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MELANCIA mag

Cultura Visual & Lifestyle #18 | Marรงo-Abril 2017 | melanciamag.com MELANCIA

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@rubiaamarelo


MELANCIA cultura visual e livestyle mag #18 / março-abril 2017

idealizadoras Juliana Lima & Mafalda Jesus sp e

al ci nks tha

Bumba na Fofinha | blog Frida Feminista | intervenção urbana Coletivo Nora | intervenção urbana Isabel Chong | tatuagem Styler | ilustração e street art Fernando Andreazi | lifestyle e criatividade Ámos Costa | escrita e ilustração Suelen Mendonça Gabriel Campino | receita Polimind | ping-pong Mónica Pereira | estilo que anda por aí Ana Henriques | revisão Família | Amigos

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Capa e Contra Capa by: Coletivo Nora

e-mail: melanciamag@gmail.com | www.melanciamag.com | facebook/melanciamag | instagram: @melanciamag


Parece que ainda agora começámos 2017, mas o Carnaval já lá vai e, sem demora, abrimos as portas do mês 3, de par em par. No Brasil, como cantava Tom Jobim, “são as águas de março, fechando o Verão”. Em Portugal, diz a sabedoria popular, “março, marçagão, manhã de Inverno, tarde de Verão”. Com a Primavera à porta, tudo começa a florir, as ruas e os jardins enchem-se de cores e aromas, enquanto o sol dá um ar da sua graça, num clima ameno, que convida a passeios, contacto com a natureza, ideias frescas e projetos inovadores. E a nossa jovem e irreverente revista luso-brasileira não podia estar noutro clima! Sempre numa onda de alegria, renovação e melhoramento constantes. Faça chuva ou faça sol, a MELANCIA mag saúda toda a gente, com a sua mais recente edição, a número 18, que promete acompanhar-te em março e abril, inspirando-te e adoçando os teus dias. Como sempre, preparámos cada uma das páginas com muito carinho. Sabemos que já estás habituado a que assim seja, não é? Damos-te a conhecer histórias divertidas do blog “Bumba na Fofinha”, destacamos um projeto inspirado em Frida Khalo, que realça o empoderamento feminino, e queremos que conheças um coletivo chamado Nora, que nos presenteou com a linda ilustração da capa desta edição. Mas não ficamos por aqui! E que tal dares uma olhadela aos rabiscos de uma paulista que começou a tatuar com apenas 15 anos? Vais ter, certamente, curiosidade em saber mais sobre um artista francês minucioso que espalha muitas cores nos muros por aí, ou sobre o lifestyle de um brasileiro de bem com a vida, não esquecendo as frases ilustradas e sentimentais de um rapazinho de apenas 16 anos! E, para terminar, que tal uma viagem à Chapada da Diamantina? Um destino brasileiro não muito convencional nos guias turísticos, mas de uma beleza natural de cair o queixo! Vem connosco! Surpreende-te e delicia-te com mais esta fatia de melancia. Prometemos, não te vais arrepender! :)


LISBONSOUTHBAY Um instagram que mostra os encantos da Margem Sul do Tejo. www.instagram.com/lisbonsouthbay


índice BUMBA NA FOFINHA

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FRIDA FEMINISTA

58 FERNANDO ANDREAZI

#melanciamag

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86 PING PONG

COLETIVO NORA

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74 CHAPADA DA DIAMANTINA

TOMA NOTA

88

38 ISABEL CHONG

ÁMOS COSTA

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STYLER

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DELÍCIA DE PÁSCOA

ESTILO QUE ANDA POR AI

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Foto por: Humberto Mouco 10 MELANCIA


Blog & Humor

Entrevista por: Mafalda Jesus Fotografias por: divulgação

Bumba na Fofinha, um nome com uma história curiosa por trás. Ou se calhar não. Se calhar ainda está por inventar a história que faça jus ao sucesso da página criada por Mariana, 30 anos feitos, mas ainda às aranhas com isto de ser adulta, ir a reuniões importantes e organizar jantares em casa com os copos e os talheres certos. Observadora, perspicaz, sagaz, divertida, não é exagero dizer que ela ilumina os nossos dias com aquele belo sorriso. Sim, Bumba, tu sabes que és gira como tudo. We love you <3

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“A MARIANA É UMA RECÉM-TRINTONA (É A PRIMEIRA VEZ QUE DIGO ISTO, OUCH) COM ESTUDOS E ANCA PARIDEIRA COMO A SUA AVÓ...”

1) MELANCIA: Quem é a Mariana? BUMBA NA FOFINHA: A Mariana é uma recémtrintona (é a primeira vez que digo isto, ouch) com estudos e anca parideira como a sua avó, boa dona de casa - sabe fazer quase tudo menos engomar camisas - escreve nas horas vagas, faz vídeos nas horas vagas entre escrever uma coisa e outra e é publicitária nas horas vagas entre escrever uma coisa e outra e fazer vídeos. Isto foi algo confuso, não foi? 2) M: Porquê “Bumba na Fofinha”? BNF: Não, não é um nome de filme porno de terceira. É uma expressão que apanhei de um amigo e que é sinónimo de “Incha” ou “Toma lá”, e ficou. No entanto, como esta história não tem absolutamente nada de interessante, fiquei de inventar uma diferente, mais mágica e surpreendente, para usar nas próximas entrevistas. 3) M: Conta-nos a verdade. O que é que a tua mãe, avós e tias acham da Bumba? BNF: A minha família, em particular o núcleo feminino, são as fãs nº 1 da Bumba. De forma militante e quase embaraçosa às vezes, ao estilo de interromperem qualquer conversa para gabarem a Bumba ou, pior ainda, para pedirem para eu contar à audiência determinado artigo ou história ao vivo, “aquele/a que tinha tanta graça.” Awwwwwkward.

