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Editorial Por Lucas Saba

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MAM (Museu de Arte Moderna de São Paulo) fica localizado na zona sul, no parque Ibirapuera próximo ao portão três, aberto de terça a domingos e feriados das 10hs as 17h30min, entrada seis reais e gratuita as feriados. Criado em 1948 pelo industrial Francisco Matarazzo Sobrinho, o MAM se divide em duas fases a primeira de 1948 á 1963, tendo como presidente Matarazzo que depois de 1963 doou seu acervo original á Universidade de São Paulo, e de 1963 até os dias de hoje, que por seu sucesso se afirma como uma das instituições culturais mais ativas da cidade, com uma coleção representativa da arte brasileira moderna e, principalmente, contemporânea. O museu não tem fins lucrativos, e deixa bem claro seus objetivos ser um espaço de divulgação das novas tendências, difundindo artistas contemporâneos, nacionais e internacionais por meio de exposições, publicações e cursos. Sua coleção conta com mais de 5 mil obras produzidas por artistas renomados, internacionalmente ou nacionalmente, atualmente os artistas que possuem suas obras são: Alex Vallauri e Andy Warhol. Mas já contaram com outros nomes tais 2

como: Hans Arp, Alexander Calder, Robert Delaunay, Cicero Dias, Flexor, Hans Hartung, Wassily Kandinsky, Fernand Léger, Alberto Magnelli, Joan Miró, Francis Picabia, Pierre Soulages, Victor Vasarely, entre outros. Seu projeto inicial foi inspirado no museu de Museum of Modern Art de Nova York, que tinha como objetivo ser um ‘’museu vivo’’ com bar, biblioteca, e local para projeção de filmes. O MAM possui biblioteca, restaurante, loja, auditório e uma filmoteca própria. Muito bem localizado, e adaptado por Lina Bo Bardi e Roberto Burle Marx o local é muito arborizado, seu acesso e suas atividades são acessíveis a todos, não havendo barreiras físicas, sensoriais, mentais, intelectuais ou sociais. O MAM não é apenas campeão de bilheteria o museu é um verdadeiro colecionador de prêmios já conquistou mais de dez prêmios, desde 2008 todo ano ganha pelo menos um prêmio, sendo um dos mais importantes o prêmio de acessibilidade conquistado em 2010, premiado pela revista Revista Sentidos. Há décadas o MAM, vem cumprindo seu objetivo inicial, de pluralizar a arte em todas as culturas e acima de tudo a diversidade de interesses de todas as classes sociais no que desrespeita a ARTE mundial. Crédito Foto: Acervo público


Sumário 04 05 06 07 08 10 11 12 13 14 15

Sobre Alex Vallauri Principal obra de Alex Vallauri volta a ser destaque em São Paulo A pop-art de Vallauri Transgressão de Alex Vallauri perde força no MAM A história do Stencil Art e a importância para Allex Vallauri Allex Vallauri: pioneirismo no grafite brasileiro Político cafona: uma caminhada pelo universo anárquico de Vallauri A crítica irônica de Vallauri A personalidade de Andy Warhol As diversas faces de Andy Warhol como “Lady Warhol” Um retrato da Era Pop 3


Sobre Alex Vallauri Por Gustavo Amaral

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na FAAP, em 1985 participa da 18ªBienal

