A integração da lavoura-pecuária-floresta - OpCP40

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Opiniões www.RevistaOpinioes.com.br

ISSN: 2177-6504

FLORESTAL: celulose, papel, carvão, siderurgia, painéis e madeira ano 12 • número 40 • Divisão F • jun-ago 2015

a integração da lavoura-pecuária-floresta




índice

a integração da lavoura-pecuária-floresta Editorial Especial:

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Vanderley Porfírio-da-Silva

Pesquisador e Chefe adjunto para transferência de tecnologia da Embrapa Florestas

Ensaio Especial:

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Maurel Behling

Pesquisador de Sistemas Integrados de Produção - iLPF da Embrapa Agrossilvipastoril

Transferência de Tecnologia:

8 12

Ronaldo Pereira de Andrade

Pesquisador - Secretaria de Negócios da Embrapa

Lineu Alberto Domit

Pesquisador e Chefe adjunto de transferência de tecnologia da Embrapa Agrossilvipastoril

Pesquisadores:

14 17 20 22 24 26 28 30 32 34

Ramon Costa Alvarenga

Pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo

Lourival Vilela

Pesquisador da Embrapa Cerrados

João Kluthcouski

Pesquisador da Embrapa Cerrados

Renato Serena Fontaneli Pesquisador da Embrapa Trigo

Davi José Bungenstab

Pesquisador da Embrapa Gado de Corte

Domingos Sávio Campos Paciullo Pesquisador da Embrapa Gado de Leite

Flávio de Jesus Wruck

37 40 42 45 48 50

Roberto Giolo de Almeida

Pesquisador da Embrapa Gado de Corte

Fabiana Villa Alves

Pesquisadora da Embrapa Gado de Leite

Luiz Adriano Maia Cordeiro Pesquisador da Embrapa Cerrados

Gladys Beatriz Martinez

Pesquisadora da Embrapa Amazônia

Marcos Lopes Teixeira Neto

Pesquisador da Embrapa Meio-Norte

José Henrique de Albuquerque Rangel Pesquisador da Embrapa Tabuleiros Costeiros

Pesquisador da Embrapa - Arroz e Feijão

Produtor Rural:

Patricia Perondi Anchão Oliveira

Pesquisadora da Embrapa Pecuária de Corte

Julio Cezar Franchini

Pesquisador da Embrapa Soja

Júlio Cesar Salton

Pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste

53 55

Marize Porto Costa

Produtora rural - Fazenda Santa Brígida

Leonardo de Oliveira Resende Produtor Rural - Fazenda Triqueda

Editora WDS Ltda e Editora VRDS Brasil Ltda: Rua Jerônimo Panazollo, 350 - 14096-430, Ribeirão Preto, SP, Brasil - Pabx: +55 16 3965-4600 - e-Mail Geral: Opinioes@RevistaOpinioes.com.br n Diretor Geral de Operações e Editor Chefe: William Domingues de Souza - 16 3965-4660 - WDS@RevistaOpinioes.com.br nGerente Nacional de Marketing: Valdirene Ribeiro Souza - Fone: 16 3965-4606 - VRDS@RevistaOpinioes.com.br nExecutivo de Contas Especiais: Fábio Soares Rodrigues - 16 3965-4616 - Celular: 16 99777-7919 - FR@RevistaOpinioes.com.br nVendas: Lilian Restino - 16 3965-4696 - LR@RevistaOpinioes.com.br • Priscila Boniceli de Souza Rolo - Fone: 16 99132-9231 - boniceli@globo.com nApoio de Vendas: Amanda Vaz - AV@RevistaOpinioes.com.br • Francine da Mata Silva - FM@RevistaOpinioes. com.br n Assistente do Editor Chefe: Fernanda Aparecida da Silva e Silva - 16 3965-4661 - FS@RevistaOpinioes.com.br nJornalista Responsável: William Domingues de Souza - MTb35088 - jornalismo@RevistaOpinioes.com.br nEdição Fotográfica: Priscila Boniceli de Souza Rolo - Fone: 16 99132-9231 - boniceli@globo.com nProjetos Futuros: Julia Boniceli Rolo - 2604-2006 - JuliaBR@RevistaOpinioes.com.br nProjetos Avançados: Luisa Boniceli Rolo - 2304-2012 - LuisaBR@RevistaOpinioes.com.br nConsultoria Juridica: Priscilla Araujo Rocha n Correspondente na Europa (Augsburg Alemanha): Sonia Liepold-Mai - Fone: +49 821 48-7507 - sl-mai@T-online.de nDesenvolvimento de Mercados na Ásia: Marcelo Gonçalez - MG@ RevistaOpinioes.com.br nExpedição: Donizete Souza Mendonça - DSM@RevistaOpinioes.com.br nCopydesk: Roseli Aparecida de Sousa - RAS@RevistaOpinioes.com.br nAgência de Propaganda: Agência Chat Publicom - Fone: 11 5669-2511 - 11 98470-4486 nTratamento das Imagens: Luis Carlos Rodrigues (Careca) nFinalização: Douglas José de Almeida nImpressão: Grupo Gráfico São Francisco, Ribeirão Preto, SP nArtigos: Os artigos refletem individualmente as opiniões de seus autores nFoto da Capa: Marize Porto Costa, Produtora rural - Fazenda Santa Brígida nFoto do Índice: Marize Porto Costa, Produtora rural - Fazenda Santa Brígida nFotos das Ilustrações: Paulo Alfafin Fotografia - 19 3422-2502 - 19 8111-8887 - paulo@pauloaltafin.com.br • Ary Diesendruck Photografer - 11 3814-4644 - 11 99604-5244 - ad@arydiesendruck.com.br • Tadeu Fessel Fotografias - 11 3262-2360 - 11 95606-9777 - tadeu.fessel@gmail.com • Acervo Revista Opiniões e dos específicos articulistas nFotos dos Articulistas: Acervo Pessoal dos Articulistas e de seus fotógrafos pessoais ou corporativos nVeiculação Comprovada: Através da apresentação dos documentos fiscais de pagamento dos serviços de Gráfica e de Postagem dos Correios nTiragem Revista Impressa: 5.500 exemplares nRevista eletrônica: Cadastre-se no Site da Revista Opiniões e receba diretamente em seu computador a edição eletrônica, imagemn fiel da revista impressa nPortal: Estão disponíveis em nosso Site todos os artigos, de todos os articulistas, de todas as edições, de todas as divisões das publicações da Editora WDS, desde os seus respectivos lançamentos nHome-Page: www.RevistaOpinioes.com.br

Conselho Editorial da Revista Opiniões: ISSN - International Standard Serial Number: 2177-6504 Divisão Florestal: • Amantino Ramos de Freitas • Antonio Paulo Mendes Galvão • Celso Edmundo Bochetti Foelkel • João Fernando Borges • Joésio Deoclécio Pierin Siqueira • Jorge Roberto Malinovski • Luiz Ernesto George Barrichelo • Marcio Nahuz • Maria José Brito Zakia • Mario Sant'Anna Junior • Mauro Valdir Schumacher • Moacir José Sales Medrado • Nairam Félix de Barros • Nelson Barboza Leite • Paulo Yoshio Kageyama • Roosevelt de Paula Almado • Rubens Cristiano Damas Garlipp • Sebastião Renato Valverde • Walter de Paula Lima Divisão Sucroenergética: • Carlos Eduardo Cavalcanti • Eduardo Pereira de Carvalho • Evaristo Eduardo de Miranda • Jaime Finguerut • Jairo Menesis Balbo • José Geraldo Eugênio de França • Manoel Carlos de Azevedo Ortolan • Manoel Vicente Fernandes Bertone • Marcos Guimarães Andrade Landell • Marcos Silveira Bernardes • Nilson Zaramella Boeta • Paulo Adalberto Zanetti • Paulo Roberto Gallo • Pedro Robério de Melo Nogueira • Plinio Mário Nastari • Raffaella Rossetto • Roberto Isao Kishinami • Tadeu Luiz Colucci de Andrade • Xico Graziano

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editorial especial

a integração da O aumento da população mundial e o concomitante aumento do consumo per capita deverão impulsionar a demanda global por produtos agrícolas nas próximas décadas, isso, provavelmente, trará implicações sobre o uso da terra. A competição por terra pode superar fronteiras e, mesmo que o aumento de demanda por terras ocorra em uma outra parte do mundo, a pressão para fornecer commodities pode ser deslocada para outro lugar. Estudos mostram que esse deslocamento, que tem sido amplificado pela globalização econômica, se traduz em conversão de novas áreas para agricultura nos países em desenvolvimento. O Brasil é o segundo maior produtor agrícola do mundo, com aumentos previstos na produção para as próximas três ou quatro décadas, maiores do que em qualquer outro país. Portanto, em nenhuma outra parte do globo o conflito sobre o uso da terra tem a magnitude potencial que é observada aqui. O uso da terra para atividades antrópicas é a principal causa da extinção de espécies, ou seja, de diminuição da biodiversidade do planeta, adicionando ainda a emissão de gases de efeito estufa (GEEs) e suas consequências no clima e na produção agropecuária das diferentes regiões do globo. A degradação e a escassez de solos e de águas, que impõem um novo desafio à tarefa de alimentar e de prover abastecimento hídrico a uma população mundial crescente, foram alertadas por um estudo da FAO 2011 (Relatório Solaw) ao apontar que cerca de 25% dos solos do planeta estão degradados (no Brasil, estima-se que, pelo menos, a metade dos 200 milhões de hectares de pastagens existentes estejam com algum grau de degradação) e que os recursos hídricos, especialmente as águas interiores,

estejam em grande risco, devido à diminuição de fluxos e ao aumento da carga de nutrientes (nitrogênio e fósforo) oriundos de atividades agrícolas e do meio urbano. O Relatório Solaw chama a atenção para o fato de que as mudanças climáticas alterarão padrões de temperatura, de precipitação e de regime hídrico, o que pode resultar numa competição global por terra e por água, tanto para uso nas atividades urbanas e da indústria quanto para uso nas atividades rurais, entre pecuária e cultivos (alimentos, fibras, madeira, biocombustíveis e outros). Intensificar a produção nas áreas atualmente sob uso agrícola e/ou pecuário tem sido proposto como uma solução para dirimir o conflito entre a expansão da produção e a conservação de ecossistemas naturais. Tem sido demonstrado que é possível aumentar a eficiência da agricultura e reduzir e/ou mitigar a emissão de GEEs por meio da conservação de recursos naturais e por melhorias na gestão da terra. Em função desse quadro, cresce a importância do estabelecimento de uma estratégia para o desenvolvimento sustentável da agropecuária brasileira do século XXI. Nesse sentido, a pesquisa agropecuária tem trabalhado para possibilitar aos produtores rurais novas formas de produzir com geração de renda, redução de impacto ambiental e a possibilidade de manutenção do homem no campo, o famoso tripé da sustentabilidade: econômico, social e ambiental. A estratégia de integração lavourapecuária-floresta (iLPF) é uma alternativa importante para tais objetivos, porque pode corroborar para aumentar a eficiência do uso da terra e distender a pressão de ações preventivas de grandes

A iLPF pode ser entendida como uma inovação porque modifica os atributos da produção agropecuária, com impacto na forma como ela é percebida pela sociedade. Requer mudanças na forma de produzir e introduz um novo paradigma ao modelo de negócio vigente na agropecuária. "

Vanderley Porfírio-da-Silva

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Pesquisador e Chefe adjunto para transferência de tecnologia da Embrapa Florestas


Opiniões

lavoura-pecuária-floresta potências agrícolas (mesmo aquelas que, sabidamente, destruíram suas florestas em maior proporção que o Brasil) na forma de barreiras não tarifárias. As barreiras ambientais, por terem um imenso poder de sensibilizar a opinião pública mundial, serão, certamente, utilizadas pelos competidores do agronegócio brasileiro. A iLPF pode ser entendida como uma inovação porque modifica os atributos da produção agropecuária, com impacto na forma como ela é percebida pela sociedade. Requer mudanças na forma de produzir e introduz um novo paradigma ao modelo de negócio vigente na agropecuária. A inserção do componente arbóreo na agropecuária atende tanto a seus aspectos ambientais quanto a produtivos. Na pecuária a pasto, a combinação intencional de árvores, pasto e gado, numa mesma área e ao mesmo tempo, tem se mostrado uma opção tecnológica para a produção animal. Tecnicamente, essa forma de combinar árvores com a pecuária é chamada de sistema silvipastoril. Áreas ou parcelas onde a combinação é de cultivos agrícolas com árvores constituem uma integração “lavoura-floresta” ou, tecnicamente, silviagrícola. A conversão das formas monoculturais (dominante) de uso da terra para policulturais, em especial introduzindo o componente arbóreo nas formas agrícolas e pastoris (“levando” a árvore para a lavoura e/ou, para a pastagem), deve ser entendida como um processo de “modificação” do padrão vigente de uso das terras, onde a “novidade” (árvore) deve ser incorporada pela forma dominante (lavouras e/ou, pastagens), de modo que permita a mudança gradativa (transição amena) de um paradigma produtivo para outro, ambientalmente mais ajustado e mais complexo. Sumariamente, a iLPF pode promover a diversificação da atividade agrícola e/ou pastoril e florestal, com melhor utilização dos recursos ambientais; constituir uma alternativa ao plantio de árvores comerciais, capaz

de permitir a introdução da atividade florestal com continuidade de atividades agrícolas e/ou pastoris nas terras cujo potencial agropecuário é alto, sem, com isso, deslocar as atividades agropecuárias – ao contrário, mantendo-as em bases sustentáveis; criar paisagens originais, que possam favorecer atividades de agroturismo e de promoção da agrobiodiversidade; mitigar a emissão de GEEs, e favorecer o bem-estar animal a campo. Será importante para produzir madeiras que possam substituir as madeiras extraídas de florestas naturais, que se tornarão cada vez mais escassas e de acesso limitado. Espécies de árvores que são pouco utilizadas nos plantios comerciais tradicionais, mas que possuem elevado valor, poderão ser plantadas em iLPF. Áreas arborizadas têm um potencial verdadeiramente inovador de paisagismo e pode melhorar a imagem pública da agropecuária. Isso será particularmente importante para regiões onde as propriedades rurais são pouco ou nada arborizadas. A presença de árvores constitui um estrato fixador de carbono atmosférico acima do solo e favorece novos nichos e habitats para o aumento da biodiversidade. A proteção das culturas por sua associação com árvores, escolhidas para estimular o controle biológico em populações nas lavouras e pastagens, é uma promissora via para o futuro. Essas características estão alinhadas com muitos objetivos da legislação ambiental e de normativas de boas práticas agropecuárias e florestais, bem como corroboram para a mudança do uso das terras. Particularmente, pode contribuir para com os objetivos da Política Pública de iLPF (Lei Federal nº 12.805, de 29/04/2013) e para o Plano Setorial de Mitigação e de Adaptação às Mudanças Climáticas para a Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura – Plano ABC – do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento em seus objetivos e questionamentos internacionais.

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transferência de tecnologia

Opiniões

rede de fomento em

ilpf

As previsões indicam que, em 2050, a população mundial atingirá mais de nove bilhões de pessoas, e a produção de alimentos para essa população é o principal desafio da agricultura mundial nos próximos decênios. "

Ronaldo Pereira de Andrade

Pesquisador - Secretaria de Negócios da Embrapa

As previsões indicam que, em 2050, a população mundial atingirá mais de nove bilhões de pessoas, e a produção de alimentos para essa população é o principal desafio da agricultura mundial nos próximos decênios. Acrescente-se a esse desafio que o esforço na produção de alimentos deverá ocorrer em um cenário de mudanças climáticas que afetam a produtividade agrícola e que a sociedade atual não mais aceita a expansão de áreas agrícolas, através de desmatamento da vegetação nativa, como alternativa para o aumento da oferta de alimentos. Conforme indicado por diversos organismos internacionais, o Brasil deverá ser um dos principais protagonistas nesse esforço mundial de produção de alimentos. Esse protagonismo irá requerer a intensificação

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transferência de tecnologia tecnológica dos sistemas de produção agrícola considerando maior eficiência no uso dos recursos naturais, a não expansão de fronteiras agrícolas, a atenção às demandas sociais dos atores envolvidos nas cadeias de produção agrícola, o atendimento de exigências de consumidores finais quanto à qualidade de alimentos e a viabilidade econômica dos empreendimentos rurais. Nesse contexto, da necessidade de intensificação sustentável da agricultura brasileira, se destacam os sistemas integrados de produção como o iLPF, que permitem a exploração de lavouras, pecuária e florestas em uma mesma propriedade com uma série de benefícios biológicos, ambientais, sociais e econômicos para a exploração agrícola. No Brasil, a adoção de sistemas iLPF pode representar uma importante quebra de paradigmas em termos de agricultura tropical mundial na medida em que esses sistemas propiciam maior eficiência e sinergismo na utilização dos fatores de produção na propriedade, resultando em expressivos aumentos na produção de grãos, carne ou leite, energia e madeiras. Por exemplo, a utilização de sistemas iLPF para recuperação e incorporação ao sistema produtivo de uma área estimada de 60 milhões de hectares de pastagens degradadas indica que a expansão da produção agrícola brasileira pode ser alcançada sem a necessidade de desmatamento e abertura de novas áreas. Sistemas integrados também desempenham importante papel na mitigação de emissões de gases de efeito estufa, e a expansão de áreas com iLPF foi incluída no Plano de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono, ou Plano ABC, como uma das estratégias para cumprimento das metas de redução de emissão de gases assumidas pelo Brasil na Conferência das Partes (COP-15). Sistemas iLPF envolvem a utilização intensiva de tecnologia, e, embora adequados tanto para agricultura empresarial quanto para agricultura familiar, a sua adoção dependerá da existência de assistência técnica especializada em sistemas integrados e da disponibilidade de recursos financeiros. Embora exista um expressivo acervo de conhecimento e tecnologias para sistemas agrícolas convencionais, a sua utilização em sistemas de iLPF não é um processo direto. Assim, a adaptação, a geração e a transferência de novas tecnologias adequadas para iLPF são prioridades no portfólio de pesquisas da Embrapa. Ações de transferência de tecnologia (TT) em iLPF devem tomar em consideração que sistemas integrados apresentam maior complexidade e também que são amplas as possibilidades de combinações temporais e espaciais entre lavoura, pecuária e florestas em uma propriedade agrícola. Outra possível limitante para ações de TT é que, de maneira geral, o perfil técnico dos profissionais envolvidos com assistência técnica e extensão rural tende a ser o de especialização, carecendo da visão holística de sistemas, necessária para atuação em propriedades que adotem iLPF. Dessa maneira, é possível antever que TT para estimular a adoção de sistemas iLPF exigirá ações coordenadas das competências dos setores público e privado envolvidos no agronegócio brasileiro. A Embrapa sempre adotou o estabelecimento de parcerias público-privadas (PPP) em suas ações de P&D e TT, sendo reconhecidos, por exemplo, o sucesso de parcerias estabelecidas com fundações e associações de pro-

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Opiniões dutores de sementes para desenvolvimento de cultivares de diversas espécies. Seguindo essa linha de atuação, a Embrapa vem adotando, em âmbito local, regional e nacional, diversas parcerias com a iniciativa privada para implementação de ações de TT em sistemas iLPF. A Rede de Fomento iLPF é uma parceria público-privada, estabelecida, em 2012, entre a Embrapa, a John Deere, a Syngenta e a Cooperativa Agroindustrial do Paraná (Cocamar), com o objetivo principal de apoiar as ações de TT que fomentassem o uso de sistemas de iLPF na agricultura brasileira. Posteriormente, as empresas Parker e Dow AgroSciences também ingressaram na Rede de Fomento iLPF. Nessa PPP, que tem a coordenação técnica da Embrapa, os parceiros privados aportam recursos financeiros e agregam expertise técnica, administrativa e de gestão, propiciando maior dinâmica e agilidade nas ações de TT em iLPF realizadas em todo o território nacional pelos Centros de Pesquisa da Embrapa. Dessa maneira, setor público e privado atuam conjuntamente para a expansão do uso de iLPF, em uma iniciativa de importância estratégica para a agricultura brasileira e também de grande apelo ambiental, social e econômico. Os principais objetivos da Rede de Fomento iLPF são: 1. fomentar o desenvolvimento e a utilização de sistemas iLPF em propriedades de pequeno, médio e grande porte; 2. contribuir para a formulação e a implementação de ações de transferência de tecnologia em iLPF; 3. apoiar a capacitação e o treinamento de profissionais para assistência técnica e transferência de tecnologia em sistemas de iLPF; 4. estimular e promover atividades de pesquisa aplicada e adaptativa, bem como ações educacionais e de impacto cultural relacionados à iLPF; 5. participar na formulação de políticas públicas direcionadas à utilização de sistemas integrados que visem à intensificação sustentável da agricultura brasileira. O processo de gestão da Rede de Fomento é participativo, e a governança da Rede é feita através de dois colegiados. A Assembleia Geral, que tem a participação de altos diretivos da Embrapa e das empresas participantes, é o principal colegiado da Rede Fomento e responsável pelas decisões de caráter estratégico. O Conselho Gestor, composto paritariamente por representantes da Embrapa e das empresas privadas, é o colegiado responsável pelas decisões táticas e operacionais da Rede. A Fundação Eliseu Alves é responsável pela gestão administrativo-financeira dos recursos aportados e pela implementação das decisões do Conselho Gestor. O planejamento de atividades e de alocação de recursos é realizado para cada ano agrícola, e, atualmente, a Rede de Fomento apoia as ações de TT em iLPF da Embrapa, como a Rede Nacional de Unidades de Referência Tecnológica (URT) em iLPF e as ações de TT (dias de campo, capacitação continuada, cursos, reuniões técnicas, palestras e visitas) realizadas nessas URTs e um projeto de Comunicação em iLPF. A Rede também apoia as ações de um projeto de Sistematização de Informações geradas nas URTs, que tem como objetivo a avaliação da adoção de sistemas iLPF e dos impactos ambientais, econômicos e sociais desses sistemas. Também é objetivo desse projeto a análise estratégica das possibilidades de expansão de sistemas iLPF nos diversos biomas brasileiros.


