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Opiniões

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www.RevistaOpinioes.com.br ISSN: 2177-6504

FLORESTAL: celulose, papel, carvão, siderurgia, painéis e madeira ano 17 • número 61• Divisão F • set-out-nov 2020

a defesa do sistema florestal


instruçþes IMPORTANTE • IMPORTANT • WICHTIG • First of all, before any action, please touch in the flag of your language. • Tout d'abord, avant toute action, veuillez toucher le drapeau de votre langue. • Primero, antes de realizar cualquier acción, toque la bandera de su idioma. • Bitte berßhren sie vor jeder aktion die flagge ihrer sprache. • Para que obtenha o melhor aproveitamento dos recursos que a Plataforma Digital Multimídia da Revista Opiniþes pode lhe oferecer, solicitamos que assista ao video abaixo. Nele estão contidos alguns recursos que lhe serão úteis neste momento. Ao acionar o play, o video abaixo serå iniciado. Ao chegar no final, o video das instruçþes serå iniciado novamente, para encerra-lo acione o Play e ligue o som do video ao lado. Assista ao show.

Plataforma Digital MultimĂ­dia da Revista OpiniĂľes

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índice INCÊNDIO FLORESTAL: 12. JozÊbio Esteves Gomes, Eldorado 16. Clayton Alcarde Alvares, Suzano 20. Paulo Cesar Sentelhas, Esalq-USP 24. Elvis Felipe Elli, Iowa State University, USA 28. Flavio Justino, UF-Viçosa 30. Luiz Carlos Baldicero Molion, UF-Alagoas PRAGA FORMIGA: 34. Luiz Eugênio Pedro de Freitas, Abraisca 36. Luiz Carlos Forti, FCA-Unesp-Botucatu 40. Rafaela Freitas Pavani, Ibå 42. Daniela Andrade Neves de Rezende, Duratex 46. Júlio SÊrgio de Britto, Compliance PRAGAS E DOENÇAS: 50. Rafael A S Tiburcio e Marlon M A Moreira Neto, Veracel 52. Reginaldo Gonçalves Mafia, Suzano 56. Willian Bucker Moraes, UF-Espirito Santo PLANTAS DANINHAS: 60. Fernando Palha Leite, Cenibra 64. Rudolf Woch, Apoiotec 68. Edival A V Zauza e Edmilson B Loureiro, Suzano PERDAS E DANOS: 70. Sharlles C M Dias e Luciano F N Ramos, Eldorado 72. Alexandre Coutinho Vianna Lima, MIP Florestal

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ĂĄudios

Sua prĂłxima viagem de carro

Na sua próxima viagem de carro, pegue seu celular, entre no site da Revista Opiniþes, escolha a edição recente desejada, folheie atÊ esta pågina, ligue o rådio do seu carro, toque na foto do autor escolhido e ouça o primeiro artigo pelos controles do rådio do seu carro. Quando terminar, toque no segundo autor e assim por diante. Quando chegar no seu destino, provavelmente terå ouvido toda a revista. Se desejar ouvir o artigo numa outra língua, lido com voz nativa, localize o artigo desejado e toque na bandeira da língua que preferir. AlÊm do português brasileiro, estão à sua disposição os åudios do português de Portugal, o inglês, o espanhol, o francês e o alemão. Pelo fato do artigo ser traduzido e lido por robôs, poderå haver pequenas imperfeiçþes. Certo Ê que você não precisa viajar para desfrutar desse conforto, ele tambÊm funcionarå na sua mesa de trabalho, andando no parque, na esteira da academia, nas ruas congestionadas da cidade grande ou no sofå da sua Casa. Boa leitura ou audição, como preferir. 01. JozÊbio Esteves Gomes, Eldorado 02. Clayton Alcarde Alvares, Suzano 03. Paulo Cesar Sentelhas, Esalq-USP 04. Elvis Felipe Elli, Iowa State University, USA 05. Flavio Justino, UF-Viçosa 06. Luiz Carlos Baldicero Molion, UF-Alagoas 07. Luiz Eugênio Pedro de Freitas, Abraisca 08. Luiz Carlos Forti, FCA-Unesp-Botucatu 09. Rafaela Freitas Pavani, Ibå 10. Daniela Andrade Neves de Rezende, Duratex 11. Júlio SÊrgio de Britto, Compliance 12. Rafael A S Tiburcio e Marlon M A Moreira Neto, Veracel 13. Reginaldo Gonçalves Mafia, Suzano 14. Willian Bucker Moraes, UF-Espirito Santo 15. Fernando Palha Leite, Cenibra 16. Rudolf Woch, Apoiotec 17. Edival A V Zauza e Edmilson B Loureiro, Suzano 18. Sharlles C M Dias e Luciano F N Ramos, Eldorado 19. Alexandre Coutinho Vianna Lima, MIP Florestal

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Índice

incêndios florestais - visão do produtor de florestas

a nova era dos sistemas de proteção contra

incêndios florestais A proteção contra sinistros que possam causar danos aos ativos florestais sempre foi uma grande prioridade nas empresas de base florestal no mundo. Eventos como pragas, doenças, ventos e, principalmente, incêndios, sempre estiveram na mesa de discussão da mais alta gestão das empresas do setor florestal. E é claro que, ao longo dos anos, muita coisa evoluiu em termos de melhorias de processos, infraestrutura de proteção e comunicação, para minimizar e até mesmo evitar esses eventos. Dentre essas evoluções, destacamos os sistemas de proteção contra incêndios, os quais mudaram radicalmente o jogo a favor das empresas, principalmente no quesito detecção e localização exatas dos focos de incêndios. E saber que, há cerca de alguns poucos anos, a grande maioria das empresas utilizavam a figura do “torrista”, que era um monitor especializado em detectar incêndios por meio de visualização instrumental com goniômetros.

há sistemas que, em dias de boa visibilidade, garantem um raio de visada dos focos que estão distante em até 50 km das torres de observação. "

Jozébio Esteves Gomes Coordenador de Competitividade e Projetos Florestais da Eldorado Brasil Celulose

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As suas limitações eram evidentes, pois sabemos que, por mais que se esforçassem para ter o máximo de alcance visual, a visão humana é ainda limitada para grandes distâncias, e isso sempre refletia em uma baixa precisão das localizações exatas dos focos. Outras limitações também eram evidências quando se utilizava o monitoramento e a detecção por meio dos “torristas”, como limitação de altura de torre e período útil de trabalho, sendo esse último impossível de ser realizado à noite. Fatores também relacionados à segurança sempre foram de extrema preocupação das empresas de base florestal para essa atividade com utilização do monitoramento manual.


Opiniþes Mas Ê das limitaçþes que surgem os maiores saltos de inovaçþes tecnológicas, e não poderia ser diferente para os sistemas de proteção contra incêndios das empresas de base florestal. Aproveitar-se da Quarta Revolução Industrial e capturar as sinergias para o ambiente florestal Ê o novo caminho para tornar as empresas mais competitivas e protegidas contra os eventos ofensores da cadeia produtiva florestal. E foi nesse caminho que seguiu a reinvenção dos sistemas de proteção contra incêndios, com processos totalmente automatizados, inteligentes e com precisão nunca vista. Hoje, grande parte das empresas possuem as suas centrais de monitoramento de incêndios integradas aos seus centros de inteligência florestal, dada a importância que ele possui frente à proteção dos seus ativos. Hoje, as centrais de monitoramento de incêndios funcionam 24 horas por dia. E elas se utilizam das mais altas tecnologias de detecçþes automåticas, com software composto por algoritmos que realizam cålculos com tamanha velocidade e precisão, que permitem que as empresas ganhem tempo em seus respectivos acionamentos de brigadas de combate aos focos de ocorrência de incêndios.

Com câmeras altamente potentes e com uma qualidade de imagens em alta resolução extraordinĂĄria, hoje ĂŠ possĂ­vel ter uma visĂŁo alĂŠm do alcance do olho humano. Para se ter ideia, hĂĄ sistemas que, em dias de boa visibilidade, garantem um raio de visada dos focos que estĂŁo distante em atĂŠ 50 km das torres de observação. E tudo isso de uma forma instantânea e com uma altĂ­ssima velocidade de transmissĂŁo de dados, que permite a visualização em tempo real. Essas facilidades trouxeram os “torristasâ€? do campo para as centrais de monitoramento, fazendo com que a visĂŁo dos ativos florestais, em tempo real, esteja a um click das suas mĂŁos diuturnamente. E esses resultados das capturas dessas sinergias dos processos de inovaçþes para o ambiente florestal sĂł estĂŁo no inĂ­cio, pois as possibilidades sĂŁo tantas, que podemos afirmar que a prĂłxima onda de mudanças jĂĄ estĂĄ batendo Ă porta, com os satĂŠlites cada vez mais inteligentes, precisos, disponĂ­veis no mercado e com uma capacidade de cobertura de grandes ĂĄreas que superam quaisquer tecnologias de monitoramentos terrestres implementadas atĂŠ hoje.

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0 Monitoramento de Incêndios por Câmeras e Sistema de Detecção Automåtica

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Ă?ndice

incêndios florestais - visão do produtor de florestas É importante que as empresas de base florestal estejam prontas para a recepção dessa segunda onda de inovação, pois jå se foi o tempo em que, para se internalizar e/ou implementar uma nova tecnologia disruptiva, eram necessårios anos de preparação para a sua adequação a dinâmicas dos processos de produção das empresas. Hoje, Ê tudo muito råpido; as tecnologias evoluem a passos largos e galopantes, não dando chances para aqueles que ainda são cÊticos de que hå sempre uma possibilidade de ser mais eficiente, produtivo e competitivo. Nesse sentido, a chegada da transformação digital nas empresas de base florestal torna inevitåvel a abertura de um novo mundo de oportunidade, novas rotinas e atÊ mesmo mudanças na forma de trabalho. Com isso, os ganhos serão imensos, e os danos às nossas florestas, sejam plantadas e/ou nativas, serão drasticamente reduzidos, com o aumento da eficåcia dos sistemas de proteção, principalmente contra os incêndios florestais. É claro que todo esse movimento requer imensas mudanças que remetem a grandes melhorias de processos e reduçþes de custo. PorÊm Ê lógico que o sucesso dessas mudanças tecnológicas estå extremamente atrelado à capacitação e ao treinamento de pessoas para os novos usos e as novas formas de trabalho, respeitando as suas peculiaridades e competên-

cias para que sejam os mais aderentes possíveis aos novos padrþes tecnológicos. Notoriamente, em todo o mundo, são perceptíveis os grandes impactos com a chegada da Quarta Revolução Industrial. Estudos de grandes universidades e renomados órgãos indicam um retorno de, aproximadamente, 10 dólares a cada 1 dólar investido em tecnologias 4.0. Mas Ê sabido que esse número pode variar de acordo com a etapa digital em que a empresa se encontra. No Brasil, por exemplo, as empresas do setor do agronegócio sempre trouxeram números muitos promissores de reduçþes de custos, aumento da produtividade e da competividade com a implementação de novas tecnologias voltadas para a automação dos processos de produção. Dessa forma, não hå motivos para não se espelhar nessas experiências, absorvendo as boas pråticas tecnológicas, jå amplamente testadas, e adaptå-las para as aplicaçþes no campo florestal. Sendo assim, inspira-se a esperança de que a empresa de base florestal continue dentro desse movimento em busca das florestas 4.0, protegidas com os mais sofisticados sistemas de proteção e defesa contra incêndios florestais, e inovando em pråticas que possam oportunizar ganhos tecnológicos e econômicos voltados às pråticas produtivas e de proteção ambiental das nossas florestas. n

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Torres de Monitoramento AutĂ´nomas com Alcance de atĂŠ 50 km de visada

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MONITORAMOS E PROTEGEMOS FLORESTAS

Contribuir para a sustentabilidade do setor florestal, desenvolvendo, implementando e operando tecnologias, com integração de recursos, visando otimização e melhoria contínua de desempenho. • CONTROLE DA QUALIDADE DAS OPERAÇÕES FLORESTAIS • SISTEMA INTEGRADO DE MONITORAMENTO E PROTEÇÃO FLORESTAL (SIPF):

P Monitoramento de formigas cortadeiras P Monitoramento de pragas e doenças ocasionais P Monitoramento de plantas daninhas P Monitoramento de ocorrências florestais (proteção, meio ambiente e aspectos sociais) P Combate a incêndios P Serviços multifuncionais de silvicultura e combate a incêndios

EQUILIBRIO PROTEÇÃO FLORESTAL Rua Luis Curiacos, Nº 109 – Sala 411 Ed. Trio By Lindenberg 13416-461 - Piracicaba - SP 19 3402 5307 • 19 2533 2879 www.equilibrioflorestal.com.br

TECNOLOGIA E ESTRATÉGIA NO COMBATE A INCÊNDIOS

Equipamentos de alto desempenho para equipar veículos leves e ou multifuncionais, proporcionando maior eficiência no uso da água

P Praticidade de Operação P Economia de água e combustível P Maior mobilidade e agilidade P Multifuncionalidade com otimização de recursos P Redução do tempo entre detecção do foco de incêndio e início do combate P Redução de danos P Confiabilidade e Experiência

EQUILIBRIO EQUIPAMENTOS DE PROTECAO AMBIENTAL Rua N S de Fátima, 511 - Paulicéia 13424-230 - Piracicaba - SP 19 3434-0826 www.equilibrioepa.com.br


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Índice

incêndios florestais - visão do produtor de florestas

cenários climáticos futuros As mudanças dos padrões do clima constituem uma das principais preocupações atuais, uma vez que afetam vários fatores ligados à proteção dos plantios e, de forma ainda mais direta, a produtividade florestal. Desse modo, torna-se muito importante entender como será o clima futuro, bem como se existe uma forma de tornar isso mais previsível, para que medidas mitigadoras possam ser tomadas em tempo. Logicamente, essas não são tarefas simples, porém, com base em metodologia científica mais atualizada, buscou-se embasar alguns cenários futuros para reflexão. O primeiro passo para o nosso trabalho foi definir quais projeções utilizar sobre o clima futuro. Para isso, usamos projeções de dois Modelos Climáticos Globais (MCG), o HadGEM2-ES (UK Met Office Hadley Centre Global Environmental) e o MIROC5 (Japan Agency for Marine-Earth Science and Technology), ambos fornecidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Os GCM são ferramentas disponíveis para projetar o clima no futuro, com base em processos biofísicos de transferência de energia de materiais dos componentes atmosféricos por meio do sistema climático. Os modelos simulam o clima desde o período pré-industrial, usando os níveis anteriores de concentração de gases de efeito estufa (GEE). Essas simulações atingem o clima atual aumentando as concentrações até os níveis observados de GEE atuais, e, em seguida, os modelos projetam, no clima futuro, as concentrações de gases de acordo com o cenário prescrito. Para reduzir os vieses aleatórios de ambos os MCG, nós usamos a abordagem conjunta multimodelo (ensemble approach) nas análises dessa comunicação. No Intergovernmental Panel on Climate Change - IPCC AR5 (IPCC, 2013), as concentrações de GEE foram baseadas em quatro cenários, as chamadas Representative Concentration Pathways (RCP): RCP2.6, RCP4.5, RCP6.0 e RCP8.5. Tais números referem-se às forçantes radiativas, 2,6; 4,5; 6,0 e 8,5 Wm-2, respectivamente, e que poderiam ser alcançadas no final do século 21 e seriam causadas pelo aumento das concentrações globais de GEE. Essas forçantes radiativas são usadas nos MCG como uma proxy para os cenários de comportamento socioeconômico e ambiental futuros de longo prazo.

É esperado que os climas áridos avancem sobre os tropicais, e estes, sobre os subtropicais, em intensidade moderada a rápida, a depender dos cenários de concentração dos GEE. "

Clayton Alcarde Alvares Gerente de P&D de Metadados de Modelagem Ecológica da Suzano Papel e Celulose


Opiniões Nas análises dessa comunicação, vamos apresentar apenas os resultados para os cenários RPC4.5 e RCP 8.5. O primeiro cenário é considerado moderadamente otimista, enquanto o segundo é o mais pessimista, pois adota taxas de emissão de GEE muito elevadas. Precisamos entender clima como uma média de longo prazo das condições meteorológicas de 30 anos consecutivos de uma determinada localidade. Por exemplo, a média e a distribuição mensal da temperatura e a precipitação de uma região são componentes-chave do estado geral do sistema climático naquele local. Portanto um sistema de classificação climática bem definido, e que pode ser, ao mesmo tempo, simples, relevante e facilmente replicável, é uma excelente ferramenta de benchmark para detectar e monitorar as mudanças climáticas ao longo do tempo. O sistema Köppen, por atender a essas premissas, continua sendo a classificação climática mais utilizada até hoje. Desse modo, muitos cientistas têm usado esse sistema com sucesso para identificar os tipos de clima e rastrear as mudanças climáticas em escalas regionais e globais (Köppen's climate classification map for Brazil, Alvares et al., 2013). Nós sumarizamos as projeções futuras em três períodos (2011-2040, 2041-2070 e 2071-2099) para classificá-las conforme os critérios de Köppen, além do período presente (baseline, 1961-1990). Posteriormente, utilizamos os mapas de localização dos plantios florestais. Como sabemos, mapas de plantações florestais, separados de florestas naturais, estão disponíveis para alguns poucos estados brasileiros. As culturas florestais e suas espécies identificadas com alta confiança nesses esforços de mapeamento de florestas plantadas ainda são um desafio. Convergindo para resolver esses problemas de informações cadastrais básicas para a ciência aplicada, o projeto Spatial Database of Planted Trees (SDPT) conduziu um amplo trabalho de compilação, sintetização e harmonização de mapas nacionais de florestas plantadas em um mapa global (Harris et al., 2019). Nas análises dessa comunicação, os layers de Eucalyptus (5.490.594 ha) e Pinus (2.137.492 ha) do SDPT foram usados para avaliar como a mudança climática deve afetar essas culturas florestais atuais no Brasil. São esperadas mudanças climáticas acentuadas nas regiões das atuais plantações de Eucalyptus no País, aumentando as condições tropicais, de 19,5% para 45% (RCP4.5) a 59,4% (RCP8.5) em 2071-2099. Os climas semiáridos aumentariam de 0,1% para 7%.

