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Adelina Clara Hess de Souza

Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 9610 de 19-021998. Nenhuma parte desta obra pode ser apropriada e estocada em sistema de banco de dados ou processo similar, em qualquer forma ou meio, seja eletrônico, gravação etc. sem permissão escrita da Família Hess de Souza. 1ª Edição: 1996. Impresso no Brasil/Printed in Brazil

S719r

Souza, Adelina Clara Hess de Retrato de Família / Adelina Clara Hess de Souza – 2. ed. Blumenau: Edição da Autora, 2010. 340 p.: il. 1. Família Hess de Souza – História. 2. Souza, Adelina Clara Hess de – Biografia. I. Título. CDD 929.2 920.72

Editoração e projeto gráfico: Jacqueline J. Hess Coimbra Revisão ortográfica e gramatical: Jacqueline J. Hess Coimbra


Adelina Clara Hess de Souza


A Deus pelo privilégio de nos fazer acreditar numa força realizadora, nos dar sentimentos, estímulo e amor pelo trabalho e pela vida e nos dar sabedoria para que por seu intermédio pudéssemos atingir nossos objetivos. Aos meus pais que me deram a vida e me ensinaram a vivê-la com dignidade. Não bastaria um obrigado, mas o desejo de que Deus os tenha. Ao Duda, meu marido, companheiro com o qual construí nossos ideais, incentivandome a prosseguir na jornada, fossem quais fossem os obstáculos, estimulando-me, compreendendo-me e mantendo-se sempre ao meu lado. Ele me fez viver no seu amor, e hoje, vive na minha lembrança. Aos nossos 16 filhos que participaram da nossa vida dando-nos a alegria dos seus nascimentos e de uma convivência com muita união e solidariedade, plena de realizações. Que Deus os faça continuar unidos e na melhor paz pelas gerações futuras.


Dedico este livro: ao meu marido Rodolfo Francisco de Souza Filho, a quem devo todos os méritos de nossas conquistas e aos nossos filhos Anselmo José, Heitor Rodolfo, Vilson Luiz, Maria Aparecida, Sérgio Fernando, Sônia Regina, Armando César, Denise Verônica, Rui Leopoldo, Renê Murilo, Renato Maurício, Rodolfo Francisco Neto, Adelina Scheila, Roberto Eduardo, Adriana Beatriz e Marco Aurélio.


s vezes reporto-me no tempo e vejo-me, ainda criança, extasiada a olhar minha mãe sem que ela o percebesse. Meus olhos, ainda imaturos, viam brilhar, naquele ser que tanto amava, uma estranha luz, uma força inaudita de que meu pouco conhecimento da vida não me permitia adivinhar a origem. Nascida em uma época em que as mulheres eram tratadas como seres frágeis, desprovidos de ação e iniciativa própria, minha mãe, sem dúvida alguma, é o símbolo perfeito da exceção. Ela nunca encontrou – mesmo porque não lhe era do feitio – muito tempo para modismos e obrigações tão propalados entre as outras mulheres. Dela se desprende uma energia única, peculiar às pessoas fortes e conscientes do que enfrentar nas lutas da vida. Ela queria – e sempre quis – vencer. Não por vaidade, ambição, ou simplesmente, por uma satisfação egoísta e pessoal, mas principalmente pelos filhos, para legar-nos o sólido exemplo de vida que hoje ela é. Impelia-a à luta insana no alcance deste objetivo, a sua maternal preocupação com o futuro e a segurança de cada um de nós, seus filhos. A sua decisão de vencer na vida não consistia em um destes sonhos fúteis, que se curva e se parte com o vendaval das dificuldades. Ela estava ciente, como nenhuma outra mulher do nosso meio, que a vitória dependia de sua criatividade, de uma imaginação fértil e, sobretudo, de muita, muita persistência. E, à minha mãe Deus concedeu estes atributos, sem limitações. Como um junco vergava-se às tormentosas vicissitudes da vida, mas logo após, erguia-se majestosa, firme como um carvalho, disposta a levar até o fim a missão que Deus lhe confiara. Minha mãe nunca teve tempo para fragilidades ou futilidades. Eu a olhava, tentando compará-la àquelas mulheres-bibelôs das famílias prósperas que nos rodeavam, àquelas mulheres, plenas de uma sensibilidade vazia e sem sentido. Sentia em mim a inutilidade


de tal comparação. Às vezes, ela me via absorta nesta contemplação e sorria. Eu me via, então, embalada no seu sorriso franco, no seu olhar de porto seguro que amparava a todos nós, ao meu pai e a meus irmãos, diante das dificuldades da vida. A sua presença sempre me inspirou segurança, força, determinação. Foi esta presença constante, esta coragem e, sobretudo, o amor imenso que mora em seu peito, que uniu, de forma indissolúvel, a nossa família. Assoberbada por uma constante diversidade de afazeres e compromissos, é de se pensar que minha mãe não tivesse tempo para a Poesia. Que a Poesia se esqueceria dela e não a visitaria jamais. No entanto, a Poesia visitou-a a cada momento de sua vida, através da dedicação e do amor de meu pai-poeta. Ele, através de sua sensibilidade, vislumbrou nela a própria essência da Poesia e, com a beleza de seu amor, fez dela a sua Musa. Não de uma poesia débil, sentimentaloide, construída de lágrimas furtivas. Para meu pai e para nós, minha mãe é lírica. Poesia dos fortes, dos que se agigantam no mundo e tornam-se modelos de vida na alma de cada pessoa que a cerca. Uma Poesia pura, radiante, alegre, plena de luz e amor pela vida e por todos nós que temos a felicidade de ser seus filhos. Uma Poesia que se irradia sobre cada membro de nossa família, passeia pelos jardins de nossa casa e inunda de confiança a todos nós. Perfeccionista por natureza, decidida e corajosa ao extremo, ela nunca permitiu que em seu dicionário de vida fossem registrados dois termos: “mais ou menos” e “impossível”. Ao “mais ou menos” ela reage com firmeza, afastando-o de si e de seus feitos, exigindo de todos o melhor, a perfeição. Se as coisas podem ser bem feitas, por que aceitar o mais ou menos? Creio eu que este sempre foi o lema por ela adotado e imposto àqueles que com ela convivem, tanto em nossa casa, como nas empresas que ela dirige com pulso firme. Quanto ao “impossível”, ela enfrenta-o com luta, paciência e perseverança que a faz obter sempre, ao final, o que deseja. Nunca houve e não haverá “impossível” que resista diante da coragem, persistência e disposição de minha mãe. Que o impossível se torne realidade... mas com perfeição! Esta determinação, este posicionamento de vida, concretiza-se nas mínimas coisas, porque ela sabe mais do que ninguém que os grandes atos são constituídos de pequenas e significativas ações.


Ela disse uma vez, brincando: “na próxima encarnação, eu vou ser construtora, engenheira ou arquiteta”. Agora eu sinto que ela se enganou nesta afirmação. Nunca iria esperar sentada a próxima encarnação, porque, ela nunca foi de esperar: sempre foi uma mulher de agir. Por isto, minha mãe é, hoje, no presente, para nós, uma construtora de sabedoria e vida, uma engenheira do amor que arquitetou o nosso viver com carinho e dedicação. Ela que tanto sabe o valor das pequenas coisas, construiu a nossa vida, - a vida de seu marido e de seus dezesseis filhos – com os pequenos tijolos do amor. Soldouos em cada uma de nossas existências com a argamassa da paciência, do respeito e da alegria de viver. Esposa, mãe, empresária e dona de casa. Todas estas atividades exercidas com perfeição, paciência, carinho. Às vezes, eu me pergunto de que forma ela conseguiu exercer, simultaneamente, estas atividades sem que uma interviesse, ou prejudicasse a outra. Outras vezes, eu tomo em minhas mãos o “álbum da vida” que ela elaborou, paciente e cuidadosamente, para cada um de nós, seus filhos, livro este que registra dados minuciosos de nossa infância e que nos é entregue ao completarmos os 15 anos. Neste “álbum da vida”, eu não leio apenas os dados da minha infância: nele estão registrados, de forma muito mais explícita, o carinho, o desvelo, a dedicação e, principalmente, o seu imenso amor. É por isto tudo, mãe, pelo exemplo dignificante, pelas lições que a senhora esculpiu em nós, durante toda a sua vida, que fiz esta apresentação para o seu livro. Também sou mãe e sei que não existem palavras que exprimam o que cada um de nós, seus filhos, sentimos. Aflora-me, porém, uma palavra aos lábios. Simples e singela ela poderá, talvez, traduzir a imensidão da gratidão que existe em nós: obrigado. Obrigado pela indescritível felicidade que a senhora nos dá por ser nossa Mãe. Maria Aparecida de Souza Zanatta (Tida) 1996


uando mergulho no tempo, extasio-me ao lembrar de minha mãe, de sua luz e de sua força inaudita, que embalavam meu mundo infantil. Ela nos deixou, mas a vida não parou porque, encantada, como ficam as pessoas que a gente ama, continua presente aqui mesmo, agora mesmo. Sua capacidade de amar e realizar foi tanta, que acabou indo além da existência física. Ela continua uma presença perene - às vezes intensa, às vezes suave, mas sempre constante - como uma fonte inesgotável de brilhantes ensinamentos. Adelina é, pois, nosso grande exemplo de ser humano. Hoje, vejo a sua verdade com a maior transparência e percebo que todas suas ações, mesmo as que não entendia, eram imbuídas do mais profundo desejo de fazer o bem. Ela era e, para nós, permanece a mulher mais virtuosa e mais determinada, que faz de cada um de nós, seus descendentes, um apaixonado por sua história. Para mim e para meus irmãos, a lembrança de sua presença será sempre uma inspiração suave e verdadeira, uma brisa contínua e acalentadora. Conforta-me lembrar que ela foi capaz de cativar o amor e o respeito de toda uma família, uma comunidade, uma corporação. E quando lembramos isso, é com orgulho genuíno, reverência e honra. Sempre que encontramos um amigo ou um parente, sinto como é doce compartilhar dessa íntima grandeza. Seu maior desejo e, também, seu maior empenho era manter a família unida, como se sua missão houvera fracassado caso um elo se rompesse. Seu poder aglutinador, como a força de um ímã potente, fazia para ela convergirem filhos, noras, genros, netos e bisnetos.


Seu coração amoroso detectava conflitos, e sua habilidade conciliadora restabelecia a harmonia. Esse, aliás, era o tema recorrente nos últimos anos de sua vida. Violar a paz familiar era um sacrilégio, para quem cultuava a união, a solidariedade, a fraternidade, a capacidade de perdoar como um sacrossanto mister. Nada, nada lhe importava mais que ver seus dezesseis filhos reunidos e... em paz. Esse foi, e é sem dúvida, seu maior legado. Sua vida, agora, parece um livro aberto, feito de caminhos suaves e sólidas conquistas, embaladas por sua contagiante perseverança, pelo amor que nutria por seu poeta Duda, nosso querido pai, e por toda sua família. Ao lembrar-me dela, seu amor se renova consubstancia e se eterniza, como uma marca compromisso. Sei que a gente pode retornar para o tudo se origina - a essência do nosso ser - que nos além da vida.

em mim, se e como um lugar de onde faz tão iguais,

Orgulhas-me muito, minha mãe! São permanentes tua doce companhia e teu exemplo porque mantenho o culto de tua memória e o teu exemplo. Aqui e agora. Para todo o sempre.

Maria Aparecida de Souza Zanatta (Tida) 2010


"Retrato de Família" é a história da minha vida e da minha família. Ao publicá-la não quero, apenas, relatar fatos que mostrem o caminho percorrido desde os primeiros anos de idade, mas, muito acima disto, transmitir as lições que a vida me ensinou e que permitiram atingir meus objetivos. Quero, também, demonstrar que é perfeitamente possível elevar-se, por seus próprios esforços, a qualquer momento, pela aplicação perseverante da máxima de que "Querer é Poder". Procurei narrar episódios da minha vida familiar, conjugal e empresarial, desdobrando a obra em capítulos, mesclando fatos com pensamentos e reflexões sobre como proceder para alcançar a meta desejada. O principal objetivo deste trabalho é propiciar ao leitor interessado informações da minha experiência e deixar registrado aos meus filhos, netos e bisnetos, o testemunho incontestável de que viver vale a pena, sempre que o amor, a fé e a perseverança forem nossos guias. A essência do livro é a verdade contida no versículo bíblico que diz: "Deus dá aos que seguem os seus mandamentos e aos humildes nos seus aceitamentos, a honra da vitória". Foi o que consegui. Nem sempre só os grandes escritores publicam seus livros. Escreve um livro todo aquele que quer deixar registrado algo que pretende ou pode transmitir aos outros. A princípio, eu não acreditava na possibilidade de escrever este livro: era um sonho, hoje é uma realidade. Esta obra tornou-se possível pela percepção dos fatos do cotidiano, através dos quais procurei analisar a vivência das pessoas que me são caras. Entre a rememoração, tempo, pesquisa e a composição do livro, passaram-se cinco anos. Isto prova que escrever um livro não é tão fácil. A força de vontade e a determinação foram os principais ingredientes para a conclusão da tarefa. Inspirou-me sempre uma citação da Bíblia: "Vai, pois, escreve isso numa tabuinha perante eles. Escreve-o num livro, para que fique registrado para os dias vindouros. Para sempre, perpetuamente". (Isaías 30:8) Adelina Clara Hess de Souza


Índice

Capítulo I MEUS ANTECEDENTES Família Hess ................................................................... Família Trierweiler ........................................................... Leopoldo Hess, Meu Pai ................................................... Verônica Hess, Minha Mãe ............................................... Meus Irmãos ...................................................................

22 27 29 32 35

Capítulo II MINHA VIDA Minha Infância ................................................................ Adolescente ..................................................................... Minha Juventude ............................................................ Encontro Feliz ................................................................. O Noivado ........................................................................ O Casamento ................................................................... Ariana ou Pisciana? .........................................................

38 45 48 53 56 57 62

Capítulo III SER MÃE, UMA DÁDIVA Nossos Filhos .................................................................. Anselmo José .................................................................. Heitor Rodolfo ................................................................. Vilson Luiz ...................................................................... Maria Aparecida .............................................................. Sérgio Fernando .............................................................. Sônia Regina ................................................................... Armando César ................................................................ Denise Verônica ............................................................... Rui Leopoldo ................................................................... Renato Maurício .............................................................. Renê Murilo ..................................................................... Rodolfo Francisco Neto .................................................... Adelina Scheila ................................................................ Roberto Eduardo ............................................................. Adriana Beatriz ............................................................... Marco Aurélio .................................................................. Data, Hora, Local de Nascimento e Santo do Dia .............. Álbuns de Fotografias e da Vida ....................................... Repreendendo e Educando com Amor ..............................

68 70 74 77 81 85 88 91 94 97 100 103 106 109 112 115 118 121 124 126


Capítulo IV A POESIA EM MINHA VIDA Rodolfo Francisco de Souza Filho, Meu Marido ................. Seus Carinhosos Versos .................................................. Comemoração dos Seus 70 Anos ...................................... O Recanto do Tio Duda .................................................... Duda – Muita Saudade .................................................... Momentos de Carinho ......................................................

130 133 136 138 142 145

Capítulo V RELIGIÃO A Presença de Deus em Nossas Vidas .............................. Um Domingo de Cada Semana ........................................ Oração em Família .......................................................... Uma Vida Bem Vivida e a Eficácia da Oração ................... Equipes de Nossa Senhora .............................................. A Vida de São Francisco .................................................. A Vida de Santa Clara ......................................................

148 150 152 157 159 162 164

Capítulo VI NOSSAS BODAS Prata ............................................................................... Pérola .............................................................................. Safira .............................................................................. Rubi ................................................................................ 44 Anos de Casamento .................................................... Topázio ............................................................................

167 169 169 170 172 173

Capítulo VII NOSSAS MORADAS Luís Alves, Terra Natal ..................................................... Mudança para Blumenau ................................................ Lar, Doce Lar ................................................................... Nossa Casa de Praia ........................................................ Agradecimentos ............................................................... Blumenau, Cidade Jardim ............................................... Nosso Jardim .................................................................. Enxaimel Centenário – uma polêmica ..............................

176 179 181 185 194 196 197 203


Capítulo VIII AS EMPRESAS Origem e Expansão do Grupo Dudalina ........................... Hotel Himmelblau ........................................................... Hotel Fazenda Santo Antônio ........................................... Patchwork ....................................................................... Empresa Familiar e a Sucessão .......................................

207 218 221 224 226

Capítulo IX A DETERMINAÇÃO PARA O SUCESSO Empresária ..................................................................... Meu Trabalho e Minhas Decisões ..................................... Aproveitar o Tempo .......................................................... Excelência no Trabalho ....................................................

229 231 233 234

Capítulo X CONSTRUÇÕES Minhas Construções ao Longo da Vida ............................. História com Final Feliz – reforma da casa de Luís Alves .. Empreendimentos Imobiliários ......................................... Centro Empresarial Dudalina ..........................................

236 239 241 243

Capítulo XI MATURIDADE Nossa Terceira Idade ........................................................ Aposentadoria ................................................................. Envelhecer ...................................................................... Ser Avó ............................................................................

246 249 251 252

Capítulo XII MINHAS REFLEXÕES A Crise da Sociedade Contemporânea .............................. A Modernidade ................................................................ A Vida, o Amor e Memórias .............................................. Perdão ............................................................................ A Árvore .......................................................................... Sucesso Profissional ........................................................ Boazinha com Todos, Menos Consigo Mesma ...................

255 256 257 259 260 261 264


Mãe, Mulher e Esposa ..................................................... Mãe ............................................................................ Mulher ....................................................................... Esposa .......................................................................

267 268 271 272

Capítulo XIII LAZER Natal em Família ............................................................. Ano Novo ......................................................................... Nossas Viagens ................................................................ Pelo Brasil .................................................................. Pela Europa ................................................................ Pelos Estados Unidos .................................................. Os Meus 70 Anos .............................................................

274 279 281 281 285 290 294

Capítulo XIV REPORTAGENS, ENTREVISTAS, PALESTRAS, HOMENAGENS E PREMIAÇÕES A Satisfação pelo Reconhecimento ................................... Filme “Gente Que Faz” .................................................... Quando Fui Notícia ......................................................... Título de Cidadã Benemérita de Luís Alves ....................... Chá Beneficente ..............................................................

301 308 314 319 323

Capítulo XV GRATIDÃO Gratidão .......................................................................... Minha Fiel Colaboradora Carmem Marquetti .................... Os Médicos da Família ..................................................... Encerrando .....................................................................

327 329 331 335

Capítulo Especial UMA FAMÍLIA EM RETRATOS Uma Família Em Retratos ................................................

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CapĂ­tulo I


eus bisavós, José e Mariana Hess, vieram da região entre a fronteira de Luxemburgo com a Alemanha. Por volta de 1875, embarcaram para o Brasil, logo após seu casamento, desembarcando no Porto de Paranaguá. Fixaram residência em Curitiba no Paraná, onde constituíram família. Do seu casamento nasceram 6 filhos: Valentim, João, Jorge, Ernesto, Rosa e Benevenuto.

Família Hess – Leopoldo Hess (de pé, ao fundo, à direita)

Valentim Hess, meu avô, foi um dos pioneiros de Luís Alves, para onde se mudou ainda jovem. Casou-se com Tereza Kosa, - 22 -


nascida em Pomerode, filha de Ana e José Kosa. Para se casarem no civil, viajaram a cavalo até o cartório de Gaspar. Tiveram 9 filhos: Bruno, casado com Irene Pfleger; Paula, com Vendelino Schweitzer; Leopoldo, meu pai, com Verônica Trierweiler; Rodolfo, com Vitória Dal Ri; Arnoldo, com Lydia Wust; Ines, com Paulo Kraisch; Clara, com Bertoldo Wust; Elvira, com Antônio Wust e Hildegard, falecida ainda criança. Valentim Hess estabeleceu-se com casa de comércio, na localidade de Vila do Salto, em Luís Alves. Comprava toda a produção dos agricultores: ovos, manteiga, milho, feijão, melado de cana e cachaça, e fornecia-lhes todos os mantimentos. Eram relações de permuta, onde circulava muito pouco dinheiro. As contas eram ajustadas anualmente. Luís Alves fica no Vale do Itajaí e, nesta época, iniciava sua colonização, recebendo imigrantes alemães, italianos e poloneses que se fixavam nos diversos “braços”, formados por vales dos afluentes do rio Luís Alves, em terras acidentadas e virgens. As roças eram feitas nas encostas das montanhas, com baixa produtividade. Por longo tempo, uma das principais atividades do município foi a extração de madeiras. Conheci meus avós já idosos. Nossas casas ficavam próximas e, quando criança, ia muito à casa deles. Vovó era muito atenciosa com os netos e sempre oferecia um doce, ou qualquer outra guloseima. Vovó Tereza era incansável no trabalho e exigia que todos a acompanhassem. Participava muito pouco das lidas do comércio. Dedicava-se às atividades da casa e à lavoura. Vovô Valentim era carinhoso, dava sempre um dinheirinho para os netos, enquanto vovó era muito econômica. Meu pai, Leopoldo, foi o filho que mais o auxiliou nos negócios, e ao se casar, foi estimulado a estabelecer seu próprio comércio. Meus avós e meus pais só falavam o alemão em casa, por isto, ainda criança, aprendi esta língua, com facilidade. Meus avós foram um casal caprichoso, pois lá pelos idos anos 1910 já mandavam os filhos estudar em Blumenau. Papai contava que ele, juntamente com o tio Arnoldo, foram internados no Colégio Franciscano Santo Antônio, de Blumenau. - 23 -


Não se adaptando à disciplina rígida do internato, no primeiro mês, fugiu do colégio e retornou para casa. Meu avô, de forma enérgica, o fez retornar ao colégio e, de castigo, obrigou-o a fazer o percurso de 32 quilômetros a pé. Também minhas tias Clara (minha madrinha) e Elvira foram internas no Colégio Sagrada Família, das Irmãs da Divina Providência. Vovô possuía uma serraria na localidade de Braço Miguel e a madeira serrada era transportada de balsa até Itajaí, onde era comercializada. Na maioria das vezes, os produtos coloniais seguiam o mesmo trajeto, pela precariedade das estradas que, na maior parte do ano, eram intransitáveis. A casa deles era muito ampla e construída de alvenaria, adquirida de um médico, Dr. Wenzel, quando voltou para a Alemanha. Junto com a casa ficaram os móveis que eram belíssimos. Havia uma penteadeira, na qual aos domingos eu gostava de provar os chapéus da minha avó e me achava muito bonita, ao colocá-los na cabeça (eu deveria ter uns doze anos). As paredes da sala eram pintadas com afrescos e desenhos clássicos. As porcelanas e objetos de cristal estavam em cristaleiras antigas com portas de vitrô. As cômodas tinham tampas de mármore de Carrara. Gostaria muito de possuir, hoje, aqueles móveis. Tenho muito boas lembranças daquele tempo.

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Hist贸ria do sobrenome Hess


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Hist贸ria do sobrenome Trierweiler


a fronteira da França com a Alemanha existe uma vila com o nome de Trierweiler-Dorf, onde nasceram meus bisavós. O casal, Cristoff Trierweiler e Catarina Stok, imigrou para o Brasil e aportou em Desterro, hoje Florianópolis. Daí, o governo o encaminhou para as zonas de colonização alemã, mais especificamente para a região de São Pedro de Alcântara, onde nasceram meus avós Nicolau Cristóvão e Maria Nekel, ambos lavradores.

Família Trierweiler - Verônica Trierweiler (a segunda mulher de pé à direita)

Ao se casarem, vieram morar em Belchior, município de Gaspar, onde até hoje ainda existe a casa enxaimel. Foi um casal muito trabalhador, religioso e determinado. Eram muito - 27 -


estimados pelos vizinhos e sempre estavam dispostos a ajudar a todos. Minhas tias contavam que eles eram periodicamente visitados por padres, principalmente por frei Modestino Franciscano, que lhes queria muito bem e, geralmente, se hospedava em sua casa. Nicolau e Maria Trierweiler tiveram 9 filhos: Verônica, minha mãe, casada com Leopoldo; Rosalina com Gerônimo Zenf; Ana Maria com Francisco Schwabe; Sofia com Bernardo Henschen; Filomena com Egídio Valdick; Emília com Martin Longem; Nicolau com Gertrudes Thiesen; José com Maria Trierweiler e Davi com Regina Valdick. Eu conheci meu avô Nicolau Cristóvão já com cabelos e barba branca. Era um homem bonito, como se pode ver nas fotografias. Minha avó Maria Nekel era uma mulher quieta muito querida e tímida, seu gênio era o de uma Santa. Com 6 anos, meus pais me levaram para sua casa em Belchior, para frequentar a escola ali perto. Tia Emília enviuvara e morava com eles: era muito enérgica. Minha felicidade se completava quando, às vezes, aos domingos, meus pais nos visitavam com um Ford 1930, mas eu ficava muito triste e saudosa quando eles retornavam para casa.

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eu pai era um homem agradável, sincero, honesto, dinâmico e enérgico. Alto e forte, porém magro. Determinado, exigia muito das pessoas com quem trabalhava. Uma de suas grandes qualidades era a sinceridade. Não tolerava a mentira e sempre dizia o que pensava, independente das consequências. Gostava de conversar e sempre procurava aprender mais, fazendo amizades com facilidade. Foi um realizador incansável. No início do casamento trabalhava com meu avô. Em 1926, quando eu estava por nascer, comprou uma pequena casa de comércio de Felício Fiorezani, próxima da casa de meus avós. Receoso, pois minha mãe nunca trabalhara no comércio, encorajou-se e fez a compra. Foi um grande desafio, mas os negócios prosperaram rapidamente, em face do talento de ambos para o comércio. Adquiriram muito prestígio junto aos agricultores e passaram a concentrar a maioria dos negócios do município. Compravam toda a produção dos colonos: milho, arroz, feijão, melado de cana, cachaça, porcos, galinhas, ovos, manteiga e gado, e os abasteciam de toda sorte de mercadorias: tecidos e fazendas, ferramentas, sal, querosene, trigo, calçados, chapéus, carne seca, remédios, louças, panelas, etc.. Foi um dos primeiros comerciantes do Estado a adquirir caminhões, com os quais transportava as mercadorias. Como

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estava constantemente nas praças de Itajaí, Blumenau, Joinville e Jaraguá do Sul, era um homem bem informado. O grosso do comércio era a compra e venda do açúcar, produzido pelos colonos. No final dos anos 30, houve uma alta considerável do produto e, tomando conhecimento do fato, mandou seus empregados comprarem todo o açúcar que podiam, formando um grande estoque do produto. Como esperava, a alta se materializou e aí então vendeu todo o estoque pelo novo preço, ganhando muito dinheiro, o que lhe possibilitou ampliar consideravelmente os negócios. Passava, agora, a ser procurado pelos grandes compradores e empresários do Estado, sendo convidado para novos empreendimentos, ou discussões políticas. Em 1932 construíram uma ampla casa de alvenaria, com dois pavimentos, na qual ficava a “venda”. Tinha seis quartos, salas, escritório, sala de jantar, cozinha e banheiro, já todos azulejados (novidade na época). Em 1936 comprou um ônibus de passageiros, uma espécie de “jardineira” que, além de transportar mercadorias e pessoas, fazia o correio entre Luís Alves e Itajaí. No ano seguinte adquiriu mais um ônibus para fazer a linha entre Luís Alves e Blumenau. Papai era bastante arrojado. Na sua época chegavam novos agricultores a Luís Alves que o procuravam, solicitando auxílio. Comprava-lhes engenhos, madeiras, telhas, juntas de bois, ferramentas e abria-lhes crédito no comércio, para que pudessem começar suas vidas. Financiava tudo isto em troca de lavouras. As atividades do comércio exigiam de 12 a 15 empregados que, na época, trabalhavam pelo menos 12 horas por dia. Os empregados moravam e se alimentavam em nossa casa e nas instalações feitas para eles. Sempre foi amigo dos empregados e, mesmo sendo patrão, punha a mão na massa, trabalhando com eles. Era uma pessoa respeitada pelo seu caráter e pela sua permanente disposição de ajudar os outros, principalmente os pobres e humildes que se chegavam a ele.

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Nos fins de ano, quando os seminaristas vinham para suas férias, não raro era procurado para auxiliá-los no custeio das anuidades do seminário. Além de roupas e sapatos, normalmente, dava-lhes dinheiro. Por isso foi convidado para apadrinhar diversas ordenações sacerdotais. Também era personalidade indispensável nos casamentos locais. E, entre afilhados de batismo, crisma e de casamento, pode-se contar mais de uma centena. Foi ele quem aperfeiçoou as comunicações entre Luís Alves, Itajaí e Blumenau. Além de pessoas e mercadorias, também transportava a mala postal dos correios. Foi eleito Conselheiro (vereador) para a Câmara de Vereadores de Itajaí e reeleito por mais um mandato. Era o líder político do município. Teve grande atuação nas questões comunitárias e políticas da época e foi um dos fundadores do extinto Banco Inco. Em Itajaí existe uma rua com seu nome. Preocupado com a formação dos filhos, colocou-nos nos melhores colégios da vizinha Blumenau, onde todos concluímos o curso ginasial. Para nós foi um grande pai: era carinhoso e também muito exigente, tínhamos por ele um grande respeito. Deixou grandes lições de vida, tanto de trabalho, quanto de humanidade e nos legou um nome do qual todos nos orgulhamos.

Meus pais, vovó Hess, filhos, genros e netos em 1952

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embro-me de minha mãe com um amor muito grande. Chamo-a de minha Santa Mãe. Era de estatura média, muito bonita, conservando a sua beleza até o fim da vida. Cuidava da aparência e sempre mantinha a elegância, vestindo-se apropriadamente. Quando eu era menina, às vezes viajava com mamãe para Blumenau, onde ela costurava suas roupas nas melhores modistas. Era pessoa virtuosa, de caráter e nobre de sentimentos. Era extremamente religiosa. muito atenciosa e amorosa com todos os sete filhos, Elvira, Anselmo, Adelina, Alzira, Almiro, Nair e Ademar. À noite, fazia questão que tomássemos a bênção dela e de papai antes de nos deitarmos. Também era muito rigorosa e não raramente usou de palmadas para nos educar. Quando criança, eu sofria muito com a ideia da sua morte, pois temia perdê-la. Ela sempre foi o meu modelo de mulher, esposa, mãe e empresária. Tive com ela uma relação muito especial e sempre que precisei dela, especialmente na gravidez e partos, estava incondicionalmente ao meu lado. Não era muito comum, nas famílias de origem germânica, os casamentos com “brasileiros”. Quando iniciei meu namoro com o Duda, ela prontamente concordou e, mais tarde, apoiou o nosso casamento. Tinha confiança em mim e sabia que o que eu estava fazendo era o melhor e, se fosse o melhor para mim, bastava para ela. Ajudou-me a preparar o enxoval e me acompanhou nas compras, incentivando-me sempre a comprar o - 32 -


melhor. Dizia que o preço era importante, mas que deveria olhar também a qualidade, durabilidade e beleza das coisas. Com a compra da casa de comércio em 1926, teve que mudar sua rotina. Filha de colonos, não possuía experiência no comércio. Mas isto não era obstáculo e, sim, um desafio, que venceu com extrema competência. Era bondosa e cativava pela simpatia. Eu vivi o exemplo de mãe e pai trabalhadores e, não resta dúvida, tinha que herdar deles o espírito empreendedor. Levantava-se às cinco horas da manhã e junto com meu pai iniciavam a sua jornada. Bem cedo, cuidava do café da família e dos empregados, determinava o almoço e, lá pelas seis horas, já estava na venda, atrás do balcão, atendendo os colonos. Além das vendas e da administração dos balconistas, cuidava também da compra de tecidos, roupas, armarinhos e outras utilidades. Exigia dos empregados trabalho, respeito e disciplina e fazia com que todos mantivessem a ordem e limpeza nos seus locais de trabalho. Não me lembro de uma única vez em que tenha sido deixada para o dia seguinte a arrumação e a limpeza da casa de comércio. Se o trabalho era muito, os balconistas tinham de ficar até mais tarde, para deixar tudo em ordem e limpo, para começar corretamente o dia seguinte. Era muito ciosa das suas responsabilidades de mãe. Cuidava da nossa educação e saúde com um rigor muito acentuado. Comprava as melhores roupas e acompanhava nossos estudos. Quando terminamos em Luís Alves o primário, mandaram-nos fazer o ginásio em Blumenau. Queriam preparar-nos para a vida e também exigiram que fizéssemos cursos de piano, corte e costura e administração do lar. Em 1947, após meu casamento, mudaram-se para uma ampla casa em Blumenau, situada na principal rua da cidade: a 15 de Novembro. Com isto mamãe alterou, novamente, completamente sua rotina. Dividia seu tempo em acompanhar papai na administração de suas propriedades e visitar as filhas e os netos, por quem tinha um enorme carinho e lhes dava toda atenção. Uma das atividades que lhe dava mais prazer era a organização do Natal dos pobres em Luís Alves. Como era bastante conhecida no comércio de Blumenau, visitava as lojas - 33 -


pedindo uma prenda, um presente para distribuir. Com a lista na mão ia arrecadando os brindes: camisetas, tecidos, sapatos, café, chocolate, brinquedos e outras utilidades. Como tinha catalogado as famílias que iriam receber os presentes, passava a organizar os “pacotes”. As coisas que faltavam ela comprava e assim completava os presentes. Punham os pacotes no carro, em uma, duas, três viagens e iam de casa em casa distribuir os presentes para as famílias e, sempre, levavam separado balas para as crianças. Ver o sorriso estampado no rosto destas crianças era uma das maiores felicidades da sua vida. Mamãe e Papai visitavam-nos em Luís Alves, semanalmente, e gostavam de estar sempre em contato com a família. Sempre traziam uma bala ou um chocolate para os netos. Gostavam de saber como estavam os negócios, aconselhando-nos como deveríamos proceder e, não raro, advertiam-nos e orientavam por erros cometidos. Se precisássemos de dinheiro, eles nos emprestavam, a juros menores que os bancos. Tinha uma atenção e um carinho especial pelas filhas e sempre esteve ao lado delas nos partos, quando então assistia a parturiente e o bebê, auxiliando ainda na administração da casa. Ela é quem dava o primeiro banho no bebê, colocava-o para sugar o seio e era a primeira a parabenizar os pais. Providenciava lanches e almoços saborosos e os sonhos que fazia eram inesquecíveis. O tratamento era impecável. Até hoje sinto muito sua falta. Nos verões, passávamos alguns dias em sua ampla casa de praia, em Piçarras e quando voltávamos para o trabalho ficavam com os netos. A companhia constante de papai e mamãe foi muito importante na educação de meus filhos, pois tiveram não só o exemplo, como também desfrutaram do carinho e convivência de avós muito amorosos.

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M

eus pais tiveram sete filhos: três homens e quatro mulheres. Elvira Philomena, minha irmã mais velha, estudou seis anos no Colégio Sagrada Família, alguns dos quais passamos juntas, época em que me protegia, pois eu era muito pequena. Casou com Leonardo Martendal e tiveram seis filhos. Anselmo José – meu “irmão mais velho”. Estudou no Colégio Santo Antônio e era “vascaíno doente”. Como filho, foi orgulho dos nossos pais e era querido, carinhoso e afetivo. Em 1942 foi estudar engenharia no Rio de Janeiro, pois não havia faculdade em Blumenau. Mesmo longe de casa, persistia nos estudos, pois era sonho seu ser engenheiro e proporcionar essa alegria aos nossos pais. Porém, quis o destino que sua vida fosse ceifada aos 20 anos, num acidente no exército, em Vitória. Foi um duro golpe que a vida nos deu. O terceiro filho, na ordem cronológica de nascimento fui eu, Adelina Clara. Como minhas irmãs estudei no Colégio Sagrada Família. Casei com Rodolfo Francisco de Souza Filho (Duda) e tivemos dezesseis filhos. Alzira Maria, minha irmã do meio é dois anos mais nova que eu. Estudamos juntas no Colégio Sagrada Família, e Alzira foi minha companheira de juventude. Casou muito cedo com Walmor Silva, companheiro do Duda. Tiveram quatro filhos. Almiro Mário – o quinto filho da família. Estudou também no Colégio Santo Antônio e mais tarde no Colégio D. Pedro II, quando nossos pais já moravam em Blumenau. Casou-se com Dulce Novo e morou por muito tempo em Curitiba. Tiveram três filhas. Após separarem-se, Almiro uniu-se à sua atual companheira, a artista plástica Dalva Bento Gonçalves, com quem teve um filho. Nair Verônica é a quarta e a mais nova mulher da família. Estudou interna no Colégio Sagrado Coração de Jesus em - 35 -


Florianópolis e, como era a caçula, teve o cuidado de todos os irmãos. Casou-se com Orlando Olinger, que Duda chamava de “fidalgo”. Tiveram seis filhos. Ademar José é o caçula dos irmãos. Por ser o mais moço era muito mimado por nossos pais. Também estudou nos colégios Santo Antônio e D. Pedro II. Casou-se com Carolina e tiveram quatro filhos. Tenho lindas lembranças dos anos felizes que passamos juntos, de nossas brincadeiras e do afeto que nos unia. Ainda hoje nos encontramos com frequência. Os sete filhos deram quarenta netos para Leopoldo e Verônica Hess.

Duda, eu, meus irmãos e cunhados, numa reunião familiar

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CapĂ­tulo II


eu nascimento aconteceu no dia 20 de março de 1926, na localidade de Salto, em Luís Alves (na época município de Itajaí), às 6 horas da manhã, numa quinta-feira. Fui batizada em 30 de março de 1926 na Igreja São Vicente de Paula, em Luís Alves. Meus padrinhos foram minha tia paterna Clara e seu marido Bertoldo Wust. Meu nome: Adelina, de Adelaide, significa semblante, porte garboso, distinto, fidalgo ou de linhagem nobre (Adel). O segundo nome: Clara, vem do latim clarus, claro, ilustre, brilhante. Em italiano é Chiara e em Aos 3 anos francês Claire. Santa Clara (1194-1253) é o nome da fundadora da ordem das religiosas Clarissas, juntamente com S. Francisco de Assis. O nome Clara foi sugerido por voz misteriosa à sua mãe (mãe de Santa Clara), quando certa vez ela rezava: “Não temas, o fruto do teu ventre será um grande lume que iluminará o mundo todo” (Dicionário do Prof. Mansur Gueirios, editora Ave Maria). De minha infância até 4 anos Primeira comunhão, com meu pouco, ou nada, consigo lembrar. irmão Anselmo em 1933

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Uma das mais remotas lembranças remete-me para um fato que deve ter acontecido aos 5 anos: numa tarde quando minha mãe se encontrava no jardim, eu trazia da venda um par de ramonas (um tipo de tênis estampado que eu achava muito lindo), bem maior do que o meu pé. Eu insistia em ganhar da loja tal romana, contrariando suas ordens. O resultado foram algumas palmadas pela minha teimosia. Também gostava de fugir para a casa dos meus avós paternos que ficava próxima da nossa. O pão da casa da vovó era tão gostoso que nunca esqueci. Por volta de 1935, papai nos levava para um pequeno período de férias na praia de Cabeçudas, em Itajaí, onde ficávamos hospedados no Hotel Zwolfer, no período compreendido entre o Natal e o Ano Novo. Guardo ainda na lembrança as brincadeiras com meus irmãos. Éramos quatro

filhos na época.

Também guardo na lembrança a forma das pessoas se cumprimentarem na passagem do ano, falando umas às outras: “prustneuhar” (Prust neyhar) e que em português quer dizer: “Feliz Ano Novo”. Era uma coisa comum, mas me chamava a atenção, porque achava bonita esta forma de saudação.

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Em 1932, quando completei seis anos, mudamo-nos para a nova casa, feita de tijolos. Era uma construção grande e que levara bastante tempo para ser concluída. Ficava na frente da casa velha, e nós acompanhamos sua construção. Posteriormente, Duda e eu compramos esta casa de meus pais, quando casamos e nela moramos por 22 anos. Estávamos felizes na primeira noite na nova casa: tudo era novo, tudo lindo: móveis, cortinas e um quadro que me chamou a atenção: eram dois anjos, um loiro e um moreno com asas e rostos muito bonitos. Alzira, minha irmã dois anos mais nova e eu queríamos ser aqueles anjos, ela o anjo loiro cacheado e eu o moreno. São-me muito gratas estas lembranças da infância feliz que tivemos. Como não havia escola próxima da nossa casa, em Luís Alves, ao completar seis anos, meus pais matricularam-me numa escola em Belchior, onde fiquei morando com meus avós maternos. Fui estudar numa escola municipal simples e não me acostumava. Chorava muito com saudades de casa. Lembro-me quando, num domingo, meus pais vieram me visitar, com um automóvel Ford 1930, e eu queria, saudosa, voltar para casa. Eles se despediram e me deixaram. Eu chorava, desesperadamente, com saudades e tentei me agarrar ao carro, mas eles, mesmo com o coração partido, me fizeram ficar. A educação dos filhos, naquela época, era muito rígida.

Minha irmã Alzira (11 anos) e eu (aos 13 anos), quando internas no Colégio Sagrada Família

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Ao completar sete anos, meus pais me internaram no Colégio Sagrada Família, em Blumenau. As aulas começavam em 15 de fevereiro. Tínhamos férias de quinze dias em julho, retornando no início de agosto até 15 de dezembro. Eu era a interna mais nova do Colégio e, também, a mais levada. Ser levada, provocar risos era o meu tipo de criança. As minhas colegas me achavam interessante, corajosa e engraçada e eu era benquista entre elas. O número da minha roupa no internato era 61X. Junto comigo no Colégio estava minha irmã Elvira que já era interna dois anos antes. Ela me protegia nas minhas artes e era minha grande amiga. Seu número era 61. Cada uma de nós ficou interna durante seis anos. No ano seguinte, Alzira também foi matriculada. O tempo do Colégio foi um período de muita descoberta e fiz muitas amizades. Levantávamos-nos às 5h30min da manhã. Às 6 horas assistíamos à missa todos os dias. Após o café assistíamos às aulas e, após o almoço, era o período de estudos no internato. Nas sextas-feiras à tarde havia confissões e procurava-se dar uma de santinha, pedindo graças para tirar boas notas e evitar os castigos. Nos estudos sempre me saí bem. Não era a primeira da classe, mas sempre ficava entre as seis melhores. Não era preciso me obrigarem a estudar, pois nisto eu era muito responsável. Com quatorze anos, terminei o ginásio e retornei para casa, desta feita para ajudar meus pais no comércio e na casa. Do tempo do colégio guardo a lembrança de uma professora muito especial: Irmã Clotilde que me protegia e me queria muito bem. Eu a adorava. Ela procurava entender minhas artes. Anos mais tarde, minha filha, Maria Aparecida, que também foi sua aluna, convidou-a para levar suas colegas estudantes numa excursão até a nossa casa em Luís Alves. Foi uma imensa alegria recebê-las. Comemoramos com um caprichado café da manhã, um gostoso almoço e novamente um farto café da tarde antes do retorno. Elas ficaram encantadas - 41 -


com nossas atendimento.

crianças

todas

pequenas

e

com

o

nosso

Como Maria Aparecida era sempre a 1ª da classe, tinha privilégios. As internas saíram muito bem impressionadas e ficaram agradecidas. Alguns dias após, recebi uma carta de agradecimento de Irmã Clotilde que transcrevo a seguir, como forma de rememorar sua lembrança:

Mensagem da irmã Clotilde, minha querida professora. Fui sua aluna de 1936 a 1939. Irmã Clotilde foi professora também de minha filha Maria Aparecida 30 anos depois

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Cartão de bom comportamento, 1937

Disse-me naquele dia: - “Você era uma menina levada, mas querida pelas colegas. Eu tinha certeza de que serias bem sucedida na vida!” Foi muito gratificante receber sua visita, pois aprendi muita coisa com Irmã Clotilde. Como tenho guardado ainda um boletim dos estudos de 1937, achei interessante mostrá-lo. Estudei no Colégio Sagrada Família de 1933 a 1939. Foi este colégio que me preparou para a - 43 -


vida. Tenho grata lembranรงa dos anos maravilhosos que lรก passei.

Meus boletins

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o voltar do Colégio, após os seis anos de estudos e com o ginásio concluído, dispus-me a ajudar meus pais no comércio, onde percebi faltar certa organização e entusiasmo aos caixeiros (vendedores). Estavam acomodados e não correspondiam às necessidades dos negócios. Meus pais ofereceram-me 1% de comissão sobre todas as vendas que fizesse e isso me motivou a ampliar nossos negócios. Com muita disposição, ânimo e força de vontade, consegui, a curto prazo, sucesso nas vendas e no atendimento dos fregueses que, satisfeitos, compravam cada vez mais. A partir daí, não parei mais. Tentei convencer meus pais a comprar um piano, pois havia aprendido a tocar nos anos de Colégio. Desisti, porque sabia que não iria encontrar tempo para continuar estudando. Os anos que passei no Colégio valeram-me muito, porque naquela época era ensinado de tudo um pouco: bordado, tricô, crochê, cerzidos, costura, pintura, música, desenho e o estudo era rigoroso. O Colégio preparou-me e foi muito importante também pelas amizades que conquistei e pela religiosidade que conservo até hoje. Sinto saudades. Ajudar meus pais, aliviando suas cargas e seu trabalho era uma demonstração de gratidão. A comissão sobre as vendas, é claro, reforçou o interesse e o ânimo. Já de manhã, por volta das cinco horas, estávamos de pé e começava a nossa lida: os carroceiros tratando os animais e buscando os produtos agrícolas, os operários iniciando a secagem do açúcar na eira e os balconistas abrindo a venda, para atender os primeiros colonos que já nos aguardavam com suas carroças. Eu procurava atender prioritariamente as famílias, pois com a presença da mulher e dos filhos, eu sabia que as compras seriam maiores, porque influenciariam os maridos. Dito e feito. Lá retornavam eles com as carroças cheias de brim Pedra, morim - 45 -


Ave Maria, xadrezinho Nossa Senhora da Ponte, chapéu Ramenzzoni, sapatos novos, chita para a roupa do dia a dia, fustão para a roupa de domingo, limas Nicholson para afiar as ferramentas e assim por diante. Até remédio vendíamos e, muitas vezes, nos transformávamos em farmacêuticos e mesmo em veterinários com a venda de produtos para animais. Ao final da tarde e começo da noite, convocava todos os balconistas e colocávamos em ordem as mercadorias, para que no dia seguinte as pessoas tivessem uma boa impressão do nosso trabalho. Meu pai sempre nos trazia as novidades das cidades próximas. Pelo rádio a bateria ouvíamos as notícias do país e do mundo. A energia elétrica para a parca iluminação noturna vinha de um pequeno gerador, tocado por uma roda d’água. A vida que levava era alegre e eu sabia viver. Com 15 anos fundei um pequeno clube de vôlei que denominamos “Vôlei Luisalvense” e passávamos os domingos jogando, pedalando bicicleta, fazendo passeios e organizando piqueniques. Mamãe sempre ciosa do seu papel de educadora nos repassava seus valores e nos ensinava para a vida. Dizem que a vida é um dom e é mesmo. É um presente que Deus nos dá de graça sem que tenhamos feito qualquer esforço para merecê-la e que devemos manter a qualquer preço.

Minhas amigas e eu, em frente a Prefeitura de Luís Alves, em 1942

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Esta foto foi escolhida para a capa porque tem significado especial: com esta idade (14 anos) iniciava as atividades profissionais que caracterizaram minha vida.

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inha juventude foi muito alegre, porque eu soube aproveitá-la. Embora morando no interior, sempre havia motivação para me divertir. No período da Segunda Guerra Mundial tinha vontade de me incorporar ao Corpo Expedicionário da Cruz Vermelha, para prestar socorro às vítimas da guerra, porém, meus pais jamais aceitariam. Em plena guerra, era proibido falar alemão, mas era impossível comunicar-se com grande parte das pessoas e dos nossos fregueses, porque eles só falavam o alemão. Houve ameaças e meu pai foi detido sob a acusação de receber ordens do “Führer” através da Deutsche Welle. Foram momentos tensos e humilhantes e grande parte dos imigrantes e descendentes alemães foram discriminados e sentiam-se ameaçados. Houve muito abuso por parte das autoridades. Eu era constantemente convidada para testemunhar casamentos, ou para batizados. Já aos 13 anos tive o meu primeiro afilhado: Bartolomeu Hess, que era também meu primo. No mesmo ano fui Papai e mamãe na formatura do filho Anselmo no Rio de Janeiro, 1943 convidada para testemunhar o casamento de uma prima. Ficava radiante com estes convites, pois isto mostrava que as pessoas, ao me escolherem, me queriam bem. Frequentava as domingueiras e festas de igreja. Embora houvesse pretendentes, não tinha interesse por ninguém. - 48 -


Em 1944, meu irmão Anselmo cursava o 4º ano de engenharia, no Rio de Janeiro. Tinha vinte anos e servia no CPOR. Como estávamos em guerra, foi deslocado para Vitória, no Espírito Santo. Chegara há apenas dois ou três dias e, em 27 de junho, aconteceu um acidente, provocado por estilhaços de uma granada que detonara no momento em que ministrava instruções aos soldados. A granada estava sendo examinada por oficiais do Corpo Maior do Exército, cujos integrantes ficaram mutilados pelo acidente. Anselmo não resistiu aos ferimentos e morreu. A tragédia nos abalou e provocou um sofrimento muito grande em toda a família, especialmente em meus pais. Ele havia estado em casa no final de maio para visitar mamãe que se recuperava de uma cirurgia. Ao regressar, meu pai e eu o acompanhamos até São Paulo. A dor era muito grande e era impossível crer no que acontecera. Meus pais sonhavam vê-lo formado, não medindo esforços para que realizasse seu sonho. Era um ótimo filho, estudioso, querido e um homem exemplar. Ao receber a notícia da morte, meu pai, por intermédio de amigos, Anselmo José Hess - 1944 comunicou-se com Vitória e exigiu que o corpo fosse enviado para Luís Alves. Foi embalsamado e enviado até o Rio de Janeiro, onde permaneceu por uns dias no cemitério São João Batista e de lá embarcou no navio Ana da firma Hoepcke, até o porto de Itajaí, onde um grande número de pessoas o aguardavam. Passando pela Igreja Matriz de Itajaí, Anselmo recebeu uma bênção. Uma multidão o aguardava e, em seguida, foi embarcado num caminhão do exército, coberto com a Bandeira Nacional e transportado para nossa casa em Luís Alves. Foi muito triste sua chegada e grande o nosso sofrimento. O enterro deu-se no dia seguinte. Do dia do acidente até a chegada a nossa casa passaram-se 15 dias. Anselmo deixou um grande vazio na nossa família. O acontecimento foi muito divulgado pelos jornais. - 49 -


No final de 1944 fui convidada para um casamento de uma amiga em Ituporanga. Aceitei o convite e viajei com a famĂ­lia do noivo que, por sinal, eram meus parentes.

Aos 16 anos

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Aos 18 anos.

“... Quando recordo minhas várias faces, relembro a dedicação e o trabalho que exerci no dia a dia, somatórias que construíram a face e a mulher em que me transformei...”

