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Crónicas de um Acervo

Museu de Santa Maria de Lamas

Iconografia do Saber

A “Filosofia” (Aristóteles) A “História” (Tucídides) A “Eloquência” (Demóstenes) Colecção de estatuária contemporânea do Museu de Santa Maria de Lamas

2015 © Museu de Santa Maria de Lamas


Cr贸nicas de um Acervo

Museu de Santa Maria de Lamas


José Carlos de Castro Amorim

Iconografia do Saber A “Filosofia” (Aristóteles)

A “História” (Tucídides)

A “Eloquência” (Demóstenes)

Colecção de estatuária contemporânea do Museu de Santa Maria de Lamas

Vol. I Leitura iconográfica e análise plástica dos Modelos / Esboços / Estudos da autoria de Salvador Barata Feyo (1899-1990), integrados na sua participação, entre 1945 e 1951, na reforma plástica da Cidade Universitária de Coimbra - Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra


Iconografia do Saber - A “Filosofia” (Aristóteles), A “História” (Tucídides), A “Eloquência” (Demóstenes) Colecção de estatuária contemporânea do Museu de Santa Maria de Lamas José Carlos de Castro Amorim © Novembro de 2015 - Autor e Museu de Santa Maria de Lamas. Autoria: José Carlos de Castro Amorim. Projecto Gráfico: Ricardo Manuel Laranjeira Matos. Fotografia: José Mário Cardoso, José Carlos de Castro Amorim e Arquivo imagético do Museu de Santa Maria de Lamas. Capa e contracapa: Iconografia do Saber - A “Filosofia” (Aristóteles) / A “História” (Tucídides) / A “Eloquência” (Demóstenes) – Esculturas de vulto. Esboços / Estudos de gesso bronzeado, modelados por/ sob orientação de Salvador Barata Feyo (1899 1990), entre ca. 1945 a 1951. 1957. 0772, 1957. 0773 e 1957. 0774 - Museu de Santa Maria de Lamas: Sala 11 - “Sala dos Escultores”. Data: 21 de Novembro de 2015. Créditos fotográficos dos registos utilizados, representativos das Esculturas finais, em pedra calcária, de Lioz, existentes na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra: Cortesia da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (fotógrafo: Sérgio Azenha). Agradecimentos: Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e Doutora Ana Teresa Peixinho (Subdirectora da F.L.U.C.). 4


Abreviaturas e siglas A. - Alves (Aa. Vv.) - Autores variados Alt. - Altura Aprox. - Aproximada B.F. - Barata Feyo Ca.– Cerca de C.A.N.E.U. - Comissão Administrativa dos Novos Edifícios Universitários C.A.O.U.C.U.C. - Comissão Administrativa das Obras da Cidade Universitária de Coimbra Cf. - Confira Cm - Centímetros D. - Dom Esbap - Escola Superior de Belas Artes do Porto Ext. - Extraído(a) de F.D.U.L. - Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa F.L.U.C. - Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra Larg. - Largura h - hora(s) m - metros m.- minutos MSML - Museu de Santa Maria de Lamas N.º - Número p. - página pp. - páginas Séc. - Século (s/l) - Sine loco, sem local (s/p) - Sem numeração de página Trad. - Tradução Vd. - Vide, veja Vol. - Volume 3.ª - Terceira 5


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Museu de Santa Maria de Lamas

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Índice VOL. I - Iconografia do Saber - A “Filosofia” (Aristóteles) / A “História” (Tucídides) / A “Eloquência” (Demóstenes) Colecção de estatuária contemporânea do Museu de Santa Maria de Lamas Leitura iconográfica e análise plástica dos Modelos / Esboços / Estudos da autoria de Salvador Barata Feyo (1899-1990), integrados na sua participação, entre 1945 e 1951, na reforma plástica da Cidade Universitária de Coimbra - Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra Abreviaturas e Siglas

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Iconografia do Saber - A “Filosofia” (Aristóteles) - Colecção de estatuária contemporânea do Museu de Santa Maria de Lamas: Identificação do Objecto Artístico

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Iconografia do Saber -A “História” (Tucídides) - Colecção de estatuária contemporânea do Museu de Santa Maria de Lamas: Identificação do Objecto Artístico

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Iconografia do Saber - A “Eloquência” (Demóstenes) - Colecção de estatuária contemporânea do Museu de Santa Maria de Lamas: Identificação do Objecto Artístico

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Iconografia do Saber - A “Filosofia” (Aristóteles) - Leitura iconográfica e análise plástica

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Iconografia do Saber -A “História” (Tucídides) - Leitura iconográfica e análise plástica

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Iconografia do Saber - A “Eloquência” (Demóstenes) - Leitura iconográfica e análise plástica

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Infografia Analítica - Dimensões máximas aproximadas (em cm), Estrutura e Iconografia dos Modelos / Esboços / Estudos: A “Filosofia” (Aristóteles)

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A “História” (Tucídides)

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A “Eloquência” (Demóstenes)

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VOL. II - Iconografia do Saber - A “Filosofia” (Aristóteles) / A “História” (Tucídides) / A “Eloquência” (Demóstenes) Colecção de estatuária contemporânea do Museu de Santa Maria de Lamas Do clássico conservadorismo nacionalista à “vanguarda” e simplificação pessoalizada Perfil biográfico e estética criativa de Salvador Barata Feyo (1899 - 1990) Do clássico conservadorismo nacionalista à “vanguarda” e simplificação pessoalizada. Perfil biográfico e estética criativa de Salvador Barata Feyo (1899 - 1990)

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Do clássico conservadorismo nacionalista à “vanguarda” e simplificação pessoalizada. Perfil biográfico e estética criativa de Salvador Barata Feyo (1899 - 1990) - Notas e citações

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Fontes e Bibliografia

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Esboço / Estudo de Gesso bronzeado de dimensão e iconografia similar à obra final de 1951 , em Pedra de Lioz.

Obra final, modelada em Pedra de Lioz; concluída e inaugurada em 1951.

Iconografia do Saber - A “Filosofia” (Aristóteles) Escultura de vulto. Esboço / Estudo de gesso bronzeado, modelado por/sob orientação de Salvador Barata Feyo (1899 - 1990), entre ca. 1945 a 1951. 1957. 0772 - Museu de Santa Maria de Lamas: Sala 11 - “Sala dos Escultores”.

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Iconografia do Saber - A “Filosofia” (Aristóteles) Escultura final, realizada segundo grande parte do Modelo / Esboço / Estudo em gesso bronzeado do MSML. “7770 - Barata Feyo, Estátua alegórica da Filosofia (Aristóteles), 1951, Pedra de Lioz. Obra passada à pedra pelos canteiros Octaviano e Carlos Ribeiro. Entrada principal da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Fotógrafo: Sérgio Azenha” - Cortesia: Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.


Esboço / Estudo de Gesso bronzeado de dimensão e iconografia similar à obra final de 1951, em Pedra de Lioz.

