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CENTRO BRASILEIRO DE ESTUDOS EM ECOLOGIA DE ESTRADAS | ANO 0 | N. 3

Linearidades

Rodovias e  UCs  

Diagnós(co nacional Projeto

Influência da  paisagem  no  atropelamento  de  fauna   silvestre  no  norte  do  RS Workshop  CBEE 1

Ecologia de  Estradas:  Experiências  aplicadas


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DOUTORADO EM ECOLOGIA DE ESTRADAS

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O Laboratório de Manejo e Conservação Ambiental, da UFLA, busca candidatos a doutorado para execução de projeto de pesquisa com monitoramento de sagui (Callithrix penicillata) utilizando rádiotelemetria. O projeto já está aprovado e todos os equipamentos deverão estar disponíveis a partir de setembro de 2012. Maiores informações podem ser obtidas com o Prof. Alex Bager (abager@dbi.ufla.br). O(s) candidato(s) pré-selecionado(s) deverá(ão) se inscrever no processo seletivo do Programa de Pós-graduação em Ecologia Aplicada - UFLA.

DIAGNÓSTICO: RODOVIAS E UCS No último dia 30 de maio o Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas concluiu a primeira fase de um diagnóstico do impacto de empreendimentos lineares em Unidades de Conservação (UC) do Brasil.

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Destas Unidades, 171 afirmaram apresentar impactos por atropelamento de fauna selvagem (Fig. 1) e mais de 73% acreditam que estudos sobre este tema são importantes para o manejo da UC (Fig. 2).

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A totalidade dos resultados serão apresentados no Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação, em Natal (mais informações no próximo número do Linearidades) e, posteriormente, em artigo que será elaborado por pesquisadores do CBEE.

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Unidades de Conservação

Foram obtidos dados de mais de 250 UCs que responderam questões referentes a Pessoal, Caracterização da UC, Impactos de empreendimentos lineares e Medidas de mitigação.

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Importância no manejo

150 100 50 0 Sim

Não Fig. 1

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Não sei

Unidades de Conservacão

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Se você é gerente ou analista de uma unidade de conservação, e não participou do diagnóstico, por favor entre em contato com o CBEE pelo email (cbee@dbi.ufla.br).


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INFLUÊNCIA DA PAISAGEM NO ATROPELAMENTO DE FAUNA SILVESTRE NO NORTE DO RS

Paulo A. Hartmann

Universidade Federal da Fronteira Sul O projeto reúne pesquisadores que desenvolvem ações conjuntas visando a obtenção de dados voltados a estabelecer estratégias de manejo e conservação da natureza. O objetivo principal do projeto é realizar estudo de avaliação da relação dos impactos de rodovias sobre a fauna de vertebrados terrestres com a paisagem no entorno, com vistas ao desenvolvimento de protocolos de amostragens e estabelecimento de estratégias de mitigação. Para atingir estes objetivos estabelecemos um delineamento amostral para: (1) quantificar espaço-temporalmente o impacto causado por atropelamento sobre as populações de fauna silvestre; (2) correlacionar taxas de atropelamento das principais espécies afetadas com as características fisionômicas do entorno; e (3) estabelecer uma lista de espécies prioritárias a conservação, em função das características ecológicas das espécies que podem potencializar o atropelamento. Entendemos que a quantificação dos atropelamentos em função de escalas temporais (e.g. dia, meses ou anos) ou espaciais (e.g. km), pode ser uma importante ferramenta para conservação quando relacionada a aspectos da fisionomia no entorno das estradas e as características ecológicas das espécies. Estamos desenvolvendo amostragens, desde janeiro de 2012, em duas rodovias no norte do Estado do Rio Grande do Sul. Escolhemos rodovias que apresentam, por um lado, semelhanças de volume de tráfego e estruturais e, por outro lado, diferenças na paisagem no entorno. Em função destes critérios elegemos as seguintes rodovias: RS-331, que liga

DISPOSITIVO SERIA CAPAZ DE LIMPAR PETRÓLEO DA ÁGUA Vazamentos de petróleo afetam a biodiversidade marinha,e pensando neste contexto um pesquisador coreano projetou uma ferramenta que seria capaz de limpar áreas afetadas pelos vazamentos. Sua invenção, denominada BioCleaner, é composta por filtros que separam a água do petróleo, e dentro do filtro estão presentes bactérias capazes de degradar o petróleo, além de um sistema de ondas acústicas, que emitem ondas de alta frequência que afastam os animais dos locais afetados. Se concretizado o projeto, este seria um grande aliado para mitigar os impactos causados devido aos derramamentos de petróleo. 3

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os municípios de Erechim e Gaurama e RS-420, que liga os municípios de Erechim e Aratiba, ambas no norte do Rio Grande do Sul. As análises buscam identificar possíveis padrões, como agrupamentos maiores ou menores de atropelamentos (maior ou menor frequência), correlacionados com os elementos da paisagem no entorno.

