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GRANDE ENTREVISTA Bimestral I abril / maio 2013 Nº26 I PVP 3,95€ (continente)

Peter Sagan “Não posso ir beber um café à rua pois sou logo interrompido…”

COMPETIÇÃO

Ivan Basso

FOMOS ESTAGIAR COM A ONDA/BOAVISTA

“Sei que já não estou no top 5 dos potenciais vencedores de uma Grande Volta.”

TREINO A IMPORTÂNCIA DO REPOUSO

SAÚDE FRATURAS O INIMIGO N.1 DOS CICLISTAS

PINARELLO ma 65.1 Think2 Dog PASSÁMOS A PENTE FINO

A ARMA DE RUI COSTA, BRADLEY WIGGINS E ALEJANDRO VALVERDE

TESTES

TREK DOMANE 6.9 C FUJI ALTAMIRA SL SCOTT SPEEDSTER S30 + 13 PRODUTOS NOVIDADES

INDÚSTRIA

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ISBN 5601753002225 0 0 0 2 6

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teste :: Pinarello Dogma 65.1 Think2 AVALIAÇÃO Performance: 5 | Qualidade/Preço: 5 | Periféricos: 5 | Rodas: 5 | Global: 5

Preço:

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12.798€

Ciclismo a fundo


Prodigiosa Bradley Wiggins, Valverde, Rui Costa… Estes são apenas alguns dos nomes sonantes do pelotão internacional que usam esta máquina infernal de quase 13.000 euros. Tivemos o privilégio de a testar em exclusivo e só temos um reparo a fazer: quem anda nela não vai querer outra coisa! Texto: Carlos Almeida Pinto Fotografias: João Carlos Oliveira Ciclista: Carlos Almeida Pinto

O

que existem várias versões deste Dogma com transmissões mais baratas e rodas diferentes, de modo a que mais pessoas tenham a possibilidade de adquirir uma Pinarello.

OS EUROS DA DISCÓRDIA Muitos poderão considerar 12.798 euros um valor absurdo. Quanto a isto, não discordamos. Mas o somatório de todos os componentes topo de gama que esta Dogma traz faz subir e muito o preço final e, afinal, este é o mesmíssimo quadro que os atletas de topo usam nas principais competições internacionais, o que também inflaciona o preço. Todavia, não podemos deixar de salientar

EQUIPAMENTO DE LUXO Do quadro já falámos, mas convém ainda referir que o mesmo tanto pode acomodar transmissão mecânica como eletrónica. A sua geometria assimétrica (incluindo a forqueta) permite não só maximizar a rigidez (melhorando a transmissão da potência de pedalada), mas também evitando que a trepidação massacre o ciclista. Ou seja, tem a função de não dispersar energia imputada de cima para baixo (potência), mas ao contrário – de baixo para cima –, relativiza a energia que passa das rodas para a forqueta e quadro (trepidação). E é precisamente nas rodas que encontramos uma das grandes aliadas deste conjunto. As Campagnolo Bora Ultra 2 em carbono são rápidas, reativas e surpreenderam pela positiva mesmo em subida. Apenas com ventos laterais deixaram um pouco a desejar, mas tal acontece com praticamente todas as rodas de perfil alto. Estas rodas de 50mm são usadas por vários profissionais do World Tour e têm uns acabamentos fora de série. Os próprios cubos são em carbono e os rolamentos são em cerâmica. Estas rodas tubulares vieram equipadas com os pneus Vittoria Corsa Evo CX, numa união perfeita sem atritos.

s quadros em carbono não são todos iguais e isso penso que já todos percebemos. A Pinarello usou até há bem pouco tempo o carbono do tipo 60HM1K, fornecido pela empresa Toray no seu topo de gama, mas este tipo de composto passou a ser utilizado por várias marcas, deixando – portanto – de ser exclusivo da Pinarello e cuja resistência não era a esperada. Por esse facto, os engenheiros da empresa italiana contactaram a Toray, solicitando a melhoria do carbono nos índices de resistência e rigidez. O pedido teve sucesso com o lançamento do carbono 65HM1K, o mais evoluído de sempre. Este quadro Dogma adota esta variedade do “ouro negro” em toda a sua totalidade, o que o torna muito caro e exclusivo. Não é certamente o quadro mais leve no mercado (pesa 920 gramas no tamanho 54), mas é seguramente dos quadros mais performantes que tivemos o privilégio de testar.

