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UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE FACULDADE DE ARQUITETURA E URBANISMO

OS ESPAÇOS PÚBLICOS COMO PALCO DA VIDA URBANA NA CIDADE DE SÃO PAULO

MARIANA GIMENEZ LEITE Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Departamento de Graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie como requisito parcial para obtenção do título de graduando.

Orientador: Prof. Dr. Flávio Marcondes SÃO PAULO 2017


DEDICATÓRIA Dedico este trabalho aos meus pais, que depositaram em mim toda a confiança, carinho e incentivo para ir atrás dos meus sonhos. Com eles aprendi e levo para toda a minha vida, valores muito maiores do que qualquer lição acadêmica. Sem eles eu não estaria aqui.


AGRADECIMENTOS Sou grata por todos aqueles que me acompanharam nessa jornada e não me deixaram desistir. Aos meus pais Sueli Gimenez e Luciano Leite por me fazerem sentir a melhor arquiteta, independente das minhas falhas e à minha irmã Carolina Gimenez pelos inúmeros telefonemas de desabafos em momentos de cansaço. Aos que foram minha segunda família durante tantos anos: Carlos Eduardo, Eduardo e Sônia Carvalho por todo o carinho, incentivo e suporte desde que saí do ensino médio, tornando tudo isso possível. Aos tantos amigos que fiz durante esse percurso de FAU Mackenzie pela companhia, pelas noites trabalhando juntos como uma equipe e pela paciência em me auxiliar nas dificuldades acadêmicas e pessoais; entre estes, à arquiteta Patrícia Putz pela boa vontade em dividir seu conhecimento durante os desafios que enfrentei neste trabalho. Nos dias mais turbulentos, tive os meus queridos Aline Santana e Dave Almeida que me acolheram e tornaram tudo mais leve enquanto minhas amigas Camila Castro e Bárbara Toledo me aconselhavam a seguir em frente. Sou grata ao meu namorado Rafael Santana por me apoiar em minhas decisões e pela companhia, ajuda e paciência durante as madrugadas de TFG e visitas em campo de estudo. Sou grata também pela sua família, que me acompanhou nessa reta final com muito carinho e compreensão. Ao professor orientador Dr. Flávio Marcondes por exercer com excelência sua profissão, me auxiliando da melhor maneira desde nosso primeiro contato no segundo semestre e ao professor Guilherme Motta por me guiar e orientar com sabedoria, incentivo e bom humor desde a escolha do tema até a finalização do projeto.


RESUMO Por muitos anos a sociedade vem se perdendo em meio ao caos crescente e a correria desenfreada da cidade de São Paulo, esquecendo aquilo que é dela por direito: a própria cidade e os seus espaços públicos. Atualmente tornou-se notável a tentativa da retomada desses espaços por diversos grupos, mas para que isso de fato seja possível, é necessário entender o que são esses espaços, se não apenas vazios urbanos e o que precisam para ter qualidade, sua relação com os espaços privados, seu surgimento, processos e como acabaram esquecidos e marginalizados. Esse trabalho busca a compreensão destes tópicos através do estudo de diferentes autores e da visão dos próprios protagonistas desse cenário: os moradores de São Paulo. Como reflexão dos estudos apresentados, foi escolhida uma quadra em uma região precária e movimentada do centro de São Paulo, para proposta de revitalização, onde os conceitos de espaço público de qualidade foram aplicados. PALAVRAS-CHAVE: ESPAÇOS PÚBLICOS – QUALIDADE - CIDADE – SÃO PAULO

ABSTRACT For many years society have been losing itself into the crescent chaos and unbridled rush that is the city of São Paulo, and forgetting what is society's by right: the city itself and its public spaces. Recently the attempt of recapture of those public spaces by many different groups has become notable, but to make this achievable, first is necessary to understand what are those spaces, if not only urban vacancy, what they need to have good quality, its connection with private spaces, its emergence, the processes of it and how they become forgotten and marginalized. This paper aims to comprehend those topics through the study of the work from different authors as well as the perspective of the leading figure of this scenario: the resident of São Paulo. As a reflection of the studies presented here, a block was chosen, from a precarious and busy part of the central region of São Paulo, for a revitalization proposal, where the concepts of a good quality public space were applied. KEYWORDS:

PUBLIC

SPACE

QUALITY

CITY

SÃO

PAULO


SUMÁRIO 1-INTRODUÇÃO.......................................................................................................................................................................................................11 2-ESPAÇOS PÚBLICOS: DEFINIÇAO E CONTEXTO HISTÓRICO................................................................................................................13 2.1-DEFININDO UM ESPAÇO PÚBLICO DE QUALIDADE...............................................................................................................................15 2.2-A TRANSIÇÃO ENTRE ESPAÇOS PÚBLICOS E PRIVADOS..............................................................................................................20 3-A CIDADE DE SÃO PAULO E SEUS ESPAÇOS PÚBLICOS ATRAVÉS DA HISTÓRIA.............................................................................23 3.1-A FUNDAÇÃO ATRAVÉS DOS RIOS (1554 – 1867)..........................................................................................................................25 3.2-O INÍCIO DA MODERNIZAÇÃO– INDÚSTRIAS, FERROVIAS E BONDES (1867-1930)...............................................................26 3.3-A EXPANSÃO DA CIDADE- IMPACTOS DA INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA E IMOBILIÁRIA (1930-1966)..................................29 3.4-O MEDO REFLETIDO NA CIDADE – OS MUROS E AS FAVELAS (1966-2002)....................................................................................34 3.5-A RETOMADA DOS ESPAÇOS PÚBLICOS NO CENÁRIO ATUAL (2002-2017).......................................................................................38 4-A REGIAO DE ESTUDO- O CENTRO DE SÃO PAULO......................................................................................................................................46 4.1 -A QUADRA DE INTERVENÇÃO..............................................................................................................................................................................52 5.0 -O PROJETO- COMPLEXO DE REINTEGRAÇAO SOCIAL.................................................................................................................................55 5.1 -REFERENCIAS PROJETUAIS .................................................................................................................................................................................56 5.2 -PROPOSTA PROJETUAL.........................................................................................................................................................................................63 6 -CONSIDERAÇOES FINAIS............................................................................................................................................................................................82 LISTA DE IMAGENS................................................................................................................................................................................................84 REFERENCIAS.....................................................................................................................................................................................................................95


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INTRODUÇÃO

Uma cidade vai muito além de suas edificações. Ela é composta por diferentes fatores que se alteram de acordo com a cultura, o povo, o histórico e a economia. Em São Paulo, o crescimento extremamente acelerado ignorou a escala humana, tornando os automóveis e o sistema capitalista protagonistas em sua construção, o que acarretou danos que afetam a vida urbana até os dias de hoje, sendo um dos principais, a escassez dos espaços públicos de qualidade. Para compreender os vazios urbanos como mais do que apenas espaços de transição, esta pesquisa busca os seus significados e conceitos para posteriormente, entender como evoluíram e porque se perderam. Atualmente existem iniciativas governamentais e também independentes, para a recuperação destes espaços, possibilitando que o cidadão ocupe o que é seu por direito: a cidade. Como reflexão de todos estes pontos, foi feito uma proposta projetual para o centro da cidade que busca unir os conceitos discutidos e propor assim um espaço público urbano de qualidade que possa revitalizar um trecho importante de São Paulo. No capítulo 2, o termo “espaço público” é definido e explicado, passando pelo seu surgimento em contexto histórico mundial e sua importância para a vida em sociedade, até chegar na problemática contemporânea: a falta de espaços públicos de qualidade. A partir daí, são apresentados conceitos de diversos autores que qualificam estes locais e os diferencia dos espaços privados. No capítulo 3, a questão é direcionada para a grande São Paulo, no Brasil. Através de uma linha do tempo, os acontecimentos são divididos para a melhor compreensão de como a cidade surgiu, se desenvolveu e como estes espaços evoluíram juntos à ela - ou em que momento eles foram abandonados, perdendo sua importância. Por fim, essa linha do tempo chega aos dias atuais, onde há uma tentativa da ocupação desses vazios urbanos pelos cidadãos através de movimentos independentes, festas e iniciativas governamentais como a instalação de ciclofaixas e o fechamento da Avenida Paulista aos domingos. A partir do capítulo 4, o estudo se volta para a proposta projetual de uma quadra mista que visa requalificar uma região central importante para a cidade: a do Mercado Municipal de São Paulo. Com imagens e mapas, é mostrado todo o estudo de zoneamento dos usos, gabarito, estado de conservação, potencialidades, acessos por transporte público e particular e as principais deficiências, desde a escala do entorno e quadra, até chegar à escala do edifício, o qual foi pensado de modo à atender as necessidades da região, incluindo a falta de espaços de convivência, descanso, áreas verdes e aplicando assim, os conceitos estudados nos capítulos anteriores. 11


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ESPAÇOS PÚBLICOS: DEFINIÇÃO E CONTEXTO HISTÓRICO

Figura 1

Os espaços públicos são todos aqueles abertos à sociedade, onde qualquer cidadão pode circular livremente. Compreende ruas, vielas, praças, parques e os vazios existentes entre os edifícios, de maneira geral. São locais de encontro, da realização de trocas de experiências entre um indivíduo e o desconhecido, o local onde estamos vulneráveis a diferentes tipos de situações e de pessoas. “Passar da casa à cidade é aceitar participar do espaço do outro, o espaço do estranhamento, daqueles que eu não conheço e não visitam minha casa; ” (DUARTE; Fabio, 2008, p.115). Esses espaços podem servir como áreas de transição, como um refúgio em meio a correria cotidiana e também como local de lazer e relaxamento aos fins de semana. “Andar pela rua, sentar numa praça, assistir ao movimento numa mesa de bar na calçada, tudo isso traz sensações poderosas.” (CALLIARI; Mauro, 2016, p.52)

Praça Ouvidor Pacheco e Silva- SP, Brasil. Interação nos espaços públicos.

Em “Espaço público e urbanidade em São Paulo”, Calliari (2016) traz uma análise sobre esses espaços através da história mundial e traça uma linha do tempo citando uma das primeiras formas de interação em espaços públicos, que aconteceu no período Clássico em Atenas: as Ágoras eram locais físicos concretos que serviam como abrigo para todas as instituições importantes da sociedade antiga como mercados e arenas, locais de encontro, democracia e debates. “As cidades, densas aglomerações que pontilham o globo, têm sido os motores desde a época em que Platão e Sócrates discutiam em um mercado ateniense” (GLAESER; Edward, 2011 p.1). Figura 2

Ágoras Atenienses.

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A cultura de cada povo foi fator essencial na evolução e estruturação dos espaços públicos. O comércio, as estações de transporte e as igrejas – que eram também uma forma de representação de poder- foram os primeiros espaços ocupados pela população. Os templos eram planejados de modo que se sobressaíssem às residências, destacando-se e marcando um local público de interesses religiosos em comum; tiveram sempre grande importância na vida em sociedade: as procissões e cultos já se apropriavam dos espaços públicos ao redor destes templos, exercitando o costume de viver em comunidade e se encaixando também no conceito de representação de poder devido sua monumentalidade. As vendas e trocas eram antigamente realizadas nas beiras de fontes ou bombas d’água das praças cercadas pela igreja, pelo castelo e pelo mercado, portanto o comércio também teve importância fundamental no desenvolvimento destes espaços públicos. Por fim as arenas, teatros, estações de transporte e as próprias ruas foram também fundamentais nessa evolução pois tiveram influência direta no encontro de pessoas e na configuração dos espaços públicos. “Em muitos casos, o próprio traçado das ruas é parte da identidade da cidade, e decisivo na configuração de seus espaços públicos. ” (CALLIARI; Mauro, 2016 p.35) Ainda sobre cultura, Marc Augé (1992) comenta que o espaço depende diretamente deste fator desde que ele seja analisado como um todo e não individualmente, sem ignorar as influências externas e históricas de outros povos.

“[...] substantificar cada cultura singular é ignorar tanto seu caráter intrinsecamente problemático, comprovando, contudo, quando preciso, por suas reações às outras culturas ou pelos movimentos bruscos da história, quanto a complexidade de uma trama social e de posições individuais que jamais se deixam deduzir do “texto” cultural. ” (AUGÉ; Marc, 1992 p.50) Com a evolução da sociedade e a criação dos veículos particulares, os espaços de passeio passaram a ser pensados de acordo com a circulação dos carros. A criação de novos eixos criou barreiras e prejudicou o pedestre. (CALLIARI, 2016). Em meio ao caos da sociedade contemporânea, é deixado de lado o ato de pensar e planejar o espaço público para o pedestre como era feito antigamente. Atormentados com o trânsito, a correria, os horários e prazos curtos, o cidadão moderno passa despercebido por aquilo que lhe pertence: os espaços de caminhada e convivência. (KON, 2008)

“Entre um lado e outro das ruas e avenidas movimentadas, cria-se uma barreira desconfortável ás vezes intransponível, que aniquila toda a atividade comercial, afastando os pedestres e comprometendo a vitalidade de todo o bairro.” (KON; Sergio, 2008, p.18) 14


Figuras 3 . 4 . 5

Vila Madalena e Ipiranga: Os espaços de passeio planejados para a entrada dos carros. Avenida como barreira urbana: Av. 23 de Maio. SP, Brasil.