O projeto analisará a relação da paisagem de entorno e o atropelamento da fauna de vertebrados terrestres Para a visualização e análise dos dados coletados estamos utilizando um banco de dados georrelacional em um Sistema de Informações Geográficas (SIG), cuja montagem ocorre em ambiente SPRING (Sistema de Processamento de Informações Georeferenciadas). Nas análises e interpretações dos dados obtidos, utilizamos recursos do sensoriamento remoto provenientes do SRTM (Shuttle Radar Topographic Mission) refinados pelo projeto TOPODATA e imagens dos satélites Lantdsat V e CBERS 2b (HRC). Os dados do SRTM permitem a produção de Modelos Numéricos de Terreno (MNT), possibilitando analisar a topografia das regiões de estudo. Utilizando-se de imagens orbitais dos satélites Landsat V e CBERS 2b é possível verificar e mapear a ocorrência de fragmentos de cobertura vegetal nativa numa faixa marginal de até 5 km das rodovias estudadas. O projeto tem duração prevista de dois anos e tem participação de alunos de graduação e pós-graduação e apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul – FAPERGS.


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ECOLOGIA DE ESTRADAS MÓDULO DE EXPERIÊNCIAS APLICADAS

Entre os dias 26 a 29 de julho estará ocorrendo a primeira atividade de extensão presencial do CBEE em 2012. Esta atividade, denominado Experiências Aplicadas, reunirá quatro mestrandos, duas doutorandas e o Prof. Alex Bager, além de outros colaboradores, que discutirão durante três dias as atividades de pesquisa que estão sendo desenvolvidas pelo Laboratório de Manejo e Conservação Ambiental, do Programa de PósGraduação em Ecologia Aplicada da UFLA.

Primeira atividade de extensão presencial do CBEE em 2012 Esta atividade será uma troca de experiências e uma intensa atividade de discussão sobre temas importantes da Ecologia de Estradas, priorizando o delineamento experimental e a análise de dados. Todas as apresentações estarão relacionadas a projetos em execução ou publicações realizadas pelo Grupo de Pesquisa. Serão três dias de discussões, que em alguns momentos serão intercaladas com propostas de exercícios (traga seu notebook) e um dia de atividades práticas diversas (visitas as áreas de amostragens de alguns projetos, discussão de dados e delineamentos experimentais, entre outros). Os temas abordados serão: Ecologia de Estradas.- uma introdução Atropelamento de fauna • 15 anos de experiências • Influência da amostragem na tomada de decisão de medidas de mitigação • Hotspots e sua variação espaço-temporal Efeitos marginais de rodovias em pequenos mamíferos • Influência na composição e estrutura da comunidade

CBEE ABRE DUAS VAGAS PARA ESTÁGIO VOLUNTÁRIO O Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas estará selecionando dois estagiários de instituições de ensino superior para atuarem em atividades de pesquisa e extensão. Em breve a Pró-reitoria da Universidade Federal de Lavras estará liberando as inscrições para estágio durante o segundo semestre de 2012 (ver http:// www.proec.ufla.br/). Interessados devem verificar a existência de convênios entre as instituições e as normas e documentos necessários para se inscrever. As normas do processo seletivo serão informadas posteriormente.

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• Translocações como método de avaliação de efeitos marginais • Uso de técnicas de carretel na definição de efeitos marginais • Efeito barreira em espécies arborícolas Efeitos marginais de rodovias em grandes mamíferos •Influência na composição e estrutura da comunidade Paisagem influenciando o atropelamento de fauna e a vegetação •Fauna •Fragmentos Medidas de mitigação •Análise da eficiência de um sistema •Hierarquização de quilômetros prioritários à implantação de medidas de mitigação Banco de dados de atropelamento de fauna Cada um dos temas será abordado em diferentes profundidades e terão tempos distintos de discussão, definidos em função do interesse do público presente. O workshop está sendo parcialmente subsidiado pelo CBEE, o que reduzirá o valor do investimento para R$ 90,00, independente de estudante ou profissional. Inscrições realizadas no dia do evento terão um valor de R$ 140,00. Clique AQUI para realizar sua inscrição. M a i o re s i n f o r m a ç õ e s p o d e m s e r o b t i d a s p e l o e m a i l cbee@dbi.ufla.br.


