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Curso de

PREVENÇÃO DO USO DE DROGAS para Educadores de Escolas Públicas


Ministério da Justiça Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (SENAD)

Ministério da Educação Secretaria de Educação Básica (SEB)


Ministério da Justiça Ministério da Educação

Curso de

PREVENÇÃO DO USO DE DROGAS para Educadores de Escolas Públicas

Caderno de orientações

CONSTRUINDO O PROJETO DE PREVENÇÃO DO USO DE DROGAS DA ESCOLA

2ª Edição - Atualizada Brasília DF 2014


Equipe editorial – 2ª edição Ministério da Justiça Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (SENAD) Diretoria de Articulação e Coordenação de Políticas sobre Drogas Coordenação Geral de Políticas de Prevenção, Tratamento e Reinserção Social Ministério da Educação Secretaria de Educação Básica Diretoria de Currículos e Educação Integral Coordenação Geral de Educação Integral Programa Saúde na Escola

Universidade de Brasília (UnB) Instituto de Psicologia Departamento de Psicologia Clínica Programa de Estudos e Atenção às Dependências Químicas – PRODEQUI Coordenadora do PRODEQUI Profa. Dra. Maria Fátima Olivier Sudbrack Autoras Eliane Maria Fleury Seidl Luciana de Faria Leite Maria Fátima Olivier Sudbrack Maria Lizabete de Souza Póvoa Regina Lúcia Sucupira Pedroza Colaboradoras Ana Cláudia Rodrigues Fernandes Ana Maria Morais de Albuquerque Lima Nadir Maria do Socorro Nara Maria Pimentel Paula Pereira Scherre Rogério de Andrade Córdova Rute Nogueira de Morais Bicalho Ilustração Rodrigo Mafra

Copyright © 2014 – Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas – SENAD Nenhuma parte deste material poderá ser reproduzida, transmitida e gravada, por qualquer meio eletrônico, por fotocópia e outros, sem a prévia autorização, por escrito, da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas. Tiragem: 143.000 exemplares Impresso no Brasil

Ministério da Justiça Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (SENAD) Esplanada dos Ministérios - Bl “T” - Anexo II - Sala 213 CEP: 70064-900 - Brasília/DF Ministério da Educação Secretaria de Educação Básica - SEB Esplanada dos Ministérios - Bloco L 5º andar - Sala 500 – Brasília – DF CEP: 70.047-900

BS458c Seidl, Eliane Maria Fleury Curso de prevenção do uso de drogas para educadores de escolas públicas: construindo o projeto de prevenção do uso de drogas da escola: caderno de orientações / Eliane Maria Fleury Seidl; Luciana de Faria Leite; Maria Fátima Olivier Sudbrack... et.al .2.ed. Brasília, 2014. 84p. ISBN: 978-85-66507-00-3 Uso de drogas - prevenção 2. Educadores escolares 3. Escolas Públicas - Brasil 4. Rede social escolar 5. Fatores de risco 6. Ações preventivas ao uso de drogas I.Luciana de Faria Leite II. Maria Fátima Olivier Sudbrack III. Maria Lizabete de Souza Póvoa IV. Regina Lúcia Sucupira Pedroza V. Ministério da Educação VI. Ministério da Justiça CDU – 615.32:37.018.591(083.13)

As ilustrações do livro foram baseadas na arte da xilogravura, uma técnica milenar, na qual o artista utiliza uma matriz de madeira ou pedra com uma fina camada de nanquim colocada sobre papel e, depois, prensada. Rodrigo Mafra fez a transposição dessa técnica para a computação gráfica, dispensando o contorno dos elementos gráficos e combinando cores primárias em sua produção. Revisão final Consuelo M. C. Cordeiro Rossana Beraldo Projeto gráfico e editoração eletrônica Letícia Brasileiro Maylena Clécia Didier Max Acompanhamento gráfico Maylena Clécia


Sumário Introdução 9

MÓDULO 1

Atividade colaborativa de aprendizagem 1. Caracterização da escola, dos educandos e da rede social 10 1.1 Conhecendo a escola e os educandos 10 1.2 Identificando a rede social da escola 12 1.3 Produto da atividade colaborativa 1 15

MÓDULO 2

Atividade colaborativa de aprendizagem 2. Caracterização dos fatores de proteção e de risco na escola 16 2.1 Panorama do uso de drogas no contexto escolar 16 2.2 Fatores de risco e proteção na comunidade escolar 18 2.3 Produto da atividade colaborativa 2 20

MÓDULO 3

Atividade colaborativa de aprendizagem 3. Definição dos referenciais teóricos, dos objetivos e dos sujeitos da intervenção 21 3.1 Referencial teórico do projeto 21 3.2 Objetivos do projeto de prevenção 23 3.3 Definição dos sujeitos da intervenção 23 3.4 Produto da atividade colaborativa 3 25


MÓDULO 4

Atividade colaborativa de aprendizagem 4. Definição da metodologia, dos eixos de ação e sistematização do projeto 26 4.1 Opção metodológica 26 4.2 Eixos de ação 27 Eixo 1: Integração da prevenção no currículo escolar 27 Eixo 2: Participação juvenil e a formação de multiplicadores 28 Eixo 3: Resgate da autoridade na família e na escola 29 Eixo 4: Fortalecimento da escola na comunidade e como comunidade 29 Eixo 5: Acolhimento de educandos em situações de risco 30 4.3 Sistematizando e integrando as partes do projeto 32 4.3.1 Roteiro do projeto 32 4.4 Produto da atividade colaborativa 4 32

MÓDULO 5

Atividade colaborativa de aprendizagem 5. Implementando ações do projeto de prevenção do uso de drogas da escola 33 Etapa 1: Socializando o projeto na comunidade escolar: ampliando reflexões e parcerias 35 Etapa 2: Implementando ações preventivas – da teoria à prática 36 5.1 Roteiro do relatório-síntese avaliativo 5 37 5.2 Produto da atividade colaborativa 5 37


Instrumentos para ações preventivas Construindo e implementando o projeto de prevenção do uso de drogas da escola – instrumentos e orientações metodológicas 39 Apresentação 40 1. Mapa da Rede da Escola: mobilização da escola em rede para a prevenção do uso de drogas 41 1.1 Introdução 41 1.2 Metodologia de mapeamento da rede da escola 42 1.3 Apresentação do instrumento 1 44

2. Termômetro de Risco e Proteção para o uso de drogas na rede social do adolescente 51 2.1 Introdução 51 2.2 Metodologia de aplicação e exploração do Termômetro de Risco e Proteção 53 2.3 Apresentação e consigna do instrumento 58

3. Entrevista de acolhimento de adolescentes em situação de risco pelo envolvimento com drogas 67 3.1 Introdução 67 3.2 Metodologia de aplicação e exploração dos resultados 67 3.3 Apresentação do instrumento 69


Caros(as) educadores(as), O Caderno de Orientações é parte do material didático do Curso de Prevenção do Uso de Drogas para Educadores de Escolas Públicas, cujo objetivo é apresentar orientações para a elaboração de um projeto de promoção da saúde com ênfase na prevenção do uso de drogas na escola. Os temas desenvolvidos em cada módulo serão estudados por meio da realização de atividades colaborativas relacionadas a cada etapa de elaboração do projeto da instituição educativa na qual vocês trabalham. Ao todo são cinco atividades colaborativas que irão subsidiá-los mediante orientações e recursos metodológicos capazes de contribuir para ampliar o conhecimento acerca da comunidade educativa sob a perspectiva de redes sociais e do olhar atento aos contextos de risco e de proteção presentes no dia a dia dos educandos. A leitura dessas orientações deverá acontecer de forma concomitante aos estudos do livro-texto e às discussões no fórum do Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA), de modo a possibilitar a articulação entre a abordagem dos conteúdos e a elaboração do projeto de prevenção do uso de drogas. Para essa elaboração é necessário, primeiramente, fazer a contextualização da realidade da instituição, considerando seus anseios, reflexões e propostas compartilhadas na comunidade. Neste sentido, recomenda-se que as atividades sejam discutidas e elaboradas em grupo e que cada integrante contribua na sua realização. O grupo poderá ser composto por educadores e outros integrantes da comunidade escolar, ainda que nem todos sejam cursistas, mas convidados a participar dessa construção. Por isso, as orientações deste caderno remetem-se ao grupo da escola, levando em conta os desafios e agrupamentos possíveis em cada realidade. Além destas orientações, vocês contam com instrumentos complementares voltados para a realização de ações preventivas que, certamente, contribuirão para a produção das diferentes etapas de elaboração e implementação do projeto. O grupo deve realizar as atividades colaborativas no decorrer de cada módulo, sistematizá-las e postá-las no formato e prazo informados na plataforma do curso. Desejamos a todos(as) um ótimo percurso!


Iniciando a construção do projeto de prevenção Vocês, certamente, estão com algumas ideias e anseios para realizar um projeto de promoção da saúde com ênfase na prevenção do uso de drogas na escola. A reunião de pessoas motivadas em torno de um objetivo comum é muito importante na elaboração de propostas educativas. A questão do álcool e outras drogas é complexa e requer a participação e a contribuição, não só de diferentes profissionais, mas também de outras pessoas da comunidade que estejam compromissadas a trabalhar de modo integrado com os professores, funcionários, alunos e famílias. A obtenção de apoio institucional é fundamental. A experiência tem mostrado que, na falta de apoio institucional, os esforços pessoais isolados são pouco produtivos. Portanto, na elaboração e implementação do projeto de prevenção é importante que vocês reflitam sobre algumas questões: ƒƒ Com quem vocês podem contar para participar da elaboração do projeto? Essas pessoas são da escola ou da comunidade? ƒƒ De quais apoios institucionais vocês precisam? Como mobilizá-los desde o início do curso? ƒƒ Entre as propostas e iniciativas já desenvolvidas pela equipe escolar ou instituições parceiras, quais vocês avaliam que já contribuem para a prevenção do uso de drogas? Que tipo de atividades elas exercem? Como integrar saberes e práticas já existentes na equipe escolar à proposta de prevenção do uso de drogas que irão elaborar? ƒƒ Que espaços na escola e na comunidade podem ser utilizados para os encontros e reuniões de modo a garantir a socialização dos saberes e a elaboração de propostas no decorrer do curso? Sugerimos que consultem, desde já, o roteiro para a sistematização do projeto de prevenção disponível na quarta atividade deste caderno. Neste curso, a elaboração e a implementação do projeto caminham juntas e as atividades colaborativas têm a finalidade de mobilizar a rede interna e externa da escola. Essa mobilização otimiza o potencial da escola para essa realização. Ressaltamos que, durante a elaboração do projeto, é fundamental o envolvimento de pessoas da comunidade escolar que não estejam diretamente vinculadas ao curso. Para mobilizá-las nas atividades educativas, é necessário abrir espaços de participação para que haja, verdadeiramente, comprometimento e adesão. Dessa forma, a socialização, no processo de elaboração do projeto, é muito importante para a sensibilização e o envolvimento dos demais atores da escola, possibilitando a legitimação de uma proposta de prevenção na prática. O processo de construção do projeto deve ser registrado pelos educadores no decorrer do curso. Esse registro trará subsídios para a elaboração de um relato-síntese solicitado no módulo 5. Lembramos que essas atividades serão avaliadas e receberão pontuação no cômputo das notas de desempenho do cursista. Outro aspecto importante ao qual vocês devem ficar atentos é que, embora seja um trabalho colaborativo, cada educador participante deverá postar a atividade na plataforma. Cada atividade colaborativa poderá ser aperfeiçoada a partir das devolutivas do tutor e das revisões do grupo. Se a escola já dispõe de um projeto de prevenção elaborado por outros educadores vocês terão a oportunidade de atualizar, aperfeiçoar e dar continuidade ao que foi elaborado, fortalecendo e avançando na implementação do projeto na comunidade escolar. É fundamental que vocês valorizem e mantenham a comunicação com o tutor para garantir a troca de ideias e a parceria nesse percurso. Apresentamos, a seguir, as cinco atividades colaborativas de aprendizagem. Sigamos juntos!


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Caderno de Orientações

MÓDULO 1 Elaborando o projeto de prevenção

Atividade colaborativa

1. Caracterização da escola, dos educandos e da rede social Por meio desta atividade, vocês darão início a uma etapa fundamental da elaboração do projeto de prevenção, que é a caracterização da realidade escolar onde vocês atuam. Assim, as orientações estão organizadas em dois tópicos: conhecendo a escola e os educandos e identificando a rede social. Observem, na figura ao lado, que a estrutura do projeto é composta por sete itens. Neste primeiro módulo, vocês começarão a elaborar a contextualização do projeto.

Atividade

Fórum

Construindo o projeto

pContextualização

Referenciais teóricos Objetivos Sujeitos da intervenção Metodologia Referências bibliográficas Anexos

É esperado desta primeira atividade colaborativa um texto de 1 a 3 páginas contendo a caracterização da escola, dos educandos e da rede social segundo as orientações a seguir. O fórum de discussão é um espaço privilegiado de articulação entre a teoria e a prática e poderá contribuir na elaboração do projeto de sua escola. Participem!

1.1 Conhecendo a escola e os educandos Quando elaboramos um projeto de prevenção precisamos, primeiramente, conhecer os aspectos da realidade onde vamos atuar. É necessário efetuar uma espécie de diagnóstico da situação atual para propor uma intervenção preventiva realista e calcada nas demandas da escola e, em especial, dos estudantes, para quem direcionaremos nossa atenção e atuação.


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C0NSTRUINDO O PROJETO DE PREVENÇÃO DO USO DE DROGAS DA ESCOLA

A atividade consiste em descrever e caracterizar a escola e os educandos beneficiários e participantes das ações preventivas. Assim, trata-se de delinear um panorama contendo informações e análises sobre aspectos predominantes da instituição e do grupo que vocês irão caracterizar. Esse levantamento poderá focalizar estudantes, por amostragem, descrevendo aspectos sociodemográficos, socioculturais e educacionais. Afinal, se estamos construindo e vamos implementar um projeto de prevenção, precisamos conhecê-los melhor. A seguir, apresentamos algumas indagações que podem subsidiar a elaboração da atividade. ƒƒ Qual a faixa etária predominante dos estudantes? ƒƒ Quais os perfis socioeconômico e sociocultural desse público? ƒƒ Que aspectos históricos da instituição vale ressaltar? ƒƒ Como é a organização e o funcionamento da escola? ƒƒ Que recursos pedagógicos estão disponíveis? ƒƒ Os estudantes residem na comunidade próxima à escola? ƒƒ A escola conhece o perfil das famílias dos estudantes? ƒƒ Como vocês caracterizam o desempenho escolar dos estudantes? ƒƒ Como é o relacionamento dos estudantes com os professores e funcionários e vice-versa? ƒƒ Quais são as atividades escolares de maior interesse dos estudantes? ƒƒ Quais são as atividades sociais, culturais e comunitárias preferidas por eles? ƒƒ De que forma vocês poderiam conhecer melhor os estudantes? Aproveitem essa atividade para ampliar a visão sobre os educandos e compartilhar conhecimentos e experiências com seus colegas. Levantem dados já disponíveis na sua escola e identifiquem aspectos que considerem importantes.

IMPORTANTE

Conversem com as pessoas da equipe escolar que podem contribuir para a identificação da escola e dos estudantes. Aproveitem para convidá-las a participar com vocês na elaboração do projeto de prevenção. Lembrem-se de que os estudantes podem tornar-se parceiros nessa elaboração! Onde buscar informações para fazer essa atividade? As fontes de informação que poderão ajudar o grupo de educadores cursistas são muitas, algumas advindas da pesquisa de documentos, observações, escuta do cotidiano escolar e interações no dia a dia da sala de aula. Vejamos algumas fontes que podem consultar: a) o projeto político-pedagógico da escola, que apresenta uma caracterização dos alunos; b) documentos da secretaria da escola, que informam sobre os estudantes (censo escolar, ficha de matrícula, entre outros); c) dados de pesquisas realizadas na escola; d) registros de reuniões e de assembleias escolares; e) levantamentos de dados junto aos estudantes das turmas em que atuam; f) observações em outros contextos da escola (recreio, hora de entrada e saída); g) entrevistas com pessoas que conhecem a escola e os alunos; h) outras fontes de dados ou informações identificadas pelo grupo.

Questões


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IMPORTANTE ƒƒ Valorizem a realização de levantamentos no cotidiano do trabalho de cada um de vocês, junto às pessoas com quem convivem diretamente na escola. Uma opção que valorizamos é envolver a direção, os estudantes e os integrantes da comunidade local nessa caracterização, mobilizando a escola em torno da elaboração e da implementação do projeto. ƒƒ Se considerarem necessário, elaborem instrumentos (entrevistas, questionários) que poderão ser aplicados para obtenção de informações de interesse do grupo de cursistas. ƒƒ Nesse processo de caraterização, é importante que, após os levantamentos, o grupo organize os dados, faça uma análise crítica e elabore um texto síntese com os aspectos considerados mais significativos.

1.2 Identificando a rede social da escola A elaboração do projeto de prevenção da escola atende ao modelo da educação para a saúde e das redes sociais e parte do pressuposto de que o envolvimento com drogas não é uma questão apenas do indivíduo, ou seja, as relações sociais e familiares devem ser consideradas. É importante lembrar que a escola não pode ser considerada, isoladamente, como a única promotora da educação e da saúde. A instituição escolar deve se reconhecer como integrante de uma teia de relações com outras instituições para atingir seus objetivos. Esta teia constitui sua rede social. A rede social é o conjunto de pessoas/instituições que são importantes para a escola. São parceiras com as quais a escola pode contar para oferecer-lhe apoio, para integrar-se a projetos ou participar de atividades diversas do cotidiano escolar. Além do conhecimento da escola e dos educandos, faz-se necessário conhecer a rede social, identificando que relações estão estabelecidas, quais devem ser fortalecidas e quais devem ser buscadas por meio de outras parcerias. A rede social interna e externa da escola Apresentamos, a seguir, um instrumento para identificação da rede social da escola. Convidamos vocês a reconhecerem a rede social interna e externa da escola e, com isso, construir estratégias que poderão viabilizar a prevenção do uso de drogas. Para a obtenção de dados sobre a rede social da escola, vocês poderão lançar mão de diferentes procedimentos. Como exemplo: a) identificação do registro das pessoas/instituições que participam das atividades da escola; b) realização de entrevistas com pessoas-chave da comunidade e de outras instituições, ligadas às áreas da saúde, justiça, cultura, direitos humanos, etc. Identificando a rede interna da escola As instituições escolares (Conselho Escolar, Associação de Pais e Mestres – APM, Grêmio Estudantil) e os seus diferentes segmentos podem atuar como parceiros na construção e implementação de uma proposta de prevenção na escola. Avaliem o nível de envolvimento de cada integrante da rede interna de sua escola representando-o no gráfico a seguir, que também está disponível na plataforma do curso. O propósito do mesmo é subsidiar a elaboração da atividade relacionada a esta primeira etapa. Vejam as orientações a seguir.


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Vocês deverão colorir os círculos com: ƒƒ cor verde, para os segmentos ou parcerias efetivadas; ƒƒ cor amarela, para os segmentos com menor parceria, mas com boas chances de efetivação; ƒƒ cor vermelha, para aqueles segmentos com quem a escola não tem parceria efetivada ou que exigirão grande investimento para efetivá-la. No círculo “outro”, destaque outra parceria que integre a rede social interna da escola.

Gráfico da rede interna da escola

Direção Conselho Escolar

Grêmio

Projeto de prevenção do uso de drogas da escola

Alunos

Educadores

Funcionários

Outro APM

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Identificando a rede externa da escola No gráfico da rede social externa da escola são apresentados quatro grandes segmentos: família, comunidade, proteção/assistência/segurança e saúde. Primeiramente, vocês irão avaliar o nível de efetivação de cada parceria. Marquem com um X em cada parceiro desses quadrantes, da seguinte maneira: ƒƒ cor verde, para os segmentos ou parcerias já efetivadas; ƒƒ cor amarela, para os segmentos ou parcerias ainda não efetivadas, mas com boas chances de efetivação; ƒƒ cor vermelha, para aqueles segmentos com quem a escola não tem parceria e a efetivação ainda está distante de se realizar.

Gráfico da rede externa da escola Comunidade ( ) Associação de bairro ( ) Profissionais parceiros ( ) Igreja/trabalhos religiosos ( ) ONGs/projetos sociais e culturais ( ) Estabelecimentos comerciais ( ) Empresários ( ) Ex-alunos ( ) Outros__________

Proteção/Assistência/Segurança ( ) Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente ( ) Promotores/juízes ( ) Polícia Comunitária ( ) Batalhão escolar ( ) Conselho Tutelar ( ) Ministério Público ( ) Assistência social ( ) Vara da Infância e da Juventude ( ) Outros__________

Família

Saúde

( ) Famílias de alunos

( ) Postos ou centros de saúde

( ) Famílias de professores ( ) Famílias de funcionários ( ) Pais

( ) Programa Saúde na Escola (PSE/SPE)

( ) Mães

( ) Estratégia Saúde da Família (ESF)

( ) Irmãos

( ) CAPS ad

( ) Avós

( ) Hospitais

( ) Outros________

( ) Profissionais de equipes de saúde ( ) Outros________

Em seguida, pensando em um projeto de prevenção para a sua escola, articulado com a rede social, vocês deverão colorir os círculos brancos com a cor que predominou em cada um dos quatro segmentos.


C0NSTRUINDO O PROJETO DE PREVENÇÃO DO USO DE DROGAS DA ESCOLA

Considerando o resultado da avaliação da rede interna e da rede externa, façam uma análise do nível de atuação das parcerias e das possibilidades e estratégias para mobilizá-las. A avaliação servirá para o diagnóstico e a visualização da rede interna e externa da escola, e auxiliará a consolidação e construção de parcerias. Como sugestão, para aprofundar e enriquecer o mapeamento da rede social da escola, utilizem o Mapa da Rede da Escola: mobilização da escola em rede para a prevenção do uso de drogas, que se encontra entre os instrumentos para ações preventivas situados ao final do Caderno de Orientações.

1.3 Produto da atividade colaborativa 1 Reiteramos que o produto esperado desta atividade é um texto contendo: (1) a caracterização da escola e dos educandos; (2) a identificação da rede social da escola. O texto elaborado pelo grupo deverá ter de 1 a 3 páginas, em formato A4, fonte Times New Roman 12, espaçamento 1,5. Essa atividade deverá ser postada individualmente na plataforma. É importante, ainda, anexar os gráficos de identificação da rede social interna e externa da escola. Caso o grupo tenha usado ou desenvolvido outros instrumentos, poderão se inseridos na atividade a ser entregue. É importante que o grupo registre suas ações, desafios e soluções no decorrer da elaboração do projeto. Esses registros contribuirão para o relato-síntese solicitado ao final do módulo 5. Uma ação fundamental no decorrer da elaboração de um projeto é a promoção de espaços de diálogos sobre esse trabalho, o que contribui para potencializar a participação de todos os envolvidos. Tais espaços são propícios à inclusão de novas contribuições e adesões ao que está sendo desenvolvido.

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Caderno de Orientações

MÓDULO 2 Elaborando o projeto de prevenção Atividade colaborativa

2. Caracterização dos fatores de proteção e de risco na escola O projeto já está em andamento. Ressaltamos que a elaboração de um projeto é um processo e cada etapa merece dedicação de todos para a construção de uma produção de qualidade. Observem na figura ao lado que, entre os itens do projeto, vocês continuam compondo a contextualização. Esta atividade colaborativa relaciona-se ao Módulo 2 e com ela vocês darão continuidade à caracterização da realidade da escola e sua comunidade por meio do levantamento de outros aspectos. Essa se desdobrará em dois tópicos: Panorama do uso de drogas no contexto escolar e Fatores de risco e proteção da escola. Atividade

Construindo o projeto

pContextualização

Referenciais teóricos Objetivos Sujeitos da intervenção Metodologia Referências bibliográficas Anexos

É esperado, desta segunda atividade colaborativa, um texto de 1 a 3 páginas contendo a caracterização do uso de drogas na escola ou na comunidade escolar; uma avaliação dos fatores de proteção (aspectos fortes) e dos fatores de risco (aspectos frágeis) relacionados ao uso de drogas na escola.

