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a criança no espaço urbano: caminhos escolares FACULDADE DE ARQUITETURA E URBANISMO UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO TRABALHO FINAL DE GRADUAÇÃO MARIETA COLUCCI RIBEIRO ORIENTADOR: PROF. DR. FÁBIO MARIZ GONÇALVES JUNHO DE 2014


Atenção porque nesta cidade Corre-se a toda velocidade

...

Mas não, mas não O sonho é meu e eu sonho que Deve ter alamedas verdes A cidade dos meus amores E, quem dera, os moradores E o prefeito e os varredores Fossem somente crianças

Chico Buarque Os Saltimbancos: Cidade Ideal


Agradeço com muito carinho

ao Fábio, seu apoio, incentivo e ensinamentos nesses anos de Fau à Irene e toda sua ajuda, suas referências, seus livros a todos do Colabora e sua vontade constante de aprender a todos da Vila Munck e da escola pela ajuda ao Vitor Barão e suas sementes fantásticas ao Bruno “Sunga” e seus ares não-paulistanos ao Carlos e ao Carlos à Aru por sempre estar ao meu lado ao Francesco, seus desenhos e abraços ao Zinho e sua megalomania, desde o 1º ano aos meus amigos de todos os momentos, Flora, Marcel e Bacchi a meu pai e suas (repetitivas) piadas à minha mãe e o incentivo constante ao Pedro e sua vontade de mudar o mundo à Fran e sua sinceridade

e a toda a minha família pela alegria, sempre.


introdução

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diretrizes gerais

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justificativa

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pisos

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cidades para pessoas

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trabalho coletivo

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a criança na cidade

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arborização

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território-escola

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projeto

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caminhos escolares

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considerações finais

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referências

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exemplos em são paulo

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bibliográficas

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distrito: raposo tavares

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endereços eletrônicos

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vila munck

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questionário de mobilidade

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recorte de projeto

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recorte


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INTRODUÇÃO espaço que é seu, por direito – um espaço que vai muito além dos limites de suas casas ou salas de aula. Com o abrir dos portões ao final das aulas, a cidade se enche delas, ganhando um movimento colorido e barulhento - um som que não incomoda, mas dá vida ao lugar.

Andar tranquilamente pela cidade, atravessar a rua sem medo, passear sem estar atento a qualquer movimento estranho e poder escolher o trajeto que lhe pareça mais agradável - sendo “o que será que tem de bom naquela rua” a única preocupação. Todos gostaríamos de ter essas liberdades, mas dependendo de onde se vive, nem sempre é possível. Passando um ano no exterior – em intercâmbio em Barcelona, Espanha –, percebi como o o espaço urbano tem grande influência na qualidade de vida e no dia a dia de uma pessoa. Lá se caminha por onde quiser, ainda que existam lugares não aconselháveis e horários mais perigosos. Homens e mulheres, de todas as idades, todos caminham. Inclusive crianças: estão por toda a parte, ocupando os espaços de uma cidade que também é delas.

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[02] São Paulo, em comparação, volta à mente como uma cidade estressada e envelhecida na qual só circulam adultos. Por aqui os pequenos pouco são vistos e, quando são, costuma ser em espaços fechados e/ou nos finais de semana. Durante a semana parece que quase não existem: não são vistas durante o horário comercial, horário em que a cidade de fato funciona, com todos seus equipamentos em atividade. Efetivamente não fazem parte da vida da cidade, estão restritas a certos ambientes e horários, ditados por seus pais e professores. Em Barcelona, por outro lado, a sensação não é essa: com exceção dos períodos de aulas, estão sempre por ai ocupando um

Todas estas percepções, associadas a uma angústia interior, fizeram com que me perguntasse “Por quê?!”. Por que em uma cidade as crianças podem circular livres e na outra não? O que permite, em Barcelona, seu caminhar despreocupado e o que, em São Paulo, restringe sua vivência e liberdade? Com estas questões na cabeça, decidi estudar a relação da criança com o espaço urbano e a inserção do universo infantil no espaço público. Em um primeiro momento, quis estudar esta relação a partir da percepção do espaço público pela criança: como um olhar inocente, em formação, vê a cidade? No entanto, amadurecidas as ideias, percebi que esta abordagem não responderia minhas indagações. Através dessa aproximação, imagino que chegaria a um estudo muito rico do imaginário infantil da cidade, mas não responderia aos porquês levantados. Queria, no fundo, estudar a relação cidade-criança, não criança-cidade.

[01] Festa de aniversário no Parc de la Ciutadella, em Barcelona: crianças soltas e totalmente à vontade pelo espaço. Foto: Acervo pessoal, 2013. [02] Praça de Sant Filip Neri, Barcelona. Alunos ocupam o espaço da praça após o termino das aulas. Foto: Adrian Broughton, 2011.


Deste modo, comecei a buscar experiências e contextos que fizessem da cidade um local agradável à criança. E, nesta investigação, descobri mecanismos e iniciativas em diversas cidades que incentivavam o uso do espaço público pela criança, que buscavam inseri-la no cotidiano da cidade. Tomei conhecimento dos caminhos escolares que, pouco a pouco, transformam o entorno urbano em um local mais seguro para que criança caminhe sozinha e se sinta livre para apropriar-se dos espaços da cidade.

também sobre o bairro como um todo. A autonomia infantil reflete uma cidade segura e com qualidade, a qual todos têm direito. Por isso, apesar de focar o trabalho no universo infantil, seu alcance é muito mais amplo.

Os caminhos visam criar conexões entre escola e equipamentos públicos em seu entorno próximo (raio de até 2 km), possíveis de serem feitos cotidianamente a pé por crianças – inclusive sozinhas, a partir de determinada idade. Tais caminhos devem ser acessíveis, seguros (no amplo sentido da palavra) e agradáveis, permitindo a simples ligação entre dois pontos e, ao mesmo tempo, gerando algum tipo de interesse em seus usuários. Despertar na criança a vontade de percorrer os trajetos, podendo brincar e aprender simultaneamente, é também um dos objetivos. Trabalha-se o espaço urbano para a criança, mas também para o adulto; atua-se sobre os caminhos pontualmente, mas

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JUSTIFICATIVA Em apenas uma geração, a criança perdeu seu espaço na cidade: meus pais, assim como os de meus colegas, brincavam nas ruas, jogavam futebol e bolinha de gude, iam a pé ao colégio, ao armazém e à feira, desacompanhadas. Com o advento do automóvel, no entanto, e o crescimento exacerbado das grandes cidades, esta liberrdade foi sendo pouco a pouco restringida. Hoje, ao menos genericamente em São Paulo, a criança tem pouquissimo acesso ao espaço público urbano, estando raramente nas ruas. Vivenciam estes espaços apenas como passagem, acompanhadas por seus responsáveis. Este trabalho trata, portanto, da reinserção da criança no espaço urbano, espaço ao qual um dia já teve acesso mas que hoje lhe é muito restrito. Para reintroduzi-la pouco a pouco na cidade, toma-se como primeiro passo a melhoria de seus percursos e espaços cotidianos, ou seja: o caminho entre a casa e a escola e pequenas praças ou espaços abertos que possam existir entre elas. A ideia é que estes percursos possam ser feitos a pé e sem companhia, e mesmo assim, com toda a segurança que um pai deseja a seus filhos.

Conquistando este espaço primordial, por assim dizer, e tendo a autonomia de realizar suas atividades, a criança começa a se impor na cidade e tomar coragem para apropriar-se dela, cada vez mais. Além da escola, poderá ir ao clube encontrar os amigos ou à padaria comprar um sonho. Além de melhorar a qualidade da vida da criança, fazendo com que seus deslocamentos se deem de maneira ativa, saudável e segura, os pais e demais cidadãos também são beneficiados. Os primeiros acabam ficando menos presos à rotina de seus filhos, já que não precisam levá-los e buscá-los todos os dias; e podem contar com a crescente responsabilidade que adquirem. Os demais, por sua vez, terão para si também uma cidade melhor. Porque uma cidade adequada à infância é uma cidade adequada para todos. Mais segura, mais acessível, mais alegre. O incentivo à mobilidade infantil acaba sendo, também, um incentivo à mobilidade ativa geral.

“Desculpem o incômodo, estamos brincando para vocês” (tradução livre). Ilustração de Francesco Tonucci (Frato), 1998.


O sol ia, a lua vinha na rua de doce Eram doces os meninos na rua a correr Lá de cima para baixo, de baixo pra cima E o vento a soprar nuvens cinzas pra cá

Vem a lua chegando, que lindo Sobe a rua brincando, sorrindo Entre os céus esquecidos voa ave perdida Corre, a noite já deve acabar

...

Mas eis que pingo a pingo a chuva chegou Na rua de espelho que a água molhou

Os Mutantes Jogo de Calçada


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CIDADES PARA PESSOAS “De les ciutats, el que més m’agrada

“O espaço é um lugar praticado. Assim a rua

són els carrers, les places,

geometricamente definida por um urbanismo é

la gent que passa devant

transformada em espaço pelos pedestres. (...) Deste

meu i que probablement

ponto de vista, ‘existem tantos espaços quantas

no veuré mai més,

experiências espaciais distintas’.” (CERTEAU, M.)

l’aventura breu i maravellosa com un foc d’encenalls, els restaurants, els cafès i les llibreries. En un mot: tot allò que és dispersiò, joc intuïtiu, fantasia, realitat” 1

Josep Pla, 1927

que, por mais que queiramos reproduzir, não conseguimos. As experiências urbanas são distintas das escolares, das dosmésticas, das rurais e, em si mesmas, são tantas quantas cidades existirem. E em cada cidade existente, são tão distintas as experiências quantas pessoas a vivenciarem.

Uma cidade deve possibilitar situações comuns e corriqueiras, necessárias à estruturação de uma vida estável, além de momentos surpreendentes e inesperados, fundamentais para um estilo de vida ativo e diverso. Deve oferecer tantos espaços quantas atividades sejam realizadas por seus habitantes, possuir lugares versáteis o suficiente para recebê-las. As cidades que permitem esta vivência intensa possuem características comuns: espaços públicos acolhedores, sensação de segurança, liberdade de ir e vir... ainda que ao final sejam diferentes entre si. Em suma, são cidades que promovem qualidade de vida. Qualidade que é estimulada e ao mesmo tempo refletida no espaço público do pedestre.

Cartas de lluny.

A cidade nos permite ter experiências que não vivenciamos em nenhum outro lugar. Possui uma dinâmica e vida próprias

justamente, porque o desenho urbano não possibilita a devida apropriação e vivência destes lugares.

[03] No entanto, nem todas as cidades possibilitam o pleno aproveitamento das oportunidades e maravilhas que a vida na cidade pode proporcionar. Em muitas delas existem apenas lugares, raramente espaços. E esta falta de espaço ocorre,

“A rua, que eu acreditava fosse capaz de imprimir à minha vida giros surpreendentes, a rua, com as suas inquietações e os seus olhares, era o meu verdadeiro alento: nela eu recebia, como em nenhum outro lugar, o vento da eventualidade” André Breton.

[03] Grupos reunidos na Plaça Catalunya, no centro de Barcelona, Espanha. O espaço, no verão, convida ao estar: é cheio, bem iluminado e possui elementos que deixam o ambiente agradável, como canteiros arborizados e fontes. Foto: Daniel Collaço, 2012.

“Das cidades, o que mais me agrada / são as ruas, as praças, / as pessoas que passam diante / de mim e que provavelmente / nunca mais verei, / a aventura breve e maravilhosa como uma chama / fugaz, os restaurantes, / os cafés e as livrarias. / Em uma palavra: tudo aquilo que é / dispersão, jogo intuitivo, / fantasia, realidade” “Cartas de longe”, Josep Pla, escritor e jornalista catalão, 1927. Tradução livre. 1


Diagrama relaciona ambiente físico com tipos de atividades, mostrando a influência de um sobre o outro. Jan Gehl.

Um espaço de qualidade permite e convida para a realização de diversas atividades além das necessárias. As atividades opcionais são grandes medidores da qualidade de um espaço. Além disso, um bom espaço proporciona mais e melhores relações sociais: deve permitir seu uso por pessoas de todos os gostos e idades.

A perspectiva do pedestre e a experiência do caminhar são dos aspectos mais relevantes para o êxito de uma cidade. O indivíduo possui uma experiência completa, é influenciado por todos os seus sentidos - tato, olfato, audição, paladar e visão -, além das questões psicológicas que acompanham o caminhar. Por isso, uma boa calçada deve contar com inúmeras características, dentre elas: boa proteção contra o trânsito e acidentes; segurança em relação a crimes e violência (promovida pela vida na rua, estrutura social, identidade do lugar, iluminação durante a noite); resguardo contra estímulos desagradáveis (ruídos, fumaça, mal-cheiro, sujeira); espaços adequados ao caminhar, estar de pé ou sentar-se; boas condições para observar, escutar e falar, assim como brincar e relaxar; existência de serviços de pequena escala (sinais, mapas, lixeiras); bom desenho para aproveitamento de elementos climáticos (sol, calor, frio, vento, chuva); e geração de experiências positivas (qualidades estéticas: plantas, flores, animais, grafites). Todas as cidades deveriam ser desenhadas pensando na experiência do cidadão-pedestre, para que o estar no espaço público torne-se uma experiência agradável, incentivando sua apropriação constante, para além da necessidade.

[04] Pai e filhas brincam em praça interativa, com gaisers de água, em Budapeste, Hungria. A cidade oferece situações inusitadas, despertando o inetresse de todos, e convidando à permanência no espaço público. Foto: Acervo pessoal, 2013.

A experiência do pedestre, ao caminhar, é completa: todos os sentidos são ativados.

