A fronteira da tecnologia na indústria florestal - OpCP29

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www.revistaopinioes.com.br

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ISSN: 2177-6504

FLORESTAL: celulose, papel, carvão, siderurgia, painéis e madeira ano 9 - numero 29 - Divisão F - set-nov 2012

a fronteira da tecnologia na indústria florestal




índice

a fronteira da tecnologia na indústria florestal

Editorial:

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Geraldo Alves de Moura

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Mario Sant'Anna Junior

Presidente do Conselho de Administração da Plantar

Ensaio Especial:

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Jeanicolau Simone de Lacerda Diretor do IBio

Nossos agradecimentos especiais aos professores: Luiz Ernesto George Barrichelo, Nelson Barboza Leite e Celso Edmundo Bochetti Foelkel, conselheiros da Revista Opiniões, pela ativa participação na produção desta edição.

Especialistas no desenvolvimento da tecnologia da indústria florestal: Diretor Executivo da Gerdau Florestal

Reinaldo Herrero Ponce

Consultor Independente em área florestal madereira

Alexandre Masotti

Diretor Executivo da Gerdau Florestal

Walter Coelho

Gerente Geral de Op Florestais da MWV-Rigesa

Flavio Tesser

Especialista em melhoria de processos na Intl Paper

Setsuo Iwakiri

Professor de Painéis de Madeira da UF do Paraná

Rafael Farinassi Mendes

Doutorando da Universidade Federal de Lavras

Nestor de Castro Neto

Presidente da Voith Paper Máquinas e Equipamentos

24 26 30 31 32 34 36 38

Roosevelt de Paula Almado

Gerente Pesquisa Florestal da ArcelorMittal BioFlorestas

Kléber Lanças e Saulo Guerra

Professores de Máquinas e Mecz Agrícola da FCA/UNESP

Wagner A. Lopes

Gerente de Negócios da Evonik Degussa

José Eduardo Petrilli Mendes Pesquisador Sênior da Fibria Celulose

Pedro Jacob Christoffoleti

Professor de Biologia e Plantas Daninhas na Esalq-USP

Ronald Zanetti Bonetti Filho

Professor de Manejo de Pragas Florestais da UF de Lavras

Rudolf Woch

Consultor de Aplicação de Defensivos da Apoiotec

José Dilcio Rocha

Pesquisador na Embrapa Agroenergia

39 40 42 44 46 48 50 52

Luciano Budant Schaaf

Gerente de Planejamento Tecnologia da Amata

Fernando Palha Leite

Coordenador de P&D da Cenibra

Marcelo Santos Ambrogi

Conselheiro da IMA Gestão e Análise Florestal

Adilélcio Galvão de Freitas

Gerente de Fomento da Suzano Papel e Celulose

Luciana Di Ciero

Gerente de Assuntos Governamentais da ArborGen

Ricardo Anselmo Malinovski

Professor de Engenharia Florestal da UF do Paraná

Fernando Piotto e Mario Luiz de Moraes Professores da Esalq-USP e da Feis-Unesp

Mauro Itamar Murara Junior

Professor de Ind da Madeira da Univ do Contestado

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Conselho Editorial da Revista Opiniões: ISSN - International Standard Serial Number: 2177-6504 Divisão Florestal: • Amantino Ramos de Freitas • Antonio Paulo Mendes Galvão • Celso Edmundo Bochetti Foelkel • Helton Damin da Silva • João Fernando Borges • Joésio Deoclécio Pierin Siqueira • Jorge Roberto Malinovski • Luiz Ernesto George Barrichelo • Marcio Nahuz • Maria José Brito Zakia • Mario Sant'Anna Junior • Mauro Valdir Schumacher • Moacir José Sales Medrado • Nairam Félix de Barros • Nelson Barboza Leite • Paulo Yoshio Kageyama • Rubens Cristiano Damas Garlipp • Sebastião Renato Valverde • Walter de Paula Lima Divisão Sucroenergética: • Carlos Eduardo Cavalcanti • Eduardo Pereira de Carvalho • Evaristo Eduardo de Miranda • Jaime Finguerut • Jairo Menesis Balbo • José Geraldo Eugênio de França • Manoel Carlos de Azevedo Ortolan • Manoel Vicente Fernandes Bertone • Marcos Guimarães Andrade Landell • Marcos Silveira Bernardes • Nilson Zaramella Boeta • Paulo Adalberto Zanetti • Paulo Roberto Gallo • Plinio Mário Nastari • Raffaella Rossetto • Roberto Isao Kishinami • Tadeu Luiz Colucci de Andrade • Tomaz Caetano Cannazam Rípoli • Xico Graziano



editorial

tecnologia a serviço do

clima

Graças à competência acadêmica e à visão empresarial que sempre permearam a atividade de silvicultura no Brasil, conquistamos uma posição de vanguarda no desenvolvimento e na aplicação das mais modernas tecnologias de plantios florestais de grande escala no mundo: “Plantio com ciência, plantio consciente” já nos ensinou Nelson Barbosa Leite. A fórmula “ciência mais atitudes empresariais conscientes” transformou o setor de florestas plantadas do Brasil no mais significativo exemplo de aplicação das avançadas leis ambientais do País, superando, em muitos casos, as próprias exigências oficiais. Com isso, o setor abriu caminho para o reconhecimento público, inclusive de esclarecidas ONGs no Brasil e no exterior, com reflexos positivos em importantes organismos multilaterais. Faltava-nos, no entanto, a “tecnologia” de mensurar, verificar, monitorar e, especialmente, atribuir valor econômico aos benefícios climáticos gerados pelas florestas plantadas, que fosse globalmente aceita. Hoje, temos satisfação em dizer que o projeto pioneiro de reflorestamento da Plantar deu uma grande contribuição para o desenvolvimento dessa “tecnologia”.

Mais de 80% da matriz energética mundial ainda é baseada em fontes fósseis. No Brasil, 45% da matriz já é renovável, mas o desmatamento e a necessidade de mais crescimento nos desafiam. " Geraldo Alves de Moura Presidente do Conselho de Administração da Plantar

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O Projeto Plantar, muitas vezes polemizado injustamente em alguns foros onde o assunto fosse o Protocolo de Kyoto, teve, finalmente, no mês de abril deste ano, seus créditos florestais, os tCERs, emitidos pela UNFCCC, braço da ONU para o tema mudanças climáticas. Foram os primeiros créditos florestais emitidos no mundo. Com isso, a ONU se juntou ao governo de Minas Gerais, do Brasil, ao Banco Mundial e a muitos outros parceiros do Grupo Plantar nesse projeto,


Opiniões no que se refere ao reconhecimento oficial do potencial de combate ao aquecimento global e às boas práticas florestais, ambientais e sociais realizadas pelo nosso setor. Hoje em dia, também temos tido a satisfação de ajudar outros parceiros desse e de outros setores, por meio da Plantar Carbon. Foram 14 anos (dois ciclos produtivos do eucalipto) em que prevaleceram a fé, a persistência e o propósito firme de não aceitar que o desconhecimento de bem-intencionados e posições ideológicas desprovidas de base científica impedissem o reconhecimento de práticas de produção sustentáveis e dos benefícios da floresta plantada para o planeta, seja via sequestro (remoções líquidas de gases de efeito estufa) ou redução de emissões pelo uso da madeira plantada como matéria-prima renovável. Com essa aprovação da ONU, foi evidenciada mais uma fonte de produtos e de energia renovável no portfólio tecnológico brasileiro. Apesar de o caminho ter sido longo, o momento em que esse fato ocorre é também interessante e representa o desafio da transição. No plano externo, já estamos entrando no segundo período de compromisso do Protocolo de Kyoto, mais modesto em função da ausência de alguns países, porém muito importante para a continuidade dos acordos multilaterais e do próprio mercado. Ao mesmo tempo, começaram as negociações de um novo instrumento legal, aplicável a todos os países, com base na chamada Plataforma de Durban. O processo negociador deverá terminar até 2015, para que um possível novo acordo passe a vigorar a partir de 2020. Enquanto isso, o mercado mundial de carbono, tal como o resto da economia, encontra-se em crise, com os preços mais baixos da história. Mais uma vez, entendemos que podemos aplicar o ditado de que é na crise que surgem as melhores oportunidades. A real demanda por reduções de emissões não só tende a crescer como também precisa disso, e muito, para que a concentração de gases de efeito estufa na atmosfera volte a níveis seguros. Mais de 80% da matriz energética mundial ainda é baseada em fontes fósseis. No Brasil, 45% da matriz já é renovável, mas o desmatamento e a necessidade de mais crescimento nos desafiam. No cenário doméstico, o Brasil continua com um déficit de madeira plantada para vários fins e trabalhando em políticas públicas e diversas iniciativas voluntárias de combate ao aquecimento global. É fundamental, portanto, incrementar os esforços de valorização do carbono florestal para que o setor e seus stakeholders, desde as comunidades locais até os acionistas, possam contribuir em larga escala para uma importante relação ganha-ganha. De um lado, existe a necessidade de recursos adicionais para a expansão das florestas plantadas em bases sustentáveis, que também promova a conservação das nossas matas nativas. De outro lado, essas florestas retribuem com a geração de benefícios climáticos e socioambientais para o Brasil e o mundo, derivados da alta tecnologia de produção. Essa é a essência do MDL, instrumento de fundamental importância, que continuará no segundo período do Protocolo de Kyoto, apesar dos desafios das crises. Mesmo quando pensamos em instrumentos e mecanismos alternativos ou complementares para o futuro, o ponto importante é que a base metodológica foi criada,

com sucesso, por um trabalho de muitas mãos e serve de fundamento para a continuidade dos trilhos atuais ou para alternativas, sempre a partir dos rigorosos princípios da integridade ambiental. Sem isso, não há credibilidade nem legitimidade. Vale destacar que mercados de carbono representam oportunidades de receitas adicionais, correspondentes ao serviço ambiental, e podem ser conjugados com outras contrapartidas econômicas, que valorizem a variável clima numa perspectiva ampliada. Para além do uso de carvão vegetal renovável na siderurgia, os demais segmentos da base florestal, como celulose e papel, chapas, painéis, móveis, etc., também apresentam grande potencial de mitigação. Nesse sentido, além da “tecnologia”, é importante incrementar substantivamente os esforços de coordenação com as diversas ações governamentais. Na prática, estamos em um novo ciclo de criação de marcos regulatórios, que podem gerar incentivos positivos para uns e negativos para outros. No Brasil, por exemplo, busca-se implementar a Política Nacional de Mudanças Climáticas e seus diversos instrumentos. No cenário internacional, ocorre a discussão sobre a continuidade dos mecanismos existentes e de novos mecanismos, inclusive de mercado, que podem auxiliar países em desenvolvimento em seus esforços de mitigação, com base no princípio das responsabilidades comuns, mas diferenciadas. De fato, os desafios são crescentes e proporcionais à natureza do problema “mudanças climáticas”. Mas a tecnologia insiste em fazer das nossas árvores verdadeiras maquininhas de reciclar CO2, e, quanto mais produtiva a floresta, mais CO2 ela recicla. A valorização contínua e ampliada dessa propriedade, para que o setor supere as diversas barreiras existentes, depende de esforços de longo prazo, que não sucumbam às pressões do imediatismo e que sejam tão sustentáveis quanto o que buscamos praticar no campo. Tivemos a satisfação de dar os primeiros passos em prol do reconhecimento econômico desse benefício. Agora, é possível usar a base criada para ampliar possibilidades e evitar ameaças futuras. Certamente, a complexidade de tudo isso é muito grande e, para os céticos, presságio para a desistência ou para a busca de alternativas que aparentam ser mais fáceis, mas podem não se sustentar no tempo. Quando começamos, há 14 anos, não existiam metodologias, mercados, leis ou políticas de mudanças climáticas, muito menos um regime multilateral pronto. Hoje, ainda falta muita coisa, mas bem menos do que já faltou um dia. Foi criada a “tecnologia”. “Tecnologia” que vai muito além das boas práticas de plantios de árvores. Muito obrigado a todos pelo apoio. Agora, é ir adiante! Artigo publicado do site do Banco Mundial: Projeto de reflorestamento do Brasil é o primeiro no mundo a receber créditos de carbono florestais (tCERs). “Esse é um excelente exemplo de uma indústria que trabalha de forma sustentável, plantando árvores e protegendo florestas nativas. Estamos trabalhando com o Grupo Plantar há uma década, e o fato de eles serem a primeira empresa no mundo a gerar os tCERs é um testemunho de sua inovação e dedicação,” disse Joëlle Chassard, Gerente da Unidade de Financiamento de Carbono do Banco Mundial.

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tecnologia florestal para o carvão

a produção do A utilização de carvão vegetal como fonte de energia é conhecida pela humanidade com registros que remontam a 6.000 a.C. Na siderurgia, foi usado intensivamente na Europa, a partir do século XV, até a exaustão das florestas, levando ao desenvolvimento do coque produzido a partir de carvões minerais. As breves menções históricas mostram que o direcionamento energético a base de coque contribuiu decisivamente para seu desenvolvimento tecnológico; por outro lado, houve uma estagnação na rota a carvão vegetal, fato que perdura até nossos dias. O uso do carvão vegetal do Brasil para a produção de ferro começou na primeira metade do século XVIII, em Minas Gerais. A ampliação e o domínio dessa alternativa energética tornaram o Brasil líder mundial na produção e uso de carvão vegetal para fins industriais, parte explicada pela disponibilidade de minério de ferro de qualidade, pelas características inadequadas do carvão mineral nacional e pela capacidade nacional de produção de biomassa florestal.

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carvão

socialmente responsáveis, com parques industriais competitivos e sustentáveis. Temos tecnologia capaz de atender às necessidades de aumento de produtividade florestal e qualidade, contudo existe claro gargalo no processamento para carvão vegetal. A carbonização da madeira tem espaços importantes para inovação e aumento de eficiência; com honrosas exceções, expressiva parte da produção brasileira remete a técnicas usadas há séculos. O setor necessita aperfeiçoar tecnologias de carbonização para aumento da produtividade, recuperação de subproduto, aproveitamento do gás gerado no processo para geração de energia, além da mitigação de gases de efeito estufa. O desenvolvimento de processos contínuos para grandes produções é economicamente viável e experimenta ainda uma enorme distância para realizar-se. O setor e o País necessitam de um salto tecnológico na produção de carvão vegetal. Há sinais claros e positivos, dentro do governo brasileiro, da necessidade de implantação de políticas consistentes para o desenvolvimento do se-

o setor necessita aperfeiçoar tecnologias de carbonização para aumento da produtividade, recuperação de subproduto, aproveitamento do gás gerado no processo para geração de energia, além da mitigação de gases de efeito estufa " Mario Sant'Anna Junior Diretor Executivo da Gerdau Florestal

Marcado por ciclos econômicos, o setor experimentou hiatos de desenvolvimento ao longo das últimas décadas. O carvão vegetal ganhou impulso no âmbito do governo e de empresas siderúrgicas com os investimentos em pesquisas florestais – notadamente Eucalyptus – e tecnologias de carbonização nas décadas de 1970-1980. A estratégia visava à modernização da produção para substituir a importação do carvão mineral, encarecido pelo choque das crises do petróleo. O processo de desenvolvimento tecnológico dentro das universidades, das empresas e dos órgãos de fomento sofreu severo sobressalto na década de 90, retomando, ainda de maneira tímida, na metade da década passada. As perspectivas do quadro mundial, paralelas às medidas para superação econômicas, acenam para a busca de fontes de energia e propostas para construção de novos modelos de desenvolvimento, com eixos na sustentabilidade, na competitividade, além do comprometimento eficaz com as questões sociais. Como em outros segmentos da cadeia de produtos florestais, o carvão vegetal é competitivo, embora inserido numa matriz complexa de alternativas de insumos e matérias-primas. A indústria do aço brasileira ocupa importante posição mundial, caracterizada por empresas