Por outro lado, nas plantações em regiões subtropicais, são esperadas uma redução drástica de 80,3% (1961-1990) para 52,6% (RCP4.5) e 33,5% (RCP8.5), até 2071-2099. Nas áreas de Pinus, as mudanças climáticas poderão ser também importantes. Atualmente, as plantações estão 98,7% em regiões subtropicais e 1,3% em tropicais. Em 2071-2099, são esperados aumentos das condições tropicais de 6,8% a 21,5% e redução das condições subtropicais para 93,1% a 78,3%, respectivamente os cenários RCP4.5 e RCP8.5. É importante destacar que são esperadas trade-off dos principais climas subtropicais, forte aumento de Cfa (verão quente) e grande redução de Cfb (verão ameno). Essas fortes mudanças climáticas nas culturas florestais desses gêneros estão relacionadas, em parte, com a regiões tradicionais (subtropicais) e de expansão (tropicais) do Eucalyptus e Pinus. Resumidamente, no Brasil, os climas tropicais se mantêm em torno de 80% do País, mas vemos redução dos tropicais úmidos (Af e Am) e aumento de área nos secos (Aw e As) em todos os períodos e cenários. Os modelos mostram aumento significativo de climas semiáridos (BSh) e áridos (BWh), de 6,5% (1961-1990) para 17,5% (2071-2099 RCP8.5) do País. Os resultados mostram que as atuais regiões subtropicais (Cfa, Cfb, Cwa e Cwb) serão muito afetadas, reduzindo dos atuais 15,5% para 8,4% (RCP4.5) e 6.1% (RCP8.5) em 2071-2099. Sucintamente, é esperado que os climas áridos avancem sobre os tropicais, e estes, sobre os subtropicais, em intensidade moderada a rápida, a depender dos cenários de concentração dos GEE. Conforme já podemos perceber, o efeito das mudanças climáticas estão sendo percebidos por meio de veranicos e ondas de calor cada vez mais severas, temperatura média mais elevada a cada ano, déficit hídrico do solo mais prolongado, redução do total anual de chuva em algumas regiões, ciclos hidrológicos mais curtos (relacionados com ENSO) e distribuição de chuvas mais típica de monções. Todas essas variações do clima causam maiores ocorrências de incêndios florestais, desequilíbrios ambientais e surtos de pragas e doenças; em casos mais severos, mortalidades de árvores. Esses são alguns dos eventos que causaram a estagnação da produtividade florestal na última década. Desse modo, torna-se preciso dar mais atenção para algumas medidas, principalmente para desenvolver uma floresta mais resiliente, além de desenvolver conceitos e tecnologias mais eficientes para a proteção da floresta do futuro. n

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Soluções integradas para o combate a incêndios florestais


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Índice

incêndios florestais - visão da academia

os riscos de incêndios florestais Proteção florestal é a área que estuda vários aspectos relacionados ao cultivo florestal, dentre os quais os incêndios florestais. O incêndio florestal é a ocorrência de fogo em áreas florestais, podendo ser em áreas com vegetação nativa ou em plantações de espécies florestais de interesse econômico, como eucalipto, pínus, teca, entre outras. A ocorrência de fogo em áreas florestais se dá por diferentes causas, sendo essas de ordem naturais, principalmente causada por raios, ou ação humana, classificada como acidental ou criminosa. Os incêndios florestais têm uma grande importância em função dos graves prejuízos resultantes de suas ocorrências, seja em florestas nativas ou plantadas. Nas áreas nativas, os incêndios promovem prejuízos ambientais imensuráveis, já que, além de promover graves danos à biodiversidade vegetal, ainda afeta os animais silvestres e as populações que habitam essas áreas.

Os incêndios florestais têm uma grande importância em função dos graves prejuízos resultantes de suas ocorrências, seja em florestas nativas ou plantadas. "

Paulo Cesar Sentelhas Professor de Agrometeorologia da Esalq-USP

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No caso da ocorrência de incêndios em florestas plantadas, os prejuízos são basicamente econômicos e sociais, já que plantações afetadas pelo fogo perdem, na maioria dos casos, seu valor econômico, afetando toda a cadeia produtiva da espécie de interesse e, consequentemente, os empregos gerados no setor florestal. Além disso, a queima das florestas nativas e plantadas, em todo o mundo, especialmente na costa oeste do Estados Unidos, na Austrália, no Ártico siberiano, na Europa Ocidental, na África Equatorial e no Brasil, contribuem expressivamente para a emissão de CO2 e, assim, para o processo de aquecimento global, já que esse gás de efeito estufa altera o balanço de ondas longas da Terra.


Opiniões O uso do fogo como prática agrícola e florestal, mais conhecido como queimada, é um tema controverso e mal compreendido em alguns casos, como destaca Alvares et al (2014). Segundo esses autores, se, por um lado, os incêndios causam grandes impactos no ambiente, por outro, a queimada, quando usada de forma controlada, pode ser uma ferramenta útil. Apesar disso, o uso do fogo como atividade agrícola e florestal, cada vez mais, vem sendo evitado em razão de seus impactos, especialmente, na qualidade do ar, a não ser em casos muito específicos, onde a lei ainda possibilita seu uso, como em áreas cultivadas com cana-de-açúcar, em que a colheita mecanizada não é possível. Nesses casos, deve haver um plano de manejo, o qual tem que ser protocolado e aprovado, de acordo com o Código Florestal Brasileiro, junto aos órgãos ambientais no nível estadual. Relato apresentado por Alvares et al indica que os incêndios florestais, há muito tempo, são uma grande preocupação no Brasil; porém o tema ganhou mais destaque a partir dos graves incêndios ocorridos no inverno de 1963, ano em que geadas, seguidas de seca intensa, propiciaram condições extremamente favoráveis à ocorrência de incêndios no Centro-Sul do Brasil, especialmente no estado do Paraná, onde mais de dois milhões de hectares de florestas nativas e plantadas foram consumidos pelo fogo. A partir dessa ocorrência, iniciaram-se os primeiros estudos sobre riscos de incêndios

no Brasil, com a introdução de índices para seu monitoramento, os quais tiveram como base os estudos pioneiros realizados no Canadá e nos Estados Unidos, na década de 1930. Atualmente, o Brasil sofre com incêndios, tanto em área de florestas nativas como de florestas plantadas. Se, por um lado, a ocorrência de incêndios em áreas nativas é um problema a ser monitorado e solucionado pelos órgãos governamentais competentes, por outro, os incêndios em plantações florestais devem ser monitorados e controlados pelos produtores e empresas do setor florestal. Nessas áreas, os incêndios variam entre locais e anos, sendo o principal fator de suas ocorrências as condições meteorológicas. Dentre as condições meteorológicas que mais afetam os incêndios florestais, as altas temperaturas, a baixa umidade relativa do ar, a ausência prolongada de chuvas e a intensa velocidade do vento são as principais. Assim, quanto mais longo o período seco do ano e menor a latitude do local, mais favoráveis serão as condições meteorológicas para a ocorrência de incêndios. No Brasil, os incêndios em florestas plantadas se concentram nas áreas produtoras das regiões Centro-Oeste, Sudeste, Nordeste e Norte, onde o período seco do ano, que pode durar de quatro a oito meses, leva à ocorrência de altas temperaturas (> 35 oC) e de baixíssima umidade relativa do ar (< 30%), tornando a matéria vegetal altamente inflamável, o que facilita a combustão

1. RISCO DE INCÊNDIO FLORESTAL - REGIÃO BRASILIA, DF • 1994-2020 • AGRYMAX-AGRIMET ANOS 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020

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MUITO ALTO RISCO

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PREVISÃO DE 30 DIAS

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Índice

incêndios florestais - visão da academia em casos de raios, queimadas descontroladas ou ações criminosas. Além disso, a velocidade do vento auxilia na manutenção e propagação dos incêndios. Apesar de, atualmente, existirem diversas formas de monitoramento de incêndios, desde índices que avaliam o risco de fogo, com base em condições meteorológicas, até o uso de sensoriamento remoto para identificação de focos de calor e de áreas com presença de fogo, não há uma técnica padrão para monitoramento e controle dos incêndios. No setor florestal brasileiro, ambas as técnicas vêm sendo empregadas com êxito, sendo a primeira para indicar o risco e definir estratégias de minimização dos incêndios, enquanto a segunda é mais empregada para identificar as áreas com fogo, de modo a deslocar a brigada antifogo para as áreas incendiadas. No caso dos índices de risco, o mais empregado vem sendo o índice de Monte Alegre, índice acumulativo que indica o risco de incêndio florestal com base na umidade relativa, às 13h, e na ocorrência de chuvas (fator atenuador do risco). Esse índice foi desenvolvido, testado e validado para a região de Telêmaco Borba, PR, por Soares (1972), e vem sendo amplamente testado e utilizado, desde então, em todo o Brasil, com excelentes resultados.

Dada sua aplicabilidade e importância, o índice de Monte Alegre, baseado exclusivamente nas condições meteorológicas, vem sendo utilizado operacionalmente em sistema de monitoramento agrometeorológico, como o apresentado abaixo e extraído do sistema Agrymax. Esse sistema monitora as condições de risco de incêndios florestais em todo o Brasil, com um ponto a cada 25 km, sendo atualizado diariamente e contando com a previsão desse risco para os próximos 30 dias. Na Figura 1, são apresentados os riscos de incêndio decendiais, porém calculados na escala diária, na região de Brasília, DF, para a série histórica de 1994 a 2020, mostrando claramente as variabilidades sazonais e interanuais do risco de incêndio. Além disso, o sistema Agrymax disponibiliza, para cada dia dessa série histórica, um mapa mostrando o risco de incêndio em todo o Brasil (Figura 2), o que possibilita identificar sua variação espacial. Diante da crescente pressão da sociedade e de órgãos ambientais brasileiros e internacionais sobre as atividades agrícolas e florestais, o monitoramento e o controle dos incêndios florestais devem ser, cada vez mais, efetivo, de modo a garantir a sustentabilidade das atividades do setor, minimizando os impactos no ambiente e maximizando as produtividades. n

2. RISCO DE INCÊNDIO FLORESTAL PARA O BRASIL DIA 28-OUT-2020

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Opiniões

AGRYMAX-AGRIMET


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Índice

incêndios florestais - visão da academia

as mudanças climáticas e a

produtividade do eucalipto

O clima exerce papel fundamental na definição do potencial produtivo das plantações de eucalipto no Brasil. Preocupações sobre o efeito das mudanças climáticas sobre a produtividade florestal têm ganhado, cada vez mais, importância, o que torna necessário o conhecimento dos possíveis efeitos dessas mudanças sobre o crescimento e a produtividade da cultura do eucalipto. Primeiramente, é interessante esclarecer dois importantes conceitos nessa temática: a variabilidade e as mudanças climáticas. A variabilidade climática consiste na variação das condições meteorológicas em torno de sua média ao longo do tempo, o que é natural e acontece em todas as regiões brasileiras, umas com maior intensidade do que outras. As mudanças climáticas consistem na alteração média de uma determinada variável climática, considerando-se um período mais longo, geralmente de, pelo menos, 30 anos de dados meteorológicos. Por exemplo, aumentos de aproximadamente 1 °C na temperatura média global têm sido observados desde a era pré-industrial. Se a atual taxa de aumento persistir, a previsão é que essa alteração média atinja 1,5 °C em 2040. A explicação mais provável para esse aumento é a emissão excessiva de gases do efeito estuda, como por exemplo, o CO2. A concentração atmosférica de CO2 tem aumentado de 280 ppm, na era pré-industrial, para 408 ppm, na atualidade, com projeção de aumento, nos próximos anos, a uma taxa de aproximadamente 2 ppm/ ano. Projeções também demonstram variações nos padrões de chuva, mas a incerteza na projeção dessa variável ainda é bastante expressiva.

Alguns estudos demonstram aumentos na frequência de eventos climáticos extremos, como queimadas, tempestades de vento, ondas de calor e secas severas. Afinal, quais são as implicações de tudo isso sobre a produtividade do eucalipto no Brasil? Para responder a essa pergunta, é interessante analisar quais são as principais respostas ecofisiológicas da cultura em função das mudanças climáticas. A temperatura do ar exerce papel fundamental em inúmeros processos vitais e na atividade metabólica dos vegetais. Além disso, os genótipos de eucalipto apresentam distintas respostas de crescimento e desenvolvimento à temperatura. Com isso, a caracterização detalhada dos genótipos mais cultivados atualmente, quanto às suas temperaturas cardinais e respectivas faixas ótimas para crescimento, é e será uma informação valiosa para a escolha do material genético mais adequado, de acordo com a condição climática futura. Outro grande efeito indireto da temperatura está relacionado à demanda evaporativa atmosférica. Maiores temperaturas levam ao aumento da evapotranspiração potencial, podendo aumentar o déficit hídrico da cultura. Porém, nessa mesma linha de raciocínio, devemos considerar os efeitos do CO2 sobre a fisiologia do eucalipto. Estudos demonstram que maiores concentrações de CO2 podem aumentar a resistência estomática, reduzindo a transpiração e aumentando a eficiência do uso da água. Além disso, maiores níveis de CO2 tendem a aumentar a taxa fotossintética e, consequentemente, a eficiência do uso da radiação solar (EUR) dessa cultura.

muitas vezes, grande atenção é dada ao tema “mudanças climáticas”, e deixamos de lado a análise mais detalhada dos efeitos da variabilidade climática (atual). "

Elvis Felipe Elli

Pós-doutorando em Modelagem de Sistemas Agrícolas da Iowa State University, USA


Opiniões Outros estudos demonstram uma leve redução da área foliar específica (cm2 de folha/ grama de folha), o que pode reduzir o índice de área foliar e, consequentemente, o consumo de água, sem necessariamente reduzir a produção de biomassa (caso seja considerada verdadeira a premissa anterior, de que a EUR irá aumentar). Então, qual será a resposta produtiva das plantações de eucalipto frente às mudanças climáticas? A partir de todos esses fatores supramencionados (e outros ainda pouco elucidados), podemos inferir que isso irá depender da interação entre todos eles e, portanto, será altamente “site-específica”. Devido à grande complexidade dessas interações e ao custo para a condução de experimentos que considerem condições de mudanças climáticas (especialmente enriquecimento por CO2 a nível de campo), uma das principais ferramentas atualmente utilizadas para avaliar o efeito de cenários climáticos futuros sobre a produtividade são os modelos de simulação de culturas. Tais modelos consideram condições do clima, solo, manejo e a genética da cultura, bem como suas interações, para gerar estimações robustas de produtividade. Da mesma forma, modelos climáticos de circulação geral são utilizados para gerar cenários climáticos futuros, os quais são acoplados aos modelos de simulação de culturas para predizer a produtividade futura. Utilizando essa abordagem, estudos recentes têm sugerido potenciais aumentos da produtividade da cultura nas regiões Sul e Sudeste e uma redução produtiva no Centro-Norte do País, conforme quadro em destaque.

As projeções climáticas indicam aumento da temperatura média anual em todo o território e para os todos cenários futuros, bem como variações regionais da chuva anual acumulada. Apesar dessa abordagem trazer informações importantes, que podem auxiliar no planejamento no longo prazo, devemos ter em mente todas as incertezas presentes nessas simulações. Impossível falar sobre projeções de mudanças climáticas sem falar de incertezas. Tais incertezas podem ser oriundas tanto das projeções do clima (especialmente para a chuva) quanto das simulações de produtividade. Além disso, os genótipos podem apresentar respostas distintas ao aumento da concentração de CO2, e os modelos de simulação, atualmente, não apresentam parametrizações específicas para cada genótipo. A grande lição aprendida com essa abordagem é que devemos utilizar tais resultados para “facilitar” a exploração de potenciais estratégias de adaptação às mudanças climáticas, mas devemos ter cautela ao utilizá-los para tomada de decisão, especialmente em escala local. Existem diversas estratégias adaptativas, com o intuito de minimizar os potenciais impactos negativos das mudanças climáticas sobre as plantações de eucalipto. Uma das principais é a estratégia genética. A escolha de genótipos com certa tolerância a altas temperaturas e a déficits hídricos severos será de grande importância no contexto de cenários climáticos futuros. Não podemos esquecer o manejo. Analisando-se conjuntamente estudos recentes sobre eficiência de manejo e impactos de mudanças climáticas sobre as plantações de eucalipto, pode-se observar que, em alguns casos, uma leve melhoria no nível de manejo é o suficiente para “compensar” os impactos negativos das mudanças climáticas sobre a produtividade. Fertilização adequada, ajuste de espaçamento de plantio e práticas conservacionistas de solo, visando a maior infiltração de água, a maior profundidade efetiva do sistema radicular e a aumento da capacidade de água disponível, são alguns exemplos de estratégias de manejo promissoras. Por fim, muitas vezes, grande atenção é dada ao tema “mudanças climáticas”, e deixamos de lado a análise mais detalhada dos efeitos da variabilidade climática (atual). Entender melhor os efeitos dessa variabilidade sobre a produtividade pode nos dar informações mais precisas e úteis para a tomada de decisão a curto prazo e, ainda por cima, nos trazer percepções valiosas para lidar melhor com as condições climáticas futuras frente à produção florestal. n

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BEM VINDO AO FUTURO DO PLANTIO FLORESTAL NO BRASIL.