[04] 17


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A CRIANÇA NA CIDADE “... uma das bonitezas de nossa maneira de estar no

“A cultura da sociedade é aprendida pela criança

mundo e com o mundo, como seres históricos, é a

no espaço e no tempo, por observação e imitação,

capacidade de, intervindo no mundo, conhecer o

brincando, trocando experiências, criando vínculos

mundo”. Paulo Freire.

com outras crianças e com adultos de diversas classes sociais, crenças, raças, culturas e etnias, eliminando a

Todo o conhecimento adquirido vem da vivência e experiência individuais e diretas: quando pequenos, pouco aprendemos de livros, mas muito pela observação daqueles à nossa volta e tentando por nós mesmos. É preciso usar as próprias mãos, o próprio corpo. Grande parte deste aprendizado, claro, é obtida dentro de casa ou em ambientes fechados em geral, principalmente nos primeiros anos de vida. Os movimentos, bem como os espaços, são contidos. Limitam-se ao berço, ao tapete da sala, à cama dos pais. Conforme vamos crescendo e tomando consciência de nossas capacidades, a energia, os gestos e a dimensão dos locais que ocupamos aumentam. O quarto, a sala, a cozinha, a casa da avó, o jardim, o pátio da escola, o clube, e assim por diante, até a cidade. No entanto, entre o clube e a cidade existe uma grande brecha de conhecimento e de vivência. Não se aprende a crescer na cidade e caímos nela já crescidos, “prontos” para ocupá-la.

barreira segregacional, desenvolvendo a solidariedade e promovendo a socialização a partir do conhecimento dos espaços nos quais está inserida.” (OLIVEIRA)

A cidade deveria fazer parte da cultura de todos como parte essencial de seu aprendizado. Cidade não só como espaço físico, mas como ambiente cultural, de trocas, onde se observa e é observado, onde se aprende em conjunto. Assim como aprendemos a falar e a nos vestir observando nossos pais e

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irmãos dentro de casa, também aprendemos a falar e vestir com aqueles que nada têm a ver conosco, mas habitam um mesmo espaço social. Nada se cria sem inspiração anterior, seja ela positiva ou negativa e, observando a tantos, criamos nosso senso crítico, misturamos tudo aquilo que vemos e vamos nos constituindo como seres humanos. A cultura de um povo se aprende, se apreende vivendo. Por mais que se leia e estude a respeito de outra cultura, nunca será possível entendê-la por completo sem vivenciá-la. A cidade, neste sentido, possui um grande potencial como entidade educadora. Educação em seu significados mais amplo, como tomada de conhecimento do mundo e das coisas, como formação pessoal e do cidadão. Não apenas como o duo ensinar-aprender da escola, da matemática, do português, das ciências. Viver na cidade é aprender a pensar criticamente, tomando as próprias decisões, já que nela existem tantos personagens e influências. [05] Grupo de crianças aguardando ônibus para ir à escola, em Quebéc, Canadá. Foto: Odilon Barboza, 2013

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“Fala-se exclusivamente do ensino dos conteúdos, ensino lamentavelmente quase sempre entendido como transferência do saber. Creio que uma das razões que explicam este descaso em torno do que ocorre no espaço-tempo da escola, que não seja a atividade ensinante, vem sendo uma compreensão estreita do que é a educação e do que é aprender. No fundo, passa desapercebido a nós que foi aprendendo socialmente que mulheres e homens, historicamente, descobriram que é possível ensinar. Se estivesse claro para nós que foi aprendendo que percebemos ser possível ensinar, teríamos entendido com facilidade a importância das experiências informais nas ruas, nas praças, no trabalho, na sala de aula das escolas, nos pátios dos recreios, em que variados gestos de alunos, de pessoal administrativo, de pessoal docente se cruzam cheios de significação. (...) Há uma pedagogia indiscutível na materialidade do espaço.” (FREIRE)

A criança deve poder escolher e vivenciar suas próprias experiências desde cedo, podendo ir e vir, seguir ou parar conforme algo lhe chame a atenção, e, assim, ir conhecendo o mundo onde vive. Mas prendemos e superprotegemos nossas crianças, até que estejam prontas para enfrentar o mundo, sem lembrar que é no próprio mundo que aprendemos como enfrentá-lo. Além disso, exigimos cidadãos presentes e conscientes da vida pública, sem lembrar que estes adultos, há pouco tempo, estavam fechados em suas casas. Delimitamos socialmente um marco muito específico, dos 18 anos, momento em que se dá a responsabilidade ao indivíduo: de repente - literalmente de um dia para o outro - deixa-se de ser menor de idade para ser adulto e, a partir de então, arcar com uma série de responsabilidades que antes não se possuia. Esta tomada de responsabilidade deveria ser gradual, assim como a apropriação da cidade. No entanto, ambas chegam de maneira repentina. Se impedimos que as crianças vivam e circulem na cidade, como aprenderão a respeitar o espaço público do qual não fazem uso? É na própria cidade e em sua experimentação cotidiana, apropriando-se dela, que terão o modelo de comportamento e criarão senso crítico, podendo notar uma ética social implícita.

A ESCOLHA. Ilustração de Francesco Tonucci (Frato), 1970.


“Exercer a cidadania é ser cidadão, ou seja, o indivíduo que habita uma cidade, ou pertence a um Estado, que deve usufruir os seus direitos e desempenhar os deveres que lhe são atribuídos. Para a criança, exercer a cidadania é poder andar pelas ruas como todos e com

Infelizmente, hoje vivemos em uma cidade viciada, na qual cada vez mais os moradores se trancam em condomínios nos quais possuem tudo aquilo que necessitam. Os condomínios fazem a vez de bairros e não é preciso sair deles.

[06] Les tabliers de la rue Rivoli, Paris. Foto: Robert Doisneau, 1978

todas as demais crianças e adultos, desempenhar os seus deveres e usufruir o espaço público que é de todos. Nesse espaço, a criança adquire o equilíbrio corporal, percebe, conhece, aprende, compara, avalia, escolhe e vivencia o que está ao seu redor; não joga papel e palito de sorvete no chão, caminha pelas calçadas, atravessa a rua nas faixas de pedestre, respeita os sinais de trânsito, as cabines telefônicas, as plantas, não picha os pisos e as paredes, cumpre os deveres que a cidadania lhe

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impõe.” (OLIVEIRA)

Ao mesmo tempo, a cidade que transforma a criança é transformada por ela. Nota-se claramente uma melhor qualidade urbana quando o espaço é ocupado por jogos, cores e brincadeiras, e não apenas por adultos atrasados e estressados e automóveis em alta velocidade. Uma cidade com crianças na rua é uma cidade mais segura e por ser segura, atrai mais pessoas na rua, e mais crianças. O ciclo é virtuoso.

Dinâmicas que alteram uma cidade: Ciclo Virtuoso x Ciclo Vicioso

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TERRITÓRIO-ESCOLA O domínio deste bairro, pela criança, significa o princípio de uma apropriação futura da cidade. O domínio da cidade, pela criança, inicia-se pelo domínio de seu território-escola. E o caminho escolar está inserido neste contexto. É através dele que toda esta rede de equipamentos se conecta. Sem uma conexão efetiva e de qualidade, é difícil apropriar-se de todos eles, caminhando tranquilamente de um ao outro.

“É o binômio ser humano-território que, articulado, cria sentido histórico e social dos indivíduos” (SANTOS, M. in GOULART, B.)

Como dito anteriormente, grande parte do aprendizado é tido nas ruas, nas esquinas, nas praças, ou seja, em uma vasta gama de espaços externos aos muros das escolas. E para que todo o potencial educador da cidade seja aproveitado, deve-se pensar nos bairros como uma rede de equipamentos a serem utilizados por todos. Um vasto território a ser apropriado.

Um exemplo de rede de equipamentos são os TERRITÓRIO CEU1, propostos pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (SMDU) dentro do Programa de Metas 2013-20162.

Este território possui como centro um equipamento específico, geralmente uma escola, que associado aos demais equipamentos de seu entorno, gera um potencial muito maior do que teria isolado em si. Visualiza-se um território educador, um bairro-escola. Os equipamentos, associados, se complementam, formando um bairro, uma rede completa, passível de ser apropriada, cotidianamente, por todos. Este territorio apropriável é que deve ser, em si, uma escola. O aprendizado e os ambientes educativos não devem se deter a um edificio específico e fechado, mas sim coexistir no bairro todo.

TERRITÓRIO-ESCOLA. Ilustração de Francesco Tonucci (Frato), 1978.

Os CEUs, por si sós, são equipamentos que garantem aos moradores dos bairros mais afastados acesso a locais públicos de lazer, cultura, tecnologia e práticas esportivas, contribuindo com o desenvolvimento das comunidades locais. Com a sua ampliação nos chamados TERRITÓRIOS CEU, potencializa-se ainda mais sua integração ao entorno, configurando um espaço ampliado de educação. A associação com os equipamentos públicos do bairro se dá no âmbito programático e através da qualificação dos espaços públicos que os conectam, com vias acessíveis, iluminadas e arborizadas. Esta integração amplia o acesso seguro da população ao espaço da cidade: os caminhos

O CEU - Centro Educacional Unificado - é um complexo educacional, esportivo e cultural caracterizado como espaço público múltiplo, geralmente localizado em zonas periféricas da cidade. A proposta começou a ser estruturada pela Prefeitura de São Paulo, como um projeto intersecretarial, em 2001. 2 O Programa de Metas foi criado pela 1

Prefeitura de São Paulo em 2012. São 100 metas referentes aos produtos concretos que a Prefeitura pretende entregar à população ao longo dos quatro anos de gestão (2013 a 2016).


e lugares que conformam o TERRITÓRIO CEU ampliam as oportunidades de fruição do espaço e abrem os equipamentos sociais para usos múltiplos, intensificando sua apropriação por diferentes grupos sociais e em diferentes momentos do dia e da semana. A exemplo desta rede sugerida pela Prefeitura, todos os bairros deveriam ter sua própria teia de equipamentos costurados por uma infraestrutura urbana de qualidade e que permita seu desfrute total. O centro desta rede pode ser qualquer espaço com potencial educador e que, associado aos demais, promove aos moradores da região uma gama completa de programas e atividades a serem feitas. A partir da constituição destes pequenos territórios apropriáveis, articula-se, pouco a pouco, toda a cidade.

TERRITÓRIO CEU JOSÉ BONIFÁCIO. Exemplo de rede de equipamentos (raio = 600m) criado a partir de um CEU em São Paulo, pela SMDU.

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Glinda It’s always best to start at the beginning - and all you do is follow the Yellow Brick Road.

Dorothy But - what happens if I -

Glinda Just follow the Yellow Brick Road.

The Wizard of Oz 1939


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CAMINHOS ESCOLARES Caminhos Escolares, tão simples como o próprio nome indica, são trajetos que conectam casa e escola. São percorridos diariamente por alunos e pode-se considerar que sejam naturais e espontâneos, criados a partir do momento em que há a necessidade de ir de casa à escola, não sendo necessária uma teoria a respeito. Como conceito, no entanto, visam objetivos além da simples conexão física. São trabalhadas questões como a inserção da criança na cidade e a autonomia infantil, aparentemente já esquecidas nos dias de hoje. Para isso, é necessário um preparo e incentivo da comunidade, principalmente de pais e professores, demostrando a validade e importância do locomover diário da criança (não só a pé, mas também em bicicleta ou qualquer outro meio ativo), tanto para elas mesmas como para o bairro e a cidade como um todo.

A intervenção mais evidente de um caminho é, à primeira vista, a reabilitação e readaptação urbanas, visando maior segurança viária e permitindo, portanto, que crianças andem sozinhas, sem medo de correr qualquer risco por má infraestrutura. Muito mais que isso, porém, trata-se de um projeto coletivo no qual todos são agentes: a criança e os pais, o professor e funcionário da escola, o guarda de trânsito e o comerciante local. Grande parte dos esforços consiste em estabelecer alianças e aprender a trabalhar em conjunto, como frisam os manuais estrangeiros. O guia “Madrid a pie, camino seguro al cole” evidencia:

Iniciativas deste tipo existem em diversos países ao redor do mundo, principalmente na Europa e América do Norte, pelo menos a partir da década de 1990. Na Inglaterra, por exemplo, a primeira Walk to School Week foi realizada em 1995 na cidade de Hertfordshire. Hoje, o mês de maio é considerado National Walking Month no país e campanhas são feitas todos os anos - em 2014, a utilizou-se do artifício de rede hashtag para maior divulgação #WalkThisMay. Nos Estados Unidos, é comemorado o Walk to School Day todo 09 de outubro.

[08] Campanha nacional de incentivo à caminhada na Inglaterra, em maio de 2014. Fonte: Living Streets.

“El camino escolar es también una oportunidad para fomentar la autonomía de la infancia en la ciudad, ya que ayuda a los niños en la construcción de una percepción de seguridad del entorno, y en la adquisición de nuevas relaciones y aprendizajes que fomentarán la confianza mutua con adultos y las oportunidades de ser responsable con su ciudad.” *

[07]

[07] Sinalização de rota de um caminho escolar em Granada, Espanha. Fonte: Prefeitura de Granada

Por ser, portanto, uma intervenção não apenas física, mas social e política, há uma extensa metodologia a ser aplicada.

[08]

* “O caminho escolar é também uma oportunidade para promover a autonomia infantil na cidade, já que ajuda as crianças na construção de uma percepção de segurança em relação ao entorno, e na aquisição de novas relações e aprendizagens que estimularão a confiança mútua com adultos e oportunidades de ser responsável com sua cidade.” Tradução livre.