2.1

DEFININDO UM ESPAÇO PÚBLICO DE QUALIDADE

“Pois uma paisagem pode ser percebida por sua harmonia e beleza, introjetando nas pessoas uma sensação de integração e prazer; ou pode ser percebida como caótica, desorientada, confusa e feia, introjetando desassossego, ansiedade, medo e desprazer.” (WILHEIM; Jorge, 2011. p. 58) O que o qualifica um espaço público é a sua capacidade de atrair e estimular as pessoas para que se sintam confortáveis a permanecer. A quantidade de tempo em que duram as interações nesses locais é diretamente proporcional à sua qualidade. Nem sempre os fatores qualitativos poderão ser moldados por quem projeta esses espaços: algumas das características mais essenciais estão muitas vezes relacionadas ao entorno, a história e aos significados envolvidos. (CALLIARI, 2016) Para um não arquiteto e urbanista, talvez não seja tão clara a compreensão do que torna um lugar mais agradável do que outro, mas para quem projeta, é imprescindível que haja uma análise mais profunda sobre o assunto. Para isso, alguns autores ordenam e qualificam os espaços públicos, como Gordon Cullen (2010) em seu livro Paisagem Urbana. 15


Mesmo entre tantos pontos artificialmente inseridos responsáveis por trazer certa qualidade de uso aos espaços, é importante ressaltar que para ele alguns são simplesmente suscetíveis à ocupação devido sua localização ou paisagem naturalmente privilegiadas. “[...] a linha ao longo da guarda de uma ponte, por exemplo, parece constituir um local de eleição, pela qualidade imediata da vista que proporciona sobre a paisagem.” (CULLEN; Gordon, 2010 p.26)

Figura 6 Circular Quay. Sydney, Austrália.

O significado e a legibilidade são conceitos descritos por Calliari (2016) e dizem respeito à imagem que o espaço urbano carrega considerando principalmente sua história, podendo variar somente de acordo com o momento que a sociedade está vivendo e também com as experiências pessoais de cada um. A sensação de reconhecer um local traz confiança. A legibilidade é um conceito que foi antes defendido também por Kevin Lynch (2011) como essencial para o reconhecimento dos territórios públicos. É ela o fator que agrupa os espaços e os padroniza, tornando-os reconhecíveis e confortáveis aos olhos dos indivíduos que os vivenciam, sendo de extrema importância para que eles não se sintam perdidos ao percorrer a cidade, trazendo sensação agradável de segurança. Wilheim (2011) considera São Paulo uma cidade de pouca ou nenhuma legibilidade e identidade, deixando sempre a sensação de confusão nas pessoas que nela circulam. “[...] em São Paulo, resulta na sensação de estar perdido em meio a uma floresta de prédios de escassa identidade e referência [...]” (WILHEIM; Jorge, 2011. p. 149) 16


“Estruturar e indicar o ambiente é uma capacidade vital entre todos os animais que se locomovem. Muitos tipos de indicadores são usados: as sensações visuais de cor, forma, movimento ou polarização da luz, além de outros sentidos como o olfato, a audição, o tato, a cinestesia, o sentido da gravidade e, talvez, dos campos elétricos ou magnéticos. ” (LYNCH; Kevin, 2011, p.3-4)

Por outro lado, existem uma série de decisões projetuais arquitetônicas, paisagísticas e urbanísticas que podem contribuir no aumento da qualidade das experiências nos espaços públicos ainda que os fatores mais básicos e iniciais como os descritos acima não estejam presentes ou não sejam suficientes para que haja a interação e a permanência ideal nos espaços públicos da cidade.

Figura 7

Praça da Sé. São Paulo, Brasil. Espaço público com legibilidade, facilmente reconhecível.

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A diversidade apresentada por Calliari (2016) explica como a variação nos usos de determinada região pode trazer diferentes grupos de pessoas em horários alternados, gerando experiências novas e remetendo também a sensação de segurança citada no conceito anterior, devido o constante movimento. Para ele, a segurança é a infraestrutura necessária para receber o estranho sem temê-lo. “Assim, na busca pela segurança, o homem aumentou o tamanho do seu grupo.” (CALLIARI; MAURO, 2016 p.35) O conceito de escala humana visa propor o planejamento do ambiente de acordo com quem vai vivencia-lo: o pedestre. A perda da escala humana na cidade resulta em uma sensação desconfortável de vazio e afasta as pessoas. Estudos de caso realizados por Calliari (2016) e Gorski (2010) indicam que bancos e degraus atraem os visitantes a se sentar, e que a existência de árvores, vegetação e água influenciam na permanência, pois melhoram a qualidade de vida do ser humano, sendo responsáveis pela renovação do oxigênio, por amenizar as temperaturas elevadas e prevenir inundações. As árvores além de todos os benefícios já citados, trazem sombra e uma estética agradável. Cullen (2010) compara o uso de árvores na cidade com o uso de uma jarra de flores como decoração de mesa: é fresca e contrasta com os elementos duros ao seu redor. O autor reforça a ideia de que bons espaços públicos não podem ser vazios, pois as pessoas gostam de sentir que estão andando para chegar à algum lugar. Os mobiliários permanentes conferem rastros da ocupação deixando dicas de quais os tipos de interação que acontecem nesses locais, dando ao espaço um caráter mais humano. “Abrigo, sombra, conveniência e um ambiente aprazível são as causas mais frequentes da apropriação do espaço, as condições que levam à ocupação de determinados locais.” (CULLEN; Gordon, 2010 p.25) Os desníveis devem também ser observados na criação de um espaço público, pois mesmo que tenha caráter funcional, estes podem trazer sensações prazerosas ou desagradáveis para quem os utiliza. Declives inferiores ao nível médio do terreno podem causar sensação de inferioridade, claustrofobia, encerramento ou acolhimento, enquanto os níveis elevados são normalmente associados com euforia, superioridade ou exposição e vertigem. (CULLEN, 2010) 18

Figuras 8 . 9

Diversidade na Times Square. NY- USA. Vegetação e espelhos d’água no Edifício Brascan - SP, Brasil.


Por fim, para que um ambiente público mantenha sua qualidade, é necessário que haja uma manutenção regular. Kon (2008) diz que é dever da própria população não permitir que estes locais fiquem abandonados e esquecidos, fazendo uso da cidade como um todo e não somente dos locais privados. “Respeitarás o ambiente público como público. Exigirás das autoridades públicas o cumprimento de seus deveres de fiscalização, manutenção e melhoria da cidade.” (KON; Sergio, 2008, p.25). Mas então, para melhorar a cidade basta a reforma dos espaços vazios? A cidade é reflexo dos indivíduos que nela habitam. Lynch (2011) diz que os indivíduos vivenciam o espaço e são tão importantes para ele quanto às partes físicas que os compõem, fazendo um comparativo da sociedade com um grande espetáculo onde cada um dos integrantes está no palco participando da peça e não somente sendo expectador. O economista Edward Glaeser (2011) diz que são os cidadãos quem formam uma cidade, muito mais do que suas construções físicas e espaciais, portanto de nada adianta investir na melhoria dos espaços urbanos se não houver investimento em educação pública. Na verdade, um fator leva ao outro: pessoas inteligentes não habitam regiões precárias; elas estão Figura 10 sempre em busca por lugares seguros e agradáveis.

Árvores em Campos Elíseos, Paris.

“As boas cidades são arquipélagos de bairros que permitem que diferentes pessoas escolham os espaços urbanos que funcionam para elas. Enquanto grandes arquitetos pensam em prédios ou bairros que, acreditam, funcionarão bem, economistas não creem saber quais escolhas as pessoas deveriam fazer. Eles acreditam que boas políticas permitem que essas pessoas façam suas escolhas.” (GLAESER; Edward, 2011 p. xii). Entretanto, nem todos os espaços públicos são passiveis a interação ou permanência. Calliari (2016) retoma alguns conceitos sobre locais sem significado ou expressões simbólicas: os “não lugares”, onde os visitantes estão apenas de passagem ansiando sair (como aeroportos e rodoviárias); os “lugares vazios” que podem ser espaços sob viadutos ou pátios às margens de grandes avenidas, e os “espaços de fluxos” que são os próprios elevados e vias expressas: estes facilitam a locomoção, mas criam barreiras urbanas, definidos pelo transporte e não pela permanência. 19


Segundo Augé (1992), o Lugar e o Não Lugar são polaridades onde um nunca é apagado e o outro nunca se completa, e a sociedade contemporânea tende a reproduzir os não lugares, espaços sem identidade que não integram lugares antigos, desconsiderando sua história. “[...] um espaço que não pode se definir como indentitário nem como relacional, nem como histórico, definirá um não lugar.” (AUGÉ; Marc, 1992 p.73). Entretanto, um não lugar não precisa necessariamente ser visto como um espaço negativo ou ruim, pois também depende das relações dos indivíduos dentro dele. Um não lugar possibilita que o indivíduo fuja temporariamente de suas obrigações do dia a dia e permaneça em estado de anonimato enquanto o vivencia, sendo um componente essencial para a vida social contemporânea.

“O espaço do não lugar liberta de suas determinações habituais quem nele penetra. Ele não é mais do que aquilo que faz ou vive como passageiro, cliente, chofer. Talvez ele ainda esteja cheio das preocupações da véspera, já preocupado com o dia seguinte, mas seu ambiente do momento o afasta provisoriamente disso.” (AUGÉ; Marc, 1992 p.94). Figura 11

Aeroportos como Não LugaresAeroporto de Galeão - RJ, Brasil.

2.2

A TRANSIÇÃO ENTRE ESPAÇOS PÚBLICOS E PRIVADOS

Os limites entre o público e o privado definem os papéis de cada espaço na sociedade e molda o comportamento dos indivíduos dentro de cada um deles. Calliari (2016) defende essa delimitação espacial como essencial no exercício da urbanidade. “A fruição da vida nos espaços públicos depende, paradoxalmente, do conceito de separação entre o público e o privado.” (CALLIARI; Mauro, 2016 p.49) Alguns espaços públicos são, ao mesmo tempo, privados. Os “espaços de consumo” como shoppings centers trazem conforto aos usuários por serem espaços públicos e de convivência vigiados e cercados por todo o tipo de segurança. (CALLIARI, 2016) Originalmente, as grades e guardas eram utilizadas como avisos e delimitações contra animais ou pessoas indesejáveis (CULLEN, 2010), mas não uma barreira visual na cidade; na sociedade contemporânea, entretanto, não parece haver um equilíbrio entre essa separação: a delimitação entre espaços acaba segregando a população e os espaços públicos são vistos como aquilo que está além dos limites dessas grades e dos muros de proteção; é o local de perigo e abandono, enquanto o privado é o lugar da vida desvinculada da violência. Essas barreiras 20


físicas inibem e tornam o espaço público ainda mais isolado e perigoso. (KON, 2008) “A grade e/ou o muro negam à cidade o edifício, que é sua paisagem mais íntima, mais característica e mais fundamental.” (KON; Sergio, 2008, p.20) As ruas são hoje vistas como meros ligamentos entre locais, apenas meios de se chegar ao destino desejado; são muito complexas, sujas e perigosas, o que resulta no aumento de condomínios fechados e dificulta a possibilidade de conhecer novas pessoas. Para Kon (2008), a cidade contemporânea desestimula a urbanidade, tornando-se uma cidade genérica Serpa (2007) comenta a privatização de espaços públicos como uma prática cada vez mais frequente na sociedade contemporânea: o capital e a hierarquia social podem influenciar no acesso aos espaços na cidade, que se tornam apenas simbolicamente públicos e não literalmente, uma vez que nem todos poderão de fato vivencia-los. “Aqui, diferença e desigualdade articulam-se no processo de apropriação espacial, definindo uma acessibilidade que é, sobretudo, simbólica.” (SERPA; Ângelo, 2007 p.20). Mesmo assim, a privatização não é algo que se restringe exclusivamente às classes mais altas da população: O ser humano tende a delimitar seus espaços de convivência naturalmente, selecionando quem pode ou não utiliza-lo. O autor comenta como a confinação de moradores em conjuntos habitacionais nas periferias podem agravar problemas sociais e de violência urbana. “A privatização de ruas e acessos restringe o movimento de passantes, canaliza percursos e provoca a desertificação de muitas áreas públicas nas periferias urbanas.” (SERPA; Ângelo, 2007 p.32) Afirma ainda que os espaços públicos se tornaram locais de junção daqueles privatizados, que por sua vez não são partilhados entre a população, mas divididos entre classes. “Caminhamos para a consagração do individualismo como modo de vida ideal, em detrimento de um coletivo cada vez mais decadente.” (SERPA; Ângelo, 2007 p.35).

Figura 12

Shoppings centers- Locais públicos e privados criados artificialmente.

Figura 13

O uso de muros em condomínios fechados como segregação à cidade.

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A CIDADE DE SÃO PAULO E SEUS ESPAÇOS PÚBLICOS ATRAVÉS DA HISTÓRIA

“São Paulo é um amontoado de coisa e gente, agigantada em um pouco mais de meio século de ganância e de desprezo pelo ambiente. Cidade que respira através de seus milhões de almas, pulverizadas na imensa malha construída sob o estigma da pujança econômica e que vivem vidas tão dispares quanto múltiplas são suas origens. Carregam em si as marcas da riqueza e da miséria, contraste-síntese da metrópole-síntese brasileira. ” (KON; Sergio, 2008 p.15)

Uma metrópole densa e cheia de diversidades. Por muito tempo os seus espaços públicos estiveram em último plano em meio ao caos do dia a dia e aos interesses do capital, o que ocasionou o abandono e a degradação de regiões importantes como o próprio centro histórico da cidade. Nos últimos anos, entretanto, observou-se uma forte preocupação quanto à reapropriação dos espaços públicos, e para entender como se desenvolveram essas fases de abandono e de retomada, é necessário analisar os processos de fundação e desenvolvimento urbano da cidade.