Crédito: Lucca Rebelato

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lex Vallauri nascido no dia 9 de outubro de 1949 em Asmara na Etiópia mas radicado no Brasil, foi pioneiro na arte do grafite no Brasil, usou outros suportes alem dos muros urbanos, suas artes estamparam camisetas bottons e adesivos. Para Vallauri ,o grafite é a forma de comunicação que mais se aproxima do seu ideário de arte para todos. Veio para o Brasil, primeiramente para a cidade litorânea de Santos onde treinou a técnica da gravura retratando pessoas no porto de santos, mais tarde partiu para a capital paulista com sua família no ano de 1965. Vallauri era formado em Comunicação Visual pela FAAP (Fundação Armando Álvares Penteado) onde mais tarde se ministrou em desenho. Por volta dos anos 70 criou interesse por objetos kitsch que fez que o passasse a fotografar painéis de azulejos, pintados nos anos 50 e colados nas paredes de restaurantes de São Paulo. Seus registros fotográficos resultaram no vídeo “Arte para Todos”, mostrado na Bienal Internacional de São Paulo em 1977. No ano de 1975 saiu do Brasil para Estocolmo na Suécia para se especializar em Artes Gráficas no Litho Art Center. Retorna ao Brasil em 1977 para dar continuidade aos grafites em espaços públicos, desta vez nos muros de São Paulo, ao mesmo tempo em que estudava novas maneiras de aplicações de gravura como a xerografia. Nos últimos anos de sua vida entre 1982 e 1983 foi para Nova Iorque estudar artes gráficas no Pratt Institute. Volta novamente ao Brasil, passa a dar aulas

de São Paulo com a instalação “ A Festa da Rainha do Frango Assado”, seu trabalho mereceu retrospectiva no Museu da Imagem e do Som em 1998. Alex Vallauri morreu no dia 27 de março de 1987 na cidade de São Paulo. A interferência Urbana-Grafite é uma documentação áudio-visual resultante de um trabalho seu de três anos apresentado na Pinacoteca do Estado de São Paulo em sua individual intitulada: Muros de São Paulo. Ganhou, em 1981, o prêmio Arte Comunicação da Associação Paulista de Críticos de Arte, pelo conjunto de sua obra. Uma das maiores características de Alex Vallauri é o interesse em resgatar o passado, o apropriar-se das imagens, a recontextualização dos significados e as intervenções no cenário urbano.


Principal obra de Alex Vallauri volta a ser destaque em São Paulo Por Gabriel Fidalgo

Crédito: Acervo público

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exposição: “Alex Vallauri: São Paulo e Nova York como suporte’’, traz de volta a sua mais importante obra, a exposição ‘’ Festa na Casa da Rainha do Frango Assado’’, que foi realizada em 1985, na 18ª Bienal de São Paulo. A obra baseada em um ambiente caseiro possui um alto grau de ironia ao mostrar o caráter descartável da modernidade com uma sala repleta de aparelhos eletrodomésticos e moveis com estampa de onças, além é claro, da Rainha. Ela por sua vez, segundo algumas pessoas, foi inspirada em uma personalidade das artes, ainda em atividade em São Paulo. Com essa obra, Vallauri conseguiu marcar uma geração, sua obra é até hoje considerada por muitos, como um dos ícones da década de 80. O artista foi influenciado não só pela cultura ‘’Brega e Chique’’, sucesso na época, mas como também por elementos kirsh e até mesmo pela cultura pop. A obra criada no East Village de Nova York foi personificada e popularizada no Brasil, pela atriz Claudia Raia, amiga do artista. Vallauri sempre gostou de afirmar que a mostra apesar de estar na bienal, era uma arte para ser vista nas ruas, ela era uma arte marginal, segundo suas próprias palavras.

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O pop-art Alex Vallauri

Crédito: Victor Olivieri

Por Caio do Carmo

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epois de uma incursão por elementos polêmicos da sociedade santista, como as prostitutas e os estivadores, Vallauri, que inicialmente flertara com o expressionismo, mergulha de vez no universo da pop-art no final da década de 70. É o precursor de uma iconografia ligada à cultura de massa, em uma época que nem se falava em arte de rua no Brasil. Seu grafite começa a aparecer nos becos da capital paulista, sob a forma de elementos que se comunicavam com a sociedade como um todo. De cartolas e telefones a gatos saltando de helicóptero, Vallauri desenvolve 6

um trabalho despretensioso que marcaria gerações. Lembro-me de um passeio com meu pai, ele apontar o indicador aos acrobatas, figura símbolo de Vallauri, “pichados” nos muros, segundo o meu velho, sem bem entender o contexto no qual eles foram empregados. E o que dizer da bota feminina com seu viés fetichista? Essa mensagem de fácil alcance, através de figuras populares, não alheia à realidade social, marcou o trabalho deste etíope que viu nas ruas de São Paulo um ateliê urbano.