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Na ocasião conheci um jovem, de nome José, que também se encontrava no casamento e veio conversar comigo. Pediu-me em namoro e apresentou-me sua irmã Cezônia, que me convidou para ficar hospedada em sua casa. Com a insistência e sinceridade dela, aceitei. Após cumprimentar sua família, José, Cezônia e eu fomos um parque de diversões em frente à casa deles. Não tardou, alto falante anunciou uma música que José Coelho oferecia jovem Adelina Clara, em visita a Ituporanga. Fiquei contente agradeci. A música chamava-se “Sorriso”, lembro bem.

a o à e

Passei o domingo com a família deles. À noite, José e Cezônia me levaram até a casa dos noivos, onde havíamos marcado o encontro para o retorno. Despedimo-nos e ele prometeu me visitar em breve. Correspondíamo-nos por cartas que vinham e iam semanalmente. Após um mês, José veio me visitar em Luís Alves e passamos um domingo juntos com a minha família. Fiquei muito feliz, vendo que realmente ele gostava de mim. Ainda no final de 1944, por insistência de minha mãe, decidi voltar a Blumenau para aprender corte e costura, bordado e fazer Economia Doméstica. A princípio morei com a família de Franz e Eva Brak, que me dispensavam muita atenção. Aprendi a bordar à máquina com dona Eva e corte e costura com Dona Eugênia Migueis, a melhor modista da região. Recebi o diploma que conservo até hoje. Retornei em 1945 para terminar os cursos, quando então morei com o casal Victória e Willy Sievert. Aprendi muito com este casal, do qual trouxe muita experiência para a minha vida. Concluídos os cursos, retornei para Luís Alves, onde continuei a minha função de balconista e serviços de escritório. A experiência que adquiri na minha mocidade foi importante para o meu futuro e acho que tudo valeu a pena.

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ano de 1945 foi marcado por muitos acontecimentos: término da guerra; queda de Getúlio Vargas; eleições para Presidência da República. Disputavam a presidência o General Dutra pelo PSD e o Brigadeiro Eduardo Gomes pela UDN. Nós apoiávamos o candidato do PSD. Em 28 de novembro realizou-se um comício do PSD em Luís Alves. Vieram lotações de diversas localidades, uma delas de Escalvadinho, distante uns 20 quilômetros de nossa casa. Enquanto os oradores se sucediam no palanque, vejo a me fitar um moço alto, moreno e, elegantemente, vestindo um terno azul marinho. Era o tipo de Primeiro encontro homem que me agradava. Quando nossos olhos se encontraram, nossos corações palpitaram e nossas almas sentiram qualquer coisa que tocava o nosso íntimo. Senti-me logo enamorada. Trocamos olhares furtivos e ficamos apaixonados. Após o comício despedimo-nos com olhares e um aceno de boa noite. Assim aconteceu o nosso primeiro encontro. Passaram-se quase dois meses sem nos vermos. No dia 20 de janeiro de 1946, Alzira e eu fomos à Festa de São Sebastião, na Igreja de Luís Alves. Ao descermos as escadarias, encontramos dois jovens que se dirigiam a nós, e qual não foi minha surpresa quando notei que era “Ele” junto com o seu sobrinho Milton. Meu coração bateu mais rápido e - 53 -


fiquei muito feliz com o reencontro. Depois de nos cumprimentarmos, ficamos juntos à tarde numa conversa agradável. Ao nos despedirmos, fiquei saudosa, porque já gostava do “moreno querido”. Passaram-se mais dois meses e numa bela tarde de domingo, 17 de março, fui surpreendida com a visita do meu “príncipe encantado”, que fora se encontrar com Valmor, noivo da minha irmã Alzira, para ter acesso mais fácil a nossa casa. Ambos estávamos nervosos quando nos encontramos. Convidei-o para entrar e falei que ficasse à vontade. Valmor e Duda nos convidaram para um piquenique numa cachoeira muito bonita, próxima de nossa casa. Duda e eu sentamo-nos sobre uma grande pedra e passamos uma tarde agradável, observando a água, clara e cristalina, correr sob nossos pés. Ela foi testemunha das muitas declarações de amor de duas pessoas que mal se conheciam e que nunca tinham ficado a sós. Em nossos corações acendia-se a chama do amor. Duda prometia me amar muito e por toda a vida e jurava que pelo amor que já me tinha, enfrentaria todos os obstáculos e sacrifícios para que eu pudesse ser dele. Muito ingênua escutava calada suas declarações de apaixonado, quando, num ímpeto ele me surpreendeu com um beijo na boca. Eu fiquei assustada e imóvel, com tanta vergonha que emudeci. Para mim era inadmissível que ele me roubasse aquele beijo, ainda mais que não éramos noivos. Ele notou minha frieza e percebeu que eu era uma moça muito recatada, bem diferente das outras que conhecera. Logicamente, deveria estranhar.

O primeiro passeio

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Começava aqui outra fase da minha vida. Após este encontro, Duda me visitava todos os fins de semana. Chegava aos sábados à noite e se hospedava em nossa casa, retornando aos domingos à noite. Nosso namoro foi bem comportado e muito bonito. Nos domingos pela manhã, assistíamos à missa, retornando em seguida para nossa casa, onde abríamos o comércio para atender os colonos. Duda nos ajudava e, como tinha experiência, logo granjeou a simpatia de todos.

Domingos à tarde, 1946 Um namoro feliz...

Pode parecer curioso que nós, católicos fervorosos, fôssemos trabalhar aos domingos. Como a maioria das famílias dos agricultores vinham à missa no domingo, aproveitavam a viagem para fazer compras. Era o dia de maior movimento e a venda ficava lotada de tanta gente. Fechávamos ao meiodia. Duda surpreendeu a todos, porque era muito dinâmico e trabalhador, nunca recusando qualquer trabalho, nem recuando frente às dificuldades. - 55 -


despedida nos domingos sempre nos deixava saudosos. Durante a semana nos correspondíamos carinhosamente através de pequenos bilhetes e cartõezinhos levados e trazidos pelo nosso ônibus, que tinha parada obrigatória no comércio de Olíndio, irmão de Duda. Marcamos o noivado para 7 de setembro de 1946, dia de Nossa Senhora Aparecida, de quem eu era devota (hoje esta data é comemorada no dia 12 de outubro). Na data marcada Duda, bastante nervoso, expôs aos meus pais suas intenções e o plano de nossas vidas, pedindo o consentimento para o casamento. Estávamos reunidos na sala de visitas. Após nos aconselharem e orientarem para o futuro, deram-nos sua bênção e o seu consentimento.

Eu e Duda, noivos, 1946

Tornamo-nos noivos naquele momento e recebemos deles o primeiro abraço de parabéns. Retiraram-se, em seguida, deixando-nos a sós. Após colocar a aliança na minha mão direita, Duda abraçou-me e apaixonado disse baixinho: - “Querida, agora és minha para sempre!” Nossa felicidade foi selada por um carinhoso beijo e um apertado abraço. Começava neste dia o nosso grande compromisso.

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Convite de casamento

o dia do noivado marcamos a data do casamento para 24 de maio de 1947, dia de Nossa Senhora Auxiliadora. Nos oito meses de noivado preparei a casa, o enxoval e a festa do casamento. O vestido de noiva foi confeccionado por Dona Belinha Vieira, uma renomada profissional de alta costura da cidade de Itajaí. O vestido era de cetim duchese e renda francesa, com uma grande cauda que lhe deu um toque muito elegante. Dona Branca confeccionou artisticamente o véu e a grinalda. O vestido e os acessórios estão guardados e conservados até hoje como lembrança. O noivo estava elegantemente trajado com um terno preto, camisa branca, colarinho impecável com borboleta preta, abotoadura de prata, meias e sapatos de verniz preto. Era o noivo mais bonito que eu já havia visto. Na sexta-feira que antecedeu o casamento chovia, torrencialmente, e fiquei extremamente angustiada, porque com a lama e a chuva, o vestido não teria o mesmo efeito, já que não poderia ser complementado pela longa cauda. Para nossa alegria, o sábado amanheceu ensolarado e com bastante vento e a estrada se enxugou rapidamente. - 57 -


Pela manhã, fomos à missa, quando nos confessamos e comungamos. Às 11 horas estávamos prontos, vestidos para o nosso grande dia. Ao descer as escadas de nossa casa, Duda me esperava e disse: - “Você está linda demais. Será que eu te mereço?” Após recebermos a bênção de nossos pais, embarcamos nas limousines que nos esperavam e dirigimo-nos para a Igreja. Duda entrou acompanhado de sua cunhada Clara, pois a mãe adoecera e não pôde acompanhá-lo. Eu entrei uns quinze minutos depois, acompanhada por meu pai. Oito casais de testemunhas entraram depois do noivo. O casamento foi celebrado por padre Afonso Reitz, na Igreja de São Vicente de Paula, em Luís Alves. Eram onze e meia da manhã do dia 24 de maio de 1947. A Igreja estava maravilhosamente decorada com flores brancas e repleta de convidados. Ao meio dia o cortejo nupcial desceu as escadarias da Igreja, ao som da marcha nupcial, executada por uma banda de música. Os sinos da Igreja tocavam o Angelus, sincronizados com a banda. Os sons enchiam aquela manhã de festa. A recepção foi em nossa casa, onde nos esperavam muitos convidados. A comida foi cuidadosamente elaborada por um cozinheiro, especialmente contratado de Itajaí, e servida após os cumprimentos. Às cinco da tarde servimos o café, com muito doce e com o corte do “bolo de noiva”. A festa prosseguiu noite adentro com um animado baile. Sem sermos notados, retiramo-nos para o “enfim sós”. Nossa noite de núpcias é tão só nossa. No domingo fomos à missa: era o dia do Divino Espírito Santo. Houve a repetição do almoço do dia anterior com toda a família. Após o almoço, retiramo-nos para vivermos nosso amor. No início da semana viajamos para Florianópolis, em lua de mel. Ficamos hospedados no Hotel La Porta, por alguns dias, onde vivemos intensamente momentos maravilhosos. Ao retornarmos, ficamos morando na casa de meus pais, que já tinham decidido mudar-se para Blumenau, como de fato o fizeram pouco mais de um mês daquela data. Juntos, Duda e eu vivíamos a magia do nosso amor e iniciamos a construção de - 58 -


nossas vidas, em completa solidariedade. Por insistência de papai, adquirimos a empresa, em sociedade com minha irmã e cunhado, Elvira e Leonardo. Assim demos início à formação do nosso patrimônio trabalhando sempre juntos e, com muito amor, garantimos o nosso futuro e dos nossos filhos. Tivemos uma convivência feliz, pois procuramos sempre nos entender e nos respeitar. Muitas vezes, foi preciso ter a humildade de cedermos nos nossos entendimentos. Hoje já são raros os casamentos duradouros e, ao mesmo tempo, são raríssimos os casais que conseguem viver, ao longo de várias décadas, uma experiência sentimental bonita, daquelas de encher o coração de alegria.

Nosso casamento, 24/05/1947

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Para que um casal constitua um verdadeiro lar é preciso criar um objetivo. Ter uma atividade ou profissão definida, filhos, sua casa própria e sonhar juntos: foi o que fizemos. Sonhamos e deu certo. Sempre mantivemos o clima de romance entre nós. O apego, a vontade de aconchego, a tranquila intimidade e o respeito nos foram importantes. Sempre procuramos nos entender bem, mas, mesmo assim, houve divergências, que sempre foram contornadas. Uma existência, por melhor que seja, não deixa de ter sofrimentos e lutas. Para se viver bem, devemos perdoar e apagar os ressentimentos e amarguras que possam aparecer na convivência do casal. Num balanço das nossas realizações, reconheço que todas as conquistas foram feitas juntas, sempre de mãos dadas, lado a lado, com muito otimismo e espírito profundamente cristão, herdado de nossos pais. Eu encontrei o homem dos meus sonhos, casamos e fomos felizes. De tudo que fiz e vivi, sinto que nada foi mais especial e importante que a família constituída dos dezesseis filhos, netos e bisnetos. Amando e sendo amada, sinto-me plenamente realizada como mulher, esposa e mãe. A jornada destes 49 anos me colocou mais perto das pessoas, fez-me respeitá-las e compreendê-las do jeito que são e aceitá-las desta forma e não como eu gostaria que fossem. Podendo ajudá-las, compreendê-las e respeitá-las, eu sou feliz. E é por isto que reafirmo que “Com Amor tudo se Constrói”.

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or ocasião do aniversário de Duda, de 9 de fevereiro de 1979, adaptei a música “A Montanha” de Roberto Carlos ao hino do nosso casamento, que eu compus, e que junto com os filhos catamos-lhe nesta data.

Obrigado Senhor por este amor Obrigado Senhor pela alegria Obrigado Senhor pelo nosso encontro feliz Por esta união, obrigado Senhor que nos uniste Obrigado Senhor que nos assiste Obrigado Senhor pela paz de nossos corações. Por estes filhos, obrigado Senhor que tu nos deste Pela vida bonita que nos propuseste Obrigado Senhor pelo que nos fizeste viver Por tudo isto obrigado Senhor, peço uma graça Vida longa e feliz que o amor enlaça Obrigado Senhor, agradeço, obrigado Senhor.

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meu horóscopo tem muito a ver com os dois signos: Peixes e Áries. As datas que dividem o Zodíaco pelo ano, os dias que marcam o início e o fim de um signo do mês são aproximativos, já que são estabelecidos através de cálculos cartográficos e astronômicos: em graus, ou horas. Para quem nasceu num dia que se inicia ou finaliza um signo, ou decanato, é aconselhável ler os dois signos para ver o que mais se aproxima do seu comportamento, pois nem sempre é aquele que inclui o dia do seu aniversário. No dia do meu nascimento, Saturno e Plutão estabeleceram a sua quadratura durante as primeiras horas da manhã. O sol ingressou em Áries às 6 horas da manhã, estabelecendo o início do novo ano astrológico.

Para a pessoa do signo de Áries, a experiência é mais importante que a conclusão, o risco vale mais que o prêmio (embora a vitória seja tão importante quanto competir), a energia flui fácil, dirigida para a identidade pessoal. Aquilo que lhe parece correto, aquilo que sua consciência dita será feito, buscado e conquistado sem hesitação (pois não consegue admitir), sem prévia reflexão, tal a sua autoconfiança. Seu gesticular é significativo, expressa diretamente seu ego. O modo de vestir, como se apresenta, o modo de falar, em tudo transparece sua personalidade forte e decidida. Leis éticas ou sociais, valores que lhe são impostos sem que acredite neles não a inibem. Áries pode colocá-los em cheque, desafiando a autoridade local com audácia e determinação, indo até o fim nas consequências, se isto lhe aprouver e, se desafiado, aceita de pronto a disputa.

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Se a pessoa de Áries ofende ou magoa alguém, dificilmente será premeditado, a menos que antes tenham mexido com ela. As explosões de raiva são rápidas e não deixam marcas. Não guarda rancor, mas também não guarda momentos de provocação. O ariano não admite derrotas e isso impregna o signo de otimismo e boa fé, que pode chegar à inocência e ingenuidade, a ponto de acreditar nas pessoas sem sequer imaginar se está, ou não, caindo em ardis de terceiros, chegando aos limites do sentimentalismo de crenças e milagres. Sua sinceridade faz com que acredite na seriedade dos outros, muitas vezes razão de decepção posterior. Sua postura franca, no entanto, pode fazer com que não veja, ou não saiba aquilo que não quer ver ou saber. Para o ariano nada que seja fácil demais o estimula. Áries necessita de desafios. O que conquista através de sua iniciativa e vontade é o mais importante. Não se desestimula frente a situações impossíveis e jamais se sente feliz numa atitude passiva e cômoda. A preguiça alheia o irrita, a passividade pode tirá-lo do sério. O ariano não se senta e espera pelo mais difícil, ou trabalhoso; ele é impelido para realizá-lo. As coisas que quer, não só manda como faz. Busca oportunidades, sobretudo em atividades que exijam mostras de sua capacidade, atividades criativas ou liderança, coisas que podem depender de sua ação direta em que sua franqueza e impulsos não atrapalham. Gosta das atividades que permitam ter suas próprias ideias e não o sufoquem sob a autoridade de terceiros (é muito difícil a este signo aceitar a hierarquia). Áries é idealista e não sucumbe facilmente. Sendo signo de fogo tem reservas energéticas quase inesgotáveis. Atividades descontroladas e sem compreensão podem trazer problemas para o sistema nervoso e, sem a devida reposição, farão com que funda a energia passiva para o organismo. Em alguns casos, o trabalho que não requer maior cuidado e que não satisfaça suas necessidades emocionais pode contribuir para uma debilitação física. Situações que provoquem raiva, desgostos, preocupações e ressentimentos, às vezes até sofrimento dos outros, podem causar e se manifestar como problemas de estômago, gastrite e - 63 -


úlcera. Para aliviar este estado de coisas deve procurar serenidade, buscando a tranquilidade e calma. Exercícios físicos estimulam e revitalizam suas reservas. Também a prática da meditação pode ajudar, proporcionando-lhe saúde física e contentamento interior. A ariana tem orgulho de ser dinâmica, por isso valoriza profundamente quem consegue acompanhá-la. É individual e insubmissa e isto a torna uma mulher diferenciada, independente. É mulher que não suportará paternalismo, que se embrenhará sozinha nas conquistas de seus ideais. Ela é autossuficiente. A ariana toma iniciativa com segurança e convicção e acredita que tudo o que um homem, aliás, que qualquer pessoa pode fazer, ela fará melhor, ou tão bem. Sua atitude pode então parecer agressiva. Ela está o tempo todo se autoafirmando, colocando sua vontade em primeiro plano, conduzindo os acontecimentos. As pessoas ativas a entendem muito bem, mas as passivas a irritam. Por ser decidida, a ariana nunca se lastima da vida. Ela se põe a trabalhar confiante de que se sairá bem, com otimismo e força de vontade. Ela é sincera, honesta e não admite deixar desconfianças para com ela. Sua liberdade terá que ser respeitada e nunca questionada. Sua figura desportista, ativa e temperamental não a impede de ser feminina. Ela é vaidosa e, pelo modo como se veste, apresenta-se facilmente atraente. Profundamente sensível no que se refere a ela, datas ou acontecimentos que queira ver reconhecidas, se não forem lembradas, podem levá-la a decepções. Áries em combinação com o signo Aquário: melhor parceiro, afinidades sensuais, amor ardente, intensidade fora do comum, em geral um amor bem vivido. Sou ariana casada com aquariano e vivemos um casamento feliz por 49 anos. Deu certo.

As pessoas nascidas neste signo são compreensivas, gentis e generosas. Também são dotadas de ideias avançadas. Não costumam condenar ninguém pelos seus fracassos. Quando lidam com - 64 -


pessoas, tratam-nas com maior tato e consideração. Procuram infundir confiança nos que deles necessitam. O pisciano é honesto, consciencioso e digno de confiança. Tem um temperamento adaptável, bem humorado e cordial, é amigo ou sócio fiel e generoso. Tem um espírito amante da paz e da tranquilidade, sempre disposto a dar tudo de si, manter a calma e evitar discussões entre outras pessoas. Tem uma habilidade para convencê-las a seguirem seu modo de pensar. Sua natureza é extremamente sensível e a poderosa intuição geralmente é dirigida com muita inteligência. Seu espírito é receptivo, pronto a acolher novos métodos desde que sejam para tornar melhor o mundo. Como é idealista acredita que todos poderiam ser mais felizes se houvesse maior cooperação. Está preparado para fazer a parte que lhe cabe. Como é dotado de serenidade de espírito, aceita o que a vida lhe dá. O nativo de Peixes, geralmente, possui grande talento e sabe apreciar tudo o que diz respeito às artes. Como qualquer ser humano, também tem defeitos. Pode sofrer de uma espécie de mania de perseguição. Há momentos em que se julga incompreendido e se fecha. Preocupase demais com o que está para acontecer, de modo que isto o entristece. Possui uma sensibilidade exagerada e ofende-se com facilidade, então afasta-se do convívio dos outros. Comparação: comparando os signos de Áries e Peixes estou convicta de que meu signo seja Áries, ou uma mistura pela qual sempre achei que pertencia. Aprofundando-me no estudo dos dois signos, cheguei a esta conclusão. Nasci sob o signo de Peixes a poucas horas de Áries. Isto me leva à convicção de que sou uma mistura dos dois, o que significa estar na vanguarda. Ser pioneiro, ter vitalidade, dinamismo e necessidade de aventura são características destes signos. Desafio é aceitar, ser diferente, aprender a viver com a incompreensão dos outros.

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Capítulo III


eu maior orgulho é o de ser mãe. Deus me deu a graça de conceber cada um deles, de ter, juntamente com o Duda, ajudado a construir seus caracteres e suas personalidades e, agora, de vê-los prosseguindo nas suas jornadas. Deus foi muito bom para nós. Aceitei a concepção de cada um sem qualquer dúvida ou temor. Cada gravidez era um prêmio, uma bênção. Enfrentei todas as gravidezes com paciência e zelo, e amamentei-os ainda no seio. Sempre ficava muito ansiosa para poder vê-los nascerem perfeitos. Para cada um preparei, pacientemente, o enxoval. Tudo isto para mim foi Felicidade. Ao recordar o meu passado, agradeço a Deus ter-me feito mãe de dezesseis vidas, que hoje são motivo de orgulho, de muita alegria, vividas em perfeita união entre nós. Pelo privilégio que Deus me concedeu, gostaria de passar a outras mulheres algumas recomendações simples, que as ajudem a ser esposas e mães mais felizes, amadas e respeitadas pelo marido e filhos. Feliz o marido e filhos, quando a mulher tem consciência de que para a formação do lar deve haver compreensão, solidariedade, companheirismo, cumplicidade e amor. Sempre procuramos ser amigos de nossos filhos. O pai é adorado por todos e deve ser o pai mais paparicado do mundo. Eu sou mais enérgica. Tudo penso e tudo faço em favor deles, mas não admito mentiras e injustiças. Adoro receber carinho, o que me estimula como esposa e mãe, que procura transmitir aos filhos os valores da honestidade, honradez e dignidade, virtudes pelas quais muito zelo. Sou uma mãe crítica, quando necessário, mas ao mesmo tempo reconheço as boas ações quando praticadas. As críticas e repreensões são sempre construtivas. Não falta aos filhos apoio e reconhecimento pelas boas ações que praticam. Como mãe, muitas vezes fui incompreendida, mas jamais vacilei e com muita fé e amor - 68 -


enfrentei grandes revezes na vida. A necessidade de estima, amor e compreensão é fundamental na natureza humana e foi isto que procuramos incutir nos nossos filhos. Nossa religiosidade, também, foi muito relevante. Foi-nos transmitida pelos nossos pais: a vontade de Deus imperava em suas vidas. A nós coube repassar estes ensinamentos aos nossos filhos, demonstrando nossa fé através deste testemunho, fazê-los entender a necessidade de incluir Deus nas três dimensões em que fomos criados: a material, a espiritual e a divina. No plano de Deus, seremos mais felizes se vivermos em harmonia com Ele, conosco mesmos, com o mundo e com o outro que é nosso semelhante. Portanto, nos nossos aconselhamentos Deus está em tudo. Quando os filhos eram pequenos, à noite subíamos para o nosso quarto e antes de colocá-los na cama, rezávamos o terço e a oração da criança. Em seguida fazia uma espécie de exame em cada um, providenciando curativos e remédios quando necessário. Terminada a tarefa, voltava para o meu trabalho noite adentro. Frequentava a missa todos os domingos com as crianças. Eu e a babá, cedo já os vestíamos. Caprichava muito em suas roupas. Em geral, eram as crianças mais bem vestidas em qualquer lugar que fôssemos. Há 49 anos iniciávamos nossa vida a dois, quando nos propusemos compartilhar todas as venturas e dissabores. Hoje, relembro o passado e, analisando a trajetória de nossas vidas, sinto-me profundamente gratificada por ter conseguido construir uma maravilhosa família com 16 filhos, 35 netos e 4 bisnetos [ no ano de 2010: 46 netos e 13 bisnetos ]. Foi uma ventura e uma luta, mas a vitória foi o prêmio alcançado. Por tudo isso Deus seja bendito, pois Ele sempre esteve conosco.

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uando estávamos casados, apenas nove meses e treze dias, nascia o nosso primeiro filho. Anselmo José nasceu no dia 6 de março de 1948, às 14h15min, em nossa residência de Luís Alves. Pesou 3.300 gramas e media 49 cm. Foi recebido com muita alegria e emoção, pois era o nosso primeiro filho. O pai ficou muito feliz por ter nascido um menino. O nascimento foi assistido pelo pai, pela avó materna Verônica e por tia Elvira. A parteira foi Emengarda Krause. O parto foi normal e a criança nasceu perfeita (era a nossa maior preocupação). Anselmo foi batizado no dia 20 de março (dia do meu aniversário) e seus padrinhos foram os meus pais. O nome foi escolhido em homenagem a meu irmão Anselmo José Hess, vitimado em um acidente nos campos do Exército, em Vitória, no Espírito Santo. Anselmo, do germânico Asenheim, significa “posto sobre a proteção dos Deuses”. - 70 -


José vem do hebraico Josef Lehussef, “Deus aumente (com outro filho)” (Gênesis 30:24), em grego Josefos, em italiano Giuseppe e em alemão Josef (Dicionário de Nomes e Sobrenomes do Prof. Mansur Gueiros, Editora Ave Maria, SP). Anselmo recebeu o apelido de Chéu e teve minha total assistência e zelo, porque eu achava necessário compensar minha falta de experiência com muita atenção. Foi uma criança muito saudável. Houve problemas normais de saúde, porém sempre conseguimos contorná-los. Foi amamentado até os 6 meses. Com 15 meses ganhou um irmãozinho, Heitor, seu companheiro. No começo teve ciúmes, mas era uma criança meiga e obediente. Logicamente, também fazia suas travessuras. Com cinco anos de idade foi matriculado na Escola Estadual Tenente Anselmo José Hess, distante 50 metros da nossa casa. No primeiro dia levei-o pela mãozinha e entreguei-o à professora dona Terezinha Schmidt, que o tratava com muito carinho. Adorava a escola e foi sempre muito aplicado. Em geral, era o primeiro aluno da classe. No final do seu primeiro ano escolar, ganhou um cofrinho com Cr$ 100 (cem cruzeiros), prêmio oferecido pelo Banco INCO ao melhor aluno. Estudou nesta escola até o quarto ano do primário. Com 9 anos internamo-lo no Colégio Santo Antônio em Blumenau, pois não havia estudo mais avançado na nossa cidade. Nos primeiros meses de colégio, não teve bom aproveitamento nos estudos. Foi repreendido e não foi permitida sua saída do internato no dia das mães. No dia seguinte, fui a Blumenau saber com os seus professores a causa do castigo. Chegamos à conclusão de que ele tinha deficiência de audição. Sentava-se na última carteira: escutando mal ele não podia aprender. Reclamando, pedi que o passassem para a carteira da frente, onde podia prestar mais atenção. Escutando melhor, o aproveitamento melhorou e melhoraram as suas notas. No início, era o 54º entre 55 alunos. Com a sua colaboração e muito esforço, no fim do ano, voltando para as férias, ao chegar a casa, pulou do ônibus anunciando que tinha tirado o 1º lugar. Para nós foi uma grande surpresa e alegria e para ele foi uma grande conquista. Anselmo tinha, também, um problema na arcada

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dentária e a deficiência de audição se agravava. Era preciso fazer uma correção em ambos os casos. Aos doze anos levamo-lo a Curitiba, onde fez cirurgia do ouvido e colocou aparelho ortodôntico. A cada 30 dias retornava ao tratamento. Ficou interno no Colégio Santo Antônio por 8 anos e formou-se, em 1965, simultaneamente, no contador e científico. A solenidade da formatura foi no Teatro Carlos Gomes e nós o prestigiamos, vindo de Luís Alves para festejar a conquista. Formado, passou a nos ajudar na Indústria que estava se desenvolvendo. Assumiu logo a área financeira: faturamento e bancos, aliviando a tarefa que até então era minha e do Duda. Foi sempre muito trabalhador e econômico. Não raras vezes entrava em atrito comigo por querer me proibir investimentos e gastos necessários à família e aos negócios. Hoje reconheço que seu pulso firme, sua maneira arrojada de ser, foram determinantes para o desenvolvimento da empresa. Quando havia falta de pedidos de camisa, viajava para vender. Numa destas viagens ao norte do Paraná, na cidade de Maringá, conheceu sua esposa Marlise. Era filha do principal cliente da região, Alfredo e Natália Martins. Moça prendada e de boa família, não tardou a noivarem, casando-se no dia 19 de maio de 1973. O casamento foi festejado no melhor clube de Maringá. Os noivos, ambos de branco, formavam um lindo par. Toda a família viajou para lá e levamos conosco Frei Pascoal, amigo da família, que oficializou o casamento. Os noivos viajaram em lua de mel para Campos de Jordão. Fixaram residência em Blumenau. Têm três filhos: Rodrigo Alfredo, Gabriela e Juliana Natália. Anselmo dirigiu as empresas por muitos anos. Era extremamente dedicado, arrojado e muito trabalhador. Exigente consigo, exigia igualmente muito dos irmãos que trabalhavam na empresa. Destacou-se como líder empresarial e foi eleito em duas oportunidades para a presidência da Associação Comercial e Industrial de Blumenau. Realizou, em suas gestões, obras meritórias na comunidade.

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Em 1988 passou a presidência da empresa para o irmão Armando Cesar e passou a presidir o Conselho de Administração, do qual Duda e eu também fazíamos parte. Neste período iniciou seu próprio negócio.

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nosso segundo filho, Heitor Rodolfo, nasceu em nossa casa, em Luís Alves, às 23h50, do dia 8 de dezembro de 1949. Era dia de Nossa Senhora da Imaculada Conceição. Pesou 4.400 gramas e era uma linda criança. O parto foi normal, assistido pelo pai, por sua avó materna e sua tia Elvira. A parteira foi dona Otília Schmitz. O batismo se deu no dia 19 de dezembro de 1949 e seus padrinhos foram a avó paterna Maria Antônia de Souza e na ausência do avô, falecido, convidamos o melhor amigo do seu pai: o sobrinho Ari Fernandes de Souza. O nome Heitor Rodolfo foi uma homenagem ao seu tio paterno, vitimado em acidente. Heitor, significa conservador da vitória, senhor ou mantenedor da vitória, soberano. Em espanhol Hector, em italiano Etore, e no grego Hecktor. Rodolfo significa Hruodwoef, lobo (wolf) da glória (hurod) (Dicionário de Nomes e Sobrenomes do Prof. Mansur Gueiros, Editora Ave Maria).

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Quando Heitor nasceu já foi mais fácil criá-lo pela prática adquirida. Foi amamentado até os nove meses. Era uma criança forte e saudável. Com cinco anos foi matriculado na Escola Estadual Tenente Anselmo José Hess, fazendo companhia para seu irmão Anselmo. Sua professora foi Otília Petry. Era uma escola em que as quatro séries frequentavam simultaneamente a mesma sala de aula e as aulas eram dadas ao mesmo tempo. Heitor sempre foi um aluno aplicado e inteligente. Procurava descobrir o funcionamento dos aparelhos elétricos, máquinas e carros. Não raro desmontava rádios, máquinas e motores e mexia na instalação elétrica. De tanto tentar acabou aprendendo e era uma espécie de eletricista e mecânico. Quando um rádio, uma máquina ou a instalação tinham problema. Heitor dava um jeito de arrumar. Era uma criança levada e um grande inventor de artes, mas na hora das palmadas, ninguém melhor do que ele para conseguir um jeito de escapar. Era afetuoso e usava argumentos que convenciam. Após o quarto ano primário em Luís Alves, ficou interno no Colégio Santo Antônio em Blumenau para continuar seus estudos. Sempre teve boas notas e passava de ano. Durante o primeiro ano de colégio reclamou de dores nos olhos e dificuldade de visão. Levei-o ao oculista e passou a usar óculos (que era seu maior desejo). Sofreu também de gastrite e o levamos ao médico, ficando internado uns dias no Hospital Santa Isabel, para tratamento. Ele e seu mano, Anselmo, ambos internos, não gostavam da comida do Colégio e, então, nos fins de semana, quando vinham para casa, supriam-se com latas de conserva, bolachas e achocolatados. Heitor ficou no internato durante seis anos. Formou-se, simultaneamente, em dois cursos do segundo grau: Contabilidade e Científico. Preparou-se para o vestibular em Curitiba e Florianópolis. No começo morou em pensão, fazendo muitas amizades, que guardam dele boas lembranças. Cursou Administração de Empresas na Universidade Federal. Em Florianópolis, participou de grupos de teatro e percorreu o Estado fazendo apresentações de diversas peças. Concluídos os estudos, retornou para Blumenau. Teve importante participação na implantação da Empresa. Muito - 75 -


criativo, era o responsável pelo desenvolvimento de produtos e mostruários. Cuidava também da produção, setor que administrava com muita competência. Lançou a camisa Lee e outros sucessos, como a camisa feita com lenços de seda pura e que contribuiu para consolidar a marca da empresa. Na temporada de verão de 1970 conheceu Rosimeri Koneski Fernandes, filha de Maurílio e Vanda Fernandes. Rose, como a tratávamos, era miss Florianópolis e classificou-se em segundo lugar como Miss Santa Catarina. Em poucos meses de namoro noivaram e casaram. O casamento foi festejado no Clube Doze de Agosto, em Florianópolis, no dia 12 de novembro de 1971. Após a lua de mel passaram a residir em Blumenau, num apartamento novo que Heitor comprara. Do casamento nasceram três filhos: Larissa Brícia, Tatiana Bréa e Rafael Augusto. Após onze anos de casamento, houve a separação do casal o que muito nos desagradou. Heitor sofreu muito e passou a morar conosco. Depois de alguns meses, Heitor encontrou uma jovem e apaixonou-se por ela. Cláudia Rosa, foi sua esposa por dez anos e deste casamento nasceram mais três filhos: Humberto, Joana e Henrique. A terceira geração de nossa família iniciou-se a partir do nascimento de Maria Isadora, filha de Larissa e neta de Heitor. Atualmente, é proprietário da SMA, empresa de desenvolvimento de software na área da indústria de confecções e tem tido muito sucesso, comercializando os produtos em todo o Brasil e também no exterior.

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a manhã de 29 de abril de 1951, um domingo, às 7h15min, nascia o nosso terceiro filho, Vilson Luiz. Pesava 3.500 gramas. O parto foi normal, assistido pelo pai, pela avó materna Verônica e a tia Elvira. O batismo deu-se no dia 13 de maio de 1951 e os padrinhos foram seus tios Elvira e Leonardo Martendal. Vilson deriva de um sobrenome inglês e significa: filho, é hipocorístico – relativo à linguagem carinhosa infantil familiar. Luiz, do francês Lui ou do antigo espanhol Lois, derivado do germânico guerreiro (wig), célebre, famoso (lud), em alemão é Ludvig, em inglês Lewis, em espanhol Luiz e em italiano Luigi. Tornou-se muito popular por Dom Luiz, Rei da França, e nos tempos modernos, São Luiz Gonzaga (Dicionário de Nomes e Sobrenomes do Prof. Mansur Gueiros, Editora Ave Maria, SP).

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Vilson começou seus estudos em Luís Alves ainda muito novo e sua professora foi dona Otília Petry. Concluiu o primário no Grupo Estadual João Gaya em Luís Alves. Muito cedo manifestou vocação sacerdotal e o levamos para interná-lo no Seminário de Ascurra. Como as matrículas já estavam encerradas, foi interno no Colégio Santo Antônio, em Blumenau, com a idade de nove anos. Por nossa recomendação, recebeu cuidados na sua educação religiosa e chegou a ser coroinha no colégio. Aprendeu a liturgia da missa, ainda em latim. O colégio era dirigido por padres franciscanos e Frei Ervino era responsável pelo internato, por sinal muito rigoroso. No colégio interno suas proezas eram conhecidas por todos e era o campeão das travessuras. Frequentemente éramos chamados pelos padres para discutir seus problemas de disciplina. Estudou neste colégio durante cinco anos. Como precisávamos que alguém gerenciasse nossa loja de Camboriú, matriculamo-lo no Colégio Salesiano de Itajaí. Morou num apartamento que alugamos para ele em Camboriú. De manhã estudava e à tarde gerenciava a loja. Em Luís Alves, nas férias, ele nos ajudava na loja e na pequena indústria. Enquanto a família estava na praia, veraneando ele ficava em Luís Alves cuidando da loja e da nossa residência. Em 1968 voltou a estudar em Blumenau, no colégio Dom Pedro II, onde se formou no científico. Morou na casa dos meus pais e neste período chegou a trabalhar como locutor nas Rádios Clube e Difusora em Blumenau. Foi um estudante inteligente, mas de um gênio forte e contestador. Formou-se com brilhantismo em Direito na FURB em Blumenau, onde logo após formado passou a lecionar. Fez diversos cursos de especialização, pós-graduação em Direito Processual e mestrado em Direito Público e Teoria Política na Universidade Federal de Santa Catarina. É autor de dois livros: “Tensão Constituinte” e “Construindo os Caminhos”. Como gostava de fazer brincadeiras estranhas e com moleques da idade dele, numa dessas colocaram álcool numa latinha e puseram fogo. O colega chutou a latinha que foi atingilo em cheio. Teve queimaduras no rosto, peito e braços e foi levado ao hospital por seu tio Leonardo, que era seu padrinho. - 78 -


Após hospitalizá-lo, Leonardo foi à praia nos avisar. Tivemos uma surpresa muito grande e fomos logo visitá-lo. Levamos um grande susto com o estado dele. Felizmente a queimadura sarou não deixando sequelas. Ainda muito jovem namorou sua amiga de infância, moça bonita de nome Lindauria Mees. Na época do namoro com Lindauria, seus pais Maria e Aldo Mees, vieram nos comunicar de que eles desejavam casar. Ficamos surpresos, pois Vilson não tinha idade suficiente para assumir uma família, mas não tivemos outro jeito senão concordar. Estavam ambos com 18 anos. Providenciamos tudo para seu casamento, que ocorreu no dia 25 de outubro de 1969 na Igreja Matriz de Blumenau, com recepção no Clube de Caça e Tiro. Do casamento de Vilson e Lindauria nasceram três filhos: Patrícia Isabel, nossa primeira neta, Vilson Filho e Anna Carolina. Seu filho Vilson casou-se com Patrícia Borba e tem dois filhos: Vilson Neto e Maria Paula. Patrícia, sua filha, é casada com Marcondes Zink e deu-lhe uma neta: Victoria Luiza. Após um casamento de quase vinte anos, houve a separação, o que nos magoou. Vilson sempre foi arrojado, destemido, com ideias inovadoras. Em 1986, incentivado por seu irmão Sérgio, lançouse candidato à Câmara dos Deputados e Assembleia Constituinte. Numa das mais bonitas demonstrações de união familiar, vimos o envolvimento de sua esposa, filhos e irmãos, cunhados e primos, fazendo campanha de porta em porta, de pessoa em pessoa, levando sua plataforma de atuação. Ao abrirem as urnas, emocionados, Duda e eu constatamos: Vilson havia tido uma vitória consagradora. Foi o segundo candidato mais votado, com 66.400 votos. Sua atuação como parlamentar foi destacada, sobressaindo-se na apresentação de emendas à Constituinte e na assiduidade aos trabalhos. Foi candidato ao Senado da República em 1990 e, atualmente, é Vice-Prefeito de Blumenau. Foi um dos fundadores do PSDB juntamente com Mário Covas, Fernando Henrique Cardoso e Franco Montoro. Foi presidente do PSDB em Santa Catarina. Do segundo casamento, com Sabrina Haenisch, teve dois filhos: João Gabriel e João Pedro. Ao separar-se de Sabrina, Vilson voltou a morar comigo por um pequeno período. - 79 -


Em seguida conheceu sua atual esposa, Rosângela Kaestner Hasse, e ganhou uma nova filha: Aline Hasse, muito querida e que foi assumida como neta por toda a família. Vilson, atualmente, é Presidente do Conselho de Administração da empresa e é sócio do irmão Sérgio e do filho Vilson no escritório de advocacia empresarial.

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o dia 24 de outubro de 1952, às 6h20min nova ventura com o nascimento de nossa primeira filha, recebida com o maior carinho. Houve muita alegria e lágrimas de emoção, pois aguardávamos ansiosamente uma menina. Emocionei-me ao lembrar que, por ser mulher como eu, iria perpetuar os nascimentos. Os avós maternos estavam presentes. A parteira foi Maria Schmidt, que chegou atrasada, porque a menininha apressou-se em nascer sem auxílio de ninguém. A avó materna e tia Elvira, presentes, ficaram assustadas e ajeitaram o neném até a chegada da parteira. Ela pesou 3.600 gramas. Foi uma novidade na família e seus irmãozinhos: Anselmo, Heitor e Vilson vibraram quando viram a irmãzinha.

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O nome Maria Aparecida foi dado em homenagem a Nossa Senhora Aparecida, Santa da qual sou devota, e em cumprimento a uma promessa feita. Maria tem origem numa língua semítica e que quer dizer Senhora, adaptação grega de Maryan, antiga forma hebraica que significa: Excelsa, Sublime (Dicionário de Nomes e Sobrenomes, do Prof. Mansur Gueiros, Editora Ave Maria, SP). Seu irmão Vilson chamava-a “Paetida”, donde surgiu o apelido Tida que vigora até hoje. O batizado deu-se no dia 12 de novembro e seus padrinhos foram os tios Clara e Olindio Souza, cunhada e irmão de seu pai. Nos primeiros meses a menina teve boa saúde, porém, aos três meses foi acometida de bronquite que se repetia constantemente. Levamo-la várias vezes ao médico, porém, os tratamentos não faziam efeito. Sua avó materna colaborou bastante com remédios caseiros e com “simpatias” para a cura da bronquite alérgica que, após muita observação, descobrimos ser do travesseiro de pena. Quando a menina completou seus quatro aninhos, ganhou um quarto todo novo e um travesseiro de espuma. Aos poucos foi melhorando. Já dormia sozinha como gente grande. Ela andava sempre muito bem vestidinha, pois quando eu viajava a São Paulo trazia roupas e vestidos novos. Lembro-me das lojas Bambini e Tesouro Infantil, localizadas na Rua São Bento, que ficavam abertas até às 22 hs. Não havia shopping center. Andava na rua até aquela hora, pois durante o dia comprava mercadoria para a loja. Era muito gostoso comprar aquelas roupinhas bonitas para nossa menina e para seus irmãozinhos. Foi uma menina muito acarinhada pelos pais e pelos irmãos. O pai, em especial, a adorava e desde menininha parece ter sido sua predileta. Iniciou seus estudos com cinco aninhos, em Luís Alves, onde concluiu o primário. Fez o ginásio e o normal no Colégio Sagrada Família, das Irmãs da Divina Providência em Blumenau, onde foi interna. Foi líder de Grêmio Estudantil e teve atuação destacada no Diretório Acadêmico da faculdade. - 82 -


Formou-se em Biologia na FURB em Blumenau. Na faculdade foi sempre uma aluna brilhante. Fez especialização em Saúde Pública. No dia de sua formatura, realizada no Teatro Carlos Gomes, festejamos com um jantar para toda a família. Em casa, como filha mais velha, colaborou muito na educação dos irmãos e nas tarefas domésticas. Sempre foi muito dedicada aos irmãos e a nós. Além de auxiliar no trabalho com a família, também ajudava nas lojas. Era nossa vitrinista, compradora e uma excelente vendedora. Lecionou no Colégio D. Pedro II. Seus ex-alunos ainda hoje perguntam por ela e a elogiam. Mais tarde foi trabalhar em Florianópolis, como bióloga do Departamento de Saúde Pública. Morava no apartamento com a grande amiga Ruth Kehrig e, mais tarde, no Edifício Alexandra, no apartamento que compramos para ela e seus irmãos: Rui, Renê, Renato, Rodolfo Neto, Adelina Scheila e Roberto Eduardo, que estudaram na Universidade Federal. Em Florianópolis conheceu e se casou com Dilson Zanatta, filho de Edite e Quintino Zanatta. O casamento foi festejado no Salão Cristal do Hotel Plaza Hering e a cerimônia foi na Capela do Colégio Santo Antônio, oficiada por Frei Pascoal Fuzinato, amigo da família. A decoração foi feita por Ninha Flor e estava belíssima. Tudo no gosto da noiva, inclusive o buffet. Quando avistei a noiva entrando com o pai em direção ao altar e ao som da marcha nupcial, não me contive de emoção. Viajaram em lua de mel para Gramado. Ao retornar foram morar em Florianópolis no Bairro Bom Abrigo. Após anos mudaram-se para o centro de Florianópolis num amplo e belo apartamento caprichosamente decorado por ela. Do casamento nasceram três filhos: Marcelle Louise, Tamille Andressa e Thiago Henrique, lindas crianças que lhe trazem muita felicidade. Maria Aparecida sempre foi uma excelente filha, dando-nos muita atenção, nas doenças, nas festas e em qualquer ocasião de que a família necessitasse. - 83 -


É ela quem promove as reuniões familiares, quem decide os cardápios nas festas e quem providencia sua organização. Está sempre a ajudar seus irmãos, que adora. Com forte aptidão para o comércio, rendeu-se a ele e, atualmente, é proprietária da Tida Butique, com três lojas em Florianópolis.

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o dia 10 de junho de 1954, às 2h15min, nascia o nosso quinto filho, Sérgio Fernando. Presentes o pai, os avós maternos e a tia Elvira. A parteira foi dona Otília Schmidt. Pesou 3.600 gramas. Sérgio vem do latim Sergius; do radical seg – o que protege, servo que cuida. Fernando, do espanhol antigo – Ferdinando e espanhol atual Hernando – protetor (fride, corajoso), audaz (nand), ousado pela paz (Dicionário de Nomes e Sobrenomes do Prof. Mansur Gueiros, Editora Ave Maria, SP). A partir do nascimento de Sérgio, passamos a incluir o sobrenome HESS no nome dos filhos. O batismo deu-se em 27 de junho de 1954, na Igreja São Vicente de Paula, em Luís Alves, e seus padrinhos foram minha irmã Alzira e o marido Valmor Silva. Sérgio era uma criança muito bonita, calma e carinhosa. Sempre foi muito ligado a mim. Após colocar as crianças na - 85 -


cama, eu descia para continuar o trabalho, tirando notas fiscais, separando os pedidos, fazendo mostruários, pondo a documentação em ordem. Deparava então com um rostinho assustado, meio escondido. Era o Sérgio que com seu espírito de proteção descia as escadas, arrastando o cobertor e sentando num canto, fazia-me companhia. Quando o sono tomava conta, dormia no chão da “venda”. Começou os seus estudos em Luís Alves e, posteriormente, estudou no Colégio Salesiano de Itajaí e terminou o científico no Colégio Pedro II de Blumenau. Sérgio, ainda muito novo, assumiu comigo o comando das lojas. Competente e político, tornou-se um importante líder empresarial, tendo sido eleito Presidente do CDL de Blumenau por dois mandatos. Estudava à noite e assim, muito cedo, aprendeu a ter responsabilidades. Foi o filho que mais colaborou na administração das lojas. Concluiu os cursos de Administração de Empresas e Direito na FURB e exerce a Advocacia com muito brilhantismo. Foi Sérgio, também, o filho que mais tempo permaneceu em casa, dando-nos toda a atenção. Era o líder dos irmãos mais novos que se aproveitavam de sua bondade para frequentar lanchonetes e boates e deixar a conta para o irmão mais velho. Duca, Rui, Renê, Renato e Rodolfo Neto que o digam. Sentimos muito a sua falta quando resolveu casar-se com 31 anos, com Ana Marise, mas ficamos felizes por ter encontrado a mulher dos seus sonhos. Ainda hoje, após anos de casado, ele é muito dedicado conosco. Procura fazer tudo para nós, seus irmãos e sua família. Sérgio nos dá muito apoio. É o mais religioso dos filhos. Está conosco constantemente e praticamente em todos os domingos janta ou toma café conosco. Adora cavalgar, reunir-se com a família e casais amigos. Sérgio é um dos participantes das cavalgadas que Duda organiza e dos almoços no Recanto do Tio Duda às sextas-feiras. Ele procura agradar e manter a boa união entre todos os familiares. Tem sido o responsável pelas campanhas políticas do seu irmão Vilson Souza, em que se empenha com entusiasmo. Sérgio participa do Conselho de Administração da empresa e é seu consultor jurídico.

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Encontrou sua bela namorada Ana Marise na vizinha cidade de Lages. Seu noivado deu-se no dia 7 de setembro de 1985, quando eu e o Duda fomos convidados para oficializá-lo. O dia também coincidia com o nosso noivado, acontecido no dia 7 de setembro de 1946. Era o dia de Nossa Senhora Aparecida. Neste mesmo dia 7 de setembro de 1985, quando Ana Marise e Sérgio noivaram, também os pais de Ana Marise, Jaci e Osni Pacheco de Andrade, festejavam seus 25 anos de casamento. A data foi escolhida por ser importante para as três famílias. O casamento de Ana Marise e Sérgio foi festejado no dia 5 de abril de 1986 com muita pompa, no Clube Serrano de Lages, com a presença de 500 convidados. Os blumenauenses convidados compareceram quase todos, numa prova de grande popularidade do Sérgio. Do seu casamento com Ana Marise nasceram três filhos: Bruna Mariana, Anna Beatriz e Sérgio Fernando Filho, formando uma bela família. Sérgio exerce a Advocacia e tem escritório em sociedade com o irmão Vilson. Ana Marise é formada em Odontologia e especializou-se em Odontologia Infantil, sendo uma profissional respeitada e de muito prestígio.

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m 6 de outubro de 1955 nascia nossa segunda filha, uma linda e graciosa menina. Vovó Verônica e Duda acompanharam o nascimento. A parteira foi dona Otília Schmidt sempre muito atenciosa. Papai estava feliz por ter nascido mais uma menina. Pesou 3.600 gramas. Foi batizada em Luís Alves em 22 de outubro de 1955. Seus padrinhos foram minha irmã Nair e o marido Orlando Olinger. Sônia nasceu moreninha de cabelos pretos. Sônia vem do russo e significa sabedoria, ciência, comparada com Sofia, de origem cristã. Regina do latim rainha – do alemão Raginhild, guerreira, hild do conselho (Reagin) e pode referir-se a Nossa Senhora (Dicionário de Nomes e Sobrenomes, do Prof. Mansur Gueiros, Editora Ave Maria).

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Era uma criança bastante levada e junto com sua maninha Maria Aparecida e o maninho Sérgio inventavam mil e uma artes. Os três formavam o trio que era “Fogo na Roupa”. Sônia começou seus estudos em Luís Alves onde nasceu. Com a nossa mudança para Blumenau passou a estudar, com os irmãos, no Colégio D. Pedro II, onde concluiu o científico. Desde muito cedo assumiu parcela do trabalho da casa, mas sua maior contribuição sempre foi na fábrica onde, até hoje, é muito trabalhadora, inteligente e responsável. Ajudava nos serviços domésticos, passava roupa, lustrava sapatos dos maninhos e datilografava etiquetas para a fábrica de camisas. Com tantos irmãos, o jeito era ajudar a criá-los e isso ela fez muito bem. Após terminar o científico, fez o vestibular e cursou Administração de Empresas na FURB, ao mesmo tempo em que trabalhava na Dudalina. Fez um curso de Tecnologia de Produção em Confecções na Espanha, junto a uma das maiores empresas do setor na época, a UNYL, e se especializou em Treinamento. Ao voltar da Espanha, foi buscar mais experiência numa fábrica de camisas de Belo Horizonte e, posteriormente, foi para Montes Claros, também em Minas Gerais. Para lhe fazer surpresa eu e o pai viajamos para lá e ficamos com ela por alguns dias. Mais tarde em 1983, a convite dos irmãos, ela aceitou voltar para a Dudalina, onde atuou nas áreas Industrial, Comercial, Marketing e Desenvolvimento de Produto. Também dirige todas as atividades de marketing e vendas do escritório da empresa em São Paulo. É uma trabalhadora incansável e tem muitos méritos pelo bom desempenho da empresa. Viaja ao exterior pelo menos três vezes ao ano fazendo a rota da moda, pesquisando e buscando novidades para incrementar as coleções de camisas. É bastante arrojada e decidida. Dotada de um bom coração, é atenciosa com seus irmãos e principalmente com seus pais. Faz tudo pelo nosso bem-estar e saúde. Mora em São Paulo com seu marido João, filho de Esther e João Miranda de Souza (em memória) e 3 filhas (enteadas) - 89 -


Veridiana, Juliana e Tahiana. Ela se organiza de tal forma que viaja todas as semanas a Blumenau (SC) para trabalhar na Dudalina de segundas as quintas-feiras e nas sextas-feiras após retornar trabalha no Escritório de São Paulo. Quando resolve reunir a família e amigos, faz quitutes como ninguém sabe fazer. Bondosa, está sempre disposta a ajudar os que necessitam. Sempre teve uma atenção especial para com o seu pai que tem nela uma grande companheira e amiga. Seu pai a nomeou “Embaixatriz da Paz” junto aos irmãos. Em janeiro de 2003 assumiu a Presidência da Dudalina.

