OpCP60 - O avanço da tecnologia no novo cenário de trabalho - Edição Especial Multilíngue

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Opiniões

al t en im e r pe gu x E ilín o t çã Mul i Ed

www.RevistaOpinioes.com.br

ISSN: 2177-6504

FLORESTAL: celulose, papel, carvão, siderurgia, painéis e madeira

ano 17 • número 60 • Divisão F • jun-ago 2020

O avanço da tecnologia no novo cenário de trabalho


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articulistas Editorial de abertura: Hjalmar Fugmann, 8 Presidente da Voith Paper América do Sul

Produtores de Floresta: Cesar Augusto Valencise Bonine, 10 Gerente Executivo de P&D da Suzano Jonas Felipe Salvador e José Ricardo Paraiso Ferraz, 12 Gerente de Desenvolvimento Florestal e Diretor Florestal da Duratex, respectivamente Carlos Alberto Justo da Silva Jr, 14 Gerente-geral de Planejamento e Competitividade da Eldorado Roosevelt de Paula Almado, 18 Gerente de Desenvolvimento e Tecnologia da ArcelorMittal BioFlorestas David Evandro Fernandes, 20 Gerente de P&D Florestal da Veracel Celulose Edson Antonio Balloni, 22 Engenheiro Florestal Márcio Bernardi, 24 Gerente de Planejamento e Desenvolvimento Florestal da CMPC Ronaldo Neves Ribeiro, 28 CIO na Cenibra - Celulose Nipo-Brasileira Fernando Lopes Latorre, 30 Engenheiro de P&D e Area Manager da Carboval da Vallourec Bruno Mariani Piana, 32 Gerente de Planejamento e Gestão Florestal da International Paper José Mario de Aguiar Ferreira, 38 Gerente Florestal da RMS do Brasil Arthur Rizzardo Zanardi, 40 Gerente de Projetos da Bracell Benone Magalhaes Braga, 42 Assessor da Diretoria da Aperam BioEnergia Cientistas e especialistas: Luiz Carlos Estraviz Rodriguez, 48 Professor de Economia e Planejamento Florestal da Esalq-USP Fornecedores do Sistema Florestal: Felipe Vieira, 52 Marketing & Sales General Manager da Komatsu Forest Mario Carlos Wanzuita, 54 Diretor de Projetos da Holtz Engenharia em Negócios Ricardo Anselmo Malinovski, 56 CEO da Malinovski Florestal Fabricio Gomes de Oliveira Sebok e Vinicius de Moura Santos, 58 Coordenador de Desenvolvimento de Produtos Florestais e Coordenador de Marketing em Florestas da Bayer América Latina, respectivamente

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Marcio Luiz Campos, 60 Diretor de Vendas para AL da Siemens Energy

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produtores de florestas

Opiniões

tecnologia e atitude Nas últimas décadas, em grande parte das vezes, associamos a evolução à tecnologia, à conectividade, e, nos últimos meses, estamos associando a evolução ao trabalho remoto e à possibilidade da reinvenção da forma de contato entre pessoas ou instituições. O que a história nos ensina é que a evolução sempre esteve associada ao conhecimento, seja para resolver problemas, seja para melhorar a qualidade de vida, independentemente da tecnologia da informação. Grandes saltos da humanidade vieram através da troca de experiências, ou seja, da ampliação da capacidade de enxergar as coisas por diversos ângulos e, em muitas vezes, de se construírem laços entre civilizações. Por outro lado, o digital é uma ferramenta importante para não apenas ganharmos velocidade, mas também para termos melhor qualidade nas integrações entre ideias e culturas.

Não podemos correr o risco de gerar muita informação e de ficar conectados sem um propósito claro. Mas o que tudo isso tem a ver com florestas, silvicultura, Brasil? Tem tudo a ver! Mas, antes de falarmos em avanços na tecnologia ou digital, vamos falar um pouco sobre cultura e resultados. Nossas florestas plantadas atingiram patamares sem precedentes de produtividade e capacidade de adaptação a diferentes ambientes. Saímos de florestas de eucalipto produzindo entre 15 e 20 m³/ha/ ano, há 50, 60 anos, para valores que superam 60 m³/ha/ano, em tão pouco tempo, olhando-se para as características florestais. Isso, em grande parte, graças ao pioneirismo dessa forma de cooperativismo. Através da troca de experiências entre profissionais de empresas florestais, assim como universidades e institutos de pesquisa, os resultados colocaram o Brasil no topo do mundo em florestas plantadas.

Ainda temos desafios a vencer. Nossos tratores e equipamentos, por exemplo, na maior parte dos casos, não foram projetados para nosso setor, causando enormes transtornos e perda de eficiência à operação florestal. "

Jonas Felipe Salvador e José Ricardo Paraiso Ferraz Gerente de Desenvolvimento Florestal e Diretor Florestal da Duratex, respectivamente

Institutos foram criados, conexões foram fortalecidas, e objetivos em comum foram fundamentais para darmos foco ao que era necessário. Isso foi possível mesmo com pouca tecnologia da informação, mas com muita vontade de evoluir, visão de longo prazo, disposição para o compartilhamento de experiências e muita confiança no trabalho construído a várias mãos. O setor florestal brasileiro desenvolveu naturalmente uma identidade própria e, até podemos arriscar dizer, única no mundo. Uma cultura de inovação, excelência nos processos, senso de urgência através da priorização das ações e da introdução de tecnologias focadas nas soluções de problemas. Quando comparamos alguns setores, como industrial, agricultura e florestas plantadas, podemos notar enormes diferenças. A indústria normalmente se une com maior facilidade para trabalhar aspectos políticos e regulatórios, mas dificilmente para abordar assuntos técnicos, mesmo que pré-competitivos. A agricultura apresenta trabalhos em conjunto, mas bastante ligados a ações comerciais e pouco vinculados ao desenvolvimento cooperativo entre produtores. Há também a presença forte do Estado, como podemos exemplificar no trabalho da Embrapa nas últimas três décadas. Já o setor de florestas plantadas se diferenciou desenvolvendo laços entre universidades, institutos, e até mesmo entre empresas concorrentes, no objetivo maior: melhorar nossas florestas plantadas. Em algum momento ao longo do tempo, fomos perdendo o foco em ações vinculados a esse objetivo maior, e preocupações que não tínhamos começaram a ocupar boa parte do tempo de nossos debates. Aos que possuem mais tempo de caminhada nos trabalhos cooperativos, deixamos aqui algumas perguntas para refletir: gastávamos nosso tempo discutindo coisas como compliance, royalties, NDA (Non-Disclosure Agreement)? Dedicávamos grandes esforços para análise de contratos e convencimento da importância de um projeto cooperativo? Nossas energias eram direcionadas na troca de informações, em resolver problemas da floresta, na discussão de resultados, na geração de conhecimento e na aplicação dos aprendizados. E, voltando a falar em tecnologia, talvez essa falta de foco também se reflita na postergação em resolver problemas substanciais. A mecanização da silvicultura é um bom exemplo disso. Ampliamos a quantidade e a precisão das ferramentas e tivemos diversos avanços, mas ainda não superamos desafios colocados à nossa frente há vários anos. Não viabilizamos, em escala técnica e econômica, o plantio mecanizado; ainda temos desafios no controle mecanizado de formigas cortadeiras; a tecnologia de aplicação de defensivos é ruim quando comparamos à da agricultura; nossos tratores e

equipamentos, na maior parte dos casos, não foram projetados para nosso setor, causando enormes transtornos e perda de eficiência à operação florestal. Desde o final dos anos 1990; falamos de silvicultura de precisão e ainda temos questões muito semelhantes às daquele tempo. Demos o devido foco e energia para esses desafios? Dentro do próprio setor, podemos fazer a comparação com a mecanização da colheita, onde o alto nível de tecnologia é viabilizado. Havia um foco claro naquele tempo: aumentar a segurança na colheita. Outros setores do agro tiveram desafios enormes nas últimas décadas, e vemos os resultados alcançados, como a mecanização da cultura da cana-de-açúcar, a irrigação de grãos nas áreas mais secas, a fruticultura no Nordeste, a automação e a tecnologia aplicada à produção de proteína animal, entre muitos outros exemplos. Podemos aprender algo com esses setores? Qual foi o foco dado? O setor florestal brasileiro tem a cultura e a capacidade de trabalhar de forma cooperativa, o que pouco vemos nesses outros setores. E o que muda neste novo cenário de pós-pandemia? Assim como no mundo todo, evoluiremos muito na agilidade, nos trabalhos remotos e nos resultados medidos pelas entregas, e não mais pelo tempo ou pelo esforço. Isso veio para ficar, mas precisou de uma pandemia dessas proporções para acelerarmos todo esse processo. E na silvicultura? Será que esse cenário de coisas remotas não pode nos distanciar de colocar os pés na floresta (o Gemba da filosofia Lean)? Não deveríamos focar nos aspectos que estão travando o grande salto de que precisamos em tecnologia aplicada à silvicultura? Qual o papel das instituições e dos profissionais nesse novo cenário? Ele é diferente de antes ou devemos resgatar princípios deixados para trás? Estamos balanceando as ações de curto, médio e longo prazo? Devemos nos debruçar nessas inquietudes para focar naquilo que resulta na real evolução: gerar conhecimento e colocar a ”mão na massa“ para resolver problemas na prática. Nunca podemos deixar de reconhecer o quanto nosso setor é vitrine de boas práticas e grande evolução ao longo das décadas, mas e daqui para frente? Não vamos tirar nenhuma lição dessa crise? Podemos aprender muito com o momento atual, com os avanços da tecnologia e das conexões, modernizando nossos processos, mas não teremos o resultado desejado se não tivermos a cultura e os princípios sobre os quais o setor foi construído, além de definirmos claramente nosso foco. Trilhamos esse caminho de forma cooperativa e juntos construiremos a nova história. E, agora, ainda mais, alavancada pelo digital. n

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Editorial de abertura: Hjalmar Fugmann, 08 Presidente da Voith Paper América do Sul

Produtores de Floresta: Cesar Augusto Valencise Bonine, 12 Gerente Executivo de P&D da Suzano Jonas Felipe Salvador e José Ricardo Paraiso Ferraz, 14 Gerente de Desenvolvimento Florestal e Diretor Florestal da Duratex, respectivamente Carlos Alberto Justo da Silva Jr, 16 Gerente-geral de Planejamento e Competitividade da Eldorado Roosevelt de Paula Almado, 20 Gerente de Desenvolvimento e Tecnologia da ArcelorMittal BioFlorestas David Evandro Fernandes, 24 Gerente de P&D Florestal da Veracel Celulose Edson Antonio Balloni, 26 Engenheiro Florestal Márcio Bernardi, 28 Gerente de Planejamento e Desenvolvimento Florestal da CMPC Ronaldo Neves Ribeiro, 32 CIO na Cenibra - Celulose Nipo-Brasileira Fernando Lopes Latorre, 34 Engenheiro de P&D e Area Manager da Carboval da Vallourec Bruno Mariani Piana, 38 Gerente de Planejamento e Gestão Florestal da International Paper José Mario de Aguiar Ferreira, 44 Gerente Florestal da RMS do Brasil Arthur Rizzardo Zanardi, 46 Gerente de Projetos da Bracell Benone Magalhaes Braga, 52 Assessor da Diretoria da Aperam BioEnergia Cientistas e especialistas: Luiz Carlos Estraviz Rodriguez, 54 Professor de Economia e Planejamento Florestal da Esalq-USP Fornecedores do Sistema Florestal: Felipe Vieira, 58 Gerente de Vendas e Marketing da Komatsu Forest Mario Carlos Wanzuita, 60 Diretor de Projetos da Holtz Engenharia em Negócios Ricardo Anselmo Malinovski, 62 CEO da Malinovski Florestal Fabricio Gomes de Oliveira Sebok e Vinicius de Moura Santos, 64

Coordenador de Desenvolvimento de Produtos Florestais e Coordenador de Marketing em Florestas da Bayer América Latina, respectivamente

Marcio Luiz Campos, 66 Diretor de Vendas para AL da Siemens Energy


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áudios

Sua próxima viagem de carro

Na sua próxima viagem de carro, para visitar seu cliente do outro lado do Brasil, pegue seu celular, entre no site da Revista Opiniões, escolha a edição recente desejada, folheie até esta página, ligue o rádio do seu carro, toque na foto do autor escolhido e ouça o primeiro artigo pelos controles do rádio do seu carro. Quando terminar, toque no segundo autor e assim por diante. Quando chegar ao seu destino, provavelmente você terá ouvido toda a revista. Se desejar ouvir o artigo numa outra língua, lido com voz nativa, localize o artigo desejado e toque na bandeira da língua que preferir. Além do português brasileiro, estão à sua disposição os áudios do português de Portugal, o inglês, o espanhol, o francês e o alemão. Pelo fato do artigo ser traduzido e lido por robôs, poderá haver pequenas imperfeições. Certo é que você não precisa viajar para desfrutar desse conforto, ele também funcionará na sua mesa de trabalho, andando no parque, na esteira da academia, nas ruas congestionadas da cidade grande ou no sofá da sua Casa. Boa leitura ou audição, como preferir. 01. Hjalmar Fugmann 02. Cesar Augusto Valencise Bonine 03. Jonas Felipe Salvador e José Ricardo Paraiso Ferraz 04. Carlos Alberto Justo da Silva Jr 05. Roosevelt de Paula Almado 06. David Evandro Fernandes 07. Edson Antonio Balloni 08. Márcio Bernardi 09. Ronaldo Neves Ribeiro 10. Fernando Lopes Latorre 11. Bruno Mariani Piana 12. José Mario de Aguiar Ferreira 13. Arthur Rizzardo Zanardi 14. Benone Magalhaes Braga 15. Luiz Carlos Estraviz Rodriguez 16. Felipe Vieira 17. Mario Carlos Wanzuita 18. Ricardo Anselmo Malinovski 19. Fabricio Gomes de Oliveira Sebok e Vinicius de Moura Santos 20. Marcio Luiz Campos


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editorial de abertura

Opiniões

colaboradores e empresas:

aliados ou adversários ?

Refletir a respeito da transformação digital e seu impacto em geral, incluindo os efeitos no ambiente de trabalho, muito me agrada. Tenho me debruçado sobre esse tema há algum tempo, como entusiasta e testemunha destes momentos extraordinários que estamos vivendo. Esse é um assunto bastante atual e carrega certa polêmica, talvez ainda rodeado de tabus. Historicamente, a introdução de novas tecnologias traz o temor de extinção da atividade, por parte da empresa, e de eliminação de postos de trabalho ou mão de obra, pelos colaboradores, desde a mecanização de indústrias, a invenção de motores a combustão, até exemplos mais recentes, como a aparição de soluções de ride-sharing

ou home-sharing, como é o caso do Uber e da AirBnB. Neste exato momento, estamos aprendendo que é possível colaborar sem necessariamente pegar um avião para outro país, ou estar fisicamente com os colegas, e as implicações disso são enormes. Cientes de que podemos e devemos aprender com o passado, mas não o considerar garantia de futuro, vemos que a introdução das tecnologias remodelou, de fato, a formatação de empregos e a relação entre colaborador, tecnologia e empresa. Por outro lado, após cada onda de avanço tecnológico, encontramos maneiras de assimilar as mudanças, aprender com elas e modificar nosso comportamento. Num ambiente onde as transformações são cada vez mais frequentes e profundas, nossa capacidade de nos adaptar rapidamente é e será, cada vez mais, exigida e fundamental. Aqui, cabe uma decisão que cada empresa e indivíduo terá de fazer: resistir ou assimilar e se adaptar. Ambos devem decidir isso juntos – e alinhadamente. A cooperação aqui é a chave. Cabe à empresa criar um ambiente adequado, uma cultura que permita e incentive a mudança e o crescimento baseado em novas tecnologias. Cabe ao indivíduo compreender sua parte nesse ambiente e se colocar aberto a aprender e a mudar.

fica cada vez mais evidente que devemos investir em pessoas para obter os desejados resultados da Indústria 4.0 "

Hjalmar Fugmann

Presidente da Voith Paper América do Sul

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Quando vemos o poder que as novas tecnologias têm de mudar nossa percepção e a forma como conduzimos as coisas, compreendemos que é a combinação da pessoa com a tecnologia que cria o ambiente perfeito para o crescimento. Alguns exemplos de tecnologias-chave para a chamada Indústria 4.0 são: Big Data, Inteligência Artificial, IIoT (Internet Industrial das Coisas) e Simulação/Realidade Mista (Digital Twin). São temas que avançaram muito nos últimos anos, e não se trata de tecnologias exclusivas de engenheiros e programadores, mas sim de uma imensa equipe de profissionais que, há até pouco tempo, tinha um perfil de atividade bastante diferente. Os principais responsáveis por esse avanço são as pessoas – a implementação e a análise dessas tecnologias estão baseadas no conhecimento dos profissionais. O mundo da Indústria 4.0 se expande para além do ambiente da engenharia pura e se funde a outras especialidades e conhecimentos. Navegar por essa atmosfera exige mudanças na formação e habilidades dos profissionais. De outro lado, sendo as pessoas o elemento fundamental de que empresas são formadas, cabe a estas, caso desejem prosperar, criar um espaço aberto e propenso à adoção de novas práticas e à atração de novos profissionais, alguns inclusive com perfis diferentes dos tradicionais. O profissional do futuro é aquele que consegue compreender a expansão que houve nos limites de sua atuação e mesclar sua formação técnica com as possibilidades oferecidas pelas novas tecnologias sendo lançadas no mercado, incluindo os sistemas de informação. De forma semelhante, as empresas do futuro são aquelas que reconhecem nas pessoas sua principal fonte de diferenciação e prosperidade e que geram um ambiente favorável a esse modelo de profissional, instigando a colaboração, a criatividade e a autonomia, além da minimização do medo de falhar. Um dado curioso: no Simpósio do Gartner ITXPO (IT Symposium/XPO) de 2018, foi apresentado um levantamento de que, em companhias que utilizam Inteligência Artificial (IA), 16% dos colaboradores acreditam que essa tecnologia vai roubar empregos; 57% não veem mudança; e 26% acreditam que ela vai aumentar as oportunidades de trabalho. Já nas empresas que não usam IA, 77% acreditam que essa tecnologia vai roubar empregos. Veja como a percepção é diferente quando se passa a adotar as novas tecnologias, e a empresa se torna uma Indústria 4.0: elas são encaradas como facilitadoras para os colaboradores e não como concorrentes deles.