Obra final, modelada em Pedra de Lioz; concluída e inaugurada em 1951.

Iconografia do Saber - A “Histó- Iconografia do Saber - A “História” ria” (Tucídides) (Tucídides) Escultura de vulto. Esboço / Es- Escultura final, realizada segundo o tudo de gesso bronzeado, mode- Modelo / Esboço / Estudo em gesso lado por/sob orientação de Sal- bronzeado do MSML. vador Barata Feyo (1899 - 1990), “7765 - Barata Feyo, Estátua alegórica entre ca. 1945 a 1951.1957. 0773- da História (Tucídides), 1951, Pedra MSML: Sala 11 - “Sala dos Escul- de lioz. Obra passada à pedra pelos tores”. canteiros Octaviano e Carlos Ribeiro. Entrada principal da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Fotógrafo: Sérgio Azenha” - Cortesia: Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.

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Esboço / Estudo de Gesso bronzeado de dimensão e iconografia similar à obra final de 1951, em Pedra de Lioz.

Obra final, modelada em Pedra de Lioz; concluída e inaugurada em 1951.

Iconografia do Saber - A “Eloquência” (Demóstenes) Escultura de vulto. Esboço / Estudo de gesso bronzeado, modelado por/sob orientação de Salvador Barata Feyo (1899 - 1990), entre ca. 1945 a 1951.1957. 0774 - MSML: Sala 11 - “Sala dos Escultores”.

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Iconografia do Saber - A “Eloquência” (Demóstenes) Escultura final, realizada segundo o Modelo / Esboço / Estudo em gesso bronzeado do MSML. “7777- Barata Feyo, Estátua alegórica da Eloquência (Demóstenes), 1951, Pedra de lioz. Obra passada à pedra pelo canteiro José Raimundo. Entrada principal da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Fotógrafo: Sérgio Azenha” - Cortesia: Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.


“(…) Em 1951, a Universidade de Coimbra, que durante anos crescera no seio de um bairro eminentemente residencial, parecia ter sido objecto de um ataque aéreo. O reitor, figura de republicano convertido ao salazarismo, caminhava neste cenário ao mesmo tempo desolador e heróico (…) Seguia com ar grave, apesar de estar prestes a assistir à inauguração de um edifício da nova cidade universitária. Na verdade, era aí que residia a sua preocupação. Na abertura da Faculdade de Letras, os olhares deslocaram-se rapidamente da magnificência arquitectónica para a nudez “imoral” de uma escultura de Safo e de outras esculturas da Praça da Porta Férrea. Vários professores fizeram-lhe chegar reparos indignados. Um deles, o próprio director da Faculdade, escolheu o acto solene da inauguração para, na presença de ministros e demais figuras públicas, verberar a “frescura de algumas adjacências”. Não era a primeira vez que este imóvel suscitava o confronto de opiniões (…) A Faculdade de Letras e respectiva envolvente escultórica constituem uma das expressões mais acabadas da arte do Estado Novo. E, portanto, tais divergências colocam-nos no âmago da relação entre estética e política (…) Nenhuma obra revela tão bem o uso propagandista do património (…) O Estado Novo pediu à escultura que enobrecesse o espaço público, que amenizasse as fachadas e que transmitisse um paradigma ideológico. E foi isso que profusamente aconteceu, sobretudo na Praça da Porta Férrea, através de estátuas e grupos escultóricos de reis e cientistas ou alusivos à História (Tucídides), à Filosofia (Aristóteles), à Eloquência (Demóstenes), à Poesia (Safo) e às Ciências Médicas, Físicas e Químicas; de baixos-relevos em pedra evocando a Biologia, a Matemática, a Ética; de frescos dedicados à Antiguidade Clássica, à Glorificação do Génio Português, à Matemática; etc. A estatuária e a pintura mural, abundantes em todo o espaço da cidade universitária, são o resultado de uma cuidada ponderação ideológica, com dois pólos fundamentais: o nacionalismo, representado pela história e cultura portuguesas, e o universalismo, figurado pela Antiguidade Clássica (…) A representação do Saber, ainda mais dominante do que a da História, serve o discurso patriótico, a Universidade e, através da alegoria, o próprio naturalismo estético (…)” Nuno Rosmaninho (Cf. ROSMANINHO, Nuno, 2006: pp. 9, 14 e 15.).

“Coimbra. Cidade Universitária - Faculdade de Letras” “Postal máximo do primeiro centenário do Ministério das Obras Públicas”. Registo fotográfico do exterior e fachada principal da F.L.U.C. (com as quatro alegorias de vulto pleno e em pedra calcária, de Lioz, à “Iconografia do Saber”, da autoria de Barata Feyo (1899-1990)), ca. 1952. “Postal ilustrado, concordante com o selo de 2$00 CE747, obliterados com marca de dia (“Coimbra - 28. MAI. 53.”). Dados técnicos do selo (segundo investigação da Secção Filatélica da Associação Académica de Coimbra): “Desenhos de Veloso Reis Camelo, em fontes directas; impressão em off-set pela Casa da Moeda, sobre papel liso e em folhas de cem selos, com denteado 12,5. Foram emitidos sete milhões de selos de 1$00, “castanho vermelho sobre creme”; trezentos e cinquenta mil selos de 1$40, “violeta sobre creme”; quinhentos mil selos de 2$00, “verde sobre creme”; e trezentos e cinquenta mil selos de 3$50, “azul ardósia sobre creme” (circularam de 10 de Dezembro de 1952 a 26 de Maio de 1955)” - Ext. http://filatelica.aac.uc.pt/ facletras.php-26/09/2015, 18 h 29 m. 11


Iconografia do Saber - A “Filosofia” (Aristóteles)

Escultura de vulto. Esboço / Estudo de gesso bronzeado, modelado por/sob orientação de Salvador Barata Feyo (1899 - 1990), entre ca. 1945 a 1951. 1957. 0772 - Museu de Santa Maria de Lamas: Sala 11 - “Sala dos Escultores”.

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Iconografia do Saber - A “História” (Tucídides)

Escultura de vulto. Esboço / Estudo de gesso bronzeado, modelado por/sob orientação de Salvador Barata Feyo (1899 - 1990), entre ca. 1945 a 1951. 1957. 0773 - Museu de Santa Maria de Lamas: Sala 11 - “Sala dos Escultores”.

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Iconografia do Saber - A “Eloquência” (Demóstenes)

Escultura de vulto. Esboço / Estudo de gesso bronzeado, modelado por/sob orientação de Salvador Barata Feyo (1899 - 1990), entre ca. 1945 a 1951. 1957. 0774 - Museu de Santa Maria de Lamas: Sala 11 - “Sala dos Escultores”.