Sônia fotografada por Frederico Y. Uehara

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o dia 4 de setembro de 1957 nosso lar viu-se novamente agraciado pelo nascimento do sétimo filho, Armando Cesar. Neste parto não tive a assistência de minha mãe, que estava com problema de saúde (diabete) e teve que iniciar seu tratamento. A notícia me entristeceu, pois eu me habituara com sua presença nas horas difíceis. Faltou-me nesta ocasião o tratamento amoroso e prestativo que ela me dava. O nome Armando é do espanhol Hermano, do francês Armand, do alemão antigo Herman, man – homem –, do francês antigo Armandt, Hermann, do italiano Ermano. Cesar do latim Caeser ou equivalente a Ceasaries, cabelos compridos (cabeleira), portanto o cabeludo é sobrenome português (Dicionário de Nomes e Sobrenomes do Prof. Mansur Gueiros, Editora Ave Maria).

Assim que mamãe pode, veio a Luís Alves me dar atenção, porque ela tudo fazia pelas filhas, especialmente nos nascimentos dos netos.

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O pai começou a chamá-lo de “Manduca” e acabou vingando a forma abreviada de “Duca”. Sempre foi uma criança saudável. O único incidente mais grave foram convulsões, que o levaram a ser hospitalizado, mas que cederam ao ser medicado. Como sempre, muito assustada pelo seu estado de saúde, larguei tudo e fiquei com ele até estar completamente curado. Foi batizado em Luís Alves e seus padrinhos foram o casal Rui e Rute Rota. Era uma criança carente de carinhos, pois procurava sempre por sua mãe, sentindo-se seguro e feliz junto dela. Era bastante levado e gostava de fazer artes, mas sempre era protegido pela irmã mais velha que o adorava. Com apenas cinco anos foi matriculado em Luís Alves. Com a transferência da família para Blumenau continuou os estudos no Colégio D. Pedro II. Era muito inteligente, mas a princípio não foi muito aplicado e teve de fazer exame de segunda época e repetiu o ano. O susto foi grande mas, aprovado, reabilitou-se, passando a ser excelente aluno. Com a idade de 11 anos, fez a primeira comunhão juntamente com seus irmãos Rui e Denise. Para comemorar a data, foi realizada uma bela festa com muitos convidados, entre eles os seus padrinhos. Armando sempre foi um menino esperto, simpático, alegre e um filho especial. Como todos os irmãos, começou a trabalhar muito cedo, inicialmente nas pequenas tarefas como montar caixas de embalagem, bater etiquetas de camisas, atender nas lojas e efetuar os depósitos nos bancos. Desde cedo demonstrou interesse pelo desenvolvimento de modelos novos de camisas, assim como pela pesquisa de tecidos diferenciados. Quando seu irmão Anselmo, até então o Presidente da empresa, se afastou para dirigir e administrar sua rede de lojas, Armando o substituiu no comando da empresa. Armando foi casado com a meiga Liz Merina, filha do desembargador José Bonifácio da Silva e Dona Air. Deste casamento nasceram seus filhos Daniel Ricardo e Maria Flávia. O casamento de Liz Merina e Armando aconteceu na Capela Santo Antônio e foi festejado no Salão Cristal do Hotel Plaza Hering com uma bela festa e com muitos convidados. Como Diretor Presidente da Dudalina, Armando foi determinado e inovador. Buscando aprimorar e atualizar-se em modernas técnicas empresariais, para projetar a empresa no cenário nacional e internacional. Ao longo dos 13 anos que - 92 -


ocupou a presidência, obteve o êxito de profissionalizar a gestão da empresa e transformou a Dudalina de uma empresa familiar e regional em líder de moda masculina no Brasil e referência mundial em excelência em seu segmento. Armando é graduado em administração de empresas pela FURB e fez cursos de especialização na Fundação Dom Cabral, no INSEAD (The European Institute of Business Administration – Fontainebleau, França), e na Antai School of Management (Shanghai, China), nas áreas de Gestão Avançada, Gestão Estratégica de Pessoas e Relações Comerciais no Mundo Globalizado. No final de 2002, o então eleito governador de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira, convidou Armando para assumir a Secretaria de Estado do Planejamento Orçamento e Gestão. Afeto a desafios, Armando aceitou o convite e, nos três anos que ocupou a pasta, contribuiu para a recuperação da capacidade de investimento do Estado e implantação do novo modelo de gestão descentralizado de governo. Em 2006, um novo desafio leva Armando à posição de Presidente de uma importante tecelagem brasileira. Adquirindo, com seu sócio, o controle acionário da empresa, põe em curso um dramático plano de recuperação econômico-financeira. Hoje a RenauxView é uma referência em moda e inovação em tecidos de fio-tinto. Em dezembro desse mesmo ano, casa-se com a encantadora Karina Candemil, filha de Maria da Graça e Mauro Candemil. O modo amoroso como se tratam, dá um aspecto jovial e carinhoso ao lindo casal que formam. Como fruto deste amor, nasce a linda Valentina. - 93 -


m 9 de outubro de 1958, uma quinta-feira, nascia a nossa terceira filha, que recebeu o nome de Denise Verônica em homenagem à sua avó materna que estava presente no momento do nascimento. O vovô Leopoldo também estava conosco e ficava muito feliz e orgulhoso a cada nascimento de um neto. Denise era uma bela criança, rosada e saudável que nos trouxe muita alegria. O nome Denise é originário do francês Dionísia – o dionisíaco do Deus Dionísio, um dos nomes de Baco. O primeiro elemento prende-se a Zeus (brilho luz) e o segundo talvez Anysso, impelida em puxar, ou Nisa, vale da selva da Beócia, ou consagrado ao Baco. Verônica vem do latim Verônica – cognato de Berenice. A pronúncia correta deveria ser Veronika. A etimologia Vera Eikon significa: verdadeira imagem (grego). (Dicionário de Nomes e Sobrenomes do Prof. Mansur Gueiros, Editora Ave Maria, SP). - 94 -


Denise era uma menina muito bonita e saudável, mas bastante decidida. Gostava de fazer espalhafatos e era muito engraçada. Era conhecida por “Repórter Esso” como os irmãos a chamavam, pois não havia notícia ou segredo que ela não divulgasse amplamente. De coração bondoso sabia agradar a todos. O Duda chamava-a de “Negrola” pois tinha o cabelo preto e a tez morena. Com dez anos fez sua Primeira Santa Comunhão junto com seus manos Rui e Armando. Fizemos para eles uma festa muito bonita e convidamos seus padrinhos e nossos amigos. Ela teve uma infância muito feliz, brigava com os manos mas arrependiase logo. Com cinco anos começou seus estudos em Luís Alves na Escola Estadual Tenente Anselmo Hess. Fez o ginásio no Colégio Sagrada Família e concluiu o segundo grau no Colégio D. Pedro II em Blumenau, com brilhantismo. Era estudiosa, passando de ano com facilidade e nunca nos preocupamos com seus estudos. Em casa ajudava nas lides domésticas, ora ajudando a cuidar de seus maninhos, ora passando roupa e, muitos anos, fazendo almoços, revelando-se uma excelente cozinheira. Auxiliou-me muito na organização da casa. Debutou no ano de 1973 em vários clubes e destacou-se como uma encantadora e linda menina-moça. Cursou Engenharia Civil na FURB e, posteriormente, transferiu a matrícula para Administração de Empresas, formando-se em 12 de agosto de 1983, junto com o irmão Armando César. Festejamos as duas formaturas no Restaurante Le Foyer, com um jantar festivo. Durante muitos anos ajudou nas lojas, tanto nas de Balneário Camboriú como nas de Blumenau. Na empresa, juntamente com Heitor, dirigiu uma das empresas da família, a Adro Industrial de Roupas, que era especializada na produção de calças e jaquetas de jeans. De espírito muito alegre, conquistou muitos amigos, que gostavam de ouvi-la e estar com ela. Dirigese a cada irmão com a expressão: “o irmão que eu mais gosto”. Denise casou-se em 1985 com Helcio Riedel e o seu casamento foi festejado no Tabajara Tênis Clube. Estava uma - 95 -


noiva maravilhosa e emocionada. Do seu casamento nasceu uma linda menina de nome Maria Antonia. Denise e Helcio se separaram após um ano e meio de convivência. Anos depois Denise encontrou seu atual companheiro, Carlos Alberto Pereira, filho de Jaci e Osny Pereira, com quem tem uma filhinha de nome Maria Victória. O casal mora em Balneário Camboriú e possui grande círculo de amizades. Hoje Carlos Alberto é consultor na área de comércio exterior e Denise é corretora de imóveis em Balneário Camboriú.

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ais uma alegria, mais um nascimento se deu em 12 de novembro de 1959, às 6h40min quando Rui Leopoldo nasceu em Luís Alves. O seu segundo nome Leopoldo lhe foi dado em homenagem ao seu avô materno Leopoldo Hess. Foi batizado na Igreja São Vicente de Paula em Luís Alves, no dia 27 de novembro de 1959. Seus padrinhos foram Áurea e Silvestre Schmidt, de Itajaí. Rui foi uma criança muito levada, gostava de espaço, campo, liberdade. Sempre foi um bom filho, obediente, carinhoso e querido. Com o seu jeito simples de ser, conquista facilmente a atenção e amizade das pessoas. Quando era adolescente gostava de andar descalço e fazer longas caminhadas. Sua grande protetora foi sempre a irmã Maria Aparecida que muito colaborou na sua educação.

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O nome Rui vem do português arcaico, Ruy, Roy, hipocorístico de Rodrigo – Roderico, do germânico Hadrik – Senhor (rik da glória hrod do alemão, Roderich, forma alativada Ruderichus). Leopoldo – do germânico, audacioso (bolt) como o povo (lint), ou seja, audaz para o povo. Em alemão Leopold e em italiano e espanhol Leopoldo (Dicionário de Nomes e Sobrenomes, do Prof. Mansur Gueiros, Ed. Ave Maria). Rui era um menino bastante afetivo e adorava aninhar-se no colo da mãe. Sempre foi magro e seu tipo físico é muito assemelhado ao do avó materno. Iniciou seus estudos em Luís Alves. Quando nos mudamos para Blumenau foi matriculado na Escola Irmã Benvarda, tendo concluído o segundo grau no Colégio D. Pedro II. Não era um aluno muito aplicado, mas como era inteligente passava de ano sem muito esforço. Tanto em casa, como nas lojas, era muito prestativo. Trabalhava de dia na fábrica e estudava à noite. Terminado o científico, mudou-se para Florianópolis onde concluiu o curso de Engenharia Mecânica na Universidade Federal em dezembro de 1983. A família foi prestigiá-lo na formatura, que aconteceu no Clube Doze de Agosto. No meio do curso viajou para a Inglaterra, tendo ficado por quase dois anos na Europa aperfeiçoando o inglês e adquirindo experiência de vida. Não pedia que lhe mandássemos dinheiro e para custear sua vida trabalhou em diversos empregos: lavador de pratos, auxiliar de cozinheiro, etc. Para facilitar a vida de nossos filhos que foram estudar em Florianópolis, compramos um apartamento no Edifício Alexandra, na Av. Hercílio Luz. Tida, sua irmã mais velha, além de trabalhar no DASP, cuidava dos irmãos. Voltava para casa de carona e, numa dessas viagens, uma bela jovem parou o carro e vieram conversando. Era Lygia, filha do conceituado médico Dr. Elisiário Pereira e Neide Coelho, com quem começou a namorar e hoje é sua esposa. Casaram-se em 24 de agosto de 1985. A festa aconteceu na casa da noiva, com uma bonita recepção. A cerimônia do casamento foi celebrada na - 98 -


Capela Santo Antônio de Blumenau, por Frei Pascoal. Os noivos, em lua de mel, viajaram para Parati, no Rio de Janeiro. O casal tem dois filhos: João Vitor e José Eduardo, que completam a família. Lygia é advogada e exerce sua profissão com muita competência, no escritório de advocacia de Sérgio e Vilson. Rui com sua maneira peculiar de ser, alegre, bagunceiro e brincalhão, sempre foi atração nas cavalgadas que o Pai organizava. Ele e seus irmãos Renê e Vilson contagiavam a todos que delas participavam, principalmente pela audácia de suas brincadeiras. Atualmente, Rui é o responsável pelo setor de exportação da empresa Dudalina, em que trabalha com grande competência e dedicação. Alegre e comunicativo é um grande vendedor e tem enorme facilidade em fazer amizades.

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m 28 de setembro de 1961 nasciam, em nossa casa de Luís Alves, duas lindas crianças (gêmeos) que nos trouxeram muita alegria, pois privilégio tão grande só podia ser uma graça de Deus. Nunca estivemos tão felizes e orgulhosos. O avô Leopoldo não se cansava de contar a boa nova a todos. Renato nasceu às 05h40min com o peso de 3.700 gramas. O nascimento de Renato foi normal, mas Renê nos assustou. Os dois meninos eram iguaizinhos. Dona Otília Schmidt foi a parteira. Estava com 70 anos e tinha feito mais de mil partos, era famosa em trazer bebês. É uma nobre missão, cheia de responsabilidade. Conservo, também, a lembrança da minha querida mãe que me atendia nestes momentos tão difíceis. Agora com dois nenéns era dobrado, mas ela era incansável.

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O Papai Duda, orgulhoso naquele dia, era o homem mais feliz do mundo. Registrou, mais tarde, essa sensação nos versos dedicados aos filhos... O nome Renato, do latim Renatus (o renascido pelo batismo, ou renascido para sempre, eternamente). Segundo uns, proveio diretamente do italiano Part e do arcaico Renato. Maurício, do latim Mauritius ou Mauricius o mesmo que Mauro, nativo de Mauritânia (África Setentrional) ou pardo como um Mouro. (Dicionário de Nomes e Sobrenomes do Prof. Mansur Gueiros, Editora Ave Maria). O mais interessante é que o nome Renato é René em francês. Renato foi batizado em Luís Alves em 25 de outubro de 1961. Seus padrinhos foram Célia e Victor Emerdoerfer, de Jaraguá do Sul. Eu vestia as crianças com as mesmas roupas. Duda comprou um carrinho de bebê duplo e nos exibíamos, passeando. As crianças eram lindas e eram gêmeos idênticos. A semelhança dos dois era tão grande, que todos se confundiam. A diferença que fazia com que o Duda e eu os identificássemos, era o foto de Renato ser um pouco mais gordinho. Para criá-los não foi fácil, pois eram dois, mas compensou todo o trabalho pela alegria que nos deram. Renato engatinhou 15 dias depois que René que era mais corajoso e ágil. Aos cinco anos foram matriculados na Escola Estadual Tenente Anselmo Hess e no primeiro dia foram de mãozinhas dadas, meio tímidos. Eram estudiosos e ambos competiam para tirarem boas notas. Colecionavam notas 100 e estudavam sempre juntos. Quando nos mudamos para Blumenau, estudaram na Escola Irmã Benvarda, na Alameda Rio Branco, e no ano seguinte no Pedro II, onde concluíram o segundo grau. Fizeram o cursinho no Bardhal, em Florianópolis, preparando-se para o vestibular. Resolveram, porém, fazer a faculdade em Blumenau, onde Renato conheceu e encantou-se por Rosemeri Santos, a Meri como a chamamos, filha de Norma e Pedro Santos. Casaram-se dia 21 de abril de 1985. Tiveram dois filhos: Armanda Eduarda e Renato Maurício Filho. - 101 -


Renato, como os outros irmãos, começou cedo nas lojas e na indústria, dobrando caixas, despachando pedidos, atendendo nas lojas. Logo mostrou uma grande vocação para vendas. Nato (como o chamamos) tem uma característica pessoal muito forte: a incrível capacidade de fazer amigos. Dono de simpatia cativante, lidera agrupamento de amigos que se reúnem com frequência e têm ele por adoração. Fascinado por carros é o conselheiro da família neste assunto. É um filho carinhoso e atencioso. Muito novo aceitou o desafio de abrir o mercado de São Paulo para a empresa. Com muita coragem e determinação foi precursor de um trabalho que consolidou a indústria como a líder do setor. Atualmente, desenvolve suas atividades em São Paulo e tem, reiteradamente, recebido prêmios como o melhor vendedor da empresa.

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om o nascimento dos gêmeos, Duda e eu nos sentimos muito orgulhosos e felizes. Meus pais não se cansavam de noticiar para as pessoas amigas o acontecimento. Para o avô Leopoldo a surpresa foi maior, pois vovó Verônica já sabia que nasceriam gêmeos. Eles eram idênticos e dificilmente alguém os distinguia. Renê nasceu às 06h15min, da manhã com o peso de 3.300 gramas. Ao nascer não chorou de imediato: estava sufocado e todo roxo. Seu pai não teve dúvidas: mergulhou-o na banheira que já estava preparada, quando, então, o bebê reviveu, anunciando sua chegada com os primeiros gritos. Renê diz até hoje para todos, orgulhoso, que seu pai lhe salvou a vida. Banhados e vestidos, ambos perfeitos e iguais, a emoção tomou conta de nós, pois o susto passara. Duda estava felicíssimo e ficou o tempo todo pajeando os nenéns. O nome Renê, no masculino na forma francesa de Renato pronuncia-se

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com acento: René. O segundo nome Murilo é de origem espanhola e significa pequeno muro-Taipa. Os padrinhos de Renê foram Ivone e Adolfo Clarindo, ele gerente do Banco Inco de Luís Alves. Seu batismo se deu no dia 25 de outubro de 1961, num sábado, quando fizemos uma pequena festa. Duda comprou para os gêmeos um carrinho duplo, que veio de São Paulo especialmente para eles. Vestia-os com roupas iguais e o enxoval de ambos foi feito com muito esmero e capricho. Eram conjuntos de cambraia de linho, com bordados à mão, casaquinhos de lã diferentes, que faziam as pessoas pararem para admirá-los. Renê foi mais ágil para engatinhar, engatinhou quinze dias antes de Renato. Até os 12 anos consegui vesti-los iguais. Mas, após, eles decidiam como se vestir. Foram crianças obedientes e só nos deram alegria e felicidade. Nos estudos sempre foi companheiro inseparável de seu irmão Renato, e até a conclusão do segundo grau frequentaram sempre a mesma sala de aula. Renê sempre foi muito ligado ao Pai, de quem herdou o gosto pelas lidas do campo: cavalos e gado, sendo um assíduo participante de rodeios e cavalgadas. Possui um sítio em Luís Alves, feito especialmente para receber seus muitos amigos em finais de semana e em outras datas. Assim como seu irmão Renato, Renê cativa as pessoas e tem uma grande capacidade de fazer amigos. É muito expansivo e onde chega é o centro das atenções, tal sua facilidade de brincar e ser espirituoso. Renê, como seus irmãos, começou cedo a trabalhar, passando por diversos setores da empresa. Atualmente é seu diretor administrativo-financeiro, cuidando dos interesses dos acionistas com muito zelo e dedicação. É competente, austero e rígido no cumprimento de suas atribuições, características que conquistaram a confiança dos irmãos.

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Nei, como carinhosamente é conhecido, ainda muito cedo, conheceu a encantadora Deise, filha de Ilse e Rubens Valdick, sua primeira namorada com quem se casou muito novo. Comemoraram com uma esmerada recepção no Tabajara Tênis Clube. Moram em Blumenau. Do casamento nasceram três filhos: Maria Fernanda, Lucas Ricardo e Renê Murilo Filho que completam a felicidade da família.

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ara homenagear o pai, eu havia decidido que o próximo filho homem teria o seu nome. A homenagem veio em forma de presente, pois nosso 12º filho nasceu exatamente na data em que Duda completava 42 anos. Rodolfo Francisco de Souza Neto nasceu no dia 9 de fevereiro de 1963, às 23 hs em nossa casa de Luís Alves. Era uma linda criança, rechonchuda e loira. Seu nascimento foi normal e foi recebido por seus avós e pelo pai, especial, com muita alegria. Passadas apenas 30 horas de vida, um imenso susto alarmou toda a família: a criança teve uma forte hemorragia. Minha mãe que sempre estava comigo nos nascimentos dos netos, viu a gravidade do caso e apressou-se em procurar recursos junto com a minha irmã Elvira. Luís Alves não tinha médicos ou hospital. Dirigiram-se às pressas para Blumenau com o neném. A viagem era demorada e a criança corria perigo de vida. Elvira e mamãe, desesperadas, adentraram ao - 106 -


consultório do médico Dr. Leitão sem serem anunciadas, pedindo ao médico que, pelo amor de Deus, salvasse a criança que elas traziam nos braços. Dr. Leitão, pediatra famoso, imediatamente aplicou-lhe uma injeção de vitamina K para que o sangue coagulasse e solicitou ao Dr. Vergara no laboratório de análises para que prontamente fizesse transfusão de sangue na criança. Correram para o Hospital Santa Isabel e de imediato foram encaminhadas ao Banco de Sangue onde o bebê foi atendido. Recebeu transfusões constantes por quase 24 horas. Como me recuperava do parto não pude acompanhar a criança até Blumenau, mas Duda ficou permanentemente com o filho até a recuperação. Somos gratos a Deus por ter atendido nossas veementes preces e salvado nosso filho querido. Como corria risco de vida, foi batizado no Banco de Sangue dois dias após o nascimento e seus padrinhos foram Dr. Ivo Olinger e sua irmã Carmem. Os padrinhos foram escolhidos por meus pais. O nome de Rodolfo significa Hruodwolf, lobo (wolf) de glória (hruod) do germânico traduzido lobo combatente, guerreiro, valente. Francisco vem do latim medieval Franciscus, derivado do germânico Frank com o germânico – isk. Em italiano Francesco, do inglês Francis e do francês Francisque, Françóis. (Dicionário de Nomes e Sobrenomes, do Prof. Mansur de Gueiros, Ed. Ave Maria, SP).

Quando Rodolfo Neto voltou para casa, os irmãos com pena da criança, olhavam para ele e o chamavam de “Tadinho”. Como era loirinho, de cabelos cacheados, o pai lhe chamava de Alemão, e foi este o apelido que vingou. Rodolfo sempre foi uma criança muita calma e alegre. Pouco incomodou, era querido e obediente. Iniciou seus estudos, em Blumenau, no Colégio Irmã Benvarda, na Alameda Rio Branco, no primeiro ano em 1969. Quando nossa família se mudou para Blumenau, só conseguimos matrícula neste Colégio. No ano seguinte, ele estudou no Colégio D. Pedro II até o segundo científico. Em 1979 foi estudar em Florianópolis junto com seus três irmãos e a mana Maria Aparecida. Fez o vestibular, e formou-se com 20 anos em Odontologia pela Universidade Federal de Santa Catarina. Era o mais jovem e foi considerado um dos melhores alunos da sua turma. Rodolfo herdou do pai, além do nome, o - 107 -


jeito afável e brincalhão. Está sempre de bom humor e tem uma grande capacidade de fazer amigos, que o adoram. Tem, como o pai, um gênio tranquilo, um ótimo coração e é benquisto por todos. Quando se formou em 1983, fomos prestigiá-lo e festejamos com um jantar em família. Iniciou sua vida profissional como dentista, onde fez sucesso. Hoje dirige com grande competência os empreendimentos hoteleiros da família. Hotel Himmelblau Palace e Hotel Fazenda Santo Antônio, onde me substituiu. Enquanto estudava em Florianópolis, conheceu a bonita e dinâmica Iliani, filha de Analice e Afonso Coelho, por quem se apaixonou. Voltando para Blumenau marcou o casamento para o dia 4 de maio de 1985. Houve uma bela recepção na Sociedade Guarani, de Itajaí, e seu casamento deu-se na Igreja do Santíssimo Sacramento. Fizeram a lua de mel em Campos do Jordão. Fixaram residência em Blumenau. Logo compraram seu próprio apartamento e, em seguida, adquiriram a casa onde hoje residem. Rodolfo e Iliani foram agraciados com o nascimento dos filhos gêmeos Maria Eduarda e Luiz Felipe que são a alegria do casal. Possuem duas lojas “Up To Date” em Blumenau e Balneário Camboriú. Rodolfo possui também a Imobiliária Rodolfo de Souza e Associados, em Blumenau, e sua esposa é proprietária da loja de moda feminina Ili. Sua filha Maria Eduarda é estudante de Medicina e Luiz Felipe estuda Comércio Exterior.

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ais uma menina chegava à nossa casa, sendo nossa quarta filha e a décima terceira dos dezesseis filhos. Era uma bonita menina que nasceu saudável e perfeita. Com o susto do nascimento do Rodolfo Neto resolvi não correr mais risco. Percebendo que se aproximava a hora do parto, dirigi-me para Blumenau e, após exame médico, fui internada na Maternidade do Hospital Santa Isabel. Era quinta-feira, 12 de março de 1964, quando às 04h20min nascia Adelina Scheila. Moreninha, pesava 3.600 gramas. Escolhi o nome de Scheila Beatriz, mas quando Duda voltou do batizado com os padrinhos falou que me fizera uma homenagem surpresa e colocara o meu primeiro nome na criança. Os padrinhos de Adelina Scheila foram meu irmão Almiro e esposa Dulce que vieram de Curitiba para o batizado, no dia 22 de março de 1964. Adelina é hipocorístico de Adelaide, semblante, porte, garbo, distinto, fidalgo ou de linguagem nobre (Adel). Scheila - 109 -


Irlandesa de Célia significa celeste celestial (Dicionário de Nomes e Sobrenomes do Prof. Mansur de Gueiros, Editora Ave Maria, SP). Scheilinha sempre foi uma menina boazinha, sossegada, alegre, muito querida, mas como toda criança não deixou de nos dar trabalho e era também levada. Aos seis anos começou a frequentar o jardim de infância do Colégio Barão do Rio Branco, em Blumenau, onde permaneceu até completar a 4ª série. Concluiu o segundo grau no Colégio D. Pedro II. Em Blumenau eu já não conseguia matricular meus filhos na primeira série com cinco anos, como fizera em Luís Alves. Em setembro de 1979 debutou em vários clubes de Santa Catarina. Era uma debutante deslumbrante e emocionou-nos com a sua felicidade. Em 1982 foi fazer o pré-vestibular em Florianópolis e passou a estudar Educação Física na Universidade Federal de Santa Catarina durante dois anos. Não tendo se realizado no curso, resolveu especializar-se em moda e foi para São Paulo estudar. Fez cursos e estágios em várias escolas e empresas. Em julho de 1986 viajou para Firenze, na Itália, onde participou de novos cursos e também fez estágios com profissionais da moda e de estilo. Retornou à empresa, onde desenvolveu diversas coleções. Perfeccionista voltou para a Europa, desta vez para a Inglaterra, onde aperfeiçoou o inglês e de lá foi para Nova York, onde se matriculou no FIT, a melhor escola de moda e estilismo do mundo. Em Nova York conheceu Pedro, filho de Pedro (em memória) e Palmyra da Cunha, hoje seu marido. Em outubro de 1991 voltou para Blumenau e retomou suas atividades na empresa, onde se mostrou uma profissional muito competente e responsável. No Natal de 1991 recebeu a visita do namorado que veio dos Estados Unidos. Apresentou-o à família e resolveram noivar na noite de Natal. Com o nosso consentimento, pais e irmãos brindaram com champanhe a felicidade dos noivos. Foi um Natal muito feliz para todos e, principalmente, para ela, que nesta noite começou uma nova fase de sua vida. O casamento foi marcado para o dia 7 de março de 1992. O casamento foi celebrado com culto ecumênico, por Frei Pascoal e pelo pastor da Igreja Evangélica Batista, Roberto Alves de Souza, cunhado do noivo. Numa cerimônia linda, Scheila - 110 -


entrou na Capela do Colégio Santo Antônio, radiante, conduzida pelo orgulhoso pai e precedida por um cortejo maravilhoso de dez sobrinhos. Momentos antes, Duda tivera uma crise aguda de hipertensão e superou a si mesmo, para não decepcionar a filha. Estávamos todos aflitos. Scheilinha soube deste fato tempos depois, quando já estava morando em Nova York. Na bênção das alianças, Rita Schwabe cantou a Ave Maria, acompanhada pelo som de violinos. Foi uma cerimônia emocionante e a felicidade do casal era tão evidente que comoveu a todos. O vestido da noiva foi confeccionado pelo estilista Gesoni Pawlick e traduzia o modelo que Scheila havia sonhado. A recepção para 250 convidados deu-se no Tabajara Tênis Clube. Após o casamento, viajaram para o Rio de Janeiro, visitando parentes e, em seguida, para Nova York, cidade onde fixaram residência. Posteriormente residiram em Miami Beach, onde estabeleceram um escritório de assessoria de moda, prestando serviços a diversas empresas do Brasil e da América Latina. Da união do casal nasceu uma bela criança de olhos azuis, o primeiro da família, com o nome de Pedro Bruno Júnior, o Pedrinho. Este filho tão esperado trouxe muita alegria ao casal. Pedrinho é o nosso primeiro neto norteamericano. Em 1997 nasceu a segunda filha do casal, Isabela, também nascida em Miami e em 2002 nasceu Isadora, em Balneário Camboriú. Retornando ao Brasil em 2001, Scheila abriu, em 2003, a Manas Camisaria Feminina, junto com suas irmãs Denise e Adriana e em 2006 Scheila comprou a parte das irmãs. Scheila é uma mulher muito cristã, com forte crença religiosa e membro da Igreja Batista.

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ós estávamos na praia, aproveitando o movimento da temporada de verão. Toda a família atendendo nas lojas. Eu atendia na Loja do Edifício Arlene, quando naquela quarta-feira, no final da tarde comecei a sentir os sinais do parto e fui para a Maternidade Marieta Konder Bornhausen em Itajaí. À 1h45min, do dia 17 de fevereiro de 1966 nascia Roberto Eduardo, nosso décimo quarto filho, pesando 3.650 gramas. Foi batizado no dia 27 de fevereiro de 1966 em Luís Alves e seus padrinhos foram Evelina e Nilton Kuker, amigos que me levaram para a maternidade naquela chuvosa noite, pois Duda havia ficado ilhado pela enchente, em Luís Alves. O nome Roberto vem do alto alemão antigo Hruodberaht brilhante (beraht) de glória e de fama (hruod) do alemão Rodebert, Robert do alatinado, Rodbertus e do inglês Robert. Eduardo, anglo-saxônio Eadweard: guarda Weard das riquezas, dos bens (ead) em francês Edouard; em alemão Eduard; em italiano Eduardo ou Odoardo. (Dicionário de Nomes e Sobrenomes, do Prof. Mansur Gueiros, Ed. Ave Maria). - 112 -


Roberto sempre foi uma criança calma, sossegada e dificilmente incomodava. Era muito sério e fechado. Com cinco anos começou no Jardim de Infância no Colégio Barão do Rio Branco até a quarta-série (Dona Ilse Schmider, sua diretora, muito me auxiliou). Continuou seus estudos no Colégio D. Pedro II até o primeiro científico. Concluiu o científico no Colégio Bardhal, em Florianópolis, preparando-se, ao mesmo tempo, para o vestibular de Medicina. Muito cedo começou a trabalhar nas empresas e ajudava nas lojas no período da tarde, já que estudava no período da manhã. Crescidinho assumiu as funções de caixa da Loja da Rua Padre Jacobs, em Blumenau. Sempre foi estudioso, responsável e trabalhador. Era muito carinhoso com seus pais e com os irmãos. Foi aprovado no primeiro vestibular de Medicina a que se submeteu e deu-nos a todos os familiares uma enorme alegria e um motivo de orgulho. Eram muitos candidatos para cada vaga e ficamos felizes de ver seu esforço coroado de êxito. Em 1988, já cursando Medicina, decidiu trancar matrícula do curso e foi morar na Índia, onde permaneceu pelo período de 1 ano, deixando-nos preocupados e saudosos. De coração puro e bom, humanitário por excelência, a convivência com a espiritualidade e a pobreza da Índia fizeram Roberto valorizar ainda mais a profissão que abraçara. Retornando, prosseguiu seus estudos e colou grau no dia 11 de janeiro de 1990. Todos os seus irmãos, cunhados e cunhadas foram a Florianópolis prestigiá-lo. Era uma “pequena multidão” a aplaudi-lo e parabenizá-lo. Com quatro anos de residência e vários cursos, Roberto é especialista em Medicina Interna e Pneumologia. Presta assistência incansável ao Pai, que tem, neste filho médico, seu grande conselheiro. Roberto lhe dá tanta atenção, que o pai, às vezes, brincando, reclama de seus cuidados. Qualquer problema de saúde com os irmãos ou sobrinhos, ele imediatamente faz o atendimento e, se necessário, desloca-se de Florianópolis, onde reside, para nos atender.

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É um profissional extremamente dedicado e respeitado por seus colegas. Certa vez, recebemos, o Duda e eu, um recado de uma pessoa (Vera Barbosa), cuja mãe havia sido sua paciente. Dizia ela: “Aceitem nosso abraço de parabéns e de gratidão por terem formado um ser humano tão maravilhoso, que possui o dom especial para atenuar o sofrimento de seu semelhante”. Ficamos emocionados e agradecidos a Deus. Beto (como o chamamos) tem na sua esposa Cátia, filha de Gladys e Einar Berger, também médica, a conselheira e companheira de jornada. Em 1997 nasceu a filha de Roberto e Cátia, que recebeu o nome de Sophia.

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ossa menina caçula foi recebida também como um presente de Deus para o pai, pois nasceu no dia do seu 47º aniversário em 9 de fevereiro de 1968. Estávamos todos em Balneário Camboriú e eu trabalhei na loja até as primeiras contrações, saindo da loja direto para a maternidade. Adriana Beatriz nasceu na maternidade Marieta Konder Bornhausen, em Itajaí, ao meio-dia de uma quarta-feira, pesando 3.600 kg. Imagino que por ter trabalhado até a hora do parto, fica explicada a perseverança e a força de vontade de vencer de Adriana. Duda, quando soube do nascimento da filha, veio imediatamente visitar-nos, feliz pelo presente e por ter nascido mais uma menina. De imediato, demonstrou um afeto especial por ela. Chamava-a de “negrinha” e orgulhava-se pelo cabelo cacheado da filha, iguais aos seus, quando criança. Os padrinhos de Adriana foram o casal Sônia e Evaldo Schaefer, primos do Duda, sendo ele médico em Florianópolis. - 115 -


Adriana vem do latim Adrianis, da cidade de Ádria, região banhada pelo mar Adriático. Adria provavelmente de Ada, deus do fogo adorado pelo povo asiático que se dizia descendente de Heracles; do francês Adrien, Adrienne. Beatriz, do latim Beatrix, do italiano Beatrice (a que faz feliz alguém), feminino de Beatriz, feliz beato, ditoso, bem aventurado, do francês Beatrice, Beatrix. O significado de seu segundo nome caracteriza bem seu jeito de ser, pois Nana (como a chamamos), sempre foi uma filha e irmã abnegada, e tudo faz para que as pessoas se sintam felizes. Dona de personalidade forte, brabinha, tem, contudo, um coração de ouro. É muito trabalhadora, ordeira e disciplinada. Enquanto morou conosco Adriana ajudou-me muito na organização da casa e nos cuidados com o pai, por quem nutre uma grande afeição, que é recíproca. É também muito dedicada aos sobrinhos, que têm pela “Tia Nana” verdadeira adoração. Com seis anos entrou para o Jardim de Infância do Colégio Barão do Rio Branco, onde estudou até a quarta série, passando então para o Colégio Santo Antônio, em Blumenau, onde estudou o segundo grau. Fez a sua Primeira Comunhão com nove anos junto com seus manos Roberto Eduardo e Marco Aurélio. Debutou em 1983, em Blumenau e Florianópolis, e chamava atenção de todos pela sua beleza meiga. Com 18 anos foi estudar em São Paulo. Formou-se em Economia em março de 1994 pela Faculdade Armando Álvares Penteado. Em São Paulo encontrou Ricardo, filho de Maria Thereza (em memória) e Alberto Chaibub, com quem namorou durante três anos. A festa de formatura foi no seu apartamento com um jantar que ela mesma preparou e onde compareceu nossa família e a família do Ricardo, sogro e cunhados. Trabalhava no escritório da Dudalina durante o dia e estudava à noite. Ainda noivos, muito responsáveis compraram e montaram o apartamento onde residem atualmente. Noivaram em 9 de fevereiro de 1992, dia do aniversário da noiva, durante as comemorações dos 70 anos do pai. O casamento foi marcado para o dia 12 de setembro de 92 e, em seguida, começamos a aprontar o seu enxoval. Maria Aparecida e eu empenhamo-nos ao máximo para fazer uma linda festa. Contratamos o bufê Ilha do Mel de Curitiba e a decoração foi realizada pela Ninha Flor, em tons de bordô e dourado.

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O casamento foi comemorado no salão Heidelberg do Hotel Himmelblau, com mais de trezentos convidados. Na véspera do casamento foi oferecido, em nossa casa, um jantar aos convidados de São Paulo com comidas típicas alemãs. No dia do casamento, eram 8 horas da noite quando ela e seu pai embarcavam numa limousine branca que os levou para a igreja. Foi um casamento inesquecível e tudo fizemos para que ele correspondesse aos sonhos de Adriana. Na Igreja Matriz de São Paulo Apóstolo, os convidados os aguardavam, juntamente com trinta casais de padrinhos, formados pelos irmãos, cunhados e cunhadas dos noivos. Ricardo convidou seus irmãos e os melhores amigos. A noiva entrou solenemente pelo braço do pai, comovido, precedida por um cortejo de 20 crianças entre 3 e 10 anos, todos sobrinhos, que encantaram e emocionaram a todos. Os meninos, como pequenos príncipes, com roupas de veludo bordô e as meninas combinando na cor e modelo. O casamento foi celebrado pelo Frei Pascoal Fuzinato, grande amigo da família. Viajaram em lua de mel para Cancún, no México e, ao voltarem, fixaram residência em São Paulo. Adriana é uma filha muito querida e atenciosa. Quando viajo a São Paulo, acompanhame e presta a melhor assistência. Em agosto de 1996 o casal teve seu primeiro filho: Ricardo Chaibub Filho, uma criança linda, para quem Adriana revela todo seu grande potencial de mãe. Em 1997 Adriana mudou-se para o bairro Moema, em São Paulo e conseguiu adquirir seu primeiro escritório de representações. No ano de 2002 nasceu seu segundo filho, Bruno Chaibub, um menino lindo e o filho Ricardo já está com 12 anos.

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arco Aurélio nasceu no dia 10 de junho de 1969, às 5h30min na maternidade do Hospital Santa Isabel, em Blumenau. Seu nascimento coincidiu com o 15º aniversário de seu mano Sérgio. Marco Aurélio é o 16º filho e o mais novo da família. “É o Marco da história”. Ele foi batizado no dia 22 de julho e seus padrinhos foram o casal Maria Luiza e Luiz Arnaldo Braga Tenius. Marco Aurélio nasceu uma criança forte e sadia com 3.600 gramas. Sua irmã Adriana chamava-o de Kiko, apelido que vigora até hoje. Seu nome Marco vem do etrusco Marce e do latim Marcus, grande martelo cognato de Marte, deus da guerra. Aurélio, do latim Aurelius, deriva de ouro, áureo ou dourado, mas em verdade baseia-se no etrusco usil (primitivo Auseli). (Dicionário de Nomes e Sobrenomes, do Prof. Mansur Gueiros, Ed. Ave Maria). Nós estávamos providenciando os detalhes finais da mudança de toda a família para a casa nova de Blumenau. No início, matriculei os filhos nas escolas em Blumenau e - 118 -


estávamos morando provisoriamente com meu pai na casa do bairro Ponta Aguda. No dia do nascimento de Marco Aurélio, o pai estava em Luís Alves com os filhos menores e providenciava a mudança para Blumenau. Com quatro dias, voltei com o bebê para a nova casa. Foi uma festa: a família comemorava o nascimento do irmão, o aniversário do Sérgio e a casa nova. Como era o último filho, recebeu atenção de todos. Isto se deu em 14 de julho de 1969. Neste dia, passamos a morar definitivamente com todos os filhos, sob o mesmo teto, em Blumenau. Como nesta época de grandes mudanças para nós, meu trabalho na indústria era imprescindível, consegui com a diretora da Maternidade uma vaga no berçário durante as minhas horas de trabalho. Eu os levava às 8 hs e ia buscá-lo às 18 hs. Recebeu toda a atenção. Este privilégio nos foi concedido em consideração ao tamanho da família. Dizia a irmã que uma mãe de dezesseis filhos merecia uma atenção especial. Pessoalmente, ela se responsabilizou pela criança por três meses. Ao sair do berçário, passou a ser cuidado por mim, pelas irmãs e pela babá. Durante a noite eu fazia questão absoluta de cuidar do menino, que dormia no nosso quarto. Era um bebê muito bonito e foi sempre uma criança muito querida, meiga e boazinha. Deu-nos pouco trabalho. Necessitávamos, em Blumenau, de duas empregadas e de uma babá para atender toda a família. Com cinco anos Marco Aurélio entrou para o Jardim de Infância do Colégio Barão do Rio Branco, onde ficou até concluir a quinta série, quando então passou para o Colégio Santo Antônio junto com a irmã Adriana. Por ser o filho mais novo foi muito mimado por mim, pelo pai e por todos os irmãos. Em 21 de outubro de 1979, com dez anos, fez a Primeira Comunhão junto com seus irmãos Roberto e Adriana. Em 1987 foi morar em São Paulo, e trabalhava no escritório da firma, preparando-se para o vestibular na Fundação Getúlio Vargas. Infelizmente, não se adaptou e, mesmo com a nossa contrariedade, retornou para Blumenau, onde passou a trabalhar na área de suprimentos e hoje é gerente de produção. - 119 -


Revelou-se um excelente funcionário e é muito elogiado pelos irmãos diretores, por sua determinação e competência. Muito trabalhador, normalmente fica na fábrica até 9, 10 horas da noite, e muitas vezes traz trabalho para fazer em casa. Como é o único filho solteiro, mora comigo e me dá muita atenção. É carinhoso, afável e tem muitos amigos. Há pouco tempo adquiriu da empresa uma franquia da Base & Co., loja especializada em roupa masculina jovem e tem tido muito sucesso. Por ser o responsável pela área de desenvolvimento de produto e de matéria-prima, viaja constantemente para diversos países para manter contatos com fornecedores e acompanhar as tendências da moda, no mundo, principalmente na Europa. Sempre me traz algumas lembranças e, quando em viagem, telefona-me diariamente, preocupado em prestar-me assistência.

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Nome

Data

Rodolfo Francisco de Souza Filho

Hora

Cidade

Santo

09.02.1921

Itajaí

Santa Apolônia

Adelina Clara Hess de Souza

20.03.1926

Luís Alves

São Joaquim

Anselmo José Hess

06.03.1948

14:15

Luís Alves

Santa Rosa

Heitor Rodolfo de Souza

08.12.1949

23:50

Luís Alves

Imaculada Conceição

Vilson Luiz de Souza

29.04.1951

07:15

Luís Alves

Santa Catarina

Maria Aparecida de Souza Zanatta

24.10.1952

06:20

Luís Alves

S.Antônio Claret

Sérgio Fernando Hess de Souza

10.06.1954

02:15

Luís Alves

Santa Alice

Sônia Regina Hess de Souza

06.10.1955

01:00

Luís Alves

São Bruno

Armando Cesar Hess de Souza

04.09.1957

05:15

Luís Alves

Santa Rosália

Denise Verônica Hess de Souza

09.10.1958

07:20

Luís Alves

S. João Leonardo

Rui Leopoldo Hess de Souza

12.11.1959

06:40

Luís Alves

S. Josafá

Renato Maurício Hess de Souza

28.09.1961

05:40

Luís Alves

São Venceslau

Renê Murilo Hess de Souza

28.09.1961

06:30

Luís Alves

São Venceslau

Rodolfo Francisco de Souza Neto

09.02.1963

23:00

Luís Alves

Santa Apolônia

Adelina Scheila Hess de Souza Cunha

12.03.1964

04:20

Blumenau

S. Gregório de Nissa

Roberto Eduardo Hess de Souza

17.02.1966

01:45

Itajaí

Santo Alexandre

Adriana Beatriz Hess de Souza Chaibub

09.02.1968

12:15

Itajaí

Santa Apolônia

Marco Aurélio Hess de Souza

10.06.1969

05:30

Blumenau

Santa Alice

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Hist贸ria do sobrenome Souza


Árvore genealógica feita em 1989

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ara cada filho organizei um livro da vida, onde fui registrando os principais fatos e anotando o acompanhamento do crescimento. No primeiro ano, anotei o peso e a estatura verificados a cada mês. E estão ainda registradas as datas de quando começaram a engatinhar, a andar, a primeira palavra, os presentes recebidos, as pessoas que me visitaram, a queda do primeiro dente de leite e outros dados interessantes. Num pequeno envelope estão as primeiras mechas de cabelo. Da mesma forma, organizei um álbum de fotografias, onde estão registrados os principais acontecimentos. Cada álbum é aberto com a foto do batizado, acompanhada dos padrinhos. Todos os filhos foram batizados com o mesmo vestido de cambraia de linho com renda valenciana e bordado à mão, que conservo até hoje. Este vestido também já foi usado nos batizados dos netos. Constam ainda no álbum fotos de cada no de suas vidas, até os cinco anos, depois foto da primeira comunhão, de formatura, da família e de outras cenas com familiares ou com amigos. Nestes álbuns estão as fotos de cada filho até os quinze anos. Ao se casarem faço a entrega do álbum da vida e do álbum de fotos. Para cada filho organizei um quadro com fotos de 1 ano em seis poses diferentes. Todas as fotos foram produzidas em estúdios. Era sempre uma preocupação para não deixar passar despercebida a idade nova de cada um. Sempre tive preocupação em deixar registrados os fatos da família em fotos. E assim, todos os anos. Duda e eu tirávamos um dia com as crianças e íamos para Blumenau, ou Itajaí, a um estúdio fotográfico, e tirávamos fotos da família e, individualmente, de cada filho, em diversas poses. Por volta de 1950, comprei uma máquina fotográfica Kodak, com a qual registrei os fatos e episódios da família: festas de - 124 -


aniversário, uma travessura, uma viagem, visitas, etc. Eles nos demonstram admiração e gratidão pela lembrança que lhes deixo e o retribuem com muito carinho. Muitas vezes, ao folhear os álbuns, lembramos episódios da nossa vida que são assuntos para conversas e brincadeiras. Em 1961 comprei uma filmadora 8 mm e um projetor. Fizemos diversos filmes da família, que eram revelados em São Paulo. Infelizmente, muitos destes filmes se perderam nas enchentes de Blumenau. Como Luís Alves não oferecia muitas opções de divertimento e cultura para as crianças celebrei um contrato de locação de filmes de 8 mm com a Fotóptica de São Paulo e, toda semana, recebíamos 6 filmes, via aérea. Mandei retirar as paredes de uma casa de madeira e a transformei num pequeno cinema para as crianças e aberto ao público. Heitor cuidava das projeções, Vilson e Sérgio cobravam os ingressos que se destinavam ao pagamento da locação dos filmes e o transporte aéreo. O cinema era mais uma diversão. Os meninos faziam cartazes de cartolina, colando recortes e figuras anunciando os filmes que iriam passar. Duda e eu não nos envolvíamos e participávamos assistindo aos filmes como espectadores. Numa época em que não havia televisão e as comunicações eram precárias, os filmes eram assuntos de conversas e discussões na localidade.

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repreensão, como crítica, de uma maneira geral, não é uma ação simpática, mas convenhamos que quando é verdadeira e procedente, constrói. Na educação dos nossos filhos fui uma mãe bastante severa e em todos os pontos onde notasse um defeito, um erro, alguma ação reprovável, fazia a minha crítica e a minha correção. Fui muito exigente e rigorosa na educação dos filhos. Quando praticassem boas ações, recebiam elogios e estímulos, compreensão e a demonstração de muito afeto. É por isto que denomino as críticas e os corretivos para com meus filhos de críticas por amor. Acredito nas qualidades deles, pois, desde criança, souberam distinguir o certo do errado. Muitos educadores insistem que não devemos bater ou castigar os nossos filhos, porém, eu não concordo. Fui enérgica neste ponto e soube o momento certo em que mereciam suas palmadas. Nossa família foi muito bem educada e os dezesseis filhos se orgulham da educação que receberam. Eles comentam, às vezes, com amigos, que apanhavam merecidamente e contam isto até com bastante orgulho. Castigar com justiça, dar algumas merecidas palmadas, aplicadas na hora certa, no lugar certo, sem intenção de machucar, é a medida certa. As crianças chegam a pedir indiretamente que os pais tomem esta atitude, quando ficam malcriadas e insistentes, querendo dominá-los. Uma palmada, nestes casos, às vezes, responde melhor do que uma longa conversa, ou então ameaças, ou leves castigos. A repreensão bem formulada com compreensão e respeito pelo ser humano sempre resulta em melhoria de desempenho. Quando eu aponto uma deficiência pessoal, nunca o faço para humilhar, mas sim para que melhorem suas ações. Muitos pais para não reprimir - 126 -


dão liberdade total às crianças e depois se arrependem. Imaginese o caos de uma família numerosa como a nossa se não houvesse castigos e disciplina na medida do necessário. Orgulho-me de ter procurado agir sempre com justiça e ter contribuído na formação do caráter e da personalidade de cada um dos meus filhos, mas isto não foi fácil. Quando eram pequenos, fazia-os obedecer na base da energia, sou passional, do tipo que briga se necessário, falo tudo que é preciso, mas também sou de muito boa paz. Se assim não o fizesse, não teria condições de educar uma família do tamanho da nossa. Preocupo-me com tudo, com a saúde e o bem-estar do pai, dos filhos e dos netos e, se está tudo bem em nossa casa e, também, na casa deles e nos negócios. Adoro saber das novidades, contar histórias da família a conhecidos. Para nós a união da família e o respeito são muito importantes. Manter a família unida foi sempre o meu grande desejo e do meu marido. Educar é uma das tarefas mais difíceis, mas o tempo, a fé em Deus, a esperança de consegui-la é válida. A repreensão, o desvelo, o carinho, o afeto, a atenção, a dedicação e o nosso próprio exemplo foram os principais fatores que contribuíram para sua educação e que o tempo mostrou dar muito certo. Nosso maior orgulho, do Duda e meu, é ter conseguido que todos os nossos filhos nos sejam gratos, que todos sejam bons, sem distinção e com ótimas qualidades. Sou suspeita para falar sobre o caráter e a conduta de meus filhos, mas a vida de cada um, a comunidade, os amigos e os negócios são os melhores juízes de suas atitudes. Nossos filhos são comunicativos, sinceros e têm uma facilidade muito grande em fazer amigos. São puros e honestos em suas intenções e atitudes. Se volto a falar em críticas posso dirigi-las aos que vivem cometendo crimes, aos assaltantes, sequestradores, aos traficantes de drogas e aos corruptos que cada vez mais estão prejudicando a humanidade. Podemos criticar certos políticos que, ao invés de dirigirem melhor os destinos da nação, em vez de lutarem e trabalharem pelo povo, como prometem nas eleições, apenas se preocupam - 127 -


com os seus próprios interesses e suas vaidades pessoais. A estes é que podemos criticar, porque merecem. Rui Barbosa já dizia que “Os governos mudam mas não melhoram”. É o que está acontecendo. Por isto gosto de invocar Santa Rita de Cássia, protetora dos desamparados e injustiçados, e pedir para que haja mais justiça, menos pobreza, mais empregos e melhores condições de vida a todos. Enfim, louvado seja Deus por nos ter ajudado a educar nossos filhos e fazê-los felizes.