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4) M: Quando descobriste o teu talento para fazer as pessoas rir? BNF: Na verdade ainda estou para descobrir, porque nunca assisti a nenhum riso em carne e osso provocado pelos dizeres da Bumba. É o que dá ser uma criação de Zuckerberg, os sucessos medem-se à base de números de fãs e likes, não propriamente de risos e gargalhadas humanas. Aliás, estudos mostram que, de todas as pessoas que escrevem “lol” ou “ahahah” em comentários, apenas 10% a 15% realmente se riu na vida real. Estudos forjados por mim, mas ainda assim. 5) M: Consegues ser muito observadora, extremamente divertida, bem-disposta e engraçada, sem ofender ninguém. Qual é o teu segredo? BNF: Com jeitinho consigo sempre ofender alguém, que há por aí malta muito criativa atrás de teclados. Mas a verdade é que não faço nem por ofender nem por não ofender, os meus temas naturalmente não costumam tocar em pontos sensíveis ou polémicos, são observações do dia-a-dia e, citando o nosso saudoso Gustavo Santos, só por essa razão não me “ponho tanto a jeito.” 6) M: Como te relacionas com outras páginas de humor menos consensuais, que recorrem muito à ofensa e a uma certa agressividade? É que tu és um doce... BNF: Ora muito obrigada! Isto dava direito a uma beijoca daquelas que o Prof.Marcelo dá às velhas, elas adoram beijar políticos, agarram-lhes o pescoço e puxam-nos para si para um chuac chuac com força em cada bochecha. Mais ou menos agressivos, acho que esses humoristas têm o seu público, cada um é livre de criar o que quiser e gostar do que quiser. O que é pena é que nas redes sociais parece que meio país quer lixar meio país e vice-versa e as pessoas estão tão ocupadas a tentar apanhar alguém em falso, a escorrer ódio em comentários, a detectar erros de gramática, vírgulas fora do sítio ou potencial de ofensa em qualquer frase que se escreva, que às vezes se esquecem de que podem escolher o que querem ver ou não. Botão Unlike existe, malta. 7) M: O que é essencial no teu dia-a-dia? BNF: Café, pouca conversa até às 10h da manhã, cães, boas séries, bons livros, um bom anti-olheiras, muito queijo parmesão. 8) M: Deixa uma mensagem à MELANCIA mag e aos seus leitores :) BNF: A Melancia, tanto em fruto como em revista, é extremamente completa, no entanto, como diz a lenda urbana, não se deve acompanhar com água porque algo de mau acontece cá dentro nas entranhas. No fundo, é como em tudo na vida: sabe sempre melhor com vodka.

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@agandra +27


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@diana_olivetree


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Intervenção Urbana e Empoderamento Feminista

Entrevista por: Juliana Lima Imagens por: Lela Brandão

Se o feminismo está em alta, Lela Brandão, está com tudo. Esta brasileira de 23 anos resolveu fazer as malas e trocar São Paulo por Lisboa. Estudante de Arquitetura e Artes Plásticas revelou-nos os seus projetos pessoais, o objetivo de criar o “Frida Feminista” e revelou-nos que pretende encher as terras portuguesas de “fridinhas”. Hey, miúdas, deixem se inspirar por esta iniciativa e amem-se mais. Cada vez mais ;) 

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1) MELANCIA: Quem é Lela Brandão? FRIDA FEMINISTA: Lela Brandão é uma brasileira de 23 anos, estudante de Arquitetura, artista plástica, designer gráfica, feminista, fundadora do Coletivo Feminista Zaha, e artista de rua. Criadora do Estúdio Sinestesia, onde personaliza objetos e faz artes sob encomenda, é também responsável pelo projeto “Frida Feminista”, em que espalha frases feministas como uma forma de democratizar o movimento. 2) M: Frida Feminista é um lindo projeto. Fala-nos do objetivo e como o concebeste. F: O objetivo da iniciativa é passar os sentimentos de sororidade e empoderamento. Muitas vezes as mulheres, ao andarem pelas ruas da cidade, sentem que não estão no seu lugar, principalmente, quando estão sozinhas. Qualquer caminhada vira sinónimo de desconforto, medo e insegurança. A ideia é que quando uma mulher caminha pelas ruas da cidade e encontra um “lambe-lambe” [poster] com uma mensagem positiva e empoderadora, ela se sinta acolhida, abraçada e mais confortável em ocupar espaços públicos. 3) M: Porque escolheste Frida Kahlo para criar o teu projeto? F: Sempre tive uma conexão muito forte com a Frida, tanto pela sua imagem de força e resistência, como pela sua relação com artistas contemporâneas. A arte dos “lambes”, que é uma ilustra da Frida, eu desenvolvi pelo meu Estúdio (Estúdio Sinestesia) e inicialmente vendia como quadrinhos. A ilustração fez sucesso, e como devo tanto da minha luta à minha querida Fridinha, nada mais justo do que ela ser a porta-voz do meu projeto. 4) M: Já ultrapassaste mais de 17 mil seguidores no Instagram. Quando começaste a partilhar este teu trabalho de intervenção nas ruas, podias imaginar o sucesso? F: Jamais imaginei que o projeto fosse ter esse alcance, e fico muito feliz! 5) M: Além de espalhares posters, sabemos que já fizeste outros produtos como t-shirts, capas para telefones e malas. Imaginámos que estendeste as peças para quem apoia a causa poder, literalmente, vesti-la. Fala-nos sobre estes desdobramentos. F: Foi muito legal o jeito que as marcas abraçaram o “Frida Feminista”. O projeto se estendeu para vestimentas, objetos como canecas, almofadas, enfim. A ideia nunca foi essa, afinal o projeto é um projeto não lucrativo e essencialmente artístico e de rua, mas fico muito feliz que as pessoas tenham se identificado tanto com ele que queiram sair vestindo a “Frida” por aí! 6) M: Qual o teu lema? F: Meu maior lema é sempre me guiar pela empatia. 20 MELANCIA

7) M: Sabemos que estás de mudança do Brasil para Portugal. Quais os teus planos para esta nova etapa? F: Vou passar algum tempo a estudar Arquitetura e Artes Plásticas, e tentar dar a conhecer os meus projetos. Espero muito que dê certo, e que eu possa agregar tudo o que Portugal tem para oferecer tanto no “Frida”, como no Estúdio Sinestesia! 8) M: Vais continuar com o “Frida Feminista” em terras portuguesas? F: Com certeza! Estou a estabelecer-me e a conhecer Lisboa, mas muito em breve vou começar a espalhar as minhas Fridinhas pelas terras portuguesas <3 9) M: Tens outros projetos em vista? Quais os próximos passos? F: O meu projeto principal agora é entender um pouco a cultura portuguesa, a relação das pessoas com a arte e principalmente sobre o movimento feminista aqui na Europa, comparando com o do Brasil, e poder usar essa vivência para fazer os projetos crescerem e entender qual o rumo que eles irão tomar a partir daqui. Estou muito animada! 10) M: Deixa um recado para a melancia mag e os seus leitores F: Parabéns, Melancia Mag, pelas entrevistas super interessantes e pelo trabalho tão competente! Foi uma honra ser chamada para conversar com vocês! Para os leitores que ainda não me conhecem, os convido a passar nas minhas redes sociais para conhecer o trabalho, tanto no @fridafeminista quanto no @estudiosinestesia, e espero que possamos esbarrar-nos pelas ruas portuguesas nos próximos meses! :)


