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RESUMO O amor nunca é fácil. É especialmente difícil quando você ama um fuzileiro naval. Eu conhecia o risco quando eu disse ‘sim’, mas eu escolhi amar de qualquer maneira. Em um flash, ele foi tirado de mim, e agora eu estou sozinha. Lutando e desesperada. Sem esperança, sem futuro. Apenas o ciclo interminável de sobrevivência do dia-a-dia. Mas uma carta devolvida poderia mudar tudo isso. Esperança e amor, muitas vezes vêm do último lugar que você pensaria procurar, quando você menos espera.

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Eu era uma alma quebrada e perdida, torturado pelas memórias do que eu tinha sofrido. Quando visitei aquela velha fazenda no Texas rural, tudo o que eu queria fazer era devolver a carta. Manter uma promessa a um amigo. O que eu consegui foi à cura. Entendimento. A chance de encontrar uma medida de paz quando tudo que eu já conheci é a guerra. Nós dois perdemos tudo. Mas no outro, encontramos algo pela qual vale a pena lutar.

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EPÍLOGO A CARTA

Thomas, meu amor. Estou escrevendo isso em nossa cama. Você está ao meu lado, dormindo. Há tanta coisa que eu gostaria de poder dizer a você, mas eu sei que o tempo é curto. Você vai embora amanhã. De novo. Eu não posso dizer que não me incomoda. Incomoda. É claro que ele sim. Dói o tempo todo. Eu ajo brava com você, mas eu odeio isso. Eu odeio ver você pondo suas botas. Eu odeio ver você fazendo suas malas. Eu odeio ver você arrumando sua gravata no espelho. Eu odeio quão malditamente sexy você fica em seu uniforme. Acima de tudo, eu odeio te dar um beijo de adeus, odeio assistir você se virar, suas amplas costas retas quando você desaparece abaixo da rua. Eu odeio que seus olhos estão secos quando os meus estão molhados. Eu odeio tudo isso. Eu sei que eu me inscrevi para isso quando me casei com um fuzileiro naval. Eu sabia desde o início que você ia entrar em combate. Eu sabia disso, e me casei com você de qualquer maneira. Como eu não poderia? Eu te amei tanto, desde o início, desde a primeira vez que te vi, todos aqueles anos atrás. Você lembra? Eu estava visitando meu irmão em Twentynine Palms, e eu vi você correndo com a sua unidade. Você olhou para mim, e eu sabia que naquele mesmo instante que íamos ficar juntos para sempre. Você saiu do posto, correu até mim. Você me beijou. Bem ali, o sargento de artilharia gritando com você, na frente de metade da maldita base. Você nem sequer ~3~


perguntou o meu nome. Você só me beijou, e se juntou a sua unidade. Você teve em um monte de problemas por essa façanha. Eu nunca pensei que eu iria te ver novamente, mas você me encontrou. Você conhecia o meu irmão, que estava comigo no momento. Você perguntou a ele quem eu era alguns dias depois. Ele disse que iria te deixar ter uma chance comigo se eu estivesse disposta, mas se você quebrasse meu coração, ele iria quebrar a sua cara. Você apareceu no meu quarto de hotel vestido à paisana. Você me levou para Olive Garden, e ficou bêbado com vinho tinto. Fizemos amor naquela noite no meu quarto. Você se lembra daquela noite? Tenho certeza que sim. Eu me lembro de cada momento. Assim como eu me lembro de todos os outros momentos de nossas vidas juntos. Oito anos. Você sabia disso? Você foi embora de amanhã, e amanhã é o nosso aniversário de oito anos, o dia da primeira vez que nos encontramos, quando você me beijou. Deus, Tom. Você sabe por que eu me lembro de cada momento? Porque na maioria de nossos oito anos juntos, você esteve em missões. Três turnos no Iraque e você está prestes a ir para sua terceira turnê no Afeganistão. Eu sinto falta de você, Tom. Todos os dias, eu sinto sua falta. Mesmo quando você está em casa Eu sinto falta de você, porque eu sei que você sempre vai ir embora de novo. Mas desta vez? Essa missão? Tem sido a mais difícil. É tão difícil que eu não posso aguentar. Não aguento mais. Eu não posso, Tom. Eu não posso ver você ir embora de novo, sabendo que você poderia morrer. Sabendo que você pode não voltar. Você não falou muito sobre o que aconteceu com seu amigo Hunter, da sua unidade, quando ele foi MIA 1, mas eu sei que foi doloroso para todos. Ele voltou, graças a Deus, mas você era uma bagunça. Você me ligou da base. Você estava ficando louco de preocupação. Você pensou que ele estava morto. Seu amigo Derek tinha sido ferido também. Me lembro de tudo isso. 1

Missing in Action" que significa desaparecido em combate. ~4~


E eu só... Eu não acho que eu poderia lidar com isso, se isso acontecesse com você. Especialmente agora não. Eu tenho ido em círculos sobre isso um milhão de vezes na minha cabeça. Eu quase disse a você tantas vezes. Mas eu simplesmente não consigo. Isso tornaria mais difícil para você sair, e eu sei que é bastante difícil do jeito que é. Isso tornaria mais difícil para mim se eu te dissesse pessoalmente. Você vai ficar com raiva de mim por não te dizer. Eu sei, e eu sinto muito. Mas esta é a única maneira que faz sentido para mim. Estou grávida, Tom. Eu vou ter o seu bebê. Eu não tinha certeza no começo. Eu pensei que talvez fosse apenas o stress de saber que sua licença estava terminando que me fez perder o meu período. Mas então eu fiz um teste. Três deles, na verdade. Estou grávida. Deus, eu estou grávida. Eu vou ter um bebê. Por favor, venha para casa para mim, Tom. Venha para casa vivo. Não importa o que, você tem que voltar. Eu preciso de você. Nosso bebê precisa de você. Eu te amo tanto, tanto, Tom. Mais do que eu nunca vou ser capaz de dizer. Você vai ficar bem. Você vai voltar para mim. Para nós. Sempre, sempre sua, Reagan. P.S.: Espero que seja um menino. Eu quero que ele se pareça com você.

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CAPÍTULO UM DEREK Leste do Afeganistão, 2007 O Humvee cheira a suor e tensão. Eu tenho ‗Onde a grama verde cresce‘2 preso na minha cabeça. Alguns idiotas puderam o álbum de Tim McGraw em repetição por cerca de duas horas antes de eu ameaçar enfiar meu punho na garganta deles se eles não desligassem. Eles desligaram bem rápido, mas o estrago estava feito, e essa música maldita esteve correndo pela minha cabeça durante os últimos três dias fodidos. Então, agora, andando devagar na pista de terra no meio do nada, eu ainda não consigo tirar aquela música da minha cabeça. Estou até cantarolando a maldita coisa, e os caras estão me zoando por isso. Eu nem mesmo gosto de música country. Barrett está sentado ao meu lado na parte de trás, e Lewis está dirigindo. McConnell está na frente com a espingarda. Nossa Humvee é a terceira na linha de quatro. Temos estado andando assim no mais horizontal e mais seco país que eu já vi, mas isso está mudando à medida que subimos uma cadeia de montanhas. As coisas estão prestes a ficar montanhosas e serpentinas e é aí que merda poderia se complicar. O que explica a tensão. É o tipo de fazer revirar o intestino pela expectativa e que, na minha experiência, sempre precede alguma merda ruim. Você não tem mais nada que fazer além de olhar para fora da janela, e, sendo este o Afeganistão, não tem nada lá fora da janela, exceto colinas marrons, terra marrom e o azul do céu. E é sempre bem no meio deste tédio entorpecente que você se puxa de volta à realidade. 2

É uma música. ~6~


Eu sinto o Humvee inclinar e ouço o gemido do motor quando nós chegamos a um declive. — Olhares atentos, filhos da puta, — Lewis late. — Este aqui é o país da emboscada. Eu destravo a segurança. Meu coração martela. Meu estômago parece um abismo com um rio de adrenalina rugindo na parte inferior. Barrett se inclinando para longe da janela, curvando para baixo para obter uma linha de visão no cume subindo em torno de nós em ambos os lados como a borda serrilhada de uma faca enferrujada. Presumo que na mesma postura de vigia, o dedo descansando no gatilho. Aqui nas colinas estamos cercados por rocha nua, que está absorvendo a luz do sol e refletindo de volta na forma de calor de matar. Mais acima tem vegetação, mas aqui em baixo, é apenas rocha, cascalho e terra batida. As picos sobem e dobram em si, se enfiando juntos e para além, proporcionando uma infinidade de pequenos cantos e recantos, grutas e cavernas, lugares onde um homem com um RPG pode se deitar e ser invisível a partir de nosso ponto de vista. Que é exatamente o que me foi dito para esperar. É o que o tenente esperava quando chegaram as ordens para nos enviar para visitar um par de aldeias do outro lado dessas colinas. Ele reclamou sobre a missão, mas sabíamos muito bem que eles estavam nos enviando através de uma área conhecida por emboscadas. Nos mandaram de qualquer maneira, e negaram os nossos pedidos para apoio aéreo, ou qualquer armadura pesada. Entram e saiam, disseram. Basta verificar os relatórios de atividade inimiga na área e voltar para cá. Certo. Os meus nervos rolando se transformam em suor frio, apesar do calor dentro do veículo. Meu peito está palpitando, minhas mãos tremendo. — Lewis? — Eu digo. ~7~


— O quê? — Ele late. Lewis sempre late. É o seu estado natural: agravado, taciturno, petulante. — Eu tenho um mau pressentimento sobre isso. — Sim, eu também, — diz McConnell, sorrindo para mim. — Você pode parar de citar Star Wars por um segundo maldito? Eu acho que eu vi algo. — A voz de Barrett é baixa, cortada pelo barulho de cascalho através da nossa conversa fiada. — Onde? — Eu digo. Ele aponta para fora da janela, acima da nossa localização. — Duas horas em ponto 3 . Lá encima. Foi apenas um lampejo de movimento, mas eu sei que eu vi alguma coisa. Lewis pega seu oktok. — Possível alvo. Duas horas em ponto. A voz vem de volta em nossos ouvidos, Addison no veículo imediatamente acena para nós. — Entendido. Eu vi isso também. Eu conto os próximos 60 segundo individualmente - eles passam como o melaço em janeiro. Nós passamos por um matagal à beira da estrada, uma nuvem de poeira trazida pelo vento, os pneus trepidando, McConnell carregando sua M4 e Lewis murmura ‗porra‘ sob sua respiração. — CONTATO! — o grito vem através do rádio, estridente, em pânico. — VAI! VAI! VAI! Ele está prestes a atirar. Whooooosh... BOOM! RPG. Shitshitfuck. Eu odeio aquele som maldito.

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É uma expressão militar, avisando que um inimigo está próximo. ~8~


Eu sinto as ondas do choque da detonação pelo RPG no chão debaixo de mim, e CRUMP, nossa Humvee é abalada por uma segunda explosão, um IED4. Meu ouvido dói. Hackhackhackhackhack – uma AK-47, alto. Dois deles. Três. QuatroCincoSeis em lugares diferentes. Clarão e ouço alguém gritando. Crackcrackcrack… crackcrackcrack uma M4 automática à frente e à minha esquerda. Sinto o cheiro de fumaça e o cheiro horrível inconfundível de carne carbonizada. Me jogo para fora da porta, de joelhos na terra e me agacho atrás da porta aberta. Barrett desliza para fora da minha porta e abaixa ao meu lado enquanto balas atingem o metal da Humvee, vidro e a terra. À frente, uma coluna de fumaça cinza-escura sobe com raiva, iluminada por chamas. O primeiro caminhão do comboio foi atingido por um IED e os últimos da fila foram atingidos por uma RPG, prendendo o comboio no lugar. Absurdamente, eu me ouço cantando Tim McGraw sob a minha respiração, — My corn pop up in rows 5. — Cale a boca, West, — Barrett fala para mim. — Eu odeio essa porra de música. — Eu também. — Então por que você está cantando? — Está preso na minha cabeça, ok? Eu não posso parar. Lewis está ao nosso lado. — Corte a conversa, vocês dois. — Ele aponta à frente de nós, onde Abraão, Nielsen, Martinez e Okuzawa da É uma bomba de fabricação caseira construída e implantado em outras maneiras do que em uma ação militar convencional. 5 É uma parte da música. 4

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Echo Company estão agachados atrás do caminhão ainda sem danos. — Nós temos que ter uma linha de fogo em cima desse cume. Façam cobertura, assim Nielsen pode plantar a sua SAW6. — Certo. — Eu espreito através da janela, vejo um flash de um cano de uma arma, espero apagar, em seguida, corro para a frente para a borda do caminhão. Espio em torna do Humvee. Barrett está atrás de mim, então McConnell e Lewis. Sou sempre o primeiro, Lewis sempre o último. Eu conto... um - dois - três... e, em seguida, giro em torno do capô e trago o meu rifle para o meu ombro. Ele sacode e eu mal consigo ouvir o crackcrackcrack quando eu atiro em direção da onde vi o flash. Os outros três do meu esquadrão passam por mim, Lewis rondando a bunda da Humvee da Echo e inicia fogo. Abraham está disparando sobre o capô, e Nielsen está desdobrando as pernas de seu bipé, batendo para baixo sobre o capô e mirando o objetivo no cume, onde o contato parece ser mais pesado. Tiros batem na terra em direção a Nielsen e batem no caminhão, e então ele rola e cai agachado ao lado de Abraham. Eu envio uma meia dúzia de balas e então eu ouço um grunhido, e vejo quando o flash para abruptamente. — West Barrett. — Lewis aponta para cada um de nós, e depois para os destroços em chamas em frente. — Veja se alguém está vivo lá dentro. Nielsen, cobre eles. O SAW rasga e ecoa em rajadas curtas, e Barrett e eu corremos para os destroços. Está queimando em toda extremidade dianteira. Eu deslizo para uma parada e me agacho, perscrutando a janela do lado do motorista. Não. Blaskowski e Allen estão em duas poças avermelhadas no chão. Eu deixo eles lá por enquanto. Barrett está disparando a todo vapor, então eu abro a porta do passageiro. Silva está vivo, sangrando de um corte na testa, e Glidden está gemendo e segurando o estômago. 6

Metralhadora. ~ 10 ~


Eu coloco o meu rifle nas minhas costas, pego Glidden sob as axilas, e puxo. Ele bate no chão e grita. — Desculpe, amigo, — eu digo a ele. — Peguei você, ok? Você pode se mover? — Ppporra. — Ele xinga, os calcanhares escavando a terra. — Tentando. Eu o puxo para trás através da terra para o resto da Echo e do meu pessoal. Ele é pesado, uns 90 quilos e mais equipamento de proteção completo, mas eu o levo para trás da Humvee intacta e o deixo lá para Lewis dar uma olhada. Eu me viro para buscar Silva, empurrando ele até a Humvee. Sua cabeça parece descansar em seu ombro, sangue e terra manchando seu rosto. Seus olhos estão abertos, mas vidrados, sem piscar. Eu balanço ele. — Silva! Ele pisca. — Que? Que porra é essa? — Emboscada, amigo. Você está bem? Ele não responde de imediato. — A cabeça. Isso dói. Não consigo ouvir. — Ele olha por mim e algo treme em seu olhar. Ele apalpa sua cintura para o seu rifle, trazendo e atirando. O cano está a menos de seis centímetros do meu ouvido, e eu estou ensurdecido pelo barulho. Eu levo a minha mão ao meu ouvido. Balas estão atirando e zumbindo e eu vejo quando Silva é atingido: ombro-pescoço-rosto. Ele vai cai em um jorro de sangue, mas as balas param, me dizendo que as balas de Silva encontraram um alvo. — Porra. — Eu olho para o seu cadáver e fico congelado por um segundo. Barrett está alheio, seu foco treinado no cume oposto, tentando derrubar seu objetivo, apontando, atirando, apontando, atirando. Eu

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registro o som de seu rifle: crackcrackcrack - crackcrackcrack… crackcrackcrack. O som do disparo de Barrett me traz de volta para o presente, e eu planto minhas costas contra a porta do caminhão em pânico, o peito subindo e descendo freneticamente, borbulhando no meu intestino. É uma sensação muito familiar. Qualquer um que diz que eles não tem

medo em combate é um mentiroso. Eu estive em combate mais vezes do que posso contar e eu tive medo em casa maldita vez. Como agora. Silva era o meu menino. Nós metemos ferro juntos o tempo todo, brigaram juntos, trocamos piadas. Agora ele está morto e assim como Blast e Allen e vai saber mais quem. Se recomponha, Derek. Eu me balanço, checando meu pente e batendo para casa. Mirar, procurar flashes, encontrar um alvo, atirar. Pausar. Mirar, atirar. Bam, bingo. — WEST! BARRETT! — Lewis grita. Dou a ele a minha atenção. Ele sinaliza para nós atravessarmos e tentar nos levantar, dando as mesmas ordens para Martinez e Okuzawa para a direção oposta. Ele faz uma contagem de cinco em seus dedos cinco... quatro... três... dois... um - e, em seguida, o SAW está latindo, ecoando e rasgando, Abraham, Lewis e McConnell atirando em direção ao cume. Barrett e eu guinamos para fora e vamos para o outro lado da estrada, contra a face da rocha. Meus dentes trituram sujeita. Eu arfo, convocando saliva e cuspo o grão da minha boca. Barrett examina o terreno, e, em seguida, aponta para uma seção onde seria possível subir. Ele se ajoelha e aponta sua M4 até o cume, e eu apoio meu rifle nas minhas costas, o coração martelando. Eu subo alguns metros e, em seguida, a colina se inclina o suficiente para eu pressionar para trás e agachar, me inclinando para acenar para Barrett subir. Eu ouço ele

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xingar, e em seguida a cabeça dele aparece e eu espero até que ele esteja em cima comigo. Somos dois homens grandes em uniforme de combate completo, compartilhando um pedaço de rocha de apenas quatro metros de largura, por isso somos obrigados a abraçar um ao outro para ficarmos equilibrados. Barrett sorri, terra em seu rosto. — Me beije e eu vou te jogar desta rocha, sua bixa, — diz ele em voz baixa. Eu coloco um pé na escarpa e subo. — Quem diabos iria beijar a porra da sua cara feia? — A mulher mais quente em todo o Texas. — Bom ponto, — eu digo com uma risada, porque Deus sabe se ele está dizendo a verdade. Reagan Barrett é bom como o inferno. Ela organizou uma festa de despedida em sua casa em Houston antes de sairmos para esta última turnê. Eu tinha sofrido através de anos de conversa fiada interminável de Barrett sobre quão bela e surpreendente sua esposa era e pensei que, como a maioria dos caras, ele estava cheio de merda. Eu vim a descobrir que ele estava subestimando o caso, pra variar. Mas ela é a mulher do meu amigo, o que significa que ela é fora dos limites. Barrett agarra meu bíceps com uma unha afiada. — Ei, filho da puta. Essa é a minha esposa. — Eu só estava concordando com você, isso é tudo. — Bem, não. — Bem. Ela é feia como pecado. Você tem um saco de papel? — Estou feliz com a brincadeira, porque mantém minha mente fora do fato de que eu estou subindo uma rocha essencialmente impotente, diretamente para os braços à espera do inimigo. — Idiota, — murmura Barrett. — Você sabe o que eu quis dizer. ~ 13 ~


Estou fora de vista, nesse ponto, e o som de uma AK disparando está ficando mais alto. Nós agora estamos perto. Esta é uma má, má ideia. Eu poderia literalmente subir no colo deles e meu rifle será empurrado nas minhas costas. Ouço Barrett subindo atrás de mim. Olhando para cima, observo os ângulos da rocha de novo. Eu subo com cuidado, devagar. Estamos a cerca de 50 pés de pico e, neste ponto, pela proximidade dos sons, posso dizer que estamos prestes a ter uma diversão com esses filhos da puta do Taleban. Eu dobro em minha barriga, rolo contra a parede, agacho e trago a minha M4 ao redor. Barrett está ao meu lado, destravando a trava de segurança. Trocamos olhares. Concordo com a cabeça e seguimos em frente o mais silenciosamente possível, o que é uma estupidez, uma vez que o som de tiros é alto o suficiente para cobrir quaisquer sons que podemos fazer, mas é hábito neste momento. A colina se dirige para fora em uma curva, e eu ergo meu pescoço para ver ao seu redor. Bingo. Eu faço uma contagem rápida, volto para Barrett, e levanto seis dedos. Ele balança a cabeça. Eu pego meu oktok e murmuro para ele. — Fizemos contato. Continuem atirando. — Continuem, — Lewis retorna. — Façam isso rápido. — Entendido, — eu digo. Eu chupo uma respiração profunda, prendo e deixo sair. Assumindo o meu rifle, eu ando para frente, centímetro por centímetro até que eu possa abraçar a face da rocha à minha esquerda e ainda obter um vislumbre sobre o alvo mais próximo. Barrett, bastardo sem medo do jeito que ele é, se ajoelha na borda para que ele possa disparar à minha direita. Outra respiração.

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Crackcrackcrack... um a menos - crackcrackcrack... dois. Barrett está disparando ao meu lado, tão, tão alto. Eles foram completamente tomados de surpresa, e eu ouço uma M4 disparar. Corpos sangram e caem. Nós recuamos ao redor da curva, fora da vista. A batida do meu coração silencia, e depois o inferno desce sobre nós. Whooooosh... BOOM! O Humvee por trás de onde Lewis e os outros estão escondendo detona em uma explosão de fogo. Fumaça preta explode, atravessado por chamas alaranjadas. Debris cai. Porra. Barrett e eu nos entreolhamos. Estamos desprotegidos e nós sabemos disso. Quatro de nós são tudo o que resta de quatorze. E os quatro estão divididos ao meio, com um número desconhecido de inimigo entre nós. Há um Humvee intacto, mas está imprensado entre três cascos de destroços em chamas e a zona de morte está derrotada. Barrett e eu trocamos os pentes. — Martinez? Okuzawa? — Barrett chama pelo seu oktok. — Vocês estão vivos? — Afirmativo, — Martinez responde. — Ambos estamos intactos. Você e West? — Tudo certo. Só que nós estamos totalmente fodidos. — Sim, exceto esse pequeno fato. — Este é Okuzawa, com a sua voz distintamente suave, quase musical. — Um plano, alguém?

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— Nós tecnicamente cercamos eles, — diz Martinez. — Um grupo vai atirar para chamar a atenção deles, o outro vai chegar por trás e explodi-los. — Parece bom, — eu digo. — Quem despista e quem ataca? — Oorah7, — eu digo. — Oorah, — os outros três homens respondem em uníssono. As mãos de Barrett se apertam e descerram em seu rifle. Uma gota de suor escorre do nariz, e ele limpa com um polegar. Ele solta uma respiração profunda, pisca duas vezes, e, em seguida, acena para mim. Ele rola para fora. Rifle a postos, escondido em seu ombro, se agacha e começa a mover os pés silenciosamente. O fodido sempre foi o mais silencioso de todos nós, como uma espécie de ninja maldito. Eu sigo com os pés um pouco mais ruidosos. Minha respiração é lenta e profunda para combater o terror cru produzindo no meu intestino. Eu tento engolir, mas minha garganta está seca. Eu pisco o suor de meus olhos ardendo. Barrett congela, afunda um joelho, e hesita com uma única mão em um punho. Indo devagar, ele se inclina um pouco. Se aproxima mais um pouco. Levanta a mão mais uma vez, pisca cinco dedos duas vezes. Dez? De onde todos esses babacas vieram? A resposta me atinge: de uma caverna, idiota. Este é o Afeganistão. Estou tentando conter meu medo quando Barrett ajusta sua posição de modo que ele está abraçando a face da rocha, tanto quanto fisicamente possível. Você acha que depois de todos esses passeios, todo o combate que eu vi, me faria superar o medo de combate, mas merda, o medo está sempre lá. Você ouve um AK disparando, você sente seu estômago rolar. Você ouve o whoosh-BOOM de uma RPG, você come Um grito motivacional utilizado pelo United States Marine Corps. Às vezes, também usado como uma resposta geral a uma ordem ou pergunta. 7

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terra e começa a suar frio e espera que o próximo não esteja vindo para você. Você quer viver, não é? Claro que sim. Então, você está com medo a cada momento. Se você não está, você é louco ou mentiroso. Não sou nem e nem outro, por isso estou fodidamente apavorado. Mas eu sei o que fazer: empurrar isso para baixo. Ignorar. Fazer o trabalho. Ficar vivo. Crackcrackcrack... A M4 de Barrett fala, e o ar momentaneamente tranquilo é cortado com tiros de uma AK e alguém grita em Pashto ou qualquer dialeto que falam aqui. Há um milhão de línguas malditas no Afeganistão, e eu não posso entender uma sequer. Qualquer que seja o inferno que é que eles estão dizendo, eles estão muito chateados, pelo que posso dizer. Ouço Martinez e Okuzawa se abrir e os gritos raivosos entram em pânico. Eu bato em Barrett no ombro; ele segura o fogo, e eu salto em torno dele. Porra, há uma porrada deles. Eles estão descendo de uma caverna como formigas de um formigueiro. Eu não me incomodo em contar, basta derramar fogo, atirar, dois, três – e eles estão torcendo no lugar, disparando freneticamente, olhando para nós, para onde as balas estão vindo. O zumbido de uma bala passa pela minha cabeça, e eu me esquivo involuntariamente, recuando, disparando três tiros. Barrett toma o meu lugar na frente, mas, em seguida, recua e desloca para trás. — Eles estão vindo para cá, amigo, — diz ele. — Quantos? — Um monte. — Ele dá um par de voltas, então se vira e passa por mim. — Vai, idiota! Vai! Eu não preciso ouvir duas vezes. Seguir atrás de Barrett deixa minhas costas expostas, o que eu não sou um grande fã. Eu rodo no meu

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calcanhar, sem quebrar o ritmo e recuo, mirando o rifle para cima e caçando um alvo. Há um: crackcrackcrack - uma explosão de sangue e o corpo cai, substituído por outro. Derrubo ele. Mais um. Merda, há um monte deles. Eu seguro o gatilho para uma boa dúzia de rodadas, e cada um atinge um corpo. Clickclickclick. Vazio. Eu ponho outro pente, me sentindo puxar para o lado. Barrett me empurra contra a parede rochosa, se inclina para além de mim e joga uma granada. CRUMP-BOOM! Gritos. Fedor da morte, merda de intestinos rompidos. Sangue. Carne queimada. Os cheiros que fazer o meu estômago se apertar toda vez. Crackcrackcrack… crackcrackO barulho de uma M4 é cortada no meio da explosão. — Martinez? — Eu falo no oktok. — Ele caiu. Ele caiu. Merda, merda, ele está morto, — Okuzawa ofega, em pânico. — Você vai ficar bem, — eu digo. — Basta continuar atirando, Okie. Eu estou vindo para você. — Você não pode, — diz ele, e, em seguida, a linha fica em silêncio. Eu ouço seu rifle disparar, disparar, disparar. — Eles estão bem em cima de mim... — A voz de Okuzawa é rouca, baixa e ofegante. — Corram. Apenas corram, porra. ~ 18 ~


Momentos depois, eu ouço um grito, uma maldição em inglês, e, em seguida, uma granada explode. Barrett olha para mim, e seus olhos estão piscando um pouco rápido demais. Seu peito sobe e desce muito rapidamente. Sua mandíbula mói. Ele está disparando, trocando seu último pente. — Eu acho que nós estamos fodidos, Tom. — Eu convoco saliva e cuspe. Meu estômago está em nós. — Eu acho que você está certo, Derek. — Ele balança a cabeça para baixo, a face da rocha nós escalado minutos antes parecendo como horas. — Tente chegar até lá. Vá. Eu vou te cobrir. — A porra que você va— Eu não estou pedindo, imbecil. Desgraçado. Eu meio que caio, meio que deslio para baixo da superfície quase vertical. A saliência da rocha pega no meu cinto, me prende e engata minha respiração. Ouço Barrett em cima, atirando sem parar. Eu olho para cima, vejo ele descendo atrás de mim. Eu desprendo o meu equipamento da rocha e continuo deslizando. Bato no chão e tropeço. A caravana de Humvees crepita em chamas. Eu vou em direção a elas, Barrett atrás de mim, me xingando. Eu paro encima do corpo de Abraham, me sentindo culpado por saquear seu cadáver por pentes, mas faço isso de qualquer maneira. Eu pego sua arma e prendo em meu equipamento. Barrett está ajoelhado no chão atrás de mim, e eu lhe entrego um pente. Ouço gritos e passos no chão. Meu estômago rola. Segundos se esticam para sempre. Barrett está tão assustado; Eu posso ver isso em seus olhos castanhos estoicos. No caminho, ele aperta e libera o aperto de seu rifle. Sua mandíbula aperta.

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— Vamos fazer isso. — ele ajusta sua postura, se agachando para por seus pés debaixo dele. Observando o pente de seu rifle. — Porra, — ele grita com os dentes cerrados. — Pois é. — Pronto? — Ele está respirando curto e rápido. Ele sabe, como eu, que é isso. — Não. — Eu engato a ponta da minha bota no chão. — Que pena. — Barrett encontra meus olhos e essa é toda a conversa de que precisamos. — Um dois três... No ‗três‘, ele dá o bote para fora, e eu estou em seus calcanhares. Disparando por cima do ombro. Corpos caem. Balas disparando e zumbindo. Chute a sujeira. As balas atingindo as Humvees, quebrando na rocha. Eles caminham em nossa direção. Uma bala atinge Barrett, depois duastrêsquartocinco sobre carne. Ele bate em mim. Eu tropeço para trás, pegando seu cinto e o lanço para o chão. Ele está ofegante, chutando. Eu o deixo ir, me ajoelhando na frente dele e disparando sem parar. Esvaziando meu pente, adiciono outra. Porra, eles estão por toda parte. Deslizamento abaixo da rocha, correndo em minha direção, gritando, disparando. Observo principalmente, mas as balas vindo para mim. Calor pica minha bochecha. Eu nem sequer ouvi esse, ele estava tão perto. Algo quente explode no meu ombro esquerdo. Eu estou rebatido para trás, mais uma rodada atingindo o mesmo ombro, mais para baixo. Meu rifle voa e eu estou de costas ao lado Barrett, sangrando. Eu procuro minha arma com a mão direita. Levanto e atiro cegamente. Sujeira sobe em um lufar preto pelo barulho de sapatos descontroladamente inadequados para este terreno. O sapato para, o

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branco da calça esvoaçando pela brisa quente. O sol está no pico, diretamente acima. É meio-dia, hora de morrer. Uma gota de suor escorre no meu olho, e através de toda a dor, todo o medo, esse gota de suor ardendo no meu olho é tudo que eu posso sentir. O corpo acima do pé se ajoelha sobre mim. Pele negra, dentes brancos perolados, grossa barba negra. Jovem, vinte e poucos anos talvez. Preto turbante apertado em volta da cabeça, a extremidade traseira por cima do ombro. Ele sorri. Fala, mas eu não entendo. Eu não posso ouvir por algum motivo. Acabei de ver sua boca se movimentando. Ele tem uma AK na mão, o cabo plantado no solo, o dedo ao redor do gatilho. Ele se inclina e se estende, agarrando a minha pistola. Cutuca meu ombro ferido com ele, duro. — Você. Prisioneiro. — Ele escava o cano da minha pistola no meu ombro novamente, tão duramente que eu grito. — Foda-americano. Eu sou um maldito prisioneiro de guerra. Porra. Perto dali, eu ouço Barrett gemer. Ele ainda está vivo. Mas por quanto tempo?

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CAPÍTULO DOIS REAGAN Outside Houston, Texas, 2007. Por que estou descascando batatas? Eu odeio descascar batatas. É só eu, então não há nenhuma razão para cozinhar qualquer coisa complicada. Mas eu tive pizza e refeições de microondas mil vezes ao longo dos últimos meses, e eu preciso de algo diferente. Assim, fiz batata gratinada e frango com páprica. Além disso, o tédio de descascar batatas é algo para fazer além de roer a sensação de desgraça iminente que está me atormentando. Ou, pelo menos, essa era a ideia. A realidade é que descascar batatas deixa meu cérebro sem nada para fazer além de girar. Algo aconteceu. Algo aconteceu. Algo aconteceu. É tudo que eu posso pensar. Eu não vou me permitir conjecturar... ou imaginar. Mas eu não posso ignorar essa tensão, esse estresse constante e formigamento na parte de trás do meu pescoço, a tensão dos meus músculos do ombro. Algo aconteceu com Tom. Eu sei isso. O relógio de pêndulo antigo no foyer continua seu tic... tac... tic... tac. A torneira está correndo água. Algo range em algum lugar da antiga casa de fazenda. O ar condicionado está no máximo, é quente como chamas no Texas em noites de verão. Eu odeio essa casa velha. Eu olho para fora da janela sobre a pia, e meu intestino aperta. A nuvem de poeira anuncia alguém subindo a longa estrada de terra que

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leva à fazenda. Eu deixo cair o descascador na pia. Solto a batata. Desliguo a torneira. Respire, Reagan. Respire.

O visitante está ainda a meia milha, mas eu não posso me mover, não posso fazer nada além de esperar. Depois de uma eternidade, eu finalmente vejo um carro preto. Um sedan preto. Governo. Não. Não. Eu limpo as minhas mãos em uma toalha, fazer o meu caminho em joelhos trêmulos para a porta da frente. Enfio abrir a tela. Creeeeeeaaaaak... Slam. Há um antigo ventilador de teto montado na varanda da frente e ele gira sem entusiasmo, agitando o ar espesso, quente. Eu vou diretamente para lá, à espera. Mãos tremendo, apertando. O carro rola a uma parada, e o motor é desligado. Eu me esqueço de respirar novamente. A porta do carro se abre; uma perna da calça desce para a terra, um sapato preto brilhante. Um corpo alto, magro segue em linha reta. Cabelo preto, quarenta e poucos anos. Olhos duros. A insígnia no ombro faz dele um oficial, mas eu não me lembro o que essa insígnia significa. A porta do motorista é aberta, e outro oficial sai. Este é mais velho, de cabelo grisalho. Eles se aproximam lentamente, chapéus debaixo do braço. O oficial mais velho para com um pé no degrau mais baixo da varanda. — Reagan Barrett? Concordo com a cabeça. — Sim. Eu sou Reagan. — Eu sou o sargento major Bradford, — ele fez um gesto para o homem mais jovem, — e este é o sargento Oliver. Podemos entrar?

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Eu me inclino contra o pilar, meus joelhos cedendo. — O que aconteceu com ele? O que aconteceu com Tom? Os olhos do sargento major Bradford suavizam ligeiramente quando ele sobe os degraus. Ele bate na aba do chapéu com o dedo indicador. — Eu acho que talvez devêssemos falar lá dentro, Sra. Barrett. Eu puxo uma respiração e deixo sair. Eu me desencosto do pilar e giro para a porta, mas minhas pernas balançam e eu tropeço. Uma mão dura, mas suave, apoia meu cotovelo, me estabilizando. Ele não diz nada, não pergunta se eu estou bem - ele só fica lá; tanto faz, eu não estou bem. Eu me ponho a palma da mão na minha barriga como se para me segurar na posição vertical. Eu os levo para dentro da sala de estar formal. — Gostaria de um pouco de chá gelado? — Pergunto. — Claro, isso seria bom, — diz o sargento Bradford. — Está quente lá fora. Eu derramo três copos e os coloco em uma bandeja de prata. Parece que eu estou realizando algum tipo de tradição. Gelo, porta-copos, são colocados apenas assim. Chapéus são postos de lado. Eu aliso meu vestido sobre as minhas coxas. Espero. — Como eu disse antes, meu nome é sargento Adam Bradford, e este é o sargento Travis Oliver. Somos do Camp Lejeune. — Ele limpa a garganta. — Você é a mulher de Lance Corporal Thomas Barrett? Concordo com a cabeça. — Sim. Ele verifica o número de Segurança Social de Tom, e, em seguida, faz uma pausa para soltar um pequeno suspiro. — Eu vou ser direto, Senhorita Barrett. Seu marido foi oficialmente declarado DUSTWUN, ou paradeiro desconhecido. O que é um termo militar para~ 24 ~


— Desaparecido em combate, — eu interrompi. Bradford assentiu. — Seu marido estava com sua unidade, viajando como parte de um comboio designado para investigar relatos de atividade do Talibã na região leste do Afeganistão. O comboio foi emboscado nas montanhas. — Ele faz uma pausa, pisca, olha para baixo. Isso é difícil, até mesmo para ele. — Quando o comboio não se apresentou ou respondeu às seus rádios, uma pequena força de busca foi enviada atrás deles. Os restos do comboio foram localizados. Havia dezesseis homens naquele comboio, Senhorita Barrett. Quatorze corpos foram localizados. Eu começo a soluçar incontrolavelmente. — Pare... por favor, pare. — Sinto muito, senhora. Eu odeio entregar esta notícia. Isso é uma das piores perdas de militares norte-americanos em um tempo muito longo. Eu tinha amigos nesse comboio. Amigos próximos. — Ele faz uma pausa de novo, como se para ganhar força. — Ainda há uma chance de seu marido e o Corporal West ser encontrados. Pesquisas estão em vigor enquanto falamos, e, dado ao número de vidas perdidas, eu sei que as unidades enviadas para encontrar os cabos West e Barrett estão fazendo isso com extrema ofensa. — Cabo West? — Eu pergunto, minha voz fraca. — Você quer dizer Derek? Bradford assente. — Sim. Derek. Eu tento sorrir. — Aqueles dois estavam sempre causando problemas juntos. Ele me dá o mesmo esforço em troca. Nenhum de nós está bem com isso.

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— Sim, eles são causadores de problemas, isso é certo. Eles... parecem, a partir dos relatórios sobre a batalha que eu vi, que Derek e Tom... se absolveram bem. Eu suspiro. — Se você conhece Tom e Derek, então você sabe que não é uma surpresa. Bradford balança a cabeça. — Essa é uma maldita verdade. — Ele abaixa a cabeça, respira fundo, e então encontra meus olhos mais uma vez, o aço em seu olhar. — Nós vamos encontrá-los, senhora. De uma forma ou de outra, nós vamos encontrá-los e trazê-los para casa. — Vivo ou morto... você quer dizer. — Minha voz falha. Ele não precisa concordar. — E nós vamos acabar com os bastardos que fizeram isso. Você tem a minha garantia pessoal, Sra Barrett. — Eu sei, Sargento Bradford. Eu sei. Mas a vingança não vai manter o meu marido vivo, e isso não vai trazer ele para casa. O homem mais jovem fala. Oliver, eu acho que o nome dele é. — Eu sei que eu não tenho que dizer isso a você, minha senhora, mas se a mídia entrar em contato com você, é vital para os esforços de investigação que você não comente. Bradford dá ao oficial mais jovem um breve mas contundente piscar, em seguida, retorna a sua atenção para mim. — Entraremos em contato, Senhorita Barrett. Quando descobrimos alguma coisa, vamos te ligar, não importa qual seja a hora. — Obrigada, Sargento Bradford. — Eu ofereço um pequeno e leve sorriso para o outro homem. — E você também, sargento Oliver. Eu sei que essa não é uma visita fácil de fazer. Bradford balança a cabeça. — É sempre difícil fazer essas visitas, mas eu conheço Tom e Derek pessoalmente e eu - eu cresci com o tenente

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dele, Jonathan Lewis. Aderimos à Corps juntos depois de 9-118, e nós lutamos na Tempestade no Deserto juntos. Ele era, ele é como um irmão para mim. — Ele pisca várias vezes, aperta os olhos fechados e em seguida, abre novamente. Eles brilham de emoção. — A esposa dele vive em Dallas. Eu estou indo para lá em seguida. Essa visita vai ser difícil. — Eu sinto muito pela sua perda, sargento. — Obrigado. — Ele se levanta, ajeita a borda inferior de seu casaco do uniforme, e coloca seu chapéu cuidadosamente em sua cabeça. Quando ele faz isso, eu posso ver a emoção drenando de seus olhos. No momento em que eu me levanto, ele está recomposto e com os olhos duros mais uma vez. — Nós vamos encontrá-los, Reagan. Eu prometo. — Ele me entrega um cartão com seu nome e um número de telefone. — Entraremos em contato, e não hesite em ligar se você precisar de alguma coisa. Eu só posso assentir e segurar a parte de trás do sofá enquanto os dois homens fazem o seu caminho para fora. Bradford faz uma pausa com um pé no segundo degrau e olha de volta para mim. — Eu não sei se você é do tipo que ora ou não, senhorita Barrett, mas... ore por aqueles meninos. — Eu irei. — Eu vou, também. — Ele toca a aba do chapéu em um antigo gesto. — Até mais, Sra Barrett. Eu assinto, minha garganta se fechando. Eu me inclino contra o encosto do sofá e os vejo entrar no carro. Quando tudo que eu posso ver é a poeira, eu me deixo afundar no chão. Eu soluço. Engasgo, suspiro.

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09 de setembro de 2011. ~ 27 ~


Eu coloco as palmas das mãos na minha barriga, que está apenas começando a crescer. E eu grito. Por mim. Pelo meu bebê. Pelo meu marido.

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CAPÍTULO TRÊS DEREK Afeganistão, 2007. É difícil de engolir. Eles nos deram um pouco de água ontem, e um único pedaço de pão amanhecido no dia anterior. Arroz antes disso. Alguma papa. Sem atendimento médico para qualquer um de nós. Estou bem. Quero dizer, meus ombros estão fodidos, é claro, mas eu fui capaz de fazer um pouco de lama no chão com a minha urina e sujeira e pus um bolo sobre a ferida. Isso parou o sangramento, na maior parte. Eu fiz o melhor que pude para Tom. A ferida é muito grande para fazer muita coisa, no entanto. O colete ajudou no primeiro impacto e ele teria estado bem, mas o impacto o jogou para trás, expos sua barriga, e ele levou três rodadas em seu intestino. Ninguém nunca te diz quanto tempo pode demorar para morrer de feridas no estômago. Não apenas dias, mas semanas. Meu menino Tom está segurando, no entanto. Filho da puta teimoso. Dou a ele a maioria dos alimentos que eles nos dão. Eu quero que ele faça isso. Ele tem uma esposa em casa. Eu não tenho ninguém, exceto minha mãe, meu pai e minha irmã mais nova, Hannah, em Iowa. Eles vão sentir minha falta. Mas isso não é o mesmo que deixar a esposa em casa. Deixar uma viúva. Tom apaga e volta. Honestamente, os tempos em que ele está fora são bênçãos. Ele fica quieto então. Quando ele está acordado, ele está gemendo, tentando não gritar quando o ácido do estômago queima a ferida aberta. Ele continua segurando essa carta. Fechada, não lida. Salvando ela, eu acho. Eu estou preocupado se ele esperar muito tempo para ler...

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A porta da cabana se abre, a luz do sol do lado de fora fazendo uma silhueta da forma na porta. Eu tenciono, espero, assisto. Ele não fala, apenas se inclina, me agarra pela frente da camisa, e me empurra para a frente, até eu me levantar. Eu me esforço para manter o equilíbrio, não me preocupando em protestar. Ele me puxa para fora da porta, enfia o cano de sua AK contra a minha espinha, late um comando que eu entendo como ―ande‖ ou ―vá‖. Eu avanço, piscando contra a luz. Eu tento olhar ao meu redor. A cabana está no baixo, montanhas estão à distância, rochas, alguns edifícios maiores, janelas sem vidros e portas abertas. Outros velhos edifícios caídos. Alguns que foram claramente destruídos por foguetes ou ataques aéreos. Eu não vejo quaisquer pessoas nas ruas, de modo que este é uma base Taliban de algum tipo, ou uma cidade bloqueada, os moradores com medo de sair de suas casas. Às vezes, os dois são a mesma coisa. Estou marchando a cerca de três centenas de metros da cabana onde Barrett e eu estamos, e sou empurrado por uma porta, tropeçando em escombros e pedaços de madeira quebrada. O teto é tão baixo que eu quase bato no teto. É escuro, uma luz única vem de uma garrafa de plástico transparente pendurada em um buraco no telhado agindo como uma lâmpada improvisada. Há um sofá surrado em uma parede, onde estão sentados quatro homens com rifles entre seus joelhos. Três turbantes desgastados; um está com a cabeça descoberta. Há uma cadeira no centro da sala, de frente para uma câmara de vídeo montada num tripé. Eu não posso reter o nervoso nos meus pés quando eu percebo o que está prestes a acontecer. A coronha da espingarda bate no meu ombro ferido, enviando um lance de agonia através de mim, corroendo a minha capacidade de resistir. Até agora, apenas tenho estado trancado naquela cabana e passando fome. Algo me diz que a diversão está prestes a começar. Uma mão agarra meu braço, me gira, e me empurra para a cadeira. E um espaço de dez segundos a coronha de uma espingarda bate

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contra minha bochecha, quebrando, dividindo a pele. Um punho contra o meu ombro ferido novamente. Um soco no estômago. Um longo e minucioso trabalho destruído, me deixando sangrando e sem fôlego com a dor. Então, absurdamente, eles me limpam. Limpam o sangue do meu rosto, me dão um gole de água salobra e um pedaço de pão. O homem com a cabeça descoberta segura seu rifle e se move por trás da câmera, virando em mim. — Nome, — ele rosna. — Corporal Derek Allen West. Corpo de Fuzileiros dos Estados Unidos da América. — Eu recito o meu número de série e me calo. Eu fico tenso, esperando um interrogatório completo ou mais golpes, mas ao invés disso eu sou apenas levado de volta para a cabana, acompanhado por dois dos homens. Eles me enfiam para dentro e agarram Barrett pelos braços, arrastando-o a seus pés. Eu vou atrás deles, xingando-os. Ele não pode lidar com muito mais. Se espancaram ele, ele não vai sobreviver. Eu sou parado por uma coronhada na testa, me fazendo cair. Eu vejo estrelas, a cabeça latejando, mas luto para me levantar, piscando o sangue para fora, alcançando Tom. Algo frio e redondo toca minha testa, e uma mão aperta meu ombro, me empurrando para trás. — Cale a boca, — uma voz rosna em forte sotaque Inglês, — ou matamos. Você não. Matar ele. Enxugo os olhos com as costas da minha mão, e vejo que eles têm Barrett de joelhos no chão do lado de fora da cabana, uma AK apontada para a parte de trás da cabeça dele. Barrett é apenas capaz de ficar de pé por conta própria, mas ele pisca e olha para mim. Gotas de suor na testa dele escorre pelo seu rosto pálido. — Se... acalme, — diz ele, ofegante.

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Eu afundo aos meus quadris, em seguida, me sento. Eles o levam embora. Espero onde eu me sento, minha cabeça sangrando, todo dolorido. O tempo é difícil de medir, mas parece que se passou 20 minutos antes deles arrastarem Tom de volta para mim. Ele está inconsciente, com o rosto destroçado. Seu estômago vaza sangue vermelho brilhante. Eles atiram ele para mim, um corpo pesado cheio de sangue bate contra mim. Eu levo o seu peso, rolando ele de costas. Sua camisa está escura e úmida, coberta de sujeira de dias e sangue seco aderindo a ele. Ele geme, tosse. Pisca os olhos abertos, encontrando os meus. — Carta? Eu levo a minha mão até os bolsos da calça dele, encontrando o envelope amassado e dobrado. — Aqui está. Você vai abrir ou o quê? Ele grunhe, geme, e solta um gemido longo. Respira tão profundamente quanto ele pode, em seguida, lambe os lábios. — Leia. — Claro que sim, amigo. — Eu sento de pernas cruzadas ao lado dele e desdobro o envelope. Deixo manchas de impressões digitais sangrentas no envelope branco sujo, deslizando o dedo sob a aba. Eu limpo as minhas mãos em minhas calças em uma tentativa fútil de obtê-los mais limpo do que eles são. Minhas mãos tremem. Eu retiro dois pedaços de papel dobrado três vezes. Papel de bloco amarelo com linhas azuis. Arrumado, escrita feminina. — Thomas, meu amor, — eu li. Limpo minha garganta e olho para ele. — É melhor você apreciar essa merda, cara. — Cale-se e leia. — A sugestão de um sorriso aparece em seus lábios. — Já estive... guardando esta carta desde que voltamos... de

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licença. Ela m deu um pouco antes - gah, isso dói, cara - pouco antes de eu entrar no avião. Estive esperando. — Por quê? — pergunto. — Porque eu sempre soube. Eu sabia que eu não iria voltar para casa desta vez. Sempre tive um pressentimento. — Isso é estúpido. — Eu me recuso a olhar para ele. — Você vai voltar para casa. Nós dois vamos. Os meninos estão vindo para nós. Você sabe que eles estão. Todos esses filhos da puta estão mortos - eles apenas não sabem ainda. Você só tem que segurar. — Não seja um idiota, D. Você sabe. Basta ler a minha – a minha carta maldita — Ele fecha os olhos, respira lentamente. Soltando para fora. — Apenas leia. Por Favor. — Thomas, meu amor, — Eu li novamente. — Você está deitado ao meu lado, dormindo. Há tanta coisa que eu gostaria de poder dizer a você, mas eu sei que o tempo é curto. Você vai embora amanhã. Mais uma vez... Eu li a carta para ele lentamente, olhando para frente. Ele mantém os olhos fechados, ouvindo. Imerso em cada palavra. Porra. O amor sangrando através das palavras da carta queima dentro de mim. O amor faz meu estômago torcer, faz meus olhos arderem. É tão doce e romântico que é doente. E aqui está o cara morrendo. Deveria ser eu. Ele deveria ir para casa para a menina. Não morrer aqui no chão de uma porra de cabana no maldito Afeganistão. E para quê? O que estamos realizando aqui? Eu nem sei. Eu me inscrevi para lutar. Para realizar algo. Para servir o meu país. Me inscrevi porque eu não sabia mais o que fazer com a minha vida. Eu me inscrevi porque um recrutador veio a minha escola secundária em seu uniforme de gala e parecia tão legal que me fez querer ser como ele. Parecia uma vida melhor do que a de construir casas com o meu pai em Iowa. No entanto, aqui estou eu, um prisioneiro de guerra no Afeganistão, com um amigo moribundo deitado

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no chão ao meu lado. E eu não consigo me lembrar por que estou aqui. Pelo que eu deveria estar lutando. E Tom? Ele tem algo para viver, uma mulher que o ama como o inferno, esperando que ele volte para casa. Só que ele não vai. — Leia... de novo. — Toque de novo, Sam. — Eu faço uma má imitação de James Cagney ou quem quer que fosse naquele filme. Tom ri, o que faz com que ele tossir e estremecer. — Idiota. Não é... não é assim. É assim... Toque isso, Sam. Toque enquanto o tempo

passa. — Ele pisca os olhos, lambe os lábios. — Reagan odeia esse filme. A avó dela... fazia ela ver com ela todo fim de semana, quando ela era uma garotinha. De novo e de novo. Ela me fez - ela me fez ver isso uma vez. Quanto eu estava de licença, entre o Iraque e aqui. Ela viu três vezes seguidas comigo. — Eu nem sei qual filme que é, sinceramente, — Eu admito. — Casablanca. — Ele vira a cabeça para olhar para mim com um olho aberto. — Agora leia a porra da carta. Então, eu leio novamente. E de novo. Eventualmente, ele desmaia. Ele acorda quando o brilho da luz passa através das frestas da porta, indicando noite. — Leia a carta, Derek. Deus, Tom. Você sabe por que eu me lembro de cada momento? Porque na maioria de nossos oito anos juntos, você esteve em missões. Três turnos no Iraque e você está prestes a ir para sua terceira turnê no Afeganistão. Eu

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sinto falta de você, Tom. Todos os dias, eu sinto sua falta. Mesmo quando você está em casa Eu sinto falta de você, porque eu sei que você sempre vai ir embora de novo. Eu li a carta para ele novamente. Cada vez que o leio, eu me sinto culpado. Porque eu não estou lendo ele a coisa toda. Eu não posso me fazer a ler a notícia no final. Eu saltei a primeira vez que eu li para ele, e pulei essa parte do: Eu não acho que eu poderia lidar com isso, se isso acontecesse com você. Por favor, venha para casa para mim, Tom. E omiti a parte do bebê. Eu só não posso dizer a ele. Agora não. Ele está cada vez mais e mais inconsciente. Ele me faz ler a carta mais e mais, até que isso é tudo que eu faço durante suas horas acordado. Lendo a carta. Lendo a carta. Eventualmente, depois que quatro dias se passaram, eu posso recitar palavra por palavra sem olhar para o papel. Eu fico olhando para as palavras na página - que agora é marrom e manchado com sujeira e sangue e, sim, lágrimas - e finjo que estou lendo. Ele sabe de cor, também. Ele gesticula as palavras comigo. Dizemos as palavras finais juntos: — Eu te amo tanto, tanto, Tom. Mais do que eu nunca vou ser capaz de dizer. Você vai ficar bem. Você vai voltar para mim. E, em seguida, Tom faz uma pausa toda cada vez, e sussurra: — Eu também te amo, Ree.

***

Uma semana depois, ele está quase no fim. Ele vai acorda por uma ou duas horas aqui e ali. Perde o fôlego. Geme. Agora tudo o que ele ~ 35 ~


pode fazer é murmurar ‗carta...‘. É tudo o que ele tem força para dizer. Eu li, pulando a notícia. Eu menti para ele. Eu não digo que ele é pai. Eu sou um covarde. Ele merece saber, mas eu só... não posso dizer a ele. Eu caio no sono, me xingando por ser um covarde, por ser um fraco. Mas eu nunca conto a ele. Porque isso vai ser muito difícil. Ele vai lutar. Ele vai tentar segurar, mas... no fundo, eu sei que ele não vai fazer isso. Ele vai morrer a qualquer momento. Eles nos deixam em paz. Nos alimentam de vez em quando, apenas o suficiente para não nos deixar morrer de fome. Tom foi recusando comida recentemente. Me dizendo para comer, que ele não precisa mais. Então, eu como, porque.... Porque eu ainda quero viver. Eu ainda tenho esperança de que os caras vão vir para nós. Que eles vão aparecer nos Hueys e SuperCobras com armas em punho e nos levar para casa. Salvar Tom. E então ele vai chutar a minha bunda por ter mentido para ele sobre seu bebê. Mas, quando a segunda semana desaparece na terceira, a ferida fica séptica e fedorenta, a minha também, inflamada e desagradável, eu só sei que chegará o dia em que ele não vai acordar e pedir a carta. Merdamerda. Eu não quero que ele morra. Eu morreria no lugar dele, se eu pudesse. Tomar o seu lugar à beira da morte. Em vez disso, eu leio a carta, e ignoro as últimas palavras.

***

— Der... Derek. — Um sussurro na escuridão. ~ 36 ~


Eu pisco acordado. — Sim, amigo. Eu sinto seus dedos cavando na sujeira. — Indo... agora. Tomo a mão dele. — Não, cara. Nós estamos indo para casa. — Mentiroso. Eu engasgo. — Eu estou aqui, Tommy. — Reagan... você tem que chegar em casa. Diga a ela... diga a ela que eu a amo. — Jesus, Tom. Vamos lá, cara. Você vai dizer a ela. — Não. — Ele aperta minha mão. — Eu não vou. Você sabe. Eu sei disso. Leve a carta para ela. É tudo - tudo o que tenho para lhe dar. Diga a ela que - me permitiu seguir adiante. — Eu vou dizer a ela. Ele tosse, fracamente. — Diga a ela... que ela é meu tudo. Essas palavras. — Eu vou dizer a ela. — Jura. Eu aperto a mão dele tão duro quanto eu posso, enquanto enxugo as lágrimas que se recusam a lançar. — Eu juro. Em minha alma, eu juro. — Ela tem que saber que eu fui pensando... nela. Que eu queria... queria - eu queria ir para casa para ela. Eu lutei por ela. Ela tem que saber. — Ela vai saber. Eu vou ter certeza. — Algo molhado e quente escorre pelo meu rosto. Não uma lágrima, porque eu sou um fuzileiro naval do fodido EUA, e eu não choro. Eu não choro desde a segunda série. ~ 37 ~


— Te amo irmão. — Vá se foder. — Sim. Uma longa pausa, entre respirações. Um gemido de dor. — Amo você também, Tom. — Eu digo, antes que ele vá. Ele aperta minha mão, uma contração de seus dedos e apenas isso. A respiração. Silêncio. Lágrimas escorregam da ponta do meu nariz. Ele está segurando a carta em dedos agora flácidos. Eu dobro as folhas de papel amarelo, coloco-as cuidadosamente no envelope. Eu rasgo uma faixa ampla da minha camisa. Enrolo o envelope no comprimento de algodão, ponho no bolso e abotoo. Eu toco meus dedos debaixo do nariz de Tom. Sentindo seu pulso. Ele se foi. — Você é pai, Tom. — As palavras saem, espontaneamente. Eu seguro sua mão até que eles voltam para nos alimentar, vendo que ele está morto, e arrastam seu corpo para longe. Eu brigo com eles, porque o corpo dele tem que ir para casa. Ela tem que ter algo para enterrar. Eles levaram nossas placas de identificação por algum motivo. Eles voltam mais tarde. Gritam para mim. Me batem. Me levam para o quarto com a câmera, mas eles têm que segurar uma arma para a minha cabeça para me manter. Mas, então, eu digo o que me dizem para eu dizer, porque eu ainda quero viver. Tenho que viver agora, porque eu fiz uma promessa.

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Eu escondo a carta na terra no canto da cabana, no caso de eles tentar levá-la. Eventualmente eles tiram meu uniforme e me dão uma mangueirada. Raspam minha cabeça, a minha barba. Me colocam em um pijama, ou qualquer merda que é que eles usam. Ainda bem que eu escondi a carta, porque eu não a teria agora. Eu sussurro as palavras da carta para mim mesmo, em voz alta, mais e mais. Você me levou para Olive Garden, e ficou bêbado com vinho tinto. Fizemos amor naquela noite no meu quarto de hotel. Eu perco a noção dos dias. As semanas. Os meses. Repito as palavras da carta uma e outra vez, todos os dias. É um lembrete de que não há outro lugar que não aqui, algo lá fora que não seja Taliban, terra e os picos das montanhas distantes. É um lembrete de minha promessa.

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CAPÍTULO QUATRO REGAN Houston, Texas, 2009. Estou suando baldes. Está pelo menos uns quarenta graus e eu estou perseguindo Henry pelo pasto norte. Ele chutou o muro e saiu, e agora estou correndo através da grama na altura do joelho espinhosa com uma cenoura na minha mão, perseguindo um Percheron 9 negro maciço através do calor da tarde de agosto. Eu preciso cortar esse pasto para que eu possa mover o rebanho. A pastagem oriental está na necessidade desesperada de volume de negócios. Mas entre o bebê, os trinta hectares de feno que precisam de enfardamento, a dúzia de cabeça de cavalos que precisam de alimentação, a casa que está caindo aos pedaços, e o fato de que eu sou apenas uma mulher tentando fazer tudo isso... Eu só não tenho tido tempo. Hank, meu vizinho mais próximo, tem oitenta anos de idade e tem a sua própria fazenda para trabalhar, mas ele ainda arranja tempo para me ajudar. E agradeço a Deus por Hank, porque eu estaria perdida sem ele. Sua esposa, Ida, cuida de Tommy enquanto eu trabalho. Tommy. Deus, aquele menino. Não tem nem dois anos e tantos problemas. Tão bonitinho. Tão encantador. Tantos problemas. Anda, fala e foge quando dou as costas, subindo para a mesa da sala de jantar, subindo ao longo a barra de proteção no berço e ficando lá em cima. Ele se parece com o pai. Cabelos loiros, olhos castanhos, sorriso diabólico. Problemas.

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É uma raça de cavalo. ~ 40 ~


Faço uma pausa. Eu não deveria estar pensando sobre Tom. Os meus olhos marejam com lágrimas Eu me recuso a deixar cair. Quase exatamente dois anos, no entanto, nada. Sargento Bradford me liga de vez em quando para me dizer que eles não desistiram, mas é difícil para

mim acreditar que eles ainda estão procurando por ele depois de dois anos. Eu sacudo os pensamentos da minha cabeça. — Henry! Vamos lá, garoto. Está muito quente aqui fora para isso. Venha e pegue a porra de cenoura. — Eu gesticulo com o vegetal para o cavalo, que está a dois metros de distância, sacudindo a juba e pisando um pé para manter as moscas longe. — Calma, menino... calma. É isso aí... só me deixe fazer isso. — Tenho a cenoura erguida, o cabresto e uma corda no meu outro lado, avançando em direção a ele. Eu tinha acabado de deixá-lo aqui, mas a cerca é mais baixa aqui nesta linha de vedação, o suficiente para que ele pudesse sair completamente se ele encontrasse as lacunas. Muita cerca. Muito espaço. É demais para mim. Mas é terra que tem sido na família de Tom por mais de cem anos, e, além de Tommy, é tudo que me resta dele. Eu não posso vender. E eu não sei onde eu iria se eu fizesse isso ou o que eu faria. Então, eu faço o meu melhor para segurar a terra, cuidar dos cavalos, plantar o feno e algodão, colher, armazenar, vender. Mas é muito, e eu não posso fazer tudo, e tenho certeza que não posso me dar ao luxo de contratar alguém para ajudar. O celeiro está caindo aos pedaços. A cerca está caindo. A casa está caindo também. Tudo está caindo aos pedaços. Eu estou caindo aos pedaços.

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Henry relincha e dança para trás assim que eu chego a curta distância, balançando a cabeça e se virando. Estendo a mão para ele, mas ele trota embora novamente. Nós repetimos isso por mais vinte minutos, até que eu finalmente desisto. Eu amaldiçoo, um som choroso de desespero, e jogo a cenoura para o chão, deixe cair o cabresto, e caio de joelhos. Eu respiro tentando me recompor e depois me levanto devagar. — Tudo bem, seu imbecil. Fique aqui fora, então. Eu seco o suor da minha testa e coço a perna arranhada por causa da grama e então eu viro as costas e começo a andar. E, claro, eu ouço Henry atrás de mim, seus enormes cascos pisoteando. Ele cutuca meu ombro e relincha novamente. Eu paro, e ele coloca o queixo no meu ombro. Isso é o Henry para você - imbecil em um minuto, querendo carinho no próximo. Me viro e coloco o meu rosto contra o seu pescoço grosso e quente, envolvendo o meu braço em torno de seu ombro. Ele fica lá, me deixando segurá-lo. Me deixo chorar por um minuto, segurando um cavalo problemático que passei a última hora perseguindo. Depois de alguns minutos, eu empurro tudo de volta para baixo e enxugo os olhos. Henry finalmente me deixa por o cabresto e uma vez que estamos a uma boa meia milha de distância a partir do portão, eu passo a rédea para um dos lados da cabeçada, amarro a ponta da corda para o lado oposto, criando um conjunto de rédeas improvisadas. Henry é um cavalo incrível. Gosta de ser montado e andar, treinado, até teve adestramento para caça, mas ele tem uma raia de encrenqueiro nele quando ele está sem cavaleiro. Coloque um cavaleiro em suas costas, no entanto, e ele é muito sério, firme, suave e confiável. Eu agarro sua juba com ambas as mãos e salto o mais alto que eu posso, deitando de barriga nas suas costas até que eu consigo por a minha perna por cima dele. Ajusto meu

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assento, cutuco ele com o meu calcanhar para virá-lo na direção certa. Um clique da minha língua e Henry sai em um trote suave. Vamos até o portão que leva do pasto para o norte até a parte central entre casa, celeiro, e os piquetes. Hank e Ida estão esperando. Hank abre o portão para mim e fecha quando eu passo com Henry por ela. — Esse menino está causando problemas para você? — Hank pergunta. Hank é alto e reto, apesar de sua idade, seu cabelo branco ainda espesso e seus brilhantes olhos azuis claros e inteligentes. Seu rosto é angular e liso. Eu balanço e deslizo para o chão. — Pois é. Ele desceu, pulou a cerca e saiu. Passei uma hora correndo atrás do seu traseiro estúpido. Hank dá um tapinha no pescoço de Henry e assume a liderança de mim. — Você tem que se comportar melhor, seu grande idiota. Às vezes eu odeio termos um nome parecido. Henry balança a cabeça e pisa um casco, como se respondendo. Hank apenas ri e puxa o cavalo em uma caminhada. — Vamos, então, garoto. — Para mim, ele diz: — Eu vou colocar ele no celeiro, por enquanto, até que possamos concertar a cerca. Acho que qualquer dos outros vão tentar sair? — Nah, — eu digo. — O resto são preguiçosos demais para se preocupar em saltar. Ele não estragou a coisa toda, apenas o suficiente para que ele pudesse passar. Vou acetar amanhã. — Eu tenho feno chegando amanhã. Os meus netos que vão entregar essa semana. Um deles vai corrigir para você. Eu quero chorar, pensando em quanto trabalho eu tenho que fazer, mas eu não posso. Eu apenas assinto. — Obrigada, Hank. Ele acena. — Sim, — ele diz. ~ 43 ~


Ida tem Tommy em seus braços, e ele está berrando como louco, mexendo e tentando chegar até mim. — Ele não se acalma, Reagan. Eu nem sei mais o que fazer. Eu dei comida, troquei ele, brinquei com ele... Eu acho que ele só quer você. Eu pego o meu filho de Ida, e ele imediatamente se acalma, colocando sua cabeça em meu ombro. — Ma. Ma. Ma, — diz ele. — Cavalo. — Ele aponta para o Henry, longe agora. Eu bato levemente em Tommy em sua parte inferior, balançando de lado para o outro por força do hábito. — Sim. Isso é um cavalinho. Esse é o Henry. Eu posso sentir Tommy ficando mole e pesado. É apenas oito e meia da noite, e ele teve uma longa soneca, mas ele provavelmente chorou até o cansaço. Sorrindo para Ida, eu vou para a casa. — Obrigada, Ida. Vou levar ele para dentro. Desculpe ele te causar problemas. Ida, pequena e magra e, aparentemente, muito delicada para a dureza da vida na fazenda do Texas, apenas sorri. — Ele nunca é um problema, querida. Às vezes, ele só sente falta da sua mãe, isso é tudo. Culpa corre através de mim. — Bem, eu estou lá fora o dia todo. Ele nunca me vê. Ida balança a cabeça e me dá um tapinha no braço. — Você está fazendo o melhor que pode, querida. — Mas às vezes o meu melhor apenas não é suficiente. — Eu não quis dizer isso, mas é assim, de qualquer maneira. — Dê a ele tudo que você tem, e deus Deus dá o resto, — diz Ida. — Eu dei a Deus tudo o que eu tinha, e Ele o levou de mim. — Estou plenamente consciente do quão amarga eu soo, mas não posso segurar isso. ~ 44 ~


Ida se inclina e me abraça. — Eu sei, querida. Eu gostaria de ter uma resposta para você. Eu realmente gostaria. Eu abraço ela de volta com o meu braço livre, e depois me viro. — Eu sei. Obrigada novamente. — Vejo você amanhã, então. — Ida vai em direção à estrada de terra, onde Hank está esperando em seu antigo vermelho F-150. Quando entro com Tommy, limpo as lágrimas secas do rosto dele quando o coloco em seu berço, ajustando o ventilador de teto para agitar o ar. O ar condicionado está no máximo, mas não é o suficiente para refrescar essa casa velha e grande. Eu o observo dormir por um momento, meu rapaz pequeno e doce, minha lembrança. Eu ouço uma batida suave na porta da frente, e meu coração trava. Hank e Ida foram para casa, e se eles tivesse voltado, eles não iriam bater, temos sido vizinhos por toda a vida. Eu não consigo pensar em mais ninguém que iria bater na minha porta, não a esta hora. Eu fecho a porta do quarto de Tommy e faço o meu caminho lá para baixo. Faço uma pausa na frente da porta, a mão tremendo, não sendo capaz de girar a maçaneta. Finalmente, eu junto a coragem para abrir. — Sargento Bradford. — Eu recuo, abrindo a porta todo o caminho. — Entre. Ele está vestindo o uniforme que me lembro de Tom se referindo como ‗vestido azul D‘: uma camisa cáqui de manga curta, gravata e cinto, calça azul com a listra vermelha no lado. Bradford sobe os degraus, as costas rígidas, olhos procurando automaticamente o quarto. Ele tira o chapéu, logo que ele está no interior, e de repente parece hesitante.

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— Eu sei que é tarde, — diz ele, com os olhos correndo para longe dos meus, — mas eu queria... eu tinha que vir pessoalmente. Eu não podia simplesmente te ligar. Meu estômago torce em nós, e meu coração para de bater. — Eles o encontraram? — Não me atrevo a ter esperança. Não ouso. Não posso. — Sim. Uma patrulha recebeu relatos de um posto Taliban com dois homens brancos sendo mantidos prisioneiros. Eles vasculharam a área e encontraram - encontram onde Derek e Tom haviam sido mantidos. — Haviam sido? — Eles foram movidos antes de nossas forças chegarem lá. Mas não havia provas que estavam lá. — Sergento Bradford pisca, hesita. — Eles vasculharam a área e eles descobriram - eles encontraram o seu marido. Ele se foi, Reagan. Mas eles estão trazendo seus restos mortais para o enterro. Eu balanço minha cabeça. Não em negação, mas da incapacidade de aceitar o que eu estou ouvindo. — Tom... — É tudo o que posso dizer. — Eu sinto muito. Eu sinto muito. — Bradford toca meu cotovelo. — E Derek? — Eu engulo minhas lágrimas. — Eles encontram ele também? Bradford balança a cabeça. — Infelizmente - ou felizmente, não. — O que você quer dizer? — Eles não encontraram o corpo dele com Tom, por isso, é provável que ele ainda esteja vivo. Eu não sei o que fazer, ou como agir. Minhas emoções estão em tanta sobrecarga que eu não posso nem processar isso. — Oh, — é tudo o que posso dizer.

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— Eu sei que não é um e conforto para você, no entanto, — ele diz, como uma reflexão tardia. Eu tento dar de ombros e consigo levantar um ombro. — Não, é bom Derek ainda estar vivo. Esperemos que ele esteja. Ele e Tom eram próximos. Bradford apenas balança a cabeça. Ele muda seu peso de um pé para o outro, virando o final chapéu sobre o fim em suas mãos. — Eu gostaria de não ter que te trazer esta notícia. Eu temia isso, honestamente. Mas eu senti que eu devia isso a você, te dizer pessoalmente. — Obrigada, Sargento. Muito obrigada. — Eu já vou. Quando restos de Tom estiverem de volta em solo americano, eu vou deixar você saber, e nós vamos tomar as providências para um enterro. Eu posso cuidar disso para você, se você quiser. — Isso seria útil... — Tudo bem então. Qualquer coisa que eu possa fazer por você? Eu dou de ombros, e ele se vira com um aceno de cabeça. — Não. Eu não sei. — Bem, eu estou a apenas um telefonema de distância, se você lembrar de alguma coisa. — Ele me dá um outro cartão de visita. Ele se vira para ir, e eu encontro a minha voz. — Sargento? — Ele gira para trás, as sobrancelhas levantadas em questão. — A esposa do tenente Lewis. Como ela está lidando? Ele não parece saber o que responder. — É uma coisa impossível, Sr. Barrett. Você acabou de sobreviver a isso, um dia de cada vez. Eu gostaria de poder dizer que fica mais fácil, mas não fica. Meu pai morreu no Vietnã, deixando o meu irmão, eu e nossa mãe para trás. Eu era apenas uma criança, mas me lembro da minha mãe... — ele bufa, ~ 47 ~


balança a cabeça. — Foi difícil para ela. Eventualmente... você vai encontrar o caminho para melhorar. Ele sai em seguida, e eu fico com a porta da frente aberta, cheirando a promessa de uma chuva de verão. Eventualmente... você vai encontrar o seu caminho para melhorar. Eu vou?