A Espanha é também um país com grande número de iniciativas neste sentido. Grande parte de suas províncias - como Madrid, Barcelona, Sevilha e Granada, para citar algumas mais conhecidas - possui uma política municipal voltada aos caminhos escolares. Sendo assim, tomo como base neste trabalho os guias espanhóis com relação à metodologia a ser utilizada para o desenvolvimento do projeto. De acordo com eles, os passos a serem seguidos são: »» criação e formalização de um grupo dinamizador (grupo que tenha a iniciativa de criar um caminho, sejam pais, professores, associações de bairro ou administrações públicas) »» definição de projeto – estabelecimento de objetivos e do caráter que se pretende dar ao Caminho »» busca de recursos – uma vez estabelecidas as propostas e que se planejem intervenções no espaço público, o projeto deve ser assumido pelo governo local

»» diagnóstico do espaço urbano – detectar problemas e oportunidades do entorno »» realização de atividades educativas – paralelamente à análise técnica, desenvolver atividades com as crianças e adolescentes, protagonistas do projeto, a fim de incentiválas e instruí-las »» retorno e divulgação de resultados »» realização e execução de projetos de melhora das vias »» alimentação e manutenção do projeto de Caminho Escolar: continuar realizando atividades e incentivos para que o Caminho se firme como proposta. Estes guias foram lançados e/ou patrocinados pelo Governo Espanhol, explicando gráfica e didaticamente as vantagens do caminhar infantil, assim como o passo a passo para realizar um caminho.

Como resultado da edição e publicação destes guias, surgiram - ou divulgaram-se ainda mais - muitas iniciativas em diversas cidades. Todas elas possuem uma “espinha dorsal” em comum - ou seja, a identificação de um problema de mobilidade, o contato com um grupo interessado em mudar essa situação e a melhoria dos caminhos às escolas - mas muitos apresentam particularidades interessantes de incentivo a pais e filhos.

[09] Capa do guia Camino Escolar Pasos hacia la autonomia infantil lançado pelo Governo espanhol em 2010. Fonte: Ministerio de Fomento, Gobierno de España. [10] Grupo de crianças identificadas indo para a escola em Córdoba. Fonte: Ayuntamiento de Córdoba.

Em Córdoba, por exemplo, para aqueles que não se sentem seguros em deixar seus filhos irem sozinhos à escola, existe o Pedibus (“ônibus a pé”), no qual as crianças são acompanhadas, a partir de pontos pré-determinados - como se fossem pontos de ônibus - por um adulto. Trabalha-se com uma média de 25 crianças para cada acompanhante adulto, todas elas identificadas por um colete azul. Além disso, todos

»» caminhar em companhia – estabelecer um ciclo de contatos e entidades para colaborar com o projeto »» analisar a mobilidade ao centro escolar – descobrir como se locomovem alunos, professores e funcionários

[09]

[10]

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os comércios locais que apoiam o projeto e podem fornecer algum tipo de ajuda às crianças - seja um copo de água, um telefone à disposição ou uma caixa de primeiros socorros em caso de quedas - possuem um adesivo na porta indicando esta disponibilidade.

Já em Granada, há uma linha pintada no chão indicando o caminho para que oa alunos não se desviem e se percam. Como pode existir mais de um caminho até uma mesma instituição, as linhas indicam o caminho mais seguro na região. Para aqueles que não se sentem seguros em ir a sós, também existem pontos de encontro demarcados onde pais e alunos podem se encontrar para ir juntos ao colégio, como em Córdoba. Tomo como exemplos, principalmente, as iniciativas relacionadas a caminhos a pé, mas existem também rotas e programas que incentivam o descolamento em bicicleta, por exemplo. O importante é ganhar autonomia em relação ao automóvel e permitir que a criança se auto-conduza à escola, seja a pé, em bicicleta, skate ou patinete.

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[12] Placa de sinalização de um ponto de encontro para ir a uma escola em Granada, Espanha. [13] Linha tracejada indicando o caminho da escola em Granada.

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[14] Crianças esperando um responsável em um ponto de encontro, em Granada. Fonte: Ayuntamiento de Granada. [15] Grupo de alunos do Programa Al Cole en Bici, indo de bicicleta ao colégio em Bogotá, Colombia. Fonte: Divulgação. Alcaldía Mayor de Bogotá, 2014

Tão importante quanto o apoio oficial é perceber como as próprias crianças enxergam as vantagens e apreciam caminhar ao colégio e, desde modo, fazer com que incentivem umas às outras:

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[11] Adesivo a ser colocado na porta dos comércios dispostos a fornecer ajuda às crianças que utilizem o caminho escolar, em Córdoba, Espanha. Fonte: Ayuntamiento de Córdoba.

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“O que eu mais gosto de ir andando é que seus pais não te dizem o que fazer e nem tem que estar ao seu lado o tempo todo, porque você pode ir se divertindo, subindo nas partes mais altas e também pode correr ao invés de quando seus pais te dizem “vem cá, que vamos conversar!” “Eu adoro ir andando ao colégio porque a padaria está muito perto da minha casa e sempre cheira a bolos recém-feitos. E eu gosto muito!” “Eu acho que os pais não deveriam ter medo porque não há nenhum perigo em ir sozinho. Aliás, um dia tería que ir sozinhos. Bom, você pode deixar para mais tarde, mas se deixa para tão, tão, tão tarde...” “Andando com os amigos nos divertimos, conversamos de coisas da escola e... estamos brincando, correndo, apostando corridas.”

1

Depoimentos retirados de uma reportagem espanhola sobre Caminhos Escolares. Tradução livre da autora 1


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EXEMPLOS EM SÃO PAULO No Brasil, iniciativas como as citadas acima são poucas, mas existem. Em Florianópolis, por exemplo, foi realizado um trabalho de pesquisa chamado Rotas Seguras para a Escola, entre 2003 e 2005. Seu objetivo era “conhecer as condições de mobilidade de alunos de escolas públicas, estaduais e municipais, que estão instaladas à margem de rodovias estaduais na cidade, propondo alternativas para a melhoria das condições de segurança numa perspectiva de definição de rotas seguras (...). O foco da mobilidade será sobre os deslocamentos a pé e por bicicleta considerados em demanda existente e em demanda reprimida”. No entanto, nenhum projeto foi implantado.

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[16]

[19]

Já em São Paulo, existem programas de incentivos para uma melhor caminhar na cidade, em especial no entorno das escolas, onde se sabe haver um grande fluxo de pesdestres. Cidades no interior possuem um maior número de iniciativas nesse sentido do que a capital. Em alguns municípios visitados, as zonas escolares apresentam sinalizações e travessias diferenciadas, alertanto os motoristas da presença de crianças e da necessidade de reduzir velocidade.

[16] Em Guararema, SP, todas as faixas de pesdestres tem o fundo pintado de azul, chamando a atenção de motoristas. Placas de “PARE” complementam o alerta. Foto: Acervo pessoal, 2014.

Na capital, por sua vez, existem duas iniciativas: a Lei Municipal nº 14492/07 referente à Área Escolar de Segurança e o Projeto Piloto Caminho Escolar de Paraisópolis.

[18] Placa de sinalização de travessia de pedestres vista próxima a uma escola na Rodovia dos Tamoios, na região de Ubatuba. 2014.

A lei versa sobre tudo aquilo que pode ou não existir no entorno escolar e que afeta de alguma maneira a segurança (física ou moral) de alunos e professores. O raio delimitado, de 100m a partir dos portões da escola, deve estar adequado ao uso do educacional do local: é proibida a venda de bebidas alcoólicas, realização de jogos de azar, exibição de conteúdos obcenos ou pornográficos, etc. Além disso, o local deve ser iluminado, calçadas mantidas, sinalização instalada. No entanto, a lei aprovada em 2007 só começou a sair do papel recentemente (2012).

[17] Campanha de conscientização da população para a volta às aulas de 2012, em São José dos Campos. Foto: Acervo pessoal, 2014

[19] Travessia elevada (lombofaixa) de intertravado de concreto em São José dos Campos, SP. A travessia conta com piso-tátil para deficientes visuais, além de sinalização específica para motoristas. Foto: Acervo pessoal, 2014.


Paralelamente, entre os anos de 2011 e 2013, foi desenvolvido um primeiro projeto-modelo de caminho escolar na favela de Paraisópolis, segunda maior da cidade. O Projeto Piloto Caminho Escolar de Paraisópolis é, por enquanto, o único projeto desenvolvido por aqui de acordo com as características de caminho escolar antes apresentadas. Foi desenvolvido pela Secretaria de Habitação da Prefeitura de São Paulo (SEHABPMSP) concomitante às obras de urbanização da favela.

(2012), uma Jornada Lúdica (2012) e uma Mostra Cultural (2013). Todas estas atividades são importantes para o incentivo da comunidade, principalmente das crianças, e criam um sentimento de pertencimento ao projeto, o que faz com que sua efetividade seja ainda maior.

[20] Desenho de aluna do 5º ano feito em oficina durante a Jornada Lúdica, em agosto de 2012. Fonte: SEHAB. [21] Maquete da comunidade desenvolvida na Mostra Cultural de Paraisópolis. Foto: Irene Quintáns, 2013.

Para seu desenvolvimento, foram realizadas diversas pesquisas, confeccionados mapas e realizadas atividades com as crianças das escolas locais - estão envolvidas no programa nove escolas, 4 estaduais e 5 municipais - com cerca de 8500 alunos. Os mapas diagnósticos foram feitos com base em visitas e pesquisas in loco, e através de um questionário aplicado aos alunos. O envolvimento da comunidade, importantíssimo, foi feito em vários âmbitos e através de diversas atividades. A proposta foi apresentada em três Fóruns Multientidades e dois Conselhos Gestores, bem como nas escolas envolvidas. Foram organizados também um Seminário sobre Segurança Viária para educadores, profissionais da saúde e líderes comunitários

[22]

[20]

[22] Alunos, em grupo, saindo de uma escola estadual em Paraisópolis, SP. Foto: Irene Quintáns, 2012.

[21]

31


32


RECORTE Uma escola é um ponto de convergência: a ela se dirigem todos os seus alunos, professores e funcionários todos os dias, através de diferentes rotas. Os caminhos percorridos por estas crianças são o objeto de estudo deste trabalho e para que fosse possível a proposição e requalificação deles, foi preciso escolher uma escola a tomar como centro. Foram vários os aspectos considerados para esta escolha: qualidade urbanística da região, influência da escola em seu entorno, fluxo de veículos na área da instituição, caráter

A escola apresenta diversas características que a tornam um bom objeto: trata-se de uma instituição pública, frequentada por estudantes de baixa renda; está situada às margens da Rodovia Raposo Tavares, km 19.5, região perigosa e de grande risco para pedestres; em seu entorno imediato existem vários equipamentos públicos bastante frequentados pelos alunos da escola; entre outros, a serem levantados no decorrer do trabalho.

Escolhida a escola, tomei como base um raio de 1.5 km a partir dela no qual seria aplicado o projeto. Esta distância foi determinada considerando um tempo ideal de caminhada de meia hora para crianças - segundo relatório de Engenharia de Tráfego da UFPR, Paraná, crianças de 6 a 10 anos caminham a uma velocidade média de 4.0 km/h e adolescentes a 6.5 km/h.

[23] EMEF Vila Munck às margens da Rodovia Raposo Tavares, km 19.5, no distrito de Raposo Tavares, São Paulo. Foto: Acervo pessoal, 2013.

público ou privado da escola, etc. Também foi fundamental a existência de um contato anterior com a instituição. A escola selecionada foi a EMEF VILA MUNCK, pertencente ao Diretório de Educação do Butantã. Já vinha realizando com a instituição outros trabalhos e atividades através de um Projeto de Cultura e Extensão pela FAUUSP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo) e, portanto, certa liberdade de atuação e aproximação existia. Com o contato pré-estabelecido, foi muito mais fácil a interação com as crianças e aplicação de questionários, de grande importância para a realização deste trabalho.

[23]

33


34

DISTRITO: RAPOSO TAVARES Cortado pela Rodovia Raposo Tavares, delimitado pelo Rodoanel Mário Covas e quase município de Osasco, o distrito de Raposo Tavares é repleto de indústrias e conjuntos habitacionais. Grandes galpões e lojas de material de construção se intercalam na paisagem com casas simples de tijolos e edifícios populares.

motorizados. Para aqueles que andam a pé, as passarelas de pedestres distam, no mínimo, 500m uma da outra. De resto, geralmente não existem faixas de pedestre, semáforos ou calçadas.

Apesar de zona industrial, existem alguns equipamentos públicos no perímetro considerado, como a Vila Olímpica Mário Covas, AMEM (Associação dos Amigos do Menor pelo Esporte Amador) e ETEC Raposo Tavares. Além dos inúmeros motéis, tão comuns ao longo da Rodovia. Um mapeamento geral pode ser visto na página a seguir. A região é basicamente acessada de carro ou ônibus, já que o automóvel possui grande vantagem em relação ao pedestre. Aqueles que por ali caminham, não costumam fazê-lo por prazer, mas por necessidade. Apesar de próxima a grandes áreas verdes, como o futuro Parque Tizo, a região é árida e

SUBPREFEITURA BUTANTÃ

DISTRITO RAPOSO TAVARES

inóspita, e não é agradável circular por ali. As ruas locais são utilizadas principalmente como meio de circulação, não como espaço público apropriável, já que nelas predominam veículos

Na altura do km 19.5 da Rodovia Raposo Tavares - área central de intervenção deste trabalho - passam oito linhas de ônibus, sendo cinco intermunicipais e três municipais. Os pontos de ônibus por vezes se situam nas pistas laterais ou nas alças de acesso a viadutos; outras, em pequeno desvio na própria rodovia.