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@braideamanda


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Intervenção Urbana

Entrevista por: Mafalda Jesus Intervenções por: Coletivo Nora

Apresentamos o Coletivo Nora, uma dupla criativa que nasceu em Águeda, Aveiro. O projeto surge da vontade de interligar a cidade e os habitantes, através de intervenções artísticas em espaços públicos e os protagonistas por detrás de tudo isto são César Pereira e João Balreira. Estas intervenções passam por interagir com os moradores, remodelando espaços ou dando vida a uma parede. São os autores da nossa capa deste mês e temos a certeza que por onde passam, deixam a sua marca bem vísivel :)

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1) MELANCIA: Como descrevem os protagonistas por detrás deste projeto? COLETIVO NORA: Dois bons rapazes! Nascidos em 1991, um com origens da serra e outro na cidade, os dois a viver em Águeda, um arquiteto e outro estudante de planeamento regional e urbano. Um é Sujimoto, Aravena, Siza, Bosh, Boyle e Murakami o outro é Jacobs, Lynch, Kerouac, Peixoto, Tarantino e Buarque. 2) M: Porquê “Coletivo Nora”? CN: Já demos várias respostas a esta pergunta e todas elas mais ou menos verdadeiras. A primeira justificação vem do engenho hidráulico que é uma referência do Rio Águeda e da própria cidade, que é de onde somos e onde começámos a trabalhar. Também já associamos à relação familiar, quase sempre de conflito entre noras e sogras. E, por fim, andar à nora! 3) M: Como e quando surge a ideia de intervir artisticamente na cidade? CN: Nós conhecemo-nos na escola secundária, apesar de estudarmos em áreas diferentes (um artes e outro ciências), tivemos desde sempre uma vontade muito grande de fazer alguma coisa juntos, durante muito tempo essa vontade nunca passou disso mesmo e nunca ganhou forma. Até que um dia, por um motivo curioso (ficamos ou dois sem namorada ao mesmo tempo), decidimos fazer alguma coisa só com um pressuposto: comunicar com a cidade através da rua. 4) M: De que forma é que os habitantes locais reagem a estas intervenções? CN: De uma forma geral muito bem e apoiamnos. Como é normal há sempre quem não goste. Já tivemos de tudo um pouco, desde quem nos ofereça o lanche até quem achasse que o escadote que estávamos a usar era para assaltar as casas. De qualquer forma, muito do feedback que temos aparece posteriormente nas redes sociais. MELANCIA 31


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5) M: Conseguem destacar algum trabalho? CN: Esta pergunta para nós é igual a perguntar a um pai qual o filho preferido. Se fizéssemos hoje qualquer um dos trabalhos que fizemos no passado, certamente ia sair algo diferente, mas adoramos alguma coisa em todos. Mas a ter de destacar, pelo simbolismo e pela marca que foi, o Jardim da Venda Nova (primeiro trabalho de sempre, em Águeda). 6) M: O que é essencial para levar um projeto social e artístico para a frente? É fácil conseguir autorizações para atuarem nas ruas? CN: Achamos que o essencial é acreditar naquilo que estás a fazer e no que queres dizer com determinada intervenção no espaço público. É interessante as duas perguntas estarem juntas, a resposta das autorizações passa por fazeres acreditar os outros, e se tu acreditares esse trabalho é bem mais fácil. 7) M: Deixem uma mensagem à MELANCIA mag e aos seus leitores :) CN: Olhem mais para a rua, até pode ser pela janela!

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@sissanieves


@sof_iaisabel 14 MELANCIA 37


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Tatuagem

Isabel Chong Entrevista por: Juliana Lima Imagens : Isabel Chong

Isabel Chong tem apenas 21 anos, mas já tem mais de cinco anos de experiência como tatuadora. Dá para acreditar? Esta brasileira, que hoje vive em São Paulo, nasceu na cidade de Campestre, Minas Gerais, e iniciou-se na arte da tatuagem com apenas 15 anos. Ela tem conquistado o seu espaço e aperfeiçoa-se a cada dia no blackwork, estilo que valoriza imenso os seus traços delicados. 

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“É UMA ÁREA QUE TEM MUITA GENTE BOA, CRIAR E MANTER UM NOME FOI ALGO QUE LEVOU BASTANTE TEMPO E APERFEIÇOAMENTO. MAS PARA MIM, AS MAIORES DIFICULDADES SEMPRE FORAM A MINHA TIMIDEZ E O MEU NERVOSISMO. ”

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1) MELANCIA: Quem é a Isabel Chong? ISABEL CHONG: Essa é uma boa pergunta, fiquei um bom tempo tentando encontrar uma resposta mas vou ficar devendo. Não sei quem sou e isso faz parte da minha arte. 2) M: Como e quando começou o teu percurso no mundo da tatuagem? IC: Acompanhei a minha irmã e a minha mãe em algumas sessões, quando tinha apenas 12 anos e quando pisei no estúdio apaixonei-me pela tatuagem. Foi um encontro. Com 13 fiz a minha primeira (coisa de que me arrependo muito hahah). Comecei a estudar numa escola que era ao lado de um estúdio e eu ia lá todo o santo dia. Fiz mais algumas e com 15 anos comprei a minha primeira maquininha. O engraçado foi que, no mesmo dia em que ela chegou pelo correio, eu abri e fiz a primeira tatuagem numa amiga, ficou bem ruim mas me apaixonei. 3) M: Que tatuadores te inspiram? IC: Vixe, vários! Acho que todos os que sigo no instagram. Hahaha! Mas o principal sempre foi o Jeff Gogue, eu

acompanho-o desde que entendi o que é tatuagem. Todos no estúdio em que trabalho inspiram-me muito também. 4) M: Na tua opinião, o que é essencial para ser uma boa tatuadora? IC: Ser profissional, entender o que o cliente quer e como ele quer. Sempre coloquei isso em primeiro lugar. Gostaria muito de fazer todas as tatuagens do jeito que quero, mas não sou eu quem vai ficar com ela para sempre. Estudar e absorver todas a informações possíveis pela caminhada também, já trabalhei em sete estúdios e tive contato com muitos tatuadores e a troca de aprendizagem é o que soma na técnica e a técnica faz bons tatuadores.  5) M: Tens um estilo de tatuar muito próprio e delicado. Como o definiste? IC: Não fui bem eu que defini, talvez. No começo tatuava diversos estilos, mas aí ficou em alta o blackwork e ele ressaltou meus traços finos e a delicadeza deles. Muita gente gostou e principalmente eu. Desde então especializei-me nisso. 