Um exemplo bem atual é a aplicação da realidade ampliada, que equipa grandes máquinas industriais de ponta. Por meio de um tablet, celular ou óculos de dados inteligentes, os operadores do cliente entram em videoconferência com a central de suporte. Ao receberem os dados e as imagens da máquina, os especialistas analisam as informações em tempo real e transmitem os procedimentos de manutenção necessários aos operadores. Em tempos de isolamento social, essa tecnologia significou não só segurança e saúde às pessoas, mas também agilidade e economia para o cliente. Mas há muito que caminhar. Apesar de desenvolver bem a tecnologia e a inovação, ficando em 2º lugar na América Latina, o Brasil investe pouco no capital humano para a indústria e em sua capacitação para o futuro. Atualmente, em algumas delas, 90% do conhecimento ainda reside no nível operacional, nas pessoas, e a sua aquisição não é linear, gerando solavancos, problemas de sucessão e perdas. Com a transformação promovida pelas ferramentas digitais, estimamos que, no futuro, a confiabilidade da operação será 80% determinada por sistemas e 20% pela força de trabalho; todas as informações de operação e manutenção serão armazenadas e poderão ser acessadas; a gestão da produção poderá ser feita remotamente; e a transmissão de conhecimento passará a ser uniforme. Observando esse cenário, fica cada vez mais evidente que devemos investir em pessoas para obter os desejados resultados da Indústria 4.0. Webinars e ferramentas on-line de conhecimento já não são novidades e devem ser cada vez mais explorados. Além disso, também podemos criar desafios internos nas empresas, premiando ideias criativas e aplicáveis para questões reais e, ainda, programas estruturados de imersão dos colaboradores nas novas tecnologias. Não devemos deixar de fora nem os profissionais mais experientes, que se desenvolveram no “analógico”, nem os novos entrantes no mercado de trabalho, que já nasceram no “digital”. Essa é uma demonstração de que a transformação exige esforço e investimentos, mas, se for centrada nas pessoas, é viável em todos os tipos e setores de empresas e organizações. É verdade que as novas tecnologias impactam as relações profissionais – porém, mais do que isso, dependem deles para se tornarem verdade. Conclui-se, por fim, que empresa e colaborador não são antagonistas nesse ambiente, e sim aliados, organismos que precisam viver em simbiose se desejam prosperar na era da digitalização – ambos mutuamente desafiados a responder a um ambiente de mudanças constantes. n

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BEM VINDO AO FUTURO DO PLANTIO FLORESTAL NO BRASIL.


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produtores de florestas

Opiniões

o outro lado da inovação florestal Assisti, recentemente, a uma palestra do Chris Trimble, renomado professor na Tuck School of Business (Hanover, New Hampshire, USA), fazendo uma analogia entre escalar uma montanha e a inovação. Ele fala um pouco sobre seu livro, escrito em colaboração com Vijay Govindarajan, O outro lado da inovação, e, apesar de a palestra não ser nova, o conteúdo não poderia ser mais atual. Ele comenta que os alpinistas se preparam e se preocupam com a subida da montanha, mas muitos se esquecem de que a chegada ao topo é apenas a metade da jornada, tem ainda toda a descida. Aliás, alguns dizem que, nas escaladas mais perigosas, como o Everest, o K2 ou a temida Annapurna, no Nepal, um número elevado de acidentes fatais ocorre justamente na descida. Assim acontece também com a maior parte das inovações! Tão difícil quanto chegar ao produto ou processo inovador é escalá-lo no mercado ou implementá-lo nas rotinas das empresas. Em outras palavras, inovar com êxito tem como fator crítico de sucesso sua implementação. Mas isso não deve ser surpresa para ninguém.

Normalmente, pessoas ou organizações não são muito abertas a mudanças. Preferem ficar na zona segura do status quo. Existe a máxima de que ”em time que está ganhando não se mexe”, e esse pode ser um dos problemas que dificultam a implementação de novas tecnologias. As razões para isso são inúmeras: medo do desconhecido, insegurança, falta de boas informações, entre outras. Sabemos que é necessário inovar (mais ou menos como o ”navegar é preciso”, do Fernando Pessoa), mas estar aberto à inovação depende do comprometimento das pessoas e das organizações. Nas commodities, por exemplo, mudar um processo é caro, e, por vezes, os clientes não pagam esse custo de inovar. É o conceito do outro lado da inovação colocado em prática. Contudo não resta dúvida de que esse momento único que estamos vivendo, seja no número de pessoas infectadas pelo SARS CoV-2, do número de pessoas que estão ou ficaram isoladas ou dos negócios que estão ou foram impactados, tudo isso trará mudanças radicais e difíceis de prever.

Algumas coisas são irreversíveis e, talvez, essa seja uma para a qual precisamos nos preparar. Constatamos que somos tão ou mais produtivos trabalhando em casa do que nos escritórios. "

Cesar Augusto Valencise Bonine Gerente Executivo de P&D da Suzano

O padrão de higiene e de consumo mudaram e não devem voltar ao estágio anterior, as formas de comunicação mudaram, do ensino até de relacionamento entre as pessoas. A moda agora é falar do novo normal. Outro ponto que não podemos deixar de abordar na realidade pós-Covid está ligado à tecnologia no novo ambiente de trabalho. Aqui, me refiro especificamente à forte tendência de home office, frente aos modelos convencionais de espaços de escritório.

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Algumas coisas são irreversíveis e, talvez, essa seja uma para a qual precisamos nos preparar. Constatamos que somos tão ou mais produtivos trabalhando em casa do que nos escritórios. Reuniões têm funcionado com qualidade, pontualidade e objetividade. Os riscos dos deslocamentos e o ganho em qualidade de vida são sentidos por todos. Os custos de manutenção dos espaços corporativos podem ser significativamente reduzidos. Ou seja, dá para listar uma série de benefícios. Resta apenas entender como seremos eficientes e produtivos também nos relacionamentos profissionais, nas interações das pessoas e áreas, tão necessárias para que a inovação consiga fluir. É um desafio para o qual ainda não temos resposta. Mas voltando ao Chris Trimble, ele reforça que “é a partir da verdadeira inovação que resolvemos o ‘insolucionável’, mudamos vidas e suspendemos (no sentido de colocar para cima) economias”. Ou seja, estamos vivendo também o melhor e mais apropriado momento de ”descer a montanha da inovação” com segurança. Quando pessoas e organizações estão ameaçadas, como agora, ficam muito mais abertas a aceitarem mudanças. Afinal, muitas vezes não existe alternativa, é mudar ou morrer. Podemos fazer isso de diferentes formas: revisitando tecnologias que não conseguiram ser colocadas em prática, criando ideias e lançando desafios, usando as chamadas metodologias ágeis (como Scrum, Kanban ou Smart), ou propondo novas soluções, antecipando tendências. O certo é que não podemos ficar parados. Em muitas organizações, momentos de crise são particularmente tóxicos para o processo de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). Uma das primeiras áreas que sofrem corte de recursos, de programas e de projetos é justamente a P&D. Talvez algumas empresas brasileiras sigam o exemplo, mesmo que inconscientes, da realidade da inovação pública no Brasil, onde cortes e contingenciamento de verbas para inovação são frequentes e irrecuperáveis. Um exemplo é o orçamento dos últimos 3 anos do CNPq e do FNDCT (Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), que é o menor desde o ano 2000. Ou seja, o sentido de prioridade para a ciência e tecnologia como política pública, que já teve um passado promissor, está jogado no esgoto a céu aberto.

Muitos dizem que a inovação tem que ser feita com recursos privados, a exemplo de países desenvolvidos, mas é difícil encontrar um exemplo de nação que se desenvolveu em Ciência, Tecnologia e Inovação sem o incentivo pesado do Governo. Afinal, é ele que tem que estabelecer as prioridades e fomentar pesquisa pública de qualidade, especialmente em ciência básica, mas também no desenvolvimento de novas tecnologias. E sabemos que o desenvolvimento florestal precisa fazer parte da agenda de prioridade estratégica da política pública nacional. Inovação séria não sai do famoso ”Eureka”! Precisa tempo, investimento, dedicação e colaboração. Na Suzano, entendemos a importância e a seriedade de investir, de forma sólida e constante, em P&D. Isso vem dos acionistas, passa pela liderança e permeia toda a organização. Além disso, não conheço nenhum exemplo de sucesso em inovação que não tenha ocorrido com uma forte integração entre P&D, Operação e a Área de Negócio, para citar apenas uma parte da organização. Cada um deve sentir na pele as dores do outro, mas não ficar limitado ao lamento, e arregaçar as mangas, afinal, inovar não é papel exclusivo de uma área. Temos exemplos aqui, na Suzano, de incríveis inovações que nem passaram pela P&D. Várias tecnologias, algumas patenteadas, fruto da inovação que nasceu, cresceu e amadureceu nas Operações, seja florestal, industrial, comercial ou logística. Por fim, estamos escalando uma das montanhas mais desafiadoras das nossas vidas e da vida das nossas organizações. Não dá para subir usando os martelos, os grampos e as cordas do passado. Precisamos inovar, criar espaço e deixar a criatividade agir, ter humildade para ouvir sugestões de nossas colaborações com universidades, institutos de pesquisa e de um mundo de startups que está à nossa disposição. Vamos chegar ao topo da montanha com toda a certeza! Será um grande momento de comemoração. E precisamos comemorar, pois faz parte do sucesso da inovação. Mas, como bem sabemos, tem um outro lado da inovação marcado pelos desafios da implementação. Precisamos unir forças. P&D e Operação caminhando juntos. Um ajudando o outro, tanto na subida, quanto na descida da montanha. A incerteza faz parte da jornada da inovação, mas os riscos são sensivelmente mitigados quando trabalhamos de forma integrada. Uma boa escalada – e uma descida segura – a todos! n

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produtores de florestas

Opiniões

tecnologia e atitude Nas últimas décadas, em grande parte das vezes, associamos a evolução à tecnologia, à conectividade, e, nos últimos meses, estamos associando a evolução ao trabalho remoto e à possibilidade da reinvenção da forma de contato entre pessoas ou instituições. O que a história nos ensina é que a evolução sempre esteve associada ao conhecimento, seja para resolver problemas, seja para melhorar a qualidade de vida, independentemente da tecnologia da informação. Grandes saltos da humanidade vieram através da troca de experiências, ou seja, da ampliação da capacidade de enxergar as coisas por diversos ângulos e, em muitas vezes, de se construírem laços entre civilizações. Por outro lado, o digital é uma ferramenta importante para não apenas ganharmos velocidade, mas também para termos melhor qualidade nas integrações entre ideias e culturas.

Não podemos correr o risco de gerar muita informação e de ficar conectados sem um propósito claro. Mas o que tudo isso tem a ver com florestas, silvicultura, Brasil? Tem tudo a ver! Mas, antes de falarmos em avanços na tecnologia ou digital, vamos falar um pouco sobre cultura e resultados. Nossas florestas plantadas atingiram patamares sem precedentes de produtividade e capacidade de adaptação a diferentes ambientes. Saímos de florestas de eucalipto produzindo entre 15 e 20 m³/ha/ ano, há 50, 60 anos, para valores que superam 60 m³/ha/ano, em tão pouco tempo, olhando-se para as características florestais. Isso, em grande parte, graças ao pioneirismo dessa forma de cooperativismo. Através da troca de experiências entre profissionais de empresas florestais, assim como universidades e institutos de pesquisa, os resultados colocaram o Brasil no topo do mundo em florestas plantadas.

Ainda temos desafios a vencer. Nossos tratores e equipamentos, por exemplo, na maior parte dos casos, não foram projetados para nosso setor, causando enormes transtornos e perda de eficiência à operação florestal. " Jonas Felipe Salvador e José Ricardo Paraiso Ferraz

Gerente de Desenvolvimento Florestal e Diretor Florestal da Duratex, respectivamente

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Institutos foram criados, conexões foram fortalecidas, e objetivos em comum foram fundamentais para darmos foco ao que era necessário. Isso foi possível mesmo com pouca tecnologia da informação, mas com muita vontade de evoluir, visão de longo prazo, disposição para o compartilhamento de experiências e muita confiança no trabalho construído a várias mãos. O setor florestal brasileiro desenvolveu naturalmente uma identidade própria e, até podemos arriscar dizer, única no mundo. Uma cultura de inovação, excelência nos processos, senso de urgência através da priorização das ações e da introdução de tecnologias focadas nas soluções de problemas. Quando comparamos alguns setores, como industrial, agricultura e florestas plantadas, podemos notar enormes diferenças. A indústria normalmente se une com maior facilidade para trabalhar aspectos políticos e regulatórios, mas dificilmente para abordar assuntos técnicos, mesmo que pré-competitivos. A agricultura apresenta trabalhos em conjunto, mas bastante ligados a ações comerciais e pouco vinculados ao desenvolvimento cooperativo entre produtores. Há também a presença forte do Estado, como podemos exemplificar no trabalho da Embrapa nas últimas três décadas. Já o setor de florestas plantadas se diferenciou desenvolvendo laços entre universidades, institutos, e até mesmo entre empresas concorrentes, no objetivo maior: melhorar nossas florestas plantadas. Em algum momento ao longo do tempo, fomos perdendo o foco em ações vinculados a esse objetivo maior, e preocupações que não tínhamos começaram a ocupar boa parte do tempo de nossos debates. Aos que possuem mais tempo de caminhada nos trabalhos cooperativos, deixamos aqui algumas perguntas para refletir: gastávamos nosso tempo discutindo coisas como compliance, royalties, NDA (Non-Disclosure Agreement)? Dedicávamos grandes esforços para análise de contratos e convencimento da importância de um projeto cooperativo? Nossas energias eram direcionadas na troca de informações, em resolver problemas da floresta, na discussão de resultados, na geração de conhecimento e na aplicação dos aprendizados. E, voltando a falar em tecnologia, talvez essa falta de foco também se reflita na postergação em resolver problemas substanciais. A mecanização da silvicultura é um bom exemplo disso. Ampliamos a quantidade e a precisão das ferramentas e tivemos diversos avanços, mas ainda não superamos desafios colocados à nossa frente há vários anos. Não viabilizamos, em escala técnica e econômica, o plantio mecanizado; ainda temos desafios no controle mecanizado de formigas cortadeiras; a tecnologia de aplicação de defensivos é ruim quando comparamos à da agricultura; nossos tratores e

equipamentos, na maior parte dos casos, não foram projetados para nosso setor, causando enormes transtornos e perda de eficiência à operação florestal. Desde o final dos anos 1990; falamos de silvicultura de precisão e ainda temos questões muito semelhantes às daquele tempo. Demos o devido foco e energia para esses desafios? Dentro do próprio setor, podemos fazer a comparação com a mecanização da colheita, onde o alto nível de tecnologia é viabilizado. Havia um foco claro naquele tempo: aumentar a segurança na colheita. Outros setores do agro tiveram desafios enormes nas últimas décadas, e vemos os resultados alcançados, como a mecanização da cultura da cana-de-açúcar, a irrigação de grãos nas áreas mais secas, a fruticultura no Nordeste, a automação e a tecnologia aplicada à produção de proteína animal, entre muitos outros exemplos. Podemos aprender algo com esses setores? Qual foi o foco dado? O setor florestal brasileiro tem a cultura e a capacidade de trabalhar de forma cooperativa, o que pouco vemos nesses outros setores. E o que muda neste novo cenário de pós-pandemia? Assim como no mundo todo, evoluiremos muito na agilidade, nos trabalhos remotos e nos resultados medidos pelas entregas, e não mais pelo tempo ou pelo esforço. Isso veio para ficar, mas precisou de uma pandemia dessas proporções para acelerarmos todo esse processo. E na silvicultura? Será que esse cenário de coisas remotas não pode nos distanciar de colocar os pés na floresta (o Gemba da filosofia Lean)? Não deveríamos focar nos aspectos que estão travando o grande salto de que precisamos em tecnologia aplicada à silvicultura? Qual o papel das instituições e dos profissionais nesse novo cenário? Ele é diferente de antes ou devemos resgatar princípios deixados para trás? Estamos balanceando as ações de curto, médio e longo prazo? Devemos nos debruçar nessas inquietudes para focar naquilo que resulta na real evolução: gerar conhecimento e colocar a ”mão na massa“ para resolver problemas na prática. Nunca podemos deixar de reconhecer o quanto nosso setor é vitrine de boas práticas e grande evolução ao longo das décadas, mas e daqui para frente? Não vamos tirar nenhuma lição dessa crise? Podemos aprender muito com o momento atual, com os avanços da tecnologia e das conexões, modernizando nossos processos, mas não teremos o resultado desejado se não tivermos a cultura e os princípios sobre os quais o setor foi construído, além de definirmos claramente nosso foco. Trilhamos esse caminho de forma cooperativa e juntos construiremos a nova história. E, agora, ainda mais, alavancada pelo digital. n

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produtores de florestas

Opiniões

floresta 4.0 Em compasso com a chamada Quarta Revolução Industrial, que alça mão de tecnologias para automação e transferência de dados, estão as “Florestas Inteligentes”, um ambiente onde sistemas cibernéticos monitoram e atuam cooperativamente com humanos no processo de produção. Isso muda o jogo. As decisões passam a ser descentralizadas, as estruturas, modulares, e a velocidade de mudança fica exponencial, à medida que se aprende em tempo real. O feedback passa a ser imediato. A ação e a reação nunca estiveram tão bem refletidas. Essas novas tecnologias permitem ganhos expressivos de produtividade, mas, sem o enfoque devido, podem gerar grande frustração em termos de resultado e se tornar um grande desperdício de capital. A tecnologia é inebriante, mas não podemos deixar que seu fascínio nos leve a tomar decisões de investimento errôneas. Precisamos de resultados tangíveis. A tecnologia é meio, e não fim.