A transmissão ficou entregue ao exclusivo grupo eletrónico Super Record EPS de 11 velocidades que combina carbono e titânio. É eficaz, rápido e preciso. Ressalvamos o facto de a bateria ter de ser recarregada colocada na bicicleta (não é destacável). Os restantes periféricos incluem um kit guiador/avanço da Most em carbono, de onde também é oriundo o espigão de selim. Já o selim foi produzido pela Selle Italia de propósito para a Campagnolo, usando as suas insígnias. NO TERRENO Não é muito difícil combinar um quadro superleve – como é o caso – com uma estética muito agradável. Difícil é, para além destes pontos, proporcionar rigidez acrescida – necessária em bicicletas usadas em alta competição -, um comportamento reativo – de modo a ser possível desviarmo-nos em microssegundos de um objeto (como um cão que se atravessa na via), - e que seja capaz, ao mesmo tempo, de absorver as microvibrações do asfalto – devido ao seu design assimétrico. E esta Dogma é capaz de isso tudo. A sua capacidade de aceleração é impressionante, a confiança que transmite (tanto em descida como em spint) surpreende pela positiva e tudo isto combinado com uma transmissão irrepreensível. É pena apenas estar ao alcance de poucos pois quando a testámos, sentimo-nos… os reis do asfalto! abril / maio 2013

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entrevista Peter Sagan

Um diamante em bruto MÁQUINA DO TEMPO

2008 52

Ganha a prova de Juniores dos Campeonatos do Mundo de XC e os Europeus.

Ciclismo a fundo

2010

Na sua primeira participação no Paris-Nice ganha a camisola verde dos pontos.


Entrevistámos o “menino” prodígio da Eslováquia, atualmente o ciclista mais cobiçado do mundo suplantando Alberto Contador, Philippe Gilbert, Mark Cavendish ou mesmo Bradley Wiggins. “O Bicho”, como é apelidado pelos seus colegas devido à sua força bruta, concedeu-nos uma entrevista em Los Angeles, onde salientou que lida bem com a pressão e que irá focar-se nas Clássicas. Texto: Carlos Almeida Pinto Fotografias: Cannondale

C

onhecemos Peter Sagan em 2008 durante os Campeonatos do Mundo de BTT em Vale di Sole. Na altura, era um desconhecido e não falava inglês. Lembro-me perfeitamente de pensar: mas quem é este miúdo? Sagan tornou-se Campeão do Mundo Júnior nesse ano e logo as atenções viraram-se para ele e para os responsáveis da federação eslovaca que, naturalmente, não conseguiram disfarçar a sua satisfação. Daí até passar para o mundo do ciclismo de estrada foi um passo. Com pouco mais de 20 anos, deu nas vistas com vitórias em provas míticas como o Paris-Nice e Tirreno Adriático, tendo também ganho uma etapa na Volta à Romandia, duas etapas e a geral na Volta à Polónia, oito etapas na Volta à Califórnia, seis na dura Volta à Suíça e ainda três etapas e a geral da Volta a Sardenha. Já nas Grandes Voltas, em 2011 arrecadou três vitórias em etapas na Volta a Espanha e em 2012 somou mais três na Volta a França. Mas nem tudo correu bem nos seus primeiros tempos na alta roda mundial. O seu primeiro contacto numa equipa Pro Tour foi precisamente na Quick Step como estagiário. As coisas não correram bem, acabando por não obter um contrato de trabalho, algo que ambicionava veementemente. Sagan ficou de tal forma desiludido que anunciou à sua família que não queria competir. O seu irmão mais velho demoveu-o e entretanto surgiu uma oportunidade de ingressar na toda-poderosa Liquigas-Doimo, com um contrato de dois anos que lhe per-

2011

Sagan mostra a sua classe vencendo a Volta a Sardenha e a Volta à Polónia.

2012

mitia competir também na vertente de BTT. Em 2010, ou seja, ainda no seu primeiro ano de contrato, face aos resultados que obteve recebeu uma nova renovação até 2012 (com um aumento substancial no vencimento). Numa viagem relâmpago a Los Angeles, entrevistámos o eslovaco antes de um treino. Peter, qual é o seu principal objetivo para esta época? Depois das primeiras provas da época (Argentina), Tirreno Adriático e dependendo da minha condição física para a Milão San Remo, definirei o restante calendário. Mas conto estar na Gent Wevelgem, Tour de Flandres, Amstel Gold Race… No fundo, espero estar bem nas Clássicas. Depois, outro objetivo será a Volta a França… seria muito bom vestir a camisola verde (risos). Em qual das clássicas vai apostar mais? No Tour de Flandres. Quero mesmo ganhar esta prova e oferecer a vitória à equipa. Disse que a Volta a França é um dos seus objetivos, especificamente no que à camisola verde diz respeito. Nunca pensou em tentar ganhar a geral, mesmo que isso envolva uma alteração radical do seu treino e das suas características físicas? Não sei… Sou novo e o tempo o dirá. Prefiro definir objetivos anuais e pode ser que daqui a cinco anos mude de opinião, mas de momento vou concentrar-me nas Clássicas. 