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CapĂ­tulo IV


odolfo Francisco de Souza Filho, Duda, nasceu na localidade de Escalvadinho, então município de Itajaí, em 9 de fevereiro de 1921. Era o caçula de uma família de 13 irmãos , na sua maioria mulheres. Foi criado com muito carinho por seus pais e por suas irmãs. Desde menino foi um aficionado às lides do campo e sua paixão eram cavalos. Aos oito anos já disputava as “carreiras” montando os melhores cavalos da região. Cursou o primário e, aos dezoito anos, foi convocado para o serviço militar. Serviu o Exército no destacamento de Itajaí e integrou a Força de Defesa no litoral catarinense. Posteriormente foi transferido para Curitiba, onde fez diversos cursos e chegou a patente de 3º Sargento. Ao sair do Exército foi convidado a trabalhar numa serraria em Massaranduba. Pressionado pela mãe Maria Antônia não aceitou. Retornou para casa e montou, em sociedade com o irmão Olíndio, uma ferraria em Escalvadinho. Era dono de um gênio forte e de um caráter excepcional. Possuía um coração de ouro e gostava de ajudar a todos que o procuravam. Era bastante emotivo, poucas pessoas possuíam tantos amigos. Chegava a ser carismático. Cultivava o amor em família e os seus filhos eram motivo de orgulho, admitindo serem dádivas de Deus. Adorava ser paparicado e quando algo não estava de seu gosto, amuava-se facilmente. Chegava a sofrer por carência afetiva. Sempre soube dar-me muito valor e atenção. Junto comigo foi um grande educador e um grande pai. - 130 -


Duda participava ativamente da vida política e comunitária em Luís Alves. Liderou o movimento de emancipação do município e em 1958 foi eleito vereador pela legenda do PSD para a primeira Câmara Legislativa do recém criado município. Foi também um dos responsáveis pela construção de uma pequena hidroelétrica no Rio Luís Alves, localidade de Salto, e um dos primeiros dirigentes da cooperativa de eletrificação rural. Era um homem de trato fácil e muito afetuoso. Sempre estava à disposição das pessoas que necessitassem de auxílio e, não raras vezes, acordou nas madrugadas para transportar pessoas doentes para os hospitais de Itajaí e Blumenau, no nosso antigo GMC 1954 nas emergências. Religioso, educamos os filhos na fé católica e todos os domingos nos dirigíamos à Igreja São Vicente de Paula com a família, para assistirmos à missa. Devoto de São Francisco, procurou pautar sua vida pela do Santo, fazendo caridade, auxiliando os mais necessitados e sendo amigo das pessoas. Eloquente, era personalidade obrigatória nos comícios do PSD e nos eventos importantes do município. Quando se tratava de interesse comunitário, punha suas paixões políticas de lado. À medida que os filhos iam crescendo e lhes entregávamos o comando das empresas, Duda foi se retirando para dedicar-se àquilo de que realmente gostava: poesia, gado e cavalos. Com a venda da Fazenda do Ipê, na localidade de Laranjeiras, compramos a Fazenda Santo Antônio, na localidade de Rio Bonito, divisa dos municípios de Blumenau, Massaranduba e Luís Alves. Ali engordava gado e criava cavalos. Transformamos a fazenda numa área de lazer para a família e, mais tarde, no Hotel Fazenda Santo Antônio. Em 1987 compramos a Fazenda Paraíso, em Ilhota, onde Duda passou a criar gado de forma intensiva. Homem simples e afetuoso, ligado às coisas da terra, logo foi chamado para participar da fundação do CTG Fogo de Chão de Blumenau, e do qual foi eleito Patrão de Honra. Carismático e bondoso, ampliou enormemente seu círculo de amizades. Em 1991 os amigos fundaram, em Ilhota, o CTG Tio Duda, do qual também foi Patrão de Honra. Duda sofria de uma cardiopatia grave desde os 40 anos e era cauteloso com sua saúde, carregando consigo sempre uma pequena maleta de remédios. Nesta época tornou-se copioso na - 131 -


produção de poesia, grande parte dela dedicada a mim e aos filhos. Duda era um homem de bem com a vida e aproveitava as oportunidades para colocar seu sentimento a serviço da poesia: seu amor por mim e pela família, uma viagem, o nascimento de um neto, a despedida de um filho, uma rusga comigo, uma conversa amiga, um jantar e até um puxão de orelha nos filhos. Publicamos um livro com suas poesias: “Uma Vida de Amor em Verso e Prosa”. A edição foi em 1989 e foi um presente surpresa que fizemos para ele. Criava e adaptava histórias infantis em versos para nossos netos. Indiscutivelmente seu maior prazer era o convívio com a família e os amigos. Os almoços de domingo, as festas, e principalmente os natais, quando todos os filhos e netos gozavam da felicidade da sua companhia. Sempre tinha um sorriso nos lábios e um conselho amigo no coração: era uma destas raríssimas pessoas que transmite bondade por onde anda. Um dos seus prazeres era receber os filhos e amigos, todas as sextas-feiras, na sua casinha na Fazenda Paraíso, para um almoço feito no fogão a lenha. Sentava-se à mesa e começava a contar suas histórias. Irradiava bondade e afeto. Quando falava, todos prestavam atenção e nos conflitos era sempre pacificador. Gostava de organizar cavalgadas com os filhos e amigos, e sempre tinha 20 a 30 cavalos encilhados para ceder aos amigos. A mais tradicional era a cavalgada de 26 de dezembro, esmeradamente planejada e que ia da Fazenda Santo Antônio até nossa casa em Luís Alves. Nestas ocasiões seu rosto brilhava de felicidade. Seu companheiro de jornada era Rodolfo Antônio dos Santos, amigo da família que há muitos anos era de nossa inteira confiança: era seu secretário, motorista e o acompanhava nos afazeres da fazenda, com grande abnegação.

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oucas mulheres no mundo foram tão amadas quanto eu (modéstia à parte, mas é verdade). Em cada oportunidade, Duda procurava me fazer um carinho, dizer-me algo suave, incentivarme, ou fazer uma poesia. Fez muitas, das quais transcrevo alguns versos esparsos:

Não quero desperdiçar minha velhice Com as intrigas do tempo Quero que você permaneça Sempre junto dos meus pensamentos Para poder agradecer a Deus A felicidade destes grandes momentos

A minha mulher faz aniversário Pois hoje é 20 de março Quando desperta o dia Dou meu beijo e um carinhoso abraço Há quarenta e seis anos Que isso sempre eu faço

Hoje na etapa final da vida Um balanço de tudo posso fazer Esta mulher querida e realizada Deu-me pouco aborrecimento e muito prazer Por este grande motivo Tenho uma extraordinária vontade de viver

Os teus olhos têm o brilho, Da mais procurada esmeralda Os teus cabelos são lindos Como das mulheres mais desejadas O teu andar é suave Como de uma fada encantada

 Já faz 48 anos Que esta data na minha vida entrou É o centro das minhas atenções Voltado para a mulher que me conquistou Onde o meu amor permanece Tão forte como ele começou

Esta mulher de caráter nobre e sincero Deu-me estes filhos que tanto zelam por mim Às vezes não reconheço estas ternuras Por que sou rude mesmo assim Mas com todas estas minhas manias Ela me aceita mesmo assim

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Mais uma maçã

A atenção de vocês queridos filhos À mãe nós temos que agradecer Só numa linda união quase divina Que isso pode acontecer Quanto mais estou junto de vocês Mais ânimo e vontade tenho de viver

Esta maçã é linda E de um sabor muito bom Ela representa ao todo Por ti minha paixão De dia te trago no pensamento De noite no coração

 Quando vocês chegarem à terceira idade Imitem a nossa mesma união Deixo este recado a vocês filhos Para que passe de geração a geração Porque o amor você só constrói Quando ele sai do fundo do coração

 Versinho deixado sobre o criado-mudo, junto com uma maçã Esta maçã representa O símbolo dos namorados Foi com ela que Eva conquistou Adão Levando a humanidade ao pecado Mas eu sem maçã conquistei a mulher Dos meus sonhos, adorada Trago seu amor e sua beleza Dentro do meu peito guardado Até hoje por ti Sou um grande apaixonado 12/6/1979 Duda

15/7/1980 Duda

 Quando saía para a Fazenda O dia está amanhecendo Para o serviço agora eu vou A saudade vai junto Pois no tempo a saudade não mudou Ela acompanha a batida do coração Em todo o lugar que eu vou 23/3/1989 Duda

Querida

Eu te amo muito Estou com grande saudade És o amor da minha vida Que traz esta felicidade Podes ter certeza minha querida Que tudo o que eu sinto é verdade

Esta laranja não é tão doce Como doce são meus beijos Ele marca a saudade Das horas que eu não te vejo

Mãe quando estás longe de mim Eu começo sozinho a sofrer Desaparece minha alegria E foge todo o meu prazer Longe de ti minha querida Eu não tenho jeito de viver

4/11/1986 Duda

25/5/1989 Duda

Laranja deixada sobre criado-mudo

 - 134 -


Mãe No jardim da casinha Esta rosa eu colhi Foi a primeira que floresceu Das que nasceram aqui Estou te oferecendo Como prova de amor Que sempre por ti senti Ela tem beleza e perfume Espinho que machuca Meu amor é como as pétalas Que todo espaço ocupa Sugando a seiva do caule Que não termina nunca Ela tem a beleza das flores Que a própria natureza deu Toda felicidade da vida minha Foi você Adelina quem deu Se não fosses tu minha querida Na vida, quem seria eu? Duda 16/11/1995

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s aniversários do Duda sempre foram uma festa na família. É que no mesmo dia aniversariam os filhos Rodolfo Neto (Alemão) e Adriana Beatriz. Neste ano, dia 9 de fevereiro de 1991, Duda completava seus 70 anos. Nesta mesma data, a filha Adriana noivava com Ricardo Chaibub.

Festa de 70 anos do Duda, aniversário de Rodolfo Neto e o noivado de Adriana

Nesta ocasião do seu aniversário organizamos uma grande festa na casa da praia, com a presença de todos os filhos e netos e mais 300 amigos. Contratamos os serviços de decoração da Lona Branca que transformou nosso jardim num lindo ambiente de festa, cobrindo o jardim e o pátio de estacionamento, onde

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acomodamos as mesas e os convidados. Os serviços de bufê foram executados pelo Clube Tabajara de Blumenau. Na hora da recepção chovia torrencialmente e as ruas ficaram alagadas, dificultando o acesso à nossa casa. No entanto, numa demonstração de carinho e amizade, todos os convidados compareceram e a enxurrada passou a ser secundária. A filha Maria Aparecida fez o papel de Mestre de Cerimônias e anunciou o noivado de Adriana, em cumplicidade com Ricardo (Adriana não sabia). Depois chamou alguns irmãos para dizerem algumas palavras ao pai e, ao final, encerrou com um discurso apaixonado. Foi emoção pura. Ao final, os olhos dos presentes estavam marejados de lágrimas. Duda, muito comovido, não resistiu e em meio à sua emoção agradeceu aos convidados e as homenagens recebidas. Estava muito feliz. O recinto estava decorado com uma série de faixas que diziam: - A vida começa aos 70. - Pai, tua vida é uma obra imorredoura. - Duda o autor do maior Best Seller “Sua Vida”. - 70 anos de sabedoria, e exemplo fecundo. - Duda, bondade num coração maior que o peito. - Amigos do Duda, obrigado pela presença.

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uda sempre foi um homem de hábitos simples e muitos amigos. Para receber os amigos e filhos nos almoços de sextasfeiras, mandou construir, na Fazenda Paraíso, uma pequena casa de madeira, com um fogão a lenha, sem forro e sem qualquer divisão interna, e que lembrava as construções rudes de antigamente. Nos caibros da casinha, havia pendurado balaios de cipó que dava aos filhos. A louça era de barro. Para se chegar à casinha, era necessário passar por dentro da mangueira. Nos dias de chuva as pessoas sujavam os sapatos e, quando o gado estava preso na mangueira, era uma dificuldade. Mas para o Duda, tudo estava bom. Participei de diversos destes almoços e achei aquele casebre simples demais e disse ao Duda que só voltaria ali caso fosse construída uma nova casinha. Ele riu e não disse nada. Nas conversas e brincadeiras com os filhos dizia que eu era uma mulher muito “fina” e que aquele ambiente não merecia a honra da minha visita. Como sempre, comecei a planejar a forma de fazer a nova casinha, inclusive para aumentar o conforto do Duda que, praticamente, passava todos os dias na Fazenda. Em 1993 Duda teve que fazer uma cirurgia para colocar uma prótese no joelho e ficou internado por mais de quinze dias em Curitiba, onde o acompanhei. Ainda ficou mais um mês e meio de recuperação em casa. Esta era a oportunidade que eu esperava para fazer a “casinha surpresa”. Para a construção contratei os carpinteiros e compramos o material e, em menos de duas semanas, a casinha estava pronta. Tem área de 48 m2, com um quarto de casal, banheiro, cozinha e uma ampla sala que serve de escritório e para refeições. Fiz - 138 -


também uma varanda para que Duda pudesse instalar uma rede e descansar. Quando ele retornou do hospital, no seu primeiro dia de Fazenda, recebeu o presente surpresa e ficou tão emocionado que chegou a chorar de alegria ao telefone, agradecendo-me. A casinha de madeira foi construída com as tábuas em sentido horizontal tipo chalé americano, bem rústica, evitando o estilo comum. Para que a obra não fosse só minha, consegui com alguns filhos recursos para as despesas da obra. Assim faz sentido de que a casinha também lhes pertence e continuem sendo seus assíduos frequentadores. Nesta casinha do Tio Duda foram vividas as boas e gostosas horas de um fazendeiro, pois de sua janela avista-se toda a fazenda. Conforto, bom ar, ar do campo, cheiro verde, e a natureza, tudo a seus pés. E foi para fazer a felicidade e a alegria do tio Duda e dos filhos que construí a casinha. Sentindo a alegria deles sinto a minha alegria e a minha felicidade também. Não foi fácil construir em segredo, para que realmente fosse surpresa. Dirigia-me para o local de carona, de favor. Com um jeitinho chegava a Ilhota, diariamente, para inspecionar a construção. A cabana recebeu seu nome. Foi feita com amor e carinho e transformou-se num local de lazer. Todas as sextas-feiras ao meio dia era oferecido aos filhos e amigos um almoço onde todos confraternizavam.

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Agradecendo a Casa Surpresa Estou falando da casinha bonitinha Que de presente ganhei Esta grande e útil surpresa Nunca na vida esperei

Os abajures foram escolhidos a capricho Na parede os quadros foram pendurados A capelinha de São Judas Em lugar distinto foi colocado Nossa antiga fotografia Faz relembrar o passado

Querida mãezinha quero te agradecer Do fundo do meu coração Surpresa como tu fizeste Prova como é feliz nossa união

As cortinas das janelas Foi o que mais gostei Faz lembrar o começo de nossa vida Quando com todo amor contigo casei O espelho pendurado Lembra o presente que há tempos te dei

Agora vejo o valor desta casinha Como ela foi construída O telhado é de quatro águas Com as tábuas invertidas Nunca acabarei de te agradecer Enquanto eu tiver vida

Aqui dentro desta casinha Tenho um conforto dobrado Junto com os filhos O teu nome será sempre falado Só Deus poderoso há de pagar-te Atenção que tu mãe tens me dado

Na frente tem duas janelas E uma porta de entrada Na varanda tem dois vasos Para flores serem plantadas Elas vão representar com carinho O amor que tenho pela mulher amada

Meus queridos filhos Aqui a casinha está Quero que vocês me ajudem Com carinho conservar Quero ver qual de vocês A casinha nova vai criticar

Tem duas salas grandes Uma varanda e a cozinha O banheiro é bem caprichado Tem ao lado mais uma salinha Um quarto com duas camas Dois bidês e uma mesinha

As críticas da outra casinha Extraordinários efeitos surtiu Que seu marido fosse relaxado Nunca sua mãe na vida consentiu Com esforço e o dinamismo dela Esta linda casa construiu

Tem duas mesas de jogos Preparadas para jogar Uma mesa grande com toalha Pronta para servir o jantar Uns bancos de madeira caprichados Para os amigos e filhos sentar

Quero agradecer minha mulher E com todo amor abraçá-la Por ela ter me presenteado Com tão importante regalo É a mulher da minha vida Que com orgulho para todos eu falo

Tem um fogão a gás com botijão Um a lenha pronto para usar Água encanada na pia Para louça suja lavar É só pôr a comida na mesa Convidar os amigos para almoçar

Um beijo Fazenda Paraíso, 26 de abril de 1994 Duda Souza - 140 -


“Tio Duda”, num passeio a cavalo na Fazenda Paraíso

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“Duda sempre teve a humildade de declarar em público o seu amor. Isto mostra muito claro quão grande foi o seu coração”

ste livro foi escrito quando Duda estava na minha companhia. Por esta razão refiro-me a ele sempre como se estivesse ao meu lado. Nada foi alterado. Duda acalentava dois grandes desejos que manifestava a todos: comemorar as bodas de ouro em maio de 1997 e assistir ao lançamento deste livro, que era motivo de grande orgulho para ele. Portador de uma cardiopatia grave desde os 40 anos, sobreviveu estes anos todos com muito cuidado e zelo, tendo se submetido à cirurgia de ponte de safena (5) e lhe foi colocado marca-passo. Esquecendo o seu estado de saúde, era feliz, alegre e brincalhão, principalmente com os filhos e amigos. Dificilmente reclamava e, muitas vezes, foi internado para controle de rotina, por insistência minha. No final do ano passado, chamou o filho Roberto Eduardo, médico, e lhe disse: - “Sei que meu fim está próximo, mas gostaria de que vocês fizessem tudo que é possível para que eu possa viver mais um pouco e dar duas alegrias para a mãe: comemorar nossas bodas de ouro e assistir ao lançamento do livro da vida dela.” O livro estava praticamente concluído. Estávamos na praia, com quase toda a família. Cada um dos filhos fizera o seu jantar no dia determinado, como é nossa tradição. Duda foi o último. No dia 10 de janeiro fez um carreteiro e convidou seus amigos, muitos dos quais não via há tempos. Estava muito alegre e feliz. Eu havia preparado a lista dos convidados para surpresa dele. No dia 12 de janeiro, sextafeira, após o almoço, contrariando minha vontade, despediu-se de mim com um beijo e foi para a Fazenda Paraíso, providenciar o embarque de bois. De lá ainda me ligou, pedindo que a noite esquentasse a carne que havia sobrado do almoço e, mais uma vez, disse que - 142 -


me amava e estava com saudades. Naquele momento eu estava escrevendo os capítulos finais deste livro e Tida estava revisando-o. Por volta das 7 horas da noite Rodolfo Antônio ligou-nos, apavorado, informando que Duda tivera um acidente na Fazenda e que o estava levando para o Hospital de Itajaí. Imediatamente, acionei os filhos e, quando chegaram ao Hospital os médicos já estavam esperando. Eu, Tida e as netas Marcelle, Tamille, Fernanda e Carolina, que havia jogado canastra com o avô horas antes, dirigimo-nos imediatamente para o hospital e pudemos conversar com ele e encorajá-lo. Estava lúcido e apresentava um ferimento que precisava ser suturado. Duda foi sedado e medicado. Rodolfo Neto, Sérgio, Rui, Tida e eu ainda conseguimos conversar com ele. Estava sereno e tranquilo. Ainda brincou conosco e com os médicos e enfermeiras que o atendiam. Roberto Eduardo veio de Florianópolis com um cirurgião. Seu estado de saúde agravou-se na cirurgia, pela anestesia geral, e seu coração, tão grande e generoso, não resistiu. Era 1 hora da madrugada quando eu e a maioria dos filhos, no corredor do centro cirúrgico, fomos informados de que ele morrera. Parecia impossível. A dor era imensa, até hoje é indescritível. Todos nós demos as mãos e rezamos. Nosso sofrimento ainda marca aqueles corredores. Ainda guardo a dor profunda da sua morte. Duda é insubstituível e inesquecível. Eu não estava aceitando. Foi ele que, com sua imensa bondade e compreensão, ajudou-me a construir a família e as empresas. Ser humano inigualável, com a rara sensibilidade dos espíritos superiores, muitas vezes teve que se privar da minha companhia, pois em certos momentos via-me obrigada a me dedicar integralmente aos filhos e às empresas. Em todos os momentos difíceis, lá estava a palavra doce e suave a me compreender e estimular. Seu caráter inquebrantável, sua bondade infinita irradiavam uma energia da qual me alimentava para prosseguir. Alma de poeta, nos momentos amargos retirava da vida o seu lado belo e os transformava em sentimentos que nos enlevavam a um clima de carinho, romance e de eterna cumplicidade. Hoje, quando ando pela nossa casa sinto a sua falta. Minha vida ficou mais vazia e só não perdeu o sentido porque tenho os filhos. Quando vejo nossos filhos, compreendo que só chegamos até aqui pela sua infinita bondade e dedicação. E quando a - 143 -


lembrança me aperta o coração, as lágrimas consolam sua perda pois tenho certeza de que ele, em algum lugar especial, calmamente continua a nos proteger e a nos orientar. Duda trouxe tanta beleza à minha vida que eu gostaria de retribuir de uma maneira especial. Sua bondade, seu amor escrito em verso e prosa demonstram o quanto me amou e, brincando, dizia que nada seria sem mim. Esta forma humilde e simples guardava uma profundidade real: só éramos felizes na companhia um do outro. Juntos. Seu coração era muito grande. Amou-me muito e este amor retribuí em toda plenitude. Agradeço sempre a Deus tê-lo colocado na minha vida, por nos ter dado os dezesseis filhos e pelos 49 anos felizes que vivemos juntos. Foi em sua companhia que aprendi a viver, pelo seu exemplo me tornei calma e humilde. Hoje, sem sua companhia, minha vida se tornou vazia. Foram os desígnios de Deus que comandaram sua vida. Descansa em paz, é tudo que eu e teus filhos te desejamos e que, na eternidade, nosso reencontro seja um novo começo. A tua lembrança é a minha companhia.

Mensagem de Adelina no Jornal de Santa Catarina do dia 15/1/1996.

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CapĂ­tulo V


uda e eu somos Católicos. Somos cumpridores da nossa religião e praticantes. Mas poucos são os filhos que nos acompanham. Onde falhamos? O que deixamos de fazer? Por que, na nossa família, na qual os filhos, apesar de educados da mesma maneira que fomos, tomam caminhos diferentes? Cada um tem a sua personalidade, seus próprios julgamentos que é preciso reconhecer. O difícil é aceitar e tentar entender. Existem aspectos na vida da Igreja que podem chocar e que para os olhos dos jovens apaixonados pelo absoluto podem parecer errados. Nós carregamos uma experiência de vida, que nos torna mais pacientes e já tivemos o tempo de compreender que a igreja somos nós. É verdade que a fé é uma opção bem radical, difícil e não automática. É uma grande tristeza para os pais que são cristãos convictos, ver os filhos abandonarem toda prática religiosa, perder a fé, adotar posição de hostilidade contra a igreja. O que fazer? Sofrer em silêncio? Entrar em guerra? É impossível ignorar este conflito. Por outro lado, as discussões, geralmente, degeneram e fazem mais mal do que bem. Em primeiro lugar, pode-se e deve-se rezar. Essa é a primeira coisa a fazer e, sem dúvida, a mais útil, se realmente crermos na eficiência da oração. Em seguida, não se deve fugir do conflito. Ceder só para preservar a paz, mesmo que se tenha a certeza de estarmos com a razão, não é uma boa solução, é uma tentativa de escapar da realidade e da verdade. Precisamos saber afirmar as próprias convicções e defender as próprias ideias. Os filhos por sua vez esperam, em realidade, de seus pais uma reação adulta e respeitável. Eles querem sentir respeito por seus pais e não desprezo.

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Muitas vezes é pelo conflito e o confronto que as coisas vão para frente. Quando estamos de acordo com tudo, não se caminha mais, não se progride mais e não se buscam verdades maiores. Logo, o conflito é necessário. No entanto, é preciso aprender a conviver com os conflitos e com as ideias diferentes e confrontar-se com elas realmente. Isso não impede de continuar a se amar e pode até ajudar a se amar mais e fazer o esforço de ir em direção ao outro, de aceitar a diferença. Achamos até que é este o caminho do amor, da verdadeira amizade. Os meios de aperfeiçoamento para nos tornarmos verdadeiros cristãos são tão fáceis: cultivar a assiduidade e nos abrirmos à vontade e ao amor de Deus. Desenvolver a capacidade do encontro e da comunhão e desenvolver a capacidade de viver na verdade. Falta-nos apenas a missão de revelar à Igreja e ao mundo a nossa espiritualidade individual, ou conjugal. De proclamar que o casamento cristão está a serviço do amor, da felicidade e da santidade e, assim, sabermos que estamos cumprindo nossa obrigação. As graças frutificarão. Creiam-nos que a paz e a alegria interior são indescritíveis. Este é o aconselhamento que fizemos aos filhos que esperamos, com a eficácia de nossa oração, com o nosso exemplo e com a graça do Divino Espírito Santo sintam os efeitos que tanto esperamos.

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oje é domingo, 6 de outubro. Dia consagrado ao Senhor nosso Deus. Eu e o Duda assistimos à missa. Por sinal, é dia do aniversário de nossa filha Sônia Regina. Sinto-me feliz em registrar esta data, parabenizando-a pedindo a Deus por sua felicidade. O mês de outubro é um período missionário e hoje é dia de Santo Agostinho. Nos domingos frequentamos a missa. É o momento de agradecer a Deus graças recebidas na semana e pedir novas graças para a nova semana. É um prazer assistirmos missa aos domingos e mesmo em dias de semana. Na nossa família, por comodismo, poucos seguiram o nosso exemplo. Esperamos conversões para o futuro. Aos domingos, nossos filhos têm um lugar tranquilo para almoçar que é a nossa casa. Ficamos felizes em recebê-los; é o momento de união e diversão que queremos preservar. Nessa ocasião nos encontramos, revemo-nos, contamos as novidades da semana e afirmamos sempre mais nossa união. O reencontro, a troca de ideias e experiências acontecem sempre ao redor da mesa. A mesa está sempre pronta para os filhos, netos e amigos, em qualquer hora ou dia e eles têm a certeza de que receberão o nosso carinho. Queremos conservar e manter estes costumes, atraindo-os para que se sintam sempre bem em nosso meio.

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Família reunida em oração

ara que nossos filhos e netos não se esqueçam delas vou transcrevê-las: pois elas constavam num quadrinho que elaboramos para este fim. Oração para antes das refeições 1) Por esta comida, pelas tuas graças, nós Te agradecemos Senhor. Todos: Rezemos ao Senhor. 2) Muito obrigado, Deus meu, por esta farta refeição; pedimos que a abençoes. Todos. Rezemos ao Senhor.

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3) Gratos Senhor pelo alimento que nos deste. Abençoa-o para que ele signifique mais. Todos: Rezemos ao Senhor. 4) Que esta refeição seja abençoada por Ti Senhor e que a Tua presença na nossa casa seja constante. Todos: Rezemos ao Senhor. 5) Pedimos Tuas graças Senhor. Abençoa esta comida e pedimos que permaneças conosco. Todos: Rezemos ao Senhor. 6) Que este alimento seja abençoado por Ti Senhor. Abençoa, também, todos de nossa família. Todos: Rezemos ao Senhor. 7) Abençoa, Senhor, este alimento que é o sustento para o nosso corpo. Que Deus Nosso Senhor seja alimento para nossa alma. Todos: Rezemos ao Senhor. 8) Abençoa, Senhor, este alimento que vai saciar nossa fome. Que o tenhamos sempre para alimentar nosso corpo e dá-nos sempre a paz para satisfação da nossa alma. Todos: Rezemos ao Senhor. 9) Para os filhos rezarem. Senhor, pelos pais maravilhosos e queridos que temos, nós Te agradecemos. Abençoa toda a nossa família e este alimento. Todos: Rezemos ao Senhor. 10) Para os pais rezarem: Senhor, por estes nossos queridos filhos, pela sua saúde e felicidade nós Te pedimos. Todos: Rezemos ao Senhor. 11) Oração na presença de visitas: Senhor, abençoa este alimento. Abençoa também a visita que se faz presente à nossa mesa e em nossa companhia. Que ela tenha um feliz retorno e continue na nossa amizade. Todos: Rezemos ao Senhor. Na semana da Páscoa rezávamos 1) Senhor, nesta semana de Páscoa nós queremos Te oferecer os nossos sacrifícios. Abençoa esta nossa intenção para que a saibamos cumprir. Todos: Rezemos ao Senhor. - 153 -


2) Senhor meu Deus, eu nada tenho para Te oferecer nesta semana da Páscoa, mas prometo ser obediente, humilde e bondoso. Todos: Rezemos ao Senhor. 3) Oh Deus, hoje glorioso, nós queremos agradecer a graça que a Tua ressurreição nos trouxe. Abençoa este nosso alimento. Todos: Rezemos ao Senhor. 4) Deus, necessito de Tua ajuda. Dá-me mais fé e perseverança para que eu saiba ser um verdadeiro cristão. Todos: Rezemos ao Senhor. A oração do Lar Senhor, estamos todos reunidos no coração de nossa casa. É bom estarmos aqui neste momento de oração. Nossa casa é constituída de quartos e salas, mas, mais do que isto, ela existe e é tecida e feita do amor que existe entre nós. Nós, um homem e uma mulher, tivemos um sonho de felicidade que se tornou realidade. Quisemos viver um para o outro e do nosso amor nasceram os filhos deste lar que vive também o amor. A beleza da nossa casa não está na decoração das nossas salas e quartos. A beleza da nossa casa está no amor que anima aqueles que vivem sob o mesmo teto, que aspiram às mesmas metas, que se dão continuamente as mãos num imenso desejo de união e fraternidade. Senhor! Nesta hora solene nós Te pedimos: Abençoa este lar. Faze com que a Tua bênção penetre as paredes desta casa e abençoa os filhos do nosso coração. Que as portas dela estejam sempre abertas para acolhê-los e a todos que necessitam de nós. Que o alimento não falte a nossa mesa, a fim de que possamos sempre estar dispostos a consagrar a nossa vida aos outros. Abençoa, também, nossos hóspedes e amigos. Que eles encontrem sempre entre nós carinho e compreensão. Que os membros da nossa família saibam contribuir no interior desta casa e encontrar-Te sempre presente. Senhor! Esta casa é Tua! Rezemos ao Senhor.

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Oração para pedir humildade Senhor! Coloco-me mais uma vez em Tua presença. Lanço um olhar ao meu redor, para esta terra minha, de meus filhos e do meu próximo. Vacilante em certos momentos tenho sede de união. Viver em união com a família, com o meu próximo, são motivos de minhas preocupações. Ando de rosto cansado e desanimado, às vezes, à beira do desânimo. Muitas pessoas parecem não me aceitar como eu sou e me fazem restrições. Há pessoas que põem empecilhos em minha história, mas eu não gostaria de viver na separação, na indiferença deles. Tenho um forte desejo de me unir com todos, apesar de seus rostos fechados e suas horas de inveja. Gostaria de deixar de ser centro de mim mesma e preocupar-me mais com os outros. Não quero só enxergar os defeitos dos outros, tão parecidos com os meus. Não quero me rebelar com as ofensas que me fazem, quero aceitar todos com um coração compreensivo e amigo, apesar de todas as diferenças, quero ser amiga de todos, quero ser como Tu, oh! Deus, que foste Irmão e Amigo de todos os homens. Nesta hora venho suplicar-Te a graça da união e da humildade. Exame de consciência (infantil) “Desobedeci a meus pais, briguei com meus irmãos ou amiguinhos, menti, roubei balas na venda, não fiz minhas lições, fui preguiçoso? Após o exame de consciência rezávamos o Ato de contrição.” Senhor meu, Jesus Cristo. Deus e homem verdadeiro, criador e Redentor meu, por serdes Vós quem sois, sumamente bom e digno de ser amado sobre todas as coisas, e porque Vos amo e estimo, pesa-me Senhor de todo o meu coração por Vos ter ofendido. Pesa-me, também, por ter perdido o céu e merecido o inferno. Sinceramente detesto os meus pecados e ajudado com o auxílio de Vossa divina graça, proponho firmemente emendar-me e não mais pecar. Espero alcançar o perdão de minhas culpas pela Vossa infinita misericórdia. AMÉM.

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Oração no meu aniversário “Fiz esta oração no jantar em reunião com a família no dia 20 de março de 1990 quando completei 64 anos”. Senhor! Estou chegando ao inverno da vida. Meus cabelos estão prateando e minhas mãos não demorarão a começar a tremer. Mas, hoje, Senhor, eu olho meus filhos. Eles já estão quase todos casados. Eles foram um presente que me deste. Eu tive em minhas mãos estes seres pequenos. Eu pude moldá-los, formá-los, educá-los e ajudá-los. Eu os alimentei com meus seios, meu trabalho e com minha vida gasta por eles. Eu sofri com eles. Ri quando riam; sofri quando sofriam; chorei quando choravam. Mas, Senhor, eu Te peço perdão por ter sido, muitas vezes, egoísta. Muitas vezes lhes impus minha vontade e não fui bastante amiga deles. Em alguns momentos fui por demais severa. Eu poderia ter sido mais amiga, mais compreensiva e mais paciente. Perdão Senhor, perdão pela minha falta de paciência. Neste dia do meu aniversário, especialmente, eu imploro. Tuas mais ricas bênçãos para o meu marido e para os filhos da nossa vida. Rezo a Ti Senhor! Oração da noite (terço) com nossos filhos ajoelhados ao redor da cama (na segunda Ave Maria todos estavam dormindo...) Meus Deus, meu Pai, meu Criador, eu Vos adoro e ofereço todo o meu coração. Dou-Vos infinitas graças por todos os benefícios que nos concedestes, neste dia no corpo e na alma. Dignai-nos, Senhor, guardar-nos esta noite de todos os assaltos dos espíritos malignos e de todos os males do corpo e da alma. AMÉM.

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uando casamos, planejamos ter muitos filhos: vinte. Não importavam as críticas, ou admiração pelo nosso arrojo. Seriam 21 filhos se todas as gravidezes chegassem ao termo. Os nossos 16 filhos nasceram de partos normais e saudáveis. Lastimo os que não chegaram ao término da gravidez, pois o excesso de trabalho e estados de saúde foram os principais fatores para estes acontecimentos desagradáveis. Foi sempre na oração e com muita fé que conseguimos superar tudo na vida e tenho sempre em mente que tudo o que se pode fazer de bom foi feito: o aceitamento dos filhos, seus nascimentos, sua criação foram fases difíceis, mas compensadoras. Se tivesse que voltar a fazer tudo de novo, fa-lo-ia, e com mais ênfase e mais atenção. Na época estas atenções eram dadas na medida do possível. Todo o carinho e ternura do casal no ambiente do lar é bastante notado pelos filhos. - 157 -


Os carinhos, abraços, as mãos dadas, versinhos, bilhetinhos de amor, transmitem aos filhos segurança, pois conscientes do amor e união de seus pais exultam de alegria e convivem o amor numa família unida. Nos dias de hoje tudo é corrida, pressa, nervos e ninguém mais consegue se encontrar durante a semana. Para isto, dispomo-nos sempre para um encontro aos domingos no almoço com toda a família, participando e nos encontrando para cultivarmos a estima e o respeito mútuo. Cada filho sentindo-se pertencer aos seus, sente-se seguro e feliz por um amor indestrutível e permanecerá sempre unido, participando do lar e da família. Na prática e no cumprimento de nossa religião, que é a Católica Apostólica Romana, fomos aceitando os filhos dos nosso casamento. Na nossa concepção, o matrimônio é uma vida de amor e união a dois e como tal devemos aceitar a concepção dos filhos, advindos desse amor. Minha mensagem sempre era pedir:

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m 1975 fomos convidados pelo casal Darcy e Salete Lobe para fazermos parte das Equipe de Nossa Senhora de casais. Num jantar, com mais quatro casais, resolvemos formar a equipe nº 4 com o nome de Nossa Senhora Auxiliadora. A equipe tem por finalidade o aperfeiçoamento do casal em sua vida conjugal e educação religiosa dos filhos. As reuniões são mensais na casa de um dos casais participantes que oferecem um jantar. Cada casal leva um prato salgado, salada, carne ou sobremesa. Os anfitriões oferecem o complemento. Antes do jantar, debatem-se trechos da Bíblia. É relatado um fato interessante que tenha acontecido naquele mês, isto é a coparticipação e após é lido o tema de estudos feitos para aquela reunião. Encerra-se a reunião, rezando o Magnificat. Estas reuniões que frequentamos durante 17 anos foramnos muito proveitosas e nos fizeram crescer espiritualmente. Os casais amigos foram Odo e Lia Muller, Mario e Marly Kreibich, Celso e Lígia Buglione. Posteriormente, três casais ingressaram, substituindo outros: Zelia e Walmor, Adelaide e Joel, Rita e Gerard. As reuniões foram muito proveitosas, tanto em religiosidade como amizade formada dentro das equipes. Um conselheiro espiritual acompanhava a reunião dos casais, enriquecendo-a ainda mais. Frei Pascoal Fuzinato foi, durante todos estes anos, nosso conselheiro a quem devemos nossa gratidão. Frei Pascoal é amigo de nossa família e é ele quem sempre nos prestigia nas cerimônias de casamentos dos filhos e nossas bodas que festejamos a cada 5 anos. Ao casal Darcy e Salete também somos gratos pela oportunidade que nos deram em podermos participar deste grande movimento de casais de Nossa Senhora fundado na França pelo Padre Cafarrel. Tenho guardado ainda trabalhos mensais, tema de estudo das equipes e quero transcrevê-lo deixando-o como lembrança.

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Nossos filhos ainda eram menores na época e ficavam felizes, vendo-nos participar deste movimento. TEMA DE ESTUDOS – “HOMEM E MULHER. ELE OS CRIOU” REUNIÃO DE 09/04/81 CASAL: ADELINA E DUDA RESIDÊNCIA: ZELIA E WALMOR 1) Quais são as características de um verdadeiro amor? R.: O amor do casal é manifestado pela maneira de se conduzirem em sua vida a dois, pela sua entrega livre e total. Comparando a união do casal, vemos certa semelhança com o Cristo que se entrega de um modo livre, total e definitivo pelo amor aos homens e pela Igreja. É isto um sinal vivo de amor. Este gesto, nos casais participantes da Igreja na entrega livre um ao outro, é participação do amor de Deus.

2) Em que ponto vocês se encontram agora em relação ao projeto inicial do dia do casamento? R.: Nossa convivência foi vivida numa realidade total. Nosso casamento está no 34º ano. Nosso amor teve seus altos e baixos, numa expressão mais definida. Não quer dizer isto que deixamos de nos amar, mas houve desgastes naturais, ou seja, pelo excesso de trabalho, nervosismo, incompatibilidade de gênios, educação dos filhos, porém em nenhuma circunstância deixamos de cumprir nossas obrigações de esposos, procurando nos atrair sempre mais. A atração normal que tivemos um pelo outro na juventude continua, logicamente, porém, não com tanto entusiasmo porque já conquistamos e vivemos esta atração. Mais do que nunca, sentimos a necessidade da presença um do outro, porque só nos sentimos seguros e felizes juntos. No decorrer dos anos, tivemos muitas alegrias com o nascimento de nossos 16 filhos, com seu crescimento e sua educação. Tivemos também a satisfação de termos uma conduta em nossa vida, sempre visando ao bem de cada um. Porém, tivemos também muitos dissabores e decepções, pelo qual nunca fraquejamos e, em momento algum, porque em nossa vida o Cristo sempre ocupou o primeiro lugar. O diálogo com “Ele” sempre nos deu forças pela caminhada da vida, e sempre em todos os problemas difíceis Cristo resolveu nossas situações.

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3) Como darão a seus filhos uma visão clara do amor e do casamento? R.: Nosso casamento foi baseado em um amor puro e verdadeiro e vivemos, constantemente, este amor no nosso dia-a-dia. Este é o melhor testemunho que podemos dar aos nossos filhos. Podemos também transmitir a eles o nosso testemunho de fé, cumprindo religiosamente os nossos deveres de cristãos, assistindo à Missa aos domingos, praticando a caridade na assistência aos necessitados, levando também o nosso carinho e conforto aos asilados e doentes, e a palavra de Cristo aos que ainda não crêem. Devemos preparar nossos filhos para a vida, para que também eles tenham um casamento de amor e felicidade, baseados nos ensinamentos de Cristo. Adelina e Duda. Consagração da casa a Nossa Senhora Auxiliadora, padroeira da nossa equipe Santíssima Virgem Maria, a quem Deus constituiu auxiliadora dos cristãos, nós vos escolhemos como protetora desta casa. Dignai-vos mostrar aqui vosso auxílio poderoso. Preservai esta casa de todo perigo: do incêndio, da inundação, do raio, das tempestades, dos ladrões e de todos os males. Abençoai, protegei, defendei como coisa vossa as pessoas que vivem nesta casa. Sobretudo, concedei-lhes a Graça mais importante: a de viverem sempre na amizade de Deus, evitando o pecado. Dai-lhes a fé que tiveste na palavra de Deus e do amor que nutriste para com o vosso Filho Jesus. Maria Auxiliadora dos cristãos, olhai por todos os que pertencem a esta casa que vos é consagrada. Assim seja.

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rancisco nasceu no século XII, na cidade de Assis, Itália. Na juventude foi trovador e cantor, gozando a vida, tirando vantagens de sua condição social privilegiada. O sonho com as glórias militares custou-lhe um ano de cativeiro. Em 1206, a cidade de Assis ficou abalada, Francisco abandonara a casa paterna e maltrapilho estendia as mãos por um pedaço de pão. Rezava e dedicava-se aos pobres, fazia penitência, e aos leprosos, por caridade, dava maior atenção. Foi acusado pelo pai de dilapidar seus bens com os pobres e com reformas de igrejas. Respondeu, despindo-se publicamente das roupas, e disse: “de agora em diante posso dizer com liberdade – Nosso Pai que estais no céu e não mais pai Pietro Bernadone (um personagem da alta estirpe) a quem devolvo não só o dinheiro mas também as roupas”. Tal fato selou sua conversão. A ele juntaram-se outros companheiros com os quais iniciou-se a Ordem dos Frades Menores Franciscanos. Em 1221 nasceu a Ordem Terceira para leigos consagrados. São Francisco é o santo venerado como o pai dos pobres, dos abandonados, é o santo amigo dos animais, do sol e da lua e de tudo que Deus criou. Que ele nos sirva de exemplo e guia, para que saibamos também olhar por nossos irmãos necessitados. Na seguinte oração percebe-se um Santo que sempre transmitiu o bem e a paz. Francisco falava de Deus e com Deus, falava de Deus para todas as criaturas, tornando-se homem transparência de Cristo, do evangelho e da mensagem viva de um ideal. São Francisco padroeiro e Santo do 2º nome do Duda protegei-o sempre.

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lara tinha 18 anos quando se encontrou com Francisco. Foram dois anos de sucessivos encontros. Em 1212 ela também fez sua opção pela pobreza absoluta. Fugiu de casa acompanhada por sua prima Pacífica, na madrugada do dia 19 de março de 1212, abandonando definitivamente sua casa para abraçar a vida religiosa. Procurada pela família, refugiou-se em São Damião, auxiliada por Francisco, quando surge o primeiro mosteiro das damas pobres, ou clarissas. Não só na fé, mas em tudo, Clara se inspirava em Francisco. Mais tarde, Inês e Beatriz, irmãs de Clara, ingressaram na ordem das clarissas, acompanhadas pela mãe. A descoberta da pobreza como valor evangélico, como libertação interior, como imitação de Cristo pobre, encantou o coração de Francisco e Clara. Quiseram ser pobres e viram na pobreza a condição para o amor a Cristo. A grande luta de sua vida foi ser fiel à pobreza escolhida. Entregou-se a Cristo pobre, como virgem pobre. Enfrentou Bispos, Cardeais e o próprio Papa na defesa de seu direito de viver o Santo Evangelho. Clara foi extraordinária e de uma estrutura humana e espiritual excepcional. Mulher de fé, possuía um poder maravilhoso que arrancava de Deus os maiores prodígios. Esses favores extraordinários nunca eram para si, mas em socorro daqueles que padeciam necessidade e enfermidade. Orava, fazia o sinal da cruz e o milagre acontecia. Repartiu e multiplicou pães, curou doentes. Adivinhou secretos sofrimentos e tribulações que outros padeciam. Foi uma bênção de Deus para todos que a conheceram. Ainda hoje Clara continua sua missão ao lado dos atribulados. Há pouco tempo reencontraram Santa Clara e os jornais se encheram de manifestações de gratidão pela humilde apaixonada por Jesus. Novenas e orações se multiplicam e ela continua sua ação poderosa como intercessora junto a Deus por todos que a invocam.

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A vida de Clara passou no silêncio e na humildade de uma vida reclusa e pobre. Santa Clara de Assis nasceu no dia 16 de julho de 1194, em Assis, na Itália, e morreu no dia 11 de agosto de 1253, com 60 anos, dos quais 42 de vida religiosa. Foi canonizada em 15 de agosto de 1255 pelo Papa Alexandre IV. No dia 23 de setembro de 1895, o seu corpo ainda intacto foi descoberto e exposto à veneração dos fiéis na Basílica de Santa Clara, em Assis, onde hoje se conserva. Pio XII a declarou padroeira da televisão. Filha do conde Favarone e da Condessa Hortolona, nasceu rica, porém preferiu a pobreza e a humildade. Clara e Francisco nos falam da vida, da reverência e do amor ao homem e à natureza. Animados por profunda mística mostram que a fraternidade universal completa mais o coração do que a lógica e a razão. A fraternidade não é feita com discursos e cálculos, mas com gestos concretos de amor e solidariedade. Santa Clara, minha padroeira e Santa do meu segundo nome, seja sempre a minha protetora e de minha família. Que eu saiba imitá-la e de coração aberto possa ajudar aos pobres, doentes e necessitados.

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CapĂ­tulo VI


inte e cinco anos se passaram, e passaram muito rápido. Naquele 24 de maio de 1972 (dia de Nossa Senhora Auxiliadora) a emoção tomava conta de nossos corações. Duda e eu iniciamos o dia agradecendo a Deus a ventura de termos vivido este quarto de século em harmonia e muita solidariedade, construindo uma família sadia e muito feliz. Cedo os filhos entraram no nosso quarto e nos felicitaram. A emoção era intensa. Ao meio dia, um almoço muito especial, só para a família. Às 19h uma Missa em Ação de Graças celebrada por Frei Pascoal Fuzinato, com a presença dos filhos, noras, netos, familiares e amigos. O cortejo que se formou na entrada pelos filhos foi algo comovente e bastante comentado. Na frente os dois filhos menores, seguidos pelos outros em idade crescente. Duda e eu entramos minutos após. É fácil imaginar a admiração dos convidados por verem esse cortejo. Frei Pascoal fez comentários comoventes a ponto de deixar lágrimas nos olhos dos que nos assistiam. Ao final da cerimônia religiosa e ainda na Igreja, cada filho nos entregou uma rosa vermelha como sinal de amor e gratidão. Seguiu-se a recepção no Teatro Carlos Gomes com a presença de 250 convidados. Duda e eu parecíamos recém-casados, cumprimentando-os de mesa em mesa. Ao som da valsa de Strauss, senti a mesma emoção do momento em que juntamos nossa vida neste amor que nunca acabará. Distribuímos nas mesas uma lembrança com a foto da família, em que constava: “Esta família é o fruto de 25 anos de nossa feliz união”. Os filhos nos saudaram com uma mensagem especial:

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“Há 25 anos, dois jovens enamorados uniam suas vidas, compartilhando dissabores e venturas. Iniciavam uma longa caminhada, importante na vida de todos nós. Colheram, durante esses anos todos, dezesseis filhos que hoje não sabem o que fazer para demonstrarlhes o grande amor e afeto que lhes dedicam e o agradecimento por esta vida exemplar e dignificante. O amor constante de suas vidas, a felicidade que juntos desfrutamos nos servirão de exemplo vida afora. Queira Deus, a quem juntos oramos e agradecemos, que também juntos ainda possamos festejar No cortejo das Bodas de Prata muitas bodas, com vocês rodeados de filhos, netos e bisnetos, e nós felizes por vermos seus objetivos realizados. Sejam muito felizes como até agora o foram e aceitem nossos mais sinceros parabéns. Com muito amor Seus filhos.”

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rinta anos se passaram e em 1977 celebramos nossas bodas de pérola com um convite para Missa de Ação de Graças às 11h, na Igreja São Vicente de Paula em Luís Alves, onde casáramos, e outra às 19h na Igreja São Paulo Apóstolo em Blumenau. O convite lembrava: “Havia bodas em Canaã e Jesus estava lá... O casal Adelina e Duda renova diante de Deus, dos filhos e dos amigos, o sacramento do casamento.” O sacerdote orou: “Deus Pai fazei que Adelina e Duda sintam, no dia dos seus 30 anos de feliz vivência, a amizade daqueles que com fé rezam por eles. Que também eles se lembrem das orações do lar, pois a família que reza unida permanece unida.” A recepção foi em nossa residência. Era uma noite muito fria, mas agradável. Felizes estávamos por esses 30 anos de felicidade.

uda sofrera um acidente na fazenda hospitalizado, com fratura numa das pernas.

e

estava

Fizemos uma comovente Missa em Ação de Graças, rezada na capela do Hospital Santa Isabel, com a presença de todos os filhos e amigos da nossa equipe de casais. Duda assistiu à missa numa cadeira de rodas ao meu lado e ficamos de mãos dadas, para recebermos graças juntos. Mesmo sem festa foi um dia feliz, pois estávamos com toda a família reunida ao nosso redor. - 169 -


assaram-se 40 anos e nosso amor continuava. Convite: “E o amor fez-se sublime, revestiu-se de grandiosidade e perpetuou-se no convívio pleno e majestoso de nossos pais Duda e Adelina. Ao completarem 40 anos de união sólida e feliz, nós seus filhos sentimo-nos enaltecidos por poder convidá-los para conosco comemorar suas Bodas de Rubi no dia 24 de maio de 1987, com uma missa em Ação de Graças, às 20h na Igreja Matriz de São Paulo Apóstolo. Logo após, recepcioná-los-emos na residência de nossos pais à Rua Hermann Hering, 766, Blumenau. Anselmo José Heitor Rodolfo Vilson Luiz Maria Aparecida Sérgio Fernando Sônia Regina Armando César Denise Verônica

Rui Leopoldo Renato Maurício Renê Murilo Rodolfo Francisco Adelina Scheila Roberto Eduardo Adriana Beatriz Marco Aurélio.”