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6) M: Lembras-te da primeira tatuagem que fizeste? Contanos qual, em quem foi e como te sentiste. IC: Lembro-me, sim! Foi em casa de uma amiga que confiou muito em mim para essa loucura. A minha primeira máquina tinha acabado de chegar do correio e ela disse-me: ‘’você só vai ficar boa se treinar (algo assim), vamos fazer uma’’ Aí eu fiquei: ‘’ESTÁ DOIDA, eu não sei nem montar a máquina, mas vamos’’. Nós começamos por uma pequena, foi um ‘’S’’, até que ficou ‘’bom’’... Ai nós decidimos arriscar um pouco mais e fizemos uma frase de ombro a ombro nas costas o que não foi uma boa ideia. Foi um dos momentos mais nervosos que passei e já passei vários. 7) M: Quais são as maiores dificuldades desta profissão? IC: É uma área que tem muita gente boa, criar e manter um nome foi algo que levou bastante tempo e aperfeiçoamento. Mas para mim, as maiores dificuldades sempre foram a minha timidez e o meu nervosismo. Tatuar é trabalhar com público, é conversar com muita gente todo dia, tanto cliente quanto

equipa, e isso foi algo que eu tive de trabalhar muito. Não é fácil para quem é “fechado”. 8) M: Que conselhos deixas a quem sonha ser tatuador? IC: Estudar, claro, e manter a mente muito aberta. A tatuagem evolui de um jeito muito rápido. Tanto no estilo quanto no material. A tecnologia traz equipamentos modernos e saber usar isso a nosso favor faz-nos evoluir também. Sempre ouvir e observar. Requer tempo e muita prática para ficar bom, então temos de ter muita paciência e calma. 9) M: Deixa uma mensagem à MELANCIA mag e aos seus leitores :) IC: Gostaria de agradecer a oportunidade à Melancia, a todos os meus clientes que a cada trabalho me dão a oportunidade de evoluir mais e a todos os que curtem o meu trabalho e me acompanham! Esse reconhecimento é muito gratificante e fico feliz por ver onde aquela menina de 15 anos conseguiu chegar.

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@anitarrebita


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@hedgare_estrela


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Ilustração & Street art

s tyler Entrevista por: Mafalda Jesus Trabalhos por: Styler

João Carvalheiro, conhecido internacionalmente como “Styler”, é um talentoso artista urbano, nascido em Lille, França, há 27 anos atrás. O seu trabalho destaca-se pela minuciosidade, onde cada pormenor faz a diferença e onde as cores e o movimento nos fazem viajar e sonhar. Estas intervenções estão espalhadas por todo o lado e com certeza não passam despercebidas.

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1) MELANCIA: Quem é o João? STYLER: Sou o João Cavalheiro, tenho 26 anos, sou luso-francês. O meu nome artístico é Styler. Sou pinturo-dependente e muralista. Aprecio as coisas simples da vida, procuro ser humilde e estou sempre cheio de vontade de pintar mais. 2) M: Porquê o nome “Styler”? S: O meu nome provém do meu primeiro tag: “Style” que descrevia o meu gosto pela a estética e a geometria. Utilizo noções de movimento e desconstrutivismo no meu estilo de letras 3D. Em 2009 obtei por assinar Styler. Verbalizei o meu tag para destacar a minha evolução artística. 3) M: Nasceste em França, mais precisamente em Lille. Com que idade vieste para Portugal? S: Sempre me dividi entre França e Portugal. Nasci em Lille, Tourcoing, terra da minha mãe e foi com poucos meses que voltei para Portugal. Frequentei o ensino primário em França mas passei a maior parte da minha adolescência em Sintra. Em 2012 fiquei a morar cá definitivamente. 4) M: Como e quando começou esta paixão pelo street art? S: Desde muito novo que tenho interesse em desenho. Nos finais dos anos 90 fui acompanhando as pinturas que nasciam sobre as paredes da linha de Sintra. Fascinavam-me as assinaturas que tomavam posse de lugares esquecidos. Comecei a experimentar o grafitti em 2004 pintando em locais abandonados e ilegais. Em 2014, após 10 anos de experimentação e de crescimento neste ramo, iniciei a minha actividade profissional como artista urbano.

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“PARA MIM É ESSENCIAL ALIMENTAR-ME VISUALMENTE DE TUDO UM POUCO DO QUE ME RODEIA PARA ME INSPIRAR:” 5) M: Desenvolveste um estilo hiper-realista, em que não te escapa um único detalhe. O que te inspirou a seguir este caminho? S: Eu sou muito curioso e perfectionista. Tenho gosto em observar os detalhes, em captar as cores, as texturas: orgânicas, metálicas; e ao mesmo tempo gosto de acrescentar ao meu hiper-realismo uns toques de fantasia, luzes e contrastes. 6) M: Na tua opinião, que noção é que um artista nunca deve perder? S: Um artista nunca deve deixar de superar as suas próprias expectativas. 7) M: O que é essencial no teu dia-a-dia? S: Para mim é essencial alimentar-me visualmente de tudo um pouco do que me rodeia para me inspirar: As pessoas, a natureza, as perspectivas, as luzes e os contrastes. 8) M: Deixa uma mensagem à MELANCIA mag e aos seus leitores :) S: Caros leitores, surpreendem-se, observem e curtam! MELANCIA 53


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@umasimagensaoacaso


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Lifestyle e Criatividade

Fernando Andreazi Entrevista por: Juliana Lima Imagens por: Fernando Andreazi

Morou muitos anos fora do Brasil, nos Estados Unidos, passando pela Carolina do Norte e Boston, mas Fernando Andreazi, brasileiro de 32 anos, nasceu em Campinas, interior de São Paulo (SP). É nesta cidade brasileira que vive há sete anos e encontrou o seu próprio ritmo para enfrentar a loucura desta grande metrópole. Vem connosco conhecer a rotina deste nosso amigo de sorriso contagiante que esbanja e espalha muito talento por aí.