ZONEAMENTO EMEF VILA MUNCK RESIDENCIAL INDUSTRIAL INSTITUCIONAL ESPORTE E LAZER ÁREA VERDE MUNICÍPIO DE OSASCO


SOCIEDADE IRMÃS PAULINAS

COHAB RAPOSO TAVARES

CDHU RAPOSO TAVARES

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COHAB MUNCK

VILA OLÍMPICA MÁRIO COVAS

EMEF VILA MUNCK COOPERCOTIA ATLÉTICO CLUBE

ENSINO INFANTIL

ENSINO FUNDAMENTAL

ENSINO TÉCNICO ESPORTE E LAZER

“FUTURO PARQUE TIZO”

35


36

VILA MUNCK Dentro do perímetro selecionado, analisou-se mais a fundo a Vila Munck, comunidade que dá nome à escola. Situa-se atrás da EMEF VILA MUNCK, ao norte da Rodovia Raposo Tavares, km 19.5, e seu acesso principal é pela Rua Joaquim Guimarães. Subindo por ela, encontram-se duas fábricas, dois motéis, um conjunto residencial fechado e dois conjuntos habitacionais – COHAB Vila Munck e CDHU Raposo Tavares. Ao final das aulas, muitas das crianças sobem a rua em direção a suas casas, todas ao mesmo tempo. Aquelas que não moram na comunidade voltam de carro ou de perua. A rua, sem saída e de mão dupla, com passagem de carros, motos e caminhões, possui trechos com e sem calçada - mas as existentes são estreitas e irregulares, de modo que as crianças acabam andando pelo meio da via. A zona é residencial e, portanto, possui velocidade máxima de deslocamento de 30km/h. Apesar da sinalização existente, no entanto, este limite é raramente respeitado: os carros possuem vantagem sobre os pedestres. E esta superioridade se dá em quase todos os espaços: a maioria das áreas livres é ocupada como estacionamento.

Nas quatro visitas feitas ao local, notou-se a presença constante de pessoas na rua, principalmente jovens. Costumam estar reunidos em dois lugares principais: nos bancos na lateral da quadra e na escada que a conecta à rua interna ao conjunto. Estes locais são, curiosamente, dos poucos que possuem sombra. As crianças, por sua vez, costumam se reunir para brincar na entrada dos blocos, onde também há sombra, ou ao lado da quadra, onde se divertem nos equipamentos de ginástica - não apropriados para sua idade.

[24] A entrada para a COHAB Munck se encontra ao lado de uma ampla área usada como estacionamento e depósito de entulho. É bem estreita e discreta, uma abertura no muro. Dentro do conjunto há bastante área livre, no entanto pouca área verde e permeável: todo o terreno é concretado. Os espaços não são muito bem aproveitados. Há, na comunidade, uma quadra, de acesso livre, e junto a ela um bar improvisado. Também uma pizzaria, dois pequenos mercados, um cabeleireiro. Algumas vezes na semana instalase na rua, ao lado da quadra, uma banca de frutas e legumes.

Para sair da comunidade, a única via possível é pela própria Rua Joaquim Guimarães, que desemboca em uma via paralela à Rodovia. A partir dali não há muitas opções de trajeto que se

[26] [24] Rua interna ao conjunto. [25] Crianças brincando na entrada de um dos blocos

[25]

[26] Grupo de amigas voltando da escola, na hora do almoço, pela Rua Joaquim Guimarães. Fotos: Acervo pessoal, 2013.


37

há qualquer faixa de sinalização. Uma vez dentro do “clube”, é tranquilo caminhar, o local é agradável, com gramados, parquinhos e quadras. A entrada é livre e os cursos, gratuitos. Para quem vai da Vila Munck em direção à Cohab Raposo Tavares a situação é ainda pior: é preciso cruzar toda uma rede de vias que fazem o contorno e ligação da Rodovia com os bairros, através de um viaduto (Viaduto Raposo Tavares). Novamente, não há sinalização ou alertas aos motoristas, e os cruzamentos devem ser feitos nas curvas, fora de qualquer faixa de travessia.

[27] possa seguir, já que a zona é cortada por diversas barreiras que impedem o deslocamento dos pedestres. Para ir a qualquer lugar é preciso cruzar a Rodovia ou atravessar uma alça de contorno, sempre vias de trânsito expresso. Além delas, é preciso atravessar também grandes espaços vazios e inóspitos. Para chegar à Vila Olímpica Mário Covas, do outro lado da Rodovia Raposo Tavares, é preciso atravessar uma rua, uma passarela e, já do outro lado, mais duas vias de mão dupla. Não

[27] Moradores reunidos em escadaria ao lado da quadra, na Vila Munck. [28] Crianças brincando nos equipamentos de ginástica [29] Duas mulheres e três crianças saltam barreira entre via local e via expressa para chegar a um ponto de ônibus, à esquerda. [30] Sinalização de trânsito na Rua Joaquim Guimarães.

[28]

Fotos: Acervo pessoal, 2013.

Os pontos de ônibus ao longo de todo este trajeto estão mal localizados, sendo de difícil acesso, e apresentam perigo aos usuários. Conclui-se, novamente, a vantagem do veículo sobre o pedestre em toda a região.

Diagrama de situação da região: vias expressas e grandes vazios funcionam como barreiras físicas.

[29]

[30]


38

QUESTIONÁRIO DE MOBILIDADE Para um melhor reconhecimento da realidade local, complementando as observações in loco, foi elaborado um questionário a ser aplicado aos alunos, indagando sobre seus meios de locomoção e uso da região. Pensou-se em aplicar questionários aos pais e funcionários da escola, imaginando que também se locomovam a pé e tenham uma visão diferente das crianças, mas como são elas o enfoque de todo o projeto, limitou-se à percepção dos mais novos. Com este questionário buscou-se entender: a. quais caminhos são feitos diariamente; b. como as crianças os percebem; c. que outros trajetos gostariam de fazer. Para isso, foram elaboradas 29 questões, mais um mapa, tomando como base questionários semelhantes já aplicados em outros projetos de Caminho Escolar. Os aspectos a serem apontados eram positivos e negativos, vantagens e dificuldades enxergadas no caminhar ou pedalar pela região. No mapa anexo ao questionário, deveriam indicar a rota utilizada para ir de casa à escola. Na aplicação do questionário, no entanto, ocorreram problemas de linguagem: como não houve tempo de testar o entendimento do texto antes, algumas questões não foram

bem compreendidas. Ficou claro que era necessário ser mais óbvia nas perguntas, repetindo palavras e afirmações. Além disso, parte dos alunos, principalmente os mais novos, não sabiam ler o mapa e não responderam esta parte; outros fizeram um simples “liga-pontos” casa-escola. Era esperado que isso acontecesse, e tal fato foi levado em consideração no momento da análise de dados.

6%

2% 6%

entre os sexos não é importante: tanto meninas quanto meninos 11% vão caminhando ao colégio (73% e 82%, respectivamente). Foi 6% 2% importante para o projeto, no entanto, constatar que daqueles 11% e 31% com amigos. Ou seja, que vão a pé, 24% vão sozinhos 55% das crianças caminha sem a companhia de adultos. Além disso, constatou-se que 56% das pessoas que vão andando possuem carro em casa.

2%

11%

ANDANDO PERUA

ANDANDO

CARRO

81%

(EM BRANCO)

PERUA

No total, foram aplicados 162 questionários em alunos de 4º a 9º anos do Ensino Fundamental (9 a 15 anos), o que representa um percentual de 40% dos alunos da EMEF VILA MUNCK. Sabese não ser uma amostragem válida, em termos científicos, para entender o todo da escola, mas considerando o caráter do estudo e as informações que se desejava conseguir, foram consideradas suficientes. O modelo do questionário e os alguns dos resultados obtidos podem ser vistos a seguir: Como era esperado, grande parte dos alunos vive na região (94%), sendo a grande maioria dos conjuntos habitacionais logo atrás da escola (72%). Muitos se locomovem a pé (81%) enquanto os demais vão de perua ou automóvel particular (20%) por morarem em locais menos acessíveis. A distinção

O cruzamento de questões fez perceber mais alguns aspectos interessantes:

CARRO

PERUA 81%

(EM BRANCO)

CARRO

»» Daqueles que vão em veículos motorizados, 29% é por achar que ir andando é inseguro, 21% porque os pais 81% não 31% deixam, 29% acham cansativo e 21% acham que demora;

24% 31%

»» dos que possuem bicicleta em casa mas não a utilizam para ir à escola, 17% é porque os pais não deixam,24% 9% por 31% não haver ciclovia e 24% por não ter onde deixá-la (os outros 50% não responderam). »» aqueles que vão em veículos têm vontade ir andando ou em bicicleta. Muitos dos que vão a pé, no entanto, gostariam de ir 3% 13% em carro ou em perua - nenhum em bicicleta - o que pode ser relacionado com a presença de companhia 3% nestes modais.

ANDANDO

(EM BRANCO)

3%

13% 3%

29%

CUIDADOR

AMIGOS

29%

OUTRA PESSOA

29%

(EM BRANCO)

AMIGOS

FAMILIARES

SOZINHO

OUTRA PESSOA

CUIDADOR

(EM BRANCO)

(EM BRANCO)

FAMILIARES

SOZINHO CUIDADOR

OUTRA PESSOA

3%

AMIGOS SOZINHO

3%

FAMILIARES

13%

24%


QUESTIONÁRIO SOBRE MOBILIDADE: EMEF VILA MUNCK

data:

/

/ 2013

Bom dia! Esse questionário é parte de uma pesquisa sobre o acesso à EMEF Vila Munck e será utilizado em um trabalho da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. A pesquisa é anônima, não sendo necessária a identificação. Por favor, seja sincero para melhor aproveitamento do questionário. Não se trata de uma prova, não havendo “certo” ou “errado”. Caso possua alguma dúvida, por favor dirija-se ao professor. Obrigada pela ajuda! 1. Em que série você está? ____________________ 2. Quantos anos você tem? ____________________ 3. Sexo:

Feminino

4. Onde você mora? Cohab Munck CDHU R. Tavares

Masculino Cohab R. Tavares outro: ________________

6. Qual o período de aulas? _______h às _______h

5. Qual o endereço? __________________________ __________________________________________ 7. E a que horas você sai de casa? _______________

8. Como costuma vir à escola? andando ônibus escolar/perua bicicleta ônibus de linha carro outro: ___________________ 10. Mas como gostaria de ir e voltar?

9. E como volta? andando bicicleta carro

ônibus escolar/perua ônibus de linha outro: ___________________

11. Alguém te acompanha na ida? mãe vou sozinho outro parente pai avó irmã/o mais velha/o avô irmã/o mais nova/o

vizinho(s) amigos/as cuidador outra pessoa

andando bicicleta carro

ônibus escolar/perua ônibus de linha outro: ___________________

12. E na volta, alguém te acompanha? mãe vou sozinho vizinho(s) outro parente pai amigos/as cuidador avó irmã/o mais velha/o avô irmã/o mais nova/o outra pessoa

13. Como você descreveria o caminho que faz? longo curto divertido chato

agradável desagradável seguro inseguro

sim

não

sim

sim

não

20. Que vantagens vê de ir em bicicleta à escola?

não

21. E que dificuldades há em ir de bicicleta? não gosto de pedalar o caminho não é seguro o trajeto é feio e desagradável atravessar a rua é perigoso meus pais não deixam é cansativo não tem ciclovia no caminho não tenho onde deixar a bicicleta outra: _______________________

me divirto fazer exercício físico ir sem adultos é grátis posso ir no meu ritmo chego bem rápido não contamina o meio ambiente não vejo nenhuma vatagem.... outra: _______________________ 22. Você costuma utilizar outros equipamentos da região? Quais? ETEC Vila Olímpica CEU Butantã AMEM (Assoc. Amigos do Menor pelo Esporte) outro: __________________________________

23. Gostaria de começar a frequentar algum desses outros equipamentos? Qual?

24. Como vai até eles? andando ônibus escolar/perua outro: ___________________ bicicleta carro

ETEC Vila Olímpica CEU Butantã AMEM (Assoc. Amigos do Menor pelo Esporte) outro: __________________________________ 25. E como volta? andando ônibus escolar/perua outro: ___________________ bicicleta carro

26. Alguém te acompanha na ida? mãe vou sozinho professor/a pai avó irmã/o mais velha/o avô irmã/o mais nova/o

27. E na volta, alguém te acompanha? mãe vou sozinho vizinho(s) professor/a pai amigos/as cuidador avó irmã/o mais velha/o avô irmã/o mais nova/o outra pessoa

vizinho(s) amigos/as cuidador outra pessoa

28. Como você descreveria o caminho que faz?

bonito feio outro: ___________

14. Você ou um de seus acompanhantes tem problemas de locomoção? (cadeira de rodas, p. ex.)

19. Se sim, você a usa para ir à escola?

18. Você tem bicicleta?

15. Na sua casa há quantos veículos? nenhum

carro

moto

mais de dois

16. Que vantagens vê em andar à escola?

17. E que dificuldades há em ir andando?

me divirto vou conversando com amigos/as fazer exercício físico ir sem adultos é grátis posso ir no meu ritmo não contamina o meio ambiente não vejo nenhuma vatagem.... outra: _______________________

não gosto de andar o caminho não é seguro o trajeto é feio e desagradável há cruzamentos perigosos meus pais não deixam é cansativo demoro muito para chegar carrego muito peso na mochila me molho quando chove faz muito calor outra: _______________________

longo curto divertido chato

agradável desagradável seguro inseguro

bonito feio outro: ___________

Caso frequente algum equipamento, marque o trajeto que costuma fazer no mapa anexo (verso), em verde.