Fórum

O fórum de discussão é um espaço privilegiado de articulação entre a teoria e a prática e poderá contribuir na elaboração do projeto de sua escola. Participem ativamente!

2.1 Panorama do uso de drogas no contexto escolar No módulo 2, vocês estão estudando sobre a classificação das drogas e seus efeitos, o uso de drogas no Brasil e em escolas brasileiras e conhecendo dados epidemiológicos sobre o tema. Agora vocês vão delinear um panorama da situação atual do uso de álcool e outras drogas no âmbito específico da sua escola, considerando que o grupo pretende realizar um projeto de prevenção na instituição escolar. O objetivo da segunda atividade colaborativa é caracterizar o uso de álcool e outras drogas no contexto escolar. A partir da caracterização realizada neste módulo e no módulo anterior, vocês terão elementos para delinear objetivos e ações do projeto.


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C0NSTRUINDO O PROJETO DE PREVENÇÃO DO USO DE DROGAS DA ESCOLA

Vocês devem identificar e refletir sobre as características da instituição onde atuam. Afinal, é importante considerar como ela é vista por vocês e que esses dados de identificação também compõem a introdução do projeto. Leiam, a seguir, algumas indagações que podem subsidiar a elaboração do panorama relacionado ao uso de drogas. ƒƒ Vocês conhecem os problemas que envolvem o uso de drogas na sua escola? Já foi feita alguma avaliação nesse sentido? ƒƒ Vocês têm acesso às informações quantitativas sobre o consumo de drogas nessa comunidade escolar? É possível fazer uma estimativa da prevalência desse consumo? ƒƒ Quais são as drogas mais consumidas no âmbito da comunidade escolar considerando, também, educadores e educandos? Bebidas alcoólicas, tabaco, maconha, cocaína, crack, energéticos, medicamentos, entre outros? Quais são as características desse consumo? Quais são os tipos de usuários: experimentador, recreativo, funcional ou abusivo/dependente? ƒƒ Quais são os problemas identificados e relacionados ao uso de drogas: danos à saúde, delinquência, evasão escolar, conflitos familiares (violência, abandono)? Relacionem fatos observados e/ou informações diversas que permitam delinear as características do problema de uso de drogas na escola. ƒƒ Como as pessoas da escola e da comunidade encaram a questão? Quais são suas crenças, valores e atitudes em relação às drogas e aos usuários de drogas? ƒƒ Vocês têm conhecimento de algum trabalho já realizado na escola sobre o tema prevenção do uso de drogas? Como vocês avaliam o uso de álcool e outras drogas no âmbito escolar pelos demais integrantes (professores, funcionários) e em relação aos familiares dos alunos? E em relação à comunidade local? ƒƒ Vocês têm informações sobre ocorrências de contextos de risco relacionadas ao envolvimento de seus alunos com drogas (tráfico, violência, delinquência, exploração sexual, incidência de doenças sexualmente transmissíveis/HIV etc.)? Quem já se manifestou preocupado com estas questões na escola? Alguém da comunidade escolar (interna ou externa) já procurou a escola para pedir ajuda ou para oferecer apoio? Quem? Quando? As fontes para obtenção dessas informações são várias. Vejam algumas: ƒƒ projeto político-pedagógico; ƒƒ registros realizados em coordenações de professores; ƒƒ atas de conselhos de classe e/ou escolar; ƒƒ atas de reuniões de pais e mestres; ƒƒ depoimentos de lideranças comunitárias; ƒƒ relatos de alunos aos professores, direção, orientadores escolares, funcionários; ƒƒ depoimentos de integrantes das áreas de saúde ou segurança pública; ƒƒ resultados de pesquisas sobre o tema feitas na escola.

Questões


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Caderno de Orientações

2.2 Fatores de risco e proteção na comunidade escolar Na perspectiva metodológica desenvolvida pelo curso, as intervenções de promoção de saúde com ênfase na prevenção do uso de drogas devem ser direcionadas para os diferentes contextos de socialização do adolescente (família, escola, comunidade). Orientamos que o contexto da escola seja avaliado em seus potenciais e também em suas fragilidades enquanto espaço de socialização, acolhimento e desenvolvimento dos educandos, considerando que esse espaço é um fator essencial de proteção. Nesta perspectiva, convidamos vocês a uma reflexão crítica sobre seu próprio espaço de atuação, que é a escola. Cabe destacar que não se trata, aqui, de culpabilizar a escola pelos problemas do uso de drogas, mas sim de reconhecer os pontos em que ela pode contribuir para a promoção da saúde e do desenvolvimento humano. O sucesso escolar e o bom relacionamento do educando com sua escola é, sem dúvida, um fator fundamental na prevenção do uso de drogas. Da mesma forma, a exclusão, o mau desempenho escolar e as dificuldades de pertencimento do educando constituem fatores de risco a serem evitados pela instituição. Reflitam sobre as questões a seguir: ƒƒ Quais os espaços e possibilidades de trabalho coletivo na escola? ƒƒ Como se dão as relações interpessoais na escola (funcionários, coordenadores, diretores, alunos, professores? ƒƒ Como é o compromisso e o envolvimento dos professores, dos estudantes, dos funcionários, dos pais com a escola? ƒƒ Como vocês consideram a relação escola/família/comunidade?

IMPORTANTE Para fazer esta atividade, consultem os textos do Módulo 2 que abordam o tema. Avaliem o levantamento realizado na primeira atividade e se querem acrescentar outras perguntas para aprimorar o diagnóstico de sua instituição. As instituições escolares apresentam potenciais e limites no desempenho do seu papel social, que podem estar relacionados a contextos de risco e proteção do uso de álcool e outras drogas. Em um sentido amplo, os fatores de risco são condições que podem causar prejuízo à saúde, ao desenvolvimento, ao bem-estar ou ao convívio social. Os fatores de proteção favorecem o crescimento pessoal, amparam e fortalecem o sujeito em desenvolvimento.


C0NSTRUINDO O PROJETO DE PREVENÇÃO DO USO DE DROGAS DA ESCOLA

Destacamos aspectos que podem ser analisados enquanto indicadores ou parâmetros para a reflexão e avaliação do grupo acerca dos fatores de risco e de proteção na escola em que vocês atuam. São fatores de proteção no âmbito escolar: ƒƒ relações de respeito mútuo, compromisso e cooperação entre agentes educativos; ƒƒ relações amistosas e de cooperação entre família e escola; ƒƒ estímulo à prática das atividades escolares; ƒƒ articulação da escola com parcerias e equipamentos sociais que fortaleçam sua ação educativa; ƒƒ verbalização de expectativas positivas com relação ao desenvolvimento e desempenho dos alunos; ƒƒ promoção de práticas escolares participativas, criativas e estimulantes; ƒƒ definição, comunicação e negociação de normas, regras e limites; ƒƒ coerência e congruência entre professores, diretores e servidores na aplicação de normas e regras escolares; ƒƒ relações abertas, honestas, sem atitudes negativas, punitivas, preconceituosas e excludentes; ƒƒ promoção de atividades sociais, esportivas e culturais significativas à comunidade; ƒƒ fortes vínculos afetivos entre professores e alunos; ƒƒ presença de afetividade e confiança no ambiente escolar; ƒƒ estímulo e exercício dos princípios de altruísmo, cooperação; ƒƒ abordagem reflexiva e pedagógica junto aos alunos, centrada em uma postura protetiva e inclusiva, sem repressão e estigmatização. Para saber mais sobre os fatores de risco e de proteção no âmbito da escola, na família e na comunidade, consultem o livro-texto nas páginas 146 e 147. Utilizem o quadro abaixo para subsidiar a elaboração do texto dessa atividade. Listem, em cada coluna, de cinco a dez fatores de proteção e de risco identificados e contextualizados à sua escola. Quadro 1 - Fatores de proteção e de risco da escola Fatores de proteção: pontos fortes da minha escola

Fatores de risco: pontos frágeis da minha escola

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2.3 Produto da atividade colaborativa 2 Reiteramos que o produto esperado desta atividade é um texto contendo: ƒƒ a caracterização do uso de drogas na escola ou na comunidade escolar; ƒƒ uma avaliação dos fatores de proteção (aspectos fortes) e dos fatores de risco (aspectos frágeis) relacionados ao uso de drogas em sua escola. Ao final, anexem o quadro preenchido pelo grupo no texto da atividade. O texto elaborado pelo grupo deverá ter de 1 a 3 páginas, em formato A4, fonte Times New Roman 12, espaçamento 1,5. Anotem as ações do grupo no espaço que vocês reservaram para os registros. Lembramos que podem fazê-lo no ambiente virtual do curso, no local reservado para esse registro. Revisão

Após receberem a devolutiva do tutor sobre o texto postado, revisem-no, aperfeiçoando o que já foi produzido. Posteriormente, essa produção irá compor o projeto de prevenção que vocês estão elaborando.


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C0NSTRUINDO O PROJETO DE PREVENÇÃO DO USO DE DROGAS DA ESCOLA

MÓDULO 3 Elaborando o projeto de prevenção Atividade colaborativa

3. Definição de referenciais teóricos, dos objetivos e dos sujeitos da intervenção

Para a realização desta atividade, vocês deverão considerar o que já levantaram na caracterização da escola, dos educandos, os fatores de risco e de proteção no contexto escolar. Frente ao universo de informações e possibilidades identificados nas atividades dos módulos 1 e 2, agora é hora de definir o referencial teórico, os objetivos e os sujeitos da intervenção do projeto, conforme podem observar na figura ao lado.

Construindo o projeto

pContextualização pReferenciais teóricos pObjetivos pSujeitos da intervenção Metodologia Referências bibliográficas Anexos

É esperado, desta atividade colaborativa, um texto de 1 a 3 páginas contendo o referencial teórico, os objetivos e os sujeitos da intervenção, segundo as orientações a seguir.

O fórum de discussão é um espaço privilegiado de articulação entre a teoria e a prática e poderá contribuir na elaboração do projeto de sua escola. Participem!

3.1 Referencial teórico do projeto Este é um momento importante na construção do projeto de prevenção, cujas orientações para a realização da terceira atividade coletiva serão apresentadas a seguir. Todo projeto de intervenção deve conter referenciais conceituais e teóricos que fundamentem a proposta. Esses representam uma espécie de “lente” através da qual compreenderemos e analisaremos a temática da prevenção do uso de drogas e da postura com a qual nos propomos abordar os diversos aspectos das políticas públicas envolvidas.

Atividade

Fórum


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Nesta fase de elaboração do projeto, após vocês conhecerem a realidade de sua escola, é hora de retomar o referencial teórico estudado para formular os objetivos que direcionarão as próximas etapas. Para tanto, consultem o livro didático e a biblioteca virtual. Poderão, ainda, aprofundar a fundamentação teórica do projeto pela consulta a outras fontes de pesquisa que julgarem interessantes e que complementam o conteúdo do curso.

IMPORTANTE Articulem propostas que estejam alinhadas à Política Nacional sobre Drogas, da SENAD, e à Política de Promoção de Saúde e da Educação Integral, orientada pelo Ministério da Educação (MEC) que foram apresentadas neste curso para fundamentar suas ações preventivas. A seguir, retomamos alguns aspectos do referencial teórico e metodológico que vocês já estudaram no livrotexto, que fundamentam a política de prevenção do uso de drogas na escola: ƒƒ o modelo da educação para a saúde, que fundamenta o Programa de Promoção da Saúde na Escola (PSE), constitui um novo paradigma na prevenção do uso de drogas, superando o antigo modelo repressor e do amedrontamento; ƒƒ a Política Nacional sobre Drogas prioriza ações de cunho comunitário, valorizando a participação juvenil e da comunidade escolar como um todo; ƒƒ no MEC, a prevenção do uso de drogas destaca o conceito de promoção da saúde integral do adolescente e da educação integral; ƒƒ a proposta de mobilização das redes sociais implica ações de otimização dos potenciais e de minimização dos riscos, incluindo todos os atores no processo; ƒƒ as ações preventivas devem assumir uma postura inclusiva de todos os educandos, em especial daqueles em condição de vulnerabilidade social, implementando as políticas protetivas de adolescentes envolvidos com drogas e outros comportamentos de risco, por meio do acolhimento que promove o fortalecimento dos vínculos e o sentimento de pertencimento; ƒƒ a drogadição, vista pelo paradigma sistêmico e da complexidade, considera, ao mesmo tempo, a amplitude do fenômeno no contexto social e a singularidade das situações, permeadas de subjetividades e intersubjetividades. Vocês podem evidenciar outros aspectos do referencial teórico que integrantes do grupo considerem importante incluir no projeto. Socializem com os diferentes segmentos da sua escola as atividades realizadas.

IMPORTANTE O diálogo baseado na escuta e no respeito entre as diferentes ideias e saberes é fundamental para a construção de um trabalho em parceria! É na simplicidade dos pequenos encontros e interações cotidianas que se realizam importantes mudanças!


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3.2 Objetivos do projeto de prevenção Vamos, agora, rumo a um passo fundamental de todo projeto de intervenção: a definição dos objetivos. Tendo claro o referencial teórico com o qual sua equipe pretende trabalhar, o momento é de delinear os objetivos do projeto. Um objetivo deve ser formulado de maneira clara e precisa, de modo que fique explícito o que vocês pretendem alcançar com as atividades que serão desenvolvidas. Algumas perguntas que podem orientá-los na definição dos objetivos: ƒƒ O que vocês pretendem alcançar com o projeto? ƒƒ Que desafios e que potenciais foram identificados no mapeamento da rede interna e externa (da atividade do módulo 1) que precisam ser considerados na elaboração dos objetivos e ações do projeto? ƒƒ Que fatores de risco (na atividade colaborativa do módulo 2) vocês identificaram e priorizariam como demanda a ser trabalhada no projeto de prevenção? Que objetivos podem ser elaborados para atender essas demandas? ƒƒ Qual a população ou sujeitos que o projeto pretende atingir? ƒƒ Quais objetivos podem ser obtidos a curto, médio e longo prazos? Formulem-nos de forma que fiquem claros. Os objetivos podem ser gerais e específicos. Os objetivos gerais são amplos e representam uma ação abrangente que se pretende desenvolver com o projeto. Os objetivos específicos constituem-se em desdobramentos do objetivo geral, são mais concretos e representam partes do objetivo geral. A palavra-chave para se definir um objetivo é um verbo no infinitivo, que expresse a ação principal a ser desenvolvida. Vejamos alguns exemplos de objetivos de projetos de prevenção do uso de álcool e outras drogas: ƒƒ aumentar a participação das famílias nas ações educativas realizadas na escola; ƒƒ incentivar a participação do Grêmio Estudantil e instituições escolares no fortalecimento de ações de promoção da saúde com ênfase na prevenção do uso indevido de drogas no âmbito escolar. Percebam que os sujeitos da intervenção, ou seja, aquela população a quem se destinam as ações do projeto, devem ser explicitados no objetivo (estudantes, famílias, comunidade, educadores da escola, dentre outros).

IMPORTANTE Delimitar o objetivo geral e os objetivos específicos é um desafio que requer exercício do grupo para fazer a escolha de qual será o foco do projeto, considerando que nem sempre é possível contemplar o alcance de todos os desafios e possibilidades identificadas para a realização do projeto.

3.3 Definição dos sujeitos da intervenção Mesmo considerando a abrangência do projeto na comunidade escolar, definam, com clareza, a quem se destinam as ações do projeto, ou seja, que segmento específico se quer alcançar, seja na comunidade interna ou externa.

Questões


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Caderno de Orientações

Se o projeto estiver direcionado à comunidade interna, os sujeitos poderão ser: alunos (especificar ano, turma, faixa etária, turno e demais características que os identifiquem); professores (identificação da função na escola, atuação, qualificação, tempo de magistério); gestores (tempo de serviço, função); pessoal de apoio administrativo e serviços gerais (função, tempo de serviço) ou as famílias dos alunos. Se as ações estiverem mais voltadas para a rede externa da escola, os sujeitos poderão ser instituições vinculadas às políticas intersetoriais. Neste caso, é importante identificar a área institucional da parceria que se quer estabelecer (saúde, segurança pública, assistência social, justiça, cultura, lazer), bem como os profissionais de cada área das políticas públicas que serão priorizadas (médicos, enfermeiros, psicólogos, policiais, assistentes sociais, agentes sociais, promotores, juízes, defensores públicos, artistas, profissionais envolvidos em instâncias de cultura e lazer, entre outras).

IMPORTANTE A escolha dos sujeitos da intervenção deve estar fundamentada nas demandas atuais da escola e na continuidade de ações de promoção de saúde e de educação integral, com ênfase na prevenção do uso de drogas. Com isso, deve-se articular ou integrar novas ações ou projetos ao que possa já estar em andamento na escola. Considerem as possibilidades de discutirem com integrantes da comunidade escolar acerca dos referenciais, da definição dos objetivos e dos sujeitos do projeto. Vocês poderão promover essas discussões antes e depois desse processo. A ideia é socializar com os demais atores da escola esse momento específico de construção dos objetivos, pois eles nortearão as ações futuras. Ao definirem os sujeitos da intervenção, vocês já podem delinear o(s) eixo(s) de ação do projeto. Por isso, antecipamos a apresentação dos eixos de ação que serão abordados na atividade do módulo 4 para vocês começarem a definir quais irão priorizar no projeto. EIXO 1 – Integração da prevenção no currículo escolar. EIXO 2– Participação juvenil e a formação de multiplicadores. EIXO 3 – Resgate da autoridade na família e na escola. EIXO 4 – Fortalecimento da escola na comunidade e como comunidade. EIXO 5 – Acolhimento de educandos em situação de risco.


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O quadro a seguir é um exercício para a elaboração do texto desta atividade e do próprio projeto que será sistematizado no próximo módulo. Quadro 2 - Definição de itens do projeto Tópicos para o referencial teórico

Objetivos

Sujeitos da intervenção

Eixo(s) de ação

3.4 Produto da atividade colaborativa 3 Reiteramos que o produto esperado da atividade 3 é um texto contendo(1) o referencial teórico; (2) os objetivos gerais e específicos; (3) a definição dos sujeitos do projeto. O texto elaborado pelo grupo deverá ter de 1 a 3 páginas, em formato A4, fonte Times New Roman 12, espaçamento 1,5. Após receberem as considerações avaliativas do tutor acerca da atividade, vocês deverão revisar o texto de modo a incorporar as sugestões para aprimorar o projeto que será entregue ao final do Módulo 4.

Revisão


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Caderno de Orientações

MÓDULO 4 Sistematizando o projeto de prevenção Atividade colaborativa

4. Definição da metodologia, dos eixos de ação e sistematização do projeto Construindo o projeto

Este é o momento de integrar os dados levantados e as definições realizadas nas atividades dos módulos 1 ao 3 e incluir o que for necessário para compor o projeto. Nessa perspectiva, o módulo 4 orienta a sistematização do projeto de prevenção a ser implementado.

Atividade

pContextualização pReferenciais teóricos pObjetivos pSujeitos da intervenção pMetodologia pReferências bibliográficas pAnexos

A produção esperada no módulo 4 será o projeto de prevenção da escola, sistematizado segundo os itens apresentados na figura acima e orientado no roteiro ao final da atividade. Este projeto deverá ter até 15 páginas, em formato A4, fonte Times New Roman 12, espaçamento 1,5. Se houver anexos, estes deverão constar após o último item do projeto.

4. 1 Opção metodológica Ao definir a forma como serão atingidos os objetivos do projeto, vocês se colocam face à dimensão metodológica, ou seja: COMO FAZER? A opção metodológica implica a escolha dos procedimentos, ações, atividades e recursos mais apropriados para alcançar os objetivos do projeto. A metodologia define o direcionamento da prática preventiva a ser realizada e cada momento de execução do projeto. Assim, a opção metodológica será alcançada a partir de atividades pontuais que irão compor o modo de fazer a intervenção preventiva.


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Nessa etapa de elaboração, abre-se um leque de opções de como fazer o projeto. Assim, as ações/atividades escolhidas pelo grupo dependerão do diagnóstico realizado na escola, dos objetivos definidos, das condições materiais e humanas para sua efetivação. Não há uma receita pronta de como fazer, nem uma fórmula de fácil aplicação. O projeto deve considerar os recursos humanos, físicos e materiais, financeiros e o cronograma, bem como a forma de acompanhamento e avaliação. Como mencionado, a proposta pedagógica apresenta fundamentos para ações preventivas por meio de cinco grandes eixos de ação que organizam intervenções preventivas em diferentes áreas de atuação: EIXO 1 – Integração da prevenção no currículo escolar. EIXO 2 – Participação juvenil e a formação de multiplicadores. EIXO 3 – Resgate da autoridade na família e na escola. EIXO 4 – Fortalecimento da escola na comunidade e como comunidade. EIXO 5 – Acolhimento de educandos em situação de risco. Esclarecemos que um trabalho de prevenção não se limita necessariamente a esses eixos. Assim, outros eixos poderão ser contemplados, tendo em vista as especificidades de cada contexto escolar. Na definição das ações do projeto, optem por um dos eixos a serem trabalhados, delimitando a amplitude do projeto, tornando mais viável sua execução e efetividade. Para auxiliar o grupo na escolha da metodologia do projeto de sua escola, discorremos, a seguir, sobre cada um dos cinco eixos de ações preventivas.

4.2 Eixos de ação EIXO 1 – Integração da prevenção no currículo escolar Este eixo de ações preventivas direciona-se ao aproveitamento do espaço da sala de aula e do próprio currículo escolar como possibilidade de desenvolvimento de ações preventivas na perspectiva da educação para a saúde integral. Caberá a vocês e, em especial, à coordenação pedagógica, discutir e definir um formato interessante de associar a temática da prevenção no planejamento. Neste eixo de ação, vocês realizarão atividades integradas entre as diferentes disciplinas em torno da mesma temática que pode ser tangencial ao tema das drogas, como por exemplo: viver com saúde; lazer sem riscos; hábitos de vida saudáveis; melhoria da qualidade de vida. Nesse sentido, todas as disciplinas poderão constituir ricos cenários para a temática da promoção de saúde, a depender da articulação com os conteúdos curriculares desenvolvidos em sala de aula e entre as áreas de conhecimento e na parte diversificada do currículo. Caberá a vocês identificar possibilidades de integração da prevenção do uso de drogas no currículo escolar, de forma criativa e motivadora, para os alunos nas diferentes disciplinas: desde a Filosofia – como espaço reflexivo e de questionamento de valores e de formação pessoal – à Educação Física, como contexto de aprendizagem de cuidados com o corpo, consciência corporal e de formação de atitudes de equipe, convivência em grupo, regras e disciplina.