Entramos na igreja lotada. Formou-se um lindo cortejo. Na frente 29 netos, seguidos pelos filhos e filhas, noras e genros e, por último, Duda e eu. Estávamos comovidos. Sentia-se a emoção nos olhos dos presentes. A missa foi oficiada por Frei Pascoal que deixou mensagens de amor e solidariedade muito fortes. Cada filho participou da celebração, fazendo uma intenção. Nestes momentos há tanta - 170 -


emoção dentro de um coração, tanta felicidade que vai muito além dos sentimentos que podemos sentir e expressar. Recepcionamos os convidados em nossa residência, onde montamos uma grande lona branca no jardim e garagem, transformando-os em um belo cenário para os cerca de 250 convidados. Dentre os convidados, o governador Pedro Ivo Campos e vice-governador Cacildo Maldaner e o ex-governador Ivo Silveira, grande amigo nosso. Era um domingo e nossos convidados compareceram todos, prestigiando a nossa festa. Familiares e amigos todos numa grande festa. Inesquecível data.

No cortejo das Bodas de Rubi

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m 1991 completamos 44 anos de casamento. Não havia programação para nenhuma comemoração, apenas um jantar com os filhos. Como em todos os aniversários de casamento, Duda e eu fomos assistir a uma Missa e agradecer a Deus a felicidade que nos dera. A igreja estava ornamentada. O Sérgio e Ana nos levaram, como de costume, e não desconfiamos de nada. São eles que sempre nos acompanhavam e, neste dia, insistiram para que tomássemos lugar nos bancos da frente. Qual foi a nossa surpresa quando, aos poucos, foram entrando todos os filhos, esposas e netos. Tida, num esforço especial, veio de Florianópolis, Denise de Balneário Camboriú. Sônia, Adriana e Renato de São Paulo. A emoção tomou conta de nós e não contivemos as lágrimas ao ver novamente nossos filhos e netos reunidos, assistindo à nossa Missa de Ação de Graças. Ao retornarmos para casa, mais surpresas. Algumas “fadas madrinhas” tinham organizado um lauto jantar, com a casa toda enfeitada. No jantar, de forma muito simples, Duda retratou o que sentíamos e rezamos: “Pela nossa união, pelo carinho dos nossos filhos e netos e pelas Tuas graças nós Te agradecemos Senhor”.

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o acordarmos naquele 24 de maio, estranhamos que nenhum dos filhos nos cumprimentara pelos nossos 45 anos de casamento. Nana, nossa caçula, nos ligou pedindo que fôssemos até a janela do quarto, e qual não foi a surpresa ao vermos num “outdoor”, no outro lado da rua, a seguinte mensagem:

Na missa das Bodas de Topázio

“Duda e Adelina Queira Deus, a quem damos graças, que ainda possamos festejar mais bodas de vocês queridos pais com a presença de nós filhos, netos e bisnetos. Sejam muito felizes como até agora o foram.

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Parabéns – seus filhos 24/05/92”. Após a surpresa, os cumprimentos. Os filhos prepararam uma linda festa. Com a ajuda de minha secretária Carmem Marquetti que expediu os convites. A missa em Ação de Graças foi rezada na capela do Colégio Santo Antônio e oficiada pelo Frei Pascoal. Entramos na capela, como sempre, no cortejo da entrada, com filhos e netos. Duda e eu entramos minutos após. A Capela estava com decoração belíssima. As cerimônias realizadas pelo Frei Pascoal são emocionantes e provocam lágrimas. Os convidados nos prestigiaram quase todos com suas presenças. Neste dia, nossa família toda reunida foi fotografada e ficou esta maravilhosa lembrança. Dificilmente se conseguiria reunir a todos em outra ocasião. O jantar foi servido no salão Heidelberg do Hotel Himmelblau e o bufê feito pelo restaurante do Hotel. No dia seguinte Duda e eu viajamos e nos hospedamos em Caldas da Imperatriz, no Hotel Plaza, pois era justo uns dias de descanso para vivermos nossa vida a dois.

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Capítulo VII


pós o casamento, moramos com meus pais em Luís Alves. Como tinham planos de aposentar-se, ofereceram-nos o negócio, que adquirimos em sociedade com minha irmã Elvira e meu cunhado Leonardo Martendal. Compramos, também, a casa que passou a ser nossa morada. A empresa foi denominada Martendal & Souza, e sucedia todos os negócios de meu pai: comércio, açougue e linha de ônibus. Pagamos o preço com os lucros do negócio. Parte dos produtos coloniais que comprávamos: galinhas, ovos, manteiga e os produtos do açougue: linguiça, banha e defumados, eram comercializados nas praças de Itajaí e Blumenau e transportados nos ônibus. Duda e Leonardo faziam as entregas tanto no comércio local como em hotéis, residência e mesmo em casas particulares. O grosso da produção agrícola local era o açúcar mascavo, que após seco era comercializado, preferentemente, junto aos torrefadores de café e atacadistas. Ao tornar-me proprietária do estabelecimento, procurei administrá-lo do meu modo: muito trabalho, determinação, disciplina, honestidade e inovação. Mas, daí, percebi que a necessidade de obter a aprovação de minha irmã e meu cunhado nas minhas decisões limitavam o nosso crescimento e isto me desestimulava. Com muito pesar e com todo o apoio do Duda, desfizemos a sociedade: Leonardo e Elvira ficaram com os ônibus e nós com o comércio, o açougue e todas as dívidas. Como não havia bancos em Luís Alves, os colonos deixavam ou depositavam seu dinheiro em nosso poder, muitas vezes sem qualquer remuneração. E estes recursos eram utilizados para investimentos e compra de mercadorias. Com a divisão da sociedade, alguns destes colonos, imediatamente, vieram retirar seus créditos. Duda então conseguiu um empréstimo junto à minha sogra que nos permitiu honrar todos os compromissos.

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Como os colonos viram que os pagamos, voltaram a depositar seus recursos em nossas mãos. Sempre me considerei uma boa vendedora. Estimulada e auxiliada por Duda, minha jornada média de trabalho era de 18 horas diárias, embora estivesse constantemente grávida. Tive 20 gravidezes, uma delas dupla, a dos gêmeos. Com os dezesseis filhos completávamos a grande família que nos propusemos ter. Durante os primeiros 22 anos moramos e vivemos em Luís Alves, onde nasceram nossos primeiros 12 filhos. Como Luís Alves é uma cidade do interior, não foi tão difícil criá-los, uma vez que tínhamos boas empregadas, babás e faxineiras. Os filhos com a idade de 5 anos eram matriculados na escola que ficava próxima de nossa casa. Nos primeiros dias eu os acompanhava até que se adaptassem com seus companheiros e professores. Acompanhava-os nos estudos e cobrava resultados, muitas vezes aplicando-lhes castigos.

Os mais velhos, Anselmo José, Heitor Rodolfo, Vilson Luiz, Maria Aparecida, Sérgio Fernando, Sônia Regina, Armando César; Denise Verônica e Rui Leopoldo, começaram seus estudos em Luís Alves, onde nasceram. Os filhos mais novos, começando - 177 -


pelos gêmeos Renato Maurício e Renê Murilo, Rodolfo Neto, Roberto Eduardo, Adriana Beatriz, Adelina Scheila e Marco Aurélio, iniciaram seus estudos em Blumenau, onde se formaram. Seguindo o exemplo de meus pais, preocupava-me com o estudo dos filhos e os obrigava a fazer pelo menos o científico, ou o segundo grau completo. A formação superior foi de livre escolha e determinação de cada um. O município não possuía energia elétrica, o que retardou o seu crescimento. Para nossa casa, a parca iluminação era suprida por uma pequena usina movida a água e construída por meu pai. O reservatório de água era pequeno e abastecia a usina por poucas horas. Posteriormente instalamos geradores movidos a diesel, com que aumentamos o fornecimento de energia e pudemos, assim, ampliar a fábrica de camisas. Somente em 1960 foi inaugurada uma pequena hidroelétrica construída pelo Governo do Estado e que passou a fornecer energia permanentemente e com regularidade. A inauguração da usina foi feita pelo Governador Celso Ramos, e Duda, como era um dos líderes do PSD local, foi o responsável pela coordenação do evento e incumbido de fazer a saudação e agradecimentos. A comunicação também era difícil, as estradas eram ruins e não havia telefone. Luís Alves viu a semente da Dudalina germinar. Foi com o seu povo, laborioso e humilde, que contamos para escrever o início da nossa história de sucesso. É o meu torrão natal, é a cidade que me fez cidadã. Por esta razão, ao nos mudarmos para Blumenau, não a abandonamos. Expandimos nossa unidade industrial e a mantemos, como geradora de empregos, de divisas e de impostos para o município. É o nosso tributo à terra que nos viu nascer.

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medida que os filhos iam crescendo, agrava-se o problema dos estudos. Luís Alves não contava com escola de segundo grau. Ao mesmo tempo, os negócios iam crescendo: a fábrica de camisas, o comércio e duas lojas em Camboriú também prosperavam. Em 1968 compramos uma loja em Blumenau, situada num dos pontos centrais da cidade. Era mais um canal para escoar nossa produção e mais uma atividade a exigir minha atenção e a dos filhos. Ainda no final de 1968 compramos uma ampla casa, em construção, no bairro Bom Retiro em Blumenau. Terminamos e adaptamos a obra para nossa residência, pois não tinha sido projetada para uma família tão grande.

Já pensando na mudança, no início de 1969, matriculei os meninos em Blumenau, e nos primeiros meses do ano fomos - 179 -


morar com meu pai em sua casa no Bairro Ponta Aguda. Papai nos acolheu com muito carinho e, mesmo com todo o aperto, sempre foi muito atencioso comigo e com as crianças. Nossa presença aliviava um pouco a tristeza que vivia desde a morte de mamãe. Nos finais de semana retornávamos a Luís Alves, onde novamente nos reuníamos com Duda e os filhos menores, estes sob os cuidados da fiel governanta Gena Kraisch. Ficamos morando com meu pai até junho, quando nos mudamos definitivamente para a nova casa. Nesta época estava grávida de Marco Aurélio, nosso 16º filho, e vivíamos um período de profundas mudanças: metade da família em Luís Alves e outra em Blumenau, reforma da nova casa, aluguel do prédio para fábrica, transferência da fábrica para Blumenau, preparação da mudança, administração da indústria e das lojas em Luís Alves, Balneário Camboriú e Blumenau. Nossa sorte é que os filhos mais velhos começaram a assumir funções na empresa e as filhas as responsabilidades com a casa e a família. Marco Aurélio nasceu em 10 de junho de 1969 e no dia 14 de junho fizemos a mudança definitiva para a nova casa. Duda com os pequenos veio de Luís Alves, os estudantes da casa do vovô e eu da maternidade com o bebê de quatro dias. Foi um encontro muito feliz. Toda a família reunida, e cada filho descobrindo a nova casa: móveis, cortinas, tapetes, tudo novo. Cada um arrumava o seu canto, sua parte nos armários, livros e o material escolar. A felicidade estava estampada no sorriso de todos. Agora estávamos, novamente, sob o mesmo teto. A impressão era de que iniciávamos uma nova etapa de nossas vidas. Nossas empregadas e nossas filhas preparavam um jantar para comemorar. Neste dia fizemos uma oração especial, agradecendo a Deus por termos conseguido chegar até aqui. Para a empresa era dado um novo impulso, pois finalmente estávamos numa cidade que fornecia maiores recursos. Os filhos podiam trabalhar na fábrica e nas lojas e estudar ao mesmo tempo: os maiores à noite e os menores no período da tarde, sendo que as lições eram feitas à noite. Com isto também adquiriam experiência e se preparavam para o futuro.

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casa em que moramos é o palco da realização de nossos sonhos de família. Não existem palavras que definam o espírito que anima o verdadeiro lar. Só o coração pode discernir o que é o lar em que vivemos. Se nosso espírito é alegre, tudo parece ser mais especial, tudo parece falar. Ela traz em si a história da família. O sentido do lar é a união do amor que sentimos entre nós e a reciprocidade deste amor entre os membros da família. A presença constante dos filhos, netos, e hoje bisnetos, e amigos, nos traz a felicidade. Os almoços de domingo, os encontros nas datas festivas, ou ocasiões especiais, sempre são muito alegres e divertidos. No andar superior da casa, oito quartos acomodam, ou acomodavam os filhos. Também no mesmo andar um varandão florido, com vistas para o jardim, é o local preferido pelo pai para produzir suas poesias. No andar térreo uma grande sala de jantar, duas mesas com 6 m de cumprimento e 48 cadeiras esculpidas em madeira e uma grande cristaleira com coleções de cristais. Guarnecem as paredes uma tela da Santa Ceia de 1,80 x 2,50 m e duas grandes telas cusquenhas com os anjos Ariel e Gabriel. As salas de visita são interligadas por três ambientes que dão lugar a todos. A sala de televisão é a mais frequentada e onde se encontra o quadro mais importante da casa: o grande quadro que reúne todas as fotos “cabecinhas” dos dezesseis filhos com 1 ano de idade. Ainda no pavimento térreo, tenho meu gabinete de trabalho com vários quadros da família. É deste canto que me comunico com todos, desde às 7h30min da manhã às 22-23h. O telefone não para.

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Duda e eu, na sala de televisão, ao lado do quadro mais importante da casa

No hall de entrada uma estátua de bronze denominada “O Semeador”, tem um significado especial. No piso térreo está a área de serviço e a sala dos troféus e diplomas conquistados pelo Duda: na vida comunitária, na política, na vida empresarial, nas exposições de gado, nos rodeios e nas cavalgadas. Recentemente contruí um teto de vidro que interliga a casa a um alpendre onde coloquei 20 mesinhas redondas com 80 cadeiras brancas de alumínio fundido em forma de medalhão. No alto de uma das paredes, dois nichos abrigam as estátuas de São Francisco e de Santa Clara, que são os padroeiros e santos dos nossos nomes Rodolfo Francisco e Adelina Clara. No verão é o local dos almoços e encontros da família.

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Alpendre: o local preferido para almoços e jantares

Na sala de jantar

Nos fundos há um coreto de ferro fundido coberto com telhas de barro. É um dos locais de refúgio, onde Duda se dedica à sua poesia. De fora ninguém diferencia uma casa. E é preciso estar dentro, participar e sentir-se iluminado por alguma coisa que

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toca o nosso coração, para perceber o amor que brota da boa convivência. Como sou muito irrequieta, constantemente vivo aumentando, reformando e melhorando a casa. Preocupo-me com a decoração e com a manutenção, para ter uma casa sempre perfeita e agradável para a família. Zelar pelo patrimônio e bemestar da família é trabalhoso, mas vale a pena, se aos poucos a casa for adaptada à nossa realidade e a nosso gosto. A decoração é o reflexo da afetividade da mulher para com a família. O mais importante é ser reconhecida por eles. Decorar com antiguidades é um verdadeiro exercício de proporção e equilíbrio, nem mais nem menos. Evitar exageros da ostentação, mas valorizar as obras de arte e os móveis autênticos tem uma linguagem e é preciso saber defini-la. A decoração vai além das regras contidas nos livros. O que vale é o toque pessoal. Não é o orçamento mais caro que mostra a melhor decoração, nem o luxo exagerado. A forma mais prazerosa de decorar a casa é reunir objetos e móveis aos poucos. Eles contam a história de vida das pessoas e conservam as lembranças vivas de cada época. Interessante é descobrir em cada lar um pouco sobre a alma dos seus proprietários. A decoração da nossa casa, a vivência da família, a oxigenação trazida pelas novas gerações faz da nossa casa um coração pulsando de alegria e prazer, sempre.

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família ia crescendo. Em 1964 já eram 13 filhos. Os meninos cresciam e tornava-se necessário dar-lhes um pouco de lazer e divertimento. Possuíamos um terreno com dois lotes em Balneário Camboriú, no Loteamento Maria Luíza, na Vila Real. Como tínhamos serraria e comercializávamos alguns materiais de construção, não seria tão difícil fazer uma casa. Difícil seria construí-la sem que Duda e as crianças soubessem. A casa deveria ficar pronta no Natal. Seria a minha surpresa. Combinei com o sobrinho Frederico Olíndio de Souza, que trabalhara conosco quando jovem, que ele encomendasse a madeira do “tio Duda”, pois nós tínhamos serraria e podíamos aproveitar a nossa madeira. Dizendo que um amigo de Curitiba lhe pedira para construir uma casa, conseguiu assim a madeira fornecida pelo tio Duda. Fred, a quem sou muito grata, contratou os carpinteiros e auxiliou na compra dos materiais de construção. Os materiais faltantes eu mandava transportar de Blumenau para que ninguém desconfiasse. A casa ficou pronta em tempo recorde: 35 dias. Tinha quase 200 metros quadrados, com seis quartos, sala grande, cozinha, banheiros e garagem. Na noite do Natal, após a ceia e a abertura dos presentes em frente ao pinheirinho, chamei todos: pai e filhos e entregueilhes a chave da casa. No início não acreditaram, mas após muita insistência estavam radiantes de felicidade. No dia 26 providenciamos a mudança e pela primeira vez passamos uma temporada de praia numa casa só nossa. Nela passamos os verões até 1981. Mais que uma casa de veraneio, era a nossa segunda casa, pois em seguida adquirimos duas lojas em Balneário Camboriú, todas dirigidas pelos pais e filhos. Ao invés de temporada de veraneio, eles tinham uma temporada de trabalho. As lojas

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ficavam abertas até 24 hs e ainda abríamos nos domingos e feriados. Todos temos muitas histórias e lembranças desta época fabulosa de nossas vidas. Os meninos reconhecem até hoje que aprenderam verdadeiramente a trabalhar neste período e confessam que, muitas vezes, desviavam algum dinheirinho do caixa para seus divertimentos, sempre de comum acordo. À medida que os filhos iam casando e os netos chegando, a velha casa tornou-se pequena. Prevendo a necessidade de construir uma casa mais ampla, adquirimos três lotes num dos melhores loteamentos de Camboriú: Loteamento Laux, e foi neste local que começamos a construí-la. Em 1975 havíamos feito o projeto da casa, mas naquela época não poderíamos desviar os recursos da empresa para este investimento, que não era prioritário. O sonho da construção da nova casa não me saía do pensamento. No início do ano de 1980 negociei com a Construtora H. Schultz a construção com área original de 574 m2, em dois pavimentos. A construção tinha nove quartos, ampla sala-deestar, cozinha, adega, sala de jantar, sala de jogos, sala de televisão, dependências de empregadas e cinco banheiros. Na negociação entraram, além de dinheiro, 16 lotes espalhados nas praias de Camboriú, Itapema, Penha e Armação (comprados nos anos anteriores) e duas mil camisas de nossa fábrica Dudalina. A negociação foi dura, mas conseguimos convencer o Sr. Haroldo Schultz, que vestiu toda a sua empresa com as camisas Dudalina. Finalmente, em 20 de setembro de 1982, a casa foi inaugurada com a presença de toda a família, diretores e gerentes da construtora e amigos da família. No dia da inauguração fomos surpreendidos pela publicação de matéria paga pela Construtora Schultz no Jornal de Santa Catarina, e que dizia: “A Construtora e Comércio H. Schultz sente-se honrada em efetuar a entrega hoje ao casal Rodolfo e Adelina Souza de um casarão construído para o casal no loteamento Laux à Rua 2.480, - 186 -


nº 111, com uma área construída de 574,60 m2, dividido em 9 dormitórios, ampla sala de estar, 2 dependências destinadas a serviço, cozinha, adega, sala de jantar, 5 banheiros de mármore e granito, além de outros anexos.”

Nossa atual casa de praia

Foi um sacrifício muito grande acompanhar a construção. Duda e eu íamos todas as semanas vistoriar a obra, cuidando dos materiais, do acabamento e da qualidade dos serviços. O piso era fiscalizado para sair com perfeição, as placas de mármore foram escolhidas peça por peça. Os vitrôs e os melhores materiais de banheiro, afinal, tudo o que era preciso na construção foi escolhido por nós. O esforço não foi só financeiro, mas físico, pois sem a nossa ajuda a construção não teria saído tão perfeita e no tempo previsto. Sempre, dia vinte e seis de dezembro, grande parte da família se muda para a casa da praia e ficamos até meados de

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janeiro. Esta é a melhor época do ano, pois novamente estamos todos reunidos. Os filhos, noras, genros, netos e bisnetos passam o tempo todo se divertindo, conversando, fazendo brincadeiras e gozações entre si. Entre os netos estabelece-se um forte laço de amizade, identidade e solidariedade. Duda e eu contemplamos com muita doçura a felicidade de todos. Todas as noites há um jantar elaborado pelos homens: pai, filhos e genros, que além da família, congrega sogros, cunhados, tios, primos e amigos do anfitrião do dia. A média é de 80 pessoas por jantar. São momentos únicos de alegria e descontração. As férias na praia nos trazem muito trabalho, mas muito mais alegria. Preparamos uma equipe de empregados que atende toda a família, sempre acompanhados por uma das filhas ou nora, mas a que mais se dedica à família é Tida, que não poupa esforços em coordenar todos os trabalhos. É uma exímia cozinheira. Os irmãos a adoram. Adriana auxilia na ordem dos quartos e na administração da casa, entretendo as crianças para facilitar a vida das mães. O abastecimento da casa neste período é feito pela estrutura do Hotel Himmelblau, de propriedade da família. É uma pena que esta casa seja usada apenas 20 dias por ano. Duda, que sempre me acompanhou, registrou em versos a construção da casa, que acho interessante transcrever também por pedido dele.

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A Casa

Quero escrever a construção da casa Do começo até o fim Falando das coisas boas Não deixando de fora as ruins Fazendo todas as anotações Para que o tempo não fale por mim

Os dez lotes foram avaliados Por baixo em dois milhões Mais duas mil camisas Dudalina Metade no início da construção Seis lotes na Penha por seiscentos mil cruzeiros Bem na entrada da rua que vai para Armação

Acompanhei o trabalho da minha esposa E as dificuldades que ela enfrentou Apesar de se cansar bastante A outros também cansou Vou agora começar a contar Como tudo começou

A obra foi contratada com a Construtora Schultz Por quatro milhões e trezentos mil cruzeiros E foi dado como entrada Duzentos mil em dinheiro Mais duas promissórias de quatrocentos mil Que seriam pagas em janeiro

A mãe vinha falando em fazer uma casa na praia A planta pelo Dr. Andreas Bocsor mandou fazer O Heitor estudou todo o projeto E disse: “Grandes modificações têm que haver E se sair como eu quero Uma linda casa vamos ter”

O projeto foi entregue ao Dr. Nelson Nitzel Que junto com o Heitor fez algumas alterações No dia dois de maio de oitenta Deu-se o início da construção As colunas e as esquadrias Sofreram a primeira modificação

Em mil novecentos e setenta e cinco É que a planta foi feita Como não tínhamos recursos Ela foi para a gaveta Um dia a mãe me disse: Deixa comigo Que o negócio de construir a casa a gente ajeita

As esquadrias que eram de madeira e vidro Conforme previa o projeto Passaram a ser de blindex A mãe achou que dava mais certo As vigas e as colunas foram reformadas Com ferro, cimento e concreto

A mãe falando com seu Harold Schultz Se queria fazer a casa a ele perguntou Dizendo que tenho o terreno e o projeto Para conversar, um outro dia marcou A proposta da Dona Adelina Ao seu Schultz agradou

Todas as vezes que a mãe visitava a obra Sempre encontrava algum defeito O homem que a subcontratou Era ruim e não fazia nada direito Para modificar o trabalho Precisava-se falar com muito jeito

Ela ofereceu em pagamento um lote na 3600 Outro lote na Vila Real Mais seis na Rua Grécia No fim da Avenida Central Mais um na Rua Don José E outro em Itapema na Rua Geral

Para ser entregue no final do ano É que o contrato foi feito Mas com tantas modificações Surgiram erros e defeitos Atrasou a construção E terminar não tinha jeito

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Fomos morar na casa velha Onde a turma foi suspirando Pois era pela casa nova Que todos estavam esperando Ficamos em janeiro e fevereiro E os dias foram passando

A pedra Goiás tem defeitos Pois não é geometricamente cortada Vem em diversos tamanhos Quase todas são falhadas Com fóssil e rachaduras De ferrugem são manchadas

A mãe se dedicou mesmo à construção No dia vinte e seis de fevereiro O Sr. Harold atendeu ao pedido dela Trocando o subempreiteiro Colocando como mestre o Sr. Geraldo Entendido em construção e bom pedreiro

Mas a Dona Adelina tinha decidido Pela tal pedra Goiás Quando ela percebeu Blumenau não tinha mais Só em Joinville conseguiu o restante E para transportar foram 16 viagens ou mais

Voltamos com os filhos a Blumenau No comecinho do mês de março A mãe disse para mim: “Você tem que ajudar no que faço Vamos duas vezes por semana à praia Para tirar a construção do embaraço”

Demorou para assentar as pedras Depois de pronto começou a limpeza Lavaram seis ou sete vezes Isso tenho certeza Depois de impermeabilizado A mãe disse: “Olha só que nobreza”

Logo no começo surgiu a ideia De colocarmos ar-condicionado central Contratamos com a Metalúrgica Lenz Que fez uma modificação geral Orientados por engenheiro experiente Fizeram um trabalho legal

O impermeabilizante custou o preço De novecentos e vinte cruzeiros o litro Eu fiquei tão assustado com o preço Que em vez de falar eu dei um grito A mãe disse hoje tu reclamas Mas amanhã achas bonito

O preço de todo esse trabalho Ficou em duzentos e cinquenta mil cruzeiros Por camaradagem do diretor Sr. Oswaldo Lenz Que executou o projeto ligeiro Exigindo como entrada A quinta parte em dinheiro

O andar superior foi acarpetado E logo colocados os armários embutidos A oficina cobrou oitocentos mil pelos móveis E na hora de colocar o homem tinha fugido Conseguimos encontrar o tratante Disse que não podia montar, pois no preço tinha perdido

Com a passagem dos dutos As paredes foram danificadas Teve de se colocar gesso Cobrindo a parte estragada E uma floreira de aço escovado Bem ao lado da escada

A mãe para montar os móveis Tratou com a marcenaria do Coelho Pagou pela montagem cento e oito mil cruzeiros Fez todos os negócios sem me pedir conselhos A NM foi quem forneceu para a casa Toda a qualidade de espelhos

O piso do andar térreo Era para ser de cerâmica Porto Belo Um dia a mãe chegou e me disse “Este piso eu não quero Vou colocar pedra Goiás Que quando quiser eu encero”

O mármore para a construção Ela contratou com a firma Von Der Heyde Dizendo que esse pessoal tem bom preço E também boa qualidade Ela nunca esperava para entregarem Ia enfrentar tantas dificuldades

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E foi nesta história do mármore Que entrei com a santa paciência Eu não sei se paguei meus pecados Ou se junto fiz penitência E se irritei minha esposa Peço a ela perdão e a Deus clemência

O banheiro social Foi feito em mármore travertino Este mármore é muito raro Por isso foi o mais pequenino No salão térreo da casa Ele foi feito sozinho

O mármore foi cortado e beneficiado Na Igramar, no km 12 no lugar Bahia Quando fui a primeira vez A estrada eu não conhecia Quando chegamos lá não tinha O mármore que a Dona Adelina queria

Já os outros banheiros Foram revestidos de azulejo marfim O piso em mármore chocolate Foi a Dona Adelina quem quis assim Puxei com um carrinho todo este mármore E ninguém teve pena de mim

Levamos quatro horas Para nove metros escolher No outro dia vinte e um metros É que conseguimos trazer Para colocar tudo na construção Vinte e oito viagens tivemos que fazer

Na varanda superior o piso foi de mármore E de mármore chocolate foi a escada A mãe escolheu peça por peça Sem nunca se queixar de nada Ela colocou o mármore em cima do balaústre Que fica no lado da sacada

Como o mármore era cortado em diversos blocos A cor saía sempre bem diferente Tinha que ser feita uma escolha E era isto que atrapalhava a gente Um serviço de seleção Não dá para fazer urgente

Os balaústres ela mandou fazer a matriz Copiando de uma revista Um modelo muito especial Que dá à casa uma linda vista O corrimão da escada é de ferro batido Feito pela Ferraria Artística

Foi feito um banheiro grande conjugado Todo de mármore branco Espírito Santo O piso, a parede e até o teto Foi mármore por todo o canto Neste banheiro feminino A cor que impera é o branco

As portas que ligam diversas repartições São de ferro trabalhado Dando à casa a imponência É de um gosto requintado Todos os moldes dos lustres Pela mãe foram idealizados

O banheiro masculino Foi feito de mármore chocolate estampado Com vasos e pias de bege escuro Este foi pela mãe todo selecionado Foi um dos lugares da casa Que ficou mais caprichado

As portas internas são de madeira Todas feitas de correr A oficina da Construtora Levou pouco tempo para fazer O trabalho ficou muito bom Dá gosto de a gente ver

No banheiro do casal A Dona Adelina caprichou Revestiu com mármore chocolate Cor que ela mais gostou Diferente do outro banheiro Pois o mármore foi ela que selecionou

Todas as portas da frente da casa Foram mudadas para blindex bronze No projeto era vidro e veneziana Mas a mãe achou que o iodo do mar a madeira consome Foram feitas em duas folhas Que passaram de duas vezes onze

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Na parte dos fundos dos banheiros Ela mandou colocar vitrôs Foram zincados para evitar ferrugens A mãe quem para zincar levou Ela usou vidros de duas cores Que a construtora colocou

Pela garagem e a churrasqueira Setecentos mil cruzeiros ela pagou A telha e a pedra para o piso Foi ela quem comprou Seiscentos e noventa pedras de 30x80 Ao Leonel Souza encomendou

A cerca no muro da frente A serraria Seibt foi quem fez Aproveitou a da nossa casa E levou tudo de uma só vez Foram pagos cento e vinte e cinco mil cruzeiros E para fazer e colocar não levou um mês

A churrasqueira por fora é revestida com tijolos Por dentro é com tijolo refratário A grelha é de aço inoxidável Que ela pagou bem caro A varanda foi coberta com telha transparente Para o ambiente ficar mais claro

A mãe pintou a casa de branco Porque do branco sempre gostei Todo o interior na cor bege Que quando vi não reclamei Da jardineira de aço inoxidável Eu olhei e também não xinguei

O jardim com senhor Israel Amaro É que foi todo tratado Ele pediu e a Dona Adelina pagou Cem cruzeiros o metro quadrado Levou cinco caminhões de barro Que a mil cruzeiros cada um foi comprado

Com o que sofri e me incomodei Foi com a porta do banheiro social É toda revestida em espelhos E espelhos de cristal Levei uma vez a Itajaí e duas a Blumenau E a danada não ficou igual

Ao redor de toda a casa Foi colocado pedra para formar a calçada Para desviar a água da chuva Foi feita meia calha de pedra lavada Este serviço todo feito pelo Rui Que trabalhou até de madrugada

Toda a área de serviço Sr. Geraldo bastante caprichou Com a supervisão do Dr. Renato e Deniz Um só instante de folga não sobrou E a mãe sempre junto estava Até para colocar o fogão ela ajudou

A mãe colocou em toda a casa Calhas de aço inoxidável O custo foi de duzentos e cinquenta mil Mas ela achou o material mais durável Como também passou no piso um líquido Deixando para sempre impermeabilizado

Entre a casa, área de serviço e a sacada Foi revestido com pedra São Tomé Eu disse a minha mulher Só o rico tem dinheiro e faz o que quer Ela respondeu: nós não somos ricos Mas temos gosto, coragem e fé!

A mãe contratou um decorador Que pouco a ela ajudou O friso do muro e os beliches Foi ele quem desenhou O resto tudo foi a Dona Adelina Que com os engenheiros idealizou

A churrasqueira e a garagem Não constava do projeto Ao contratar com o Sr. Schultz Pechinchou até dar bem certo Mandou fazer uma mesa e dois bancos Todinha de massa corrida e concreto

Os móveis mais rústicos Foram comprados em Gramado Todas as vezes que ela fazia esta viagem Me deixava preocupado Voltava no mesmo dia Com o carro carregado

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Na oficina do Sr. Muzica Foram feitos os estofados e colchões Ele prometeu entregar logo Mas demorou um tempão A senhora dele como decoradora Também dava sua opinião

As cortinas para toda a casa Foram compradas em São Paulo Disse ela, tenho que comprar lá Em Blumenau o preço nem comparo Também comprou dois panôs Que têm a lenda do galo

Mãe, receba esta homenagem Dos seus filhos, junto com seu marido “Mansão Adelina Clara” Que por nós foi escolhido Por que tudo o que fizeste Nunca será esquecido. Duda Setembro de 1981

As estantes e as mesinhas Foi o Curt Buerger quem fez Que demorou muito tempo Era de esperar que quando em vez Os móveis de vime comprou na Ilhota E trouxe tudo de uma só vez

Quando a casa foi ficando pronta Mandou buscar a Rosemeri para a decoração A Rose no primeiro dia Fez diversas modificações Trocou e mudou os quadros E enfeitou os salões

A mãe aceitou as sugestões da Rose Ajudando a colocar os quadros Os triliches ao invés de acarpetados Ficariam melhor envernizados Ela ficou contente mesmo Foi quando o telefone foi ligado

A casa já está ficando pronta Dia vinte se Deus quiser vai ser inaugurada Eu sinto no rosto da mãe Que ela já está bem cansada Mas também sei que no seu interior Se sente plenamente realizada

Queremos agradecer o Sr. Haroldo Schultz Pela maneira correta que nos atendeu Grande prova de sua honestidade Que sua firma tanto cresceu Que Deus ajude em seus negócios Junto com todos os seus

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a inauguração da casa de veraneio fiz o seguinte agradecimento: “Senhor Haroldo Schultz, senhores engenheiros, aqui presentes, nossos prezados amigos, Frei Pascoal, querido pai e filhos. Hoje é um dia de alegria para todos nós, quando podemos junto com nossa família e com pessoas queridas e amigas, inaugurar esta casa. Queremos homenagear especialmente as pessoas que mais colaboraram para que esta obra fosse feita. O maior colaborador foi o Sr. Schultz, que acreditou em nós e fez com que pudéssemos construir esta casa. Para ele o nosso maior reconhecimento. Nosso filho Heitor foi praticamente o arquiteto que junto com seu amigo e engenheiro Dr. Andreas Bocsor a planejaram. O projeto ficou engavetado por uns três anos, pois a situação financeira não permitia sua execução. Em 1980, encorajados, apresentamos a proposta ao Sr. Schultz e a obra teve seu início e hoje em menos de dois anos ela já está concluída. Sabemos que ela exigiu o sacrifício de muitos. Rui sacrificou férias para colaborar na construção. Nilton Kuker, nosso compadre, colaborou e a ele devemos favores e agradecimentos. Ao Duda que, pacientemente, esteve sempre comigo, conseguindo materiais para a construção e os transportando merece a alegria de ver esta casa pronta. A Deus por nos ter ajudado no decorrer da construção, nas nossas ideias e nas nossas viagens. Sr. Schultz, Duda, eu e toda nossa família lhe agradecemos. Serás sempre lembrado, não só como colaborador, mas como grande amigo da família Dudalina. Finalizando, desejo à Construtora Schultz, da qual o senhor é o fundador, e a toda a sua equipe, muito êxito, muito sucesso e que continue sendo o - 194 -


testemunho concreto do poderio de uma empresa. Muito obrigada Sr. Schultz e família, muito obrigada aos amigos que nos prestigiaram e que estão aqui presentes.” Maria Aparecida também agradeceu: “Mãe, um dos teus grandes sonhos é hoje realidade. Tornamse ainda e agora, outros sonhos que tu como mulher, acalentaste vida afora. Tua família reunida, aconchegada ao calor que emana das presenças materna e paterna. Esta casa que ergueste, e que te custou horas de tranquilidade, que te roubou do seio de tua família, é uma obra sem dimensões, porque ela extrapola os limites métricos e vagueia no sonho de cada um dos teus filhos, que querem permanecer sempre juntos. Fizeste com um grande objetivo. Reunir esta nossa família que se alicerça em fundamentos indestrutíveis e inabaláveis. Nosso alicerce é o amor que junto com o nosso pai plantaste em nossos corações e forjaste cada vez mais com teu exemplo dignificante de fé, trabalho, honestidade e labuta constante. Tua obra não é só arquitetônica. Ela é eterna e imorredoura, porque transformou-se em um legado que transcenderá as fronteiras do tempo e do espaço, e se perpetuará através das gerações que procederão a nós. Gostaríamos de ter agora teu nome gravado em placa comemorativa para homenagear-te e dizerte das coisas simples e humildes que sentem nossos corações. Mas sabemos que mais importante é a demonstração afetuosa, a admiração sempre crescente e o amor que a ti dedicamos. Mais uma vez reunidos como gostaríamos de sempre estar, pedimos a Deus, que tem sido o nosso maior amparo, que lance graças por sobre nossa família e permita-nos desfrutar cada vez mais essa união indescritível e faça-nos mensageiros do legado que a nós, tu e nosso pai, que tanto amamos, nos concederam.”

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cidade de Blumenau nasceu como centro industrial e transformou-se num dos mais importantes polos turísticos do país. É uma cidade alegre, florida e diferente, onde todos os projetos se concretizam e os sonhos mais bonitos se realizam de um jeito todo especial. O antigo e o novo se mesclam, produzindo um equilíbrio que muitos pensam ser impossível. Blumenau é fruto do trabalho duro e de muito amor. A abnegação do seu povo está exposta em cada metro quadrado da cidade. Tem cristais, felpudos e suas especialidades: malhas, produtos têxteis, camisas e a melhor Orquestra de Câmara do Brasil. É um pedaço da Alemanha. O povo é dinâmico, correndo em suas veias o sangue do trabalho incessante e do progresso desde os primeiros imigrantes. Blumenau, com sua arquitetura enxaimel, estilo típico do alemão, sua culinária, o chope, as bandinhas que saem às ruas para dar som e cor às manhãs de sol. Possui perfeita infraestrutura turística, ilustrada pela alta qualidade dos hotéis e restaurantes. O comércio local é diversificado. O artesanato e arte são famosos em todos os cantos do país, tanto as esculturas de Elke Hering, como as obras de metais de Guido Heuer, ou as lindas aquarelas de Hélio Hanemann e Ligia Roussenq Neves, como nos lindos trabalhos com bonecas típicas e nos trabalhos em colchas e roupas em patchwork, modelos e ideias trazidos de outros países e que já se incluem na nossa cultura, oferecendo um dos mais valiosos acervos do Estado. As reservas, recantos e parques ecológicos fazem de Blumenau uma cidade onde o ser humano sempre será a atração principal. Blumenau é tudo isto e muito mais, é um mundo à parte, cheio de segredos que todos podem descobrir. É um outro país dentro do Brasil. Um lugar onde o progresso existe e a beleza resiste, onde a alegria aumenta a cada dia. Blumenau é a nossa cidade jardim. - 196 -


empre sonhei em construir um belo jardim em frente à nossa casa. Mas o terreno disponível era muito pequeno. Na minha viagem à Europa observei diversos jardins e colhi sugestões para o projeto feito pela paisagista Maria Filomena (Mena), associado ao modelo de um jardim de um rei da Inglaterra, Hermano VIII, que eu guardava há anos numa gaveta. Adquiri o terreno situado na esquina ao lado de nossa casa, onde se encontrava edificada uma antiga casa enxaimel, praticamente em ruínas. Permutei o imóvel construindo uma nova casa para o antigo proprietário, em outro local. Procurei informações na prefeitura sobre a demolição e percebi que não me dariam o alvará, embora não houvesse qualquer lei protegendo aquela casa, ou classificando-a como patrimônio histórico. Temi que o sonho tão acalentado poderia ser destruído na fila da burocracia e por uma arbitrariedade do prefeito e seus secretários. Se a prefeitura quisesse me impedir de demolir a casa, se houvesse uma lei especial (até hoje a lei não existe) seria um empecilho real, para a não concretização deste sonho. Mandei demolir a casa sem autorização. Criei o fato e o administrei. Numa sexta-feira depois das 10 horas da noite dois tratores e operários colocaram a casa abaixo. No dia seguinte a imprensa deu destaque à demolição, e o prefeito Vilson Kleinubing e seus secretários embargaram a obra. Embora dessem explicações, não me convenciam. Pedi uma audiência ao prefeito e ele me concedeu. Perguntou-me ele: - Dona Adelina, por quê a senhora não pediu o alvará de demolição aqui na Prefeitura?

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Respondi com outra pergunta: - E se eu tivesse solicitado o alvará, vocês o teriam dado? - Provavelmente não, disse Kleinubing. Respondi que exatamente o que eu queria era demolir a velha casa para dar lugar a um jardim. Com a demolição, vinganças políticas se fizeram sentir. A prefeitura entrou com embargo e a construção do jardim ficou suspensa. Fui convocada para uma reunião com o então Secretário de Planejamento, Dr. Paulo Gouveia e assessores. Havia a sugestão do pagamento de uma “multa”, na verdade uma soma em dinheiro para a reconstrução da casa em local designado pela Prefeitura. A reunião começou sem qualquer objetividade, todos falavam e ninguém concluía nada. Eu começava a ficar impaciente com aquela conversa mole, quando a certa altura me dirigi ao Secretário e perguntei: - O senhor tem a lei que me obriga ao pagamento? - Nós ainda não temos uma lei sobre o patrimônio histórico, respondeu-me. Levantei e disse aos presentes: - Se não há lei que me proíbe demolir o imóvel e como não há objetividade nesta reunião, desculpem-me, já perdi muito tempo. Fui embora, enquanto eles falavam sozinhos. Para evitar atritos e uma ação judicial, pagamos à Prefeitura a quantia de Cr$ 20 mil na época, para que eles reconstruíssem a casa com o material da demolição em outro local. O nosso jardim foi construído com muito trabalho e a um custo elevado. Em 40 dias estava terminado e contou com o trabalho de 16 homens. Ficou pronto e foi inaugurado em 23 de dezembro de 1989. O projeto foi executado com perfeição pela paisagista, e toda a área foi drenada para evitar futuras erosões. O contorno - 198 -


dos canteiros foi feito com pedra granito natural e os caminhos com o mesmo material. Foram colocados seixos rolados, brancos, entre os canteiros. Há um harmonioso contraste de cores do granito, dos seixos brancos, do verde da grama e do colorido das flores. No centro do jardim foi construído um chafariz, com um espelho d’água, onde se reflete todo verde e o colorido das flores. Ao fundo foi construído um canteiro elevado com uma escada de três degraus e coberto com um pergulado, onde sobem os ramos de primavera que, quando floridos, dão um belo visual ao jardim. Os bancos de cimento e as estátuas ao fundo lhe dão um aspecto greco-romano e um ar romântico que sobressai do visual. À noite é iluminado por luzes colocadas em tochas nas mãos das estátuas. Quando imagino o jardim ideal, vem-me à mente este lugar onde se possa caminhar ao lado do verde, cultivar plantas e aproveitar seus recantos de lazer. Para que haja uma perfeita integração entre essas áreas e a casa, foi necessário criar uma circulação ideal que preservou a identidade do projeto paisagístico. O importante do nosso jardim é que além de nos proporcionar alegria, ele já se tornou uma atração turística em Blumenau. Constantemente os ônibus de turismo param em frente de nossa casa para que os turistas apreciem, fotografem e filmem o jardim. Isto me enche de orgulho e satisfação, porque se fosse pelo prefeito da época, em seu lugar haveria um buraco e uma casa em ruínas. Em 1990 a Prefeitura de Blumenau organizou um concurso para premiar os melhores e mais bonitos jardins da cidade. Inscrevi-me. Como forma de me excluírem do concurso, deramme um pequeno troféu como “hors concours”, que significava ser o melhor de Blumenau, mas me excluíram na reportagem do jornal, onde outros cinco jardins premiados apareceram.

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Jardim – vista parcial

Nesta mesma época, a Editora Europa promovia um concurso de jardinagem juntamente com a Famastil. Mandei diversas fotos do jardim para a Editora e para minha surpresa, dois meses depois a Revista Sítios & Jardins nº 38, de março de 91, publicou a foto dos dez melhores jardins do Brasil, nos quais estava incluído o nosso. Não me contive, mandei cópia da revista e uma longa carta ao prefeito agora já Governador Vilson Kleinubing, mostrando o quanto estavam errados e o quanto se equivocaram com a sua represália política. No ano seguinte, em 1991, fiz nova inscrição e, mais uma vez, nosso jardim figurou como um dos mais bonitos do Brasil, com fotos publicadas na Revista Sítios & Jardins nº 50, de março de 1992.

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Jardim premiado

Blumenau é reconhecida como Cidade Jardim, e o resultado que obtivemos repercutiu em toda a cidade e os jornais divulgaram a notícia, em manchete: “Jardim de Blumenau é um dos 12 mais bonitos do Brasil”. A Revista Sítios & Jardins, uma publicação da Editora Europa, em sua edição de março, destaca uma reportagem dos jardins vencedores: “Entre os jardins mais bonitos do Brasil, o júri escolheu um de Blumenau, situado no bairro Bom Retiro, na residência do casal Rodolfo e Adelina Hess de Souza. Foram levados em consideração para classificação, itens - 201 -


como formas perfeitas, harmoniosas e agradáveis aos sentidos, composição atraente e encantadora de efeito visual agradável.” Recebemos vários prêmios pela classificação e ficamos entusiasmados com o fato. Sempre gostei de jardins, do verde, de flores. Para mim é imprescindível que os ambientes das casas e apartamentos estejam próximos da tranquilidade do verde. Em Luís Alves eu já possuía um bonito jardim, que conservo até hoje. Meu sonho, mais uma vez, tornou-se realidade. Construí na cidade jardim, um jardim que é o orgulho da cidade.

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casa enxaimel não foi reconstruída conforme a exigência da Prefeitura. Houve um acordo com a nossa família em pagarmos a multa mais cara que a Prefeitura de Blumenau já cobrou. O preço da multa cobrada na época seria de 200,00 cruzeiros, pelo motivo de não termos pedido o alvará de demolição. A Prefeitura nos cobrou vinte mil cruzeiros. Isto aconteceu no governo do prefeito Vilson Kleinubing. Concordamos, pois era grande o desejo de construir o jardim. Esta injustiça ficou marcada e deu-se em 1991. Hoje, em 1996, ainda não existe a lei de tombamento na Prefeitura de Blumenau e foi injusto nos cobrarem a multa. A casa enxaimel, além de se encontrar em péssimo estado de conservação, prejudicada por cupim, era necessário ser demolida. Para dar lugar à construção do jardim, aconteceu na hora certa. Como o terreno estava num plano muito baixo foram precisos aproximadamente 500 m3 de aterro e um muro de 8 m de altura construído de concreto armado para separar o terreno baixo dos demais na lateral e fundos. Hoje o local da demolição onde era um buraco de desordens é palco de um bonito e caprichado jardim que já se tornou atração turística.

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Final feliz

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Capítulo VIII


m junho de 1947, quando assumimos a casa de comércio e as linhas de ônibus de meus pais, negociávamos com os colonos, adquirindo sua produção e lhes fornecíamos todos os gêneros de que necessitavam As contas eram ajustadas, anualmente, sem juros e correção monetária. Não havia inflação. Em 1953 já tinham nascido nossos primeiros quatro filhos. A família crescia rapidamente. Em 1955 fechamos o açougue e abrimos uma serraria. Compramos um caminhão GMC e tratores para transportar a madeira. O comércio e a serraria nos davam suporte para o sustento da família que aumentava, e eu só pensava em crescer, crescer e crescer, e para isto não media esforços. Duda acordava às 5h da manhã e já cedo se dedicava ao contato com os colonos, com os clientes e cuidava do abastecimento dos produtos para a venda, principalmente defensivos agrícolas, ferramentas, carne, alimentos, serraria e as atividades agropecuárias. Eu me dedicava mais aos tecidos, confecções, sapatos e armarinhos. Normalmente íamos fazer compra de tecidos, sapatos, armarinhos, perfumaria e outros produtos em São Paulo junto aos atacadistas das ruas José Paulino e Vinte e Cinco de Março. Também comprávamos dos atacadistas de Santa Catarina, como Hoepcke, Archer, Grossembacher e Companhia Malburg. Numa destas viagens eu não pude acompanhar o Duda em face do adiantado estado de gravidez. Um dos nossos fornecedores, um turco da Rua Vinte e Cinco de Março, conseguiu convencê-lo a comprar um grande lote de tecido, por um preço vantajoso e prazo longo. Quando a mercadoria chegou a Luís Alves levei um susto. Não havia consumidores para aquela quantidade de fazenda. Bem, o que fazer? - 207 -


Colocamos um preço baixo e promovemos a venda. Mas a quantidade era muito grande e, cada vez que eu olhava para o estoque, sentia uma angústia com aquele negócio. Pensei: se não consigo vender o tecido em metro, vou transformá-lo em confecção, já que um dos cursos que fizera quando jovem era de corte e costura. Em maio de 1957 chamei duas costureiras, Lídia e Gertrudes Trentini, e propus a elas que trouxessem suas máquinas e que transformássemos aqueles tecidos em camisas. Instalamos as máquinas num dos quartos da nossa casa e iniciamos a produção. À noite, retirávamos as máquinas para recolocar as camas. Por esta época, construía-se uma linha de transmissão da Usina Jorge Lacerda para Joinville, que passava por Luís Alves. Um grande contingente de operários foi deslocado para o local e abrigava-se perto de nossa casa. Foram os nossos primeiros compradores. Rapidamente o estoque de tecido acabou-se. Aquilo me estimulou a continuar com a confecção.

Minha primeira confecção, em Luís Alves, que deu origem a Dudalina

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Alugamos uma casa em frente à nossa, de meu pai e compramos mais tecido em São Paulo, e assim iniciamos nossa pequena indústria. Para mantê-la foram muitos os desafios e dificuldades. Não havia incentivos do governo e não possuíamos capital para aquisição das máquinas. A alternativa foi contratar as costureiras e pagar aluguel pelo uso de suas máquinas. Elas se hospedavam no andar superior da pequena fábrica e toda alimentação era por nossa conta. Fazíamos comida para cerca de 40 pessoas por dia: 15 pães de forma, 20 litros de leite de produção própria. Em 1959 adquirimos um gerador elétrico acionado por um motor estacionário, o que permitiu a compra de máquinas industriais usadas, de uma confecção que fechara em Blumenau. Prazo longo e juros baratos. Novo impulso na indústria. Mais tarefas. Contratei representantes que, rapidamente, colocavam a produção no comércio da região. Em muitas oportunidades eu mesma saía para vender, principalmente quando precisávamos de recursos para o pagamento de nossos compromissos. Junto com o motorista, pegava nosso caminhão GMC 1954, enchia-o de caixas de camisas e, junto com um dois filhos pequenos, ia visitando e vendendo para os comerciante de Piçarras, Penha, Armação, Blumenau, Nova Trento, São João Batista, Benedito Novo, Timbó, Pomerode, Dr. Pedrinho, etc. Precisávamos ampliar a produção: mais máquinas e máquinas modernas: maior rendimento e melhor qualidade. Aos poucos fomos adquirindo máquinas semiautomatizadas para a época: caseadeira, pregadeira de botão, costura dupla, overlock e interlock. Tudo financiado pelos fornecedores com prazo longo e juro barato. Nossa produção era pequena e as camisas eram fabricadas quase artesanalmente. Mesmo assim, precisávamos primar pela qualidade, pois necessitávamos conquistar o mercado. Por isso nossa maior preocupação foi oferecer sempre o melhor produto. Eu, pessoalmente, revisava todo o acabamento, peça por peça. Os filhos ajudavam na revisão das camisas e corte dos fios. Com o crescimento das vendas houve necessidade de criar uma marca. Entre as muitas sugestões vigorou a apresentada por um - 209 -


sobrinho, Frederico Olíndio de Souza, que trabalhava conosco, com o nome DUDALINA, junção de DUDA e ADELINA. A primeira logomarca foi uma âncora, sinal de segurança e solidez. Esta simbologia deu certo. A âncora, imaginava eu, segura um navio e com ele navega os mares, enfrentando tempestades e tormentas. A Dudalina tinha que ser forte. Sólida e resistente a todas as adversidades e obstáculos que enfrentaria. Com a indústria, também crescia o comércio e a família. Precisávamos de mais renda e, ao mesmo tempo, criar novos canais para escoar a produção.