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incêndios florestais - visão da academia

impactos da escassez hídrica e do fogo no setor florestal A evolução social que incorpora o apogeu e o declínio de povos antigos foi afetada enormemente por variações climáticas de curto prazo, que, em sua maioria, esteve relacionada a secas severas e duradouras. Apesar do avanço tecnológico no que tange à melhoria na qualidade do monitoramento ambiental, na coleta de dados e medidas mitigatórias, problemas ainda persistem devido à influencia das variáveis climáticas, em particular temperatura e precipitação, como indutoras de sérios prejuízos e perdas econômicas, que, em várias situações, ceifam vidas humanas. Eventos secundários, mas não menos importantes, são influenciados pelas mudanças no clima, como as queimadas. Queimadas são a segunda maior causa de emissões de gases produtores do efeito estufa no Brasil, sendo a atividade humana o seu maior responsável. Os incêndios em vegetação são responsáveis por perda de biodiversidade, empobrecimento e mudanças no uso do solo e, subsequentemente, por meio de mecanismos de retroalimentação, levam a secas mais frequentes e temperaturas extremas, impactando fortemente o setor florestal. Entre os setores econômicos, o florestal está entre os mais impactados por eventos anômalos de tempo e clima. Apesar do avanço tecnológico do setor, no que tange à melhoria na qualidade da madeira e no aumento na produtividade, problemas ainda persistem devido à influência das variáveis climáticas, em particular temperatura e precipitação, como indutoras de sérios prejuízos logísticos e perdas econômicas. Portanto é fundamental o entendimento das características climáticas das regiões

produtoras, a partir de estudos climáticos de alta resolução espacial e temporal. É importante notar que, em adição a disponibilidade de água no solo, flutuações na amplitude térmica e eventos extremos consecutivos de altas temperaturas têm sido associados a respostas altamente variáveis entre as espécies florestais, que, em grande parte, ainda não foram bem quantificadas. Por exemplo, as figuras em destaque mostram que a maior parte do Brasil tem sido afetada por menores valores na precipitação, número maior de dias consecutivos secos e menos dias úmidos (áreas em amarelo) e aumento de temperatura. Portanto estabelecer relações entre as variáveis chuva, disponibilidade de água no solo (umidade do solo) e evapotranspiração contribui na predição do potencial produtivo dos plantios florestais e é crucial para auxiliar na escolha de regiões e épocas de plantio que ofereçam melhores condições ao estabelecimento e crescimento da cultura. Isso está diretamente ligado às mudanças no regime pluviométrico/umidade do solo/evapotranspiração, e a análise dessas variáveis possibilita a definição de medidas para um alto índice de sobrevivência das mudas no pós-plantio e maior potencial de sucesso ao longo do crescimento. Torna-se claro que o impacto que tem sido observado no campo de chuva induz o secamento das áreas florestais, aumentando o potencial à incidência de incêndios erráticos, que, muitas vezes, têm origem em regiões fora do domínio dos plantios. O uso de ferramentas mais modernas, como o satélites ambientais para a determinação de talhões mais vulneráveis por meios de estimativas de evapotranspiração e água no solo, é, portanto, crucial para a verificação em grandes áreas. Nas últimas décadas, surgiram várias metodologias que visam identificar, por meio de modelos de risco, regiões climaticamente vulneráveis ao fogo. Todavia, esses modelos mostram deficiências, em particular devido ao tratamento linear que é dado para a relação das variáveis meteorológicas.

Queimadas são a segunda maior causa de emissões de gases produtores do efeito estufa no Brasil, sendo a atividade humana o seu maior responsável. "

Flavio Justino Professor de Pós-Graduação em Meteorologia Aplicada da UF-Viçosa


Opiniões Por outro lado, esses modelos de risco de fogo geralmente não levam em consideração fatores relacionados ao tipo de vegetação predominante na região. Ora, sabe-se que a severidade do fogo está diretamente ligada à quantidade e ao tipo do material combustível. O Índice Potencial de Fogo (Silva et al. 2020), que foi gerado a partir de milhares de focos de calor observados no Brasil, e faz uso de dados meteorológicos, condições de solo e vegetação, é uma alternativa viável para uso local devido ao processamento simplificado e ao

alto número de acertos em áreas de alto risco de incêndios ou fogo de menor intensidade. Dessa forma, prejuízos econômicos e ambientais podem são minimizados. A diminuição dos recursos financeiros advém do uso dessas ações mitigatórias e de adaptação, e eles podem ser empregados no melhoramento de políticas ambientais mais sustentáveis, em um melhor uso da água, e, por fim, conduzem a uma maior conscientização ambiental de todos os agentes envolvidos com o setor florestal, incluindo as comunidades locais. n

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ensaio especial - eventos climáticos

a farsa do aquecimento global antropogênico No sumário para Formuladores de Políticas (p. 20 SPM, 2013), o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas – IPCC, sigla em inglês, órgão da ONU, afirma que o aumento da temperatura global média (TGM) no período 20162035, relativo ao período 1986-2005, provavelmente estará entre 0,3 °C e 0,7 °C, e o aumento no período 2081-2100, resultante das simulações por Modelos de Clima Global (MCG), estará entre 2,6 °C e 4,8 °C em um cenário irreal, com concentração de gás carbônico – CO2, três vezes superior à atual. Todo discurso do aquecimento global antropogênico (AGA) está calcado apenas em resultados de simulações de MCG, que possuem sérias limitações, dentre as quais se citam, como exemplo, o fato de não replicarem o clima passado observado e a pobre representação (parametrização) de processos atmosféricos, como o ciclo hidrológico, fundamental para manter a superfície do planeta refrigerada. Existe debate acirrado na comunidade científica quanto à confiabilidade dos resultados dos MCG e seu uso para prognosticar climas futuros. Suas projeções climáticas são meros exercícios acadêmicos, altamente questionáveis, e não se prestam para formulação de políticas públicas de desenvolvimento socioeconômico em harmonia com o meio ambiente.

O CO2 não controla o clima global. O CO2 não é um gás toxico, é o gás da vida! Reduzir as emissões antrópicas não terá efeito algum sobre o clima, e o Acordo Climático de Paris, de 2015, é inútil. "

Luiz Carlos Baldicero Molion Físico (USP), PhD em Meteorologia (Wisconsin University), Pós-Doc em Hidrologia Florestal (Wallingford), Pesquisador INPE, Professor na UF de Alagoas e na Western Michigan University

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Existem controladores climáticos de prazo longo, de milhares de anos, como os parâmetros orbitais do planeta Terra (Ciclos de Milankovitch). Não se tem condições de quantificar o impacto dessas variações de longo prazo na TGM atual, por se processarem lentamente e serem mascaradas por variações decorrentes de fenômenos de escala de tempo rápida e, por vezes, imprevisíveis, como o impacto global de eventos El Niños e de grandes erupções vulcânicas. Aqui, exploraram-se os principais controladores do clima global de prazo relativamente curto, décadas, que são o fluxo de radiação solar absorvido pelo planeta, a cobertura de nuvens global e a temperatura da superfície dos oceanos. Contrariamente às previsões do IPCC, esses controladores indicam tendência de ligeiro resfriamento global nos próximos 10–20 anos, e não de aquecimento, um resfriamento semelhante ao do período 1946-1975, resultante de uma frequência maior de invernos mais rigorosos.


Opiniões A intensidade da atividade solar apresenta ciclos de intervalos de tempo variados, dentre os quais são de interesse, no tempo da vida humana, o Ciclo de Manchas Solares – que dura cerca de 11 anos e cuja numeração teve início em 1749 (Ciclo 1) – e o Ciclo de Gleissberg, da ordem de 100 anos. No Ciclo de 11 anos, o número de manchas – que é uma medida da atividade solar – começa praticamente de zero manchas, atinge um máximo em cerca de quatro anos e decresce para zero nos sete anos subsequentes. Tanto no início quanto no final de um Ciclo de Gleissberg, ocorrem dois a três Ciclos de 11 anos com média mensal máxima de manchas relativamente baixa. Entre 1796 e 1820 (mínimo do Ciclo de Gleissberg), os Ciclos 5 e 6 de manchas apresentaram média mensal máxima muito baixa e igual a 79 manchas, em 1804, e 78 manchas, em 1816. Esse período foi chamado de “Mínimo de Dalton” e foi um período muito frio. No início do século XX, ocorreu outro mínimo do Ciclo de Gleissberg, e seu máximo ocorreu no Ciclo 18 de manchas (1957), com média mensal máxima de 269 manchas. A partir de 1957, os máximos de manchas em cada ciclo de 11 anos começaram a diminuir, indicando que a atividade solar estava se reduzindo. Neste ano de 2020, começa o Ciclo 25 de manchas, que inaugura um novo mínimo do Ciclo de Gleissberg, e prevê-se que o Ciclo 25 (2020 a 2030), e possivelmente o Ciclo 26 (2031 a 2042), apresentem atividade inferior ao Mínimo de Dalton. Comprovou-se que a baixa atividade solar enfraquece o campo magnético solar que protege os planetas da “chuva” de raios cósmicos galácticos (RCG) provenientes de explosões de estrelas supernovas. O campo magnético solar enfraquecido permite o aumento dos RCG que entram na atmosfera terrestre e provocam aumento da cobertura de nuvens global, segundo os resultados experimentais do físico dinamarquês Henrik Svensmark. Cobertura de nuvens aumentada resultará em redução da entrada do fluxo de radiação solar no planeta, a qual resfriará os oceanos, e estes, o clima global. Ou seja, os principais controladores do clima global na escala temporal de décadas estão apontando para um resfriamento global entre 2020 e 2040, e não um aquecimento, como prevê o IPCC. Argumentos, tanto teóricos como observados, comprovam que o CO2 não controla o clima global! O CO2 não é um gás toxico, é o gás da vida! Reduzir as emissões antrópicas não terá efeito algum sobre o clima, e o Acordo Climático de Paris, de 2015, é inútil nesse aspecto.

Por outro lado, a redução das emissões trará grandes malefícios para a humanidade. Primeiro, porque 85% da energia elétrica gerada no mundo dependem dos combustíveis ditos fósseis. Reduzir emissões implica gerar menos energia elétrica, e isso afetará mais severamente os países em desenvolvimento, aumentando as desigualdades sociais no mundo. Países desenvolvidos também não estão imunes. O termo pobreza energética está sendo usado, no Reino Unido, para definir famílias que gastam mais de 10% de sua renda para manter a calefação residencial. A falta de calefação adequada provoca excesso de mortes de pessoas idosas no inverno, com relação ao restante do ano, devido ao aumento de doenças respiratórias e cardíacas. Em 2018, foram identificados cerca de 2,4 milhões de lares nessa condição e, naquele inverno (dez-2017/mar-18), o número de mortes em excesso foi superior a 49 mil. Nos EUA, em 2015, 17 milhões de residências receberam aviso de corte de energia e 25 milhões tiveram que reduzir seus gastos com alimentação e saúde para pagar a conta de energia. Países subdesenvolvidos deveriam seguir o exemplo dos EUA e deixar o Acordo Climático de Paris, pois, além de reduzirem suas emissões de CO2, são forçados a adquirir instalações de energias renováveis, uma verdadeira ação neocolonialista. Convém lembrar que energias renováveis dependem das condições atmosféricas que, se não são favoráveis, não há geração. Em palavras simples, se não houver vento, os aerogeradores não geram; se não houver radiação solar, os sistemas solares não geram; e, assim por diante. Todas as instalações de energias renováveis, portanto, precisam de um gerador que usa combustível fóssil para manter o fornecimento de energia elétrica (backup). Segundo, porque vegetação faz fotossíntese com CO2, e a redução de sua concentração traria diminuição de sua produtividade num mundo que, estima-se, daqui a 20 anos, terá uma população de nove bilhões de seres humanos a serem alimentados. É muita pretensão do homem querer modificar o clima global com suas emissões de CO2, que são inferiores a 5% das emissões naturais provenientes dos oceanos, vegetação, solos e vulcões, pois, como foi dito, o clima do planeta é muito complexo. As palavras de Francis Bacon contrariam, de forma sucinta, a crença das mudanças climáticas produzidas pelo homem: “Natura enim non imperatur, nisi parendi”. Traduzindo, “Não podemos comandar a natureza, apenas obedecê-la”. n

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praga formiga - visão dos fabricantes de inseticidas

a Abraisca, a convenção de Estocolmo e a defesa da sulfluramida A história da Associação Brasileira dos Fabricantes de Iscas Inseticidas – Abraisca, com a Convenção de Estocolmo começa bem antes da solicitação da inclusão da sua principal matéria-prima, o PFOSF, intermediário utilizado na produção da sulfluramida, nos seus anexos. Isso ocorreu em 2002, quando a 3M, o maior produtor desse intermediário, anunciou a interrupção da sua produção espontaneamente. Esse fato chamou a atenção dos departamentos técnicos das empresas fabricantes de iscas formicidas à base de sulfluramida, que passaram a monitorar a situação dessa substância. Posteriormente, em 2005, a Suécia solicitou à Convenção a inclusão do PFOS, PFOSF e seus sais nos seus anexos.

Àquela altura, não havia Abraisca, e as empresas, numa proatividade que demonstrou ter sido a grande alavanca para a defesa do produto, já em dezembro de 2006, marcaram uma reunião com o Ministério de Meio Ambiente – MMA, pois acompanhávamos a Convenção e sabíamos que era a fase em que o comitê de revisão consultaria os países-membros e solicitaria informações a respeito das substâncias que desejava incluir. As empresas colaboraram com o MMA, fornecendo todas as informações a respeito do uso do PFOSF na síntese da sulfluramida e da produção das iscas formicidas, e o primeiro documento do Brasil foi enviado. Em 2007, houve a reunião do comitê de revisão, e as empresas, ainda sem contar com uma representação específica, participaram da reunião, e, com isso, ficou clara a necessidade de se criar uma associação que representasse a indústria e que pudesse se tornar um observador oficial dentro da Convenção, pois, somente dessa maneira, poderia participar ativamente, enviando sugestões e participando dos grupos de discussões. Assim, em 2008, foi criada a Abraisca, e, desde então, participamos de todas as reuniões do comitê de revisão (POPRC) e da Conferência das partes (COPs). É necessário destacar que foi um trabalho muito bem-feito a várias mãos, em que a participação do governo e da academia foi fundamental para atingirmos o objetivo de manutenção da molécula até que surja uma alternativa eficiente para o controle das formigas cortadeiras.

as formigas cortadeiras estão entre as mais importantes pragas da agricultura nacional, causando grandes prejuízos para as culturas agrícolas e florestais "

Luiz Eugênio Pedro de Freitas Presidente da Abraisca, Associação Brasileira dos Fabricantes de Iscas Inseticidas


Opiniões Como resultado, temos que, após anos de luta, vários usos tiveram suas finalidades aceitáveis excluídas do anexo B, tendo permanecido somente o PFOSF para a fabricação da sulfluramida para a produção das iscas formicidas. Ocorreu que, com a diminuição da demanda e a queda da oferta mundial de PFOSF, os preços triplicaram de valor. As empresas associadas à Abraisca, tendo acompanhado todo o processo, desde de 2005, e sabendo da queda da oferta, cada vez maior, há anos vêm se preparando para essa situação, importando PFOSF em quantidades suficientes para atender à demanda interna e manter um estoque estratégico que permita, em caso de uma emergência, suprir o mercado. Estamos trabalhando e podemos tranquilizar o mercado com a afirmativa de que não haverá falta desse insumo até que surja uma alternativa viável que substitua a sulfluramida, substituição essa que deverá ser feita de forma gradativa, sem comprometer a agricultura nacional. Importante salientar que devemos continuar mantendo o uso aceitável dentro da Convenção e, para isso, sabemos que podemos contar com o apoio tanto do governo, através do Ministério da Agricultura – MAPA, como também da academia, através de pesquisadores brasileiros, que sabem melhor do que ninguém a importância das iscas à base de sulfluramida. Permitir a continuidade do uso do PFOSF na produção de sulfluramida para a fabricação de iscas formicidas para o controle de formigas cortadeiras protegerá os interesses do Brasil, uma vez que as formigas cortadeiras estão entre as mais importantes pragas da agricultura nacional, causando grandes prejuízos para as culturas agrícolas e florestais, com possibilidade de causar enormes perdas se não forem controladas. As iscas granuladas representam o principal método de controle de formigas cortadeiras. Altamente eficiente, apresenta grande vantagem em relação aos outros métodos, baixo custo, alto rendimento e reduzida periculosidade ao homem e ao ambiente. Consideramos que a manutenção da sulfluramida para o controle de formigas cortadeiras é imprescindível para o agronegócio brasileiro, tendo em vista a inexistência de alternativas e a importância do controle das formigas cortadeiras em qualquer empreendimento agrícola ou florestal. n

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praga formiga - visão da academia

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o importante papel das iscas tóxicas Certamente, muitas espécies de formigas cortadeiras de folhas dos gêneros Atta (saúvas) e Acromyrmex (quenquéns) são consideradas pragas e estão distribuídas desde a região sul dos Estados Unidos da América até a Argentina, com ocorrência do maior número de espécies na América do Sul e, especialmente, no Brasil. O fato curioso é que essas formigas, que surgiram entre 10 e 15 milhões de anos, cultivam fungo para se alimentarem e, para tanto, necessitam suprir essa cultura de fungo com partes de vegetais que são cortados por elas. Cortam entre 29% a 77% das plantas em ecossistemas naturais e somam a esses números as plantas exóticas cultivadas na agricultura, na silvicultura e na pecuária. Daí a importância dessas formigas, pois desfolham as plantas, podendo levá-las à morte com desfolhas sucessivas. As injúrias provocadas às plantas são registradas desde 1560, no Brasil, havendo, desde sempre, a preocupação em controlar as formigas cortadeiras de folhas. As perdas econômicas nas culturas do Eucaliptus e Pinus são da ordem de 14%, porém, quando as plantas são jovens, as desfolhas consecutivas podem matá-las. A produção de madeira pode ser reduzida em mais de 50% se a densidade de colônias for maior que 80/ha. Na pecuária, as formigas podem reduzir até 10% o número de cabeças de gado. Em cana-de-açúcar, estimam-se perdas que chegam a 3,2 toneladas de cana por colônia.

os ninhos maduros (grandes) de saúvas podem ter até 7 milhões de indivíduos, 8.000 câmaras e profundidade de até 8 metros. "

Luiz Carlos Forti Professor de Entomologia Agrícola na FCA-Unesp-Botucatu

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A complexa vida colonial, com centenas de milhares de indivíduos vivendo em grandes ninhos, a interação formiga-planta-fungo simbionte, a existência de complexa biota (bactérias, leveduras e microfungos filamentosos) e sofisticadas estratégias de higiene colonial dificultam e limitam os métodos de controle. Vários métodos de controle como candidatos alternativos ao controle químico foram propostos, como controle biológico, uso de extratos de plantas inseticidas ou fungicidas, métodos mecânicos e métodos culturais, porém ainda estão na fase de desenvolvimento da pesquisa e não estão disponíveis para uso, ou seja, não possuem tecnologia disponível no mercado. A revisão da literatura permite dizer que os resultados desses métodos não são satisfatórios, são inconsistentes e não permitem qualquer indicação de viabilidade técnica, econômica e operacional. O único método com viabilidade técnica, econômica e operacional é o método químico, com uso de iscas tóxicas para os gêneros Atta e Acromyrmex. As iscas tóxicas começaram a ser utilizadas em larga escala, no Brasil, no início da década de 1960. A isca tóxica eficiente para controle deve possuir ingrediente ativo que se caracteriza por ter ação retardada, tanto em altas como em baixas concentrações; esse ingrediente ativo não deve ser repelente, deve ser inodoro e paralisar as atividades de corte de folhas logo nos primeiros dias após a aplicação. Dentre os ingredientes ativos registrados no Brasil, a sulfluramida é o único inseticida que apresenta todas as características necessárias para o bom funcionamento de uma isca tóxica, o que a coloca como a única opção eficiente para o controle de formigas cortadeiras.


