A gestão do negócio florestal - OpCP52

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Opiniões www.RevistaOpinioes.com.br ISSN: 2177-6504

FLORESTAL: celulose, papel, carvão, siderurgia, painéis e madeira ano 15 • número 52 • Divisão F • jun-ago 2018

a gestão do negócio florestal




índice

a gestão do negócio florestal

Editorial de abertura:

6

Marcelo Santos Ambrogi

Diretor Executivo da IMA Gestão e Análise Florestal

Bloco especial:

39

Expoforest 2018

A gestão do negócio florestal:

8 10 13 15 18 20 22

José Inácio Rondina

Diretor Administrativo-Financeiro da Valor Florestal

Julio Eduardo Arce

Professor de Otimização Florestal na UF-PR

Marco Tuoto

Diretor da Tree Wood Products

Thais Cunha Ferreira

Gerente de Planejamento Florestal da BSC/Copener

Joésio Deoclécio Pierin Siqueira

Vice-Presidente da STCP - Engenharia de Projetos

Philipe Ricardo Casemiro Soares

Professor de Economia e Gestão Florestal da UDESC

Naohiro Doi

Diretor-Presidente da Cenibra

25 26 29 32 34 37 40

José Mario de Aguiar Ferreira Gerente Florestal da RMS do Brasil

Manoel de Freitas

Consultor da Manoel de Freitas Consultoria

Fernando Cagnoni Gomes da Silva

Gerente de Custos e Ctrl Operações da Duratex

Roosevelt de Paula Almado

Gerente de MA da ArcelorMittal Biofloresta

José Damião Hess

Consultor da JH Consultoria Rural e Ambiental

João Carlos Garzel da Silva

Professor de Gestão Empresarial da UF-PR

Ricardo Anselmo Malinovski Diretor da Expoforest

Editora WDS Ltda e Editora VRDS Brasil Ltda: Rua Jerônimo Panazollo, 350 - 14096-430, Ribeirão Preto, SP, Brasil - Pabx: +55 16 3965-4600 - e-Mail Geral: Opinioes@RevistaOpinioes.com.br n Diretor Geral de Operações e Editor Chefe: William Domingues de Souza - 16 3965-4660 - WDS@RevistaOpinioes.com.br nCoordenadora Nacional de Marketing: Valdirene Ribeiro Souza - Fone: 16 3965-4606 - VRDS@RevistaOpinioes.com.br nVendas: Lilian Restino - 16 3965-4696 - LR@RevistaOpinioes.com.br • Priscila Boniceli de Souza Rolo - Fone: 16 99132-9231 - boniceli@globo.com nJornalista Responsável: William Domingues de Souza - MTb35088 - jornalismo@RevistaOpinioes.com.br nProjetos Futuros: Julia Boniceli Rolo - 2604-2006 - JuliaBR@RevistaOpinioes.com.br nProjetos Avançados: Luisa Boniceli Rolo - 2304-2012 - LuisaBR@RevistaOpinioes.com.br nConsultoria Juridica: Priscilla Araujo Rocha nCorrespondente na Europa (Augsburg Alemanha): Sonia Liepold-Mai Fone: +49 821 48-7507 - sl-mai@T-online.de nExpedição: Donizete Souza Mendonça - DSM@RevistaOpinioes.com.br nCopydesk: Roseli Aparecida de Sousa - RAS@RevistaOpinioes.com.br n Edição Fotográfica: Priscila Boniceli de Souza Rolo - Fone: 16 99132-9231 - boniceli@globo.com nTratamento das Imagens: Luis Carlos Rodrigues, Careca - LuisCar.rodrigues@gmail.com - 16 98821-3220 nFinalização: Douglas José de Almeira nArtigos: Os artigos refletem individualmente as opiniões pessoais sob a responsabilidade de seus próprios autores nFoto da Capa: Roosevelt de Paula Almado - 31 98713-4951 - roosevelt.almado@arcelormittal.com nFoto do Índice: Roosevelt de Paula Almado - 31 98713-4951 - roosevelt.almado@arcelormittal.com nFotos das Ilustrações: Paulo Alfafin Fotografia - 19 3422-2502 - 19 98111-8887- paulo@pauloaltafin.com.br • Ary Diesendruck Photografer - 11 3814-4644 - 11 99604-5244 - ad@arydiesendruck.com.br • Tadeu Fessel Fotografias - 11 3262-2360 - 11 95606-9777 - tadeu.fessel@gmail.com • Acervo Revista Opiniões e dos específicos articulistas nFotos dos Articulistas: Acervo Pessoal dos Articulistas e de seus fotógrafos pessoais ou corporativos nVeiculação Comprovada: Através da apresentação dos documentos fiscais e comprovantes de pagamento dos serviços de Gráfica e de Postagem dos Correios nTiragem Revista Impressa: 4.000 exemplares nExpedição Revista eletrônica: 16.000 e-mails cadastrados - Cadastre-se no Site da Revista Opiniões e receba diretamente em seu computador a edição eletrônica, imagemn fiel da revista impressa nPortal: Estão disponíveis em nosso Site todos os artigos, de todos os articulistas, de todas as edições, de todas as divisões das publicações da Editora WDS, desde os seus respectivos lançamentos nAuditoria de Veiculação e de Sistemas de controle: Liberada aos anunciantes a qualquer hora e dia, sem prévio aviso. n Home-Page: www.RevistaOpinioes.com.br South Asia Operation: Opinions Magazine-India: Specific publication on agricultural, industrial and strategic issues of Indian regional market nEditorial language: English nAdvertising language: English and Hindi n Business Researcher: Marcelo Gonçalez - +919 55 9 00-1 773 - MG@RevistaOpinioes.com.br nMarketing Researcher: Eliete Aparecida Alves Goncalez - +91 9 580 82-4 411 - EG@RevistaOpinioes.com.br n Chief Editor Assistant: Gabrielle Gonçalez - +91 9580 824 411 - GG@RevistaOpinioes.com.br n

Conselho Editorial da Revista Opiniões: ISSN - International Standard Serial Number: 2177-6504 Divisão Florestal: • Amantino Ramos de Freitas • Antonio Paulo Mendes Galvão • Celso Edmundo Bochetti Foelkel • Edimar de Melo Cardoso • João Fernando Borges • Joésio Deoclécio Pierin Siqueira • Jorge Roberto Malinovski • Luiz Ernesto George Barrichelo • Maria José Brito Zakia • Mario Sant'Anna Junior • Mauro Valdir Schumacher • Moacir José Sales Medrado • Nairam Félix de Barros • Nelson Barboza Leite • Roosevelt de Paula Almado • Rubens Cristiano Damas Garlipp • Sebastião Renato Valverde • Walter de Paula Lima Divisão Sucroenergética: • Carlos Eduardo Cavalcanti • Eduardo Pereira de Carvalho • Evaristo Eduardo de Miranda • Jaime Finguerut • Jairo Menesis Balbo • José Geraldo Eugênio de França • Manoel Carlos de Azevedo Ortolan • Manoel Vicente Fernandes Bertone • Marcos Guimarães Andrade Landell • Marcos Silveira Bernardes • Nilson Zaramella Boeta • Paulo Adalberto Zanetti • Paulo Roberto Gallo • Pedro Robério de Melo Nogueira • Plinio Mário Nastari • Raffaella Rossetto • Roberto Isao Kishinami • Tadeu Luiz Colucci de Andrade • Xico Graziano



editorial de abertura

gestão de oportunidades Oportunidade é descrita como a circunstância oportuna, favorável para a realização de algo. Do latim opportunĭtas, define o momento ou a ocasião propícia para fazer ou aproveitar algo. O problema da oportunidade é primeiro enxergá-la, e, em segundo, oportunamente aproveitando a copa do mundo, convencer mais que o beque, a defesa inteira dos russos, para que se consiga transformá-la em fato. Buscar oportunidade não pode ser algo como ter uma grande ideia. Buscar oportunidade é uma das mais importantes atividades de investidores e gestores e deveria tomar uma boa parte do tempo deles. Qualquer que seja o tamanho do negócio. A maioria dos problemas de mercado não acontecem de repente. O que pode ocorrer de repente deve ser gerenciado através de uma análise de risco. As oportunidades estão dentro e fora do seu atual negócio. Dentro eu tenho certeza, baseada em experiência de gestão durante muitos anos e em treinamentos que realizo diretamente em empresas ou em parceria com instituições de ensino; vejo muitos profissionais identificando problemas e reclamando deles. A maioria dos problemas e das reclamações são oportunidades. É uma questão de mudar o prisma de posição. Ou seja, procure no problema uma ou várias soluções que você nem precisará de um arco-íris para achar um pote de ouro. Em relação ao mercado de madeira, é o mesmo. Vivemos, nos últimos anos, impactos de problemas do passado e do presente: a “descoberta” do apagão florestal no início dos anos 2000, a crise mundial a partir de 2008, a crise da água baseada em clima e os problemas da economia brasileira desde 2014.

Todos esses momentos afetaram o mercado de diferentes formas, considerando-se a cadeia de consumo de madeira e a região do País, mas todos foram impactados. Apenas para exemplificar, houve um excesso de madeira disponível em Minas Gerais, em função do grande período de crise de mercado que o setor de siderurgia passou, e, nos estados vizinhos da Bahia e do Espirito Santo, houve problemas de disponibilidade de madeira em função de condições climáticas e biológicas. Os compradores identificaram a oportunidade melhor que os vendedores, provavelmente por uma visão estratégica mais elaborada e por maior capacidade de suportar os períodos de crise. Já os vendedores, com exceções, é claro, buscaram uma saída, e não uma oportunidade, o que levou a preços médios de madeira mais baixo, mesmo havendo demanda. Monitorar o mercado, a relação oferta e demanda é fundamental para o pequeno, médio e grande investidor florestal. Isso é claro. Buscar oportunidades é diferente. Pode demandar investimento, estudo e análises. No Brasil, apesar de sermos o lugar de maior produtividade florestal do mundo, mesmo quando temos crises climáticas, temos apenas 4 grandes cadeias de negócio com grande escala e potencial de competição em mercados regionais. Em escala mundial, temos uma cadeia que é permanentemente competitiva, a de celulose de mercado, e outras que são competividades no mercado internacional em condições específicas, como desvalorização da moeda nacional ou grande ciclos de crescimento econômicos mundiais, com grande peso da China, que são a do papel, de chapas de fibra e de siderurgia.

A maioria dos problemas e das reclamações são oportunidades. É uma questão de mudar o prisma de posição. Ou seja, procure no problema uma ou várias soluções que você nem precisará de um arco-íris para achar um pote de ouro. "

Marcelo Santos Ambrogi

Diretor Executivo da IMA Gestão e Análise Florestal

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Opiniões O movimento de negócios no setor de celulose mostra que o País continuará sendo o principal destino dos investimentos desse setor, e agora com novos players internacionais. A cadeia de siderurgia vem melhorando, indicando um ciclo de crescimento, e, no cenário econômico nacional, apesar de ele estar melhorando, existe ainda uma grande incerteza, como uma verdadeira montanha russa, com mais frios na barriga do que risadas. O fato é que temos poucas cadeias de negócio em condições de competição em grandes mercados internacionais, como o de madeira serrada, compensados e lâminas e as cadeias de consumo de cavaco e pellets. Todas as avalições de consultorias internacionais indicam redução da oferta de fibra e de madeira no mercado mundial. Diferentes cadeias demandam madeira, e o Brasil deveria ser um dos grandes fornecedores de madeira para o mundo, assim como somos de outras commodities agrícolas. As oportunidades em algumas cadeias no mercado internacional, como madeira serrada e compensado de pínus, demandarão otimização de custos, aumento de escala e consolidação, ganhando capacidade de motivar os novos plantios e criar mais competitividade para brigar no mercado internacional. Para a madeira serrada de eucalipto, assim como compensados, falta investimento na consolidação da imagem da madeira como substituto de qualidade para parte da madeira nativa na indústria de móveis, de pisos e da construção civil nacional e para ser qualificada no mercado internacional de hardwood. Isso vale para a teca, mogno africano, cedro australiano e as nativas plantadas, que possuem especificações e usos diferentes do que as madeiras de origem nativas que estão no mercado internacional. Sem investimento em desenvolvimento de mercado, processos industriais eficientes e logística adequada, só existem problemas, pouca oportunidade. A queda de oferta de madeira nativa é uma realidade a cada ano, e a oportunidade está sendo estruturada. A falta de alternativa para a madeira nativa atrairá outros materiais para substituir, é uma questão de oportunidade. Setores baseados em siderurgia e concreto podem agir rapidamente e ocupar essa oportunidade. Considerando o manejo de florestas nativas, o maior amigo desse setor é o controle da madeira ilegal, o que faria os preços da madeira nobre serem alavancados pela qualidade e pela escassez. Além dos setores comentados, um outro com grande potencial de crescimento é o de geração de energia elétrica a partir de cavaco de madeira de plantios florestais. Os benefícios estratégicos para governos estaduais e Nacional é a geração de energia limpa, a única que fixa carbono, que tem estabilidade de produção, pois tem reservatório verde.