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transferência de tecnologia

transferência de tecnologia em ilpf Coautores: Luiz Carlos Balbino, Gladys Beatriz Martinez e Paulo Roberto Galerani, pesquisadores da Embrapa.

são inúmeros os arranjos possíveis dos componentes dos sistemas de iLPF, adequando-os a cada condição local, podendo, inclusive, variar dentro de uma mesma propriedade "

Lineu Alberto Domit

Pesquisador e Chefe adjunto de transferência de tecnologia da Embrapa Agrossilvipastoril

Os Programas de Transferência de Tecnologia (TT) em integração lavoura-pecuária-floresta (iLPF) necessitam considerar a complexidade desses sistemas para que efetivamente tenham sucesso. A iLPF é um conjunto de práticas e tecnologias, nos âmbitos agrícola, pecuário e florestal, que interagem entre si e de forma diferente, dependendo das regiões e biomas, condições que devem ser ponderadas na transferência de tecnologia dos sistemas. Essas características da iLPF estão tanto nos aspectos técnicos como comportamentais dos produtores e técnicos. Um produtor que adote a iLPF necessita conhecer a produção de grãos, a pecuária e a silvicultura, atividades muito específicas. Os produtores de grãos têm toda sua infraestrutura adequada à produção agrícola, e os pecuaristas, em geral, pouco conhecem de produção de grãos, e ambos desconhecem a produção florestal. A necessidade de dominar e de gerenciar as três atividades ao mesmo tempo, aliada à necessidade de infraestruturas diferentes para as operações, tem sido, possivelmente, um dos maiores entraves para a adoção mais ampla da iLPF. Contudo são inúmeros os arranjos possíveis dos componentes dos sistemas de iLPF, adequando-os a cada condição local, podendo, inclusive, variar dentro de uma mesma propriedade. Além disso, o sistema é dinâmico, ou seja, a exploração agrícola pode rotacionar com a pastagem, intercalando os renques arbóreos, o que permite ao produtor uma diversificação na produção rural.

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O processo de transferência de conhecimentos e tecnologias em sistemas produtivos complexos e interativos, que abrangem múltiplas variáveis no médio e no longo prazo, como os sistemas iLPF, também requer uma abordagem abrangente e que considere as especificidades locais, como infraestrutura e mercado. Como muitos conhecimentos são gerados pelas experiências dos próprios agricultores, a integração entre os atores permite produzir inovações apropriadas, encurtando, assim, o tempo para a sua adoção. Por isso, os métodos de TT para iLPF necessitam de criatividade, ou seja, adaptabilidade em diversas regiões e de acordo com os perfis dos diferentes produtores, sejam eles empreendedores rurais, agricultores familiares ou assentados da reforma agrária. Além disso, dadas as características dos diversos sistemas iLPF, é primordial a formação e a implementação de uma rede de informações técnico-científicas como principal elemento catalisador e propulsor do processo de inovação. Em razão do forte envolvimento de atores do setor produtivo, técnicos e pesquisadores, os métodos de transferência de conhecimentos e tecnologias devem ser norteados pelo envolvimento e pela participação desses atores.


Opiniões Dessa forma, além das ferramentas comuns de TT, alguns condicionantes e estratégias são especialmente impactantes na transferência de conhecimentos e tecnologias nos projetos de iLPF, como é o caso da capacitação continuada de agentes de assistência técnica e extensão rural e da implementação das Unidades de Referência Tecnológica (URTs). Capacitação de técnicos e URTs: No que se refere aos fatores tecnológicos ligados ao conceito e à eficiência de TT, prioritariamente, a metodologia conhecida como capacitação continuada tem se mostrado a mais adequada e completa das metodologias de TT. A capacitação continuada pressupõe a formação de redes institucionais, sistêmicas e contínuas, envolvendo, de forma participativa, a pesquisa, a assistência técnica pública e privada, os empreendedores rurais e os parceiros estratégicos, com o objetivo de capacitar agentes multiplicadores. Ligadas a essa metodologia estão as URTs. Trata-se de um modelo físico de sistema de produção, implantada em área pública ou privada, visando à validação, à demonstração e à transferência das tecnologias geradas, adaptadas e/ou recomendadas pela pesquisa, considerando as peculiaridades de cada região. Essas unidades são utilizadas como importante ferramenta para a capacitação dos agentes multiplicadores e também para a estruturação de uma rede de instituições, profissionais e conhecimentos. Assim, as URTs imprimem capilaridade suficiente para disseminar os conceitos inerentes à iLPF: transferir os sistemas e as tecnologias necessários e adequados a cada ecorregião e promover a inovação e a sustentabilidade agrícola. A URT iLPF objetiva reproduzir sistemas de produção diversificados de grãos, fibra, carne, leite, lã, produtos florestais, dentre outros, realizados na mesma área, em plantio consorciado, em sucessão ou rotação, porém em escala reduzida. Os sistemas são implantados de forma a maximizar a utilização dos ciclos biológicos das plantas, dos animais e de seus respectivos resíduos, assim como efeitos residuais de corretivos e nutrientes, minimizar/aperfeiçoar a utilização de agroquímicos, aumentar a eficiência no uso de máquinas, equipamentos e mão de obra. Com esse propósito, a URT induz ao desenvolvimento de uma estratégia produtiva adaptada às peculiaridades de cada propriedade rural. Em vez de ser “o modelo” para a região, é uma referência tecnológica de uso dos recursos da região de forma integrada e sustentável. Ao estabelecer exemplos de funcionamento dos sistemas de produção e das tecnologias mais adequadas às condições locais, favorece a adoção de novas técnicas, atitudes e/ou comportamentos, fato que implica mudanças na visão dos produtores e dos técnicos e sua relação com o meio de produção.

A decisão de implantar uma URT iLPF ocorre a partir de um problema, necessidade, oportunidade ou demanda regional que esteja diagnosticada por produtores e/ou profissionais da área. Sua implementação pode ser dividida em cinco etapas: a) diagnóstico; b) planejamento; c) instalação; d) condução e avaliação; e) ações de TT. A implementação de URTs iLPF como unidades táticas de TT acontece com a participação de parceiros, os quais são envolvidos desde o diagnóstico até a comunicação de resultados e ações de TT. Como processo, essas etapas são interdependentes e concorrem para o resultado final. Na elaboração do diagnóstico, são consideradas atentamente a identificação e a escolha do produtor e da área da propriedade rural; a caracterização da região e dos recursos naturais e produtivos; e a descrição dos sistemas de produção mais comuns. Após realizar a análise e a interpretação dos dados, identificando os principais problemas levantados e determinando a aptidão da unidade de produção, são definidas as tecnologias a serem validadas/transferidas e identificados os principais parceiros a serem envolvidos no processo. A condução de uma URT iLPF é efetuada mediante avaliações periódicas dos sistemas de produção utilizados. Esse acompanhamento visa garantir o adequado desenvolvimento dos diversos componentes. Muitas dessas ações de transferência de tecnologia já são desenvolvidas nas diversas regiões brasileiras, onde centenas de URTs estão sendo conduzidas, formados grupos de técnicos do processo de capacitação continuada e acontecendo os dias de campo, cursos, seminários, workshops, visitas técnicas. Tudo isso ocorrendo de forma integrada e participando de forma direta para a ampliação da área com iLPF no Brasil. Exemplo marcante disso é o estado de Mato Grosso, onde existem 11 URTs distribuídas em todo o estado, formados oito grupos regionais de capacitação continuada de técnicos (assessores e consultores), que contam, em média, com 15 participantes, e também desenvolvidas, anualmente, diversas atividades de TT. Com isso, estima-se que a área com iLPF em Mato Grosso passará dos 10 mil hectares em 2004 para 700 mil hectares em 2015.

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ilpf - milho e sorgo

Opiniões

milho e sorgo Milho consorciado com capim - o casamento perfeito: um foi feito para o outro, e demoramos muito tempo para descobrir isso. Hoje em dia, cultivar milho sem o capim é um retrocesso. "

Ramon Costa Alvarenga

Pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo

Na iLPF, o componente lavoura é o que mais exige investimentos em correções de solo em relação às pastagens ou árvores. Também é com as produções das lavouras que serão pagas as contas nos primeiros anos de exploração. Milho ou sorgo são lavouras mais exigentes do que arroz ou soja, por exemplo. Então, nem sempre o milho ou o sorgo serão a lavoura do primeiro ano do sistema, especialmente em terras anteriormente com pastagens degradadas ou pobremente recuperadas. Mas, com certeza, estarão presentes na sucessão de culturas, já no primeiro ano ou na rotação a partir do segundo ano e, em especial, naquele de transição entre as fases lavoura-árvore (silviagrícola-iLF) para pastagem-árvore (silvipastoril-iPF), em razão de serem as culturas mais adaptadas ao consórcio com capim, devido ao crescimento inicial mais rápido, ao porte alto das plantas e à capacidade de competição com o capim. Essas vantagens vão fazer a diferença e sinalizar na escolha da espécie a ser utilizada em determinado sistema iLPF. Também há grande interesse no cultivo do milho e do sorgo devido aos múltiplos usos que essas culturas têm dentro da propriedade, grande ou pequena, seja na alimentação animal, na forma de grãos ou de forragem verde ou conservada (rolão, silagem), seja na alimentação humana ou, ainda,

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na geração de receita mediante a comercialização da produção. Agricultores, pequenos ou médios, também estão mais acostumados ao cultivo especialmente do milho. Já faz algum tempo que os agricultores passaram a cultivar tanto o milho quanto o sorgo em espaçamentos menores, entre 0,45 e 0,55 m. Nesses espaçamentos, associados ao maior porte dessas plantas, elas potencializam a competitividade nos consórcios com capim. Isso significa garantia do potencial de produção simultaneamente à implantação de nova pastagem. A exceção fica por conta do sorgo granífero, de menor porte. Milho consorciado com capim - o casamento perfeito: Um foi feito para o outro, e demoramos muito tempo para descobrir isso. Hoje em dia, cultivar milho sem o capim é um retrocesso. Na pior das hipóteses, perde-se a oportunidade de produção de palhada para a cobertura do solo. Aliás, a braquiária consorciada com milho tem viabilizado o sistema de plantio direto em muitas regiões com inverno seco onde havia grande dificuldade de formação de cobertura morta. Hoje, nessa região, tem a pastagem de entressafra e a palhada. Muitas vezes, era um falso plantio direto, sem palha ou com pouca palha proveniente da dessecação das plantas daninhas e algum resíduo da safra anterior. Soma-se a isso, para o caso do milho, o fato de existirem herbicidas graminicidas seletivos a esse cereal, o que dá maior flexibilidade no manejo do consórcio. Então, não há como errar. Se o capim se desenvolver muito e começar a competir com o milho, lança-se mão desse herbicida, em subdose, para paralisar temporariamente o crescimento do capim – que só se refaz



ilpf - milho e sorgo

Fase silviagrícola com eucalipto de diferentes idades

Milho solteiro e, ao fundo, renques de eucalipto

Sistema iLPF eucalipto-milho-capim braquiária brizantha

Rebrota do sorgo consorciado com capim tanzânia

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do estresse do herbicida e volta a desenvolver-se, algum tempo depois, quando não mais afeta a produtividade do milho, e o fechamento das ruas pelas plantas do milho proporciona luminosidade insuficiente ao desenvolvimento vigoroso do capim. E, ainda, podemos lançar mão de materiais de milho com maior tolerância ao alumínio tóxico do solo, maior eficiência no uso de fósforo, tolerância a herbicidas como o ghyphosate e portadores do gene Bt, que confere resistência a insetos. Certamente, esses materiais podem contribuir marcadamente para aumentar a utilização e a eficiência da cultura do milho em consórcio com capins, especialmente numa situação de solo pobremente corrigido, à semelhança daqueles sob pastagens degradadas, recentemente calcariados e com adubações corretivas, principalmente. Sorgo - a planta flex para a iLPF: Sorgo granífero, sorgo forrageiro para ensilagem e sorgo para pastejo são as opções que se oferecem para consórcio com capim na iLPF. Apresentam capacidade de perfilhamento e rebrota, o que pode contribuir para o aumento da produtividade. O sorgo granífero, que não é sensível a fotoperíodo, é a aposta da safrinha. Os outros dois são recomendados para a primavera/verão devido à sensibilidade ao fotoperíodo. Na iLPF, as árvores concorrem constantemente por umidade do solo, e o sorgo é menos afetado devido à maior tolerância à deficiência hídrica. O sorgo granífero tem menor capacidade de competição devido ao porte mais baixo, mas isso pode não ter papel relevante, porque o crescimento do capim é mais lento na safrinha. Uma maneira de prevenir esse problema é a semeadura defasada do capim em aproximadamente dez dias depois do sorgo. Já para os sorgos para silagem ou pastejo, cultivados na primavera/verão, é o inverso: não se recomenda semeadura defasada do capim, sob pena de não haver formação da pastagem originada do capim devido ao abafamento. Preferencialmente, nesses consórcios, a semeadura deve ser simultânea. Em casos especiais, semeia-se o capim a lanço ou em linha e, imediatamente após, o sorgo. O sorgo de pastejo, embora menos conhecido, tem enorme potencial na oferta de forragem em parte do período seco ou na antecipação de pasto, no início das chuvas. Devido à sua precocidade, permite sua utilização já a partir de 30 dias após o plantio, se houver necessidade, embora o ideal seja depois de 40-50 dias, quando outros capins ainda não estão em condições de aproveitamento. Sua rebrota é muito rápida: depois do primeiro pastejo, mais 40 dias, e ele já está pronto para novo pastejo. Geralmente, são três ciclos de pastejo onde predomina o sorgo em relação ao capim do consórcio. Depois, o capim predomina e passa a ser utilizado como uma pastagem já formada e contínua a ser pastejada na entressafra. Essa é uma estratégia que aumenta em muito a oferta de forragem. Com o sorgo forrageiro para ensilagem, não é diferente. Consegue-se com a rebrota até 50% da produtividade do primeiro corte. Aí, a decisão é do produtor: ensila essa rebrota ou põe o gado para pastejá-la. A nossa experiência mostrou ganho de peso, em 28 dias, de até um quilo/dia (0,7 a 1,0 kg/dia) por garrotes cruzados Aberdeen-Nelore de 350-400 kg em pastejo da rebrota desse sorgo consorciado com capim tanzânia.


ilpf - pecuária de corte

Opiniões

segurança alimentar e a

sustentabilidade

Coautora: Karina Pulrolnik, Pesquisadora da Embrapa Cerrados

a recuperação de uma área de pasto de um milhão de ha permitiria que o rebanho na área aumentasse de 400 mil para 1,25 milhão de cabeças, e ter-se-iam 500 mil ha liberados para outros usos "

Lourival Vilela

Pesquisador da Embrapa Cerrados

Ao longo das últimas três décadas, o agronegócio brasileiro vem crescendo e se transformando de maneira expressiva. A incorporação de terras da região do cerrado ao processo produtivo nacional, em especial a partir da década de 1970, explica parcela considerável desse sucesso. Entretanto, um grande desafio para a agricultura será contornar os problemas decorrentes de décadas de práticas agrícolas de monocultivo e de elevada pressão sobre o ambiente, como a erosão e a perda de fertilidade dos solos, assoreamento dos cursos d’água, poluição do solo e da água e emissões de gases de efeito estufa. A pecuária de corte, frequentemente apontada como um segmento pouco produtivo, somente se viabilizava economicamente pela expansão da área de pastagem. Entretanto, nas últimas décadas, seu modelo de produção mudou sensivelmente e passou a priorizar tecnologias mais intensivas em capital, as quais vêm gerando

significativos ganhos em produtividade e, consequentemente, liberando áreas significativas para outras atividades do agronegócio. No período de 1950 a 1985, a expansão da área de pastagens cultivadas foi responsável por 71% do incremento de produção de carne bovina e aumento na produtividade em 29%. No entanto, entre 1985 e 2006, observou-se redução na área de pastagem, e o desempenho animal respondeu por 66% do incremento de 4.664 t equivalente-carcaça. Sem esses ganhos, para se obter a mesma produção, teria que ser incorporado à produção o adicional de 525 milhões de hectares. Contudo a perda de produtividade das pastagens, em razão do manejo inadequado e da falta de reposição de nutrientes, tem comprometido a produtividade animal, contribuindo para abertura de novas áreas de vegetação nativa. O mercado interno brasileiro consome 13,5 milhões de m³ de madeira serrada oriunda de floresta natural (Unece & FAO) e 65 milhões de m³ originados de florestas plantadas (Abraf). A estimativa da demanda de madeira no mercado interno poderá atingir 300 milhões de m³ (AMS), o que significará plantar 2 a 2,5 vezes mais do que é plantado atualmente.

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ilpf - pecuária de corte A área de florestas plantadas para finalidade comercial é de 1,33% da cobertura florestal total, ou seja, 6,97 milhões de hectares - 0,82% do território brasileiro - (Abraf). A demanda crescente por alimentos, bioenergia e produtos florestais, em contraposição à necessidade de redução de desmatamento e mitigação da emissão de gases de efeito estufa, exige soluções que permitam incentivar o desenvolvimento socioeconômico sem comprometer a sustentabilidade dos recursos naturais. A intensificação do uso da terra em áreas agrícolas e o aumento da eficiência dos sistemas de produção podem contribuir para harmonizar esses interesses. Estimativas indicaram que, até 2030, o consumo mundial de madeira em toras aumentará aproximadamente 45% em relação ao consumo em 2005 e atingirá cerca de 2,4 bilhões de m3 (FAO). Segundo esses estudos, a pergunta fundamental não é se haverá madeira no futuro, mas sim de onde virá, quem a produzirá e como será produzida? A demanda crescente por alimentos, bioenergia e produtos florestais, em contraposição à necessidade de redução de desmatamento e de mitigação da emissão de gases de efeito estufa, exige soluções que permitam incentivar o desenvolvimento socioeconômico sem comprometer a sustentabilidade dos recursos naturais. A intensificação do uso da terra em áreas agrícolas e o aumento da eficiência dos sistemas de produção podem contribuir para harmonizar esses interesses. É nesse cenário que a estratégia de integração lavoura-pecuária-floresta tem sido apontada como uma das alternativas para conciliar esses conflitos de interesse da sociedade. Os sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF) são estratégias de produção que integra atividades agrícolas, pecuárias e florestais na mesma área, em cultivo consorciado, em sucessão ou rotação. As combinações podem ser as seguintes: integração agropastoril (lavoura e pecuária), silviagrícola (floresta e lavoura), silvipastoril (pecuária e floresta), ou agrossilvipastoril (lavoura, pecuária e floresta). O interesse nesse modelo de exploração apoia-se nos benefícios potenciais que podem ser auferidos pelo sinergismo entre os diferentes componentes (culturas anuais, pastagem e árvores) do sistema. Como exemplo, destacam-se: a) maior taxa de infiltração, armazenamento de água no solo e sequestro de carbono decorrente do aumento na matéria orgânica do solo; b) redução da erosão e perdas de nutrientes do solo pela melhor cobertura vegetal; c) mitigação do déficit de forragem no período de estresses climáticos (seca, geada, vento), um dos principais problemas da pecuária a pasto do País; d) maior eficiência de uso de fertilizantes proporcionada pela maior ciclagem de nutrientes por meio dos componentes perenes do sistema (pasto e árvores); e) redução de algumas doenças, de insetos-pragas

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Opiniões e de plantas daninhas; f) redução de riscos econômicos pela diversificação espacial e temporal de produtos; g) redução na emissão de metano por unidade de produto animal, pela maior oferta de forragem em termos de quantidade e qualidade em comparação à pecuária tradicional; h) mitigação da emissão de GEE’s nos sistemas; i) redução do custo na recuperação/ renovação de pastagens em processo de degradação ou degradadas; j) redução do estresse térmico pelo sombreamento das pastagens, influenciando positivamente a reprodução e o desempenho animal (ganho de peso, produção de leite); k) intensificação e utilização racional dos fatores de produção. Em várias regiões do Brasil, é possível cultivar durante o ano todo, sem irrigação. Por exemplo, soja na primeira safra de verão, milho consorciado com capim na segunda safra de verão e “safrinha de boi” na estação da seca. O que possibilita diluir custos e melhor aproveitamento da mão de obra na propriedade. Com relação às emissões de gases de efeito estufa pelo efetivo bovino brasileiro, verifica-se grande potencial para a expansão da produção de carne bovina no País sem aumento proporcional nas emissões. Há, na verdade, oportunidade para se aumentar a produção de carne bovina mantendo-se estáveis os níveis atuais de emissão de metano. Essa condição ocorre pela melhoria do desempenho produtivo e reprodutivo dos animais, que determina menor emissão por unidade de produto, quando tecnologias e sistemas de produção mais eficientes para desempenho animal são adotados. O efeito “poupa-terra”, advindo de ganhos de produtividade na integração lavoura-pecuária, em particular na fase de pecuária, é tido como fator-chave para permitir a expansão de alimentos e de biocombustíveis no País, com mínima pressão sobre a vegetação nativa. Para ilustrar o potencial de integração lavoura-pecuária na liberação de áreas agrícolas para outros cultivos, considerou-se um cenário de taxa de lotação de 0,4 cabeças ha-1, cuja pastagem vai ser recuperada usando-se dois anos de pasto e dois ou três anos de lavouras de alta produtividade. A taxa de lotação projetada para a iLP é de duas cabeças ha-1, sendo que, no verão, 50% da área está com pasto, e a outra metade, com lavouras. Nesse cenário, o efeito poupa-terra seria de 2,5 ha por hectare de pasto recuperado. Assim, a recuperação de uma área de pasto de um milhão de hectares, potencialmente, permitiria que o rebanho na área aumentasse de 400 mil para 1,25 milhão de cabeças, e, adicionalmente, ter-se-iam 500 mil hectares liberados para outros usos. Alternativamente, se o rebanho permanecesse constante, 840 mil hectares poderiam ser direcionados para outros usos, quer sejam outras atividades agrícolas ou florestais, ou ainda a recomposição da vegetação nativa e a criação de áreas de preservação. O componente florestal dos sistemas de iLPF pode trazer mais renda para o produtor e aumentar a eficiência do sistema de produção, além de reduzir a pressão sobre as matas nativas. O cultivo de árvores no sistema é uma poupança para uso no médio prazo, com o fornecimento de madeira, celulose ou carvão vegetal, além de outras finalidades não madeireiras, como frutos, resinas e sementes. Numa visão de futuro, é importante internalizar que será necessário expandir a produção de alimentos, fibras, biocombustíveis e madeira no País. Porém não basta apenas aumentar a produção: essa expansão da oferta de alimentos deverá ocorrer respeitando critérios de sustentabilidade, que abrangem as dimensões técnico-econômica, social e ambiental.



ilp - plantio direto

produção sustentável nos solos arenosos Os solos arenosos possuem textura leve, com composição granulométrica nas classes texturais areia, areia franca ou franco-arenosa, contendo entre 50 e 100% de areia. As principais classes de solos arenosos são: Argissolos, Latossolos, Planossolos, Neossolos (Quartzarênicos, Regolíticos e Litólicos) e Cambissolos. A principal classe no Brasil é o Neossolo Quartzarênico, ocupando 11% da área do País. Somados, esses solos representam cerca de 25% do território, sendo estimado que cerca de 50 milhões de hectares estão sob pastagem degradada, distribuídos nos estados do MA, TO, PI, BA, SP, GO, MS e MT. Nos estados de SP e PR, por exemplo, esses solos são, atualmente, cultivados, em pequenas áreas, com mandioca, amendoim, melancia e cana-de-açúcar, predominando as pastagens degradadas. No oeste baiano, predomina a rotação soja x algodão, registrando-se frustração das três últimas safras devido à ocorrência de veranico. Os solos arenosos possuem baixa capacidade de retenção de água, altas taxas de percolação e de infiltração de água. São solos com maior facilidade de preparo mecânico, porém são muito sensíveis ao manejo intensivo, devido à sua estrutura simples ou fraca e pouca consistência. São de baixa Capacidade de Troca Catiônica (CTC) e baixa fertilidade natural, baixo pH, alumínio no subsolo e baixos teores de matéria orgânica e baixa capacidade de retenção de água e alta suscetibilidade à erosão. Erosão, compactação subsuperficial, encharcamento, dispersão da fração argila e consequente perda por carreamento ou eluviação são alguns dos problemas causados pelo excessivo manejo mecânico desses solos, podendo até desencadear um processo de desertificação, que se inicia com a perda da matéria orgânica do solo (MOS). Entretanto, quando bem manejados, com práticas conservacionistas adequadas e sustentáveis, podem se tornar produtivos e economicamente viáveis. A MOS e a palhada de cobertura são os principais componentes da sustentabilidade para os solos arenosos, os quais aumentam a CTC do solo, a reciclagem de nutrientes e a capacidade de retenção de água. Em condições tropicais e subtropicais, a perda de carbono em solos arenosos no preparo convencional pode ser de 30 a mais de 70% do teor original.