ALTA PERFORMANCE EM CONTROLE DE FORMIGAS CORTADEIRAS EXIGE SOLUÇÕES TECNOLÓGICAS QUE GARANTAM A EFICÁCIA DA OPERAÇÃO E DIMINUAM OS CUSTOS. ESSA SOLUÇÃO EXISTE:

RESULT

Tecnologia Mirex-S2 e MIPIS

 Levantamento e acompanhamentos pré e pós controle.  Avaliação de danos.  Análises situacionais das infestações.  Tecnologia exclusiva para máximo controle.


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praga formiga - visão da academia Esse inseticida, por apresentar, particularmente, ação retardada em ampla faixa de concentrações, coloca como única opção, tanto para o controle das saúvas e quenquéns que cortam plantas dicotiledôneas, como as que cortam gramíneas. Somente dois ingredientes ativos, o dodecacloro e a sulfluramida, apresentam eficiência comprovada para todas as espécies de formigas cortadeiras, porém o primeiro não é mais utilizado, e a sulfluramida é o único ingrediente ativo registrado e em uso no Brasil atualmente. É difícil e demorado encontrar ingredientes ativos com as características do dodecacloro e da sulfluramida, e isso demanda muitos anos de pesquisa. Mais de uma centena de ingredientes ativos foram experimentados nos nossos laboratórios, nos últimos 40 anos, e a única surpresa gratificante foi o desenvolvimento da sulfluramida, testada a partir do ano de 1989, substituindo o dodecacloro em 1992, e que continua sendo utilizada até o presente momento. É necessário lembrar que a busca de novos ingredientes ativos não é feita ao acaso, pois obedece a critérios específicos, e somente são testados ingredientes ativos candidatos, aqueles que são inodoros, não repelentes, que não apresentam ação de choque e que tenham ação predominantemente por ingestão. Porém o que buscamos encontrar nos ingredientes ativos candidatos é a ação retardada em ampla faixa de concentrações. Essa é uma tarefa muito difícil, porque a indústria química desenvolve inseticidas que matam os alvos muito rapidamente. O modo de ação bioquímico nem sempre é o indicativo de que o ingrediente ativo possa ter ação retardada. Por exemplo, inseticidas que apresentam o mesmo modo de ação bioquímico que a sulfluramida, quando testados, não tiveram o mesmo sucesso dela. Assim sendo, a manutenção da sulfluramida é de fundamental importância, e, caso a sua produção seja descontinuada, corremos o risco de um perigoso retrocesso no controle de formigas cortadeiras, com o aumento da população da praga e, consequentemente, um grande prejuízo no agronegócio brasileiro. Existem outras duas técnicas de controle químico utilizados no Brasil, como a termonebulização e os formicidas em pó, porém são técnicas complementares ao uso da isca formicida. Formulações pó seco (por exemplo, com o ingrediente ativo deltametrina) são recomendadas em situações muito específicas, com uso restrito a algumas regiões do Brasil. Essas formulações são aplicadas com polvilhadeiras manuais de baixo rendimento e,

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consequentemente, são usadas para controle de algumas espécies de quenquéns e para colônias iniciais de saúvas. Vamos recordar que os ninhos maduros (grandes) de saúvas podem ter até 7 milhões de indivíduos, 8.000 câmaras e profundidade de até 8 metros. O uso de formulações pó seco tem muitas outras limitações, como o entupimento dos túneis do ninho; o inseticida não atinge grande parte das câmaras de fungo, e, além disso, há necessidade de remover a terra solta, antes da aplicação do produto, o que torna a técnica operacionalmente impraticável e ainda com riscos de contaminação do ambiente e do operador. A termonebulização também é utilizada em situações muito específicas; como método complementar ao uso das iscas tóxicas, ela apresenta custo de aplicação bem maior que o das iscas e pode ser utilizada em ninhos grandes de saúvas e é inviável para controlar ninhos de quenquéns. Esse método tem desvantagens econômicas e operacionais, com problemas graves, como uso de inseticidas formulados em alta concentração (como o fenitrotion e a permetrina), grave risco de exposição dos trabalhadores aos inseticidas, contaminação do solo e a necessidade de equipamento de alto custo para a aplicação. Aliás, o uso da termonebulização em florestas plantadas pode provocar incêndios, devido ao uso de alguns equipamentos que podem gerar faíscas ao ligar, ou produzir labaredas de fogo no desligamento do equipamento. Diante das limitações impostas por essas formulações (pós seco e termonebulização), fica claro que elas não podem ser recomendadas como principal e nem como o único método de controle de formigas cortadeiras e, muito menos, podem ser considerados métodos ou técnicas substitutas ao uso de iscas tóxicas. Como podemos constatar, somente o controle químico é viável, disponível no mercado, tendo as iscas tóxicas à base de sulfluramida e resultados com altos níveis de eficácia. Portanto a ideia disseminada, do controle de formigas cortadeiras dentro da abordagem do Manejo Integrado de Pragas (MIP) não é possível ser feita nos dias atuais, pois não existe nenhum outro método eficaz e disponível no mercado além do controle químico. Para que um programa de Manejo Integrado de Pragas seja implementado, há necessidade de que estejam disponíveis no mercado dois ou mais métodos eficientes de controle para serem utilizados concomitantemente e integrando-os, de modo que possam ser economica e ecologicamente justificado, reduzindo ou minimizando os riscos à saúde humana e ao ambiente. n


Informe científico

Inovação no controle de formigas cortadeiras em florestas plantadas no Brasil Leandro Valerim dos Santos, Gerente de P&D Syngenta Professional Solutions Andréa Virginia Athayde Wenzel, Assistente de P&D Florestal Syngenta Professional Solutions Ronald Zanetti, Professor do Dpto de Entomologia da UFLA e Alexandre Coutinho Vianna Lima, Diretor da MIP Florestal

No Brasil, nota-se a expansão, nos últimos anos, do cultivo de florestas plantadas de rápido crescimento dos gêneros Eucalyptus e Pinus. Todavia, a produtividade de madeira (m³. ha-1) é limitada por agentes bióticos, destacando-se os impactos das formigas cortadeiras Atta e Acromyrmex, devido ao comportamento eusocial, severidade de ataques, número e tamanho de ninhos. O hábito de desfolhar plantas frescas, para o cultivo do fungo simbionte Leucoagaricus gongylophorus, as torna severas pragas, sendo o seu controle necessário em cultivos de florestas, agrícolas e pastagens. O manejo de formigas cortadeiras se faz, em maior parcela, pelo método químico. As iscas granuladas à base de Dodecacloro foram as mais empregadas, além do Cloreto de Metila e o Clorato em pó. Com a proibição do Dodecacloro em 1993, as iscas passaram a conter, principalmente, Sulfluramida e Fipronil. Métodos alternativos são constantemente testados, como plantas com moléculas tóxicas e atraentes, bem como, fungos entomopatôgenicos e parasitas, porém com eficácia distante do ideal e necessário pelo setor. Tal problemática motivou a Syngenta na busca de alternativas que fossem inovadoras e sustentáveis para a silvicultura brasileira. Nos últimos 10 anos, foram investidos valores significativos na busca de um inseticida diferenciado, sendo avaliados mais de 20 ingredientes ativos, até que fossem atendidos todos os parâmetros necessários ao controle das formigas cortadeiras, além das questões ambientais.

Após a seleção do ativo, ensaios de campo e laboratório foram realizados, abrangendo as principais espécies de cada gênero e respeitando as normas para registro de iscas formicidas no Brasil, a IN36/42 do MAPA. Os resultados de eficácia no controle se mostram adequados quando comparados aos atuais padrões de mercado, o que possibilitou a submissão aos órgãos de registro para que seja regulamentada na forma de isca granulada. O ingrediente ativo, que age por ingestão e contato, pertence ao novo modo de ação 30 (moduladores alostéricos de canais de cloro mediados pelo GABA) do IRAC (Comitê de Ação à Resistência a Inseticidas), sendo um Inseticida, Acaricida e Formicida, com solicitação de registro no Brasil (Titular: Syngenta Proteção de Cultivos Ltda). Descoberto recentemente, o ingrediente ativo apresenta um perfil ambiental menos tóxico e risco muito baixo para resistência cruzada ou múltipla com os demais ingredientes ativos registrados para formigas cortadeiras. A nova tecnologia representa um importante recurso para a Silvicultura e Agricultura, pois seu modo de ação o difere dos demais existentes no mercado, o que possibilita o Manejo da Resistência à Inseticidas. A inovação trazida pela Syngenta contribui para a prática do manejo integrado de formigas cortadeiras e redução de seus impactos, promovendo uma melhoria na produtividade nos diferentes segmentos de produção florestal e agrícola.

Esponja fúngica sem controle com Isca

Esponja fúngica com 180 dias após o controle com a Isca da Syngenta, mostrando a eficácia do produto


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praga formiga - visão da entidade de produtores

atuação setorial no controle de formigas cortadeiras

O Brasil possui condições de clima e solo que o colocam em posição de destaque mundial na produção de pínus e eucalipto, possuindo uma área de florestas plantadas de nove milhões de hectares, de acordo com o último anuário da Ibá, realizado em parceria com o Instituto Brasileiro de Economia, da FGV. No entanto essas mesmas condições favoráveis à produtividade também contribuem para intensos e constantes ataques de pragas, levando a grandes danos econômicos. A principal praga do setor florestal são as formigas cortadeiras do gênero Atta e Acromyrmex. Como Lima Barreto fala em seu livro Triste fim de Policarpo Quaresma, o Brasil tem a vantagem de ter um solo "em que se plantando tudo dá". Mas, como o nosso herói patriota do livro descobre no final, as formigas brasileiras conseguem virar o jogo dessa vantagem de clima e solo.

A solução precisa vir por meio de um caminho construído de forma conjunta, sem unilateralidades. "

Rafaela Freitas Pavani Analista de Políticas Florestais e Bioeconomia da Ibá

Embora elas estejam presentes por toda a América do Sul, América Central e sul da América do Norte, as formigas encontram no nosso País um cenário favorável, o que permite sua ampla distribuição em todo o território nacional. Um formigueiro com 10 milhões de formigas é capaz de consumir até uma tonelada de folhas por ano, podendo causar uma redução de até 50% na produção de madeira ou a mortalidade de 100% de plantios jovens.

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O controle de formigas cortadeiras e a busca por novos produtos são desafios contínuos e devem ser realizados sempre de forma responsável, considerando a eficácia do controle e os aspectos ambientais e sociais. Além dos desafios técnico-operacionais relacionados às formigas cortadeiras, algumas discussões nacionais e internacionais precisam ser monitoradas constantemente. Nesse sentido, a Ibá – Indústria Brasileira de Árvores, associação responsável pela representação institucional da cadeia produtiva de árvores plantadas, vem atuando em diferentes fóruns, buscando novas estratégias de manejo e evitando restrições à defesa florestal, com o intuito de promover o controle de formigas cortadeiras.


Opiniões Devido às características das formigas cortadeiras, o controle dessa praga por meio de manejo integrado é um grande desafio. Trata-se da integração, de maneira responsável, de diferentes técnicas para proteger as florestas plantadas contra pragas. Essas técnicas têm como premissa o monitoramento, a avaliação da real necessidade de controle e a escolha do método a ser utilizado, incluindo o uso de defensivos. O setor de base florestal tem adotado, com muito sucesso, o manejo integrado para uma diversidade de desafios. Toda essa expertise foi aplicada na questão de formigas cortadeiras. Mais de oito mil métodos de controle e princípios, incluindo ativos naturais e químicos, já foram testados para o controle de formigas, resultando em pouquíssimos métodos eficazes, viáveis ou permitidos pela legislação vigente. A eficácia tem se apresentado com recursos químicos usados com responsabilidade, como iscas formicidas à base de sulfluramida, atualmente o método mais eficiente, e iscas formicidas à base de fipronil, para o controle de formigas do gênero Acromyrmex e formigueiros pequenos do gênero Atta. O tema faz parte de um debate mundial que integra a Convenção de Estocolmo, tratado sobre Poluentes Orgânicos Persistentes (POP). A Ibá participa ativamente dessas discussões junto ao Ministério da Agricultura, Ministério do Meio Ambiente, Embrapa, grupos de pesquisas, entre outros fóruns. O setor acredita que é fundamental adotar práticas que minimizem qualquer tipo de risco ao homem e ao meio ambiente, mas a proibição abrupta de produtos com eficácia comprovada sem alternativas viáveis comprometeria totalmente a manutenção de plantios florestais de todas as idades. O setor acredita que as decisões precisam ser tomadas com base em conhecimento e ciência

compartilhada, por isso buscamos integrar mais debatedores ao tema, como o FSC – Forest Stewardship Council, que, após 10 anos de discussão, publicou, em 2019, a Nova Política de Pesticidas, que passou a considerar a análise de risco do ingrediente ativo, suas circunstâncias de uso, características do local e aplicação. Além disso, outro trabalho importante é no sentido de reforçar conhecimentos socioambientais e boas práticas no manejo de pragas. Com o objetivo de demonstrar o compromisso com a sustentabilidade e com o controle responsável de pragas, o setor florestal brasileiro busca comunicar, de maneira simples e objetiva, as práticas que vêm sendo desenvolvidas em relação ao tema, como os vídeos desenvolvidos em parceria Ibá e Ipef – Instituto de Pesquisa e Estudos Florestais, sobre Formigas Cortadeiras e Controle Biológico. O controle de formigas cortadeiras é um desafio constante. A Ibá vem dialogando com pesquisadores, institutos de pesquisa e empresas químicas sobre a importância e as oportunidades de mercado de metodologias alternativas para o controle de formigas, passíveis de aplicações em escalas operacionais. O setor florestal precisa garantir a produtividade e, para isso está, constantemente, buscando aperfeiçoar suas práticas de manejo, incluindo o controle de pragas, mas sem abrir mão do cuidado com o homem e o meio ambiente. A solução precisa vir por meio de um caminho construído de forma conjunta, sem unilateralidades. Esse trabalho compartilhado permite que o mundo inteiro tenha acesso a produtos sustentáveis com origem ambientalmente adequada, a partir das árvores cultivadas em solo brasileiro. O cuidado no campo mantém as florestas plantadas saudáveis, provendo serviços ambientais, como remoção de CO2, um dos gases do efeito estufa. Empenho no hoje com olhos voltados para um planeta futuro melhor para todos. n


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praga formiga - visão dos produtores de florestas

manejo de

formigas cortadeiras

A evolução da produtividade florestal que ocorreu nas últimas décadas é fruto, principalmente, dos avanços do melhoramento genético e do manejo florestal. Considerando o aumento de produtividade alcançada e menores oportunidades de grandes ganhos em produtividade em sítios já conhecidos, os fatores redutores à produção, como a ocorrência de pragas e doenças, vêm ganhando cada vez mais importância no manejo de florestas. Dentro desse grupo de agentes que podem limitar a produtividade, as formigas cortadeiras ainda são consideradas as principais pragas de florestas plantadas no Brasil.

Outro ponto importante é o custo envolvido na atividade de combate, que pode representar em torno de 13% dos custos de formação de florestas. "

Daniela Andrade Neves de Rezende Especialista de Proteção Florestal da Duratex

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De acordo com Della Lúcia (2011), somente as formigas cortadeiras são responsáveis por perdas de produtividade que variam em torno de 12% a 17%. Em um trabalho realizado pelo Projeto Teths/Ipef (Tolerância de clones de Eucalyptus aos estresses hídricos, térmicos e bióticos, do Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais), para avaliar perdas de produtividade de clones de eucalipto submetidos a sucessivas desfolhas artificiais, observou-se que, quando realizadas sucessivamente, prejudicam o crescimento, de forma intensa e prolongada. Além da redução de produtividade causada diretamente pela desfolha, devido à menor atividade fotossintética, há ainda um alto impacto na homogeneidade dos plantios, principalmente em suas fases iniciais. Outro ponto importante é o custo envolvido na atividade de combate, que pode representar em torno de 13% dos custos de formação de florestas.


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praga formiga - visão dos produtores de florestas Considerando esse cenário, é necessária uma atenção especial quando a assunto é formiga cortadeira, pois, apesar de ser uma praga muito estudada, e com manejos, produtos e metodologias de controle eficientes já consolidados, ainda temos oportunidades e desafios no seu controle. As formigas cortadeiras, por serem insetos sociais nativos da América do Sul, se destacam pela organização de suas colônias, capacidade de cultivar o seu próprio alimento, ciclo de vida longo e alta capacidade de infestações anuais. Por isso, conhecer a biologia, o comportamento, a ecologia dessas espécies e adotar métodos adequados de controle e monitoramento refletirá na maior eficiência do controle e reduções de custos. Apesar do conhecimento científico e prático acumulado ao longo dos anos, temos diversas questões que ainda não estão totalmente entendidas, como os efeitos das variáveis ambientais na atividade das formigas e os impactos no forrageamento das iscas formicidas. O desafio de colocar em escalas operacionais todas as particularidades da praga e de fazer a gestão do manejo de formigas cortadeiras em custos viáveis dentro do manejo de florestas plantadas ainda é muito grande. O que, inicialmente, parece ser simples e dominado requer atenção especial e acompanhamento constante. Tivemos muitos avanços no manejo da praga. Investimos em sistemas de monitoramento de formigas cortadeiras, gestão de informação e tecnologia de aplicação através de ferramentas de silvicultura de precisão para aplicação de iscas formicidas. Porém, apesar de todos os avanços que ocorreram nas últimas décadas, ainda há poucas opções de produtos, formulações e ingredientes ativos que sejam eficientes e viáveis. Esse contexto ainda traz diversas implicações para o setor florestal, pois, além de aspectos operacionais, como a sazonalidade do controle de acordo com o clima, traz também aspectos regulatórios e setoriais, como as restrições de uso e dificuldades na importação e produção da sulfluramida, principal e mais eficiente ingrediente ativo usado no manejo das formigas cortadeiras, além de ser considerado o mais viável e seguro, tanto pelos aspectos ambientais como pelo baixo risco aos trabalhadores. Quando falamos de florestas de eucalipto, a maior concentração dos controles de formigas cortadeiras é indicada no primeiro ano das florestas, para garantir a fase inicial livre da praga.