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CAPÍTULO CINCO DEREK Afeganistão, 2010. Eu sou acordado por tiros, gritos, e ao som de helicópteros. Instantaneamente, a adrenalina corre através de mim, me sobrecarregando. Eu fui um prisioneiro por tanto tempo que eu tinha esquecido que mais alguma existia. Meu universo estava em constante movimento, nunca me hospedando em qualquer um dos campos por mais de algumas semanas, mas eu sempre consegui trazer a carta comigo, escondendo-a em minhas roupas. Eu não sei o que eles querem de mim, mas eles não me mataram, e eles não me deixam ir. Eles me usam, suponho, que em vídeos de propaganda, e me mantem alimentado apenas o suficiente para afastar a fome. Eles me mantem em constante dor, também, com espancamentos regulares. Os ferimentos de bala no meu ombro se curaram há muito tempo, mas ainda dói, às vezes. Tentei fugir algumas vezes. A última vez, me bateram a uma polegada da minha vida. Levei semanas para me curar e eu acho que eu quase não fiz. Vou tentar novamente, mas eu tenho que retomar a minha força de volta primeiro. Meu mantra me sustenta: Eu sei que eu me inscrevi para isso quando me casei com um fuzileiro naval. Eu sabia desde o início que você ia entrar em combate. Eu sabia disso, e me casei com você de qualquer maneira. Como eu não poderia? Eu te amei tanto, desde o início, desde a primeira vez que te vi, todos aqueles anos atrás. A carta. Eu repeti isso uma e outra vez.

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Eu me pergunto como seria ter esse tipo de amor. Eu nunca tive. Nem nunca vou, provavelmente. Eu tive muitas namoradas. Um monte de bunda em meus lençóis. É o uniforme, e o fato de que não sou feio. Ou... Eu não costumava ser. Agora, quem sabe? Eu mesmo não me vi um espelho em sabe Deus quanto tempo. Eu mijo em um buraco, cago em um buraco, como carne moída e mingau ralo de uma tigela de madeira. Raramente vejo a luz do dia. Então eu poderia ser feio agora, meu rosto disforme de todos os chutes e golpes, nariz quebrado uma centena de vezes, maçãs do rosto rachadas, lábios divididos, sobrancelhas tortas, couro cabeludo arrancado. Eles me raspam de vez em quando. Para manter os piolhos fora, eu acho. Mas eles me barbeiam, muito literalmente, com uma lâmina enferrujada, por isso me corta, deixando cicatrizes. Eles usam uma bengala para me bater, às vezes. Apenas um grande porrete, mas dói como uma cadela. A dor me diz que eu ainda estou vivo, e a carta me diz por que eu estou me segurando. Por que não faço um besteira, obrigando eles a me matarem, eu não sei. Eu nunca pensei que eu iria te ver novamente, mas você me encontrou. Você conhecia o meu irmão, que estava comigo no momento. Você perguntou a ele quem eu era alguns dias depois. Ele disse que iria te deixar ter uma chance comigo se eu estivesse disposta, mas se você quebrasse meu coração, ele iria quebrar a sua cara. Você apareceu no meu quarto de hotel vestido à paisana. Tiros são ouvidos. Os fuzis crepitam, AKs disparam. Helicópteros rondando. O whoosh-boom de foguetes. Enfio a carta entre a minha barriga e as calças. Me agacho ao lado da porta. A porta é aberta e eu vejo o flash de chama laranja, ouço gritos em pashto, o que eu aprendi um pouco agora, simplesmente proferindo:

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— Mate o americano! Atire nele! — A figura que está tampada da cabeça aos pés, deixando apenas uma fresta para os olhos, aparece na porta, segurando um fuzil AK. Ele não me vê de primeira, e fica confuso, procurando, AK apontada no nível da cintura. Idiota. Eu bato o fio da navalha da minha mão em sua garganta, agarro o cano do rifle, arrasto isso do joelho para sua virilha, o desespero me fazendo desumanamente forte apesar da minha magreza. Dou uma cabeçada no nariz dele, crunch. Ele fica mole por uma fração de segundo, e eu arranco o rifle dele, batendo o cabo no rosto dele, uma e outra e outra vez, até que o pano branco de suas roupas e os meus estejam ambos salpicados de vermelho. Ele cai contra a parede, cai aos seus pés. Eu passo por cima dele e vou para fora para a escuridão à luz da chama. As cores do amanhecer brilha acima do cume da montanha serrilhada. Crackcrack… crackcrack… crackcrack. Precisisão, coordenação, ataque impiedoso. Oorah, filhos da puta. E então eu percebo que é escuro e eu estou vestindo roupas nativas e carregando uma AK. Eu rasgo a camisa sobre a minha cabeça, atirando ao chão. Minha pele pálida é uma bandeira agora. Arriscado, mas melhor do que ser baleado acidentalmente pelos caras que vêm para me resgatar. Eu vejo um turbante e a ponta de um rifle marrom em uma janela, e eu atiro. Corro para a janela, inclino, vejo mais dois rostos e rifles. Eu acabo com esses também. Nenhum treinamento aqui. Apenas vingança, esvaziando o pente em cadáveres. Eu giro ao som de passos silenciosos na areia. Vejo o ponto de visão noturna, capacetes, fuzis compactos. Sorrio. — Oorah. Demoram pra caralho. Eles não respondem. Eles só me ladeiam, arrebatam o rifle de mim, formam um círculo em torno de mim, e me levam através dos ~ 51 ~


escombros em chamas e corpos até o outro lado da aldeia. Um deles fala no rádio, dizendo que eles me têm. Em poucos segundos, helicópteros rugem e poeira voa quando um deles desce. Ele nem sequer toca o chão. Eles me escoltar para dentro, um de cada lado, rifles apontados para fora e para baixo. Um cobertor é envolvido sobre meus ombros. No ar, a adrenalina me deixa, compreensão me batendo. Eu soluço. Eu estou livre. Eu estou fodidamente livre. — Você está seguro, senhor, — diz uma voz. — Pegamos você. Você está indo para casa. Eu nem mesmo sinto qualquer vergonha quando eu berro como um bebê maldito. Descansando minha cabeça contra a parede vibrando. — Tom. Encontraram Tom? Eles o mataram. Eu não sei onde o puseram, mas eles o levaram depois que ele morreu. Vocês têm que encontrá-lo. Vocês não podem deixar o corpo dele aqui. — Eu estou divagando. — Nós o encontramos, senhor. — A mesma voz, um cara jovem, talvez vinte no máximo, sentado ao meu lado, o olhar penetrante, alerta. Eu bato levemente a carta envolta em tecido, verificando se ela ainda está lá na minha calça. Exaustão me bate, e eu não posso manter meus olhos abertos. Me sinto encostar no garoto ao meu lado, mas eu não posso me manter em pé. Ele não se afasta. Ele me deixo descansar contra ele. — Quanto tempo? — Murmuro. — O quê, senhor? — Quanto tempo? Quanto tempo estive fora?

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— Você vai ser interrogado na íntegra, senhor. — Apenas diga a ele, seu cabeça de alfinete, — alguém rosna. — Ele merece saber. — É 20-10, senhor. Você foi um prisioneiro de guerra por três anos. Três malditos anos. O bebê de Tom não é mais um bebê. Eu tenho que encontrar Reagan. Dar a ela a carta.

***

Acampamento Leatherneck. Segunda casa. Pelo menos, costumava ser. Agora parece estranho. Familiar, mas estranho. O helicóptero desce, levantando poeira, e minha cabeça gira. Eu deveria estar muito feliz por estar de volta, estar entre os meus próprios compatriotas, mas... Eu estou nervoso. Assustado. Pronto, falei. Isso não é o combate, mas eu estou tão assustado. Até mais, na verdade. Dane-se se eu sei por que razão, ou de quê. Talvez seja os olhares. Olhos me seguem. Toda uma base de malditos soldados anônimos e parece que eles estão todos observando eu descer para o chão, cobertor jogado de lado para revelar o quão magro eu estou. Eles vêem o meu couro cabeludo raspado e minha forma magra e seus olhos ficam assombrados. Eu sei que é assim que eu pareço. Eu peguei um vislumbre do meu reflexo nas janelas refletiam o sol nascente. Pele pálida, olhos verdes afundados, olhar assustado. Onde costumava ter cabelos louros e uma barba de cinco dias. Agora, tudo o que eu tenho é um couro cabeludo raspado, marcado até a pele. Meu queixo é

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pronunciado, afiado, minha pele doentia, a barba por fazer encravada em alguns lugares. Mãos apertam meus bíceps, me levando adiante. Eu me sinto como um prisioneiro. Ladeado por fuzileiros armados, marchando pela pista. — West? — Uma voz chama debaixo de uma tenda, quando eu passo. — Eles encontraram você. Puta que pariu! Rapazes! Eles encontraram Derek! Faço uma pausa, procurando a voz. Billy Voss, especialista em armas pesadas do Golf Company. Enorme, negro e fosão. Um dos poucos caras que podem bater o lado mais largo de um celeiro com uma serra em movimento. Ele abaixa para fora sob a tenda, todos os dois metros de altura dele e se arrasta em direção a mim. Ele me dá um abraço de urso. Minha garganta trava e eu tenho que engolir o ataque esmagador de emoção. O que diabos está errado comigo? Voss me esmaga, então me solta e me bate no ombro tão forte que eu tropeço. — Eu não posso acreditar, cara. Eu nunca pensei que eu iria te ver novamente, irmão. O resto do Golf Company se junta a ele: Hector, Isaías, DeadlyFredly e Spacey. Eles estão todos aglomerados em volta de mim, gritando meu nome, estendendo a mão para mim, falando muito rápido para eu entender qualquer coisa, e minha cabeça está girando e meu coração está correndo e eu estou suando, um nó no estômago, olhos vazando fodidas lágrimas que eu não posso parar, e eu só quero esconder, voltar para minha cabana escura e para o silêncio. Eu deveria estar rindo, brincando e chamando eles de nomes; em vez disso, eu estou a hiperventilando e prestes a vomitar, exceto que não há nada no meu estômago.

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Voss vê o que está acontecendo, se vira e ruge: — Tudo bem, vocês! Se movendo. Se movendo. Dê ao homem algum espaço. Nenhum de vocês tem trabalho a fazer? — Ele envolve um braço corpulento em volta do meu ombro, sua pata enorme na minha cabeça. Eu raspo a parte de trás do meu pulso em meu rosto, tento rir da minha mortificação. — Desculpe. É bom – é bom te ver, também, cara. Ele me puxa contra ele em outro abraço. — Não tem vergonha nisso, cara. — Ele me deixa ir, trota para a tenda, chamando de volta por cima do ombro, — Cama aí, calma aí. Tenho uma coisa para você — ele retorna com um punho fechado. Agarra a minha mão na sua, coloca dois conjuntos de placas de identificação em minha palma. — Tenho guardado estes. Eles encontraram juntamente com - quando eles encontraram Barrett. O seu e o dele. Minha identificação. E a de Barrett. Meu riso incrédulo é em parte soluço. — Merda. — Eu pisco, abaixo minha cabeça, tusso e afastado o nó na garganta. — Obrigado, Bill. Você não - nem sei... apenas obrigado. Sua voz é um ruído surdo. — Eu não vou fingir que eu sei o que você passou. Mas eu estou aqui para você. Todos nós. — Eu - Palavras travam na minha garganta. — Os médicos estão esperando por nós, — diz uma voz aguda. Capitão Laughlin. — Reuniões estão marcadas para mais tarde. Como você pediu, Voss. — Senhor. — Voss acena para mim e de volta para a tenda onde Golf está limpando seus rifles e separando seus equipamentos para uma patrulha. — Que bom que você está de volta, West. Meu acompanhante começa a se mover, e eu sou obrigado a ir com eles. Na verdade, eu estou contente de estar longe dos caras. Eu corri um monte de patrulhas com Golf Company, passou muito tempo de ~ 55 ~


inatividade atirando a merda com Voss, Isaías e Barrett no ginásio. Ao vê-los... traz os flashbacks de patrulhas, o tilintar de pesos, Voss contando piadas racistas horrivelmente que nenhum de nós éramos corajosos o suficiente para realmente rir, a menos que ele fizesse primeiro. Eu toco a carta contra a minha barriga; ela ainda está presa sob o cós da minha calça. Eu sou levado para o centro médico. A maioria dos caras saíram, exceto um com um rifle em repouso - cano baixo, bunda para cima olhos me evitando, tomando um lugar para fora da porta da sala. Um jato decola, roncando alto, e, em seguida, o lugar desaparece de volta ao silêncio. Um relógio bate. Meu coração trava. Eu me pergunto o que vem depois. Uma estadia no hospital, como eu estivesse doente? Pedalar de volta para o serviço ativo? Eu não sei. Não me lembro o que acontece a seguir, de acordo com a política. Eu não me sinto como um fuzileiro naval. Eu me sinto assustado, perdido, oprimido, confuso. Um doutor e um par de enfermeiros chegam. Eu assisto os enfermeiros, jovens rapazes, pouco mais do que crianças, provavelmente. Eles ficam na porta e esperar por ordens. O doutor se apresenta, olhando para mim. Isso parece como uma avaliação física normal, que é uma espécie de anticlímax. Em seguida, ele começa a apertar e cutucar, peito, gânglios linfáticos, estômago, puxa a cintura das calças de pijama para baixo, vê o suor sujo e manchado de sangue verde-oliva e carta. — O que é isso? — Ele a pega. Meus dedos trancam em seu pulso, e eu o empurro. É automático. Ninguém toca a carta. — Não é nada. É uma carta. Ele está cauteloso agora, desconfiado. —Nós temos que verificá-lo, Corporal Ocidente. Posso ficar com ela, por favor? É totalmente normal. Eles só têm de ter certeza que está limpo, seguro. Mas eu não posso desistir. Eu não posso. Aperto o papel ~ 56 ~


embrulhado em algodão em minhas mãos. O médico chega para ele novamente. — Nós vamos te devolver, Corporal. Você tem minha palavra. Eu não posso deixar ela ir. Raiva me agarra, irracional, me cegando. Terror. Claustrofobia. As paredes do quarto se aproximam. Meu peito está apertado, como se faixas de ferro fossem amarradas em torno de meus pulmões, impedindo a respiração, impedindo o pensamento, impedindo a razão. Vejo a boca do médico se movimentar, mas não ouço nada. Os enfermeiros dão um passo à frente, um para cada lado. Eles agarram meus braços. Alguém está gritando e xingando. Eu estou debatendo, chutando, lutando. Os enfermeiros são fortes para um par de adolescentes. Algo cutuca meu bíceps. Calor flutua em cima de mim, roubando a minha raiva em pânico. Eu assisto meus dedos ficarem moles, a carta embrulhada caindo, o algodão se afastando, o envelope amassado, enrugado e manchado de impressões digitais sangrentas marrom-avermelhado escuro de três anos. Eu me esforço para ficar acordado, para pegar a minha carta de volta, mas a escuridão é pesada e grossa e-

***

Eu acordo em uma cama. Um cama de verdade. É uma sensação estranha, depois de dormir em chão de terra ou azulejo ou concreto por tanto tempo. Minha cabeça fervilha e eu me sinto confuso e atrapalhado. A coisa toda foi um sonho? Não. Eu abro os olhos e percebo que eu estou na enfermaria de isolamento. Tanto para voltar à ativa.

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Eu não poderia, mesmo se eles me deixassem. Estou cansado. Com fome. Meu braço dói. Eu percebo que eu estou em uma intravenosa. — Você está severamente desnutrido e desidratado, — ouço uma voz dizer. É o mesmo médico, varrendo para o quarto. Meia-idade, o corte de cabelo militar, bigode louro grosso. — Junto com toda uma série de infecções bacterianas, grande deficiência de vitamina C... Ele se senta em uma cadeira de plástico. — Mas tudo isso é fácil de resolver. — Ele bate em minha testa suavemente com a caneta, então meu peito. — É o dano psicológico e emocional que mais me preocupa. Concordo com a cabeça. Ele está certo, e eu sei disso. O surto sobre a provou tanto para ele quanto para mim. — Você está indo para o Centro Médico do Exército San Antonio por um tempo. Eles vão levá-lo de volta ao normal fisicamente, bem como te ajudar a reintegrar socialmente. — Ele roça um dedo em seu bigode. — Você passou por um inferno de uma provação, Corporal West. Você vai precisar de tempo para se curar, emocional, mental e fisicamente. Concordo com a cabeça novamente. — Enquanto isso... — Ele atinge o bolso de seu jaleco, me entrega a minha carta. — Como diabos você conseguiu segurar isso todo esse tempo? Eu dou de ombros. — Eu fiz uma promessa. Ele balança a cabeça como se ele pudesse entender. — Entendo. Bem, pense em seu próprio bem-estar em primeiro lugar, ok? — Sim senhor. Eu vou, senhor. Meu próprio bem-estar. Eu nem sei o que isso significa. Eu deveria estar morto. Deveria ter morrido com a minha unidade. Com Tom. Em vez de Tom. Mas eu estou aqui, e eu não sinto nada além de perdido e ~ 58 ~


desconectado, como se todas essas pessoas totalmente normais que já foram meus irmãos e irmãs de serviço são um círculo que não consigo penetrar, como se eu fosse uma pessoa de fora olhando para dentro. Até mesmo ouvir Inglês é desorientador. Eu me encontro sussurrando baixinho: Eu tenho ido em círculos sobre isso um milhão de vezes na minha cabeça. Eu quase disse a você tantas vezes. Mas eu simplesmente não consigo. Isso tornaria mais difícil para você sair, e eu sei que é bastante difícil do jeito que é. Isso tornaria mais difícil para mim se eu te dissesse pessoalmente. Você vai ficar com raiva de mim por não te dizer. Eu sei, e eu sinto muito. Mas esta é a única maneira que faz sentido para mim. A mentira de omissão. A verdade que eu retive de um moribundo. A culpa queimando como um carvão quente nos cantos mais escuros do meu ser. — Diga a ela... que ela é meu tudo. Essas palavras. — Eu vou dizer a ela. — Jura. — Eu juro. Em minha alma, eu juro. Eu ouço ele. Ouço sua voz. Estou louco? Será que os três anos de cativeiro me fizeram um verdadeiro louco? Talvez. Provavelmente. Tudo que eu sei é que eu jurei na minha alma. Foda-se o meu próprio bem-estar. Fiz um voto.

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CAPÍTULO SEIS REAGAN Houston, Texas, 2010. — Sinto muito, senhora Barrett, mas temos de negar seu pedido de empréstimo neste momento. Você simplesmente não têm a pontuação de crédito ou renda de requisitos mínimos. Mais uma vez, peço desculpa, mas essas são as regras. Eu não as fiz - eu só tenho que segui-las — O banqueiro é uma mulher jovem, talvez vinte e cinco anos, bonita, cabelo ruivo, maquiagem perfeita, saia lápis e blazer. Esnobe, mas educada. Eu quero chorar, mas não pode dar a ela a satisfação. — Entendo. Bem... obrigada pelo seu tempo . — Obrigada, Sra. Barrett. Existe mais alguma coisa que eu posso fazer por você? Eu balanço minha cabeça, deixo um Tommy se contorcendo do meu colo sair. — Não. A jovem levanta os ombros e estende as mãos na frente dela, se inclina para baixo em direção Tommy, falando com ele nessa esganiçada e estridente voz horrível que os adultos usam em crianças. — Você gostaria de um pirulito? Isso não seria bom? — Pirulito. Um pirulito? Sério? Ele deveria estar dormindo agora, e eu estava contando com ele tirando uma soneca no caminho de casa para que eu pudesse reunir as minhas emoções em frangalhos. E esta cadela ergue para ele uma cesta cheia de doces. Ele pega três, rasga o embrulho de um, e empurra na boca. O sorriso ilumina suas feições. ~ 60 ~


— Ganhei um doce, Mama! — Eu vejo isso, querido. — Eu nivelo um olhar para a menina. — Não foi legal da parte dela te dar um pirulito sem me perguntar primeiro? A menina faz um inocente ooops, quem-eu? expressão. — Eu peguei quatro, Mama, viu? — Tommy segura os pirulitos dois restantes embrulhados. — Você quer dizer dois, Tommy. Um, dois. — Eu conto. — Mas eu acho que um é o suficiente, não é? — Não. Que tal dois? — Que tal um, o que você tem em sua boca? — Eu pego os dois pirulitos extra, que Tommy gritar e pisar. — NÃO! DOIS! DOIS! Eu poderia essa estrangular putinha banqueira. Me negar um empréstimo, a minha última esperança para me manter fora da dívida, e, em seguida, dar a minha criança um pirulito? — Tudo bem. — Dou a ele os doces de volta, muito perto de começar a discutir e lidar com a birra. — Tudo bem, Tommy. Ok. Ok. — Bigado você, mama. Você é tão boa. — Ele sorri um sorriso roxo de açúcar e enfia sua pequena mão na minha. Eu o levanto ao meu quadril, levo ele para a caminhonete e o ponho em seu assento de carro. Ele está piscando com força, o pirulito firmemente em sua boca, pingando baba roxa a partir do canto de sua boca, o que... sim, agora está manchado por toda a minha camiseta. Eu dirijo para casa, as janelas abertas para deixar um pouco de ar para a cabine superaquecida. Uma caminhonete azul e enferrujada F-150 1972, que foi Tom, reconstruído a partir do zero durante o ensino médio. Hank

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tem trabalhado no motor uma dúzia de vezes para mantê-lo funcionando para mim. O ar condicionado foi remendado mais de uma vez, mas ele para mais do que ele funciona. Até o momento que eu passo com o carro pelo centro de Houston de volta para a fazenda, estou revestida com uma camada grossa de suor, e eu estou fedendo. Tommy está morto para o mundo, o pirulito preso a sua camisa, com o rosto coberto por uma bagunça roxa pegajosa, seu cabelo loiro bem colado na testa. Meu pequeno soldado, quase três horas em uma caminhonete de quarenta anos de idade, sem ar condicionado em quarenta graus, e nenhuma uma queixa. Tudo isso, e eu não consegui o empréstimo. Eu estaciono a caminhonete sob o velho carvalho entre a casa e o celeiro, o melhor local com sombra para estacionar. A temperatura na caminhonete cai imediatamente, e eu limpo minha testa, bochechas, lábio superior. Eu descanso minha cabeça contra o volante, a gola do couro raspando em minha pele. Me deixo chorar por um minuto. Dois. Três. Quando soluços ameaçam, eu corto isso. Empurro para baixo. Abro a porta e saio para chegar a Tommy. Eu pego ele para o meu peito, a cabeça no meu ombro, o pirulito caindo esquecido na terra e grama. Deito no sofá e aponto o ventilador oscilante para ele, e faço um copo com um canudinho de limonada pronto para ele para quando ele acordar. Não sabendo mais o que fazer, eu me sento no laptop, um Dell velho comprado de segunda mão, e passo por meu orçamento. Há vinte acres que aluguei aos Pruitts e que traz algum rendimento. A própria fazenda rende muito pouco. O apoio da Corporação também é útil. Mas nada disso é suficiente. Eu passo através das contas, nenhuma das quais eu posso pagar.

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O telefone toca, súbito, estridente e dissonante. Tommy mexe no segundo toque, e depois cai no sono enquanto eu pego o receptor. — Olá? — Sra. Barrett? Aqui é o sargento major Bradford. Eu queria compartilhar algumas notícias com você. Corporal Derek West foi recuperado, e ele está atualmente no Centro Médico San Antonio para a reabilitação. — Vocês - o encontraram? Vivo? — Sim, senhora. Recebemos alguma inteligência insinuando que ele estava vivo, juntamente com uma possível localização. Unidades de Reconhecimento verificaram a inteligência e um grupo foi a resgate. Eu não sei como eu deveria me sentir sobre isso. — Ele está - ele está bem? — Ele passou por uma provação. Três anos como prisioneiro de guerra... ele tem algum tempo de recuperação pela frente, mas acho que, com o tempo, ele vai ficar bem, sim. — Devo visitá-lo? — Na verdade, eu acho que é provavelmente melhor adiar por enquanto. Vai levar algum tempo antes que ele possa integrar plenamente e os médicos sentem que ele precisa para ficar isolado primeiro, e, em seguida, eles vão gradualmente introduzir novos elementos. Pode ser muito difícil no início, eles dizem. — Isso é compreensível, eu acho. — Sim. — Uma pausa constrangedora. — Bem, eu apenas pensei que você gostaria de saber. — Obrigada, Sargento Bradford.

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— É claro. E, como sempre, se há alguma coisa que eu possa fazer, você tem meu número. — Sim obrigada. — Adeus, senhora. — Tchau. — Eu desligo o telefone, tentando desesperadamente resolver através de meus pensamentos e emoções. Derek está vivo. Eu me lembro de Derek West como um homem grande, descontraído com cabelo louro, olhos verdes escuros, e uma rápido, sorriso encantador. Ele tinha uma reputação na unidade como um mulherengo, que eu poderia facilmente acreditar, sendo fantasticamente de boa aparência. Tom sempre o descreveu como enganosamente descontraído, sempre pronto com uma piada, não importa as circunstâncias, e ferozmente leal aos seus companheiros de armas. Derek levantou o inferno quando Hunter Lee desapareceu no Iraque, e desertou com sua unidade para resgatá-lo quando eles não quiseram enviar uma equipe. Tom admirava Derek, e o considerava mais perto do que um irmão, que vínculo especial que só os homens que viram um combate juntos podem formar. Tom morreu; Derek está vivo. Tom voltou em um saco preto; Derek provavelmente voltou com uma cobertura da mídia selvagem, apontado como um ‗herói que retornou‘. Eu duvido que o próprio Derek iria concordar com isso, mas ainda assim. Não posso deixar de pensar se Derek estava lá quando Tom foi morto. Ninguém me disse quaisquer detalhes sobre a morte dele, disse que eles não têm qualquer informação que eles tinham liberdade para compartilhar. Eu suspeitava que eles tinham informações, mas simplesmente não me diriam. Talvez Derek vá me dizer. Talvez Tom tivesse dito as últimas palavras para mim. ~ 64 ~


Eu não posso seguir essa linha de pensamento ainda mais. Dói muito.

***

Três meses depois... Uma chuva de outono me encharca até os ossos enquanto eu luto para substituir uma placa de cerca quebrada sozinha. Hank está ocupado com suas próprias tarefas, seus netos voltaram para Dallas para o ano letivo, e por isso estou sozinha. Eu tenho três lascas maciços em minhas mãos para puxar a placa velha e eu estou tendo problemas para colocar a nova novo ao tentar aparafusar na posição. Estou muito, muito mais distante da linha da cerca ao norte, cerca de um quilômetro da casa. Meu telefone celular toca, a única maneira de chegar a mim quando estou fora do alcance da voz. É geralmente usado apenas para emergências, no caso de Ida precisar de alguma coisa enquanto cuida de Tommy. Quando ele começa a tremer na cabine na caminhonete, o pânico me bate. Eu deixo cair a placa e os parafusos, e corro para a caminhonete. — Olá? Ida? Está tudo bem? — Sim, sim querida. Tudo está bem, me desculpe se preocupei você. É só que você tem uma visita. — Uma visita? — Sim. Um jovem chamado Derek. Ele diz que conhecia seu marido. — Derek? Ele está aí? Em casa?

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— Sim, ele está. Ele está sentado na varanda da frente. Eu não deixei ele entrar ainda. Eu não deveria deixar? — Não, não faça isso. Deixe ele entrar. Eu estarei aí. — Eu desligo o telefone, agarro as placas, e atiro elas na parte de trás do caminhão. Ponho os parafusos no banco do passageiro e eu partimos para a casa. Meus nervos estão pegando fogo. Não é até que eu estou estacionando a caminhonete e indo até as escadas para a varanda que eu percebo que eu estive fora na chuva pela última hora. Estou encharcada até os ossos, meus shorts jeans e camiseta cinza colada à minha pele. Eu puxo o algodão molhado longe do meu estômago e peito, mas assim que eu solto, ela se apega a minha pele novamente. Não tem jeito. Eu só vou ter que enfrentar Derek parecendo um rato afogado em uma camisa velha. Eu abro a porta de tela e imediatamente cruzo os braços sobre o peito, em uma tentativa de modéstia. Derek está sentado na mesa da cozinha, bebendo uma caneca de café, vestido com roupas civis. Ele tem um corte de cabelo militar, mandíbula raspada. Assim que as molas da porta rangem, ele coloca a caneca para baixo e se levanta. Eu paro no lugar, chocada com a mudança nele. Ele costumava estar em forma, tenso e muscular, suas camisetas esticadas em um peito largo e bíceps grossos. Seus olhos eram gentis e cheios de bom humor, mas se você olhar de perto, você pode ver as dicas da dureza de um veterano de combate. O homem diante de mim é... não é grande mais, mas é fácil ver que ele não está muito longe disso. Ele ainda é alto e reto, mas os músculos volumosos diminuíram drasticamente, e há um palpite inconsciente de seus ombros. O sorriso fácil desapareceu, substituído por lábios apertados em um disco, linha fina. Seus olhos são... distantes. Assombrados.

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— Derek? — Eu vou até ele, esquecendo a modéstia, vendo apenas um homem perdido nas profundezas da dor e horror traumático. Ele inala profundamente, estreitando os olhos, piscando rapidamente. Ele tem algo em suas mãos. Um envelope? A placa de identificação dele oscila, o fim da correndo em volta do seu dedo indicador e médio. — Reagan. Eu sei que isso é uma surpresa... Eu deveria ter ligado primeiro, eu acho. — Não, está tudo bem. — Eu tremo, minhas roupas molhadas começando a me deixar com frio. — Mas eu preciso me trocar. Eu já volto. Seus olhos descem e mim e começam a flutuar para baixo, e, em seguida, se movem rapidamente de volta. Ele fecha os olhos como se estivesse repreendendo a si mesmo, então se vira. — Claro, claro. — Seu punho cerrado em torno das placas de identificação e o papel. Eu sei o que ele tem em suas mãos: a carta. Eu só sei isso. E eu não estou pronta. Não estou pronta. Eu preciso de um minuto para me recompor. Então eu corro até as escadas para o meu quarto, tiro fora das minhas roupas molhadas, enxaguo no chuveiro, e me visto rapidamente. Eu puxo meu cabelo loiro úmido de volta em uma rabo de cavalo e prendo para cima. Em pé no topo da escada, eu trabalho a coragem de volta, para ouvir o que Derek tem a dizer. Para finalmente abordar as emoções que eu trabalhei tão duro para enterrar durante tanto tempo. Quando eu desço, Ida está cortando e pondo queijo em uma tigela de plástico para Tommy. Eu derramo uma xícara de café. — Derek? Você quer ir para a varanda? — Derek está segurando sua caneca com as duas mãos, como se tivesse medo de deixar ir. Ele está

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olhando para Tommy como se estivesse vendo um fantasma, e eu não acho que ele me ouviu. Eu toco seu ombro. — Derek? Ele fica violento com o meu toque, empurrando tão duro que seu café chapinha em suas mãos. — Merda! — Ele coloca a caneca para baixo, e, em seguida, olha para Tommy e gagueja: — Eu - eu quero dizer, claro. Claro. — Você está bem? — Eu chego até ele, preocupada se ele queimou suas mãos, mas ele se esquiva, sutilmente, mas o suficiente para que eu perceber. Ele pega a caneca novamente, encolhendo os ombros. — Sim. Eu apenas - sim. Bem. Desculpe por isso.

Eu gesticulo para a porta da frente. — Varanda? Ele se levanta. — É Claro. Eu vou na frente dele para o lado de fora na varanda, tomando um assento em uma das cadeiras de vime antiga. Derek não se senta. Em vez disso, ele fica no degrau mais alto, olhando para a chuva do Texas caindo em terras agrícolas. Eventualmente ele fala, não voltando a olhar para mim. — Eu nem sei por onde começar. O que dizer. Eu pensei sobre isso todo o caminho até aqui a partir de San Antonio, mas... Eu só, eu só não sei mesmo. — Ele inala profundamente, os ombros subindo e depois caindo quando ele solta o fôlego. Virando-se, ele estende a mão, as plaquinhas de identificação militar balançando. — Aqui. Um dos caras do Golf... Achei que tinha sumido. Eles pegaram quando eles nos capturaram. Pensei que eles tinham ido embora. Então, quando os Raiders me trouxeram de volta – me deram isso. Você deve ficar com elas. Minhas mãos tremem quando eu pego as plaquinhas, quentes de sua mão. Eu fico olhando para elas: ~ 68 ~


BARRETT T. M. O NEG 234 56 7890 USMC L CHRISTIAN Aperto as plaquinhas e luto por compostura. — O-obrigada, Derek. Ele balança a cabeça. Então ele chega para o bolso de trás de seus jeans azul escuro e retira um envelope dobrado. Ele se vira para me encarar. Suas mãos tremem violentamente. Ele aperta o punho, transfere o envelope para a outra mão, e aperta, tentando parar o

tremor. Me levanto, a minha caneca no chão, cruzo o pórtico para ficar ao lado de Derek. — É o que... o que eu acho que é? — Pergunto. Ele desdobra, olha para o papel, em vez de encontrar os meus olhos. Concorda. — Eu fiquei com isso. Ele me deu. Para dar a você. Se eu conseguisse - se eu conseguisse voltar. — Todo esse tempo? Você manteve - se agarrou a isso... por tudo? Ele engole seco; Eu posso ver seu pomo-de-adão. — Sim. Prometi a ele. — Ele está esfregando o envelope com um polegar, esfregando o que são, obviamente, impressões digitais sangrentas. Com o que eu posso dizer que é um esforço concertado, ele olha para mim. Seus olhos são vermelhos, procurando os meus. — Eu jurei – que eu diria a você. Você foi - você é... o tudo dele. Eu jurei na minha alma, que eu te diria isso. Essas foram as últimas palavras dele. Ele queria que você soubesse que ele – que ele te amava. ~ 69 ~


Eu alcanço o envelope, com uma lágrima escorrendo pelo meu rosto. Derek, um pouco hesitante, solta para mim, mas ele nunca tira os olhos dela. Ela, obviamente, tem um significado enorme para ele. Eu toco a impressão digital sangrenta. Gostaria de saber se é o sangue de Tom, ou Derek. Ou de outra pessoa. Eu não vou perguntar, no entanto. Cautelosamente, lentamente, eu abro e retiro a carta. Tem sido dobrado e desdobrado e dobrado mil vezes, vincado e frágil, sujo, as duas páginas moldadas em uma curva, como se tivesse sido carregada imprensada em um corpo. Thomas, meu amor. Eu quebro. Eu choro tão forte que eu não posso ver. — Ele - Tom carregou esta carta, não aberta, através disso, — diz Derek. — Ele não ia ler. Disse que ele estava guardando. Então... então o nosso comboio foi emboscado e - ele foi atingido. Nos levaram. Ele estava muito mal. De alguma forma eles não encontraram a letra quando nos revistaram. Eu não sei por que, mas não o fizeram. Ele - eu li que carta para ele uma centena de vezes por dia. Dia após dia. Toda vez que ele acordava, eu lia para ele. Isso manteve ele continuando. Me manteve continuando. Depois que ele - depois que Tom morreu, era tudo que eu tinha. Essa carta, e minha promessa de te encontrar. Para dizer que ele tentou, tanto, se segurar. Que ele te amava, e que ele queria voltar para casa. — Derek... eu nem sei como te agradecer. — Eu coloco as plaquinha no envelope com a carta e coloco no bolso de trás. Eu olho para ele, e não posso deixar de perguntar. — Como - como ele morreu? Eu sei que eu não deveria - não deveria perguntar. Mas - mas eu Derek acena com a cabeça, e eu não tenho certeza sobre o que ele está acenando com a cabeça. — Ele foi ferido, na batalha. A emboscada. Uma ferida no estômago. Ele resistiu por - por semanas. — Ele sofreu? — Pergunta idiota e estúpida. ~ 70 ~


Derek aperta os olhos fechados; sua mandíbula mói, punhos apertam. Se vira. — Eu - ele... Porra. Merda. — Ele tropeça, desce os degraus, para a chuva, a cabeça baixa, ombros arqueados, ofegante. Depois de um minuto, ele se endireita. Ele respira fundo, se vira e volta úmido pela chuva. — Desculpe. Foi uma situação ruim, Reagan. Eu não sei mais o que dizer. Foi ruim. Eu fiz o meu melhor para ele, mas simplesmente não havia nada que eu pudesse - pudesse fazer. Tentei. Ele merecia... ele deveria ter sido o único a conseguir isso. Eu penso nisso cada dia de merda. Deveria ser ele aqui. Não eu. Então - então eu sinto muito. Sinto muito. Deveria ser ele, mas - mas eu não podia salvá-lo — Derek, não. Você não pode pensar assim. Eu não quis dizer - eu sinto muito. EuEle balança a cabeça e me corta. — Eu sei. Eu sei. Mas não posso deixar de pensar isso. É verdade. É tudo o que posso pensar. — Ele aponta para a carta. — Você tem a carta e as placas. Então... eu vou. Até mais. Eu o sigo em direção aos degraus e agarro seu braço. — Espere, como você chegou aqui? — Ônibus de San Antonio para Prairie View. — Como você chegou aqui a partir de Prairie View? Ele cava um salto na lama. — Andando. — Isso é uma longa caminhada. Ele dá de ombros. — Eu já andei carregando muita coisa pesada. Não me importo. — Onde você vai? Ele dá de ombros novamente. — Eu não sei. Em algum lugar. Qualquer lugar. Iowa, talvez. Eles me querem de volta no centro médico

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para mais ‗reabilitação‘, — ele cospe a palavra, — mas foda-se essa merda. Tem sido três meses. Estou farto disso. — Você pode ficar aqui. Ele balança a cabeça. — Está bem. Eu vou a pé. — Ele começa a descer os degraus. — Eu te disse, eu não me importo. — Derek, não seja ridículo – está à quilômetros de qualquer coisa, está perto de escurecer e está chovendo. Ele para, sem se importar com a chuva batendo nele. — Por que você quer que eu fique aqui? Eu engulo e pisco, caçando as palavras. — Você, você foi o melhor amigo de Tom. Você veio até aqui para honrar seus últim - minha voz falha e eu tenho que começar de novo. — Para honrar o seu último pedido. Eu não posso - eu não vou apenas te expulsar para fora na chuva. — Está tudo bem. Eu não quero incomodar você. — Ele sacode a cabeça para o celeiro. — Eu vou ficar por lá. — Há um sofá, eu poderia— Não é uma boa ideia. — Ele balança a cabeça na porta da frente, onde Tommy é visível através da tela, observando, ouvindo. — Eu não durmo bem. — Sonhos ruins? Ele dá de ombros, inquieto. — Você poderia dizer isso. — Ok, então. O celeiro. Vou trazer algumas coisas. Cobertores, um travesseiro. Há uma pequena oficina na parte de trás. Você pode dormir lá. — Faço uma pausa, e então pergunto: — Você já comeu? Há alguns sobras-

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Sua voz fica um pouco afiada. — Reagan. Eu não preciso de nada dessa merda. Eu estou bem. — Ele caminha através da lama para o celeiro. — Obrigado pela hospitalidade, — diz ele sobre seu ombro. Eu o deixo ir, sentindo sua necessidade de estar longe, sozinho. Na casa, Tommy está encostado no batente da porta, me olhando através da tela. Seus olhos são pesados, cansados. Eu se aproxima e se embala contra mim. — Mama? Eu beijo a testa dele. — Sim, bebê? — Quem era? Hesito. — Ele é... um amigo. Tommy levanta a cabeça, se inclina para trás em meus braços, pares para mim. — Mama triste? Criança perceptiva. Eu pisco, convocando um sorriso. — Não, querido. Eu estou bem. Ele não acredita em mim, claramente. Ele coloca uma mão na minha bochecha. — Beijo? Eu beijo sua testa. — Beijo. — Eu dobro sua cabeça no meu ombro e levo para o seu quarto no andar de cima, deitando ele na cama. — Hora de dormir, dorminhoco. — Ele não discute e ele está dormindo dentro de segundos, Buzz Lightyear debaixo do braço. Quando volto, Ida está secando o último dos pratos. Ela coloca um prato no armário, põe a toalha sobre a alça de forno. Ela se vira para mim, os olhos avaliando. — Aquele garoto... ele é muito perturbado. — Derek, você quer dizer? — Eu suspiro. — Serviu com Tom.

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Ida concorda. — Eu vi um programa de notícias sobre ele. A psicóloga estava dizendo que alguém que já passou pelo que ele passou... eles nunca realmente se recuperam. — Ida remexe na minha gaveta, encontra o tubo de creme para as mãos e esfrega um pouco sobre suas mãos enrugadas. — Meu Hank, ele serviu na Coréia, você sabe. Ele não fala muito sobre isso, nunca fala, realmente. Mas eu sei que isso ainda afeta ele. As coisas que ele experimentou, as coisas que ele viu e fez. — Tom nunca conversamos sobre isso, também, — eu digo. — Perguntei a ele uma vez. Após sua segunda missão no Iraque. Ele só me disse que não havia muito a dizer. Ele fez o seu trabalho, e isso foi tudo. Mas eu sabia que ele estava... me protegendo. Da verdade. Ida assente, em seguida, olha para fora da porta de tela, observando os faróis. Hank está vindo para buscá-la. — Homens fazem isso. — É claro que ela tem mais em sua mente, mas ela apenas suspira e pendura a bolsa do ombro dela. — Vejo você amanhã. — Obrigada, Ida. — Eu me inclino e abraço ela. — Eu não sei o que eu faria sem você. Ela sorri para mim, dá um tapinha na bochecha. — É para isso que existe família, querida. E você é da família. Os pais de Tom se foram, a mãe com câncer antes de eu conhecê-la, e seu pai de um ataque cardíaco, alguns anos depois que Tom e eu nos casamos. Meus próprios pais estão vivos, vivendo em Tulsa. Eles nunca aprovaram Tom, e eles nunca me perdoaram por fugir com ele aos dezenove anos. Eles nunca conhecem Tommy, e eu acho que eles nunca vão. Então Ida e Hank são realmente a minha única família. Exceto Brian, meu irmão, um fuzileiro naval em Okinawa. Ele visita às vezes, quando ele reserva tempo suficiente para voltar para os EUA, o que não é muitas vezes. Hanks toca a buzina e Ida sai.

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A casa está em silêncio, e eu finalmente estou sozinho. Eu puxo o envelope do bolso de trás da minha calça jeans. Pego as placas na palma da minha mão, olho para o nome de Tom. Me permito algumas lágrimas, limpo-as de meu queixo. — Eu sinto falta de você, Tom. — Eu sussurro para as placas. — Por que você não voltou? Você prometeu que sempre iria voltar. Eu não posso olhar para a carta. Eu simplesmente não tenho força. Eu vou surtar se eu ler essas palavras, escrita há muito tempo. Se eu imaginar que ele leu. Se eu imaginar Derek e Tom amontoados em alguma caverna ou sei lá o que, Derek lendo a carta mais e mais... Eu deveria levar a Derek alguma comida. Um cobertor. Um travesseiro. Alguma coisa. Mas... eu simplesmente não posso. Eu não posso enfrentá-lo. Não posso me segurar vendo os fantasmas em seus olhos, a dor da memória em sua postura. Um segredo sujo: Às vezes eu durmo no sofá, porque eu odeio as memórias que vivem na imensidão vazia da minha cama. Outro sujo segredo: Às vezes o peso da solidão é mais pesado do que o peso de perder Tom.

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CAPÍTULO SETE DEREK O sono é impossível. No hospital, eles me deram drogas para me ajudar a dormir. Elas eram necessárias, fisicamente, porque é literalmente impossível encontrar descanso. Na melhor das hipóteses, eu vou cochilar, acordar suando, gritando, em pânico, revivendo o combate, a prisão, espancamentos, tortura. Eu nunca disse a ninguém sobre isso, a tortura. Não durante o interrogatório, não para qualquer um dos psicólogos ou psiquiatras ou médicos. Os filhos da puta do Taliban, eles enfiaram lascas sob minhas unhas, longos fragmentos irregulares de madeira, sem nenhuma razão que eu jamais poderia imaginar. Queimaram cigarros ou isqueiros. Eles quebraram o dedo anelar da minha mão esquerda. Continuaram me quebrando e re-quebrando, uma e outra vez, dia após dia, até que a dor me deixou louco. Se eu tivesse um pedaço de pedra, eu teria cortado o dedo fora. Eventualmente, eles deixaram o dedo em paz. Eu tentei concertar ele, mas ele está torto e às vezes dói. Dói quando chove, espetando como agora. O hospital me deixa louco também. Enfiado em um pequeno quarto, uma cama de hospital, uma janela com vista para um parque de estacionamento. TV, atento ao esporte, como se eu me importasse. Eu costumava me importar. Futebol. Eu amava o futebol. Agora? É apenas irrelevante. Eu não posso me fazer importar. Eu tentei assistir Sports Center sozinho no hospital entre rodadas de fisioterapia. Parecia tão estúpido, tão vazio. Tão inútil. A chuva finalmente para, e as nuvens gradualmente clareiam quando as horas da noite passam. Estou deitado em uma tenda animal. ~ 76 ~


Passei a primeira hora ou assim limpando o estábulo e colocando feno fresco. Eu fui até a oficina, mas era... era um espaço Tom. Cheio de parafernália de beisebol, posters da NASCAR, alguns de seus antigos troféus de beisebol colegial, uma bola de beisebol assinado por Nolan Ryan. Ferramentas, as peças de carro. É tudo Tom. Ele falou sobre este lugar, quase tanto como ele falou sobre Reagan. Ele cresceu na fazenda, planejando sair progressivamente do Corpo e voltar para a agricultura. Falou sobre desmontar motores com seu pai e velho o Hank abaixo da estrada. Montando em cavalos através das pastagens, ajudando a potros nascerem e quebrando o braço no processo uma vez. Ele costumava passar horas aqui, longe da realidade miserável de sua mãe morrer. Ele sempre lamentou de não ter passado mais tempo com ela enquanto ele ainda tinha ela, mas sempre foi muito difícil para ele, disse ele, ao vê-la deitada no sofá, magra e doente. Então, sim, eu nunca estive aqui até agora, mas conheço este lugar, este celeiro. Horas e horas passadas marchando em patrulha, sem nada para fazer a não ser falar com o amigo ao seu lado, você se relaciona com todos os tipos de merda que você nunca pensou que iria falar. Para Tom, foi sempre este lugar. A terra, o celeiro, a casa. Estou exausto, sonolento. Mas quando eu fecho meus olhos, eu vejo Tom, apertando a minha mão, me implorando para dizer a Reagan ele a amava. Eu disse a ela, amigo. Eu me viro para pegar um par de horas de sono profundo antes que os sonhos me acordem. O amanhecer está pintando o horizonte com uma escova de cinza e rosa, visível através da porta do celeiro aberta. Me levanto, escovo o feno de minhas roupas, até as botas. Estico as dobras das minhas costas e saio. A grama ainda está molhada, criando um cheiro pungente. É cedo, provavelmente apenas cinco horas da manhã, mas já está quente.

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A casa está silenciosa. Eu posso ver a cozinha de onde eu estou, nenhum sinal de movimento. A fazenda é um modelo clássico de estilo rural do Texas. Alpendre grande, três degraus. Frontões e beirais, tapume de madeira branca que precisa de pintura. Grama grossa em torno dos lados principais para o quintal, onde choupos e salgueiros rodeiam um pequeno lago verde. Na frente da casa, há um círculo de cascalho, um pedaço de grama não-tão-verde com uma árvore pequena no meio da ilha. O lugar está a uns bons três quartos de milha para a estrada mais próxima, que é apenas uma faixa um pouco mais ampla de cascalho em uma linha reta. O celeiro é um enorme edifício, madeira desbotada e antigo descascamento de pintura vermelha. Há um bom cinquenta acres em pasto aberto para o norte e leste da casa e celeiro, algodão para o sul, feno para o West. As pastagens estão cercadas, o que deve ser quilômetros de cercas de madeira. O inferno de um monte de manutenção, eu acho. Especialmente para uma mulher como Reagan. Sozinha. E mais uma criança? Como ela faz tudo isso? De onde eu estou, porém, eu posso ver uma porrada de coisas que precisam ser feitas. Várias placas de vedação soltas, o piso até a casa saindo e precisando de substituição, pintura descascando em todo o lugar. Está chegando perto do fim da época de colheita, e o feno e algodão precisam ser colhidos, embalados e vendidos. O sol espreita no horizonte agora, lavando a terra em douradovermelho-alaranjado. Terra aberta, tanto quanto eu posso ver. Pacífico. Tranquilo. Eu posso ver porque Tom adorava aqui. Depois do deserto morto do Iraque e do terreno muitas vezes estéril do Afeganistão, os quilômetros de lavouras e campos verdejantes do Texas são uma mudança bem-vinda. Eu não estou em paz, mas o mais próximo que eu posso ser. Neste momento, pelo menos. Eu estou inquieto, no entanto. Com fome. Desgastado por me esquivar dos sonhos. ~ 78 ~


Eu espio algumas tábuas saindo da cama de ferrugem azul que é caminhonete. Cruzando o quintal, eu espreito a caminhonete. Cerca de cinquenta novas tábuas de madeira tratada, uma grande caixa de parafusos. Uma parafusadeira no banco de trás. As chaves... brilhando pelo sol. Eu ligo a caminhonete e vou na direção da cerca em mais necessidade de reparo. Eu arranco fora os velhos e quebrados, jogando-os de lado. Parafuso o novo no lugar. De novo. De novo. Movo para baixo da linha, substituindo as placas. O sol nasce totalmente, me aquecendo até que eu tiro minha camisa. É um trabalho tedioso, mas me mantém ocupado. Há um poste vertical apodrecendo na direção do extremo norte e, convenientemente, um novo e uma pá está na caminhonete. Puxando o antigo para fora me faz gemer e xingar, mas controlo isso, cavando o buraco mais profundo, substituindo e fixando os novos. Eu faço o meu caminho de forma constante ao longo da cerca que divide o pasto para o norte do leste, que, felizmente, está em grande parte intacto. Estou suando em bicas e lutando com uma ripa de cerca teimosa e uma cabeça de parafuso despojado. Eu não ouço a abordagem até que ela esteja ao meu lado. — Derek, o que você está fazendo? — Ela tem uma garrafa térmica de café e um prato de papel empilhado com ovos mexidos, torradas e bacon, tudo coberto com filme plástico. Eu passo para longe dela. Ela está muito perto - me deixa nervoso. Ela cheira bem, um leve perfume. Eu arrisco um olhar para ela quando eu finalmente arranco a tábua. Cabelo cor de mel ensolarado, solto e escovado com um brilho, paira em ondas em torno de seus ombros. Olhos de um azul, apenas uma pálida sombra mais escura do que a cor do céu acima. Ela está usando uma camiseta vermelha com um decote em V, shorts jeans pretos e uma galocha pela chuva de ontem. Eu levanto a parafusadeira. — Concertando a cerca. — Por quê? Eu dou de ombros. — Precisava ser feito. Eu fiz. ~ 79 ~


— Você dormiu bem? — Ela muda de lado a lado, com os olhos sacudindo nervosamente. — Eu deveria ter trazido a você um travesseiro na noite passada. Me desculpe, eu não sabia. Eu apenas – dormi na hora que coloquei Tommy na cama... É uma mentira. Eu posso dizer pelo jeito que ela não vai olhar para mim. Eu a lembro de Tom. O que ela perdeu. Eu estou aqui e ele não, e a mentira cobre o fato de que ela não teve coragem de me ver novamente. Eu balanço minha cabeça. — Não se preocupe com isso. Dormi em lugares piores do que no feno fresco. — Essa declaração acaba sendo muito mais carregada de significado do que eu pretendia. Ela faz um aceno, permitindo uma pausa grossa pendurando entre nós. — Você deve comer, — diz ela, eventualmente, levantando o prato. Tomo o prato dela, sento na parte traseira da caminhonete. — Obrigado. Há um garfo de metal no prato, mantida no lugar por um filme de plástico. Eu abro e começo a comer, me forçando para fazer devagar. Meu instinto é ainda é comer o mais rápido que posso, mas eu não me deixo. Eu tenho que fazer tudo que posso para me distanciar de ser um cativo. Eu poderia ter odiado o programa de reintegração gradual que os médicos militares forçaram em mim, mas eu reconheço a necessidade disso. Eu não estou bem. Não me sinto confortável em torno de pessoas. Eu tenho flashbacks. Eu fico violento quando estou assustado, sofro crises de raiva que não fazem qualquer sentido. Pequenas coisas. Como aquela tábua agorinha. Se eu não tivesse conseguido tirar... Eu não vou lá. Eu tenho que aprender a me controlar. Eu tomo cuidado, mensuro as mordidas, mastigando devagar e cuidadosamente. Seguro o garfo como um homem civilizado, entre o meu dedo indicador, médio e polegar, ao invés do meu punho. Reagan desliza

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para a porta traseira do meu lado, e meu peito aperta. É difícil respirar. Eu paro de comer, viro e olho para ela. Ela está do outro lado da porta da bagageira, deixando um bom pé entre nós, mas ainda é muito perto. As pessoas ficam perto de mim e eu fico tenso, esperando a violência subconscientemente. Ela desenrosca a parte superior da garrafa térmica, derrama café preto na parte superior, com as mãos para mim. Eu aceito, com cuidado para manter meus dedos longe dela. Dou um gole no café. É grosso, preto, forte. Ela simplesmente se senta calmamente enquanto eu como, e, lentamente, a minha tensão desaparece. Eu sei, mentalmente, ela não representa uma ameaça, mas minha reação com as pessoas, com qualquer um, é automático, inconsciente. Eu não posso ajudar, não importa o quanto eu tente. Quando eu termino o enorme monte de comida que ela trouxe, ela leva o prato de papel, dobra, joga ele na traseira da caminhonete. Silêncio, longo, duro, delicado. Ela levanta o quadril, puxando a carta. Eu olho para ela, vejo as plaquinhas contra seu pescoço bronzeado. Meu olhar se centra na carta. Ela vai me fazer uma pergunta. — Ele não leu a carta até que você e ele foram - Ela corta, não vou dizer a palavra. — Capturados, — devo preencher para ela. — Não, ele não leu. Ela não responde, mas parece incomodado. — E no momento em que você leu com ele, ele já estava - — outra pausa onde ela tem que convocar a palavra, forçá-la a sair - — morrendo Eu só posso concordar. Eu acho que sei onde ela está querendo chegar. E eu sei que eu absolutamente não posso lidar com essa conversa agora. Não agora. Talvez nunca. Há algumas verdades que são muito

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potentes para falar, muito prejudicial para revelar. Para culpa carregada ver a luz do dia. Eu pulo para fora da caminhonete, colocando o garfo lá atrás. — Eu deveria ir. — Eu pego minha camisa a partir da cabine. — Obrigado pelo café da manhã. — Você - você não tem que ir, Derek. Me desculpe ter perguntado. Eu sei que não pode ser fácil para você falar sobre... o que aconteceu. Eu só— Você tem perguntas. Que só eu posso responder. Entendi. Está bem. Mas algumas coisas... há algumas merdas que eu não posso falar ainda. Eu sinto muito. — Eu balanço minha cabeça. — Eu deveria ir. Eu não pertenço a este lugar. Este é o lugar dele. Eu tinha esquecido minhas cicatrizes. Eu posso sentir seus olhos em mim, no meu ombro, nas cicatrizes enrugadas e pinçadas. Os médicos dizem que eu fui incrivelmente sortudo de ter sobrevivido às minhas feridas. Filmes fazem com que pareça um ‗herói real‘ por levar balas no ombro e continuar indo, agir como se fosse nada. Não é desse jeito. Eu deveria ter feito uma cirurgia. Poderia ter perdido o braço. Poderia ter sangrado se as balas houvessem atingido uma artéria. Poderia ter acontecido vários cenários, mas de alguma forma eu consegui passar por isso. Há uma perda de controle, mesmo ainda. Você leva um tiro, você está danificado. Puro e simples. Mas, principalmente, eu estou bem. Eu esqueço que as cicatrizes estão lá, especialmente quando eu estou sozinho, e então eu estava focado no meu desconforto em estar perto de Reagan. Agora ela vê as cicatrizes. Seus olhos se movem, pesquisando. Encontram as cicatrizes do Iraque, cicatrizes de estilhaços em minhas costas e de granada. Cortes no meu bíceps, onde uma bala me cortou enquanto eu resgatava Hunter. Essa granada realmente quase acabou comigo. Isso foi sorte, também. Felizmente, o socorrista foi bastante rápido, me costurou e me

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levou a um hospital de campo. Perdi muito sangue, levei algum tempo para curar, mas nenhum dano duradouro, um ciclo de volta à ativa em breve. Isso foi antes... e agora. Agora? Eu não vou voltar. Eu não posso. Não. Eu prefiro morrer do que levantar um rifle novamente. Do que ver um outro cara afegão. Eu dou de ombros para a minha camisa, cobrindo as cicatrizes. Eu não quero ir embora; eu gosto daqui. Texas é um local calmo, tranquilo. Aberto. Eu sinto que eu posso respirar aqui fora. Mas eu tenho que sair daqui: Reagan é uma presença potente, me lembrando de Tom, da carta. Da mentira. Eu a vejo, e ouço as palavras da carta. Thomas, meu amor... Merda. Eu acho que eu sussurrei essas palavras em voz alta. Ela ouviu; ela está olhando para mim, olhando, olhos curiosos, chocados, testa franzida. — O que... o que foi que você disse? — Ela sussurra. — Nada. — Eu paro de respirar, esperando que ela vá deixar isso para lá. Eu principalmente parei de recitar a carta, mas ainda sai às vezes. As palavras estão gravadas em minha alma, e eu simplesmente não posso ajudar. Mas ela não pode saber disso. Eu acho isso estranho, vergonhoso. Como se eu tivesse roubado algo sagrado dela, de Tom, como se eu tivesse me apropriado de algo privado. Afasto, percorrendo a grama alta na linha da cerca. Eu ando tão rápido quanto eu posso, meus punhos cerrados. Eu me concentro em retardar a minha respiração. Concentro-me em cada passo, cada respiração, sobre as folhas da grama, o grão da madeira, as tábuas passando como trilhos de trem. Há a calçada. Finalmente. Subo através

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dos degraus mais baixos e médios, correndo em direção à estrada. Fugindo. Correndo. Pulmões queimam, o coração palpita. As penas doendo. Deus, estou tão fodido. O Ford azul burburinha por trás de mim, freios guinchando. Reagan abre a porta, deixa aberta, tritura através do cascalho em direção a mim. — Porque Derek, por que você correu desse jeito? Tantas perguntas, nenhuma das quais eu posso responder. — Eu não sei. Estou confuso, Reagan. Obviamente, eu não sou, não sou bom de estar ao redor. Você tem um filho. Eu não pertenço a este lugar. Eu fiz o que eu vim fazer. É isso. Ela arrasta a mão pelo cabelo, uma luz quente arrepiando as ondas cor de mel. Ela está agitada. Em uma perda para palavras. — Você não tem para onde ir. Parece um non sequitur 10 para mim. — E daí? Não é o seu problema. — Tom teria tido a certeza de que iriam cuidar de você. Que você tinha um lugar para ir. Eu não posso simplesmente deixar você se afastar sozinho assim. — Tom está morto. — Isso sai liso, duro. Ela recua. — Eu sei disso. Eu esfrego meu couro cabeludo, que agora tem um pouco de cabelo. — Desculpe. Merda, eu sinto muito. Isso saiu errado.

Non sequitur é uma expressão latina (em português "não se segue") que designa a falácia lógica na qual a conclusão não decorre das premissas. Em um non sequitur, a conclusão pode ser verdadeira ou falsa, mas o argumento é falacioso porque há falta de conexão entre a premissa inicial e a conclusão. 10

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Ela balança a cabeça, se vira. O sol está se aquecendo. Uma flor balança pela brisa, enviando sementes brancas caindo. — Olha, que tal isso: eu preciso de ajuda. Na fazenda. A cerca que você concertou? Eu tenho tentado concertar faz meses, mas eu simplesmente não consigo chegar à frente o suficiente para fazer. Há tanta coisa para fazer e eu - eu não posso fazer tudo. E você não tem para onde ir. Você era como um irmão para Tom, e isso significa significa que você tem um lugar aqui. Eu não sei o que responder. Ela não é da família, mas eu não acho que eu posso voltar para a minha própria em Iowa. Meus pais não seriam capazes de me tratar como eu sou agora. Eles me visitaram no hospital do Exército, em San Antonio. Mas eu estava tão obviamente fodido que não ficaram muito tempo. Eles disseram que eu sempre teria um lugar com eles, mas... Eu sabia melhor. Seria desconfortável na melhor das hipóteses. Meus pesadelos iria assustá-los. Eles querem ajudar, e não há nenhuma ajuda. Eles nunca entendi por que eu me inscrevi para entrar nisso e eu não poderia explicar adequadamente. Eu só sabia que Barrett, McConnell e os outros foram todos indo para o Afeganistão, e eu não estava prestes a deixá-los ir sem mim. Então, eu levantei e voltei para o combate. E agora olhe para mim. — Tudo bem, — eu digo. — Eu vou ficar por um par de dias. Te ajudar a fazer algumas coisas. — Eu não vou te fazer mais perguntas. Eu prometo. Eu sinto minha mão esquerda tremer. Eu aperto para parar. — Não faça promessas que não pode cumprir, Reagan.

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REAGAN Ele não dorme na oficina. Não vou dizer o porquê, só diz que se sente mais confortável no estábulo. Hank tinha uma velha cama, então eu coloquei no estábulo com um travesseiro e um par de cobertores, uma lanterna de acampamento. É estranho, sabendo que ele está lá fora, no celeiro, quando eu estou tentando dormir. Me sinto culpada, desejando ter melhores acomodações para oferecer a ele mais do que um celeiro. Mas eu não tenho. Existem apenas três quartos na casa: o principal, o de Tommy, e o terceiro quarto. Mas esse terceiro... é de Tom, de quando ele era criança. Quando ele entrou para o Corpo ao sair da escola, seus pais deixaram do jeito que era, então ele teria algo familiar para vir para casa, eu acho. Tom e eu nos casamos um mês antes dele ser chamado para ir para o Iraque pela primeira vez. Ele terminou sua formação na infantaria e ficou em casa antes de ir embora. Nós tínhamos mantido contato, enquanto ele estava na Califórnia, via carta e telefonema. Quando chegou seus papéis de licença, ele pulou o primeiro trem para minha cidade de Tulsa, apareceu na minha porta da frente sem aviso prévio. Vestido com seu melhor uniforme, ele pegou minha mão na sua, caiu de joelhos, e propôs com um anel de ouro branco e zircônio que valia talvez uma centena de dólares. Meus pais estavam em pé atrás de mim, furiosos. Eu disse que sim, puxando Tom de pé e pulando em seus braços, envolvendo minhas pernas em volta de sua cintura e beijando ele, ali mesmo na frente de mamãe e papai. Desde que claramente os meus pais não iriam ser parte deste casamento, Tom esperou na calçada da frente, enquanto eu arrumava duas malas e nos chamou um táxi. Nós pegamos um ônibus de Greyhound para Houston e tivemos um casamento tribunal. Passamos três noites em um hotel em Houston, transando como coelhos. Finalmente, fizemos o nosso caminho para a fazenda da família de Tom em um pequeno lugar chamado Hempstead. Seu pai estava na varanda da frente, esperando por nós, um homem enorme com jeans empoeiradas, uma branca branca suja, e botas ~ 86 ~


Caterpillar. Ele era largo, denso, carregando uma barriga de cerveja e vestindo uma barba espessa e loira, olhando para nós com olhos escuros. Tom me arrastou até os degraus da varanda e parou na frente de seu pai. — Pai, — Tom disse, — esta é a minha esposa. Reagan. Carl Barrett apenas sorriu, acenou para mim, e disse, — Bemvinda à fazenda. Vocês podem tomar o quarto de hóspedes. Só não me mantenha acordado durante a noite. — Ele, então, passou por nós a caminho de seu trator como um balão. Ele morreu pouco mais de dois anos depois, mas eu passei esses dois anos enquanto Tom estava no Iraque conhecendo Carl, aprendendo a amá-lo como um pai. Ele era rude e taciturno, mas ele sempre foi gentil comigo. Eu cresci em um rancho de cavalos, então eu não estava fora do lugar na fazenda, e Carl apreciava a ajuda que lhe dei. Quando Carl morreu, eu tinha feito todos os arranjos. Tom voltou para o funeral, ficando alguns meses. Uma vez que ele estava de volta quase um ano antes de manda-lo de volta para o Iraque, esse foi, honestamente, o melhor ano da minha vida. Cultivar com Tom, montar o pasto ao norte com ele, fazer amor na grama alta, nossos cavalos amarrados pastando nas proximidades. Quando ele se foi, eu aprendi a administrar a fazenda sozinha em sua maior parte, com um monte de ajuda de Hank e seu bando de netos. Durante todo esse tempo, em oito anos de casamento com Tom, e os três anos seguintes, o quarto onde Tom cresceu permaneceu o mesmo. Juntando poeira, exceto quando eu reunia coragem para limpá-lo. Eu achava que Derek não iria querer ficar lá. Ele não seria capaz de pôr os pés naquele quarto. Eu mal posso. Derek tem estado aqui por uma semana. Ele está reparado cada cerca, acertando os degraus da varanda, e ele está trabalhando agora em pintar o celeiro. Ele trabalha como um homem possuído, acordando antes do amanhecer e ficando fora até escurecer, ou até mais, às vezes

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trabalhando com a luz dos faróis da caminhonete ou da lanterna. Eu geralmente acabo trazendo comida para ele. Ele se recusa a comer com Tommy e eu. Ele evita Tommy como a peste, na verdade. Não chega perto dele, não fala com ele. Tommy chega, Derek desaparece. Eu fiquei fiel à minha palavra e não fiz mais perguntas, embora elas estejam queimando um buraco dentro de mim. Há tantas coisas que eu quero saber. Hoje, eu estou dirigindo o trator, rebocando a enfardadeira de fardo das últimas linhas. Está perto de escurecer e eu estou com coceira e suando, exausta, pronta para entrar em colapso. E então o trator para. Ronca, desacelera, depois morre. Tem sido seus últimos suspiros durante anos agora, e esta não é a primeira vez que isso acontece. Eu quero gritar. Chorar. Mas eu não faço isso. Eu desço, pisando pela escuridão baixando, xingando baixinho, tentando encontrar calma. O celeiro está na escuridão, a forma de uma escada visíveis contra um lado, parte de uma parede lateral comprida pronta para ser pintada. Não vejo Derek na escada. Eu ouço o ranger da bomba do poço de fora atrás do celeiro, assumindo que ele está lá atrás lavando a tinta de suas mãos. Há uma geladeira na oficina, e ela tem mais um dos meus segredinhos sujos nela: um esconderijo secreto de cerveja. Eu nunca bebo em casa ou ao redor de Tommy. Mas, às vezes, depois de um dia de trabalho duro, eu caio aqui, me sento na bancada, e bebo uma cerveja gelada. Às vezes duas, antes de ir até a casa. Eu preciso de uma hoje. Eu abro a geladeira, pego uma e abro o topo com um abridor de garrafas montado na bancada. Eu me sento no banco, seguro a garrafa na minha testa por um segundo, em seguida, tomo um longo gole. Eu não penso duas vezes antes de puxar para cima a barra da minha camiseta e limpar o suor da minha testa. Assim que a camisa está para cima, todo o meu torso descoberto eu ouço um passo e uma tábua de

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chão ranger. Eu deixo cair a camiseta e pego o olhar de Derek, ao mesmo tempo. Ele está olhando para mim. Ele se afasta. — Desculpe. Desculpe. Pensei que eu ouvi alguém aqui, e eu vim dar uma olhada. — Coço parte de trás do seu pescoço, ele se vira. — Está tudo bem. — Não está. Eu senti seu olhar em mim, no meu sutiã vermelho, meu estômago coberto de suor. Eu não sei como me sinto sobre isso, como ele se sente sobre isso. Ou o que eu tenho que dizer, ou fazer. — Tudo bem? — Ele pergunta. — Você não costuma vir aqui, que eu já vi. Na última semana, eu quero dizer. Eu dou de ombros, tomando uma bebida. V O trator quebrou. Eu mantenho cervejas de emergência aqui. Eu estava quase pronta para enfardar o feno, e agora isso vai ser dias antes Hank puder corrigir o trator, então... cerveja de emergência. — Eu posso dar uma olhada na parte da manhã, se quiser. — Ele decididamente não está olhando para mim. Seu olhar está no chão, na Little League e troféus de beisebol colegial. Silêncio. — Quer uma? — Eu gesticulo com a minha garrafa. Ele hesita. — Hum... claro. Eu acho. Eu pego uma da geladeira, abro e entrego a ele. Ele aceita, olha para ela por um longo, longo tempo. — É apenas cerveja, — eu digo, confusa com a reação dele. — Sim, eu sei. Mas eu não tomo uma bebida desde... um longo tempo. Desde antes. ~ 89 ~


— Me desculpe, eu não teria oferecido seEle acena. — Não. Nada disso. Não é um problema. Tem sido um longo tempo. — Ele levanta a garrafa aos lábios, dá um pequeno gole, medido. O olhar de êxtase que atravessa seu rosto não tem preço. — Deus, isso é bom. Eu tinha esquecido o quanto eu gostava de cerveja. Poucos minutos se passam em um silêncio não-totalmenteestranho. Derek fica na porta, de pé. — Há um outro banco, você sabe, — eu digo. — Você pode se sentar. Ele olha, atravessa a sala, puxa para fora, e se senta sobre ele. Não escapou do meu conhecimento que ele mudou para que ele não estivesse muito perto de mim. Ele não está vestindo uma camisa. Não posso deixar de olhar seu tronco, suas cicatrizes. Ele ganhou peso na última semana, ganhou um pouco de músculo, a gordura corporal pouco muito necessária para cobrir os ossos. Ele não está nem perto de onde ele costumava estar, mas ele não está mais magro. Seu cabelo tem crescido, e ele deixou o início de uma barba cobrir sua mandíbula. Ele coça em seu couro cabeludo, em uma cicatriz na cabeça. Ele me percebe observar e deixa cair sua mão. — Uma cicatriz antiga, — diz ele. — Ela coça às vezes. — Como é que você- — Eu começo a perguntar, então me paro. — Desculpe. Não importa. Ele engole um pouco de cerveja, põe a garrafa vazia para baixo. — Está bem. Eles mantinham a minha cabeça raspada quando eu era um prisioneiro. Exceto que eles não eram exatamente suaves e eles nem sempre usavam lâminas muito afiadas. — Deus, isso é horrível.

