o desperdício de aulas, se o aluno não pode estar presente na data e hora previamente estabelecida pode alterá-la mediante a sua disponibilidade. Disponibilizamos uma plataforma on-line onde o aluno pode fazer as alterações e agendamentos independentemente do local onde se encontra. Desta forma estamos mais flexíveis, acompanhamos o ritmo de vida da vida moderna e os recursos digitais. O British Council tem também plataformas de e-learning? Temos várias plataformas de e-learning disponíveis que são utilizadas pelos alunos que estão a fazer cursos de capacitação técnica (como professores de Inglês, ou até os que estão a fazer a preparação para vários tipos de exames, por exemplo, para acesso ao ensino universitário. Para além das aulas presenciais temos processos de ajuda

Ficha Técnica: Propriedade e Edição: Actualidades do Século, Lda. | Morada: Avenida da República, 872, Sala 5.1, 4430-190 V. N. Gaia Depósito Legal: 215441/04 | Editora: Ana Mota | Publicidade: Moura Lopes | Email: geral@aseditora.pt Distribuição Mensal Gratuita com o Jornal de Notícias e o Diário de Notícias. Propriedade e Direitos: Todos os textos e fotografias são propriedade exclusiva do País Positivo e não podem ser, total ou parcialmente, reproduzidos sem permissão prévia.


British Council Portugal digitais no iPad, no computador ou até no telemóvel. A cada ano 2 milhões de pessoas fazem os exames internacionais com a ajuda do British Council. Qual é a importância destes exames? Os nossos exames permitem o acesso, em qualquer parte do mundo, a qualificações do Reino Unido e constroem laços de confiança com universidades, empresas e governos, garantindo a máxima qualidade e compromisso de sucesso. Ao longo dos anos a realização dos nossos exames permitiram criar, a milhões de pessoas, a oportunidade de atingir os seus objetivos pessoais e profissionais. O Aptis é a mais recente ferramenta do British Council paraa avaliação do inglês. Concebido para ajudar as organizações a identificar as competências em inglês dos seus colaboradores ou aluno. Este teste inovador pode ser utilizado para avaliar as quatro competências linguísticas – leitura, expressão escrita, expressão oral e compreensão auditiva – ou apenas uma

ou duas competências, por isso, o Aptis pode ser adaptado às necessidades específicas de cada organização. A cultura vai ser uma das apostas fortes para 2017? Promover a cultura britânica através das artes é sempre uma estratégia importante do British Council e a nossa equipa das artes trabalha com o melhor do talento criativo britânico em projetos inovadores e de qualidade, com artistas e instituições culturais em Portugal e em todo o mundo. A Casa da Música tem vindo a desempenhar um papel muito importante na promoção em Portugal, dos mais importantes compositores britânicos. Nos últimos anos tem encomendado e apresentado obras de compositores como por exemplo, Sir Harrison Birtwistle, Jonathan Dove, James Dillon e Jonathan Harvey, que foi o compositor em residência em 2009. Desde há seis anos que a Casa da Música, no Porto, promove um ano de dedicado à cultura de um país, 2017 vais ser o ano do Reino Unido! Temos uma forte relação com esta instituição e tenho a

certeza que vai ser um sucesso. O fim de semana inaugural decorre entre os dias 20 e 22 de janeiro. Os participantes convidados a participar no programa do fim-de-semana inaugural vão ter a oportunidade de conhecer pessoalmente quatro notáveis compositores britânicos – Philip Venables, Edmund Finnis, Emily Howard and Daniel Kidane e participar no simpósio sobre o impacto do resultado do referendo britânico na indústria da música na Europa. Durante o ano vão ser realizados mais de 30 concertos e 1200 atividades. A lista de músicos britânicos convidados a participar em concertos e em outros eventos na Casa da Música, é extensa e notável, entre os quais destacamos Sir John Eliot Gardiner, Dame Felicity Lott, George Benjamin, Harry Christophers, Richard Egarr, Alexander Shelley, entre muitos outros. É inevitável questionar qual vai ser o impacto no desempenho do British Council em Portugal após o resultado do referendo...

Instituição de Referência

Acho que está a tornar o papel do British Council ainda mais importante. O nosso papel vai ser reforçado, principalmente na relação entre os agentes económicos e as entidades governamentais do Reino Unido. Por outro lado estamos em Portugal há quase 80 anos, e daqui a nada há 100. Nestes anos todos criámos raízes importantes, estabelecemos contactos e estamos plenamente integrados com o povo e a cultura portuguesa. O nosso trabalho na área de educação e sociedade centra-se na internacionalização da educação, partilhando a inovação e a competência britânicas no mundo e aproximando parceiros educativos para o desenvolvimento de projetos coletivos. Ao mesmo tempo, o nosso trabalho na sociedade ajuda cidadãos e instituições promovendo um mundo mais inclusivo, aberto e próspero relacionando assuntos locais com temas globais. Iremos continuar a desenvolver o nosso trabalho, mas com responsabilidades acrescidas ao nível da transmissão da cultura, artes e da divulgação da língua inglesa.

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Município Empreendedor

Município de Murça

Murça virada para o futuro entre o Parque Industrial, o Território e o investimento no Turismo de Natureza. “Procuramos criar incentivos e condições que potenciem a fixação das pessoas.” Explica José Maria Costa, Presidente da Câmara Municipal de Murça.

Com a reabertura do tribunal de Murça, o que vai trazer de novo para o concelho? Foi uma enorme injustiça ter-se encerrado o tribunal de Murça, tal como outros nestes concelhos do interior. Felizmente, depois de uma luta politica intensa é possível ter novamente os tribunais a funcionar nas sedes de concelho. Não enquanto Comarca, mas como Juízos Locais de Proximidade, também com a obrigatoriedade da realização de julgamentos, que é o ato mais visível da aplicação e da administração da justiça. É, para nós, um momento significativo. Como referi na altura, retirar o tribunal foi como que destruir o sentimento de nacionalidade em cada um dos territórios. Perder o tribunal é perder um símbolo de autonomia. Neste momento, conseguimos que o tribunal reabra no início de 2017, com aquilo que são os serviços normais de um tribunal; o atendimento aos munícipes, a tramitação processual e a execução do julgamento. A Câmara de Murça desde do inicio se disponibilizou para trabalhar em conjunto e parceria com as instâncias do ministério da justiça para que esta reabertura fosse possível.  Neste momento posso informar que a Câmara de Murça fez um investimento de 35 mil euros no espaço onde vai funcionar o tribunal de Murça, vai também disponibilizar um funcionário para que o tribunal possa estar permanentemente aberto. Vai funcionar com a presença de um oficial de justiça e um funcionário da autarquia; o funcionário do ministério da justiça fará aquilo que é a sua função num tribunal, o funcionário da autarquia estará disponível para o atendimento e procedimentos administrativos simples como a emissão de

José Maria Costa, Presidente da Câmara Municipal de Murça

certidões de registo criminal, que é um documento simples pelo qual se pagam 5 euros, obtém-se rapidamente, e que até agora os munícipes de Murça tinham que gastar dinheiro na deslocação de Murça a Alijó para ter acesso a um documento tão simples. Uma outra boa notícia é a de que Murça deixará de ficar vinculada ao tribunal de Alijó e passará para o tribunal de Vila Real, naqueles serviços que não fiquem disponíveis em

Murça. Ou seja, neste momento, ficaremos apenas com dois vínculos; Vila Real e Chaves. Isto acontece porque a câmara e os advogados locais fizeram sentir à tutela que Alijó não era adequado aos residentes deste concelho por causa da deslocação, embora seja o tribunal mais próximo em relação à distância, é o que fica mais dispendioso e mais “distante” porque não há transporte público adequado que ligue as duas vilas.