Primeira logomarca da Dudalina

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E assim, em 1965, compramos duas lojas em Balneário Camboriú. A compra das lojas foi uma coincidência, dessas felizes coincidências que a gente gosta de lembrar. Nesta época passávamos o verão na nossa recém-construída casa de praia. Durante a semana Duda ficava com as crianças e eu retornava para Luís Alves para tocar a fábrica. Num final de semana, chegando a Camboriú, Duda me disse: - “Tenho um segredo para te contar”. Respondi: “Eu também”. Duda falou: “Enquanto estavas em Luís Alves trabalhando, eu me senti muito contrariado ficando aqui com as crianças sem nada para fazer. Dei um pulo ao centro e comecei a olhar o comércio, e vi que poderíamos aproveitar o tempo aqui, vendendo nossos produtos. No dia seguinte comecei a visitar as lojas da Avenida Central e acabei comprando a loja das Casas Rosana de Florianópolis. O preço nós vamos pagar com camisas.” Assustada eu lhe respondi: - “Esta semana fui a Blumenau e conversando com o Carlos Peiter, comprei a loja deles aqui na praia e o preço também vamos pagar com camisas.” No começo nos assustamos, mas depois demos boas gargalhadas e nos preparamos para o desafio. As lojas ficavam na mesma rua: a Avenida Central, a mais movimentada da praia. Chamamos os filhos, demos-lhes a notícia e, assim, tornamo-nos concorrentes. Numa das lojas o atendimento era feito pelo Duda e por quatro filhos, enquanto que na outra eu e mais quatro filhos nos incumbíamos de todo o trabalho.

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Outdoor das lojas

Estabelecemos competição entre as equipes para ver quem vendia mais e os vencedores eram premiados. Não havia temporada de praia para eles e, sim, temporada de trabalho, inclusive nos domingos e feriados, pois tínhamos de aproveitar todas as oportunidades. O expediente iniciava às 9h e terminava sempre depois das 24h. Chegavam em casa exaustos, mas não reclamavam. O atendimento prestado pelos filhos, já perfeitamente entrosados com a arte do comércio, encantava os turistas, que sempre voltavam no ano seguinte para prestigiar a família que trabalhava unida. Duda e eu dividíamos a administração dos negócios com a educação dos filhos, e estabelecemos que todos fariam, obrigatoriamente, pelo menos, o científico ou o normal. Como não havia colégio em Luís Alves, matriculamo-los em Blumenau, em regime de internato no Colégio Santo Antônio e Sagrada Família. Primeiro prédio da DUDALINA em Blumenau, fábrica e loja

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Parte das despesas do internato dos meninos foi permutada em shorts de educação física de nossa fabricação. Em média de 500 a 600 shorts por ano, que eram vendidos pelo Colégio aos alunos. Os filhos menores ajudavam na loja de Luís Alves, atendendo os fregueses, pesando alimentos, medindo tecidos, revisando as camisas prontas, datilografando as etiquetas que acompanhavam as camisas, sua referência, número e modelo. O estudo das crianças nos preocupava. Da mesma maneira o crescimento da indústria necessitava de infraestrutura como transporte adequado, telefone e suprimento de matéria-prima, insumos e embalagem, e bancos o que era muito difícil em Luís Alves. E eu já começava a planejar nossa mudança para Blumenau. Meu sonho já ganhava forma e, como sempre, sabia que seria questão de tempo. Há muito tempo eu planejava comprar uma loja em Blumenau, mas o investimento me assustava e não queria dívidas. Assim, no verão de 67/68 todo o dinheiro que entrava após as 10 horas da noite eu reservava para a compra da loja em Blumenau. Só Duda sabia. Todo dia quando chegava em casa, guardava aquele dinheiro junto com o enxoval do bebê. Quanto já tinha o dinheiro suficiente, chamei Carlos Koeller, proprietário da Loja Carlos em Blumenau, para fecharmos negócio. Anselmo, que controlava com rigidez a parte financeira, recebeu-o, e já foi descartando o negócio, dizendo que não tínhamos o dinheiro e que não poderíamos fazer a dívida. Disse-lhe que não se preocupasse, pois eu dera um jeito no dinheiro. Fechamos o negócio naquele dia. Anselmo ficou muito surpreso com a minha “poupança” e passou a ser um dos grandes incentivadores da Loja de Blumenau. No mesmo ano, 1968, compramos nossa atual residência em Blumenau, no bairro Bom Retiro, pagando o preço com um automóvel e alguns terrenos. Em 1969 transferimos a família e a fábrica para Blumenau. Alugamos um prédio no centro da cidade – Rua Padre Jacobs – e deslocamos máquinas, equipamentos, estoque, e trouxemos os - 213 -


principais colaboradores, dentre os quais minha prima Maria Hess que era uma espécie de gerente da fábrica e governanta. Anselmo, nosso filho mais velho, concluíra o científico e o contador, e assumiu crescentemente funções e responsabilidades na empresa: finanças, vendas, compra de tecidos, matéria-prima, administração do pessoal. Heitor, o segundo filho, tinha muito talento no desenvolvimento de produto e foi responsável pela criação de uma gama de artigos que, rapidamente, ganharam o mercado. Dentre suas criações pode-se contar o lançamento da camisa com a marca Lee e camisas feitas com lenços de seda pura. Vilson viajava, vendendo as camisas no interior do Estado. Tida, Sérgio, Sônia e Denise cuidavam da loja que abrimos no mesmo prédio. Duca, Rui, Renê, Renato, Rodolfo, dobravam caixas e batiam etiquetas. Eu tocava a fábrica e as seis lojas com o auxílio dos filhos. Meu trabalho era árduo, pois o que uma equipe realiza numa empresa, muitas vezes eu fazia sozinha. Havia dias que trabalhava vinte e quatro horas seguidas. Mas em todas as situações eu contava com a colaboração do Duda e dos filhos. No início, a fábrica dependia de mim: comprar tecidos e insumos, fazer mostruários com a tesoura de picotar muito caprichado, atender representantes, riscar os moldes e talhar as camisas, revisar o produto acabado, separar e conferir os pedidos, encaixotar as camisas e pijamas, tirar nota fiscal, despachar as mercadorias de ônibus para as diversas praças, treinar as costureiras, vender, vender, vender. A indústria crescia. Novas praças eram abertas. O antigo prédio da Rua Padre Jacobs já não comportava as máquinas, e o estoque de tecidos e produtos acabados. Em 1982 adquirimos um terreno no bairro Fortaleza em Blumenau e iniciamos a construção da nova fábrica. Na enchente de 1983 as águas invadiram o prédio da Rua Padre Jacobs, destruindo produtos, máquinas e instalações. Mas o maior prejuízo que as chuvas causaram foi uma infiltração no terreno da fábrica, em construção, danificando seriamente a - 214 -


estrutura do prédio. O quadro era desalentador. Mas com muita determinação e trabalho, recuperamos a fábrica da Rua Padre Jacobs e concluímos a nova fábrica em 1984. Nesta época os filhos já tocavam a indústria e eu me dedicada às seis lojas juntamente com Sérgio Fernando, Maria Aparecida e os filhos menores.

DUDALINA – Blumenau

As vendas da indústria cresciam num animador e era necessário ampliar a produção.

ritmo

muito

Em 1985 construímos mais uma fábrica em Luís Alves. A construção foi feita em tempo recorde: 90 dias, e o responsável pela obra foi nosso filho Rui Leopoldo, na época gerente industrial e formado em engenharia mecânica pela Universidade Federal de Santa Catarina. Neste ano implantamos mais uma fábrica em Blumenau, na Rua Dois de Setembro, a Adro Industrial. Produzia calças, bermudas, shorts e jaquetas e era administrada pelos filhos Heitor e Denise. Em 1986 abrimos mais três unidades industriais: Nova Trento, Presidente Getúlio e Lontras, todas em Santa Catarina.

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DUDALINA – Luís Alves

Com o crescimento da empresa, decidimos aumentar nossa presença em São Paulo e inicialmente montamos um escritório de vendas. Os resultados foram animadores e, em 1988, adquirimos o prédio onde hoje se localiza a filial de São Paulo, em que está instalada a diretoria de marketing da empresa. Em 1992 implantamos mais uma unidade industrial na cidade de Terra Boa, no Estado do Paraná, com incentivos do Governo do Estado e da Prefeitura local. As lojas exigiam muito esforço e dedicação da família, além de concorrerem com nossos clientes. Por estas razões iniciamos sua desativação. Sentindo que já não conseguia mais acompanhar o ritmo de crescimento da empresa, em 1983 transferi o comando aos filhos e fui administrar o Hotel Himmelblau, recentemente adquirido. Em 1990 também passei a gestão do Hotel para o filho Rodolfo Neto. Mas, como me viciara no trabalho, não conseguia ficar em casa “de papo pro ar”. Possuíamos uma fazenda para o lazer da família. Duda pediu-me para ajudá-lo na administração e, com o passar do tempo percebi que os melhoramentos que estava introduzindo poderiam ser explorados rentavelmente. Daí à construção de um hotel foi um passo e, em 1994, entreguei aos - 216 -


filhos o Hotel administrassem.

Fazenda

Santo

Antônio,

para

que

eles

Ainda não era chegada a hora da aposentadoria. Desde o início da fábrica eu separava e comercializava o retalho que sobrava do corte das camisas. Era uma receita extra e aproveitava para investir na minha casa e nas minhas construções. Numa viagem a Nova Iorque comprei um blazer de “patchwork”, e aquilo me chamou a atenção para a possibilidade de aproveitar os retalhos das fábricas. Interessei-me pelo produto e passei a pesquisar a forma de produção e as possibilidades de produzi-lo. No retorno, trazia na bagagem o blazer, colchas e camisas de “patchwork” e na cabeça uma ideia: iniciar a produção de “patchwork” no Brasil. Iniciei uma pequena confecção nos fundos da nossa casa e, pessoalmente, fazia os desenhos e compunha os mosaicos. Aprendi a arte de trabalhar o retalho e retornei aos Estados Unidos para ampliar os meus conhecimentos. Comprei mais peças, livros e revistas. Organizei uma pequena equipe de modelistas e costureiras. Os desenhos, corte e modelagem são feitos na pequena fábrica e a costura é terceirizada. Meus custos são menores, a produtividade é boa e não tenho problemas com pessoal. Comercializo os produtos na loja do Hotel Himmelblau e vendemos, também, para diversas lojas do Brasil e exportamos para a Argentina e Chile. Como as vendas estão crescendo, sinto que muito em breve vou ter de chamar um dos filhos, ou noras, para me ajudarem na administração. Hoje nossas empresas são dirigidas pelos filhos, valorizando o trabalho, a experiência e o exemplo. A Dudalina é líder na produção de camisas de tecido plano no país, com suas marcas: Dudalina, Individual e Base, também produzindo para as principais marcas brasileiras. A empresa é a maior exportadora de camisas do Brasil.

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Hotel Himmelblau aconteceu na minha vida por acaso. No início da década de 80, decidimos diversificar os negócios e, assim, após um exaustivo processo de negociação, liderado pelo nosso filho Anselmo, adquirimos o Hotel em 23 de outubro de 1983. Até então eu me dedicava à administração das lojas, juntamente com Sérgio Fernando e Denise Verônica. Ao negociarem o Hotel, os filhos me convidaram para administrá-lo. No dia seguinte à compra já estava lá, para dar início à minha nova atividade. Quando assumimos o Hotel, ele estava em condições precárias: faltavam louças, talheres e roupas de cama, o mobiliário estava danificado, as cortinas em mau estado, o piso do hall de entrada e do salão de café completamente gastos e a qualidade do serviço precisava ser melhorada. Foi preciso arregaçar as mangas e entrar em ação, começando pelo primeiro café da manhã. O salão de café estava avariado e o piso era de mármore branco, que precisava ser lavado, diariamente, com a movimentação de mesas e cadeiras. - 218 -


Em menos de trinta dias mandei reformá-lo. As mesas e cadeiras foram substituídas por novas, quadros foram colocados nas paredes, o teto e as colunas foram forradas com gesso e o mármore substituído por carpê. O salão ganhou um novo visual e o serviço melhorou de qualidade. Os apartamentos precisaram de uma atenção especial. Comprei roupa de cama e mandei fazer colchas novas em matelassê na fábrica de Acolchoados Altenburg. Substituímos as cortinas e o carpê de todos os 128 apartamentos. No primeiro ano compramos 24 frigobares e reformamos os restantes. Em 1986 foram redecoradas as cinco suítes com móveis completamente novos. No ano seguinte, redecoramos os apartamentos do 5º ao 8º andar, e substituímos quase todos os colchões e luminárias, além de renovarmos toda roupa de cama, de banho, louças e talheres. Tivemos o cuidado de usar tudo da melhor qualidade. Com todas estas alterações o hotel foi reclassificado pela Embratur e conseguiu a 4ª Estrela. A recepção foi reformada. O piso antigo foi substituído por piso de granito. O teto foi substituído por gesso, grandes espelhos e quadros tornaram o local mais agradável. Abrimos as paredes e colocamos blindex, clareando o ambiente e ainda fizemos um pequeno jardim com chafariz em frente ao Hotel. Da cozinha antiga nada mais existe. O antigo e velho exaustor foi retirado. Fogão, fritadeiras, fornos, freezer e frigorífico foram colocados novos. As vidraças comuns foram trocadas por blindex. O American Bar foi todo reformado por uma firma de Curitiba e tornou-se o ambiente mais bonito do Hotel. Instalamos duas centrais de ar-condicionado na recepção, salões e escritórios. No 8º andar foram equipados dois salões para convenções com divisões acústicas, um belo trabalho de gesso no teto e lustres de cristais. No hall de entrada do 8º andar criamos um espaço com piso de granito preto com dois grandes sofás forrados de couro preto com trabalho de capitoné e estátuas que dão destaque especial. - 219 -


Para conseguir o segundo salão de convenções, no 8º andar, foi preciso desativar um antigo restaurante. Havia no 9º andar um terraço a céu aberto que não servia para nada. Fizemos uma cobertura e hoje usamos para depósito e lá conseguimos instalar uma terceira central de arcondicionado que beneficia os dois salões do 8º andar. Precisávamos redirecionar o mercado do hotel, para fugir da sazonalidade do turismo. Por isso mandei fazer um projeto para um centro de convenções e salas de apoio. Construímos dois novos pavimentos e acrescentamos um grande salão de convenções e festas para até 600 pessoas e mais seis salas de apoio. Hoje grande parte da receita do hotel vem da área de eventos. Construímos ainda uma piscina, sauna mista e um grill para pequenas festas. Dirigi o Hotel por oito anos e minha jornada média de trabalho era de 15 horas, sem que tivesse qualquer remuneração adicional. Duda e os filhos reclamavam da minha ausência em casa e resolvi dar-lhes atenção. Antes de transferir a direção do hotel, renovei todos os 128 televisores coloridos e os 128 aparelhos de ar-condicionado. A tarefa estava prosseguir na jornada.

concluída.

Agora

caberia

aos

filhos

A escolha para substituir-me não podia ter sido melhor: Rodolfo Francisco de Souza Neto, o 12º filho, foi o escolhido. Formado em Odontologia e mesmo sem experiência, logo conseguiu se adaptar. Hoje é apontado como um dos melhores hoteleiros da região. Ocupa o 2º mandato como Presidente do Sindicato dos Hotéis de Blumenau. Segundo dados do Sindicato dos Hotéis, o Himmelblau tem a maior taxa de ocupação entre os hotéis da cidade. Nossa experiência e a lição que passamos a nossos filhos têm dado bons resultados.

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m 1975 vendemos a Fazenda do Ipê em Laranjeiras para a Usina de Açúcar Adelaide, do grupo Usati-Porto Belo. Parte dos recursos foram aplicados em outra fazenda, na divisa dos municípios de Blumenau e Massaranduba. O preço foi bom, mas o aspecto da fazenda não era animador: a velha casa estava se deteriorando, os ranchos estavam muito velhos, águas paradas com cor de ferrugem, córregos atravessando a rua e terrenos alagados. Foi gasto muito, mas muito dinheiro nesta fazenda, para deixá-la no que ela é hoje. Os córregos foram alargados para escoar a água das enxurradas e, posteriormente, revestidos de pedra tirada da própria Fazenda. Um dos riachos foi alargado para formar uma represa sobre a qual construímos uma grande ponte de madeira e em arco. Nesta ponte foram colocadas floreiras. Demoli tudo o que era velho, ranchos, estufas de fumo, galinheiros, etc. A velha casa de madeira foi reformada e ampliada com a construção de novos quartos, cozinha, banheiros, tudo decorado com móveis coloniais e estilo de fazenda rural. Pensamos em criar cavalos manga-larga e, para isso, construímos um prédio para as baias. Mas prevendo dificuldades futuras, desistimos do projeto. Toda vez que ia para a fazenda a visão daquelas baias prontas e desocupadas me incomodava. Eu tinha consciência do erro. - 221 -


À medida que ia introduzindo melhoramentos na fazenda, ampliava a frequência dos filhos e amigos. Já começava a organizar um calendário para as reservas. Todas as quartas-feiras à noite alguns filhos e mais um grupo de 20 a 30 amigos iam para a fazenda fazer uma cavalgada e um jantar. Essas quartas-feiras na Fazenda Santo Antônio passaram a ficar famosas e, dado o fluxo de pessoas, foi preciso ampliar as instalações: cozinha, churrasqueira e mesas para mais de 50 pessoas. Foi então que percebi que poderia tirar proveito econômico dos investimentos feitos para o lazer da família. Daí para a concepção de um Hotel Fazenda foi um pulo. Pedi sugestões aos filhos e fui visitar praticamente todos os hotéis fazendas de Santa Catarina na região de Lages e alguns no interior de São Paulo. Chamei minha ex-nora Cláudia Rosa, que é arquiteta, e fizemos o projeto: transformamos as baias, que nunca haviam sido usadas, em amplos e confortáveis apartamentos. Iniciamos as obras em 2 de junho de 1984 e no dia 6 de outubro entregamo-la concluída para ser administrada pelo Hotel Himmelblau. Os primeiros hóspedes foram os filhos por ocasião do dia dos pais em 1994. O Hotel Fazenda é um sucesso, frequentemente lotado nos finais de semana. Um segundo prédio foi construído em frente ao primeiro, com 12 apartamentos duplos, com quarto de casal, e quarto para crianças com dois beliches e banheiros.

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Hotel Fazenda, a primeira sede, onde tudo começou

O primeiro prédio foi denominado de Bouganville e o segundo Flamboyant. Cada apartamento tem o nome de uma flor, com o quadro da flor respectiva na porta. Construímos, em seguida, um salão de convenções para 120 pessoas sobre um dos lagos, com acesso por uma pequena ponte de madeira em arco.

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ão foi nenhuma novidade quando ao entregar a direção do Hotel Himmelblau ao filho Rodolfo Francisco Neto, surgisse uma nova atividade. Foi assim que, de uma viagem a Nova Iorque, em setembro de 1991, surgiu a ideia de fabricar colchas e roupas de retalhos. Esta arte chama-se em inglês Patchwork. A composição de retalhos com arte é de uma cultura milenar de nossos antepassados, que teciam seus próprios tecidos, motivo pelo qual tinham zelo de aproveitar e valorizar retalhos. A compra do blazer todo feito com retalhos diversos numa composição perfeita, despertou em mim o senso de oportunidade. Admirei, apreciei a peça, ou seja, tive amor à primeira vista. Na viagem de retorno já vinha imaginando o que iria fazer dos retalhos, que provinham da nossa firma de camisas. Contratei o serviço de uma estilista, dona Eulália Bornhausen, para juntas compormos retalhos e inventar o que íamos vender no comércio. Inicialmente confeccionamos colchas de flanela, xadrezes e coloridas em quadrados de 12 x 12 e que eram geometricamente compostas, formando bonitos desenhos. Eram forradas com manta acrílica e tecido combinando sempre nas cores da composição. Não levou tempo as colchas começaram a ter boa aceitação e foram vendidas em Curitiba por minha cunhada Dalva Bento Gonçalves, que não tinha dificuldades em comercializá-las. Partindo daí, fomos fazendo novas composições e novos desenhos e, na medida do tempo, aprimorando cada vez mais o nosso trabalho e lançamentos. Produzimos a colcha Oriental, que é feita de tecidos de algodão com estampas combinadas e tecidos lisos em retalhos bem pequenos com belíssimos desenhos. A colcha jacquard é - 224 -


feita com tecidos jacquard mais grossos e com diversos acabamentos com fita, passamanaria ou outros detalhes. Também as colchas de veludo são colchas nobres, coloridas ou com composição em tons combinados. Compor as colchas, vendê-las, vê-las prontas quando voltam das colchoeiras é algo que me realiza. Estou confeccionando para o Hotel Himmelblau colchas patchwork bastante admiradas pelos hóspedes. Também para o nosso Hotel Fazenda Santo Antônio foram feitas todas as colchas tipo Oriental e todos os cobertores de flanela em patchwork. São colchas próprias, em estilo country, para um Hotel Fazenda. Além das colchas em patchwork, confeccionamos almofadas e roupas como blusas e camisas, vestidos e blazers, mas tudo em patchwork. Sinto-me realizada fazendo o que gosto e em ver que a minha ideia deu certo. Na segunda viagem a Nova Iorque, fiz um curso para me especializar nesta arte, tomando novos conhecimentos e visitando lojas especializadas em patchwork. Nossa filha Adelina Scheila é estilista e mora em Miami, de onde me manda periodicamente fotografias, catálogos, para estarmos sempre informados do que está em evidência. No princípio foi bastante difícil aprendermos, pois nós mesmos fizemos as experiências até dar certo. Hoje já temos várias colchoeiras e costureiras ensinadas por nós e que fazem a nossa produção. Até o mês de janeiro de 1992 fabricamos 325 colchas, das quais 60 foram presenteadas no Natal de 1992 para nossas noras, netas e pessoas diversas, e até novembro de 1996 ultrapassamos a produção de 1.900 colchas. Com a experiência adquirida, aprimoramos cada vez mais a nossa arte e é pelo que mais zelamos: Qualidade. - 225 -


assar o patrimônio e o nome de uma empresa de geração em geração é uma tradição das mais difíceis. Pais e filhos buscam continuidade dos negócios de família. Quando chega o momento da sucessão, porém, o que ocorre na maioria das vezes é um período de grandes dificuldades. Para os fundadores, renunciar à presidência da empresa é quase como renunciar à própria vida. O afastamento dos negócios e das atividades de toda uma vida e a mudança de hábitos é bastante dolorosa, mas é necessário e precisa ser feito, enquanto a empresa vai bem. Para os sucessores fica o peso de neutralizar as resistências e oposições e repetir as realizações dos fundadores. Por vezes torna-se difícil abdicar. Fica no ar a incerteza da continuidade da empresa e restam dúvidas quanto à competência dos membros da família com menos experiência nos negócios. Para mudar o comando da empresa, realmente, sempre ficam dúvidas e é difícil prever e confiar completamente. Mas é necessário vigiar, acompanhar o desempenho e cobrar resultados. Depois de 30 anos de intensa vida profissional, eu não podia parar, mas sentia que deveria abrir espaço para os filhos que se tornariam os novos donos. Aos poucos fui entregando a chefia, deixando como legado os ensinamentos, a garra, o esforço e o trabalho. A continuidade da empresa depende de uma sucessão bem conduzida. Sempre há diferenças e, às vezes, até profundas, entre os sócios ou herdeiros, que se não forem bem administradas, - 226 -


podem levar a indesejáveis rompimentos. Por isso não podemos vacilar com a sucessão e devemos ficar alerta, controlando o crescimento, a saúde e a lucratividade da empresa e abrir caminhos para o futuro. É preciso encontrar uma fórmula para atingir o equilíbrio entre os interesses da empresa e da família. A continuidade do patrimônio e o prestígio da família vão depender muito das decisões de seus fundadores, conselheiros e dos novos administradores. Já no início da década de 80, passamos o comando ao filho mais velho, Anselmo José, que foi nomeado Presidente, e Duda e eu nos recolhemos para o Conselho de Administração. Com isto passei a me dedicar integralmente à direção das 8 lojas que tínhamos à época e que eram administradas em conjunto com o filho Sérgio Fernando. Se compararmos o coração de uma grande empresa com o de um ser humano, veremos que ele não é diferente, pois quando as pessoas são felizes e a empresa vai bem, e gostamos do que fazemos, o trabalho é fonte de prazer e satisfação. Como preparamos os filhos, desde pequenos, não foi difícil entregar a direção da empresa a eles, em quem depositamos inteira confiança. Contudo, por precaução, e para evitar problemas de sucessão e frívolas disputas patrimoniais entre os filhos, criamos uma Empresa Holding – e transferimos praticamente a totalidade de nossos bens para a nova Empresa, cujo capital é dividido igualitariamente entre os dezesseis irmãos. Colocamos uma cláusula impedindo que seja alterada a proporcionalidade de cotas entre eles. Recebemos, mensalmente, um percentual sobre o faturamento da fábrica de camisas e, em todos os Natais, o Pai faz a entrega de um envelope com os dividendos aos filhos. É uma hora ansiosamente esperada.

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CapĂ­tulo IX


ificuldades todo mundo tem. Quem fica parado, esperando a crise passar, acaba invariavelmente sendo ultrapassado. Os exemplos mostram que bons empresários são aqueles que não se intimidam diante das adversidades. Acreditam nas suas ideias, tomam iniciativas, assumem riscos e passam por cima dos problemas. Quando eu tenho uma ideia, ou um sonho, persigoo até realizá-lo. Acho que fui longe e quero ir, infinitamente, mais longe ainda. Tudo o que possuímos nasceu a custa de muito trabalho, desenrolou-se em torno de ideias bem sucedidas, postas em prática com muita persistência e perseverança. Vou atrás das novidades, não desisto jamais. Nos negócios o meu comportamento segue o padrão de quem sabe o que quer, e o que não faço é fugir do problema: procuro resolvê-lo já. Dedico-me ao que mais me agrada, que é investir em qualidade, produtividade e inovação, o que não é fácil, como bem demonstra a introdução do patchwork no Brasil. É preciso mudar a mentalidade das pessoas a usar o que o mundo inteiro já adotou.

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Para conseguir atingir certos objetivos, é necessário muita paciência e perseverança, ir atrás dos fatos o tempo todo: não desistir nunca. Sinto-me altamente realizada quando as pessoas me prestigiam naquilo que faço ou executo. Continuo sempre cheia de sonhos, planos e expectativas. Sou uma empresária “workaholic”, capaz de enfrentar 24h do dia ininterruptamente, se necessário. Ser empresária no Brasil é um desafio permanente, tanto do ponto de vista econômico quanto social. Sinto-me feliz por ser dona do meu próprio nariz. A capacidade de trabalho da mulher é igual a dos homens. Afinal, são as mulheres que põem os homens no mundo. A mulher deve se conscientizar da sua capacidade de trabalho, superar o preconceito e pôr a mão na massa, sem se descurar da sua feminilidade. Minha aparência física, minha forma de vestir e a forma de me apresentar são os meus cartões de visita. Devemos ter uma postura franca e buscar êxito nos negócios, o que só se consegue com muito empenho, determinação e vontade de vencer. É claro, é preciso ter criatividade.

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uando Deus expulsou Adão e Eva do paraíso, disse a Adão: “Ganharás o pão com o suor do teu rosto”. Há quem entenda, até hoje, que o trabalho foi imposto ao homem como um castigo. Sabemos, porém, que tudo não passa de um equívoco, de uma interpretação errada. O trabalho é o meio de ganharmos o nosso sustento e mais do que isto, é a forma de bem aplicarmos o nosso tempo e a nossa energia. Quando tento me definir, chego à conclusão de que as minhas características mais marcantes são a energia e a vontade de trabalhar. O tempo nos ensina a amar o trabalho, a vida, e a não desistir da luta, evitando pensamentos negativos e acreditando nos valores do ser humano. A dedicação ao trabalho deve se impor inexoravelmente; o nosso maior sucesso vem do trabalho, nada acontece da noite para o dia. Sinto-me feliz e realizada em poder trabalhar. As 18 horas diárias de trabalho me permitem executar o que gosto, tendo disposição e o trabalho tornou-se um vício, pois não consigo parar. Sempre acumulei as funções de dona-de-casa, mãe, esposa e empresária. Quando na Constituinte de 1988 diminuíram a jornada de trabalho para 44 horas semanais, fiquei indignada. Isto só poderia acontecer no Brasil, onde deveríamos trabalhar mais para podermos competir lá fora. Devemos produzir mais e desenvolver novas tecnologias, para nos aproximarmos dos países desenvolvidos. De braços cruzados, ninguém cresce, nem como pessoa, nem como família e muito menos como país. Só depois de desenvolvidos é que poderemos reduzir a jornada de trabalho, colocar robôs e mandar os empregados para casa, com todos os direitos garantidos. - 231 -


O tempo nos ensina a amar o trabalho e a vida e a não desistirmos da luta. Sempre fui otimista em tudo o que realizei. Acredito numa força que liga a família humana numa corrente luminosa de fraternidade universal. Podendo e querendo trabalhar, separamos todos os erros e as angústias do presente. Confiando e acreditando, conseguimos operar milagres na ciência e no nosso potencial de trabalho. Sinto-me com competência para fazer, produzir e vencer e atingir meus objetivos, que nada mais são do que a realização dos meus sonhos. Ter uma bonita residência, tapetes, quadros, cristais, coleções de peças raras e um bonito jardim florido, me faz sentir realizada. Mas tudo isto foi fruto de muito trabalho. No entanto, minha maior realização é a família unida. Se há uma coisa para a qual não tenho tempo é depressão, pois o trabalho não me permite que eu fique me autoflagelando.

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or pouco que se ame a vida, não se deve esbanjar o tempo, porque ele é uma das mais importantes dádivas de que a vida é feita. Aproveitar bem o tempo é manifestação de sabedoria e se aplicado a objetivos claros e com persistência, é receita infalível do sucesso, ainda que para isso tenhamos que trabalhar muito. É claro que uma vez atingido o objetivo definido, novas metas devem ser traçadas, pois quem para, regride. A aplicação de muitas horas, ano após ano, ao estudo, pesquisa e execução do meu trabalho valeram as vitórias conquistadas. Segundo os gregos, somente as pessoas entusiasmadas eram capazes de vencer os desafios porque entusiasmo quer dizer “aquele que tem Deus dentro de si”. Uma pessoa entusiasmada é aquela que acredita na sua capacidade de transformar as coisas, e de fazer dar certo. O infinito existe como um ideal a ser atingido por aqueles que acreditam na viabilidade de seus sonhos. Não aceito parar, ou diminuir o ritmo do meu trabalho, nem me dou por satisfeita quando alcanço meus objetivos, pois sempre procuro fazer melhor. O trabalho é o auto-retrato da pessoa que o faz. A qualidade faz parte do trabalho. Muitas vezes, a diferença da falha, ou da falta de sucesso, é fazer alguma coisa quase certa, quando devemos fazê-la certa. É preciso assinar nosso trabalho com qualidade.

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xcelência é ir além da obrigação, fazer mais do que é esperado. É disto que a excelência trata e vem da luta em manter os mais altos padrões, observando os menores detalhes: é andar um quilômetro além. Excelência significa fazer o melhor de tudo e de todas as formas. As pessoas que adotam o sistema de excelência transmitem alegria e bem-estar a todos, não deixando transparecer as mágoas que eventualmente possam ter. Comprometimento é criar tempo, quando não existe nenhum. Passar horas após horas, anos após anos, ficando no mesmo, é estacionar e não procurar progredir para si e para os outros. Comprometimento é formado pelo caráter de cada um, é o poder de mudar a cara das coisas. É o triunfo diário da integridade, do interesse próprio e da empresa. O orgulho é um comprometimento pessoal. É uma atitude que separa a excelência do inferior. Ele nos inspira a entrar na frente dos outros, mas devemos é entrar na frente de nós mesmos.

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CapĂ­tulo X


m conceito! Um conceito que li e adotei anos atrás, quando morávamos ainda em Luís Alves, me alertou: “A pessoa que decide parar até que as coisas melhorem, verá que aquele que não parou e colaborou com o tempo estará tão longe que jamais será alcançado.” Foi o que fiz. Trabalhei, adquirindo e construindo. Em 1950 fechamos o açougue nos fundos da casa. Aproveitei a área e a transformei em uma lavanderia. Em seguida construí uma sala de jantar no espaço vazio entre a casa e a lavanderia com área de 180 m2, integrando a rouparia à nossa casa. Percebi que gostava de construir e não parei mais. Como tínhamos serraria, resolvi construir duas casas de madeira, próximas da nossa casa, destinadas às costureiras da fábrica. As casas rendem aluguel até hoje. Construí mais três casas em Luís Alves, hoje todas alugadas. Em 1964 construí uma casa de madeira em Balneário Camboriú, com 6 quartos, grande varanda, cozinha, copa e banheiros. Duda e as crianças só souberam da construção quando lhes fiz a surpresa no Natal daquele ano. Em 1980 construímos nova casa de veraneio para a família, já que a velha casa de madeira ficou pequena para a família que crescia. Foi um projeto arrojado para a época, mas com muita firmeza e determinação conseguimos permutar grande parte da obra por terrenos e camisas. Era um sonho acalentado por vários anos e que se transformou em realidade. A casa tem 760 m2 de - 236 -


área construída. Mais duas casas de madeira foram construídas em Balneário Camboriú, pré-fabricadas, adquiridas da firma Wilbene, de Luís Alves, e que me rendem aluguel. Também em Blumenau construímos uma casa de madeira na Rua Sebastião Rossi, no loteamento Hoeltgebaum, para locação. Em 1993 construímos mais três quartos e um banheiro na casa de Balneário Camboriú e compramos também a casa do lado resolvendo reformá-la. Quando ela não está ocupada pela família, nós a alugamos, principalmente nas temporadas de verão. Na reforma, cercamos a casa com o mesmo muro e grade de ferro da casa principal e ligamos as duas com portão nos fundos. Conseguimos, assim, acomodar e hospedar 45 pessoas. O ar-condicionado central deixou a casa ainda mais confortável. A família, porém, queria ficar na casa grande e todos juntos, motivo pelo qual aumentamos os três quartos. Nossa casa de veraneio tem o conforto de um hotel 5 estrelas. Em 1983, quando compramos o Hotel Himmelblau, eu me realizei, construindo e reformando o prédio. Ao administrá-lo, não parei de construir. Construí uma nova ala com 2 andares, piscina, sauna, vários salões para festas e convenções e garagem coberta. De três passou para 4 estrelas. Sinto-me satisfeita quando estou no Hotel vendo o que conseguimos realizar. Em março de 1993 comecei a construir o Hotel Fazenda Santo Antônio, aproveitando um espaço já começado e ampliando outro espaço. Consegui entregar até outubro de 1994, dezesseis apartamentos tipo suíte, prontos, mobiliados e com toda infraestrutura montada. Entre o mês de outubro de 1993 e março de 1994, construímos uma outra parte do hotel que deu espaço para mais 12 apartamentos e um quarto tipo suíte, com ótimos banheiros. No total somam 26 suítes. Isto concluído, construímos um amplo salão de convenções no meio de um dos lagos com acesso por pontes de madeira em arcos. Mais melhoramentos estão planejados que logo executaremos se Deus quiser. Provavelmente, será feita a ampliação do Hotel para 40 apartamentos.

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Construímos, também, no Hotel Fazenda, novas salas no lado oposto onde funciona uma loja de artigos de Patchwork, fabricados por minha equipe de costureiras, uma sala museu com várias antiguidades e uma capela, cujo padroeiro é Santo Antônio. Em 1994 voltei a Luís Alves e reformei totalmente duas casas de aluguel, com a construção de um muro de concreto com grade de ferro. Em 1995 consegui fazer calçada em frente a todos os nossos terrenos em Luís Alves. Os terrenos são da Indústria e Comércio Dudalina. Em agosto e setembro de 1995 construí um depósito grande atrás de uma casa de aluguel na Rua Osvald Berndt, 71, em Blumenau (para retalhos). Após a construção reformei a casa de aluguel que fica ao lado do depósito, que logo foi alugada. Em outubro a dezembro de 1995, fiz uma reforma geral em nossa residência em Blumenau. Toda a frente e fundos, principalmente, colunas, forros foram melhorados dando à casa um aspecto novo. Também no interior reformei paredes e teto com trabalhos de gesso. Em janeiro de 1996 começamos uma reforma no casarão da família em Luís Alves. Todo o teto, 550 m2, foi retirado, envenenado contra cupim e colocado novo forro de uma boa madeira. A reforma durou 120 dias com a nova pintura interior e exterior numa reforma total. O terreno foi todo cercado com aproximadamente 60 m de grades de ferro. Foram renovadas vidraças e portas de madeira desta casa. Os terrenos limites do pasto do rio foram cercados com 390 moirões de concreto e arame farpado novo. Estas cercas durarão pelo menos 50 anos e tiveram um custo alto. Isto tudo foi feito no decorrer da minha vida. Vejo ainda muito por realizar, pois continuo sonhando, pensando e empreendendo. Às vezes acho mesmo que devo ter sido arquiteta ou engenheira em outra encarnação, tal é a satisfação que sinto em construir.

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or trás das paredes de uma casa há sempre uma bela história. A nossa casa de Luís Alves guarda muitas lembranças de parte da vida da família, das horas, dias e anos que lá vivemos. O namoro, o noivado, o casamento, a lua-de-mel, nosso amor bem vivido, o nascimento dos filhos, os batizados, as primeiras-comunhões, os aniversários, as páscoas, os natais, o movimento das crianças em toda nossa lida. São recordações muito gratas e que jamais serão esquecidas. A casa foi construída em 1932 por meu pai Leopoldo Hess para moradia e comércio. Ao nos casarmos, Duda e eu compramos a casa e ali iniciamos nossa vida e nossas atividades. Ao longo dos anos, fomos ampliando e reformando. Em 1969 transferimo-nos para Blumenau e a velha casa ficou desocupada. Era utilizada para alguns finais de semana. Quando a indústria precisou, nela foi instalada uma unidade industrial. Com a construção da nova fábrica em Luís Alves, novamente ficou desocupada. Sempre tive uma afeição muito grande por aquela casa e, semanalmente, com uma ou duas auxiliares, mantinhamo-la limpa e conservada. Mas, à medida que o tempo passava, a velha construção apresentava os sinais de cansaço. Era necessário reformá-la. Fiz o projeto e entrei em ação. Quase todos os dias, lá estava eu acompanhando a recuperação e reforma da velha moradia. Emocionante! Esta é a melhor definição para a reforma. Em cada parede, em cada tábua, em cada viga, lá estava uma parte importante da minha vida, meus sonhos, minhas realizações.

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A reforma levou quatro meses e meio. Quando finalmente a casa estava pronta, convidei a família para a reinauguração e lá passamos uma noite relembrando o passado.

Casa de Luís Alves, remodelada, e Memorial do Tio Duda

Era no dia das mães, 12 de maio de 1996. Meus filhos me proporcionaram alegria, prestigiando-me com suas presenças. A casa ficou linda. Na reforma reservei uma varanda para instalar o “Memorial do Tio Duda”, pois nada mais justo do que expor todos os seus pertences e troféus lembrando sempre a sua vida e sua memória. Dois livros por ele editados fazem parte do memorial. Estes livros demonstram o grande caráter que possuía e seu grande amor pelos filhos e por mim. Hoje, a casa de Luís Alves faz parte da história da família. É um refúgio cercado de um lado por um jardim e aos fundos por um pomar de laranjas, do meu tempo de menina. Para provar que não há limites para o sonho, realizamos mais tarde, e continuaremos sonhando, sonhando sempre porque o sonho é o projeto de nossas realizações.

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ano de 1994 foi um bom ano para as empresas. Os resultados da Dudalina e do Hotel foram muito bons. Diria, até, que foi um ano abençoado. Sempre gostei de construir. Vivo reformando, ampliando e modificando nossas casas, os hotéis e nossos prédios. Em 1994 construí o Recanto do Tio Duda, cujos detalhes de construção estão em título específico, e realizei bons empreendimentos. Possuíamos um grande terreno, de frente para o mar na Avenida Atlântica em Balneário Camboriú. Era muito cobiçado pelos incorporadores, por ser um dos pontos disponíveis, o único com área de 3.600 metros quadrados. Sempre sonhei em fazer ali um edifício para os filhos, mas eles achavam que não deveríamos imobilizar recursos nesta época em imóveis para lazer. A ideia não me saía da cabeça. Sempre foi um sonho nosso, do Duda e meu, deixarmos para os filhos, além das empresas, um apartamento em Blumenau e outro em Camboriú. Eu tinha que encontrar um jeito de fazer o prédio, sem inversão de recursos da empresa. Discutimos em família e fui autorizada a procurar uma incorporadora idônea para fazer a construção por permuta de área construída. Selecionando as incorporadoras de Balneário Camboriú, fiz o primeiro contato com a mais sólida: a Incorporadora Cechinel. Marcamos uma reunião com o proprietário, Sr. Mussolini Cechinel, e seu filho Antônio Carlos, pessoas íntegras, e fechamos negócio. A notícia se espalhou e outras incorporadoras nos procuraram, oferecendo, inclusive, melhores vantagens. Mas, como fecháramos o negócio, mantivemos o acordo.

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O projeto previa a construção de três blocos, cada um com trinta e três andares e um pequeno centro comercial no primeiro e segundo pavimentos. Os prédios já estão no 13º pavimento e a conclusão da obra deverá acontecer no prazo previsto em 1998. O negócio com a Cechinel viabilizou este empreendimento: “O Centro Empresarial Dudalina”, em Blumenau. Com a incorporadora Cechinel, além de área construída em permuta com o terreno de Balneário Camboriú, recebemos uma parcela em dinheiro. Estou aplicando estes recursos na construção do edifício em Blumenau, cuja complementação financeira é oriunda de recursos próprios. Outra transação efetuamos com a Encol, empresa que há tempos tentava penetrar no mercado de Blumenau. Sabendo que éramos proprietários de um terreno privilegiado no bairro Ponta Aguda, propuseram-nos a incorporação do mesmo, com a construção de quatro prédios. A obra já está em andamento, após as negociações confirmadas. Nossa antiga casa de praia estava envelhecendo rapidamente. Sua manutenção era onerosa e dava-me bastante trabalho, pois, nas temporadas de praia, alugávamo-la para excursões de até 45 pessoas. Lembrei-me de oferecer o terreno para ser incorporado. Após muitos contatos, acertos e desacertos, a Construmar assumiu o projeto para construção de um prédio, com o nome “Residencial Tio Duda”, numa homenagem justa, ao homem que foi o baluarte da minha vida, o acalentador dos meus sonhos. Conseguimos reunir as famílias de nossos 16 filhos em um único prédio (feito, acredito que, inédito no mundo), doando-lhes um apartamento na Torre Atlântica em Balneário Camboriú, e concedendo-lhes imóveis e salas comerciais, que lhes renderão rendimentos futuros. E assim... realizados.

devagarinho,

nossos

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sonhos

vão

sendo


á anos sonhava em construir um prédio, mas parecia um sonho difícil de realizar. Porém, continuava sonhando. Possuía um terreno na Rua 15 de Novembro em Blumenau e o meu sonho era fazer o prédio ali. Mas só existia o terreno. E eu continuava sonhando. Num de repente não hesitei mais e acordei para a realidade. Um novo plano econômico e alguma reserva no banco me motivaram a iniciar a obra. Contratei o estaqueamento com a Bluville e paguei a parte do preço com a permuta de um imóvel. Em seguida contratamos a Construtora Micheluzzi toda a parte de alvenaria. Parte do dinheiro veio da venda de um terreno na Rua 7 de Setembro. Estabelecemos um cronograma flexível para ser executado de conformidade com as disponibilidades financeiras, advindas das negociações com a Incorporadora Cechinel. Dívidas para construir nem pensar. No primeiro mês fornecemos à construtora um caminhão de nossa propriedade com o qual fomos aliviando nossas despesas. O prédio tem 13 pavimentos, 3 de garagens, 3 de lojas e 7 de salas comerciais. Duas colunas e um grande arco formam a frente do prédio, tornando-o imponente. Outras negociações foram feitas: Temperados Catarinense, - 243 -


vidros; Companhia Hansen, tubos e conexões; Serralheria Oechsler, esquadrias; Frequência, serviços hidráulicos e elétricos. Estamos na fase final, com acabamentos nas paredes externas e rebocando as paredes internas. Sabemos que o mais difícil está por vir, como elevadores, granitos, etc. Não importa! Desafio a gente enfrenta e, com certeza, encontra a solução. Para finalizá-lo é necessária sua comercialização e, também, muita garra, persistência, que eu tenho de sobra. Afinal..., o futuro pertence àqueles que acreditam na beleza dos seus sonhos.

O Centro Empresarial Dudalina

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CapĂ­tulo XI


ssim como os meses, os anos passam depressa. Que idade tenho? Nem lembro mais! Minha vida foi como um lindo sonho. Recebi muito mais do que eu esperava. Assim, envelhecer não me perturba. Tudo o que eu quis conquistei. No entanto, Deus e eu sabemos quanto lutei e o que trabalhei para chegar aonde cheguei. Meu casamento, meus filhos, meu trabalho por vezes me fizeram sofrer. Nada foi fácil. A luta foi árdua mas a vitória foi alcançada: tenho uma família maravilhosa e não me falta nada. Não devemos encarar a idade como uma fatalidade e sim como um estado de espírito. Viver bem a velhice e com ânimo, vigor e otimismo é o que tenho em mente. Envelhecer significa para muitas pessoas o mesmo que ficar à mercê do passado, acreditando que o tempo de sentir emoções já se exauriu. Porém, para mim não é assim. Sinto-me feliz porque consegui livrar-me dos preconceitos e da inibição justamente no outono da minha vida. Acho que nós, da terceira idade, devemos ficar sempre próximos aos jovens e engajarmo-nos em alguma atividade. A cada tempo de nossa vida mudam os valores e, nesta fase, devemos lutar para conseguir aquilo de que gostamos, pois as emoções, sentimentos e os desejos são os mesmos da juventude e podem ser desfrutados mais intensamente em função da maior disponibilidade de tempo e da menor preocupação com a família. Acho importante que as pessoas invistam em si mesmas ao longo da vida para nunca se sentirem solitárias. A concepção da velhice deve ser modificada agora pelos idosos do amanhã.

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Muitas pessoas, quando passam para a terceira idade, com toda a experiência que trazem poderiam ser aproveitadas na comunidade, no campo social e educacional, nas indústrias, nos conselhos de administração e nos movimentos políticos. A prática, muitas vezes, supera a teoria. A lista de dificuldades que parece empanar a velhice é longa e qualquer problema torna-se motivo para desânimo. Para muitos a terceira idade é sinônimo de chatice e falta do que fazer, mas o contrário deve ser buscado, se as pessoas nesta idade assumirem novas atividades na vida. Esta fase da vida, às vezes, reserva privilégios aos indivíduos anteriormente empregados e que agora aposentados são livres para atuarem onde e como querem. Valor maior da sociedade é a pessoa ser útil a ela e aos outros. No nosso país, pela própria condição socioeconômica, inicia-se com a vida do aposentado a marginalização do velho, pois os benefícios de aposentadoria são muito inferiores aos salários recebidos na sua vida ativa. Desta forma, o idoso vive em constante preocupação até do que seja o seu amanhã. Por tudo que fez, o idoso tem que ter seus direitos assegurados e deixar de viver de caridade. Precisa ocupar seu espaço na sociedade, abandonando o confinamento que o coloca como peso morto. Além do mais, o idoso deve ter a garantia de recursos financeiros justos, e um atendimento médico-hospitalar decente. Interessante seria ainda se os jovens de hoje se conscientizassem de que muitos idosos possuem um grande potencial, pela sua experiência, para serem absorvidos no trabalho. O idoso no passado era considerado um sábio e era respeitado, mesmo porque os seus filhos continuavam seguindo seus passos, ou tendo a mesma profissão do pai. Hoje tudo mudou. A idade não nos protege contra o amor, mas o amor até certo ponto nos protege contra a velhice. Com a separação dos filhos que vão assumindo suas vidas, só ficam as lembranças, a solidão e muita saudade. - 247 -


Felizmente temos a presença constante dos filhos, na nossa casa, no trabalho, nas fazendas, na casa da praia e nas constantes festas da família. O telefone também não para: sempre um filho nos liga para saber como estamos e se falta alguma coisa. Estamos sós, mas não somos solitários. Quando Duda e mais raramente eu, temos algum problema de saúde, ou nos hospitalizamos, imediatamente os filhos largam de suas atividades e vêm nos dar toda assistência. Às vezes, tenho de organizar as visitas, estabelecendo horários, porque senão o paciente não tem como se recuperar. Quando doente, manhoso, Duda fica radiante de felicidade com a presença dos filhos e brinca com as enfermeiras e médicos contando as histórias e “causos” da família. O homem idoso, afastado do seu domínio, que é o trabalho e dos filhos que ele sustentou, de repente, leva um choque, pois nada mais acontece como ele pensava. O idoso nativo, fatalmente, começa a voltar-se para o passado e para dentro de si. Neste mergulho para trás acende mágoas e angústias que o levam ao desânimo e tristeza. Não devemos aceitar que nos chamem de velho, principalmente a mulher que é mais vaidosa e ela, ou ele, em qualquer idade devem ser mais amados. Se o casal se der bem, proporciona a si um sentimento de infinitude.

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aposentadoria pode ser um momento dramático para a grande maioria das pessoas, ou simplesmente o ponto de partida para uma nova carreira, repleta de possibilidades no trabalho. Uma aposentadoria melancólica tem sido destino certo dos aposentados, executivos ou operários qualificados, na faixa dos 60 anos. Nós profissionais não deveríamos parar. Mas sermos reintegrados para produzirmos no mercado de trabalho, mesmo havendo discriminação com os que tenham mais de 50 anos. Devemos reagir. Sou aposentada desde os 58 anos, mas continuo aplicando o meu potencial e talento na experiência e abertura de novos negócios. Espero concretizar meu novo projeto: “Patchwork” Arte e Confecção Ltda., que fabrica colchas e roupas a partir da composição de retalhos. Vou levá-lo adiante administrando-o bem e tenho certeza de que será um novo sucesso. Com isto, ao invés de me lamentar pela passagem dos anos, contribuo para a minha realização, com uma vida mais plena e criativa. O meu segredo: ter vontade firme, ação constante e uma fé viva, pois assim o impossível se torna possível. Isto nos proporciona felicidade e paz. Aposentada, continuo no trabalho, realizo-me e ainda consigo gerar empregos, criar riquezas e ter maior rendimento, assegurando-me o que a aposentadoria não consegue suprir para as minhas necessidades. Para nossa realização é importante fazer o que gostamos e de acordo com nossas aptidões, opiniões e conhecimentos. Se tenho um espírito empreendedor e energia ainda aos 70 anos, por que não aproveitar? Minhas 15 ou 18 hs de trabalho diário são exemplo disso. Dizem que o trabalho em exagero pode prejudicar pelo stress. Não é o meu caso, pois sei que o meu - 249 -


biorritmo é diferente, uma dádiva que Deus me concedeu. Gosto de me levantar cedo, às 6h30min e trabalho até às 23h, pois sempre encontro o que fazer.