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Iconografia do Saber - A “Filosofia” (Aristóteles) Colecção de estatuária contemporânea do Museu de Santa Maria de Lamas: Identificação do Objecto artístico Instituição / Proprietário: Casa do Povo de Santa Maria de Lamas - Museu de Santa Maria de Lamas. Super - Categoria: Artes Plásticas - Artes Decorativas. Categoria: Escultura de vulto - Escultura contemporânea. Título: Iconografia do Saber - A “Filosofia” (Aristóteles). Autor: Salvador Barata Feyo (1899 - 1990). Datação: Ca. 1945 a 1951. Proveniência: Coimbra / Atelier de Salvador Barata Feyo (?) (a sua exposição no Museu de Santa Maria de Lamas resulta da aquisição deste Modelo / Esboço / Estudo, nos anos 50 - após 1951 (?) - ou 60 do séc. XX, por parte do seu fundador, Henrique Alves Amorim (1902-1977)). Material: Gesso bronzeado. Técnica: Escultura de vulto. Dimensões máximas aproximadas (em cm): Aristóteles - Altura: 300 x Largura: 87 x Profundidade: 100. Base quadrangular - Comprimento: 100 x Largura: 100 x Altura: 15. Localização e número de inventário: Museu de Santa Maria de Lamas, Sala 11 - “Sala dos Escultores” / 1957.0772.

Pormenor de parte do tronco, ombros, pescoço e face do Modelo / Esboço / Estudo em gesso bronzeado do MSML. 15


Iconografia do Saber - A “História” (Tucídides) Colecção de estatuária contemporânea do Museu de Santa Maria de Lamas: Identificação do Objecto artístico Instituição / Proprietário: Casa do Povo de Santa Maria de Lamas - Museu de Santa Maria de Lamas. Super - Categoria: Artes Plásticas - Artes Decorativas. Categoria: Escultura de vulto - Escultura contemporânea. Título: Iconografia do Saber - A “História” (Tucídides). Autor: Salvador Barata Feyo (1899 - 1990). Datação: Ca. 1945 a 1951. Proveniência: Coimbra / Atelier de Salvador Barata Feyo (?) (a sua exposição no Museu de Santa Maria de Lamas resulta da aquisição deste Modelo / Esboço / Estudo, nos anos 50 - após 1951 (?) - ou 60 do séc. XX, por parte do seu fundador, Henrique Alves Amorim (1902-1977)). Material: Gesso bronzeado. Técnica: Escultura de vulto. Dimensões máximas aproximadas (em cm): Tucídides - Altura: 300 x Largura: 85 x Profundidade: 90. Base quadrangular - Comprimento: 100 x Largura: 100 x Altura: 15. Localização e número de inventário: Museu de Santa Maria de Lamas, Sala 11 - “Sala dos Escultores” / 1957.0773.

Pormenor de parte do tronco, ombros, pescoço e face do Modelo / Esboço / Estudo em gesso bronzeado do MSML. 16


Iconografia do Saber - A “Eloquência” (Demóstenes) Colecção de estatuária contemporânea do Museu de Santa Maria de Lamas: Identificação do Objecto artístico Instituição / Proprietário: Casa do Povo de Santa Maria de Lamas - Museu de Santa Maria de Lamas. Super - Categoria: Artes Plásticas - Artes Decorativas. Categoria: Escultura de vulto - Escultura contemporânea. Título: Iconografia do Saber - A “Eloquência” (Demóstenes). Autor: Salvador Barata Feyo (1899 - 1990). Datação: Ca. 1945 a 1951. Proveniência: Coimbra / Atelier de Salvador Barata Feyo (?) (a sua exposição no Museu de Santa Maria de Lamas resulta da aquisição deste Modelo / Esboço / Estudo, nos anos 50 - após 1951 (?) - ou 60 do séc. XX, por parte do seu fundador, Henrique Alves Amorim (1902-1977)). Material: Gesso bronzeado. Técnica: Escultura de vulto. Dimensões máximas aproximadas (em cm): Demóstenes - Altura: 300 x Largura: 112 x Profundidade: 90. Base quadrangular - Comprimento: 100 x Largura: 100 x Altura: 15. Localização e número de inventário: Museu de Santa Maria de Lamas, Sala 11 - “Sala dos Escultores” / 1957.0774.

Pormenor de parte do tronco, ombros, pescoço e face do Modelo / Esboço / Estudo em gesso bronzeado do MSML. 17


A “Filosofia” (Aristóteles) - Leitura iconográfica e análise plástica do Modelo / Esboço / Estudo da autoria de Salvador Barata Feyo (1899-1990), integrado na sua participação, entre 1945 e 1951, na reforma plástica da Cidade Universitária de Coimbra - Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra Escultura de vulto pleno, representativa de um Modelo / Esboço / Estudo de gesso bronzeado (para uma escultura em pedra calcária, de Lioz, inaugurada a 22 de Novembro de 1951, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra - F.L.U.C.), concebido entre ca. 1945 a 1951, sob possível autoria e orientação de Salvador Barata Feyo (1899 – 1990); no decurso da sua participação criativa nos projectos / trabalhos de “Reformulação plástica da Cidade Universitária de Coimbra”. Uma solicitação mecenática a cargo da soberania do Estado Novo (1926 -1974), supervisionada pelo Ministério das Obras Públicas através da “Comissão Administrativa das Obras da Cidade Universitária de Coimbra - C.A.O.C.U.C.” (criada propositadamente para o efeito reformista de edificação e decoro do novo “Campus” universitário da cidade). Com estrutura monumental (metricamente similar / aproximada aos 300 cm de altura da obra final, existente no complexo da F.L.U.C.), uma certa estilização “severa” e até, um possível sentido de inspiração “maneirista” (perceptível no alongamento da figura e exagero / desproporcionalidade de alguns dos seus membros), este Modelo / Esboço / Estudo exprime uma “Iconografia do Saber”, de pendor classicista. Compondo uma alegoria às “Ciências Humanas”, nomeadamente à Filosofia. Deste modo, a figura masculina que personifica a Filosofia (Aristóteles), possui indumentária constituída por sandálias nos pés e um panejamento dinamizado por alguns pregueados, envolvendo parte do seu tronco (sobretudo a partir do seu ombro esquerdo), e cobrindo a totalidade dos seus membros inferiores. De fisionomia musculada e volumosa, esta representação “personifica” Aristóteles de rosto barbado, esteticamente reflexivo de maturidade, “moldado” perante o observador com expressão hierática, rígida e austera. Em relação ao posicionamento anatómico, na grande maioria dos seus membros, a estrutura corporal de Aristóteles reflecte estatismo e absorve um rigoroso sentido de frontalidade. Contudo, existe nesta escultura, sobretudo ao nível do seu plano inferior, um ligeiro movimento “visível” através do avanço do pé esquerdo face ao direito. Apesar de subtil, esta dinâmica “imposta” no plano inferior da obra, contrasta com a estética do seu plano superior, onde os braços modelados “caem” verticalmente, estendendo-se pelo corpo de Aristóteles. Do ponto de vista iconográfico, tal como na escultura em pedra calcária, de Lioz, existente na F.L.U.C., a alegoria à Filosofia incorporada e ex18