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Ele dá de ombros. — Nah. Foi provavelmente melhor do que ter piolhos ou algo assim. Há um elemento em suas palavras insinuando muito, muito pior. Estou dividida entre lhe oferecendo outra cerveja e a preocupação de que eu poderia ser a introdução de um problema em potencial. Eu sei que eu quero uma outra. Abro uma, olho para ele em questão. Ele aceita, acenando lentamente. — Obrigado. — Sim. Outro longo silêncio. Derek suspira, dirige sua palma da mão sobre o couro cabeludo, e olha para mim. — Vá em frente e pergunte. — Pergunte... o quê? Ele balança a cabeça e encolhe os ombros. — Tanto Faz. Eu não posso prometer que vou ser capaz de responder, mas vou tentar. O que eu mais quero saber? Eu olho para baixo na fina espuma na minha garrafa. — A carta. Ele a levou com ele por quase um ano, sem ler? Derek acena com a cabeça. — Sim. — Por quê? — Bem... ele disse que estava guardando. Para quando ele mais precisasse. Eu observo Derek de perto. Ele está lutando com alguma coisa; sua mandíbula está moendo, os dedos estão tensos ao redor da garrafa. O dedo anelar da mão esquerda é visivelmente torto. Onde os outros quatro dedos enrolam naturalmente ao redor do vidro, o dedo anelar sobressai como se ele não funcionasse corretamente. Suas mãos estão tremendo, a cerveja dourada ondulando na garrafa.

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— Um ano. — Eu nem sei como expressar a minha próxima pergunta. — Se ele não leu a carta, então, ele nunca... ele nunca soube. Até o fim. Sobre Tommy, quero dizer. — Eu-ele... — Derek parece estar tendo dificuldade para respirar. Ele está piscando rapidamente e os ombros estão curvados como se esperasse um golpe. — Ele amava você. Ele amava muito você. Isso não responde à pergunta. Eu conheço uma evasão quando o vejo, mas Derek não é claramente capaz de ter essa conversa agora. Ele engole um longo gole de cerveja, então dá uma guinada para seus pés, coloca a garrafa pela metade na bancada, balançando em seus pés. — Merda. Merda, eu estou tonto. Acostumado a tomar um pacote dessas sozinho. Agora eu estou fodido com duas cervejas? Jesus. Ele tropeça, põe a mão sobre a bancada para se firmar. Suas pernas parecem estar prestes a arregar. Me levanto, ponho a minha cerveja para baixo, e me movo em direção a ele. Seus olhos estão fechados, espremidos apertados, sua boca se movendo como se ele estivesse sussurrando algo que eu não consigo ouvir. Ele oscila, se inclinando. Ele vai cair. Eu estendo a mão lentamente, hesitante. Toco em seu ombro. — Derek? Sua pele é quente ao toque. Quente e duro e macio tudo uma vez. Eu tinha esquecido como a pele masculina é. Ele salta com o meu toque, seus olhos voando bem abertos, as narinas dilatadas, cada musculo enrijecendo. Ele tropeça um passo para trás, para longe de mim, piscando como se estivesse vendo em dobro. — Está tudo bem, Derek, — murmuro em voz baixa e suave que eu usei em um cavalo fujão. — Está tudo bem. Basta respirar. Relaxe. Você está bem.

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— Não está bem. Não está bem. — Ele está olhando para mim, para a minha mão estendida. Meu toque não está bem, ou que ele não está bem? Ambos, talvez. Eu não sei. Tudo o que sei é que ele está inclinando para longe de mim como se assustado com a minha proximidade, como se a visão e o cheiro e a realidade de mim fosse demais para suportar. Eu sei que ele está tonto com duas cervejas. Nem mesmo duas, uma e meia, realmente. Ele está prestes a cair, então eu não tenho escolha a não ser colocar meu ombro debaixo da axila dele e envolver meu braço em volta de sua cintura. Mesmo reduzido a um terço de seu peso antigo, Derek é um grande homem. Mais de um e oitenta, ombros largos, pernas longas, braços pesados, grossos. Eu sou uma menina forte, resultado de uma vida de trabalho agrícola, mas é preciso toda a minha força para manter Derek em seus pés. — Vamos, Derek. Vamos te deitar, sim? — Eu digo. Eu tenho a boca perto do meu ouvido, e eu definitivamente posso ouvir ele sussurrando algo, mas eu não posso entender. Eu meio que levo ele para fora da oficina, o para o corredor entre os estábulos. O cheiro de feno é pungente, em camadas sobre o odor mais fraco do estrume da vaca Ilsa, a vaca de leite, que está no pasto agora. A única lâmpada incandescente na oficina lança iluminação apenas o suficiente para que eu possa ver o estábulo que ele alegou como seu. O feno é achatado no chão e amontoado em um canto. Vários cobertores velhos estão espalhados por todo o feno no canto, com o travesseiro que eu lhe dei em cima. A lanterna está contra a parede, perto do travesseiro. Não há mais nada. A cama está dobrada e encostada na parede. Esse homem, esse veterano de combate corajoso, este ex-soldado com estresse pós traumático, está dormindo no feno no meu celeiro como um vagabundo. Há algo de muito errado com isso.

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Derek pega o batente do box, se afasta de mim, cai de joelhos, e cai no feno, rastejando em direção ao seu travesseiro. Ele se atrapalha na lanterna, encontra o botão, e liga, derramando um brilho branco. — Você não deveria estar dormindo aqui no feno, Derek. Não está certo. Ele rola para suas costas, e com o olhar fixo em mim com os olhos turvos, ele diz: — Está bem. Eu estou bem aqui. — Você merece um quarto de verdade. Uma cama de verdade. Ele balança a cabeça para trás e para frente. — Não. Eu não. Eu tinha uma cama no hospital. Eu odiava isso. — Ele pisca rapidamente, coloca a mão sobre os olhos. — Passei três malditos anos dormindo no chão. Não era o único lugar que eles me deixaram. Me colocaram em um armário. Concreto nu. Tive maldito frio à noite. Me deram feridas no meu quadril e ombro. Depois disso, eu estava agradecido pelo chão de terra. Me mantiveram em uma caverna, também. Isso foi uma merda. Frio e escuro. Cada som que eu fazia dava eco. Minha respiração ecoava. Fiquei louco. Eu parava de respirar até que eu desmaiava, apenas para fazer os ecos irem embora. Jurei que eu podia ouvir meu coração às vezes. Silêncio total é enervante pra caralho. — Ele levanta a mão, olha para a palma da mão, aperta os dedos em um punho, e libera, olhando para ele um pouco mais. — O hospital era a sua própria espécie de inferno. Eu era basicamente um prisioneiro lá, também. Aqui, eu posso respirar. Eu posso ver o céu. Eu posso me levantar e me movimentar quando eu quero. Eu posso sair pela porta e continuar caminhando. Ninguém vai me parar, me dar ordens, ou gritar comigo. Eu poderia ter sido para os meus próprios compatriotas no hospital, mas eu não me sinto livre. Me sentia preso, tanto como quando o Taliban me tinha. Ele nivela o olhar para mim.

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— E, acredite em mim, Reagan, você não me quer em sua casa. Eu não quero estar lá, e você não me quer lá. — Ele fica em silêncio por um momento. — Talvez isso saiu errado. Não é que eu não quero estar em sua casa, ou em torno de você. Não é isso, é só... — Entendi. Tanto quanto qualquer um pode, eu entendi o que você está dizendo. Está tudo bem. Ele arregala os olhos, pisca, e balança a cabeça. — Não posso acreditar quão fodido esse pouco de cerveja me fez. Acho que foi uma má ideia. Ele se estende, vira e desce as calças de brim até sua cintura, dando à luz a uma dica do ‗V‘ e pelos em seu corpo. Eu não consigo desviar o olhar. Eu deveria, mas eu não posso. Culpa me assalta. Eu não devia estar olhando para Derek assim. Para qualquer um, mas especialmente ele, especialmente quando ele é tão frágil, emocionalmente e psicologicamente. Não frágil - essa não é a palavra certa. Instável, talvez. Cru, talvez. Feridas no corpo curam mais rapidamente do que aquelas lá dentro. Eu rasgo meu olhar, olhando para o chão entre meus pés. — Precisa de alguma coisa? Posso te arranjar- alguma coisa? — Eu vou ficar bem. Só preciso de um pouco de sono. A lua está no, alto, brilhante, iluminando a grama. Há uma lâmpada suspensa a partir da linha de energia que se estende entre a casa e o celeiro, lançando um amplo círculo de luz laranja na unidade de cascalho. Eu paro por baixo, olho de volta para a porta do celeiro aberto, no fraco brilho da lanterna. Minhas trituram no cascalho, e o único som são os grilos, algumas rãs em algum lugar distante. Uma coruja pia. A luz da rua vibra. Eu não quero ir. Eu não quero falar com Ida. Eu não quero engatinhar na minha cama vazia.

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Eu faço, no entanto. Ida pode dizer que eu não estou com disposição para uma conversa, então ela me manda uma breve despedida e espera por Hank na varanda da frente. Eu retiro minhas roupas sujas, puxo uma camiseta sobre a minha pele nua. Assim que meus olhos se fecham, eu sou tomada por uma memória visual de Derek se alongando, a dica de lugares em seu corpo que eu não deveria estar pensando. No entanto, eu faço. Eu penso. E quando eu finalmente caio no sono, eu sonho.

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CAPÍTULO OITO DEREK

O mundo gira. Olhos fechados, olhos abertos, não faz diferença. Eu planto um pé no chão, e a tontura diminui um pouco. Olhos abertos é melhor, no entanto. Não porque ele ajuda a tontura, mas porque toda vez que eu fecho meus olhos, eu vejo ela. A camiseta preta levantada para enxugar o suor do seu rosto, revelando um apertado sutiã esportivo vermelho, um estômago liso. Os jeans de cintura baixa. Ela é uma coisa pequena. Menos de um e sessenta, talvez um pouco menos. Um abdome infernal com um monte de curva muscular e eu não deveria estar pensando nela assim. Não deveria. Não posso. É tão errado, em muitos níveis. Ela é viúva de Tom. Mas não importa o quão vigorosamente eu me lembro, eu ainda não consigo tirar essa visão dela da minha cabeça. O sutiã vermelho, seios grandes. O estômago liso. Quando ela tocou meu ombro, eu quase perdi. Ninguém me tocou desde que eu estive de volta dos EUA. Eu não posso lidar com isso. A última vez que um fisioterapeuta tentou agarrar minha perna para testar a minha flexibilidade, ele acabou com o nariz quebrado. Eles aprenderam depois disso a me deixarem sozinho. Digame o que quer que eu faça, mas mantenha suas malditas mãos de mim. Mãos trazem a dor. Toque significa dor e agonia. Toque me devolve flashes de estar acorrentado a uma cadeira de metal, um punho em volta

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do meu dedo anelar, a dobra lenta e inexoravelmente para trás até que ela se encaixa. Flashes de mãos empurrando meu rosto contra a parede, uma navalha maçante sendo arrastada pelo meu couro cabeludo seco, cortando. Quando Reagan me tocou, eu não acho que ela tinha alguma ideia de como cheguei perto de atacar com meu cotovelo. Seu toque era um raio. Depreende me golpeando com calor instantâneo. As pontas dos dedos apenas, na parte redonda do meu ombro, um suave toque hesitante. E então ela pressionou seu corpo contra o meu, me segurou de alguma forma, e me levou para o estábulo. Isso não deveria ter sido possível, mas essa mulher é forte. E tudo que eu podia sentir era o cheiro de shampoo citrus no cabelo dela, o suor em seu corpo. Porra. Eventualmente o sono vem, mas eu tenho um sonho. Um diferente desta vez. Não é a caverna e os estilhaços ou as surras ou Tom morrendo, mas um sonho sobre Reagan. A imagem dela levantando sua camisa. Só no sonho, ela tira e vem em minha direção, os cabelos soltos. E então eu acordo. Eu caio no sono e tenho o mesmo sonho. Eu durmo até o amanhecer, e, em seguida, me levanto e saio do celeiro. Eu não me incomodo com uma camisa, uma vez que o dia já está quente. Além disso, é a única camisa que tenho comigo. Eu destampo o pote de tinta, reúno os rolos e pincéis, subo a escada. Mergulho o rolo na tinta. Cinza vira para rosa, em seguida, laranja, e eu termino um lado do celeiro com a primeira camada. A velha madeira é porosa e seca, por isso vai demorar várias demãos. Eu começo por outro lado, tendo um terço do caminho feito, e fico sem tinta. Descendo a escada, acho Reagan esperando por mim, segurando um prato cheio de comida. Rabanada, ovos fritos, salsicha. A mulher pode cozinhar.

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Quando eu termino de comer, eu olho para ela. — A tinta acabou. Vou precisar de mais alguns litros para terminar o celeiro. Um pouco de branco para a casa. A menos que você queira a casa de uma cor diferente. Está tão desbotada e descolada que neste momento ela pode ser qualquer cor que você quiser. Reagan inclina a cabeça. — Eu não tinha pensado nisso, — diz ela. — Talvez um verde escuro? Eu dou de ombros. — Claro. Verde então. — Eu devolvo seu prato, o garfo chocalhando em toda a superfície. — Eu vou me lavar e ir até a cidade. Gesticulo em direção à parte de trás do celeiro, onde a velha bomba de poço está localizada. Este é o lugar onde eu ia me lavar. — Oh, meu Deus, — diz Reagan, surpresa, a consternação na voz dela. — Eu sou uma pessoa horrível. Eu paro e recuo. — Do que Diabos você está falando? — Você tem usado a bomba de todo esse tempo, não é? Você já esteve aqui uma semana, e você não teve um chuveiro. — Ela olha para os meus jeans. — E você não teve nenhuma roupa extra, não é? Deus, eu não posso acreditar em mim mesma. Eu mudo de pé para pé. — Não tinha certeza de onde eu estava indo, exceto aqui, então eu não trouxe nada. Não tem problema, de qualquer maneira. Está bem. — Não é bem, — diz ela. — Vamos entrar e tomar um banho. — Eu hesito, e ela se move atrás de mim, me empurrando. — Vai. Eu aceito, mesmo que apenas para fugir do fogo e intensidade desconfortável de sua presença. Ela me segue para a varanda, se move para além de mim, e abre a porta de tela, que bate atrás de mim. Eu tenho dificuldade para me mover além do foyer. Há uma sala de estar

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formal para a direita, uma escada em frente à porta da frente, um pequeno salão com piso de madeira, coberta por um espesso tapete, um sofá sob uma janela em uma parede, uma televisão na parede oposta. Uma porta leva para a cozinha, e eu posso ver que é pintada de amarelo com azulejo branco no chão. Armários brancos. Aparelhos de vinte anos de idade. Há uma mesa para quatro pessoas de madeira marrom redonda, um jogo com sal e pimenta de vidro transparente e molho Tabasco. Meus nervos voltam. A causa do meu problema está sentado no sofá, sonolento, olhando para a TV. Cabelos claros, com os olhos exatamente como Tom, largos, marrons e profundos. Ele é malditamente adorável. Tem que ter em torno de três até agora. Segurando um copo de plástico com personagens de desenhos animados de algum tipo, uma tampa vermelha brilhante. A TV pisca e eu posso ver pequenas criaturas sereias com enormes cabeças cantando uma música sobre sair. Ele é a mentira que eu disse... ou melhor, não disse. Quando Reagan me perguntou sobre a carta e se Tom sabia sobre seu filho, eu me apavorei. Eu não podia responder. Reagan merece a verdade, e eu não tenho certeza se eu sou homem o suficiente para dar a ela. — Derek? — Sua voz é calma, bem ao meu lado. — Ele é apenas um menino. Ele não vai, eu não sei. Você age como se você fosse- — Claramente, ela está rondando em torno da questão. Não quer dizer que uma criança de três anos de idade não vai me machucar, que eu estou agindo com medo de um garoto. Ela se ajoelha. — Tommy? Você pode vir dizer oi? O menino desliza para frente do sofá em uma estranha manobra furtiva. Ele se aproxima, segurando o copo debaixo do braço, em seguida, olha para mim. — Oi. — Ele aponta para a TV. — Guppies. Eu olho para a TV. — Guppies? ~ 100 ~


Ele coloca o copo à boca, dá um longo gole, fazendo um barulho borbulhante. — Bubb Guppies. Me viro para Reagan traduzir. O canto de sua boca se curva em um sorriso. — O desenho que ele está assistindo. É chamado de Bubble Guppies. — Eles não se parecem com Guppies. Eles se parecem com sereias de cabeça grande. Ela ri. — Eu sei. Nem sempre faz sentido, mas ele adora. — Ela aponta para a TV. — Dê uma olhada. Agora as coisas estão cantando sobre ir acampar. Há um fogo, feito de bolhas. Tudo debaixo d'água. Eles estão nadando ao redor, mais e mais, mas é evidente que o desenho pôs as leis da física de lado. — Estranho, — eu digo. O garoto está apenas olhando para mim. Ele coloca o copo no chão, levanta os braços sobre a cabeça. — Cima. Pego ele pelas mãos, meus grandes dedos engolindo seus minúsculos dedinhos. Eu o levanto e coloco para baixo. Reagan ri novamente. — Não, seu bobalhão. Ele quer que você pegue ele. Tipo, segurá-lo. Não quero. Esse garoto é o lembrete da minha culpa. Mas ele está se inclinando contra as minhas pernas, os braços estendidos para cima, cantando. — Cima, cima, cima. — Eu não sei como segurar uma criança. Eu tenho que erguer a cabeça ou o que? Reagan bufa. — Oh meu Deus. Ele tem três anos. Ele não é um bebê. Basta pegá-lo pelas axilas. Ele vai fazer o resto. — Por quê?

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Isso faz ela pensar. — Ele quer ser pego. Eu não sei. Faz com que ele se sinta melhor, eu acho. Eu levanto Tommy pelas axilas, segurando-o com o braço estendido. Ele de alguma forma consegue rastrear todo o espaço vazio e se agarra ao meu torso, abraçando minha cintura com as pernas. Sua cabeça se encontra no meu ombro. Esta é a sensação mais estranha que eu já senti. Ele está agarrado a mim como um macaco, sua respiração vai firme e profunda. Algum estranho instinto me faz colocar o meu braço sob sua bunda para apoiá-lo, e ele fica mole dentro de segundos. Eu só fico ali, segurando a criança, quando ele adormece. Seu braço balançam soltos em meu peito. Me viro e olho para Reagan. — E agora? Ela sorri, um sorriso estranho e quase sonhador que eu não tenho certeza de como interpretar. — Apenas coloque ele no sofá. Eu pego a parte de trás da cabeça dele com uma mão, o meu outro braço sob os joelhos dele. Eu o deito no sofá de costas. Ele se estende para fora, de boca aberta, roncando. A velha Ida - eu acho que o nome dela é - está na cozinha, farinha em suas mãos, observando. Sua expressão de surpresa provavelmente corresponde ao meu próprio. Reagan lidera a subida pelas escadas. — Vamos lá - eu vou pegar uma toalha. Sigo ela, olhando para os degraus de escada ao invés de sua bunda, que é onde o meu olhar quer ir. Ela me leva para o quarto principal. Há uma cama queen-size antiga com uma estrutura de metal de ferro forjado, uma cômoda de cinco e outra de três gavetas com um espelho. Eu prontamente me recuso a pensar sobre o fato de que eu estou em seu quarto.

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Reagan gesticula à minha frente para o banheiro, arrancando um sutiã branco do chão. — Merda. Desculpe. Nunca ninguém entra aqui, além de mim. Ela abre a tampa de uma cesta de vime, joga a roupa que eu tive um vislumbre, uma calcinha, um jeans com uma perna dentro para fora, e outra sutiã -. o vermelho da noite passada – junto com sua camiseta e meia brancas. É uma coisa estranhamente íntima, roupa de uma mulher. Eu olho para longe, para a pia. Isso não é muito melhor. Maquiagem, bandejas de pó e tubos de batom, um monte de outras coisas que eu não posso identificar. Nada disso parece como se tivesse sido usado em um longo tempo. Há um modelador, uma escova com cerdas pretas e azuis. Vários laços de cabelo em uma pilha no canto da pia, fios de cabelo loiro comprido ainda presos lá. Há um pacote de absorventes no chão pelo vaso sanitário. Não posso olhar lá. Duas toalhas úmidas sobre os trilhos de cortina do chuveiro. Este é, sem dúvida, o espaço mais feminino que já entrei. Estou intensamente desconfortável, hiper-consciente de Reagan ao meu lado, com cheiro fresco e limpo, e os meus pensamentos estão no sutiã vermelho – no fato que ela os tirou e jogou dentro do cesto. O banheiro ainda cheira vagamente de um banho recente, aquele cheiro úmido de vapor e shampoo e outra coisa indefinível, o cheiro de um banheiro depois de um banho. Depois de um momento de constrangimento, Reagan se inclina sobre a pia, abre o armário. Há uma bunda redonda e dura de frente para mim, um lembrete de que esta é uma mulher bonita e eu estou em seu banheiro, em seu espaço privado, e ela está fora dos limites. Ela se endireita, me entrega uma toalha grossa. — Há xampu e sabonete lá, obviamente. — Ela aponta para o chuveiro. — Vou ver se eu posso te encontrar algumas roupas limpas. — Obrigado. Eu posso usar estes. Está bem.

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Ela aperta o denim sobre a minha coxa entre o indicador e o polegar. — Não seja ridículo. Estas calças estão cobertas de sujeira. — Ela visivelmente repreende a si mesma. — Eu tenho um par de caixas de roupas de Tom no sótão. Elas devem se encaixar. — Você não tem queEla balança a cabeça, me cortando. A voz dela é dura, brusca. — São apenas roupas, Derek. Ela se foi, então eu espero até que ela esteja fora do quarto principal antes de cutucar a porta do banheiro fechada e sair do meu jeans. O chuveiro é glorioso. Alto o suficiente para que eu não tenha que abaixar, um fluxo duro de água quente. O shampoo é um pouco feminino, mas que seja. Estou limpo, e é uma sensação incrível. Os banhos no hospital foram curtos, geralmente tépido ou escaldante, e a ducha era tão baixa que eu tinha que me sentar, basicamente, para caber sob ele. Eu fico lá por um longo tempo, até que a água fica morna. Quando eu saio, há uma pilha de calças jeans, camisetas, meias e cueca samba-canção sobre a cama. Coloco as roupas, exceto a cueca. Eu serei amaldiçoado se eu vou usar a cueca de outro homem, não importa quem foi ele ou quão limpo isso está. Apenas não. Nem pensar. Quando eu vou lá embaixo, eu vejo que Reagan está escrevendo uma lista. Ela não olha para mim. — Pronto? Vamos lá. Eu preciso de alguns mantimentos da cidade de qualquer maneira, então podemos ir juntos. — Ela olha para Ida. — Precisamos de mais alguma coisa da cidade, Ida? Ida dá de ombros. — Não que eu possa pensar.

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— Estaremos de volta o mais rápido possível. Ida bagunça o cabelo de Tommy. — Nós vamos ficar bem aqui, não vamos? Tommy apenas sorri e volta ao seu sanduiche. Reagan o beija na parte superior da cabeça, e então se dirige para a porta da frente. Ela está evitando o meu olhar agora, e de repente parece mais desconfortável em torno de mim do que antes. Talvez seja roupas de Tom. Ou pode ser algo totalmente diferente, algo que eu não posso começar a imaginar.

Tudo que eu sei é que eu sinto o cheiro de shampoo citrus e algo de baunilha quando ela passa por mim no caminho para a caminhonete. O cheiro dela me deixa tonto de maneiras que eu não me atrevo a pensar. Fora dos limites, Derek, eu digo a mim mesmo. Fora dos limites.

***

REAGAN Ele está fora dos limites, mulher estúpida, eu me repreendo. Você não pode pensar nele assim. Ele fechou a porta do banheiro, antes de entrar no chuveiro, mas ele não percebeu que a porta tem uma tendência a destrancar e se abre poucos centímetros. Eu só queria colocar as roupas na cama e sair de novo, mas eu estava presa pelo vislumbre dele que eu tive pela porta entreaberta. A cortina do chuveiro é de plástico transparente, escondendo nada, apenas para impedir que a água respingue no chão. Por um breve momento, eu olhei tudo nele. Ele estava de frente para mim; olhos fechados, cabeça para trás, passando as mãos sobre a sua c

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abeça para enxaguar o xampu. Eu não conseguia engolir após o nó na minha garganta, não podia pensar e não conseguia desviar o olhar. Derek West é lindo. Eu tenho que admitir isso. Ele perdeu peso e está lentamente recuperando e isso serve para aumentar a beleza angular de suas características. Tem sido muito tempo desde que eu vi um homem assim. Quatro anos, eu acho. A última vez que vi um homem nu foi na noite antes de Tom ser enviado para for, a qual seria sua última vez. Desde então, tem sido só eu, Tommy, Hank e Ida. Esperei por Tom, e então esperei por notícias, pela palavra oficial. E então, quando eu consegui, eu lamentei. Longo, e profundamente. Eu fiquei triste pelo meu marido morto. Mantendo a fazenda vai, ficando fora da dívida, mantendo a comida na mesa e meu filho cuidado leva tudo o que tenho, leva cada momento livre da minha vida e mais um pouco. Outros homens nem passaram pela minha mente. E então Derek West aparece e balança o meu mundo inteiro. Sua ajuda é tão apreciada; estive cuidado desta fazendo sozinha por um longo, longo tempo. Eu dirijo o trator, o fardo de feno, aro a linhas, planto, colho, tiro a erva daninha. Corrijo cercas e alimento os cavalos, mantenho seus cascos aparados, limpo eles e os monto - não muitas vezes como eu gostaria - mas de vez em quando, assim cortamos o pequeno pedaço de grama atrás da casa. Eu sou uma mulher forte, capaz e independente. Mas isso não significa que eu não quero e aprecio a ajuda de um homem. Eu coro quando eu levo Derek para a picape, tentando o meu melhor para apagar a imagem de seu corpo nu da minha mente. Derek é um monte de homem. Mais uma vez eu me abalo, forçando esses pensamentos da minha mente. Pense na minha lista de compras. Ovos. Pão. Leite. Suco. Canela. ~ 106 ~


Extrato de baunilha. Bacon. Linguiça. Carne moída. Legumes frescos. Pasta. Isso não ajuda. Ele está no banco do passageiro, com cheiro limpo. Eu roubo um olhar. A pele ao redor da parte de trás do seu pescoço ainda está molhada. Seu cabelo é mais escuro quando está molhado, grande suficiente agora para enrolar nas pontas. Ele varre sua testa, soprado pelo vento que entra pela janela aberta. Sua mão esquerda repousa sobre sua coxa, o jeans escuro. Esses eram o favorito de Tom. São apenas roupas, eu digo a mim mesmo. Eu olho para a mão de Derek, no dedo anelar torto. — O que aconteceu com o seu dedo? — Pergunto, por meio de conversa. Ok, então isso é uma jogada de abertura de merda. Derek fica tenso, e eu sei que eu tenho uma pergunta ruim. — Foi... quebrado. Algumas vezes. Eu torço para o couro do volante. — Merda, Derek. Eu sinto muito. — Eu posso dizer com a reação dele, que é algo que foi feito para ele, algo que ele não quer falar. Ele dá de ombros. — Você não poderia saber. — Ele ri sarcasticamente. — Falar de mim é uma espécie de andar em um campo minado. Você nunca sabe que passo irá causar uma explosão. — E me parece ter um talento especial para erros, eu acho. — Não é sua culpa. Há uma grande quantidade de minas terrestres, eu acho. — Ele fica em silêncio por um momento, mexendo e endireitando o dedo. — Não vai acertar mais. Eles quebraram e, em seguida, a cada dois dias, eles quebraram novamente. Me mantiveram na dor, eu acho. Realmente nunca soube por que - eles nunca quiseram qualquer informação de mim. Não que eu realmente tivesse alguma para dar. Eles fizeram isso só por fazer, eu acho. Me mantiveram quebrando para... Eu não sei. Eu perdi a capacidade de controlar o tempo depois de ~ 107 ~


um tempo. Um par de semanas, provavelmente. Eventualmente, eles perderam o interesse no jogo e deixaram o dedo em paz. Mas estava tão fodido que eu tive que re-quebrar e acertar. Claro, eu não tinha uma tala ou nada, por isso não ficou certo. Eu cubro minha boca com a mão. — Deus, Derek. Isso é... isso é horrível. — Sim, não era divertido. Eu sigo o caminho torto de seus dedos com o meu dedo indicador. — Será que ele ainda te incomoda? Ele dá de ombros. — Sim, às vezes. O material de ossos quebrados de costume. Dói quando chove, esse tipo de coisa. Eu não deveria ter olhado para o seu lado, não devia tê-lo tocado. Agora que eu estou procurando, eu vejo outras cicatrizes. Cicatrizes brilhantes de queimaduras, suave ao toque, em contraste com suas fortes e resistentes mãos. Alguns são redondos, alguns oblongos e disformes. Algo me diz que eles não são queimaduras acidentais. Eu olho para ele, vejo que ele está assistindo observar suas várias cicatrizes. Eu retiro minha mão; voltando minha atenção de volta para a estrada. — Esses que não foram acidentais, não é? — Eu não posso deixar de perguntar. — Não. — Ele se cala após isso, e eu não estou prestes a fazer mais perguntas. Poucos minutos de silêncio, e então: — Você sabe, você fez um trabalho incrível mantendo essa enorme fazenda indo por conta própria. Eu tenho um sorriso hesitante. — Obrigada. Tem sido difícil - eu não vou mentir. — É bom dizer isso em voz alta. — Eu aposto que tem sido. É um grande lugar. Muito o que fazer. — Sim. ~ 108 ~


— Muitas pessoas não poderiam ter feito isto, eu acho. Continuar indo, do jeito que você fez. — Eu não tenho certeza se ele está falando sobre a fazenda mais. — Não há muita escolha. Desista, ou continue, sabe? Essas foram as minhas únicas opções. E uma vez que Tommy nasceu, isso acabou sendo uma rotina. Você só... se levanta, faz o que tem que fazer. Não pensar sobre o dia seguinte, ou a enorme lista de coisas a ser feita ainda. Não há tempo de folga em uma fazenda. Derek trava o braço para fora da janela. — A guerra é a mesma, em alguns aspectos. Faça o que você tem que fazer. Eu não penso muito sobre isso, e eu tento não pensar sobre o que eu tenho feito ou o que eu vou fazer a seguir. Você só... faz o trabalho. Patrulha. Mantém os olhos abertos, cuida das cosas do seu amigo. Obedece ordens e mantem a cabeça para baixo. Tenta ter algum divertimento quando você consegue algumas horas de liberdade. Ele repousa a cabeça para trás no assento, olha para o espaço para as árvores ao longo da estrada. — É engraçado, eu não pensei sobre a vida como um fuzileiro naval em um longo tempo. Eu não me sinto como um soldado mais. Porra... tanto tempo, foi o que eu era. Foi a minha identidade: Cabo Derek West da Marinha dos Estados Unidos. Agora? Eu nem sei mais... quem eu sou, o que eu sou. — Eles vão tentar fazer você voltar? — Eu não sei, oficialmente. Eu sei que eu não vou voltar. Foda-se. Foda-se a Corporação. Foda-se Afeganistão. Foda-se a guerra. Eles vão ter que me arrastar de volta em punhos. E eu não iria sobreviver ao primeiro ataque. Estou cheio de tiques. Agitado. Estou em forma horrível. — Ele balança a cabeça. — Não. Eu não vou voltar. — Eu não culpo você. — Outro longo silêncio. — Eu nunca quis ser uma fazendeira. Eu cresci em um rancho em Oklahoma. No meio do nada, assim como aqui. Eu odiava. Eu queria mudar para uma cidade ~ 109 ~


grande. Phoenix, ou Austin. Até mesmo Nova York. Eu queria ser um chef. — Eu não tenho certeza da onde a admissão veio. Eu nunca disse isso a ninguém. Derek olha para mim, a cabeça pendendo sobre o banco. Seus olhos são verdes musgos em uma árvore, escuro e fresco. — No entanto, aqui estão vocês. Por quê? Eu dou de ombros. — Eu amava Tom. Este é o lugar onde ele queria estar. Ele amava esta terra. Seu pai viveu nesta terra, seu avô. Seu bisavô. Essa fazenda é a segunda construída naquele local. A primeira foi incendiada em 1923. E Tom? Ele só... se identificou com a fazenda, com o Texas, em ser um agricultor. Ele queria ver um pouco do mundo antes de se estabelecer, no entanto. Ele queria fazer algo com sua juventude, eu acho. Quero dizer, ele viu o pai, que cresceu em uma fazendo e nunca saiu, nunca deixou Texas, ou até mesmo viajou mais para longe do que Galveston. — Bem, Tom viu o mundo, tudo bem. Iraque, Alemanha, Afeganistão, Marrocos. Isso era novidade para mim. — Marrocos? Quando Tom foi para Marrocos? Ele sorri, se lembrando. — Eu, Hunter, Tom, Blast e Abraham, fizemos uma viagem juntos. Isso foi quando estávamos em Bagdá, no início da segunda vez. Nós tivemos quatro dias de liberdade, então entramos em um avião para Casablanca. Isso fez um inferno. Todos nós recebemos notificações por escrito por isso. Barrett e eu limpamos latrinas por duas semanas por causa dessa viagem. — A voz de Derek quebra. — Eu e Hunter, somos os únicos vivos de toda a nossa unidade. Todos, desde o Foxtrot original... eles estão todos mortos. A deles - a maioria deles morreu na emboscada. Eu não posso simplesmente não responder, mas eu não sei o que dizer. — Você já viu Hunter? Desde que você voltou? ~ 110 ~


Ele balança a cabeça. — Sim. Ele e Rania vieram no hospital. Passaram alguns dias comigo. Eles estão tendo uma outra menina. — Ele faz uma pausa para pensar. — Deve nascer em um par de semanas. — Eles estão fazendo bem, então? — Sim. Muito bom. Hunter trabalha em um grupo da estrada, Rania é uma enfermeira em um hospital. De repente, estamos no Home Depot em Brenham. É uma experiência estranha doméstica, a compra de tintas e cerca e algumas outras bugigangas. Então vamos até o Brookshire Brothers para comprar mantimentos. Ainda mais domesticidade. Vagando para cima e para baixo do corredor, um carrinho com rodinhas, Derek passeia ao meu lado, conversando casualmente sobre as coisas vãs: Baker – o velho Hank e os agitados Blue Heeler11 - perseguindo um coelho através do pasto ao norte, latindo loucamente e tropeçando a cada terceiro passo, porque ele é manco de sua perna; Henry e sua busca incessante por trilhos de cerca soltas para derrubar para que ele possa chegar a grama mais verde do outro lado; tudo menos Tom, qualquer coisa, menos a guerra. Eu não tenho ido compras de supermercado com um homem desde a licença de Tom de dez meses entre passeios. É uma sensação estranha, ter alguém por perto que não é Hank, Ida, ou Tommy. Eu me pego olhando para ele, olhando para a forma como os ombros se movem quando ele anda, os restos de um palpite inconsciente. Os passos longos de suas pernas, o jeito que ele aperta a mão esquerda de vez em quando, mexe o dedo anelar. Mantém as mãos por baixo de suas coxas e sacode para parar a tremedeira. A forma como seus olhos estão sempre digitalizando, pulando de pessoa para pessoa, avaliando e notando quando alguém vem atrás de nós. Derek percebe tudo, nada falta.

11

Uma raça de cão. ~ 111 ~


Estamos jogando as sacolas em cima do assento da caminhonete. Uma caminhonete turbinada cheio de garotos adolescentes barulhentos ruge no estacionamento, a música rap tocando nos alto-falantes, gritos e risos e maldições. Há três ou quatro rapazes empurrando o outro e rindo, se levantando quando a caminhonete guincha e para na frente deles. Um deles tem um cigarro na boca, e ele está se inclinando para o amigo dele, cutucando e rindo, segurando a mão, exigindo alguma coisa. O outro menino entrega o objeto e eu ouço ele dizer: — Se o cara aparecer, eu estou fora daqui. Apenas dizendo. — Viadinho. — O garoto com o cigarro pendurado nos lábios coloca um pé na borda da traseira da caminhonete, puxa o cigarro de seus lábios, e prende ao item em suas mãos. — Vai, vai! — Ele grita, pulando para baixo, chegando a pegar a mão do amigo e o empurrando para baixo, fazendo os outros correrem, jogando o que eu agora percebo que são fogos de artifício a poucos metros de distância. Derek percebe as crianças indo embora e se ocupa em amarrar uma corda elástica através dos laços dos sacos plásticos de supermercado, os fixando ao assento. Ele não percebeu os fogos de artifício. Antes de eu pensar em alertá-lo, os fogos de artifício explodem. CRACK! Na primeira explosão, Derek se abaixa, ajoelhando no outro lado da caminhonete, contra o pneu. Crackcrackcrackcrack Quando o resto dos fogos saem, Derek identifica o som e se endireita a seus pés. Ele está abalado, claro. — Fodidas bombinhas. Jesus. — Ele agarra o aro de metal do assento da caminhonete, claramente lutando por compostura. Eu não penso duas vezes antes de colocar minha mão em suas costas, esfregando em círculos lentos e suaves. — Você está bem? ~ 112 ~


Ele fica tenso ao meu toque, mas não se afasta. — Envergonhado. — Ele late para fora, um riso duro. — Assustado por causa de algumas bombinhas malditas como um idiota. — É uma reação-natural. — Só me tire daqui. Tem muitas pessoas. — Ele empurra para longe da caminhonete, dá a volta para o lado do passageiro, e entra, olhando pela janela. Após quinze minutos de um silêncio sepulcral, eu esfrego uma mão em seu joelho. Ele olha para mim em questão. — Você não tem nada para se envergonhar, Derek, — eu digo. — Meu coração ainda está acelerado. Eu estou suando pra caralho e agitado. Olhe para isso. — Ele estende a mão esquerda, que está agitando violentamente, até que ele aperta o punho, descansando a mão sobre sua coxa. Eu cubro a sua mão com a minha. — A última vez que Tom chegou em casa, ele estava aqui para o quarto de julho. Descemos para Houston, e tivemos este grande jantar e fomos até o Memorial Park. Fomos para o Miller Theater para ver os fogos de artifício. Eu nem sequer pensei sobre isso - como os fogos de artifício o afetariam. Ele era durão, você sabe conhece – conhecia ele. — Eu tenho que enfatizar o verbo no passado ainda por vezes. — mas ele era uma bagunça com a coisa toda. Quando eles começaram a atirar os foguetes, ele não aguentava mais. Ele correu e eu encontrei ele no banheiro dos homens, sentado em um box, hiperventilando. Ele não me deixou entrar, então eu rastejei por baixo da porta para ficar com ele até que tivesse acabado. — Soa a coisa certa. Ambos fingimos que minha mão não está ainda na dele. Eu finjo que o meu coração não está trovejando como uma adolescente e eu finjo não perceber que sua mão ainda treme de vez em quando. Ele, por sua

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vez, casualmente fecha a mão, relaxa a mão na sua perna. Ele finge que não percebe que os meus dedos de alguma forma, por conta própria, escorregando entre os dele. Eu finjo que é totalmente natural e normal dirigir o resto da viagem de vinte quilômetros com apenas minha esquerda no volante, mesmo com as curvas. Eu finjo para mim mesma que eu não estou decepcionada quando chegamos e eu tenho que puxar minha mão. Ele, como um homem típico, carrega quase todas as sacolas de compra para a cozinha em uma única viagem, sacolas drapeadas ao longo de seus antebraços, três ou quatro apertadas em cada dedo. Ele bate a porta traseira fechada quando eu pego o galão de leite. Ele para, uma mão sobre a porta traseira, seus olhos encontrando finalmente os meus. — Reagan? Eu coloco o leite encima do para-choque. — Sim? — Só... obrigado. Pela compreensão. Por não me fazer sentir como um maricas. Eu sorrio para ele. — Você é literalmente a coisa mais distante de um maricas, Derek. Ele abaixa a cabeça e assente, não realmente concordando, mais reconhecendo a minha declaração. — Bem, obrigado. — Ele passa pela lateral da caminhonete com a palma da mão. — Acho que vou terminar o celeiro agora. Eu o vejo passar, e para o resto do dia eu estou firme na memória de sua mão sob a minha.

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CAPÍTULO NOVE DEREK O mês seguinte é uma estranho dança desajeitada. Reagan e eu parcialmente evitamos um ao outro e parcialmente procuramos um ao outro. Eu não posso apagar a sensação de sua mão sobre a minha, a maneira gentil que ela teve sobre ela. Mas é por causa d a incapacidade de me esquecer de algo tão simples como a mão dela sobre a minha depois do meu surto que me incomoda. Eu a evito após cada um de nós terminar o dia de trabalho. Ela sempre está suada, suja e sexy. Isso me deixa louco. Sua camisete gruda em seu peito e estômago, seu shorts moldando suas coxas e bunda. Seu cabelo está pendurado e bagunçado em sua testa e a nuca por causa do suor, a sua pele bronzeada. Eu não posso olhar para ela, então eu a evito até que ela esteja limpa. Mas isso geralmente significa que ela acaba trazendo comida para o celeiro, ou deixando na mesa da cozinha para mim depois de eu vir para tomar banho. Ela nunca vem e me pede para comer com eles, por isso eu não faço. Seria estranho sentar naquela mesa redonda com Hank, Ida, Reagan e Tommy, como algum tipo de família. Eu não me sentei para um verdadeiro jantar em uma mesa de verdade nos últimos anos. Em Des Moines não tínhamos costume de jantar em família em uma mesa. Meu pai trabalhava na construção e nunca estava em casa para o jantar. Minha mãe era professora, e ela não estava em casa muito depois da escola. Hannah e eu normalmente apenas fazíamos sanduíches, queijo grelhado, ou Kraft Macaroni e comíamos na frente da TV, assistindo Nick at Nite. Havia feriados, é claro, mas esses eram fodidos encontros formais. Nana e Pop vinham de DC, Pop e papai beberiam Johnny demais e entrariam em uma discussão. Nana e minha mãe se sentariam em um silêncio gelado, enquanto Hannah e eu fingiríamos não perceber,

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fingindo gostar da torta de abóbora de merda que mamãe fazia. Nós geralmente acabávamos escapando da casa, Hannah indo para a casa da amiga, Marybeth, e eu para a casa de Hunter. Isso só funcionou até que a tradição na família de Hunter morreu quando estávamos no colégio, mas nesse ponto, tivemos a nossa equipe de amigos de futebol, e nós roubamos a Seven-Eleven12 e jogamos futebol no estacionamento vazio. Então, sim, eu não sou dessa coisa de jantar na mesa. Às vezes eu sento com a porta aberta do palheiro, pés pendurados para fora sobre o espaço. Eu posso apenas mal ver através da janela da frente até a mesa da cozinha. Reagan fica no lado esquerdo da mesa, Tommy ao seu lado. Ida ao lado dele e Hank ao lado oposto ao de Reagan. Eles não tem relações de sangue, mas eles são uma família. Ida passa o dia aqui, cuidando de Tommy enquanto Reagan trabalha. A fazenda de Hank é um bom pouco menor e mais fácil de gerir, de modo que ele faz as coisas e, então, ajuda Reagan, embora desde que eu estive aqui, nós não precisamos muito de sua ajuda. Eu realmente acabei algumas vezes ajudando ele. Nós não falamos muito, Hank e eu. Não precisamos. Ele é um velho soldado; ele entende isso Embora, uma noite, Hank e eu estávamos espalhando feno no celeiro, ele descansou sua pá e olhou para mim. — Você tem um plano, Derek? Eu odeio essa pergunta. Pergunto isso a mim mesmo todos os dias. Eu dou de ombros. — Na verdade, não. — Provavelmente vai precisar de um, eventualmente. — Ele acena com a cabeça na direção da fazenda de Reagan. — Essa situação. Não vai durar para sempre. Concordo com a cabeça. — Eu sei.

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Uma rede de lojas. ~ 116 ~


— Reagan é uma mulher forte, mas ela passou por muita coisa. — Ele volta a espalhar o feno. — Ela não tem muito mais que ela pode dar. Eu solto um suspiro. — Eu te entendi, Hank. — Entendeu? — Sim senhor." Ele balança a cabeça. — Só assim nós entendemos um ao outro. Ele não estava me dando um aviso. Não há nada para avisar. Eu estou apenas ajudando até que eu conserte a minha merda. Mas eu preciso de um plano. Algum lugar para ir. Algo para fazer. É óbvio que eu não posso ficar aqui para sempre. Não é o meu lugar. Não é a minha família. Mas... Eu não quero ir. Eu gosto daqui. Eu recuso a carona de Hank para ir até o celeito, optando por caminhar pelo crepúsculo. Nesta parte do Texas, meia milha de distância é considerado um vizinho próximo, por isso é uma caminhada decente, mas pacífica. Os grilos cantam, andorinhas piam e morcegos voam. Uma coruja pia em algum lugar. O solo desprende um odor pungente, ainda quente do calor do dia. Eu ando e observo as estrelas picarem no céu, brilhando à vida, uma por uma, até que de repente chego no centro e, em seguida, mil e, em seguida, muitos milhões para contar. As estrelas eram uma coisa que eu poderia contar quando eu era um prisioneiro. O Afeganistão é uma áspera, dura e implacável terra selvagem. Céus enormes, vastas planícies sem vida, altas montanhas nuas, e picos de pedra afiada. As estrelas são brilhantes e inúmeras. Se eu pudesse vê-las, eles me davam esperança. Rachaduras na porta, janelas altas, uma visão de dentro de uma caverna. Gostaria de tentar não ~ 117 ~


respirar muito alto e ver as estrelas saírem, vê-las se alegrar, se moverem e desaparecer. Agora as estrelas do Texas são algo que eu possa agarrar, uma espécie de continuidade na minha vida. Havia estrelas brilhantes em Des Moines. Milhões no deserto do Iraque. Incontáveis bilhões no Afeganistão. Agora, aqui estão essas mesmas estrelas, igualmente brilhantes e inumeráveis. Algo para eu me agarrar enquanto eu me esforço para encontrar o meu caminho neste período pós-guerra, a vida confusa pós-cativeiro. Observando as estrelas ao invés de para onde estou indo, eu acabo fora da pista. Em vez de o celeiro, encontro-me dobrar na frente da casa, andando atrás dele. A grama é uma faixa escura diante de mim, separando os campos colhidos por uma cerca, que eu passos por baixo. Há uma lagoa por aqui em algum lugar. Por trás das árvores. Carvalho, alguns salgueiros. Uma cais curto, pouco visível por entre os galhos das árvores, é apenas um comprimento de dez metros de madeira envelhecida. Eu posso ver isso do meu ponto de vista sobre este lado da lagoa. Eu passo por baixo de um carvalho baixo e empurro os fios de um salgueiro. Eu tiro minhas botas e meias, virando a bainha para cima e me sento, balançando os pés na água morna. Eu assisto a meia lua crescente refletir sobre a água ondulando suavemente, absorvendo o silêncio e a paz. Eu fecho meus olhos e cochilo, por quanto tempo eu não sei. Meus sentidos formigam e eu abro meus olhos. Reagan está na doca, delineada na luz das estrelas de prata. Estou obscurecido pelos fios de salgueiro, e eu vejo como Reagan se senta, desliza fora de seus sapatos e meias. A lagoa tem apenas cem metros de diâmetro então eu possa vêla claramente, os pés descalços, balançando. Ela se levanta, se vira para

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olhar para a casa. Um par de faróis se afasta, curva e desaparece; Ida e Hank foram para casa. Reagan fica imóvel, observando a casa. Ouvindo para se certificar de que Tommy está dormindo, eu assumo. Depois de alguns momentos, ela parece satisfeita. Meu coração se apodera e minha boca fica seca e minhas mãos tremem na grama na beira da lagoa; ela desabotoa a bermuda cáqui e abaixa o zíper. Deixando cair para a doca. Eu deveria ir. Eu deveria desviar o olhar. Alertá-la sobre a minha presença. Idiota que eu sou, eu faço nenhuma dessas coisas. Eu vejo como ela agarra a bainha de sua camisa, os braços cruzados e o tira. Sutiã branco e roupa interior vermelha. Pernas longas e fortes. Estômago talhado, braços musculosos, ombros magros. Deus, tão bonita. Eu não consigo desviar o olhar; estou preso, hipnotizado. Ela apenas está lá em seu sutiã e calcinha por alguns minutos, respirando, olhando para o céu. Contando as estrelas, talvez. Eventualmente, ela empurra a calcinha para baixo pelos quadris. Ela atinge suas costas e desvincula o sutiã, encolhendo os ombros para sair, colocando encima de suas roupas. Ela está nua, impressionante, de tirar o fôlego. Seus seios são cheios, redondos, pálido à luz das estrelas. Eu posso apenas posso ver o pico de um de seus mamilos na silhueta. Ela pressiona as palmas das mãos contra o estômago, suaviza as mãos para cima, levanta os peitos dela e esfrega a parte inferior antes de deixá-los cair com um belo salto. Ela puxa seu cabelo para fora do rabo de cavalo e o agita para fora, passando as mãos por ele. Outro momento de hesitação, em ~ 119 ~


seguida, estica os braços elevados acima da cabeça, as nádegas tencionando, seus peitos balançando, ela empurra para a frente em um mergulho quase horizontal. Quando ela está sob a água e fora de vista, eu solto um suspiro duro, esfregando meu rosto. — Você é um idiota, Derek West, — eu digo a mim mesmo em voz alta. Mas, mesmo com a minha condição de idiota estabelecida, eu não me levanto, eu não saio. Eu sei que eu deveria, mas estou ávido por outro vislumbre da beleza nua de Reagan. Mesmo a culpa queimando em minha alma não pode me fazer ir embora. A água ondula e sua cabeça aparece acima da água do outro lado do lago, o cabelo penteado para trás, ombros espreitando e piscando enquanto ela nada. O lago é claramente uma piscina de buracos, pelo que parece. Ela atinge a margem oposta e detém sobre a grama com uma das mãos, passando a palma da outra mão sobre seu couro cabeludo e por seu rosto. E então ela se abaixa sob a água novamente e está fora da vista mais uma vez.

***

REAGAN Nadar nua tarde da noite depois que Tommy está dormindo é outro dos meus pequenos segredos sujos. É relaxante, libertador. Emocionante. Refrescante depois de um dia duro. Hoje, um mergulho é especialmente bem-vindo. O dia estava quente, o trabalho sem fim. Minha pele coça de suor seco, e eu estava ansiosa para um mergulho rápido desde o momento que eu acordei. Ida ~ 120 ~


foi embora, Tommy foi para a cama e adormeceu. Derek estava longe de ser encontrado depois de ajudar Hank com suas tarefas do celeiro para a noite, então eu assumi que ele estava no meu celeiro, fazendo o que ele faz lá dentro. Exceto, quando eu quebrei a superfície logo abaixo da minha parte favorita do lago, perto da árvore de salgueiro, lá estava ele. Pés descalços pendurados na água. Seus olhos arregalados quando eu vim para o ar. Engoli em seco, me abaixei e segurei a margem. — Derek. O que o que você está fazendo? — Eu - um. Acabei por aqui. Pensei em sentar de água por um minuto. — Ele olhou para a grama. — Então você - e eu não podia - eu sou um idiota. Sinto muito, Reagan. Eu sou apenas um idiota. Ele se arrasta de pé, se virando. Agora que estou por cima do meu choque ao vê-lo, o resto das minhas emoções são difíceis de decifrar. Irritada com seu rancor, sim. Mas também... não tão louca como eu deveria estar. Não tão ofendida ou indignada como eu deveria estar. Mais intrigada do que eu deveria estar. Muito mais indisposta a deixá-lo ir embora do que eu deveria estar. — Espere. — Eu coloco os dois braços no banco. A lagoa é realmente um buraco de natação feito pelo homem. Apenas um grande buraco no chão, uns bons vinte metros de profundidade. Derek para, uma das mãos no tronco do salgueiro, mas ele não vira. — Sim? — Você me observou? Ele abaixa a cabeça. — Sim. — Ele vira ligeiramente, me olha por cima do ombro. — Você tem todo o direito de me odiar.

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— Mas eu não. Ele levanta a cabeça em surpresa, vira um pouco mais. — Você não? Eu balanço minha cabeça. — Não. — Minha garganta trava, mas eu me obrigo a continuar. — Na verdade, tenho uma confissão a fazer. Aquela primeira vez que você tomou um banho no meu banheiro? Que eu te trouxe as roupas, eu deveria ter dito a você, a porta não trava e ela abre um pouco. Eu acidentalmente vi você tomar banho. — Acidentes acontecem, — diz ele. — Eu fiquei observando, mesmo sabendo que você não sabia que eu estava aqui. Eu só assisti, como um pervertido. Eu estou corando furiosamente, o coração martelando. — Sim, bem, eu não exatamente desviei o olhar de imediato, de qualquer maneira. Ele fica em silêncio por um momento. — Oh. — Sim. — Eu olhei para ele, e nossos olhos finalmente se encontram pela primeira vez. — Então... Eu sinto muito, também. Acho que isso faz dois de nós. Eu não sei como interpretar o olhar em seus olhos. Curioso? Nervoso? Há desejo, também. Seus olhos tocam os meus e ele não desvia o olhar. Eu me pergunto o que ele vê em meu olhar? Minhas emoções estão galopando, confusas. Curiosidade e nervos, com certeza. A insinuação empurrado para baixo do desejo, como brasas abaixo de uma espessa camada de cinzas. Ele se vira abruptamente novamente, dá dois passos rápidos em direção à casa. — Eu vou. Te deixar terminar o mergulho. A minha língua me trai. — Não vai, talvez você não tem que ir.

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Estou sozinha. Cansada. Meu coração está pesado de tristeza. Ponderada pela tristeza. Espesso com a solidão. Revestido em couro duro de autossuficiência. É tarde, e minha capacidade de resistir às coisas fervem dentro de mim em relação a Derek - coisas que eu estive ignorando por semanas fraqueza. O conhecimento de que Derek não é alguém que eu deveria me envolver escurece. Ele ainda está lá, é claro. Ele nunca vai embora. Ele é o melhor amigo do meu marido. O melhor amigo do meu marido morto. Ele estava lá quando Tom morreu. Ele é um soldado, um danificado, veterano de combate instável com um caso complexo de Estresse pós traumático. Não estou em condições de ajudá-lo, ou assumir seus problemas. Minha própria vida é dura, sem alívio à vista. Estou sobrecarregada com uma fazenda que eu nunca quis, um filho para criar sozinha, deixando de lidar com a minha dor o melhor que posso, enfrentando o melhor que posso. E no meio de tudo há Derek, bonito e conturbado. No entanto, ele tomou uma carga enorme dos meus ombros simplesmente assumindo o trabalho que eu nunca tive tempo de fazer, fazendo as coisas que são simplesmente muito difícil para Hank ou eu. E... a sua presença me tranquiliza de alguma forma. Ele é um enigma, muitas vezes silencioso, saindo por conta própria. Eu nunca sei como ele vai reagir a algumas coisas. Nunca se sabe o que vai mandá-lo para dentro de si, as memórias em seus olhos. Mas apesar de tudo isso, eu estou atraída por ele. Atraída pelo seu silêncio, pelos fantasmas desenhados em seu olhar, atraída para a quietude dele. Há tempos, quando os problemas em sua alma são mais distantes, que ele pode ser completo, inteiramente presente no momento de uma forma que me puxa para ele com o rebocador inexorável da gravidade. Como agora - ele não está olhando para mim, mas eu posso sentir a sua consciência de mim. O ar entre nós é preocupante e vivo com tensão

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e de combustão química, provocando como um fio vivo. Ele me viu nua. Me assistiu me despir. Estou convidando problemas, e estou plenamente consciente disso. Mas eu permito que as palavras saiam dos meus lábios de qualquer maneira: — Nade comigo. Lentamente, ele gira no lugar, e desta vez seus olhos vão para os meus ombros, o calcanhar, panturrilha e coxa enquanto eu flutuo horizontalmente na água. — Nadar com você? Concordo com a cabeça. Ele engole em seco. — Eu não deveria. Eu não respondo, basta encontrar o seu olhar para vê-lo decidir. Meu coração para no meu peito e aperta meus mamilos quando ele olha para mim, então agarra a bainha de sua camisa e puxa. Ele conseguiu um bocado de músculo ao longo das duas últimas semanas. Muita coisa, na verdade. Acho que ele está trabalhando no celeiro. Ele tem que estar para ter construído muita definição em seus braços e abs. Há esse ‗V‘ do músculo, deixando claro que ele não está usando nada por baixo do jeans. O momento se torna um retrato vivo, um desafio quase. Vou olhar para longe? Será que ele vai se afastar? Este momento parece definitivo, delineando o caminho diante de nós. Volto meus olhos para os dele, olhando para ele, fazendo a minha escolha. Ele hesita, com as mãos sobre o botão da calça jeans. Ele abre. Coloca o indicador e o polegar no zíper, seus olhos verdes tão escuro que parecem pretos, não se afastando dos meus. Ale abaixa o zíper. Eu pisco e mantenho meu foco em seu olhar. Ele empurra o denim para baixo, sai, nu na frente de mim. Eu tenho que olhar. ~ 124 ~


Puta merda. Eu coro e me pergunto se ele pode ver a vermelhidão flamejante do meu rosto, se ele pode ouvir o martelo batendo do meu coração. Ele é um homem muito... abençoado. O vislumbre que eu peguei dele no chuveiro insinuava seu tamanho, mas a grande realidade dele duro é algo completamente diferente. Tem sido tanto tempo desde que eu vi o pau duro de um homem, e eu sou incapaz de desviar o olhar. Ele mergulha na água, passando por mim. Eu me lanço e mergulho sob a superfície, chutando e puxando a água. Eu mergulho no fundo, até que a água fica fria e meus tímpanos apertam, e então eu chuto para a superfície. Eu emerjo menos de centímetros de onde Derek está pisando na água, esperando por mim. Seus olhos vão para o meu peito, em seguida, até meus olhos. Não há nada a dizer. Ele nada para longe, e eu vou até ele. Nós vamos e voltamos algumas vezes, lado a lado. Eu paro no meio do lago, viro de costas e flutuo. Eu posso sentir os olhos de Derek em mim, nos meus seios, barriga e coxas. Momentos passar em silêncio, Derek flutuando em algum lugar para um lado, cada um de nós perdidos em nossos pensamentos, perdida nas miríades de estrelas acima, perdido em saber exatamente o que está acontecendo entre nós. Os únicos sons são os sapos e grilos e do respingo ocasional de uma mão ou de pé como nós flutuamos. Eu rolo, mexo na água, e me encontro a centímetros de Derek, pelo seu lado direito. Ele está flutuando em suas costas, de olhos fechados. Eu posso ver seus poucos pelos no peito e no estômago, as cicatrizes de bala em seu ombro. Seu quadril, uma pequena linha branca fina de uma cicatriz do direito, alto, perto do estômago. A palha grossa de pelos pubianos encaracolado, seu pênis, agora em repouso balançando com o farfalhar da água. Ele chuta delicadamente com um pé, a água ~ 125 ~


Ondulando em suas duas mãos. Sua mão direita escovas minha coxa. O breve toque acidental envia um raio através de mim; eu pisco, inspiro, há um respingo, e Derek está lá, olhos quente e escuros pesquisando. Eu estou sugando respirações profundas, meu peito inchado, seios subindo e descendo, flutuando na água. Nossas pernas chutam para nos manter à tona, ele chega através da água, e sua palma encontra minha cintura. Aspiro agudamente com a sensação há muito esquecida do toque masculino na minha pele. Seus dedos enrolam em minha carne, e a pressão é o suficiente para me dar um puxão em sua direção. As pontas dos meus seios tocam seu peito; ele está se inclinando para trás, e eu estou inclinada em direção a ele, ele está nadando para trás, e eu estou nadando para a frente. Não há nenhuma chance de resistir. Me encontro em cima dele, o meu braço em volta do pescoço, minhas pernas chutando entre as suas. Este é um erro enorme. Eu estou cruzando a linha, caindo sobre alguma vantagem a partir do qual não há retorno. Eu sinto a presença suave do seu pau na minha barriga, endurecido e longo Oh, Deus, por que eu estou permitindo que isso aconteça? Nós não deveríamos estar fazendo isso. Mas a mão está nas minhas costas, logo acima do meu bumbum, e os meus olhos e os deles bloqueados, e eu estou tão completamente incapaz de desviar o olhar, de me afastar, nadar para longe, ou fazer qualquer coisa exceto sentir seu corpo debaixo de mim, duro e forte e intoxicantemente masculino. A margem se aproxima e, em um movimento que eu não entendo e não consegue acompanhar, Derek torce na água, suas mãos indo para minha cintura, pernas chutando poderosamente, e ele está me levantando para fora da água. Eu pouso na grama fresca e macia debaixo da árvore de salgueiro, os longos fios

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pendurados ondulantes em uma brisa quente e tranquila. Minhas pernas envolvem em torno de seu torso, segurando-o para mim. Meus braços enrolam em volta do pescoço dele; ele está se apoiando parcialmente fora da água com a força de seus braços sozinho. Seu rosto está no nível do meu, sua boca inclinada, fechando. — Me pare, — ele sussurra. Eu expiro, minha mão tocando seu queixo, e eu fecho a distância entre meus lábios e os seus. Deus, Deus, Deus. Meus lábios se movem sozinhos num primeiro momento. Em seguida, a língua dela e a minha se aventuram no mesmo momento, tocando e emaranhado. Coisas tintilam na parte de trás da minha cabeça. Bandeiras de advertência e buzinas cantando, mas eles são silenciados pelo sabor de sua boca, pela solidez de sua cintura entre as minhas pernas, seu estômago pressionando provocativamente contra o meu núcleo doendo e úmido, uma parte muito tempo ignorada de mim. Oh, tem havido inúmeras vezes ao longo dos anos quando meus dedos aliviaram a dor por si só nas longas noites, mas isso é tão, tão inadequado. Sonhos e fantasias não podem começar a se comparar com o calor e a força do corpo de um homem contra a sua carne, da sua boca sobre a sua, seu cabelo no peito fazendo cócegas e coçando, sua barba raspando o seu lábio superior e queixo quando você o beija e da maneira que você pode sentir seus músculos ondulando e mudando conforme começa sua conquista para possuí-lo. Quando ele arqueia as costas e paira sobre você, a palma ao lado de sua orelha, a respiração em sua bochecha, naquele momento, todas essas sensações desaparecem a beleza, porque o único foco de sua existência é a presença forte do grosso pau contra o seu mais suave lugar, e você sente que está úmida e quente e pronta para ele, dolorida para ele,

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precisando dele, precisando sentir esse inchaço, essa perfeita plenitude, a conclusão de serem unidos. A respiração e a menor mudança de músculos é tudo o que está entre nós. Minhas mãos estão nas costas dele, nos ombros, acariciando e alisando em círculos, puxando, deslizando das omoplatas para a vasta extensão de suas costas. Perdendo o equilíbrio, eu caio para trás, para a grama, lâminas picando os meus ombros, e minhas mãos encontram o músculo duro de sua bunda esticada. Ele está acima de mim, ainda me beijando, totalmente fora da água agora, um joelho entre as minhas coxas. Uma mão apoiando, plantada no relvado ao lado do meu rosto, a outra varrendo a curva da minha cintura para meu peito, caído para o lado por gravidade. Eles já foram altos e firmes, meus seios. Gravidez os inchou, leite os estendeu. Há um momento de desconforto, constrangimento, uma autoconsciência. Esse momento é apagado pela palma da mão contra o lado ponderado de meu seio, levantando-o, acariciando-o com reverência. Sua boca deixa a minha. Desce. Lábios tocam minha clavícula. — Você é... tão bonita. — Suas palavras flutuam até mim, me fazendo engolir duro contra o excesso súbito de emoções passando através de mim. Não me sentia bonita ou feminina em tanto, tanto tempo. Quatro palavras, um elogio sincero, o seu tom, deixando claro que ele quer dizer isso até as profundezas de seu desejo. Quatro pequenas palavras e eu estou destruída. O momento de esquecimento arrebatador está arruinado.

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Lágrimas explodem, repentinas e furiosas. Um momento que eu estou preso no slide sensual da pele com pele, das mãos e da boca de Derek, e no próximo eu estou soluçando incontrolavelmente. — Merda, merda. — Derek rola fora de mim, deitado de costas na grama ao meu lado, as mãos pressionadas no seu rosto. — Merda, eu sou uma babaca egoísta. Sinto muito, Reagan. Eu sinto muito. Eu não deveria ter deixado isso acontecer. Ele começa a subir, mas eu, incapaz de falar, só posso balançar a cabeça e rolar em direção a ele, detendo-o com uma mão no peito. — Não - não. v Eu engasgo as palavras. Sugo uma respiração profunda, firmando e tentando novamente. — Você não- não éEle afunda de volta para a grama, olhando para mim em confusão. Estou esfregando meu rosto, tentando respirar, tentando parar, mas agora que eu já abri as comportas, está tudo saindo, anos e anos de miséria reprimida e tristeza e solidão e fraqueza. Tudo o que posso fazer é me esquivar para ele, descansar minha bochecha contra seu peito e gritar. Horrível, lágrimas feias. Interminável, infinitas. Derek não fala, não faz perguntas. Ele apenas me embala no calor abrigando de seus braços e acaricia o meu cabelo longe do meu rosto. Ele não me cala, ou me diz para não chorar, ou agir estranha ou desconfortável. Ele apenas me segura, e isso, na verdade, apenas o torna muito pior. Porque é exatamente o que eu preciso, e eu não posso aceitar, não posso lidar com ele sendo tão doce e compreensivo quando ele nem sequer compreende a profundidade do que eu estou sentindo. Inferno, eu nem sequer compreendo plenamente minhas próprias emoções, então, como ele poderia? Nós dois estamos ainda nus, mas isso de alguma forma se desvanece. O ar quente é espesso e úmido e cheiro forte de chuva iminente. O céu está escuro, estrelas apagadas por nuvens rolando. Suas mãos escovam minha testa, minha bochecha, colocando tufos de cabelo

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atrás da minha orelha, e seu polegar toca minha bochecha, deslizando em toda a minha bochecha. Eu soluço de novo, porque isso, sem o conhecimento de Derek, era o gesto favorito de Tom de afeto. Pensar só serve para me lembrar do que quase aconteceu agora. Que eu quase tive relações sexuais desprotegidas na margem do lago com o melhor amigo do meu marido morto. Eu me viro para acalmar a inundação, enxugando os olhos com as palmas das minhas mãos. Eu chupo lentas respirações, firmando e inclinando o meu rosto para que eu possa ver Derek. — Sinto muito, — eu digo. — Eu só— Precisava chorar. Está tudo bem. Entendi. Sim, mas não é isso. Não totalmente. Eu só não sentia... Eu nem sei como colocar isso. Não me sentia bonita em muito tempo. Eu não me sentia como uma mulher há anos. Eu sou uma mãe. Eu sou uma agricultora. Eu sou viúva. Eu sou um monte de outras coisas. Mas desde que Tom foi enviado para fora, e até mesmo... mesmo antes disso, por meio de todas as suas implantações, eu não me senti como uma mulher com desejos e necessidades. Eu não me senti querida ou bonita em tanto tempo, e quando você me disse que achava que eu era bonita, eu só... Eu acho que eu meio que perdi isso, porque me senti tão estranho. E... tão incrível. Mas então eu comecei a chorar, e eu tenho aguentado tanto por tanto tempo, sabe? Ele balança a cabeça. — Eu sei como é segurar essas merda, pelo menos. E eu sei que não funciona. Você tem que deixar isso sair. Eu já te disse coisas sobre o que aconteceu lá que eu não disse a ninguém. Os psiquiatras e médicos e todos os outros queriam que eu me abrisse e dissesse a eles tudo, mas eu simplesmente não conseguia. Era muito novo, muito fresco. E eles realmente não dava a mínima. - eles estavam apenas fazendo seu trabalho. — Ele agarra meus ombros, os braço nas minhas costas, e a sensação de estar sendo segurada é tão delirantemente

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inebriante que eu tenho que fechar os olhos e respirar através da onda de carência sobrecarregada. — E sobre as outras coisas? Não se sentir como uma mulher? Eu acho que eu entendo isso também. Eu não era um homem, sabe? Eu era um prisioneiro. Uma vítima. Nome, posto e número de série. Eu fui reduzido para a unidade para sobreviver. Então eu me senti culpado por ter sobrevivido. Isso ainda está lá, mas que seja. Agora eu ainda estou tentando descobrir o que eu sou, como eu me sinto. Quem eu sou. E me sentir como um homem de novo? Como um homem de verdade? Esse alguém que as pessoas querem por perto, que alguém precisa ou sente desejo? Isso é uma merda poderosa. Concordo com a cabeça. — Sim, é. Uma brisa longa e quente faz as folhas de salgueiro acenar, e em seguida, um rosnado baixo distante do trovão rola sobre nós. A chuva assobia, gotas batendo em nossos rostos e corpos, ondulando na superfície do lago em um milhão de círculos concêntricos. Nenhum de nós se move. A chuva realmente não nos toca e o som dela é pacífica, calmante. Segundos de silêncio viram minutos, cada um de nós perdidos em nossos próprios pensamentos e a chuva caindo em ondas pelo vento sobre a água. — Reagan? — Sua voz é baixa e profunda. Eu me viro para ele, meu corpo pressionado contra o seu. — Você é linda. Você deveria saber disso. Você é um inferno de mulher. Você é linda, e você é querida. Eu sei que eu não deveria me sentir assim sobre você, mas porra. Eu faço. O que aconteceu entre nós, provavelmente não deveria ter acontecido. Mas aconteceu, e eu acho que eu sou idiota o suficiente para não sentir pena por isso. Culpa, sim. Confusão, um pouco. Mas eu não me arrependo. Eu me senti mais vivo agora do que eu me senti em... em muito tempo. Eu tenho que respirar, engolir e piscar algumas vezes antes que eu possa responder. Deus, eu estou tão emocional. — Você não é um idiota,

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Derek. — Eu me levanto em um cotovelo. Meus peitos armam contra seu peito. Eu coloco a palma da mão em seu batimento cardíaco. Meus olhos se encontram com os dele, e eu o deixo ver o tumulto na minha alma, deixo ele ver o que ele pode ver. — Eu apenas não deixei isso acontecer, ok? Eu não... eu não sei... cúmplice? Isso parece a palavra certa. Eu queria que isso acontecesse. Tirei tudo o que você estava dando e te dei de volta. Então pare de monopolizar toda a culpa, sim? Ele ri. — Tudo bem, eu acho que você pode ter um pouco disso. — Sua mão desliza para baixo em meu bíceps. Abaixo da minha cintura. Ele pega o limite extremo inferior das minhas costas, logo acima do meu bumbum, como se ele estivesse contemplando me acariciando lá. Eu quero que ele me toque e eu estou com medo do que vai acontecer se ele fizer. Eu sinto ambos em igual medida. — Derek? — Hmm? — O que está acontecendo? Aqui, entre nós. — Sei lá. — Sua palma passa sobe para meus ombros, seu polegar rolando sobre a parte de trás do meu pescoço, e, em seguida, seu toque se move de volta para baixo e ele fica mais perto da minha bunda neste momento. — Algo errado? Algo certo? Eu nem sei. Não é isso que eu quero ouvir. — Derek... eu preciso - eu não posso lidar com a confusão. Eu não posso lidar com não saber. Estive - eu estive no comando por tanto tempo. Eu tenho sido forte e decisiva. Feito as decisões difíceis, para mim e para Tommy. Completamente sozinha, fazendo este trabalho agrícola. — eu estou gostando isso e eu simplesmente não posso me afastar de toque dele. Não importa o quanto eu sei que eu deveria, especialmente considerando o que eu estou dizendo, neste exato momento. — Eu não posso ser responsável por isso, também. Eu não sei o que eu quero. Eu não sei o que é certo ou errado, e eu nem sei como decidir.