Também é a que gera maior número de empregos regionais e rurais e que pode utilizar a rede de distribuição existente, reduzindo os investimentos. Considerando as demandas assumidas pelo Brasil relacionada às questões do clima, na Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) assinada pelo país, essa modalidade de geração de energia colaboraria significativamente com diferentes metas do País, citando, como exemplos, as relacionadas à redução do desmatamento, à recuperação de áreas degradadas, ao aumento do percentual de energia renováveis. Existe uma evolução na melhoria dos processos de leilões, mas ainda não estão totalmente adequados às condições econômicas do investimento. Atualmente, os projetos de geração de energia são baseados em usinas de 30 a 50 MW e múltiplos desses valores, que são as escalas que permitem boa eficiência na relação investimento e geração. Projetos de geração de 50 MW demandam algo em torno de 15.000 hectares de plantios (considerando densidade básica média de 500 kg/m³ e umidade de 35%), que serão colhidos em um ciclo de 7 anos. Os contratos com as distribuidoras são feitos através de leilão, organizados pela EPE (Empresa de Pesquisa Energética). O projeto aprovado no leilão fixa contrato de fornecimento de 20 a 25 anos, com atualização do preço pelo IPCA. Para se ter um bom projeto, é importante garantir o acesso próximo de água e de linhas de distribuição e, é claro, próximo dos plantios florestais. Um projeto bem estruturado possui logística de abastecimento de madeira otimizada, o que permite boa remuneração para o investimento florestal, assim como bom retorno para a geração de energia elétrica. Considerando a disponibilidade de madeira em alguns estados, um incentivo na forma de garantir a compra de um certo percentual da energia futura baseada em biomassa de plantios florestais, de forma competitiva, considerando não só os custos de geração de energia, mas os de transmissão e distribuição, poderia desenvolver uma nova e sustentável cadeia de negócio para o setor. Para quem está pensando em investir em ativos florestais, primeiro tenha em mente que a logística é o maior inimigo do investidor florestal. A madeira como matéria-prima sempre estará limitada pelo custo da madeira posto consumidor. Essa deve ser uma das principais variáveis da estratégia de investimento, pois distância é para sempre, e alguém pode entrar no meio do caminho, mesmo com a terra mais cara, e pode ser mais viável. A terra barata nem sempre é uma oportunidade. Importante que as organizações de classes tenham como objetivo ampliar e fortalecer as cadeias de negócio. O setor de base florestal forte e resistente às intempéries e destacado internacionalmente fortalece a todos. n

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gestão de decisões

estruturação, análise e tomada de decisão

em projetos florestais de pínus

Os plantios de pínus em escala comercial iniciaram-se na região de Telêmaco Borba, pela Klabin, no ano de 1951, com plantio de Pinus taeda e Pinus elliottii, e, no ano de 1956, na região de Agudos, pela CAFMA, onde se plantaram várias espécies de pínus tropicais. Os plantios em grande escala no Brasil ocorreram a partir de 1965, principalmente na região Sul, através do incentivo fiscal. O objetivo do governo foi criar uma base florestal para dar suporte ao abastecimento a futuras indústrias madeireiras, porém, sem um objetivo definido, o que se gerou, na época, foi floresta de baixa qualidade, devido a sementes importadas sem melhoramento genético e também pela falta de um manejo adequado. Porém é importante reconhecer que o parque industrial madeireiro hoje existente somente foi possível se estabelecer devido a essa iniciativa, que teve seu fim no ano de 1985. Com o fim do incentivo fiscal, um novo ciclo de investimentos em florestas foi iniciado pela iniciativa privada, realizados principalmente por empresas verticalizadas produzindo matéria-prima para seu próprio consumo e também pelos pequenos produtores independentes que contribuíram com os investimentos. Esse novo ciclo já contava com material genético melhorado, sementes de pomares de 1ª geração e com o manejo diferenciado voltado à agregação de valor na madeira. Com a substituição do recurso financeiro de baixo custo do incentivo fiscal pelo capital próprio de mais alto custo, e com uma demanda

crescente por madeira, os preços de pínus aumentaram significativamente no período de 1985 a 2005. A partir do ano 2000, o setor passou por grande transformação, com a entrada das grandes TIMOS, (Timber Investment Management Organization), iniciando, assim, a participação do capital externo na aquisição de grandes maciços florestais no País. Atualmente, a área plantada de pínus no Brasil é de 1,67 milhão de hectares, sendo 85% na região Sul, respectivamente, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, e os 15% restantes, nos demais estados, com predominância no estado de São Paulo. Vale destacar que os modelos de condução de florestas multiprodutos, com idades de corte raso com 25 anos e com dois ou três desbastes, estão sendo alterados para regimes de manejo em ciclos mais curtos, com corte raso entre 16 a 18 anos de idade e com um ou dois desbastes no máximo. Essa estratégia tem propiciado maior retorno para os investimentos florestais. Atualmente, o setor florestal pode ser dividido em dois segmentos distintos, que são: Indústrias verticalizadas: O objetivo principal é produzir madeira para seu próprio consumo, adotando práticas de manejo direcionadas para obter o menor custo de matéria-prima. A maioria das grandes empresas do setor têm adotado, nesses últimos anos, o regime de manejo conhecido como Pulpwood, que consiste no plantio de 1,67 mil mudas por hectare, e o corte raso aos 15 anos de idade. Atualmente, a área plantada de pínus no Brasil é de 1,67 milhão de hectares, sendo 85% na região Sul, respectivamente, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, e os 15% restantes, nos demais estados, com predominância no estado de São Paulo. "

José Inácio Rondina Diretor Administrativo-Financeiro da Valor Florestal

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Opiniões Regime de Árvore/ Manejo

hectare

Colheita Ano

1º Desbaste - M3cc/ha 8 to18 18 to23 23 to35 + 35 -

2º Desbaste - M3cc/ha

Total

75,55

0,00

0,00

0,00

75,55

44,89

40,28

21,12

0,00 106,29

8º - 12º - 20º

77,45

0,00

0,00

0,00

77,45

45,98

44,47

34,10

865

10º - 16º

79,05

11,68

17,17

0,00 107,90

0,00

0,00

865

10º - 20º

79,05

11,68

17,17

0,00 107,90

0,00

0,00

15º

2 desbastes

1.666

7º - 11º - 20º

2 descastes

1.333

1 desbaste 1 desbaste

-

-

- Área Plana TIRTIR - ÁREA PLANA 15,5% 15,5% 14,5% 14,5% 13,5% 13,5%

12,5% 12,5% 11,5% 11,5% 10,5% 10,5%

10 km 10km

20 km 20km

30 km 30km

40 km 40km

50 km 50km

60 km 60km

70 km 70km

PUPWOOD 15 anos-1666 Arv Pupwood 15 anos 1666 arv

865Arv- 1ºDesb CR 16 Anos 865Arv.1ºDesbCR16anos

1º,2ºCR20anos1333 arv 1º,2ºCR 20 anos-1333 Arv

1º,2ºCR20anos1666 arv 1º,2ºCR20 Anos-1666-ARV

80 km 80km

90 km 90km

100 km 100 Km

865Arv-1ºDesb CR20anos 865Arv.1ºDesbCR20anos

- Área Acidentada TIR TIR - ÁREA ACIDENTADA 15,0% 15,0%

14,0% 14,0% 13,0% 13,0% 12,0% 12,0% 11,0% 11,0% 10,0% 10,0% 9,0% 9,0% 8,0% 8,0%

1010km km

2020km km

30 km 30km

40 km 40km

50 km 50km

60 km 60km

70 km 70km

PUPWOOD 15 anos-1666 Arv Pupwood 15 anos 1666 arv

865Arv- 1ºDesb CR 16 Anos 865Arv.1ºDesbCR16anos

1º,2ºCR 20 anos-1333 Arv 1º,2ºCR20anos1333 arv

1º,2ºCR20 Anos-1666-ARV 1º,2ºCR20anos1666 arv

80 km 80km

90 km 90km

100 km 100 Km

865Arv-1ºDesb CR20anos 865Arv.1ºDesbCR20anos

As principais vantagens dessa prática é a maior produtividade das florestas associada à redução dos custos operacionais, principalmente de colheita da madeira. TIMOS e Produtores independentes: O objetivo principal é produzir madeira para o mercado dos diferentes segmentos industriais, adotando as melhores práticas de manejo para se obter a maior Taxa Interna de Retorno (TIR). Esta matéria tem por objetivo analisar os diversos retornos econômicos associados à idade de corte da floresta, levando em consideração os seguintes fatores: regime de manejo florestal, número de plantas por hectare, condições topográficas do terreno, sendo plano e acidentado, distância da floresta ao mercado consumidor, tabela de produção e preço da madeira carregado no caminhão na floresta, exceto o grade para polpa, o qual foi considerado o preço entregue na indústria descontado do valor do frete conforme a distância. Frente a esse cenário, pode-se afirmar que é uma nova forma de conduzir florestas, denominada “Manejo Dinâmico de Florestas de Pínus”. Por se tratar de um assunto muito conflitante, a terra não está sendo considerada no presente estudo. Conceitualmente, o efeito

-

-

Total

-

1.666

-

08 to8 18 to23 23 to35 + 35

-

Pulpwood

-

Corte Raso - M3cc/ha -

8 to 18 18 to23 23to35 315,38 135,63

+ 35

Total

98,90

0,00 549,91

54,85

44,50 267,27

88,53 455,14

0,00 124,55

46,79

40,49 254,26

96,93 438,47

0,00

0,00

0,00

58,19

25,37 261,23

50,25 395,04

0,00

0,00

0,00

54,40

45,09 279,79 134,70 513,98

monetário sobre o valor da terra deveria fazer parte do estudo, porém a grande divergência entre seu valor, bem como sua valorização no tempo, sempre é motivo de muita controvérsia no meio florestal e certamente poderia mascarar os resultados do trabalho. Para uma avaliação econômica mais precisa, torna-se necessária a existência de uma tabela de produção confiável que reflita a realidade dos crescimentos e dos percentuais por sortimento ao longo do ciclo, para as diferentes idades, sites e regime de manejo. Para isso, falta uma política de boa cooperação entre as empresas, exemplos do Chile e da Nova Zelândia. A tabela de produção utilizada para o presente estudo foi obtida através de dados reais registrados nos últimos 20 anos. Após a elaboração dos cálculos econômicos, considerando todos os fatores acima mencionados, obtém-se a Taxa Interna de Retorno específica para cada regime de manejo, bem como para terrenos planos e acidentados, para distância de até 100 km entre a floresta e a indústria, com intervalos de 10 km. Os resultados das TIR’s entre as análises realizadas demonstram uma diferença pequena entre os modelos, porém a melhor estratégia a adotar para os investidores independentes é o modelo de manejo multiprodutos com desbastes, por proporcionar uma maior amplitude da oferta de produtos para as diferentes cadeias produtivas, evitando, assim, uma oferta de poucos produtos e concentrada em um único mercado de madeira fina (regime pulplwood). Ou seja, evitando uma maior oferta para um mercado mais concentrado, com menor número de consumidores, a preços controlados pelos compradores. n

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modelos matemáticos de otimização

Opiniões

planejamento... apenas planejamento O conceito de planejamento, nas mais variadas áreas, explica vários aspectos da atual situação econômica regional, nacional e até mundial. Uma das fábulas atribuídas a Esopo e recontadas por Jean de La Fontaine, “A Cigarra e a Formiga”, ilustra de maneira brilhante a diferença entre o planejamento e sua ausência. Contudo sempre há quem faça a releitura dessa fábula tergiversando o comportamento da formiga, a perseverante planejadora, a ponto de transformá-la na vilã da fábula. Os responsáveis pelo planejamento florestal, seja no âmbito estratégico, tático ou operacional, dispõem atualmente das ferramentas necessárias para simular, do escritório, as consequências prováveis da maioria das decisões a serem adotadas. Uma ampla variedade de programas de computador – software – está disponível no mercado para realizar simulações de regimes de manejo, formação de blocos de talhões na floresta, sequenciamento de atividades, planejamento estratégico, roteamento de caminhões, geração de padrões de corte de fustes e desdobro de toras, entre tantas outras. Diante do grande volume de informações disponíveis, torna-se prioritário analisá-las de maneira ágil e precisa, uma vez que a obtenção dessas informações deixou de ser dispendiosa em termos de tempo e recursos. Se nos conformássemos com nossas descobertas, a humanidade jamais teria descoberto ou inventado nada além da roda. "

Julio Eduardo Arce

Professor de Otimização Florestal na UF-PR

A abordagem sistêmica de problemas complexos com grande número de variáveis e restrições requer o uso de modelos matemáticos de otimização para encontrar soluções que sejam, em primeiro lugar, viáveis ou factíveis, e, em segundo lugar, ótimas. Há situações nas quais encontrar ao menos uma solução factível requer um grande esforço computacional, podendo demandar alguns minutos ou até horas de processamento, mesmo com os sofisticados equipamentos informáticos disponíveis na atualidade.

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Um exemplo desses problemas complexos é o planejamento em nível operacional, com unidades de tempo diárias e horizontes de planejamento quinzenais ou mensais, o qual, ao requerer respostas binárias para determinadas variáveis, necessita abordagens de Programação Linear Inteira (PLI), que são dispendiosas em termos de esforço computacional. Com frequência, surge, por parte dos planejadores da produção florestal, o seguinte questionamento: posso obter o máximo valor presente líquido (VPL) da floresta com a mínima distância de transporte e ainda colhendo o máximo volume comercial possível? A resposta é categórica: NÃO. Otimizar todos os objetivos de modo conjunto, obtendo os mesmos valores de que quando otimizados de maneira separada, é impossível, a menos que tais objetivos tenham sido definidos de forma laxa. A seguinte figura exemplifica dois cenários de planejamento tático antagônicos: O cenário do lado esquerdo da figura, que consegue o máximo volume (volume = 100%), acarreta também a máxima distância de transporte (distância = 100%); já o cenário do lado direito da figura, com apenas 2% a menos no volume (volume = 98%), reduz a distância de transporte em 15% (distância = 85%). Resta apenas a mais arriscada das tarefas: decidir por um ou outro cenário. Repare nos detalhes da ilustração.


Soluções florestais de acordo com os seus objetivos Fornecemos sólidos conhecimentos técnicos e soluções sustentáveis para os problemas complexos do dia a dia florestal

Consultoria para a gestão de empreendimentos rurais, pecuários e florestais. A matriz da F&W está sediada na cidade de Albany, Geórgia-USA. Possui filiais no Brasil, Uruguai, França, Escócia e Pais de Gales. Com mais de 50 anos de experiência no mercado, pode assessorar o seu negócio, através da prestação de serviços de consultoria em diversas áreas do setor agrícola e florestal, tais como:

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Análise para avaliação de ativos Pesquisa de mercado Mapeamento CAR Interpretação de imagens de satélite Planejamento e gestão de inventário florestal Recuperação de áreas degradadas

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modelos matemáticos de otimização ANO DO HP 2017

2018

2019

2020

R-19

R-70

2021

R-19

R-70

VOLUME

S R-27

10%

(MAX)

R-25

9%S DISTÂNCIA

R-25

R-27

100%

S

(MIN)

85%S

Felizmente, para aqueles que ficaram com o dissabor de perceber que não podem ser alcançados os valores ótimos para dois ou mais objetivos antagônicos, existe uma técnica que prevê formulações matemáticas multiobjetivas denominada de goal programming ou programação por metas. Resumidamente, essa técnica consiste em estabelecer metas para cada objetivo que se deseje otimizar e definir uma função que minimize a soma ponderada dos respectivos desvios com relação às metas. A solução ótima alcançada desse modo, se por ventura não conseguir atender a todas as metas, é considerada uma solução “diplomática” que minimiza, de maneira objetiva, a soma dos desvios. Uma alternativa ao uso de abordagens de PLI é o uso das técnicas de aproximação heurísticas. As heurísticas, cujo nome deriva do famoso grito “Eureca!”, proferido pelo matemático grego Arquimedes, foram inspiradas nas mais variadas circunstâncias da natureza e recebem, em alguns casos, o nome da fonte de inspiração. Tem-se, assim, os algoritmos genéticos, a busca-tabu, os algoritmos de colônia de formigas, de enxame de abelhas ou enxame de partículas, dentre outros. É evidente que o desenvolvimento dessas técnicas requer conhecimento multidisciplinar abrangendo, além de profissionais da área florestal, os pares de outras áreas, como a matemática e a informática. A crescente importância das áreas social e ambiental nos cenários de planejamento transformou-se, atualmente, em um grande desafio. A quantificação precisa das consequências sociais e ambientais decorrentes de decisões que, do ponto de vista econômico, podem ser ótimas, representa o âmago das pesquisas da presente década. E, certamente, não será tão cedo que esse desafio ficará resolvido por completo. Se nos conformássemos com nossas descobertas, a humanidade jamais teria descoberto ou inventado nada além da roda. Os modelos matemáticos a serem formulados para a resolução de problemas de planejamento devem ter a capacidade de incorporar todos os pormenores que a solução a ser adotada pelos gestores requer, seja por meio de variáveis ou restrições. A resolução desses modelos não representa atualmente um grande gargalo, pois há software comercial disponível sem custo para as instituições de ensino e de pesquisa e a preços módicos para o setor privado. Qualquer ponto percentual de redução nos custos, ou de aumento nas receitas, cobre com folga a despesa com uma consultoria em otimização, incluindo até mesmo a aquisição do software.

