Um fruto chamado produtividade - OpCP50

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Opiniões www.RevistaOpinioes.com.br ISSN: 2177-6504

FLORESTAL: celulose, papel, carvão, siderurgia, painéis e madeira ano 15 • número 50 • Divisão F • dez-fev-2018

um fruto chamado

produtividade


Opiniões Sucroenergético: cana-de-açúcar, etanol, açúcar e bioeletricidade

Opiniões Florestal: celulose, papel, carvão, siderurgia, painéis e madeira

Anuário de Sustentabilidade + Guia de Compras: um para cada setor


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Opiniões


índice

um fruto chamado produtividade Editorial:

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Horácio Lafer Piva

Presidente do Conselho Deliberativo da IBÁ

Ensaio especial:

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Fabrício Gomes de Oliveira Sebok

Coordenador de Desenvolvimento de Produtos Florestais da Bayer América Latina

Produtores:

8 10 12 14

Raul Chaves

Gerente de Desv Tecnológico Florestal e MA da Duratex

Marcos Paulo Costa Barcelos Dias

Gerente de Planej & Logística da ArcelorMittal BioFlorestas

Germano Aguiar Vieira Diretor Florestal da Eldorado

Rodrigo Nascimento de Paula

Gerente de Produção de Biorredutor da Gerdau Florestal

Cientistas e especialistas:

18 21 23 26 28 30 34 37 40 42

Lúcio de Paula Amaral

Professor de Agricultura de Precisão da UF-Santa Maria

Robinson Cannaval Junior Diretor Executivo da Innovatech

Edson Tadeu Iede

Chefe-geral da Embrapa Florestas

Carlos Frederico Wilcken

Professor e Diretor da FCA/Unesp- Botucatu

Paulo César Sentelhas

Professor de Agrometeorologia da Esalq-USP

Teotônio Francisco de Assis Diretor da Assistech

Ismael Eleotério Pires

Gerente Executivo da SIF - Soc de Investigações Florestais

Pedro Jacob Christoffoleti

Professor de Manejo de Plantas Daninhas da Esalq-USP

Acelino Couto Alfenas

Professor de Fitopatologia da UF-Viçosa

José Leonardo de Moraes Gonçalves Professor de Ciências Florestais da Esalq-USP

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Conselho Editorial da Revista Opiniões: ISSN - International Standard Serial Number: 2177-6504 Divisão Florestal: • Amantino Ramos de Freitas • Antonio Paulo Mendes Galvão • Celso Edmundo Bochetti Foelkel • João Fernando Borges • Joésio Deoclécio Pierin Siqueira • Jorge Roberto Malinovski • Luiz Ernesto George Barrichelo • Marcio Nahuz • Maria José Brito Zakia • Mario Sant'Anna Junior • Mauro Valdir Schumacher • Moacir José Sales Medrado • Nairam Félix de Barros • Nelson Barboza Leite • Roosevelt de Paula Almado • Rubens Cristiano Damas Garlipp • Sebastião Renato Valverde • Walter de Paula Lima Divisão Sucroenergética: • Carlos Eduardo Cavalcanti • Eduardo Pereira de Carvalho • Evaristo Eduardo de Miranda • Jaime Finguerut • Jairo Menesis Balbo • José Geraldo Eugênio de França • Manoel Carlos de Azevedo Ortolan • Manoel Vicente Fernandes Bertone • Marcos Guimarães Andrade Landell • Marcos Silveira Bernardes • Nilson Zaramella Boeta • Paulo Adalberto Zanetti • Paulo Roberto Gallo • Pedro Robério de Melo Nogueira • Plinio Mário Nastari • Raffaella Rossetto • Roberto Isao Kishinami • Tadeu Luiz Colucci de Andrade • Xico Graziano


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editorial de abertura

bravo novo mundo

Já faz algum tempo que o editor da respeitada Revista Opiniões me pede uma reflexão para publicação. Como andei um tanto cético em relação ao Brasil, procrastinei. Fui, contudo, instado por ele a me apresentar, e, dando-lhe razão, faço agora, neste honroso editorial, algumas observações de quem olha a floresta mais do alto, no sentido prático e figurado, e sem, assim, a precisão de profissionais que frequentam regularmente estas páginas. Portanto, três vertentes para facilitar tal reflexão. Do Mundo, a perplexidade com duas questões diárias: a tecnologia que avança em uma velocidade jamais imaginada e a incapacidade de encontrarmos um equilíbrio que nos ajude a melhorar enquanto processo civilizatório. Vivemos um período de mudanças com características próprias: perigosas, traiçoeiras, imprevisíveis e sempre surpreendentes. Definitivamente não há mais nenhuma possibilidade de progredir nessa quadra sem levar em consideração o peso da tecnologia. E a diferença em relação a outros momentos da história é a assustadora percepção das distâncias que são criadas, em contraponto à natureza de uma globalização que pressupõe multilateralismo, universalização de conteúdo, velocidade, simultaneidade, intercomunicabilidade, com consequência em empresas e setores que desaparecem mais rapidamente e de forma cada vez mais brutal. Quantos de nós, desse mundo dos ativos tangíveis, do capital intensivo, da maturação de longo prazo, do imobilizado gigantesco, estamos, de fato, colocando a inovação em nossa

agenda do dia a dia dentro de uma estrutura ágil e que não se confunda com as tarefas pesadas e urgentes do ambiente competitivo? O que vem por aí, mesmo para quem trabalha, no caso da indústria, mais com átomos do que com bytes? Em seguida, o Poder, que é algo que está passando por uma transformação histórica, dispersando-se mais e perdendo espaço para atores novos, dos que têm força bruta para os que têm mais conhecimentos, dos gigantes corporativos para as empresas jovens, dos políticos tradicionais para os ativistas sociais. Demografia e fluxos migratórios estão nas novas agendas geopolíticas afetando a tudo e a todos. O Poder, hoje, é mais fácil de conseguir, mais difícil de exercer e mais fácil de perder, como nos ensina Moisés Naím. Tantas incertezas têm levantado questões políticas mais complexas do que as econômicas nesse mundo interligado e com acesso imediato à informação. A democracia representativa e o próprio estado-nação são questionados, assim como o reducionismo econômico que associa o bem-estar ao consumo material e toda engenhosidade humana aos estímulos materiais. O que fazer com as migrações, com os ditadores que teimam em não desaparecer, com as religiões que mais dividem que somam, com um mundo futuro com trabalho, mas sem emprego? A civilização deveria estar mais unida, mais atenta ao planeta, mais solidária, mais tolerante, mais feliz. Não é o que se vê. No Brasil, o paradoxo se mantém entre as oportunidades e o desperdício, entre o diagnóstico e a falta de realização. Temos problemas de curto prazo, como o déficit fiscal e a falta de empregos, mas, além disso, um problema estrutural com gastos do governo crescendo mais rapidamente do que a renda, o desafio de reformas que quebrem tal trajetória, a falta de crescimento e, principalmente, de uma produtividade que responde mal e, pior, com menos vigor que seus concorrentes internacionais. Nossa estratégia passou longe da lógica da competição global, da busca de parcerias público-privadas, do baixo custo trabalhista;e

Vivemos uma crise econômica, uma crise de liderança, uma crise de coalizão e, finalmente, uma crise de natureza moral e jurídica. Não é trivial. "

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Opiniões tributário, de incentivo ao acúmulo de poupança e investimento, de diplomacia empresarial. Voltamo-nos para dentro, num ambiente cartorial, de política comercial industrial defensiva, investimento mirrado. E, na origem, pela péssima atenção com a educação, esteio desses novos tempos. Vivemos uma crise econômica, uma crise de liderança, uma crise de coalizão e, finalmente, uma crise de natureza moral e jurídica. Não é trivial. O Brasil não vai andar para trás. Tem enormes desafios, em especial de caráter sistêmico; embora volátil, tem área, mercado, gente e experiência para seguir em frente. Tem diagnósticos bons e sem fim, tem escassez de recursos apenas até provar que oferece garantias e compromissos, tem sim uma difícil e fundamental eleição em 2018, a qual definirá o País nos próximos muitos anos, e, quem sabe, junto com o enfrentamento definitivo deste mal que é a corrupção e a interferência do Estado, uma nova fase em que a sociedade entenderá a necessidade de altitude e atitude. O Brasil não sabe até agora o que quer ser. Uma pena. Tanto potencial e tanto desperdício. E, portanto, com avanços muito aquém de sua necessidade. Por fim, como alento, no mundo agroindustrial, temos tido resultados que mostram que, se uma andorinha não faz verão, de seu espaço ela cuida muito bem e deveria, por isso, servir de paradigma para o resto da economia. O setor como um todo tem sido a salvação do País, e, longe aqui de fazer com isso um discurso autoapreciativo ou tendencioso, critico a baixa incorporação de valor em nossas exportações, o peso da pauta primária em nossa balança de pagamentos e o foco excessivo em vantagens comparativas acima das competitivas. Mas sem o Agro nós estaríamos definitivamente encrencados, não apenas no que se refere aos aspectos econômicos, mas também aos políticos, já que tivemos com ele acesso a mercados e discussões que elevaram nosso poder relativo. No nosso subsetor de produtos florestais, temos tido índices de crescimento extraordinários, com tecnologia de ponta,

Horácio Lafer Piva Presidente do Conselho Deliberativo da IBÁ - Indústria Brasileira de Árvores

competição aberta e vencedora, investimentos crescentes, geração de riqueza em municípios de baixo IDH, enorme responsabilidade na recuperação de florestas degradadas e pesquisas em temas de meio ambiente e sustentabilidade que nos colocam na linha de frente mundial. Tudo isso tem sido bem demonstrado nas páginas desta publicação, e seus profissionais e seus resultados falam a cada edição melhor do que eu. Temos bons diagnósticos e propostas consistentes quanto ao que faremos com nosso rico maciço florestal, nossas fibras, nossos biocompostos, nossa energia, nossa potência ambiental. Um grupo de empresas com agenda estratégica, segura de sua relevância, apostando com segurança no que sabe ser sua vantagem sustentável. O Brasil tem força e é desejado. Um país que produz alimentos com preço competitivo, tem abundancia de água, mercado consumidor, não tem problemas de fronteiras ou pretensões hegemônicas, tem um regime democrático, embora jovem e com políticos de baixa qualidade, aceito pelo seu povo como um valor inegociável, lida bem com a diversidade e domina florestas como poucos, tem mais futuro que passado. Não faltam problemas para o mundo, mas há de se ter fé no engenho humano. Não será simples, não será rápido, mas acredito que estamos todos trabalhando para que o melhor aconteça. Sempre foi assim, que mantenhamos, pois, mais pessoas e esforços no lado certo.n


produtores

superando os Quando o assunto tratado é a produtividade florestal no Brasil, a primeira lembrança que nos vem à cabeça é a dos grandes avanços obtidos de forma cooperativa pelo setor no último meio século, quando saímos de uma produtividade do eucalipto da ordem de 10 a 15 m³/ha/ano e chegamos aos atuais 50 m³/ha/ano, ou até mais. As maiores produtividades para o eucalipto se encontram naqueles maciços florestais bastante próximos ao Trópico de Capricórnio, em altitudes de 500 a 1000 m, em condições de baixo déficit hídrico, boa distribuição de chuvas, boa umidade do ar ao longo do ano e em solos profundos. São condições bastante específicas que, naturalmente, já não suportam ampliações de área plantada. Quando olhamos para o Brasil todo, a média atual do eucalipto se situa nos 36 m³/ha/ano, valor que tem se mantido relativamente constante ao longo dos anos 2010. Qual seria a razão dessa relativa estabilidade ao longo desses últimos anos? Sempre que começo a pensar nisso, não consigo deixar de lembrar o velho “barril de Liebig”, aquele que tão bem ilustrou a “Lei do Mínimo”, que estabelece que a produtividade é definida por aquele fator de produção mais escasso ou limitante, ou seja, por exemplo, não adianta adubar adicionalmente uma planta, se o que lhe está faltando é agua.

a produtividade é definida por aquele fator de produção mais escasso ou limitante, ou seja, por exemplo, não adianta adubar adicionalmente uma planta, se o que lhe está faltando é agua "

Raul Chaves Gerente de Desenvolvimento Tecnológico Florestal e Meio Ambiente da Duratex

E aqui vão os créditos ao Carl Sprengel, que foi quem desenvolveu o teorema no longínquo ano de 1828, mas que os perdeu para o Liebig, que foi quem divulgou ativamente o conceito anos mais tarde. Assim, qual(quais) seria(m) o(s) fator(es) que está(ão) mantendo a produtividade média florestal brasileira nos mesmos níveis?

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limites

Teríamos alcançado o máximo de produtividade florestal possível para o eucalipto? Os grandes avanços tidos nas décadas anteriores já não mais seriam possíveis? As expansões para novas fronteiras agrícolas que se distanciam das regiões de melhor produtividade e onde se vivenciam situações mais críticas de déficit hídrico estariam segurando essa média? Ou seria a crise desses últimos anos que fez com que muitas empresas e produtores restringissem a aplicação de insumos? Ou, ainda, muito na moda para explicar efeitos desconhecidos, seriam as “mudanças climáticas” efetivamente chegando? Se olharmos para trás ao longo dessas cinco décadas, veremos que a maior parte dos testes, estudos, análises e teses foram considerando a parte visível da floresta e o período inicial do desenvolvimento florestal. Não podia ser diferente: sabia-se muito pouco, havia muita coisa a se fazer, e os resultados obtidos eram visíveis e imediatos. Os resultados positivos se sucediam, e a eucaliptocultura começou a migrar para regiões ; ainda pouco conhecidas.