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Em florestas a partir de 1 ano, já começa ser viável a realização de monitoramento com recomendação de controle, que varia de acordo com a infestação e o nível de dano econômico aceitos em cada fase da floresta. Dessa forma, é possível equilibrar o manejo da praga, levando em consideração aspectos técnicos, ambientais e econômicos. Na Duratex, o sistema de monitoramento de formigas cortadeiras tornou-se, ao longo dos últimos anos, uma ferramenta importante para auxiliar a gestão da silvicultura, permitindo o melhor planejamento e direcionamento dos recursos, a racionalização de iscas formicidas e o acompanhamento de indicadores no manejo da praga. Foram desenvolvidos painéis informativos que são enviados mensalmente para os gestores operacionais de silvicultura, permitindo que o assunto seja mantido em discussões constantes e agilizando tomadas de decisão. Atualmente, é possível ter um bom diagnóstico da infestação de formigas cortadeiras nas florestas, gerando um acompanhamento muito próximo da eficiência de controle, com ações para qualquer eventualidade. Outra evolução importante nesse processo foi a adoção de sistemas de silvicultura de precisão, que traz maior garantia e qualidade da operação. Essa tecnologia permite o mapeamento da distribuição e da quantidade de isca formicida, além da localização e da estimativa do tamanho dos formigueiros presentes nas quadras. Mesmo com a adoção de tecnologias de precisão, ainda há grande demanda e viabilidade do controle manual. Nesse caso, o acompanhamento constante e sistemático, em campo, dessas atividades é outra prática adotada pela empresa, que tem trazido retornos positivos em relação à eficiência de controle. Qualquer desvio apontado em relação à atividade é tratado imediatamente em campo com a própria equipe de combate. Ao longo dos anos, diversas ferramentas foram adicionadas no manejo de formigas cortadeiras e permitiram o aumento na eficiência de controle e redução de custos. Mas o fator de sucesso ainda está em se fazer simples e bem-feito: um bom planejamento de atividades, equipes bem treinadas e acompanhadas, produtos de qualidade e bons silvicultores preocupados com o manejo da floresta como um todo, focando na qualidade dos plantios e das operações, no menor custo possível. n


Qual é o diâmetro do seu problema?

Detalhe de encaixe para ferramentas de 4 lados

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praga formiga - visão da consultoria especializada

a macrovisão sobre o combate à formiga O controle de formigas cortadeiras de folhas na agropecuária brasileira, particularmente as espécies dos genêros Atta spp e Acromyrmex spp, correu sérios riscos de perder a melhor alternativa de controle, uso de iscas formicidas à base do ingrediente ativo sulfluramida, após o início das discussões para a inclusão de novas substâncias químicas no Comitê de Revisão de Poluentes Orgânicos Persistentes – POPRC, da Convenção de Estocolmo sobre Poluentes Orgânicos Persistentes. A Convenção de Estocolmo é um Acordo Multilateral Ambiental juridicamente vinculante, que foi discutido, negociado e acordado por vários países no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, que entrou em vigor em 2004 e tem como objetivo final o banimento, em nível internacional, de Poluentes Orgânicos Persistentes – POPs, constantes dos Anexos A e B do texto da Convenção. Doze substâncias foram incluídas, inicialmente, nos Anexos A e B (aldrin, clordano, DDT, dieldrin, dioxinas, endrin, furanos, hexaclorobenzeno, heptacloro, mirex[dodecacloro], PCBs e toxafeno). Também foram estabelecidos os critérios e as diretrizes para a inclusão de novas substâncias químicas no texto da Convenção.

O POPRC começou a discutir, desde a sua primeira reunião, a inclusão, nos Anexos A, B e C da Convenção, das substâncias químicas PFOS, seus sais e PFOSF, tendo aprovado a caracterização dessas substâncias como POPs. Sendo o PFOSF a principal matéria-prima para a síntese do ingrediente ativo sulfluramida, que é utilizado na fabricação de iscas formicidas para o controle de formigas cortadeiras de folhas, o tema ganhou uma importância significativa de interesse do Brasil, que passou a integrar todas as reuniões do referido Comitê, com a participação de representantes do governo (Ministérios do Meio Ambiente, da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e da Saúde), da academia e da indústria (ABRAISCA). A participação efetiva e multissetorial de todos os setores envolvidos no problema, seja do poder público, seja da sociedade civil, permitiu que o Brasil apresentasse, de maneira clara, objetiva e devidamente fundamentada, a necessidade de continuidade de uso das iscas formicidas à base de sulfluramida no controle de formigas cortadeiras de folhas, tendo em vista a inexistência de alternativas técnica e economicamente viáveis para a sua substituição naquela oportunidade. A decisão de incluir as substâncias químicas PFOS, seus sais e PFOSF nos Anexos A e B da Convenção de Estocolmo foi adotada na Quarta Reunião da Conferência entre as Partes-COP, realizada em maio de 2009, após intensos debates entre as partes, que contou com efetiva participação da delegação brasileira na defesa da inclusão do PFOSF no Anexo B, com a finalidade

A manutenção do uso das iscas formicidas à base de sulfluramida no controle de formigas cortadeiras só foi possível devido ao esforço do Ministério da Agricultura, da academia e entidades de pesquisa pública e privada, da indústria e do setor produtivo. "

Júlio Sérgio de Britto Presidente da Compliance Agribusiness


Opiniões aceitável para a produção de sulfluramida na fabricação de iscas inseticidas para o controle de formigas cortadeiras de folhas das espécies Atta spp e Acromyrmex spp. A inclusão no Anexo B como finalidade aceitável permitia o uso da substância exclusivamente para aquela finalidade até que fossem identificadas alternativas técnicas viáveis para a sua substituição, sem um prazo definido. Essa decisão permitiu que as partes interessadas devessem notificar a Secretaria da Convenção sobre sua necessidade de uso da referida substância, notificação essa que foi feita pelo Brasil, através do Ministério das Relações Exteriores, assim que foi aberto o período para a sua realização. O Brasil continuou a participar de todas as reuniões do POPRC e das COPs, sempre contando com uma participação efetiva dos principais setores envolvidos (MMA, MAPA, Academia e Abraisca), no sentido de continuar a defender a necessidade de manutenção da referida finalidade aceitável no Anexo B da Convenção, uma vez que não havia surgido alternativas ao uso proposto, além de participar de vários grupos de trabalho e demandas sobre elaboração de guias de alternativas e relatórios sobre o uso da referida tecnologia. A oitava reunião técnica do POPRC, que aconteceu em outubro de 2012, ratificou os guias de alternativas e encaminhou proposta a ser deliberada na COP, no sentido de convidar as partes que ainda utilizavam PFOSF e seus químicos relacionados para o controle de formigas cortadeiras dos gêneros Atta spp e Acromyrmex spp a realizarem estudos de revisão de pares para se obterem informações sobre a viabilidade de utilização de alternativas ao PFOS, seus sais e PFOSF, e seus produtos químicos relacionados, dentro de uma abordagem de manejo integrado de pragas, e apresentar quaisquer resultados para a Secretaria. Essa proposta foi ratificada pela COP6 no ano seguinte. O Brasil, no intuito de atender a essa demanda da Convenção de Estocolmo, criou um Grupo de Trabalho, sob a coordenação do Ministério da Agricultura, com a participação de diversos especialistas dos principais setores envolvidos com o tema (setor público, academia, produtores e indústria). Esse estudo consistiu no levantamento da literatura disponível sobre o assunto, tendo sido levantadas mais de 700 referências bibliográficas, entre publicações técnicas e científicas, incluindo artigos científicos, livros teses, monografias, patentes, apresentações em simpósios, congressos, reuniões técnicas, pareceres enviados ao POPRC, experiência prática de especialistas, etc.).

Foram feitas reuniões periódicas, além da criação de um espaço web, para a participação de todos os integrantes. O referido estudo foi publicado na Revista Internacional de Pesquisas e Estudos no Meio Ambiente, BluePen Journals, e encaminhado para o Secretariado da Convenção, passando a ser a principal referência técnica sobre o tema na Convenção de Estocolmo. A última COP, realizada em maio de 2019, discutiu sobre a necessidade de continuidade de uso das diversas finalidades aceitáveis e exceções com prazos definidos para a eliminação dos PFOS, seus sais e PFOSF, tendo, finalmente, deliberado pela eliminação de todas as finalidades aceitáveis no Anexo B da Convenção, exceto a finalidade aceitável para a fabricação de PFOSF para a produção de iscas inseticidas à base de sulfluramida para o controle de formigas cortadeiras de folhas dos gêneros Atta spp e Acromyrmex spp, exclusivamente para uso na agricultura, tendo em vista as fundamentadas alegações apresentadas pela delegação brasileira quanto à inexistência de alternativas adequadas para a sua substituição até aquele momento, permanecendo, então, a possibilidade de continuar utilizando a referida tecnologia, sem prazo definido para sua eliminação, até que surjam alternativas adequadas para a sua substituição. O Brasil manteve o compromisso junto à Convenção de Estocolmo de desenvolver todos os esforços necessários na busca de novas alternativas que atendam aos critérios técnicos estabelecidos na Convenção: viabilidade técnica, efeitos para a saúde humana e no meio ambiente, custo/benefício, eficácia, disponibilidade e garantias de atender a todas as demandas. Assim que surgir uma que cumpra com todos esses critérios, o Brasil será o primeiro país a propor um programa de substituição adequado e que não comprometa o setor produtivo brasileiro. Finalmente, convém salientar que a manutenção do uso das iscas formicidas à base de sulfluramida no controle de formigas cortadeiras de folhas na agropecuária brasileira e, principalmente, no setor florestal, que se caracteriza como a melhor alternativa de controle dessa praga (formigas cortadeiras de folhas), representando mais de 95% desse mercado, só foi possível devido ao esforço, dedicação e comprometimento de todos os setores envolvidos nesse assunto, seja do setor público, através do Ministério da Agricultura, seja da sociedade civil, representada principalmente pela Academia, e entidades de pesquisa pública e privada, da indústria e do setor produtivo. n

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pragas e doenças

monitoramento

é a chave para um bom manejo

Nos últimos anos, as patologias florestais vêm ganhando mais relevância no setor, e as mudanças climáticas aparentemente têm contribuído para o aumento das ocorrências de pragas e doenças. Temos observado, com maior frequência, eventos climáticos extremos e também alterações no regime de chuvas, bem como o aumento na concentração de gases de efeito estufa e da temperatura média da superfície do planeta. Eventos como esses podem aumentar o risco de ocorrências de surtos, tanto de pragas como doenças, já que desestabilizam o equilíbrio natural. Além disso, outro ponto importante é a redução da disponibilidade de água no sistema, pois isso afeta o vigor das plantas e as torna mais sensíveis a doenças. Nesse contexto, para aplicar um bom manejo integrado, agilidade e confiabilidade dos monitoramentos são premissas que devem ser implementadas e acompanhadas. As doenças manejadas de forma adequada podem evitar grandes prejuízos, tanto no viveiro quanto no campo. O investimento de recursos em monitoramento, como forma de atuar corretamente e no momento mais adequado, é fator determinante para garantir que as florestas atinjam seu potencial produtivo. O principal desafio é detectar o problema e tomar a decisão da forma mais assertiva possível, sem perder a qualidade das informações.

Temos aplicado metodologias de acompanhamento consolidadas e desenvolvendo cada vez mais ferramentas de sensoriamento remoto e também o uso de drones. Com a implementação desses novos métodos, são geradas grandes quantidades de dados, e isso está demandando cada vez mais profissionais capacitados para a realização de análises que consigam transformar tudo isso em informação. O monitoramento no viveiro de produção de mudas, de forma sistemática e frequente, em todos os setores, é imprescindível ao bom manejo. Um colaborador capacitado pode avaliar a presença de pragas e doenças, levantando informações sobre infestação e severidade, que são base para a geração das recomendações. Além disso, o acompanhamento técnico multidisciplinar, com participantes das áreas de pesquisa, qualidade e viveiro, para a discussão das informações geradas, é fundamental para a consolidação dos ajustes necessários.

Quando falamos de doenças nos treinamentos, sempre reforçamos que elas são resultado da interação entre o patógeno, o hospedeiro e o ambiente "

Rafael Augusto Soares Tiburcio e Marlon Michel Antonio Moreira Neto Especialista e Analista de Sanidade Florestal da Veracel Celulose, respectivamente


Opiniões Observamos que a integração entre as áreas contribui muito para a rápida resolução dos problemas. Quando falamos de doenças nos treinamentos, sempre gostamos de reforçar que elas são resultado da interação entre o patógeno, o hospedeiro e o ambiente, e, com base nesse conceito, recentemente concluímos um projeto em que foram diagnosticadas e implementadas várias adequações na estrutura e na execução de atividades no viveiro, visando melhorar a assepsia do local. Foram realizadas avaliações de contaminação em todas as etapas e materiais, desde a coleta do broto até o estaqueamento, bem como do substrato e da água utilizada no processo. Além disso, implementamos um acompanhamento rigoroso nos jardins clonais para detecção e diagnose de cepas mortas. O foco do manejo de doenças tem de estar na eliminação de fontes de inóculo e na redução das condições favoráveis ao surgimento de enfermidades, deixando o controle curativo como último recurso. Outro projeto que está em andamento no viveiro é o desenvolvimento de um aplicativo para monitoramento e geração automática de recomendações, que irá aumentar ainda mais a agilidade da tomada de decisão. No campo, o monitoramento dos plantios é realizado por uma empresa parceira de forma rotineira, entretanto acreditamos que a detecção de uma doença potencial pode ser feita por qualquer colaborador. Para que isso funcione bem, é importante que todos sejam treinados e estimulados a realizar a identificação das ocorrências. A intensidade de monitoramento varia em função da idade, sendo mais frequente nas florestas de até 18 meses. As equipes possuem quadriciclos para acessar locais de difícil acesso, e, recentemente, foi realizada a aquisição de um drone para verificação de pontos remotos, onde não é possível a passagem imediata para monitoramento. Todos estão de olhos na floresta, e a área operacional tem contribuído bastante, indicando pontos de melhoria e ajustes. Outra linha de trabalho que estamos desenvolvendo é a utilização de drones e imagens de satélites para detecção e quantificação de ocorrências. Com o avanço das ferramentas de sensoriamento remoto e a maior disponibilidade de imagens de satélite, conseguimos ter, de forma mais rápida, uma visão macro da floresta. Temos trabalhado internamente, juntamente com a área de planejamento florestal e com startups, no desenvolvimento de monitoramento de ocorrências, com redução de área foliar e mortalidade, por meio das análises de índice de vegetação e do monitoramento de plantas daninhas em plantios jovens.

Um grande avanço permitido por essas ferramentas é a segmentação da unidade do talhão em várias unidades menores de avaliação, que permitem observar situações restritas a partes do talhão e aplicar recomendações mais pontuais, economizando recursos e mão de obra. Além de monitorar, o investimento na seleção de clones resistentes às doenças, como ferrugem do eucalipto e murcha-de-ceratocystis, também deve ser considerado. Conhecer a suscetibilidade de todos os materiais genéticos utilizados em escala operacional e em fase de expansão norteia o manejo adotado em cada situação. Fazemos isso por meio da parceria com laboratórios especializados em inoculação de doenças e avaliação de resistência, para onde são enviadas, periodicamente, mudas para serem analisadas. Além disso, iniciamos a implementação de uma rede experimental com o plantio de diversos materiais genéticos em áreas denominadas hotspots de cada doença. No manejo da ferrugem, fatores impactantes são a velocidade da progressão da doença e os danos causados nos plantios. O tempo de resposta é determinante no sucesso do controle. Pensando nisso, a pulverização com drones tem apresentado viabilidade técnica e econômica, tornando-se tendência, uma vez que esses equipamentos possuem estrutura compacta e conseguem se deslocar até locais muitas vezes isolados, com maior agilidade que as estruturas convencionais, como tratores e caminhões. No manejo da murcha-de-ceratocystis, o desafio, além da seleção de clones resistentes, é o desenvolvimento de técnicas não destrutivas para identificação da doença, uma vez que a enfermidade é vascular e nem sempre apresenta sintomas externos. Todos os monitoramentos devem se basear no nível de controle e dano econômico como base na tomada de decisão. Nem sempre a presença da doença requer uma necessidade de ação, e isso é levado em consideração. Temos acompanhado, por meio dos programas cooperativos e comitês, as ocorrências de patologias, sempre avaliando o risco de introdução de novas doenças nos plantios. Apesar de toda a tecnologia aplicada, um dos fatores mais importantes para o sucesso no manejo de sanidade florestal é a capacitação e o engajamento dos colaboradores. Sem isso, toda e qualquer ferramenta, por melhor que seja, não consegue resolver nada. Devemos avançar nas tecnologias, sem nos esquecermos dos conceitos básicos da sanidade florestal. n

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pragas e doenças

o papel fundamental da tecnologia e inovação O manejo de pragas e doenças do eucalipto enfrenta desafios crescentes. No Brasil, somente nas duas últimas décadas, ocorreu a introdução de quatro novas pragas do eucalipto, causando prejuízos de R$ 1 bilhão. Em abril de 2020, mais uma nova praga foi detectada. Recentemente, enfrentamos a maior epidemia histórica de lagartas desfolhadoras; surgiram novas doenças bióticas e abióticas e, ainda, precisamos ter um bom manejo para as pragas endêmicas. Mas, afinal, como lidar com todos esses desafios? Para responder a essa pergunta, é necessário estabelecer tecnologias integradas ao processo produtivo, sistêmicas e que possam ser aplicadas para todo o setor florestal, uma vez que pragas e patógenos não respeitam fronteiras. Apesar disso, é sempre bom lembrar que a ocorrência das mesmas pragas e doenças podem ter impactos muito diferentes, a depender da tecnologia e da estratégia adotada em cada empresa. Na tentativa de contribuir para esse tema, saliento a importância de, pelo menos, dois pilares de sustentação de uma boa estratégia de manejo integrado. Pessoas e formação profissional: a construção de times engajados, com boa formação técnica e experiência é o ponto inicial de uma boa estratégia. O interessante é que, nessa área do conhecimento, a experiência prática tem tanto valor quanto a formação técnica e científica, uma vez que o adequado manejo de surtos de pragas e doenças depende de uma série de variáveis, dificilmente esgotadas nos cursos tradicionais de formação. Isso me faz lembrar o início da minha carreira, quando descobri que havia muito mais coisas para aprender do que ensinar, mesmo com um título de doutor debaixo dos braços.