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— Você precisa de mim para ser forte para você. Você merece isso. — Ele faz uma pausa por um longo momento. — Você também merece honestidade, então eu vou te dizer que eu não sou certo para isso. Eu não sei o que é certo ou errado mais do que você. Menos, talvez. Você me pegou tropeçando em meus próprios hormônios, desejos e necessidades, e eu não tenho certeza que eu tenho o que é preciso para... Eu não sei mesmo. Dar o que você precisa e merece. Eu não sei o que é isso, e eu não sei o que fazer sobre isso. — DerekEle continua. — E você merece coisa melhor do que isso. — Longo suspiro. — Melhor do que uma bagunça fodida como eu. As mulheres acham atraente a confiança. Isso é um fato. E eu não sou diferente. Mas há também algo sobre vulnerabilidade e algo sobre o tipo de força que ele leva para a admitir a vulnerabilidade. Ele se senta e eu estou forçada a sair do abrigo de seus braços. O que isso diz sobre mim por eu não querer deixar este lugar, neste momento? Eu não quero deixar a chuva, o lago e o homem ao meu lado. — Onde você está indo? — Pergunto. Ele puxa os joelhos, envolve seus braços em torno deles. Meus olhos traidores seguem as grandes linhas e curvas de seus ombros; meus dedos tocam cada um dos cem pequenos cortes e cicatrizes que cruzam suas costas. — Uma das primeiras coisas que você aprende na escola de atirar é que, se você não pode puxar o gatilho, você não tem nenhum negócio que prende a arma. Quando se trata de combater, essa lição é vital. E... de alguma forma, agora, essa lição parece se aplicar ao que está acontecendo entre nós. Isso faz algum sentido para você? Eu não sei como dizer isso melhor.

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Me sento, com as pernas cruzadas, meus braços em volta do meu tronco. — Sim, é verdade, eu acho. — Eu não estou... como faço para colocar isso? Eu não estou te afastando. Eu não estou fazendo uma decisão. Eu acho que cada um de nós só precisa descobrir o que estamos pensando e sentindo e o que queremos e do que se trata. — Ele se levanta, e os meus olhos seguem o deslocamento de suas nádegas, a ondulação dos músculos das suas costas. Ele se vira um pouco, e meu olhar é atraído para o pau dele, longo e grosso e balançando. Ele sopra um suspiro. — Porra, Reagan. Como é que eu vou pensar direito quando você olha para mim desse jeito? Eu rasgo meu olhar dele. Eu me levanto. — Sinto muito. Eu só você é lindo, muito, Derek. Você é. Ele balança a cabeça, sorri com tristeza. — Coloque algumas roupas. Vá para casa e dormir um pouco. Eu cubro meus seios com as palmas das mãos, dou uma última olhada, demorando muito tempo em Derek, pelo seu corpo, na guerra evidente em seus olhos, e depois me viro. Eu ignoro o calor de seu olhar seguindo o balanço da minha bunda. Finjo que eu não estou colocando mais luz para a minha caminhada só para ele. Vou para longe dele, pego minha calça jeans e camiseta, colocando meu sutiã, calcinha, sapatos e meias. Não olhe para trás. Não olhe para trás. Eu me faço ir embora, o coração martelando. Meu corpo quer que eu deixe cair as roupas dos meus braços, corra de volta, me esmague a Derek e tome a sua língua na minha boca, o gosto do sal em sua mandíbula, sentindo a sua barba, exigindo suas mãos em todos os lugares. A minha alma dói, incha. Confusa, emocionalmente carregada, cheia de coisas que eu nunca pensei que sentiria novamente: maravilha, necessidade, desejo, paixão, ternura. Coisas que eu pensava que tinham morrido com Tom. Coisas que meu

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coração e mente continuam dizendo me morreu com Tom. E, quando eu atravesso a grama e entro na cozinha pela porta de trás, reconheço o conflito dentro de mim. Essas coisas realmente morreram com o meu marido. Enterrei elas quando estendi a bandeira dobrada. Cada explosão das salvas de tiros enquanto eles o enterravam mais profundo e mais profundo. E a minha consciência me diz que elas devem ficar enterradas com ele. No entanto, o meu corpo e mente e coração me dizem outras coisas, me alimentam de relatos conflitantes. Isso é novo, certo? Eu não estou fingindo que meu amor por Tom é a mesma coisa que eu estou sentindo por Derek. Eu tenho permissão para seguir em frente, certo? Ou isso é uma traição do meu amor por Tom, meu marido, o pai do meu filho doce e perfeito? Jurei a amar e permanecer fiel a Tom na doença e na saúde, até que a morte nos separe. Bem, a morte nos separou. O que agora?

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CAPÍTULO DEZ DEREK Eu não dormi naquela noite. Nem um piscar de olhos. Toda vez que eu fecho meus olhos, eu vejo Reagan, descascando. Eu sinto seu corpo deslizando molhado e macio e quente contra o meu. Eu saboreio a doçura de seus lábios. Sinto a seda de seu peito em minha mão. Nem mesmo seda não é tão suave, tão delicado, tão exuberante e linda como sua pele. Eu fecho meus olhos, e eu ouço ela soluçar, quebrada, miserável e confusa. Eu fecho meus olhos, e eu sinto seu núcleo latejante contra mim, sinto a umidade de sua abertura e a força de suas coxas quando elas envolvem em torno da minha cintura. Eu fecho meus olhos e meu coração trava loucamente. Meu corpo dói. Meu pau lateja, pulsa, dói. Horas antes do amanhecer, eu me encontro tropeçando para fora do celeiro para o fresco orvalho-úmido, a calça jeans puxada, mas não abotoada. Eu estou lutando para respirar, dor no peito, o coração batendo. Visões de Reagan na minha cabeça. Meu corpo está em chamas. Eu rodo a parte de trás do celeiro, planto minhas mãos contra a parede de madeira do celeiro, a cabeça pendendo entre meus ombros. Tentando afastar os pensamentos de Reagan, a imagem de sua cintura e seus peitos cheios, o calor quente de sua boca na minha, o som de sua respiração. Eu não posso. As imagens reluzem em minha mente, e eu sou uma bola de fúria de necessidade, de desejo reprimido. ~ 136 ~


Eu lambo os lábios e provo sua pele. Fecho meus olhos e vejo a necessidade em sua expressão. Puxo meu pau livre da minha calça e enrolo o comprimento dolorosamente duro no meu punho. Eu mexo lentamente, de olhos fechados, a testa encostada no celeiro. Imagino Reagan em pé no banco dos réus, as costas arqueadas, os peitos pulando quando ela se estende. Imagino ela enquanto ela se afasta, tensa, a bunda balançando. Sinto mais uma vez suas pernas em volta da minha cintura, as mãos circulando minhas costas e unhas arranhando a minha bunda. O calor aumenta em minha virilha, urgência. Estou há alguns curtos segundos de me deixar ir quando eu ouço um passo atrás de mim. — Derek? — A voz dela é tímida, hesitante.

REAGAN Eu não consigo dormir. Culpa e necessidade guerrilham dentro de mim. Eu sofro. O corpo de Derek é tudo que eu posso pensar. Seus músculos. Sua pele firme. Sua boca no meu peito, a mão cobrindo meu peito. Seu pau, tão grande, tão grosso e duro e pressionando contra mim. Eu não consigo dormir pensando nele. Eu coloco um par de cuecas samba-canção – de Tom, que ele usou por vários anos - e uma camiseta. Eu verifico Tommy, que está deitado de lado e roncando, o Buzz no chão. Eu saio de casa, com os pés descalços na grama úmida pelo orvalho e vou para o celeiro. Acho o local de Derek vazio, os cobertores amarrotados. Confiro o resto do celeiro, mas eu não o encontro. Saio, circulando ao redor, perguntando onde ele

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poderia ter ido. Completando a parte de trás do celeiro, eu chamo o seu nome em voz baixa. Eu não sei o que eu estou procurando, o que eu acho que eu vou dizer ou fazer quando eu encontrá-lo, eu só sei que sou impulsionada por algo dentro de mim. Eu paro em meus pés quando eu o vejo. Ele está encostado no celeiro, a calça aberta, pau na mão. Sua postura é torturada, curvada, tenso. Seu punho está se movendo em seu comprimento, e ele está rosnando baixinho. Ele para quando ele ouve a minha voz. Seus olhos encontram os meus. Nenhum de nós se move. O meu olhar viaja, contra a minha vontade consciente, até o "V" aberto da calça jeans, o seu pau duro. O fluido está apontando na ponta. Ele estava prestes a gozar. Meu corpo está se movendo em direção a ele de alguma forma. Eu não sei o que estou fazendo. O que está acontecendo. Ele se endireita, as mãos estendidas para o botão de sua calça. — Reagan, euO que eu estou fazendo? O que diabos eu estou fazendo? Eu estou indo para ele, é isso. Não tiro os olhos dele, meus dedos fecham em torno de seu pau. Ele suspira, as suas pálpebras vibrando. Ele geme. — Jesus Cristo, Reagan. — Suas palavras são lançadas tão baixo que eu mal posso ouvi-lo. Eu deslizo meu punho para baixo seu comprimento, e ele treme todo. — Eu estava pensando em você, — ele admite. — Eu estava me masturbando, pensando em você. Você é tão bonita, tão perfeita, eu não posso lidar com isso. Não posso - oh Jesus, oh, isso é bom - eu não posso parar de pensar em você. Eu não dormi nada, porque eu continuo sentindo você, pensando em você. Porra... Eu continuo querendo você.

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Lentamente, eu mergulho meu punho em torno dele, levantando, torcendo minha palma em torno de sua ponta, correndo de volta para baixo. Ele bate um punho contra o celeiro com um baque surdo. Ele estava pensando em mim? Ele não conseguia parar de pensar em mim? Ele estava se masturbando... para mim? Por que diabos isso me excita? — Me diga... — Eu sussurro, fazendo uma pausa, meu punho cerrado em torno da raiz dele. — Me diga o que você estava pensando. — Suas pernas, ao redor da minha cintura. Os seus peitos. O seu gosto. A forma como seus lábios se sentiram quando nos beijamos. Como - quão molhada e quente sua buceta estava contra mim. — Ele rosna do fundo do seu peito. Ele se move, e eu estou pressionada contra a parede do celeiro. — Sua bunda. Seus olhos. A forma como as suas mãos se sentiram quando tocaram minha bunda. — Eu estava pensando em você, também. — Eu me inclino para ele, os olhos fechados, pressiono meus lábios em sua bochecha, sussurro em seu ouvido. Eu aperto seu pau. — Nisso. — Eu coloco minha mão em torno de seu corpo e passo sob seu jeans, ajuntando sua bunda com as minhas unhas. — Nisso. — Deus, Reagan... Ei o acaricio uma vez, lentamente até a ponta para a raiz. — Eu não sei de nada. Eu não sei - certo ou errado, bom ou ruim - eu só sei que eu não conseguia dormir, tampouco, porque eu não conseguia parar de pensar em você. Eu sofro por toda parte. — Eu também. Tudo está em chamas. — Sua mão toca o meu estômago, sob a minha camisa. Seus dedos levantam a bainha, encontram a minha pele. Eu puxo a minha barriga instintivamente quando as pontas dos seus dedos deslizam para baixo. Sob o elástico dos boxers. Através da palha grossa ~ 139 ~


de meus pelos pubianos. Eu não tinha nenhuma razão para aparar lá, não por muito tempo. Ele parece ignorar ou é indiferente, então eu tenho minhas desculpas por mais um tempo. Eu choramingo quando seu longo dedo médio esculpe um caminho entre os lábios da minha buceta. Uma respiração desesperada sai de mim quando ele arrasta o dedo em um círculo em volta do meu clitóris. Meus joelhos estão fracos, meus pulmões trêmulos e estremecendo. Seu toque é fogo; seu toque é perfeito. Estou inflamando e o calor catalítico de seu toque me queima. Eu acaricio seu comprimento, ofegando enquanto ele desenha círculos mais e mais rápido ao redor do meu clitóris latejante. Eu chupo um gemido e choramingo quando ele enfia um único dedo em mim, profundo. Em seguida, adiciona um segundo. Nuvens se abrem e o luar brilha. Um sapo coaxa. Derek geme no meu ouvido. Seu pau pulsa no meu punho, e eu sinto seus quadris empurrando através de meu aperto. Eu arranco meus olhos abertos e olho para baixo entre os nossos corpos. Vejo sua mão entre minhas coxas, os dedos em movimento, músculos do antebraço ondulando enquanto ele me acaricia. Eu não posso ajudar, mas gemo, tanto pelos sentimentos que ele está chamando de mim e da forma como o seu pau duro se sente na minha mão, suave e duro, deslizando e puxando para trás enquanto ele começa a empurrar inconscientemente. Eu assisto a gota de pré-sêmen em sua cabeça, manchando a minha mão. Minhas coxas tremem quando seu dedo médio e anelar encontram o cume superior dentro de mim e o esfrega, seu polegar pressionando contra o botão rígido e meu clitóris molhado pelos meus sulcos. Seus dedos se deslocam e fazem um barulho de sucção que deve ser embaraçoso, mas de alguma forma é insuportavelmente quente.

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— Porra, Reagan. Porra. Estou tão perto. Eu vou gozar. Vai ser uma bagunça. — Eu - eu, também. Sua outra mão deixa a parede do celeiro, e ele está empurrando para cima em meu punho, exigente e urgente. Ele chega sob a minha camisa e encontra meu seio, amassando-os. Minha vez. Chego em seu jeans e apalpo suas bolas apertadas, pesadas, apertando suavemente. Ele geme e perde o equilíbrio, inclinando para frente, para dentro de mim. Eu levo o seu peso e deixo que ele me pressione contra a parede. — Derek... oh, deus, Derek. — Agora - agora. Ohhh, oh, porra. Oh, Deus. — Ele empurra, uma moagem lenta. Abro os olhos, que eu não me lembro de te fechado. Eu aperto o seu pau apertado e duro e saboreio até os cantos mais escuros da minha alma a maneira como seu pau sente na minha mão. Fascinada, eu vejo quando a ponta de seu pênis aperta para cima e para fora do meu punho. Ele treme e um fluxo branco grosso do sêmen jorra sobre a minha mão. Colocando a cabeça com a outra mão, eu o acaricio da raiz até a ponta dura rapidamente, observando a porra se infiltrar entre os meus dedos, quentes, pegajosos e molhadas enquanto ele jorra novamente e novamente, xingando, e sussurrando o meu nome. Os seus dedos dentro de mim nunca abrandam, nunca param. Ele enfia os dedos em mim, puxa para fora, espalha meus sulcos em meu clitóris e circula enquanto eu estou olhando para ele entrando na minha mão, eu estou ali na borda, choramingando, os quadris esvoaçantes. Ele enfia os dedos em mim de novo, e de alguma forma isso o atrai para fora de mim. Eu mordo meu lábio para abafar um grito, inclino minha cabeça contra seu peito, e assisto seu pau pulsar, seu sêmen descendo enquanto eu o acaricio, sentindo minhas coxas tensas quando um foguete de intensidade dispara através de mim, todos os espasmos ~ 141 ~


musculares, outro grito ofegante deixando meus lábios. Eu empurro meus quadris para ele, moendo minha buceta contra seus dedos. Arqueio minha espinha para pressionar meu s peitos em sua mão, todo o meu corpo se contorcendo, seus dedos torcendo e beliscando meus mamilos, sua palma cobrindo meu núcleo, dedilhando minha buceta, dedos dentro de mim e na carne e músculo das minhas coxas, trabalhando e em movimento. — Ohmeudeusohmeudeus, Derek, sim, porra, sim... oh... Deus... — Meus músculos internos apertam e pulsam e algo sai de mim, mais e mais em sua mão. Ele continua indo até que eu estou mole contra ele, batendo na mão dele, porque eu não aguento mais; Eu estou sensível demais para ser tocada. — Jesus Cristo, Reagan, — ele murmura contra meu ombro. — Eu nunca tinha gozado tão duro em minha vida. — Eu também não, — eu admito. Ele tira a sua mão de entre as minhas pernas, e eu o deixo ir. Um pouco relutante, Derek me puxa para a bomba de água, ligando a água. Nós lavamos nossos dedos, minha essência revestindo sua mão e a dele nas minhas. O poço de água é muito fria quando ele move nossas mãos unidas sob a água, nos limpando. Eu desembaraço a minha mão da dele, encho uma mão com água e molho em sua virilha, lavando a bagunça. — Deus, isso está frio, — ele ri. Nós dois estamos meio limpos, embora seu jeans esteja úmido, onde a água salpicou. Meus boxers estão molhados do poço de água, também, e há gozo na minha camisa e na barriga dele. Eu trabalho o punho da bomba, pego minha mão molhada, e limpo a mancha de sêmen de seu estômago.

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Uns bons minutos após o orgasmo, e seu pau ainda é semi-rígido e grosso. Derek se afasta de mim, tenta abotoar a calça jeans, mas elas não vão fechar em torno de sua ereção ainda lá. Ele abandona o esforço, deixando aberto. Eu honestamente não me importo. Eu seco minhas mãos na minha camisa, e olho para cima para vêlo vindo em minha direção. Eu vou em até ele, sem piscar, colocando minhas mãos em seu peito. Eu não o afasto, no entanto. Deus, não. Minhas costas estão na parede, eu olho em seus olhos. Ele aperta contra mim. Envergonhada pela minha necessidade de contato, elevo a minha camisa para que eu possa sentir o calor do seu estômago e do cume ainda grosso, mas suavizando, de seu pau contra a minha barriga. Suas mãos encostam contra a parede de cada lado do meu rosto. Sua boca desce, seus lábios inclinando nos meus. Eu ergo minhas mãos no seu queixo, puxando ele para mais perto. Acaricio a parte de trás do seu pescoço com uma das mãos, enredando meus dedos no cabelo curto, macio lá. Deus, seu beijo me deixa bêbada. Lento, macio, doce e hesitante. Eu o sinto crescendo. Já? Jesus. Seu beijo se aprofunda, a língua exige a minha. Dou a ele de bom grado. Provo a sua língua, sua boca. Raspo as palmas das mãos contra a barba por fazer em sua mandíbula. E então ele quebra o beijo, a respiração estremecendo, apertando as mãos em punhos contra a parede do celeiro, empurrando. Mas ele não consegue realmente se afastar. Ele está ofegante, peito arfante. Olhos fechados. — É melhor você ir. — Por quê? — Porque se você não fizer isso... — Seus olhos abrem, e essas profundas piscinas cobertas de musgo furam os meus, repleto de

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necessidade e intensidade e sinceridade. V Se você não fizer isso, eu vou te tomar contra esta parede, aqui, agora. Não é bom. Não é bom. Isso deveria me fazer enfiar o rabo entre as perna e ir para casa. Mas em vez disso, isso só faz minhas coxas tremerem e meu núcleo apertar e ficar úmido. Eu quero isso. Porra, eu quero. — Eu vim aqui procurando por você, Derek. Eu não esperava... que isso... fosse acontecer, mas como você disse no lago antes, eu não sinto muito ter feito isso. — Mas Reagan, nós não- — ele começa. Eu o interrompo, dois dedos contra seus lábios. — Derek, shhhh. Eu pensei isso também. Eu ainda penso nisso, em alguns aspectos. Mas eu tive alguns outros pensamentos, também, ao mesmo tempo tentando e falhando em conseguir dormir. Eu pensei, ‗por que não?‘. Por que não podemos, por que não deveríamos? Deus, há tantas razões, eu sei. Ele soca o punho contra a parede, me fazendo recuar, e rola para o lado, coloca de costas para a parede ao meu lado. — Quais são os seus motivos? — Eu sou viúva. Eu sou - eu ainda estou de luto. Eu ainda sinto falta de Tom. Eu ainda penso nele. Eu ainda gostaria que ele estivesse aqui. Sinto muito, Derek, eu sei que não é o que você — Não, é exatamente o que eu penso, também. Eu gostaria que ele estivesse aqui, também. Cada - cada dia do caralho, eu penso nisso. Eu gostaria que ele estivesse aqui em vez de mim. Ele não merecia morrer. Deveria - porra - deveria ter sido eu, — Ele empurra os punhos em suas órbitas. — Eu sinto falta dele, também. Maldição. — Ele desliza para baixo na parede, ombros tremendo. Eu giro e me ajoelho na frente dele, pegando seus pulsos em minhas mãos, e puxando. Ele resiste. Eu puxo mais duramente. ~ 144 ~


— Olhe para mim. — Eu não posso subjugá-lo; Eu não estou tentando. Ele me permite puxar suas mãos para longe de seu rosto, mas vira a cabeça para esconder o fato de que as lágrimas estão caindo pelo seu rosto. — Derek, não. Não. Olhe para mim, porra! — Ele lentamente, a contragosto, se vira para olhar para mim, pisca, esfrega o seu rosto com raiva, envergonhado. Eu seguro os pulsos e bloqueio seus olhos nos meus. Os deles são injetados, torturados. — Eu não desejo isso. Não. Sim, eu sinto falta dele. Cada dia do caralho eu sinto falta dele. Eu o amava. Eu ainda o amo. Eu sempre vou amá-lo. Eu gostaria que ele estivesse aqui. Mas eu não queria que você tivesse morrido no lugar dele. Sim, eu queria ele de volta. Eu daria qualquer coisa - qualquer coisa para tê-lo de volta. Mas ele não - ele não vai voltar. Você está aqui, e ele não está. — E eu sinto muito por isso. — Não foi isso que eu quis dizer. — Eu sei. Mas é verdade. Me desculpe, eu vivi e ele morreu. Me desculpe, eu não sou ele. — Porra, Derek! Pare! Você viveu! Você não tem que se sentir culpado por isso! — Eu grito. — Mas eu faço! — Ele grita de volta. — Ok? Eu faço. Eu me sinto realmente muito culpado porque eu vivi e Tom não. Seu último pedido foi que eu dissesse a você que ele te amava, para te dar essa carta. — Ele pisca, e outra lágrima cai, ele afasta. — E eu fiz. Eu deveria ter ido embora. Mas eu não fiz, e olha o que aconteceu? Olha o que eu fiz. — Nós, Derek. Olha o que nós acabamos de fazer. Não foi só você. Eu vim para cá, e eu toquei em você primeiro. E, sim, parte de mim se sente culpada. — Ele estremece, mas eu continuo. — Eu estou tão ~ 145 ~


dividida, tão confusa. Porque eu - eu quero isso. Eu te quero. Eu não posso ajudar. Uma parte de mim diz que eu não deveria, parte de mim diz que isto é... errado. Eu me sinto como se eu estivesse traindo Tom. Como o que nós fizemos juntos fosse uma traição à sua memória. É como se eu quisesse que eles estivesse morto, ou... Deus, eu não sei... como se isso diminuísse o que eu tive com Tom. E eu me sinto culpada, também, por não me sentir culpada o suficiente. Porque eu ainda não estou arrependida. Eu gostei. Você disse isso antes: agora mesmo, eu me senti mais viva do que eu tenho me sentido em tanto, tanto tempo. E eu quero isso de novo. Quero mais. Eu quero tocar em você novamente. Eu quero que você me toque de novo. Eu quero te beijar e porra, eu vou te dizer isso - eu quero fazer sexo com você. Quando você disse que estava prestes a me tomar contra a parede? Eu não teria parado você. Porque a outra parte de mim diz que Tom sumiu. Ele se foi. E eu não - não mereço a felicidade? Eu deveria ficar de luto por ele para sempre? Estou sozinha, Derek! Eu tenho estada sozinho por onze anos de merda! Eu me casei com um fuzileiro naval, e ele se foi mais do que ele estava em casa durante os oito anos em que estivemos casados, e eu tenho estado ainda mais solitária desde que ele desapareceu e morreu, porque eu sabia que ele não estava voltando para casa neste momento. Eu fui fiel a ele, Derek. Todos os dias que ele se foi, eu o amava, e eu fui fiel. Eu fiquei fiel a ele, e o recebi em casa e nunca fiz ele se sentir culpado por sempre ter que sair. Eu o amava com tudo o que eu tinha, mesmo ele indo o tempo todo, e então ele foi tirado de mim, porra! Eu soluço, sufocando. — Ele foi tirado de mim, — eu digo novamente. — E eu lamentei ele. Por três anos eu sofri. Eu continuei indo, e eu criei o filho dele. Cuidei da fazenda da família dele. Fiz tudo o que era suposto, e muito mais . — Reagan, — ele começa.

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Eu falo por cima dele. — Quando recebo alguma coisa para mim? Quando recebo a felicidade? Quando eu chegar a ser egoísta? Eu estou com raiva, Derek. Estou com raiva de Tom por morrer. E eu estaria mentindo se eu dissesse que eu não sentia raiva de você, também, por viver em vez dele. Mas eu não posso mudar o que aconteceu. Você viveu e ele morreu, e eu sobrei para pegar as peças. E estou sozinha. Estou com tesão. Estou com medo. Estou cansada. Eu me sinto velha, deselegante e feia. Estou suando o tempo todo. Eu não coloco maquiagem em meses. Eu quase nunca mesmo raspo minhas pernas, porque nunca houve nenhuma razão. Não há ninguém para ver, ninguém para cuidar. A única coisa que eu assisto na TV são programas infantis. E eu estou geralmente muito cansada à noite para até mesmo para me masturbar. Até antes de você aparecer, eu me sentia seca. Vazia. Sozinha. — Eu engulo em seco, pisco. Eu solto seus pulsos e afundo a minha bunda na grama úmida. — E então você - você começou a me fazer sentir como uma mulher novamente. E eu - eu gosto. Mesmo que seja uma traição de Tom, e que só me faz sentir pior. Porque eu continuo me perguntando: ‗Por que não posso ter algo para mim, só desta vez?‘ E você - você me faz sentir tão bem. Você olha para mim como se eu fosse bonita, e eu realmente gosto de me sentir bonita novamente. Eu gosto disso, — eu sussurro, lutando pelo controle agora, — e eu não quero desistir. — Você é linda, e você não tem que desistir. Você não está sozinha. — É a sua vez de tomar as minhas mãos nas dele, puxar para elas. Ele me puxa para ele, me elevando e eu estou em seu colo, embalada contra seu peito enquanto o amanhecer começa a tocar o céu noturno. — Eu gosto do jeito que você me faz sentir também. Como se eu fosse um homem de verdade novamente. Como se eu fosse mais do que apenas o soldado com cicatrizes e estresse pós-traumático e um poço de danos psicológicos. Como se eu fosse mais do que apenas o ex prisioneiro de guerra fodido. Como se eu fosse uma pessoa que pode fazer a coisa certa. Como se eu pudesse fazer você se sentir bem, como se eu ~ 147 ~


tivesse algo para dar. Como se talvez eu possa superar meus problemas e ser normal um dia. Como - merda. Como se eu pudesse ser alguém que alguém poderia - poderia se preocupar. Meu coração se parte por ele. — Alguém já se importa, Derek. — Eu digo isso através de fungadas. Preocupante e tensa como as coisas estão entre nós, eu me pego cochilando. Sua pele é quente, e seus braços me faz sentir protegida. Concordo com a cabeça, então salto acordada quando eu ouço o ranger da porta de tela. De alguma forma, enquanto eu estava dormindo, Derek me levou para a casa. — Derek? — Murmuro. — Shh. Dorme. — Tommy— Eu vou cuidar de tudo. Eu quero que você para descanse. Ele me leva lá em cima, cutuca minha porta aberta. Me põe na minha cama e me cobre com os cobertores. Eu sinto sua respiração no meu rosto, e eu pisco os olhos abertos, para ele. — Eu me importo. Eu sou esse alguém. Ele sorri. — Eu sei. — E você é lindo, também. Eu não posso ficar acordada mais. Eu deveria. Ele não sabe nada sobre crianças e Tommy precisa de café da manhã e a máquina é difícil de ligar... O sono me reivindica. Eu me rendo.

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CAPÍTULO ONZE DEREK Eu a deito e a cubro com os cobertores. Assisto ela cair no sono. Assisto seus traços relaxarem. Ela enrola sua mão por sua bochecha, a boca frouxa, joelhos dobrados debaixo do cobertor. Eu sair. Sair do quarto. Sair de Hempstead. Sair do Texas. Mas não. Em vez disso, eu sento no chão na porta, um pé encostado ao batente oposto, assistindo Reagan dormir. Eu sou acordado por um dedo tocando meu ombro. Eu acordo assustado. Tommy. — Ei amigo. O que está acontecendo? — Mama? Eu me levanto. — Mama está dormindo, amigão. Ele olha por mim, para Reagan. Deus, eu não deveria ter seguido o seu olhar. A camiseta dela subiu; ela está torcida na cama com os cobertores empurrados para baixo em torno dos joelhos. Sou proporcionado com um delicioso vislumbre de um pedaço dos seus seios, cintura, a beleza angular de seu quadril. Deus, ela é bonita pra caralho. Eu me afasto, de volta para Tommy. — Fome, — diz ele. Concordo com a cabeça. — Você está com fome, hein? — Sim. — Eu também. Vamos comer, então. — Eu desço as escadas, mas ele não me segue, então eu paro e olho para ele. — Você vai vir? — Colo. — Ele estende os braços.

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Hesito, então eu pego ele nos braços. Ele se agarra a mim com as pernas, um braço no meu ombro. Tão estranho eu segurando uma criança. Eu não sei merda nenhuma sobre crianças ou sobre esse carinha em particular. No entanto, eu disse a Reagan que eu iria cuidar dele, então eu vou. Quero dizer, ele tem três anos de idade e é só por um par de horas. Quão difícil pode ser? — Então, — eu pergunto a ele, — o que você come no café da manhã, hein? Sucrilhos? — Panteta. Eu só filho encarando ele. — Panteta? O que diabos isso significa? — Panteta. Eu dou um palpite. — Panquecas e caramelo? Ele sorri. — Panteta! Eu franzo a testa. — Cara, eu não faço panquecas tem 15 anos. — Ele parece estar me entendendo, porque seu rosto se torce como se ele fosse chorar. Eu ergo minhas mãos. — Tudo bem, tudo bem. Eu vou fazer o meu melhor. Aguenta aí, me dê um minuto. Ele se senta em seu banquinho que está amarrado à cadeira da cozinha, balançando seu pequeno bumbum. Eu espio um livro em uma prateleira acima do fogão, e folheio. Eu encontro uma receita para panquecas e descubro que, surpreendentemente, e talvez não surpreendentemente, a cozinha é abastecida com todos os ingredientes. Além disso, tem café, o que me permite funcionar de fato em três horas de sono. E, surpreendentemente, eu realmente consigo fazer a massa, aquecer uma frigideira e algumas panquecas feitas. Eles são cerca de dois centímetros de espessura, com um lado queimado e enormes. Tommy

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não parece se importar, no entanto. Eu passo generosamente manteiga e caramelo, corto em pedaços e entrego a ele um garfo. Puta merda, esse garoto pode comer. E puta merda, esse garoto pode fazer uma terrível bagunça. Ele tem manteiga no cabelo, encima dos seus pijamas, em suas mãos... e o caramelo está, literalmente, em todos os lugares. Suponho que, em retrospecto, eu provavelmente deveria ter o ajudado a comer, mas eu não pensei nisso. Além disso, eu estava com fome também. Eu encontro uma caixa de lenços sob a pia do lavabo, e eu uso pelo menos metade da caixa e outra metade de um rolo de papel toalha e uma garrafa de Windex para limpar a bagunça da mesa, da cadeira, do banquinho dele, chão. Eventualmente, as coisas ficam limpas. Eu olho para Tommy, que está sentado no chão, quebrando um caminhão Tonka em um avião branco, vermelho e verde, que tem olhos e uma boca e está vestindo uma capa. Estranho. — Tudo bem, cara. E agora? Ele entrega o avião para mim. — Brincar. Então eu sento e brinco. E você sabe o quê? É um pouco divertido. Eu faço barulhos de avião, voando ao redor. Eu giro e faço ruídos de metralhadora. Tommy ri, então eu faço novamente. E, caramba, o som daquele garoto rindo me bate em alguma parte do meu coração que eu não sabia que eu tinha.

REAGAN Eu acordei com cheiro de panquecas e café, e ao som de Tommy rindo histericamente. Eu saio da cama, troco de roupa, amarro meu cabelo para trás, e passo um pouco de desodorante. Quando eu desço as escadas, eu paro até a metade, antes de eu ser facilmente visível. Eu vejo ~ 151 ~


algo que me traz lágrimas aos meus olhos, e deixa o meu coração apertando de uma maneira muito, muito estranha e assustadora. Derek está sentado no chão, uma xícara de café ao seu alcance. Ele tem o brinquedo de Tommy El Chupacabra, e ele está fingindo que é um cachorro, latindo para Tommy, perseguindo ele pela cozinha. Tommy tem manteiga em seu cabelo. Ele está mais feliz do que eu já vi. A porta da frente se abre e Ida está de pé na varanda, observando, e ela parece tão surpresa quanto eu, a mão na sua boca, os olhos arregalados. Seu olhar encontra o meu, e trocamos expressões emocionais estupefatas. Isso só fez isso muito mais impossível de entender.

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CAPÍTULO DOZE DEREK Tarde da noite, eu estou trabalhando no trator, substituindo o motor de arranque. Eu não sou mecânico, mas posso concertar essas merdas com o tempo e xingando o suficiente. Três dias se passaram desde aquela noite na lagoa e atrás do celeiro. Jesus, eu não consigo tirar isso da minha cabeça. Os sons que ela fez quando ela gozou. A sensação de seu punho em volta do meu pau... Eu ficar duro só de pensar nisso. Mas não houve nenhuma repetição desde então. Estivemos... não evitando o outro, mas tomando um pouco de tempo e espaço. Ficamos silenciosos, mas ambos precisávamos. Nós também precisávamos de tempo e espaço para absorver o que aconteceu, e para entender o que isso poderia significar. O que vai acontecer no futuro. Tudo o que eu sei com certeza é, eu não posso parar de pensar nela. Não apenas sobre aquele corpo glorioso e nu, ou por fazer ela gozar. Sim, eu penso sobre isso sem parar, porque, duh. Mas sobre o que ela disse naquela noite. Sobre ela querer alguma coisa para ela. E eu quero fazer algo para ela - algo para fazê-la feliz, só para ela. Então, após o trator ser concertado, eu vou até Hank. Ele está sentado em sua varanda, bebendo um Natty Ice, lendo um livro maltratado de romance de Tom Clancy. — Hank? Ele olha para cima, acena para mim. — Derek. O que posso fazer por você, meu filho?

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— Reagan. Ela está aqui o tempo todo. Eu pensei... Eu me perguntava se você acha que ela pode querer tirar um dia de folga. Fazer algum tipo de dia feminino. — Eu engulo em seco e mudo de pé para pé. Eu estou pondo a minha mão aqui. Eu olho para ele diretamente nos olhos e deixo que ele me leia. — Eu não sei nada sobre essa merda. Então, eu meio que preciso de ajuda, eu acho. Hank apenas olha para mim por um longo tempo. — Está crescendo um coração aí dentro, não é? — Ele ri. — Já era maldita hora. Eu dou de ombros. — Acho que sim. Alguma ideia? — As mulheres, eles gostam de fazer o cabelo. Manicure, pedicure. Esse tipo de coisa. A porta de tela guincha, abre e fecha e Ida vem segurando duas cervejas. Ela entrega um para mim, mas eu recuso. Após o incidente no celeiro, eu não queria beber novamente. Isso me assustou. — Linda da igreja, — diz Ida, — a filha dela é dona de um espaço feminino em Brenham. Posso perguntar sobre um pacote de presente. — Quanto? — pergunto. Hank e Ida se entreolham e Hank assente. Ida sorri, dizendo: — Não se preocupe com isso. — Eu não queria te pedir o— Você não pediu, filho. Nós estamos oferecendo. Basta dizer obrigado e aí é com você. Você não discute com um homem como Hank. — Obrigado, então. — Vou ligar para Linda na parte da manhã, — diz Ida. Eu volto para o celeiro. O sono esta ficando um pouco mais fácil. Os pesadelos ainda me acordam na maioria das noites, mas eles estão começando a desaparecer. Eles nunca perdem sua potência, mas estou ~ 154 ~


aprendendo a lidar com eles. Acordo, respiro. Faço flexões, abdominais, agachamentos, levantamento. Eu volto a dormir eventualmente. Passei as primeiras horas da manhã seguinte substituindo a escada até o palheiro. Ida me encontra no celeiro e me chama. Eu desço, limpando o suor do meu rosto. Ela me entrega um envelope. — Este é o certificado de presente. É para um corte de cabelo e tintura, uma manicure e pedicure, e um tratamento facial. Ela vai gostar, eu acho. Eu sei que eu gostaria. — Ela sorri para mim, dá um tapinha no topo da minha mão. — Este é um gesto doce, Derek. — Ela merece um dia de folga, — é tudo que eu posso pensar em dizer. — Com certeza sim.

***

É tarde da noite antes de eu terminar os vários projetos que eu tinha começado. Eu estou me lavando na bomba quando ouço Reagan atrás de mim. — Você comeria com a gente? Tommy e eu? Eu fiz lasanha. Eu engulo em seco. Encolho de ombros. — Claro. O jantar é uma coisa estranha. Eu não sei o que dizer, ou como agir em torno de Reagan. Tommy fornece a maior parte da conversa, falando para mim e salpicando lasanha em todos os lugares. Me permito um pequeno meio copo de vinho tinto, o que me faz me sentir quente e solto. Tommy acerta o pé no seu prato, nos fazendo rir. Reagan enxuga as mãos e o rosto dele, e, em seguida, o leva para a cama.

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Enquanto ela se foi, eu limpo. Cubro as sobras com papel, lavo os pratos na pia. Seco e os coloco no armário. Reagan volta para a cozinha. — Você não tem que limpar. Eu dou de ombros, secando os garfos. — Você cozinhou. Você não deveria ter que limpar também. Ela se senta à mesa, de lado na cadeira, de frente para mim. — Então, eu queria saber se amanhã você se importaria de me ajudar no quarto de Tommy? Ainda está decorado para um bebê e eu quero pintálo. Atualizá-lo um pouco para ele. Eu giro e ponho minhas costas contra a pia, puxando o envelope contendo o certificado de presente do meu bolso de trás. — Eu vou lidar com isso amanhã mesmo. Na verdade, eu vou cuidar do resto, também. Ela está confusa. — O quê? Por quê? Eu entrego a ela o envelope. — Porque você não vai estar aqui. Ela abre, lê o certificado de presente. — O que é isto? Eu não entendo. — É um dia de folga, Reagan. Duma até tarde. Dirija até Brenham e passe o dia no salão. Se sente no parque e leia um livro. Faça o que te agrada a fazer. — Estou nervoso, falando muito rápido. Ela não disse nada por um longo minuto. — Derek, você não tem que - eu não preciso— O certificado de presente e dia de folga foi ideia minha, mas Ida e Hank... a amiga de Ida, Linda, é dona do salão de beleza. — Eu esfrego meu lábio superior e tento soar casual. — Você merece um dia de folga. Inferno, você merece muito mais do que isso, mas é o que eu poderia fazer acontecer. Você trabalha muito duro. E você merece algo apenas para você.

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Ela não olha para mim, olhando para o vale-presente, para seus pés. — Derek, eu nem sei o que dizer. — Ela olha para mim, depois de um tempo, claramente lutando contra a emoção. — É muito. Eu não sei o que fazer comigo mesma por um dia inteiro. — Tenho certeza que você vai descobrir alguma coisa. — Eu aponto para o envelope. — Eu não sei se ele diz isso aí, mas Ida me disse que você pode fazer o cabelo e colorir, além de fazer as unhas das mãos e dos pés. E outra coisa. Para o seu rosto. Uma limpeza facial, talvez? Apenas se divirta. Relaxe um pouco. Ela fica parada por mais um momento e então ela se lança para mim. Braços ao redor do meu pescoço, o corpo contra o meu. Nós dois seguramos um ao outro, em um tenso abraço apaixonado. E então ela se afunda contra mim, o abraço cheio de tensão. E agora eu só estou segurando ela. Ela é macia, quente, com cheiro de feno, cavalo e suor feminino. Eu inalo o cheiro dela, memorizo a sensação dela em meus braços. Ela recua apenas um pouco, olhando nos meus olhos. Sua palma vai em toda a volta da minha cabeça, a outra mão apertando meu pescoço. Um momento passa, outro. E então ela inclina seu rosto, pressiona a boca para a minha e se inclina para mim. Seus peitos são esmagados contra o meu peito, as mãos me puxando para mais perto e mais perto dela, como se ela não pudesse chegar perto o suficiente. No começo eu consigo manter meus braços em sua cintura, na zona segura. Mas então ela pega meus lábios com a língua, e uma das minhas mãos desliza para baixo, parando encima da sua bunda. Ela geme, uma respiração murmurada e minha outra mão se junta a primeira e eu tenho a sensação perfeita de sua bunda redonda em minhas mãos. Eu sonhei com essa bunda- sonhei em senti-la em minhas mãos. Eu acordei duro e dolorido e desejando esta bunda perfeita. De alguma forma eu estou explorando a plenitude dela, apertando, amassando. Estou surpreso que ela está me deixando fazer isso, aqui em ~ 157 ~


sua cozinha. As palmas das suas mãos deslizando para baixo nos meus ombros, pelo meu peito. Nossos beijo se quebra e ela solta um suspiro, enrolando seus dedos em punhos no tecido da minha camisa, seja para me manter no lugar, como se eu fosse tentar ficar longe, ou para manter seu próprio equilíbrio. — Eu só queria beijá-lo para agradecer, — ela sussurra, sua respiração bufando em meus lábios. — Mas agora eu não posso parar. — Eu sonhei com você na outra noite. — Eu não sei por que eu estou dizendo isso, ou o que eu espero realizar. Minha boca parece estar funcionando independente do meu cérebro. — Sobre a sua bunda. Ela ri, se inclina a cabeça no meu ombro. — Você sonhou com a minha bunda? — Talvez. Sim. É tão perfeita. Eu tenho vontade de senti-la. Sonhei com... bem, isso, basicamente. Beijando você. Fazendo isso com você e passar minhas mãos sobre isso. — Eu aperto, levantando a bolha de músculo e carne. — Bem, agora que você fez. É... é de acordo com suas expectativas? — Ela parece hesitante. Incerta. — Isso quebra as minhas expectativas, — eu digo, sinceramente. — Está além de perfeito. Eu não quero deixar ir. — Sério? Eu olho para ela. — Por que você parece surpresa? Ela balança a cabeça. — Eu não quero falar sobre as minhas inseguranças estúpidas agora. Vai estragar o momento. Eu só quero te beijar de novo. Inseguranças estúpidas? O que ela está falando? Eu não entendi. Mas eu deixo isso para lá, deslizando os meus lábios nos dela, provocando sua boca com a minha, me afastando quando ela se inclina ~ 158 ~


para aprofundar o beijo, beliscando seu lábio inferior. Ela cerra os punhos, desliza suas mãos nas minhas costas, puxa a barra da minha camisa e se conecta com a minha pele. Ela desliza as mãos pelas minhas costas, esmaga seus lábios nos meus e exige mais da minha boca, minha língua. Ela corre as unhas ao longo da minha espinha, depois estabiliza as palmas das mãos sob o meu jeans, contra a pele nua. Ela chupa minha língua em sua boca, aperta a minha bunda com os dedos com garras, geme em minha boca. Eu preciso de mais. Eu levanto seu quadril, deslizando-a até o meu corpo. Ela se agarra a mim, suas pernas rodeando minha cintura, com os braços ao redor do meu pescoço. Um braço me agarra para se equilibrar; a palma da outra mão vai para o meu rosto. Minhas mãos têm ideias próprias, uma apalpando a bunda, a outra subindo sob a blusa dela, pastando sobre o estômago plano, pastando em seu peito sob o sutiã. Línguas emaranhadas, quebrando o beijo para respirar, bocas se mesclando mais uma vez. Eu pego a bainha de sua camiseta em meu punho, arrastando-a para cima. Ela puxa pela cabeça, pressiona seu corpo contra o meu, suas mãos em meus ombros e peito. Ela arranca a minha camisa. Eu libero os ganchos em seu sutiã, um suspiro, dois, e ela está de topless em meus braços, sua carne quente deslizando na minha. Segurando-a, eu a levo para dentro, em seguida, a coloco no sofá. Eu rastejo sobre o braço para me ajoelhar entre as coxas dela, com um pé no chão. Com a palma da mão no seu lado, eu deslizo minha mão até suas costelas. Seus peitos enchem meu lado, apenas um pouco mais do que um punhado. Mais suave do que qualquer coisa que eu já senti. Eu provo, o sal de sua pele atrás da orelha, no pescoço, abaixo da inclinação de seus seios. Seu mamilo desliza entre meus dentes, e ela está gemendo, arqueando as costas. Agarrando a parte de trás da minha cabeça com uma mão, alisando minhas costas com a outra. Chegando entre os nossos corpos, ela encontra o meu zíper. Os botões são desfeitos. Deus, Deus, a mão dela é quente e pequena em torno de minha ~ 159 ~


dolorosa ereção. Ela corre tão lenta e deliberada, me deixando louco. Tão duro que eu estou vazando, quase a ponto de gozar - como um adolescente maldito. Seus peitos são perfeitos na minha boca e sua mão está acariciando meu pau, ela gemendo no meu ouvido. A tábua de chão range acima de nossas cabeças. Reagan para. — Espere. Espere. — Ela coloca as palmas das mãos no meu peito. Silêncio. Mas então ela olha para mim. — Continuamos deixando levar. Eu me inclino para trás, e ela se senta, mas não se cobre. — Sim, nós fazemos, — eu digo. — Provar você, e eu só ... não posso parar. — Eu também. — Ela está vestindo jeans com um furo acima de um joelho e ela pega com os fios brancos desgastados. — Eu gosto de me deixar levar com você. Eu gosto, Mas eu não estou - eu não estou no controle da natalidade. E eu não tenho nenhuma proteção. Portanto, não podemos deixar isso longe demais. Nenhum acidente. Passo a mão pelo meu cabelo. — Deus, você está certa. Eu mesmo não tenho pensado nisso. — Eu toco o joelho dela através do buraco no denim. — É isso que você quer? Comigo? Eu não quero apenas me empolgar aqui. Eu não quero que seja um acidente. Eu não quero que você se sinta culpada. Ou se arrependa. Não posso deixar de parar meus olhos de vagarem de seu rosto para os peitos dela. Ela segue o meu olhar, olha para seu próprio peito e se encolhe. Ela cobre a si mesma. Ela se levanta, indo até o final do sofá, e encontra suas roupas, o rosto distante, puxando uma camisa sem sutiã. Eu abotoo minhas calças e vou atrás dela. — Eu disse algo errado? Ela balança a cabeça. — Estava escuro antes. Fomos apanhados no momento. Às vezes, eu me sinto bem comigo mesma. Mas agora, com

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as luzes acesas, você me olhando? Tudo o que posso pensar é que meus seios não são tão duros ou empinados como costumavam ser. Eles caíram. Eu tenho estrias sobre eles, e na minha barriga pela gravidez de Tommy. — Eu só vejo você. — Eu estou atrás dela, segurando seus braços. — Você é linda, Reagan. Na luz, na escuridão. O tempo todo. Ela encolhe os ombros. — Obrigada. Você é um doce. — Ela se vira, olhando nos meus olhos. — Eu odeio sentir como se eu tivesse que tomar uma decisão sobre o assunto. Eu quero ser capaz de apenas... deixar acontecer. Eu quero nos dar isso e não pensar. Mas eu não posso. Tenho Tommy para pensar. Eu quero você, Derek. Eu - Eu preciso disso com você. Tem sido assim por muito tempo desde que eu senti do jeito que você me faz sentir. Você me faz esquecer as estrias, estresse e a solidão. Mas... o que acontece com Tommy? E se ele se apegar a você? Quanto tempo você vai ficar? O que vou dizer a ele? Você não pode apenas viver no meu celeiro. Se fizéssemos isso, se nós... Eu nem sei como dizer isso. Se transássemos... se fizéssemos amor, qualquer que seja a frase que você deseja usar, se fizéssemos isso - eu vou me apegar. Eu vou te querer aqui. Comigo. Na minha cama. E se você não ficar? Eu não posso tomar outro desgosto. Ainda não. Talvez um dia eu vou ser forte o suficiente para arriscar a me machucar novamente. Mas eu estou com medo. Porque você é ... você é um soldado. E se você mudar de ideia sobre voltar? E se eles fazerem você ir? Eu não poderia aguentar ver um outro soldado ir para a guerra. Eu não posso. Eu não vou. E se - se fizermos isso e eu não ser boa o suficiente? E se eu não te satisfazer? E se uma mulher com uma criança não é o que você quer? Eu estive pensando sobre isso sem parar. Mais e mais e mais. E se, e se, e se... — Reagan, Eu — Você pode dizer qualquer coisa agora. Me tranquilizar. Você iria dizer isso, também, eu tenho certeza. Mas você pode mudar de ideia. As coisas mudam. Sentimentos mudam. E sim, eu quero você. Você me ~ 161 ~


quer. Nós temos essa química louca e você me faz sentir coisas... essas coisas incríveis. E eu quero mais. Eu quero tudo isso. Mas eu estou com medo, Derek. Estou com medo de me sentir culpada. E - tem sido tanto tempo desde... a minha última vez, com Tom. Sinto muito em trazer ele para isso agora, mas você precisa saber o que eu estou sentindo. Tem sido muito tempo desde a minha última vez com Tom, eu mal me lembro disso. Eu estou esquecendo ele, Derek. E isso me assusta. Isso dói. Como ele se parece, o que ele sentia. O que eu sentia. E eu estou com medo de que se eu continuar deixando que isso aconteça com você, que isso vai que vai ser melhor. Do que antes... do que com ele. E o que isso diz sobre mim? Ele era o amor da minha vida, Derek! Eu o amava... apenas porra. — Ela está bufando – quase soluçando. — Eu o amava tanto. E eu não quero sentir como se eu não tivesse amado. É tão complicado e quando eu penso sobre isso, tento descobrir isso, eu fico mais confusa e bagunçada. Penso que às vezes que talvez você devesse ir, porque as coisas vão voltar a ser como eram. A fazenda, Tommy, Hank e Ida. Tommy iria crescer, eu ficaria velha e fim. Mas eu... Eu não quero isso. A forma como as coisas deram erradas. Eu penso em você indo, e algo dentro de mim só... resiste. Eu não gosto disso. E quando eu estou com você, não fazendo nada, apenas estar perto de você, é fácil me sentir como... como seria bom. Como se isso pudesse funcionar. Eu fico em silêncio, deixando ela pensar, deixando falar. Absorver. Ela puxa a barra da camisa, fazendo o contorno das pontas de seus seios e os mamilos se destacarem. Não posso deixar de olhar uma vez, e depois voltar o olhar para o rosto dela. Ela procura meus olhos. — Eu desejo poder ser o tipo de garota que pode fazer sexo casual. Isso faria isso mais fácil. Eu te quero. Eu estou louca de desejo por você. Mas eu não posso fazer sexo casual. Eu apenas não posso. — Posso dizer duas coisas? — Ela balança a cabeça para mim, e eu tomo um momento para respirar fundo, deixando sair, formulando o que eu quero dizer. — Eu não posso te dar algum discurso tranquilizador

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sobre como lidar com a dor. Eu não sei o que dizer sobre isso. Eu estou fodido, também, honestamente. Perder Tom, perder - merda - assistir doze dos meus amigos serem mortos. Assistir Tom morrer. Ser um prisioneiro de guerra. Isso me fodeu. Eu nunca vou poder ser normal de novo. Então... eu não tenho quaisquer garantias sobre o esquecimento dele. Porque eu só consigo me lembrar dele do jeito que ele estava no fim. E isso – é fodido, Reagan. Fico feliz que você não tem isso. Eu ficaria feliz se eu pudesse esquecer isso. Às vezes, eu acho que, você só tem que aceitar... que você vai se sentir como merda. Você sente falta dele. Você esquece ele às vezes. Eu quero pensar que isso é natural. É a sua cura do coração, sua mente ajudando a você passar pela dor. Eu não sei. Eu sei que nada disso vai fazer você se sentir melhor e eu sinto muito. Mas eu sei que você amou Tom. Ele sabia que você o amava. Mas eu quero pensar que Tom iria querer que você encontrasse... paz. Felicidade. Ele não poderia te querer sozinha ou sofrendo. Ou, sendo infeliz. Eu tenho que fazer uma pausa e reunir meus pensamentos. Às vezes você apenas tem que colocar tudo para fora, bom ou ruim. — Eu sei que você tem muito o que pensar, na medida em que essa coisa entre nós vai. É complicado. Não é só sexo. Você disse que você não pode fazer sexo casual... bem, nem eu. Muita coisa, na verdade. É tudo que eu fiz. Eu não era realmente um grande cara a esse respeito. Eu corria atrás de mulheres e eu tive um monte delas. Mas era tudo casual. Nunca cheguei perto de qualquer uma delas. Quero dizer, como eu poderia? Eu tinha um par de semanas, talvez um mês. Eu me disse que não seria justo com a menina agir como se eu quisesse alguma coisa além de diversão. Começar algo que eu não poderia terminar, certo? Mas eu não sou o mesmo cara mais. Eu sou uma bagunça do caralho, Reagan. Eu tenho danos. Bagagem. Pesadelos, culpa da sobrevivência, todos os tipos de besteiras psicológicas complexas. E como eu poderia selar qualquer pessoa com tudo isso? Eu poderia ir para algum lugar e, provavelmente, ter uma menina para eu me deitar, mas assim que ela ~ 163 ~


visse as minhas cicatrizes, assim que começássemos a conversar, eu garanto que a maioria das meninas iriam sair correndo e gritando. Eu não poderia dizer a alguma inocente garota da cidade moderna que nunca deixou Houston que eu fui torturado pela porra do Taliban. Eu não poderia dizer a ela porque eu ainda acordo no meio da noite chorando e gritando. Ela não iria entender. Como poderia? Estou muito confuso para jogar os jogos que eu costumava jogar. Então... Eu não posso fazer casual, também. Silêncio novamente. Reagan abre a boca para falar, mas fecha novamente. Ela me olha nos olhos e assente. — Eu tenho que te perguntar uma coisa, Derek. E eu... Eu preciso de uma resposta. É sobre a carta. Porra. Minhas mãos estão tremendo. Eu me afasto até a cozinha. Afundo em uma cadeira, com os cotovelos sobre os joelhos, a cabeça pendurada. — Essa carta me manteve são. Eu li para ele tantas vezes que eu tinha memorizado. Eu ainda faço. Eu acho... Eu acho que eu comecei a me sentir como - não como se tivesse sido escrito para mim, mas... Eu não sei. Algo sobre o quanto você o amava, o quão óbvio era isso na carta, que me deu esperança. Eu... não lia, mas dizia isso para mim mesmo. Recitando, eu acho. Depois que Tom morreu, quando eu estava com frio e com fome, depois que me chutavam pra caralho, ou quebravam meu dedo ou sei lá. Essa carta me fez continuar, uma e outra e outra vez. Eu olho para ela, mantendo os olhos nos dela, sem piscar. — Thomas, meu amor, — eu digo. As palavras vêm facilmente. Estou escrevendo isso em nossa cama. Você está ao meu lado, dormindo. Há tanta coisa que eu gostaria de poder dizer a você, mas eu sei que o tempo é curto. Você vai embora amanhã. De novo. Eu não posso dizer que não me incomoda. Incomoda. É claro que ele sim. Dói o tempo todo. Eu ajo brava com você, mas eu odeio isso. Eu odeio ver você pondo suas botas. Eu odeio ver você fazendo suas malas. Eu odeio ver você arrumando sua gravata no ~ 164 ~


espelho. Eu odeio quão malditamente sexy você fica em seu uniforme. Acima de tudo, eu odeio te dar um beijo de adeus, odeio assistir você se virar, suas amplas costas retas quando você desaparece abaixo da rua. Eu odeio que seus olhos estão secos quando os meus estão molhados. — Eu odeio tudo isso. Eu sei que eu me inscrevi para isso quando me casei com um fuzileiro naval. Eu sabia desde o início que você ia entrar em combate. Eu sabia disso, e me casei com você de qualquer maneira. Como eu não poderia? Eu te amei tanto, desde o início, desde a primeira vez que te vi, todos aqueles anos atrás. Reagan está chorando em silêncio, olhando para mim. Nenhum de nós olha para longe. Ela cobre a boca com as mãos. Você lembra? Eu estava visitando meu irmão em Twentynine Palms, e eu vi você correndo com a sua unidade. Você olhou para mim, e eu sabia que naquele mesmo instante que íamos ficar juntos para sempre. Você saiu do posto, correu até mim. Você me beijou. Bem ali, o sargento de artilharia gritando com você, na frente de metade da maldita base. Você nem sequer perguntou o meu nome. Você só me beijou, e se juntou a sua unidade. Você teve em um monte de problemas por essa façanha. Eu nunca pensei que eu iria te ver novamente, mas você me encontrou. Você conhecia o meu irmão, que estava comigo no momento. Você perguntou a ele quem eu era alguns dias depois. Ele disse que iria te deixar ter uma chance comigo se eu estivesse disposta, mas se você quebrasse meu coração, ele iria quebrar a sua cara. Você apareceu no meu quarto de hotel vestido à paisana. Você me levou para Olive Garden, e ficou bêbado com vinho tinto. Fizemos amor naquela noite no meu quarto. Você se lembra daquela noite? Tenho certeza que sim. Eu me lembro de cada momento. Assim como eu me lembro de todos os outros momentos de nossas vidas juntos. Oito anos. Você sabia disso? Você foi embora de amanhã, e amanhã é o nosso aniversário de oito anos, o dia da primeira vez que nos encontramos, quando você me beijou. Deus, Tom. Você sabe por que eu me lembro de cada momento? Porque na maioria de nossos oito anos juntos, você esteve em missões. Três turnos no Iraque e você está

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prestes a ir para sua terceira turnê no Afeganistão. Eu sinto falta de você, Tom. Todos os dias, eu sinto sua falta. Mesmo quando você está em casa Eu sinto falta de você, porque eu sei que você sempre vai ir embora de novo. Mas desta vez? Essa missão? Tem sido a mais difícil. É tão difícil que eu não posso aguentar. Não aguento mais. Eu não posso, Tom. Eu não posso ver você ir embora de novo, sabendo que você poderia morrer. Sabendo que você pode não voltar. Você não falou muito sobre o que aconteceu com seu amigo Hunter, da sua unidade, quando ele foi MIA, mas eu sei que foi doloroso para todos. Ele voltou, graças a Deus, mas você era uma bagunça. Você me ligou da base. Você estava ficando louco de preocupação. Você pensou que ele estava morto. Seu amigo Derek tinha sido ferido também. Me lembro de tudo isso. E eu só... Eu não acho que eu poderia lidar com isso, se isso acontecesse com você. Eu paro. Engulo em seco. Forço a admissão para fora. — Eu cada vez que li a carta para Tom, eu parava aí. Eu saltava para o fim. Onde você disse que você o ama. Eu li a carta para mim mesmo primeiro, antes de eu ler para ele. Ele mal conseguia se mover, e ele não poderia ler sozinho. Ele estava muito fraco. Então, eu li para ele. E... quando eu vi — minha voz quebra — quando eu li a notícia... sobre você estar grávida, eu entrei em pânico. Ele estava morrendo. Eu sabia que ele estava morrendo. Ele sabia que estava morrendo. E eu - eu não poderia dizer a ele. Toda vez que eu lia a carta, toda vez que eu chegava a essa parte, eu não poderia ler. Ela está pálida. Agitada. Os olhos arregalados. — O quê? Derek, não. O que você está dizendo? Eu aperto minhas mãos em punhos. Eu digo as palavras mais difíceis que já falei na minha vida. — Tom nunca soube. Ele morreu sem saber que você... sem saber - — Eu cerro os olhos fechados. Não posso terminar. — Ele - ele não sabia? — Ela está sussurrando. Sua voz é fina, esganiçada. — Ele não sabia sobre Tommy? Ele morreu... ele - ele não ~ 166 ~


sabia que ele seria pai? — Lágrimas, gotas molhadas correm pelo seu rosto. — Sim. — Eu não posso olhar para ela. — Eu sinto muito, Reagan. Eu só... não podia. — Como você pôde? — Um sussurro primeiro. Então, ela está se lançando para mim. Eu estou de pé e ela me bate. — Como você pode? Ele iria ser pai! Ele merecia saber! Deus... Deus... Eu pego as mãos dela. — Ele estava morrendo porra, Reagan! — Eu grito. — Ele tinha três balas em seu estômago. O ácido do estômago dele estava comendo ele de dentro para fora. Estávamos em uma cabana no meio do nada, rodeado pelo Taliban. Eu estava ferido. Estávamos apanhando todos os dias. Ele levou fodidas semanas para morrer, e eu tive que assistir! Eu vi meu melhor amigo morrer. Eu o segurei em meus malditos braços e o alimentou com a minha própria comida, o pouco que nos deram. Ele desmaiava e quando ele acordava, ele perguntava da carta. ‗Leia a carta, D. Leia a carta, D. Derek, a carta‘. Ele mal podia falar no fim. Ele estava com tanta dor, e tudo o que podia pensar era em você. Se eu dissesse a ele que você estava grávida...? Ele guardou aquela carta, fechada, por meses. Ele a levou em dezenas de patrulhas. Era como um amuleto de boa sorte para ele. Se ele tivesse lido - apenas lido a maldita carta... mas ele não fez. E eu não poderia dizer a ele. Eu fui um covarde. Eu estava com muito medo. Muito ferido. Muito fraco. Eu não poderia lidar com o que isso o faria se sentir, não quando ele não podia fazer uma maldita coisa sobre isso. Tudo o que ele podia fazer era morrer. Ela está chorando, gritando, caindo no chão e cobrindo o rosto com as mãos. Eu me ajoelho ao lado dela, toco em seu ombro, mas ela me empurra. — Me deixe em paz! Apenas... por favor. Eu preciso ficar sozinha. — Ok. — Eu me levanto. Me virando. — Eu sinto muito, Reagan.

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Ela me ignora, e eu a deixo ali, chorando no chĂŁo de sua cozinha.

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CAPÍTULO TREZE REAGAN A casa está em silêncio quando eu acordo na manhã seguinte. Eu olho para o meu despertador: 09h30. Eu nunca dormir até tão tarde... nunca. Eu solucei até ficar rouca depois que Derek saiu. Eu literalmente rastejei e subi as escadas e me deitei. Eu chorei até dormir. Eu afasto a tempestade de pensamentos e emoções em fúria dentro de mim e vou na ponta dos pés até o térreo. Há uma nota sobre a mesa da cozinha: Reagan, querida. Tommy está comigo na minha casa. Minhas netas vão ficar por alguns dias, então ele vai passar o dia brincando com a gente. Não se preocupe com nada. Vá, tenha um dia maravilhoso. Ida. Oh. Certo. O meu dia de folga. O envelope com o certificado de presente está sobre a mesa. Eu volto lá em cima, tomo um banho, escovo meu cabelo e raspo minhas pernas e axilas, me aparando em outros lugares. Saio para o início do outono quente. Ouço ruídos do celeiro e olho para ver Derek, sem camisa, no telhado do celeiro, raspando o teto. As telhas rolam no chão e caem em uma pilha. Hank está lá no chão, dando ordens para três de seus netos mais velhos, que estão com uma pá, carregando a bagunça até uma enorme lixeira vermelha e puxando pallets quadrados do que eu assumo que são telhas novas até a escada para o telhado. Derek me vê, se levanta, inclinada sobre a ferramenta que ele está usando para raspar as telhas. Mesmo a partir de aqui, eu posso sentir sua turbulência. Ele não acena; ele apenas olha para mim. ~ 169 ~


Eu não posso lidar com ele agora. Eu apenas não posso. Então eu aceno. Hank, seus netos, todos eles acenam de volta. Derek apenas olha para mim, e depois volta para o telhado. Eu explodo o rádio no carro até Brenham e me recuso a pensar em nada. Acho o salão com facilidade, e uma mulher de cabelos vermelhos, alguns anos mais velha que eu me acolhe. Ela se apresenta como Sandy e me entrega um drink e me ajuda em uma cadeira estilosa e começa a tagarelar sem parar para respirar sobre o meu cabelo e como é como eu vou me divertir. Seu entusiasmo é contagiante, e eu estou logo rindo com ela, dizendo a ela para fazer o que ela quer, simplesmente nada louco. Não muito curto, sem cores estranhas. Ela assente e começa a cortar. Eu vejo quando ela tira alguns centímetros da parte inferior, deixando ele um pouco acima dos meus ombros. Depois disso, ela passa por meu cabelo de novo, adicionando camadas e forma a ele. Ela diz que eu não preciso de qualquer cor, que o meu loiro mel natural é perfeito do jeito que está. Então, eu sou empurrada para a estação de manicure, onde eu recebo um tratamento real. Massagem manual, cutícula, lixa e pintam de uma cor ameixa profunda. Mesmo os dedos dos pés. Em seguida, eles me dão um longo e luxuoso tratamento facial, deixando minha pele formigando e sentindo mais limpa do que nunca. Sandy me olha e acena. — Adorável. Simplesmente adorável. Mas você ainda parece um pouco tensa. Já que está tão lento aqui hoje, que tal eu jogar uma massagem? Lisa é apenas a melhor. Ela tem um leve toque, mas ela pode realmente tirar aqueles nós complicados. — Eu nunca tive uma massagem antes, — eu digo. — Eu acho que — Então está resolvido. Por aqui! A massagem é provavelmente a melhor coisa que eu já senti. Eu estou uma geleia na hora que Lisa termina, me sentindo mais relaxada ~ 170 ~


do que eu pensava ser possível. Eu deixo a maior gorjeta que eu posso pagar, agradecendo a elas, e saio. Eu encontro e um café, ouvindo música tranquila e bebendo uma grande caneca de chá quente. Pensando em Derek. Como eu estava com raiva. Justamente, a minha maneira de pensar. Mas então... eu penso sobre Derek, o que ele disse em sua defesa. E eu entendo. Isso não torna mais fácil, sabendo que Tom nunca soube. Derek intencionalmente manteve isso dele. E então eu penso sobre o quão perto eu vim a ter relações sexuais com Derek, três vezes agora. Como vou conciliar as minhas extremas emoções? Culpa, luxúria. Mágoa, necessidade. Confusão e clareza. Clareza? Eu sei de fato que a próxima vez que eu estiver sozinha com Derek, não haverá qualquer interrupção nós. Eu não poderia estar mais clara sobre as minhas emoções, sobre como eu deveria conciliar o amor que eu ainda sinto pelo meu marido morto, Thomas, com a necessidade que eu sinto por Derek. Não é apenas física, embora isso desempenha uma grande parte disso. É uma necessidade de um companheiro. A necessidade de banir a solidão. Ele está aqui, e ele compreende, tanto quanto qualquer um na Terra pode, onde eu estou emocionalmente e mentalmente. Assim como eu o entendo e por que ele está atraído por mim. Ele sabe que eu sei que o fardo do combate assume um homem. Ele sabe que eu sou forte o suficiente para entender o que o atormenta. Ele não tem que fingir estar bem perto de mim, porque eu sei. Mas, em seguida, todos esses ‗e se‘ cortam de volta. Eu vou me apegar se Derek e eu fizermos sexo? Inferno, eu já estou apegada. E Tommy? E se isso continuar indo? Trazer Derek na minha cama, e Tommy encontrar ele lá de manhã? Como explicar isso?