A Floresta 4.0 pressupõe conectividade. E, como as “cercas” da floresta são bem mais extensas do que as da fábrica, esse é o primeiro grande desafio. O alicerce desse novo ambiente é a inteligência embarcada (sensoriamento e telemetria), que implica elevados índices de mecanização. Ainda, teremos dispositivos IoT espalhados pela floresta capturando informações da interação das árvores com o ambiente. Na sequência, está a inteligência de dados, ou o tão falado Analytics, que é o uso dos dados para seguir em um processo de tomada de decisão mais eficiente. Aí estão inseridas as análises de Big Data, inteligência artificial, cognição, entre outras. Por fim, e certamente a etapa mais importante, a intervenção no processo operacional, ; onde iremos auferir os ganhos reais.

no centro da Revolução 4.0, não estão as máquinas, mas sim as pessoas. Portanto estamos diante de uma mudança de paradigma e não apenas de mais uma etapa de desenvolvimento tecnológico. " Carlos Alberto Justo da Silva Jr Gerente-geral de Planejamento e Competitividade da Eldorado

Dentre as oportunidades de ganhos operacionais, podemos citar a maximização da eficiência e da produtividade, a redução do consumo de combustíveis e de lubrificantes, a redução das paradas por quebra e a melhoria da qualidade da informação e da segurança. Em termos de maximização de produtividade, observamos oportunidades de redução das paradas por espera de insumos e outros, a partir do monitoramento do posicionamento e estado dos ativos em campo e garantia da sincronia em operações conjugadas; aumento da durabilidade dos equipamentos, garantindo a operação dentro de limites preestabelecidos de giro e de velocidade; e entendimento da produção por equipamento e frente e subsequente acompanhamento da eficiência dos operadores.

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Com isso, temos a chance de modelar e criar algoritmos para Temas Nano satélites Nanossatélites encontrar padrões que fogem à Limpeza Transporte de Área percepção humana. LogicamenVANT te que esta, por natureza, não é Carregamento Infraestrutura uma tarefa trivial. Precisamos de um novo perfil de profissional para dar sustentação a esse Preparo Estradas do Solo processo, possivelmente com Câmera Hiperespectral aptidões distintas das que temos M2M PESSOAS em nossas equipes. Plantio Colheita Dentre as diversas compeLiDAR Lidar tências, cabe destacar a capaS o do egur nt cidade de trabalhar em um amTr an me ra tico ab ça Proteção o h alh é Irrigação l n biente colaborativo e de come e o M G Florestal Apontamento Eletrônico partilhamento de informações; IoT IOT -- Internet Internet Controle de das coisas Coisas senso crítico e de urgência; caFertilização Matocompetição pacidade analítica para cruzar Controle de Pragas dados de diversas origens; conheTelemetria de Monitoramento de Máquinas cimento multidisciplinar, com Incêncidos Sensores uma visão sistêmica dos processos; facilidade de transição As possibilidades de ganhos com redução de entre assuntos e equipes diversas; capacidade de consumo de combustíveis e lubrificantes advêm buscar informações que não possui; que saiba fada otimização dos deslocamentos e da redução lar outros idiomas, pois as soluções e fóruns de de desvios e fraudes, com o controle do consumo discussão e atualização são do mercado global; unitário, o abastecimento e a troca de lubrificane, por último, flexibilidade, dinamismo e facilites e identificação de equipamentos e operadores dade para adaptação a mudanças. ofensores de consumo. Com isso, se abre um espaço amplo para proAs perspectivas de redução das paradas por fissionais especialistas em data science (cientisquebra decorrem da identificação do uso inadetas de dados), que tenham esse perfil. Não obsquado do equipamento (registro de quebras por tante, tenho dito que o sucesso desse novo mooperador), conhecimento dos “sinais vitais” do delo se dará ao encontrarmos ferramentas para a equipamento, como RPM, pressão de fluidos, análise de dados complexos que sejam amigáveis temperaturas e velocidade, e a realização de maaos usuários, para que não tenhamos a dependênnutenções de acordo com a condição do ativo, cia de “tecnocratas”. com a intervenção, no momento ótimo, advinda Somente com a democratização do conhecida extensa base de informações obtidas para o mento aos níveis operacionais, iremos ter ganhos planejamento da manutenção. expressivos. Quanto mais descentralizadas e urPor fim, temos as oportunidades de melhoria gentes forem as decisões, mais precisamos munida qualidade da informação e da segurança, em ciar nossas equipes de campo com informações razão do aumento da confiabilidade dos aponsuficientes para tomá-las. tamentos, derivada de uma menor intervenção Fica evidente que, no centro da “Revolução humana; a obtenção, em tempo hábil, das in4.0”, não estão as máquinas, mas sim as pessoformações; a redução do número de atividades as. Portanto estamos diante de uma mudança de simultâneas do operador; e a geração de informaparadigma e não apenas de mais uma etapa de ções de violações de segurança. desenvolvimento tecnológico. A título ilustrativo, compartilho aqui alguns O maior desafio das organizações será engajar ganhos obtidos em provas de conceito na silvias pessoas nesse propósito. As relações raciocultura no estado do MS, nessa linha de atuação: nais e emocionais entre as pessoas e a institui4,1% na redução do consumo de combustível; ção devem gerar resultados positivos percebidos 2,6% na melhoria da eficiência operacional; 3,2% para ambos. Relações essas muito particulares, de ganho em disponibilidade mecânica; e 2,4% como o senso de pertencimento, o orgulho e o em redução de custos de manutenção (CRM). compromisso. Quanto mais fortes forem essas Temos sistemas capazes de realizar mais anáconexões, maiores serão as chances de criarmos lises simultâneas e, incomparavelmente, de forma um ambiente de uso produtivo da tecnologia e da mais rápida do que o nosso cérebro. inovação. n to en

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Conectividade

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Rastreamento de Frota



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produtores de florestas

Opiniões

a evolução do bem A tecnologia sempre foi e sempre será a base, a busca, o porto seguro, a meta a ser alcançada e principalmente a esperança! Geralmente, em situações de crise como a que vivemos hoje, ou quando verificamos situações que, em curto prazo, podem ser problemas, o “gatilho” é acionado, e a corrida começa. Em média, 70% dos projetos de inovação que tiveram sucesso, ou seja, geraram efetivamente novos produtos e processos disruptivos, ou com grande valor agregado, exigiram o uso de tecnologia. Esses projetos não foram resultantes de boas ideias, mesmo que fossem, mas sim pela necessidade iminente de solução de problemas, quer fossem na área de produção, segurança, meio ambiente, saúde humana e animal. A tecnologia e o homem, nesse contexto, não são estanques e nem indissolúveis, portanto a tecnologia nunca vai substituir o homem; caberá sempre a ele conhecer e dominar o seu processo para que a tecnologia seja aplicada da melhor forma possível e, assim, capturar o máximo de oportunidades que ela possa oferecer.

a tecnologia nunca vai substituir o homem; caberá sempre a ele conhecer e dominar o seu processo para que a tecnologia seja aplicada da melhor forma possível e, assim, capturar o máximo de oportunidades que ela possa oferecer. "

Roosevelt de Paula Almado

Gerente de Desenvolvimento e Tecnologia da ArcelorMittal BioFlorestas

A ocorrência da Covid-19 vem propiciando uma aceleração com avanços muito rápidos em termos de inovação na área biológica, e os resultados obtidos estão sendo potencializados devido ao fato de estarem sendo usadas ferramentas tecnológicas avançadas, como a computação gráfica, IoT (Internet of Things), realidade aumentada, inteligência artificial, dentre outras.

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O termo "biorrevolução" vem sendo usado justamente para caracterizar essa união de inovação alavancada por essas ferramentas avançadas. O setor florestal teve um dos seus momentos-auge, nesse aspecto, quando o sequenciamento do genoma do eucalipto, iniciado em 2008, mas utilizando informações geradas a partir de 2002, analisou o genoma de 640 milhões de pares de bases, gerando a decodificação da sequência completa do seu genoma, a qual resultou na identificação de todos os 36 mil genes da árvore, quase o dobro dos genes encontrados no genoma humano. A árvore, batizada BRASUZ1, e considerada o "genoma de referência", foi da espécie Eucalyptus grandis e desenvolvida pelo programa de melhoramento genético da empresa Suzano. Sua seleção, na época, foi por possuir propriedades genéticas únicas, que facilitariam o trabalho de bioinformática na montagem e interpretação do genoma. O genoma decodificado, dentro de outras funcionalidades, está sendo utilizado em estudos para potencializar a produtividade e a sustentabilidade das florestas plantadas frente às mudanças climáticas. Para entendermos o poder do avanço nas técnicas de sequenciamento e a evolução da bioinformática, basta mencionar que o genoma completo


do SARS-CoV-2, o vírus que causa a Covid-19, foi sequenciado e publicado poucas semanas após a sua identificação, já o SARS-CoV-1, surgido em 2002, e que causa a síndrome respiratória aguda grave, levou vários meses para ter o seu gene sequenciado. Agora, o genoma do SARS-CoV-2 está sendo regularmente sequenciado em diferentes locais, a fim de examinar mutações e obter informações sobre a dinâmica de transmissão. Possivelmente, muitos desses protocolos que estão sendo criados serão aproveitados em outras áreas, principalmente na área florestal. Citando também uma pesquisa recente, foram identificados aproximadamente 400 aplicativos de biotecnologia já visíveis no pipeline de inovação, que, juntos, poderiam gerar até US$ 4 trilhões, anualmente, nas próximas 1 ou 2 décadas. Mais da metade disso estaria fora do domínio da saúde humana, como agricultura e alimentação, produtos e serviços de consumo e materiais, produtos químicos e produção de energia. Efetivamente, estamos em momento único e, coincidentemente, a palavra "crise", em chinês, é composta por dois caracteres: um que representa perigo e outro que representa oportunidade. Lembro-me claramente da crise de 2008. Estava em uma reunião no IPEF, em Piracicaba, e os adubos haviam subido de preço, quando não sumido do mercado. Várias empresas com suas áreas de compra tentando adquirir o máximo de adubo possível, com medo do desabastecimento. Coincidentemente, em 2007, havia sido o ano com a menor passagem de estoque de grãos no mundo, e uma enorme luz vermelha se acendeu. E a pergunta de muitos era: adubo para plantações ou para alimentação? Já havia problemas com os adubos, como muito inerte no grão, segregação de micronutrientes causando heterogeneidade nos plantios, dificuldades logísticas, baixa produtividade, dentre outros. Nesse momento, o estudo e os testes com os adubos com vários nutrientes no mesmo grão, reduzindo o inerte e aumentando a produtividade, são acelerados, e, em pouco tempo, o novo produto estava no mercado; esse é um dos exemplos na área florestal. As várias dinâmicas surgidas durante as crises são ingredientes para interrupções das quais surgem novos modelos de negócios. A economia de compartilhamento surgiu da crise financeira de 2009, pois a tecnologia permitiu a criação de mercados para ativos subutilizados, assim como as pessoas buscavam novas fontes de renda, muito necessárias, pegando os operadores despreparados. A epidemia de SARS que devastou a Ásia em 2002 e levou seus cidadãos a se abrigarem foi o impulso para o crescimento e a ampla adoção do comércio eletrônico naquela região, tornando a China o epicentro da inovação em torno do comércio social.

O foco mais recente na crise da mudança climática levou a um crescimento significativo de equipamentos solares e carros elétricos, além de inovações em torno de alimentos mais “ecológicos”, como substitutos da carne à base de plantas. Nossos aspectos de vida estão mudados. Tanto o pessoal quanto o profissional. As empresas interagem de forma diferente com seus clientes e vice-versa. A forma de fazer negócios será afetada de forma significativa nos próximos anos, assim como a percepção da necessidade das pessoas. Analisando uma pesquisa recente feita com mais de 200 organizações em todos os setores mostrou que mais de 90% dos executivos disseram esperar que as consequências da Covid-19 mudem fundamentalmente a maneira como se fazem negócios nos próximos cinco anos, com quase o mesmo número afirmando que a crise terá um impacto duradouro nas necessidades de seus clientes. Os avanços das ferramentas de tecnologia que citei podem, e muito, contribuir para o manejo florestal por permitir menores custos de madeira colocada nos postos de beneficiamento; potencializar maiores produções de madeira de uma determinada área do site florestal; de forma conjugada, podem atuar controlando mais rigidamente as operações, com coleta de dados aprimorada, recomendando especificamente o manejo florestal dos sites de acordo com as características e necessidades: por exemplo, apresentação recente da equipe do Techs mostrou que, plantando o melhor clone no melhor site, há possibilidade de ganho em até 30% de produtividade. A biorrevolução está diretamente ligada ao melhoramento florestal avançado, que envolve mapeamento genético e seleção de espécies, procedências e clones baseados em marcadores, para garantir que as plantas tenham o perfil genético mais adequado ao local e ao uso final, envolvendo, ainda, a necessidade premente de redução do ciclo de melhoramento. Em complemento, a automação das operações, desde o viveiro até o transporte da madeira, e a tomada de decisão otimizada com análises avançadas abrangeriam uma real criação de valor pela tecnologia ao negócio florestal. As mudanças trazidas pela Covid-19 trazem oportunidades de crescimento para vários segmentos, com diferentes percentuais, mas o segmento de tecnologia se destaca. A história sugere que empresas que investiram em inovação e tecnologia durante as crises superaram seus pares durante a recuperação, portanto, estrategicamente, é fundamental a manutenção dos investimentos nessa linha, pois elas estarão, cada vez mais, arraigadas no nosso modo de ser, viver e produzir. n

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produtores de florestas

Opiniões

como será o

novo normal ?

Como será o novo normal? Essa questão encontra-se muito frequente desde o início da pandemia provocada pelo coronavírus. E é fundamental que seja respondida de maneira ampla, não apenas pela realidade econômica global, com forte perda na capacidade de consumo das populações, ou pelo afastamento social, com a necessidade de redução na interação entre as pessoas, mas sim pelas ações realizadas com o objetivo de enfrentar, da melhor maneira, a situação. Uma delas é aumentando a informação sobre como evitar o contágio. Essa comunicação deve ser efetiva para que contribua para as medidas de segurança divulgadas pelas entidades públicas de Saúde. Sabemos que muitos vírus estão presentes em animais domésticos e selvagens, sem lhes causar qualquer sintoma, mas podendo, em eventos raros, sofrer uma mutação e vir a causar doenças em humanos, como ocorreu nesta e em outras pandemias no passado. Portanto conhecemos a fonte, o que é um bom início para a realização de pesquisas e também de direcionamento sobre o que devemos fazer para mitigar o risco quanto a micro-organismos zoonóticos.

O cenário recessivo é uma realidade em todos os continentes e demandará, certamente, grande competência na gestão pública e empresarial. A competitividade estará estabelecida no mercado, para sobreviver e buscar crescimento; os empresários, junto com seus colaboradores, precisarão de muita criatividade, produtividade e inovação constante, visando à agregação de valor ao seu produto ou serviço. A relação de trabalho, por sua vez, vem passando por uma grande transformação: empresas e órgãos públicos, com objetivo de minimizar o risco de infecção entre seus colaboradores, iniciaram ou intensificaram o trabalho remoto (fora de seus escritórios) para o administrativo, além de terem adotado outras medidas de prevenção, com resultados muito positivo em suas operações.

o trabalho remoto, de parte ou todo o quadro, dependendo da característica do negócio ou estratégia das empresas, veio para ficar "

David Evandro Fernandes

Gerente de P&D Florestal da Veracel Celulose

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Algumas empresas localizadas em grandes centros urbanos, com elevados custos de aluguel e grande dificuldade de deslocamento para seus colaboradores, já adotavam o home office de maneira ampla; outras, que também já se encontravam preparadas em termos de sistemas e ferramentas, adotavam parcialmente, por um ou dois dias na semana, como experiência, visando preparar as equipes e avaliar os resultados, ou por convicção de que deveriam seguir dessa forma. E outra parte das empresas que não haviam iniciado essa prática tiveram que se adequar rapidamente. Em muitas empresas, essa experiência vem sendo positiva. A comunicação e o apoio entre as equipes são fundamentais para que os ajustes necessários sejam feitos. A equipe de TI tem o seu mérito e destaque como suporte nas operações, evitando riscos à corporação. Além disso, há toda a orientação aos líderes para cuidarem também do aspecto emocional dos integrantes de suas equipes que se encontram em trabalho remoto. Neste momento de pandemia, as empresas adotaram ou intensificaram o home office com objetivo de evitar impacto em suas operações, através da redução do contingente de colaboradores em suas dependências. O aprendizado e a adaptação foram muito intensos e, por isso, o trabalho remoto, de parte ou todo o quadro, dependendo da característica do negócio ou estratégia das empresas, veio para ficar. Temos as tecnologias necessárias, sistemas de informação com possibilidades de segurança de informação em níveis elevados, softwares e ferramentas de comunicação por vídeo, áudio e chat com grande disponibilidade de recursos, possibilitando a integração virtual eficaz nas relações de trabalho. Mas, sem dúvida, a forma com que cada empresa fará a gestão desse modelo de trabalho será determinante em seus resultados. O equilíbrio entre contato virtual e físico dos colaboradores, além da promoção de eventos de integração, é necessário na promoção de engajamento, fortalecimento do espírito de equipe e foco no propósito da organização. Portanto torna-se fundamental estabelecer a medida ideal para a presença de seus colaboradores no escritório ou unidade produtiva, podendo variar em função do tipo de negócio. Boas oportunidades, mas também desafios, se apresentam com o trabalho remoto, destacando-se por parte das empresas: suporte legal a partir da Reforma Trabalhista de 2017, redução de custos, ganho de produtividade, maior engajamento dos colaboradores e retenção de talentos. Para elas os principais desafios são: a disponibilização de tecnologia atualizada e segura que garanta boa

performance e segurança da informação e a gestão a distância, que demandará o estabelecimento de relação forte de confiança e comunicação eficaz entre líderes e liderados. Por parte dos colaboradores, melhoram as condições de flexibilidade, comodidade e qualidade de vida, principalmente para aqueles que vivem em grandes centros urbanos e enfrentam o desgaste e a perda de tempo no deslocamento casa-escritório-casa. Necessitam porém, estabelecer adequadas condições para o trabalho em casa, como possuir internet de boa velocidade e estável, definir um local específico e calmo com móveis adequados para ser o seu "escritório", ajustados a critérios ergonômicos, estabelecer horário de trabalho diário e, para muitos, o maior desafio: conseguir o apoio da família para a dedicação ao trabalho estando dentro de casa. Para as empresas de base florestal, que geralmente possuem suas plantações em diferentes municípios e algumas, também em diferentes estados, a experiência ocorrida nos últimos meses, com a intensificação das reuniões virtuais internas e externas, lives e workshops, gerou muitas quebras de paradigmas. Sem dúvida, essas ações continuarão após o período de afastamento social, reduzindo custos e riscos com viagens para a participação em eventos e deslocamentos regionais. Como citado anteriormente, teremos, nos próximos anos, grande competitividade no mercado; felizmente, estamos em ritmo acelerado de surgimento de novas tecnologias, sendo bons exemplos: inteligência artificial, automação, robótica, internet das coisas e uso de imagens de satélite e radar. Portanto é de vital importância que os profissionais se capacitem para realizar a efetiva aplicação das mesmas aos processos. Qualificação, capacidade de interação e atuação com liberdade e responsabilidade são requisitos básicos dentro do novo cenário de trabalho. Como tenho dedicado minha carreira, posso dizer longa, à busca constante pela produtividade e sustentabilidade das plantações de eucalipto, deixo meu incentivo aos profissionais que atuam nessa área. Devemos seguir firmes no propósito de vencer os desafios presentes, através de rápida adaptação ao novo cenário de trabalho e foco na aplicação constante de novas tecnologias, visando consolidarmos, em nosso País, uma bem-sucedida "silvicultura de precisão". Essa é uma condição essencial para a redução de custos e a melhoria da qualidade, que, associando-se a corretas práticas de manejo e genética de materiais superiores, podem nos fazer alcançar produtividade potencial de cada região. n

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produtores de florestas

Opiniões

falta gente preparada Quando o William me convidou para escrever sobre este tema, “O avanço da tecnologia no novo cenário de trabalho”, eu disse a ele que estava convidando a pessoa errada, pois só tenho ouvido falar sobre geotecnologia e geoestatística; business intelligence e floresta digital; internet das coisas; redes neurais e inteligência artificial; etc., etc. e, com um detalhe: eu ainda escrevo usando lápis e borracha. Então, para não falar sobre o que não sei, resolvi trazer esse tema para a interação com a boa parte dos quase 1.600 profissionais que estão saindo para o mercado anualmente, das mais de 60 faculdades de engenharia florestal que existem no País. Portanto, para o avanço da tecnologia no novo cenário de trabalho, é importante que tudo isso venha acompanhado de profissionais sensíveis e preparados para conciliar toda essa tecnologia com a realidade da floresta no campo. Infelizmente, muitos desses pobres jovens, que entram em algumas dessas escolas caça-níqueis, saem iludidos com o título de engenheiro florestal, sem sequer saber fazer uma simples regra de três e escrever um relatório com o mínimo de erros de português. É muito triste ver o que o MEC fez, aprovando escolas sem a menor condição de formar profissionais com conhecimento adequado. Temos uma enorme necessidade de clínicos gerais, ou seja, engenheiros que vão a campo, sujem a botina, avaliem árvores no seu todo, entendam as áreas florestais das empresas como um grande experimento, de onde se consegue tirar a maioria das informações para o aumento da produtividade florestal. Hoje, muitas das decisões são tomadas remotamente, sem ir ao campo ou, quando muito, usando um drone e/ou aplicativos dos celulares para medir as árvores e processar os dados no escritório e decidir.