Infelizmente, estamos passando por um processo de desaceleração dos cursos de pós-graduação em áreas tradicionais. Isso começou com a aposentadoria de professores de referência e, mais recentemente, foi intensificado pela mudança do interesse das novas gerações por outras áreas do conhecimento. Tecnologias e governança: precisamos entender que o manejo de pragas e doenças na área florestal enfrenta alguns desafios diferentes, se comparado com áreas agrícolas. Como sabemos, a duração do ciclo da cultura do eucalipto são anos e não meses, a altura das árvores são metros e não centímetros, como nas plantas agrícolas, e, para completar, as áreas de cultivo são grandes extensões de terra, geralmente em áreas marginais para produtividade e com grandes variações de clima e solo. Por isso tudo, é preciso ter prioridade para uso da resistência de plantas, monitoramento com emprego de tecnologias de sensoriamento remoto, uso do controle biológico, além das demais técnicas de manejo integrado, para garantir efetividade e racionalidade em termos de custos. Para complementar, as possíveis epidemias de pragas e doenças têm que fazer parte da matriz da companhia, sendo mais um risco que deve ser devidamente quantificado em um negócio de base florestal.

Isso me faz lembrar o início da minha carreira, quando descobri que havia muito mais coisas para aprender do que ensinar, mesmo com um título de doutor debaixo dos braços "

Reginaldo Gonçalves Mafia

Gerente de Tecnologia em Manejo Florestal da Suzano


Opiniões Os surtos recentes apontam para alguns riscos preocupantes que podem causar ascensão das pragas e doenças. Esses riscos devem ser considerados na tríade hospedeiro, agentes daninhos e ambiente. Sobre o eucalipto ainda pouco se conhece, mas muito provavelmente já convivemos com a erosão genética para resistência com o avanço das gerações de melhoramento. Sabemos que a seleção de fenótipos para crescimento e produtividade pode causar uma perda de genes importantes para resistência, além de tornar o hospedeiro menos resiliente aos estresses do ambiente. Além disso, com a intensificação do mercado de mudas e permuta de clones, atualmente temos grandes extensões de área com baixa variabilidade genética. Esse é um grande risco do setor florestal, que ainda convive com a dúvida sobre qual é a área máxima de plantio de um mesmo clone. É importante não esquecer o risco de introdução de novos agentes daninhos, bem como de possíveis adaptações da biodiversidade local. Ademais, as variações dos padrões de clima, seja por efeito direto sobre os agentes daninhos ou, de forma indireta, sobre o hospedeiro ou população de inimigos naturais, podem causar grandes mudanças e afetar toda a estratégia de manejo. Se, por um lado, existem todos esses riscos, o que temos feito para contrabalancear? Posso citar pelo menos três bons exemplos de tecnologias. O primeiro consiste no uso da resistência genética para o controle das principais doenças e algumas pragas. Por meio de protocolos específicos, os clones resistentes são eficientemente selecionados. Nesse caso, como principal oportunidade, é possível intensificar esse processo e tornar essa avaliação cada vez mais precoce no programa de melhoramento. O segundo exemplo diz respeito ao uso do controle biológico. O mercado de controle biológico está em franco crescimento, e estamos nessa mesma direção. Temos dois laboratórios com capacidade para produzir mais de 50 milhões de inimigos naturais por ano, evitando a aplicação, nos últimos cinco anos, de um equivalente de 53 toneladas de agrotóxicos.

Para finalizar, é fundamental dispor de um bom sistema de monitoramento, para avaliar o ambiente (meteorologia), o hospedeiro (satélite e drones) e as pragas e doenças (armadilhas e inspeções de campo), a fim de embasar as melhores decisões de controle. A história recente demonstra que o setor florestal é resiliente, graças ao investimento em pesquisa e inovação. Em 2005, quando diagnosticamos, pela primeira vez, Ralstonia solanacearum em viveiros, rapidamente desenvolvemos protocolos para erradicação do patógeno. Em 2008, descobrimos e nomeamos uma nova doença abiótica, o Distúrbio Fisiológico do Eucalipto (DFE), cujos mecanismos de ocorrência foram elucidados e serviram, mais tarde, para o seu controle. Em 2014, registramos a primeira adaptação de um patógeno ao eucalipto, a bactéria Erwinia psidii. No ano seguinte, desenvolvemos os protocolos para selecionar clones resistentes, de forma semelhante ao que é realizado para outras doenças (ferrugem - Austropuccinia psidii e murcha-Ceratocystis fimbriata). Entre 2003 a 2008, ocorreu a introdução de psilídeo-de-concha (Glycaspis brimblecombei), percevejo-bronzeado (Thaumastocoris peregrinus) e vespa-da-galha (Leptocybe invasa), e, graças à mobilização de todo o setor florestal, foi possível realizar a importação e a descoberta de novos inimigos naturais para o controle. Além do que normalmente fazemos no estado da arte, existe ainda espaço para ser mais assertivo. Por exemplo, para o controle da praga mais importante e recorrente, ou seja, as formigas cortadeiras, o conhecimento está, de certa forma, estagnado; a única opção de controle está sujeita à baixa concorrência de mercado, barreiras e restrições, que não fazem sentido do ponto de vista técnico e ambiental. Precisamos também destravar as discussões sobre uso de biotecnologia, investimento em novas tecnologias, uso de modelagem preditiva, inteligência artificial para tomada de decisão, equipamentos com sensores para coleta de dados e ajustes da aplicação em tempo real, entre várias outras, que precisam sair do modismo e, de fato, virar realidade nos plantios de eucalipto. n

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pragas e doenças

avanços e desafios

no controle químico de doenças

O Brasil é um país com 851,6 milhões de hectares (ha) de área. Desses, 488 milhões de ha são de florestas naturais, e 9 milhões de ha são de florestas plantadas. A maior parte das florestas plantadas, em torno de 96%, são de plantios de espécies exóticas, como eucalipto, pínus, teca, acácia, álamo, mogno africano, dentre outras. E os outros 4% são de plantios de espécies nativas, como a seringueira, paricá, guanandi, dentre outras. As florestas plantadas possuem um papel fundamental na economia do Brasil e na proteção do meio ambiente; em 2019, contribuíram com cerca de 1,2% do PIB Nacional e receita bruta total de R$ 97,4 bilhões.

Aumentar o número de fungicidas registrados e o desenvolvimento de moléculas com diferentes modos de ação (...) é o desafio para manutenção do controle químico como uma ferramenta viável para o manejo de florestas plantadas. "

Willian Bucker Moraes Professor de Epidemiologia e Manejo de Doenças de Plantas da Universidade Federal do Espírito Santo

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Em função das condições edafoclimáticas e do nível tecnológico adotado, o setor florestal brasileiro é um dos mais competitivos do mundo. As florestas plantadas de eucalipto (6,97 milhões de ha), pínus (1,64 milhões de ha) e seringueira (180 mil ha) representam as espécies com as maiores áreas de plantio. Daremos destaque para os avanços e desafios no controle químico de doenças que ocorrem nessas três espécies.


Opiniões 1. DANOS CAUSADOS POR DOENÇA - EUCALIPTO Doença

Ag. causal

Ocorrência Produção

Ferrugem do eucalipto

Austropuccinia psidii

Viveiro/ Campo

↓ média de ↓ de 20% a 41%. 48,3%. (Santos, (Takahashi, 2002) 2006)

2. DANOS CAUSADOS POR DOENÇA - SERINGUEIRA Doença

Ag. causal Ocorrência

Requeima e Cancroestriado

Phytophthora spp.

Viveiro/ Campo

Oídio

Oidium eucalypti

Viveiro/ Campo

Mancha-alvo

Corynespora Viveiro/ cassicola Campo

Produção

Produtividade

↓ de 30% a 50% (Varghese et al., 2005) ↓ de 14 a 29%. (Varghese et al., 2005) ↓ de 20% a 25% (Qu et al., 2012)

3. DANOS CAUSADOS POR DOENÇA - PÍNUS Doença

Ag. causal

Ocorrência

Armilariose Armillaria sp.

Campo

Produção ↓ de 5% a 21%. (Gomes, 2005)

4. PRODUTOS QUÍMICOS REGISTRADOS PARA ESPÉCIES FLORESTAIS

FUNGICIDAS 21%

INSETICIDAS 26%

HERBICIDAS 53%

354 PRODUTOS REGISTRADOS 5. GRUPO QUÍMICO DOS FUNGICIDAS (AGROFIT) 13% OUTROS (*)

Produtividade

38% INORGÂNICO

5% BENZIMIDAZOL 7% BENZOTIADIZOL

14% ESTROBILURINA

23% TRIAZÓIS 77 PRODUTOS REGISTRADOS (*) Ditiocarbamato, Isoftalonitrila, Inorgânico, Carboxamida, Organofosforado, Benzimidazol

Vol. de madeira ↓ de 27,08%. (Masson, 2009)

Txs fotossintéticas

Produtividade x Controle Químico

↓ de até 47%. (Alves et al., 2011)

↑ de 83,65 a 94,74%. (Moraes, 2013)

Considerando a importância do setor de florestas plantadas para a economia, a sociedade e o meio ambiente, temos que levar em consideração a ocorrência de doenças como um fator limitante para a produção do setor. A redução da produtividade florestal atribuída às doenças de plantas deve ser considerada sob os pontos de vista da quantidade (redução na produção em número, peso, volume) e da qualidade (dos produtos, maior custo com reagentes, etc.), o que gera grandes perdas (prejuízos em R$), tanto para produtores quanto para a sociedade. Estima-se que as doenças de plantas sejam responsáveis por danos anuais de 15% a 20% e, em alguns casos, de até 100% (vide Tabelas 1, 2 e 3 nesta página). Com o aumento de áreas plantadas, constituídas principalmente de plantios homogêneos e com restrição da base genética, há uma pressão de seleção de patógenos, que suplantam (“quebram”) a resistência do hospedeiro, tornando-o suscetível. Plantios de materiais resistentes para algumas doenças, como a ferrugem do eucalipto, são utilizados com eficiência e baixo custo para o produtor, porém, quando ocorre a suplantação da resistência, existe a necessidade de outras medidas de controle. O manejo fitossanitário de doenças de plantas visa integrar, de formal racional, diferentes métodos de controle (físico, cultural, biológico, genético e químico), com o objetivo de reduzir a intensidade da doença no campo, evitar danos e perdas e preservar o meio ambiente. Para isso, temos como base um planejamento para evitar e/ou reduzir a doença na área, pautado na diagnose correta e no acompanhamento da ocorrência de doenças por monitoramento a partir de amostragens periódicas. Com base nesse monitoramento, é realizada a tomada de decisão e a escolha do método de controle ideal a ser empregado. O controle químico é uma importante ferramenta para o manejo fitossanitário de doenças de plantas, pois pode permitir o uso de

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pragas e doenças clones/materiais altamente produtivos, mas suscetíveis à doença, tanto no campo quanto em viveiros. Devido à escassez de estudos para avaliar a viabilidade econômica do uso do controle químico em espécies florestais, bem como a quantificação da redução da produtividade e dos prejuízos causados pelas doenças, essa ferramenta, que é muito utilizada na agricultura para o manejo de doenças, por muito tempo, foi deixada de lado no setor de florestas plantadas. Considerando os critérios elaborados pelo FSC, em 2007, e as normas do Brasil para registros de defensivos, teve início o processo de Priorização do Registro de produtos químicos, dada a importância econômica do setor, o aumento de áreas afetadas, as perdas econômicas, a ausência de produtos registrados e a presença de produtos registrados para outras plantas cultivadas no Brasil, com problemas semelhantes (Figura 4). Há ainda muito para ser feito, mas, graças a esse trabalho, hoje, podemos contar com a ferramenta do controle químico para algumas doenças. Os principais grupo químicos dos fungicidas registrados para as espécies florestais no Brasil estão destacados na Figura 5. A cultura do eucalipto é a espécie florestal com o maior número de produtos químicos registrados para doenças (13); alguns deles possuem os mesmos grupos químicos e/ou ingredientes ativos, mudando, assim, apenas o rótulo comercial, e/ou são registrados para mais de uma doença da mesma cultura. Desses produtos, 8 são registrados para a ferrugem do eucalipto, 4 para oídio, 4 para mancha foliar de Cylindrocladium, 1 para Rizoctonia solani e Fusarium spp., e também temos 3 registrados para mancha foliar bacteriana. Dos 8 produtos registrados para a ferrugem do eucalipto, 6 são misturas de triazol (sistêmico) com estrobilurina (mesostêmico), e 2 são misturas de ditiocarbamato (protetor) com estrobilurina (mesostêmico). Quando pensamos no manejo da resistência de fungo a fungicidas, precisamos realizar a rotação, principalmente do modo de ação. No caso da ferrugem do eucalipto, devido ao controle ser basicamente com triazol e estrobilurina, corre-se o risco de essas moléculas

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Opiniões perderem a eficiência de controle em pouco tempo. O que pode gerar um problema para o manejo dessa doença, no curto e médio prazo. Assim, torna-se necessário o desenvolvimento e o uso de novas moléculas, com diferentes modos de ação, para que se possa realizar o manejo correto, visando reduzir o surgimento de uma população do patógeno resistente às moléculas registradas até o momento. Além, é claro, de pesquisas e desenvolvimento de novos registros para outras doenças do eucalipto. Para a cultura da seringueira, nós temos 11 produtos registrados para as doenças. Como no eucalipto, alguns desses produtos possuem os mesmos grupos químicos e/ou ingredientes ativos, mudando apenas o rótulo comercial, e/ou são registrados para mais de uma doença da mesma cultura. Dessa forma, temos 7 produtos registrados para o mal das folhas, 2 para antracnose, 1 para Cylindrocladium delabrum, 1 registrado para Phytophthora palmivora, 1 registrado para oídio. Já para a cultura do pínus, temos apenas 1 produto registrado para Cylindrocladium spp. É nítido o avanço que tivemos nos últimos 13 anos, desde a priorização de registros de produtos químicos, em que praticamente não tínhamos produtos registrados para as doenças que ocorrem em espécies florestais. Porém, para que possamos realizar o uso correto e racional do controle químico como uma ferramenta para o manejo fitossanitário de doenças, é necessário, além de uma diagnose correta, monitoramento, metodologia adequada de aplicação, produto eficaz e tempo correto de aplicação para a tomada de decisão e a rotação de modo de ação, para evitar a resistência dos fungos aos fungicidas. Aumentar o número de fungicidas registrados e o desenvolvimento de pesquisas com moléculas com diferentes modos de ação, associados a novos registros para doenças que já possuem algum produto registrado, e também o registro de produtos para importantes doenças que ainda não possuem nenhum produto registrado, é o desafio para a manutenção do controle químico como uma ferramenta viável para o manejo de doenças do setor de florestas plantadas. n


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plantas daninhas

estratégia de controle de plantas daninhas A redução da produtividade dos plantios de eucalipto no Brasil observada nos últimos anos, tanto nas regiões de novas fronteiras como em locais com maior tradição de plantio, reforça a importância da adoção das melhores práticas de manejo silvicultural como pré-requisito para a manutenção e o aumento da produtividade dos plantios de eucalipto. Chegamos a um momento no qual somente os benefícios proporcionados pela natureza (clima e solo) já não são suficientes para sustentar os patamares de produtividade obtidos em rotações passadas. Dentre os fatores que controlam a produção vegetal, no grupo dos fatores biológicos, está a competição interespecífica, que acontece entre a planta de interesse comercial (no caso, o eucalipto) e as demais plantas existentes na área de plantio, que competem com o eucalipto por água, nutrientes e radiação. Quando esses recursos não são suficientes para esses dois grupos de plantas, as que não são objeto de interesse comercial são denominadas plantas daninhas. Convivendo em uma mesma área, as plantas daninhas reduzem a produtividade da planta de interesse comercial. Portanto a redução dessa concorrência é necessária em qualquer processo comercial de produção vegetal. O controle de plantas daninhas, apesar de ser uma prática comum nos setores agrícola e florestal, definitivamente não pode ser considerada uma atividade trivial.

O controle de plantas daninhas, apesar de ser uma prática comum nos setores agrícola e florestal, definitivamente não pode ser considerada uma atividade trivial. "

Fernando Palha Leite

Coordenador P&D Florestal da Cenibra

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A estratégia da Cenibra para o manejo de plantas daninhas em seus plantios de eucalipto localizados na região centro-leste do estado de MG foi elaborada a partir de vários trabalhos conduzidos pela área de pesquisa florestal da empresa. Esses trabalhos tiveram como objetivo responder aos seguintes questionamentos: 1. Quais são as perdas de produtividade dos plantios causadas pelas plantas daninhas? 2. Quais são as plantas daninhas presentes nas áreas da empresa e quais são suas características? 3. Qual o momento mais indicado para realizar a atividade de controle das plantas daninhas? 4. Quais herbicidas são os mais indicados para o manejo realizado pela empresa? 5. Qual tecnologia de aplicação é mais compatível com as condições de trabalho da empresa? 6. Todos os funcionários envolvidos na atividade estão devidamente capacitados? 7. Quais os indicadores críticos da atividade que devem ser controlados para análise da qualidade das aplicações de herbicida? Atualmente, a empresa dispõe de uma base consistente de informações para responder aos questionamentos citados anteriormente. Com relação aos prejuízos (perdas de produtividade), a partir de experimentos realizados em todas as regiões de atuação da empresa, foi possível conhecer a real magnitude desse impacto para as diferentes fases do povoamento, definindo qual deve ser o período de controle (número de dias no limpo) e também qual pode ser o período de convivência (tempo de tolerância) do eucalipto com as plantas daninhas.