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Opiniões

tor. Sente-se a ausência de políticas de fomento adequadas à formação de novos estoques de florestas plantadas para suprir o déficit de madeira corrente, bem como incentivos para a industrialização da carbonização. Segundo especialistas, o custo da energia no mundo tende a ser crescente, o que torna esse combustível sólido renovável atraente a médio e longo prazo. Iniciativas ainda tímidas em agregar bons atributos, como operou o setor de álcool, agora etanol, podem vincular as atividades conduzidas com responsabilidade e consolidar-se com diferencial na arena internacional. Faltam, hoje, profissionais, pesquisadores e especialistas que possam atender ao premente avanço. A falta de atratividade, em parte, deve-se a uma imagem distorcida do setor, fruto de desvios notadamente sociais, mas não pode ser tratada de forma generalizada e não representa o setor. Jovens pesquisadores, institutos de fomento à pesquisa e desenvolvimento não se sentirão atraídos em um ambiente que não se mostra sustentável. Ousamos dizer que o delineamento da fronteira tecnológica do carvão vegetal ou biorredutor estará ligado ao apoio da sociedade e parte interessadas no apoio ao desenvolvimento dessa rota.



tecnologia florestal para a construção civil

Opiniões

tecnologia para a

construção civil

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o modesto uso de madeira na construção civil no Brasil ocorre não por falta de madeira, de florestas plantadas ou nativas, mas por impedimentos de uso, em razão de legislações anacrônicas e falta de adoção de um sistema construtivo simples e efetivo " Reinaldo Herrero Ponce Consultor Independente em área florestal madeireira

Não é novidade que as florestas plantadas no Brasil apresentam produtividade e precocidade inigualáveis. A cada ano, há relatos sobre novos materiais genéticos ou novas técnicas, que permitem atingir novos patamares em produtividade e em qualidade. As florestas plantadas, compostas principalmente dos gêneros Eucalyptus e Pinus, são manejadas, em geral, de maneiras distintas. Os eucaliptos são manejados basicamente para celulose, painéis, carvão ou lenha; ínfima porção é manejada para produzir toras para serrarias, laminadoras ou usinas de preservação. Os plantios de pinus são, em geral, manejados para produzir toras destinadas a serrarias ou laminadoras, sendo que os resíduos são destinados a celulose, painéis ou energia. Tanto os eucaliptos como os pinus são adequados para uso em construção civil. No Brasil, em geral, a madeira é usada na construção civil apenas em vigamentos de telhados, assoalhos, batentes, portas e janelas, além de formas de concreto e escoramento durante obras em alvenaria. Nos estados do Sul, algumas empresas se dedicam ao ramo de construções em madeira, adotando cada uma seu próprio sistema. Nos demais estados, o uso de madeira na construção de casas é, aparentemente, declinante, não sendo permitido seu financiamento, e, em muitos casos, a construção é proibida. Pode-se dizer que uma das razões para esse fraco desempenho é que não existe a adoção de um sistema construtivo adequado; assim, praticamente cada engenheiro, arquiteto ou carpinteiro desenvolve seu próprio projeto, incluindo o dimensionamento das peças e o desenho das uniões, devendo, muitas vezes, encomendar diretamente nas serrarias peças de madeira com bitolas diferenciadas, redundando em altos custos e grandes prazos para a construção. Um sistema construtivo adequado é fundamental para construir com segurança e a custos competitivos. É o que ocorre, por exemplo, nos EUA e no Canadá, onde mais de 90% das casas e, atualmente, edifícios de até cinco pisos são construídos em madeira. Lá é usado um sistema construtivo baseado em peças padronizadas de pequenas dimensões, portanto apropriado a madeiras de jovens florestas plantadas. Além disso, sua estrutura simples dispensa mão de obra especializada em fazer recortes e encaixes, o que permite construções rápidas, seguras,

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a preços acessíveis. Esse sistema, desenvolvido na década de 1830, nos Estados Unidos, denominado balloon, foi posteriormente melhorado, transformando-se no platform, e tem sido adotado por vários países, incluindo Nova Zelândia, Austrália, Suécia, Finlândia e, atualmente, até pela China. Esse sistema foi criado exatamente em uma época em que se escasseavam mão de obra especializada e grandes árvores, necessárias à produção de grandes vigas ou colunas usadas nas construções tradicionais. Exemplo do sistema platform é um conjunto de salas construído totalmente com madeira de eucalipto, em 1994, por técnicos do IPT no Instituto de Eletrotécnica e Energia, campus da USP, São Paulo. Outro sistema foi desenvolvido recentemente na Europa: trata-se do CLT (Cross Laminated Timber), com o qual foi construído, em Londres, um edifício de apartamentos de nove pisos, com grande economia de materiais e de mão de obra. As paredes e outras peças estruturais foram produzidas e pré-cortadas na Áustria e transportadas até o local da construção em contêineres. Vários países altamente desenvolvidos, como Canadá e Suécia, estão colocando, a cada dia, menos restrições a construções residenciais e comerciais em madeira. Os eucaliptos e os pinus, com várias espécies cultivadas no País, produzem madeiras de propriedades físicas e mecânicas bastante variadas e adequadas a diversos usos na construção civil, como vigas estruturais, pisos, portas, janelas, lambris, forros, guarnições e outros detalhes decorativos. A escolha de espécies para plantio para a construção civil deve levar em consideração as condições ambientais do local onde serão feitas as culturas. Além de crescimento, é importante que os fustes tenham boa forma, e as propriedades físicas sejam adequadas aos usos pretendidos. Assim, devem ser conhecidas as características físicas das madeiras dos materiais genéticos a serem cultivados. Dessas propriedades, destacam-se: densidade, estabilidade dimensional, coloração e outros aspectos visuais para usos aparentes, tais como forros, lambris, portas e janelas. Podemos, então, concluir que o modesto uso de madeira na construção civil no Brasil ocorre não por falta de madeira, de florestas plantadas ou nativas, mas por impedimentos de uso, em razão de legislações anacrônicas e falta de adoção de um sistema construtivo simples e efetivo.



tecnologia florestal para móveis

Opiniões

eucalipto:

a madeira nobre e sustentável

Sustentabilidade é um assunto novo e que está em pauta de forma destacada. Nas empresas do segmento moveleiro, ele surgiu no início dos anos 90, quando as notícias sobre o desmatamento desenfreado das florestas tropicais e a preocupação com o futuro do planeta, com relação aos bolsões de oxigênio por eles gerados, passaram a chamar a atenção de todos. É claro que, sendo as florestas a fonte de matéria-prima do setor, cedo ou tarde esse desmatamento iria reduzir significativamente a oferta de madeira. Hoje, temos plena consciência ambiental, mas, na época, ela era pequena.

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Foi um longo e arriscado trabalho. Tínhamos que aprender o manuseio dessa espécie e, ao mesmo tempo, apagar, no mercado, o preconceito que havia sobre ela. "

Alexandre Masotti Diretor Executivo da Gerdau Florestal

Concluímos que algo deveria ser feito. Os produtos alternativos existentes naquela época eram o Pinus eliotis e as chapas pré-fabricadas de aglomerado, matérias-primas consideradas “pobres” para a elaboração do nosso produto, que era caracterizado pelo uso da madeira maciça e com design mais “madeirado”. Os consumidores não aceitavam outra madeira que não fosse mogno, cedro, tauari e jequitibá. Como era de se esperar, os custos da madeira elevaram-se rapidamente pela sua demanda e oferta. Era necessário encontrar uma alternativa que pudesse ser fornecida com regularidade e qualidade em termos de tonalidade, desenho de veias das fibras e características técnicas necessárias para a produção e aparência. E que pudesse suprir o exigente mercado de móveis, que, na época, adquiria produtos com acabamentos em tons claros. Após várias pesquisas, nossa empresa constatou que, a partir das espécies disponíveis, o Eucalyptus grandis (originário da Austrália) atenderia a esses quesitos e aos três mais importantes: preço, oferta e regularidade de entrega, além de ser a primeira madeira nobre oriunda de plantio florestal. Nossas primeiras aquisições foram feitas na Flosul/ Renner, distante a apenas 200 km da nossa empresa. ResolCarjo vida essa primeira etapa, nos deparamos com o problema CFO d da secagem da espécie, já que o programa de secagem que tínhamos era para as espécies tropicais que utilizávamos.

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Foram necessárias muitas experimentações até chegarmos a uma madeira pranchada que pudesse passar nesse processo e que tivesse as mesmas vantagens construtivas das madeiras nativas. Nesse período, surgiu no mercado a madeira de eucalipto fornecido pela Aracruz em pranchas secas a 10% da umidade, mercadologicamente chamado de Lyptus e que atendia a todas as nossas expectativas. A empresa foi uma das pioneiras em utilizá-la para um produto hy-end; formamos, então, uma excelente parceria, que durou alguns anos. Até que, por políticas cambiais e internas, o preço tornou-se proibitivo.

Logo após, a Flosul equipou-se com uma nova serraria e estufas modernas, e nós passamos a utilizar seus produtos (que possuem a certificação FSC) até o presente momento. O produto é certificado como um recurso inteiramente renovável, 100% obtido de plantações de florestas. Foi um longo e arriscado trabalho. Tínhamos que aprender o manuseio dessa espécie e, ao mesmo tempo, apagar, no mercado, o preconceito que havia sobre ela. Mas, com o trabalho de pesquisadores no desenvolvimento de material genético apropriado, manejo florestal específico, tecnologia de desdobro e processos de secagem, conseguiu-se, em parceria com nossos fornecedores, uma madeira de qualidade apropriada. O eucalipto, hoje, tem o status de madeira nobre, pois possui densidade, resistência e propriedades técnicas parecidas com as do carvalho e da faia. Sua aparência é comparada ao mogno e ao jatobá. Nossos produtos sempre foram associados a um ótimo design e qualidade, e fazer, na época, móveis com a madeira eucalipto parecia uma insanidade. É gratificante olhar para trás e perceber que todo esse esforço e trabalho geraram reais resultados positivos, não só para o desenvolvimento de produtos, mas também para a consciência ambiental coletiva. Estamos certos de que nossa empresa e nossos consumidores estão contribuindo para preservar nossas florestas e nos orgulhamos de ter um produto que não agride o meio ambiente.



tecnologia florestal para celulose

Opiniões

a fronteira do

desenvolvimento

Quando se fala em fronteira florestal, evocamos o conceito de desafio, seja no uso de novas terras/regiões, ou até mesmo de novos pacotes tecnológicos para seu desenvolvimento, produção otimizada e sustentável. O avanço dessas fronteiras – e, por consequência, a relevância do desenvolvimento do setor florestal – foi galgado por três linhas. Uma voltada à gestão e ao desenvolvimento das fronteiras atreladas ao manejo de ganhos operacionais, diga-se, basicamente: silvicultura, colheita e logística. Do outro lado, o avanço tecnológico dos materiais genéticos por meio das mais modernas técnicas de melhoramento disponíveis, algumas vezes aqui desenvolvidas e, posteriormente, copiadas por diversos países, principalmente focadas nos dois maiores gêneros plantados, o Pinus spp. e o Eucalyptus spp., que, não poderia deixar de lembrar, têm as maiores produtividades operacionais do mundo. Por último, a gestão de pessoas muito tecnicamente habilitadas, mas nem sempre tão bem desenvolvidas e preparadas para a gestão de talentos e da visão de área florestal como business. A sustentabilidade dos ganhos sempre foi baseada em método; quando os programas de incentivo dos anos 70, 80 e 90 acabaram se perdendo, o setor, por meio das indústrias de base florestal de médio e grande porte, manteve o seu foco e sua força. A indústria de papel e celulose foi o propulsor que, através de grande direcionamento de recursos, humanos e financeiros, não deixou o ritmo parar e manteve a fronteira florestal como hoje se encontra. As frentes produtivas nas quais as operações florestais estabeleceram e buscaram metas claras de desenvolvimento destacam-se hoje como líderes, garantindo a perpetuação da base necessária para a produção sustentável de celulose e papel. As diferentes estratégias de fornecimento, plantios próprios, fomento, arrendamento da própria produção de mercado aberto, agora com maior força representada pela entrada das TIMO’s (Timber Investment Management Organization), garantem o fornecimento das empresas. Com uma política governamental que mire claramente no incentivo para fortalecer e tornar o setor desburocratizado, avançaremos; para isso, devemos nos engajar em mostrar a verdade sobre a área florestal como um setor organizado, na maioria das vezes internacionalmente certificado e que preserva a natureza de maneira adequada.

quando os programas de incentivo acabaram ... a indústria de papel e celulose foi o propulsor que ... não deixou o ritmo parar e manteve a fronteira florestal como hoje se encontra " Walter Coelho

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Gerente-geral de Operações Florestais da MWV-Rigesa

O avanço tecnológico está, hoje, buscando o desenvolvimento e a gestão do conhecimento que representa um ativo cognitivo; ao contrário da floresta, que aparece nos balanços como um ativo real, este deveria ser tratado e mensurado como um bem. Grandes potências em exploração de recursos naturais, como os países nórdicos/escandinavos, hoje exportam seu “ativo do conhecimento”, seja na área industrial do setor de celulose, ou em outros setores, como o petrolífero, e geram divisas importantíssimas para seus países. Por que o Brasil não poderia aproveitar todo o seu potencial tecnológico, como no desenvolvimento acumulado de manejo florestal, onde soubemos aproveitar nossa vantagem edafoclimática gerando produtividades recordes, ou como na própria indústria, que, a exemplo das associações e grupos de trabalho florestais, tem desenvolvido um grande acervo de pesquisa e desenvolvimento? A gestão de equipes, que cada vez é mais exigida, deve ser direcionada ao desafio de formar equipes de alta performance nas frentes operacionais, como líderes de campo, que são peças chaves para o estabelecimento de florestas altamente produtivas, mas, muitas vezes, não são contemplados em investimentos. Estamos sempre buscando tecnologia e desenvolvimento de ponta, porém, sem investimento em gestão, não conseguiremos sustentar os resultados otimizando os modelos de manejo focados no menor custo possível sem perder o nosso máximo potencial de expressividade genética de nossas florestas. Fato é que nossa vantagem desenvolvida ao longo dos anos, com muito estudo, tecnologia, pesquisa e desenvolvimento da nossa principal matéria-prima – nossas florestas plantadas – é o que garante a certeza de que a sustentabilidade do negócio de papel e celulose perpetuará ao longo dos ciclos. É claro que, por mais que seja, ainda hoje, visto de maneira geral como um setor de grande contribuição para a economia e gerador de divisas, devemos continuar evoluindo, deixando para trás a visão de um simples produtor de commodities, não somente sustentando o Brasil como um dos líderes mundiais de produção nesse setor, mas também garantindo o aumento da produtividade e da competitividade, gerando valor por meio de conhecimento, gestão e inovação.



tecnologia florestal para o papel

Opiniões

preste atenção nesta página!

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Uma vez definida a “fibra ideal”, seriam necessários de dez a vinte anos para se ter pronto um plantio comercial. Vale perguntar se, nesse tempo, a ciência não terá evoluído a ponto de condenar ao limbo tal projeto. "

Flavio Tesser Especialista em melhoria de processos da International Paper

Você, que lê este artigo, já teve a curiosidade de atentar para como é a base que o suporta, o papel? Pegue o canto da folha entre os dedos e, deslizando-os, perceba sua “lisura”. Toque-o com a ponta da língua e sinta sua “colagem” através da sensação de aderência. Observe uma área não impressa contra a luz e ateste sua “opacidade” Em uma área impressa, teste o show through (“mostrar através”) tentando ver, através da folha, a impressão do lado oposto. Examine sua “rigidez” balançando ao ar uma página e ouvindo o som carteado. Veja a “brancura” e pense como deveria ser sua “permanência” no tempo. Olhe para a qualidade da impressão e notará efeitos de outras propriedades, tais como “porosidade, absorção, tonalidade, formação”... Na origem de tudo, está a fibra de celulose, compondo cerca de 80% da estrutura do papel e obtida da madeira de florestas plantadas que, após tratamentos mecânicos e químicos, conferem a essa base as características que a consagram como a mídia por excelência. Avanços tecnológicos na fabricação de celulose e papel não são revolucionários, nem caminham com tanta rapidez quanto nas áreas de eletrônica, informação e bioquímica. Continuamos fazendo celulose com os mesmos processos de redução a cavacos, cozimento ou refino, lavagem branqueamento e recuperação química, típicos de quarenta anos atrás. E parece, a julgar pelas recentes solicitações de licenças ambientais, não mudará até 2018. Evoluções marcantes podem ser contadas nos dedos: colagem alcalina permitindo uso de cargas minerais e aditivos sintéticos com melhoria de qualidade do papel; uso de dióxido de cloro, oxigênio, ozônio e peróxido em substituição ao cloro reduziu impactos ambientais e trouxe melhoria de rendimento e de resistência das fibras; equipamentos de maior confiabilidade permitiram aumentar velocidades e produções, mas passaram a exigir menor variabilidade dos insumos. Em boa parte, essa redução de variabilidade vem sendo atendida pela simultânea evolução tecnológica florestal que, recordando, passou da exploração nativa a plantio por sementes; propagação por sementes e estaquias de indivíduos superiores; desenvolvimento de plantios clonais e, em curso, modificações genéticas, visando adequar composições químicas e morfologia de fibras.