Veste a camisola verde na Volta a Omã, Volta à Califórnia, Volta à Suíça e Volta a França.

abril / maio 2013

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competição

:: Bastidores Radio Popular/Onda/Boavista

Daniel Silva “Gosto de trabalhar com pressão” diz respeito à minha própria evolução enquanto ciclista. Em 2012 apostei muito em melhorar o meu desempenho no contrarrelógio e retirei frutos disso. Tenho revelado um grande crescimento enquanto atleta e parece-me normal que me insiram no lote de principais favoritos a vencer a Volta.

Qual é a sensação de ser o líder assumido de um conjunto histórico como é a formação boavisteira? Para mim é um sentimento de grande responsabilidade ser o chefe de fila de um conjunto com trinta anos de história e que já conta no seu percurso desportivo com dois vencedores da Volta a Portugal. É uma honra liderar a Radio Popular/Onda/ Boavista e sentir que tenho uma equipa de tanta qualidade em meu redor. Só penso em dar tudo e treinar com profissionalismo e rigor para que as coisas saiam bem à nossa equipa. O meu objetivo principal para esta temporada é melhorar o resultado que obtive o ano passado na Volta a Portugal (n.r. foi 4.º classificado). Sente uma grande pressão por ser o líder incontestado da Radio Popular/ Onda/Boavista? Gosto de trabalhar com pressão e até a encaro como uma coisa positiva. Obriga-me a treinar ainda mais e faz-me estar em alerta sobre todos os pormenores da minha preparação. No meu caso, a pressão funciona, acima de tudo, como um fator de motivação extra. Depois do 4.º lugar que obteve na edição transata, sente que este ano é um dos mais sérios candidatos a vencer a Volta a Portugal? Isso é uma análise que deve ser feita por vocês da Comunicação Social. Já disputei por quatro ocasiões a Volta a Portugal e em todas as minhas participações tenho registado uma clara melhoria ao nível do resultado final obtido, assim como no que

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Ciclismo a fundo

Para além da Volta a Portugal quais serão as restantes competições em que irá apostar fortemente no decurso de 2013? Espero estar em bom plano na Volta às Astúrias, na Volta a Castilha e Leão e principalmente na Volta à Guatemala, competição pela qual tenho um carinho especial. Porquê essa especial apetência pela Volta à Guatemala? Corremos lá o ano passado e achei-a uma corrida extremamente dura, disputada a grande altitude e com as dificuldades próprias impostas pelo clima tropical. Em 2012 consegui alcançar o quarto posto e esta época tudo farei para lutar pela vitória final dessa bonita prova. Esta competição será um dos meus grandes objetivos para esta temporada. Que importância terá para si o ingresso do Vergílio Santos nas fileiras da Radio Popular/Onda/Boavista? O Vergílio é um reforço de peso para a nossa equipa. Já nos habituou a ter grandes desempenhos na Volta a Portugal e a ajudar da melhor maneira os líderes das equipas onde tem trabalhado. Ainda o ano passado pudemos ver como ele foi o braço direito do Hugo Sabido na prova rainha do nosso calendário. Tenho total confiança nele e a noção de que será um apoio precioso para mim durante a Volta a Portugal. Qual é a sua opinião acerca da Focus Izalco Pro 1.0, bicicleta com a qual a Radio Popular/Onda/Boavista irá enfrentar a temporada de 2013? A meu ver, trata-se de uma bicicleta com um design muito bonito, que se encaixa bem com o visual do nosso equipamento e na qual é extremamente confortável andar. A Focus é uma marca conceituada que dispensa apresentações e por isso parece-me que a nossa equipa está muito bem servida nesta matéria.

