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www.readmetro.com TERÇA-FEIRA, 3 DE MAIO DE 2016

FOCUS | 02 DR

Como estão a ser recebidas pelas pessoas as vossas urnas biodegradáveis?

Temos dois tipos de urnas: para as cinzas e para a cremação. As Restbox para a cremação e as Bios para as cinzas. As Restbox estão numa fase de implementação e já fizemos chegar a informação a grande parte das agências funerárias. A aceitação tem sido agradável. Os valores são acessíveis para as agências funerárias. A única questão é que nem todas as agências estão preparadas para estes produtos inovadores. As empresas ligam-se muito às tradições e não saem do seu formato habitual. Por que motivo as pessoas devem optar pelos vossos serviços? Para evitar

o abate excessivo de árvores. Para fazer uma urna de cremação abatem-se duas árvores. Não faz sentido derrubarmos os nossos recursos naturais para este fim, existindo alternativas. Além de uma responsabilidade agregada aos nossos produtos, estamos a integrar pes-

NUNO GONÇALVES A Sigmapack acredita que, mesmo na morte, se deve respeitar a natureza. Por isso, além de querer evitar o abate florestal excessivo para o fabrico de caixões, a empresa criou as urnas biodegradáveis que permitem que a nossa morte dê vida através de uma árvore. Afinal, há mesmo quem fique cá para semente…

“TRANSFORMAR A MORTE EM VIDA” Também para animais

A Sigmapack tem também o serviço PerPetuate, idêntico ao dos humanos, mas para animais de estimação. Nuno Gonçalves conta ao metro que o impacto deste produto “é diferente” do que se regista com as pessoas, pois a receção é “mais leve”. “As pessoas aderem a este tipo de uma forma fantástica”, conta Nuno. Não obstante, o responsável da Sigmapack acrescenta que, por vezes, o serviço que é prestado aos animais acaba por fazer a ponte com as pessoas: “Uma coisa vai puxando a outra.”

soas que estavam desempregadas e pessoas que andavam pela rua estão a ser integradas socialmente, fazendo a recolha de resíduos urbanos – cartão, papel, plástico. O cartão e o papel é entregue numa cooperativa e transformado, pois 80% da composição das nossas urnas é feita a partir dessa recuperação. Assim, além de não derrubarmos árvores, contribuímos para que os produtos colocados no lixo possam ser transformados e reciclados em matéria-prima, criando

Urnas têm sementes de um bonsai, de um acer... Depende do espaço que as pessoas têm. © DR

uma cadeia de sustentabilidade ao produto.

vaso dentro de casa. Depois, nas cinzas, a semente começa a germinar, pois essa urna tem fertilizante e turfa. As raízes ganham força, perfuram a urna e absorvem as cinzas que servirão de nutriente para o nascimento de uma árvore. Enfim, a morte traz vida. É o processo da morte natural, mas mais leve porque é algo que volta a crescer e vai passar de gerações em gerações. É uma forma diferente, mais simples, de ver a transformação da morte em vida. Quanto custa este serviço?

Colocamos o nosso serviço numa agência funerária por valores LUÍS CARMO abaixo dos 100 euros.

Citação

Como é que as cinzas de uma pessoa que morre ajuda o ambiente, transformando-se numa árvore? Como é o processo? O processo da cerimónia

fúnebre com as nossas urnas é igual ao método tradicional. A diferença surge quando a pessoa é cremada. A nossa cápsula está dentro de uma urna exterior. Só a parte interior é que é recriada na fase final, onde as pessoas já não veem e é feita a cremação da urna interior com o defunto. Depois, as cinzas são colocadas numa outra urna ecológica e biodegradável criada para se transformar numa árvore. Como? Essa urna tem a semente de um pinheiro, de um acer, de um carvalho, de um bonsai... depende do espaço que as pessoas têm disponível: se têm um jardim, um quintal ou um

“Se transformarmos um cemitério em floresta, como já existe em Espanha, Inglaterra ou EUA, onde as pessoas circulam livremente e leem um livro num banco de jardim, criamos uma forma diferente de ver a morte” Nuno Gonçalves, sócio gerente da Sigmapack

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