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“ESCOLHI SER FREELANCER PORQUE AMO MINHA CASA, MINHA CIDADE E MEU TEMPO. QUERO MANTER UMA RELAÇÃO DE TOTAL CONEXÃO COM OS TRÊS. FAZER O QUE QUERO E ACREDITO NA HORA QUE FAZ SENTIDO.”

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1) MELANCIA: Quem é o Fernando Andreazi? FERNANDO ANDREAZI: Fernando é um “cara” do bem, alegre, inquieto e apaixonado. É brasileiro, é do samba. Escreve para sonhar e canta para lembrar. 2) M: Qual a tua formação? E a tua profissão? F: Vivo das palavras. Elas são o meu sustento, a minha farinha de trigo. Misturo as palavras com tudo que faço: roteiros, nomes de marcas, melodias, marchinhas, poemas, sambas, conteúdo, etc. Sou formado em Comunicação Social, mas muito do que aprendi foi em casa, onde a linguagem, a música e a poesia sempre estiveram no centro da mesa. 3) M: Entre imensas e diversificadas experiências profissionais que SP já te proporcionou, optaste por ser freelancer. Por que tomaste esta decisão e como consegues organizar-te? F: Escolhi ser freelancer porque amo a minha casa, a minha cidade e o meu tempo. Quero manter uma relação de total conexão com os três. Fazer o que quero e acredito, na hora em que faz sentido. Regar as plantas, passear o cão, andar pelo centro, escrever um texto, ir ao cinema, responder a um email, dormitar, ter uma ideia, compor... Os projetos misturam-se com a vida. E assim organizo-se sem perceber. E assim trabalho sem sofrer.

4) M: A tua iniciativa de criar o “freela bóia”, rede que conecta pessoas que trabalham em casa e estimula encontros para um almoço colaborativo, é incrível. Como tiveste esta ideia e como te sentes com a adesão de tanta gente? F: O “freela bóia” foi uma ideia para evitar o desperdício de comida, reunir os “freelas” de São Paulo e criar novas conexões entre pessoas e alimentos. Nós, freelancers, muitas vezes almoçamos sozinhos. Quase sempre sobra comida, ou seja, não custa nada chamar o pessoal e compartilhar. O grupo está aumentando no Facebook e os eventos já renderam boas amizades. E eu adoro o nome!     5) M: Penso que abraçaste muito bem a causa “liberdade com mobilidade”. Certo? Como te sentes a andar de bicicleta por SP, sendo esta uma cidade com um trânsito tão caótico? F: Depois de alguns anos pedalando e abraçando a causa, posso dizer que a bicicleta faz muito sentido para uma cidade com tanto trânsito, stress e sedentarismo. Infelizmente, o paulistano tem uma relação de adição com o carro. No automóvel, depositam uma ilusão de poder e proteção. Pior, imaginam que usar a bicicleta como meio de transporte é algo irreal e maluco. Mas não é. Desde que comecei a pedalar, passei a ter uma nova relação com a cidade, com meu corpo e com meu tempo. Faço questão de usar a bicicleta todos os dias, para todos os cantos. Ela é a bandeira do seu próprio movimento.

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6) M: Na tua opinião, qual a principal diferença entre viver nos EUA e no Brasil? F: Crescer nos Estados Unidos ensinou-me que não podemos controlar o olhar que outros têm sobre nós. Por ser latino, tive de lutar em dobro para abrir pequenas portas por lá. Aqui sou branco, hetero e ainda por cima formado em Massachusetts (muitos brasileiros adoram esses rótulos). Ou seja, portas se abrem mais facilmente. Por outro lado, tenho consciência de que se elas se abrem para mim é porque se fecham para muitos outros. Assim, o que tento fazer é reconhecer os meus privilégios e lutar de alguma forma para que as minorias tenham mais voz e espaço. Sim, o Brasil ainda tem um longo caminho. E não é “mimimi”.    7) M: Tens a música na tua rotina. Tocas, cantas e participas em rodas de samba em SP. Contanos de forma breve como te sentes com isso. F: Em minha casa, o samba sempre se fez presente. Nos anos em que vivi fora, o cavaquinho foi meu grande parceiro quando o Brasil me faltou. Por isso, tocar, cantar e participar em rodas de samba em São Paulo é uma alegria e uma conexão muito intensa com as pessoas. Recentemente, criamos o movimento #ocupasamba, que são grandes rodas de samba no Largo da Batata, onde todos podem ir e participar. É lindo.   8) M: Queremos saber mais sobre o teu parceiro, o Mano. Como decidiste adotar um cão e como é a tua relação com ele?  F: A vida é mesmo a arte dos encontros, né? Mano e eu nos vimos pela primeira vez há dois anos na rua de baixo da minha casa. Hoje ele é um grande companheiro (espero que ele pense o mesmo). E com tantos cães abandonados, porquê comprar um amigo? #naocompreadote 9) M: Qual o teu lema? F: Tente mudar o mundo para melhor antes que ele te mude para pior. 10) M: Deixa um recado para a MELANCIA mag e os seus leitores ;) F: Adoro a revista. Valeu pelo espaço, pelo contacto e pelo conteúdo. Beijo! 

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@pedro.portela_


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@sarajvieira


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Escrita e Ilustração

Amos Costa Entrevista por: Juliana Lima Imagens: Ámos Costa

Acreditámos que Amós Costa é um dos artistas mais novos que já recheou as nossas deliciosas páginas. Pernambucano de apenas16 anos já ultrapassou os mais de 15 mil seguidores no seu perfil @amscost no Instagram. Suspira e permite-te conhecer o trabalho deste jovem artista brasileiro, apaixonado por pessoas apaixonadas, que espalha ilustrações e muito amor nas suas redes sociais.