Rotina, às 7:30 hs

No Brasil as pessoas aposentadas e trabalhadoras deveriam ser aproveitadas nas mais diversas áreas, avaliando-se o seu potencial. Sentindo-se úteis, podem rejuvenescer, pois sempre há tempo para recomeçar com garra e vontade.

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juventude não é um período de vida. Ela é um estado

de espírito, um efeito da vontade, uma qualidade da imaginação, uma intensidade emotiva, uma vitória da coragem sobre a timidez, da aventura sobre o apego ao conforto. Não é por termos vivido certo número de anos que envelhecemos. Envelhecemos porque abandonamos o nosso ideal. Os anos enrugam o rosto e renunciar ao ideal enruga a alma. As preocupações, as dúvidas, os temores e o desespero são os inimigos que lentamente nos jogam por terra e nos tornam pó antes da morte. Jovem é aquele que se admira, que se maravilha e que pergunta como a criança insaciável. E depois? Que desafia os acontecimentos e encontra a alegria no jogo da vida. És tão jovem quanto a tua fé. Tão velho quanto a tua descrença. Tão jovem quanto a tua confiança em ti e a tua esperança. Tão velho quanto o teu desânimo. Serás jovem enquanto te conservares receptivo ao que é belo, bom e grande, receptivo às mensagens da natureza do homem, do infinito. E se um dia teu coração for atacado pelo pessimismo e corroído pelo cinismo, que Deus então se compadeça de tua alma.” Essa mensagem contém, em sua essência, uma verdade maravilhosa. Transcrevi-a no meu livro, para ela ficar registrada para as gerações futuras, como um grande ensinamento.

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uitos me perguntam: Como é ser avó? Como avó eu respondo que o contato com os netos é bem mais fácil e até mais gostoso do que foi com os nossos filhos, para os quais dávamos até menos atenção. Ser avó é estar completamente realizada. Não existe mais a tão desastrosa concepção de que a avó deve se vestir com roupas sérias. Ela hoje deixa de ser antiquada e pode usar bermudas, saias, roupas de cores fortes sem ser criticada. A avó de hoje passa até a ser confidente dos netos. Dentro da família, as avós mais do que nunca, têm o privilégio de manter vivos os valores que são transmitidos tão somente pela vivência. A mulher, quando mais madura, sabe que nem sempre é fácil influenciar e conduzir as pessoas. Quando jovens, nossa concepção era diferente e achávamos que as pessoas deveriam fazer as coisas do modo que nós queríamos. A maturidade nos ensina a sermos menos convictas e aceitar a opinião dos outros e aprender a fazer concessões e responder de modo inteligente às complexidades da vida. O bom foi ter feito tudo correto no que a vida me reservou. Sinto um grande orgulho pelo quanto fui capaz de realizar, criando os 16 filhos. Sinto que fui competente e sou empolgada comigo mesma por tudo o que consegui. Sou feliz com o meu marido, admitindo que seu bem-estar é tão importante quanto o meu. Hoje sou capaz de refletir profundamente e noto que amadureci: já sou avó. Lembro ainda que, quando criança, achava que minha mãe era a pessoa mais sábia e amável do mundo. E era! Como será que meus netos me veem? - 252 -


Alguns chegam efusivos, abraçam-me calorosamente e aninham-se em meu colo. Outros cumprimentam-me rapidamente e buscam algo com o que se ocupar. São tantos! Desde que comecei a escrever este livro, o número cresceu rapidamente e quase duplicou. Cada nascimento é acompanhado de expectativa e de felicidade. Cada um tem personalidade própria e, às vezes, vejo nos seus rostos a imagem de meus filhos, seus pais, quando eram crianças. Atualmente, são 44 netos e 13 bisnetos, que convivem em perfeita harmonia e formam grupos afins, pela idade, promovendo encontros e festejando-os sempre que estão juntos, como na temporada de veraneio. Agora percebo que já passei pelo estágio de mãe e hoje vivo intensamente o papel de avó. Percebo que ser avó é ser feliz!

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CapĂ­tulo XII


sociedade que estamos construindo tem estruturas que geram todo o tipo de desigualdades, como a fome, e estimula a fuga dos mais desprotegidos. Eliminar a causa desta fome, dessas fugas e criar ambientes que favoreçam o amor fraterno, eis o compromisso daqueles que ainda acreditam em Cristo. Evitar a fome fisiológica, conseguindo alimentos, empregos e proteção aos mais necessitados, é nossa missão. Evitar a injustiça para não frustrar e não ver ninguém frustrado, neste país onde a justiça, por vezes, é falha. Influenciar o amor, cultivar o amor, viver o amor, pois a ausência do amor gera os monstros da violência, do racismo, da intolerância, do desprezo pela vida. O amor tem o poder de pacificar nossa convivência social, produzir novo amor de modo que todos os que o vivem e se sintam amados aprendam cada vez mais a amar a si mesmos e ao próximo. Tenho muita fé e a certeza de que Deus age em nossa vida. A fé é força capaz de arrancar as árvores da injustiça e remover as montanhas da desigualdade e para isto é hora da união, da luta por uma consciência cristã mais abrangente, para que todos possamos, juntos, garantir o futuro dos que nos sucedem, numa nação onde a Igreja e o governo sejam democráticos e prósperos. Se realmente todos tivermos esta consciência, com certeza estaremos caminhando para um mundo mais fraterno e mais justo.

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urante o curso da minha vida, tive o privilégio de acompanhar a evolução tecnológica, o avanço da medicina, as conquistas dos direitos sociais e da mulher, e as transformações dos costumes. Nasci antes da televisão, antes da penicilina, da vacina Sabin, antes da comida congelada, da fralda descartável, do xerox, do plástico, das lentes de contato, da pílula anticoncepcional e do computador. Nasci antes do radar, dos cartões de crédito, do raio laser, das canetas esferográficas, das máquinas de lavar roupas, máquinas de secar roupas e máquinas de lavar louças, antes dos condicionadores de ar, dos cobertores de acrílico, do microondas, do telefone celular, antes do homem andar na lua e do marca-passo. Nasci antes dos direitos dos gays, da mulher trabalhando fora de casa, dos berçários, das creches, da terapia em grupo, dos SPAS e dos Flats. Nunca tínhamos ouvido falar em fita ou videocassete, em máquinas de escrever elétricas, videogames, e rapazes de brinco. Casávamos primeiro e só depois vivíamos e morávamos juntos. Nós nos contentávamos com o que tínhamos. Fomos a última geração a saber dos bebês de proveta. Não é de se espantar que estejamos confusos e haja tamanha loucura entre as gerações. Mas nós vivíamos!

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vida e o amor são preciosos, merecem ser cuidados e mais do que isto, precisam ser cultivados a todo momento. A vida e o amor não nos são dados prontos; como as plantas precisam ser regados, senão secam e desaparecem. Viver por viver não é importante. O que importa é saber viver, fazer de uma pequena planta uma árvore frondosa, mas ela só chegará a árvore se nós a tratarmos sempre. Assim é o amor. Não se pode estabelecer regras certas. Afinal não existem duas pessoas iguais; o que é válido para uma pode ser diferente ou até desastroso para outra. Nosso egoísmo nos prejudica, se não soubermos nos relacionar bem com o outro. Este é um ponto crucial em nossa vida, pois só o amor e a amizade são os caminhos que nos levam à verdadeira felicidade. Existe o ponto-chave em todo o casamento, que é a humildade. Se não a tivermos e não soubermos reconhecer, por vezes, nossas próprias fraquezas e só atribuirmos a culpa ao nosso companheiro, estamos condenados ao fracasso. Devemos reconhecer no casamento, as qualidades do nosso cônjuge, pois as agressões jamais construíram um relacionamento saudável e duradouro. Se nos depararmos com dificuldades e insucessos, é sempre recomendável dar a volta por cima, enquanto for possível. Devemos dar o bom exemplo, principalmente para os nossos filhos. Ser útil no lar, no trabalho, na comunidade, foi sempre uma qualidade que cultivamos, juntamente com o amor na família. O amor duradouro estabelece um pacto que mesmo o tempo não destrói. O que nos mantém unidos não é apenas a aparência, mas a essência. - 257 -


Nada melhor do que ser amada e nada mais romântico do que após 48 anos de casamento receber um telefonema do bemamado, dizendo que está sentindo saudades e que está com vontade de chegar em casa, quando ainda está na fazenda. Às vezes, cansados, estressados devemos tomar uma medida e optar por uma viagem por uns dias de retiro e de descanso. Fazer a vida fluir em conjunto para aproveitá-la ao máximo e trazer daí as melhores lembranças. É o que periodicamente Duda e eu fazemos. Temos viajado bastante. Isto nos tem sido muito gratificante. Um livro de memórias é de certo modo um complemento da vida, é um balanço das nossas ações e realizações, dos nossos erros e acertos. De certa forma, é o refazimento da estrada que já andamos. Este livro tem uma explicação: tirei-o do meu mundo de lembranças, animada pelo propósito de que ele possa constituir uma lição de esperança para os nossos filhos, netos e bisnetos. Esta história é a crônica da minha vida, o relato da vida de uma mulher e a transparente trajetória de experiências que viveu intrépida e ardorosa, profundamente consciente do seu dever. Esta trajetória foi marcada pela coragem, persistência e otimismo. Uma existência, mesmo feliz, por melhor que seja não deixa de ter seus sofrimentos e lutas. Otimista, procuro apagar os momentos difíceis e esquecê-los, contando apenas com os acertos e com tudo que consegui construir. A caminhada destes anos me colocou mais perto das pessoas, fez-me respeitá-las e compreendê-las do jeito que são, deixando-as desta forma, também, mais felizes.

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uando alguém nos faz um mal, ou nos causa sofrimento, a reação na grande maioria das pessoas, é de odiar o responsável pelo agravo. O ódio, ou sentimento de vingança, além de contrariar os ensinamentos cristãos também não é recomendável, porque o ódio nutrido invariavelmente se volta contra quem o sente. Neste processo as coisas acontecem como uma bola numa parede que volta exatamente para a origem. E o que é mais grave: o nosso ódio realimenta o processo de inimizade que se iniciou, fazendo com que a outra pessoa nos dê também o desprezo e seus sentimentos negativos alimentados pela nossa atitude. Se alguém faz algo de ruim contra nós, é problema dele. Se nós nutrirmos um pensamento de vingança e negativo contra ela é problema nosso. Saber perdoar faz bem até para nossa beleza física. As pessoas que perdoam, as pessoas que sabem ter humildade, as pessoas bondosas de coração e de alma limpa, têm o semblante plácido, alegre e feliz, transmitindo paz às pessoas à sua volta. O que quer que nos aconteça, não devemos responsabilizar, nem recriminar os outros. Cada um é responsável pela própria vida e mais ninguém. Perdoando à pessoa que falhou, elevamonos espiritualmente.

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xiste um trecho da Bíblia que diz: “Se a árvore for boa, ela produzirá bons frutos”. Se o nosso interior for bom, se gestos, palavras e ações forem praticados com espiritualidade cristã; se manifestarmos compreensão, paciência e mansidão, estaremos aptos a ser luzes no mundo. Deixar que a alegria, bondade e amor inundem o nosso lar, produzindo bons frutos, é a experiência mais rica que o ser humano pode experimentar. Procuramos ser a árvore boa “para produzir bons frutos” e acho que conseguimos, pois os frutos do nosso casamento são ótimos filhos. Sou suspeita para falar sobre eles, pois são nossos e como tal os amamos e defendemos, mas a sociedade, a comunidade que os julgue. Somos felizes pelo que conquistamos. Lemos algo sobre horóscopo das árvores e até achamos interessante transcrevê-lo. Os druidas identificaram 21 árvores que reuniram características passíveis de comparação com as diferentes personalidades das pessoas. Quatro delas são tão especiais que se referem exclusivamente a quem nasceu em determinados dias do ano. Árvore carvalho – nascidos no dia do equinócio de outono 20 ou 21 de março. As personalidades deste tipo de carvalho são belas e fortes. “Quebro mas não envergo” é uma frase típica destas pessoas. No amor as pessoas do tipo carvalho são calmas, embora tenham alguns problemas por causa do temperamento. De inteligência clara e precisa, os carvalhos sabem onde pisam e dificilmente se enganam. Em geral pertencem a categoria dos observadores e realistas.

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ou do tipo de pessoa que gosta de fazer as coisas sem demora e exigir o mesmo dos outros. Tudo em dia: a correspondência, os papéis, as contas, minhas anotações, tudo em seu lugar e funcionando. Movimento-me com uma pressa que, às vezes, surpreende até a mim mesma. Vivemos uma época que cultiva e valoriza o excesso de atividades. Nosso objetivo parece e deve ser: fazer e fazer agora. Durante anos tive pressa para que minha vida começasse. Acreditava que um dia viria o sucesso, pois para isto lutara tanto. Na verdade fiquei surpresa ao descobrir que minha vida já havia começado. O trabalho incansável e a luta foram parte de um processo de crescimento no qual eu havia embarcado. Como a vida é um processo e não uma labareda, temos que ter paciência e desenvolvê-la. Perguntei-me um dia: Como conseguir chegar ao sucesso? Aos 32 anos de idade fundei uma pequena indústria numa cidade do interior, Luís Alves, sem energia elétrica, comunicação precária, mão-de-obra despreparada, hospedagem difícil. Foi um arrojo, ou melhor, uma grande ousadia. Havia muitos preconceitos que hoje já foram superados, porque a visão empresarial da competência feminina já começava a mudar. Hoje a mulher é considerada tão competente quanto o homem. Às vezes, há o desgaste físico natural, provocado pelo acúmulo de responsabilidades, mas a mulher dificilmente se entrega ou fracassa. As mulheres que hoje integram o trabalho sabem quanto é difícil administrar e segurar pesadas barras e sabem também que o preço a pagar por estarem em cena é muito alto. Vencer as resistências e manter-se no topo são objetivos que exigem o desempenho de uma super mulher.

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Eu mesma sinto-me feliz quando vejo e constato a minha competência como administradora e minha habilidade em lidar com os aspectos financeiros da minha empresa. A gente é dona tanto do nosso fracasso, como do nosso sucesso. A conquista do espaço profissional, em geral, começa dentro de casa, e pela necessidade. O êxito se consegue pela força de vontade, determinação, trabalho abnegado e pela compreensão das pessoas que nos cercam e nos dão apoio. No meu caso, o trabalho é um dos assuntos mais importantes da minha vida. Eu nunca consegui ficar ausente ao trabalho mesmo com licença maternidade, ou com o cuidado aos filhos. A vontade de trabalhar e o entusiasmo para progredir sempre me foram peculiares. Sou uma mulher “workaholic”, viciada no trabalho, pois minha vida está demais voltada a ele. Sinto-me realizada pela disposição, pela saúde e por ser útil, fazendo aquilo que gosto. Sonhar com o sucesso e vê-lo realizando-se aos poucos é muito gratificante. Quem quiser atingi-lo precisa ter carisma e luz própria. Não existe fórmula para o sucesso: existe sim trabalho incessante, otimismo e confiança em si mesma. Ele não vem por acaso mas é conquistado. O tempo voa, enquanto construímos algo em que acreditamos. Uma ideia, uma imagem, um projeto. Com o passar do tempo, vamos conquistando experiência, para fazermos sempre melhor. Deus sempre esteve presente na minha realização profissional. Sei que não vou chegar à lista dos “best sellers” contando a minha história, mas julgo a minha ascensão na vida um somatório de tudo o que realizei no passado. O reconhecimento do meu trabalho já é o prêmio merecido. Considero-me uma mulher vitoriosa, mas quero dividi-lo com aqueles que sempre me estimularam e são a razão da minha vida. Meu marido, o companheiro forte de todas as horas, que sempre me estimulou e auxiliou, nossos filhos que tão bem souberam seguir os nossos passos. Os objetivos e metas que nos propusemos foram alcançados. Realizamos nosso trabalho, geramos muitos filhos, vivemos o amor e sonhamos com o sucesso que conquistamos.

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Comportamento social ligado ao sucesso No complexo mundo dos negócios, as regras, as aparências, os rituais de boas maneiras, e o comportamento social têm uma importância extraordinária. Em muitas ocasiões determinam o fechamento, ou não, de um grande negócio. Desde o nó da gravata até como se comportar em reuniões de negócios, a maneira de se vestir e a boa aparência têm uma importância extraordinária na vida social. Como exemplo de competição, no mercado de trabalho, entre dois candidatos com igual capacitação técnica, tem maiores chances aquele com melhor apresentação e trato agradável. A prática das boas maneiras, tanto na vida pessoal, como profissional, representa uma vantagem para o sucesso, pois ele não está somente ligado à competência, mas também ao convívio social e aos ritos que as situações exigem.

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inha vida sempre foi muito agitada e os afazeres foram tantos que sem uma organização seria impossível realizá-los. As quinze ou até dezoito horas diárias eram insuficientes para os afazeres. Preocupada com os filhos, quando ainda eram pequenos, sonhei certo dia que estava atendendo a um filho num acidente (um coice de cavalo na boca de um dos gêmeos de apenas dois anos), acidente do qual eu não era a culpada. A criança gritava ensanguentada, dentes quebrados, o marido gritava nervoso com sua pressão muito alta; eu sentia-me a vítima e tinha que ficar serena e acalmar a todos. Infelizmente, não era sonho e sim realidade. É a mulher que se preocupa com tudo e com todos e é ela quase sempre a responsável que deve se sentir bem (mas às vezes não se sente). Ela serve sua família, está sempre à disposição para a manutenção da casa, da alimentação, saúde e bem-estar de todos. Esforça-se para realizar o melhor possível, o seu trabalho. Tenta demais para acertar sempre. O que ela não percebe é que com isto acaba se esquecendo de ser boazinha consigo mesma. Estou sempre em pânico, achando que não faço o suficiente. Confesso! Sinto que tenho a obrigação moral de cuidar mais e mais. Parece que quanto mais a mulher tenta ser competente emocionalmente, responsável, trabalhadora, e bem sucedida, mais ela sofre com as incertezas sobre si mesma, da culpa e dos conflitos em suas realizações.

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Com a empresa em minhas mãos, estive sempre perto, ou presente nos negócios e isto ajudou muito, pois desta maneira foi possível conciliar o lar e a indústria. O trabalho transforma-se numa situação em que é preciso corresponder a todas as expectativas. Às vezes, esquecemo-nos de ser o sujeito principal na história de nossas vidas. Fazemos coisas que vão contra nossos próprios interesses e cultivamos ideias falsas sobre aquilo que faz com que nos sintamos bem. A verdade é que ser boazinha, raramente, leva alguém a se sentir bem. O código da bondade que as mulheres seguem são as regras simples: ser atraente: parecer bonita pode realmente indicar que uma mulher se sinta bem consigo mesma. Acho que a mulher impressiona melhor quando sabe vestir-se bem e apresenta-se fisicamente bem. Tudo à sua volta deve ser atraente, seu marido sempre bem pronto, seus filhos, sua casa. Neste aspecto considero-me dentro do padrão, como também na limpeza e no aspecto visual. Fui sempre muito exigente para que a minha casa não fosse flagrada em desordem, ou banheiro sujo, ou bagunça das crianças. Minhas empregadas, em geral, eram bem treinadas e aprendiam logo o meu jeito de ser. Sempre tive babás que cuidavam dos filhos menores, eu depositava confiança nelas. Outra característica que aprecio na mulher é ser uma dama, sentir-se sempre elegante, sentar-se com elegância, não exibir-se em público. Ser dama é ser educada, saber manter uma conversação e apresentar aos outros uma imagem bem organizada de si mesma. Para seguir todas estas regras não é algo fácil. Às vezes, por exemplo, precisa-se correr de um lado para outro e driblar os mais variados tipos de problemas. Atendendo a tudo e a todos em certos momentos perde-se o controle. Melhor é seguir nossos instintos do que seguir um conjunto de regras. Não sei se posso aplicar a palavra altruísta em definir a mulher boazinha. Se reclamo, sou acusada pelos próprios filhos e pelo marido, mesmo assim sou criticada de vez em quando. Deixo-me

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explorar por eles. A maior parte do nosso tempo é devotado aos outros e nunca se pode pensar em si mesma. Por exemplo, eu não consigo aplicar dinheiro a não ser para reforma das casas, conservação do patrimônio e tudo o que se relaciona com saúde e bem-estar da família. Por outro lado, estou satisfeita em poder fazer sempre alguma coisa por eles e para isto procuro ser generosa, útil, carinhosa e boazinha. O amor verdadeiro é um amor sacrificado, daí o grande sacrifício da mulher. Muito cedo, quando jovem, coube-me a incumbência de assumir responsabilidades financeiras na loja de meus pais, tarefa esta que já pesava cedo nas minhas costas. Quando se acumulam as tarefas e os afazeres, o stress aparece mas a gente precisa procurar dar a volta por cima. Contudo, a satisfação pessoal de poder servir, o apoio do marido e dos filhos, fazem ser possível ser boazinha, também, consigo mesma.

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ua mãe conservava tudo isso em seu coração”. Lucas, 51. Realmente, a mãe em toda sua plenitude conserva em seu coração o amor, o desvelo e o carinho ao seu filho. É com tudo isso e grande fé em Deus que ela consegue transmitir, na sua vida e da sua família, a paz, a tranquilidade de gerar somente o amor, rezando e levando preces aos que necessitam. Para ser uma verdadeira mãe é preciso ter capacidade de viver mais para os outros do que para si, é ter sempre um gesto simples de bondade e de carinho, é saber compreender sempre e ter dentro de si muita paciência e amor. Ser mãe é encontrar sempre um jeito simples de conciliar desavenças e todas as coisas: é ter coragem de enfrentar os revezes acreditando sempre no melhor. Ser mãe é ter também uma lição de amor a ensinar. Ser mãe ainda é dar o bom exemplo aos filhos e acreditar num futuro brilhante que lhes desejamos, dar a mão quando estiverem em necessidade. E a resposta virá quando o filho diz: “Mãe, amo a vida, porque tenho você. Tendo Você minha mãe, no seu isolamento tem um pouco de Deus, você é o nosso céu na terra”. Que bom é receber mensagens assim tão bonitas em cartões, cartas, por telefone, pessoalmente e em ocasiões especiais. O valor da mãe é servir e ajudar seus filhos em todas as ocasiões, quando dela precisarem.

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“Mãe Hoje 20 de março de 1977, domingo. Não fosse pelo domingo seria um dia normal. Normal para a maioria das pessoas. Para uma pequena minoria, para nós que somos tão caros a ti, que vivemos no aconchego da família nos tornamos uma grande maioria. Sim, para o mundo que te cerca, a razão da tua vida sempre foi o bem-estar e a felicidade da tua família. Estamos em festa, não pelo domingo, mas pelo que esta data representa. Tempos atrás, neste dia nascia um ser humano, normal como a tantos outros. O tempo passou. Milagres não aconteceram; fatos se sucederam. E de repente, rompendo o tempo, atravessando a vida, nos deparamos contigo, hoje nos teus 51 anos de vida. Nestes 51 anos passados, cumpriste a mais divina das missões. Sem a interveniência de nem um ser celestial, puseste, com o beneplácito do Criador, 16 criaturas nascidas do teu ventre, em contato com o mundo. Somente isto justificaria uma existência. E o que fizeste? Paraste aí? Não, numa demonstração extraordinária de grandeza, de amor e de esperança te puseste incansavelmente, como um pastor que ama seu rebanho, a educar, proteger, amar os teus filhos. E hoje se te colocares do alto e observares o fruto da tua criação e do teu amor, verás que a missão que te propuseste está coroada de êxito. Se algo há que se fazer tu farás sem pestanejar, sem fraquejar, transbordando de amor, de vontade de doar-te aos teus. Por isto, neste dia, no calor da tua presença, e no silêncio da nossa consciência, reverenciamos ao Criador pelo favor de nos fazer nascer de ti.

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Mãe, a vida é uma sequência de fatos, muitos dos quais colaboramos para que te fizessem, em alguns momentos, infeliz. Desculpe-nos pois o fizemos inconscientemente, como fruto de nossa condição humana. Conscientemente sempre procuramos, quando podemos nos aperceber, de fazer o possível para tornar a tua vida mais alegre, mais cheia de emoções. E quantas emoções te proporcionamos? Boas ou ruins? As boas devem ter sido muito poucas. Emoções tristes, devemos ter proporcionado em maior número. Uma doença, um susto, um fracasso nas aulas, algumas palavras mais ríspidas, algum ato que te desagradasse. E a tua reação? Sempre a mesma, forte, incansável, com um conselho (às vezes com uso da vara), nos mostrando o caminho certo a seguir. Bem! Muitas coisas há e houveram que se poderia relembrar. O importante é que lembremos todos que te amamos muito e que tudo que somos devemos em boa parte a ti*. Obs.: (*) A parte faltante é crédito da tua cara-metade.” Carta do filho Vilson, então com 26 anos, no aniversário de 1977.

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abe a mulher a mais bela, a mais sublime, mas ao mesmo tempo a mais devastadora função do corpo humano: a perpetuação da espécie. Pesado tributo a mulher paga à natureza durante os longos nove meses de gestação. Ela assiste à deformação das suas linhas, os traços do seu rosto, as pernas inchadas, varizes. O corpo fica estranho e avoluma-se, seus passos mudam, seu sono desequilibra-se e seus pensamentos voltam-se, às vezes, ao medo e transportamse para um novo palco, pois muda-se totalmente a sua estrutura, sua conduta. Mas o prêmio conseguido após o nascimento do filho é a coisa mais bela que a mulher sente durante a sua vida. Aquele novo ser nascido do amor compensa de longe, com alegria, felicidade e sentimento de autorrealização. Sem sacrifício não há realização. Restaurar após anos o físico da mulher nos dias de hoje já se torna mais fácil, ainda mais quando aqueles que a cercam se interessam para lhe devolverem a graça e o equilíbrio do qual eles mesmos se beneficiam e que dela dependem.

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omo esposa, a mulher sente no casamento a sua realização. Ser amada e sentir a felicidade em se unir ao homem que ama, é um sonho realizado. O casamento de hoje é diferente do de outros tempos, pois as pessoas o encaram como antiquado, ou até mesmo desnecessário. Para mim o casamento foi a maior realização de minha vida. O casamento é um grande passo que damos e tem, como tudo na vida, seus problemas. Viver a dois, não é logo tão fácil assim, porém, depois de uns tempos a gente pesa na balança e vê que valeu a pena por tudo que foi construído e conquistado. Não é fácil, às vezes, mas a coisas fáceis nunca se dá valor. Convenhamos, também, não é tão difícil assim. Uma boa esposa tudo deve fazer para uma boa convivência e para evitar uma separação. Acredito ser muito penosa a separação, porque quanto tempo mais vivermos juntos mais nos apegamos um ao outro e mais temos necessidade um do outro. A esposa dedicada se esforça por um exercício de vida: de começar juntos, de ter filhos juntos, de fazer tantas coisas juntos, boas, engraçadas e também ruins, às vezes tristes, mas, sempre juntos. É o companheirismo. É saber que existimos também na outra pessoa, que é o nosso marido, porque ele passa a ser o reflexo de nós mesmos, o espelho onde enxergamos o amor que sentimos, o prazer que desfrutamos, a vontade de viver e batalhar pela vida que possuímos. Isso tudo deve constituir o casamento que, atualmente, anda com a cotação tão baixa que se fosse a leilão não emplacaria nenhum lucro. Conservar o casamento, lutar pelo crescimento a dois, poder enxergar as mesmas rugas no esposo, senti-lo como amigo do peito, ser dois em um, sem perder a individualidade. Eis a essência de um perfeito casamento! Eis o papel de uma perfeita esposa. - 272 -


Capítulo XIII


á quase dois milênios nascia, no Oriente, o Redentor. Naquele instante fulgurou, no firmamento, uma estrela. Era o prenúncio de uma nova era para a humanidade. Nascia o Salvador do mundo que veio trazer a felicidade, o amor, a compreensão e a alegria para todos. Não pode haver data mais importante para os cristãos que o dia 25 de dezembro, o dia do Natal. Para a nossa família Natal é a data máxima do ano. Neste dia nossos lares estão em festa, festa no sentido familiar. É o espírito de Natal que sentimos. Comemorar o nascimento de Jesus Cristo é tradição que reúne a família todos os anos. A preparação do Natal traz um clima de alegria e organizar a lista de presentes é um prazer que trago desde o começo do casamento. Sempre é bom lembrar que existem pessoas em nossas vidas que merecem muito de nós. O Natal é a época em que laços que nos unem uns aos outros são mais fortalecidos. O amor e carinho, tecidos no seio da família, aumentam no Natal. Preparação da ceia

Nossa família se reúne com o verdadeiro espírito de Natal. Parece que nesta época, apesar das dificuldades de todos, tornamo-nos melhores, entendemo-nos melhor e o ambiente fica alegre, amistoso e fraterno. O Natal para nós é algo notável e muito especial.

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Família reunida no Natal

Com o Natal é festa máxima da família, todos os filhos passam-no conosco e ajustam com suas esposas e maridos um jeito de comemorar na casa dos sogros, mais cedo, ou no dia seguinte. Às dez horas da noite, todos devem estar na nossa casa e por volta das 10h30min é servido o jantar na ampla sala com duas mesas e 48 cadeiras, que já são pequenas para o tamanho da família. Os filhos, noras e genros se sentam a uma mesa, os netos a outra. Os menores são servidos numa sala anexa. O jantar é aberto com uma oração feita pelo Duda e por mim, com a participação de todos. Após o jantar, inicia-se o amigo invisível, sendo este um dos momentos mais alegres, pois o presenteado é identificado pelos seus aspectos mais cômicos. À medida que vão sendo faladas as “características” do escolhido, vai-se formando um coro de aprovação, ou reprovação. A brincadeira sempre começa pelo Pai.

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Árvore de Natal com 5,5 m de altura

Em seguida descemos até a árvore toda decorada com enfeites e luzes e fazemos nossas orações de agradecimentos, seguidas do “Noite Feliz”. Na continuidade, chamo o Papai Noel e faço a entrega dos presentes para cada um, sempre analisando, junto com o bom velhinho, o comportamento e a conduta de todos ao longo do ano. Se teve uma conduta sujeita a reparos, Papai Noel aplica alguns castigos. Em meio a muitos risos, brincadeiras e barulho, a felicidade brota do rosto de cada um. Como a festa é realmente muito bonita e alegre, por volta das 11 horas começam a chegar tios e amigos que se confraternizam até a madrugada. Nestas horas Duda e eu agradecemos profundamente a Deus a felicidade que nos concedeu. Não foi fácil criar os filhos, mas agora vê-los reunidos - 276 -


com as esposas, maridos, netos e bisnetos, em perfeita harmonia e união, é uma dádiva, e todo o sacrifício vale frente ao prazer que sentimos. Todos recebem presentes: filhos, noras, genros, netos e bisnetos. Não é uma tarefa fácil comprar presentes para um número tão grande de pessoas. Quando eram pequenos sabia de cor o número da roupa e do sapato de cada um e não me enganava. Hoje não lembro mais. Adriana, a filha mais nova, encarrega-se dos presentes para os netos e bisnetos.

Entrega dos presentes

Em 1996, os 16 filhos ganharam um jogo de jantar de porcelana com friso de prata e a estampa do monograma do casal com 60 peças. Em 1992 foi um faqueiro de prata Fracalanza com 130 peças, e em 1993 conseguimos 16 jogos de cristal com 144 peças. No Natal de 1994 trouxe de minha viagem a Nova Iorque uma toalha de banquete bordada em “Richellieu” para cada nora e filha, e para os filhos e genros 1 quadro “óleo sobre tela”. Para os netos e bisnetos brinquedos e roupas, e muitas vezes caderneta de poupança. Em 1995 eu trouxe de Miami uma - 277 -


mesinha com o jogo de xadrez em estilo inglĂŞs para os filhos casados, as filhas ganharam tapetes persas em valores equivalentes. No Natal de 1994 fomos escolhidos pela revista “Carasâ€? como o casal representante de Santa Catarina.

Revista Caras, Dezembro de 1994

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m seguida ao Natal, praticamente toda a família se muda para nossa casa de praia em Camboriú. Pais, filhos, filhas, noras, genros, netos e agora bisnetos. Em média somos umas 50 pessoas a morar na casa. No dia vinte e seis de dezembro estamos instalados. Na passagem do ano, todos, de roupas brancas, alguns com uma nota de um dólar no bolso, ou uma folha de louro no sapato, reúnem-se em frente à casa esperando a chegada do ano.

Netos na alegria do Ano Novo

Por volta das 22 horas começam a chegar tios, primos, sogros, cunhados e amigos. Em média comemoramos a passagem do ano em mais de 100 pessoas. Os filhos que não podem estar presentes ligam-nos: Sônia de Búzios, Denise de Bombinhas, Maria Aparecida de Jacinto Machado, Adelina Scheila de Miami. Ninguém se esquece da família. No jardim da casa são colocadas mesas cobertas com toalhas brancas e

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arranjos de frutas. À meia-noite são abertos champanhes e todos se cumprimentam e se abraçam. Em seguida, servimos o jantar: leitão, lentilhas e damos margem a toda a gostosa brincadeira das superstições. O porco fuça para frente, e assim, comendo sua carne, seremos projetados para frente no ano novo. Outros não permitem que se coma galinha ou frango neste dia, pois a galinha “ciscando” para trás, pode levar nossas vidas também para trás. E nestas brincadeiras e superstições, os filhos continuam a tradição do povo. Começar o ano com boas intenções é atrair sorte para si e sentir a alegria do dever cumprido, quando esta intenção é posta em prática. O meu primeiro pedido ao Criador é a saúde e a união da família, pois se todos estão bem, o ano começa bem.

Filhos e genros em confraternização no calor do Ano Novo

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esde jovem eu viajava bastante e gostava de viajar. Em 1940 viajei pela primeira vez a São Paulo, em companhia do meu pai e meu irmão Anselmo. Foi também minha primeira viagem de avião. Fazíamos companhia ao meu irmão que retornava do Rio de Janeiro para concluir o curso de Engenharia e aproveitamos, também, para fazer compras para o comércio. Após o casamento, Duda e eu passamos a fazer pelo menos uma viagem de compras por ano a São Paulo e nestas oportunidades meus pais ficavam em nossa casa tomando conta dos filhos. No começo íamos de caminhão, pois aproveitávamos para trazer as mercadorias. Levávamos de 8 a 10 dias. Não havia comunicação como hoje e ficava-se todo o tempo sem notícias dos filhos. Não havia asfalto e a viagem, além de cansativa, era extremamente desconfortável. Numa destas viagens de caminhão, eu estava grávida e o desconforto era muito maior. Hoje quando lembro este período, chego a duvidar de que tenha tido coragem para enfrentar tudo isto, mas valeu, porque com muito trabalho, sacrifício e renúncia conseguimos vencer. Se fosse preciso, faria tudo de novo. Mais tarde eu viajava de Kombi e sempre trazia as mercadorias, pois economizava no frete e não perdia tempo. Em geral, eu viajava aos sábados, ganhando tempo. Aos domingos visitava o centro comercial de São Paulo, observando as vitrines. A par das novidades da moda, eu poderia comprar os tecidos para a fábrica com maior segurança e, geralmente, acertava. Morávamos em Luís Alves, mas quase todas as semanas viajava para Blumenau, onde comprava embalagens, caixas, papelões, botões e ferros para as camisas. Em Blumenau eu tinha toda estrutura da casa de meus pais, que na época já possuíam telefone para me programar. Era agradável viajar toda - 281 -


semana, rever meus pais dos quais eu sentia saudades. Ia buscar forças para prosseguir na dura jornada que eu enfrentava. No início, as vendas da indústria eram feitas diretamente por mim. Precisando de faturamento saíamos com nosso caminhão GMC, eu e o motorista e um filho, colocávamos as camisas em caixas de madeira e saía a vender. Sempre tive sucesso nas vendas. Em outras oportunidades vendia nas praças de Joinville, Guaramirim, Blumenau, Brusque, Nova Trento, Timbó, Benedito Novo e Dr. Pedrinho. Foram anos e anos de luta, viajando, fabricando, trabalhando, quase sempre grávida. No começo da década de 60 contratei nossos primeiros representantes: Srs. Gessner, Aláudio Carvalho, Nilo Trierweiler e José Carvalho, que muito contribuíram para o nosso desenvolvimento. Transferia para eles a tarefa de viajar pelo interior do Estado. Na época das lojas, viajávamos com frequência para participar de convenções lojistas. Sérgio Fernando foi presidente do CDL de Blumenau por dois mandatos e estas eram oportunidades que aproveitávamos para discutir os temas do setor e ao mesmo tempo prestigiá-lo. Fomos a convenções e eventos em Concórdia, Joaçaba, Criciúma, Lages, Joinville, Florianópolis e outras cidades catarinenses. Participamos ainda de convenções no Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Todos os anos, após a temporada de verão nas lojas, programávamos uma viagem de férias para os filhos. Normalmente íamos para Gravatal, uma estação de águas termais no sul do Estado, onde por uma semana relaxávamos e descansávamos. Íamos em quatro carros e, ao chegar, a meninada procurava logo a piscina para se divertir. Os meninos acampavam e nós pais e filhas nos hospedávamos no hotel. Os hóspedes ficavam surpresos com a nossa mesa: 16 filhos e mais os namorados, ou namoradas que faziam parte. Estas viagens foram inesquecíveis para eles, tanto é que nas brincadeiras de família, alguém sempre lembra algum fato curioso e engraçado daquela época.

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No meu aniversário de 1970 Duda convidou-me para conhecer o Oeste de Santa Catarina. Afinal, era uma parte importante do nosso Estado que eu não conhecia e onde tínhamos muitos clientes. Convidamos nosso representante para a região, Nilo Trierweiler, que com a esposa Giusela, nos acompanhou. Aproveitamos para conhecer os principais clientes de Curitibanos, Joaçaba, Videira, Concórdia, Chapecó e São Miguel do Oeste. Visitamos a Sadia e a Perdigão e ficamos impressionados com o desenvolvimento da região. Guardo até hoje a lembrança da importância dos pioneiros Atílio Fontana (Sadia) e Saul Brandalise (Perdigão) para o crescimento daquela importante região de Santa Catarina. Em 1971, esperava-se muito frio em Santa Catarina. Combinamos com minha irmã Nair e seu marido Orlando e mais um grupo de amigos irmos a São Joaquim ver a neve. Passamos um frio terrível, peguei um resfriado que quase virou pneumonia e cadê a neve? Apesar da decepção, divertimo-nos muito. Comemos pinhão e churrasco de frescal, especialidades da região e desfrutamos da hospitalidade do povo de São Joaquim. No meu aniversário de 1971, Duda me fez uma surpresa. Levou-nos para passar dois dias em São Francisco do Sul. Nós, os 16 filhos e três netos na época, vivíamos momentos inesquecíveis. Fazíamos viagens triviais, mas o fato de estarmos juntos, com folga dos filhos, constituíam momentos de carinho e compreensão. E, assim, de quando em vez, aproveitávamos uma oportunidade para ir a algum lugar: a São Bento do Sul comprar móveis coloniais, a Brusque comprar tecido da Renaux, a Canelinha comprar telhas, e assim inúmeras viagens que guardo vivas na lembrança. Em maio de 1972 comemoramos Bodas de Prata. No dia seguinte à comemoração viajamos para Brasília, com o carro do nosso Vilson, um Opala 0k. Em Brasília ficamos no Hotel Nacional. Em Goiânia no Hotel São Pedro, Em Belo Horizonte no Hotel Del Rey e em São Paulo no Hotel Bourbon. Nós dois, sozinhos, como recém-casados, jurando amor eterno. Muitas vezes aproveitava a necessidade de efetuar cobranças para a empresa e lá íamos nós, Duda e eu, para o - 283 -


norte e sudoeste do Paraná, interior de São Paulo, de Santa Catarina e parte do Rio Grande do Sul. No início dos anos 70 tínhamos uma loja de enxovais na Praça Dr. Blumenau. Criei na época alguns tipos de cestas de enxovais e que eram comercializadas com pagamento parcelado. Para formas os enxovais Duda e eu fomos, em 1974, para o nordeste comprar bordados. Estivemos em Recife e Olinda, mas nossas compras concentraram-se em Fortaleza. Nessa oportunidade conhecemos e fizemos amizade com a família de Inah Nei, que mais tarde nos acomodou em sua residência na visita do Papa João Paulo II ao Brasil. Duda tinha vontade de conhecer Manaus e, assim, num dos aniversários de casamento pegamos o avião e fomos para lá. Ficamos hospedados no Hotel Tropical e aproveitamos muito a paisagem local. Subimos o Rio Negro e comemos muito peixe do Amazonas. Nesta viagem um fato curioso: em Manaus, a mais de 5 mil quilômetros de casa, ao entrarmos num restaurante, deparamos com um grande conhecido nosso. Sentimo-nos em casa. Em 1975 viajamos ao Rio Grande do Norte, em Natal, unindo o útil ao agradável. Fomos fazer cobranças para a empresa e um pouco de turismo. Ficamos no Hotel Reis Magos. No retorno passamos por Salvador onde comprei um baú entalhado e um Cristo Redentor esculpido na madeira. Conhecemos a galeria do Kennedy Bahia e visitamos algumas das lindas igrejas. Valeu a pena. Em 1980 Duda e eu viajamos para um encontro de empresários do setor de turismo no Uruguai e Argentina. Fomos de ônibus até o Uruguai, juntamente com outros hoteleiros de Santa Catarina. De Montevidéu a Buenos Aires fomos de navio e ficamos hospedados no Hotel San Marco. Apesar de esta viagem ser para outro país, gostaria de registrá-la. A abertura do Congresso Eucarístico de 1980, em Fortaleza, seria realizada pelo Papa João Paulo II, e desde que soube da notícia acalentei o sonho de participar. Duda me acompanhou; ficamos hospedados na casa de nossa amiga Inah Nei. Não haviam vagas nos hotéis. O casal anfitrião já nos aguardava no aeroporto e foram perfeitos em tudo: o cardápio, oferecendo-nos - 284 -


lagosta, camarão e as melhores sobremesas. Eram caprichos de Dona Inah. Em 1986 viajamos para a Bahia em nome do Hotel Himmelblau, para receber o troféu Catavento de Prata, por termos sido classificados o melhor Hotel 5 estrelas de Santa Catarina. Ficamos no Hotel Meridien. No mesmo ano, Duda e eu viajamos para Foz do Iguaçu para um Congresso Hoteleiro. Ficamos no Hotel Bourbon, onde se realizou o evento. Em maio de 1988 fomos a outro congresso hoteleiro, em Fraiburgo, onde nos hospedamos no Hotel Renar. Nossas viagens eram plenas de companheirismo, de disposição, de vontade de aprimorarmos nossa cultura e de desfrutarmos o descanso.

empre tive vontade de conhecer a Europa, mas nunca conseguia tempo e assim fui adiando indefinidamente a viagem, até que os filhos nos convidaram e nos convenceram a arrumar as malas. Iríamos Renê Murilo e Deise, Renato Maurício e Meri, Rodolfo Neto e Iliani, Duda e eu. Iniciamos os preparativos e na noite de sábado, dia 18 de agosto de 1990, fizemos um jantar para os filhos. Íamos tomar o vôo para São Paulo em Navegantes, com a Varig. Infelizmente o tempo estava instável e o vôo foi cancelado. Viajamos de carro a noite toda para não perdermos o vôo internacional. Nossa viagem foi cheia de imprevistos. Quando chegamos a São Paulo, Sônia, Adriana e Renato nossos filhos estavam nos esperando. À noite, embarcamos no Galeão, no Rio de Janeiro, pela Air France com destino a Paris. Por insistência dos filhos, viajamos de primeira classe. Foi um presente deles. Chegamos às 6h e um guia nos esperava com dois carros. Ficamos hospedados num dos Hotéis da rede Ibis.

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Na Itália

À tarde fomos até a margem do Rio Sena e embarcamos num Bateaux Mouche, jantamos e apreciamos a iluminação de Paris, Cidade Luz. No dia seguinte fomos de metrô até o Palácio de Versailles. Valeu a pena. Os jardins de Versailles me deixaram encantada, nunca vi coisa igual. A Catedral de Notre Dame constava no nosso programa e tudo nos surpreendia pela suntuosidade e pela riqueza arquitetônica. Do alto da Torre Eiffel apreciamos Paris. A companhia dos filhos tornava a viagem muito agradável, pois eles nos davam toda a atenção e viviam permanentemente brincando. Neste dia, porém, levamos um grande susto. Duda estava indisposto e pediu para voltar ao hotel. Tomou um taxi e se separou de nós. À noite, quando chegamos ao hotel, subi ao meu quarto e não o encontrei. A cama estava intacta. Não havia qualquer bilhete. Chamei os filhos que se encontravam no bar do hotel e comuniquei o fato. Todos se alarmaram. O pior passou pelas nossas cabeças. De repente, Deise, que subira, retornava com um sorriso aliviado, - 286 -


informando que o “vô” estava dormindo no quarto deles. É que o Duda, não falando inglês ou francês, ao chegar no hotel não sabia como pedir as chaves. E assim pegou a chave do primeiro Souza e foi se deitar. Refeitos do susto e aliviados, saímos todos para comemoram no Moulin Rouge. Duda e os filhos, após algumas taças de champagne, estavam encantados com a beleza das bailarinas. No dia seguinte atravessamos o Canal da Mancha e chegamos a Dover, na Inglaterra. Daí rumamos para Londres. A viagem terrestre propiciava-nos a oportunidade de observarmos a linda paisagem. Em Londres ficamos num dos Hotéis Ryan. Foi onde levamos o segundo grande susto. Duda gosta muito de história e especialmente de história antiga e de museus. Enquanto os filhos e eu fomos fazer compras, Duda foi visitar o London Museum. Acompanhou a excursão. Ao entrar começou a admirar as peças expostas e ficou extasiado com o que viu. Perdeu o horário marcado para o retorno ao hotel. Quando se deu conta o museu estava fechando e foi convidado a se retirar. Só então percebeu que o ônibus tinha partido. E o pior, não sabia o nome e o endereço do hotel. Chegamos ao Hotel e começamos a estranhar a demora de Duda. Ele não chegava e ficamos apavorados. Como ele é cardíaco, nossa preocupação era maior. Chamamos e guia e pedimos sua ajuda. Movimentamos a polícia que iniciou um processo de busca do “brasileiro desaparecido”. Nesse tempo, Duda tomou um taxi e pediu para levá-lo num hotel que ficava “ao lado de um posto de gasolina”. Londres não é Luís Alves e, nem Blumenau. Rodaram Londres inteira e quando o taxímetro mostrou 100 libras, que era o dinheiro que tinha, falou ao taxista: “Police. Police. Police”. E lá foi ele parar na Delegacia de Polícia mais próxima. Ainda bem que Londres não fica no Brasil. Ao invés de encontrar um local de delinquentes e policiais violentos e mal humorados, após a explicação do taxista, foi recebido com muita compreensão. Deram-lhe, até, umas bolachas (bolacha de trigo e maizena e não a que você pode estar pensando) e cerveja. Chamaram-no e colocaram-no no telefone, onde do outro lado havia uma tradutora que falava português. Explicou a situação e a moça pediu que se acalmasse. - 287 -


Bem, de nossa parte comunicamos o fato à delegacia próxima do Hotel, e quando houve o cruzamento de informações, finalmente o localizaram e nos comunicaram que já estava a caminho. Com o coração aliviado corremos para frente do Hotel, quando dentro de alguns instantes Duda desembarcou de um carro da polícia. Tinha a cara de uma criança que aprontara uma imensa travessura. Abraçamo-nos por um tempo que parecia interminável e choramos. Choramos nós, os filhos, as noras, todos abraçados. Deste dia em diante, a primeira coisa que Duda fazia ao chegar ao Hotel era colocar no bolso do paletó um cartão com o nome e o endereço. Em Londres visitamos ainda o Palácio de Buckingham, residência da Rainha Elisabeth. Maravilhas e mais maravilhas! Conhecemos também o Palácio de Windsor, morada do Príncipe Charles e Lady Di. Na manhã do outro dia continuamos nossa viagem, rumo à Bélgica. Atravessamos o Canal de ferryboat chegando a Calais e, em seguida, chegamos a Brugges onde permanecemos apenas por duas horas, seguindo para Bruxelas. Ficamos no Hotel Wendome e no dia seguinte viajamos rumo a Amsterdã, capital da Holanda, e Moniquedam. Passamos por Wollendam que possui um rico comércio. Em Amsterdã conhecemos uma lapidação de diamantes. Ficamos num dos hotéis da rede Ibis e, continuando a viagem, chegamos à divisa da Holanda com a Alemanha. Nosso guia nos explicou que a Alemanha se divide em três partes: Alemanha do Norte, que é a região polonesa alemã. Alemanha do Sul, Alpes e montanhas; e a República Federal da Alemanha. Para chegarmos a Rüdeshein, passamos por várias cidades pequenas, dentre elas a cidade de Köln. Em Rüdeshein ficamos no Hotel Stern, ótimo 5 estrelas à margem do Rio Reno. O forte da cidade é o cultivo da uva e venda de vinho. Schwartzwald foi a próxima cidade por onde passamos e chegamos à cidade de Horgem, onde nos hospedamos no See Hotel Meichof. Já estávamos na Suíça. Acompanhamos a excursão até Luzerna e Zurik onde fizemos compras. O próximo destino era Munique. Passamos por Valduz, capital de Liechtenstein, que é um dos menores países do mundo. Em Munique ficamos no Hotel Internacional.

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Duda sempre alegre e feliz em minha companhia e dos filhos, e todos desfrutando da colossal riqueza cultural desses países. As construções de Munique, sua arquitetura, tudo é extraordinário. A Vila Olímpica valeu a pena ser vista. München é uma das cidades mais bonitas do mundo. Continuando a viagem, passamos por Salzburg para chegarmos a Viena, onde ficamos no Hotel Rosen President. À noite fomos a um show onde valsas de Vagner, Strauss e Mozart eram atração. Eu e Duda dançamos algumas valsas, pois estávamos em Viena e queríamos marcar nossa presença. A história da Imperatriz Maria Tereza da Áustria despertou minha atenção, porque ela também teve 16 filhos, 11 mulheres e 5 homens, o inverso da minha família. Interessei-me pela sua história. Ela foi mãe da rainha Maria Antonieta, casada com Luiz XVI, da França, e guilhotinada na Revolução Francesa. Viajamos da Áustria para a Itália, sempre com os três casais de filhos, animados companheiros e muito atenciosos conosco. Ficamos no Hotel Colombo e pela manhã fomos de barco até Veneza, onde fizemos um passeio de gôndola. Interessante conhecer a Igreja de São Marcos e a história de Veneza. Visitamos Firenze e no dia seguinte viajamos para Roma. Em Assis, conhecemos a Catedral de São Francisco, construída no século XII. Em Roma hospedamo-nos no Grande Hotel Flemming.