posta no MSML engloba, junto às suas pernas, um tronco de árvore com ramificações aparadas. Estilizado e desenvolvido a partir da base da composição - próximo aos pés da figura - este tronco, no seu topo, está coberto por um possível manuscrito ondulado. Um “atributo” que Aristóteles suporta, exibe e estende a partir da sua mão direita. Estabelecendo algumas comparações formais com o “Calcário” da F.L.U.C., no Modelo / Esboço / Estudo do MSML, através de observação cuidada, percebe-se que o tronco de árvore esculpido não se encontra completo. Deste modo, na obra final existente na F.L.U.C., Aristóteles possui, a partir dos seus pés, um troco de árvore bífido (com duas ramificações bidireccionais), pontuado por pequenas ramificações secundárias aparadas. Uma morfologia em parte similar e alusiva à grafia da primeira letra do desígnio “Filosofia”, no seu formato grego. Apesar de classificada, segundo alguns analistas, como obra de carácter “modernista”, na estruturação desta alegoria à “Cultura Clássica” (tanto no “Calcário” da F.L.U.C., como no Gesso do MSML), Barata Feyo seguiu alguns “cânones” e princípios característicos do “Classicismo Greco-Romano”, ou do próprio Neoclassicismo oitocentista (alvores do séc. XIX). Vigentes na solenidade, expressão “sobre humana” e hieratismo da modelagem concretizada. Aspectos plásticos quase obrigatórios numa encomenda pública desta envergadura durante o período do Estado Novo; que neste projecto de decoração da área exterior do novo edifício da F.L.U.C., “impôs” ao artista uma comunhão estética com os valores habituais da arte totalitarista, austera e idealizada do Regime.


A “História” (Tucídides) - Leitura iconográfica e análise plástica do Modelo / Esboço / Estudo da autoria de Salvador Barata Feyo (1899-1990), integrado na sua participação, entre 1945 e 1951, na reforma plástica da Cidade Universitária de Coimbra - Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra Escultura de vulto pleno, representativa de um Modelo / Esboço / Estudo de gesso bronzeado (para uma escultura em pedra calcária, de Lioz, inaugurada a 22 de Novembro de 1951, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra - F.L.U.C.), concebido entre ca. 1945 a 1951, sob possível autoria e orientação de Salvador Barata Feyo (1899 – 1990); no decurso da sua participação criativa nos projectos / trabalhos de “Reformulação plástica da Cidade Universitária de Coimbra”. Uma solicitação mecenática a cargo da soberania do Estado Novo (1926 -1974), supervisionada pelo Ministério das Obras Públicas através da “Comissão Administrativa das Obras da Cidade Universitária de Coimbra - C.A.O.C.U.C.” (criada propositadamente para o efeito reformista de edificação e decoro do novo “Campus” universitário da cidade). Com notória monumentalidade (metricamente similar / aproximada aos 300 cm de altura da obra existente no complexo da F.L.U.C.), uma certa estilização “severa” e até, um possível sentido de inspiração “maneirista” (perceptível no alongamento da figura e exagero / desproporcionalidade de alguns dos seus membros), este Modelo / Esboço / Estudo exprime uma “Iconografia do Saber”, de pendor classicista. Compondo uma alegoria às “Ciências Humanas”, nomeadamente à História.

aula”. Essa “aula”, teria como temática principal os ícones gravados numa placa - possíveis signos / letras do Alfabeto Grego) - posicionada sob o capitel de uma “pseudo coluna” de inspiração Dórica. Modelada no centro, junto às pernas da figura, estendendo-se verticalmente entre os seus pés e cintura. Apesar de classificada, segundo alguns analistas, como obra de carácter “modernista”, na estruturação desta alegoria à “Cultura Clássica” (tanto no “Calcário” da F.L.U.C., como no Gesso do MSML), Barata Feyo seguiu alguns “cânones” e princípios característicos do “Classicismo Greco-Romano”, ou do próprio Neoclassicismo oitocentista (alvores do séc. XIX). Vigentes na solenidade, expressão “sobre humana” e hieratismo da modelagem concretizada. Aspectos plásticos quase obrigatórios numa encomenda pública desta envergadura durante o período do Estado Novo; que neste projecto de decoração da área exterior do novo edifício da F.L.U.C., “impôs” ao artista uma comunhão estética com os valores habituais da arte totalitarista, austera e idealizada do Regime.

Deste modo, a figura masculina que personifica a História (Tucídides), endossa indumentária constituída por sandálias nos pés e um panejamento dinamizado por alguns drapeados. Envolvendo parte do seu tronco e cobrindo a totalidade dos seus membros inferiores. Com fisionomia robusta e musculada, nesta representação de Tucídides o rosto figurado apresenta-se imberbe (ausente de barba). Definido perante o observador com “expressão austera”. Relativamente ao posicionamento anatómico, na grande maioria dos seus elementos, o corpo da alegoria denota estatismo e rege-se por um rigoroso sentido de frontalidade. Todavia, apesar das características citadas, evidencia-se na iconografia desta escultura de vulto o posicionamento do seu braço direito, elevado ao nível do cotovelo. Acompanhada pela mão semiaberta, a elevação deste elemento cria na composição uma gestualidade peculiar, visualmente reflexiva de um certo sentido de “transmissão de conhecimento” perante o observador. Assim sendo, tal como na escultura em pedra calcária, de Lioz, existente na F.L.U.C., a alegoria à História existente no MSML apresenta-se perante o público “como se estivesse a leccionar uma 19


A “Eloquência” (Demóstenes) - Leitura iconográfica e análise plástica do Modelo / Esboço / Estudo da autoria de Salvador Barata Feyo (1899-1990), integrado na sua participação, entre 1945 e 1951, na reforma plástica da Cidade Universitária de Coimbra - Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra Escultura de vulto pleno, representativa de um Modelo / Esboço / Estudo de gesso bronzeado (para uma escultura em pedra calcária, de Lioz, inaugurada a 22 de Novembro de 1951, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra - F.L.U.C.), concebido entre ca. 1945 a 1951, sob possível autoria e orientação de Salvador Barata Feyo (1899 – 1990); no decurso da sua participação criativa nos projectos / trabalhos de “Reformulação plástica da Cidade Universitária de Coimbra”. Uma solicitação mecenática a cargo da soberania do Estado Novo (1926 -1974), supervisionada pelo Ministério das Obras Públicas através da “Comissão Administrativa das Obras da Cidade Universitária de Coimbra - C.A.O.C.U.C.” (criada propositadamente para o efeito reformista de edificação e decoro do novo “Campus” universitário da cidade).