Por falar em campo, alguns de vocês se lembram do fator do seu polegar, usado para medir área basal? Ou do uso da varinha, para com a relação de triângulos, medir a altura das árvores? Não precisa mais, né? As novas tecnologias resolvem tudo sem precisar ir à floresta; acho que estou velho demais para acompanhar isso tudo, preciso pendurar as chuteiras, ou melhor, não vou pendurar não, vou fazer as minhas pequenas florestas do meu jeito, metendo a mão na massa e tentando salvar algumas espécies tropicais, tais como o Pinus caribaea var. bahamensis , o Pinus strobus var. chiapensis, etc., que foram esquecidas sem terem sido devidamente testadas, nas mais diferentes regiões do País, haja visto que a expansão do plantio de coníferas terá que ser nos trópicos, pois, no sul, já não há muito mais espaço para as espécies de clima temperado. Voltando ao assunto da necessidade de profissionais voltados à floresta, eu fico imaginando o salto que o setor dará quando se conciliarem essas novas tecnologias com a formação de profissionais que sujem a botina e vivam a floresta dentro da floresta, e aí, sim, usem as novas tecnologias para busca de soluções. Para complicar ainda mais a relação homem florestal com a floresta, vem o politicamente correto, as certificações, as regras impostas por burocratas legisladores sem

Temos uma enorme necessidade de clínicos gerais, ou seja, engenheiros que vão a campo, sujem a botina, avaliem árvores no seu todo, entendam as áreas florestais das empresas como um grande experimento " Edson Antonio Balloni Engenheiro Florestal

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qualquer conhecimento da realidade de campo e que nós profissionais temos medo de questionar, simplesmente aceitamos passivamente. Todo esse emaranhado de regras, normas, etc. não nos permite mais nem “mijar” na floresta, tem que ser no banheiro químico. Meu Deus, aonde vamos parar (desculpe o palavreado chulo, mas até na reunião presidencial dos ministros foram proferidos mais de 40 palavrões)?! Os esforços de grande parte dos profissionais estão voltados ao politicamente correto, as florestas são simples detalhe. Será que o legislador dessas NRs já teve o prazer de sentar embaixo de uma árvore e comer sua marmita? Tenho certeza de que não, senão não obrigaria o trabalhador do campo almoçar em uma barraca ou em um container, muitas vezes sob forte calor, totalmente fora da realidade florestal. As certificações se tornaram um mercado, isso mesmo, mercado, pois, muitas delas, apesar da sua importância, se transformaram em um negócio que envolve milhões de reais, para que a empresa, de um jeito ou de outro, consiga seu certificado e seja internacionalmente considerada ambiental, social e economicamente correta e viável. Tudo isso é maravilhoso, só que impõe ao mercado preços diferenciados para a madeira certificada,

que só as empresas e grandes empresários conseguem obter. Com isso, o pequeno produtor recebe menos pela mesma madeira. Isso seria socialmente justo? Penso que não, pois o pequeno não tem equipe e nem recursos para conseguir esses selos. Portanto o sistema deveria buscar alternativas que atendessem aos produtores menores, para não ser injusto e quebrar um dos pilares que a própria certificação impõe. Pois é, o “avanço da tecnologia no novo cenário de trabalho” tem o foco no ensino superior, enquanto as necessidades operacionais que o ensino médio daria ficam num segundo plano. Explico melhor: quem cuida da manutenção das máquinas florestais e agrícolas, que, cada vez mais, aumentam a eletrônica embarcada? A eficiência dessas máquinas depende de operadores, técnicos, mecânicos e eletromecânicos que o mercado não possui em número e qualidade suficientes. Portanto fica claro que o avanço da tecnologia no atual cenário de trabalho terá enormes dificuldades para atingir os resultados que os vendedores dessa tecnologia apregoam, pois vai faltar o meio de campo. Em resumo: falta gente preparada para fazer as coisas acontecerem de maneira plena. n

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produtores de florestas

Opiniões

inovação como parte essencial Neste momento, estou escrevendo este artigo da minha casa, intercalando com reuniões onde cada participante se encontra em sua própria casa, e isso só é possível por meio do uso da tecnologia. Antes da pandemia, eu utilizava o recurso de videoconferência em menos de 5% das minhas reuniões; nos últimos 100 dias, 95% delas são via plataformas on-line ou chats corporativos, com a mesma qualidade e eficiência das reuniões presenciais. Esse exemplo materializa um aprendizado que devemos levar pós-pandemia: existem diversas tecnologias desenvolvidas e/ou em desenvolvimento que devem ser buscadas não somente em momentos de crise ou necessidade, mas de forma contínua. Precisamos questionar os padrões atuais. Cada vez mais, sistemas de gestão pautados no conceito de melhoria contínua estão sendo adotados por empresas de base florestal. Podemos citar o método Lean companhias que possuem um ambiente proativo de melhoria contínua, pessoas com propósito e um processo robusto de análise preditiva para direcionar os projetos de inovação estarão, com certeza, numa posição diferenciada para os avanços tecnológicos que ainda virão. " Márcio Bernardi

Gerente de Planejamento e Desenvolvimento Florestal da CMPC

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como uma metodologia de melhoria contínua, com foco na gestão e melhorias dos processos. Uma definição simples desse conceito é que precisamos buscar fazer melhor hoje algo que fizemos ontem. Fazer melhor é aumentar os benefícios ambientais, sociais e econômicos em cada atividade que estamos dispostos a realizar. Metodologia é um dos alicerces para criar um ambiente proativo de incorporação de tecnologia nos processos atuais e nos futuros desenvolvimentos. Outro eixo fundamental para qualquer avanço tecnológico são as pessoas, que devem estar comprometidas e engajadas no processo de melhoria contínua, mas, claro, isso só é possível por meio de capacitação e empoderamento. Aqui, na CMPC, costumamos dizer que, com pessoas engajadas e metodologias adequadas, conseguimos alcançar resultados extraordinários. É nítido que o setor de base florestal foi e continua sendo desenvolvido em um ambiente tecnológico e de inovação. Um exemplo é como se dá o processo produtivo das empresas do setor de celulose, com a mecanização das operações de colheita e silvicultura, aplicações e ferramentas operacionais desenvolvidas


por técnicas de sensoriamento remoto, desenvolvimento de materiais genéticos, crescimento da produtividade florestal, entre outros – avanços importantes, que permitem que o Brasil seja líder quando se fala de competitividade na produção de biomassa florestal renovável, seja para processos de transformação, seja in natura. A inovação também contribui significativamente no elevado padrão ambiental e retorno social que o setor oferece nos seus produtos e serviços. No segmento industrial, há uma convergência para processos e produtos que gerem o menor impacto possível. Isso porque, ao investir em pesquisa e desenvolvimento, produtos à base de fibras naturais estão se tornando cada vez mais presentes na vida cotidiana das pessoas em diferentes usos. Atualmente, é viável encontrar novos produtos feitos com matéria-prima sustentável, como garrafas e até camas. Inclusive criar soluções inovadoras, por meio da celulose, é um dos 3Cs que constroem o propósito da empresa – que se une ao conservar os recursos naturais dos quais dispomos e ao conviver com as centenas de comunidades vizinhas. Mesmo com todos os avanços já alcançados, ainda existe espaço para evoluir. No setor de florestas plantadas, na grande parte das empresas, há uma massiva coleta de dados em todas as fases, desde a formação da floresta até o processo de extração da celulose, iniciando na prospecção da terra, passando pela produção de mudas, preparo e estabelecimento da floresta e, finalmente, colheita e transporte da madeira. Na fase de crescimento florestal, por exemplo, há coleta periódica de dados dendrométricos, meteorológicos, eventos bióticos e abióticos, dentre outros dados. Nos últimos anos, progredimos muito em métodos, automação e digitalização de coleta de dados. Hoje, podemos dizer, com segurança, que a falta de dados não é um problema, porém dados só são úteis quando geram informação, conhecimento e auxiliam na tomada de decisão.

Os modelos tradicionais de análise de dados não conseguem responder, de forma eficaz, a uma grande parcela das atuais inquietudes das organizações. Perguntas como “qual o melhor mix de madeira visando obter o melhor resultado industrial? ”, “qual é o impacto de cada atividade do manejo florestal na produtividade final da floresta? ”, “qual é a influência de um evento climático na produtividade florestal?”. Todas elas podem ser respondidas com elevado nível de assertividade, a partir da utilização de técnicas e ferramentas avançadas de análise de dados, com o processo de Data Analytics. Data Analytics é um procedimento que envolve examinar dados para tirar conclusões úteis para os negócios. Ele é feito por meio de softwares especializados que podem conter conceitos de inteligência artificial e são utilizados em empresas para ajudar nas tomadas de decisões. Por si só, a implantação de um projeto de Data Analytics é considerada um avanço tecnológico que poderá gerar resultado em todas as áreas da companhia, porém esse método também pode ser uma ferramenta direcionadora de onde priorizar a inovação dentro da organização, ou seja, é uma alavanca potente de implementação de projetos de inovação em qualquer processo que contenha dados disponíveis, inquietudes, melhorias a serem buscadas e pessoas, engajadas. Por fim, a inovação é parte essencial de empresas competitivas. Aqui, na CMPC, pensamos em processos e estratégias, enfatizando as melhorias contínuas em nível tecnológico, pessoal e em torno da necessidade das pessoas. Estou certo de que companhias que possuem um ambiente proativo de melhoria contínua, pessoas com propósito e um processo robusto de análise preditiva para direcionar os projetos de inovação estarão, com certeza, numa posição diferenciada para os avanços tecnológicos que ainda virão. n

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2000

2004

2010

2018

2019

Primeiro equipamento licenciado pelo CTC Centro de Tecnologia Canavieira.

Aços de alta resistência

Basculante e pranchas.

Porta Container e Rodocaçamba.

Lançamento do Consórcio Sergomel

1975

1990

Fundação por: Osvaldo Ilceu Gomes

Reformas e adequações de carrocerias

2014 Lançamento da linha de produtos no segmento Florestal

Av. Marginal José Osvaldo Marques, 1620 Sertãozinho - SP | CEP: 14173-010 CNPJ: 45.271.020/0001-35 | +55 16 3513-2600

www.sergomel.com.br


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Índice

produtores de florestas

Opiniões

não há uma certeza no

day after

O cenário de trabalho tem sido alterado ao longo dos anos pelas evoluções tecnológicas. Ao fazermos uma jornada tomando como referência as revoluções industriais, percebemos os efeitos das tecnologias, aliadas às mudanças políticas e sociais, na migração do status quo da humanidade. Na continuidade dessas constatações, notamos a forte correlação das mudanças tecnológicas com o modelo de trabalho e o quão exponencialmente impactam o mundo moderno. As recentes mudanças têm acontecido de forma tão rápida, em uma velocidade nunca praticada, apesar de já prevista na lei de Moore para os semicondutores (1965). O novo modelo de trabalho e das relações requer uma parada para reorganizar nossas carreiras e negócios.

para viver em um mundo com muitas incertezas, é necessário muita flexibilidade mental e grandes reservas de equilíbrio emocional. Você está preparado? "

Ronaldo Neves Ribeiro

CIO da Cenibra – Celulose Nipo-Brasileira

Visão geral:

• As revoluções industriais forçaram a migração do homem da sua zona de conforto para a evolução; • A evolução das gerações; • Tecnologias emergentes; • O novo normal e o cenário de trabalho; • O futuro aparentemente acelerado pelo momento de pandemia.

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Desenvolvimento:

Da primeira Revolução Industrial até a atualidade, o homem teve que se mover na busca de sua adaptabilidade ao “novo normal” de cada época. Ao longo desse período, muitos modelos de trabalho foram ajustados, e o ser humano precisou se readaptar. Entretanto a velocidade das mudanças atuais requer uma evolução mental para a qual nem todos estão preparados. O que fazer nessas situações? O chamado mindset requerido agora ainda não foi absorvido pela maioria da força de trabalho. Uma situação sem precedentes, como a que estamos atravessando, foi necessária para acelerar o processo de transformação digital e, consequentemente, dos negócios.


O conservadorismo de muitas pessoas e negócios dificultou a percepção da necessidade de uma atualização tecnológica até então. O processo de mudança do ser humano não acompanha a exponencialidade das coisas. Se analisarmos a atual divisão de gerações em nosso País, percebemos que temos um grande potencial de transformação, pois a força de trabalho já se concentra nas novas gerações. De acordo com a revista Época Negócios (set/2019), no Brasil, os millennials já compõem 34% da população total e representam 50% da força de trabalho. Estimativas dão conta de que, até 2030, a Geração Y deve ocupar 70% dos postos de trabalho. As tecnologias emergentes ainda não tiveram no Brasil um planejamento que possibilite um crescimento dos negócios na proporção requerida para os padrões internacionais, salvo em alguns segmentos de negócio, por exemplo, o agronegócio, que está em padrões bem avançados. Já o setor industrial brasileiro, preocupado com a lentidão do processo de inovação e transformação no País, através da CNI, tem buscado acelerar esse processo. Há um entendimento que a engrenagem necessita de vários segmentos, então, é necessária uma alavancagem nas PMEs (pequenas e médias empresas) para que tenhamos um sincronismo no desempenho global; para isso, tem se movimentado através do grupo de Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI – http://www.portaldaindustria. com.br/cni/canais/mei/). Entendemos que o conceito do dataísmo, ou filosofia para a importância da ciência de dados associada à Inteligência Artificial (IA), nos ajudará nas tomadas de decisões, sejam elas por meio de monitoramento de performance de indicadores de desempenho empresarial, bem como para descobrir curas para doenças e melhorias no sequenciamento genético. Na atualidade, é possível listar pelo menos uma página inteira com tecnologias que fazem sentido para os negócios e que apresentam desempenhos satisfatórios. É fato que todos esses avanços, especialmente neste momento, nos farão raciocinar de forma diferente, e a sua adoção será um dos fatores que poderá manter a continuidade dos negócios. Entender cada solução e aplicá-la adequadamente é um grande desafio. É importante, na minha visão, que os fornecedores de tecnologias entendam este momento e pratiquem um modelo em que o custo e o prazo dos projetos sejam verdadeiramente uma parceria. Entendemos que as tecnologias serão catalisadoras do mundo dos negócios; isso não é novo, e a lei de Moore valerá mais uma vez e se aplicará na jornada atual e pós-pandemia.

