Um negócio chamado floresta - OpCP45

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ISSN: 2177-6504

FLORESTAL: celulose, papel, carvão, siderurgia, painéis e madeira ano 13 • número 45 • Divisão F • set-nov 2016

um negócio chamado floresta




um negócio chamado floresta

índice

planejamento de novas indústrias e florestas

Editorial de abertura:

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Luiz Ernesto George Barrichelo Especialista Florestal (em férias)

Ensaio especial:

48

Nelson Barboza Leite

Cientistas:

8 12 16

Dagoberto Stein de Quadros

Professor de Economia Florestal da FURB

Mário Dobner Junior

Professor de Manejo Florestal da UFSC

José Otávio Brito

Diretor Executivo do IPEF

Especialistas em mercado:

Diretor da Teca e Daplan Serviços Florestais

20 22

Jefferson Bueno Mendes

30 32 34 36 40 42 46

Jorge Roberto Malinovski

Przemyslaw Jan Walotek

Diretor da WaKa - Forest Investment Services

André Leandro Richter Presidente ACEF e AEFsul

Presidente da Ekomposit

Rodrigo Zagonel

Gerente de Silvicultura e Viveiro ES/BA da Fibria Celulose

Renato Anselmo Gatti Filho Gerente Florestal da Carvoflora

Robert Cardoso Sartório

Gerente de Manejo e RN do Centro de Tecnologia da Fibria

Fornecedores do sistema:

Diretor da Pöyry Consultoria

Entidades:

26

Produtores: Sergio Anibal Martini

Diretor-geral da Malinovski

Marcelo Santos Ambrogi

Diretor da IMA Gestão e Análise Florestal

André Germano Vasques

Gerente de Operações da Foxx Haztec

Editora WDS Ltda e Editora VRDS Brasil Ltda: Rua Jerônimo Panazollo, 350 - 14096-430, Ribeirão Preto, SP, Brasil - Pabx: +55 16 3965-4600 - e-Mail Geral: Opinioes@RevistaOpinioes.com.br n Diretor Geral de Operações e Editor Chefe: William Domingues de Souza - 16 3965-4660- WDS@RevistaOpinioes.com.br nCoordenadora Nacional de Marketing: Valdirene Ribeiro Souza - Fone: 16 3965-4606 - VRDS@RevistaOpinioes.com.br nVendas: Lilian Restino - 16 3965-4696 - LR@RevistaOpinioes.com.br • Priscila Boniceli de Souza Rolo - Fone: 16 99132-9231 - boniceli@globo.com n Jornalista Responsável: William Domingues de Souza - MTb35088 - jornalismo@RevistaOpinioes.com.br nEdição Fotográfica: Priscila Boniceli de Souza Rolo - Fone: 16 99132-9231 - boniceli@ globo.com nProjetos Futuros: Julia Boniceli Rolo - 2604-2006 - JuliaBR@RevistaOpinioes.com.br nProjetos Avançados: Luisa Boniceli Rolo - 2304-2012 - LuisaBR@RevistaOpinioes.com.br n Consultoria Juridica: Priscilla Araujo Rocha nCorrespondente na Europa (Augsburg Alemanha): Sonia Liepold-Mai - Fone: +49 821 48-7507 - sl-mai@T-online.de nDesenvolvimento de Mercados na Ásia: Marcelo Gonçalez - MG@RevistaOpinioes.com.br nExpedição: Donizete Souza Mendonça - DSM@RevistaOpinioes.com.br nCopydesk: Roseli Aparecida de Sousa - RAS@ RevistaOpinioes.com.br nTratamento das Imagens: João Carlos Leite nFinalização: Douglas José de Almeira nArtigos: Os artigos refletem individualmente as opiniões pessoais de seus próprios autores n Foto da Capa: Banco de Fotos da Revista Opiniões nFoto do Índice: Banco de Fotos da Revista Opiniões nFotos das Ilustrações: Paulo Alfafin Fotografia - 19 3422-2502 - 19 8111-8887 - paulo@ pauloaltafin.com.br • Ary Diesendruck Photografer - 11 3814-4644 - 11 99604-5244 - ad@arydiesendruck.com.br • Tadeu Fessel Fotografias - 11 3262-2360 - 11 95606-9777 - tadeu.fessel@gmail. com • Acervo Revista Opiniões e dos específicos articulistas nFotos dos Articulistas: Acervo Pessoal dos Articulistas e de seus fotógrafos pessoais ou corporativos nVeiculação Comprovada: Através da apresentação dos documentos fiscais de pagamento dos serviços de Gráfica e de Postagem dos Correios nTiragem Revista Impressa: 5.000 exemplares nRevista eletrônica: Cadastre-se no Site da Revista Opiniões e receba diretamente em seu computador a edição eletrônica, imagemn fiel da revista impressa nPortal: Estão disponíveis em nosso Site todos os artigos, de todos os articulistas, de todas as edições, de todas as divisões das publicações da Editora WDS, desde os seus respectivos lançamentos nHome-Page: www.RevistaOpinioes.com.br

Conselho Editorial da Revista Opiniões: ISSN - International Standard Serial Number: 2177-6504 Divisão Florestal: • Amantino Ramos de Freitas • Antonio Paulo Mendes Galvão • Celso Edmundo Bochetti Foelkel • João Fernando Borges • Joésio Deoclécio Pierin Siqueira • Jorge Roberto Malinovski • Luiz Ernesto George Barrichelo • Marcio Nahuz • Maria José Brito Zakia • Mario Sant'Anna Junior • Mauro Valdir Schumacher • Moacir José Sales Medrado • Nairam Félix de Barros • Nelson Barboza Leite • Roosevelt de Paula Almado • Rubens Cristiano Damas Garlipp • Sebastião Renato Valverde • Walter de Paula Lima Divisão Sucroenergética: • Carlos Eduardo Cavalcanti • Eduardo Pereira de Carvalho • Evaristo Eduardo de Miranda • Jaime Finguerut • Jairo Menesis Balbo • José Geraldo Eugênio de França • Manoel Carlos de Azevedo Ortolan • Manoel Vicente Fernandes Bertone • Marcos Guimarães Andrade Landell • Marcos Silveira Bernardes • Nilson Zaramella Boeta • Paulo Adalberto Zanetti • Paulo Roberto Gallo • Pedro Robério de Melo Nogueira • Plinio Mário Nastari • Raffaella Rossetto • Roberto Isao Kishinami • Tadeu Luiz Colucci de Andrade • Xico Graziano


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editorial de abertura

entrei de férias!

Convidado, inicialmente, pelo William, editor-chefe da excelente Revista Opiniões, para preparar um artigo para esta edição, respondi que, apesar de agradecido, sentia muito, pois “estava de férias definitivas”. Perspicaz e ligeiro, respondeu: “Coincidência. O artigo para o qual eu estou convidando o senhor a escrever tem exatamente este título: Entrei de férias.” Proposta irrecusável! Antes de mais nada, “estar de férias definitivas” é um estado de espírito. Ou seja, precisa de muita presença de espírito para responder a perguntas como: “Não acredito. Como você consegue?”, “O que você está fazendo?”, e outras mais ou menos lisonjeiras, tipo “Como você aguenta?” ou “Não sente saudades”? Dessa pequena amostra de uma lista razoável, sem demérito de datas e locais, instituições e gratos amigos, queria focar na vertente “saudades” e, em especial, no início dos meus contatos com a realidade florestal brasileira há 52 anos. Exatamente nos primórdios da área de silvicultura na Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” e na gênese e consolidação do Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais. Nessas memórias, cito alguns colegas – muitos falecidos – como preito de admiração e gratidão a todos os amigos conquistados durante minha carreira docente. Formado agrônomo, minha turma ingressou em 1962, ano em que foi aprovado o desdobramento da Cadeira de Horticultura e nasceu a Cadeira de Silvicultura, através de seu arquiteto, Prof. Helládio do Amaral Mello (Esalq, turma de 1943). Passou a engatinhar e dar os primeiros passos (com tombos e trombadas) com “ótimas companhias” da iniciativa privada: Champion e Duratex. Isso porque seu “pai” era muito amigo de colegas esalqueanos, a saber, Asdrúbal Silveira Alves (turma de 1940) e Antonio Sebastião Rensi Coelho (turma de 1954), o primeiro da Champion e o segundo da Duratex. Iniciava-se, assim, uma ação entre colegas para uma coisa inimaginável na época, que hoje é batizada com o pomposo nome de Integração Universidade-Empresa. Essa ação foi o ponto de partida para a criação do IPEF, seis anos depois. Por essas “coincidências florestais”, ambas as empresas tinham o eucalipto como uma das mais promissoras matérias-primas para seus produtos industrializados. Voltando ao início... Após meu ingresso na Esalq, comecei a estagiar na Cadeira de Química Analítica, na qual permaneci até início de 1964, quando migrei para Cadeira de Silvicultura, a convite do Prof. Ronaldo Algodoal Guedes Pereira, do qual guardo excelentes lembranças, e muito aprendi com seus exemplos de dedicação, determinação, entusiasmo e, sobretudo, visão de longo alcance.

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Quando cheguei ao novo “laboratório de química”, ele dispunha de duas bancadas, duas pias, uma pipeta, uma bureta, um copo becker, uma espátula, uma pinça e um bico de búnsen . Mas havia uma novidade estrondosa: a Fapesp acabara de doar um laboratório completo para produção, processamento e testes de celulose. Fato inédito numa Escola de Agronomia. Começava a nascer a liderança das pesquisas de celulose no Brasil, a despeito das escolas de química, engenharia química e aparentadas. O agrônomo (e o futuro engenheiro florestal) começava a desenvolver competência numa área da qual “até Deus duvidava” naqueles tempos. Convidado para permanecer como professor, assumi meu posto de “assistente” do mestre Ronaldo, e uma das primeiras missões foi ajudá-lo na tese que vinha preparando e que defendeu em 1969 (Estudo comparativo das propriedades físico-mecânicas da celulose sulfato de madeira de Eucalyptus saligna, E. alba e E. grandis.). No ano anterior, o Prof. Helládio já tinha “inaugurado” a sequência de teses com a sua de Professor Catedrático (Aspectos do emprego de fertilizantes minerais no reflorestamento de solos de cerrado do estado de São Paulo com Eucalyptus saligna.). Em paralelo, o Prof. Mário Ferreira, em 1968, defendia sua tese de doutorado (Estudo da variação da densidade básica da madeira de Eucalyptus alba e E. saligna) e, aproveitando o embalo, em 1970, trabalhou com uma continuação para a livre-docência (Estudo da variação da densidade básica da madeira de povoamentos de Eucalyptus grandis). Como se não bastasse, o Prof. João Walter Simões contra-atacava, em 1968, com sua tese de doutorado (Métodos de produção de mudas de eucalipto), e o Prof. Antonio Paulo Mendes Galvão, no mesmo ano de 1968, com sua dissertação de mestrado (Características da distribuição de alguns preservativos hidrossolúveis em moirões de Eucalyptus alba tratado pelo processo de absorção por transpiração radial). Para não ficar muito atrás, aventurei-me na minha tese de doutorado em 1971 (O uso da madeira de Eucalyptus saligna na obtenção de celulose pelo processo bissulfito-base magnésio). A isso, somaram-se ainda outras não relacionadas à “Grande Famiglia Mirtacea”, a saber: doutorado do Prof. Walter Suiter Filho em 1971 (Propagação vegetativa de coníferas do gênero Pinus por enxertia.), livre-docência do Prof. João Walter Simões em 1972 (Efeitos da omissão de nutrientes na alimentação mineral do Pinheiro do Paraná cultivado em vaso) e M.S. do Prof. Celso Edmundo Bochetti Foelkel em 1973, (Unbleached kraft pulp propertiesof some of the brazilian and US Pines). Com isso, registre-se que o período 1968-1973 foi o mais profícuo, com relação à geração de ;


Opiniões teses, da Cadeira de Silvicultura, depois Departamento de Silvicultura e, hoje, Departamento de Ciências Florestais. Voltando ao eucalipto, devo um agradecimento especial a esse mal falado gênero que, inclusive, me propiciou algo nunca antes sonhado: o Prêmio Moinho Santista (hoje Prêmio Bunge), recebido em 1994, às vésperas da aposentadoria. A justificativa da concessão ressaltava as pesquisas desenvolvidas pela equipe da Esalq com o eucalipto para a produção de celulose. Mas nem só de eucalipto “vivíamos” naqueles saudosos dias. Corria o ano de 1976, e o Prof. Helládio sentiu que, com o crescimento do Departamento, estava ocorrendo uma dispersão de horizontes dos professores. Aí teve a brilhante ideia de identificar um projeto que agregasse todos os colegas. Nascia o projeto USP/Esalq/Bnde/ Funtec nº 305/76, também conhecido como Projeto de Pesquisa Tecnológica para Melhoria dos Pinheiros Tropicais. Registro com satisfação que o relatório “Celulose kraft de madeiras de pinheiros tropicais” faz parte do primeiro Boletim Informativo editado, e foi, a partir dele, preparada minha tese de livre-docência (Estudo das características físicas, anatômicas e químicas da madeira de Pinus caribaea var. hondurensis Barr. e Golf. para a produção de celulose kraft). Mas recordemo-nos um pouco do Ipef. A história do IPEF – Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais –, constituído em 1968 como sociedade civil sem fins lucrativos, está intrinsecamente ligada à história do Departamento de Ciências Florestais da Esalq/USP. Conforme cito no início destas reminiscências, em 1962, a Congregação da Esalq aprovou a criação da Cadeira 22 – Silvicultura, tendo como primeiro catedrático o Prof. Helládio do Amaral Mello, que, em viagem de estudos à Escola de Florestas da Universidade da Carolina do Norte, EUA, tomou conhecimento de um programa de cooperação entre a universidade e setores empresariais, visando ao desenvolvimento de pesquisas na área de melhoramento florestal.

Férias... Lembranças... Saudades. "

Luiz Ernesto George Barrichelo Especialista Florestal (em férias)

Nascia, assim, a intenção e o compromisso pessoal da implantação de um modelo inédito de pesquisa e extensão para o setor florestal brasileiro. O apoio para a implementação desse novo sistema cooperativo no Brasil veio da Champion Celulose (hoje, International Paper do Brasil), com a qual, desde o início da década de 1960, o Prof. Helládio realizava trabalhos conjuntos para melhorar a qualidade das plantações florestais ainda incipientes à época. A Duratex, logo a seguir, se engajou no novo projeto e depois outras três empresas que se constituíram nas fundadoras do Instituto, em abril de 1968, a saber: Cia. Suzano de Papel e Celulose (na época Indústria de Papéis Leon Feffer), Indústrias Madeirit e Rigesa Celulose, Papel e Embalagens. A missão do Instituto, desde sua fundação, consiste no planejamento, na implementação e na coordenação de ações e gerenciamento de recursos, destinados a estudos, análises e pesquisas na área de recursos naturais, com ênfase na ciência florestal. Às vésperas de completar 50 anos de existência, continua sendo um dos principais exemplos de sucesso na sempre atual integração universidade-empresa. Férias... Lembranças... Saudades. Nota: A mania de carregar a caneta no bolso ainda continua. n Mas, com o passar do tempo, pretendo aposentá-la.


cientistas

os negócios florestais precisam de

Opiniões

análises econômicas fidedignas

Então, o que nos falta? Nos falta conhecer os custos do “negócio florestal” de forma apropriada, para que, assim, possam-se fazer análises básicas e tomar decisões corretas. "

Dagoberto Stein de Quadros

Professor de Economia Florestal da FURB

O Engenheiro Florestal Ingo Paulo Robl citou, em sua dissertação (Ppgef/CCT/Furb, Blumenau-SC), trecho da célebre carta de Américo Vespúcio (1504) sobre o Brasil, qual seja: “Nesta costa não encontramos nada que se possa aproveitar, salvo uma infinidade de árvores de tinturaria e de cássia (canafístula) e das que produzem a mirra/.../. E, havendo já bons dez meses que viajávamos vendo que na terra não achávamos minério algum, decidimos despedir-nos dela e metemo-nos ao mar para outra parte.” Parece que, desde então, os “negócios florestais” se basearam, quase exclusivamente, em extrativismo. Foram 450 anos de exploração florestal. Passou-se por alguns ciclos: o do pau-brasil, o do pinho, o das “madeiras de lei” e ainda estamos no “ciclo das madeiras nobres do Norte”. Somente nos anos 1960, com a escassez de algumas espécies e com o surgimento dos primeiros princípios “florestais”, tudo começa a mudar. Cria-se o primeiro Curso de Engenharia Florestal do Brasil, é promulgado o segundo Código Florestal (1965) e o Estado Brasileiro decide alavancar o reflorestamento, através dos incentivos fiscais. Surgem as primeiras abordagens do manejo florestal e o empenho em ; se iniciar a atividade de reflorestamento.