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O estado da arte atual das pesquisas em otimização florestal concentra-se nas áreas das redes neurais artificiais (RNA), aprendizado de máquinas (machine learning), máquinas de vetor de suporte (support vector machine), Big Data, entre outras. Entre dezenas de instituições públicas e privadas de ensino e de pesquisa no Brasil, a Universidade Federal do Paraná - UFPR oferece, atualmente, vários programas de pós-graduação nos quais são abordados assuntos inerentes ao planejamento florestal nos níveis estratégico, tático e operacional. O Programa de Pós-Graduação em Engenharia Florestal (PPGEF) da UFPR possui uma linha de pesquisa específica que aborda a Pesquisa Operacional para Fins Florestais. Já o Programa de Pós-Graduação em Métodos Numéricos em Engenharia (PPGMNE) aborda diversas áreas da otimização, sendo cada vez maior o número de dissertações e teses com aplicações florestais. Graças ao relacionamento entre professores e pesquisadores desses programas de pós-graduação, surgiram, ao longo das últimas décadas, alguns grupos de pesquisa cadastrados junto ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) que vêm abordando estudos de casos florestais. Como pensamento final, vale ressaltar que, na academia, é relativamente simples resolver as complexas abordagens de planejamento florestal por meio de modelos matemáticos de otimização; o verdadeiro desafio é resolvê-los atendendo a todas as demandas que um cenário real de planejamento impõe. Para obter êxito nesse desafio, as parcerias entre as empresas e a universidade, cada vez mais intensas nos últimos anos, são essenciais. n


mercado internacional e comercialização

Opiniões

as exportações de produtos de pínus Historicamente, a participação do Brasil no comércio internacional de produtos de madeira é pouco representativa. Os principais produtos de madeira exportados pelo Brasil são madeira serrada, compensado, molduras (wood frames), pisos e portas. Ao longo das últimas décadas, observa-se um aumento substancial dos produtos baseados em madeira oriunda de florestas plantadas, sobretudo pínus (e, mais recentemente, eucalipto), em detrimento daqueles produzidos a partir de florestas nativas, notadamente madeira tropical. As exportações brasileiras de produtos de madeira apresentaram um comportamento extremamente positivo até 2007, quando alcançaram USD 3,3 bilhões. Em 2008, a partir da crise do subprime nos EUA e da concomitante desvalorização da moeda americana, os volumes de produtos de madeira exportados pelo Brasil caíram para níveis inferiores a USD 2 bilhões nos anos subsequentes (figura1).

A partir de então, na contramão do cenário mundial, a economia brasileira começou a sofrer um processo de deterioração, o que desencadeou uma contínua desvalorização do real (figura 2). Os primeiros sinais do enfraquecimento da economia brasileira observados em 2014, aliados à desvalorização do real e o gradativo reaquecimento do mercado americano, sobretudo da indústria da construção civil, permitiram uma rápida retomada das exportações pela indústria da madeira. Madeira Serrada de Pínus: A recuperação das exportações brasileiras de madeira serrada de pínus nos últimos anos foi surpreendente, saltando de 1 milhão de m3 em 2014 para 2,3 milhões de m3 em 2017, o que, em valor, representou USD 467 milhões (figura 3).

A sustentabilidade das exportações da indústria de madeira não depende só dela, mas também de todos os stakeholders da cadeia produtiva e beneficiados (direta ou indiretamente) por ela "

Marco Tuoto

Diretor da Tree Wood Products

A partir da crise do subprime, a indústria da madeira no Brasil sofreu uma importante transformação, pelo menos no tocante ao direcionamento da produção. A retomada do crescimento da economia brasileira entre 2010 e 2014, sobretudo do segmento da construção civil, permitiu que a indústria da madeira mantivesse suas operações, mesmo com a forte redução das exportações. No caso do compensado de pínus, por exemplo, o mercado doméstico absorvia não mais que 20% da produção nacional até antes da crise do subprime. Pouco tempo depois, já em 2012, o mercado doméstico chegou a demandar mais da metade do volume produzido no País. Impacto do Câmbio: A indústria da madeira brasileira manteve seu desempenho atrelado à demanda do mercado doméstico até meados de 2014.

Em que pese o aumento das exportações de madeira serrada, o preço médio em valores correntes diminuiu nos últimos anos para o mesmo patamar do período pré-“crise do subprime” (vide figura 04), o que vem na contramão do verificado em nível mundial, principalmente nos EUA e na Europa. As exportações brasileiras de madeira serrada de pínus são muito concentradas, e EUA, juntamente com México e China, respondem atualmente por 70% do total. Não menos importante é o mercado do Oriente Médio, representado principalmente pela Arábia Saudita e os Emirados Árabes. Compensado de pínus: No caso do compensado de pínus, a retomada das exportações não foi tão vigorosa como a da madeira serrada, porém se tem mostrado bastante positiva. Em 2013, antes do início do processo de desvalorização do real,

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mercado internacional e comercialização 1. EVOLUÇÃO DAS EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS DE PRODUTOS DE MADEIRA USD 1,000 FOB

3,500,000 3,000,000 2,500,000 2,000,000 1,500,000 1,000,000

2017

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2013

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2011

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2005

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2003

2002

2001

0

2000

500,000

2. EVOLUÇÃO DA TAXA DE CÂMBIO (USD X R$) USD 1,000 = R$ FOB

4,50 4,00 3,50 3,00

mai-18

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set-17

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mar-17

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set-14

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2,00

nov-14

2,50

2.400

500

2.200

450

VOLUME (1.000 m3)

2.000

400

VALOR FOB (USD 1,000,000

1.800

350

1.600

300

1.400 1.200

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200

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00

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600

2000

800

USD 1,000,000 FOB

1.000 m3

3. EVOLUÇÃO DAS EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS DE MADEIRA SERRADA DE PÍNUS

PREÇO MÉDIO - USD/M3 FOB

4. EVOLUÇÃO DO PREÇO MÉDIO CORRENTE DAS EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS DE MADEIRA SERRADA DE PÍNUS 240 220 200 180

2017

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2012

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2001

140

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1.000 m3

2.500

600

VOLUME (1.000 m3) VALOR FOB (USD 1,000,000

2.000

500 400

1.500

300 1.000

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200 2000

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100

USD 1,000,000 FOB

5. EVOLUÇÃO DAS EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS DE COMPENSADO DE PÍNUS

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2017

2016

2015

2014

2013

2012

2011

2010

2009

2008

2007

2006

2005

2004

2003

2002

2001

400 380 360 340 320 300 280 260 240 220 200 180

2000

PREÇO MÉDIO - USD/M3 FOB

6. EVOLUÇÃO DO PREÇO MÉDIO CORRENTE DAS EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS DE MADEIRA COMPENSADO DE PÍNUS

o volume de compensado de pínus exportado pelo Brasil alcançou 1,1 milhão de m3, saltando para pouco mais de 2 milhões de m3 em 2017 (figura 5). Da mesma forma que ocorreu com a madeira serrada, na medida em que o volume exportado de compensado de pínus aumentou nos últimos anos e o real se desvalorizou frente à moeda americana, o preço médio, em valores correntes, caiu significativamente, atingindo o mesmo patamar verificado há mais de 10 anos (figura 6). O crescimento das exportações brasileiras de compensado de pínus nos últimos anos se deve à forte penetração no mercado americano e mexicano. Desde 2014, o volume de compensado de pínus importado do Brasil pelos EUA cresceu mais de 500%, enquanto, no caso do México, foi ainda maior, quase 1.000%. No mesmo período, o volume importado pela Europa aumentou apenas 3%. Mesmo assim, atualmente, a Europa representada 44% do destino das exportações brasileiras de compensado de pínus, seguido pelos EUA (30%) e o México (8%). E a sustentabilidade das exportações? Atualmente, a exportação é a única saída para a indústria de madeira do Brasil, na medida em que as perspectivas de crescimento do mercado doméstico são pouco promissoras, pelo menos no curto prazo. Porém a performance da indústria da madeira no mercado externo não pode ficar calcada exclusivamente no câmbio. A ampliação da participação do Brasil no mercado internacional passa, necessariamente, por uma maior competitividade, tanto da indústria da madeira propriamente dita como do País em si. No caso da indústria da madeira, a competitividade depende de investimentos para melhorar a produtividade, enquanto a competitividade do País deve estar associada a ganhos de eficiência para redução do “custo Brasil” (infraestrutura, logística, carga tributária, etc.). A elevada concentração de mercado das exportações brasileiras de produtos de madeira é também um fator de risco e pode comprometer sua sustentabilidade. Embora a concentração de mercado proporcione vantagens, sobretudo na redução dos custos de venda, por outro lado, uma eventual crise em um determinado país importador com uma participação importante pode provocar uma redução acentuada nas exportações. No passado recente, isso já ocorreu com o Brasil, por exemplo, nos EUA. Outro tema não menos importante, que já está afetando a sustentabilidade das exportações brasileiras de produtos de madeira, é a limitada oferta de matéria-prima (tora). Num primeiro momento, isso tem repercutido no preço e, consequentemente, na rentabilidade do negócio. Inclusive importantes regiões produtoras de matéria-prima não têm sido capazes de atender à demanda imposta pela indústria da madeira, o que gradativamente tem forçado muitos produtores a fragmentar sua capacidade de produção. Isso aumenta os custos de produção e diminui a competitividade. A sustentabilidade das exportações da indústria de madeira não depende só dela, mas também de todos os stakeholders da cadeia produtiva e beneficiados (direta ou indiretamente) por ela. Por isso, empresas e suas entidades de classe, prestadores de serviços (armadores, transportadoras, terminais portuários, entre outros) e setor público, nas suas diferentes esferas (municipal, estadual e federal), têm que tratar com seriedade o tema, dada a perspectiva nada favorável quanto à sustentabilidade das exportações brasileiras de produtos de madeira no médio e longo prazo. n


tecnologias

geotecnologias

Opiniões

e a gestão de ativos florestais

Drones, georreferenciamento, LIDAR, Silvicultura de Precisão... a lista de palavras, expressões e siglas que se tornaram comuns no meio florestal, nos últimos vinte anos, não para por aí. São muitas as ferramentas e os equipamentos que, aos poucos, ganham espaço e popularidade, tanto na operação quanto na gestão de ativos florestais em todo o mundo. O Brasil tem seguido de perto essa tendência, e o conceito de Indústria 4.0, quando aplicado à área florestal, tem, nas geotecnologias, um forte aliado para suporte à tomada de decisão, à agilidade na obtenção e na disponibilização de informações e também ao controle de processos, tendo como resultado a redução de custos. Geotecnologias são um conjunto de poderosas técnicas e ferramentas para coletar, manipular, processar, analisar e disponibilizar imagens e informações digitais geograficamente referenciadas. Utilizam hardware (satélites, sensores, radares, GPS, computadores e câmeras), software e “peopleware”.

No Brasil, as primeiras técnicas foram introduzidas na década de 1980, por esforços do Prof. Jorge Xavier da Silva (UFRJ). Ele inspirou vários grupos no desenvolvimento de tecnologias associadas, desde a criação de laboratórios de geoprocessamento à criação do grupo de geoprocessamento e sensoriamento remoto do INPE, em 1984. No setor florestal, foi introduzida no final na década de 1990. Uma das pioneiras foi a extinta Aracruz, que investiu pesado para integração do Sistema de Informação Geográfico com o Sistema de Informação Florestal e com o Sistema ERP. As principais podem-se citar: • Gestão da base florestal: mapeamento do uso do solo, edição e geração de mapas, monitoramento das ocorrências florestais, obtenção do modelo digital do terreno, geração dos mapas de declividade, curvas de nível, mapeamento 3D, retalhonamento e otimização e precisão submétrica na construção de estradas florestais.

A combinação e a valoração dos produtos intangíveis e a consideração dos custos evitados são imprescindíveis para viabilizar a adoção das tecnologias hoje disponíveis. "

Thais Cunha Ferreira

Gerente de Planejamento Florestal da BSC/Copener Florestal Coautor: Humberto Justo Amoedo e Mauro Quirino, Coordenador de Geotecnologias e Diretor Florestal da BSC/Copener Florestal

A gestão dos ativos florestais vem sendo positivamente impactada pela introdução das geotecnologias, principalmente por apoiar a tomada de decisão, para planejar estrategicamente os negócios, de forma a permitir a redução de custo e o aumento de produtividade. Podem, ainda, auxiliar na otimização da aplicação de pesticidas, herbicidas e agrotóxicos, inaugurando uma nova fase da produção agrícola, com maior eficiência e maior consciência no consumo de produtos químicos. É considerada uma tecnologia impulsionadora de desenvolvimento. Dentre as principais técnicas e ferramentas, destacam-se: Sistemas de Informação Geográfica (SIG), Cartografia Digital, Sensoriamento Remoto, Sistema de Posicionamento Global (GPS), Topografia Georreferenciada e Aerofotogrametria (VANTs e tripulados).

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tecnologias • Gestão ambiental: suporte na gestão de bacias hidrográficas, monitoramento de áreas de conservação e preservação e análise temporal da ocupação do solo. • Silvicultura: implementação da silvicultura de precisão, monitoramento de matocompetição, identificação de falhas e mortalidade, alinhamento de plantio e monitoramento de pragas e doença. • Inventário Florestal: acompanhamento do crescimento dos plantios, aplicação de geoestatística para estratificação dos povoamentos, geração de índices, cálculo de biomassa e avaliação de resíduos de colheita. • Colheita: programação do caminhamento dos equipamentos, buscando maior eficiência das máquinas e redução do consumo de diesel e controle das operações florestais e otimização da distância de baldeio. • Segurança Patrimonial: monitoramento de áreas de risco e invasão de áreas, levantamento e avaliação de incêndios. Para tanto, a combinação dos produtos a serem obtidos é fundamental para implementação do uso da tecnologia, devido aos custos envolvidos em cada método. Uma das principais dúvidas está entre a aquisição de imagens de orbitais ou o uso de drones. Abaixo, um breve resumo das duas ferramentas. Imagens de Satélite: A tendência atual consolida a disponibilização de novos satélites para uso civil, com sensores de altíssima resolução espectral (capacidade dos sensores do satélite de imagear várias faixas de largura do comprimento de onda do espectro eletromagnético), espacial (resoluções inferiores a 1 m) e temporal (a frequência que passa no mesmo lugar). Na linha do Sensoriamento Remoto, um importante passo foi o desenvolvimento de sensores hiperespectrais junto com software para análise, que oferecem inúmeras possibilidades no mapeamento de florestas plantadas, avaliação de vegetação, áreas degradadas, aplicação de índices de vegetação, mapeamento geológico e pedológico de detalhe e de exploração mineral. As principais aplicações do uso de imagens de satélite são: atualização e manutenção do cadastro florestal; levantamento de uso e ocupação do solo; monitoramento ambiental; aplicação de índices de vegetação (NDVI p.e.); atualização de perímetros e usos; levantamento de processos e dinâmicas de uso e ocupação do solo, por meio de análise temporal de imagens e gestão patrimonial. O uso de imagens orbitais ainda é uma opção mais econômica na maioria dos casos. Atualmente, resoluções iguais ou acima de 10 metros podem ser obtidas de forma gratuita (satélites como série Landsat, mais recente Sentinel, dentre outros). Esse tipo de satélite oferece imageamento de extensas e contínuas áreas e sensores multiespectrais com grande variabilidade espectral. Porém apresenta média ou baixa resolução temporal e espacial, presença de nuvens e custo alto no caso de imagens de alta resolução.

