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Maranduba, 15 de Abril de 2010

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Disponível na Internet no site www.jornalmaranduba.com.br

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Ano I - Edição 05

Espaço do Leitor:

A Voz da Comunidade

pg 03

História:

Loteamento Balneário Maranduba pg 05 Sustentabilidade:

Famílias dos Parques Estaduais

pg 06

Dica de Turismo:

Cachoeira da Bacia: banana, café e aventura pg 08 Corcovado: natureza e história num só local pg 09 Gente da Nossa História:

Tereza dos Santos: uma mulher de fibra e de fé pg 10 Crônica:

A Maldição de Cunhambebe pg 11 Esporte:

Água Branca Futebol Clube pg 12 Cultura:

Rumo à Aparecida do Norte (Parte II) pg 13


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Jornal MARANDUBA News

Internet para todos?

EDITORIAL

Seria tão bom se pudéssemos aproveitar todas as inovações e vantagens que a tecnologia oferece, mas as empresas responsáveis pela prestação dos serviços que viabilizam essas tecnologias insistem em prestar um péssimo atendimento. Quem já não ficou intermináveis minutos - os mais insistentes, horas! – escutando as ridículas musicas nos serviços de espera telefônica? Algumas prestadoras implantaram serviço de atendimento automático tipo “tecle 1 para falar sobre isso”, “tecle 2 para falar sobre aquilo”, “tecle 3 para falar sobre aquilo outro”... E assim vai repetindo várias opções, menos a que você busca. Você tecla uma opção, não é aquilo. Tecla outra, nem passa perto. Às vezes volta para o início ou se despede encerrando a ligação. Você tem vontade de jogar o telefone na parede. No mundo atual envolvemo-nos demasiadamente com essa tecnologia, ficando reféns de facilidades e serviços disponíveis. Qual seu email? Não tem MSN? Orkut? Twitter? FaceBook? Skype? YouTube? Se você não tem alguns desses serviços, você simplesmente não existe. O mundo virtual está a cada dia se tornando parte da vida das pessoas. Se você utiliza essas “facilidades” fica totalmente dependente dos serviços dessas empresas que viabilizam essa conexão com o mundo virtual. Minha decepção é com a Telefônica. Como webmaster de vários sites, editor de newsletter, produtor multimídia e redator chefe deste jornal, necessito de um acesso banda larga com a internet. Meu trabalho depende inteiramente da internet. Fico impressionado com o despreparo de uma companhia que detém o monopólio do acesso banda larga em grande parte do Estado de São Paulo, investe milhões em campanhas publicitárias oferecendo o serviço Speedy, mas não tem disponibilidade de atender uma região com duas centrais telefônicas a menos de cinco quilômetros uma da outra. Chego a ter saudade da antiga Telesp. Saudade mesmo é do tempo antes da internet. Você sabia o que podia fazer, como fazer, suas capacidades e limitações. Você não se frustrava com o despreparo e ineficiência de tais prestadoras. Hoje, com toda essa tecnologia a disposição, você vê seu vizinho da direita acessando o Orkut, o da esquerda assistindo vídeos no YouTube, e você se contorcendo de raiva para realizar seu trabalho a 128kbps que o G3 lhe contempla depois de trafegar mais de 2 GB na rede. Reclamar? Para quem? Ouvidoria... ANATEL... Não adianta. Fica aqui mais uma vez meu desabafo. Sei que não sou o único, mas espero que um dia o sonho do Lula se realize e possamos ter Internet para todos. Emilio Campi Editor

Editado por:

Litoral Virtual Produção e Publicidade Ltda.

Caixa Postal 1524 - CEP 11675-970 Fones: (12) 3843.1262 (12) 9714.5678 / (12) 7813.7563 Nextel ID: 55*96*28016 e-mail: jornal@maranduba.com.br Tiragem: 3.000 exemplares - Periodicidade: quinzenal Responsabilidade Editorial:

Emilio Campi Colaboradores:

Adelina Campi, Ezequiel dos Santos, Uesles Rodrigues, Camilo de Lellis Santos, Denis Ronaldo e Fernando Pedreira Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião da direção deste informativo

15 Abril 2010

Cartas à Redação Ruínas da Lagoinha Parabéns pela iniciativa do jornal Maranduba News! Fiquei feliz em ver o artigo a respeito das Ruínas e da cachoeira da Lagoinha, locais que frequento desde 1953. Tenho muitas fotos de época, inclusive um jornal “A GAZETA”, de 1957, falando das ruínas da Lagoinha. Michael Swoboda São José dos Campos, SP Mudança Quero parabenizar o trabalho elaborado por esta equipe que decidiu mudar e mudou, mudou em todos os sentidos e para melhor, mostrando que a competência e o prazer de fazer os levarão ao sucesso. Mario Trindade Ubatuba, SP PSF Lagoinha Gostaria de divulgar o atendimento do Programa Saude da Familia Lagoinha em 2010: Toda Segunda-feira das 9 às 12 hs: coleta de preventivo do cancer do colo uterino, na Van Saude da Mulher na cobertura da Igreja católica. Toda Terça feira das 9 às 12 hs na associação de boirro SALAN, atendimento para hipertensos e diabéticos, vacinação para crianças e adultos, consulta com Enfermeira, fornecimento de medicamentos do programa Hiperdia e outros atendimentos. Agradeço desde já, se for possivel a divulgação para a comunidade do Lagoinha. Márcia Ubatuba, SP Ponte da Maranduba Sou natural de Ubatuba, nascido no Sertão da Quina em janeiro de 1951. Saí em meados de 1951 ou 1952, voltei em 1964 residindo até fever-

eiro de 1971. Fiquei muito feliz com a criação deste meio de comunicação social. Hoje resido em São José dos Campos e tenho apenas um apartamento na mais bela praia de Ubatuba (Maranduba). Gostaria que os senhores pesquisassem e mostrassem o descaso da Prefeitura no caso da ponte do Rio Maranduba, que no passado havia uma bela ponte e depois caiu. Fizeram apenas um pequena ponte onde passa apenas um carro. Ela existia desde a década de 60 e depois com o desgaste do tempo, caiu e não foi refeita. Vicente Amorim São José dos Campos, SP Quilombo Caçandoca Parabéns pelo jornal, o Litoral Norte precisa de um veículo que mostre as belezas e qualidades desta região e do povo Caiçara que esta perdendo suas características por falta de apoio dos órgãos competentes e da própria imprensa local. Discussões como esta da Caçandoca são muito importantes e devem sempre estar em pauta. Os quilombolas precisam se entender entre eles para que outros oportunistas não venham derrubar o que foi conquistado com muita luta e sangue, como é o caso do esposo da Dona Maria, conhecida como “Maria dos Sete”, que chegou a tomar tiro de capangas de supostos donos da terra em 1997, e pescadores tiveram os ranchos derrubados e queimados onde hoje se encontra uma das sedes na praia da Caçandoquinha. Os meios de comunicação ai do litoral norte não tem responsabilidade social com seus leitores e o povo praiano. A imprensa marrom do litoral só prejudica o povo

Caiçara valorizando o que vem de fora. O que leva as pessoas a se encantar por esse lugar “abençoado por Deus e bonito por natureza” são suas belezas naturais e modo de vida do Caiçara, e é isso que precisa ser valorizado. Thales Stadler Via e-mail Jornal Impresso Começo esse e-mail dizendo que sou um apaixonado por Ubatuba, e em especial Maranduba. Há 5 anos que vou à Maranduba. Comecei indo 1 vez ao ano, depois 2 vezes, e já está ficando pouco... penso seriamente em até me mudar aí... mas enquanto isso vou vendo as notícias através do jornal Maranduba News. Escrevo esse e-mail para saber se há possibilidade do jornal ser enviado pra mim, sou de Barra Bonita SP. Eu vejo pelo site, mas gostaria muito de ter e guardar as edições impressas. Caso seje possível o envio, por favor me informar o valor. Agradeço desde já e aguardo ansiosamente Obrigado Eder Lebrão Barra Bonita, SP Cadê o Tié-sangue? Alguém pode informar/pesquisar o que houve com o pássaro Tie-Sangue ou “Sangue de Boi” como era mais conhecido. Até 1979 ainda era possível encontra-lo facilmente pelas árvores na Maranduba, Sapé, etc. Depois disso nunca mais eu vi. Alex Carpoviki Via e-mail Envie sua carta ou mensagem para a seção carta do leitor através do e-mail jornal@maranduba.com.br. As mensagens devem conter nome completo, RG, telefone, endereço de e-mail. Reservamos o direito de resumir a mensagem quando necessário.