Houve outro ou outros serviços essenciais que tenham perdido e deseje recuperar? Houve o enceramento do serviço de saúde no atendimento nocturno, mas é uma situação que está completamente diluída até porque o funcionamento do Centro de Saúde, também teve o seu reajustamento. O facto de estarmos perto de Vila Real, permite que na área da saúde os serviços sejam assegurados. Há um aspeto que devia melhorar que se prende com os tempos de espera nos serviços de urgência no Centro Hospitalar de Trás os Montes e alto Douro. É urgente corrigir esta situação. Nesta área há uma outra questão que nos tem preocupado, que é o hipotético enceramento de três extensões de saúde nas freguesias Jou, Fiolhoso e Candedo. Num determinado momento fomos informados pelo ministério da saúde do seu enceramento, mas felizmente conseguimos ultrapassar essa situação, mantendo as Unidade de Saúde a funcionar embora com redução de horário. Outra situação que foi resolvida com a intervenção da Câmara Municipal, foi o encerramento dos Serviços da Direcção Regional de Agricultura que funcionaram durante muito tempo nas instalações da extinta Casa do Douro, em murça. Com essa extinção encerraram-se aquelas instalações e não fosse a rápida intervenção da Câmara ao encontrar espaço alternativo e a assumir o pagamento de uma renda e estes serviços, em vez de serem deslocados para Alijó, ficaram instalados junto da Loja do Cidadão, um espaço onde os munícipes podem tratar assuntos de finanças, registo e notariado, segurança social, serviços diversos no espaço do cidadão e também agrícolas. Murça é conhecida pelo seu Azeite, Vinho, Doces Conventuais e Produtos Regionais, produtos vendidos numa feira anual. Pode falar-nos desse evento? A feira de azeite e vinho e produtos regionais é um evento que resultou de uma feira do livro e que  gradualmente


Município de Murça foi crescendo para os produtos regionais e artesanato. Neste momento estamos muito focalizados nos produtos diversos regionais, vinhos e azeite, assim como os doces conventuais; o Toucinho do Céu e a Queijada, numa lógica de promoção e de economia, porque queremos mostrar que em Murça existem produtos de qualidade. Esta feira ocorre no feriado municipal, dia 8 de Maio e tem vindo a ganhar notoriedade e é uma mais-valia para a economia do concelho. Falando em economia, a Câmara tem a intenção de alargar o seu parque industrial de Murça? Este parque industrial teve o seu inicio nos anos 90 e durante essa década e seguintes houve um conjunto de unidades que ali se instalaram, esgotando a capacidade disponível. Neste momento, estamos a fazer o alargamento dessa zona industrial criando mais 10 lotes, que estão gradualmente a ser ocupados. A Câmara fez um investimento de cerca de 180 mil euros para que se possam instalar novas empresas ou a ampliação de outras, porque é uma das formas de conseguirmos ter emprego e, desta forma, conseguirmos fixar população, porque apesar dos serviços que existem, das boas condições criadas para as pessoas terem uma boa qualidade de vida, mesmo assim, não conseguimos fixar a população se não tivermos emprego. Na minha opinião o interior vive um dilema! Estas regiões são territórios menos atractivos, com menos recursos e são aqueles que têm que se apresentar mais disponíveis, capazes de criar estratégias diferenciadoras para cativar empresários e outros empreendedores. Exemplificando com a zona industrial, enquanto numa zona industrial do litoral os empresários pagam uma «fortuna» para instalar as suas unidades, aqui, no interior, praticamente oferecem-se os lotes. Estamos a ser penalizados duas vezes; primeiro naquilo que não temos, e o que existe ainda tem de ser mais barato. Murça usufrui de uma localização privilegiada, estamos junto da A4, estamos a cerca de uma hora do Porto com a abertura do túnel, a uma hora de Braga e Viseu, 45 minutos de Guimarães, e perto de Espanha, uma porta para a Europa. Em termos do turismo como se desenvolve? Em termos turísticos, Murça tem algum potencial tanto a nível do patri-

mónio natural, como patrimônio construído. O facto de Murça ser uma das vilas mais antigas de Portugal é relevante e tem alguns monumentos como: Pelourinho, a “Porca de Murça” um monumento e uma lenda muito conhecida, a Capela da Misericórdia, a via Romana, o Centro Interpretativo do Castro de Palheiros. Depois temos uma paisagem que é muita variada q eu se estende da montanha até ao rio. Está a surgir outra potencialidade que resulta do Empreendimento hidroelétrico da Barragem do Foz Tua. A partir desse aproveitamento estão a ser elaboradas estratégias para promovermos o turismo e o alojamento local. Está planeado também a construção de um Centro Municipal de Apoio ao Turismo de natureza que servirá para acomodar os praticantes de turismo de natureza quer nos percursos pedestres, quer no BTT. Estamos a identificar percursos pedestres que virão desde a albufeira do Tua até à montanha. E projectos que estejam a decorrer na área da Ação Social? No âmbito do Gabinete de Ação Social realizamos dois encontros destinados à População Idosa e Portadora de Deficiência: O Almoço de Natal e o Convívio de Verão. Temos um regulamento que nos permite o apoio a famílias carenciadas em várias áreas, prepara-se um novo regulamento que nos permita dar um apoio extra a todas a famílias que tenham crianças, até porque ninguém pode ter filhos por dinheiro, têm filhos porque é o entendimento do casal e, os que são mais carenciados, terão esse apoio extra. Ainda não está ativo, está a ser criado. Ao nível da educação, no ensino pré-escolar e 1º ciclo temos o apoio social no âmbito da educação: 1º ciclo o apoio aos manuais escolares, o transporte que é gratuito, o apoio às refeições e a componente de apoio à família. O mesmo se aplica ao ensino pré-escolar. Neste momento, não temos uma criança em idade de ensino pré-escolar que não estejam a frequentar o Jardim de Infância. Existe agora um novo programa que são as bolsas para o ensino superior. A Câmara definiu o valor de seiscentos euros para cada candidatura no máximo de seis, para as famílias que têm mais dificuldades. Através do gabinete de desporto implementamos o programa Seniores Ativos que inclui ginástica de manutenção para a população sênior.

Podemos falar então em termos de projectos futuros previstos por parte da Câmara? Temos projectos alavancados naquilo que é o pacto da CIM Douro e no programa Norte 20 20; onde temos candidatura no Programa PAMUS (Programa da Mobilidade Urbana Sustentável) e ao mesmo tempo o PARU (Programa para a Regeneração Urbana), temos também projetos no âmbito da eficiência energética e na modernização administração. Temos um projeto imediato e muito concreto que está em fase de lançamento que é a reabilitação da Escola EB 2, 3, e secundária de Murça, que é uma das escolas que está também mapeada no âmbito da CIM Douro (Comunidade InterMunicipal), para a qual foi atribuída uma verba de um milhão e meio de euros. Com esta reabilitação encerra-se um ciclo de melhoramento dos equipamentos escolares. Temos Centro Escolar construído em

Município Empreendedor

2011 e uma Escola Profissional recuperada em 2006. Ficaríamos com os equipamentos ligados à educação e formação totalmente reabilitados para melhor comodidade dos alunos e profissionais que lá trabalham. Na eficiência energética o nosso projecto maior era reabilitar as piscinas municipais; no PARU é fazer intervenções na reabilitação urbana, nomeadamente do edifício muito emblemático: a antiga Cooperativa dos Olivicultores de Murça, criando ali uma polivalência de utilizações ; no âmbito do PAMUS queremos intervir na diminuição das situações de risco quer para peões, quer para automobilistas. Para além dos projetos referidos procuraremos também ampliar o Cemitério Municipal e requalificacar alguma rede viária. Independentemente de todos estes projectos, temos intervenções previstas um pouco por todo o concelho, em todas as freguesias.

