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org. Verônica Gonçalves

DESAFIOS DA REDAÇÃO

Grupo Desafio Editorial Recife 2013


Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta edição pode ser utilizada ou reproduzida em qualquer meio ou forma, seja mecânico, eletrônico, fotocópia, gravação etc. ― nem apropriada ou estocada em sistema de banco de dados, sem a expressa autorização da editora.

Diretor Editorial Direção Geral Organização Supervisão

José Carlos de Lima José Alventino Lima Filho Verônica Gonçalves Maria Goretti França

Projeto Gráfico

Alynne Cavalcante

Diagramação

Alynne Cavalcante

Capa

Alynne Cavalcante

Revisão

Verônica Gonçalves Gilson Oliveira

Dados GONÇALVES, Verônica. Desafios da Redação. Recife: Novamente Cultural LTDA, 2013. ISBN 978-85.63605.04-7 1. Português ― Redação I CDD 808.0469

Índice para catálogo sistemático 1. Português: Redação 808.0469 2. Redação: Português 808.0469

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Av. Manoel Borba, 767 Boa Vista | Recife-PE Cep: 50070-000 www.grupodesafio.com.br sac@grupodesafio.com.br


apresentação O livro Desafios da Redação, atualizado conformeo novo AcordoOrtográfico, reúne, analisa e explica assuntos que permitem ao estudante visualizar e conhecer profundamente os segredos do processo de elaboração de textos, o que proporcionará um melhor desempenho nas avaliações de seleção do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), e de outros tipos de concurso.

amplo e diversificado conjunto de interpretações de textos, ede técnicas de redação, bem como um abrangente leque de preciosas dicas para a produção de uma boa redação.

O estudante conta, ainda, com uma rica seleção de exercícios extraídos das provas dos vestibulares, o também concorre para dotar a obra de grande importância, tornando-a uma vital ferramenta Nosso objetivo é contribuir para de ensino aprendizagem. o sucesso dos estudantes, o liCompleto e de fácil comprevro,possui uma linguagem mo- ensão, o livro Desafios da Redaderna, clara e objetiva, tem o ção é, em suma obra indispensáseuconteúdo formado por, entre vel para o estudante. outros importantes recursos, um


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Índice Apresentação .................................................3 Vamos conhecer a reforma ortográfica ......8 Introdução ...................................................18 Teoria da redação ........................................19 Gêneros textuais: .............................20 Reportagem ..........................20 notícia ...................................20 carta ao leitor .......................20 tutorial ..................................20 bula de remédio ...................20 história em quadrinhos ........21 editorial .................................21 entrevista ..............................21 receita ....................................21 propaganda ...........................21 charge ....................................22 biografia ................................22 anedota .................................22 texto argumentativo .............23 carta argumentata.................23 Gêneros literários: ..........................23 Narrativa ..............................23 comédia ................................24 novela ....................................24 conto .....................................24 ensaio ....................................24 drama ....................................24 acróstico ...............................24 crônica ..................................25 crônica narrativo-descritiva..............25 elegia .....................................25 canção ...................................25 tragédia .................................26 farsa .......................................26

tragicomédia .........................26 lírico ......................................26 vilancete ................................26 épico ......................................26 idílio ......................................27 ode ........................................27 sátira ......................................27 acalanto .................................27 epitalânia ..............................27 poesia de cordel ...................27 fábula ....................................27 gazal ......................................27 romance ...............................28 balada ....................................28 haicai .....................................28 soneto ...................................28 Tipos de composição textual: .......29 Tabela ....................................29 relato .....................................29 relatório ................................29 resumo ..................................30 textos descritivos ................32 textos explicativos ..............32 textos injuntivos ..................32 textos dialogais ....................33 As partes da redação ..................................34 Introdução .......................................34 Desenvolvimento ............................34 Conclusão ........................................34 Qualidades básicas da redação: .....35 Unidade ................................35 coerência ...............................35 ênfase ....................................35 Itens importantes na produção da redação: ............................................35 Visual ....................................35 estética ..................................35


tema .......................................35 título ......................................35 Correção: ..........................................36 Clareza ..................................36 concisão ................................37 originalidade .........................37 elegância ...............................37 coesão ...................................37 Forma e conteúdo ...........................38 Montagem dos esquemas: ..............38 Organização das ideias .......38 O início da redação: ........................41 Citações ................................42 dados estatísticos .................42 justificativas ..........................42 exemplos ..............................42 comparações .........................42 Sugestão de temas ...........................43

clichê .....................................56 prolixidade ............................56 As funções da língua ..................................57 O estudo da língua .........................57 Língua falada e língua escrita ........57 Língua escrita e mensagem ............57 As funções da língua escrita ..........58 Descrição: ........................................60 Denotativa ...........................60 conotativa .............................61 qualidades da boa descrição ...............................61 Narração: .........................................61 Questionamentos ................61 formas de narrar o enunciado ..........................62

Interpretação de texto ................................63 Leitura e produção textual .........................45 Conceito ...........................................63 Leitura, interpretação e produção A intenção textual ...........................64 textual: ..............................................45 O sentido lógico e o sentido Procedimentos de leitura ...............45 simbólico das palavras ...................65 Construção da redação ...................46 Graus de compreensão Como escrever bem ........................46 dos textos .........................................65 Conceitos do escrever bem ...........46 Figuras de linguagem .....................64 Sugestões para produção de texto ..................................................47 Modelos de redação ....................................72 O que fazer para escrever bem .....48 Redação escolar ...............................72 Tipos de texto .................................49 Redação comercial: .........................73 Produção textual .............................49 Regras ...................................73 Como fazer um texto coeso...........50 carta comercial ....................74 Os fatores da coerência .................53 certificado .............................74 Defeitos textuais: .............................55 ata ..........................................75 Ambiguidade ........................55 circular ..................................76 obscuridade ...........................55 contrato ................................76 cacofonia ..............................55 procuração ............................77 pleonasmo ............................56 parecer ..................................78 eco .........................................56 recibo ....................................78 gerundismo ..........................56 relatório ................................79


currículo ...............................80 Redação oficial: ...............................81 Ofício ....................................82 Redação nos vestibulares ...........................83 Erros recorrentes ............................83 Comentários de redações ..............84 Propostas de temas .........................92 Melhores redações ........................102 Exercícios de vestibulares .......................108 Apêndice ....................................................115


Vamos conhecer a reforma ortográfica Este não é o primeiro e, com certeza, também não será o último Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Muitos, certamente, “estranham” o fato, pois possuir duas grafias oficiais mostra-se excessivamente problemático para uma língua. Em diversos âmbitos (Legal, Técnico-científico, Comércio Exterior, entre outros) diversos problemas podem ocorrer por conta de divergências e falsos entendimentos por haver mais de uma grafia oficial. Tão utópica quanto necessária, é, muitas vezes, uma uniformização ortográfica para tornar a intercomunicação social mais abrangente e clara, sem as nuances do tempo e do espaço. Muitos agora podem pensar que o problema se centra então na variação linguística, o que não é verdade, antes a variação linguística é prova de que a língua em si está sempre se transformando ao longo do tempo e que isso faz parte de um processo natural a todas as línguas. Na realidade, exemplificando, existem duas forças que moldam uma língua: os falantes que, através do uso, puro e simples, transformam e adéquam a língua à sua realidade, cada grupo em seu meio social, e por outro lado, existe a necessidade de uniformização para que os grupos possam se compreender e se comunicar.

Alfabeto O alfabeto da Língua Portuguesa, anteriormente composto por 23 letras, possui agora 26. Todas têm as formas maiúscula e minúscula. Veja abaixo as letras (destacadas) que voltaram a fazer parte do nosso alfabeto.

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l- a A

7- g G

13- m M

19- s S

25- y Y

2- b B

8- h H

14- n N

20- t T

26- z Z

3- c C

9-iI

15- o O

21- u U

4- d D

10 - j J

16- p P

22- v V

5- e E

11- k K

17- q Q

23- w W

6- f F

12 -1 L

18- r R

24- x X


+

K,W,Y

Essas três novas letras se aplicam nos seguintes casos: nomes próprios de pessoa (antropônimos), de lugar (topônimos) e em siglas, símbolos e/ou unidades de medida de curso internacional. Exemplos: Byron ― byroniano; Kuwait ― kuwaitiano; yd ― jarda; Darwin ― darwinismo; Malawi ― malawiano; kw ― kil/owatt Os dígrafos finais de origem hebraica (ch, ph e th) e as consoantes finais de antropônimos ou topônimos da tradição bíblica (b, c, d, g e t) mantém-se, no caso dos dígrafos elimina-se os mudos (Exemplo: Joseph - José e Nazareth - Nazaré) e acrescenta-se uma vogal aos que o uso assim consagrou (Exemplo: Judith - Judite); no caso da consoantes finais, estas podem ou não ser mantidas independentemente de serem pronunciadas ou não, neste caso encontram-se Madrid e Calecut/Calicut; há, ainda, o caso único da palavra Cid em que a letra d é sempre escrita e pronunciada. É recomendável substituir os topônimos por nomes já existentes na Língua Portuguesa, independentemente de serem formas antigas ou não. Exemplo: Anvers ― Antuérpia; Genéve ― Genebra; München ― Munique; Jutland ― Jutlândia; Milano ― Milão; Garonne ― Garona Da mesma forma mantém-se os sinais diacríticos (sinais que modificam o som das letras. e sequencias de letras, mesmo que não pertençam ao Português. Exemplo: mt - Comte; sh - Shakesperiano; tt - Garrett; - Müller

Sequências Consonânticas (Consonantes em sequência que não estão nem no início nem no final da palavra) O que determina se a sequência consonântica se mantém ou não em uma palavra é a pronuncia culta da língua, como por exemplo: A grafia será única se houver consenso, entre os países signatários (aqueles que assinam documento), na pronúncia: ficção, pictural, exato, ótimo.

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Homofonia em certos grafemas consonânticos (pronúncia de certas letras que representam os sons das consoantes) Não houve nenhuma alteração em relação aos grafemas consonânticos, lembrando que a sua utilização é determinada pela história das palavras. Abaixo seguem alguns exemplos de grafemas consonânticos: Ch e X: Chave, Colchão, Estrebuchar, Bexiga, Ameixa, Xadrez. G e J: Adágio, Algema, Falange, Jejum, Jirau, Intrujice. S, Ss, C, Ç e X: Ânsia, Aspersão, Asseio, Benesse, Acervo, Obcecar, Maçada, Murça, Auxílio, Máximo. S, X e Z (Final de sílaba): Adestrar, Escusar, Explicar, Extensão, Felizmente, Velozmente. S, X e Z (Final de palavra): Aliás, Através, Arroz, Assaz, Matiz, Giz. S, X e Z (Meio de palavra): Narciso, Duquesa, Alfazema, Buzina, Exuberante, Inexorável.

H inicial e final Emprega-se a letra h em razão da origem e/ou etimologia da palavra (hélice, hoje, homem, humor) e também nas interjeições, pelo uso consagrado (Hã? Hum!) Suprime-se a letra h, apesar da etimologia, em palavras como erva, mas atenção para o adjetivo: herbáceo.

Crase é a fusão da preposição a com o artigo a e é assinalada mediante o uso do acento grave ( ` ). Há crase sempre que o termo antecedente exija a preposição a e o termo consequente aceite o artigo a. Veja: Fui à cidade. Quando não ocorrem essas duas condições, não há crase. Veja: Conheço a cidade. Nesse caso, faltou a primeira condição. Para saber se uma palavra aceita ou não o artigo, basta verificar se pode usar da antes dela ou se basta usar de. Exemplos: Vim da Bahia. Vou à Bahia. Vim de São Paulo. Vou a São Paulo. 12


Vogais nasais Quando ocorrem em fim de palavra, seguidas ou não por hífen, utiliza-se o diacrítico (~) para a representação. Exemplo: a final: Grã-Bretanha. m em fim de palavra: clarim. n em fim de palavra com vogal diferente de a seguida de s: semitons.

No segundo grupo, as terminações átonas ia e io ligadas a substantivos: negócio ou negoceio. Final átono em palavras latinas não deve ser empregado: moto e não môtu. Terminados em oar possuem o quando a sílaba tônica recai sobre o radical: abenT çoar - abençoo. Terminado em uar possuem u na sílaba tônica: acentuar - acentuo.

Vogais átonas Em sílaba átona deve-se empregar e, i, o ou u: peanha, goela, limiar, arcuense. Entretanto, de acordo com a terminação da palavra esta regra sofre algumas variações, conforme segue abaixo: eio/eia escreve-se com e: candeeiro (candeia), areal (areia).

Ditongos Os ditongos orais não sofreram qualquer modificação em sua regra, seja em posição átona ou tônica: mediu, cacau, caixote. 13


Os ditongos abertos éí, éu e ói perderam o acento agudo (jiboia, ideia, heroico) apenas levam acento quando se encontram em final de sílaba (farnéis, chapéu, lençóis). Para os demais casos: verbos terminados em uir, air e oer utiliza-se o i no ditongo que se forma nas flexões; a união de u e i em vocábulos latinos formam ora ditongos, ora hiatos, também são ditongos orais crescentes: ea, eo, ia, ie, io, ao, ua, ue, uo.

A vogal e pode ser aberta ou fechada: bebê ou bebé. T Tônicas seguidas de m ou n apresentam uma certa oscilação de timbre na pronúncia culta da língua: fêmur, fémur. Emprega-se ou não o acento para diferenciar a primeira pessoa do plural do pretérito perfeito do indicativo e a primeira pessoa do plural do indicativo: amámos - amamos. O emprego é facultativo no verbo dar (dêmos - demos) e na palavra fôrma/forma (substantivo ou lª pessoa do indicativo ou imperativo).

Acentuação gráfica das palavras paroxítonas Esse tipo de palavra, geralmente não leva acento, entretanto, nos casos abaixo é necessário acentuar: Terminadas em a, e, o (abertas) i, u terminadas em l, m, n, x, ps, r, ã, ao, ei, i, um, uns, us: amável, líquen, tórax, bíceps, açúcar, órfã, sótão, jóquei, júri, álbum, vírus.

Emprega-se acento circunflexo nas paroxítonas de vogal tônica a, e, o (fechadas) terminadas em l, n, r, x, ão, eis, is, us. Não esquecer que no plural passa a proparoxítona. Nos verbos ter e vir emprega-se também, para diferenciar a 3ª pessoa do singular. O acento circunflexo é ainda o diferencial da 3ª pessoa do singular do pretérito do indicativo e da 3º pessoa do singular do presente do indicativo do verbo poder: pôde e pode. 14

+

Não recebem mais o acento circunflexo as paroxítonas terminadas em oo: enjoo, voo; e as seguintes palavras homógrafas (mesma grafia, significado diferente) abaixo listadas: para (verbo) - para (preposição) pela (verbo ou substantivo) - pela (contração de per + la) pelo (verbo) - pelo (contração de per + lo) polo (substantivo) - polo (por + lo) Da mesma forma não se emprega o acento gráfico para palavras homógrafas.


Acentuação das vogais tônicas grafadas i e u das palavras oxítonas e paroxítonas Não se emprega o acento nos seguintes casos: i e u tônicas não seguidas de l, m, n, nh, r e z: pais, saúde, paul, rainha, ruins. i e u precedidas de ditongo crescente: feiura, boiuna, baiuca. os ditongos iu e ui precedidos de vogal: distraiu, pauis. Recebem acento apenas nos seguintes casos: verbos terminados em air e uir se combinam a formas pronominais enclíticas: atraí-lo, possuí-la-ás. i e u tônicos precedidos de ditongo, em posição final ou seguidos de s: Piauí, tuiuiús

Acentuação gráfica das proparoxítonas A regra de que todas as proparoxítonas são acentuadas foi mantida

Emprego do acento grave Basicamente este acento marca a contração entre preposição, artigo definido feminino e pronomes demonstrativos femininos: à ― a (prep.)+a (art.), àquele ― a(prep.) + aquele (pron. demos.)

Supressão dos acentos em palavras derivadas Não se empregam acentos em palavras derivadas que sofrem o acréscimo do sufixo mente e/ou quando ocorre a mudanças da sílaba tônica, também em decorrência de acréscimo de sufixo: dinâmico ― dinamicamente, chapéu ― chapeuzinho.

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Hífen em compostos, locuções e encadeamentos vocabulares Emprega-se o hífen: Quando as palavras que compõem uma sequência formarem uma unidade sintagmática: Guarda-Chuva, Ano-Luz, Primeiro-Ministro, Afro-Luso-Brasileiro. Não se emprega o hífen na formação de palavras com os seguintes prefixos: ante, anti, circum, co, contra, entre, extra, hiper, infra, intra, pôs, pré, pró, sobre, subo, supero, supra, ultra. O mesmo se aplica aos prefixos de origem grega e latina: aero, agro, arqui, auto, bio, eletro, geo, hidro, inter, macro, maxi, micro, mini, multi, neo, pano, pluri, ptoto, pseudo, retro.

Quando o segundo elemento se iniciar por h: super-herói, extra-humano, pan-helenismo. Quando o segundo elemento se inicia pela mesma vogal com que o primeiro elemento terminou: anti-ibérico, micro-onda, auto-observação, supra-auricular. As palavras formadas pelos prefixos circum- e pan- quando se iniciarem por m, n ou vogal, receberão hífen: circum-murado, pan-africano, circum-escolar. As palavras iniciadas pelos prefixos ex-(estado anterior ou cessamento), sota-, soto, vice/vizo- recebem hífen independentemente com qual letra se inicie o segundo elemento: vice-presidente, ex-almirante, vice-reitor, vizo-rei. Elemento possui tonicidade própria: pós-graduação, pró-africano e pré-natal; entretanto no caso das formações em que o segundo elemento é átono ocorre a aglutinação: pospor, promover e prever. Nas formações por sufixação, recebem o hífen aquelas palavras terminadas em sufixos de origem tupi-guarani, -açu, -guaçu -mirim e iniciadas por vogal: amoré-guaçu, anajá-mirim, anda-açu. Não se emprega o hífen nas palavras iniciadas pelos prefixos des e in, principalmente nos casos das palavras em que o segundo elemento não mais possui o h inicial: desumano, inábil. Da mesma forma também não se emprega o hífen no caso daquelas formações em que o prefixo termina em vogal e o segundo elemento se inicia por r ou s, sendo que essas consoantes devem se duplicar: antirreligioso, microrradiografia, microssistema, minissaia Aplica-se essa mesma regra quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento se inicia por vogal diferente: Plurianual, extraescolar, agroindustrial, coeducação. 16


Trema Inteiramente suprimido, quer em substantivos, quer em verbos, flexionados ou não; a única ressalva que se faz é para nomes estrangeiros e seus derivados: Müller ― mülleriano.

Hífen na ênclise, na tmese e com o verbo haver Tanto na ênclise (quando o pronome pessoal átono se posiciona depois do verbo) como na mesóclise/tmese (quando o pronome oblíquo átono se posiciona entre o radical e as desinências do futuro do presente e do futuro do pretérito) prega-se o hífen: adorá-lo, enviar-lhe-emos. Nos verbos querer e requerer as formas corretas são: qué-lo e requé-lo, que estão em desuso. Entretanto, o uso consagrou: quere-o(s) e requere-o(s) Quando ocorre próclise (quando o pronome pessoal átono se posiciona antes do verbo), os elementos das formações também recebem hífen: no-lo; inclusive as formas pronominais enclíticas do advérbio eis: eis-me, ei-lo. O hífen não é empregado para ligar a preposição de às formas monossilábicas do presente do indicativo do verbo haver: hei de, hás de.

Apóstrofo Emprega-se o apóstrofo para separar graficamente preposições e conjuntos vocabulares distintos que sofreram contração (junção de dois vocábulos em que um terceiro se forma) ou aglutinação (perda de delimitação vocabular entre os elementos que passam a constituir um único vocábulo fonético): d’Os Lusíadas. Igualmente à regra anterior, para separar graficamente formas pronominais maiúsculas referentes a entidades religiosas: confio n’Ele. Utilizado também para marcar a elisão (a vogal final átona desaparece diante da inicial vocálica da palavra seguinte) das vogais finais o e a das palavras santo e santa quando acompanham nome próprio: Sant’Ana, Ilha de Santiago. Seguindo esta mesma regra sempre que houver, em nomes próprios de pessoas, a elisão do o final do primeiro elemento, rega-se o apóstrofo: Pedr’Alvares. 17


Evidentemente, pode-se, também, optar pela grafia desses nomes sem o uso do apóstrofo. Não se emprega o apóstrofo na combinação da preposição de e em nos seguintes casos abaixo listados: Formas do artigo definido: do, da Formas pronominais: desses, daquela Formas adverbiais: daqui, dali Tais combinações são permitidas apenas se formarem uniões perfeitas, conforme citado anteriormente, ou por duas formas vocabulares, quando estas não constituírem uniões perfeitas: de um ― dum, de algum ― dalgum, de outro ― doutro, de ora avante ― doravante. Da mesma forma não se emprega o apóstrofo na fusão da preposição de com a forma imediata, deve-se escrever as duas separadamente, conforme segue abaixo: de + o, a, os, as (artigos)/ o, a, os, as (pronomes)/ pronomes e advérbios (começados por vogal) + infinitivo Exemplo: a fim de ele compreender; por causa de aqui estares; em virtude de o homem ser mortal.

Maiúsculas e minúsculas A letra inicial maiúscula é utilizada: Nos usos correntes de todos os vocábulos da língua Nos nomes de dias, meses e estações do ano Nas palavras fulano, sicrano e beltrano Nos pontos cardeais, mas não nas abreviaturas Podem seguir em letra maiúscula ou não os vocábulos da mesma indicação bibliográfica, exceto para nomes próprios: Memórias Póstumas de Brás Cubas ou Memórias póstumas de Brás Cubas, A Ilustre Casa de Ramires ou A ilustre casa de Ramires, a indicação bibliográfica sempre deve estar em itálico. É da mesma forma facultativo grafar com letra maiúscula os domínios do saber, cursos e disciplinas: Português ― português, Literaturas Modernas ― literaturas modernas. Também facultativo é o uso de maiúsculas em início de versos, categorizadores de logradouros públicos, de templos, de edifícios: rua ou Rua da Liberdade, palácio ou Palácio da Cultura, igreja ou Igreja do Bonfim. 18


Emprega-se a letra maiúscula inicial em: Antropônimos reais ou fictícios: Branca de neve, D. Quixote de la Mancha, Pedro Marques. Topônimos reais ou fictícios: São Paulo, Atlântida. Nomes de seres antropomorfizados ou mitológicos: Odin, Adamastor. Nomes de instituições: Instituto de Pensões e Aposentadorias da Previdência Social. Nomes de festas e festividades: Natal, Páscoa, Ramada Títulos de periódicos, que devem ser grafados em itálico: Folha de S. Paulo Pontos cardeais ou equivalentes: Nordeste ― Nordeste do Brasil Siglas, símbolos ou abreviaturas internacionais ou nacionalmente regulados com maiúsculas não apenas iniciais, mas também mediais ou finais: ABL ou ONU.

Divisão silábica Aplica-se a divisão silábica de acordo com a soletração, ou seja, não se leva em conta nenhum aspecto etimológico para a separação das sílabas. Entretanto, existem alguns casos específicos, que estão abaixo listados: bl, br, cl, cr, dr, fi, fr, gl, gr, pl, pr, ti, tr, vr são indivisíveis: a-bla-ti-vo, re-cri-a-ção. Caso ocorram com m ou n, o grupo se separa da consoante anterior: cam-brai-as, inscri-ção. Se o encontro consonantal não for divisível, a separação se dá sempre antes da última consoante: abs-ten-ção, tungs-tê-nio. Atenção! encontros consonantais que resultam da junção de b ou d e outra consoante: ab-le-ga-ção, ad-re-nal m e n, enquanto consoantes nasais, se dividem da consoante em seguida: ad-mi-rá-vel, am-bi-ção Vogais consecutivas que não pertençam a ditongos decrescentes: o-ra-ção, ca-dei-ra. A translineação deve ocorrer, por clareza gráfica, sempre que a partição coincidir com o final de um dos elementos: -alferes, serená-lo-emos. Não se separam: qu e gu não se separam da vogal ou ditongo que os segue: am-bí-guo, quais-quer.

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introdução LEITURA, INTERPRETAÇÃO E MÚLTIPLAS LINGUAGENS

A

capacidade de ler, compreender e interpretar enunciados e textos dos mais variados tipos, verbais e não verbais, nas mais distintas áreas do conhecimento, é uma das maiores exigências do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e dos vestibulares para ingresso nas universidades do Brasil. Dessa forma, faz-se necessário tomar contato com textos descritivos, informativos, literários e argumentativos, assim como com gráficos, tabelas, charges, mapas e outros recursos didáticos O que os exames pretendem é verificar se os estudantes dominam as diversas formas de linguagem. Portanto, é de esperar que apareçam questões que proponham a comparação de diferentes formas de comunicação. Ler, compreender e interpretar um texto requer alguns procedimentos básicos, como decodificar as informações verbais (escritas) e não verbais (imagens), ativar conhecimentos prévios, localizar e comparar ideias centrais, inferir, conhecer o sentido das palavras (vocabulário), perceber a intertextualidade (o “diálogo” com outros textos), entre outros. Um texto é uma unidade de sentido construída por ideias que podem ser expostas por meio de palavras e/ou imagens, mas que precisam concordar com um conjunto de elementos que possibilitem justamente o entendimento dessas ideias, como: Coesão (a perfeita articulação das informações por meio dos chamados conectivos ou nexos gramaticais ― conjunções, pronomes etc.); Coerência (a relação harmônica das situações, dos acontecimentos ou das ideias); Contexto (formado pelo enunciador ou “emissor” e suas intenções e pelo enunciatário ou “receptor”, inseridos em um espaço e tempo); Estilo e marcas linguísticas.

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teoria da redação

A

redação no vestibular, ou em qualquer tipo de concurso, certamente, já causou muito mais horror, tremores, faniquitos e bloqueios do que hoje. Dessa maneira, com o tempo, aprendeu-se a conviver com ela, mas não se descobriram os seus segredos, não assinalaram suas técnicas, ela não adquiriu o sabor gratificante da convivência: tornouse conhecida, mas não íntima. O vestibular exige de nós muito mais que garatujas, rabiscos, arremedos de comunicação verbal lançados ao papel. As falhas, sabemo-las, são de base. A reforma do ensino, com o distanciamento da cultura humanística, assolou o debilitado saber, contribuindo muito mais para um ensino pragmático que se coloca adverso “ao gosto pelas letras”. E comunicarmo-nos é criar. É oferecer a outrem as nossas ideias, as nossas opiniões, as nossas experiências de vida. É mostrar a nossa cultura e personalidade. A comunicação escrita, muito mais que a oral, é o nosso autorretrato. A redação surge como um verdadeiro espelho do que somos ― é o peso de nossa bagagem cultural. Ora, entendendo-a, mesmo que inconscientemente, como reflexo da nossa bagagem formativa, como reflexo “do que sou”, parece-nos normal a reação instintiva de detestá-Ia, de abstraí-Ia de nosso dia a dia, pois seria anormal o regozijo por uma redação que nos lembrasse todas as limitações de que somos possuidores. E ainda por cima, com nosso nome e assina-

tura ... É demais! Mas entenda-se o vestibular como uma grande maratona, e suponha-se que, no lugar da redação (com número de linhas e tempo definidos), exigissem dos vestibulandos uma prova de natação, por exemplo: “o candidato deverá nadar quinhentos metros em cinquenta minutos; não atingir o estabelecido implicará a atribuição do grau zero”. Um percentual insignificante de candidatos (aqueles que fizeram da natação, desde a infância, uma prática constante) não se preocuparia em absoluto com tal prova. Apenas, ao longo do ano preparatório, continuariam a manter a forma. Os outros, a maioria esmagadora (tal como na redação), seriam obrigados a submeter-se a treinamentos constantes e intensos, que lhes exigiriam muita força de vontade e autodeterminação em treinar mais, muito mais do que uma vez por mês, por quinzena ou por semana. Force-se, agora, um paralelo com a redação e sintase o quanto nos falta, não para escrever algumas linhas (como para dar algumas braçadas suficientes para atravessar a piscina na sua lateral), mas para escrevermos (ou nadarmos) o suficiente em técnica e correção, com limites de tempo e de número de linhas, de forma a nos possibilitar concorrer, mais do que participar, a uma vaga na Universidade. É necessário, portanto, que cada um, conscientizado de suas limitações e necessidades, atire-se de corpo e alma a um trabalho de treinamento contínuo e gradativo, com 21


O esforço, a dedicação, o reconhecer-se débil ― mas capaz ― são os elementos que, juntos, propiciarão ao aluno as condições para adquirir a autoconfiança perdida ao longo de anos sem preparo específico, refletidos basicamente em bloqueios e brancos mentais, ou na apavorante quantidade de erros que surgem após uma correção. É básico que cada um venha a acreditar em si mesmo, sinta-se suficientemente capaz de, por meio de treinos contínuos, elaborar uma redação que atinja os padrões mínimos de objetividade, clareza e correção das idéias: pré-requisitos exigidos e propostos para a redação nos vestibulares ou nos concursos públicos.

Notícia Podemos perfeitamente identificar características narrativas, o fato ocorrido que se deu em um determinado momento e em um determinado lugar, envolvendo determinadas personagens. Características do lugar, bem como dos personagens envolvidos são, muitas vezes, minuciosamente descritos.

ALYNNE CAVALCANTE

vistas a melhorar a sua redação, à luz das técnicas e orientações dadas.

GÊNEROS Textuais

Literários

Carta ao Leitor

Os gêneros textuais são as estruturas com É um gênero textual do tipo dissertativo que se compõem os textos, sejam eles -argumentativo que possui uma linguagem orais ou escritos. Essas estruturas são so- mais pessoal e leve, em que se escreve aos cialmente reconhecidas, pois se mantêm leitores. sempre muito parecidas, com características comuns, procuram atingir intenções Tutorial comunicativas semelhantes e ocorrem em É um gênero textual injuntivo que consissituações específicas. Pode-se dizer que se te num guia que tem por finalidade explitratam das variadas formas de linguagem. car ao leitor, passo a passo e de maneira simplificada, como fazer algo. Reportagem É um gênero textual jornalístico de cará- Bula de remédio ter dissertativo-expositivo. A reportagem tem, por objetivo, informar e levar os fatos ao leitor de uma maneira clara, com linguagem direta. 22

É um gênero textual descritivo, dissertativo-expositivo e injuntivo que tem por obrigação fornecer as informações necessárias para o correto uso do medicamento.


História em quadrinhos É um gênero textual narrativo que consiste em enredos contados em pequenos quadros através de diálogos diretos entre seus personagens, gerando uma espécie de conversação.

Editorial É um gênero textual dissertativo-argumentativo que expressa o posicionamento da empresa sobre determinado assunto, sem a obrigação da presença da objetividade. Entrevista

― E o que era esse “de tudo um pouco”? ― Bom... para falar verdade, eu dava uma enrolada nos clientes, puxava papo, empurrava mercadoria vencida, com defeito . ― Não diga! ― Eu era bom nisso, viu? ― E saiu por quê? ― Meu chefe está preso. ― Ah, tá, e agora você pensa que vai trabalhar onde? Na Casa da Mãe Joana? Receita É um gênero textual descritivo e injuntivo que tem por objetivo informar a fórmula para preparar tal comida, descrevendo os ingredientes e o preparo destes, além disso, com verbos no imperativo, dando o sentido de ordem, para que o leitor siga corretamente as instruções. Propaganda

Exemplo:

Exemplo:

― Ah, você já trabalhou na Casa Santo José? ― Trabalhei, sim. ― E quais suas atribuições lá? ― O quê? ― Suas atribuições, tarefas, o que você fazia... ― Bom... eu fazia de tudo um pouco.

ALYNNE CAVALCANTE

É um gênero textual dissertativo-expositivo que é representado pela conversação de duas ou mais pessoas, o entrevistador e o(s) entrevistado(s), para obter informações sobre ou do entrevistado ou de algum outro assunto.

É um gênero textual dissertativo-expositivo onde há a o intuito de propagar informações sobre algo, buscando sempre atingir e influenciar o leitor, apresentando, na maioria das vezes, mensagens que despertam as emoções e a sensibilidade do mesmo.

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Biografia

A charge é em geral crítica e retrata momentos da vida política de um país ou região. Esse tipo de texto requer o conhecimento de atualidades, de associação da imagem a personagens da vida pública e política. A charge é essencialmente crítica e têm um caráter efêmero, pois retrata o momento em que é produzida. Nesse tipo de texto, não há a obrigatoriedade de informações verbais (texto), mas, quando houver, é fundamental que se faça a associação do verbal com o não verbal. A presença de humor também não é essencial, já que o foco é a crítica, na maioria das vezes de caráter político, explorando algo que choca a sociedade. É importante o reconhecimento imediato dos personagens retratados, além do assunto polemizado. Esse gênero é amplamente divulgado pelos jornais, já que expressa acontecimentos atuais. Exemplo:

Exemplo: Sócrates nasceu em Atenas, provavelmente no ano de 470 a. C. Adquiriu a cultura tradicional dos jovens atenienses, aprendendo música, ginástica e gramática e tornou-se um dos principais pensadores da Grécia Antiga. Podemos afirmar que Sócrates fundou o que conhecemos hoje por filosofia ocidental. Foi influenciado pelo conhecimento de outro importante filósofo grego: Anaxágoras. Seus primeiros estudos e pensamentos discorrem sobre a essência da natureza da alma humana.

ALYNNE CAVALCANTE

Charge

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Anedota É uma breve história, de final e às vezes surpreendente, cujo objetivo é provocar risos ou gargalhadas em quem... Exemplo: Um pato todos os dias entrava numa mercearia e dizia: ― Tem comida para patos? E o merceeiro respondia-lhe: ― Não, não tenho comida para patos. Isto se repetia dia após dia e cada vez incomodava mais o merceeiro. Certo dia, o pato entra e diz: ― Tem comida para patos? ― Ouve lá, já estou farto de te dizer que não tenho comida para patos! Da próxima vez que entrares aqui e pedires comida para patos, pregote as patas ao chão! No dia seguinte o pato volta a mercearia e diz: ― Tem pregos? ― Pregos? Não... ― E comida para patos?