Até mesmo os futuristas mais renomados afirmam que não há uma certeza no day after, porém ficar sem movimentar significa a falência geral. É hora de revigorar os modelos de gestão. Aliás, atualmente, a grande maioria dos negócios faz uso de um modelo de governança que os preparou para o passado e os trouxe até aqui, por isso há uma forte necessidade de se rever esse modelo para a nova realidade. É sabido que aqueles negócios que estavam mais à frente na sua transformação digital tiveram mais facilidades e foram menos impactados na continuidade das suas operações. O HO (home office) e o uso das ferramentas colaborativas propiciaram trabalhar de forma remota e, em muitos casos, até com ganhos na produtividade. Ferramentas como o Teams, Google Meet, Zoom e outras associadas à infraestrutura de TI possibilitaram continuidade de atividades e revigoraram vários negócios, permitindo uma sobrevida de suas operações. Agora, é chegado o momento em que é necessário planejar o hoje e o amanhã. Podemos entender que os avanços tecnológicos anunciados até então e algumas inovações geradas nesse momento farão parte do grupo de ações estratégicas para a sustentabilidade de muitos negócios. O crescimento das tecnologias é fundamental neste momento, entretanto só o ser humano é capaz de transformar processos pelo uso das tecnologias. A inovação não é procedente de tecnologias, mas do ser humano. Mais do que nunca as ideias são muito bem-vindas. Analisando esse denso cenário, percebemos que estamos em um momento de muitas oportunidades. Yuval Harari (2018) descreveu que, para viver em um mundo com muitas incertezas, é necessária muita flexibilidade mental e grandes reservas de equilíbrio emocional. Você está preparado? Estamos em um bom momento para distinção da ficção da realidade; quem conseguir visualizar isso rápido terá alcançado um patamar diferenciado, tanto como ser humano quanto como negócio. Fica claro que se tornou crucial nos prepararmos para o mundo novo. Muitas oportunidades estão sendo oferecidas a distância. Defina seus objetivos e escolha o seu caminho o quanto antes. Também é um momento de mudarmos nossa percepção ao risco. Diante de tantas incertezas, é natural que tenhamos muitos erros, mas eles nos trarão muitas respostas e nos ajudarão nas correções das rotas. No cenário atual do trabalho, adote as tecnologias que caibam em seu negócio, no seu bolso e em um curto intervalo temporal. n

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Q

Índice

produtores de florestas

Opiniões

o futuro das tecnologias de produção de carvão vegetal A presença de um setor florestal associado à produção de ferro primário, ferroligas e metalurgia é uma característica brasileira. Os primeiros altos-fornos que utilizaram o carvão vegetal como matéria-prima iniciaram sua produção nas décadas de 40 e 50 do século passado, período esse marcado pelos grandes incentivos e pela expansão dos plantios florestais nacionais. Entretanto, na década de 1990, com o início das privatizações do parque siderúrgico estatal, o uso de carvão vegetal ficou limitado à produção de ferro primário em minialtos-fornos e à produção de aços especiais. A implantação de grandes siderúrgicas, utilizando o coque metalúrgico, fez com que o carvão vegetal perdesse espaço e atratividade. Assim, o setor, motivado pela perda de competitividade, foi pressionado a buscar alternativas para diminuir seu custo de produção. A mecanização das etapas de produção foi uma de suas principais reações. Além disso, o desenvolvimento dos programas de melhoramento genético, que forneceram genótipos produtivos e plásticos, proporcionou condições favoráveis para o estabelecimento de plantios florestais altamente produtivos. Em relação às evoluções obtidas nos processos de carbonizações em larga escala, foi observado um aumento expressivo da capacidade de enfornamento de madeira, propiciado pela expansão volumétrica dos fornos. A migração de sistemas que utilizavam fornos de alvenaria circulares para os sistemas retangulares atuais resultou em um aumento do rendimento gravimétrico e da capacidade produtiva das plantas de carbonização, o que permitiu, até o momento, a permanência do carvão vegetal como matéria-prima para altos-fornos de pequeno e médio porte, bem como nos fornos elétricos para produção de ferroligas. No entanto a ampliação do volume interno dos fornos tem exigido um maior controle da fluidodinâmica e da termodinâmica do processo.

Assim, tornou-se natural observar dificuldades no controle dos parâmetros da carbonização nesse modelo de produção. Dessa forma, tem sido recorrente a presença de relatos de inadequação da qualidade do carvão vegetal produzido nesses sistemas, o que tem resultado em números preocupantes de geração de finos e perdas no processo. Outro agravante em relação à qualidade do carvão vegetal diz respeito às características tecnológicas das florestas plantadas. Apesar dos grandes avanços dos programas de melhoramento genético, principalmente do gênero Eucalyptus, pouco se preocupou com as características tecnológicas da madeira. A desatenção para propriedades da madeira, como densidade, permeabilidade, composição química estrutural e anatomia, culminou, até o momento, em florestas altamente produtivas, mas que produzem um carvão vegetal de baixa densidade e resistência mecânica. Diante disso, acreditamos que o limite tecnológico do atual modelo de produção de carvão vegetal, que utiliza fornos de alvenaria, foi atingido. É notória a evolução do setor em relação à compreensão das variáveis da madeira, do processo de carbonização e do próprio carvão vegetal. O conhecimento atual, adquirido através dos anos de utilização dos sistemas de alvenaria tradicionais, fornece a base tecnológica na busca pela inovação. Nesse contexto, novas tecnologias de produção surgiram, e, junto a elas, vieram os desafios de viabilidade técnica e econômica, o que levou ao insucesso de várias propostas. Com essa visão, a Vallourec desenvolveu a tecnologia de carbonização contínua Carboval. Operacional, em seu layout final, por

Este sistema reescreverá a utilização dos produtos da carbonização, garantindo aos processos metalúrgicos subsequentes novos patamares de produtividade. "

Fernando Lopes Latorre Engenheiro de P&D e Area Manager da Carboval da Vallourec

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mais de quatro anos, a tecnologia apresenta como fator diferencial a recuperação de alcatrão vegetal e extrato de pirolenhoso, além da reutilização dos gases de pirólise para manutenção de processo, secagem da madeira e cogeração de energia térmica e/ou elétrica. Assim, uma das grandes vantagens dessa tecnologia é a geração de receita com os coprodutos. O controle automatizado das variáveis de processo permite que o reator contínuo alcance altas produtividades, com baixos desvios de qualidade. Esse controle e a qualidade propiciam a produção de um carvão vegetal customizado, abrindo oportunidades para o emprego dessa matéria-prima em diferentes etapas dos processos siderúrgicos e metalúrgicos, como pelotização, sintetização, alto-forno e aciaria. Para compreensão da importância da utilização de forma otimizada e eficiente dos produtos da carbonização, basta pensarmos nos desperdícios presentes nos sistemas de alvenaria tradicionais. Nos atuais fornos de alvenaria, convertem-se cerca de 25% a 35% da massa seca da madeira em carvão vegetal, recuperando de 50% a 60% de energia contida na floresta. Esse baixo aproveitamento dos produtos da carbonização, onde apenas o carvão vegetal é considerado o único produto, leva a uma pressão de redução de custo e a um aumento de produtividade dessa tecnologia. Os restantes da massa da floresta, resultantes de decomposição térmica da madeira, como os líquidos (alcatrão vegetal e extrato pirolenhoso) e os gases, passaram a ser passivos ambientais com a legislação mais rigorosa. Essas emissões foram ainda mais agravadas pelo aumento de escala das plantas de carbonização e tornaram-se, hoje, um desafio para todo o setor produtivo do carvão vegetal. Buscando elucidar e analisar quantitativamente as diferenças existentes entre os modelos de alvenaria retangular tradicional e a tecnologia Carboval, parâmetros de produtividade e qualidade do carvão vegetal estão comparados na tabela em destaque. Além de um rendimento gravimétrico superior, o carvão vegetal produzido na Carboval apresenta uma maior homogeneidade e possibilidade de personalização, o que garante um maior aproveitamento desse produto pelo consumidor final. Na tecnologia Carboval, é possível customizar as características de qualidade em função da aplicação, dentro da faixa apresentada.

Qualquer tecnologia de produção de carvão vegetal, atualmente, deve ser pautada na redução das emissões de gases de efeito estufa, como CH4 e CO. Na tecnologia Carboval, por se tratar de um processo totalmente fechado, onde os subprodutos são devidamente aproveitados, as emissões atmosféricas estão restritas ao CO2 e ao vapor de água. Assim, a utilização dos gases como combustível para a manutenção do processo de carbonização, secagem da madeira e produção de energia elétrica, de forma conjunta, garante sustentabilidade técnica, econômica e ambiental para o modelo produtivo do reator vertical. A quebra de paradigmas com as novas florestas, não apenas produtivas, mas que também apresentem características tecnológicas adequadas à produção de carvão vegetal, aliada à utilização de tecnologias que visam à maximização da qualidade, múltiplos produtos e sustentabilidade ambiental, reescreverá a utilização dos produtos da carbonização, garantindo aos processos metalúrgicos subsequentes novos patamares de produtividade. Essa é a contribuição do setor florestal para a manutenção da sustentabilidade da nossa siderurgia e da metalurgia nacional. n

CARBOVAL versus FORNOS DE ALVENARIA Descrição Rendimento gravimétrico (%) Composição química imediata Materiais voláteis (%) Cinzas (%) Carbono fixo (%)

Alvenaria Média Desvio (%) (%)

Carboval Média Desvio (%) (%)

30-35

-

38-42

-

22 3 75

±5 ±1,7 ±4,3

26,5 a 14* 0,5 a 1* 73 a 85*

±1 ±0,1 ±1

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Soluções integradas para o combate a incêndios florestais



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Índice

produtores de florestas

Opiniões

as transformações da tecnologia no

mercado de trabalho A evolução tecnológica e suas ferramentas estão mudando a maneira como o mundo opera. Em poucos anos, presenciamos rupturas em eficiência, capacidade e acessibilidade. Ao longo da história, os desenvolvimentos tecnológicos melhoraram a conectividade entre pessoas e negócios, permitiram inclusão, desenvolvimento financeiro, acesso ao comércio e a serviços que estão transformando a sociedade. Na saúde, ajudam a diagnosticar doenças, a aumentar a expectativa de vida e a salvar pessoas. Na educação a distância, abriram-se programas para estudantes que, de outra forma, seriam excluídos. Novos padrões de trabalho tornaram outros obsoletos, levando a mudanças sociais mais amplas. A digitalização também ameaça a privacidade e a segurança, acentua diferenças e direciona escolhas individuais.

A tecnologia está evoluindo sem sinal de arrefecimento; combiná-la com o desenvolvimento de pessoas é uma obrigação para empresas que querem atrair talentos e perpetuar a competitividade dos negócios. "

Bruno Mariani Piana

Gerente de Planejamento e Gestão Estratégica Florestal da International Paper

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O avanço da inteligência artificial já permite monitorar movimentos, compras, conversas e comportamentos. A extração e a exploração dos dados, para fins financeiros, os tornariam um ativo pessoal se houvesse uma regulamentação para tal. Dados geram informações que agregam mais valor do que qualquer moeda. Existe vantagem competitiva nos dados que sua empresa gera ou adquire para entender melhor seu cliente. Sabe-se que é mais caro conquistar um novo cliente do que fidelizar um existente. Acompanhar e analisar seus dados para tomar melhores decisões sobre produtos e serviços é fundamental para a sobrevivência dos negócios. Com essas informações, é possível pensar como o cliente. Há alguns anos, era comum grandes e pequenas empresas atuarem cada qual em seu nicho de mercado e raramente seus caminhos se cruzavam. Agora, aliando o e-commerce e a inteligência artificial, todos estão potencialmente competindo com todos. Transformamos o padrão do “peixe grande caçar o peixe pequeno” na tendência do “peixe rápido caçar o peixe lento”.


Com tudo isso, ainda tivemos um catalisador, a pandemia da Covid-19, que está combinando choques sociais e econômicos com o potencial de reposicionar a utilização da tecnologia em todos os negócios. Estamos sendo desafiados a ressignificar a segurança dos profissionais, do local de trabalho e a continuidade dos negócios. As organizações estão com a força de trabalho reduzida, e a solução está em tecnologia. Ela maximiza a reação das empresas e cria resiliência a ameaças futuras, aplicando conceitos de futuro do trabalho às práticas consagradas de atuação. Estamos descobrindo o novo normal. As empresas que adotaram a utilização de tecnologias simplificaram seus processos e adaptaram seu local para um ecossistema de recursos virtuais, com tecnologia e normas comportamentais que definem o trabalho como algo que fazemos e não onde fazemos, por meio de ferramentas e plataformas de colaboração que garantem a dinamicidade e o trabalho em equipe. Profissionais com mentalidade ágil, adaptabilidade e ownership passam a ser mais valorizados. Além disso, a recente rotina, forçada pela pandemia, demostrou que as empresas podem aumentar a diversidade e a inclusão, assim como envolver parceiros e outras partes interessadas em qualquer lugar do mundo. Há um consenso de que o gerenciamento dessas tecnologias e, principalmente, a tradução delas em resultados sólidos exigirão mudanças em nossa abordagem da educação, colocando mais ênfase em ciências e tecnologia. Contudo, as soft skills serão mais necessárias do que nunca. Habilidades pessoais, empatia e resiliência asseguram que as pessoas possam se requalificar e se aprimorar ao longo da vida. Toda essa digitalização e automação gera eficiência; os profissionais se concentrarão na inovação, criatividade e resolução de problemas. Recrutamento e seleção assertivos passam a ter um papel ainda mais importante, pois precisaremos identificar, atrair e envolver profissionais com habilidades específicas, combinadas com a diversidade de experiências necessárias para se formar uma equipe de alta performance e, por consequência, suportar a organização a alcançar sua missão e propósito. Além disso, a aprendizagem contínua apoiará a qualificação necessária para a força de trabalho lidar com possíveis escassezes de talentos. Trabalhos especializados poderão se beneficiar com o uso da inteligência artificial, tornando essas funções mais valiosas e resistentes a crises futuras. Por outro lado, trabalhos em que a utilização de inteligência artificial não seja possível serão alvos de inovação. Funções em que as tarefas possam ser totalmente automatizadas podem estar em risco, pois há uma tendência de se operar de forma automatizada.

O setor florestal também vivencia toda essa revolução tecnológica. Existem benefícios na cadeia de valor florestal oriundos desses desenvolvimentos, como a acessibilidade, no campo, aos sistemas de informação e planejamento, as mecanizações e as automações na silvicultura, na colheita e no transporte. Por exemplo, a International Paper digitalizou apontamentos manuais no campo e monitora a operação em tempo real, gerando ganhos financeiros e qualitativos com a análise dos dados coletados. Vale destacar o melhoramento genético e a evolução nas formulações, incluindo taxas variáveis; os monitoramentos remotos de pragas, doenças e incêndios; a digitalização do inventário e os otimizadores de planejamento para apoiar decisões de manejo; além das quebras de paradigmas e novos conceitos que o analytics vem trazendo. A International Paper busca contribuir para o desenvolvimento de melhores práticas de manejo e gestão, acelerando a adesão a novas tecnologias. A inovação faz parte dos nossos pilares estratégicos, que conta com uma equipe preparada para atender à demanda dos clientes. Além do investimento em tecnologia, buscamos soluções para os nossos processos, olhando para a sustentabilidade de todo o negócio. Essas tecnologias têm potencial comprovado para melhorar os resultados do manejo florestal, os custos operacionais e a eficiência do planejamento. Embora os ganhos mais rápidos possam ser obtidos por meio de uma melhor espacialização e redução de custos, o maior potencial de criação de valor a longo prazo é o aumento de produtividade das florestas. É inegável a transformação pela qual o setor florestal vem passando e ela não está perto do fim. Esse fato nos faz questionar o profissional florestal que precisaremos para consolidar e catalisar as novas práticas. Temos o desafio de reduzir o hiato entre campo e escritório, precisamos combinar a vivência operacional com as tecnologias e otimizações para buscarmos melhores resultados. Precisamos solidificar pontes entre o mundo corporativo e a academia para aliarmos conhecimento tácito com teórico e termos as melhores práticas florestais. A tecnologia está evoluindo sem sinal de arrefecimento; combiná-la com o desenvolvimento de pessoas é uma obrigação para empresas que querem atrair talentos e perpetuar a competitividade dos negócios. A combinação desses fatores no setor florestal brasileiro nos coloca em uma posição de vantagem em um mercado atrativo. A velocidade com que aplicaremos todos esses recursos para catalisar resultados dirá quais serão as novas barreiras a serem ultrapassadas. n

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produtores de florestas

Opiniões

o que será do VPL ? O valor presente líquido (VPL), ou valor atual líquido, é a fórmula econômico-financeira capaz de determinar o valor presente de pagamentos futuros descontados a uma taxa de juros apropriada, menos o custo do investimento inicial. Traduzindo grosseiramente, é a soma de todo o dinheiro que esperamos ganhar durante o tempo do investimento, menos o que esperamos gastar ou investir, descontado a uma taxa aproximada da que esperamos ter como rentabilidade do investimento. É amplamente usado em análise financeira de projetos e investimentos florestais, pois resume, em um só número, as expectativas futuras de ganhos, investimentos, despesas e rentabilidade. Penso que estávamos relativamente confortáveis com o cálculo do VPL até agora, pois tínhamos a maioria das premissas bem consolidadas e conhecidas. Mas e agora, depois de uma pandemia mundial e uma crise sem precedentes? O que será do VPL?

O Brasil tem a vocação para a atividade florestal e, consequentemente, para o investimento florestal. Precisamos expandi-los cada vez mais. "

José Mario de Aguiar Ferreira

Gerente Florestal da RMS do Brasil

Não sou economista e nem tenho a pretensão de que este artigo seja interpretado como uma análise econômica apurada ou uma recomendação de investimento. Somente expresso a minha opinião sobre o tema. Voltando ao assunto, então. Entendo que a parte do “dinheiro que esperamos ganhar” do VPL não será dramaticamente impactada no longo prazo.

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Não vejo esta crise causando mudanças dramáticas nas tendências de consumo de produtos de base florestal e, consequentemente, não acho que teremos que mudar drasticamente as nossas expectativas de receitas de longo prazo, nem para menos, nem para mais. Historicamente, nossa indústria de base florestal tem a excelente característica de conseguir aproveitar agilmente as mudanças dos ventos nos mercados interno e externo. Isso ajuda a diminuir um pouco os constantes impactos das crises e variações cambiais. Logicamente, o cenário no curto prazo é extremamente incerto, mas, no longo prazo, penso que os preços e as produtividades continuarão em sua trajetória já conhecida. Temos, sim, uma grande responsabilidade de agregar valor ao investimento florestal, através da aceleração da implementação e/ou ampliação das diversas iniciativas mais promissoras, como pagamentos por serviços ambientais, Cotas de Reserva Ambiental, mercado de carbono, etc. Porém é difícil prometer ganhos futuros significativos por enquanto.


custo mínimo médio do capital a ser empregado, ou o mínimo de rentabilidade média aceita pelo investidor durante o período do investimento. A crise e a nova política econômica provocaram uma mudança drástica no cenário econômico do Brasil. As menores taxas de juros da história recente e as incertezas com o futuro dos títulos públicos estão provocando uma fuga da renda fixa e uma maior procura pela diversificação da carteira através da aquisição de ativos reais. Tudo indica (e torço para isso) que os tempos de juros altos e dólar baixo, mantidos a um alto custo pelo País, estão chegando ao fim, conforme demonstra a imagem em destaque. E é nesse contexto que penso que está a grande oportunidade para a expansão do investimento florestal no Brasil. As taxas mínimas de atratividade dos investimentos no mercado financeiro finalmente chegaram aos patamares que os investimentos florestais conseguem também entregar, e acho que eles começarão a ser excelentes alternativas de diversificação de carteiras. Penso que a nossa grande missão, agora, será a de divulgar para os investidores brasileiros as características do investimento florestal, muitas vezes desconhecidas, e tentar atrair cada vez mais o interesse. Enfim, penso que as receitas e despesas dos investimentos florestais não sofrerão grandes alterações em sua trajetória de longo prazo, em consequência da pandemia. Continuaremos com os nossos esforços de agregação de valor, desenvolvimento tecnológico e redução de custos. Acho, sim, que a crise e a nova política econômica brasileira podem ter criado um ambiente propício para o aumento do investimento florestal no Brasil por instituições brasileiras. No curto prazo, e em meio a esta crise sem precedentes, entendo que o papel do Estado é importante. Porém, no longo prazo, precisamos lutar para que as bases econômicas do Brasil continuem a evoluir para uma economia de livre mercado e com pouca interferência do Estado. O Brasil tem a vocação para a atividade florestal e, consequentemente, para o investimento florestal. Precisamos expandi-los cada vez mais. n SÉRIE HISTÓRICA DA TAXA SELIC BANCO CENTRAL DO BRASIL 50 45 40 35 30 25 20 15 10 5 0 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020

PERCENTUAL a.a.