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cientistas Nos anos que se seguem, aparecem, de maneira mais expressiva, os investimentos em reflorestamento, desta vez com recursos não estatais, porém realizados, quase exclusivamente, com o objetivo de atender a demandas específicas de alguns setores da economia. Já nos anos 1990, cresce o investimento em reflorestamento realizado com recursos próprios e independentes de consumo próprio. Dessa vez, a atividade tem por objetivo auferir lucros e rendimentos promissores. Investimentos estes que, em muitos casos, foram impregnados de erros técnicos, que proporcionaram um aumento de oferta de madeira de baixa qualidade, causando um excesso de oferta, com consequente diminuição do valor dos produtos florestais. O “lançamento” do apagão florestal no Sul do Brasil é um exemplo que não deve ser seguido. Estamos em plena transição; a história dos nossos últimos 50 anos demonstram isso, e temos que estabelecer uma nova história, portanto os profissionais da área tem a obrigação de tirar uma lição de tudo isso. Uma das lições mais evidentes é a de que temos que ter dados econômicos reais, tanto mercadológicos como de custos, de rentabilidade de investimento e até de definição de estratégias econômicas de longo prazo. A economia florestal deve estabelecer métodos de análise do curto prazo, a partir das definições da tríade do custo direto e indireto, do custo fixo e variável e do custo desembolsável e não desembolsável. A definição do ponto de equilíbrio das empresas que atuam no “negócio florestal” também é imprescindível. A partir desses parâmetros básicos, pode-se seguir para a definição dos fluxos de caixa padrão e, aí sim, com assertividade, iniciarem-se as análises de longo prazo, ou seja, as análises de investimento do “negócio florestal”. Métodos e normas não nos faltam e existem há muitas décadas; podem-se citar como grande exemplo as metodologias de Gheren e Faustmann, de 1849, e o Critério de Duerr, de 1956. Pode-se utilizar ainda o Valor Presente Líquido (VPL), a Taxa Interna de Retorno (TIR), o Valor Anual Uniforme Equivalente (VAUE), adaptações do Valuation e tantas outras metodologias. Em termos de normas, a extinta NBR 8799 (1985), que já tratava da Avaliação de Propriedades Rurais, é um exemplo. A atual NBR 14.653-1 e 3 (2004) levou as análises a um patamar mais evoluído. A internacionalização da contabilidade brasileira, com a Lei 11.638 (2007) e suas consequentes normatizações, como a CPC 29 – que trata dos ativos biológicos –, também é um sinal de evolução. Então, o que nos falta? Nos falta conhecer os custos do “negócio florestal” de forma apropriada, para que, assim, possam-se fazer análises básicas e tomar decisões corretas. Os diversos tipos de lucro têm que ser apurados. Precisa-se conhecer os encargos e benefícios sociais no setor florestal de forma exata, a redução do INSS é um dos exemplos. Pode parecer engraçado, mas nos falta encarar a depreciação como um importante custo. Temos deficiência no conhecimento dos impostos que incidem sobre os “negócios florestais”. Somos carentes na definição de metodologias de exaustão, o custo de oportunidade do capital sobre a silvicultura.

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Opiniões O cálculo correto do custo de oportunidade da terra é fundamental. Na verdade, carece-se de sistemas integrados de contabilidade (ERPs) adaptados à atividade florestal. Faltam-nos dados contábeis confiáveis, que devem ser corretamente lançados e analisados a partir de correções monetárias justas, que representem a inflação do “negócio florestal”. Temos que ter um índice próprio de correção monetária, a exemplo do Custo Unitário Básico (CUB) da construção civil. Quem sabe um dia chegue-se ao PBQP-H – Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade do Habitat, no “negócio florestal”. Temos uma lacuna na definição de procedimentos técnicos acurados para realizar a aquisição de propriedades produtivas, utilizando-se, no mínimo, o Grau de Utilização da Terra. Não se pode mais comprar terra, o “negócio florestal” tem que comprar solo. Carece-se de investimentos estrangeiros no Brasil, pois os recursos do Governo Federal estão escassos, e os recursos privados estão cautelosos com o setor florestal. Assim sendo, precisa-se de políticas que facilitem o uso da terra pelo capital internacional; necessita-se de segurança jurídica, em todos os aspectos. Necessita-se de fluxos de caixa autênticos, estruturados a partir de conceituações corretas, para que, a partir deles, tenha-se condições de realizar verdadeiras análises de investimento do “negócio florestal”. Por incrível que pareça, em muitos casos, ainda temos que discernir o que é taxa de juro real e nominal. Sem temor, pode-se concluir que nos falta seriedade na definição das análises econômicas, tanto nos orçamentos, nas avaliações de ativos florestais, quanto nas análises comparativas de balanços. Indiscutivelmente, precisa-se educar os profissionais do “negócio florestal” para trabalhar com números reais e não com números nominais. Resumidamente, parece que nos falta cultura econômica no “negócio florestal”. Sem sombra de dúvida, necessita-se de ensino, de pesquisa e de extensão que consiga transformar essa realidade. As universidades têm papel importantíssimo na solução desse conjunto de problemas. Além disso, não podem mais formar somente empregados, as universidades têm a obrigação de formar empreendedores, que, por sua vez, serão os agentes de mudança. O “negócio florestal” tem que atrair empreendedores legítimos e, consequentemente, competentes. Note-se que “legítimo” é o empreendedor que já assimilou os conhecimentos advindos das várias “ondas administrativas”, tais como: marketing, qualidade, planejamento estratégico, globalização, sustentabilidade e, até, a inovação... Evidentemente que há grandes exemplos de “negócios florestais”, incluindo-se aqui alguns escritórios de engenharia florestal, de colegas recém-formados, até grandes empresas. Temos empresas fundamentadas em sólidas análises econômicas. No entanto temos uma missão: transformar TODOS os “NEGÓCIOS FLORESTAIS” em “NEGÓCIOS FLORESTAIS ECONOMICAMENTE VIÁVEIS”, n no real sentido da palavra.



cientistas

Opiniões

estratégias de manejo para

povoamentos florestais

O intuito dessas reflexões foi mostrar que há alternativas ao atual modelo de negócio de reflorestamento no Brasil, com argumentos racionais, não apenas românticos de um entusiasta do manejo florestal. "

Mário Dobner Junior

Professor de Manejo Florestal da UFSC

Desnecessário repetir as estatísticas que comprovam o enorme impacto positivo econômico, social e ambiental da silvicultura brasileira. Surpreende o que menos de 1% do território nacional cultivado com árvores é capaz de fazer. Apesar de uma grande proporção da área cultivada com árvores pertencer a indústrias verticalizadas, mais de um terço dos ativos florestais está nas mãos de produtores independentes, que comercializam suas toras livremente no mercado. Para esse público especificamente, a diversificação da produção florestal, ou o manejo multiprodutos é, sem dúvida, uma estratégia interessante. Além da diminuição dos riscos pelo abastecimento de diferentes segmentos industriais, há a possibilidade de atender a nichos específicos e dispostos a pagar mais por toras de maior diâmetro, podadas ou não, e, assim, maximizar o retorno econômico do investimento. Desbastes e podas, juntamente com a duração do ciclo de produção, são, possivelmente, os temas mais discutidos e com as opiniões mais contraditórias em qualquer diálogo sobre o cultivo de árvores. Há defensores e justificativas para os mais antagônicos posicionamentos. Tenho certeza de que as particularidades de cada produtor florestal e do mercado onde se está inserido são fatores importantes da divergência de opiniões.

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Há, porém, generalizações perigosas, tidas como verdades absolutas. O resultado disso são receitas prontas, com resultados aquém das expectativas do investidor e do real potencial dos ativos. Apresento a seguir uma breve discussão sobre duas dessas “verdades absolutas” relacionadas aos desbastes e à duração do ciclo de produção. As que me parecem mais evidentes e com sérias consequências. Penso que a discussão que segue é genérica o suficiente para englobar o cultivo de árvores em povoamentos equiâneos e monoespecíficos no País como um todo, mas destaco que minha atuação é fortemente vinculada ao cultivo de Pinus no planalto sul do Brasil, pelo qual meus argumentos devem estar mais influenciados. Desbastar os povoamentos tem sido uma prática cada vez menos usual. Inúmeros são os argumentos para não mais realizar desbastes. Afirma-se, por exemplo, que os desbastes não são eficientes. As árvores remanescentes não crescem muito mais do que cresceriam caso o povoamento não fosse desbastado. Afirma-se também que desbastes são atividades custosas e que não compensam do ponto de vista econômico. Entre tantos outros argumentos. Aqueles que ainda fazem desbastes, ou que faziam no passado, alguma vez perguntaram-se qual método deveria ser utilizado? Podemos afirmar que, na grande maioria dos raros casos nos quais os desbastes ainda são realizados, eles são seletivos por baixo, removendo apenas os piores indivíduos, suprimidos. Ou seja, nada mais que a antecipação da mortalidade natural. Nesse caso, o desenvolvimento do povoamento após o desbaste é semelhante a outro não desbastado, simplesmente por não disponibilizar espaço adicional às árvores ; remanescentes.



cientistas Por sorte, os desbastes seletivos por baixo são realizados concomitantemente a desbastes sistemáticos, cada vez mais intensos, em função da mecanização das operações, com o simples objetivo de permitir o acesso ao povoamento, mas acabam disponibilizando espaço às árvores remanescentes. Será que não há um método mais eficiente para aumentar o crescimento radial das árvores remanescentes após um desbaste? A resposta é sim! Desbastes seletivos pelo alto são uma excelente alternativa. Diferente do que se possa imaginar, esse tipo de desbaste não é o contrário do seletivo por baixo. O intuito de um desbaste seletivo pelo alto é selecionar árvores dominantes, com qualidade e uniformemente distribuídas para, na sequência, remover as suas principais concorrentes. Árvores concorrentes são necessariamente outras árvores dominantes e codominantes, que, de fato, competem pelos fatores de produção com as árvores anteriormente selecionadas. Árvores suprimidas já perderam essa disputa e não mais interferem no crescimento das dominantes. Motivo pelo qual sua remoção em pouco contribui para o crescimento das árvores remanescentes. Se essa discussão lhe parece inédita, está comprovado meu posicionamento de que há uma ”receita” para desbastes institucionalizada no Brasil. Infelizmente, o método menos eficiente para o objetivo de quem cogita essa operação: concentrar o potencial produtivo do sítio em um número reduzido de indivíduos, para obter maiores crescimentos em diâmetro e antecipar a produção de toras de maior diâmetro e mais valiosas. Com relação à duração do ciclo de produção, questiono o “quanto menor melhor”. A afirmação de que “dois ciclos de 15 anos são melhores que um de 30” parece encontrar muitos seguidores. Isso decorre da utilização de taxas de desconto equivocadamente altas nas análises econômicas dos ativos florestais. Nada contra ter elevadas expectativas e custos de oportunidade do capital investido. Provavelmente, é o caso de alguns investidores. Mais provável ainda é que isso não reflete a realidade de vários outros pequenos, médios e até grandes produtores independentes. Uma taxa alternativa para descontar o fluxo de caixa de ativos florestais de 10% ao ano, por exemplo, implica ter opções de investimento que remunerem mais de 18% a.a. em termos nominais (inflação de 8% a.a.). Investimentos de baixo risco, com capacidade de remunerar o capital durante longos períodos nessas proporções são raros e de difícil acesso. Aquele que utiliza uma taxa de desconto superior às reais alternativas de investimento, fará o corte raso muito antes do povoamento ter, de fato, atingido sua maturação econômica. O predomínio da utilização de indicadores econômicos como a taxa interna de retorno (TIR) e o valor presente líquido (VPL) são frágeis e não englobam a complexidade e o longo prazo inerentes aos ativos florestais.

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Opiniões Um indicador mais robusto seria o Valor Esperado da Terra (VET) ou, como alternativa, a ‘teoria da máxima receita’, amplamente negligenciada no Brasil. Esta considera um ativo florestal regulado, e, por isso, todas as operações (plantio, tratos culturais, tratos silviculturais e corte raso) são realizadas, anualmente, em proporções semelhantes. Isso significa que, concluído o ano, o resultado econômico é simplesmente a receita menos o custo, independente de taxas de desconto. O objetivo é maximizar o resultado líquido anual, sendo este constante ano após ano, sustentável como é conceitualmente o manejo florestal. A grande vantagem dessa abordagem é ter o manejo florestal como principal elemento de análise. E não externalidades, como a taxa de juros que, quando alterada, modifica completamente as decisões. Obviamente, o maior obstáculo, nesse caso, é ter um ativo florestal regulado. Talvez seja difícil imaginar o resultado desse tipo de análise, ainda mais num contexto onde taxas de juros predominam. Adianto, porém, que o resultado é a ampliação dos ciclos de produção. Não é objetivo do autor afirmar que TIR e VPL devam ser descartados. Até porque os demais indicadores também não são perfeitos e possuem as suas fragilidades. Mas, em se tratando da análise de um investimento de longa duração, há abordagens, no mínimo, complementares, e devem ser consideradas para tornar as decisões mais robustas e adequadas às particularidades de cada caso. Além disso, o atual modelo de negócio resulta no corte de árvores jovens, cuja seção transversal é composta quase exclusivamente de madeira juvenil. Apesar de apta para muitos usos, é certamente indesejada para fins sólidos, estruturais, mais nobres. Lamenta-se que a população brasileira utiliza pouca madeira, diferente de outros países com cultura florestal. Caso haja maior interesse na utilização de madeira de reflorestamento para fins mais nobres, será que nossos povoamentos de Pinus e Eucalyptus forneceriam madeira adequada? Há exemplos nos EUA e na África do Sul, nas décadas de 1980 e 1990, muito bem documentados relatando sérias implicações do uso de madeira juvenil e do resultado da busca única e exclusivamente por maior produção volumétrica, sem atenção à qualidade da madeira. No Brasil, a tendência de antecipação do corte raso é também reflexo do mercado de toras que remunera basicamente o diâmetro da ponta fina das toras, indiferente ao fato de as árvores possuírem 10, 20 ou 30 anos. Se, para os atuais usos, isso faz pouca diferença, não é o caso dos mais nobres. Receio que os raros exemplos com essas preocupações alterem suas estratégias de manejo, caso não haja uma evolução do mercado de toras. Se isso acontecer, essa matéria-prima deixará de ser ofertada antes mesmo de o mercado descobrir seu real potencial de utilização. O intuito dessas reflexões foi mostrar que há alternativas ao atual modelo de negócio de reflorestamento no Brasil, com argumentos racionais, não apenas românticos de um entusiasta do manejo florestal. n


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cientistas

Opiniões

energia

nos negócios das florestas

Em geral, perante a sociedade, o que se mostra mais visível em relação ao uso da madeira é o leque dos chamados produtos fibrosos, principalmente ligados aos componentes da construção civil, da habitação, do mobiliário e do papel, em seus mais variados tipos. No entanto, em termos mundiais, a maior parcela da aplicação desse produto encontra-se na geração de energia, para a qual existe uma certa “invisibilidade”. Essa invisibilidade ocorre, principalmente, pelo fato de que, com algumas exceções, as principais áreas florestais supridoras de madeira se encontram fora do quadro dos países economicamente mais ativos. Forçados pela ausência de fontes de suprimento, o uso da madeira para energia em tais regiões não progrediu, e suas demandas energéticas passaram a se basear, fundamentalmente, nos derivados do petróleo, do carvão mineral e da energia nuclear e, em alguns casos específicos, na hidroeletricidade.