Texto Argumentativo Caracterizam-se pelo confronto de ideias, opiniões, pontos de vista, analisados com base em argumentos sólidos e plausíveis. Encontramos esse tipo textual nos seguintes gêneros: editoriais, artigos, processos judiciários, cartas argumentativas, textos de campanha comunitária e eleitoral, debates, textos de opinião, resenhas críticas, ensaios. Carta Argumentativa Nada mais é que um tipo de carta onde você ou outra pessoa expõem seu ponto de vista, e tenta convencer o leitor de que a sua opinião é a que está correta e não as das outras pessoas. Esse tipo de carta é muito usado por jornalistas, pois eles têm que convencer o leitor de que entende do assunto e que o leitor deve se juntar a ele nessa causa. Exemplo: Contestação de débito [ ... ] Os lançamentos indevidos ocorreram em datas diferentes, porém próximas, e se referem a um mesmo tipo de produto (passagem aérea), adquirido de uma mesma empresa. A repetição sistemática de um erro me leva a crer em negligência por parte deste banco, uma vez que o tipo de compra realizada destoa de meu perfil de consumo por meio deste cartão de crédito, do qual sou titular há mais de 12 anos. Certamente uma simples checagem do nome dos passageiros que embarcaram/embarcarão com os bilhetes cujo custo foi debitado em minha conta já é suficiente para comprovar o equívoco. [ ... ] Exposto isso, reclamo a imediata apuração do

ocorrido e solicito que o valor cobrado indevidamente me seja devolvido em dobro, sendo depositado na conta corrente da qual foi debitado, acrescido de juros e correção monetária, nos termos do artigo 42, parágrafo único, do Código de Defesa do Consumidor, que diz: ‘O consumidor cobrado em quantia indevida tem direito à repetição do indébito, por igual ao dobro do que pagou em excesso, acrescido de correção monetária e juros legais, salvo hipótese de engano justificável’. Gêneros literários Os gêneros literários classificam ou agrupam os textos em categorias conforme suas qualidade formais. O termo gênero significa família, e agrupa textos que tenham as mesmas características. Narrativa Na Antiguidade Clássica, os padrões literários reconhecidos eram apenas o épico, o lírico e o dramático. Nesta classificação, no gênero épico há a presença de um narrador que fundamentalmente conta a história passada de terceiros. Isso implica certo distanciamento entre o narrador e o assunto tratado, coisa que não ocorre no gênero lírico. Os verbos e os pronomes quase sempre estão na 3ª pessoa. Além disso, os textos épicos pressupõem a presença de uma ouvinte ou de uma plateia, que estaria escutando o narrador. Com o passar dos anos, o gênero épico passou a ser considerado apenas uma variante do gênero literário narrativo, devido ao surgimento de concepções de prosa com características diferentes, uma diversidade de gêneros: o romance, a novela, o conto, a crônica, a fábula. Porém, pratica25


mente todas as obras narrativas possuem elementos estruturais e estilísticos em comum e devem responder a questionamentos, como: quem? o que? quando? onde? por quê? Comédia É a representação de um fato inspirado na vida e no sentimento comum, de riso fácil. Sua origem grega está ligada às festas populares. Novela É um texto caracterizado por ser intermediário entre a longevidade do romance e a brevidade do conto. Como exemplos de novelas, podem ser citadas as obras O Alienista, de Machado de Assis, e A Metamorfose, de Kafka. Exemplo: O Alienista (Trecho) Machado de Assis “Uma vez desonerado da administração, o alienista procedeu a uma vasta classificação dos seus enfermos. Dividiu-os primeiramente em duas classes principais: os furiosos e os mansos; daí passou às subclasses, monomanias, delírios, alucinações diversas. Isto feito, começou um estudo acurado e contínuo; analisava os hábitos de cada louco, as horas de acesso, as aversões, as simpatias, as palavras, os gestos, as tendências; inquiria da vida dos enfermos, profissões, costumes, circunstâncias da revelação mórbida, acidentes da infância e da mocidade, doenças de outra espécie, antecedentes na família, uma devassa, enfim, como a não faria o mais atilado corregedor. (...) 26

Conto É um texto narrativo breve, e de ficção, geralmente em prosa, que conta situações rotineiras, anedotas e até folclores (conto popular). Caracteriza-se por personagens previamente retratados. Inicialmente, fazia parte da literatura oral. Boccaccio foi o primeiro a reproduzi-lo de forma escrita com a publicação de Decamerão. Ensaio É um texto literário breve, situado entre o poético e o didático, expondo ideias, críticas e reflexões morais e filosóficas a respeito de certo tema. É menos formal e mais flexível que o tratado. Consiste também na defesa de um ponto de vista pessoal e subjetivo sobre um tema (humanístico, filosófico, político, social, cultural, moral, comportamental etc.), sem que se paute em formalidades como documentos ou provas empíricas ou dedutivas de caráter científico. Exemplo: Ensaio Sobre a Cegueira, de José Saramago. Dramático Trata-se do texto escrito para ser encenado no teatro. Nesse tipo de texto, não há um narrador contando a história. Ela “acontece” no palco, ou seja, é representada por atores, que assumem os papéis das personagens nas cenas. Acróstico: (akros = extremidade; stikos = linha), composição lírica na qual as letras iniciais de cada verso formam, verticalmente, uma palavra ou frase.


Crônica É uma narrativa informal, breve, ligada à vida cotidiana, com linguagem coloquial. Pode ter um tom humorístico ou um toque de crítica indireta, especialmente, quando aparece em seção ou artigo de jornal, revistas e programas da TV. Exemplo A mulher da sombrinha Este é um caso verídico. Pode ter certeza do que eu vou contar. Eu não tô mentindo, não. Aconteceu na cidade de Catende, em Pernambuco. Uma mulher arranjou um namorado e, não querendo que ninguém soubesse do seu relacionamento, inventou um disfarce interessante. Ela pensou: “Para onde eu for o povo me vê! Já sei. Vou arranjar um esconderijo de arrepiar”. E escolheu, para lugar dos encontros, o cemitério da cidade. Assim, ela ficou animada com essa ideia. Querendo esconder o caso, depois do encontro amoroso, ela aparecia encobrindo o rosto com uma sombrinha, como desculpa para não tomar sereno, pois sempre saía à meia-noite. Aí o povo via sempre aquela mulher sair do cemitério às altas horas. Foi dessa forma que surgiu a história da Mulher da Sombrinha. Conta-se que, hoje, lá em Catende, as mulheres têm medo de passar diante do cemitério à meia-noite, de sombrinha armada. Mas a coisa não parou por aqui. As pessoas entenderam que o fato era muito interessante e, ao invés de encobrir o acontecido, transformaram essa ocorrência em atração folclórica. No tempo de Carnaval, sai um bloco do cemitério, guiado por uma boneca gigante, representando

a Mulher da Sombrinha. Na época carnavalesca, tem problema não. Qualquer um pode entrar e sair de sombrinha do cemitério. Mas vá lá em outro tempo, pra ver. Dizem que, depois que a mulher morreu, ela aparece toda noite, portando uma sombrinha, querendo arranjar namorado. Se não tiver acreditando, vá danado pra Catende. Todo mundo lá confirma esta história. In: Gommes, Admmauro. A mulher da sombrinha e outras crônicas. Recife: Edições Bagaço, 2007. Sobre o autor: Admmauro Gommes nasceu em Xexéu, PE, aos 7 de Fevereiro de 1965. É professor da Faculdade de Formação de Professores da Mata Sul (Famasul) e escreveu 20 obras, das quais publicou dezesseis. Crônica narrativo-descritiva Apresenta alternância entre os momentos narrativos e manifestos descritivos. Elegia: É um texto de exaltação à morte de alguém, sendo que a morte é elevada como o ponto máximo do texto. O emissor expressa tristeza, saudade, ciúme, decepção, desejo de morte. É um poema melancólico. Um bom exemplo é a peça Roan e yufa, de William Shakespeare. Canção (ou Cantiga, Trova): Poema oral com acompanhamento musical 27


Tragédia

Farsa

É a representação de um fato trágico, suscetível de provocar compaixão e terror. Aristóteles afirmava que a tragédia era “uma representação duma ação grave, de alguma extensão e completa, em linguagem figurada, com atores agindo, não narrando, inspirando dó e terror”.

É uma pequena peça teatral, de caráter ridículo e caricatural, que critica a sociedade e seus costumes; baseia-se no lema latino ridendocastigat mores (rindo, castigam-se os costumes). A farsa consiste no exagero do cômico, graças ao emprego de processos grosseiros, como o absurdo, as incongruências, os equívocos, os enganos, a caricatura, o humor primário, as situações ridículas.

Exemplo: Romeu e Julieta (Trecho) William Shakespeare (...) Julieta ― Romeu, Romeu! Ah! por que ês tu Romeu? Renega o pai, despoja-te do nome; ou então, se não quiseres, jura ao menos que amor me tens, porque uma Capuleto deixarei de ser logo. Romeu (à parte) ― Continuo ouvindo-a mais um pouco, ou lhe respondo? Julieta ― Meu inimigo é apenas o teu nome. Continuarias sendo o que és, se acaso Montecchio tu não fosses. Que é Montecchio? Não sem mão, nem pé, nem braço ou rosto, nem parte alguma que pertença ao corpo. Sê outro nome. Que há num simples nome? O que chamamos rosa, sob uma outra designação teria igual perfume. Assim Romeu, se não tivesse o nome de Romeu, conservara a tão preciosa perfeição que dele é sem título. Romeu, risca teu nome, e, em troca dele, que não é parte alguma de ti mesmo, fica comigo inteira. Romeu ― Sim. Aceito tua palavra. Dá-me o nome apenas de amor, que ficarei rebatizado. De agora em diante não serei Romeu. (...)

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Tragicomédia Modalidade em que se misturam elementos trágicos e cômicos. Originalmente, significava a mistura do real com o imaginário. Lírico: É certo tipo de texto no qual um eu lírico (a voz que fala no poema e que nem sempre corresponde à do autor) exprime suas emoções, ideias e impressões em face do mundo exterior. Normalmente os pronomes e os verbos estão em 1ª pessoa e há o predomínio da função emotiva da linguagem. Vilancete: São as cantigas de autoria dos poetas vilões (cantigas de escárnio e de maldizer); satíricas, portanto. Épico (ou Epopeia): Os textos épicos são geralmente longos e narram histórias de um povo ou de uma nação, envolvem aventuras, guerras, viagens, gestos heroicos etc. Normalmente apresentam um tom de exaltação, isto é, de valorização de seus heróis e seus feitos.


Dois belos exemplos são Os Lusíadas, de Luís de Camões, e Odisseia, de Homero. Idílio (ou écloga): É o poema lírico em que o emissor expressa uma homenagem à natureza, às belezas e às riquezas que ela dá ao homem. É o poema bucólico, ou seja, que expressa o desejo de desfrutar de tais belezas e riquezas ao lado da amada (pastora), que enriquece ainda mais a paisagem, espaço ideal para a paixão. A écloga é um idílio com diálogos (muito rara).

Poesia de cordel: Texto tipicamente brasileiro em que se retrata, com forte apelo linguístico e cultural nordestinos, fatos diversos da sociedade e da realidade vivida por este povo. Exemplo: O pistoleiro Severino (Trecho) Thiago Oliveira Severino era bom pistoleiro Cabra do dedo ligeiro Bastava um único tiro E o pacote era certeiro Sem ter dó nem piedade Ele matava por dinheiro

Ode (ou hino): É o poema lírico em que o emissor faz uma homenagem à pátria (e aos seus símbolos), às divindades, à mulher amada, ou a alguém ou algo importante para ele. O hino é uma ode com acompanhamento musical.

Era homem sem passado Viajadeiro e sem morada Não possuía certidão Nem mulher, filho, nada Tinha até quem acreditasse Que ele fosse alma penada

Sátira:

Polícia tinha medo dele Como tinha do encardido Ele era de outro patamar Acima de qualquer bandido E pelas bandas do Nordeste O cabra era muito temido

É o poema lírico em que o emissor faz uma crítica a alguém ou a algo, em tom sério ou irônico. Acalanto: Canção de ninar. Epitalâmia: É um texto relativo às noites nupciais líricas, ou seja, noites românticas com poemas e cantigas. Um bom exemplo de epitalâmia é a peça Romeu e Julieta nas noites nupciais.

Fábula É um texto de caráter fantástico que busca ser inverossímil. As personagens principais são não humanas e a finalidade é transmitir alguma lição de moral. Gazal (ou Gazel): Poesia amorosa dos persas e árabes; odes do oriente médio. 29


Romance:

Soneto:

É um texto completo, com tempo, espaço e personagens bem definidos e de caráter mais verossímil. Também conta as façanhas de um herói, mas principalmente uma história de amor vivida por ele e uma mulher, muitas vezes, “proibida” para ele. Apesar dos obstáculos que os separam, o casal vive sua paixão proibida, física, adúltera, pecaminosa e, por isso, costuma ser punido no final. É o tipo de narrativa mais comum na Idade Média.

Soneto é uma composição de forma fixa, com 14 versos, dispostos em 4 estrofes, sendo dois quartetos e dois tercetos. O desenvolvimento da ideia subordina-se ao limite das estrofes, e se faz por períodos que se contém rigorosamente em cada uma das esfrofes, de forma que o fim de cada estrofe é marcado por uma pausa.

Exemplo: Tristão e Isolda.

Exemplo:

a-ba-b a-b-b-a c-d-c d-c-d.

Soneto Álvares de Azevedo

Balada: Uma das mais primitivas manifestações poéticas, são cantigas de amigo (elegias) com ritmo característico e refrão vocal que se destinam à dança Haicai: Haicai é um poema de origem japonesa, que chegou ao Brasil no início do século 20 e hoje conta com muitos praticantes e estudiosos brasileiros. No Japão, e na maioria dos países do mundo, é conhecido como haiku. Exemplo: Haicai Lynn Glommy Assim era ela: Magrela Tinha pernas tão longas Que alcançava as estrelas.

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As rimas geralmente seguem esse padrão:

Pálida, à luz da lâmpada sombria, Sobre o leito de flores reclinada, Como a lua por noite embalsamada, Entre as nuvens do amor ela dormia! Era a virgem do mar! Na escuma fria Pela maré das águas embalada! Era um anjo entre nuvens d’alvorada Que em sonhos se banhava e se esquecia! Era mais bela! O seio palpitando... Negros olhos as pálpebras abrindo... Formas nuas no leito resvalando... Não te rias de mim, meu anjo lindo! Por ti ― as noites eu velei chorando, Por ti ― nos sonhos morrerei sorrindo!


TIPOS DE COMPOSIÇÃO TEXTUAL Tabela As tabelas são textos concisos, mas que contêm inúmeras informações. Ao proceder à leitura, você deve atentar para alguns elementos: Título Chama a atenção do leitor e, geralmente, indica o tema ou resume o assunto tratado. Texto Explicativo Expõe o contexto do tema tratado. Corpo Geralmente dividido em colunas e linhas, apresenta os dados. Fonte Comumente localizada embaixo e fora da tabela (como rodapé), indica a procedência ou origem dos dados Exemplo: Tabela 1 ― Gênero, raça e porcentagem dos que votariam em uma mulher para presidente Grupo Social

%

84,8 89,8 Mulheres negras 87,5 Mulheres brancas 91,9 Homens negros 82,4 Homens brancos 87,7 Negros Brancos

Person

Pr

2.4003 1.9872 0.3290 3.1524 2.3003 0.0667

0.121 0.159 0.566 0.076 0.796 0.129

Relato O relato tem a finalidade de informar ao ouvinte ou leitor uma sequência de acontecimentos. Por outro lado, ao fazer um relato escrito, precisamos ter claro que os leitores não estão presentes e, portanto, o texto precisa conter todas as informações necessárias para ser compreendido por quem o lê. Além disso, precisamos fazer uso de recursos próprios da escrita, que garantam a articulação adequada entre os fatos relatados. Exemplo: Josessandro Batista de Andrade sempre foi fã dos poetas e cordelistas de sua cidade, Sertânia, a 322 quilômetros do Recife. Para reunir esses artistas, desde 2007 ele organiza o Festival Literário do Sertão (Flis), na EE Olavo Bilac, onde lecionou Língua Portuguesa e Literatura. As palestras, os saraus e as poesias do Festival fizeram com que meus alunos frequentassem mais biblioteca, conversassem sobre livros e publicassem um jornal com suas produções, O Nascer do Poeta, diz Josessandro, que inscreveu o Flis no Prênio Viva Leitura. Ele concorreu com 904 candidatos e ganhou. A vitória o incentivou a caprichar no evento em 2009, que teve um público recorde (três mil pessoas).

Fonte: LAPOP-Brasil, 2007. 31


Relatório Tipo de gênero textual que tem por objetivo expor a investigação de algum fato estudado, de um acontecimento e também de uma experiência cientifica. A linguagem utilizada num relatório deve ser precisa e objetiva, de acordo com o padrão culto e formal da língua. Apesar de ser admitido o uso da primeira pessoa do singular, alguns relatores preferem a primeira pessoa do plural. Para a elaboração de um bom relatório, é preciso que sejam anotadas as observações à medida que ocorrerem. Não basta alinhar os fatos. O texto deve ser objetivo, informativo e apresentável. Um relatório divide-se, geralmente, em três partes: Introdução Aqui deve constar a indicação do assunto, o fato investigado, a experiência feita e seus objetivos; Desenvolvimento Neste momento, relata-se minuciosamente o fato investigado; Conclusão Exposição das inferências a que se chegou após a investigação.

Divisão de um Relatório Capa: Identificação de autor (es), título do trabalho, entidade para a qual se faz o relatório, data, nome da empresa Introdução: Indica o motivo, os objetivos, os métodos utilizados e o período de realização do trabalho; Corpo: Apresentação dos fatos na ordem em que se sucederam; encerramento: conclusões, sugestões, planos; Fecho: Local, data, assinatura dos responsáveis pela elaboração do relatório. Resumo Resumir é uma de nossas atividades verbais mais frequentes: resumimos um filme, uma festa, alguma notícia que lemos, e assim por diante. No entanto, quando nos é solicitado fazer um resumo, a proposta parece assustadora. As diferentes situações de leitura e produção de textos exigem nossa habilidade de resumir ou sintetizar ideias. Mas, como? Que critérios utilizar para diferenciar o que pode e o que deve ser mantido ou eliminado no momento de sintetizar as ideias de um texto? Quais são as ideias principais? Quais são as secundárias? Como resumir? Antes de proceder ao resumo, é preciso compreender o texto, nosso objeto de estudo, em sua totalidade: não basta distin-

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guir as ideias principais das secundárias. O texto deve ser lido e analisado de forma cuidadosa, pois, somente após essa pratica, será possível identificar com segurança o tema, determinar os conceitos relevantes e os secundários, bem como identificar as informações essenciais para a compreensão. Esses cuidados são próprios de uma leitura analítica. O passo que segue a leitura analítica é o da organização, de modo articulado, das informações essenciais, desconsiderando o que for secundário. Não se trata de simplesmente copiar os trechos que restaram, mas, de forma concisa, dar sentido a um novo texto. A finalidade do resumo é garantir a compreensão do texto original, ou seja, deve conter as informações básicas sobre uma determinada questão. Não existe um modelo único. As informações devem atender ao propósito estabelecido.

Resumir não é parafrasear um texto. São atividades complementares, mas diferentes. Resumir significa compreender as ideias principais do texto e distingui-las das secundárias, perceber os “núcleos” dos significados do texto e “enxugá-los” para, enfim, obter a síntese do que foi lido. Parafrasear significa reescrever o texto com nossas palavras, como numa tradução.

Como fazer um bom resumo? Para um bom resumo, coloque em destaqueas palavras e ideias principais. Reconstrua o texto lido, a partir de tais elementos. Verifique se existe coerência entre os parágrafos da obra e do seu resumo: deve-se evitar a construção de mais de um parágrafo. Um dos detalhes mais importantes sobre o resumo é que, diferentemente da resenha, o resumo não deve ser crítico ou interpretativo (salvo quando solicitado pelo docente), sem impressão de opiniões próprias. Etapas de um bom resumo A primeira etapa é a tomada de conhecimento das condições do resumo: se deve obrigatoriamente ocupar um determinado espaço, ou não, e sua finalidade, para que possamos fazer uma seleção dos ponto fundamentais de forma mais coerente. A segunda etapa é a da leitura atenta, em que procuramos detectar o tema do texto e o encadeamento do peru amento do seu autor. Podemos, então empregar marcadores luminosos, a fim de que vejamos os itens básicos desse encadeamento, particularmente o conector, que articulam logicamente as suas partes. Só podemos começar a tarefa de reurnir após várias leituras de todo o texto, destacando-se a uma ideia geral e eu movimento. ou plano. A terceira etapa é a determinação do proceo de resumo adotado, na dependência da estruturação do próprio texto, e o fazemos parágrafo a parágrafo ou se por bloco - de sentido. A quarta etapa é a da reda ão do texto resumido, dando-se preferência a expres33


sões de extensão mais curta. A quinta e última etapa é a da revisão do trabalho, a fim de verificarmos se o texto produzido apresenta um todo coerente, ao mesmo tempo que realizamos correções e adaptações. Estratégias de resumo O resumo não apresenta introdução, de modo geral. Um texto resumido carece, em geral de introdução, salvo naqueles casos em que o autor assume o ponto de vista de outra pessoa. O resumo segue a ordem do texto. O defeito encontrado com mais frequência em textos resumido é a ausência de encadeamento entre as suas diversas partes. Não é suficiente somente justapor os segmentos textuais, mas sim indicar claramente quais as suas relaçõe lógicas. O resumo não deve conter elementos estranhos ao texto. Este é um conselho que deve ser seguido à risca: nunca inserir exemplos ou ideias que não estejam presente no texto original. Seguindo essas dicas, você aprenderá a fazer um ótimo resumo!

Textos Explicativo-Expositivos São textos de caráter científico ou pedagógico que expõem ou explicam fatos, informações ou saberes, apresentando variadas formas de conhecimento. Estão representados nos relatórios, seminários, roteiros, verbetes de dicionário, palestras, notas, resumos, entre outros. Textos Injuntivos/Prescritivos São textos que tentam convencer por meio de ordens, conselhos, sugestões ou imposições de regra. Ditam ou orientam comportamentos. Percebemos essa tipologia nos gêneros leis, provérbios, propagandas, horóscopos, slogans, manuais de instrução, receitas culinárias, prescrições médicas, regras de jogo etc.

São vários os caminhos para se fazer um resumo; no entanto, o melhor é aquele que se descobre com a prática de leitura e de releitura. Por isso, apenas sugerimos alguns procedimentos para que você mesmo encontre seu caminho:

Textos Descritivos São textos que descrevem, apresentam características, utilizando dados físicos e subjetivos de pessoas, lugares e fenômenos. Geralmente encontramos trechos descritivos mesclados a outros tipos textuais, mas os gêneros que fazem uso da descrição pura são os folders turísticos, classificados de jornal e outros. 34

a) leia o texto, seu objeto de estudo, pela primeira vez, sem interrupções. Você apreenderá o que o autor pretende expressar. Não se esqueça de ler o título; b) com muita atenção e mais vagarosamente, releia parágrafo por parágrafo; procure a ideia básica em


cada um deles, buscando entender as partes do texto e as relações entre elas; c) observe mais atentamente o início e o fim de cada parágrafo e do texto como um todo. Geralmente, as ideias são apresentadas sinteticamente na introdução e na conclusão dos textos; d) releia mais duas, três vezes ou tantas quantas forem necessárias. Sublinhe o que você achar importante e, se possível, anote, à margem do texto, suas considerações; e) procure fazer, para você mesmo, um resumo do que foi lido. Se necessário, faça outras leituras. Se alguma expressão ficou “pendente”, procure compreendêla a partir do conjunto, do contexto; f) escreva com suas palavras o que você achou fundamental; trata-se apenas de um rascunho; g) releia o rascunho, reformule as ideias preocupando-se em ser conciso; utilize sinônimos ou algumas palavras-chave do texto; h) redija o resumo a partir das frases que escreveu sobre cada parágrafo. Vá ao texto original e verifique se não está deformando as ideias do autor. Procure relacionar as ideias em vez de simplesmente enumerá-las. Textos Dialogais/Conversacionais São textos que exigem a interação de pelo menos dois interlocutores que alternam (revezam) a exposição das falas (discurso). Podem ser representados por diálogos, bate-papos, conversas telefônicas, discussões, entrevistas e outros.

Exemplo: Conversa Telefônica ― Pizzaria Dona Naná, boa noite! ― Oi, boa noite. Eu gostaria de fazer um pedido. ― Pois não! Que sabor? ― Ah, eu queria meia toscana e meia vegetariana. [ ... ] ― São 35 reais. Entrega em35 minutos. ― Olha, eu sou aquela pessoa que pediu uma pizza na semana passada, fotografou e devolveu porque tinha pouco recheio, tá lembrado? Então, capricha, tá? ― Ah, sei, sei...

Conheça os tipos de textos que costumam ser pedidos em vestibulares. As provas de redação exigem que o candidato produza textos de tipos que variam de acordo com a proposta de cada universidade. Os mais frequentes são os dissertativos, os narrativos, as cartas e os textos jornalísticos. Será que você sabe diferenciá-los? É bom prestar atenção nisso! Afinal, de nada adiantará ter uma boa ideia e saber desenvolvê-la ou argumentá-la respeitando a norma culta da Língua Portuguesa se você não respeitar o formato solicitado. Alguns vestibulares até permitem que o candidato escolha entre uma dissertação, uma narração ou uma carta, mas como isto não é regra, vale conhecer e saber escrever em cada um dos tipos de texto.

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as partes da redação INTRODUÇÃO

DESENVOLVIMENTO

ga. O corpo sempre há de ser maior que a cabeça e os pés. Sob pena de termos uma aberração! Apresenta cada um dos argumentos ordenadamente, analisando detidamente as ideias e exemplificando de maneira rica e suficiente o pensamento. O desenvolvimento será a parte mais longa da redação, mas não necessariamente a mais confusa, complicada e ininteligível. E isso é o que acontece, normalmente, quando não se faz uma seleção de ideias prévia, quando não se sabe o que escrever antes de começar a escrever. Bem se diz: “só comece a escrever depois que você souber, com certeza, quais as ideias, aquilo que e sobre o que você vai escrever”. Não há necessidade de muitas ideias (e normalmente nem espaço para isso). O importante é que, mesmo sendo poucas, as ideias sejam correta e objetivamente expostas. Não se deve cansar o leitor com um milhão de argumentos diferentes, nem com períodos longos e maçantes que, fatalmente, resultam confusos. Nas redações entre 15 e 18 linhas, o desenvolvimento deve ocupar um ou dois parágrafos (com vários períodos dentro deles). Nas redações com número de linhas entre 20 e 25, o número de parágrafos no desenvolvimento gira em torno de 3 ou 4.

É o corpo da redação. Sua parte principal. É aqui que aparecem as ideias, os argumentos, a originalidade. A introdução corresponde à tese. O desenvolvimento vem a ser o debate da tese. É a parte mais lon-

CONCLUSÃO É o acabamento da redação. E, se não se deve iniciar “abruptamente” a redação, também não se pode acabá-la de súbito. A conclusão resume todas as ideias apre-

Introduzir significa “levar para dentro”. Na introdução, portanto, conduzimo-nos para dentro do tema, do assunto. A introdução apresenta a ideia que vai ser discutida (tópico frasal). nada lhe acrescentando. Ela é muito importante. Sendo o contato inicial do leitor com o texto, deve atraí-lo, despertar-lhe o interesse. Assim, deve ser objetiva e simpática. E, sobretudo, não pode ser longa. Normalmente um ou dois períodos. O tópico frasal pode-se apresentar de várias formas: uma declaração, uma pergunta, uma divisão, uma citação... Ao desenvolvê-lo, é preciso ser o mais objetivo possível, evitando-se divagações inúteis. Enfim, na introdução, o importante é falarmos do tema da redação, mesmo que (ou até obrigatoriamente, às vezes) tenhamos de usar as suas palavras, ou parte delas. Lembre-se: a redação começa na linha (1), e não no tema ou no título, não havendo dessa forma repetição; pois, como repetir o que ainda não foi dito?

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sentadas e discutidas no desenvolvimento, tomada uma posição sobre o problema apresentado na introdução. Portanto, é a comprovação da tese levantada na introdução e discutida no desenvolvimento. Ela é, a princípio, retirada da melhor ideia que achamos ter no momento da reflexão inicial sobre o tema. É a nossa posição em face de um problema qualquer, a sua solução, ou a projeção futura de consequências que advirão caso não sejam tomadas as medidas que achamos necessárias (e que devem ter sido citadas no desenvolvimento da redação). A conclusão não deve ser muito longa, a exemplo da introdução, e deve ocupar também somente um parágrafo (ao contrário da introdução, pode ter mais que um período). QUALIDADES BÁSICAS DA REDAÇÃO

Unidade

Coerência

Coerência A coerência reside na associação e correlação de ideias dentro do período e de um parágrafo a outro. A conexão entre as palavras é feita pela organização do pensamento no que se refere ao conteúdo e pelas partículas de transição que unem as ideias, tais como as expressões “no entanto”, “contudo”, ligando paragrafo, conjunções, ligando as ideias dentro do período. Ênfase A ênfase consiste no fato de a ideia-núcleo estar colocada em lugar de destaque, ocupando um parágrafo inteiro e aparecer reforçada em subideias no final do segundo e do quarto parágrafos, e totalmente destacada da conclusão. A ênfase à ideia principal é conseguida por meio do uso de expressões fortes e eloquentes. ITENS IMPORTANTES NA PRODUÇÃO DA REDAÇÃO

Ênfase

Unidade A unidade reside no fato de que o autor se fixou em uma só ideia central no decorrer de sua argumentação; em todos os parágrafos, as ideias se sucedem em ordem sequente e lógica, todas completando e enriquecendo a ideia-núcleo. Não houve pormenores desnecessários, nem redundâncias, o que pode atestar o esquema anteriormente traçado.

Visual (Estética) Com a redação também é assim! O impacto (bom ou mau) que nos causa é muito importante. Lembre-se: o belo é um padrão nato e instintivo em nós. E não há beleza onde não houver ordem e limpeza. Estes são os elementos que compõem a estética da redação, concorrendo para um melhor visual e correção. Título ― Tema Todas as iniciais do título, menos das palavras de pouca extensão, como preposições, artigos, conjunções etc, com ex37


ceção do primeiro, devem ser maiúsculas: Use ponto final nos títulos, em se tratando de frase ou citação somente. Os temas de redação normais não levam ponto final. Entre o título e o contexto, deixe uma, duas ou três linhas ou espaço equivalente.

+

Os parágrafos devem adentrar a linha uns dois centímetros e iniciarem-se, todos, à mesma altura. São fundamentais à redação, pois constituem o visual prático da estrutura redacional, apontando as três partes obrigatórias num texto dissertativo: a introdução, o desenvolvimento e a conclusão. O número de parágrafos é variável conforme a extensão exigida para a redação. Nas redações dissertativas, o mínimo obrigatório é de três parágrafos; o máximo depende da quantidade de linhas pedidas. Sugere-se que os parágrafos contenham em torno de cinco linhas cada. As ideias que se relacionam mais intimamente, que se unem por um mesmo fio de ligação lógica, devem ficar no mesmo parágrafo, ainda que em diversos períodos. Porém, toda vez que se mudar o fio do raciocínio, sempre que se passe para uma nova ideia que não tenha relação tão íntima com a anterior, deve-se iniciar linha nova. Portanto, novo parágrafo. Apenas o parágrafo inicial pode ser constituído por um período (ou dois) somente. Os demais parágrafos (os do desenvolvimento) devem ter vários períodos, portanto, vários pontos finais. 38

LADO INTERNO – CORREÇÃO Ao se compor uma redação, deve ser levada em consideração as qualidades básicas que a habitam e a distinguem das redações normais. No vestibular, o número de redações ascende aos milhares, e são estas qualidades que vão fazer que algumas poucas se diferenciem da maioria. São, exatamente, estas as qualidades da redação: Correção

Clareza

Originalidade

Elegância

Concisão Coesão

A Clareza Consiste na transmissão mais compreensível do pensamento. Quem escreve (como quem fala) deve fazer-se entendido da melhor maneira possível. A concisão concorre muito para a clareza. Para obter-se clareza, além da concisão, cumpre: Para escrever claro é preciso pensar claro. Antes de começar a escrever, medite sobre o tema, reúna ideias, coloque-as de modo coerente. Só comece a escrever depois que você souber o que vai escrever! Daí a importância de um esquema e do rascunho. Frases curtas: períodos longos fatalmente resultam confusos. Empregar a palavra precisa: só empregue palavras simples de cujo significado você tem certeza. Evitar a ambiguidade, que é a possibilidade de mais de um sentido em uma oração.


Exemplo: “Carlos mandou dizer a José que só trataria daquele negócio no seu escritório”. No escritório de quem? No dele, Carlos, ou no de José? Isso é ambiguidade. Clareza é qualidade; obscuridade, defeito. A Concisão Consiste no expressar os aspectos, fatos ou opiniões com o menor número de frases ou palavras. Portanto, empregam-se apenas as palavras que são indispensáveis à compreensão da mensagem. Em um texto, o que não é indispensável constitui prolixidade. Concisão é qualidade; prolixidade, defeito. Mais uma vez aparece aqui a necessidade do rascunho. Devemos escrever segundo o fluxo de ideias que nos vêm à mente, sem grandes preocupações com a concisão. Pronto o rascunho, devemos submetê-lo a rigoroso crivo analítico, cortando tudo aquilo que não faça falta nem imprima vigor. Naturalmente, só se considera qualidade aquilo que não prejudica as demais qualidades. O excesso de concisão redunda em obscuridade e desarmonia. -De grande valia para obter-se a concisão é a figura da Elipse: omissão de palavras. Exemplos: Tu tens toda a razão. Tens toda razão. Nós batemos três vezes. Dentro não havia ninguém. Batemos três vezes. Dentro, ninguém.

A Originalidade Consiste em apresentar os aspectos, fatos ou opiniões de modo pessoal, sem imitação de processos ou particularidades alheios. Na originalidade, está a criatividade. Pode revelar-se tanto nas ideias como nas expressões. Ideias originais são ideias próprias?! Para isso o fundamental é escrevermos diferençados do linguajar comum. Escrever como se fala é cometer uma série de erros; daí que a originalidade no vestibular fica, realmente, por conta da correção. Será original aquele que escrever corretamente. A Elegância Aos vestibulandos, basta o cuidado com o visual da redação. A limpeza, os parágrafos, a letra bonita. Isso é elegância em redação. A coesão Um texto coeso é aquele em que as partes se relacionam entre si de modo claro e adequado, criando um todo com sentido, que pode ser captado pelo leitor. E como se faz um texto coeso? Usando-se corretamente os instrumentos da língua (usar artigos e pronomes que concordem com os nomes a que se referem, combinar os tempos verbais de modo lógico etc.) e observando se há relações de sentido entre as frases, que unidas entre si transmitem de modo claro uma informação, uma opinião, uma mensagem.