Alguns economistas pregam que a pandemia provocará uma mudança no comportamento das pessoas, e, devido aos traumas provocados pela necessidade do isolamento social, haverá uma diminuição da quantidade média de moradores por residência. Consequentemente, isso acarretará um aumento da demanda por construção de residências para famílias únicas. Penso que o raciocínio faz sentido, mas somente para países mais desenvolvidos. O tempo nos dirá. Quanto ao “dinheiro que esperamos gastar ou investir” nesse cálculo do VPL, acho que também será pouco impactado no longo prazo. Barreiras legais, políticas ou institucionais que causam desequilíbrio econômico serão, cedo ou tarde, derrubadas – nossas associações estão cada vez mais atentas e atuantes. E, assim, acredito que continuaremos a nossa trajetória de adoção de novas tecnologias, otimização da mão de obra e redução dos custos. Os desafios de se gastar mais ou menos continuarão os mesmos, e precisaremos, cada vez mais, da ajuda de boa pesquisa e boas instituições de pesquisa para nos orientar. Tecnologias como drones para sensoriamento remoto, para inventário florestal e até mesmo para operações silviculturais (vídeo) são relativamente fáceis de serem avaliadas e implementadas. Mas e os investimentos de longo prazo? Quanto vale, por exemplo, um ativo florestal que tenha um bom programa de pesquisa e desenvolvimento e uma boa rede experimental? Certamente, vale mais do que um ativo que não tenha nada disso. Mas quanto mais? Essa precificação mais exata do potencial de geração de valor pela pesquisa e desenvolvimento será muito importante para conseguirmos comunicar efetivamente o valor dos investimentos nessas áreas. A pandemia está, certamente, mudando as relações de trabalho e, talvez, produza ganhos de produtividade futuros, com o aumento da popularidade das reuniões virtuais e do trabalho remoto. Porém penso que, por enquanto, são poucas as pessoas, no Brasil, que podem investir em uma estrutura mínima de trabalho em casa, e serão poucas as empresas que poderão investir na tecnologia e segurança necessários para o perfeito funcionamento do sistema remoto. Entendo que a grande mudança virá da tal taxa de desconto utilizada no VPL. Essa taxa pode ser também interpretada como a Taxa Mínima de Atratividade (TMA) e reflete o

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produtores de florestas

Opiniões

fazendo diferente e melhor Em 2017, um vídeo na plataforma TED me despertou um sentimento bastante forte. Motivado pela luta incessante de sua mulher contra um câncer, o engenheiro da IBM Joshua Smith buscava desenvolver um detector precoce de células cancerígenas, baseado em nanobiotecnologia, que fosse possível ter em casa. Contando a sua experiência, ele cita números impressionantes: 40% das pessoas na população em geral terão câncer em algum momento da vida e apenas 50% delas sobreviverão. Já imaginou quanta felicidade está guardada no sucesso dessa ferramenta? Quantas famílias poderão ser mais felizes e quantas vidas poderão ser salvas? Não existe propósito mais belo do que o de salvar vidas. E a tecnologia tem um papel fundamental nisso. Evolução e tecnologia são duas palavras completamente interdependentes. Não há evolução sem tecnologia e não há tecnologia sem haver evolução. Quanto maior é o uso da tecnologia, ou seja, quanto mais aplicamos o conhecimento científico para fins práticos, melhor, mais rápido e mais eficiente será o processo evolutivo.

o agronegócio, antes baseado na tradição, experiência e intuição, passou a ser apoiado em informações mais precisas e em tempo real. "

Arthur Rizzardo Zanardi Gerente de Projetos da Bracell

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A humanidade passou por diversos momentos em que pequenas ou mais relevantes revoluções tecnológicas romperam com a realidade até então para gerar algo melhor, com mais valor. Há um milhão de anos, descobrimos o fogo. Há vinte mil anos, houve a revolução neolítica, quando o homem transitou de caçador solitário para agricultor que vive em comunidades. Depois, houve a descoberta da irrigação, da navegação, do aço, do relógio mecânico, da impressora, da fotografia, do telégrafo, do telefone, da luz elétrica, do automóvel, do rádio, do avião, da televisão, do computador, da energia nuclear, do voo espacial, do computador pessoal, da internet, da inteligência artificial. Em cada um desses momentos, nós descobrimos uma forma melhor de fazer algo. A evolução da sociedade, portanto, só foi possível graças à tecnologia.


Olhando para o passado, o século XX foi o século da revolução industrial, em que as empresas eram reconhecidas pelos seus ativos fixos e pela maximização da capacidade produtiva. A eficiência em produção era a chave para garantir o sucesso e a perenidade das empresas. Já recentemente, o século XXI é o da revolução digital. O ativo físico deu lugar à eficiência na gestão dos dados, na velocidade de transformação dos números em informação, na conectividade allways on e, principalmente, no olhar fundamental para o cliente. Toyotas e Fords deram lugar a novos protagonistas, como Ubers e Airbnbs. Kodaks e Blockbusters ficaram para trás, pois não acompanharam a evolução tecnológica. O objetivo mais universal da tecnologia é o de resolver problemas. Basta-se ter uma questão sem solução aparente, que a tecnologia é empregada para tentar resolvê-la. Foi assim, por exemplo, que surgiram as fintechs, instituições financeiras que usam de tecnologia para resolver os problemas de seus clientes. O Nubank nasceu para mitigar várias dificuldades enfrentadas por clientes de banco, como as filas, a demora nos atendimentos, complicação e burocracia. Outro exemplo, mas fora do mundo financeiro, é o iFood, que surgiu para facilitar, dentre outras coisas, a conexão entre clientes e restaurantes. Podemos citar inúmeros outros exemplos nos quais a tecnologia foi empregada para solucionar problemas, melhorar processos e gerar mais valor ao cliente. É fundamental salientar as palavras “geração de valor”. Ou seja, de nada adianta a tecnologia se ela não for capaz de gerar valor. No agronegócio, o tema tecnologia está em voga de diversas formas, mas a principal delas recebe o nome de Agricultura 4.0. Segundo afirma Silvia Massruhá, chefe-geral da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), na revista Pesquisa FAPESP, de janeiro de 2020, a agricultura 4.0 é a conexão, em tempo real, dos dados coletados pelas tecnologias digitais, com o objetivo de otimizar a produção em todas as suas etapas, e representará a chegada da Internet das Coisas (IoT) ao campo. Segundo a mesma revista, o uso de tecnologias da informação vem transformando o agronegócio, pois o processo decisório, antes baseado na tradição, experiência e intuição, passou a ser apoiado em informações mais precisas e em tempo real. Nos últimos anos, sensores terrestres, drones, sistemas de rastreamento via satélite e outros dispositivos foram introduzidos no ambiente rural para coletar dados referentes às variáveis que

influenciam a produtividade, como características do solo, variação climática e incidência de pragas. Tratores e máquinas agrícolas são equipados com sistemas que permitem seu monitoramento e operação remotos, beneficiando o manejo da lavoura. Softwares auxiliam a gestão dos dados. Agora, a interconexão desses recursos gera novos impulsos ao agronegócio. Dentro do agronegócio, o setor florestal tem se destacado pela velocidade com que os avanços tecnológicos aconteceram nos últimos anos. Há trinta anos, o plantio e a colheita florestal eram preponderantemente manuais. Hoje, além da alta mecanização das atividades, novas tecnologias têm ajudado o setor a tornar a gestão das florestas cada vez mais eficiente e sustentável. Exemplos, como a utilização do LiDAR (Light Detection And Ranging) para inventários florestais, de drones para avaliação de áreas novas e sistemas de precisão para aplicação de insumos, são apenas algumas dentre muitas das tecnologias atuais e que ainda estão sendo testadas para aperfeiçoamento. Ainda assim, os desafios a serem superados são enormes. Em geral, na maior parte do Brasil, há uma necessidade urgente de investimento em infraestrutura nas florestas para que tenhamos conectividade mínima que seja adequada para o tráfego de dados e informação. O cenário de trabalho, portanto, tem mudado de forma exponencial. A importância da tradição e da experiência, a necessidade de especializações em técnicas de trabalho repetitivo ou braçal, a dificuldade e imprevisibilidade nas tomadas de decisão por falta de dados, tudo isso tem se transformado de forma cada vez mais acelerada. O novo cenário de trabalho exige novas formas de pensar, de avaliar, de fazer. Teremos sucesso nas nossas ações se nos propusermos a incrementar a nossa capacidade analítica, melhorar a gestão dos dados, buscar maior precisão nas tomadas de decisão, buscar a antecipação de problemas e soluções de mitigação, buscar, incessantemente, o diagnóstico precoce. A chave para tudo isso é a tecnologia. Assim como o exemplo de Joshua Smith, que, por meio da tecnologia, buscava uma solução de diagnóstico precoce de uma doença devastadora e que fosse do alcance de todos, a cada dia, o novo cenário de trabalho impõe aos profissionais o emprego da tecnologia, seja para gerar mais valor ao negócio, aos clientes, ou à sociedade em geral. Com o avanço da tecnologia, inúmeras oportunidades de fazer diferente e de fazer melhor ainda virão, e todos nós devemos nos preparar para isso.n

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produtores de florestas

Opiniões

nosso papel nesse cenário de rápido

avanço tecnológico Os televisores demoraram 22 anos para atingir 50 milhões de usuários; os computadores levaram 14 anos para alcançar esse público; a internet precisou de 7 anos para angariar esse mesmo número de usuários; a rede social virtual Facebook levou 3 anos para chegar a esse patamar; e o jogo Pokémon Go, por sua vez, não demandou mais do que 19 dias para conquistar a marca dos 50 milhões de usuários. Dados como esses deixam claro o quão veloz e efetivo tem sido o desenvolvimento e o alcance das novas tecnologias ao longo do tempo. Uma das explicações para tal fenômeno vem do fato de que o efeito de uma rede de conexões é proporcional ao quadrado do número de usuários conectados ao sistema (Lei de Metcalfe). Isso significa dizer que, daqui para frente, veremos um espaço de tempo cada vez menor entre ondas de inovação tecnológica, já que, a cada dia, mais e mais pessoas estão conectadas entre si de alguma forma e a conectividade é característica marcante de nossa atualidade. Ao refletirmos sobre esse rápido avanço do desenvolvimento tecnológico hoje observado, nos deparamos com duas questões fundamentais: Como podemos acompanhar tão rápido avanço, se contamos com um tempo cada vez mais escasso? Quais benefícios podemos auferir de tão acelerado progresso tecnológico?

Afinal de contas, colheremos lá na frente o que plantarmos hoje; nós que vivemos de florestas sabemos disso como ninguém. "

Benone Magalhães Braga

Assessor da Diretoria da Aperam BioEnergia

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Para respondermos à primeira pergunta, devemos aceitar o fato de que é impossível comprimirmos o elevado número de informações e dados gerados nos dias de hoje em nossa rotina, seja qual for a área de conhecimento levada em consideração. Para se ter uma ideia desse volume de informações, Eric Schmidt, ex-CEO da Google, menciona que, a cada dois dias, geramos uma quantidade de dados equivalente ao que criamos do início da civilização até o ano de 2003. Dentro desse contexto, a chave para não nos perdermos no meio desse efervescente progresso tecnológico, e extrair reais benefícios dele, é tomar as rédeas do processo de decisão e focar estrategicamente em linhas de aplicação tecnológica que, de fato, agreguem valor. A tecnologia nos possibilitou, hoje, estarmos conectados com várias pessoas, ideias e tudo o que está acontecendo; nós temos mais opções do que nunca antes tivemos, mas a responsabilidade de definir em que iremos focar e para que contribuir, com nossos esforços criativos, está em nossas mãos. Não podemos fazer tudo, mas temos várias oportunidades e temos que decidir qual caminho seguir.


Obviamente, o acerto na escolha desse caminho é o que garantirá o diferencial competitivo e, muitas das vezes, até a sobrevivência de uma iniciativa ou negócio a médio e longo prazo. Ainda que o processo de escolha e tomada de decisão seja suportado pelo uso de robustos e avançados sistemas de análises de dados, esses mesmos sempre serão encaminhados e concluídos por pessoas. Nessa óptica, fica evidente o importante papel que o líder e/ou profissional têm, atualmente, de estarem sintonizados com tecnologias e tendências, de forma a antecipá-las e aplicá-las sem nenhum tipo de abstração, mas sim conseguindo agregar real valor e diferencial competitivo ao negócio ou iniciativa em que estiver atuando. Retomando a segunda pergunta levantada anteriormente, discorrer em detalhes sobre todos os benefícios que podemos auferir de tão acelerado progresso tecnológico demandaria muito mais espaço do que esse relevante periódico dispõe. Poderíamos mencionar quão rápida evolução tem oferecido formas de comunicação e troca de informações, cada vez mais instantâneas, colaborando para uma intervenção quase em tempo real, em qualquer processo produtivo, para torná-lo mais eficiente. Poderíamos falar também sobre a forma com a qual os novos e constantes desenvolvimentos tecnológicos têm ajudado indústrias de todos os setores, para que possam fazer mais, utilizando cada vez menos recursos naturais, gerando, com isso, uma interação mais positiva com o meio ambiente. Poderíamos discorrer também sobre como esse avanço tecnológico vem demandando a especialização da mão de obra envolvida, tornando a excelência e o valor agregado dos postos de trabalho nas organizações uma realidade em constante crescimento. Alcançar esses e outros benefícios oferecidos pela aplicação de novas tecnologias, no entanto, demanda preparações e ajustes que, muitas das vezes, são ignorados pela maioria das pessoas. Dificilmente, uma empresa que não possua uma robusta infraestrutura de conectividade e internet irá capturar a totalidade dos ganhos proporcionados por tecnologias que dependam de uma infraestrutura como essa para funcionar adequadamente. Em contextos como o da pandemia do coronavírus, empresas que já possuíam há mais tempo bases totalmente digitalizadas (home office, e-commerce, videoconferências, etc.) para a condução de parte ou totalidade de suas atividades certamente estão passando por esse momento com menores impactos, quando comparadas a empresas que, até então, dependiam fundamentalmente de processos analógicos e presenciais para encaminhamento de suas rotinas e, agora, estão tendo de se reinventar num curtíssimo tempo. Ainda nessa linha de raciocínio, a própria construção de uma mentalidade aberta à

mudança e inovação, dentro de qualquer negócio, tem crucial importância na consolidação de um ambiente organizacional que, de fato, favoreça o sucesso e o enraizamento de novas soluções tecnológicas. Uma vez criadas e consolidadas as bases necessárias para essas iniciativas de inovação, temos a vantagem de, hoje, poder contar com os mais variados canais disponíveis, para exposição de problemáticas do dia a dia e coleta de tecnologias que venham endereçar soluções para essas situações. Canais esses que vão além das fronteiras da empresa e extrapolam iniciativas de desenvolvimento tecnológico, que normalmente são feitas pelas organizações dentro de seus centros de pesquisa. Cabe aqui citar fontes tradicionais e consolidadas para esse tipo de consulta, como academia, associações, feiras e eventos, que, ano após ano, se apresentam como um ótimo ponto de convergência das principais novidades e inovações referentes a um determinado setor. Mas não há como ficar sem mencionar também interessantes movimentos observados atualmente, como hubs e labs de inovação aberta, aceleradoras de start-ups e afins, que, de maneira muito ágil, têm conseguido entregar soluções customizadas a demandas organizacionais, o que torna seu desenvolvimento sobremaneira complexo, mas não impede a sua aplicação direta, com relevante impacto no resultado final dos processos e negócios envolvidos. Concluindo, ao analisar o histórico de importantes marcos tecnológicos observados nos últimos anos, podemos afirmar que esses ciclos de inovação e mudança ocorrerão em um espaço de tempo cada vez mais curto. O que não muda, nesse cenário, é o poder de decidir qual caminho devemos seguir. Dessa forma, somos convocados a ter foco e assertividade em nossas escolhas estratégicas voltadas para tecnologia, visto seu importante papel na competitividade de qualquer negócio. A boa notícia é que diversas são as oportunidades a serem capturadas por meio desses novos avanços tecnológicos e que canais para encontrar essas iniciativas de inovação são os mais diversos possíveis e em franca expansão. Por último, gostaria de convocar você, caro leitor, à ação, refletindo sobre como a pauta "tecnologia" está inserida em sua rotina de planejamento estratégico, se o mapeamento das oportunidades e tendências tecnológicas do setor em que atua está sendo realizado e se tanto a escolha de uma determinada linha de trabalho como a construção das bases que irão suportá-las no futuro estão sendo devidamente desdobradas e implementadas. Afinal de contas, colheremos lá na frente o que plantarmos hoje; nós que vivemos de florestas sabemos disso como ninguém. n

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cientistas e especialistas

Opiniões

como o novo cenário de trabalho afeta

o avanço da tecnologia?

As restrições impostas pelo combate à Covid-19 evidentemente mudaram o ambiente de trabalho. Ainda que a pandemia seja o mais inusitado e global de todos, outros eventos igualmente disruptivos têm também mudado o ambiente de trabalho. A menor disponibilidade de mão de obra rural, a automação de processos dentro e fora da indústria, os novos processos de cultivo e de transformação industrial, tudo isso tem alterado o ambiente de trabalho.