Com monumentalidade declarada (metricamente similar / aproximada aos 300 cm de altura da obra existente no complexo da F.L.U.C.), uma certa estilização “severa” e até, um possível sentido de inspiração “maneirista” (perceptível no alongamento da figura e exagero / desproporcionalidade de alguns dos seus membros), este Modelo / Esboço / Estudo exprime uma “Iconografia do Saber”, de pendor classicista. Materializando uma alegoria às “Ciências Humanas”, nomeadamente à Eloquência. Deste modo, a figura masculina que personifica a Eloquência (Demóstenes), possui indumentária constituída por sandálias nos pés e um panejamento dinamizado por alguns pregueados, envolvendo parte do seu ombro esquerdo e cobrindo a totalidade dos seus membros inferiores. Com fisionomia musculada e pujante, nesta representação de Demóstenes, evidencia-se um rosto barbado (cuja barba, à imagem do cabelo, encontra-se dinamizada por ondulações curtas). Esteticamente reflexivo de maturidade e definido perante o observador com expressão rígida e austera, mas ligeiramente comunicativa. Em termos anatómicos, o posicionamento de grande parte do corpo de Demóstenes “absorve” um certo estatismo e um rigoroso sentido de frontalidade. Contudo, a par do ligeiro avanço do pé direito em relação ao esquerdo, no plano superior da escultura existe movimentação clara nos dois braços figurados. Assim sendo, o braço direito de Demóstenes eleva-se ao nível do seu cotovelo; e o homónimo esquerdo surge flectido, colocado à frente do tronco e direccionando a sua mão aberta para a proximidade visual do ombro direito.

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Tal posicionamento, combinado com a expressão facial rígida, mas em parte comunicativa da figura (realçando-se, nesse sentido, a boca entreaberta de Demóstenes), reforça nesta alegoria à Eloquência a concretização de um possível acto discursivo, “protagonizado” perante o “público”. Do ponto de vista iconográfico, tal como se verifica na escultura em pedra calcária, de Lioz, existente na F.L.U.C., a alegoria à Eloquência existente no MSML engloba mais um ícone que enfatiza a vertente discursiva desta representação. Assim, sobre o capitel de uma “pseudo coluna” de inspiração Dórica (modelada junto às suas pernas, ao centro do plano inferior da composição e estruturada entre os pés e a proximidade dos quadris), existe a recriação de uma folha de papel, ou pergaminho semienrolado. Este atributo, poderá representar o suposto discurso que a figura alegórica de Demóstenes “parece pronunciar” perante quem o observa. Apesar de classificada, segundo alguns analistas, como obra de carácter “modernista”, na estruturação desta alegoria à “Cultura Clássica” (tanto no “Calcário” da F.L.U.C., como no Gesso do MSML), Barata Feyo seguiu alguns “cânones” e princípios característicos do “Classicismo Greco-Romano”, ou do próprio Neoclassicismo oitocentista (alvores do séc. XIX). Vigentes na solenidade, expressão “sobre humana” e hieratismo da modelagem concretizada. Aspectos plásticos quase obrigatórios numa encomenda pública desta envergadura durante o período do Estado Novo; que neste projecto de decoração da área exterior do novo edifício da F.L.U.C., “impôs” ao artista uma comunhão estética com os valores habituais da arte totalitarista, austera e idealizada do Regime.


Infografia Analítica Dimensões máximas aproximadas (em cm), Estrutura e Iconografia do Modelo / Esboço / Estudo: A “Filosofia” (Aristóteles)

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Infografia Analítica Dimensões máximas aproximadas (em cm), Estrutura e Iconografia do Modelo / Esboço / Estudo: A “Filosofia” (Aristóteles) Altura: 300 cm Largura: 87 cm Profundidade:100 cm

Base Comprimento: 100 cm Altura: 15 cm

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Infografia Analítica Dimensões máximas aproximadas (em cm), Estrutura e Iconografia do Modelo / Esboço / Estudo: A “História” (Tucídides)

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Infografia Analítica Dimensões máximas aproximadas (em cm), Estrutura e Iconografia do Modelo / Esboço / Estudo: A “História” (Tucídides) Altura: 300 cm Largura: 85 cm Profundidade: 90 cm

Base Comprimento: 100 cm Altura: 15 cm

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Infografia Analítica Dimensões máximas aproximadas (em cm), Estrutura e Iconografia do Modelo / Esboço / Estudo: A “Eloquência” (Demóstenes)

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Infografia Analítica Dimensões máximas aproximadas (em cm), Estrutura e Iconografia do Modelo / Esboço / Estudo: A “Eloquência” (Demónstenes) Altura: 300 cm Largura: 112 cm Profundidade: 90 cm

Base Comprimento: 100 cm Altura: 15 cm

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José Carlos de Castro Amorim

Iconografia do Saber A “Filosofia” (Aristóteles) A “História” (Tucídides) A “Eloquência” (Demónstenes)

Colecção de estatuária contemporânea do Museu de Santa Maria de Lamas

Vol. II Do clássico conservadorismo nacionalista à “vanguarda” e simplificação pessoalizada. Perfil biográfico e estética criativa de Salvador Barata Feyo (1899 - 1990)

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António de Oliveira Salazar (1889 – 1970), com os artistas portugueses presentes na Exposição Internacional de Nova Iorque, em 1939 Registo com a presença de Salvador Barata Feyo (1899 – 1990), respectivamente o primeiro artista posicionado do lado esquerdo de quem observa esta imagem, assinalado graficamente através de um rectângulo vermelho. Fotografia difundida em ca. 1939 – Ext. http://lh3.ggpht.com/_FkKgTDI7ngU/TJEmJEPF2iI/AAAAAAAAIpY/M5cmyslOhtc/ s1600-h/pavny11%5B4%5D.jpg – 25/09/2015, 16 h 55 m.

Salvador Garvão de Eça Barata Feyo (1899 – 1990)

Natural de Moçâmedes (Angola), onde nasceu no dia 5 de Dezembro de 1899, Barata Feyo, ícone criativo da estatuária monumental portuguesa, preencheu diversas praças e monumentos nacionais com a sua arte. Na sua maioria dependente e professa dos valores austeros de um regime totalitarista - o Estado Novo (1926 – 1974) - mas que por vezes, evidenciou um cunho formal pessoalizado, “simbiótico” de progresso e eclectismo. Também pedagogo e “escritor de arte”1, foi como escultor e estatuário que se evidenciou, sendo discípulo de José Simões de Almeida “sobrinho” (1880 – 1950)2, de quem “absorveu” alguns princípios modernistas e tendências de simplificação3. Cursou Escultura em Lisboa, na Escola de Belas Artes, concluindo em 1929 um percurso académico cujos resultados plásticos definiram, desde logo, os antecedentes de um futuro e carreira de sucesso4. Meritoriamente reconhecido, em 1933 foi bolseiro do “Instituto de Alta Cultura” em Itália; e, gradualmente, a sua vida activa dividiu-se entre a prática do ofício criativo (escultura, desenho e escrita), e os múltiplos cargos de responsabilidade sociocultural nacional que exerceu5. Citando-se: o de “Conservador-adjunto de Museus e Palácios Nacionais”, em 1943; o de “Director do Museu Nacional de Soares dos Reis”, de 1950 a 1960; o exercício de funções como “Vogal na Academia Nacional de Belas Artes”, em 1947; e, por último, a docência, a partir de 1949 e sob concurso público (1948)6, na Escola Superior de Belas Artes do Porto. Historicamente, até à data da sua morte – ocorrida em 1990 – pelo percurso e obra 28