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Espaço do Leitor, a voz da Comunidade Devido ao grande número de e-mails, abrimos este espaço para publicação de mensagens, reivindicações e cobrança da comunidade

Litorânea: ônibus lotado

Antes de mais nada, parabéns pela volta do Jornal Maranduba News que é muito importante para a comunidade. Fico feliz por ter um informativo local preocupado em trazer notícias e matérias interessantes. Acho que seria interessante trazer ao conhecimento da comunidade, alguns fatos que vem ocorrendo com os passageiros do ônibus da litorânea, principalmene com os que embarcam nos pontos de ônibus da Maranduba. Infelizmente, desde o último trimestre do ano de 2009, vem ocorrendo problemas com a lotação da linha Caraguá-Ubatuba em horários escolares e de trabalho, e atualmente tornou-se frequente os cidadãos serem deixados para trás. Pior ainda! Estudantes com idade entre 7 e 12 anos, moradores da Maranduba, não embarcam no ponto de ônibus do Massaguaçú à noite, ficando lá até passar o próximo ônibus que nesse horário tem intervalo de hora em hora. Alguns usuários, pais, inclusive eu, já reclamamos junto à empresa, no Procon de Caraguá, na ARTESP (no site do governo do Estado de São Paulo), na polícia, no Conselho Tutelar de Ubatuba, e estamos aguardando uma solução, contando cada dia que um colega fica pra trás. Estamos indignados com esse problema que não deve continuar, pois não existe outra opção para quem precisa utilizar essa linha. Por essa razão, gostaria de deixar registrado essa reclamação e espero que isso se resolva da melhor forma para todos, afinal, por se tratar de uma relação de consumo, não podemos permitir e aceitar que nossos direitos sejam desrespeitados assim deliberadamente, e muito menos esperar que aconteça coisa pior com a criançada que fica no ponto de ônibus enquanto todo mundo sabe do problema e ninguém faz nada! Desde já agradeço pelo espaço. Andryelly Andrade Ubatuba, SP Cópia desta reclamação foi enviada em 13/04/2010 ao e-mail contato@passaromarron.com.br que até o fechamento desta edição não se pronunciou sobre o assunto.

Olá Ouvidoria!

(quem respondeu o e-mail tem nome??) Gostaria de um telefone, nome ou e-mail deste Comandante visto que minha reclamação de alto volume de som em carros parados no estacionamento da Prefeitura até o momento não teve solução. Reintero esclarecimentos da Prefeitura sobre o dinheiro que ela arrecada neste estacionamento e não justifica para onde vai. Local: estacionamento Zona Azul - em frente Posto BR - Maranduba Detalhe: Estive na ouvidoria pessoalmente a mais de 100 dias (jan/2010 ) ABSURDO!!!!!!!! Ninguém resolve isso aí??????? Só percebo jogo de empurra-empurra e solução ninguém dá!!!!!!!!! Aproveito para informar ao Sr. Ouvidor que a base da PM citada encontra-se na maioria do tempo DESATIVADA. Aviso aos navegantes: Na madrugada de sábado para domingo deste último fim de semana - dia 10/11 de abril - um carro deu “cavalo-de-pau “ várias vezes em plena rodovia Rio-Santos (adivinhem onde???) em frente ao estacionamento citado. Parece que os orgão responsáveis estão inertes aguardando uma tragédia neste local para depois tomarem as providências (ou não?). P.S. : Srs leitores do Maranduba News, a título de esclarecimento : 1- minha primeira reclamação está na edição 4, pag. 2 2 - o Sr. Ezio da Ouvidoria de Ubatuba informou em março (depois de 90 dias de minha reclamação) através de telefonema dado POR MIM que o assunto É DA PREFEITURA e não da Secretaria Municipal de Segurança Pública, visto que o estacionamento É DA PREFEITURA. Belinda Goldberg Via e-mail Em 12/04/2010 09:57 <ouvidoria@ubatuba.sp.gov.br> escreveu: Prezada Senhora, Com referência ao seu e-mail, acima referido, informamos que o assunto foi encaminhado para a Secretaria Municipal de Segurança Pública e Defesa Social para análise e providências. Em resposta, recebemos da referida Secretaria a seguinte comunicação: “Resposta da Guarda Municipal de Ubatuba – sub-unidade da Secretaria de Segurança Informa que a Corporação, no período noturno, opera com apenas uma viatura-guarnição, voltada a prover segurança dos próprios municipais. Na Maranduba há base da Polícia Militar, à qual poderia ser solicitada a fiscalização e coibição das irregularidades apontadas pela contribuinte. Resposta da Secretaria Municipal de Segurança Pública Informa que foi enviado ofício ao Comandante da Polícia Militar pelo qual pede providências a respeito do assunto em pauta.” Agradecemos a sua participação. Atenciosamente, Ouvidoria Geral da Prefeitura de Ubatuba.

Gente da Nossa História

A fámilia Amorim ficou muito emocionada ao ler a matéria de Pedro Bernardino Amorim. Só faltou um detalhe - o nome da filha Celeste - ela não foi mencionada na matéria. A matéria foi ótima, os filhos, netos, bisnetos enfim toda a família agradece a todos que trabalham nesse jornal. O trabalho de vocês é de muita importancia, pois ele ajuda a resgatar pessoas que fizeram parte de nossa comunidade, que contribuiram de certa forma para o progresso da nossa gente. Gostaria de enfatizar a importancia desse trabalho, que traz tanta alegria a várias famílias. Tenho certeza que todas as famílias que passaram no “Gente da nossa História” sentiram-se acarinhadas como nós da família Amorim. Obrigada a todos!! Eliane de Deus Via e-mail Pedimos desculpas pela omissão da filha Celeste na matéria e agradecemos seu e-mail, que incentiva toda nossa equipe a registrar fatos da nossa história. A Redação


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Vamos falar sobre turismo IV Foto: Emilio Campi

FERNANDO PEDREIRA Dando continuidade as nossas informações, vamos hoje falar do terceiro projeto que desenvolvemos que faz parte do PDTR Programa de Desenvolvimento do Turismo Receptivo, que, para aqueles que estão lendo pela primeira vez, foram desenvolvidos com a participação do Sebrae e de lideranças comunitárias da Região Sul de Ubatuba, com algumas participações da Região Oeste, bem como com alguns voluntários do Centro, porém a ausência maciça do empresariado e com as atrapalhadas do poder público. Capacitação dos operacionais da cadeia produtiva do turismo Neste projeto esperávamos contar com a participação das seguintes entidades: Sebrae, Prefeitura de Ubatuba, Associação Comercial, Senai, Senac, Universidades, Instituto Florestal dentre outros, O Objetivo: Capacitar a comunidade de Ubatuba para as diversas oportunidades de trabalho oriundos da atividade turística no Município. Capacitar Empresários no sentido de melhor atender ao turista além de maximizar ganhos oriundos de suas atividades. Para isso realizaríamos uma pesquisa para diagnosticarmos as maiores necessidades. Mais uma vez estamos disponibilizando o projeto em sua totalidade no site. Como dissemos o PDTR é o que hoje o Sebrae denomina de Circuito Litoral Norte e “GEOR” e está em pleno desenvolvimento no Litoral Norte e em Ubatuba juntamente com a Associação Comercial e Prefeitura Municipal aplicando os

O Turismo é uma atividade coletiva e que necessita da integração de todos projetos, como temos pouca ou nenhuma comunicação com o que acontece nessa Cidade, vou transcrever as últimas informações que recebemos. Sebrae inicia visitas técnicas do Circuito Litoral Norte em Ubatuba O Projeto GEOR visa transformar a cadeia produtiva do turismo, buscando alternativas para o aumento do fluxo de turistas na baixa temporada na região. O Sebrae, em parceria com a Prefeitura de Ubatuba e a Associação Comercial de Ubatuba, iniciou no mês de março as visitas técnicas das consultoras nos estabelecimentos comercias e atrativos públicos e privados do município que aderiram ao projeto GEOR (Gestão Estratégica Orientada para Resultados). Foram visitados e diagnosticados os segmentos

Agências de Turismo, Atrativos Naturais, Cultura e Artesanato. No prazo aproximado de 40 dias os responsáveis locais receberão as devolutivas do Sebrae, com a avaliação detalhada do diagnóstico. Entre os atrativos visitados nas últimas duas semanas em Ubatuba estão: a Fazenda de Gengibre, Ruínas da Lagoinha, rotas de observação de aves, Núcleo Picinguaba, Parque Estadual da Ilha Anchieta, comunidade indígena (Prumirim), quilombola (Sertão da Fazenda) e caiçara (Prumirim), Aquário, Tamar, entre outros. Para este mês, estão previstas as visitas nos segmentos de Hospedagem e Gastronomia. Projeto GEOR O projeto GEOR (SEBRAE) visa transformar a cadeia

produtiva do turismo, no caso do Litoral Norte paulista, buscando alternativas para o aumento do fluxo de turistas na baixa temporada na região. A iniciativa do Sebrae-SP se deu devido à demanda regional e a partir daí, iniciou-se a análise do potencial turístico e do ambiente das micro e pequenas empresas, a fim de estudar a implementação de ações que busquem elevar a competitividade dos empreendimentos existentes e potenciais. O projeto atua em diversas frentes, junto aos gestores de propriedades públicas e privadas com recursos turísticos naturais, culturais e atrativos em geral e tem como público alvo empreendimentos de hospedagens, alimentação, artesãos, agenciamento turístico, lojas e comércio diferenciado voltados ao turismo.