Votos de um Excelente 2017! Este é um tempo em que a união, a amizade e solidariedade ganham outro sentido. Tempo para lembrar e viver a família. É com este espírito e sentimento de uma grande família, que somos, que desejo a todos os munícipes um 2017 recheado de paz e muita saúde.

Bom Ano de 2017 José Maria Costa Presidente da Câmara Municipal de Murça


Acção Social

Santa Casa da Misericórdia de Murça

Um alicerce social da região Belmiro Vilela é o irmão número 37 da Misericórdia e a sua afinidade à Santa Casa da Misericórdia de Murça remonta há vários anos. Como o próprio recorda, “o meu pai foi provedor em 1961, a minha esposa foi mesária, tal como um filho meu e eu vim para a instituição a partir do momento em que me aposentei, no sentido de me dedicar verdadeiramente à Misericórdia, isto há 19 anos atrás”. No passado dia 18 de Dezembro, depois de ter afirmado que não se candidataria novamente se surgisse alguém credível para assumir o lugar de Provedor, sentiu-se na obrigação de proceder a uma recandidatura, “com as mesmas pessoas que me acompanham há 19 anos, para mais um mandato de quatro anos”. A responsabilidade social e o desafio futuro são extremamente exigentes, como desvenda o Provedor Belmiro Vilela em entrevista ao País Positivo. O que considera ter já deixado, enquanto legado dos seus exercícios de provedor, não só ao serviço da Santa Casa da Misericórdia de Murça mas também da região e da população que beneficia dos serviços prestados pela instituição? Confesso que sinto uma enorme gratificação, na medida em que a Santa Casa da Misericórdia contribui para a melhoria da qualidade de vida das pessoas, assim como aos utentes quer do lar, quer dos centros de dia e do apoio domiciliário. Obviamente, isso é gratificante para quem dirige uma instituição. Que legado considera ter já concretizado ao longo destes anos de exercício enquanto provedor? Ao longo destes anos, foi construído um lar, hoje designado estrutura residencial

para idosos, em parceria com o Governo do Luxemburgo e o Governo de Portugal. A comparticipação do Governo do Luxemburgo na edificação desta estrutura deve-se à existência de uma forte comunidade na freguesia de Fiohoso, em que cerca de 70 por cento das pessoas estão emigradas no Luxemburgo. Assim, conseguiu-se a celebração de uma parceria com o Governo luxemburguês que resultou na criação de uma estrutura residencial para 45 idosos, 20 pessoas em centro de dia e 10 em apoio domiciliário. Consegui concretizar outra estrutura residencial em Canedo, uma das maiores freguesias do concelho de Murça e ainda a recuperação do nosso Hospital da Misericórdia, extinto no pós 25 de Abril de 1974. Quando surgiram os primeiros projectos no âmbito do Saúde 21, apresentámos uma candidatura e fomos os primeiros a ser contemplados nos distritos de Vila Real e Bragança e a assinar acordo de cooperação, resultando uma estrutura de cuidados continuados com 25 camas que opera há nove anos. Além desta valência na área da saúde, que outras oferece actualmente a Santa Casa da Misericórdia de Murça? Na área da infância, temos um jardim-de-infância com pré-escolar e berçário, uma creche; Na área da terceira idade, temos um centro de dia na União de Freguesias Carva e Vilares, temos estruturas residenciais para idosos em Fiolhoso, em Murça e em Canedo, temos cantinas sociais, um serviço de apoio domiciliário e uma parceria com a Câmara Municipal na Escola Profissional de Murça. Quantas pessoas serve actualmente a Santa Casa da Misericórdia de Murça? Neste momento, estamos a servir diariamente cerca de 800 pessoas… Face aos indicadores, estamos perante um parceiro de excelência da autarquia de Murça no domínio da acção social… Sim, somos e temos um bom relacionamento, embora não beneficiemos de qualquer subsídio. Embora tenhamos algumas dificuldades financeiras, temos a nossa autonomia. Particularmente no interior do país, em

Belmiro Vilela, provedor Santa Casa da Misericórdia de Murça

que as assimetrias são mais acentuadas e o envelhecimento da população é uma realidade que representa novos desafios à actuação das Misericórdias, estas instituições detêm um papel preponderante… No entanto, têm que viver com financiamentos inferiores e com maiores dispêndios face à dispersão geográfica dos seus utentes… Isso obriga a que sejamos muito rigorosos no controlo de custos sem que tal represente perda de qualidade… Penso que compete ao Governo fazer as correcções necessárias, até porque, a somar ao que bem referiu, os níveis de reformas do interior do país, comparados com os de grandes centros urbanos como Lisboa, são cerca de 50 por cento inferiores. Os acordos são atípicos e aplicam-se a todo o país e, à partida, estamos logo em desigualdade. E quanto ao apoio domiciliário que prestamos, temos aldeias que distam 27 km da sede de Murça, de onde parte a alimentação, o que significa que percorremos diariamente 54 km só nessa viagem… Ao passo que nesses centros urbanos se percorre 1 km para servir mais pessoas do que nós… Além disso, recebemos uma comparticipação da Segurança Social idêntica quando os nossos vencimentos aqui são os do mundo rural, com reformas que se situam entre os 190 e os 270 euros… A partir daqui, estamos em completa desigualdade. No entanto, o que nos norteia é servir e, a partir daí, conseguimos superar todas estas dificuldades graças à relação que estabelecemos com o voluntariado, uma vez que temos uma equipa que nada recebe… É imbuídos deste espírito que continuamos a trabalhar, esperando que façam as devidas correcções para que se diluam as desigualdades sociais que existem neste país.

Tendo sido reeleito muito recentemente, o que poderá esperar a população de Murça e das regiões vizinhas ao longo dos próximos quatro anos? Quando, há 19 anos, vim para a Misericórdia, tive o prazer de receber o Presidente do Secretariado Nacional, o Padre Vítor Melícias, a quem afirmei que a minha missão ao serviço da Misericórdia se traduzia no seguinte: Aqueles que tiveram o privilégio de ter um lar na vida, ao entrarem na nossa instituição não sintam a diferença; aqueles que nunca tiveram um lar, ao entrarem na Santa Casa, o sintam em toda a plenitude. Foi esse o propósito que tomei, é essa a minha responsabilidade e é por isso que continuo a lutar, para que as pessoas aqui sintam um verdadeiro lar em que nada lhes falte, principalmente no aspecto afectivo e na qualidade do serviço que prestamos. E a prova de que oferecemos isso reside no facto de termos muita procura de concelhos limítrofes, que recorrem aos nossos serviços pela qualidade que os mesmos evidenciam. Neste momento, a nossa unidade de cuidados continuados tem uma acreditação de uma empresa americana que atesta essa mesma qualidade. Temos a única unidade dos distritos de Vila Real e de Bragança acreditada. Efectivamente, apesar das dificuldades, fazemos um trabalho digno e que as pessoas reconhecem e, infelizmente, temos lista de espera mas, atendendo às dificuldades financeiras que assolam as próprias famílias, temo que o cenário tenda a piorar e que instituições como a nossa, que vivem dos acordos de cooperação, comecem a deixar de ter sustentabilidade para oferecerem um serviço que as pessoas merecem e de que precisam no dia-a-dia.