29. O espaço abaixo é livre para comentários ou sugestões. Por favor, deixe sua opinião a respeito dos caminhos que percorre, do espaço urbano pelo qual costuma passar ou em relação à mobilidade para ir à escola: __________________________________________________________________ Caso vá de casa à escola __________________________________________________________________ a pé ou em bicicleta, marque o trajeto que __________________________________________________________________ costuma fazer no mapa anexo (verso). __________________________________________________________________ Faça um X no ponto de saída; desenhe em azul __________________________________________________________________ o caminho de ida e em vermelho o de volta. __________________________________________________________________


QUESTIONÁRIO SOBRE MOBILIDADE: EMEF VILA MUNCK

PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT

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EMEF PROFA. Mª ALICE B. GHION

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COMUNIDADE EVANGÉLICA

COHAB RAPOSO TAVARES

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CDHU RAPOSO TAVARES (“cohab nova”) quadra

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EMEI PROFA. Mª JOSÉ GALVÃO

PENITENCIÁRIA FEMININA

VILA OLÍMPICA MÁRIO COVAS

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SOCIEDADE IRMÃS PAULINAS

EMEF TEÓFILO BENEDITO

Desenhe o caminho que costuma fazer a pé o em bibicleta: em azul o de ida e em vermelho o de volta. Marque com um X o ponto de origem. Se possível, marque também os pontos de risco ou com algum problema.


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QUESTÃO ABERTA: ALGUMAS RESPOSTAS INTERESSANTES

“Eu percorro o mesmo caminho é muito chato”

“A ladera é legal porque eu corro muito. Eu e minhas amigas”

“As pessoas poderiam deixar o carro em casa e ir de bicicleta ou fazendo cooper”

“Eu acho que trajeto é inseguro, perigoso, desagradável e etc.”

“A rua é muito estreita e os carros passam por cima da calçada. São muitas crianças no meio da rua”

“Os lugares que eu ando é bem tranquilo, eu gosto e acho que meus amigos também gostam, não trocaria isso por nada”

“Legal porque eu vejo um parque”

“A rua é muito estreita e é um pouco ruim pra você andar da Munck até a Cohab, eu acho muito longe mas eu acho legal”

“Tinham que construir alguns semáforos pelo fato de pessoas que podem ser atropeladas pelo caminho”


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RECORTE DE PROJETO Após analisar toda a região no raio de 1,5km apresentado anteriormente, adotou-se um raio mais restrito (500m) para aplicar o projeto, abrangendo os pontos de maior interesse: EMEF VILA MUNCK, ETEC RAPOSO TAVARES e VILA OLÍMPICA MÁRIO COVAS. Este raio contem também uma creche e uma EMEI, as mais próximas atualmente - mas que deixarão de sê-lo num futuro próximo: já está em fase de projeto um CEI na própria Rua Joaquim Guimarães, 94, onde hoje encontra-se um motel. A construção deste conjunto de educação infantil fará com que a comunidade seja auto-suficiente em termos educacionais até o período pré-universitário. Para que a região se torne completa, ou seja, que sejam necessários poucos deslocamentos para que todas as necessidades básicas de seus moradores sejam cumpridas, faltaria apenas a construção de um Posto de Saúde ou UBS nas proximidades - segundo moradores, é necessário pegar um ônibus para ir ao posto de saúde mais próximo o que, em emergências, exige muito sacrifício. A delimitação deste raio menor se trata, idealmente, da delimitação de um bairro, aqui entendido como a parte da cidade à qual sentimos pertencer e pela qual podemos nos apropriar a pé. Seria, portanto, todo o espaço abraçado pela cotidianeidade e no qual se pode viver - em termos relativos - sem necessitar sair dela.

EMEF VILA MUNCK ENSINO INFANTIL ENSINO FUNDAMENTAL ENSINO TÉCNICO ESPORTE E LAZER


DIRETRIZES GERAIS Na região trabalhada, cruzada por uma rodovia de grande fluxo, a diretriz primeira é conseguir conectar todos os pontos levantados - EMEF, ETEC, VILA OLÍMPICA - e fazer com que os deslocamentos sem o automóvel sejam predominante para os moradores. Essa diretriz, como muitas das demais, vale tanto para crianças como para os demais pedestres, seja a idade que tenham. De maneira geral, todos os acessos e travessias foram acessibilizados. As calçadas tem sempre a maior largura possível ao longo de um trecho e o leito carroçável apenas o mínimo necessário para a passagem de um ou dois veículos no caso de ser via de mão única ou dupla. Sempre que possível, há uma ciclovia, permitindo a conexão do maior número de pontos também através da bicicleta. Propõe-se uma ciclovia até o CEU BUTANTÃ - a cerca de 8km da escola e, portanto, não presente no mapa analisado, mas utilizado por grande parte dos alunos da escola e moradores da região, que costumam ir até lá de ônibus. As vias consideradas neste trabalho podem ser dividas em duas categorias principais: expressas e locais. As primeiras são características pela alta velocidade dos veículos e por

se apresentarem como uma importante barreira física. As outras, apesar de possuirem pouco tráfego, também possuem problemas relacionados a motoristas em alta velociade, grande número de motocicletas, falta de vagas para estacionar, além de crianças soltas e distraídas, sujeitas ao perigo. Todas estas questões precisam ser resolvidas para que a rua se torne um ambiente seguro e acomode a todos os usos e pessoas, não impedindo que a criança brinque ou que o carro circule. São inúmeras as maneiras de melhorar a qualidade de uma via, tornando mais agradável o passeio ou convidando ao uso e à permanência aqueles que passam ou que residem nas proximidades. Em vias de zonas residenciais que são passagem obrigatória - como é o caso da Rua Joaquim Guimarães - podem ser utilizadas técnicas de traffic calming1, como inserção de lombadas, de curvas ou de outros instrumentos que obriguem o motorista a reduzir sua velocidade. Já ruas de menor fluxo, em que não é necessária a passagem de veículos, podem ser feitas alterações mais radicais como sua pedestrialização, por exemplo. Nos diagramas2 na página seguinte estão indicadas simples modificações no traçado da rua que a requalificam e que são levadas em conta neste projeto.

Termo inglês, tradução literal do alemão Verkehrsberuhigung, usado pela primeira vez em 1985, por Carmen Hass-Klau. 2 Diagramas de Donald Appleyard. Livable Streets, pg 280 e 281 3 “Uma rede para pedestres que alterne ruas e pequenas praças provocará com freqüência o efeito psicológico de fazer com que as distâncias a pé pareçam mais curtas. O trajeto se subdivide de maneira natural em etapas acessíveis. As pessoas se concentrarão no deslocamento de uma praça à seguinte, mais do que no comprimento real de todo o caminho”. Tradução livre. 1

Um trajeto é percorrido mais facilmente quando há pontos intermediários, o que torna a experiência de delocar-se mais curta, em termos relativos.

43


44

Além das considerações em relação às vias com passagem de veículos, busca-se implementar nos passeios de pesdestres as seguintes qualidades: permitir o uso de diferentes usuários; promover segurança física; possuir variedade contínua ao longo do trajeto; ser apropriado à escala humana. Ou seja, além de simples eixo de passagem, deve permitir “pequenas surpresas” que façam com que o caminho não se torne monótono e a distância experimentada pareça menor do que a distância real.

bancos que permitam a permanência. Estes trechos atraem pessoas, o que torna o percurso mais seguro devido a seu uso constante.

“Una red peatonal que alterne calles y pequeñas plazas

pisos, que conferem mais cor, textura e movimento aos trajetos. Além disso, propõe-se que equipamentos e brinquedos sejam criados com sua ajuda e sejam de seu interesse para interagir com o meio que percorrem todos os dias.

provocará con frecuencia el efecto psicológico de hacer que las distancias a pie parezcan más cortas. El trayecto se subdivide de manera natural en etapas asequibles. La gente se concentrará en el desplazamiento de una plaza a la seguiente, más que en lo largo que es realmente todo el camino” (GEHL) 3

Foram pensados praças e pontos focais para que se criem pequenos objetivos ao longo do caminho, o que o torna muito mais agradável (já que a sensação de percorrê-lo parece menor). Estes pontos de estar ou apoio podem ser serviços, como uma banca de jornal ou de frutas, ou simplesmente

No que concerne às crianças propriamente ditas, além de toda a segurança promovida pelos ajustes viários e, portanto, por uma maior circulação de pedestres pelas localidades, pensa-se na parte “lúdica” e interativa do caminho: que a experiência do caminhar seja completa, estimulada por todos os sentidos. Este aspecto é resolvido principalmente através da vegetação e dos


1. DIMINUIR A

VELOCIDADE DE TRÁFEGO. Inserir

dispositivos que alertem ao motorista que se trata de uma área de baixa velocidade, como placas, lombadas e demarcações no piso

4. BARRAR O TRÁFEGO. Solução mais drástica que acaba transformando a rua em um pequeno “oásis”. Acesso para emergências e serviços devem ser garantidos.

2. AGRUPAR OS VEÍCULOS. Converter apenas um pedaço da rua em estacionamento e destinar o espaço restante aos pedestres.

3. PLANTAR ÁRVORES. A vegetação na rua ajuda a criar um microclima mais agradável, além de espaços sombreados de estar.

5. ESPAÇOS PARA BRINCAR. Em regiões onde residem crianças, é de imensa importância que tenham onde brincar ao ar livre.

6. WOONERF : RUA COMPARTILHADA. Uma mescla entre as diretrizes anteriores. Pedestres e ciclistas tem preferência sobre o automóvel.

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PISOS Os pisos foram pensados de maneira a promover estabilidade física, boa continuidade dos caminhos, permeabilidade, ludicidade (cor) e boa textura. Assim sendo, foi escolhido, para os caminhos em geral, o intertravado de concreto, já que apresenta diversas qualidades para o espaço público, dentre as mais importantes: »» pavimento semi-rígido, permite a execução de reparos sem deixar marcas (manutenção simples, bastando a remoção localizada das peças e recuperação do trecho danificado) »» a superfície da pavimentação intertravada é antiderrapante, proporcionando maior segurança em trechos com rampas ou curvas »» possui grande poder de difusão da luz solar ou artificial (iluminação pública), apresentando menor temperatura superficial durante o dia e melhor condição de visibilidade à noite »» os blocos de concreto para pavimentação permitem alguma drenagem das águas de chuva e, ao mesmo tempo, evitam a impermeabilização do solo, pois as juntas entre as peças possibilitam a infiltração de uma parcela das águas incidentes

Esquema de determinação de usos de acordo com tipo e desenho de piso. Esquema assentamento de blocos de intertravado.

Para as calçadas foram escolhidos blocos intertravados de 10 x 20 cm, assentados em linha ou “espinha de peixe”, atentando sempre para a linearidade do caminho. Dispostos desta maneira, indicam continuidade: seguindo por aquele pavimento chegam à escola - como a estrada de tijolos amarelos ao Reino de Oz1. Além da linearidade, os caminhos apresentam coloração diferenciada (vermelho), para seu fácil reconhecimento. A cor é um fator importante para a apropriação pela criança. Para os demais espaços, de estar, utilizam-se blocos de 20 x 20 cm, criando uma malha regular e menos longelínea, não induzindo ao caminhar.

1

O Maravilhoso Mágico de Oz, L.

Frank Baum, 1900.


TRABALHO COLETIVO Uma das questões intrínsecas ao desenvolvimento de um caminho escolar é o envolvimento da comunidade que irá utilizá-lo. Sem a vontade e participação desta, são muito menores as chances de sucesso. O envolvimento deve ser de todos e desde o começo. O governo local deve promover o projeto, os pais devem reconhecer a vantagem de deixar seus filhos irem a pé, os comerciantes devem ser alertados de sua função como “guardiões” do caminho e as crianças, protagonistas, devem ser consultadas

<< Exemplo de trabalho a ser feito com

as crianças para que atentem aos problemas existentes em seu bairro e tenham um primeiro contato com a cidade. Fotos: Curativos Urbanos. Oficina realizada no Colégio Farroupilha em Porto Alegre, RS. Abril de 2014.

durante todo o processo. Desde o princípio, devem ser elas os principais atores que, junto com a equipe técnica, identificarão os problemas e potencialidades de suas rotas. Todo o processo de reconhecimento do local, levantamento de inconvenientes, empecilhos, qualidades e pontos de encontro que foram feitos por mim neste trabalho, deve ser feito com o acompanhamento daqueles que efetivamente utilizarão os caminhos: os alunos. Esta fase do processo pode ser feita de diversas maneiras, inclusive ludicamente, incitando os pequenos a repararem nos problemas de seu bairro e apontá-los, para depois pensar

Incluir as crianças - bem como os demais usuários dos caminhos - na confecção de mapas do bairros, apontando seus problemas e potencialidades, é uma ótima maneira de manter-los interessados. Fotos: Javier Samaniego Garcia. Oficina “La casa, el barrio, la ciudad - Taller de Arquitectura y Mapas” em Villa 31, Argentina. Outubro de 2013. >>

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e sugerir soluções. No entanto, considerando que se trata de um projeto acadêmico e esta parte do processo não pode ser levado a cabo, fica apenas indicada sua relevância e que se pretenderia realizá-lo caso fosse possível. Por acreditar que a concepção e apropriação do espaço deve ser, idealmente, feita pela comunidade, foram propostos poucos equipamentos. Apenas o básico foi determinando, para bom desempenho da parte funcional do espaço.

<< Os usuários também

devem ajudar na realização e finalização dos projetos, construindo mobiliário ou pintando muros. Fotos: Boa Mistura. Acima, Projeto Khayelitsha, África do Sul, 2011. Centro e embaixo, Projeto Luz nas Vielas, São Paulo, 2013.