Na prática, o projeto atua na adequação de propriedades para recepção ao turista, formatação de roteiros, capacitação de gestores e profissionais do setor, consultorias e diagnósticos individualizados, com o objetivo de resultar em um plano de promoção e comercialização do circuito turístico do Litoral Norte de São Paulo, com foco no aumento da demanda na baixa temporada. (Fonte: Assessoria de Comunicação - PMU) Participação Empresarial Fica impossível desenvolver o turismo sem a participação dos Empresários, entrem em contato com a Associação Comercial. O Turismo é uma atividade coletiva e que necessita da integração de todos, Empresários, Comunidades, e Administração Pública, bem como de outros organismos que podem muito auxiliar como Sebrae, Conselho Municipal de Turismo, Senai etc. Não podemos novamente perder esta oportunidade, e perdemos tantas outras, hoje acredito que estamos prestes a perder uma das maiores, a nossa participação como subsede da Copa de 2014. Para conquistarmos definitivamente este evento para nossa Cidade, necessitamos de muitos projetos de Urbanização e Paisagismo, bem como, Saneamento Básico e essencialmente Limpeza e Conservação, mas é imprescindível a participação do Empresariado nesse processo, se Você estiver esperando que alguém faça alguma coisa, perceba que este alguém é VOCÊ. Nosso slogan em 2006 era: “SEM PARTICIPAÇÃO NÃO CABE RECLAMAÇÃO”


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A história do loteamento Balneário Maranduba EMILIO CAMPI A história do loteamento atualmente denominado “Balneário Maranduba” começa em em 13 de março de 1797 na qual a Sesmaria Brejahymirinduba (ou Maranduba). Por se achar devoluta, a sesmaria foi concedida a Jose Ferreira de Castilho, José Faustino de Alvarenga e Joaquim de Moura Ferreira. Posteriormente essa sesmaria passou a pertencer a Dom Pedro de Alcântara, a qual a regulamentou como Colônia S. Pedro de Alcântara, da qual tivemos acesso a fragmentos de um regulamento determinando os procedimentos na colônia no município de Ubatuba, em comum com o engenho central sob a direção de Firmino Joaquim Ferreira da Veiga, em 1982. Na página 14 deste regulamento lemos o seguinte texto: “A sesmaria está quase toda em matta virgem, e contém muita madeira de lei e muito barro para telha e tijolo. Na foz do rio Brejahymirim, tem a sesmaria um magnífico porto de mar, onde com a maré vasia a sonda deu-me 30 palmos d´agua. N´um bello ancoradouro, com uma ponte de 20 braças de comprimento,

podem atracar a terra navios que demandem 30 palmos de calado. Na ilha que fica fronteira a foz daquelle rio, e que pertence por direito de posse aos sesmeiros, observei magnífico cascalho para o fabrico da cal. Em uma palavra, na época em que nos achamos, quando se torna indispensável fundarse explorações agrícolas que tenham a transformar o nosso systema de cultura extensiva, de substituir o trabalho escravo pelo trabalho livre, não creio que possa existir uma localidade que ofereça condições superiores às da sesmaria de S. Pedro d´Alcantara, desde que para ali se estabeleçam fábricas centraes e os terrenos forem divididos e entregues a cultivadores nacionaes e estrangeiros aos quaes podem se entregarem, não só ao cultivo da canna de assucar, como aos demais productos tropicaes, visto a natureza e a topographia dos terrenos. Rio de Janeiro, 30 de maio de 1882. A. da Silva Netto. Atestamos ser verdadeira a firma supra. Antonio Gonçalves da Cunha Bastos e Manoel Lopes de Amorym”.

Registro da sesmaria Brejahymirinduba

Fotos: arquivo pessoal de Fabio Hanna

Loteamento Balneário Maranduba fazia parte da sesmaria Brejahymirinduba de Dom Pedro de Alcantara

Em 1928 as terras foram arrematadas em praça nos autos de inventário do finado Capitão Fermino Joaquim Ferreira da Silva, processado no Juízo de Direito da 1º Vara de Niteroi, Estado do Rio de Janeiro, por Manoel Jorge de Jesus e sua mulher, Laura Ribeiro de Jesus conforme escritura pública de venda e compra datada de 21 de dezembro de 1939 das notas do 19º Ofício Álvaro de Mello Alves do Rio de Janeiro, conforme livro 14, fls 38 vº, no valor de cem contos de réis (100:000&000). Em 14 de outubro de 1941 as terras passam a pertencer a ETAM - Empreza Territorial Agrícola Maranduba Ltda, com sede no Rio de Janeiro conforme registro da transcrição 354. No livro de registros públicos 3K de transcrição das transmissões consta nas fls. 15 a transcrição 5019, feita em 2 de outubro de 1967 pela qual a Construtora e Imobiliária Jequi-

tibá Ltda. Adquire da ETAM por NCR$ 20.000,00 (vinte mil cruzeiros novos) a então Fazenda Maranduba (ou Brejahymirim), atravessada pela rodovia Caraguá- Ubatuba, tendo por objeto parte destacada em desmembramento da antiga sesmaria de D. Pedro de Alcântara, situada em Ubatuba.

Em ofício datado de 29 de julho de 1966, o então prefeito de Ubatuba, Francisco Matarazzo Sobrinho recebe da Construtora e Imobiliária Jequitibá Ltda. o loteamento Maranduba após vistoria das ruas e praças, estando elas de acordo com as Posturas Municipais da época.

Construtora Jequitibá realiza aterro das ruas do loteamento Maranduba


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Famílias dos Parques Estaduais BRAZ ALBERTINI O litoral paulista começou a ser povoado no século XVI, logo após o descobrimento do Brasil. Os imigrantes adentraram nas matas e foram avançando ao interior, constituindo cidades como São Paulo e outras tantas. Muitas famílias permaneceram na costa do litoral, onde sobrevivem até hoje. No decorrer do tempo, o Estado decretou as áreas de preservação ou parques estaduais, especialmente em áreas litorâneas. Atualmente, as regras estabelecidas nos parques limitam as atividades dos antigos moradores, praticamente inviabilizando a sobrevivência desse pessoal. Existe ainda a possibilidade, cada vez mais, de ser executada a retirada dos moradores dos parques, o que é inconveniente. Quando o Estado vai criar uma área de parque é necessário que haja uma preocupação e uma destinação para as famílias que lá vivem. Há vários anos existem os parques e os problemas continuam, porque não se resolve a situação dos moradores. A lógica do governo é que nestas áreas não haja nenhum morador. Até faria sentido essa maneira de pensar, se aqui no Brasil existisse uma consciência formada de preservação ambiental. Agir assim é correr o risco de facilitar a ação dos predadores da fauna e flora. Com um determinado número de famílias morando em parques e sendo educadas para protegê-los, é possível que seja muito mais eficiente do que o Estado colocar meia dúzia de guardas que não dão conta de fiscalizar a área, deixando aberto o caminho para os que querem explorar indevidamente suas riquezas.