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No vídeo da unidade 13 (módulo 4) A aula imita a vida, fica ilustrada a possibilidade de integração na disciplina de História. Nos textos didáticos da unidade 13 são apresentados exemplos de integração nas disciplinas de Português, de Matemática e de Geografia, dentre outras. Da mesma forma, vimos que o trabalho da coordenação pedagógica e da orientação educacional poderão desenvolver propostas integradas e coletivas que atuem em parceria na perspectiva da promoção da saúde e do desenvolvimento humano. Trata-se da valorização de espaços de diálogo para a abordagem dos fatores de risco do uso de drogas presentes na vida dos educandos e da própria escola. EIXO 2 – Participação juvenil e a formação de multiplicadores A participação juvenil é essencial em todos os projetos de prevenção e deve ser estimulada por meio da formação de lideranças e da valorização das redes sociais dos alunos, como espaços de possibilidades educacionais reflexivas e criativas. Uma atividade muito comum nesta perspectiva são as oficinas de formação de multiplicadores, nas quais os adolescentes se apropriarão de novos conhecimentos sobre drogas e construirão, de forma colaborativa, estratégias de promoção de saúde para disseminar entre os colegas, os educadores e a escola como um todo. O ponto de partida de todas as intervenções propostas nesta perspectiva metodológica é a valorização dos potenciais dos estudantes. Para tanto, é preciso investir na formação de multiplicadores disseminando a cultura da prevenção entre os pares. Enxergar e apostar nos alunos como sujeitos multiplicadores de informação e de hábitos positivos de vida e de promoção de saúde sendo essa uma postura fundamental a ser assumida nas diferentes ações do projeto de prevenção da escola. As oficinas de formação devem seguir uma metodologia participativa, criativa e motivadora com técnicas diversificadas, com dinâmicas de grupo e atividades que valorizem a expressão e a participação. É importante a identificação e/ou formação de lideranças juvenis para a prevenção de álcool e outras drogas no contexto da promoção de saúde na escola. As oficinas têm por objetivo estimular possibilidades reflexivas sobre os fatores de risco e de proteção, identificados em seus diferentes contextos de socialização: família, escola, grupos de pares, comunidade, incluindo as comunidades virtuais. Os resultados das oficinas poderão ser divulgados para os demais alunos, para os educadores e as famílias, em eventos como feiras de saúde, painéis de debate entre as turmas, gincanas, enfim, projetos de disseminação de informação científica sobre drogas. IMPORTANTE Oficinas de formação para adolescentes multiplicadores devem disponibilizar conhecimentos, promover reflexão crítica e desenvolver habilidades para atuar na prevenção do uso de drogas. O trabalho educativo, voltado para a formação de multiplicadores, tem mostrado que alguns métodos e técnicas são mais efetivos do que outros. As oficinas têm apresentado melhores resultados que palestras feitas para um grande número de pessoas. Elas envolvem metodologia participativa, com técnicas diversificadas, como dinâmicas de grupo, vivências e atividades lúdicas (jogos). Como o seu objetivo é questionar e modificar crenças, atitudes e comportamentos, elas funcionam melhor com um número reduzido de participantes – em torno de 15 a 25 pessoas – com carga horária definida. ƒƒ Procurem novas contribuições metodológicas e materiais de apoio para a formação de multiplicadores na biblioteca. Para esse eixo do projeto, vocês poderão consultar cartilhas e materiais pedagógicos da SENAD disponibilizados no ambiente do curso.


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Como nem todos os integrantes de sua escola tiveram a oportunidade de acompanhar esse curso, socializem os conteúdos trabalhados, aumentando as possibilidades de outros educadores participarem da proposta de prevenção do uso de drogas na escola. EIXO 3 – Resgate da autoridade na família e na escola Neste eixo, o projeto deve indicar uma parceria que é fundamental para a escola na abordagem do tema da drogadição: a família. Por sua vez, a família precisa encontrar na escola espaço para dialogar sobre o tema e receber as orientações de que necessita. Para tanto, é importante que sejam construídos espaços de diálogo entre pais e professores sobre o tema. São ações desejáveis, todas as iniciativas que promovam melhor aproximação da escola com as famílias, tais como: encontros, debates, reuniões, festividades compartilhadas. A proposta da escola em rede resgata a parceria escola-família como um potencial para que esta avance em suas próprias metas educativas em várias dimensões e, em especial, no resgate da autoridade, que é um tema tangencial ao tema da prevenção do uso de drogas. Para tanto, os encontros e reuniões com as famílias devem se valorizados e investidos por ambas. Em um trabalho integrado, a escola deve contar com a participação das famílias na própria concepção e organização dos eventos, com sensibilidade para as demandas e potenciais dos pais contribuírem de diferentes formas. Da mesma forma, poderá compartilhar com eles suas demandas, integrando-os ao processo educativo dos alunos como um todo, e não apenas ao aprendizado das matérias curriculares. Sugerimos que, também com os pais, o tema da prevenção do uso de drogas seja abordado no contexto de temáticas mais amplas como: promoção de saúde, lazer saudável, diálogo pais-filhos, adolescência, entre outros. Os temas devem ter sempre um conteúdo positivo relacionado à educação e à promoção de saúde. Deve-se prever encontros em pequenos grupos para facilitar a comunicação e favorecer um clima de confiança para as trocas necessárias. Grandes eventos, como conferências ou palestras, não são os mais indicados para favorecer a comunicação e orientação às famílias. Daí a importância de que os educadores sintam-se fortalecidos para a coordenação de grupos, ampliando a habilidade de escuta e de diálogo no que se refere às ações preventivas. A coordenação pedagógica e a orientação educacional, juntamente com a direção da escola, têm papel fundamental nesta proposta de trabalho com as famílias. Trata-se de oferecer espaços para compartilharem e construírem juntas possíveis respostas às questões que são comuns à família e à escola, no cotidiano de cada uma junto ao aluno/filho. A experiência tem nos mostrado que o simples fato de reunir os pais para dialogarem sobre suas inquietudes no processo educativo dos filhos resulta extremamente rico, tendo em vista que se tranquilizam ao compartilhar situações comuns e passam a construir soluções de forma compartilhada. Nos tempos atuais, em que os pais vivenciam muitas situações novas – e não há como ter receitas prontas –, a melhor forma de ajudá-los é promover contextos para um diálogo franco destes com a escola e deles entre si. A prevenção do uso de drogas se realiza quando os pais não estão mais sós e contam também com uma rede de parceiros para compartilhar suas inquietudes e gratificações na educação dos filhos. Quando os laços se fortalecem, as vulnerabilidades se reduzem, e dentre elas, os riscos do uso de drogas. EIXO 4 – Fortalecimento da escola na comunidade e como comunidade Um eixo importante que pode se constituir no projeto de prevenção da escola é o investimento no fortalecimento das redes interna e externa, assim referenciados: a escola como comunidade e a escola na comunidade. Sabemos que, para a escola assumir seu compromisso nas políticas intersetoriais, precisa fortalecer-se tanto interna como externamente.

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ƒƒ A escola na comunidade No caso da prevenção do uso de drogas, destacam-se, por exemplo, as parcerias com programas de promoção de saúde que podem ser articuladas, no âmbito das secretarias estaduais e/ou municipais de educação básica e de saúde. Nesse sentido, procurem conhecer as equipes do Programa Saúde nas Escolas (PSE) e Estratégias Saúde da Família (ESF). No âmbito da atenção terciária, procurem se articular com as equipes dos Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS-ad) e outras instituições voltadas para o atendimento de casos de abuso e/ou dependência de álcool e outras drogas. Lembrem-se de que outras parcerias, vinculadas a áreas de políticas públicas, poderão ser fortalecidas, com base nas necessidades da comunidade escolar. Se optarem por este eixo de ação, sugerimos que façam uso de um instrumento deste Curso de Prevenção do Uso de Drogas, que foi elaborado junto a uma escola pública da cidade de Goiânia. Trata-se do Mapa da Rede da Escola. Consultem o instrumento de apoio Mapa da Rede Social da Escola localizado nos instrumentos para ações preventivas, ao final deste caderno ou na biblioteca do curso. A aplicação deste instrumento aprofundará o mapeamento e a representação da rede social da escola em termos de parceiros próximos, distantes e potenciais com os quais a escola poderá contar e mobilizar. ƒƒ A escola como comunidade Sendo a escola um espaço privilegiado de socialização, é fundamental que ela seja um espaço de convivência saudável para todos os seus atores. Face às exigências da sociedade atual que recaem sobre a escola e das quais não pode declinar, o caminho será o fortalecimento interno das equipes e da instituição como tal. As escolas podem estar vulnerabilizadas por fatores externos (como violências, tráfico e uso de drogas), mas também pode ocorrer que a escola fique fragilizada por questões internas de seu funcionamento e gestão (dificuldade de entendimento e cumprimento de regras, conflitos entre os atores da comunidade escolar, entre outros). Essas dificuldades podem levar à busca de soluções paliativas e não educativas e, em muitos casos, pode levar ao estabelecimento de parceria tão somente com a segurança pública, por exemplo. O enfrentamento das crises escolares demanda seu fortalecimento interno, visando ao encontro de alternativas pedagógicas e salutares. Acreditamos que a escola só pode proteger e promover saúde e prevenção se ela mesma se sentir protegida e saudável em seu funcionamento interno e institucional. Consideramos que a proteção da escola é conquistada por meio de sua abertura para a comunidade na busca de redes de apoio. EIXO 5: Acolhimento de adolescentes em situação de risco É provável que vocês identifiquem estudantes de sua escola que estejam vivenciando situações de risco ou vulnerabilidade, inclusive pelo uso de substâncias psicoativas. Pode ser que alguns deles já tenham conversado sobre isso e tenham revelado o que estão vivenciando. Esta iniciativa de um educando – confidenciar a um(a) professor(a) sua experiência com o uso de álcool e outras drogas, por exemplo – representa a manifestação de confiança da parte dele, podendo ser um pedido de ajuda e propicia o estabelecimento de vínculo com um adulto que pode exercer papel importante nesse momento. É nesse contexto que o termo acolhimento se aplica. Acolhimento é um conceito muito usado na área de saúde e significa apreender, compreender e atender as demandas da pessoa, dispensando-lhe a devida atenção, com o encaminhamento de ações direcionadas para a sua resolutividade. Assim, acolhimento envolve escuta e pode repercutir em estabelecimento de vinculação entre duas pessoas: profissional de saúde-paciente; professor-aluno; pai-filho.


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É importante lembrar que, quando atuamos em prevenção, não eliminamos demandas relativas a outros contextos, ou seja, quando o uso de substâncias já está ocorrendo. De alguma forma, os temas estão interligados, pois ações preventivas podem revelar situações de uso, precisando, portanto, de outras ações. Muitas vezes, não se trata de encaminhar o aluno para um serviço de saúde, mas sim de propiciar escuta, acolhendo suas questões, revelações e anseios, fornecendo apoio e encorajamento. Posturas punitivas não vão ajudar e tendem a levar ao afastamento e à ruptura do sentimento de confiança. Nos contextos educativos onde vocês atuaram, provavelmente tiveram de lidar com educandos em situação de vulnerabilidade e dispõem de experiência no acolhimento a essas pessoas, contudo, vale ampliar estudos sobre a questão. Como já foi apresentado no Módulo 3, os estudantes em situação de risco podem sofrer exclusão por estarem, de algum modo, envolvidos com o uso de álcool e outras drogas. Considerem que o ambiente escolar, devido a diferentes situações, pode se tornar aversivo. Alguns alunos podem assumir conduta arredia e dificuldade em se comunicar. Nesse caso, falam por atos (transgridem, fazem uso indevido de drogas), em vez de se comunicarem por palavras, ou podem se comunicar de forma inadequada (com agressão, com silêncio, com ironia). Assim, a aproximação com eles deve ser feita de forma cuidadosa, acolhedora, amorosa, sem ansiedade e pressão e, sobretudo, sem preconceitos e pré-julgamentos. Para aprofundar conhecimentos sobre esse eixo, indicamos a leitura dos textos da unidade 11 do módulo 2. Para ajudá-los na abordagem de adolescentes em situações de risco pelo uso de drogas, este curso oferece dois instrumentos: ƒƒ Termômetro de Risco e de Proteção, destinado a um trabalho coletivo em sala de aula. ƒƒ Entrevista de Acolhimento, destinada a uma abordagem individual. Consultem estes instrumentos, ao final deste caderno, entre os instrumentos para ações preventivas. Ao prever ações a serem desenvolvidas neste eixo, procurem se lembrar de experiências anteriores, em que vocês conseguiram este tipo de aproximação, vejam que resultados obtiveram e busquem refletir sobre isso. Pensem em outras formas de continuar se aproximando desses estudantes, para que eles possam começar a se expressar e buscar ajuda sempre que necessário. Há diferentes possibilidades e ações de acolhimento dos alunos em situação de risco pelo envolvimento com drogas no contexto da escola. Discutam com integrantes da comunidade escolar as atividades a serem desenvolvidas e colham sugestões para a viabilização das que forem escolhidas. Este será um momento privilegiado para divulgarem e socializarem o projeto com os diferentes grupos da sua escola, contribuindo para seu aprimoramento e legitimação. Registrem a experiência e as considerações da comunidade escolar, especialmente as atividades de socialização e revisão do projeto no decorrer de sua elaboração, pois serão subsídios para a organização do relato, durante a atividade principal do módulo 5. Revisem o projeto aproveitando as sugestões do grupo e as considerações avaliativas do tutor para aperfeiçoarem a proposta de prevenção elaborada.

Revisão


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Caderno de Orientações

Agora, para sistematizar o projeto, sugerimos o roteiro apresentado a seguir.

4.3 Sistematizando e integrando as partes do projeto 4.3.1 Roteiro do projeto ƒƒ Capa A capa deve conter um cabeçalho com nome do curso, nome da escola, número da escola no INEP, título do projeto, nome dos cursistas que contribuíram na elaboração, nome do tutor, apoio institucional (se for o caso), endereço completo da escola e data de conclusão do projeto. ƒƒ Contextualização Na contextualização do projeto vocês deverão contemplar os resultados das atividades colaborativas 1 e 2: conhecendo a escola, o educando e a rede social; contextualizando os fatores de proteção e de risco no contexto escolar. Caso o grupo de cursistas queira adicionar outros aspectos, poderá fazê-lo. A contextualização do projeto pode conter ainda uma justificativa apresentando argumentos que embasarão a necessidade de elaboração e implementação do projeto de prevenção da escola. ƒƒ Referencial teórico Deverá contemplar aspectos teóricos orientados e escolhidos na atividade colaborativa 3. ƒƒ Objetivos O objetivo geral e os objetivos específicos do projeto, definidos na atividade colaborativa 3, devem estar condizentes com as atividades que se pretende desenvolver. ƒƒ Sujeitos da intervenção Os sujeitos ou público definem a quem os objetivos e as ações se destinam, segundo as orientações da atividade colaborativa 3. ƒƒ Metodologia Neste tópico, deve ser inserido o que foi elaborado na atividade colaborativa 4, denominada: Definição da metodologia, que deve evidenciar: eixos de ações, ações, atividades, recursos, cronograma. Para cada objetivo específico deverão ser delineadas ações e atividades. ƒƒ Referências Relacionem todos os livros, textos e sites pesquisados e citados no corpo do texto, identificando o autor, a obra, a editora e o ano de publicação, conforme as normas da ABNT. ƒƒ Anexos Apresentem, anexados ao projeto, os instrumentos que utilizaram na elaboração, como gráficos, questionários, fotos de atividades e/ou outros materiais produzidos ou consultados.

4.4 Produto da atividade colaborativa 4 O produto esperado da atividade 4 é o projeto sistematizado de prevenção do uso de drogas da escola. O projeto deverá ter até 15 páginas, em formato A4, fonte Times New Roman 12, espaçamento 1,5. Se houver anexos, estes deverão constar após o último item do projeto.


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MÓDULO 5 Implementando o projeto de prevenção do uso de drogas da escola Atividade Colaborativa

5. Implementando ações do projeto de prevenção do uso de drogas da escola Este módulo é essencialmente prático e consiste em orientações para o processo de implementação do projeto. As orientações deste módulo representam a quinta atividade colaborativa do curso, relacionada ao projeto de prevenção sistematizado ao final do módulo 4. Fórum

Lembrem-se de que os registros realizados nos fóruns, no decorrer do curso, podem servir de subsídio para essa elaboração. Agora leiam atentamente as orientações do módulo e avancem nas estratégias de implementação do projeto no contexto escolar.

Objetivos do módulo 5: ƒƒ Possibilitar o aperfeiçoamento do projeto de prevenção a partir das mediações da tutoria e da ação dialógico-reflexiva entre educadores e parcerias da rede interna e externa da escola. ƒƒ Ampliar a socialização do projeto e dos saberes sobre a prevenção do uso de drogas entre os diferentes atores escolares, numa perspectiva interdisciplinar e integrada. ƒƒ Viabilizar a realização de ações preventivas no âmbito escolar e comunitário. A implementação envolve, além da realização de ações preventivas, o processo de reconhecimento ou legitimação do projeto no contexto escolar. Essa legitimação será desenvolvida à medida que a construção da proposta de prevenção é compartilhada, desde sua elaboração, possibilitando a adesão e a autoria de outros atores da comunidade escolar. Nesse sentido, a socialização e a revisão do projeto foram valorizadas como ações transversais no decorrer do curso por meio das orientações e da realização das atividades colaborativas.


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Caderno de Orientações

Agora, convidamos vocês para avaliarem o resultado destas ações e avançarem no que considerarem importante ao processo de implementação. Lembrando que a consolidação de um projeto acontece quando ele é valorizado e incorporado pelos atores da comunidade escolar no cotidiano das relações educativas e no projeto político-pedagógico da escola. Por isso, as atividades previstas deverão ter continuidade para além do curso. No módulo 5, duas ações serão consideradas importantes para a legitimação do projeto: a socialização na comunidade escolar e a realização de ações preventivas. Planejem as estratégias para facilitar a organização do grupo nesse percurso. A seguir, apresentamos as orientações didáticas para as duas etapas deste módulo. Estas serão realizadas segundo a análise do grupo sobre sua pertinência e viabilidade, considerando a continuidade do projeto após o término desse curso. Reunindo o grupo e avaliando o projeto de prevenção Questões

Para vocês iniciarem a atividade colaborativa deste módulo, propomos que reflitam sobre as seguintes questões: ƒƒ No decorrer dos módulos anteriores, foram realizadas ações de socialização e revisão do projeto? Essas ações possibilitaram o envolvimento de outras pessoas da escola no projeto? ƒƒ A direção e as instituições escolares estão, de alguma maneira, envolvidas com o projeto de prevenção (direção, Conselho escolar, Associação de Pais, Alunos e Mestres)? ƒƒ O que vocês pretendem fazer para ampliar o envolvimento e a contribuição de outras pessoas no projeto durante a realização deste módulo? É importante que cada participante reflita e identifique os desafios e as conquistas, para em seguida compartilhar essa experiência com o grupo. É tempo de redirecionar percursos e ampliar contribuições.

Questões

Agora, com base nas experiências do grupo e nos objetivos a serem alcançados pelo projeto, sugerimos que façam uma reflexão considerando as seguintes questões: ƒƒ Quais são as dificuldades e limitações concretas do grupo e do próprio contexto escolar para a implementação do projeto de prevenção? ƒƒ O que o grupo considera que é possível fazer, durante a execução deste módulo, para contribuir com a implementação do projeto com vistas ao desenvolvimento da cultura de prevenção na escola? ƒƒ Qual é a agenda ou cronograma previsto para as reuniões com as pessoas envolvidas no projeto?

IMPORTANTE Se a escola não identifica a prevenção em seu projeto político-pedagógico, invistam esforços nesse sentido. Por outro lado, se o projeto de prevenção já tem ações inseridas ao projeto político-pedagógico da escola, esta será uma excelente oportunidade de fortalecer essa integração. A interação com o tutor será fundamental, pois ele será parceiro do grupo na revisão do projeto. Consultem os textos da biblioteca que podem contribuir para as reflexões e ações para a execução desta unidade.


C0NSTRUINDO O PROJETO DE PREVENÇÃO DO USO DE DROGAS DA ESCOLA

Etapa 1: Socializando o projeto na comunidade escolar: ampliando reflexões e parcerias A socialização, no módulo 5, é um momento privilegiado para incluir novas contribuições ao documento sistematizado. Pode-se socializar o projeto nos encontros realizados na escola, no fórum e demais espaços virtuais. Para isto, reflitam: Quem já conhece o projeto? Quem precisa conhecê-lo? Quem ainda deve se integrar? Que importância está sendo atribuída à prevenção ou à promoção da saúde no contexto escolar? A relação educação-saúde está explicitada no projeto político-pedagógico? É importante lembrar que cada escola é um universo próprio e que não existem receitas prontas. As ações devem ser planejadas, experimentadas e avaliadas no dia a dia. Cada escola é uma escola, cada turno é um turno e cada momento e espaço escolar têm suas particularidades. Reflitam sobre as possibilidades e criem oportunidades! Valorizem a coordenação pedagógica e as reuniões das instâncias escolares – Conselho Escolar, Grêmio Estudantil, Associação de Pais e Mestres – que são espaços importantes para que a socialização e a colaboração aconteçam.

IMPORTANTE ƒƒ Registrem o processo de socialização e divulgação do projeto. Isso ajudará na elaboração do relato ao final dessa experiência. ƒƒ Valorizem as experiências realizadas em sua escola e em outros espaços educativos. ƒƒ Envolvam os estudantes nessa socialização, discutindo com eles o projeto e valorizando a participação juvenil nas diferentes etapas dessa construção, sempre atentos às características da escola e da comunidade. ƒƒ Se o grupo considerar pertinente, utilizem diferentes recursos disponíveis, tais como cartazes, folders, rádio, jornais, painéis, e-mails, blogs, sites etc. Essas ferramentas podem ampliar os espaços para divulgação do projeto. ƒƒ Compartilhem com o tutor as experiências do grupo. Lembrem-se de que os fóruns são espaços disponíveis para essas trocas. ƒƒ Considerem, nas reuniões com a comunidade escolar, as seguintes questões ou assuntos: a) contextualização do projeto no curso de prevenção; b) relato sobre as experiências pessoais ao longo do curso, tais como aprendizagens, desafios e expectativas; c) inclusão de novas ideias e sugestões para o projeto a partir de sugestões da comunidade. ƒƒ Socializem o projeto no Ambiente Virtual de Aprendizagem do curso! Acreditem que o projeto do seu grupo poderá contribuir para a aprendizagem de outros educadores e para a realização de ações preventivas no contexto onde atuam, da mesma forma que outras experiências podem acrescentar ou confirmar as propostas sugeridas pelo grupo. ƒƒ A interação de vocês com o tutor é fundamental, pois ele será parceiro do grupo na socialização do projeto. É importante que cada educador registre sua presença, no fórum do módulo 5, compartilhando reflexões e experiências durante essa etapa.

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Caderno de Orientações

Etapa 2: Implementando ações preventivas – da teoria à prática Chegamos ao momento fundamental de organizar a implementação de ações preventivas que ainda não foram realizadas durante o curso. Valorizem o percurso do grupo, suas conquistas e suas aprendizagens. É hora de consolidar ideias e prosseguir nos espaços conquistados juntos aos diferentes atores da escola sensibilizados no decorrer do curso. Ao iniciar esta fase, reflitam sobre as práticas preventivas já desenvolvidas na escola, elegendo pelo menos uma ação que possa ser implementada até o final do Módulo 5. Para fazerem essa escolha, considerem as condições e o contexto da equipe da escola e da instituição onde atuam.

Lembrem-se A criatividade e a ousadia são importantes para a mudança, mas podem encontrar resistência! Acreditem na construção da ação do grupo e sigam em frente com sua capacidade de criação e realização. ƒƒ Das ações previstas, quais a escola considera viáveis ou prioritárias para realizar, tendo em vista as necessidades da escola? ƒƒ Quais são as ações previstas no projeto que podem promover maior engajamento de outros atores com o projeto? ƒƒ Qual a viabilidade das ações previstas desta implementação a curto, médio e longo prazos?