Opiniões A forma mais natural era copiar o que já tinha dado certo nas regiões tradicionais, mas, pouco a pouco, esse modelo começou a apresentar sinais de desgaste. Essas regiões novas no centro do País apresentam um déficit hídrico muito mais acentuado e uma variabilidade de condições climáticas muito maior do que daquela região inicial de maior produtividade. É preciso rever a forma de análise, é preciso considerar toda essa variabilidade na hora de se selecionarem os melhores materiais genéticos. A ânsia por definições e resultados de curto prazo não é plenamente compatível com a adaptação e o bom desenvolvimento de florestas em locais com clima muito variável. O modelo de seleção precoce de clones usado por diversas empresas, em que a definição do melhor clone ocorria com 3, 2 e até 1 ano de idade, provou-se inadequado. Conseguem-se, com isso, materiais altamente produtivos no arranque da floresta. E o que esses materiais têm em comum? Muita produtividade na parte aérea e baixa formação de sistema radicular. Se compararmos hoje materiais clonais com materiais seminais, veremos que a relação parte aérea/ sistema radicular é muito maior no primeiro em relação ao segundo. Na primeira seca mais forte, ou simplesmente em um solo um pouco mais raso, esse clone selecionado não terá perenidade. Conhece-se ainda muito pouco o que se passa abaixo do solo entre raízes, água e nutrientes disponíveis, e esse conhecimento ainda se limita muito às camadas mais rasas e ao período inicial do estabelecimento da cultura florestal. Os tradicionais ensaios de omissão de nutrientes já não trazem informações relevantes e podem até confundir. É preciso entender os processos fisiológicos. Na agricultura, onde os ciclos são curtos e a profundidade de solo explorada é bastante pequena, esses estudos são mais simples, mas, nas culturas florestais, temos que saber o que está ocorrendo a 2, a 5, a 10, a 20 metros de profundidade, e não somente nos primeiros anos; precisamos ir até o final da rotação e, depois, adentrar a 2ª rotação e aprofundar o entendimento do que ocorre abaixo do solo. Esses estudos são caros, demorados, complexos, exigem equipes multidisciplinares experientes e que sejam capazes de entender e interpretar os processos metabólicos que estão ocorrendo acima e abaixo do solo. Excelente exemplo foi o projeto Torre de Fluxo (Eucflux), coordenado pelo IPEF, que trouxe ao setor florestal conhecimentos profundos e aplicações práticas de relevância. Ele já prossegue por mais um ciclo florestal, trazendo detalhamentos adicionais e correlacionando-os com imagens de alta resolução a cada 2 dias em 12 bandas espectrais do recém-lançado satélite franco-israelense Venµs (venus.cnes.fr). Projetos como esses somente se viabilizam através da cooperação entre empresas, universidades e centros de excelência. É estratégico estendê-lo para outras situações edafoclimáticas expressivas para a cultura florestal. Apesar do amplo conhecimento trazido pelos estudos processuais, ainda não podemos prescindir da parte empírica, principalmente quando falamos de diferentes materiais genéticos: é a complementação com muita experimentação em campo, abrangendo muitas

regiões/situações diferentes, que permitirá o ajuste e a calibração de uma informação com a outra e seu pleno uso pelo setor florestal. Apesar do setor florestal já ter realizado trabalhos de peso na área genômica, como o sequenciamento do eucalipto, o pleno uso dessas informações, como apoio ao melhoramento genético, ainda é incipiente e caro, justamente pela complexidade e interações múltiplas existentes com outras áreas de conhecimento. Algumas soluções adotadas e tidas como resolvidas pelo setor precisam ser novamente questionadas e revistas. Por exemplo, a clonagem. Ela, sem dúvida, foi responsável por aumentos significativos de produtividade, resistência a todos os tipos de estresses (bióticos e abióticos), à possibilidade de fixação rápida de ganhos obtidos com híbridos, mas não podemos nos esquecer de que ela não é melhoramento genético, de que ela é simplesmente uma técnica de reprodução em escala comercial de um bom genótipo. E, além das questões de vulnerabilidade pelas grandes extensões de um mesmo clone plantado, ela traz em si um outro calcanhar de Aquiles (no sentido figurado e também no direto), que é o seu sistema radicular: por mais que tenham sido melhoradas as técnicas de produção de mudas em viveiro (e os recipientes degradáveis já estão dando uma boa contribuição ao substituir o famigerado tubete plástico, que induz à formação de um sistema radicular deformado), ainda estamos bastante longe de ter um sistema radicular próximo ao de uma muda nascida diretamente no campo, com uma raiz pivotante fortemente estruturada. Quanto estamos, efetivamente, deixando de ganhar em produtividade ao ter substituído esse sistema radicular natural pivotante por um outro, sem adequada dominância e que vai fragilizar a planta na primeira estiagem mais forte? Se a clonagem resolveu de momento (e de novo, não poderia ter sido diferente, pela questão do longo tempo envolvido na produção florestal) a questão da produção de híbridos em florestas, não podemos nos esquecer de que, na agricultura, os híbridos são, em geral, produzidos por sementes obtidas através do cruzamento de duas variedades. Aplicando esse conceito, conseguiremos uma melhor solução, tanto para o problema de vulnerabilidade de base genética muito estreita como para o de formação de um sistema radicular mais natural e preparado para estresses ambientais. Ainda temos boas possibilidades de ganhos de produtividade. Elas advirão principalmente do conhecimento mais profundo do comportamento do eucalipto em regiões com os mais diversos estresses e da melhor exploração do potencial todo do gênero Eucalyptus (e Corymbia) e do melhor entendimento dos fatores de produção (incluindo aí os abaixo do solo até a profundidade do alcance das raízes) e de suas complexas interações que regulam a produtividade florestal. Para isto será necessária cada vez mais pesquisa cooperativa entre empresas verticalizadas, produtores, universidades e institutos de pesquisa, com um forte apoio de organizações setoriais na busca de uma política governamental que esteja atenta a todos os benefícios que isto poderá nos trazer. n

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produtores

Opiniões

uma estrutura capaz de suportar as diretrizes do negócio A produtividade está intimamente ligada à capacidade de produzir e, simultaneamente, gerar lucros. De maneira geral, trata-se da relação entre o produto final e os recursos utilizados para produzi-lo. Quanto melhor for essa relação, mais eficiente tende a ser o processo. Para o mundo corporativo, a produtividade é um objetivo constante, pois ela é a garantia de bons resultados e um dos pilares de sustentação de negócios bem-sucedidos. A busca pela produtividade passa por conhecer, de forma detalhada, processos, ambientes, pessoas e produtos. Somente o domínio da relação entre esses elementos permite tomar a decisão mais apropriada, visando fazer mais com o mesmo ou o mesmo com menos. Se os níveis de produção estiverem suficientes e não existir interesse em aumentá-los, só há um caminho: otimizar os recursos, tornando o processo enxuto, logo, mais produtivo. O setor florestal possui um custo fixo significativo. Isso se deve, em sua grande maioria, às restrições de mecanização plena, dispersão geográfica, logística interna que, quase sempre, demandam manutenções constantes em estradas e vias de acesso, o escoamento da produção, que geralmente é refém de uma malha viária limitada, plataforma fiscal agressiva, necessidade de manutenção e desenvolvimento do ativo, entre outros. Com isso, o aumento da produtividade, seja ela florestal ou operacional, se apresenta como uma solução para manter esse segmento viável e atrativo aos investidores. Ao longo das últimas décadas, a produtividade florestal no Brasil exibiu um grande salto. Nos anos 1970, obtinha-se cerca de 20 m³/ha/ano. Hoje em dia, a realidade é outra, 40 m³/ha/ano é um incremento plausível para muitas localidades. Esse fato certamente foi determinante para que o País se apresentasse como uma potência florestal. Segundo o reporte anual da Ibá – Indústria Brasileira de Árvores, o Brasil ultrapassou em 2017 a marca de 7,84 milhões de hectares de florestas plantadas. Mesmo em tempos de crise, o setor costuma oferecer bons números e a perspectiva de crescimento para os próximos anos é otimista. Com a demanda crescente por consumo, os recursos florestais renováveis se apresentam como uma alternativa interessante, pois possuem capacidade de equilibrar as demandas da população e aliviam a pressão sobre os recursos naturais. Nessa corrida, o Brasil sai na frente. A produtividade florestal passa basicamente pela escolha do material

genético, definição do pacote tecnológico, luminosidade, solo, água e a interação deles. Atualmente o mercado conta com clones ofertados por sólidos programas de melhoramento, as adubações geralmente são calibradas para alta performance e, como estamos em um país tropical, a luminosidade não é problema e os solos, em sua maioria, não são restritivos à atividade. Já a água, esta sim é um ponto de atenção nessa equação. Diversas regiões do Brasil estão vivenciando períodos de poucas chuvas, entre eles, destaco o norte de Minas Gerais, que passou por anos com 50% da precipitação média histórica. Isso tem causado fortes discussões entre as empresas instaladas na região, para as quais análises estimam redução de até 30% na produtividade de suas florestas. Trago aqui uma reflexão: não seria uma boa alternativa para a segurança da exaustão a calibração das adubações para produtividades menores e, se até o segundo ano do ciclo, as chuvas contribuírem e as perspectivas de crescimento forem promissoras, executar, então, um reforço na adubação para proporcionar o arranque em direção à produtividade desejada? Criar uma cultura organizacional tendo a produtividade como uma das prioridades é extremamente contemporâneo ao setor florestal, pois os mercados estão cada vez mais competitivos e agressivos em relação aos custos. Se cada empregado possuir a consciência do poder da produtividade e aplicá-lo em seu raio de ação, certamente contribuirá para o sucesso do negócio em que está inserido. Não estou restringindo aqui esse comportamento somente a cargos de gestão. Ele deve ser perseguido por todos, independentemente de seu nível hierárquico. Acredito ainda que a disciplina operacional, ancorada por procedimentos robustos e um time com líderes corajosos e comprometidos, seja um bom caminho para essa conquista. Manter a produtividade é um desafio maior do que conquistá-la. A estabilidade é algo que requer um esforço considerável, pois depende de um sistema que contemple um planejamento bem elaborado, uma execução controlada, matéria-prima adequada e mecanismos de validação que permitam correções pontuais e até mesmo aberturas para o desenvolvimento tecnológico visando à evolução e ao aprimoramento da operação. É necessário investir em um ambiente produtivo, com metas claras e bem definidas, organizadas de modo a compor uma estrutura capaz de suportar as diretrizes do negócio. n

A busca pela produtividade passa por conhecer, de forma detalhada, processos, ambientes, pessoas e produtos. Somente o domínio da relação entre esses elementos permite tomar a decisão mais apropriada "

Marcos Paulo Costa Barcelos Dias

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Gerente de Planejamento & Logística da ArcelorMittal BioFlorestas



produtores

somos os melhores, mas a corrida ainda não acabou A produtividade florestal possui um significado plural. Muitas formas podem ser utilizadas para medição da produtividade florestal, e diversos setores a medem de forma distinta, como, por exemplo, o setor de madeira para processo, que utiliza a unidade mais comum de medição, que é m³/ha produzido no ciclo da cultura, ou retratam a produtividade anual (m³/ha ano), mais conhecido como IMA – Incremento Médio Anual. Com a especialização de cada setor, as unidades ganharam derivações para melhor representarem a produtividade esperada de cada área de negócio, por exemplo: O setor de celulose utiliza o IMACEL – Incremento Médio Anual de Celulose por hectare por ano, representado pela unidade TSA/ha/ano – Tonelada de Celulose Seca ao Ar por hectare por ano. O setor de carvão vegetal utiliza a unidade de m³ de carvão/ha associada à densidade da madeira, que altera o peso da tonelada de carvão produzida. Já o setor de madeira sólida classifica a produtividade pelo conjunto de produtos gerados por cada árvore na ocasião da colheita. As toras da base da árvore são medidas separadamente, pois possuem maior valor das demais partes da árvore. Ainda é comum, em alguns casos, a medição por tonelada de madeira por ha e até mesmo st/ha, estéreos por ha, para lenha e madeira para energia. Seja qual for a forma como a produtividade florestal se apresenta, ela pode variar de modo relevante nas diversas partes do mundo onde se produz biomassa, e essa capacidade de produzir mais biomassa por unidade de área é que torna cada site mais atraente para desenvolvimento de uma indústria de transformação dessa madeira em um produto comercial. Nesse aspecto, podemos dizer que o Brasil possui uma das melhores produtividades de biomassa e sempre será um dos principais candidatos a qualquer projeto de base florestal – vejam os destalhes no gráfico em destaque. Alguns fatores naturais são citados como razões para esse bom desempenho florestal do Brasil, como a intensidade luminosa, solos apropriados e um clima bastante adequado à cultura de árvores. Outro fator de igual importância é o conhecimento que agregamos na condução dessa cultura durante os últimos 50 anos. Montamos uma grande base genética, diversificada e bastante adaptada para boa parte do País e também temos um excelente conhecimento do manejo florestal, principalmente de pínus e eucalipto.

Esses fatores de produção fazem com que, para a produção de 1000 m³ por ano, o Brasil necessite plantar apenas 25 ha, enquanto o sudeste da Ásia utiliza 40 ha, USA e Europa, cerca de 100 ha e as menores produtividades florestais são encontradas na Rússia, na Escandinávia e no Canadá, onde são necessários em torno de 200 ha para a produção dos mesmos 1000 m³ de madeira. À medida que aumentamos nossa área florestal plantada, aumentamos também nosso conhecimento silvicultural, processo importantíssimo para mantermos e aumentarmos nossa primazia nessa área, quando comparado com outros países que também produzem madeira em escala comercial importante. No entanto cuidados são cada vez mais necessários para enfrentarmos o que chamamos de novos inimigos florestais, que aparecem a cada ano. Primeiramente, temos que entender que toda monocultura, seja de grãos, seja de árvores, possui uma baixa biodiversidade, e a consequência disso é uma baixa imunidade contra pragas, doenças e crenças. Um substantivo aumento da produtividade florestal baseado em condições naturais e também num grande esforço agronômico nos trouxe até aqui, mas, agora, precisamos nos reinventar para continuarmos avançando e mantermos a curva sem inflexão. Já tivemos demonstrações de projetos cujas produtividades atingiram 60 m³ por hectare por ano em florestas de eucalipto e até 50 m³ por hectare por ano no caso de pínus, mas tivemos também histórico de redução de produtividade em sites produtivos devido a alterações ambientais, aparecimento de pragas e de doenças. Questões que já estão em cima da mesa são aquecimento global e seus efeitos nas plantações florestais, aumento substancial de aparecimento de novas pragas e de doenças e uso da água para produção de madeira. Porém medir a rentabilidade de um projeto florestal é mais do que medir a produtividade da floresta ou a rentabilidade de um projeto florestal dentro da fazenda. É importante levar em conta todos os fatores que possam agregar valor ao investimento, pois uma produtividade excepcional de uma floresta, medida em m3, pode gerar uma frustrante perda de dinheiro, dependendo do custo da madeira produzida e de sua localização. Acompanhar diversos tipos de produtividades e rentabilidades é importante e dará suporte para o resultado ; esperado de qualquer investimento nessa área.

medir a rentabilidade de um projeto florestal é mais do que medir a produtividade da floresta ou a rentabilidade de um projeto florestal dentro da fazenda "

Germano Aguiar Vieira

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Diretor Florestal da Eldorado

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Opiniões Precisamos avaliar todos os pilares nos quais esse projeto está baseado, desde o seu planejamento, localização do site, medir fatores de produtividade, como material genético, clima e solos, logística do produto, custos das atividades fundamentais, remuneração sobre a terra, e agruparmos tudo isso para analisar o sucesso do investimento. O retorno do capital sobre a terra utilizada é uma forma interessante de avaliar se um projeto florestal é a melhor forma de remuneração desse ativo, assim como o retorno sobre todo o investimento realizado no ciclo total da floresta. Enfim, a produtividade de um projeto florestal não deve ser medida somente com os resultados dentro da porteira e sim no valor que ele agrega num determinado produto consumido pela sociedade. Qualquer alteração na produtividade florestal afeta diretamente o resultado econômico do projeto, que pode ser agrupado em três naturezas distintas: custo da terra, serviços operacionais e insumos. O custo dos serviços operacionais é responsável por cerca de 45% a 50% do valor da madeira produzida; o custo com terra, em torno de 25%, e insumos podem variar entre 15% a 20% do custo total da madeira produzida. Dessa forma, aumentar a produtividade operacional torna-se fundamental para garantir a lucratividade do projeto, e a mecanização pode ser uma alternativa importante, visto que, cada vez, fica mais difícil encontrar pessoas para fazer serviços manuais, especialmente nas regiões mais quentes do País.