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Programa Agita Família Foto: Emilio Campi

Dia Mundial da Atividade Física – Agita Mundo 2010

Foto: Emilio Campi

Médicos e voluntários prestam atendimento em escola no Sertão da Quina

Os animais e os pássaros precisam sobreviver, mas os seres humanos também. E se os seres humanos forem educados e respeitados, eles serão os maiores preservadores da natureza As pessoas que habitam áreas de preservação estão próximas do litoral, que tem cidades bem povoadas, o que facilita a comercialização de seus produtos. Então é perfeitamente possível conciliar a vida dessas famílias ali sem prejuízo para a natureza. Elas ficam por anos e anos na maioria dos parques estaduais, até que é decretada a área de preservação, sem consultá-las jamais sobre essa decisão. Como eles têm anos de convivência com esses locais e vivem da exploração saudável deles, tira-los de lá sem oferecer condições semelhantes de vida causa um transtorno bastante considerável a suas vidas. Estive em Ubatuba recentemente e visitei algumas propriedades rurais. Constatei arbitrariedades descabidas com relação a um proprietário de área que vive com sua família, trabalhando no sistema agroflorestal de maneira espetacular. Ele repovoa a área com palmito Jussara, onde pretende apenas colher parte das

sementes para extrair polpa, porque o restante deixa para os pássaros e para a reprodução da espécie. Cultiva diversas frutas intercaladas com outras árvores típicas da floresta, fazendo doces, licores, extraindo polpa, produzindo ervas medicinais e outros produtos sem prejudicar em nada o meio ambiente. Este é um exemplo a ser seguido. Não tenho dúvidas de que precisamos criar áreas de preservação, mas é necessário um processo educativo para essa população, de como ajudar a preservar ainda mais a natureza e como conseguir renda para sua sobrevivência. Os animais e os pássaros precisam sobreviver, mas os seres humanos também. E se os seres humanos forem educados e respeitados, eles serão os maiores preservadores da natureza. Braz Albertini é presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de São e idealizador da Agrifam. Mantém o Blog no endereço http://blogdobraz.wordpress.com

EMILIO CAMPI Dando continuidade às ações do Projeto Agita Família, no Sertão da Quina a Escola Áurea Moreira Rachou participou no último dia 11 de abril do Agita Mundo 2010, pela saúde e cidadania ativa em comemoração do Dia Mundial da Atividade Física. Este ano o tema escolhido “Cidades Ativas: Vida Sustentável” teve como proposta sensibilizar as pessoas a refletiram sobre o seu ambiente externo e de como esse interfere na prática de atividades físicas. Neste dia várias escolas participantes do Programa Escola da Família realizaram uma caminhada ou ações educativas para valorizar a melhoria na qualidade de vida da comunidade. Na escola Áurea Moreira Rachou, dirigida por Ana Maria de Farias, a ação foi o atendimento de médicos de outras cidades que voluntariamente se propuseram a realizar consultas e prestar orientações à população. Foram realizados testes de pressão e glicemia, além de consultas nas áreas de cardiologia, fisioterapia, ortopedia e clinica geral. Segundo a educadora profissional do Programa Escola da Família, Gláucia Cavalcante Dias, a ação foi muito bem

recebida e proporcionou informações e atendimento de grande valia para a população do bairro.

A educadora Gláucia e o coordenador do projeto “Jovem do Povo”, Bruno Cesar receberam a comunidade no “Áurea” dia 11/04

O coordenador do projeto social “Jovem do Povo”, Bruno César, também esteve presente no evento auxiliando a comunidade a conseguir materiais para tratamento ortopédico. Segundo Bruno César, o projeto visa o fornecimento de muletas, coletes cervicais, tipóias, talas e material de apóio pós-operatório para a comunidade local. As pessoas que necessitem esses materiais poderão consultar o coordenado no endereço Rua da Lage, 190, Sertão da Quina, telefone (12) 9751.6698 ou pelo e-mail brunocesarcamara@hotmail.com.


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Prevenção Bucal

Regional Sul realiza manutenção e limpeza

DR.THIAGO M. SOKABE De acordo com os dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), estima-se em 179 milhões a população atual no Brasil, cerca de 20% da população nacional nunca teve acesso a qualquer tipo de tratamento odontológico, isso significa 26 milhões de desdentados, em um país com maior número de dentistas do mundo, 19% dos quase um milhão de profissionais da Odontologia do planeta dado divulgado pelo Ministério da Saúde. O País ocupa uma das piores posições no mundo quando se trata da prevenção e controle da cárie dentária. Os problemas mais comuns no que tange à saúde bucal dos brasileiros são as cáries e doenças periodontais (gengivas), pesquisas mostram que o principal motivo da má qualidade da saúde bucal dos brasileiros é resultado da falta de cuidados básicos de higiene. Um dos períodos mais importantes para se prevenir as cáries é durante a erupção dos dentes, sejam eles decíduos “de leite” ou permanentes. A falta de dentes dá à fisionomia um aspecto de velhice precoce, pois eles dão forma e expressão ao rosto e à boca, além de serem indispensáveis a uma boa dicção. Os dentes também, podem prejudicar a

Após as torrenciais chuvas que castigaram a região, várias ações de manutenção estão sendo efetuadas pela Administração Regional Sul da Prefeitura de Ubatuba. Segundo Moralino Valim Coelho, a regional sul efetuou operação tapa-buracos na estrada da Fortaleza, assim como a capina e limpeza da mesma. Outra ação foi a limpeza e a implantação de tubos na estrada do Araribá para o perfeito escoamento das águas pluviais. Várias outras áreas foram atingidas e serão efetuados os devidos reparos ainda este mês. Devido a ressaca que atingiu a região, houve um acúmulo de detritos e lixo o canto direito da praia da Maranduba. Segundo Moralino, a limpeza será efetuada nesta sextafeira, dia 16.

digestão que começa na boca, se os dentes estiverem cariados, ou mesmo se houver a falta de algum, a digestão torna-se mais difícil e todo o organismo poderá ser afetado. Bons dentes favorecem a boa mastigação, esta favorece a digestão e, portanto, uma assimilação mais perfeita e completa dos alimentos. Cuidando de seus dentes e gengivas você estará conservando sua saúde e bem estar, pois com bons dentes e bom hálito é muito mais fácil se relacionar com seus amigos, namorada, esposa. Além de aumentar a possibilidade de ser selecionado entre candidatos à bons empregos. A prevenção baseia-se em: - Correta higienização com escova e fio dental; - Consumo inteligente do açúcar; - Uso correto de flúor, para fortalecer os dentes; - Acompanhamento da saúde bucal pelo dentista a cada 6 meses. A grande maioria dos problemas relacionados aos dentes podem ser evitados com uma boa escovação e o uso do fio dental adequado. Por isso, nós do Consultório Odontológico Massami viemos por meio deste jornal orientar sobre a importância da prevenção da saúde bucal. Um Forte Abraço. Dr. Thiago Massami Sokabe

Manutenção e limpeza da estrada da Fortaleza

Canto da Maranduba: ressaca deixou lixo e detritos a beira mar


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Cachoeira da Bacia: café, banana e muita aventura Além das belezas naturais o local já foi palco de grandes roças existentes no litoral norte paulista EZEQUIEL DOS SANTOS Cravados no fundo do vale do bairro do Corcovado, o conjunto da Cachoeira da Bacia é muito visitada por conta de suas águas límpidas e gelada, o acesso é por trilhas beirando o rio e passa por áreas particulares e trechos do parque estadual. Para chegar ao local é necessário seguir por um trecho de uma estrada antiga até o inicio da trilha que leva as corredeiras da cachoeira. O local foi palco de grandes roças, no local se plantava de tudo: milho, café, cana, batata doce, feijão, banana, arroz e tudo mais que era necessário para a manutenção da casa, os antigos moradores da localidade compravam apenas o sal grosso, a roupa e o querosene. O local é considerado de fácil acesso e de nenhuma dificuldade, apenas requer os cuidados necessários para a segurança, as pedras, que propiciam a visualização de vários desenhos naturais são muito escorregadias, principalmente quando chove, o conjunto de poços e pequenas quedas dáguas mostram

um espetáculo a parte, a cada vinte ou cinqüenta metros existe um local para uma massagem sem precedentes e um relaxante banho, os poços são em sua maioria rasos e de rara beleza pela transparência de suas águas. Vale lembrar que o local já foi parte de uma Sesmaria com escravos e tudo, no local foram realizadas plantações de cana de açúcar, depois café, depois mandioca, depois banana e depois as várias culturas agricultáveis para a manutenção do corpo e da cultura local. Existem várias trilhas antigas, ainda do período das trocas de mercadorias entre o litoral e o planalto, aonde as pessoas iam a pé a várias regiões e localidades, principalmente para a Vargem Grande, as trilhas levam ainda para os bairros da Lagoinha, Sertão do Ingá, Sertão da Quina, para o pico do Corcovado e em direção ao Ipiranguinha e daí ao Centro da cidade. O senhor Antonio Inácio, 77, que possui um etnoconhecimento invejável, é testemunha viva deste período,

ele começou sua atividade há mais de 65 anos na região, trabalhou na derrubada de mata para a plantação das várias culturas, as roças eram enormes e mantinham muitos empregos. Ele lembra que já existiam pés de café na região e as roças iam das laterais dos rios até os morros. Seu Antonio além de agricultor foi um dos primeiros guias da localidade há cinqüenta anos, ele levava alemães, ingleses, franceses, espanhóis e brasileiros para a observação de aves, para a visita ao pico do Corcovado, também levou muitos pesquisadores e desbravadores de ouro, granito verde Ubatuba e outras pedras. “Cheguei a plantar 4.500 pés de café, colhia cerca de oito toneladas de bananas para levar a São Paulo e a água da bacia era em maior quantidade do que agora”, comenta Seu Antonio.