A velocidade com que a tecnologia tem evoluído traz enormes desafios para a capacitação, para a formação de novos profissionais e para a educação. E, nesse processo, temos percebido um certo esforço da universidade em se reinventar. Mas, francamente, a sensação é de que não estamos sendo bem-sucedidos. Temos tentado, é verdade. Pelo menos na Esalq, onde trabalho, a tecnologia e a ciência têm sido parceiras no processo de oferecer certos conteúdos com alto nível de qualidade. Apesar da abrupta e recente suspensão das aulas, a Esalq foi exemplar dentro da USP nesta primeira metade de 2020. Ao usarmos técnicas de EAD (ensino à distância), conseguimos manter ininterruptas as atividades de todas as disciplinas lecionadas no primeiro semestres. E isso só foi possível graças à internet, aos sistemas de comunicação remota para grandes grupos e aos smartphones.

Tudo isso é desconcertante, preocupa muito e dificulta entender como será o 'novo normal'. Mas podemos tentar! "

Luiz Carlos Estraviz Rodriguez Professor de Economia e Planejamento Florestal da Esalq-USP

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Mas acho que a universidade ainda não encontrou um modelo ideal de ensino, capaz de acompanhar a evolução tecnológica e de preparar com perfeição o aluno para o dinâmico e moderno ambiente de trabalho. Acho também que essa tarefa será muito difícil. Me proponho, então, a refletir sobre como o “novo normal” pós-pandemia afetará o uso de novas tecnologias e, assim, eventualmente, me preparar melhor como gestor e educador. Mas por onde começar? Buscar referências no passado é inútil, pois o que vemos, hoje, acontece num momento em que o clima está diferente, e os processos produtivos superam a capacidade de resiliência do nosso planeta. Soma-se a isso o fato de que nunca fomos tão pressionados a conciliar dois remédios tão contraditórios. O distanciamento social por um lado, para reduzir o avanço da pandemia, e, por outro lado, a forte demanda social por mais tolerância, para mitigar séculos de opressão homofóbica e racismo. Nesse sentido, proponho um intervalo para destacar o trabalho que algumas grandes empresas do setor florestal vêm fazendo, como o projeto "Plural diversidade e inclusão", da Suzano Papel e Celulose (https://www.suzano.com.br/a-suzano/gente-e-cultura), e peço licença para contar, no box da página seguinte, uma história pessoal. Bem, voltando à necessidade de conciliar, simultaneamente, distanciamento e tolerância sociais, nota-se como essa experiência é única na história. À singularidade da aplicação simultânea desses dois remédios soma-se a ruptura de rotinas, a falta de interação humana e a insuficiência de conhecimento para nos ajudar a conter a pandemia. Tudo isso é desconcertante, preocupa muito e dificulta entender como será o "novo normal". Mas podemos tentar! O isolamento social trouxe momentos de maior introspecção, de maior convívio, não só com a nossa família, mas também com pessoas de fora da nossa família. Pessoas das quais, percebemos agora, tanto dependemos para consertos, comida, cuidados, ir, vir e existir. Esse convívio se faz num círculo pequeno, no nosso entorno bem próximo. Temos nos voltado para o local, para a real importância do pequeno dentro do global. Acho que essa subliminar experiência é a base da grande mudança que veremos pela frente. Até agora, procurávamos “pensar global para agir local”. Entretanto, de repente, o global nos obriga a “pensar-e-agir” local. E isso pode ser, social, economica e tecnologicamente, bastante transformador. Até agora, o pensar global era algo distante e abstrato, uma entropia negativa, um esforço enorme de organização. A enorme dificuldade de, como indivíduos, perceber o global acelera a entropia, o desarranjo do todo, a separação do nosso coletivo em unidades menores, em núcleos locais. Não fosse a moderna tecnologia, isso seria ruim.

Mas as redes virtuais de comunicação, o processamento de dados em nuvens e as bandas, cada vez mais largas e velozes, nos tornaram irremediavelmente conectados. E, agora, somos capazes de nos voltarmos para o local, tanto no pensamento como na ação, mantendo a nossa pequena aldeia integrada às demais. No setor florestal, isso se materializaria num sem-fim de produtores geridos por processos inteligentes, artificiais e automáticos, interligados por eficientes meios de transporte de baixa emissão, que alimentam diversas unidades industriais e biorrefinarias bem articuladas e focadas nos seus processos, que buscam, no mercado, a matéria-prima produzida por uma massa de pequenos e médios produtores rurais locais e independentes. Sinto que começamos um novo movimento, uma transição da “aldeia global”, que massifica, homogeneíza, sintetiza e é menos humana, para um “global de aldeias”, que é pulverizado, diverso, complexo e mais humano. Acredito que as inovações que temos observado a um ritmo alucinante nos três principais eixos do desenvolvimento humano — comunicação, energia e transporte — viabilizarão o funcionamento de inúmeras e complexas estruturas pequenas de produção básica. O trabalho no campo será o de gerir pequenas e médias unidades produtivas, bastante robotizadas e informatizadas, em constante interação com provedores de serviços, que garantirão a estabilidade da produção, sem comprometer o meio ambiente e os recursos hídricos. Será mais fácil acomodar a natural entropia que nos torna núcleos únicos de diversidade, porque seguiremos conectados a uma sociedade global igualmente diversa, tolerante, mais rica culturalmente e mais criativa. Nesse sentido, seremos melhores indivíduos, orgulhosos das nossas diferenças, mais felizes e, ainda que voltados para o local, paradoxalmente, mais unidos. Enfim, acho que a tecnologia tem se apresentado como uma parceira que nos mantém socialmente unidos, que nos ajuda a agir local, sem nos distanciarmos do global, apesar da pandemia e de o mundo seguir frequentemente convulsionado por crises e rupturas. Tudo isso, é claro, tem uma boa dose de otimismo e esperança. Acredito que temos espaço para otimismo e esperança, pois a atual crise tem permitido que pessoas e empresas se voltem para importantes valores humanos. Desde que continuem prevalecendo as virtudes da ciência e do espírito democrático, mesmo que nossas previsões às vezes não passem de uma opinião, o uso da tecnologia nos fará ter sempre um olhar positivo e otimista, não só para a melhoria do ambiente de trabalho, mas também para um desenvolvimento mais harmônico do ser humano no planeta Terra. n

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fornecedores do sistema florestal

Opiniões

não podemos alegar que

não sabíamos

Em 1989, o personagem Marty Mcfly explorava o hipotético ano de 2015 nas telas de cinema em “De Volta para o futuro 2”. Aparatos tecnológicos, e o próprio ano de 2015, pareciam coisas muito distantes. Anos antes, em 1987, W. Bennis e B. Nanus apresentavam o conceito de mundo VUCA. Um acrônimo em inglês que significa Volatilidade, Incerteza, Complexidade e Ambiguidade. A sigla foi usada nas discussões de liderança sobre o cenário pós-colapso da antiga URSS. Voltamos ainda mais, meados de 450 a.C, o filósofo Heráclito de Éfeso já disse: “A única constância é a mudança”. Pois bem, não podemos alegar que não sabíamos que tudo continuaria mudando.

A pandemia da Covid-19 nos mostrou quão globalizados e interconectados somos. As relações políticas, de comércio, de negócios e até mesmo interpessoais foram e continuam sendo desafiadas. Não seria diferente no cenário de trabalho. O setor florestal tem se adaptado a esses novos tempos. Olhamos o mapa do Brasil e logo nos deparamos com as distâncias e os desafios que um país continental nos impõe. Nosso setor está do Oiapoque ao Chuí. Na linha de frente de cada área plantada ou de cada indústria, estão pessoas ligadas ao campo e a um lugar. Na cadeia de fornecedores de máquinas, implementos e insumos, de suas matrizes, empresas dividem as áreas de atuação de suas equipes.

Entregas técnicas e treinamento de operadores de veículos pesados já são feitos, com o auxílio de óculos de realidade virtual e um smartphone. Tudo isso a custos inferiores a US$ 10 por óculos. "

Felipe Vieira

Gerente de Vendas e Marketing da Komatsu Forest

Logo aí, nos deparamos com os primeiros desafios de mudança. A pandemia desafia os líderes e os gestores das empresas a buscarem uma nova forma de se relacionar. O presencial, em alguns casos, precisa ser revisto. Falar de home office, lives e reuniões on-line parece “chover no molhado”. Mas não é! De um jeito quase forçado, profissionais da área florestal também tiveram que se enquadrar. As reuniões e viagens entre sites, visitas a clientes e fornecedores passaram a ser virtual. As ferramentas que nos conectam uns com os outros já mudaram o nosso jeito de nos relacionar. Se o desktop já tomava cara de antiquado, agora os arquivos importantes estão em nuvens, e trabalhamos a partir de aplicativos de smartphones ou tablets.

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O desafio, hoje, é estar presente, com seus produtos e soluções, de uma maneira remota. Mas, se a atividade florestal se materializa no campo, como fica este tema de “presença on-line”? Aí mora o desafio. No caso da colheita florestal, por exemplo, as máquinas ainda não operam e nem se mantêm sozinhas. Precisamos do operador, do mecânico e dos profissionais de colheita e manutenção; assim como das próprias máquinas e peças. Talvez Marty Mcfly pudesse nos contar como será lá na frente; por ora, temos visto tecnologias que já começam a se mostrar promissoras para esses novos desafios. O livro Organizações Exponenciais nos conta que, seguindo um caminho de seis etapas, tecnologias se tornaram exponencialmente disruptivas e, cada vez mais, acessíveis em termos de custo, impactando e criando ondas de inovação. Os passos foram: se tornar digitalizado, deceptivo (tecnologia avançando, mas ainda não amplamente utilizada), disruptivo, desmaterializado e desmonetizado. Querem uma reflexão? Atualmente, nossos smartphones têm mais capacidade computacional do que a NASA tinha quando mandou o homem à Lua, e de uma forma financeiramente acessível. Para essas tecnologias chegarem ao campo, é apenas questão de tempo. Mas de quais tecnologias, na prática, estamos falando? Iniciamos pela área de manutenção de máquinas e de treinamentos. O acesso à internet em regiões remotas nos permitirá colocar em prática uma ferramenta já existente, mas com pouco histórico de aplicação no campo florestal do Brasil. Óculos de realidade aumentada equiparão a caixa de ferramentas de técnicos das empresas florestais. Ao invés de solicitar por um serviço, aguardar a disponibilidade e o deslocamento do mecânico até o local, os mecânicos equipados com esses óculos entrarão em contato direto com o fabricante. O fabricante, por sua vez, estará em sua base, com todos os recursos necessários para guiar o mecânico a realizar o reparo. Com o auxílio dos óculos de realidade aumentada, o engenheiro ou o técnico de serviço do fabricante de equipamentos poderá visualizar, em tempo real, o que o mecânico do cliente está visualizando. Através de recursos audiovisuais, o engenheiro de serviços conseguirá projetar, na tela dos óculos, instruções do que necessita ser feito, poderá mostrar fotos, imagens, catálogos e demais informações relevantes para que o trabalho seja feito. Com novas possibilidades de transmissão de dados, a gestão em tempo real da performance de cada máquina e de cada operador se torna acessível. A aplicação dessa tecnologia trará resultado na redução do custo operacional e na produtividade dos equipamentos.

Em um futuro não muito distante, a inteligência artificial será capaz de unir todas essas pontas e poder fazer reparos automáticos com os aprendizados de reparos ou ajustes passados. Se você, leitor, está pensando que tudo isso é coisa de ficção científica, é bom repensar. Todas essas tecnologias já estão em ampla aplicação em outros segmentos. É questão de tempo, custo e quebra de paradigmas para chegarem às florestas. Os treinamentos de operadores e de mecânicos também mudarão. Desta vez, são os óculos de realidade virtual, somados a softwares que simulam o ambiente de trabalho, que serão os grandes disruptores. Grandes empresas já utilizam óculos de realidade virtual para ensinar e treinar procedimentos específicos para seus funcionários. Aí se ganha escalabilidade. Entregas técnicas e treinamento de operadores de veículos pesados já são feitos, com o auxílio de óculos de realidade virtual e um smartphone. Tudo isso a custos inferiores a US$ 10 por óculos. Imaginem as possibilidades! De imediato, ganhamos repetibilidade do processo de treinamento, reduzimos tempo de espera e recursos físicos e humanos para realizar a tarefa. A gestão interna da empresa também mudará. Empresas como Google e Siemens anunciaram adesão prolongada ou permanente ao home office. Isso mudará a forma de gerir e engajar equipes, agora a distância. Na área comercial, novas ferramentas já estão sendo aplicadas para o planejamento da rota de visitas, gestão de dados do cadastro, configuração de equipamentos e propostas comerciais, e assinatura dos pedidos. As informações são analisadas pelo departamento de inteligência e pela gerência comercial, em tempo real. Mas, nesse cenário empolgante, nem tudo são flores. Ainda há caminhos a serem percorridos quanto à criação e validação de tecnologias. Porém a adoção dessas tecnologias e a sua incorporação dentro dos nossos hábitos de trabalho são um ponto crítico. Da mesma maneira que as mudanças são inevitáveis, é inevitável a resistência humana a elas. Concluímos que a pandemia da Covid-19 foi um grande catalisador das mudanças. Processos que, antes, eram vistos como importantes para o futuro, hoje se tornaram necessários. Quando somamos os best sellers Rework com o Organizações Exponenciais, concluímos que planejar olhando no retrovisor é, no mínimo, arriscado. A maioria dos executivos não previu algo tão impactante como o que estamos passando (se é que o fato em si é previsível), portanto olhar para o futuro, entender os impactos das novas tecnologias e abraçar a mudança será cada vez mais importante. n

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fornecedores do sistema florestal

Opiniões

a transformação inevitável da rotina das A pandemia do novo coronavírus criou um cenário de novos desafios em todas as áreas, em todo o mundo, e não é diferente para o Brasil. A realidade está mostrando que, apesar de não serem novidades em muitas companhias, os usos de tecnologias, particularmente de ferramentas tecnológicas de comunicação remota, no atual cenário de trabalho, são fundamentais. O uso dessas tecnologias que permitem reuniões, compartilhamentos de apresentações e de arquivos sem contato físico já é realidade, porém as empresas ainda estavam presas a uma dinâmica de trabalho mais convencional, na qual muitas tarefas, processos e reuniões se davam pela presença e/ou contato físico, dentro de um ambiente de trabalho compartilhado por seus colaboradores, tratando essa dinâmica de tarefas presenciais como indispensáveis. Com os adventos e avanços das tecnologias dos programas de comunicação via internet, algumas empresas já estavam a adotar o home office ou a flexibilização do horário de trabalho,

corporações

sob o argumento de que essas medidas aumentaram a produtividade e a qualidade de vida de seus colaboradores. Atualmente, a necessidade obrigatória do distanciamento social, imposto como medida de prevenção para conter a dispersão do vírus, fez colocar em questão se realmente é preciso as empresas terem, para todas as tarefas, ambientes físicos compartilhados de trabalho para desenvolver suas atividades, podendo, assim, eliminar burocratizações e economizar em processos que sejam onerosos. Portanto as empresas precisam se adaptar a essa nova realidade, não somente com seus colaboradores, mas também com seus clientes, parceiros e fornecedores. Vale ressaltar que a pandemia fez antecipar a reflexão sobre as atividades e profissões que, num futuro próximo, correm risco de desaparecer, principalmente as que não forem vinculadas a comunicação, criatividade e inovação. Paralelamente, setores e atividades com processos operacionais, há algum tempo, já vinham substituindo pessoas por máquinas e automatizando ou mecanizando ao máximo os seus processos, visando reduzir custos e atender às necessidades, cada vez mais exigentes, do mercado.

Contudo não há uma compreensão total de como o trabalho remoto realizado fora de uma estrutura organizacional afetará a criatividade das pessoas "

Mario Carlos Wanzuita

Diretor de Projetos da Holtz Engenharia em Negócios

No setor florestal não é diferente, pois o setor vem evoluindo e adaptando seus participantes às novas tecnologias apresentadas em toda a cadeia produtiva, novas tecnologias essas que já reduzem ou eliminam a necessidade de mão de obra direta, intensiva e presencial em alguns processos produtivos, ou eliminando a necessidade de trabalho de campo, reduzindo os deslocamentos e os contatos

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com outras pessoas. Alguns exemplos estão nas áreas de colheita florestal, do controle da qualidade na silvicultura, no monitoramento do transporte por telemetria, na mensuração florestal, na captura remota de dados para a avaliação de terras e florestas, em tecnologias preditivas para análise de investimentos, planejamento da produção e da antecipação de cenários. Esses são exemplos onde os avanços estão ocorrendo, em atividades que já eram desenvolvidas com técnicas conhecidas, mas a velocidade dessas práticas é que está mais acelerada em meio aos avanços tecnológicos, imprimindo poder de decisão com maior prontidão e precisão. A avanço tecnológico está impactando, reservadas as proporções, os trabalhos em todos os níveis, seja em uma grande ou em uma microempresa, que já usam ferramentas tecnológicas para organizar, administrar e realizar seus processos operacionais, administrativos ou financeiros, sendo que o conceito de lean office, ou escritório enxuto, está sendo cada vez mais adotado. Para as empresas, o uso de tecnologias não é mais um diferencial, mas uma condição obrigatória para a manutenção da competitividade em qualquer segmento. Nesse novo cenário de trabalho, é importante tanto as empresas como os profissionais estarem atualizados no seu segmento de mercado, frente à influência da tecnologia.

Diante de tudo isso, um dos desafios, a partir de agora, é garantir o contínuo avanço da tecnologia no cenário atual de trabalho, e, para isso, será necessário entender que é preciso inovar. A inovação passa pela criação de melhores soluções para determinados problemas, e, nesse contexto, as soluções criativas nem sempre necessitam de alta tecnologia, sendo o mais fundamental a capacidade de compreensão dos problemas e das necessidades específicas. As soluções tecnológicas começam a aparecer pelo uso da criatividade a partir de um novo olhar para um problema antigo, sendo esta, por sua vez, favorecida pela troca de informações e pela interação próxima entre pessoas reunidas em um mesmo espaço, as quais, com a troca de ideias, abrem a possibilidade de criar. Contudo não há uma compreensão total de como o trabalho remoto realizado fora de uma estrutura organizacional afetará a criatividade das pessoas; o certo é que a transformação é inevitável, e o avanço da tecnologia que hoje nos permite realizar tarefas e solucionar problemas de forma remota deverá ser o mesmo que indicará o caminho para garantir o crescimento econômico e uma recuperação com garantia de sustentabilidade. n

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Opiniões

o avanço da tecnologia

no novo cenário de trabalho

O título é provocativo e nos faz refletir. Avançamos ou simplesmente aceleramos as tecnologias que já estavam sendo desenvolvidas? É fato que o cenário de trabalho mudou e nunca mais será o mesmo. Empresas que tinham dúvidas se o trabalho home office era ou não eficiente já possuem a resposta. Tenho conversado ultimamente com muitos executivos florestais, e a opinião da maioria é a mesma, estamos mais disciplinados, mais eficientes, com menores custos e próximos dos que amamos. Reunir-se de forma virtual já não é tão ruim! O ditado do “novo normal” não é mais novo, já é velho. A velocidade das informações está absurdamente rápida, até o novo aparentemente torna-se obsoleto em um piscar de olhos.