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Opiniões As imagens de satélite com maiores resoluções espaciais, multiespectrais e resoluções espaciais abaixo de 3 metros apresentam custo em função das resoluções que podem oscilar entre R$ 5 a mais de R$ 50/km2, considerando sempre uma área mínima de contratação não inferior a 25 km2. Já as imagens de satélite com sensores ativos (radar e LIDAR) permitem, dentre outras coisas, obter representações digitais do relevo terrestre, não sofrem interferências das nuvens e de biomassa, e podem ultrapassar valores os R$ 2/ha (R$ 200/km2), no caso de sensores radar em satélites; e entre R$ 10 e R$ 30/ha no caso de sensores instalados em aeronaves (LIDAR). Drones. A resolução média das imagens de drone está em torno de 5 a 10 cm, mas pode chegar a 1 cm, em função da altura de voo, podendo gerar produtos mais especializados, com alto grau de detalhe, além de voar abaixo das nuvens. Em contrapartida, os drones utilizam sensores com pouca variabilidade espectral, normalmente RGB (cor natural), podendo também ser acopladas câmeras com infravermelho e sensores do sistema LIDAR. A escala de mapeamento é pequena, e há restrições de voo por condições climáticas adversas (chuva e vento). Atualmente, as principais aplicações dos drones são: contagem de plantas (censo); avaliações de sobrevivência; localização de falhas; diâmetro de copa; verificação de espaçamento; levantamento de matocompetição; uniformidade; atualização de limites de talhão; visualização de resíduos; monitoramento de áreas invadidas, litígios entre outros e índices de vegetação detalhados, a nível de planta. Os custos do voo com drone oscilam entre R$ 10 a R$ 15/ha, incluindo o levantamento de campo, geoprocessamento e mosaicagem das imagens. Adicional a eles, o custo de processamento das imagens para gerar os diferentes produtos varia entre R$ 3 a R$ 15/ha, dependendo do tipo de produto gerado. O processamento das imagens requer computadores de alta performance, softwares especializados, equipe treinada. Atualmente, no mercado, existem várias empresas especializadas prestando esse tipo de serviço. Por todos esses aspectos, a Gestão de Ativos Florestais depende desde aplicações básicas das ferramentas de geotecnologias até aplicações mais elaboradas. Contudo a implementação dessas ferramentas ainda esbarra no alto investimento que requerem, pois, mesmo com o avanço tecnológico e consequentemente redução do nível de investimento e custos incorridos, ainda apresenta retornos pouco convidativos. A combinação e a valoração dos produtos intangíveis e a consideração dos custos evitados são imprescindíveis para viabilizar a adoção de tais tecnologias. n


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cadeias produtivas

a excelência da gestão do negócio florestal O setor florestal brasileiro é composto por diferentes segmentos com suas respectivas cadeias produtivas. Os negócios florestais, dentro de cada cadeia produtiva, apresentam características distintas, em função de uma série de fatores. Essa distinção e peculiaridades inerentes a cada tipo de negócio requer a aplicação de uma visão estratégica e consequente busca pela excelência na gestão dos negócios. As cadeias produtivas são caracterizadas, entre outros fatores, pelo perfil do segmento em que estão inseridas. Assim, a concentração de empresas, o porte empresarial, o mercado alvo (local, nacional, ou internacional), os tipos e as especificações de matéria-prima e de produtos (intermediários e finais) são conhecimentos fundamentais para a adequada gestão do negócio florestal. A demanda por parte do mercado consumidor por certificações (ambientais, florestais, sociais, etc.), as especificações e usos de produtos conforme normas estabelecidas, a inserção dos produtos em mercados mais exigentes

No entanto, apesar de a gestão ser um dos principais fatores de sucesso empresarial, é, muitas vezes, negligenciada, afetando diretamente o desempenho e os resultados esperados dos empreendimentos empresariais implantados. Aspectos chave de uma boa gestão, segundo o International Journal of Business, incluem o planejamento empresarial, o gerenciamento financeiro, o desenvolvimento empresarial e recursos humanos, entre outros. Casos exemplares de boa gestão podem ser citados nos mais variados segmentos do setor florestal brasileiro. Assim, o da cadeia de celulose, no qual o Brasil tem destaque tanto em competitividade de produtos e mercado quanto de custos de produção, tem sido o principal destaque em termos da excelência da gestão. Esse resultado favorável não foi conquistado sem um aperfeiçoamento contínuo e sustentável na forma de conduzir esse segmento. Desse modo, os resultados apresentados por essa cadeia são referência mundial. Por exemplo, segundo a Ibá, em 2017, o Brasil produziu 19,5 milhões de toneladas de celulose, sendo o segundo maior produtor mundial, após os Estados Unidos. Ao mesmo tempo, era o maior exportador mundial, com USD 6,3 bilhões, à frente do Canadá e dos Estados Unidos.

apesar de a gestão ser um dos principais fatores de sucesso empresarial, é, muitas vezes, negligenciada, afetando diretamente o desempenho e os resultados esperados dos empreendimentos " C

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Joésio Deoclécio Pierin Siqueira

Vice-Presidente da STCP - Engenharia de Projetos

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e de exportação, o porte do empreendimento (quanto aos investimentos, número de funcionários, área física, entre outros), de maneira geral, pressupõe um posicionamento do negócio florestal pautado em uma gestão de alto nível e com a eficiência necessária para o sucesso empresarial pretendido. Exemplos de uma gestão eficiente no setor florestal podem ser visualizados nos mais diferentes segmentos e cadeias produtivas desse setor.

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Opiniões Esses números são, evidentemente, originados da aplicação dos aspectos chave de boa gestão empresarial, conforme citados anteriormente. Além disso, as empresas dessa cadeia atendem, de maneira geral, ao mercado internacional (exportação), comercializando nada menos que 68% de sua produção, em termos de volume de produtos. O foco na internacionalização acabou desencadeando transformações internas nas indústrias dessa e de outras cadeias produtivas florestais, fazendo-as investir em um aumento constante da escala de produção, visando atender a um mercado muito maior e mais exigente que o do Brasil. Para isso, tiveram acesso (e se viram forçadas a adotar) a boas práticas de planejamento (incluindo inteligência de mercado), gerenciamento financeiro (abrindo o capital de suas empresas), desenvolvimento empresarial (aplicação constante de técnicas de benchmarking junto a seus concorrentes internacionais), recursos humanos (qualificação constante de seus recursos humanos) e gestão socioambiental. Apesar de ainda terem o mercado interno como principal consumidor de seus produtos (destino de 81% da produção de papel e de 85% da produção de painéis reconstituídos), observando o sucesso alcançado por essa cadeia produtiva do setor florestal,6 os5/14/18 segmentos de papel e de painéis reconstiAds2.pdf 1:19 PM tuídos vêm trilhando os mesmos passos.

Têm procurado investir no aumento da capacidade instalada visando ganhar escala de produção e ampliar sua competitividade, especialmente por causa das crises (de 2008 e de 2014), que obrigaram as empresas dessas cadeias produtivas a buscarem o mercado internacional até mesmo como forma de sobrevivência. Por sua vez, apesar de exemplos pujantes de boa gestão em empresas do segmento de madeira sólida (serrado/compensado/moveis), muitas ainda há um caminho longo para se desenvolverem e também terem formas sustentáveis e competitivas no mercado internacional. Ao longo do tempo, suas exportações se comportam visivelmente dependentes de uma moeda (Real) desvalorizada com relação ao dólar, fator que, por exemplo, afeta pouco as exportações de celulose. Finalmente, é perfeitamente claro que não existe uma fórmula única para o sucesso ou para uma gestão de excelência para os negócios da cadeia produtiva florestal, pois diversos fatores internos e externos contribuem para o resultado final. No entanto a constante busca para uma gestão eficiente do negócio, pautada em resultados, é um dos fatores essenciais para que os empreendimentos do setor florestal brasileiro possam atender às exigências da sustentabilidade, com as melhores respostas econômicas, sociais e ambientais nas diferentes regiões do Brasil. n

Conheça a nova plataforma que empresas florestais estão usando para o planejamento e a gestão inteligente da floresta:

HxGN AgrOn

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qualidade

gestão da qualidade A gestão da qualidade é um tema relativamente recente no setor florestal, especialmente quando consideramos as atividades silviculturais e o manejo de povoamentos florestais. Apesar das primeiras ações voltadas para o tema terem sido observadas na década de 1980, grande parte das empresas das diversas regiões brasileiras passaram a se preocupar com a qualidade voltada para o processo mais recentemente. Esse fato está especialmente relacionado à falta de uma “receita de bolo” para a gestão da qualidade, bem como à dificuldade de adaptação das ferramentas e das metodologias desenvolvidas em ambientes mais controlados (indústrias de processamento) à realidade vivenciada nas plantações florestais, cujos resultados dependem, além do maquinário e da técnica utilizados, das condições edafoclimáticas, do material genético utilizado, dentre outros fatores mais difíceis de serem controlados. Também contribui para a dificuldade na implementação da cultura da qualidade, especialmente para pequenos produtores, o pensamento comum no país do futebol de que “em time que está ganhando não se mexe”. Tal prática ainda é comumente observada quando conversamos com produtores florestais, que executam suas atividades conforme a tradição ou porque a propriedade rural vizinha está obtendo resultados satisfatórios, não levando em consideração as diferenças de sítio e/ou temporal. Muito dessa realidade está relacionada ao pequeno número de pesquisas documentadas que comprovam a eficiência e a economia ainda existem muitas barreiras que as grandes organizações e, especialmente, os proprietários rurais devem superar para que possamos avançar cada vez mais com o desenvolvimento da gestão da qualidade no setor florestal "

Philipe Ricardo Casemiro Soares

Professor de Economia e Gestão Florestal da UDESC

da adoção de diferentes metodologias voltadas à gestão da qualidade no setor florestal, especialmente nas áreas de plantações florestais, bem como que os resultados dos estudos existentes cheguem aos produtores. O que observo atualmente é um pequeno número de pesquisadores nas universidades e institutos de pesquisa que buscam desenvolver o tema.

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Apesar desses desafios que estão sendo superados, as empresas florestais estão identificando a importância de investimentos na área de qualidade de processos, estudando e implementando metodologias e ferramentas com foco em atender às necessidades de seus clientes, sejam eles internos ou externos. Nesse contexto, destaca-se também a importância do papel do cliente interno da organização, sendo que, em sua gestão, deve-se levar em consideração que a empresa é um sistema aberto, onde se observa internamente uma relação fornecedor-cliente entre seus diversos setores ou departamentos, como é o caso da colheita florestal que, além de fornecer madeira, disponibiliza a área para posterior implantação ou condução de um novo povoamento florestal. Ainda sobre a colheita florestal, em função de sua contribuição para os custos da empresa, é nessa atividade que geralmente são observados os primeiros esforços na adoção de programas da qualidade, que posteriormente são difundidos por todo o processo silvicultural. A implementação da gestão da qualidade nas empresas florestais deve se iniciar com o conhecimento do processo e um planejamento detalhado, objetivando a melhoria da sua situação atual, o que deve se tornar uma rotina. Essa filosofia, iniciada no Japão com o nome Kaizen, busca a melhoria contínua da organização. Na sequência, o planejamento deve ser executado, verificado e corrigido quando necessário, visando atingir um nível de qualidade


Opiniões satisfatório em função das condições e recursos disponíveis. No popular, estamos “rodando” um ciclo PDCA (Plan - Do - Check - Act). Vale destacar que é nessa fase que buscamos adaptar as metodologias às peculiaridades observadas nas empresas do setor. Dentre as ferramentas e as metodologias mais utilizadas e estudadas, podemos destacar aquelas voltadas para a avaliação de riscos e de não conformidades, bem como para o desenvolvimento de produtos e processos com foco nas necessidades dos clientes. Visando à motivação na continuidade e na comprovação do sucesso da implementação da qualidade do processo, é importante que as empresas monitorem seus custos relacionados à qualidade por meio de indicadores, tradicionalmente divididos nas categorias de avaliação, prevenção e falhas, destacando-se que, quanto maior o investimento nas duas primeiras categorias, menores serão os custos relacionados às falhas ou não conformidades observadas nos processos, gerando impacto positivo sobre a satisfação do cliente. Além dessas medidas de custos, complementadas por variáveis relacionadas à receita, que avaliam a performance financeira da implementação da gestão da qualidade, é fundamental a definição de indicadores de desempenho que avaliem o processo produtivo, de forma a descobrir desvios, permitindo que as ações corretivas sejam prontamente executadas.

Nesse sentido, as empresas do setor estão adotando inúmeras medidas que permitem acompanhar e manter seus processos sob controle, também existindo a possibilidade de avaliação da satisfação dos clientes e dos colaboradores. No entanto deve-se atentar para a qualidade e a quantidade de indicadores, de forma a não inviabilizar técnica ou economicamente a gestão da qualidade. Alcançado o nível de qualidade desejável, a padronização das atividades por meio do desenvolvimento de procedimentos operacionais deve ser utilizada para manter a empresa dentro dos padrões previamente definidos, passando, assim, para um ciclo SDCA (Standard - Do - Check - Act), até que uma nova melhoria seja possível, situação em que voltamos novamente ao planejamento. Dessa maneira, apesar de o cenário estar se tornando cada vez mais favorável à qualidade no setor florestal, ainda existem muitas barreiras que as grandes organizações e, especialmente, os proprietários rurais devem superar para que possamos avançar cada vez mais com o desenvolvimento da gestão da qualidade no setor florestal, permitindo a implementação e a adaptação de metodologias mais avançadas, como observamos em diversos setores da economia, atendendo às necessidades da ampla gama de clientes de uma empresa atuante no setor florestal. n


ações corporativas nas comunidades do entorno

somar esforços para A evolução do ser humano como indivíduo e sua organização em sociedade têm apresentado constante transposição de paradigmas sociais. A configuração da nova ordem mundial e a respectiva organização social ganharam relevância e poder de interferência das comunidades e políticas públicas no plano de negócio das organizações. Assim, é fundamental compreender, a priori, o modelo de gestão e de ocupação territorial na interrelação entre sociedade civil, poder público e iniciativa privada. Pode-se considerar que tais aspectos sociológicos são instrumento estruturante do investimento social corporativo, que é a destinação estratégica de recursos da empresa (financeiros, humanos, técnicos ou gerenciais) para o benefício público. A competitividade do setor de celulose e papel estará cada vez mais intensa ao longo dos anos, com evolução das tecnologias, das exportações e do saldo da balança comercial.

É um desafio para nós explicar o atual cenário conflituoso do País para os acionistas e, ainda assim, viabilizar recursos para investir em melhorias em nossos empreendimentos. "

Naohiro Doi

Diretor-Presidente da Cenibra

Simultaneamente, considerando as intempéries das mudanças climáticas, a disponibilidade de recursos e a consciência crítica social, a relação do setor com as comunidades exige, cada vez mais, reflexão quanto ao modo de interagir. Acreditamos que parcerias efetivas são fundamentais para transformar a sociedade, de modo a obter-se um desenvolvimento equilibrado e sustentável.