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Nada de: “ele lhe viu”, “eu o quero muito bem”, “ele assistiu o filme”. De colocação: Se é verdade que este tópico não precisa chegar ao requinte, também é verdade que não se tolerarão os exageros dos modernistas eufóricos. Assim: - Nunca comece oração com oblíquo átono: Me levaram dali para um lugar escuro e misterioso. Te deram o recado? FORMA + CONTEÚDO Para redigirmos bem, é necessário que aliemos à criatividade ou análise de um assunto a correção e adequação de linguagem. Não basta elaborar uma ideia importante. É preciso saber expressá-la com acerto e propriedade. O estilo na redação é representado pela clareza, unidade, ênfase e coerência que devemos imprimir aos recursos linguísticos que traduzam nosso pensamento. São aqueles que influem decisivamente na elaboração de uma linguagem escrita correta, adequada e harmoniosa, alcançada não só por meio de recursos (leitura, vocabulário, interpretação de textos, conhecimento de tipos de composição), mas também por meio do conhecimento de fatos gramaticais que ordenam, disciplinam e sistematizam nossa língua.

Erro ortográfico: coisas do tipo de “ãncia, pêcego, talvêz, xegar”. E escrever “exepicional” em vez de “excepcional” é sem comentários 40

Lembre-se de que não, nunca, que, porque, quando, enquanto, se, para que etc. exigem oblíquos antes do verbo! - Jamais coloque o oblíquo depois de particípio: Exemplo: Vocês tinham levantado-se mais cedo. - Depois de vírgula (ou qualquer outra pontuação), não se deve colocar pronome oblíquo (a não ser que sejam vírgulas de encaixe). Exemplo: Nunca, mesmo nos piores momentos, lhe pedimos ajuda. MONTAGEM DOS ESQUEMAS Seleção e organização das ideias na redação Uma vez determinado o assunto sobre o qual iremos escrever, é necessário um momento de reflexão em torno dele e da disposição que daremos às ideias a serem utilizadas. Para isso, é necessário traçar de antemão um plano, ou seja, um esquema. As qualidades essenciais desse plano devem ser as mesmas utilizadas para a feitura da redação, ou seja: unidade, coerência e ênfase. Tendo o aluno o plano ou roteiro de ideias, poderá dar início a um rascunho, no qual vai expressar, por meio de frases completas e parágrafos bem distribuídos, o assunto que se propõe desenvolver. Enfrentará, então, problemas de forma,


porque o conteúdo, as ideias foram selecionadas e ordenadas no esquema. A disposição ordenada das ideias em introdução, desenvolvimento e conclusão é o último estágio do esquema.

Correção na redação Devemos seguir as normas gramaticais, com isso teremos ausência de erros. Esse negócio de sujeito no plural e o verbo no singular é dose! Portanto, muito cuidado! Procure o sujeito de cada verbo e veja se há correspondência. Sobretudo tenha cuidado quando, na oração que você escreveu, ocorre partícula “se”, verbos impessoais como “haver”, “fazer” etc. No uso de regência: se você usar verbo de regência problemática (aqueles que você estudou... como assistir, querer etc.), cuide da regência. Se você não tem certeza da regência de um verbo, não o use. Substitua-o por sinônimo. O problema mais frequente de regência em uma redação ou carta, ofício etc. diz respeito ao emprego das formas oblíquas “O” e “Lhe”. A norma é: ― “O” só para objeto direto (com verbo transitivo direto); ― “Lhe” só para objeto indireto ou com valor de possessivo.

Mandamentos de uma boa redação: Ao redigir, é importantíssimo que o candidato não cometa nenhum destes pecados transcritos a seguir, sob pena de padecer, sem indulgências, o inferno de mais um ano de espera! Veja a seguir: Escrever difícil. Não se preocupe em demonstrar cultura e conhecimento excessivos. As coisas realmente boas e valiosas são simples. Os grandes sábios são simples. As “grandes notas” vêm de redações simples. Não queira fazer experimentalismos linguísticos. Não tente neologismos léxicos ou sintáticos Use apenas palavras comuns. Sem cair no lugar-comum. Só recorra a um termo menos conhecido se ele se ajustar melhor no texto que um termo usual. O palavrão: Nunca! Criticar a Universidade, as autoridades, as instituições é proibido. Esse negócio de “meter a lenha” não dá pontos. Faça a crítica “construtiva”: mostre os erros e aponte soluções. Ser negativista. Em tudo há um lado bom. Procure descobri-lo. Aponte alternativas, saídas. Sugira métodos e maneiras de solucionar as dificuldades e as chagas sociais. A maioria dos temas de vestibulares e concursos versa sobre “problemas sociais”. Eles querem saber o nosso posicionamento, o 41


que pensamos, o que achamos se conhecemos. A nossa participação é efetivada, exatamente, por meio de nossas prováveis soluções. É a forma de que dispomos para participar do contexto social. Evite definições. Elas são perigosas. Dado um tema como “A democracia”, a maioria tende a sair definindo: A Democracia é... Evite. O ponto final (.) Não o esqueça. Denota desleixo. Depõe contra você e é erro! Estrangeirismo. O emprego de vocábulo que não pertença ao nosso idioma só pode ser feito quando não haja, em português, palavra de sentido correspondente. Se usada, a palavra deve vir entre aspas (“ ”) ou grifada (em itálico). Ex.: “Know-how”. A gíria Via de regra não! A menos que se trate de diálogo e entre como transcrição da linguagem de nível coloquial-popular. Fora daí, o uso da gíria será interpretado como pobreza vocabular. É negativo. Não abrevie palavras. Escreva-as todas por extenso, a menos que se trate de abreviações consagradas, como, por exemplo, o “etc.” Evite repetir palavras. Use sinônimos. Há repetições que enfatizam. Mas fora o caso intencional da ênfase, repetir revela pobreza vocabular ou desleixo. 42

Exemplos de repetição enfática: “Vamos, não chores... A infância está perdida. A mocidade está perdida. Mas a vida não se perdeu.” (Carlos Drummond de Andrade, A Rosa do Povo) Não escreva demais! No caso de não limitarem o número de linhas, não vá além de 25. Entenda que o ideal para uma redação são 20 linhas. Também não escreva “de menos”. Dado um limite mínimo (20, por exemplo), não pare nesta linha. Vá adiante uma ou duas linhas, pelo menos. Não “encha linguiça” À falta de ideias, não fique repetindo a mesma coisa com palavras diferentes! Isso é redundância, é prolixidade, é terrível defeito! É preferível poucas linhas bem redigidas a muitas mal escritas. Faça um trabalho honesto! Não aumente o tamanho da letra para dar impressão que escreveu muito. Isso indispõe o avaliador. Letra estilo “bicho-de-pé”, só se vê a linha (de tão pequena), não pode. O avaliador não vai colocar lente de aumento especialmente para corrigir sua redação. Não cometa cacofonia. Que é a palavra de sentido obsceno, chulo ou ridículo, formada pela junção de sílabas entre as palavras. Exemplos: Aqui ela se disputa todos os dias...A boca dela...


Fé demais... Pensamento novo, período novo. É comum, entre os que iniciam misturar no mesmo período ideias que não se completam. Tome por norma: ideia nova, período novo. Veja, entretanto, que isso nem sempre significa parágrafo novo! Oração subordinada sem principal, não diz nada! Não pode! Se há subordinada, tem de haver principal. Ou você já viu comandado sem comandante? Veja se entende alguma coisa: “Quando Maria chegou porque tinha visto um homem que ela não conhecia”. “A menina que estava chorando quando a chamaram”. “Quando chove, se estamos sem agasalho”. “O embrulho que chutou na calçada”. Deu para entender? Por que não deu? E agora: “Quando Maria chegou, porque tinha visto um homem que ela não conhecia, desandou a chorar”. “A menina, que estava chorando quando a chamaram, foi eleita rainha”. “Quando chove, se estamos sem agasalho, resfriamo-nos”. “O embrulho que chutou na calçada furou-lhe o pé”.

Especialmente, tome cuidado com os períodos muito longos: resultam confusos e são propícios a períodos incompletos; os verbos nas formas nominais ― gerúndio, particípio, infinito ― equivalem a subordinadas: portanto, deve haver uma principal. O INÍCIO DA REDAÇÃO Você pode iniciar um assunto utilizando os seguintes recursos: Dados retrospectivos. Exemplo: As primeiras manifestações de comunicação humana, nas eras mais primitivas, foram traduzidas por sons que expressavam sentimentos de dor, alegria ou espanto. Uma citação Exemplo: O assunto do (sobre)...Pode ser analisado (ou discutido) a partir das palavras lúcidas de...Quando afirma que “...”. Uma cena descritiva Exemplo: O som invade a cidade. Buzinas estridentes atordoam os passantes. Edifícios altíssimos cobrem os céus cinzentos da grande metrópole. Uma fumaça densa e ameaçadora empresta a São Paulo o aspecto de fotografias antigas sombreadas pela cor do tempo. É a paisagem tristonha da poluição. 43


Uma pergunta

Uma frase declarativa

Exemplo: Será a chamada música popular brasileira verdadeiramente popular e verdadeiramente brasileira?

Exemplo: O artista contemporâneo, diante de um mundo fundamentalmente complexo e agitado, tem por missão traduzir o mais fielmente possível essa realidade.

Um dado geográfico precisando um fato Exemplo: Em Criciúma, no sul de Santa Catarina, oito mil homens vivem uma aventura todos os dias. A aventura do carvão. São os mineiros, homens que quase nunca veem o sol.

Com ideias contrastantes Exemplo: Enquanto os grandes salões de alta-costura das grandes capitais exibem coleções de vestimentas suntuosas, os marginais da sociedade morrem de frio por falta de agasalho.

Dados estatísticos Exemplo: Naquela cidade de ... habitantes, cerca de ... frequentam as salas escolares, o que atesta a preocupação das autoridades com o nível de instrução de seus moradores.

O importante é que na introdução de uma redação dissertativa apareça o tema, o ponto de vista, a tese, alguma referência, enfim, ao assunto da redação; daí que nada obsta que, na introdução, apareçam as palavras que compõem o tema/título.

Narrativa de um ato

Portanto, a maneira mais simples (de se vencer o tormento) de iniciar uma redaExemplo: Em agosto de 1976, faleceu o ex-presiden- ção, e de que todos dispõem, é falando te Juscelino Kubitschek de Oliveira, em sobre ela mesma, sobre o tema dado, o cuja gestão foi construída a monumental assunto pedido, o título sugerido. Não há que se inventar nada. Ele já está lá, à nossa capital brasileira. disposição. Dessa forma, não há por que temê-lo, mas apreciá-lo pelas vantagens O recurso da linguagem figurada que pode nos oferecer. Exemplo: O jornaleiro, filho das madrugadas frias Desenvolver o assunto de uma redação, do Sul, quebra o gelo das manhãs gaúchas podemos utilizar os seguintes recursos: com sua voz cortante e queixosa como o Citações Dados estatísticos minuano nos pampas. Justificativas Comparações 44

Exemplos


A vida moderna. Em se tratando de um assunto pollêmico na redação o aluno deve examinar os prós e os contras que o envvolvem, concluindo com uma ideia que expresse sua posição em torno da problemática analisada.

A verdadeira amizade. A liberdade responsável. O progresso e o futuro da humanidade. É preciso que haja censura para a publicidade? O mar.

A conclusão de uma redação deve ser em primeiro lugar, enfática. Um bom início e uma conclusão bem feita emprestam brilho e interesse ao trabalho. A conclusão pode conter uma ideia pitoresca, humorística, surpreendente, taxativa, sugestiva. O assunto nunca pode ser abandonado em meio à plena discussão dos aspectos que a ele se ligam. Um meio adequado de bem concluir é aquele em que sintetizamos o assunto nos termos em que foi proposto ou questionado na etapa introdutória.

A importância do esporte. A união faz a força. A linguagem como instrumento de trabalho. O trânsito. Um mundo melhor. A arte da sobrevivência. A função da universidade. O compromisso do homem com o presente, o passado e o futuro. A importância da leitura. “Herrar é umano”

Não rasurar a redação. A redação suja ou borrada dará ao avaliador uma primeira impressão negativa, que dificilmente será apagada, por melhor que se apresentem o conteúdo e a correção.

A publicidade e o papel que desempenha nos dias atuais. A violência no mundo de hoje: por que e para quê? O idoso na sociedade atual A nova república.

SUGESTÕES DE TEMAS Listamos a seguir sugestões de temas dados e extraídos de quase todos os vestibulares do país:

Tecnologia: um gerador de riquezas e problemas Televisão: instrumento de lazer e cultura ou de alienação? A violência urbana ― suas causas, consequências e soluções O consumidor brasileiro e a publicidade ― informação e/ou condicionamento 45


Imprensa ― veículo de função social e pressiva

O humorismo pode ser uma das melhores formas de crítica.

Desemprego: gerador de violência e tensão social

A rebeldia sem causa não leva a transformação nenhuma.

“São os povos que fazem as nações.”

A oportunidade só chega para quem sabe reconhecê-la.

Que qualidades devem ser consideradas para se votar bem? O jovem atual ― ativo ou alienado? Avanço tecnológico: um meio ou um fim?

O problema é de todos. Escreva sobre uma situação embaraçosa da qual você foi protagonista. O mundo real

O futuro que nos espera (um tempo de verdade, justiça e liberdade ou de miséria e violência?)

A música

Não devemos aprender para a escola, mas para a vida (já dizia o ditado latino).

O valor da amizade

Narrativa sobre um fato qualquer, imaginado ou acontecido A juventude brasileira no crepúsculo do século A sociedade A liberdade A vida em outros planetas A possibilidade ou não da existência de vida inteligente fora dos limites do planeta terra. O amor “Tristezas não pagam dívidas; o trabalho paga.” “A injustiça, mesmo quando atinge um só, é uma ameaça para todos.”

O que você julga ser uma pessoa de bom caráter? Em sua opinião, de que depende primordialmente o desenvolvimento do brasil? Na sua opinião, quais as causas que mais contribuíram para a angústia do homem contemporâneo? As razões por que os jovens se afastam da leitura. A família: como você vê a situação e a atuação da família na sociedade atual? Inegavelmente a televisão está presente na vida de todos nós. Dê sua opinião sobre a influência desse meio de comunicação no comportamento das pessoas. O poder da palavra Ciência e tecnologia a serviço da sorte Analisar: “o menino é pai do homem”

Um país sem memória, mais que um país sem passado, é uma nação sem futuro.

A belém-brasília e a integração nacional

A liberdade não é uma dádiva, mas sim o resultado de uma conquista.

Amor universal: sentimento em extinção

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A natureza esquecida


leitura e produção textual LEITURA, INTERPRETAÇÃO E PRODUÇÃO TEXTUAL Identificar a palavra-chave Identificar a introdução Reconhecer o assunto abordado O texto conduz o leitor a buscar respostas imediatas a questões específicas. Nem sempre é possível. Procure, então, identificar em cada parágrafo a palavra-chave, já que é em torno dela que a autor, normalmente, desenvolve a ideia principal. A palavra-chave se situa na sentença-tópico, que, quase sempre, é a primeira frase do parágrafo. A palavra-chave constitui o núcleo da ideia dos autores e serve de base para que se derive um grupo vocabular em que todas as outras unidades estejam em relação de inclusão com ela. A escolha vocabular não se faz aleatoriamente, mas, justificada por uma seleção vocabular que dá apoio à ideia principal do autor. Uma vez identificada a palavra-chave do parágrafo, torna-se mais simples perceber as palavras-chave secundarias. São elas que estruturam as frases que fundamentam a sentença-tópico e desenvolvem o parágrafo. PROCEDIMENTOS DE LEITURA Ler o texto integralmente para se inteirar do assunto.

Localizar as informações essenciais. As perguntas referenciais ajudam nessa localização ― O quê? Quem? Quando? Onde? Por quê? Para quê? Como? Analisar o contexto de produção - Quem é ou são os enunciadores, seus papéis sociais, suas intenções, o local de circulação do texto, a época. Comparar as informações, apontando semelhanças e diferenças, relacionando-as a seu conhecimento de mundo. Analisar as características estruturais Verso ou prosa? Tipo de texto, recursos linguísticos, particularidades. Fazer inferências, ou seja, tirar conclusões, ler as “entrelinhas”, apontar informações implícitas. IDENTIFICAR A INTRODUÇÃO Todo texto tem uma introdução que serve, basicamente, para situar o leitor naquilo que está sendo tratado. Essa introdução estabelece, na relação autor-leitor, um lugar de negociação em que o autor propõe um assunto e o modo como pretende abordá-lo. RECONHECER O ASSUNTO ABORDADO Para perceber a assunto do texto, que é mais geral e abrangente, também chamado de referenda, pergunte: a que o texto se refere? Respondida essa questão, você perceberá claramente o assunto abordado. 47


CONSTRUÇÃO DA REDAÇÃO Todos, escritores ou não, são unânimes em apontar as dificuldades da tarefa de escrever. Muitos a consideram um aprendizado demorado, dispendioso e pouco eficiente, já que são poucos os que chegam a redigir textos de forma adequada. Outros afirmam que escrever é lutar inutilmente contra as palavras, pois parecem nunca atingir plenamente os objetivos pretendidos. Além do mais, no nosso cotidiano, a língua falada parece ocupar um espaço de maior prestígio: jornais falados, mensagens gravadas em fitas, telefonemas etc. substituem tradicionais meios de comunicação que se utilizavam da língua escrita. COMO ESCREVER BEM Conceito de “escrever hem” varia conforme o tempo. Segundo Carlos Drummond de Andrade, “escrever bem” é cortar palavras e, se observarmos certos contistas modernos, como Dalton Trevisan, parece que Drummond tem razão: de fato, palavras em excesso são modernamente um pecado mortal. Como Drummond, Guimarães Rosa enaltece a concisão, quando afirma que as palavras devem ser “cachos de sensações”, ou seja, dizer muito com pouca matéria. Mas, certamente, escrever bem não se resume à concisão e, muito menos, às qualidades literárias do texto. Cada um de nós pode vir a escrever bem ou pelo menos, melhor do que já o fazemos. E a tarefa não é assim tão difícil: basta evitarmos certos conceitos ultrapassados e prestarmos muita atenção a todos o elementos que participam do ato comunicativo em que estamos inseridos. Quan48

to mais adequados estivermos a esses elementos, melhor escreveremos. Como tais elementos variam também se devem modificar as qualidades da escritura e talvez aí esteja o segredo: na adequação à variação. Escrever bem, antecipando nossa conclusão, é produzir estratégias comunicativas adequadas, ou seja, variar segundo as circunstâncias. CONCEITOS DO “ESCREVER BEM” A língua escrita é indispensável a um progresso mais rápido do conhecimento humano, apesar das limitações inerentes à linguagem, e, por isso, é necessário que nós saibamos utilizá-la melhor de maneira possível. Mas o que é escrever bem? A resposta certamente varia com o momento histórico: José de Alencar e Guimarães Rosa não nos dariam a mesma resposta, embora sejam escritores de esplendorosa qualidade. Uma primeira ideia a esse respeito é a de que escrever bem se confunde com escrever de forma gramaticalmente correta. Qualquer usuário de língua portuguesa, no entanto, sabe que nem sempre textos gramaticalmente corretos são bons textos. Como explicar esse fato? Ora, todo texto parte de uma intenção comunicativa que, para realizar-se de forma adequada, necessita levar em conta a situação geral em que se vai efetivar: quem são os interlocutores, qual a relação social entre eles, em que local se processa etc.; assim, considerando-se todos esses elementos situacionais, pode-se traçar uma estratégia textual que vá ao encontro de nossos desejos, ou seja, atinja da forma


mais adequada possível à finalidade do texto. Em certas situações de comunicação, torna-se absolutamente indispensável usar a forma mais cuidada da linguagem, o que compreende estar em concordância com a gramática, mas, às vezes, pode-se tornar mais eficiente uma forma menos cuidada em que as regras gramaticais não sejam totalmente respeitadas. Se, a uma candidata a um emprego de secretária numa grande firma, é solicitada a redação de um requerimento, a situação de comunicação em que esse requerimento vai atuar torna conveniente que ela o redija da forma mais correta possível; se, por acaso, esse requerimento não respeitar as normas de correção de linguagem, certamente não terá a aprovação do chefe e a pobre candidata não terá sucesso na obtenção do emprego. Por outro lado, se um teatrólogo resolve colocar em sua peça um personagem popular, é natural que ele tente reproduzir a fala desse personagem, com todas as suas características, inclusive a falta de correção na linguagem. Em textos publicitários, constantemente se apela, para um melhor efeito, a construções e palavras que a norma culta não considera corretas: Exemplo: VEM PRA CAIXA VOCÊ TAMBÉM Do ponto de vista da norma culta, o texto acima traz uma imperfeição: o emprego daforma do imperativo vem, correspondente à segunda pessoa do singular, e o pronome de tratamento você, que leva o verbo para a terceira pessoa. Deve ter contribuído para isso a proximidade fonológica entre vem e também, que traz

certo ritmo à frase, a qual certamente ficaria prejudicada pelo uso da forma venha, gramaticalmente correta. SUGESTÕES PARA PRODUÇÃO DE TEXTO ― O vocabulário deve ser preciso, amplo, bem definido e elegante. Evite repetições inexpressivas e gírias. Não use “palavras difíceis” (que lhe causam duvidas quanto ao significado) só para causar uma “boa” impressão. “O feitiço se volta contra o feiticeiro”, lembre-se sempre disso. ― Quanto à ortografia, esteja atento à grafia das palavras. Escrever seguindo a norma padrão sempre causa uma boa imagem. Evite o uso de estrangeirismos: no lugar de hobby, prefira “passatempo”; em vez de performance, prefira “desempenho”. E preciso clareza na apresentação das ideias Organize-as antes de colocá-las no papel. Faça rascunho; se não for possível, faça um esquema com os itens a serem desenvolvidos. Elabore frases e parágrafos pequenos. Não rabisque o texto a ser entregue. Seja Conciso Escreva pouco e faça significar muito. Lembre-se de que a linguagem deve ser precisa. Evite redundâncias inexpressivas e também a prolixidade, ou seja, o excesso de palavras Preze pela coesão O texto deve ser organizado por relações lógicas adequadas, com a sequência de 49


ideias encadeada logicamente, evitando frases e períodos desconexos.

Havia dezenas de candidatos interessados na promoção; porém, poucos se inscreveram no exame.

Mostre-se coerente Fale sempre a verdade. Essa é uma maneira de você não ser incoerente. As ideias têm de seguir uma ordem sensata, de modo a não haver nada contraditório. Tenha expressividade Produza um texto com linguagem própria e expressiva. Evite os clichês, as frases feitas e os lugares-comuns.

Os “defeitos” de um texto -Escrita truncada e agramatical; Não use “mesmo” para substituir palavras. Embora seja, lamentavelmente, uma expressão muito disseminada, não deve ser utilizada. Quem a usa crê estar falando eruditamente – mal sabe que esta cometendo um erro grosseiro. Mesmo é um pronome adjetivo e exige, por isso, a presença do substantivo que está sendo qualificado. Veja o exemplo: Ambos estão infectados com a mesma bactéria. Esteja atento ao uso dos verbos haver e fazer: ― O verbo haver, quando usado no sentido de existir é impessoal, o que implica que deve ser empregado sempre na 3ª pessoa do singular. Exemplo: 50

― Os verbos fazer e haver, quando indicam tempo decorrido, também ficam no singular. Exemplos: Faz dois meses que espero uma promoção. Amanhã fará três anos que fui admitido nesta empresa. Havia três semanas que não se divertia. O QUE FAZER PARA ESCREVER BEM? Muitas são as respostas para essa pergunta: alguns relacionam a capacidade de escrever bem às leituras realizadas; na verdade, nada comprova essa maneira de ler. Ler muito ― e de forma proveitosa ― com certeza enriquece indiretamente a experiência humana e amplia a capacidade vocabular, mas, para daí chegarmos a escrever bem, é indispensável que reaprendamos a ler e a interpretar o que lemos, procurando detectar nos textos as estratégias produtoras dos efeitos que sentimos ao lê-los. Devemos ultrapassar a barreira do significado para atingirmos a produção da significação. Apreendendo as estratégias textuais, poderemos certamente aplicá-las a novos textos de forma quase inconsciente, o que nos leva a uma segunda resposta para o escrever bem: escrever sempre, sem medo, entregando seu modo de ver o mundo aos demais. Os modernos estudos textuais em muito podem colaborar para esse progresso pessoal na arte de escrever, já que questionam


o processo, mais que o produto, e, por isso mesmo, vale a pena observarmos com atenção os capítulos futuros, cheios de revelações importantes sobre o caminho a ser trilhado para obtermos um melhor desempenho em língua escrita. Um texto, porém, só raramente apresenta-se em estado puro, ou seja, totalmente pertencente a um só modo de organização discursiva; na maioria das vezes, sua classificação se faz pela predominância de sequências de um tipo sobre os demais. TIPOS DE TEXTOS É preciso não confundir modo de organização discursiva (descritivo, narrativo e dissertativo) com tipos de textos. Enquanto os modos estão ligados à estrutura básica do texto, particularmente na sua relação das coisas com o tempo, os tipos textuais se prendem à sua função básica, ou seja, à sua declarada finalidade. O quadro abaixo apresenta tipos de textos (tipologia textual)

PRODUÇÃO TEXTUAL Escrever um texto não é simplesmente lançar no papel uma série de palavras ou frases. Disso, quase sempre, resulta um todo desorganizado. Determinados princípios e certas regras têm de ser obedecidos para que se reconheça um texto e o leitor entenda a mensagem nele contida. É necessário, portanto, que o texto tenha uma unidade. Para que essa unidade seja mantida, e, assim, o texto não seja descaracterizado, é preciso ter uma noção clara e um razoável domínio do assunto que será abordado, pois somente dessa forma será possível desenvolve-la com precisão e adequação. A unidade de um texto é reconhecida pela junção e articulação entre as diversas partes que o compõem, tornando-o um todo. A unidade se verifica quando a eliminação de uma dada parte do texto compromete a mensagem por ele transmitida. Por isso, a primeira condição para um bom texto é apresentar inteireza, estar completo, ou seja, oferecer todas as informações que contribuem para o estabelecimento e a

Texto

Função

Modelo

Normativo

Regulamentar

Leis, portarias, regulamentos, estatutos

Informativo

Informar

Notícias, avisos, comunicados, bulas

Didático

Ensinar

Livros escolares, conferências.

Divinatório

Prever

Horóscopos, oráculos

Exortativo

Convencer

Requerimentos, textos publicitários.

Expressivo

Expressar

Diários, confissões 51


constituição de sua unidade. Essas ideias devem estar voltadas para o assunto a ser desenvolvido e organizado de maneira a sustentá-lo.

COMO FAZER UM TEXTO COESO

Etimologicamente, texto e tecido estão relacionados e, de fato, há razão para isso: o tecido é fruto de uma junção de pequeEscrever um texto significa entrelaçar vános fios que se vão ligando até o limite rias partes menores a fim de se obter um de uma extensão determinada; o texto, por todo coeso e coerente. A organização de seu lado, também tem seus componentes um texto se dá pela coesão, isto é, por sua ligados a fim de que formem um só corestruturação interna. po estrutural.Aos elementos que realizam Vejamos: essa ligação se atribui a função de coesão. E eles correspondem basicamente a marCoesão cas linguísticas da superfície do texto, de Ligação lógica entre as palavras, orações, caráter sintático ou gramatical. períodos e parágrafos. Essa ligação ocorre por meio de articulações gramaticais: Tipos de Coesão conectivos, pronomes, conjunções, advérbios, palavras e expressões sinônimas etc. A coesão é uma das marcas fundamentais A coesão e responsável pela clareza e pre- da textualidade e pode ocorrer por meio cisão das ideias do texto. de mecanismos diversos: Coerência As ideias contidas no texto devem se encaixar de modo que não haja nada destoante, ilógico, contraditório ou desconexo. Tanto a coerência quanto a coesão são responsáveis pela construção do sentido do texto e, portanto, de sua textualidade.

Lemos para saber, compreender, refletir, mudar! Nessa viagem, somos tocados pela beleza da linguagem, pela imaginação, pela fantasia, pela emoção!

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A coesão referencial A coesão recorrencial Coesão sequêncial Ocorre coesão referencial quando um elemento da sequência textual e remete a outro elemento do mesmo texto, substituindo-o: Exemplos: Encontrei meu irmão na esquina, mas não falei com ele. Ele estava lá, na esquina, o meu irmão! Quando a referência se faz do depois para o antes. Denomina-se anáfora No caso contrário, catáfora.


Exemplos: Pronomes substantivos indefinidos: João e Pedro estiveram lá, mas nenhum falou nada.

As repetições do mesmo termo:

Pronomes substantivos relativos: O livro que trouxe é menos interessante.

― De forma idêntica: Comprou a casa mas a casa não tinha porta. ― Com um novo determinante: Comprou a casa mas essa casa lhe trouxe problemas. ― De forma abreviada: Maria Eduarda não ensinou bem por isso M. ED. é malvista. ― De forma ampliada: Lula é candidato, mas Luis Inácio Lula da Silva está bem no pleito. ― Por forma cognata: Trabalhar é bom e o trabalho enriquece.

Pronomes adverbiais: Foi à Europa e lá foi feliz.

Os sinônimos ou quase sinônimos:

Pronomes substantivos possessivos: Renato comprou um jornal mas leu o meu. Pronomes substantivos demonstrativos: Ela viu a blusa vermelha mas comprou esta. Pronomes substantivos interrogativos: João, Pedro e Paulo falaram, mas qual disse a verdade?

As formas verbais Neste caso, os verbos fazer e ser são empregados em referência a todo o predicado e não apenas ao verbo: O cantor apresentou dois números, mas o mímico não fez o mesmo. Ele trouxe todos os livros, mas é porque precisava. As formas adverbiais Saiu duas vezes e o outro, nunca. As formas numerais João e Maria saíram, mas os dois voltaram logo. Comprou vários presentes; o primeiro, uma bicicleta. Fiz dez exercícios e meu primo fez o dobro. Havia dez laranjas e comeu um terço delas.

― Hipônimos Exemplo: Comprou flores e deu as rosas para a mulher. ― Hiperônimos: Exemplo: Vinha um ônibus, mas o pedestre não viu o veículo. ― Nomes genéricos: Exemplo: Trouxe cadernos, livros e outras coisas. ― Termos simbólicos: Exemplo: Inácio tinha dúvidas se iria para a Igreja, mas o apelo da cruz foi forte. ― Expressões nominais definidas Exemplo: Pelé foi a Paris onde o maior jogador do século foi premiado. 53


A coesão recorrencial

A coesão sequencial

Caracteriza-se pela repetição de algum tipo de elemento anterior que não funciona, a exemplo do caso da coesão referencial, como uma alusão ao mesmo referente, mas como uma “recordação” de um mesmo padrão.

Esse tipo de mecanismo de coesão se refere ao desenvolvimento textual propriamente dito, ora por procedimentos de manutenção temática, com o emprego de termos pertencentes ao mesmo campo semântico, ora por meio de processos de progressão temática. A progressão temática pode realizar-se por meio da satisfação de compromissos textuais anteriores ou por meio de novos acréscimos ao texto. Ao primeiro tipo pertencem os seguintes casos:

Ela pode aparecer de várias formas: A recorrência de termos: Exemplo: Rosa falava, falava, falava O paralelismo, que consiste na recorrência da mesma estrutura sintática: Exemplo: Pão no forno, água na garrafa e fruta na geladeira não alimentam. A paráfrase, que se refere à recorrência de conteúdos semânticos marcada por expressões introdutórias como isto é, ou seja, quer dizer, digo, ou melhor, em outras palavras: Exemplo: Ele não compareceu, ou seja, sumiu. Dentro desse tipo de coesão estão os casos de elipse: “O grande objetivo da vida não é o conhecimento, mas [...] a ação”, em que se omite a estrutura “o grande objetivo da vida é”.

Condicionalidade: Exemplo: Se chover, eu não irei. Causalidade: Exemplo: Todos foram de roupa de praia porque estava fazendo sol. Implicação lógica: Exemplo: Só há um meio de fazer isso: trabalhando. Os acréscimos ao texto podem ser feitos de vários modos: Explicação ou justificativa: Exemplo: Todos chegaram na hora marcada, pois o trânsito estava bom. Conjunção: Exemplo: Cheguei na hora marcada. E comigo vieram meus primos

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+

A coerência, como a coesão, é uma qualidade básica da textualidade, mas enquanto a coesão se refere às ligações da superfície textual, sintáticas e pragmáticas, a coerência está relacionada à continuidade de sentidos no texto, realizada implicitamente por uma conexão cognitiva entre elementos do texto. A coerência é a base de sentido dos textos. OS FATORES DA COERÊNCIA A coerência de um texto depende de uma série de fatores: O conhecimento linguistíco O conhecimento de mundo O conhecimento partilhado As inferências Os fatores de contextualização

O conhecimento linguístico é o conhecimento das estruturas gramaticais e do significado das palavras. Na verdade, esse conhecimento é necessário, mas pode não ser suficiente, para que um texto seja coerente. Na época da ditadura militar, por exemplo, eram comuns as pichações de dizeres como “Fora gorilas!”. Ora, mesmo sabendo como se estrutura essa frase e o significado dos seus vocábulos, o entendimento da pichação vai, além disso, precisando também de certo conhecimento do mundo ― que nos diz, nesse caso, que “gorila” era um termo negativo aplicado aos militares, os quais, naquele momento, governavam o país. O conhecimento do mundo é conhecimento prévio do mundo nos permite ler o texto, relacionar seus elementos por meio de inferências, dar continuidade de sentido aos segmentos textuais etc. Corresponde à soma de todo os nossos conhecimentos adquiridos à medida que vivemos e que são armazenados em blocos, denominado modelos cognitivos.