“No intervalo de uma geração as pessoas resolveram tomar de volta as ruas antes usadas como mera interligação entre o trabalho e a casa. O que aconteceu nesse meio tempo? Mudou a cidade, mudamos nós ou ambos?” (CALLIARI; Mauro, 2016 p.49)

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Figura 14

Linha do tempo do desenvolvimento da cidade.

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3.1

A FUNDAÇÃO ATRAVÉS DOS RIOS (1554 – 1867) “Na história das civilizações, de modo geral, os cursos d’água, rios córregos, riachos integravam sítios atraentes para assentamentos de curta ou longa permanência, indistintamente, e eram tidos como marcos ou referenciais territoriais.” (GORSKI; Maria Cecilia Barbieri, 2010. p.31 )

A cidade de São Paulo que hoje conhecemos foi fundada como São Paulo de Piratininga em 1554 com a chegada dos Jesuítas que se instalaram entre as margens dos rios Piratininga (o atual Tamanduateí) e Anhangabaú. Essa localização os permitia que utilizassem das águas para banho, consumo e navegações. A intenção era de alfabetizar e catequizar a população indígena local e para isso foi construído o Pátio do Colégio, onde consequentemente a cidade cresceu ao redor. (PACIEVITCH, 2017) Calliari (2016) explica que neste período a vida pública era marcada pela rotina de uma comunidade pequena, isolada do resto do território e influenciada pelo patriarcalismo. A ocupação dos espaços públicos era definida basicamente pelos rituais religiosos: eles definiam os toques de recolher ou traziam toda a população para as ruas em procissões e missas. No uso cotidiano, esses espaços eram frequentados somente pelos considerados “homens bons” e por pessoas que, devido suas funções de escravos, tropeiros, mascates, quitandeiras, lavadeiras e prostitutas, eram obrigados a estar nas ruas. As mulheres de família só podiam sair em ocasiões festivas religiosas. “Mesmo numa sociedade pautada por uma etiqueta específica de comportamento para cada grupo social, os processos da vida em comum integravam frequentemente os grupos sociais numa única comunidade.” (CALLIARI; MAURO, 2016 p.90) Uma vez que a elite não vivenciava o espaço, ela também não se preocupava com sua qualidade. Os solos das várzeas não eram férteis e por isso as grandes fazendas passaram a ser construídas longe do centro da cidade, que ficava repleto de casarões secundários utilizados pelos ricos apenas em ocasiões de reuniões políticas e pelas habitações da população mais pobre que acabava sofrendo com as influências dos períodos de cheia nos rios. (CALLIARI, 2016) Figura 15

Várzea do Tamanduateí 1554.

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Até então o cenário urbano de São Paulo era precário, sujo e bagunçado. Os dejetos eram jogados nas ruas e os animais circulavam livremente junto às pessoas. Foi entre o fim do período colonial no século XVIII e durante o império no século XIX que começaram os primeiros sinais de preocupação com a cidade: a construção de edifícios públicos esteticamente agradáveis, as ruas começaram a ser revestidas com pedras, ganharam passeios e assim os fazendeiros retornaram suas moradias ao centro. (CALLIARI, 2016)

3.2

O INICIO DA MODERNIZAÇÃO: INDÚSTRIAS, FERROVIAS E BONDES (1867-1930) Na segunda metade do século XIX, o comércio na cidade de São Paulo se intensificou por conta da produção do café. O transporte dos produtos era realizado de maneira lenta por carroças através da serra do mar até o porto de Santos, onde era transportado em navios para outros países. Devido ao crescimento da demanda, necessitava-se de um método mais ágil e que suportasse maior quantidade de carga. Desta maneira, foram construídas novas linhas férreas que ligavam o porto ao interior da cidade (Sorocaba e Jundiaí) e ao Rio de Janeiro, dando início a expansão territorial a Oeste de São Paulo. (CALLIARI, 2016) Além da alta do café, a demanda por novos produtos também aumentou neste início de período e graças aos investimentos vindos das nações europeias, se tornou possível o surgimento de novas oficinas e indústrias. (SOMEKH, 2014) “... de um lado, por meio da riqueza gerada pela atividade cafeeira; de outro, pela mão de obra dos imigrantes, mais qualificada que a escrava, em processo de libertação. Os imigrantes assalariados constituíram um mercado interno que atraía os interesses do capital estrangeiro, proporcionando o desenvolvimento, ao mesmo tempo, industrial e urbano.” (SOMEKH; NADIA, 2014 p.103). Figuras 16 . 17 . 18 Ferrovia São Paulo Railway e as primeiras indústias- Sp, Brasil.

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Calliari (2016) periodiza este cenário definindo-o como “Conflito no espaço público”, pois com a necessidade de mão de obra nas indústrias, aproximadamente um quarto da população em São Paulo passou a ser de estrangeiros, em 1886. Isso resultou em um estranhamento de costumes e desconforto entre os cidadãos. “Se durante todo o período colonial e Imperial as classes sociais habitavam o mesmo perímetro (e que pesem as diferenças de condição social e habitação, como o fato das baixadas serem menos valorizadas que as altas e planas), a partir das últimas décadas do século XIX, elas começaram a se separar geograficamente. (CALLIARI; Mauro, 2016 p.103) Foi no início do século XX que aconteceu o primeiro crescimento alarmante da população - passando de 31 mil para 240 mil pessoas- definido pelo autor Lores (2017) em “São Paulo nas Alturas” como sendo viral e esparramado. Devido tal fato, aconteceu uma cisão das classes baixa e alta, que começaram a se distanciar territorialmente; a elite passou a ocupar a região Sul (Av. Paulista, Higienópolis Pacaembu e Jardim América) enquanto a classe mais baixa instalou suas moradias pela região Leste da cidade (Brás, Mooca, Belenzinho, Pari, Lapa Ipiranga e Vila Prudente) junto às indústrias e formando vilas habitacionais. (CALLIARI, 2016) Figura 19

Ladeira Porto Geral com a rua 25 de Março. SP, Brasil. Década de 40.

“O ambiente refletia muito mais o caos do que efetivamente uma ordem urbana, fazendo o capital paulista expressar, de qualquer forma, um novo ritmo e estilo de desenvolvimento na entrada dos anos 1920.” (SEVCENKO, 1992, p.109)

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Com o novo estilo de vida onde não só os mais pobres precisavam estar nas ruas, mas também a população abastada começou a se repensar em alguns antigos costumes de ocupação: os animais soltos e os dejetos que eram descartados nas ruas, a nudez explicita durante os banhos nas várzeas, a falta de fluidez devido as quitandas nas calçadas. A partir daí se inicia o processo de embelezamento e melhoria do espaço público com a instalação de paralelepípedos, iluminação pública, saneamento básico e bondes. “Tendo caído por terra os símbolos de privilégios do regime antigo, a elite paulistana se viu diante de uma nova realidade em que os códigos de poder tiveram que ser reconstruídos.” (CALLIARI; Mauro, 2016 p.106). Até meados de 1920, o urbanismo de São Paulo era definido pela predominância dos bondes e cortiços (SOMEKH, 2014) e foi o período em que se deu início a canalização do rio Tietê (GORSKI, 2010). As construções de Taipa foram substituídas pelas de tijolos, aço e concreto armado; as ruas centrais foram pavimentadas com sarjetas, guias e calçadas: a burguesia se inspira nos moldes franceses de cidade para transformar São Paulo, inserindo também novos parques e cafés. (CALLIARI, 2016) Devido o crescimento acelerado da mancha urbana, não se sabia o que fazer com a quantidade de gente habitando na cidade. Foi então que o processo de verticalização se intensificou, modificando o gabarito padrão de três a quatro pavimentos para mais, necessitando até o uso de elevadores nas décadas de 1930 e 1940. (SOMEKH, 2014) Com a cidade modernizada, houve um grande salto nas tecnologias de energia elétrica como o uso de aparelhos telefônicos, correios, telégrafos e bondes elétricos que alcançavam maiores distâncias. (CALLIARI, 2016) Figuras 20 . 21 . 22 Bondes e inicio da verticalização- Sp, Brasil.

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3.3

A EXPANSÃO DA CIDADE: IMPACTOS DA INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA E IMOBILIÁRIA (1930-1966) O início dos anos 30 trouxe os reflexos econômicos negativos ocasionados pela guerra mundial e a crise do Café. Em uma tentativa de se restabelecer, retomaram-se as atividades industriais locais e posteriormente foi imposto o método de trabalho conhecido atualmente: de segunda a sexta e sábados de manhã. Esses novos hábitos fizeram com que a cidade continuasse a crescer economicamente e demograficamente. São Paulo deixou de ser apenas uma cidade grande para se tornar uma metrópole, um centro urbano e empresarial de escala mundial. (CALLIARI, 2016) Muitas mudanças aconteceram para a paisagem da cidade durante este período. Arquitetonicamente falando, foi quando se iniciou o modernismo em São Paulo. Lores (2017) cita alguns edifícios importantes da época: Copan, Conjunto Nacional, Galeria do Rock, Galeria Metrópole, CBIEsplanada, Masp e Itália os definindo como altivos e generosos. Além da importância estética que esses edifícios icônicos carregam, também foram importantes no cenário urbano devido seus usos mistos, que eram uma novidade e refletiram de alguma maneira nos espaços públicos do entorno onde estão inseridos. O conjunto nacional é exemplo disso com seu térreo integrado à calçada alargada da Avenida Paulista, permitindo maior fluidez e continuidade visual aos pedestres. Por outro lado, Jan Gehl (2014) diz que o modernismo tirou a prioridade dos espaços públicos e das áreas de pedestres como locais de encontro; ele é pensado fora da escala do pedestre. A arquiteta Patrícia Putz Sampaio, estudou o assunto em sua monografia e fez a seguinte observação (2016 p.13):

Figura 23 Conjunto Nacional- Sp, Brasil.

“Os espaços, no urbanismo moderno, são projetados a partir do papel e de forma monumental. […] no caso de Brasília, pode-se identificar o formato de um avião em planta, mas isso é o que acontece quando a cidade é vista de cima, na visão de um pássaro, avião ou skyline.”

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Por volta dos anos 50 a indústria automobilística ganhou força e esse processo desencadeou uma série de transformações na cidade, não só pela quantidade de carros em circulação, mas pelo início das obras das novas avenidas. Foram necessários o estreitamento e a canalização da bacia hidrográfica de São Paulo, que rapidamente se deteriorou com a precariedade no saneamento básico e a poluição ambiental, diminuindo a biodiversidade e transformando a paisagem natural no concreto cinza que passou a sustentar os rios. (GORSKI, 2010) Calliari (2016) conclui que as transformações urbanas resultadas pós o Plano de Avenidas alteraram o desenho da cidade e refletiram diretamente nos espaços públicos, por criar barreiras físicas e visuais, além de tornar necessário o estreitamento de passeios e a transformação de praças verdes em estacionamentos. “Os eixos rodoviários redesenham o espaço público e criam obstáculos, muitas vezes intransponíveis, para os deslocamentos. Bairros são cortados ao meio e casas são removidas para a construção de vias expressas. O resultado, do ponto de vista do pedestre, é que alguns lugares passam a ser inacessíveis mesmo se localizados a poucos metros de distância. ” (CALLIARI; Mauro, 2016. p. 135)

Figuras 24 . 25

Plano de Avenidas Prestes Maia - SP, Brasil. Av São Joao 1960 - SP, Brasil

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Marchi (2008) faz uma crítica à pressa que se teve em canalizar e esconder os rios para a construção das novas avenidas. Esse método trouxe consequências como as constantes enchentes que acontecem até os dias de hoje. Elas surgem com as chuvas e devido à pouca vazão e drenagem acabam por inundar muitos pontos da cidade. “A evolução da urbanização foi conseguindo eclipsá-los e anular sua importância, restringindo sua presença quase apenas aos sintomas perturbadores, ou seja: mau cheiro, obstáculo à circulação e ameaça de inundações. ” (GORSKI; MARIA CECILIA BARBIERI, 2010. p. 32)

Figuras 26 . 27

Curso natural Rio Pinheiros- SP, Brasil. Rio Pinheiros pós-retificação- SP, Brasil.

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Figura 28

Alagamentos SP, Brasil.

Aconteceu um abandono dos espaços públicos durante a década de 60, quando o centro da cidade começou a ser esvaziado e perder importância: ele já não tinha capacidade de acomodar tudo o que era necessário; (Calliari, 2016) as empresas e os bancos começaram a se instalar pela região da Avenida Paulista, já muito bem desenvolvida com asfaltamento, arborização, verticalização e instalação do sistema de metrô e rodoviárias. (Marchi, 2008) “O processo de diminuição da dependência do centro gera impactos importantes no uso do espaço público, especificamente no que se refere à diversidade. Apesar da região central manter o poder de geração de empregos, ela começa a perder diversidade de usos. Com a perda de moradias e o predomínio de atividade comercial, a região central da cidade se enche de dia, mas se esvazia a noite.” (CALLIARI; Mauro, 2016. p. 132) Com a migração acelerada, a população carente ocupava locais impróprios para morar como encostas e baixadas de várzea, normalmente áreas de propriedade pública ou loteamentos irregulares, quilômetros de distância de seus trabalhos, ficando à mercê da precariedade do transporte público. Essa situação era vista com descaso ou passava despercebida pelas autoridades, pela mídia e pela burguesia, que ocupava então as centralidades bem equipadas e que com seus automóveis particulares, não dependiam dos ônibus para se locomover. (WILHEIM, 2011) “A precariedade no transporte público coletivo e o alto preço de um automóvel naqueles tempos indicavam que os melhores terrenos deveriam estar perto de escolas, bancos, lojas, ou seja, principalmente no centro da cidade.” (LORES; Raul Juste, 2017. p. 20). 32


Figura 29

As filas de passageiros para embarcar nos ônibus e bondesSP, Brasil.