Há, portanto, que se estabelecerem entendimentos claros e precisos, que envolvam os setores responsáveis pela formulação das políticas florestais e energéticas em nosso País, para o devido tratamento de tais diferenciais. "

José Otávio Brito

Diretor Executivo do IPEF - Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais

Ocorre que, por razões histórico-culturais, é no exemplo de tais países que os considerados menos desenvolvidos têm adotado seus modelos e padrões de evoluções econômicas e sociais. Sendo o “modelo de fora” mais valorizado, não é sem justificativa, portanto, que, em tempos não muito distantes, era comum se deparar com expressões do tipo “usar lenha é coisa de país ; atrasado e pobre”.

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cientistas No próprio setor florestal, sempre houve um forte conceito, ou talvez preconceito, de que o uso da madeira para energia seria, comparativamente, menos relevante do que outras aplicações. E, ainda, que a política para o desenvolvimento do setor deveria ser dirigida para valores atrelados aos grandes complexos industriais, com intensa demanda de capital e elevado retorno de investimento. Tudo isso, modernamente, parece estar tendo um novo direcionamento quando, não só técnicos e empresários, mas também órgãos formais de decisão política de várias nações, têm visto na madeira valores estratégicos significativos, considerando o atendimento da demanda por energia, de forma sustentável e ambientalmente amigável. Cabe, aqui, inclusive, um comentário àqueles que apregoam a existência de uma denominada “biomassa moderna”, em contraste ao que seria a “biomassa tradicional”, identificada pelo uso da lenha. Mais uma vez deve ficar claro que a situação não deve ser colocada como sendo de atraso ou de modernidade em relação ao uso. O que está em jogo, em verdade, é a ausência de oportunidades concretas para a solução das baixas eficiências dos equipamentos e dos sistemas que aplicam a madeira para a geração de energia e o necessário fortalecimento da oferta e do uso da madeira de forma sustentada. As opções tecnológicas existem, havendo apenas necessidade de decisões concretas para o estímulo nessa direção. Um aspecto importante atrelado ao uso da madeira para energia diz respeito à independência e à segurança de suprimento e de uso. Isso porque a madeira pode, perfeitamente, ter sua produção desvinculada de crises econômicas e políticas, além de não ser alvo de contestações da sociedade, comparativamente ao que tem sido observado para diversas outras fontes energéticas, como tem sido os casos, por exemplo, dos combustíveis fósseis e da energia nuclear. O próprio setor de base florestal, do pequeno ao grande empreendimento, já tem isso como ponto de referência, identificado numa grande quantidade de exemplos, em que as demandas energéticas são atendidas pela madeira. Numa grande amplitude, a madeira abastece um consumo tradicional para produção de carvão vegetal para siderurgia, atende a uma importante demanda para geração de calor no setor industrial e agrícola, além de atender à cocção de alimentos e ao aquecimento domiciliar, nichos tradicionais de consumo energético em nosso país. Mais recentemente, tem sido observado um importante aumento de interesse pelo uso da madeira para a geração de termoeletricidade. Além disso, há espaço adicional para que a madeira possa contemplar outras oportunidades de uso energético, ainda

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Opiniões não totalmente exploradas, por ainda dependerem do desenvolvimento de pesquisas e de avanços no campo tecnológico. Evidentemente, existiriam várias questões e desafios que poderiam ser destacados em relação à garantia da manutenção das condições atuais de uso da madeira para energia, bem como em relação às propostas para que a mesma venha ter uma participação ainda mais intensa no panorama energético brasileiro. A relevância maior, no entanto, encontra-se no campo institucional, havendo a necessidade de que seja definitivamente reconhecida a existência de uma “indústria da madeira para energia” e que ela seja tratada, principalmente, junto ao próprio setor florestal, com o mesmo grau de relevância existente para as demais aplicações desse insumo. Por outro lado, há que se estabelecer um formato próprio e específico de tratamento institucional para essa biomassa, distinto daquilo que tem sido dado para outras fontes de energia. O petróleo, as grandes hidrelétricas e a energia nuclear, por exemplo, exigem uma maior economia de escala, a criação de complexos sistemas centralizados de produção, o transporte, a distribuição e a realização de pesados investimentos. Essas energias criam, em nível setorial, seu próprio quadro político institucional, seus próprios instrumentos de planejamento e gerência e possuem um grande poder de representação setorial. Por outro lado, o uso da madeira para a geração de energia, basicamente, concentra-se no campo de ação da iniciativa privada, principalmente através de empreendimentos de pequeno e médio porte, muitos deles isolados e sem representatividade. Desse modo, não há o desenvolvimento de um quadro institucional próprio, no interior do qual o planejamento, o desenvolvimento tecnológico e as ações estratégicas e políticas pudessem ser promovidos. Há, portanto, que se estabelecerem entendimentos claros e precisos, que envolvam os setores responsáveis pela formulação das políticas florestais e energéticas em nosso País, para o devido tratamento de tais diferenciais. Tais aspectos são relevantes, sobretudo, em função de um perceptível e crescente interesse empresarial pela geração de termoeletricidade, mediante o uso da biomassa de origem florestal. O sucesso futuro desse cenário, certamente, dependerá de decisões de ordem governamental, no que diz respeito às políticas de comercialização e de ordem tarifária ligadas à geração e à distribuição de energia elétrica no País, que exigem um maior grau de especificidade de tratamento, comparativamente ao que tem sido formulado para as demais fontes de energias renováveis. n



especialistas em mercado

estratégias de

investimento

Penso que os principais gargalos do sistema florestal estão na nossa incipiente política setorial, na nossa limitada infraestrutura para exportações e o nosso limitado desenvolvimento tecnológico relativo à nova indústria. "

Jefferson Bueno Mendes Diretor da Pöyry Consultoria

Um negócio chamado floresta é um tema extremamente oportuno para ser discutido no momento, considerando o contexto da indústria brasileira de base florestal e a importância de refletirmos sobre os investimentos necessários para continuarmos o crescimento virtuoso verificado nos últimos 15 anos, período durante o qual nossas exportações cresceram a aproximadamente 8% ao ano. Sem dúvida, a temática “investimento” é estratégica para o setor florestal e para a economia do País, uma vez que essa indústria contribui de forma significativa para a balança comercial do Brasil. Para cada, aproximadamente, R$ 10 que exportamos, somente importamos R$ 2, provendo um saldo comercial regular de, aproximadamente, 80%. Globalmente, somos o principal produtor de celulose de fibra curta e de carvão vegetal, o 9º de papel e o 8º de painéis reconstituídos. Outro indicador da importância da posição brasileira no ranking global da indústria de base florestal é a relação entre a nossa

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contribuição para o suprimento global de madeira plantada (17%) e a nossa contribuição para a área de florestas intensivamente manejadas (3%). Como chegamos a essa posição? A estratégia adotada pelo Brasil, a partir de meados da década de 1960, foi plantar florestas através de uma política de incentivos fiscais. O quadro "A evolução do negócio florestal brasileiro", sintetiza a dinâmica decorrente dessa estratégia. A pergunta é: e agora? Antes de apresentarmos nossa visão quanto a uma possível estratégia de investimentos, é importante destacar mais alguns pontos do contexto de nossa indústria de base florestal, especificamente no que se refere aos seus principais desafios estruturais, que são: • altos custos de logística de importação e de exportação; • custo crescente de produção florestal (silvicultura, colheita e transporte); • perda gradativa de produtividade florestal; ; • política setorial incipiente;


Opiniões A INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BASE FLORESTAL

Florestas plantadas

Celulose e Papel

Painéis reconstituídos

A EVOLUÇÃO DO NEGÓCIO FLORESTAL BRASILEIRO

A GRANDE OPORTUNIDADE DOS COMPOSTOS

• alto custo da terra; e • e alta taxa de integração floresta-indústria. Fica claro que esses desafios demandam investimentos, uma vez que se constituem barreiras significativas para a eficácia e o crescimento da nossa indústria. Desses desafios, os que estão nas mãos do setor são os florestais (custo e produtividade) e o de modelo silvicultural (integrado x mercado). Os demais dependem de outros atores, governamentais e empresariais. Neste momento, poderiamos questionar: E quanto ao tamanho da área florestal? Não precisamos de mais investimentos em “plantios florestais”? Considerando o contexto geral, não acredito que novos plantios florestais sejam uma prioridade.

Carvão

Serrados e laminados

Uma conta relativamente simples a partir de dados disponíveis nos mostra que há, no mínimo, 600 mil hectares de plantios florestais, criando pouco ou nenhum valor para o setor. Esse número pode chegar a quase um milhão de hectares se somente considerarmos plantios com baixo valor agregado. Portanto, ao meu ver, a prioridade estratégica do setor não é investir mais em florestas, mas sim em novos projetos industriais. Certamente, há alguns clusters que demandam investimentos em mais plantios florestais, mas, estrutural e estrategicamente falando, a prioridade deve ser em novos investimentos industriais, com foco nos clusters onde há excedentes florestais expressivos, como em Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Tocantins. Pontualmente, há também “excedentes estratégicos” que demandam investimentos industriais nos estados do Paraná, Santa Catarina e São Paulo. Considerando nosso perfil silvicultural atual e nossa competitividade nos mercados internacionais, no curto prazo, deveríamos priorizar investimentos nos segmentos de celulose, inclusive solúvel, sólidos engenheirados e na geração de energia a biomassa. Mais a médio e longo prazos, o foco dos investimentos industriais deveria se voltar para os mercados emergentes de lignina, bio-óleos, bioquímicos, nanocelulose e compostos (biomateriais + megamateriais). Para concluir, é importante destacar as condições necessárias para viabilizar os investimentos industriais. Acredito que, entre os principais desafios, não estão os recursos financeiros, que podem ser obtidos tanto das fontes tradicionais quanto de investidores institucionais e estratégicos. Penso que os principais gargalos também não são os recursos financeiros, mas sim a nossa incipiente política setorial, a nossa limitada infraestrutura para exportações e o nosso limitado desenvolvimento tecnológico relativo à nova indústria. n

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especialistas em mercado

Opiniões

desenvolvimento das relações dos

investidores europeus

é importante destacar que a propriedade florestal é considerada, na Europa, uma conta de poupança e receita muito segura "

Przemyslaw Jan Walotek

Diretor da WaKa - Forest Investment Services

Para entender melhor o mercado de investimentos florestais, é primordial caracterizar o objetivo do investimento. As florestas, comumente, podem ser divididas entre nativas e plantadas, como utilizado desde os anos 1980 em relatórios de recursos florestais globais. Jürgen & Kollert (FAO, 2014) propõem uma divisão mais minuciosa em graus de intervenção humana e métodos de regeneração: 1. floresta primária; 2. floresta nativa modificada; 3. floresta seminatural; separadas em regeneradas naturalmente e as com componentes plantados; 4. plantações florestais separadas em produtivas e as com finalidades de proteção; e 5. elementos arbóreos solitários. No Brasil, encontramos todos os tipos mencionados nessa caracterização, que é muito útil, quando procuramos distinguir os tipos de florestas que representam atrativos para os investimentos florestais. Quando falamos sobre investimentos florestais, geralmente consideramos apenas florestas nativas modificadas e plantações com finalidade de produção de madeira. As aplicações nessas florestas procuram aumentar o lucro monetário dos seus investimentos. Outros tipos de florestas podem receber contribuições monetárias ou investimentos, porém estes não integram apenas o aumento do capital e, em maioria das vezes, também não viabilizam o manejo das referentes florestas. Levando o foco para o investidor europeu, é importante destacar que a propriedade florestal é considerada, na Europa, uma conta de poupança e receita muito segura.

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O ditado comum, em vários países europeus, diz que a “Floresta não é de se vender”. Se necessário, o dinheiro pode ser levantado vendendo madeira ou pode continuar produzindo capital em forma do lento incremento das árvores. Mas tem outros fatores-chave para a condução do valor de uma floresta, como o aumento do preço de madeira e o potencial aumento do valor do imóvel. A latitude do continente europeu não permite grandes saltos de crescimento da vegetação. Os ciclos de produção em dependência das espécies podem alcançar entre 60 e 180 anos, até atingirem volumes comerciáveis. É fácil de se entender que os agentes europeus de investimentos florestais podem enxergar em outros continentes oportunidades, atraídos por imóveis florestais com espécies de maiores incrementos anuais ou madeiras mais nobres. Ainda há de se considerar que a administração dos imóveis florestais na Europa não está apenas regulamentada para garantir a sustentabilidade do manejo, ela é executada por uma gestão pública, ou então submetida a uma rigorosa fiscalização até o nível municipal. As propriedades públicas municipais e privadas contratam, ou são obrigadas a contratar para a gestão do manejo e o ordenamento florestal o próprio serviço público, embora diversas atividades operacionais sejam terceirizadas. Cada país tem as suas peculiaridades, mas me arrisco a generalizar que o investidor europeu projeta essas exigências para situações em outros continentes e procura cenários controlados e sustentáveis, porém de alta produtividade e, se viável, um retorno mais rápido possível. Aqui, já encontramos questões contraditórias: será que o rápido é sustentável? Pois sim, a sustentabilidade o investidor procura em posse da terra, para garantir que o seu pretendido manejo da floresta será duradouro. Esse potencial investidor permaneceu inativo por muito tempo, enquanto observou ; o



especialistas em mercado mercado nos Estados Unidos, onde o patrimônio florestal foi liberado para os agentes do capital ainda na década dos anos 1960. Desde os anos 1980, ocorreu uma transferência gradual de propriedades, aumentando, gradativamente, os valores dos ativos florestais. Ao observar o histórico desse mercado, estimado hoje entre US$ 300 e US$ 467 bilhões, dos quais 80% alocam-se nos Estados Unidos, é possível aprender ainda algumas tendências e/ou truques aplicados por especuladores. O propó'sito de compra e venda de imóveis florestais vem da pressão da bolsa de valores, sendo que a venda de florestas movimenta grande capital, oferecendo: capital para outros investimentos adicionais incluídos nos portfólios, redução de endividamento, como também consideráveis retornos, não correlacionados com outros tipos de investimentos, e, finalmente, a compensação da inflação. A correlação com a inflação não significa necessariamente que um rendimento de um ativo será superior à inflação durante um período de investimento. Apesar do crescente interesse dos investidores florestais para regiões dos “mercados emergentes”, como é caracterizado por investidores estrangeiros, também o Brasil, comenta-se, que muito potencial para a obtenção de investimentos não é realizado, devido a uma série de barreiras e dificuldades, incluindo: o tamanho e a escala do negócio, as diferenças entre riscos reais e riscos aparentes associados à propriedade florestal, à experiência inadequada da gestão, à capacidade do setor florestal no desenvolvimento de planos de negócios, que atendam às exigências dos credores para estender crédito, ao estabelecimento de um adequado escopo do mercado de programas convencionais para investimentos florestais, ou à falta de sistemas de mitigação de risco. Um investimento florestal que passa por essas barreiras e, se convence, acaba se instalando em um País hospedeiro além-mar. Ele pode estar sendo confrontado com situações de insegurança jurídica e outras dificuldades administrativas, que, às vezes, não são compatíveis com o seu entendimento do negócio, ainda menos com as previsões de risco que acabou considerando. O risco da sua corajosa empreitada começa a aumentar. Não podendo desistir do capital literalmente enraizado, o investidor pode sentir-se encorajado e criativo. Assim, agentes financeiros iniciam um processo de educação florestal “na marra” e arriscam-se a influenciar a gestão operacional do manejo florestal, ou seja, fazem todo que em casa não é permitido. Ao final, muitas vezes, estão copiando situações de empresas locais e, novamente, ficam surpresos ao perceberem que as mesmas tolerâncias não se aplicam a estrangeiros. Assim, não faltam exemplos negativos, que, no país de origem do capital, danificam a duvidosa imagem do mercado “emergente”, sem saber quem tinha falhado. Quando as empresas gestoras das florestas esgotam o capital, elas são obrigadas à desvaloração do patrimônio, isso permite, então, a volta ao mercado em busca de novos investidores. Foi, provavelmente, dessa forma que o Brasil virou, algumas vezes, notícia no dito mercado na Europa e sumiu, finalmente, do mapa dos investidores.