Por sua vez, com a adoção de sistemas de produção sustentáveis, como o Sistema Plantio Direto (SPD) e os sistemas de Integração Lavoura e Pecuária (iLP), é possível aumentar os teores de carbono do solo, obter boa palhada de cobertura, com melhoria da qualidade do solo e sua produtividade. Ao contrário do pousio, deve-se promover a sua ocupação permanente com plantas comerciais intercaladamente com plantas de produção de biomassa ou formação de palhada, num sistema de rotação de culturas que promova aumento da atividade biológica e incremento nos teores de carbono e MOS. Os sistemas de iLP diversificam as atividades de produção rural, proporcionando a cobertura do solo com plantas vivas na maior parte do ano. Esses sistemas também se beneficiam dos efeitos sinérgicos entre as atividades de produção rural desenvolvida na mesma área ao longo do tempo. As forrageiras tropicais e subtropicais desempenham papel fundamental em sistemas de iLP em solos arenosos, devido ao alto potencial de produção de biomassa da parte aérea e de raízes promovendo melhoria da qualidade química, física e biológica desses solos. Além disso, a palhada oriunda de pastagens tem alta qualidade para o SPD devido à ampla relação carbono/ nitrogênio (C/N), com decomposição mais lenta e maior tempo de proteção do solo. A utilização de forrageiras em sistemas de produção de solos arenosos também aumenta a infiltração e a retenção de água no perfil do solo, bem como reduz as temperaturas nas camadas superficiais, favorecendo a germinação de sementes, a emergência de plântulas e o desenvolvimento inicial das plantas. Outro efeito da presença de espécies forrageiras em sistemas de iLP é o aumento da reciclagem de nutrientes, disponibilizando-os na camada superficial. Os solos arenosos foram, historicamente, considerados solos marginais e de baixa aptidão agrícola, por isso não existem suficientes informações de pesquisa para seu manejo adequado. Com a possibilidade da adoção de novas tecnologias de manejo preconizadas por sistemas de produção sustentáveis, os solos arenosos passaram a despertar maior interesse econômico por parte dos produtores rurais.

Estudo recente realizado em cinco propriedades rurais do oeste paulista mostrou que a iLP e o SPD são as principais estratégias para a produção sustentável nos solos arenosos. "

João Kluthcouski

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Pesquisador da Embrapa Cerrados Coautor: Luiz Adriano Maia Cordeiro, Pesquisador Embrapa Cerrados


Opiniões registraram-se, em janeiro e fevereiro de 2005, 27 dias com apeA aplicação de calcário em solos arenosos, nas 10 mm de chuva durante a fase de enchimento de grãos da tanto para correção de acidez quanto para reposisoja, a qual teve produtividade de 40 sacos/ha. Outras fazendas ção de cálcio e magnésio, deve ser feita a lanço, na região do oeste da Bahia têm adotado sistemas de iLP com baseguindo as recomendações de calagem vigense no consórcio de milho com braquiária e no sistema de “boi sates. Porém a diferença é que essa operação deve frinha”, em alguns casos, utilizando também a sobressemeadura ser mais frequente e com doses menores. Para se do capim na cultura da soja. Na região noroeste do Paraná, no construir fertilidade de solos, deve-se ter em mente Arenito Caiuá, existem muitas propriedades rurais que adotam que são solos com maiores possibilidades de perdiferentes modalidades de integração, tanto a iLP como a iLPF, das por lixiviação de alguns nutrientes (N, K, S); com resultados de produtividade que viabilizaram a agropecuária por outro lado, o manejo do fósforo em solos arenaquela região. Com a adoção de sistemas de integração sob SPD nosos é menos crítico, pois a fixação é menor em em solos arenosos, é possível reincorporar milhões de hectares comparação a solos argilosos. ao sistema produtivo sustentável com grandes impactos na agroA alternativa para a correção da acidez desses pecuária brasileira, principalmente nas exportações e na redução solos em profundidade é a aplicação de gesso agrída pressão por desmatamento de áreas com vegetação nativa. cola, que diminui, em menor tempo, a saturação Estudo recente realizado em cinco propriedades rurais do de alumínio nas camadas mais profundas do solo. oeste paulista mostrou que a iLP e o SPD são as principais esDesse modo, criam-se condições para o sistema tratégias para a produção sustentável nos solos arenosos. Nesse radicular das plantas se aprofundar no solo e, conestudo, houve unanimidade na aplicação das seguintes práticas: sequentemente, minimizar o efeito de veranicos. palhada de braquiária para cobertura do solo; SPD; descompacO gesso não neutraliza a acidez do solo. tação; dessecação antecipada; correção de acidez; aplicação do Para o manejo do potássio, recomenda-se parKCl a lanço e rotação soja x pastagem a cada dois anos e alta celar as aplicações e evitar altas doses somente no frequência de ocorrência de veranico nos meses de janeiro e fesulco, para evitar danos a sementes por efeito salivereiro. Falta/pouca palha e o manejo convencional com grade no. Para o manejo do nitrogênio, também se deve foram consideradas as piores práticas, sendo que algumas lavourealizar o parcelamento. Além desses elementos, ras foram perdidas nessas condições. também o enxofre e o boro apresentam altas perOs desempenhos da soja e da pecuária nessas propriedades das por lixiviação em solos arenosos, sendo necessão mostrados nas tabelas abaixo. Destacam-se a baixa concensário aplicações mais frequentes. tração de argila e as baixas doses de calcário. Por outro lado, obOs solos arenosos, com algumas particularidateve-se produtividade de soja superior a 70 sc/ha, e, mesmo com des, têm apresentado altas produtividades, aliadas à longo período de veranico, ainda foi possível produzir, em média, facilidade nas operações de manejo, devido às su24 sacas/ha. A lotação animal, que, em média, na região, é de 0,7 as características físicas e químicas, com a adoção UA/ha, sobe para mais de 4 UA/ha na pastagem formada após a correta e integral dos sistemas conservacionistas colheita da soja. Ao invés de o rebanho perder peso no outono/ de manejo do solo e da água, caracterizados pelo inverno, com oferta de forrageira de boa qualidade, o ganho de uso do SPD, rotação de culturas e cobertura perpeso médio diário observado foi sempre superior a 500 g/animal/ manente do solo. Existem várias propriedades rudia, sendo possível produzir mais de 20 @/ha/ano. rais que adotam sistemas de integração em regiões com solos arenosos. Por exemplo, se, na região do 1: Percentual de areia, calagem e principais sistemas de iLP no Oeste Paulista Bolsão Sul-mato-grossense, Fazenda Município Área Argila Calagem+gessagem Sistema ILP(*) com solos que apresentam (ha) (%) (t/ha) apenas 9% de argila, uma Ibieté Porã Rancharia 692 8-10 1,2 + 0 S-Mt+Br; S-Mi+Bm propriedade rural desenExperimental P. Bernardes 112 8-15 2 + 1 S-Mt+Br; S-Mi+BM; volveu um modelo de iLP, S-So+BR+G em parceria com a EmSandette S.Anastácio 2.420 10-12 2,5 a 4 + 0 S-Mt+Br; S-Mi+Bm brapa, tendo como base Campina P. Venceslau 2.053 6-14 2 + 0,5 S-Mt+Br; S-Mi+BM; a utilização da iLP com a S-Mt+Bm+G antecipação da correção Alvorada J. Ramalho 523 8-12 1,03 + 0 S-Mt+Br; S-Mi+Bm química e física do solo e do cultivo de soja em SPD (*) S=soja; Mt=milheto; Mi=milho; Br=braquiária ruziziensis; Bm= braquiária Marandu e G=guandu anão para amortizar os custos da recuperação da pastagem. 2: Produtividade de soja e da pecuária no Sistema de iLP no Oeste Paulista Tal sistema, denominaFazenda Soja (sc 60 kg/ha) Pecuária após soja (*) do Sistema São Mateus, Média Melhor Pior Veranico UA/ha Ganho PV @/ha/ano Idade abate proporciona a diversificasafra safra (dias) g/an/dia (meses) ção das atividades, diluinIbieté Porã 45 75 29 42 5,5 930 25 24-30 do os riscos de frustrações Experimental 45 58 25 39 4,0 800 22 24-30 e ampliando a margem de lucro da propriedade rural. Sardette 47 58 25 40 4,2 500-700 18-20 30-48 Na Fazenda Ibieté Porã, em Campina 39 74 26 35 4,6 600-900 22 24-36 Rancharia-SP, que adota a Alvorada 46 53 19 32 4,5 700-1000 Até 24 30-36 rotação soja x pastagens, (*) No outono e no inverno após a soja

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ilp - manejo de pastagem

trigode duplo propósito no ilp O trigo, como cultura de duplo propósito, forragem e grãos, tem sido usado em diversos países, como EUA, Austrália, Uruguai e Argentina, como alternativa econômica em sistemas de produção agrícola. "

Renato Serena Fontaneli Pesquisador da Embrapa Trigo

A região sul-brasileira apresenta similaridades edafoclimáticas e de exigências ambientais que atendem às exigências dos cereais de inverno. Apesar das peculiaridades específicas a cada estado ou microrregião, existe semelhança nas demandas. Excluindo as terras de arroz irrigado, haveria, no mínimo, 4 milhões de hectares disponíveis no inverno com aptidão agrícola, somente no Rio Grande do Sul, o que representa considerável ociosidade de terras e de infraestrutura, com reflexos negativos na economia. Nessa região, principal produtora de cereais de inverno, após a colheita da soja e do milho, há um período de um a três meses, antes da semeadura das culturas de inverno, em que o solo fica exposto às intempéries. Com a adoção crescente do sistema plantio direto (SPD), essa área vem sendo cultivada com culturas de cobertura de solo, como a ervilhaca, o nabo forrageiro e, principalmente, a aveia preta, aumentando o custo de produção das culturas de verão. A aveia é cultivada no outono/inverno no Sul do Brasil para a produção de grãos e forragem e é uma das alternativas para suprir as deficiências das pastagens nativas, compostas, basicamente, por espécies estivais, que apresentam reduzido valor nutritivo no final do verão, agravado pela ocorrência de geadas, seguidas de chuvas. Enquanto nas áreas tradicionais de pecuária há falta de alimentação para os bovinos nos meses de inverno, nas áreas de lavoura sob SPD, há disponibilidade de forragem, predominantemente de aveia preta e de azevém, de elevada qualidade no mesmo período. Uma das maneiras de aumentar a renda é usar essas forrageiras como pasta-

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gens de inverno, engordando novilhos e produzindo leite. Essas práticas têm levado à intensificação da integração da lavoura com a pecuária (iLP) e atraído investimentos para a ampliação da indústria leiteira. O uso de aveia preta como cultura de cobertura para o sistema plantio direto faz com que as aveias ocupem o primeiro lugar em área semeada no Brasil, durante o outono/inverno. Isso vem ocorrendo há vários anos. Entretanto o uso extensivo e contínuo da aveia preta resulta no aumento de enfermidades que poderão comprometer as características de rusticidade e de potencial produtivo de biomassa da cultura. Assim, as doenças da aveia preta podem comprometer o sistema de produção atual, que é embasado nessa espécie como cobertura de solo ou como forrageira inserida na iLP. Portanto é necessário um sistema eficiente de rotação, mesmo das culturas de cobertura de solo, para viabilizar o sistema plantio direto e a exploração do potencial da propriedade rural. A iLP impõe desafios para equacionar inúmeras questões relativas ao forrageamento adequado dos animais em áreas agrícolas. O esforço na geração de novas tecnologias para aperfeiçoamento de sistemas mistos vem, desde as primeiras décadas do século passado, passando pelo desenvolvimento de genótipos diversos de aveia, azevém, centeio e leguminosas de inverno. Resultados promissores relativos a consorciações, estabelecimento, utilização e manejo, conservação de forragem, valor nutritivo e produção animal são frequentes na literatura. Nesse sentido, na Embrapa Trigo, desde a década de 1970, vêm sendo desenvolvidos trabalhos com cereais de inverno,


Opiniões principalmente com a cultura de trigo, para serem utilizados como espécie destinada a fornecer forragem verde no período de carência alimentar e, ainda, produzir grãos. Dessa maneira, esse material poderá ser semeado somente para o pastejo (duas ou mais vezes), somente para a produção de grãos ou, ainda, para o pastejo (um ou dois) e produção de grãos. O trigo, como cultura de duplo propósito, forragem e grãos, tem sido usado em diversos países, como Estados Unidos, Austrália, Uruguai e Argentina, como alternativa econômica em sistemas de produção agrícola. Pesquisadores, analisando e comparando o retorno líquido de cultivo de trigo grão e trigo em duplo propósito em duas épocas de semeadura no período de 1980-1999, no estado de Oklahoma-USA, observaram maiores retornos do cultivo de trigo grão em quatro safras, enquanto o trigo em duplo propósito gerou maior retorno líquido em 16 safras. A estimativa de média de retorno líquido de trigo somente para grão foi de US$ 148/ha, enquanto, nos dois sistemas de trigo duplo propósito, os valores foram de US$ 175/ ha (semeado em 20 de setembro) e US$ 168/ha (semeado em 1º de setembro). O trigo e os demais cereais de inverno de duplo propósito, juntamente com outras gramíneas e leguminosas forrageiras de inverno, podem ser sobressemeados em pastagens naturais ou em gramíneas perenes de estação quente rizomatosas e/ou estoloníferas durante o outono, para aumentar a produção de forragem, especialmente no RS e em SC. Há aumento de disponibilidade de matéria seca e de proteína bruta com a introdução de

espécies de estação fria em pastagens nativas. Além disso, as forrageiras anuais de inverno melhoram a distribuição de forragem e o valor nutritivo da dieta para ruminantes, podendo beneficiar sistemas de produção animal em regiões temperadas ou subtropicais. No Sul do Brasil, tem sido observado que trigo de duplo propósito, após ser pastejado, produz rendimento de grão similar ou mais elevado do que quando não pastejado, em virtude de vários fatores, como elevado afilhamento, renovada área foliar e redução de porte, permitindo maior contribuição fotossintética ao desenvolvimento da planta. Dessa maneira, as plantas de trigo tendem a se ajustar após o pastoreio (adaptação fenotípica), antes do período crítico do alongamento dos entrenós. A disponibilização de cinco cultivares de trigo de duplo propósito pela Embrapa Trigo (BRS Figueira, BRS Guatambu, BRS Umbu, BRS Tarumã e BRS 277) permite ofertar forragem durante o outono/inverno, período de menor taxa de crescimento e, portanto, de necessidade de maior extensão de áreas com pastagens para suprir a demanda do rebanho crescente de vacas leiteiras. A vantagem dessas cultivares é que permitem serem semeadas de 20 a 40 dias antes do período indicado às cultivares tradicionais para grãos, cobrindo o solo mais cedo, ofertando a mesma quantidade de forragem da aveia preta, com vantagem de parte da área ser diferida, em fins do inverno, possibilitando a colheita de 1.500 a 4.500 kg/ha de grãos, que, no mínimo, servirão para comporem rações para os animais domésticos (aves, suínos e bovinos).

Serviços Técnicos Florestais P P P P P P P

• Responsável Técnico: Virgílio César Machado • Crea-PR 115674/D • Gestor Ambiental: Flávio Coller • Geomensor: Rodrigo Torres

Georreferenciamento; Cadastro Ambiental Rural (CAR); Inventário Florestal; Certificação da Madeira; Projetos Ambientais; Projetos Agroflorestais; Acompanhamento Técnico.

Rua José Manoel Batista, 290 - Curiúva-PR Fone: 43 3545-1369 machado@geoplancuriuva.com.br


ilpf - sustentabilidade e eficiência de sistemas

mudanças no uso da terra como

oportunidade Em qualquer lugar do mundo, a evolução do setor agropecuário leva, inevitavelmente, a mudanças no uso da terra. "

Davi José Bungenstab

Pesquisador da Embrapa Gado de Corte

Em qualquer lugar do mundo, a evolução do setor agropecuário leva, inevitavelmente, a mudanças no uso da terra. A quantidade, a qualidade e a velocidade dessa mudança, todavia, são variáveis. Além disso, esses fatores podem ter consequências positivas ou negativas, dependendo da conjuntura socioeconômica da região e de sua orientação para o desenvolvimento sustentável. Atualmente, nos países em desenvolvimento, como o Brasil, tem sido enfatizada a sustentabilidade do setor agrícola, embora o crescimento ordenado ainda seja um desafio, especialmente devido às grandes dimensões do País. A região Centro-Norte é onde, atualmente, ocorrem as maiores mudanças no uso da terra no Brasil. Nesse contexto, o estado do Mato Grosso do Sul pode ser considerado um bom “termômetro” de como essas mudanças tendem a ocorrer. A pecuária de corte extensiva é uma das principais atividades econômicas do estado. Devido, especialmente, à sua proximidade com as regiões Sudeste e Sul, onde estão os maiores centros consumidores e pontos de exportação, outras atividades do agronegócio têm se expandido no Mato Grosso do Sul, influenciando sobremaneira os preços da terra e levando, consequentemente, a alterações em seu uso e ocupação. As atividades tradicionais no estado têm mostrado sinais de ajustes às diferentes aptidões de cada região, conforme os recursos disponíveis, especialmente relacionados com solos e clima. Naturalmente, a cadeia da pecuária de corte como um todo e os estabelecimentos rurais, individualmente, são levados a promover as respectivas alterações em seus sistemas produtivos para continuarem competitivos.

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Para se analisar com mais detalhes essa dinâmica no uso da terra que se percebe no Mato Grosso do Sul e que pode, futuramente, se repetir em outras regiões do País e até de outras partes do globo com condições similares, foi realizado estudo considerando as microrregiões geográficas do estado, com as mudanças de uso da terra ocorridas nas mesmas entre 2010 e 2014. Foram utilizados dados do Sistema de Informações Geográficas do Agronegócio de Mato Grosso do Sul - Siga/MS, organizado pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso do Sul - Aprosoja/MS e Sistema Famasul. O gráfico da página seguinte, que agrega as principais atividades agrícolas existentes na região, evidencia que o crescimento da produção de grãos, cana-de-açúcar e florestas comerciais, essencialmente de eucaliptos, ocorreu sobre áreas de pastagens. Com um aumento de quase um milhão de hectares, a área total com cultivos passou de 2,77 para 3,74 milhões de ha entre 2010 e 2014. Já a área de pastagens, que cobria 61% da área do estado em 2010, baixou de 21,82 para 20,03 milhões de ha no período. O setor florestal teve um crescimento de 106%. Ao mesmo tempo, nota-se um outro aspecto muito interessante do ponto de vista ambiental: a área total de remanescentes de vegetação nativa aumentou em mais de meio milhão de hectares.


Opiniões

O avanço dos cultivos ocorrido sobre áreas de pastagens levou à redução no total do rebanho de bovinos no Mato Grosso do Sul. Porém essa mudança ocorreu em graus variáveis, conforme a região do estado e sua aptidão agrícola. Ao se analisarem detalhadamente os dados do rebanho e volumes de abate, observou-se que, ao mesmo tempo em que houve uma redução constante no contingente de bovinos, o número de animais destinados ao abate aumentou nos últimos quatro anos. Em números, enquanto o rebanho estadual teve uma redução de mais de um milhão de cabeças, o número de animais abatidos teve um aumento de mais de 60 mil cabeças. Esses números evidenciam a tendência de aumento na eficiência produtiva do rebanho bovino de corte do estado, especialmente relacionada com redução na idade de abate dos animais. Isso ocorre, naturalmente, devido à necessidade de se otimizar o uso da terra. A análise detalhada dos dados permitiu também verificar que especialmente o setor florestal expandiu-se na região leste do estado, de solos menos férteis, tradicionalmente ocupados pela pecuária. O rebanho nessa região, consequentemente, também

sofreu reduções, porém elas não foram tão drásticas como nas regiões de solos mais férteis. E o mais importante, essas reduções de rebanho não ocorreram nas mesmas proporções de redução de áreas de pastagens, considerando-se a lotação animal média por hectare. Isso demonstra que o pecuarista está disposto a promover melhorias em seu sistema de produção para continuar na atividade. Esse é um aspecto muito importante da análise realizada, pois se percebe aí um grande potencial para expansão de sistemas de integração, não somente de pecuária-floresta, mas também de lavoura-pecuária-floresta. Os sistemas de integração lavoura-pecuária têm, de certa forma, a facilidade de produzir duas commodities de simples comercialização, no caso, carne e grãos. Por outro lado, os sistemas que incorporam o componente florestal demandam muita atenção prévia para o aspecto da venda do produto florestal, especialmente para questões de logística de colheita e transporte até a unidade processadora. Portanto as condições são mais favoráveis para o desenvolvimento de sistemas integrados nessas áreas onde já existe uma infraestrutura regional do setor florestal. Isso facilitaria tanto a implementação desses sistemas, como no caso de terceirização do plantio das árvores, quanto asseguraria a destinação ideal e a remuneração satisfatória de seus produtos. Tecnologias vêm sendo desenvolvidas e disponibilizadas especialmente para sistemas integrados de produção. Da mesma forma, existe incentivo governamental com linhas de crédito específicas para isso. Portanto, em regiões com as características similares às do Mato Grosso do Sul, o diálogo e a parceria entre pecuaristas e produtores de grãos, mas especialmente com o setor florestal, poderá trazer resultados excelentes para todas as partes envolvidas. Dessa forma, será possível não apenas promover o desenvolvimento regional, mas, de fato, implementar sistemas de produção agroindustriais baseados na intensificação sustentável.