“El equipamiento de las zonas para peatones será cuidadoso y detallado, pero nunca lo concibiremos como una forma definitiva, para toda la eternidad. (...) Definiremos un mínimo óptimo de equipamiento espacial, y sobretodo para asegurar la transitabilidad de la zona. No debemos olvidar que son calles para la vida cotidiana en las que se trabaja, se suministra, se transporta.” (PETERS) 1

“O equipamento das zonas para pedestres será cuidadoso e detalhado, mas nunca o concebiremos como uma forma definitiva, para sempre. (...) Definiremos um mínimo ótimo de equipamento para garantir o traçado de âmbito funcional e espacial, e sobretudo para assegurar a transitabilidade da zona. Não devemos nos esquecer que são ruas para a vida cotidiana nas quais se trabalha, se abastece, se transporta”. Tradução livre. 1

para garantizar el trazado del marco funcional y

Equipamentos e brinquedos feitos com peças de descarte. Fotos: Basurama. Acima, Scarpia XII, em Córdoba, Espanha, 2013. Abaixo, Autoparque Maputo, Moçambique, 2013. >>


A ideia é que elementos recreativos, como amarelinhas pintadas no chão, por exemplo, sejam feitas pelas crianças - seja de maneira “definiva”, com tinta, ou temporária, com giz de cera - bem como brinquedos criados com sucata ou qualquer outro equipamento público. Outros espaços poderiam, também, ser ocupados por bancos e mesas colocados pelos própios moradores, ou até mesmo canteiros de ervas e temperos.

<<Equipamentos e

brinquedos feitos com peças de descarte. Fotos: Basurama Brasil. Acima, bancos de pneu, 2013. Centro, Jardim vertical no CEU Perus, 2012. Abaixo, Oásis na Vila Madalena, São Paulo, 2014.

Diferentes inciativas mostrando a participação das crianças na confecção do espaço urbano. Fotos: Autores desconhecidos. Acima, Uberlândia, 2013. Centro, Município de Riqueza, SC, 2013. Abaixo, Enfeitando a rua para a Copa, 2010. >>

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ARBORIZAÇÃO Como dito anteriormente, a vegetação tem papel importante no desenvolvimento da parte lúdica do projeto: estimulam práticas de exploração e descoberta, atuações teatrais e imaginação. Através da variação de sol-sombra, cores, texturas e cheiros evitam o caráter tedioso1 que possa ter um roteiro repetido todos os dias: são elementos que pretendem torná-lo atraente e interessante, com surpresas a cada dia e mudanças ao longo do ano. Foram eleitas algumas espécies para compor este caminho lúdico, a serem dispostas ao longo do passeio, cada uma com uma qualidade específica. Todas elas são árvores do cerrado2 - bioma natural da região trabalhada - e, em sua maioria, decíduas ou semi-decíduas. Considerou-se importante esta última característica por significar uma vasta gama de “fases” da árvore e, portanto, mudança constante de cores e formatos, alterando a paisagem periodicamente. Além disso, por perderem suas folhas, acabam gerando situações distintas de sol e sombra: áreas cobertas no verão e abertas no inverno. As árvores escolhidas são apresentadas a seguir, com as principais características consideradas.

ERITRINA Erythrina speciosa

GUAPURUVÚ Altura média: 3 a 5m.

Schizolobium parahyba

CRÉDITOS DAS FOTOS:

Altura média: acima de 12m.

Araribá: Árvores do Brasil; e mauroguanandi in Flickr Aroeira: www.wellgrowhorti.com; e wildlifeofhawaii.com/flowers/

Escolhida por propocionar boa sombra no verão e luz no inverno. Neste período, floresce. Sua flor possui um formato diferenciado e cores vivas, sendo muito atraente.

Caliandra e Copaíba: Frutos Atrativos do Cerrado Cassia fistula: UEL - Universidade Estadual de Londrina Eritrina: modosdeolhar.blogspot.com.br; e Carmen Busko in Flickr Guapuruvú: Olinto Cristo in Flickr; e JIE - Jornal de Itaipu

Escolhida por seu destaque na paisagem, dando cor ao lugar onde está plantada. Suas flores, quando caídas, formam um tapete amarelo, com grande potencial lúdico.

Eletronico Jacarandá·: Bob Saunders; e Anna Laurent Ipê amarelo: Wikipedia Pata de vaca: davesgardem.com; e Roger Culos in Wikipedia Pau ferro: mauroguanandi in Flickr Quaresmeira e Sibipiruna: Antonio de Andrade

ver resposta à questão 29 do questionário na página 41: ““Eu percorro o mesmo caminho é muito chato” 2 Foge a este critério a Tipuana. Ainda que não seja árvore de cerrado, foi escolhida por sua forte presença na arborização da cidade de São Paulo. 1


ARARIBÁ Centrolobium tomentosum

AROEIRA Altura média: até 22m. De médio porte, provê muita sombra, porém no inverno tem copa rala. Suas sementes podem ser muito divertidas, principal motivo pelo qual foi escolhida.

Schinus terenbinthifoliius

PATA DE VACA Altura média: 6 a 12m.

Bauhinia variegata

TIPUANA Altura média: 5 a 9m.

Tipuana tipu

Árvore de pequeno porte, porém imponente na paisagem. Cria uma boa área de sombra devido à sua copa densa.

Muito comum na cidade de São Paulo, a Pata-de-vaca provê boa sombra ao longo do ano, além de colorir a paisagem urbana.

Altura média: 12m.

Seu fruto, a pimenta rosa, dá cor ao lugar e não proporciona riscos já que pode ser ingerida - não é tóxica.

Foi escolhida, principalemente, por seus frutos que, secas, produzem estralos ao serem pisadas, o que tráz para a discussão um sentido que não o visual.

Sua semente, semelhante à do Araribá mas de menor tamanho, é interessantíssima por seu “efeito helicóptero” quando jogada para o alto.

Raízes agressivas.

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JACARANDÁ MIMOSO Jacaranda mimosaefolia

SIBIPIRUNA Altura média: acima de 12m.

Caesalpina pluviosa

COPAÍBA Altura média: de 8 a 25m.

Escolhida principalmente por seu caráter ornamental e pela cor que tráz à paisagem. Como outras árvores já apresentadas, forma um tapete colorida, desta vez lilás.

Ideal para a arborização urbana por não possuir raízes agressivas e, portanto, não destruir calçadas e pavimentos. Além disso, é semidecídua, gerando sombra o ano inteiro.

Seu fruto produz uma casca de formato interessante, agregando caráter lúdico ao caminho onde for implantada.

Suas flores amarelas dão cor à paisagem, e quando caídas, formam um tapete amarelo, como o Guapuruvú.

Copafeira langsdordffii

PAU FERRO Altura média: de 5 a 15m. De médio porte, impõe-se na paisagem, além de criar uma boa área de sombra. Escolhida por suas sementes de cores vivas, que podem gerar grande interesse nas crianças.

Caesalpina ferrea Altura média: de 20 a 30m. De porte grande e elegante, possui valor ornamental. O descascar do seu tronco, e suas sementes, podem incentivar a criatividade. Provê boa sombra por todo o ano.


CALIANDRA Calliandra tweedii

CHUVA DE OURO

QUARESMEIRA

IPÊ AMARELO

Altura média: de 5 a 10m.

Tibouchina granulosa

Tabebuia alba

Arbusto, ideal para formar barreiras vivas, podendo atingir até 5m de altura.

De caráter ornamental, pode dar muita vida à paisagem. Sua copa não é densa.

Altura média: de 8 a 15m.

Altura média: até 30m.

Suas flores são rosas ou vermelhas e felpudas, colorindo a paisagem. São interessantes tanto para a visão como para o tato.

Mostra-se interessante neste trabalho por seus frutos, longos e pretos, que podem ser divertidos para crianças.

Boa para arborização urbana, cria grandes áreas de sombra, além de colorir a paisagem.

Declarada como “flor nacional”em 1961, o ipê foi escolhida por seu caráter ornamental. Suas flores amarelas dão um colorido especial e vivo ao ambiente.

Altura média: até 5m.

Cassia fistula

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PROJETO Dadas todas as diretrizes, inicio o projeto com a abertura de duas novas ruas na região - indicadas no mapa da página a seguir como NOVA RUA 1 e NOVA RUA 2 -, alterando alguns fluxos e criando conexões antes inexistentes1. A abertura destas vias tem como principais funções: »» conectar as comunidades Vila Munck e Cohab Raposo Tavares; »» gerar trânsito circular de veículos no entorno da comunidade Vila Munck, transformando a Rua Joaquim Guimarães em via de mão única; »» permitir o acesso ao novo empreendimento da Brookfield 2, atrás da comunidade, sem que seja necessário cruzá-la. Com estas alterações, os fluxos ficam mais controlados, principalmente no que diz respeito a linha de ônibus 8023-10 VILA MUNCK, cujo ponto final é na Rua Joaquim Guimarães. Na situação atual, o coletivo deve subir, fazer um retorno em frente à entrada do CDHU para, em seguida, voltar a descer a rua. Além de ser uma manobra demorada e incômoda, gera situação de perigo naquele local. Com a introdução das novas vias, o trajeto do ônibus passa a ser circular, saindo por

TRECHOS TRABALHADOS:

trás da comunidade. O ponto final continua sendo na Rua Joaquim Guimarães. Além disso, torna-se muito mais cômoda a locomoção entre as comunidades, sem que seja necessário pegar a Rodovia Raposo Tavares para ir de uma à outra.

1. Entrada da escola EMEF Vila Munck 2. Comunidade: COHAB Vila Munck 3. Passarela de travessia da Rod. Raposo Tavares: conexão com Vila Olímpica.

7

No mapa a seguir é possível verificar a nova situação geral de bairro, com as vias abertas, usos modificados, calçadas alargadas. Nas páginas seguintes, serão apresentadas as alterações feitas trecho a trecho.

6

4. Alça e viaduto

5 4

2

6. Entrada da ETEC Raposo Tavares 7. Comunidade: COHAB Raposo Tavares

1

LEGENDAS PARA PLANTAS ENTRADA DE PEDESTRES

5. Entrada à COHAB Raposo Tavares

3

ENTRADA DE VEÍCULOS/ SENTIDO DA VIA TRONCOS DE ÁRVORES POSTES DE ILUMINAÇÃO CARROS ÔNIBUS

A abertura da NOVA RUA 1, onde antes passava a Antiga Estrada SP-Paraná, está sendo discutida na Sub-Prefeitura do Butantã. 2 Brookfield Incorporações é uma empresa incorporadora brasileira. 1


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Diagrama de fluxos de veĂ­culos atual.

Diagrama dos novos fluxos de veĂ­culos, com a abertura de ruas.


Diagrama do circuito de ciclovias proposto.

Relação de pontos de encontro/praças no decorrer dos caminhos.

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ACESSO À ESCOLA Na entrada de escolas há uma grande concentração de alunos antes e depois das aulas, um movimento de vai-e-vem que necessita de espaço hábil para que possam se reunir. Este espaço, tão importante de convívio, em que alunos de diferentes anos podem se encontrar, já que não estão divididos em suas respectivas classes, não existe em frente à EMEF VILA MUNCK. Nela, a calçada em frente à entrada de alunos é estreita e a “praça” ali existente é seca, quente e barulhenta, não convidando ao estar. Em todas as visitas realizadas à escola, só foram vistas crianças ali em pouquíssimas ocasiões - e geralmente eram alunos que não moram na comunidade e são obrigados a esperar pais ou perua virem buscá-los. Aqueles que moram na comunidade sobem direto às suas casas.

[31] Vista da escola e do pátio descoberto desde a horta, próxima à qual se propõe o novo acesso de alunos. Foto: Lucas Terra, 2013. [32] Acesso atual de alunos, na esquina da Rua Joaquim Guimarães e via local da Rodovia Joaquim Guimarães. Foto: Acervo pessoal, 2013.

Atualmente, esta é a única entrada de alunos da escola, localizada na esquina da Rua Joaquim Guimarães com a via local da Rodovia Raposo Tavares - além da entrada para o estacionamento para professores, um pouco mais à frente na via local. Sendo assim, propõe-se a melhoria da praça em frente à instituição, convidando ao estar antes e depois do horário letivo, incentivando o social entre alunos de diferentes séries, além de uma nova entrada, secundária, por cima.

[31]

[32]


A nova entrada facilita o acesso desde a comunidade, tornando seu percurso mais seguro, já que os alunos não precisam descer até a via local para chegar à escola. Além disso, cria um âmbito de recepção e possibilidade de reunião de alunos junto aos dois terrenos: da EMEF e do novo CEI.

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A escada do novo acesso faz também a conexão entre o pátio e a horta da escola, hoje feita por uma escada mal localizada e fora de norma.

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CORTE AA: RELAÇÃO ENTRE ACESSOS: EMEF E NOVO CEI VILA MUNCK

PÁTIO DESCOBERTO E PARQUINHO

A FABRICA DESATIVADA

VISTA 1: NOVO ACESSO À EMEF VILA MUNCK

N


60

PRAÇA DA ESCOLA Toda a região de entrada à EMEF Vila Munck é árida e apertada, sujeitando os alunos à rápida entrada e saída da escola. A praça existente, que deveria permitir o convívio nestes horários, não convida ao estar e é pouco utilizada.

B B “GRAMADO”

DEPÓSITO DE LIXO

S (MÃO DUPL

ÁREA CIMENTADA

[33]

M GUIMARÃE

EMEF VILA MUNCK

RUA JOAQUI

Fora dos horários de começo/fim de aulas, não existe movimento de pedestres naquele local. O fluxo maior é de veículos, daqueles que chegam ou saem da comunidade.

[33] A rua é estreita: o leito carroçável é bem mais largo que as calçadas. Os postes estão implantadas no meio delas.

A)

ENTRADA DE VEÍCULOS (MOTEL)

VIA LOCAL, RODOVIA RAPOSO TAVARES (MÃO DUPLA)

SITUAÇÃO ATUAL RODOVIA RAPOSO TAVARES CORTE CC: RUA JOAQUIM GUIMARÃES, NOVA SEÇÃO

[35] A faixa de pedestres é mal alocada e os carros passam em alta velocidade para fazer a curva. Fotos: Acervo pessoal, 2013.