Fotos: Ezequiel dos Santos e Manoel Cabral

O conjunto da Cachoeira da Bacia é formado por várias corredeiras e poços. Seu Antonio Inácio (abaixo) é muito requisitado pelo seu conhecimento sobre a faunba e a flora da região.


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Natureza e história se fundem num só local

Vestígios de antigas moradias e roças plantadas pelos primeiros moradores ainda podem ser encontradas no fundo do vale EZEQUIEL DOS SANTOS No conjunto da Bacia também é muito aparente as maravilhosas árvores, como os pés de Cambucá, que podem ter sido plantadas pelos antigos moradores, existem também muitas delas caídas naturalmente entre as trilhas e as pedras dificultando o passeio. Para quem gosta de observar árvores, o local guarda inúmeras espécies nativas e plantadas, que para os moradores tradicionais tem um grande valor cultural. O silencio quando não é quebrado pelo barulho das águas, é quebrado pelos outros sons da natureza. As aves e os animais, pequenos ou grandes também dão o ar da graça, mas para isto é bom ter muita paciência e destreza para a observação e audição. As laterais das quedas da bacia também mostram as mais variedades espécies de bromélias, orquídeas e espécies rasteiras, que como sabemos deve permanecer no local. O local foi propriedade da família Alves Coelho (Benedito, João, José, Etelvina, Teodoro, Daniel, Paulo Lamosa, Maria Virginia, Ana Lacrina entre outros) uma das mais antigas da localidade, que depois vendeu aos a japoneses da família Ikeda e é parte de antigo loteamento chamado de Gamboa. Existem ainda em meio a mata pés de café provavelmente ainda do período das Sesmarias e muitos pés de bananas das grandes plantações. Antonio Correia de Oliveira, 63, lembra que buscava de caminhão cerca de 100 dúzias de bananas por quinzena e que seu pai já buscava banana no local a muito mais tempo de

Gavião avistado nas proximidades que ele. Os bananais funcionaram ainda até o final da década de 1980 e terminou por conta das restrições ambientais, por conta disso muitas famílias ficaram na miséria e tiveram que vender suas terras a preço de “banana” aos loteadores, comenta Antonio Correia. As plantações foram fundamentais para os animais, hoje eles descem para se alimentarem do que sobrou das

grandes roças, moradores mantém pés de frutas no quintal e em outras proximidades a fim de alimentar as aves, alguns animais ainda levam alimentos a seus filhotes, isto acontece principalmente em épocas de frio, é parte do conhecimento nativo, aquele que não se aprende na faculdade. Existe muitos vestígios de casas no fundo do local, algumas de fácil visualização e outras cobertas pelos capins, também existe um viradouro para a manobra de caminhões de embarque de bananas. O local, embora de fácil acesso, deve ser visitado com muito cuidado, é comum moradores encontrarem visitantes perdidos entre as trilhas. A região tem muitas cobras e é até fácil se perder nas trilhas, além das restrições ambientais como cortar árvores e coletar espécimes protegidas, é mais seguro a contratação de guia local, que realmente providencie segurança não só para os visitantes, quanto para a fauna e flora local, ele

Fotos: Ezequiel dos Santos e Manoel Cabral

Com um pouco de sorte, técnicas adequadas e paciencia, vários animais silvestres podem ser avistados as margens da bacia. Muitos deles descem, principalmente no inverno para se alimentar do que sobrou das grandes roças.

Bando de macacos “bugiu” desce a serra em busca de alimentos

também verificará a possibilidade da entrada ou não das áreas que são particulares. A comunidade do Corcovado tem sua rede de captação de água própria e não deixou que a Sabesp fizesse uma represa no conjunto da Cachoeira da Bacia para não descaracterizar o local,

existem ainda marcas de furos nas pedras do período de estudos para a implantação do projeto. Vale lembrar que não é legal deixar outra coisa senão pegadas, porque o lixo urbano não combina com natureza, ainda mais neste pedaço de paraíso.


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Gente da nossa história: EZEQUIEL DOS SANTOS

Nascida em berço humilde, Tereza dos Santos deu o ar da graça aos 13 dias do mês de fevereiro de 1938. O pai, Pedro Manoel dos Santos agricultor e pescador. A mãe, Anativa Rosa de Oliveira, agricultora e artesã, são frutos dos primeiros moradores da localidade. Tereza nasceu normal e com o tempo os pais descobriram que algo de errado vinha acontecendo com Tereza. Ela tinha paralisia infantil. Na época não havia escola, assim como muitos, aprendeu a ler e escrever com Maria Ballio, que a pé ensinava em toda a região, depois de aprender a ler e a escrever foi só esperar para mostrar a todos o seu talento. Com a visita mais freqüente de turistas a partir da década 1950, ela foi referencia de desenvolvimento artístico, comunitário e cultural da localidade, graças a ela hoje, o bairro do Sertão da Quina é descrito no livro de Lita Chastan - Caiçaras e Franceses como rota do artesanato regional. A doença deixou Tereza limitada para certos afazeres, mas isto não a abalou. O que você faria se um filho seu não pudesse realizar o gesto mais nobre que existe, que é ajoelhar-se para uma conversa íntima com seu Deus ao pé da cama, “Tia Tereza” embora não pudesse realizar isto desenvolveu técnicas próprias de agradecimentos a Deus e de ensinamentos a população. Como era uma pessoa muito religiosa, decidiu não ficar só no campo das orações e sim mostrar ações que lhe dariam maior satisfação, por si só ela é um exemplo a ser vivido, era considerado por todos sem exceção uma lição de vida em vida. Uma pessoa de baixa estatura que até os vinte anos teve de se locomover em uma cadeira de rodas, empurrada pelos irmãos que viam que seus lábios nunca

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Tereza dos Santos: mulher de fibra e de fé

se cerravam para a tristeza, sempre radiante como o sol, dava com alegria seus conselhos a quem chateado estivesse, emanava felicidade todos os dias, todos os meses, o ano inteiro, isto porque ela tinha motivos para não ser feliz. “Terezinha”, professora autodidata, recebeu vários elogios em vida, mas a homenagem mais importante foi ter virado patrona da escola onde ajudou a ensinar, próximo a igreja católica. Ela era polivalente, dinâmica e muito esforçada, era ela quem cortava o cabelo da população, quem passou a alfabetizar moradores do bairro, dava aulas de corte e costura, aulas de catequese, de teatro, canto religioso, artesanato, dobraduras, doces, salgados, tricôs, crochê, bordado, fazia curativos, organizava festas e trabalhava nelas. Era ela, por exemplo, quem organizava os casamentos, ela fazia a roupas dos noivos, o cabelo da noiva, o arranjo na igreja, a escolha e o ensaio das músicas, escolhia quem iria tocar, a cor do tapete da entrada, a comida a ser servida, claro havia muita colaboração, bastava passar um dia com Tereza que alguma coisa se aprendia, as pessoas iam para aprender e iam espontaneamente. Tereza recebeu a visita de muitas autoridades e religiosos, era foi a ponte entre a ALA, ASEL e a comunidade. Ela tinha na ponta da língua a data de aniversário de cada morador da região, era comum ela dizer: “Fulano, eu já rezei por você hoje, feliz aniversário!”. Tereza tinha a capacidade de transformar um pequeno espaço em um “estádio de futebol”, tudo parecia grande, imponente, valoroso e atual. Mais conhecida pela capacidade de transformar matéria prima em obra de arte, recebeu ilustres em sua casa, o então Prefeito de Paraty da época Edson Lacerda, Frei Luiz Bíscaro,

pessoas como Sarah de Brito, que traziam peças de artesanato para Tereza reproduzir. Com sua prima Catarina de Oliveira Santos, eram responsáveis na década de 1960 por cerca de 510 artesãos do município. Eram vendidas cerca de quatro mil peças do artesanato local, algumas das peças tomavam rumos importantes como o MASP e Vaticano. Ela lembrava ainda de que numa exposição nacional em 1968, realizado em São José dos Campos, foram destaques duas peças de Ubatuba: um Tipiti do Manoel Hilário do Sertão do Ingá, e um Jesus Cristo entalhado na madeira do Bigode do Centro. A matéria prima extraída era cuidadosamente estudada e das sobras eram inventadas outras peças e cada moradora se especializada em duas ou três peças. O filho do prefeito de Paraty, Gustavo Lacerda, que havia estudado fora do país uma vez produziu um filme sobre as artes da região, o espanto foi