Município de Vila Nova de Cerveira

Município Sustentável

Crescimento sustentado no panorama nacional O final de cada ano sugere a realização de balanços e a reflexão para projetar mais 365 dias de trabalho em prol da melhoria da qualidade de vida e bem-estar da população. Nesta perspetiva, o Município de Vila Nova de Cerveira tem bons e motivadores índices económicos e financeiros para encarar 2017 com otimismo, em prol de um desenvolvimento sustentado e próspero do concelho. Vila Nova de Cerveira tem vindo a ocupar lugares de destaque nos vários ratings concelhios, desenvolvidos por diversas entidades externas, que analisam a performance dos 308 municípios portugueses, em várias vertentes. O edil cerveirense, Fernando Nogueira, sublinha que a política de baixa fiscalidade municipal e de rigor das contas municipais associada ao grande espírito empreendedor das empresas e dos empresários instalados no concelho tem contribuído para alcançar importantes lugares no âmbito distrital e regional.

Consultoras realçam desempenho municipal “exemplar”

A consultora internacional 20/20 Strategy divulgou, em novembro, os resultados do ‘City Performance Index’, um modelo de avaliação do desempenho municipal em seis dimensões distintas: Produtividade, Talento, Infraestrutura, Governo, Social e Ambiente. Neste estudo, o concelho de Vila Nova de Cerveira encontra-se na posição 94 do ranking entre 308 concelhos e com um desempenho “exemplar” entre os designados pequenos municípios (5 e 10 mil habitantes), ocupando a 2º posição a nível nacional, com pontos fortes acima da média nacional, nomeadamente no indicador produtividade (+130% ao nível de desenvolvimento económico, crescimento e criação de empresas) e no Governo (+18% em itens como política de investimento local, finanças locais e transparência). Interpretando os valores no contexto regional, dos 10 municípios alto-minhotos, Vila Nova de Cerveira também surge em 2º lugar, a seguir de Viana do Castelo, revelando uma excelente performance. Por sua vez, a Marktest desenvolveu uma aplicação web - ‘Municípios Online’ - que tem como objetivo principal analisar as forças e fraquezas de cada concelho, em função dos ratings de Dinamismo Demográfico, Dinamismo Económico e Qualidade de Vida. Dados referentes a 2014 revelam que Vila Nova de Cerveira é o 12º concelho do país com maior taxa de constituição de empresas, o 13º com maior número de recursos culturais per capita, e o 16º com maior volume de negócios médio das empresas (448 milhares de euros).

Anuário Financeiro dos Municípios Portugueses 2015

Lançado no passado dia 22 de novembro, o 12º Anuário Financeiro dos Municípios Portugueses analisa as contas de 308 municípios, 185 empresas municipais e 25 serviços municipalizados em 2015. No que diz respeito ao distrito de Viana do Castelo, Vila Nova de Cerveira surge na terceira posição com melhor desempenho financeiro, logo após Arcos de Valdevez e Ponte de Lima, mas se considerarmos a categoria de municípios de pequena dimensão, Cerveira ocupa o primeiro lugar.

Câmara entre as 10 melhores na Internet

A Página Web da Câmara Municipal de Vila Nova de Cerveira está referenciada como um bom exemplo de presença na Internet, ocupando a oitava posição entre as 308 autarquias do país. O ranking global da 8ª edição do Índice da Presença na Internet das Câmaras Municipais foi apresentado, em outubro, com o Portal Municipal de Vila Nova de Cerveira entre os 10 melhores a nível nacional, alcançando ainda um segundo lugar na sub-categoria ‘Conteúdos: Tipo e Atualização’. Comparativamente com o estudo anterior de 2012, verifica-se uma evolução positiva ao passar da 105º posição para a 8ª do ranking global.

nacional do Festival ART&TUR 2016. A iniciativa contou, nesta sua 9.ª edição, com a inscrição de mais de 300 filmes provenientes de 52 países. O filme da XVIII Bienal Internacional de Arte de Cerveira (2015) foi realizado por Luís Lagadouro, e reúne, num total de 25 minutos, os momentos mais marcantes da última edição do evento (2015), que contou com mais de 80 mil visitantes.

Cerveira no ranking dos 10 Municípios mais transparentes

Festival ART&TUR 2016 premeia documentário da bienal

O Documentário da XVIII Bienal Internacional de Arte de Cerveira foi galardoado com um segundo lugar na categoria “Cultural Events” da competição inter-

O Índice de Transparência Municipal 2015 colocou Vila Nova de Cerveira na 5ª posição, com um score de 86,26 numa escala de 0-100. Neste top 10, Vila Nova de Cerveira foi o concelho que registou a subida mais significativa, ao passar da 287ª posição, em 2014, diretamente para o 5º lugar, em 2015. Os presentes indicadores alcançados vão de encontro ao trabalho e serviço público que a autarquia vem desempenhando, consubstanciado numa política de proximidade, transparência e de maior interação entre Município/Munícipe.


Município Sustentável

Câmara Municipal de Vizela

A Rainha das Termas de Portugal Em entrevista, o Presidente da Câmara Municipal de Vizela, Dinis Costa, ilustra o preponderante papel que o poder autárquico tem vindo a assumir há longos anos com vista à melhoria da qualidade de vida das populações. Da ação social ao ambiente, passando pelo desenvolvimento económico, pelo turismo e cultura, Dinis Costa aborda o presente e o promissor futuro do município. Dinis Costa, Presidente da Câmara Municipal de Vizela

Face à última revisão administrativa do território de que resultou a união de freguesias, em que medida gostaria de alterar essa divisão, potenciando assim uma maior proximidade junto dos munícipes? Que solução desejaria a autarquia apresentar? A Câmara Municipal de Vizela já em 2012 teve oportunidade de manifestar o seu descontentamento face àquela posição que, só veio comprovar o desconhecimento que o Governo tinha do País, ignorando a importância das freguesias como órgãos autárquicos, sobretudo à relação de proximidade com as populações, que lhes permite assumirem-se como agentes ativos do progresso, combatendo as assimetrias e as desigualdades e promovendo o desenvolvimento económico, social e cultural. Neste momento, a posição da Autarquia de Vizela mantém-se. O nosso desejo é voltar a contar com as sete freguesias do nosso Concelho, continuando a assegurar, com maior proximidade, a coesão e desenvolvimento deste jovem território. Caso esta nossa pretensão seja alcançada, é certo que, primeiramente, iremos ouvir os principais interessados nesta matéria, que são os vizelenses.

O Ambiente é uma das vossas bandeiras, no sentido da reciclagem e reaproveitamento dos resíduos urbanos... Que projectos assume a autarquia de Vizela neste domínio? Em matéria de resíduos urbanos é objetivo da Câmara Municipal de Vizela colaborar com a Resinorte – Valorização e Tratamento de Resíduos Sólidos, S.A. no cumprimento das metas e objetivos estipulados pelo PERSU 2020. Assim, e de acordo com os objetivos e metas definidos, serão desenvolvidas ações no sentido da prevenção da perigosidade dos resíduos urbanos; aumento da preparação para reutilização, da reciclagem e da quantidade dos recicláveis; redução da deposição de resíduos urbanos em aterro bem como o escoamento e valorização económica dos recicláveis e de outros materiais do tratamento dos resíduos urbanos. O principal papel do Município, para o cumprimento destes objetivos passará, sempre, pela aposta na sensibilização e disciplina cultural dos munícipes. Só assim será possível aumentar a quantidade e qualidade dos resíduos depositados seletivamente nos equipamentos e infraestruturas de recolha e na diminuição dos resíduos indiferenciados recolhidos porta-a-porta.