[34] CORTE BB: RUA JOAQUIM GUIMARÃES, SEÇÃO ATUAL

[34] A área livre em frente à escola é completamente cimentada. Recebe muito sol, além de vento e barulho proveniente da Rodovia Raposo Tavares.

[35]


De maneira geral, a entrada da escola foi ampliada, permitindo a movimentação de crianças, principalmente nos horários de entrada e saída das aulas. Desta maneira, os alunos tem onde ficar ao invés de ser impelidos a ir para o meio da rua quando estão todos juntos. As calçadas foram alargadas e a praça da escola, antes interna, concretada e seca, foi aberta ao público e transformada em ambiente mais agradável: sombreado e com menos ruídos.

C

RÃES (MÃO ÚNICA)

BANCOS REAPROVEITADOS

SIBIPIRUNAS E JACARANDÁS

2

D ÁRVORE EXISTENTE

RUA JOAQUIM GUIMA

NOVAS LIXEIRAS

C

VISTA 2: ENTRADA DA ESCOLA DESDE A RUA JOAQUIM GUIMARÃES

LOMBOFAIXA

BICICLETÁRIO

A Rua Joaquim Guimarães foi transformada em via de mão única, diminuindo o trânsito de veículos. Ao longo da calçada foram colocadas sibipirunas e jacarandás por possuírem raízes não-agressivas.

MOTEL

PAREDE DE TIJOLOS

PAREDE DE TIJOLOS

D

VIA LOCAL, RODOVIA RAPOSO TAVARES (MÃO DUPLA)

PROPOSTA IMAGEM ILUSTRATIVA DA NOVA PRAÇA DE ENTRADA DA ESCOLA, PERMITINDO A LIVRE APROPRIAÇÃO DOS ALUNOS.

CORTE DD: NOVA PRAÇA DA ESCOLA

N RODOVIA RAPOSO TAVARES

A praça foi repensada para ser um lugar de estar, além de simples passagem na entrada e saída das aulas. Foi criada uma parede de tijolos que funciona como barreira sonora e de vento. Nela existem, no entanto, algumas aberturas (blocos vazados), para que não seja também uma barreira visual completa.

61


62

VILA MUNCK A COHAB Vila Munck é formada por 13 blocos “H” distribuídos de par em par e cercados por gradis. Possui dois muros de divisa - um junto à R. Joaquim Guimarães e outro ao terreno da Milan Leilões - mas acaba não sendo fechada, já que, ao final da rua interna, o espaço é aberto. Esta rua interna funciona, basicamente, como passagem - de carros particulares, pessoas, cachorros, caminhão de lixo - e garagem a céu aberto. O grande ponto de encontro da comunidade é a quadra. Ali improvisam-se barzinhos e foram instalados equipamentos de ginástica.

[39]

[40]

[41] [36] Bares, mesas e bancos improvisados ao lado da quadra

QUADRA COMERCIAL

[37] Rua interna à COHAB. Funciona como passagem e garagem entre os blocos. RUA JOAQUIM GUIMARÃES

BL. 1

[36]

CDHU RAPOSO TAVARES

QUADRA

BL. 2

BL. 3

BL. 4

BL. 5

GARAGENS

GARAGENS COBERTAS AUTOCONSTRUÍDAS RUA INTERNA BL. 6

BL. 7 BL. 8

BL. 10

BL. 9

BL. 11 BL. 12

[37]

BL. 13

O VAZIO

`SITUAÇÃO ATUAL [38]

LEILÕE

S

[39] Em dia de coleta de lixo, as poucas lixeiras existentes ficam lotadas e obstruem as calçadas. Além de visualmente desagradáveis, geram uma situação insalubre. [40] Ao longo do muro na rua Joaquim Guimarães, que separa o espaço da rua e o interior da comunidade, junta-se entulho e lixo, obstruindo o espaço que seria de passagem. [41] Os poucos trechos da rua Joaquim Guimarães que possuem calçada estão totalmente degradados e esburacados, gerando riscos de acidente. Fotos: Acervo pessoal, 2013.

TERREN MILAN

[38] Muro de divisa com a Milan Leilões. Este muro encontra-se no fundo dos blocos 10, 11, 12 e 13 e se trata de uma área muito perigosa devido ao seu pouco uso e presença de bicho nocivos à saúde - cobras e escorpiões.

ESTACIONAMENTO

FÁBRICA IRMÃOS GOMES (TRATORES)

ESTACIONAMENTO


BL. 1

IRAS

LIXE NOVAS

BL. 2

BL. 3

BICICLETÁRIOS DESCOBERTOS (1 X BLOCO)

BL. 4

BL. 5

GARAGENS

RUA COMPARTILHADA

RUA COMPARTILHADA (ILUMINAÇÃO PÚBLICA)

BL. 6

EQUIPAMENTOS DE GINÁSTICA

PLAYGROUND

BL. 7

BL. 8

E

BL. 9

BL. 10

BL. 11 POMAR BL.12

BL. 13

LIXEIRA

NOVA

E

S

LOMBOFA

IXA

ÁRVORES EXISTENTES

MILAN

PROPOSTA N

LEILÕE

S

RUA 1 LIXEIRA

S

BICICLETÁRIO COBERTO

QUADRA EXISTENTE

LOMBOFAIXA

PONTO FINAL DE ÔNIBUS


64 A comunidade foi repensada para dar prioridade aos pedestres, especialmente na segurança das crianças. Para isso, restringiuse o tráfego de veículos na Rua Joaquim Guimarães - que agora é feito em sentido único, dando a volta na comunidade. A rua interna continua permitindo o tráfego de veículos mas de maneira restrita. Os carros podem chegar à porta dos edifcícios, se necessário, mas não devem estacionar ali. O que antes era uma via de veículos, asfaltada, agora é uma rua compartilhada, de pavimentação igual a das calçadas (intertravado de concreto), não existindo distinçao entre a circulação de carros, bicicletas ou pedestres. Elementos, com postes de iluminação, estão dispostos estrategicamente, impedindo que os veículos que ali circulem ganhem velocidae. As vagas, antes distribuídas por todo o espaço, agora se concentram na NOVA RUA 1, muito próxima ao conjunto.

DESCIDA DA RUA JOAQUIM GUIMARÃES, SENTIDO RAPOSO TAVARES

Os fundos do terreno, antes inabitado, agora abrem para a nova rua. No entanto, mantém-se cercado por gradis, já que se entende como um espaço a ser apropriado pelos moradores de cada a par de blocos. O único que foge à regra é aquele que dá de frente para a faixa de travessia e é considerado, portanto, a entrada da comunidade. Nele se prevê uma praça-pomar, com árvores frutíferas para uso da comunidade. CORTE EE: NOVA RUA CRIADA (RUA NOVA 1)

PERSPECTIVA À RUA INTERNA DA COMUNIDADE, ENTRE BLOCOS.


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AROEIRAS, COPAÍBAS, CHUVAS DE OURO E PATAS DE VACA

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PROPOSTA PRAÇA LONGITUDINAL

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GRAMADO EXISTENTE (RECOMPOSTO)

MÓDULOS PARA USO COMERCIAL/ DE SERVIÇOS, COMO BANCA DE FRUTAS, ETC

N

65


66 Onde antes se encontravam apenas carros e entulhos, é criada uma praça longitudinal que possui conexão visual com a quadra e os pequenos comércios. Em frente à zona comercial, há um espaço amplo para livre apropriação, seja com mesas para os adultos, ou pelas crianças, com a pintura de amarelinhas ou outros jogos de piso. Pensando nesse tipo de apropriação, espontânea, utiliza-se um piso modular de intertravado de concreto, com peças de 20 x 20 cm, formando uma grade regular que serve como base para diversas brincadeiras. As árvores colocadas neste espaço também foram pensadas de acordo com seu caráter lúdico. São muito coloridas e com sementes de diferentes formatos, que incentivam sua imaginação das crianças.

CORTE GG: RUA JOAQUIM GUIMARÃES

QUADRA

VISTA 3: PRAÇA LONGITUDINAL

ZONA COMERCIAL

PONTO FINAL DE ÔNIBUS

MÓDULOS P/ COMÉRCIO


CORTE FF: RUA JOAQUIM GUIMARÃES, SITUAÇÃO ATUAL

CORTE FF: RUA JOAQUIM GUIMARÃES

DESCIDA DA RUA JOAQUIM GUIMARÃES

PRAÇA LONGITUDINAL

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PASSARELA VILA MUNCK

A chegada da passarela próxima à Vila Olímpica, antes um vazio gramado, foi transformada em praça, permitindo um deslocamento mais agradável para os transeuntes, que agora podem caminhar pela sombra ou sentar para descansar.

4

A passarela que conecta a Vila Munck à Vila Olímpica Mário Covas foi repensada para que o percurso seja o mais contínuo possível. Sobe-se diretamente por rampa ou escadas alocadas na continuidade do fluxo do caminhante. Considerando o espaço restrito e a dificuldade topográfica, as rampas não foram dimensionadas segundo as normas de acessibilidade universal. Assim, propõe-se a instalação de um elevador de cada lado.

H

H

A travessia das alças da Rodovia é feita através de lombofaixas, que garantem uma maior segurança aos pedestres. Sinalizações horizontais (sonorizadores) foram colocados para alertar os motoristas da mudança de ambiente - de via expressa para vias locais.

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PROPOSTA


A chegada da passarela próxima à Vila Olímpica foi pensada em uma praça arborizada. A travessia das pistas de acesso ao bairro é feito por lombofaixas.

VISTA 4: PASSARELA SOBRE A RODOVIA RAPOSO TAVARES

A passarela foi calculada prevendose o uso de todos os tipos de usuários: pedestres com ou sem dificuldades de locomoção, ciclistas, crianças com mochilas de rodinhas, etc. Os deslocamentos verticais podem ser feitos por rampa, escada ou elevador.

CORTE HH: PASSARELA SOBRE A RODOVIA RAPOSO TAVARES

N

PROPOSTA PERPECTIVA: CHEGADA DA PASSARELA PRÓXIMO À VILA OLÍMPICA

Propõe-se a instalação de guias na lateral das escadas para que ciclistas também possam subir por elas. Fonte: ibikebarreiro.blogspot

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ALÇA E VIADUTO

[42] Família ultrapassando barreira entre pista local e pista expressa para acessar ponto de ônibus. [43] Ponto de ônibus na parte superior da alça.

Este trecho do caminho é um grande vazio. As alças de acesso entre a Rodovia Raposo Tavares e o Viaduto Raposo Tavares formam entre si gramados inóspitos. Os poucos pedestres que passam por ali estão a caminho de um dos pontos de ônibus. O viaduto serve como transposição da Rodovia basicamente para carros. São pouquíssimos os pedestres que cruzam a Rodovia por ele, já que acessá-lo é desagradável.

[44] Calçada ao longo da alça, próxima ao ponto de ônibus, com diversas barreiras.

[43]

[45]

[45] Grande vazio antes do viaduto (rotatória).

[47]

[46] Pedestres cruzando gramado, sob o viaduto, para chegar ao ponto de ônibus. [47] Barreira ao longo da calçada, próxima à entrada da Sociedade das Irmãs Paulinas - passagem efetiva de cerca de 40cm.

[42]

[44]

[48]

[46]

RUA

BOSQUE SOCIEDADE IRMÃS PAULINAS

PONTO

PART IC

ULAR

- SOC

IEDA

DE IR

MÃS

Fotos: Acervo pessoal, 2013.

PAUL IN

AS

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DE ÔNIB

GRAMADO (VAZIO)

MOTEL

[48] Via de subida da Rodovia ao viaduto. À direita, propriedade das Irmãs Paulinas.

GRAMADO (VAZIO)

CÓRREGO

VIADU

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GRAMADO (VAZIO)

CÓRREGO

GRAMADO (VAZIO) PONTO DE ÔNIBUS

SITUAÇÃO ATUAL

RODOVIA RAPOSO TAVARES


I

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71

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ÁRVORES EXISTENTES

PONTO DE ÔNIBUS

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BOSQUE EXISTENTE SOCIEDADE IRMÃS PAULINAS

RUA

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JACARANDÁS E SIBIPIRUNAS

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GUAPURUVÚS

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ERETRINAS

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LOMBOFAIXA

CALIANDRAS

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VIADU TO

DE PE RELA

PROPOSTA

PASS A

CHUVAS DE OURO E PATAS DE VACA

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OPLA

DA

PONTO DE ÔNIBUS

RODOVIA RAPOSO TAVARES


72 Pretende-se tornar a alça um local mais agradável e que convide à passagem, permitindo a conexão entre as duas comunidades para os pedestres. Todas as calçadas já existentes foram ampliadas e novas possibilidades de trajetos criadas - a conexão por baixo do viaduto já existia, informalmente, e foi consolidada, considerando a facilidade topográfica de acesso ao ponto de ônibus. O cruzamento e acesso por bicicleta também é uma questão importante, já que faz ser mais rápida a conexão entre as comunidades. Neste trecho, também se projeta a conexão com o outro lado da Rodovia através do viaduto, aumentado o número de travessias - de duas para três. Para que essa passagem seja feita de forma cômoda e segura, propõe-se a adição de uma passarela metálica leve em um dos lados do viaduto. O leito atual do mesmo será dividido para a passagem de automóveis e bicicletas.

ESQUEMA DE NOVA PASSARELA DE PEDESTRES ACOPLADA AO VIADUTO

Além da passagem, são criados alguns pontos de apoio,que possam receber eventuais comércios ambulantes ou simplesmente reunir algumas pessoas. É o caso da pequena praça ao lado do ponto de ônibus, na parte superior da alça. CORTE JJ: PARTE SUPERIOR DA ALÇA

Seção da parte superior da alça. Faixas de ida e volta para veículos, ciclovia e calçada alargada.

PERSPECTIVA ILUSTRATIVA DA PARTE SUPERIOR DA ALÇA, VISTA DESDE O PONTO DE ÔNIBUS.