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O desafio, contudo, é produzir mais com menos e de forma sustentável; não gerar resíduos ou emissões; antever e prover as necessidades do mercado à medida que eles também evoluem. Parece-me ser imprescindível mudar a madeira e o modo como ela é processada, pois, talvez, tenhamos que produzir papel de 30g/m² com a mesma funcionalidade de um atual 75g/m². Como será a fibra para esse produto? Utilizávamos, até 1975, eucalipto de várias espécies obtido de plantações por sementes. A idade de corte variava de 7 a 12 anos, e produzíamos uma tonelada de celulose com 4,5m3 de madeira. Hoje, plantios clonais de híbridos selecionados com idade de corte de 6 anos e variabilidade reduzida de densidade rendem a mesma tonelada com apenas 3,3m3. Aumentamos, certamente, a produtividade, mas continuamos enfrentando variações de desempenho na fabricação de papel, ocasionadas claramente por predominância ou falta de certos clones no abastecimento, já caracterizados como classes "A, B,C", e requerendo mixagem nos programas de corte. Evidência de que a variabilidade continua. Não produzimos ainda o protótipo sonhado. Se perguntarmos ao fabricante de papel que especificação deve ter a fibra de celulose ideal, ele dirá: tem que ser resistente, fácil de refinar, permitir drenagem, dar corpo ao papel. Todas essas propriedades são trabalháveis por outros meios no próprio processo de fabricação, no entanto, quando uma máquina atinge o limite de atuação em uma delas, tenta-se, em princípio, contornar, preferindo-se determinados clones que “trabalham melhor”. É evidente que essa prática não pode tornar-se permanente, pois não corrige uma deficiência localizada e pode gerar desvios na evolução do processo tecnológico florestal. Uma boa e contínua interação entre as áreas tecnológicas da fábrica e da floresta poderia gerar a definição do protótipo de fibra ideal? Uma vez definida tal fibra, seriam necessários de dez a vinte anos para se ter pronto um plantio comercial. Vale perguntar se, nesse tempo, a ciência não terá evoluído a ponto de condenar ao limbo tal projeto. Será também por isso que, até hoje, os desenvolvimentos tecnológicos foram dirigidos quase exclusivamente focando a produtividade florestal, com os ganhos na fábrica vindo a tiracolo?



tecnologia florestal para painéis de madeira

história, evolução, tecnologia e perspectivas A cronologia do desenvolvimento das indústrias de painéis de madeira reconstituída no Brasil tem início na década de 50, com a instalação das linhas de produção de chapas de fibras duras e isolantes no estado de São Paulo. Seu mercado consolidou-se através dos anos, e o Brasil passou a ser um dos maiores exportadores desse produto. Na década de 60, entrou em operação a primeira indústria de painéis aglomerados, dando início ao desenvolvimento desse segmento como um dos principais fornecedores de matéria-prima para indústria moveleira no Brasil. Nesse período, implementou-se também a política de incentivos fiscais para reflorestamento de grandes áreas com espécies do gênero pinus e eucalipto, nas regiões Sul e Sudeste do País. Matéria-prima abundante, embora de qualidade limitada, impulsionou os setores de celulose e papel, de painéis de madeira e, mais tarde, das laminadoras e das serrarias. A tecnologia industrial teve de se adaptar à nova realidade – a de exploração intensiva de grandes áreas de plantios florestais e a do processamento de toras de pequenos diâmetros em larga escala. Surgiram novos desafios, como o de melhorar a relação produtividade/qualidade da madeira proveniente de plantios florestais, por meio de estudos nas áreas de melhoramento genético, técnicas silviculturais e de manejo florestal.

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Entre as melhorias no processo produtivo, destacam-se os parâmetros relacionados awos adesivos, emulsão de parafina, granulometria das partículas, controle do perfil de densidade dos painéis, distribuição de umidade no colchão, controle da pressão e temperatura, entre outros. Essa evolução foi acompanhada da mudança na denominação comercial do produto, de aglomerado para MDP – medium density particleboard. Hoje, os painéis MDF e MDP podem conviver no mesmo mercado, dividindo as partes de um mesmo móvel, trazendo benefícios ao consumidor por meio da otimização da relação custo-benefício. Quanto ao mercado, os investimentos para ampliações dos números de unidades industriais de MDF e MDP no Brasil fazem acender uma luz de alerta: o setor moveleiro, seu principal consumidor, comportará a oferta, cada vez maior, desses produtos? Um dos caminhos seria a exportação? Deve-se considerar que o mercado internacional, como o americano e o europeu, apresenta exigências rígidas com relação ao nível de emissão de formaldeído. Não há limitações tecnológicas quanto à produção de painéis com baixa emissão de formaldeído, entretanto a necessidade de redução no custo de produção para competir no mercado internacional será um dos grandes desafios a serem enfrentados.

não há limitações tecnológicas quanto à produção de painéis com baixa emissão de formaldeído, entretanto a necessidade de redução no custo de produção para competir no mercado internacional será um dos grandes desafios a serem enfrentados " Setsuo Iwakiri

Professor de Painéis de Madeira da Universidade Federal do Paraná

Na década de 1990, entramos na era dos painéis MDF para atender à crescente demanda das indústrias moveleiras. A primeira unidade produtiva foi instalada no estado de São Paulo, em 1997. Ao mesmo tempo, chegou ao Brasil a tecnologia da prensa contínua, que permitiu a manufatura de produtos de maior qualidade com alta produtividade, aumentando a competitividade do MDF no mercado. Essas mudanças motivaram também as indústrias de painéis aglomerados a procurar a melhoria da qualidade e da produtividade com a adoção de novas tecnologias. Prensas de pratos foram substituídas por prensas contínuas em novos projetos industriais e na readequação das linhas de produção existentes. A indústria de aglomerados que convivia com a “sina” de produzir material de baixa qualidade, investiu em melhorias tecnológicas em termos de qualidade superficial, resistência à umidade, relação peso/resistência, etc.

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Algumas indústrias já estão investindo com vistas ao enfrentamento desse desafio. Novos projetos de plantas de MDF estão incorporando o sistema de aplicação do adesivo após a secagem das fibras, mudança que resultará na redução no consumo de resina e no custo de produção. Sob o ponto de vista ambiental, reduzir o consumo da madeira, com a produção de painéis de menor densidade, resultará em menor consumo de adesivo, o que significa menor formaldeído residual. Aplicações como molduras em MDF para móveis e acabamentos em construção civil não requerem alta resistência, e, portanto, a densidade do painel pode ser reduzida. Implantação de unidades de processamento de resíduos de madeiras provenientes de construção civil, descartes de embalagens, móveis usados, etc., para produção de cavacos, seria uma alternativa para aumentar a oferta de matéria-prima com impacto positivo ao meio ambiente.


Opiniões

tendências do setor de painéis de madeira O setor de painéis de madeira tem apresentado grande crescimento no Brasil e no mundo, em função de fatores como a modernização do parque fabril, a busca por novos produtos e o aumento da demanda dos setores de construção civil e de móveis, seus principais consumidores. Além disso, os painéis apresentam algumas vantagens em relação à madeira maciça, dentre as quais o seu alto aproveitamento, a não necessidade de madeira de boa qualidade, a obtenção de um produto com maior homogeneidade e por ser relativamente leve e altamente resistente. Atualmente, o Brasil se destaca no cenário mundial de painéis de madeira, apresentando parques industriais modernos, com prensas contínuas de grandes dimensões e processos totalmente automatizados, o que permite uma alta flexibilidade operacional e, consequentemente, a obtenção de produtos com diferentes dimensões. Produtos como painéis de madeira do tipo MDP (Medium density particleboard) e MDF (Medium density fiberboard) apresentam-se com o maior potencial de produção, sendo que o mercado interno consome toda a produção de MDP e quase totalmente a produção de MDF, tendo, além das perspectivas bastante animadoras do mercado interno, um mercado externo ainda pouco

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Dois fatores contribuem para a atual situação do compensado: um deles é a concorrência direta dos painéis OSB (Oriented strand Board), painel com custo de produção inferior, pois apresenta maior aproveitamento da madeira; o outro é uma forte concorrência externa da China, já que grande parte da produção de compensado é voltada para o mercado externo, principalmente para os Estados Unidos, e pela política da China de desvalorização da sua moeda, forçando uma alta taxa de câmbio, fazendo com que outros países, inclusive os EUA, passem a comprar dela. Devido a essa grande diferença cambial, os dados de produção e de importação dos painéis revelam que os próprios Estado Unidos – por muito tempo, o maior produtor mundial de compensado – passaram a reduzir sua produção, porque passa a ser mais vantajoso a importação do produto da China. Já no caso dos painéis OSB –. muito produzido e utilizado nos EUA e no Canadá – ainda está em processo de consolidação no Brasil visto que o País apresenta apenas uma unidade fabril, que está voltando sua produção para sistema do tipo Wood frame, ou seja, produção de casas com painéis OSB. No entanto a recepção dos consumidores ainda é muito pequena, devido, principalmente, à falta de conhecimento do produto e à tradição de construção a base de cimento.

as pesquisas estão concentradas na busca da estabilidade dimensional; na qualidade do acabamento superficial; na proteção contra xilófagos e fogo; de adesivos naturais alternativos; na modelagem do comportamento físico-mecânico durante a prensagem a quente; e de novas matérias-primas " Rafael Farinassi Mendes Doutorando da Universidade Federal de Lavras

Supervisão: Lourival Marin Mendes, Prof de Painéis de Madeira da UFLA

explorado, fazendo com que as empresas trabalhem com a opção da expansão e criação de fábricas. Neste momento, o governo acaba de retirar o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) de alguns painéis de madeira e de laminados para revestimento. A redução é prevista até o final do mês de setembro deste ano, contudo já se fala em aumentar o prazo até o final do ano. A atitude tem por intuito aumentar o consumo de móveis no Brasil e impulsionar ainda mais esse setor da economia. No caso dos painéis utilizados para a construção civil, fala-se em redução do IPI até o final de 2013. Tal medida viria ajudar bastante o segmento de painéis compensados, que passa por uma fase um tanto quanto desanimadora, visto que sofre forte diminuição da produção desses painéis, inclusive com o fechamento de algumas empresas de pequeno porte.

Com o crescimento da indústria de painéis de madeira, aumentam as pesquisas direcionadas para o setor, as quais estão sendo concentradas na melhoria da estabilidade dimensional, principalmente no caso dos OSB; na qualidade do acabamento superficial; na proteção contra xilófagos e fogo; na busca de adesivos naturais alternativos; na modelagem do comportamento físico-mecânico dos painéis durante a prensagem a quente; e na busca de novos tipos de matérias-primas que possam vir a suprir, qualitativa e quantitativamente, o crescimento do setor. Sendo assim, de forma geral, o setor de painéis de madeira se mostra com grande potencial de crescimento. Os centros de pesquisas e universidades estão em sintonia com as empresas, no desenvolvimento de pesquisas que visem à obtenção de novos produtos e à melhoria de sua qualidade final, para que eles possam atingir, cada vez mais, diferentes nichos de mercado.

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tecnologia florestal na indústria

importância das fibras no desenvolvimento de

tecnologia

para a produção de celulose e papel Há mais de 200 anos, a produção de papel deixava de ser uma atividade artesanal para se transformar em um processo industrial e contínuo. Esse processo foi liderado pelos países do hemisfério norte, que também iniciaram estudos sobre a utilização das fibras de madeira, em substituição aos farrapos de tecidos que eram utilizados como matéria-prima na época. Portanto as fibras celulósicas longas, provenientes de madeiras desses países, reinaram absolutas por muito tempo. Durante a Segunda Guerra Mundial, a restrição na oferta de fibras fez com que alguns empreendedores no Brasil iniciassem estudos com outros tipos de fibras em escala industrial, encontrando resultados positivos com uma espécie originária da Austrália, o eucalipto. A fibra do eucalipto é curta e não tem a mesma resistência da fibra longa. Porém características como baixo comprimento, alta uniformidade e o alto número de fibras por grama do eucalipto proporcionam excelente formação, lisura e maciez, que são requisitos importantes para papéis de escrever e imprimir, papéis especiais e papéis tissue (papel higiênico, papel facial, guardanapo e papel toalha).

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neste novo contexto global, onde a sustentabilidade é um importante direcionador para as empresas e a sociedade, a biotecnologia arbórea, ainda em fase de testes e sujeita a regulamentações, será fundamental no desenvolvimento da indústria de papel e celulose " Nestor de Castro Neto

Presidente da Voith Paper Máquinas e Equipamentos

No caso específico do papel tissue, realizou-se um “casamento perfeito” da fibra de eucalipto com o papel. Além da maciez já comentada, essa fibra é menos compressível, conduzindo a uma maior espessura e, portanto, a uma maior absorção, característica fundamental nesse tipo de papel. Além da qualidade que contribui ao papel, o eucalipto encontrou, em território brasileiro, ótimas condições de clima e de solo para se desenvolver, com crescimento rápido e podendo ser cultivado em terrenos de baixa fertilidade natural. Aliado ao forte investimento das empresas brasileiras em melhoramento genético e técnicas de manejo florestal,

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proporcionou que as nossas florestas se tornassem uma das mais produtivas e sustentáveis do mundo. Passados mais de 60 anos, a fibra curta de eucalipto atravessou um longo caminho, que começou com uma grande resistência por parte dos produtores, até o momento atual, em que presenciamos uma consistente substituição da fibra longa pela fibra curta na produção de papéis que se adaptem bem às características proporcionadas pela fibra curta. Esse processo nitidamente se intensificou após a crise econômica global de 2008, que evidenciou, ainda mais, a vantagem comparativa de países, como o Brasil, com baixos custos


Opiniões de produção, levando a fechamento de capacidades ineficientes de fibra longa no hemisfério norte. Um dos principais “papéis” desse processo de substituição tem sido desempenhado pelo crescimento em termos de volume e importância que o papel tissue vem apresentando na indústria de papel e celulose. O crescimento da população, uma maior urbanização, a melhoria dos padrões socioeconômicos e o baixo nível de substituição desse produto são fatores com forte correlação e que sustentam o aumento do consumo no longo prazo, com previsão para os próximos 10 anos de uma taxa de crescimento global em torno de 4% ao ano, superior aos demais tipos de papel. Interessante notar que, em mercados maduros, como o americano, onde o consumo per capita já é muito alto, o principal direcionador é a qualidade. Dessa forma, evidencia-se o crescente emprego da fibra curta de eucalipto onde os produtos premium, com alta absorção e também maciez, têm ampla procura. Já em mercados como a China, que possui a maior capacidade de instalação de papéis tissue para os próximos anos e é um país deficitário de fibras, a exportação da fibra curta, especialmente a de eucalipto proveniente do Brasil, desempenha um papel importante. A introdução da fibra curta no processo produtivo de papel também exigiu dos fabricantes de máquinas e equipamentos o desenvolvimento de tecnologias que se adequassem às características dessa nova matéria-prima, como, por exemplo, sua menor resistência quando comparada à fibra longa, num cenário em que os produtores de papel também

demandavam por máquinas mais velozes, com maior eficiência e produtos com maior qualidade. Várias inovações foram implementadas, e, à medida que o conhecimento do desempenho da fibra curta em uma instalação industrial foi sendo gerado, novos desenvolvimentos surgiram, visando sempre desafiar os limites da fibra. O Brasil possui também um centro de tecnologia mundial para a produção de papéis tissue, onde importantes desenvolvimentos são realizados em parceria com os produtores desse papel. Desde o início da sua história, a fabricação de papel passou por grandes mudanças, e inovações ocorreram em seu processo de produção. Neste novo contexto global, onde a sustentabilidade é um importante direcionador para as empresas e a sociedade, a biotecnologia arbórea, que ainda se encontra em fase de testes e sujeita a regulamentações, será fundamental no desenvolvimento da indústria de papel e celulose. As espécies não apenas serão adequadas para atender ao aumento de produtividade florestal e ao microclima, mas também serão cada vez mais direcionadas à necessidade final dos produtos, levando a um menor consumo de recursos e insumos (terra, água, energia, fibras e químicos). Para uma indústria que, além de ser capital intensivo, é também de consumo intensivo, essas novas possibilidades permitirão sua competitividade no futuro. Para os fabricantes de equipamentos que são desenvolvedores de tecnologia, a contínua parceria com os produtores se faz cada vez mais necessária nesse contexto para o atendimento das futuras demandas.