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Eu bufo em frustração. Não importa quantas vezes eu passo por isso na minha cabeça, eu não fico mais perto de uma resposta. Eu quero ele, e quero me deixar ir, me deixar tê-lo. Penso em alguns momentos se isso vai dar certo, mas, em seguida, todos esses ‗e se‘ clamam na minha cabeça, e eu começo a pensar que eu deveria acabar com isso. Mas o meu coração e meu corpo se aperta com esse pensamento. Eu só não sei o que fazer. Eu penso em ir para casa, mas acabo no supermercado ao invés. Desde que eu já estou em Brenham, então eu poderia comprar algumas coisas enquanto estou aqui. Eu tive os meus mimos e foi bom. Agora, de volta à realidade. Eu me sinto muito bem tratada, no entanto. Eu vou querer isso de novo. Eu acabo na seção farmácia da loja, na frente dos preservativos. Procurando. Pensando se eu devo pegá-los, se vamos usá-los. Provavelmente um monte deles. Mas eu não estou mais perto de saber a coisa certa a fazer, isso quer dizer que eu não deveria deixar isso acontecer? Mas então, quem estou enganando? A menos que eu faça ele ir embora, vai acontecer de qualquer maneira. Eu pego a menor caixa. Eu atiro no carrinho, então paro e pego outra. Acho uma caixa maior. Eu ouço uma voz do meu lado, uma mulher da minha idade com um bebê em uma transportadora na frente do carrinho. — Se você não tem certeza, — diz ela com um sorriso, — é provavelmente melhor pegar a caixa grande. — Ela pega a maior caixa da prateleira de baixo, joga no meu carrinha e sai, ajeitando seu bebê . Ela provavelmente está certa. Eu pago, vou para casa, parando em Hempstead para algumas caixas de pizza. Quando eu finalmente estaciono a caminhonete sob a árvore, eu vejo que o telhado do celeiro está quase pronto, e Derek, Hank, e seus ~ 172 ~


três netos estão todos sentados na varanda da frente, bebendo garrafas de água. Eles estão todos suados e rindo. Eu entrego a eles aos quatro caixas de pizza, observando com espanto como a primeira caixa é esvaziada em poucos segundos, a segunda acaba não muito tempo depois. Eu balanço minha cabeça e rio. Pelo menos até eu chamar a atenção de Derek. Ele está me observando, e eu posso ver que ele está aguardando. Esperando algo de mim. Uma conversa? Eu não sei. Eu começo a levar as compras para a casa e encontro Derek me ajudando. Levamos as dúzias de sacos para dentro, e ele começa a arrumar. — Era para ser um dia de folga, — ele ressalta. Eu dou de ombros. — Foi e foi incrível, realmente, obrigada. Mas não havia nenhuma razão para estar lá e não pegar alguns mantimentos enquanto eu estava nisso. Estávamos ficando sem um monte de coisas. Ele empilha as latas de sopa na despensa, guardando o pão, o leite e suco. Massa, molho de macarrão. Ovos. Ele chega ao saco de farmácia e rapidamente coloca a minha caixa de tampões de lado, juntamente com a aspirina e pasta de dentes. Ele levanta a caixa de preservativos, encontra meu olho. Apenas olha para mim, curioso. Eu dou de ombros. — Podemos... podemos falar sobre isso mais tarde? Ele suspira. — Eu pensei que... depois de ontem à noite, o que eu lhe disse — Ele coloca a caixa de volta na sacola, junto com os outros artigos da farmácia, e põe o saco de lado. — Eu percebi que você quer que eu saia. — Eu-

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Hank entra nesse momento, os netos se arrastando atrás de si. — Bem, isso foi um inferno de um dia de trabalho, não foi, meninos? — Ele dá um tapa nas costas dos meninos. — Bem, nós vamos voltar agora, Reagan. Obrigado pela pizza – foi muito bom. Derek, nos vemos na parte da manhã para terminar esse telhado. Derek assente com a cabeça. — Obrigado pela ajuda, todos vocês. Fez isso um inferno de muito mais rápido. Antes que eu possa entender o que está acontecendo, Hank e sua turma estão saindo pela porta, vagando para baixo nos degraus da varanda. Pouso o saco de frango congelado e corro atrás deles. — Hank, espere! E quanto a Tommy? Devo ir buscá-lo? Hank se vira. — Eu não te disse? Lizzy e Kim querem fazer uma festa do pijama. Tommy passou tempo suficiente na nossa casa, então ele vai ficar bem. Achei que você poderia muito bem terminar o dia com uma noite de folga. — Os meninos já estão andando pelo campo, brigando como os meninos fazem. Hank dá dois passos para trás em minha direção. — Reagan, querida. Eu estive onde aquele rapaz está agora, ou perto o suficiente, e minha Ida, ela está onde você está exatamente. Tudo o que eu vou dizer é, a vida não é feita para ser vivida sozinho. Você tem que seguir em frente. Nunca se esqueça disso. Não totalmente — Hank toca seu bíceps esquerdo em um gesto inconsciente; Eu vi isso no braço dele, vi a tatuagem de sua unidade - batalhão, companhia, - seis números de série cercada por seis números de série militares. — Verdade para ele, verdade para você. — Mas e seEle balança a cabeça, me cortando. — Não. Isso nunca chegou a maldito lugar nenhum. Você pode perguntar ‗e se‘ até que você esteja com o rosto azul. Você não vai chegar a lugar nenhum com isso. Você tem que arriscar, ou não. É com você. — Ele me embrulha em um ~ 174 ~


abraço de urso e mantém. — Ninguém pode dizer o que Tom teria querido, ou gostaria. Ninguém pode dizer o que você deve ou não deve fazer. Você não responde a ninguém Exceto a você. E um pouco por Tommy, talvez, quando ele for mais velho. Mas ele é um bom menino. Ele é amado. Você é amada. — Obrigada, Hank. Por todos estes anos de... tudo. Obrigada. Ele limpa a garganta, fala rispidamente. — Família cuida de família. Ele me deixa ir, me dá um tapinha de leve no braço. — Vá em frente agora. Eu vou em frente. Derek está sentado na mesa da cozinha, a última caixa de pizza na frente dele, duas fatias dobradas na mão. Me sento em frente a ele e tiro uma fatia. Comemos em silêncio, partilhando uma lata de Coca-Cola. Quando a caixa está vazia, Derek a coloca com as outras vazias, lava as mãos. Endireita o pano de prato. Inquieto. Ele está esperando por mim, e eu estou com medo de abrir tudo de volta. Ele espera mais alguns instantes enquanto eu continuo no meu lugar e então ele faz isso por mim. — Eu deveria ter dito a ele. Eu sei disso. A culpa sobre ele esteve me comendo vivo o tempo todo. — Ele esfrega a testa com o polegar, sem olhar para mim. — Tudo o que posso dizer é que sinto muito. Isso não muda nada, mas eu sinto muito. — Ninguém pode te culpar por isso, Derek. Tenho certeza que não. — Ele olha para mim, surpreso. — Estou machucada e eu estou com raiva. Mas eu realmente não estou com raiva de você. Mais com o mundo em geral. Mas, principalmente, estou com raiva de Tom por simplesmente não ter lido a carta maldita quando eu dei a ele. Falamos ao telefone, escrevemos outras cartas, e ele nunca perguntou sobre isso, nunca se referiu sobre isso. Eu estava com medo que ele estivesse... Eu

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não sei. Com raiva de mim por ficar grávida, talvez? Foi um acidente. Nós dissemos que estávamos esperando até que seu mandato acabasse. — Eu estava tão magoada, tão confusa por que ele nunca perguntou como eu estava indo com a gravidez, como eu me sentia, nada. Nem uma palavra. Então, eu nunca disse nada, tampouco. Eu não queria fazer as coisas mais difíceis para ele, não queria que ele soubesse que eu estava chateada. Eu não queria distraí-lo, você sabe? Eu imaginei que ele chegaria em casa e resolveríamos isso. Eu o amava, ele me amava, e o resto iria funcionar. Eu estava tentando ser a esposa de um soldado que apoia. E então eu recebi a notícia sobre a emboscada, que você e ele tinham desaparecido, e... então eles encontraram o corpo dele. — Eu dou de ombros, como se o resto fosse auto explicativo. — Soldados? Somos supersticiosos. Ele levou essa carta como um talismã. Para sorte. Eu carreguei meu cartão de baseball favorito. Hunter tinha esta pequena faca de bolso. Todos os caras tinham algo. Para Barrett, isso era as suas cartas, especialmente aquela. — Derek se inclina contra o fogão, me observando, mas seu olhar é ainda encapuzado, cauteloso. — Eu não quero que você vá, Derek. — Eu me levanto, dando um passo em direção a ele. Eu não o toco, porém, porque isso é muito perigoso. — Eu não posso vir com quaisquer outras respostas além disso. Eu não posso responder a qualquer um dos ‗e se‘. Estou com medo de me machucar. Essa coisa toda é grande, confusa e assustadora, mas a única coisa que parece claro para mim é que você está aqui agora, e que eu me sinto melhor quando você está por perto. Derek e eu ficamos cara a cara, não nos tocando. — Para onde vamos a partir daqui, então? — pergunta ele, finalmente. — Eu não sei. — Eu estive pensando tão duramente, processando, triando através de minhas emoções, pensando em Tommy, em Tom, ~ 176 ~


na fazenda, no certo e errado, bom e mau e o que eu quero versus o que é melhor, e eu só estou frita. Eu não quero decidir. Eu quero que ele decida. Eu quero alguém que me diga o que fazer, ao invés de ter que ser a pessoa que é forte, decisiva e responsável. — Vamos lá, — diz Derek. — Vamos dar um passeio. Ele me pega pela mão, e eu o sigo de bom grado. Deixo que ele sele Henry e Mirabelle, o cavalo quarto de milha. Ele me levanta na sela de Henry, e sobe para de Mirabelle. Eu o sigo enquanto ele trota à frente de mim, para o pasto norte. Quando estamos por cima da cerca, ele clica Mirabelle em um galope. Eu estou ao lado dele, e eu percebo que isso é exatamente o que eu preciso. O vento no meu cabelo, Henry batendo na grama embaixo de mim. A luz do sol, Derek, a liberdade. Nós galopamos pelo pasto, desmontamos e passamos pela pequena porteira que separa a minha propriedade das do Lovitz, remontando do outro lado. A propriedade de Lovitz é verdadeiramente enorme, quatrocentos hectares de terras agrícolas, e mais duzentos hectares de bosques. Eu ando através de sua floresta de vez em quando, e eu sigo Derek ao longo da linha das árvores para a pista no sentido norte e leste através das madeiras. Sob a folhagem, caminhamos com os cavalos. As palavras são desnecessárias. Trinta minutos mais tarde, a trilha se abre em uma clareira. Derek desmonta, estende sua mão para mim. Nós desencilhamos Henry e Mirabelle, amarramos eles a um galho de árvore com uma focinheira com grãos. Derek coloca os cobertores de sela ao lado na grama, no meio da clareira, à luz do sol. Meu coração está batendo forte de repente. Ele está deitado sobre os cobertores da sela, os braços cruzados sob a cabeça, olhando para as nuvens passando.

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— Vem cá. — Ele estende o braço, me convidando. — Pare de pensar, parar de se preocupar. Basta se deitar comigo e ver as nuvens. Me deito e seus braços se engancham em volta de mim, me prendendo ao seu lado esquerdo. Minha cabeça repousa sobre o peito, e eu posso ouvir o seu batimento cardíaco, fraco e constante. — Seu cabelo está lindo. — Ele pega a minha mão na sua, examina meus dedos. — Estes, também. Eu dou de ombros, ainda me sentindo absurdamente nervosa. — Obrigada. Eu gostei muito do spa. Foi muito relaxante. Obrigada. — Eu só tive a ideia. Hank e Ida fizeram isso acontecer. — Eles têm Tommy para o resto da noite, — eu digo, a propósito de nada. Ou talvez não. Talvez seja relevante. Eu estou tentando não pensar muito sobre isso, porque eu vou começar a cismar novamente. Ou talvez eu já esteja cismando coisas. — Reagan? — Sim? — Pare de pensar. Eu rio, um ronco suave. — Eu não posso. Estou tentando, mas eu não posso. Ele rola, e de repente eu estou parcialmente presa debaixo dele. Ele está olhando para mim com seus olhos verde-musgo observando, perfurando, vendo em mim. Seu cabelo é loiro e grosso e está caindo sobre um olho, um pouco longo demais. Ele tem uma barba, crescido o suficiente para ser macio ao toque agora. Ele conseguiu mais músculos; as mangas da sua camiseta se estendendo em seus ombros largos e peito grosso. Seu braço está abaixo do meu pescoço; sua mão está segurando meu ombro, o peso em seu cotovelo. Sua palma da outra mão toca meu

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rosto, o polegar acariciando o canto da minha boca. Ele traça a linha dos meus lábios. Por razões que não posso sequer começar a entender, eu mordo o seu polegar. — Ow. — Ele puxa o polegar e coloca na pequena cavidade debaixo do meu lábio inferior. — Mariquinhas. — É mais de uma respiração do que uma palavra. — Reagan? Sussurro em resposta. — Sim? Seu rosto desce, suas palavras um murmúrio enquanto seus lábios tocam os meus. — Você é deslumbrante. — EuEle me interrompe com um beijo. Ele me beija sem fôlego. Se afasta, fala antes que eu possa. — Toda você, quem você é. Você é impressionante. — Assim como você. Ele sorri e balança a cabeça. Mas seus olhos, escuros e perceptivos, veem o que eu ainda estou pensando, ainda preocupante, e o sorriso desaparece. — Me diga o que você quer. Apenas para você. Não para Tommy. Não para Tom. Não para mim. Nem para Hank ou Ida ou a fazenda. Apenas para você. Reagan - qual é o seu nome do meio? Eu nem sei. — Olivia. — Reagan Olivia Barrett. O que você quer para você?

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A minha resposta é imediata. — Esquecer. Não estar no comando. Para dar e não pensar nas consequências. Só... até mesmo por uma hora... não precisar se preocupar. Sua mão embala a parte de trás da minha cabeça, as pontas dos dedos massageando meu couro cabeludo. — Você quer ser sentida. Se perder. — Sim, — eu suspiro. — Eu acho que posso fazer isso. — Mas o que dizer - — Sou cortada por seus lábios. Ele rouba a minha respiração, come minhas palavras, e me deixa tonta. O beijo continua. Ele não aprofundo, só continuo. Lábios lavagem, se movendo, degustando, exigindo, dando e recebendo. Eu inspiro nele, aceito a sua respiração. Eu deslizo as mãos em seus ombros, exploro os músculos rígidos lá. Gostaria de saber quanto tempo você pode beijar e deixar isso permanecer apenas em um beijo? Ele passa rapidamente sua língua em minha boca, e me engasgo com a intromissão repentina. Meu suspiro quebra o beijo. Em vez de esmagar sua boca com minha para continuar, ele se desloca, toca a boca no meu queixo. Minha cabeça se inclina para trás, expondo minha garganta. Outro beijo, mais abaixo, perto da base. Eu agarro seus ombros, os olhos fechados. Pássaros gorjeiam, árvores farfalham. O sol do fim da tarde nos banha. Suas palmas escovam minha camiseta, expondo minha barriga, minhas costelas. Sutiã. Então, minha camisa está fora, e é plena luz do dia e eu sou auto-consciente, nervosa. E se ele não gosta do jeito que eu sou, quando ele ver tudo de mim, nua na claridade? E seMeus pensamentos são espalhados por sua boca na minha caixa torácica, a palma da mão dele na minha costela, quente, calejado e forte. Eu passo meus dedos pelos seus cabelos e me lembro de respirar, mas eu ~ 180 ~


não posso, porque seus lábios salpicam beijos em toda a minha pele para o lado oposto do meu tronco, deslizando e beijando até a minha cintura. Ele beija a minha barriga. Acima do meu umbigo. A preocupação retorna. — Não aí, Derek, não- — Ele faz uma pausa, olhando para mim. Em seguida, de volta para a minha cintura, minha barriga. Eu deslizo minhas mãos sobre as estrias. — Sinto muito. Eu apenas me sinto mal por elas. Elas não são sexy. Ele aperta os olhos para mim, olha para as minhas mãos cruzadas. Ele muda de volta em seu cotovelo, retira a mão por debaixo da minha cabeça. Observo ele, preocupada e eu me viro. Tanta coisa para uma hora de esquecimento. Mas, em seguida, seus dedos fecham em torno de meus pulsos, os dois. Seu domínio sobre meus pulsos é forte mas suave, e implacável. Lentamente, deliberadamente, ele move minhas mãos acima da minha cabeça, ignorando facilmente minhas tentativas de lutar com ele. Quando meus braços são esticados para cima, mantidos no lugar por sua mão forte, ele ajusta sua posição ao meu lado. Eu me agarro com as duas mãos em seu antebraço grosso, apertando com toda minha força, insegurança, medo e alegria guerrilhando dentro de mim. Eu não sei o que ele vai fazer. Eu estou nua para ele agora. Mas não totalmente. A cintura da calça esconde o pior das minhas cicatrizes de gravidez. E sim, a mão livre dele suaviza sobre o meu estômago, encontra o botão da minha calça jeans. Desabotoa. Abaixa o zíper. Eu não consigo engolir, não posso respirar. Ele aperta o jeans sobre uma coxa e puxa para baixo. Meu quadril é descoberto, o elástico da minha calcinha puxada com ele. Ele repete o processo do outro lado e abaixa minha calça sobre meus quadris. — Tire isso. — Ele toca um beijo na minha costela, logo abaixo do meu sutiã. — Derek, eu não – eu não ~ 181 ~


— Faça isso, Reagan. Por Favor. Lentamente, hesitante, olhos espremidos apertados, eu passo o meu dedão do pé no punho de uma perna, levanto o meu joelho para tirar. Mas então eu surto e começo a lutar com ele, puxando seu aperto em minhas mãos, tentando cobrir o meu estômago puxando minha coxa, me afastando. Ele é muito forte. Suave, mas forte. — Reagan. — Sua voz é um chicote afiado, cortando minhas lutas. Abro os olhos e olho para ele. — Você é linda. Antes que eu possa protestar ou concordar ou o que teria saído da minha boca, ele está me beijando. Jesus, o homem pode beijar. Seus lábios são suaves e habilidosos, se movendo contra os meus, capturando minha respiração e meu coração incha e meu corpo aquece, e, em seguida, sua língua se aprofunda em minha boca e desliza em toda a minha língua, varre os meus dentes, e ele se afasta, passa a sua língua sobre o meu lábio superior, o lábio inferior, e eu estou sem fôlego. Eu ainda estou parcialmente longe dele, meus jeans metade posto, metade para fora. Sua palma desliza sobre minha nádega esticada, que paira sobre a curva, puxando a minha coxa e pastando para baixo. Eu observo isso apenas como prazer. Ele faz isso de novo, e eu gemo com o calor de sua palma da mão sobre a minha carne e, em seguida, ele move a mão para o outro lado da minha bunda, onde meu jeans ainda estão postos. Ele desliza o denim de cima de mim, e seu beijo rouba minha respiração, meu protesto, e eu não penso em ficar nervosa porque sua mão está acariciando a minha pele, movendo sobre a minha coxa, nas minhas costas. Eu estou sem jeito, afastada dele, mas ele está me beijando, e eu estou trancada no beijo, por isso o meu pescoço está torcido para trás. Eu quero mais de seu toque. O toque que eu gosto. É o escrutínio que me enerva.

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Eu rolo com ele, e ele coloca meu peso em cima dele, ainda segurando meus pulsos, então eu não posso escapar, me beijando e aprofundando, me deixando aquecida e necessitada. Eu gemo e luto contra seu aperto, querendo tocá-lo. Ele não cede; em vez disso, ele me puxa totalmente em seu peito. Eu posso sentir o seu batimento cardíaco sob mim e seu pau duro no meu âmago. Sua boca é exigente e implacável e insistente na minha e eu sou impotente para fazer qualquer coisa, além de ceder, dar a ele tudo o que ele está exigindo de mim e implorar por mais com gemidos na parte de trás da minha garganta. Oh, Deus, a sua mão. Em minha coluna entre as minhas omoplatas, unhas raspando minha carne. Fazendo uma pausa na minha alça do sutiã. Abrindo em um movimento hábil. Escovando as tiras dos meus ombros. Guiando meus braços para fora, e eu de bom grado coopero, sem saber por que ou como, mas apenas que ele está me provocando desesperadamente. Ele levanta meu tronco suficiente para que ele deslize a roupa para fora. Agora eu estou completamente em cima dele, vestida com apenas minha calcinha, e ele ainda está me beijando cada vez mais forte. A língua dele está fodendo a minha boca. Deus, eu adoro isso. Ah Merda. Ohmerdaohmerda. Ele está rolando comigo e eu estou em minhas costas e ele ainda tem minhas malditas mãos presas acima da minha cabeça, a não ser a sua boca que finalmente recuou e ele está beijando da minha garganta ao meu peito, entre meus seios, levando um à boca e chupando meu mamilo, e eu realmente chio com necessidade surpresa. Com ecstasy. Eu amoleço. Eu me derreto, e então eu gemo e gemo e gemo enquanto ele atravessa o meu esterno com beijos de língua e encontra o meu outro seio, sugando que mamilo com atenção igualmente apaixonado. Ele se move para baixo do meu corpo, se ajoelhando entre as minhas coxas, segurando meus pulsos sobre o meu peito.

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— Derek? — Eu não sei o que eu estou pedindo, só que eu estou implorando a ele. Estou com medo e carente e eu estou em chamas e eu estou nervosa e eu estou autoconsciente. Meu núcleo treme. Seus olhos estão sobre os meus, inabaláveis e intenso. Ele reúne um punhado da frente da minha calcinha, um par de seda vermelho profundo e o arrasta lentamente e deliberadamente para baixo, retirando o resto do caminho. — Levante-se para mim, sexy. — Sexy? — É parte pergunta, parte protesto. Mas, ainda assim, eu me levanto - meus quadris estão fora do pano da sela para deixar ele puxar a seda o resto do caminho. — Não é uma palavra forte o suficiente. — Seus olhos ainda estão os meus, inabaláveis durante todo este tempo. Agora que estou totalmente nua para ele com o sol da tarde fluindo através das árvores e me banhando na luz dourada, seus olhos vagueando para baixo. Eles me procuram, me olham total e completamente, da cabeça aos pés, para cima e para baixo e para cima e para baixo. Talvez mais do que qualquer coisa que ele jamais poderia dizer para mim, a melhor motivação para eu perceber a minha própria beleza em seus olhos é ser capaz de assistir seu zíper apertar e armar, observando suas narinas e sua respiração se aprofundar, a língua molhando os lábios em antecipação. Ser dito que você é linda? A menos que você nunca tenha ouvido isso, pode rapidamente se tornar sem graça. Qualquer cara desesperado por sexo irá te dizer que você é linda. Amigos ou a família vão dizer coisas como: "oh, bem, você é uma mulher linda, então...", e isso só se torna parte de você, as pessoas te dizendo que você é linda. Eu sei como eu pareço. Eu sou bonita. Até umas características proporcionadas e atraentes. Curvas, olhos bonitos, cabelo grosso. Tanto Faz. Isso não

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significa que eu não tenho minhas inseguranças. Me atrevo a qualquer mulher que carregou uma criança a me dizer que ela nunca, nunca se sentiu insegura ou autoconsciente sobre suas estrias. Umas usam óleo, loções e yoga para se livrar delas, outras não. Eu não fiz nada disso. Ainda não tive tempo. Algumas aprendem a possuir isso, usando biquínis e mostrando suas coisas na praia. Bom para elas. Isso não é só comigo. E, realmente, não é como se eu fosse paranoica com isso. É menos sobre as estrias e mais sobre o fato de que eu não tenho sido encarada como uma criatura sexual em tanto tempo que é estranho e assustador. É sobre o fato de que eu só tive dois parceiros antes de Tom, ambos de curto prazo, inábeis e romances adolescentes. Então eu estava com Tom, e apenas Tom, para o resto da minha vida. E ele foi embora na maioria do tempo do nosso casamento. Ou seja, tem havido muitos longos períodos na minha vida sem sexo. Tom era meu melhor amigo e meu marido, por isso foi fácil com ele. Ele me conhecia, ele me entendia. E mesmo assim, eu ficava nervosa na primeira vez depois que ele estava de volta em licença. Então, agora, com Derek olhando para mim, eu estou cheia de insegurança e nervos. No entanto, a expressão de Derek... isso me tranquiliza. Ele está nervoso, também. Ele está claramente atraído por mim. Seu olhar passa por cima de mim, em meus seios, minhas coxas, meu estômago, meu núcleo, meus olhos, meu rosto. Meus lábios. E a forma como ele olha para mim, a valorização tão evidente em seus olhos, eu me sinto bonita. Me sinto querida. Eu me sinto sexy. Ele solta meus pulsos. — Deixe eles aí, ok?

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Concordo com a cabeça. Eu não questiono. Ele sorri para mim. Lambe os lábios novamente e toca os lábios ao lado do meu seio, na parte inferior, na minha costela. Meu estômago. E então, sempre muito gentil, sempre tão deliberadamente, ele beija cada marca no meu estômago. Cada defeito, cada lacuna de estria da minha barriga, ele a beija. Ele passa a sua língua por cima, pressionando os lábios sobre cada uma... e cada... uma. Eu estou chorando pelo tempo que ele termina. Ele não tem que dizer uma coisa, mas o seu significado era claro. Eu deixo minhas lágrimas caírem, as lágrimas que são suaves e gentis, sensibilizada e agradecida. Ele olha para mim, o queixo no meu osso ilíaco. — Ok? Eu só posso concordar. Minha frequência cardíaca aumenta entre um segundo e o outro, porque o olhar dele desliza para longe do meu, em meu corpo mais uma vez, para baixo entre as minhas coxas. Hooo... merda. Sem insegurança aqui. Fiz exercícios de Kegel e todos os outros exercícios para manter as coisas apertadas lá em baixo, então eu me sinto bem comigo mesmo nessa área. O que eu estou sentindo agora é apenas os nervos crus. Ele está se movendo, as mãos deslizando sobre meus ossos do quadril, arrastando para baixo através do ‗V‘ aparado de pelos - eu me pergunto se eu deveria ter raspado para ele? – seu dedo deslizando sobre a costura da minha abertura. Eu tremo. Expiro. Mantenho os olhos sobre ele, com as mãos acima da minha cabeça, conforme solicitado. Um dedo dentro de mim. Sua boca no meu estômago, então a minha coxa se abre, então ele desce pelo interior da minha perna, perto do joelho. Tudo isso está dentro dos limites do que eu estava esperando. Eu fecho meus olhos, enlaço meus dedos e suspiro ao toque suave, molhado de sua boca sobre o vinco da minha coxa.

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Eu não espero sua língua deslizando na minha abertura. Eu suspiro em voz alta, sacudindo os olhos abertos, joelhos fechando ao redor de seus ombros. — Derek! O que você— — Provar você. — Mas eu— Eu nem sequer sei realmente o que o meu protesto ia ser. — Doce como açúcar e duas vezes mais agradável. — Ele acaricia minhas coxas internas, superior, abrindo delicadamente minhas pernas. — Agora, relaxe e se divirta. Este Derek, um pouco mandão? Eu realmente gosto dele. Eu ofereço uma resistência simbólica, nervosa com o meu gosto, o meu cheiro. Se eu estou preparada o suficiente para ele lá em baixo. Se ele espera que eu retribuo o favor, porque eu não tenho certeza se estou pronta para isso ainda. Com a minha resistência simbólica, um endurecimento das minhas pernas, ele tem de tomar meu tornozelo em sua mão, colocando-o onde ele quer. Ou seja, por cima do ombro dele. Em seguida, o outro. Os meus joelhos estão bem separados, abrindo minha vagina para ele ver tudo de mim, cada dobra e vinco e rugas. Minha bunda está quase fora do chão, meus joelhos enganchados sobre os seus ombros. — Eu me sinto ridículo assim, — murmuro. Derek não responde. Não de imediato, pelo menos. Ele abaixa, palmas deslizando até minhas coxas. Ele passa dos meus quadris para a minha bunda bem esticada, e então eu estou coberta por sensações. Sua língua no meu clitóris. Um dedo longo e grosso que desliza na minha abertura, mergulho lá dentro, explorando, circulando. Sua língua, varrendo e girando, lambendo e degustando. Eu gemo - eu não posso ajudar. É um som ofegante, erótico, um longo e arrastado para fora "ohhh". E meus quadris se dirigem para ele, exigindo mais dele. Porque Deus Santo Jesus, esta sensação é incrível. Tão bom. Sua língua forte e ~ 187 ~


implacável encontra um ritmo lento, circulando em volta do meu clitóris, que está pulsando com sensibilidade, a cada toque de sua boca e os lábios e língua disparando foguetes de ecstasy através de mim. Estou formigando dos meus dedos até o meu couro cabeludo, meus dedos segurando meus próprios pulsos, em seguida, solto as mãos em desobediência a passo por seu cabelo, mantendo ele no lugar, apertando ele contra mim, ávida por mais. Ele acrescenta um dedo dentro da minha buceta, se enroscando contra esse ponto perfeito, esfregando para frente e para trás em um impulso suave. — Agora, como você se sente? Ainda é ridículo? — Derek... Deus, por favor... — Por favor o que? — Mais, Derek. Mais. Não pare. — Continue falando, linda. Me diga exatamente o que você quer. — Ele me lambe, um furto molhado de sua língua na minha abertura, terminando com a língua endurecida arrastando contra o meu clitóris. — Ohhh-ohhhhh-porraaaasim... mais. Faça isso de novo. Sua boca, aí mesmo. Por favor. — Eu não poderia estar fazendo qualquer sentido, mas claramente Derek gosta do que ouve. Ele rosna e mergulha de volta, repetindo o movimento com a língua. De novo e de novo. E a cada vez, as pulsações do fogo rolam por meio de meu núcleo até a minha barriga, apertando meus músculos e fazendo a minha pele gritar, e cada vez eles ficam mais fortes e mais quentes. Seus dois dedos dentro de mim dirigem incansavelmente em mim, um ritmo fodidamente lento, profundo de meu interior, as pontas dos dedos deslizando e pressionando contra essa área estriada, a pele tão sensível, e com cada estocada de seus dedos, eu fico louca, meus quadris subindo e descendo, conduzido ao êxtase desenfreado por sua língua e dedos.

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Eu estou gemendo sem parar agora. Quem sou eu? Este é um novo eu. Eu nunca fui vocal. Não assim. Não alto o suficiente para chocar os meus próprios ouvidos. Não esses gemidos agudos que se transformam em mini-gritos e gritos silenciosos. E, só quando eu estou à beira, pairando sobre a borda do tremor da detonação, ele muda tudo. Ele muda o meu corpo para cima, com os ombros correndo entre as minhas coxas para espalhá-las bem abertas, e sua boca viaja até a minha barriga, seu queixo raspando contra o meu diafragma. Eu estou louca de desejo, rosnando para ele, o apertando com as pernas, batendo por baixo dele, empurrando a cabeça dele. Mas esses movimentos imediatamente param quando sua boca encontra meu mamilo e o chupa, dentes beliscando, achatando em sua boca, os dedos de uma mão apertando e torcendo meu outro mamilo, cobrindo meu peito e amassando, vibrando o mamilo, dedilhando e raspando com a unha. E a outra mão... por favor, porra, sim... sim, ela vai entre as minhas pernas. O dedo indicador, o médio e o dedo anelar deslizam contra minha buceta molhada, a minha própria essência pulsando de mim, os dedos mergulhando em meu canal e difamando os sucos pungentes do meu desejo e necessidade sobre minhas dobras trêmulas. Ele pressiona em círculos. Eu gemo. Ele libera a pressão, deixando um leve toque, as pontas de seus dedos mal tocando meu clitóris. Eles circulam em torno do cerne sensível sem chegar a tocá-lo. E eu grito. Inundações de calor vulcânico correm através de mim; minhas coxas tremem, os meus olhos apertam e os dedos dos pés se curvam. Eu ajunto os meus dedos por suas costas, e meus quadris estão subindo e caindo, levantando e afundando, buscando os dedos no ritmo com o seu toque, o que ele não cede, não acelera ou desacelerar. Ele só mantém a pressão, o ritmo, e isso me deixa louca quando eu gozo com uma detonação frenética.

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E então ele está lá de novo, entre as minhas coxas com os lábios em meu clitóris e os dedos entrando em mim, e puta merda, eu estou gozando novamente, minhas duas mãos sobre a sua cabeça o puxando contra mim, dirigindo sua boca com os meus quadris. Estou fodendo com seu rosto. E ele fica selvagem. Ele está movendo a língua contra o meu clitóris em um ritmo febril, dirigindo meu orgasmo até níveis que eu não tinha pensado ser possível, seus dedos deslizando lentos e profundos. Quando o motim de loucura extática desvanece um pouco e meus gritos passam e meus quadris se acalmam, ele me lambe devagar, mais uma vez, sua língua deslizando na abertura encharcada da minha buceta para apertar suavemente contra o meu clitóris. Isto faz correr uma explosão rápida e furiosa. Isso enviar tremores correndo através de mim, ondas potentes que me fazer soltar um som em baixo na parte de trás da minha garganta que eu só posso descrever como primal. Ele me fez gozar duas vezes, gozei com tanta força que eu fico mole e ofegante e perto de lágrimas pelo frenético prazer. E ele não tinha nem tirado a camisa. De repente, eu me sinto desesperada por ele. Faminta por ele. Foda-se a dignidade ou o decoro. Foda-se a coisa de mulher refinada. Quero Derek e ele está aqui comigo, fazendo coisas incríveis para mim. Eu quero ele, e eu vou ter ele, as consequências que se dane. Eu me pergunto se ele sabe o que ele fez para mim?

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CAPÍTULO CATORZE DEREK Estou tão duro em minha calça jeans que dói. Dói fisicamente. Reagan, porra... a mulher é o ser mais erótico que eu já vi na minha vida. Tão sensível, tão sedutora, bonita e desconhecida disso em uma espécie de maneira enlouquecedora. Enlouquecedor porque ela é linda, trabalhadora, paciente, gentil e generosa. Ela não é insegura, e não autoconsciente sobre isso, exceto uma coisa em particular em seu estômago. Aqueles que não são atraentes. Eles são parte dela. E ela é, da cabeça aos pés, a garota mais sexy, tão gostosa que ela é uma fantasia. Ela tem uma boca suja, às vezes, o que eu acho atraente. Gosto de uma mulher que fala sujo, que diz coisas desagradáveis para mim. E quando eu fiz ela gritar, ele me deixou tão duro que eu poderia gozar nas calças como uma criança de treze anos vendo tetas pela primeira vez. Falando de peitos, o dela tem um gosto tão bom, tão macio em minhas mãos, contra os meus lábios. Ela tem peitos grandes, a não ser que eu perca o meu palpite, não que isso importe, porque, como tudo dela, eles são perfeitos. Grande o suficiente para segurar, agarrar, amassar e transbordar em minhas mãos. Mais suave do que a seda ou cetim. Firmes. Mamilos sensíveis e grossas, cercados por uma exuberante aréola rosa escuro. Ela está ofegante debaixo de mim, sugando respirações desesperadas quando ela descansa a partir de dois orgasmos intensos e vocais, e eu estou apenas olhando para ela, imerso em sua beleza, memorizando cada polegada. Suas coxas, pálidas e fortes. Quadris angulares, preenchidos com curvas. Esse mergulho que há em seus quadris. Sua bunda, redondan alta e firme.

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E... Jesus, a sua buceta. Isso que é buceta. Tão apertada, úmida e sensível. Cada toque da minha língua a deixou selvagem. Descendo sobre ela não era apenas para fazer ela gozar, perder o controle - era uma homenagem. Era adoração de seu corpo, de seu liso e sexo profundo, seus lábios rosas delicados e seu duro clitóris pequeno e sensível. Estou beijando sua boca e ela está respirando dentro de mim, se afastando e segurando minha cabeça e olhando para mim com esses olhos pálidos azul-celeste quentes com paixão, estampada e encorajada com a necessidade, penetrando em minha alma, molhada com emoção e derretendo com carinho. Ela me beija, se inclinando para cima, e, em seguida, ela cai de volta. Suas mãos estão em meus ouvidos, deslizando para baixo pelo meu rosto, segurando meu queixo. Uma mão no meu rosto, polegar em meus lábios, a outra pelo meu cabelo e acariciando a nuca do meu pescoço com as pontas dos dedos de uma forma que faz querer derreter dentro dela, querendo ronronar como um gato e pedir a ela para contar me como agradá-la. É um gesto gentil, carinhoso, que é quase inebriante demais e eu tenho que ter uma forma muito grande para me segurar. Ela se levanta sobre as omoplatas, arqueando o pescoço para me beijar, eu pensei, mas não. Não é um beijo. Sua língua toca o meu queixo, meu lábio superior. Ela está lambendo sua essência de minha boca, e puta que pariu, isso é quente. Tão quente. Ela está arranhando a minha camisa. — Muitas malditas roupas. Rasgando minha camiseta, impaciente, ela a puxa por cima do meu crânio, mas meu rosto está preso na gola. Eu sou Cornholio13! A

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piada passa pela minha cabeça, mas eu não digo isso. Eu saiu da camisa, atirando de lado. — Melhor? — pergunto. Ela balança a cabeça. — Não. Mmmm-mmm. Não melhor. Não o suficiente. — Ela atinge entre nós, se atrapalha no meu zíper. — Calças. Sem calças. Eu gosto desta Reagan, esta exigente, voraz e sexy mulher. Eu sinto que quebrei alguma parede dentro dela, suas reservas, o medo dela ou seus nervos ou sei lá, derrubei aquelas paredes para trazer um demônio faminto por sexo. Eu vou para o botão da minha calça jeans, mas eu não sou rápido o suficiente para ela. Ela empurra para mim, me bate de volta. Ela se ajoelha ao meu lado e empurra meu jeans para baixo. Eu levanto a minha bunda para cima, e ela sai com eles. Estou parado e ela está ofegante, ofegante, suspirando enquanto eu fico lá nu, diante dela. Eu gosto desse gemido, aquele som de apreciação, a forma em que seus olhos se iluminam e suas narinas e os lábios se curva em um sorriso ao ver do meu pau rígido. Eu fico parado, sabendo que se eu mover um único músculo, eu vou tê-la em suas mãos e joelhos na minha frente, dirigindo dentro dela. Vou tê-la assim em algum momento em breve. Ah sim. Vou tê-la no feno, um cobertor debaixo de nós, ela deitada em seus peitos e sua doce bunda bem aberta para mim, a carne rodada me amortecendo, levando minhas bolas profundas em sua buceta apertada. Vou deitá-la sobre sua cama e contra a parede do celeiro dos fundos onde ela primeiro me acariciou até eu gozar em nós. Vou tê-la em todos os lugares e em qualquer lugar. Mas isso? Aqui e agora? Isto é sobre ela. Não eu. Tratase de mostrar a ela que eu posso desejá-la, que seus desejos, sua necessidade, seu desespero são tudo que me importa, que dar a ela ~ 193 ~


exatamente o que ela quer, o que ela precisa, é o meu único foco. Que ela vale a pena todo o mundo maldito, mesmo que tudo o que posso oferecer a ela é o meu eu fodido. Então, eu ainda fico lá, parado e olhando para ela, porque ela é tão gostosa, os lábios inchados de me beijar, brilhando e úmidos, os peitos dela pendurados pesados, exuberantes e gostosos, as coxas abertas apenas o suficiente para me dar um vislumbre de sua buceta, dos cachos de pelos pubianos que estou feliz que ela não tirou totalmente. Eu ainda fico lá e espero por ela tomar o que ela quer. Ela estende a mão, hesitante, com os olhos no meu pau, traçando o lábio inferior com ponta da língua. — Qualquer coisa que você quiser. — eu digo. Tome. Exija. Estou aqui, e eu sou seu. Eu quero que você seja feliz.

Ela pisca e me olha nos olhos. — Eu estou desesperada. Eu quero você dentro de mim. Eu quero gozar enquanto você está dentro de mim. — Meu pau contrai porque eu quero isso tanto que eu posso sentir isso. Mas eu ainda fico lá e ouço. — Mas eu quero fazer você se sentir tão bem como eu me senti. Ela envolve o punho ao redor do meu pau, corre o polegar sobre a ponta. Eu tenciono, fecho os olhos, e aperto todos os meus músculos. Eu costumava ser capaz de segurar até que eu queria deixar ir. Eu costumava ter um controle quase total. Não mais, infelizmente. Esse tipo de controle muscular não funciona mais. Eu estou tentando agir confiante e no controle para ela, porque ela quer se perder - ela quer apenas se abandonar ao sentimento por um tempo, e eu sei que posso dar isso a ela. Mas isso é totalmente novo para mim, também. Em muitos níveis. Tem sido um longo tempo desde que eu fiz isso. Foi um bom ano e meio no Afeganistão, que é um inferno de um período de seca. Houve a licença, com certeza. Liberdade, e qualquer que seja. Algumas garotas, também. Mas a nossa conduta desaprova esse tipo de confraternização, ~ 194 ~


porque isso só te causa problema na maioria das vezes. O que eu entendo totalmente, tendo visto amigos ligar para as meninas e quando brigas aconteciam, uma vez que era inevitavelmente, bagunçava a merda toda. Então, eu evitei isso, uma rara demonstração de moderação nesse departamento, para mim, realmente. Assim foi o longo período de seca, além de três anos como um prisioneiro de guerra, mais os três meses em reabilitação? Estou tão sedento por sexo que posso até ser perigoso para a humanidade. E eu mudei. Isso, mais do que qualquer coisa, é o maior problema. Eu não sou o mesmo cara que foi enviado para o Afeganistão. Eu costumava chegar chegando. Pegar o que eu queria e vazar. Oh, eu estava atento à forma como a menina debaixo de mim estava se sentindo, porque isso só se sente melhor e é mais divertido se ela é uma participante disposta e ansiosa. Fazendo ela se sentir bem, você vai se sentir bem. E eu era bom em fazer elas se sentirem realmente muito bom. Agora? Eu estou preocupado que eu não seja bom o suficiente para a porra de uma deusa como Reagan. Estou preocupado de ter perdido o meu toque. Estou preocupado se eu vou ter algum tipo de flashbacks ou pirar ou outra coisa. Isso está aqui dentro. Do lado de fora, eu estou tentando jogar com calma. Exceto quando ela me acaricia. Uma vez. Duas vezes. Sua mão pequena, mas forte, escorregando em meu comprimento, enterrando a minha raiz. Derivando. Toque suave, a palma rolando. Passando sobre a cabeça, apertando e massageando. Eu viro meu pescoço para assistir, e porra, isso é erótico como a merda, olhar para ela me tocando. Sua mão é pequena, faz o meu pau parecer muito maior. Ela pode quebrar o punho em torno de mim, as pontas dos dedos se reunindo, ambas as mãos em mim e ainda há pau se derramando sobre a sua mão. Ela está fazendo

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aquela coisa de mão-sobre-mão, e eu adoro isso, porra. Eu amo suas mãos descendo, o toque e pressão constante. E eu estou gemendo. Apertando minhas mãos na sela para me manter calmo. Suando, tentando não parar seu punho. — É melhor você parar com isso, ou isso vai acabar antes de começar. — eu acabo tendo que dizer. — Eu estou tentando segurar, mas... Deus, isso é bom. — Você me fez gozar realmente duro, Derek. Foi tão bom, foi... quase bom demais. Eu quase não pude levar isso. — Então eu fiz a coisa certa, pelo menos. Ela me ignora. — E isso tem sido tanto tempo desde que gozei assim, mas eu quero fazer você se sentir bem, também. — Não, isso é sobre você, Reagan. Ela balança a cabeça, parando com as duas mãos em volta do meu pau, apenas a cabeça apontando para cima sobre a parte superior de seu punho. — Não. Eu quero... Derek, eu quero que isso seja sobre nós. Ela olha para mim, me oferece um sorriso tímido. Me afaga, mãosobre-mão, e eu tenho que me segurar de novo, pensar em não gozar, não olhar para ela, pensar sobre o céu, as árvoresNão. Isso não está funcionando. Ela tem o meu saco na mão agora, massageando suavemente, rolando e apertando tão devagar. Dedo médio estendido para baixo após as minhas bolas, massageando lá. Porra, eu posso segurar. — Reagan... — Sshh. — Ela está deslizando seu punho para cima e para baixo no meu comprimento. Conduzindo, bombeamento. Implacável. — Me dê isso. Me deixe te ter, Derek. Quero isso. Me deixe ver.

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— O quê? — Você gozar. — Merda, Reagan, estou quase lá. Não posso segurar. Não posso parar. — Estou ofegante, e eu não estou no meu controle agora. Eu quero gozar. Preciso. Eu faria qualquer coisa que ela pedisse para mim agora, se ela me deixasse gozar. — Bom. Isso é o que eu quero. — Ela retarda seus cursos.— É a sua vez. Ela puxa meu pau longe do meu corpo, estica ele. Aperta e mói os dedos pelo meu comprimento, e eu rosno. Eu forço os olhos abertos, e eu estou feliz de fazer isso. Ela é tão linda. Tão quente. Cabelos cor de mel drapeados sobre um ombro, pele bronzeada e sem falhas, seios balançando enquanto ela se inclina sobre mim. Oh, Deus, ela vai deixar. Deus, eu espero que ela faça isso. Eu sou egoísta, tão egoísta. Eu quero a sua boca em torno de mim. Eu não devia; isso é cedo demais para ela me dar. Mas eu não tenho o autocontrole para detê-la quando ela se inclina sobre mim, os peitos dela deslizando contra meu peito e sobre o meu estômago, pressionando contra mim, quando ela coloca seu rosto para o meu quadril. Ela está me observando derramar o meu orgasmo. — Você é assim tão sexy, Derek. Você é. Eu espero que você saiba disso. Você não é apenas bonito, quero dizer, você é, também, mas você é sexy. Você é lindo. — Ela está indo devagar, meu pau esticado para me impedir de gozar, deslizando para cima e para baixo assim, tão lentamente que está me deixando louco. Mas eu ouço, e ouço bem, porque eu realmente preciso ouvir o que ela está dizendo para mim. Preciso da afirmação, também. — Eu não sei se estou autorizada a usar esta palavra entre nós, mas... Eu amo o seu pau. Eu amo a maneira

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como ele se sente. Eu amo o jeito que ele parece em minhas mãos. Tão grande, tão grosso. É esforçando, não é? Dói? Ela torce o pescoço para olhar para mim. Eu suspiro, engulo em seco. — Sim, dói. — Você quer gozar? Concordo com a cabeça — Porra, porra, sim. Deus... caramba, Reagan. O que diabos você está fazendo comigo? Eu quero gozar. — Estou fazendo o que você fez para mim, eu espero. — Ela pega meu pau com as duas mãos agora e bombeia de cima a baixo, forte e rápido, ainda esforçando para longe do meu corpo. — Onde? Onde, Derek? Onde você quer gozar? Me conte. — Em qualquer lugar. — Em mim? Por mim? — Eu olho em seus olhos. Ela está ficando excitada com isso; suas pupilas estão dilatadas, e sua respiração está vindo rápido. — Como - merda, merda, eu estou tão perto - como é que eu vou decidir? Ela se abaixa, se aproximando. Eu posso sentir sua respiração no meu pau. — Como isto? — Você... se você quiser... — Isso é o que eu quero, tanto, mas eu não retornaria a perguntar a ela. Eu costumava dizer as meninas para chupar meu pau o tempo todo, e elas faziam, mas Reagan... ela merece coisa melhor, merece mais, merece ser tratada como ouro, conseguir o que quer, ser feliz. Seu rosto está em meu estômago, por cima do meu umbigo, e ela tem essas pequenas mãos em volta do meu pau e indo tão devagar, que eu estou seriamente pensando sobre pedir a ela para me deixar ~ 198 ~


gozar, porque eu mal estou consigo me segurar e eu não posso mais. Deus, sim. Sim. Ela permite que o meu pau fique contra o meu estômago. Ela pega minhas bolas em uma das mãos, massageando-as com a palma da mão quente, suave. Suas estocadas são duras e rápidas perto do topo, golpes duros e curtos, e eu estou feito. — Reagan, Jesus, Reagan... — Você vai gozar? — Uh-huh... — Duro? — Porra... tão duro. Ela geme, um murmúrio em sua garganta, e move o rosto. Eu gozo, uma explosão de jorro que me faz tremer, estremecer e grunhir. Eu sinto o jato sair de mim, acertando meu estômago. Ela levanta meu pau e me leva em sua boca e ela não está me masturbando, não, ela está me acariciando, carícias suaves e delicadas no meu comprimento. Reagan está tomando apenas a cabeça do meu pau entre os lábios, e é bom demais para acreditar que ela está fazendo isso comigo. — Oh, Deus, Reagan, porra, oh, meu deus. — Mmmm. E então eu estou fora de sua boca, o ar frio sobre a umidade de sua saliva e meu gozo revestindo meu pau, e ela ainda alisando a mão pelo meu comprimento, ao longo da ponta, manchando os sucos e acariciando até que eu sou incapaz de fazer qualquer coisa além de enrolar e arquear as costas, gemendo. Eu sinto um terceiro jorro de respingo sair de mim, vendo isso escorrer entre os nós dos seus dedos. Ela mói o punho para baixo na minha raiz e me leva em sua boca novamente, sugando até que eu me sinto apertar novamente e deixo ir com a última pequena onda.

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E então ela está deslizando para cima do meu corpo e embalando a cabeça no meu peito, ainda suavemente e preguiçosamente acariciando meu pau. — Não posso acreditar no quanto você gozou. — diz ela. — Você faz algo assim comigo. — eu digo a ela. — Você me deixa louco. Me deixa tão duro. — Você pode fazer a mesma coisa comigo. — Ela esconde o rosto em minha pele. — Não posso acreditar que fiz isso. — O quê? Ela me aperta. — Isso. Com a minha boca. Não ia. Eu não pensei que eu queria, ou - ou não achava que eu estava pronta. Mas eu senti você, senti quão perto você estava, e eu gostei. Eu gostei de saber que eu poderia fazer você se sentir assim. E eu gostei de como o seu pau se sentiu na minha boca. Eu gosto de tocar em você. Provar você. — Ela ri na minha pele, e então se vira, sua voz soando abafada.— Me lembrei de quão quente foi quando eu fiz você gozar atrás do celeiro, e eu pensei que talvez... Eu estava nervosa. Sabe? — Você não tinha que fazer,— eu digo a ela — Isto era para ser sobre você, fazer você— Eu não tinha. Eu queria. — Ela olha para mim. — Você poderia dizer que eu estava nervosa? Eu balancei minha cabeça. — Não. Tudo o que eu sabia era o quão incrível porra isso era. E o quão quente você é. De alguma forma, por razões que eu não posso adivinhar, não havia mais palavras necessárias entre nós naquele momento. Ela descansa a mão no meu peito, a outra entre seu rosto e meu peito. Eu estou a segurando perto, pastando minhas mãos em suas costas, cintura e bunda. Minha outra mão sai de debaixo da minha cabeça, e eu encontro a mão dela. Nós enfiamos os dedos juntos no meu peito e as mãos, ouvindo os pássaros, o vento e os nossos batimentos cardíacos. ~ 200 ~


***

REGAN Eu estou cochilando, mas eu não estou com sono. Estou contente. Por enquanto, pelo menos. Isso foi divertido, fazer isso com ele. Eu gostei. Eu gostei do poder que eu tinha para deixar ele louco. Para dar a ele tanto prazer intenso. E foi para ele, para fazê-lo se sentir bem. Foi também para mim. Fazer as coisas que eu nunca pensei que eu faria de novo. Ceder aos meus desejos mais profundos. Me fazer sentir livre, viva e potente. Isso foi só o começo, é claro. Eu ainda estou dolorida por dentro. Minhas dores centrais. Eu gozei duas vezes, mas não foi o suficiente. Eu preciso de mais. Muito, muito mais. Mas para este momento, eu estou amando me sentir realizada, estando aqui fora na dourada sol da tarde. Estando perto de Derek, seu coração batendo levemente sob a minha orelha. Eu não sei quanto tempo passa com a gente apenas deitado aqui desse jeito. Eu não sei, e eu não me importo. Está calmo, tranquilo e agradável. Mas lá no fundo, por baixo da camada de ar quente, do zumbido de contentamento , felicidade e autossatisfação, há uma queima. Uma dor feroz. Estou impaciente. Necessitada. Desesperada e frenética. É como uma espécie de pânico. Meu desejo sexual está acordando, inflamando, ganhando vida, depois de ter sido enterrado há muito tempo. Eu já passei muito tempo sem, e eu fiquei empurrado os meus desejos, mas não mais. Eu sinto um leviatã dentro de mim, nadando até a superfície das profundezas escuras, e desta vez ele não vai mais ser negado. Eu preciso de mais, e eu não vou parar até que eu esteja satisfeita. ~ 201 ~


Não posso aguentar. Eu solto sua mão e desembaraço os nossos dedos. Meus olhos piscam abertos e eu me mexo para que eu possa olhar para ele. Olho para ele e vejo o efeito que tenho sobre ele. Seu pau está caído sobre sua coxa, flácido, enrolando para um lado. Seus olhos estão sobre os meus, esperando. Eu me forço a fazer isso devagar, mesmo que eu quero ele dentro de mim agora, mas eu nem mesmo sei se ele tem um preservativo. Tenho certeza que não. Não estava pensando nisso quando saímos de casa, embora eu deveria ter. Droga. Agora que eu estou pensando, meu cérebro não vai se desligar. — Derek? — Hmmm? — Devemos voltar? Eu não tenho um preservativo. Ele sorri. — Eu estava tendo talvez um pouco de esperança, mas eu trouxe alguns. — Alguns? Ele se estende, sua mão na calça jeans, tateia em um dos bolsos de trás. Puxa uma sequência de quatro pacotes. — Uau. Então, quando você colocou essas em seu bolso? — Eu penso, me perguntando quando ele poderia ter feito isso. Não que isso importe, porque eu estou grata que ele fez. Eu gosto dele aqui, e eu não quero voltar ainda. — Quando você saiu para falar com Hank. — Ele faz uma pausa para pensar, em seguida, recomeça. — Só... Eu não te trouxe aqui apenas para isso. Para fazer sexo com você. Você parecia tão chateada, tão confusa, que eu achei que você iria querer se afastar um pouco. Então, eu pensei em te trazer aqui e conversar, nos abraçar, sei lá. Mas eu peguei os preservativos porque eu pensei que talvez - porra

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eu esperava que iríamos eventualmente fazer isso. E eu queria estar pronto, se e quando nós fizéssemos. Ele trouxe quatro preservativos, mas estava pronta para apenas abraçar? Deus, isso que é homem. — Estou feliz que você tenha pensado nisso. Eu estou presa em um dilema agora. Eu quero ele, mas eu não quero dar o primeiro movimento. Eu não quero ser o agressor. Tomar o que era divertido, e era algo que eu precisava, eu acho, só para descobrir essa parte de mim. Mas agora? Eu quero o Derek corajoso e dominante de volta. Mas eu não quero dizer isso. Eu quero que ele só... saiba o que eu quero e dê isso para mim. Não é justo, provavelmente. Talvez eu vá lhe dar uma pequena dica. Além disso, eu estou ansiosa para tocá-lo um pouco mais. Eu sigo o meu dedo indicador ao longo da curva do seu pau suavizado. No meu toque, ele responde, e o que acontece em seguida é fascinante. Eu passo pelo seu comprimento, na sequência de uma costura em sua pele. O seu pau endurece, rola da coxa como se estivesse vivo, engrossando, levantando. Passo a ponta com meu polegar, tocando no pequeno buraco, em seguida, sigo o sulco abaixo da cabeça. Em poucos segundos, ele está a meio mastro. Eu olho de volta para ele e encontro seus olhos em mim, vendo minha mão enquanto eu acaricio sua ereção. Eu sorrio para ele, aperando ele em minha palma e o acaricio uma vez. Eu olho para ele, a imagem da inocência. — Deus, Reagan. Como você pode ser tão sexy? Eu simplesmente dou de ombros. Ele balança a cabeça, como se ele não pudesse acreditar em mim, como se dissesse, Droga, garota.

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De alguma forma, sem nenhum aviso, estou nas minhas costas, seu pau ainda na minha mão. Mas ele está acima de mim, se inclinando sobre mim, seu corpo pressionado contra o comprimento do meu. Ele ainda está ao meu lado, no entanto, não realmente em cima de mim. Mas ele estará. Oh cara. Por favor? Eu prendo a respiração em antecipação enquanto sua mão encontra meu seio, acariciando, massageando. Morde meu mamilo ereto. O outro. Eu não estou ofegante ainda, mas eu estou respirando meio duro através do meu nariz. Eu não me mexo. Eu tenho seu pau na minha mão, mas agora eu estou realmente apenas o segurando por algo para segurar, e porque eu gosto do seu pau. Mas agora, ele está totalmente duro. Estou apenas esperando com a respiração suspensa enquanto ele move a mão pelo meu estômago, fazendo uma pausa para traçar amorosamente - sim, amorosamente - essas marcas. Eu estava tão nervosa sobre isso anteriormente. Que bobagem a minha. Ele não pode mais ter o suficiente de mim do que eu posso ter dele, e ele não pode tirar os olhos de mim, não pode manter suas mãos longe de mim. Como eu poderia ter pensado que Derek iria encontrar qualquer parte de mim pouco atraente? Deixei escapar uma aliviada, um suspiro antecipatório quando seu longo dedo médio encontra minhas dobras. Eu deixei minhas coxas deslizarem abertas, puxando meus calcanhares até as costas das minhas coxas e deixando os joelhos desmoronar, desenfreadamente convidando ele a fazer o que ele quer com o meu corpo. O que ele deseja, ao que parece, é para me provocar. Pelos próximos vários minutos, ele acaricia e dedilha cada parte da minha buceta, mas ele não me deixa achar um ritmo, não me deixa ter a pressa da emoção. Ele só me toca, e assim que eu começo a gemer, começo a deixar meus quadris moerem, ele faz outra coisa. Ele desliza o dedo dentro de mim, estocando e eu gemo, levanto os quadris do chão, e, em seguida, seu toque está se movendo para o meu clitóris, circulando, sacudindo, batendo, e eu quero que ele circule ou movimente e continue assim, mas ele continua, e eu estou ficando maluca com a necessidade para ele parar de me provocar e me deixar

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apenas gozar. Mas ele não deixa. Ele tem a boca em meus seios, tudo sobre eles, e não apenas o mamilo, tampouco, sua língua desliza pela carne amontoada para traçar ao redor do meu mamilo, lambendo minha aréola, tomando um gole de meu seio, em seguida, se mudando para o outro lado. E o tempo todo, ele está crescendo cada vez mais duro na minha mão. Mas eu não faço um movimento, não ouso acariciá-lo, porque eu vou ficar com ciúmes desta vez. Eu quero tudo isso dentro de mim; Quero senti-lo desencadear dentro de mim, e eu quero sua porra até a última gota. Então, eu só seguro ele e tento ficar sã. A sanidade é uma batalha perdida. Eu estou gemendo e grunhindo quando ele desliza dois dedos na minha abertura, depois três, me fodendo com eles agora, - ondulando, raspaaaaando contra o meu pontoG. Eu estou me contorcendo no chão, em sua mão. Deus, sim, ele ainda está fazendo isso, me fodendo com os três dedos e eu estou girando contra sua mão, sem vergonha de moer em minha busca para o orgasmo. Estou ali, bem ali. Oh, merda, oh, porra. — Sim, fale comigo. Fale sujo. Diga tudo o que está em sua cabeça bonita. Eu disse isso em voz alta, hein? Ok, então. — Deus, sim. Sim. Derek, sim. Sim, Derek. Assim mesmo. Oh, merda. Mais Duro! Ele fica mais duro. Mais Rápido. Três dedos profundamente dentro da minha buceta, os nós dos dedos esmagando na minha bunda, polegar ao longo do vinco interior da minha coxa, Provocando a minha porta de trás. Eu sou virgem lá. Eu me pergunto se eu deveria dizer a ele? Ainda não. A borda está lá, súbita e massiva. Estou montando uma onda, fodendo a mão dele. — Estou gozando, Derek! Estou gozando! ~ 205 ~


E ele empurra sua mão para fora e minha buceta clama, palpita, se agarrando em sinal de protesto. — NÃO! Porra, Derek! Por favor... — Sim, eu vou implorar. Absolutamente eu vou implorar quando estou tão perto. Ele leva o seu tempo correndo pelo meu corpo, beijando todo o caminho. A borda ainda paira, mas está se afastando, encolhendo. No entanto, eu posso sentir isso... se aprofundando. Intensificar. Minhas mãos vão imediatamente para a cabeça; meus dedos enfiam em seu cabelo e avidamente puxo seu rosto em minha buceta. — Sim, sim, sim! — Estou ansiosa. Deus, estou ansiosa. — Me coma, Derek. — Oh, porra, Reagan, eu adoro quando você fala assim. Essa boca doce falando tão sujo. — Ele fala em minhas pregas, seu hálito quente em minha carne. — Não era tão doce quando estava em seu pau, não é? — Essa é a minha voz, sedutora, brincalhona? — Sim, Deus, sim, foi. Tão doce. Assim como esta boceta. Tão doce. — É realmente doce? — Eu pergunto em voz alta. Ele levanta, desliza o dedo médio em minha buceta, puxa para fora. Se inclina em cima de mim, e eu sinto seu pau balançando e balançando e roçando a minha coxa. Oh, apenas um pouco mais para cima. Mas não. Ainda não. Eu estou esperando por ele, quando ele quiser. Estou esperando ele me levar, me mostrar o que ele quer, me dar o que eu preciso do jeito que eu precisar dele. Ele não falhou comigo. Estou piscando e minha respiração está ofegante e imaginando todas as maneiras que Derek poderia me levar, e então eu sinto seus dedos em meus lábios, o meu cheiro. — Prove. ~ 206 ~


Em vez de obedecê-lo imediatamente, eu aperto a ponta do meu dedo médio na ponta do seu pau, através da abertura derramando présêmen e pressiono o dedo à boca. — Você tem um gosto muito bom. Abro a boca e tiro o meu dedo, lambendo o dele, provando minha essência, almiscarado, um pouco doce, ligeiramente picante. Ele permite o meu dedo em seus lábios, e sua língua desliza entre eles, e Deus, isso é erótico, nós degustando nossos próprios sucos nos dedos um do outro. Me lembro do gosto do seu gozo, salgado e grosso. E então ele está de volta entre as minhas coxas, as palmas das mãos empurrando minhas pernas mais afastadas. Eu armo meus joelhos sobre seus ombros e passo um tornozelo sobre o outro. Não vou deixar ele ir até eu gozar dessa vez. Ele começa lento, apenas uma circulação lenta em volta do meu clitóris. Em seguida, mais rápido. E então eu estou choramingando na minha garganta, e meus quadris estão involuntariamente levantando. Nesse momento ele se ajusta, ainda me provocando, ao que parece. Partindo minhas dobras com os polegares, espalhando meus lábios abertos e dirigindo sua língua endurecida em mim. Me fodendo com a língua. Oh, meu, oh, oh, oh, meu. Tão delicioso, tão sujo. Ele enfia a língua em mim, se retira, faz isso de novo. E de novo. E, em seguida, na próxima vez, em vez de retirar, ele volta até entre minhas pregas e leva meu clitóris em sua boca e o suga profundo, duro. Ele recua, estica a pele sensível e solta com um pop. Me agradando com a ponta da língua, em seguida, começa uma nova série de longos beijos lentos, pressionando em círculos. Este me deixa ofegante, moendo sua boca. — Por favor, não pare. Eu precisoEle puxa a boca apenas o tempo suficiente para respirar uma pergunta. — O quê? O que você precisa? — Gozar... por favor, me deixe gozar.

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— O que você diz? — Por favor? — Não, não é isso. Você já disse por favor. — Porra, Derek. Não posso jogar agora. Eu estou muito perto. — Aqui está. — Porra? — Sim, baby. Porra. Se essa é a palavra mágica, eu vou dizer isso um zilhão vezes, desde que ele me deixe gozar. — Porra, porra, porra e porra. E então ele está ajoelhado entre minhas pernas, levantando meus joelhos contra o meu estômago, me espalhando. Toma minhas mãos um de cada vez e as coloca por trás dos meus joelhos. — Se segure assim. Eu estou nas minhas costas, um sopro de brisa, ventilando meu núcleo nu, arrefecendo a umidade entre as minhas coxas. Eu agarro minhas pernas, me puxo para me abrir. Levanto a cabeça e olho, vejo como ele traça um dedo sempre tão cuidadosamente a minha abertura, para cima, para baixo, provocando, brincando, exercendo minhas dobras. Ele me rouba com um dedo. PorFavorPorFavorPorFavor... Dois dedos... — Mais um, Derek. Mais um. Por Favor... Um terceiro dedo, em seguida, ele está deslizando eles. — Assim? Você gosta disso assim? — POOOORRA sim. Sim. A penetração é lenta no início, isso é tudo que eu tenho. Mas está tudo bem; levo um minuto para abrir para ele. Lá no fundo, ele puxa e desliza, raspando que ponto G. Nesta posição, tudo o

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que posso fazer é levar isso. Não posso me mover, não posso moer nele da maneira que eu quero. Acontece que não há nenhuma necessidade. Ele sabe o que eu quero de alguma forma, sabe que não posso tomar mais nenhuma provocação. Ele aumenta a sua intensidade, acelera o ritmo de seus dedos dentro de mim, entrando e saindo com um ruído de sucção alto, e eu estou gemendo, gemendo, chorando, com a cabeça encolhida entre meus braços. — Olhos abertos, Reagan. Observe a si mesmo gozar. Ele coloca o braço sobre os meus joelhos, segurando minhas pernas para cima e para trás, e eu deixo ir, meu pescoço para a frente, vendo seus três dedos entalados, dirigindo para dentro e fora de forma dura e rápida que minhas coxas e bunda tremem com o impacto de sua mão. E lá está a borda mais uma vez, à sensação da iminente detonação, algo mexendo dentro de mim, quente e duro, enorme e poderoso, se movendo dentro de mim, uma expansão em crescendo. Eu estou fazendo sons sem parar agora, gemidos, lamentos e grunhidos primais e outros ruídos que eu não sei nomear, todos eles arrancado de mim pela força do clímax se espalhando. Estou dilacerada. Dividida em um milhão de pastes quando um lançamento quem passa através de mim, apertando meu núcleo com um punho de ferro, apertando tão forte que eu posso sentir isso realmente apertando ao redor dos dedos de Derek e eu estou pega nele, lá no alto por uma onda caleidoscópica de jateamento de ecstasy tão aguda e tão potente que dói. Eu sinto algo dentro de mim quebrar, arrebentar. Eu estou gritando tão alto que os pássaros batem as asas e Derek é implacável, ainda me fodendo com aqueles três dedos curvados, e eu ainda estou gritando com os dentes cerrados, soluçando. Todos os músculos do meu núcleo do aperto, e eu sinto toda a umidade se reunir do meu jorro de excitação, esguichando por todo o lado, e meus olhos abertos e vendo isso acontecer, observando o creme branco em sua mão.

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E ainda assim ele me dedilha, mais lento agora. Ordenhando cada gota, cada espasmo após espasmo, me fazendo gritar alto na minha garganta, até que finalmente ele puxa os dedos para fora e me deixa voltar para baixo. Eu solto minhas pernas, ofegante com queima dos meus pulmões. — Jesus, Derek. Jesus. — Eu fiquei lá por um momento, ofegante, tremendo. Eu abro uma pálpebra, e ele está apenas ajoelhado ali, me observando. Seu paus está tão duro que é quase roxo. Ele ainda tem o meu creme em sua mão, e quando ele sabe que eu estou vendo, ele leva a si mesmo em sua mão e se masturba. Ele faz uma careta, range os dentes. Eu estendo a mão, puxo um preservativo, abro com os meus dentes. Eu rolo entre meus dedos para descobrir qual o caminho que vai, em seguida, coloco em sua ponta. Espalhando em seu comprimento. Puxo ele para mim. Agarro seu pescoço, firme, e me puxo para cima para beijá-lo. Desesperadamente, eu o beijo. Devoro ele, língua, lábios, e respiração. Sugo uma respiração em meus pulmões, querendo estar mais perto, querendo estar mais enredada com ele. Ele desliza os joelhos entre as minhas coxas, e eu ligo meus tornozelos em torno de sua cintura. Puxando, insistente. As mãos dele vão para cada lado da minha cabeça, a centímetros do meu rosto, sua respiração em meus lábios. Ainda estou tremendo do meu orgasmo, ainda como geleia, ainda ofegante. No entanto, agora que eu tenho ele finalmente onde eu quero mais, a ponta do seu pau cutuca a minha entrada. Ele está tremendo, também, se segurando, provavelmente. De trabalhar tão duro para me dar um orgasmo como nenhum outro. Nossos olhos se encontram. Nós viemos construindo assim, dançando em torno disso, evitando e desejando nos jogar nisso, e

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agora estamos aqui. Eu sonhei com isso, me perguntando como seria, fantasiei sobre isso. Eu sei que ele tem também. Eu adio por mais um momento, apreciando a antecipação. Eu chego entre os nossos corpos, aperto seu eixo, e o oriento para a minha abertura, deixando ele entrar. E oh, meu deus, oh, meu deus do caralho, seu pau está dentro de mim, e é a melhor coisa que eu já senti, tão perfeito, cabendo exatamente, preenchendo cada espaço dentro de mim. Ele está deslizando até no fundo, sem hesitar, lentamente deslizando, os músculos do ombro e peito ondulando, o estômago enrijecendo, quadris flexionas. Eu amo os seus quadris, a forma como suas nádegas são côncavas nas laterais quando ele se move em mim, a maneira como seus bíceps incham, como ele suporta seu peso em cima de mim, a maneira como seu corpo me empurra para o chão macio. Eu amo quão azul o céu está acima de nós, sem nuvens e claro. Eu abro minhas mãos em suas costas, uma entre as omoplatas e outra sobre sua bunda, embalando-o contra mim. Ele toca meu rosto. — Lágrimas? — ele questiona em um sussurro, seu dedo vem úmido. Eu balanço minha cabeça; Eu não sabia que eu estava chorando. — É tão bom que eu não pude refrear. Deus, Derek, tão perfeito. Você é tão perfeito. — É porque isso é perfeito. — Suas sobrancelhas se abaixam e seus olhos se arregalam quando ele se move dentro de mim, deslizando lentamente na medida em que leva uma eternidade, perfeito só dele encher minha buceta com seu pau pela primeira vez. — Oh, oh... — Eu amo até mesmo o som da minha própria voz, a falta de ar erótico nisso, da maneira que eu gemo e o faz recuar até quase sair, pausando e deslizando profundamente mais uma vez.

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Eu mordo seu ombro, tão emocionada com a sensação dele dentro de mim que eu não sei mais o que fazer, além de mordê-lo e levá-lo profundamente e sussurrar o nome dele... — Derek...

DEREK Ela diz o meu nome em uma expiração, e é como uma oração. Eu sou uma bagunça total, um desastre emocional, vencido pelo toque dela, quão apertada ela é, quão úmida, quente e suave. Seus quadris movem contra os meus e eu entro profundamente, quadris contra quadris, coxa com coxa, amando o seu corpo deslizando contra o corpo, a forma como a sua carne se sente contra a minha, como as profundezas dela se apertam no meu pau, como suas paredes apertam em torno de mime. Seus olhos nunca deixam os meus, pelo menos até que ela agarra meu ombro com os dentes e morde. Não é uma mordida suave - oh, não, ela tem um pedaço de meu ombro entre os dentes e ela está caindo, gemendo, se contorcendo contra mim, as duas mãos agora em minhas nádegas e puxando. Seus pés estão em torno de meus tornozelos, e agora ela os levanta, deslizando pelas minhas panturrilhas e coxas, agarrando as costas dos meus ombros com as mãos e envolvendo as pernas ao redor da minha cintura. Ela se abre para mim, e eu me aprofundo nela. Eu empurro por alguns momentos, palmas plantadas, os quadris conduzindo. E então eu preciso de mais. Eu preciso ir mais fundo. Eu me inclino para frente, para dentro dela, descansando nela por uma fração de segundo, quando pego suas coxas e as empurro para trás. Acho seus tornozelos e os prendo. Angulo para trás para ficar de joelhos entre as pernas dela. Isso alonga meu pau para baixo, mas isso é ~ 212 ~


bom. Ela foge para baixo em minha direção, e eu recebo as solas dos seus pés plantados em minhas axilas, dividindo sua doce, linda boceta aberta. Agora eu sou tão profundo como eu posso ir, e eu agarro suas pernas e começo a me mover. — Brinque com seus peitos, Reagan. Me deixe ver você. Ela agarra os peitos dela e os massageia, em seguida, leva os mamilos entre os dedos e belisca, torcendo. — Porra, sim, desse jeito. Eu amo isso. Você é tão grosso, tão grande. — Você gosta do meu pau? Ela geme por entre os dentes, então arranca os olhos abertos. — Deus, sim, Derek. Eu amo o seu pau. Tão grande dentro de mim. Dói de um jeito bom. Eu me movendo, deslizando para dentro, gemendo com cada impulso. — Porra, Reagan. Porra... tão apertada. Oh... porra. — Sim, me fode. Por favor, me fode. Mais duro, Derek. Eu preciso de mais. Eu preciso mais duro. Como é que eu vou negar isso? Eu fodo mais duro. Dirigindo duramente, retiro devagar e depois bato profundo, e ela engasga em cada impacto, a boca aberta, os olhos oscilando nos meus. Cada impulso é mais duro do que o último, tão perto do meu clímax, calor me irradiando. Os seios dela saltam cada vez que meus quadris espalmam em sua bunda, e eu estou encantado com a forma como eles balançam e sacodem. Deus, ela é tão linda. Eu já disse isso a ela? — Deus, você é linda, Reagan. — Eu digo isso em ritmo aos meus impulsos. — Tão... fodidamente... bonita. Tão... fodidamente... sexy. Deus, eu não posso lidar o quão perfeita você é, desse jeito. — Mais. — Mais? — Eu pergunto. Como ela pode ter mais? ~ 213 ~


Ela desliza os calcanhares sobre os meus ombros, então as suas coxas estão alinhadas aos meus peitorais. — Venha aqui. Eu posso esticar mais. Eu pairo sobre ela, estendendo lentamente seus músculos da coxa, até que seus joelhos são pressionados contra o peito e eu estou tão profundo que deve ser impossível, tão profundo que deveria ser ilegal. Ela leva tudo de mim e pede mais. Como essa mulher é real? Mas lá está ela, cabelos espalhados em volta do rosto em um halo, olhos azuis brilhando com necessidade, excitação e satisfação. Ela é um sonho, uma fantasia erótica exótica e sedutor da perfeição feminina, tudo que eu nem mesmo poderia ter pensado que uma mulher poderia ou deveria ser, e mais um pouco. Eu não sabia que poderia ser assim, não sabia que poderia ser mais do que sexo, não sabia que poderia me sentir como uma parte de mim me juntando com ela, além do físico, como um aspecto corporal tangível da minha alma se fundindo com a dela. Deus, isso me assusta pra caralho. Eu vou pirar mais tarde, porque eu apenas não sei o que fazer com essa onda gigante de emoção, tal intensidade de sentimentos além da corrida de sexo, além da química e carne. Agora, porém, eu me concentro em nossos corpos. Na paixão do meu eixo correndo tão profundo dentro dela. O jeito que ela me aceita dentro dela e se agarra no meu pescoço com as coxas em um pedido silencioso para mais. Me concentro nela me olhando sem piscar, se recusando a olhar para longe e perder um único segundo. Eu me concentro no tremor dos seus lábios, a forma como sua língua se movimenta para fora e prova o suor salgado sobre o lábio inferior. Ela choraminga, e eu me dirijo nela. Ela geme e eu puxo para gora. Ela grita em sua expiração e soluça em sua inalação, o que corresponde ao padrão de meus quadris conduzindo nela. Eu penso na estúpida frase um par de vezes quando era criança e minha mãe tentou me fazer ir à igreja: ‗e eles se tornarão uma só carne‘. ~ 214 ~


Nunca fez um maldito sentido para mim, a minha vida inteira. Agora sim. Meu corpo é dela, e o dela é meu. Eu sei exatamente o que ela está sentindo, o que ela precisa e quer. Ela está perto, e eu também. Todo o sexo que eu tive na minha vida - e foi um monte - eu nunca tive um orgasmo mútuo, nunca gozei no mesmo momento exato com a menina. Mas agora eu sei, no fundo da minha alma, que, quando Reagan e eu gozarmos, será simultâneo. E isso vai quebrar a nós dois.