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Opiniões Mesmo assim, segundo a sondagem do mercado de investimentos florestais fora dos Estados Unidos, o Brasil, junto com Nova Zelândia, atrai mais de 50% dos investidores. Mas isso apenas pelo fato de que, ao lado dos investidores aventureiros privados, de pequeno e médio porte, a viagem de capital para o estrangeiro vá hoje embarcada em uma instituição, e esta é ordenada em organizações de gestão de portfólios florestais TIMOs (Tiberland Investment Management Organizations). As TIMOs não possuem as florestas, mas as compram, manejam e vendem para os seus clientes: fundos de pensão, fundos de doação, sistema público de pensão, pessoas físicas de alto poder aquisitivo, fundos de cobertura ou outros. As TIMOs apresentam, hoje, o maior grupo de compradores de florestas no Brasil. Em grandes portfólios de investimentos (acima de US$ 1 bilhão), as florestas geralmente representam apenas cerca de 1% do total do portfólio. Mesmo assim, os cativos sob gestão dos maiores fundos de pensão ultrapassaram US$ 11 bilhões em 2009. Dessa forma, até mesmo pequenas mudanças na estratégia de investimento em favor de investimentos florestais podem se traduzir em milhares de milhões de dólares de capital incrementado por ano no setor. Além disso, o número de gestores de investimentos que investem em florestas está crescendo, particularmente na Europa. Para introduzir a estratégia de compra e venda de imóveis florestais pelas TIMOs, é válido destacar a forma de análise dos portfólios pelos agentes do mercado. No mercado de madeira e também no mercado de floresta, contratos de venda são complexos, e ambos os lados são, muitas vezes, representados por consultores ou corretores e advogados. Cada tratado de madeira é único, e, mais que isso, também os procedimentos de venda de madeira e florestas podem ser bastante heterogêneos. A venda de madeira e floresta pode ser executada em regime de lance selado, via negociação ou ocasionalmente através de leilões. A venda da madeira pode ser por uma quantia fixa ou em base de uma repartição. Proprietários privados não utilizam regulamentação padronizada para transição dos direitos. As divergências sobre as regulamentações contratuais, muitas vezes, contribuem para problemas no fechamento de negócios. Exemplos de regulamentação da venda de madeira em pé oferece uma visão para o tamanho de complicações, que podem incluir: o período de tempo máximo para efetivar a colheita no imóvel, a penalidade para corte de árvores sem identificação para colheita, o pagamento de entrada percentual na hora de fechamento do negócio e os procedimentos para o tratamento de resíduos de colheita. Terrenos e madeira juntos, às vezes, são vendidos através de leilões ou de processos de lance selado, mas, em geral, através de corretores. Um consultor florestal também pode funcionar como um corretor de imóveis, mas a maioria dos proprietários de terras usa corretores de imóveis que são especializados em propriedades rurais. Mesmo assim, potenciais compradores e vendedores são bem aconselhados a empregar consultores n florestais como assessores.


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entidades

Opiniões

as excelências

estão todas postas é um desafio compreender a sociedade, os profissionais, as atividades produtivas, em especial de base florestal, o mercado como um todo a fim de podermos nos expressar e melhorar através de nossas ações em conjunto "

André Leandro Richter Presidente ACEF e AEFsul

Sempre é um desafio compreender a sociedade, os profissionais, as atividades produtivas, em especial de base florestal, enfim, o mercado como um todo a fim de podermos nos expressar e melhorar através de nossas ações em conjunto, sempre em benefício de todos e do meio ambiente, e, nesse desafio constante, nos encontramos agora, ainda mais quando estamos à frente de entidades de classe representativas de elos dessa sociedade moderna, como a ACEF (Associação Catarinense de Engenheiros Florestais) e a AEFsul (Associação de Engenheiros Florestais do Vale do Braço do Norte e Sul de Santa Catarina), pois ações nos são postas e cobradas. De qualquer forma, nós engenheiros florestais estamos inseridos nessa complexa sociedade brasileira, que passa por muitas e grandes transformações, e é nesse contexto que desejo deixar registrada aqui a nossa opinião. Quando estava cursando engenharia florestal na Esalq/USP, há 20 anos, nossas preocupações, então como alunos, eram de nos aperfeiçoarmos e de nos estabelecermos como conhecedores das boas técnicas florestais, de como o sistema produtivo florestal poderia ser melhorado, de como a evolução tecnológica poderia ser utilizada para avançar mais e mais a produção. De qualquer forma, o pensamento era voltado para sermos excelências como engenheiros conhecedores da floresta e de seus mecanismos produtivos. Ao que parece, conquistamos, nesses mais de 20 anos, grandes avanços produtivos; como me lembro, discutíamos ganhos de produtividade pelo melhoramento genético até chegar à clonagem, ou, mais especificamente, a clonagem in vitro, para o Eucalyptus e Pinus, partindo de progênies com produtividades iniciais de 15 a 25 m³/ha/ano e, com o melhoramento genético, chegando a 35 a 45 m³/ha/ano, e depois, com a clonagem, até chegarem a mais de 100 m³/ha/ano em sítios específicos, além

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de discussões de melhoramento de qualidade da madeira para maiores ganhos e rendimento de celulose por toneladas de madeira, aspectos de melhoria da trabalhabilidade da madeira para usos nobres em móveis e molduras, que, antes, eram proibitivos, no caso do Eucalyptus, por rachar, empenar, torcer, etc. Enfim, pelo que vemos hoje, muitos desafios foram superados e com “louvor”, pois se está utilizando a madeira de reflorestamento para todos os tipos de usos e funções, desta feita, podemos declarar no âmbito do setor florestal, de fato: “as excelências estão todas postas”. Dessa forma, creio que a engenharia florestal tem feito seu papel dentro do que a sociedade nos espera, e, se não espera, mesmo assim, ela tem recebido grandes contribuições ao meio ambiente, e da produção florestal de forma afirmativa e que podemos comprovar em todos os demais artigos desta prestimosa revista que temos em mãos. Entretanto, acredito que ainda nos falta um caminho novo a trilhar, em especial aos engenheiros florestais e a todos os representantes do setor florestal: o do convencimento de nossos pares para uma maior participação no associativismo da classe e da nossa inserção política na sociedade como um todo, pois, nesse aspecto, somos insipientes, quase nulos, ou muito pouco representados. Isso é facilmente percebido quando temas de relevante interesse da classe florestal são postos em discussão em nosso país ou fora dele, e não temos sequer um ente público que nos represente de ;


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F&W é uma empresa de consultoria para a gestão de empreendimentos rurais, pecuários e florestais. Seu corpo técnico é formado por engenheiros florestais, agrônomos, administradores, advogados e consultores altamente capacitados para a gestão de atividades agrossilvipastoris. Está sediada na cidade de Albany no estado da Geórgia-USA, possuindo filiais no Brasil, Uruguai, França, Escócia e País de Gales. No Brasil está situada em Porto Alegre, de onde opera e faz a gestão de florestas de Pinus, Eucaliptos, Acácia Negra e Araucária para quatro diferentes fundos de investimento. Com mais de 50 anos de experiência no mercado a F&W tem como missão auxiliar seus clientes na aquisição e gestão de seus ativos agrossilvipastoris, bem como na concretização dos melhores negócios buscando obter os melhores retornos financeiros, atendendo normas legais, ambientais e sociais das comunidades as quais atuamos, buscando sempre oferecer serviços confiáveis e com alta qualidade. Assessoramos a sua empresa ou o seu negócio na identificação de oportunidades, due diligence, intermediação de negócios, aquisição e gestão de ativos, planejamento e custos, comercialização de produtos e ativos imobiliários, bem como consultoria e prestação de serviços para algumas atividades, como por exemplo: • • • • • • • •

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Gestão de controle da vespa da madeira Comercialização florestal Regularização fundiária Regularização ambiental Projetos ambientais (TAC, RPPN, PRAD) Monitoramentos operacionais Estudos de otimizações florestais


entidades forma integrada; temos sim alguns “arremedos”, mas não um órgão público que defenda, de forma inteligente e sem imperativos ideológicos e rançosos, a toda a classe da engenharia florestal, e fica esta defesa florestal cabendo, muitas vezes a poucos e valorosos representantes de algumas associações de classe, de empresas, de ONGs, de outras entidades e até mesmo de indivíduos engenheiros florestais, que, de forma heroica, nos defendem e, em muitos casos, em minoria absoluta dentro dos fóruns, assembleias e câmaras. É nesse ponto que quero fazer e deixar registrada esta “provocação” aos colegas florestais e aos demais profissionais que labutam no setor florestal, que admiro e prezo: há 14 anos iniciei, a convite de outro engenheiro florestal, a minha participação na diretoria da ACEF, em SC, pois até aquele momento, assim como a maioria de nós, só me preocupava em dedicar meu tempo ao setor produtivo e trabalhar, e trabalhar, e trabalhar... Isso em todas as empresas em que fora contratado, sempre com foco na produtividade, na redução de custos e na geração de caixa para os empreendedores. Até aí, nada de errado, afinal, quem nos contrata deseja exatamente isso, mas, a partir de estar inserido na ACEF, comecei a ter uma nova visão, mais abrangente, de cunho social, do que a engenharia florestal representa e poderia ainda representar, mesmo diante de todas as dificuldades corporativistas e deletérias enfrentadas por nós, dentro do sistema Crea/Confea. Podemos perceber que nós engenheiros florestais éramos minimamente ouvidos e, como já disse anteriormente, representados por poucos e hábeis heróis. Pois bem, diante de todas as agruras encontradas, estabelecemos, dentro da ACEF, um plano para fortalecimento de nossa entidade mãe (a Acef) e para que pudéssemos estar sendo representados dignamente dentro do Crea-SC. Assim, foi estabelecido o plano de criação das entidades regionais, iniciada pela fundação da AEFsul, em 2005, chegando hoje a sete entidades regionais: AEFsul, AEFoeste, AEFnorte, AEFlonesc, AEFplanalto, AEFvale e AEFcentro. Dessa forma, com a AEFsul estabelecida em 2005, conseguimos três anos depois de seu registro e de sua homologação no Crea/Confea, e, assim, mais um assento de Conselheiro Regional em Santa Catarina. Após isso feito, a batalha foi pela criação e instalação da Ceef (Câmara Especializada de Engenharia Florestal) no Crea-SC, onde foram travadas duras batalhas contra um corporativismo vesgo, mas que foi derrotado, e pudemos, então, criada a Ceef/Crea-SC, conquistar a Cceef (Coordenadoria das Câmaras Espespeciais de Engenharia Florestal) no Confea e, assim, termos voz, vez e voto nas ações que, há décadas, não conseguíamos implementar, em especial uma que foi conquistada recentemente: “o reconhecimento da engenharia florestal como categoria “engenharia” dentro do sistema Crea/Confea”. Imagine só! Pode parecer tola essa busca e reconhecimento, mas essa “classificação errada” feita há mais de 50 anos, dentro do sistema Confea, e nos trouxe danos e equívocos tenebrosos, e que esperamos estar sendo superados nos próximos anos. Mas essas ações são prova de que somente conseguimos superar os obstáculos estando a postos e nos fazendo ouvir através das associações de classe e na participação nos Conselhos Regionais e Nacionais, e esse modelo deve ser seguido, pois é de sucesso.

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Opiniões Ainda temos muito a trilhar, mas os primeiros passos já foram dados. Precisamos agora convencer os colegas que participem das nossas associações, fundem novas entidades, participem dos conselhos municipais de meio ambiente, das fundações, das ONG´s, mas, sobretudo, se candidatem a vereadores, prefeitos, deputados estaduais e federais, senadores, enfim, participem da vida política da sociedade, pois, somente assim, poderemos nos fazer ouvir e ser ouvidos. Percebemos claramente que, no Brasil, inexiste um órgão público que contemple todo o setor florestal; sabemos que o viés dos últimos anos fora da preservação ambiental sendo privilegiado em detrimento de uma visão racional e produtiva, mas restou provado que o setor florestal é o que mais garante e protege o meio ambiente. Conseguimos superar ataques equivocados, demonstrando nossa condição diferenciada, em que, para cada hectare de floresta plantada, por exemplo, temos outro hectare de floresta nativa preservada; quem e qual setor produtivo se equivalem? Bem, nenhum. Isso sem contar que nossas fábricas são, em grande maioria, exemplos de sustentabilidade e uso racional de recursos, inclusive com certificações internacionais em sua grande maioria; disso somos exemplo, não é mesmo? Mas, então, o que nos falta? Percebemos claramente uma ausência de um ente governamental representativo do setor florestal como um todo, e não apenas de uma parte, pois só tivemos, até agora, remendos, ora um órgão atendendo a somente o setor de florestas plantadas, outro atendendo ao setor de florestas nativas; um com um viés, outro com outro, e, assim, parece que sempre estamos num “cabo de guerra”, e isso, de fato, nos faz perder o bonde da história e deixar de gerar renda, emprego e impostos à nação. O caminho em que acreditamos está na integração do setor florestal com um mesmo órgão público (como o saudoso IBDF) e com status de ministério, pois entendemos que a maturidade já foi atingida e que, mesmo que alguns indivíduos ainda tenham a “cisma” de querer implantar uma ditadura ambientalista em nosso país, nossa sociedade não aceita mais isso, ela deseja a produção com sustentabilidade, a preservação com o uso adequado e racional, a conservação com qualidade de vida. Então, ou entendemos que o caminho está nesse aspecto, de crescermos e obtermos uma vida de primeiro mundo, e uma das ações que nos faltam é o fortalecimento ou a transformação ou a criação de um ente público que possa, de fato, atender às demandas do setor produtivo florestal como um todo, e não estarmos emendados como estamos hoje, parte no Ministério do Meio Ambiente, parte no Ministério da Agricultura, e, de fato, não temos guarida em ninguém. Podemos dar muito mais ao Brasil, mas somente com a visão da excelência produtiva que temos com a conservacionista já conquistada, e, ambas unidas, avançaremos e teremos o sucesso por fim desejado, e, enquanto isso não ocorrer, iremos navegar como uma nau sem rumo, para a qual qualquer porto que atracar estará bom! As excelências estão todas postas, e nós nos associaremos a essa ideia ou continuaremos naven gando sem rumo?