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mecanização e automação

desenvolvimento e

Opiniões

desafios

Na última reunião do PTSM - Programa Temático de Silvicultura e Manejo, ocorrida em maio deste ano no Município de Telêmaco Borba-PR, tivemos a oportunidade de, em conjunto com profissionais de outras empresas florestais, prestadores de serviço e professores de várias universidades, discutir a questão dos desafios da mecanização nas empresas florestais, principalmente no que se refere à silvicultura básica, e notamos pontos em comum que fazem com que a mecanização das operações florestais seja um caminho sem volta. A principal delas e talvez a mais importante seja a escassez de mão de obra especializada que ronda o setor; várias empresas destacaram que vivem, hoje, esse problema. Há algum tempo, admitia-se que o maior benefício da mecanização nas operações florestais fosse a redução dos custos operacionais. Entretanto, com a diminuição da mão de obra disponível e o aumento dos custos sociais, a mecanização das operações tornou-se peça importante na busca pelo aumento da produtividade e pelo controle mais efetivo dos custos e das facilidades administrativas. Conceitualmente, é importante destacar que mecanização e automação são duas coisas distintas: enquanto a mecanização trata simplesmente do uso de máquinas para realizar determinado trabalho, substituindo o esforço físico do homem, a automação consiste na realização do trabalho por meio de máquinas controladas automaticamente e que são capazes de se regularem sozinhas.

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O Brasil tem vocação florestal no seu DNA, que precisa ser cada vez mais gerida, fomentada, discutida e divulgada. Nota-se um destaque muito maior em favor da agricultura, e isso impacta bastante no processo de desenvolvimento, pois, na maioria das vezes, os equipamentos utilizados na área florestal são adaptações de equipamentos existentes na agricultura. Hoje em dia, contamos nos dedos as empresas especializadas no desenvolvimento de equipamentos florestais, portanto precisamos estimular a criação dessas empresas, tendo um enfoque multidiscilpinar, exigindo-se profissionais de áreas distintas, como engenheiros mecânicos e projetistas, de preferência com experiência de campo. Há uma carência generalizada de profissionais na área de mecanização, assim como instituições educacionais específicas com esse propósito, sendo imperiosa a necessidade de revisão dos conteúdos curriculares dos cursos de engenharia florestal no Brasil, tornando-o mais adequado à necessidade atual. A mecanização florestal custa, e uma das barreiras tem sido o retorno dos investimentos que, em geral, ocorrem em médio e longo prazo. Durante o evento, conversamos sobre algumas necessidades de desenvolvimento para melhorarmos, principalmente, o desempenho da silvicultura básica: a plantadeira mecanizada, um sistema de irrigação para estabelecimento inicial de plantio, aplicadores de herbicida pré e pós-emergente, rebaixador de toco, subsolador, sensor de

chegamos a brincar dizendo que, para a colheita, nós temos equipamentos que se igualam a uma Ferrari, mas, para a silvicultura, temos um Fusquinha "

Roosevelt de Paula Almado

Gerente de Pesquisa Florestal e MA da ArcelorMittal BioFlorestas

Ambas têm alguns desafios no setor florestal. Romper a resistência a mudanças: Diz um ditado italiano que "Chi lascia la strada vecchia per una strada nuova sa lo che lascia, no sa lo que trova" (Quem abandona uma rua velha por uma rua nova sabe o que abandona, mas não sabe o que vai encontrar). Às vezes, na empresas, notamos um certo receio de se fazer diferente com relação à mecanização, de se inovar, principalmente na predisposição de se investir mais na silvicultura básica, que é o grande gargalo. Chegamos a brincar dizendo que, para a colheita, nós temos equipamentos que se igualam a uma Ferrari, e, para a silvicultura, temos um Fusquinha. A resistência é um fenômeno natural, humano, que, quando bem administrado, permite que as pessoas evoluam, e que, finalmente, as mudanças se realizem.

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aplicação de adubo, sensor de profundidade de subsolagem, sensor de aplicação de herbicida e preparador de solo em área declivosa. Dentre as prioridades identificadas, ficou clara a necessidade de evolução na mecanização do preparo e do plantio em áreas com relevo acidentado. Necessitamos estar atentos às mudanças que estão ocorrendo dentro do setor florestal e, em especial, nos processos de mecanização, pois se observa uma mudança substancial no perfil e nas necessidades de atuação. Para isso, precisamos trabalhar de forma organizada; nas apresentações do evento, notei que há uma grande criatividade das empresas, os profissionais estão ávidos por resolverem seus problemas, mas eleger as prioridades e trabalhar de forma cooperativa fazem parte dessa busca, de forma a darmos passos mais largos.



plantadora florestal

Opiniões

o desenvolvimento de uma

plantadora florestal

Atualmente, a grande maioria das empresas florestais nacionais adota sistemas mecanizados de preparo de solo, de colheita e baldeio e, para tanto, utilizam-se de equipamentos de última geração, visando à redução dos custos de produção e ao aumento da produtividade, com um lucro final maior. Por outro lado, essas mesmas empresas não utilizam sistemas mecanizados de plantio, quando muito, vêm experimentando sistemas semimecanizados, ou seja, um trator tracionando uma plantadora, com dois operadores, um no trator e outro no equipamento. Mesmo assim, esses sistemas carecem de aperfeiçoamentos e melhorias, tanto construtivas como operacionais, e de treinamento da mão de obra envolvida. Dessa forma, os custos da operação de plantio não estão sendo reduzidos, pois, além de não ser eficiente, depende muito de pessoas, o que, nos dias de hoje, é um empecilho para que empresas e investidores vejam essa atividade com bons olhos. Diversas outras atividades agrícolas apresentam uma dependência pequena de mão de obra e são totalmente mecanizadas, tais como as culturas da cana-de-açúcar, soja, milho e outros. O plantio manual apresenta, além do alto custo por hectare plantado e a dependência de pessoal, qualidade muito baixa, pela falta de homogeneidade e padrão das plantas, o que aumenta os inconvenientes da falta de mecanização dessa operação. Nos países escandinavos, o plantio mecanizado teve início na década de 1960, com o desenvolvimento de inúmeros protótipos e, posteriormente, máquinas robustas e sofisticadas que podem ser de arrasto, instaladas em forwarders, harwarders, e, mais recentemente, surgiram os cabeçotes plantadores adaptados em máquinas bases de escavadoras. Acompanhando essa tendência mundial, um grupo de empresas florestais buscou a Faculdade de Ciências Agronômicas da UNESP, e, juntos, consolidaram uma parceria inédita com um fabricante de equipamentos florestais, um fabricante de escavadoras e empresas de suporte, com sistemas de georreferenciamento, para projetarem uma plantadora de eucalipto e pinus no Brasil. Esse projeto envolve o desenvolvimento e a adaptação de um cabeçote para o plantio de mudas de espécies florestais em uma máquina base. O cabeçote foi adquirido junto ao grupo Bracke Forest, empresa sueca especializada na fabricação de equipamentos e acessórios

para preparo de solo, plantio e colheita florestal. A John Deere forneceu a máquina base, ou seja, uma escavadora, a equipe de engenharia para projetar as modificações e as adaptações no novo conjunto de plantio e o suporte e o treinamento ao longo dos ensaios do novo equipamento. A Arvus se encarregou de realizar, durante a execução das atividades, o monitoramento da operação de plantio e o georreferenciamento de algumas feições de interesse, como fluxos e vazões de fertilizantes, água de irrigação e gel. O equipamento idealizado poderá realizar o preparo de solo através da mobilização da área antes do plantio, independente do tipo de solo, da presença de pedras ou de resíduos agrícolas e florestais. Pode também, de forma oposta, não realizar a mobilização do solo, mantendo os sistemas antigos de preparos, adubação e irrigação existentes nas empresas para o plantio manual, tais como a subsolagem na linha de plantio. Independentemente da opção ou do sistema adotado por qualquer empresa parceira no projeto, o equipamento está sendo projetado e construído para realizar o plantio de mudas de eucalipto, pinus e espécies nativas e, ao mesmo tempo, executar a irrigação com água ou água e gel e, ainda, a adubação em coveta lateral de cada muda plantada. Mesmo após muitos anos de pesquisa e desenvolvimento de equipamentos para plantios mecanizados ou semimecanizados ao redor do mundo, observa-se que as questões de logística envolvidas numa operação de plantio, ou seja, a movimentação de mudas, sistemas de abastecimento/reabastecimento de fertilizantes e a irrigação, ainda não estão bem definidas. Os modelos adotados nos plantios manuais nem sempre são os mais racionais e, provavelmente, não poderão ser convertidos, nem mesmo parcialmente, durante a migração para sistemas mecanizados. Os cabeçotes de plantio e os equipamentos de suprimento da plantadora necessitam de adaptações para as condições nacionais de topografia, tipo de solo e espécie florestal a ser plantada. Espera-se que, ao término desse projeto, o produto final tenha a habilidade de realizar múltiplas operações em um único equipamento, com custos compatíveis com a introdução de um novo conceito nessa operação florestal. Além disso, essa redução de custo vem ao encontro do aumento do interesse de adoção dos Sistemas Florestais de Curta Rotação (SFCR) para fins energéticos, ou seja, a biomassa.

o equipamento está sendo projetado e construído para realizar o plantio de mudas de eucalipto, pinus e espécies nativas e, ao mesmo tempo, executar a irrigação com água ou água e gel e a adubação em coveta lateral de cada muda plantada.

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Kléber Pereira Lanças e Saulo Philipe Sebastião Guerra Professores de Máquinas e Mecanização Agrícola da FCA/UNESP





água

água

Opiniões

o uso eficiente da

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devido à alta capacidade de absorção de água e aos repetidos ciclos dessa absorção, o mercado ganhou uma nova ferramenta para a 'irrigação' de plantio durante estações secas "

Wagner A. Lopes Gerente de Negócios da Evonik Degussa

O uso da água na agricultura é um fator limítrofe à produção de qualquer cultura, sendo sua disponibilidade em qualidade e quantidade um grande diferencial em projetos agrícolas e florestais de sucesso. A exploração das terras agricultáveis tem causado confronto com as necessidades de sustentabilidade dos ecossistemas. A produção agrícola e florestal irrigada tem despontado como opção que visa ao uso racional dos recursos hídricos disponíveis. Dito isso, o manejo racional da água não somente traz benefícios ecológicos como também reduz os custos de produção, gerando maior lucratividade aos empreendimentos rurais. O desenvolvimento industrial das famílias de polímeros chamados “superabsorventes” data da década de 1980, quando se passaram a utilizar tais produtos em larga escala na produção de artigos de higiene, como as fraldas descartáveis e os absorventes femininos. Esses produtos se diferenciam pelo alto grau de oclusão da água em sua estrutura química, o que permite aos seus usuários conforto e garantia de produtos “secos” no uso diário. Com o avanço da tecnologia de fabricação dessa indústria, também se desenvolveram novas linhas de “superabsorventes”, desenhadas especificamente para aplicações em embalagens, extinção de incêndio e condicionadores de solo para uso agrícola, florestal e no paisagismo. Nessa última classe mencionada, destacam-se os polímeros à base de Poliacrilato de Potássio, capazes de absorver até 300 vezes seu peso em água e liberá-la às plantas no campo e ao solo. Tal propriedade é denominada, conforme o Ministério da Agricultura, CRA ou Capacidade de Retenção de Água. Devido à sua estrutura química, o cátion potássio é potencialmente disponibilizado por troca iônica com o meio, permitindo, assim, dispor de outra propriedade denominada CTC ou Capacidade de Troca Catiônica. Age, portanto, como uma reserva hídrica essencial no transplante de mudas para o campo, reduzindo o estresse do plantio, os efeitos da estiagem e auxiliando no estabelecimento da cultura, disponibilizando nutrientes. Por meio da melhoria das propriedades do solo via osmose e de acordo com a demanda da planta, auxilia no crescimento da raiz e da sua parte aérea.

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Por serem degradáveis, falamos de produtos seguros à planta, ao manuseio e, ainda, ao meio ambiente. A partir da década de 1990, iniciou-se o desenvolvimento dessa nova tecnologia no uso desses produtos na agricultura e no reflorestamento, por recomendações originárias de empresas na África do Sul e EUA. Popularmente conhecido como “gel”, devido à aparência quando hidratado, passou a ser, então, avaliado por diversos institutos de pesquisa e universidades, buscando adaptar seu uso à nossa realidade, inclusive no plantio de nativas, atendendo às exigências do Código Florestal. Num setor industrial caracterizado por altas demandas de plantio e suprimento de madeira para indústrias de celulose e papel, carvão, siderurgia, madeira e afins, acrescidos de condições climáticas crescentemente adversas, essa tecnologia veio ao encontro das necessidades de campo. Devido à alta capacidade de absorção de água e aos repetidos ciclos dessa absorção, o mercado ganhou uma nova ferramenta para a “irrigação” de plantio durante estações secas, o que permitiu a redução de custos por diminuição da frequência dessa operação. Permitiu ainda que se otimizasse o uso das equipes de irrigação em outras frentes, além de reduzir o transporte de água no campo. Evidentemente que novas tecnologias pioneiras, como essa, encontraram dificuldades, principalmente na implementação operacional, pois buscaram manter a produtividade e o padrão de plantio de campo. Assim, nasceu a parceria com fabricantes de equipamentos, que auxiliaram a promover a aplicação adequada desses produtos. Sistemas dosadores, plantadores e aplicadores foram criados para atender à nova demanda, dessa vez, associada à ergonomia, além da qualidade e da produtividade em áreas extensivas. Nesse contexto, podemos dizer que o Brasil se tornou referência mundial, disseminando essa tecnologia a outros países por ter alcançado um nível diferenciado e único no plantio florestal semimecanizado. Evidentemente que, apesar de determos, hoje, esse estado da arte, ainda se busca a redução dos custos operacionais da silvicultura. Dessa forma, os próximos passos estão alocados na direção da mecanização e do atendimento às necessidades das empresas nas novas fronteiras agroflorestais em um País, de fato, continental.