A Câmara Municipal tem uma série de acções ativas de vantagens e ajuda no âmbito da Acção Social como, por exemplo, o cartão Vizela Sénior. Que valências têm neste momento ou num futuro próximo? Na Câmara Municipal de Vizela temos consciência das necessidades da população em geral e, particularmente, dos grupos

mais vulneráveis. Deste modo, no âmbito da Ação Social, temos um serviço direcionado a todos os munícipes que a ele recorram, sendo cada pedido direcionado para a resposta que melhor se adequa, através de uma intervenção personalizada efetuada ao nível do atendimento/acompanhamento psicossocial. Evidentemente que estamos conscientes de que a vulnerabilidade social atinge as camadas populacionais mais fragilizadas, como é efetivamente o caso da população sénior, mas também das crianças e jovens, dos desempregados, e de todas as famílias. Para os idosos, direcionamos um conjunto variado de atividades, para além do Cartão Vizela Sénior, em parceria com vários empresários locais, através da disponibilização de benefícios concedidos em diversas áreas, desde a cultura e o lazer, desporto, saúde e comércio. Temos ainda, a Oficina Domiciliária, que visa proceder à execução de pequenas reparações ou obras de melhoramento no domicílio dos munícipes com mais de 60 anos, de forma gratuita. Podemos ainda enumerar o Espaço Internet Sénior, a atividade física, através do programa “Desporto é vida … e não tem idade” e a dinamização de ações de caráter lúdico-recreativo das quais se destacam, os passeios e convívios e a Praia Sénior. Não podemos também esquecer que atuamos num território, em que as famílias, mesmo aquelas em que um ou mais adultos


Câmara Municipal de Vizela trabalhem, apresentam algumas dificuldades, uma vez que os recursos económicos que dispõem são escassos para fazer face às despesas mensais. Assim, destacamos o Regulamento Municipal para a Atribuição de Apoios Eventuais a Estratos Sociais Desfavorecidos que, através do Serviço de Ação Social, tem vindo a facilitar a vários munícipes o aumento do rendimento disponível, por um determinado período de tempo, através da comparticipação financeira para algumas despesas como renda, eletricidade ou água. Neste âmbito, destacam-se também os protocolos com entidades públicas e privadas que desenvolvem a sua atividade em parceria com a Câmara Municipal de Vizela designadamente, o Programa Alimentar de Vizela, que prevê a recolha e a distribuição de géneros alimentares, o recente Protocolo com uma Ótica local, que prevê a atribuição de armações e lentes e o Protocolo com vários Médicos Dentistas, através da prestação de consultas de medicina dentária. Para a população em geral desenvolve-se também atividade através do Gabinete de Apoio ao Emigrante e o apoio específico ao consumidor através do CIAC de Vizela (Centro de Informação Autárquica ao Consumidor). Relativamente ao futuro, podemos afirmar que continuamos atentos e disponíveis para criar e apoiar a implementação de respostas inovadoras de proximidade no apoio à população. Poderemos falar das vossas iniciativas em termos culturais? Ao nível cultural, a Autarquia tem desenvolvido um trabalho de parceria com as coletividades e associações concelhias, com as quais tem efetuado um trabalho de parceria, através da dinamização de várias iniciativas, quer sejam de carácter cultural, social,

desportivo ou outro, sempre com o objetivo de apostar na diversidade da oferta de atividades à população vizelense. Desta, destacamos as Festas de Vizela, a Feira Romana, a Vizela em Festa, a MOTE – Mostra de Teatro de Vizela, o Festival de Reis, o Encontro de Coros de Vizela/Concerto de Natal, concertos e demais espetáculos protagonizados pela Sociedade Filarmónica Vizelense e Academia de Música. A reabilitação do património edificado do concelho de Vizela é uma das mais vincadas apostas na valorização do património arquitetónico e cultural do concelho. Por isso, forma já definidas as Áreas de Reabilitação Urbana em todas as freguesias o concelho, numa candidatura efetuada a fundos comunitários para o Planos de Ação para Regeneração Urbana – PARU, com intervenções propostas para reabilitação da zona envolvente à Capela da Sra. da Tocha, Igreja e Cruzeiro da Rua de S. Gonçalo, na freguesia de Stº Adrião; envolvente da Igreja Velha de Infias; Praça da República, associada à memória das termas romanas, ou ainda o reordenamento do largo da Igreja de Tagilde, com enfoque no Padrão do Tratado de Aliança. O alargamento a Vizela e ao vale do Ave da Rota do Românico foi também objeto de uma candidatura para divulgação e valorização do património, promovendo a realização de estudos e intervenções que permitam aumentar a acessibilidade e a fruição de património para fins culturais e turísticos, de que são a Ponte Velha de Vizela; a Capela da Sra. Da Tocha e o Cruzeiro de Sto. Adrião. A valorização do Caminho de Santiago é outra das áreas a priorizar. O turismo termal pode ser uma fonte de rendimento mas também de prosperidade para o concelho. Vizela tem um parque municipal e umas Termas com fim medicinal

bastante concorridas. Como pode a Câmara incentivar e projetar o turismo? O objetivo da Câmara Municipal em relação ao seu Turismo foca-se, sobretudo, na intenção de posicionar Vizela como um destino qualificado, diferenciado, distinto pela excelência da sua oferta. É já de longa data que Vizela é conhecida como a “Rainha das Termas de Portugal”, pois as características das águas de Vizela são únicas e das mais ricas do país, em termos de mineralogia. O termalismo continua a ser a principal motivação pela deslocação de pessoas a Vizela. As Termas de Vizela caracterizam a sua procura pela prática de tratamentos de saúde, e com uma maior afluência de uma população mais idosa. Há no entanto a registar os esforços da empresa Tesal, que detêm a concessão das Termas, no sentido de contrariar esta tendência, através do lançamento de programas antisstress e de beleza, tentando cativar para a preocupação com a saúde e bem-estar do corpo e do espírito. Face a estes indicadores, a atuação da Câmara Municipal visa direcionar o seu apoio, na satisfação e complementação de atividades de animação a estes turistas. São realizadas, anualmente, um conjunto de visitas guiadas gratuitas pelo concelho, onde qualquer aquista ou turista pode participar. Decorrente da inclusão na rede de Lojas Interativas da Porto e Norte de Portugal, qualquer turista que procure os serviços de Turismo, será devidamente informado sobre toda a oferta turística e cultural local e regional. Uma vez que se considera necessário a clareza da informação da nossa estratégia, têm sido criadas dinâmicas de proximidade e apoio aos empresários e atores turísticos, numa tentativa de partilha de objetivos e troca de ideias sobre a nossa dinâmica turística. Vizela é, desde 2011, a primeira cidade do norte de Portugal a ser classificada Cittaslow, uma distinção que vem reconhecer a aposta de Vizela num turismo de qualidade, que não passa apenas pelas suas águas termais, detentoras de qualidades terapêuticas únicas no mundo, pela doçaria, gastronomia e pelo seu vinho verde, mas também pela construção de equipamento de lazer e fruição da natureza. É também nossa preocupação a educação para o Turismo e para o que “é nosso”. Para tal, pretendemos educar as novas gerações em princípios de defesa dos ecossistemas e das bases culturais, pois estas irão exigir no futuro destinos com essa qualificação e essa é a base fundamental de estruturação da continuação de identidade do território. Assim, temos efetuado campanhas de sensibilização para jovens e crianças, dando-