Opiniões Essas informações são essenciais na definição de quanto a empresa pode investir na atividade de controle das plantas daninhas. Para ampliar o conhecimento a respeito dos tipos de plantas daninhas existentes nas áreas da empresa, foram realizados trabalhos de identificação botânica dessas plantas. Foram identificadas 387 diferentes espécies, de 224 gêneros e 67 famílias. Essa situação evidenciou a necessidade de adoção de estratégias de controle diferenciadas para os diferentes grupos de plantas daninhas encontrados. Outro grande desafio foi estruturar e operacionalizar um sistema de monitoramento e de indicação da priorização das áreas para controle. Atualmente, esse monitoramento é realizado por equipes de campo que utilizam um aplicativo desenvolvido pela área de qualidade florestal. Nesse aplicativo, são feitos os registros dos níveis de infestação e dos tipos de plantas daninhas encontrados nos talhões. Os relatórios gerados pelo aplicativo indicam se os monitoramentos foram realizados dentro dos prazos e também priorizam quais talhões devem ser controlados no mês seguinte ao monitoramento, servindo de base para elaboração das ordens de serviços emitidas pela equipe operacional. A definição dos herbicidas mais apropriados para serem utilizados foi outro ponto muito trabalhado. Nenhum produto é recomendado operacionalmente sem antes ser submetido a experimentos nas áreas da empresa. A partir desses experimentos, são definidos quais produtos têm potencial de serem utilizados. Para alguns produtos, são feitos ajustes nas doses: muitas vezes, a dose mais eficiente para a condição específica da empresa é diferente da dose recomendada pelo fabricante. Os produtos são definidos basicamente em função do tipo das plantas daninhas e da idade dos plantios. Atualmente, são utilizados produtos distintos para três categorias de plantas (1. plantas de fácil controle; 2. plantas anuais de difícil controle e 3. plantas de folhas largas perenes). Com relação à fase de desenvolvimento das plantas daninhas, são utilizados produtos em pré e em pós-emergência, existindo um produto específico para a pré-emergência em pré-plantio e outro para pré-emergência em

pós-plantio. Para atender a todas as situações, são utilizados seis diferentes herbicidas. Quanto à tecnologia de aplicação, além das variáveis mais comuns (tipo de planta daninha e idade do plantio), a condição do relevo dos talhões também tem influência na definição do tipo de pulverizador, tipo de ponta e de pressão de trabalho. Um ponto crítico da aplicação é a definição das pontas de pulverização: atualmente, utilizamos 4 diferentes tipos de pontas nas aplicações manuais e 8 pontas nas aplicações mecanizadas. Em relação às pessoas, além dos treinamentos de rotina realizados com os funcionários que realizam a aplicação de herbicida, também foi estruturado e realizado um programa de capacitação para as demais pessoas envolvidas na nessa atividade, como os analistas, supervisores e monitores. Para fechar o ciclo da estratégia de manejo, são realizados controles de qualidade das equipes, dos equipamentos de aplicação e da efetividade dos controles realizados. A implementação dessa estratégia de manejo de plantas daninhas foi uma das causas do aumento de produtividade dos plantios da empresa nas últimas rotações (aumento de 22,3% na produtividade dos plantios atuais em relação aos plantios realizados até o ano 2000) e também foi importante para amenizar as perdas de produtividades observadas pontualmente nos anos onde houve uma redução significativa de chuvas nas áreas de atuação da empresa. Nos anos de 2014 a 2017, a precipitação pluviométrica anual ficou 24,7% abaixo dos valores históricos e, mesmo nessa condição bastante adversa de disponibilidade de água, as perdas em produtividade medidas nos plantios da empresa, nesse período, foram menores que 3%. Como benefícios indiretos do efetivo controle das plantas daninhas, podemos citar a redução de eventuais danos causados aos plantios por incêndios florestais, a melhoria na qualidade e no rendimento de atividades como controle de formigas e adubação dos plantios. O somatório desses benefícios tem sido fundamental para a Cenibra garantir a sustentabilidade de seu processo de produção de madeira. n


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plantas daninhas

fatores de interferência nas decisões Como é de conhecimento comum, as plantas presentes nas áreas de produção florestal passam a causar danos quando competem pelos mesmos recursos disponíveis no ambiente, sejam nutrientes, luz ou água, ou ainda eliminam substâncias que podem interferir no desenvolvimento da cultura. Como plantas de metabolismo C3, as culturas florestais já se encontram defasadas em relação às piores plantas daninhas, de metabolismo C4, e, assim, mais eficientes no emprego dos recursos disponíveis. Não há dúvidas de que a complexidade do manejo de plantas daninhas em áreas florestais é maior do que em qualquer outra cultura agrícola, e a definição de um plano estratégico de manejo é, portanto, fundamental. É preciso, para tanto, criar condições que desfavoreçam as plantas daninhas e permitam a vantagem da floresta plantada. Essa é a base do plano de manejo, e, para produzi-lo, deve-se entender o grau de interferência das plantas infestantes sobre a cultura e os fatores envolvidos no processo. A partir desse ponto, passamos ao desenvolvimento de matrizes de decisão que entreguem as melhores indicações para os diferentes cenários.

Mas o que são matrizes de decisão em manejo de plantas daninhas? Trata-se de um fluxograma onde o usuário responde a questões binárias que o direcionam a diferentes possibilidades de manejo dentro das condições preexistentes de cada talhão. Se o balanço das variáveis for adequado, não se corre o risco de posicionamento inadequado de técnicas de manejo, sejam mecânicas, químicas ou culturais, otimizando resultados e evitando descartar procedimentos ou produtos pelo uso impróprio. A construção da matriz passa pelo entendimento das variáveis de interação entre as florestas e as plantas daninhas, pelas ferramentas disponíveis em cada realidade, por conceitos e paradigmas estabelecidos em cada modelo de gestão, pelo contexto de inserção em certificações e o acompanhamento de inovações. A interação entre a floresta e as plantas daninhas parte da fisiologia das plantas e comunidades infestantes e a forma como são influenciadas pelas condições ambientais. No Brasil, as florestas são plantadas em todos os biomas, de norte a sul e de leste a oeste, o que implica condições ambientais muito variáveis. Características físicas e químicas dos solos, incluindo o preparo, a correção e a fertilização, definem a profundidade de exploração do sistema radicular da floresta, a capacidade de armazenamento de água nos solos e a dinâmica das plantas daninhas e dos herbicidas em cada situação.

No Brasil, as florestas são plantadas em todos os biomas, de norte a sul e de leste a oeste, o que implica condições ambientais muito variáveis. "

Rudolf Woch

Diretor da Apoiotec


Opiniões Como exemplo, solos corrigidos em profundidade e bem preparados permitem que florestas suportem melhor condições de déficit hídrico e possam manter vantagem competitiva em relação a plantas daninhas com sistemas radiculares menos profundos. Além de oferecer energia luminosa para a fotossíntese, a radiação solar tem papel importante na degradação luminosa de herbicidas que estejam depositados sobre cobertura antes de serem levados por água de chuva até os solos e atua na oscilação de temperatura ao longo do ano, em diferentes latitudes. Em regiões mais ao norte, as amplitudes de variação da incidência são menores quando comparadas a áreas mais ao sul. Essa variação influencia no ciclo das plantas daninhas, em sua capacidade de formação de biomassa, na germinação do banco de sementes, na seleção de espécies e no tempo de degradação dos diferentes herbicidas, o que pode alterar o período de controle de um mesmo produto, dependendo a posição geográfica. Como é sabido, a temperatura é um dos fatores de interferência direta no crescimento e desenvolvimento de plantas em geral, influencia nos estímulos de germinação de sementes e pode mudar a dinâmica das plantas daninhas em diferentes ambientes e da microbiota dos solos, responsáveis por grande parte da degradação de moléculas de herbicidas. A presença de grandes porções de água diminui a amplitude térmica ao longo dos meses do ano. Assim, áreas mais próximas ao litoral, como o ES e extremo sul da BA, têm menos variação de temperatura quando comparadas a áreas no MS ou MT. Plantios em áreas de montanhas podem sofrer interferência em variações de temperatura e também na incidência de radiação e luminosidade, em função das faces onde forem realizados os plantios. Somando-se a esses fatores, embora exista uma expectativa de comportamento climático em função da região espacial dos plantios, aspectos globais podem mudar os padrões climáticos estabelecidos. Anomalias como o aquecimento ou resfriamento das águas do pacífico, conhecidos como El Niño e La Niña, interferem diretamente no regime hídrico no Brasil. O primeiro tende a aumentar as precipitações mais ao sul do país e reduzir mais ao centro e norte, e o oposto ocorre no segundo caso. Conhecer os padrões climáticos e suas possíveis alterações é muito importante para o entendimento da dinâmica da água no ambiente, tanto para crescimento e produção florestal, como para a dinâmica de plantas daninhas e

melhor posicionamento de herbicidas em função de suas características físico-químicas. Uma vez considerados os aspectos ambientais envolvidos, passa-se a outra questão: modelos de gestão, objetivos de custos e disponibilidade de recursos são diferentes nas regiões de produção florestal. A silvicultura é fortemente influenciada por esses fatores, e são inúmeras as ferramentas disponíveis para o manejo. Como exemplo, podemos citar a disponibilidade e a capacitação de mão de obra – existem regiões onde não se pode considerar o uso de operações costais, ainda que fosse a melhor alternativa para determinadas situações. Para o manejo integrado de plantas daninhas, por vezes, são necessárias operações mecânicas, químicas ou conjugadas com outras operações. Links, rolo faca, lâminas de capina na linha e grades são exemplos de soluções para controle mecânico. Para controle químico, é preciso considerar aplicações em área total ou em faixas. Os sistemas de pulverização têm variações tecnológicas muito significativas. Desde a seleção de pontas de pulverização, passando por dispositivos de dosagem e homogeneização de caldas, até comandos, controladores eletrônicos ou dispositivos de regulagem que permitam a adequação das máquinas para diferentes cenários. A tecnologia de aplicação disponível pode até mesmo restringir o uso de determinados herbicidas, sob pena de causar interferências no crescimento das florestas e, com isso, levar à redução de opções de manejo. Atualmente, no Brasil, existem 24 princípios ativos registrados para florestas plantadas, distribuídos em 10 grupos de modo de ação. Esse conjunto cresceu nos últimos anos, facilitando, por um lado, o manejo, com mais ferramentas, para soluções mais adequadas a cada situação. Por outro lado, exige que os envolvidos nos processos decisórios e operações possuam capacitação diferenciada em relação ao passado. Há, portanto, produtos suficientes para executar bons manejos com redução de operações para controle de plantas daninhas, desde que o posicionamento dos produtos e a tecnologia de aplicação estejam adequados aos diferentes cenários. Os maiores volumes de plantio de eucalipto estão em grandes empresas, e grande parte das áreas são certificadas. Na última política estabelecida para uso do agroquímicos em áreas certificadas, existem produtos proibidos, produtos liberados e outros que passam a ser utilizados mediante a apresentação do ARAS – Avaliação de Riscos Ambientais e Sociais.

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plantas daninhas Essa disposição aumenta a possibilidade de uso de produtos que estavam afastados do manejo até o final de 2019. Assim, observando possibilidades e restrições, e mantendo em foco todos esses fatores decisivos, podemos abordar a construção da matriz de tomada de decisões. A experiência nos mostra que a construção da matriz deve ser agrupada em função das diferentes etapas do processo de produção florestal, levando em conta as particularidades de cada uma delas. No grupo de operações pré-plantio e limpeza de área, as ações podem exigir operações mecânicas antes ou em conjunto com as químicas, bem como associação de tratamentos e produtos. Em áreas de implantação, deve-se atentar à presença de plantas resistentes a herbicidas remanescentes de culturas anteriores ou efeitos fitotóxicos por carry over de produtos utilizados na agricultura que permanecem nas áreas de plantios florestais. Já em reforma, a presença de resíduos de colheita e necessidade de controle de brotação passam a compor os principais pontos de atenção. Em áreas de condução de talhadia, o manejo pode começar ainda antes da colheita do ciclo anterior, e, uma vez estabelecidos os brotos que serão conduzidos para novos fustes, a presença de “brotos ladrão” também precisa entrar na matriz. Na matriz, a definição dos herbicidas pré-emergentes de plantio precisa considerar opções de aplicação antes ou depois de se colocar a muda no chão, em operações solteiras ou associadas a outras, o nível de tecnologia de aplicação embarcado, a época do ano, tipo e manejo de solo, tempo esperado do efeito biológico, entre outros fatores. Com as mudas plantadas, as operações de manutenção precisam seguir oferecendo dianteira competitiva para as florestas. Contudo, com a presença das florestas cultivadas nas áreas, as opções de produtos e ferramentas ficam mais restritas, sendo necessários produtos de maior seletividade, seja por posição com tratamentos em faixas nas entrelinhas ou por metabolismo e modo de ação. Na etapa da manutenção, é preciso haver soluções na matriz que prevejam possibilidades de abertura do dossel em função de anomalias ambientais, como ocorrência de granizo e ventos fortes, incêndios ou ataque de pragas e doenças, que se tem 'tornado mais frequente nos povoamentos florestais.

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Opiniões O aumento da extensão das áreas de silvicultura e a complexidade das variáveis que interferem no manejo exigem a criação de premissas para nortear as estratégias de controle. Entre as principais, pode-se destacar a redução de atividades após o plantio das mudas, a definição de metas de custos, considerando períodos e valores envolvidos, criando índices de R$/dia no limpo (livre de plantas daninhas), ou, ainda, a definição de uma estratégia de controle de daninhas em área total ou faixas, entre outros. Eucalipto talvez seja a cultura com maior complexidade para definição de um plano de manejo de plantas daninhas. É preciso criar um modelo que ajude na tomada de decisões diária pelos técnicos, que dê suporte ao setor de suprimentos na negociação de insumos, que direcione a capacitação dos envolvidos nos processos, considerando todos os fatores expostos, ambientais, tecnologia, ferramentas disponíveis, etapas de produção e manejo, além de conceitos e premissas. Quais são, então, os desafios para o futuro próximo no manejo de plantas daninhas em florestas plantadas? Com as respostas a essa pergunta, surgem novos direcionadores da construção de planos estratégicos mais sustentáveis no manejo integrado de plantas invasoras no setor: • Ampliação da adoção das matrizes de decisão no setor florestal, contemplando todos os fatores abordados no tema, uma vez que a aplicação do método ainda é pouco difundida; • Automação dos planos de manejo, requerendo o desenvolvimento de ferramentas de geoprocessamento como suporte na definição dos caminhos selecionados nas matrizes ou como métodos de controle de qualidade de produto para aferir a assertividade dos caminhos escolhidos para cada área; • Monitoramento e coleta ordenada de dados referentes a comportamentos climáticos, bem como identificação de anomalias globais que possam interferir nos ambientes de produção; • Acompanhamento e adequação constante da tecnologia de aplicação; • Gestão de talentos; • Monitoramento da resistência de plantas daninhas em áreas florestais, principalmente com a chegada das plantas transgênicas. Novos caminhos surgem a todo momento. Resta, agora, abraçar as oportunidades e incorporar a transformação rumo a um setor florestal ainda mais produtivo e lucrativo, com responsabilidade social e ambiental. n


Q

Índice

plantas daninhas

presente e futuro

do manejo integrado de plantas daninhas Na eucaliptocultura, o controle de plantas daninhas representa entre 25% a 35% do custo de formação florestal. Como fator agravante, quaisquer métodos de controle de plantas daninhas adotado, se não realizados de maneira técnica e no momento adequado, além do alto custo, podem causar impactos negativos sobre a produtividade florestal. Em função disso, é fundamental desenvolver a capacitação técnica e aplicar o conceito de Manejo Integrado de Plantas Daninhas, com base nas etapas de identificação, monitoramento e controle. Os componentes do manejo integrado de plantas daninhas florestais são essencialmente os mesmos do setor agrícola. Todavia o sistema florestal é ecologicamente mais diverso e complexo, pois ocorrem mudanças nos estádios fenológicos da cultura e da composição da cobertura vegetal nativa ao longo do ciclo, com ou sem intervenção do homem. As estratégias e medidas de controle irão variar com a espécie da planta daninha envolvida, o ambiente (condições edafoclimáticas), o estádio fenológico do plantio e a interação desses fatores por intermédio da ação humana. O manejo de plantas daninhas se caracteriza por alta demanda de recursos e acompanhamento específico para garantir a produtividade florestal e a otimização dos recursos. Assim, monitorar periodicamente a infestação de ervas daninhas durante as idades iniciais dos plantios florestais permite adotar uma recomendação específica, no que se refere ao tipo de planta daninha a ser controlada e ao momento ideal da intervenção.

Nesse sentido, e com o objetivo de reduzir a subjetividade da decisão, é fundamental adotar um monitoramento eficiente de plantas daninhas, com o objetivo principal de identificar eventuais riscos de matocompetição e registrar as informações sobre a presença da planta daninha para tomada de decisão. No modelo convencional, após a coleta de dados em campo e seu processamento, as informações são utilizadas para gerar as recomendações de controle sempre que necessário. Floresta digital: tem mato no radar? A tecnologia ajuda a identificar rapidamente as plantas “intrusas” nas florestas plantadas e agiliza a tomada de decisão com rastreabilidade e governança de todo o processo. O trabalho de campo está cada vez mais familiarizado com a utilização das novas tecnologias. Somente como exemplo, na Suzano, desde 2017, aplicamos, de forma pioneira, geotecnologias para o monitoramento de plantas daninhas, a partir do processamento de imagens de satélite. Com a nova tecnologia, toda a área plantada é monitorada, e o avanço de biomassa das plantas daninhas é analisado. Dependendo da idade do eucalipto, pode-se identificar claramente o aparecimento de ervas, e um alerta é disparado.