REAGAN Eu me envolvo em torno dele. Pernas agarradas ao seu pescoço, coxas apertando tão forte que eu acho que deve sufocá-lo, minhas mãos segurando em seus braços ao lado do meu ouvido, a minha respiração igual a dele, os lábios tão pertos, mas não tocando, olhos fechados e inabaláveis. E Deus, ele está tão dentro de mim, me enchendo tanto. O que quer que esteja acontecendo aqui entre nós é algo que eu nunca senti antes, e isso faz um fio de pânico tecer através dos meus pensamentos, mas eu ignoro, enterrando isso sob o fervor da minha necessidade, a queimadura de minha excitação, as chamas de sua paixão e da minha se espalharam mais e mais quentes até que tudo está em chamas, a minha pele em chamas, meu núcleo, seu pau pulsando, minha buceta apertando tão forte que eu sei que ele sente, e eu sei que ele sabe o que isso significa. Não precisamos de comunicação. Até mesmo quando eu penso, eu não posso aguentar por mais tempo , ele desliza meus pés para fora de seus ombros e eu estou enrolando eles em torno de sua cintura. Ele está acima

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de mim agora, seu peso sobre o meu, e eu estou me agarrando a ele com meus pés em torno de sua bunda, que flexiona duramente enquanto ele investe em mim, lenta, constante e ritmado. Braços em torno de seus ombros, uma mão em cada uma de suas omoplatas. Eu me agarro nele, sem me importar com o quão duro é. Ele sabe que arranhar meus dedos por suas costas significa que eu preciso de mais, preciso mais duro e mais rápido, e ele dá isso para mim, assim como eu quero. Eu passo meus dedos pelos seus cabelos e nuca, porque eu sei que o deixa absolutamente selvagem. E ele faz. Ele enterra o rosto no meu pescoço e, graças a Deus, agora eu posso me mover corretamente. Eu posso transar com ele de volta, foder em suas investidas, levá-lo profundamente e dar a ele de volta com mais força. Eu seguro sua cabeça, amando sua respiração no meu peito, sua testa encostando em meus seios. Nós estamos perdidos neste momento. Seja lá o que significa, o que quer que isso se torne e por onde isso nos leva, este é o culminar de muito acúmulo, tanto de devastação emocional com de tumulto mental, angústia física, tanta necessidade e desespero e preliminares aquecidas, explodindo entre nós, através de nós, derretendo partes da minha identidade para a sua, a nossa alma se formando de novo, partes de cada um de nossa essência se tornando um xenólito dentro da substância do outro, em alguns ouroboros metafísicos. Ele se move, e eu vou com ele, respirando, gemendo e hum e amaldiçoando e implorando. Tão perto. Seus grunhidos do esforço são lindos para mim. Eu coloco minha boca na dele e consumo seus lábios, como eles. Eu bebo seu apelo murmuramdo meu nome: — Reagan... As sílabas prolongadas - Reeee-gannnn E eu combino com a canção sussurrada de seu nome quando nos fundimos: Derek... ohDerrrrrek Eu não preciso jurar, não preciso chamar Deus, porque, nesse momento, nesse tempo atemporal quando eu me

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Abandono a ele, para isso, para nós, apesar da blasfêmia que pode ser, neste momento, com Derek, ele é Deus, todo o Deus que eu preciso. Nós gozamos. Nós comemos detonamos sob o sol quente, o meu grito estridente se harmonizando com o seu rugido feroz. Seu pau é uma força motriz dentro de mim, apertando entre as paredes da minha buceta, e ainda assim, nada é mais potente do que o nosso orgasmo. Isso não é meu, nem seu, mas nosso. É duro e forte, seus gemidos e suspiros em harmonização com meus gritos e gemidos, espelhados e provados com beijos que se perdem na boca, lábios e línguas se enredando enquanto gememos e nos mexemos juntos, se contorcendo em conjunto, seus quadris batendo nos meus, minha bunda se levantando para fora do chão, batendo minha buceta em suas investidas. Depois de uma eternidade de clímax metamórfico, nós retardamos e, finalmente, ele escapa de mim, e eu tomo todo seu peso sobre mim, amando o colapso exausto dele no meu peito. Eu embalo sua cabeça, beijando sua testa. Seus dedos traçam redemoinhos ociosos em meus seios e mamilos. Ele muda de lado e remove o preservativo, dando um nó, e enfiando em um bolso de trás da calça jeans e começa a se mover de cima de mim. — Não, — murmuro, puxando ele para baixo em mim novamente. — Eu gosto disso. Eu não ia dizer ―gosto‖, mas eu pensei que seria problemático outra palavra complicada no curso desta experiência com Derek. Assim, ele permanece, teimosamente deixando uma parte de seu peso de lado, embora a cabeça permaneça no meu peito, a perna jogada sobre a minha. Segurando ele assim é o próprio tipo de céu.

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CAPÍTULO QUINZE DEREK De alguma forma anoitece. Será que vamos cochilar? Não importa. Ela parece gostar do jeito que eu estou metade em cima dela, mesmo que eu tenho que ser pesado. Em algum momento, ela começa a tecer os dedos pelo meu cabelo, passando pelo meu ouvido, por cima do meu couro cabeludo. Eu poderia ronronar de verdade quando ela faz isso. Seu dedo toca meu queixo; Eu ergo minha cabeça e olho em seus olhos azuis. — Eu vou em frente e ser o primeiro a dizer isso... o que quer isso seja. — ela faz uma pausa para reunir seus pensamentos, e para escovar meu cabelo para fora do meu olho e traçar minha testa até a mandíbula. — isso foi demais - Eu nem sei. Eu engulo duramente. Eu estava meio que esperando que eu estava imaginando isso. As implicações são assustadores. — Foi diferente de qualquer coisa que eu tinha experimentado antes, — eu admito. — Não diga. — Ela solta um suspiro que é em parte risada, enterrando seu nariz contra a minha testa. Ela inala. — Eu estou contente que não foi apenas eu. — O que foi isso, então? Ela levanta um ombro em um encolher de ombros. — Eu não sei. — Um momento passa. Vários. Ela amassa os músculos do meu ombro. — Podemos voltar? Eu tenho uma reação emocional com suas palavras. Eu acho que ela está falando sobre o que acabara de acontecer entre nós, e eu estou aliviado que ela quer voltar, também, mas eu também estou arrasado ~ 218 ~


que ela pode querer voltar, e então eu penso nisso, com um pouco de emoção, que ela quer voltar para que possamos fazer tudo de novo. E então eu percebo o que isso significa, literalmente, fisicamente, voltar para a casa. Ir para casa? É isso mesmo, para mim? Essa é a minha casa? Eu tenho uma casa? No entanto, outra epifania me bate este mais assustador do que os outros - essa casa, a fazenda, o celeiro, este pequeno lugar remoto no Texas, é a coisa mais próxima de casa que eu tenho, que eu já tive desde que entrei para o Corpo de Fuzileiros assim que sai da escola. — Sim. — eu digo. — Vamos ir. Nós selamos os cavalos e voltamos para a fazenda. Os cavalos parecem saber onde eles têm que ir, o que é bom, porque eu com certeza não sei e eu não sou o melhor piloto. Eu posso montar um cavalo, mas não com qualquer grande habilidade. Voltamos para o celeiro pelo que parece como uma meia hora, desencilhando os cavalos, e deixando eles soltos no pasto leste. Por esta altura já está escuro, e meu coração e mente estão girando em círculos loucos. Eu não sei o que vai acontecer agora, ou o que esperar. Ou o que eu quero. Eu estou com medo do que eu estou sentindo. Eu estou com medo do que eu tenho certeza que Reagan está sentindo. Eu não tenho certeza se eu estou pronto para o que aconteceu, para a ligação intensa que acabou de ser criada entre nós. Até hoje, era uma dança: uma atração e uma necessidade emocional mútua nos atraindo cada vez mais perto, criando reações químicas na forma de fervor sexual. Era tudo isso, ainda que claramente era mais, um subtexto eu, pelo menos, não antecipei sendo tecida sob a superfície de nossa interação. E agora que nós consumamos isso, a nossa relação tem crescido de alguma forma, se aprofundou, expandiu, isso me assusta. Eu não sei se eu estou pronto para isso, se eu sou capaz disso. Se eu sou homem o suficiente para o que Reagan precisa e merece. Eu supor que nós vamos para dentro da casa?

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Eu estou de pé na porta aberta do celeiro, olhando para o desvanecimento do vermelho-púrpura-alaranjado do sol poente atrás da casa. Reagan está atrás de mim. A sinto se aproximar. Sinto ela pressionar contra mim, queixo nas minhas costas, braços circulando minha cintura, mãos achatando contra o meu peito. — Derek? O que acontece agora? — Acho que ela está tão confusa quanto eu. E eu que pensava que o sexo seria simplificar, ou pelo menos esclarecer, as coisas entre nós. Acontece que ele só aprofundou as sombras de todas as áreas cinzentas, tornando a teia já emaranhada em nós ainda mais complexa. Devo a ela a minha força. Determinação. Ou, na falta disso, devo a ela um mínimo de honestidade. — Eu não sei. O que aconteceu entre nós, Reagan, foi... muito. — Eu coloco minhas mãos sobre a dela, porque por alguma razão tocá-la de alguma forma faz com que seja mais fácil deixar a honestidade sair. — Eu não sei o que fazer disso. O que fazer com isso. — Você está com medo? Isto parece entrar em combate, quando você sente medo e sabe que tem que enfrentá-lo, admiti-lo, passar por isso como homem e lidar com a merda. — Sim. Ela abaixa debaixo do braço, desliza no comprimento do meu corpo, e olha para mim. — Eu também estou. Eu não estava esperando isso. — Ela corre as palmas das mãos para cima e para baixo do meu peito. Seus olhos são tão suaves, tão compreensivos. — Explorare isso comigo? Por favor? Reagan se afasta de mim, recusando. Em direção à casa. Estende a mão para mim. Eu não acho que tem algum indício real do que eu estou

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aceitando, mas eu pego a mão dela de qualquer maneira, e caminhamos lado a lado para a casa. Cada momento é uma vinheta, um quadro vivo: minhas botas esmagando o cascalho; um olhar de lado para Reagan, seu cabelo mel balançando com a brisa, o salto sutil de seus peitos enquanto ela anda; uma nuvem escura avisando a noite chegando sobre a casa; nossos pés batendo sobre os degraus de madeira da varanda; a porta de tela rangendo, uma pausa, um batida. Eu a sigo até as escadas. Assisto a sua bunda bonita balançar de lado a lado em cada degrau. Eu olho para as gerações de fotografias emolduradas que revestem a parede da escada, fotos que variam de tom sépia e preto e branco para desbotada dos anos 70 para os anos 90, Tom quando pequeno, sua foto oficial da Corporação. Uma de Reagan e Tom e o pai de Tom. Olho para longe dessa. Sinto uma pontada de culpa. Eu paro, e eu fico olhando para a foto de Tom, Reagan, e Carl. Deve ter sido um pouco antes de Tom ser enviado para fora pela primeira vez, depois que ele e Reagan fugiram. Eles eram ambos tão jovens, apenas crianças. Reagan percebe que eu parei de segui-la, e ela se vira para trás. — Eu olho essa foto toda vez que eu subo as escadas, — diz ela. — E dói o tempo todo. Mas eu posso me fazer tirar ela daí. — Era bonito o filho da puta, não é? — Sim, ele era. O que estou fazendo aqui? O que eu fiz? A esposa de Tony descendo as escadas, preocupação em seus olhos. A viúva dele. Merda. Eu não estou respirando, estou tremendo todo, suando. Ataque de pânico. Não tinha tido um destes em um tempo.

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— Derek? — Ela está no degrau acima de mim, tocando meu rosto com uma mão macia. — Respire, baby. Olhe para mim. Olhe em meus olhos. Encontro os olhos dela, tão azuis. Um azul pálido e grande como o céu do Texas. Mas ainda não posso respirar. Me encontro afundando na escada, a boca aberta e tentando encontrar oxigênio, piscando muito rápido, olhando o casal, punhos cerrados e agitação. Vejo Reagan, vejo sua boca se movendo. Não ouço nada. Teto, parede. A foto, a porra da foto, fodido Tom quando jovem, magro e Reagan de olhos brilhantes com cabelos louros mais claros do que é agora e um braço em torno de Tom e sua mão no peito grande e musculoso dele, Carl com o braço sobre ambos. Então eu posso sentir a mão de Reagan nas minhas costas, arranhando, alisando e circulando e eu começo a ouvir as palavras distorcidas em sua voz. —...Rek... Derek? Fale comigo. Por favor, por favor, volte. Respire. Eu estou aqui. Você está bem. Eu me mexo. Eu vejo os olhos dela de novo, com medo e preocupada. — Eu preciso me sentar. — Eu estou deitado, caindo, nas escadas, uma borda de um dos degraus em minhas costas. — Me ajude a me sentar. Reagan se move para baixo, toma minhas mãos, e me ajuda a uma posição sentada. Ela se senta na escada abaixo de mim, para os lados. Uma lágrima desliza pelo seu rosto. — Você - você está bem agora? Eu ainda estou ofegante e suando, mas o ataque já passou. — Sim. Eu só preciso de um segundo. Ela limpa o rosto, descansa seu rosto no meu joelho. — Você me assustou, Derek. ~ 222 ~


— Me assustou também. Ele só... bateu. Nenhum aviso. — A foto provocou o ataque de pânico? Eu deliberadamente a olho, em qualquer lugar que não seja a fotografia. — Sim. Ela chega até a foto e tira da parede. Segurando, ela olha para ela. Outra lágrima. Ela as limpa. Não. Isso é dela. A família dela. Sua memória. Eu não tenho nenhum direito de deixar a minha fraqueza forçá-la a tirar isso. Puxo a fotografia de sua mão, me faço olhar para ela. Eu observo. Lembro de como ele era, nos bons tempos. Sorriso fácil, piadas obscenas. Constantemente falando de Reagan, como ele pode esperava para chegar em casa para ver ela. Vejo ele deitado em sua cama, escrevendo uma carta a ela. Eu bloqueio a onda de flashbacks que ameaçam e penduro a foto onde ela pertence, aninhada entre as outras. — Derek, está tudo bem. Você não precisa— Não. Se você tirar daí, faça por você. Eu não. Esta é a sua casa. Seu lugar. Esse é.. a casa de Tom. A foto dele pertence aqui. Você merece coisa melhor do que me deixar - meus momentos de fraqueza, a obrigarem a... mudar as coisas. — Espere só um minuto maldito, Derek. — Sua voz é forte agora, e ela toma o meu rosto com as duas mãos, me forçando a olhar para ela. — Isso não foi um momento de fraqueza. Foi um ataque de pânico. E, sim, este é o lugar onde Tom cresceu. Mas - caramba. Eu não quero pensar sobre isso. Porra, isso é difícil. Tom está morto, Derek. Ele se foi. Sinto falta dele. Você sente falta dele. Mas... o perdemos. Essa guerra estúpida o levou de nós. E nós só... nós temos que continuar a viver sem ele. Você viveu e ele não, e não ouse se sentir culpado por isso. Não havia nada que você pudesse fazer. E... Eu não sei como até mesmo colocar isso. Ele se foi e eu o amava, e eu vou sempre sentir falta dele. Haverá

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sempre uma parte de mim que pertence a ele. Mas estou feliz que você viveu. Eu estou - eu estou feliz que você está aqui. Eu estou feliz que você veio e me deu a plaquinha dele e a carta e eu estou feliz que você ficou. Você fez a minha vida melhor desde que você esteve aqui, Derek. Eu lamentei por ele. Eu fiquei triste. Mas até que você chegou, eu não estava me curando. Eu não estava nem mesmo tentando. Eu estava presa. Eu não sei o que está acontecendo. Aqui, entre nós, eu quero dizer. Isso me assusta, eu não importo de admitir. Mas está acontecendo, e eu não posso negar. E - Eu quero mais. Eu não quero mais me sentir só. Eu não quero me sentir... presa. Emperrada. Perdida entre o que foi e o que é, talvez. O que eu devo dizer a tudo isso? — Eu não sei o que fazer sobre a culpa. Me dizendo para não se sentir isso não fazer ir embora. Mas... pela primeira vez, desde que os Raiders me tiraram da prisão, eu me sinto... vivo. Como se eu fosse alguém. Como se a vida pudesse ser algo para mim. Por toda a minha vida adulta, tudo o que eu conhecia era o combate. A Corporação. E então eu estava perdido em missão, e desde então eu não tinha conhecido... Eu não sabia quem eu era. O que eu sou? Estar aqui, trabalhando na fazenda. Passando o tempo com você... isso me dá algo. — Eu balanço minha cabeça, reunindo a coragem de falar a verdade mais profunda que eu posso reunir em palavras. — E não é a fazenda, realmente. É você. Você que me tem dado. Mas até mesmo isso vem com culpa. Porque ele ainda deveria ser deveria ser ele. — Mas não é, Derek. Não é ele. É você. — Ela está chorando abertamente. — Que porra é essa que você faz para mim, Reagan? Toda a minha vida de merda, eu fui um cara típico. Levando algumas merdas que acontece, você sente isso, mas isso é isso. Você não chora. Eu não choro. Mas desde que eu te conheci, eu tenho passo mais tempo chorando

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como uma porra de um idiota mais do que a minha vida toda. — Eu fungo, respiro e pisco com força. Isso não funciona. — Merda. Ela embaralha a seus pés, sobe para o meu colo, e esconde o rosto contra o meu peito. Ela envolve seus braços em volta do meu pescoço e se apega tão apertado que dói, mas é confortante, tê-la perto, tê-la me esmagando, sentindo o peso no meu colo e as lágrimas manchando a minha camisa. Eu não me senti julgado. — Sabe o que eu acho? — ela murmura em minha camisa de algodão. — Eu acho que faz de você mais forte, ser capaz de chorar. Eu acho que isso faz você mais um homem. Sentimentos são humanos e têlos. Você tem que permitir. — Mesmo a culpa? — Como é que você não deveria sentir isso? — É uma merda, no entanto. — Algo molhado escorre em minha bochecha, pingando em seu cabelo. Ela torce, olha para mim com seu rosto no meu coração, e enxuga a palma da mão no meu rosto. Faz isso de novo e de novo, e nenhum vez que ela olha para mim como se ela pensasse menos de mim por chorar como uma maldita menina. Ela simplesmente continua enxugando cada gota a distância, suas próprias lágrimas escorregando e se misturando com as minhas. Eu não sei exatamente pelo que eu estou chorando. Tudo. A Guerra. Perder amigos. Perder Tom. Ser um prisioneiro. A culpa de sobrevivente. A culpa de estar - estar feliz que eu estou vivo, apesar de Tom não estar, e Abraham não, e Okuzawa não, e nem Lewis ou McConnell ou Nielsen ou Martinez ou Silva ou Blast ou Allen. E eu estou chorando, também, eu acho, porque eu estou aliviado. EU vim segurando tudo isso, deixei sair agora a contragosto,

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geralmente arrancado de mim por Reagan e as coisas que se passam entre nós. As escadas estão machucando a minha bunda. Eu deslizo meu braço sob as pernas de Reagan e me levanto com ela. Eu a levo para o quarto dela. A coloco na cama, me movo ao lado dela. De alguma forma, ela está em cima de mim, e ela está me beijando. Eu provo o gosto salgado e eu sei que ela faz, também, em meus lábios. Temos nos beijado e chorado, os dois. A respiração dela na minha boca e nos meus lábios e sua língua varrendo rouba as minhas lágrimas, minha respiração, tudo, menos a minha consciência dela. Mãos empurram e puxam minhas roupas. Pele emerge lentamente. Beijos fundem em beijos. Eu tenho seu peito na minha boca enquanto ela me monta, com as mãos plantadas no meu peito, a cabeça inclinada para trás, coluna arqueada para empurrar seu mamilo contra os meus lábios. Seus quadris se contorcem, mas eu ainda estou usando minhas calças jeans, e ela também. Ela moi em mim, e nós dois estamos respirando em suspiros ásperos. Ela se afasta, puxando o mamilo da minha boca com um pop, empurrando para abrir a braguilha, e puxa para baixo o meu jeans, viajando pelo meu corpo, sua boca tocando minha barriga, umbigo, quadris, coxa, joelho. A calça fica presa em minhas botas, ergue os olhos para me divertir em frustração, e ela se atrapalha com os cadarços. Ela chega com uma das mãos encima do meu pau, me acaricia, em seguida, retorna a sua atenção em tirar minhas botas. Assim que ela consegue, eu chuto elas para fora e ela puxa minhas meias, minhas calças jeans. Ela atira a calça ao chão, em seguida, mergulha atrás dela. Ela puxa os preservativos do bolso. Rasga um livre. Se levanta, de frente para mim, desabotoa seu jeans em tempo recorde. Essas calcinhas, Deus. De seda vermelho escuro. Corte alto sobre seus quadris, a seda fazendo um profundo V até sua boceta. A seda está úmida, escurecida com a umidade.

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Com os olhos fixos em mim, ela engancha seus polegares no cós do elástico da calcinha, empurrando para baixo. As palmas das mãos alisam sua barriga, como se ela estivesse pensando em se cobrir. Ela só fica lá, com as mãos em seus lados, queixo alto, cabelos soltos e emaranhados, um pouco de grama lá que ela nem percebeu. Ela possui seu corpo, sua própria beleza. E porra, é quente, observar ela se negar a insegurança, observar ela se reclamar como sexy, poderosa. Ela levanta o quadril, levanta o queixo um pouco mais, a ponta da língua lambendo os lábios, e depois a mão paira sobre sua coxa. As palmas descem lá, então mergulha no pequeno espaço entre suas pernas. Ela suspira quando arrasta os dedos para cima entre as coxas, se tocando. Um breve toque circulando, e os seus joelhos se dobram e ela choraminga. Me sento, balanço as pernas para fora da cama, para chegar a ela. Pego a mão dela e a puxo para perto, posicionando entre as minhas pernas. Me inclino e toco levemente seu mamilo com a minha língua. Traço a abertura de sua vagina com os dedos. — Abra-se, — eu digo. Ela embaralha seus pés para cada lado até que eles estão na largura dos ombros. Ela repousa as mãos nos meus ombros enquanto eu aprofundo nela com dois dedos. Tão molhada, tão quente, tão apertada. Eu gemo e passo a minha língua entre os seios dela, reunindo a umidade de sua excitação em meus dedos e espalhando sobre seu clitóris. Ela cai para frente contra mim, segura minhas bochechas, e levanta o rosto para um beijo. Mas o beijo engasga e desaparece quando ela geme com as minhas ministrações, a boca aberta contra a minha, testa com testa, apertando meu queixo com as duas mãos e gemendo. Sem jogo desta vez. Eu a trago para o clímax o mais rápido possível, circulando seu clitóris e me aprofundando em seu canal apertado em um padrão alternado. Ela grita quando ela goza, se inclinando para mim, montando meus dedos, joelhos imersos, quadris girando.

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Quando o clímax desafoga à tremores, ela abre os olhos, e seus olhos azuis claros geralmente são nublados, encapuzados. Ela empurra para mim, me empurra com força para o colchão, sobe em cima de mim. Ela encontra o preservativo e abre. Rola sobre mim. Eu estou em uma posição desconfortável, deitado de costas na cama, com os pés no chão, mas Reagan não espera, não vai me deixar ajustar. Ela se inclina sobre mim, palmas das mãos no meu peito, me beija e levanta a bunda dela. Eu suspiro em sua boca enquanto ela chega entre nós, me orienta em sua abertura, e se senta em mim. Ela desce sobre mim, deixando escapar um gemido quando eu a encho. Os olhos de Reagan são ferozes, a boca aberta, lábio enrolado, gemidos baixos escapam quando ela mói a bunda dela contra os meus quadris, revirando meu pau dentro dela, se movendo em círculos e, em seguida, lado a lado, me levando mais profundo. Ela fica de joelhos, espalha suas coxas largas e puta merda, estou profundamente dentro dela. Seus dedos estão no meu peito, arranhando meu peitoral. Ela morde os lábios e olha fixamente para mim, mói em mim. Lado a lado, trabalhando em mim até que eu estou tão profundo como eu posso fisicamente chegar, e então ela começa a se mover em círculos, e ao redor, estendendo seu abdômen para ampliar o círculo de seus quadris. A moagem em círculos me faz querer impulsar, mas ela pressiona com tanta força que eu não posso - tudo o que posso fazer é deixar que ela faça o que quiser comigo. E, em seguida, ela se levanta abruptamente, levantando a bunda dos meus quadris, hesitando no ápice, a minha ponta apenas mal dentro dela. Ela bate com tanta força que o nosso quadris estalam. — Porra... sim... — Ela rosna. Ela se levanta lentamente desta vez. A sensação de seus lábios deslizando lisamente ao longo do meu pau me deixa louco, me faz tentar empurrar, mas ela se afasta, balança a cabeça.

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— Unh-uh. — Ela paira acima, brincando com nós dois. — Ainda não. Reagan mexe seus quadris, mordendo a língua e o lábio inferior, fodendo apenas a ponta do meu pau em estocadas rápidas. Eu estou gemendo e xingando. — Porra, porra. Oh, Deus, Reagan, deus. Dê para mim. — Eu aperto seus quadris e a seguro, tentando puxá-la para baixo, mas eu não posso. Ela resiste, se inclinando para frente e continua a me foder com força. — Você quer isso? — Ela exige. — Sim. — Eu puxo para ela novamente. — Eu preciso disso. — O que você precisa? — Mais lento, mais raso, a cabeça do meu pau delicadamente entre seus lábios, as seus coxas abaixando uma polegada, em seguida, novamente. Tentadora. — Você. Ela balança a cabeça. — Eu quero ouvir isso, Derek. — Ela anda com as mãos no meu peito em direção ao meu estômago, dobrando meu pau em direção a meus pés em incrementos graduais quando ela encontra seu equilíbrio em cima de mim. Em seguida, ela planta as palmas das mãos sobre as coxas, se levanta de mim no que deve ser a posição mais precária e difícil de segurar. — Por favor? Me diga o que você quer que eu faça para você. Jogando para o controle, hein? Eu pego seus seios perfeitos, belisco seus mamilos entre o dedo médio e anelar de cada mão. — O que - Deus, você é linda - o que eu quero que você faça? — Sim, me diga. Então, eu posso fazer isso. — Eu quero que você pegue o que quiser. Como você quiser isso.

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Ela deixa a cabeça cair para trás em seu pescoço. Estou tão esticado que dói. Ela toma minhas mãos, uma de cada vez, enrolando seus dedos com os meus, e mudamos o equilíbrio em nossas mãos unidas. Reagan inclina a cabeça para frente e se inclina sobre mim, e eu estou suportando o peso de sua parte superior do tronco em minhas mãos. Os seios dela caiem, balançam, mamilos duros implorando por minha boca. Eu levanto, lambo seus mamilos, um de cada vez, e depois caio de volta para o colchão. — Eu quero... isso. — diz ela, e afunda, me enterrando profundamente dentro dela. — Porra, sim. E então ela está se movendo, me deixando levar todo o seu peso em nossas mãos unidas, e ela começa a rolar seus quadris novamente. Ela suspira, geme, se levanta, em seguida, afunda. Moendo em mim, ela rola meus lábios através dos seus. Buscando o que ela precisa. Os seios dela saltam e balançam a cada movimento, e eu adoro observá-los. Amo ainda mais olhar entre nossos corpos, meu pau molhado deslizando dentro dela, observando sua buceta me levar para dentro e para fora, dentro e fora, vendo a forma como os lábios de sua buceta achatam e esticam quando eu entro, observando seus sulcos me molharem, escorrendo sobre ela, sobre nós dois. Ela está jorrando umidade e porra, é observar. Ela observa também. E amando isso como eu.

quente

nos

Reagan encontra um ângulo, ligeiramente inclinada para frente, levantando seus quadris para me puxar para fora, em seguida, inclinando seus quadris para frente e afundando e moendo para trás em mim profundamente, usando o meu pau para bater em seu pontoG. Uma vez que ela encontra o lugar, ela cai em um ritmo, e eu não importo se meus braços estão tremendo, se a minha antebraço dói e meu bíceps sacude, eu vou segurá-la assim até eu gozar. Eu gemo e

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impulsiono com ela , trabalhando meus quadris para cima para coincidir com o jeito que ela angula para baixo para dirigir meu pau contra esse local perfeito, e ela está gritando agora, — oh, oh, oh, oh , porra sim, Derek, deussim porrasim... — gritando, empurrando duro em mim e rápido, e nossos quadris batendo juntos, nossos corpos com um slapslapslap e um delicioso barulho de sucção molhado e ela está gritando e eu estou gemendo e gritando como eu sinto sua buceta apertar, sinto seus movimentos ficarem frenéticos e estremecendo. O ritmo diminui, mas agora ela está me puxando para fora lentamente me levando dentro dela duramente. E então eu sinto isso. Vejo isso. Seu rosto torcido e os olhos fechados e eu estou segurando todo o seu peso agora e empurrando para nós dois, fodendo tão duro quanto eu posso, ainda tentando atingir o ponto certo, e ela está tentando se mover também, mas ela perdeu todo o sentido, todo o ritmo, toda a capacidade de fazer qualquer coisa, além de soluçar e gritar, ofegante. Reagan desmaia em mim, ofegante, sugando, trêmula e soluçando respirações, ainda segurando minhas mãos, meu pau ainda enterrado dentro dela. Quando eu acho que ela recuperou o fôlego, obtendo alguma compostura, e eu tenho a chance de empurrar para baixo o meu próprio clímax, eu aperto as mãos. — Reagan? — Ela levanta a cabeça, o cabelo bagunçado, os olhos arregalados, as pupilas dilatadas, lábios entreabertos. — É a minha vez. — Oh, Deus. Eu rolo ela de costas, dando a ela todo o meu peso por um breve momento, empurrando para dentro dela, sentindo seu paredes tremerem em torno de mim. Eu vou lento, com golpes suaves, até que ela começa a se mover comigo. E então eu retiro completamente. Inclino para baixo, a beijo duramente, e enfio minha língua entre os dentes, tomo a dela na

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minha. Quebro o beijo, enfio a mão entre a cama e seu corpo para pegar a bunda dela, enrolando ela em seu estômago. Ela rasteja para a frente, longe de mim, em direção à cabeceira da cama. Eu vou até ela. Eu agarro seus tornozelos e a puxo de volta para mim. Ela vira a cabeça sobre o pescoço para me observar, olhos arregalados, boca aberta. Ela dobra seus joelhos embaixo dela. — Sim, baby, fique desse jeito. — eu acaricio os globos de seu traseiro. — Olhe para essa bunda. Porra, eu amo a sua bunda. Tão redonda, macia e perfeita... — Eu pego suas bochechas, abro ela, levanto a carne pesada e muscular, deixo ela ir com um salto exuberante. Ela está me observando enquanto eu me ajoelho atrás dela, brincando com sua bunda, meu pau erguido e dolorosamente duro. Ela está me observando, imóvel, esperando, respirando longos suspiros. Antecipando.

REAGAN Eu sou totalmente incapaz de me mover ou respirar. Eu estou esperando, quase sem respirar. Suas mãos ásperas massageiam minhas nádegas, amassam o músculo, e, em seguida, desliza os dedos lá embaixo, me espalhando aberta. Meu coração martela. Eu deveria dizer a ele. — Eu nunca... oh-oooooohdeus-— Estou parada como os dedos de sua mão esquerda mergulhada entre as minhas pernas e encontram meu clitóris, me acariciando lá com toques suaves, a mão esquerda ainda na minha bunda, dedos me espalhando. — Lá atrás... nunca - nunca fiz nada.

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— Jesus, Reagan, não me tente, porra. Eu só estou olhando para você. Eu quero ver cada centímetro sexy de você. — Ele lambe os lábios, abre os olhos para mim, volta para o meu bumbum. Minha respiração bufa, eu chupo oxigênio, e depois solto novamente, e até mesmo o meu coração para quando ele toca a ponta de seu dedo médio no meu buraco, me deixando tensa. — Nunca foi tocada aqui, hein? Nunca sentiu isso? Hmmm? Eu não posso olhar para ele, só posso pendurar a cabeça entre os ombros, sacudi-la, grunhir um som negativo. A ponta de seu dedo está mal me tocando lá atrás, mas eu estou congelada no lugar, cada terminação nervosa do meu corpo aquecida como um fio elétrico vivo. Eu não posso me mover se eu tentasse, e eu nem sequer tento. Deixo escapar um gemido, o menor aumento da pressão me tencionando ainda mais apertada, alegria temerosa subindo rapidamente através de mim. — Você gosta disso? Eu não estou nem tocando em você, e você está desmoronando. — Eu - eu estou com medo. — Murmuro no cobertor. — Não tenha medo, Reagan. Deus, eu nunca faria nada para te machucar, nunca, nunca. Me diga que não. Me diga para parar. — — Pare. Imediatamente, o sopro da pressão se foi, e sua mão está deslizando sobre minhas nádegas, e a pressão de sua outra mão no meu clitóris aumenta, me fazendo esquecer o que acabou de quase acontecer, o que eu quase deixei ele fazer. Sua mão acariciando nunca para, se move sobre minhas costas e pega minha bunda, de um lado e depois o outro, mais e mais, até as costas das minhas coxas e de novo, como se ele não pudesse ter o suficiente de me tocar assim. Eu poderia levar o dia

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Todo com ele me tocar assim para sempre, nunca ir e nunca me cansar dele, nunca me cansar de seu apetite voraz por me tocar. De alguma forma, os seus movimentos suaves no meu clitóris com a mão esquerda se transformam em três dedos, que é uma coisa que ele faz que me transforma em um monstro voraz orgasmica. Só que desta forma, em minhas mãos e joelhos na frente dele, a palma da sua mão está para baixo, a curva de seus dedos apontando para a cama, e é claro que isso faz seus dedos rasparem com ainda mais precisão contra esse lugar que eu estou pensando como meu Jesus-fodido ponto, porque ponto-G – não é um termo suficientemente descritivo para isso. Além disso, continuo dizendo isso uma e outra vez, — Jesus... porra, oh, Deus, Jesus, Derek, Jesus-fodido, isso é bom. Eu não sou uma frequentadora de igreja ou uma crente, de jeito nenhum, mas eu não sou uma blasfemadora habitual, nem mesmo geralmente muito vulgar. Mas Derek faz algo para mim, tem esse jeito de puxar apenas os blasfemos, as coisas mais vulgares de mim. Quatro ou cinco estocadas de seus dedos e eu estou gozando como foguete: oh-oh-oh , indo e vindo e indo, e agora ele tem esse lugar erógeno onde perna encontra quadril na mão direita, fortes dedos me segurando duramente, mão esquerda ainda dentro de mim, me elevando para cima e para cima, conduzindo tão forte que eu quase levanto do colchão, e eu estou explodindo— OH, MERDA! Isso sou eu, gritando quando ele empurra os dedos de dentro de mim e enfiar seu pau grosso e duro dentro de mim em um movimento suave, agarrando minha coxa com os dedos pegajosos e me puxando contra ele. Eu sou pulverizada pela sensação dele dentro de mim assim, e puta merda, eu ainda estou gozando, e ele é tão grande, me esticando tanto que queima de um jeito bom, sua cintura empurrando profundamente seu comprimento glorioso.

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Ele segura meu quadril no lugar quando ele empurra, em seguida, me empurra para a frente, e eu movo para ele, levantando meu pescoço para vê-lo ajoelhado bem alto e lindo em mim, cabelos loiros grossos uma bagunça desenfreada, olhos verdes em chamas, abdome tenso, o V em seus quadris, coxas como árvores, cicatrizes brilhando à luz do luar. Eu estou escarando sua beleza. A imagem dele em cima de mim, a coluna reta, tão alto e musculoso, entrando em mim, os dentes brancos quando ele morde os lábios em um suspiro. Ele se move lentamente, puxando para fora e empurrando glacialmente, apenas segurando meus quadris por um momento. Me pergunto o que posso fazer nesta posição para deixar ele selvagem, como um botão. Se eu pudesse alcançá-lo com minhas mãos, eu sei que o botão é passar meus dedos pelo seu cabelo. Se eu estou montando ele estilo cowgirl, é para moer em cima dele como eu estou tentando com força fundir nossos corpos juntos. Se ele está acima de mim na posição papai e mamãe, ele fica maníaco sobre as minhas pernas apertando sua cintura e minhas unhas arranhando sua espinha. Mas assim? Eu não sei. Eu vou ter que descobrir. A próxima vez que ele puxa para fora, eu me inclino para a frente, e quando ele inicia seu deslize para dentro, eu dobro minha coluna em direção ao colchão e empurro para trás em seu impulso. Ele rosna e mói em mim quando seus quadris batem nas minhas nádegas, uma reação intensa e visceral. Mas não é bem isso. Eu me movo com ele daquele jeito, rolando para trás em seus movimentos, observando ele, o devorando com os meus olhos. Quando eu mergulho minha coluna e levanto minha bunda para dirigi-lo para baixo e para trás em seu pau, eu aperto com toda a força que eu possa reunir com os meus músculos internos. Eu aperto duramente, segurando seu pau com minhas paredes quando ele desliza para casa.

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Ele rosna no fundo da garganta como um predador, rosnando como um leão, recua e aperta seu aperto em meus quadris e bate em mim com tanta força que minha bunda treme com o alto tapa de impacto, e eu grito com a surpresa. Sim, é isso. Oh, porra, é isso. Ele está primal agora, um selvagem enlouquecido de luxúria, nossos corpos reunindo com impactos, meu corpo balançando para frente na cama, seu pau enfiando profundamente, empurrando para casa de novo e de novo, e cada vez que eu passo para frente, espero a bato de volta, espremo duro em torno dele, e toda vez ele rosna, grunhi e amaldiçoa. Comecei apenas tentando tornar isso melhor para ele, já tendo um orgasmo tão forte que eu chorei, mas a intensidade disso está quebrando algo aberto dentro de mim, mas seu pau me bate profundamente e duro, e eu estou sentindo algo bem acima dentro de mim, algo quente e esvoaçante como fogo e dolorido com pressão vulcânica. Eu estou totalmente encantada com o som de sua voz me curtindo, a sensação de seus quadris batendo em minha bunda, me fazendo tremer toda, meu corpo sacudindo para frente em cada impulso poderoso, minha buceta latejando, tirando tudo dele, recebendo sua porra, e eu ainda estou dolorida, ainda desesperada para mais, ainda apertando em torno dele e me conduzindo de volta em seu pau, diretamente em seu grande pau grosso e bonito. E eu estou implorando por mais. — Oh, por favor, oh, por favor, não pare, Derek, por favor, não pare... oh, deus. — Eu acho que eu estou realmente engasgando com minha própria felicidade, apanhada no turbilhão rodopiante do meu próprio orgasmo explosivo, me esquecendo de apertar e, em seguida, me lembrando-, e agora eu não tenho que me lembrar, porque meu corpo está apertando fora de controle, minha

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buceta apertando seu pau tão apertado que tem que ser dolorosamente apertado, que ele mal conseguia se mover. Ele hesita, gemendo um suspiro. — Reagan, oh... porra... Pound14, Pound, Pound, POUND Isso me faz enlouquecida? Sim.

gritar

sem

palavras,

ensurdecedoramente,

Suas mãos apertando meus quadris, a cabeça cai para trás em seu pescoço, e eu estou torcendo para ver, observando ele gozar, observar ele tomar o seu próprio prazer em mim, sinto uma emoção violenta de orgulho que eu posso fazer isso com ele, dar isso a ele. Ele bate em casa mais uma vez, e eu recebo sem aviso mais um orgasmo, minha buceta apertando ele mais uma vez, e ele está rosnando e rugindo quando ele goza em sintonia comigo, e eu estou vendo isso acontecer, observando ele, amando ele. Não, não, não, eu não pensei nisso, não acabei de perceber isso. Não. Mas eu fiz. Oh, Deus, eu fiz. E agora o pensamento está lá fora, eu não posso afastar, e caramba, eu posso não posso negar a veracidade disso, porque eu sou uma fusão, uma alma inchada, o coração naufragando de vê-lo terminar, observando seu sexy corpo suado, músculos grossos inchando e ondulando. Ele me libera, e eu caio para frente, escondendo a terrível máscara frenética de emoções nos cobertores. Mas então ele está ao meu lado, 14

Não tem tradução, é o som dele batendo nela. ~ 237 ~


Me virando, me levando contra seu peito, me embalando, o nosso corpo ofegante e sincronizado, minha cabeça em seu batimento cardíaco, então eu posso ver cada baque do seu coração - thumpthumpthumpthump - que corresponde ao ritmo de meu próprio modo, e eu realmente entro em pânico. Eu tento novamente ignorar o que eu estou sentindo, me distrair enquanto eu desço e tiro cuidadosamente o preservativo para fora de seu pau ainda duro, atirando para o criado mudo e acaricio seu comprimento, observando algumas últimas gotas de gozo em sua ponta, afastando com meu polegar, provando isso. — Santo – puta merda, Reagan. Puta merda. Eu não respondo, porque se o fizer, algo forte demais tombará de meus lábios descuidados. Talvez ele sinta algo. Ele tem que sentir, porque ele está rolando em mim, sobre mim, sua olhos verdes me pesquisando, e oh, não, oh, Deus, não, eu posso esconder isso, não posso esconder a súbita onda de emoções tão de repente e intensamente emancipando dentro de mim. Ele tem que ver isso em meu olhar, no molhado dos meus olhos, a paixão derretida em líquido que eu estou sentindo por esse homem, por Derek. Isso é só o sexo, embora, certo? Tem que ser apenas sexo. Ele é realmente intenso, muito bom. ―ótimo‖ não é palavra suficiente. Arrebatador. Uma agonia de ecstasy. Não, ainda não é bom o suficiente. Não há palavras para o que eu estou sentindo, como ele me faz sentir, por quanto pega e varrida eu sou quando nos unimos. Isso tem sido apenas duas vezes. Nós estiveram juntos duas vezes. Fodemos duas vezes. Isso foi incrível, sim. Ele faz coisas para mim, chama reações em mim que eu não sabia que eu era capaz. Mas não é isso. Eu tinha o amor da minha vida. Eu me casei com ele. Ele morreu sendo um prisioneiro de guerra por ferimentos recebidos durante o combate com o inimigo. Eu o sepultei. Vacilei em cada ~ 238 ~


ensurdecedor tiro da saudação, vestida com um vestido de cetim e renda preta que era uma herança de família, passada a mim de quatro gerações de mulheres, todas elas usaram para enterrar os homens que elas adoravam. Eu tinha o meu amor, e ele foi tirado de mim. Eu não sou autorizada a um outro amor, sou? Eu não sou autorizada a ter o meu coração rasgado, espancado, quebrado, costurado, reparado e preenchido por um outro homem. Eu não sou. E nem é isso, realmente, o que me deixa girando. Permitida ou não, eu não posso negar, simplesmente não posso gerenciar uma negação dos fatos nus e crus de que eu sinto por Derek neste momento. Não, amar ou não, eu sinto isso. Está aqui e isso é real. É o fato de que é de alguma forma, impossivelmente, mais. Maior e mais profundo e repentino do que o que eu sentia por - do que eu sentia antes. E como isso é possível? Como isso aconteceu? Tão, de repente, tão chocante e rápido? Quero dizer.' Não é como se ele tivesse aparecido aqui entre nós, aqui no meu coração e alma. Nada na vida é imediato, nada com a humanidade acontece instantaneamente e no vácuo, sem acúmulo. Eu sabia que, a partir do momento que Tom veio correndo até mim e me beijou, sem aviso prévio, eu o amava. Que eu iria amá-lo, e que gostaria de me casar com ele. Eu esperei por sua chegada a minha porta da frente com antecipação alegre. Fiquei muito feliz. Varrida por ele, pela forma como ele era bonito em seu uniforme. Cada novo toque exploratório me deixava na lua. Era novo e bonito, e ele era a minha vida inteira. E eu sabia que seria assim desde o início. Em seguida, o tempo passou, e eu só via ele por algumas semanas ou meses do ano, se muito, mas do jeito que eu sentia por ele nunca mudou. Cresceu, sim. Mas cresceu de ausência. E foi temperado por uma profunda

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amargura escondida por ele sempre ter que ir, amargura de eu nunca ter voz nisso, nenhuma vez. Amargura de eu nunca sequer ter pensado nisso em torno dele. Isso, com Derek, é algo totalmente novo e totalmente diferente. Não é alegre. Não é leviano ou divertimento. Se amar Tom estava voando com a terra espalhada abaixo de nós, então amar Derek é uma suspensão aterrorizante sobre um abismo sem fundo. Parece como dedos desesperados agarrando um pedaço de terra, sentindo a sujeira e dando forma, é o aperto inexorável e lento da gravidade que te puxa para baixo, para baixo, para baixo. E, em seguida, sentindo algo pegar você, alguma criatura alada em silêncio do tamanho de todo o universo, invisível, mas presente e levando você através do abismo, para cima e para cima e além, em algo muito parecido com o infinito, mas você não pode compreender o infinito, não, na verdade, você só pode se concentrar na sensação de velocidade, na onda de músculos massivos, e você não sabe para onde está indo ou quanto tempo vai demorar ou qualquer outra coisa, exceto ele, ao seu lado. Segurando sua mão. Segurando você todas o noites de pesadelo atormentado e além dos braços infinitos e solitárias da solidão que é a miséria da viuvez. E ele é real. Ele, pelo menos, é carne escorregadia e músculo suado e respiração e memória de luz de sol dourado na pele esticada, lábios cor de rosa-vermelho molhado com a nossa saliva mista, lábios inchados por beijar. Ele é o conhecimento do que você quer, o que você precisa, e ele é aquele que está lá, dando a você, mais e mais, e essas coisas que você nunca soube que eram tão essenciais para sua existência continuada. — Reagan? Eu nunca olhei para longe dele, nunca mudei meus olhos dos dele, mas eu estava perdida por um momento, à deriva em meus pensamentos. Seu peito aperta o meu, meus seios achatados contra seu peito. Eu varro as palmas das mãos sobre as costas dos seus ombros, ~ 240 ~


esperando que ele fale. Ele está pensando, convocando palavras. E eu preciso saber o que ele vai dizer. Eu ganhei em admitir isso primeiro, porque se eu nunca disser isso, ele nunca vai saber o que eu quero, não vai sentir isso, também, então eu posso enterrar profundamente e cobrir isso com quilômetros de terra, erguer as paredes de solidão mais uma vez. Eu estou engolindo em seco contra o meu medo, buscando seus olhos, esperando. — Reagan, Eu nunca - eu nunca me senti... assim antes. — Ele faz uma respiração profunda e solta. — Eu não sei, eu não sei se você sentiu... se você está sentindo o que eu estou. Talvez eu esteja imaginando tudo isso. Eu respiro uma risada incrédula. — Derek, Deus. Olhe em meus olhos, olhe para mim, realmente olhe para mim, e me diga que você não vê isso. Me diga que você não sente isso vindo de mim. Ele ri também. — Eu vejo isso, Reagan. Mas eu estou com medo de estar imaginando. E... Eu não tenho certeza se eu sei o que fazer com isso. — Ele hesita, se esforça. Abre a boca, fecha. Gentilmente, cautelosamente, com ternura, docemente, eu o beijo. Lento e superficial, encorajando. Rompendo com uma respiração suspirada. Ele solta uma gargalhada, um som pequeno, inseguro,. Derek abaixa a cabeça e toca sua testa na minha e respira. Profundo, sugando uma enorme golfada de ar. Eu estou deitada de costas, olhando para ele, e eu posso ajudar, eu deixo minhas mãos pegarem sua bunda, fechando os olhos por um instante pelo prazer isso, a dureza tensa, o quão perfeito ele é em minhas mãos. Seu cabelo cai através de um olho, e eu escovo com um dedo e volto a minha mão para sua bunda. — Reagan... Deus. Por que isso é tão difícil? — Ele levanta a cabeça, seus olhos vagando, procurando, oscilando. Ele engole e suspira,

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tenta de novo. — Eu nunca amei ninguém antes, Reagan. Eu não sei como é. — Você está indo muito bem até agora. — eu digo a ele. — E eu não sei o que fazer, também. Então vamos apenas... descobrir isso juntos. — Juntos. — Juntos. Ele cai em cima de mim, e eu solto um oof de seu peso, e nós rimos juntos, quando ele rola comigo, assim estou torta em seu ombro. Eu rastejo contra ele, cada parte do meu corpo contra o dele, passando minha perna sobre sua coxa, então o meu núcleo está roçando a perna dele, meu braço em seu torso, mão descansando baixo em sua barriga, um pouco acima de sua virilha, meu peito subindo e descendo contra a sua caixa torácica. — Você realmente quer isso comigo? O que quer que isso seja? — Ele parece mais confiante, mas ainda um pouco incrédulo. — Sim! Sim. Eu realmente quero. — Eu beijo a clavícula dele, o único lugar que eu posso chegar sem me mover. E estou tão, tão satisfeita agora eu não quero me mover. Nossa respiração fica mais lenta e dormimos.

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CAPÍTULO DEZESSEIS REAGAN Acordar é felicidade. É um aumento lento para a superfície. Eu estou quente, encapsulada em suavidade. Eu volto a consciência, e quase suspiro de alívio, pois sinto que Derek atrás de mim. Estou realizada. Me deixei adormecer, quente e satisfeita. Flutuando. Não estou bem acordada, nem dormindo. Eu tenho um sorriso nos lábios, deixo aparecer mais e mais quando eu chego mais perto e mais perto de estar totalmente desperta. Faço um balanço: Eu estou com um pouco de dor entre as minhas pernas, mas isso é realmente uma coisa boa. Eu estou no meu lado esquerdo, de frente para a janela. A luz do sol entra pela minha janela aberta, banhando minhas pálpebras em um brilho amarelo. Derek está atrás de mim, roncando suavemente. Eu estou enrolada, os joelhos dele aninhados contra o meu. Eu posso sentir seu pau entre minhas nádegas, e eu gosto disso. Também gosto de sua mão baixa em toda a minha barriga, seu pulso descansando em meu osso ilíaco. Eu o sinto tomar uma respiração profunda e deixar sair, se mexendo um pouco. Ele está acordando, eu acho. Eu ainda continuo em silêncio e espero, amando estar em seus braços, a sensação de ser acolhida. Quando eu abro meus olhos, pisco contra a luz, vejo um pardal em um ramo da árvore de carvalho do lado de fora da minha janela, eu sinto Derek agitar. Sua mão é a primeira coisa a se mover, deslizando pelo meu estômago. Ele está ainda principalmente dormindo, eu posso dizer, mas ele acha meus peitos de qualquer maneira, pega um, e prende. Eu sorrio

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mais amplo ao sentir sua mão no meu peito, arranhando meu mamilo. Eu fecho meus olhos e apenas me refugio na sensação. Aprecio a sensação do seu largo corpo duro atrás de mim, me protegendo. Sua mão, sonolenta me segurando. Ele se estende e o ouço engolir, murmurar, gemer. Oh meu. Algo está acordando. Engrossando, endurecendo, abrindo minhas nádegas, uma vez que germina totalmente ereto. E assim, eu estou molhada entre minhas pernas, mordendo meu lábio e balançando minha bunda contra à sua frente. Deslizando sua cintura entre as minhas bochechas, explorando a sensação dela. Quero saber como seria a sensação de deixar ele me tocar lá atrás. Deixar ele entrar em mim lá atrás. Ainda é assustador, mas não tanto como antes. Eu gosto disso, seu pau entre minhas nádegas, deslizando. Eu angulo para a frente na cama, inclino meus quadris para trás em direção a ele, e agora, Jesus, agora sua dureza maciça está escovando direito contra o meu buraco traseiro. Oh, Deus. Isso é bom. Muito bom. Muito bom. — Pooooooorra, Reagan.... — Ele geme, sua voz grossa pelo sono. — Que maneira de acordar. — Unhhhh... — É tudo o que eu consigo dizer. Sua voz está na minha orelha, acordando agora, sussurrando. — Você é uma menina suja, não é, Reagan? Você quer isto. Você sabe que você quer. — Sim. — eu choramingo. — eu quero. Eu quero isso. Ele me deixa mover. E Deus, estou em movimento. Contorcendo minha bunda para cima e para baixo em seu comprimento, pressionando de volta para obter mais pressão sobre mim, onde eu quero, onde eu estou com medo de querer, com medo de ter isso. Ele não está perto o suficiente, no entanto. Eu não posso levá-lo perto o suficiente. Ele não está realmente tocar minha bunda com seu pau. Então, beijando meu

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ombro, ele empurra seu joelho entre as minhas coxas, e eu levanto a minha perna para cima. Viro a cabeça para encontrar a sua boca esperando, quente e úmida e sua língua corre contra os meus dentes, e eu estou descendo entre as minhas coxas, encontrando o aço envolto em seda de seu pau. Um miado alto sai da minha garganta, precisando dele. Convidando ele a entrar. Eu não penso em nada além dele, a conclusão disso. Sinto ele atrás de mim, lavando o corpo contra as minhas costas. Sua virilha enterra na minha bunda, seu pau deslizando em minha buceta, se fundindo comigo, quente e grosso dentro de mim, me enchendo, me alongando. Oh, a queimadura de me abrir para ele. Estou molhada, encharcada por ele. Eu chego por trás da minha cabeça e embalo seu rosto, passe os dedos em seus cabelos do jeito que ele ama, gemendo de afirmando em suas mãos poderosas agarrando meus seios, acariciando-os, aprimorando-os. Ofegante no beijo quando ele encontra o meu clitóris com os dedos, e nós estamos nos movendo juntos, os corpos reunidos em perfeita harmonia, encontrando um ritmo impecável juntos. — Reagan, Deus, Reagan. — Sim, Derek. Ohhhhh. Oh... sim. Forte, rápido, poderoso, compressões intermináveis, órgãos reunindo, suspirando, beijos molhados e dedos úmidos, movendo e agarrando. Seus movimentos vacilantes com fervor do mesmo modo que eu estou segurando sua mão que está cavando entre as minhas coxas, e eu estou desfiada em pedaços e ofegando. Derek rola e me leva em cima dele, minhas costas para sua frente, e eu estou gozando e ele goza, sinto o jorro quente e úmido da sua descendência, e isso me faz gozar ainda mais duro, tão duro que eu quase mordo minha língua, faltando ar, a boca caindo aberta num grito silencioso. Ele ainda está gozando, grunhindo no meu ouvido, ~ 245 ~


empurrando para cima, pressionando para baixo no meu clitóris com os dedos, me segurando contra ele, mesmo quando ele fode-se de novo e de novo e cada vez mais difícil e espalhando calor úmido através de mim, e eu gozo de novo, ou estou gozando ainda, agarrada por onda após onda de espasmos de alegria, e eu posso realmente sentir o pau dele inchando e latejante quando ele goza ainda mais, sussurrando meu nome, — Reagan, Reagan... meu Deus, Reagan. — Ele beija por trás da orelha e me empurra de novo, mói contra mim, e eu aperto, tirando cada gota de prazer fora e de mim. — Eu amo você, Ree. Ele disse. Ohmeudeus, ele disse isso. E ele me chamou de Ree. Ninguém nunca me chamava assim. ExcetoEu agito esse pensamento para longe. — Eu te amo, Derek. — Eu chego de volta para ele, encontro sua bochecha, o nariz, a boca mordendo meu polegar e deixo ir. — Oh, oh, eu te amo. — Como? Deus, como eu te amo tanto? — Eu não sei, mas eu sei. — Eu falava como se eu fosse ele, respondendo a ele como se fôssemos um só. Não é até que estamos imóveis e ele ainda está duro dentro de mim, mas amolecendo e escorregando para fora que percebo o que nós fizemos. Eu falo primeiro. — Derek? Nós apenas... — Sim. Eu penso rapidamente, calculando. — É final do mês, então eu não devo estar fértil. Vai ficar tudo bem. — Eu estou apenas dizendo isso para tranquilizá-lo e eu ambos, mesmo que seja verdade. — Me desculpe, eu nunca sequer parei para pensar. — Sua voz é áspera, autodepreciativa.

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Eu rolo, me viro e me deito em cima dele, olhando para ele. — Derek, não. Eu também não. E não me arrependo. Não tome de volta o que nós apenas experimentamos juntos. — Eu enterro meu rosto em seu pescoço. — Você quis dizer isso, não é? Você não estava apenas dizendo? Seus braços vão para minhas costas, me segurando perto. — Eu quis dizer isso, Reagan. Eu juro que eu quis. — Ele engole em seco. — Isso não é algo que eu diria sem realmente significa isso. Eu levanto meu rosto, too meu nariz ao dele, olho profundamente em seus olhos verdes. — E eu também... Isso foi o que eu senti com você - nunca, nunca houve nada parecido. Então, eu não estou de toda triste, isso aconteceu. — Eu sinto tudo dentro de mim inchar, me sentindo apaixonada. — Isso vai ficar bem. Você e eu juntos, certo? Apenas - apenas fique comigo. Apenas não fuja. — I estou aqui. Eu não vou a lugar nenhum. — Promete? — Eu prometo. Eu beijo na bochecha, logo abaixo de seu olho. — Então vai ficar bem. — Eu rolo, deslizo para fora da cama. Eu o sinto me observando, e eu acrescento algumas balançadas furtivas a minha caminhada. — Eu vou tomar um banho. Entro no banheiro, ligo o chuveiro e me sento no vaso sanitário e faço xixi. É quando a preocupação me bate. Já tinha bastante tempo desde que Tom e eu tivemos relações sexuais sem o uso de preservativo e eu acabei grávida de Tommy nove meses depois. Eu nunca estive no controle de natalidade, porque torna os meus hormônios malucos. Eu sou regular como um relógio sem eles, e os meus períodos geralmente não são muito ruins. E Tom ia embora por tanto tempo, só havia nenhum ponto. Eu não estava tendo relações sexuais, e eu não

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precisava do controle de natalidade para regular qualquer coisa, então simplesmente não havia necessidade. É claro que quando Tom e eu concebemos Tommy, eu estava no meu período mais fértil do mês. Ele estava no fim da sua licença, e nós estávamos bêbados, e então... oops. Mas agora, com o Derek? Deus. Tão... fodidamente... intenso. Eu nunca pensei sobre isso, nunca sequer considerei. Eu só precisava dele. Tinha que tê-lo. Nada mais importava, ou sequer existia. E sim, eu estou um pouco preocupada que eu poderia ter outro pequeno oops no caminho... junho ou julho, se eu estivesse contando certo. Estamos no final de setembro, de modo que é isso. Junho ou Julho. Mas não. Não, isso não está acontecendo. Vai ficar tudo bem. Algo me diz isso seria mais do que Derek pode aguentar. Agora, pelo menos. Eu faço o meu melhor para empurrar esses pensamentos, para pensar positivamente. Vai ficar bem. Nós vamos ser mais cuidadosos no futuro. Acontece que, no entanto, isso - o futuro - pode ser um pouco mais cedo do que eu esperava. Eu passo shampoo meu cabelo, lavo a espuma, passo condicionador. Esfrego a mim mesma, da cabeça aos pés. Oh. Oh, Deus. Mantenha lavando, não pense nisso. Eu nem percebo a porta abrir, ou os anéis raspando a cortina do chuveiro. Tudo o que eu estou ciente é a água quase escaldante nas minhas costas, e, em seguida, as mãos na minha cintura. Ao redor na minha clavícula. Eu sorrio e suspiro, a água do chuveiro lambendo os lábios e deslizando os meus braços em torno dele, alisando as minhas mãos em seus ombros para baixo a sua bunda e voltando. Inclino a cabeça para trás e para fora do fluxo, deixando bater nele. Mmmmm. Ele está duro novamente. Já. Jesus, o homem tem, tipo, zero período refratário. Sorte, sorte minha. Ele geme baixo em sua garganta enquanto eu fecho minhas mãos em torno dele. Eu o pego mais duro, deixando ele pronto. Em seguida,

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pego o gel de banho e minha esponja roxa, levando com sabão. Pescoço, ombros, peito. Seus olhos se fecham, e ele me deixa lavá-lo. As costas, coxas, bunda. Presto atenção especial lá, deixando ele realmente limpo. Sorrio para ele, amo o jeito que seu cabelo molhado está penteado para trás contra seu crânio, a água pingando em seu peito. Ooops, como eu cheguei até aqui, de joelhos na frente dele? O lavo também. Tudo. Empurro suas coxas e me certifico de que as bolas dele estão extra limpas. Esfrego a esponja de cima e para baixo em seu pênis, sobre a ponta, toda a volta. Ele está olhando para mim, os olhos encapuzados e eu posso ver que ele está meio que me esperando – o que estou prestes a fazer, o que eu absolutamente estou prestes a fazer. G Meio esperançoso, mas também claramente preocupado - é bom demais para ser verdade. Esfrego o seu comprimento de novo, então passo minhas mãos sob o córrego da água batendo em seu peito, passando a mão para lavar o sabão. Tomo seu saco apertado na minha mão e seu pênis na minha outra mão. — Reagan? Eu inclino minha cabeça e olho para ele. — Derek? — O que - hum, hum - o que você está fazendo? Eu mergulho meu punho para baixo em torno dele, em seguida, de volta. Deslizo a palma da mão sobre a cabeça grossa, larga, acaricio a abertura com o polegar. Ele gosta muito disso. Ele se contorce, aperta os olhos fechados, e os abre novamente. Eu dou de ombros. — Isso. Traço levemente minha mão para baixo, e ao mesmo tempo eu separo meus lábios e o levo em minha boca. Ele tem gosto de limpeza, como nada além de pele. Quando eu inclino para frente para levá-lo mais profundo em minha boca, meu cabelo encharcado cai para baixo em torno do meu rosto. Suas mãos deslizam em minhas bochechas e reúnem

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meu cabelo para cima. Arruma para a minha cabeça, enredando os dedos na massa grossa. Ele puxa, só um pouco, quando eu chamo minha boca em torno dele. Quando eu torço o punho em torno de sua ereção e deslizo o meu toque para cima e para baixo, para cima e para baixo, cada vez mais rápido, ele deixa escapar um gemido suspirado, e seu aperto no meu cabelo se intensifica. Isso é novo. Eu não sei o que pensar, honestamente. Obviamente, eu tenho feito isso poucas vezes, mas foi só com Não posso pensar no seu nome, não agora, não nesta situação - ele iria ficar o mais imóvel possível, com as mãos nos meus ombros, apertandoa, me deixando saber quando ele estava perto. Ele iria deixar passar em silêncio, com um leve gemido, um pequeno empurrão de seus quadris. Ele era... cuidadoso comigo. Educado. Atencioso. Derek é diferente. Ele está segurando meu cabelo com força o suficiente para que as raízes no meu couro cabeludo piniquem, mas não dói. Ele aplica uma pressão suave quando ele se move em minha boca. Seus quadris flexíveis, apenas um pouco. Não é bem um impulso real, mas quase. E... Eu não me importo. Isso é a mesma marca de eu acho que pode ser quente, mas eu estou com medo de dar para ele como minha exploração hesitante de deixá-lo tocar em minha bunda. Tudo com Derek é diferente, um pouco assustador, mas isso sempre acaba sendo surpreendente. Eu ergo minha cabeça, viro o rosto para olhar em seus olhos. Continuo o acariciando, lenta e suave. — Vamos lá, Derek. Não segure. Meu coração está correndo, nervos brotando dentro de mim. Eu não tenho certeza se eu sei o que eu estou dizendo para ele fazer a mim, ou se eu vou gostar. Eu estou colocando um monte de confiança em Derek para não fazer nada que vai me machucar ou me deixar desconfortável. ~ 250 ~


Ele só olha para mim, os olhos com as pálpebras pesadas, a mandíbula flexionando. Ele está respirando com dificuldade, e seu estômago torce de tensão. Eu massageio suas bolas, meu dedo médio estendendo por toda a extensão de sua mácula. Pressiono. Estendo um pouco mais longe. Desafiando. Seus olhos estreitam e sua mandíbula mói. Eu o acaricio, os dedos mal escovando sua carne tensa. Mantendo meus olhos nos dele quando eu deslizo a palma da mão para cima sobre a cabeça do seu pau, apertando, torcendo, mantendo o aperto apertado enquanto eu golpeio. Ele exala fortemente, quase um gemido. Quando a ponta do seu pênis se espreita sobre a borda da minha mão, eu tomo mais e mais dele na minha boca, puxando seu comprimento longe para que eu possa manter contato com os olhos. — Oh - oh, porra. — Mmmmmm. — Eu cantarolo ao redor de seu pau, deslizando minha língua sobre ele, provando o pré-gozo. Suas pálpebras vibram, a cabeça cai para trás em seu pescoço. Ele agarra seus dedos na molhada bagunça do meu cabelo, emaranhados e puxa minha cabeça para baixo. Delicadamente, lentamente, mas com insistência. Me dando espaço para objetar, mas deixando claro o que ele quer: Mais fundo. Então eu o levo mais profundamente, deixando ele me empurrar para baixo, abrir minha garganta. Provo sua pele na minha, sua língua, sentindo ele na parte de trás da minha garganta. Bombeio na base dele, massageio sua mácula. Saio, sugo meus lábios em volta da cabeça, o meu punho fechado debaixo da minha boca. E, em seguida, Derek começa a empurrar. Gentilmente vibra seus quadris, deslizando seu pau entre meus lábios, através de meu punho. Fodendo minha boca. Ele empurra para mim, sempre muito gentil enquanto empurra.

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— Mmmmm. — murmuro, encorajando ele. Ele gosta disso, e eu adoro o seu prazer, amando sentir ele perder o controle. — Mmmmhmmmm... — Ohdeusporra, Ree... tão perto. — Mmmhmmm. Ele fode mais rápido agora, através do meu punho, e eu provo o pré-gozo fortemente agora. Ele está gemendo com cada estocada de seus quadris. Um pensamento flutua pela minha cabeça. Mais cedo, na floresta, quando eu engoli seu gozo, eu adorei fazer ele se perder, fazer ele gozar. Sentindo quão louco eu o deixei. Mas eu poderia fazer isso sem realmente engolir, o que não vou mentir, não é minha coisa favorita. Eu preferia ver isso acontecer, observando o pequeno buraco em sua ponta espasmar, observando a corrente de jato grosso sair, batendo na pele. Eu gostei de ver ele gozar em mim, atrás do celeiro. E agora, com ele ali mesmo no limite, eu tenho que descobrir onde fazê-lo gozar. Não na minha boca, eu decido. Eu não quero realmente assim. Eu nunca realmente gostei, eu estou percebendo. Eu sempre engoli - não por obrigação, porque eu gostava de dar prazer, assim como agora - mas porque essa era apenas a maneira que você faz isso. Menos bagunça. Mas... Eu estuo no chuveiro com Derek. Qual o melhor lugar para deixá-lo fazer uma bagunça, para tentar algo novo? Derek está empurrando duro e gemendo, e eu estou subindo e descendo sobre ele, levando-o, na medida em que posso, provando-o, sentindo-o. Ele está perto. Quase. Ele puxa meu cabelo duas vezes. Eu cuspo fora da minha boca, olho para ele, acariciando-o com força e rápido, bombeando ele com avidez. — Derek... observe. Seus quadris vacilam e seus olhos abrem e se fixam em mim, meus punhos correndo pelo seu comprimento. Eu sinto seus testículos

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apertarem, espasmar. Incline seu pau em direção ao meu corpo, arqueio as costas, peitos empinados. O seguro perto da cabeça e bombeio. Ele geme, e seus quadris empurram, aperto na minha mão. Agora. Ele goza, uma inundação branca espirra para o meu peito, batendo em meus seios e deslizando para baixo. Eu continuo a bombear ele, o ordenhando, e ele goza de novo, outro jato jorrando na minha pele. Ele resmunga e fode em minhas mãos, e eu acelero o ritmo das minhas mãos em seu pau. Desta vez, eu cubro a ponta com os dedos e assistimos o gozo se infiltrar entre os meus dedos, e eu o acaricio, espalhando-o sobre ele, e, em seguida, outro jato pinga para fora, para a banheira. Ele não goza mais, mas eu continuo a acariciá-lo até que ele puxa para fora da minha mão e me agarra pelos ombros, me levanta. Ele me prende contra a parede do chuveiro e me beija, a água morna em nossos corpos. Eu me afasto, sorrio para ele, encontro a esponja no chão da banheira e espremo a espuma para fora. Eu lavo o seu pau amolecendo de novo, e então ele tira de mim e esfrega na minha frente, esfregando suavemente cada um dos meus seios e no meio, por baixo, levantando cada um. Cada um de nós enxaguamos e então ele leva um momento para passar shampoo em seu cabelo. Nós saímos e ele me seca e eu faço o mesmo com ele. Ele passa os dedos pelo cabelo, em vez de penteá-lo, deixando ele bagunçado, enquanto eu escovo os dentes e meu cabelo. Fazemos tudo isso em um silêncio sociável, embora eu possa senti-lo questionar por que eu fiz isso dessa maneira. Eu espero ele perguntar. Nós nos vestimos, ele com a mesma roupa de ontem. O que levanta a questão... — Derek?