concretizada, este escultor de excelência foi classificado como um dos promotores e principal figura de uma suposta “segunda geração de escultores contemporâneos nacionais” - assim classificada, em 1991, por José-Augusto França (1922)7. Segundo alguns estudos e análises, foi um dos responsáveis pelo equilíbrio de correntes clássicas e “sensibilidades modernistas” dentro do panorama e conjuntura politico - cultural portuguesa8. Mas, sobretudo, foi um docente respeitado e reconhecido; caracterizado pela sua abertura conceptual e transmissão / partilha plena com os “discípulos” da sua inteligência plástica e formação rigorosa. Em geral, a sua estética subsistiu no tempo e no espaço pela beleza e peculiaridade das formas imponentes que idealizou e moldou; quer em Modelos / Esboços / Estudos preparatórios (de gesso e terracota), ou em concepções finais (de pedra, mármore ou bronze, por exemplo). No decurso do seu período activo, apesar das condicionantes e dependências mecenáticas, Barata Feyo acabou por exprimir sempre o seu “estado artístico individual” e visão peculiar - por vezes antitética à da própria chefia e tutela de um regime “anti modernista”, oposto à vanguarda e simplificação inata da contemporaneidade. Dotado de um “perfil vitorioso”, em toda a sua vida e labor artístico, Barata Feyo foi amplamente laureado a nível nacional e internacional. Assim sendo, prémios como os de “Académico de mérito” da “Academia di Belli Arti Pietro Vannuci de Perugia” (recebido em 1950); “Prémio Nacional de Arte” (recebido em 1951); “Prémio Manuel Pereira” (recebido

Salvador Garvão de Eça Barata Feyo em 1939

Excerto da fotografia votiva à representação portuguesa na “Exposição internacional de Nova Iorque” (Vd. Imagem acima), difundida em ca. 1939.


em 1945 e 1951); “Grande Prémio de Escultura da Fundação Calouste Gulbenkian” (recebido em 1957), ou “Grand-Prix da Exposição internacional de Bruxelas” (de 1958), marcaram o percurso deste vulto9.

Iconografia do Direito “Lex, Pax, Dignitas et Gloria” - “Lei, Paz, Dignidade e Glória” Escultura de baixo-relevo. Modelo / Esboço / Estudo de gesso bronzeado modelado por/sob orientação de Salvador Barata Feyo (1899 - 1990), em ca. 1956 a 1957. 1957. 0856 - MSML: Sala 11 “Sala dos Escultores”.

Iconografia do Direito “Lex, Pax, Dignitas et Gloria” - “Lei, Paz, Dignidade e Glória” Escultura de baixo-relevo. Composição final em Pedra Rosal, dirigida e modelada por Salvador Barata Feyo (1899 - 1990), em ca. 1957. Lisboa, Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa - Ext. http://memoria.ul.pt/ index.php/Ficheiro:FD_Barata_Feyo.jpg - 25/09/2015, 17 h 16 m.

Grande parte deste reconhecimento público obtido, resultou, a par da já citada vertente socio académica de B. F., da sua frequência, militância e participação permanente em exposições, certames, mostras, concursos e programas para composição de “estatuária” de cariz público. No registo do seu trajecto, para além de muitas outras realizações de grande valia, enaltecem-se as suas participações no “Salão da Sociedade Nacional de Belas Artes” de 192910; na modelagem, em 1932, de dois baixos-relevos em bronze, para inserção no “Monumento ao Colégio Militar em Lisboa”11; na “Exposição do Mundo Português”, realizada em 1940, com uma escultura laudatória ao monarca português D. João I (1357-1433)12; e, em 1958, no “Concurso internacional para o Monumento ao Infante D. Henrique” (Sagres)13. Entre 1945 e 1951, sublinha-se a sua envolvência concreta no programa público de reforma plástica da Cidade Universitária de Coimbra e criação de um novo “Campus”14. Tal programa, nomeadamente a solicitação decorativa que obteve por parte da C.A.O.C.U.C., para o embelezamento da entrada da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, assume, de forma involuntária, uma importância significativa para a presença da estética de Barata Feyo na colecção de Estatuária contemporânea do Museu de Santa Maria de Lamas. Ou seja, a sua participação nesta “empreitada” pública, onde modelou quatro alegorias de vulto pleno à “Cultura Clássica”, sobretudo à “Iconografia do Saber”15 - “Filosofia” (Aristóteles); “História” (Tucídides), “Eloquência” (Demóstenes) e “Poesia” (Safo) - originou a composição de esboços preparatórios (em gesso bronzeado e de dimensões monumentais). Dos quais, três Modelos / Esboços / Estudos representativos da “Filosofia” (Aristóteles); da “História” (Tucídides); e da “Eloquência” (Demóstenes)16, foram incorporados

no acervo do MSML e expostos na sua décima primeira sala, a “Sala dos Escultores”. Por recolha e aquisição do fundador deste espaço museológico, o “industrial corticeiro” Henrique A. Amorim (1902 - 1977), nas décadas de 50 ou 60 do séc. XX17. Ainda entre 1956 e 1957, B. F. continuou ligado à intervenção artística em edifícios universitários portugueses. Sob nova supervisão e mecenato governamental, integrou o programa decorativo do edifício da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa - promovido pela Comissão Administrativa dos Novos Edifícios Universitários (C.A.N.E.U.), criada pelo Estado Novo - compondo um baixo-relevo em Pedra Rosal, alusivo à “Iconografia do Direito”, sob o título “Lex, Pax, Dignitas et Gloria” (trad.: “Lei, Paz, Dignidade e Glória”)18. Tal como sucedera na empreitada coimbrã, tendo em conta a importância que este vulto atribuía aos estudos preparatórios, o baixo-relevo “Lex, Pax, Dignitas et Gloria” existente nas instalações da F.D.U.L., foi precedido por um Modelo / Esboço / Estudo de gesso bronzeado, também ele incorporado e exposto na “Sala dos Escultores” do MSML. Em virtude do já citado gosto e acção coleccionista de Henrique Amorim.

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Notas e Citações

“(…) De sensibilidade apurada e de sentido moderno oferece obras bem estruturadas, de intensa emoção e profundidade. A estatuária marca os seus trabalhos artísticos. Associa, também, a técnica de desenhador e de escritor de Arte (…)” - cf. http://www.lisboapatrimoniocultural.pt/artepublica/eescultura/ autores/Paginas/Salvador-Barata-Feyo-1902-1990.aspx - 26/09/2015, 12 h 36 m. “(…) Escultor, ensaísta e pedagogo, foi como estatuário que mais se notabilizou. Nascido em Angola, veio para Portugal ainda jovem. Ingressa na Escola de Belas-Artes de Lisboa em 1923, frequentando os cursos de Pintura e Arquitectura, antes de se dedicar à Escultura, curso que conclui em 1929 (…)” - cf. BAIÃO, Joana, 2015: (s/p).