Bonduki (2004) comenta o período definindo-o como “a metrópole dos contrastes”, pois oposto ao glamour da arquitetura moderna e das rodovias, estavam as favelas que foram produto da crise da habitação da década de 40, entre 1942 e 1945: “Elas significavam uma resistência dos inquilinos em deixar as áreas mais centrais e mudar-se para a periferia. Sem alternativa de moradia compatível com sua renda em local próximo ao emprego, famílias despejadas ou recém-chegadas passaram a ocupar terrenos baldios, onde confeccionavam barracões com madeira e outros materiais improvisados” (Bonduki; 2004, p. 262)

“O palco aumentava e modernizava-se, o cenário variava e verticalizava-se, e o planejamento urbano começava a ter lugar nas instituições de gestão pública e produzir efeitos. Mas continuava a ser concebido basicamente como uma questão viária, com descaso pela drenagem natural do sítio e dentro de uma visão de perspectivas neoclássicas. [...] a cidade crescia e o sítio era ocupado de forma espontânea e atabalhoada, fortalecendo, contudo, um novo setor da economia: o mercado imobiliário e a construção civil. (WILHEIM, 2011 p 49)

33


3.4

O MEDO REFLETIDO NA CIDADE: OS MUROS E AS FAVELAS (1966-2002) “Acumulavam-se problemas, a cidade se adensava as favelas cresciam e ocupavam as margens das represas, o transporte público tornara-se muito deficiente, estando o projeto e a implantação da rede de metrô muito atrasados, enquanto o mercado imobiliário se expandia sem que existisse uma regulação consistente. Havia falta de um novo olhar planejador que identificasse o que era urgente e o que era importante, colocando em perspectiva as oportunidades.” (WILHEIM; JORGE, 2011 p.52). Esse período da história da cidade de São Paulo intensificou as deficiências geradas pelas décadas de 50 e 60. A explosão da verticalização dos edifícios nos anos 70 (SOUZA, 1999) e a execução dos projetos viários trouxeram uma aceleração no crescimento das periferias e a população foi sendo cada vez levada para mais longe de seus trabalhos, dos cuidados com infraestrutura urbana, transporte de qualidade e dos espaços públicos de lazer. (MARCHI, 2008) Posteriormente, com a chegada dessa infraestrutura urbana nas periferias, houve uma valorização fundiária, fazendo com que mesmo os mais pobres tivessem dificuldade de manter suas residências. Isso reforçou o surgimento das favelas, já que eles buscavam então habitações mais baratas e informais. (CALLIARI, 2016). Esse processo aumentou diretamente a violência na cidade. (SOUZA, 1999) “O crime e os criminosos são associados aos espaços que supostamente lhes dão origem, isto é, as favelas e os cortiços, vistos como os principais espaços do crime. Ambos são espaços lineares: são habitações, mas não o que as pessoas consideram residências apropriadas.” (CALDEIRA; Teresa Pires do Rio, 2003 p.79).

Figuras 30. 31

Favela Paraisópolis SP, Brasil. Favela do Piolho SP, Brasil.

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De modo geral, Glaeser (2017) defende que a densidade populacional deve ser vista como algo vantajoso, pois gera interação, inovação, diversidade e áreas verdes na cidade, trazendo mais oportunidades de andar a pé e utilizar o transporte público. Mas, aparentemente o crescimento acelerado de São Paulo não trouxe exatamente essas vantagens como consequência, mas alguns grandes problemas, como as doenças contagiosas, o crime, o congestionamento e alta dos preços de moradia. “O rumo dos acontecimentos não só reduziu as oportunidades para o pedestrianismo como forma de locomoção, mas também deixou sitiadas as funções cultural e social do espaço da cidade. A tradicional função do espaço da cidade como local de encontro e fórum social para os moradores foi reduzida, ameaçada ou progressivamente descartada.” (GEHL; JAN, 2014 p.15) A insegurança e o medo da violência trouxeram um novo modelo de habitação, que, segundo Calliari (2016), resultaram em uma grande alteração na dinâmica dos espaços públicos, que foram os condomínios fechados. Wilheim (2011) comenta que ao fim do século XX surgiram os primeiros condomínios particulares, onde se pretendia recriar a vida urbana dentro de uma segurança artificial, escassa da diversidade responsável pela qualidade e pela segurança espontânea de uma sociedade. Marchi (2008, p. 81) culpa esse novo modelo de construção pela alteração na paisagem das ruas e por tirar a identidade da cidade, transformando os espaços públicos em privados: “[...] a memória coletiva construída pela vivencia do espaço público é substituída pelo uso rotineiro e programado dos espaços multifuncionais que agregam não somente escritórios de trabalho, mas academias, restaurantes, cafés, lojas e serviços, além de hotéis e centros de convenções destinados à um público externo à cidade (turista) que pode visita-la sem sair desse espaço privado e, muitas vezes, reproduzível em sua cidade de origem. ”

Figuras 32 . 33

Paraisópolis x Morumbi. –O contraste social na cidade SP, Brasil.

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Segregação, hostilidade e medo. A população passa a viver em grupos isolados por barreiras físicas e visuais, protegida dos fatores externos e as ruas reforçam o papel único de meio de transição e passagem, sendo deixado de lado o convívio, a diversidade e aumentando o descaso com o espaço público. (CALLIARI, 2016). Não bastasse a segregação causada pelos muros dos condomínios fechados de residências e empresas, surgiram também os comércios fechados, conhecidos como Shopping Centers. Segundo matéria no site São Paulo In Foco, por Abrahão de Oliveira (2013), o primeiro shopping Center de São Paulo foi o Iguatemi, construído em 1966 na então Rua Iguatemi (hoje Avenida Faria Lima). Na época o costume dos Paulistas era o de andar pelas boutiques da Rua Augusta, por isso os empresários e consumidores não se empolgaram muito com o novo centro comercial de início. Mas esse ponto de vista logo se modificou ao notarem a comodidade que esses espaços traziam: tudo o que se precisa em um único lugar. “Em suas melhores soluções arquitetônicas, eles consistem um conjunto de “ruas”, ladeadas por vitrines bem iluminadas; seu piso é homogêneo, fácil de circular, horizontal e protegido de intempéries; [...] O shopping adaptou-se às expectativas de ser um ponto de encontro [...] especialmente vigiadas, nunca desertas, com acessos controláveis, sem veículos que possam atropelar crianças e idosos.” (WILHEIM; Jorge, 2011. p. 55). A inauguração do primeiro shopping Center não trouxe diretamente grandes mudanças na configuração dos espaços públicos, mas foi o desencadeador dessa nova tendência, que se intensificou nas décadas seguintes; em 1981 já havia mais dois novos shoppings na cidade enquanto atualmente a marca passa de 53 no total. Eles trazem uma completa falta de relação e interação com a rua e influenciam diretamente no visual e no transito da cidade. Os condomínios fechados, os shoppings centers e os centros empresariais trouxeram desequilíbrio entre o espaço público e o privado. (CALLIARI, 2016) “Esquece calçadas, passeios a pé, comércio de rua, sorvete da esquina, banca de jornal, pipoqueiro, mães com carrinhos de bebê, parquinho, mesinhas de damas dos aposentados, quadra em que um filho pode jogar e conhecer um garoto de outro bairro ou classe social. Esquece Padarias. [...] passamos a morar onde trabalhamos. Nas nossas bolhas. Em mega cavernas. Eventualmente, visitamos outra caverna gigante, templo de compras: O shopping. Somos mais saudáveis e viveremos com mais segurança. Mas a que preço?” (PAIVA, 2013). 36


Nesse mesmo período, surgiram duas configurações novas de espaço público: as estações de transporte e os calçadões. No que diz respeito ao primeiro, era formado por estações de metrô e terminais ou pontos de ônibus; o segundo previa revitalizar e humanizar o centro da cidade, fechando diversas vias para automóveis, tornando-as exclusivas para os pedestres. (CALLIRARI 2016). Entre 1972 e 1974 aconteceu a ampliação da Avenida Paulista, alargando de 30 para 48 metros sendo necessária a derrubada de 120 ipês e a retirada dos trilhos de bondes. (LORES, 2017)

Figuras 34 . 35 .36

Primeiro shopping de São Paulo: Iguatemi. Espaço público artificial: Shoppings Centers. AV. Paulista alargada. SP, Brasil.

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3.5

A RETOMADA DOS ESPAÇOS PÚBLICOS NO CENÁRIO ATUAL (2002-2017) “Tinha-se, no início deste século, a impressão de que a cidade, em lugar de acolher o cidadão e melhorar sua qualidade de vida, servia apenas para oferecer e estimular o consumo, como se isso fosse a única ou a principal “qualidade” de São Paulo! ” (WILHEIM; Jorge, 2011. p. 149) “São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador - são centros de muita energia econômica, brilho cultural e belos pontos turísticos. São também lugares de enorme pobreza, criminalidade terrível e dolorosos congestionamentos. No Brasil, há quase tudo de bom e de ruim na vida urbana”. (GLAESER; Edward, 2011. prefacio). Os processos de expansão urbana extremamente acelerados e voltados ao capital trouxeram grandes cicatrizes para São Paulo, principalmente no que diz respeito aos espaços públicos enquanto locais de lazer, descanso e convívio. Ainda vivemos sob os reflexos dos costumes e problemas do século anterior: as vias como barreiras e fissuras urbanas, o fechamento de ruas residenciais com guaritas, a construção de condomínios fechados que abrigam a população de média e alta renda- reforçando a segregação, a violência e a poluição. Por outro lado, as problemáticas favelas passaram a ser urbanizadas e a ganhar aspecto de bairro. (CALLIARI, 2016) “Áreas metropolitanas no Brasil têm problemas graves, incluindo a crescente favelização. Se algumas causas, como a pobreza e a desigualdade econômica, só podem ser atacadas em nível nacional, as autoridades locais podem contribuir para aliviar algumas das piores consequências, urbanizando favelas, estabelecendo direitos de propriedade mais claros para seus habitantes e praticando uma política consistente de ocupação do solo.” (GLAESER; Edward, 2011 p. ii) Wilheim (2011) faz uma analogia da cidade com um colar, onde cada espaço existente é um elo desse colar e os cidadãos escolhem individualmente quais os que formarão seu cotidiano e qual será a sua função. Casualmente esses lugares serão os mesmos que os de outros indivíduos, o que obriga a existência da vida em sociedade. Quando em uma cidade estes espaços forem escassos, as escolhas se limitarão, piorando diretamente a qualidade de vida. 38


Logo, com o crescimento atropelado e confuso de São Paulo, não houve uma preocupação com a criação de espaços generosos, diferenciados, saudáveis, verdes e bem distribuídos; esses espaços tão importantes eram deixados para áreas inutilizadas por serem impossíveis de se construir ou frequentar, logo, a cidade resultou pobre em espaços públicos. Como alternativa, eles passaram a ser inventados artificialmente, como por exemplo, os shoppings. (WILHEIM, 2011). Existem sim outros inúmeros locais de convívio e comércio públicos que cumprem de certa forma o mesmo papel dos shoppings centers: a Rua 25 de março, José Paulino, Santa Ifigênia, Paulista, Brás, Teodoro Sampaio, Bexiga, Vila Madalena e os centros comerciais de cada bairro, de modo geral. O problema é que a qualidade desses espaços não é suficiente para receber seus visitantes, com ruas esburacadas, calçadas estreitas, má sinalização e sujeira. (WILHEIM, 2011) A falta de áreas verdes e públicas no início do século XXI tornou-se evidente no plano diretor de 2002, obrigando assim a criação de parques lineares ao longo dos córregos ainda não canalizados. Posteriormente, graças à ampliação do conhecimento sobre a relação entre exercícios físicos e qualidade de vida, as pessoas reviveram o costume de visitar parques e praças próximos aos seus bairros residentes nos finais de semana e feriados. (WILHEIM, 2011) A qualidade de vida também está diretamente ligada à qualidade dos espaços onde o indivíduo vive. A partir disso, vem a preocupação com a reforma e reocupação dos vazios na cidade, trazendo à tona um significado que estava há tempos perdido e ignorado em meio à confusão cotidiana da metrópole e aos espaços artificialmente criados (WILHEIM,2011). Não tem como afirmar que a retomada dos espaços públicos vai se consolidar, pois, por um lado, a segregação social continua intensa; por outro, parece haver movimentos sociais que querem fortemente essa reapropriação do espaço. (CALLIARI, 2016). De maneira geral, a retomada dos espaços públicos se iniciou por interesse dos próprios cidadãos e através disso, São Paulo vem adotando uma série de políticas e iniciativas para fortalecer a ocupação dos espaços públicos. “O interesse em retomar os espaços públicos parece ser parte de um movimento global. Talvez seja mesmo o “espirito do tempo” e as pessoas parecem mais felizes com isso.” (CALLIARI; Mauro, 2016 p.21). Figuras 37 . 38

O Largo da Batata sendo ocupado. 2015. SP, Brasil. Equipamentos públicos pela cidade: mesas de ping pong e decks de madeira na Praça Ouvidor Pacheco e Silva. 2017.