A Situcionalidade A informalidade A focalização A intertextualidade A intencionalidade e a aceitabilidade A consistência e a relevância

O conhecimento partilhado ― Como emissor e receptor possuem obrigatoriamente conhecimentos de quantidade e qualidade diferentes, é necessário que um texto, para ser coerente, se fundamente numa base sólida de conhecimentos comuns entre os dois. Quando o conhecimento não é partilhado, o texto necessita de muitas explicitações, as quais se tornam redundantes, em caso contrário. Assim, para que um texto seja adequado é necessário um perfeito equilíbrio entre informações novas e informações conhecidas. 55


Os frames, que se referem aos conhecimentos armazenados dentro de certo bloco conceitual: assim, o frame “sala de aula” pode conter giz, quadro-negro, professor, livros, cadernos, alunos, mas não contém bananas, macacos ou espingardas; Os esquemas, que são conhecimentos que se organizam dentro de certa sequência temporal ou causal, como as ações que fazemos ao tomar banho, ao vestirmos nossas roupas etc. Os planos, que se referem aos procedimentos a serem tomados para atingirmos nossos objetivos. Por exemplo: conhecimento de como devemos proceder para obtermos uma vitória no tribunal; Os esquemas textuais, que se ligam a regularidades textuais conforme o tipo de organização discursiva. Assim, um texto narrativo apresenta certas regularidades, que acabam por montar a sua “gramática”, do mesmo modo que os textos descritivos ou dissertativos. As inferências referem-se aos conhecimentos que não estão expressos, mas que podem ser deduzidos a partir do que é dito. Os fatores de contextualização são todos aqueles que relacionam o texto a uma situação comunicativa determinada. Por exemplo, se lemos na capa de um livro que ali estão agrupados conto de fadas não vai achar incoerente uma série de dados que são absurdos no mundo real. 56

A situcionalidade refere-se ao conjunto de elementos situacionais que servem para dar coerência ao texto: o participante do ato comunicativo ― quem são, qual a sua relação hierárquica, onde estão etc ―, o momento da enunciação, o local etc. A informalidade diz respeito à quantidade de informações presentes num texto e que está intimamente relacionada à presunção do emissor sobre o receptor. Eu sou um jornalista responsável por uma coluna especializada em crítica cinematográfica, por exemplo, é natural que considere meus leitores de certo modo informados sobre os temas que abordo, o que pode fazer com que alguns menos preparados nesse campo de conhecimento venham a não compreender perfeitamente o que digo. Caso contrário, pode chegar a “ofender” meus leitores, dando-lhes informações óbvias, o que tornaria o texto redundante e, por isso mesmo, pouco coerente. A focalização refere-se ao modo de ver específico de determinado conhecimento. Assim, se um pintor vai a um jogo de futebol, certamente vai ver plasticamente o espetáculo ― os movimentos dos jogadores, as cores, a luz etc. ―, ao passo que um locutor o observará sob o ponto de vista esportivo. A intertextualidade prende-se ao conhecimento prévio de outros textos, tanto no que diz respeito à forma, quanto ao conteúdo. A forma pode aparecer como citações, paráfrases ou paródias; no caso do conteúdo, a intertextualidade é uma constante, já que todo o textos dialogam uns com os outros.


A intencionalidade e a aceitabilidade: A primeira está ligada, por parte do emissor, a todos os meios de que ele lança mão no sentido de atingir seus objetivos. Já a aceitabilidade, no caso do receptor, está ligada à sua capacidade de atribuir coerência ao texto. A consistência e a relevância: A primeira se prende ao fato de que todo o dado textual deve estar dado de forma consistente entre si, de modo a não haver contradição possível. Já a relevância se liga ao fato de que os enunciados devem estar ligados no tema. Muitas vezes usamos “o mesmo” como pronome substantivo: “O funcionário faltou à reunião, pois o mesmo está doente”. Deve-se abolir essa prática, pois se trata não apenas de uso agramatical do termo, como é desnecessária sua repetição. Diga: “O professor faltou à reunião, pois está doente”. ― Não diga “período compreendido entre 2008 a 2010”. Diga “período compreendido entre 2008 e 2010”. DEFEITOS TEXTUAIS Esteja atento a alguns deslizes textuais (que podem e devem ser evitados!). Esses defeitos empobrecem e prejudicam a compreensão da mensagem. Ambiguidade Dizemos que uma frase é ambígua se apresenta mais de um sentido. A ambiguidade é considerada um defeito quando resulta de uma imprecisão não pretendida pelo

autor do texto. Por outro lado, em textos literários ou de propaganda, é muito comum a exploração intencional de frases ambíguas. Nestes casos, trata-se de um recurso expressivo e não de um defeito. Exemplo: Ontem encontrei o cachorro do seu irmão na casa da esquina. Obscuridade Significa falta de clareza. Para que ocorra uma boa comunicação, é preciso que o pensamento de quem produz o texto seja claro. Vários motivos podem determinar a obscuridade de um texto: períodos excessivamente longos, linguagem rebuscada, imprecisão vocabular, ambiguidade e má pontuação. Exemplos: Precisa-se de babá para cuidar de criança de 20 a 21 anos. (má disposição das palavras na frase) Perdoas? Não discordo. Perdoas? Não! Discordo. (alteração de sentido dada pela mudança de pontuação) Cacofonia Consiste num som desagradável (às vezes, obsceno), resultante da reunião da(s) sílaba(s) final(is) de uma palavra com a(s) inicial(is) de outra. Exemplos: Mande-me já a relação dos alunos aprovados. Na vez passada, agimos diferente.

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Pleonasmo

Gerundismo

Também conhecido como redundância, consiste na repetição desnecessária de um conceito.

O uso de expressões formadas por três verbos, estando o último na forma nominal “gerúndio”.

Exemplos: O protagonista principal do filme foi ferido na manhã do dia 14.

Exemplos: Vou estar transferindo sua ligação em poucos segundos.

A brisa matinal da manhã enchia-o de alegria.

Nós vamos estar enviando isso amanhã.

Ele teve uma hemorragia de sangue. O pleonasmo, porém, pode ser um recurso estilístico que, usado intencionalmente, torna a mensagem mais expressiva. Nesse caso, não é considerado defeito. Bons autores recorrem a esse recurso da linguagem. Repetição de palavras: essa pratica torna o texto cansativo e, portanto, deselegante. Exemplos: O presidente da empresa em que trabalho e primo do presidente da companhia de seguros, sendo um presidente muito ativo. Excesso de “que”: demonstra que o autor do texto não tem bom conhecimento dos manejos possíveis da língua para evitar esse tipo de repetição. Exemplos: Solicitei ao patrão que enviasse a mercadoria que me prometera para que eu pudesse cumprir os compromissos que tinha assumido com o prefeito.

Clichês Frases feitas. Evite utilizar chavões; eles empobrecem o texto. Exemplos: Inflação galopante; Vitória esmagadora; Caixinha de surpresas. Prolixidade Uso excessivo de palavras para admitir uma ideia. Isso torna o texto cansativo, enfadonho. Trata-se do uso de expressões que não acrescentam nada ao texto, mas servem tão somente para prolongar o discurso; são os denominados “cacoetes linguísticos”. É o oposto da concisão. Para não “encher linguiça”, evite o uso das expressões: antes de mais nada, pelo contrário, por outro lado e por sua vez, entre outras.

Eco Repetição de palavras terminadas pelo mesmo som. Exemplos: A decisão da eleição não causou comoção na comunidade. 58

Existem alguns erros que são rotineiramente cometidos em produção de textos como: Pleonasmo, Ambiguidade e Eco.


as funções da língua O ESTUDO DA LÍNGUA Trataremos agora do estudo da língua portuguesa não com o intuito de fazer você memorizar ou dominar a nomenclatura, mas com o objetivo de que aprenda a usar seus recursos na leitura e produção de diversos textos e seja capaz de perceber os vários sentidos possibilitados por construções complexas. Saber usar uma língua é dominar um código que produz mensagens e possibilita a participação dos indivíduos em uma comunidade. A língua é construída historicamente, está em constante mudança e torna as pessoas capazes de se comunicar e de produzir conhecimento. Como a língua está inserida em um contexto social, cada pessoa deve ser capaz de reconhecê-la e usá-la em diferentes situações, escolhendo, para isso, o nível de linguagem, os recursos e as estruturas textuais mais adequados para que a comunicação se concretize. LÍNGUA ESCRITA E LÍNGUA FALADA Parte da importância da língua escrita reside nas suas próprias características em comparação com a língua falada: A estruturação sintática da língua falada é bem menos precisa que a da língua escrita. Na língua escrita, a ligação entre as frases é realizada de forma bem mais variada que na língua falada, na qual predominam co-

nectares do tipo e, mas, então, aí etc. tornando-a bem menos explícita; Enquanto na língua escrita predomina a estrutura “sujeito + predicado”, na língua falada é comum encontrar-se a estruturação topicalizada, como: Exemplo: Os livros eu deixei na mesa Na língua falada, a construção de voz passiva é bastante rara, enquanto na língua escrita sua utilização garante a não atribuição da ação a um agente; Tendo o contexto como referente, a língua falada deixa de incluir os elementos do referente em casos de sua fácil indicação; Língua falada apresenta um refinamento progressivo de expressões imprecisas, enquanto a língua escrita é realizada por meio de retomadas, de sequenciações textuais. A LÍNGUA ESCRITA E MENSAGEM Por que os escritores denunciam constantemente a dificuldade de expressarem o que desejam por meio da língua escrita? Quais são as limitações desse meio de expressão? Em primeiro lugar, porque o que um escritor tem a comunicar é sempre um conteúdo particular, fruto de suas vivências (e não apenas o registro de suas experiências) no mundo enquanto a língua, que deve expressar esse conteúdo individual, tem valor universal. 59


AS FUNÇÕES DA LÍNGUA ESCRITA Função de preservação Função de memorização Função de transferência Função sócio-político-cultural Função artística Função de produção do conhecimento

A função de preservação Basta entrarmos em uma biblioteca para nos darmos conta de uma outra função da língua escrita: o armazenamento de informações. Poderíamos aqui argumentar que têm também tal possibilidade as fitas ou DVDs, com ou sem imagem, mas, pelas razões já apontadas, esses recursos apresentam limitações no desempenho dessa tarefa. A função de memorização Os telejornais, numa conferência e em muitas outras situações semelhantes, temse uma outra função da língua escrita: a função de memorização. De certo modo, essa função é semelhante à de preservação, mas com a diferença de que o que se preserva é algo que se dirige ao momento e não ao futuro. As agendas são a prova diária dessa necessidade de proteção contra o esquecimento que conta com a língua escrita como auxiliar inestimável. 60

A função de transferência Há alguns anos, justificava-se o aprendizado da língua escrita por sua capacidade de superar o tempo e o espaço. Com a elaboração de um poema como Os lusíadas, em 1580, Camões pôde permanecer vivo até hoje; escrevendo cartas, uma religiosa portuguesa, Sóror Mariana Alcoforado, pôde mostrar a seu amado, na França, a intensidade de seu amor. Essa função da língua escrita é chamada função de transferência já que marca a transferência da realização do ato comunicativo para um outro local ou para um outro momento, motivada pela ausência do interlocutor no momento da enunciação. Tal função, no entanto, não é mais exclusiva da escrita: a gravação em fitas de vídeo ou DVD pode conservar, de forma mais dinâmica e eficiente, as mensagens que pretendemos sejam lidas em outra época ou outro espaço, ainda que de forma menos portátil. De fato, o livro possui um manuseamento não dependente de aparelhos ou de fontes de energia, é invulnerável à rapidez das transformações tecnológicas que fizeram, por exemplo, com que longplays se tornassem obsoletos ou com que “pré-históricos” PCs fossem substituídos por rapidíssimos palmtops ... Assim, a justificativa de superação de tempo e espaço só é parcialmente válida e, por isso, não pode explicar, isoladamente, a necessidade de continuarmos a priorizar o aprendizado da língua escrita.


A função sócio-político-cultural Dizia Heinrich Boll que não havia forma mais sublime de pertencer-se a um povo do que escrever em sua língua, uma vez que há uma estreita relação entre língua escrita e nacionalidade. Tomamos conhecimento pelos jornais, há algum tempo, da campanha empreendida pelos franceses contra o que consideravam invasão de americanismos em seu idioma, prova de que mesmo as culturas consideradas “mais avançadas” preocupam-se em manter sua identidade cultural e nacional por meio da preservação da própria língua. No caso específico do Brasil, por empregar o idioma de Portugal, a nacionalidade se afirma muitas vezes pela oposição à língua de além-mar, como disse José de Alencar: “Se nós, brasileiros, escrevêssemos livros no mesmo estilo e com o mesmo sabor dos melhores que nos envia Portugal, não passaríamos de uns autores emprestados, renegaríamos a nossa pátria, e não só ela, como a nossa natureza, que é o berço dessa pátria.” (O nosso cancioneiro, Carta V, 1874.) A função artística Há também a função artística: ainda que a língua falada possa produzir obras de qualidade artística, não há dúvida de que é a língua escrita o veículo das grandes obras da literatura universal. A função de produção de conhecimento A manutenção do prestígio da língua escrita se deve fundamentalmente à sua função de produção de conhecimento e, ainda que imperfeita, é a ferramenta disponível para essa tarefa. De fato, ao es-

crevermos não estamos expressando um pensamento já formado, mas o estamos formando à medida que escrevemos e, por isso mesmo, a língua escrita não deve mais ser vista como “espelho do pensamento”, mas como a responsável por sua estruturação. Os conhecimentos se vão formando simultaneamente à sua expressão linguística. Nesse terreno, é visível a superioridade da escrita sobre a fala: esta última, pela ausência de registro, possibilita desvios de raciocínio, incompletude, contradições etc. ― problemas mais facilmente controlados pela primeira. Há mesmo uma clara relação entre o domínio da língua escrita e o alto grau de desenvolvimento de uma cultura e, já que ela é a ferramenta indispensável para a produção de conhecimentos e ainda bastante importante para a manutenção dessa soma de conhecimentos acumulada ao longo do tempo, é imprescindível que seja utilizada de modo adequado, pois uma ferramenta defeituosa certamente não produz uma boa obra. Níveis de linguagem e variantes linguísticas Ao uso que fazemos da língua de acordo com o contexto dá-se o nome de nível de linguagem, dividido basicamente em linguagem coloquial ou popular e linguagem formal. Essa linguagem sofre alterações em função de numerosos fatores, como os sociais, culturais, regionais, etários etc. Lembramos que não existe um nível certo ou errado nem na linguagem escrita, nem na falada, se considerarmos que o importante é que a comunicação aconteça. No entanto, um falante, leitor ou escritor 61


competente deve saber adequar o nível à situação, assim prevalecendo a ideia de adequado e inadequado. Para tanto, há a necessidade de organizarmos os códigos que compõem uma língua - daí a existência da norma culta ou padrão, aquela que padroniza o idioma. Como cidadão ou cidadã consciente, que compartilha a ideia de um mundo justo e harmonioso, você deve repudiar quaisquer práticas preconceituosas, incluindo aquelas que envolvem aspectos linguísticos. Uma das habilidades exigidas no Enem é justamente a de “reconhecer a importância do patrimônio linguístico para a preservação da memória e da identidade nacional”. Portanto, também é fundamental reconhecer as variantes linguísticas praticadas por grupos sociais e regionais distintos. Regional É o modo típico de falar em cada região ― o vocabulário, as expressões, as estruturas, a prosódia. Temos como exemplos os falares nordestino, carioca, paulista, gaúcho, caipira ... O falar regional não denota inferioridade, nem tampouco superioridade, mas sim contribui para a riqueza linguística, evidenciando as diferenças culturais por meio das singularidades de uma região. Gíria É um estilo de linguagem que se integra à popular, usado por um grupo social determinado (esqueitistas, funqueiros, entre tantos outros), para o qual interessa que apenas seus membros decodifiquem as mensagens. 62

Vulgar É a linguagem utilizada pelas pessoas que não tiveram acesso aos meios educacionais ou contato com o padrão culto da língua. Importante ressaltar que toda forma de preconceito é condenável, inclusive o preconceito linguístico. Veja na canção abaixo como ocorre o uso de vulgarismos de linguagem, porém sem prejuízo ao texto, sem desvalorizá-lo, ao contrário, reforçando a situação descrita por meio de vários termos que fogem por completo à língua padrão, como “fumos”, “táuba” e “nóis”. Exemplo: “E fumos pro meio da rua Apreciá a demolição Que tristeza que nóis sentia Cada táuba que caía” (Saudosa Maloca, Adoniran Barbosa) DESCRIÇÃO Descrição Denotativa A descrição é denotativa quando a linguagem representativa do objeto é objetiva, clara, direta, sem metáforas ou outras figuras literárias. Na descrição denotativa, as palavras são tomadas no seu sentido de dicionário, único. Denotativas são: As descrições científicas; As descrições que vêm nos livros didáticos etc...


Descrição Conotativa É a descrição literária, na qual as palavras são tomadas em sentido simbólico, ricas em polivalências. Visam a retratar uma realidade além da realidade. Qualidades da boa descrição: Uma descrição é boa quando é viva, animando-se a paisagem com seres vivos e com a presença do homem. Além de viva, a descrição deve ser real e pormenorizada. Descrição real é a descrição em relevo, dotada, podemos dizer, de corpo. Devem ser eliminados todos os pormenores que não se subordinem à impressão geral que se quer dar. O estilo da descrição: a linguagem descritiva exige o vigor e o relevo do termo forte, próprio, exato, concreto. Nos quadros de natureza, por exemplo, a linguagem deve traduzir a cor e a visão, os espaços sem limites, as formas sem contornos, imprecisas, intangíveis, para isso utilizando os termos gerais e abstratos. Exemplos: “De madrugada o frio tomando conta do meu corpo... Nada..,nada, tira este fogo que toma conta meu coração. Longe de espaços vazios, e sim presente no espírito...”

NARRAÇÃO Narrar é discorrer sobre fatos. É contar. Consiste na elaboração de um texto que relate episódios, acontecimentos. Ao contrário da descrição, que é estática, a narração é eminentemente dinâmica. Nela predominam os verbos. Aqui o importante está na ação. No “que aconteceu”. A essência da ficção é a narrativa, respondendo os seus elementos a uma série de perguntas: Quem participa nos acontecimentos?

Personagens

O que acontece?

Enredo

Onde e em que circunstâncias acontecem?

O lugar dos fatos, ambiente e situação

Em síntese, a narrativa de um fato ou vários é feita com base em alguns elementos, tais como: O quê?

O acontecimento a ser narrado

Quem?

O protagonista

Quem?

O antagonista

Como?

A maneira como se desenrolou o acontecimento

Quando?

Tempo da ação

Onde?

Local do acontecimento

Por quê?

Razão do fato

Por isso

Resultado ou consequência 63


Na redação narrativa, o fato é o núcleo da ação, sendo o verbo o elemento valioso por excelência. Ao escrevermos uma narração, é importante que uma só situação a centralize e envolva as personagens. Deve haver um centro do conflito, um núcleo do enredo. A narração distingue e ordena os fatos. A sua essência é a criatividade. O texto narrativo é eminentemente temporal e espacial. Envolve a ação, o que produz a personagem, o agente do processo narrativo. Esta modalidade de texto transita por um fio condutor que leva a uma situação denominada “clímax” ou “nó”, decaindo numa “resolução” ou epílogo. O segredo da narrativa concentra-se no grau de “suspense” criado, bem como no fecho surpreendente. Exemplos de narração: FORMAS DE RELATAR O ENUNCIADO A relação verbal emissor/receptor efetivase mediante o que chamamos discurso. A narrativa vale-se de tal recurso, efetivando o ponto de vista ou foco narrativo. Quando o narrador participa do enredo, é personagem atuante, diz-se que é narrador-personagem ou participante. Isso constitui o foco narrativo ou ponto de vista da 1 ª pessoa.

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A linguagem comercial persuasiva invariavelmente consiste de palavras simples e curtas e de parágrafos breves e fáceis de ler. Não importa a complexidade do assunto ou a complicação do material, você sempre pode transformar tudo num português claro e legível. Para aprender a escrever de maneira mais simples e clara. Orientação A pessoa que redige de modo persuasivo, transporta você em uma viagem, ao contar uma história, ao dramatizar um assunto ou destacar uma oportunidade. ― Finalidade; ― Especificidades; ― Leitor; ― Imagem; ― Zelo. Todos esses aspectos contribuem para tornar seu texto influente. A maior parte dos textos comerciais persuasivos apóia-se inicialmente sobre uma lógica fundamentada, sobre argumentos e fatos coerentes e que intuitivamente fazem sentido para o leitor. Contudo, isso raras vezes é suficiente para tornar um material completamente convincente. Você precisa também de novas idéias, de uma tendência diferente ― talvez de uma perspectiva alternativa.


interpretação de texto CONCEITO O que é um texto? Texto não é um amontoado desorganizado de palavras. O fato de se escreverem palavras existentes na língua, em uma sequência, não significa que se construiu um texto. Exemplo: “O Brasil tem muitos problemas sociais, econômicos e culturais. A presidente Dilma viajou para a Europa porque o meu vizinho matou o meu cachorro. Mas grande parte da pobreza nacional é consequência da violência social, porque a vida sexual das pessoas deve ser responsável e a AIDS é um problema mundial e ninguém entendeu os motivos da viagem da presidente. Use preservativo sempre, presidente, por que foi viajar?” Observe que as palavras utilizadas no texto acima existem em Português, as orações até que apresentam uma construção sintática (sujeito, verbo e complementos) possível. O sujeito concorda com os verbos, os nomes (substantivos, adjetivos, advérbios, etc.) concordam em número (singular/ plural) e gênero (masculino/feminino), ou seja, as palavras apresentam muitas condições para serem consideradas um texto, mas não formam um texto. Por que o grupo de palavras acima não pode ser considerado um texto? Porque são um amontoado de palavras que não formam uma “unidade de sentido” e não preenchem “uma função comunicativa reconhecível e reconhecida” pelo leitor. É um texto incoerente, sem conexão

lógica entre as ideias. Não há relação de sentido entre elas: “A presidente Dilma de viajou” e “meu vizinho matou meu cachorro”, por exemplo. Além disso, essas ideias estão mal conectadas: a palavra “porque” estabelece uma relação de causa, mas a morte do meu cachorro jamais pode ser aceita pelo leitor como causa da viagem da presidente: não há uma adequada coesão ou ligação entre as ideias. Para que haja texto é necessário que haja coesão (conexão no plano gramatical, elementos coesivos como conjunções, pronomes) e coerência (relação lógica entre as ideias) textual. (Sugerimos que você, com ajuda de seu professor, descubra em outras partes do “texto” ao lado a falta de coerência e coesão textual.) Assim, para que você faça uma leitura (e/ ou escreva um bom texto) adequada, é necessário que conheça essas funções dos elementos linguísticos responsáveis pela coesão e perceba as relações lógicas ou a coerência textual. Saber escrever é, na realidade, para muitos, seguir as normas ortografias, mas escrever vai muito mais além... Transporta o mundo através das páginas escritas, transformando opiniões diversas, dando oportunidade de escrever: Temas, notícias, mensagens e outros, expressando seus sentimentos... 65


A INTENÇÃO TEXTUAL Um segundo fator importante para que você possa ser considerado um bom leitor é a compreensão da intenção textual. O escritor sempre escreve com uma intenção, seja para informar, convencer, emocionar, esclarecer o seu próprio texto, seja para criar efeitos artísticos por meio da seleção e combinação das palavras considerando sua sonoridade ou múltiplas relações de sentidos para impressionar o leitor (textos literários). Há alguns elementos materiais que dão pistas sobre a intenção textual, e você poderá criar expectativas e formular hipóteses, antes mesmo de iniciar a leitura, que serão confirmadas ou não no seu decorrer. Você deve verificar a fonte bibliográfica do texto. Se a procedência for um artigo de um jornal ou revista semanal, por exemplo, geralmente o objetivo é informativo, tem intenção mais racional, propondo um debate de ideias, pois pode tratar de fatos econômicos, sociais, políticos, artísticos, religiosos, científicos. Já, se a fonte do texto indicar um livro de ficção ― romance, conto, novela, poesia ―, a intenção do autor deve ser artística, emotiva, não racional. Expressará “valores humanos”, interiores; conflitos presentes nas relações humanas: amor, ódio, compaixão, sofrimento, felicidade, tristeza. O nome do autor (se você tiver alguma informação sobre ele) é importante para identificar o tipo de texto que irá ler. Se o texto foi escrito por Machado de Assis ou Manuel Bandeira, você deve esperar um texto literário, geralmente. Se o autor for um cronista esportivo famoso ou um 66

cientista ou um jornalista, você já criará outras expectativas em relação ao texto que irá ler. Além da procedência e do autor do texto, o título pode revelar o tema e o enfoque dados pelo autor. Um bom título pode ser considerado o menor resumo possível de um texto. Por exemplo, “Soneto da Separação”: do poeta Vinicius de Moraes. Se você levantar a hipótese de que o texto é em versos, terá a intenção de emocionar o leitor e terá como tema a separação social ou amorosa entre pessoas, você acertou. Esse contato preliminar com um texto, seja um livro de muitas páginas ou uma pequena carta, é importante. Se for um livro, folheie-o, veja o número de páginas, o tipo de papel, analise o título geral e os títulos dos capítulos no índice. Veja se conhece o autor; a Editora se publica apenas livros técnicos, teóricos, didáticos ou de ficção. Leia os comentários na contracapa, nas “orelhas” do livro, o início de alguns capítulos; se for um pequeno texto, analise o seu número de linhas, leia pequenos trechos iniciais. Enfim, esse contato “material” inicial vai preparar seu “espírito”, gerar expectativas em relação ao conteúdo, ao vocabulário, à forma de construção do texto e formará um fio condutor para a sua leitura. Exemplo: “Por que você está com a cara amarrada?” A criança poderá interpretar a primeira frase imaginando uma casa com as mãos no chão, “plantando bananeira’: como se fosse uma pessoa. Ao ouvir a segunda oração, imaginará uma corda ou um fio dando voltas na cabeça, amarrando o rosto. Talvez ela não entenda a expressão “casa de cabeça para baixo” como sinônimo de


“casa bagunçada ou em total desordem” e nem a expressão “cara amarrada” como “fisionomia sisuda, brava ou contrariada, sem alegria”: O sentido original das palavras é chamado de significado denotativo ou denotação. Ao significado simbólico ou figurado, que varia conforme o contexto ou situação em que a palavra é empregada, damos o nome de significado conotativo ou conotação. Assim, o significado que a criança atribui às expressões “casa de cabeça para baixo” = “casa plantando bananeira” e “cara amarrada” = “rosto enrolado e preso com uma corda” é o significado “ao pé da letra”, o significado denotativo. Já a interpretação dessas expressões como “casa bagunçada” e “pessoa séria, carrancuda” é o sentido simbólico ou significado conotativo. Se você interpretar as palavras de todos os textos que vier a ler “ao pé da letra’: em seus significados denotativos, poderá gerar muitas confusões. Após o contato inicial com o texto, analisando seus dados bibliográficos e uma primeira leitura, você terá de responder à pergunta: trata-se de um texto literário ou de um texto não literário? Ou seja, a intenção do autor foi construir um texto artístico (em prosa ou em verso) ou um texto informativo, racional, propondo debate de ideias, como um artigo de jornal ou revista? Se você estiver diante de um texto literário, terá sido construído em linguagem conotativa, simbólica ou metafórica (de metáfora), que você terá de interpretar. Se for um texto não literário, seu trabalho de compreensão será mais racional, no plano das ideias, não das emoções.

O SENTIDO LÓGICO E O SENTIDO SIMBÓLICO DAS PALAVRAS A tendência da criança é possuir uma forma de pensamento mais concreta, tendo o raciocínio abstrato pouco desenvolvido. As palavras, geralmente, são compreendidas em seu significado original, concreto. Exemplo, se ela ouve frases como: “Você deixou a casa de cabeça para baixo.” GRAUS DE COMPREENSÃO DOS TEXTOS Todos os textos nascem “do mundo”, em determinados contextos socioculturais, cujos conhecimentos são pré-requisitos para que você faça uma boa interpretação de qualquer texto escrito. O grau de compreensão dos textos varia com: A faixa etária. Não se espera de uma criança de dez anos a compreensão de textos a respeito de legislação tributária. Há um processo de amadurecimento físico, intelectual e linguístico natural pelo qual a criança passa, se estiver em um ambiente social adequado. Uma pessoa de trinta anos deveria ter um grau de compreensão mais amadurecido do que uma criança de dez anos, pois sua experiência como leitor teoricamente deve ser maior. (É bom observar que a desnutrição ou subnutrição pela qual passa um número vergonhoso de crianças traz-lhes consequências irreparáveis ao desenvolvimento físico e intelectual; a falta de condições de acesso à escola e/ou o estado precário em que se encontra a Educação no país, além de outros fatores, apesar de parecerem alheios ao processo do amadurecimento da leitura 67


da criança, são de vital importância, mas infelizmente o seu professor não terá condições de resolvê-los.) Conhecimento do mundo. Todos os textos nascem “do mundo”, em determinados contextos socioculturais. Quem nunca trabalhou nem estudou não conhece os problemas vividos pelo estudante do período noturno. Quem não se casou, ou não teve nenhum relacionamento amoroso, não entende exatamente as consequências de uma separação, ainda que possamos ter o domínio teórico sobre qualquer assunto pela leitura. Ninguém poderá ou mesmo deverá vivenciar todas as experiências do mundo. A leitura (e o convívio social) é uma das formas de preencher essas lacunas em nossa existência. Mesmo sem sermos um menor abandonado nas ruas pela sociedade, podemos tomar consciência do problema lendo sobre ele. Você não pode ser um leitor passivo, deve construir sua leitura juntamente com o escritor, por meio de seu “conhecimento do mundo”. O mestre Paulo Freire, um dos maiores educadores brasileiros, afirmou que a “leitura do mundo” precede, ou deve vir antes, da leitura do texto escrito. Até pessoas não escolarizadas sabem ler os fatos do mundo e interpretá-los. Quando você não consegue ler um texto escrito, você não deve sentir-se inferiorizado, pois pode ser que você ainda não leu o fato do mundo sobre o qual o texto escrito trata, ou seja, você não partilha (não viveu) o conhecimento que o escritor deseja transmitir. Leia o conceito presente no livro A Coerência Textual (de Ingedore G. Villaça Koch e Luiz Carlos Travaglia, 6. ed. São Paulo: Ed. Contexto, 1995, p. 31-32, cole68

ção Repensando a Língua Portuguesa): “ ... coerência é algo que se estabelece na interlocução, na interação entre dois usuários (da Língua) numa dada situação. Possivelmente em função disso, Charolles - 1979:81 afirmou que a coerência (lógica textual) seria a qualidade que têm os textos pela qual os falantes reconhecem como bem formados, dentro do mundo possível ... Diz ainda que a boa formação de um texto ocorre quando os falantes têm a possibilidade de “recuperarem o sentido de um texto” ... “Recoloca-se, assim, a coerência como princípio de interpretabilidade, dependendo da capacidade dos usuários de recuperar o sentido do texto pelo qual interagem (ou dialogam), capacidade essa que pode ter limites variáveis para o mesmo usuário dependendo da situação ou para usuários diversos (diferentes), dependendo de vários fatores (como grau de conhecimento do assunto, grau de conhecimento de um usuário sobre outro, grau de integração dos usuários entre si e/ ou no assunto etc.)”. Exemplificando: se determinado autor escrever sobre a Teoria da Relatividade e você não tiver nenhum conhecimento dos princípios da Física, você não entenderá nada, pois o conhecimento não é partilhado entre o autor e você; se você adquiriu conceitos básicos, entenderá um pouco; se você estudou a teoria de Albert Einsten, você entenderá facilmente o texto. A sua compreensão seria parcial ou nula até mesmo de textos que tratam de costumes ou hábitos culturais (como rituais religiosos, cerimônias de casamento, o encontro com os amigos para um “pagode”, certas regras de etiqueta à mesa, procedimentos


burocráticos de um processo judicial, crônicas esportivas), se você não estiver familiarizado com esses assuntos. O grau de instrução formal ou a da formação escolar. Geralmente é na escola que se adquire o conhecimento orientado e organizado dos livros. Espera-se um maior preparo intelectual de um jovem universitário do que de um jovem que parou seus estudos na 5º série do Ensino Fundamental, ainda que existam pessoas autodidatas, ou seja, que, por meio de esforço próprio, de intensa leitura, apresentam um grande domínio de muitas áreas do conhecimento humano. O hábito da leitura. Quanto mais lemos, mais experiência adquirimos, desenvolvemos nosso potencial e melhoramos nosso desempenho como leitor. Leitura é prática. Só dessa forma desenvolvemos o nosso conhecimento léxico, ou seja, ampliamos nosso vocabulário de palavras conhecidas. Uma parte desse vocabulário é ativa, usamos efetivamente em nossa vida diária; a outra parte é passiva ou virtual, ou seja, sabemos o significado das palavras quando as lemos, mas não as utilizamos em nosso dia a dia. Além do léxico, desenvolvemos também outros domínios linguísticos, como diferentes formas de construção sintática, isto é, formas de combinar palavras ou de construção de frases. Por isso também podemos afirmar que há péssimos leitores universitários. Convém notar que não há textos isolados, existe a intertextualidade: um texto determinado dialoga com outros textos que já foram escritos sobre um mesmo tema, de forma direta, pela citação; ou indireta, pela semelhança ou retomada do mesmo tema.