1

2

Cf. PAMPLONA, Fernando de, 1943: p. 378.

3

“(…) tendências modernistas de simplificação e elipse (…)” - cf. Idem, Ibidem.

“(…) Terminou o Curso de Escultura na Ex.- Escola de Belas-Artes de Lisboa (…) onde frequentou igualmente os Curso de Pintura em 1923/24 e de Arquitectura em 1924/25 (…)” - cf. http://www.lisboapatrimoniocultural.pt/artepublica/eescultura/autores/Paginas/Salvador-Barata-Feyo-1902-1990.aspx 26/09/2015, 12 h 46 m. 4

“(…) Entre 1950 e 1960, Barata Feyo acumula a actividade artística e docente com a direcção do Museu Nacional de Soares dos Reis, assumindo posteriormente o cargo de Conservador Adjunto dos Museus e Palácios Nacionais. Também se dedica ao desenho e à actividade como escritor, sendo autor dos livros A Escultura de Alcobaça (1945) e José Tagarro (1960) e de inúmeros artigos sobre artistas no jornal O Comércio do Porto (…)” - cf. BAIÃO, Joana, 2015: (s/p).

5

“(…) Concorre ao lugar de professor da Esbap em 1948 com a peça «Pescador», iniciando funções no ano seguinte (…)” - cf. http://www.lisboapatrimoniocultural.pt/artepublica/eescultura/autores/Paginas/Salvador-Barata-Feyo-1902-1990.aspx - 26/09/2015, 12 h 47 m.

6

Iconografia do Saber - A “Filosofia” (Aristóteles)

Escultura de vulto. Esboço / Estudo de gesso bronzeado modelado por/sob orientação de Salvador Barata Feyo (1899 - 1990), entre ca. 1945 a 1951.1957. 0772 - MSML: Sala 11 - “Sala dos Escultores”.

Núcleo de escultores “férteis”, com obra defendida e suportada pelo próprio regime - “(…) Nascidos à beira do século XX ou nos seus primeiros anos, puderam ter obra nos anos vinte mas, sobretudo a produziram a partir do decénio seguinte, e é fácil distingui-los sem concorrência durante o seu tempo de acção (…)” - cf. FRANÇA, José-Augusto, 1991: pp. 260 e 261.

7

8

Cf. FRANÇA, José-Augusto, 1991: p. 571.

9

Cf. VASCONCELOS, Flórido de, 1998: p. 1271.

Exibindo a composição “O primeiro Cânone”: “(…) homem erecto e forte, dum realismo simbólico, algo expressionista e rodinesco (…)” - Cf. FRANÇA, José-Augusto, 1991: p. 270. 10

11

Denotando, novamente, algum “pendor expressionista” - cf. FRANÇA, José-Augusto, 1991: p. 270.

“(…) Participa na Exposição do Mundo Português em 1940 (estátua de D. João I) (…)” - cf. BAIÃO, Joana, 2015: (s/p). 12

Com o arquitecto João Andresen (1920-1967) e o pintor Júlio Resende (1917-2011) - cf. FRANÇA, José-Augusto, 1991: p. 271. 13

14

Sobre este tema vd. ROSMANINHO, Nuno, 2006: pp. 9 a 15.

“(…) A integração das artes está bem patente na Cidade Universitária de Coimbra. A leitura iconográfica das estátuas, relevos, pinturas e tapeçarias oferece uma significativa homogeneidade ideológica e artística. As excepções são tardias e configuram uma ruptura estética e, nalguns casos, política. O Estado Novo pediu à escultura que enobrecesse o espaço público, que amenizasse as fachadas e que transmitisse um paradigma ideológico. E foi isso que profusamente aconteceu, sobretudo na Praça da Porta Férrea, através de estátuas e grupos escultóricos de reis e cientistas ou alusivos à História (Tucídides), à Filosofia (Aristóteles), à Eloquência (Demóstenes), à Poesia (Safo) e às Ciências Médicas, Físicas e Químicas; de baixos-relevos em pedra evocando a Biologia, a Matemática, a Ética; de frescos dedicados 15

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Iconografia do Saber - A “História” (Tucídides)

Escultura de vulto. Esboço / Estudo de gesso bronzeado modelado por/sob orientação de Salvador Barata Feyo (1899 - 1990), entre ca. 1945 a 1951. 1957. 0773 - MSML: Sala 11 - “Sala dos Escultores”.


à Antiguidade Clássica, à Glorificação do Génio Português, à Matemática; etc. (…)” - cf. ROSMANINHO, Nuno, 2006: p. 14. Modelos / Esboços / Estudos de gesso, datáveis entre 1945 e 1951. Um intervalo cronológico que se estende entre a data de apresentação oficial de Barata Feyo, pela C. A. O. C. U. C. ao Ministro das Obras Públicas, como autor das esculturas (2 de Novembro de 1945), e a respectiva composição e inauguração das esculturas finais, em pedra calcária, de Lioz (22 de Novembro de 1951), na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra - “(…) A Obra foi promovida pela Comissão Administrativa das Obras da Cidade Universitária de Coimbra, entidade criada para executar o grande plano de criação de um campus universitário, na alta de Coimbra, projectado entre 1943 e 1948 pelos arquitectos Cottinelli Telmo e Cristino da Silva. As estátuas, são da autoria de Salvador Barata Feyo, que em 2 de Novembro de 1945 foi apresentado pela Comissão Administrativa das Obras da Cidade Universitária de Coimbra, ao Ministro das Obras públicas e ao mesmo tempo proposto como autor das esculturas. Em 1951 foram executadas as estátuas, tendo a da Poesia e da Eloquência, inscrições com a identificação, do escultor “Barata Feio” datada de 1951, do canteiro “J. Raimundo” e das pedreiras “Pêro Pinheiro”. Em 22 de Novembro de 1951, decorreu a inauguração do edifício da Faculdade de Letras com a presença de Craveiro Lopes, à altura Presidente da República (…)” - cf. http://www.culturacentro.pt/museuit.asp?id=267 - 26/09/2015, 14 h 20 m. 16