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A primeira percepção que se teve da apropriação dos espaços públicos foi com as manifestações de 2013 em relação à tarifa de ônibus. As pessoas pareciam satisfeitas em ocupar seu espaço e tomar a cidade como sua, por seus direitos. Em seguida, houve o movimento dos ciclistas, que pressionaram o governo quanto à criação de mais ciclovias na cidade; isso refletiu diretamente na configuração dos espaços públicos e na fruição. (CALLIARI, 2016) “O Plano de Mobilidade do Município de São Paulo propõe, [...] a construção de um modelo de mobilidade que priorize o transporte coletivo em detrimento ao individual motorizado, proporcionando a redistribuição dos usos dos espaços, visando atender toda a população, que consolida uma visão mais democrática da cidade. Estabelece também o incentivo aos modos não motorizados (modo a pé e bicicleta), que se constituem como modos que promovem ganhos ambientais, econômicos, sociais e de saúde, tanto aos usuários quanto à cidade.” (Plano de Mobilidade de São Paulo - Modo Bicicleta 2015).

Figuras 39 . 40 Avenida Paulista como palco das manifestações. SP, Brasil. Avenida Paulista ocupada por pedestres aos domingos. SP, Brasil.

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Os artistas de rua também são determinantes na alteração dos usos públicos na cidade, pois marcam a presença de pessoas no espaço público, atraindo consumidores ou admiradores. Alguns outros movimentos como os de horta urbana, parklets e food trucks, carnaval de rua, a Avenida Paulista fechada para carros, as viradas e eventos culturais e festivos também foram grandes responsáveis por atrair um público que antes saia de suas casas apenas para passeios em shoppings, de um muro para outro. (CALLIARI, 2016). Outro grande protagonista nesse cenário é a vida noturna. As pessoas têm optado por botecos com entrada franca e mesas nas calçadas das ruas, possibilitando maior interação e menores gastos do que em boates particulares, pagas e fechadas.

Figuras 41 . 42 Carnaval de rua em São Paulo. 2017, Brasil. Food park no Butantã. SP, Brasil.

Anos atrás, o arquiteto Abílio Guerra (2011) já comentava um dos festivais que mais deram voz e trouxeram à tona a apropriação da cidade como espaço público: a virada cultural. Segundo ele, o ato de juntar uma multidão de cidadãos em um mesmo local com uma finalidade festiva e artística possibilitou a experiência única de vivenciar o centro durante a madrugada e perceber que existe a possibilidade de reconquistar as ruas do centro. “O que é realmente incrível é a capacidade da cidade em realizar esta maratona com relativa calma e poucos transtornos. Banheiros químicos e barracas de alimentos e bebidas espalhados por lugares estratégicos, um eficaz sistema de limpeza, a ostensiva presença de veículos e guardas militares e civis, a limitação do fluxo de automóveis em algumas ruas e avenidas, e o Metrô funcionando durante as 24 horas, são decisões das autoridades que, no seu conjunto, permitiram as pessoas transitar de um local a outro sem maiores problemas.” (GUERRA; Abílio, 2011). 41


Aos poucos, está havendo também, certa reforma na cidade, já que para um espaço ser efetivamente ocupado, ele precisa ter qualidade. Ruas e praças estão sendo revitalizadas, novas ciclo faixas sendo instaladas e em alguns rios, estão iniciando o processo de despoluição. (CALLIARI, 2011) A Praça Roosevelt é um exemplo de revitalização do espaço; após ser fechada em 2006, passou por uma reforma voltando a funcionar em 2012 e hoje é um dos principais locais de encontro e atividades públicas no centro da cidade, chegando a incomodar alguns moradores de residências próximas. O novo projeto buscou ligar a praça ao seu entorno usando amplos espaços de convivência com bancos e árvores. Durante o dia o uso na praça é voltado para afazeres cotidianos, enquanto a noite os usos se originam dos bares ao redor. (CALLIARI, 2016) Outro exemplo é o Minhocão, também conhecido como Elevado Costa e Silva ou João Goulart, que não sofreu nenhuma mudança física, mas passou por grande transformação enquanto espaço público. Perante a discussão sobre seu destino (demolição ou ressignificação), o Elevado passou a ser ocupado por jovens, ciclistas, artistas e outros diversos nichos de cidadãos que aproveitam os períodos em que está fechado para carros, para vivenciar o espaço com atividades diversas: piqueniques, produções artísticas, festas, encontros, atividades físicas e descanso. (CALLIARI, 2016)

Figuras 43 . 44 Ocupação na praça Roosevelt. SP, Brasil. Ocupação do Elevado Costa e Silva. SP, Brasil.

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O espaço público não deve ser visto como o espaço de ninguém, mas como o espaço de todos. É isso que o documentário “O que é nosso - Reclaiming the Jungle” aborda: a movimentação de grupos independentes que organizam festas e encontros em locais públicos e ociosos de São Paulo, como por exemplo, o túnel do Minhocão e o próprio elevado, edifícios ocupados e ruas pelo centro histórico da cidade. A premissa desses grupos é a de voltar a utilizar um espaço que é por direito de toda a população, mas que estava esquecido, de maneira a não impor restrições ou preconceitos. Essas festas reúnem pessoas de todas as classes sociais, idades e gêneros: é a retomada da diversidade, que dificilmente aconteceria em um ambiente fechado e particular. Essa liberdade e diversidade permite além de tudo, que preconceitos sejam superados: o morador de rua, muitas vezes visto sob olhares de medo e estranheza, estará festejando junto aos demais participantes, mostrando que acima de tudo, também são seres humanos. Além de todos os fatores econômicos e sociais, as festas de rua permitem que o cidadão aproveite o clima tropical do país. Habitualmente, o costume era fazer o trajeto: casa – carro – evento fechado, sempre alheio aos acontecimentos externos. Essa iniciativa permite que os paulistanos caminhem por sua cidade, conheçam-na melhor e aproveite de seus espaços. Jezmo Clode (2014) fala neste documentário sobre sua experiência nas noites da cidade: “Uma coisa bem interessante sobre as festas aqui em São Paulo, é onde elas estão sendo feitas: ruas, lagos, praças, espaços e prédios ociosos, áreas ignoradas pela população; isso ajuda os paulistanos a repensar e a cobrar essa cidade para eles.”

Figuras 45 . 46 . 47 Festas independentes no centro de São Paulo, Brasil.

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Para entender melhor essa nova atitude perante a cidade, é necessário estender o campo de estudo para quem os vivencia. Segundo pesquisa de campo realizada em 2017, com jovens frequentadores desses eventos, de maneira geral é possível afirmar que essa retomada dos espaços públicos tem suas potencialidades e deficiências também. Cem por cento dos entrevistados afirmaram que as maiores vantagens do cenário atual em relação ao assunto são de fato o baixo ou nenhum custo e a diversidade no público. A jornalista Ursula Kunze afirma que é possível hoje aproveitar a cidade gastando pouco ou nenhum dinheiro. “Por exemplo, a paulista de domingo é uma delícia! Você vê famílias, jovens, idosos... tem de tudo mesmo.”. Quanto às deficiências, também houve predominância de opiniões: falta de infraestrutura, de segurança e acessos, visto que o sistema metroviário se encerra no período da madrugada e as pessoas não conseguem voltar facilmente para suas casas. A estudante de arquitetura e urbanismo Monica Martinez fez a seguinte observação:

“[...]. É claro que a falta de organização existe e é muito grande em alguns aspectos. [...] mas para uma cidade onde reina o uso do automóvel e a escala humana é completamente ignorada, é importante que isso esteja acontecendo. Precisamos nos apropriar do espaço, afinal, ele é público e está lá justamente para servir para as mais variadas formas de ocupação.”

“Uma característica comum de quase todas as cidades – independentemente da localização, economia e grau de desenvolvimento – é que as pessoas que ainda utilizam o espaço da cidade em grande número são cada vez mais maltratadas. Espaço limitado, obstáculos, ruído, poluição, risco de acidentes e condições geralmente vergonhosas são comuns para os habitantes, na maioria das cidades do mundo.” (GEHL; Jan, 2014 p.15)

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A REGIAO DE ESTUDO – CENTRO DE SÃO PAULO

Com base nas reflexões obtidas através dos estudos de espaços públicos e sua relação com o desenvolvimento de São Paulo, foi escolhida uma quadra para intervenção localizada no perímetro da Sé, em frente ao Mercado Municipal e ao lado de uma das vias mais importantes: a Avenida do Estado. A região foi parte do trecho de fundação da cidade, em 1554 e hoje, após tantos processos de evolução e mutação, é uma das mais movimentadas, recebendo principalmente muitos comerciantes e turistas, devido à grande quantidade de comércios populares de produtos e alimentos.

Figuras 48 . 49

Mapa e vista aérea da região de estudo. Centro de São Paulo, Brasil.

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É uma região bem suprida no que diz respeito aos acessos por transporte público, podendo ser acessada por ônibus, metrô ou trem. As estações mais próximas são: -Estação Pedro II e Sé da linha 03 Vermelha do metrô, ligando o centro com as zonas Leste e Oeste. -Estação Terminal Bandeira de ônibus do expresso Tiradentes, que conecta o centro com a zona leste, terminal Sacomã e Vila Prudente. -Estação São Bento e Luz da linha 01 Azul, que liga o centro com as zonas Norte e Sul de São Paulo. -Estação Luz das linhas 07 Rubi e Linha 11 Coral da CPTM, que ligam a região com Jundiaí e Guaianazes.

Figura 50 Mapa de transporte público da região.

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Para quem está de carro, os principais acessos acontecem através das vias: -Avenida dos Estados que, paralela ao rio Tamanduateí, é responsável pela conexão com a Marginal Tietê, zona sudeste, via Anchieta e Grande ABC Paulista. -Avenida Mercúrio e Avenida Senador Queiróz, que a conectam à região da República, Paulista e Radial Leste. Figura 51

Mapa de pontos importantes da região.

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Figuras 52 . 53

2

rua 25 de março Mercado Municipal

3

4

Os principais pontos turísticos e de comércios da região são: -Rua 25 de Março (1) - composta por galerias, lojas e comerciantes ambulantes de produtos importados da china. O local comercializa os mais diversos tipos de produtos tanto em atacado quanto varejo. -Galeria Pagé (2) - O forte do shopping são os produtos eletrônicos. É formado por aproximadamente 170 lojas e fica próximo à Rua 25 de Março. -Mercado Municipal de São Paulo (3) - Ao lado da avenida do estado, atrai diversos visitantes devido à grande quantidade de alimentos diferenciados. O prédio histórico funciona como uma grande feira em seu interior, comercializando frutas, temperos, laticínios, grãos e carnes, além dos restaurantes e lanchonetes. -Brás (4) - a região é formada predominantemente por comércios e galpões. Fica ao lado oposto da avenida do estado e assim como a Rua 25 de Março o local é muito procurado por comerciantes e visitantes que buscam produtos a baixo custo. A região é setorizada basicamente pelos produtos que oferece, como por exemplo, a zona têxtil e a zona cerealista. 48


A predominância de usos na região é de comércio ou misto e o gabarito é relativamente baixo, com muitos edifícios de até um ou dois pavimentos. Os edifícios mais altos estão principalmente na Avenida Mercúrio sentido República, possuem oito ou mais pavimentos.

Figuras 54 . 55

Mapa de usos. Entorno- Av. Mercúrio.

Figuras 56 . 57

Mapa de gabarito. Entorno- Av. do Estado.

49


De modo geral, a região encontra-se bem degradada tanto urbanisticamente, quanto arquitetonicamente. Existem muitos edifícios em estado precário e até por isso, na quadra de implantação do projeto ficou definido que apenas duas das pré-existências serão mantidas.

Figuras 58 . 59 . 60 . 61 .62

Mapa de estado de conservação da região. Rio Tamanduateí e Av. Mercúrio com AV. do Estado. Entorno em má conservação.

50


A carência de espaços públicos arborizados é uma das maiores deficiências da região, que mesmo sendo fortemente frequentada e movimentada por conta dos comércios, é ainda uma área muito degradada, desconfortável e poluída. O Parque Dom Pedro II é a região arborizada mais próxima, mas acaba ignorado por ser de certa forma isolado, de forma que alguns visitantes nem sabem de sua existência ou tem receio de visita-lo.

Figura 63 Mapa de áreas verdes da região.

51


4.1

A QUADRA DE INTERVENÇÃO

Com 6.794 m.², atualmente a quadra de estudo possui alguns edifícios mistos, prédios ocupados para moradia, residenciais, alguns galpões e um grande estacionamento em seu miolo. A topografia da região, de maneira geral, varia pouquíssimo, de modo que a quadra está nivelada e não possui curvas de nível. A maioria das construções existentes estão em estado precário de deterioração, por isso a proposta de remoção de quase todas as pré-existências, com exceção dos dois maiores residenciais, destacados no mapa abaixo.

Figuras 65 . 66 quadra de estudo na Rua Carlos de Sousa Nazaré

Figura 64

Planta da quadra de estudo.

A quadra triangular tem duas de suas fachadas são voltadas para avenidas de alto fluxo: a Avenida do Estado e a Avenida Mercúrio. A terceira fachada está voltada para a rua Carlos de Sousa Nazaré, onde o fluxo de automóveis é praticamente nulo devido à grande quantidade de caminhões e lixo espalhados por sua extensão, por conta dos galpões de depósito que hoje abriga. Está inserida na zona de interesse ZEIS 3 - imóveis subutilizados, encortiçados em áreas com infraestrutura. Isso significa que o projeto deverá oferecer moradia HIS e HMP e seu CA máximo será 4. 52


Figuras 67 . 68 . 69 . 70 Interior da quadra de estudo- edifícios a serem retirados. Interior da quadra de estudo- atual estacionamento. Edifícios a serem retirados da quadra – Fachada Avenida do Estado.