Dificilmente há um texto inteiramente original, sobre um assunto que ninguém ainda tenha escrito. A originalidade consiste no enfoque (ponto de vista ou abordagem dada ao tema). Um texto é um acúmulo de outros textos. Daí também a importância da prática da leitura. FIGURAS DE LINGUAGEM Estabelecemos dois tipos básicos de textos: o literário e o não literário. O conhecimento dos conceitos das principais figuras de linguagem é um importante instrumento auxiliar para a análise dos textos literários, especialmente. A linguagem figurada ou simbólica surge da necessidade que temos de dar maior expressividade (ou vigor ou beleza das palavras) ao texto, que, geralmente, apresenta intenções literárias ou artísticas. Assim como no cinema, por exemplo, o texto literário quer sensibilizar o leitor e para isso precisa criar “efeitos especiais” com as palavras para que possam sugerir imagens ou focos diferenciados da linguagem comum do cotidiano. As figuras de linguagem, portanto, surgem do trabalho artístico da forma de escolha e combinação das palavras na frase, de modo a provocar a possibilidade de associações de ideias pela aproximação de sentidos múltiplos, conotativos (opostos e/ou semelhantes), e de sonoridade (especialmente na poesia) das palavras. Com as figuras de linguagem não se busca uma expressão racional, lógica e única do pensamento. Pelo contrário, tornam o texto subjetivo, aberto a inúmeras interpretações dos leitores, de acordo com suas experiências e visão de mundo. Por isso não se pode fazer uma leitura denotativa do texto 69


literário; ao contrário, deve ser simbólica, conotativa: a palavra figurada deve variar de significado conforme o contexto, nem sempre pode ser tomada “ao pé da letra”, como já comentamos anteriormente. A seguir apresentaremos, sinteticamente, as principais figuras de linguagem. Metáfora (do grego meta = mudança + fora = transporte). É a transferência ou transporte do significado total e possível de uma palavra para outra palavra. Aristóteles, filósofo grego, assim define essa figura: “consiste em transportar para uma coisa o nome da outra”, sendo “uma espécie de comparação sem a locução comparativa”: Assim, usamos palavras que apresentam uma proximidade simbólica de sentidos. O conceito de metáfora é a base do surgimento das outras figuras de linguagem. Exemplos, a metáfora: “Maria é a estrela do filme.” Nesta metáfora transferimos os sentidos possíveis da palavra estrela, simbolicamente, para a atriz. A estrela, no sentido denotativo, literal, é um corpo celeste, que brilha, se destaca dos demais astros à noite, está acima, no alto. A atriz também brilha, destaca-se mais que os outros artistas, está acima deles, executa “brilhantemente” seu papel. Em outra situação, a metáfora com a palavra estrela poderia ter um sentido negativo: “Deixa de ser estrela, menino. É melhor pendurar uma melancia no pescoço.” 70

Neste caso, estrela é aquele presunçoso que deseja aparecer, estar por cima, mas não tem o reconhecimento dos outros. Outros exemplos: “Minha vida é um palco iluminado.” (vida de artista, cheia de brilho, admirada por todos etc.) “Eu sou a mosca que pousou na sua sopa.” (incomoda, dá nojo. O eu lírico é essa mosca para o leitor) “A noite é uma criança.” (despreocupada, “irresponsável”, é nova, está no começo da vida, que se espera seja longa) “Estas altas árvores são umas harpas verdes com cordas de chuva que tange o vento.” (os galhos compridos da árvore lembram cordas de uma harpa verde tocadas pela chuva) Observe que os elementos da metáfora são ligados pelo verbo ser, geralmente, ainda que seja possível metáforas sem o verbo: “No meio da mata virgem nasceu Macunaíma” (A mata é virgem.) Comparação É uma espécie de metáfora que estabelece uma associação mais limitada de sentidos. As palavras são aproximadas por termos de comparação: como, parece, tal qual etc. “Você é burra como uma porta.” A associação de ideias limita-se apenas no sentido da inteligência: você e a porta não são inteligentes. Agora se falasse “Você é uma porta”. O leitor


poderia fazer muitas outras transferências de traços semânticos, ou sentidos. Além de não inteligente, a porta é parada, sem iniciativa, insensível, surda, assexuada etc. Então é isto: metáfora permite a transferência ilimitada de sentido, e comparação é uma metáfora limitada. Entendeu? Exemplos: “Tal qual o sol que deseja a vinda do dia, eu desejo sua presença.” “Eu e você parecemos o sol e a lua: não podemos viver um perto do outro.” Metonímia (do grego, significa além do nome, mudança de nome). Baseia-se na relação de proximidade ou vizinhança de sentidos que se transferem. Há muitas relações metonímicas, como: Parte pelo todo Exemplo: As velas aproximam-se. (barcos)

Recipiente pelo conteúdo Exemplo: Tomei um copo de água. Produto pela sua origem Exemplo: Comprei um Porto muito bom. (cidade de Portugal, famosa por seus excelentes vinho.) Produto pela marca Exemplo: Vou tomar uma Antarctica. (cerveja, refrigerante) Do concreto para o abstrato Exemplo: Nossa juventude não tem perspectivas de futuro. (jovens) O estádio vibrou com o belo gol de letra. (torcedor pelo local)

Matéria pelo produto Exemplo: Os bronzes badalam no alto da igreja. (sinos)

Antonomásia é um tipo de metonímia: substitui o nome da pessoa por uma qualidade ou realização que apresenta. Exemplos:

Autor pela obra Exemplo: Já li Machado de Assis e Drummond. (as obras desses autores)

O rei do rock morreu triste. (Elvis Presley)

Causa pelo efeito (ou vice-versa) Exemplo: Vivo do suor de meu rosto. (trabalho) Respeite meus cabelos brancos. (idade avançada)

O pai da aviação é brasileiro? (Santos Dumont) A cidade maravilhosa está violenta. (Rio de Janeiro)

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Ironia Ocorre quando se tem intenção de falar o contrário do que se está dizendo, para criticar, satirizar ou ridicularizar a pessoa.

“Dona Cômoda tem três gavetas. E um ar confortável de senhora rica.” Hipérbole

Exemplos:

Expressão que exagera os fatos a fim de impressionar o leitor.

“Querida, como você está em forma! Aposto que não pesa nem duzentos quilos.”

Exemplos:

“Moça linda, bem tratada Três séculos de família Burra como uma porta:

“Já falei mil vezes para você confiar em mim.”

“Um amor!” “Coitadinho do assassino! Foi condenado?” Eufemismo

“Riu tanto que rasgou a boca.” “Rios de pranto e de sangue que pareceram tão grandes.” (Cecília Meireles) Antítese

É a tentativa de tornar mais suaves ou delicadas expressões desagradáveis ou que causam má impressão.

É o uso de palavras de sentidos opostos (antônimos) para expressar contradição.

Exemplo:

“Não sou alegre nem triste, sou poeta.”

“Onde estão todos? Estão todos dormindo (mortos). Estão todos deitados. Dormindo.” (Manuel Bandeira)

“Morte e Vida Severina.”

“Foi desta vida para outra melhor”. (morreu). “Caro deputado, o senhor está faltando com a verdade (mentindo). Cometeu apropriação indevida de bens (roubou).”

Exemplos:

“Uns buscam o bem; outros o mal.” Gradação É a colocação de ideias na ordem crescente (chamada de clímax) ou na ordem decrescente (chamada de anticlímax). Exemplos:

Prosopopeia ou personificação É a atribuição de características humanas a seres irracionais ou de seres animados a seres inanimados. Exemplo: “As ruas desertas estão tristes.” (Mário Quintana) 72

“Na manifestação popular começaram a chegar dez, cem, mil, dez mil pessoas parando o trânsito.” anticlímax “Começou a ficar pobre, perdeu milhões de dólares na Bolsa de Valores; cem mil reais no Jockey; a poupança de 30 mil do filho; as joias da mulher; a primeira casa humilde em que morava antigamente.” (anticlímax)


Catacrese É o uso inapropriado de termos específicos de certas situações ou para designar partes de objetos por falta de termos apropriados na Língua, ou mesmo, com finalidades artísticas realçando uma ideia ou um sentimento. Exemplo: O bico do bule. A asa da xícara. A perna da mesa. “Sabe o que a cadeira falou para a mesa? Feche as pernas que estou vendo tudo.”. Aliteração É a repetição abundante de consoantes dentro da frase, com intenção de sugerir certos sons ou ruídos, criar um certo clima, agitação, tranquilidade. Exemplo: “Vozes veladas, veludosas vozes, volúpias de violões, vozes veladas.” (Cruz e Sousa)

Onomatopeia É uma figura sonora que procura reproduzir ou imitar sons ou ruídos. Exemplos: Ploc, ploc, ploc. Passou um cavalo. Tiquetaque, tiquetaque. Monotonia das horas. Polissíndeto É a repetição insistente da conjunção e que cadencia o ritmo fluente do verso, sem criar pausas ou fragmentação. Exemplos: “E fala e ri e gesticula e grita.” (teus olhos) “Entrava-nos alma adentro e via esta lama podre e com pesar nos fitava e com ira amaldiçoava e com doçura perdoava.” (Carlos Drummond de Andrade) A conjunção e faz as ideias fluírem sem pausas das vírgulas, como flashes consecutivos: e ee.

O som da consoante vibrante V sugere o dedilhado melancólico do violão ao longe. Assonância É a repetição de vogais.

A ausência total de conjunção chama-se Assíndeto. Exemplo: “Falava, gesticulava, (e) gritava”.

Exemplo: “O formas alvas, brancas, formas claras.” (Cruz e Sousa) A repetição da vogal aberta A sugere luz, luminosidade. 73


Modelo de redação REDAÇÃO ESCOLAR O Velho Navio Na praia do nosso porto, acha-se, no meio de destroços e ruínas, um pobre e velho navio abandonado, posto de lado por não prestar mais. Ele jaz ali exposto a todas as intempéries. Um dia em que esse bom e fiel servo se aquecia à doce e benigna influência dos relos do astro da primavera, parecia refletir sobre sua sorte, sobre sua vida já extinta quase; lembrar-se também da primavera dos seus anos, rememorar os falos mais salientes do seu passado. Ouvimos-lhe a voz plangente e aí vai o que conseguimos aprender na sua fala meio articulada e tão fraca. Principiara a sua carreira nos estaleiros da poderosa Inglaterra, a Rainha das Águas; figura ainda o seu nome no rol extensíssimo de navios construídos por aquela nação. Depois de sair das mãos dos operários ingleses, foi vendido a uma companhia marítima fazendo o serviço entre o velho e o novo continente. Quando, pela primeira vez, sulcou as águas do grande Oceano, andava como gigante, altivo e soberbo: parecia ufanar-se do seu poder e majestade, afrontando a tempestade mais medonha, os escolhos e perigos de toda a sorte. Nesta viagem, passou pelo Brasil, a Argentina, descendo depois ao estreito gelado de Magalhães, indo assim mergulhar nas águas do Pacífico e seguindo pela costa da América Meridional até aportar no litoral mexicano. Voltou então pelo mesmo roteiro, efetuando uma comprida e belíssima travessia. Entre os passageiros que levara, os quais eram mais de um milheiro, havia missionários, contavam-se várias personagens distintas e numerosos imigrantes. Enfim, ao cabo de dez ou doze anos de trabalho, muda ainda outra vez de dono, para tornar a ver a linda América. Já se fazia velho o nosso navio, porém desempenhava regularmente a sua tarefa. Foi numa dessas últimas viagens que presenciou um naufrágio. Depois de ter passado o Mediterrâneo e o estreito de Gibraltar, encontrou-se com uma chalupa onde estavam algumas mulheres e crianças em estado lamentável: foram recolhidos a bordo, recebendo os cuidados necessários. Não havia que duvidar, eram náufragos que a custo tinham podido salvar-se da morte. Sem mais informações, o comandante dirigiu a marcha para o lado mais provável do desastre. Viram outras chalupas à mercê das ondas; ao longe, marinheiros e mais gente lutando contra os horrores da morte que os ameaçava: enfim, cadáveres flutuando à superfície das águas. Puderam recolher quase duzentas pessoas ainda com vida. Tudo isto presenciou ele: cenas de dor e de amarguras, de tristeza e de luto eterno! Cenas que não podem ter descrição, nem deixar de voltar à memória de quem a elas assistiu. Sem a chegada provi74


dencial dele, quantas pessoas teriam perecido e agora abençoam seu nome. Mas, após ter atravessado tantos mares, ter feito trabalhos sem conta, este bom servo está para acabar a sua carreira. Chegara o último ano de serviço e, enfim, a última viagem. Depois de sofrer diversas avarias, foi posto fora de uso, ficando encalhado na praia. É assim que cada causa dura certo tempo; o homem usa dela; quando ela já não pode mais servir, fica abandonada para sempre. Tudo na terra nasce, vive e morre! Só a alma do homem é imortal! (Melhor redação de um concurso realizado no Recife) REDAÇÃO COMERCIAL Regras Usa-se a redação comercial na troca de correspondência entre o comércio, a indústria e as empresas prestadoras de serviço.

Carta comercial é a correspondência cujo teor está sempre relacionado às atividades de negócios. Eis suas principais características: 1. O papel para uso dela é, em geral, timbrado, no alto com o nome e especialidade da firma.

Como em toda correspondência escrita, espera-se de quem a escreve:

2. Logo abaixo e à direita do timbre, põese o nome da localidade e a data.

Clareza - para que seja a mensagem corretamente compreendida.

3. O nome e o endereço do destinatário virão à esquerda do papel, abaixo da epígrafe (localidade e data).

Feita a redação, perguntar-se: “Quem vai ler entenderá o que realmente quero dizer?” Correção ― para demonstrar o cuidado do remetente para com o bom uso da linguagem. Estética ― para que o destinatário tenha boa impressão de quem a enviou e lhe dê a maior atenção.

Os erros que, por acaso, forem cometidos, serão corrigidos com a ressalva digo e a forma correta em seguida.

4. Abaixo do endereço, com espaços intermediários, vem a invocação, que deve ser impessoal (Prezado(s) Sr.(s).. Senhor Presidente etc.). 5. O texto deve ocupar o centro da folha e ser redigido com clareza e concisão. 6. O término é em geral imutável e consta de votos de amizade e de respeito (Ex.: Atenciosamente, Respeitosamente). 7. Toda correspondência comercial deve ser digitada com cópia, ou manter arquivo no computador. 8. Não se deve esquecer as margens do papel. A margem esquerda será mais larga que a direita. 75


9. Pode conter exposição de assunto na referência. 10. Pode conter iniciais de quem redigiu e de quem digitou. Exemplo: DESAFIO EDITORIAL Distribuidora de Livros Ltda. Av. Manoel Borba, 767 Recife - PE Recife, 20 de maio de 2013. Ilmo. Sr. Ótavio Bandeira Rua Afrânio Duarte, 615 São Paulo - SP Saudações: Confirmamos ter recebido a solicitação de remessa nº 49/81, de 2 de abril. Agradecemos sua preferência pelo nosso atendimento. Pedimos escusas por não termos remetido a referida encomenda, por estarmos em falta com 2 modelos para nova propaganda. Queremos adiantar que seu pedido será remetido por via aérea, já no dia 22-5-13. Nada mais havendo, reafirmamos os nossos votos de elevada estima e consideração. Atenciosamente, José Carlos Gerente Certificado O que vem contido em uma certidão; documento em que se certifica alguma coisa; documento comprobatório; documento que atesta alguma coisa. Exemplo CERTIFICADO Certifico que o professor______________________________ foi cedido à Secretaria da Educação, no período de_____a______. . Olinda, _____________ Diretor 76


Ata Narração, por escrito, do que se passou em uma sessão, em uma assembleia, em uma reunião, em uma cerimônia. É um documento que registra as ocorrências e, depois de lavrada e discutida, é submetida à apreciação dos participantes da reunião e assinada por eles. A Ata não se divide em parágrafos, não tem espaços em branco e, por isso, os períodos são contínuos, sem mudança de linha. Ata da 25ª Assembleia-Geral Extraordinária de Comércio de Tecidos S/A. Aos quinze dias do mês de março de dois mil, reuniram-se às quatorze horas, as acionistas da..., em sua sede, na Rua..., nesta capital, representando 100% (cem por cento) do capital social, conforme assinaturas lançadas sobre a seguinte ordem do dia: a) autorização para membros da Diretoria empreender viagem de negócios ao exterior; b) outros assuntos de interesse da sociedade. Comprovada a existência da totalidade dos acionistas, o Sr. Diretor-Presidente, assumindo a direção dos trabalhos, na forma dos Estatutos Sociais, declarou instalada a presente Assembleia e apta a deliberar sobre a matéria constante da ordem do dia, uma vez que se faz desnecessária a prévia publicação do respectivo edital de convocação pela imprensa, segundo a Portaria, tendo em vista o comparecimento da totalidade dos acionistas da Empresa, convidando a mim, para secretariar os trabalhos. Assim, constituída a mesa, esclareceu o Sr. Presidente, quanto ao item “a” da ordem do dia, que era de toda a conveniência da sociedade o envio de um de seus Diretores... ao ..., a fim de visitar empresas congêneres, trazendo as novidades de interesse geral, bem como estudar a aquisição de novo maquinário para a indústria. Pedindo a palavra que lhe foi concedida, o Diretor... No item “b” da ordem do dia, como ninguém fizesse uso da palavra, deram-se por encerrados os presentes trabalhos pelo tempo necessário à lavratura da presente Ata que, após a reabertura dos trabalhos, foi lida e aprovada por unanimidade, sendo assinada pelos acionistas presentes. São Paulo, 15 de março de 2009. (Seguem as assinaturas)

São Paulo, 15 de março de 2009. Secretário

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Circular A mensagem dirigida a vários destinatários para transmitir avisos, ordens ou pedidos. É reproduzida em várias vias: uma para cada pessoa, empresa ou entidade que deve recebê-la. Contém: timbre; título e número (circular nº 11/96, por exemplo); data (sem o nome da localidade); ementa (resumo do assunto); invocação, precedida do tratamento adequado; texto (explicação do assunto); despedida sucinta; assinatura sobre o nome civil digitado; cargo de quem assina. Ao pé da página, indicam-se as iniciais de quem redigiu a circular e de quem a digitou. FUNDAÇÃO BENEFICENTE LUZ CELESTE CNPJ: 35.496.709/0001-02 Rua Viaduto Moreira da Rocha, 300 60060-460 - FORTALEZA - CEARÁ CIRCULAR Nº 28/96. Em 18 de maio de 2009. Ementa: Desautorização de funcionária Senhores colaboradores: Comunicamos a V. Sª que a Srª Leontina Hilária Mainardes se desligou desta Fundação a 15 de maio de 2009. Em consequência disso, está desautorizada a agir sob qualquer pretexto em nome desta entidade. Atenciosamente, Arminda Sueli Cantanaro PRESIDENTE

Contrato Acordo entre duas ou mais pessoas que transferem entre si algum direito ou se sujeitam a alguma obrigação. É um documento que estabelece um acordo entre pessoas ou entidades, podendo também o governo constituir uma das partes.

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Contrato Social Civil Que entre si, fazem ..., brasileiro, casado, maior, do comércio, residente e domiciliado nesta cidade de..., Estado de..., portador da Identidade RG nº..., série..., expedida pelo Instituto de Identificação do..., e..., brasileiro, solteiro, empresário, residente e domiciliado nesta cidade de..., Estado de..., portador da Identidade RG nº ..., série..., expedida pelo Serviço de Identificação de..., sob as cláusulas e condições seguintes: Primeira: A sociedade civil ficará sob a denominação de ..., e terá sua sede matriz na Rua ..., nº..., nesta cidade..., Estado de... Segunda: A presente sociedade terá como exploração o ramo de... Recife... de... de... Assinatura dos contratados Assinatura das testemunhas Procuração Documento em que legalmente se consigna a incumbência que alguém dá a outrem para tratar de negócios em seu nome. É passada em cartório. É um documento no qual uma pessoa lega a outra poderes para agir em seu lugar, isto é, em seu nome. Há dois tipos de procuração: pública (quando lavrada em cartório) e particular (quando lavrada de próprio punho). Diz-se Constituinte àquele que delega os poderes e Procurador ao que irá representar o Constituinte. Nomeio e constituo meu bastante procurador o Sr..., brasileiro, casado, advogado, residente e domiciliado nesta cidade, para o fim de representar-me na reunião do dia..., nessa sede social, para o que lhe concedo todos os poderes necessários para opinar, discutir e aprovar em meu nome, inclusive substabelecer esta. São Paulo, ...de... de... Assinatura

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Parecer Opinião técnica sobre determinado assunto. É a opinião sobre um ato, como conclusão de um processo. Parecer do Conselho Fiscal Os membros do Conselho Fiscal do Banco..., tendo examinado o Balanço Semestral e a Demonstração da Conta Lucros e Perdas, encerrado em ... de janeiro de 2009, correspondente ao segundo semestre, e encontrando tudo em ordem, são de parecer que devem merecer a aprovação da Assembleia-Geral Ordinária. Recife, ... de ... de ... Assinaturas Recibo Declaração, por escrito, em que alguém (pessoa ou empresa) declara ter recebido de outrem o que nele estiver especificado. O recibo é a prova de que se realizou uma transação. Eis as suas características: 1. Pode conter no alto o timbre da firma que o fornece. Nas papelarias, encontram-se blocos de recibos já impressos. 2. Deve ser redigido com cópia para que ambas as partes possuam prova da transação. 3. É fornecido pela pessoa ou firma que recebe o dinheiro ou coisa em questão. 4. No alto do papel e no centro, escreve-se a palavra RECIBO. 5. No canto direito, depois de um espaço de separação, escreve-se o valor da transação em algarismos. 6. O corpo do recibo contém claramente os dados da transação. 7. Depois do espaço de separação, escreve-se o nome da pessoa que fornece o recibo sob uma linha. A assinatura se faz sobre a linha. 8. Em certos casos, é aconselhável que duas testemunhas assinem o recibo e estejam identificadas. 9. Quando emitido por pessoa jurídica (firma) pode haver obrigatoriedade de retenção de Imposto de Renda na Fonte. Nesse caso, o fato deve ser mencionado com o respectivo valor e o líquido a receber.

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RECIBO R$ 80,00 Recebi do Sr. Ivo Gaspar a quantia de R$ 80,00 (oitenta reais), referente à venda de uma caneta prateada, fabricação americana, marca Parker. Três Corações, 10 de outubro de 2008. Goretti França Relatório Exposição prévia dos fundamentos de um decreto, decisão etc. Exposição de todos os fatos de uma administração ou de uma sociedade. Trata-se de uma exposição de todos os fatos de uma administração, especialmente, com a finalidade de prestar contas. Empresa... Relatório da Diretoria. Senhores Acionistas: Em cumprimento às disposições legais e estatuárias, submetemos à sua apreciação o Balanço Geral, referente ao exercício de 2008, a demonstração da conta “Lucros e Perda” e o parecer do Conselho Fiscal. No exercício que encerrou tivemos o imenso prazer de participar na subscrição do capital inicial da..., com R$... (...). A nossa carteira de ações alcança hoje R$... (... ), quase todo da... de grande valor. O nosso capital foi aumentado de R$ ... (...) para R$ ... (...) com incorporação do Fundo ..., passando o valor nominal das ações de R$ ... para R$ ..., ... e o nosso patrimônio de ... R$ ... para ... Finalmente nos colocamos inteiramente à disposição de V.Sª para todos os esclarecimentos que se fizerem necessários. Rondônia, ... de ... de ... Assinaturas Balanço Geral em: ... Ativo ... Passivo ...

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Currículo É o documento de apresentação de uma pessoa para fins de concurso a vagas no serviço público ou nas empresas privadas. Tanto para os profissionais que já estão há vários anos no mercado de trabalho quanto para aqueles que estão iniciando. Hoje, preparar um bom currículo é fundamental na busca por uma vaga. O Curriculum Vitae (percurso ou histórico profissional) é porta de entrada para apresentação dos candidatos, uma peçachave que pode definir a chance de uma entrevista. Apresentar-se bem é requisito fundamental nas duas etapas. Assim, resumir suas qualificações requer saber transformá-las em oportunidades para as empresas que estão à procura de bons profissionais. Para elaborar um bom currículo ― um pequeno conjunto de dados biográficos que possa lhe auxiliar a dar um primeiro passo na escalada de sua carreira profissional ―, é necessário ter sempre em mente alguns detalhes importantes, que fazem a diferença na opinião dos selecionadores: Apresentação A primeira impressão é a que fica ― Um currículo bem apresentado, claro e objetivo contribui para que suas chances sejam maiores. Selecionamos aqui algumas dicas que você não deve esquecer: Caça aos erros ― Procure eliminar quaisquer erros de ortografia. Na dúvida, consulte um dicionário. Não use corretivo sobre o texto, não faça rasuras ou borrões. Um texto limpo conta pontos para passar uma imagem de interesse e responsabili82

dade de quem o redigiu; Releia sempre o que está escrevendo ― As ideias devem estar claras para o leitor, a fim de que ele possa captar no texto as informações procuradas; Quando escrito à mão, o texto deve estar legível ― De forma que não ofereça dificuldades na compreensão das palavras, o que poderia causar desinteresse por parte do examinador; Quando elaborado em computador ― Deve ser diagramado de forma simples, sem abuso de recursos de computação gráfica. Simplicidade é sinônimo de objetividade; Não escreva na 3ª pessoa ― Procure descrever suas aptidões, com expressões do tipo “início de carreira em”, “curso de ... com especialização em”, fazendo uma relação de acordo com o item do currículo; Como o currículo deve resumir um pouco de suas qualificações, procure utilizar no máximo 2 a 3 páginas, resumindo as informações de forma a condensar os dados; Ao enviar o currículo, grafe sempre, de forma correta, o nome da pessoa que irá recebê-lo; Foto ― Só deve ser anexada quando solicitada. Separamos aqui alguns itens essenciais, que devem estar relacionados no seu currículo. Dados Pessoais: Apresente neste item os seguintes dados: Nome Idade


Estado Civil Endereço Telefone de contato Não há necessidade de se estender muito, colocando outros dados ou número de documentos como RG, CIC, Reservista etc. Confira sempre o telefone anotado e, caso seja telefone de recados, coloque também o nome da pessoa responsável. Área de Interesse Experiência Anterior Mencione a área pretendida e detalhe as mais importantes atividades desenvolvidas nas experiências anteriores, relacionando as suas qualificações. Tente ser claro e objetivo, não faça um texto embolado ou pomposo. Escolaridade Histórico Escolar Formação Acadêmica Pode-se iniciar pelo último curso realizado, colocando o ano de conclusão ou a data de início, se ainda estiver cursando. É importante não deixar de identificar o nome da instituição de ensino. Relacione os demais cursos sempre com o nome da escola e a data de conclusão. Cursos de Aperfeiçoamento ― Cursos de Especialização Quando existirem, deve-se abrir um item específico para cada um deles, definindo a área em que foi realizado o curso.

Cursos Extracurriculares Cursos, idiomas que aprendeu, técnicas que passou a dominar, entre outros, devem estar aqui apresentados. Se algum dos cursos que realizou estiver diretamente ligado à área pretendida, procure deixá-lo em primeiro lugar e detalhá -lo também um pouco mais. Especifique aqui cursos de língua, de informática, digitação etc. Em relação aos cursos de língua, é importante deixar claro o seu nível de fluência. Da mesma forma, refira-se aos programas de informática que domina. Experiência Profissional Relacione as empresas para as quais já trabalhou. A ordem é inversa à cronológica, ou seja, deve-se mencionar o trabalho mais recente em primeiro lugar, em seguida o anterior a ele, e assim por diante. Anote sempre a data de entrada e saída, além do cargo ocupado ou a função desempenhada e a área empresarial. REDAÇÃO OFICIAL Regras É a correspondência trocada entre órgãos públicos e outros organismos de governo ou entre eles e os cidadãos ou entidades civis. Suas características são: 1. O papel utilizado: ofício (22 cm x 32 cm), em geral com timbre. 2. Abaixo do timbre vem a indicação do número do ofício seguido de uma barra oblíqua e dos algarismos finais do ano 83


em curso. 3. Na mesma linha de numeração, à direita, localidade e data. 4. Abaixo, à esquerda do papel, depois do espaço de separação, vem a indicação do remetente, do destinatário e do assunto (ementa). 5. A invocação vem depois do espaço de separação e é sempre impessoal. 6.

O texto do ofício vem a seguir.

7. O término do ofício vem separado do texto por espaço.

8. Deixando-se espaço de separação, coloca-se sob uma linha o nome do remetente, indicando-se embaixo o cargo que ocupa com letras maiúsculas. A assinatura será feita sobre a linha. 9. Na parte inferior do papel, à esquerda, são escritos o nome e o endereço do destinatário. 10. Ao pé da folha, à esquerda, aparecem as iniciais do redator e as do digitador, separadas por uma barra. 11. Os ofícios são digitados com cópia para os arquivos da entidade que expede.

GRÊMIO CLUBE DE FUTEBOL Av. Caio de Macedo, 1428 Edifício Carlos Prado, sL. 7-8 Vassouras - RJ Ofício 29/08 2008.

Vassouras, 20 de setembro de

Do Presidente do Grêmio Clube de Futebol Ao Ilmo. Sr. Diretor da Empresa de Onibus COMETA Assunto: Agradecimento. Sr. Diretor: Queremos agradecer o atendimento do pedido de nossos atletas, quando se realizaram as comemorações do 5º aniversário do nosso clube, do dia 13 a 18 do corrente, pondo à nossa disposição dois ônibus. Somos-lhes gratos, Sr. Diretor. Reiteramos nossos protestos e nossa elevada consideração. Atenciosamente, Manuel Almeida Presidente Ilmo. Sr. Pedro Constante DD. Diretor da Empresa de Ônibus Cometa, Rua das Américas, 7 Nesta J.F./C.O. 84


redações nos vestibulares 1. Texto-base (ou texto) ― Quando o vestibular fornece o texto-base, como texto de apoio ao candidato, pode, simultaneamente, fornecer o tema (título, assunto) ou não; neste último caso, a redação será feita a partir da interpretação do texto, do qual se tirará a ideia central ou as ideias básicas para a feitura da redação. Esse tipo de redação pede, normalmente, ao vestibulando que dê um título à sua redação. 2. Tema ― Quando o vestibular fornece ao vestibulando apenas o tema (título, assunto) da redação. 3. Dar um título ― Somente quando a prova, nas instruções, solicitar. Caso contrário é proibido. 4. Colocar título tema dado na folha da versão definitiva quando este não estiver impresso. Coloque-o na 1ª linha, deixe uma ou duas linhas em branco, e então inicie seu 1º parágrafo. Lembre-se: a linha do título e a(s) linha(s) em branco não são contadas como redação. 5. Quando o vestibular (instruções) não especifica um tempo só para a redação, significa que ela está inserida dentro do tempo total concedido. Aconselha-se iniciar a prova pela redação (o rascunho, ao menos). 6. Toda a redação é normalmente em prosa, o que significa não fazer versos, não fazer poesia, mesmo que sem rima ou sem métrica. 7. O estilo que mais se ajusta à discussão e desenvolvimento de um assunto é a dissertação. Só a deixaremos de lado se for solicitada uma narração. 8. Na dissertação, o aluno deve discutir o assunto, expor seus pontos de vista, analisar os vários aspectos relacionados com o tema/assunto, estabelecendo causas, consequências, soluções ao “problema”, finalizando com uma conclusão. ERROS RECORRENTES Estudantes e professores experimentam semelhante sensação de desespero diante da redação. Os estudantes não escondem seu pavor diante da folha de papel em branco. Os professores sofrem um pouco depois, quando a mesma folha volta preenchida, pronta para a correção. Tudo o

que faltou aos ensinos médio e fundamental está ali: um texto tão caótico quanto o raciocínio de quem o escreveu, parágrafos quilométricos, chavões colhidos na linguagem das emissoras de FM e muitos erros de Português, da pontuação à regência verbal, da acentuação à concordância. Alguns erros muito freqüentes: 85


Texto 1 Os erros mais comuns nas redações: “A maioria estão descontentes” ou “mais de uma pessoa estavam à espera”. O erro é de concordância. “Para mim ir” e “entre eu e ela”. Os pronomes mim e eu estão trocados. “Há cinco anos atrás”. O há, neste caso, já indica passado e significa faz. “Se eu ver”, “se ela ver”, “se nós vermos”. A conjugação do verbo ver no futuro do subjuntivo está errada. É com i. Conceção, excurção, excessão, pichassão. O erro é de ortografia e envolve letras que frequentemente se confundem na cabeça do estudante: ss, s e ç. “Esse problema implica em.” O erro é de regência: O verbo implicar não pede em. “Ela teve menas sorte do que ele”. A tentativa de concordância é entre o substantivo feminino sorte e o adjetivo menos. COMENTÁRIOS DE REDAÇÕES A seguir você poderá conferir os comentários a respeito de algumas redações propostas em vestibulares. Estas orientações o ajudarão a saber como redigir a sua redação. Redação A Redija uma dissertação à tinta com, no máximo, vinte linhas, desenvolvendo um tema comum aos textos abaixo. 86

“Ser brasileiro é ter todo esse instrumental, que vai da caixinha de fósforos à sinfônica, e toda essa variedade de ritmos e sentimentos para escolher. O povo, aqui, nasce condenado a muita angústia e chateação, mas também nasce condômino deste imenso universo sonoro, chamado alma brasileira por falta de um nome mais específico”. (Luís Fernando Veríssimo) Texto 2 “A arte deve ser o espelho da alma nacional; uma nação que procura arte no estrangeiro, por ser supostamente melhor, jamais verá a própria alma”. (Chopin) Comentário Nesta proposta, o candidato deveria ler com muita atenção os textos de Luís Fernando Veríssimo e de Chopin, extraindo deles um tema comum, o qual nortearia sua produção textual. A redação poderia envolver a constituição da alma brasileira, resultado da fusão de três povos: o indígena, o português e o africano. Tal miscigenação resulta numa arte bastante diversificada, e um dos maiores exemplos é a produção musical brasileira, que vai da música popular à erudita, com riqueza de estilos e ritmos. Outro elemento que se poderia reforçar é a capacidade do brasileiro de transformar seu sofrimento em arte, fato comprovado em diversas composições. Além disso, o candidato teria ainda a pos-


sibilidade de questionar o excesso de influência da arte estrangeira, o que poderia significar uma perda da identidade nacional. Redação B Instrução: Na elaboração da redação, poderá ser usada a página de rascunho, mas o texto deverá ser transcrito na página do texto definitivo do Caderno de Redação, com caneta esferográfica de tinta preta. Leia atentamente os textos: Texto 1 Pela Internet Criar meu website Fazer minha home-page Com quantos gigabytes Se faz uma jangada Um barco que veleje Que veleje nesse informar Que aproveite a vazante da infomaré Que leve um oriki do meu velho orixá Ao ponto de um disquete de um micro em Ta ipé. (Gilberto Gil) Texto 2 A criatividade verdadeira é o que há de individual em você. Você está sendo criativo quando explora seu eu interior e descobre quem você é e o que você quer fazer. Mas a Internet não pode levar você a fazer isso. Os gurus da computação que estão por trás da Internet nos dizem que as máquinas podem nos tornar mais criativos. Não é verdade. Eles nos contam essa lorota porque podem ganhar milhões de dólares com ela. (Ray Bradbury)

Texto 3 Pela primeira vez na História, temos um endereço que não nos vincula a um lugar. As sociedades do passado eram compostas de indivíduos que tinham referências de lugar. As relações sociais dependiam antes de tudo da distância. Estamos nos tornando uma sociedade capaz de mudar suas relações sociais e se libertar das restrições que a oprimem, porque a Internet é um espaço compartilhado, que pode nos educar sobre cidadania. (Michel Serres) Texto 4 O aiatolá Hussein Ali Montazeri é um dos dissidentes mais populares do Irã e se encontra em prisão domiciliar desde 1997. Não pode mais pôr os pés na rua. Sua casa é vigiada dia e noite por soldados. Visitas, só de parentes próximos. Mesmo diante de tantos cuidados, arranjou um jeito de driblar o cerco dos turbantes negros. Criou uma página na Internet na qual expõe em persa suas idéias sobre política e religião. (Ana Santa Cruz) Os textos sugerem diferentes dimensões das relações interpessoais na contemporaneidade. Produza um texto verbal que explore uma ou mais das dimensões sociais representadas. Comentário Os quatro textos abordam as transformações ocorridas nas relações entre as pessoas no mundo contemporâneo. Com o avanço tecnológico e o advento da Inter87


net, as informações são transmitidas rapidamente, não importando a distância. A canção Pela Internet, de Gilberto Gil, reforça os aspectos positivos da ausência de fronteiras e da rapidez na transmissão de informações. Da mesma forma, o texto de Michel Serres louva a não vinculação de um endereço a um lugar e a libertação das barreiras de distância. Reforça ainda que a Internet pode “nos educar sobre cidadania”. Já o texto de Ray Bradbury enfatiza que a Internet não desenvolve a criatividade, mas é um instrumento massificador e extrema-mente lucrativo. Já o texto de Ana Santa Cruz, da revista Veja, nos faz pensar que a Internet abre uma possibilidade de comunicação antes impensada e é uma poderosa forma de propagar ideias e até mesmo de doutrinação. Até que ponto isso é benéfico, podemos refletir. O candidato tem a oportunidade de discutir esse tema, que é atualíssimo e provavelmente até mesmo vivenciado por ele, já que aumenta, cada vez mais, o número de jovens internautas. Poderia levantar os aspectos positivos de tais mudanças sociais. Elas vieram facilitar muitos projetos educativos, possibilitar mais ainda o ensino a distância, disseminar informações e cultura, facilitar a comunicação entre os indivíduos. Por outro lado, há aspecto negativos: com a globalização e o desenvolvimento da Internet, muitas pessoas veem-se perdidas num “mar de informações” e acabam se perdendo na “navegação” ou até mesmo naufragando, ou seja, diante de tantas informações, 88

muitas vezes banais e até mesmo mentirosas, o indivíduo pode não chegar a obter o que almeja, não sanando, dessa forma, sua necessidade de conhecimento. Isso sem falar na disseminação de páginas adeptas do terrorismo, de movimentos racistas, neonazistas ou sites pornográficos, divulgando ideias e pregando valores. O vestibulando poderia optar pelo caminho da crítica e contestação das novas dimensões das relações interpessoais, entre as quais a Internet aparece como veículo mais discutido nos textos, não podendo ser esquecido. Outra opção seria discorrer sobre as vantagens de tais dimensões, louvando dessa forma o avanço tecnológico e a globalização. Uma terceira opção, mais equilibrada, seria ponderar prós e contras, chegando a um meio-termo e a uma possível solução para as questões discutidas. Redação C a) Leia atentamente os textos do painel a seguir e verifique as relações possíveis entre seus componentes. b) Extraia dele o tema e redija um texto em prosa (dissertativo ou narrativo). c) Crie um título coerente com seu texto. d) Passe a limpo, à tinta, sua redação, no espaço a ela reservado. (O rascunho da redação não será considerado.) Seu trabalho será avaliado de acordo com os seguintes critérios: • Inter-relação estabelecida entre os componentes apresentados; • Originalidade e espírito crítico; • Adequação título/texto;


• Padrão culto da língua; • Estrutura textual compatível com o tipo de texto escolhido. Texto 1 Desde que estou retirando só a morte vejo ativa, só a morte deparei e às vezes até festiva; só a morte tem encontrado quem pensava encontrar vida, e o pouco que não foi morte foi de vida Severina (aquela vida que é menos vivida que defendida, e é ainda mais Severina para o homem que retira). (João Cabral de Melo Neto)

Texto 2 A superfície do Brasil, incluindo lagos, rios e montanhas, é de 850 milhões de hectares. Mais ou menos metade dessa superfície, uns 400 milhões de hectares, é geralmente considerada apropriada ao uso e ao desenvolvimento agrícolas. Ora, atualmente, apenas 60 milhões desses hectares estão a ser utilizados na cultura regular de grãos. O restante, salvo as áreas que têm vindo a ser ocupadas por explorações de pecuária extensiva (que, ao contrário do que um primeiro e apressado exame possa levar a pensar, significam, na realidade, um aproveitamento insuficiente da terra), encontra-se em estado de improdutividade, de abandono, sem fruto. (José Saramago)

Texto 3 Zanza daqui Zanza pra acolá Fim de feira, periferia afora A cidade não mora mais em mim Francisco, Serafim Vamos embora Ver o capim Ver o baobá Vamos ver a campina quando flora A piracema, rios contravim Binho, Bel, Bia, Quim Vamos embora (Chico Buarque) Comentário 1 Observando com cuidado as instruções, o vestibulando deve analisar os textos em uma combinação dirigida pelos temas: terra/retirada/sertão/miséria, entre outros. João Cabral de Melo Neto, revelando a constante da miséria nordestina: a morte. Já o texto de Saramago, de forma crítica, refere-se à improdutividade e ao uso inadequado da terra que teria, se houvesse interesse político e/ou cultural, capacidade para desenvolver a região. A mão de obra de onde viria? Chico Buarque, respondendo o descaso à sua região, produziu versos que tornam necessário ter um guia na direção do povo sertanejo como temas: “Zanza daqui / Zanza pra acolá”. O sertanejo sente-se fora de seu “lugar”, precisa retornar e “Ver o capim / Ver o baobá (...)”, e propõe “Vamos embora”. Voltar significa fazer renascer e o Sertão merece essa revisão. 89


O vestibulando pôde optar entre narração e dissertação, o que deixou o tema mais aberto e mais propenso à liberdade de criação. Bom tema para quem está acostumado a leituras intertextualizadas. Comentário 2 O escritor João Cabral de Melo Neto retrata a problemática da seca, que gera a migração de populações famintas, as quais por diversas vezes deparam com a morte (Morte e vida severina). O texto de Chico Buarque mostra um convite aos "severinos" Francisco, Serafim, Binho, Bel, Bia e Quim: "Vamos embora".