produtores

madeira engenheirada O conceito de madeira engenheirada é relativamente novo no Brasil. A madeira ganhou novas propriedades a partir de tecnologias desenvolvidas em parcerias entre empresas e centros de pesquisas. O material permite aplicações ousadas em projetos construtivos inovadores. "

Sergio Anibal Martini Presidente da Ekomposit

Se uma casa de alvenaria pega fogo, os jornais reportam o fato como “fatalidade”. Mas se o incêndio ocorre numa edificação de madeira, a manchete é: “Casa de madeira pegou fogo!”. Desinformação é a lenha que mantém acesa a chama do senso comum, especialmente quando o assunto tem viés técnico. Madeira, muitas vezes contrariando o que se fala dela, é material construtivo ecológico, de alto desempenho estrutural e que, uma vez engenheirada, torna-se peça-chave para a construção industrializada. Aumenta a escala de produção no canteiro de obras e reduz custos. Apesar de o Brasil ser um país de reconhecida vocação florestal, muitas vezes, na visão local, as construções em madeira ainda são associadas ao improviso, a uma arquitetura pobre. Nada mais enganoso. A boa notícia é que esse quadro começa a mudar, e a mudança poderá ser surpreendentemente rápida. A moderna indústria brasileira dispõe de tecnologia e produz respostas de excelência no campo das madeiras engenheiradas e construções industrializadas. O conceito de madeira engenheirada é relativamente novo no Brasil. A madeira ganhou novas propriedades e desempenho, a partir de tecnologias avançadas, desenvolvidas recentemente no País, em parcerias que envolvem empresas e centros de pesquisas. O material permite aplicações ousadas em projetos construtivos inovadores. Mas não é só. Associada a outros materiais – por exemplo, fibras sintéticas ultrarresistentes e leves –, forma compósitos e ganha novas possibilidades. É a textura natural e a originalidade, únicas da madeira, como material de engenharia de alto desempenho e adequado a variadas aplicações.

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Madeira engenheirada resulta de tecnologias e de processos produtivos avançados, com uma criteriosa seleção da matéria-prima. O objetivo é eliminar imperfeições naturais, mas comercialmente indesejáveis, como deformações, rachaduras e a variabilidade de resistência mecânica. Podem ser produzidas peças em seções e comprimentos muito superiores aos da madeira serrada. A madeira de Pinus originária de florestas plantadas é opção vantajosa pelos aspectos de desempenho, disponibilidade e competitividade. Conta, hoje, com extensas áreas de cultivo e variedades de qualidade em diversas regiões do País. A serra catarinense, na região de Lages, é um dos bons exemplos de manejo sustentado em florestas de Pinus, contando geralmente com certificação FSC – Forest Stewardship Council. Os principais segredos da qualidade da madeira engenheirada estão na matéria-prima selecionada. Ela deve ser 100% permeável a tratamentos químicos normalizados, visando à garantia de durabilidade do produto. Também precisa ser compatível com as resinas de colagem e de revestimento, com características estruturais e à prova d’água. Deve facilitar o emprego de modernos maquinários industriais de alta produtividade na serragem, laminação e secagem rápida em estufas. Nesses quesitos, o gênero Pinus se ; adapta perfeitamente.


Opiniões Versatilidade – Madeira engenheirada é um produto inovador, capaz de revolucionar a construção civil brasileira. Hoje, países como Estados Unidos, França, Canadá, Itália e Espanha, entre outros, apresentam ao mundo projetos arquitetônicos de vários pavimentos construídos em madeira engenheirada, associada ou não a outros materiais. No caso brasileiro, é exemplar a experiência recente (agosto/2016) da montagem em tempo real, na região metropolitana de Curitiba, do primeiro prédio com três pavimentos e 12 apartamentos empregando tecnologia wood frame. O material também deve alcançar com sucesso outros setores como os de móveis, automotivo, ferroviário, agropecuário e tantos outros onde a viabilidade técnica e econômica recomende sua aplicação. A experiência mostra que o mercado brasileiro busca por soluções que sejam, ao mesmo tempo, resistentes, duráveis, leves, econômicas, belas, agradáveis e, sobretudo, sustentáveis. Madeira engenheirada oferece as melhores respostas. Madeiras do gênero Pinus são amplamente conhecidas do meio acadêmico nacional. Hoje, é a matéria-prima mais estudada nos institutos de pesquisa nacionais altamente capacitados. É o caso, por exemplo, do Laboratório de Madeiras e Estruturas de Madeira da USP em São Carlos-SP (LaMEM). Os tratamentos executados em modernas plantas industriais conferem alta durabilidade à madeira contra a ação deterioradora causada por insetos xilófagos e fungos. Por conta disso, a expectativa de durabilidade de uma construção em madeira tratada não é menor do que a de uma similar em alvenaria. Em razão das modernas tecnologias para tratar e processar madeira, existem, no Brasil, construtoras que empregam o sistema construtivo industrializado denominado wood frame alemão.

Está presente em edificações como conjuntos habitacionais de alto padrão e edifícios de apartamentos com até três pavimentos, proporcionando acabamento impecável, segurança e rapidez inimaginável na comparação com uma construção convencional. Com a madeira engenheirada, o mercado brasileiro ganha um novo conceito. Inaugura-se uma nova era para comercialização da madeira como material de Engenharia, nos moldes das revendas norte-americanas, europeias, canadenses e australianas. Recebem e disponibilizam madeira com acabamento, pronta para uso e em grandes comprimentos fracionáveis, permitindo redução no capital de giro e menores áreas para estocagem. Mudando o jogo – A madeira engenheirada poderá, no médio prazo, inverter o jogo a favor da sustentabilidade. A matéria-prima natural e seus compósitos são alternativas às madeiras nativas, originárias da Amazônia. Contribuem, assim, para desacelerar o aquecimento do planeta e para a conservar uma das maiores reservas globais de bioma. Setores da indústria como o automotivo, o moveleiro e o da construção civil terão na madeira engenheirada e seus compósitos um forte aliado. Literalmente. Fabricantes de implementos rodoviários de cargas poderão contar com as vantagens comparativas do novo material. Carretas poderão ter assoalhos cerca de 700 a 1.000 quilos mais leves do que os atuais em chapas de aço, com a mesma capacidade para suportar cargas. Por outro lado, madeira engenheirada também facilita a elaboração de projetos arquitetônicos e sua aplicação pelos profissionais de carpintaria Além da leveza e da resistência, a textura natural da madeira do novo material também atenderá às demandas de profissionais de paisagismo, decoração, mobiliário e adeptos da bricolagem. Seus usos e aplicações nas obras civis são normalizados em todo o País pela NBR 7.190 (estruturas) e pela NBR 16.143, (classes de risco). Construções nacionais de médio e alto padrão consomem, todos os anos, cerca de três milhões de metros cúbicos de madeira estrutural. Há espaço para que a madeira engenheirada e compósitos ocupem, inicialmente, uma fatia desse volume. Para conquistar esse mercado diferenciado na construção civil brasileira, faz-se necessário adotar estratégias diferenciadas. As revendas devem ter um showroom especializado em áreas centrais de comércio nas cidades grandes e médias. Devem oferecer um espaço adequado para consultoria, especificação e aquisição do produto entregue posteriormente, embalado e protegido das condições agressivas nos canteiros de obras. Vigas e complementos não estarão sujeitos a respingos de materiais e marcas de pegadas, entre outros riscos comuns, da instalação à conclun são da obra.

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produtores

Opiniões

novo modelo de gestão para a formação de uma floresta Antes de opinar sobre modelo de gestão, é importante descrever um pouco o tamanho desse negócio chamado floresta. Segundo o relatório da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá 2016), o Produto Interno Bruto Setorial alcançou R$ 69,1 bilhões em 2015, um aumento de 3% quando comparado a 2014, apresentando um desempenho superior a outros setores da economia brasileira como, por exemplo, agropecuária (+1,8%), indústria (-6,2%) e serviços (-2,7%). Quando comparado ao PIB brasileiro, o setor de árvores plantadas fechou o ano de 2015 com 1,2% de representação em toda a riqueza gerada no País e 6% do PIB industrial. A área total plantada no Brasil totalizou 7,8 milhões de hectares em 2015 (eucaliptos, pinus e outras espécies), empregando diretamente 540 mil pessoas, estimando-se que, no total, o número de postos de trabalho da atividade florestal tenha sido na ordem de 3,8 milhões, gerando uma renda de R$ 10 bilhões, sendo 9 bilhões agregados ao consumo das famílias (Ibá 2016). Quando analisamos a produtividade florestal, somos líderes mundiais no setor, evoluímos de 20m³/ha/ano (média do eucalipto) na década de 1980 para índices médios de 40m³/ha/ano nos dias de hoje. Essa evolução aconteceu, principalmente, no desenvolvimento de materiais genéticos (mais adaptados às condições brasileiras) e na evolução das técnicas de manejo florestal, aprimoradas durante décadas de pesquisa e desenvolvimento. Nos últimos anos, a produção de madeira ficou mais cara no País; em 2015, a inflação do setor de florestas plantadas foi de 12,8% enquanto a inflação nacional medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA) ficou em 10,7%. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o custo do trabalho (CUT) no Brasil cresceu 136% entre os anos de 2002 e 2012, penalizando custos e nos tornando menos competitivos. Depurando esses indicadores do setor, pode-se dizer que a evolução da produtividade florestal “pagou a conta” do setor nesse período, em que a ineficiência operacional nas atividades de formação florestal acabava não sendo um indicador relevante. Considerando que os saltos de produtividade florestal atuais têm sido cada vez menores e focados em ganhos incrementais e na qualidade da madeira para os diferentes processos e visando manter a competitividade do setor, o foco da mudança está no aprimoramento da gestão florestal desenvolvendo pessoas, tecnologias e na administração dos recursos de forma otimizada. As mudanças mais profundas no modelo de gestão para formação de florestas visam aumentar a eficiência, controle e nível de mecanização. O emprego de tecnologias modernas está possibilitando decisões mais rápidas e assertivas, maximizando o retorno do investimento. A floresta passou a ser tratada efetivamente como um negócio.

Imagine um Centro de Operações onde será possível gerenciar a floresta just in time! Até alguns anos atrás, isso seria considerado utópico, porém é nesse caminho que a gestão de florestas está seguindo "

Rodrigo Zagonel

Gerente de Silvicultura e Viveiro ES/BA da Fibria Celulose Coautor: Mário H. F. Grassi, Gerente de Silvct e Viveiro MS da Fibria

Estamos em plena era do Big Data, em que grandes quantidades de dados armazenados podem ser analisadas com apoio de sistemas sofisticados; estamos evoluindo para produzir mudas com auxílio de robôs, mapear e medir florestas com tecnologia a laser, processar inventários através de redes neurais, usar Veículos Aéreos Não Tripulados (Vant´s) para avaliação qualitativa da floresta, operações mecanizadas com tecnologia embarcada visando a maior precisão. As mudanças estão acontecendo em todas as frentes, desde a modernização de máquinas e metodologias, passando por novos modelos de construção da matriz fundiária dos produtores, chegando a um planejamento tributário e de captação de recursos financeiros diferenciado. Mas como estamos gerindo e/ou iremos gerir isso tudo? Quando olhamos o corpo técnico das empresas, é comum encontrarmos equipes multidisciplinares compostas por engenheiros florestais, engenheiros de produção, administradores, economistas, engenheiros agrônomos, geógrafos e tantos outros profissionais atuando de forma integrada para extrair as melhores informações e gerar os melhores indicadores para tomada de decisões, porém é necessário que tenhamos profissionais capazes para tomá-las. Nesse contexto, um modelo de gestão e/ou organização que surge nas empresas é o ambidestro, no qual se integra a capacidade de balancear a eficiência que leva a resultados no curto prazo, enquanto mantém a flexibilidade que garantirá os frutos no longo prazo. Imagine um Centro de Operações onde será possível gerenciar a floresta just in time! Até alguns anos atrás, isso seria considerado improvável, utópico, porém é nesse caminho que a gestão de florestas está seguindo, controle total do processo para que decisões rápidas e assertivas sejam tomadas, maximizando o retorno do capital investido com o máximo de produção florestal no menor ciclo possível. Por fim, o modelo de gestão da formação de florestas está em transformação, no rumo de um novo ciclo, onde o foco será manter a indústria de base florestal brasileira como referência mundial em competitividade produtiva e financeira. n


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produtores

o setor de florestas plantadas

de Minas Gerais está na U T l

É sabido que o estado de Minas Gerais é o maior detentor de plantio de florestas comerciais do Brasil. Minas Gerais tem 1.713.576 hectares de eucalipto, 47.557 hectares de pinus e 1.906 hectares de outras espécies. O que representa 19% da área total de plantio de florestas comerciais do País. Segundo a Associação Mineira de Silvicultura – AMS, o negócio florestal em Minas Gerais arrecada mais de R$ 2 bilhões em impostos e R$ 7,3 bilhões em divisas de exportações. Isso representa, hoje, 7% do PIB estadual. Além disso, emprega mais de 230 mil pessoas direta e indiretamente nessa cadeia.