manejo de pragas versus certificação

Opiniões

o manejo integrado de pragas e a

certificação florestal

Com o advento da globalização, da abertura e do crescimento de mercados internacionais, dos grandes acordos comerciais e da criação de grupos de livre comércio, a venda de commodities em geral, dentre elas a celulose, atingiu níveis elevados nos últimos anos, período em que novas plantas industriais entraram em operação. Atrelados ao aumento da demanda por celulose, estão o aumento da consciência coletiva relacionada ao meio ambiente e à sustentabilidade da produção e dos negócios e, consequentemente, das cobranças em relação à padronização produtiva, qualidade dos produtos, respeito ao homem, à sociedade e ao meio ambiente. Nesse cenário, a certificação florestal demonstra o cumprimento de padrões dos processos produtivos, pautados em normas, princípios e critérios preestabelecidos. Como exemplos, podem-se citar o FSC - Forest Stewardship Council e o Cerflor, além das normas ISO e OHSAS. O setor florestal brasileiro se destaca em escala mundial em função das altas produtividades obtidas e das tecnologias produtivas empregadas. O MIPF - Manejo Integrado de Pragas Florestais se destaca como uma ferramenta fundamental à viabilidade dos plantios comerciais altamente produtivos. Como pilares básicos de sustentação do MIPF, podem ser citados: • O planejamento de plantio, por meio do manejo da paisagem, prioriza a diversidade biológica, a conectividade entre áreas de conservação, os mosaicos genéticos e por idades, as unidades de manejo por bacias hidrográficas e os direcionadores de colheita; • A recomendação de materiais genéticos para o plantio leva em consideração, além das características tradicionais do melhoramento clássico florestal, as fenotipagens em condições controladas para as principais pragas e doenças do eucalipto, a verificação de adaptação aos sítios de plantio, complementada ainda pela instalação de campos de prova para doenças de grande importância, evitando o plantio de clones que sejam suscetíveis aos principais desafios fitossanitários da cultura;

• As práticas de manejo são sempre as mais adequadas

aos locais de plantio, incluindo diferentes formas de preparo do solo, com base em análises físicas e do relevo, priorizando o uso do cultivo mínimo. O espaçamento de plantio é variável de acordo com a capacidade dos sítios, e as fertilizações são baseadas em análises químicas do solo. A adequação dos níveis nutricionais das plantas é monitorada e corrigida quando necessário. Sempre que possível, os resíduos da colheita anterior são mantidos na área. O manejo por talhadia é recomendado apenas para clones com bom status fitossanitário, e o manejo de matocompetição é realizado mediante avaliações prévias e com técnicas adequadas para cada situação; • Os monitoramentos populacionais das pragas, feitos de forma personalizada por região de atuação e por praga alvo, por sistemas especialistas, de forma customizada, têm como foco definir onde, quando e como devem ser tomadas ações de manejo. Adicionalmente, materiais de suporte à diagnose fitossanitária estão disponíveis online para consulta; • O controle natural das populações é privilegiado pelas ações já mencionadas, favorecendo o equilíbrio biológico. Os controles biológicos clássico e aplicado são as primeiras ações a serem tomadas, atuando sempre nos momentos adequados para a sua aplicação; • O controle químico é a última alternativa aplicada no MIPF, onde são usados produtos seletivos, de alta eficácia, que tenham as melhores características de segurança ambiental e ocupacional possíveis e nos melhores níveis Joaquimelo de localização; e Gerente de Oelulose • As premissas de aplicação do MIPF são convergentes com os requisitos de certificação florestal e devem ser aplicadas em qualquer empreendimento florestal. Essa aplicação atende plenamente aos requisitos das certificações florestais e à maioria das condicionantes dos processos de derrogação de químicos do FSC (autorização para uso temporário de um produto considerado “altamente perigoso” pelo FSC, mediante o atendimento de condicionantes vinculadas à sua aplicação).

atrelados ao aumento da demanda por celulose, estão o aumento da consciência coletiva relacionada ao meio ambiente e a sustentabilidade da produção e dos negócios "

José Eduardo Petrilli Mendes Pesquisador Sênior da Fibria Celulose

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plantas daninhas

Opiniões

vencendo os desafios

com novas tecnologias

O manejo da vegetação espontânea nas implantações de florestas é um trato cultural indispensável, pois as plantas daninhas interferem negativamente no crescimento e no desenvolvimento inicial da cultura. No entanto, atualmente, o setor vem enfrentando desafios no manejo de plantas daninhas, resultado do incremento significativo nos custos de mão de obra e dependência de herbicidas. O incremento dos custos da mão de obra para o manejo de plantas daninhas através de métodos manuais de capina levou o setor, cada vez mais, a depender dos herbicidas. A opção pelos herbicidas é impulsionada pela alta eficácia do método, baixo custo comparativo com outras práticas, praticabilidade de uso, funcionamento nas diversas condições climáticas e culturais, dentre outras vantagens. Os herbicidas em florestas são aplicados principalmente nas entrelinhas, em condição de pós-emergência, ou nas linhas em condições de pré-emergência. No entanto há limitações de opções de herbicidas disponíveis no mercado, restrita, especialmente, a um produto em pós-emergência, o glyphosate, e a poucos produtos em pré-emergência, com destaque para o isoxaflutole. Essa situação de baixa disponibilidade de produtos é o principal desafio da tecnologia e, assim, motivo do ponto de vista expresso neste artigo. Na minha opinião, uma das razões da escassez de herbicidas disponíveis no mercado para o setor florestal é decorrente da falta de interesse das empresas de agroquímicos em registrar novos produtos para o setor. Existem duas maneiras principais de registro de um novo herbicida para florestas: descoberta de novos mecanismos de ação de herbicidas e/ou novas moléculas e desenvolvimento da extensão de uso de herbicidas já existentes e que são usados em outras culturas, mas que não foram registrados para as culturas florestais. O último mecanismo de ação de herbicida descoberto foi há mais de 20 anos. A dificuldade está relacionada aos custos de descoberta cada vez maiores, alta complexidade das exigências regulatórias ambientais, toxicológicas e de eficácia. Portanto não podemos ficar na ilusão de que novos herbicidas e/ou mecanismos de ação serão liberados no mercado a curto prazo. Sendo assim, a solução deve vir do desenvolvimento de opções advindas da extensão de usos de herbicidas. No caso específico da cultura de eucalipto, existem vários produtos aplicados em outras culturas que foram testados em ensaios preliminares e que apresentam possibilidade de uso na cultura. Assim, o setor necessita que as empresas detentoras de patentes desses produtos tenham

interesse em investir na extensão de uso desses herbicidas. Porém a principal dificuldade apontada é que os órgãos oficiais que regulamentam e controlam os registros de produtos exigem testes de eficácia, seletividade, impacto ambientais e toxicologia semelhantes ao desenvolvimento de novas moléculas e, assim, inviabilizam os investimentos, levando em consideração o potencial de mercado futuro do produto. Dessa forma, destacamos aqui a necessidade de sensibilização dos órgãos legisladores no Brasil para o problema e, assim, olhar para o setor com mais profundidade e adotar medidas de agilidade e facilitação de registro de extensão de uso de herbicidas. É evidente que com isso não insinuamos qualquer processo de redução de rigor no registro de produtos, mas apenas consideração de caráter de urgência para esses registros. O Brasil é um país considerado exemplar na seriedade de legislação dos agrotóxicos, porém existem maneiras de facilitar o registro de produtos para culturas nas quais o interesse das empresas de agroquímico é menor, como é o caso das minor crops. Outro aspecto que limita a disponibilização de novas opções de herbicidas é a certificação florestal. Destacamos a contribuição das certificações, altamente significativa para o setor florestal, porém, para herbicidas, em nossa opinião, há neccessidade de uma reflexão mais detalhada. Para fundamentar essa opinião, observemos como exemplo comparativo as restrições impostas ao uso de produtos químicos nas certificações de culturas alimentícias, que são menos restritivas com relação ao uso de herbicidas. As tecnologias de manejo de plantas daninhas em florestas, na atualidade, estão fundamentadas no uso de herbicidas, porém a sustentabilidade pode estar ameaçada pela escassez de opções de produtos, tanto em pré quanto em pós-emergência. A disponibilização de novas opções depende do processo de extensão de uso de algumas moléculas que estão em uso em outros segmentos da agricultura. Para isso, é necessária: 1. uma ação das indústrias de agroquímicos realizando pesquisas de prospecção de novas opções de herbicidas dentre os usados em outras culturas; 2. disposição dos órgãos legisladores, como o MAPA, o Ibama e a Anvisa, em priorizar, em caráter emergencial, a possibilidade de registro desses herbicidas; 3. uma discussão ampla nos processos de certificação relacionada ao uso de herbicidas; e, finalmente, 4. os órgãos de pesquisa e empresas florestais precisam colaborar no processo de teste desses produtos. Assim, uma ação conjunta e organizada pode resultar, em médio prazo, na disponibilização de novos herbicidas para o setor florestal.

destacamos a necessidade de sensibilização dos órgãos legisladores para a adoção de maior agilidade e facilitação de registro de extensão de uso de herbicidas " Pedro Jacob Christoffoleti

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Professor de Biologia e Manejo de Plantas Daninhas na Esalq-USP Agradecimento: Ernesto Norio Takahashi, Pesquisador Florestal, Fibria



aplicação de iscas formicidas

Opiniões

a aplicação mecanizada de iscas As formigas cortadeiras são os principais insetos-praga dos cultivos florestais, devido aos danos frequentes e constantes em toda a fase de desenvolvimento dessa cultura. Por isso o controle delas é imprescindível para garantir uma produção economicamente sustentada. O uso de iscas formicidas granuladas, à base de sulfluramida ou fipronil, é o principal método de controle. As iscas são aplicadas de forma manual e localizada nos ninhos, em todas as fases do desenvolvimento da floresta, e de forma sistemática manual ou mecanizada na fase inicial. Porém é crescente a utilização da aplicação mecanizada em todas as fases da floresta, em função da crescente dificuldade de obtenção de mão de obra, alto rendimento operacional (25 a 30ha/dia), menor custo e menor risco de contaminação dos combatentes. Diversos equipamentos são encontrados para a aplicação de isca, porém todos possuem sistema de distribuição sistemática e não localizada. Por isso é preciso considerar alguns fatores para obter o controle racional, como a menor dosagem efetiva, o espaçamento entre doses, o tamanho dos ninhos e da população de formigueiros e a distribuição dos ninhos na área. Menor dosagem efetiva: estudos mostram que a efetividade aumenta proporcionalmente com o aumento da dosagem aplicada, no entanto é importante considerar que a aplicação de grande quantidade de inseticidas no ambiente é prejudicial, além de ser onerosa. Os princípios ativos das iscas registradas no Brasil sofrem restrições de uso por diversos certificadores florestais, como o FSC, que exigem a redução da sua aplicação. É preciso conciliar efetividade e menor dosagem. Estudos mostram que a efetividade da aplicação sistemática mecanizada de isca é alta nas dosagens entre 1,5 e 5kg/ha, desde que a área tratada não apresente ninhos maiores que 10m2 de terra solta. Espaçamento entre doses: o raio de forrageamento das formigas é em função do tamanho da colônia ou do ninho e da espécie de formiga cortadeira. Colônias de Atta spp. (saúvas) forrageiam maior área que colônias de Acromyrmex spp. (quenquéns), porém colônias de Atta pequenas possuem raio de forrageamento menor que colônias grandes. Por isso quanto menor o espaçamento entre as doses de isca, maior a probabilidade de as colônias encontrarem e forragearem a isca. Por outro lado, espaçamentos menores resultamAocha em menor rendimento operacional e em maior custo, além de Preseg exigir dispositivos de distribuição de isca mais precisos e iscas com menor variação de tamanho dos pellets. Por essas razões, os espaçamentos mais utilizados variam entre 6x2m e 6x3m. Tamanho da população de formigueiros e dos ninhos: o

a implantação desses programas é fundamental para o sucesso desse tipo de aplicação, visando garantir a sustentabilidade econômica, ambiental e social das florestas cultivadas " Ronald Zanetti Bonetti Filho Professor de Manejo de Pragas Florestais da UF de Lavras - UFLA

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manejo de pragas preconiza que a aplicação de inseticidas deva ser efetuada apenas quando a população do inseto atingir ou ultrapassar o nível de controle. No caso de formigas cortadeiras, esse nível varia entre 7,02 a 39m2 de terra solta por hectare, dependendo da região, do sítio e do material genético cultivado. No entanto é preciso considerar também o tamanho dos ninhos, além do valor de nível de dano, para decidir sobre a necessidade da aplicação sistemática de isca. O tamanho dos ninhos reflete aproximadamente o tamanho da colônia, e colônias maiores forrageiam mais distante e também maior quantidade de forragem. As iscas disponíveis no mercado são recomendadas numa dose entre 6 e 10g/m2 de área de terra solta do ninho; então, um ninho com 10m2 de terra solta deveria receber entre 60 e 100g de isca para morrer. Nesse caso, uma aplicação sistemática de 1,5kg/ha seria teoricamente efetiva se a área apresentasse entre 15 e 25 ninhos de 10m2/ha. Uma colônia de formigas forrageia maior quantidade de isca do que a necessária para sua morte, e, dessa forma, ninhos grandes podem forragear a isca aplicada para matar outros ninhos, que não morreriam. Isso demonstra a necessidade de se conhecer, através do monitoramento, o tamanho da população e dos ninhos antes da aplicação de iscas. Distribuição dos ninhos na área: teoricamente, a efetividade do controle sistemático é proporcionalmente maior quando a população alvo está distribuída regularmente; no entanto os estudos mostram que a distribuição dos ninhos de cortadeiras em áreas de florestas cultivadas é preferencialmente aleatória ou agregada. Nesse caso, parte da isca será aplicada onde não existem ninhos e ela não será forrageada. Por outro lado, nas áreas onde se concentram os ninhos, a quantidade de isca aplicada pode não ser suficiente para controlar todos eles. Dessa forma, a decisão da quantidade de isca a ser aplicada em uma área depende do conhecimento da distribuição dos ninhos, o que pode ser obtido pelo monitoramento. Programas de monitoramento de formigas podem ser usados para se conhecerem os fatores que determinam a necessidade da aplicação sistemática mecanizada de iscas e a escolha da dosagem e do espaçamento da aplicação. Esses programas estão sendo associados ao mapeamento geoestatístico. Os mapas gerados permitirão ver o perfil da população de formigas cortadeiras em cada talhão, identificando os pontos de maior concentração e possibilitando um controle mecanizado de precisão, que permitirá reduzir ainda mais o uso de inseticidas. Por isso a implantação desses programas é fundamental para o sucesso desse tipo de aplicação, visando garantir a sustentabilidade econômica, ambiental e social das florestas cultivadas.



aplicação de herbicidas

Opiniões

gestão do processo de aplicação de herbicidas Inovação e competitividade: Temos acompanhado o avanço das áreas de florestas plantadas no Brasil e as exigências por aumento de produtividade e produção. Os desafios enfrentados são muitos, como a redução da mão de obra no campo, motivada pelas obras do PAC e programas do governo e o crescimento econômico do País, a legislação trabalhista, a necessidade de redução de custos, as certificações, o compromisso com a sustentabilidade. O ganho de competitividade está na busca pela inovação, que passa pelo aperfeiçoamento contínuo, pelo mudar e fazer melhor. Inovação e tecnologia de aplicação: O primeiro grande movimento no controle químico de plantas daninhas em áreas florestais ocorreu na década de 90. Houve uma evolução de operações físicas para químicas. Para isso, o setor se mobilizou e desenvolveu pulverizadores mecanizados e manuais. Desde então, as aplicações têm sido na sua maioria em pós-emergência das invasoras: em limpeza de áreas e manutenção de florestas implantadas. Nos últimos anos, houve uma intensificação do uso de herbicidas pré-emergentes na linha de plantio. O manejo de plantas invasoras em pós-emergência sugere a convivência da floresta com o mato até o “ponto de controle”. Foram criados sistemas de monitoramento para determinar o momento de realizar as operações, baseando-se em visitas regulares às áreas por supervisores de silvicultura ou prestadores de serviços. Existe um novo movimento no manejo do controle de matocompetição em silvicultura. A crescente dificuldade no uso de mão de obra

pré-emergentes em área total em pré ou pós-plantio, de acordo com os princípios ativos utilizados. Essas aplicações podem ser feitas com pulverizadores de barra, que apresentam maior rendimento operacional quando comparados a aplicações dirigidas na linha ou com o uso de costais. Tais máquinas podem ser equipadas com sistemas de controladores eletrônicos de pulverização que, associados a GPS, fornecem um sistema completo de gestão, com geração de mapas temáticos, como de volume programado e real, velocidade, pressão e passadas subsequentes, mostrando problemas de sobreposição de barras ou falhas de aplicação. A gestão e a tomada de decisão são precisas, podendo ser realizadas à distância, com a avaliação dos mapas, como já acontece em áreas agrícolas. A evolução desse conceito pode chegar à utilização de estações de RTK e georreferenciamento. A definição de limites de conformidade para todos os fatores que interferem no processo de aplicação, inclusive espectro de gotas gerado pelas pontas e a associação dos bicos para deposição homogênea, é igualmente importante no sucesso do controle de invasoras. Outra tecnologia disponível é a injeção de herbicidas diretamente na linha de aplicação, a partir de diferentes tanques, evitando-se, assim, a operação de preparo de calda e reduzindo-se o número de operações. A adoção de novas tecnologias deve passar obrigatoriamente por estudos de viabilidade econômica antes de qualquer implantação, e a tomada de decisão deve ser apoiada em fluxos de caixa autossustentáveis, para ser acertada.