Município Sustentável

-lhes a conhecer a nossa história e consequentes potencialidades culturais e turísticas. Partindo do pressuposto da mais-valia que são Termas, o Parque Natural e Zona Ribeirinha, o Santuário de S. Bento, a gastronomia, com destaque para o Bolinhol (doce único no país), a nova e recente aposta no Turismo Industrial, Vizela apresenta um conjunto de produtos turísticos que enriquecem a estadia no seu território. Estamos também sempre atentos à estratégia e às apostas que estão a ser lançadas a nível nacional nesta área. Agrada-nos saber da aposta do Governo que quer revitalizar a atividade termal, tendo para isso criado um grupo de trabalho interministerial com o objetivo de identificar os constrangimentos e instrumentos para dinamizar a atividade termal, avaliar o impacto económico-financeiro da atividade e conhecer a despesa em cuidados de saúde nos utentes das termas. Estamos expectantes face às novas propostas de dinamização das termas, que devem surgir já no início do ano de 2017. As Termas têm também sido uma preocupação e tema de agenda do Presidente da República, que já mencionou que considera que se deve deixar morrer o termalismo em Portugal, tendo até mesmo já apelado à criação de um regime jurídico e legal que permita o desenvolvimento do turismo termal. Em resumo, a Câmara pretende incentivar e projetar o seu turismo, transformando os seus recursos em produtos, reestruturar e inovar a oferta, no sentido de fruição total por parte do turista, tendo como premissas fundamentais o aumento da taxa de permanência e da taxa de ocupação, dialogar e apoiar os seus empresários na melhoria e facilitação das suas atividades e apostar na comunicação da imagem de Vizela, através do Site de Turismo e Página do Facebook.


Turismo Sustentável

Porta do Mezio

Deixe-se levar pela Natureza! Os caminhos do norte levaram a equipa do País Positivo até à Porta do Mezio, em Arcos de Valdevez, uma das cinco portas de entrada no Parque Nacional de Peneda-Gerês. O ar frio bafejado pelas serras do Soajo e da Peneda dá-nos as boas-vindas enquanto a beleza da mata do Mezio convida a passeios descontraídos debaixo de um sol um pouco tímido. As portas do Mezio do Parque Nacional da Peneda Gerês (PNPG) são centros de excelência vocacionados para a promoção do conhecimento e divulgação dos valores naturais e culturais do território do Parque Nacional, onde foram criadas condições para proporcionar uma adequada receção e informação aos visitantes e público em geral. Existem cinco portas de acesso ao Parque Nacional da Peneda Gerês, uma em cada município que integra esta área protegida. Fomos conhecer a Porta do Mezio sito no concelho de Arcos de Valdevez, em pleno Alto Minho, que detém um estatuto de elevada importância para a manutenção e promoção da biodiversidade em Portugal. Quase metade deste concelho está inserido nas Rede de Áreas Classificadas nomeadamente nas Áreas Protegidas do Parque Nacional da Peneda-Gerês e Paisagem Protegida do Corno do Bico; nos Sítios de Importância Comunitária – SIC: “Corno do Bico” e “Peneda-Gerês” e nas Zonas de Proteção Especial – ZPE: “Serra do Gerês”. Os SIC e ZPE fazem parte da Rede Natura 2000 que constitui uma rede ecológica para o espaço da União Europeia, com a finalidade de assegurar a conservação, a longo prazo, das espécies e habitats mais ameaçados da Europa. A Porta do Mezio permite fazer uma entrada triunfante nas montanhas e vales do Soajo e Peneda. Com três hectares de espaços dedicados a todas as faixas etárias recebe os visitantes exibindo a sua diversidade e magnificência que levaram a que este território fosse considerado, pela UNESCO, Reserva Mundial da Biosfera. O tema desta Porta é a Conservação da Natureza e da Biodiversidade e desde o início se

João Manuel Esteves, Francisco Peixoto de Araújo e Pedro Teixeira

percebe o porquê: encontros com cavalos selvagens e vacas autóctones são comuns, o verde da paisagem até perder de vista regala o olhar do visitante, o cheiro a terra limpa e as vistas magnificamente indescritíveis completam um cenário que nenhum adjetivo consegue qualificar. À entrada é fácil compreender o funcionamento e ficar, desde logo, a conhecer todos os detalhes necessários para se aventurar pelas florestas e montes. Calçado e roupa confortável é o mote para apreciar a caminhada que escolher fazer por entre os diversos trilhos propostos. As atividades e espaços de interpretação da riqueza natural e cultural também fazem parte do cardápio. Mas as propostas são muitas e transversais a todas as idades. Durante o verão a piscina exterior e o parque de merendas são os espaços mais apreciados por toda a família, para quem deseja ficar por alguns dias pode usufruir das instalações do Parque de Campismo e Caravanismo de Travanca. O “Parque Aventura” da Porta do Mezio permite atividades lúdicas e de desportos aventura, no qual é possível, a toda a família, a prática de arborismo transpondo obstáculos entre plataformas fixadas nas copas das árvores, que tornam a experiência fascinante, com recurso a escalada, pontes suspensas, cordas em escada, redes, etc, sendo o término do percurso efetuado num emocionante slide de mais de 100 metros. A gestão e promoção da Porta do Mezio está a cargo da ARDAL - Associação Regional de Desenvolvimento do Alto Lima presidida pela Câmara Municipal de Arcos de Valdedez. É uma associação sem fins lucrativos que tem como objetivo promover e fomentar o desenvolvimento local. Ao levar a cabo a

sua missão elaborou um projeto, em parceria com a C. M. de Arcos de Valdevez e outras entidades, que pretende divulgar e promover o Parque Nacional da Peneda Gerês, bem como potenciar negócios de operadores turísticos da região, projeto que venceu a 3ª edição do prémio “Empreendedorismo e Inovação Crédito Agrícola”. Este prémio vem reconhecer o trabalho de dinamização, promoção e divulgação que a ARDAL tem vindo a desenvolver, a nível nacional e internacional, na promoção e divulgação do Parque Nacional Peneda-Gerês, da oferta de atividades, dos programas de turismo de natureza e ambiente e das parcerias estabelecidas com os vários operadores turísticos da região. É, sem dúvida, um ótimo local para apreciar a fauna e a flora no seu estado natural, fazer férias em família e proporcionar momento de lazer e atividades aos mais pequenos. Porta do Mezio... deixe-se levar pela natureza!

Entrega do prémio “Empreendedorismo e Inovação Crédito Agrícola”, na categoria desenvolvimento rural. Este prémio resulta de uma parceria com a INOVISA que tem por objetivo reconhecer o mérito e a excelência contribuindo, de forma efetiva, para a disseminação de uma cultura de empreendedorismo e inovação nos setores agrícola, agroindustrial, florestal e do mar em Portugal. A cerimónia de entrega dos prémios decorreu na Fundação Champalimaud, em Lisboa, no passado dia 24 de novembro, contou com a presença do Ministro da Agricultura, Luís Capoulas Santos e do Presidente do Conselho de Administração Executivo do Crédito Agrícola, Licínio Pina, que sublinhou que “com este prémio pretendemos potenciar a inovação no setor primário e agroindustrial, um setor que conhecemos como ninguém e que sabemos que tem grande potencial.” A ARDAL fez-se representar por João Manuel Esteves, Francisco Peixoto de Araújo e Pedro Teixeira respetivamente Presidente, Tesoureiro da direção e Coordenador.