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VIAGEM DE 7 MIL KM DO ANDORINHÃO AMERICANO

Estudos realizados por pesquisadores americanos desvendaram um mistério que perdurava por 165 anos: o desaparecimento anual do andorinhão-pretoamericano (Cypseloides niger borealis). Tal ave se reproduz na América do Norte entre os meses de maio e setembro e quando chega o inverno a espécie migra em busca de temperaturas mais amenas. A ave viaja por cerca de 7 mil km, passando pela América Central e realizando paradas periódicas sobre bancos de rochas até chegar ao hemisfério sul. Agora nós sabemos que, a ave também tem o Brasil como destino, onde na Amazônia passa cerca de seis meses. Isso reforça mais uma vez a importância da preservação da floresta, que é o abrigo da espécie na América do Sul.

PASSAGENS DE FAUNA - NOVAS PESQUISAS Será que as plataformas e a vedação complementar reduzem os impactos negativos das estradas? Pablo Villalva, Dyana Reto, Margarida Santos-Reis, Eloy Revilla, Clara Grilo Ao longo das últimas décadas a comunidade científica tem concentrado esforços de forma a encontrar soluções que permitam minimizar a mortalidade por atropelamento e o efeito barreira associado à presença das estradas (ver Grilo et al. 2010). As passagens existentes ao longo das estradas, nomeadamente as passagens hidráulicas (PH), embora originalmente não desenhadas como passagens de fauna, têm sido adaptadas de forma a poder aumentar a permeabilidade destas estruturas ao movimento dos indivíduos entre os dois lados da via. No entanto, ainda se desconhece em muitos casos, a sua verdadeira eficácia. O protocolo de colaboração estabelecido entre a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e a BRISA Autoestradas de Portugal S.A. (concessionária de 1000km de autoestrada) teve como objetivo avaliar a eficácia da instalação de plataformas em passagens hidráulicas (PH) que retêm água a maior parte do ano, para garantir a permeabilidade das estradas, e de vedações complementares para reduzir a mortalidade. As espécies alvo de

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estudo foram os mesocarnivoros (raposa Vulpes vulpes, fuinha Martes foina, texugo Meles meles, lontra Lutra lutra e geneta Genetta genetta) que apresentam taxas de mortalidade na ordem dos 47 ind./100km/ano (Grilo et al. 2009). Para tal, foram selecionadas 31 PH onde se colocou vedação complementar de malha fina e enterrada em 100m de cada lado de cada passagem e em 15 PH das quais foram instaladas plataformas de madeira. A videovigilância e o pó de mármore foram os métodos utilizados para avaliar o uso das plataformas durante sete noites consecutivas em cada estação do ano entre o outono de 2008 e o verão de 2009. A comparação do número de atropelamentos 15 meses antes e depois da colocação da rede complementar, permitiu verificar a eficácia da vedação. Os resultados apontam para uma resposta positiva por parte dos mesocarnivoros às plataformas, sobretudo das espécies florestais e de menor porte como a fuinha e a geneta. A partir de uma profundidade de água de 3cm, estas duas espécies utilizavam as plataformas. Ao contrário do esperado, a rede complementar não surtiu efeito na redução da mortalidade. Há três explicações para este insucesso: 1) os 100m de rede em cada lado da PH não foi suficiente para reduzir do número de atropelamentos; 2) a rede não possuía uma estrutura no topo para impedir o acesso ao outro lado da rede, e 3) o tempo de monitorização não foi suficiente para verificar o efeito das redes. Com base nestes resultados, recomendamos a colocação de plataformas em PHs que mantenham água durante a maior parte do ano e onde não existam outro tipo de passagens numa distância igual ao diâmetro médio de uma área de vida destas espécies. No que diz respeito às redes complementares, sugere-se testar três abordagens: 1) 100 m de rede com estrutura no topo que impeça o acesso dos indivíduos pelo lado superior da mesma, 2) uma maior extensão de rede sem a estrutura de topo e 3) uma maior extensão de rede com estrutura no topo. Estas abordagens devem-se realizar em segmentos de estrada com elevada incidência de atropelamentos para se obter resultados mais conclusivos.