Minas Gerais utiliza a produção das florestas comerciais nos mais diversos segmentos, segundo dados apresentados no III Fórum Nacional de Carvão Vegetal. Dentre todos os destinos, os que mais se destacam são os que utilizam a madeira como fonte de energia, como siderúrgicas produtoras de aço, ferro-gusa e ferro liga, que utilizam o carvão vegetal e indústrias, que utilizam a madeira como fonte direta de energia, que, juntas, representam um percentual de, aproximadamente, 70% da área plantada com florestas do estado. João Pignataro Pereira, assessor técnico do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior expôs, nesse mesmo fórum, que em torno de 70% da produção nacional de carvão vegetal é feita por pequenos produtores independentes.

devido à burocracia, à falta de incentivo, à inexistência de amparo técnico, à legislação indecifrável, à insegurança jurídica, às cobranças demasiadas e ao mercado instável, o negócio florestal está deixando de ser um 'bom investimento' em MG "

Renato Anselmo Gatti Filho Gerente Florestal da Carvoflora

Produtores independentes são, em sua grande maioria, pequenos produtores rurais que investem em silvicultura, com capital próprio, sem financiamentos subsidiados pelo governo; não têm acesso aos mais modernos pacotes tecnológicos de plantio e de produção do carvão vegetal e também não têm incentivo algum por parte do governo ou das empresas que deles dependem. Analisando-se o histórico de preços de carvão vegetal praticados no maior polo siderúrgico movido a carvão vegetal do mundo, que compreende as regiões centro e centro-oeste do estado de Minas Gerais, com base nas cidades de Sete Lagoas e Divinópolis, observa-se ;


Opiniões que o preço praticado em Janeiro de 2004 – corrigidos com base no IPC-A para julho de 2016 – seria de R$ 243,26/MDC. O principal ponto a ser observado é que o valor praticado atualmente, R$ 101,50/MDC, é cerca 60% inferior ao praticado 13 anos atrás. O estado de Minas Gerais está muito empenhado em minimizar o consumo de madeira nativa. Prova disso é a Lei 18.365/2009, que altera a legislação florestal no estado e fixa, de maneira inédita no país, limites que reduzem, progressivamente, o consumo legal de produtos ou subprodutos originados da vegetação nativa de Minas Gerais, em especial o carvão vegetal. Porém as atitudes dos órgãos ambientais são um tanto quanto contraditórias. Criam leis para minimizar o consumo de madeira nativa no estado, mas, em momento algum, incentivam produtores a aumentar seus plantios de florestas renováveis. Segundo Sebastião Renato Valverde e Angélica de Cássia Carneiro, ambos professores do Departamento de Engenharia Florestal da Universidade Federal de Viçosa e diretores da Sociedade de Investigações Florestais, a todo instante, o estado impõe tributos sociais e ambientais às indústrias do carvão, além da já pesada carga tributária brasileira. São taxas florestais, de porte de motosserra, de reposição florestal, de licenciamento ambiental, de outorga, dentre outras, que aumentam os custos de produção metal-siderúrgico num mercado internacional de queda nos preços. Por meio de mecanismos burocráticos e administrativos, como taxas, licenças e autorizações, o estado tenta, sem êxito, controlar o mercado e minimizar o consumo de madeira nativa. Seria muito mais fácil acabar com o consumo de madeira de florestas nativas, criando mecanismos de incentivo ao plantio de florestas e desonerando a cadeia produtiva da mesma. Um mercado bem abastecido com madeira legal, a um custo competitivo, não tem espaço para um produto ilegal. O estado de Minas Gerais deveria se orgulhar de ser o maior produtor mundial de “Gusa-Verde”, tendo o carvão vegetal como insumo termoredutor das siderúrgicas produtoras de metais, que são os únicos produzidos de forma correta e limpa no mundo. Ao contrário disso, o carvão vegetal é visto como principal culpado pelo desmatamento, como fonte de trabalho escravo e infantil e grande poluidor do meio ambiente, quando deveria ser tratado como principal aliado na minimização do desmatamento de florestas nativas, uma das poucas fontes de trabalho digno no meio rural, e a melhor alternativa na produção dos metais siderúrgicos, tendo em vista que a outra opção, o carvão mineral, é altamente poluidor. Prova disso é o excesso de burocracia por parte dos órgãos ambientais competentes. Além das exigências do Ibama, órgão federal responsável, o estado de Minas Gerais tem seus próprios órgãos reguladores: a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desen-

volvimento Sustentável (Semad), que abriga o Instituto Estadual de Florestal (IEF), o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) e a Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), dentre outros. Por esses órgãos, são exigidos inúmeros cadastros, registros, autorizações, licenças, requerimentos, declarações, guias, relatórios, vistorias, prazos intermináveis, prestações de contas, taxas e impostos. Os profissionais do setor questionam sobre o real motivo do setor florestal, que compreende o plantio comercial de espécies florestais com finalidade de aproveitamento econômico, estar alocado dentro de órgãos ambientais, que deveriam cuidar da preservação do meio ambiente e de todos os tipos de poluição (sonora, do solo, das águas, das cidades, etc.), da educação ambiental, das indústrias. Por que motivo não somos tratados como as demais culturas, como milho, soja, feijão, batata e outras e alocados nos órgãos ligados à agricultura? Reflexo das baixas remunerações do mercado florestal e do excesso de burocracia e de impostos e taxas é a desaceleração dos plantios, o que aumentará, futuramente, a pressão sobre as florestas nativas. O Diretor executivo da Associação Mineira de Silvicultura – AMS, César Augusto dos Reis, cita que as estatísticas indicam uma redução de, pelo menos, 30% no plantio de florestas em Minas Gerais, comparando-se os números de 2015 e 2014. Com a diminuição das demandas por ferro-gusa, carvão e ferro liga, a siderurgia entrou em retração, afetando o plantio de florestas destinado a essa cadeia produtiva. “A crise chegou ao setor de maneira drástica”, disse o presidente da AMS. A grande quantidade de viveiros de produção de mudas florestais que encerraram suas atividades nos últimos anos é outro dado importante. Muitos produtores rurais, e pequenos e médios investidores estão abandonando o mercado de florestas plantadas ou migrando seus investimentos para outras regiões. Os produtores rurais realizam a colheita de seus plantios florestais e buscam uma outra destinação às suas terras. Inclusive, em grande parte das vezes, eles abrem mão de conduzir a brotação do plantio, para realizarem o segundo e o terceiro corte. Os investidores mudam o foco do investimento ou migram para outras regiões mais atraentes. Um destino muito comum é nosso vizinho o Mato Grosso do Sul, que, mesmo na atual crise, vem conseguindo, com êxito, atrair investimentos e fazer com que o setor de florestas plantadas siga crescendo a passos largos. Por tudo já exposto, a burocracia em excesso, a falta de incentivo financeiro, a inexistência de amparo técnico, a legislação extensa e indecifrável, a insegurança jurídica, as cobranças demasiadas por parte do estado e o mercado instável, o negócio florestal está deixando de ser um “bom investimento” no estado de Minas Gerais, e isso é uma triste realidade. n

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produtores

Opiniões

o manejo do eucalipto e

as mudanças climáticas

as ocorrências de alterações do clima não respeitam limites geográficos ou temporal. Assim, é fundamental nos anteciparmos na construção de uma visão sistêmica das nossas vulnerabilidades, adotando o princípio da precaução no gerenciamento dos riscos e nas escolhas dos caminhos a serem seguidos. "

Robert Cardoso Sartório Gerente de Manejo e RN do Centro de Tecnologia da Fibria

O estágio avançado de desenvolvimento e os resultados da aplicação do conhecimento tecnológico florestal gerados nas áreas do melhoramento genético clássico e do manejo do eucalipto no Brasil são incontestáveis. Associado ao aprimoramento contínuo dos sistemas de gestão, planejamento e a capacitação dos colaboradores nos diversos níveis das organizações, o setor de florestas plantadas alcançou, em pouco tempo, produtividades em bases sustentáveis muito acima daquelas observadas em outros países, ocupando uma posição de destaque em âmbito mundial. Entretanto novos e complexos desafios relacionados às mudanças climáticas se fazem presentes. Pressionam os ganhos contabilizados até aqui e a qualidade demandada da matéria-prima dos muitos usuários do eucalipto. MUDANÇAS DO CLIMA: Nas últimas quatro décadas, os especialistas ligados ao manejo dos plantios investiram muito esforço na busca e na combinação de alternativas para redução de custos com o aumento ou manutenção da produtividade, bem como no atendimento a requisitos de qualidade da madeira, a partir de plantações colhidas em ciclos cada vez mais curtos e controlados.

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Mais recentemente, a importância dos plantios florestais em relação às alterações climáticas foi foco das atenções, e a sua positiva contribuição para amenização do aquecimento global através do sequestro de carbono atmosférico foi ratificada e ressaltada. Não obstante o avanço do conhecimento e as contribuições do setor, em regiões que, há poucos anos, caracterizavam-se por condições excepcionais para crescer florestas, hoje se percebe a queda da produtividade acompanhada de uma maior intensidade de alguns fenômenos climáticos. No curso das investigações, surgiram alguns fenômenos inéditos, na maioria de origem abiótica, ligada à inadaptação genotípica frente a essa nova condição, que tem exigido investimentos extras para entendimento do problema e busca de soluções. COMO LIDAR COM ESSA NOVA REALIDADE? A experiência recente com a ocorrência do Distúrbio Fisiológico do Eucalipto nos plantios do extremo sul da Bahia e do norte do Espírito Santo, bem como com o déficit hídrico prolongado em algumas regiões do Sudeste do País, foi a forma escolhida para explorar e compartilhar, a seguir, algumas das novas abordagens e ações adotadas para fazer frente à complexidade dos novos desafios. DISTÚRBIO FISIOLÓGICO DO EUCALIPTO-DFE: De forma ampla, o DFE incidiu sobre vários materiais genéticos, diferentes regimes de manejo, altitude, declividade, tipo ;


INOVAÇÃO EM APRENDER Durante as últimas 4 décadas a Ponsse tem se dedicado a melhorar os seus produtos e serviços dia a dia. A maior prova é que hoje somos referência no que existe de mais moderno no mercado florestal mundo afora. O fato de estarmos sempre em busca do moderno e do novo é algo que começou lá em nossos primeiros dias, e que permanece forte em nosso DNA até hoje. A Ponsse nunca encarou a mudança como uma ameaça, mas sim como uma grande oportunidade. A oportunidade de mudar, de melhorar, de ir além, a chance de estar sempre se reinventando, de criar coisas novas e de manter o seu espírito jovem e vivo em sintonia com o mercado. A Ponsse caminha para o futuro com a certeza que está ao lado de seus clientes sempre, acompanhando a evolução humana, tecnológica e do mercado. Trazendo sempre o melhor para o mundo florestal.

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produtores de solo e idade dos plantios, desafiando empresas e produtores, demandando extrema atenção e rápida ação de pesquisadores, especialistas e gestores florestais nas regiões afetadas. A fim de entender as causas dessa anomalia e desenvolver opções de mitigação ou de solução do problema, foi estruturada uma ampla base de dados que foi processada numa abordagem Big Data, associada a ferramentas de análise preditiva. Base de dados essa gerada em cerca de 20 anos de atividade silvicultural e monitoramentos. Essa nova abordagem sobre um grande volume de dados possibilitou ampliar o poder de análise pela velocidade de processamento e por considerar, de forma conjunta, um grande volume de variáveis de diferentes naturezas, sejam elas numéricas e ou categóricas, de difícil realização em análises convencionais. Os resultados permitiram desenvolver modelos de alto desempenho para melhor compreender as causas do DFE, definir quais as principais variáveis relacionadas com a doença e quanto cada uma dessas variáveis explicava a sua presença. A partir desse conhecimento, foi possível mapear e estimar o risco de ocorrência, estratificar as áreas por nível de susceptibilidade à doença, recomendar os clones mais adequados ao plantio, a sua alocação no campo e as ações específicas de manejo. Os produtos obtidos foram e continuam sendo determinantes para adequar o manejo florestal nas áreas de ocorrência. Além disso, estabeleceu-se um paradigma inédito de aplicação bem-sucedida dessa ferramenta para fenômenos biológicos e as interações genótipo-ambiente. O DÉFICIT HÍDRICO “PROLONGADO” – DHP: A ocorrência de déficit hídrico é cada vez mais frequente e em eventos extremos na região Sudeste, onde estão localizados grandes maciços de florestas de eucalipto. Entre os anos de 2013 e 2014, estima-se que mais de 100.000 hectares de plantios foram perdidos em consequência da seca, especialmente no estado de Minas Gerais. Para se ter uma dimensão da situação, em 2015, no estado do Espírito Santo, onde historicamente chovia 1.300 mm anuais, choveu 560 mm, ou seja, menos da metade do volume de água necessário para a manutenção das condições hidrológicas locais, isto é, recarga dos sistemas e manutenção da vazão das bacias hidrográficas para seus diversos usos. Assim como no exemplo do DFE, as predições e as recomendações para aplicação de medidas de manejo diferenciado dos plantios para mitigação dos efeitos do DHP somente foram possíveis com uso de ferramentas de modelagem, devidamente calibradas e ajustadas para as condições locais e regiões de interesse. Tais ajustes têm como base uma robusta rede experimental, sensores e monitoramentos climáticos, ambientais, ecofisiológicos e de solos, além dos resultados de inventário florestal. A investigação focada em relações diretas de causa e efeito deu lugar a uma pesquisa multifacetada de elevada complexidade, demandante de novos paradigmas, novos conhecimentos e ferramentas. Com isso, a modelagem puramente empírica vem dando lugar aos modelos de natureza processual. Além disso, as práticas de manejo estão cada vez mais atreladas a análises prévias da capacidade de suporte local – condições edafoclimáticas –, permitindo orientar melhor o espaçamento de plantio, a seleção genotípica para demandas específicas, induzir

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Opiniões por práticas de manejo a formação de um plantio mais resiliente ou tolerante às condições extremas, além de orientar o manejo da paisagem para produção de água e outros fatores de crescimento. Inúmeros são os pontos para a reflexão sobre o manejo do eucalipto frente aos novos desafios relacionados às mudanças do clima. Contudo vale destacar aqueles que demandam maior atenção. Para que a indústria de base florestal faça frente aos novos desafios, é fundamental ampliar o seu entendimento em relação às interações solo-planta-clima. A evolução desse entendimento deverá estar alinhada às novas tecnologias e práticas de manejo e ao conhecimento em áreas como ecofisiologia vegetal, modelagem climática, hidrológica e análise integrada de extensa base de dados. Muitas dessas ações se somam aos esforços de diversas iniciativas em curso e que devem ser incentivadas, tais como os programas cooperativos Techs e o Eucflux, que abordam a tolerância de clones de eucalipto ao estresse, e o uso dos recursos naturais pelos plantios, assim como estudos de nutrição mineral e carbono orgânico do solo como fator de crescimento associado à disponibilidade de água no solo. A abordagem e os recursos computacionais utilizados para modelagem e análise, citados neste artigo, são poderosos e, cada vez mais, devem ser considerados, mas não sobrevivem ou perdem a razão de ser sem os monitoramentos, a experimentação básica e aplicada, essenciais para a geração dos dados e a realização de análise de qualidade. Soma-se a isso a atuação de especialistas em plantações em larga escala, de expertise multidisciplinar, capazes de dar a fundamentação técnica necessária durante as análises, a interpretação e a aplicação efetiva dos resultados. A estruturação e o investimento em equipes que agreguem diversidade de conhecimento nas organizações devem ser considerados. Finalmente, cabe ressaltar que as mudanças climáticas e os seus efeitos já são presentes, e as incertezas em relação às previsões são reais. Sua intensidade é variável, considerando um país de dimensão continental como o Brasil. Assim como as pragas e as doenças não obedecem a fronteiras, as ocorrências de alterações do clima também não respeitam limites geográficos ou temporal. As ocorrências e seus efeitos atingem a todos sem distinção. Sendo assim, é fundamental nos anteciparmos na construção de uma visão sistêmica das nossas vulnerabilidades diante de tais mudanças, adotando o princípio da precaução no gerenciamento dos riscos e nas escolhas dos caminhos a serem seguidos em nossas operações. A aplicação prática e rápida da abordagem descrita permitirá diferenciar os concorrentes e gerar um novo salto n de produtividade do eucalipto.