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Ele puxa sua camisa para baixo, olhando para mim. — Sim? — Eu acho que você deveria ir buscar as suas coisas. Ele franze a testa, mal-entendido. — Oh. Hum. Ok. Eu rio. — Não, Derek. Não vá pegar suas coisas e sair, ir buscar as suas coisas e trazê-las aqui. — Você está... certa disso? — Sim. Eu tenho certeza. — Eu envolvo meus braços em torno de sua cintura em um abraço. — Eu acabei de fazer você prometer a não correr, não foi? Eu quero você aqui. Comigo. Ele hesita alguns instantes, pensando. — Ok. Se você tem certeza que quer isso. — Ele franze a testa para mim. — Eu ainda tenho pesadelos, às vezes. Maus. Não muitos, recentemente, mas... eles continuam a acontecer. — Você teve um na noite passada? — Não, — diz ele. — Mas ontem à noite foi especial. Eu dormi com você na noite passada. Dormi mesmo. Essa é uma primeira vez para mim. Eu nunca - antes, nunca dormir com mais ninguém, eu apenas saia quando eu - quando nós... quandoFaço uma careta. — Sério? Você apenas saia? Ele parece chateado com a minha reação. — Sim. Eu acho que eu não era um bom rapaz, então. Eu não sou esse cara mais, porém. Deus, eu espero que não. — Será que você gostou? De dormir na minha cama comigo? Ele sorri. — Foi... Magico. Espero que isso não me faça parecer um bobão, mas foi realmente incrível. Eu amei. Apenas segurar você. Acordar com você. — Seu sorriso se alarga. — Especialmente do jeito que você me acordou. ~ 254 ~


Eu me apego a ele, arranhando a barba em seu queixo. — Eu gostei disso também. Eu amei. Tendo você acordando ao meu lado. — Beije o queixo dele, belisco sua mandíbula. — Fazer amor com você a primeira coisa de manhã. Passo a mão no seu queixo novamente. Eu gosto da barba. Tom era sempre bem barbeado, quando estava na Corporação. — Diga isso de novo. Eu quero ouvir você dizerEu não tenho que terminar. Ele está colocando meu rosto em suas grandes e fortes mãos ásperas. — Eu te amo, Reagan.

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CAPÍTULO DEZESSETE DEREK Duas semanas. Isso é quanto tempo durou o céu. Eu nunca na minha vida tinha dormido tão bem, tão profundamente, tão sem sonhos. Eu acordava todas as manhãs com uma corrente de felicidade lavando através de mim, e o desejo de nunca se mover, mas escavar mais profundamente na cama, no calor, em Reagan. Às vezes, eu teria um momento de pânico, pensando que era tudo um sonho, um novo tipo de pesadelo. Eu empurro acordado, procurando ela. E eu a encontro. Nua. Lisa e bonita e em volta de mim. Ela se agarra a mim em seu sono. Demorou algum tempo para me acostumar pois eu nunca tinha compartilhado uma cama antes, mas era algo que eu absolutamente me acostumei. Eu acordava no meio da noite, sonolento, turvo e confuso, e Reagan estaria enrolada no outro lado da cama, bem na borda. E assim como eu estava prestes a chegar para ela, ela murmurava, rolava em direção a mim, pegava a minha coxa e me puxava para perto, enfiando a cabeça no meu peito, e se acariciava contra mim. Ela arremessa o braço sobre minha cintura, passando as mãos sonolentas sobre meu quadril e estômago novo e de novo até que ela estava satisfeita que eu estava lá. Eu estou supondo que era para confirmar se eu sou real. Conheço esse sentimento. É como eu acordo todas as manhãs. Ela é real? Estou aqui, em sua cama? Em... nossa... cama? Eu consigo tocá-la? Abraçá-la, beijá-la? Sim, eu faço. Graças a Deus ou o que poderes podem ou não existir. Seja qual for a concatenação de eventos que me levou a este lugar, desta vez eu começar a gozar a felicidade de acordar ao lado de Reagan, todas as manhãs... Obrigado. ~ 256 ~


Porque é o melhor que a minha vida tem sido. E é tudo por causa do que aconteceu com Tom. Eu não tenho certeza de que posso ser grato por isso. Não posso ir lá, mentalmente. Eu só posso ser grato por agora. Normalmente eu sou o primeiro a acordar. Esta manhã eu tinha acordado por alguns minutos, observando seu sono, memorizando suas características. Guardando em meu coração e mente a sensação dela em meus braços. E então ela faz este pequeno ruído na parte de trás de sua garganta, um tipo de alongamento de gemido -mmmmmmmmm - e seus lindos olhos azuis pálidos abrem através de suas pálpebras, e ela arqueia as costas, o lençol caindo de seus exuberantes seios redondos. Ela estica os braços sobre a cabeça, com os punhos cerrados e balançando enquanto ela tenciona todos os músculos. Eu sou incapaz de fazer qualquer coisa, além de observar e beber em sua infinita beleza. Quando isso termina, ela de alguma forma acaba moldado em mim, cabelos despenteados e fazendo cócegas em minha pele, os lábios pastando em meu peito. É claro que, em seguida, minhas mãos estão explorando-a, e seus lábios encontram os meus e os nossos corpos se encontram e se fundem. Eu deslizo para ela, e ela geme. Então ela se abre, mas ela não se sente, não me monta. Isso, no período da manhã, é sobre proximidade. Ela aperta cada último milímetro de seu corpo contra o meu, lábios nos lábios, até que nós não podemos manter o beijo indo e ela tem que buscar em meu corpo, dos pés raspando contra minhas panturrilhas, boca na minha clavícula para abafar os gemidos, as mãos no meu cabelo e apertando o travesseiro. Não é até nos conseguirmos libertação mútua um no outro que trocamos um ―Bom dia‖ e um ―Eu te amo‖ e descemos para o café da manhã e o dia de trabalho. Quinze dias.

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No décimo sexto dia, se aproximando de três meses a contar do dia em que sai do hospital em San Antonio, as coisas mudam. Eu entro na casa, suado pela construção de um deck na parte de trás da casa. Está tarde. Eu ouço um toque do telefone, uma, duas, três vezes. Ouço a voz de Reagan: — Olá? — Eu ouço a mudança no tom dela como ela responde a tudo o que foi dito no outro lado da linha. — Eu Sim. Sim ele é. Ok. Ok, obrigada. Tchau. Eu me inclino contra o balcão da cozinha, observando Tommy empilhando brinquedos tão alto quanto ele pode, em seguida, derrubando a torre. Eu sinto um peso no meu peito. Isso não era um bom telefonema. Ela entra na cozinha, e ela está pálida. Suas mãos estão entrelaçadas no frente de seu estômago. Seus olhos estão nos meus com medo, preocupados. — Era um oficial de Camp Lejeune. — Merda. — Eles está procurando por você. Eles perguntaram se você - se você estava aqui. Eu disse a eles que você estava. Me desculpe, eu só eu não podiaEu cruzo o espaço entre nós em dois passos, a agarro e a puxo contra mim. — É claro que você não podia mentir. Eu não iria esperar nada menos do que você, Reagan. — Eles estão vindo aqui. O que eles querem, Derek? — Eu. Acho que eles me querem de volta. — Tento parecer casual. — Será que eles— Ela sufoca um soluço. — Será que eles vão te enviar... de volta? Só posso sacudir a cabeça e ombros. — Eu não sei. Eu vou fazer o que eu posso para sair disso, mas... se eles dizem para eu ir, não há muito que eu possa fazer a não ser ir embora. ~ 258 ~


— Você não pode. Você não pode. — Seus dedos agarram nas minhas costas. — Não posso - Não posso ver você ir, também. Não. De novo não. Eu fiz isso por oito anos, com Tom. E eu o perdi. Não posso perder você também. Eu só tenho você, Derek. Você não pode ir. Eu não tenho palavras de conforto. — Eu não quero ir. — Como eles podem fazer você? Depois do que você passou, como eles podem fazer você? — Eu sou da Marinha dos Estados Unidos. Eles me possuem. — A verdade é a porra de um remédio amargo, às vezes. Céu é uma coisa frágil, delicado. Um casulo frágil fiado dos sonhos fantasmas e uma leve esperança etérea. Tão facilmente quebrável

***

Eles não perdem tempo. Eles chegam na manhã seguinte às nove horas, em um Humvee. Eu vejo a poeira da chegada deles e espero por eles na varanda da frente. Eu estou vestindo um par de jeans e nada mais, sem camisa, descalço. Bebo uma cerveja. Obstinado. Eu não sou um fuzileiro naval mais é a mensagem. Reagan está lá dentro, sentada no sofá. Enrolada, um bloco amarelo em suas coxas, uma caneta esferográfica preta rabiscando freneticamente. Ela não olha para mim. Tommy está assistindo Jake e os Piratas da Terra do Nunca. Eu sei os nomes de seus programas favoritos agora. Quando eles estacionam até a casa, tomo a palavra para os meus pés magros contra o pilar da varanda da frente, e dou um gole na minha ~ 259 ~


cerveja. Eu corro a mão pelo meu cabelo quando as quatro portas abrem e quatro homens emergem. Dois soltados de aparência rígida e dois oficiais - Capitão Laughlin e um tenente-coronel que eu não reconheço. — Cabo West. — Capitão Laughlin diz, sua voz afiada como nunca, os olhos duros sobre mim. Alto, alinhado e um nariz que é grande demais para o seu rosto. — Alex. — Eu não me movo. O coronel de endireita e se aproxima. — Você ainda é um membro ativo da Marinha dos EUA, filho. Seria melhorCapitão Laughlin apenas ri e acena para o coronel. — Relaxe, Jim. Eu sei disso. — Ele se move para cima, deixando os outros três homens para trás. Ele aponta para a porta da frente. — Podemos falar lá dentro, Derek? — Podemos falar aqui mesmo. Ele suspira. — Tudo bem, então. — Ele tira o chapéu da cabeça, se senta em uma cadeira, e se inclina para trás. — Não faça isso mais difícil do que tem que ser, Derek. Você deixou o hospital sem levar alta. Você saiu sem ser atribuído um encarregado. Você saiu sem qualquer esclarecimento. Poderia dizer que você está no abandono do dever. Eu poderia te colocar atrás das grades. Te tirar de sua posição, te rebaixar tudo de novo, e te enviar de volta para o início. Eu poderia desonrar você. Você está me entendendo até agora, Cabo? — Ele enfatiza a palavra para me lembrar do meu posto, eu acho. — Sim, — — Mas eu sou um filho da puta agradável, ok? Eu tenho um coração de ouro do caralho, então eu não vou fazer nada disso ainda. Eu vou te dar tempo. Eu vou ser honesto, de todos os lugares que eu esperava encontrar você, aqui não era um deles. Mas eu entendo. Você não está recebendo qualquer sermão de mim. Tudo bem? Você vai levar ~ 260 ~


uma multa maldita da Marinha, Derek. — Ele se desloca para frente, os cotovelos sobre os joelhos, os olhos escuros nos meus como lascas de obsidiana. — Você passou por um inferno. Você sofreu. Eu entendo isso. Eu respeito você pra caralho por ter saído daquilo, mesmo com um grão de sanidade deixado em você. Mas eu tenho ordens, e você sabe tão bem quanto eu que não há uma maldita coisa que eu possa fazer sobre isso. — Eu não posso voltar, Alex. — Eu coloco a minha garrafa de cerveja vazia no parapeito e viro para encará-lo. — Não. Posso. Para ser totalmente honesto, eu não acho que eu estou em forma. Não ia ser bom. Logo que a merda batesse no ventilador, eu ia ser uma bagunça. Um tempo atrás, alguma fodida criança acendeu alguns fogos de artifício, e eu surtei, tremendo como uma folha. Como você acha que eu faria agachado e segurando uma RPG, evitando ser atingido, Alex? Hein? — Você está pregando como um coral, Derek. — Ele se levanta. — Eles não estão pedindo para você voltar para patrulhar, tudo bem? Eles não estão tentando te mandar de volta para o combate. Eles não são estúpidos— Ele rompe com um sorriso, e eu não posso deixar de rir, porque, sim, eles geralmente são tão estúpidos. Ele fica sério e continua. — Não posso dizer muito, mas não aqui, não agora. Eu tenho que te levar e te transportar até o outro lado da lagoa. Eu franzo a testa. — Então, eles me querem de volta por lá, mas não para o combate? Capitão Laughlin acena para a porta de tela, em Reagan e Tommy, que estão de pé lá dentro, vendo e ouvindo. — Como eu disse, este não é o momento nem o lugar para um resumo completo. Mas posso te dar uma linha de fundo. Eles estão contando o seu tempo como prisioneiro de guerra como um outro termo de direito, de modo que você vai receber o salário especial por isso, e crédito pelo tempo de serviço. O que significa que você já fez três anos de um mandato de cinco ~ 261 ~


anos. Faça isso por mim, e nós podemos dar um jeito. Pegando um emprego no escritório. Recrutando em Houston, talvez. Algo fácil, possivelmente, até mesmo aqui perto, se é isso que você quer. Algo para terminar a dois anos, a por seus papéis em andamento, e fazer o que diabos você quer com o resto de sua vida. A ideia de ir embora faz meu estômago torcer. Meu coração está sendo arrancado do meu peito. Parece que eu fiz uma promessa que eu não poderia manter. — Eu servi o meu tempo. Eu fiz o meu dever para com o meu país, porra. Eu já não paguei minhas dívidas, Alex? Não? Não é o suficiente Eu não assisti uma dúzia dos meus amigos mais próximos serem abatidos? Isso não é o suficiente? Eu segurei o meu melhor amigo nos meus braços e assistir morrer? Não é o suficiente eu ter passado três anos de tortura e espancamentos e interrogatórios? Eu nunca revelei merda nenhum, nenhum nome, nenhum posto e número de série. Eu não dei porra nenhum, Alex. Mas, ainda assim, nada disso é suficiente? Eu tenho que voltar? Só mais uma missão. Porra, Alex. Vá se foder por pedir. Ele olha para fora no pasto, em Henry balançando a cabeça e trotando ao longo da linha da cerca. — Eu sinto muito, amigo. Eu não estou pedindo. — Eu não sou seu maldito amigo, capitão. — Eu sinto muito. Eu gostaria que houvesse algo que eu pudesse fazer. — Foda-se sua desculpa. Foda-se todos vocês!— Eu grito para ele, para o coronel, os soldados, que dão um passo adiante, prontos para detonar a minha bunda. Capitão Laughlin estende a mão com a palma para fora, impedindo-os. Ele se vira para mim, todo a simpatia, humanidade e amizade desaparecida. Nada foi deixado nele agora exceto o comandante e uma expectativa de obediência. — Se recomponha, Cabo. O jato vai ~ 262 ~


Chegar daqui doze horas. Você vai subir nele, ou você estará em apuros. Eu fico parado por um momento, mordendo minha raiva. Eventualmente, o conhecimento de que não há mais nada a fazer a não ser cumprir isso se afunda. É melhor fazer o trabalho, aceitar a oferta. Uma prisão iria me matar. Eu endireito a minha espinha. Eu paro em sentido. Dou uma saudação. Ele só aperta os olhos, e eu posso ver um leve traço de arrependimento profundo espreitando em algum lugar lá. Dou meia volta, cada movimento duro e irritado, e vou para dentro. Eu bato a porta de tela atrás de mim tão duro que Reagan salta e Tommy derruba seus blocos, seu rostinho amassando, pronto para explodir em lágrimas. Deus, aquele garoto. Tão doce. Ele se arrasta de pé e corre para mim. Ele agarra minha perna e me eleva. — Dek. Eu o levanto. Seguro homenzinho. Desculpe se te assustei.

ele.

Está tudo

bem,

Ele toca meu rosto. — Triste? Eu forço todas as emoções para fora das minhas características, trazendo um sorriso para ele. — Não. Eu só tenho que – só tenho que ir. — Ir para onde? Como você começa a explicar isso para uma criança de três anos de idade? — Eu... eu tenho algum trabalho a fazer. Eu tenho que ir ser um fuzileiro naval. Ouço Reagan engasgar. Tommy inclina a cabeça, olhando no fundo dos meus olhos. Santo inferno, esse garoto parece tanto com Tom, é tão estranho e doloroso. Eventualmente, ele só assente e eu o coloco em seus pés. —

~ 263 ~


Tudo bem. — diz ele, sério e cheio de entendimento para sua idade. — Tchau. Te vejo em breve. Deus, minha garganta está apertada. — Sim. Vejo vocês em breve. Eu estarei de volta. Ok? Ele vai para a caixa de brinquedos de madeira e cava nela. Ele traz uma pequena figura de plástico que ele me dá. É personagem que eu reconheço como Cubby dos ake e os Piratas da Terra do Nunca. Não deixo de perceber que Cubby sempre tem um mapa, sempre sabe o caminho, como encontrar o caminho. Eu aceito isso dele. — Cubby. — diz ele. — Cubby. — repito, colocando o brinquedo no meu bolso. Reagan ainda não está olhando para mim; ela está focada no bloco de notas que ela ainda está escrevendo, focada em não chorar. O esforço é fracassado, porque eu posso ver lágrimas em seu queixo. Preciso de um minuto para me recompor antes que eu possa dizer adeus a ela. Então eu vou até o quarto, nosso quarto, subindo as escadas três de cada vez. Puxe uma camisa. Meias. Amarro minhas botas. Deixo tudo. Eu deixo tudo aqui, porque eu estou voltando. Com a minha cabeça para baixo, eu desço as escadas devagar, desta vez. Reagan ainda está escrevendo, não olhando para mim. Eu paro na frente dela. Me ajoelhando, eu me aproximo e escovo uma mecha de cabelo atrás da orelha. Ela vira a cabeça para longe do meu toque, e então ela funga e fuça seu rosto em minha palma. Ela finalmente olha para mim. Seu olhos azuis luminosos e brilhantes. Eles estão molhados com lágrimas. Ela está em agonia, e ela está apavorada. — Não vá. — Sua voz quebra. — Eu tenho. — Eu engulo em seco. — Isso ou a prisão.

~ 264 ~


— Eu ouvi. — Eu vou voltar. — Sim. — Amarga, sarcástica, irritada. — Se eu tivesse um dólar para cada vez que eu já ouvi isso... — Eu vou, — Toco no canto de sua boca com meu polegar. Passando o meu polegar sobre seus lábios. — Eu vou. — É melhor mesmo. Este é o ritual. Isto é como você diz adeus: Você usa palavras como é melhor mesmo para encobrir o que realmente você se sente sobre adeus. É melhor mesmo - não morrer em combate é uma opção viável. Ela está tremendo e tentando segurar o choro. Inclinando o rosto para o meu, ela me beija com os lábios manchados de sal. Reagan se levanta. Ela toma minhas mãos e me puxa, então me dá um quadrado de papel dobrado. — Leia, Derek. Apenas... leia isso. Eu coloco a carta no bolso do quadril e a puxo contra mim em um abraço. Seus braços envolvem em torno de meu pescoço; molhando o meu ombro. — Eu sinto muito, Reagan. Eu sei que eu prometi a você— Eu te amo, — ela corta, suas palavras abafadas na minha camisa. — Eu também te amo. Ela puxa seu rosto ao meu, me beija suavemente, em seguida, se afasta e me empurra para a porta. — Vá. Eu vou. O interior de uma Humvee é um lugar que eu nunca quis ver de novo.

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O tenente-coronel, um homem de seus quarenta e tantos anos com um queixo quadrado e olhos inteligentes, me olha fixamente por longos minutos. Por fim, ele fala. — Então, você e a viúva de Barrett? Eu estou a um passo de pegar esse desgraçado e jogar para fora do caminhão com os dentes na parte de trás de sua garganta, mas Alex fala comigo. — Jim? — Sua voz é nítida. — Cala a porra da boca... senhor. Ficamos em silêncio todo o caminho para Ft. Worth. O amanhecer chega mais cedo que no dia seguinte. Eu estou agora sem barba, cabelo cortado alto e apertado, uniforme a postos e abotoado, sentado na parte de trás de transporte de tropas barulhento. Eu estou destinado a Kandahar, e eu vou começar minhas ordens assim que eu chegar. Oorah15.

15

Grito de batalha. ~ 266 ~


CAPÍTULO DEZOITO Derek, Você me mudou. Você me deu minha vida de volta. Até conhecer você, eu nunca pensei que eu amaria novamente. Nunca pensei que poderia, ou mesmo deveria. Mas de alguma forma, o amor veio a mim, sob a forma de você. Então, o que foi dito, eu espero que você entenda quando eu digo que eu odeio que eu estou escrevendo outra carta maldita. Eu odeio escrever cartas. É a coisa mais solitária do mundo, mas eu sou realmente boa nelas. Eu tive bastante prática, afinal. Desta vez, porém, eu me sinto perdida. Eu não tenho nenhuma ideia do que eu deveria dizer. Tudo que eu sei é que eu não tive tempo suficiente com você. Esta é a minha quarta tentativa. Há três bolas de papel amassadas no lixo da cozinha. A maioria delas foi arruinada por frases riscadas e manchas de lágrimas. Eu nunca enviei uma carta a Tom que tivesse uma mancha de lágrima nela. Eu as reescrevia, várias vezes, se eu tivesse que fazer. As letras confusas todas dizem a mesma coisa básica. O quanto eu te amo. Quanto eu vou sentir sua falta. Blá blá blá. Mas eu não posso escrever nada disso. Eu só não posso. Eu tenho que escrever o que está no meu coração. Eu não posso esconder isso, e eu não posso manter isso. Eu sinto muito. Eu posso não posso mais ser uma boa esposa solidária da Corporação da Marinha. Eu não quero que você vá. Eu estou com raiva que você está indo. Eu estou com raiva de você por ser um fuzileiro naval. Eu estou irritada com o governo por enviar tropas para lá. Eu apoio o Corpo de fuzileiros. Claro que eu apoio. Meu irmão é um fuzileiro naval. Meu marido era um fuzileiro naval. Você é um fuzileiro naval. Mas eu só não ~ 267 ~


posso entender porque vocês - todos vocês, qualquer um de vocês - continuam tendo que ir. E eu não estou brava com isso. Eu estou com raiva de mim mesma por amar outro soldado. Me deixei pensar que iriam te deixar ficar em casa neste momento. Considerando o que você passou, você pensaria que eles iriam te dar alguma folga. Mas parece que não. E eu tive que ir e me apaixonar por você. Então, eu tenho que ficar aqui, nesta fazenda do caralho, sozinha. Mais uma vez. E eu estou brava com isso. Eu estou com tanta raiva, Derek. E eu apenas não sei o que fazer ou como lidar com isso. Isso está me comendo por dentro. E se você não voltar, Derek, eu não irei somente te perder. Eu nunca vou me recuperar se você não voltar. Então você tem que voltar, ok? Eu não me importo com o que você tem que fazer, mas você tem que voltar. Eu preciso de você. Nós precisamos de você.

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CAPÍTULO DEZENOVE DEREK Afeganistão, setembro 2010 O Huey16 contém oito homens: eu, uma equipe de atiradores de cinco homens, o piloto e co-piloto. As portas laterais estão abertas, o estéreo terreno acidentado voando por algumas centenas de metros abaixo. Ninguém fala. A equipe está relaxada e pronta, observando do lado de fora, digitalizando. Eu estou assustando e tentando não mostrar isso. Aparentemente, alguns SEAL‘s capturaram vários agentes do Talibã de alto escalão. A maioria deles estão duros e não iriam dizer merda nenhuma. Eles acabaram em Guantanamo 17. Tanto faz. Mas um deles... Ele não apenas não dançou no ritmo, ele falou merda. Se gabava de missões planejadas, ele fez um IED 18, pessoalmente plantou isso e ficou nos assistindo explodir. Seu maior vanglorio, no entanto, era eu. O soldado americano que ele capturou e torturou. Ele falou sobre todos os vídeos que ele filmou ne usando e como eles recrutaram centenas de terroristas usando esses vídeos. Eles querem uma identidade positiva. Parece que ele é o que eles acham que ele é, ele é um daqueles agentes que ninguém nunca viu ou sequer tirou uma boa foto dele, procurado em uma dúzia de países pelos seus inúmeros crimes contra a humanidade. Portanto, se ele foi o cara que me capturou, eu sou uma das únicas pessoas no mundo que pode identificá-lo. É claro que ele poderia estar falando merda, fazendo coisas, tentando ganhar tempo ou se fazer parecer importante. Uma porrada de gente viu aqueles vídeos e poderia usá-los para me descrever, mas esse 16

Helicóptero militar. A Prisão de Guantánamo, oficialmente Campo de Detenção da Baía de Guantánamo. 18 Bomba caseira. 17

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cara tem estado falando em detalhes sobre coisas que eles fizeram comigo. Claramente, a melhor maneira de ter certeza que ele é quem eles acham que ele é - um grande peixe no mar do Taliban - é me trazer do outro lado mundo e me colocar cara a cara com o homem que me torturou e riu de mim. Então aqui estou eu, em um helicóptero a caminho de algum posto remoto no meio do deserto afegão do caralho. Esperemos que isso seja fácil. Voar, identificar o cara, e voltar aos EUA. Nunca ver essa porra de país novamente. Eu li a carta de Reagan facilmente umas cinquenta vezes. É estranha, essa letra. Não finalizada. Como se houvesse mais que ela queria dizer, mas ela não teve tempo para terminar, ou talvez ela só não podia se levar a escrever o resto. Alguma coisa. Eu não sei o quê, mas eu tenho minhas suspeitas, conjecturas ociosas. Mas eu não sei. Tudo o que eu sei agora é que eu preciso fazer essa merda e voltar para ela. A carta está no meu bolso no peito, junto com o Cubby. Eu sou oficialmente um não-combatente, mas eu vou ser amaldiçoado se eu for abatido no Afeganistão sem um rifle, arma, bandeira. Meu coração está palpitando, garganta grossa, palmas das mãos suadas dentro de minhas luvas. — Dois minutos. — A voz do piloto sai do fone de ouvido, uma breve atualização. Eu observo o chão, mexo meus dedos e finjo que não estou tremendo. As chamas tocam abaixo. Dois membros da equipe de atiradores saltam para baixo, dando um par de passos, e em seguida, caem de joelhos, digitalizando, rifles a postos. Eu pulo, coro em direção ao único prédio a vista. É uma cabana rude e crua, montada às pressas para no meio do nada, acessível apenas por via aérea. Remota,

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segura. Há um SuperCobra19 orbitando em torno de nós. acompanhar o seu padrão de como eu me aproximo da porta da cabana e libra meu punho nele. Ela abre, revelando um rosto suando, um homem de calça jeans e uma camiseta preta, olhos cinzentos mais frios do que gelo. — Cabo Derek West, senhor. — Eu saúdo, embora eu não sei quem é esse cara. Se está aqui e vestido à paisana, eu não acho que eu quero saber. — Venha. Não vai levar muito tempo. — Ele não emerge, apenas empurra a porta aberta grande o suficiente para eu entrar completamente. O helicóptero está em marcha lenta, rotores ainda girando. A equipe de fogo está posicionada do lado de fora da cabana e em ambos os lados do Huey. Eu posso ouvir o SuperCobra em algum lugar, o som de seus rotores ecoando nas montanhas. Está escuro dentro da cabana. Quente pra caralho. Eu tiro minha balaclava20, deixo o meu rifle para cima, segurando apertando com uma mão. Eu limpo as gotas de suor do meu nariz. Meus olhos se ajustam para a luz fraca, e eu posso ver uma mesa dobrável com um par de garrafas de água, um litro de uísque. Cinzeiro, fumegando nas extremidades, algumas embalagens lacradas de Marlboro. MRE21, ambos os invólucros vazios não abertos e soltos. Eles estiveram aqui por um tempo. Uma cadeira. Um homem, com as mãos algemadas ao seu lado com degraus abaixo de suas coxas. Tornozelos algemados às pernas da cadeira. Tronco nu, maçãs do rosto inchadas, lábio inchado, contusões. Filete de sangue saindo de seu nariz.

19

Helicóptero. São capuzes. 21 É uma refeição. 20

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— O nível de classificação que você está vendo está fora das cartas, West. Você entendeu? — Sim. — Eu assinei um monte de merda. Eu posso dizer a filho da puta nenhum sobre isso. Tanto faz. Eu só quero ir para casa. — Dê uma olhada. Reconhece ele? — Eu registo à voz do fantasma ou seja lá o que ele é, mas eu não olho muito de perto dele. Eu não quero saber como ele se parece, não quero saber seu nome ou de que ramo ele é. Não quero saber o que vai acontecer depois que eu sair, ou o que aconteceu antes de eu chegar aqui. Dou um passo para frente, mais perto da figura agredida algemada à cadeira de metal. Eu engulo em seco e finjo que o suor desliza para baixo na parte de trás do meu pescoço é pelo calor. Ele está na sombra, e eu não posso distinguir seus traços. A luz pisca e é dirigida para o prisioneiro. Ele inclina a cabeça para o lado, os olhos apertados. Olhe para ele, idiota, digo a mim mesmo. Olhe para ele. Eu finalmente dou uma olhada. Eu pisco, balanço a cabeça, tropeço para trás, e engulo em seco para manter o meu almoço para baixo. É ele. Porra. Em seguida, os flashbacks me batem. Um rápido Pashto, ou árabe, ou sei lá. Olhos negros como espaço vazio, mais escuros do que buracos na terra. Lábio superior com cicatrizes se curvaram em um sorriso de escárnio. Barba fina, longa e grisalha perto das raízes. Marcas de varíola na testa e bochechas. Ele se ajoelha na minha frente, uma Bic vermelha na mão. Ele fala para mim, como se eu o entendesse. Ri da própria piada. Mas o humor não atinge seus olhos. Nada faz. Nenhuma luz escapa dos buracos negros de suas pupilas, nenhuma humanidade passa por eles. Ele agarra meus dedos médio e anelar, os torce

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de volta para o ponto de ruptura. Acende o isqueiro; uma chama jorra e vacila. Toca minha pele. Eu faço uma careta, cerro os dentes. Eu posso impedir de gritar por um tempo. Até que eu me sinto a carne carbonizando, cicatrizando. E então eu me solto. Grito. Ele move a chama até a minha palma, prende lá por alguns momentos, depois corta a chama e me observa tentar respirar. Acende o isqueiro novamente, mas desta vez ele segura a ponta de uma faca sob o calor amarelo e mantem lá até que a ponta da lâmina brilha em vermelho. Ele rasga a minha camisa. Pressiona a lâmina para o meu mamilo. Pele e cabelo chiam. Eu não me incomodo em tentar não gritar. Vendo a minha agonia, seus olhos negros mostram humor. Minhas costas atingem a parede. Estou ofegando. — Sim. Você se lembra, não é? — Sua voz é rouca de sede, baixa, ruim. Ele só nunca falava Inglês quando ele queria fazer um ponto. — Aposto que você gostaria de me matar, não é? Experimente. Me mate. Ele é o único que quebrou meu dedo, me torturou. Nunca fez perguntas, apenas tortura por fodido prazer. Estou não percebo o movimento, mas de alguma forma eu tenho a minha arma para fora, o cano pressionado em sua testa. Eu estou ofegante, suando, visão dupla. Ele está rindo. Ele sabe os efeitos que tem em mim. Brutalmente, mãos fortes me afastam, e eu os deito tirar a minha arma. As mãos enfiam no meu coldre para o meu peito. Sou empurrado para fora da porta para a luz solar tão brilhante que dói. A poeira me golpeia, areia mastigando meus molares. — Então é ele. — O cara à paisana diz. Spook. — Sim. — Me viro para ir embora, de volta ao vento, cuspo, tento respirar. Eu vomito, e quando o meu estômago está melhor, eu me endireito. Limpo a minha boca na minha manga. Ele me dá uma garrafa ~ 273 ~


de água, e eu lavo minha boca. Beba. Ele me entrega a garrafa de uísque, e eu tomo um gole. Volto para a água. — Ele já te disse o nome dele? — Não. Ele foi o único que fez a tortura, no entanto. Deixava que os outros fizessem o espancamento. Mas ele guardou a diversão para si mesmo. Spook acena. — Ele é um doente fodido. — Ele arrasta a mão, então escava no bolso da calça de um pacote de Reds. Acende um, entrega para mim. Eu era um dos poucos em minha unidade que nunca pegou o hábito. Eu fumava um de vez em quando, quando todos nós estávamos bebendo, mas nunca foi um hábito. Esta é uma circunstância única a. Aspiro, tusso, e a fumaça espessa, não filtrada pica minha garganta e queima meus pulmões. Isso me deixa tonto, mas a nicotina empurra os flashbacks para baixo. — Acabou comigo, senhor? — Eu esmago a bituca sob meu calcanhar. — Sim. — Ele sopra uma corrente de fumaça de suas narinas. Ele se afasta de mim, dá alguns passos, então para e olha para mim. — Desculpe te trazer todo o caminho da porra aqui para isso. Mas nós tínhamos que saber com certeza. Eu só posso concordar. Mas isso não está tudo bem. Eu não estou bem com isso. ‗Bastardo sortudo aquele filho da puta‘. É tudo o que posso pensar para dizer. — Eu vou fazer uma chamada quando eu voltar para Kandahar. Ver se eu posso te enviar mais cedo. — Eu apreciaria isso. — Eu sei. Eu li os relatórios. ~ 274 ~


— Os relatórios. — Eu rio, uma risada amarga. — Não pude me fazer falar sobre a metade do que ele fez comigo. — Imagino. A maior parte do que sabemos sobre esse pedaço de merda é pelos corpos que ele deixa para trás. Você ainda está vivo. Significa algo. — Sim. Isso significa que eu sou um fodido sortudo. — Eu raspo meu dedo do pé no chão. — Ou azarento. — Você está respirando. Você está indo para casa. Tem uma garota. Um pedaço de terra para chamar de lar. Faz de você sortudo no meu livro. Eu apenas aceno, dou uma saudação com dois dedos, coloco minha balaclava de volta por cima do meu nariz. Eu vou par ao helicóptero. Eu só viajei oito mil milhas para olhar nos olhos do homem que passou três anos me torturando. O vôo pela deserto e pelas montanhas passaram em um borrão. Estou perdido, tentando manter os flashbacks para baixo. Não está funcionando. Eu continuo vendo o rosto dele, a cicatriz, seus lábios ondulando, os dentes brancos e a barba, os olhos escuros malignos. Os isqueiros me queimando, seu punho estalando meu dedo de novo e de novo, apenas para a alegria de me ver sofrer. — ENTRADA! ENTRADA! — A voz do piloto é frenética sobre o fone de ouvido me empurra de volta à realidade. O helicóptero está batendo duro, os rotores choramingando, tentando acelerar. Eu pego um vislumbre de uma pista, um ponto amarelo. Parece que tudo está em câmera lenta. Os primeiros raios aparecem e o helicóptero rola, a ponta girando, nos balançando na direção oposta. Eu não vejo uma segunda fuga, mas eu ouço o piloto gritando ―Mayday‘! — E sento o helicóptero balançando tanto que somos quase jogado para fora, e, em seguida, empurra mais,

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trepidando, girando. Eu sinto uma explosão de calor passando pelas portas abertas, chamas esvoaçantes. Há um rugido ensurdecedor, tão perto e tão alto que meus ouvidos não podem processar totalmente o barulho. Começamos a rodar, fumaça negra e espessa nos seguindo em círculos enquanto nós despencamos. Cristas afiadas e paredes rochosas verticais piscam. Estou desorientado, e tudo que eu posso ver é o céu-montanha-chamas-fumaça-montanha. Nosso impacto é repentino e tão ensurdecedor que é quase silêncio. Sinto um impulso e então dor. Eu sou jogado para longe, caindo. Bato no chão, sinto algo pousar em minha perna. A dor é como um ruído, muito intenso para processar. CRUMP - SILÊNCIO - BOOM Calor bate em mim quando o Huey explode em algum lugar perto. Alguma coisa bate minha perna direita, que eu senti quebrar quando eu bati no chão. Eu pego um vislumbre de algo preto e metálico girando para longe. A força da detonação me envia rolando pelo chão, rochas rasgando meu rosto, cotovelo e joelhos. Eu sinto o chão debaixo me inclinar, desaparecer, e eu estou caindo novamente. Eu queria chegar em casa. O pensamento voa pela minha cabeça em um instante de ausência de peso. SLAM. Sem fôlego, um chiado de agonia. O céu acima é de um azul pacífico, uma grande tigela de infinito azul do tom exato dos olhos de Reagan. Reagan. Parece que eu estou quebrando a minha promessa. Eu estou deitado no meu rifle. Não posso respirar. A perna direita está começando a doer. Eu não possome mover.

~ 276 ~


Rapidamente a dor se torna uma dor que palavras tão ruins são inúteis para transmitir a enormidade disso. Eu acho que eu estou gritando, mas eu não posso respirar. Respirar dói. Dói me mover. Minhas costelas parecem quebradas. Um rosto ensanguentado aparece na minha linha de visão. Americano, pelo menos. Meu ouvindo está doendo e eu posso ver sua boca se movendo, mas eu não posso ouvir o que ele está dizendo. Ele aponta, gesticula para a face da montanha acima de nós. Ele me levanta, puxa meu rifle de debaixo de mim. Desata o meu cinto. Eu sinto uma pistola sendo colocada na minha. Tenho que lutar? Merda. Eu olho com os olhos turvos a arma e a trava de segurança. Espio na direção i indicada. Dor atravessa em mim em cada contração do músculo. Eu não posso ver nenhum movimento, e eu olho para o meu companheiro. Ele é um dos caras da equipe de atiradores. Bem jovem, provavelmente era um filho da puta bonito uma vez, só que agora ele está sem o lado esquerdo de seu rosto. Sua orelha se foi, a pele não... não há pele mais. Eu posso ver o osso em sua mandíbula. Porra, isso é grave. Como diabos ele está na posição vertical? Jesus, ele é um filho da puta duro. Crackcrackcrack. Queima. O som da minha M4 em suas mãos quebra através do meu ouvido. Eu sigo o seu objetivo. Então eu vejo um turbante, branco contra a pedra. Eu solto uma única rodada, e eu errei. Eu tento me levar ao meu outro lado, ao redor do alvo para uma melhor visão. Não é possível atirar bem com uma mão sob a melhor das circunstâncias. Eu vejo o movimento; eu disparo novamente. Sangue salpica. Estou tonto. Deus, agonia. Eu não quero olhar para a minha perna. Está tão, tão, tão fodida.

~ 277 ~


E então... o som de boas-vindas de um helicóptero, o barulho distintivo de uma SuperCobra. Foguetes zumbem. Ele acerta uma encosta e fogo se eleva, fumaça e pedaços de rocha caindo. Uma perna desencarnada voa passando por nós. O helicóptero angula de lado, pairando, deslizando horizontalmente e pousa na montanha com rodadas M197. Obrigado, Jesus. Ele gira no ar, flutua em direção a nós. Ele gira, e eu posso vê-lo olhando para nós. Relatando a nossa localização, eu espero. Finalmente, me faço olhar para a minha perna direita. Ela se foi a partir do joelho para baixo. Simples assim. Eu deixei minha cabeça cair de volta para a terra, respiração ofegante, gemendo. Respira, respira, respira. Eu levanto novamente para ter certeza eu não imaginei. Não. Ainda falta metade da minha perna. Por que não está sangrando? Eu deveria estar morto por perda de sangue por agora. E então eu me lembro do pedaço de metal voando por após a explosão. Se fosse suficientemente quente e afiada o suficiente, ele tinha acabado de cortar e cauterizar os vasos fechados imediatamente. Ou talvez eu esteja sangrando, e é por isso que estou tão tonto. Muito frio. O céu se estreita, trevas fechando em cima de mim. O que está acontecendo no céu? Eu estou desmaiando, eu percebo. Bom. Isso é bom. Dói muito para estar acordado agora. Então a escuridão. Quando eu acordo, o céu está girando. O helicóptero flutuando. Um cara olhando para mim, me levantando. O solavanco quando eu entro no helicóptero é foda. Alguém está fazendo alguma coisa para a minha perna. Olho ao meu redor. Meu amigo, o que está faltando a metade do seu rosto, ele está lá, recebendo algum tratamento

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no rosto, ou o que sobrou dele. Eu consigo levantar minha mão em direção a ele, punho fechado. Ele toca os dedos do meu. Nossos olhos se encontram. Ele balança a cabeça. Eu toco meu estômago, meu peito. Eu localizo meu bolso. Cubby. Onde está Cubby? Aí está. Aperto a figura de plástico na minha mão. Não posso mesmo formar o pensamento, uma oração, a esperança de ir para casa. Tudo o que posso fazer é segurar o brinquedo e me agarrar à vida. Escuridão novamente. Reagan...

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CAPÍTULO VINTE REAGAN Centro Médico San Antonio Exército de outubro de 2010 Eu estou com as costas para a parede ao lado da porta de seu quarto, e reunindo a minha coragem, minha força. Eu posso fazer isso. Eu posso fazer isso. Não posso fazer isso. Mas tenho que fazer. Eu respiro novamente, profundamente, e deixo sair. Então eu abro a porta, tentando por um sorriso. Ele está acordado, sentado na cama com o lençol através de sua cintura. Vestido com uma camiseta preta esticada em seu peito largo e moldado em seus braços grossos. Uma barba escurece sua mandíbula. O cabelo cresceu um pouco. Ele está assistindo Sports Center, replays dos Cowboys perdendo para os Vikings. Ao som da porta, ele olha para cima, vê que sou eu, desliga a TV, e joga o controle remoto na cama ao lado dele. Sargento Bradford me contou o que tinha acontecido, uma lesão. Derek perdeu a perna direita do joelho para baixo, e ele teve costelas quebradas e uma concussão. Perda de audição, temporária, eles pensam. Ele esteve em um hospital por várias semanas antes que ele estivesse estável o suficiente para ser transferido para os Estados Unidos. Ele só está aqui há alguns dias. Ele me ligou e a conversa foi curta e tensa. Ele me fez assegurar a ele que eu estava a caminho, e então nós desligamos. Muita coisa entre nós para dizer algo disso por telefone. Então, eu arrumei as malas e fui para San Antonio. Ele parece saudável. Lindo, vital. Mas o lençol... Eu posso ver claramente o contorno de sua perna esquerda, coxa, joelho, pés. Mas, sob ~ 280 ~


o lençol, a perna direita termina abruptamente. Meu coração apreende ao ver isso. — Reagan. — Sua voz é hesitante e macia. — Derek. — Eu sussurro, encontrando dificuldade para falar. Eu atravesso o quarto, os braços abraçando minha cintura. Eu estou ao lado da cama e olho para ele. Seus olhos verdes procuram os meus. Eu sinto a umidade, as lágrimas pungentes, a visão turva. Eu estendo a mão e toco seu rosto com a palma da mão. Ele põe sua mão sobre a minha e suga uma respiração afiada, olhos se estreitando. Seus lábios se movem, aperta, então se abrem. — Reagan, euEu cubro sua boca com a mão, me inclino sobre ele, e coloco minha cabeça em seu peito suavemente. — Você voltou. — Agarro sua mandíbula com a palma da mão. Passo por sua orelha, os dedos em seu cabelo, do jeito que eu sei que ele ama. — Isso é tudo o que importa. — Eu voltei. Foi por pouco, mas eu fiz isso. — Ele me mantém por um longo momento. Então me cutuca. Contrai o lençol para baixo. — Quer ver minha perna? Eu não. Eu realmente não quero. Mas é claro que eu faço. Ele chuta o lençol com o dedo do pé esquerdo. Ele está vestindo shorts cáqui. Sua perna esquerda é grossa, musculosa e peluda. Seus dedos dos pés descalços se mexem. A perna direita? No joelho, apenas a ponta arredondada de sua coxa, costurada. Eu toco sua coxa, logo abaixo da bainha de seus shorts e deslizo os dedos para baixo do músculo e pelo escuro. Eu toco o fim. Ele apenas observa, balançando os dedos do seu pé esquerdo. Ele fica tranquila, mas eu posso dizer que ele está nervoso, agitando emoções profundas. — Engraçado. Eu mexo os dedos dos pés, e

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eu ainda sinto que eu deveria ver meu pé direito. Eu quase posso senti-lo ainda. — Ele olha para mim. — Bem feio, né? Me sento ao lado dele, sentado na beirada da cama. Deixo minha mão em seu coto e toco sua bochecha. — Derek. Cada parte de você é linda. Ele apenas sorri. Em seguida, seu sorriso desvanece e ele olha para mim. — Eu li a carta. Logo que me sentei no jato para Kandahar. Eu li tantas vezes. Meu coração bate, batendo com tanta força que quase dói. — Sim? — É difícil de respirar ou engolir, muito menos falar. — Sim. E você sabe o que, pareceu como se você não tivesse acabado. Esse é o pensamento que tive de qualquer maneira. Existe algo que você quer me dizer? Aqui não. Eu não quero fazer isso aqui. — Eu - sim. Eu não tinha acabado. Havia muita - muita coisa que eu queria dizer, mas eu... Eu só não podia escrever tudo. Um médico entra e eu sou dada uma breve trégua. O médico é baixo, gordo e careca, e se movimenta com eficiência. — Cabo West. Ou melhor, Sr. West, devo dizer. Como você está? Derek dá de ombros. — Pronto para dar o fora deste hospital, doutor. — Eu sei, eu sei. Você precisa de meses de fisioterapia, no entanto. Você tem que reaprender a andar, essencialmente, usando o protético. Isso vai tomar um tempo. — Eu sei. Eu vou fazer isso. Eu não posso ir para casa e encontrar um lugar para fazer a terapia mais perto de lá?

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— Bem, você está saudável, além disso. As costelas parecem estar se recuperando, embora eu esteja supondo que você ainda está um pouco rígido e dolorido? — Sim, nada muito ruim. Já estive pior jogando futebol. — Quaisquer dores de cabeça? Tontura? — Derek balança a cabeça, e o médico continua a examinar o seu gráfico. Por fim, ele acena com a cabeça, e faz uma análise aprofundada da perna de Derek . — Parece bom e eu acho que você está em forma decente lá. Eu suponho que você está pronto para ir, fisicamente, se é isso que você quer. Temos uma lista de médicos que podem fornecer o pós-atendimento que você vai precisar. Derek apenas balança a cabeça. — Entendi. Eu só preciso sair daqui. Eu não posso suportar isso. — Eu acho que isso é compreensível, filho. — Ele fecha o gráfico e bate o arquivo com a sua pena. — Vou fazer seus papéis, você deve sair daqui em nenhum momento. Outro aceno de Derek. O médico sai, e o silêncio cai sobre o quarto. Nossa conversa foi colocada em espera, ao que parece, um acordo tácito. Eu só seguro sua mão e esfrego meu polegar sobre os nós dos dedos. Eventualmente, ele chega para o outro lado da cama e pega uma prótese de perna, uma daquelas de metal, que você vê os atletas usando. Derek rola um tipo de meia sobre o fim de sua perna, se encaixa a prótese sobre o coto, prende a coisa no lugar. Ele gira em cima da cama e coloca o pé no chão, então se move para que ele possa se equilibrar. Ele pega a minha mão, sorrindo para mim, agradecido quando eu vou para ajudá-lo. — Tenho praticado um pouco. É difícil. — Ele se desloca para a frente, tenta por seus pés, empurrando o colchão.

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Ele se levanta, balança, e depois cai para trás. Ele tenta de novo, e consegue. Ele está de pé, equilibrando inquieto. Eu estou na frente dele, as duas mãos na minha. Ele dá um passo com a prótese, franzindo a testa em concentração. Outro passo. Ele sorri para mim, hesitante, eu estou fazendo isso! claramente escrito em seu rosto. E, em seguida, perde o equilíbrio e tomba para trás. Eu o puxo para a frente sobre o seu centro de gravidade novamente. Agora ele está focado. Passo, passo, passo, pausa, passo, passo, passo. Ele está transpirando; seus lábios estão apertados. — Derek, você quer se sentar? — Eu pergunto. Ele balança a cabeça. — Estive deitado ou sentado por um maldito mês e meio. Foda-se. Eu quero andar. — Ele faz o seu caminho para o canto do quarto, onde um par de muletas estão contra a parede. Ele as pega, encaixa debaixo de seus braços, e tenta andar novamente. Eu o sigo passo a passo ao redor do quarto, vendo a dor em suas feições, teimosia e determinação. Eu acho que ele pensa que pode dominar isso agora, aqui, e estar correndo novamente em alguns dias. Eu o observo com cuidado, cada passo dolorido. Ele coloca uma das muletas de lado e tenta andar com apenas uma. Ele tropeça, cai, e ele é muito pesado para eu pegá-lo. Ele pousa contra a parede, segurando a minha mão em um aperto de esmagamento, seu pé bom apoiado no chão e o protético deslizando para fora na frente dele. Ele recupera o equilíbrio e põe os pés debaixo dele. Pés ou pé? Eu não sei. Ele bate a cabeça contra o canto da mesa de cabeceira, e ele está com a bochecha sangrando. — Maldição, Derek. — Eu o ajudo a ir para a cama, pego um lenço de papel da caixa, e toco para o corte em sua bochecha.

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— Sinto muito. — ele resmunga, indo para se sentar, ofegante, suando. — Mais difícil do que eu pensava. Exagerei. Eu acho que eu queria te impressionar. — Você tem que ter calma. Vá devagar. — Eu sei. Isso não é como eu faço as coisas, no entanto. — Ele enxuga a testa, manchando o suor. — Bem, agora você faz. A enfermeira deve ter ouvido o barulho, e ela entra, vê o corte de Derek e vai até ele. — Se você está tentando sair, Sr. West, esta não é a maneira de fazer isso. — Ela passa um antisséptico sobre o corte, e um Band-Aid. — Agora, fique fora da perna, ou você vai ficar preso aqui por muito mais tempo. — Tudo bem, tudo bem, — Derek rosna. — Eu entendi. Porra. As horas passam. Derek liga a TV de novo, e eu sento perto dele, minha mão na sua, satisfeita por simplesmente estar perto dele. Eventualmente, uma enfermeira retorna com a papelada. Derek assina, leva uma pasta cheia de folhetos e pacotes informativos, e uma lista de médicos e fisioterapeutas e grupos de apoio. Tudo isso leva mais uma hora antes que eu possa levar o caminhão até a entrada da frente. Eu guardo a muleta de Derek e coisas pessoais dele e depois ajudo ele entrar. Eu os levo para Houston. Ele torce o botão de volume no rádio, e ‗Smoke a Little Smoke‘ de Eric Church toca. Ouvimos em silêncio, Derek olhando pela janela. Há tensão. Finalmente, ele se vira para mim. O volume abaixa, abafando Gary Allan. — Reagan? A carta não terminada. Existe... existe mais?

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Eu continuo conduzindo e não respondo. Eu fungo. Mordo o lábio. A pequena estrada se abre em forma de T, com uma ampla ombro no ápice. Eu encosto. Eu abaixo a janela e penduro a minha mão. — Minha bolsa. Está em seus pés, — eu digo. — Posso pegar? — Pé. — Derek murmura. — Só tenho um, agora. Ele me dá a minha bolsa, e eu abro um bolso interno. Eu retiro um papel dobrado amarelo. Eu entrego para ele. Meus olhos se trancam nos seus. — Eu te amo, Derek. Ele brinca com o canto do papel, dobrando-o, desdobrandoo. Então ele olha para fora da janela, assistindo a um abutre voar. Depois de um longo momento, ele se vira para mim. — Te amo, Reagan. — Meu coração incha na emoção em seus olhos quando ele diz isso. — Quando o Huey desceu, eu fiquei livre. Tinha certeza de que eu não era iria passar por isso. Meu primeiro pensamento foi... — Ele faz uma pausa e, em seguida, — Ah, merda, tem poeira nos meus olhos. Meu primeiro pensamento foi você. Que eu não iria quebrar minha promessa. Que eu iria voltar. Meu outro pensamento foi para o céu, lá em cima, naquelas montanhas. Mesma cor dos seus olhos. — Poeira em seus olhos minha bunda, — eu digo, com uma risada e uma fungada. Ele limpa o rosto dele. — Tudo bem, porra. Eu estou chorando. Feliz? — Que você está de volta, sim. Você está vivo. Você está voltando para casa. Home, Derek. Você está em casa. Você manteve sua promessa. — Eu o beijo. Lento, mas profundo. Finalmente, ele se afasta e olha para a carta em suas mãos e abre Eu posso ler isso de lado ou de cabeça para baixo, porque

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eu memorizei. Eu reescrevi essa letra dez vezes antes que eu pudesse escrever sem chorar tudo sobre ela.

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Derek, Meu homem doce e surpreendente. Eu estava muito fraca e com muito medo de escrever isso enquanto você ainda estava aqui. Eu sabia que se eu escrevesse, você ia ser capaz de perceber o que eu estava sentindo. Eu sabia que ia perder isso, e você ia entrar em mais problemas. Você tinha que ir. Eu sei disso. Eu sei que você nunca vai ser capaz de me dizer o que você fez por lá, e eu não acho que eu quero saber. Não importa. Tudo o que importa é que eu te amo. Que eu estou sentindo falta do meu coração, enquanto você foi. Cada vez que uma mulher envia seu amante para a guerra, elas lhe enviam o coração. Ela vive, deixada sozinha lá em casa, com um buraco no peito. Isso é uma enorme ferida dormente. No entanto, ainda dói quando você deixa sentir alguma coisa. Parto do princípio de que é a mesma em muitas maneiras de enviar um filho, ou um irmão, ou um melhor amigo. Mas nada pode tocar a dor de perder ou perder ou temer pela vida do homem que você ama, sabendo que ele pode não voltar para casa. Droga. Estou evitando essa questão. Não era algo que eu deveria ter dito a você. Eu ia, mas então, o telefone tocou. O capitão veio e levou você para longe de mim, e eu não podia te dizer. Eu não podia te enviar em uma carta. Eu fui fraca, você vê. Egoísta. Como você manteve aquilo de Tom enquanto ele estava morrendo. Eu acho que entendo agora por que você não disse a ele. E eu te perdoo.

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Só espero ser capaz de entregar esta carta para você pessoalmente e que você saiba disso por si mesmo. Me deixe escrever as palavras de novo: eu te amo. Devo ser a mulher mais sortuda no mundo por ter encontrado o amor de um homem como Tom. E então, mais uma vez, o amor de um homem como você. Eu também sou a mulher mais azarada, tendo enviado ambos de vocês em combate. Perdi Tom, e agora eu não sei o que seu destino será. Pela segunda vez, eu entrego a minha verdade para um simples pedaço de papel. Eu estou grávida. Eu não tenho nenhuma maneira de saber como você vai reagir quando descobrir. Ou o que eu vou fazer. O que nós vamos fazer. Eu só não sei. Eu só... Eu te amo. E se você estiver lendo isso, por favor, não tenha medo. Ter o seu bebê é uma honra, Derek. Ter uma parte de você crescendo dentro de mim é um privilégio. Amar você é um privilégio. Eu não vou assinar esta carta, também, porque não há nenhuma boa maneira de terminar uma carta como esta. Exceto, talvez, Eu amo você.

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Suas mãos tremem enquanto ele lê as palavras, e quando ele chega ao final, ele coloca o papel em seu joelho, se vira para olhar para mim. Seus olhos deslizam para baixo para o meu estômago.

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— Não está aparecendo ainda, — eu digo. — Eu não estou muito adiante. Seu expressão é impossível de ler. — Mas você... você está certa? Eu sorrio. Por que os homens sempre perguntam isso? — Sim. Eu fiz exame de sangue. — Outro longo silêncio dele, em que ele alterna entre a olhar para mim e para a carta, na minha barriga, para fora da janela. — Diga alguma coisa, Derek. — O quê? O que eu digo? — Qualquer coisa! — Isso vem em um grito histérico, e, em seguida, a minha voz cai para um sussurro. — Você está feliz? Irritado? Você vai ficar comigo — Eu mal posso fazer essa pergunta, tão grande é o meu medo de que ele vá ir embora. — Ficar? — Ele diz essa palavra lentamente, como se ele não pudesse entender o que isso significa. — Reagan, eu amo você. Para onde eu iria? — Eu não sei. — Minha voz é baixa, tensa. — Em qualquer lugar menos aqui? — Por quê? Por que eu iria sair? Você está carregando o meu meu filho. Eu só posso dar de ombros. Eu tento piscar e continuar respirando. Meus olhos ardem pelas lágrimas Eu tenho segurando isso desde o dia em que ele saiu. — Eu não... eu não— As palavras não são mesmo audíveis. Soluços estão presos na minha garganta. Meus ombros tremem. Eu desato o meu cinto, me inclino para a frente, respiro, continuo tentando segurar isso, mas eu posso. Não posso. Eu quebro. Derek desata o cinto e chega para mim, me puxa para ele. Eu rastejo para o seu

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colo, e eu grito. O Texas cai em chamas de calor, e um longo vento sopra. Um pardal pia. Eu continuo chorando, e chorando. Ele só me prende, me embala contra seu peito. — Eu estou aqui, Ree. Eu estou aqui. Eu não vou a lugar nenhum. Eu amo você. Eu estou aqui. Ele repete isso, eu estou aqui, eu te amo, eu não estou indo a lugar nenhum uma e outra vez, e eu fico aliviada em ouvir, acreditando nele. Sinto isso, lá no fundo. Ele não vai ir embora. Esse era o meu maior medo - que ele descobrisse que eu estava grávida e não me quisesse mais. Que ele estaria com medo e confuso. Ele é mais homem do que isso, e eu sabia disso, mas o medo permaneceu. Era um medo mais fácil de segurar do que o terror de imaginar que ele não iria voltar, como Tom. Eventualmente, eu consigo me acalmar. Me sento, mas Derek não me deixar ir. Ele limpa os dedos debaixo dos meus olhos, espalhando sal nas minhas bochechas. Ele desliza o dedo sobre a minha orelha, escovando meu cabelo para fora do meu rosto. — Ree, ouça. Eu nem mesmo sei o que eu estou sentindo. Muitas coisas. Eu estou com medo, principalmente. Eu não sou - eu não sou material de pai. Merda, eu - não sou nem mesmo material para namorado. Antes de voltar lá, eu estava confuso. Mas agora? Baby, eu nem mesmo sei qual o caminho é para seguir. Eu sou um maldito aleijado. Um fodido perneta. O que eu vou fazer? Eu não posso te ajudar na fazenda. Vai ser meses antes de eu poder andar sozinho. Você tem um bebê, e eu vou te acordar gritando tanto quanto o bebê. — Nós. — Isso sai forte. — O quê? Eu corro a minha mão sobre o couro cabeludo, sobre s fios loiros. Uma e outra vez, saboreando a sensação dele realmente, realmente aqui comigo. — Nós estamos tendo um bebê. Eu não. Nós. E você é material de pai. Você é material para marido. Você é o ~ 290 ~


meu material. Isso é tudo o que eu sei. Você perdeu uma perna. Tudo bem. Você 'tem estresse pós-traumático e pesadelos. Ok. Você precisa de terapia física, psicológica e terapia emocional. Bem. Merda, eu também Mas você sabe o quê? Nós podemos fazer isso. Apenas... fique comigo. Ok? Não significa apenas ficar fisicamente, não ir embora, eu quero dizer... eu quero dizer que você tem que acreditar em si mesmo. Em mim. E em nós. — Claro que eu acredito em você, isso apenas — Você? — Eu cortei. — Realmente? Porque isso significa acreditar na minha capacidade de amar você e ser sua namorada ou sua esposa ou o que for que constituímos ou possamos constituir. Você tem que acreditar que eu posso e vou te amar, e estar lá para você, e ser o que você precisa, não importa como assustadora as coisas fiquem. — Oh. — Ele respira lentamente, como se inalasse o cheiro do meu cabelo. — Isso... isso poderia ser um pouco mais difícil. Eu acredito em você. Eu faço. Mas eu não sei o que mais eu acredito. Se eu estou sendo honesto, eu não tenho certeza se eu — Derek. — Eu tomo seu rosto em minhas mãos. — Tudo o que eu estou pedindo é que você me dê tudo de si. Apenas me dê você, um dia de cada vez. Ele solta um suspiro. — Isso eu posso fazer. — Isso é tudo o que eu estou pedindo. Ele balança a cabeça e eu volto para o assento, nos levando para casa. O silêncio é menos tenso agora. Eventualmente, nós começamos a falar. Ele faz perguntas sobre estar grávida, e eu respondo. Isso é engraçado, na verdade. Ele não sabe nada sobre gravidez. Então, eu o encho de respostas. Os vômitos da manhã, que está começando a ficar muito ruim. A primeira ultra-som marcada para 12 semanas, que não está muito longe agora. Então, podemos descobrir o sexo, se quisermos.

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Posso dizer que ele está tentando descobrir como fazer uma pergunta particular, então eu respondo para ele, salvando ele do problema. — E sim, podemos ter todo o sexo que queremos. Isso não vai me machucar e não vai machucar o bebê. — Eu sorrio para ele, pegando sua mão. Ele olha para mim, e a expressão de alívio no rosto me faz rir em voz alta.

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CAPÍTULO VINTE E UM DEREK O primeiro mês é duro. Reagan está de volta para tentar manter a fazenda sozinha de novo, o que me faz sentir impotente. Eu consigo finalmente, após a primeira semana tentando por conta própria ir para Houston e encontrar o fisioterapeuta. Acontece que a terapia é exatamente o que eu preciso. Isso me empurra. Duramente. Me faz sentir como se eu estivesse realizando algo. Me dá algo para trabalhar. O estranho é que, Reagan e eu não tivemos relações sexuais ainda. Eu não tenho certeza de mim mesmo, eu acho. Não tenho certeza do seu desejo por mim, como eu estou agora. Isso é péssimo. A dúvida vem de mim, embora, e eu sei disso. Eu sei que ela me ama, e eu acho que ela está começando a ficar frustrada. Mas, por algum motivo, até que eu possa caminhar sozinho sem muletas - merda, eu mesmo me contento com uma bengala - eu não acho que eu quero fazer amor com ela. Ela está ficando louca tentando manter tudo funcionando, e eu me sinto cada vez mais inútil quando eu a vejo se levantar às cinco e sentar sua bunda só quando escurece, tentando cuidar de Tommy, bem como a minha bunda gorda. Deitada na cama, tarde da noite, eu vejo a lua e um milhão de estrelas brilhando no céu pela janela do quarto. Eu não consigo dormir. Pesadelos continuam me enchendo assim que eu fecho meus olhos. Então eu coloco a minha perna e um par de shorts. Usando as muletas, eu manco cuidadosamente descendo as escadas e vou para fora, para o lago. Eu tiro minha perna e sento. Eu balanço o pé na água morna e me deito, observando as estrelas, vendo o movimento da lua no céu infinito.

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Eu não ouvi ela até que ela está por trás de mim. Ela se senta de lado para mim, me puxa e eu me afundo para trás e coloco minha cabeça em seu colo. Mulher louca, bonita que ela é, está em nada além de uma camiseta. — Derek?— Meu nome é uma pergunta, e é toda a ênfase que ela precisa. Ela está se referindo a tudo. — Não consigo dormir. Continuo tendo pesadelos. A batida. Aquele outro cara, o que aconteceu com seu – seu rosto. — Eu fecho meus olhos e estremeço, empurrando a imagem à distância.. Seus dedos deslizam pelo meu cabelo. Ela traça o meu nariz. Meus olhos, bochecha, queixo. Lábios. — O que mais? Você sabe o que eu estou pedindo. — Eu me sinto inútil. É difícil me sentir como... como um homem, quando eu não posso fazer uma coisa maldita para te ajudar. Você está se afogando lá fora, Reagan. Você não pode fazer tudo, e eu não posso te ajudar. Talvez eu vá ser capaz um dia. Mas eu não posso, não agora. — Eu olho para ela, em seus olhos azul-claros. — E esse desamparo, isso me faz sentir como... como, como bom eu sou? Ela passa a mão pelo meu peito, para cima e para baixo. — Você não me tocou desde que você esteve de volta. — Ela olha para o lado, para a água, ondulações verdes na luz das estrelas de prata. — Sou eu? Estou começando a engordar, eu acho. Pode ser difícil para você ser atraídos para mim enquanto eu fico maior. — Ree. Deus, não. Você está mais bonita do que nunca. — Então por quê? Tem sido um mês, e - eu preciso de você, Derek. Eu preciso me sentir perto de você. — Ela aperta os lábios, olha para cima, lutando. — Eu estou me afogando. É tão difícil, fazer tudo. E eu sei que você odeia sentir inútil. Eu não sei o que fazer. Eu estou tentando ser forte, mas eu não sou. Quanto mais eu a gravidez passa,

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mais difícil será. E então quando eu tiver o bebê, vai ser... isso vai ser impossível. E a única coisa que está passando é que eu te amo, e eu sei que você me ama. Você está indo para a terapia, e você vai ir verdadeiro longe. Você pode se movimentar quase em sozinho e Deus, Derek, isso é simplesmente fantástico. Eu estou tão orgulhosa de você. Mas... Jesus, como posso dizer isso sem soar necessitada? Eu preciso me sentir perto de você. Não é só isso... Eu não só quero ter sexo com você. Eu quero. Mas eu preciso sentir você. Eu preciso saber que você está... aqui. Comigo. Que você é meu. Que eu sou sua. Eu preciso sentir como uma mulher, e não só... Reagan. A mulher que trabalha numa fazenda. A mãe. A tudo aquilo que eu sou. Eu sei que é difícil para você, mais do que eu jamais poderia imaginar. Mas tudo o que você tem a fazer é me mostrar - me mostrar que você me quer, e que precisa de mim, também Então eu a toco. Eu me estico, acaricio seu rosto. Colocando meus cotovelos abaixo de mim, eu levanto e a beijo. E Jesus, aquele beijo, ele suga todo o medo de dentro de mim. Suas palavras estão rondando na minha cabeça. Tudo que você tem a fazer é me mostrar... Mas então, quando nos perdemos no beijo, ela começa a chorar. Eu tento perguntar o que está errado, mas ela balança a cabeça e me puxa de volta para o beijo. Ela me estabelece sobre a madeira do deck e se move para se escarranchar em mim. Ela me beijar, chora. Ela está confusa, as lágrimas misturadas com o fervor de sua necessidade. Ela corre as mãos no meu peito e mói em mim, beijos, gritos, deixa nossas bocas desmoronarem, e suspira, se movendo em mim. — Derek, eu preciso - por favor. Me toque. Coloque suas mãos em mim. Me faz sentir. Eu preciso sentir.

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Minhas mãos deslizam para cima sob sua camisa, ao longo de sua espinha. Sinto meu peito aberto, meu coração achado sangra, inseguro, e seco - e então eu bebo na sensação dela, bebo em sua necessidade, absorvo o jeito que ela contorce em mim e sussurra meu nome quando eu deixo minhas mãos deslizarem em sua carne. Um deslizar e um puxão, e sua camisa é tirada e ela está empurrando meu shorts, me levando na mão. Ela coloca uma mão no deck, se levanta e eu espalma seus seios. Seu rosto está molhado, e ela tem lágrimas correndo pelo seu rosto, nela não limpa embora, me olhando, olhando para mim por entre as cortinas de seu cabelo. Ela levanta os quadris, me orienta para ela. Afunda em torno de mim. Respira, soluça, quase que se torna um tremor de todo o corpo, os olhos arregalados e os lábios trêmulos. Isto não é felicidade, prazer ou ecstasy. Não. Trata-se de reencontro. Encontrar um ao outro mais uma vez. Isso sou eu me encontrando dentro dela. Um realinhamento de nossas almas. Suspiros flutuam no ar da noite. Sussurros de cada um dos nossos nomes, oh Deus, implorando para não parar, nunca parar. Eu te amo. Eu te amo tanto. Ela diz isso, eu digo isso, nós dois dizemos.

***

Mais um mês passa. Eu posso andar sem ajuda agora, mas não muito longe. Eu tenho uma bengala - uma barata a partir de Walgreens22. Encontramos conforto um no outro depois daquela noite no lago. Isso me rodeia.

22

É uma loja. ~ 296 ~


O que também me deixa passar é a memória das doze semanas da ultrassom. Meu Deus. Sentado na sala, na penumbra, ouvindo o distorcido tum-tum... thumpthump de um piscar de olhos, a vida. Vendo a cabeça e os membros, a pura realidade de uma criança. Isso se tornou real. Tão, tão real. Eu sou pai. Eu passo muito tempo com Tommy. Eu estou preso dentro da casa durante grande parte do tempo, então eu estive cuidando um monte dele. Ele estava curioso sobre a minha perna, e um pouco de medo em um primeiro momento. Sem saber o que era, ou como ele deveria se sentir sobre isso. À medida que as semanas passavam, porém, ele aprendeu a aceitar como apenas uma parte de mim. Ida está ao redor, se certificando de que eu não estrague nada, e ela me dá indicações sobre os conceitos básicos de educação dos filhos. Quem sabia que havia tanta coisa para pensar? Ela e Hank têm sido uma dádiva de Deus. Eles vêm todos os dias para ajudar e dar apoio. A partir do olhar estranho que recebo de Hank, Eu acho que ele acha que eu estou fazendo um trabalho decente de me recompor. Eu tenho pensado muito, muito - cerca de três coisas em particular. O que eu vou fazer, uma vez que eu tenha recuperado a mobilidade total? O que vamos fazer a respeito da fazenda? E Reagan. Estar aqui e amá-la o suficiente? Eu reflito e medito. Eu trabalho duro para construir músculos, aprender a andar sem bengala, embora eu acha que vou sempre me sentir mais estável usando uma. Eu posso correr em uma esteira usando os corrimãos. No entanto, apesar de todo esse progresso, eu continuo a pensar, e pensar um pouco mais. Por fim, mais um mês mais tarde, eu tomo algumas decisões. Pelo menos, eu decido a melhor forma de decidir. Reagan está mostrando agora, um pouco de uma ponta em sua barriga. Eu adoro isso. Toda vez que eu estou perto dela, eu corro minhas mãos sobre ela, imaginando o

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Pequeno amendoim lá dentro, crescendo e se desenvolvendo. Eu ainda tenho momentos em que eu duvido que eu vou ser até mesmo um pai decente, mas eu vou tentar. Eu vou fazer o meu melhor. Me sento na varanda da frente, o celular de Reagan está na minha mão e um pedaço de papel com um telefone sobre ele na outra. Finalmente, eu começo a discar. Ele toca, uma, duas, três vezes. — Olá? — Ei, Hunter? É Derek. — Derek? Santo inferno. Bom ouvir de você. Como você está? — Eu acho que você ouviu? Ele hesita. — Sim. Ouvi. Você tá segurando as pontas? — Eh. De algumas maneiras, sim, alguns aspectos não. — Eu engulo meu orgulho. — Eu poderia realmente usar sua ajuda. — Minha ajuda? — Ele parece irmão. Qualquer coisa. Diga a palavra.

surpreso.