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ilpf - pecuária leiteira

ilpf e a pecuária leiteira a implantação e a manutenção do iLPF requerem mão de obra mais capacitada, infraestrutura mais elaborada e, principalmente, maior número de tomada de decisões de manejo "

Domingos Sávio Campos Paciullo Pesquisador da Embrapa Gado de Leite

Um dos grandes desafios da agropecuária é manter a produção agrícola em níveis tais que sustentem uma população em crescimento, sem, com isso, contribuir para aumentar a degradação do meio ambiente. Nos últimos anos, tem aumentado o reconhecimento dos benéficos potenciais gerados pelos sistemas que integram lavoura, pecuária e florestas, de modo que vários tipos de sistemas em estudo, em instituições de pesquisa do País, têm sido adotados em propriedades particulares e empresas comerciais. A integração lavoura-pecuária-floresta (iLPF) pode ser definida como um conjunto de tecnologias de diversificação da produção, em que a agricultura, a pecuária e a silvicultura passam a fazer parte de um mesmo sistema, visando aumentar a eficiência de utilização dos recursos naturais e a preservação do ambiente, resultando no incremento da produção e na estabilidade do produtor rural. Na pecuária leiteira, os objetivos são diversos, podendo-se destacar: recuperação de pastagens degradadas; utilização de pastos recém-formados na entressafra; produção de forragens conservadas, principalmente na forma de silagem; sombreamento para os animais em regime de pastejo; uso da madeira das árvores na propriedade e aumento de renda pela diversificação de produtos comercializáveis. Em sistemas de pecuária leiteira, os custos de produção com a alimentação do rebanho podem alcançar 50% dos custos totais. Nesse contexto, o uso de sistemas integrados pode contribuir para a diminuição dos custos da atividade leiteira, pelo aumento na disponibilidade de alimentos em quantidade e qualidade. Em primeiro lugar, pode-se utilizar a cultura do milho ou do sorgo para a

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produção de silagem, a ser destinada à suplementação dos animais na época seca do ano, quando ocorre redução acentuada da produção do pasto. Outra opção é a colheita dos grãos de milho para formulação de suplementos concentrados a serem fornecidos aos animais. Normalmente, o gasto dos produtores de leite com a aquisição de alimentos concentrados é elevado. Por esse motivo, a formulação de concentrados na própria fazenda poderá reduzir sobremaneira os custos com alimentação. A possibilidade de se ter pastos recém-formados anualmente também pode trazer reflexos positivos no manejo nutricional do rebanho. Geralmente, os pastos de primeiro ano mantêm-se verdes por mais tempo no início da estação seca, retardando a necessidade de suplementação volumosa no cocho. Como a escassez de alimentos nessa época do ano é um dos principais gargalos da produção de leite a pasto, a iLPF poderá contribuir para sua viabilização na maior parte do ano, sem suplementação volumosa. As variáveis ambientais, como temperatura, umidade, movimentação do ar e radiação solar, quando atingem valores superiores àqueles considerados limítrofes para o conforto térmico dos bovinos leiteiros, podem exercer influência negativa sobre o desempenho desses animais, comprometendo a produção de leite, o ganho de peso, o crescimento e a reprodução, em decorrência de um processo conhecido como estresse calórico. Em sistemas de iLPF, o componente florestal contribui para o conforto dos animais, por meio da provisão de sombra, atenuando as temperaturas extremas, diminuindo o impacto de chuvas e vento, e servindo de abrigo para os animais. Na escolha do componente arbóreo, alguns aspectos devem ser considerados, entre eles: seleção de espécies de árvores com crescimento rápido e que estejam adaptadas ao clima e ao solo da região; escolha com base no mercado dos possíveis produtos, tais como a madeira, o carvão, entre outros, e escolha de espécies de árvores que não apresentem efeitos negativos sobre os animais, como toxicidade. É importante também, no planejamento do sistema, propor densidade, arranjo e manejo


Opiniões do componente arbóreo que contribuam para sombreamentos moderados, quando há interesse do produtor em obter elevadas produções de leite ao longo dos anos. Isso se justifica, pois as forrageiras mais indicadas para sistemas de iLPF, especialmente as do gênero Brachiaria, embora medianamente tolerantes ao sombreamento, não suportam diminuição acentuada da luminosidade, apresentando, nessa situação, redução da produção de forragem, fato que poderá inviabilizar a manutenção da produção animal em níveis satisfatórios. Os espaçamentos mais adequados têm sido aqueles que proporcionam densidades de plantio variando de 150 a 400 árvores por hectare. Se o objetivo principal é produzir madeira com qualidade para serraria, recomenda-se uma menor densidade de plantas (150-250 árvores/ha). Nesse tipo de plantio, haverá menor sombreamento do pasto ao longo do tempo. Para o plantio com maiores densidades, devem-se adotar fileiras duplas, faixas ou renques, com um maior espaçamento entre essas faixas, para permitir maior entrada de luz para a pastagem. Com uma maior densidade de árvores/ hectare, há necessidade da realização de desbastes intermediários, a fim de se aumentar a incidência de luz para o pasto. Além disso, as árvores retiradas no desbaste podem ser usadas para construções dentro da própria fazenda ou servir para venda, o que pode repercutir no aumento de receitas do sistema produtivo. A perspectiva de se obter bons níveis de produtividade animal em sistema de integração é um dos fatores de estímulo para adoção desse modelo de produção

por parte de pecuaristas. Estudos realizados em pastagens de Brachiaria decumbens, estabelecidos sistemas de integração pecuária-floresta (silvipastoril), em solos pobres e topografia montanhosa, na Zona da Mata de Minas Gerais, mostraram ser possível, ao longo de oito anos, obtenção de ganhos de peso de novilhas leiteiras mestiças entre 500 e 600 g/animal/dia, durante o período chuvoso, e 200 e 300 g/animal/dia, durante a seca. Os ganhos de peso por área estiveram entre 250 e 300 kg/ ha/ano. Esses níveis de ganho de peso por novilha são relevantes para sistemas de pecuária leiteira, considerando que a aceleração no crescimento poderá contribuir para a redução da idade à primeira concepção e, consequentemente, ao primeiro parto das novilhas. É necessário ter em mente que, com a adoção de sistemas de iLPF, novos fatores dentro das fazendas poderão ou deverão ser alterados. As estratégias de implantação e de manutenção do sistema requerem mão de obra mais capacitada, infraestrutura mais elaborada e, principalmente, maior número de tomada de decisões de manejo, quando comparado a sistemas mais tradicionais e menos intensivos de uso da terra, como aqueles baseados no uso de pastagens de gramíneas em monocultivo. Por essa razão, melhorias na gestão das propriedades serão necessárias, não só pela inclusão de novos fatores na exploração leiteira, mas, principalmente, em função de novas atividades agrícolas, muitas vezes desconhecidas dos pecuaristas. Por isso o acompanhamento da assistência técnica é essencial para a adoção das tecnologias preconizadas pela iLPF.

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ilpf - arroz

cultura de arroz em terras altas O cultivo do arroz de terras altas tem ocorrido em todas as modalidades que contempla a lavoura, mas, notadamente, na iLP, visando à reforma ou à renovação de pastagens. "

Flávio de Jesus Wruck Pesquisador da Embrapa-Arroz e Feijão

A estratégia iLPF, na prática, contempla quatro modalidades de sistemas integrados de produção (iLP: Integração Lavoura-Pecuária, iPF: Integração Pecuária-Floresta, iLF: Integração Lavoura-Floresta e iLPF: Integração Lavoura-Pecuária-Floresta). Cada uma delas é composta por um grande número de arranjos ajustados às diferentes condições econômicas, sociais e culturais de quem as aplica. O cultivo do arroz de terras altas tem ocorrido em todas as modalidades que contempla a lavoura, mas, notadamente, na iLP, visando à reforma ou à renovação de pastagens. As características relevantes que tornam o arroz de terras altas uma excelente opção de cultura agrícola dentro da iLPF são: • boa tolerância às condições químicas desfavoráveis do solo, como acidez e teor de Al3+ elevados e baixa saturação por bases; • ótima adaptação aos ambientes de pastagem degradada e abertura de novas áreas, podendo atingir produtividade superior a 4.000 kg ha-1; • ainda nos referidos ambientes, a cultura do arroz tende a sofrer menor incidência de doenças, pragas e plantas daninhas, resultando num menor custo de produção que, somado às elevadas produtividades, invariavelmente resulta em lucros superiores a qualquer outro cultivo agrícola sob essas mesmas condições; • boa resposta à adubação, especialmente a ureia; • em áreas com um ciclo pluviométrico mais estendido, como norte do Mato Grosso e quase toda a região Norte do Brasil, pode ser uma opção para a safrinha; • permite, com facilidade mediana, a formação de consórcio com forrageiras, constituindo uma excelente ferramenta para a entrada do componente pecuária no sistema, e • produz uma considerável quantidade de resíduos culturais de decomposição lenta que propicia uma boa cobertura morta de solo.

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Apesar das características favoráveis, por outro lado, apresenta outras que precisam ser muito bem manejadas para viabilizá-la dentro dos sistemas iLPF: • apresenta baixa concentração da enzima redutase do nitrato até por volta dos 30 dias após sua emergência, necessitando, nesse período, de uma maior disponibilidade de nitrogênio na forma reduzida no solo; • apresenta sistema radicular fasciculado e pouco agressivo, sendo muito sensível aos atributos físicos do solo, tais como densidade, porosidade e resistência à penetração; • como consequência, são raras as condições do meio que viabiliza agroeconomicamente a utilização do sistema de plantio direto na cultura do arroz de terras altas; • num sistema de rotação ou sucessão, é extremamente exigente em relação à cultura precedente, sendo desaconselhável a utilização do próprio arroz, milho, sorgo, capim-Sudão, entre outros; • é precedente desaconselhável para outras gramíneas agrícolas no sistema de rotação ou sucessão de culturas; • muito sensível à competição com plantas daninhas que, aliada a um portfólio limitado de herbicidas pós-emergentes seletivos à cultura, torna difícil o manejo das mesmas quando integradas com o componente florestal, e; • mercado comprador nem sempre favorável e extremamente dependente da produção do arroz irrigado no Sul do País. Em relação ao posicionamento da cultura do arroz de terras altas dentro da iLPF, este pode ser na safra ou na safrinha, desde que atendendo às condições edafoclimáticas da cultura. No caso da safrinha, é importante estabelecer uma estratégia que permita, após a colheita do arroz, uma boa cobertura de solo, premissa sine qua non dos sistemas iLPF.


Opiniões O plantio convencional é o principal sistema de cultivo do arroz de terras altas dentro da iLPF, mesmo não sendo premissa da mesma. Isso ocorre porque, na maioria das vezes, as condições físicas do solo são desfavoráveis ao plantio direto. Em situações como na abertura de novas áreas, na reforma ou na renovação de pastagens onde o solo está compactado e/ou apresenta irregularidades impeditivas na sua topografia, o preparo do mesmo se torna indispensável. Nesses casos, medidas como preparar o solo apenas quando sua umidade estiver na faixa friável, dimensionar adequadamente máquinas e implementos de acordo com o serviço demandado e otimizar suas entradas na área são ações essenciais na mitigação dos efeitos negativos do preparo do solo. O plantio direto, apesar de ser premissa da iLPF e condição desejável, na prática, tem sido pouco utilizado como sistema de cultivo do arroz de terras altas, em função da exigência de condições de solo e de precedentes favoráveis para viabilizá-lo. Trabalhos recentes e observações empíricas dentro de áreas sob iLPF apontam que as condições físicas de solo favoráveis ao plantio direto do arroz de terras altas são: 1. textura de solo com teor de argila variando entre 30% e 50%; 2. perfil de solo estruturado, poroso e não compactado até, pelo menos, 0,40 m de profundidade, e; 3. densidade do solo até a profundidade de 0,2 m, igual ou inferior a 1kg dm-3. Já as condições químicas de solo favoráveis ao plantio direto são: 1. teor de matéria orgânica superior a 2,5%, e; 2. saturação por bases entre 40% e 50% com pH em água entre 5,0 e 5,7. Por fim, devem ser consideradas as culturas precedentes e a quantidade de cobertura morta (palhada) para o plantio direto do arroz de terras altas. Os bons resultados agronômicos do arroz de terras altas em plantio direto dentro da iLPF foram obtidos quando a cultura na safra imediatamente anterior ao arroz foi uma leguminosa (soja), precedida, por sua vez, de braquiária (ou como pasto de safra ou como pasto de safrinha) nos últimos três anos, pelo menos. Com relação à palhada para o plantio direto do arroz, diferentes forrageiras e/ou consórcios foram e continuam sendo testados nos sistemas iLPF: 1. milheto e B. ruziziensis em cultivo solteiro e consorciados foram os melhores; 2. os consórcios formados por feijão-caupi com B. ruziziensis e Crotalária (C. spectabilis e C. ocrholeuca) com B. ruziziensis também apresentaram bons resultados, e; 3. O consórcio de nabo forrageiro com B. ruziziensis também apresentou resultado promissor, mas ainda precisa de mais validações. Com relação à quantidade de cobertura morta, os melhores resultados foram obtidos entre 4 e 5 t MS ha-1. Acima disso, ocorriam problemas sérios de plantabilidade e, abaixo, não tinha cobertura suficiente para o controle efetivo de plantas daninhas na fase inicial da cultura. Ainda, alguns cuidados devem ser tomados: 1. uso de botinhas e/ou disco de corte na plantadeira de plantio direto, e; 2. respeitar um intervalo mínimo de 30 dias após a dessecação, exigindo um planejamento impecável do sistema, pois problemas de fitotoxicidade no arroz de terras altas por exsudados

da cobertura morta em decomposição (ácidos fracos e glifosato) são frequentes. Por fim, com relação ao manejo fitotécnico do arroz de terras altas dentro da iLPF, cabe destacar: a. cultivares mais utilizadas: BRS Monarca, ciclo longo de aproximadamente 115 dias e com ótimo desempenho em SPD sob palhada de braquiária; • BRS Pepita, ciclo curto de aproximadamente 102 dias, indicada na renovação/reforma de pastagens e, atualmente, material mais tolerante à seca disponível no mercado (recomendado para o cultivo de safrinha); • BRS Sertaneja, BRS Primavera, BRS Esmeralda, ciclo médio de aproximadamente 108 dias, excelente qualidade de grãos e recomendadas nos sistemas de plantio convencional; AN Cambará, ciclo médio de aproximadamente 110 dias, excelente qualidade de grãos e recomendados nos sistemas de plantio convencional em regiões de maior pluviosidade; b. semeadura: deve ser a mais uniforme possível, respeitando o espaçamento entre linhas e a profundidade e a densidade de semeadura recomendada pela detentora da cultivar semeada; c. manejo de pragas: idêntico ao cultivo tradicional, tomando cuidados especiais ao controle de cupins, formigas e cigarrinhas das pastagens quando a pecuária estiver incluída no sistema iLPF; d. manejo de doenças: idêntico ao cultivo tradicional, tomando cuidados especiais ao controle da brusone (Pyricularia grisea), pois seu patógeno pode sobreviver e se multiplicar em algumas espécies de gramíneas presentes nos sistemas integrados. Outra preocupação é o Pratylenchus brachyurus, nematoide causador de lesões no sistema radicular das plantas e de considerável importância econômica, devido à sua ampla distribuição geográfica e ao grande número de plantas hospedeiras que, em tese, pode hospedar e se multiplicar em alguns materiais de arroz de terras altas (trabalhos não conclusivos); e. Manejo de plantas daninhas: consiste no maior desafio fitotécnico do arroz de terras altas dentro da iLPF, notadamente quando integrado com o componente florestal. Nesse caso, a estratégia de manejo vai depender, principalmente, da idade e das espécies florestais, dos sistemas de cultivo e da quantidade de palhada no solo.

Diagrama fotográfico da renovação de pastagem

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iplf - mudanças climáticas

a pecuária em sistemas integrados e as

mudanças climáticas

O efeito estufa é um fenômeno natural importante que ocorre no planeta Terra e possibilita a manutenção da temperatura global num ponto de equilíbrio para garantir a vida terrestre tal como conhecemos. Entretanto, quando ocorre aumento da emissão de gases de efeito estufa (GEE) de maneira descontrolada por ações antrópicas, especialmente pela queima de combustíveis fósseis e desmatamento, há formação de uma camada de poluentes que funcionam como um isolante térmico retendo a temperatura, intensificando o efeito estufa e provocando o aquecimento global no planeta. Como consequência desse processo, temos as mudanças climáticas, caracterizadas pelos desastres climáticos, como derretimento das camadas polares, aumento do nível do mar, secas, enchentes, tempestades, tornados, tufões, maremotos. Isso tudo pode afetar os ecossistemas, causar a extinção de plantas e animais e, ainda, afetar negativamente a produção agropecuária. Vale ressaltar que as mudanças climáticas não respeitam as fronteiras entre os países, o que torna o fenômeno de responsabilidade mundial. A pecuária é considerada uma das fontes de emissão de gases de efeito estufa porque os animais ruminantes (bovinos, ovinos, caprinos, bubalinos, entre outros), durante seu processo digestório, produzem, de forma natural, o gás metano, além

de seus dejetos poderem emitir gases de efeito estufa. Importante ressaltar que o sistema digestório dos ruminantes garante a esses animais alimentarem-se das pastagens, não consumidas por seres humanos, evitando competição por alimento entre as duas espécies. Esse fato também confere ao rebanho brasileiro, criado a pasto em sua maioria, grande conforto, visto que vivem em seu hábitat, evitando o estresse do confinamento. Já para a pecuária de animais monogástricos, as emissões de GEE ocorrem, em sua maioria, pelas emissões de seus dejetos. Na pecuária, existe possibilidade de mitigação das emissões de GEE pela redução da emissão do metano e do óxido nitroso. A melhoria dos índices zootécnicos e o manejo adequado das pastagens são importantes ações de mitigação e ainda tornam os sistemas de produção menos dependentes de área para produção de alimentos (pode-se produzir mais na mesma área), o que reduz a pressão sobre a floresta, evitando o desmatamento. Apesar da grande ênfase dada aos aspectos envolvendo a emissão de metano entérico pelos ruminantes e suas formas de mitigação, o maior potencial de mitigação está no sequestro de carbono. A pecuária, ao contrário da queima de combustíveis fósseis e do desmatamento, não é apenas uma emissora de gases de efeito estufa, pois há, no seu ciclo, o sequestro de carbono – uma forma de retirar da atmosfera o gás carbônico por meio do processo de fotossíntese das plantas (que servem de alimento para os animais) e armazená-lo no sistema solo-planta como carbono. Então, o que passa a ser importante é o balanço entre as emissões de gases de efeito estufa e os sumidouros (sequestro) de carbono de uma atividade. É possível haver situações em que a retirada de poluentes pelo sequestro de carbono seja maior que a emissão de GEE num determinado sistema de produção.

Tendo em vista todo o benefício ambiental da introdução do componente arbóreo nos sistemas e da possibilidade de diversificação da renda, a pecuária brasileira não pode perder a oportunidade de se consolidar como um importante player da silvicultura. "

Patricia Perondi Anchão Oliveira

Pesquisadora da Embrapa Pecuária de Corte - Sudeste

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Opiniões A partir da adoção de sistemas integrados (Integração Lavoura-Pecuária, Integração Lavoura-Pecuária-Floresta e silvipastoril), é possível reduzir a emissão de GEE e aumentar o sequestro de carbono, quando utilizamos o plantio direto e introduzimos a floresta plantada nos sistemas de produção. A introdução do componente arbóreo pode dobrar a quantidade de abatimento das emissões de GEE em relação aos sistemas que não têm árvores, além de embutir no sistema todas as vantagens relacionadas à arborização das pastagens (preservação da água, conforto térmico aos animais, produção de produtos como frutos, óleos essenciais e madeira, tornando-se fonte alternativa de renda, entre outras). Técnicas de manejo, dentro dos sistemas de iLPF, também podem contribuir para a melhoria dessa questão. Toda tecnologia que traga eficiência aos sistemas de produção, diminuindo perdas, leva à melhoria das questões ambientais, porque toda perda é um potencial impacto ambiental negativo. Como exemplos, podemos citar o uso de aditivos para diminuir a emissão de metano, o uso racional de corretivos e fertilizantes, o melhoramento genético com vistas a tornar mais eficiente o uso de alimentos pelos animais associado à menor emissão de metano entérico, além de várias outras técnicas. Sendo assim, além do empilhamento tecnológico inerente ao sistema de iLPF, onde o produtor rural necessita de habilidades de pecuarista, agricultor e silvicultor, ainda ele necessitará de conhecimento de técnicas de manejo para mitigar as emissões de GEE. O atendimento desses requisitos tornam os sistemas de produção

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bastante complexos e exige mão de obra qualificada, o que consiste em um grande desafio ao País. Para um sistema de produção como o iLPF ser sustentável, não basta apenas atender a questões ambientais, é necessário que haja retorno econômico ao produtor. Além do sustento da sua própria família, ele precisa ter condições financeiras de realizar contribuições sociais, como o pagamento dos impostos, dos encargos trabalhistas, o atendimento às normas de boas práticas na produção dos alimentos, enfim, todos os requisitos exigidos pela sociedade para a sustentabilidade da pecuária. Além disso, estudos mostram que a adoção das tecnologias que promovem a mitigação das emissões de gases de efeito estufa depende mais de questões econômicas do que da viabilidade técnica das ações de mitigação propostas. Tendo em vista todo o benefício ambiental (inclusas as questões de emissão de GEE) da introdução do componente arbóreo nos sistemas de produção pecuários brasileiros e da possibilidade de diversificação da renda do produtor, a pecuária brasileira não pode perder a oportunidade de se consolidar como um importante player da silvicultura. Entretanto, para isso, é necessária ampla discussão sobre as questões econômicas dos sistemas de iLPF, especialmente quando se considera o alto montante financeiro exigido para o investimento inicial, com fluxos de caixa comprometidos nos primeiros anos de adoção da tecnologia e um forte programa de capacitação técnica do setor produtivo e da extensão rural, dada a sua complexidade.