IMPORTANTE ƒƒ O que foi planejado anteriormente pode precisar de ajustes caso o grupo encontre dificuldades e/ou resistências, sendo necessário aprofundar o diálogo e buscar coletivamente as soluções possíveis. ƒƒ Reflitam: Qual a importância da implementação dessa ação? Que objetivos o grupo quer alcançar? Quais as reais possibilidades para atingir o objetivo dessa ação preventiva? Que caminhos e opções o grupo irá escolher? Que parcerias o grupo precisará buscar? Quais serão os recursos necessários? ƒƒ Tenham sempre em mente que, mesmo pequenas, as ações podem ser transformadoras e significativas! ƒƒ Lembrem-se: é importante estimular e valorizar a participação das famílias, dos estudantes, dos funcionários da escola e dos integrantes da comunidade local, articulados com a escola no planejamento e na execução das ações do trabalho. ƒƒ Vale a pena destacar o importante papel que pode ter o laboratório de informática da escola. Caso vocês já disponham deste recurso, procurem incentivar o uso de ferramentas digitais. ƒƒ O uso das tecnologias digitais, disponíveis na escola, também pode ser um excelente recurso para compartilhar esta experiência de ação preventiva com outros professores e escolas da região. Isso pode ajudar os professores a acionarem a rede interna e externa da escola. ƒƒ É importante que a equipe envolvida na execução da ação divida as tarefas e se mantenha em contato constante para assegurar os encaminhamentos necessários.


C0NSTRUINDO O PROJETO DE PREVENÇÃO DO USO DE DROGAS DA ESCOLA

Falem com o tutor ƒƒ É importante interagir com o tutor sobre os desafios e as conquistas ao longo da realização das atividades colaborativas. Participem do fórum ƒƒ Implementando ações preventivas: conquistas e desafios no processo. Neste fórum vocês irão compartilhar e refletir sobre os desafios e as conquistas no processo de implementação da ação de prevenção.

5.1 Roteiro do relatório-síntese avaliativo Para ajudá-los nesta atividade, apresentamos, abaixo, um roteiro para nortear a elaboração do relato-síntese solicitado no módulo 5. Introdução Realizar uma breve apresentação das expectativas e motivações do grupo quanto à realização do curso e do projeto. Desenvolvimento Elaboração de um registro contendo uma síntese ƒƒ dos processos de revisão, socialização e implementação da ação preventiva no decorrer do curso e no período específico do módulo 5; ƒƒ das conquistas, desafios e perspectivas para o desenvolvimento do projeto depois da realização do curso; ƒƒ das propostas de continuidade do projeto visando legitimá-lo efetivamente no PPP, caso haja condições para isso. Para contribuir na avaliação do processo de elaboração e implementação do projeto, sugerimos a utilização do quadro a seguir. Os registros subsidiarão o relato-síntese, que é a atividade a ser postada no módulo 5.

5.2 Produto da atividade colaborativa 5 A atividade colaborativa do módulo 5 consiste de um relato-síntese das etapas de socialização e implementação de ações preventivas do Módulo 5. Para elaborar essa atividade final, identifiquem qual foi o percurso até a implementação da ação pelo grupo, incluindo também as ações de revisão. Dessa maneira, vocês poderão identificar os pontos fortes e frágeis do percurso e das ações pelo grupo. Valorizem o registro das percepções de cada um nesse relato. Contem com a orientação do tutor! Retomem os registros de percurso realizados durante os módulos. Considerem esses registros para subsidiar o relato-síntese do módulo 5 acerca dos desafios, conquistas e perspectivas relacionadas ao processo de elaboração e implementação do projeto de prevenção. É importante perceber as contribuições deste projeto para a comunidade escolar, para o grupo de cursistas, para o cursista em particular e para os alunos. O relato deve descrever o processo de aprendizagem das pessoas e do grupo e, ainda, enfatizar como estas experiências possibilitaram o aprendizado pessoal e profissional.

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Caderno de Orientações

Quadro 3 - Avaliação do processo de elaboração e implementação do projeto Conquistas e ganhos obtidos Nível pessoal Nível profissional Nível grupal Nível institucional Nível comunitário

Desafios enfrentados e soluções encontradas

Perspectivas e propostas para continuidade do projeto


C0NSTRUINDO O PROJETO DE PREVENÇÃO DO USO DE DROGAS DA ESCOLA

Instrumentos para ações preventivas

Construindo e implementando o projeto de prevenção do uso de drogas da escola: instrumentos e orientações metodológicas

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Orientações Metodológicas e Instrumentos para Intervenção

Apresentação O curso de Prevenção do Usos de Drogas para Educadores de Escolas Públicas disponibiliza alguns instrumentos e orientações que poderão contribuir na elaboração e implementação da proposta de prevenção na escola. Os instrumentos apresentados poderão contribuir com os diferentes eixos para ações preventivas, definidos pelos educadores no percurso de elaboração do projeto. Esses eixos são: 1) Integração da prevenção no currículo escolar; 2) Participação juvenil e a formação de multiplicadores; 3) Resgate da autoridade na família e na escola; 4) Fortalecimento da escola na comunidade e como comunidade; 5) Acolhimento de educandos em situação de risco. Esta produção é resultante de pesquisas realizadas ao longo de edições anteriores do curso e possibilitará conhecer a escola e os educandos sob uma perspectiva de redes sociais, com um olhar atento aos contextos de risco e de proteção presentes no cotidiano dos alunos. Trata-se de três instrumentos que estarão disponibilizados na biblioteca do Ambiente Virtual de Aprendizagem do curso na categoria Instrumentos para Ações Preventivas. São estes: ƒƒ Mapa da Rede – fundamenta ações para o fortalecimento da escola na comunidade, na medida em que auxilia a visualização de parcerias efetivas ou em potencial nos diferentes segmentos da rede primária e secundária, na voz dos educadores e da comunidade escolar como um todo. Neste sentido, destaca-se como instrumento que pode direcionar ações preventivas junto às instituições de políticas públicas e junto às famílias, rede de amigos e instituições comunitárias. Trata-se de instrumento sugerido para subsidiar ações preventivas relacionadas, principalmente, aos eixos 3 e 4: o trabalho com as famílias e o fortalecimento da escola na comunidade. ƒƒ Termômetro de Risco e Proteção para o uso de drogas nas redes sociais do adolescente – subsidia, em especial, ações junto aos adolescentes, pois direciona ao conhecimento dos mesmos com enfoque nas suas redes sociais e num conhecimento que privilegia a voz do próprio aluno. Por sua vez, na medida em que produz uma avaliação consistente da rede social do adolescente, aponta informações fundamentais para ações de otimização dos fatores protetivos e minimização dos fatores de risco junto às próprias escolas, às famílias e à comunidade. ƒƒ Entrevista de Acolhimento dos adolescentes em situação de risco pelo envolvimento com drogas em contexto de vulnerabilidade social – levanta aspectos da vida dos adolescentes que estão em situação de risco e precisam de mais atenção.


INSTRUMENTOS PARA AÇÕES PREVENTIVAS

Instrumentos 1. Mapa da Rede da Escola: mobilização da escola em rede para a prevenção do uso de drogas* Maria Fátima Olivier Sudbrack Mackil Lima Vasconcelos

1.1 Introdução No decorrer do curso, você pôde entender melhor a importância da escola como espaço de proteção para os adolescentes. Nas três primeiras unidades do curso, apresentamos o adolescente em desenvolvimento em seus principais contextos de socialização: a escola e a família. Destacamos também a responsabilidade do Estado, por intermédio das políticas públicas no processo educativo e socializador do adolescente que, como cidadão em formação, tem como direito o acesso às instituições de educação, saúde, assistência, justiça, segurança pública, cultura, lazer. Na unidade 4, introduzimos como referência para a prevenção do uso de drogas as políticas de promoção de saúde, de educação e de proteção integral do adolescente. Vimos que a prevenção do uso de drogas implica ações integradas de todas essas políticas e, para tanto, precisamos ter a escola em rede, com ações articuladas e articuladoras, inseridas em políticas intersetoriais que vão garantir a qualidade do processo educativo de nossas crianças e jovens. Destacamos aqui a política integrada de promoção de saúde na escola através do Programa de Promoção de Saúde na Escola (PSE). O papel da escola é inclusivo, por meio da proteção do adolescente em situação de risco pelo envolvimento com drogas, mas ela também precisa se sentir protegida. O fortalecimento da escola se dá na medida em que se coloca em rede, ou seja, buscando parceria com as demais instituições e também com a rede social do adolescente por meio da família e dos amigos. Para ficar mais seguro sobre esta temática das políticas públicas integradas que constituem a rede da escola, leia com atenção os textos da unidade 4 em que você ficará atualizado também a respeito da legislação sobre drogas que direciona as políticas públicas de prevenção. O objetivo do Mapa da Rede da Escola é identificar os parceiros da escola. Esse é um passo importante para elaborar um projeto de prevenção. Conhecendo a metodologia de mapeamento da rede da escola, você poderá identificar quem são seus parceiros e incluí-los como potenciais para atividades de prevenção. Caso você perceba que a escola conta com poucos parceiros, um dos passos do projeto de prevenção pode ser a busca de novas parcerias. Lembrando que ... A rede social é o conjunto de pessoas/instituições que os membros da comunidade escolar acreditam serem importantes para a escola. São pessoas/instituições parceiras com quem a escola pode contar (tais como o posto de saúde da região e seus profissionais, comerciantes da região, policiais, entre outros) para oferecer-lhe conselho, apoio, ajuda e parcerias para participarem de atividades ordinárias e extraordinárias da escola. Para a realização do mapeamento proposto, um educador deve assumir a posição de facilitador, que aqui denominaremos de mapeador. Profissionais da escola ou membros externos do contexto escolar também poderão participar desta atividade, contribuindo com um olhar diferenciado. Pedagogos, psicólogos poderão também utilizar o instrumento para a elaboração do projeto pedagógico da escola. O mapeador se apresentará na unidade escolar com uma postura ética e crítica. Ética no respeito aos valores e normas adotadas pelo grupo, e crítica para apontar o que, a seu ver, pode estar contribuindo para a geração e manutenção dos problemas e não para as soluções. * Trata-se de instrumento desenvolvido como parte de Dissertação de Mestrado realizada no Programa de Pós Graduação em Psicologia Clínica e Cultura do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília,defendido pelo segundo autor, sob orientação da primeira autora.

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Orientações Metodológicas e Instrumentos para Intervenção

O contexto da intervenção: a demanda como construção coletiva com a comunidade escolar Trabalhar redes sociais se estabelece num processo contínuo de construção coletiva. A construção coletiva é viabilizada quando o mapeador realiza um “mergulho” no contexto da escola, reconhecendo o seu contexto sócio-histórico e suas características singulares, que a constituíram como instituição. A avaliação das redes sociais promove o exercício saudável de autocrítica coletiva, repensando as práticas e teorias adotadas. Assim, a avaliação e mobilização das redes sociais propiciam aos membros de uma comunidade a possibilidade de uma reflexão mais abrangente dos sentimentos, emoções e dos caminhos rígidos que contribuem para o fracasso de inúmeras intervenções no contexto escolar. O processo de avaliação deverá contar com sujeitos voluntários, integrantes da comunidade escolar. A população-alvo deste instrumento envolve toda a comunidade escolar inclusive alunos, professores, funcionários da escola, famílias de alunos e, se possível, membros da sociedade externa.

1.2 Metodologia de mapeamento da rede da escola A metodologia de mapeamento da rede da escola inicia com uma atividade coletiva, seguida de um momento individual, retomando uma ação coletiva, conforme as orientações que seguem.

PRIMEIRO MOMENTO – COLETIVO 1ª Etapa – O mapeador deverá estar seguro dos conceitos apresentados no livro-texto, pois para essa ativi-dade precisará integrar teoria e prática. Essa atividade possibilitará que o mapeador entre em contato com o saber local e as perspectivas da comunidade quanto aos problemas e soluções, identificando o contexto da comunidade escolar, sua história, práticas cotidianas, bem como as demandas consideradas emergentes para os seus membros. Depois desse conhecimento do contexto, poderá adquirir uma visão panorâmica da situação. O primeiro momento, portanto, deve ser caracterizado pela observação participante e pela sensibilização da comunidade escolar quanto à proposta estratégica de mobilização das redes sociais, com a apresentação e a discussão dos conceitos básicos da proposta.

SEGUNDO MOMENTO – INDIVIDUAL 2ª Etapa – Entrevista individual para o mapeamento da escola – em que os participantes voluntários, indi-vidualmente, realizam o preenchimento do mapa e do questionário. Ao final do preenchimento, o mapeador esclarece os registros realizados junto aos participantes e colhe suas impressões e sentimentos a respeito.

Primeira análise dos resultados A proposta, portanto, ambiciona dar aos participantes a condição de sujeitos capazes de entendimento e oferecer-lhes, por meio do mapeamento e das discussões provocadas, estímulo para a autorreflexão, o que possibilita aos membros da comunidade escolar o reconhecimento de si mesmos em uma perspectiva diferenciada. Entre o segundo e o terceiro momento, cabe ao mapeador refletir sobre as respostas do mapeamento obtidas nos momentos individuais, construindo um grande mapa com todas as respostas coletadas. Dessa forma, o mapeador poderá verificar de uma maneira ampla como os participantes percebem a rede da escola. Inicialmente, sua reflexão deverá ser feita a partir dos registros relacionados a cada quadrante. Em seguida, deve-se comparar os registros de cada quadrante em relação aos demais quadrantes. Os participantes poderão registrar, por exemplo, famílias no quadrante da saúde ou igrejas no quadrante da assistência/segurança. Essas anotações deverão ser consideradas como aspectos importantes que poderão revelar o que a escola espera de seus parceiros, além do que normalmente é convencionado.


INSTRUMENTOS PARA AÇÕES PREVENTIVAS

Após analisar os registros realizados nos mapas individuais, cabe ao mapeador analisar as respostas obtidas pelos questionários para compará-las e confrontá-las com as respostas nos registros dos mapas. O objetivo do questionário é tentar verificar a interação nas relações da escola com os serviços e instituições de assistência, segurança e saúde, bem como suas interações com as famílias e a comunidade em geral. Diante dos registros, pode-se elaborar um breve relato para cada um dos tópicos interacionais levantados pelo questionário que poderão ser apresentados e discutidos com os participantes do mapeamento.

TERCEIRO MOMENTO – COLETIVO 3ª Etapa – Segunda análise dos resultados Reunião com membros da comunidade escolar em grupos reflexivos para a devolução dos resultados do mapeamento individual. O procedimento adotado pelo mapeador para a devolução dos resultados se caracterizará pela exposição de sua percepção como sujeito já envolvido com a rede da escola. Nesse encontro, deve ser realizada a apresentação dos conceitos básicos de mobilização de redes para a prevenção do uso de drogas. No momento coletivo, o mapeador operará como um facilitador e poderá apresentar os pontos que mais lhe chamaram a atenção durante o processo como, por exemplo: a disposição dos participantes, as maiores necessidades da escola, as ações históricas da escola e as dificuldades encontradas. O relato aos participantes pode ser feito de forma expositiva ou lúdica, na forma de um conto ou dramatização com o envolvimento de integrantes da comunidade escolar. A seguir, o mapeador apresenta aos participantes os resultados propriamente ditos do mapeamento com uma apresentação do mapa, no qual constam todos os registros coletados nas entrevistas individuais. Para tanto, sugerimos a construção de um mapa em tamanho real (tamanho 1,20m x 1,00m, com a representação do desenho gráfico e suas legendas afixadas em isopor) que possa ser visualizado pelos participantes. A representação em tamanho real permitirá que os participantes conheçam as percepções individuais de seus pares e reflitam sobre elas segundo suas perspectivas. É seguramente muito importante que os relatos obtidos a partir dos questionários sejam discutidos e analisados coletivamente pelos participantes. Os participantes deste momento coletivo podem ser membros da comunidade escolar que participaram, ou não, do momento individual. 4ª Etapa – Ainda na reunião, os participantes discutem os resultados do mapeamento individual, refletindo e discutindo os dados coletivamente. Os resultados obtidos refletem, pelo menos em parte, o estado das redes atuais da escola e precisam ser avaliados e questionados pelo grupo. 5ª Etapa – Após a discussão dos resultados obtidos, o grupo reunido deve realizar o que denominamos de ma-peamento ideal. Nele, o grupo poderá propor o projeto ideal da escola, ou seja, as aspirações dos participantes para a instituição em termos relacionais. Neste momento, os participantes têm a oportunidade de elaborar um novo mapa (tamanho 1,20m x 1,00m com a representação do desenho gráfico e suas legendas afixadas em isopor), retratando a rede ideal, ressaltando suas expectativas em relação aos atores da rede social da escola, sejam eles pessoas ou instituições e identificando, inclusive, a proximidade ideal entre esses atores. 6ª Etapa – Ao final, o grupo deverá ser capaz de pensar coletivamente e definir, com o auxílio e moderação do mapeador, estratégias viáveis para a mobilização das redes, com o estabelecimento das prioridades e uma agenda mínima para uma atuação posterior. A interpretação dos dados e o processo interventivo devem culminar com a participação de todas as pessoas envolvidas no processo decisório. Essa proposta deve incluir aquelas pessoas que, até o momento do mapeamento, encontram-se excluídas das relações de poder e desprovidas de efetiva participação na organização da vida social da qual fazem parte. Tal postura pretende dar voz e oportunidade aos membros da comunidade, resgatando e fortalecendo os recursos já existentes nas instituições e serviços, “levando a comunidade a assumir a responsabilidade pelo gerenciamento dos seus recursos e pela solução dos seus problemas”, tal como é proposta a prática de redes sociais.

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Orientações Metodológicas e Instrumentos para Intervenção

Agora que finalizou a leitura das instruções, leia o instrumento de aplicação do Mapa da Rede da Escola que está no anexo 1, ao final deste caderno de tarefas. Procure ler com atenção para realizar a tarefa da forma mais fiel possível à metodologia proposta. Cuide principalmente do contexto de aplicação do instrumento que exige muitos cuidados, uma vez que estará mobilizando os diferentes segmentos da escola em uma situação particularmente rica e desafiante. Sucesso!

1.3 Apresentação do instrumento 1: Mapa da Rede da Escola 1.3.1 A consigna Saudações, A prevenção do uso de drogas requer um envolvimento de toda a comunidade. Para tanto se faz necessário conhecer/identificar a rede social existente da escola, que relações estão estabelecidas e quais as lacunas a serem preenchidas. A elaboração do projeto de prevenção da escola atende ao modelo da educação para a saúde e da promoção das redes sociais e parte do pressuposto de que o envolvimento com drogas não é uma questão apenas do indivíduo, mas tem a ver com suas relações sociais e familiares. O mesmo se pode dizer da escola, que não pode ser responsabilizada isoladamente como promotora da saúde e da educação. A instituição escolar está inserida em um emaranhado de relações com outras instituições que garantirão o atingimento ou não dos seus objetivos. A rede social é o conjunto de pessoas/instituições que você acredita serem importantes para a sua escola. São pessoas/instituições parceiras com quem a escola pode contar para oferecer-lhe conselho, apoio, ajuda ou simplesmente para participarem de atividades ordinárias e extraordinárias da escola. Os relacionamentos estabelecidos pela escola podem ser muito variados. No Mapa da Rede Social da Escola, poderão ser representados nos quadrantes da família, da comunidade, da assistência/segurança e da saúde. A seguir, apresentamos a você um instrumento para o mapeamento e avaliação da rede social da escola. O preenchimento do mapa permitirá uma representação gráfica desta rede. Por meio do preenchimento deste mapa, convidamos você a reconhecer a rede social da escola e com isso identificar novas estratégias que poderão viabilizar a prevenção ao uso indevido de drogas em sua escola. O instrumento é composto de duas partes. A primeira parte é constituída de um mapa onde graficamente você poderá representar as pessoas/instituições que você acredita fazerem parte da rede social de sua escola. Nesse mapa você situará pessoas/instituições em quatro categorias: Comunidade, Família, Assistência e Segurança e Saúde. Veja o gráfico. Após o preenchimento do mapa, a segunda parte será constituída de um questionário de 47 questões objetivas que poderão ou não ser complementadas por você. Em cada quadrante do mapa foram inseridos exemplos que poderão ser aproveitados e utilizados por você ou não. Tudo dependerá de sua percepção da rede social da escola. Você é livre para inserir nos quadrantes nomes de pessoas e instituições que acredita estarem se relacionando ou não com a escola. Sua contribuição é indispensável para o bem-estar coletivo e para identificarmos juntos novas maneiras de promover a prevenção do uso de drogas. Ao participar desta avaliação, você está demonstrando que está interessado não apenas nos problemas de sua comunidade, mas também em suas soluções. Apresentaremos a seguir as orientações para os dois momentos desta atividade: preencher o Mapa da Rede da Escola e depois responder questões sobre os resultados do mapeamento realizado.


INSTRUMENTOS PARA AÇÕES PREVENTIVAS

Assistência/ Segurança

Comunidade

Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente, promotores, juízes, conselheiros, polícia militar, patrulha escolar, Conselho Tutelar, policial, Ministério Público, assistente social, Juizado da Infância e da Adolescência, outros.

autônomos (advogados, biólogos, marceneiros, pedreiros), sacerdotes (padres, pastores), igreja/trabalhos religiosos, clubes de serviços (Lions, Rotary), ONGs, indústrias, estabelecimentos comerciais prestadores de serviços, empresários, comerciantes, outros.

ESCOLA EM REDE

Famílias de alunos, famílias de professores, famílias de funcionário, pais, mães, irmãos, avós, outros.

Família

mos (psicólogos, médicos, enfermeiros). CAPS-Ad (Centro de Atendimento Psicossocial – Álcool e Drogas), hospitais, Centros de Referência de Saúde, instituições que trabalham a prevenção e a promoção da saúde, outros.

Saúde

Agora, convidamos você para preencher o mapa. Vamos começar preenchendo um “Mapa da Rede Social da Escola” segundo a sua ótica. Neste mapa, cada pessoa será representada da seguinte forma: por um círculo, se for do sexo feminino; por um quadrado, se for do sexo masculino e por um asterisco, se for representar a família. As instituições indicadas deverão ser representadas por um triângulo . Para colocar as pessoas/instituições no mapa, existem algumas regras que você deve seguir: 1) A escola está localizada no centro do mapa. 2) No círculo mais interno (azul) represente as pessoas/instituições mais próximas da escola, com quem a unidade escolar pode contar. 3) No círculo do meio (rosa) represente as pessoas/instituições que são importantes para a escola, mas com menor grau de compromisso e que não estão tão próximas. 4) No círculo externo (verde) represente as pessoas/instituições que você considera parte das relações da escola, mas que estão distantes da vida da escola, constituindo um conjunto de relações ocasionais esporádicas. 5) No círculo pontilhado represente as pessoas/instituições que você considera excluídas das relações da escola. 6) Observe que os círculos são divididos em quatro quadrantes. Cada um corresponde a uma área da vida da escola: a família, a comunidade, a assistência/segurança e a saúde.

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Caderno de tarefas do curso de prevenção do uso de drogas Orientações Metodológicas e Instrumentos para Intervenção

Assistência/ Segurança

Comunidade

ESCOLA EM REDE

Família Figura 1 - Mapa da rede social da escola (Mackil, Vasconcelos, 2008)

Saúde


INSTRUMENTOS PARA AÇÕES PREVENTIVAS

Agora, você irá responder alguns dados sobre você e sobre algumas questões da sua escola Estas questões nos ajudarão a uma melhor compreensão do Mapa da Rede Social da Escola, possibilitando que novas intervenções e estratégias sejam realizadas beneficiando toda a comunidade escolar. Leia atentamente as questões abaixo, avaliando de que forma elas estão presentes na vida da escola. Se na maior parte do tempo ou das situações a afirmativa for verdade, marque um “X” em ( ) Sim, e se na maior parte do tempo ou das situações a afirmativa não for verdade, marque um “X” em ( ) Não. Caso não saiba a resposta, marque um “X” em ( ) Não sei. Procure ser sincero (a) e lembre-se de que não há resposta certa ou errada.

Exemplo: A escola conta com o apoio de empresários locais?