“(…) Não fora o Museu de Santa Maria de Lamas, e quantas obras e peças, tão valiosas como raras, adquiridas em todo o país, e nele conservadas, se teriam irremediavelmente perdido (…) Sala 11 - Dignos de atenção e de estudo os modelos de gesso dos escultores (…) Barata Feyo, Henrique Moreira, Eduardo Sérgio (…)” - cf. (Aa. Vv.), 1985: pp. 3 e 22. “(…) O Museu de Santa Maria de Lamas, a sul do Parque, apresenta-nos uma colecção reunida por Henrique Amorim principalmente na década de 1950, resultado da paixão que este nutria pela arte (…) O Museu, constituído por diferentes colecções, apresenta-nos um curioso espaço museológico (…) Assim, percorrendo as suas dezasseis salas, surge um grande espólio do qual se destaca a Colecção de Arte Sacra (…) Apesar de menor dimensão, outras colecções contribuem de forma extremamente significativa para tornar este museu tão particular (…) Assim, encontramos: (…) Estatuária portuguesa de finais do século XIX e da primeira metade do século XX, que abrange diversas temáticas (estatuária civil, religiosa e mitológica) que muito embora seja composta essencialmente por estudos ou cópias em gesso, tem vindo a ser atribuída a diversos escultores como Teixeira Lopes (filho), Soares dos Reis, Barata Feyo, Sousa Caldas ou Henrique Moreira, entre outros, constituindo um valioso espólio da escultura portuguesa de finais do século XIX e primeira metade do século XX (…)” - cf. BOTE-LHO, Maria Leonor & FERREIRA, Susana Gomes, 2005: pp. 15 e 19. 17

Sobre este baixo-relevo vd.: Excerto do Diário da República de 7 de Julho de 1956, com o decreto-lei n.º 40639, promulgado pela Comissão Administrativa dos Novos Edifícios Universitários, alusivo ao baixo-relevo “Lex, Pax, Dignitas et Glória” de Salvador Barata Feyo (1899-1990) - “(…) Tendo sido adjudicada ao escultor Salvador de Eça Barata Feyo a execução de um baixo relevo em pedra, com 4 m na sua maior altura por 3 m na sua maior largura, no topo do corpo das aulas do novo edifício da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (…) nos termos do respectivo contrato, os referidos trabalhos serão levados a efeito nos anos de 1956 – 1957 (…) pela importância de 160.000 escudos (…)” – cf. http://www.dre.pt/ pdf1s%5C1956%5C06%5C11600%5C09890989.pdf – 26/09/2015, 14 h 25 m. 18

Iconografia do Saber - A “Eloquência” (Demóstenes)

Escultura de vulto. Esboço / Estudo de gesso bronzeado modelado por/sob orientação de Salvador Barata Feyo (1899 - 1990), entre ca. 1945 a 1951.1957. 0774 - MSML: Sala 11 - “Sala dos Escultores”.

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Cr贸nicas de um Acervo

Museu de Santa Maria de Lamas

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Fontes e Bibliografia Bibliografia Geral

(Aa. Vv.). (1985). Guia do Museu de Santa Maria de Lamas. Santa Maria de Lamas: Casa do Povo de Santa Maria de Lamas. BOTELHO, Maria Leonor & Ferreira, Susana Gomes. (2005). “História de um Museu e o seu relançamento” In (Aa. Vv.). Imaginária Feminina na Arte Sacra Portuguesa. Processos de Conservação e Restauro. Colecção do Museu de Santa Maria de Lamas. (s/l): Multitema.

Bibliografia Específica

BAIÃO, Joana. (2015). “Salvador Barata Feyo - Moçâmedes, 1899 - Porto, 1990” (Disponível em rede: http://www. museuartecontemporanea.pt/pt/artistas/ver/91/artists - 26/09/2015, 12 h 41 m.). FRANÇA, José-Augusto. (1991). A Arte em Portugal no século XX (1911-1961). (3.ª Edição). Lisboa: Bertrand Editora. PAMPLONA, Fernando de (1943). Um século de pintura e escultura em Portugal (1830-1930). Porto: Livraria Tavares Martins. ROSMANINHO, Nuno. (2006). “A cidade Universitária de Coimbra e a expressão totalitária da Arte” In Latitudes. N.º 26. (Disponível em rede: http://www.revues-plurielles.org/_uploads/pdf/17/26/17_26_03.pdf - 26/09/2015, 17 h 48 m.). VASCONCELOS, Flórido de. (1998). Enciclopédia Verbo Luso-Brasileiro de Cultura. Edição séc. XXI. (Vol. XI). Lisboa e São Paulo: Editorial Verbo.

Recursos Electrónicos

“António de Oliveira Salazar (1889 – 1970), com os artistas portugueses presentes na Exposição Internacional de Nova Iorque, em 1939” - http://lh3.ggpht.com/_FkKgTDI7ngU/TJEmJEPF2iI/AAAAAAAAIpY/M5cmyslOhtc/s1600-h/ pavny11%5B4%5D.jpg – 25/09/2015, 16 h 55 m. “Arte Pública” (Património Cultural de Lisboa - Câmara Municipal de Lisboa) - http://www.lisboapatrimoniocultural. pt/artepublica/Paginas/default.aspx http://www.lisboapatrimoniocultural.pt/artepublica/eescultura/autores/Paginas/Salvador-Barata-Feyo-1902-1990.aspx - 26/09/2015, 12 h 46 m. http://www.lisboapatrimoniocultural.pt/artepublica/eescultura/autores/Paginas/Salvador-Barata-Feyo-1902-1990.aspx - 26/09/2015, 12 h 47 m. Diário da República Electrónico - https://dre.pt/pdf1s%5C1956%5C06%5C11600%5C09890989.pdf – 26/09/2015, 14 h 25 m. Direcção Regional de Cultura do Centro - http://www.culturacentro.pt/http://www.culturacentro.pt/museuit.asp?id=267 - 26/09/2015, 14 h 20 m. “Iconografia do Direito - “Lex, Pax, Dignitas et Gloria” - “Lei, Paz, Dignidade e Glória” - http://memoria.ul.pt/index. php/Ficheiro:FD_Barata_Feyo.jpg - 25/09/2015, 17 h 16 m. Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado - http://www.museuartecontemporanea.pt/ BAIÃO, Joana. (2015). “Salvador Barata Feyo - Moçâmedes, 1899 - Porto, 1990” (Disponível em rede: http://www. museuartecontemporanea.pt/pt/artistas/ver/91/artists - 26/09/2015, 12 h 41 m.). “Revues-plurielles.org” - Le portail des revues de l´ interculturalité - http://www.revues-plurielles.org/php/index. php ROSMANINHO, Nuno. (2006). “A cidade Universitária de Coimbra e a expressão totalitária da Arte” In Latitudes. N.º 26. (Disponível em rede: http://www.revues-plurielles.org/_uploads/pdf/17/26/17_26_03.pdf - 26/09/2015, 17 h 48 m.). Secção Filatélica da Associação Académica de Coimbra - http://filatelica.aac.uc.pt/ http://filatelica.aac.uc.pt/facletras.php-26/09/2015, 18 h 29 m.

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Cr贸nicas de um Acervo

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Crónicas de um Acervo - Iconografia do Saber  

A “Filosofia” (Aristóteles) A “História” (Tucídides) A “Eloquência” (Demóstenes)

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