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ilp - soja no Paraná

soja em solos arenosos e clima quente Na última década, muitas áreas, antes ocupadas com pastagens perenes, especialmente com espécies de braquiária, foram convertidas em cultivos de soja. O solo dessas áreas apresenta baixos teores de argila (inferiores a 20%), o que confere baixa capacidade de retenção de água e alta suscetibilidade à erosão. Associados ao baixo teor de argila, também ocorrem baixos teores de matéria orgânica e nutrientes, o que gera a necessidade de se acumular matéria orgânica no solo para melhorar a estrutura do solo e aumentar a capacidade de troca de cátions (CTC) e a retenção de água. Isso impõe um grande desafio ao manejo do sistema de produção nessas áreas, para permitir o cultivo de espécies graníferas com rentabilidade satisfatória. Esse contexto é observado na região noroeste do Paraná, também conhecida como Arenito Caiuá. A inserção de culturas graníferas em áreas de pastagens perenes representa uma alternativa para compor sistemas integrados, refletindo-se em vários benefícios agronômicos e ambientais, principalmente pela sinergia do cultivo de espécies gramíneas (pastagens) com espécies leguminosas, no caso, a soja. Portanto a inserção da soja, de forma integrada, com pastagens em regiões com solos arenosos pode ser uma grande oportunidade para otimizar o uso dessas áreas. A região noroeste do PR abrange 107 municípios e 16% da área do estado (3,2 milhões de ha). O clima é subtropical, com as menores precipitações pluviais ocorrendo nos meses de junho a agosto, o que pode reduzir ou comprometer a produção vegetal nesse período. A cadeia produtiva agropecuária mais importante no noroeste do PR é a pecuária de corte, com cerca de 1,9 milhão de cabeças. Em geral, não são realizadas adubações de correção e manutenção necessárias para que haja produção, qualidade e persistência forrageira adequadas.

A iLP possibilitou a mudança de patamar produtivo da fazenda, saindo de uma condição de alto nível de degradação para alto nível de produção e conservação dos recursos naturais. "

Julio Cezar Franchini Pesquisador da Embrapa Soja

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Dessa forma, a produtividade animal, nessa região, é, em geral, muito baixa. Na década de 1990, a lotação de bovinos em 45 municípios da região estava abaixo de 1,20 UA ha-1, enquanto, em outros 62 municípios do estado, a média de lotação era de 1,73 UA ha-1. Na última década, essa situação não evoluiu em propriedades que mantiveram a pecuária dissociada da agricultura. Em termos de produtividade animal, é comum as fazendas de pecuária de corte que não conseguem obter mais do que 150 kg de ganho de peso vivo por hectare por ano, praticamente inviabilizando a atividade. Neste artigo, analisaremos o caso da Fazenda Santa Felicidade, cujo proprietário é o médico veterinário, especialista em iLP, Antonio Cesar Pacheco Formighieri. A fazenda está localizada em Maria Helena, no Paraná, com 151 ha ocupados com a cultura da soja no verão e pastagem anual de inverno, 161 ha com pastagem perene e 13 ha com eucalipto. Até o ano de 2001, a atividade principal da propriedade era a criação de bovinos para a produção de carne e de leite. As pastagens estavam em estado de degradação, e a única forma de viabilizar a recuperação da área foi a introdução da soja, a qual ocorreu via preparo convencional do solo para incorporar o calcário e corrigir as irregularidades no microrrelevo do terreno. Nessa fase de implantação, com revolvimento do solo, foram identificados três problemas graves: a. alta erosão hídrica; comum em solo arenoso; b. alta incidência de plantas daninhas na cultura da soja não transgênica, já que, na época, o cultivo de soja RR não era regulamentado no Brasil; c. baixo estande da soja, pois o solo revolvido apresentava baixa capacidade de retenção de água e alta temperatura. A partir de 2005, novas tecnologias foram incorporadas ao sistema de produção, facilitando o manejo, reduzindo custos e proporcionando aumento de produtividade. Na última década, os principais fatores que alavancaram a iLP na fazenda Santa Felicidade são listados a seguir: a. uso de cultivares de soja tolerantes ao glifosato (soja RR). Essa tecnologia mudou radicalmente a iLP na fazenda, pois facilitou o manejo de plantas espontâneas de braquiária, que emergiam durante o ciclo de desenvolvimento da soja;


Opiniões b. aprimoramento da condução do Sistema Plantio Direto (SPD). Atualmente, todas as culturas e pastagens são implantadas em SPD, com aplicação superficial de corretivos e ajuste das irregularidades do terreno somente nos pontos necessários. c. uso de cultivares de soja com tipo de crescimento indeterminado com ciclo de desenvolvimento de, aproximadamente, 120 a 130 dias, adaptadas às condições edafoclimáticas da região. O aumento do período de florescimento, observado em cultivares com tipo de crescimento indeterminado, reduz os riscos de estresse por déficit hídrico e/ou calor excessivo; d. utilização da Urochloa ruziziensis entre duas safras de soja para a produção de forragem de alta qualidade, nos meses de maior escassez de alimento – maio a setembro. Além disso, a U. ruziziensis funciona como planta de cobertura do solo, proporcionando palha e crescimento de raízes, fundamentais para o incremento da qualidade e a conservação do solo e da água. Observou-se aumento significativo (10 a 15%) na produtividade da soja cultivada em sucessão à pastagem de U. ruziziensis, comparativamente à sucessão de pousio ou milho safrinha; e. a atuação da Cocamar, principal cooperativa da região, como agente de difusão de tecnologias associadas a iLP. Nos últimos 10 anos, a média de produtividade de soja na Fazenda Santa Felicidade foi de 2.530 kg ha-1. Nesse período, a pior safra foi a de 2005/06 (1.726 kg ha-1) e a melhor 2010/11 (3.532 kg ha-1). O principal fator determinante da produtividade é a ocorrência de déficit hídrico associado com altas temperaturas nas fases de florescimento e enchimento dos grãos. A análise da produtividade nos últimos 10 anos revela que, nas piores safras, a cultura da soja praticamente não remunerou o produtor, mas, na média, a cultura gerou rentabilidade satisfatória. Adicionalmente, a produtividade obtida em 2010/11 indica que, se as tecnologias para o cultivo da soja forem adotadas e não ocorrerem déficits hídricos expressivos, a produtividade pode ser superior a 3.500 kg ha-1. Além disso, o papel mais importante da soja é na melhoria das condições químicas do solo geradas pelo seu cultivo, permitindo alta produção forrageira em sucessão à cultura. Nesse contexto, há sinergia entre o cultivo de pastagens e de soja. A pastagem melhora a estrutura do solo e aumenta os estoques de carbono orgânico. Paralelamente a isso, a soja proporciona melhoria nos atributos químicos do solo, favorecendo a pastagem cultivada em sucessão. Foram mensuradas produtividades de até 6 t ha-1 de matéria seca de U.ruziziensis entre os meses de maio e setembro, expressando o grande potencial de produção de forragem nos meses em que, tradicionalmente, há baixa disponibilidade de forragem na região. Nesse período, foram produzidos 100 litros de leite ha-1 dia-1 (5 vacas com produção média de 20 litros), utilizando-se ração para complementar a dieta. Para o gado de corte, obteve-se 0,65 kg dia-1 de ganho de peso para cada animal, utilizando-se lotação média de 4 UA ha-1, o que confere ganho de aproximadamente 2,6 arrobas ha mês-1, sem complementação de ração ou silagem. Mesmo após a utilização da U.ruziziensis como forragem de entressafra, a mesma conferiu adequado aporte de palha para o cultivo de soja em plantio direto na sucessão.

Através de análises químicas de solo anuais nas profundidades de 0 a 20 cm e de 20 a 40 cm, constataram-se aumentos nos teores de nutrientes e no estoque de carbono orgânico do solo nas duas camadas amostradas. Isso é particularmente importante, uma vez que o sistema preconiza a formação de perfil de solo com alta fertilidade, a fim de promover elevado crescimento de raízes em profundidade para tolerar eventuais veranicos. Considerando-se que a pastagem bem conduzida pode aportar em torno de 10 toneladas de palha ha-1 entre os meses de maio e setembro (considerando raízes e parte aérea), no caso da região Noroeste do PR, devido às altas temperaturas, essa quantidade de palha é de grande importância para a conservação de água e regulação da temperatura na superfície do solo durante o ciclo de desenvolvimento da soja. Com relação à temperatura, medidas diretas feitas na propriedade indicaram valores médios de 35º C no solo sob palhada de braquiária e de 65º C em solos expostos, sem proteção. Esse efeito tem grande importância para reduzir a morte de plântulas por escaldadura, bastante comum na fase de implantação da lavoura de soja. Outro resultado pouco considerado, mas que apresenta alta relevância, é a valorização da propriedade rural. A iLP possibilitou a mudança de patamar produtivo da Fazenda, saindo de uma condição de alto nível de degradação para alto nível de produção e conservação dos recursos naturais. Com base nas experiências acumuladas durante 15 anos de condução do sistema iLP no Noroeste do Paraná, consideram-se como desafios relevantes: 1. Mudança de mentalidade e capacitação de pecuaristas da região para implantação e condução de culturas graníferas, sobretudo soja, integradas ao cultivo de pastagem, visando a alta produtividade e rentabilidade do sistema de produção. 2. Consolidar o modelo de iLP que vem demonstrando resultados positivos ao sistema, baseado no cultivo de 50% da área cultivada da propriedade com pastagem perene e os outros 50% com soja no verão e pastagem anual entre as duas safras de soja. 3. Ajuste nas tecnologias de cultivo da soja, objetivando aumento da estabilidade de produção em safras com déficit hídrico, associado a altas temperaturas. 4. Aprimoramento contínuo de tecnologias de manejo de pastagens e dos animais para aumentar a produção forrageira, o nível de utilização da forragem e a conversão da pastagem em carne e/ou leite. 5. Desenvolvimento de ferramentas para gestão de propriedades rurais que utilizam iLP, identificando gargalos no sistema de produção que limitam a rentabilidade da propriedade. 6. Quantificação e divulgação dos benefícios ambientais da iLP. A região Noroeste do Paraná é caracterizada por solos arenosos, clima quente e pastagens com alto nível de degradação. A Integração Lavoura-Pecuária, considerando especialmente a produção de carne, leite e soja é uma das estratégias mais indicadas para mudar essa condição, possibilitando aumento na produção de riquezas associadas à melhoria de indicadores ambientais.

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ilp - soja no Mato Grosso do Sul

Opiniões

soja em solos argilosos As regiões de transição entre os biomas mata atlântica e cerrado, como o centro-sul de Mato Grosso do Sul, apresentam como característica climática a ocorrência de veranicos durante o período chuvoso (primavera e verão). Tal fenômeno é imprevisível quanto à época de ocorrência e quanto à duração. Nos anos em que se verificam tais eventos, e estes coincidem com estádios críticos da cultura da soja, os prejuízos decorrentes são expressivos. Não obstante as adversidades climáticas, nos últimos 30 anos, a área cultivada com soja em MS dobrou, e a produtividade média passou de cerca de 2.000 kg/ha para mais de 3.000 kg/ha, mas com muitas oscilações decorrentes do clima. Uma das formas utilizadas para amenizar o efeito dos veranicos foi o uso do Sistema Plantio Direto (SPD) para o cultivo da soja, no qual o solo apresenta maior capacidade de infiltrar e armazenar a água das chuvas e são reduzidas as perdas por evaporação. No entanto, para o correto funcionamento do SPD, é preciso que seus três fundamentos sejam atendidos, quais sejam: ausência do revolvimento do solo, cobertura permanente da superfície do solo e rotação de culturas. Nas condições atuais da região, onde há o predomínio da sucessão soja-milho safrinha, os fundamentos do SPD são apenas parcialmente atendidos, pois, com tais cultivos, não há cobertura do solo por palha capaz de garantir a cobertura permanente da superfície e, obviamente, não há rotação de culturas. Tal forma de produção, além de não amenizar os efeitos dos veranicos, resultam em outros graves problemas, como a degradação do solo pela perda de matéria orgânica e o aumento dos problemas fitossanitários, os quais resultam em aumento do uso de insumos e, consequentemente, do custo de produção. A pesquisa agrícola identificou esse problema e, como alternativa, indica a utilização de cultivos com maior produção de

Uma das opções que vêm sendo estudadas é a inclusão do componente florestal no sistema iLP, uma vez que já são amplamente conhecidos os efeitos das árvores na pecuária, especialmente na produção de leite, pelo maior conforto animal e qualidade da forrageira. "

Júlio Cesar Salton

Pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste

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massa vegetal para proporcionar a cobertura do solo necessária, como o uso do consórcio do milho safrinha com plantas forrageiras, como a braquiária. Essa prática tem tido aumento crescente na sua utilização, uma vez que os efeitos positivos da palhada se tornam visíveis, com a manutenção da umidade do solo e melhor desenvolvimento vegetativo da soja cultivada em sequência. Mas ainda há dificuldade em cumprir o terceiro fundamento, o da rotação de culturas, pois a região carece de opções rentáveis de culturas para ocupar as áreas no período de primavera/ verão, em substituição à soja. A utilização dos sistemas integrados de produção, como a integração lavoura-pecuária (iLP) com o uso da soja e das pastagens para produção pecuária, pode ser a forma indicada para, além de produzir a palhada em quantidade adequada, proporcionar os efeitos da rotação de culturas, especialmente na redução da ocorrência e nos danos causados por pragas, doenças e plantas daninhas. Tal como a cadeia produtiva da soja, a cadeia produtiva da pecuária de corte se faz presente em toda a região, o que é fator importante para que os sistemas possam ser implantados. Muitos exemplos de sucesso são verificados com o uso da iLP, tanto por agricultores que introduziram a atividade pecuária em sua propriedade, como por pecuaristas, que, agora, também são produtores de soja. O uso da iLP não se limita apenas à recuperação de pastagens degradadas. As vantagens são inúmeras, contemplam desde o aspecto econômico pela diversificação da produção e redução dos custos de produção, passando pela melhoria da qualidade do solo pelo aumento da matéria orgânica, até a redução da emissão dos gases causadores do efeito estufa.


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ilp - soja no Mato Grosso do Sul O fato é que o produtor que adota a iLP não retorna à atividade isolada. Recente levantamento realizado em Mato Grosso do Sul, por pesquisadores da Embrapa Agropecuária Oeste, indicou que a adoção da iLP ocorre, predominantemente, em estabelecimentos rurais que produzem soja e que são motivados pela busca de aumentar a segurança econômica e financeira. Estimou-se que, na safra 2013/14, cerca de 15% das áreas cultivadas com soja são cultivadas no sistema iLP. Não restam dúvidas de que os sistemas de produção mais intensivos e diversificados apresentam vantagens comparativas aos sistemas simplificados. A questão, agora, é definir como intensificar ainda mais os sistemas produtivos. Uma das opções que vêm sendo estudadas é a inclusão do componente florestal no sistema iLP, uma vez que já são amplamente conhecidos os efeitos das árvores na pecuária, especialmente na produção de leite, pelo maior conforto animal e qualidade da forrageira. O desafio é conhecer os efeitos da presença de árvores em sistemas com lavouras, quantificar tais efeitos, para, então, definir o layout apropriado para cada situação.

inferior no sistema iLPF, com o espaçamento de 25 m entre as linhas e de 45% no espaçamento de 12,5 m. Nesse caso, as perdas foram crescentes ao longo do tempo, não se limitaram ao espaço ocupado pelas árvores, mas ao efeito direto do sombreamento. No entanto o efeito para a pastagem, no espaçamento menor, foi positivo nos anos com ocorrência de geadas, mantendo a forrageira verde e com qualidade superior. Essa aparente perda na produtividade da soja, em uma primeira análise, estaria inviabilizando o sistema iLPF. Contudo devemos entender melhor o que ocorre em sistema tão complexo e, principalmente, considerar os resultados econômicos do sistema como um todo, pois as eventuais perdas em um dos componentes podem ser superadas pelo rendimento adicional verificado nos demais componentes. Nesse caso, observou-se que o solo, no sistema iLPF, manteve-se mais úmido ao longo do tempo, em comparação ao sistema iLP (sem árvores), provavelmente devido ao efeito quebra-vento dos eucaliptos, reduzindo as perdas de água por evaporação.

Muitas são as perguntas a serem respondidas e as variáveis envolvidas num sistema complexo de produção, em que a soja e outras lavouras interferem e sofrem influência das árvores, da pastagem e dos animais, além do efeito tempo, que afeta a intensidade dessas relações. Em 2008, foi implantada uma unidade de referência tecnológica (URT) para avaliação desses sistemas em Ponta Porã - MS, na qual foram inseridas linhas simples de eucaliptos, com espaçamento entre os renques de 25 e de 12,5 m, para intensificar o sistema iLP (soja/milho + braquiária). No dimensionamento do espaçamento entre os renques, deve-se considerar o tamanho das máquinas e dos implementos agrícolas que serão utilizados e ter clareza no destino que se pretenda dar às árvores, pois isso implica diretamente no valor de comercialização e na dinâmica temporal dos cortes e funcionamento do sistema. Nessa URT, observaram-se efeitos diversos quanto às lavouras: com as árvores atingindo 5 anos de crescimento, a produtividade da soja foi cerca de 10%

O efeito das árvores no microclima é marcante, alterando as amplitudes e os valores extremos de umidade relativa e de temperatura do ar. Na pecuária, os maiores ganhos na produtividade, devido ao conforto ambiental, e na qualidade da forragem devem ser computados e somados aos ganhos na produção madeireira. O diâmetro das árvores (DAP) constituintes do sistema de integração Lavoura-Pecuária-Floresta é superior ao verificado nas áreas de floresta simples, possibilitando prever o corte das árvores e a receita financeira. Enfim, é preciso ter claro que se trata de um conjunto de atividades simultâneas, onde a possível ocorrência de sinergia entre os componentes deve ser considerada. Tais efeitos sinérgicos, considerando as implicações do aquecimento global, permitem prever que, talvez, uma das alternativas viáveis para a agricultura nos próximos anos sejam os sistemas integrados de produção, com a presença de árvores.

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ilpf - macrovisão

Opiniões

o planejamento e a gestão do

do sistema ilpf

Por envolver três componentes (agrícola, pecuário e florestal), seja em consórcio, sucessão ou rotação, o planejamento e a gestão do sistema devem ser realizados de maneira mais cuidadosa do que em sistemas monoespecíficos ou tradicionais "

Roberto Giolo de Almeida

Pesquisador da Embrapa Gado de Corte

Na atual conjuntura, com a crescente demanda por produtos provenientes da agricultura e limitações para uso da terra em áreas com vegetação nativa, novas tecnologias são desenvolvidas para atender a essas necessidades. Nesse contexto, a iLPF emerge como importante estratégia para diversificação de empreendimentos agropecuários, por permitir maior eficiência de uso dos recursos disponíveis e maior flexibilidade frente a riscos mercadológicos e bioclimáticos, contribuindo para reduzir a degradação dos solos agricultáveis e o desmatamento. Entretanto, a maior complexidade inerente à iLPF é uma condicionante que deve ser compreendida no momento da tomada de decisão. Por envolver três componentes (agrícola, pecuário e florestal), seja em consórcio, sucessão ou rotação, o planejamento e a gestão do sistema devem ser realizados de maneira mais cuidadosa do que em sistemas monoespecíficos ou tradicionais, exigindo um cabedal de informações técnicas e mercadológicas das cadeias envolvidas. A demanda por carne vermelha (bovina) deve aumentar em 40% até 2050, de acordo com padrões de 2005-2007, segundo a FAO, sendo que o Brasil apresenta condições favoráveis para ampliar sua produção e se firmar, definitivamente, como maior produtor mundial de carne bovina.

Porém, desde meados da década de 2000, o Brasil tem sofrido com barreiras não tarifárias impostas ao produto nacional, além das barreiras sanitárias em decorrência de focos de febre aftosa, bem como as relacionadas ao desmatamento associado à abertura de novas áreas para a pecuária e à degradação das pastagens, aumentando as exigências internacionais para produção de carne com melhor qualidade, gerando menor impacto ambiental durante seu processo produtivo, com destaque para a mitigação das emissões de gases de efeito estufa (GEE). A partir de 2008 e, mais fortemente, de 2010, com o Plano ABC, o Governo Federal tem disponibilizado linhas de crédito voltadas especificamente para a iLPF, com o intuito de ampliar, em quatro milhões de hectares, até 2020, as áreas em uso com esse sistema e contribuir para a mitigação das emissões de GEE da agropecuária. Com esse incentivo, o nível de adoção da iLPF tem sido crescente nos últimos cinco anos. Alguns entraves, porém, que têm dificultado sua adoção, estão ligados ao desconhecimento de seus benefícios, das necessidades de recursos e de infraestrutura e, principalmente, da limitada capacidade de assistência técnica para o planejamento e a condução/gestão do sistema.