( ) Sim

( ) Não

( ) Não sei

Se esta situação ocorre na escola marque com X em “Sim”

(X) Sim

( ) Não

( ) Não sei

Se esta situação não ocorre na escola marque com X em “Não”

( ) Sim

(X) Não

( ) Não sei

Se você não sabe nada a respeito desta situação marque com X em “Não sei”

( ) Sim

( ) Não

(X) Não sei

Questionário para avaliação das redes sociais na escola Mapeando as redes sociais de minha escola Dados do participante da pesquisa 1. Sexo

( ) Masculino

2. Religião

( ) Católico

( ) Evangélico

( ) Espírita

( ) Muçulmana

( ) Outra

( ) Sem religião

( ) Diretor

( ) Coordenador

( ) Funcionário

( ) Professor

( ) Pai/mãe/família de aluno

( ) Aluno

3. Condição da escola

( ) Feminino ( ) Judia

( ) Membro da Comunidade 4. Escolaridade

( ) Ensino Fundamental

( ) Ensino Médio

( ) Ensino Superior

( ) Pós-Graduação

5. Em sua opinião, o preenchimento deste mapa é importante?

( ) Sim

( ) Não

( ) Não sei

Por quê?

6. A escola recebe apoio das pessoas/instituições que estão no mapa?

( ) Sim

( ) Não

( ) Não sei

Quais as pessoas/instituições, e qual o tipo de apoio?

7. Em sua opinião, algumas dessas pessoas/ instituições do mapa deveriam ocupar outra posição em relação à escola? 8. Você percebe pontos positivos na relação família-escola?

( ) Sim

( ) Não

( ) Não sei

Qual? Mais longe ou mais perto? O que precisaria ser feito para essa mudança? Quem deveria fazer algo, as pessoas e/ou instituições da rede ou da própria escola?

( ) Sim

( ) Não

( ) Não sei

Quais?

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Orientações Metodológicas e Instrumentos para Intervenção

9. Você percebe pontos negativos na relação família-escola?

( ) Sim

( ) Não

( ) Não sei

Quais?

10. Quanto ao número de pessoas/instituições que você colocou no mapa, sempre foi assim? Vêm ocorrendo mudanças significati vas quanto ao número de pessoas?

( ) Sim

( ) Não

( ) Não sei

Se você respondeu Sim Aumentou ( ) ou Diminuiu ( )

11. As pessoas/instituições que você colocou como parte da rede se conhecem?

( ) Sim

( ) Não

( ) Não sei

Qual o tipo de relacionamento?

12. As pessoas/instituições que você colocou no mapa moram/estão localizadas próximas à escola?

( ) Sim

( ) Não

( ) Não sei

13. A escola costuma acioná-las?

( ) Sim

( ) Não

( ) Não sei

Em que situações?

14. As pessoas/instituições indicadas no mapa costumam procurar a escola?

( ) Sim

( ) Não

( ) Não sei

Em que situações?

15. Há semelhanças entre as diversas instituições citadas no mapa e na escola?

( ) Sim

( ) Não

( ) Não sei

Quais as semelhanças?

16. Em sua opinião, a escola precisa de algumas pessoas ou serviços com frequência?

( ) Sim

( ) Não

( ) Não sei

Quais?

17. A escola tem um representante junto à comunidade?

( ) Sim

( ) Não

( ) Não sei

18. Você considera que as pessoas/instituições indicadas no mapa reconhecem a importância do trabalho da escola?

( ) Sim

( ) Não

( ) Não sei

Quais?

19. A escola tem interlocutor que a apoie para suas dificuldades?

( ) Sim

( ) Não

( ) Não sei

Quais?

Como é a atuação deste representante?

Sobre a interação entre a escola e as famílias 20. A escola se relaciona bem com as famílias de seus alunos?

( ) Sim

( ) Não

( ) Não sei

Como é esta relação? Quais os pontos fortes e os pontos fracos?

21. Para você as famílias se sentem próximas à ( ) Sim escola?

( ) Não

( ) Não sei

Dê exemplos.

22. Em sua opinião, as famílias podem contar ( ) Sim com a escola?

( ) Não

( ) Não sei

Em que situações?

23. Para você as famílias se sentem próximas à ( ) Sim escola?

( ) Não

( ) Não sei

Em que sentido?

24. Os pais dos alunos participam das atividades do Conselho escolar?

( ) Sim

( ) Não

( ) Não sei

25. Quando há questões sobre drogas, famílias e escola estão juntas?

( ) Sim

( ) Não

( ) Não sei

Como a escola aborda as famílias nestas situações?


INSTRUMENTOS PARA AÇÕES PREVENTIVAS

Sobre a interação entre a escola e as instituições de assistência/segurança 26. Para você, a escola conta com o apoio de órgãos/instituições que lhe prestam assistência?

( ) Sim

( ) Não

( ) Não sei

Que tipo de apoio?

27. Na sua opinião, as necessidades da escolas são atendidas com prontidão pelos polos da assistência?

( ) Sim

( ) Não

( ) Não sei

Se sim, de que forma?

28. Para você, os adolescentes usuários de drogas são prontamente atendidos por instituições de assistência aliadas à rede da escola?

( ) Sim

( ) Não

( ) Não sei

Como as escolas promovem esta parceria? Quem são os principais colaboradores?

29. A escola conta com o apoio de órgãos/ instituições que promovem a segurança da escola?

( ) Sim

( ) Não

( ) Não sei

Quais?

30. A escola necessita ou gostaria de mudar alguma coisa na relação que mantém com as instituições de assistência?

( ) Sim

( ) Não

( ) Não sei

Quais mudanças?

31. A escola mantém parceria com o Conselho tutelar da região?

( ) Sim

( ) Não

( ) Não sei

Como se dá esta parceria no caso do uso de drogas pelos alunos? E no caso de situações de violência?

Sobre a interação entre a escola e a saúde 32. As instituições de saúde têm programas em comum com a escola?

( ) Sim

( ) Não

( ) Não sei

Quais programas ou ações aproximam escola e saúde?

33. As unidades de saúde são acionadas pela escola quanto aos problemas relacionados ao uso ( ) Sim de drogas?

( ) Não

( ) Não sei

Quem é o profissional mais próximo e disponível na escola e na saúde?

34. A escola mantém parceria com algum CapsAD?

( ) Sim

( ) Não

( ) Não sei

Quais parcerias?

35. A escola necessita ou gostaria de mudar alguma coisa na relação que mantém com as instituições de saúde?

( ) Sim

( ) Não

( ) Não sei

Quais mudanças?

Sobre interação entre a escola e a comunidade 36. A escola participa de programas comunitários?

( ) Sim

( ) Não

( ) Não sei

Quais?

37. A escola mantém alguma parceria com alguma igreja?

( ) Sim

( ) Não

( ) Não sei

Qual?

( ) Sim

( ) Não

( ) Não sei

Quais?

38. A escola mantém alguma parceria com outra organização de ensino/cultura/esporte ?

49


50

Orientações Metodológicas e Instrumentos para Intervenção

39. Em sua opinião, a comunidade costuma buscar a escola para compartilhar problemas ou sugerir programas educativos?

( ) Sim

( ) Não

( ) Não sei

Como se dão os contatos?

40. A escola conta com o apoio de empresários locais?

( ) Sim

( ) Não

( ) Não sei

Como contribuem?

41. A escola mantém alguma parceria com algum estabelecimento comercial/industrial da iniciativa privada?

( ) Sim

( ) Não

( ) Não sei

Qual? Há quanto tempo?

42. Em sua opinião, a parceria com estabelecimento comercial/industrial/ da iniciativa privada contribui para o desenvolvimento de projetos relacionados à promoção da educação e da saúde dos integrantes da comunidade escolar?

( ) Sim

( ) Não

( ) Não sei

Quais as contribuições? Quem assume as iniciativas desta parceria na escola?

43. A escola necessita ou gostaria de mudar alguma coisa na relação que mantém com a comunidade?

( ) Sim

( ) Não

( ) Não sei

Quais mudanças?

Sobre drogas e a rede da escola 44. A escola recebe apoio para as atividades voltadas para a prevenção do uso de drogas?

( ) Sim

( ) Não

( ) Não sei

Qual? Como? Há quanto tempo?

45. A escola conhece e compartilha forma de abordagem dos outros componentes da sua rede ( ) Sim sobre o uso de drogas?

( ) Não

( ) Não sei

Quais você conhece? Encontra dificuldades neste compartilhar? Quais?

Sobre o preenchimento do questionário 46. Você acha que todos os relacionamentos com os diversos segmentos sociais (pessoas/ instituições) estão representados neste mapa?

( ) Sim

( ) Não

( ) Não sei

47. Você entendeu o questionário?

( ) Sim

( ) Não

( ) Não sei

Referência VASCONCELOS. M. L. Avaliação das redes sociais da escola: uma estratégia de prevenção do uso de drogas. Disserta­ção (Mestrado em Psicologia Clínica e Cultura). Instituto de Psicologia. Brasília: Universidade de Brasília, 2008.


INSTRUMENTOS PARA AÇÕES PREVENTIVAS

2. Termômetro de Risco e Proteção para o uso de drogas na rede social do adolescente* Maria Fátima Olivier Sudbrack Juliana Santos Borges

2.1 Introdução Por meio deste instrumento você poderá conhecer quais são os fatores de risco e os fatores de proteção presentes na vida de seus alunos. O objetivo desta atividade é criar um espaço de reflexão entre você, educador, e seus alunos sobre os fatores de risco e os fatores de proteção que influem na vida dos adolescentes. Por meio dessa metodologia, você poderá identificar com quais fatores de risco a escola pode trabalhar no intuito de diminuí-los e quais são os fatores de proteção que a escola pode otimizar para aumentar seu espaço protetivo do uso de drogas junto aos seus alunos adolescentes. O resultado desta avaliação constitui uma informação importante para que o projeto de prevenção da escola esteja conectado com a realidade de seus adolescentes. Como ficou destacado na unidade 8 do módulo 2, na metodologia das redes sociais a prevenção do uso de drogas se faz considerando o adolescente em seu contexto de vida relacional e, assim, o que nos interessa na prevenção é conhecer a rede social do adolescente, identificando nela os fatores protetivos e os fatores de risco ao seu envolvimento com drogas. Esta metodologia de avaliação dos riscos e proteção na rede social do adolescente permite que conheçamos um pouco mais da vida do adolescente para influenciar seu processo de socialização junto aos seus amigos, família, comunidade e, sobretudo, junto à escola, que é um contexto de proteção tão significativo para ele. Mas, será que a escola pode também representar um fator de risco para o uso de drogas? Você vai descobrir tudo isso nesta tarefa instigante para você, educador, como também para o adolescente. No quadro a seguir, encontra-se um resumo sobre a temática de riscos e proteção nas redes sociais do adolescente, pontuando os principais fatores de risco e de proteção nas redes sociais do adolescente. Escola Risco

Proteção

Escola rígida que não permite que o adolescente desenvolva atividades criativas e não dá espaço para o protagonismo juvenil. Escola que busca valorizar as ideias e iniciativas dos estudantes. Escola que não estabelece diálogo com os familiares.

Escola que busca a família para estabelecer formas coerentes de lidar com os adolescentes.

Alunos desmotivados com a escola.

Alunos motivados a estudar e frequentar a escola.

Alunos desvalorizados pela escola.

Alunos que se sentem acreditados pela escola. Família

Risco

Proteção

Família rígida que não permite negociar regras.

Família afetiva que estabelece regras, mas tem espaço para negociação.

Família que não estabelece regras claras.

Relação de confiança e proteção.

Pais afetivamente afastados.

Ambiente familiar que permite conversas abertas e francas. Amigos Risco

Proteção

* Trata-se de instrumento desenvolvido como parte de Dissertação de Mestrado realizada no Programa de Pós Graduação em Psicologia Clínica e Cultura do Instituto se sentededesvalorizado perante o grupo. Amizades que oferecem deAdolescente Psicologia da que Universidade Brasília,defendida pela segunda autora, sob orientação da primeira autora. apoio emocional.

Adolescente que não se sente pertencente a um grupo.

Amizades com atividade de lazer e hábitos saudáveis.

Amizades impositivas que obrigam o adolescente a fazer coisas com as quais ele não se sente à vontade.

Amizades em que o adolescente sente confiança e proteção. Comunidade

Risco

Proteção

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Risco

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Proteção

Família rígida que não permite negociar regras.

Família afetiva que estabelece regras, mas tem espaço para negociação.

Família que não estabelece regras claras.

Relação de confiança e proteção.

Pais afetivamente afastados.

Ambiente familiar que permite conversas abertas e francas.

Orientações Metodológicas e Instrumentos para Intervenção

Amigos Risco

Proteção

Adolescente que se sente desvalorizado perante o grupo.

Amizades que oferecem apoio emocional.

Adolescente que não se sente pertencente a um grupo.

Amizades com atividade de lazer e hábitos saudáveis.

Amizades impositivas que obrigam o adolescente a fazer coisas com as quais ele não se sente à vontade.

Amizades em que o adolescente sente confiança e proteção. Comunidade

Risco

Proteção

Vizinhança violenta.

Vizinhança afetiva, com boas relações de amizades.

Poucos espaços saudáveis de lazer.

Espaços saudáveis de lazer.

Comunidade que oferece fácil acesso às drogas.

Comunidade em que o acesso às drogas é restrito.

Construção de identidade do adolescente Risco

Proteção

Baixa autoestima, insegurança.

Autoestima alta, sentir-se valorizado, acreditado e seguro.

Adoecimento psíquico: depressão, ansiedade.

Hábitos saudáveis.

Falta de perspectiva de futuro.

Planos e perspectiva de futuro. Fatores socioculturais Risco

Proteção

Cultura de valorização de bens materiais aos quais o adolesCultura de valorização pessoal. cente não tem acesso. Ambiente social em que o adolescente se sente muito presAmbiente social que valoriza as conquistas que o adolescente sionado a realizar uma tarefa que ele não consegue, como por alcança e o apoia nas dificuldades. exemplo, passar no vestibular. Cultura de valorização de atitudes agressivas e de risco ao Cultura de valorização de atitudes positivas e saudáveis. bem-estar do adolescente.

Revisando conceitos Fatores de risco são aquelas situações que aumentam a probabilidade de o adolescente assumir comportamentos de risco, como usar drogas, afastar-se da escola, cometer delitos. Exemplos de contextos de risco: o adolescente se sentir desvalorizado pela família, ter baixa autoestima, não se sentir pertencente a um grupo de amizades. Fatores de proteção são aqueles que diminuem a probabilidade do adolescente assumir comportamentos de risco. Exemplos de contextos de proteção: o adolescente gostar da escola, ter bom relacionamento com a família, ter amizades que o apoiam. Prevenção do envolvimento com drogas na escola: é toda ação reflexiva e questionadora sobre a questão do envolvimento com as drogas, no âmbito da educação para a saúde, realizada no cotidiano, que faz parte do processo educativo. A prevenção deve ser planejada e realizada em conjunto, entre a escola, alunos e comunidade, com vistas à utilização de diferentes estratégias voltadas para a redução dos fatores de vulnerabilidade e risco, bem como ao fortalecimento dos fatores de proteção presentes na rede social. Então, vamos começar? Sugerimos que você releia os textos do módulo 2 para fixar os conceitos necessários para esta atividade. Em seguida, veja abaixo o manual de aplicação do termômetro.


INSTRUMENTOS PARA AÇÕES PREVENTIVAS

2.2 Metodologia de aplicação e exploração do Termômetro de Risco e Proteção Avaliação de fatores de risco e proteção para o envolvimento com drogas na adolescência Essa metodologia de avaliação e abordagem é composta por duas etapas: ƒƒ 1ª etapa: trata-se de um questionário de autoavaliação do adolescente e da turma sobre situações de risco e de proteção que vivenciam em sua rede social pessoal. O questionário é um instrumento destinado aos educadores que trabalham com adolescentes, seja em escolas da rede pública seja em escola particular, bem como em outros contextos educacionais. ƒƒ 2ª etapa: consiste de um grupo focal e debate com a turma sobre o tema das drogas a ser realizado na sala de aula. O que é “avaliação de fatores de risco e proteção para o envolvimento com drogas na adolescência”? Trata-se de uma proposta de avaliação e intervenção construída a partir da abordagem sistêmica e da teoria e prática de redes sociais que envolve o adolescente e suas relações. Quais os objetivos da avaliação dos fatores de risco e proteção? ƒƒ Promover a autorreflexão e avaliação do próprio adolescente e da turma acerca de suas relações sociais e das situações que os colocam em risco e que os protegem em relação ao envolvimento com drogas. ƒƒ Proporcionar condições ao educador e aos alunos de tratarem do tema das drogas, em contexto escolar, pela via das relações e não do produto. ƒƒ Realizar uma ação de prevenção voltada para as demandas dos adolescentes em relação à saúde integral, tirando o foco sobre a oferta e a repressão da droga, bem como a estigmatização e culpabilização do adolescente.

Quem aplica a metodologia? Esta proposta foi elaborada para ser realizada pelo professor em sua sala de aula, mas sugerimos que apliquem em dupla ou trio de professores que atuem com a mesma turma para favorecer a discussão dos resultados e da reflexão junto aos alunos. A abordagem sob o enfoque sistêmico da prevenção do envolvimento com drogas na adolescência exige que você conheça sobre a teoria e a prática de redes sociais e sobre a visão sistêmica da adolescência e da drogadição. Passo a passo para a “avaliação de fatores de risco e proteção para o envolvimento com drogas na adolescência” A metodologia aqui proposta deve fazer parte de um projeto maior da escola, para capacitação dos educadores e elaboração de projeto de prevenção único. Dessa forma, os educadores estarão em rede e suas ações poderão ser discutidas com os pares e extrapolar a sala de aula em direção à comunidade escolar, às famílias e às redondezas da escola. ƒƒ A escolha da turma Atenção, educador, a turma deve ser escolhida conforme o seu grau de vinculação com os alunos, e pode ser aquela na qual você é o regente (existem algumas escolas que adotam essa forma de “apadrinhamento” de cada turma por um educador). Outro critério de escolha da turma pode ser pela possibilidade de ministrar aulas de conteúdos interdisciplinares ou conteúdos em que a proposta possa ser incorporada no currículo. Mesmo que você identifique uma turma com vulnerabilidades, se você não tem vínculo com esta turma, escolha outra onde se sinta mais à vontade e seguro.

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Orientações Metodológicas e Instrumentos para Intervenção

ƒƒ A preparação da turma Numa aula, antes de iniciar a atividade, recomenda-se que você converse com os alunos sobre a proposta, o tema, o enfoque, o contexto (sala de aula) e a metodologia a ser utilizada. O planejamento do educador – Conhecendo o instrumento e a metodologia Nessa etapa, você deve preparar o material para a quantidade de alunos da turma, ler todo o instrumento e estar seguro das instruções.

PARTE I – Aplicando o instrumento Reproduza e entregue aos adolescentes o instrumento que se encontra no item 2.3 a seguir quando apresentamos os instrumentos: Termômetro de Risco e Proteção nas redes sociais do adolescente. A seguir, informe que a atividade é individual e que deve ser realizada por completo segundo a reflexão pessoal. As instruções sobre o preenchimento do questionário devem ser lidas com a turma e dar o tempo necessário para que cada aluno responda conforme seu ritmo.

Parte I – Fatores de Risco e de Proteção para o envolvimento com drogas Abaixo, você encontrará uma ou mais ações, atividades ou situações que podem ou não fazer parte do seu dia a dia. Leia atentamente cada uma e avalie de que forma elas estarão presentes na sua vida.

Seja sincero com você e lembre-se que não há resposta certa ou errada.

EXEMPLO: Eu me acho bonito (a).

( ) sim

Se essa situação ocorre na maior parte do tempo, marque um X em “sim”.

( X ) sim

( ) não

Se essa situação não ocorre na maior parte do tempo, marque um X em

( ) sim

( X ) não

( ) não

“não”.

Ao final, poderá calcular e avaliar o quanto existe de risco para o envolvimento com as drogas e o quanto você se encontra protegido, em cada um dos contextos de sua rede social. Vamos lá! Vamos começar? 1. Meus amigos gostam de estudar e têm compromisso com seus projetos de vida para o futuro.

( ) sim

( ) não

2. Meus pais sabem exercer autoridade com carinho.

( ) sim

( ) não

3. Meus amigos têm projetos de pro ssão para o futuro.

( ) sim

( ) não

4. A minha escola e minha família estão distantes ou em con ito.

( ) sim

( ) não

5. Meus amigos praticam esportes.

( ) sim

( ) não

6. Na minha escola, os professores são insensíveis com os alunos.

( ) sim

( ) não

7. Consigo manter minha opinião própria dentro do meu grupo de amigos.

( ) sim

( ) não

8. Minha família con a no meu potencial para vencer na vida.

( ) sim

( ) não

9. Meu namorado (a)/ cante me incentiva a não usar drogas.

( ) sim

( ) não

10.

( ) sim

( ) não

Sei que posso con ar em meus amigos.


INSTRUMENTOS PARA AÇÕES PREVENTIVAS

PARTE II – Avaliando os resultados individuais No questionário sobre fatores de risco e proteção, o aluno respondeu “sim” ou “não” a 80 questões que dizem respeito a situações que podem estar presentes em seu cotidiano. Cada questão traduz um fator de risco ou de proteção que o adolescente pode encontrar dentro de sua rede social. As questões são divididas da seguinte forma: a) Na família – são 10 questões sobre fatores de risco (20, 22, 31, 37, 40, 54, 60, 72, 75, 78) e 10 sobre fatores de proteção (2, 8, 17, 25, 27, 29, 46, 67, 69, 70). b) Na escola/trabalho – são 10 questões sobre fatores de risco (4, 6, 13, 18, 30, 50, 51, 56, 58, 73) e 10 sobre fatores de proteção (11, 21, 24, 36, 41, 47, 49, 62, 65, 66). c) Na comunidade – são 10 questões sobre fatores de risco (19, 33, 34, 38, 44, 45, 52, 55, 57, 79) e 10 sobre fatores de proteção (23, 42, 43, 48, 53, 59, 61, 63, 64, 80). d) Nas amizades/namoro – são 10 questões sobre fatores de risco (12, 14, 15, 16, 32, 39, 68, 74, 76, 77) e 10 sobre fatores de proteção (1, 3, 5, 7, 9, 10, 26, 28, 35, 71). As questões são organizadas e apresentadas no questionário, em uma sequência aleatória e sem identificação sobre o fator de risco ou proteção que avaliam. O adolescente segue pontuando e calculando os fatores de risco e de proteção encontrados em cada quadrante da sua rede social, conforme as respostas dadas no questionário de 80 questões. Para o cálculo, ele deverá proceder da seguinte maneira: deve contar um ponto a cada resposta do questionário onde assinalou “sim”. As questões em que ele respondeu “não” não contam ponto. Assim, ao transpor suas respostas para a segunda parte do instrumento, deve circular os números referentes às respostas em que assinalou “sim” e somar a quantidade de “sim” em cada linha; o adolescente obterá o escore de “situação de risco” e “situação de proteção” em cada contexto de sua rede social. Chamamos isso de termômetro de risco e proteção. Uma vez encontrados os escores, o adolescente poderá representá-los graficamente nos termômetros, conforme a instrução e o modelo disponibilizados no próprio instrumento. Dessa forma, ele poderá visualizar suas respostas em termos quantitativos e confrontar o resultado encontrado com sua percepção sobre as situações que vivencia em sua rede social, em relação aos riscos e proteção para o envolvimento com drogas. Diga aos adolescentes: “Observem que, na folha para calcular seus pontos, os itens estão repetidos, separados por uma linha com a indicação de que vocês devem recortar. Preencham a primeira vez, marcando com um círculo os itens que vocês responderam com “sim”; em seguida, contem quantos itens foram circulados para cada linha e escrevam o total da soma ao final da linha correspondente. Depois, copiem os círculos e as somas na parte de baixo. Essa parte vocês devem recortar e me entregar. Atenção! A única coisa que vocês devem me entregar é esse recorte. O resto ficará com vocês. Mas vocês devem guardar com cuidado, pois precisaremos utilizar no próximo encontro”. ATENÇÃO EDUCADOR: você só deve recolher a parte do recorte, o resto do instrumento ficará com os estudantes. Eles não devem colocar nomes, ou outras formas de identificação nessa folha; você recolherá sem saber que folha é de qual estudante. Os estudantes levarão para casa o instrumento, mas precisarão dele no segundo encontro. Quando todos os estudantes entregarem a soma das respostas a você, diga a eles que, com base na soma que ficou com eles, preencham os termômetros na página seguinte.