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a rede viária como base para a

produção florestal Quanto vale para você uma estrada? A resposta vai depender de sua posição na empresa. Se for responsável pelo abastecimento, será um tipo de resposta e, provavelmente, ela valerá muito. Mas, se for responsável pela controladoria, a resposta pode ser bem diferente. "

Jorge Roberto Malinovski Diretor-geral da Malinovski

Quando se pensa em desenvolver qualquer atividade florestal que envolva grandes áreas produtivas, é imprescindível realizar o planejamento das estradas. Afinal, elas serão o elo entre a florestal e os centros de distribuição/transformação. As estradas estão intimamente ligadas às atividades desde seu início até a entrega do produto final, sem contar que, normalmente, são mantidas por várias rotações ou ciclos de corte. Desde o início dos plantios florestais no Brasil, nos idos da década de 1960, a discussão sobre a rede viária sempre foi um ponto relevante, se mantém até hoje e, provavelmente, continuará sendo no futuro, pois, normalmente, ela deve fazer parte de um centro de custo, e pode ser visualizada de diversas maneiras. Por exemplo, as estradas devem ser vistas como um custo ou um investimento? Outro ponto importante é que uma estrada rural em uma propriedade florestal não deve ser chamada de “estrada florestal”, mas sim de “estrada de uso florestal”, pois a carga transportada será a madeira, mas as composições que lá trafegarão serão regidas pelas mesmas leis de trânsito (lei da balança, etc.). Assim, os parâmetros construtivos, que devem ser levados em consideração, são os mesmos para qualquer composição veicular, a não ser que as mesmas não venham a trafegar em vias públicas, pois, normalmente, usam estradas de ligação entre a floresta e o pátio das empresas transformadoras. Para muitas empresas e proprietários de florestas plantadas, as estradas são consideradas o “patinho feio”, pois podem ser vistas como o segmento que gera despesa e passivos ambientais. Aí vem a pergunta: “por quê”? A resposta é simplesmente porque, muitas vezes, elas não são visualizadas

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como “relevantes” para a produção florestal, porém, sem elas, não se pode garantir todo o processo produtivo da madeira. A rede viária é importante desde o início das atividades, pois, sem elas, não se planta, não se faz a manutenção adequada, não se guarda a propriedade, não se controlam/combatem incêndios e nem se tem garantia de transporte da madeira para as indústrias, ou seja, o abastecimento fabril. É comum se perder qualidade de produto e, consequentemente, valor de produto por não se ter estradas com condições adequadas para o tráfego em épocas de chuva, quando o produto é destinado para serraria ou laminação. O Brasil é reconhecido por ter excelentes florestas plantadas de eucalipto, cujo melhoramento genético é um dos pilares, assim como as técnicas de adubação, de plantio e de manutenção. Hoje, fala-se em “silvicultura de precisão”, mas entendo que o que devemos colocar em pauta são as “florestas de precisão”, onde a colheita deve ser levada em consideração, assim como a inclusão da “rede viária florestal” nessa nova forma de visualizar as florestas plantadas. Porém será que as técnicas de estradas de uso florestal no Brasil também evoluíram como os outros segmentos da produção de madeira proveniente de floresta plantada? A resposta é “depende”; para as empresas que, hoje, trabalham em sistemas de produção chamados “quentes”, ou seja, a madeira tem um curto período de tempo entre a colheita e a transformação na fábrica, creio que sim, senão a planta pode ter que reduzir a produção ou até mesmo parar. Já para as empresas que trabalham com sistemas mais “frios”, as estradas podem ter qualidade mais reduzida, visto que a sua interferência na produção é menos comprometida. Para efeito de pensamento, uma pergunta se pode fazer: quanto custa um dia parado de uma empresa? Números indicam que, para grandes empresas, pode custar acima de R$ 6 milhões e pode ser consequência da má trafegabilidade de estradas de uso florestal. E para a sua empresa, quanto custaria? Essa reflexão pode ajudar os empresários e os técnicos a visualizarem a necessidade de melhorias ou de racionalização da rede viária florestal em suas propriedades, assim como ;


Opiniões o melhor planejamento, construção e uso das mesmas. Outra questão interessante para abordagem é a diferença entre “densidade e qualidade” das estradas. A densidade se refere a metros lineares de estradas por hectare e está diretamente relacionada com a distância média de extração e de atividades de silvicultura, pois quanto maior a densidade, menores serão esses custos. Porém, quanto maior for a densidade, maiores serão os custos de manutenção, de perda de área produtiva e de passivos ambientais. Dessa forma, é importante se definir uma “densidade aceitável de estradas” em um empreendimento florestal, de forma a minimizar seus custos, mantendo e equalizando todas as atividades relacionadas com a produção florestal. Já a qualidade das estradas se refere aos padrões relacionados com trafegabilidade das composições veiculares que deverão utilizar as vias. Assim, deve-se definir a qualidade das estradas de acordo com o tipo de composição de carga que se utilizará para o transporte da madeira ─ uma estrada para caminhões de baixa tonelagem não necessita os mesmos padrões que para composições de alta tonelagem (bitrem, tritrem). Também a densidade de trafego é um fator decisivo na decisão de se fazerem estradas de mão simples ou dupla, e ainda se deve levar em consideração se a colheita, e o consequente transporte, se fará em época seca ou úmida. O importante é levar em consideração a evolução tanto das máquinas usadas para a extração de madeira (skidders e forwardes de grande capacidade) quanto as composições veiculares para o transporte de madeira e, assim, com a tendência de redução de densidade e de aumento de qualidade. Outro desafio para as empresas florestais está relacionado com a passagem de caminhões por comunidades. O tráfego pode gerar riscos de acidentes e também ocasionar poeira, um agravante ainda sem solução definitiva.

Nesse último caso, ou se usa umectação, ou se faz construção das estradas com melhor qualidade e os custos vão aumentar, além de que muitas vezes se torna inviável o transporte durante a noite. Fazer desvios somente, via de regra, funciona para o momento, mas, na sequência, haverá habitações ao longo das novas estradas devido à sua qualidade. Outro ponto que deve ser observado está relacionado com o transporte, para o qual se faz necessária uma reflexão, são as inovações tecnológicas, pois é natural que se procure reduzir tara para aumentar a potencialidade de carga. Mas se deve também visualizar se elas não terão impacto sobre a qualidade das estradas, e aí um fato que se pode mencionar é o uso de pneu simples nas composições. Será que as estradas que são projetadas para composições de pneu duplo aguentarão? Ou se faz necessário um novo dimensionamento? Entendo que, com o rodado simples, a carga sobre os mesmos é muito maior e, consequentemente, tenderá a formar sulcos nas estradas e consequentes “facões”, que poderão até impossibilitar o tráfego de veículos leves. Dessa forma, para esses casos, um estudo de custo/benefício se faz necessário, a fim de avaliar, de forma econômica conjunta, o impacto de tais evoluções. Para finalizar, a consideração que faço aqui é que, “quando se faz uma estrada bem-feita, não se enterra dinheiro”, pois é comum, por ocasião de chuvas e em estradas com baixa qualidade, se dizer “coloca mais uma carga de pedra que resolve o problema”, mas, se a estrada não tem “base”, não adianta colocar material, pois ele vai “afundar” e simplesmente desaparecer no solo. Por último, deixo aqui uma pergunta: Quanto vale para você uma estrada? Provavelmente, a resposta vai depender de sua posição na empresa. Se for responsável pelo abastecimento, será um tipo de resposta e, provavelmente, ela valerá muito. Mas, se for responsável pela controladoria n da empresa, a resposta pode ser bem diferente.


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gestão estratégica de custos e

investimentos florestais

As mais importantes decisões do negócio florestal devem ser feitas antes de iniciar o projeto: de qual mercado vou participar, o que vou produzir, como vou produzir, onde devo me localizar para ser eficiente, investimentos, custos (incluindo o do capital) e retorno esperado. O preço do produto a ser vendido é quase sempre uma definição dada pelo mercado. Na experiência de alguns anos gerenciando, realizando consultoria, prestando serviços, treinamentos e avalições de negócios florestais, identifiquei que muitas empresas, investidores e produtores rurais não têm um processo em que os controles dos custos e do investimento possui o que chamo de um direcionamento estratégico. O investidor florestal, seja lá qual o tamanho que tenha, está em um negócio em que o preço de venda é a variável na qual se tem menor possibilidade de afetar na gestão diária do seu negócio e por isso, a gestão estratégica de três variáveis é fundamental para obter resultados superiores em seus negócios. São eles: os controles dos custos, dos investimentos ; e da produção florestal. O uso de ferramentas de controles apenas para controlar é perder 70% do investimento em ferramentas e do tempo das pessoas envolvidas. Controles são fundamentais também para aprender e para melhorar. "

Marcelo Santos Ambrogi

Diretor da IMA Gestão e Análise Florestal

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Opiniões É muito comum alguns investidores florestais considerarem o inventário florestal como uma despesa de pouca agregação de valor. Muito pelo contrário. O inventário florestal de boa qualidade e sequencial é a informação mais importante para o gerenciamento florestal. Ele simplesmente informa o estoque do que está sendo produzido e define o valor que está sendo agregado ao negócio por todos os investimentos, despesas, tecnologia e decisões realizadas. A produção de madeira divide todos custos e investimentos. Divide todos os erros e acertos realizados em operações, decisões e também possibilita avaliar os impactos de itens de pouco gerenciamento, como alterações climáticas de grande intensidade. O inventário também possibilita saber o que irá multiplicar a receita esperada para o negócio, ou seja, o resultado do investimento. Estrategicamente, o inventário é informação fundamental para definir a idade econômica de colheita. Muitos investidores imaginam que o uso de ferramentas baseadas em pesquisa operacional, como otimização de planos de suprimento, é coisa para empresa grande e, sem ela, definem as áreas a serem colhidas em função da idade. É um erro. O plantio florestal deve ser colhido quando estará gerando o melhor retorno sobre o investimento. A experiência que tive em implantação de ferramentas de otimização em empresas gerenciadas ou recém-adquiridas revela que elas afetaram positivamente entre 8 e 15% o resultado do fluxo de caixa de 20 anos, quando comparado pelo modelo de gestão que estava em funcionamento. Decisões de reforma e rebrota são, em muitos locais, feitas em função do índice falha e orçamento simplesmente. Reforma e rebrota são uma análise alternativa de investimento e devem utilizar conceitos de análise de projetos. Essa mesma análise deveria ser feita, para danos por vento, incêndio e outras formas de perdas. Todas essas situações têm mais de uma alternativa de decisão e, portanto, trata-se de uma análise de projeto de investimento. Sempre haverá restrição orçamentária, mas decidir a melhor forma de usar o dinheiro disponível é ainda mais fundamental. A gestão mensal de custos geralmente é realizada comparando o previsto e o realizado e identificando fatores impactantes do local, clima e equipamentos e pessoas. Parte do olhar do retrovisor e tentar buscar explicações. Gerenciar custos e investimentos estrategicamente é focar no resultado do negócio, é buscar melhoria e correções no processo de planejamento, de programação, de execução e de controle. Trata-se de aplicar ferramentas de análise e de solução de problemas, de análise de projetos e de análise de investimentos, de forma operacional e não nos períodos de orçamento ou quando um problema ocorre.

Um bom resultado pode esconder problemas e oportunidades que podem ser replicadas. O mal resultado também. O uso de ferramentas de controles apenas para controlar é perder 70% do investimento em ferramentas e do tempo das pessoas envolvidas. Controles são fundamentais também para aprender e para melhorar. E o melhor, as informações estão disponíveis sem custo adicional. Gerenciar custos e investimentos de forma estratégica não é ter sistemas de informações, bons controles, relatórios detalhados e reuniões. Não é ter silvicultura de precisão, uso de drones ou equipamentos autônomos. Todos esses itens fazem parte da tecnologia aplicada, mas todos sempre irão apresentar problemas e oportunidades. Gerenciar custos e investimentos é: • Planejar bem de forma estratégica, tática e operacional; • Entender os desvios e redirecioná-los; • Entender e monitorar os fatores geradores de custos; • Aplicar conceitos e ferramentas de pesquisa operacional, análise e solução de problemas, análise de projetos e investimento, dentro do modelo gerencial; • Conhecer as relações cliente e fornecedor internos; • Antecipar e impedir problemas; • Alterar, substituir ou eliminar o que não agrega resultado; • Analisar estrategicamente todos os dias; • Criar a cultura da análise, da proposição e da implantação de mudanças; • Manter a equipe bem treinada e focada nos objetivos estratégicos da empresa. As pessoas envolvidas devem ser treinadas para entender, de forma operacional e estratégica, os custos e os impactos de suas decisões e dos processos rotineiros. Identificar e desenvolver oportunidades de melhoria são ações que devem ser incentivadas, e processos devem ser coordenados por líderes da empresa ou por terceiros, de forma a desenvolver uma rotina e, na sua repetição, transformar em uma cultura da empresa. Gerenciar estrategicamente os custos e os investimentos é a forma de maior impacto na obtenção de resultados superiores no negócio florestal e deve ser levado a sério. Quanto mais estreitas as margens do negócio, mais se faz necessário ser eficiente em custos e em investimentos e eficaz na produção florestal. Quem acha que a atividade florestal pode apresentar resultado com baixo nível de gerenciamento está no negócio errado. Vai sempre depender de ótimos preços, que, na maioria das vezes, não existirão. A construção de uma cultura na qual o processo de decisão, adequado ao tamanho do negócio, mas baseado em dados e em análise e que esteja lastreado pelo conceito de altos índices de eficiência e eficácia e na redução de decisões sem fundamentação técnica, econômica e estratégica, define o que chamo de gestão estratégica de custos e de investimentos e que traz resultados superiores para o negócio florestal. Olhar para o mercado antes de entrar no negócio é fundamental. Gerenciar de forma adequada o negócio implantado é básico e crítico para o sucesso. n

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QUEM ESCREVE NA REVISTA OPINIÕES:

Em 14 anos de operação, a Revista Opiniões publicou 2.179 artigos exclusivos, escritos pelos mais respeitados especialistas do Brasil e do mundo, sobre 99 diferentes pautas, tornando-se uma das mais respeitadas mídias dos sistemas sucroenergética e florestal do País. Governo e países estrangeiros: 3 Presidentes da República, 2 Candidatos à Presidência, 29 Ministros de Estado, 20 Senadores e Deputados, 18 Governadores, 59 Secretários de Estado, 9 Promotores, 80 Diretores de Autarquias, e 21 Embaixadores estrangeiros

11% 18% 12%

Usinas, Destilarias e empresas florestais: 119 Presidentes, 163 Diretores, 119 Gerentes e 44 Técnicos

20%

Entidades: 203 Presidentes e 79 Diretores

13% 26%

Universidades e Centros de P&D: 230 Professores, 129 Pesquisadores, 93 Lideres de projetos, e 118 Chefes-gerais, Diretores e Presidentes de Centros de P&D

Fornecedores: 376 desenvolvedores de tecnologia Consultores: 265 desenvolvedores de tecnologia

QUEM RECEBE A REVISTA OPINIÕES:

A Revista Opiniões é enviada nominal e gratuitamente para todos os níveis de comando de 100% das unidades produtoras – incluindo as em projeto ou em construção; universidades e centros de P&D; entidades e órgãos governamentais interessados nas áreas industrial, agrícola e silvicultural; empresas fornecedoras envolvidas na produção de Cana, Açúcar, Etanol e Bioeletricidade, Celulose, Papel, Carvão, Siderurgia, Painéis e Madeira Sólida. Sucroenergético:

Florestal:

Fornecedores: 16% Articulistas: 11% Entidades, Universidades, Centro de P&D e Governo: 5%

Fornecedores: 16%

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Produtores: 37%: Diretores 22%: Gerentes 41%: Todos os níveis de Supervisão

Articulistas: 18% Entidades, Universidades, Centro de P&D e Governo: 12%

16% 18% 54% 12%

Produtores: 19%: Diretores 32%: Gerentes 49%: Todos os níveis de Supervisão

GARANTIA REAL DE IMPRESSÃO E VEICULAÇÃO:

Como prova efetiva da tiragem e distribuição realizada, disponibilizamos ao anunciante, cópias das notas fiscais e dos documentos de cobrança e de pagamento da impressão da Gráfica e do despacho dos Correios, além de relatórios quantitativo e percentual da distribuição por tipo de empresa, estados e regiões geográficas do país. Também disponibilizamos aos Anunciantes visitas de auditoria, sem prévio aviso ou agendamento, para comprovação física dos sistemas operacionais e de distribuição das Revistas Opiniões. Sucroenergético: 63%: Sudeste 8%: Sul 1%: Norte 12%: Nordeste 13%: Centro-Oeste 3%: DF

Florestal:

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Sul Norte Nordeste Centro-Oeste DF