Outra opção seria produzir um texto dissertativo, em que o aluno deveria discutir a problemática da seca, os interesses políticos que a envolvem, a questão das terras improdutivas, a necessidade de um melhor aproveitamento das terras, podendo até mesmo citar a luta do Movimento SemTerra. Redação D Texto 1 É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à saúde, à alimentação, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, crueldade e opressão. (Artigo 227 ― Constituição da República Federativa do Brasil) 90

Texto 2 (...) Esquina da Avenida Desembargador Santos Neves com Rua José Teixeira, na Praia do Canto, área nobre de Vitória. A.J., 13 anos, morador de Cariacica, tenta ganhar algum trocado vendendo balas para os motoristas. (...) “Venho para a rua desde os 12 anos. Não gosto de trabalhar aqui, mas não tem outro jeito. Quero ser mecânico.” (A Gazeta. Vitória (ES), 9 de junho de 2000.) Texto 3 Entender a infância marginal significa entender por que um menino vai para a rua e não à escola. Essa é, em essência, a diferença entre o garoto que está dentro do carro, de vidros fechados, e aquele que se aproxima do carro para vender chiclete ou pedir esmola. E essa é a diferença entre um país desenvolvido e um país de Terceiro Mundo. (Dimenstein, Gilberto. O cidadão de papel) Com base na leitura do artigo da Constituição, do trecho da matéria da Gazeta e do trecho do livro O cidadão de papel, redija um texto em prosa, do tipo dissertativoargumentativo, sobre o tema: “Direitos da Criança e do Adolescente: Como Enfrentar esse Desafio Nacional?”. Ao desenvolver o tema proposto, procure utilizar os conhecimentos adquiridos e as reflexões feitas ao longo de sua formação. Selecione, organize e relacione argumentos, fatos e opiniões para defender o seu ponto de vista, elaborando propostas para a solução do problema discutido em seu texto.


Lembre-se de que a situação de produção de seu texto requer o uso da modalidade escrita culta da língua. Espera-se que o seu texto tenha mais de 15 (quinze) linhas. A redação deverá ser apresentada à tinta na cor preta e desenvolvida na folha própria. Você poderá utilizar a última folha deste Caderno de Questões para rascunho. Comentário 1 Há dez anos criava-se o “Estatuto da Criança e do Adolescente”, nota da proposta de Redação do ENEM, que era composta de três textos. Esperava-se que o aluno desenvolvesse uma redação em prosa, de tipo dissertativo-argumentativo, sobre o tema “Direitos da Criança e do Adolescente: Como Enfrentar esse Desafio Nacional?”. Como aconteceu no exame do ano passado, deveria o aluno, além de utilizar a modalidade escrita culta da língua, apresentar propostas para a solução do problema lançado na coletânea. Para tanto, era necessário que o estudante se utilizasse de conhecimentos prévios adquiridos ao longo de sua vida escolar e expusesse com argumentos consistentes e com consciência crítica sua observação sobre a realidade. A coletânea apresentava quatro textos. A charge de Angeli sugeria a desestruturação familiar que assola as crianças e os jovens brasileiros. O artigo 227 da Constituição Brasileira estabelece os direitos da criança e do adolescente, que, como se observa no texto de A Gazeta, não são respeitados. O último texto, de

Gilberto Dimenstein, evidencia a diferença da situação infantil “entre um país desenvolvido e um país de terceiro mundo”. No mais, os critérios de correção avaliarão a adequação ao tema proposto, a coesão e coerência textuais, a ordenação lógica das ideias, o poder de argumentação e, como já se afirmou, apresentação de propostas para a solução do problema. Comentário 2 A reflexão de Gilberto Dimenstein vem reforçar o abismo que existe entre as realidades da criança que tem condições financeiras, pode estudar e, portanto, possui perspectiva de futuro, e a criança que vive na rua, abandonada, tendo de vender doces ou pedir esmola e, consequentemente, não pode nem sequer sonhar com um futuro promissor. O candidato deveria demonstrar a leitura e o entendimento dos diversos textos em sua redação, discutindo as conquistas das crianças e adolescentes em termos de legislação (além de estarem presentes na Constituição, os direitos das mesmas encontram-se também no ECA ― Estatuto da Criança e do Adolescente). Apesar de tais conquistas, os direitos das crianças e dos adolescentes têm sido muitas vezes desrespeitados e esquecidos tanto pela família como pela sociedade e pelo Estado. Redação E Com base nos versos de Pra Dizer Adeus, cantados pelo grupo Titãs, escreva um texto evidenciando sentimentos como a esperança e a obstinação que todo jovem precisa ter para encontrar o seu lugar na vida. 91


A águia pode representar a superação dos limites, das dificuldades, a ousadia e o anseio de liberdade do jovem.

“É cedo ou tarde demais pra dizer adeus pra dizer jamais”. (Titãs)

Redação F Comentário

Instruções:

Nesta prova, o vestibulando depara com um pequeno texto, trecho da letra da música Pra dizer adeus, cantada pelos Titãs, que aparece ao lado de uma fotografia de uma águia.

a) Redija uma dissertação dentro dos limites propostos: de 25 a 30 linhas.

Tanto a letra da música como a foto podem sugerir múltiplas interpretações. Contudo, o candidato deveria levar em conta em seu texto os elementos sugeridos pela proposta: “a esperança e a obstinação que todo jovem precisa ter para encontrar o seu lugar na vida”.

d) Não assine o texto.

O texto poderia ser narrativo ou argumentativo, já que não há menções quanto à estrutura textual a ser adotada pelo candidato. Um dos caminhos escolhidos pelo vestibulando poderia ser sua própria trajetória como estudante e seu esforço para entrar na faculdade, envolvendo todos os obstáculos com que deparou e sua insistência para alcançar seu objetivo. Outra possibilidade seria trabalhar os conflitos de gerações e a luta do jovem pelo seu espaço, mesmo diante das resistências dos adultos. Há um número significativo de jovens desempregados por não terem experiência, que continuam persistentes, lutando por uma vaga no mercado de trabalho. Os que conseguem, muitas vezes, encontram barreiras quando tentam provocar mudanças. 92

b) Atribua um título ao seu texto. c) Não escreva o texto final a lápis.

Texto 1 Argumenta a nossa compra de automóveis aos Estados Unidos Washington, 29 (U.P.) - As informações publicadas pelo Ministerio do Commercio demonstram que o Brasil comprou no mez de maio ultimo 925 automóveis americanos no valor de 817.095 dollars contra 385.000 dollars no mez de maio do ano anterior. Esses algarismos são interpretados nos circulos commerciaes como indicio eloquente da prosperidade do Brasil. (Reprodução de notícia publicada no jornal O Globo, de 29/7/1925 ― O Globo, 29/7/2000.)


Texto 2

Texto 4

Não é, na realidade, com as nossas tradições que nos devemos embriagar, mas com o nosso futuro ― o brilhante futuro que nos aguarda, se o soubermos preparar. A Pátria é menos o seu passado que os seus projetos de futuro. Está claro que esses projetos de futuro mergulham as suas raízes no passado e se apoiam no presente. Mas a sua força vem antes dos objetivos antevistos, da sua projeção no amanhã, do que dos nossos pontos de apoio em nossa História ainda não de todo livre de incertezas e fragilidades. (Trecho de A crise educacional brasileira, de Anísio Teixeira -1953.)

Esta visão de que o Brasil era melhor antes é errônea. O Brasil era menor, mais atrasado, as ideias eram mais toscas. E tudo se juntava, dando ideia de que era melhor. Agora com a TV, os meios de comunicação etc., é que vemos como é complexo e maior. [ ... ] Em suma, o Brasil em detalhe é só decadência, mas acho que no conjunto é positivo. (Trecho de entrevista de João Cabral de Melo Neto ― década de 90.)

Texto 3 O Brasil cresceu visivelmente nestes oitenta anos [1900-1980]. Cresceu mal, porém. Cresceu como um boi mantido, desde bezerro, dentro de uma jaula de ferro. Nossa jaula são as estruturas sociais medíocres, inscritas na Constituição e nas leis, para compor um país da pobreza na província mais bela da Terra. Se continuarmos sob a vigência dessas leis, no Brasil do futuro a maioria da gente nascerá e viverá nas ruas em fome canina e ignorância figadal, enquanto a minoria rica, com medo dos pobres, se recolherá em confortáveis campos de concentração, cercados de arame farpado e eletrificados. (Trecho de Aos trancos e barrancos: Como o Brasil deu no que deu, de Darcy Ribeiro - 1985.)

Texto 5 Os mais velhos lembram-se muito bem, mas os mais moços podem acreditar: entre 1950 e 1979, a sensação dos brasileiros, ou de grande parte dos brasileiros, era a de que faltava dar uns poucos passos para finalmente nos tornarmos uma nação moderna. [...] A partir dos anos 80, entretanto, assiste-se ao reverso da medalha: as dúvidas quanto às possibilidades de construir uma sociedade efetivamente moderna tendem a crescer”... (Trecho de História da vida privada, organizado por Fernando Novais ― 1998, volume 4.) Texto 6 O Brasil teve várias oportunidades de, por assim dizer, afastar-se de si mesmo, examinar-se, decidir o que precisava ser feito, ajustar a gola da camisa e ir em frente [...] Nada está preestabelecido, não temos compromisso com nenhuma forma de coerência, podendo ir inventando o nosso destino no caminho. (Trecho de Momentos na Vida, de Luís Fernando Veríssimo - 1999.) 93


Texto 7 Cada dia, o Brasil parece um palco de tragédias gregas onde todos querem evitar o que fazem, mas fazem mesmo assim. Onde todos querem algo novo, mas todos se dedicam a continuar no mesmo. Como se não fôssemos donos de nosso destino, como se, pior do que impotentes personagens de teatro grego, fôssemos apenas marionetes. Alguns pensariam que marionetes dos poderosos que dominam a vida do nosso país [...], Mas na verdade somos marionetes de nossos próprios sonhos, de nossas próprias ilusões, da falta de gosto por uma mudança de roteiro, movemos nós próprios, em um ritmo que não desejamos, as cordas que nos prendem. (Trecho de Teatro Brasil - 2 - O Globo, 5/7/2000 , de Cristovam Buarque.) Reflita sobre as questões levantadas nos textos apresentados, considerando a seguinte indagação: Brasil, país do futuro... até quando?

A Prova de Redação em Língua Portuguesa tem o objetivo de avaliar a capacidade de expressão na modalidade escrita da Língua Portuguesa. O candidato deverá produzir texto dissertativo, com extensão mínima de 30 linhas e máxima de 60 linhas, legível, caracterizado pela coerência e coesão, com base em um tema formulado pela banca examinadora. Com a função de motivar o candidato para a redação, despertando ideias e propiciando as informações, poderá haver na prova, como os textos. 94

PROPOSTAS DE TEMAS PARA ELABORAÇÃO DE REDAÇÕES Proposta A Relacione os três textos a seguir e redija uma dissertação em prosa. Texto 1 O trabalho não é uma essência atemporal do homem. Ele é uma1nvenção histórica e, como tal, pode ser transformado e mesmo desaparecer. (Adaptado de A.Simões) Texto 2 Há algumas décadas, pensava-se que o progresso técnico e o aumento da capacidade de produção permitiriam que o trabalho ficasse razoavelmente fora de moda e a humanidade tivesse mais tempo para si mesma. Na verdade, o que se passa hoje é que uma parte da humanidade está se matando de tanto trabalhar. enquanto a outra parte está morrendo por falta de emprego. (M. A. Marques) Texto 3 O trabalho de arte é um processo. Resulta de uma vida. Em 1501, Michelangelo retoma de viagem a Florença e concentra seu trabalho artístico em um grande bloco de mármore abandonado. Quatro anos mais tarde fica pronta a escultura. (David)


Proposta B Para fundamentar um debate em sala de aula acerca do papel da arte na sociedade, foi proposta a leitura dos dois fragmentos de textos abaixo. Um deles trata do acesso à produção artística, e o outro, da divisão entre os que defendem a função social da arte e os que defendem a autonomia ou poder de fuga da arte. Negar a fruição da literatura é mutilar a nossa humanidade. A literatura pode ser um instrumento consciente de desmascaramento, pelo fato de focalizar as situações de restrição dos direitos, ou de negação deles, como a miséria, a servidão, a mutilação espiritual. Em nossa sociedade, há fruição segundo as classes, na medida em que um homem do povo está praticamente privado da possibilidade de conhecer e aproveitar a leitura de Machado de Assis ou Mário de Andrade. Para ele, ficam a literatura de massa, o folclore, a sabedoria espontânea, a canção popular, o provérbio. Estas modalidades são importantes e nobres, mas é grave considerá-las suficiente para a grande maioria que, devido à pobreza, é impedida de chegar às obras eruditas. Antônio Cândido. Vários escritos, 2004 (com adaptações). Os estudiosos da literatura e das artes em geral sempre se dividiram entre os que dão ênfase ao papel da estética como interpretação da realidade e os que dão ênfase à autonomia ou ao poder de fuga. Aqueles sempre se queixaram da alienação ou escapismo de obras que não buscam mais que a fantasia ou o consolo; estes, da redução da linguagem a uma função social ou

argumentativa, desprovida da imaginação simbólica. Eu sempre achei que o bacana da arte é que ela nos tira daqui para nos trazer de volta, transformados. Meu mundo não tem nada a ver com o de Guimarães Rosa; graças a ele, tem tudo a ver. Daniel Pisa. in Bravo! Julho 2008 (com adaptações). Para contextualizar a discussão, foram, ainda, apresentados os seguintes trechos de letras de músicas. Metáfora Uma lata existe para conter algo, Mas quando o poeta diz lata Pode estar querendo dizer o incontível Uma meta existe para ser um alvo, Mas quando o poeta diz meta Pode estar querendo dizer o inatingível Por isso não se meta a exigir do poeta Que determine o conteúdo em sua lata Na lata do poeta tudo-nada cabe, Pois ao poeta cabe fazer Com que na lata venha a caber O incabível Deixe a meta do poeta, não discuta, Deixe a sua meta fora da disputa Meta dentro e fora, lata absoluta Deixe-a simplesmente metáfora. Gilberto Gil

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Ceilândia revanche do gueto Ceilândia é minha quebra Movimento aos sábados em frente ao quarteirão DF zulu tá na barca e aí moleque então Domingo tem feira roda de capoeira Meia lua queixada bença armada Mortal martelo rodado “s” dobrado rasteira Pernas subindo suor descendo molhando o asfalto E o berimbau fala alto Sou da Ceilândia eu sou mais eu Falo faço e aconteço Por essa terra tenho apreço Essa é minha quebrada não pega nada Câmbio Negro tá na área falando sem embaraço Se o bicho pega pro seu lado colega véi um abraço Agora sim: Com o passar dos tempos a periferia passa a ter voz Não que não houvesse no passado só que nos boys Éramos mais oprimidos que na atualidade . Seguindo em frente rap nacional é a revanche do gueto. Câmbio Negro Após o debate, os alunos chegaram à seguinte conclusão: A característica fundamental da arte é o seu poder transformador, e o acesso à arte é direito inalienável do ser humano. Considerando a situação apresentada, redija um texto argumentativo em defesa da conclusão dos alunos. Utilize, para fundamentar sua argumentação, elementos dos dois trechos de músicas selecionados. 96

Proposta C Leia atentamente estes trechos: Trecho 1 “Acontece que somos um país chamado Brasil; a nossa história oficial está ligada, segue paralela à nossa história literária ― desde Anchieta, que pertence igualmente tanto à nossa historiografia como às nossas letras, sendo cronologicamente o primeiro autor de qualquer manual de literatura nacional. Há povos espalhados pelo mundo que se formaram e firmaram como os guerreiros, povos de navegantes, de comerciantes, povos místicos voltados para o fantástico, povos essencialmente religiosos, pragmatizados pela técnica [ ... ]. Para o bem ou para o mal, não somos assim. [...] Queiramos ou não, somos um povo comprometido com a literatura. [...] Em criança, ouvimos de nossa mãe ou de nossas avós os versos de Casimiro de Abreu (oh que saudades que eu tenho da aurora da minha vida), ou de Gonçalves Dias (minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá), ou mesmo de Castro Alves (auriverde pendão da minha terra). São versos, são citações que formam nossa alma, nosso sentimento como pessoa e como povo. Cony, Carlos Heitor. Um crime de lesa-pátria. Folha de S. Paulo, 09 jul. 2004. (Texto adaptado) Trecho 2 “No Brasil, até hoje, o futebol tem a característica de funcionar como um amálgama social, um ponto de contato de todas as classes” ― afirmou o jornalista Paulo Jebaili. O


escritor José Lins do Rego, por sua vez, dizia: “O conhecimento do Brasil passa pelo futebol”. E Renato Rodrigues escreveu: “O Brasil é a pátria de chuteiras, mas está longe de ser a das palavras [ ... ]” Texto composto a partir da revista Língua Portuguesa especial: Futebol e linguagem (São Paulo, Segmento, ano I, abril 2006). Com base na leitura desses dois trechos redija um texto, respondendo à seguinte pergunta: “Como se define a cultura brasileira?” Apresente argumentos que justifiquem o seu ponto de vista. Proposta D Três textos para escolher o tema. Texto 1 Da violência

Texto 3 Na primeira noite eles se aproximam e colhem uma flor de nosso jardim. E não dizemos nada. Na segunda noite, já não se escondem: pisam as flores, matam nosso cão, e não dizemos nada. Até que um dia o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E porque não dissemos nada já não podemos dizer nada. (Bertold Brechet)

Do rio que tudo arraste se diz que é violento Mas ninguém diz violentas As margens que o comprimem. (Bertold Brechet) Texto 2 Quem é teu inimigo? O que tem fome e te rouba O último pedaço de pão, chama-lo Teu inimigo Mas não saltas ao pescoço Do teu ladrão que nunca teve fome. (Eduardo Alves da Costa)

Proposta E A vida em sociedade exige uma clara definição dos limites entre a liberdade do cidadão e o poder do Estado. A análise de alguns casos de intervenção estatal na esfera privada (como os exemplificados em alguns dos fragmentos da coletânea a seguir) pode levar à conclusão de que, nesses casos, o Estado cerceia a liberdade individual, assumindo uma faceta totalitária. Pode-se argumentar, por outro lado, que tais medidas são inerentes ao papel do Estado, pois visam a garantir o bem-estar do cidadão e da sociedade como um todo. 97


Com base na leitura da coletânea de textos a seguir, escreva um texto dissertativo sobre o seguinte tema: Poder do Estado e direitos do cidadão: os limites da liberdade. Texto 1 A polêmica surgiu. Há quem proteste contra a nova lei [obrigatoriedade do uso de cinto de segurança na cidade de São Paulo]. Que direito tem o Estado de interferir na minha segurança pessoal? Como é que legisla sobre os riscos que quero assumir? Vai agora proibir o alpinismo, a asa-delta, o boxe? O álcool e o cigarro serão banidos da cidade? Merece ser multado quem passeia à noite pela praça da Sé? O suicídio está fora da lei? Sem dúvida, a obrigatoriedade do cinto de segurança está em desacordo com os princípios liberais. Se alguém quer arriscar a vida, recusando-se a usar o cinto, é problema dele. O Estado nada tem a ver com isso. (...) Mas será que, quando alguém deixa de usar cinto, está conscientemente optando pelo risco de ter um acidente fatal? (Marcelo Coelho, Cinto desperta desejo de obedecer à lei, Folha de S. Paulo, 9/12/1994.) Texto 2 Embora, em tese, o uso do cinto de segurança diminua os riscos em caso de acidente, a sua imposição cria uma situação em que o sujeito é protegido contra ele mesmo. “Por razões filosóficas, condeno a qualquer relação paternalista entre o Estado e o cidadão. É como se tornassem obrigatório, por exemplo, escovar os dentes. Não faz sentido. É preciso que o sujeito se convença de que aquele compor98

tamento é melhor para ele”, diz Celso Bastos, presidente do Instituto Brasileiro de Direito Constitucional. Segundo Bastos, o uso de cinto de segurança deve ser determinado por critérios pessoais. Ele só admitiria a obrigatoriedade se ficasse provado que a ausência do cinto põe em perigo a vida de terceiros. Ele defende o uso de campanhas para mostrar a importância do cinto de segurança, deixando a opção de usá-lo ao indivíduo. (...) “O Estado tem que cuidar de coisas mais importantes, como o combate à violência. Isso ele não consegue fazer de maneira eficiente”, afirma Bastos. (Eunice Nunes, Para jurista lei é paternalista, Folha de S.Paulo 17/11/1994.) Texto 3 Ah, gozar a vida! Exercitar-se todo dia, não comer carne, não beber, usar camisinha, não consumir drogas e, claro, não fumar. Está aí a receita para atingir a meta final: morrer, sim, mas um minuto, três semanas, quatro meses ou alguns anos depois do amigo fumante, gordo, desregrado, carnívoro e promíscuo. (...) Foi, certamente, pensando nisso que o prefeito (...) resolveu proibir cigarro em restaurante. Está muito certo. Garante, assim, que na hora do repasto ninguém possa encurtar a vida. Ao menos com tabaco. Pense quanto tempo os paulistanos viverão a mais graças ao decreto! Pena que, por uma lamentável falha, não se cogitou em interditar a ingestão, comprovadamente maléfica, de doses excessivas de gordura, açúcar refinado e álcool nos restaurantes. (Marcos Augusto Gonçalves, Obrigado por não fumar, Folha de S. Paulo 1/10/1995.)


Texto 4

Texto 5

Ao Estado confere-se autoridade para promulgar e aplicar as leis que definem os costumes públicos lícitos, os crimes, bem como os direitos e as obrigações dos membros da sociedade. Exige-se dos membros da sociedade obediência ao governo ou ao Estado, mas reconhece-se o direito de resistência e de desobediência quando a sociedade julga o governo ou mesmo o Estado injusto, ilegal ou ilegítimo. A ideia de sociedade pressupõe a existência de indivíduos independentes e isolados, dotados de direitos naturais e individuais, que decidem, por um ato voluntário, tornarem-se sócios ou associados para vantagem recíproca e por interesses recíprocos. A sociedade civil é o Estado propriamente dito. Trata-se da sociedade vivendo sob o direito civil, isto é, sob as leis promulgadas e aplicadas pelo soberano. Feito o pacto ou o contrato [social], os contratantes transferiram o direito natural ao soberano e com isso autorizam a transformá-lo em direito civil ou direito positivo, garantindo a vida, a liberdade e a propriedade privada dos governados. Os indivíduos aceitam perder a liberdade civil; aceitam perder a posse natural para ganhar a individualidade civil, isto é, a cidadania. Enquanto criam a soberania e nela se fazem representar, são cidadãos. Enquanto se submetem às leis e à autoridade do governante que os representam, chamam-se súditos. São, pois, cidadãos do Estado e súditos das leis.

O norte-americano Arthur Younkin, de 45 anos, foi condenado a cumprir 95 dias de prisão por ser gordo. Um juiz da cidade de Wichita deu a sentença porque ele não cumpriu a ordem de perder peso “substancialmente”. Younkin pesa 200 quilos e, segundo seu advogado, a obrigatoriedade do controle de peso é inconstitucional. (...) Younkin foi mandado embora da lanchonete em que trabalhava, pois um cliente se queixou às autoridades de saúde da cidade que ele suava sobre a comida, apesar de usar duas camisetas e um pano protetor na cabeça. Convocado pelo juiz, Younkin reclamou que seu peso o impede de ter um emprego. Em vez de retirar a queixa, o juiz o enviou para uma instituição na qual ele só poderia consumir 1.200 calorias por dia, no máximo. Depois de perder 25 quilos, [o juiz] determinou sua liberação, com a condição de que Younkin continuasse a fazer regime e a perder peso. Como não foi isso que ocorreu, o juiz decidiu colocá-lo atrás das grades.

(adaptado de Marilena Chauí, As filosofias políticas ― Convite à Filosofia, 1994.)

(Americano vai preso por ser gordo, O Estado de S. Paulo, 20/10/1995.) Texto 6 Pegue uma ideia com charme internacional, embora algo supérfluo numa cidade onde milhões vivem na pior miséria e violência. Venda essa ideia como imprenscindível à nossa modernidade (...) e imponha o decreto aos poucos, antes como conselho, depois como multa e só no fim como prisão. Transforme os que aplicam as penalidades em propagandistas do Estado, militantes da pureza (do ar, por enquanto); submeta as vítimas a sermão, além de multa. Como 99


na Alemanha dos anos 30, vá criando uma atmosfera de vergonha, estigmatize quem não se intimidar (...). Desloque os opositores, aqueles para quem democracia é mais do que uma ditadura da maioria, de modo que eles se vejam obrigados a defender as causas mais ridículas: o direito de se esborrachar no trânsito, de fumar até morrer. (...) O que ocorre é que em toda parte o Estado deixa de regular a economia e transfere sua força de repressão para a vida particular, psíquica e comportamental. O próprio Estado parece desmilinguir-se, mas só nas aparências: ele apenas muda de lugar, infiltra-se na capilaridade social. Não é que o Estado esteja em crise e por consequência a sociedade se torne mais livre; ao contrário, a sociedade se totalitariza. (Otavio Frias Filho, Cortina de fumaça ― Folha de S. Paulo 28/9/1995.)

(...) A santidade era estatística. Era apenas a questão de aprender a pensar como o Partido. (...) O lápis pareceu-lhe grosso e desajeitado entre os dedos. Começou a grafar os pensamentos que lhe vinham à cabeça. Primeiro escreveu em grandes letras trêmulas: Liberdade é escravidão. Depois, quase sem pausa, escreveu por baixo: Dois e dois são cinco. (Os trechos acima, extraídos do livro 1984, de George Orwell, tematizam a angústia da personagem Winston, que vive em uma sociedade governada totalitariamente por um partido único.) Proposta F “A violência contra a mulher, no Brasil” Leia os textos e redija a sua redação:

Texto 7 O Partido ordenava que o indivíduo rejeitasse a prova visual e auditiva. (...) Eles [os intelectuais do Partido] estavam errados! O óbvio, o tolo e o verdadeiro tinham que ser defendidos. Os truísmos são verdadeiros, esse é que é o fato! O mundo sólido existe, suas leis não mudam. As pedras são duras, a água é líquida, os objetos largados no ar caem sobre a crosta da terra. Com a impressão (...) de estar fixando um importante axioma, ele escreveu: A liberdade é a liberdade de dizer que dois e dois são quatro. Admitindo-se isto, tudo o mais decorre. Não podia mais lutar contra o Partido. Além disso, o Partido tinha razão. Devia ter: como poderia enganar-se o cérebro imortal coletivo? 100

Texto 1 O Brasil e a desigualdade entre homens e mulheres O Brasil é o 53º colocado no índice mundial de igualdade entre homens e mulheres. São dados divulgados pela ONU (Organização das Nações Unidas) e integram o Relatório do Desenvolvimento Humano de 1995. Foram pesquisados 130 países, levando-se em conta alfabetização, esperança de vida e economia. Em 116 países foram pesquisadas a representação feminina nos parlamentos, a porcentagem de mulheres em posições de gestão, a participação na força de trabalho e sua parte no rendimento nacional. No Brasil, o salário médio das mulheres equivale a 76% do salário dos homens; apenas 5% das mulheres fazem parte do parla-


mento. No ranking de igualdade entre homens e mulheres na América do Sul, embora o Brasil seja o país mais rico, situa-se em 6º lugar, abaixo do Uruguai, Argentina, Venezuela, Chile e Colômbia. (Resumo de notícia publicada no jornal Folha de S. Paulo [Cotidiano-I], em 18/8/1995.) Texto 2 O caso Solange: A impunidade começa a partir dos pequenos gestos de indiferença e de preconceitos contra as mulheres que são registradas no cotidiano da comunidade. Ao levantar informações sobre o assassinato de Solange [jovem morta por resistir ao estupro, em São Paulo], infelizmente pudemos observar a atitude, às vezes bastante cúmplice da violência, por parte da comunidade. Parece que a comunidade ainda aceita que se bata na namorada ou mesmo na esposa. Assim, torna-se cúmplice da violência. Essa cumplicidade vai se consolidar nas salas dos tribunais de justiça, que acabam colocando o réu em liberdade. E a impunidade se perpetua. Em 1994 foram registrados 114.832 casos de violência nas Delegacias de Polícia de Defesa da Mulher do Estado de São Paulo. Neste ano de 1995, em que se completam 10 anos de implantação dessas Delegacias, só no primeiro semestre foram registrados 67.957 Boletins de Ocorrência (agressões físicas e psicológicas, estupros, atentados violentos ao pudor, ameaças, cárceres privados, raptos, seduções etc). Resumido do Boletim da Campanha contra a Violência à Mulher nº 4 (maio de 95).