"

Surge, então, um novo conceito: a construção de redes setoriais de inovação com o objetivo de reduzir custos, diluir riscos, aumentar a qualidade e otimizar o tempo de produção. A ideia é criar um mecanismo de colaboração e interação de forma a produzir conhecimento. "

Rudolf Woch

Consultor em Gestão de Aplicação de Defensivos da Apoiotec

e o aumento das áreas têm forçado a procura de alternativas que facilitem a logística e a mecanização. Monitorar áreas, prever operações subsequentes e a logística para realizá-las são atividades que oneram os custos e o tempo das equipes de silvicultura. Sabemos que cerca de 20% dos custos de produção são representados pelo controle de daninhas e qualquer inovação nesse sentido é bem-vinda. Desse modo, outra visão de gestão vem ocupando espaço: com o registro de novas moléculas de herbicidas, é possível manejar as invasoras em pré-emergência, ou seja, a floresta cresce sem a convivência com as plantas daninhas. Nesse sistema, existe uma concentração das operações no momento do plantio e redução de atividades de manutenção e de mão de obra. Após a dessecação e preparo de solo, faz-se a aplicação de

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A partilha da inovação: Não é possível dominar todos os pontos de inovação. É importante estabelecer parcerias. Muitas das soluções nascem fora das empresas. Surge, então, um novo conceito: a construção de redes setoriais de inovação com o objetivo de reduzir custos, diluir riscos, aumentar a qualidade e otimizar o tempo de produção. A ideia é criar um mecanismo de colaboração e interação de forma a produzir conhecimento. Para isso, os parceiros precisam ter objetivos complementares e superar as barreiras de desconfiança mútua. Devem participar universidades, centros de pesquisa, corporações e consultorias especializadas, com a utilização de conhecimentos trazidos pelos fabricantes de máquinas e herbicidas e o aproveitamento dos conceitos consolidados em outras culturas agrícolas.



a indústria de base florestal

Opiniões

inovações tecnológicas na

indústria de base florestal

A floresta tem múltiplos usos. Há cerca de 150 anos, em 1850, o mundo tinha sua matriz energética baseada em mais de 80% na biomassa, a lenha, usada de forma tradicional, ineficiente hoje, mas, na época, era o combustível disponível e abundante. No Brasil, a floresta nativa foi exaustivamente cortada e queimada nas fornalhas, nos fogões a lenha das casas no campo e na cidade. Enquanto isso, o espaço era aberto para a implantação das cidades, estradas, plantações e indústrias. As necessidades do País, assim como as tecnologias, mudaram muito e, atualmente, em plena discussão das mudanças no Código Florestal, a sociedade quer ver suas matas preservadas para o bem da agricultura, da biodiversidade e do futuro das novas gerações. A tecnologia contribui para isso. A biomassa para energia, seja ela a lenha, o carvão vegetal, os resíduos agroindustriais, florestais ou agrícolas, o licor negro ou a lignina, não é fonte ultrapassada. A essas velhas fontes devem ser aplicadas as tecnologias inovadoras visando ao aumento de eficiência e à sustentabilidade crescentes. Os diversos segmentos industriais de base florestal estão buscando respostas para suas demandas de diversificação dos produtos e agregação de valor à biomassa florestal. Cogerar é uma boa opção como regra geral, porém uma análise detalhada dos cenários deve ser realizada antes de se fazerem grandes investimentos em equipamentos. A transformação das atuais plantas de celulose e papel em biorrefinarias produtoras de especialidades químicas (bioprodutos) derivadas do bio-óleo, do syngas ou do biochar é outro caminho atrativo, que poderá dar a esse segmento mais segurança do que apenas produzir celulose como commodity. Os processos termoquímicos de pirólise e gaseificação com síntese catalítica são realidades tecnológicas à espera de visionários e empreendedores dispostos a investir. Se o Brasil não fizer, seguramente, terá que comprar de outros países tais tecnologias. Também o bioetanol de ce-

lulose florestal por hidrólise enzimática, esse um processo bioquímico, deve ser testado e avaliado em larga escala. No caso do carvão vegetal, principalmente o siderúrgico, cujo exemplo brasileiro é único em larga escala, precisa-se de decisões e atitudes drásticas. Os rendimentos de 25 a 30% dos processos de carbonização indicam a necessidade de aproveitamento dos outros 70-75% da matéria-prima. As perdas são grandes quantidades de moléculas no estado vapor, com elevado potencial de produzir desde fármacos, aditivos alimentares, fertilizantes de liberação lenta e uma longa lista de bioprodutos já conhecidos à espera de uso por meio de processos inovadores. O aço-verde pode ser uma importante bandeira. Outra tecnologia em rápida expansão no Brasil é a compactação de resíduos, principalmente os resíduos florestais, seja serragem, maravalha ou mesmo cavacos, etc. Trata-se de uniformizar o tamanho das partículas e produzir um biocombustível sólido útil na logística otimizada ou na queima eficiente. Os briquetes são os mais comuns, porém os pellets estão se popularizando nas pizzarias ou para exportação. Com, basicamente, todos os ingredientes necessários para transformar o agronegócio florestal brasileiro em agroindústria que agrega valor à matéria-prima, transformar a produção primária em produto industrializado, e assim ganhar mercados ainda inexplorados pela indústria nacional, o que ainda falta para tornar o Brasil um País sem pobreza? A Embrapa Agroenergia vem, ao longo dos seus seis anos de existência, se dedicando a definir e a trilhar esses caminhos repletos de inovação e, portanto de grandes desafios. É necessário, além dos ingredientes já listados, ter profissionais com boa formação nas áreas envolvidas em P&D, aporte de recursos significativos, rapidez e objetividade no uso dos recursos e, principalmente, um ambiente inovador, com prioridades claras descritas em uma política para a indústria nacional. Existem várias agências de fomento dedicadas a financiar os projetos inovadores e de P&D, porém a maioria delas não tem agilidade, e isso onera o trabalho, desestimula o profissional e perde o timing. O caminho seguro para o desenvolvimento do País passa pela inovação tecnológica e pelo estímulo ao empreendedorismo do seu povo.

a biomassa para energia, seja ela a lenha, o carvão vegetal, os resíduos agroindustriais, florestais ou agrícolas, o licor negro ou a lignina, não é fonte ultrapassada "

José Dilcio Rocha Pesquisador na Embrapa Agroenergia

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florestas nativas

Opiniões

plantio e manejo de

florestas nativas

A iminente aplicação do “novo” Código Florestal reacendeu as discussões relativas ao aproveitamento econômico da reserva legal (RL) e, em menor escala, das áreas de preservação permanente (APP). Dado que, mesmo com atraso de décadas, obrigatoriamente áreas de vegetação nativa em RL ou em APP deverão ser mantidas, é fundamental que elas sejam incorporadas ao arranjo econômico das propriedades rurais, em adição às atividades agropecuárias e florestais existentes nas áreas de uso alternativo do solo (AUAS), elevando sua rentabilidade total. Cada um dos componentes das propriedades, AUAS, RL e APP, deve possuir atributos econômicos, ambientais e sociais. Caso contrário, haverá desperdício no uso de um recurso escasso, que é a terra, tanto do ponto de vista do proprietário quanto do País. Portanto é necessário romper o paradigma de produção versus conservação, potencializando o alcance social da atividade florestal nativa. Para vencer esse desafio, algumas lacunas precisam ser preenchidas. Devido o desenvolvimento do setor florestal brasileiro ter se concentrado nas florestas de eucalipto e de pinus, várias questões ainda permanecem em aberto em relação à silvicultura e ao manejo das espécies nativas. Do ponto de vista florestal, há dúvidas sobre espécies a plantar, padrões de crescimento, comportamento de plantios puros ou mistos, espaçamento, fonte de material genético e integração de manejos madeireiros e não madeireiros. E as questões vão além: qual o melhor desenho de plantio, as idades, tipos e intensidade de corte? Deve-se optar pelo replantio ou pela regeneração natural ao longo dos diferentes ciclos? Não há um pacote tecnológico definido que possa ser aplicado em larga escala para gerar benefícios econômicos. O reduzido conhecimento disponível hoje está concentrado em alguns pesquisadores e profissionais. Há gargalos no fornecimento de mudas e sementes, na dispersão e no tamanho reduzido das áreas, nas limitações para a mecanização e na logística. A RL, geralmente, situa-se em áreas descartadas pelas atividades produtivas tradicionais, com topografia mais acidentada e solo de pior qualidade, o que dificulta seu aproveitamento. O cenário se agrava na APP. Porém a infraestrutura da propriedade já se encontra

instalada e pode beneficiar a operação em RL e APP. Também é possível otimizar o trabalho das equipes de campo que já operam em AUAS. Tudo isso contribui para diluir os custos fixos da propriedade. No campo comercial, as limitações dizem respeito a que produtos serão gerados – madeireiros, não madeireiros e serviços ambientais – e com que características. Além disso, é necessário considerar a escala de produção, diante da variedade de espécies e produtos, e a dinâmica dos preços. Sendo a intensidade da colheita a base para a rentabilidade da RL, uma alternativa é gerar receitas antecipadas, pelo plantio de espécies madeireiras de rápido crescimento ou pela venda de produtos não madeireiros e serviços ambientais. Um complicador é a regulamentação ambiental, que pode tanto viabilizar como solapar as tentativas de criação de uma economia florestal baseada no manejo de RL e APP. Os pontos mais críticos são as restrições para a realização dos plantios, como o número mínimo e tipos de espécies, os arranjos silviculturais e sistemas de manejo, a quantidade a ser colhida e o intervalo entre as colheitas. Tendo em vista que o plantio e o manejo de florestas nativas podem tornar-se uma alternativa de fornecimento de madeira tropical rastreável, em contraponto ao produto de origem duvidosa que domina o mercado, a academia, o governo, os proprietários rurais e os empreendedores deveriam intensificar seu engajamento na superação dos desafios que se apresentam. De um lado, é preciso estimular o investimento em desenvolvimento tecnológico pelas agências de fomento. Do outro, o governo deve disponibilizar capital, na forma de incentivos, financiamentos e subsídios, para o plantio e o manejo de espécies nativas, já que essa é uma atividade de alto risco, porém essencial para o País. E, onde há risco, também existem grandes oportunidades. Cabe aos empreendedores rurais e florestais buscá-las. As perspectivas são boas. Com a tendência de queda nas taxas de juros, os investimentos de longo prazo, como o plantio de espécies nativas, tornam-se mais atrativos. Esse cenário, ao lado da mobilização dos principais atores e do cumprimento da legislação, que finalmente está sendo colocada em prática, deve dar um grande impulso à atividade nos próximos anos.

o governo deve disponibilizar capital, na forma de incentivos, financiamentos e subsídios, para o plantio e o manejo de espécies nativas, já que essa é uma atividade de alto risco, porém essencial para o País. E, onde há risco, também existem grandes oportunidades. Cabe aos empreendedores rurais e florestais buscá-las. " Luciano Budant Schaaf Gerente de Planejamento e Tecnologia da Amata

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processo e qualidade

Opiniões

gestão do processo e da qualidade

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com aumento do número de empresas atuantes; com os processos de aquisição e fusões; com as condições pouco favoráveis do mercado externo; com a dificuldade de algumas empresas em manter os níveis atuais de produtividade de seus plantios..., a gestão eficiente de processos e da qualidade será um diferencial competitivo " Fernando Palha Leite Coordenador de Pesquisa e Desenvolvimento da Cenibra

Processo pode ser definido como um grupo de atividades realizadas em uma sequência lógica com o objetivo de produzir um bem ou um serviço. O processo transforma, agrega valor a algo. Para realizar essa transformação, são necessários os meios ou as entradas (matérias-primas, equipamentos, informações, condições ambientais, procedimentos e pessoas) para a obtenção dos fins ou das saídas (bens ou serviços). Os processos podem ser classificados em: 1. macroprocessos (processos de maior abrangência da organização); 2. processos (subdivisão dos macroprocessos) e 3. subprocessos (subdivisão dos processos). Outro tipo de classificação define dois tipos de processos: os processos primários (relacionados diretamente à produção de bens ou serviços) e os secundários (processos de suporte). Para a gestão eficiente de um processo, é necessário um conhecimento detalhado das suas características básicas e também ter conhecimento a respeito dos demais processos relacionados, principalmente das áreas de interface entre eles. A partir desse conhecimento, o gestor deve definir claramente os limites da sua autoridade (sobre os meios) e da responsabilidade (sobre os resultados). As ferramentas da qualidade são um dos meios utilizados para garantir a eficiência dos processos. A partir da definição de indicadores prioritários (críticos), geralmente associados aos aspectos qualidade, custo, prazo, moral, saúde e segurança, são realizados monitoramentos periódicos da performance das principais atividades que compõem o processo (itens de verificação ou de tendência) e também da qualidade do produto gerado (item de controle). Outras ferramentas, além daquelas relacionadas com qualidade, também são necessárias para uma boa gestão de processos; dentre elas, podemos citar a descrição do negócio, a definição de metas, a pesquisa de valores de Benchmark, a capacitação em métodos para solução de problemas (como o PDCA), o uso de instrumentos para relato e tratamento de anomalias e a padronização (com a definição de fluxogramas e de procedimentos operacionais). Outra preocupação permanente do gestor de processos deve ser a busca constante de melhorias (como novas tecnologias) para o processo sob sua responsabilidade, que podem ser obtidas com a adoção de melhores práticas (copiada de outras áreas

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da empresa ou de outras empresas) e também a partir de projetos especiais (nesse caso, o objetivo é o de melhorar, por meio da inovação, certos processos que já são considerados bons). No caso da adoção das melhores práticas, esse mecanismo é considerado mais adequado para organizações que têm um bom sistema de padronização e disciplina operacional, ou seja, para empresas que têm um bom gerenciamento da rotina do dia a dia. A aplicação desses conceitos e das ferramentas de gestão em processos conduzidos no setor florestal brasileiro tem apresentado algumas características que devem ser mais bem trabalhadas, tais como: 1. Grande parte dos atuais gestores em atividade no setor não tiveram, durante a formação acadêmica, disciplinas específicas relacionada a métodos de gestão; 2. Na gestão de alguns processos, não é usual a definição de metas compartilhadas entre gestores de processos relacionados; 3. Há, em algumas situações, conflito entre as estratégias de gestão das empresas contratantes e das contratadas para prestação de serviços, dificultando, em alguns casos, a otimização de processos; 4. A gestão da qualidade, muitas vezes, é um simples monitoramento; 5. A estimativa de impacto nos custos do processo da realização de atividades fora dos padrões de qualidade esperados ainda não tem um bom nível de exatidão; 6. Os sistemas de suporte a gestão de processos e a gestão de qualidade ainda são muito fragmentados, implicando baixa agilidade na disponibilização de informações que demandam associação de dados. No contexto atual do setor florestal, com aumento do número de empresas atuantes (maior concorrência); com os processos de aquisição e fusões; com as condições pouco favoráveis do mercado externo; com a dificuldade de algumas empresas em manter os níveis atuais de produtividade de seus plantios; com a necessidade de expansão dos plantios da base florestal para regiões de menor potencial produtivo, etc., a gestão eficiente de processos e da qualidade será um diferencial competitivo a ser buscado pelas empresas que pretendem ser as mais competitivas nesse novo cenário.



aerofotogrametria

Opiniões

aerofotogrametria no monitoramento e no inventário

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o sistema Lidar (Light Detection And Ranging) é um método rápido e confiável de se obter dados tridimensionais com precisão de altura de árvores em até 10 cm "

Marcelo Santos Ambrogi Conselheiro da IMA Gestão e Análise Florestal

O coração de importantes decisões florestais está no conjunto cartografia, cadastro e inventário florestal, e sua precisão é fundamental. Toda a tecnologia operacional, de manejo e de material genético é quantificada pelos inventários florestais, sejam eles qualitativos ou quantitativos. Inventário é uma importante ferramenta de pesquisa, base do planejamento, quantifica o valor do ativo, dentre outras funções. Os pagamentos e custos são quantificados pelo volume ou pela área trabalhada. Parte do erro que é atribuído ao inventário também vem do erro da área plantada. É só avaliar que bacias de retenção de água, árvores nativas no interior do talhão, falhas localizadas, ventos, etc., geralmente não estão adequadamente descontados da área plantada. O custo operacional do setor aumentou nos últimos anos, mas a produtividade não cresceu na mesma proporção. É fundamental a busca do aumento da produtividade do setor florestal. Para falar do uso moderno de imagens na área florestal, vou usar dois velhos ditados. O primeiro é “o porco engorda com os olhos do dono”. O resultado da silvicultura acontece no tempo. Conversando com os colegas que possuem experiência e autoridade para decidir, todos dizem não ter tempo adequado para ir ao campo. As estruturas enxutas e o aumento das atividades administrativas são um custo para provar que estamos fazendo tudo certo. Com isso, os profissionais não conseguem levar os olhos para ver a árvore engordar. Observam os plantios por tabelas, gráficos e relatórios. A viabilidade de um plantio deve ser verificada próximo aos 12 meses, pois postergar é arrastar o problema por 7 anos. Ocorrências como doenças, pragas, incêndios e ventos também demandam decisões imediatas com foco no cumprimento do programa de abastecimento ou venda de madeira.