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1) MELANCIA: Quem é Amós Costa? ÁMOS COSTA: Como se auto-definir!? Acho que sou só mais um adolescente que se sente diferente de todos os outros, e que não consegue encaixa-se em nenhum tipo de “padrão” mas que acaba sendo igual a todo mundo que pensa do mesmo jeito, todo mundo tão diferente que chega a ser igual. É meio confuso. 2) M: Quando percebeste o teu gosto e aptidão pela ilustração? A: Eu não sei ao certo quando comecei a gostar de desenhar, acho que o faço desde que me entendo como gente. Mas acho que eu só passei a interessar-me ao ponto de querer evoluir e ser melhor no que fazia, em 2014/2015. 3) M: Queremos saber mais sobre o teu projeto que reúne frases e ilustrações no Instagram. Conta-nos o porquê e como tudo começou. A: Antes de desenhar como o faço hoje, copiava desenhos que já existiam, fazia personagens de filmes e animações, e também super heróis. Mas era uma coisa meio “rasa”, uma espécie de passatempo. Quando me apaixonei, no ano novo de 2014, eu comecei a ver as coisas de uma forma tão diferente, era tudo tão mais “real” desde o chão que eu pisava até às nuvens por cima de mim. Era como se antes tudo fosse monótono e sem cor, e estivesse apenas sobrevivendo a vida e não vivendo de facto. Foi como se eu só tivesse descoberto que havia nascido a partir daquele momento. E eu começava a desenhar sobre o que sentia, e sobre músicas que eu ouvia, e era tudo sobre ela, eu estava a trasnbordar de tanto que eu sentia. Era maravilhoso. Quando a paixão acabou, passei um tempo a desenhar coisas tristes por que era como eu me sentia. Depois disso, simplesmente resolvi que não iria desenhar apenas coisas sobre mim. Eu queria continuar a “dar vida” a coisas felizes mesmo que eu não me sentisse mais assim. Não é mais só sobre mim, é sobre todo mundo que já se sentiu de uma certa forma, em certo momento da sua vida. E ver que as pessoas realmente se identificam com as coisas que faço, é sensacional.

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“ACHO QUE NINGUÉM NUNCA IMAGINA, MAS SEMPRE SE ESPERA QUE DÊ CERTO.” 4) M: Este teu projeto apresenta cenas de relacionamentos, sejam de dor ou de casais apaixonados. Por vezes até reconhecemos trechos de músicas. Quais as tuas principais inspirações e referências? A: No começo, a inspiração vinha toda do que eu sentia por ela, mas depois que parei de desenhar sobre nós dois, eu acho que eu estava meio apaixonado por pessoas apaixonadas, daí tanto desenho de casais que se amam, e a melhor parte é ver cada um marcando aqueles que amam nos comentários das fotos, é motivador e gratificante. 5) M: Quando começaste com este teu projeto, imaginavas que teria este sucesso? A: Acho que ninguém nunca imagina, mas sempre se espera que dê certo. Eu realmente admiro as pessoas que continuam com seus trabalhos independentemente da aprovação ou não do público que vai digerir aquilo, mas eu não consigo ser assim. Se as pessoas não gostam do que eu faço as vezes acabo não gostando também, fico aborrecido e sem vontade de ir desenhar de novo, mas outras vezes em que gostam, aquilo motiva-ve a continuar a desenhar sempre. 6) M: Qual o teu lema? A: Acho que não tenho nenhum tipo de lema. Acho que quero sempre tentar ser verdadeiro naquilo que eu fizer. 7) M: Tens outros projetos em vista? Quais os próximos passos? A: O meu próximo projeto é aprimorar a minha história em quadradinhos que se chama “Numa Terra de Corações Partidos”. É uma trama real que fala sobre coisas que aconteceram comigo e como me sinto sobre elas. Espero um dia tornar-me realmente bom na arte de fazer quadradinhos e ter a história publicada numa versão física, seja por alguma editora, ou de forma independente mesmo. 8) M: Deixa um recado para a melancia mag e os seus leitores :) A: Muito obrigado à Melancia Mag pelo espaço aqui e obrigado à Juliana pelo convite, fiquei bastante feliz. Espero ter dito algo de útil.

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@sof_iaisabel


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@thelighthouse_


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Viagem

CHAPADA DA DIAMANTINA Artigo por: Suelen Mendonça Fotografias por: Suelen Mendonça

De certeza já ouviste falar das belezas do Brasil. Este mês a nossa colaboradora, jornalista e especialista em viagens preparou este artigo especial sobre o seu mais recente destino. Quer saber mais? Prepara as tuas malas, inspira-te e viaja pela Chapada da Diamantina através das palavras e do olhar curioso da Suelen Mendonça.

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Na Chapada é assim, você anda (muito), sobe e desce pedras em caminhos nem sempre fáceis, e depois tem como recompensa cachoeiras e piscinas naturais para se refrescar. Uma mistura de tranquilidade e aventura, calor e momentos refrescantes, cansaço e a mais pura energia.    E para começar a falar um pouquinho sobre este paraíso, vale contar uma história curiosa que tem tudo a ver com a Melancia Mag. A cachoeira do Rio Roncador forma em seu percurso diversas poças d’água, algumas delas grandes e profundas, boas para um banho. Aliás, este é um dos meus locais preferidos para relaxar em piscinas que parecem jacuzzis, além de ter como “decoração” enormes pedras em mármore rosado. Lindo demais! O que poderia ser melhor? O nosso guia levou duas melancias, jogou em um desses caldeirões de água fria, e deixou-as submersas até o meio da tarde. Para nossa surpresa, ganhámos de presente pedaços da fruta para aproveitar o final do dia da forma mais refrescante possível.   A Chapada Diamantina fica no coração da Bahia, e é a maior do Brasil. Em sua história, no final do século XVIII, o local foi um importante centro do garimpo de ouro e diamantes, como o nome já diz. Hoje, reúne aventureiros do mundo em busca de conhecer e vivenciar um pouco de sua natureza, nas extensas planícies no meio das Serras. Esse é, inclusive, um dos pontos interessantes do local, a possibilidade de conhecer gente de todos os lugares – eu encontrei pessoas da Austrália, Nova Zelândia, França, Marrocos, Inglaterra, Guiana Francesa, Argentina e, claro, Brasil. A maior parte viajavam sozinhos.