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ilpf - macrovisão Do ponto de vista da diversificação de empreendimentos florestais, a iLPF contribui para ampliar as entradas de recursos financeiros a partir de produtos agrícolas e pecuários, mantendo um fluxo de caixa mais constante durante os diferentes ciclos produtivos. A introdução da lavoura, geralmente, ocorre em fases iniciais do sistema, enquanto o componente arbóreo não prejudica a produtividade das culturas com o sombreamento. A lavoura contribui para o adequado condicionamento do solo e, com a venda dos produtos agrícolas, permite amortização parcial ou total dos gastos com a implantação do sistema. Após a fase agrícola, e quando as árvores atingem porte capaz de suportar animais em pastejo, a fase pecuária é introduzida, com uso de forrageiras tolerantes ao sombreamento. Para adequada condução desse sistema, o espaçamento entre fileiras ou renques de árvores deve ser função das dimensões do maquinário para semeadura e colheita da cultura agrícola. Já para a escolha do componente florestal, entretanto, deve-se dar preferência a espécies de rápido crescimento, com fuste retilíneo e estrutura de copa não muito densa e que produzam madeira para usos múltiplos. Do ponto de vista da diversificação de empreendimentos pecuários, a introdução do componente florestal é uma importante estratégia para aumento da renda, decorrente da venda dos produtos florestais. Além disso, possibilita vários benefícios ambientais, dentre eles o sequestro de carbono, que permite a mitigação da emissão de metano pelo gado e que, indiretamente, tornam o produto de origem animal, no caso, a carne, mais atrativo para exportação. Nesse contexto, a iLPF é utilizada, geralmente, para recuperação de pastagens degradadas, em locais onde as condições de clima e de solo são favoráveis. A produção animal pode ser mantida satisfatoriamente em sistemas de iLPF, desde que com uso de forrageiras tolerantes ao sombreamento, com o manejo adequado do pasto e com o planejamento de desramas e de desbastes das árvores para reduzir o sombreamento no sub-bosque. Em locais com restrições para o cultivo de lavouras, entretanto, o sistema silvipastoril, que é uma modalidade de iLPF, de acordo com o marco referencial da Embrapa, pode ser uma opção viável e, nesse caso, com o uso de espécies arbóreas adaptadas a solos de menor fertilidade, como os eucaliptos. A produção por animal tende a ser maior em sistemas de iLPF, pelo melhor valor nutritivo da forrageira e pelo maior conforto térmico dos animais em pastejo proporcionados pelo sombreamento. Com isso, espera-se melhor desempenho relativo com animais de maior exigência e produtividade, desde que atendidas as demandas por água e minerais, com adequado manejo sanitário e do pasto. Nesse sentido, o produtor pode contar com animais terminados em menor tempo e com melhor qualidade de carne. Entretanto, a produção por área pode ser diminuída em sistemas com maiores densidades de árvores, onde o sombreamento excessivo prejudica a produção do pasto e, consequentemente, a produção de carne. Estudos desenvolvidos na Embrapa Gado de Corte indicam que, em sistemas de iLPF com 227 árvores de

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Opiniões eucalipto por hectare, a produção de carne diminui, em termos relativos, de 100% para 85%, até o sexto ano após a implantação das árvores, em comparação a pastagens com apenas cinco árvores nativas por hectare e submetidas à mesma pressão de pastejo. Já em sistemas com densidades de 357 árvores de eucalipto por hectare, a produção de carne diminui de 85% para 62% em relação à mesma comparação anterior. Apesar da diminuição da produção de carne por área, esses sistemas proporcionam produtos florestais para compor a renda da propriedade e, em médio prazo, apresentam melhores índices econômicos do que sistemas pecuários tradicionais. É importante considerar que sistemas de iLPF apresentam um nível de intensificação intermediário para produção de carne quando comparados a sistemas pecuários intensivos (sem árvores), com uso de irrigação e/ou submetidos a elevadas taxas de adubação anual. Isso é decorrente da influência do componente florestal sobre o desenvolvimento da forrageira no sub-bosque. Assim, o manejo das forrageiras em iLPF deve ser mais criterioso, pois elas se encontram em grau de competição (com as árvores) mais elevado do que em monocultivo e em pleno sol, sendo que priorizam o crescimento da parte aérea em detrimento do sistema radicular e apresentam menor capacidade de rebrotação e resposta à adubação. Nesse sentido, deve-se procurar manter a altura de pastejo indicada para cada espécie/cultivar, para proporcionar maior acúmulo de reservas, favorecer a rebrotação e permitir uma produção de forragem satisfatória. Nesses sistemas, dadas essas condições específicas, o manejo inadequado do pasto, como o superpastejo, tende a acarretar um processo de degradação mais acelerado. A iLPF, assim como todo sistema de consórcio que se baseia na sinergia entre seus componentes, deve ser entendida como uma estratégia para produção agropecuária com otimização de uso dos recursos, e não para maximizar a produção dos componentes envolvidos. Assim, pode ser utilizada em diferentes escalas no meio rural. Quanto à presença do componente florestal em sistemas pecuários, contribui para a melhoria do microclima do entorno e do conforto térmico dos animais em pastejo, para a conservação do solo e para a regularização do ciclo hidrológico, e o sequestro de carbono contribui para a mitigação das emissões de GEE. Outro ponto relacionado ao componente florestal, ainda pouco explorado, é sua contribuição para a melhoria da beleza cênica da paisagem rural. Além disso, com a produção de madeira para o mercado ou para uso na propriedade, minimiza a pressão para uso de madeira nativa e contribui para diminuir o desmatamento. Esses serviços ambientais são considerados benefícios indiretos do sistema e ainda carecem de políticas públicas robustas de incentivo. Todavia, a crescente demanda por produtos agropecuários aliada à crescente conscientização ambiental, em escala global, tendem a projetar a iLPF a condições mais competitivas para o mercado global futuro, com reflexos positivos na conservação ambiental local.


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bem-estar animal e o

sistema ilpf Dependendo do tipo de árvore (nativa e exótica) e/ou arranjo utilizado (linha simples, dupla ou tripla), tem-se diminuição de 2°C a 8°C na temperatura ambiente, em relação a pastagens sem árvores. "

Fabiana Villa Alves

Pesquisadora da Embrapa Gado de Leite

Os sistemas agroalimentares, como o setor produtivo em geral, têm sofrido remodelações nos seus modelos vigentes, com particular foco nos impactos gerados ao ambiente. Nesse contexto, temas como responsabilidade ambiental, sustentabilidade, ética alimentar, biodiversidade e bem-estar animal ganham destaque e deixam de ocupar um espaço "filosófico", embasados na ética pessoal, para se tornarem aspectos práticos, quantificáveis e aplicáveis, passíveis de serem valorados. Todos, em maior ou menor grau, refletem positivamente em toda a cadeia produtiva, no chamado from farm to folk, isto é, do produtor ao consumidor, passando pela indústria. A ideia de bem-estar animal é muito mais antiga que a sua pesquisa como um campo de trabalho científico. Hoje, existem várias concepções do termo, aplicáveis a todos os tipos de animais, dos silvestres aos de cativeiro, passando pelos de companhia e experimentação. O ponto de partida para seu entendimento é o reconhecimento de que os animais são seres sencientes, ou seja, dotados de sensibilidade e capazes de perceber o que lhes passa ao redor. A Organização Mundial de Saúde Animal define bem-estar animal como a forma como o animal lida com o seu entorno,

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Opiniões e, aqui, incluem-se seus sentimentos e comportamento. Assim, pode-se assumir que um animal está em boas condições de bem-estar se estiver saudável, confortável, bem alimentado, seguro, apto para expressar seu comportamento inato e livre de dor, medo ou angústia. Isso implica prevenção e tratamento adequados de doenças, manejo e plano de alimentação adequados e, quando for o caso, abate humanitário. Sob essa ótica, falar em bem-estar animal é falar também em segurança alimentar. Em países mais avançados nesse entendimento, o conceito "bem-estar animal" assume conotação sobretudo de "bem público", com intervenções públicas normativas e de subsídios: é parte integrante, há tempos, da Política Agrícola Comum europeia, como requisito mínimo em medidas e políticas públicas para o desenvolvimento rural. Basicamente, podemos relacionar dois principais motes à sua adoção: de um lado, questões morais e religiosas, ligadas ao respeito aos animais; do outro, questões técnico-comerciais, ligadas à produção e à qualidade. Obviamente, dá-se mais ênfase à ótica ética onde já se tenha superado problemas de segurança alimentar, como nos países desenvolvidos. Naqueles em desenvolvimento, os aspectos sanitários e produtivos se mostram os principais motivos. Pode-se, então, acertadamente, pressupor que, em nível internacional, esse tema gera controvérsias, com apresentação de argumentos válidos e consistentes, porém divergentes, por ambas as partes. Não surpreende, portanto, que o bem-estar animal seja, hoje, uma das temáticas mais discutidas. Para se entender melhor o conceito “bem-estar”, três aspectos básicos devem ser considerados: a. é uma característica do animal, e não algo que lhe pode ser fornecido pelo homem; b. é um estado mutável, não estático, e pode variar em uma escala compreendida entre "muito ruim" a "muito bom"; c. pode ser avaliado cientificamente. Questões sobre como vivem e são criados os animais de produção são levantadas há mais de cinco décadas. O “Relatório Brambell”, de 1965, por exemplo, foi pioneiro em estabelecer a base para que, em 1979, o Farm Animal Welfare Council estabelecesse as “cinco liberdades”, princípios essenciais para o atendimento de um standard mínimo de qualidade de vida para animais de produção. Com base nelas, os animais devem estar: 1. livres de fome, sede e má nutrição, garantidas pela disponibilidade de água fresca e alimentos em quantidade e qualidade adequadas; 2. livres de dor, lesões e doenças, por meio da prevenção ou correto diagnóstico e tratamento; 3. livres de medo e angústia, evitando-se sofrimentos inúteis durante todo o processo criatório, inclusive durante o abate; 4. livres de desconforto, através da disponibilidade de ambiente apropriado e confortável, com condições ambientais e de alojamento compatíveis com as suas características; 5. livres para poder manifestar o padrão comportamental da espécie, permitido em ambientes com espaço adequado para a livre locomoção e interação com outros indivíduos da mesma espécie. A partir de então, foram possíveis grandes saltos qualitativos no mundo inteiro em relação 1. aos sistemas de criação, com adequações do espaço mínimo disponível por animal; fornecimento de dietas balanceadas e disponibilidade de sombra em sistemas extensivos; 2. ao transporte (embarque sem estresse e em veículos apropriados, determinação de tempo e distância máximos, sem interrupção, até o abatedouro); e 3. ao abate (sem sofrimento, com atordoamento eficaz). É verdade, porém, que o bem-estar animal apresenta escalas de valores que variam em função das diferentes ópticas éticas, temporais, culturais, socioeconômicas, mas também não se pode negar que é um caminho sem volta.

Tome-se como exemplo a exploração e o atendimento de mercados consumidores mais exigentes, interessados na chamada grass-fed beef (carne produzida em pastagens), em que é condição sine qua non tornar tangível (qualidade final do produto) o intangível (bem-estar). Em regiões tropicais, a temperatura do ar e a radiação solar são os fatores ambientais que mais afetam, direta e indiretamente, os bovinos criados em sistemas a pasto, influenciando seu bem-estar animal. Em pastagens no Brasil Central, por exemplo, animais sem disponibilidade de sombra encontram-se sob estresse térmico calórico (isto é, decorrente das altas temperaturas) em graus mediano e severo, de outubro a março. Nesse caso, conforme o nível de interação "intensidade de radiação solar x nível de adaptação ao calor do animal", verifica-se maior ou menor estresse nos animais. Como estresse e bem-estar animal são conceitos antagônicos, fica claro que práticas que visam à proteção contra a intensa radiação solar são altamente benéficas quando se pretende melhorar o grau de bem-estar animal. Animais submetidos ao estresse por calor consomem menos forragem e bebem mais água; têm seu desempenho prejudicado; aumentam a temperatura corporal, frequência respiratória, batimentos cardíacos e taxa de sudação; tornam-se irrequietos ou se prostram (ficam deitados por longos períodos), entre outros sinais. Nos últimos anos, várias tecnologias foram resgatadas como alternativas mais sustentáveis aos sistemas de produção extensivos convencionais. Uma delas, os sistemas de produção multifuncionais (integração-lavoura-pecuária-floresta, ou iLPF), além de possibilitarem a recuperação de pastagens degradadas, com baixa produtividade, proporcionam vários benefícios diretos e indiretos aos animais, com destaque para o fornecimento de sombra e melhoria das condições microclimáticas e ambientais. Dependendo do tipo de árvore (nativa e exótica) e/ou arranjo utilizado (linha simples, dupla ou tripla), tem-se diminuição de 2°C a 8°C na temperatura ambiente, em relação a pastagens sem árvores. Como resultados diretos do conforto térmico oferecido, melhoram-se os índices produtivos (ganho de peso, produção de leite) e reprodutivos (menor incidência de abortos, aumento nos índices de fertilidade, maior peso ao nascer). Somadas, as melhorias aportadas pelos sistemas iLPF à ambiência e ao bem-estar animal, ambos conceitos fortemente correlacionados, cooperam para o seu fortalecimento como ferramenta na otimização do diferencial já existente na bovinocultura brasileira – rebanhos a pasto – e podem auxiliar na sua consolidação como sustentável no cenário mundial. Diante do exposto, resta dizer que o jargão “colocar o boi na sombra” (usado na bolsa de valores, quando o investidor ganha muito dinheiro em uma operação no mercado, ao ponto de não precisar mais trabalhar), passou a ser também sinônimo de produto final diferenciado.

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ilpf - políticas de fomento

Opiniões

a adoção do sistema ilpf A Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF), definida como uma estratégia de produção sustentável, tem recebido grande apoio em políticas de fomento para aumento da sua adoção por produtores rurais em todas as regiões brasileiras. "

Luiz Adriano Maia Cordeiro Pesquisador da Embrapa Cerrados

Diversas combinações possibilitam a integração das atividades agrícolas, pecuárias e/ou florestais realizadas na mesma área. A adoção de sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF) promove a intensificação sustentável da produção rural com vários benefícios técnicos, econômicos, sociais e ambientais. Os diferentes sistemas de iLPF podem ser adotados tanto por grandes quanto por pequenos produtores rurais. Políticas de fomento é importante para o aumento da adoção por produtores rurais em todas as regiões brasileiras. Adoção da iLPF no Brasil: O potencial de adoção de sistemas de iLPF em diferentes ecossistemas brasileiros está condicionado a diversos fatores, que incluem: disponibilidade de solos favoráveis; infraestrutura para produção e armazenamento da produção; recursos financeiros próprios ou acesso a crédito; domínio da tecnologia para produção de grãos e pecuária; acesso a mercado para compra de insumos e comercialização da produção; acesso à assistência técnica; e possibilidade de arrendamento da terra ou de parceria com produtores tradicionais de grãos. Apesar de o potencial de adoção ser muito elevado nas condições brasileiras, a utilização de sistemas de integração ainda é incipiente na maioria das regiões do País, embora, nas regiões Centro-Oeste e Sul, exista um

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número significativo de propriedades rurais que empregam a modalidade de integração sem árvores, ou seja, a Integração Lavoura-Pecuária (iLP), ou sistema agropastoril. Contudo o crescente interesse pela estratégia iLPF, bem como o aumento da taxa de aceitação e de adoção pelos proprietários rurais, principalmente impulsionada pelas recentes políticas de fomento criadas nos últimos anos, tem evidenciado que essa estratégia proporcionará avanços na agricultura nacional. Políticas de fomento à adoção de iLPF: Em 2009, o Brasil assumiu compromissos voluntários de redução de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE). Esses compromissos foram ratificados na Lei Federal nº 12.187, que institui a “Política Nacional sobre Mudanças do Clima (PNMC)”. O “Plano Setorial para a Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura”, também denominado de “Plano ABC (Agricultura de Baixa Emissão de Carbono)”, é um dos planos setoriais que compõem a PNMC e cujo objetivo é promover a mitigação da emissão dos GEE na agricultura, melhorando a eficiência no uso de recursos naturais, aumentando a resiliência de sistemas produtivos e de comunidades rurais, e possibilitar a adaptação do setor agropecuário às mudanças climáticas por meio de ações típicas de transferência de tecnologias, entre outras.



ilpf - políticas de fomento Além do Plano ABC, também já foram implantadas ações voltadas a oferecer incentivos econômicos e financiamento aos produtores, como o Programa ABC (Programa Agricultura de Baixa Emissão de Carbono). Trata-se de uma linha de crédito instituída desde o Plano Agrícola e Pecuário 2010/2011 pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), que disponibiliza, anualmente, recursos com juros mais baixos e prazos diferenciados para financiar projetos de investimento e custeio que promovam a utilização de práticas adequadas, tecnologias adaptadas e sistemas produtivos eficientes que contribuam para a mitigação da emissão dos GEE. Uma das sublinhas de crédito do Programa ABC é chamada de “ABC Integração”, com foco na implantação e no melhoramento de sistemas de Integração Lavoura-Pecuária (iLP), Lavoura-Floresta (iLF), Pecuária-Floresta (iPF) ou Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF) e de sistemas agroflorestais (SAFs). Política Nacional de iLPF: Em 2013, foi sancionada a Lei Federal nº 12.805, que institui a “Política Nacional de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF)”, cujos objetivos incluem melhorar de forma sustentável a produtividade, a qualidade dos produtos e a renda das atividades agropecuárias, por meio da aplicação de sistemas integrados de exploração de lavoura, pecuária e floresta em áreas já desmatadas e fomentar novos modelos de uso da terra, conjugando a sustentabilidade do agronegócio com a preservação ambiental. Além disso, essa lei visa estimular atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica, assim como atividades de transferência de tecnologias voltadas para o desenvolvimento de sistemas de produção que integrem, entre si, ecológica e economicamente, a pecuária, a agricultura e a floresta. Essa legislação estabelece novas atribuições para o poder público referentes ao fomento da adoção da iLPF como estratégia de produção. Entre elas, estão: • Definir planos de ação regional e nacional para expansão e aperfeiçoamento dos sistemas, com a participação das comunidades locais; estimular a adoção da rastreabilidade e da certificação dos produtos pecuários, agrícolas e florestais oriundos de sistemas integrados de produção; • Capacitar os agentes de extensão rural, públicos, privados ou do terceiro setor, a atuarem com os aspectos ambientais e econômicos dos processos de diversificação, rotação, consorciação e sucessão das atividades de agricultura, pecuária e floresta; • Criar e fomentar linhas de crédito rural consoantes os objetivos e princípios da Política Nacional de iLPF e os interesses da sociedade; • Estimular a produção integrada, o associativismo, o cooperativismo e a agricultura familiar; • Promover a geração, a adaptação e a transferência de conhecimentos e tecnologias; • Fiscalizar a aplicação dos recursos provenientes de incentivos creditícios e fiscais; • Difundir a necessidade de racionalização do uso dos recursos naturais nas atividades agropecuárias e florestais, por meio da capacitação de técnicos, produtores rurais, agentes do poder público, agentes creditícios, estudantes de ciências agrárias, meios de comunicação e outros;

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• Assegurar a infraestrutura local necessária aos me-

canismos de fiscalização do uso conservacionista dos solos; • Estimular a mudança de uso das terras de pastagens convencionais em pastagens arborizadas para a produção pecuária em condições ambientalmente adequadas, a fim de proporcionar aumento da produtividade pelas melhorias de conforto e bem-estar animal; • Estimular e fiscalizar o uso de insumos agropecuários. Outras políticas de fomento à adoção da iLPF: entre outras ações em execução pelo Ministério da Agricultura – MAPA, vale destacar a instituição do Programa de Recuperação de Áreas Degradadas na Amazônia (Pradam), e, entre as tecnologias aplicáveis, destacam-se a agricultura orgânica, os sistemas de produção integrada, a iLPF, o Sistema Plantio Direto e SAFs. O MAPA também coordena, em conjunto com a Embrapa e com o Serviço Brasileiro de Aprendizagem Rural (Senar), o projeto ABC Cerrado, que é parte do Plano de Investimentos do Brasil junto ao Programa de Investimentos Florestais (FIP, na sigla em inglês), que, por sua vez, é um dos fundos de mudanças climáticas hospedados no Banco Mundial, tendo como principal objetivo apoiar os esforços dos países em desenvolvimento para reduzir emissões de GEEs por desmatamento e degradação florestal. O objetivo geral do Projeto ABC Cerrado é promover a adoção de tecnologias agrícolas sustentáveis de baixa emissão de carbono por produtores agropecuários de médio porte no cerrado, com consequente aumento das áreas que utilizam esses sistemas. Uma das principais tecnologias componentes do projeto é a iLPF. A Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais – Seapa, em conjunto com a Emater-MG, criou o plano de ação “Integração Lavoura, Pecuária e Floresta em Propriedades Rurais”, que implantou, em diversos municípios do estado de Minas Gerais, diversas Unidades Demonstrativas (UD) de sistemas de iLPF com as culturas do eucalipto, milho e braquiária. No estado de São Paulo, foi criado, em 2013, o programa “Integra São Paulo: Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF)”, que pretende recuperar mais de 300 mil hectares de áreas e pastagens degradadas dentro de sete anos da criação do mesmo. Os financiamentos serão obtidos por meio do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (Feap), que disponibilizará duas linhas de crédito especiais: a primeira é a linha de Subvenção para Recuperação de Áreas Degradadas por Grandes Erosões (Radge); a segunda é a linha de crédito Projeto Integra SP, que financiará desde o processo de adubação e cobertura de solo até a implantação de sistemas integrados de produção. A Integração Lavoura‑Pecuária‑Floresta (iLPF), definida como uma estratégia de produção sustentável, tem recebido grande apoio em políticas de fomento para aumento da sua adoção por produtores rurais em todas as regiões brasileiras. Várias políticas públicas em torno desse tema foram criadas no Brasil, como o Plano e o Programa ABC (Agricultura de Baixa Emissão de Carbono), a Política Nacional de iLPF e outros programas governamentais nacionais e estaduais.


ilpf - amazônia

Opiniões

o sistema ilpf na

amazônia

A expansão dos sistemas pecuários na região Amazônica está fortemente ligada aos incentivos fiscais concedidos pelo Governo Federal a partir de 1965, bem como a abertura de estradas como a Belém-Brasília (BR-010), Pará-Maranhão (BR-316) e PA-70, hoje denominada BR-222. Em grande parte, as pastagens cultivadas foram responsáveis por substanciais devastações da floresta amazônica. O manejo inadequado das pastagens e as altas taxas de lotação animal contribuíram fortemente para a perda da capacidade produtiva dessas áreas, que foram gradativamente sendo abandonadas e substituídas por novas áreas de floresta, o que gerou um ciclo contínuo de desmatamento e degradação na região. Estima-se que 30 milhões de hectares de pastagens estejam degradadas na Amazônia. São áreas de baixa produtividade, e sua recuperação é uma alternativa, aliada a outras também, para reduzir as taxas de desmatamento. Alguns autores estimam que, para cada hectare de pastagem de baixa produtividade recuperada, cerca de três hectares poderiam ser, teoricamente, destinados à agricultura, a plantios florestais ou de preservação. Com a melhoria da qualidade nutricional das pastagens recuperadas, mesmo em pequenas propriedades, pode-se detectar um impacto positivo no aumento da produção e da eficiência da pecuária regional. A região Norte é a segunda do País com maior efetivo bovino, contabilizando 44,7 milhões de cabeças em 2013, o que corresponde a 21,1% do total nacional, destacando-se os estados do Pará e de Rondônia, com 19,17 e 12,33 milhões de cabeças, respectivamente. Atualmente, a Amazônia vem atraindo empreendedores agropecuários que exploram, principalmente, áreas

de pastagens degradadas incorporando-as ao processo produtivo. Os principais atrativos são as chuvas frequentes, que favorecem o cultivo de mais de uma safra/ano; a presença dos portos de Porto Velho-RO, Itacotiara-AM e Santarém-PA, que favorecem o escoamento da produção; e o preço acessível de terras. Essa expansão foi fortemente influenciada pelas condições naturais, antes consideradas inóspitas, e pelos investimentos em tecnologia. A agricultura vem se expandindo anualmente com as culturas de arroz, milho e soja, principalmente nos estados do Pará, de Rondônia, de Roraima e do Tocantins. Em termos de área plantada, a região Norte apresentou acréscimo de 4,7% na soja e de 0,1% na de milho; para o arroz, houve redução de 3,5% relativos a 2013. No que se refere à produção, houve acréscimos de 0,7% para o arroz, 10,6% para a soja, e diminuição de 3,1% para o milho, totalizando 6 milhões de toneladas ou 3% da produção nacional desses produtos; porém, comparativamente à safra passada, foram constatados incrementos de 9,2%. No entanto, diante das questões ambientais, sociais e econômicas, a sustentabilidade da produção agropecuária, de uma forma geral, passa pela diversificação, e, assim, a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF) vem contribuir significativamente para a sustentabilidade da produção agropecuária e florestal na região Norte. Diversas iniciativas vêm sendo realizadas pela pesquisa e por produtores, entendendo que a solução para o aproveitamento do grande contingente de áreas degradadas e a necessidade de continuar produzindo na região Amazônica tornam os sistemas in-

A região (amazônica) sofre fortes pressões devido a exploração de recursos naturais e a expansão da agropecuária. Entretanto, observa-se uma tendência no uso da iLPF para a recuperação de áreas alteradas "

Gladys Beatriz Martinez

Pesquisadora da Embrapa Amazônia

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ilpf - amazônia tegrados a grande oportunidade para recuperação de áreas improdutivas, conciliando produção com sustentabilidade ambiental. As pesquisas realizadas estão localizadas nos estados do Amazonas, do Acre, de Rondônia, do Pará, do Amapá, do Amazonas e de Roraima. As modalidades de iLP mais encontradas são: milho + brachiaria para renovação de pastagens em áreas predominantemente de pecuária (foto superior); soja e/ou arroz como cultura principal e forrageira implantada em sobressemeadura ou após a colheita; soja como cultura principal, milho safrinha consorciado com brachiaria em polos sojicultores tradicionais. No caso do iLPF, o componente florestal é inserido nos sistemas, sendo o eucalipto a espécie mais comumente utilizada (foto inferior). No Pará, além do eucalipto, o mogno africano tem despertado interesse pelos produtores, e, em menor proporção, algumas espécies nativas. Onde a pecuária é a principal atividade, os sistemas integrados são utilizados para a renovação das pastagens. Desse modo, a gramínea forrageira é introduzida no sistema no momento do plantio do milho junto ao adubo de base, sendo possível também inseri-la no sistema por ocasião da adubação nitrogenada de cobertura necessária ao milho. Após a colheita do milho, a pastagem estará estabelecida. Outra opção é a renovação da pastagem mediante cultivo de grãos (arroz, milho, soja) em sucessão ou rotação por 2 a 4 anos, sendo que, no último ano, é introduzida a forrageira. Para o caso de produtores de grãos, a introdução das gramíneas no sistema apresenta um duplo propósito: formação de palhada e produção de forragem.

