Sou uma pessoa extremamente clássica, tradicional, apegada ao passado, a maioria chamaria de quadrada mesmo! Àquela locomotiva a vapor, lenta, mas com seu charme antigo... não, não, já me ensinaram que agora é vintage! Não à toa, adoro. Carros, móveis, roupas, objetos, adoro todos. O dicionário Priberam informa-nos que a palavra vintage, é uma palavra inglesa cujo significado estava relacionado à enologia, dizia-se do vinho fino de uma só colheita, produzido em ano com safra de reconhecida qualidade, com características organolépticas excepcionais, retinto, encorpado, de aroma e paladar muito finos e reconhecido como tal pelo Instituto de Vinho do Porto. Vocábulo este agora aplicado ao produto antigo de qualidade reconhecida como mobiliário, sapatos e outros. No entanto, na ocasião de relançamento do fusca pelo Itamar, meu Deus, que desespero! O vintage tem uma razão de ser, é aquela peça antiga, clássica, bem cuidada ou não, mas essencialmente antiga. Já o pretensamente novo com cara de antigo só me soa a algo falsificado, dissimulado ou o que é pior ilegítimo. Me sinto da mesma forma em relação ao impeachment, relembrando: de acordo com o dicionário, palavra também de origem inglesa, significa o ato ou processo legal que pretende a destituição de um indivíduo de um cargo governativo. Parece um sonho louco de Alice, num segundo País das Maravilhas, será? Seria a Rainha de Copas filiada ao PMDB! A volta dos que não foram, me lembra também do conceito filosófico da lei do eterno retorno, tudo há de retornar na mesma ordem e sequência, o bem e o mal, a dor e o prazer. E isso pode nos levar ainda ao Freud, instinto de vida e de morte, prazer e sofrimento. Dessa forma, resta-nos aprender com as situações? Manejar o id e o superego, manter o equilíbrio do ego! Vou manejando mantendo minha paixão e passatempo com o vintage, sem me deixar levar por aquilo que não é. Tudo há de retornar. Do pó vieste e ao pó retornarás! Érica Flávio Cardoso é psicóloga e professora universitária.
Kalango#24 • 2016
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