descobrir que ele havia feito o filme para complementar outro documentário, que foi exibido em todo o Brasil e em Ubatuba não foi diferente, foi exibido no extinto Cine Atlântico, prédio do antigo Fórum. O artesanato durou por cerca de duas décadas, até os moradores serem considerados criminosos e bandidos pelas leis ambientais criadas em salas com ar condicionado. Ela também administrou o prédio da ASEL no bairro, onde funcionou uma escola e o posto de saúde, ela ainda ministrava cursos para as Irmãs da ALA, onde também fez aulas de canto com as irmãs Petrina, Silvia Maria e Hercília com o apoio do Frei Vitório Fantini, seu canto era balsamo para os ouvidos, era fácil descobrir a voz de Tereza em meio a multidão, muitos hoje sentem saudades daquela voz divina, que a Deus cantava com os anjos. Mesmo com dificuldades acompanhava as procissões da época. Recebeu a visita de dois

famosos da época da Rádio Aparecida, era Tatu e Tatá, que não se apresentaram como artistas, mas com o turistas comuns, por conta da visita, Tereza foi a Aparecida do Norte uma única vez e lá participou de um programa de rádio ao vivo chamado “Sertão do meu Brasil”, foi uma tarde de entrevistas e havia ainda um concurso de frases e rimas. Tereza então apresentou a seguinte frase: “Nossa senhora Aparecida, Rainha da Terra e do Céu, Livrai o nosso Tatu, Pra não cair no mundéu”, a frase não foi escolhida, mas causou muita repercussão pela originalidade. Em 1969, numa semana que antecedia o aniversário de Ubatuba, Tereza foi convidada pelo então prefeito Cicillo Matarazzo, o Presidente da Câmara senhor Morgado e o farmacêutico Seu Filhinho, em caráter de urgência, a preparar algo para as festividades do aniversário de Ubatuba. Em uma semana ela formou um coral e no dia e hora marcada uma Kombi veio buscá-los, meio acanhados cantaram para a multidão, o espanto foi quando terminou, a população aplaudiu de pé por vários minutos. Na semana seguinte o prefeito os convidou novamente para uma apresentação em sua casa, lá estavam empresários, políticos, juizes e outras autoridades, também foram aplaudidos de pé. Infelizmente nada dura para sempre e com Tereza não foi diferente, com o agravamento da sua situação, os problemas de saúde foram debilitando-a e Deus calou a voz da filha do Sertão do meu Brasil mais cedo, era madrugada de 24 de Julho de 1995. Mais uma enciclopédia da nossa cultura se foi, as páginas da história escritas por ela permanecem nas estrelas e seu nome estampado nas camisas de muitas crianças de uma das escolas mais antigas da região. Perdemos Tereza, mas graças a ela ganhamos nossa identidade.


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A Maldição de Cunhambebe

Crônica de Renato Nunes Publicada em 11 de novembro de 2001

“...como pois contra nós, em guerra assídua, sem medo de seu Deus, cruéis se mostram?”... indagações do cacique Aymberê ao pe. Anchieta. “Ubatuba é uma cidade que tem muita iniciativa e pouca continuativa”, dizia um velho caiçara para as pessoas que lá chegavam, no começo dos anos 70 em busca de um novo local para trabalho e morada. Com o passar do tempo se percebe que o velho tinha razão. Não só as iniciativas humanas, mas também a natureza se comporta aqui de maneira estranha, deixando muitas vezes as coisas pela metade. O exemplo mais fácil de encontrar são as mangueiras. Alguém já viu mangas nas mangueiras de Ubatuba? As mangueiras são comuns no litoral. Em Paraty estão carregadas na época certa, em Caraguá e em São Sebastião também. Em Ubatuba não. As mangueiras perdem as flores antes da hora. É claro existe uma ou outra mangueira de vez em quando, sem muita regularidade, dá algumas poucas mangas, mas isso são as exceções, para não fugir da regra de que toda regra tem exceções. Os governos começam as coisas e não terminam, os planos param pela metade, o comércio começa bem, logo depois não dá certo. As pessoas que chegam cheias de entusiasmo e idéias novas desistem e a maioria vai embora. É só prestar um pouco de atenção que os exemplos se multiplicam. Mas tudo tem uma explicação, e a explicação para o nosso caso é a maldição lançada sobre a Aldeia de Yperoig, hoje Ubatuba, pelo valente cacique Cunhambebe no ano de 1563. # # # Logo após a descoberta do Brasil em 1500, os portugueses tiveram que dominar e garantir a posse das terras contra vários reinos europeus que naquele tempo se expandiam descobrindo novas terras ou simplesmente tomando a terra dos outros à força, fazendo depois acordos com a coroa para acomodar a convivência entre eles na Europa. Nessa época, na posse, no domínio e nos acordos valia a lei do mais forte. Os holandeses e os franceses eram os mais terríveis interessados em tomar dos portugueses as terras descobertas. Os espanhóis que também foram grandes conquistadores lutavam para manter o outro lado do vasto continente. Para dominar a zona costeira e explorar o interior das terras descobertas, os portugueses usavam os índios como escravos no trabalho e nas lutas, capturados à força e muita brutalidade. E é aí que entra a história de Cunhambebe.

Os índios eram pacíficos, não conheciam nada dos brancos, só conheciam a natureza que lhes dava tudo de comer e de curar alguma doença do mato, ferimentos ou comida mal digerida. Seus deuses eram as forças da natureza. Não tinham armas de fogo nem facas e facões porque não conheciam o metal, nem prisões. Os portugueses, para usar seu trabalho escravo, impunham grande pavor, matando, esfaqueando e prendendo com correntes de ferro os desobedientes. # # # Cansados de tanto sofrimento os índios começaram a se revoltar atacando os invasores em suas aldeias, porém, poupando as mulheres e crianças que para eles são criaturas sagradas. Diferente dos portugueses que quando atacavam arrasavam tudo matando quem estivesse pela frente. Caciques de diversas tribos, liderados por Cunhambebe, (Koniam-bebê) homem de dois metros de altura cujo nome vem de sua gagueira e fala arrastada, resolveram pôr um fim a tantas injustiças e combinaram um grande ataque para expulsar de vez aqueles homens brancos muito maus. # # # Comandados por Cunhambebe e pelos caciques Aymberê, Caoquira e Pindobossú os índios eram muito numerosos. Os registros do Padre José de Anchieta indicam a chegada de mais de duzentas canoas com mais de vinte índios cada uma, além dos milhares que vinham por terra, provenientes das tribos situadas nas planícies acima da Serra do Mar. Se a batalha tivesse acontecido os portugueses seriam arrasados e expulsos do litoral de São Paulo, e os franceses, que dominavam o Rio de Janeiro e que se relacionavam muito bem com os índios daquela região, teriam tomado a terra brasileira das mãos da Coroa Portuguesa. A história seria outra. Mas a batalha não aconteceu. # # # Os portugueses auxiliados pelos jesuítas que tinham grande poder sobre a bondade na terra e suas recompensas na eternidade conseguiram aplacar a ira dos chefes morubixabas com promessas de castigos divinos e muitas ameaças do furor das forças da natureza, que era a única coisa real que orientava as ações e os pensamentos daqueles homens primitivos em seu estado natural mais puro. # # #

É verdade que alguns índios duvidavam daquelas palavras, mas seu temor era tanto que não ficaram senão algumas memórias dessas dúvidas. Existe o registro de uma reclamação do cacique Aymberê que foi tema de uns versos escritos sobre aqueles tempos, que revela bem as dificuldades dos índios com as coisas que lhes eram ditas pelos padres. Diz um trecho do poema encontrado em velhos arquivos baseado nas indagações de Aymberê ao padre José de Anchieta: # # # “Não conhecem acaso os portugueses”. Essa pia doutrina que nos pregas? Como, pois contra nós, em guerra assídua, Sem medo de seu Deus, cruéis se mostraram? Ou, só porque de deus ao filho adoram, Lhes foi dado o poder de perseguir-nos? Mas se do céu as leis desobedecem Que deus é esse então que os deixa impunes, E vem por tua boca ameaçarnos? # # # Os índios recolheram seus arcos, flechas e bordunas em atenção às promessas de paz e convivência com os brancos garantidas pelos jesuítas. Depois de uma viagem do cacique Cunhambebe a São Vicente junto com o padre Manoel da Nóbrega para acerto dos acordos de fim das hostilidades, foi combinada a Paz de Yperoig, que serviu de argumento para o desânimo dos franceses que queriam ver os portugueses expulsos. Cunhambebe e seus guerreiros acreditaram na boa fé dos acordos. Os vários chefes com seus homens se dispersaram, se desarmaram e voltaram para suas tribos, e até hoje se comemora a paz de Yperoig como uma data importante que garantiu a unidade do Brasil contra as ameaças de divisão, graças ao trabalho de catequese e união promovido por Anchieta, Nóbrega e seus companheiros. Mas a história não comenta que logo depois de terem se desarmado e se dispersado os índios foram massacrados pelos rudes e estúpidos colonizadores portugueses interessados no ouro, nas riquezas e nas terras descobertas. # # # Cunhambebe morreu doente, ferido no corpo e na alma, enver-

gonhado diante da humilhação a que levou seu povo por ter acreditado na palavra dos brancos. Sabendo da importância que os portugueses deram àquela data, pouco antes de morrer o grande cacique lançou uma maldição contra os invasores e seus descendentes dizendo que as terras de Yperoig que eles tanto quiseram seriam as terras do fracasso, que lá nada daria certo, tudo que se começasse não chegaria ao fim. Grande entusiasmo no início e resultado miserável no final. E assim tem sido a história de Ubatuba, seus ciclos econômicos sempre interrompidos, seus negócios e empreendimentos sempre fracassados. Já quiseram fazer porto de turismo, indústrias do pescado, faculdades, nada dará certo por lá enquanto se comemorar a Paz de Yperoig como homenagem ao trabalho dos jesuítas, esquecendo-se de que ela só foi possível porque enganaram a boa fé daqueles homens primitivos e os traíram matando seus chefes e humilhando seu povo, os verdadeiros donos da terra brasileira.