O uso máximo das tecnologias de ponta também deve ser um direcionador a ser empregado para garantir a produtividade da floresta, maximizando o uso de insumos, a redução de perdas operacionais, o uso de imagens para monitoramento e a proteção da floresta, a telemetria, a biotecnologia, dentre outras linhas de soluções que sejam adequadas. O uso de produtos oriundos de madeira cresce a cada ano, seja pelo aumento do consumo per capita dos produtos existentes, ou mesmo com o aparecimento de novas utilizações, e o Brasil é um país com larga vantagem para produção de biomassa quando comparado com outros países. Mas a corrida ainda não acabou, e cuidar para que não sejamos ultrapassados é o papel de cada um de nós que vive nesse setor. n PRODUTIVIDADE E ROTAÇÃO MÉDIA DE ÁRVORES BRASIL versus IMPORTANTES PLAYERS MUNDIAIS

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produtores

Opiniões

produtividade do eucalipto no cerrado de

Minas Gerais

O Brasil é líder mundial na produtividade florestal do eucalipto, sendo essa espécie a de maior destaque no cenário florestal nacional, com 5,7 milhões de hectares cultivados em diferentes biomas brasileiros. Temos a maior produção mundial de biorredutor (carvão vegetal) para indústria siderúrgica e uma indústria de celulose de destaque internacional, detentora da maior exportação de celulose de eucalipto do mundo. Minas Gerais possui maior área plantada do Brasil, com aproximadamente 1,4 milhão de hectares de eucaliptos. O tema produtividade florestal tem abrangência em diferentes áreas do conhecimento florestal e as inter-relações entre essas são importantes para o seu entendimento. A produtividade é o resultado do potencial genético e sua interação com os fatores edafoclimáticos associados ao pacote de práticas silviculturais aplicados na condução dos plantios florestais. A compreensão e aplicação desses conhecimentos e uma gestão adequada dos recursos é que permitirão o sucesso e o alcance de resultados superiores, tendo sempre como alvo a produtividade potencial de cada site. A produtividade florestal brasileira mais que dobrou com os programas e técnicas de melhoramento genético e com a evolução das práticas silviculturais, sendo que o advento da clonagem permitiu multiplicar rapidamente ganhos expressivos da seleção de genótipos superiores. Contudo, os melhoristas continuam sendo desafiados a cada dia, ora por variações climáticas que fogem dos padrões históricos, ora por novas pragas que ameaçam constantemente os povoamentos florestais, comprometendo a manutenção da produtividade. No centro-norte de Minas Gerais, as variações climáticas têm causado preocupações aos empresários florestais devido à escassez de chuvas.

os melhoristas continuam sendo desafiados a cada dia, ora por variações climáticas que fogem dos padrões históricos, ora por novas pragas que ameaçam constantemente os povoamentos florestais "

Rodrigo Nascimento de Paula Gerente de Produção de Biorredutor da Gerdau Florestal

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Ao final da última década, os efeitos dessa seca já eram fortemente sentidos causando grande mortalidade de plantios. Dados da Emater – Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais comprovam que cerca de 150 mil hectares cultivados com eucalipto foram afetados. Nessa região, tem-se observado, nos últimos cinco anos, uma grande irregularidade na distribuição de chuvas, mas será que estamos fazendo o dever de casa corretamente? O primeiro ponto que merece a nossa reflexão é o critério na escolha das variedades de clones para implantação dos empreendimentos florestais. Observa-se uma alta severidade em parte dos plantios afetados com déficit hídrico, evidenciando uma grande inadaptabilidade dos materiais às condições que foram expostos, o que nos leva a pensar que não houve uma escolha adequada dos materiais genéticos, assim como a população adequada para cada sítio. Os maiores bancos genéticos de eucalipto estão nas empresas do setor florestal e essas procuraram nos últimos anos expandir seus bancos, buscando inserir genes de tolerância à seca através de diferentes espécies que possuem essa característica. Esses bancos genéticos têm apresentado variabilidade genética adequada para a superação desses desafios. Empresas que estão atentas e trabalhando de forma ágil já conseguem plantar novos clones mais tolerantes a déficit hídrico. ;


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produtores Outra linha de trabalho importante nesse sentido é o retorno e expansão dos trabalhos com o gênero Corymbia. Atualmente os híbridos desse gênero têm apresentado bom crescimento e boa adaptabilidade em regiões com períodos secos bem definidos, além de possuir características importantes de qualidade da madeira para produção de biorredutor. Alguns híbridos, por exemplo, apresentam densidade da madeira acima de 600 kg/m³. Iniciativas de projetos como o coordenado pela SIF da Universidade Federal de Viçosa, para desenvolvimento de materiais mais tolerantes à seca e o TECHS (Tolerância de Eucalyptus Clonais aos Estresses Hídrico e Térmico) coordenado pelo IPEF – Instituto de Pesquisas Florestais, apresentam-se como importantes iniciativas na evolução do entendimento dos fatores que interferem no crescimento de povoamentos submetidos a um déficit hídrico intenso. O segundo ponto que merece nossa atenção é em relação à regulação hídrica nas propriedades. Você, empresário florestal, esteve atento às medidas de controle da erosão e regulação hídrica nos seus plantios? Entender o posicionamento de sua propriedade dentro da bacia e da microbacia hidrográfica, a ocupação da bacia com os plantios e adotar medidas como plantio em nível, população adequada para o sítio, proteção das matas ciliares, construção de caixas de contenção de água para proteção das estradas e barraginhas para auxiliar na infiltração da água no perfil do solo é de suma importância e um diferencial em situações de seca intensa. Outros pontos importantes relacionados ao manejo tornam-se fundamentais visando minimizar os efeitos da seca, dentre eles o conhecimento adequado do tipo de solo e o manejo nutricional aplicado aos povoamentos florestais. O mapeamento de solos é uma ferramenta utilizada para identificar os tipos de solo de cada propriedade, permitindo a classificação, separação e manejo adequado a cada site, assim como auxiliando na definição da população adequada para cada ambiente em função dos recursos de crescimento. O manejo operacional e nutricional dos povoamentos de eucalipto evoluiu significativamente nas últimas décadas com técnicas e procedimentos consolidados. O cultivo mínimo por meio da subsolagem, por exemplo, com aplicação de fertilizantes de alta tecnologia, permitiu um arranque rápido e homogêneo dos plantios, e, atualmente, já são testadas adubações mais concentradas visando ainda à redução do número de intervenções. Para região com déficit hídrico intenso, a utilização do boro pulverizado tornou-se prática fundamental para continuidade do crescimento em épocas secas, evitando-se a seca de ponteiros e deformações na madeira, além de permitir maior vigor das florestas plantadas. O elemento potássio também mostra sua relevância nesses ambientes, sendo responsável por um melhor controle estomático e proteção das plantas em épocas críticas. Uma equilibrada disponibilidade de nutrientes é regra básica para alcançar produtividades superiores.

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Opiniões A evolução das técnicas de monitoramento nutricional já permite o acompanhamento das florestas em diferentes idades e cabe aos silvicultores tomadas de decisão ágeis para correção de desvios. Novos estudos continuam sendo importantes para evolução dessa área e o aprofundamento dos estudos fisiológicos permitirá, em um futuro próximo, identificarmos marcadores fisiológicos de tolerância à seca. Já não bastasse o cenário de mudanças climáticas com forte estresse hídrico no centro-norte de Minas Gerais, as pragas que entraram no Brasil nesta última década adaptaram-se muito bem a esse tipo de ambiente. No momento temos três importantes pragas causando prejuízos e interferindo na produtividade dos povoamentos florestais, todos insetos sugadores, sendo eles o psilídeo de concha (Glycaspis brimblecombei), os psilídeos de ponteiro (gênero Ctenarytaina) e o percevejo bronzeado (Thaumastocoris peregrinus), este último causando perdas na ordem de 15% da produtividade florestal na região do cerrado. Os protocolos de monitoramento são suficientes para o momento, sendo o controle biológico a principal linha adotada. Os inimigos naturais multiplicados em laboratórios e liberados em plantações de eucaliptos pelo Brasil tornam as florestas plantadas socialmente mais aceitáveis e equilibradas do ponto de vista da sustentabilidade ambiental. Outra importante saída está no melhoramento genético com desenvolvimento de clones tolerantes ou resistentes às principais pragas e doenças do eucalipto. Novas tecnologias estão sendo trazidas para o setor e vão em direção do aumento da produtividade florestal. Indicadores de homogeneidade e crescimento como o PV50 e Altura Potencial estão sendo utilizados em idades jovens dos plantios e permitem identificar e tratar desvios. O aumento do nível de mecanização e automação, a evolução nas práticas silviculturais e o melhor nível de controle com o mundo digital invadindo as florestas são muito bem-vindos para apoiar o silvicultor em sua rotina diária nos plantios florestais. Porém, o alcance de produtividades superiores requer disciplina, conhecimento, agilidade, capacitação do corpo técnico e uma forte gestão de todos os fatores de interferência. De nada adiantará a melhor tecnologia, os melhores hardwares, softwares e ferramentas se não estivermos com as pessoas certas nos lugares certos, com autonomia e conhecimento para tomadas de decisão ágeis e precisas. As pessoas e suas atitudes, ou a falta dela, são os principais responsáveis por mapear os riscos e tomarem todas as medidas de controle visando ao sucesso ou até mesmo ao fracasso do negócio florestal. Enquanto alguns empresários, por causa dessas ameaças, estão desistindo dos investimentos no setor florestal, temos empresas que estão aproveitando o aprendizado gerado nos momentos de variações climáticas e, com agilidade, estão crescendo com maior segurança e controle dos riscos aos quais estamos expostos. n


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silvicultura de precisão

Opiniões

a evolução da silvicultura de precisão O setor florestal brasileiro sempre inovou e esteve na vanguarda do desenvolvimento da silvicultura, baseada principalmente no cultivo dos gêneros Eucalyptus e Pinus. Houve grandes avanços científicos e tecnológicos que construíram os métodos e técnicas para elevar a produtividade das espécies florestais utilizadas comercialmente, tais como o melhoramento genético, uso de clones, desenvolvimento de programas específicos de correção e fertilidade do solo, programas de nutrição de plantas em viveiros, cultivo mínimo, mecanização de trabalhos manuais (plantio, tratos silviculturais, colheita e transporte florestal), dentre outros. Cresce o consenso de que a silvicultura de precisão poderá auxiliar na obtenção de melhores ganhos, isto é, a produção maximizada de madeira por árvore na floresta, por possibilitar intervenções em todos os processos da produção. Prefiro utilizar o termo “floresta de precisão”, que visa maximizar os resultados, otimizar os recursos disponíveis, gerir melhor os processos e pessoas, desde a seleção e implantação dos melhores materiais genéticos disponíveis, determinação dos sítios e ambientes mais propícios para expressar o máximo potencial genético, que possibilitará obter maior produção possível de cada árvore, talhão, gleba e projeto florestal, chegando até o processamento adequado da matéria-prima. A diferença entre esses dois conceitos é que floresta de precisão tende a ser mais abrangente em etapas e processos, indo além da silvicultura de precisão, englobando manejo, colheita, logística, processamento da madeira e ambiência. Voltando à silvicultura de precisão, penso que só será possível ser trabalhada, se conhecermos

onde e como cada árvore cresce na floresta, o que demanda o conhecimento de sua posição no talhão. A tendência é que no momento do plantio das mudas, suas coordenadas geográficas sejam obtidas por uma antena GNSS (Global Navigation Satellite System) ligada a um computador de bordo que gerará um id (código identificador) para cada árvore, sendo ambos integrados em um mapa de plantio e banco de dados. As linhas de plantio serão planejadas para que máquinas autônomas ou operadas de modo automático as gerem. Com as linhas de plantio e as mudas georreferenciadas, todas as demais atividades e operações de tratos e manejo podem ser aplicadas a essas mudas/ árvores, de forma localizada e precisa. Na agricultura de precisão a semente é o insumo mais importante para a formação da lavoura, enquanto na silvicultura de precisão, a muda é o insumo mais importante para a formação do povoamento florestal, o que justifica tal nível de controle e de aquisição de dados. Outra demanda importante é a obtenção automatizada de dados, envio e armazenamento nas nuvens de forma periódica, para não dizer em tempo real, o que poderá alimentar sistemas de gerenciamento, que farão a análise espacial e técnica desses dados, assim como os sistemas de informações geográficas ou similares, para gerar as recomendações no momento adequado à sua aplicação na floresta. Não há como negar que, independentemente do nome (silvicultura de precisão, floresta de precisão, manejo florestal de precisão, dentre outros termos similares), essa abordagem tem se consolidado como uma nova

Com todos esses avanços, no setor florestal e acadêmico, espera-se que a produtividade das florestas seja elevada a novos patamares, a exemplo de ganhos anteriormente obtidos na silvicultura brasileira e mundial. "

Lúcio de Paula Amaral Professor do Curso de Mestrado Profissional em Agricultura de Precisão da Universidade Federal de Santa Maria – UFSM

mentalidade no setor florestal, fundamentada em gestão silvicultural e no manejo integrado da floresta ou do empreendimento. Entretanto, para efetivamente realizar essas intervenções via tratos silviculturais, que não devem considerar cada talhão, região da floresta (zona de produção) ou árvore como um padrão único, será necessária a utilização de máquinas e implementos que realizem multifunções e que atuem em multilinhas, ou seja, realizem diferentes operações ao mesmo tempo em duas ou mais ; linhas e entre linhas concomitantemente.

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silvicultura de precisão Essas máquinas estão sendo desenvolvidas ou adaptadas para atenderem a essa nova demanda do setor florestal, para aplicarem esse conceito nas diferentes etapas do processo. Dessa forma, a silvicultura de precisão depende das geotecnologias (sensoriamento remoto orbital e/ou com aeronaves remotamente pilotadas (ARP), sistemas de informações geográficas (SIG) e/ou sistemas de gestão, banco de dados espaciais, posicionamento por GNSS, da tecnologia big data (envio e armazenamento de dados nas nuvens), de máquinas autônomas ou controladas remotamente, do desenvolvimento de novos métodos e técnicas que levem em consideração a variabilidade espacial e temporal dos fatores que condicionam a produção, bem como de técnicos e gestores qualificados para essa realidade. Acredito que haverá uma infinidade de sensores para otimizar a coleta de dados de diversos temas, que farão o mapeamento do solo, da vegetação e/ou dos plantios florestais, do clima, dentre outros fatores. Eles serão embarcados nas máquinas que transitam nos talhões ou em plataformas específicas, com as ARP. Para o ser humano, será atribuída a função de gestor, seja para tomadas de decisões no âmbito do empreendimento florestal, seja de maneira mais pontual, na gestão das operações de máquinas autônomas ou automáticas realizarão, não sendo mais necessário ser ele o operador de máquinas ou a força de trabalho manual. As intervenções na floresta deverão ser feitas de forma localizada e em taxa variada, podendo ser registrada a variabilidade espacial da própria produção, na qual as máquinas de colheita florestal podem gerar os “mapas de colheita”, assim como na agricultura de precisão. A propósito, sobre os mapas, esses serão em formato digital e irão descrever a variabilidade espacial de vários temas como dados de crescimento, volumetria e biomassa obtidos a partir dos inventários florestais, dados de vegetação, relevo, classes ou tipos de solos, bem como a variabilidade de seus atributos físicos e químicos, condições do clima, sítios florestais, incidência de pragas e doenças, ocorrência de plantas daninhas, déficit hídrico, risco de incêndios ou áreas nas quais esses ocorreram, dentre outros. Os mapas digitais serão ainda intercambiáveis entre diferentes sistemas de gerenciamento e entre diferentes computadores de bordo das máquinas, podendo ainda ficar armazenados nas nuvens, que poderá ser acessada diretamente pelas máquinas em campo via links específicos.