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Orientações Metodológicas e Instrumentos para Intervenção

Veja o exemplo a seguir:

Depois, represente o seu resultado da seguinte forma: se você tirou 2 em Família Risco e 3 em Família Proteção, coloque assim:

FAMÍLIA

10 . . . . 5 . . . . 0

COMUNIDADE

10 . . . . 5 . . . . 0

AMIZADES

10 . . . . 5 . . . . 0

10 . . . . 5 . . . . 0

10 . . . . 5 . . . . 0

10 . . . . 5 . . . . 0

ESCOLA/TRABALHO

10 . . . . 5 . . . . 0

10 . . . . 5 . . . . 0

É possível que, neste momento, alguns alunos questionem o que significam as setas de risco e de proteção. Lembre-se: Os fatores de risco presentes na rede social não significam que uma pessoa faça uso de drogas ou que seja um “drogado”, mas sim que há, naquele contexto social, algumas situações que podem favorecer o envolvimento do jovem com as drogas. Os fatores de proteção presentes na rede social mostram o quanto o adolescente tem situações, pessoas e oportunidades em sua rede social que o ajudam a se sentir bem consigo mesmo, com sua vida e com as outras pessoas, sem que se envolva com algum tipo de droga.

IMPORTANTE Diga aos adolescentes que eles devem guardar o instrumento, pois precisarão dele num segundo momento. Marque com os estudantes um dia para dar o retorno da atividade. Agora diga aos adolescentes que por hoje a atividade acabou. Planejamento do educador para a segunda etapa – Elaborando o perfil da turma Educador, agora a atividade acabou para os adolescentes, mas chegou a hora em que você precisará trabalhar um pouco sozinho. Neste momento, você precisará da segunda etapa do instrumento que está disponibilizada nas orientações que seguem. Pegue todas as folhas com as somas que os adolescentes lhe entregaram. Some quantas vezes cada item foi circulado. Comece com o item 20 e veja folha por folha, quantas vezes o item 20 foi circulado. Vá à segunda etapa do instrumento e marque a soma na coluna “minha turma”, no item 20. Por exemplo: imagine que a soma dê 12. A tabela ficará assim:


INSTRUMENTOS PARA AÇÕES PREVENTIVAS

2.2.2 Segunda Etapa: descobrindo e debatendo sobre os fatores de risco e proteção mais frequentes na turma Hoje iremos conhecer o que você tem em comum com a sua turma, em relação às situações de risco e proteção, para juntos refletirmos como podemos mudar as situações que incomodam e que colocam em risco você e seus colegas, seja na escola, na família, na comunidade ou nas amizades. Juntos também poderemos pensar como aumentar e potencializar as situações que os protegem. Vamos trabalhar em rede com os colegas, professores e com a escola para a prevenção do uso indevido de drogas. Para isso, recupere aquela folha do instrumento que você teve que cortar metade para entregar ao professor. Pegue a metade que ficou com você. Veja quais itens você circulou e para eles marque um X na coluna “EU”. Por exemplo: Família Risco: 20, 22, 31, 37, 40, 54, 60, 72, 75, 78 = 2 pontos Neste caso, você iria marcar na tabela abaixo o item 20 com um “X” na coluna do “Eu”. Em seguida, iria marcar o item 31 da mesma forma. Por último, escreva o total, no caso 2. Depois de preencher os seus pontos, você irá anotar os pontos da turma e juntos vocês conversarão a respeito do que foi observado. Família: fatores de risco

Eu

Minha turma

20. Eu sou motivo de desentendimentos ou confusões na minha família.

12

22. Na minha família tem gente que usa muito álcool, tabaco ou remédio para relaxar. 31.Há violência na minha família

Faça o mesmo para cada item. Em seguida, calcule os totais. A tabela ficará com a coluna “minha turma” preenchida e a coluna “eu” em branco. Para preparar o próximo encontro, você deve tirar cópia da tabela preenchida com o resultado da turma para cada adolescente. Em seguida, oriente os adolescentes a preencherem a coluna “eu” marcando com um “x” os itens que eles responderam com “sim”. Para isso eles precisarão recuperar a parte do instrumento que ficou com eles no primeiro encontro. Ao final do preenchimento, inicie a conversa com o grupo. ƒƒ Debatendo sobre o perfil com a turma Inicie a conversa destacando os itens que foram mais marcados pela turma. Siga com o debate sobre as situações presentes no perfil da turma, incentivando o diálogo entre todos os membros da turma, de forma circular, ou seja, de maneira que você fique no papel de mediador entre os alunos e não naquele que deverá ter as respostas ou as soluções para as situações apresentadas. LEMBRE-SE: não apresente soluções prontas, nem tome posições moralistas. Deixe os adolescentes discutirem entre eles, assim eles construirão em conjunto soluções para diminuir fatores de risco e aumentar os de proteção. Levante sugestões dos alunos sobre os seguintes pontos: ƒƒ Como diminuir os riscos existentes nas redes da turma? ƒƒ Como potencializar e reforçar os elementos de proteção existentes nas redes? Depois da discussão em grupo, podem surgir demandas individuais, e esses casos individuais serão abordados no módulo, com o envolvimento de outros membros da escola.

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Orientações Metodológicas e Instrumentos para Intervenção

Considerações... A atividade de preenchimento do questionário pelo aluno tem como principal objetivo: ƒƒ conhecer o perfil da turma e promover o “aquecimento” do adolescente para refletir sobre seu universo relacional. Busca-se, com essa atividade, uma primeira avaliação do próprio adolescente sobre os seus vínculos e os fatores de risco e proteção presentes nos diferentes contextos de pertencimento. Dessa forma, o debate sobre o tema das drogas ocorre no âmbito das relações sociais e dos vínculos afetivos. O debate coletivo, bem como a própria resposta ao instrumento, poderá mobilizar o aluno quanto a sua situação pessoal (autorreflexão) na relação com os riscos ao uso de drogas. Orienta-se que, no debate coletivo, as situações pessoais sobre riscos sejam devolvidas ao grupo. Por exemplo: se algum adolescente falar que o irmão bebe muito, retome o que ele disse de forma impessoal e pergunte à turma o que eles acham, ou seja, diga como se fosse um caso de uma pessoa genérica. Você poderá dizer “Turma, no caso de, na casa de um adolescente, ter um familiar que faz uso abusivo de bebidas alcoólicas, vocês acham que seria um fator de risco ou de proteção e por quê?”. Dessa forma, evitam-se, ao máximo, exposições ou clima de interrogatório ou denúncia. Ao mesmo tempo, recomenda-se valorizar os fatores de proteção. Em ambos os aspectos (risco e proteção), poderá ser rica a reflexão entre o perfil pessoal e o da turma.

2.3 Apresentação e consigna do instrumento – Termômetro de Risco e Proteção CONVITE Ao adolescente participante, Olá! A nossa escola está querendo compreender melhor você, adolescente, as suas necessidades e as suas qualidades. Estamos iniciando pelo conhecimento das situações que o colocam em risco e das que o protegem em relação ao envolvimento com drogas. O objetivo é construirmos, juntos, um projeto de prevenção para a nossa escola. Acreditamos que vocês são os mais interessados na sua própria saúde e bem-estar e, por isso, são os personagens fundamentais para contribuir para esse projeto ser construído de uma maneira interessante e que tenha a ver com a sua realidade. Para concretizar este trabalho, estamos convidando você para participar de uma atividade que se divide em duas etapas. ƒƒ Na primeira etapa, você poderá calcular e avaliar o quanto você se encontra em risco e em proteção na sua rede social em relação ao envolvimento com drogas. ƒƒ Na segunda etapa, vocês estarão buscando juntos o conhecimento sobre a turma e construindo sugestões coletivas para atividades de prevenção do envolvimento com drogas. A atividade é simples. Siga as instruções e pergunte ao professor, em caso de dúvida. Para entender melhor este convite, é importante que você saiba: a) O Projeto de Prevenção da Escola seguirá o enfoque da educação para a saúde e da promoção de redes sociais, porque acreditamos que o envolvimento com drogas não é uma questão apenas do indivíduo, mas tem a ver com suas relações familiares e sociais. b) A rede social é o conjunto de pessoas importantes para você atualmente. Pessoas com quem você pode


INSTRUMENTOS PARA AÇÕES PREVENTIVAS

contar para lhe darem um conselho, um apoio, uma ajuda ou lhe fazer companhia. As redes sociais dos adolescentes podem conter tanto fatores de risco como de proteção para o envolvimento com drogas. c) Consideramos drogas todas as substâncias psicotrópicas (atuam no sistema nervoso central e causam dependência) que alteram o comportamento e as emoções, como: o álcool, o tabaco, a maconha, o lança-perfume, a cocaína, etc.

IMPORTANTE Esta atividade garante seu anonimato pessoal. Obrigado(a) por sua participação! Agora, você irá responder algumas afirmativas sobre você mesmo e ao final você poderá calcular e avaliar o quanto existe de risco para o envolvimento com as drogas e o quanto você se encontra protegido em cada um dos contextos de sua rede social. Vamos lá? A seguir, você encontrará uma ou mais ações, atividades ou situações que podem ou não fazer parte do seu dia a dia. Leia atentamente cada uma e avalie de que forma elas estão presentes na sua vida. Se na maior parte do tempo ou das situações a afirmativa for verdade, marque um X em ( ) sim e se na maior parte do tempo ou das situações a afirmativa não for verdade, marque um X em ( ) não. Seja sincero com você e lembre-se de que não há resposta certa ou errada. Exemplo: A escola conta com o apoio de empresários locais?

( ) Sim

( ) Não

( ) Não sei

Se esta situação ocorre na escola marque com X em “Sim”

(X) Sim

( )Não

( )Não sei

Se esta situação não ocorre na escola marque com X em “Não”

( ) Sim

(X) Não

( )Não sei

Se você não sabe nada a respeito desta situação marque com X em “Não sei”

( ) Sim

( ) Não

(X) Não sei

1. Meus amigos gostam de estudar e têm compromisso com os estudos.

( ) sim

( ) não

1

2. Meus pais sabem exercer a autoridade com carinho.

( ) sim

( ) não

2

3. Meus amigos têm projetos de profissão para o futuro.

( ) sim

( ) não

3

4. A minha escola e família estão distantes ou em conflito.

( ) sim

( ) não

4

5. Meus amigos praticam esportes.

( ) sim

( ) não

5

6. Na minha escola os professores são insensíveis aos alunos.

( ) sim

( ) não

6

7. Consigo manter minha opinião própria dentro do meu grupo de amigos.

( ) sim

( ) não

7

8. Minha família confia no meu potencial para vencer na vida.

( ) sim

( ) não

8

9. Meu namorado(a)/ ficante me incentiva a não usar drogas.

( ) sim

( ) não

9

10. Sei que posso confiar em meus amigos.

( ) sim

( ) não

10

11. A escola se preocupa sobre o consumo de drogas entre os alunos.

( ) sim

( ) não

11

12. Sinto que é difícil confiar nos amigos.

( ) sim

( ) não

12

13. Tenho relacionamento próximo com alguém que distribui droga na escola.

( ) sim

( ) não

13

14. Meus amigos são agressivos com pessoas de fora do grupo.

( ) sim

( ) não

14

15. Meus amigos usam drogas.

( ) sim

( ) não

15

16. Meus amigos aprovam o uso de drogas.

( ) sim

( ) não

16

17. Eu sei que posso contar com meus parentes próximos ou distantes.

( ) sim

( ) não

17

18. Sinto-me excluído na minha escola.

( ) sim

( ) não

18

19. Na minha comunidade, as pessoas não se importam umas com as outras.

( ) sim

( ) não

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12. Sinto que é difícil confiar nos amigos.

( ) sim

( ) não

12

13. Tenho relacionamento próximo com alguém que distribui droga na escola.

( ) sim

( ) não

13

14. Meus amigos são agressivos com pessoas de fora do grupo.

( ) sim

( ) não

14

15. Meus amigos usam drogas.

( ) sim

( ) não

15

16. Meus amigos aprovam o uso de drogas.

( ) sim

( ) não

16

17. Eu sei que posso contar com meus parentes próximos ou distantes.

( ) sim

( ) não

17

18. Sinto-me excluído na minha escola.

( ) sim

( ) não

18

19. Na minha comunidade, as pessoas não se importam umas com as outras.

( ) sim

( ) não

19

20. Sou motivo de desentendimentos ou confusões na minha família.

( ) sim

( ) não

20

21. Os limites e as regras na escola estão claros para mim.

( ) sim

( ) não

21

22. Na minha família tem gente que usa muito álcool, tabaco ou remédio para relaxar.

( ) sim

( ) não

22

23. Participo de atividades que ajudam minha comunidade.

( ) sim

( ) não

23

24. A minha escola realiza bons programas de prevenção sobre as drogas.

( ) sim

( ) não

24

25. Eu respeito os limites e as regras estabelecidas pelos meus pais ou responsáveis.

( ) sim

( ) não

25

26. Meus amigos valorizam o trabalho.

( ) sim

( ) não

26

27. As pessoas da minha família cuidam da saúde.

( ) sim

( ) não

27

28. Meus amigos me incentivam a não usar drogas.

( ) sim

( ) não

28

29. Sinto que minha família me ama e se esforça por me ajudar.

( ) sim

( ) não

29

30. Os educadores não se interessam muito pelos alunos e pela escola.

( ) sim

( ) não

30

31. Há violência na minha família

( ) sim

( ) não

31

32. Meus amigos agridem uns aos outros.

( ) sim

( ) não

32

33. A comunidade não se preocupa com a venda de álcool/ tabaco para adolescentes.

( ) sim

( ) não

33

34. Sinto-me influenciado a usar drogas nos lugares que frequento na comunidade.

( ) sim

( ) não

34

35. Meus amigos evitam frequentar ambientes onde existem drogas.

( ) sim

( ) não

35

36. A polícia auxilia na segurança nas redondezas da escola.

( ) sim

( ) não

36

37. Não tem ninguém na minha família que coloque limites para mim e que eu respeite.

( ) sim

( ) não

37

38. Existem traficantes perto de onde eu moro.

( ) sim

( ) não

38

39. Meu namorado(a)/ ficante usa drogas.

( ) sim

( ) não

39

40. Sinto que minha família não tem nada de bom para me oferecer.

( ) sim

( ) não

40

41. Na minha escola existe respeito na relação entre aluno e educador.

( ) sim

( ) não

41

42. Quando preciso, posso contar com serviços de saúde na minha comunidade.

( ) sim

( ) não

42

43. Participo de projetos sociais ou de incentivo ao esporte para o jovem.

( ) sim

( ) não

43

44. Nos locais que frequento na minha comunidade, há incentivo para o uso de drogas.

( ) sim

( ) não

44

45. Nas opções de lazer que existem na minha comunidade há presença de drogas.

( ) sim

( ) não

45

46. Sinto-me próximo dos meus irmãos e/ ou primos.

( ) sim

( ) não

46

47. Sinto-me valorizado e fazendo parte da escola.

( ) sim

( ) não

47

48. Na minha comunidade, há ações de prevenção ao envolvimento com drogas.

( ) sim

( ) não

48

49. Sinto-me protegido no ambiente escolar.

( ) sim

( ) não

49

50. Sou visto como marginal pela escola.

( ) sim

( ) não

50

51. Convivo com colegas que usam drogas dentro da escola.

( ) sim

( ) não

51

52. Onde moro sou visto como marginal.

( ) sim

( ) não

52

53. Na minha comunidade, há boas opções de lazer para o jovem.

( ) sim

( ) não

53

54. Há pessoas na minha família que fazem uso de drogas proibidas por lei.

( ) sim

( ) não

54

55. Na minha comunidade a droga é vendida/ repassada por crianças ou adolescentes.

( ) sim

( ) não

55

Orientações Metodológicas e Instrumentos para Intervenção


INSTRUMENTOS PARA AÇÕES PREVENTIVAS

52. Onde moro sou visto como marginal.

( ) sim

( ) não

52

53. Na minha comunidade, há boas opções de lazer para o jovem.

( ) sim

( ) não

53

54. Há pessoas na minha família que fazem uso de drogas proibidas por lei.

( ) sim

( ) não

54

55. Na minha comunidade a droga é vendida/ repassada por crianças ou adolescentes.

( ) sim

( ) não

55

56. Sinto-me pressionado a trabalhar ou fazer algo desagradável para ganhar dinheiro.

( ) sim

( ) não

56

57. Na minha comunidade há gangues.

( ) sim

( ) não

57

58. Percebo que na escola as regras funcionam somente para os alunos.

( ) sim

( ) não

58

59. Na minha comunidade há oportunidades para o jovem se expressar e se organizar.

( ) sim

( ) não

59

60. Os conflitos na minha família impedem a comunicação entre as pessoas.

( ) sim

( ) não

60

61. Existe controle da venda de álcool e tabaco para adolescentes na comunidade.

( ) sim

( ) não

61

62. Os alunos reconhecem a autoridade e obedecem aos educadores e funcionários.

( ) sim

( ) não

62

63. Encontro opções de lazer sem drogas em locais da minha comunidade.

( ) sim

( ) não

63

64. Na minha comunidade há palestras e informações sobre drogas.

( ) sim

( ) não

64

65. Tenho oportunidades para realizar curso ou estágio profissionalizantes.

( ) sim

( ) não

65

66. A minha família coopera com minha escola.

( ) sim

( ) não

66

67. Tenho espaço na minha família para dialogar sobre os conflitos.

( ) sim

( ) não

67

68. Eu me sinto pressionado pelos meus amigos a fazer coisas que não quero.

( ) sim

( ) não

68

69. Na minha família, tenho pelo menos uma pessoa com quem eu posso conversar sobre drogas.

( ) sim

( ) não

69

70. Minha família me vê de maneira positiva, tem uma boa imagem de mim.

( ) sim

( ) não

70

71. Meus amigos valorizam e cuidam da saúde.

( ) sim

( ) não

71

72. A minha família é muito rígida e não há possibilidades de negociar as regras.

( ) sim

( ) não

72

73. Sinto-me em risco no ambiente escolar.

( ) sim

( ) não

73

74. Meus amigos acreditam que algumas drogas não fazem mal.

( ) sim

( ) não

74

75. Sinto-me isolado ou solitário na minha família.

( ) sim

( ) não

75

76. Meus amigos me valorizam pouco.

( ) sim

( ) não

76

77. Tenho amigos que me incentivam a usar drogas.

( ) sim

( ) não

77

78. Sinto que minha família me vê de forma negativa e está desistindo de mim.

( ) sim

( ) não

78

79. Na minha comunidade, há poucas opções de lazer para o jovem.

( ) sim

( ) não

79

80. Na comunidade, existe um bom controle da venda de drogas ilegais.

( ) sim

( ) não

80

61


62

Orientações Metodológicas e Instrumentos para Intervenção

2.3.1 Primeira etapa: Autoavaliação do adolescente Para a contagem de respostas em Riscos e Proteção em cada categoria da rede social, circule os itens que você marcou“sim”. Para cada item circulado some 1 ponto e escreva o resultado. ƒƒ Família Risco: 20, 22, 31, 37, 40, 54, 60, 72, 75, 78 = ƒƒ Família Proteção: 2, 8, 17, 25, 27, 29, 46, 67, 69, 70 = ƒƒ Escola/Trabalho Risco: 4, 6, 13, 18, 30, 50, 51, 56, 58, 7 = ƒƒ Escola/Trabalho Proteção: 11, 21, 24, 36, 41, 47, 49, 62, 65, 66 = ƒƒ Amizades Risco: 12, 14, 15, 16, 32, 39, 68, 74, 76, 77 = ƒƒ Amizades Proteção: 1, 3, 5, 7, 9, 10, 26, 28, 35, 71 = ƒƒ Comunidade Risco: 19, 33, 34, 38, 44, 45, 52, 55, 57, 79 = ƒƒ Comunidade Proteção: 23, 42, 43, 48, 53, 59, 61, 63, 64, 80 = ::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::: ƒƒ Família Risco: 20, 22, 31, 37, 40, 54, 60, 72, 75, 78 ƒƒ Família Proteção: 2, 8, 17, 25, 27, 29, 46, 67, 69, 70 ƒƒ Escola/Trabalho Risco: 4, 6, 13, 18, 30, 50, 51, 56, 58, 73 ƒƒ Escola/Trabalho Proteção: 11, 21, 24, 36, 41, 47, 49, 62, 65, 66 ƒƒ Amizades Risco: 12, 14, 15, 16, 32, 39, 68, 74, 76, 77 ƒƒ Amizades Proteção: 1, 3, 5, 7, 9, 10, 26, 28, 35, 71 ƒƒ Comunidade Risco: 19, 33, 34, 38, 44, 45, 52, 55, 57, 79 ƒƒ Comunidade Proteção: 23, 42, 43, 48, 53, 59, 61, 63, 64, 80 Uma parte desta folha com suas respostas “sim”, assinaladas, você deverá entregar ao educador, para que ele calcule os valores de toda a turma. Antes, passe os resultados (itens circulados) abaixo. Lembre-se que você não precisa se identificar pelo nome e, caso queira fazer algum comentário, escreva-o ao final. Preencha agora os termômetros na rede social com os valores que você calculou para os fatores de risco e proteção para o envolvimento com drogas. Veja o que cada valor encontrado pode significar em relação à sua situação para o uso de drogas:


INSTRUMENTOS PARA AÇÕES PREVENTIVAS Depois, represente o seu resultado da seguinte forma: se você tirou 2 em Família Risco e 3 em Família Proteção, coloque assim:

FAMÍLIA

10 . . . . 5 . . . . 0

COMUNIDADE

10 . . . . 5 . . . . 0

AMIZADES

10 . . . . 5 . . . . 0

10 . . . . 5 . . . . 0

10 . . . . 5 . . . . 0

10 . . . . 5 . . . . 0

ESCOLA/TRABALHO

10 . . . . 5 . . . . 0

10 . . . . 5 . . . . 0

Para entender o significado do resultado encontrado, é preciso saber que: ƒƒ As redes sociais dos adolescentes podem conter tanto fatores de risco como de proteção para o uso indevido de drogas. ƒƒ Os fatores de risco: são aqueles que favorecem o envolvimento do adolescente com a droga. A situação de risco não significa que uma pessoa faça uso da droga ou que seja um “drogado”, mas sim que há naquele contexto social algumas situações que podem influenciar o jovem ao envolvimento. Por outro lado, um baixo risco significa que, neste momento, esses fatores não estão presentes ou não influenciam tanto o adolescente para o uso ou envolvimento com a droga. ƒƒ Os fatores de proteção: mostram o quanto o adolescente tem situações, pessoas ou oportunidades em sua rede social que o protegem e que o ajudam a se sentir bem consigo mesmo e com as outras pessoas. Alta proteção também mostra o quanto a saúde física, emocional e as relações saudáveis estão sendo valorizadas e promovidas em cada um dos contextos. Aproveite esse momento para refletir sobre o quanto a sua rede social vem lhe oferecendo situações de proteção e situações de risco. Pense que há coisas na nossa rede social que podemos manter e outras que podemos transformar. Vamos conversar sobre isso no próximo encontro?