# # # Mas a maldição dos índios não é eterna, seu desejo não é vingança e sim serem tratados com dignidade e respeito. Para acabar com os efeitos da Maldição de Cunhambebe basta parar de comemorar a Paz de Yperoig da forma como ela é comemorada, que ignora o papel e a traição cometida contra os índios. Para isso a Câmara Municipal de Ubatuba deveria aprovar uma lei extinguindo o dia da Paz de Yperoig criando em seu lugar o dia de Cunhambebe e dos Índios do Litoral Norte. A paz que uniu o Brasil deveria ser atribuída ao martírio dos índios, da mesma forma que a independência do Brasil é atribuída ao martírio de Tiradentes. Para manter viva a homenagem, estátuas de Cunhambebe, Aymberê, Coaquira e Pindobussú deveriam ser erguidas nos principais pontos da cidade. Aí a nossa história será outra, podem crer... # # # Crônica de Renato Nunes publicada originalmente no Jornal A Cidade de 11/11/2001


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Clubes se aquecem para torneio Água Branca Futebol Clube local e regional no Sertão da Quina Época da chuteira de couro e crava de prego

Seleção de Ubatuba se prepara para Jogos Regionais

No último domingo dia 11, O campo de futebol do Sertão da Quina foi palco de rodadas entre clubes do município para preparação ao campeonato da Liga Ubatubense de Futebol-LUF e de etapa de preparação dos Jogos Regionais. É a terceira rodada do torneio amador que serve de aquecimento ao campeonato oficial do município. Todos os clubes filiados a Liga na região sul encontramse inscritos e participam desta etapa preparatória. Neste domingo a rodada contou com os seguintes clubes e resultados: Rio da Prata 5 X Maranduba 1 – Araribá 3 X Marissol 1 – Sertão da Quina 4 X Praia Dura 1. Os atletas que sofreram punições no ano passado não participarão do campeonato de 2010, segundo normas da LUF.

Ocorreu ainda disputa entre Ubatuba (2) X Caçapava (5) de futebol feminino, que também é preparação para os Jogos Regionais, tratase da Copa Caçapavense de Futebol Feminino onde os jogos são de ida e volta. Para a partida do futebol feminino a

ACESQ (Associação Cultural e Esportiva do Sertão da Quina) doou o horário do campo para o evento. A rodada do torneio Veterano, que seria no sábado dia 10 e contava com oito equipes, não ocorreu por conta das fortes chuvas, os jogos foram adiados para o próximo sábado dia 17 as 16:45horas. Como faltaram dois times para preencher as vagas do torneio, os amigos Barba, Paraíba e Zé Correia montaram o veterano Beira Rio e também contam com as equipes R9 e Silop. A ACESQ está aberto a patrocínios e colaborações. Contate a diretoria do clube.

LEMBRETE AO PAIS: A diretoria do ACESQ pede aos pais que orientem seus filhos a não depredarem as dependências do campo, pois trata-se de um patrimônio de todos e que no futuro será de seus filhos, solicita ainda a colaboração dos mesmos na manutenção do local, não precisa muita coisa, se cada homem ou mulher puder doar uma hora por semana, conseguiremos oferecer uma melhoria significativa para todos. A diretoria agradece.

EZEQUIEL DOS SANTOS O nome da cachoeira teve maior repercussão quando um grupo de amigos, que jogava futebol, resolveu em 1955, ainda no governo Alberto Santos, criar um time de futebol - o Água Branca Futebol Clube, o nome foi escolhido porque de onde eles jogavam avistavam a cachoeira, o clube tinha bandeira e tudo. Na época os homens treinavam descalço no jundú da Praia da Maranduba, onde atualmente encontra se o posto de gasolina. Depois o campo foi transferido para a Rua Hipólito Alexandre da Cruz, no Sertão da Quina, que possuía 70 metros quadrados e custou cerca de 400 Réis contando com o terreno, a trave era de guissara de palmito e não tinha grama, pois era área de roça de mandioca. Para preparar o campo, os amigos arrancaram muito toco de madeira e as primeiras “gramas” eram capins, tinha uma curiosidade, no meio do campo havia uma trilha que era o da vila e abaixo era o encanamento de água, a trilha levava a casa do Tião Pedro e a do Benedito Elói, por vezes o jogo parava para que as pessoas pudessem passar na trilha. O local era metade do Hipólito Alexandre da Cruz e Sebastião Pedro de Oliveira. Os sobreviventes daquela era de ouro do futebol têm muitas saudades, relembra o caiçara Sebastião Pedro de Oliveira, 85, atacante do ABFC. “Jogávamos descalço, depois apareceu a tal de chuteira de couro duro, no litoral íamos de caminhão e na serra acima subíamos a pé e trazíamos o troféu para casa, era uma beleza, fizemos muito mais amizade do que confusão”, as primeiras chuteiras de couro e uniformes foram doadas por Wilson Abirached que em campanha política prometeu e cumpriu o feito. Zeca Pedro, 70, lembra que muitos olharam para a chuteira e de cara já sabiam que seria difícil calça-los, é que os pés eram tão grossos de couro e os

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Foto: Arquivo Zequinha Giraud

Em 1964 o campo no Sertão da Quina possuía 70 metros2, custou cerca de 400 Réis, a trave era de guissara de palmito e não tinha grama

dedos dos pés esparramados que foi difícil colocar o calçado no primeiro momento, recorda ainda que a bola era feita de capotão costurada e amarrada, os amigos costumavam passar sebo de carne animal para que durasse mais. Emblema bordado Thereza dos Santos foi quem bordou, confeccionou e colocou os emblemas nas camisas do clube. Segundo Tião Pedro, eles já enfrentaram times do litoral e do Vale do Paraíba. Na lembrança de Seu Tião e Zeca Pedro, o primeiro time era composto por cerca de 20 homens e alguns não jogavam, eram eles: Goleiros - Guido Correia e Antonio Pereira, Defensores - Pedro Félix, Dito do Anastácio, Mané Pedro e Pedro Néco, Meio Campistas - Calixto, Dito Messias, Zé Benedito, Zé Felix, João Américo, Zé João e Nanzinho Atacantes – Tião Pedro, Mané Gaspar, Mane João, Janjão, Pedro Oliveira, Benedito Correia, Dito Messias, Zèca Pedro e Tião Felix. O campo durou até o inicio da década de 1970 e foi trocado por uma área de outros familiares de Catharina de Oliveira Santos, onde está até hoje. O uniforme do ABFC sempre tinha a cor verde das matas, mesclados com amarelo ou branco, conforme o jogo de camisa do adversário, cada jogador comprava seu uniforme que era trazido de Santos. Num determinado campeonato, o Água Branca já havia

eliminado três clubes (Lázaro, Getuba e Maranduba), contra o Getuba foram batidos 18 pênaltis e o ABFC passou, na final foi contra o Massaguaçu e o escolhido para bater foi Zeca Pedro que depois de cansado não conseguiu forças para marcar o último gol e o Água Branca perdeu por 3X2. Havia ainda campos que tinham valetas em seu meio, como no caso do Campo da Vargem Grande, o campo havia sido construído em uma barreira. Era normal saírem de manhã do Sertão da Quina, chegavam a Vargem Grande, dormiam e seis da manhã rumavam ao Bairro Alto, chegavam às 10 horas, participavam do festival, conquistavam troféus, 15h30min saiam de lá para uma pensão, três da madrugada vinham para casa, chegavam ao Sertão da Quina às quatro da tarde tudo regado à farofa de frango, carne na gordura e frutas apanhadas pelo caminho. Neste tempo havia uma molecada que já se preparam para substituir os atuais jogadores, eram: Nelson de Oliveira (que tinha uma bola de capotão), Jango, Wladimir, Mauro Soares, Thomé Adolfo, Ferreira, Augusto Correia, Mane Hipólito, Adelson, Ivanil, entre outros que depois de saírem da roça jogavam até escurecer. Para quem gosta do futebol arte, vai lembrar com muita saudade do ABFC e outros times que fizeram história por aqui.