Texto 3 Isto é um enforcador ― Rasteja, seu burro! Rasteja! Repetiu isso um bocado de vezes, eu já estava com o corpo mole e dor na nuca. Totó, encolhido, parecia surdo. Seu Quinca não desistia. Entrou outra vez na serraria: ― Roma não se fez num dia! Voltou com uma coleira especial. ― Agora ou ele faz ou diz por que não faz. Colocou-a no pescoço do totó, fechou a fivela, segurou firme, gritou novamente: ―rasteja! Totó parecia de pedra. Achei que ele simplesmente não queria rastejar. Tinha pulado, deitado, subido, descido, esperado, mas rastejar ele não queria. Não era uma questão de aprender como seu Quinca pensava. Mas seu Quinca puxava, puxava, fui ficando aflito. Totó dava ganidos estrangulados, entupidos, como o choro do gentil. Seu Quinca estava vermelho de ódio, as orelhas pareciam maiores, o dente de ouro mais pontudo, cuspe no canto da boca: ― Rasteja senão te acabo com a raça! Quando abriu a mão para ajeitar melhor a coleira, Totó deu sua melhor pirueta. E, no caminho de ida, mordeu a mão de seu Quinca. Fez três furos num arranhão de sangue. Mordeu e correu para casa. Como um corisco. Seu quinca ficou uma fera. Gritou: ― Depois eu acerto as contas com esse cão do diabo, ele me paga! Você vai pra casa, leva a carrana pra mim, dá pra Cecília guardar. A carrana era a coleira. Cheguei em casa assustado, Totó estava tremendo de baixo da cama. Tirei a maldita carrana de seu pescoço com cuidado, havia sangue nos pêlos. Fiquei parado com ela nas mãos, medindo a maldade das garras, capaz de fazer qualquer um rastejar. Eu ainda chorava quando bati palmas 101


na porta da casa de seu Quinca pra entregar a coleira, nunca mais vou deixar treinar o Totó. (...) Não havia ninguém lá, era quase absurdo, Dona Cecília não tinha ordem de sair nem para ir na esquina comprar sal. Fiquei parado olhando a porta, a boa fechadura mais o cadeado. E tive, de novo, uma ideia-urubu bem pretinha descendo em minha cabeça: ― Dona Cecília também usava carrana! Uma carrana invisível que seu Quinca empurrava pra baixo ― Rasteja! Mesmo de longe! Fiquei assustado, Dona Cecília vivia sangrando, só que era sangue invisível. Ela e o Gentil, de manhã até a noite sendo treinados, como não percebi antes? Larguei a carrana no chão com nojo, quem importa que roubem, melhor pros cachorros! Voltei correndo pra casa, com medo de Seu Quinca chegar. E me enfurnei no quarto pra fazer curativo no pescoço do coitado do Totó. (...) Na hora da janta a Mãe disse pro Pai: ― Dona Cecília e o filho dela fizeram a mala e pegaram o trem das seis. Nem deixaram o endereço. Ela veio se despedir de nós, disse que vai pro sertão, não quer ver nunca mais a cara de Seu Quinca. (Valle, Dinorath do. Totá Piru/eta e o Menino do Povo. Curitiba: Criar Ed., 1986, pp. 22-25.)

Proposta F A partir da leitura dos textos abaixo, redija uma Dissertação em prosa, discutindo as ideias neles contidas. 102

Texto 1 (...) o inferno são os outros. (Jean-Paul Sartre)

Texto 2 (...) padecer a convicção de que, na estreiteza das relações da vida, a alma alheia comprime-nos, penetra-nos, suprime a nossa, e existe dentro de nós, como uma consciência imposta, um demônio usurpador que se assenhoreia do governo dos nossos nervos, da direção do nosso querer; que é esse estranho espírito, esse espírito invasor que faz as vezes de nosso espírito, e que de fora, a nossa alma, mísera exilada, contempla inerte a tirania violenta dessa alma, outrem, que manda nos seus domínios, que rege as intenções, as resoluções e os atos muito diferentemente do que fizera ela própria (...) (Raul Pompeia)

Texto 3 Os outros têm uma espécie de cachorro farejador, dentro de cada um, eles mesmos não sabem. Isso feito um cachorro, que eles têm dentro deles, é que fareja todo o tempo, se a gente por dentro da gente está mole, está sujo ou está ruim, ou errado... As pessoas, mesmas, não sabem. Mas, então, elas ficam assim com uma precisão de judiar com a gente...” (João Guimarães Rosa)


Texto 4

Texto 2

(...) Experimentar Colonizar Civilizar Humanizar O homem Descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas. a perene, insuspeitada alegria de conviver.

Ao escrever “Lutar com palavras é a luta mais vã. Entanto lutamos mal rompe a manhã”, Carlos Drummond de Andrade já era um poeta maior da nossa língua.

(Carlos Drummond de Andrade) Texto 5

Texto 3 “É difícil defender, só com palavras, a vida.” Proposta H

O filósofo e psicólogo William James chamou a atenção para o grau em que nossa identidade é formada por outras pessoas: são os outros que nos permitem desenvolver um sentimento de identidade, e as pessoas com as quais nos sentimos mais à vontade são aquelas que nos “devolvem” uma imagem adequada de nós mesmos (...) (Alain de Botton) Proposta G Redija uma Dissertação em prosa, relacionando os três textos abaixo: Texto 1 Na prova de Redação dos vestibulares, talvez a verdadeira questão seja sempre a mesma: “Conseguirei?”. Cada candidato aplica-se às reflexões e às frases na difícil tarefa de falar em um tema A proposto, com a preocupação em um tema B ― “Conseguirei?” para convencer um leitor X.

“Sorria! Você está sendo filmado.” Com ou sem aviso, com ou sem o consentimento daqueles cuja imagem está sendo filmada, aparatos tecnológicos de vigilância espionam, cada vez mais, a vida dos cidadãos nos grandes centros urbanos. De acordo com dados apresentados pela revista Veja, de 30 de maio de 2001, em matéria intitulada “Estão de olho em Você”,só em São Paulo, existem 125.000 câmeras de vídeo espalhadas por restaurantes, bares, academias de ginástica, lojas, shoppings, supermercados, portarias de edifícios, ruas e avenidas. Estariam os benefícios oferecidos por esse “olho invisível” que acompanha e registra todos os movimentos dos cidadãos protegendo ou ameaçando a privacidade, a individualidade do homem moderno? Reflita sobre essa questão e redija um texto em prosa, dissertativo ou argumentativo, sobre o assunto proposto. O texto deve ser coerente, bem fundamentado. 103


MELHORES REDAÇÕES Depois de acompanhar as propostas de redação e alguns comentários sobre como redigi-Ias, observe exemplos de redações que foram consideradas as melhores pela banca examinadora do próprio vestibular O presente como a principal fase de nossas vidas. A relação do homem com o tempo foi e, ao que tudo indica, sempre será, marcada pela dúvida e pelo questionamento. Já no século quinto, Santo Agostinho, em sua grande obra “Confissões”, abordava o tema do presente que já foi futuro e que será passado. Isto só para lembrete de maneira sintética, uma das principais questões que o homem faz a respeito. Outro ponto fundamental nessa celeuma é a importância dispensada a estes três elementos do tempo pelo ser humano. Alguns valorizam o passado, como Eric Hobsbawm que, historiador como é, vê nele uma preciosa maneira de se entender o presente; outros, como Herberto Unhares, consideram o presente como o elemento principal de nossas vidas, não vendo nele quaisquer relações com o passado ou o futuro; entretanto, também há quem veja no futuro a hora e a vez de grandes feitos serem realizados, como, por exemplo, Chico Buarque, que em sua música “Futuros Amantes” enxerga no futuro a consumação do amor. Percebe-se, nas três abordagens, diferentes tratamentos às concepções preferidas: Hobsbawm considera o passado importante, mas não se esquece do presente, não se mantém preso ao que já foi, Unhares é intransigente em sua defesa do presente, visto que o desvincula do passado e do futuro; e Buarque tem uma 104

visão poética do futuro, reforçando tal visão com fantasias e suposições. Com isto, depreende-se que diferentes argumentações dependem de diferentes enfoques. Considero a tese de Unhares a que mais corresponde à realidade, embora precise fazer algumas ressalvas no tocante à sua argumentação. Embora creia que o presente é a etapa principal em nossas vidas, acredito que precisamos do passado para compreendermos certos aspectos dele, e que o presente lança as sementes do que ocorrerá no futuro. Concordo com Unhares quanto à necessidade de vivermos o presente e acompanharmos suas mudanças, pois assim, não ficaremos presos ao que já se foi e nem faremos planos irrealizáveis para o futuro; mas precisamos do passado para aprendermos com ele, e com o que construímos hoje, lançaremos as bases para o futuro digno. A sociedade se move em torno de suas catracas. Em julho de 2004 o grupo artístico “Contra Filé” desenvolveu o “Programa de descatracalização da própria vida”, incitando uma discussão em torno dos controles impostos na sociedade. Ao entendermos a catraca como uma forma de controlar entradas e saídas, organizando-as ou impedindo-as, fica muito clara a relação simbólica da catraca com as formas de exclusão social de nossa sociedade. Tais exclusões proporcionadas pela sociedade para si mesma têm por vezes o intuito de atestar segurança, como a permissão de um morador para entrar num condomínio. Outras vezes institui um dever, como o dever de pagar certas taxas para utilizar serviços variados. Há, ainda,


catracas invisíveis de teor seletivo, esse texto é um exemplo forte de catraca invisível no Brasil; afinal, o vestibular não passa de uma catraca que exclui anualmente mais de cento e quarenta mil estudantes, apenas para a Universidade de São Paulo. Mas os preconceitos e suas formas de excluir, humilhar e constranger são as catracas invisíveis que mais destroem a sociedade, devendo ser combatidos como o combate a um câncer. A campanha do grupo “Contra Filé” é de fato muito válida, pois há catracas terríveis; contudo, as de organização e segurança, ainda são necessárias. O que se constata, é que a catraca, é inerente à sociedade em que vivemos, seja ela em forma de peneira, convite, dinheiro ou educação. Passagem livre Uma definição de catraca diz que ela é um instrumento usado para controlar o movimento de pessoas. Na observação da vida, a catraca pode se mostrar de várias formas, não como um instrumento físico, mas com o mesmo fim de controlar os indivíduos. O fato é que colocamos outros nomes e muitas vezes não percebemos que estamos passando por catracas invisíveis, que controlam todas as ações, pensamentos e decisões do indivíduo dentro da sociedade. Uma forma simples de vermos a ação de uma catraca invisível é o desempenho da mídia para controlar a mente dos indivíduos, através de programas de rádio, televisão e na mídia impressa. As pessoas que detêm o poder tentam incutir alguns valores na cabeça dos indivíduos, os quais passam a atuar como verdadeiras catracas. Temos como exemplo o preconceito crescente na sociedade, que pode ser ideológico, religioso ou social, que é uma forte catraca a ser

derrubada. Outra catraca a ser abolida é a que o dinheiro impõe. Essa tem suas raízes na estrutura impostas pelos governantes. A partir do fato de não haver uma verdadeira igualdade na distribuição da renda, forma-se uma grande barreira a ser transposta pelos que ficam com as menores parcelas ou, às vezes, nenhuma. Figura aí a mais forte catraca que não só controla o movimento das pessoas, mas impede que muitos passem ao outro patamar, pois a realidade é que, numa sociedade como a nossa, indivíduos que não têm uma boa parcela da renda estão fadados a passarem a vida na mesma miséria social, desde que não burlem o sistema, como fazem os desonestos. A “descatracalização” faz-se necessária em todos os aspectos da vida do ser humano, não só no mental ou no social, mas no sentimental, no físico e no acadêmico. Poderá ser concretizada caso todos os cidadãos passem a ter iguais oportunidades de estudo, de trabalho e de informação. Ou seja, uma reestuturação de todos os valores dos indivíduos, tanto governantes como governados, poderá promover igualdade entre as pessoas e a passagem livre em todas as catracas da vida. Labora et laboro: um ciclo eterno O trabalho é algo que faz parte da natureza humana, estando presente em diversas nações por séculos de história. Sua definição e seu significado variaram muito de época para época, de camada social para camada social e de região para região, mas a verdade é que o trabalho, com suas diversas acepções, sempre foi fundamental na construção de nações e sociedades e permitiu também que o “motor da história” hegeliano pudesse funcionar, mudando relações 105


e realidades drasticamente e dando origem ao mundo que conhecemos hoje. Trabalhar certamente não é uma essência atemporal do homem. Como muitos outras coisas, o trabalho é fruto da razão humana não passando de apenas mais uma das ações do homem. Entretanto, afirmar que o trabalho assim como surgiu pode desaparecer é afirmar que o ser humano seria capaz de deixar para trás tudo o que construiu e todo a cultura e valores que cultivou. O trabalho, apesar de ser uma criação, impregnou-se na essência do homem, de maneira que acabou tornando-se uma característica diuturno do mesmo, sendo assim impossível de simplesmente desaparecer. Todas as relações humanas estão fundamentadas no ato de trabalhar. As diversas áreas de estudo e atuação são como os pedaços de vidro de um mosaico, tão bem interconectados que geram ordem e equilíbrio na formação de uma figura. Por isso o trabalho é fundamental, ele sempre garantiu que todos os vidros estivessem juntos, formando este mosaico que é a sociedade. Assim, todos os tipos de trabalho estão ligados de alguma maneira. É preciso lembrar também que qualquer trabalho é trabalho, ou seja, tem seus aspectos positivos e negativos. Alguns ofícios geralmente são vistos como somente prazeirosos, mas na realidade todos têm a sua dificuldade. Os grandes artistas, por exemplo, são normalmente vistos como pessoas que tiveram rotinas não muito difíceis, com um trabalho que se parece mais com uma atividade de lazer. Entretanto, poucos sabem que um trabalho como este exige uma vida inteira de dedicação. O pintor e escultor italiano Michelangelo não era um “artista”, este é na verdade um termo romântico surgido na Alemanha do século XVIII. Michelangelo era um “artífice”, um trabalhador com muito esforço 106

que levou uma vida para que pudesse dizer o seu famoso “Portal” ao seu Davi. Muitos acreditavam que o trabalho levaria ao progresso técnico, que por sua vez levaria os homens a desfrutarem mais a vida, dedicando menos tempo ao trabalho. Todavia, esta idéia positivista já foi há tempos superado pois hoje, como todos sabem, o capitalismo exige muito mais de todos. O sociólogo Karl Marx dizia que a mecanização para com que os trabalhadores tivessem que especializar-se cada vez mais em uma área, a fim de superar as máquinas, perdendo a visão ampla de seu ofício e tornando-se pessoas limitadas, em parte isso ocorreu. Já Weber dizia que o avanço técnico traria previsibilidade no trabalho, o que também ocorre atualmente. O fato é que o trabalho sempre irá existir, exigindo mais ou exigindo menos, pois ele já faz parte da maneira de pensar, agir e viver dos homens. Metamorfose da arte de trabalhar O trabalho humano, atividade através da qual agimos sobre a natureza, transformando-a para atender a nossas necessidades individuais e coletiva, não possui uma essência imutável e não cessa de se transformar através dos séculos. O sistema escravista vigente na Antiguidade grego-romana é substituído pelas relações servis no feudalismo, que cede espaço ao trabalho assalariado na época capitalista ...as relações de trabalho estão em permanente mutação. No mundo contemporâneo, as mudanças se aceleraram devido à mecanização e robotização do processo produtivo. A substituição da mão-de -obra humana por robôs, por um lado, promete as benesses de um futuro menos sobrecarregado de trabalho para os humanos, que teriam mais tempo livre para realizar as atividades de


sua escolha. Por outro lado, o mesmo processo transforma a vida de milhões infligindo-lhes a desgraça do desemprego. Os Estados ao redor do mundo debatem-se tentando encontrar uma solução para o impasse: como conciliar a necessidade de oferecer emprego à população e o desejo de aumentar a produtividade através da maquinização? Já o trabalho artístico possui peculiaridades que o distinguem das outras ocupações. O artista genuíno, mesmo que possua uma motivação financeira para criar, privilegia mais a obra desenvolvida do que pode obter através dela. Seu trabalho não responde somente a uma necessidade de subsistência, mas sim a um desejo de produzir algo que lhe gratifique espiritualmente. No clássico filme de Joseph Makiewicz, baseado na obra de Tennessee Williams, “De Repente, No Último Verão”, a personagem que representa a mãe do poeta sintetiza: “O trabalho do artista é sua vida; a vida do artista é seu trabalho”. Um dia sim, outro também. Duas bombas, suásticas nazistas e muitas mensagens pregando a tolerância zero a negros, judeus, homossexuais e nordestinos marcaram a Semana da Pátria em São Paulo. O primeiro petardo foi direcionado na segunda-feira, 4, para o coordenador da Anistia Internacional. Tratava-se de uma bomba caseira, postada numa agência dos Correios de Pinheiros com endereço certo: a casa do coordenador. Uma hora e meia depois, foi a vez de o Secretário de Segurança e de os presidentes das Comissões Municipal e Estadual de Direitos Humanos receberem cartas ameaçadoras. Assinando “Nós os skinheads” (cabeça raspada), os autores abusaram da linguagem chula, do ódio e da intolerância. “Vamos destruir todos

os veados, pretos e nordestinos”, prometeram. Eles asseguravam também já terem escolhido os representantes daqueles que não se enquadram no que chamam de “raça pura” para receberem “alguns presentinhos”. Como prometeram, era só o começo. No dia seguinte, terça-feira, 5, o mesmo grupo mandou outra bomba, dessa vez para a associação da Parada do Orgulho Gay. (IstoÉ, 8/9/2000) Desde então os anos 80, o poder racista alastrou-se por todo O mundo numa torrente de excessos sanguinolentos. Também na Alemanha, imigrantes e refugiados foram mortos friamente por maltas de radicais de direita em atentados incendiários. Até hoje, a esfera pública minimiza tais crimes como obra de uns poucos jovens desclassificados. Na verdade, porém, o poder racista à solta nas ruas é o prenúncio de uma reviravolta nas condições atmosféricas mundiais. (Robert Kurz) Um dos eventos realizados no final de abril deste ano no Chile foi uma conferência internacional secreta de militantes extremistas de direita e organizações neonazistas planejada e divulgada pela Internet. Foram convidados a participar do “Primeiro Encontro Ideológico Internacional de Nacionalismo e Socialismo” representantes do Brasil, Uruguai, Argentina, Venezuela e Estados Unidos. (IstoÉ, 8/9/2000) (...)Nos últimos anos, grupos neonazistas têm se multiplicado. Tanto nos Estados Unidos e na Europa quanto aqui parece existir uma relação entre o desemprego estrutural do sistema capitalista e a ascensão desses grupos de inspi107


ração neonazista. (Internet) Toda proclamação contra o fascismo que se abstenha de tocar nas relações sociais de que ele resulta como uma necessidade natural, é desprovida de sinceridade. (Bertolt Brecht) Considerar alguém como culpado porque pertence a uma coletividade à qual ele não “escolheu” pertencer não é característica própria só do racismo. Todo nacionalismo mais intenso, e até mesmo qualquer bairrismo, consideram sempre os outros (certos outros) como culpados por serem o que são, por pertencerem a uma coletividade à qual não escolheram pertencer. (...) (Cornelius Castoriadis) “A violência é a base da educação de cada um.” (Resposta de um cidadão anônimo entrevistado pela TV sobre as razões da violência) Esses textos (adaptados das fontes citadas) apresentam notícias sobre o crescimento do neonazismo e do neofascismo e também alguns pontos de vista sobre o sentido desse fenômeno. Com base nesses textos e em outras informações e reflexões que julgue adequadas, redija uma Dissertação em Prosa, procurando argumentar de modo claro. A velha ameaça Um dos desafios que a humanidade trouxe para o século XXI é a solução de questões relacionadas à violência e a problemas sociais. Grupos que se autointitulam neonazistas ou neofascistas adquirem cada vez mais adeptos, 108

que utilizam a violência como um instrumento a serviço de seus ideais. Com a queda de diversos regimes ditatoriais e o avanço da democracia, a defesa da liberdade de expressão tornou-se um tema amplamente aceitável e coerente. Muitos dos partidários de teorias racistas e discriminatórias utilizam tal defesa, argumentando que têm direito ao livre pensamento, seja ele intolerante ou não. Nos últimos anos, os grupos extremistas encontraram na rede mundial de computadores, a Internet, um ambiente propício à divulgação de suas ideias. Protegidos pelo anonimato e amparados por pessoas favoráveis aos seus discursos, tais grupos se organizaram e cresceram. Recentes ataques em diversos países atingiram negros, judeus, migrantes, imigrantes e homossexuais. Apesar de geralmente serem considerados fatos isolados, os ataques levam as autoridades a um impasse: deve-se censurar os sites da Internet que contêm mensagens ofensivas, xenófobas e racistas? Ou pode-se apenas reprimir os atos violentos? Enquanto tal discussão começa a ganhar corpo, é necessário que a sociedade analise a ascensão dos grupos neonazistas e neofascistas considerando-se toda a conjuntura social, política e econômica em que vivemos. Tratar o assunto como algo isolado ou passageiro é um grave erro. A intolerância cresce entre pessoas descrentes e sem perspectivas, e adquire força em épocas em que não há empregos suficientes e garantias de vida digna a todos. A humanidade pagou um preço demasiadamente elevado com a ascensão do nazismo e do fascismo. Diz-se, porém, que a História se repete como farsa. O que possivelmente ocorre quando não se aprende a amarga lição que ela nos deixou.


A eterna missão jovem: transformar utopia em realidade Identificar uma geração pela sua faixa etária é, no Brasil, uma generalização que peca pela simplicidade. Tomar como ponto de referência aqueles que conseguem chegar ao Vestibular é, indiscutivelmente, discriminante, pois, a partir de então, a análise fica contida a uma amostra privilegiada pelas suas virtudes socioeconômicas, as quais são decisivas para a compreensão de seu comportamento social e intelectual. Num passado não tão distante, a juventude “Anos 80” saiu às ruas para lutar contra a ditadura, adotando uma postura crítica e simbolizada pela “jovem Guarda”, através das músicas, valores e aspirações. Hoje, a classe média/alta jovem aspira a quê? Julga-se incapaz de mudanças, atribuindo a culpa da situação de miséria e corrupção do país ao governo e à elite (da qual faz parte). Se há alguma manifestação que revele seu posicionamento ideológico, dificilmente esta se dá sem interferência de algum veículo de comunicação. Possui ídolos distantes da realidade brasileira, porque elegeram os dancings no lugar do Chico Buarque e insistem em prestar mais atenção no caso amoroso do Bill Clinton a analisar a inserção da economia brasileira no neoliberalismo, confiada ao reeleito presidente FFHHCC. A questão mais crucial, entretanto, circula entre os valores morais a adotar-se num mundo que padece, nas várias sociedades e culturas, do individualismo e marginalização. O que dizer da juventude que, compondo seu caráter nesta fase da vida, vê-se obrigada a começar competindo e, às vezes, renunciando às suas idealizações de sociedade, explicitamente através do Vestibular, que é uma barreira social imposta, das mais segregadoras? A realidade humana que o

Brasil tem, associada à globalização do consumo massificante abala o convívio em grupo, o respeito ao semelhante e desvincula o ser humano de ação social da mão de obra no mercado consumidor. A juventude pode estar carente de parâmetros, mas concentra em si a virtude inerente à condição de ser jovem: a incessante busca do novo, da experiência e da transformação. Ela continua sendo a esperança para que se vislumbre um futuro melhor. A utilização da formação acadêmica em prol da Nação promove conquistas coletivas e, no dia em que a elite intelectualizada conseguir provar as vantagens a longo prazo, de se dar ao povo saúde, comida e educação, construir-se-á as bases da prosperidade. E esse deve ser o ideal do jovem universitário brasileiro.

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exercícios de vestibulares Os versos abaixo: “Este é o meu lugar, entranhado em meu sangue como a lama no fundo da noite lacustre. E por mais que me afaste, estarei sempre aqui e serei este vento e a luz do farol, e minha morte vive na cioba encurralada” (Ledo Ivo)

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A) apresentam fragmentos de imagens comuns ao poeta, recriados a partir de concepções subjetivas e poéticas. B) mostram estruturas significativas abstratas, destituídas de elementos pitorescos. C) são construções objetivas de um mundo onírico. D) são revelações subjetivas que desestabilizam a imaginação do poeta. E) referem-se a correlações de imagens alheias a um mundo particular do poeta.

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Observe o texto abaixo.

“Nacib olhava pela janela do bar: não poderiam existir mundos distantes que o tirassem do olhar de Gabriela. Pensava” (Jorge Amado). A parte sublinhada do trecho pode também ser reescrita da seguinte forma: A) não poderia haver B) não poderiam haver C) não existiria D) não haveriam E) não poderia existir 110

Nos versos abaixo, o espaço pontilhado pode ser preenchido com a seguinte forma verbal:

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“Bebe enquanto puderes; quando tu e os teus já ................... partido, uma outra gente possa te redimir da terra que te abraça” (Lord Byron). A) tivermos B) tiver C) tivesse D) tivéramos E) tiverdes O texto a seguir é referência para as questões de 4 a 6. [...] Os outros admiravam-se da serenidade de Rodrigo, que encarava Bento a sorrir. E quando falou, dirigiu-se aos que o cercavam: – Vosmecês estão vendo. Esse moço está me provocando... Insolente, Bento Amaral botou as mãos na cintura e disse: – Pois ainda não tinha compreendido? Bibiana sentiu que alguém lhe pegava do braço e arrastava para longe dos dois rivais, abrindo caminho por entre os convivas. Não ergueu os olhos, mas sentiu que esse alguém era seu pai. – Vamos lá pra dentro resolver isso como cavalheiros... – sugeriu Joca Rodrigues, batendo timidamente no ombro de Bento. – Não vejo nenhum cavalheiro na minha frente – retrucou este, mais moderado do que pronun-


ciando as palavras. – Vejo é um patife! O sangue subiu à cabeça de Rodrigo, que teve de fazer um esforço desesperado para não saltar sobre o outro. [...] Veríssimo, Érico. Um certo capitão Rodrigo. São Paulo: Globo, 1991. p. 93 (Fragmento). Das opções abaixo, assinale a única que está em desacordo com o texto.

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A) Provavelmente, o desentendimento entre as personagens Rodrigo e Bento aconteceu em algum evento social, pois havia convivas que observavam a briga. B) Pode-se deduzir, pela atitude da personagem Bibiana, quando a afastam da discussão entre os rivais, que o pai deveria ter uma forte ascendência sobre a filha. C) Há, no excerto da narrativa, indícios do regionalismo brasileiro. D) A personagem Joca Rodrigues deveria ser o anfitrião, porque convida Rodrigo e Bento para entrar. E) Após a última fala do texto, o narrador empregou o pronome demonstrativo “este” (“retrucou este”), referindo-se a Joca Rodrigues. Considerando as frases abaixo, retiradas da narrativa, identifique a opção em que há um pronome demonstrativo que funciona como antecedente de um pronome relativo.

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A) “Os outros admiravam-se da serenidade...” B) “...serenidade de Rodrigo, que encarava Bento...” C) “...dirigiu-se aos que o cercavam...” D) “– Vosmecês estão vendo. Esse moço está me provocando...” E) “...mas sentiu que esse alguém era o seu pai.” Veja como o dicionário Aurélio apresenta o vocábulo pegar. PEGAR. [Do latim picare, ‘untar de pez’.] V. t. d. 1. Fazer aderir; colar, grudar... 2. Agarrar, prender, segurar... 3. Adquirir (enfermidade) por contágio, por debilidade orgânica etc. Quanto ao uso desse vocábulo no excerto “Bibiana sentiu que alguém lhe pegava do braço”, é incorreto afirmar:

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A) sendo o verbo “pegar” transitivo direto, é mais comum a construção: ...alguém lhe pegava o braço. Nesse caso, o uso da preposição “de” (do braço) é expletivo. B) o verbo “pegar” é transitivo direto e a preposição “de” (do braço) pode sair da frase sem prejuízos semânticos. O termo “o braço” é o objeto direto. C) o pronome “lhe”, que se encontra perto do verbo “pegar”, substitui o pronome possessivo “seu” ao acompanhar o substantivo “braço”, indicando posse. D) o pronome “lhe” não é complemento do verbo “pegar” e desempenha função sintática de adjunto adnominal. 111


E) está em desacordo com o padrão, pois, segundo a classificação (V.t.d.), não deveria estar acompanhado da preposição “de”, tampouco aparecer com o complemento indireto (lhe).

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Observe o texto abaixo.

“E para dar um efeito de cor à pele, já há protetores que vêm com tonalizante, outros que contêm estimulante natural de bronzeado e os que têm partículas iluminadoras na fórmula” (Contigo, nov. 2012). Considerando os aspectos estruturais e significativos da língua, é correto afirmar: A) o trecho “já há protetores” não aceita a forma “já existem protetores”. B) o trecho “vêm com tonalizante” pode ser reescrito da seguinte forma: “tem tonalizante”. C) a primeira parte do texto “E para dar um efeito de cor à pele” evidencia uma causa. D) pluralizando a palavra pele, em “efeito de cor à pele”, resta da sentença a seguinte escrita: “efeito de cor à pele”. E) no trecho “os que têm partículas iluminadoras”, a palavra sublinhada não é um artigo definido. O “se”, sublinhado nos versos abaixo, de Fernando Pessoa, inicia, em cada período, oração: “Não sei se a vida é pouco ou demais para mim. Não sei se sinto de mais ou de menos, não sei se me falta crepúsculo espiritual, ponto de apoio na inteligência”

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A) adverbial de caráter condicional. B) coordenada. C) subordinada com função de complemento verbal. D) adjetiva. E) substantiva. O texto a seguir é referência para as questões de 9 a 11. O Brasil nunca sofrerá um grande terremoto? Não dá para descartar uma megatragédia desse tipo, mas a possibilidade é muito pequena. Pelo menos enquanto a gente estiver vivo. “Já devem ter ocorridos grandes terremotos no Brasil há centenas de milhões de anos. Mas, nos dados sismológicos coletados desde o século 18, não há registro de tremor forte em nosso território”, afirma o geólogo João Carlos Dourado, especialista em sismologia da UNESP de Rio Claro (SP). A certeza de que o Brasil era uma terra abençoada por Deus e imune de terremotos, porém, foi abalada no início de dezembro, quando um tremor de 4,9 graus na escala Richter no vilarejo de Caraíbas (MG) causou a primeira morte no país. De fato, o Brasil tem pelo menos 48 falhas pequenas sob sua crosta – uma delas teria causado o chacoalhão fatal. Mas a imagem de um país remendado não é para assustar. Primeiro, porque o Brasil fica no meio de uma placa tectônica, a Sul-Americana, longe das instáveis regiões de contato entre placas. Segundo, porque as fraturas daqui geram no máximo terremotos médios como o de Caraíbas. Mesmo que um abalo atinja uma cidade grande, provavelmente os efeitos não serão devastadores. “As casas do vilarejo desabaram por serem construções muito simples, sem suporte estrutural. Em áreas urbanas, as estruturas são reforçadas e mais resistentes a tremores dessa intensidade”, diz João Carlos. Ratier, Rodrigo. Superinteressante, São Paulo, n. 248, p. 42, jan. 2008.


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Tendo em vista o texto, dadas as seguintes afirmativas,

I. Grandes cataclismos como terremotos dificilmente serão vistos no Brasil pelo fato de esse território estar situado no centro de uma grande placa tectônica. II. Um caso inédito teria, na época, motivado a publicação desse texto: uma pessoa morreu após um abalo sísmico ocorrido no interior de Minas Gerais. III. O geólogo citado no texto consegue minimizar a preocupação dos leitores, afirmando que, se houver terremotos no Brasil, as consequências não serão graves, pois eles ocorrerão em escalas menores. IV. O geólogo não minimiza a preocupação dos leitores e ratifica que, se houver terremotos em áreas urbanas, provavelmente os efeitos serão devastadores, uma vez que as fraturas daqui geram máximos tremores, por ser na junção entre placas, em que elas se movimentam. verifica-se que somente: A) I e IV são verdadeiras. B) II e IV são verdadeiras. C) I e III são verdadeiras. D) IV é verdadeira. E) I, II e III são verdadeiras. No trecho “Segundo, porque as fraturas daqui geram no máximo terremotos médios como o de Caraíbas. Mesmo que um abalo atinja uma cidade grande, provavelmente os efeitos não serão devastadores”, foram des-

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tacadas conjunções. Considerando-se o valor semântico representado por elas, bem como a classificação das orações que encabeçam, em qual opção abaixo há um erro de análise? A) A conjunção “porque” introduz uma explicação sobre o motivo de os terremotos no Brasil virem a ser mais brandos, caso ocorram (coordenada sindética explicativa). B) A conjunção “porque” expressa uma causa sobre o motivo de os terremotos o Brasil virem a ser mais brandos, caso ocorram (subordinada adverbial causal). C) A conjunção “como” estabelece uma comparação entre o tipo de terremoto de Caraíbas, no Brasil, e os outros terremotos do mundo (subordinada adverbial comparativa). D) A locução conjuntiva “mesmo que”, no contexto em que aparece, poderia ser substituída pela conjunção “conquanto”; ambas apresentam, pois, o mesmo valor semântico. E) A locução conjuntiva “mesmo que” expressa uma concessão ou permissão, ou seja, os efeitos dos terremotos serão pequenos, mesmo ocorrendo em cidades grandes (subordinada adverbial concessiva). Nas opções abaixo, somente há uma análise correta acerca da concordância verbal das orações retiradas do texto. Assinale-a.

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A) Em: “Já devem ter ocorridos grandes terremotos no Brasil...”, o verbo auxiliar encontra-se pluralizado para concordar 113


com o sujeito “terremotos”. B) O verbo “haver” no período: “...no Brasil há centenas de milhões de anos”, poderia ser substituído por “fazem”.

O texto a seguir é referência para as questões de 13 a 15. Aquela senhora tem um piano

C) Na oração: “...não há registro de tremor forte em nosso território”, passando para o plural a palavra destacada, teríamos que alterar a forma verbal.

Que é agradável, mas não é o correr dos rios

D) O verbo “ser” na oração: “...provavelmente os efeitos não serão devastadores”, deveria estar no singular em concordância com o termo “provavelmente”.

O melhor é ter ouvidos

E) No período: “Em áreas urbanas, as estruturas são reforçadas...”, o verbo “ser” está pluralizado, concordando com o sujeito “áreas urbanas”. No fragmento de romance abaixo, “O rumor crescia, condensando-se; o zum-zum de todos os dias acentuava-se; já não se destacavam vozes dispersas, mas um só ruído compacto que enchia todo o cortiço” (O cortiço – Aluízio Azevedo). o autor:

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A) estabelece um aglomerado disperso, no qual cada voz é definida pela sua especificidade. B) delimita o campo visual em perspectiva, chamando a atenção do leitor para a monotonia dos espaços marginais. C) apresenta um aglomerado que se determina em função de seu alarido compacto. D) apresenta um quadro urbano destituído de referenciais inerentes a aglomerados periféricos. E) evidencia um mundo distante, alheio à dinâmica das comunidades periféricas. 114

Nem o murmúrio que as árvores fazem... Para que é preciso ter um piano? E amar a Natureza. PESSOA, Fernando. O guardador de rebanhos. Poemas completos de Alberto Caeiro. In: GALHOZ, Maria Aliete. Fernando Pessoa: obra poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1999. p. 213 (Fragmento). Nos versos acima, o poeta Fernando Pessoa explora vários recursos da língua portuguesa a fim de dar maior organicidade ao pensamento, dentre eles a utilização do vocábulo “que”. Há, na primeira estrofe, duas ocorrências desse vocábulo. Sobre isso, é correto dizer que

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A) ambos, nas duas ocorrências, são pronomes relativos e exercem a mesma função sintática: a de sujeito. B) tanto o primeiro quanto o segundo “que” são pronomes relativos e desempenham a função sintática de objeto direto. C) o primeiro “que” é pronome relativo e introduz uma oração subordinada adjetiva; o segundo, é conjunção integrante e introduz uma oração subordinada substantiva. D) ambos são elementos articuladores.