Transgressão de Alex Vallauri perde força no MAM Por Glauco Blasco

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obra de Alex Vallauri (1949-1987), em cartaz no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM), serve para refletir sobre como as instituições de arte devem tratar obras como os grafites do artista, de curta duração. Vallauri é um dos pioneiros da arte de rua no Brasil, onde espalhou seus grafites em diversos locais de São Paulo, principalmente no centro e bairros próximos, como Pinheiros e Perdizes, nos anos 70 e 80. Colocar obras que eram feitas nas ruas em um museu é uma tarefa muito difícil. “Alex Vallauri: São Paulo e Nova York como Suporte” é a remontagem da instalação “A Festa na Casa da Rainha do Frango Assado”, mostrada na 18ª Bienal de São Paulo, em 1985, que se mostrou uma das mais eficazes. Por meio dos ambientes recriados, ter noção do universo temático de Vallauri, bem como, sua maneira de ocupar o espaço, se torna possível.

A reunião de gravuras, serigrafias e registros fotográficos, antes do trabalho mais famoso do artista, também são mostrados. Entretanto, instrumentos utilizados por Alex Vallauri para realizar suas obras, como as máscaras de papel, são mostradas emolduradas. Isso se torna inaceitável, pois os visitantes do museu passam a entender esses objetos como arte, o que não é verdade. Por outro lado, a obra “Lady Warhol”, apresentada na sala menor do MAM, não tem sua transgressão minimizada. Nas fotos realizadas por Christopher Makos, Andy Warhol usa diversas perucas, inspirado claramente na imagem feminina Rrose Selavy, de Marcel Duchamp (1887-1968). A radicalidade das imagens de Andy Warhol travestido continua atual. Ademais, não só retrato de Warhol como mulher é mostrado, como também todo o processo de transformação.

Crédito: Victor Olivieri

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A história do Stencil Art e a importância para Allex Vallauri Por Gustavo Amaral

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origem do stencil s encontra na China, juntamente com a invenção do papel, no século 105d.C. Antes disso a técnica utilizava-se de elementos naturais, como folhas e rochas, para fazer as máscaras das partes que não se podia colorir com os pigmentos. Com o uso do papel se começou a entalhar a forma, o desenho, a escrita e tudo o mais que se quisesse reproduzir fielmente. Nos anos 600, na China, começaram a fazer desenhos mais complexos e aplicar a técnica para a decoração de tecido, embora com o uso de poucas cores. Foi porém no Japão que a técnica do stencil sobre o tecido se aperfeiçoou com a introdução de uma primeira máscara lavável e, consequentemente, reutilizável. O papel recebia, antes de ser entalhada com o motivo desejado, um tratamento especial com suco de caqui. Isso o deixava impermeável. O stencil vem sendo muito utilizado para decorar paredes, móveis e outros objetos. Se trata de uma técnica simples que pode, ocasionalmente, ser conjugada com múltiplas variações e assumir características diversas. Alex Vallauri nos anos 70 recupera para a arte contemporânea a técnica do Stencil Art, utilizada na modernidade, nos anos 30, por artistas de Paris. Vallauri retoma este antigo procedimento de impressão - utilizado pelos grandes pintores, inclusive no renascimento - adaptando-o às artes plásticas contemporâneas .Alex Vallauri, criador de 8