O novo assustou, tirou todos da zona de conforto. A nossa sorte é que o ser humano tem uma capacidade única e incrível de adaptar-se a qualquer realidade. E, agora, não foi diferente. Com relação à tecnologia, dentro do seu conceito mais básico de ser um produto da ciência e/ou da engenharia, ancorado no conjunto de instrumentos, métodos e técnicas focadas em resolver problemas, podemos afirmar certamente que, se não fosse a tecnologia disponibilizada, certamente o nosso cenário de trabalho seria altamente afetado. Imaginem se esse cenário pandêmico ocorresse 20 anos atrás. Como seria? Em nosso mundo atual, para a maioria dos gestores, basta um computador, um celular e acesso à internet.

Ricardo Anselmo Malinovski CEO da Malinovski Florestal

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Imaginem se esse cenário pandêmico ocorresse 20 anos atrás. Como seria? Em nosso mundo atual, para a maioria dos gestores, basta um computador, um celular e acesso à internet. Esse ambiente virtual fez com que todos ficassem mais acessíveis. Nunca o conhecimento ficou tão democrático, não existem mais barreiras físicas. Até as formalidades diminuíram. Obviamente, o contato virtual é frio. Não é possível perceber se a pessoa está ou não engajada no foco da conversa. O comportamento do SER virtual, de estar realmente presente e focado, precisa ser lapidado.


Como agora, de uma hora para outra, todos nos tornamos prodígios virtuais. Fazemos parte de várias comunidades e redes sociais e fazemos várias coisas ao mesmo tempo. Precisamos fortalecer a disciplina e o foco para potencializar as diversas reuniões de trabalho. Na linha da tecnologia para soluções mais operacionais florestais, percebe-se também que as inovações para o monitoramento e o controle florestal tiveram um salto de importância nas empresas. Quem diria que seria possível fazer um inventário florestal utilizando sensoriamento remoto. Lógico, tudo precisa ser calibrado com trabalhos de campo, mas, numa proporção reduzida, com custos menores. Nessa linha, hoje, é possível ter um prognóstico futuro de crescimento mais apurado, com informações refinadas de imagens de satélite cruzadas com tipo de solo, precipitação, material genético, etc., tudo na mesma plataforma, com modelos calibrados, fazendo o sonho de qualquer silvicultor tornar-se realidade: prever com certa acurácia o alvo de produtividade de uma determinada floresta. As tecnologias atuais também permitem utilizar imagens captadas por drone para mensurar a sobrevivência no campo com 15 dias, a tempo de se fazer um replantio. Também é possível, com essas imagens, verificar os índices dos níveis de matocompetição, mensurar a quantidade de resíduos deixados pela colheita e até calcular o volume das pilhas de madeira no campo. A conectividade no campo também vem se tornando uma tendência, o controle de todas as máquinas em tempo real, a possibilidade de integração entre operações e a visualização em dashboards de diversos indicadores para melhor gestão da atividade. Todas essas informações chegam, hoje, para o gestor, sem ele sair do home office. A velocidade de desenvolvimento de softwares, com plataformas integrativas, está muito rápida também.

A onda crescente de aceleração de startups movimenta o mercado e coloca sob questionamento a forma de trabalho atual. O planejamento, o monitoramento e as análises ficaram muito mais ágeis, tornando a área operacional mais eficiente. Esse tempo ganho permite que o gestor consiga olhar para outros fatores que, antes, ficavam engavetados e, com isso, proporcionar a melhoria contínua dos processos tão desejada. Por outro lado, percebe-se que esse mundo virtual afastou ainda mais os gestores da vivência do campo, de estar supervisionando mais de perto as operações, o que é essencial para encontrar gargalos, fazer ajustes com a equipe e corrigir desvios. O perfil, que já era mais analítico, focado no resultado matemático, ficou ainda mais proeminente. Outra dificuldade a que estamos nos adaptando é como liderar nessa nova forma de trabalho. A tecnologia não ensina gestão de pessoas. O mercado está aberto para novos líderes se destoarem da manada. Recentemente, entrevistei um dos principais diretores florestais do País. O foco da conversa era a qualidade de floresta de eucalipto. Ficou evidente, na conversa, que, para se ter qualidade, na visão dele, que possui mais de 40 anos de experiência no assunto, o foco é ter uma equipe bem treinada e engajada com o propósito da empresa. Por esse lado, e eu concordo com ele, a tecnologia, seja ela qual for, é somente parte do processo. Diante dessas breves considerações, ainda temos muitas incertezas de futuro. Mas vejo que as tecnologias realmente aceleraram muito os processos e que teremos uma forma híbrida de se trabalhar daqui para frente. Cada empresa terá que nortear qual será a dose ideal do trabalho de escritório e home office e como potencializar o uso das diversas tecnologias que estão surgindo a cada dia. n

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Opiniões

a constante transformação Estamos em acelerada transformação. Essa frase poderia ser dita em qualquer momento dos últimos 30 anos, desde que a internet se popularizou, permitindo rápidas transformações na forma como consumimos, nos relacionamos, trabalhamos ou nos divertimos. É até difícil se lembrar da vida sem o Waze, o Facebook ou os bancos digitais, por exemplo. Mas esses são todos exemplos de inovações que surgiram (ou se popularizaram) há não mais que 10 ou 12 anos. Desde o início de 2020, porém, um fato somente comparável a crises como as causadas por grandes guerras acomete o planeta. Nem mesmo as maiores crises econômicas ou os maiores desastres naturais de nossa história recente tiveram o poder de catalisar a transformação da humanidade como a Covid-19 vem apresentando.

Enquanto temos enfrentado o isolamento social, o uso de ferramentas que nos permitem acesso a sistemas de forma remota e a participação em reuniões de dentro de sua própria casa passaram a ser rotina de muitos profissionais. Com esse uso em massa, a capacidade de acesso a redes necessitou ser ampliada, garantindo qualidade na comunicação; muitas plataformas virtuais que eram pouco ou nem conhecidas ganharam notoriedade, e, assim, passamos a ter diariamente lives recreativas e também as técnicas. Nada substitui a emoção de estar ao vivo em um show próximo ao seu ídolo ou o networking durante o intervalo de um congresso técnico. Mas, mesmo no “novo normal” (e isso já está acontecendo em países que relaxaram as medidas de isolamento), as formas remotas de interagir continuaram e assim seguirão, de forma intensa e frequente. O tal home office, que já era praticado por algumas empresas, de forma bastante tímida, passou a ser regra e não mais exceção. Esse fenômeno criou, inclusive, a percepção duvidosa da real necessidade de escritórios que comportem todos os colaboradores efetivos em todos os dias úteis. Da mesma forma, nós provamos o quão produtivos podemos ser trabalhando mesmo de casa. O mesmo raciocínio se aplica às viagens de trabalho.

O home office é um bom legado da Covid-19 para milhares de funcionários e executivos de grandes corporações, que terão mais qualidade de vida e poderão passar mais tempo com suas famílias. " Fabricio Gomes de Oliveira Sebok e Vinicius de Moura Santos Coordenador de Desenvolvimento de Produtos Florestais e Coordenador de Marketing em Florestas da Bayer América Latina, respectivamente

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Indubitavelmente, algumas interações entre fornecedores e clientes continuarão necessariamente a ser presenciais. Visitas a campo para visualização de resultados de experimentos, testes de novos equipamentos ou tecnologias e alguns tipos de treinamentos dificilmente terão a mesma eficiência e resultados satisfatórios se feitos remotamente. No entanto, viagens (às vezes de ida e volta no mesmo dia, cruzando o País) apenas para fazer um acompanhamento de um projeto ou de uma negociação parecem perder sentido em um momento no qual conseguimos fazer quase tudo remotamente. E isso pode ser um “legado” benéfico da Covid-19 para milhares de funcionários e executivos de grandes corporações, que terão mais qualidade de vida e poderão passar mais tempo com suas famílias. E até mesmo para o meio ambiente, com a redução do uso de combustíveis, por exemplo. Mesmo para atividades nas quais a presença física é mandatória, como trabalhos no campo, o avanço da tecnologia já reduziu drasticamente a quantidade necessária de profissionais. No controle de plantas daninhas em plantios florestas, o número de funcionários dedicados à capina manual foi reduzido a poucas máquinas roçadeiras ao longo das últimas décadas. Além disso, os herbicidas, cada vez mais eficientes, reduzem a necessidade presencial do homem no campo para o combate às plantas daninhas, principalmente com as tecnologias de controle na pré-emergência e de longo residual. Existem muitos outros exemplos de tecnologias que favoreceram e trouxeram eficiência para as operações silviculturais: automação de viveiros; máquinas conjugadas que realizam diversas operações ao mesmo tempo, no momento da subsolagem; plantadeiras mecanizadas; ferramentas de monitoramento via imagens de satélite ou de drone e, finalmente, na colheita e extração florestal, que quase extinguiu a motosserra nas grandes empresas florestais e passou a utilizar grandes máquinas, com conforto e automação na operação e coleta de informações, de forma instantânea. Então, o que teremos de novo? Quais serão as novas transformações? Difícil prever, porém muitas delas, que estavam apenas sendo desenvolvidas a passos contados e a longo prazo, serão, necessariamente, catalisadas. A busca incessante das empresas florestais por tecnologias que reduzam os trabalhos manuais e número de funcionários no campo ganha um novo apelo com a necessidade de atendimento de protocolos de distanciamento social.

A estrutura necessária para transporte, alimentação e descanso dos funcionários, em tempos de pandemia é, no mínimo, duas vezes maior. Isso, obviamente, reflete em aumento de custos por hectare plantado. E essa realidade, ao que tudo indica, permanecerá, mesmo parcialmente, após o período mais crítico da pandemia. Inovações que contribuam para que as empresas florestais atinjam os mesmos resultados em trabalhos de campo com menos funcionários ou que reduzam os custos com protocolos de saúde terão maiores chances de se consolidarem. No que tange, ainda, especificamente à pesquisa e ao desenvolvimento em silvicultura, o uso de ferramentas que permitam coleta de informações de forma remota, digitalização e inteligência artificial no uso de dados será cada vez mais comum. Essas inovações virão na forma de aplicativos, dispositivos, câmeras especiais que captam imagens em tempo real ou radares que, mesmo a partir do espaço, coletam informações abaixo das copas das árvores, incluindo aí o subsolo das florestas. Já são realidade no mundo florestal sensores que, instalados em árvores, medem o crescimento das plantas, tornando o inventário anual algo diário, mesmo sem ter que sair do escritório para essa coleta de dados. Todas essas tecnologias e ferramentas, utilizadas de forma individualizada ou combinadas, tendem a tornar mais eficiente o trabalho de pesquisadores em silvicultura. Pela enorme quantidade de informação gerada em curtíssimo intervalo de tempo, profissionais com conhecimento e habilidade em coleta e processamento de dados se tornam indispensáveis. Uma vez mais, fica claro que trabalhos que podem ser realizados remotamente tendem a ganhar importância e reduzir, sempre que possível, trabalhos manuais em campo. A evolução traz muitos desafios. A adaptação exige esforços e mudanças, muitas vezes estruturais, em nossas vidas. O mesmo raciocínio serve para os negócios, inovação e tecnologias. Nem tudo o que está sendo desenvolvido de maneira acelerada se consolidará no mercado, mas, certamente, as tendências criadas com o cenário da pandemia são permanentes. As tecnologias que se adequarem aos novos tempos, buscando resolver problemas reais da sociedade e dos negócios, sem negligenciar aspectos relacionados à sustentabilidade, podem se beneficiar do cenário atual. Ainda assim, essas tecnologias deverão continuamente se adaptar a esse mundo em constante transformação, às vezes acelerada por crises que, de tempos em tempos, teimam em aparecer. n

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fornecedores do sistema florestal

Opiniões

transformação digital

será o vetor de transição

Nas últimas décadas, o setor de Celulose & Papel, especialmente o de Celulose, experimentou globalmente uma guinada sem precedentes, com taxas sólidas de crescimento e uma estabilidade que levou confiança ao setor. Com mais de 7 milhões de hectares de árvores plantadas em terras nacionais, o Brasil assume um papel incontestável de protagonismo nesse cenário, fruto da posição que ocupa de local com o menor custo de produção por tonelada de celulose de eucalipto do mundo, passando a ser um lugar atrativo para grandes investimentos em novas fábricas. Em um contexto tão positivo, a digitalização, antes vista como desafio, transformou-se em oportunidade para diversos players dessa indústria. Muitas empresas, inclusive, já estão trazendo para o Brasil iniciativas testadas e implantadas com sucesso em mercados como o asiático e o europeu, com foco na chamada

Indústria 4.0, que tem como base a transformação digital e apresenta-se como a principal resposta para assegurar altos ganhos de produtividade e um ciclo de melhorias em processos industriais. Nesse cenário, o impacto mundial da crise do coronavírus, no qual ações de reparação e monitoramento de ativos feitas remotamente ganharam enorme importância, veio para corroborar a importância de uma transformação digital planejada, o que se traduziu em flexibilidade, monitoramento e controle, ativos fundamentais para tempos tão incertos. Paradoxalmente, o Brasil, apesar de ser referência para o setor de papel e celulose, por muito tempo, manteve-se tímido na adoção dessas ferramentas, posicionando-se distante do patamar de transformação digital que já é realidade em muito países. Contudo se, antes, ainda estávamos em um processo de assimilar a importância da digitalização para o processo produtivo, o cenário atual comprovou sua necessidade para aumentar a competitividade em escala global. o aumento da eficiência nos sistemas de geração, com caldeiras de mais alta pressão, temperatura e turbogeradores maiores e mais eficientes, permitiu que as modernas fábricas exportassem grandes quantidades de energia " Marcio Luiz Campos

Diretor de Vendas para AL da Siemens Energy

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Adicionalmente, a cadeia produtiva do setor tem se tornado cada vez mais complexa, incluindo a diversificação em novos produtos, como é o caso da celulose dissolvida. Em função dessa flexibilidade das fábricas para atender a diferentes demandas, conforme a sazonalidade da atratividade de preços de mercado, a quantidade de dados e informações presentes, principalmente na área industrial, tem crescido significativamente. Da mesma forma que isso aumenta a complexidade na gestão operacional das fábricas, passa a ser também uma grande oportunidade para aplicação de ferramentas de digitalização, sendo a transparência de dados o principal fator desses desafios. Nesse contexto, o ganho de produtividade torna-se indispensável não apenas na implementação de um grande projeto, mas também na prevenção de possíveis falhas dentro do ambiente industrial. Esta já é uma realidade do setor, e empresas de tecnologia trabalham para fornecer soluções de softwares de simulação que permitem a verificação e testes, de forma abrangente na automação dos projetos. Inclusive, alguns players realizam serviços de comissionamento de sistemas, máquinas e processos muito antes de sua implantação definitiva, em um ambiente de projeto digital, compartilhado. Plataformas de simulação são capazes de realizar treinamentos com operadores antes do início de operação dos sistemas, garantindo, dessa forma, eficiência e segurança. Com o avanço da implementação de soluções digitais, teremos, ainda, um sistema interconectado com oportunidades de crescimento na área de geração e consumo de energia, onde o binômio menor consumo de vapor no processo (fruto da eficiência aplicada neles) e o aumento da eficiência nos sistemas de geração, com caldeiras de mais alta pressão, temperatura e turbogeradores maiores e mais eficientes, permitiu que as modernas fábricas exportassem grandes quantidades de energia, passando a contribuir, significativamente, na receita operacional. Dessa forma, a digitalização permite ter soluções inovadoras, não apenas um monitoramento remoto da operação, mas também trazer tecnologias já implementadas no setor energético, como uma completa operação remota e até uma operação completamente autônoma. Já disponíveis no mercado, softwares específicos de gerenciamento de frota contribuem para aumentar significativamente os ganhos na produção.

Não podemos nos esquecer de um ponto extremamente importante, que chega junto com a digitalização: a segurança cibernética. Atualmente, temos empresas capacitadas para fornecer ferramentas de proteção nesse ambiente digital, minimizando exposição a ameaças. Considerações com relação à segurança são essenciais e precisam ser incluídas durante o desenvolvimento do projeto, bem como nas fases de engenharia e operacional da planta. Apesar de ter mostrado a diferença abismal entre um processo planejado de transformação digital e o que é feito de forma quase compulsória, a crise gerada pela Covid-19 também é responsável por deixar diversos players ainda reticentes a novos investimentos. Como os investimentos de adequação das fábricas ou de implantação de novos projetos digitais têm custos quase marginais, se comparados com os enormes investimentos em ativos dessa indústria, fica claro que o momento pós-coronavírus potencializa ainda mais as oportunidades de uso das ferramentas de digitalização disponíveis. Mesmo com a leve alta na produção industrial registrada em maio, ante abril, muitos segmentos estão sentindo os efeitos severos provocados pela paralisação de suas atividades. Entretanto o setor de papel e celulose, apesar de ter sido afetado, tem apresentado resultados interessantes, no mesmo período, quando comparado com outros. Portanto, mesmo com a insegurança provocada pela pandemia, é seguro afirmar que o investimento em digitalização não só é estratégico para o setor, como também é um fator que se mostra cada vez mais essencial. A integração de soluções digitais e ferramentas que utilizam de inteligência artificial será um facilitador que permitirá eficiência operacional e otimização de processos, por meio de aplicações que integram manutenção preditiva, métricas de desempenho, programação de maquinários e capacitação de mão de obra. É um consenso que, dentre tantas outras mudanças, a pandemia também expôs as consequências que empresas de diferentes segmentos podem enfrentar caso não se mobilizem rumo à transformação digital, ficando alguns passos para trás em suas trajetórias rumo a maior produtividade e controle. Cabe aos tomadores de decisão, também desse setor, converter o aspecto da crise em oportunidade, a fim de acelerar a digitalização e fazer parte da mudança que já está ocorrendo no mercado global. n

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O avanรงo da tecnologia no novo cenรกrio de trabalho


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