53


54


5

O PROJETO

ESPAÇO DE REINTEGRAÇÃO E QUALIFICAÇÃO DA ÁREA ENVOLTÓRIA DO MERCADO MUNICIPAL DE SÃO PAULO. A proposta projetual tem como objetivo trazer soluções para as deficiências mais graves da região: O número de pessoas em situação de rua, o desperdício de alimentos, a falta de espaços verdes, de convivência e permanência. Para isso, foi desenvolvido um projeto de quadra multifuncional com três blocos independentes e de diferentes usos: Um restaurante popular, um centro de reintegração social e um edifício habitacional HIS. Eles foram implantados de maneira a garantir fluidez por toda a quadra, com espaços de relaxamento e convívio públicos, junto à arvores e espelhos d’água.

O restaurante popular:

O desperdício de alimentos e a grande quantidade de pessoas em situação de rua ou vendedores ambulantes é algo alarmante na região. Os comércios locais como o Mercado Municipal, a zona cerealista no Brás e todas as outras feiras alimentícias acabam descartando muitos alimentos apenas por não terem sido vendidos no dia, o que torna os alimentos não tão frescos, sendo assim, mais difíceis de vender. Além disso, a presença de pessoas de baixa renda atrai a necessidade de estabelecimentos que ofereçam refeições de qualidade por um baixo custo. Pensando nisso, foi projetado um restaurante popular, como o famoso “Bom prato”, criado em 2000 pelo Governo do Estado de São Paulo. A intenção é receber os alimentos que seriam descartados e reaproveita-los para produzir refeições a baixo custo para a população mais necessitada, resolvendo assim, dois graves problemas. Além do restaurante em si, este bloco conta com um café integrado à área externa da quadra, tornando-a sempre movimentada mesmo na fachada oposta à Avenida do Estado.

O Centro de reintegração social:

Mais do que acolher e alimentar, o foco do projeto é também reabilitar e recapacitar os cidadãos em situação de rua a voltar para o mercado de trabalho e ter uma vida digna. O centro de reintegração busca trazer este auxilio com espaços de tratamento físico, psicológico e intelectual do cidadão, oferecendo vestiários, espaços para doação e retirada de roupas, salas de psicologia e psiquiatria e cursos básicos de línguas, profissionalizantes e espaços para palestras e workshops, capacitando seus alunos até mesmo para trabalhar no próprio restaurante. Tanto no centro de reintegração quanto no restaurante foi feito um sistema de jardins nas coberturas com drenagem e captação de águas pluviais. 55


A Habitação HIS:

Por estar inserido em uma ZEIS 3 e por conta da remoção de algumas pré-existências, foi necessária a implantação de um edifícios HIS para abrigar estes moradores existentes e também os novos. São 11 andares e 165 apartamentos no total, sendo estes de diferentes tipologias, possibilitando a moradia de famílias e pessoas diversas. Sendo assim, foram feitos desde apartamentos studio até apartamentos de dois e três dormitórios. Reforçando a ideia de consumo consciente de alimentos, foi colocada uma horta comunitária por pavimento do edifício, onde os próprios moradores podem cultivar seus alimentos.

A quadra enquanto espaço público:

Com base nos estudos realizados, foi desenvolvido um projeto para o vazio da quadra de intervenção. Mais do que um espaço de transição, ela é também espaço de convívio e descanso de acordo com os conceitos levantados nos capítulos anteriores. Áreas verdes, espelhos d’água, decks, arquibancadas e equipamentos públicos como bancos e mesas fixos tornam isso possível no projeto.

5.1

REFERÊNCIAS PROJETUAIS

Praça Victor Civita – Espaço Aberto da Sustentabilidade Arquitetos: Levisky Arquitetos Associados e Anna Dietzsch Área construída: 2.650 m² Área do terreno: 13.648 m² Localização: São Paulo, SP, Brasil Ano: 2007 A Praça Victor Civita foi um projeto de revitalização de uma área em Pinheiros na qual o terreno estava degradado e poluído devido atividade industrial anterior do local. O objetivo era trazer de volta à vida urbana um espaço que estava subutilizado e o principal desafio era o solo contaminado do terreno. Para que isso fosse possível, construiu-se um deque sustentado por estrutura metálica, impedindo contato direto com o solo. Figura 71

Implantação do projeto.

56


Figura 72

Vista geral do projeto.

Figura 73

Detalhamento deck elevado.

Além de um espaço público de descanso e convívio, a praça possui edifícios anexos voltados para a disseminação de conhecimentos sobre sustentabilidade, principalmente. O deque suspenso em madeira e estrutura metálica dá acesso às edificações: um museu da reabilitação, um espaço de eventos, um centro da terceira idade, à Oficina de Educação Ambiental, ao Núcleo de Investigação de Águas e Solos subterrâneos e à Praça de Paralelepípedos. O projeto foi elaborado pensando na redução do entulho, uso de materiais recicláveis, reuso de água, baixo consumo de energia, aquecimento solar e permeabilidade no solo. Assim como o objeto de projeto desenvolvido no TFG, a praça buscou soluções para deficiências locais que não danificassem o meio ambiente e que trouxesse maior qualidade de vida para seus visitantes, focando não somente nos espaços públicos como em uma conscientização ambiental. Na quadra de estudo foram utilizadas algumas das soluções encontradas na Praça Victor Civita como os deques, os jardins verticais, arquibancadas e captação de águas pluviais. Figuras 74 . 75

Caminho em deck suspenso.

57


Figuras 76

Planta do programa de usos.

58


Figuras 77

Planta de paisagismo.

59


Espaço público Tapis Rouge - Haiti Arquitetos: Emergent Vernacular Architecture (EVA Studio) Localização: Carrefour-Feuilles, Haiti Ano do projeto: 2016 Programa: Anfiteatro ao ar livre, espaço para ginástica, espaço para vegetação e tanques de captação e reservatório de águas.

Figuras 78 . 79

implantação e planta.

O Tapis Rouge foi construído sob o programa LAMIKA ( "Uma vida melhor no meu bairro") , financiado pela Cruz Vermelha Americana e implementado pela Global Communities, que visam promover o convívio social através da inclusão nos espaços públicos. O local faz parte dos muitos bairros informais que sofreram danos no terremoto de 2010 e suas casas são barracos sem serviços básicos de saneamento básico e infra-estrutura, logo, não possuem espaços de convivência de qualidade. O projeto se localiza no topo de uma encosta junto a entrada para as vielas das casas e seu objetivo principal é a melhoria da qualidade de vida na região, trazendo um ambiente mais seguro, limpo e proporcionando experiências de vida em comunidade. Ele foi desenvolvido junto aos moradores locais e por fim seus usos se deram junto a um grande anfiteatro ao ar livre responsável pela maior parte das interações. Por toda a volta deste centro foram plantados diversos Flamboyants que futuramente protegerão os usuários do sol. 60


Além do anfiteatro, foram definidas diferentes áreas dentro da praça: a de exercícios, com equipamentos e bancos, terraços com vegetação de diferentes plantas, espaço para palmeiras, poço de abastecimento e tanques de armazenamento e distribuição de água. Os pavers de concreto pré-moldado foram fabricados localmente, assim como os muros também foram utilizados pelos artistas locais, que os transformaram em murais coloridos.

Figura 80

visão geral do projeto.

Figura 81

Espaço para equipamentos de ginástica.

O projeto do Tapis Rouge trouxe inspiração para uma das soluções mais importantes na quadra de estudo, que foi a arquibancada ao ar livre em formato de anfiteatro. Assim como nessa referência, o anfiteatro busca trazer um espaço de convivência urbana e vida em comunidade que possa ser moldado pelos próprios moradores e visitantes, que o utilizarão da maneira que necessitarem: para apresentações, brincadeiras ou apenas como espaço de relaxamento para se sentar durante suas atividades no local. Além disso, a vegetação também foi utilizada como solução para a incidência direta do sol nas arquibancadas e a ideia do uso de grafites de artistas locais também foi incorporada para uma empena cega do projeto. Figuras 82 . 83

Utilização cotidiana do espaço.

61


Figuras 84 . 85

corte transversal. corte esquemรกtico e topogrรกfico.

62


5.2

PROPOSTA PROJETUAL

Figuras 86 . 87

Fachadas Av. do estado e Av. Mercúrio.

Para a implantação do projeto, o partido adotado foi o de fluidez, integrando as três ruas que cortam a quadra de modo a transformar o que é hoje uma barreira em um espaço aberto para circulação de pedestres. Outros fatores também foram decisivos para a disposição dos edifícios, como a existência das empenas cegas das pré-existências, a orientação do Norte para melhor insolação do residencial, o tipo de fluxo e usos de cada uma das ruas do entorno e a poluição visual, auditiva e olfativa da Avenida do Estado.

Figura 88 . 89. 90

Primeiros estudos de implantação.

63


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MERCADO MUNICIPAL

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MERCADO MUNICIPAL

EN

64

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ID

A

implantação sem escala 

AV

AV

Figura 91

ID

A


Desta maneira, o bloco de reintegração social ocupa o térreo circundando todo o edifício existente e tem suas entradas principais pela Avenida Mercúrio e pelo centro da quadra; seus demais usos acontecem no bloco suspenso que serve também como abrigo e sombra no térreo para quem chega por essa fachada. O restaurante- também no térreo- foi disposto de modo a atravessar toda a quadra, deixando seus principais acessos próximos à Avenida Mercúrio, fazendo uma ligação com o Mercado Municipal, enquanto as entradas de serviço, carga e descarga estão próximas à rua Carlos de Sousa que é menos movimentada. Para não tornar então essa fachada isolada, foi colocado um bar que integra o interior do edifício com o restante da quadra através de um grande balcão que serve a parte interna e também externa. As entradas para o edifício habitacional foram divididas em duas, uma no meio e uma na ponta da quadra; este bloco esconde a maior parte das empenas cegas das pré-existências e fica mais afastado da Avenida do Estado por conta de seu barulho e poluição. Quanto aos apartamentos, estão todos voltados para norte, considerada a melhor orientação para insolação dos ambientes. A quadra foi pensada para acolher os visitantes e tornar sua permanência agradável. Para isso, a implantação de deques, bancos e jardins com muitas árvores e espelhos d’água. Como foi citado no capítulo 2, a vegetação e a água são responsáveis pela sombra, pela renovação do ar e diminuição da temperatura além de trazer sensação de conforto. Espaços para feiras e food trucks itinerantes foram criados para diversificar os usos e atrair movimento em todas as horas do dia enquanto a arquibancada em forma de anfiteatro foi colocada no centro para que possa ser utilizada da melhor maneira pelos visitantes, seja para sentar-se e comer, conversar, para crianças brincarem ou mesmo para possíveis apresentações artísticas.

Figura 92

Vista aérea

65


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RLO RUA CA

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SOUS S DE

RÉ A NAZA

SOUS S DE

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66

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Figura 93 Planta térreo - nível 00.00 sem escala

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Figuras 94 . 95 Cortes AA e BB sem escala

Na cobertura do restaurante foi colocada uma abertura zenital que permite melhor ventilação e iluminação do refeitório, além do sistema de drenagem e captação de águas pluviais.

67


68


Figuras 96. 97 . 98

Detalhe cobertura verde, abertura zenital e sistema de drenagem de åguas pluviais– Restaurante - sem escala

69


Figuras 99 . 100 . 101 . 102 . 103 .104

Imagens do restaurante e do tĂŠrreo com food trucks, arquibancada arena e cafĂŠ.

70


71


AV

AV

M

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72

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AV

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Figuras 105 . 106

Planta primeiro pav +05.30 Planta segundo pav +09.32 sem escala.

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EST AD O DO AV

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RI

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

73


Figuras 107 . 108 Cortes CC e DD sem escala.

74


Figura 109

Tipologia-sem escala.

Os apartamentos possuem diferentes tipologias para abrigar diversos formatos de família. Todos recebem ventilação cruzada graças às aberturas que foram dispostas em ambas as extremidades de cada unidade e ao cobogó vazado da área de circulação externa, permitindo que os ventos predominantes (sudeste - noroeste) entrem no edifício independente do período do ano.

Figuras 110 . 111

vista interna apartamento estúdio e sacada. sem escala.

75


150

4

4

GUARDA CORPO DE ESTRUTURA TUBULAR EM AÇO Ø=4cm

14

146

GUARDA CORPO DE ESTRUTURA TUBULAR EM AÇO Ø=4cm

Figuras 112 . 113 . 114 . 115

13

4

13

TIRANTES EM CABO DE AÇO

13

120

TIRANTES EM CABO DE AÇO

120

13

13

detalhamento apartamentos.sem escala.