63


64

Orientações Metodológicas e Instrumentos para Intervenção

2.3.2 Segunda Etapa: Conhecendo e debatendo sobre os fatores de risco e proteção da turma Hoje iremos conhecer o que você tem em comum com a sua turma, em relação às situações de risco e proteção, para juntos refletirmos como podemos mudar as situações que incomodam e colocam em risco você e seus colegas, seja na escola, na família, na comunidade ou nas amizades. Juntos também poderemos pensar como aumentar e potencializar as situações que os protegem. Vamos trabalhar em rede com os colegas, os professores e com a escola para a prevenção ao uso indevido de drogas. Para isso, recupere aquela folha do instrumento que você teve que cortar metade para entregar ao professor. Pegue a outra metade que ficou com você. Veja quais itens você circulou e para eles marque um x na coluna “EU”. Por exemplo: ƒƒ Família Risco: 20, 22, 31, 37, 40, 54, 60, 72, 75, 78 = 2 pontos Neste caso, você irá marcar na tabela abaixo o item 20 com um “X” na coluna do “Eu”. Em seguida, irá marcar o item 31 com um “X”na coluna do “EU”. Por último, escreva o total, no caso 2. Depois de preencher os seus pontos, você irá anotar os pontos da turma e, juntos, vocês conversarão a respeito do que foi observado.

Família: fatores de risco

Eu

Minha turma

20. Sou motivo de desentendimentos ou confusões na minha família.

20

22. Na minha família, tem gente que usa muito álcool, tabaco ou remédio para relaxar.

22

31. Há violência na minha família.

31

37. Não tem ninguém na minha família que coloque limites para mim e que eu respeite.

37

40. Sinto que minha família não tem nada de bom para me oferecer.

40

54. Há pessoas na minha família que fazem uso de drogas proibidas por lei.

54

60. Os conflitos na minha família impedem a comunicação entre as pessoas.

60

72. A minha família é muito rígida e não há possibilidades de negociar as regras.

72

75. Sinto-me isolado ou solitário na minha família.

75

78. Sinto que minha família me vê de forma negativa e está desistindo de mim.

78

TOTAL Família: fatores de proteção 2. Meus pais sabem exercer a autoridade com carinho.

2

8. Minha família confia no meu potencial para vencer na vida.

8

17. Eu sei que posso contar com meus parentes próximos ou distantes.

17

25. Eu respeito os limites e as regras estabelecidas pelos meus pais ou responsáveis.

25

27. As pessoas da minha família cuidam da saúde.

27

29. Sinto que minha família me ama e se esforça por me ajudar.

29

46. Sinto-me próximo dos meus irmãos e/ ou primos.

46

67. Tenho espaço na minha família para dialogar sobre os conflitos.

67

69. Na minha família, tem alguém bem informado sobre as drogas, com quem eu possa conversar.

69

70. Minha família me vê de maneira positiva, tem uma boa imagem de mim.

70

TOTAL


INSTRUMENTOS PARA AÇÕES PREVENTIVAS

Escola/ Trabalho: fatores de risco 4. A minha escola e família estão distantes ou em conflito.

4

6. Na minha escola, os professores são insensíveis aos alunos.

6

13. Tenho relacionamento próximo com alguém que distribui droga na escola.

13

18. Sinto-me excluído na minha escola.

18

30. Os educadores não se interessam muito pelos alunos e pela escola.

30

50. Sou visto como marginal pela escola.

50

51. Convivo com colegas que usam drogas dentro da escola.

51

56. Sinto-me pressionado a trabalhar ou fazer algo desagradável para ganhar dinheiro.

56

58. Percebo que na escola as regras funcionam somente para os alunos.

58

73. Sinto-me em risco no ambiente escolar.

73

TOTAL Escola/ Trabalho: fatores de proteção 11. A escola se preocupa sobre o consumo de drogas entre os alunos.

11

21. Os limites e as regras na escola estão claros para mim.

21

24. A minha escola realiza bons programas de prevenção sobre as drogas.

24

36. A polícia auxilia na segurança nas redondezas da escola.

36

41. Na minha escola, existe respeito na relação entre aluno e educador.

41

47. Sinto-me valorizado e fazendo parte da escola.

47

49. Sinto-me protegido no ambiente escolar.

49

62. Os alunos reconhecem a autoridade e obedecem aos educadores e funcionários.

62

65. Tenho oportunidades para realizar curso ou estágio profissionalizante.

65

66. A minha família coopera com minha escola.

66

TOTAL Amizades/ Namoro: fatores de risco 12. Sinto que é difícil confiar nos amigos.

12

14. Meus amigos são agressivos com pessoas de fora do grupo.

14

15. Meus amigos usam drogas.

15

16. Meus amigos aprovam o uso de drogas.

16

32. Meus amigos agridem uns aos outros.

32

39. Meu namorado(a)/ficante usa drogas.

39

68. Eu me sinto pressionado pelos meus amigos a fazer coisas que não quero.

68

74. Meus amigos acreditam que algumas drogas não fazem mal.

74

76. Meus amigos me valorizam pouco.

76

77. Tenho amigos que me incentivam a usar drogas.

77

TOTAL Amizades/ Namoro: fatores de proteção 1. Meus amigos gostam de estudar e têm compromisso com os estudos.

1

3. Meus amigos têm projetos de profissão para o futuro.

3

5. Meus amigos praticam esportes.

5

7. Consigo manter minha opinião própria dentro do meu grupo de amigos.

7

9. Meu namorado(a)/ ficante me incentiva a não usar drogas.

9

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Orientações Metodológicas e Instrumentos para Intervenção

10. Sei que posso confiar em meus amigos.

10

26. Meus amigos valorizam o trabalho.

26

28. Meus amigos me incentivam a não usar drogas.

28

35. Meus amigos evitam frequentar ambientes onde existem drogas.

35

71. Meus amigos valorizam e cuidam da saúde.

71

TOTAL Comunidade: fatores de risco 19. Na minha comunidade, as pessoas não se importam umas com as outras.

19

33. A comunidade não se preocupa com a venda de álcool/ tabaco para adolescentes.

33

34. Sinto-me influenciado a usar drogas nos lugares que frequento na comunidade.

34

38. Existem traficantes perto de onde eu moro.

38

44. Nos locais que frequento na minha comunidade, há incentivo para o uso de drogas.

44

45. Nas opções de lazer que existem na minha comunidade há presença de drogas.

45

52. Onde moro sou visto como marginal.

52

55. Na minha comunidade, a droga é vendida/ repassada por crianças ou adolescentes.

55

57. Na minha comunidade, há gangues.

57

79. Na minha comunidade, há poucas opções de lazer para o jovem.

79

TOTAL Comunidade: fatores de proteção 23. Participo de atividades que ajudam minha comunidade.

23

42. Quando preciso, posso contar com serviços de saúde na minha comunidade.

42

43. Participo de projetos sociais ou de incentivo ao esporte para o jovem.

43

48. Na minha comunidade, há ações de prevenção ao envolvimento com drogas.

48

53. Na minha comunidade, há boas opções de lazer para o jovem.

53

59. Na minha comunidade, há oportunidades para o jovem se expressar e se organizar.

59

61. Existe controle da venda de álcool e tabaco para adolescentes na comunidade.

61

63. Encontro opções de lazer sem drogas em locais da minha comunidade.

63

64. Na minha comunidade há palestras e informações sobre drogas.

64

80. Na comunidade, existe um bom controle da venda de drogas ilegais.

80

TOTAL

Referência BORGES, J. S. Redes sociais e fatores de risco e proteção para o envolvimento com drogas na adolescência: abordagem no contexto da escola. Dissertação (Mestrado em Psicologia Clínica e Cultura). Instituto de Psicologia. Brasília: Universidade de Brasília, 2006.


INSTRUMENTOS PARA AÇÕES PREVENTIVAS

3. Entrevista de acolhimento de adolescentes em situação de risco pelo envolvimento com drogas*

Maria Fátima Olivier Sudbrack Sandra Eni Fernandes Nunes Pereira Marilia Mendes Almeida

3.1 Introdução A proposta de prevenção do curso destaca a importância do educador conhecer fatores de risco e de proteção presentes na vida de seus alunos. ƒƒ Mas o que fazer quando se percebe que um aluno está vivendo uma situação de risco? ƒƒ O que fazer quando um aluno procura você para contar uma situação pessoal? Pode ser que você já conheça os fatores de risco e de proteção da turma, mas, para ajudar um aluno em uma situação específica, será preciso uma metodologia de abordagem pessoal. O módulo 3 apresenta o modelo da educação para a saúde como sendo o novo paradigma de prevenção do uso de drogas apontado pela Política Nacional sobre Drogas (SENAD). Sendo a prevenção na área de drogas caracterizada por ações de promoção da saúde integral do adolescente, destacamos (conforme os textos da unidade 11) a importância de posturas sempre inclusivas face ao adolescente, em especial aqueles em condição de maior vulnerabilidade social. Como você aprendeu nos textos das unidades 9 e 10, a metodologia das redes sociais aponta para a mobilização dos potenciais e a minimização dos riscos, incluindo todos os segmentos em um trabalho de natureza comunitária. Nesta perspectiva, trazemos como uma das estratégias protetivas e de inclusão – o “acolhimento” do adolescente em situação de risco – no contexto da escola. Como vimos na unidade 11, acolher quer dizer evitar ao máximo seu afastamento do meio escolar, o que constituiria grave fator de risco para seu envolvimento com drogas. Educador, você percebeu a importância do seu trabalho na prevenção indicada?

3.2 Metodologia de aplicação e exploração dos resultados Cabe, no entanto, prepará-lo para essas ações de acolhimento que exigem uma competência do educador, em especial no resgate dos vínculos positivos do adolescente com sua escola. O objetivo desta atividade é a abordagem individual de adolescentes em contexto de risco para envolvimento com drogas. Essa estratégia de abordagem individual é especificamente importante para as escolas que estão inseridas em um contexto comunitário e social de risco. Nesses casos, existe maior probabilidade de alunos que já estejam em uma situação de envolvimento com drogas. É o caso de comunidades com fácil acesso ao crack, por exemplo. O instrumento de avaliação que este instrumento sugere foi desenvolvido com base em um modelo de avaliação de rede social pessoal, que estabelece níveis gradativos de intimidade do sujeito com os elementos da rede, presentes nos diversos contextos de pertencimento (família, amizades, relações escolares ou de trabalho, relações comunitárias, de serviço ou de credo). Propõe ainda a avaliação das características estruturais da rede social pessoal, das funções específicas e dos atributos dos vínculos presentes na rede e situa o observador e o informante em um nível de análise relacional, que também adquire um caráter terapêutico. * Trata-se de instrumento desenvolvido como parte de Tese de Doutorado realizada no Programa de Pós Graduação em Psicologia Clínica e Cultura do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília,defendida pela segunda autora, sob orientação da primeira autora. A terceira autora contribuiu na redação do referido instrumento.

67


68

Orientações Metodológicas e Instrumentos para Intervenção

ƒƒ A partir deste modelo de avaliação de redes sociais, foram desenvolvidos novos instrumentos adaptados a diferentes contextos de intervenção (jurídico, escolar e comunitário), que propõem a avaliação das características estruturais da rede, as funções presentes e os atributos dos vínculos da rede pessoal de adolescentes em situação de vulnerabilidade social. Além disso, este instrumento avalia os fatores de risco e proteção que podem estar presentes na vida dos adolescentes, no âmbito de sua rede social pessoal. Este instrumento ainda permite a avaliação da rede comunitária, bem como dos principais fatores de risco e de proteção ao adolescente, que podem estar presentes na comunidade mais ampla. Aprofundando alguns conceitos que fundamentam esta metodologia A rede social pode ser considerada uma metáfora que permite falar das relações sociais, pensar e repensar novas formas de convivência, vinculações, conexões e relações com os contextos. A utilização da prática de redes sociais ganha força e evidência em trabalhos na área de saúde mental e terapia familiar e tem como referência a abordagem sistêmica e o modelo de psicologia comunitária. Seja em contexto de saúde, clínico, seja em contexto comunitário, a inclusão da rede de apoio social torna-se de fundamental importância para a prática e pesquisa. São definidos três níveis de análise da rede social pessoal: As características estruturais da rede social pessoal são as propriedades da rede em seu conjunto, como: tamanho, densidade, composição ou distribuição, dispersão, homogeneidade ou heterogeneidade e atributos do vínculo. As funções presentes na rede social pessoal são os tipos predominantes de trocas que se estabelecem entre o informante e os elementos da rede, como: companhia social, apoio emocional, guia cognitivo e de conselhos, regulação social, ajuda material e de serviços, acesso a novos contatos. Os atributos do vínculo presentes na rede social pessoal são as formas como cada vínculo se comporta dentro da rede social pessoal, como: função predominante, multidimensionalidade, reciprocidade, intensidade, frequência e história da relação. Então, vamos começar? Para esta atividade, sugerimos que o educador que se proponha a acolher um adolescente em risco seja um educador com formação como psicopedagogia ou psicologia. Educador, releia no livro-texto as aulas do módulo 3, em especial a aula 11, que trata do acolhimento de adolescentes em situação de risco para o envolvimento com drogas. Em seguida, veja abaixo o manual de aplicação da entrevista de acolhimento. Para realizar essa entrevista, você precisará dos mapas, que estão no anexo III (a). É importante que você compreenda como o instrumento funciona; para isso, leia o manual com atenção. Se tiver alguma dúvida, pergunte ao seu tutor. Metodologia de aplicação e exploração dos resultados: reduzindo os fatores de risco e otimizando os fatores de proteção nas redes sociais do adolescente

Manual da entrevista A entrevista tem o objetivo de mapear a rede social do adolescente e levantar fatores de risco e fatores de proteção relativos ao uso de drogas. Com base nesse levantamento, o educador poderá refletir, junto ao adolescente, sobre estratégias de prevenção com o objetivo de diminuir os fatores de risco e fortalecer os fatores de proteção levantados na entrevista. A entrevista levanta aspectos da vida do adolescente que podem precisar de um pouco mais de atenção, mas não tem o objetivo de diagnosticar. É importante que o educador não veja as respostas da entrevista de forma preconceituosa. Procure não olhar para o adolescente por meio de rótulos: “adolescente problema”, “drogado”, “marginal”, “doente”. Se o educador utilizar a entrevista para colocar o adolescente em categorias como essas, o adolescente estará sendo prejudicado e a entrevista terá sua finalidade deslocada para um olhar preconceituoso do educador.


INSTRUMENTOS PARA AÇÕES PREVENTIVAS

As respostas que surgirem da entrevista devem ser vistas como aspectos da vida do adolescente que podem estar funcionando como risco ou como proteção para sua aproximação com as drogas. Essa entrevista deve ser utilizada em casos mais específicos, em que o educador percebe que o adolescente está em uma situação de risco e queira entender melhor quais são esses riscos. Assim, não é uma entrevista para ser aplicada em todos os alunos de uma escola. É uma entrevista individual e tanto o adolescente como sua família devem concordar em participar. A entrevista só deve ser aplicada com o livre consentimento do adolescente. Para isso, leia com o adolescente o convite da entrevista e pergunte se ele concorda em participar. A entrevista deve ser aplicada de forma individual e em local reservado, a fim de respeitar a privacidade do adolescente. A entrevista investiga a realidade dos adolescentes com vistas à melhoria do trabalho educativo na escola. A escola está se unindo para desenvolver formas de compreender melhor a realidade e as relações do adolescente. O primeiro passo para iniciar a entrevista é encaminhar o convite aos pais do aluno em que se pretende aplicar a entrevista. Depois da aceitação dos pais, é a hora de convidar o adolescente. Explique a ele que a escola e você, educador, querem conhecê-lo melhor, querem entender como está a vida dele para ver no que a escola pode ajudá-lo. ƒƒ Leia com o adolescente o convite que está na primeira página do instrumento. ƒƒ Pergunte se o adolescente ficou com alguma dúvida. ƒƒ Pergunte se ele concorda em fazer a entrevista. ƒƒ Confirme se o adolescente entendeu que ele não é obrigado a participar e que ele pode interromper a entrevista a qualquer momento. Depois que o adolescente concordar em participar, escolha um local reservado onde não haja pessoas à volta. A entrevista é composta de duas partes: Parte I: Mapa da Rede Social. Parte II: Mapa das Funções da Rede Social. Caso o adolescente prefira, a entrevista pode ser realizada em dois momentos diferentes: ƒƒ no primeiro, aplica-se até a parte I; ƒƒ no segundo, aplica-se a parte II. No entanto, o período entre uma aplicação e outra não pode se estender por mais de uma semana. O adolescente deve preencher a entrevista sozinho, a não ser que solicite auxílio ou que esteja de alguma forma impedido de preenchê-la. Entregue a entrevista ao adolescente e inicie a aplicação.

3.3 Apresentação do instrumento – Entrevista de Acolhimento Parte I: Mapa da Rede Social 1) Diga ao adolescente Um dos pontos mais importantes da vida dos jovens são as suas relações com a família, com os amigos, com as instituições e também na comunidade de uma forma mais ampla. Por isso, a primeira parte desta nossa conversa trata desse assunto, e vamos iniciá-la convidando você para fazer um mapa da sua rede de relações.

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Orientações Metodológicas e Instrumentos para Intervenção

ƒƒ Quais são as pessoas mais importantes para você atualmente e que você pode dizer que fazem parte da sua vida afetiva? Use esse desenho para fazer um mapa que vai ajudá-lo a nos explicar sobre como estão seus relacionamentos nos diferentes aspectos de sua vida, hoje. Depois vamos conversar sobre esse mapa de suas relações e você poderá explicar melhor, combinado? 2) Leia com o adolescente a instrução da parte I e pergunte se ele ficou com dúvidas O adolescente deve citar as pessoas com as quais mantém relação, de acordo com a proximidade e a área de relação (família, escola/trabalho, amizades, comunidade). Caso o adolescente tenha dúvida sobre o que é comunidade, diga a ele: “Comunidade são as pessoas ou lugares como vizinhos, igreja, clube, quadra de esportes, posto de saúde, posto policial e outros lugares que você frequenta”. O adolescente deve representar as mulheres por um círculo e os homens por um quadrado. Ele não deve colocar nomes ou identificar as pessoas, apenas representá-las por círculos ou quadrados. Por exemplo: se o adolescente tem uma relação próxima com a mãe, ele vai representá-la no quadrante da família e no círculo mais interno: FAMÍLIA

COMUNIDADE

ESCOLA/TRABALHO

AMIZADE/NAMORO

Se o adolescente tem um amigo na escola, ele pode ficar na dúvida se o representa no quadrante da escola ou no quadrante das amizades. Investigue se essa amizade se expande para outros níveis ou se fica restrita à escola. Se ficar restrita à escola, o adolescente deve representá-lo no quadrante da escola. Caso a amizade vá para além da escola, ele deve representar o amigo no quadrante das amizades. Supondo que o adolescente tenha uma relação de amizade com um colega da escola, mas que essa relação está afastada, o mapa ficará assim FAMÍLIA

COMUNIDADE

ESCOLA/TRABALHO

AMIZADE/NAMORO


INSTRUMENTOS PARA AÇÕES PREVENTIVAS

Dessa forma, o adolescente vai representar todas as relações que ele tem no momento da aplicação da entrevista. Abaixo do mapa, há uma legenda. Explique ao adolescente que essa legenda não será preenchida neste momento. 3) Exploração do mapa das redes sociais Após o mapa, faça as perguntas a seguir. Para isso, tenha à mão papel e caneta para anotar as respostas. Leia a primeira pergunta e verifique se o adolescente entendeu corretamente. Faça o mesmo com as demais perguntas. 1. O que você achou de como ficou o mapa? Você acha que ficou bem assim? É isso mesmo? Gostaria ainda de mudar alguma coisa? 2. Olhando para o mapa, você acha que ele ajuda a mostrar como estão seus relacionamentos neste momento da sua vida? 3. O que você percebe quanto à quantidade de pessoas que você colocou no seu mapa? Sempre foi assim? Aumentou ou diminuiu? Desde quando? 4. Agora me diga: dessas pessoas que você representou no mapa, quais se relacionam entre si? Vamos fazer um traço ligando essas pessoas. Lembre-se de relacionar as diferentes áreas da sua vida: família, escola/ trabalho, amizades e comunidade. Na pergunta 4, o adolescente deve ligar com um traço as pessoas que se relacionam entre si; deve ficar claro que ele deve ligar pessoas de diferentes quadrantes quando houver relação. Abaixo, há um exemplo de como o mapa pode ficar:

FAMÍLIA

COMUNIDADE

ESCOLA/TRABALHO

AMIZADE/NAMORO

Em seguida, leia a pergunta 5 e verifique se o adolescente compreendeu. O adolescente deve colocar setas para o lado externo do círculo, indicando as pessoas que estão se afastando dele.

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Orientações Metodológicas e Instrumentos para Intervenção

5. E quanto ao lugar em que você colocou as pessoas acima? Existem uma ou mais pessoas que você acha que estão se afastando de você ou que você gostaria que se afastassem? Vamos fazer uma seta para o lado externo ( >) nessas pessoas. Exemplo: FAMÍLIA

COMUNIDADE

ESCOLA/TRABALHO

AMIZADE/NAMORO

Em seguida, leia a próxima pergunta e verifique se o adolescente compreendeu. O adolescente deve colocar setas para o lado interno do círculo, indicando as pessoas que estão se aproximando dele. 6. Das pessoas que você representou acima, existem uma ou mais pessoas que você acha que estão se aproximando de você ou que você gostaria que se aproximassem? Vamos fazer uma seta para o lado interno(< ) nessas pessoas. Exemplo: FAMÍLIA

COMUNIDADE

ESCOLA/TRABALHO

AMIZADE/NAMORO

As relações que não estão nem se afastando nem se aproximando deverão ficar sem indicação de seta.


INSTRUMENTOS PARA AÇÕES PREVENTIVAS

Leia a pergunta 7 e verifique se o adolescente tem dúvidas. 7. O que precisaria acontecer entre você e essas pessoas (marcadas pela seta) para que elas continuassem no lugar que hoje ocupam no seu mapa ou para que, se do seu desejo, ocupassem este outro lugar na sua vida? Leia com o adolescente a pergunta 8. Agora o adolescente deve indicar, por um triângulo, onde há presença da drogas/violência em seu mapa. Vale lembrar ao adolescente que álcool, remédios sem receita, thinner também são drogas. 8. Há algum lugar no seu mapa onde existem situações de risco para você, como: uso de drogas, venda de drogas, brigas, situação de violência? Represente com um triângulo (∆) onde existem essas situações de risco no seu mapa. Por exemplo: FAMÍLIA

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ESCOLA/TRABALHO

AMIZADE/NAMORO

4) Conhecendo as pessoas que compõem a rede Fale ao adolescente: Agora, gostaria que você nos falasse um pouco sobre essas pessoas que você representou no seu mapa: ƒƒ onde moram; ƒƒ como as conheceu; ƒƒ onde se encontram; ƒƒ com que frequência se encontram; ƒƒ que idade elas têm; ƒƒ se elas têm a mesma condição financeira que você; ƒƒ o que elas fazem; ƒƒ o que você acha que há de parecido entre elas; ƒƒ o que acha que há de diferente; ƒƒ como é o seu relacionamento com elas. Enfim, gostaríamos que você nos apresentasse a essas pessoas. Você concordaria? Por qual parte do mapa você quer começar?