figuras irônicas e ao mesmo tempo belas, simples e ao mesmo tempo complexas, abriu caminho para uma legião de artistas, que em vez de usar os materiais convencionais da arte usaram a cidade como suporte para as suas obras. Aparece assim a escola vallauriana: artistas que utilizam o Stencil Art e, com o passar do tempo, transmitem por intermédio de oficinas artísticas, o ideal de Vallauri para as novas gerações: “transformar o urbano como uma arte viva”. O Stencil é uma forma de graffiti mais rápida e simples. Porém não tão simples como aparenta, pois um bom stencil é feito por um bom artista. A técnica consiste em utilizar uma placa como molde para a figura. Imagine quando você faz os trabalhos da escola, recorta letras na cartolina e cola no trabalho, pois muito bem, retire as letras mas deixe a cartolina inteira. Pronto. Você acabou de construir um molde para um stencil, ponha a placa sobre qualquer superfície e pinte os espaços onde as letras foram cortadas. Retire e veja o resultado. O sucesso do estilo Stencil se deve ao fato de ser utilizado sobre uma variedade enorme de superfícies, desde uma calçada ou parede ao tecido de uma camiseta, por exemplo. É utilizado também em algumas gráficas. As plataformas que servem como molde são feitas normalmente de papel, papelão e metal. Os graffitis mais impactantes são os com apelo social ou até mesmo de caráter poético, utilizados por diversas vezes nas obras de Vallauri.


CrĂŠdito: Victor Olivieri

Obras de Stencil Art de Alex Vallauri expostas no MAM.

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Allex Vallauri: pioneirismo no grafite brasileiro

Crédito: Lucca Rebelato

Por Victor Olivieri

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lex Vallauri (1949-1987) é até hoje uma das maiores referências no estilo de arte de rua, o popular grafite. Apesar da curta carreira, é considerado o pioneiro desse gênero artístico, que cada vez mais vêm tomando conta das grandes cidades. E esse é o tema de sua exposição no Museu de Arte Moderna (MAM), em sua Grande Sala, recebe a mostra: "Alex Vallauri: São Paulo e Nova York como Suporte", que conta 170 obras do artista, trazendo a trajetória e a retrospectiva de sua carreira. A exposição abriga obras que envolvem o grafite, gravura e fotografia principalmente, realizadas nas duas cidades que levam o nome da apresentação. A mostra exibe obras bastante distintas entre si, não só pelo estilo de Vallauri que varia entre projetos de fotografia e o grafite, mas por seu objetivo de resgatar o passado, juntamente com as mudanças no espaço urbano, que tornam a apresentação do museu muito 10

interessante. Entre os trabalhos mais famosos, e conhecidos pelo público estão o grafite da “A Bota Preta”, “Mandrake”, “A Rainha do Frango Assado” “Guitarrista”, e o “Puma”, quase todos realizados na década de 1980. Na década anterior, em 1970 Vallauri se dedica e desenvolve imagens para o estilo “Pop Art”, fazendo algumas xilogravuras, como a obra “Boca e alfinete”, que fazia crítica à cultura de massa. A exposição é uma grande oportunidade de conhecer as obras do artista etíope, que veio ao Brasil em 1965, e se estabeleceu em Santos, no estado de São Paulo, por onde começou produzir seus registros gráficos que tinha como o tema o cotidiano da cidade, inclusive o porto, que para as outras pessoas era um lugar de trabalho, e nem um pouco atraente, para Vallauri era uma chance de fazer arte. Nos lugares onde morou, ou apenas passou, deixou sua marca no panorama da cidade.


Político cafona: uma caminhada pelo universo anárquico de Vallauri Por Caio do Carmo O “artista do povo”, como ele ficaria conhecido, desbanalizou o Kitsch (“brega” – na tradução livre). Figuras irreverentes e triviais - com um ar vulgar -, como o peru assado sob a coluna grega, debochavam da hipocrisia burguesa. A crítica a sociedade de consumo também está presente em suas obras. “Ele rompeu com a sacralização da arte”, diz João Pinelli, curador da mostra no MAM. “Trabalhava com essa estética cafona. Transformou o Kitsch de forma erudita”. Vallauri faleceu em 1987, aos 38 anos. Nos últimos anos, ele passou a se dedicar ao público infantil. O livro “Já era Jacaré – Rolê pelo grafitti de Alex Vallauri”, de Renata Sant’Anna, é um retrato de mais uma transição na carreira do artista. “Hoje o grafite é muito presente no olhar das crianças, que veem essas obras por toda a parte. E Vallauri foi um pioneiro nessa arte”, conta Renata.