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O segundo ditado é “uma imagem vale mais que mil palavras”, mil relatórios, gráficos e apresentações. Países escandinavos e da América do Norte, Austrália e Chile, há muito tempo, levaram os olhos para as soluções embarcadas em aeronaves. Comprar ativo sem imagens de precisão? Nem pensar. Inventários florestais utilizando grandes equipes de campo, onde o deslocamento custa mais caro que a medição, coisas do passado. Avaliações e monitoramentos baseados em imagens de alta resolução obtidas em veículos aéreos não tripulados (VANT) são as melhores ferramentas para a gestão no nível operacional. Essa tecnologia permite maior flexibilidade, pois pode ser aplicada em áreas menores e que demandam respostas em menor prazo. É imediato e preventivo. São os olhos da experiência, com asas. Aviões tripulados são utilizados para a realização de levantamentos de ativos e inventários florestais, quantificação de perdas, qualificação do uso do solo, realização de levantamentos topográficos. Têm característica de planejamento e avaliação. Nesse caso, podem utilizar câmeras digitais de alta resolução e/ou sensores Lidar (Light Detection And Ranging). Lidar é um método rápido e confiável de se obter dados tridimensionais com precisão de altura de árvores em até 10 cm. Usam luz que penetra no dossel das árvores chegando até o chão, utilizando uma câmera laser de alta frequência orientada por um GPS e um sistema de navegação inercial. A precisão dos resultados obtidos com essa tecnologia pode reduzir o esforço de amostragem de campo a 10% do esforço atual. Retorna o MDT e uma base de dados que permite realizar inventários. Essas ferramentas estão com custos competitivos e entregam diferentes produtos obtidos de uma mesma imagem, o que comparativamente são mais eficientes que os métodos tradicionais. A tecnologia é relativamente nova e está na curva de redução dos custos, ao contrário dos processos atuais, que não têm como aumentar a produtividade. Levar os olhos do gestor ao campo através de produtos baseados em imagens é, no mínimo, preventivo. Mas, principalmente, é uma ferramenta para se reduzirem custos, investimentos e perdas em função da melhoria da qualidade da informação e da velocidade da decisão. É quando o setor está perdendo sua competitividade que temos que agir com mais força para mudar. A ferramenta principal é a tecnologia, que está aí para quem quer ver.



fomento florestal

Opiniões

negócio

oportunidade de

O fomento florestal integra o produtor rural e a indústria madeireira promotora, demonstrando um excelente instrumento de democratização e inclusão na cadeia produtiva de madeira no Brasil, beneficiando a sociedade – pela distribuição de riquezas e impostos gerados pelo mercado de madeira, e a própria empresa – por não mobilizar capital financeiro em ativos fundiários, além de atenuar os conflitos sociais e ambientais. É uma forma inteligente de parceria, principalmente para as empresas de base florestal, que sofrem severas críticas por demandarem grandes extensões de terra para produção de madeira. A história das empresas florestais confunde-se com a do fomento florestal brasileiro, visto que cresceram e evoluíram juntos; isso não é diferente na Suzano Papel e Celulose, que está entre as pioneiras nessa modalidade de parceria com os produtores rurais.

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Umas das alternativas bem-aceitas pelos produtores tradicionais da atividade de pecuária da região foi o plantio consorciado, eucalipto e pastagem, com cerca de 5% da área fomentada. Com o sucesso dessa parceria, a empresa alcançou um efetivo do programa de fomento de 60.000 hectares, distribuídos nas mãos de 450 produtores em 19 municípios e 3 estados, responsável por 30% do abastecimento fabril, praticamente 2,0 MM de m³ de madeira entregue na fábrica, anualmente, e plantando uma área de 8.000 hectares/ano. O programa de fomento na região movimenta recursos financeiros da ordem de R$ 200 milhões anuais, incluindo adiantamentos financeiros operacionais, compra de madeira e impostos gerados. Hoje, temos outros projetos no fomento, que não se limitam a melhoria no manejo florestal, mas vão além, pois agregam valor à floresta,

com o sucesso dessa parceria, a Suzano alcançou um efetivo do programa de fomento de 60.000 hectares, distribuídos nas mãos de 450 produtores em 19 municípios e 3 estados, responsável por 30% do abastecimento fabril " Adilélcio Galvão de Freitas Gerente de Fomento da Suzano Papel e Celulose

O Programa de Fomento de Madeira da Suzano no site de Mucuri/BA está completando 20 anos em 2012; iniciou-se como a maioria de outros programas, com a modalidade de doação de mudas e assistência técnica aos produtores rurais, tendo como principal finalidade a integração entre a indústria de base florestal no plantio de uma espécie exótica – o eucalipto – com a comunidade, promovendo uma verdadeira extensão rural. Os anos passaram, e o programa de fomento, cuja concepção e alvo eram o foco social, passou a fazer parte do plano estratégico da empresa de abastecimento fabril, tornando-se um negócio florestal. Houve uma grande aceitação dos produtores rurais em plantar o eucalipto, principalmente pela garantia da compra da produção e pela rentabilidade da cultura perante as tradicionais da região. Para concretização dessa parceria como fonte de madeira para a indústria, foram criadas modalidades de contratos e alternativas de plantio, em que a Suzano concede, além de mudas, assistência técnica, planta topográfica, formicida, adubos e adiantamento financeiro para as atividades de plantio e manutenção, sendo as dívidas transformadas em madeira e debitadas na época da colheita.

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trazem princípios sociais e ambientais, com compromisso e seriedade, que é a certificação florestal do FSC nas áreas fomentadas. A certificação florestal iniciou-se em 2008 com 3 fomentados, sendo um pequeno, um médio e um grande produtor, e, ao final de 2012, cerca de 20.000 hectares serão certificados ou recomendados pelo FSC, como uma meta de certificar 100% dos fomentados. É uma mudança cultural e social dos produtores e uma visão de sustentabilidade do negócio florestal. Para a equipe do fomento, além da preocupação em manter os produtores conquistados, existe a necessidade constante da busca de novos integrantes. O trabalho exige um contato direto com pessoas de todos os níveis sociais, econômicos e culturais, por isso cada produtor requer tratamento individualizado, e o profissional dessa área precisa ter muitos conhecimentos, não só técnicos, mas também administrativos e empresariais e, principalmente, de relações humanas. Trata-se de excelente opção de negócio, desde que mantidos os princípios de parceria, ou seja, deve ser bom para ambos os lados, possibilitando a participação em uma atividade sustentável, sendo economicamente atrativa, socialmente justa e ambientalmente correta.


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biotecnologia

Opiniões

a biotecnologia no

melhoramento florestal

Em 2011, a área ocupada por plantios florestais de Eucalyptus e Pinus no Brasil foi de 6.515.844 ha, segundo a Associação Brasileira de Produtores de Florestas Plantadas. Desse total, 74,8 % corresponderam a plantios de Eucalyptus, e 25,2 %, aos plantios de Pinus. O setor de florestas plantadas é de extrema importância para a economia do Brasil, contribuindo para a geração de empregos e renda, estimando-se 645.207 empregos diretos e 1.475.283 indiretos. Esse setor contribuiu com R$ 7,6 bilhões em tributos, correspondendo a 0,51 % da arrecadação brasileira. A indústria de papel e celulose e chapas de fibra, bem como o setor energético de siderurgias, são os setores que utilizam as plantações florestais, sobretudo por espécies exóticas de Pinus e Eucalyptus. Tais plantações também substituem as espécies nativas para o uso da madeira para movelaria e construção civil. Essas espécies vem sendo, ao longo do tempo, selecionadas pelos programas de melhoramento florestal para a obtenção de árvores mais produtivas, com características adaptadas às diversas regiões do País, e com resistência a fatores bióticos e abióticos. No melhoramento florestal por técnicas convencionais clássicas, há dificuldade de controle nos processos de polinização e fecundação devido à complexidade na análise dos descendentes, muitos anos para que essas plantas atinjam a maturidade reprodutiva e fenotípica, além da necessidade de uma grande área para o plantio, inibindo, assim, os programas de melhoramento de espécies de ciclos longos. Para minimizar essas barreiras, as indústrias de base florestal vêm, ao longo dos anos, desenvolvendo e utilizando técnicas avançadas que permitiram o aumento da base florestal e o ganho de competitividade da indústria, pela adoção de práticas silviculturais modernas e pelo uso de tecnologia da propagação vegetativa ou da clonagem de árvores “superiores”, provenientes de cruzamentos controlados e melhoradas geneticamente, uso de marcadores moleculares e embriogênese somática. Nesse processo, partes vegetativas da planta − e não suas sementes − são usadas para reproduzir clones que conservam toda a informação genética da árvore-mãe. Essa técnica proporciona melhorias de qualidade e do desempenho ambiental na produção da madeira a ser usada na fabricação de celulose e papel e auxilia na seleção eficiente de árvores superiores e mais padronizadas.

O objetivo é selecionar as árvores com as melhores características florestais e industriais, tais como vigor, forma, resistência a doenças e pragas, qualidade da madeira e rendimento industrial, entre outras. A partir daí, surgem as pesquisas da moderna biotecnologia com o objetivo de introduzir características desejadas nos clones superiores que não foram contempladas com o melhoramento convencional. As empresas do setor estão investindo em novas técnicas de melhoramento genético e biotecnologia arbórea, que serão essenciais para suprir a demanda crescente de madeira, garantir a sustentabilidade e a competitividade do uso das fibras na indústria de papel, celulose, chapas e energia. Com o advento da tecnologia do DNA recombinante, a transformação genética de árvores foi possível e tornou-se uma ferramenta essencial para a resolução dos problemas que dificultam os programas de melhoramento, favorecendo o crescimento volumétrico, a tolerância a estresses ambientais (frio, salinidade e estresse hídrico), a resistência a pragas e doenças e o uso racional dos recursos naturais. Atualmente, no Brasil, há diversos grupos de pesquisa, públicos e privados, desenvolvendo eucalipto e pinus geneticamente modificado (GM) e estudando genes de interesse para usar a ferramenta da biotecnologia para o melhoramento genético dessas espécies. Assim como outros produtos desenvolvidos pela engenharia genética, o cultivo do eucalipto GM e também de outras espécies arbóreas passa por criteriosas avaliações para a identificação de riscos potenciais de impacto ao meio ambiente, cuja regulamentação vem com a Lei 11.105/2005, chamada de Lei de Biossegurança. Para tanto, são realizados diversos estudos e estabelecidos procedimentos e medidas que permitam o uso da biotecnologia de forma segura para o meio ambiente e para a saúde humana e animal. A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) estabeleceu regras claras para a instalação de experimentos de eucalipto GM no Brasil. Tais normas garantem a biossegurança das pesquisas, antes de sua aprovação comercial. Atualmente, há, aproximadamente, 24 experimentos em campo com eucalipto (GM), cujas avaliações de desempenho e biossegurança determinarão quais serão os materiais ideais para a comercialização futura.

atualmente, há, aproximadamente, 24 experimentos em campo com eucalipto geneticamente modificados, cujas avaliações de desempenho e biossegurança determinarão quais serão os materiais ideais para a comercialização futura " Luciana Di Ciero

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Gerente de Assuntos Governamentais da ArborGen



operações florestais

Opiniões

tecnologia e inovações nas

operações florestais

O incremento médio anual do gênero eucalipto aumentou em torno de 40% nos últimos 10 anos; atualmente, estamos atingindo uma média de 42m3 por hectare/ano. Realmente um número incrível, que nos orgulha. Por outro lado, nesse mesmo período, tivemos um aumento de mais de 200% no valor do salário mínimo e no preço da terra, por exemplo. Além disso, estamos passando por um momento crucial pela escassez da mão de obra, fato que, certamente, se agravará nos próximos anos. Soma-se a esse quadro a tendência iminente da primarização das atividades operacionais e os crônicos problemas de infraestrutura e logística no território brasileiro, que oneram, de forma significativa, toda a cadeia produtiva. Nesse quesito, estamos atrasados, no mínimo, 30 anos quando comparamos o Brasil com os países desenvolvidos. Não temos controle para alterar as políticas macroeconomias, e, infelizmente, a insatisfação e a lamentação dos empresários do setor não são suficientes para sensibilizar os governantes a mudarem esse cenário a curto prazo. Resta-nos, então, pensar e atuar da “porteira” da fazenda para dentro. Muitas empresas buscam, com frequência, novas tecnologias para minimização dos custos da produção, porém, às vezes, é mais fácil iniciar essa procura dentro da própria casa. Rever os processos, as metodologias e os possíveis “gargalos” da produção. Sempre há algum procedimento que pode ser melhorado. Em alguns casos, a regra padrão dos receituários operacionais precisa ser revista, pensando em cada unidade produtiva de forma distinta. Precisamos, mais do que nunca, inovar e reinventar as técnicas e equipamentos utilizados, sempre visando ao aumento da produtividade, seja do equipamento, seja do crescimento da floresta. No ciclo das operações florestais, sem dúvida, a área de colheita de madeira evoluiu de forma fantástica e atingiu um status tecnológico satisfatório; por outro lado, o processo de mecanização das operações silviculturais ficou aparentemente adormecido. Não ocorreram mudanças significativas nos equipamentos. Alterou-se apenas a técnica de preparo do solo, saímos do cultivo intensivo, onde se fazia o preparo de toda a área e posterior queima dos resíduos, e evoluímos para o cultivo mínimo, mas isso já faz mais de 20 anos. Obviamente, é indiscutível que os ganhos com o melhoramento genético, atrelados à evolução das técnicas e das dosagens de adubação e manutenção dos povoamentos, foram os grandes responsáveis pelos aumentos significativos dessa produtividade.