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Para exemplificar a vantagem do uso da abordagem da silvicultura de precisão ou floresta de precisão, cito resultados de pesquisa realizada pelo nosso grupo em um plantio comercial de clones de Eucalyptus sp. no Rio Grande do Sul. Nessa área experimental de aproximadamente 145 ha, em rotação de ciclo, foi realizado um levantamento de qualidade do plantio, com uso de unidades amostrais circulares e georreferenciadas para coleta de dados de sobrevivência, mortalidade e danos às mudas (quebra, ataque de formigas, bifurcação, dentre outros). Com esses dados foram realizadas análises espaciais em SIG (interpolação pelo inverso da distância ponderada – IDW), evidenciando que em 93,40 ha a densidade foi maior que 42 mudas por unidade amostral circular de 299,87 m2, considerada acima do ideal, que seriam 40 mudas, ±5% por unidade amostral (correspondente a 1.333 mudas/ha), representando 64,21% da área avaliada. Em 42,43 ha (29,16%) a densidade foi considerada ideal e em 9,64 ha (6,63%) a densidade ficou abaixo do ideal. As figuras abaixo ilustram essas variações de densidade de mudas na área de estudo. Essas análises, relativamente simples, já apontam problemas de gestão silvicultural e definem a localização espacial das áreas nas quais os problemas ocorreram e intervenções específicas poderiam ser realizadas. Quanto à formação dos profissionais que irão atuar na silvicultura de precisão, destaco que a academia também se preocupa em oferecer aos estudantes de graduação e pós-graduação essa abordagem. Por exemplo, na UF-Santa Maria, o curso de graduação em Engenharia Florestal oferece a disciplina de Floresta de Precisão I, como complementar de graduação, que aborda as bases da silvicultura, manejo e colheita de precisão. Está prevista ainda a criação da disciplina Floresta de Precisão II (para complementar com atividades práticas em áreas experimentais, visitas a empresas e instituições que desenvolvam projetos nessa abordagem). Existe também um Mestrado Profissional de Agricultura de Precisão, voltado aos profissionais da área de Ciências Agrárias I e áreas correlatas, que precisam se especializar nessa área. Outro exemplo é a UF-Paraná que oferece um MBA de Manejo Florestal de Precisão, dentre outras iniciativas em outras instituições de Ensino Superior. Com todos esses avanços, no setor florestal e acadêmico, espera-se que a produtividade das florestas seja elevada a novos patamares, a exemplo de ganhos anteriormente obtidos na silvicultura brasileira e mundial. n


gestão do negócio florestal

gestão

Opiniões

do negócio florestal

A produtividade é basicamente definida como a relação entre a produção e os seus fatores utilizados. Os fatores de produção são definidos como pessoas, máquinas, materiais e outros que, no meio florestal, são fortemente impactados pelo meio ambiente e por suas condições edafoclimáticas. Quanto maior for a relação entre a quantidade produzida por fatores utilizados, maior será a produtividade. A produtividade constitui uma das melhores medidas para aferir a performance organizacional de uma empresa. Uma empresa com acrescidos resultados na sua produtividade é uma entidade mais eficiente, com melhor utilização dos seus recursos e que atinge melhores resultados, tendo assim maiores (hipóteses) probabilidades de prosperar no futuro. Essa ideia tem por fundamento a afirmação de que a produtividade, em seus diversos segmentos, é o melhor indicador para comparar a eficácia da gestão. A produtividade primária da madeira é um importante componente do negócio florestal, no entanto o negócio florestal vai muito além da produtividade e dos custos da produção primária, cujos fatores já estão devidamente abordados em outros artigos desta edição.

Quase nada na vida é por acaso, o acaso geralmente é aquilo que desconhecemos. Na vida e na floresta, colhemos tudo aquilo que plantamos, seja com uma boa ou má gestão do negócio florestal. "

Robinson Cannaval Junior Diretor Executivo da Innovatech

A Gestão do Negócio Florestal depende da produtividade primária e também de outros importantes componentes do negócio, resumidamente elencados no quadro em destaque. O negócio florestal deve ter o lucro como premissa, e não apenas como objetivo a ser alcançado. Embora possa parecer a mesma coisa, não o é, porque quando o lucro é premissa do negócio, os principais componentes em seus níveis mais detalhados possíveis são analisados e estimados adequadamente a priori e registrados como premissas do negócio, ou seja, planejados sob a melhor estimativa possível de rendimentos, custos e preços de mercado. Uma vez tomada a decisão de investimento pelo negócio florestal, o planejamento estratégico, tático e, principalmente, o planejamento operacional devem ser aderentes às premissas do negócio, pois a operação e os investimentos representam a saída de caixa do empreendimento, sendo esses os únicos sobre os quais o investidor possui maior controle e gestão, uma vez que o mercado, que representa o componente de entrada de recursos no empreendimento, pode não estar sob controle algum do investidor, dependendo da situação. ;


gestão do negócio florestal PRINCIPAIS COMPONENTES DO NEGÓCIO FLORESTAL Produção Eficiência na gestão

F Operacional & custos F Produtividade florestal

Logística Variáveis

F Distância até o mercado F Infraestrutura de transporte F Sistema de colheita

Mercado Posicionamento

F Tipo de demanda F Tamanho F Poder de barganha - comprador

NEGÓCIO FLORESTAL

Naquilo que cabe ao investidor, os níveis de controle e gestão e as respectivas ferramentas e tecnologias utilizadas devem permitir que os apontamentos dos gastos e os rendimentos das operações e de investimentos estejam aderentes aos mesmos níveis previstos em orçamento, pois somente dessa forma a gestão do negócio pode detectar a real aderência ou desvios em relação às premissas de viabilidade do negócio, e, portanto, a eficiência da gestão do negócio. Embora boa parte dos empresários do setor florestal concorde que são essenciais o conhecimento prévio dos componentes do negócio e sua boa gestão, nem sempre se verifica a sua materialização em uma considerável parte dos empreendimentos florestais já realizados aqui no Brasil. Há vários empreendimentos florestais existentes no Brasil, realizados num passado recente sem análise alguma dos principais componentes listados, outros foram feitos de forma parcial ou até de maneira ingênua, por investidores hipossuficientes quanto ao conhecimento técnico e de mercado do negócio florestal. Mesmo produtores e empreendimentos florestais de considerável tradição e conhecimento falham ao fazer um orçamento anual, cujos controles operacionais não refletem o orçamento. Deixam, portanto, de ter melhor desempenho, ainda que tecnologias de controle e gestão de fácil adoção já estejam disponíveis à excelência operacional. Por outro lado, em nosso País, há empreendimentos florestais que são referência mundial no emprego de tecnologia de ponta, quer seja nos aspectos técnicos da produção, quer seja do ponto de vista de gestão das informações e governança. Tais considerações podem, de alguma maneira, sugerir que grandes empreendimentos com mais recursos tendem a possuir mais acesso às ferramentas e tecnologias e melhor gestão do negócio, enquanto empreendimentos de menor envergadura estão condenados à baixa tecnologia e desprovidos de excelência operacional em gestão por motivo de escala de produção. Podemos afirmar categoricamente que essa relação entre envergadura de projetos florestais e adoção de tecnologias de ponta em gestão não possui relação direta. Isto posto, é possível assegurar que o mesmo nível de tecnologia e excelência operacional visto em empresas de referência, já é realidade em projetos de menor envergadura, o que tende a se tornar uma realidade cada

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vez mais frequente para aqueles empresários florestais que desejam ter controle sobre todos os aspectos do seu negócio florestal com um custo absolutamente viável e compatível com o valor proporcionado. Com novos arranjos no uso de ferramentas de sistemas de gestão, novas tecnologias de informação, inteligência cognitiva e excelentes profissionais inseridos no setor florestal, é possível afirmar que a excelência operacional na gestão do negócio florestal é muito mais uma questão de atitude do empreendedor do que propriamente uma limitação de escala de produção. Certamente a eficiência e eficácia na gestão do negócio florestal são condições indispensáveis para a sobrevivência e também para a prosperidade do setor florestal, lembrando sempre que excelência em gestão do negócio não significa necessariamente a melhor produtividade no menor custo da madeira, se tudo isso estiver desprovido de uma boa receita na venda do produto no momento da colheita. A boa gestão do negócio florestal deve considerar seus principais componentes: produção, logística e mercado. Produção: Estratégia de baixo custo de produção, visto que o preço é o mercado quem determina e o custo de produção é definido pelo produtor. Logística: A produção de madeira assemelha-se à produção de uma commodity, porém com abrangência regional porque o produto “viaja” pouco (volume, peso, valor agregado). Mercado: O mercado da madeira é um mercado mais que imperfeito, por se comportar como uma commodity de caráter regional, fortemente influenciado pelos players regionais mais significativos. A gestão do negócio florestal é assim: 1. É eminentemente gestão de risco, que tem como premissa o lucro e a criação de valor. 2. O investidor que não possui informação suficiente sobre os principais componentes do negócio não decide corretamente e não gerencia de maneira adequada o próprio negócio. 3. Há disponibilidade de ferramentas, tecnologia e conhecimento para melhorar muito a gestão do negócio florestal. Quase nada na vida é por acaso, o acaso geralmente é aquilo que desconhecemos. Na vida e na floresta, colhemos tudo aquilo que plantamos, seja com uma boa ou má gestão do negócio florestal. n


pragas florestais

Opiniões

o impacto das pragas na

produtividade

Até o final da década de 1970, eram raros os surtos de pragas que afetavam os plantios florestais no Brasil, a não ser os ataques de formigas cortadeiras que exigiam um controle químico sistemático. No início da década de 1980, ocorreram surtos importantes de lepidópteros desfolhadores de eucalipto, principalmente de Thyrinteina arnobia a lagarta parda, em Minas Gerais e São Paulo. Os plantios de Pinus spp que, desde o início dos incentivos fiscais, passaram praticamente incólumes ao ataque de pragas (à exceção de pequenos surtos de lagartas de lepidópteros em pequenas áreas de Pínus patula em Camanducaia/MG e em Telêmaco Borba/PR), registraram um dos maiores surtos de praga florestal a partir de 1988, com a introdução da vespa-da-madeira, acabando com o sossego do setor.

Um programa de MIP em florestas requer um exame profundo das táticas de monitoramento e controle para determinar estratégias mais adequadas a cada região, analisando-se soluções de curto, médio e longo prazo. "

Edson Tadeu Iede Chefe-geral da Embrapa Florestas

Com o aumento da movimentação de mercadorias no comércio internacional a partir da assinatura do acordo de livre comércio da Organização Mundial do Comércio (OMC), o registro de introdução de novas pragas florestais também aumentou de forma sistemática, causando impactos negativos na produtividade florestal. Os produtores florestais que até então, antes do registro dessas pragas, não contemplavam em seus planos de manejo o componente “Pragas”, passaram a considerar o programa de Manejo Integrado de Pragas (MIP) em seus planos de Manejo Florestal, uma vez que entenderam o risco a que o patrimônio florestal estaria sujeito. O MIP contempla medidas de prevenção que são fundamentais para mitigar ou mesmo eliminar o risco de surtos dessas pragas, bem como métodos de monitoramento para detecção precoce das mesmas, permitindo que planos de contingência previamente identificados para o controle possam ser imediatamente acionados para evitar perdas ; maiores devido ao ataque de pragas.


pragas florestais O Manejo Integrado de Pragas consiste na seleção, integração e execução de métodos de monitoramento e controle de pragas, baseado em princípios ecológicos, econômicos e sociológicos. O MIP deve compor a planilha de custos das plantações florestais, principalmente as atividades de Monitoramento e Controle, visto que as medidas de prevenção como a escolha de materiais genéticos adequados, as condições edafoclimáticas, as boas práticas de manejo e conservação de solos, uso de técnicas adequadas de plantio e de tratos silviculturais já compõem o plano de manejo. Em alguns casos, pode-se afirmar que a presença de uma praga é uma indicação de que existem sérios problemas silviculturais na área atacada, como plantas sob estresse por fatores bióticos ou abióticos, que inclusive propiciam condições para o aparecimento de uma praga oportunista. Devem ser avaliados os vários fatores que favorecem o aparecimento de uma praga, como uso de materiais de propagação de baixa qualidade, plantios localizados em áreas com solos rasos, compactados, homogeneidade no plantio (clones, diversidade na composição de idades diante da abundância de material adequado para a reprodução de uma praga, o manejo florestal inadequado como poda e desbastes realizados em épocas de atividade da praga). Dessa forma, é necessário avaliar, durante o planejamento do manejo florestal, todos os fatores bióticos e abióticos que possam favorecer o ataque de pragas. O estado ótimo de uma floresta plantada está relacionado diretamente ao estado fitossanitário do empreendimento. A ocorrência de pragas está entre os indicadores mais importantes da estabilidade ecológica do plantio, no qual os componentes desse ecossistema (árvores, sub-bosque, animais, clima, solos e demais fatores), devem estar interagindo harmoniosamente para criarem mecanismos de resistência a possíveis alterações no equilíbrio do meio. A Resistência do Meio é um conjunto de fatores físicos, nutricionais, fisiológicos dos vegetais e biológicos de determinado ambiente que contribuem para diminuir a população de uma praga. Os fatores nutricionais e fisiológicos dos vegetais referem-se à variabilidade na composição do ecossistema, sendo que quanto maior a variabilidade, menor será a susceptibilidade ao ataque de pragas, sendo o inverso também verdadeiro. Os fatores biológicos referem-se à competição intra e interespecífica da praga por alimento/espaço/ abrigo, com o parasitismo e com a predação. Um programa de MIP em florestas requer um exame profundo das táticas de monitoramento e controle para determinar estratégias mais adequadas a cada região, analisando-se soluções de

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Opiniões curto, médio e longo prazo. Deve ser flexível e dinâmico, utilizando táticas mais promissoras e adicionando novas tecnologias geradas pela pesquisa científica. Face à maior estabilidade de um plantio florestal em relação aos cultivos agrícolas, deve-se priorizar os métodos de controle biológico, silvicultural e de resistência de plantas. O controle químico deve ser uma das últimas alternativas, devendo-se restringir ainda a formigas cortadeiras, viveiros e em áreas de maior valor agregado, como área e pomar de produção de sementes e em pomar clonal. O uso de controle químico é praticamente inviável a longo prazo, tanto em função de custos, como a possíveis desequilíbrios que possam causar ao ecossistema. Deve-se analisar: Qual é o princípio ativo? Quando aplicar? Como aplicar? Onde aplicar? A produtividade de um empreendimento é a relação entre a produção e os recursos e meios utilizados para atingi-la, enquanto a produção é a quantidade de bens produzidos. De modo geral, a produtividade é o melhor indicador para medir a eficácia e eficiência do empreendimento. Na agricultura, ela é definida como a quantidade produzida por unidade de área. No caso de florestas, é medida em tonelada/ha, m³/ha, estéreo/ ha. Porém, em termos financeiros, essa produtividade deve levar em conta o total produzido por área, descontados os custos de produção (mão de obra, máquinas e implementos, insumos, custo da terra, entre outros). Em uma visão simplista, somente a presença potencial de uma praga em uma plantação florestal, sem que ela tenha atingido o Nível Econômico de Prejuízo (NEP), já afeta a produtividade do empreendimento, porque as ações de monitoramento para sua detecção e avaliação da densidade populacional impactam os custos de produção e, consequentemente, a produtividade. É óbvio que surtos de pragas em florestas têm um impacto na produtividade muito elevado, principalmente porque as plantações florestais ocupam áreas grandes e contínuas. Isso facilita a propagação de pragas e consequentemente surtos que chegam a causar perdas de até 60% das árvores, como tivemos oportunidade de constatar em áreas de Pinus atacadas pela vespa-da-madeira e do serrador da acácia negra; ou perdas no incremento médio anual, em áreas atacadas por pulgões gigantes-do-pinus, ou por coleópteros e lepidópteros desfolhadores, além de psilídeos-de-concha e percevejo-bronzeado, em eucalipto. Felizmente, na atualidade, essas áreas estão em equilíbrio face à responsabilidade que o setor florestal teve em adotar programas de MIP, que permitem uma convivência com a praga, sem impacto financeiro significativo. n