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transformar

A integração entre o poder público, iniciativa privada e sociedade civil deve evoluir no sentido da transparência do diálogo, da ética e da responsabilização das ações. As empresas, como participantes da sociedade, devem ser parceiras das comunidades para contribuir para o desenvolvimento, sem assumir responsabilidades de governo. Nesse sentido, a partir de um atualizado perfil socioeconômico e cultural dos municípios em que atua, a Cenibra, por meio de seu Instituto, avalia projetos em andamento e prospecta novas ações e potencialidades. A eficiência das ações e dos projetos é constatada quando há geração de valor para todos os envolvidos: iniciativa privada, pública e sociedade civil. Cumprindo continuamente além do exigido pela legislação, a empresa, por meio do Instituto Cenibra, assume seu papel de organização cidadã,


Soluções

inteligentes

contra

incêndios!

Equipamentos de pronto atendimento e agilidade no controle e combate à incêndios.


ações corporativas nas comunidades do entorno promovendo a preservação da biodiversidade, disseminando conceitos de educação e investindo na valorização da vida. Ciente dos aspectos sociais decorrentes de suas atividades, a Cenibra cumpre suas obrigações legais com a geração de impostos e pagamento de tributos; e faz mais: desenvolve inúmeros programas com o objetivo de elevar os níveis de qualidade de vida das populações. A Cenibra não está apenas em Belo Oriente, onde está a fábrica. A atuação da empresa se estende a 54 municípios de Minas Gerais, e, com o programa de Fomento Florestal, esse número sobe para cerca de 90 municípios, dentre os 853 que o estado possui. O investimento social corporativo da Cenibra integra o plano de negócios da empresa de forma determinante, para garantir o desenvolvimento sustentável. O Instituto Cenibra possui 50 projetos socioambientais, que contemplam as áreas de educação, meio ambiente, inclusão digital, geração de trabalho e renda, resgate cultural, esporte e cidadania. As diretrizes de relações institucionais da empresa objetivam também promover o relacionamento positivo com as comunidades, por meio de doações, intervenções de infraestrutura e contatos com lideranças, dentre outras demandas. A partir da análise do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e do Índice Mineiro de Responsabilidade Social (IMRS) dos municípios em que atua, o Instituto Cenibra realiza um plano considerando também a análise da vocação cultural e econômica dos municípios, indicadores relacionados às dimensões saúde, educação, segurança pública, assistência social, meio ambiente e habitação, cultura, esporte, turismo e lazer, renda e emprego e finanças municipais, buscando proporcionar a melhoria da qualidade de vida, por meio de uma gestão integrada, que garanta trabalho, geração de renda, valorização cultural e formação de consciência crítica. Para transformar os desafios em metas alcançadas, é fundamental a parceria com a iniciativa privada. O Instituto Cenibra valoriza e busca sempre aprimorar as relações dos diversos segmentos da sociedade. Além dos projetos que realizamos, apoiamos diversas iniciativas dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Acredito que a responsabilidade social não se resume à prática filantrópica, ao cumprimento das leis, ou ao simples apoio à comunidade. Um dos pilares do desenvolvimento sustentável, a responsabilidade social é uma atitude renovada constantemente, gerando valor para todos e contribuindo para a melhoria da qualidade de vida.

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Em 2017, foram realizadas diversas intervenções na infraestrutura pública em parceria com prefeituras e projetos culturais e esportivos nas comunidades de atuação. Foram mobilizados atendimentos a demandas municipais, disponibilização de recursos e patrocínios na ordem superior a R$ 5,5 milhões. Trata-se de iniciativas nas áreas de saúde, educação, desenvolvimento econômico, meio ambiente, sociocultural, esporte e cidadania. Além disso, em 2017, foram gastos R$ 860 milhões (62% do total) com fornecedores locais (Minas Gerais). É uma prática constante da Cenibra a valorização de empresas que estejam dentro da sua área de atuação, pois entende que essa é uma forma eficaz de promover o desenvolvimento das comunidades ali inseridas. O progresso da nação está intimamente ligado ao processo sustentável de gestão pública. Processo onde os desafios para se alcançar o sucesso estão fundamentados em conceitos como neutralidade, autonomia, arrecadação, demanda, mão de obra, responsabilidade fiscal e socioambiental, distribuição e geração de renda. Compreendemos as dificuldades que a administração pública enfrenta atualmente com a limitação de recursos e o aumento de demandas sociais. No entanto acredito que uma parceria efetiva entre empresas e municípios pode contribuir para a melhoria do País. Para isso, é preciso estarem bem definidos os papéis e as responsabilidades da iniciativa privada, do poder público e da sociedade civil organizada, para somarmos esforços em parcerias sustentáveis. Administrar é determinar diretrizes e fazer escolhas entre necessidades, anseios, desafios e oportunidades. Seja em uma cidade ou uma empresa, a gestão deve ser eficiente, a ponto de garantir o crescimento sustentável e a perenidade da vida, pois, quando nos atentamos a cuidar da segurança, saúde, educação, resíduos, processos produtivos, qualidade, água, solo, fauna e vizinhos, estamos cuidando da vida. Precisamos compreender que a instabilidade política somada à insegurança social, com invasões de áreas, roubo de madeira e incêndios florestais e a insegurança econômica reduzem a atratividade do País para investimentos, em especial do capital estrangeiro. É um desafio para nós explicar o atual cenário conflituoso do País para os acionistas e, ainda assim, viabilizar recursos para investir em melhorias em nossos empreendimentos. Entretanto é tempo de acreditar na nossa capacidade interior de superação dos desafios. É tempo de renovar, de crer na integração das empresas com a sociedade, buscar novos caminhos e superar os possíveis obstáculos. n


inteligência empresarial

Opiniões

a liberdade e a excelência

Que bom seria se pudéssemos ter plena liberdade de sermos excelentes, não? Penso que a liberdade e a excelência caminham lado a lado e possuem uma relação diretamente proporcional. Logicamente, a excelência é alcançada principalmente pelo nosso esforço contínuo em melhorar as pessoas, as operações e os relacionamentos com clientes, porém as restrições à nossa liberdade, que podem ser tanto internas quanto externas, podem produzir impactos dramáticos no nosso nível de excelência. A própria matemática nos ensina. Frequentemente, utilizamos modelos de otimização em projetos florestais e, normalmente, comparamos cenários sem restrição, que nos indicam o potencial máximo de produção de valor de um empreendimento, com cenários com restrição, que nos indicam tanto o valor atingível desse empreendimento quanto o impacto que cada uma das restrições causa no resultado da otimização. De modo análogo, podemos considerar que o modelo de otimização seria o caminho para a excelência, sendo o cenário sem restrição o nosso nível máximo de excelência, e o cenário com restrição, o nosso nível atingível de excelência. Quanto mais distante o resultado desses dois cenários, piores seriam os efeitos das restrições para o nosso projeto de excelência. Quem conhece o processo sabe o quanto prejudicial ao resultado de uma otimização pode ser uma restrição severa à liberdade do modelo em produzir valor. O mesmo acontece com as restrições à nossa liberdade em atingir a excelência. As restrições internas, como temos controle sobre elas, deveriam ser de fácil resolução. Burocracias internas, deficiências e limitações podem e devem ser rapidamente resolvidas em nossas empresas. Temos que ter essa prerrogativa. E, certamente, sabemos fazer isso como poucos. Basta constatarmos a relevância e o nível de excelência do nosso setor de base florestal na economia do País e no cenário mundial. Mas o grande problema, acho, são as restrições externas ao nosso ambiente empresarial.

Restrições como as atualmente aplicadas ao uso do capital estrangeiro em investimentos florestais, por exemplo. Todos sabemos o imenso impacto negativo que esse tipo de restrição causa ao “modelo de otimização” do nosso setor e à nossa liberdade de negociação. E, certamente, o impacto que causa ao nosso nível de excelência. Outra restrição importante que foi recentemente e ainda está sendo revisada é a de se limitar a nossa capacidade de contratar uma parte do nosso processo produtivo. Concordo com Don Clifton e o Instituto Gallup quando dizem que as pessoas têm um potencial muito maior de crescimento quando elas investem energia no desenvolvimento dos seus pontos fortes, ao invés de gastarem energia corrigindo os seus pontos fracos. Se sou suficientemente bom em produzir, por exemplo, calçados, mas sou ruim em promovê-los e comercializá-los, por que não me concentrar em produzir calçados e contratar uma pessoa ou empresa competente em promoção e comercialização, para alavancar o meu negócio? O mesmo se deve aplicar às nossas empresas. Se tenho uma empresa competente em atrair e promover investimentos em florestas e não consigo, ou simplesmente não quero operar a colheita florestal nas áreas sob minha gestão, por que não ter a liberdade de contratar uma empresa competente para isso? Certamente, a minha empresa e a empresa de colheita florestal contratada poderão ser ainda mais excelentes no que fazem. Outras fontes de restrições são os sistemas de certificação, que podem não somente impactar a excelência de cada um de nós como também a excelência do nosso país. Buscas incessantes por incentivos governamentais também podem se tornar restrições importantes à nossa geração de valor. Embora esses incentivos possam produzir impacto positivo no curto prazo, eles certamente causam dependência e podem se tornar prejudiciais à elevação do nosso nível de excelência no longo prazo. Não discuto as leis, pois as leis existem para serem cumpridas. E, se não estamos satisfeitos com elas, ou sentimos que elas produzem restrições infundadas, sabemos os fóruns onde elas devem ser discutidas e alteradas. Enfim, penso que, seguindo a teoria matemática dos modelos de otimização, devemos nos concentrar sempre em buscar a eliminação das restrições à nossa liberdade de existirmos e operarmos como empresas em uma economia de mercado. E, sempre, mas ainda mais em tempos de eleições, devemos nos aliar a pessoas e a instituições que defendam a liberdade e nos ajudem nesse processo de eliminação de barreiras e restrições, para que possamos elevar ainda mais o nosso nível de excelência. n

as pessoas têm um potencial muito maior de crescimento quando elas investem energia no desenvolvimento dos seus pontos fortes, ao invés de gastarem energia corrigindo os seus pontos fracos "

José Mario de Aguiar Ferreira Gerente Florestal da RMS do Brasil

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mercado nacional

Opiniões

mercado florestal nacional Consta que a tia Inês não foi ao baile por 10 razões diferentes; a primeira delas é que tinha morrido. Portanto, todas as demais não tinham mais importância. Parodiando o caso da tia Inês, sabemos que há, pelo menos, 10 boas razões para investir em florestas plantadas, devendo começar pelo estudo de mercado. Se, contudo, não houver um mínimo de garantia da existência de um mercado que dê o retorno desejado para os produtos que serão ofertados, todas as demais razões não têm mais importância, e paramos por aí. Parece óbvio e simplista, mas, no mundo real, descuidos no exame do mercado florestal vêm sendo cometidos anos a fio e por um grande número de investidores independentes e novatos no setor. Como resultante, a madeira em pé, hoje em dia, salvo poucas exceções, de uma forma geral, está a preços tão aviltados que não cobrem nem os custos de reflorestamento, quanto mais os custos de capital e dos juros sobre a terra. Em muitos casos, preços de 10 a 15 anos atrás. E, como sempre afirmo: “o melhor adubo que existe ainda é o preço”! Sem contar aquelas plantações para as quais não existe nenhuma, eu repito, nenhuma oferta para a madeira. Este, então, o pior dos mundos. Isso posto, como introdução, passemos agora a examinar o que se denomina Mercado Florestal Nacional e suas características. Mercado - Oferta: Uma das formas de entender o mercado é conhecendo o que existe de plantações florestais. Entre as possíveis fontes de informação, uma das mais precisas e atualizadas são os números publicados pela Ibá -

Industria Brasileira de Árvores. Pelo Relatório 2017, tínhamos, em 2016, cerca de 5,67 milhões de hectares de eucaliptos (72%), 1,58 milhão de hectares de pínus (20%) e 589 mil ha de outros gêneros florestais (8%). Os plantios de eucaliptos vêm crescendo de forma constante ano a ano, tendo aumentado, por exemplo, 2,2 milhões de ha entre 2005 e 2016. Os plantios de pínus, no mesmo período, se reduziram em 247 mil ha. Contudo, no caso do pínus, se percebe que a área atual é praticamente a mesma desde 2012, indicando que parou de cair e tende a se estabilizar ou crescer vagarosamente. Fica claro, pelos números acima, que o mercado de plantações florestais no Brasil está centrado majoritariamente na madeira de eucalipto, secundado pelo pínus, espécies consagradas no mundo todo como de rápido crescimento e largamente plantadas para os mais variados usos. No tocante ao grupo outros gêneros florestais, as seringueiras, acácias, teca e paricá respondem por 96% do total existente, sendo que as duas primeiras são plantadas visando a um produto não madeireiro (látex e tanino, respectivamente) e, portanto, a madeira sendo um produto secundário. Teca e paricá são voltadas principalmente para produtos de madeira sólida e compensado, respectivamente. Muito se tem falado em outras espécies, como mogno africano, cedro australiano, que, no meu entender, vão ocupar, no segmento de madeira sólida, nichos de mercado muito diferenciados. Focaremos, neste artigo, apenas eucalipto e pínus, na medida em que representam 92% do que existe plantado no País e capazes de crescer em todos as regiões do Brasil, ao contrário de outros gêneros florestais, que necessitam de sítios com condições climáticas e fertilidades específicas.

Consta que a tia Inês não foi ao baile por 10 razões diferentes; a primeira delas é que tinha morrido. Portanto, todas as demais não tinham mais importância. "

Manoel de Freitas

Consultor da Manoel de Freitas Consultoria Florestal

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A Ponsse parabeniza todos os participantes e organizadores do 1º Campeonato Sul-Americano de Operadores de Forwarder, realizado durante a edição da Expoforest 2018. Em especial saudamos o grande vencedor Rodrigo (empresa Klabin) que operou o forwarder Ponsse ElephantKing.