13

13

13

CONTRAPISO PARA RECEBIMENTO DE DECK DE MADEIRA NÁUTICA

FIXO

PEÇA EM AÇO GALVANIZADO SOLDADA NA ESTRUTURA PARA FIXAÇÃO DO GUARDA CORPO

CORRE

CONTRAPISO PARA RECEBIMENTO DE DECK DE MADEIRA NÁUTICA

LAJE EM CONCRETO

LAJE EM CONCRETO

PEÇA EM AÇO GALVANIZADO SOLDADA NA ESTRUTURA PARA FIXAÇÃO DO GUARDA CORPO

DET.01

DET. VISTA GUARDA CORPO ESCALA 1 : 10

CORRE

DET.01

DET. CORTE GUARDA CORPO ESCALA 1 : 10

AMP. 01

AMPLIAÇÃO 01 - PLANTA ESCALA 1:25

FECHAMENTO EM CHAPA METÁLICA COM PINTURA ELETROSTÁTICA BRANCA

1.48

FORRO EM GESSO ACARTONADO

Depurador de embutir Porta

Porta

Porta

Porta

2.64

Porta

Bancada e Frontão em Granito Branco Itaunas Prj. MQLR Gaveta 1.16

GUARDA CORPO EM AÇO VER DETALHE 01

Gaveta Gaveta

DECK DE MADEIRA NÁUTICA, COLOCADO SOB CONTRAPISO NIVELADO

Porta .18 .04.04 .80

76

AMPLIAÇÃO 01 - ELEVAÇÃO ESCALA 1:25

AMP. 01

AMPLIAÇÃO 01 - CORTE ESCALA 1:25

Porta

Sóculo Revestido com Porcelanato

XX.XX-XX

AMP. 01

Porta

PLANTA ESCALA 1:10

Gaveta

Porta


Figuras 116 . 117 . 118 . 119

Elevação e vistas residencial + horta comunitária. .sem escala.

77


Figuras 120 . 121 . 122 . 123

Elevações centro de reintegração e restaurante . sem escala.

78


79


Figuras 124 planta estacionamento -05.00 sem escala.

80


81


6

CONSIDERAÇÕES

FINAIS

No início da construção urbana de São Paulo, as soluções pensadas para os problemas iam de acordo com a velocidade do crescimento da cidade, ou seja, extremamente acelerado e pouco pensado, de modo que muitas dessas soluções acabaram funcionando apenas temporariamente até que se mostraram realmente causadoras de grandes deficiências e danos a longo prazo. Interessados apenas no poder, na praticidade e no crescimento urbano, acabou-se por ignorar todos os conceitos de espaços públicos de qualidade, fazendo com que a cidade retrocedesse em diversos aspectos, que a tornaram ilegível, doente, poluída, falha, cheia de espaços sem significados e com barreiras urbanas intransponíveis. Ainda hoje estes reflexos se fazem presentes no cotidiano dos habitantes de São Paulo, que transitam de suas casas aos seus trabalhos engarrafados pelo transito em veículos particulares ou apertados no transporte coletivo, sem ao menos, perceber o que está acontecendo nas ruas ao seu redor- e quando o faz, sente medo e desconforto, pois a maior parte da cidade não foi projetada e cuidada para que houvesse uma vivência mais intima dos seus integrantes para com a mesma. As iniciativas de reapropriação do espaço público estão aos poucos ganhando notoriedade e levando cada dia mais pessoas para vivenciar a experiência da rua, das praças e parques urbanos como locais de convivência, descanso e lazer. Mas ainda é cedo para afirmar que São Paulo é uma cidade evoluída neste quesito, pois apesar da retomada destes locais, a violência, a insegurança e a falta de infra estrutura urbana e viária prejudica essas ações, tornando todo o processo mais lento. Como citado anteriormente, os cidadãos são protagonistas na cidade, por isso é um dever ir atrás dessa recuperação, cobrando os governantes e ocupando estes espaços, enquanto para os arquitetos e urbanistas é também um dever que pense não somente nos cheios dos edifícios, mas nos vazios, integrando os espaços a quem os vivencia de maneira efetiva.

82


83


LISTA DE IMAGENS Figura 1-Praça Ouvidor Pacheco e Silva- SP, Brasil. Interação nos espaços públicos........................................................13 disponpivel em: <http://gestaourbana.prefeitura.sp.gov.br/projetos-urbanos/centro-aberto/largo-sao-francisco/> Acesso em: 10 outubro 2017

Figura 2-Ágoras Atenienses..........................................................................................................................................................................13 disponpivel em: <http://ancient-buildings.ru/architektura-drevney-gretsii/agora-v-afinach.html> Acesso em: 10 junho 2017 Figura 3-Vila Madalena e Ipiranga: Os espaços de passeio planejados para a entrada dos carros.............................15 Fotografia da Autora.

Figura 4-Vila Madalena e Ipiranga: Os espaços de passeio planejados para a entrada dos carros.............................15 Fotografia da Autora.

Figura 5-Avenida como barreira urbana: Av. 23 de Maio. SP, Brasil...........................................................................................15 disponpivel em: <http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/comunicacao/noticias/?p=153699> Acesso em: 09 julho 2017 Figura 6-Circular Quay. Sydney, Austrália...............................................................................................................................................16 disponpivel em: <http://www.archdaily.com.br/br/01-97309/13-principios-para-converter-uma-orla-em-um-espaco-publico-transitavele-culturalmente-ativo> Acesso em: 09 junho 2017

Figura 7-Praça da Sé. São Paulo, Brasil. Espaço público com legibilidade, facilmente reconhecível.............................17 disponpivel em: < http://www.saopaulo.sp.gov.br/conhecasp/pontos-turisticos/praca-da-se/> Acesso em: 07 junho 2017 Figura 8-Diversidade na Times Square. NY- USA................................................................................................................................18 disponpivel em: < http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1484> Acesso em: 07 junho 2017 Figura 9-Vegetação e espelhos d’água no Edifício Brascan - SP, Brasil..................................................................................18 disponpivel em: < http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1484> Acesso em: 07 junho 2017 Figura 10-Árvores em Campos Elíseos, Paris.........................................................................................................................................19 disponpivel em: < http://www.archdaily.com.br/br/01-143845/fundamentos-para-projetar-espacos-publicos-confortaveis> Acesso em: 07 junho 2017

Figura 11-Aeroportos como Não Lugares- Aeroporto de Galeão - RJ, Brasil.........................................................................20 disponpivel em: < http://revistaembarque.com/sem-categoria/aeroporto-do-galeao-recebera-um-milhao-de-passageiros-a-mais-este-ano/> Acesso em: 09 junho 2017

Figura 12-Shoppings centers- Locais públicos e privados criados artificialmente.................................................................21 disponpivel em: < http://cultura.culturamix.com/curiosidades/historia-do-shopping-center> Acesso em: 09 junho 2017 Figura 13-O uso de muros em condomínios fechados como segregação à cidade...................................................................21 disponpivel em: < http://urbanidades.arq.br/2007/07/condominios-fechados/> Acesso em: 09 junho 2017 84


Figura 14-Linha do tempo do desenvolvimento da cidade.................................................................................................................24 Produzida pela Autora.

Figura 15-Várzea do Tamanduateí 1554...................................................................................................................................................25 disponpivel em: < https://aguasdomundo.wordpress.com/tag/planicies-inundaveis/> Acesso em: 10 junho 2017 Figura 16-Ferrovia São Paulo Railway e as primeiras indústias- Sp, Brasil............................................................................26 disponpivel em: < http://mestreferroviario.blogspot.com.br/2014/02/sobre-as-estradas-de-ferro-do-seculo.html> Acesso em: 14 agosto 2017

Figura 17-Ferrovia São Paulo Railway e as primeiras indústias- Sp, Brasil............................................................................26 disponpivel em: <http://operamundi.uol.com.br/conteudo/geral/47016/greve+geral+de+1917+foi+sangrenta+e+vitoriosa.shtml> Acesso em: 10 agosto 2017

Figura 18-Ferrovia São Paulo Railway e as primeiras indústias- Sp, Brasil...........................................................................26 disponpivel em: <http://operamundi.uol.com.br/conteudo/geral/47016/greve+geral+de+1917+foi+sangrenta+e+vitoriosa.shtml> Acesso em: 10 agosto 2017

Figura 19-Ladeira Porto Geral com a rua 25 de Março. SP, Brasil. Década de 40...............................................................27 disponpivel em: < http://vidartec.blogspot.com.br/2012/07/sao-paulo-de-hildegard-rosenthal.html> Acesso em: 13 julho 2017 Figura 20-Bondes e inicio da verticalização- Sp, Brasil....................................................................................................................28 disponpivel em: < https://br.pinterest.com/pin/793196553090412000/?lp=true> Acesso em: 10 junho 2017 Figura 21-Bondes e inicio da verticalização- Sp, Brasil.....................................................................................................................28 disponpivel em: < http://vidartec.blogspot.com.br/2012/07/sao-paulo-de-hildegard-rosenthal.html> Acesso em: 10 junho 2017 Figura 22-Bondes e inicio da verticalização- Sp, Brasil....................................................................................................................28 disponpivel em: < http://valepublicar.com.br/sp-antigo/> Acesso em: 10 junho 2017 Figura 23-Conjunto Nacional- Sp, Brasil..................................................................................................................................................29 disponpivel em: <http://www.archdaily.com.br/br/777375/classicos-da-arquitetura-conjunto-nacional-david-libeskind> Acesso em: 10 junho 2017

Figura 24-Plano de Avenidas Prestes Maia - SP, Brasil.................................................................................................................30 disponpivel em: < https://jornalggn.com.br/sites/default/files/capa/destaques-secundarios/plano-avenidas.jpg> Acesso em: 10 junho 2017

Figura 25-Av São Joao 1960 - SP, Brasil...............................................................................................................................................30 disponpivel em: < https://br.pinterest.com/pin/466755948852783424/?lp=true> Acesso em: 10 junho 2017 Figura 26-Curso natural Rio Pinheiros- SP, Brasil..............................................................................................................................31 disponpivel em: < http://zonaextremabrasil.blogspot.com.br/2011/01/uma-bandeira-se-levantar.html> Acesso em: 15 junho 2017 Figura 27-Rio Pinheiros pós-retificação- SP, Brasil............................................................................................................................31 disponpivel em: < http://www.saopauloinfoco.com.br/especial-marginais/> Acesso em: 15 junho 2017 85


Figura 28-Alagamentos SP, Brasil..............................................................................................................................................................32 disponpivel em: < https://aguasdomundo.wordpress.com/tag/planicies-inundaveis/> Acesso em: 20 outubro 2017 Figura 29 As filas de passageiros para embarcar nos ônibus e bondes. SP, Brasil...........................................................33 disponpivel em: < https://diariodotransporte.com.br/2016/09/04/historia-praca-do-patriarca-e-a-independencia-pelos-transportes/> Acesso em: 13 julho 2017

Figura 30 Favela Paraisópolis SP, Brasil................................................................................................................................................34 disponpivel em: < http://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/49370-incendio-na-favela-de-paraisopolis> Acesso em: 20 outrubro 2017 Figura 31 Favela do Piolho SP, Brasil.......................................................................................................................................................34 disponpivel em: <http://edition.cnn.com/2016/07/15/sport/gallery/rugby-para-todos-brazil-olympics-sevens/index.html> Acesso em: 2 outubro 2017

Figura 32-Paraisópolis x Morumbi.–O contraste social na cidade SP, Brasil...........................................................................35 disponpivel em: <http://edition.cnn.com/2016/07/15/sport/gallery/rugby-para-todos-brazil-olympics-sevens/index.html> Acesso em: 2 outubro 2017

Figura 33-Praisópolis x Morumbi.–O contraste social na cidade SP, Brasil..............................................................................35 disponpivel em: <http://www.sp-turismo.com/sao-paulo/favelas.htm> Acesso em: 20 outubro 2017 Figura 34-Primeiro shopping de São Paulo: Iguatemi...........................................................................................................................37 disponpivel em: <https://www.pinterest.jp/pin/556757572660919934/> Acesso em: 20 outubro 2017 Figura 35-Espaço público artificial: Shoppings Centers......................................................................................................................37 disponpivel em: <https://www.flickr.com/photos/141851063@N05/> Acesso em: 20 outubro 2017 Figura 36-AV. Paulista alargada. SP, Brasil..........................................................................................................................................37 disponpivel em: <http://www.engeform.com.br/novosite/site/interna_area/id/35> Acesso em: 20 outubro 2017 Figura 37-O Largo da Batata sendo ocupado. 2015. SP, Brasil.....................................................................................................39 disponpivel em: <http://ciclovivo.com.br/noticia/manual-online-da-dicas-de-ocupacao-regular-de-espacos-publicos/> Acesso em: 20 outubro 2017

Figura 38-Equipamentos públicos pela cidade: mesas de ping pong e decks de madeira na Praça Ouvidor Pacheco e Silva. 2017.........................................................................................................................................................................................................39 Fotografia da Autora.