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Rumo à Aparecida do Norte (Parte II) Em 1936, promessa moveu moradores do Sertão da Quina a caminhar até Aparecida Foto: Arquivo Família Benedito Elói

EZEQUIEL DOS SANTOS

Chegado o dia da caminhada, subiram pela Água da Preguiça, no caminho que vai para o Campo, chegaram as Palmeiras (bairro), descançaram e continuaram a caminhada. Chegaram as 6 horas da tarde no bairro da Fábrica (lugar de olarias, não existe mais) no entorno de São Luiz do Paraitinga, lá pousaram. As seis da manhã partiram em direção a Taubaté, por sorte conseguiram carona em um caminhão que transportava tijolos e chegaram a Taubaté ao meio dia, arrumaram as crianças, fizeram o almoço, os homens dormiram, já que para o pouso em lugar aberto os homens montavam guarda cuidando das mulheres, das crianças e dos mantimentos, só dormiam de dia no período do almoço que durava em média duas horas, quando não havia lugares prontos para pernoitar, tinham de abrir acampamento. O caminho a noite era iluminada por Fifó (lanterna feita de bambu) e sempre em lugar próximo a água, claro que quem podia levava um lampião a querosene. De caminhão foram a Aparecida e lá, no dia 07, chegaram por volta do meio dia. Uma das primeiras providencias foi comprar um cavalo de lenha, isto mesmo, um cavalo que puxava uma carroça e conforme o valor da paga vinha um número de lenhas para usar nos fogões. Na época a cidade não tinha mais de 100 casas e hotel, quer dizer pensão, era artigo de luxo, então o jeito foi dormir nos lugares de acampamentos e utilizar as dezenas de fogão que ficavam a disposição dos romeiros. Enquanto os adultos se arrumavam as crianças não perdiam nenhum detalhe, eram lá que muitas delas viam pela primeira vez uma maçã, por exemplo, viam também tomate, pimentão, brinquedos, macarrão, carne moída, as lâmpadas nos postes, “máquinas de tirar retratos” e

Fotos como esta eram obrigatórias e comprovavam a visita das famílias a cidade de Aparecida do Norte

o que mais chamava a atenção na época eram os “pé de gato”, nada mais eram que os avós do tênis que calçamos hoje, era um calçado feito de lona na lateral e o solado era de fios de cizal tão bem trançados que guardavam os pés confortavelmente. Rapidamente os pais e padrinhos de Elói foram até a igreja velha e marcaram para o dia 08 às 14 horas o batizado. Chega o grande dia e até banho demorado tomaram, pela manhã foi uma mistura de café com almoço, já que temiam perder o horário para o grande acontecimento. Às 13 horas daquele dia se juntaram a outros que vieram para o mesmo motivo e uma hora depois o padre estava batizando Elói, tudo conforme havia relatado a comadre por intermédio de Nossa senhora das Graças. No dia nove pela manhã a tristeza dos pequenos, hora de partir. As crianças sabiam que a volta a Aparecida ia demorar muito, a vinda pro Sertão foi mais rápida

e não menos cansativa, porém o alivio de ter cumprido a promessa deram a este povo simples uma nova missão e muito mais responsabilidades. A chegada foi na tarde do dia 11 de maio de 1936, a vizinhança já os aguardavam e queriam saber das novidades, os mais velhos foram ver Elói. Para Maria Gaspar dos Santos, 81, “foi uma festa linda, eu era afilhada de Benedito Elói e não saía da casa dele, ele me queria muito bem e eu ficava quase a semana inteira na casa dele”. Pedro Oliveira, 75, ainda vivo, conta que quase não lembra de nada, até porque tinha apenas um ano de idade e foi no colo da mãe, mas lembra do que a mãe contava, segundo ele a prova é a foto que encontra-se na casa que era do “papai”no Sertão do Ingá em que está no colo da mãe tirada nos dias em que a comitiva esteve em Aparecida. Já Manoel Brak lembra é das bagunças que faziam pelo caminho, davam trabalho aos

mais velhos, já que eram crianças. Já José Benedito Amorim, 86, era o maior das crianças, na época com doze anos, Amorim emociona-se ao falar da mãe Benedita Januária e da caminha realizada há mais de 70 anos, principalmente das pessoas que ele “queria bem”. Elói morreu de sarampo e seu pai de complicações do coração. Conceição a única viva conta que, na Santa Casa de Caraguatatuba, quando deu a luz ao filho

José Braz, o pai a havia visitado e depois faleceu. A afilhada Maria Gaspar lembra de que quando deu a luz ao filho Adilson ela havia recebido a notícia de que o padrinho havia falecido, ainda convalescente fez questão de despedir do padrinho, ao vê-lo morto emocionou-se e voltou para o quarto, ela lembra ainda que ele estava fazendo gaiolas com canivete no hospital para passar o tempo e a última gaiola ele não chegou a terminar, seu coração parou antes. Atualmente todos os anos centenas de pessoas realizam a caminhada a pé para a Aparecida, esta demonstração de fé reforça não só os laços da religiosidade deste povo, mas também os laços culturais e saber que muitos de nossos antepassados já o faziam, não por opção, mas por maior devoção e por necessidade, já que não havia outra forma de ir ao Vale do Paraíba senão a pé. Para os moradores a perda de Benedito Elói foi enorme, a família perdeu seu pilar mais frondoso, a história perdeu mais um ícone da cultura caiçara e as festas não foram às mesmas depois de sua partida. Embora reconhecido, muitos ainda acham que o nome da rua ainda é pouco pelo que este homem representou para a comunidade e que, por unanimidade, não se fazem mais homens como antigamente, alguns como Benedito Antonio Elói.

Tibitilói, esposa e familiares em frente ao tendal de café no seu quintal


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15 Abril 2010

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Uma das opções de transporte muito utilizada na temporada são as escunas. Além de atração turística elas compõe um cenário fascinante embelezando o visual da linda Maranduba. Foto Luciano Cancelier.

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O Poder dos Sucos ADELINA CAMPI

Para uma pele sem rugas É rico em antioxidantes e bioativos que combatem os radicais livres, retardando o envelhecimento da pele. Além disso, dá energia e disposição. Ingredientes . 1/2 limão . 1 xícara (chá) de uva com casca . 1 maçã verde com casca . 200 ml de água mineral Modo de fazer Bata todos os ingredientes no liquidificador. Coe, se preferir, e beba com gelo.

Túnel do Tempo

Registro de fatos do século passado em nossa região

1965

1975

1999

1998

Suco que refresca e afasta as ruguinhas O abacaxi e o alecrim merecem destaque por sua função digestiva. A maçã possui ação antiglicante, que impede que a proteína do colágeno (que deixa a pele firme) seja estragada. Já a hortelã confere sabor e frescor. Ingredientes . 1 xícara (chá) de abacaxi . 1 xícara (chá) de maçã com casca . 1 xícara (chá) de água filtrada . 1 punhado de alecrim . 1 punhado de folhas de hortelã Modo de fazer Bata todos os ingredientes no liquidificador. Se preferir, coe. Beba gelado.

1996

2001

Suco que dá energia Além de muita energia, este suco fornece boas doses de vitamina A e C. É ótimo para ser ingerido depois da prática de atividades físicas. Ingredientes . 2 caixinhas (200 ml) de suco de laranja . 100 g de manga . 1 caixinha de suco de goiaba (200 ml) Modo de fazer Bata todos os ingredientes no liquidificador. Se preferir, coe. Beba gelado

1995

Bumbum sem celulite Ajuda a combater a inflamação das células e na eliminação das toxinas, suavizando a celulite. Também estimula a ação do colágeno, que dá firmeza à pele. Ingredientes . 1 xícara de morango . 1 maçã com casca . Suco de 1 lima-da-pérsia . 1 colher (sopa) rasa de aveia . 1 pires de couve-manteiga . 200 ml de água mineral Modo de fazer Bata todos os ingredientes no liquidificador e coe. Beba gelado.

E.C. Maranduba em final de campeonato

Juventude do Sertão em passeio a Ilha Anchieta

Estrada do Sertão da Quina após enchente

Aroldo e Zé Corrêa espiando céva na praia

1998

Manguaça filosófica era a pauta da reunião

No Bar do Pedro ainda não existia ressaca...

Grupo Guelê em apresentação oficial

Colocação de lombada na Rodovia SP-55

1998 Quando essa turma se reunia, algo acontecia

1995

Nosso editor com o freestyle Douglas Carvalho

Mande sua colaboração (foto, assunto e data) para esta coluna: jornal@maranduba.com.br



Jornal Maranduba News #05