Na eucaliptocultura, o controle de plantas daninhas representa entre 25% a 35% do custo de formação florestal. "

Edival A. Valverde Zauza e Edmilson Bitti Loureiro

Gerente de Sanidade e Proteção Florestal e Gerente de Desenvolvimento e Extensão Tecnológica da Suzano

68


Opiniões Com a identificação de locais com diferentes intensidades de matocompetição, temos oportunidade de direcionar o monitoramento de forma assertiva, visitando preferencialmente áreas de maior risco. Assim, o mapeamento e alertas gerados sobre as possíveis áreas com risco de matocompetição se mostrou uma ferramenta valiosa para complementar o trabalho das equipes de silvicultura, priorizando a realização do monitoramento de campo para as condições de infestação com maior risco, pois amplia significativamente a visão da base florestal, reduzindo a subjetividade das ações das equipes e maior rastreabilidade da análise e da tomada de decisão sobre a necessidade da intervenção. Para facilitar todo esse trabalho, é importante adotar ferramentas para padronizar a coleta de dados e gerar indicadores de acompanhamento e governança do manejo integrado de plantas daninhas. Além disso, a utilização de uma matriz de decisão com premissas técnicas de posicionamento e doses de herbicidas, em função do ambiente e do tipo de planta daninha, torna esse processo ainda mais robusto e confiável. Para garantir o sucesso dessa estratégia, as equipes devem estar treinadas e capacitadas para realizarem adequadamente os registros das informações. Além do conhecimento, é fundamental o comprometimento das pessoas, pois todos precisam estar "de olho na floresta" para otimizar os recursos e reduzir as perdas de produtividade, em função da matocompetição. O controle digital agiliza a ação e direciona recursos aos locais mais críticos, bem como permite avaliar a qualidade do serviço

de controle de plantas daninhas, evitando retrabalho, em função de falhas na execução das atividades. Olhando para o futuro e com o objetivo de reduzir custo da formação florestal, é importante definir, para cada ambiente de produção, os momentos e os períodos de interferência e de convivência durante todo o ciclo da cultura, a fim de realizar ajustes nas matrizes de decisão. Ademais, é importante investir continuamente na capacitação técnica de todos os envolvidos no assunto, para tornar ágil a adoção das recomendações técnicas. Para que as empresas estejam sempre atualizadas em relação às estratégias de monitoramento e ao controle de plantas daninhas, é fundamental manter parcerias com empresas e instituições de pesquisa. Nessa parceria, são desenvolvidas pesquisas contemplando o aperfeiçoamento das estratégias de monitoramento e controle a serem incorporadas no manejo integrado. Progredimos bastante no manejo integrado de plantas daninhas nos últimos anos, contudo existem oportunidades para avançar, como adotar aplicações de herbicidas em dose variada e com produto direcionado ao alvo, liberar e implantar o eucalipto resistente a herbicidas e incorporar métodos alternativos ao controle químico com redução da participação do Glyphosate na matriz de decisão. Dessa forma, a adoção de diferentes estratégias no manejo de plantas daninhas amplia as opções de controle e dificulta o estabelecimento da matointerferência, potencializando a produtividade planejada para cada ambiente. n

69


Q

Índice

pragas e doenças - perdas & danos

as estimativas de

perdas e oportunidades

no manejo integrado de pragas e doenças

O Manejo Integrado de Pragas e Doenças (MIPD) é uma importante estratégia constituída de ações que visam ao acompanhamento da flutuação populacional de agentes causadores de danos, bem como a definição de medidas de contingência, quando a população desses agentes atingirem o Nível de Controle (NC). Para melhor entendimento do MIPD, alguns conceitos são importantes: • Nível de Dano Econômico (NDE): o agente causador de danos apresenta nível populacional suficiente para causar perdas produtivas superiores aos custos de controle; • Nível de Controle (NC): o nível populacional do agente causador de dano está na iminência de atingir o NDE; sendo assim, medidas de controle são recomendadas; • Nível de Equilíbrio (NE): o agente causador de danos está presente no ambiente, porém a sua população ainda não é suficiente para causar perdas produtivas; Atualmente, o Brasil possui 9 milhões de hectares (ha) de árvores plantadas, das quais 95,5% são formadas por eucalipto (6,97 milhões ha) e pínus (1,64 milhões ha). Considerando a relevância do setor, os desafios relacionados ao MIPD são grandes.

A principal etapa do MIPD é o monitoramento das áreas produtivas que, em alguns casos, deve ser realizada mesmo antes do estabelecimento da cultura. A quantidade de área amostrada e de frequência de monitoramento é primordial para o diagnóstico precoce e pode variar de acordo com material genético plantado, seu estágio de desenvolvimento, ambiente e praga/doença-alvo. Um importante passo para qualquer programa de MIPD é o reconhecimento oficial das principais espécies de pragas e doenças existentes. Sem esse reconhecimento, não é possível a realização de registros de produtos químicos, nem biológicos para o seu manejo. Atualmente, o Ministério da Agricultura é o órgão responsável por esse depositório e disponibiliza essas informações através do Agr0fit – Sistema de Agrotóxicos Fitossanitários De acordo com a plataforma, atualmente, existem 12 doenças e 19 insetos registrados como pragas da cultura do

Os temas aqui propostos são apenas alguns dos vários desafios e oportunidades que gostaríamos de expor e convidar o setor a um amplo debate "

Sharlles Christian Moreira Dias e Luciano Flávio Neves Ramos Coordenador de Nutrição, Manejo, Ecofisiologia e Proteção Florestal e Especialista em Proteção Florestal da Eldorado


Opiniões eucalipto e 3 doenças e 6 insetos-praga registrados para a cultura do pínus. Para a cultura do eucalipto, ainda não constam registros para importantes pragas e doenças florestais relevantes, em campo e/ou viveiro, das quais podemos citar: nenhum registro para besouros-desfolhadores, os quais são responsáveis por severos danos em fases iniciais da cultura, entre eles o besouro-amarelo (Costalimaita ferruginea) e o besouro cai-cai (Lampetis spp.); também não temos registro para importantes doenças como Erwinia psidii; murcha-de-ceratocystis (Ceratocystis fimbriata) e Quambalaria spp. Resultado prático: quando ocorrem, os produtores não dispõem de ferramentas suficientes para o controle e manejo. Além das ameaças já conhecidas, também existem pragas e doenças exóticas já presentes em outros países e com elevado potencial de causarem danos, se introduzidas no Brasil. Em 2018, o Ibá em conjunto com o Protef/Ipef e renomados pesquisadores realizaram um importante trabalho de mapeamento e planos de contingências para as possíveis ameaças fitossanitárias ao setor. De acordo com o material publicado, foram identificadas cerca de 30 potenciais pragas, 5 patógenos vinculados à madeira e, pelo menos, 12 potenciais doenças vinculadas a material vegetativo. Apesar de ainda não serem pragas e nem doenças-chave no País, seria uma estratégia importante já registrá-las no MAPA para que pesquisas e estudos possam avançar, permitindo o registro e/ou extensão de uso de produtos biológicos e/ou químicos, facilitando a importação e pesquisas dos potenciais inimigos naturais, além da elaboração de protocolos de manejo, de forma a nos anteciparmos aos problemas. Prosseguindo com o MIPD, após a detecção e a quantificação da praga/doença, o controle é realizado com base no atingimento do NC, que, por sua vez, é específico a cada alvo. A definição de NC é um desafio, principalmente para culturas perenes de ciclos longos, como no caso da eucaliptocultura. Nesse período, há uma infinidade de variáveis a serem consideradas, como material genético, condições edafoclimáticas, severidade de ataque, idade da floresta no momento da ocorrência, manejo da floresta (adubações, controle de matocompetição), tempo de interação entre praga/patógeno e o hospedeiro e quantidade de ciclos de ataque. Atualmente, as informações sobre NDE são escassas ou ausentes, principalmente quando consideramos as variadas condições edafoclimáticas na qual a cultura está submetida.

Sendo assim, o setor precisa se organizar e priorizar estudos referentes aos NDEs, a fim de melhorar a alocação de recursos para o manejo das pragas/doenças. Após definição de necessidade de controle, os métodos de menor impacto são priorizados, como o controle varietal, o controle biológico, o controle comportamental e, por fim, o controle químico. Na eucaliptocultura, devido a grandes extensões de área, geralmente é necessária a intervenção de forma aérea. Isso se faz necessário para eliminar, em menor prazo, os agentes causadores de danos, evitar a sua dispersão e, em alguns casos, atuar nas fases biológicas em que o produto definido apresenta maior eficiência de controle. Atualmente, os trabalhos de aplicação aérea no setor são regulamentados pela Instrução Normativa nº 2, de 2008, a qual define os critérios para realização da atividade e restringe as aplicações de defensivos em algumas situações de bordas e/ou limítrofes. A repercussão disso é que as áreas não tratadas perdem produtividade, além de manterem a dispersão das pragas para novas áreas, necessitando, assim, de novas intervenções. Acreditamos que a regulamentação é necessária e importante para a proteção de mananciais e áreas restritivas, porém, em alguns casos, essas restrições podem chegar a mais de 250 metros, mesmo para produtos biológicos específicos. Um exemplo disso é o recente avanço e publicação da Instrução Normativa nº 13, de 2020, que dispõe sobre a aplicação de fungicidas e óleo mineral com uso de aeronaves agrícolas na cultura da banana. Nessa regulamentação, as restrições de bordadura foram aprimoradas e, em casos específicos, reduzidas para até 15 (quinze) metros de mananciais de água, desde que protegidos por faixa marginal de cobertura vegetal nativa, reflorestada ou em regeneração. Isso mostra oportunidades para um debate setorial, principalmente para produtos biológicos, já que as pulverizações são menos intensas que a cultura citada. Os temas propostos são apenas alguns dos vários desafios e oportunidades que gostaríamos de expor e convidar o setor a um amplo debate, para que possamos avançar e aprimorar o nosso Manejo Integrado de Pragas e Doenças, de forma a obter um manejo economicamente viável, socialmente justo e ambientalmente correto. Esse é um papel de todos nós. n

71


Q

Índice

pragas e doenças - perdas & danos

perdas não planejadas por pragas Qualquer vegetal em grande escala de cultivo está sujeito a ocorrências de pragas, isso não seria diferente para as árvores plantadas. No setor brasileiro, temos como protagonista o cultivo do eucalipto, que representa 77% da área total e corresponde a 6,97 milhões de hectares, distribuídos nos diversos estados, com maior concentração em Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Bahia, Rio Grande do Sul, Paraná e demais estados, conforme o último Relatório Anual de 2020, com ano-base 2019, da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá). Nos últimos seis anos, o eucalipto praticamente não evoluiu em produtividade, ficando a nossa média nacional em torno de 35 a 36 m3/ha/ano, mostrando que, apesar das melhorias que tivemos em todo o processo de silvicultura, existem fatores limitantes que podem estar ocasionando esta estagnação de produtividade. Um deles são as pragas que ocorrem no campo. Com diversos condicionantes interligados e conceituados em estratégias de mitigação na redução da população de pragas, o Manejo Integrado de Pragas (MIP) ganhou enorme destaque, por ser um conceito que prioriza o monitoramento como base para decisão de intervenção pelas empresas e pelos produtores de eucalipto, além de ser exigência de algumas certificadoras. Porém temos que destacar alguns pontos para poder tentar entender o MIP e até que ponto ele pode contribuir na produção de madeira.

Atualmente, o mercado oferece diversas ferramentas para o monitoramento das áreas plantadas, dentre as quais podemos destacar a utilização de imagens dos satélites, que permite visualizar diversas anomalias nas plantas em campo, como injúrias causadas por insetos e doenças bióticas e abióticas, porém vale ressaltar que, para se ter o diagnóstico, deve ser realizada a inspeção de campo. Outras ferramentas utilizadas são as armadilhas, como a armadilha adesiva amarela, que monitora vários insetos, como o psilídeo-de-concha, psilídeo-de-ponteiro, percevejo-bronzeado, vespa-da-galha e inimigos naturais, e a armadilha luminosa para o monitoramento de lagartas desfolhadoras. Essas armadilhas, como outras que podem ser utilizadas conforme o agente danoso, ilustram bem a dinâmica dos insetos no ambiente. E não podemos deixar de mencionar as vistorias de campo, sendo a principal maneira de se ter um “raio x” da área em todos os aspectos de pragas, principalmente quando englobam a amostragem específica do alvo. Todas essas ferramentas trazem informações em relação à condição da praga e de seu hospedeiro, porém só esses dados não são suficientes para se recomendar um manejo, pois o fator econômico tem que ser levado em consideração. Dentro do conceito de MIP, temos o nível de equilíbrio, o nível de controle e o nível de dano econômico; todos esses parâmetros são relacionados em função da

Para se colher produtividade no resultado, devem-se proteger os ganhos no processo "

Alexandre Coutinho Vianna Lima Diretor Florestal da MIP Florestal


Opiniões população praga ao longo do tempo, porém nós podemos adaptar e criar níveis em função da injúria na planta com a perda de madeira e traduzir esses níveis em valores, ficando mais fácil o entendimento dessas perdas, que podemos ter, e se vale a pena ou não a intervenção na área. A escolha do método de controle é extremamente técnica, levando em consideração o produto a ser utilizado, a fase biológica da praga e cultura, a injúria na planta, as condições edafoclimáticas e as tecnologias na aplicação.

De forma simples, seguimos um exemplo de como seriam perdas simuladas em cenários envolvendo o eucalipto. Se consideramos uma área de um hectare, com IMA de 35,20 m3/ha/ano (uma planta corresponde a 0,17 m3/ha/ano, num estande de 1.450 plantas/ha), ciclo de sete anos, considerando o valor de implantação e manutenção de R$ 5.000,00 reais, valor do arrendamento de R$ 50,00 reais/ha/mês e a venda da madeira em pé em R$ 48,00 reais, o produtor tem uma receita líquida final em R$ 2.626,09.

1. CÁLCULO DE RETORNO DE INVESTIMENTO versus PERCENTUAL DE PERDAS POR PRAGAS ÁREA

VOLUME

ha

m3

1

246,38

PERDA %

m3

0

0,00

LUCRO BRUTO

R$

% por ha -

0,00

Área/m2 0,00

LUCRO LÍQUIDO

R$

R$

11.826,09

2.626,09

1

2,46

118,26

0,85

85,00

11.707,83

2.507,83

2 3 5

4,93 7,39 12,32

236,52 354,78 591,30

1,70 2,55 4,25

170,00 255,00 425,00

11.589,57 11.471,30 11.234,78

2.389,57 2.271,30 2.034,78 1.443,48

10

24,64

1.182,61

8,50

850,00

10.643,48

20

49,28

2.365,22

16,99

1700,00

9.460,87

260,87

30

73,91

3.547,83

25,49

2550,00

8.278,26

-921,74

40

98,55

4.730,43

33,98

3400,00

7.095,65

-2.104,35

50

123,19

5.913,04

42,48

4250,00

5.913,04

-3.286,96

60

147,83

7.095,65

50,97

5100,00

4.730,43

-4.469,57

73


pragas e doenças - perdas & danos Nesse mesmo cenário, se considerarmos as perdas simuladas e crescentes, conforme figura 1, podemos observar que, ao aumentar a perda, o risco do investimento fica frágil quando atingimos perdas de 30%, chegando com caixa negativo em R$ 921,74. 2. PERDA ESTIMADA DO IMA - EM PERCENTUAL E REAIS IMA = 35,2 m3/ha/ano (Média Nacional de Produtividade) Valor da Madeira em Pé de Eucalipto = R$ 48,00 Controle: Considerando Produto e Implemento de Pulverização

R$ 506,88

R$ 337,92 R$ 253,44 Controle Tratorizado; R$ 180

R$ 168,96 R$ 84,48

5

10

15

20

30

Controle com Avião; R$ 85

Perda Estimada do IMA (%)

3. PRODUTIVIDADE DE IMA EM FUNÇÃO PERDAS PROJETADAS Produtividade de IMA (m3/ha/ano)

Q

Índice

90 80

80,00

70

70,00

60

60,00

50

+ 50,00

40 30 20

45,00 40,00 35,00

76,00 66,50 57,00 + 47,50

42,75 38,00 33,25

72,00 63,00 54,00 + 45,00 40,50 36,00 31,50

+

68,00 59,50 51,00 42,50 38,25 34,00 29,75

+

0 5 10 15 Perdas Projetadas (%)

64,00 56,00 48,00 40,00 36,00 32,00 28,00 20

56,00 49,00 42,00 + 35,00 31,50 28,00 24,50 30

35,2 IMA (Média Nacional de Produtividade)

4. PERDAS PROJETADAS PARA O BRASIL R$ 100.000.000.000,00

R$ 10.000.000.000,00

R$ 16.556.521.739,13

R$ 24.834.782.608,70 R$ 41.391.304.347,83

R$ 1.000.000.000,00

R$ 100.000.000,00

R$ 827.826.086,96

R$ 4.139.130.434,78 5% de Perda

R$ 10.000.000,00 R$ 1.000.000,00

0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65

Perdas (%)

74

Opiniões

Ao analisar e ajustar o nível de controle, podemos considerá-lo no nível de 5% de perda (R$ 591,30/7 anos = R$ 84,47 reais), pois, quando comparamos com um controle convencional, levando em consideração produto, adjuvante, óleo mineral e implemento de aplicação (Figura 2), podemos observar que o nível de controle é praticamente igual ao custo de controle, justificando uma intervenção por ano, no ciclo de sete anos. O que temos que ficar atento é que consideramos, nesse exemplo, a condição de 5% de perda, mas esse valor é variável em função de condicionantes de custo, pois, conforme aumenta o IMA e o valor de madeira, diminui o nível de equilíbrio, controle e dano econômico. Quando expressamos as perdas em função do IMA, temos uma relação bem direta com a produtividade, que não está expressando seu máximo potencial (Figura 3). Temos que entender que a cultura do eucalipto não é a mesma que duas décadas atrás, quando tínhamos apenas algumas pragas e doenças. Hoje, esse número de pragas aumentou significativamente no Brasil, principalmente por pragas exóticas, que estão se adaptando muito bem aos hospedeiros e às condições do ambiente. Outra observação é que, apesar de termos uma área plantada considerável de eucalipto, ainda temos uma baixa disponibilidade de material genético sendo comercializado, o que implica uma baixa variabilidade genética no campo. Perdas projetadas no Brasil: Quando realizamos esse mesmo cálculo de perdas com o acumulado que temos de árvores plantadas de eucalipto no Brasil, os valores ficam astronômicos, chegando a perdas com 5% de mais de R$ 4 bilhões. Valores estes que, ao se manejar pragas, implicam milhares de empregos e novas tecnologias (Figura 4). O manejo integrado de pragas tem que ser conceituado na visão das empresas e produtores, pois, quando bem implementado, ele define que esses investidores vão ter uma garantia de que o resultado final vai ser o esperado e não comprometido por perdas com pragas. Como diria um de nossos colaboradores, "Para se colher produtividade no resultado, devem-se proteger os ganhos no processo". n


Quem é visto, é lembrado.

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A defesa do sistema florestal - OpCP61  

O sistema florestal brasileiro tem por responsabilidade proteger mais de 14 milhões de hectares de florestas, dos quais 8 milhões em florest...

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