Viveiro Campo

Adjuvantes


pragas florestais

controle biológico de pragas exóticas O Brasil tradicionalmente tem altos índices de produtividade das plantações florestais de eucalipto sendo referência a nível mundial, com incremento médio anual (IMA) entre 35 a 40 m3/ha/ano e potencial para 50 a 60 m3/ha/ano. Entretanto, a produtividade potencial é difícil de ser atingida por vários fatores, entre eles o ataque de pragas e doenças. Com relação às pragas, há as pragas nativas, sendo as principais as formigas cortadeiras, de ocorrência generalizada no Brasil, os cupins e as lagartas desfolhadoras. Além das plantações de eucalipto sofrerem com o ataque dessas e outras pragas nativas, há também a ocorrência de pragas exóticas ou invasoras. As principais pragas exóticas do eucalipto que foram introduzidas no Brasil são o psilídeo-de-concha (Glycaspis brimblecombei) em 2003, o percevejo-bronzeado (Thaumastocoris peregrinus) e a vespa-de-galha (Leptocybe invasa), ambos em 2008, e o gorgulho-do-eucalipto (Gonipterus platensis), em 1955. Essas pragas já causaram e ainda causam muitos danos aos plantios de eucalipto, como redução expressiva da produtividade, variando de 15 a mais de 30% a menos no volume de madeira colhida em áreas atacadas. Além disso, as três primeiras pragas foram responsáveis por limitar os plantios com Eucalyptus camaldulensis e seus híbridos, sendo esses materiais os mais utilizados para regiões com déficit hídrico e para produção de carvão vegetal. A principal estratégia de manejo das pragas exóticas do eucalipto é o controle biológico clássico, com a importação de inimigos naturais da região de origem dessas pragas, a Austrália. A principal estratégia de manejo das pragas exóticas do eucalipto é o controle biológico clássico, com a importação de inimigos naturais da região de origem dessas pragas, a Austrália. "

Carlos Frederico Wilcken Professor de Entomologia Florestal e Diretor da FCA/Unesp - Campus de Botucatu e Líder do Protef/IPEF

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Para o psilídeo-de-concha, em 2004 foi introduzido o parasitoide de ninfas Psyllaephagus bliteus. Após 13 anos das primeiras liberações desse inimigo natural, foi verificado o estabelecimento do parasitoide por todas as regiões produtoras. Nas áreas de eucalipto das regiões Sul, parte do Sudeste e nas regiões costeiras do Sudeste e Nordeste, as populações têm se mantido baixas, com índices de parasitismo relativamente altos. Entretanto, nas regiões com período de seca longo (acima de 60 dias), como parte de SP, e nos estados de MG, MS, GO, MT, TO, MA e PI, as plantações de eucalipto ainda sofrem surtos de psilídeo-de-concha, pois o inimigo natural é afetado por altas temperaturas e baixa umidade relativa. Liberações mais frequentes de P. bliteus ajudam a aumentar o parasitismo, mas a criação massal do parasitoide ainda é um desafio. Nas regiões com altas infestações, há a utilização de métodos complementares de controle, como aplicação de inseticidas biológicos à base de fungos entomopatogênicos ou mesmo de inseticidas químicos. Porém, com resultados inconsistentes em alguns casos. O controle biológico do percevejo-bronzeado é o que tem demonstrado melhores resultados. Essa praga, detectada em 2008, teve grandes surtos entre 2011 a 2014, causando perdas médias de 15% no volume de madeira e prejuízos acima de R$ 1 bilhão. O parasitoide de ovos Cleruchoides noackae, introduzido em 2012, foi liberado em 7 estados brasileiros e está estabelecido em quase ; todas as regiões produtoras.


Opiniões Nos levantamentos anuais de ocorrência de pragas e doenças florestais, feitos pelo Protef – Programa Cooperativo sobre Proteção Florestal, do Ipef, o ano de 2012 foi o pior, com aproximadamente, 245.000 ha atacados pela praga. Em 2015, ou seja, três anos após a introdução do inimigo natural, a área infestada reduziu para 46.000 ha no Brasil. A taxa de parasitismo tem aumentado desde a sua introdução, atingindo a 89% de parasitismo em 2017. É esperado o controle da praga para os próximos dois anos, com o retorno do nível de produtividade do período anterior da entrada da praga. O gorgulho-do-eucalipto, apesar de estar presente no País há mais de 60 anos, voltou a ser praga-chave, principalmente nos estados de SP e PR, com mais de 20.000 ha infestados anualmente no período 2015-16. Apesar de o inimigo natural, o parasitoide de ovos Anaphes nitens, ter sido introduzido junto com a praga no RS e ter se disseminado até SP junto com seu hospedeiro, o inseto voltou à condição de praga desde dezembro de 2012, com taxas de parasitismo relativamente baixas, entre 30 a 60%, quando a taxa esperada é acima de 90%. As causas dessa redução nos níveis de parasitismo ainda estão sendo estudadas. A criação massal e as liberações frequentes têm ajudado a reduzir as populações do gorgulho-do-eucalipto.

Métodos complementares como bioinseticidas à base de fungos e de B. thuringiensis, além de pesquisas com nematoides entomopatogênicos podem auxiliar no sucesso do controle biológico dessa praga. A vespa-da-galha também teve seu inimigo natural, o parasitoide Selitrichodes neseri, introduzido em 2015, vindo da África do Sul. O parasitoide já foi liberado em 8 estados e está estabelecido em SP, MG e BA. As avaliações de parasitismo em campo estão ainda em andamento. O controle biológico tem demonstrado ser efetivo para o controle de pragas florestais, como está sendo o caso do percevejo-bronzeado. Entretanto, para o psilídeo-de-concha e o gorgulho–do-eucalipto, em algumas regiões ainda não se conseguiu o resultado esperado. Pode ser necessário introduções de novas raças dos parasitoides ou de novas espécies. Porém, houve alterações na legislação de importação e exportação de inimigos naturais em 2015 e isso tem complicado a realização das importações, além de todos os estudos de seletividade necessários para comprovar a biossegurança dos parasitoides importados. Apesar dos obstáculos, o controle biológico ainda é a melhor opção de manejo, pois é bem aceita pelos sistemas de certificação florestal, pelo mercado e pela sociedade em geral, além de manter a produtividade florestal com baixo impacto ambiental. n


clima e floresta

yield gap O Eucalyptus é o gênero mais cultivado em reflorestamento no Brasil, representando 73% do total da área de florestas plantadas no País (5,7 milhões de ha). A produtividade média dos plantios de Eucalyptus no Brasil é da ordem de 36 m3 ha-1 ano-1. Essa produtividade é influenciada basicamente pelos efeitos do clima, das características químicas/físicas do solo e do manejo florestal nos processos fisiológicos do genótipo empregado. Como o Brasil apresenta uma grande variabilidade temporal e espacial das condições climáticas, é muito importante ter conhecimento de quais são os fatores que estão condicionando/limitando o crescimento das florestas, possibilitando, assim, a adoção de medidas que maximizem a produtividade. A análise de quebra de produtividade (conhecida como Yield Gap) vem sendo amplamente aplicada para identificar a magnitude e as principais causas das perdas de produtividade de diversas culturas. Com base nessas informações, é possível estabelecer estratégias para mitigar tais perdas, sejam elas oriundas do déficit hídrico (DH) ou do manejo subótimo. A análise de quebra de produtividade (conhecida como Yield Gap) vem sendo amplamente aplicada para identificar a magnitude e as principais causas das perdas de produtividade de diversas culturas. "

Paulo César Sentelhas Professor de Agrometeorologia da Esalq-USP Coautores: Elvis Felipe Elli e Cleverson Henrique Freitas, respectivamente Doutorando e Mestrando do PPG em Engenharia de Sistemas Agrícolas da Esalq-USP

Para a determinação do yield gap florestal é necessário, primeiramente, conhecer os diferentes tipos e níveis de produtividade, bem como os seus fatores condicionantes (Figura 1). A produtividade potencial (PP) é a obtida por uma dada cultura sem que haja qualquer limitação de ordem hídrica, nutricional ou fitossanitária. Assim, a PP varia em função das variáveis ambientais (radiação solar, temperatura, fotoperíodo e CO2) e de suas interações com as características da cultura (genótipo e a sua população), denominados de fatores determinantes.

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conceitos e aplicações no setor florestal

Portanto, a PP é um valor teórico, podendo ser determinada em experimentos ou por meio de modelos de simulação devidamente calibrados. A Produtividade Atingível (PA), por sua vez, é influenciada não só pelos fatores determinantes, mas também pelo DH (fator limitante), o qual normalmente se estabelece nas regiões nas quais há variação interanual, intersazonal e intrasazonal das chuvas. O DH é uma variável oriunda do balanço hídrico da cultura, envolvendo, além da chuva, as características do solo, que juntamente com a profundidade das raízes, define a capacidade de água disponível (CAD), evapotranspiração da cultura e a sensibilidade desta ao DH. Além disso, a PA é influenciada pelo déficit nutricional, uma vez que haja DH, consequentemente haverá redução da absorção de nutrientes. Esse nível de produtividade, assim como a PP, é teórico, já que admite ausência da ação de fatores limitantes associados ao manejo da cultura (Figura 1). A PA pode ser obtida em experimentos de campo ou por meio de modelos de simulação, sendo que PA ≤ PP. ;


Opiniões TIPOS DE PRODUTIVIDADE

1. TIPOS E NÍVEIS DE PRODUTIVIDADE DO EUCALIPTO E SEUS FATORES CONDICIONANTES

) )

NÍVEIS DE PRODUTIVIDADE

A produtividade real (PR), por sua vez, é aquela que considera, além dos fatores determinantes e limitantes, os fatores redutores decorrentes do manejo deficiente, como o ataque de pragas, plantas daninhas, doenças, muito comuns em cultivos florestais. Finalmente, a produtividade final (PF) é aquela que efetivamente será contabilizada, levando em conta também aspectos relativos às perdas decorrentes dos processos de colheita e transporte. A diferença entre os tipos de produtividade agrícola define as quebras, assim como suas principais causas. A quebra de produtividade devido ao DH (YGDH) é determinada pela diferença entre PP e PA. A quebra de produtividade devido ao manejo (YGM) é calculada pela diferença entre PA e PR, enquanto a quebra, devido às perdas na colheita e transporte

PRODUTIVIDADE (m3 ha-1)

PRODUTIVIDADE POTENCIAL, ATINGÍVEL E REAL PP: Produtividade Potencial PA: Produtividade Atingível PR: Produtividade Real

500 400 300 200 100 0

QUEBRA DE PRODUTIVIDADE (Yield Gap) EM DIFERENTES REGIÕES DEVIDO AO DÉFICIT HÍDRICO, MANEJO E TOTAL 500

YGDH: Déficit Hídrico YGM: Manejo YGT: Total

YIELD GAP (m3 ha-1)

400 300 200 100 0

TELÊMACO BORBA PR

TRÊS LAGOAS MS

CORAÇÃO DE JESUS MG

NIQUELÂNDIA GO

MONTE DOURADO PA

(YGCT), é dada pela diferença entre PR e PF. A soma dessas quebras define a quebra total (YGT). Para o setor florestal, no qual as perdas por problemas de colheita e transporte são mínimas, adota-se apenas YGDH e YGM, como é apresentada no exemplo em destaque. A título de exemplo, foram realizadas simulações de PP e PA com um modelo de simulação do eucalipto devidamente calibrado, para diferentes localidades do Brasil (Telêmaco Borba-PR, Três Lagoas-MS, Coração de Jesus-MG, Niquelândia-GO e Monte Dourado-PA). Os resultados de PP e PA foram então comparados com os valores de PR de cada localidade, obtidos por meio da média de diferentes clones de eucalipto em plantações experimentais do projeto TECHS do IPEF. A idade das plantações de eucalipto utilizadas variou de 48 a 58 meses. Os gráficos apresentam as produtividades do eucalipto de cada região com os respectivos YGs. A PP variou de 328 a 432 m3 ha-1, enquanto a PA variou de 115 a 295 m3 ha-1 e a PR de 27 a 273 m3 ha-1. A YGDH variou de 55 a 318 m3 ha-1, ao passo que o YGM variou de 0 a 268 m3 ha-1, o que totalizou valores de YGT de 55 a 395 m3 ha-1. A maior PP foi observada em Coração de Jesus, entretanto, essa localidade foi a que apresentou o maior YGDH, resultando na menor PA. Em Telêmaco Borba, apesar de uma menor PP, o YGDH foi consideravelmente menor. Além disso, o YGM foi nulo, o que fez com que a PR fosse a mais alta de todas as localidades analisadas. Em Monte Dourado, o YGDH foi o segundo menor, porém o YGM foi o mais elevado, o que muito provavelmente está associado à alta intensidade da Mancha de Cylindrocladium. Em termos relativos, os YGDH foram de 100, 85, 90, 71 e 32%, enquanto YGM foram de 0, 15, 10, 29 e 68% do valor total, respectivamente para as localidades de Telêmaco Borba, Três Lagoas, Coração de Jesus, Niquelândia e Monte Dourado. Tomando-se essas localidades como uma amostra representativa da produção florestal do País, em termos médios gerais, observa-se que 75% das quebras de produtividade do eucalipto no Brasil são devidos ao DH, enquanto os demais 25% ocorreram devido ao déficit de manejo. No entanto, o mais importante desse tipo de análise é identificar as causas das quebras localmente, e, em função delas, estabelecer ações que possam minimizar os impactos tanto do DH como do déficit de manejo na produtividade. Essa abordagem, inédita na área florestal, elimina a subjetividade das análises da produtividade do eucalipto, mostrando com precisão as causas das quebras. Uma vez identificadas essas causas, as empresas florestais poderão estabelecer as ações para contorná-las, aumentando assim a eficiência da produção. n

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melhoramento genético

Opiniões

melhoramento genético e produtividade Segundo a conceituação moderna, os níveis de produção florestal são controlados por três tipos de produtividade: A produtividade potencial, a produtividade realizável e a produtividade real. A produtividade potencial é definida pelos fatores determinantes, típicos de determinado local, tais como temperatura, radiação solar e precipitação pluviométrica. Esses fatores, juntos com a concentração de CO2, vão determinar a capacidade teórica de produção de matéria seca pela fotossíntese. Normalmente a ação sobre esses fatores somente se dá no momento da aquisição da área a ser plantada, quando se pode escolher onde esses fatores são mais favoráveis à obtenção de maiores produtividades. A produtividade realizável é controlada pelos fatores técnicos, tais como material genético, manejo, irrigação, fertilização, preparo de solo, controle de vegetação competidora, combate a pragas etc. Os fatores técnicos são manejáveis e atuam para que a produtividade realizável possa ser o mais próximo da produtividade potencial. O melhoramento genético é um dos principais agentes do aumento da produtividade realizável. O desenvolvimento de materiais genéticos superiores em crescimento e qualidade da madeira, tolerantes a fatores bióticos e abióticos é um dos responsáveis pela colocação do Brasil no topo das produtividades mundiais.

