Notícias do Mar
Texto e Fotografia Carlos Salgado
Conhecer e Viajar pelo Tejo
O Tejo merece Ser Vivido O Tejo, rio de muitos donos, sofreu maldades e encheu-se de problemas. Comeram dele as indústrias poluentes, a agricultura intensiva, a construção civil e a pesca ilegal.
O
nosso grande rio, no entanto, pode ainda dar sinais de renascimento mas para isso, todos temos que contribuir com atitude, honestidade, empreendedorismo e vontade política, só assim se pode tornar um rio marcado num rio de marca. Uma das medidas que preconizo há muito é a navegabilidade do Tejo, e não me vou cansar de pugnar por isso, tendo em vista o crescimento económico do país. Ao preço a que está o combustível que não vai deixar de continuar a aumentar, a melhor solução para baixar consideravelmente o custo do transporte de mercadorias e de passageiros é uma Carreira Fluvial Navegável desde a foz até Espanha! Uma carreira fluvial destas trás imensos benefícios pois permite que haja uma alternativa de transporte com um custo significativamente inferior aos outros meios de transporte existentes em Portugal, tanto o ferroviário como principalmente o rodoviário. Ela vai, por certo, contribuir para o desenvolvimento da agricultura, da indústria, do comércio e do turismo da bacia hidrográfica do Tejo, com a vantagem de devolver o rio às populações, mantendo-o
vivo e vivido, e contribuir para maior segurança da circulação rodoviária. Então pergunto, vamos continuar à espera até quando? Uma obra destas para tornar o Tejo navegável até Espanha, como deve ser, custa bastante menos do que uma auto-estrada para servir o mesmo percurso. Mas os governos dos finais dos anos oitenta e durante os anos noventa, com a sua miopia ou por interesses inconfessáveis, meteram na gaveta ou mandaram simplesmente para o lixo, um Plano de regularização do curso do Rio Tejo com objectivos múltiplos, plano esse bastante bem fundamentado, tanto técnica como economicamente. Mas quem governava estava mais interessado em cobrir o país de betão e de asfalto, e deste modo favorecer o “ lobie “ dos TIR. Mas por estas e por outras é que estamos na situação tão periclitante em que nos encontramos! Mas ainda se está a tempo de pensar a sério num Plano destes até porque as máquinas e as técnicas das obras públicas evoluíram bastante e até pode acontecer que seja uma parceria ou consórcio privado a suportar os custos e a assumir os riscos de tal plano.
Esta obra, bem planeada pode também contribuir para nomeadamente, uma rede de rega moderna e eficiente; a solução de problemas ecológicos e paisagísticos; a protecção dos campos contra as cheias com a construção de novos diques; a protecção das espécies piscícolas, tanto autóctones como migrantes; melhoria da salubridade do rio com emissários dos efluentes urbanos e industriais previamente tratados; os problemas de drenagem; a protecção do nível freático; a contenção da erosão das encostas, o incremento do
turismo e o desenvolvimento do comércio nas frentes ribeirinhas. A construção desta obra cria emprego e contribui para revitalização da construção civil e das obras públicas para além de criar sinergias para que os parceiros da agricultura, da hidráulica, do comércio, da indústria regional do Vale do Tejo e os municípios congreguem esforços para que ela seja realizada, e tomem consciência dos benefícios que ela lhes traz, bem assim como a outros parceiros como os das obras públicas, da navegação, da banca, dos serviços. Ela será um incentivo à inovação, cooperativismo, formação em novas tecnologias, criação de empresas de distribuição, transportes fluviais, agricultura ecológica ( hortofruticultura de regadio, olival e vinha ), desenvolvimento de um turismo não virtual mas específico, de qualidade que congregue todos os operadores sérios que passem a operar em conformidade com uma garantia de qualidade comum, a criação de pequenas empresas familiares de turismo rural, construção de mais portos e portinhos para atracagem, para cargas e descargas de mercadorias, instalação de pequenas fluvinas organizadas, recuperação da auto-estima das comunidades ribeirinhas, criação de uma marca Tejo, um selo de garantia de qualidade de tudo o que for produzido na região do Vale do Tejo, enfim uma imensidade de actividades e produtos caracteristicamente regionais, TUDO ISTO SERÁ PODE SER UMA REALIDADE GRAÇAS A ESTA OBRA.
2012 Maio 305
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