Ponsse Latin America Ltda R. Joaquim Nabuco, 115 – Vila Nancy CEP 08735-120 Mogi das Cruzes São Paulo BRAZIL Tel. +55 11 4795 4600

A melhor amiga do produtor florestal www.ponsse.com


mercado nacional Dessa maneira, para eucaliptos e pínus, tendo em vista calcular a oferta da madeira em nível nacional, após multiplicarmos as áreas plantadas pelo Incremento Médio Anual-IMA mencionadas no Ibá-2017, acabamos chegando às seguintes produções sustentadas por ano: Espécie

Milhões de m3

Milhões de ha

202,5

5,67

Pínus

48,3

1,50

Total

250,8

7,25

Eucalipto

Mercado - Consumo: Pelas informações do mesmo relatório, o setor de celulose e papel detém 34% das florestas plantadas, proprietários independentes 29%, siderurgia a carvão vegetal 14%, investidores financeiros 10%, painéis e laminados 6%, produtos sólidos de madeira 4% e outros segmentos de base florestal 3%. Os proprietários independentes 29%, e investidores financeiros 10%, formando 39% da área existente, fornecem grande parte da madeira produzida para celulose, carvão vegetal e painéis, em contratos de parceria de longo prazo, bem como vendem também madeira como biomassa para energia. Ainda de acordo com o Ibá-2017, o consumo industrial de madeira de florestas plantadas em 2016 chegou a 206,25 milhões de m3 da forma a seguir. Celulose, o maior consumidor, com 80,07 milhões de m3, representando 39% desse total. Em segundo, o consumo na forma de lenha industrial, com um volume de 54,98 milhões de m3, representando 27%. Nesse tópico, cabe ressaltar que somente o uso de madeira para secagem de grãos da safra agrícola consome algo como 20 milhões de m3. A propósito, consta que o Brasil ainda possuía, em 2012, um total de 7 milhões de lares consumindo lenha (provavelmente, a maior parte nativa) e demandando 30 milhões de m3 ao ano. Em terceiro lugar, o consumo do setor da indústria madeireira (serrados, compensados), com 33,25 milhões de m3, representando 16%. Em quarto lugar, a produção de carvão vegetal, com 21,46 milhões de m3 e representando 10%. e, em quinto lugar, painéis reconstituídos, demandando 12,99 milhões de m3 e representando 6%. A esta altura, já estamos com 98% do consumo especificado nos 5 segmentos acima descritos. Não entrou nesse total a demanda para madeira tratada (uns 2 milhões de m3/ano) e para outros usos, por ser pouco significativa em termos volumétricos,comparada com os demais setores. Mercado - Balanço da Oferta x Consumo: Em continuidade, ao comparar agora a oferta de eucaliptos e pínus anteriormente mencionada, de 250,8 milhões de m3 com os 206,25 milhões de m3 consumidos, e também acima apresentados, vamos

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verificar que, em tese, havia, pelos dados de 2016, um excesso de 44,55 milhões m3 de madeira ou algo equivalente a 1,28 milhão de hectares - 17,7% do total. Estaria correto? Não é exagero, fruto apenas de cálculos teóricos? Difícil de comprovar. Alguns consultorias já falavam em 1 milhão de hectares sem destinação lá por 2016. Mato Grosso do Sul teria uns 250.000 ha de eucalipto sem mercado, e, apesar de não ter sido quantificado, se comentava também madeira sobrando em algumas regiões de Minas Gerais, São Paulo, Rio Grande do Sul, Tocantins, Paraná, entre os mais veiculados. Pela minha experiência como consultor florestal, acredito que a sobra não chegaria a tanto e que o dado é passível de estar equivocado a partir das produtividades estimadas, pois certamente podem não ter sido levado em conta povoamentos de eucaliptos que passaram para a 2ª ou 3ª rotação onde o IMA é mais baixo, povoamentos afetados por incêndios e pelas diversas pragas e doenças que vêm ocorrendo nos últimos anos, plantios sem nenhum valor comercial (pela área e localização) etc. Deve ser considerado, na análise desse balanço, que nos arrastamos por quase 3 anos em uma brutal recessão e que os dados de 2016 refletem claramente um ano em que os consumos estavam, pelo segundo ano, em queda (PIB 2015 de -3,8% e PIB 2016 de - 3,6%). Os setores mais atingidos, pelo que se sabe, foram os segmentos de carvão vegetal, indústria madeireira e de painéis. Esses 3 segmentos, em 2016, consumiram 68,03 milhões de m3 ou 33% do total. Exato 1/3 do consumo do País. Certamente, com a economia deixando a recessão em 2017 e voltando a crescer, é de se esperar que venhamos a ter um aumento significativo no consumo nesses 3 setores. Também o setor de celulose e papel continuou em franca evolução, tanto é que a produção de celulose, em 2017, já foi maior em 700.000 t (o que deve ter significado uns 2,8 milhões a mais de m3 no consumo de madeira) e deve continuar crescendo ao longo dos anos. Por outro lado, temos observado muitos reflorestadores independentes abandonando seus plantios ou removendo suas plantações para usos agrícolas ou pecuários devido à fase desanimadora de preços e à falta de mercado para a madeira. Apesar de não haver dados que quantificam essa redução de área, temos o sentimento de que não deve ser algo muito significativo. Tudo somado e subtraído, tenho a opinião de que podemos esperar uma melhoria mais consistente do mercado a partir de 2018, trazendo, como já aconteceram inúmeras vezes no mercado florestal no passado, uma nova onda de crescimento no médio prazo e atraindo novos negócios. De qualquer forma, estão aqui postos os dados para estimular uma reflexão por parte do investidor em plantações florestais. n


custos

Opiniões

a controladoria como facilitador Essencial para nossas vidas, mas muitas vezes incompreendida, a contabilidade de custos é muito antiga e surgiu da necessidade de controle de bens e de recursos de reis, de igrejas e das primeiras empresas, principalmente os mercadores, a partir do século XV. Eles precisavam saber quanto tinham de estoque, de caixa, valores a pagar e a receber, além de quais eram os clientes e produtos mais rentáveis. Continuou evoluindo na Revolução Industrial, aliando a gestão de custos a processos cada vez mais produtivos. Num mundo cada vez mais competitivo, esses conceitos são mais atuais do que nunca. Principalmente durante crises longas e duras, como a que ainda estamos passando, somente empresas com custos bem controlados conseguem manter bons níveis de caixa. Se o mercado está reprimido, é na gestão de custos que conseguimos recursos para superar a crise. Porém, a gestão de custos nunca pode andar sozinha, precisa ser inteligente e sustentável, incluindo em suas análises o aumento de produtividade, controle de qualidade, preocupação social e ambiental, além de segurança no trabalho. Reduções de custos realizadas de forma isolada quase sempre trarão problemas futuros, normalmente bem mais significativos do que a economia realizada. A área florestal envolve sempre números gigantescos. São vários milhões de reais investidos anualmente no plantio e na manutenção de suas florestas, sendo que esses investimentos só dão retorno financeiro após a colheita, aos seis ou sete anos de idade.

Esse capital precisa ter rentabilidade ao longo dos anos, e isso se dá através da formação de florestas com qualidade e produtividade, ao menor custo possível. Por exemplo, uma redução na adubação provocará menor crescimento da floresta, gerando falta de madeira e prejuízo no futuro, enquanto uma adubação além da necessária vai gerar uma floresta cara, que não terá a rentabilidade esperada. Assim, é de extrema importância que a gestão de custos silviculturais tenha foco no longo prazo, trabalhando junto com a equipe de desenvolvimento, qualidade, planejamento e inventário, monitorando o crescimento das florestas e fazendo as intervenções necessárias para garantir o suprimento de madeira e a rentabilidade esperada. A colheita e o transporte de madeira também envolvem custos muito elevados, mas com uma gestão de decisões em um tempo muito mais curto, olhando principalmente para os resultados dos próximos meses. Falhas nessas etapas aparecem rapidamente, podendo ter impactos significativos no curto prazo. Nesses casos, é importante possuir informações ágeis para corrigir o rumo rapidamente. Mas, então, como realizar a gestão de custos inteligente, gerindo milhões de reais a curto, médio e longo prazo? Considero três fatores essenciais para o sucesso: cultura, informação e método. durante crises longas e duras, como a que ainda estamos passando, somente empresas com custos bem controlados conseguem manter bons níveis de caixa. "

Fernando Cagnoni Gomes da Silva

Gerente de Custos e Controle de Operações da Duratex

Vamos falar primeiro de cultura. Uma empresa só consegue ser eficiente em gestão de custos quando esse conceito faz parte de sua cultura, estando incorporado ao dia a dia da equipe em todos os níveis, do campo à presidência.

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custos Só funciona quando o colaborador fica inconformado com o desperdício, com o subdesempenho, quando ele não aceita ver uma floresta no mato ou com baixo desenvolvimento. Tem que haver o sentimento de dono. Tem que cuidar da máquina de colheita ou do trator com o mesmo carinho com que cuida de seu carro particular. Para isso, é importante a formação de equipes motivadas e bem informadas, além de projetos estruturados de cultura. Apesar da área florestal da Duratex ter, historicamente, grande foco em custos, o projeto de cultura desenvolvido pela empresa nos últimos anos tem agregado valores importantes, aumentando o sentimento de pertencimento e a atitude de dono, além do alinhamento de discurso e de ações. Além de custos e de resultados, também é essencial a cultura de segurança e a preocupação ambiental e social. Esses pontos sempre foram de grande relevância na Duratex, mas, muitas vezes, tratados isoladamente. Com o Projeto Cultura e o Duraseg, as ações passaram a ser mais sincronizadas. Hoje, é inconcebível alguém pensar em redução de custos sem considerar, ao mesmo tempo e com o mesmo peso, se há algum impacto ambiental, social ou em segurança. Essa visão ampla facilita a gestão inteligente de custos, tornando-se sustentável e podendo ser incorporada à rotina da empresa, deixando de ser uma ação pontual que, eventualmente, precisaria de correção para mitigar outros impactos. Ainda dentro da cultura, é importante a visão de longo prazo e a integração entre equipes. Um exemplo é o trabalho conjunto do desenvolvimento e áreas operacionais na busca de novas tecnologias para redução de custos. Através de novos sistemas de operação e uso de máquinas de maior porte, conseguimos uma redução no custo de colheita da ordem de 43% entre 2001 e 2017, descontada a inflação do período. O segundo ponto importante para uma gestão eficiente das operações florestais é a geração de informações com agilidade e confiabilidade. Nesse aspecto, é importante o uso de tecnologia, com grande participação da TI, desenvolvimento e da própria controladoria. Por possuir operações dispersas, em áreas extensas e com baixa cobertura de dados móApontamento digital de campo para operações mecanizadas

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Opiniões veis, a área florestal sempre teve dificuldade na obtenção de informações de campo com velocidade e precisão. Para mitigar esse problema, implantamos o apontamento digital de campo para operações mecanizadas, usando smartphones e tablets, com aplicativo desenvolvido internamente, que permite diversas validações na entrada de dados, garantindo a qualidade das informações de colheita e de silvicultura. A comunicação automática entre aparelhos foi a solução encontrada para trazer os dados de forma rápida para o escritório, mesmo em áreas sem cobertura 3G. Com a grande extensão territorial de empresas florestais, todos os recursos que facilitem análises devem ser utilizados, como SIG (Sistema de Informações Geográficas), otimizadores para planejamento e drones, para acompanhamento de qualidade da floresta. O conjunto desses recursos é o que permite a rápida tomada de decisão, buscando correções de rumo para superação de resultados. Por fim, mas não menos importante, é a utilização de método para gestão de custos. Como já citei, a área florestal da Duratex sempre teve cultura de controle de custos, mas conseguiu melhorar muito através dos projetos da empresa. Sempre teve boas informações, mas continua em evolução constante. O mesmo vale para o método. Sempre tivemos uma gestão de custos considerada referência na empresa, mas, após a implantação do SGD – Sistema de Gestão Duratex, percebemos que muitas ações tomadas eram isoladas e podiam ser melhoradas, com o acompanhamento adequado e com a certeza de estarmos atuando na causa raiz e não somente em problemas intermediários. Através da metodologia do SGD, que utiliza o ciclo PDCA, com o levantamento estruturado de desvios e oportunidades, a identificação da causa raiz por quem está no dia a dia da operação, a validação e o acompanhamento dos planos de ação, além da divulgação das melhores práticas, conseguimos buscar economias onde parecia não haver mais oportunidades. Ao longo de 2017, somente um dos projetos dentro do SGD trouxe R$ 76 milhões de reduções de custos para a companhia, sendo R$ 11,5 milhões só na área florestal. Esse projeto teve o envolvimento de toda a empresa, com o mesmo modelo de análise em todas as áreas, do plantio de florestas à fabricação de chuveiros na Deca. A gestão de custos eficiente e sustentável só é possível através de equipes motivadas e que têm o controle de custos em seu DNA, utilizando ferramentas modernas e precisas e com metodologia eficiente de análise e acompanhamento, falando o mesmo idioma e caminhando na mesma direção. A controladoria é um facilitador dentro dessa complexa engrenagem que, se bem azeitada e trabalhando no mesmo compasso, gera economias para a empresa. A gestão de custos tem que estar naturalmente presente em cada colaborador, só assim terá sucesso na travessia das maiores tormentas e trará resultados superiores em tempos de bonança. n



manejos

regime de manejo e os vários produtos da floresta Os sistemas silviculturais representam o processo de condução, colheita e regeneração das florestas, dentro dos quais se podem estabelecer diferentes regimes de manejo, de acordo com cada tipo de produto que se quer obter. Definir o objetivo final da madeira é a premissa essencial para o manejo adequado das florestas plantadas: a escolha do local, da espécie, da densidade inicial de plantio, os cuidados pós-plantio e tratos silviculturais configuram um jogo dinâmico de variáveis dependentes. Qualquer erro pode levar à obtenção de madeira não adequada para o propósito ou produto final que será produzido. Empresas que trabalham com multiprodutos florestais necessitam ter um conhecimento aprofundado do mercado e de suas tendências, para atender plenamente a seus clientes finais, com as características de qualidade que a madeira tem que ter. É inegável que a busca pelos produtos de maior valor agregado instigam os profissionais a aperfeiçoar e a desenvolver técnicas visando alcançar seus objetivos com menos tempo e com retorno mais rápido do capital investido.

Mas, para isso, o regime de manejo, baseado em sistemas silviculturais diversos, deve ser planejado e orientado para a obtenção dos produtos em quantidade e, principalmente, em qualidade. Não posso negar que sou entusiasta do regime de manejo de Eucalyptus para serraria, onde o desbaste e a desrama são fundamentais para uma madeira com dimensões adequadas para o desdobro e com a qualidade que chamamos clear, ou seja, isenta da presença de “nós”. Uma das experiências interessantes que tive com diferentes regimes de manejo de forma simultânea foi quando produzimos madeira tratada, madeira serrada e madeira para energia. Nesse sentido, a diferenciação começava na espécie, no espaçamento e nos tratos culturais específicos. Para madeira tratada, por exemplo, aplicávamos o regime de manejo conhecido como alto fuste, o qual priorizava a produção de madeira de menores diâmetros, com o objetivo de maximizar a produção por unidade de área, eram necessários tratos culturais à formação da floresta (preparo do solo,

Definir o objetivo final da madeira é a premissa essencial para o manejo adequado das florestas plantadas "

Roosevelt de Paula Almado

Gerente de Pesquisa Florestal e Meio Ambiente da ArcelorMittal Biofloresta

plantio, irrigação, adubação, combate a pragas e doenças e controle da matocompetição), sem intervenções de desbaste ou desrama na floresta até o corte final (corte raso). A procura no mercado ditou o regime de manejo, pois as maiores demandas eram por peças de dimensões reduzidas, (diâmetros entre 7 a 10 cm e 2,20 m de comprimento); nesse sentido, para o atendimento a esse produtor, o espaçamento de 4,5 m² permitia a obtenção de peças adequadas em um tempo aproximado de colheita entre 4 e 5 anos.