Figura 39-Avenida Paulista como palco das manifestações. SP, Brasil.....................................................................................40 disponpivel em: < https://www.flickr.com/photos/141851063@N05/> Acesso em: 20 outubro 2017 Figura 40-Avenida Paulista ocupada por pedestres aos domingos. SP, Brasil.......................................................................40 disponpivel em: <https://thewire.in/15655/simply-sao-paulo-how-a-communist-mayor-is-making-a-city-smart-for-its-people/> Acesso em: 20 outubro 2017

Figura 41-Carnaval de rua em São Paulo. 2017.SP, Brasil...............................................................................................................................41 disponpivel em: <http://www.fantasiaskitok.com.br/noticias/89> Acesso em: 20 outubro 2017 86


Figura 42-Food park no Butantã. SP, Brasil..........................................................................................................................................41 disponpivel em: <https://badulaquemais.wordpress.com/tag/butantan-food-park/> Acesso em: 20 outubro 2017 Figura 43-Ocupação na praça Roosevelt. SP, Brasil...........................................................................................................................42 disponpivel em: <https://roniadamefotografia.wordpress.com/2014/07/31/skatesnapracaroosevelt/> Acesso em: 07 Novembro 2017 Figura 44-Ocupação do Elevado Costa e Silva. SP, Brasil...............................................................................................................42 disponpivel em: <http://www.archdaily.com.br/br/769604/arte-e-arquitetura-empena-viva-por-nitsche-projetos-visuais> Acesso em: 20 outubro 2017

Figura 45-Festas independentes no centro de São Paulo, Brasil................................................................................................43 disponpivel em: <https://catracalivre.com.br/sp/agenda/gratis/sp-na-rua-abre-mes-da-cultura-independente-com-eventos-ao-arlivre/> Acesso em: 20 outubro 2017

Figura 46-Festas independentes no centro de São Paulo, Brasil................................................................................................43 disponpivel em: <https://catracalivre.com.br/sp/agenda/gratis/sp-na-rua-abre-mes-da-cultura-independente-com-eventos-ao-arlivre/> Acesso em: 20 outubro 2017

Figura 47-Festas independentes no centro de São Paulo, Brasil................................................................................................43 disponpivel em: <https://catracalivre.com.br/sp/agenda/gratis/sp-na-rua-abre-mes-da-cultura-independente-com-eventos-ao-arlivre/> Acesso em: 20 outubro 2017

Figura 48-Mapa e vista aérea da região de estudo...........................................................................................................................46 disponpivel em: Geosampa. 2017 Figura 49-Centro de São Paulo, Brasil....................................................................................................................................................46 disponpivel em: Google Maps. 2017 Figura 50-Mapa de transporte público da região.................................................................................................................................47 disponpivel em: Geosampa. 2017 Figura 51-Mapa de pontos importantes da região................................................................................................................................48 Produção da Autora.

Figura 52-Rua 25 de março...........................................................................................................................................................................48 disponpivel em: < http://rodacidade.com.br/se-liga/25-de-marco-e-seus-arredores/> Acesso em: 14 março 2017 Figura 53-Mercado Municipal.........................................................................................................................................................................48 Fotografia da Autora.

Figura 54-Mapa de usos.................................................................................................................................................................................49 Produção da Autora.

Figura 55-Entorno- Av. Mercúrio................................................................................................................................................................49 Fotografia da Autora.

Figura 56-Mapa de gabarito..........................................................................................................................................................................49 Produção da Autora.

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Figura 57-Entorno- Av. do Estado.............................................................................................................................................................49 Fotografia da Autora.

Figura 58-Mapa de estado de conservação da região........................................................................................................................50 Produção da Autora.

Figura 59-Rio Tamanduateí e Av. Mercúrio com AV. do Estado.....................................................................................................50 Fotografia da Autora.

Figura 60-Entorno em má conservação.....................................................................................................................................................50 Fotografia da Autora.

Figura 61-Entorno em má conservação......................................................................................................................................................50 Fotografia da Autora.

Figura 62-Entorno em má conservação.....................................................................................................................................................50 Fotografia da Autora.

Figura 63-Mapa de áreas verdes da região............................................................................................................................................51 disponpivel em: Geosampa. 2017 Figura 64-Planta da quadra de estudo....................................................................................................................................................52 Produção da Autora.

Figura 65-quadra de estudo na Rua Carlos de Sousa Nazaré.......................................................................................................52 disponpivel em: Google Maps. 2017 Figura 66-quadra de estudo na Rua Carlos de Sousa Nazaré.......................................................................................................52 disponpivel em: Google Maps. 2017 Figura 67-Interior da quadra de estudo- edifícios a serem retirados.......................................................................................53 Fotografia da Autora.

Figura 68-Interior da quadra de estudo- atual estacionamento...................................................................................................53 Fotografia da Autora.

Figura 69-Edifícios a serem retirados da quadra – Fachada Avenida do Estado.................................................................53 Fotografia da Autora.

Figura 70-a serem retirados da quadra – Fachada Avenida do Estado.....................................................................................53 Fotografia da Autora.

Figura 71-Implantação do projeto................................................................................................................................................................56 disponpivel em: <https://www.archdaily.com.br/br/01-10294/praca-victor-civita-levisky-arquitetos-e-anna-julia-dietzsch> Acesso em: 16 abril 2017

Figura 72-Vista geral do projeto................................................................................................................................................................57 disponpivel em: <https://www.archdaily.com.br/br/01-10294/praca-victor-civita-levisky-arquitetos-e-anna-julia-dietzsch> Acesso em: 16 abril 2017

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Figura 73-Detalhamento deck elevado......................................................................................................................................................57 disponpivel em: <https://www.archdaily.com.br/br/01-10294/praca-victor-civita-levisky-arquitetos-e-anna-julia-dietzsch> Acesso em: 16 abril 2017

Figura 74-Caminho em deck suspenso.......................................................................................................................................................57 disponível em: <https://www.archdaily.com.br/br/01-10294/praca-victor-civita-levisky-arquitetos-e-anna-julia-dietzsch> Acesso em: 16 abril 2017

Figura 75-Caminho em deck suspenso........................................................................................................................................................57 disponível em: <https://www.archdaily.com.br/br/01-10294/praca-victor-civita-levisky-arquitetos-e-anna-julia-dietzsch> Acesso em: 16 abril 2017

Figura 76-Planta do programa de usos....................................................................................................................................................58 disponível em: <https://www.archdaily.com.br/br/01-10294/praca-victor-civita-levisky-arquitetos-e-anna-julia-dietzsch> Acesso em: 16 abril 2017

Figura 77-Planta de paisagismo...................................................................................................................................................................59 disponível em: <https://www.archdaily.com.br/br/01-10294/praca-victor-civita-levisky-arquitetos-e-anna-julia-dietzsch> Acesso em: 16 abril 2017

Figura 78-implantação e planta....................................................................................................................................................................60 disponível em: <https://www.archdaily.com.br/br/804436/espaco-publico-tapis-rouge-em-um-bairro-informal-no-haiti-emergent-vernacular-architecture-eva-studio> Acesso em: 18 abril 2017

Figura 79-implantação e planta....................................................................................................................................................................60 disponível em: <https://www.archdaily.com.br/br/804436/espaco-publico-tapis-rouge-em-um-bairro-informal-no-haiti-emergent-vernacular-architecture-eva-studio> Acesso em: 18 abril 2017

Figura 80-visão geral do projeto.................................................................................................................................................................61 disponível em: <https://www.archdaily.com.br/br/804436/espaco-publico-tapis-rouge-em-um-bairro-informal-no-haiti-emergent-vernacular-architecture-eva-studio> Acesso em: 18 abril 2017

Figura 81-Espaço para equipamentos de ginástica................................................................................................................................61 disponível em: <https://www.archdaily.com.br/br/804436/espaco-publico-tapis-rouge-em-um-bairro-informal-no-haiti-emergent-vernacular-architecture-eva-studio> Acesso em: 18 abril 2017

Figura 82-Utilização cotidiana do espaço..................................................................................................................................................61 disponível em: <https://www.archdaily.com.br/br/804436/espaco-publico-tapis-rouge-em-um-bairro-informal-no-haiti-emergent-vernacular-architecture-eva-studio> Acesso em: 18 abril 2017

Figura 83-Utilização cotidiana do espaço..................................................................................................................................................61 disponível em: <https://www.archdaily.com.br/br/804436/espaco-publico-tapis-rouge-em-um-bairro-informal-no-haiti-emergent-vernacular-architecture-eva-studio> Acesso em: 18 abril 2017

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Figura 84-corte transversal.........................................................................................................................................................................62 disponível em: <https://www.archdaily.com.br/br/804436/espaco-publico-tapis-rouge-em-um-bairro-informal-no-haiti-emergent-vernacular-architecture-eva-studio> Acesso em: 18 abril 2017

Figura 85-corte esquemático e topográfico...........................................................................................................................................62 disponível em: <https://www.archdaily.com.br/br/804436/espaco-publico-tapis-rouge-em-um-bairro-informal-no-haiti-emergent-vernacular-architecture-eva-studio> Acesso em: 18 abril 2017

Figura 86-Fachadas Av. do estado e Av. Mercúrio..............................................................................................................................63 Produção da Autora.

Figura 87-Fachadas Av. do estado e Av. Mercúrio..............................................................................................................................63 Produção da Autora.

Figura 88-Primeiros estudos de implantação.........................................................................................................................................63 Produção da Autora.

Figura 89-Primeiros estudos de implantação.........................................................................................................................................63 Produção da Autora.

Figura 90-Primeiros estudos de implantação.........................................................................................................................................63 Produção da Autora.

Figura 91-Implantação sem escala...............................................................................................................................................................64 Produção da Autora.

Figura 92-Vista aérea......................................................................................................................................................................................65 Produção da Autora.

Figura 93-Planta térreo - nível 00.00 sem escala.............................................................................................................................66 Produção da Autora.

Figura 94-Corte AA sem escala..................................................................................................................................................................67 Produção da Autora.

Figura 95-Corte BB sem escala...................................................................................................................................................................67 Produção da Autora.

Figura 96-Detalhe cobertura verde, abertura zenital e sistema de drenagem de águas pluviais– Restaurantesem escala.............................................................................................................................................................................................................69 Produção da Autora.

Figura 97-Detalhe cobertura verde, abertura zenital e sistema de drenagem de águas pluviais– Restaurante sem escala.............................................................................................................................................................................................................69 Produção da Autora.

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Figura 98-Detalhe cobertura verde, abertura zenital e sistema de drenagem de águas pluviais– Restaurantesem escala.............................................................................................................................................................................................................69 Produção da Autora.

Figura 99-Imagens do restaurante e do térreo com food trucks, arquibancada arena e café......................................70 Produção da Autora.

Figura 100-Imagens do restaurante e do térreo com food trucks, arquibancada arena e café.....................................70 Produção da Autora.

Figura 101-Imagens do restaurante e do térreo com food trucks, arquibancada arena e café......................................71 Produção da Autora.

Figura 102-Imagens do restaurante e do térreo com food trucks, arquibancada arena e café.....................................71 Produção da Autora.

Figura 103-Imagens do restaurante e do térreo com food trucks, arquibancada arena e café.....................................71 Produção da Autora.

Figura 104-Imagens do restaurante e do térreo com food trucks, arquibancada arena e café.....................................71 Produção da Autora.

Figura 105-Planta primeiro pav +05.30 sem escala..............................................................................................................................72 Produção da Autora.

Figura 106-Planta segundo pav +09.32 sem escala..............................................................................................................................73 Produção da Autora.

Figura 107-corte CC sem escala..................................................................................................................................................................74 Produção da Autora.

Figura 108-corte DD sem escala..................................................................................................................................................................74 Produção da Autora.

Figura 109-tipologia- sem escala.................................................................................................................................................................75 Produção da Autora.

Figura 110-vista interna apartamento estúdio e sacada. sem escala..........................................................................................75 Produção da Autora.

Figura 111-vista interna apartamento estúdio e sacada. sem escala...........................................................................................75 Produção da Autora.

Figura 112-detalhamento apartamentos.sem escala..............................................................................................................................76 Produção da Autora.

Figura 113-detalhamento apartamentos.sem escala..............................................................................................................................76 Produção da Autora.

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Figura 114-detalhamento apartamentos.sem escala..............................................................................................................................76 Produção da Autora.

Figura 115-detalhamento apartamentos.sem escala..............................................................................................................................76 Produção da Autora.

Figura 116-Elevação residencial .sem escala.........................................................................................................................................77 Produção da Autora.

Figura 117-vistas residencial + horta comunitária. .sem escala......................................................................................................77 Produção da Autora.

Figura 118-vistas residencial + horta comunitária. .sem escala......................................................................................................77 Produção da Autora.

Figura 119-vistas residencial + horta comunitária. .sem escala......................................................................................................77 Produção da Autora.

Figura 120-Elevações centro de reintegração sem escala................................................................................................................78 Produção da Autora.

Figura 121-Elevações centro de reintegração sem escala.................................................................................................................78 Produção da Autora.

Figura 122-Elevações restaurante sem escala.......................................................................................................................................79 Produção da Autora.

Figuras 123-planta estacionamento -05.00 sem escala......................................................................................................................80 Produção da Autora.

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FONTE DE IMAGENS ADICIONAIS Fotografia da capa- Minhocão. SP, Brasil. Por Anna Holland (Arquiteta e Urbanista/Fotógrafa) disponível em: <https://www.annaholland.net/> Fotografia da introdução- Ciclista no Minhocão. SP, Brasil. Página 10: Por Anna Holland (Arquiteta e Urbanista/Fotógrafa) disponível em: <https://www.annaholland.net/>

Fotografia Capítulo 2- Minhocão. SP, Brasil. Página 12: disponível em: <https://www.archdaily.com.br/br/769604/

arte-e-arquitetura-empena-viva-por-nitsche-projetos-visuais>

Fotografia Capítulo 3- Minhocão. SP, Brasil. Página 22: disponível em: <https://www.archdaily.com.br/br/769604/

arte-e-arquitetura-empena-viva-por-nitsche-projetos-visuais>

Fotografia Capítulo 4- Mercado Municipal de São Paulo, Brasil. Página 45: disponível em: <http://misturaur-

bana.com/2016/07/7-motivos-para-visitar-o-mercado-municipal-de-sao-paulo-o-nosso-mercadao/>

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Os espaços públicos como palco da vida urbana na cidade de São Paulo - Mariana Gimenez  
Os espaços públicos como palco da vida urbana na cidade de São Paulo - Mariana Gimenez  
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