Município de Paredes de Coura

Município Empreendedor

“O investimento é sedução e competência!” Paredes de Coura, terra marcada pela música através do internacionalmente conhecido Festival homónimo aposta na indústria 4.0 recebendo, de braços abertos, o projeto I&D HSSF - High Speed Shoe Factory e já conta com elogios vindos da Europa. Vítor Paulo Pereira, Presidente da Câmara Municipal de Paredes de Coura sublinha a importância desta aposta e evidencia as suas repercussões.

Paredes de Coura recebe um projeto de inegável importância. O que este representa para o município? É, sem dúvida um projeto muito importante para o concelho. Aposta na aplicação do conhecimento ao meio empresarial e é reforçado pelo ambiente favorável e atrativo aos negócios, tal como este executivo tem promovido e encorajado. As empresas e as fábricas do futuro nascem onde há vontade de criar e coragem para assumir riscos. Esse mérito é dos empresários, mas também dos munícipes de Paredes de Coura em quem eles confiam e a quem reconhecem a flexibilidade e a competência para experimentar, errar e inovar. Anteriormente os empresários e políticos constatavam que era mais fácil os projetos surgirem onde existia tradição, conhecimento e inovação relativamente a um determinado setor. Hoje constata-se que a tradição já não é o que era! Paredes de Coura não era uma terra com tradição ligada à indústria do calçado, mas hoje tem uma das fábricas mais modernas deste setor. Em que consiste o projeto I&D HSSF - High Speed Shoe Factory? Este projeto tem como objetivo conceber,

Fortunato O. Frederico e Vítor Paulo Pereira, Presidente da CM Parede de Coura

desenvolver e implementar um novo modelo de fábrica de calçado em 24 horas. Ao contrário das outras produções está orientado para a produção unitária. Com a globalização do mercado, as vendas via internet são cada vez mais frequentes e têm tendência a aumentar. A tecnologia implementada responde às necessidades do mercado quase em tempo real: é capaz de responder sem stocks, às vendas online, às pequenas encomendas e reposições de produtos em loja e ao fabrico rápido das amostras. Quais são as entidades envolvidas? Este projeto tem vindo a ser implementado na unidade industrial da Kyaia e envolveu a Kyaia - Fortunato O. Frederico, Lda, o INESC TEC- Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência e a FEUP - Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, entre outras entidades. Recentemente este projeto foi elogiado por duas personalidades... Foram tecidos os maiores elogios por Günther Oettinger, Comissário Europeu responsável pela pasta da Economia e Sociedade Digitais, no âmbito da conferência “Going Local” Portugal 2016 - Mercado Único Digital, que decorreu em Lis-

boa e pelo Primeiro-Ministro António Costa que esteve presente nas instalações da Kyaia, na apresentação do Software SmartSL 4.0 - Smart Stiching Logistics,que é um dos componentes desta fábrica do futuro, elogiando a gestão ágil e flexível de linhas de costura para a produção de calçado. Qual é o segredo para atrair bons investimentos? Não queremos ser exemplo para nin-

guém mas, como não nos revemos no discurso fatalista da geografia e da tradição dos territórios, respondemos sempre com velocidade institucional, agilidade, procuramos respeitar o tempo dos empresários e assumimo-nos como o seu principal interlocutor. Talvez isso explique o facto do projeto I&D HSSF - High Speed Shoe Factory tenha sido implementado em Paredes de Coura e que este seja dado como bom exemplo pelo Comissário Europeu do setor, num concelho sobre o qual as pessoas têm ideia de ser rural e isolado. Continuaremos o nosso caminho, sem medos nem pressões. Sabemos que, como tudo na vida, todos os grandes projetos começam da mesma forma: pequenos e sequiosos de crescer e aprender e essas capacidades nunca nos faltarão. O investimento é sedução e competência. É necessário seduzir o investidor numa primeira fase, mas depois é necessário cumprir o que prometemos, dar respostas concretas e com a máxima celeridade, cumprir contratos e tempos de forma irrepreensível! Cumprindo todas estas premissas são os próprios empresários que atraem outros investidores, para complementarem o seu negócio, ou até abrir novas empresas. Eles são os nossos principais promotores e quem o possibilita são trabalhadores da Câmara Municipal de Paredes de Coura que são céleres e têm velocidade institucional.


Poder Local

Junta de Freguesia de Encosta do Sol

Dinamismo social numa freguesia multicultural Freguesia multicultural, composta pelos bairros de Alfornelos, Brandoa e Casal da Mira que se destacam por diferentes realidades económicas, sociais e culturais. Beneficia de “uma localização privilegiada em relação a Lisboa e usufrui de uma das maiores redes de transportes de e para a capital.” Por outro lado, apresenta “carência de uma rede rodoviária local mais diversificada e atualizada em relação às necessidades reais de uma população que precisa de se deslocar diariamente dentro da freguesia a preços que possam suportar.” A diversidade cultural é uma das caraterísticas mais marcantes dos fregueses de Encosta do Sol? Existem outras que ajudem a conhecer melhor esta freguesia? A diversidade cultural é, sem dúvida, uma das caraterísticas mais marcantes desta freguesia. Nas escolas do primeiro ciclo chegamos a ter crianças de 12 países diferentes e não é fácil gerir tamanha diversidade. Com cerca de 28 mil habitantes, distribuídos por 2,8 Km², carateriza-se por sofrer uma enorme pressão urbana devido à proximidade com Lisboa e ainda é servida pelos eixos viários principais que circundam a cidade. A freguesia é composta por três bairros. Quais as caraterísticas que os distinguem? O bairro da Brandoa está muito envelhecido e é conhecido pelas construções clandestinas que não reúnem as condições mínimas para serem legalizadas. A norte da freguesia está localizado o

guesia e do concelho fazendo a articulação para a área da grande Lisboa, de forma a tornar o transporte privado menos apetecível do que é neste momento e colmatando as lacunas que existem no transporte público local. Temos uma infraestrutura de lazer, o Parque Urbano Rio da Costa, junto ao Dolce Vita Tejo, na parte norte da freguesia, que proporciona momentos de descontração e lazer à população e aos alunos das escolas da freguesia, mas os meios de transporte público para essa zona é quase inexistente e demasiado caro para uma população de baixos rendimentos.

Armando Domingues, Presidente da J. F. Encosta do Sol

Bairro do Casal da Mira, com cerca de 700 fogos, que sofre uma forte influência do nosso ex-líbris, o Centro Comercial Dolce Vita Tejo. O bairro de Alfornelos tem cerca de 50 anos de existência. Na altura era o local escolhido das famílias, de classe média/alta, que queriam adquirir casa nas imediações da cidade de Lisboa. Este bairro diferencia-se dos outros dois por ter crescido de forma estruturada. A construção do centro comercial ajudou a dinamizar a freguesia? O Dolce Vita Tejo é considerado o maior Centro Comercial da Península Ibérica, é o nosso maior empregador e, como referi, o nosso ex-líbris. Foi um investimento que veio trazer muito dinamismo e criar emprego para a população local. Por outro lado, a construção do IC16 cortou-nos a relação direta à parte norte do concelho. Somos uma freguesia com 2,8 Km² mas para nos deslocarmos do centro da freguesia para o Centro Comercial fazemos cerca de 4 quilómetros. Futuramente contamos receber, na área circundante da superfície comercial, investimentos de comércio, serviço e habitacionais tornando-se numa zona de desenvolvimento económico da freguesia.