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O ponto de partida para um turista de primeira viagem é a cidade de Lençóis, que fica pouco a mais de 400 km de Salvador, capital do estado. Mas em toda a Chapada, existem outros municípios, como Andaraí, Ibicoara, Iramaia, Itaetê, Mucugê e Palmeiras. E para quem busca desbravar o Interior com as próprias pernas, o ideal é percorrer o Vale do Pati, onde as caminhadas podem durar alguns dias, programa preferido dos mochileiros, que precisam de parar na casa dos povos locais para comer e dormir. Essa parte eu não conheci, mas enquanto estive por lá, encontrei pessoas que voltaram super entusiasmadas com a experiência.  A paisagem da Chapada, com toques de caatinga [paisagem esbranquiçada apresentada pela vegetação durante o período seco] e cerrado, é repleta de rios com água cristalina, diferentes tipos de cachoeiras, grutas e poços, onde a maior parte das vezes só é possível chegar após longas caminhadas no meio da mata. Num trecho dessas andanças, pude ver pessoalmente o Mandacaru, planta nativa do Brasil, presente no semiárido do Nordeste, tão conhecida em canção do Luiz Gonzaga.   Abaixo estão algumas dicas rápidas do que se pode encontrar neste incrível destino brasileiro: 1) Como chegar De autocarro, a viagem pode ser mais cansativa, com cerca de sete horas de viagem, mas a última paragem é no centro de Lençóis, fácil de chegar a pé dependendo de onde estiver hospedado. De avião, em menos de uma hora chega-se ao 78 MELANCIA

aeroporto mais próximo (20 km da cidade), de modo que ainda é necessário apanhar um táxi. A escolha de como ir depende muito de quanto se pode gastar (comprar uma passagem aérea de última hora pode ser caro) e quantos dias pretende ficar, pois as frequências de voos são geralmente duas vezes na semana (quinta e domingo), enquanto de autocarro há três viagens por dia, sem exceção. 2) Passeios e Guias Muitos dos passeios é possível fazer sem guia. Porém, para quem nunca foi à Chapada, contratar alguém que conhece o lugar, não fica caro e ganha-se tempo, ainda mais se for em grupos (para mim quatro pessoas é o ideal) - lembrando que as redes de telemóvel e de GPS não funcionam muito bem por lá. No centro de Lençóis há várias agências e tudo pode ser organizado na própria cidade, para programações de ida e volta no mesmo dia. O comum são as “Day Trips”, com saída às 8h30 e volta às 18 horas. 3) Noite No centro de Lençóis existem poucas ruas, mas todas elas repletas de restaurantes. O clima é agradável, geralmente com músicos a tocar ao vivo, propício para descontrair e descansar, antes do próximo dia de passeio. 4) Comida Estar no sertão baiano tem suas vantagens, entre elas, experimentar a culinária local, feita normalmente em fogão a lenha durante as paragens dos passeios diários. Dos pratos mais


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interessantes que provei, está o cortado de Palma – um tipo de cacto usado para alimentar o gado na seca, e que tem um sabor particular (levemente doce e com textura mais cremosa) para juntar com o arroz, o feijão e a farofa do almoço. Tem também o Godó de Banana, que é um ensopado de banana verde, além de refogados de abóbora, que lá se chama jerimum. O que escolher? As opções de lugares para se conhecer na Chapada Diamantina são inúmeras. Se estiver em época de seca, as cachoeiras podem estar com pouca ou nenhuma água. Vale perguntar antes! Entre os passeios mais fáceis de encontrar, e imperdíveis, estão: O Morro do Pai Inácio, em que é possível ter lá de cima uma vista 360º da Chapada. A dica aqui é ir quando o dia estiver claro, é muito mais bonito e o contraste das cores verde e azul acentua-se, formando um dos mais belos cenários. No mesmo dia, o roteiro deste passeio inclui passar pelo Rio Mucugezinho, o Poço do Diabo, e a Gruta da Lapa Doce - com formações incríveis de estalactites e estalagmites e uma experiência de ficar no escuro a mais de 100 metros abaixo da gruta. Por fim, passar pela Pratinha e Gruta Azul para um banho em suas doces águas azuis.   Para quem gosta de grutas, destacam-se as piscinas subterrâneas do Poço Encantado e o Poço  Azul, ambas em Itaeté, a 150 km de Lençóis. As águas cristalinas encantam pela beleza, principalmente, durante os meses de abril a setembro em que há incidência de sol por uma das aberturas naturais. Na

primeira não se pode nadar, mas já vale a pena só para observar esta maravilha da natureza. Já na segunda, a sensação é de flutuar na água.   Entre as cachoeiras boas para banho, e também convenientes pela proximidade com a cidade de Lençóis, estão: Cachoeirinha e Primavera, ambas na trilha do Rio Serrano, além da caminhada até o Ribeirão do Meio, que tem um tobogã nas pedras. Chegase a todas através de uma trilha, ao lonho de cerca de uma hora.   Há ainda dois cânions muito famosos pelas suas particularidade e belezas naturais. O primeiro, conhecido por cachoeira da Fumaça, que tem 422 metros de altura e a queda d’água aproximadamente 380 metros. Com isso, devido à altura e a força do vento, a água não chega a tocar no chão, fazendo o efeito do nome; fumaça! Para chegar, partindo de Lençóis, são 54 km de asfalto e 18 km de estrada de barro, além de uma caminhada, parte dela com vista para o Vale do Capão – o outro ponto alto da Chapada. Em segundo, está a cachoeira considerada a mais bela da região, a sul da Chapada Diamantina, chamada Buracão - um paredão de 100 m de altura, ao qual se pode chegar a nado, através de fendas.   Por último, uma experiência interessante para o sertão: o percurso de canoa pelo mini Pantanal ‘Marimbus’, com grande variedade de vegetação aquática, diversidade de peixes e pássaros raros. 

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#melanciamag

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polimind POLIMIND

A Polimind é uma startup de design sediada em Portugal. Os co-fundadores Andreia Cabanas e Dusan Cvetkovic são os criadores destes incríveis modelos feitos em papel. Ambos arquitetos e fascinados por modelos 3D, decoração de interiores e também por puzzles, juntaramse com o objetivo de transformar casas um pouco por todo o mundo com as suas construções em papel. 1. Como descrevem, em poucas palavras, a Polimind? A Polimind é uma startup de design que pretende fazer da decoração de interiores um entretimento! Os modelos da Polimind basearam-se na ideia do origami e puzzles para criar designs de vários géneros: padrões de parede, animais, mapas, criaturas míticas e icones mundiais. Os designs são super divertidos de montar! As peças vêm précortadas e dobradas o que torna o processo de construção muito fácil.

e apresentá-los em modelos únicos de papel. O nosso objectivo futuro será também ouvir as sugestões dos nossos seguidores e trazer as suas ideias para a realidade! Não há limites para a criatividade e temos ainda muitas ideias que queremos concretizar. ( poderiamos acrescentar esta frase? De momento, vamos estar em campanha de crowdfunding a iniciar a 15 de Março na Indiegogo, onde teremos alguns dos nossos modelos disponíveis para pré-encomenda. Deixamos o link: http://polimind.com/ indiegogo )