Por fim, a produtividade real é determinada pelos fatores de redução, como fogo, granizo, geadas, déficit hídrico, pragas, doenças etc. Ela será tão mais próxima da produtividade realizável quanto maior for a ação sobre eles. É importante notar que, com exceção do fogo e do granizo, o melhoramento genético, além da sua ação sobre o desenvolvimento de materiais genéticos mais produtivos e de melhor qualidade da madeira, também tem ação direta e mitigadora sobre os fatores de redução da produtividade e tem contribuição decisiva nesse sentido. Portanto, o melhoramento genético é um fator de grande importância, não somente no aumento da produtividade atingível, mas também na obtenção de uma maior produtividade real. Apesar da sua importância na promoção do aumento da produtividade, o melhoramento genético não é o único agente responsável por ela. A floresta, ou seja, o que vemos, medimos e colhemos é o resultado da constituição genética dos indivíduos que a compõem (espécies, procedências, famílias ou clones), mais os fatores ambientais e de manejo aos quais a floresta é submetida e mais a interação entre esses fatores. O melhoramento atua no desenvolvimento de indivíduos com constituição genética de maior potencial de produtividade.

Para um setor como o florestal, que gera a quantidade de riquezas e divisas para o País, deveria haver bancos de conservação genética oficiais dos principais gêneros florestais utilizados no Brasil. "

Teotônio Francisco de Assis Diretor da Assistech

As áreas de manejo e de proteção florestal trabalham no sentido de assegurar o ambiente mais adequado para que a superioridade genética dos indivíduos da floresta se manifeste em toda sua plenitude. A interação entre os genótipos e os ambientes é manejada pelo melhoramento genético, tirando ;



melhoramento genético proveito de genótipos mais estáveis, que apresentam comportamento geral favorável para um grupo amplo de ambientes (solo, clima, relevo e manejo), bem como de genótipos mais adaptados a ambientes específicos. Portanto, para se construir uma produtividade sólida, é necessário que todas as áreas envolvidas na sua obtenção busquem a maximização dos seus efeitos quantitativos e qualitativos na floresta. Quando se fala em produtividade florestal, é comum vir à mente o crescimento volumétrico das árvores. Entretanto, a produtividade tem um sentido mais amplo e é mais bem quantificada quando expressa em produto final por unidade de área plantada. Para a maioria das finalidades a que se destina a madeira, o mais importante é a quantidade de celulose (ton/ha/ano), carvão (ton/ha/ano), energia (Kcal/ha/ano), tábuas (quantidade/ha/ano) etc., produzidos em determinada área. Nesse sentido, a qualidade da madeira é um fator de grande importância, pois se relaciona positivamente com a maioria dos produtos obtidos da madeira e podem influenciar diretamente na obtenção de maiores produtividades. Entre os atributos de qualidade da madeira a densidade é um dos mais impactantes na produtividade. Na indústria de celulose, por exemplo, a produtividade em polpa mais do que dobrou nos últimos 30 anos, fruto do maior crescimento das florestas e das melhorias na qualidade da madeira. Situação semelhante aconteceu com a produção de carvão siderúrgico, mostrando o profícuo esforço dos técnicos brasileiros em promover, de forma tão expressiva, o aumento da produtividade florestal. É inegável o significativo aporte que o melhoramento genético tem dado para o atingimento dos níveis de produtividade obtidos no Brasil. Sua contribuição mais relevante se deu pelo uso da hibridação, como estratégia geral de melhoramento, associada à utilização do conceito de florestas clonais. A hibridação é a forma mais eficiente de se promoverem ganhos de produtividade e de qualidade e a clonagem é a forma mais rápida de transformar esses ganhos do melhoramento em benefícios para as indústrias. Quando utilizadas em conjunto, a hibridação e a clonagem são poderosas ferramentas para o aumento da produtividade. Em geral, famílias híbridas são heterogêneas, sendo necessário ter processos de clonagem bem estabelecidos para tirar proveito da variabilidade existente nessas famílias e transformar indivíduos, de alto desempenho e qualidade da madeira, em florestas clonais superiores. O impacto da maior produtividade florestal, no seu sentido mais amplo, é a redução dos custos da matéria prima e, nesse sentido, a qualidade da madeira também tem importante influência. Se a produtividade de certo produto da madeira é alta, isso impacta toda a cadeia de custos, que vai desde a formação da floresta, passando pela colheita, descascamento, baldeio, carregamento e transporte. Adicionalmente, na área industrial, normalmente a madeira de melhor qualidade produz reflexos positivos nos processos, aumentando a produtividade dos equipamentos, sejam picadores, digestores, fornos de carbonização, altos fornos, unidades de geração de energia e tudo isso reduz custos.

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Opiniões O melhoramento genético é a área que pode promover as melhorias mais significativas na qualidade da madeira. A qualidade da madeira afeta também a qualidade dos produtos, com impactos positivos nos negócios das empresas. Com isso, dois dos mais importantes fatores do processo competitivo, qualidade e custo, serão atendidos. A manutenção de níveis crescentes de produtividade é sempre um árduo desafio. É uma luta permanente, principalmente porque alguns dos fatores de redução da produtividade são dinâmicos e, permanentemente, estão a desafiar as áreas do melhoramento genético, manejo, entomologia e fitopatologia. Há desafios crescentes, como a migração de projetos florestais para áreas com menor produtividade potencial, ocorrência de situações de mudanças climáticas e episódios de introdução e/ou adaptação de novas pragas e doenças. Essa é uma situação recorrente nos últimos anos, na qual os fatores de redução da produtividade nunca estiveram tão presentes, estagnando e até mesmo reduzindo a produtividade em alguns ambientes. Há novas pragas e doenças, além de mudanças no clima, que têm sido fortes empecilhos ao aumento e até mesmo à manutenção da produtividade. Nesse cenário, manter o crescimento da produtividade será sempre desafiador e, em razão disso, o crescimento da produtividade florestal no Brasil não está nos seus melhores momentos. Entretanto, ao mesmo tempo em que esses fatores ocorrem, a ciência também evolui e cria novas plataformas de conhecimento e desenvolvimento, que atuam no sentido de assegurar crescentes patamares de produtividade. O melhoramento genético tem como suporte para um sustentável aumento da produtividade a variabilidade genética dos bancos de germoplasma, dos quais se lança mão nos momentos em que os fatores de redução comprometem ou ameaçam os ganhos de produtividade. Neste sentido, do ponto de vista institucional, o Brasil não tem feito seu “dever de casa”. Se, para várias culturas importantes na economia brasileira, há bancos de germoplasma, que servem de socorro aos melhoristas nos momentos em que os fatores de redução ameaçam a produtividade, na área florestal os esforços maiores têm sido feitos pelas empresas, de forma isolada ou em associação com instituições de pesquisa. As introduções de materiais genéticos realizadas pela Embrapa na década de 1980 não tiveram continuidade e não há uma política nacional de conservação de recursos genéticos florestais. Para um setor como o florestal, que gera a quantidade de riquezas e divisas para o País, deveria haver bancos de conservação genética oficiais dos principais gêneros florestais utilizados no Brasil. Essa situação agrava-se diante das dificuldades, cada vez maiores, de acesso aos materiais genéticos nos Centros de Origem, além do seu empobrecimento genético provocado pela expansão da atividade humana. Assim, parece pouco estratégico para o setor florestal, no que concerne ao melhoramento, não ter uma reserva genética adequada para dar suporte ao aumento da produtividade no longo prazo. n

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melhoramento genético

Opiniões

produtividade de

ponta a ponta

É um desafio prazeroso escrever sobre algo relacionado à atuação profissional, principalmente quando o assunto tem sua evolução assistida de “ponta a ponta”, isto é, do início da carreira até as vésperas de passar o bastão. Acompanhar e testemunhar a evolução da eucaliptocultura no Brasil foi uma grande experiência profissional, mais ainda quando o profissional é parte dessa história. A oportunidade de registrar na Revista Opiniões essa história poderá encorajar os profissionais que estão chegando ao mercado a encarar novos desafios na busca de alternativas mais eficientes de produção, porque vale a pena. Assim foi com a genética e o melhoramento florestal, pelo salto de produtividade e de tecnologias ocorrido desde a década de 1970, com grandes reflexos para o setor e para a economia do País. Naquela época, não se tinha materiais genéticos melhorados adaptados às diferentes condições edafoclimáticas do Brasil, e muito menos se tinha certeza da espécie mais adequada, dentre as cerca de 600 espécies botânicas conhecidas, compreendidas em oito subgêneros (Blakella, Eudesmia, Gaubaea, Idiogenes, Telocalyptus, Monocalyptus, Symphyomyrtus e Corymbia), sendo que esta última passou a gênero, onde está, por exemplo, o citriodora (Corymbya citriodora). Os plantios em escala econômica eram feitos a partir de sementes, na grande maioria, importadas da Austrália e ilhas vizinhas, região de origem dos eucaliptos, portanto, em estado selvagem, sem nenhum grau de melhoramento, resultando em florestas de baixo rendimento, da ordem de 15 m3/ha/ano e com grande heterogeneidade.

Diante dessa situação, nos anos de 1980, houve um grande esforço das empresas do setor e da Embrapa para estabelecer um programa de seleção de espécies e procedências para as diferentes regiões ecológicas do Brasil, considerado este o marco do melhoramento florestal de eucalipto no Brasil, rumo às produtividades atuais. Tratava-se também da era da descoberta da propagação vegetativa por estaquia (1978), que muito contribuiu para um salto de produtividade, por proporcionar a multiplicação de materiais genéticos selecionados fenotipicamente, no seu inteiro valor genético. Com o advento da propagação vegetativa, os programas de melhoramento genético começaram a ser estruturados com base na seleção de árvores de alta performance nos plantios comerciais supostamente híbridos, proporcionando a multiplicação em escala desses indivíduos para suprimento dos plantios comerciais e também para a composição das populações de melhoramento, proporcionando salto significativo de produtividade nas décadas de 1980 e 1990. Não se poderia deixar de citar também a formação de massa crítica na área, visto que o número de melhoristas de ; formação não “enchia uma mão” até 1980. Acompanhar e testemunhar a evolução da eucaliptocultura no Brasil foi uma grande experiência profissional, mais ainda quando o profissional é parte dessa história. "

Ismael Eleotério Pires Gerente Executivo da SIF Sociedade de Investigações Florestais

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Bruna Pupin e Marcos Vinícius Colaboradores da BSC/Copener

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melhoramento genético Assim, a implementação dos programas de pós-graduação nas universidades e a formação de pessoal capacitado, com conhecimentos de genética e melhoramento, particularmente genética quantitativa, somados ao desejo das empresas no aumento da produtividade e da qualidade, proporcionaram grandes avanços na eucaliptocultura na década de 1990. Evidentemente que outras áreas também deram sua contribuição, particularmente solos e nutrição, que sempre andaram lado a lado com o melhoramento genético, mas também pode-se citar proteção (pragas, doenças e incêndios), dentre outras, proporcionando sistemas de manejo ajustados para cada condição edafoclimática. Mas, no tocante ao melhoramento genético, pode-se estabelecer que a década de 1990 foi o divisor de águas com o estabelecimento de programas de melhoramento genético clássicos, a produção de híbridos controlados, com estabelecimento de testes de progênies, a seleção genotípica, a clonagem, os testes clonais e os plantios clonais, proporcionando aumentos contínuos de produtividade, chegando aos dias de hoje na ordem dos 40 m3/ha/ano como média nacional, mas tendo casos de produtividades de até 60 m3/ha/ano. A contribuição da genética para essa produtividade continuou avançando para tecnologias mais eficientes de seleção pelo domínio de novas tecnologias, como os marcadores moleculares e bioquímicos, a cultura de tecidos, que evoluiu aos dias atuais para micropropagação, permitindo reproduzir, em grande escala, os materiais genéticos selecionados; o melhoramento convencional, tendo como ferramenta a genética quantitativa, de baixo custo e marcadores moleculares de alto custo. Mas os pesquisadores descobriram que as duas linhas poderiam andar juntas, de forma complementar, proporcionando maior eficiência na seleção. Isso permitiu chegar aos dias atuais a processos de seleção altamente eficientes, denominados “seleção assistida”, em que se pode identificar o valor genético do indivíduo em fase de plântula, encurtando substancialmente o ciclo de seleção, de cerca de 10 anos, nos métodos convencionais, para cerca de dois a três anos, nos métodos avançados. O Brasil conta, atualmente, com laboratórios equipados e pesquisadores capacitados para operar essas tecnologias, em fase de consolidação, pelo estabelecimento de protocolos genotípicos capazes de proporcionar a sua aplicabilidade. Isso em operação será uma grande contribuição para os ganhos advindos do encurtamento do ciclo de seleção e o aumento do grau de confiabilidade no valor genético dos indivíduos selecionados e na produtividade das florestas resultantes. Fica evidente o avanço das tecnologias aplicadas ao melhoramento, e, como nem tudo são flores, ou seja, a cada avanço, novos desafios aparecem, surge, na era atual, o fantasma das mudanças climáticas, com secas severas, principalmente nas regiões do cerrado brasileiro.

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Podendo-se citar a perda de milhares de hectares de florestas de eucalipto nessas regiões, requerendo ações para desenvolvimento de materiais genéticos capazes de sobreviver e de crescer em níveis satisfatórios de produtividade, em condições de estresse hídrico. Nesse sentido, esforços estão sendo implementados na busca de novas espécies adaptadas a essas regiões, assim como na implementação de programas de cruzamentos daqueles materiais genéticos melhorados, que vêm suportando essas adversidades com produtividade satisfatória, com vistas à obtenção de matérias genéticos tolerantes à seca e que sejam de alta produtividade. Mais uma vez andam juntos a genética, o solo e a nutrição, mas também outras áreas que poderão auxiliar no entendimento do mecanismo de tolerância ao estresse hídrico, para que, com as tecnologias avançadas de genética, possam ser selecionados os indivíduos verdadeiramente tolerantes, de alta eficiência nutricional e, consequentemente, de alta produtividade. Evidentemente, existem também regiões do Brasil que apresentam outros problemas para a produtividade das florestas de eucalipto, como as geadas e os excessos de água na época das chuvas, que igualmente requerem ações de desenvolvimento de materiais genéticos adaptados e de alta produtividade, porém são áreas específicas, numa escala bem menor do que o que está acontecendo com o déficit hídrico. Além do mais, essa problemática está presente desde o início da eucaliptocultura nessas regiões, sendo, portanto, monitoradas e contornadas em certo grau, diferentemente com a seca, razão por que não será abordada. Cabe destacar a necessidade de estudos envolvendo equipes multidisciplinares, para o entendimento de todos os fatores envolvidos na produção das florestas, não se desprezando o meio ambiente, para estabelecer protocolos de manejo ajustados a cada microbacia, para a sustentabilidade do ecossistema e a manutenção da produtividade nos níveis a que se atingiu, para cada ambiente ecológico do território nacional. Na abordagem do tema produtividade, deve-se considerar também a variável para sua medição ou avaliação. Num primeiro momento, pensa-se em volume (m3/ha/ano), e isso vem desde o início da eucaliptocultura no País, fato esse que está mudando nos dias atuais, tendo a biomassa como o fator de referência, seja na indústria de base florestal (carvão ou celulose) ou na de chapas ou madeira maciça, indicando que a qualidade da madeira também é importante para o produto final. Assim, para a celulose, é importante o rendimento de celulose por hectare, e, na siderurgia, o teor de carbono fixo no carvão e as características físicas do mesmo; portanto, não basta avistar a produtividade volumétrica como fator determinante, mas sim o atributo densidade, capaz de traduzir o valor da floresta com mais eficiência ao que se destina, na idade de corte e consequente eficiência no processo de transformação, ou seja, biomassa por tonelada de aço ou tonelada de celulose por hectare. n


plantas daninhas

Opiniões

manejo de plantas daninhas

na implantação da floresta

Do pré-plantio até o domínio da vegetação pela floresta implantada, enquanto a floresta não ocupa 100% do nicho ecológico disponível no ambiente de produção, as plantas daninhas podem completar esses “espaços” disponíveis. Como as plantas daninhas são muito prolíficas e biologicamente agressivas, acabam afetando negativamente o crescimento e o desenvolvimento da floresta, resultando em redução do potencial produtivo de madeira na colheita. Essa redução pode ser da ordem de 20% a 75%, dependendo da dinâmica e do tamanho do banco de sementes das plantas daninhas e das condições culturais da floresta. Sendo assim, para uma exploração econômica da floresta, é essencial que medidas de manejo das plantas daninhas sejam aplicadas durante o estabelecimento da floresta. Os investimentos em herbicidas, atualmente, estão cada vez mais intensos, pois, cada vez mais escassa está a mão de obra para controle manual das plantas daninhas. "

Pedro Jacob Christoffoleti

Professor de Biologia e Manejo de Plantas Daninhas do Departamento de Produção Vegetal da Esalq-USP

Esse manejo deve ser feito até o “fechamento” da floresta, quando não há mais nicho de sobrevivência para as plantas daninhas. Geralmente, esse período de convivência entre a floresta e as plantas daninhas ocorre do plantio até aproximadamente 200 dias. Além de interferir negativamente na produtividade de madeira, as plantas daninhas podem representar risco de fogo, abrigo de pragas e doenças e custo dos tratos culturais e de manejo da floresta. Em um sistema de produção visando à obtenção de níveis de produtividade econômica, as plantas daninhas são controladas através da integração de medidas culturais e química.