José Santos “Queremos que 2013 seja um ano de mudança” Confiante e determinado. É assim que o diretor desportivo José Santos se apresenta para a época em curso. O carismático timoneiro da turma axadrezada anseia que 2013 signifique o regresso das “panteras” às grandes conquistas: “Neste defeso fizemos um grande esforço para voltarmos a estar na estrada, mas estou satisfeito, pois reforçámo-nos bem e o resultado final é uma equipa bastante competitiva. Acredito que podemos discutir a vitória na Volta a Portugal através do Daniel Silva. Ele será o nosso chefe de fila e construímos a equipa em seu redor. Foi nesse sentido que procedemos à contratação do Vergílio Santos. Acreditamos que ele poderá ser uma peça chave para ajudar o Daniel a alcançar o objetivo de triunfar na mais importante prova do nosso calendário. Ao longo dos 30 anos em que estamos no ciclismo temos oferecido grandes nomes à modalidade, dos quais o Tiago Machado e o José Gonçalves são apenas os exemplos mais recentes. Já passaram muitos anos desde que conquistámos a vitória na Volta a Portugal (n.r. Cássio Freitas em 1992 e Joaquim Gomes em 1993). Esta é uma boa altura para voltarmos a lutar pela vitória na prova máxima do nosso ciclismo. Agradeço também à empresa Tecnocycle, pois é graças a eles que este ano iremos utilizar bicicletas Focus e a qualidade do seu material permite-nos ter a certeza de que iremos para a estrada com a capacidade de ombrear com os melhores. Queremos que 2013 seja um ano de mudança”!


saúde LESÕES NO CICLISMO

A “fatura”...

de uma fratura 76

Ciclismo a fundo


São adversárias, revelam-se inoportunas e tantas vezes assumem-se como verdadeiras inimigas dos ciclistas. Não têm um rosto propriamente dito mas os seus efeitos são bem visíveis aos olhos de todos. Do que falamos? Das afamadas fraturas das clavículas, que usualmente atiram para “fora do tapete” os profissionais das duas rodas! Texto: Magda Ribeiro Fotografia: Arquivo, RCZ e Edgar Pinto

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e entre a panóplia de lesões que poderão advir de uma queda no ciclismo, a fratura da clavícula é, indubitavelmente, uma das mais comuns entre a comunidade que pedala. No entanto, uma questão surge com natural propriedade: tendo o esqueleto humano mais de 200 ossos, porque motivo a clavícula está particularmente propensa a “quebras”? Isso mesmo perguntámos ao Dr. Benjamim Carvalho, médico que já desempenhou funções em algumas das principais equipas do pelotão português. Segundo este reputado clínico, um dos motivos primordiais para a verificação deste cenário está diretamente relacionado com o facto de a clavícula ser um “osso longo, muito superficial, que liga o membro superior ao tronco. Sendo superficial, está sujeito a impactos diretos quando na presença de acidentes ou traumatismos”. A outra explicação para esta situação relaciona-se intimamente com a “característica dos acidentes na modalidade. Normalmente são consequência de desacelerações bruscas por travagem ou por impacto, que têm como resultado a projeção do atleta para a frente e para baixo. A intuição do atleta passa por defender-se, caindo sobre o ombro”, elucida.

um inchaço muito grande. Percebi de imediato a consequência…”, conta-nos. Também Bruno Sancho já revelou, por instantes, ser “perito em diagnósticos”, aquando da sua fratura: “Quando coloquei a mão sobre a clavícula reparei logo que a tinha fraturado. Sentia dores quando tentava mexer o braço e notava um alto no osso”, conta-nos o atual ciclista da Carmim/Tavira, que sofreu o acidente “num dia de treino com o meu irmão (n.r. o ciclista Hugo Sancho). Ia junto à berma quando resvalei e caí sobre o ombro”. Já Edgar Pinto tem razões de sobra para

não querer ouvir falar deste tema. Isto porque o ciclista que enverga as cores da LA Alumínios/Antarte averbou já duas fraturas na sua “conta pessoal”! Em plena competição, a última surgiu desta forma: “Tudo ocorreu numa questão de segundos. Numa curva com algum perigo, e em descida rápida, um conjunto de ciclistas não conseguiu fazer a trajetória da melhor maneira. Deste modo, começaram a embater no lancil e alguns foram projetados para a via. Não tive a mínima hipótese de me desviar e acabei por colidir com eles”,  recorda.

«nem sempre esta lesão conduz à sala de operações. Há que ter em conta o local de fratura (...) e o seu alinhamento»

QUEDAS… PARA TODOS OS GOSTOS São inúmeros os exemplos de ciclistas do nosso pelotão que sofreram tal infortúnio. Rui Sousa é um deles. O corredor da Efapel/Glassdrive fraturou a clavícula depois de uma queda num treino: “Um automobilista passou rente a mim e a uma velocidade excessiva. Com o susto e com a deslocação do ar provocada pelo veículo acabei por cair. Senti logo abril / maio 2013

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