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Opiniões A madeira tratada tinha suas particularidades específicas, começando pela espécie com foco na densidade; o E. cloeziana, que tinha densidades de até 600 kg/m³, proporcionava um consumo menor em até 20% de CCA (Arseniato de Cobre Cromatado) quando comparado com clones híbridos de E. urophylla, comumente plantados na época, nas diversas regiões do Brasil e erroneamente utilizados para esse fim. Após o tratamento de vácuo-pressão, os poucos milímetros no qual o produto penetrava na madeira eram suficientes para se evitar o ataque de fungos, insetos e apodrecimento da madeira, sendo que a única premissa é a madeira ser beneficiada antes. A empresa dava garantia de 15 anos por peça tratada. Com esse exemplo, o leitor pode imaginar a importância do conhecimento prévio das características da madeira, do uso adequado das técnicas que resultaram na redução do uso do produto, que era importado e que impactava fortemente no fluxo de caixa do negócio. A madeira para serraria também tinha como drive a densidade, os clones selecionados tinham entre 450 kg/m³ e, no máximo, 500 kg/m³, principalmente para que não fossem produzidos móveis muito pesados. As características silviculturais importantes, como retidão e conicidade do fuste, boa desrama natural e ângulo de inserção de galhos no fuste, eram fundamentais para obtenção de madeira serrada de qualidade. O espaçamento inicial desses plantios era de 9 m² por planta, com a realização de desbastes sistemáticos a seletivos que se iniciavam a partir de 7 anos de idade do plantio. O ciclo final se dava aos 14 anos, com uma população final de 350 árvores por hectare. Durante o período, controlavam-se as brotações de forma a se evitar a competição com as árvores remanescentes. Foram realizados vários estudos com a Universidade Federal de Viçosa no que tange ao momento ideal para desrama; foi interessante perceber que cada clone apto para madeira serrada apresentava um momento especial para a execução da atividade, não existindo uma regra geral. Esse momento ideal se dava para alguns clones e de acordo com o seu crescimento, a partir de 12 meses e, no máximo, 18. Essa idade de intervenção permitia que, ao final do ciclo aos 14 anos, o nódulo de inserção do galho estivesse completamente absorvido pela madeira, sem sinal de sua existência. Inicialmente, essa desrama se deu até 3 metros de altura, porém desenvolvemos uma metodologia na qual elevamos para 6 metros, visando à obtenção de duas toras sem nós, por árvore desramada. Grandes desafios foram encontrados no desdobro da madeira, muitos clones que não foram escolhidos

para a produção de madeira serrada tinham sua seleção já definida na hora do corte, muitos deles liberavam as tensões de crescimento na forma de extensas rachaduras, que inviabilizavam o uso da madeira. Como uma parte da madeira era utilizada em larga escala para a fabricação de estrutura interna de sofás para exportação e móveis, foi desenvolvido um secador de madeira adaptado da secagem de fumo, a qual reduzia a umidade da madeira em até 14%. Finalmente, para o carvão vegetal, o regime de manejo foi o de talhadia, no qual conduzimos o crescimento dos brotos nas cepas da floresta colhida, dando-se início a uma nova rotação florestal; para esse intento, realizou-se o manejo da brotação visando à recuperação da densidade populacional original, com a realização da retirada dos brotos inferiores. Deixamos 1 ou 2 por cepa para compensar as falhas encontradas. Nesse período, após vários testes, introduzimos a técnica de desbrota precoce, proporcionando ganhos em rendimento e qualidade da área manejada. O regime de manejo por talhadia encaixou-se perfeitamente à produção do carvão vegetal, pois proporcionou menores custos na produção madeireira, além da produção de madeira de dimensões adequadas para o processo de produção e eliminação da etapa de preparo de solo e aquisição de mudas. A densidade da madeira a partir de 550 kg/m³ era classificatória; visto a necessidade da obtenção de um carvão vegetal com resistência mecânica suficiente para sustentar a carga no alto forno, o espaçamento era de 7,5m² por planta. A floresta era conduzida uma vez, e, após 1 ciclo de 14 anos com duas rotações de 7, a área era reformada, com a utilização de novos materiais genéticos e as melhorias no manejo florestal e nutricional. De forma mais discursiva, pretendi compartilhar a experiência que tive na produção de vários produtos de uma unidade florestal, o que envolveu um detalhado conhecimento da floresta que proveu o suprimento de madeira para os fins necessários. A informação geral da característica da espécie/ clone foi importante no planejamento da produção, porém informações mais específicas da floresta colhida foram também vitais. Essas informações específicas incluíram o volume (m³) do projeto de suprimento de madeira por produto; o volume por unidade de área (m³/ha) por espécie em cada regime de manejo; as classes de distribuição diamétrica das árvores adultas, principalmente para madeira tratada e serrada; as classes de distribuição das idades das árvores na floresta; estimativas do volume disponível para cada produto relacionando-o às tendências de consumo do mercado. n

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patrimônio

Opiniões

cadastro ambiental rural O Brasil é o 5º maior país do mundo e possui a maior área agricultável do planeta, além das excelentes condições de índice solar e pluviosidade, e tem a possibilidade de obter até três safras em uma mesma área no ano. O Brasil detém o maior potencial hídrico do mundo: são 5.330 km³ renovados a cada ano, com uma média per capita nacional de 32.000 m³/habitante/ano. Temos ainda mais de 60% de cobertura florestal, considerando as várias tipologias florestais. Quero colocar o potencial ambiental que o Brasil tem frente à necessidade de se fazer o Cadastro Ambiental Rural - CAR, pois se quisessem fazer um trabalho mais adequado, incluindo a finalidade do desenvolvimento da base florestal, teriam feito um cadastro identificando também as áreas de cultivos florestais. Mas o CAR teve interesses políticos do governo, pressionado pelos ambientalistas e ONGs internacionais em comprovar que o agronegócio brasileiro estava destruindo as florestas nativas e o meio ambiente no meio rural. Em primeiro lugar, desconhecemos em qual país do mundo existe uma legislação florestal e ambiental tão rígida quanto a do Brasil, determinando índices para Reserva Legal de 20%. Mais ainda: em quais critérios técnicos lastreou-se para defini-la em 20%? Por que não 23% ou 17%?

Com relação às APPs de rios, córregos e nascentes, para as quais também se determinam valores igualmente aleatórios, não considerando a inclinação do terreno e o tipo de solo de cada região, pergunto: Quais os principais rios do mundo têm essa legislação de medidas? O Código Florestal e o CAR conseguiram, no Congresso Nacional, um pequeno avanço nas propriedades abaixo de 4 módulos e nas compensações de reservas legais em outras propriedades e da área consolidada antes de 2008. Compensações de Reservas Legais: No caso do Paraná, o Ministério Público e o setor jurídico não acataram a própria legislação do código, e estão parados, no órgão ambiental do estado, mais de 4.000 processos, sem definir o que deve ser feito. Pois, mais uma vez, a legislação e seus intérpretes não procuraram os profissionais de engenharia florestal para saber qual é a realidade do campo, se há solução técnica para isso, para que não legislassem sob pressupostos e interpretações teóricas. O Cadastro Ambiental Rural foi elaborado com o objetivo de comprovar, em cada propriedade rural, a quantidade e tipos de maciços florestais existentes, ficando a cargo e às custas do produtor rural o preenchimento dos dados, dentro

O futuro do CAR está indefinido, pois, como todo projeto político, dependerá dos interesses do futuro Governo Federal em dar continuidade, pará-lo ou modificá-lo. "

José Damião Hess

Consultor da JH Consultoria Rural e Ambiental

de prazos exigidos pelo governo e na responsabilidade jurídica de informar a verdade sob pena de sanções e processos judiciais. Para os ambientalistas e muitos integrantes do governo anterior, esperava-se comprovar, com o término do CAR, dados contrários ao agronegócio e, pior, diriam que foram declarados pelos próprios produtores, o que lhes garantiriam a sua posição.

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patrimônio Porém ocorreu o contrário, pois, através das informações obtidas em todo o Brasil, pelas declarações fornecidas, sabe-se, até o momento, que os maciços florestais estão presentes nas propriedades rurais. O PRAD, Programa de Recuperação Ambiental, baseado nos dados levantados, deverá expor a realidade atual e servir como uma ferramenta criteriosa – dependendo da posição política do futuro governo –, pois os estados ainda estão esperando a finalização do CAR para avaliar as suas estruturas de técnicos e fornecimento de mudas florestais apropriadas e de qualidade para procederem à recuperação de áreas degradadas. Na minha opinião, deve-se evitar ao máximo recuperar as áreas que hoje estão atuando com o desenvolvimento e a produção de alimentos, pois o PRAD deve focar em áreas de pastagens degradadas em grandes extensões existentes no meio rural e naquelas acima de 4 ou de 8 módulos fiscais, dependendo da região do País. A questão crucial são os custos e os prazos que deverão novamente recair sobre os proprietários rurais e florestais. Porque, se há alguém que mais depende do meio ambiente, dos recursos hídricos e da manutenção de seu solo, são os próprios proprietários rurais, que cedem, no mínimo, 20% de sua propriedade e de seu patrimônio, hoje, a exemplo do Paraná, com valores em média de R$ 200.00,00 por alqueire de terra, que deixa de ser produtiva para atender à demanda ambiental. Esse cenário permitiu comprovar que as empresas de base florestal, em sua maioria, estão respeitando e mantendo as Reservas Legais, APPs e corredores de biodiversidades. Segundo o relatório do SICAR, estão praticamente terminados os cadastros no Paraná, bem como nos demais estados. O prazo limite dado foi até fim de maio de 2018. De acordo com dados do Ministério do Meio Ambiente, temos o seguinte: Área (até 31/08/2017)

Brasil (ha)

Paraná (ha)

%

Passível de Cadastro

424.106.999

15.391.782

Total Cadastrada

439.519.964

15.188.090

<100,0

4.355.330

395.330

98,7

Nº de Imóveis

Conforme tabela acima, o CAR, segundo o Ministério do Meio Ambiente, já está praticamente realizado, porém, devido à falta de estrutura funcional, principalmente nos órgãos ambientais estaduais, no caso do Paraná, não temos mais que 10 funcionários na central para atender a toda essa demanda para análise de cada CAR e seu possível Programa de Recuperação Ambiental, o PRA, que vem a ser:

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Conforme definido pelo Decreto Federal nº 7830, de 17 de outubro de 2.012, o PRA compreende um conjunto de ações ou iniciativas a serem desenvolvidas por proprietários e posseiros rurais com o objetivo de adequar e promover a regularização ambiental com vistas ao cumprimento do disposto no Capítulo XIII da Lei no 12.651, de 2012, sendo que a inscrição do imóvel rural no CAR é condição obrigatória para a adesão ao PRA. Nossa base florestal: Somos uma potência florestal, apesar de não termos uma política planejada e aprovada que permitiriam ao País ser autossuficiente em madeiras, bem como gerar desenvolvimento sustentável, com reais benefícios sociais e econômicos diretos para as regiões do entorno, que permitiriam alavancar a economia regional e nacional multisetorial de maneira expressiva. Se o governo tivesse uma preocupação com o desenvolvimento florestal do Brasil, ou que, pelo menos, a metade do que se aplica, propaga e legisla em favor da questão ambiental fosse direcionada para a base florestal produtiva, estaríamos devidamente adequados à sustentabilidade econômica e ambiental. O manejo florestal no Paraná está proibido para qualquer espécie nativa, pois o Ministério Público e o poder judiciário, que nada entendem de florestas e pouco de meio ambiente, se impõem de forma autoritária nessas questões e sequer consultam a classe de engenharia florestal ou suas entidades, como a Embrapa Florestas e universidades, para ouvirem as soluções técnicas, que já existem e poderiam resolver inúmeros impasses e demandas, podendo orientar municípios e sua população para obterem renda, emprego e desenvolvimento na região. O próprio PRA define que um dos objetivos é fazer com que os produtores obtenham renda com os Planos de Manejos Florestais, mas os ambientalistas ligados ao poder judiciário impede que isso ocorra, sem nenhuma base técnica. Uma outra situação a observar é que somos tratados como primitivos, já que o PRA poderá ajudar os produtores a obter renda através de produtos não madeiráveis, de folhas, sementes e frutas, não tocando no uso da madeira em si, pois poderiam plantar espécies econômicas de forma rotacional, colher e manter os maciços florestais. O Sistema de Cadastro Ambiental Rural, SICAR, falhou ao criar um projeto tão complexo, sem aproveitamento técnico abrangente, e, pior, possibilitou que pessoas sem conhecimento técnico pudessem fazer o CAR, o que vai resultar num grande número de declarações erradas e com superposição de áreas, ocasionando transtornos e custas. O futuro do CAR está indefinido, pois, como todo projeto político, dependerá dos interesses do futuro Governo Federal em dar continuidade, pará-lo ou modificá-lo. n


formação acadêmica

Opiniões

formação do profissional florestal Desnecessário citar a importância que o setor de base florestal, advinda de plantios, tem na economia brasileira. Os avanços realizados ao longo de aproximadamente meio século foram impressionantes, principalmente no ganho de produtividade em dois gêneros: Pinus e Eucalyptus. Mas, como qualquer outro setor, o de base florestal passa por mudanças advindas de vários fatores, que já foram reconhecidos pela antiga Abraf – Associação Brasileira de Produtores de Florestas Plantadas, hoje Ibá, em 2012, em um relatório sucinto e interessante, denominado “Planejamento Estratégico do Setor de Florestas Plantadas”. Nesse relatório, a Abraf fez um gráfico de evolução da curva de maturação do negócio florestal brasileiro, dividindo em 4 estágios: a) introdução; b) formação da base florestal; c) consolidação; e d) operação de classe mundial, sendo que os três primeiros estágios foram definidos como a floresta “vital para suprimento da indústria”, e o último estágio, como a floresta “sendo a indústria”, e mais: em cada um dos estágios, foram apresentados vários fatores que influenciaram para que aquele estágio tivesse sucesso.

Por que esse comentário inicial? Simplesmente porque, para que cada estágio fosse alcançado, profissionais com as devidas qualificações deveriam existir no mercado, pois, obviamente, sem eles, o setor de florestas plantadas não teria tido o sucesso que teve. Nesse ponto, os cursos de Engenharia Florestal existentes no Brasil conseguiram suprir o mercado de profissionais que apoiassem as empresas nos desafios que existiam. Porém a questão é: esses profissionais estão saindo das universidades com a formação adequada para os desafios do futuro? Alguns outros pontos desse mesmo relatório podem nos ajudar a responder a essa questão. A própria Abraf coloca como missão “suprir a sociedade com produtos florestais oriundos de florestas plantadas sustentáveis”. Ora, a missão deixa claro que o foco é a sociedade (não a indústria) e deve ser sustentável (ou seja, outros conhecimentos devem ser adicionados para o alcance da missão proposta). Assim, o profissional deve incluí-los em sua formação, além daqueles que existam anteriormente, tornando-o mais holístico, tendo que ver e, preferencialmente, anteceder o que a sociedade deseja do setor de base florestal, e, portanto, conhecimento na área de humanas torna-se importante para esse entendimento e consequente aplicação de técnicas/tecnologias para suprir a sociedade, somando-se que deve ser sustentável (o famoso tripé econômico/sócio/ambiental).