Crédito: Victor Olivieri

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uem pensa nas figuras populares que consagraram o grafiteiro, artista gráfico, pintor, gravador, desenhista e cenógrafo Alex Vallauri, não imagina a profundidade da obra deste etíope, de origem italiana, naturalizado brasileiro, mas acima de tudo “on the road”, como ele mesmo dizia. Vallauri sempre se permitiu influênciar por outros movimentos, apesar de ter encontrado no por arte – expresso no grafite – sua principal voz. Versátil, estava sempre em busca de novos desafios e conhecimento. O quadro abaixo, por exemplo, faz uma clara crítica a ditadura brasileira. A obra, de 1973, traz novamente a figura da mulher – tema recorrente nas obras do artista – ao cerne da problemática na qual a sociedade oprimida se encontrava. Esse foi o primeiro trabalho de teor político de Vallauri a ganhar dimensão nacional. Logo em seguida, viriam as araras em alusão as Diretas Já.

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A crítica irônica de Vallauri Por Lucca Rebelato

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Crédito: Lucca Rebelato

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lex Vallauri, em diversas de suas obras, utiliza prostitutas e estivadores como personagens, já que vivia e se inspirava em um ambiente portuário, na cidade de Santos, onde tais cenários eram comuns. As mulheres aparecem vestidas de maneira extravagante, com cores vibrantes e em situações irônicas. Uma prostituta em especial ganha destaque nas obras de Vallauri. Ela aparece em um vestido “oncinha”, com maquiagem pesada e bota de cano alto. Tal sensacionalismo do autor é marcante nas situações que retrata, já que utiliza uma imagem exagerada, cômica em certos aspectos, para representar sua posição. Ao contrário de outros autores, que utilizam imagens chocantes, que incomodam o espectador, para realizar sua crítica de maneira explícita, Vallauri prefere uma linguagem mais suave, com diversos elementos da pop-art. A impressão que as obras causam ao visitante é de ridicularização, de comicidade. É verdade que, ao expor sua arte em um museu, Vallauri perde um pouco de sua característica urbana, de suas raízes do “graffiti”, e leva suas obras a um patamar mais requintado, aceito pelo senso comum. Entretanto, o espaço criado no MAM, com fundos coloridos e um ambiente vivo, interage com as obras, acrescentando elementos aos olhos do visitante e colaborando para que a sensação irônica contida nas produções do artista seja mais abrangente.


A personalidade de Andy Warhol Por Alessandro Soares

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ndrew Warhola, popularmente conhecido como Andy Warhol (1928-1987), nasceu na cidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos. Ele viveu o grande momento do “American way of life”, de perto e por isso tudo foi criando sua cultura de pop art que iria mostrar ao mundo anos depois. Aos 17 anos de idade, foi estudar design Universidade Carnegie Mellon, e após a sua formação foi viver em Nova Iorque, onde em pouco tempo se tornou ilustrador de revistas de grande nome, como “Vogue” e “The New Yorker”. Com se estilo de tintas acrílicas, e dando destaque a cores fortes e radiantes, aliando as técnicas conceitos de publicidade, sem deixar de lado a perspectiva de mostrar os objetos de consumo e temas freqüentes da sociedade, lançou sua primeira exibição artística na Hugo Gallery. Após o sucesso, quatro anos depois estava presente no MOMA (Museu de Arte Moderna) da “Big