Nesse quesito, o mérito vai para os excelentes pesquisadores brasileiros, que, a cada dia, divulgam novas opções de clones adaptados e novas formulações químicas desenhadas especificamente para as diferentes condições de sítio. A mecanização da silvicultura é a “bola da vez”. Felizmente, já está em operação, em algumas empresas do setor, um implemento para o preparo do solo que é tracionado por um trator de esteira, capaz de fazer, ao mesmo tempo, várias operações: o rebaixamento e o corte dos tocos, possibilitando o realinhamento em áreas de reforma; o afastamento dos resíduos da linha de plantio; e o preparo do solo com a aplicação de herbicidas e fertilizantes. Nesse equipamento, também está acoplado um sistema para monitorar a velocidade do trator e a respectiva aplicação do fertilizante, tecnologia avançada que permite o melhor controle da atividade. Outro equipamento multifuncional e em pleno desenvolvimento e aprimoramento são as plantadeiras mecanizadas que realizam o preparo do solo e imediato plantio das mudas. Estima-se uma produtividade de 1.200 mudas por hora. A maior limitação são o relevo e as áreas de reforma em função da presença dos tocos. Infelizmente, para as pequenas empresas, em função do custo/ benefício, essas tecnologias ainda estão distantes. Para áreas declivosas, características em empresas de base florestal, principalmente no sul do País, existem algumas opções tecnológicas interessantes, um pequeno trator de esteira, com baixo ponto gravitacional, que permite o trabalho a uma inclinação lateral de até 38º e longitudinal até 45º; o mais interessante é que esse equipamento já opera na cultura de cana-de-açúcar em áreas acidentadas, desde 2006, e poucos profissionais florestais possuem conhecimento dele. Esse equipamento poderia ser utilizado para inúmeras atividades, do preparo do solo à aplicação de adubação e herbicidas. Outras novidades que podem dar certo: implemento acoplado no trator para realização de irrigação automatizada, não precisando de operadores com as tradicionais mangueiras; combate à formiga mecanizado; tesouras elétricas para poda, que podem cortar galhos com até 40 milímetros de espessura. Enfim, mesmo que de forma incipiente, estamos vivenciando algumas iniciativas para aumentar a produtividade operacional, visando à redução dos custos de produção. Espera-se que, em breve, mais empresas possam anunciar ao mercado novas opções tecnológicas para a mecanização de silvicultura.

mesmo que de forma incipiente, estamos vivenciando algumas iniciativas para aumentar a produtividade operacional, visando à redução dos custos de produção " Ricardo Anselmo Malinovski

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Professor do Curso de Engenharia Florestal da UFPR



software estatístico

o software estatístico

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"R"

Opiniões

o R é um programa gratuito, que oferece uma ampla gama de possibilidades para análise de dados, sendo possível utilizá-lo nas mais diversas abordagens " Fernando Angelo Piotto e Mario Luiz Teixeira de Moraes

Doutor em Genética e Melhoramento de Plantas da Esalq-USP e Professor de Melhoramento da Feis-Unesp, respectivamente

O século XX foi marcante para a silvicultura brasileira, pois teve o seu início com a introdução do eucalipto por Edmundo Navarro de Andrade. Porém, só a partir da década de 60, com a industrialização, essa atividade tem um grande impulso. Na ocasião, surgiram os primeiros cursos em engenharia florestal e os institutos de pesquisas associados às universidades, como o Ipef da Esalq-USP e a SIF da UFV, entre outros. Inicialmente, destacaram-se a seleção de espécies e procedências de eucalipto, vindo, a seguir, a avaliação desse material por meio dos testes de progênies. Nessa ocasião, foi fundamental para o desenvolvimento do melhoramento florestal no Brasil a participação dos professores Mario Ferreira, Arno Brune, Paulo Kageyama e Roland Vencovsky, que foram os formadores da maioria dos melhoristas que atuam na área florestal no País. Na época, a comunidade científica dispunha de programas mais voltados para as análises estatísticas, como o Sanest, o Saeg e o SAS, que exigiam algum domínio de programação, ou era necessária uma licença para a sua utilização. Com o avanço das técnicas de análises empregadas no melhoramento do eucalipto, ocorrido na década de 90, surge a necessidade de programas computacionais mais aplicados a essas técnicas. Assim, a comunidade passou a contar com o Programa Genes, desenvolvido pelo professor Cosme Damião Cruz, da UFV, e o Selegen-Reml/Blup, pelo professor Marcos Deon Vilela de Resende, da Embrapa-UFV. Esses dois programas proporcionaram a realização de inúmeros trabalhos científicos, dissertações, teses e condução de programas de melhoramento. Dadas as particularidades da área florestal, o Selegen-Reml/Blup passou a ter uma aplicação muito grande em projetos de pesquisa e programas de melhoramento de várias espécies arbóreas no País e no exterior. Na versão de 2007, esse programa contemplava 160 modelos de análise em termos de experimentação, genética e melhoramento, o que permite ao profissional que trabalha na área de melhoramento florestal uma ampla utilização em relação aos efeitos aditivos, de dominância e genotípicos. Outro fator relevante é que é gratuito para uso em instituições de ensino e pesquisa no Brasil e no exterior.

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Dessa forma, atende às expectativas atuais do melhoramento florestal. Porém a busca por novos programas, principalmente de livre acesso, tem levado ao aumento crescente no uso de programas como o R (www.r-project.org), em alternativa àqueles que necessitam de uma licença paga. O R é um programa gratuito, o qual oferece uma ampla gama de possibilidades para análise de dados, sendo possível utilizá-lo nas mais diversas abordagens, tais como em testes estatísticos clássicos, modelos lineares e não lineares, análise multivariada, entre muitos outros, permitindo também a confecção de inúmeros tipos de gráficos. Por ser um programa de licença livre, o R permite que qualquer pessoa desenvolva os chamados "pacotes" ou "bibliotecas", que podem ser instalados e usados como complementos dentro desse programa, auxiliando de forma específica alguns tipos de análises. Existem centenas de pacotes desenvolvidos para o R, sendo que vários deles têm tornado cada vez mais simples e direto o tratamento estatístico de dados, que possuem importância para o melhoramento genético de florestais. Um exemplo disso são pacotes como o Vegan, por meio do qual se podem obter facilmente análises de similaridade e diversidade genética, e o Onemap, que tem sido bastante usado na construção de mapas genéticos e mapeamento de locos que controlam caracteres quantitativos (QTLs) a partir de dados de marcadores moleculares. De forma adicional, o R também possui pacotes, tais como olme4, nlme, metafor, rrBlup, desenvolvidos para análises utilizando o procedimento Reml/Blup. Outra vantagem do programa R é a facilidade de obtenção de suporte online para o auxílio geral em dúvidas sobre uso desses pacotes, havendo inúmeros tutoriais, manuais, fóruns, blogs e páginas de discussão, mantidos na internet por contribuidores e usuários do R. Esse programa roda em várias plataformas, incluindo aquelas que usam sistema Unix e sistemas similares, como FreeBSD e Linux, além das plataformas Windows e MacOS. Finalmente, além dos já consagrados programas que têm auxiliado no melhoramento de florestais, programas gratuitos como o Selegen-Reml/Blup e o R têm ganhado importância entre pesquisadores e melhoristas que trabalham nessa área.



secagem da madeira

Opiniões

a tecnologia da secagem da Para otimização da utilização da madeira, notou-se, com o passar dos anos, que a madeira seca tem suas propriedades aprimoradas, tanto físicas como mecânicas. A secagem da madeira permite que se consiga agregar valor a ela através do seu beneficiamento. Com o aumento do número de câmaras de secagem, especialmente para secagem de madeiras nativas, como a araucária e a imbuia, no final da década de 80, existiam, no Brasil, algo em torno de 80 câmaras, atualmente, estima-se que existam cerca de 2.500. Consequentemente, muitas pesquisas foram desenvolvidas na tentativa de melhorar a qualidade da madeira seca e a eficiência dos secadores e da energia consumida para retirada d’água da madeira. Para auxiliar no entendimento do processo de secagem, algumas informações são muito pertinentes:

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lares na movimentação da água capilar (livre); • Fenômenos de difusão da água higroscópica e do vapor de água (impregnação). Água Livre: Segundo Seco, Pontes e Neves, o processo de secagem elimina, em primeiro lugar, a água livre e, em sua continuação, uma parte da água de impregnação. A eliminação da água livre se realiza rapidamente, e o consumo de energia que se requer é relativamente baixo, já que a água livre está fragilmente ligada à madeira. Segundo Tomaselli e Klitizke, nesse ponto, a madeira está no que se denomina “ponto de saturação das fibras” (PSF), que corresponde a um conteúdo de umidade entre 26 e 32%. Quando a madeira alcança essa condição, suas paredes estão completamente saturadas, mas suas cavidades estão vazias. Normalmente,

no final da década de 80, existiam, no Brasil, algo em torno de 80 câmaras (para secagem de madeira), atualmente, estima-se que existam cerca de 2.500 " Mauro Itamar Murara Junior Professor de Industrialização da Madeira da Universidade do Contestado

Influência da umidade nas características da madeira: Segundo Galvão e Jankoswski, o teor de água na madeira influencia, acentuadamente, nas suas propriedades físico-mecânicas. A resistência da madeira, de uma forma geral, decresce com o aumento da sua umidade. A resistência elétrica da madeira é também inversamente proporcional ao seu teor de água, sendo que, de 30% até 0% de umidade, a resistência aumenta cerca de um milhão de vezes. A variação do teor de umidade ocasiona alterações nas dimensões da madeira. Esse fenômeno é denominado retração e inchamento higroscópico, porque as alterações volumétricas ocorrem como consequência de variações no teor de água higroscópica. Movimento da água na madeira: A secagem da madeira é um fenômeno que consiste na eliminação superficial da água, uma vez que esta migra do interior até o exterior da madeira (Seco, Pontes e Neves). Segundo Galvão e Jankoswski, apesar de várias forças poderem atuar conjuntamente na secagem, para melhor compreender os fenômenos que atuam no processo, é conveniente considerar separadamente: • Movimento da água capilar; • Movimento da água higroscópica; • Movimento do vapor de água. Diferentes fenômenos físicos acham-se envolvidos nesse processo, dentre os quais predominam: • Fenômenos capi-

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madeira

devem-se utilizar baixas temperaturas durante as etapas iniciais da secagem devido aos riscos associados à remoção rápida da água a altas temperaturas, devendo-se desenvolver curvas de secagem específicas para cada espécie de madeira e até mesmo entre a mesma espécie, dependendo do uso final do produto a ser gerado. Durante essa fase de secagem, a madeira não sofre variação dimensional, nem alterações de suas propriedades mecânicas. Por essa razão, o ponto de saturação das fibras é muito importante, desde o ponto de vista físico-mecânica até algumas propriedades elétricas da madeira. Água de Impregnação: Segundo Seco, Pontes e Neve, a eliminação da água de impregnação é mais lenta e segue enquanto a secagem avança, tanto em tempo quanto em quantidade de energia que se necessita, já que a água está cada vez mais ligada às células da madeira. Durante essa fase, se produzem trocas dimensionais, já que estamos eliminando a água que se encontra na parede celular. Segundo Tomaselli e Klitzke, a água de impregnação move-se por difusão através das paredes celulares, em consequência de forças originadas pelo gradiente de umidade. A rapidez ou a facilidade de secagem – coeficiente de difusão da água higroscópica (impregnada) – varia diretamente com a temperatura e a umidade, inversamente com a densidade, dependendo da direção estrutural da madeira.



ensaio especial

Opiniões

um bom negócio ?

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Hoje, os investidores, ou compradores de créditos, não desejam ser vistos como pecadores ambientais em busca de indulgências por pecados que porventura tenham cometido, mas esperam que seu dinheiro seja utilizado como indutor de sustentabilidade " Jeanicolau Simone de Lacerda Diretor do IBio

Este artigo pretende discutir as alterações que o "mercado" de projetos de carbono vem sofrendo desde seu nascimento, pois é evidente a mudança, tanto na relação de oferta e demanda quanto no posicionamento de todos os players, de forma tão dramática, que tem levado até a inviabilização de projetos em andamento. Em termos de mercado, o carbono estocado é o mais importante produto florestal já criado pelo homem, pois a floresta sempre foi valorizada pelo volume de produtos que dela poderiam ser extraídos. O “produto” carbono estocado é totalmente inovador porque veio valorizar a conservação da floresta viva. Mas, como “nova oportunidade” que é, o mercado de carbono vem evoluindo de forma considerável nos últimos anos, e visões estanques do processo começam a ser pouco atrativas. A inviabilização de projetos florestais no mercado regulado (e deste também) conduziu a demanda de créditos para projetos ligados ao mercado voluntário, que, por sua natureza, têm de, obrigatoriamente, ser muito criativos, atendendo tanto aos interesses dos compradores como aos dos proprietários de áreas. Hoje, os investidores, ou compradores de créditos, não desejam ser vistos como pecadores ambientais em busca de indulgências por pecados que porventura tenham cometido, mas esperam que seu dinheiro seja utilizado como indutor de sustentabilidade e preferem investir em projetos que extrapolem a questão da conservação por ela mesma. Por outro lado, projetos focados em plantios comerciais de florestas, apesar de tecnicamente corretos e tão capazes de fixar carbono como qualquer projeto focado em florestas nativas, dentro do mercado regulado de Kyoto, por questões de protecionismo comercial, não chegaram a ter um peso importante frente aos demais projetos. Além disso, os recursos gerados com a venda de créditos não têm se mostrado suficientes para o custeio dos plantios e das demais despesas necessárias para certificação e monitoramento do projeto, de tal forma que, dificilmente, recursos dessa fonte são transferidos para os bolsos dos proprietários rurais. Importante lembrar que a reposição das matas prioritariamente ocupa áreas de APP, muitas vezes as mais produtivas da propriedade ou as que permitem acesso do gado à água ou, pura e simplesmente, reduz a área útil para o produtor, fato que ele entende como perda de capacidade de produção.

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A interminável discussão sobre o Código Florestal, a desobrigação de se averbar as Reservas Legais e a redução das APPs foram um golpe de misericórdia nos projetos de carbono exclusivamente focados em reflorestamentos. Esse conjunto de fatores levou à escassez de áreas para implantação de novos projetos e até mesmo chegou a inviabilizar a continuidade dos projetos em andamento, sendo hoje o principal problema para quem tenciona gerar créditos de carbono oriundos exclusivamente de restauro de florestas. Assim, concluímos que a cessão de terras para projetos não tem atratividade alguma para pequenos e médios proprietários de terras. A saída para esse problema está no fato de que projetos de carbono precisam ser “vendidos” aos proprietários rurais, e estes, de alguma forma, têm de se sentir seduzidos por uma proposta comercial que os convença de que é interessante destinar parte da sua gleba ao restauro de florestas. O que se observa em boa parte da área agricultável das pequenas e médias propriedades rurais é que o uso predatório e intensivo das terras, aliado à baixa capacidade técnica e financeira dos proprietários, dilapida a capacidade produtiva e, cada vez mais, expande os limites das áreas agrícolas, que se vão sobrepondo aos remanescentes de mata nativa até que estes acabam sucumbindo. Como exemplo, das áreas destinadas à pecuária, pastagens degradadas têm baixíssima capacidade de suporte, observando-se, num hectare, lotação ao redor 0,5 cabeça e estoque de carbono por volta de 6 toneladas. Pastagens bem manejadas chegam a suportar 4 cabeças por hectare e estocam até 80 toneladas de carbono por hectare. Assim, uma estratégia eficaz para conservação de biomas nativos é o investimento na recuperação da área agricultável, seja por meio de SAF ou por utilização de práticas agrícolas adequadas, vinculando-o à permissão para recuperação e conservação dos fragmentos que forem considerados interessantes. Ao recuperar a capacidade produtiva da propriedade, dentro dos parâmetros que o mercado e a cultura local definem para o território, temos não só um aumento significativo na probabilidade de “venda” dos projetos de carbono para os proprietários rurais, mas também a oportunidade de geração de ativos territoriais e de materialização da sustentabilidade no território.



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