A criação de uma nova zona comercial/industrial é um objetivo? O concelho da Amadora já tem uma zona industrial fortemente habilitada, a Venda Nova, que está, neste momento, em reabilitação para albergar indústrias não poluentes. Estamos inseridos num concelho com 24Km² e devido a essa limitação de espaço, não podemos ter a pretensão de criar uma nova zona industrial, mas sim um polo de comércio e serviços. A nossa localização é apetecível devido aos acessos privilegiados à rede viária, uma vez que somos servidos pela rede do metropolitano e pela rede da CP. A rede viária interna satisfaz as necessidades da população? Há uma necessidade premente de reestruturar a mobilidade interna dentro da fre-

A Câmara Municipal da Amadora está informada desta situação? Somos parceiros privilegiados da Câmara Municipal da Amadora. O executivo mostra-se sensível a esta e outras situações que necessitam de uma intervenção conjunta e/ou a nível central. Gostava de evidenciar um projeto que temos em parceria para promover o envelhecimento ativo dos habitantes. A população da freguesia de Encosta do Sol está a envelhecer e fazemos parte de um dos concelhos mais envelhecidos do país. Tendo em conta este facto elaborámos, em parceria com a Câmara Municipal, um programa denominado “Envelhecimento Ativo” que proporciona atividades de ocupação de tempos livres, de viagens e cruzeiros para os mais aventureiros. A prioridade do seu mandato passa por reformular a rede de transportes da freguesia? A reestruturação da rede de transportes local é uma das prioridades do meu mandato. Construir infraestruturas de apoio à população é uma prioridade, mas também é preciso criar condições para que a população as utilize. O Fórum Luís de Camões foi um grande investimento e como costumo dizer: foi construído em betão, mas é aquecido pela população. O mercado municipal é um ponto de encontro e de comércio essencial para os nossos fregueses e já temos um projeto de reconversão deste espaço a iniciar em janeiro de 2017. A minha equipa cedo percebeu que não basta construir edifícios também temos de os humanizar!


Responsabilidade Social

Polopique

Polopique: crescer com responsabilidade social O que pode fazer um mundo melhor? A conjugação de intenções individuais positivas e a consciência de uma responsabilidade social das empresas espelha, sem dúvida, um forte contributo para tal. No passado dia 8 de novembro de 2016, uma sessão solene de assinatura de protocolos formalizou uma parceria da FORAVE com o Grupo Polopique que assumiu o financiamento integral, de cerca de 300 mil euros, de uma turma de Manutenção Industrial para o triénio 2016/2019.

A turma de Manutenção Industrial 2016/2019 está em pleno funcionamento, concretizando os anseios de formação de 24 jovens que ficarão assim possibilitados de suprir a necessidade e a vontade de recrutamento de recursos humanos habilitados por parte do Grupo Polopique. Sedeado em Santo Tirso, o Grupo Polopique conta com 1050 colaboradores que laboram atendendo a exigências rigorosas de qualidade no âmbito têxtil. É principal cliente do Grupo Polopique a Inditex, com, entre outras, as suas marcas Pull&Bear, Massimo Dutti, Oysho, Zara Home e Bershka. Fundada em 1996, o crescimento rápido e consequente posicionamento de estabilidade no mercado da Polopique reporta-se sobremaneira à sua visão responsável, depois de constatadas as realidades e caracteristicas do setor têxtil a nível nacional e global e à sua ligação a grandes grupos de distribuição. O crescimento do Grupo Polopique foi, portanto, sustentável. Ao mesmo tempo que associou na sua marca peculiares procedimentos rigorosos e um acentuado dinamismo.

Isabel Carneiro, Diretora-Geral do Grupo Polopique

Isabel Carneiro, Diretora-Geral do Grupo Polopique, refere pertinentemente: “Ao fazermos, no decorrer dos últimos anos, um investimento de 50 milhoes de euros motivados pela convicção do valor das questões tecnológicas e da inovação, estabelecemos como prioridade a formação e qualificação dos trabalhadores. Este objectivo é, para nós, essencial. É olhar o futuro e projetá-lo”. O entusiasmo sentido nas palavras de Isabel Carneiro enquadra-se num desafio colocado ao Grupo Polopique de que a Diretora-Geral também nos fala: “os procedimentos rigorosos e a excelência a que nos comprometemos, demandam uma especial atenção aos recursos humanos. Criaram-se e criam-se áreas técnicas que exigem trabalhadores qualificados. Exemplificando, sendo o grupo Inditex o nosso maior cliente, temos de encarar a necessidade de prestar formação na língua espa-

nhola. Essa necessidade específica torna-se para nós importante e constante, tal como o incremento da formação em competências de tecnologia, nomeadamente de comunicação, de gestão de qualidade, em HST, em tudo que envolva trabalho em equipa. Os colaboradores do Grupo Polopique, individualmente e em equipa, têm de se articular com o alto grau de qualificação que acompanhe os parâmetros de trabalho no século XXI”, Novos tempos, novos desafios colocam-se num contínuo que convoca o Grupo Palopique para uma enérgica ação. O know-how adquirido pelos colaboradores pressupõe uma passagem de testemunho geracional que tem de ser prevista, programada. O Grupo Palopique, tendo alcançado em 2016 o já referido número de 1050 trabalhadores, insere-se em dinâmicas sociais e negociais em que, reconhecidamente, se torna necessário

projetar o futuro. Um zoom no Vale do Ave destaca a importância local do Grupo Polopique, com o seu já referido grande número de trabalhadores e o saliente peso social e económico na região. Isabel Carneiro sentira essa responsabilidade mas quando sobre isso lhe falamos lembra-nos que a Polopique agrega a preocupação e a responsabilidade social ao seu espírito de empreendedorismo e a paixão pelo sector têxtil. Preocupacoes sociais estão também no âmago da FORAVE – Associação para a Educação do Vale do Ave, escola profissional particular localizada em Vila Nova de Famalicão, outro concelho industrializado da região do Vale do Ave. A FORAVE foi fundada em 1990 e tem como objetivo principal a formação de cidadãos para a vida profissional e de adultos que almejam adquirir e melhorar competências nas áreas de Gestão da Produção, Manutenção Industrial, Eletrónica e Automação e Controlo da Qualidade Alimentar. Várias naves industriais e imensos equipamentos e máquinas industriais trabalham sem parar na Polopique e a produção tem de chegar aos seus destinos. Depreende-se a necessidade de formar devidamente técnicos de Manutenção industrial, o que se torna imprescindível ao constatar o crescimento do Grupo Polopique na última década. Atente-se que o crescimento do Grupo Polopique esteve em contraciclo com a crise do sector têxtil e com o ceticismo na sobrevivência desse sector. Preocupações e vontades juntaram o Grupo Palopique e a FORAVE, conduzindo ao momento da assinatura do protocolo entre as duas entidades. A formação foi planificada de modo a que envolva uma real junção de sinergias entre a FORAVE e a Polopique, com esta a disponibilizar as suas instalações para a dinamização de ações formativas. Sinergias que prosseguirão, reconhece Isabel Carneiro: ”O Grupo Polopique vai acompanhar a progressão dos formandos em Manutenção Industrial que, com o seu empenho, estamos certos , serão bem acolhidos no mercado nacional e internacional que os aguarda. Este protocolo constitui, pois, a concretização de um segmento estratégico da Polopique de aposta na qualificação de recursos humanos com reflexo nas assumidas responsabilidades sociais”.


Profile for País Positivo

País Positivo Nº100  

O País Postivo termina o ano de 2016 com a edição Nº100 desejando a todos os seus clientes e amigos Feliz 2017!

País Positivo Nº100  

O País Postivo termina o ano de 2016 com a edição Nº100 desejando a todos os seus clientes e amigos Feliz 2017!

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