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Opiniões


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a limpeza da bacia de inundação em

usinas hidrelétricas

os modelos de negócios florestais evoluíram, desde a prática da exploração ordenada e a silvicultura de produção intensiva até as sofisticadas produções de clones de diversas espécies "

André Germano Vasques

Gerente de Operações da Foxx Haztec

Com as suas raízes no extrativismo, os modelos de negócios florestais evoluíram, desde a prática da exploração ordenada e a silvicultura de produção intensiva até as sofisticadas produções de clones de diversas espécies, e ainda podem ser considerados processos recentes os programas de uso múltiplo e sustentável das formações florestais nativas, como a exploração não madeireira e o ecoturismo, incluindo o mercado do carbono, de RAD – Recuperação de Áreas Degradadas, de áreas de compensação de Reserva Legal e de áreas de conservação da biodiversidade. Dos diversos novos mercados para os negócios florestais, um, em especial, tem crescido de forma relevante ao longo da última década, com evolução em técnicas, tecnologia e capacidade de gestão especializada, ou seja, os serviços destinados à limpeza das bacias de inundação nas obras das UHE – Usinas Hidrelétricas. Diante do contexto da necessidade de serviços ambientais específicos, visto a limpeza da bacia de inundação, a supressão da vegetação, ser uma condicionante ambiental para promover a qualidade da água do reservatório, melhor operacionalidade da usina hidrelétrica e o aproveitamento da madeira comercial, tal atividade tornou-se primordial no contexto da engenharia de implantação das obras de UHE – Usinas Hidrelétricas. Assim sendo, há uma sinalização de oportunidade com considerável atratividade, visto que o Ministério de Minas e Energia – MME,

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conforme publicação no Diário Oficial da União, em 29 de dezembro de 2015, a Portaria nº 555, de 28 de dezembro de 2015, aprovou o Plano Decenal de Expansão de Energia – PDE 2024. De acordo com o plano, para o período 2014 a 2024, está prevista uma ampliação de 55,3% na capacidade instalada de geração de energia elétrica, que subirá de 132,9 GW para 206,4 GW, e investimentos da ordem de R$ 1,4 trilhão para diversas modalidades de geradores, instituindo uma planificação de 23 usinas hidrelétricas na região amazônica. Esse novo mercado compreende mais que a logística meramente pela aplicação de técnicas e recursos diversos, necessitando uma visão holística do contexto de grandes obras, compreendendo o PBA – Plano Básico Ambiental, seus cronogramas exíguos e orçamentos determinados. Portanto os serviços para a limpeza da bacia de inundação em usinas hidrelétricas depreendem da alta performance, o que implica, como negócio, uma estratégia combinada entre “eficiência operacional” e “especialização” e que tem como axioma o cronograma vinculado ao start up da usina hidrelétrica, derivado do contrato de concessão com o Ministério de Minas e Energia e empreendedor, sempre rigoroso e extremamente exíguo. Isso caracteriza, de forma condicional, serviços com alta eficiência operacional nos processos definidos e requeridos pelas condicionantes do licenciamento ambiental, a ASV – Autorização de Supressão da Vegetação. A atratividade para esse negócio especializado despontou no início dos anos 2000, com a retomada da implantação de UHE – Usinas Hidrelétricas. Inicialmente, devido à baixa competitividade e à alta atratividade do negócio e, também, ao imediatismo das obras, as empresas do setor da construção civil pesada e de terraplanagem entraram no negócio realizando as execuções de limpeza de áreas de florestas, ;


Opiniões ou a supressão vegetal em obras de Usinas Hidrelétricas. Entretanto foram gradativamente compreendendo que a atividade exigia alta especialização em uma combinação de eficiência operacional e diferenciação. Ainda, o preceito legal do licenciamento e dos próprios contratantes evidenciaram a necessidade de registrar e de ter a conduta técnica homologada, o que resultou na exigência da respectiva ART – Anotação de Responsabilidade Técnica pertinente, fundamentando a atividade como um serviço florestal. Isso veio provocar uma abertura e uma oportunidade para as empresas especializadas no segmento de gestão e execução de serviços florestais ambientais e nas que já atuavam na exploração ou na logística da colheita nas formações de florestas na Região Amazônica, onde se situam as grandes obras da última década. No tocante à gestão estratégica, a análise da concorrência teorizada por Michel Porter², através das disciplinas estratégicas aplicadas no contexto desse novo negócio para a empresa florestal, fica evidente o enquadramento do “Escopo Competitivo” em um mercado específico (nicho) ou de “Alvo Estreito”, sendo a “Vantagem Competitiva” atendida pela combinação do foco em baixo custo e foco na diferenciação, consistindo em uma “Estratégia Especialização” para atender às características e especificidades dos serviços requeridos. O fator decisivo ou o diferencial competitivo estará na capacidade de atender com precisão aos requisitos da ASV – Autorização de Supressão Vegetal, vinculada às variáveis estratégicas que compreendem o grupo de fatores cruciais para o arranjo técnico-operacional: 1. o cronograma, prazo; 2. o escopo da operação em relação à destinação de resíduos (enterro,queima e enterro, retirar para as APPs ou espalhamento); 3. a tipologia florestal; 4. a topografia do terreno; 5. as condições de distância e de acessibilidade às áreas. Esses fatores de ordem estratégica é que irão determinar as necessidades técnicas para o atendimento aos objetivos operacionais, ou sejam, as metas de produção, a produtividade mínima requerida.

Com vistas ao âmbito da disciplina estratégica, a especialização compreenderá o atingimento de eficiência operacional, o desempenho na execução, no avanço operacional e no atendimento das condicionantes estratégicas, e tal índice é variável em acordo também com a estação do ano, que, na região Norte e Centro-Oeste, tem o período das secas (verão) e o período das chuvas (inverno), o que exige postura tática e operacional diferenciada. Através de uma composição de dados primários básicos, foi gerada a tabela em destaque, onde alguns indicativos foram obtidos de forma direta, com base no número de dias operacionais e nas áreas executadas, ou seja, valores preliminares e expeditos , mas que demonstram a atual capacidade de atendimento e avanço de operações para a supressão vegetal em limpeza das bacias de inundação em seis cases de implantação de Usinas Hidrelétricas. A eficiência operacional tem variações significativas e, conforme a tabela, para o período seco, tem um mínimo evidenciado de 3,35 hectare/dia de avanço, chegando a 6,70 hectares/dia. Já no período das chuvas, a eficiência no avanço tem, como mínimo, 1,90 hectare/dia até o valor de 2,80 hectares/dia. Esses valores são referenciais e indicam a necessidade de aprimoramento nos processos e, notadamente, a consideração de variáveis como o escopo operacional, a formação florestal (tipologia florestal) e a topografia regional, além de outras variáveis condicionais, para uma perspectiva de melhor implementação desse novo negócio. Considerando, ainda, as expectativas e as necessidades de melhor compreender os processos para os serviços de supressão vegetal, as oportunidades ainda estão alinhadas, além das obras em Usinas Hidrelétricas, na abertura das linhas de transmissão e na manutenção das mesmas, o que caracteriza outra linha de negócio com processos específicos na logística e no padrão de desempenho, sendo um novo desafio para as empresas de serviços florestais ambientais. n

RENDIMENTO MÉDIO OPERACIONAL EM SUPRESSÃO VEGETAL EMPREENDIMENTO CURSO LOCALIZAÇÃO ÁREA DE PERÍODO DE EXECUÇÃO RENDIMENTO MÉDIO UHE DE ÁGUA MUNICÍPIO SUPRESSÃO OPERACIONAL PROVEDOR ESTADO VEGETAL*ha INÍCIO FINAL DIAS PERÍODO ha/DIA Serra do Facão-GO Rio São Marcos Estreito-MA Rio Tocantins Jirau-RO Rio Madeira Santo Antônio-RO Rio Madeira Teles Pires-MT Rio Teles Pires Colíder-MT Rio Teles Pires

Rio S.Marcos Rio Tocantins Rio Madeira Rio Madeira Rio Teles Pires Rio Teles Pires

Catalão GO Estreito MA Porto Velho RO Porto Velho RO Paranaita MT Nova Canaã N MT

4.040

Abr/09

Abr/10 286

8.900

Fev/09

Out/10 440

11.000

Jun/10

Dez/12 660

12.500

Out/09

Nov/11 572

5.900

Jul/13

Fev/15 440

8.500

Ago/14

Fev/16 290

Seco Chuvoso Seco Chuvoso Seco Chuvoso Seco Chuvoso Seco Chuvoso Seco Chuvoso

5,60 2,10 3,35 1,90 3,95 1,90 6,70 2,60 3,90 2,10 5,60 2,80


ensaio especial

Opiniões

as novas fronteiras:

superações e realidade

De tempos em tempos, a silvicultura brasileira migra para novas fronteiras. Essas corridas se dão, quase sempre, em função do contínuo crescimento de setores industriais, mais destacadamente, os de celulose ou de chapas. A história tem mostrado que o crescimento das indústrias tem acontecido de forma cíclica. Mais ou menos, a cada 10 anos, a capacidade produtiva das grandes indústrias, quase duplica. Os novos ciclos de crescimento, no entanto, já se tornaram proibitivos nas regiões mais desenvolvidas. E essa situação tem sido agravada com a impossibilidade de se aumentarem as áreas de florestas no entorno das grandes unidades consumidoras de madeira.

Esse cenário torna inevitável a corrida para novas fronteiras. Essa corrida pode se dar por iniciativa da própria indústria consumidora de madeira, com objetivos e prazos bem definidos, ou através de empreendedores florestais na busca de novas oportunidades de negócio. A silvicultura brasileira, campeoníssima em produtividade, está assentada em regiões com grande lastro de informações técnicas e com procedimentos operacionais bem definidos. No entanto esse pacote tecnológico não pode ser levado às novas fronteiras sem as devidas adequações. Quando a silvicultura vai na frente com pesquisas e experimentações, as migrações se dão sem sobressaltos, e os novos empreendimentos não sofrem solução de continuidade. Até os eventuais investidores, que seguem a trilha e que, normalmente, não querem investir em pesquisas, também se beneficiam. Quando chegam, encontram as informações necessárias para atender às demandas básicas. Foi assim nas regiões de Minas Gerais, sul da Bahia, Mato Grosso do Sul, nos pampas gaúchos e, mais recentemente, no Maranhão. ;

é fundamental o acompanhamento de profissionais experientes, com capacidade de observar e avaliar os detalhes dos trabalhos de campo. As florestas dão todos os sinais para quem entende e é do ramo. "

Nelson Barboza Leite

Diretor da Teca e Daplan Serviços Florestais

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Opiniões


ensaio especial Essa corrida, com a indústria consumidora de madeira indo na frente e fazendo pesquisa, diminui, significativamente, o risco, pois gera informações e dá sustentação à fase crítica do pioneirismo. O processo de desenvolvimento ainda pode se consolidar, com mais rapidez, quando políticas governamentais participam do processo, criando mecanismos atrativos às grandes indústrias consumidoras. O Mato Grosso do Sul é um exemplo a ser seguido. Nas décadas de 1980 e 1990, havia muitas dúvidas a respeito de materiais genéticos, adubação, etc. Florestas de baixa produtividade e muitas florestas se perdendo pelo intenso ataque de formiga. O polo florestal só se consolidou, de fato, quando o governo estadual despertou para as potencialidades do setor e criou condições favoráveis ao estabelecimento das indústrias. Esse exemplo precisa ser conhecido e seguido por outras regiões pioneiras. No entanto, quando a corrida para novas fronteiras se dá por empreendedores florestais desvinculados de projetos industriais, o assunto exige cuidados complementares. Os que vão, na verdade, unicamente, com o objetivo de transformar seus futuros ativos florestais em grandes negócios podem se frustrar. As necessidades do curto prazo dificultam as ambições de médio e longo prazo. Partir na frente para usufruir-se das oportunidades disponíveis exige sempre “um mínimo” de investimentos em estratégias operacionais para superar as dificuldades e incertezas técnicas iniciais. Não havendo limitações insuperáveis, as adversidades técnicas e operacionais se resolvem. Mas há de se ter, no entanto, tempo e consciência de que os trabalhos iniciais são imprescindíveis para observações e pesquisas. Só assim, e com contínuas adequações, a silvicultura consegue amadurecer progressivamente os procedimentos operacionais do dia-a-dia. E essa fase inicial, rica em informações, mas cercada de erros e acertos, pode se transformar em grande desconforto aos interesses de curto prazo. A silvicultura é, essencialmente, uma atividade de médio e longo prazo, e, numa região sem informação técnica, o curto prazo precisa ser cautelosamente trabalhado. Sempre é muito rico em descobertas e é inevitável e crucial para a definição dos procedimentos operacionais. É, na verdade, o “grande professor” e a chave do sucesso dos empreendimentos de médio e longo prazo. As corridas que se deram, nos últimos anos, para as novas fronteiras mostraram que há regiões com condições totalmente impróprias à silvicultura. São limitações, normalmente, de clima ou de solo, ou de ambos. E, nesses casos, a combinação da biologia e da matemática se torna inviável.

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Opiniões A natureza fala mais alto, e não dá para avançar com os riscos insuperáveis. Quem se aventura nessas regiões abusa dos riscos, e as aparentes oportunidades se transformam em intolerável pesadelo. Quase sempre são aventureiros que não respeitam as limitações biológicas. No entanto há regiões que apresentam dificuldades controláveis, e a viabilização da silvicultura só vai depender de pesquisas e experimentações. É fundamental, nesses casos, o acompanhamento de profissionais experientes, com capacidade de observar e avaliar os detalhes dos trabalhos de campo. As florestas dão todos os sinais para quem entende e é do ramo. Há fortes indícios de que, nessas regiões, estarão concentrados os grandes empreendimentos para dar sustentabilidade ao crescimento da indústria florestal brasileira. Há espaço, não há competição com a produção de alimentos, não há conflitos sociais, nem limitações ambientais. E, em muitos casos, as condições naturais facilitam, sobremaneira, o estabelecimento de logística bastante favorável. As dificuldades iniciais dos trabalhos silviculturais por falta de informações técnicas mais precisas, à semelhança de outras oportunidades, constitui desafio técnico superável, a médio e longo prazo. E o mais interessante é a existência de casos concretos, mostrando os passos estratégicos para a viabilização da silvicultura nessas áreas. Entre algumas regiões com possibilidades de expansão, o estado do Tocantins, nos dias atuais, representa um bom exemplo de “nova fronteira”. Nesse estado, a silvicultura está se refazendo com novos conceitos e novos procedimentos. Muitos empreendimentos se instalaram nos últimos anos em diversas regiões daquele estado. Alguns foram paralisados por diferentes razões, mas há vários exemplos mostrando os caminhos e os atalhos a serem seguidos. As dificuldades técnicas encontradas, aliadas à crise econômica do País, limitaram o acelerado crescimento, que vinha acontecendo no estado, em anos anteriores. No entanto muitas experiências que vinham sendo bem conduzidas, mesmo interrompidas, evidenciaram os cuidados essenciais que devem ser adotados nos procedimentos da silvicultura regional. Com certeza, a médio prazo, os que não se abateram com as dificuldades iniciais usufruirão, de fato, das riquezas dessa nova fronteira. Vamos torcer para que os governantes percebam as potencialidades da atividade e a grande oportunidade para se promover um grande polo de desenvolvimento florestal e industrial naquele estado. Quanto às políticas públicas indispensáveis para sua viabilização, não precisa inventar. É só conhecer e aplicar o que foi feito com muito sucesso no Mato Grosso do Sul. n




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