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Opiniões Conforme se apresente o clima, os produtores trabalham com uma safra de grãos e, em seguida, estabelecem a forrageira para produção do “boi safrinha”, ou seja, engorda de bovinos com uma taxa de lotação reduzida, em que a gramínea residual será palhada para o plantio direto de grãos na próxima safra. Em outros casos, tem-se a safra principal e a safrinha com grãos e uma “terceira safra” com a engorda de bovinos. São tradicionalmente utilizados e recomendados o milho e o sorgo para silagem; e, para pastagem, as brachiarias são predominantes nos sistemas. O componente florestal dos sistemas integração lavoura-pecuária-floresta - iLPF e integração pecuária-floresta - iPF, em sua maioria, é adotado por pequenos e médios produtores, visando ao bem-estar animal e raramente para sua exploração comercial. Atualmente, as espécies exóticas em estudo são a gliricídia, a teca, o mogno africano, o nim indiano e, predominantemente, o eucalipto. Alguns produtores de grande porte têm utilizado, com sucesso, a integração da pecuária com árvores, sendo o eucalipto a espécie mais utilizada. É compreensível a opção por essa espécie, porque o mercado já dispõe de clones de mudas adaptadas e o sistema de produção amplamente conhecido, com o mínimo de riscos para o produtor. Em contrapartida, embora a diversidade de espécies nativas na Amazônia seja grande, o conhecimento silvicultural para sua exploração ainda é restrito. No entanto algumas espécies vêm sendo estudadas e utilizadas, como o bordão de velho, o cedro-doce, o táxi-branco, o paricá, a baginha, o mogno, o mulateiro, o cumaru, a castanha-do-brasil. A escolha da espécie para o sistema iLPF dependerá de fatores que poderão influenciar no sucesso da atividade, sendo eles, principalmente: finalidade do componente florestal, comercial ou não; mercado consumidor; a disponibilidade de mudas de qualidade (poucos os viveiros legalizados com mudas em quantidade e qualidade); condições climáticas locais; e o tratamento da árvore selecionada. Quanto aos animais, eles entram no sistema após a colheita e se alimentam dos resíduos da cultura e das plantas de cobertura utilizadas. No entanto, é necessário aguardar o estabelecimento da pastagem por um período de 30 a 45 dias, bem como as árvores atingirem o tamanho e o diâmetro do caule consideráveis para compartilhar com os animais. Assim, a adoção de tecnologia para recuperar áreas alteradas, elevar a produtividade e reduzir os custos vem sendo essencial para contrapor à expansão da fronteira agrícola, considerando que os custos financeiros para o uso das tecnologias disponíveis são altos, enquanto o retorno econômico desses investimentos depende de fatores que, em geral, apresentam variações sazonais e regionais. A região sofre fortes pressões devido a interesses econômicos diversos, como a exploração de recursos naturais e a expansão da agropecuária. Entretanto observa-se uma tendência a relativa homogeneização no uso das tecnologias que envolvem os sistemas integrados para a recuperação de áreas alteradas, e esse processo é mais evidente nas regiões de fronteira agrícola relativamente consolidada.



ilpf - matopiba (MA, TO, PI e BA)

sistema ilpf no

matopiba

Isso mostra que o sistema iLPF tem maior viabilidade produtiva, maior retorno financeiro, maior oferta de empregos, além de maior acréscimo de matéria orgânica, atividade biológica do solo e de sequestro de carbono. "

Marcos Lopes Teixeira Neto

Pesquisador e Coordenador do Projeto iLPF na Embrapa Meio-Norte

A região do Matopiba abrange 31 microrregiões e 337 municípios dos estados do Maranhão (33%), Tocantins (38%), Piauí (11%) e Bahia (18%), tendo uma área total de 73 milhões de hectares, dos quais 91% no bioma cerrado, 7,3% no bioma Amazônia e 1,6% no bioma caatinga. A atividade agropecuária responde por quase 10% da produção de grãos no Brasil, com a predominância da soja, destacando-se também a pecuária bovina e as florestas plantadas, como o eucalipto. A ocupação dessa região para fins agropecuários se deu de forma distinta para produção agrícola, pecuária e florestal, ou seja, lavoureiros só produzem grãos, pecuaristas só produzem carne e madeireiros só cultivam florestas em monocultivo. A partir de 2005, a Embrapa vem desenvolvendo alternativas para essa produção, que é a chamada Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF), cujo trabalho é feito por uma equipe multidisciplinar dos centros de pesquisa da empresa na região do Matopiba (Embrapa Meio-Norte, Embrapa

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Cocais, Embrapa Pesca e Aquicultura e a Embrapa Cerrados), nas principais regiões produtoras de cada estado como sudoeste do Piauí, sul e leste do Maranhão, oeste da Bahia e em Tocantins. As ações são em parceria com produtores através de suas fazendas, que se tornam Unidades de Referência Tecnológica (URT) no sistema. Os sistemas validados – conforme demonstrados nos diagramas – foram o agropastoril, envolvendo os componentes agrícola e pecuário, seguindo um plano de rotação com o plantio das águas de culturas de grãos em cultivo solteiro e em consórcio com forrageiras, tanto no início das chuvas como em safrinha, seguido de terminação de bois a pasto na entressafra na mesma área de cultivo, em um mesmo ano agrícola. O agrossilvipastoril envolve os componentes agrícola, pecuário e florestal, num arranjo onde o eucalipto é plantado em faixas espaçadas, em função das operações com máquinas agrícolas, e a lavoura indo até o terceiro ano, com duas safras seguidas de soja e uma de milho em consórcio com forrageiras gramíneas, deixando formada uma pastagem para o componente pecuário até o sétimo ano, quando deve ser cortado o eucalipto para o mercado, podendo-se deixar as árvores de maior porte para poste ou madeira para serraria.


Opiniões Área plantada e rendimento em safrinha

Cultura Unidade Milho + ruziziensis Sorgo granífero Feijão comum Milheto grão

Sistema Agropastoril

Sistema Agrossilvipastoril Área em 1ª safra e rendimento agrícola e pecuário Ano Agrícola

Área

Unidade 2004/2005 2005/2006 2006/2007 2007/2008 2008/2009 2009/2010 2010/2011 2011/2012 2012/2013 Média

ha saca 60 kg ha-1 saca 60 kg ha-1 43 137 146 143 57,1 440 145 58,5 800 155 63,0 990 156 60,8 1.065 156 58,1 1.077 160 58,3 1.057 156 59,0 1.050 168 63,0 153 59,7

Milho

Soja

Ganho de peso @/boi 3,8 4,2 3,0 4,6 4,2 4,0 4,8 4,08

@/ha-1 8,5 9,3 7,3 10,1 9,2 12,8 11,1 9,8

Comparativo da produção em monocultura e em iLPF Culturas

Sem iLPF

Com iLPF

Incremento Produção Produção Área t ha 14.328 0.228

Unidade Soja em grãos

Área ha 5.000

Produção t 14.100

Área ha 4.000

Milho em grãos Safrinha de grãos Carne bovina TOTAL

5.000

14.100

1.000 3.293 1.300 9.593

9.180 8.893 191 32.592

9.180 8.893 0.191 18.492

2,82 t/ha

+92%

6,52 t/ha

129%

Área Rendimento ha saca 60 kg ha-1 914 82,0 970 40,0 90 16,8 1.319 25,0

Entre os resultados das principais URTs, destacam-se os da Fazenda Santa Luzia, em São Raimundo Mangabeiras, nos cerrados maranhenses, em destaque nas tabelas, que demonstram a área em 1ª safra e rendimento agrícola e pecuário de 2005 a 2013, e a área plantada e rendimento em safrinha em 2013 e 2014. A fazenda se tornou, após dez safras, referência em iLP e iLPF na região, adotando uma estratégia de produção com um plano de rotação e de ocupação intensiva dos seus 5.950 ha. No período das chuvas, realiza a 1ª safra com soja e milho + forrageiras, ficando o restante da área com pastagem permanente, eucalipto, acácia mangium e a área de APP. Após a colheita da soja, faz a safrinha com milho + forrageiras na área da primeira janela de plantio, o sorgo granífero e o feijão comum, ou o feijão-caupi na área da segunda janela de plantio, e o milheto e a Braquiária ruziziensis em sobressemeadura na fase R5 (vagens em fase de granação) da soja na última janela de plantio, completando o uso da área na entressafra com terminação de bois na pastagem oriunda do consórcio. Assim é que a mesma área de cultivo torna-se intensivamente utilizada, uma vez que se tem 5.000 ha com lavouras em 1ª safra, 3.293 ha em safrinha e terminação de bois em 1.300 ha de pastagem. Observa-se, na tabela sobre o Comparativo da produção em monocultura e em iLPF, considerando o período de 2005 a 2013, o uso intensivo da área de cultivo, uma vez que se tem 5.000 ha com lavouras em 1ª safra, 3.293 ha em safrinha e terminação de bois em 1.300 ha de pastagem, levando a um incremento na produção de alimento em comparação com o que era produzido antes de ser validada e utilizada a iLPF na fazenda (2,82 t/ha/ano, quando era apenas soja em monocultivo, e 6,52 t/ha/ano, depois de adotada a iLPF), sem contar os rendimentos do componente florestal, que devem ocorrer em 2016. Isso mostra um sistema que tem viabilidade produtiva (maior produtividade), econômica (maior retorno financeiro), social (maior oferta de empregos) e ambiental (acréscimo de matéria orgânica e da atividade biológica do solo, sequestro de carbono, etc.). Em resumo, pode-se dizer que, no contexto da região do Matopiba, poder-se-á dobrar a oferta de alimentos nas próximas décadas, sem a necessidade de abertura de novas áreas, podendo, inclusive, reduzir o desmatamento, constituindo-se um sistema que pratica uma agricultura de baixa emissão de carbono com preservação dos recursos naturais e mantendo o solo produtivo, hoje e para futuras gerações.

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ilpf - nordeste

Opiniões

ilpf na recuperação de pastagens A região Nordeste do Brasil compreende 1,56 milhão de km2, dos quais o semiárido ocupa 0,98 milhão, sendo o 0,58 milhão restante ocupado pela Zona da Mata e áreas costeiras. Segundo o IBGE, existem, no Nordeste, 30,5 milhões de hectares ocupados com pastagens, sendo 16 milhões com pastagens naturais e 14,5 milhões com pastagens cultivadas. Do total de cultivadas, 12,3 milhões de hectares são de pastagens em boas condições, e apenas 2,2 milhões de degradadas. No entanto, aplicando-se para a região a mesma estimativa de 80%, feita por Kichel, para o Brasil, o quantitativo de pastagens nordestinas com algum grau de degradação seria de 11,6 milhões de hectares. Considerando-se, ainda, que a maior parte do semiárido é ocupada pela caatinga, essa composição florística deve ter sido considerada pelo IBGE como “áreas ocupadas com essências florestais também usadas para pastejo”, e não como pastagens. Essa categoria de florestas representa, no Nordeste, 19 milhões de hectares. Dessa forma, estima-se que os 16 milhões de hectares com pastagens nativas estão, em sua maioria, localizados em locais onde a caatinga foi removida, enquanto as cultivadas estão nas zonas mais úmidas, representadas pelo agreste e a mata. O rebanho da região Nordeste, em 2006, era composto de 25,3 milhões de bovinos, 6,47 milhões de caprinos, 7,8 milhões de ovinos, que têm, nas pastagens, sua fonte quase exclusiva de alimento e encontram-se, em maiores concentrações, nas zonas da mata e no agreste. Em ambos os casos, a quantidade de animais é bem acima do que as pastagens podem suportar, condicionando a uma crescente degradação das mesmas. A iLPF, em suas diversas modalidades, tem sido apontada como a estratégia mais sustentável para a recuperação das pastagens degradadas e sua permanência ao longo do tempo nas diversas regiões do País. No Nordeste, porém, as pesquisas com sistemas de integração ainda são recentes, mas já apresentam resultados bastante satisfatórios. A adoção desses sistemas, por outro lado, ainda é incipiente, necessitando de estratégias de transferência mais efetivas e em maior quantidade. iLPF no semiárido: As estratégias de iLPF para o semiárido têm como foco principal o manejo racional da vegetação nativa da caatinga e o desenvolvimento de modelos produtivos. O uso de espécies nativas, como maniçoba, mandioca, pornunça, mamãozinho-de-veado,

postumeira, mandacaru sem espinho, camaratuba, umbuzeiro, mororo e sabiá, visam a seus aproveitamentos em sistemas isolados ou em consórcio com outras forrageiras herbáceas e arbóreas. Além das forrageiras nativas, espécies exóticas, como os capins buffel e urocloa, as palmas forrageiras, as leguminosas arbóreas leucena, gliricídia e algaroba são também utilizadas. Quanto aos modelos produtivos, o foco tem sido a integração dos elementos nativos ou exóticos adaptados, dando origem a modelos capazes de aumentar a sustentabilidade dos sistemas produtivos. Sistema CBL: Caatinga/Buffel/Leguminosas arbóreas. Garrotes criados nesse sistema podem atingir 14-15 arrobas aos 24-30 meses. Em termos de quilogramas de bezerros desmamados, o sistema propicia um aumento de 1.000% em relação ao sistema tradicional. Cabrito Ecológico: Caprinos de raças ou ecotipos nativos criados semiextensivamente com pastejo em áreas de caatinga e capim-buffel, com suplementação nos períodos críticos do ano usando resíduos agrícolas ou agroindustriais. Sistema Sipro - Sistema Integrado de Produção Experimental: Simulação de propriedade com quatro componentes ou subsistemas: agricultura dependente de chuva (11,57 ha), agricultura com irrigação de salvação (1,5 ha), pecuária baseada na exploração da caatinga e produção florestal. Sistema agrossilvipastoril: Sistema integrado abrangendo três parcelas de igual dimensão: área destinada à produção agrícola, à atividade pastoril e à produção madeireira. iLPF nas Zonas da Mata e Agreste: As iniciativas de implantação de sistemas de iLPF na Zona da Mata baseadas em recomendações tecnológicas têm um histórico muito recente e são ainda em pequeno número. Um exemplo dessa iniciativa são os sistemas implantados por algumas grandes empresas de produção de celulose em plantações de eucaliptos e pinho Bahia. Esses sistemas seguem o modelo clássico adotado por empresas similares no estado de Minas Gerais e oeste da Bahia. Em virtude da necessidade de adaptações na estrutura do sistema florestal vigente e de uma maior lucratividade do componente madeireiro em comparação ao pecuário, o sistema integrado não tem tido grande expansão nessas empresas, mas desponta como excelente opção

Os sistemas iLPF possuem aplicabilidade para quase todas as diferentes condições de clima, solo, topografia, tamanho da propriedade, modelo da empresa agrícola, condição social dos atores e sistema agropecuários da região Nordeste. "

José Henrique de Albuquerque Rangel

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Pesquisador da Embrapa Tabuleiros Costeiros


Participe do encontro dos maiores especialistas em agricultura sustentável

Centro de Convenções Ulysses Guimarães Brasília, DF

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ilpf - nordeste para médios e pequenos pecuaristas locais, que começam a ver na silvicultura uma alternativa de aumento da renda da propriedade. Por outro lado, os sistemas iLPF baseados no uso da gliricídia ou da leucena como componente arbóreo em consórcio com lavouras, gramíneas e palma forrageira estão em grande expansão nessas sub-regiões. Especificamente para a condição das áreas costeiras, o consórcio da gliricídia com o coqueiro tem mostrado resultados bastante promissores. Um sistema que se tem mostrado de alta eficiência para a recuperação de pastagens degradadas das Zonas da Mata e Agreste é o consórcio da gliricídia com milho e capim-braquiarão. A gliricídia é cultivada em alamedas com o milho e o braquiarão, cultivados juntos nos dois primeiros anos entre as alamedas, em plantio direto. A entrada dos animais em lotação rotacionada é feita no segundo ano após a colheita do milho. Daí em diante, o produtor escolhe entre continuar com o sistema de iLPF completo, com nova cultura do milho, ou apenas com o sistema silvipastoril.

Um ensaio de longo prazo vem sendo conduzido nos tabuleiros costeiros de Sergipe desde 2008, comparando a eficiência desse sistema à B. brizantha em monocultivo e sem fertilização nitrogenada, ou fertilizada com nitrogênio nas doses de 80, 160 e 240 kg de N ha-1. Uma análise financeira simplificada é apresentada na tabela em destaque, considerando apenas como entradas a comercialização das arrobas ganhas no ano, em cada um dos sistemas, a um valor básico de R$ 100,00, e, como custos, os valores dos fertilizantes usados em cada um dos tratamentos, também considerando um valor básico de R$ 1.000,00 por tonelada. No sistema de braquiária brizantha fertilizado com nitrogênio, ocorreu um aumento da margem bruta de lucro até a dose de 80 kg/ha, enquanto, no sistema consorciado, foi mais do que o dobro daquela. Dessa forma, o sistema consorciado com gliricídia, além de outras vantagens não levantadas nesse trabalho, tem maior sustentabilidade econômica do que a aplicação de fertilizantes nitrogenados minerais. Na tabela, destaca-se a análise financeira simplificada da produção de garrotes em sistemas de Brachiaria brizantha fertilizado com diferentes doses de nitrogênio ou em consórcio com a Gliricidia sepium. Tratamento

Produção

Renda bruta

Custo fertilizante

Margem bruta de lucro

Unidade

@/ha

R$

R$

R$

0N 80 N 160 N 240 N iLPF

9,7 14,9 16,7 16,6 22,9

970,00 1.490,00 1.670,00 1.660,00 2.290,00

490,00 668,00 930,00 1.204,00 490,00

480,00 822,00 740,00 456,00 1.800,00

Na Zona do Agreste, mais especificamente visando aos produtores de leite, tem-se estudado a utilização de pastagens cultivadas com os capins: buffel, grama aridus e urocloa em consórcio com gliricídia ou leucena; bancos de proteína de leucena ou gliricídia, consorciado com milho e/ou feijão; áreas de palma forrageira consorciadas com gliricídia nas linhas e milho nas entrelinhas; áreas reflorestadas com sabiá e cercas vivas forrageiras de gliricídia. Esses sistemas já têm suas eficiências comprovadas, mas necessitam de maiores esforços para suas difusões e adoção. Os sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (iLPF) possuem aplicabilidade para quase todas as mais diferentes condições de clima, solo, topografia, tamanho da propriedade, modelo da empresa agrícola, condição social dos atores e sistema agropecuários da região Nordeste. Em alguns locais, modelos simples de integração já são praticados há algum tempo, independente da existência de modelos previamente desenvolvidos e difundidos entre os produtores. Para essa situação, um programa de pesquisa e transferência de modelos, adaptados às condições locais, possui maior chance de adoção e sucesso. A introdução de espécies arbóreas com maior número de serviços do que as encontradas, ou a seleção daquelas mais eficientes entre as existentes, bem como o uso de novos modelos de distribuição espacial das árvores na pastagem, são estratégias muito bem recebidas por aqueles produtores que já se beneficiam do consórcio. Sistema de integração coqueiro/gliricídia

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ilpf - produtor rural

Opiniões

oportunidades e desafios da

ilpf

Durante 9 anos de utilização da iLPF, observei que a produtividade das culturas de grãos vem aumentando ano após ano, houve uma redução de custos com adubação nitrogenada e um salto no aumento da matéria orgânica dos solos da fazenda. "

Marize Porto Costa

Produtora rural - Fazenda Santa Brígida

A integração entre culturas de grãos e atividades pecuárias e florestais, ou “intensificação sustentável”, entrou na minha vida por absoluta necessidade de viabilidade econômica. Em 2006, quando decidi assumir a gestão da nossa fazenda, me deparei com a dura realidade que assusta milhares de produtores rurais que precisam recuperar solos degradados e áreas pouco produtivas das suas propriedades: a falta de crédito e, principalmente, do domínio da tecnologia para reverter a situação. Analisando as opções disponíveis, concluí que a recuperação pelo método tradicional era inviável, caro, e o retorno do investimento, lento e duvidoso. Havia um elo perdido naquela abordagem e deveria ter uma forma mais inteligente para resolver o problema. Entrei em contato com a Embrapa e fui orientada a implementar uma nova tecnologia, denominada Integração Lavoura-Pecuária (iLP), que iria proporcionar uma melhoria nas propriedades físicas, químicas e biológicas dos solos da fazenda, além de recuperar os solos degradados a baixo custo e produzir, já no primeiro ano, pastagens de alta qualidade para os animais.