Duda e eu em viagem com os filhos

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Falar de Roma é expressar uma emoção incontida. Tudo nos extasiava e nos encantava. É a cidade mais turística do mundo. Visitamos o Vaticano na Praça de São Pedro e a maravilhosa Basílica. De Roma viajamos a Nice, passando por Pisa, para conhecer a torre inclinada e por Gênova, chegando à tarde à fronteira da Itália com a França. Em Nice, ficamos no Hotel Madri. Retornamos a Paris, onde tomamos um vôo da Air France para Nova Iorque, onde ficamos num dos hotéis Marriott. À noite saímos para conhecer a cidade e, no dia seguinte, saímos para compras. Numa das lojas da Quinta Avenida comprei um blazer em patchwork que muito me agradou e também às minhas filhas. Notei que nos Estados Unidos o patchwork é uma arte bastante difundida e trouxe a ideia de produzir a arte em retalhos aqui no Brasil. Pronto, agora eu tinha mais um projeto: aproveitar os retalhos da indústria na confecção de colchas e roupas. Essa viagem marcou-nos profundamente. Além do conhecimento, do aprimoramento cultural, o convívio alegre com nossas noras e filhos, envolveu-nos num clima de total felicidade.

m 5 de setembro de 1993 retornei a Nova Iorque para visitar nossa filha Adelina Scheila, que morava lá. Viajei pela Air France com saída de São Paulo. Scheila e Pedro sempre solícitos aguardavam-me no aeroporto e filmaram minha chegada. Várias senhoras de Florianópolis viajaram no mesmo vôo, todas amigas de nossa filha Maria Aparecida. Elas me deram muita atenção, principalmente a Gelda e a Beth Langue. Em Nova Iorque tive um atendimento muito especial e todos os dias saía com Scheilinha, Pedro ou Ana, sobrinha do Pedro. Descobri novidades em patchwork que era o meu forte, comprei - 290 -


catálogos e me aperfeiçoei nesta arte. À noite jantamos, no Planet Hollywood, em companhia do casal Jorge Colzanni, proprietários da Colcci de Brusque.

Adelina Clara e Adelina Scheila, em NY, 1993

No fim de semana, Pedro, Scheila e eu viajamos para Washington, onde conheci a Casa Branca, o Capitólio e tantas outras maravilhas. Em Nova Iorque, Aninha que foi a grande companheira, sempre estava pronta para me acompanhar. Conheci a loja Gazebo que é especializada em patchwork, onde aprofundei meus conhecimentos nesta arte milenar. Nos últimos dias, fomos até a Quinta Avenida e fiz ótimas compras para o Natal. Consegui encontrar duas toalhas de linho irlandês, com bordado Richellieu, feitas à mão, com 6,50 m de comprimento e 30 guardanapos, para as nossas mesas de jantar. Faço questão de registrar, pois é raro encontrar toalhas com estas medidas e iguais. Fiquei realizada, porque há muito eu procurava por toalhas tão do meu gosto. Comprei mais onze toalhas de banquete para presente de Natal para as noras. Esta foi uma viagem muito agradável, porque revi minha filha e genro, e encontrei tudo o que procurava. Ao retornar, Duda já me esperava em companhia dos filhos em São Paulo. Fiquei feliz ao encontrá-los todos bem.

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Adelina apreciando as empresas com seu sobrenome, em NY

Seguindo o exemplo de minha mãe, sempre fiz questão de estar presente e auxiliar minhas filhas na hora do parto. Scheila passou a morar em Miami e estava grávida. No prazo marcado, Tida e eu estávamos embarcando para Miami quando Pedro nos ligou dizendo que o bebê, apressado, já tinha nascido. Fiquei angustiada, porque gostaria de estar ao lado da filha neste momento tão importante. Rafael, nosso neto, filho de Heitor Rodolfo, que nesta época morava em Miami, aguardava-nos no aeroporto. Levou-nos até o apartamento de Pedro e Scheila, onde rapidamente tomamos um banho e, em seguida, fomos para a Maternidade Mercy, conhecer o novo neto e ver como estava passando a mamãe. Foi uma emoção muito grande, poder abraçar a filha e parabenizar o pai, todos muito felizes. - 292 -


Adelina em Miami com filha, genro e nato, na Maternidade Mercy

Ficamos com eles dez dias. Minha missão era olhar a saúde da mãe e do neném. O aleitamento sempre é uma fase mais difícil. Scheilinha havia se preparado e não teve maiores problemas. No começo eu dava o banho no bebê e atendia a mamãe. Não foi preciso permanecer por muito tempo. Scheila é muito dedicada e assumiu fácil as suas tarefas de mãe. À tarde eu pude sair para compras e conhecer um pouco de Miami. Tida, que foi comigo, deu a maior atenção a todos. Pude voltar tranquila, pois estava preocupada em retornar para prestar assistência ao Duda, que precisava de cuidados especiais com sua saúde.

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este ano de 1996 estou completando 70 anos e não parece que já vivi sete década. Vivi sim e sou eu mesma. O dia vinte de março amanheceu muito bonito, com sol. Ao acordar, senti uma imensa falta do Duda, que por quase cinquenta anos acordava todas as manhãs comigo, e surpreendia-me no meu aniversário com sua poesia e atenção especial. Neste dia me demorei mais, porque dor e alegria se misturavam. A dor da perda do Duda, que tanta falta me faz e a alegria de completar setenta anos de vida bem vividos e com a consciência do dever cumprido. O café da manhã já estava preparado. Foi feito especialmente pelas cinco filhas que nesta noite foram minhas hóspedes, o que é raro acontecer, pois elas moram distantes: São Paulo, Florianópolis, Balneário Camboriú e Miami. Vieram todas para me Adelina junto do bolo do seu 70º aniversário homenagear, fazendo surpresas e surpresas. Deixaram a casa muito bonita e toda enfeitada, linda como eu gosto. Já muito cedo começaram a chegar flores e muitas manifestações de carinho pela data. Ao meio-dia houve um almoço de confraternização com toda a família. À tarde, Denise - 294 -


me levou para passear e me distrair, mal percebendo eu que os filhos estavam me aprontando uma linda surpresa. Todos os filhos, noras e netos acompanharam-me na missa e quando chegamos à noite em casa, havia uma revolução: estava toda decorada, flores, mesas e toda preparação para uma festa. Começaram a chegar meus irmãos e amigos especiais, convidados pelos filhos. Minha tristeza era muito grande, pois o Duda havia nos deixado há pouco mais de dois meses. Sentia uma dor muito grande por não estar conosco e só me consolei porque tenho certeza de que do alto, junto com Deus, estava nos protegendo e festejando conosco a minha data. E lá de cima sorria e nos abençoava. Setenta anos é uma data, um marco especial na vida de qualquer pessoa. Sei que não é fácil chegar à próxima década, mas vou levar a vida como sempre fiz: otimismo, perseverança e muito trabalho. Todos nós demos as mãos, familiares e convidados, e comovidos e saudosos, rezamos pelo grande poeta ausente. Os filhos homenagearam-me de todas as formas. Vilson lembrou fatos da infância de todos e Tida emocionou a todos ao ler seu discurso que eu transcrevo: Oração para um poeta ausente

“Mãe Por certo não era essa a festa que gostaríamos de fazer para homenagear-te nos teus 70 anos. Bem sabemos que a magnificência da tua vida merecia uma comemoração grandiosa, digna dos seres que marcam a época, que deixam exemplos imorredouros, que constroem alicerces no fundo da alma das pessoas. Os desígnios de Deus, entretanto, mudaram o curso dos acontecimentos, e apesar da ausência do nosso grande mestre e - 295 -


guia, do nosso Poeta querido, decidimos homenagear-te nesta data tão significativa, porque temos certeza de que esta é a vontade de nosso Pai. Olho o teu semblante, Mãe, e ao rememorar brevemente tua vida, reporto-me no tempo e trago ao presente a imagem da menina travessa que foste, quando interna com tuas irmãs Elvira e Alzira no Colégio Sagrada Família. Tuas bagunças e brincadeiras deleitavam colegas, fazendo-te querida por todas. Trago à lembrança a adolescente que ao defrontar-se com a responsabilidade, com a necessidade de auxiliar o pai no comércio, não hesitou em abandonar os estudos para ajudá-lo. Por certo, Deus já estava traçando os teus caminhos, preparando-te para o futuro. O tempo passou e, na juventude, o Amor veio ao teu encontro, na forma de poesia. Ela vislumbrou-te no meio do povo, num comício político, esguia e altiva, num tailleur cor de vinho, como sempre lembrava nosso pai, o Amor feito homem, embevecido em suas lembranças. A força e o magnetismo que irradiavas, fez com que o Poeta se perdesse de amores. Uma paixão eterna, das que nascem e refulgem somente em Poetas. E tu foste o alvo desse sentimento que durante todo o tempo emocionou a todas as pessoas, pela sua plenitude e intensidade. O casamento foi a concretização desse sonho lindo. Do casamento... Os filhos. Todos os que Deus te enviassem, seriam concebidos e aceitos na sua essência. E eis-nos aqui. Dezesseis vidas, a testemunhar a grandiosidade de suas vidas. Vislumbro com carinho, o cuidado e a dedicação que sempre tiveste conosco. São fatos que se impregnaram na memória de cada um de nós, teus filhos, de uma maneira indelével, definitiva. Lembro os curativos do corpo, e da alma. Vivias entre potes de Vick Vaporub, Cloromicetina, Anasseptil, Belacodid, cuidando e amparando nossas mazelas. Os cabelos de todos, cortados impecavelmente, as fotos tiradas com esmero, as roupas caprichosamente compradas em São Paulo, para a festa de São Vicente, padroeiro da Igreja de Luís Alves, e os nossos Natais. Inesquecíveis Natais, pelos quais esperávamos o ano todo. E que a cada ano superavam-se, - 296 -


deixando-nos entusiasmados e felizes. E as festas de batizado? de Primeira Comunhão? Aos nossos olhos infantis e aos de todos os convidados, eram festas grandiosas, como tudo feito por ti, Mãe, impregnadas de dedicação e capricho. Qual de nós, filhos, não tem gravado em sua mente, o fim da noite, quando íamos dormir? A dificuldade que tínhamos de manter os olhos abertos, porque a oração era longa. Todas as noites ajoelhados ao teu redor, recitávamos os cinco mistérios, para depois fazermos o acerto de contas das faltas cometidas durante o dia. Era a hora que a Denise fazia um teatro especial, o Heitor ficava doente, o Chéu embranquecia, a Sônia arranjava algo para arrumar, o Vilson já tirava a blusa de pijama para receber o castigo, porque não havia dia que não aprontasse suas artes. O Duca, Rui, Nei, Nato e Alemão dormiam o sono dos justos e, vez por outra, entravam na fila do ajuste. Depois... cama. Cama para nós, porque descias pé ante pé as escadas e ias abraçar o teu trabalho. Varavas madrugada, tirando pedidos, separando camisas, encaixotando-as para no outro dia, cedo, serem despachadas. O único que ousava desobedecer, às vezes, era o Sérgio, que com seu espírito protetor, descia para fazer-te companhia. Isto sem contar que sempre estavas grávida, dando-nos a expectativa do nascimento de mais um irmãozinho. Ou irmãzinha? Quem determinava, segundo a Dindinha, nossa avó, era a cegonha, optando pelo sal que traria menino e que era colocado no telhado pelos rapazes, ou pelo açúcar que a Sônia, Denise e eu amontoávamos nas calhas. No resguardo que se seguia ao nascimento dos filhos, angustiada pela inércia a que te obrigavam e amparada pela tua mãe, que tanto amavas, com extremosa dedicação elaboravas nossos álbuns de fotografias, e nosso livro da vida, registrando paciente e carinhosamente todos os dados pertinentes ao ano que havia passado. Assim é que todos nós sabemos quantos quilos pesávamos com 3, 6, 12 meses ou quais as artes que praticávamos, etc. As fotos que tiravas com frequência, registraram cronologicamente, para todos nós, a imagem da nossa infância a qual sempre lembraremos com nostálgica saudade.

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Ontem à noite, preocupada em homenagear aquele que foi o baluarte da tua e das nossas vidas, nosso Pai, sugerias leres um versinho dos inúmeros que ele te fez vida afora, como forma de trazê-lo à lembrança, neste momento. Não precisa Mãe. A vida de vocês foi tão impregnada de amor, de paixão, de companheirismo, que ela se bastou para todo o sempre. Onde nosso Pai estiver, ao lado do Deus maior, com certeza ele estará sorrindo, chamando-te como costumava, de fada encantada, e dizendo para ti estes versos de que ele tanto gostava: Tu és um anjo do céu Deus me deu porque mereço Já falaram em comprar Mas anjo do céu não tem preço Tuas qualidades são tantas Que não posso descrever Só um anjo do céu Tantas qualidades pode ter. Anjo do céu agora é ele, e nós, mortificados pela saudade, lembramos só a sua imagem alegre e feliz e consideramo-nos escolhidos por Deus por tê-lo tido como nosso pai. A vida te privilegiou, também, por isto, Mãe. Juntos, vocês transmitiram-nos a verdade plena, o exemplo dignificante que se eterniza além da partida, transcende tempo e espaço e se faz presente a todo instante em nossos dias, como o ar que, imperceptível, é a essência da própria vida.

Convidados da festa dos 70 anos de Adelina

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Hoje, reunidos estão aqueles que constituem, no teu dia a dia, a tua história. As pessoas que te amam e que também amas. Teus irmãos, Elvira, Alzira, Almiro, Ademar e Nair; teus cunhados, Valmor, Orlando e Dalva, os filhos, genros, noras, netos, os sogros dos teus filhos e os grandes amigos, aqueles para os quais queremos expressar nossa maior gratidão. A Carmem, tua fiel colaboradora de 25 anos, Dona Eulália, Zuleide, Roseni, a Dorli e à sua equipe, nosso agradecimento. Para os meus irmãos, cunhados e cunhadas, que aqui estão juntos pela força da união, a certeza de que a centelha sagrada da dignidade, da paz, da harmonia e da perseverança que tu e nosso pai acenderam em nossas vidas, hão de iluminar nosso caminho vida afora. Para eles repito a frase do dia dos Pais de 1994: que a alegria de estarmos sempre juntos seja imorredoura e que a união e a fraternidade, no seu sentido mais excelso, sejam a tônica de nossas vidas, porque esse era o maior desejo de nosso Pai, e é o teu, Mãe. Muito, muito mais poderíamos falar sobre ti e tua majestosa existência. Na brevidade desta homenagem, queremos registrar nossa gratidão a ti por seres como o carvalho que não se verga ante as tempestades e como a flor singela que perfuma a mão que a toca. Neste momento de grande emoção, invocamos a Deus, para que Ele continue a proteger-te, a amparar-te e a conceder-te o dom supremo da vida, do amor e da felicidade, junto de nós, teus filhos.”

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CapĂ­tulo XIV


á fatos que, narrados pelo autor, podem parecer imodéstia. Mas, em se tratando de uma autobiografia, tenho o dever de mencionar e relatar os episódios mais expressivos pelos quais passei, sob pena de faltar com a verdade e de não transmitir a ideia geral do que foi a minha vida. Muito embora nada mais tenha feito do que criar 16 filhos, ser mãe, educadora e mulher empresária, fui alvo de várias homenagens que me comoveram profundamente. Uma das que muito me sensibilizou foi o convite para participar do Jô Soares Onze e Meia, pelo fato de ser um dos programas mais simpáticos da televisão brasileira e com grande audiência. Entretanto, a reportagem que mais repercussão teve ao longo da minha vida, foi a que integrava o programa “Gente que Faz”. Recebi cartas, telegramas, correspondência do Brasil inteiro, de pessoas que ficaram sensibilizadas e comovidas com o tamanho da minha família e a minha capacidade de trabalho. Enfim, quero deixar registrado meu pleito de gratidão a todos os profissionais da mídia, que por uma razão ou outra, colheram da minha vivência, do meu trabalho, da minha experiência, um testemunho de fé, de perseverança, persistência e de amor.

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MatĂŠria de capa da 1ÂŞ Revista Empreendedor

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m julho de 1991, por ocasião da Fenit em São Paulo, fui convidada pela TV1 e Rede Bandeirantes para participar do programa “Gente Que Faz”. Com o patrocínio do Bamerindus, ia ao ar todas nas segundas-feiras às 22h30min. Iniciaram a gravação no próprio stand da Fenit, onde me encontrava. Em seguida, a entrevistadora e sua equipe de cinegrafistas me levaram até a Praça Ramos de Azevedo. Ali eu repeti o que havia feito no passado: visitar as vitrines masculinas do Mappin, da Casa José Silva e outros magazines. Nos domingos, observava as vitrines para me atualizar na moda em evidência, para no dia seguinte saber comprar os tecidos. Eu não tinha condições de viajar para a Europa e copiar moda; precisava conhecê-la aqui mesmo. As gravações prosseguiram em Luís Alves, onde começamos nossa vida. Conseguimos encontrar nossas duas primeiras costureiras, Lídia e Gertrudes Trentini e, ainda, Dona Júlia Rebelo, Filomena Scola, Maria Hess e Frederico O. Souza, nosso sobrinho. Foram os principais colaboradores da época em que iniciei a empresa, e que muito contribuíram para o crescimento da indústria. Confraternizamos com um almoço, relembrando os bons tempos quando iniciou a Dudalina. Dona Gena Kraisch, a governanta, lavadeira, cozinheira, que nos ajudou muito na criação dos filhos, na época mais difícil de nossas vidas, também fez-se presente. Ela dá seu depoimento no filme, dizendo ter saudades de suas crianças, que eram os nossos filhos. Em Blumenau, a filmagem deu-se na fábrica Dudalina, com depoimentos de diretores e filhos. Para encerrar a filmagem reunimos a família em nossa casa para um almoço como de costume. Sou grata à equipe da jornalista Lúcia Araújo, a TV 1 e Rede Bandeirantes e, especialmente, Sérgio Motta Mello, que tão bem soube dirigir a filmagem. A exibição do filme foi anunciada pelo Jornal de Santa Catarina, pelo Diário Catarinense em Blumenau e também em São Paulo pelo jornal O Estado de São Paulo. - 308 -


Na noite do filme, pessoas amigas e a nossa família aguardavam, num dos salões do Hotel Himmelblau, ansiosas, a exibição do programa. Nossas filhas Maria Aparecida, de Florianópolis, e Sônia Regina, de São Paulo, chegaram de surpresa para me prestigiar e trazer o seu abraço. Meu marido e todos os filhos e amigos confraternizaram comigo. Eu estava feliz por poder ser útil e dar o meu exemplo a convite dos que reconheceram o meu trabalho.

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Em entrevista concedida às colunistas Neusa Manzke Hoemke e Juliana Wosgraus, do Jornal de Santa Catarina e Diário Catarinense, respectivamente, falei sobre minhas características, minhas convicções, meus gostos, minha maneira de viver, minhas conquistas. De uma forma diferente, ambas captaram um pouco de mim.

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inha primeira entrevista foi publicada no Jornal de Santa Catarina de 23/24 de fevereiro de 1986, com o título “De Balconista a Empresária e Industrial”, pelo jornalista Raul Caldas Filho. Em setembro de 1986, nova reportagem, com o título de “Adelina, Mãe e Empresária de Sucesso”, foi publicada no Diário Catarinense pelo jornalista Osni Rodolfo Schmidtz. No fim de dezembro de 1990 inscrevi meu jardim num concurso de jardinagem promovido pela Editora Europa e fiquei muito feliz ao receber os parabéns do Diretor da Revista, Rodolfo Carrara, pois o mesmo havia sido classificado como um dos jardins mais bonitos do Brasil. A matéria foi publicada na revista Sítios e Jardins de fevereiro de 1991. No concurso do ano seguinte, novamente, nosso jardim foi classificado entre os dez mais bonitos do Brasil, cujo resultado e matéria foram publicados na Revista de março de 1992. No encarte da revista Veja de 8 de maio de 1991 foi publicada a matéria “A Empresa da Matriarca. Golpe Bem Resolvido”. A revista Isto É Senhor, de 28 de agosto de 1991, apresenta a reportagem com fotos: “Super Mãe e Empresária de Sucesso”. Lions Clube de Blumenau, em dezembro de 1992, prestoume homenagem: “Mulher Empresária e Exemplo”. Em 7 de dezembro de 1992 foi reprisado o filme “Mulheres Catarinenses”. Recebemos o Prêmio Qualidade Brasil em 28 de novembro de 1992, no Salão Nobre do Hotel Transamérica.

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O Clube de Soroptimistas de Blumenau, em 25 de março de 1992, prestou-me uma homenagem como Mulher Destaque 1991, com uma placa de prata. Recebi o Prêmio Integração 1992, oferecido a pessoas que contribuíram para o desenvolvimento do Vale do Itajaí. Em novembro de 1992 recebi convite da Câmara Internacional de Pesquisa e Integração para a IV Noite Latinoamericana do Hotel Exelcion Assuncion. A RBS TV exibiu matéria “Mulheres Catarinenses”, produzida pelas jornalistas Maria Odete Olsen e Miriam Rosa, da qual participei dando meu depoimento. O programa foi ao ar em 15 de novembro de 1991. O filme foi reprisado em 7 de dezembro de 1992. Em 15 de fevereiro de 1993 foi-me entregue, por diretores do Bamerindus, um troféu em material especial. A imagem da minha mão gravada. Recebi do Sr. Volpato, Superintendente, e dos diretores do Bamerindus, Srs. Pedro Gomes e Ademar, na sala nobre da Dudalina, com a presença de meu marido e filhos. O Banco Bamerindus anunciou a exibição do programa “Gente Que Faz” com a minha participação em diversos jornais e revistas brasileiras. O anúncio dizia: “Adelina Souza, A Dama de Ferro de Blumenau”, e foi publicado no Jornal de Santa Catarina de 18/19 de agosto de 1991; em O Estado de São Paulo em 18 de agosto de 1991. Em 23 de março de 1992 foi reprisado o meu filme “Gente Que Faz”, dos 60 filmes apresentados até aquela data. O Bamerindus produziu matéria publicitária com uma foto minha e um pequeno resumo da história da minha vida, com o título “O Brasil Precisa de Homens como esta Senhora”, e veiculada na revista Exame nº 502, de 1/4/1992; Isto É Senhor, de 25/3/1992; revista Manchete nº 2087, de 4/4/1992; revista Visão, edição 985, de 25/3/1992 e revista Veja, edição 1227, ano 25. Correspondência do Bamerindus, de 24 de novembro de 1992, comunica que o programa “Gente Que Faz” foi agraciado com o Prêmio Fenícia de Jornalismo, Opinião Pública que - 315 -


congrega os profissionais de Relações Públicas do Brasil e Marketing Best 92 promovido pela Editora Referência, Fundação Getúlio Vargas e Madia Associados. Reportagem no Jornal de Santa Catarina de 13/3/1993 com o título: “Adelina Clara Hess de Souza, Uma Legítima Mulher Empreendedora”. Revista Expressão, de abril de 1993, reportagem feita pelo jornalista Jorge Gorgem, com o título “Tesoura Mágica”, com diversas fotos. Jornal de Santa Catarina de 31 de outubro de 1993, reportagem com fotos destacando: “Patchwork, a Moda em Mosaicos” (minha especialidade). Em 6 de novembro de 1993 houve a cerimônia de entrega do Prêmio Qualidade Brasil 1993, a convite da Sede da Coordenação International Exports Service para a Indústria e Com. Dudalina S.A., no Hotel Transamérica, com coquetel, jantar de gala e show internacional. A colunista Neusa Manzke Hoemke, no Jornal de Santa Catarina de 30 de janeiro de 1994 publicou: “O Jeito de Ser de Adelina Clara Hess de Souza”. Revista Cláudia de março de 1994 apresentou reportagem na seção Trabalho, com o título “Bendita Coincidência – Senso de Oportunidade”. Jornal de Santa Catarina de 13 de março de 1994 publicou reportagem com o título: “Uma Legítima Mulher Empreendedora” e, na mesma edição, no Caderno de Economia, matéria “Retrato Vivo de Uma Mulher Empresarial e Coragem da Pioneira”, com minha foto mostrando colcha de patchwork. Colunista Moacir Benvenutti, no Diário Catarinense de 5 de maio de 1994, destaca-me em sua coluna com “Homenagem Merecida”, com a foto da filha Maria Aparecida em frente à vitrine de sua loja em Florianópolis. Diário Catarinense de 8 de maio de 1994, matéria alusiva ao Dia das Mães, com o título “Dezesseis Bons Motivos – Encontro Sagrado”, com a foto da família. - 316 -


Revista Expressão, de junho de 1994, reportagem com o título “Filha de Peixe” e “Dupla Energia”, destacando as atividades de Maria Aparecida no comércio, com a foto da mãe e filha. Palestra no Primeiro Encontro da Mulher Empresária, em 8 de julho de 1994, promovido pelo SEBRAE e Anita Pires, Feiras e Congressos, em Blumenau. Discorri sobre o nascimento da Dudalina e dei meu depoimento sobre minha vida como empresária e minha nova atividade: Patchwork Arte e Confecção Ltda.. Matéria de capa da Revista Empreendedor, de agosto de 1994, com minha foto e com o título “Honrando a Camisa”, com a história da nossa empresa. Jornal de Santa Catarina de 18 de outubro de 1994 – reportagem com o título “Fôlego”, sobre a construção do Hotel Fazenda Santo Antônio, dizendo: “Feliz da Vida é Como se Sente a Imbatível Empresária Adelina Clara Hess de Souza com a Inauguração do Novo Hotel Fazenda”. No mês de novembro de 1994 fui entrevistada no programa Jô Soares Onze e Meia, apresentado por Jô Soares no SBT. Revista Caras de 23 de dezembro de 1994 apresenta matéria sobre o Natal das famílias, na qual representamos o Estado de Santa Catarina. Gazeta Mercantil, de 1 de março de 1995, matéria de primeira página: “Patchwork Parte para Expansão”. Jornal de Santa Catarina, de 3 de março de 1995, Dia Internacional da Mulher, participei da matéria “Essas Incríveis Mulheres de Blumenau”, juntamente com mais sete mulheres que se destacaram em suas atividades. A reportagem é do jornalista Juarez Porto. Em 19 de abril, na coluna de Neusa Manzke Hoemke no Jornal de Santa Catarina, é publicada minha foto com a mensagem: “Homenagem a matriarca exemplar e empresária bem sucedida e ativa em causas benemerentes: Adelina Clara Hess de Souza será homenageada na Noite de Gala Catarinense”. - 317 -


Em maio de 1995 fui entrevistada por Jackie Rosa e sua equipe como convidada especial, homenagem ao Dia Nacional da Mulher, pela CNT. Título de Cidadã Benemérita outorgado pela Câmara de Vereadores de Luís Alves, em 7 de agosto de 1995. Homenagem na Noite de Gala Catarinense do dia 24 de junho de 1995 – pela Colunista Social Neusa Manzke Hoemke. Recebi uma linda taça de cristal lapidada com dizeres. Alguns casais de filhos estiveram presentes, e fui bastante aplaudida. Palestra em agosto de 1995 na Associação Comercial e Industrial de Pomerode. Prêmio Qualidade Brasil recebido em 2 de dezembro de 1995 no Clube Monte Líbano, em São Paulo, sob a coordenação da Internacional Exports Service. Paraninfa dos formando do Curso de Especialização da Moderna Gestão Empresarial da Universidade Federal de Santa Catarina em 8 de maio de 1996. Reportagem e entrevista no Diário Catarinense de 18 de agosto de 1996, jornalista Juliana Wosgraus com o título de Adelina Souza “Páginas de Uma Vida que Dá Livro”. Palestra na Associação Comercial e Industrial de Criciúma no evento. Mulher Expressão, em 31 de agosto de 1996.

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m meados de julho de 1995, fui surpreendida com uma carta-convite da Câmara de Vereadores de Luís Alves, para receber o título de cidadã benemérita daquele município. Comovida com a honra, reverenciei na sessão de outorga do título, aqueles que contribuíram para que esta homenagem fosse efetiva. Presentes, além das autoridades locais, nosso amigo Ivo Silveira, Duda e a maioria dos nossos filhos.

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Discurso de agradecimento: “Exmo. Sr. Prefeito Sr. José Braz Muller Exmo. Sr. Presidente da Câmara Municipal de Luís Alves. Exmo. Sr. Ivo Silveira, ex-Governador do Estado. Exmos. Srs. Vereadores. Autoridades Civis Militares Duda – meu marido Meus filhos Senhoras e Senhores Aqui estou eu, sensibilizada, em minha terra natal, a receber das mãos dos representantes da comunidade o título de cidadã benemérita, esta grande honraria que me foi conferida. Sinto-me honrada pelo título. Luís Alves! Foi aqui que tive a felicidade de nascer. Foi aqui que cresci como ser humano. Foi este povo que me ajudou a crescer nas atividades que exerço. Portanto, cabe a todos aqui presentes e as pessoas desta cidade, a maior parcela desta honraria que hoje estão a me conceder. Há anos, fomos obrigados a transferir nossa família para Blumenau. Diversos motivos nos levaram a isto, entre eles a necessidade de proporcionar aos filhos um estudo mais especializado e as exigências de uma indústria que estava em nossas mãos e necessitava desenvolver-se. Esta mesma indústria que aqui nasceu, cresceu e que pela força de trabalho deste povo, unida ao nosso esforço pessoal, foi dela um marco de desenvolvimento do nosso País. Os filhos cresceram e seguem trilhando, cada um, sua estrada na vida. Mas estejam certos de que, em nenhum momento, afastou-se de nós a lembrança do nosso solo natal. Cidadã benemérita de Luís Alves! Quantas pessoas mereceram durante a vida desta cidade este honroso título? Pessoas queridas, que ainda hoje convivem conosco e, sobretudo, aqueles entes amados e reverenciados, por cada um de nós que já - 320 -


partiram para conviver com Deus, mas que apesar disto mantêmse presentes no nosso amor.

Neste momento, invade-me o coração a lembrança viva de meu pai, Leopoldo Hess, e de minha mãe, Verônica. Eles, como outros pioneiros que se foram, dedicaram com amor sua vida e sua luta em prol da família e da comunidade em que viveram. Foram eles, os nossos antecedentes, que nos deixaram este legado de amor e trabalho e de honradez que norteia as vidas deste povo. Por compreender a imensidão deste legado, dedico a eles, aos meus pais, este título. Invade-me a alma, também, com a suavidade de um poema, os momentos de luta e companheirismo que passei aqui em Luís Alves ao lado de meu marido. Sinto-me gratificada em reconhecer que sem ele, sem o seu apoio e carinho, sem a imensa força que brota de cada gesto de amor, que resulta de cada palavra amiga, - 321 -


pouco eu teria feito. Verdade é que sem a minha outra metade – o Duda -, seria apenas metade, não seria uma mulher plena e feliz. Portanto a ele, a este homem que fez-se pura Poesia em minha vida, dedico também este título. Agradeço especialmente ao Dr. Ivo Silveira, ex-governador do Estado, por nos ter prestigiado com sua presença, e por ser amigo de nossa família. Para finalizar, uma palavra simples que eu gostaria de transmitir: Obrigada! Obrigada por esta honraria que neste momento recebo de vossas mãos. Obrigada a Deus, por me ter dado a Glória de ser filha desta terra! Tenho dito.”

Recebendo a placa de cidadã benemérita, sob o olhar amigo do exGovernador Ivo Silveira, do meu filho Vilson e das autoridades locais

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m 1992 e posteriormente em 1993 organizamos desfiles de nossas colchas e roupas de patchwork. Nossa filhas e noras foram as manequins, nestas tardes beneficentes, que atendiam ao apelo de um deficiente físico de Mato Grosso. O primeiro evento aconteceu em Balneário Camboriú, no Hotel Ilha da Madeira, no dia 30 de janeiro de 1992, às 17 horas. O segundo ocorreu no dia 20 de outubro de 1993, às 16 horas, no Salão Heidelberg do Hotel Himmelblau, em Blumenau. Após os desfiles servimos chá e café colonial, quando sorteamos uma colcha entre as pessoas presentes. Nesta ocasião fiz uma apresentação sobre o objetivo da tarde beneficente e os artigos em patchwork: “Nosso desfile de caráter beneficente traz até vocês um trabalho de arte, dimensionado para transformar o quarto de dormir num cenário de sonho e de fantasias. Nossa arte são as colchas de patchwork. Sua origem remonta ao Oriente, à Europa e assolou os Estados Unidos, quando os pioneiros vieram para o Oeste e lançaram a moda country, tão difundida e apreciada no mundo todo. As dificuldades financeiras da época e o alto preço do algodão que era importado, impeliam as mulheres ao aproveitamento de retalhos de tecido e até de roupas usadas para a confecção de colchas e acolchoados, que aplacassem o rigor do frio invernal. Tornou-se tradição. Sempre que um casamento se aproximava as amigas da noive reuniam-se para um bate-papo animado e confeccionavam a colcha, ou acolchoado que servia de presente ao jovem casal. Os desenhos foram tomando formas e cores variadas, explodiram em criatividade e originalidade e, nos dias atuais, representam e evidenciam o bom gosto e o requinte da decoração. - 323 -


Utilizam-se, além de tecidos variados e sofisticados como o veludo, chamalote, gorgurão, gobelin, adereços e complementos como fitas, passamanarias etc... O presente desfile visa angariar fundos para a Casa do Deficiente Físico de Campo Grande. No afã de cumprir esta nobre tarefa, os netos, filhas e noras, sobrinhas e pessoas do relacionamento da promotora deste eventos, dispuseram-se a participar como manequins amadoras. Pedimos escusas por qualquer falha que porventura houver, ressaltando que o importante é a missão social que todos nós aqui nos propusemos desempenhar.” Palavras proferidas pela nossa filha Maria Aparecida, após o desfile: “Existem pessoas cuja existência é uma trajetória de sucesso, um hino de louvor ao trabalho, um tributo de amor à vida. Pretendendo reconhecer e divulgar a história dessas pessoas, a Rede Bandeirantes, instituiu o programa “Gente Que Faz”. Foi assistindo o programa que contava a trajetória de Dona Adelina Clara Hess de Souza que o paraplégico Haroldo Espinosa resolveu pedir auxílio financeiro através de uma carta, profundamente comovedora, para a Casa do Deficiente Físico de Campo Grande. Imbuída de um sentimento nobre, comovida e penalizada ante o infortúnio dessas pessoas, Dona Adelina iniciou a campanha em busca de recursos. O apelo foi ouvido e vocês aqui presentes aderiram à causa, participando deste ato de solidariedade a qual muito agradecemos. Neste momento, pedimos licença a vocês para homenagear aquela que representa, em sua versão plena, a conquista e a vitória: nossa mãe, sogra e avó Adelina. Ela que recebeu de Deus o sublime desígnio de conceber e criar os seus 16 filhos, fez disso uma nobre e honrosa missão. Venceu obstáculos e adversidades e imprimiu a todos os seus atos a obstinação pelo labor. Através de sua permanente ação confere à

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vida força, alegria e objetividade, e como diz o poeta nosso pai: transformou-se numa fonte de inesgotável inspiração. Recebe mãe, através dos teus netos aqui presentes, o testemunho de nossa profunda admiração, de nossa gratidão pelo exemplo dignificante que nos legaste.” A renda dos desfiles foi encaminhada ao Sr. Haroldo, no Mato Grosso, como doação para a compra de um telefone, que propiciou aos deficientes físicos, como ele, condições de se comunicarem e conseguirem meios para a reconstrução da Casa do Deficiente Físico. Junia Vasconcelos, nossa amiga, professora de história e também de patchwork, em Florianópolis, veio a Blumenau em um dos nossos desfiles e palestrou sobre a antiga e nova arte, fascinando a todos.

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CapĂ­tulo XV


quem devemos gratidão? Sou muito grata a todas as pessoas que sempre nos ajudaram, que estiveram no nosso caminho, que emprestaram seu apoio e solidariedade, seu trabalho e dedicação. Houve pessoas, no entanto, que pela sua dedicação, solidariedade e empenho tiveram destaque nas nossas realizações. Muitas vezes me lembro delas comovida e por esta razão quero deixar registrado os nomes: Lídia e Gertrudes Trentini, que comigo começaram a pequena confecção em Luís Alves. Filomena Scola, que foi a primeira mestra da pequena indústria que estava começando. Ela é hoje ainda a mais habilidosa das costureiras, conhecendo todos os setores na fábrica de Luís Alves. Com 75 anos persiste em continuar trabalhando, embora esteja aposentada. Maria Hess, minha prima que trabalhou desde o início, lado a lado comigo. Era a encarregada das demais costureiras e, por muitos anos, foi a gerente geral da fábrica. Ficou conosco até sua aposentadoria. Maria, além da sua dedicação na indústria, muito colaborou na criação dos nossos filhos. Dona Júlia Rebelo mudou-se com a família, de Blumenau para Luís Alves, no início da fábrica e ficou conosco também até sua aposentadoria. Mística Miquelucci (em memória), foi uma colaboradora especial. Frederico Olíndio de Souza (sobrinho) esteve conosco, ajudando-nos dos 14 aos 18 anos, numa das épocas mais difíceis, estava sempre ao nosso lado auxiliando-nos em todas as tarefas: indústria, loja e família. Estava sempre disponível e solidário dia e noite, se necessário fosse. Fred, como o - 327 -


chamamos, foi o autor do nome Dudalina e quem mais nos ajudou na parte burocrática da empresa, quando os nossos filhos ainda eram pequenos. Anos mais tarde foi eleito prefeito de Itajaí. Ele será sempre o nosso sobrinho do coração pelo muito que fez por mim e pelo Duda. Eugênia Kraisch, mulher simples e de um grande caráter, foi a governanta que durante muitos anos cuidou e colaborou na criação dos nossos filhos. Com a sua indispensável ajuda, sua fidelidade, tivemos mais facilidades para criá-los. Comandou por muitos anos toda parte doméstica. Foi uma grande cozinheira e hoje, após muitos anos, ainda é lembrada pelos nossos filhos que lhe querem muito bem e a visitam. Terezinha Guesser – auxiliou-nos por muitos anos, em Blumenau, administrando a casa. Eulália Bornhausen – chefe da confecção Patchwork, comanda uma equipe de costureiras e com sua dedicação ajuda esta nova empresa a crescer. Muitas outras pessoas, com seu desvelo e abnegada dedicação contribuíram para que nosso trabalho fosse fortalecido, para que nossas empresas crescessem e se tornassem sólidas. Gostaria de registrar a minha comovente gratidão a todos que, direta ou indiretamente, contribuíram para o meu crescimento pessoal e para o crescimento do Grupo Dudalina. Para eles a certeza de que o mérito maior do trabalho é a convicção do dever cumprido.

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uando instalamos a indústria em Blumenau, contratamos uma secretária para a Diretoria. Era uma moça novinha, inteligente, bonita e muito gentil. Seu nome: Carmem Marquetti. Na verdade ela auxiliava meu filho Anselmo, que, naquela ocasião, presidia a empresa. Quando nasceu Marco Aurélio em 1969, nosso 16º filho, eu ainda era diretora da empresa e, com a necessidade de dividir meu tempo entre ambos, Carmem foi me auxiliar. Dotada de um grande sentimento de solidariedade, muito simpática e sempre disponível, logo conquistou a estima de toda a família. Encarregou-se de muitas das minhas atividades, como a organização da agenda, controle das minhas contas nos bancos, transmissão das minhas ordens e determinações, compras para a casa, etc. Rapidamente foi tomando conhecimento da forma do meu trabalho e correspondeu, com sua competência, às minhas necessidades. Carmem não tinha hora para voltar para casa. Também nunca se preocupou com o horário ou com horas extras. Ela queria era ser útil. Nesta época eu administrava oito lojas. Ela, com seu jeito tranquilo, seu otimismo constante, resolvia todos os problemas. Foi fabulosa. Nossos filhos a adoram e Duda gostava muito dela. Vivia brincando e sempre tinha uma palavra de estímulo para “Dona Carmem”, como ele sempre brincando a chamava. Carmem é como se fosse da família. Nas aniversários, bodas e eventos é convidada permanente.

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festas,


Em 1983, quando assumi a direção do Hotel, foi secretariar-me e hoje, já como gerente, desempenha suas funções com competência. No entanto, está sempre ao meu lado, dando-me forças e procurando me ajudar, querendo sempre aliviar minha carga de trabalho. Está permanentemente com um sorriso no rosto e tem sempre uma palavra de incentivo que lhe sai sinceramente do coração. Carmem tem uma qualidade ímpar, além das demais: humildade para reconhecer seu erro, quando alguma coisa não dá certo. Quando comemorou 20 anos de empresa, foi-lhe prestada uma homenagem com uma festa surpresa. Mesmo aposentada, permanece trabalhando, auxiliando nosso filho Rodolfo na difícil tarefa de administrar o Hotel. Sou-lhe muita grata pela sua atenção nestes 27 anos de abnegada dedicação e lealdade.

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evo falar inicialmente de um grande médico que nos atendeu nas três gerações, começando pelos meus pais Verônica e Leopoldo Hess, dos quais se tornou grande amigo. Para eles Dr. Paulo Mayerle era milagroso. Deus no Céu e Dr. Mayerle na Terra, tal a confiança que depositavam nele. De grata lembrança, após mais de meio século, lembro-me também do Dr. Hess que atendeu meu pai quando sofreu um acidente, num incêndio na loja. Salvou-lhe a vida pois teve queimaduras de primeiro, segundo e terceiro graus. Era o milagroso médico dos anos 1930 que atendia toda a população de Blumenau no Hospital Santa Isabel. Quero reverenciar ainda a um grande médico humanitário que, além de médico, é nosso grande amigo e que faz parte da nossa família por ser o sogro do nosso filho Rui Leopoldo casado com sua filha Lygia. É ele o Dr. Elisiário Pereira, ginecologista que sempre me atendeu nas gestações e, agora, atende nossas filhas e noras. É um grande médico, dedicado e a quem devemos gratidão. Dr. Leitão foi o pediatra dos meus filhos. Foi um anjo da guarda. Quando Rodolfo Neto nasceu, em menos de 30 horas teve uma hemorragia e estava em perigo de vida. Minha mãe e Elvira o trouxeram para Blumenau e foram direto ao consultório do Dr. Leitão que, imediatamente, aplicou uma injeção de vitamina K e o encaminhou para o Banco de Sangue do Hospital Santa Isabel. Lá o Dr. Diogo Vergara não mediu esforços, atendendo-nos de imediato nas transfusões. Foram doadores de sangue o Sr. Fiorello, colaborador do Hospital Santa Isabel, e uma freira da qual não lembro o nome. Somos sempre gratos a estes anjos que ajudaram a salvar a vida do nosso filho. Em 1961 viajei a São Paulo para as compras nas fábricas e atacadistas que abasteciam nosso comércio. Estava grávida de três meses e viajei em companhia de uma balconista. Estava muito insegura e cheia de saudades do marido e filhos. Após dois - 331 -


dias de trabalho com muito esforço, tive ameaça de aborto. Liguei para Lacy, prima que morava em São Paulo e ela, com o marido Lasinho, de imediato vieram me buscar para irmos ao Dr. João Calebe, que era também o seu médico. Após a consulta receitou injeções de Lutogil e repouso absoluto. Mesmo em repouso após dois dias eu não havia melhorado. Dedicadíssimo, veio até o hotel e me atendeu. Ele nunca saíra do seu consultório para visitas. Após uma semana pude viajar tranquila para junto da família. Valeu a pena, pois seis meses depois nasciam os gêmeos Renato e Renê, que ele salvou. Nunca me esqueci deste ato. Quero tornar a encontrá-lo e para abraçá-lo e agradecer. O Dr. Ari Hertzinger, cirurgião ortodentista, atendeu-nos num acidente sofrido pelo gêmeo Renato Maurício, que levou um coice de cavalo, quebrando todos os dentes da arcada superior. O atendimento foi excelente e o tratamento um sucesso, ainda mais que a criança tinha apenas dois anos. Não houve sequelas. Em 1964 Duda começou a ter problemas de hipertensão arterial. Sua pressão chegou a 28 e foi internado de emergência no Hospital Marieta Konder Bornhausen, em Itajaí. Foi atendido por um jovem médico, Dr. Luiz Arnoldo Braga Tenius, que posteriormente se tornaria grande amigo da família. Em face das complicações, deslocamo-nos para o Rio de Janeiro para fazer tratamento com um dos melhores cardiologistas da época, Dr. Carvalho de Azevedo. Tudo era muito difícil pois já tínhamos 13 filhos, e a mais nova, Adelina Scheila, pouco mais de três meses. Ficamos lá por dez dias, primeiro no Hospital dos Estrangeiros, depois na Beneficência Portuguesa. Na mesma ocasião fiz cirurgia de ouvido com o Dr. Carlos Coz no Hospital Arnaldo de Moraes em Copacabana, com pleno êxito, corrigindo o problema de audição que, infelizmente, transmiti a alguns dos filhos. Também em 1964 Duda teve a ruptura de uma artéria no braço, que lhe causou hemorragia e Dr. Walmor Belz, médico e amigo, atendeu-nos na madrugada, realizando a cirurgia de emergência. Devemos a ele gratidão. Dr. Walmor atendeu-me também com problemas de varizes. Com a hipertensão do Duda, detectada em 1964, passou a atendê-lo o jovem cardiologista Dr. Luiz Tenius, de Itajaí, que já o conhecia. Duda submetia-se periodicamente a exames e

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consultas e o Dr. Luiz, com grande dedicação, foi seu médico e amigo por muitos anos. Somos-lhe muito gratos. Em 1985 Duda sofreu um acidente na Fazenda Santo Antônio, quebrando uma das pernas com fratura exposta. O médico que o atendeu foi o ortopedista Dr. Luís Carlos Lenzi. Surgiram complicações e fomos para Curitiba, onde o Dr. Rickler, ortopedista renomado, fez uma cirurgia para implantação de uma placa de platina, com uma recuperação rápida. Em 1971 eu tive que me sujeitar a várias cirurgias. Para evitar fazê-las em etapas consegui fazê-las no mesmo dia, no Hospital Nossa Senhora das Graças em Curitiba. Foram 10 horas de centro cirúrgico e tudo correu muito bem. Os médicos foram o Dr. Mauri Piazza, ginecologista; Dr. Renato Pinho, proctologista, e Dr. Elias Abrão, angiologista. Valeu a coragem pelos excelentes médicos que escolhi. Duda precisava de assistência médica permanente. Como o Dr. Luiz Tenius havia se mudado para Curitiba, escolheu como seu cardiologista o Dr. Sigmar Starke, profissional extremamente competente. Tornaram-se amigos e o Dr. Starke praticamente passou a fazer parte da vida de Duda. Ao menor problema consultávamo-lo, ou chamávamos e ele sempre estava à disposição. Inúmeras vezes esteve em nossa casa, acompanhando sua saúde. Duda tinha grande confiança no Dr. Starke, que se tornou amigo e respeitado pela família; somos-lhe muito gratos pela atenção e o carinho com que sempre o tratou. Em 1985 o Dr. Starke notou artérias obstruídas e ligou-me dizendo da urgência em fazer um cateterismo para avaliação. Viajamos para São Paulo e nos internamos no Hospital do Coração. Após o cateterismo, foi necessária a cirurgia para colocação de quatro pontes de safena e uma mamária. O Dr. Luiz Carlos Bento e sua equipe foram seus médicos. Sua recuperação na UTI foi complicada, mas graças a Deus foi melhorando e após duas semanas pudemos voltar para casa. Dr. Protásio da Luz foi o clínico que acompanhou a cirurgia. Em 1989, com problemas de circulação em uma das pernas, tive que me submeter a uma cirurgia, cujo médico foi o Dr. José Macedo, angiologista muito dedicado e humano. Dia 8 - 333 -


de novembro nova cirurgia de ouvido se fez necessária; tive que me submeter a uma cirurgia com Dr. Wilson Cidral em Curitiba. A cirurgia foi feita na sua clínica e duas horas após tive alta, ficando ainda dois dias em repouso. A conselho do Dr. Starke, em setembro de 1992, e após avaliação dos médicos do Hospital do Coração em São Paulo, foi preciso que Duda colocasse um marca-passo. Os médicos foram Dr. Nelson Patchou e Dr. José. O Dr. Starke acompanhava seu tratamento constantemente com avaliações e cuidados. Em 31 de dezembro de 1993 tive uma fratura no meu braço esquerdo numa pequena queda. Dr. Aldo Gonçalves foi o médico que me atendeu e com uma cirurgia resolveu-se o problema. Sempre grata. Em 1993 Duda internou-se em Curitiba para uma cirurgia no joelho, no Hospital Santa Cruz. Seu médico Dr. Luís Carlos Balão foi incansável no atendimento que não foi fácil. Teve que voltar após 1 mês para nova avaliação e nova cirurgia na qual teve pleno êxito. Dr. Balão, além de médico, tornou-se um grande amigo do Duda. Falava-me que foi um paciente que cativava pela simpatia, humildade e carinho. Dr. Ervino foi o médico que operou o Duda de próstata, também em Curitiba. Devo falar com justiça e orgulho, de nosso filho médico Roberto Eduardo. É ele que, junto com Dr. Starke, assistia o pai, esclarecendo suas dúvidas, aconselhando-o e tranquilizando-o. Prestativo, está sempre disponível para todos os membros da família que o procuram quando necessário. Muitos outros médicos nos atenderam e dos quais não recordo o nome. A todos eles, que se dedicaram a mim, ao Duda e a nossos filhos, quero registrar a nossa profunda gratidão. Estejam onde estiverem, ao lerem este meu pronunciamento saibam que em nome de minha família ser-lhes-ei sempre grata.

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o terminar de escrever este livro, li-o e reli-o algumas vezes e devo dizer, constrangeu-me o aparecimento de verbos na 1ª pessoa do singular. Não foi assim que iniciei este livro. O primeiro revisor, Dr. Sérgio Schmitz, professor de História da UFSC, notou que eu me excluía em aparecer usando sempre a 1ª pessoa do plural. Quando me convenceu de que realmente estava apresentando uma autobiografia relacionada ao meu trabalho, minha família, minha empresa e minha luta, concordei em mudar. É evidente que não seria possível deixar de narrar o que fiz, o que realizei, pois, se o deixasse de fazer, o livro não seria completo. Achei interessante falar de como agi e, para demonstrar, nada melhor do que exemplos úteis a quem desejasse conhecer. Muito me agradaria se o que escrevi fosse interpretado como uma forma de levar minha experiência às pessoas que se interessam pela vida de trabalho, igual a de milhões de criaturas em todo o mundo, que conseguiram realizar seus objetivos com muito esforço, dedicação e persistência. Só isto me levou a publicar o livro, e para deixar exemplos aos meus filhos e netos, oferecendo um testemunho do que é possível fazer quando se encara a vida como algo precioso que recebemos das mãos de Deus. O trabalho é parte integrante da vida e se nos traz recompensas materiais, seu principal tributo é a satisfação íntima do dever cumprido. Minha vida transcorreu com alegria, com incertezas, com dificuldades, com esperanças e amor. No caminho, a presença do meu inesquecível Duda foi lição, ensinamento e ao mesmo tempo fonte de inspiração para formação do meu “Eu”. Ao encerrar este livro, momento de júbilo e alegria, torno público e faço dos meus sentimentos, palavras de gratidão.

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CapĂ­tulo Especial


TrĂŞs filhos

Quatro filhos

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Seis filhos

Nove filhos

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Dose dupla

Treze filhos

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Quatorze filhos

Dezesseis filhos

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Dezesseis filhos, genros e noras



Retrato de Família