Apple”, onde vários desenhos de sua autoria foram mostrados. De personalidade forte, Warhol sempre lançou obras de muita originalidade e que causavam certa polêmica na sociedade, por exemplo, uma de suas mais famosas, a “Campbell's Soup Can” em 1968, lendária obra do pop art e de forte cunho crítico contra o consumo forte das pessoas, mas que também chama a atenção para a arte no lado publicitário, semelhante aos anúncios da época. Andy Warhol, não se conteve apenas nas obras de arte, que envolviam algumas serigrafias famosas, como a de Marilyn Monroe, Che Guevara, Elvis Presley, mais famosas, como também, lançou sua própria revista em 1969, além de vários filmes. Outra obra de grande importância foi “A Filosofia de Andy Warhol”, livro originalmente escrito por quatro autores, inclusive sua secretária Pat Hackett, sendo assinado pelo próprio Warhol. 13


As diversas faces de Andy Warhol como “Lady Warhol” Por Washington Santos

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stá em exposição no Museu de Arte Moderna de São Paulo, o MAM, durante os dias 16 abril a 23 junho na sala Paulo Figueiredo, cerca de 50 fotos de um dos maiores ícones mundiais da pop-arte, o artista Andy Warhol caracterizado como “Lady Warhol”. O artista controverso que revolucionou a pop-arte entre a década de 1960 e final de 1980 e seu grande amigo, o fotógrafo norteamericano Christopher Makos, resolveram fazer uma colaboração conjunta em um projeto, pois havia um entendimento perfeito entre eles, ambos foram reprimidos sexualmente por uma educação católica muito preconceituosa, os dois encaravam a vida e o mundo da mesma maneira, e ambos se beneficiam deste relacionamento. O projeto se tratava de fotos que traziam o artista pop transvestido de personagens femininos, uma série de fotos que falam da questão do mundo de

Crédito: Lucca Rebelato

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consumo contemporâneo, e da relação da estética, da moda e do consumo, o que ocorre ainda nos dias atuais. A ideia de Christopher Markos e Andy Warhol era brincar com a identidade. Eles se inspiraram em Marcel Duchamp e Man Ray, que em 1921 haviam feito Rrose Sélavy. Os quadros com as fotos foram pendurados de modo que ficasse na altura dos olhos das pessoas que visitassem a exposição, para que olhassem direto nos olhos de Andy e pudessem interagir. Podese notar nas fotos uma forte expressão de Andy, como os gestos e movimentos de suas mãos, e é claro, seu olhar. São duas coisas que marcam muito esta exposição. As fotos foram feitas com Andy Warhol desde o preparo até se transformar em “Lady Warhol”, onde ele usou oito perucas para as fotos, mas manteve suas roupas de trabalho, a camisa branca, jeans.


Um retrato da Era Pop Por Lucca Rebelato

Crédito: Lucca Rebelato

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uando vivia em Nova York, Andy Warhol convivia com um mundo em transformação, onde os limites entre feminino e masculino, tanto no âmbito sexual quanto no social, gradualmente se tornavam mais tênues. É exatamente esse rompimento de barreiras que o artista americano e seu amigo Christopher Makos tentaram demonstrar na exposição Lady Warhol, em exposição no MAM. Warhol é exposto em diversas fotografias, que remetem a fotos famosas de personagens femininas da cultura pop. A impressão que a exposição causa ao visitante é excêntrica, exótica. A maneira com que o artista trabalha as expressões, em conjunto com sua aparência e suas poses, é exageradamente incomum. Porém, a exposição não gera sensação de desconforto ao espectador, já que carrega certa autorridicularização, provocando um ar cômico.

Diversas associações vêm à cabeça do visitante quando se observa as imagens. Warhol demonstra como as grandes personalidades da cultura pop são lembradas pelas suas características físicas próprias, não por suas realizações intelectuais. É interessante observar que, mesmo com uma figura totalmente diferente da original, como é a imagem de Warhol com mais de 50 anos, colocada em um ‘molde’ feminino conhecido, ainda gera imediata associação com a personagem autêntica. 15


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Revista  
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