ESQUEMA DE DRENAGEM:

Parte da água é levada para o sistema de drenagem urbana e outra para o córrego existente

CORTE II: SEÇÃO TRANSVERSAL DA ALÇA

CORTE KK: PASSAGEM DE PEDESTRES E CICLOVIA NA PARTE CENTRAL DA ALÇA,

73


IGREJA

N

ENTRADA COHAB RAPOSO TAVARES

AQ

[49] [49] Travessia sem qualquer segurança ao pedestre: ruas largas e mato a toda volta. [50] Espaços vazios. A única área com árvores, ao fundo, é cercada e sem uso. Os edifícios pertencem ao condomínio Green Village, com acesso pela Rodovia.

[51] [51] O espaço para carros predomina sobre o espaço dos pedestres. A pouca calçada existente é obstruída por postes de energia e mato.

(VAZIO)

[52] Passarela de travessia da rodovia pode ser vista ao fundo. Atravessa-se uma área árida para alcançá-la. Fotos: Acervo pessoal, 2013.

(VAZIO)

VIA

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[52]

LA

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[50]

A EIR HO A) C L CA P A DU RU ÃO (M

R PO

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Existem várias áreas verdes, no fundo grandes espaços vazios cheios de mato, com algumas árvores espaçadas. Um destes vazios deve ser cruzado para que se chegue à passarela que comunica com o outro lado da avenida.

(VAZIO)

L

Para chegar à COHAB Raposo Tavares atualmente, seja de carro, ônibus ou a pé, existe apenas uma entrada, saindo da Rodovia Raposo Tavares. Trata-se, como grande parte da região, de um local árido e descuidado, onde o espaço do carro é privilegiado em relação ao do pedestres, as faixas de travessia são quase inexistentes e cruzar de uma “calçada” a outra é um ato de risco - já que os veículos vêm em alta velocidade da Rodovia.

SO

PO

RA ES

AR TAV

SITUAÇÃO ATUAL


IGREJA

CORTE LL: SEÇÃO ATUAL DA RUA CACHOEIRA PORAQUÊ

A IX FA BO M

LO

ARBUSTOS

M

CORTE MM: SEÇÃO PROPOSTA DA RUA CACHOEIRA PORAQUÊ

PRAÇA

SS PA E AR LA

Para aqueles que chegam de carro, desde a Rodovia, além de indicar a mudança de ambiente a partir do tratamento paisagístico, gerando um microclima distinto àquele presente na via expressa, alerta-se a mudança através de sinalizações viárias, como sonorizadores. Junto à lombofaixa, essa sinalização alerta o motorista de que ocorre uma mudança no espaço urbano e que, a partir dali, é preciso reduzir a velocidade e prestar atenção nos pedestres e crianças.

ARBUSTOS

M

Para que a comunicação entre a Vila Munck e a COHAB Raposo Tavares seja efetiva, propõe-se a criação de um ambiente mais agradável, onde o pedestre e o ciclista tenham tanto espaço quanto o automóvel e possam circular com segurança. As calçadas foram alargadas e cruzamentos em nível implantados. Sombrea-se todo o trajeto com implantação de árvores e cria-se uma praça no caminho da passarela, convidando à permanência e ao repouso.

PERSPECTIVA DO ACESSO À COHAB RAPOSO TAVARES

PROPOSTA


[54] Faixa de pedestres na Rua Cachoeira Poraquê e portaria da ETEC.

[55] Rua Cachoeira Poraquê: poucas árvores existentes. [56] Gramado em frente à ETEC é usado como campo de futebol. Fotos: Acervo pessoal, 2013.

ESTACIONAMENTO

[53] Estacionamento da ETEC.

[55] ETEC RAPOSO TAVARES

[53]

RUA CACHOEIRA PORAQUÊ (MÃO DUPLA)

N

A Rua Cachoeira Poraquê é árida, com pouquíssimas árvores, e o edifício da ETEC RAPOSO TAVARES se destaca na paisagem. Toda a frente do edifício é usada como estacionamento. Como no caso da EMEF VILA MUNCK, não há espaço para reunião de alunos em frente à escola.

N

ETEC

CO

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OT AV AR

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CORTE NN: SEÇÃO ATUAL DA RUA CACHOEIRA PORAQUÊ

[54]

[56] SITUAÇÃO ATUAL


O P

5

ETEC RAPOSO TAVARES

PERSPECTIVA ILUSTRATIVA DA PRAÇA EM FRENTE À ESCOLA

RUA CACHOEIRA PORAQUÊ (MÃO DUPLA)

VISTA 5: ETEC RAPOSO TAVARES

As árvores, neste caso, foram usadas menos por seu caráter lúdico e mais como elemento de cor e sombra.

CORTE OO: SEÇÃO PROPOSTA DA RUA CACHOEIRA PORAQUÊ

O

Como escola, possui grandes fluxos de alunos antes e depois das aulas. Por isso, sua entrada foi ampliada formando uma praça em frente ao edifício e permitindo maior fluxo - bem como a permanência mais longa no local. A calçada foi alargada e o estacionamento reduzido - mas não eliminado, entendida sua importância dado que também atende alunos que não moram na comunidade próxima.

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CORTE PP: SEÇÃO PROPOSTA DA RUA CACHOEIRA PORAQUÊ E PRAÇA DA ETEC

PROPOSTA

N


78 RA

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[57]

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ESCOLA

ESCOLA

[59]

[60]

[61]

[62]

ESCOLA

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SITUAÇÃO ATUAL

PE CO QUE MÉ NO RC S IOS

Formada por três ruas principais e diversas ruas transversais, a comunidade da COHAB RAPOSO TAVARES já possui uma diferenciação de fluxos bem forte. Faltam ali, no entanto, espaços de uso coletivo com qualidade. A maioria dos espaços livres existentes estão abandonados e os pequenos comércios se apertam em uma esquina. As crianças costumam brincar nas garagens, já que ali a passagem de carros é menor e os que entram estão em baixa velocidade. Apesar das diversas garagens espalhadas pela comunidade, ainda existem muitos carros estacionados ao longo das calçadas.

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COHAB RAPOSO TAVARES

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[57] Garagens são usadas como espaços de brincar pelas crianças

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A COHAB RAPOSO TAVARES foi repensada de modo a garantir maior número de espaços de uso coletivo de qualidade, bem como mais espaços de brincar para as crianças que tenham espaços próprios e não precisem ficar nas garagens. O grande vazio formado pelo cruzamento das ruas foi remodelado para que os veículos continuem fazendo seus trajetos de maneira cômoda mas, ao mesmo tempo, possam existir praças onde instalar os pequenos comércios e bares, antes apertados e improvisados em uma única esquina.

R

R

CORTE QQ: RUA CACHOEIRA PORAQUÊ, SEÇÃO ATUAL

[58] Ruas transversais são pequenas e servem como estacionamento em frente às casas [59] Cruzamento forma um grande vazio difícil de ser atravessado. [60] Pequenos comércios e bares aglomerados na esquina são ponto de encontro de moradores

CORTE RR: RUA CACHOEIRA PORAQUÊ, SEÇÃO PROPOSTA

ESCOLA

[62] O uso da bicicleta já é feito, apesar da inexistência de ciclovia.

ESCOLA

O sentido das vias foi alterado para criar um fluxo circular, diminuindo o risco de acidentes, principalmente considerando as linhas de ônibus que passam por ali.

[61] As calçadas são estreitas (espaço efetivo de passagem de aprox. 60cm) e amigas preferem caminhar lado a lado pela rua que ter que andar separadas

Fotos: Acervo pessoal. 2013.

ESCOLA

PEQUENOS COMÉRCIOS

PERSPECTIVA ILUSTRATIVA: NOVAS ESQUINAS E ESPAÇOS LIVRES CRIADOS

Considerando que as ruas na COHAB Raposo Tavares são bem estreitas e próximas ao limite necessário para a passagem de veículos, as calçadas foram alargadas da melhor maneira possível. Preferiu-se obter calçadas de larguras diferentes, sendo uma mais generosa que a outra, e arborizar a rua apenas de um lado.

PROPOSTA 79


80


CONSIDERAÇÕES FINAIS “A infância que determina as práticas do espaço desenvolve a seguir os seus efeitos, prolifera, inunda os espaços privados e públicos, desfaz as suas superfícies legíveis e cria na cidade planejada uma cidade “metafórica” ou em deslocamento, tal como a sonhava Kandinsky: ‘Uma enorme cidade construída segundo as regras da arquitetura e de repente sacudida por uma força que desafia os cálculos’.” (CERTEAU, M.)

Precisamos liberar as crianças. Precisamos sacudir a cidade. Incluir mais cor, movimento e sorrisos ao nosso cotidiano. Vivemos em uma São Paulo dominada por adultos, indo e vindo de seus trabalhos, que mal tem tempo de respirar. A cidade acaba sendo apenas o meio por onde circulamos - não a vivenciamos de fato: apenas passamos por ela. Este trabalho é uma tentativa de reintroduzir a vida em São Paulo. E, para que isso aconteça, é necessária a introdução de espaços que recepcionem as crianças e permitam sua tomada de espaço, pouco a pouco, se apropriando desta cidade tão austera. Os caminhos escolares cumprem este papel: tornam habitáveis e apropriáveis trajetos já percorridos todos os dias.

Ficou claro, no desenvolver do projeto, como são simples os mecanismos para que essas mudanças aconteçam. Em geral, são pequenas as alterações necessárias, como o alargamento de calçadas, o plantio de árvores, a inserção de travessias para pedestres, a inserção de postes de luz, etc. Em suma, criar um ambiente agradável para que as pessoas se sintam atraídas e confortáveis, não afugentadas. As crianças não precisam de muito para se divertir e imaginar grandes cenários: a melhora do ambiente urbano depende, portanto, apenas da mudança de prioridades, não possuindo grandes dificuldades de implantação. Repensando partes da cidade, como feito aqui, acredito ser possível reestruturá-la inteira, progressivamente. Considerar fragmentos não significa esquecer do todo: com a amarração do território, a cidade inteira pode ser costurada e melhorada. Devemos deixar de pensar negativamente: “em São Paulo não vai dar certo”, “no Brasil nunca vai funcionar” e passar a ocupar os espaços que temos, viver a cidade plenamente.

Ilustração de Francesco Tonucci (Frato), 1987.

81


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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS APPLEYARD, Donald. Livable Streets. Londres: University of California Press, 1981

OLIVEIRA, Cláudia. Ambiente urbano e formação da criança. São Paulo: Aleph, 2004

CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano. Petrópolis: Vozes, 1998

RIVAS, Marta Román; CANOSA, Isabel Salís. “Camino Escolar” - Pasos hacia la autonomía infantil. Madrid:

CIDADES EDUCADORAS. Carta de Cidades Educadoras.

Ministerio de Fomento - Gobierno de España, 2010

FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia - Saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra,1987

TONUCCI, F. Frato - 40 anos com olhos de criança. São Paulo: ARTMED, 2003

GEHL, Jan. La Humanización del Espacio Urbano - La vida social entre los edificios. Barcelona: Editorial Reverté S.A, 2006

__. La ciudad de los Niños. Barcelona: 1991

GOULART, Beatriz.

__.Quando as crianças dizem “Agora chega!”. São Paulo: ARTMED, 2005

JACOBS, Jane. Morte e vida de grandes cidades. São Paulo: Martins Fontes, 2007 LIMA, Mayumi Watanabe de Souza. A Cidade e a Criança. 1989

UDESC. FAPESC. Rotas Seguras para a Escola - Diagnóstico e proposição de melhorias para a mobilidade de alunos de escolas públicas situadas em margens de rodovias em Florianópolis. Florianópolis: UDESC, 2005

MADRID. Madrid a pie, comino seguro al cole - Proyecto educativo. Madrid: Ayuntamiento de Madrid, 2007 MAIS EDUCAÇÃO. Territórios Educativos para Educação Integral. Brasília: PDE NYC. Active Design: Shaping the Sidewalk Experience. Nova Iorque: New York City Department of City Planning, 2013

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ENDEREÇOS ELETRÔNICOS BOA MISTURA: www.boamistura.com

SAFE ROUTES TO SCHOOL: www.saferoutespartnership.org

CAMINO ESCOLAR Y MOVILIDAD INFANTIL: www.caminoescolar.blogspot.com

SECRETARIA MUNICIPAL DE HABITAÇÃO: www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/habitacao/

CAMINHO ESCOLAR DE PARAISÓPOLIS: www.facebook.com/caminhoescolarparaisopolis

TERRITÓRIOS CEU: gestaourbana.prefeitura.sp.gov.br/territoriosceu/

CIDADE ESCOLA APRENDIZ: cidadeescolaaprendiz.org.br/bairro-escola/ CURATIVOS URBANOS: www.facebook.com/curativosurbanos INSTITUTO BRASILEIRO DE FLORESTAS: ibflorestas.org.br LA CITTÀ DEI BAMBINI: www.lacittadeibambini.org LEI MUNICIPAL Nº 14492/07 ”ÁREA ESCOLAR DE SEGURANÇA”: www.areaescolar.com.br LIVING STREETS - PUTTING PEOPLE FIRST: www.livingstreets.org.uk NEW YORK CITY DEPARTMENT OF DESIGN + CONSTRUCTION: nyc.gov/ddc/ PORTAL ABCP - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CIMENTOS PORTLAND: www.abcp.org.br RED OCARA: www.redocara.com

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A Criança no Espaço Urbano: Caminhos Escolares  

Trabalho Final de Graduação, julho de 2014. FAU USP. Marieta Colucci Ribeiro

A Criança no Espaço Urbano: Caminhos Escolares  

Trabalho Final de Graduação, julho de 2014. FAU USP. Marieta Colucci Ribeiro

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