O primeiro ponto conceitual na formação de profissionais da área florestal é que o seu papel é 'suprir a sociedade', ou seja, verificar qual é o desejo/ necessidade das pessoas e realizar as florestas de forma adequada para atendê-las "

João Carlos Garzel da Silva Professor de Adm Florestal e Gestão Empresarial da UF-PR

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formação acadêmica Ou seja, não há como o negócio florestal contemporâneo querer ser competitivo se não atuar junto com os stakeholders. Portanto somente o conhecimento técnico não é mais suficiente para o profissional florestal. Esse ponto se torna crucial para a boa formação dos engenheiros, e as universidades devem acompanhar essa demanda com mudanças curriculares adequadas para o novo tempo e para as mudanças altamente dinâmicas que ocorrem atualmente. O primeiro ponto importante se dá na concepção conceitual na formação desses profissionais, que devem entender que o seu papel é, como citado, “suprir a sociedade”, ou seja, verificar qual é o desejo/necessidade das pessoas (sim, é para elas que atuamos) e realizar as florestas de forma adequada para atendê-las (não há como não citar o famoso e simples conceito de demanda derivada, em que a dinâmica do processo vem do mercado final e impacta as várias fases do processo produtivo, e não o inverso). Por que a mudança no processo conceitual na formação dos profissionais? Porque, por viés colocado já no início da carreira florestal no Brasil, se internalizou que a floresta é o foco do engenheiro florestal, quando, na verdade, o foco do engenheiro florestal são as pessoas, a sociedade, sendo a floresta o seu “instrumento” para conseguir supri-las de forma adequada (famosa maximização da satisfação do consumidor/cliente), pois, se assim não for, a sociedade irá procurar em outro setor/segmento os produtos/serviços que deseja. Isso já ocorre com vários produtos que poderiam ser de base florestal. É só olhar no seu consumo se não haveria possibilidades de substituir algo por um produto de base florestal, iniciando por sua residência, por exemplo. Obviamente nem todos os sucessos ou fracassos foram determinados por esse profissional, já que o negócio florestal é multidisciplinar, mas, para ele, especificamente, alvo deste artigo, a mudança do paradigma de sua profissão e, por consequência, de sua formação, é fundamental para apoiar o contínuo aumento da competitividade da atividade florestal. O espaço para o modelo de atuação realizada nas décadas passadas já está ultrapassado. Novos desafios e oportunidades têm aparecido; a sociedade está exigindo, cada vez mais, que, nas atividades realizadas, os componentes social e ambiental estejam presentes, inclusive com mudanças de padrões de consumo, seja ele realizado de forma espontânea ou imposta pelo estado (como exemplo, a recente decisão no Rio de Janeiro de proibir canudos plásticos, o que gera uma oportunidade para o setor de base florestal).

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Opiniões Esses desafios mudam muito rapidamente neste novo mundo altamente globalizado e, portanto, esse profissional deve ser altamente dinâmico para rápida adaptação aos desafios que rapidamente surgem, para dar as respostas adequadas. Assim, a complexidade aumentou, e a competência dos profissionais deve acompanhá-la. Se os currículos da graduação são menos flexíveis, devem esses profissionais procurar estar continuamente complementando seu conhecimento durante sua carreira, principalmente na área de gestão, quesito que é pouco focada na graduação. Quando falamos em gestão, fala-se de treinamento em como atuar com pessoas – sim as pessoas são o foco, sejam elas internas ou externas à empresa –, atuar com foco nos retornos que a empresa deseja, financeiros e não financeiros, mas que estão intimamente interligados, sendo um consequência do outro. Devem ser treinados para olhar para o futuro, ou seja, treinados em visão estratégica, planejamento estratégico, até porque o que é realizado hoje terá a consequência no futuro, e, portanto, conseguir entender o que poderá acontecer é fundamental para qualquer atividade, principalmente em um mundo altamente dinâmico. Iniciativas nesse sentido estão em andamento. Já se verifica que cursos de graduação colocam esse conhecimento em seus currículos, de forma ainda não adequada (até porque deve existir um limite, pelo volume de conhecimentos que deve ser repassado), mas não se verifica a mudança do paradigma da função do engenheiro florestal nessa fase de sua formação. Onde ocorre, então, a maior dinâmica na complementação desses conhecimentos? Em cursos complementares ainda na graduação, como o realizado pelo IPEF em curso de curta duração denominado “PPGF - Programa de Preparação de Gestores Florestais”, ou cursos de pós-graduação, como o curso de MBA em Gestão Florestal da UFPR, que visa complementar o conhecimento com temas na área de mercados, estratégia, economia e temas atuais que envolvem o setor de base florestal. Como citou Jack Westboy (engenheiro que trabalhou na FAO) décadas atrás, “Forestry is not about trees, it is about people and it is about trees only insofar as trees can serve the needs of peoples”. Em uma tradução livre “Silvicultura (podemos, então, falar a floresta) não é sobre árvore, é sobre pessoas e é sobre árvores somente se as árvores puderem servir às necessidades das pessoas”. n


especial - expoforest 2018

OpiniĂľes

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expoforest 2018 a consagração do setor florestal brasileiro Ricardo Anselmo Malinovski Se tivéssemos que apontar um país ideal para a realização de uma feira florestal de nível mundial, seria difícil encontrar uma nação mais propícia para isso do que o Brasil. Referência mundial quando o assunto é floresta plantada, o País conta com excelentes condições edafoclimáticas, ciência genética avançada e tratos culturais em constante evolução, com uma área plantada de cerca de 7,84 milhões de hectares, segundo o relatório 2017 da Ibá. Foi por reconhecer seu caráter excepcional que o mercado florestal brasileiro deu voz ao seu anseio de ter, em território nacional, um evento de porte global voltado exclusivamente ao segmento, no mesmo nível de feiras de renome internacional, como a Elmia Wood, realizada na Suécia. E, assim surgiu, em 2008, a Expoforest – Feira Florestal Brasileira, evento criado pela Malinovski para atender a essa demanda de longa data do setor florestal brasileiro. Crescendo a cada edição, a Expoforest se tornou a maior feira florestal dinâmica da América Latina e um dos grandes marcos no calendário mundial de eventos florestais. Realizada a cada 4 anos, a feira, hoje, contempla todos os segmentos da cadeia produtiva da floresta, apresentando tecnologias inovadoras nas mais diversas áreas, de novas moléculas para controle de matocompetição a soluções para detecção de incêndios, de sistemas de telemetria a avançados softwares e plataformas integradas de gestão de ativos florestais. Como não poderia deixar de ser, a edição 2018 da feira, realizada de 11 a 13 de abril em Santa Rita do Passa Quatro (SP), em uma floresta de 200 hectares de eucalipto clonal pertencentes à International Paper, refletiu o crescimento do setor florestal brasileiro e superou as expectativas estabelecidas pela organização. Com mais de 4 km de trilhas e grande número de demonstrações dinâmicas de operações florestais, a 4ª Expoforest fez jus ao lema Extreme Forestry Fair, escolhido para essa edição. Ao todo, 30.645 visitantes (10.318 no primeiro dia, 13.632 no segundo e 6.695 no terceiro) puderam conferir as novidades de 240 empresas expositoras, incluindo grandes players mundiais do mercado de máquinas e de equipamentos florestais, como Caterpillar, John Deere, Komatsu Forest, Ponsse e Tigercat (membros do Conselho Gestor da Expoforest). Tratando-se de um evento global, além de visitantes de todos os estados brasileiros, estiveram presentes na feira profissionais altamente qualificados de 30 países. A inovação, é claro, continuou sendo um dos destaques dessa edição. Além das novidades dos expositores, a 4ª Expoforest trouxe o Forwarder The Championship – 1º Campeonato Sul-Americano de Operadores de Forwarder, competição idealizada com o objetivo de destacar o papel crucial dos profissionais que atuam na linha de frente das operações florestais. De acordo com as informações levantadas com os expositores, mais de R$ 310 milhões foram fechados e prospectados durante o evento, resultado 104% superior ao volume de negócios da Expoforest 2014 (R$ 152 milhões). O sucesso da feira comprova o potencial do próprio setor florestal brasileiro, capaz de enfrentar os efeitos da crise com resiliência praticamente inigualada por outros segmentos da indústria nacional. Como parte do calendário mundial de feiras florestais da FDF (Forestry Demo Fairs), grupo composto pelos maiores eventos internacionais do segmento, a próxima edição da Expoforest está programada para 2022 – e, assim como o próprio mercado, a tendência para a feira é apenas continuar crescendo. n

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Agroceres - Atta Kill

Augusto Tarozzo, Gerente Comercial e Marketing

"A Expoforest concentra o principal setor do negócio da Atta-Kill, empresa do Grupo Agroceres e fabricante das conceituadas Iscas Formicidas Mirex-S, um dos principais produtos de demanda do setor. O foco da participação foi a apresentação das tecnologias embarcadas no programa Result que já está em andamento em empresas do setor. "

Bayer

Ricardo Cassamassimo, Coordenador de Marketing – Floresta Brasil

"A ExpoForest representou uma grande oportunidade para a Bayer mostrar seu trabalho no setor Florestal para elevar os níveis de produtividade. Foi uma oportunidade para mostrar como as soluções Bayer fazem diferença, principalmente no controle da mato competição. Fechamos muitos negócios dentre os mais de 3.000 visitantes e nossa expectativa para o futuro é bem positiva. "

Correia Neto

Luiz Neto, Diretor de Tecnologia, Pesquisa e Desenvolvimento

"A ExpoForest foi importante para o lançamento de nosso sistema de produção de tubetes compostáveis, pois nos colocou em contato com os maiores viveiros e empresas florestais do Brasil e internacionais. Não podemos quantificar as vendas realizadas pois muitos contratos ainda estão sendo fechados. Porém, foi muito acima das expectativas. O investimento na ExpoForest retornou nos primeiros dias. "

Corteva Agriscience - DowDuPont

Guilherme Caldeira, Gerente de Marketing de Campo da Corteva Agriscience

"Estreamos em 2018 na Expoforest e ficamos impressionados com a grandiosidade, o nível técnico e a participação de toda a cadeia do Brasil e exterior. Tivemos a oportunidade de mostrar nosso portfólio completo de soluções para o controle de plantas daninhas no segmento de reflorestamento e estreitar o relacionamento com as maiores reflorestadoras do País. A expectativa de negócios foi superada. "

Dinagro

Mauricio Romano – Diretor Comercial e Marketing

"Foi de suma importância participar da Expoforest. Recebemos nossos clientes para bate papo informais e estreitamos ainda mais nossos relacionamentos. Sabemos que os negócios acontecem naturalmente no decorrer do ano e esses resultados são colhidos nos anos seguintes. Nossa expectativa é que cheguemos entre 1.200 e 2.000 toneladas de Isca Formicida Dinagro-S vendida até o final de 2019. "

Eloforte

André Wedderhoff - Gerente

"Participar da Expoforest foi uma grande oportunidade para mostrar nossos casos de sucesso e demonstrarmos na prática os ganhos e vantagens que oferecemos com nossos produtos. Embora não temos por costume vender durante as operações de feiras, temos com viáveis a venda de mais de 20 equipamentos em contatos iniciados na Expoforest-2018. "

FMC

Fábio José A. Marques, Gestor de Contas & Desenvolvimento Florestal da FMC

"A Expoforest foi uma excelente oportunidade de integração e para a troca de conhecimento com os principais profissionais do setor, clientes e empresas reflorestadoras, com destaque para a apresentação nosso portfólio de soluções para controle de mato, pragas e doenças, bem como proteção e desenvolvimento da mudas de eucalipto. Ficamos muito satisfeitos com o resultados alcançados. "

J de Souza

Anderson de Souza, Diretor de Comércio, Indústria e Serviço

"A Expoforest é a principal vitrine do setor florestal latino americano. Foi um importante gerador de negócios para a marca J de Souza no Brasil, na América do Sul, na América Central e até fora do continente. Os negócios realizados na feira e nos dias imediatos atingiram R$ 850.000,00. Somando-se os negócios realizados na feira, no primeiro mês pós-feira e o estimados para 2018, gerados ou alimentados pela força do ambiente da Expoforest, deveremos atingir a casa dos 2 milhões de Reais. "

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Opiniões

especial - expoforest 2018 Kadant

Luiz Carlos Corrêa, Gerente de Marketing

" Para a Kadant a Expoforest foi a porta de entrada para uma linha de produtos que começamos a desenvolver no Brasil. Uma experiência de grande valia. Durante a exposição recebemos um volume de consultas significativo. O relacionamento estabelecido agrega valor à marca e gera um fluxo de solicitações realmente representativos."

Librelato

Fábio Rossi Tronca, Gerente Nacional de Vendas e Marketing

" Por ser uma feira especializada, as negociações comerciais diretamente com clientes florestal não limitou-se a um evento de relacionamento. Foram prospectados e estão em andamento negócios para aproximadamente 200 implementos para transporte de madeira, dos quais já foram fechadas vendas para 50 unidades, com valor em torno de 4 milhões de reais. "

Oregon

José Mayer, Gerente de Marketing & Vendas Brasil

" Para nós a Expoforest representa a possibilidade de estar junto com nossos clientes num evento que hoje é tido como global. É também a oportunidade de estreitar laços profissionais, apresentar novos produtos e acompanhar tendências de mercado. Nosso intuito de participação é exclusivamente institucional. "

Ponsse

Fernando Campos Passos, Gerente de Vendas e Marketing

C

"A Expoforest se consolidou como uma das três maiores feiras florestais do mundo. Realizamos o lançamento mundial da nova grua K121 para o forwarder Elephant King, bem como de várias ferramentas voltadas ao treinamento técnico e operacional – onde se inclui o simulador de realidade virtual e escavadeira, do Ponsse Manager, sistema de gestão de frotas, dentre outros. Recebemos visitantes de 13 países diferentes. " M

Y

CM

MY

Sergomel

Elaine Cristina Gomes, Diretora de Marketing

"A Expoforest foi uma vitrine para que novos clientes conhecessem a marca e os produtos que a Sergomel fabrica. A expectativa é muito boa, pois tivemos uma quantidade significativa de visitas qualificadas e, em razão deste fato, estamos recebendo continuadamente pedidos de orçamentos, como fruto dos contatos iniciados nos dias da feira. "

CY

CMY

K

Stihl

Rafael Zanoni, Gerente de Marketing

" Participar da principal feira do setor florestal na América Latina, foi de extrema relevância para a Stihl, pois atingimos o público profissional estratégico para lançamentos e apresentação do melhor em tecnologia para soluções do cotidiano destes profissionais. Lançamos novas motosserras ideais para o manejo florestal, traçamento de madeiras de grande porte, desbaste e cortes longitudinais. A expectativa é muito positiva. "

TMO

Deydre Busato Tortato, Marketing

" Foi um bom momento para estreitar a relação com os nossos clientes, prospectar novos clientes a nível nacional e internacional além de mostrar para o mercado florestal todas as soluções que a TMO veio desenvolvendo nos últimos quatro anos como nossa linha de garras traçadoras, garras para escavadeiras e os cabeçotes harvester Nisula e Waratah. "

Unibrás

Gabriel Biagiotti, Engenheiro Florestal

" A Expoforest é a principal feira florestal do Brasil onde a Unibrás apresentou seus produtos e serviços. Nesta edição apresentamos inovações para o controle de formigas cortadeiras como sistema de aplicação mecanizada de iscas formicidas Atta Flex e o projeto de gestão e rastreabilidade do controle de formigas cortadeiras Atta Flex Costal GPS. As negociações iniciadas na feira gerarão vendas ao longo de todo ano."

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FSIGN®

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