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MUDANÇAS CLIMÁTICAS E AS ESPÉCIES Estudos divulgaram os possíveis impactos causados sobre mamíferos devido às mudanças climáticas. Um fator analisado foi a capacidade de deslocamento dos animais em questão, isto é, sua capacidade de mudar de hábitat frente às mudanças climáticas. Os pesquisadores salientam que, apesar de o planeta já ter passado por mudanças climáticas no passado, atualmente barreiras como estradas e cultivos agrícolas causam grandes impactos, impedindo o deslocamento das espécies. Tal fator contribui para elevar as estatísticas das possíveis espécies ameaçadas.

CONGRESSO DISCUTIRÁ ECOLOGIA DE ESTRADAS A Associação Internacional de Ecologia de Paisagens do Brasil (IALE-Br) realizará o II Congresso Brasileiro de Ecologia de Paisagens (II IALE-Br), de 10 a 12 de setembro de 2012, em Salvador, Bahia. O evento contará com o Simpósio : "Ecologia de Estradas: Perspectivas em Ecologia de Paisagens para Conservação da Biodiversidade". O Simpósio terá como palestrantes o Dr. Alex Bager (CBEE, UFLA), a Dra. Simone R. Freitas (UFABC) e o MSc. Giordano Ciocheti (UFSCAR). O Dr. Alex fará um histórico da Ecologia de Estradas no Brasil por meio da palestra "Retrospectiva e tendências da Ecologia de Estradas no Brasil". A Dra. Simone, coordenadora do Simpósio, fará a conexão entre Ecologia de Estradas e Ecologia de Paisagens enfocando florestas tropicais por meio da palestra "O papel das estradas na mudança da paisagem: o caso das florestas tropicais" e o MSc. Giordano abordará questões metodológicas associadas à previsão dos atropelamentos de fauna por meio da palestra

"Previsão de atropelamentos de fauna: da coleta de dados a modelagem ecológica".

Com este simpósio espera-se discutir os avanços da Ecologia de Estradas no Brasil Espera-se com este simpósio mostrar e discutir os avanços da Ecologia de Estradas no Brasil e como esta área de pesquisa se relaciona com a Ecologia de Paisagens, destacando suas aplicações à conservação da biodiversidade.

O Simpósio Impacto de las rutas sobre la conservación de la fauna: Conociendo sus efectos y proponiendo mitigaciones, realizado em Salta - Argentina, em maio, foi um grande sucesso. Organizado pelo Dr. Carlos Borghi e com participação de outros cinco palestrantes, permitiu uma rica oportunidade de troca de experiências entre os dois países. Foi possível constatar que, apesar da ausência de grupos bem estabelecidos de pesquisa na Argentina, os pesquisadores estão desenvolvendo pesquisa básica e desenvolvimento de tecnologias de grande importância para ecologia de estradas na América do Sul.

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CONTRIBUIÇÕES A LINEARIDADES aceita contribuições nos seguintes segmentos: Resenhas de projetos em desenvolvimento ou finalizados (não encaminhar propostas de projetos); Resenhas de artigos científicos e monografias (graduação, mestrado, doutorado e especialização) (Encaminhar cópia em PDF junto com a resenha); Notícias nacionais e internacionais; Eventos; Oportunidades de estágios, bolsas, empregos em Ecologia de Estradas; Fontes de financiamento de projetos.

Resenhas devem ter, no máximo, 500 palavras e incluir uma fotografia que esteja associada ao material enviado. Incluir nome e contatos do responsável pela informação.

EQUIPE Coordenação Alex Bager

Responsável Lívia Villela Email: linearidades.cbee@gmail.com Tel.: 35 3829 1928 Equipe de apoio • Clara Maia • Clarissa Alves da Rosa

Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas Universidade Federal de Lavras - Departamento de Biologia Campus Universitário, s/n - Lavras - MG - 37200 000 Email: cbee@dbi.ufla.br Web: www.dbi.ufla.br/cbee (em construção) Telefone: 35 3829 1928

Linearidades Ano 0 N 3  

Revista mensal do Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estrada

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