As medidas culturais estão representadas por práticas silviculturais que proporcionam o “fechamento” rápido da floresta. Já as medidas químicas são realizadas através do uso de herbicidas que retardam o crescimento das plantas daninhas e, seletivamente, permite o crescimento das plantas de eucalipto. Boa prática deve ser utilizada quando os herbicidas são utilizados durante as etapas do processo produtivos, e, para isso, o herbicida deve ter algumas características importantes, que influenciam sua eficácia no manejo de plantas daninhas e seletividade para a cultura. Dentre as principais características que os herbicidas devem possuir, destacam-se: seletivo para a cultura, ambientalmente de baixo impacto, toxicologicamente seguro, sustentável economicamente, viável como parte das boas práticas agrícolas e com suporte técnico para atuação res; ponsável (stewardship).


plantas daninhas Nos últimos anos, diversas inovações foram introduzidas pelas empresas de agroquímicos no setor florestal, com o objetivo de disponibilizar novas alternativas de manejo das plantas daninhas. Essas inovações estão focadas principalmente no manejo das plantas daninhas em condições de pré-emergência das plantas daninhas. Na ilustração em destaque, é possível observar o efeito de herbicidas residuais aplicados no dia do plantio do eucalipto, sendo que a foto foi tirada 45 dias após o plantio das mudas de eucalipto, com seletividade para a cultura e eficácia de controle da planta daninha. Sendo assim, está havendo mudanças significativas das práticas de manejo de plantas daninhas em áreas florestais. Antes do plantio de uma floresta, é prática realizar a dessecação da vegetação da área. Para isso, é utilizado o herbicida glyphosate, que exige alguns cuidados importantes para uso apropriado. Destacam-se a tecnologia de aplicação a baixo volume, água de boa qualidade no preparo da calda e condições climáticas favoráveis no momento da aplicação, bem como a planta daninha não deve estar estressada e em fase vegetativa de intenso crescimento. Uma prática que tem sido usada é fazer a dessecação sequencial, em que a primeira aplicação é feita para destruição da vegetação desenvolvida na área, utilizando apenas o glyphosate. Na segunda aplicação, em pré-plantio, uma nova aplicação de glyphosate pode ser feita associada com herbicidas residuais, destacando-se o flumioxazin ou sulfentrazone (herbicidas inibidores da Protox).

Área experimental de plantio de eucalipto, 45 dias após o plantio, e a aplicação do herbicida residual em área total.

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Opiniões Dessa forma, é possível fazer o plantio das mudas florestais “no limpo”, ou seja, o efeito residual do herbicida em pré-plantio possibilita uma dianteira competitiva para a cultura. Após o plantio, é geralmente realizada a aplicação de herbicida para o controle de gramíneas (isoxaflutole), em área total sobre as mudas. Esse herbicida é um inibidor da biossíntese de caroteno e, junto com o herbicida de pré-plantio, proporciona um residual de 40 a 50 dias, quando é efetuada a segunda aplicação de herbicida residual chamada de “remonta”. A “remonta” proporciona uma extensão do residual do herbicida já aplicado nas etapas anteriores. Ela é feita em área total, inclusive sobre a linha da cultura. Nesse momento, pode ser feita a aplicação isolada do herbicida isoxaflutole, associado ou não ao flumioxazin ou ao sulfentrazone. Essa aplicação permite que a cultura fique “no limpo” até 70 a 90 dias, quando, no caso da cultura do eucalipto, as plantas da cultura encontram-se com porte suficiente para receber aplicações dirigidas com glyphosate. As aplicações dirigidas são geralmente feitas com o glyphosate. No entanto há necessidade de duas a três aplicações antes do “fechamento” da cultura. Assim, há também a recomendação de, na primeira aplicação de glyphosate na entrelinha da cultura, ser utilizada a associação do glyphosate com herbicidas residuais. Dentre eles, destacam-se o indaziflan, recentemente lançado pela Bayer, porém também pode ser usado flumioxazin, sulfentrazone, ou a formulação que contém clomazone + carfentrazone. Em situações com plantas daninhas, folhas largas de difícil controle, é também utilizada a associação de glyphosate com saflufenacil. Após o “fechamento” da cultura, alguns produtores que fazem a fertilização da cultura parcelada em anos seguidos, e para aproveitamento rápido dos nutrientes aplicados, realizam a aplicação de herbicidas durante os dois primeiros anos do ciclo. No entanto essa aplicação de herbicida não resulta em retorno econômico, pois, nessa fase da cultura, as plantas daninhas não interferem negativamente na produtividade. O manejo de plantas daninhas nas áreas florestais representa uma forma de proteção do potencial produtivo do ambiente. Os investimentos em herbicidas, atualmente, estão cada vez mais intensos, pois, cada vez mais escassa está a mão de obra para controle manual das plantas daninhas. Sendo assim, os herbicidas estão se tornando uma ferramenta importante nos sistemas florestais. Se usados de acordo com sua bula de recomendação, e boa prática de aplicação, os herbicidas contribuem para a sustentabilidade e a proteção da produtividade florestal. No entanto, como produtos químicos, eles devem ser usados com segurança para os aplicadores e de forma adequada, sem afetar o ambiente. n


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doenças

fatores limitantes

A produtividade florestal depende essencialmente do potencial genético do material plantado, das condições edafoclimáticas, das práticas culturais adotadas (preparo do solo, espaçamento, nutrição mineral, controle de matocompetição) e do manejo de doenças e pragas. Doenças em plantas podem ser de origem abiótica, ou seja, causadas por condições adversas do meio (ex.: défice hídrico, temperaturas excessivamente baixas como geadas, temperaturas excessivamente altas, deficiência nutricional, fitotoxicidade etc.), ou de origem biótica ou patogênica, incitadas principalmente por fungos, bactérias, vírus, nematoides e fitoplasmas. Independentemente da causa, as doenças podem ocasionar perdas de produtividade e resultar em prejuízos econômicos vultosos. Por exemplo, na eucaliptocultura, a produtividade de 45 m3/ha/ano até poucos anos atrás é, atualmente, de aproximadamente 36 m3/ha/ano. Acredita-se que essa queda de produtividade se deu, principalmente, em virtude do longo período de estiagem e da má distribuição de chuvas nas principais regiões eucaliptocultoras do Sudeste (SP, MG e ES) e Sul da Bahia, assim como pela ocorrência de uma enfermidade de etiologia indeterminada denominada Distúrbio Fisiológico similar à Seca de Ponteiros do Eucalipto do Vale do Rio Doce. Todavia, nesse tópico, tratar-se-á da influência de doenças bióticas sobre a produtividade florestal no Brasil.

As doenças podem incidir nas folhas, no caule ou nas raízes e interferir na fotossíntese, na absorção e na translocação de água e nutrientes e, consequentemente, afetar o crescimento e/ou, a forma do fuste das árvores e resultar em perdas significativas de produtividade, dependendo da intensidade da enfermidade. Historicamente, a principal catástrofe florestal causada por uma enfermidade ocorreu nos seringais de cultivo no início do século passado, na Amazônia brasileira. Entre 1890 e 1911, a borracha natural, produzida a partir do látex da seringueira (Hevea brasiliensis) constituía, depois do café, o segundo principal produto de exportação brasileira. Todavia, apesar de a seringueira ser nativa na Amazônia, os seringais estabelecidos na Malásia com material genético levado da Amazônia pelos ingleses eram muito mais produtivos que os seringais nativos no Brasil. Assim, inspirando-se no sucesso asiático, o americano Henry Ford, proprietário da Ford Motor Company, em 1927, estabeleceu, em Santarém, o primeiro seringal, e mais tarde, em Belterra, os quais foram totalmente dizimados pela enfermidade Mal das Folhas da Seringueira, causada pelo fungo Pseudocercospora ulei (= Microcyclus ulei). Em 1945, o projeto foi abandonado e estima-se que Henry Ford tenha investido cerca de meio bilhão de reais no projeto que, finalmente, foi vendido ao governo brasileiro por US$ 250 mil (cerca de R$ 800 mil). Atualmente, o cultivo da seringueira é realizado em áreas de escapes ao Mal das Folhas, em regiões desfavoráveis à infecção do fungo e mediante o plantio de clones resistentes, principalmente nos Estados de SP, MT, BA e ES.

A crescente expansão das plantações florestais, os avanços das técnicas de cultivo e o emprego de clones cada vez mais produtivos e aparentados, sem o prévio conhecimento de sua suscetibilidade/resistência a doenças, têm favorecido a ocorrência de epidemias e a consequente redução da produtividade florestal. "

Acelino Couto Alfenas Professor de Fitopatologia da UF-Viçosa

O Brasil, que no início do século XX detinha o monopólio da produção mundial de borracha natural, hoje responde por apenas 1%, não conseguindo sequer suprir as necessidades da indústria consumidora instalada no país. No entanto, a doença constitui ainda séria ameaça aos países asiáticos (Tailândia, Indonésia e Malásia), os quais, analogamente ao Brasil, possuem condições de ;


Opiniões ambiente favoráveis ao Mal das Folhas, mas ainda estão livres do patógeno. Uma eventual introdução do fungo no sudeste asiático causaria um caos na indústria mundial, que depende da borracha natural. Até 1970, as plantações de eucalipto no Brasil eram consideradas praticamente livres de doenças e concentradas principalmente nos Estados de SP e MG. Não obstante, com o avanço dos plantios para regiões mais quentes e úmidas, realizados com mudas oriundas de sementes de E. saligna e E. grandis, na região de Aracruz-ES, surgiu a enfermidade Cancro do Eucalipto, causada pelo fungo Chrysoporthe cubensis (= Cryphonectria cubensis), que inviabilizou o plantio seminal dessas e de outras espécies suscetíveis. Além da morte de árvores, que ocorre a partir de seis meses até a idade de rotação aos sete anos, o escurecimento da madeira das árvores afetadas inviabiliza o seu emprego para a fabricação de celulose, em virtude da redução do rendimento depurado e do aumento do consumo de produtos químicos para o branqueamento da polpa. No entanto, a existência de indivíduos resistentes estimulou os engenheiros Edgar Campinhos Júnior e Yara Ikemori, da então Aracruz Florestal, a buscarem alternativas para a multiplicação das plantas resistentes, o que resultou no desenvolvimento do método de propagação clonal por estaquia, tido hoje como referência mundial para o controle de doenças florestais. No final da década de 1970, uma nova enfermidade letal, causada pelo fungo Ceratocystis fimbriata, observada em plantios da espécie asiática, Gmelina arborea, contribui para o insucesso e, mais tarde, o abandono dos plantios dessa espécie, empregada na época para a produção de celulose no projeto Jari, em Monte Dourado-PA. A empresa substituiu os plantios de gmelina por clones resistentes de eucalipto. A partir do final da década de 1990, essa enfermidade tem limitado o plantio comercial em larga escala de alguns clones superiores de eucalipto desde o Norte do Brasil ao Uruguai. A doença pode reduzir o crescimento volumétrico entre 65,0 e 87,0% e em 13.7% a produção de celulose a partir de madeira oriunda de árvores doentes. Incide também em teca (Tectona grandis) e mogno africano (Khaya senegalensis), cujas lesões no lenho reduzem o valor da madeira para serraria. Além da redução de produtividade causada por enfermidades em plantações no campo, nos últimos anos a incidência de bacterioses tem resultado em perdas significativas

de produtividade de mudas clonais de Norte ao Sul do País. Entre 2003 e 2008 foram registrados descartes de minicepas e mudas clonais, inaptas para plantio, culminando com um prejuízo de aproximadamente US$ 8 milhões em consequência de uma bacteriose foliar, ocasionada por Xanthomonas axonopodis. Uma vez que a doença é favorecida por molhamento foliar, para evitá-la em períodos chuvosos, houve necessidade de investimentos significativos para a cobertura das áreas de crescimento e rustificação, antes realizados a céu aberto. Analogamente, em 2005, perdas de produtividade e prejuízos econômicos da ordem de US$ 27 milhões ocorreram no Brasil devido à ocorrência da murcha bacteriana, causada por Ralstonia solanacearum. Além dessas perdas diretas, a incidência da doença resultou em gastos para erradicar o patógeno, adaptar as estruturas de viveiro para minimizar os riscos de novas contaminações, bem como em custos com alterações dos cronogramas e contratos de plantio e emprego de mudas sadias de outros clones menos produtivos, adquiridos no mercado. Atualmente, um dos maiores desafios é o plantio de mudas sadias, pois muitas vezes a muda, apesar de aparentemente sadia (assintomática), pode ser portadora da bactéria, cuja doença pode se expressar mais tarde nas árvores no campo e causar redução do crescimento volumétrico e da qualidade da madeira para a produção de celulose. A crescente expansão das plantações florestais, os avanços das técnicas de cultivo e o emprego de clones cada vez mais produtivos e aparentados, sem o prévio conhecimento de sua suscetibilidade/resistência a doenças, têm favorecido a ocorrência de epidemias e a consequente redução da produtividade florestal. Para mitigar essas perdas, em viveiro, é fundamental erradicar as fontes de inóculo patogênico, reduzir as condições favoráveis a infecções e favorecer o crescimento das plantas. No campo, devem-se plantar preferencialmente materiais resistentes às doenças predominantes e mais severas que ocorrem na região. Por meio dos programas de melhoramento genético, deve-se monitorar a variabilidade nas populações dos patógenos, conhecer o nível de resistência dos genitores, determinar a base genética e o modelo de herança da resistência a doenças e, por meio de cruzamentos controlados, desenvolver novos clones com distintas combinações gênicas, derivadas de diferentes espécies. n

Morte de árvores jovens no campo, causada pela bactéria Ralstonia solanacearum, Morte de árvores de um clone híbrido “urograndis” por resultante do plantio de mudas infectadas no viveiro. déficit hídrico, contrastando com o talhão de um clone resistente ao fundo, em Tocantins.


cultivo mínimo

contribuições do

cultivo mínimo do solo

Passados mais de 25 anos de implantação do Cultivo Mínimo do Solo (CMS), depreende-se que as contribuições dessa prática para a evolução da silvicultura brasileira foram enormes. Entre alguns de seus benefícios, destacam-se: 1) o estancamento dos intensos processos de erosão, que ocorriam quando as plantações eram estabelecidas com práticas intensivas de preparo de solo; 2) a diminuição da perda de nutrientes do ecossistema, o que gerou diminuição dos custos com fertilização; 3) o controle mais eficiente de plantas daninhas. Houve grande avanço também no manejo da bacia hidrográfica. Por exemplo, com a menor compactação e a maior capacidade de infiltração de água no solo, o escoamento superficial é menor, promovendo a recarga hídrica de camadas subsuperficiais do solo e a regularização dos cursos d’água.