O primeiro “que” é conjunção coordenativa explicativa e o segundo, pronome relativo.

D) II IV e V, apenas.

E) os dois “quês” são recursos de coesão referencial, fazem referência aos antecedentes (“um piano” e “o murmúrio”), respectivamente, e encabeçam orações subordinadas adjetivas.

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Entre as análises abaixo, acerca do texto,

I. Caso trocássemos o verbo “fazer” (3º verso, 1ª estrofe) para o pretérito perfeito do indicativo composto (Nem o murmúrio que as árvores têm feito), haveria mudança de sentido, uma vez que expressa uma ação habitual, que se repete. II. A forma nominal que aparece no 2º verso da 1ª estrofe (“o correr”) é infinitivo impessoal, equivale a um substantivo (corrida). III. Há, no poema, três formas nominais no infinitivo (correr, ter e amar); entretanto, duas delas equivalem a substantivo. IV. No verso “Aquela senhora tem um piano”, o verbo “ter” ficaria no futuro do pretérito do indicativo, se o fato fosse uma suposição ou hipótese (Aquela mulher teria um piano). V. No 2º verso (1ª estrofe), aparecem dois conectores, os quais servem de elementos articuladores entre as orações. Um deles, expressa ideia de adversidade, oposição. Estão corretos os itens A) I e III, apenas. B) I, II, III, IV e V. C) II e IV, apenas.

E) II, III e IV, apenas. Ao comparar o som de um piano ao som produzido pelos elementos da Natureza, o eu lírico tem por objetivo, principalmente, A) comentar as diversas formas de lazer. B) criticar aqueles que não sabem conviver com a natureza e apreciá-la e que, por isso, buscam outras formas de lazer. C) registrar, através de versos modernistas, o comportamento das pessoas. D) condenar as pessoas que gostam das coisas materiais, a exemplo, possuir um piano. E) marcar o uso da subjetividade. Leia o fragmento do poema de Patativa do Assaré, a fim de responder a questão 16. No verdô da minha idade mode acalentá meu choro minha vovó de bondade falava em grandes tesôro era históra de reinado prencesa, prinspe incantado com feiticêra e condão essas históra ingraçada tá selada e carimbada dentro do meu coração. [...] (Patativa do Assaré. Digo e não peço segredo. São Paulo: Escrituras Editora, 2001. p. 15) 115


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A respeito do fragmento poético de Patativa do Assaré, é incorreto dizer: A) há interesse de aproximar a fala e a escrita, com o uso de vocábulos que representam a linguagem regional coloquial. B) o poeta tem consciência da importância de se preservar e registrar a linguagem do povo, além de valorizar costumes e cenários da cultura nordestina. C) no verso “essas históra ingraçada”, somente o pronome “essas” está no plural. Isso, em termos de comunicação, provoca prejuízos semânticos. D) o eu lírico faz uma descrição de sua infância, empregando a coloquialidade. E) as palavras do poema (acalentá, tesôro, históra, prencesa, prinspe, incantado, feiticêra, ingraçada) não foram grafadas e/ou acentuadas de acordo com a norma padrão, porque é um registro da poesia oral.

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A última oração “e o livro anda devagar”, do período abaixo, expressa, dentro do contexto, “O maior defeito deste livro és tu, leitor. Tu tens pressa de envelhecer, e o livro anda devagar” (Machado de Assis). A) um sentido essencialmente de adição de ideias. B) uma adversidade, uma oposição de ideias. C) uma circunstância temporal. D) a ideia de finalidade. E) um complemento verbal.

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Leia com atenção a proposta de redação do concurso, procurando identificar claramente o tema e analisando, a partir de seus conhecimentos sobre o assunto, qual o melhor ângulo de abordagem. ― Defina no rascunho (em 4 a 5 linhas) seu ponto de vista sobre o tema, a partir daquele ângulo de abordagem; defina, a seguir, um título (para seu uso particular, caso não seja exigência da proposta de prova) para sua redação. ― Monte um roteiro, relacionando, por meio de ideias gerais, o que vai colocar na apresentação; no desenvolvimento e na conclusão da redação. ― Releia o roteiro, procurando identificar as ligações possíveis e mais coerentes entre um segmento e outro do texto (entre a apresentação e o desenvolvimento; entre um argumento e outro, no desenvolvimento; entre o desenvolvimento e a conclusão). ― Ao escrever o rascunho, lembre-se que a introdução de um texto dissertativo deve apresentar seu ponto de vista sobre o tema de forma geral (sem detalhes, que vão ser deixados para o desenvolvimento) e contextualizá-lo, identificando, dependendo de cada caso, o tempo, o lugar, enfim, o contexto em que aquele tema faz sentido para você. ― Lembre-se também que, no desenvolvimento, cada argumento deve ser explicado com clareza, objetividade e lógica (começo, meio e fim).


apêndice Capital: Maceió, fundada em: 16/09/1815 Habitante da capital: Maceioense Características Localização: Alagoas, estado brasileiro, fica no leste da região Nordeste Fronteiras: Leste ― Oceano Atlântico Divisas: Norte e Noroeste ― Pernambuco; Sul - Sergipe; Sudoeste ― Bahia Área (km²): 27.933,1 Relevo: Planície litorânea, planalto depressão no centro ― o relevo é modesto, em geral abaixo dos 300m Rios principais: São Francisco, Mundaú, Paraíba do Meio Vegetação: Floresta tropical, mangues litorâneos e caatinga Clima: tropical Municípios (número): 102 (1996) Cidades mais populosas (hab.): Maceió (703.096), Arapiraca (177.957), Palmeira dos Índios (69.541), União dos Palmares (59.021), Penedo (57.943), Rio Largo (56.976), Delmiro Gouveia (45.709)

A economia se baseia na indústria (química, açúcar e álcool, cimento e alimentícia), agricultura, pecuária e extração de sal-gema, gás natural e petróleo. No início do século 16 a região foi invadida pelos franceses. Porém, em 1535, Duarte Coelho, donatário da capitania de Pernambuco, retomou o controle da área para os portugueses. Coelho ainda incentivou o plantio da cana e a construção de engenhos. No século 17 os holandeses ocuparam a área de onde só saíram em 1645. Data também do século 17 a formação do Quilombo dos Palmares, constituído por escravos fugitivos e destruído em 1690. Em 1817 Alagoas tornou-se independente da capitania de Pernambuco. Durante o Império, movimentos como a Confederação do Equador e a Cabanada aí tiveram lugar. Em 1839 a sede do governo foi transferida da antiga cidade de alagoas (hoje Marechal Deodoro) para maceió.

Hora local (em relação a Brasília): a mesma Habitante: Alagoano População: 2.822.621 (2000) Densidade: 101,04 habitantes p/k2 Analfabetismo: 31,8% (2000) Mortalidade infantil: 63

Bandeira de Alagoas 117


A história de Alagoas A história de Alagoas se inicia antes do descobrimento do Brasil, quando o atual território do estado era povoado pelos índios Caetés. A costa do atual Estado de Alagoas, reconhecida desde as primeiras expedições portuguesas, desde cedo também foi visitada por embarcações de outras nacionalidades para o escambo de pau -brasil (Caesalpinia echinata). Quando da instituição do sistema de Capitanias Hereditárias (1534), integrava a Capitania de Pernambuco, e a sua ocupação remonta à fundação da vila do Penedo (1545), às margens do rio São Francisco, pelo donatário Duarte Coelho Pereira, que incentivou a fundação de engenhos na região. Palco do naufrágio da Nau Nossa Senhora da Ajuda e subsequente massacre dos sobreviventes, entre os quais o Bispo D. Pero Fernandes Sardinha, pelos Caetés (1556), o episódio serviu de justificativa para a guerra de extermínio movida contra esse grupo indígenas pela Coroa portuguesa. Ao se iniciar o século XVII, além da lavoura de cana-de-açúcar, a região de Alagoas era expressiva produtora regional de farinha de mandioca, tabaco, gado e peixe seco, consumidos na Capitania de Pernambuco. Durante as invasões holandesas do Brasil (1630-1654), o seu litoral se tornou palco de violentos combates, enquanto que, nas serras de seu interior, se multiplicaram os quilombos, com os africanos evadidos dos engenhos de Pernambuco e da Bahia. Palmares, o mais famoso, chegou a contar com vinte mil pessoas no seu apogeu. Constituiu-se em a Comarca de Alagoas em 1711, e foi desmembrado 118

da Capitania de Pernambuco (Decreto de 16 de setembro de 1817), em consequência da Revolução Pernambucana daquele ano. O seu primeiro governador, Sebastião Francisco de Melo e Póvoas, assumiu a função a 22 de janeiro de 1819. Durante o Brasil Império (1822-1889), sofreu os reflexos de movimentos como a Confederação do Equador (1824) e a Cabanagem (1835-1840). A Lei Provincial de 9 de dezembro de 1839 transferiu a capital da Província da cidade de Alagoas (hoje Marechal Deodoro), para a vila de Maceió, então elevada a cidade. A primeira Constituição do Estado foi assinada em 11 de junho de 1891, em meio a graves agitações políticas que assinalaram o início da vida republicana. Os dois primeiros presidentes da República do Brasil, Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto, nasceram no estado. Barra Grande deve ter sido o primeiro ponto do território das Alagoas visitado pelos descobridores, por ocasião da viagem de Américo Vespúcio, em 1501. Embora não haja referência àquele porto, excelente para a acolhida de navios, como a expedição vinha do norte para o sul, cabe crer que tenha ocorrido ali o primeiro contato com a terra alagoana. A 29 de setembro Vespúcio assinalou um rio a que chamou São Miguel, no território percorrido: a 4 de outubro denominou São Francisco o rio então descoberto, hoje limite de Alagoas com Sergipe. Sem sombra de dúvida, nas décadas seguintes, os franceses andaram pela costa alagoana, no tráfico do pau-brasil com os selvagens dos arredores. Até hoje o porto do Francês documenta a presença, ali, daquele povo.


Duarte Coelho, primeiro donatário da capitania de Pernambuco, realizou uma excursão ao sul; não há documentos que a comprove, mas há evidências de que tenha sido realizada em 1545 e de que dela resulte a fundação de Penedo, às margens do rio São Francisco. Em 1556, voltava da Bahia para Portugal o bispo dom Pero Fernandes Sardinha, quando seu navio naufragou defronte da enseada do hoje pontal do Coruripe. Sardinha foi morto e devorado pelos Caetés, uma das numerosas tribos indígenas então existentes na região. Perdura a crença popular de que a ira divina secou e esterilizou todo o chão manchado pelo sangue do religioso. Para vingá-lo, Jerônimo de Albuquerque comandou uma expedição guerreira contra os Caetés, destruindo-os quase completamente.

partir de 1630, Alagoas, atingida pela invasão holandesa, teve povoados, igrejas e engenhos incendiados e saqueados. Os portugueses reagiram duramente. Batidos por sucessivos reveses, os holandeses já desanimavam, pensando em retirar-se, quando para eles se passa o mameluco Domingos Fernandes Calabar, de Porto Calvo.Grande conhecedor do terreno, orientou os holandeses em uma nova expedição a Alagoas. Os invasores aportaram à Barra Grande, de onde passaram a vários pontos, sempre com êxito. Em Santa Luzia do Norte, a população, prevenida, ofereceu resistência.

Em 1570, uma segunda bandeira enviada por Duarte Coelho, comandada por Cristóvão Lins, explorou o norte de Alagoas, onde fundou Porto Calvo e cinco engenhos, dos quais subsistem dois, o Buenos Aires e o Escurial. Neste último repousou, em 1601, o corsário inglês Anthony Knivet, que viajara por terra após fugir da Bahia, onde estivera prisioneiro dos portugueses.

Após encarniçada peleja, os holandeses recuaram e retornaram ao Recife. Mas, caindo em seu poder o Arraial do Bom Jesus, entre Recife e Olinda, obtiveram várias vitórias. Alagoas, Penedo e Porto Calvo: eis os pontos principais onde se trava a luta em terras alagoanas. Por fim, os portugueses retomaram Porto Calvo e aprisionaram Calabar, que morreu na forca em 1635. Clara Camarão, uma porto-calvense de sangue indígena, também se salientou na luta contra os holandeses. Acompanhou o marido, o índio Filipe Camarão, em quase todos os lances e arregimentou outras mulheres, tomando-lhes a frente.

A guerra holandesa

Criação da comarca

No princípio do século XVII, Penedo, Porto Calvo e Alagoas já eram freguesias, admitindo-se que tais títulos lhes tivessem sido conferidos ainda no século anterior. Foram vilas, porém, em 1636. Repousando a economia regional na atividade açucareira, tornaram-se os engenhos de açúcar os núcleos principais da ocupação da terra. A

Já então apresentavam as Alagoas indícios de prosperidade e desenvolvimento, quer do ponto de vista econômico, quer do cultural. Sua principal riqueza era o açúcar, sendo além disso produzidos, embora em menor escala, mandioca, fumo e milho; couros, peles e pau-brasil eram 119


exportados. As matas abundantes forneciam madeira para a construção de naus. Nos conventos de Penedo e das Alagoas os franciscanos mantinham cursos e publicavam sermões e poesias. Tudo isso justificou o ato régio de 9 de outubro de 1710, criando a Comarca das Alagoas, que somente se instalou em 1711. Daí em diante, a organização judiciária restringia o arbítrio feudal dos senhores, e até o dos representantes da metrópole. A comarca desenvolvia-se. Já em 1730 o governador de Pernambuco, propondo a El-Rei a extinção da decadente capitania da Paraíba, assinalava a prosperidade de Alagoas, com seus quase cinquenta engenhos, dez freguesias, e apreciável renda para o erário real. Ao lado do açúcar, incrementou-se a cultura do algodão. Seu cultivo foi introduzido na década de 1770; em 1778, já se exportavam para Lisboa amostras de algodão tecido nas Alagoas. Em Penedo e Porto Calvo, fabricava-se pano ordinário, para uso, sobretudo, de escravos. Em 1754, frei João de Santa Ângela publicou, em Lisboa, seu livro de sermões e poesias; é a primeira obra de um alagoano. A população crescia, distribuindo-se em várias atividades. Um cômputo demográfico mandado realizar em 1816 pelo ouvidor Antônio Ferreira Batalha registrava uma população de 89.589 pessoas. Capitania independente Três anos depois, em 1819, novo recenseamento acusou uma população de 111 973 pessoas. Contavam-se, então, na província, oito vilas. Alagoas já se constituíra capitania independente da de Pernambuco, criada pelo alvará de 16 de setembro 120

de 1817. A repercussão da Revolução Pernambucana desse ano contribuiu para facilitar o processo de emancipação. O ouvidor Batalha foi o principal mentor da gente alagoana. Aproveitando-se da situação e infringindo as próprias leis régias, desmembrou a comarca da jurisdição de Pernambuco e nela constituiu um governo provisório. Esses atos foram suficientes para abrir caminhos que levaram D. João a sancionar o desmembramento. Sebastião Francisco de Melo e Póvoas, governador nomeado, só assumiu o governo a 22 de janeiro de 1819. Acentuou-se a partir de então o surto de prosperidade de Alagoas. Em 17 de agosto de 1831 apareceu o Íris Alagoense, primeiro jornal publicado na província, assim considerada a partir da independência do Brasil e organização do império. É certo que os primeiros anos de independência não foram fáceis. Uma sequência de movimentos abalou a vida provincial: em 1824, a Confederação do Equador; em 18321835, a Cabanada; em 1844, a rebelião conhecida como Lisos e Cabeludos; em 1849, a repercussão da Revolução Praieira. Mudança da capital Em 1839, a capital, então situada na velha cidade das Alagoas, foi transferida para a vila de Maceió, localizada à beira-mar, no caminho entre o norte, o centro e o sul da província. No processo de mudança defrontaram-se as duas facções políticas mais importantes, uma chefiada pelo mais tarde visconde de Sinimbu, outra pelo juiz Tavares Bastos, pai do futuro pensador Tavares Bastos, nascido, aliás, nesse ano de 1839.Naquele momento a província


possuía oito vilas. Desde 1835 funcionava a assembleia provincial. No governo da província sucediam-se os presidentes nomeados pelo imperador, nem sempre interessados pelos destinos da terra, outras vezes envolvidos por lutas partidárias. A província, contudo, progredia. No campo da economia, vale salientar a fundação, em 1857, da primeira fábrica alagoana de tecidos, a Companhia União Mercantil, no distrito de Fernão Velho. Idealizou-a o barão de Jaraguá, contribuindo dessa forma para o fomento da economia regional. Trinta anos mais tarde, fundou-se a Companhia Alagoana de Fiação e Tecidos, que em 15 de outubro de 1888 se instalou em Rio Largo. Seguiu-se a esta, em 30 de setembro de 1892, a fundação da Companhia Progresso Alagoano, em Cachoeira. Dessa atividade têxtil surgiram, com grande prestígio nacional, as toalhas da Alagoana. O ensino recebeu incentivo com a instalação, em 1849, do Liceu Alagoano, destinado ao nível médio; é hoje o Colégio Estadual de Alagoas. O ensino primário, já beneficiado em 1864 pelo estabelecimento de uma escola normal, hoje funcio-

nando sob a denominação de Instituto de Educação, recebeu expressivo impulso com a criação de novas escolas. Com a fundação, em 1869, do Instituto Arqueológico e Geográfico Alagoano, hoje Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas, desenvolveram-se os estudos históricos e geográficos. Do final do Império ao início da República, incrementou-se o movimento para a construção de engenhos centrais e aperfeiçoamento técnico da fabricação de açúcar, o que iria dar origem às usinas, a primeira delas constituída, todavia, já no período republicano. Os movimentos abolicionista e republicano dos últimos anos da monarquia atingiriam a província, o primeiro deles através da Sociedade Libertadora Alagoana e dos jornais Gutenberg e Lincoln. A campanha abolicionista mobilizou a intelectualidade alagoana, sem entretanto chegar aos excessos da violência. Professores e jornalistas atraíram a mocidade para a campanha, e após a abolição, em 1888, foi um mestre como Francisco Domingues da Silva que teve a iniciativa da criação de um instituto de ensino profissional, destinado aos filhos dos ex-escravos.

Alagoas 121


Grandes Alagoanos Escritor Graciliano Ramos Nasceu em Quebrangulo em 27 de outubro de 1892, um dos principais escritores brasileiros de sua época. Considerado o melhor escritor da 2ª geração modernista. Começou seus estudos numa escola na cidade de Viçosa. Suas principais obras literárias são:

Considerado o príncipe da literatura alagoana. Faleceu em novembro de 1953. Jurista Pontes de Miranda

São Bernardo

Nasceu em Maceió em 23 de abril de 1892 e formou-se em direito. Fixando sua residência no Rio de Janeiro, seu nome adquiriu grande prestígio nos domínios da inteligência. Formou-se em direito, onde teve uma fama que ultrapassou as fronteiras nacionais. Era consultor Jurídico de fama internacional, com vários livros publicados em diferentes línguas. Faleceu em 22 de dezembro de 1979.

Faleceu em 25 de Março de 1953, no Rio de Janeiro.

Escritor Guimarães Passos

Angústia Vidas Secas Caetés

Dicionarista Aurélio Buarque de Holanda Formado em direito, transferiu-se para o Rio de Janeiro, fez parte da Academia Brasileira de Letras. Além de contista, Buarque era dicionarista, tradutor de antologia de contos universais. Ele dá nome ao principal dicionário produzido em português: “O Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa”.

Nasceu em Maceió em 22 de março de 1869. Fez parte da Academia Brasileira de Letras, da qual foi um dos fundadores. Tinha um talento de poesia lírico espontâneo, escreveu para muitos jornais da capital federal. É considerado um dos maiores poetas nacionais. Faleceu em Paris em 10 de setembro de 1909. Esportista Mário Jorge “Lobo” Zagallo

Escritor Jorge de Lima

Único Penta Campeão do planeta!

Nasceu na cidade de União dos Palmares, estudou no colégio Marista de Alagoas, foi poeta e escritor, suas principais obras são:

Nasceu na cidade de Maceió, ainda criança foi morar no Rio de Janeiro, onde tem casa até hoje. Conseguiu vários títulos como jogador de futebol, e como técnico. É o único ser na face da Terra que é penta campeão do Mundo (1958 e 1962 como jogador, 1970 como técnico, 1994 e 2002 como supervisor técnico). Esse feito não foi superado pelo rei do futebol, Pelé.

O Acendedor de Lampiões. O Mundo do Menino Impossível A Mulher Obscura Essa Negra Fulô 122


Músico Djavan Nasceu em Maceió, Alagoas, no dia 27 de janeiro de 1949. Chegou a ser meio-campo do CSA, time de Alagoas. Mas isto não foi por muito tempo, já que logo passou a se dedicar exclusivamente à música. A boa aceitação do meio artístico não demorou para acontecer. Gravações de nomes como Maria Bethânia, Gal Costa e Roberto Carlos tornaram-se sucessos em todo o País. No início da década de 80, Djavan já era um artista consagrado. Hoje ele é considerado um dos maiores mestres da MPB. Músico Hermeto Paschoal Em 1944, com apenas oito anos, este alagoano de Lagoa da Canoa começou a tocar sanfona de oito baixos. A música é a sua grande alegria de viver, fusão de ritmos e apuro técnico. Compositor, arranjador e multi-instrumentista. Cidadão do mundo, respeitado internacionalmente, asseguranos um calendário de sons e significados, harmoniosos e complexos, simplesmente irreverente. Por onde passa, surpreende, produzindo uma calorosa feira de sons e sonhos. Cineasta Cacá Diégues Carlos Diegues nasceu em Maceió, em 1940. Começou suas atividades de cineasta amador fundando, com alguns companheiros universitários, um cine clube na PUC-RJ. Cineasta conhecido no mundo inteiro, com seus filmes sendo rodados regularmente e premiados em festivais internacionais. Em parceria com a TV Cultura, lançou, em 1994, o programa “Veja esta

canção”, pioneiro nas relações cinema / TV brasileira. Diretor de diversos curtametragens e de 15 longa-metragens, aparece junto à população, segundo pesquisas recentes, como o melhor e mais popular cineasta brasileiro. Senador Teotônio Vilela Teotônio Brandão Vilela, alagoano de Viçosa, nasceu em 1917. Jornalista, cronista, ensaísta, empresário e político. Autor de discursos exuberantemente libertários, de amor à terra e ao homem brasileiro. O velho Senador! Um filósofo humanista que soube olhar, com amor e coragem, a sua pátria. Nas suas andanças, sonhou pregando o ideário da democracia, tornou-se, em cada canto do país, símbolo de ética, cidadania e dignidade: o guerreiro da paz, o Menestrel das Alagoas, o menestrel da nacionalidade e da felicidade propriamente dita. Faleceu em 1983. Jornalista Ledo Ivo Ledo Ivo nasceu em Maceió, em 1924. Jornalista, poeta, contista, ensaísta, tradutor, cronista. Desde 1943 reside no Rio de Janeiro. Através de dezenas de trabalhos tem desenvolvido estilo original e um “sempre atualizado” e lúcido compromisso com a linguagem poética. Pertenceu à famosa geração de 45. É membro da Academia Brasileira de Letras. Carpinteiro da palavra. Sabe ser doce e insólito. Inventivo ― eternamente inventivo. Recria sua vida, enraizada na terra nativa. Mestre Zumbi Zumbi (1655-1695) é símbolo de resis123


tência da luta e do sonho do negro pela liberdade. Recebeu o nome de Zumbi em homenagem ao Deus da Guerra. Neto da princesa Aquatune e sobrinho de Ganga Zumba, aprisionado aos sete anos de idade, foi educado por um Padre de Porto Calvo. Em 1670, fugiu para Palmares. Os negros organizados fundaram a República dos Palmares; Zumbi, o rei, lutou contra as expedições escravizadoras. Foi morto no dia 20 de novembro, na Serra de Dois Irmãos, em Viçosa. Este dia foi instituído como marco da luta do negro pela liberdade, o Dia da Consciência Negra. Marechal Deodoro da Fonseca O militar e político Manuel Deodoro da Fonseca (1827 - 1892) nasceu em Santa Maria Madalena da Lagoa do Sul, antiga capital de Alagoas. Participou de várias guerras e batalhas em defesa da pátria. Proclamou a República, tornou-se chefe do Governo Provisório, de 1889 a 1891. Foi eleito o primeiro Presidente do Brasil, em 1891. Seu governo foi marcado por crises sucessivas. Renunciou à República, sendo substituído por outro alagoano, o Marechal Floriano Peixoto. Mestra Virgínia de Moraes Dona Virgínia ou Mestra Virgínia (1916 2003), é alagoana de Rio Novo, Maceió. Mestra de reisado, cantadora, rezadeira, benzedeira, parteira de profissão, autora e intérprete de belíssimos momentos da poesia e da música popular tradicional alagoana. Comandou o grupo de reisado Três Amores. Autêntica e ingênua, encantava pesquisadores, professores, folcloristas, 124

etnomusicólogos, apreciadores e, principalmente, a plateia, com suas músicas singelas e bem inspiradas. Marechal Floriano Peixoto O Marechal Floriano Peixoto (1839 - 1895) nasceu em Ipioca, bairro de Maceió, e fez carreira militar no Rio de Janeiro, onde era respeitado pela sua conduta, chegando a ser eleito vice-presidente da chapa contrária a Deodoro, com uma votação superior a do próprio presidente. Seu governo, de 1891 a 1894, consolidou a República e Floriano passou a ser conhecido como o Marechal de Ferro pelo seu poder e pertinácia, vencendo os rebeldes e adotando medidas que favoreciam as classes mais pobres, até o fim de seu mandato. Médica Nise da Silveira Nise da Silveira (1905-1999) nasceu em Maceió. Formada em medicina, na Bahia, defendeu, com suas teses, um tratamento humanista para os doentes mentais. Reinventou a psiquiatria. A sua paixão pelo inconsciente transparece através da luta e da construção da sua trajetória: fundou o Museu de Imagens do Inconsciente, criou a Casa das Palmeiras, fundou a Sociedade Internacional de Psicopatologia da Expressão (França). Publicou dezenas de livros, textos científicos e catálogos. Recebeu prêmios, títulos e homenagens. Dom Avelar Brandão Dom Avelar nasceu em Viçosa e, enquanto seu irmão Teotônio aspirava a política,


desde cedo se voltou para a vida religiosa, tendo sido ordenado Bispo de Petrolina com apenas 33 anos. Em 1955, foi nomeado Arcebispo Metropolitano de Teresina, no Piauí. Com uma atividade pastoral intensa, Dom Avelar foi nomeado, em 1971, Arcebispo Primaz do Brasil e 23º Arcebispo de Salvador. Dois anos depois, foi eleito em 1985, por ocasião do seu Jubileu Sacerdotal de Ouro. Dom Avelar Brandão Vilela tem seu nome gravado na história da Igreja Católica, como um dos representantes mais lúcidos, ponderados e virtuosos.

logia e Etnografia, em 1941. Era Chefe do Departamento de Ciências Sociais da Unesco, quando faleceu, em Paris, por problemas cardíacos. Arthur Ramos notabilizou-se como antropólogo e etnógrafo, tendo publicado entre outras obras: Os Horizontes Míticos do Negro na Bahia, O Negro Brasileiro, Folclore Negro no Brasil, Introdução à Antropologia Brasileira, A Aculturação dos Negros no Brasil e Estudos de Folclore. Seus livros são, ainda hoje, fontes de consultas indispensáveis a quem se dedica ao estudo da africanologia.

Músico Florentino Dias

Universidade Federal de Alagoas

Florentino Dias nasceu em Alagoas. Aos 9 anos de idade, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde estudou música e se formou pela UFRJ. É fundador e regente titular da Orquestra Filarmônica do Rio de Janeiro. É membro da Academia Internacional de Música na Cadeira de Richard Strauss e da American Symphony Orchestra League. Primeiro e único regente brasileiro homenageado com uma “Batuta de Ouro”, representando o Brasil, como Membro Internacional Order of Merit e pelos Estados Unidos, recebeu, do América Biographical Institute. O “The Presidencial Seal of Honor”, por sua exemplar realização no campo da música.

A Universidade Federal de Alagoas (UFAL) foi criada em 25 de janeiro de 1961 com o objetivo de contribuir para o processo de qualificação dos professores, além de proporcionar o aperfeiçoamento do corpo técnico.

Médico Arthur Ramos Arthur Ramos (1903 - 1949) nasceu em Pilar e formou-se em medicina na Bahia, voltando-se para a clínica psiquiátrica e para os estudos das ciências sociais. Fundou a Sociedade Brasileira de Antropo-

Campus A.C. Simões: Av. Lourival Melo Mota s/n, Tabuleiro Martins – Maceió/ AL. Campus Arapiraca: Av. Manoel Severino Barbosa s/n, Bom Sucesso – Arapiraca/ AL - Fone: (82) 9851-9624 Campus do Sertão: Rua C, bairro Eldorado ― Delmiro Gouveia/AL - Fone: (82) 3641-1935, Polo Palmeira dos Índios: Rua Sonho Verde, S/N, bairro Eucalipto Fone: (82) 3420-1322 Polo Penedo: Av. Beira Rio, s/n, Centro Histórico ― Fone (82) 3551-2784 Polo Santana do Ipanema: Escola Cenecista Santana, Praça Nossa Senhora da Assunção, n° 242, Bairro Monumento - Fone 125


(82) 3621-1458 (endereço provisório) Polo Viçosa: Fazenda São Luiz, S/N Fone: (82) 9941-0150 Cursos Ministrados Campus A.C. Simões: Administração, Agronomia, Arquitetura e Urbanismo, Biblioteconomia, Biologia, Ciências das Computação, Ciências Contábeis, Ciências Econômicas, Ciências Sociais, Comunicação Social com habilitação em Jornalismo e Relações Públicas, Dança, Direito, Educação Física, Enfermagem, Engenharia Civil, Engenharia de Agrimensura, Engenharia Química, Engenharia Ambiental, Farmácia, Filosofia, Física, Geografia, História, Letras, Matemática, Medicina, Meteorologia, Musica, Nutrição, Odontologia, Pedagogia, Psicologia, Química, Serviço Social, Teatro e Zootecnia. Campus Arapiraca: Administração, Agronomia, Arquitetura, Biologia, Ciências da Computação, Educação Física, Enfermagem, Física, Matemática, Química e Zootecnia. Campus do Sertão: Engenharia Civil, Engenharia de Produção, Pedagogia, Letras (Português), Licenciatura em História e Geografia. Palmeira dos Índios: Psicologia e Serviço Social. Penedo: Engenharia da Pesca e Turismo. Santana do Ipanema: Ciências Econômicas e Ciências Contábeis. Viçosa: Medicina Veterinária. Santana do Ipanema: Ciências Econômicas e Ciências Contábeis. Viçosa: Medicina Veterinária. 126

Vestibular O Vestibular da UFAL foi substituído pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A seleção é feita através do Sistema de Seleção Unificada (Sisu). Ensino a distância Administração Pública e Licenciatura em Matemática. Site: http://www.moodleufal.com.br/cied Cotas A UFAL cumpre a Lei das Cotas, que determina que 50% das vagas oferecidas anualmente nos cursos de graduação sejam reservadas para candidatos que cursaram todo o ensino médio em escolas públicas. No Sisu 2013 a reserva foi de 25%. A UFAL precisa chegar aos 50% até o Sisu 2016.


Academia Alagoana de Letras Seu primeiro presidente foi o dr. Moreira e Silva. O atual presidente é Carlos Méro. Patronos Possui, como a Academia Alagoana de Letras, 40 cadeiras numeradas, cada uma delas homenageando um alagoano ilustre já falecido. São seus patronos: •

01 Adriano Jorge

02 Pedro Paulino da Fonseca

03 Ambrósio Lira

04 Torquato Cabral

05 José Alexandre Passos

06 Ciridião Durval

07 Cônego Domingos Fulgino

08 Fausto de Barros

09 Tavares Bastos

10 Moreira e Silva

11 Tomaz Espíndola

12 José Duarte

13 Alves de Amorim

14 Joaquim Cavalcante

15 Sabino Romariz

16 Guimarães Passos

17 Correia de Oliveira

18 M. J. Fernandes de Barros

19 Cônego João Machado de Melo

20 Augusto de Oliveira

21 João Severiano da Fonseca

22 Rosalvo Ribeiro

23 Visconde de Sinimbu

24 Alves de Farias

25 Sebastião de Abreu

26 Melo Moraes

27 Oliveira e Silva

28 Franco Jatobá

29 Aristeu de Andrade

30 Inácio de Barros Acioli

31 Ladislau Neto

32 Dias Cabral

33 Olímpio Galvão

34 Barão de Penedo

35 Roberto Calheiros

36 Inácio dos Passos

37 Mesquita das Neves

38 Messias de Gusmão

39 Afonso de Mendonça

40 Zadir Índio

Membros Dentre seus membros mais famosos temse o imortal e ex-presidente da Academia Alagoana, Lêdo Ivo; o lexicógrafo Aurélio Buarque de Hollanda Ferreira; e o ex -presidente do Brasil Fernando Collor de Mello.

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referências BAGNO, Marcos. Preconceito Linguístico. São Paulo: Loyola, 1999. BALDI, Elizabeth. Leitura nas séries iniciais. Porto Alegre: Editora Projeto, 2009. BUSSATO, Cléo. Práticas de Oralidade. Cortez, 2010 CARNEIRO, Agostinho Dias. Redação em Construção. São Paulo: Moderna, 2003. COLOMER, Tereza. Ensinar a ler, ensinar a compreender. Editora Arimed, 2002 CHIAPPINI, Ligia. Aprender e ensinar com textos de alunos. 3ed. São Paulo: Cortez. 2000. FAULSTICH, Enilde. Como ler, entender e redigir um texto. Editora Vozes, 2002. FÁVERO, Leonor Lopes. Oralidade e escrita: Perspectivas para o ensino de língua materna. Editora Cortez, 2012. FAZENDA, Ivani Catarina. Interdisciplinaridade: Um projeto em parceria. São Paulo: Loyola, 1991. GOMMES, Admmauro. Estudos Literários e sociolinguísticos. Recife: Bagaço, 2007. MORAIS, Arthur Gomes de. Ortografia: Ensinar a aprender. Editora Ática. 2002 MAZZAROTTO, Luiz Fernando. Manual de Redação. São Paulo: DCL, 2008. Parâmetros Curriculares Nacionais- MEC (Ministério da Educação e do desporto). Redação Prática / Equipe DCL. São Paulo: DCL, 2009. SOLÉ, Isabel. Estratégias de Leitura. 6ed. Porto Alegre: Artmed, 1998.

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Desafios da Redação  

Projeto gráfico, capa e diagramação feitos para desafio editorial

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