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Opiniões Naquela oportunidade, essa foi minha motivação principal, sem me dar conta de que essa tecnologia de integração, muito apropriada para as regiões tropicais do mundo, viria proporcionar um uso mais intensivo da terra, otimizando os meus recursos disponíveis na época, com efeitos positivos sobre a sustentabilidade da minha atividade. Três anos depois, com a evolução do sistema de integração por toda a fazenda, introduzi a floresta de eucaliptos e, assim, completei o ciclo, integrando totalmente a produção de grãos com a pecuária e com a produção de energia e madeira, para o equilíbrio ambiental da propriedade. Aliás, nessa questão ambiental, estamos desenvolvendo, juntamente com a Fundação Espaço Eco, da Basf, e a Engenheira Ambiental Marcela Porto Costa, um estudo de socioecoeficiência agrícola (AgBalance), comparando sistemas integrados de iLP, iPF e iLPF na Fazenda Santa Brígida com não integrados de fazendas convencionais vizinhas, que deverá comprovar as vantagens do sistema. Durante esses 9 anos de utilização da integração, observei que, enquanto a produtividade das principais culturas de grãos vem aumentando ano após ano, houve uma redução de custos com adubação nitrogenada e um salto no aumento da matéria orgânica dos solos da fazenda. Os pastos recuperados dão suporte a um número cada vez maior de animais, e a floresta já está chegando no momento do corte. Sob o aspecto econômico, a realização de duas safras de grãos por ano, agregada à criação de bois, tem diminuído os riscos da minha atividade, criando vários fluxos de receitas ao longo do ano. Entretanto, esse sistema de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta introduz uma complexidade de gestão que anteriormente não existia, passando a exigir do produtor rural e do governo uma maior profissionalização, além de instrumentos mais modernos de apoio que ainda não estão disponíveis. Para uma gestão eficiente da integração, é fundamental a implementação de sistemas de gerenciamento mais complexos, a qualificação de funcionários para a execução de tarefas multifuncionais, bem como a introdução de conceitos de qualidade total rural. Um sistema de cargos, salários e participação nos resultados também se faz necessário para um melhor desenvolvimento e retenção dos funcionários. Na esfera dos diversos níveis de governos, será necessário evoluir na elaboração de uma legislação trabalhista mais moderna, que considere os fundamentos da atividade rural, bem como uma política de crédito rural e custeio mais flexível e rotativa ao longo do ano, para atender às diversas demandas da propriedade, que trabalha com um sistema intensivo de produção, e não apenas por produto, como é feito atualmente. No âmbito da extensão rural, é imperativo que se reorganize o sistema nacional de assistência técnica rural e que nossas universidades formem profissionais nas áreas de ciências agrárias que tenham o conhecimento para exercerem a gestão de um sistema integrado e bem mais complexo de produção rural. Finalizando, penso que, atualmente, estamos com meio caminho andado, no que tange à efetiva implantação do sistema de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta no Brasil. Entretanto, enquanto no desenvolvimento da sua tecnologia estamos caminhando bem, de forma firme e veloz, ainda nos falta um sem-número de ações complementares, necessárias para o seu pleno funcionamento e para atingir os objetivos da produção sustentável: ser economicamente viável, ambientalmente correto e socialmente justo.

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ilpf - produtor rural

Opiniões

a produção da

"carne neutra"

as árvores formam um grande e contínuo bosque, que reduz a temperatura em 2 graus. O conforto térmico gerado permite ao gado pastar mais horas por dia, produzindo uma maior eficiência na conversão de capim para carne. "

Leonardo de Oliveira Resende Produtor Rural - Fazenda Triqueda

A Fazenda Triqueda, situada no município de Coronel Pacheco-MG, é produtora de madeira de eucalipto para serraria e de gado de corte da raça Brangus, sendo seu foco principal o binômio da renda e da preservação ambiental. Em um passado recente, a fazenda atuou exclusivamente na atividade da pecuária de corte a pasto, que era a sua única fonte de renda, mas, apesar de ser lucrativa, a taxa de remuneração do capital obtida no negócio era inferior à taxa mínima de remuneração do capital livre de risco. No ano de 2000, a Fazenda Triqueda avaliou a rentabilidade dos seus últimos 5 anos. Para tanto, foi utilizado o valor da terra, o valor das benfeitorias, o valor do gado e o capital de giro necessário. A taxa de retorno obtida foi de 6% ao ano, considerada insuficiente para o nível de risco da atividade. Na busca por se manter na atividade, a fazenda adotou um Modelo de Gestão Sustentável, cujo objetivo é alcançar níveis de lucratividade, com investimentos na integração da pecuária com as florestas plantadas. O Plano de Negócios da fazenda foi concebido sob a premissa de obtenção de que uma remuneração mais adequada para a atividade passaria, necessariamente, por uma otimização do lucro por hectare. Apesar de lucrativa, a atividade de pecuária de corte a pasto encontra, na taxa de lotação, um fator limitante, não

ultrapassando, na grande maioria dos casos, o valor de 2 cabeças por hectare, fazendo com que, na análise de rentabilidade, o peso dos custos fixos se apresente como uma restrição para almejar patamares superiores de lucratividade. Iniciamos um processo de pesquisa de outras possibilidades dentro do agronegócio que poderiam aumentar a nossa taxa de retorno e, como já era esperado, encontramos algumas atividades que vêm se destacando nas últimas décadas no Brasil, dentre elas, podemos citar a produção de grãos (como a soja e o milho), a de cana-de-açúcar e a silvicultura. Após avaliar algumas alternativas, optamos pela Integração da Pecuária de Corte com o plantio de árvores para serraria. Como a Fazenda Triqueda sempre teve um perfil conservador de investimentos, encontramos na atividade florestal um casamento perfeito para as áreas de pastagem, já existentes em nossa propriedade. Na integração, a utilização das áreas da Fazenda Triqueda é destinada a duas atividades que atuam de forma integrada no mesmo espaço e ao mesmo tempo, ou seja, o mesmo hectare que só produzia carne passou a produzir carne e madeira. Vale destacar que o formato do projeto aplicado na pecuária de corte pode ser transferido para o leite, seguindo os mesmos princípios tratados neste texto. Ao sair do modelo convencional, a Fazenda Triqueda entendeu, logo no início, que precisava fazer contato com Instituições de Pesquisa e Ensino em sua área de atuação, a fim de obter a transferência de tecnologia e conseguir um salto de qualidade em suas operações. Sendo assim, a fazenda aproximou-se da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), da Universidade Federal de Viçosa (UFV) e da

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ilpf - produtor rural Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP). Todas essas instituições nos receberam de braços abertos e temos, para com elas, grande reconhecimento e gratidão. Destaco, aqui, a participação dos pesquisadores Marcelo Muller (Embrapa Gado de Leite) e Vanderley Porfírio (Embrapa Florestas), que tornaram a Fazenda Triqueda, desde 2006, uma Unidade de Observação de Integração Pecuária e Floresta da Embrapa e nos ajudaram nas principais definições estratégicas do projeto, como a escolha da espécie e a finalidade do plantio florestal. A escolha do eucalipto ocorreu pelo fato de, entre todas as espécies florestais, ser a que mais tem um uso consolidado e apresenta um pacote tecnológico muito bem delimitado, com vasto histórico de pesquisas sobre material genético, fertilização, manutenção florestal e de todas as demais operações até a madeira chegar ao seu destino de consumo. A escolha de madeira para serraria ocorreu devido ao fato de ter um mercado mais estável e com maior valor agregado por árvore, ou seja, já que, no plantio integrado, ocorre uma menor densidade de árvores por hectare do que no convencional (na relação de 250 arv/ha para 1.111 arv/ha), é desejável que essas árvores tenham o maior valor possível. Devido ao fato de a atividade florestal ser nova para a fazenda, o plantio foi escalonado em 4 anos, proporcionando uma curva de aprendizado da atividade mais harmônica; podemos também citar outros benefícios do escalonamento, como a manutenção do rebanho na propriedade (pois continuamos com 75% das pastagens disponíveis) e a diluição do investimento e das receitas de vendas das toras. Nos plantios de eucalipto bem conduzidos, a introdução do gado pode ocorrer após 6 meses de idade, quando as árvores devem ter, aproximadamente, 3 metros de altura. A introdução do gado deve ser feita com animais leves, preferencialmente de média de peso de 6 arrobas. Ressalvo, aqui, que não conseguimos eliminar a perda ou a quebra de árvores pela ação do gado, mas sim minimizá-las a um número aceitável, que não deve ser superior a 1% do total de mudas plantadas. Para garantir o sucesso na introdução dos bezerros, devemos realizar inventários periódicos do número de árvores atingidas para que, caso isso ocorra com maior frequência, possamos, ainda em tempo, tomar as ações corretivas necessárias. Meio Ambiente: São frequentes as críticas relacionadas à pecuária extensiva que é praticada no Brasil, como alta emissão de metano, baixa produtividade/ha, degradação dos solos e das pastagens. A integração de áreas produtivas de pecuária com florestas plantadas traz novas perspectivas para o segmento que vão além do aumento da lucratividade do negócio, Comparação entre os sistemas Tradicional e Integração Pecuária-Floresta Sistema - parâmetros

R$/ha/ano

Sistema de Pecuária de corte tradicional 3@ liq/ha/ano x 1,5 tx de lotação x R$150/@ Sistema em Integração Pecuária-Floresta 3@ liq/ha/ano x 1,5 tx de lotação x R$150/@

+

Taxa retorno a.a.

675,00

7%

3.956,00

19%

(225 árvores x R$175,00/árvore)/12 meses

Investimento para introdução do componente florestal em 1 hectare de pastagem já formada (250 árvores/hectare)

Unidade

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Serviços

Adubo

Outros Insumos

R$/ha

R$/ha

R$/ha

Custo ha

1.279,00

508,00

692,00

2.478,00

pois promove o resgate de carbono, a redução da temperatura, a conservação dos solos e maior produtividade dos animais. Se, por um lado, a pecuária é uma das maiores fontes emissoras de gás metano no Brasil (estudos apontam que 22% de todo metano emitido no País tem sua origem no processo digestivo dos ruminantes, conhecido como metano entérico), por outro lado, as árvores plantadas absorvem principalmente o carbono (durante o seu crescimento, através do processo de fotossíntese), contribuindo para um balanço positivo das emissões dos gases do efeito estufa no sistema de integração pecuária e floresta. Outro grande benefício que podemos citar é a disposição sistemática das árvores por toda a área, produzindo um grande e contínuo bosque, que reduz a temperatura em 2 graus dentro do sistema; com isso, promove um maior conforto térmico, permitindo ao gado pastar por mais horas por dia, levando a uma maior eficiência na conversão de capim para carne. Com a temperatura mais baixa, o solo se mantém mais úmido, e as plantas perdem menos água por evaporação (evapotranspiração), aumentando, assim, a produção de capim. Quanto ao solo, ele tem o benefício de uma maior troca de nutrientes entre a pastagem e a floresta plantada, bem como as árvores proporcionam uma diminuição na velocidade de escorrimento superficial das águas das chuvas, reduzindo o risco de erosão e lixiviação, propiciando aumento da infiltração da água no solo. Com o acirramento das mudanças climáticas, se faz necessária a busca por Modelos de Produção Limpos (MDL). O potencial de desenvolvimento que o Brasil possui para a expansão da integração posiciona a pecuária brasileira de forma estratégica no cenário global de Economia de Baixo Carbono, pois o País tem a capacidade de preservar o meio ambiente e, ao mesmo tempo, gerar negócios lucrativos. Devido ao forte crescimento da população mundial, o número de habitantes da Terra, que hoje é 7 bilhões, deverá atingir um valor próximo de 20 bilhões no ano de 2050; fato esse que aponta para que as Cadeias Produtivas Sustentáveis ganhem uma abrangência significativa e que, em um curto intervalo de tempo, possamos encontrar nas prateleiras dos supermercados carne e leite com rótulos indicando que são produtos neutros na emissão de metano e que, dessa forma, respeitam a sustentabilidade do meio ambiente. Atenta a esse cenário, a Fazenda Triqueda se uniu a mais 4 pecuaristas que também implementaram a Integração Pecuária e Floresta e que, juntos, já possuem condições de fornecer uma grande quantidade de animais Brangus neutros em metano entérico para abate e, neste momento, estão à procura de um parceiro comercial que possa ter interesse em colocar o produto no mercado, “a carne neutra”.


ensaio especial

Opiniões

árvores na ilpf A inclusão de pastagens e árvores em áreas agrícolas ou a inclusão de árvores e culturas agrícolas em pastagens é ferramenta útil na recuperação de áreas degradadas, bem como um meio para garantir a sustentabilidade do sistema de produção. As raízes das forrageiras e das árvores exploram camadas mais profundas em ambiente permanentemente protegido pela cobertura vegetal, evitando as perdas de nutrientes por lixiviação e de solo por escorrimento superficial. No sistema integrado, o componente arbóreo atua na diminuição da energia cinética da chuva, reduz o escoamento da água, favorece a infiltração no solo (ambiente favorável, capaz de fechar o ciclo solo-água-planta) e a recarga do lençol freático. A água armazenada no solo será usada pelas culturas e também irá alimentar o manancial que abastece os rios na seca, garantindo uma vazão mais constante. Por exemplo, no primeiro ano de monitoramento do volume de perda de solo e o escoamento da água da chuva, realizado pelo pesquisador Cornélio Alberto Zolin (Embrapa Agrossilvipastoril), em um experimento de iLPF conduzido em

As árvores contribuem para aumentar a eficiência de utilização de nutrientes do sistema iLPF através da intensificação da ciclagem biogeoquímica. Enquanto a soja produz, em média, 133 kg de carbono para cada kg de fósforo (P) aplicado no solo, na teca (Tectona grandis), duas toneladas de C são alocados na biomassa para cada kg de P; já o eucalipto produz 11,6 toneladas de C para cada Kg de P aplicado ao solo. No geral, as árvores têm menor demanda absoluta ou relativa de nutrientes do que as culturas agrícolas e, se manejadas adequadamente, possibilitam uma maior eficiência de utilização das fontes de nutrientes utilizadas na adubação das culturas intercalares. A eficiência de uso de água também é superior nas espécies florestais. Enquanto as culturas anuais, de forma geral, produzem menos de um grama de matéria seca (MS) por litro de água, exceção para a cana, que produz 1,8 gMS/L de água, nas espécies florestais, ela é superior a 1,0 gMS/L de água. O Eucalipto grandis, por exemplo, tem uma eficiência de uso da água entre 1,9 até 6,1 gMS/L de água, eficiência superior a qualquer cultura agrícola. O eucalipto tem alta eficiência de uso da água e pode absorver de 800 a 1.200 mm por ano e pode produzir 1 kg de madeira com 350 litros de água, enquanto algumas espécies nativas podem utilizar em torno de 2.500 litros; já o milho demanda, em média, cerca de 1.000 litros de água para produzir 1 kg de grãos, e a soja, 1.800 litros.

o produtor precisa errar muito para que ele tenha um sistema de iPF com uma receita negativa "

Maurel Behling

Pesquisador de Sistemas Integrados de Produção - iLPF da Embrapa Agrossilvipastoril

Sinop-MT (2012), onde foram comparados o solo descoberto, lavoura (sucessão soja e milho com braquiária), integração lavoura-floresta, pastagem, silvicultura (eucalipto) e mata nativa, o volume de água escoado foi menor no sistema de iLF quando comparado à área apenas com lavoura. Enquanto na sucessão de soja na safra de milho com braquiária na safrinha, o escoamento foi de 2,4 % do total precipitado; no sistema silviagrícola, esse número foi de apenas 1,7 %. Em um local onde chove cerca de 2.000 mm/ano, isso representa 14 litros de água a mais infiltrados a cada m2 e 140 mil litros de água a mais disponíveis no solo por hectare.

Assim, podemos afirmar que devemos plantar árvores em sistema de integração lavoura-pecuária-floresta para elevar a sinergia e aumentar a eficiência do sistema de produção e também para melhor conservação do solo com a utilização de faixas de árvores como barreira para redução do escorrimento superficial, permitindo a infiltração de água no solo e a recarga do lençol freático. O sombreamento excessivo das culturas agrícolas e forrageiras com o crescimento das árvores, o que de fato é verdade, caso não sejam manejadas de forma correta, é o principal fator a gerar polêmica na introdução de árvores em sistemas integrados. A desrama (poda dos ramos) e o desbaste são duas importantes práticas de manejo das árvores no sistema iLPF,

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ensaio especial

Opiniões

sendo realizadas principalmente para aumentar a luminosiAtualmente, a fazenda possui instalada uma dade para as culturas que estão intercaladas, seja pastagem serraria para o desdobro da madeira, obtida dos ou lavoura. A intensidade e a frequência das desramas e dos desbastes dos plantios homogêneos, para exdesbastes irão depender da espécie e do arranjo utilizado. portação de blocos de diferentes bitolas (3x3" a Na iLPF, uma boa sugestão é planejar e manejar as árvores 5x6"), com o preço FOB/m³ variando entre US$ 420 e US$ 600, respectivamente. A experiência com vistas à exploração multiuso do povoamento. Assim, com o plantio puro e o acompanhamento do cresobtêm-se rendas intermediárias, e o problema do sombreacimento das árvores no sistema silvipastoril permento excessivo é minimizado. mitiram à Bacaeri realizar projeções de receitas No entanto, na definição do arranjo e modalidade de que possam ser geradas no sistema iPF. iLPF que será implantada, devemos perguntar: qual a meNo cenário pessimista, com custos de imlhor espécie florestal para o sistema? Certamente, a melhor plantação e manutenção elevados, pequeno cresespécie será aquela que possui mercado garantido para os cimento das árvores e o preço da madeira bem seus produtos, seja adaptada às condições edafoclimátiabaixo do esperado, é gerada uma receita de R$ cas da região e haja domínio dos seus tratos silviculturais. 10,55 ha/ano mais a receita obtida anualmenNesse aspecto, as espécies exóticas levam vantagem e poste com a pecuária de corte (R$ 300,00 ha/ano). suem alta produtividade e tecnologia adaptada às condições No cenário otimista, com custos de implantação subtropicais e tropicais. As espécies nativas possuem um e manutenção bem menores, adequado crescipotencial ainda não explorado devidamente, não possuem mento das árvores e o preço esperado da madeimercado consolidado e também sofrem concorrência com ra, é gerada uma receita de R$ 16.222,22 ha/ano madeira de florestas nativas de diâmetros maiores. O eucamais a receita obtida anualmente com a pecuálipto, composto por seus diferentes clones, é, sem dúvida, ria (R$ 300,00 ha/ano). No cenário real, é gerada a espécie mais plantada nas áreas que adotam a estratégia uma receita de R$ 2.655,55 ha/ano mais a receita iLPF no Brasil por atender aos requisitos citados. obtida anualmente com a pecuária. RecomendaAlém da existência de mercado para os produtos gera-se para quem pretenda iniciar o sistema que seu dos, a escolha da espécie florestal deve ser pautada também projeto seja elaborado com base nas projeções na distância em que a propriedade está do mercado consudo cenário conservador, com uma receita de R$ midor. Produtos de menor valor agregado, como lenha, bio1.301,11 ha/ano mais a receita obtida anualmente massa e cavacos (eucalipto), tem seu plantio restrito a um com a pecuária, minimizando o lucro e maximiraio entre 100 e 200 km. Já a exploração do eucalipto para zando os custos. madeira serrada permite que o mercado consumidor esteja Os cenários projetados são interessantes, ressala distâncias maiores. A utilização de espécies de maior vavadas as condições extremas, ou seja, a receita de lor agregado, como a teca, permite ao produtor estar a uma R$ 16.000,00 ha/ano dificilmente será alcançada, distância superior aos 2.500 km do porto para exportação da mas também o produtor precisa errar muito para madeira para a Índia, logística permitida somente por maque ele tenha um sistema de iPF com uma receita deiras de alto valor agregado. negativa. A coexistência de sistemas, muito bem Um exemplo de propriedade que faz iPF como adição de estruturados, de produção de grãos, carne ou leite renda é a Fazenda Bacaeri, em Alta Floresta-MT, distante 2.700 e produtos madeireiros e não madeireiros é um dos km do porto de Paranaguá-PR, pertencente à Bacaeri Florestal fatores que contribuem, de forma determinante, paLtda (Sócio-gerente Antônio Francisco dos Passos). ra que a estratégia iLPF seja adotada para aumentar A fazenda possui 1.200 ha de plantio homogêneo de teca a produtividade e a competitividade da agropecu(Tectona grandis) e uma área de 6.700 ha com pecuária para ária brasileira. Dessa forma, se visualiza que, em recria e engorda de animais, tanto da raça Nelore (predominanum futuro próximo, a convivência sustentável da te) quanto animais de cruza incerta, comprados de criadores atividade agrícola, pecuária e silvícola seja a regra da região. A área com sistema silvipastoril é de 450 ha com da agropecuária brasileira, e não uma exceção. teca. A estratégia de iPF utilizada é consórcio da forrageira B. brizantha (cv Marandu) com teca cultivados em diferentes CENÁRIOS PROJETADOS DOS CUSTOS E RECEITAS PARA TECA NA iPF configurações (15x6, 18x3, FAZENDA BACAERI, ALTA FLORESTA-MT 20x2,5, 20x3 e 22x3 m); Indicadores Unidade Pessimista Conservador Real Otimista a entrada dos animais jovens Custo de plantio R$ 3.000,00 2.000,00 1.500,00 1.000,00 (recria), no sistema, ocorre Custo de manutenção R$ 6.000,00 4.500,00 3.600,00 3.000,00 entre os seis meses e um ano Custo extração x vendas R$ 4.000,00 4.000,00 4.000,00 4.000,00 após o plantio das árvores. Custo total R$/ha 13.000,00 10.500,00 9.100,00 8.000,00 A Fazenda Bacaeri irá imDAP aos 18 anos cm 45 55 65 80 plantar, anualmente, cerca Altura comercial m 5,8 6,8 9,2 11,5 de 350 ha/ano até atingir Fator de forma 0,55 0,6 0,6 0,65 100% da área de pecuária Produção final árvore/ha 65 70 75 80 com sistema silvipastoril. No Preço da tora R$/m³ 400,00 500,00 700,00 1.000,00 Produtividade m³/ha 33 67 81 300 prazo de 20 anos, fecha-se Faturamento R$/ha 13.190,00 33.920,00 56.900,00 300.000,00 um ciclo de plantio, e será Lucro R$/ha 190,00 23.420,00 47.800,00 292.000,00 estabelecido o ciclo de corte Lucro R$/ha/ano 10,55 1.301,11 2.655,55 16.222,22 e replantio.

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