2. Como surgiu a ideia de criar este projeto? Sendo eu e o Dusan arquitetos e fascinados por modelos 3D, maquetes e decoração de interiores, andávamos à procura de algo onde pudéssemos trabalhar todas estas vertentes.O projeto Polimind surge como resposta a esta pesquisa, procurando também acrescentar algo novo e interativo a estas áreas. 3. O que destaca o vosso produto dos outros? No kit da Polimind, os modelos vêm em peças pré-cortadas e dobradas prontas a montar. Não são necessárias ferramentas de corte nem cola! O kit inclui tiras de fita adesiva de dupla face que tornam a montagem muito mais fácil. 4. Qual é o nível de dificuldade e o tempo médio de montagem das peças? A dificuldade depende da complexidade da geometria de cada modelo. Por exemplo, a Cabeça de Dragão pode demorar entre 3 a 4 horas a montar mas, o Mocho só irá demorar cerca de 2 horas. É importante também fazer pausas durante a montagem do modelo para que a atenção e dedicação seja a máxima. 5. O que vos inspira? Encontramos inspiração no que vemos no nosso dia-a-dia assim como, das imagens que temos no nosso imaginário que queremos relembrar e trazer para o interior das nossas casas. Tentamos transformar essas ideias para o nosso mundo de polígonos MELANCIA 87


Toma Nota PORTUGAL

FriendlyFlamingo Estás a ver aquele café acolhedor onde apetece marcar encontro com um amigo, ficar a ler um livro ou comer aquela tosta especial quando o estômago está mesmo a pedir um petisco reconfortante? O FriendlyFlamingo, que acaba de abrir as portas no bairro de Campo de Ourique, é mesmo esse género de sítio. O espaço distribuise por recantos confortáveis, onde podes estar com um grupo mas também sozinho no teu canto. Ao almoço preparam assim uns pratos saudáveis mas muito apetitosos e ao lanche há uns bolos à fatia que fazem lembrar a casa dos avós. De vez em quando, ao domingo, é dia de brunch. Mas tens de consultar a página para ver quando é o próximo. Morada: Rua 4 de Infantaria, 3A Sabe mais em: www.facebook.com/FriendlyFlamingoLisboa

DOWNUNDER by Justin Jennings Farto de pizzas e hambúrgueres? À procura de uma coisa diferente? Que tal umas tirinhas de crocodilo? Se achas um pouco agressivo, talvez possas optar por uns bifinhos de canguru. O mais recente restaurante da zona de Santos/ São Bento, em Lisboa, não é bem um zoo mas também não se recomenda a pessoas sensíveis ou facilmente impressionáveis. O chefe Justin Jennings veio do outro do mundo para abrir o DownUnder, cujo nome faz referência ao território australiano , o primeiro restaurante dos antípodas a chegar à capital portuguesa. E se tens amigos com estômagos delicados, eles que não se preocupem: a ementa sugere pratos bem mais leves do que as espécies acima mencionadas, incluindo saladinhas muito verdinhas. Sabe mais em: downunder.pt

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Toma Nota BRASIL

SP-ARTE/2017 Considerada uma das dez cidades mais importantes do mundo quando o tema é arte, São Paulo será palco de uma série de eventos em comemoração à semana da SP-Arte, contando com aberturas de exposições e atividades especiais que reunirão o melhor da arte brasileira e internacional, no começo de abril. O local dessa celebração à arte é o Pavilhão da Bienal localizado no Parque do Ibirapuera, onde acontece, entre os dias 6 e 9 de abril, a 13ª edição da SP-Arte – Festival Internacional de Arte de São Paulo, que promete reunir mais de 120 galerias de arte moderna e contemporânea do Brasil e do mundo. Sabe mais: www.sp-arte.com

THE ART OF HEINEKEN Nascida em Amesterdão, criada no mundo. Heineken é a obra-prima de Gerard Heineken. De 1873 até hoje, a sua arte conquista fãs com a mesma receita: água, malte e lúpulo. Se isso já te conquistou, imagina quando visitares a exibição... Ainda em tempo, descobre a arte por trás da estrela na exibição “The Art of Heineken”, uma imersão no universo da cervejaria em uma experiência inédita no Brasil, interativa do início ao fim. Se a exibição é de encher os olhos, a vista é de tirar o fôlego. Visita e surpreende-te! Ah, e para os mais animados, no último fim de semana podes aproveitar o concerto de Peter Bjorn and John que desembarcam em São Paulo para agitar as últimas festas do The Art of Heineken. Sabe mais em: www.theartofheineken.com.br

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delícia de páscoa POR: GABRIEL CAMPINO

BOLO CREMOSO DE CHOCOLATE

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1. BOLO - 200g de manteiga - 200g de chocolate - 200g ovo - 120g de farinha - 14g fermento pó - 80g cacau - 10g café solúvel 1. Bater a manteiga com o açúcar, adicionar os ovos, juntar o cacau a farinha e o fermento. 2. Colocar um tabuleiro e cozer a 160 graus.

2. RECHEIO - 150g nata - 250g chocolate negro - 50g manteiga - 20g mel 1. Aquecer a nata, adicionar ao chocolate a manteiga e o mel. 2. Deixar arrefecer. 3. Numa travessa fazer camadas de bolo e recheio, decorar com bolacha oreo em pó, massa de açúcar verde e coelhos de várias cores.

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MÓNICA PEREIRA IDADE: 25 anos

PROFISSAO: Gestora de produto na Lifecooler. Esta edição partilhamos o street style da Mónica, uma jovem alegre e bem disposta, sempre pronta para novos desafios.

LOOK: Camisola: Zara Calças: Zara Choker: Stradivarius

O MEU HOBBIE É Sou apaixonada por fotografia e por animais por isso dedico o meu tempo livre a caminhadas que me proporcionam esses dois momentos em conjunto. O MEU ESTILO É Gosto de usar diariamente um Look​casual que pode ser adaptado a várias ocasiões do dia . Este look é bastante básico, descontraído e confortável com um certo charme desde o choker ao cor-de-rosa, uma das cores que irá predominar na próxima estação Primavera/verão 2017. 92 MELANCIA


@rubiaamarelo


by: Coletivo Nora

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MELANCIA mag #18 março/abril  
MELANCIA mag #18 março/abril  
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