Atualmente, o Brasil é reconhecido mundialmente como um promotor exemplar de boas práticas silviculturais e ecológicas, tanto na escala da bacia hidrográfica como do talhão. "

José Leonardo de Moraes Gonçalves Professor de Ciências Florestais da Esalq-USP

Com a adoção do CMS, a construção de terraços tornou-se desnecessária. Também possibilitou a realização do plantio, dos tratos culturais e da colheita no sentido do declive, acompanhando o maior comprimento da gleba. Isso propiciou o aumento dos rendimentos operacionais, sobretudo nas regiões de relevo mais acidentado. Os riscos de erosão hídrica são baixos, porque as culturas florestais têm ciclo longo, e a quantidade de resíduos (tocos, raízes, serapilheira e restos da colheita) no terreno é grande. Dessa forma, mesmo no período de colheita, a superfície do solo fica bem protegida e rapidamente é coberta pelo novo plantio. Antes do uso do CMS, era mais frequente a necessidade de manutenção das estradas florestais,

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com o objetivo de retirar sedimentos oriundos de áreas de produção. Relatos de empresas florestais atestam que, na primeira metade da década de 1990, a adoção do Cultivo Mínimo em áreas planas representou uma redução de 45% nos custos de reforma florestal e um aumento de 85% na eficiência da mão de obra. Em áreas acidentadas, a redução de custo operacional foi de 25%, e o aumento da eficiência da mão de obra, de 60%. O CMS em plantações de eucalipto está possibilitando a recuperação de solos e de microbacias hidrográficas em regiões com relevo acidentado. Por exemplo, em algumas regiões acidentadas de MG, no vale do rio Doce, e de SP, no vale do rio Paraíba do Sul, onde há extensas áreas com pastagens degradadas. Nessas regiões, o processo de ocupação foi semelhante: desmatamento da floresta nativa, uso indiscriminado da queima de biomassa vegetal e superpastejo, o que, aliado ao relevo movimentado e à ocorrência de chuvas erosivas concentradas, resultou em um quadro grave de degradação do solo ; por erosão, assoreamento de nascentes e cursos d’água.


Opiniões Verifica-se, em grandes áreas, a perda parcial ou total do horizonte A do solo. Vários estudos conduzidos pela Universidade Federal de Lavras e pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz comprovaram que as perdas de solo e de água por erosão hídrica em povoamentos de eucalipto são baixas, equivalentes às perdas em floresta nativa, e muito menores do que em pastagem. Essa eficiência está ligada ao fechamento e ao entrelaçamento das copas das árvores e à formação da camada de serapilheira, que interceptam as gotas de chuva, evitando o impacto e o desprendimento e o transporte das partículas de solo, além de aumentar a infiltração de água no solo. Em médio ou longo prazo, a conversão de pastagem degradada para povoamento de eucalipto aumenta o teor de C total no horizonte A do solo. Essa mudança ocorre devido à redução ou à eliminação do processo erosivo e ao aumento da produtividade primária líquida do ecossistema. Isso tem importantes implicações no regime hídrico da bacia hidrográfica, contribuindo para a estabilização do fluxo dos cursos d’água. Com maior aporte de carbono na camada superficial do solo, em poucas rotações de cultivo, o horizonte A é recomposto. Práticas preocupantes: • O baldeio de madeira com skidder é uma prática que causa vários efeitos negativos no solo e no ecossistema. Esse equipamento promove uma varredura do solo, arrastando grande parte dos resíduos para a borda do talhão. Mais de 50% da área de solo fica descoberta, expondo-o ao processo erosivo, aumentando a quantidade de água perdida por evaporação e por escoamento superficial. O arraste de troncos sobre a brotação do eucalipto a danifica, reduzindo a sobrevivência das cepas. Assim, comumente, a condução da segunda rotação de cultivo por talhadia fica inviável. Por todos esses efeitos, nas áreas em que o baldeio da madeira é feito por skidder, o sistema de cultivo do solo deixa de ser o mínimo, não podendo ser caracterizado como um sistema conservacionista. Deve-se envidar esforços no sentido de viabilizar um método alternativo ao skidder. Este será um fator essencial para a disseminação no País do sistema de talhadia. Certamente, se forem levados em consideração todos os fatores benéficos da manutenção dos resíduos florestais sobre o solo e da preservação das boas condições físicas das cepas, a possibilidade técnica e econômica de se conseguir esse objetivo é grande. • Outra prática preocupante é a remoção parcial ou integral de resíduos florestais. Nos últimos anos, têm surgido pressões quanto à utilização dos resíduos florestais, similar ao que tem ocorrido no setor agrícola. Com as restrições para a compra de terras e as elevações dos preços dos combustíveis fósseis, esses resíduos têm sido vistos como potenciais fontes alternativas de energia para o setor industrial. Com a remoção de resíduos, o solo deixa de receber aportes consideráveis de matéria orgânica, substrato dos macro e microrganismos e ingrediente essencial da estrutura do solo. Isso causa uma diminuição da atividade biológica, aumentando os riscos de infecção das plantas por microrganismos patogênicos, como, por exemplo, o fungo

Ceratocystis fimbriata e a bactéria Ralstonia solanacearum. Ocorre também alta diminuição da fertilidade do solo, principalmente a dos nutrientes que ficam na forma orgânica no solo (p.ex., N, P, S e B). Esses efeitos vão na contramão da diretriz atual de se aumentar a fertilidade biológica, gerando o Solo Vivo. A alta exportação de nutrientes ocasionada pela remoção de resíduos florestais também tem fortes implicações silviculturais. Quanto maior a remoção de resíduos, maior o potencial de perda de produtividade, a qual pode chegar a 40% quando todos os resíduos são removidos, sem suplementação compensatória de nutrientes. Em povoamentos de eucalipto, com incremento médio anual entre 45 e 50 m3 ha-1 ano-1, observamos, em nossos estudos, nos tratamentos experimentais em que foram mantidos todos os resíduos, que foram exportadas 125 t/ha-1 de biomassa e 500 kg/ha-1 de macronutrientes. No tratamento em que todos os resíduos foram removidos, exportaram-se 165 t/ha-1 de biomassa e 1.350 kg/ha-1 de macronutrientes. Nesse caso, o balanço nutricional do povoamento, indispensável à sustentabilidade da produção madeireira, foi seriamente comprometido. Para repor todos os macronutrientes exportados pela colheita (apenas lenho), é necessário um investimento de aproximadamente R$ 2.500,00 por hectare em fertilizantes. Caso a madeira e todos os resíduos florestais fossem extraídos, esse custo seria de aproximadamente R$ 6.000,00 por hectare, o que certamente inviabiliza essa pratica. Como diretrizes de boas práticas em prol do cultivo mínimo, se recomenda: 1) manter, no mínimo, 70% da superfície do solo coberta com resíduos; 2) se for necessário, remover apenas os resíduos lenhosos (cascas, galhos e ponteiros das árvores); 3) as quantidades de nutrientes removidas com os resíduos devem ser repostas via fertilização; 4) no período de chuvas mais intensas e em áreas suscetíveis à erosão, como áreas declivosas e com solos mais erodíveis, todos os resíduos florestais devem ser mantidos sobre o solo. Enfim, com o Cultivo Mínimo do Solo, o setor florestal tem mantido ou recuperado a boa qualidade do solo, principalmente suas características estruturais e funcionais. Nessa condição, o solo consegue sustentar a produção biológica, prover maior quantidade de água limpa para os mananciais e funcionar como um tampão ambiental, por exemplo, atenuando e degradando compostos nocivos ao meio ambiente. Por isso esse sistema de manejo do solo tornou-se uma prática essencial para o planejamento e a gestão de uso dos recursos edáficos, hídricos e biológicos. Atualmente, o Brasil é reconhecido mundialmente como um promotor exemplar de boas práticas silviculturais e ecológicas, tanto na escala da bacia hidrográfica como do talhão. Isso tem facilitado a certificação das plantações e possibilitado a abertura de mercados comerciais. O Cultivo Mínimo do Solo é uma das credenciais mais importantes desse reconhecimento. n

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ensaio especial

Opiniões

boas práticas de manejo e a

produtividade florestal

A busca por espécies florestais com maior adaptabilidade a diferentes ambientes e alta produtividade é contínua, pois é um dos fatores que promovem a redução de custos inerentes ao manejo de florestas plantadas e as tornam mais eficientes e rentáveis. Contudo, deve-se ter em mente que o potencial produtivo das florestas também é dependente de um planejamento adequado, de técnicas de silvicultura e do manejo adotado, assim como do uso das ferramentas eficientes.

No Brasil, desde os estudos de Edmundo Navarro de Andrade, no início do século XX, para selecionar espécies fornecedoras de madeira para a Companhia Paulista de Estradas de Ferro, o gênero que mais se destacou foi o Eucalyptus. A partir de então, outros estudos em entomologia e melhoramento genético foram realizados permitindo que a eucaliptocultura se desenvolvesse a ponto de, hoje, ser o gênero florestal mais plantado no Brasil, com cerca de 5,7 milhões de hectares, correspondentes a 70% de toda a área de florestas plantadas no País.

A manutenção das florestas nativas em Áreas de Preservação Permanente (APP) e o plantio em mosaico ajudam a reduzir esses riscos e garantir a produtividade florestal. "

Fabrício Gomes de Oliveira Sebok Coordenador de Desenvolvimento de Produtos Florestais da Bayer América Latina

Essa evolução foi contínua, contudo, a partir da década de 1960, os plantios apresentavam produtividade média de 10 m³ha-1ano, enquanto nos dias atuais possuem valores superiores aos 40 m³ha -1ano. Todo esse progresso não ocorreu por acaso, mas devido a incentivos do governo para estímulos do cultivo das culturas florestais, concomitantemente ao início dos cursos de graduação em Engenharia Florestal no País, a fundação da Embrapa Florestas, além de outros institutos de pesquisa fo; cados no setor.



ensaio especial Outro grande fator impulsionador foi o domínio de alguns métodos clonais, que, a partir da década de 1970, foram adotados pelas empresas reflorestadoras que passaram a ter suas próprias equipes e seus próprios programas de melhoramento, garantindo maior homogeneidade, produtividade e eficiência na produção, práticas que, até então, não eram constantes nos plantios seminais. Grandes avanços foram possíveis devido aos contínuos estudos da silvicultura clonal, como o desenvolvimento da biotecnologia florestal, principalmente para o eucalipto, que permitiu a criação de eucaliptos transgênicos com maior adaptabilidade e aumento na produtividade. Entretanto, de nada adiantaria se, após longos anos de estudos e desenvolvimento de novas tecnologias, todo esse conhecimento e ferramentas criadas não fossem colocados em prática nem utilizados da maneira correta. Sabendo que toda espécie possui seu potencial máximo de expressão genética, seja ele natural, ou que tenha sofrido algum tipo de melhoramento ou modificação genética, – mesmo assim, só poderia ser atingido quando todos os fatores que podem influenciar seu desenvolvimento estejam adequados –, é imprescindível que o planejamento de uma floresta plantada seja rigoroso e considere todos os parâmetros possíveis para garantir seu sucesso. Dentre os diversos aspectos que devemos levar em consideração estão, no entendimento da área, a busca ou confecção de mapas planialtimétricos e tipos de solo, fertilidade, relevo e histórico de uso do solo. Também não se pode deixar de se levar em consideração outros atributos como: a situação socioeconômica da região, as condições da malha viária e as documentações da propriedade. Após o diagnóstico finalizado, deve-se buscar o melhor material genético para que o plantio seja adequado às condições, seja ela uma espécie, um híbrido ou mesmo um clone. Mesmo com todos esses parâmetros, se o manejo silvicultural e o preparo de solo não forem feitos de forma adequada, a floresta ficará ainda muito distante de expressar seu potencial máximo. Os estudos em manejo silvicultural foram essenciais para garantir o potencial produtivo esperado desde os diversos tipos

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Opiniões de manejo e preparo de solo intensivo, de acordo com técnicas agrícolas, passando por todos os aprendizados e adaptações do cultivo mínimo. Isso tornou os sítios mais resilientes, possibilitando a redução da necessidade de fertilização e controle da matocompetição em razão da barreira física causada pelos resíduos deixados no campo, que trouxe maior conservação dos atributos edáficos e conservacionistas. Atualmente, a silvicultura pode contar com as tecnologias digitais que permitiram a chamada silvicultura de precisão, aumentando ainda mais a qualidade do que foi planejado, garantindo maior eficiência no manejo e agregando na produtividade. Apesar da pouca variedade de produtos no mercado, em relação às culturas agrícolas, o uso de herbicidas permitiu aumento na eficiência operacional, e que, quando utilizados de maneira segura e correta, permitiram melhor desenvolvimento da cultura e deixaram de sofrer a competição por recursos em sua fase de maior sensibilidade no campo. Entretanto, devem-se escolher os herbicidas, bem como as suas doses de forma correta, seguindo as bulas e o receituário agronômico, considerando ainda o tipo de solo com seus atributos físicos, químicos e biológicos, além da época de aplicação, as modalidades e os modos de aplicação. Tudo isso para garantir que o manejo das plantas daninhas seja executado da melhor forma, que a eficácia dos produtos não seja comprometida e que não ocorra perda de produtividade do plantio, seja ele causado pela matocompetição ou fitotoxicidade da cultura. O lado negativo dos avanços tecnológicos é que os plantios clonais podem trazer maior vulnerabilidade quanto a pragas e doenças, já que a redução da variabilidade genética aumenta o risco de ataques e infestações, podendo trazer grandes riscos à produtividade, além de prejuízos econômicos. A manutenção das florestas nativas em Áreas de Preservação Permanente (APP) e o plantio em mosaico ajudam a reduzir esses riscos e garantir a produtividade florestal. Ainda assim é necessário o monitoramento e uso de ferramentas, metodologias e amostragens adequadas, para que sejam identificados em tempo hábil, e que de forma segura e eficaz se realize o controle, seja por meio de inimigos naturais, produtos biológicos ou químicos, ou – ainda melhor – por meio do manejo integrado, evitando, assim, redução do incremento florestal de forma mais sustentável. Além de todas as condições naturais do País, a dedicação ao desenvolvimento da silvicultura fez com que, hoje, o Brasil se tornasse o país com maior produtividade no mundo em volume por unidade de área ao ano (metros cúbicos por hectare ao ano), não só para o eucalipto, mas também para as espécies de pinheiro, assim como o menor ciclo de rotação média. n


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