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Orientações Metodológicas e Instrumentos para Intervenção

IMPORTANTE Diga: Você não precisa apresentar todas as pessoas, se não quiser. Fale apenas de quem você se sentir à vontade, das pessoas que são mais importantes para você neste momento e diga o que quiser sobre elas, da forma como achar melhor. E à medida que você for apresentando as pessoas que desenhou no seu mapa, vá colocando ao lado do círculo ou do quadrado que as representa um número. Em seguida, faça uma legenda ao lado do mapa identificando essas pessoas. Nessa parte da entrevista, o adolescente deve apresentar as pessoas do mapa, falando um pouco sobre elas, mas deve falar somente sobre o que se sentir à vontade. Enquanto ele apresenta as pessoas, deve preencher a legenda do mapa. Tome nota das informações fornecidas pelo adolescente. Abaixo, há um exemplo de como o mapa pode ficar: FAMÍLIA

1 Tia

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ESCOLA/TRABALHO

AMIZADE/NAMORO

2 Pai 3 Posto de Saúde 4 Professor Quanto ao pertencimento Em seguida, existem algumas perguntas sobre a escola. Diga ao adolescente: Agora que você nos falou sobre algumas dessas pessoas que compõem sua rede, que tal falarmos sobre suas visões sobre ela? Cada um destes quadrantes (escola/trabalho, família, amizades e comunidade) compõe o seu mapa e são vistos de forma diferente para cada pessoa, pois o que significa a família, a escola, os amigos e a comunidade vai depender do tipo de relacionamento que se estabelece em cada um destes contextos, bem como da cultura e da educação que cada um vai adquirindo ao longo da vida. Assim, o que é família para você, por exemplo, pode não ser o mesmo para outra pessoa. E já que estamos no contexto da escola, gostaríamos, então, de conversar um pouco com você sobre como entende a escola – componente de sua rede social. Pode ser? A seguir, há sugestões de perguntas sobre a escola. Faça as perguntas que achar mais interessantes. Lembre-se de tomar nota das respostas: 1. O que é a escola para você? Para que serve? 2. O que fez você vir para esta escola? 3. Como tem sido sua vida escolar?


INSTRUMENTOS PARA AÇÕES PREVENTIVAS

4. Você já mudou muito de escola? Por quê? Quais as consequências disso para você? 5. Você se sente parte desta escola? A escola faz parte da sua vida? De que forma? 6. Como é sua relação com as pessoas desta escola? Você considera que há alguém para apoiar você quando está na pior? Você tem alguém para pedir conselhos quando está na dúvida de como agir? 7. A escola é um bom lugar para se fazer amigos? Que tipo de amizade você encontrou nesta escola? 8. De que forma o adolescente é visto pela escola? O que poderia mudar? 9. Você se sente protegido ou em risco na escola? O que pode ser feito? 10. Quais são os pontos positivos da escola? 11. Quais os pontos negativos da escola? O que você mudaria nela? 12. O que você espera dos professores, direção, funcionários e colegas? 13. O que é o trabalho para você? Para que serve? 14. Você já trabalhou? Qual foi sua experiência? O que pensa em exercer no futuro como trabalho? 15. Qual a relação entre seus estudos e o trabalho que deseja? Depois que o adolescente responder às questões sobre a escola, você, educador, pode sentir necessidade de perguntar um pouco sobre os outros aspectos (família, amizades, comunidade). Caso você queira aprofundar seu conhecimento sobre as outras redes de pertencimento do adolescente e a visão dele sobre elas, como a família, a comunidade, os pares, a sociedade, seguem abaixo sugestões de perguntas que podem ser pertinentes nesse sentido.

ATENÇÃO Não é necessário fazer essas perguntas, por isso elas não estão na entrevista entregue ao adolescente. São apenas sugestões; faça apenas se sentir necessidade e se entender que o adolescente está disposto. Caso contrário, a entrevista pode ficar muito longa e cansativa para ele. Família 1. Com relação à família, você se sente parte de uma família? Sente que tem uma família? Se sim, quem você considera da sua família? Por quê? 2. Eles consideram você da família? 3. Como é o seu relacionamento com sua família? 4. Você gostaria que mudasse alguma coisa na sua relação com eles? 5. O que a sua família espera de você? 6. O que você espera da sua família? Amizades 7. Agora, com relação aos amigos, o que significa um grupo de amigos/uma turma para você? 8. Você tem um grupo de amigos? 9. Como eles são? O que vocês costumam fazer juntos? 10. Como você se aproximou desse grupo? O que teve que fazer para isso? 11. Como é a sua relação com eles? Do que você mais gosta neles? E do que você não gosta? 12. Você gostaria que mudasse alguma coisa na sua relação com eles?

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Orientações Metodológicas e Instrumentos para Intervenção

Comunidade 13. De que localidade você vem? 14. Onde você mora e onde reside sua família? 15. Você sente que faz parte de uma comunidade? Qual? Como? 16. Você mudaria alguma coisa na sua comunidade? O quê? 17. A escola faz parte de sua comunidade? De que forma? 18. Você frequenta alguma instituição na sua comunidade? (Como uma igreja, por exemplo). Projeto de vida 19. Como você se vê no futuro em relação à sua família, às amizades, à escola, ao trabalho, na sociedade? Agora, siga para a parte II da entrevista Parte II: Mapa das funções da rede social Diga ao adolescente: “Na primeira parte desta entrevista, você nos apresentou às pessoas que fazem parte da sua rede social e conversamos um pouco sobre como é seu relacionamento com elas. Mas sabemos também que cada relacionamento é construído de acordo com a (ou as) função (ou funções) que um desempenha na vida do outro. Por exemplo: Você pode se lembrar de um determinado amigo quando você está com problemas e precisa desabafar; e se lembrar de outro amigo quando apenas quer companhia para se divertir, para ir às baladas. O primeiro deles teria, então, a função de “apoio emocional” para você, pois o ajuda nos momentos difíceis. Já o segundo exerceria a função de “companhia social” para você, já que pensa nele sempre que está sozinho e quer sair para se divertir. Assim, nesta segunda etapa da entrevista, gostaríamos que você voltasse para o mapa das suas redes sociais (que você preencheu anteriormente) e pensasse sobre as funções que aquelas pessoas representadas ali exercem em sua vida. Essa é outra questão que nos chama a atenção na vida dos nossos alunos: ƒƒ Que tipos de relação os jovens estão construindo na escola, na comunidade, na família, entre os amigos? ƒƒ São relações afetivas, fortes, duradouras, de proteção, ou são relações ameaçadoras, de controle, de risco etc.? O que você acha? Diga ao adolescente: “Nós convidamos você, então, a fazer um novo mapa, agora sobre as funções da sua rede social, as funções que as pessoas desempenham na sua vida - pensando no tipo de relação que você mantém com cada uma dessas pessoas a partir dessas funções”. Leia com o adolescente as instruções da parte II Pergunte se o adolescente tem alguma dúvida. Cada balão do mapa tem uma palavra-chave. Caso o adolescente tenha dúvida quanto ao significado da palavra, indique a página seguinte da entrevista com as explicações. Se ainda assim o adolescente permanecer com dúvidas, abaixo do exemplo, na página seguinte desse manual, seguem explicações extras que você pode ler para ele.


INSTRUMENTOS PARA AÇÕES PREVENTIVAS

O adolescente deve preencher os balões colocando as pessoas que exercem a função ali escrita; ele pode colocar mais de uma pessoa no mesmo balão e pode deixar balões em branco, se existir uma função que não tenha ninguém cumprindo. O adolescente não deve colocar nomes; veja o exemplo:

Irmão

Mãe/Pai

Amigo

Mãe

Identificação

Afeto/Amor

Amizade/Confiança

Ajuda Financeira

Pai

Pai EU

Justiça

Segurança/Proteção

Perigo/Risco

Namorada(o)

Escola

Experiências Sexuais/ Namoro

Novas relações

Posto Saúde

Escola

Controle/Poder

Autoridade (Limites/Regras) Amigo Diversão e lazer

Tio

Irmã

Escola

Medo/Ameaça

Decisões e Conselhos

Apoio/Ajuda

Irmão Aventura/ Trangressão

Mãe

Rua Competição/ Gangue

Acesso às Drogas

Em seguida ao preenchimento do mapa das funções da rede, diga ao adolescente: Agora que você terminou de preencher este mapa, vamos conversar um pouco a respeito dele? Apresente-nos as funções que identificou no mapa como importantes em sua vida, e as pessoas ou instituições que a exercem hoje em sua vida. Fale apenas sobre as pessoas e funções que quiser e que são importantes para você neste momento de sua vida. Poderia explicar o motivo de cada uma dessas pessoas ou instituições representadas no mapa ocupar a função escolhida?. Novamente você não precisa apresentar todas as pessoas, se não quiser. Fale apenas de quem você se sentir à vontade e diga o que quiser sobre a função que ela exerce na sua vida, da forma como achar melhor.

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Orientações Metodológicas e Instrumentos para Intervenção

Após a aplicação Marque com o adolescente um horário para dar a devolutiva da entrevista. A devolutiva não deve passar de uma semana da entrevista. O educador e o adolescente devem conversar sobre os pontos levantados na entrevista, a fim de confirmar ou afastar as suspeitas. O objetivo principal da devolutiva é pensar com o adolescente algumas estratégias para diminuir os fatores de risco e fortalecer os fatores de proteção levantados na entrevista e confirmados na devolutiva. Para isso, os pontos a seguir devem ser abordados. 1 Parte I – Sugestões de exploração das informações obtidas Se o adolescente construir um mapa com poucas relações, poucas pessoas e, ao conversar com ele você entender que isso é um aspecto negativo na vida dele, uma das estratégias pode ser conversar com o adolescente sobre como ele pode conhecer novas pessoas e como pode ter uma relação mais próxima com as pessoas que já estão em seu mapa. Se, na resposta à pergunta 3, o adolescente contar algum fato que fez com que diminuísse o número de pessoas, converse um pouco sobre esse fato e descubra formas de reverter ou compensar seu impacto na rede do adolescente. O segundo ponto é a densidade da rede. É importante analisar as relações que o adolescente ligou com um traço, uma vez que as pessoas de diferentes áreas da vida dele devem conversar; é importante que ele ligue relações de diferentes áreas do mapa (família, escola/trabalho, amizades, comunidade). Por exemplo: se o adolescente não ligou ninguém da família à escola, pergunte a ele por que ele acha que a família não está conversando com a escola e como isso pode mudar. Caso ele não ligue ninguém das amizades à família, converse com ele por que os amigos não têm contato com sua família e como mudar isso, e assim por diante. Outra questão a ser investigada é se existe alguma área do mapa vazia ou com poucas pessoas. Por mais que o mapa tenha certa quantidade de pessoas, pode existir uma área que esteja desprivilegiada. Nesse caso, é interessante conversar com o adolescente o motivo de esse campo da vida dele estar tão vazio de relações e pensar estratégias para se estabelecerem novas relações ou resgatar relações antigas. Dessa forma, a rede do adolescente terá mais recursos para protegê-lo. A qualidade das relações pode ser analisada por meio da quantidade de pessoas que estão afastadas ou em processo de afastamento. Se o mapa do adolescente for composto primordialmente por relações representadas no círculo mais externo ou se a maior parte das relações for representada com uma seta que indica movimento de afastamento, isso evidencia que essa questão deve ser conversada com ele. É importante entender por que essas relações estão afastadas ou em processo de afastamento e se isso é visto como algo ruim pelo adolescente. Se for o caso, veja o que pode ser feito para melhorar a qualidade das relações e reverter o processo de afastamento. Todas as questões acima levantadas são potenciais fatores de risco que podem aproximar o adolescente do consumo de drogas. Entretanto, a questão do contexto de risco aparece de forma mais evidente quando o adolescente representa a droga ou violência no Mapa da Rede, por meio do triângulo. Pelo triângulo, é possível verificar quais áreas da vida dele o estão aproximando de fatores de risco referentes ao consumo de drogas. Converse com o adolescente como ele vê essas áreas que ele marcou com o triângulo; verifique se ele gostaria que algo mudasse nessas áreas e o que precisaria ser feito para mudar. Esses contextos serão aprofundados no decorrer da entrevista, pois é importante entendê-la como um todo. As questões levantadas no Mapa da Rede Social serão mais completas e interessantes se casadas com as demais questões levantadas ao longo da entrevista. Acima, foram levantados pontos que podem indicar fatores de risco. Logo, a ausência dessas situações configura-se um contexto de proteção. Se esse é o caso, o educador estará ciente dos contextos de proteção ao qual pode recorrer. Em seguida, serão abordadas as formas de exploração do Mapa das Funções da Rede.


INSTRUMENTOS PARA AÇÕES PREVENTIVAS

Conhecendo as pessoas que compõem a rede Escola/Trabalho Em seguida, a entrevista aprofunda um pouco na área da escola/trabalho. Por meio das perguntas (1-15) verifique quais aspectos da escola estão sendo de risco e quais estão sendo de proteção. Converse com o adolescente sobre como os aspectos negativos, de risco, que ele apontou, poderiam ser modificados. Veja como os aspectos positivos, de proteção, poderiam ser ampliados. Exemplos: a) Nas perguntas 1 e 2, pode-se verificar se o adolescente se sente motivado para ir para à escola. Se não, investigue o porquê e o que poderia mudar. Se sim, é um aspecto de proteção no qual o adolescente pode se apoiar. b) Pela pergunta 4, verifica-se se o adolescente muda muito de escola. Se sim, dificilmente o adolescente consegue estabelecer relações fortes na escola. Esse é um aspecto que pode representar risco. ƒƒ Converse com o adolescente como ele vê isso, se existe a possibilidade de ele manter contato com as pessoas que ele considera mais importante e o que ele precisaria fazer para manter esse contato. ƒƒ Verifique se ele tem dificuldade em se relacionar numa escola nova, no que a escola pode ajudá-lo e quais atitudes ele poderia ter para se relacionar melhor. c) Na pergunta 5, verifique se a escola é importante na vida do adolescente. Será que ele gostaria que a escola fosse mais importante? O que pode ser feito por ele e pela escola para que isso aconteça? d) Nas perguntas 6, 7, 8, 9, 10, verifique quais são os fatores de proteção da escola. Se o adolescente não apontou nenhum, converse com ele sobre isso verifique o porquê, o que ele gostaria de mudar, como a escola pode mudar para que ele se sinta protegido, quem poderia dar apoio ao adolescente, como as amizades poderiam ter mais qualidade. e) Por meio da pergunta 8, verifique se o adolescente se sente discriminado pela escola, se ele acha que a escola o vê de forma negativa, se ele sente algum tipo de preconceito. Se sim, veja o que pode ser mudado, como mudar, o que fazer para que o adolescente sinta que a escola acredita nele. Se o adolescente entende que a escola o vê de forma positiva, esse é um aspecto de proteção no qual ele pode se apoiar. f) Por meio das perguntas 13, 14, 15, verifique se o adolescente enxerga o trabalho de forma positiva ou negativa e por quê; verifique se ele vê o trabalho como uma perspectiva de futuro e se ele entende que a escola é um meio para alcançar o mercado de trabalho. 2 Parte II – Sugestões de exploração das informações obtidas O Mapa das Funções da Rede tem o objetivo de complementar as informações levantadas pelo Mapa da Rede Social e levantar quais são as relações que exercem determinadas funções na vida do adolescente. No mapa existem funções de proteção e de risco, representadas pelas palavras-chave abaixo de cada balão. As funções de proteção indicam quais relações podem ser fortalecidas para contribuir com a proteção do adolescente. As funções de risco indicam quais relações precisam ser trabalhadas para que o adolescente possa refletir sobre o que ele gostaria de mudar, o que é preciso fazer para que deixem de representar contexto de risco e passem a representar contexto de proteção. Converse com o adolescente sobre isso, veja se ele identifica essas relações como risco e o que ele acha que poderia ser mudado.

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Orientações Metodológicas e Instrumentos para Intervenção

MAPA SOBRE AS FUNÇÕES DA REDE

Identificação

Afeto/Amor

Amizade/Confiança

Ajuda Financeira

EU Justiça

Segurança/Proteção

Saúde

Experiências Sexuais/ Namoro

Controle/Poder

Medo/Ameaça

Perigo/Risco

Novas relações

Decisões e Conselhos

Irmão Aventura/ Trangressão

FUNÇÕES QUE PODEM REPRESENTAR RISCO PERIGO / RISCO MEDO / AMEAÇA AVENTURA / TRANSGRESSÃO / ACESSO ÀS DROGAS COMPETIÇÃO (GANGUE) CONTROLE / PODER / DOMINAÇÃO

Autoridade (Limites/Regras)

Diversão e lazer

Apoio/Ajuda

Rua Competição/ Gangue

Acesso às Drogas


INSTRUMENTOS PARA AÇÕES PREVENTIVAS

Também é interessante avaliar a diversidade de pessoas representadas no mapa. Caso o mapa apresente pouca diversidade de pessoas, é indicativo de que o adolescente está amparado por poucas pessoas, que sua rede social está escassa. Esse indício fica ainda mais forte se o adolescente representou poucas pessoas na parte I do Mapa da Rede Social. Talvez seja interessante conversar com ele sobre formas de aumentar sua rede social: conhecer novas pessoas, fortalecer relações afastadas, aproximar pessoas distantes. Se o mapa foi preenchido em sua maioria com relações familiares relativas à família de origem (pai, mãe, irmãos), pode ser um indicativo de uma relação em que o adolescente deixa de exercer o papel de filho e passa a exercer o papel de um dos pais. Necessariamente, existe ausência de um dos pais, que está sendo suprida por esse adolescente. Ele pode ser responsável pelo sustento da casa, por cuidar ou educar os irmãos mais novos, cuidar da família. Esse padrão de relação familiar é uma situação de risco que pode aproximar o adolescente do uso de drogas. Se for esse o caso, é interessante conversar com ele sobre como ele se sente, se ele gostaria que a família mudasse e como isso poderia ser feito. Converse com o adolescente sobre como ele pode conversar com a família sobre isso e se ele gostaria que a escola o ajudasse. Outra questão interessante é relativa às funções que o adolescente não preencheu. Caso existam funções importantes de proteção que tenham ficado em branco, é importante confirmar se essa função realmente não está sendo exercida por ninguém. Se for o caso, o educador deve construir estratégias junto com o adolescente para trabalhar a rede relacional de forma que não existam mais vazios nas funções de proteção. Por exemplo, se o adolescente deixou em branco a função AMIZADE/CONFIANÇA, converse com o adolescente se alguém que ele já conhece poderia cumprir essa função ou se ele gostaria de conhecer novos amigos. Veja com ele onde poderia conhecer novas pessoas ou sobre o que ele precisaria fazer para que alguém que ele já conhece se aproximasse mais, fosse mais amigo, com mais confiança.

FUNÇÕES QUE PODEM REPRESENTAR PROTEÇÃO IDENTIFICAÇÃO AFETO / AMOR / CUIDADO / AMIZADE / CONFIANÇA AJUDA MATERIAL / FINANCEIRA AJUDA DE SERVIÇOS: SAÚDE / JUSTIÇA SEGURANÇA / PROTEÇÃO AUTORIDADE / REGULAÇÃO OU CONTROLE SOCIAL EXPERIÊNCIAS SEXUAIS / NAMORO NOVAS RELAÇÕES / ACESSO A NOVOS CONTATOS / DIVERSÃO / LAZER / COMPANHIA SOCIAL / DECISÕES / GUIA COGNITIVO E DE CONSELHOS / APOIO EMOCIONAL / AJUDA

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Orientações Metodológicas e Instrumentos para Intervenção

Parte I – Mapeando a minha rede social Diga: Vamos começar preenchendo um “mapa da sua rede social. ƒƒ Nesse mapa, cada pessoa será representada da seguinte forma: por um círculo, se for do sexo feminino, e por um quadrado, se for do sexo masculino. Não precisa colocar nomes. ƒƒ Para colocar as pessoas no mapa, existem algumas regras que você deve seguir: a) Você está localizado no centro do desenho. b) No círculo mais interno (azul), represente as pessoas mais íntimas, de sua maior confiança, com quem você realmente sabe que pode contar. c) No círculo do meio (verde), represente as pessoas importantes para você, mas que não estão tão próximas. d) No círculo externo (amarelo), coloque as pessoas que você considera que fazem parte das suas relações, mas que não são tão importantes ou que estão mais distantes de você neste momento de sua vida. e) Observe que os círculos são divididos em quatro partes, cada uma correspondendo a uma área da sua vida: a família, a comunidade, a escola, e as amizades/namoro.

FAMÍLIA

ESCOLA/TRABALHO

NAMORO/FICANTES COMUNIDADE

AMIZADE

Legenda do mapa: Obs: essa legenda será preenchida daqui a pouco; siga para Exploração do Mapa das Redes Sociais. 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7.


INSTRUMENTOS PARA AÇÕES PREVENTIVAS

Parte II – Mapeando as funções da minha rede social ƒƒ Nesse mapa, você deverá escrever no círculo quem é a pessoa ou a instituição que representa cada função correspondente; não precisa colocar o nome em caso de pessoas! Por exemplo: Namorada(o) Experiências Sexuais/ Namoro ƒƒ Você pode perceber que existem balões em branco, pode preenchê-los se existir uma pessoa ou instituição importante na sua vida e que não se encaixou em nenhum outro balão, escreva também o que essa pessoa ou instituição representa para você. ƒƒ Caso você tenha dúvidas a respeito das palavras abaixo, vá à página seguinte, lá você encontrará explicações. MAPA SOBRE AS FUNÇÕES DA REDE

Identificação

Afeto/Amor

Amizade/Confiança

Ajuda Financeira

EU Justiça

Segurança/Proteção

Saúde

Experiências Sexuais/ Namoro

Controle/Poder

Medo/Ameaça

Perigo/Risco

Novas relações

Decisões e Conselhos

Irmão Aventura/ Trangressão

Autoridade (Limites/Regras)

Diversão e lazer

Apoio/Ajuda

Rua Competição/ Gangue

Acesso às Drogas

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Orientações Metodológicas e Instrumentos para Intervenção

IMPORTANTE Abaixo você encontrará uma breve explicação sobre cada uma das funções que constam no mapa, para ajudá-lo a identificar as pessoas e preencher o mapa com mais facilidade. Identificação: pessoa que é um exemplo que você gostaria de seguir. Afeto/Amor: pessoa de quem você recebe afeto; ambiente onde recebe amor, carinho. Amizade/Confiança: pessoa ou lugar com que você tenha amizade e relação de confiança. Ajuda Financeira: pessoa ou um lugar que te oferece ajuda financeira. Justiça: pessoa ou lugar que representa justiça na sua vida. Segurança/Proteção: pessoa ou lugar que te oferece segurança e proteção. Perigo/ Risco: pessoa ou lugar que representa perigo e risco na sua vida. Autoridade: pessoa ou lugar que estabelece limites e regras para você. Saúde: pessoa ou lugar que te oferece suporte nas questões relativas à sua saúde. Experiências sexuais/Namoro: pessoa com quem você tem relação sexual ou de namoro. Novas Relações: pessoa ou lugar que te apresenta para novas pessoas, que te oferece a oportunidade de fazer novas amizades, ter novas relações. Diversão e lazer: pessoa ou lugar que representa diversão e lazer na sua vida. Controle e poder: pessoa ou lugar que exerce controle e poder sobre você. Medo e ameaça: pessoa ou lugar que representa medo e ameaça para você. Aventura e transgressão: pessoa ou lugar que representa aventura e quebra de regras na sua vida. Decisões e conselhos: pessoas ou instituições que te oferecem ajuda quando você tem que tomar uma decisão; alguém que te oferece conselhos. Apoio/Ajuda: pessoa ou lugar com que você conta quando precisa de apoio e ajuda. Competição/Gangue: pessoa com quem você estabelece uma relação de competição, de disputa. Acesso às drogas: pessoa ou lugar que te oferece drogas.

Referência PEREIRA, S. E. F. N. Redes sociais de adolescentes em contexto de vulnerabilidade social e sua relação com os riscos de envolvimento com o tráfico de drogas. Tese (Doutorado em Psicologia Clínica e Cultura). Instituto de Psicologia. Brasília: Universidade de Brasília, 2009.


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