Derek,

— Você pode vir aqui um pouco? Você e Rania e os pequenos? — Eu acho que sim. Eu posso levar uma semana ou assim fora. Eu estou trabalhando em algo. Onde está você? Hesito novamente. Ele provavelmente ouviu a fofoca, mas ele merece ouvir isso de mim. — Com Reagan Barrett. Em Houston. — Ouvi falar... ouvi dizer que você e ela tinhaAqui vem a parte que vai tê-lo em sua bunda. — Nos apaixonamos? — eu interrompo. — Que é parte da razão por que eu preciso de sua ajuda. — Se apaixon... jesus, filho. — Ele ri. — Você realmente fez? Não é? ~ 298 ~


— Voltamos diferentes, Hunt. Da primeira vez, eu quero dizer. Depois que eles me puxaram daquele buraco de merda. Ele fica sério. — Eu sei. Confie em mim, irmão, eu sei. — Eu ouvi uma criança chorando no fundo, e eu ouço a sua voz endereçada à criança, com a voz abafada. — Eu vou estar aí em um segundo, querida. Papai está no telefone. Sim, está bem, viu? Papai vaia certar isso. — Sua voz para o volume normal. — Desculpe por isso. Ok, então o qual é o endereço? Eu dou a ele o endereço, e nós conversamos por um momento, mas se torna claro que ele tem que ir ver a sua filha. Eu digo adeus, desligo, e eu penso no próximo passo. Naquela noite Reagan acaba de sair do chuveiro, toalha enrolada frouxamente ao peito, outra em torno de seu cabelo. Ela se senta na cama, puxa a toalha da cabeça, deixa outra gota no chão. Ela escova os cabelos, e eu assisto em silêncio por alguns minutos. — Então, eu estava pensando sobre a fazenda. — Eu sigo a linha do ombro dela, para baixo de seu braço. Ela para, põe o pente para baixo, e detém a toalha sobre seus peitos. Provavelmente o melhor, porque é impossível concentração em qualquer coisa com seus seios exuberantes visíveis. — Sim? — E se você vendesse? Ela cede, coloca o rosto com as mãos. — Eu pensei sobre isso tantas vezes, Derek. Eu só não sei se posso. Isso é tudo o que sobrou da família Tom. E o que eu faço? Isso é tudo eu sei. — Eu não tenho certeza que eu vejo muito mais opções, Ree. Eu acho que talvez você precise. Para você. Para Tommy. Este não é... o seu lugar. Ele é tudo que você conhece, uma espécie de padrão. Mas nunca foi o que você queria.

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— Não. Você está certo sobre isso. — Ela respira em um suspiro. Esfrega o rosto dela. — Mas então o que? O que vamos fazer? — Nós começaremos de novo. Por nós. — Por nós. — Ela repete as palavras. Concorda. — Preciso de tempo para pensar sobre isso, Derek. — Pense nisso. Nós vamos pensar em algo. — Ok. — E então ela escovar os cabelos novamente, mas a toalha desliza e assim também faz a minha capacidade de resistir. Eu ainda tenho a minha perna, então eu escorrego para fora da cama. Eu estou com minhas costas para a parede, ao lado da cama na minha frente. Ela está de costas, com as pernas cruzadas, nua, longos cabelos loiros caindo em cascatas úmidas ao redor de seus ombros, a escova correndo por ele mais e mais e mais. Eu me inclino para frente, envolvo o meu braço em torno de seu meio. Puxo ela para trás. — Derek, ei! Eu estou no meio— ela começa a protestar, em seguida, olha para mim por cima do ombro. Me vê, vê a evidência endurecida do meu desejo. — Oh. — Sim. Oh. — Eu continuo puxando ela, mas agora ela tem os joelhos debaixo dela, me deixando puxá-la. Eu a trago para mim. Seus pés tocam o chão. Ela se levanta, de volta à minha frente. Eu aperto contra mim. Ela vira a cabeça e encontra a minha boca com a dela. Eu estou usando a parede para o equilíbrio e deixando minhas mãos vagueiam enquanto nossas bocas se movem. Meu coração sobe, o amor por essa mulher incrível brotando dentro de mim. Ela merece mais do que isso. Mais que tarefas intermináveis e trabalho árduo. E eu vou dar a ela. Dar a ela mais... de tudo.

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Por enquanto, porém, tudo que eu posso pensar é ela, querendo que ela, precisando dela. Mostrando a ela o quanto eu preciso dela. Meus dedos deslizam entre suas coxas, encontrando ela molhada e esperando. Seus lábios se afastam de minha enquanto eu a toco, encontrando seu ritmo. Lento, suave, mas em constante construção. Ela começa a gemer, moendo contra a minha mão. Eu ajusto seus mamilos, seus seios. Deixe ela montar meus dedos, deixando ela ofegante. E enquanto ela está se contorcendo e gemendo, eu tomo um punhado de seu cabelo, a empurro para baixo, então ela está dobrada sobre a cama. Eu levo o meu pau na minha mão, encontro seu núcleo úmido com meus dedos, e me oriento para ela. As pernas amplas, equilibrada, eu deslizo, deslizo para casa. E ela só geme, chora o meu nome, e empurra de volta para mim, me levando, levando tudo de mim e dando de volta tudo de si mesma. Eu seguro sua cintura, mantenho ela em movimento, mostrando o meu ritmo. Ela mergulha de volta para mim, vira a cabeça para olhar para mim, os olhos arregalados e vidrados com felicidade, caindo de boca aberta. Quando nós estamos nos movendo, eu pego a bunda dela, suave e gentil, e circundo a minha mão ao redor dos globos perfeitos. E então eu retiro lentamente, mergulho duramente, apertando sua bunda perfeita ao mesmo tempo. Reagan morde o cobertor para abafar o grito, e, em seguida, coloca o rosto contra a cama. — Deus, Deus... caramba, Derek. Faça isso de novo. Então, eu faço novamente. Puxo lento, acaricio seu doce traseiro, o outro lado desta vez, dou a ela alguns movimentos de meus quadris e, em seguida, sem aviso, dou uma palmada nela. Eu sinto meu pau se contorcer e puxar. É hipnotizante, observar a bunda enquanto eu bato nela. Eu a espanco novamente, entrando profundamente dentro dela. E ela toma isso, grita, amando.

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Quando ela sente que eu vou gozar, ela faz também. E Deus, eu amo que mais do que qualquer coisa, saber que ela pode não pode ajudar, além de gozar comigo. Acabou, ela rasteja para longe de mim na cama, e olha para trás, expectante, esperando por mim para seguir. Eu subo, e ela me empurra para baixo, tira a minha prótese, e massageia o toco. Deita a cabeça no meu ombro. — Eu vou encontrar uma maneira de cuidar de você, Ree, — eu sussurro para ela quando nós resolvemos dormir. — Promete? — Eu prometo. — Você vai fazer isso de novo? A coisa da palmada? Eu ri. — Babe, você não tem nenhuma ideia. — Ótimo. — Ela sorri, um sorriso de felicidade. — E você vai me amar para sempre? — Ela está olhando para mim, subindo em cima de mim, cabelo caindo em meu ombro. Sem rir agora. — Mais do que para sempre. Ela deita, fuça no meu peito. — Então nós vendemos. — Um momento se passa, sua respiração diminuindo. — Eu confio em você. Isso é pesado, o peso de sua confiança. Ela está indo isso cegamente, disposta a vender a única casa que ela conheceu por toda a sua vida adulta, e me seguir, ir comigo. O único problema é que eu só tenho algumas ideias meio formadas a respeito de onde nós estamos indo e o que vamos fazer. Mas eu vou deixa-la. Eu prometi. Mas há mais um passo no meu plano antes de ir a qualquer lugar.

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***

Hunter e Rania chegam, e é tão bom vê-los. Eles trouxeram seus filhos pequenos - duas filhas com idade entre cinco anos e quatro meses. Rania e Reagan se vinculam instantaneamente, como super cola. Elas saem juntas e deixam as crianças com Hunter e eu, o que é realmente, realmente muito estranho. Hunter e eu, dois fodido exfuzileiros navais, bebês saltando e jogando bonecas e caminhões. Estamos sentados no chão, minha prótese de perna estendida para um lado, Hunter e bebê pequeno de Rania, Emma, se senta ao lado dele, babando sobre o plástico. As mulheres foram por uma hora; Reagan mostrando a Rania os cavalos. Hunter finalmente puxa Emma da minha perna e lhe mostra os blocos. — Então, o que está acontecendo, D? Por que você me trouxe aqui? — O quê? Apenas visitar minha bunda não é razão suficiente? — Era uma piada. — Cuidado com a língua ao redor das crianças, cara. Na idade deles, eles repetem tudo. — Ele olha para mim. — E você sabe o que eu quis dizer. Você não vai vir e pedir ajuda a menos que fosse algo série. Eu respiro. — Tudo bem, tudo bem. Olhe. Eu quero propor a Reagan. Mas eu não tenho ideia de como. Então, eu preciso de um anel, e uma ideia. — Eu empilho os blocos de madeira, sem olhar para Hunter. — Porra, cara. Você está falando sério? — Hunter rola Emma para seu estômago, e ela levanta a cabeça do chão, sorrindo com orgulho em sua realização. — Claro. Ok, bem, vamos fazer um plano. As mulheres voltam eventualmente, rindo, a mão de Rania através do braço de Reagan. Nós fazer churrasco. Hambúrgueres ~ 303 ~


Cachorros-quentes e cerveja, Tommy e Maida – a filha de Hunter e Rania de cinco anos de idade - estão correndo selvagemente através do quintal da frente, gritando, rindo, correndo atrás do velho Heeler 23 de Hank, Baker, que de alguma forma saiu do carro e veio brincar. Estou na grelha virando o cachorro-quente e segurando Emma no meu quadril. Parece estranho, mas não de uma maneira ruim. Nunca pensei que eu ia segurar uma criança desta forma, no meu quadril como se eu tivesse feito isso um milhão de vezes. Ela tem o Cubby, que fica no meu bolso o tempo todo, e ela está roendo a cabeça, olhando para mim, balançando a cabeça em seu pescoço. Ela tem uma mamadeira com leite, ou fórmula, eu acho que eles chamam, feita a partir de água e um pouco de pó. Isso escorre em seu queixo, junto com baba. — Babababa - Bababa— Ela me bate no peito com o Cubby. — Baba, huh?— Eu olho para ela. — Você acha? — Bababa. Ba. — E, em seguida, seus olhos ficam vagos, a boca cai aberta, e ela resmunga. Um som rasgando molhado enche o ar, juntamente com um fedor pior do que a morte. — Oh. — Eu sinto meu estômago revirar. — Oh meu Deus. Puta merda, Emma. — Eu coloco as pinças na mesa e levo Emma para Rania, que está apenas segurando o riso. — Não. Eu acho que você vai fazer isso. — Ela levanta a cerveja. — Estou ocupado. Veja? Me viro para Hunter, que salta do seu lugar nos degraus da varanda. — Os cachorros estão queimando. Melhor virar eles. — Ele pega a pinça e começa a rolar os cachorros-quentes, desnecessariamente. — Isso é tudo para você, mano.

23

Cão. ~ 304 ~


Último recurso. — Reagan. Aqui, meu bem. — eu digo, tentando entregar Emma para ela. Ela apenas balança a cabeça e se levanta. Sinto alívio voar através de mim. Combate? Pode vir. Fraldas de merda? De jeito nenhum. Mas em vez de tomar Emma de mim, ela passa por mim, vai até o carro de Hunter e Rania, pega uma mochila de algum tipo do banco de trás. Ela entrega para mim. — Vá pegá-los, soldado. — Marinha. — eu a corrijo em um murmúrio. A bolsa oscila de minha mão, e eu equilibro Emma no meu quadril, provavelmente manchando merda em cima de mim. — O que eu deveria fazer? Hunter engasga com o riso. — Troque ela, cara. Não é difícil. Nojento, mas não é difícil. — Meu Deus, vocês, homens. — Rania soa nojenta. Falsifica uma voz profunda e grossa com sarcasmo. — É tão nojeeeeeeento, Rania. Vou vomitar, Rania. Você faz isso, Rania. Ou, não, meu favorito. Como pode um bebê pequeno como esse fazer tais grandes merdas, Rania? — ela ri. — É só cocô. Você acha que com tudo o que os homens grandes difíceis têm feito em suas vidas, que um pouco de merda não iria incomodá-los. Mas você agem tão bobos sobre isso. Ofendido, eu atiro a mochila para a grama. Eu desço e coloco Emma nas costas dela na minha frente. — Poutz. Jesus. Isso pode ser tão ruim assim, né, menina? Emma assobia e se mexe, chutando seus pés. Acho os botões de sua roupinha e desfaço. Revirando a roupa até que o fedor chega até mim. — Você não pode trocar ela na grama! — Rania diz, indignada. — É errado! Use o cueiro debaixo dela.

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Então, acho que o cueiro. Desdobro, deslizo sob o bebê. Tento respirar pela boca ao invés de meu nariz. Eu desato a fita segurando a fralda fechada e puxo para longe. — Oh Deus. Vou vomitar. — Eu nunca na minha vida vi algo como isso. Um mar de bosta, salpicada generosamente com o que parece ser algum tipo de sementes. Que diabos? Como é que esta substância sai de um ser humano? — Isso é normal? Ela está, tipo, doente ou algo assim? Rania, Hunter, e Reagan todos apenas riem. Então agora eu tenho uma fralda aberta, a merda do próprio Satanás agredindo minhas narinas, e... não sei o que fazer a seguir. — E agora? — Eu pergunto. — Limpe a bunda dela, cara! — aconselha Hunter. — Limpe de cima para baixo. — Isto vem de Rania. — Limpar com o que? — Com os... lenços ? — fala Hunter, apontando para o saco com os papeis. — No saco de fraldas, cara. Pacote branco. Diz Pampers sobre ele. Eu seguro os tornozelos de Emma, que são chutando loucamente, exceto o saco de fraldas está do outro lado de mim, então eu tenho que abrir sobre o meu corpo, pego o saco, coloco sobre o outro lado. Até agora Emma está se contorcendo e torcendo, e ela tem o cocô de cor cáqui em todo o seu bumbum e isso está gotejamento em todos os lugares. Todo mundo está rindo histericamente. — Eu não acho que eu posso fazer isso. — Eu tento segurar a criança se contorcendo no lugar, mas é como tentar lutar com um jacaré com uma só mão. ~ 306 ~


— Claro que você pode. — Hunter vem, perto de mim. — Você é um homem crescido, D. Ela só tem quatro meses de idade. Eu finalmente encontro o pacote de lenços, abro com uma mão, e consigo puxar um. Mas seis deles saem todos sujos. Eu tento agarrar meu pulso, e o saco de lenços vai voar. Rania está rindo tão forte que ela tem que colocar sua cerveja para baixo, e Reagan está cobrindo a boca com a mão, me observando com humor brilhando em seus olhos. — Baby, você pode fazer isso. — Ela fala de trás da mão, tentando claramente não rir. — Basta olhar para isso como prática. A cabeça de Hunter se encaixa. — Espere. O que quer dizer com prática? Rania dá a seu marido um olhar incrédulo. — Para o bebê? Que eles estão tendo? — Ela aponta para Reagan, que vira de lado e puxa a camiseta contra sua barriga suavemente arredondada. — Você não pode dizer que você não notou! Hunter olha para mim. — Como é que você não me disse isso, seu babaca? Maida, uma garota alta, de cabelos castanhos como os de Hunter e as feições árabes como de Rania vem correndo, puxando a camisa de Hunter. — Papai. papai. — O que, fedorenta? — Ele olha para ela. — Você pode dizer ‗babaca‘. Mamãe disse. Lembra? Agora você tem que me dar um dólar, porque eu se eu disser ‗babaca‘ na escola, então eu vou ficar em apuros, e vai ser sua culpa por me ensinar palavrões. Como ‗babaca‘.

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Hunter olha fixamente para a filha dele, lutando entre rir e ficar sério. O riso é claramente vencedor. — Maida. Você acabou de dizer ‗babaca‘, tipo, umas quatro vezes. — Três, papai. Três não é tanto como quatro. — Isso é certo, baby. Bom trabalho. — Agora me dê meu dólar. E não diga 'babaca' mais. — MAIDA. Pare de dizer isso! —Eu estou não dizendo isso. Eu estou dizendo para você não dizer. — Mas você ainda está dizendo isso— Hunter. — Rania corta. — pare de discutir com sua filha. Maida — E então Rania vomita uma sequência rápida de palavras árabes. Maida pende a cabeça. —Sim, Ma. Desculpe, papai. Aparentemente, sua filha é bilíngue. Eu tenho tirado a maior parte do cocô Emma durante essa troca, usando mais uma boa dúzia de lenços. Eu movo as pernas dela ao redor e levanto a bunda do cueiro, me certificando de não perder nada. Oops, há uma grande mancha disso, a meio caminho de volta. Uma vez que ela está finalmente limpa, tento por uma fralda sob Emma. Só que agora eu não posso descobrir qual caminho isso vai. Há uma fita, então talvez... — Está de cabeça para baixo, D. — Hunter gira o dedo. Vira e passa de volta. Ponho a fralda presa em torno do monstro fazedor de coco se contorcendo, mas Hunter faz um som. — Não. Muito solto. Vai acabar saindo e o cocô vai vazar para os lados. Aperte um pouco. Lá vamos nós.

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Eu prendo as fitas no lugar e seguro Emma, triunfante. — Bam. BAM. Diga o que agora? — Agora jogue a fralda fora. — Hunter finge um movimento praticado, entregando para mim. — Bom trabalho. Você mudou sua primeira fralda. Fez melhor do que eu fiz a minha primeira vez. Aprendeu da maneira mais difícil que acontece quando você não coloca uma fralda com força o suficiente. Eu trago a fralda para dentro, atiro na lata de lixo. Hunter está atrás de mim. — Você provavelmente vai querer lavar as mãos. — silenciosamente ele acrescenta. — Então Reagan está grávida? — Sim. — É por isso que você está pensando em propor? — Em parte. Não inteiramente. — Eu demoro mais do que eu preciso na pia. — Eu quero que você seja feliz, cara. Você tem passado através de alguma merda séria, e eu sei que isso pode ser duro de assimilar. Parece apenas que tudo isso aconteceu muito rápido, você sabe? Eu não quero que você se apresse em nada. — Isso aconteceu rápido. Minha cabeça gira, por vezes, pensando nisso. — Eu seco minhas mãos e me inclino para trás contra a pia. — Eu algumas vezes me pergunto se eu tenho alguma ideia do que eu estou me metendo, você sabe? Tipo, eu estou honestamente preocupado que seja tudo muito, muito rápido. Quero dizer, merda, você sabe como eu costumava ser. Uma garota diferente a cada fim de semana. Às vezes, mais de uma em um fim de semana— E, por vezes, mais do que um de cada vez. — Sim, isso também. — Eu rio, em seguida, solto um suspiro. — E agora, de repente, eu estou indo ser um pai, e eu estou pensando

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em propor? Como cheguei aqui? — Eu deixo cair a minha voz para um sussurro. — E... eu vou ser capaz de lidar com isso? — Pouco tarde para isso,. Sem escolha além de lidar com isso agora. — Ele agarra meus ombros e me balança, duramente. — Ouça, Derek. Você tem isso. Você tem isso. Você a ama? — Sim. Merda, sim, eu realmente amo. Eu não iria saber o que fazer sem ela. — Então você vai ficar bem. — Eu não sei. Às vezes eu acho que não vai ficar bem. Que eu vou acabar com isso. As merdas que passam na minha cabeçaHunter agarra um outro par de cervejas da geladeira. — É mais do que a soma de suas experiências, Derek. Quando cheguei em casa com Rania, eu estava tendo todos esses pesadelos, todos os tipos de merda desagradável. Isso não me bateu de imediato, no entanto. Eu achava que estava bem, eu pensei que estava tudo bem. Mas depois de alguns meses, a merda começou a ficar fodida. Eu ficava com raiva sem motivo. Brigada com Rania. Iniciava algumas brigas com os meninos no grupo da estrada. Finalmente, meu chefe me encurralou após um dia de trabalho. Ele me levou para tomar bebidas. Ele estava em Desert Storm. Exército, mas ele um cara sólido, apesar disso. Me disse que eu tinha que juntar minhas coisas. Tentar trabalhar essa merda para fora. E isso é a primeira coisa que ela me disse que realmente mexeu comigo: Você é mais do que a soma de suas experiências. Eu mastiguei isso por um tempo, mas o que isso significa para mim é que eu não sou apenas um veterano. Não apenas um fuzileiro naval. — Ele me dá uma cerveja, e nós brindamos e bebemos. — Eu não sou apenas o pobre desgraçado que passou por toda essa merda no Iraque, sabe? Isso não me define. Aconteceu. Isso teve alguns efeitos graves e prolongados em mim, obviamente. Não posso escapar disso. Mas isso não é quem eu sou. Eu tenho Rania dependendo de mim. Eu tive que trabalhar com

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isso. Então eu fiz. Não é fácil, ainda não é. Mas você lida com isso. Você tem que lidar. Por ela, você tem que lidar. — Mas euEle não acabou. Corta em cima de mim. — Você era um prisioneiro de guerra. Isso aconteceu. Você viu e fez muita merda feia. Isso aconteceu. Você perdeu sua perna. — Ele apunhala meu peito com um dedo. — Eu não posso consertar sua merda em uma conversa, Derek. Ninguém pode. Você tem que começar em algum lugar, no entanto. Merda aconteceu. Merda ruim. Mas a questão é: você vai empurrar isso ou vai deixar isso te possui? Ou você vai ser um homem e ser o que Reagan precisa que você seja? Reagan, e que o bebê de vocês, você deveria ter me dito. — Eu achava que você iria descobrir isso sozinho. — Deveria ter me dito, idiota. — Desculpe. — Você sabe se é menino ou menina? Eu balancei minha cabeça. — Não. Nós vamos deixar ser uma surpresa. — Tendi. Há um radio suspenso embaixo de um armário ao lado do fogão. Está sempre ligado, o volume baixo, sintonizado na estação local. Eu sempre achei que eu odiava música country, mas é apenas uma parte da vida aqui de alguma forma. Eu nem sequer pensei nisso. Só está lá, o ruído de fundo. Às vezes eu me encontro cantarolando uma música, mas geralmente eu quase não noto. Agora, porém, a música Dierks Bentley desaparece, e em seguida, os violinos começam. A guitarra se junta. A voz de Tim McGraw enche a cozinha, cantando — Onde a grama verde cresce, — e minha cabeça gira. De repente, eu estou no

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Humvee novamente, Barrett ao meu lado, me zoando por cantarolar a música. Pisco, respiro, com as mãos sobre os joelhos. Tento bloquear isso. Não. Eu posso ouvir o assobio - BOOM do RPG que leva o primeiro caminhão e eu estou hiperventilando. Tonto. Eu bato no chão, ofegante. Hunter está falando comigo, mas tudo que eu posso ver é Reagan empurrando a porta de tela para trás, caindo de joelhos ao meu lado, segurando minha cabeça em seu colo. Sussurrando algo para mim. Está confuso no início, mas ouço sua voz, me dizendo que está ok, está ok, está ok, isso não é real, eu estou bem... Finalmente, tudo resolve voltar ao normal. A dor apertando no meu peito se desvanece, e minha respiração fica mais lenta. Eu luto até meus pés. Pego minha bengala do lado da porta e passo por todos. — E por isso, gente, que eu estou preocupado em ser pai. Depois de um tempo, Reagan me encontra na lagoa. — Eu não estou preocupada, você sabe. — Você deveria estar. Ela se senta atrás de mim, repousa sua bochecha nas minhas costas. — Mas eu não sou. Flashbacks, ataques de pânico? Isso não te incapacita a ser um pai. — E se tivesse acontecido enquanto eu estava segurando Emma? Eu iria deixar ela cair. E se isso acontece quando eu estou segurando nosso filho? Como você vai explicar para uma criança que eu surto sem motivo? Eu já acordei Tommy mais de uma vez.

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— Não é sem motivo, Derek. Nós vamos lidar com isso, se isso acontecer. — Ela puxa pelo meu ombro, e eu rodo no lugar de frente para ela. — Eu confio em você. E eu acredito em você. Assistir você com Emma? Isso me deixou louca. Você é tão gostoso, adorável e doce, isso me deixa louca. Você vai ser um incrível pai, Derek. Você apenas tem que confiar em mim, e confiar em si mesmo. Eu não estava pronta para ser mãe quando eu tive Tommy. Eu não tinha ideia do que estava fazendo. E eu fiz isso sozinha. Eu tive que descobrir tudo sozinha. Eu tinha certeza de que eu iria pirar. Mas, a questão é que os bebês são simples. Não é fácil, mas simples. Manter eles alimentados, manter suas bundas limpas, e amá-los. Isso é tudo que eles precisam. É difícil criar uma criança. Eu não vou mentir. Você acorda um milhão de vezes por noite, tentando descobrir o que eles querem. Você acha que com certeza você está fodendo de alguma forma, porque eles só não... param... de chorar. Mas você descobre isso. Você os ama, cuida deles, alimenta eles. E eles te perdoam quando você fracassa. — Ela toca meu rosto. — E assim vai. E merda, aí estão as emoções novamente, a merda se descontrolando. Mas ela só me beija como se isso não a incomodasse, que eu sou bagunça, que eu estou agarrando ela como se eu estivesse com medo que eu vá perdê-la. Ela só me prende de volta, tão apertado, e, eventualmente, voltamos para nossos amigos. E eles entendem também. Sabendo que você tem pessoas em sua vida que podem levar a pior merda que você tem e não te julgar? Essa é a melhor sensação do mundo.

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CAPÍTULO VINTE E DOIS REAGAN A fazenda está oficialmente à venda. Há um agente, um preço de tabela, uma enorme quantidade de coisas a fazer para tornar a casa, especialmente, vendável. É impressionante. E eu ainda não tenho ideia do que iremos fazer se viermos a vender. Quando vendermos. Eu estou tentando manter tudo junto, tentando ser forte, mas é difícil. Muito difícil. Isso é tudo que eu conheço desde que eu tinha dezenove anos. A família de Tom cultivou esta terra desde 1800, e eu vou apenas vendê-la, como se nada fosse? E eu tenho zero de outras habilidades. Estou literalmente seguindo Derek na fé cega. Mas eu sei que esta é a única opção real. Não há jeito de eu manter a fazenda funcionando, não por muito tempo, de qualquer maneira. Não sem a ajuda de Derek. Deus, ele está trabalhando sua bunda para obter a sua mobilidade de volta, aprendendo a funcionar com o máximo de normalidade possível. Mas suas costelas ainda estão rígidas, e ele está passando muito tempo se movimentando, então custa caro para ele. Esta apenas não é uma vida viável para a gente. E, se eu olhar no fundo, dentro de mim, eu estou cansada da fazenda. Eu só estou exausta. Eu não posso mais fazer isso, emocionalmente. Eu preciso de uma mudança. Mas o problema é, a mudança é no mínimo assustadora. Rania foi me ajudando a resolver as coisas. Ela, Hunter e as crianças nos fizeram uma visita de retorno, para nos dar uma mão. Ela e eu estivemos arrumando as coisas que eu não quero me livrar ainda, mas não sei mais o que fazer com elas, exceto embalá-las. Nós chegamos a áreas que provavelmente não tenham sido cuidadosamente limpas em décadas. Derek e Hunter estão retocando a tinta de dentro, remendando ~ 314 ~


furos no gesso, arrancando os papéis de parede nas salas que não foram tocadas desde os anos sessenta. Uma semana passou rápido. Rania e Hunter estiveram hospedados em Hempstead, em um pequeno motel, e posso dizer que eles estão prontos para ir para casa. Mas Deus, tem sido maravilhoso tê-los por perto. Eu não tive uma amiga como Rania desde... provavelmente nunca. Não desde que eu era uma garotinha em Oklahoma. E Hunter tem sido ótimo para Derek, chutando a bunda dele para ser positivo, empurrando-o fisicamente, o mantendo ocupado. Eu não me importaria de mudar para algum lugar mais perto deles. É uma tarde de sexta-feira, e a casa está tão limpa e vazia da desordem, que é irreconhecível. Eu tenho evitado um quarto, no entanto. O quarto do Tom. Eu estou do lado de fora da porta, uma pilha de caixas de armazenamento Rubbermaid 24 em minhas mãos. Rania está ao meu lado, segurando uma vassoura e pá, trapos e uma garrafa de Pledge25 — Talvez... talvez este não é o meu lugar, Reagan, — Rania começa, olhando para mim, avaliando minha óbvia excitação. — Talvez eu devesse fazer isso eu mesma. Eu balanço minha cabeça. — Não. Eu tenho que fazer isso. Respirando fundo, eu coloco minha mão na maçaneta da porta e abro. Uma cama de casal está na parede oposta, com uma colcha costurada à mão. A mesa em baixo da janela, um Mason Jar26 cheio de canetas, uma pilha de Sports Illustrated. Posters de baseball e futebol na parede, bem como as páginas centrais da Sports Illustrated Swimsuit Edition. Eu balanço minha cabeça com isso. Meninos. A estante de 24

Caixas plásticas. É uma linha de produtos de limpeza. 26 São blocos de vidros. 25

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livros entre a mesa e a cama, recheada com livros antigos de ficção científica, farWest e alguns de Tom Clancy. Eu pego o Patriot Games, abro a capa dura; Sim, é de Hank. Deus, Hank. Ele está realmente doente ultimamente, dentro e fora do hospital. Derek e eu o visitamos no outro dia, Ida e eu estávamos fora da porta, tentando não ouvir enquanto Hank e Derek ficaram de conversa fiada, mas, eventualmente, a conversa ficou séria. Para a Coreia, e Afeganistão. Lidar com a vida após a guerra. Eu balanço minha cabeça. Eu não posso pensar em Hank agora. Eu coloco o livro junto com o restante deles, em uma caixa de armazenamento vazia. Logo a prateleira está vazia. Todos os livros são antigos, com orelhas, lidos mil vezes. A maioria tem as iniciais de Tom sobre a aba de dentro. Rania pega a caixa cheia de livros e a empurra para o corredor, e passamos a prateleira. Eu rio, encontro um esconderijo de revistas Playboy recheadas entre a parede e estante, ao alcance de um certo garoto quando ele está deitado na cama. Eu as jogo fora, lutando desesperadamente contra a imagem de um Tom adolescente, se masturbando por alguma modelo em uma página central. Eu acabo meio rindo, meio soluçando quando eu verifico o outro local, entre o colchão e box. Há mais pornô lá, juntamente com um pacote achatado de Camel Lights27 e que parece ter vinte anos de idade, um baseado meio fumado. Deus, Tom. Que pequeno encrenqueiro. Rania enfia as roupas do armário em vários sacos, amarrando-os fechados antes que eu possa vê-los. Nós tiramos os cartazes da parede, tiramos os lençóis do colchão. Os lençóis nós jogamos fora; a colcha eu guardar para Tommy. Tatara-tatara-avó de Tom fez essa há várias décadas. Eu estou chorando pelo tempo que o quarto está limpo. Os pisos são aspirados, a cama, armário e prateleiras mudadas e limpas. As caixas 27

Cigarros. ~ 316 ~


que deixamos no topo das escadas para os homens levarem para o celeiro. Finalmente, eu fico na porta, mais uma vez, olhando para o que é agora apenas mais um quarto. —Você é uma mulher forte, Reagan, — disse Rania. — São só coisas. Rania balança a cabeça. —Não. Nossos bens, coisas como as que estão nessas caixas, elas não são apenas cobertores e livros. Elas são memórias. Eles seguram pedaços de nós, eu acho. Pequenos pedaços de nossas almas. Portanto, não é fácil vê-las, ou sentir os espíritos de um ente querido perdido que vivem nessas posses. — Parece que você sabe por experiência. — Ah sim. Antes de conhecer Hunter, quando eu era menina. — Ela olha para o espaço, pensando, se lembrando. — A primeira guerra estava acontecendo. Minha tia Maida, ela era toda a família que o meu irmão e eu tínhamos e ela não estava bem. Demos o nome dela para a minha filha, só para você saber. Ela morreu. Minha tia Maida, quero dizer. Ela morreu, e Hassan e eu estávamos sozinhos. Ela tinha poucas posses. Havia apenas um pente, eu acho. Um espelho pequeno de mão, talvez? Quando a bomba destruiu a casa, tudo que eu tinha, tudo o que eu tinha deixado de mamãe e papai e tia Maida e tio Ahmed, tinha desaparecido. Então, eu estava muito preocupada em me manter viva para pensar nisso. Mas agora? Eu gostaria de ter algo deles. O pente de tia Maida. Me lembro dela, antes do tio Ahmed morreu, penteando seu cabelo. Ela penteava até que seu cabelo brilhava como o céu noturno, preto com estrelas brilhantes. Eu gostaria de ter isso. — Ela balança a cabeça, limpando as memórias. — Não é o mesmo que isso, eu acho, mas é similar. — Gostaria de saber onde os meninos estão? — pergunto, por meio de mudar de assunto.

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Rania dá de ombros. — Em algum lugar lá fora, sendo homens. Quem sabe? Eles estarão de volta em breve, eu acho. Nós voltamos para o térreo. Tommy e Maida estão assistindo TV, Emma dormindo no berço. Rania e eu fazemos uma pausa, porque realmente não há muito o que fazer a não ser realmente vender o lugar, e arrumar as nossas coisas. São seis quando Hunter e Derek retornam. Hunter vai imediatamente para Rania, a beija. — Então, querida. Como você se sentiria sobre ficar aqui comigo e com os três filhos enquanto Derek e Reagan ficam algum tempo sozinho? Rania estreita os olhos para o marido, mas lê algo em seu olhar, alguma mensagem que somente os dois podem decifrar. Ela balança a cabeça e encolhe os ombros. — Ok. Derek pega a minha mão. —Venha. Vamos dar um passeio. Alguma coisa está acontecendo. — Nós não podemos sóHunter acena, — Claro que você pode. Nós vamos fazer o jantar e assistir a um filme. Vão. Eu quero, tanto; uma vez que Hank tem estado doente, Derek e eu não tivemos qualquer tempo sozinhos. Eu me sinto mal sobre querer Derek para mim mesma, especialmente no que se torna cada vez mais claro que Hank não tem muito tempo de sobra. — Vamos lá, querida, — Derek sussurra em meu ouvido. — Apenas uma ou duas horas. — Tudo bem, — eu suspiro. — Me deixe me limpar. Derek apenas me puxa pela mão, me arrastando para fora. —Não precisa - nós só vamos acabar cheirando a cavalo. Vamos.

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Eu suspiro de novo, e deixo que ele me puxe para o celeiro. Eu selo Henry; ele sela Mirabelle. De alguma forma, eu sei para onde vamos: a clareira. Eu me deixo levar, deixando Henry escolher o seu caminho em uma caminhada, aproveitando o ar fresco da noite, Derek andando ao meu lado, sorrindo para mim de vez em quando. Ele está definitivamente planejando algo. Meu coração trava quando eu tento não esperar que ele esteja planejando o que eu acho que ele está planejando. Não, não, não. Não vá lá. Você o ama, ele te ama. Isso é tudo o que você precisa. Mas não é. Então, eu monto, e vejo ele montar. Deixo que ele me leve para a clareira, mantendo minha mente em branco de esperanças. No entanto, quando ele puxa Mirabelle a uma parada na clareira, desmontando devagar e com cuidado, levando o peso sobre a perna boa e pulando para o equilíbrio, eu sei que algo grande está acontecendo. Há um enorme cobertor no chão no centro da clareira. Uma cesta de piquenique. Uma garrafa de espumante de uva, duas taças. Há uma lanterna de acampamento em vez de velas, uma vez que esta é uma floresta. — Derek? — Eu escorregão de Henry. — O que é isto? — Um piquenique, baby. — Ele toma as rédeas de mim, amarrando ambos os cavalos onde podem pastar. — Sente-se. É isso. Ele deixa os cavalos selados e se move para se sentar ao meu lado no cobertor. Ele sorri para mim de novo, e cava na cesta de piquenique. — Isso foi elaborado por um par de caras, por isso há coisas limitadas. Alguns Brie e biscoitos, salsicha, algumas frutas... — Ele levanta a garrafa de suco de uva. — E isso em vez de vinho, desde que você não pode beber agora.

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É muito cedo para ser emocional, certo? Nós comemos, falamos sobre coisas aleatórias que surgem. Eventualmente, ele me dá um olhar que diz que ele está prestes a dizer algo importante. Meu coração se aperta, indo até a minha garganta. — Então. — Ele nos derrama para cada um pouco mais de suco, coça a pele onde está o protético em sua perna. — Tenho pensado muito. Eu quero fazer uma carreira de fisioterapia. Fazer o que os caras na academia fizeram por mim. Eu tenho que tomar algumas aulas para obter a certificação, mas isso não vai demorar muito. Eu não deveria me sentir decepcionada, mas eu faço. — Isso é bom, Derek. Fico feliz que você tenha um plano. — Bem, é um começo. Meus benefícios de CRSC nos dão um pouco de espaço de manobra. Nós não podemos viver disso por muito tempo, mas devemos estar bem. — Ele pega a minha mão, esfrega meus dedos com o polegar. — A coisa é, é um trabalho que eu poderia fazer em um monte de lugares diferentes. Eu percebo onde ele está indo com isso. — Você quer falar sobre onde vamos ficar se vendermos a fazenda vende? Ele balança a cabeça. — Provavelmente devemos ter algumas ideias, pelo menos. Eu engulo em seco contra o caroço na minha garganta. Esta não foi a conversa que eu pensei que iríamos ter. — Eu não sei, Derek. Eu nunca vivi em qualquer lugar além de Oklahoma e aqui. — Bem, aqui está a coisa: Parte da razão de Hunter e Rania poupar o tempo para vir aqui de novo foi que Hunter tinha uma entrevista com o departamento de Obras Públicas de Bexar County, a gestão das equipes de estrada na área de San Antonio. E eu fiz um par de convites eu mesmo esta semana. Conversei com algumas pessoas no

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centro médico por lá. Eu poderia trabalhar no hospital como ajudante até ter a minha licenciatura de fisioterapia. — UAU. — Eu tenho que piscar duro, acho. — O que eu faria? — Tudo o que você queira? — Ele esfrega o rosto. — Esta é uma oportunidade para... eu não sei. Recomeçar? Encontre algo que você goste? Você foi tem trabalhado do amanhecer ao anoitecer, por uma fodia década, querida. Apenas para manter essa merda. Você nunca me pediu isso, e eu meio que presumi que você nunca realmente queria. Mas você fez isso. E você nunca reclamou. Agora temos a chance de encontrar algo apenas para você. Para nós. Com a minha CRSC e o trabalho no hospital, devemos ser capazes de ir bem. Você teria tempo para descobrir isso. Fique em casa com Tommy, se você quiser. Para Tommy e para o bebê. Eu não sei. Meu ponto é.... — ele bufa, vendo que eu estou tendo problemas. Ou seja, eu não estou olhando para ele, piscando duro e rápido, respirando lentamente. — Sim. Sim, isso soa como uma boa ideia. — Merda. Eu estraguei isso. — Ele se afasta de mim, enxuga o rosto com as duas mãos. — Isso era para ser um romântico piquenique na floresta, no nosso local— É, Derek! É perfeito. Me desculpe, eu estou tão emocional agora, estou apenas— Eu não deveria fazer você chorar. — Ele passa a mão pelo cabelo. — Pelo menos, não gosto disso. Isso recebe a minha atenção. — O quê? O que você quer dizer? Ele parece perdido, como se ele estivesse estourando com um milhão de coisas que ele quer dizer, mas não sabe por onde começar. Por fim, ele rosna e se inclina para mim, me beija. É um beijo sem fôlego, um beijo de roubo de pensamento. Uma distração. Ele me coloca para baixo

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nas minhas costas, e nós estamos nos perdendo um no outro. Eu estou segurando suas costas, arranhando meus dedos por sua espinha. Só quando eu acho que ele vai nos levar onde eu de repente quero que a gente vá, ele se afasta. Ele está alavancado em cima de mim, olhando para mim. Tocando minha bochecha com a palma da mão. — Eu te amo tanto, Reagan. Às vezes eu ainda nem sei como isso aconteceu, mas eu sou grato a cada dia por isso. E eu ainda tenho momentos em que eu acho que você deve ser louca para amar um cara como eu. Momentos em que duvido que eu sou bom o suficiente para você. Eu quero que você seja feliz. Isso é tudo o que eu estava pensando, quando eu estava falando sobre os planos agora. Onde podemos ir, o que poderíamos fazer. Eu só quero que você sinta que tem um futuro em que você seja feliz. Eu quero isso, para nós, mesmo ainda estranhando às vezes pelo fato de que há um nós. — Eu vou a qualquer lugar, Derek. Estou confiando em você. Estou te seguindo. — Eu olho para ele, deixo ele ver a minha sinceridade. Eu confio nele, e eu vou segui-lo aonde quer que vá. É assustador, mas vale a pena. — E isso - o fato de que você confie em mim assim? Reagan, isso me assusta. Eu não quero deixar você para baixo. Eu não vou. — Ele engole em seco. — Isso tudo aconteceu tão rápido. Questão de meses, você sabe? Minha vida mudou quando eu fui feito prisioneiro pelos talibãs. Mudou para pior. Mas então esses Raiders me salvaram, e acabei no Texas, e eu conheci você. Você me capturou e minha vida mudou novamente. Para melhor agora. E agora eu não posso - eu nem sei como viver minha vida sem você nela. Isso é loucura, para mim. Isso, em literalmente apenas um punhado de meses, você se tornou... merda, como faço para colocar isso? Você se tornou parte de mim. Ah Merda. Aqui vamos nós. Meu coração está batendo no meu peito de novo, e eu tenho que segurar seus ombros para manter minhas

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mãos de tremerem. Eu só posso olhar para ele e beber em suas palavras e esperança, esperança, esperança. — Eu amo— As palavras param na minha garganta, e eu tento de qualquer maneira, tento sussurra-las. —Eu amo— — Ssshhh. Basta ouvir. — Ele toca meus lábios com um dedo. Chega a cesta de piquenique e tira uma pequena caixa preta. — Espero que eu esteja fazendo isso certo. Estou tão nervoso. Nunca pensei que eu iria fazer isso, mas aqui vamos nós. Ele começa a se sentar, como se ele fosse fazer a coisa de joelho, mas eu seguro ele. — Não. Aqui. Assim. — Eu mantenho ele no lugar, se inclinando sobre mim. É perfeito aqui. Somos perfeitos aqui. — Reagan... você quer se casar comigo? — Ele tem o anel, uma coisa pequena, mas bonita. Simples, ouro branco, um diamante, um único diamante pequeno de cada lado do maior. Eu estou chorando, assentindo. Segurando minhas costelas. — Vem cá baby. Me deixe ouvir a palavra. — Sim. — Eu solto, rangendo a palavra que ele quer ouvir. — Sim Sim. Sim. Por favor, sim. — Querido Deus, obrigado, — ele respira. Ele pega a minha mão esquerda na sua e desliza o anel para o meu quarto dedo. — Você realmente achou que eu ia dizer não? — Pergunto. Ele dá de ombros. — Como eu disse, isso nem sempre faz sentido para mim, de você me amar, e eu quero te fazer minha. Então você não pode mudar de ideia. Eu só rio. — Eu já sou sua, bobo. Eu não sei como isso aconteceu mais do que você sabe, Derek. Mas eu sou grata por isso, também. — Eu

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penduro em seu pescoço e me levanto para um beijo. — E eu nunca vou mudar de ideia. — Jura? Eu o empurro; nós rolamos, por isso estou no topo. — Derek. Para mim, isso é o que se casar é: Uma promessa que eu nunca vou mudar de ideia. — Oh. Eu então o beijo. Profundo, longo e duro. Mas, novamente, antes que eu possa realmente me perder nisso, ele se afasta. — Há uma outra coisa, Ree. — O quê? — Eu respiro, beijando sua mandíbula, doendo por ele, faminta por ele. — Tommy... Eu quero adotá-lo. — Ele joga esta bomba em uma voz calma, como se isso não fosse fazer tremer o meu mundo. —Mas eu quero que ele mantenha o nome de Tom. Eu quero que você use o meu, e mantenha... mantenha o Barrett. Hífen. Então Tommy... então Tommy sabe exatamente de onde ele veio. — Deus, Derek. — Estou chorando de repente. Mesmo sem os hormônios da gravidez fazendo tudo dar errado, isso teria me feito em pedaços. Mas as duas coisas? Eu sou um naufrágio, instantaneamente. — Você quer dizer, você quer dizer isso? — Eu amo esse menino, Ree. — Ele engole em seco. — E eu amava o pai dele como um irmão. Quero Tommy sabendo disso, quando ele for velho o suficiente, quem era seu pai. De onde ele veio. Eu quero que ele saiba que Tom foi um dos melhores homens que eu já conheci. Isso me faz chorar ainda mais. Eu não posso parar. A proposta, e depois disso? Não consigo respirar.

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Derek me deixa chorar, me segurando apertado. Quando eu me recomponho, eu ainda estou cheia de tantas emoções que eu não sei o que fazer com todas elas. Estou transbordando. Fervendo. A única coisa que sei fazer é esmagar minha boca para Derek e devorar sua respiração, tendo a sua força em mim. Ele me sustenta, e nos beijamos, e beijamos, e beijamos. E, em seguida, suas mãos passeiam em mim e eu gemo em sua boca para encorajá-lo. Nós rolamos um no outro, tirando nossas roupas, tentando manter os nossos lábios ligados ao despir o outro. Estendo a mão para ele, e quando eu o tenho nu, ele está quente e duro, e eu estou molhada e dolorida, e isso é tão perfeito, ele embaixo de mim, seu corpo um travesseiro, uma pedra, um abrigo. Eu provo sua língua e me empalo sobre ele, afundando em cima dele. Eu me encho com ele. Eu gemo seu nome e começo a me mover. Eu levo tudo que eu preciso dele, suspiro seu nome e o tomo. E entre cada respiração, ele diz meu nome, e leva tudo o que tenho. Eu aproveito, ele aproveita. Isso funciona, porque eu estou dando, e ele está dando, e nós dois somos completos.

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CAPÍTULO VINTE E TRÊS REAGAN Estou usando um vestido de noiva branco, segurando um buquê de rosas, lírios brancos e lavanda. Nós não estamos em uma igreja, no entanto. Estamos no hospital Brenham. Eu estou andando pelo corredor, que é, neste caso, o corredor do hospital levando até o quarto de Hank. Ida está empurrando sua cadeira de rodas, e eu tenho a minha mão em seu braço. Hank teve um derrame na semana passada. Ele estava indo bem por um tempo, mas depois ele teve uma gripe, a gripe levou a pneumonia, e em seguida, um acidente vascular cerebral. Agora, o lado direito de seu rosto está puxado para baixo, seu lábio pendido. Mas a sua mão esquerda, segurando a minha, é tão forte como nunca. Ele está me oferecendo. As enfermeiras e os médicos estão todos revestindo o hall, empilhados em portas, observando. Todos adoram Hank aqui, por que, como você não poderia? Hank é incrível. Ida está piscando com força, lutando contra as lágrimas, como eu estou. Lágrimas pela condição de deterioração de Hank, lágrimas por mim, lágrimas sobre me casar. A marcha nupcial provém de um iPhone, colocado sobre um altofalante móvel. Rania me segue, segurando a cauda do meu vestido. Tommy? Ohhh, Tommy. Tão bonitinho em seu smoking, andando na frente ao lado de Maida Lee. Maida espalha pétalas de flores, e Tommy tem um travesseiro com os anéis. Ele praticou por os dias em casa, a pé do celeiro para a casa, e de volta, com o travesseiro de sua cama e algum brinquedo. Nós nos movemos através da entrada para o quarto. A cama foi movida contra a parede para a cerimônia, e alguém encontrou um púlpito ou um pódio de algum lugar. O capelão do hospital está por trás ~ 326 ~


dele, folheando as páginas de sua Bíblia. Derek está à esquerda do pódio, vestido com suas melhores calças de uniforme. A perna direita da calça está fixada para cima, mostrando a prótese atlética. Ele está tão lindo em seu uniforme, é difícil olhar para ele, mas é impossível desviar o olhar. Hunter está ao lado dele, em seu uniforme. Eu paro na frente de Derek, e Ida vira a cadeira de Hank para que ele possa ver nós dois, então ele pode segurar minha mão. Ele não vai soltá-la. Então eu fico de frente para Derek, minha mão direita na de Derek, minha esquerda segura entre ambas de Hank. Eu estou ouvindo o capelão dizer as palavras ‗amados, estamos reunidos aqui‘, quando eu estou alternando meu olhar de Derek para Hank e de volta. Nós iríamos esperar para nos casar quando a venda da fazenda fosse finalizada, mas, então, a condição de Hank começou a piorar, a tal ponto que ele não poderia deixar o hospital. Um casamento sem Hank era impensável, por isso, mudamos a data. Eu encontrei um vestido, Hunter e Rania e as meninas, o que se tornou uma maratona. Eles nos ajudaram a encontrar smokings, flores. Tinha que ser um casamento de verdade, mesmo que fosse em um hospital, foi o único pedido de Derek. Então aqui estamos nós, eu no meu vestido sem costas, sem alças e com uma cauda curta. Ida, sempre hábil, conseguiu alterar o vestido para acomodar a minha barriga crescendo. Chegamos aos votos. Derek me olha nos olhos. — Eu fiquei acordado a noite toda por dias, tentando descobrir como escrever estes votos. Eu devo ter descartado uma dúzia de tentativas. Nada disso estava certo. Então, eu irei ser simples. Basta dizer o que está no meu coração, aqui, agora. E realmente, é muito simples. Eu amo você. Eu vou lutar por você. Por nós. Eu nunca vou desistir, e eu te amo mais a cada dia. Eu sempre vou ser fiel. Eu sempre estarei lá para você, para Tommy, e para esta, - ele toca minha barriga - pequena pessoa aqui. Esse é o meu voto, Reagan: amar você para sempre, não importa o que, por tudo e qualquer coisa. ~ 327 ~


— Derek... eu nunca percebi isso, mas eu não acreditava em segundas chances. Especialmente quando se trata de encontrar o amor. Eu não acho que você acreditava em amor total. Então, nós dois aprendemos algo quando nos conhecemos. E agora, aqui estamos nós. Eu poderia dizer que eu te amo agora, e é claro que seria verdade. Mas não é o suficiente. Não é bom o suficiente. Eu sei que não chegamos a esta parte ainda, mas eu vou dizer assim mesmo: Sim. — Eu aperto a sua mão, piscando para conter as lágrimas. — Eu aceito. Um milhão de vezes, eu aceito. O capelão olha para Derek. — Filho? — Eu aceito. — Duas palavras saem de seus lábios, mas ouço três, eu vejo o eu te amo em seus olhos. — Então, pelo poder investido em mim pelo estado do Texas, eu vos declaro marido e mulher. Você pode, bem. Eu acho que você sabe o que fazer. Estamos nos beijando, um beijo profundo, lento, que é inapropriado para um casamento ou um hospital, muito menos para um casamento em um hospital, mas todo mundo está vibrando e batendo palmas, e há lágrimas em muitos rostos. Hank puxa minha mão, e eu me solto de Derek. A outra mão de Hank se esforça acima de seu colo, apontando para Derek, que a pega. Hank coloca a mão em cima da de Derek, e, em seguida, une nossas mãos entre as suas. Ele quer falar, quer dizer alguma coisa, mas ele não pode. Seus lábios se movem, e seus olhos vão de mim para Derek e de volta, cheio de pensamentos, e inteligência e emoção. Ida fala, falando pelo marido há mais de cinquenta anos. — Nós te amamos, Reagan. Nós cuidamos de Tom e beijamos e demos dinheiro a ele quando ele partiu para o campo de treinamento. Enviamos a ele suprimentos aonde quer que ele fosse. Nós ficamos com você em seu funeral. Choramos com você. Temos ajudado a cuidar de Tommy. — ~ 328 ~


Sua voz vacila, e ela olha para Hank, buscando força. De alguma forma, ela encontrou. — Nós já criamos seis filhos, e nós temos - oh meu, quantos são agora? - mais de vinte netos, e pelo menos três bisnetos. Há aplausos da multidão em torno da porta, onde esses filhos e netos e bisnetos estão reunidos. — Sim, meus amores. Agora silêncio. — Ela respira estremecendo. — Nós te amamos, Reagan. E você, também, Derek. Sejam um do outro. — E eu, vovó Ida? E eu? — Tommy pergunta. Ele sobe no colo de Hank. Os olhos de Hank vacilam e ele aperta Tommy. — Você me ama, também, vovó Ida? Ida tem que lutar para manter a sua compostura. — Sim, Tommy. O mais querido, mais doce Tommy. Você mais do que tudo, meu filho. — Ela acaricia a cabeça de Tommy. — Reagan, Derek, sejam a felicidade um do outro. A vida lhe entrega um monte de limões, o que significa que vocês tem que ser o açúcar um do outro, para que vocês possam fazer limonada. Essa é a essência do amor, se você me perguntar. A determinação de ser doce como o açúcar, quando tudo ao seu redor são limões. Hank concorda. Chega do passado de Tommy para mim. Eu seguro a mão de Derek, o puxando comigo. Os braços uma vez longos e fortes de Hank, agora tremendo de esforço, se envolvem em torno de nós três, nos unindo, nos abençoando.

***

No mesmo quarto de hospital, Hank passa o dia seguinte, cercado por sua família. Que inclui, é claro, Tommy, Derek, e eu.

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Ida chora, mas ela está aguentando, em conjunto com a família, um a um beijando o rosto de Hank, dizendo adeus pela última vez. Agarram-se uns aos outros e saem do quarto. Por fim, todo mundo se foi. Todos, exceto Ida e eu. — Hank era o meu segundo marido, você sabe. — Ela está deitada na cama ao lado dele, com a cabeça no peito dele, agora imóvel. Acho que ela está adormecendo assim a cada noite por... qualquer que seja o resultado de 365 x 57. Estou assustada com sua admissão súbita. — Sério? Eu nunca soube disso. — Só Hank sabe. Sabia. Meu primeiro marido, William, era um piloto de caça. Eu tinha dezesseis anos, ele tinha dezenove anos, e era tão bonito. Eu fugi para casar com ele. Isso foi em 1950, e todos sabiam que a Guerra da Coréia estava por vir. Nós nos casamos em uma pequena igreja em Tupelo, Mississippi, em fevereiro desse ano. — Ele tinha acabado a escola de formação. Eu acho que ele disse que era mais velho do que ele realmente era, mas eu sinceramente não sei. Ele era um piloto muito talentoso, eu sei. Tivemos três meses juntos. Três meses maravilhosos, incríveis. Nós éramos apenas crianças, você sabe, ele e eu. Eu especialmente. Meus pais estavam tão irritados, e eu fugi. Eu pensei que eu sabia o que era melhor, da maneira que os adolescentes fazem. Eles me enviaram cartas e mais cartas, para o pequeno apartamento onde Will e eu vivíamos, fora de Langley. Eles me pediram para voltar para casa. Ela está falando baixinho, de olhos fechados, como se estivesse tão, tão cansada. — Eu não. Ah não. Eu amei Will, e ele me amava. Ele iria para a guerra e nós dois sabíamos disso, mas nós pensamos que o nosso amor seria o suficiente para trazê-lo de volta. E foi, durante os primeiros dois anos e meio de guerra. Ele voou em centenas de missões. Ele era um às, e eu estava tão orgulhosa. Ele enviava o seu dinheiro de

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volta para mim. Eu nos fiz uma casa naquele pequeno apartamento. Eu estava pronta para ele voltar para casa, pronta para a guerra acabar, assim eu poderia ser sua esposa. Bem, a última vez que ele veio para casa, em janeiro de cinquenta e três, nós concebemos uma criança. Eu soube no momento em que um mês se passou. Eu sabia, naquela noite. Eu só sabia. E eu disse a ele, eu disse: — Vai, você acabou de colocar um bebê em mim. — Ele estava orgulhoso. Como se fosse... como se tivesse vencido uma corrida ou algo assim. Ele começou a falar com o meu estômago. — Ela funga, ri. — Ele foi abatido um mês depois. Morreu instantaneamente. Eu lutei por meses. Mas eu estava grávida e sozinha. Então eu fui para a casa de mamãe e papai. E eles me aceitaram de volta. Eu abortei, no entanto. Eu estava muito chateada, eu acho. Mais tarde, depois da guerra, eu estava em Jackson com os meus pais, e eu conheci um jovem soldado arrojado, chamado Henry. Meu Hank. E nós nos apaixonamos. Ele sabia sobre Will. Ele me amou o suficiente, ao longo dos anos, e ele sempre entendeu que um pedaço de mim ainda pertencia a William. Ele me amava de qualquer jeito, e ele adorava a parte faltante. Eu tive três meses com Will, e 57 anos com Hank. Mas seu primeiro amor? Há algo lá que você nunca pode substituir. Mas você tem que deixar Derek te amar. Você tem que o deixar amar a parte faltante, Reagan. Você tem que deixá-lo. Silêncio. — Ida? Ela abre um olho para mim. — Eu só vou descansar agora, Reagan. Vai dar tudo certo. Eu só preciso descansar. Eu atravesso a sala e beijo a bochecha dela. — Eu te amo, Ida. Ela apenas sorri para mim, os olhos ainda fechados.

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Ida acabou nunca saindo do hospital. Depois de Hank morrer, ela simplesmente nunca acordou novamente. E ĂŠ assim que eu quero morrer. Em meu sono, com o homem que eu amo. Depois de 60 anos juntos.

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EPÍLOGO DEREK San Antonio, 2013 — Empurre, seu maricas! — Grito. — Levante isso! Levante isso! É melhor você empurrar com mais força do que isso, sua puta! Sim! Lá vai você, um pouco mais... para baixo. Bom. Está faltando as duas pernas da cintura para baixo no PFC Michael Helms. Ele pisou em um IED. Ele é um filho da puta polido, mas ele tem coração. Um coração real. Nunca desiste. Isso é o que o manteve vivo, quando os médicos não conseguiram chegar até ele por quase dez minutos, preso por um franco-atirador. Todo mundo aqui tem uma história. Buddy ali perdeu a maior parte da pele do rosto em uma explosão. E ele é o cara mais engraçado que eu já conheci. Ele pode fazer qualquer um rir, não importa a merda que está seu dia. Eles são todos meus clientes. Comecei no hospital do exército, onde eu fiz a minha própria recuperação... duas vezes. Ralei a bunda noite e dia para obter a minha licença de terapia, e abri minha própria academia para pessoas como eu. Garotos e garotas, eu diria. Vi algumas mulheres chegarem por aqui, veteranos de guerra como todo mundo, faltando peças, com histórias que eles não querem dizer. Eu os empurro, soldados anônimos igualmente. Os forço a viver. Forço eles a quererem viver, apesar das perdas que todos eles sofreram. Eu sou muito bom nisso. E eles se identificam comigo, sabendo da minha história. Vendo a prova na minha perna que falta, nas medalhas Paraolímpicas na parede. A hora de ir embora vem por aí, os caras tomam banho e saem, me deixando para fechar a academia. Eu limpo tudo, abasteço o refrigerador, desligo o computador e as luzes. Vou para casa. ~ 333 ~


Bem, eu pensei nisso, pelo menos. Eu paro em um determinado bar a caminho. Hunter está lá, tem uma rodada esperando por mim. Falamos sobre o dia, sobre seu terceiro filho com Rania, um menino desta vez. Victor, como o pai de Hunter. Ele acabou de fazer um. Grandes problemas, mas bonito como o inferno. Não tão bonito como Hank, no entanto. Nunca haverá um menino de três anos tão bonito como Henry Thomas West. Ele é tudo de mim, e tudo de Reagan. Loiros, olhos verdes, doce como o açúcar, e pronto para causar um inferno de um tumulto se você tirar os olhos dele por uma fração de segundo. — Como vai a Reagan? — Hunter levanta um dedo para um reabastecimento. — Oh, ela está na fase, eu odeio meu corpo, odeio estar grávida, por que você fez isso comigo, eu estou numa fase de baleia. Hunter ri. — Porra, eu odeio essa fase. — Eu também. Por que você acha que eu estou aqui? — Eu empurro a minha cabeça para o mundo exterior, o que significa casa. — Assim que eu chegar em casa, Tommy vai querer montar Legos e Henry vai precisar de uma fralda, e Reagan vai precisar de pretzels com manteiga de amendoim e refrigerante diet. — Pare de reclamar, seu sacana. Você ama isso. Concordo com a cabeça. — Está fodidamente certo, eu amo. Mas é meu direito, como homem, reclamar sobre isso agora e depois. Hunter ri. — Essa merda é verdadeira, filho. — Ele bebeu de uma só vez a sua bebida. — Então. Vocês têm feito? — Com crianças? — Eu esclareci. — Não tivemos isso ainda, então eu não tenho certeza. Me pergunte quando o bebê tiver um ou dois meses de idade, e eu provavelmente vou dizer, inferno sim, estamos

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fazendo. Me pergunte novamente mais tarde, e eu provavelmente vou dizer talvez. Eu gostaria de ter uma filha. Hunter ri, e balança a cabeça. — Sendo um homem com tantas, posso dizer a você, meninas começam fácil, mas elas só ficam mais difíceis conforme o tempo passa. — Acho que nós vamos ter que ver. Cada um de nós tem mais uma bebida, trocando histórias de bebê e de trabalho, e então eu vou para casa. Eu tenho um grande e velho Chevy Silverado, alterado para que eu possa fazer tudo a partir do volante, acelerar, freiar, tudo isso. De jeito nenhum eu poderia dirigir com a minha perna direita do jeito que está. Levou certo aprendizado, mas eu estou acostumado com isso agora. Rania está lá, junto com Maida, Emma, e Vic. É uma porra de um jardim zoológico. Cinco crianças, todas gritando, correndo em volta. Tommy e Maida têm brinquedos, e Tommy está no topo da parte de trás do sofá, balançando contra Maida, que está dançando através das almofadas. Cada um gritando ‗Eu pego você!‘ Emma e Hank estão no chão, batendo um no outro com uma boneca e um caminhão, respectivamente, e rindo sobre isso, por algum motivo. Vic está rastejando por ali em três membros, usando uma mão para manter um biscoito recheado em sua boca. Ali está o meu amor, sentada em sua cadeira favorita, mordiscando Triscuits 28 , conversando com Rania e supervisionando o caos. — Ele ficou em casa agora? — Rania me perguntou quando eu entrei. — Sim. No entanto, ele irá bater em você lá. — Eu lhe dou um abraço de um braço, e ela aperta minha cintura. 28

É uma bolacha salgada. ~ 335 ~


Rania, ao longo da gravidez de Reagan de Hank e esse também, esteve aqui todos os dias, ajudando na cozinha e limpeza e arrumando as crianças, de modo que Reagan pode trabalhar. Minha menina escreve livros. Quem sabia? Ela escreve estes romances picantes excêntricos, sobre os militares e as mulheres que os amam. Eles me fazer corar como um colegial, mas eles vendem como prostitutas em uma promoção das terças-feiras. Ela me bate por dizer isso. Estou orgulhoso como o inferno dela, apesar de tudo. Ela é boa no que faz. Trabalha duro. Ela é talentosa, e ela tem uma mente para os aspectos do negócio, o que é complicado, ao que parece. Além disso, quando ela está escrevendo essas cenas, eu recebo as recompensas. Como... sexo louco. Louco, de balançar o fodido teto. "Investigação", ela o chama. Meu objetivo, geralmente, é ver quantas vezes eu posso fazê-la gozar antes que ela me peça para deixá-la dormir. Até agora, o meu recorde pessoal é de seis. Ela não podia se mover depois, no entanto. E aquela noite levou à sua atual barriga crescente. E, a julgar pelo olhar em seu rosto quando me aproximo dela, eu estarei em uma dessas noites. É bom ser eu. Rania e as crianças saíram depois de alguns minutos, e nós tivemos o jantar. Um jantar em família é inegociável para nós. Reagan para de escrever quando eu chego em casa, e nós cozinhamos juntos. As crianças brincam, e nós tomamos um copo de vinho ou dois, contanto que Ree não estivesse grávida. E nós temos o jantar. Sete dias por semana. E conforme as crianças ficarem mais velhas, eu vou continuar insistindo nisso, não importa o quão loucos eles fiquem. Eu cresci sem jantares em família, e eu serei condenado se assim o quiserem.

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Janto, sento e leio os últimos capítulos de Ree enquanto as crianças brincam. Levar os meninos para a cama. Seis palavras que fazem parecer uma porrada mais fácil do que realmente é. Tommy quer terminar de assistir seu show, e Hank é apenas... Hank. Peculiar e difícil. Sonolento, mas se recusa a dormir. E quando o faz, ele acorda assim que eu saio do quarto. O que me leva a encontrar Reagan dormindo em sua cadeira, Nineteen Kids and Counting 29 se repete no TLC. Eu a sacudo com cuidado. — Babe. Acorde, Ree. — Mmm. — Vamos lá, querida. Acorde. — Eu beijo o canto da sua boca, e aperto a sua coxa. — Hora de dormir. — Estou dormindo. — Sim, mas não na cama. — Noite. Noite. — Vamos, sexy. Hora de dormir. — Sexo? — Ela se anima com isso. — Você pôs Hank para dormir? — Claro que sim. — Então o que nós ainda estamos fazendo aqui? — Ela levanta as mãos, e eu a ajudo a se levantar. Nós subimos as escadas, e eu a ajudo tateando a sua bunda. A coisa que eu mais gosto sobre Reagan estar grávida é que seus seios e bunda ficam maiores e delicadas, e se você estiver comigo, isso é uma coisa extremamente boa. Então eu aproveito cada oportunidade para 29

Programa de TV. ~ 337 ~


apalpá-la e molestá-la, como ela diz. Tanto faz. Ela adora. Ela bate em minhas mãos e diz: — Não na frente das crianças, seu homem das cavernas com tesão, — mas quando as crianças estão dormindo e nós estamos sozinhos na cama, ela canta uma música diferente. Em voz alta. Hoje à noite ela está com sono. Se arrastando. Ela mal consegue subir as escadas, tateando a sua camisa e sutiã no caminho. Eu ajudo. Deixar ela nua é o meu tipo favorito de ajuda. Ela faz xixi, sai de sua calça e calcinha e rasteja para a cama. Eu tiro as minhas próprias roupas, resignado a uma noite livre de sexo. É bom, no entanto. Afagar ela é quase tão bom e, de certa forma, ainda melhor. E então, quando estou quase dormindo, ela se mexe um pouco, vira a cabeça para falar comigo. — Bem, homem das cavernas? O que você está esperando? Então eu empurro contra ela. Ela geme. Eu cutuco um pouco mais. E, de repente ela está em suas mãos e joelhos, sua posição favorita, especialmente quando ela está grávida. Ela enfia um travesseiro sob seu rosto e vira de volta para mim. Me guia. Deus, ela é apertada. Eu não sei como ela consegue, mas ela é tão apertada, mesmo depois de dois partos naturais. Ela me aperta enquanto eu deslizo, apertando com tanta força que eu mal posso me mover dentro dela, mas é tão, tão bom. Nós encontramos um ritmo; nos movemos juntos em uma felicidade familiar que nunca, nunca fica velha. Só que desta vez, eu hesito e escorrego para fora, acidentalmente meti um pouco forte demais. Reagan suspira e puxa para frente e, em seguida, quando eu começo a puxar para trás, ela grita.

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— Espere. Oh deus... Continue assim. Basta esperar. — Ela baixa a sua cabeça entre os ombros, se arqueia e empurra de volta contra mim. — Tente isso. Devagar. —Você tem certeza? Então eu empurro, sempre muito gentil, e ela geme. Ela empurra para trás, suspira. Pausa. Eu me mantenho parado, ela arqueia sua coluna e empurra para trás de novo, e eu estou dentro, só um pouco. Apenas a ponta, mas porra, é tão apertado. — Você escreve sobre isso? — Eu pergunto, ofegando e gemendo. — Oh, Deus... puta merda, Derek. Sim... — Eu não estou machucando você, estou? — Eu não posso evitar flexionar os meus quadris, apenas ligeiramente. — Oh... oh... Não. — Ela faz uma pausa, fica parada e então se move para que eu deslize um pouco mais profundo. Desta vez, seu gemido é uma choradeira sem fôlego que me diz que ela está perto. Eu me inclino sobre ela, estendo a mão entre as suas coxas e encontro seu âmago, encontro o ponto que ela mais gosta. Mal tocando, leve como uma pena. Lentos círculos ao redor de seu clitóris, nunca o tocando. E então, quando ela está se contorcendo e gritando, eu pressiono seu clitóris, em movimentos rápidos. Ela goza, gritando e eu afundo nela mais profundamente, ela morde o travesseiro, abafando um grito alto de êxtase. E foi aí que eu explodo, gemendo, arfando, xingando, rezando o nome dela. Momentos de silêncio se passaram entre nós, enquanto caíamos de volta para a terra, a partir das alturas vertiginosas. Finalmente, quando eu estou começando a me perguntar se ela adormeceu assim, de barriga

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para baixo, com os joelhos debaixo dela, a bela bunda no ar, ela desperta. Ela gira para o lado dela, me empurrando. — Me abraça. Eu abraço. — Eu amo você. Muito. — Isso é porque eu sou impressionante. —Sim você é. —Então você também é. — Sim, eu sou. Alguns momentos de silêncio, e eu acho que ela está dormindo. Eu quase estou. — Derek? — Mmm? — Se for uma menina, podemos chamá-la de Ida? — É claro, amor. — Ida... qual é o seu nome do meio? Eu levo um longo tempo para responder, lutando contra o sono. — Não sei. — Derek. — Babe. Temos cinco meses. — Derek. — Jesus. Bem. Elizabeth. — Por quê? Eu gemo. — Não sei, querida. Eu apenas gosto desse nome. — Eu bocejei. — Ida Elizabeth West.

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— Ok.

***

REAGAN OhmeusantocagadoJesus. Dar à luz nunca dói menos. Tudo de mim está sendo rasgado. Acho que quebrei dois dedos de Derek. Não o ruim, felizmente. Ele não se queixa, homem maravilhoso que ele é. Apenas espera, beija minha testa suada e faz a contagem para cada empurrão. — Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez. Bom, querida. Quase lá. — Sua voz é baixa e suave, bem no meu ouvido. — Você pode vê-la? Ela está vindo? — Eu estou frenética. Nove horas de trabalho de parto, e eu estou pronta para esta menina sair. — Quase, amor. Quase. Mais um empurrão. — Ele olha abaixo, entre as minhas pernas. — Sim. Eu posso ver a cabeça, o topo de sua cabeça. — Então mais um não vai fazer ela sair. Vários outros, — Eu ofego. — Você está quase lá, querida. Basta pensar somente em empurrar. — NÃO MINTA PARA MIM! — Você está quase lá, querida. Sério. Mais alguns empurrões e ela está fora. — Ele puxa sua mão da minha, flexiona os dedos para restaurar a circulação, e, em seguida, pega a minha mão novamente. Começa a contagem. — Um, dois, três...

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Eu paro de pensar sobre a contagem e me concentro em empurrar. Cada grama de tudo dentro de mim ‗EMPURRE. EMPURRE. EMPURRE. Não respire, não grite, nada além do empurre‘. Respiro, suspiro. Pauso. Ignoro tudo e reúno a minha força. Uma vez mais. Eu posso fazer isso. Mais uma vez. Uma última vez. EMPURRE. Eu sinto algo ceder - alguma coisa dentro de mim quebrar e fugir, e a pressão se foi, a dor lancinante e cólicas diminuem, e há um momento de silêncio, resmungos do médico e das enfermeiras, um pedido por uma tesoura. O cordão umbilical? É o cordão? Mas então eu ouço aquele som, um som doce. Um choro de recém-nascido, fino e alto, com raiva e delicado. Um peso no meu peito, o cheiro de sangue e algo mais. Abro os olhos e lá está ela, mantida pelo médico, e bonita, lambuzada pelo parto. Ida Elizabeth West. A irmã de Tommy e Hank. Estou chorando. — Ida. Oi, garotinha. Bem-vinda ao mundo. Derek, pisca com força, a voz embargada. — É um lugar bonito, este mundo. E há algumas pessoas bonitas esperando para te amar. Nossos olhos se encontram, e uma vida de amor passa entre nós, transmitida em um único olhar.

FIM

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Captured jack wilder  
Captured jack wilder  
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